quinta-feira, 2 de julho de 2026

Somos só uma ideia à imagem e semelhança de Deus

 

LIÇÃO 183

Invoco o Nome de Deus e o meu próprio.

1. O Nome de Deus é santo, mas não é mais santo do que o teu. Invocar o Nome de Deus é apenas invocar teu próprio nome. Um pai dá seu nome ao filho e, assim, identifica o filho consigo. Os irmãos dele compartilham o nome e, deste modo, ficam unidos por um laço ao qual se voltam em busca de sua identidade. O Nome de teu Pai te lembra de quem tu és, mesmo em um mundo que não sabe; mesmo que tu não te lembres.

2. O Nome de Deus não pode ser ouvido sem resposta, nem dito sem um eco na mente que te convida a lembrar. Dize o Nome d'Ele e convidas os anjos a envolverem o solo em que te encontras e a cantarem para ti enquanto abrem suas asas para te manter seguro e te proteger de todo pensamento mundano que se intrometeria em tua santidade.

3. Repete o Nome de Deus e todo o mundo responde abandonando as ilusões. Cada sonho a que o mundo dá valor desaparece subitamente e, onde ele parecia estar, encontras uma estrela; um milagre da graça. Os doentes se levantam, curados de seus pensamentos doentios. Os cegos podem ver; os surdos podem ouvir. Os infelizes abandonam sua lamentação e as lágrimas de dor secam quando o riso feliz vem para abençoar o mundo.

4. Repete o Nome de Deus e os nomes insignificantes perdem o sentido. Todas as tentações se tornam apenas uma coisa inominável e indesejável diante do Nome de Deus. Repete o Nome d'Ele e vê com que facilidade esqueces os nomes de todos os deuses que valorizaste. Eles perdem o nome de deus que lhes deste. Tornam-se anônimos e inúteis para ti, embora, antes de deixares que o Nome de Deus substitua seus nomes insignificantes, ficasses diante deles em adoração chamando-os de deuses.

5. Repete o Nome de Deus e invocas teu Ser, Cujo Nome é o d'Ele. Repete o Nome d'Ele e todas as coisas pequeninas e inomináveis sobre a terra assumem a perspectiva correta. Aqueles que invocam o Nome de Deus não podem confundir o inominável pelo Nome, nem o pecado pela graça, nem corpos pelo Filho santo de Deus. E, se te unires a um irmão, enquanto te sentas com ele em silêncio, e repetires o Nome de Deus junto com ele em tua mente calma, estabeleces aí um altar que alcança o Próprio Deus e Seu Filho.

6. Pratica apenas isto hoje: repete o Nome de Deus lentamente muitas e muitas vezes. Esquece todos os nomes a não ser o d'Ele. Não ouças mais nada. Deixa que todos os teus pensamentos se prendam a isto. Não usamos nenhuma outra palavra exceto no início, quando declaramos a ideia de hoje apenas uma vez. E, então, o Nome de Deus se torna nosso único pensamento, nossa única palavra, a única coisa que ocupa nossas mentes, o único desejo que temos, o único som com algum significado e o único Nome de tudo o que desejamos ver, de tudo o que chamaríamos de nosso.

7. Deste modo fazemos um convite que não pode ser recusado nunca. E Deus virá e Ele Mesmo o atenderá. Não penses que Ele ouve as preces inúteis daqueles que O invocam com os nomes de ídolos que o mundo preza. Eles não podem alcançá-Lo desta forma. Ele não pode ouvir os apelos a Ele para não ser Ele Mesmo, ou para que Seu Filho receba outro nome que não o d'Ele.

8. Repete o Nome de Deus e O reconheces como o único Criador da realidade. E reconheces também que Seu Filho é parte d'Ele, criando em Seu Nome. Senta em silêncio e deixa que o Nome d'Ele se torne a ideia todo-abrangente que ocupa por completo tua mente. Deixa que todos os pensamentos silenciem exceto este. E responde a todos os outros com isto e vê o Nome de Deus substituir os milhares de nomes insignificantes que deste a teus pensamentos, sem te aperceberes de que há um único Nome para tudo o que existe e para tudo o que existirá.

9. Hoje podes chegar a um estado no qual experimentarás a dádiva da graça. Podes escapar de toda a escravidão do mundo e dar ao mundo a mesma liberação que achaste. Podes lembrar daquilo que o mundo esqueceu e lhe oferecer tua própria lembrança. Hoje podes aceitar o papel que desempenhas na salvação do mundo e também em tua própria salvação. E ambas podem se realizar por completo.

