sábado, 14 de janeiro de 2012

O mundo que vemos não tem nada a ver com Deus


LIÇÃO 14

Deus não criou um mundo sem significado*.

1. A ideia para hoje é, evidentemente, a razão pela qual é impossível um mundo sem significado. Aquilo que Deus não criou não existe. E tudo o que existe existe tal qual Ele o criou. O mundo que vês não tem nada a ver com a realidade. Ele é de tua própria autoria e não existe.

2. Os exercícios para hoje devem ser praticados de olhos fechados do início ao fim. O período de exame mental deve ser curto, um minuto no máximo. Não faças mais do que três períodos de prática com a ideia de hoje, a menos que os aches agradáveis. Se achares, será porque compreendes realmente para que servem.

3. A ideia para hoje é outro passo no aprendizado de abandonar os pensamentos que escreves no mundo e ver a Palavra de Deus em lugar deles. Os passos iniciais nesta troca, que pode verdadeiramente ser chamada de salvação, podem ser bem difíceis e até bem dolorosos. Alguns deles te conduzirão diretamente ao medo. Não serás abandonado aí. Irás muito além disso. Nosso rumo é em direção à segurança e à paz perfeitas.

4. De olhos fechados, pensa em todos os horrores do mundo, que passam por tua mente. Cita cada um à medida que te ocorre e, em seguida, nega sua realidade. Deus não o criou e, portanto, ele não é real. Dize, por exemplo:

Deus não criou aquela guerra e, portanto, ela não é real.
Deus não criou aquele acidente aéreo e, portanto, ele não é real.
Deus não criou aquela calamidade [especifica] e, portanto, ela não é real.

5. Os sujeitos adequados para a aplicação da ideia de hoje também podem incluir qualquer coisa que tenhas medo que te aconteça ou a qualquer pessoa com quem estejas preocupado. Em cada caso, cita a "desventura" de forma bem específica. Não uses termos genéricos. Por exemplo, não digas "Deus não criou a doença", mas "Deus não criou o câncer", ou ataques cardíacos, ou o que quer que desperte medo em ti.

6. Isto para que olhas é teu repertório pessoal de horrores. Estas coisas são parte do mundo que tu vês. Algumas delas são ilusões compartilhadas e outras são partes de teu inferno pessoal. Não importa. Aquilo que Deus não criou só pode estar em tua própria mente separado da d'Ele. Por isso, não tem nenhum significado. Em reconhecimento deste fato, conclui os períodos de prática repetindo a ideia de hoje:

Deus não criou um mundo sem significado.

7. A ideia para hoje pode, obviamente, ser aplicada a qualquer coisa que te perturbe durante o dia, à parte dos períodos de prática. Sê muito específico ao aplicá-la. Dize:

Deus não criou um mundo sem significado. Ele
não criou [especifica a situação que está te
perturbando] e, portanto, isto não é real.

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*NOTA DA TRADUÇÃO: Continua a valer a observação feita para as lições 11 e 12.


*

COMENTÁRIO:

Utilizando parte do comentário feito a esta mesma lição no ano passado, vamos nos perguntar novamente neste sábado, dia 14 de janeiro:

Depois de todas estas lições que falam a respeito do que significam e não significam as coisas que vemos, os pensamentos que temos a respeito do que vemos e os significados que damos às coisas e a nossos pensamentos a respeito das coisas, será que já estou pronto para abrir mão da ideia que este mundo é criação de Deus? 


Quando pensas acerca do mundo e das coisas pensamos com palavras ou com imagens? Será que é possível pensar sem palavras? Sem imagens? E como será parar de pensar? Será que se pararmos de pensar morremos?  Ou vamos para um lugar desconhecido de que temos muito medo? Acho que já falamos disso, lembrando do que diz Eckhart Tolle acerca de nosso medo de interromper o processo de pensar.

O que se pode dizer é que as palavras ou as imagens de que se fazem nossos pensamentos não servem para dar significado à experiência por que passamos, no processo de pensar. Tudo o que elas podem fazer, conforme eu disse também no ano passado, é dar-nos uma pálida noção de que em determinadas circunstâncias, em um determinado momento, nós sentimos isto ou aquilo, mas o sentimento que as palavras descrevem não é de forma alguma o modo que sentimos. As palavras não conseguem reproduzir o sentimento, a sensação. E mais, cada um de nós sente de forma única. Indescritível.


