quarta-feira, 1 de julho de 2026

Para o Curso, a meditação visa à abertura ao divino

 

LIÇÃO 182

Ficarei quieto por um instante e irei para casa.

1. O mundo no qual pareces viver não é tua casa. E, em algum lugar em tua mente, tu sabes que isto é verdade. Uma lembrança de casa continua a te assombrar, como se houvesse um lugar que te pede para voltares, embora não reconheças a voz nem aquilo de que a voz te lembra. Porém, tu ainda te sentes um estranho aqui, vindo de algum lugar completamente desconhecido. Nada tão definido que possas dizer com certeza que és um exilado. Apenas uma sensação constante, às vezes, não mais do que um pequenino arrepio, vagamente lembrada, em outros momentos rejeitada com vigor, mas algo que, com certeza, voltará à mente de novo.

2. Não há ninguém que não saiba do que falamos. No entanto, alguns tentam pôr de lado o sofrimento em jogos de que se valem para ocupar o tempo e manter sua tristeza longe de si mesmos. Outros negam estar tristes e não reconhecem suas lágrimas em absoluto. Outros, ainda, insistem que isso de que falamos é ilusão, algo a ser considerado como nada mais do que apenas um sonho. Porém, com absoluta honestidade, fora da defensiva e do auto-engano, quem negaria que compreende o que dizemos?

3. Falamos por todo aquele que anda por este mundo, pois ele não está em casa. Ele vaga incerto em uma procura sem fim, buscando nas trevas o que não pode achar, sem reconhecer o que procura. Constrói mil casas embora nenhuma satisfaça sua mente irrequieta. Ele não compreende que constrói em vão. O lar que ele busca não pode ser construído por ele. Não há nenhum substituto para o Céu. Tudo o que ele já fez foi o inferno. 

4. Talvez penses que é o lar de tua infância que queres achar novamente. Agora, a infância de teu corpo e seu abrigo são uma lembrança tão distorcida, que só tens um retrato de um passado que nunca aconteceu. Mas há uma Criança em ti Que busca a casa de Seu Pai e que sabe que Ela é uma estranha aqui. Esta infância é eterna, com uma inocência que durará para sempre. Aonde quer que esta Criança vá é solo sagrado. É a Santidade d'Ela que ilumina o Céu e que traz à terra o reflexo puro da luz acima, na qual terra e Céu estão unidos como uma coisa só.

5. É esta Criança em ti que teu Pai conhece como Seu Próprio Filho. É esta Criança Que conhece Seu Pai. Ela deseja ir para casa tão profunda e continuamente que Sua voz te implora que A deixes descansar um momento. Ela não te pede mais do que apenas uns poucos instantes de repouso; apenas um intervalo no qual Ela possa voltar a respirar mais uma vez o ar sagrado que enche a casa de Seu Pai. Tu também és a casa d'Ela. Ela voltará. Mas dá-Lhe apenas um breve momento para que Ela seja Ela Mesma, na paz que é a casa d'Ela, descansando no silêncio e na paz e no amor.

6. Esta Criança precisa de tua proteção. Ela está longe de casa. Ela é tão pequenina que parece fácil excluí-La, Sua voz débil tão prontamente escondida, Seu pedido de ajuda quase inaudível em meio aos sons discordantes e barulhos ásperos e irritantes do mundo. Mas Ela sabe que Sua proteção segura ainda habita em ti. Tu não A abandonarás. Ela irá para casa e tu junto com Ela.

7. Esta Criança é tua não-defensiva; tua força. Ela confia em ti. Ela veio porque sabia que não fracassarias. Ela murmura sem cessar a respeito de Sua casa para ti. Pois Ela quer te levar de volta com Ela, para que Ela Mesma possa ficar e não voltar mais uma vez a um lugar que não é o lugar d'Ela e no qual Ela vive como um pária em um mundo de pensamentos estranhos. A paciência d'Ela não tem limites. Ela esperará até ouvires Sua Voz suave dentro de ti, pedindo que A deixes ir em paz, junto contigo, ao lugar em que Ela está em casa e tu com Ela.

8. Quando ficares quieto por um instante, quando o mundo se afastar de ti, quando ideias inúteis deixarem de ter valor em tua mente irrequieta, então ouvirás a Voz d'Ela. Ela te chama de modo tão comovente que não resistirás mais a Ela. Nesse instante, Ela te levará para Sua casa e tu ficarás com Ela em completa tranquilidade, silêncio e paz, além de todas as palavras, não perturbado pelo medo e pela dúvida, com a certeza sublime de que estás em casa.