10. Volta-te para o Nome de Deus para tua liberação e ela te é dada. Não é necessário nenhuma prece a não ser esta, pois ela contém todas em si. As palavras são insignificantes e todos os apelos desnecessários quando o Filho de Deus invoca o Nome de seu Pai. Os Pensamentos de seu Pai se tornam seus próprios pensamentos. Ele reclama para si tudo o que seu Pai deu, ainda dá e dará para sempre. Ele Lhe pede que deixe que todas as coisas que ele pensava ter feito fiquem sem nome agora e que, no lugar delas, o santo Nome de Deus seja sua compreensão da inutilidade delas.

11. Todas as coisas insignificantes estão quietas. Agora os sons insignificantes são inaudíveis. As coisas insignificantes da terra desaparecem. O universo não se constitui de nada que não do Filho de Deus, que invoca seu Pai. E a Voz de seu Pai responde em Nome do santo Nome de seu Pai. Neste relacionamento eterno e sereno, no qual a comunicação transcende de longe todas as palavras e ainda supera a profundidade e a elevação do que quer que as palavras poderiam transmitir, está a paz eterna. Em nome de nosso Pai queremos experimentar esta paz hoje. E, em Nome d'Ele, ela nos será dada.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 183

Caras, caros,

Dentre as lendas e mitos que incorporamos a nossas vidas, está o mito da criação do mundo, por um Deus que se sentia só. Depois do mundo criado, criados o homem e a mulher, a história tomou um rumo diferente daquele que "Deus" poderia imaginar, de acordo com as narrativas que foram sendo registradas ao longo do tempo.

Entre estas narrativas, encontramos também a história de Moisés, salvador do povo judeu do cativeiro dos egípcios. E Moisés, reza a lenda, subiu ao Monte Sinai e, lá, recebeu as Tábuas da Lei. Os Dez Mandamentos que encontramos no Antigo Testamento da Bíblia judaico-cristã. Entre os principais mandamentos se encontram o que exorta as pessoas a amarem a Deus sobre todas as coisas e a não tomarem seu santo nome em vão.

Ora, o Nome de Deus é nosso próprio nome, o nome de cada uma e de cada um de nós, criadas e criados à sua imagem e semelhança. Mas não da forma que nos ensina o sistema de pensamento do ego, que nos diz que nós somos corpos. À imagem e semelhança de Deus, somos ideias, espíritos de luz, não corpos.

É disto que vamos tratar nas práticas com a ideia que o ensinamento reserva para nós neste dia. 

"Invoco o Nome de Deus e o meu próprio."

Invocar o nome de Deus é invocar também meu próprio nome, uma vez que fui criado à imagem e semelhança d'Ele/Ela [lembrando-nos de que esta semelhança não tem absolutamente nada a ver com o corpo, uma vez que, tal qual Deus, o que somos é espírito. Ideias.]. É n'Ele/Ela que encontro minha verdadeira Identidade, minha realidade além das aparências e além da falsa identidade que aceitei ao acreditar no que me diz o ego, a partir da percepção dos sentidos e do corpo, com o que ele se confunde e com o qual quer me confundir.

Assim, meio que repriso uma vez mais um comentário anterior a esta mesma lição, com pequenas alterações e acréscimos, por continuar gostando dele. Creio, quer dizer, continuo a crer que ele exprime alguns aspectos de nosso envolvimento com a percepção dos sentidos, da forma e do corpo, aos quais muitas vezes não estamos atentos, em atentas, distraídos e distraídas que estamos de nós mesmos e de nós mesmas a maior parte do tempo. Posso dizer, então, de novo que a ideia que o Curso nos oferece para as práticas de hoje, tem tudo a ver com aquilo que Eckhart Tolle diz a respeito das palavras no segundo capítulo de seu livro Um Novo Mundo - O Despertar de uma Nova Consciência.

E penso, continuo a pensar, que o que ele diz pode, inclusive, ser de grande auxílio em nossas práticas de hoje, ajudando-nos a abrir mão das palavras, de conceitos preconcebidos e de ideias limitadoras que temos acerca do mundo, das coisas do mundo e de nós mesmos e de nós mesmas, em favor do uso de uma só palavra: Deus. Deus é a única palavra que traz em si todo o significado de todas as coisas. Lembrando-nos de que as palavras só têm o significado e o valor que cada um e cada uma de nós dá a elas.