É por isso que a ideia para as práticas de hoje tem de ser considerada com muita atenção. Para que vejamos, todos e cada um de nós, que não é possível que Deus tenha criado um mundo aparentemente tão diferente, um mundo que nenhuma das pessoas que o habita é capaz de reconhecer, quando descrito por outra. Isso prova que cada um cria e constrói seu mundo a partir daquilo que traz dentro de si e que Deus não tem nada a ver com isso. Isto é, quando o mundo de alguém é aparentemente o resultado de um vida baseada na crença de que somos todos separados uns dos outros e de Deus.  
 
Esse é certamente um mundo que Deus não criou. E não importa o que fomos e somos levados a acreditar, a respeito dele, do mundo, e de Deus. Importa mesmos é que, com as práticas da ideia de hoje podemos começar a questionar nossas próprias crenças. Questionar os significados que damos ao mundo. Questionar a atribuída autoria deste mundo a Deus. E, quem sabe, questionar também aquilo que nos mostra a percepção, para vermos que aquilo que às vezes se apresenta a nós como sendo um horror talvez seja apenas parte de nossa própria ilusão de mundo, para repetir ainda um trecho do comentário anterior. 


Às práticas?


sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

De que podemos sentir medo na verdade?


LIÇÃO 13

Um mundo sem significado* gera medo.

1. A ideia de hoje é, na verdade, outra forma da anterior, exceto que ela é mais específica em relação à emoção despertada. De fato, um mundo sem significado é impossível. Não existe nada sem significado. No entanto, disso não decorre que não pensarás que percebes algo que não tem nenhum significado. Ao contrário, estarás particularmente inclinado a acreditar que, de fato, o percebes.

2. O reconhecimento da falta de significado desperta profunda ansiedade em todos os separados. Ele representa uma situação em que Deus e o ego "desafiam" um ao outro para decidir de quem é o significado a ser escrito no espaço vazio que a falta de significado oferece. O ego se lança de modo frenético para estabelecer suas próprias ideias aí, com medo de que, caso não o faça, o vazio seja utilizado para demonstrar sua própria impotência e irrealidade. E somente nisto ele está correto.

3. Por isso, é essencial que aprendas a reconhecer o sem significado e a aceitá-lo sem medo. Se tiveres medo, é certo que dotarás o mundo de características que ele não possui e o atulharás de imagens que não existem. Para o ego, ilusões são dispositivos de segurança, do mesmo modo que elas também têm de ser para ti, que te equiparas ao ego.

4. Os exercícios para hoje, que devem ser feitos cerca de três ou quatro vezes por não mais do que mais ou menos um minuto no máximo, de cada vez, devem ser práticados de um modo um pouco diferente dos anteriores. De olhos fechados, repete a ideia de hoje para ti mesmo. Em seguida, abre os olhos e olha a tua volta lentamente dizendo:

Estou olhando para um mundo sem significado.

Repete esta declaração para ti mesmo enquanto olhas ao teu redor. Então, fecha os olhos e conclui com:

Um mundo sem significado gera medo porque eu penso
que estou em competição com Deus.

5. Podes achar difícil evitar algum tipo de resistência a esta declaração final. Seja qual for a forma que tal resistência possa tomar, lembra-te de que estás, de fato, com medo de tal pensamento por causa da "vingança" do "inimigo". A esta altura, não se espera que acredites na declaração e, provavelmente, a rejeitarás como absurda. Observa com muito cuidado, porém, quaisquer sinais de medo, evidentes ou dissimulados, que ela possa despertar.

6. Esta é nossa primeira tentativa de declarar uma relação explícita de causa e efeito de um tipo que estás muito inexperiente para reconhecer. Não te demores na declaração final e tenta nem mesmo pensar nela, exceto durante os períodos de prática. Neste momento isso será suficiente.

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*NOTA DE TRADUÇÃO: Valem as observação feitas para as lições 11 e 12.

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COMENTÁRIO:

Lembram-se do comentário que fiz para esta lição em 13 de janeiro de 2010? E do comentário de 2011?

Parece-me que, incluindo apenas pequenas alterações, devo lembrá-los mais uma vez, já que nós todos, ou quase todos, de uma forma geral, como eu disse lá e repito aqui, ainda estamos aparentemente buscando o caminho para nós tornarmos aquilo que já somos e de que esquecemos. Ou para nos lembrarmos de que, como o Curso diz, a jornada que fazemos é uma jornada sem distância. E de que nosso esquecimento só se deu, e se dá, em função do medo que temos de enfrentar as crenças que nos foram ensinadas ao longo do tempo.

Revendo, pois, ligeiramente o que eu dizia nos dois últimos anos a respeito da ideia que vamos praticar nesta sexta-feira, 13, [isso lhes traz algum medo?, a lembrança de alguma superstição aprendida no passado?] o comentário era o seguinte: 


A lição deste dia 13 de janeiro começa, de forma mais contundente, a colocar "o dedo na ferida". A apontar as razões pelas quais nos apegamos às ilusões de mundo que construímos. E me faz lembrar de que o maior medo do ego (o falso eu), que pude observar e perceber até o presente - não apenas nos grupos de estudos de UCEM, mas em todas as circunstâncias em que alguém tem de enfrentar uma verdade que desafia seu modo de ver e de pensar o mundo -, é o de ter de abandonar suas crenças. É o de ter de se desfazer de suas ilusões. É o de perder o poder e o controle que pensa exercer sobre corpos e mentes daqueles que se acreditam apenas corpos, e que começam a despertar.

É certo que um mundo sem significado só pode gerar medo, uma vez que estamos todos, de algum modo, quer conscientes disso ou não, buscando um sentido para nossas vidas. E ouvir dizer que o mundo não tem significado pode ser uma verdadeira bofetada nas crenças que acalentamos. Tirar do mundo, e das coisas do mundo, o significado que damos a ele, e a elas... a tudo aquilo a que nos apegamos é como tirar o chão sobre o qual pisamos. Como viver, então, se aquilo em que acreditávamos, de fato, não existe? Como seguir adiante se tudo o que fazemos, na verdade, é repetir os equívocos, em função de vivermos prisioneiros das memórias e lembranças de um tempo -  o passado - que já não existe, ou de basearmos e dirigirmos nossas ações para outro tempo - o futuro - que também não existe?

Por isso, entre outras coisas, estou certo de que vale a pena continuar as práticas. Na pior das hipóteses, elas vão ensinar as formas pelas quais podemos dedicar mais e mais nossa atenção ao presente, a nós mesmos, a olharmos para dentro à procura do Ser, do que somos verdadeiramente, a calar a voz do falso eu e a buscar ouvir a Voz por Deus em nós mesmos. Vão nos permitir fazer, de fato, a escolha de abandonar cada vez mais o julgamento que o mundo ensina. E a limpar nossas memórias, para agirmos no mundo a partir da inspiração do presente. O único tempo que existe. 


Na verdade, só podemos nos sentir inseguros, indefesos e sujeitos a quaisquer ataques, quando nos esquecemos de Deus. Isto é, quando damos realidade à crença na separação. O medo que podemos sentir nada mais é do que acreditar que Deus em algum momento pode nos abandonar. Ou porque pecamos, ou porque não nos consideramos merecedores de Seu perdão, de Seu amor. Ou porque não nos vemos como filhos d'Ele. De fato, isso tudo é parte da ilusão que o mundo do falso eu nos ensina, e que as práticas vão nos ajudar a desaprender.

E aí pergunto de novo: que lhes parece? Faz sentido?


OBSERVAÇÃO: Acho que até vale a pena dar uma passada de olhos nos comentários que "rolaram" no ano passado. Até porque, com a mudança de locais e momentos, algumas circunstâncias a respeito das quais alguém comentou lá continuam as mesmas. O que significa que muitos de nós ainda mantemos as mesmas crenças na possibilidade de que este período do ano - qualquer que seja ele - traga desastres e enchentes e provoque mortes e desabamentos e deixe pessoas desabrigadas. É interessante notar que nos esquecemos de que, com Deus, nunca estamos sem abrigo.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

"O coração contente tem um banquete contínuo."


LIÇÃO 12

Estou transtornado porque vejo um mundo sem significado*.

1. A importância desta ideia está no fato de que ela contém uma correção para uma distorção básica de percepção. Tu pensas que aquilo que te transtorna é um mundo assustador, ou um mundo triste, ou um mundo violento, ou um mundo doente. Todas estas características são dadas a ele por ti. O mundo em si mesmo não tem significado.

2. Estes exercícios são feitos com os olhos abertos. Olha ao teu redor, desta vez bem devagar. Tenta regular teu ritmo de forma que a passagem lenta de teu olhar de uma coisa para outra envolva um intervalo de tempo razoavelmente constante. Não permitas que o tempo da passagem se torne marcadamente mais longo ou mais curto, mas tenta, em lugar disso, manter um andamento sereno e uniforme do início ao fim. O que vês não importa. É isso que ensinas a ti mesmo quando dás a qualquer coisa sobre a qual teu olhar pouse atenção e tempo iguais. Este é um passo inicial no aprendizado de dar valor igual a todas elas.