Eis o que Eckhart Tolle diz: 

"As palavras, não importa se são verbalizadas e transformadas em sons ou se permanecem como pensamentos, podem lançar um encanto quase hipnótico sobre nós. É muito fácil nos perdermos por causa delas, sermos hipnotizados pela crença implícita de que, quando vinculamos um termo a alguma coisa sabemos o que ela é. A verdade é que não sabemos o que ela é. Apenas encobrimos o mistério com um rótulo. Tudo - um pássaro, uma árvore, uma simples pedra e, certamente, um ser humano - é, em última análise, incognoscível. Isto porque o que podemos perceber, experimentar, e a respeito do que podemos pensar, é a camada superficial da realidade, menos do que a ponta de um iceberg.

"(...) As palavras reduzem a realidade a algo que a mente humana é capaz de entender, o que não é muita coisa. A linguagem consiste em cinco sons básicos que se originam nas cordas vocais. Elas são as vogais a, e, i, o, u. Os outros sons são consoantes produzidas pela pressão do ar: s, f, g, e assim por diante. Você acredita que alguma combinação destes sons básicos é suficiente para explicar o que é você, o propósito supremo do universo ou até mesmo o que uma árvore ou uma pedra são em essência?" 

Ampliando ainda um pouco mais o comentário, creio que as práticas com a ideia de hoje podem nos levar a compreender também o que, no dizer de Karen Armstrong, em seu livro Em defesa de Deus, já sabiam e sabem "alguns dos maiores teólogos judeus, cristãos e muçulmanos", e mais todos os mestres espirituais de todos os tempos. Isto é, que, "embora seja importante expressar nossas ideias sobre o divino" ..., "todas as palavras utilizadas para descrever coisas mundanas não servem para falarmos de Deus. Ele não é bom, divino, poderoso ou inteligente em qualquer sentido que possamos compreender. Não podemos sequer dizer que Deus existe, porque nosso conceito de existência é limitado demais".

É por esta razão que o próprio Curso a certa altura afirma que, em alguma instância, por mais vagamente que seja, reconhecemos "que Deus é [apenas] uma ideia" e que a fé n'Ele/Ela se reforça pelo compartilhar. Mais do que só isso o Curso afirma: "O que achas difícil aceitar é o fato de que, assim como teu Pai, tu és uma ideia" [e não um corpo]: à imagem e semelhança de Deus.

Isso tudo é razão suficiente para nos dedicarmos com afinco e atenção às práticas, não acham? 

Às práticas?

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Para o Curso, a meditação visa à abertura ao divino

 

LIÇÃO 182

Ficarei quieto por um instante e irei para casa.

1. O mundo no qual pareces viver não é tua casa. E, em algum lugar em tua mente, tu sabes que isto é verdade. Uma lembrança de casa continua a te assombrar, como se houvesse um lugar que te pede para voltares, embora não reconheças a voz nem aquilo de que a voz te lembra. Porém, tu ainda te sentes um estranho aqui, vindo de algum lugar completamente desconhecido. Nada tão definido que possas dizer com certeza que és um exilado. Apenas uma sensação constante, às vezes, não mais do que um pequenino arrepio, vagamente lembrada, em outros momentos rejeitada com vigor, mas algo que, com certeza, voltará à mente de novo.

2. Não há ninguém que não saiba do que falamos. No entanto, alguns tentam pôr de lado o sofrimento em jogos de que se valem para ocupar o tempo e manter sua tristeza longe de si mesmos. Outros negam estar tristes e não reconhecem suas lágrimas em absoluto. Outros, ainda, insistem que isso de que falamos é ilusão, algo a ser considerado como nada mais do que apenas um sonho. Porém, com absoluta honestidade, fora da defensiva e do auto-engano, quem negaria que compreende o que dizemos?

3. Falamos por todo aquele que anda por este mundo, pois ele não está em casa. Ele vaga incerto em uma procura sem fim, buscando nas trevas o que não pode achar, sem reconhecer o que procura. Constrói mil casas embora nenhuma satisfaça sua mente irrequieta. Ele não compreende que constrói em vão. O lar que ele busca não pode ser construído por ele. Não há nenhum substituto para o Céu. Tudo o que ele já fez foi o inferno. 