3. Enquanto olhas ao teu redor, dize a ti mesmo:

Penso ver um mundo amedrontador, um mundo
perigoso, um mundo hostil, um mundo triste,
um mundo perverso, um mundo louco,

e assim por diante, usando quaisquer termos descritivos que te ocorrerem. Se te ocorrerem termos que parecem mais positivos do que negativos, inclui-os. Por exemplo, podes pensar em "um mundo bom", ou em "um mundo satisfatório". Se tais termos te ocorrerem usa-os juntamente com os outros. Podes não entender ainda por que estes adjetivos "amáveis" são adequados a estes exercícios, mas lembra-te de que um "mundo bom" pressupõe um "mau" e um "mundo satisfatório" pressupõe um "insatisfatório". Todos os termos que passarem por tua mente são sujeitos adequados para os exercícios de hoje. Sua qualidade aparente não importa.

4. Certifica-te de não alterares os intervalos de tempo entre as aplicações da ideia de hoje àquilo que pensas ser agradável e àquilo que pensas ser desagradável. Para os propósitos destes exercícios, não há nenhuma diferença entre eles. No final do período de prática, acrescenta:

Mas estou transtornado porque vejo um mundo sem significado.

5. Aquilo que não tem significado não é bom nem mau. Por que, então, um mundo sem significado deveria te transtornar? Se pudesses aceitar o mundo como sem significado e permitir que a verdade fosse escrita sobre ele para ti, isso te faria indescritivelmente feliz. Mas, em razão de ele ser sem significado, és impelido a escrever nele aquilo que queres que ele seja. É isto o que vês nele. É isto que não tem significado na verdade. Por baixo de tuas palavras está escrita a Palavra de Deus. A verdade te transtorna agora, mas quando tuas palavras forem apagadas, verás as d'Ele. Este é o propósito fundamental destes exercícios.

6. Três ou quatro vezes são suficientes para a prática da ideia para hoje. Os períodos de prática também não devem exceder um minuto. Podes achar até mesmo isso longo demais. Interrompe os exercícios sempre que experimentares uma sensação de inquietude.

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*NOTA DE TRADUÇÃO: Continua valendo a observação feita ontem a respeito da expressão sem significado como equivalente a sem sentido para traduzir a palavra original: meaningless.

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COMENTÁRIO:

A ideia que vamos praticar nesta quinta-feira, dia 12 de janeiro, oferece a possibilidade de uma mudança radicar em nosso modo de ver o mundo. E esta possibilidade está aberta a todos, o tempo todo. O que é preciso fazer para transformá-la em realidade? Nada! Absolutamente nada! Basta tomar a decisão de aderir às práticas para aceitar viver a Vontade de Deus de alegria completa e perfeita para todos e cada um de nós. Uma historinha de um livro que leio no momento talvez sirva para ilustrar o que esta decisão pode trazer a nossas vidas.


Estou traduzindo livre e diretamente do original, de Rabbi Zelig Pliskin, a apresentação de um livro que se intitula Happiness [Felicidade]. Se houver algum errinho, peço-lhes desculpas antecipadas. A historinha de que lhes falo começa assim: 


"Fui capturado por um inimigo que tinha um único objetivo: tornar minha vida infeliz. Não sofri torturas físicas, só emocionais. Fui privado de toda a alegria. Recebi alimento suficiente para continuar vivo, mas nada mais. Fui sutilmente advertido acerca do que me aconteceria no futuro, e isso me encheu de preocupação e ansiedade. Fui levado a me sentir culpado, inferior e inútil. Recebi constantes insultos e humilhações. Disseram-me: "Se tiveres quaisquer sentimentos de esperança no futuro, desiste. Tu vais sofrer pelo resto de tua vida".


"Não seria horrível ser vítima de tal inimigo? Infelizmente, muitas pessoas são. E o inimigo que cria tamanha infelicidade são elas mesmas. Elas pensam e agem dentro de padrões que lhes causa intenso sofrimento, ainda que desnecessário. O modo com que falam consigo mesmas e as imagens interiores que visualizam lhes causa muita infelicidade.


"É possível ir de uma vida de tortura a si  mesmo para uma vida de alegria? Minha experiência provou que a resposta é sim. Tu tens a capacidade de cria felicidade para ti mesmo independente de qual tenha sido tua realidade emocional até agora. A maioria das pessoas não sofre tanto quanto está descrito aqui. Mas elas têm vidas emocionais muito limitadas. Não experimentam uma fração da alegria que está disponível para todos os que aprendem a usar sua mente de forma inteligente.


"Tu crias tua realidade emocional em teu cérebro [em tua mente]. Cria uma vida de alegria. Como? [Mudando tua forma de pensar. Invertendo o modo de pensar do mundo. As práticas servem para isso.] Tu foste criado à imagem do Criador e merece uma vida de alegria. Não roubes esta alegria de ti mesmo. Exige teu legítimo direito. 


"O Rei Salomão, em sua sabedoria, nos deu sua fórmula para a felicidade. "o coração contente tem um banquete contínuo" (Provérbios, 15, 15). O "coração contente" é o coração de uma pessoa que aprecia sempre o que tem. Tal pessoa sempre tem uma razão para celebrar. [E] esta pessoa pode ser tu. (...)


A porta para uma vida de felicidade está aberta diante de ti."


Às práticas? 



quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Aprendendo a inverter o modo de pensar do mundo


LIÇÃO 11

Meus pensamentos sem significado* me mostram
um mundo sem significado.

1. Esta é a primeira ideia que temos que está relacionada a uma fase fundamental do processo de correção: a inversão do modo de pensar do mundo. Parece que o mundo determina o que percebes. A ideia de hoje apresenta o conceito de que teus pensamentos determinam o mundo que vês. Alegra-te, de fato, por praticar a ideia em sua forma inicial, pois nesta ideia tua liberação está assegurada. A chave para o perdão está nela.

2. Deve-se empreender os períodos de prática da ideia de hoje de um modo um pouco diferente dos anteriores. Começa com os olhos fechados e repete a ideia para ti mesmo lentamente. Em seguida, abre os olhos e olha ao teu redor, perto e longe, para cima e para baixo - para qualquer lugar. Durante o minuto aproximado a ser passado usando a ideia, repete-a para ti mesmo simplesmente, seguro de fazê-lo sem pressa e sem nenhuma sensação de urgência ou esforço.

3. Para fazer estes exercícios com o máximo benefício, os olhos devem se mover de uma coisa para outra de forma razoavelmente rápida, uma vez que não devem se demorar em nada em particular. As palavras, no entanto, devem ser usadas de uma forma calma, até mesmo vagarosamente. A apresentação a esta ideia, em particular, deve ser praticada do modo mais casual possível. Ela contém a base para a paz, para o relaxamento e para a liberdade que estamos tentando alcançar. Ao concluires os exercícios, fecha os olhos e repete a ideia para ti mesmo lentamente mais uma vez.

4. Três períodos de prática provavelmente serão suficientes. Todavia, se houver pouca ou nenhuma inquietude e uma inclinação a fazer mais, pode-se empreender até cinco períodos. Não se recomenda mais do que isso.
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*NOTA DE TRADUÇÃO: A expressão sem significado, traduzida do original meaningless, também poderia ser traduzida por sem sentido, sem prejuízo do significado/sentido do texto original, em meu modo de entender. Em outros contextos também se pode pensar em traduzir meaningless por inútilinsignificante.

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COMENTÁRIO:

Nesta quarta-feira, dia 11 de janeiro, entramos em contato com a ideia que pode nos fazer dar um salto gigantesco na direção de corrigir a percepção. Ela nos permite, como o texto afirma, inverter o modo de pensar do mundo. E é exatamente isto que precisamos fazer para experimentar a paz e a alegria que são o estado natural dos filhos de Deus, conforme já vimos antes.


É claro que o sistema de pensamento do falso eu, que aparentemente constrói este mundo, quer nos levar a pensar que é o mundo que determina aquilo que percebemos. Ou, dizendo de outra forma, para o modo de pensar do mundo, se eu estou vivendo um momento de tristeza, é porque alguma coisa aconteceu para me deixar triste. A ideia para as práticas de hoje revelam que o contrário é que é verdadeiro. Isto é, eu criei em minha mente um estado de tristeza - um pensamento sem significado - e ele me mostrou/projetou alguma coisa para justificar tal estado.


Se pensarmos bem, lembrando-nos de tudo aquilo por que passamos em nossa vida, e lembrando também de nossas experiências anteriores com as ideias que o Curso nos apresenta para as práticas, haveremos de concluir que, sim!, somos nós mesmos que pedimos que as experiências se apresentem e que nada nos chega ao conhecimento sem que tenhamos pedido. E, se concentramos nossa atenção em pensamentos sem significado - todos aqueles que nos afastam da alegria, que é nossa condição natural -, é óbvio e lógico que só vamos conseguir ver um mundo sem significado.


É importante notar ainda que a ideia para as práticas de hoje traz consigo a garantia de nossa libertação, pois, como o texto diz, "nela está a chave para o perdão". Ou será que vou continuar me negando a perdoar um mundo que não tem significado. Se o que vejo nele pode ser classificado de inútil ou insignificante, como deixar de perdoá-lo? Perdoando-o é a mim mesmo que perdoo. Pois tudo o que condeno no mundo é apenas aquilo que condeno em mim mesmo. As práticas vão me mostrar isto. 