4. Talvez penses que é o lar de tua infância que queres achar novamente. Agora, a infância de teu corpo e seu abrigo são uma lembrança tão distorcida, que só tens um retrato de um passado que nunca aconteceu. Mas há uma Criança em ti Que busca a casa de Seu Pai e que sabe que Ela é uma estranha aqui. Esta infância é eterna, com uma inocência que durará para sempre. Aonde quer que esta Criança vá é solo sagrado. É a Santidade d'Ela que ilumina o Céu e que traz à terra o reflexo puro da luz acima, na qual terra e Céu estão unidos como uma coisa só.

5. É esta Criança em ti que teu Pai conhece como Seu Próprio Filho. É esta Criança Que conhece Seu Pai. Ela deseja ir para casa tão profunda e continuamente que Sua voz te implora que A deixes descansar um momento. Ela não te pede mais do que apenas uns poucos instantes de repouso; apenas um intervalo no qual Ela possa voltar a respirar mais uma vez o ar sagrado que enche a casa de Seu Pai. Tu também és a casa d'Ela. Ela voltará. Mas dá-Lhe apenas um breve momento para que Ela seja Ela Mesma, na paz que é a casa d'Ela, descansando no silêncio e na paz e no amor.

6. Esta Criança precisa de tua proteção. Ela está longe de casa. Ela é tão pequenina que parece fácil excluí-La, Sua voz débil tão prontamente escondida, Seu pedido de ajuda quase inaudível em meio aos sons discordantes e barulhos ásperos e irritantes do mundo. Mas Ela sabe que Sua proteção segura ainda habita em ti. Tu não A abandonarás. Ela irá para casa e tu junto com Ela.

7. Esta Criança é tua não-defensiva; tua força. Ela confia em ti. Ela veio porque sabia que não fracassarias. Ela murmura sem cessar a respeito de Sua casa para ti. Pois Ela quer te levar de volta com Ela, para que Ela Mesma possa ficar e não voltar mais uma vez a um lugar que não é o lugar d'Ela e no qual Ela vive como um pária em um mundo de pensamentos estranhos. A paciência d'Ela não tem limites. Ela esperará até ouvires Sua Voz suave dentro de ti, pedindo que A deixes ir em paz, junto contigo, ao lugar em que Ela está em casa e tu com Ela.

8. Quando ficares quieto por um instante, quando o mundo se afastar de ti, quando ideias inúteis deixarem de ter valor em tua mente irrequieta, então ouvirás a Voz d'Ela. Ela te chama de modo tão comovente que não resistirás mais a Ela. Nesse instante, Ela te levará para Sua casa e tu ficarás com Ela em completa tranquilidade, silêncio e paz, além de todas as palavras, não perturbado pelo medo e pela dúvida, com a certeza sublime de que estás em casa.

9. Descansa com Ela com frequência hoje. Pois Ela estava disposta a se tornar uma Criancinha para que pudesses aprender d'Ela quão forte é aquele que vem sem defesas, oferecendo apenas mensagens de amor para aqueles que pensam que ela é seu inimigo. Ela carrega o poder do Céu em Sua mão e os chama de amigos e lhes dá Sua força, para que possam ver que Ela quer ser Amiga deles. Ela pede que eles A protejam, pois o lar d'Ela está muito distante e Ela não voltará para lá sozinha.

10. Cristo renasce como apenas uma Criancinha cada vez que um peregrino quer deixar sua casa. Pois ele tem de aprender que aquilo que quer proteger é apenas esta Criança, Que chega sem defesa e Que está protegida pela não-defensiva. Vai para casa com Ela de vez em quando hoje. Tu és tão estranho aqui quanto Ela.

11. Reserva tempo, hoje, para pôr de lado teu escudo que não te favorece em nada e depõe a lança e a espada que levantaste contra um inimigo inexistente. Cristo te chama de amigo e de irmão. Ele inclusive veio pedir tua ajuda para permitir que Ele vá para casa hoje, completo e completamente. Ele vem do mesmo modo que vem uma criancinha, que tem de pedir proteção e amor a seu pai. Ele rege o universo e, no entanto, te pede de forma incessante que voltes com Ele e que não aceites mais ilusões como teus deuses.