Às práticas?

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A oportunidade para a libertação das crenças falsas


LIÇÃO 10

Meus pensamentos não significam nada.

1. Esta ideia se aplica a todos os pensamentos de que estás ciente, ou dos quais te tornes ciente nos períodos de prática. A razão pela qual a ideia é aplicável a todos eles é que eles não são teus pensamentos verdadeiros. Fizemos esta distinção antes e a faremos novamente. Tu ainda não tens nenhuma base para comparação. Quanto tiveres, não terás nenhuma dúvida de que aquilo que acreditavas serem teus pensamentos não significava nada.

2. Esta é a segunda vez que usamos este tipo de ideia. Apenas a forma é ligeiramente diferente. Desta vez a ideia é apresentada com "Meus pensamentos" em lugar de "Estes pensamentos" e não se faz nenhuma ligação com as coisas ao teu redor de modo evidente. Agora a ênfase está na falta de realidade daquilo que pensas que pensas.

3. Este aspecto do processo de correção começou com a ideia de que os pensamentos de que estás ciente são sem significado, estão fora de ti em vez de estarem dentro e, em seguida, enfatizou-se sua condição de passados em lugar de sua condição de pensamentos presentes. Agora enfatizamos que a presença destes "pensamentos" significa que não estás pensando. Este é simplesmente outro modo de repetir nossa declaração anterior de que tua mente é, de fato, um espaço em branco. Reconhecer isto é reconhecer o nada, quando pensas que o vês. Como tal, este é o pré-requisito para a visão.

4. Fecha os olhos para estes exercícios e começa-os repetindo a ideia de hoje para ti mesmo bem devagar. Acrescenta em seguida:

Esta ideia ajudará a me liberar de tudo aquilo em que acredito agora.

Os exercícios, como antes, consistem em investigar tua mente em busca de todos os pensamentos disponíveis para ti, sem seleção ou julgamento. Tenta evitar qualquer tipo de classificação. De fato, se achares útil fazê-lo, poderias imaginar que estás vendo passar uma procissão estranha e sortida de pensamentos, que tem pouco ou nenhum significado pessoal para ti. À medida que cada um passa por tua mente, dize:

Meu pensamento sobre __________ não significa nada.
Meu pensamento sobre __________ não significa nada.

5. A ideia de hoje pode servir obviamente para qualquer pensamento que te aflija em qualquer momento. Além disso, recomenda-se cinco períodos de prática, cada um envolvendo não mais do que cerca de um minuto de exame mental. Não se recomenda que o tempo do período seja estendido, e ele deve ser reduzido para meio minuto ou menos, se experimentares desconforto. Lembra-te, porém, de repetir a ideia lentamente antes de aplicá-la de forma específica e também de acrescentar:

Esta ideia ajudará a me liberar de tudo aquilo em que acredito agora.

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COMENTÁRIO:

Pensando ainda no comentário feito à lição de ontem, em que lhes falei da "falsa identificação de quem experimenta com o objeto experimentado", que, de acordo com Patanjali, é a responsável por todo e qualquer sofrimento que venhamos a experimentar, vamos aproveitar a ideia para as práticas desta terça-feira, dia 10 de janeiro, para aprender a evitar todo e qualquer sofrimento. É possível, se pensarmos e chegarmos à aceitação do que a ideia nos diz, isto é, meus pensamentos não significam nada.


Logo, sempre que pensarmos em sofrimento, dor, medo, mágoa, ressentimento, raiva, ódio, ou qualquer outra forma de transtorno e aplicarmos a qualquer uma delas a ideia de hoje seremos capazes de nos libertar da sensação que aquela forma de transtorno nos traz. Simples, não?


É claro que é simples. Mas nem por isso podemos dizer que é fácil, uma vez que estamos há anos, uns mais, outros menos, sendo bombardeados pelas ideias e pensamentos que serviram ao falso eu para construir este mundo em que aparentemente vivemos. Um mundo construído como forma de nos separarmos uns dos outros e de Deus. Um mundo pensado para dar realidade à crença na separação e nas diferenças.


Lembram-se de que eu lhes disse a respeito desta lição, no comentário feito a ela no ano passado, que ela nos oferecia, por ser uma das ideias mais importantes e poderosas ideias com que já tivemos contato, uma ótima oportunidade para nos libertarmos de todas as crenças falsas, com base nas quais, muitas vezes de forma inconsciente, fazemos nossas escolhas e colhemos, igual número de vezes, resultados indesejáveis?

Lembram-se ainda do comentário de Tara Singh para esta lição? Entre outras coisas, ele dizia: 

"O Curso insiste em que leiamos devagar, isto é, com atenção. A atenção pergunta: O que isto significa? O que se está pedindo que eu perceba? O Curso pede que trabalhemos com a lição de forma precisa, objetiva. Sabemos o que isso significa? Alguma vez tu és preciso? [Objetivo?] Se fizéssemos estas exigências a nós mesmos, seríamos responsáveis e sábios. Não seríamos mais vagos, indiferentes ou casuais. Cada lição nos oferece um desafio do qual nossa vontade quer escapar. Meus pensamentos não significam nada é um desafio e tanto." 

É de fato um desafio e tanto! Uma ideia de difícil compreensão. Uma ideia que como a anterior podemos até pensar que compreendemos intelectualmente, mas que ainda não estamos preparados para aceitar como verdadeira. Não lhes parece? 

Precisamos lembrar, no entanto, que compreender significa principal e fundamentalmente aceitar. Só a aceitação pode trazer resultados ao aprendizado. E só podemos chegar à aceitação pelas práticas. 


Às práticas, pois não?

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Para nos livrarmos das falsas identificações


LIÇÃO 9

Eu não vejo nada tal como é agora.

1. Esta ideia, obviamente, resulta das duas anteriores. Mas, embora possas ser capaz de aceitá-la intelectualmente, é improvável que ela signifique alguma coisa para ti por enquanto. Contudo, neste ponto a compreensão não é necessária. De fato, o reconhecimento de que não compreendes é um pré-requisito para desfazer tuas ideias falsas. Estes exercícios se ocupam da prática, não da compreensão. Tu não precisas praticar aquilo que já compreendes. Na verdade, visar à compreensão e pressupor que já a tens seria andar em círculos.

2. É difícil para a mente não treinada acreditar que aquilo que ela parece retratar não existe. Esta ideia pode ser bastante assustadora e pode encontrar resistência ativa sob inúmeras formas. No entanto, isso não impede sua aplicação. Não se pede nada mais do que isso para estes exercícios ou quaisquer outros. Cada pequeno passo afastará um pouco as trevas e a compreensão finalmente virá para iluminar cada canto da mente que tenha ficado livre dos escombros que o escureciam.

3. Estes exercícios, para os quais três ou quatro períodos de prática são suficientes, envolvem olhar ao redor de ti e aplicar a ideia do dia a qualquer coisa que vejas, lembrando-te da necessidade de aplicação que não faça distinções e da regra essencial de não excluíres nada. Por exemplo:

Eu não vejo esta máquina de escrever tal como ela é agora.
Eu não vejo este telefone tal como ele é agora.
Eu não vejo este braço tal como ele é agora.

4. Começa com as coisas mais próximas de ti e depois estende o alcance para fora:

Eu não vejo aquele cabide de casacos* tal como ele é agora.
Eu não vejo aquela porta tal como ela é agora.
Eu não vejo aquele rosto tal como ele é agora.

5. Salienta-se mais uma vez que, embora não se deva tentar uma inclusão total, tem-se de evitar qualquer exclusão específica. Certifica-te de que és honesto para contigo mesmo ao fazer esta distinção. Podes ser tentado a escondê-la.



*NT: Vide nota à tradução da lição conforme publicação em 9 de janeiro de 2010. 

*

COMENTÁRIO:

Vejam só que interessante. Procuro e procuro, e procuro e mais procuro, e nada de encontrar. Queria usar mais uma vez alguma coisa dos comentários de Tara Singh [lembram-se dos comentários a estas dez primeiras lições feitos no ano passado?] para ampliar e estender a reflexão a respeito da ideia que o Curso nos oferece para as práticas nesta segunda-feira, dia 9 de janeiro. Não achei.


Mas vejam só o que achei em um livro que traz alguns aforismos iogues de Patanjali, comentados por Swami Prabhavananda e Christopher Isherwood. Ao falar a respeito do sofrimento em um dos aforismos, Patanjali diz que ele pode ser evitado, já que "o sofrimento é provocado pela falsa identificação de quem experimenta com o objeto experimentado". O comentário feito por Swami e Christopher se vale do Bhagavad-Gita que diz a certa altura que:


A alma iluminada...
pensa sempre: "Não estou fazendo nada."
Seja lá o que for que veja,
ouça, toque, cheire, coma,
Estará sempre certa de que:
"Não estou vendo, não estou ouvindo;
são os sentidos que veem e ouvem
e tocam as coisas sensíveis".