12. Tu não perdeste tua inocência. É por isto que anseias. Este é o desejo de teu coração. Esta é a voz que ouves e é este o chamado a que não se pode dizer não. A Criança sagrada permanece contigo. A casa d'Ela é a tua. Hoje, Ela te dá Sua não-defensiva e tu a aceitas em troca de todos os brinquedos de guerra que fizeste. E agora o caminho de casa está aberto e a jornada tem um termo em vista finalmente. Fica quieto por um instante e vai para casa com Ela, e fica em paz por algum tempo.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 182

Caras, caros,

Quanto tempo em suas vidas, nestes dias atuais atribulados, cheios de compromissos, agendas lotadas, tudo por fazer todos os dias, todos os minutos ocupados, vocês encontram para ficar em silêncio?

E que dizer dos ruídos do mundo inteiro, em todos os lugares, a estática dos aplicativos dos celulares, a estática das conversas nos grupos, nas discussões com pessoas que têm opiniões diferentes? 

Hoje em dia, estamos o tempo todo à mercê do que ditam os influenciadores, as influenciadoras. Há que se comprar isto, há que se adquirir aquilo, há que se experimentar a última dieta para emagrecer, para perder peso, para encontrar o equilíbrio na saúde, na vida amorosa, na vida sexual e na situação econômica. Ninguém tem tempo nem espaço para parar. Ninguém tem espaço ou tempo para se dedicar a si.

Será que estamos indo no caminho certo? Alguém já pensou a respeito? É isto que a ideia para as práticas de hoje nos traz para a reflexão.

"Ficarei quieto por um instante e irei para casa."

A ideia que o Curso traz para nossas práticas de hoje nos remete uma vez mais à meditação. Não àquela para a qual necessariamente precisamos buscar um local tranquilo, preparando-nos para sentar em posição de lótus e nos entregarmos à interiorização, a partir de um mantra murmurado mentalmente até atingirmos o estado em que não somos mais bombardeados pelos pensamentos do ego. Ou, ao menos, até atingirmos o estado em que deixamos passarem os pensamentos sem nos ligarmos a nenhum deles.

A meditação que o Curso pede é aquela que pode nos levar ao ponto em que, cansados e cansadas de todo o ruído, de toda a estática do mundo, que nos impedem de chegar a nós mesmos, ou a nós mesmas, ao centro, ao divino interior e a um estado de pura atenção, resolvemos calar, aquietar a mente, e mergulhar na direção do mais íntimo de nós, à procura da Criança sagrada em nós, de que nos esquecemos, quando nos deixarmos envolver mais e mais pelas atividades mundanas, insanas e febris, sob a orientação da falsa identidade que aceitamos do ego.

Repetindo o que eu já disse várias outras vezes, a meditação que as práticas nos pedem se refere mais a um estado de atenção, a um estado de alerta que precisamos manter durante nossas atividades do dia, o dia todo e todos os dias, para ouvir a voz da Criança interior, da inocência interior em quaisquer situações em que formos tentados e tentadas a nos afastar, a nos esquecermos de nós mesmos e de nós mesmas e, por consequência, da Criança divina em nós.

Repriso aqui também, uma vez mais, o trecho do poema de Wordsworth, da ode Indícios de Imortalidade, em que ele fala a respeito do lugar a que pertencemos, na verdade:

Nosso nascimento não é mais do que um sono e um esquecimento:
A alma que se levanta conosco, a nossa Estrela de vida,
Tinha sua morada alhures,
E veio de longe, 
Não num completo esquecimento,
E não numa total nudez,
Mas trazendo nuvens de glória, nós viemos
De Deus, que é o nosso lar...

Vamos voltar, então, uma vez mais ainda, nossa atenção à oração de Thomas Merton, do livro Diálogos com o Silêncio [uma forma de meditação], que certamente pode nos indicar o caminho para a volta ao lar do mesmo modo que as práticas orientam. Diz ele:

Senhor, meu Deus, não tenho ideia de onde estou indo.
Não vejo o caminho adiante de mim. 
Não posso saber com certeza onde terminará. Nem
sequer, em verdade, me conheço. E o fato de pensar
que estou seguindo Tua vontade, não significa que
realmente o esteja fazendo. Mas creio que o desejo de
Te agradar Te agrada, de fato. E espero jamais vir a 
fazer algo contrário a esse desejo. E sei que, se agir assim,
Tu hás de me levar pelo caminho certo, embora eu possa
nada saber a esse respeito. Portanto, hei de confiar sempre
em Ti, ainda que eu possa parecer estar perdido e na sombra
da morte. Não temerei, pois Tu estás sempre comigo, e
nunca me deixarás enfrentar meus perigos sozinho. 

Às práticas?