Não lhes parece que isso tem tudo a ver com aquilo que vamos praticar com a ideia de hoje, e que certamente está intrinsecamente ligado a todas as ideias anteriores de nossas práticas? Eis aí, eu diria, a razão por que estas primeiras lições são tão importantes. Elas nos dão o fundamento lógico a partir do qual podemos desmontar o aprendizado do mundo, baseado nos sentidos, tão enganadores quanto o falso eu, cuja meta é nos convencer de que somos, de fato, capazes de ver e de que tudo o que existe é apenas a ilusão de um mundo que, parece-nos, construímos a partir dos sentidos.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Vemos apenas a projeção de nossos pensamentos


LIÇÃO 8

Minha mente se preocupa com pensamentos do passado.

1. Esta idéia, é claro, é a razão pela qual vês só o passado. Ninguém vê coisa alguma realmente. O que alguém vê é apenas seus pensamentos projetados para fora. A preocupação da mente com o passado é a causa da concepção equivocada do tempo de que sofre tua visão. Tua mente não pode apreender o presente, que é o unico tempo que existe. Por isso, ela não pode entender o tempo e não pode, de fato, entender nada.

2. O único pensamento totalmente verdadeiro que alguém pode ter acerca do passado é que ele não está aqui. Pensar a seu respeito de qualquer modo é, portanto, pensar em ilusões. Muito poucos perceberam claramente o que, de fato, retratar o passado ou prevenir-se para o futuro traz como consequência. Na verdade, quando faz isso, a mente está vazia, pois não está de fato pensando a respeito de nada.

3. O objetivo dos exercícios de hoje é começar a treinar tua mente a reconhecer quando ela não está pensando em absoluto. Enquanto ideias irrefletidas preocuparem tua mente a verdade fica bloqueada. Reconhecer que tua mente está simplesmente vazia, ao contrário de acreditar que ela está cheia de ideias verdadeiras, é o primeiro passo para abrir caminho para a visão.

4. Os exercícios para hoje devem ser feitos de olhos fechados. Isso porque, de fato, não podes ver nada e é mais fácil reconhecer que, não importa quão vivamente possas retratar um pensamento, não estás vendo nada. Com o menor envolvimento possível, investiga tua mente por cerca de um minuto, como de costume, observando apenas os pensamentos que encontras aí. Cita cada um deles pela imagem ou tema central que contenha e passa ao seguinte. Começa o período de prática dizendo:

Parece que estou pensando sobre ____________ .

5. Em seguida, cita cada um de teus pensamentos de modo específico, por exemplo:

Parece que estou pensando sobre [ nome de uma
pessoa], sobre [nome de um objeto], sobre [nome
de uma emoção],

e assim por diante, concluindo, no final do período de exame da mente com:

Mas minha mente se preocupa com pensamentos do passado.

6. Isso pode ser feito quatro ou cinco vezes durante o dia, a menos que aches que te irrita. Se achares o exercício difícil, duas ou três vezes são suficientes. Contudo, podes achar útil incluir, no próprio exame da mente, tua irritação, ou qualquer emoção que a ideia de hoje possa causar.

*

COMENTÁRIO:

Por que nos julgamos sabedores, conhecedores, da verdade a respeito de qualquer coisa de que nos fale alguém? Por que acreditamos - acreditamos? - ser capazes de fazer o(s) outro(s) ver(em) a verdade a respeito de alguma situação que vem/vêm nos contar? Por que achamos - achamos? - que nossos conselhos, nossa experiência, pode ajudar alguém a se sentir melhor, quando esse alguém vem nos falar de algum problema que está enfrentando?


A ideia para as práticas deste domingo, dia 8 de janeiro, vem nos mostrar o quanto estamos enganados a respeito de nossa pretensa sabedoria, de nosso grande, enorme, conhecimento, de nossa dita capacidade de ver. Pois, na verdade, como a lição ensina, "ninguém realmente vê nada", a não ser seus próprios pensamentos acerca de algo que não existe projetados para fora de si mesmo [um lugar que também não existe].


Isto quer dizer que o primeiro passo, conforme ensina a lição, para se chegar à visão, à verdadeira visão, é reconhecer que não vemos nada, que tudo o que nossos pensamentos - que já passaram - fazem é tão-somente bloquear, impedir que a verdade se mostre.


Em outras palavras, todos, ou quase todos - a maioria deles - os pensamentos que nos vêm à mente são recorrências de coisas que já aconteceram - e nos assusta e põem medo - ou que pensamos que podem acontecer - para nos assustar e pôr medo. E tudo o que isso faz é impedir que entremos em contato com o único tempo que existe verdadeiramente: o presente. Aqui e agora.


É isso o que queremos de verdade para nossas vidas? Não? Às práticas, pois. Para mudar isso. Para nos abrirmos à visão.