9. Descansa com Ela com frequência hoje. Pois Ela estava disposta a se tornar uma Criancinha para que pudesses aprender d'Ela quão forte é aquele que vem sem defesas, oferecendo apenas mensagens de amor para aqueles que pensam que ela é seu inimigo. Ela carrega o poder do Céu em Sua mão e os chama de amigos e lhes dá Sua força, para que possam ver que Ela quer ser Amiga deles. Ela pede que eles A protejam, pois o lar d'Ela está muito distante e Ela não voltará para lá sozinha.

10. Cristo renasce como apenas uma Criancinha cada vez que um peregrino quer deixar sua casa. Pois ele tem de aprender que aquilo que quer proteger é apenas esta Criança, Que chega sem defesa e Que está protegida pela não-defensiva. Vai para casa com Ela de vez em quando hoje. Tu és tão estranho aqui quanto Ela.

11. Reserva tempo, hoje, para pôr de lado teu escudo que não te favorece em nada e depõe a lança e a espada que levantaste contra um inimigo inexistente. Cristo te chama de amigo e de irmão. Ele inclusive veio pedir tua ajuda para permitir que Ele vá para casa hoje, completo e completamente. Ele vem do mesmo modo que vem uma criancinha, que tem de pedir proteção e amor a seu pai. Ele rege o universo e, no entanto, te pede de forma incessante que voltes com Ele e que não aceites mais ilusões como teus deuses.

12. Tu não perdeste tua inocência. É por isto que anseias. Este é o desejo de teu coração. Esta é a voz que ouves e é este o chamado a que não se pode dizer não. A Criança sagrada permanece contigo. A casa d'Ela é a tua. Hoje, Ela te dá Sua não-defensiva e tu a aceitas em troca de todos os brinquedos de guerra que fizeste. E agora o caminho de casa está aberto e a jornada tem um termo em vista finalmente. Fica quieto por um instante e vai para casa com Ela, e fica em paz por algum tempo.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 182

Caras, caros,

Quanto tempo em suas vidas, nestes dias atuais atribulados, cheios de compromissos, agendas lotadas, tudo por fazer todos os dias, todos os minutos ocupados, vocês encontram para ficar em silêncio?

E que dizer dos ruídos do mundo inteiro, em todos os lugares, a estática dos aplicativos dos celulares, a estática das conversas nos grupos, nas discussões com pessoas que têm opiniões diferentes? 

Hoje em dia, estamos o tempo todo à mercê do que ditam os influenciadores, as influenciadoras. Há que se comprar isto, há que se adquirir aquilo, há que se experimentar a última dieta para emagrecer, para perder peso, para encontrar o equilíbrio na saúde, na vida amorosa, na vida sexual e na situação econômica. Ninguém tem tempo nem espaço para parar. Ninguém tem espaço ou tempo para se dedicar a si.

Será que estamos indo no caminho certo? Alguém já pensou a respeito? É isto que a ideia para as práticas de hoje nos traz para a reflexão.

"Ficarei quieto por um instante e irei para casa."

A ideia que o Curso traz para nossas práticas de hoje nos remete uma vez mais à meditação. Não àquela para a qual necessariamente precisamos buscar um local tranquilo, preparando-nos para sentar em posição de lótus e nos entregarmos à interiorização, a partir de um mantra murmurado mentalmente até atingirmos o estado em que não somos mais bombardeados pelos pensamentos do ego. Ou, ao menos, até atingirmos o estado em que deixamos passarem os pensamentos sem nos ligarmos a nenhum deles.

A meditação que o Curso pede é aquela que pode nos levar ao ponto em que, cansados e cansadas de todo o ruído, de toda a estática do mundo, que nos impedem de chegar a nós mesmos, ou a nós mesmas, ao centro, ao divino interior e a um estado de pura atenção, resolvemos calar, aquietar a mente, e mergulhar na direção do mais íntimo de nós, à procura da Criança sagrada em nós, de que nos esquecemos, quando nos deixarmos envolver mais e mais pelas atividades mundanas, insanas e febris, sob a orientação da falsa identidade que aceitamos do ego.

Repetindo o que eu já disse várias outras vezes, a meditação que as práticas nos pedem se refere mais a um estado de atenção, a um estado de alerta que precisamos manter durante nossas atividades do dia, o dia todo e todos os dias, para ouvir a voz da Criança interior, da inocência interior em quaisquer situações em que formos tentados e tentadas a nos afastar, a nos esquecermos de nós mesmos e de nós mesmas e, por consequência, da Criança divina em nós.

Repriso aqui também, uma vez mais, o trecho do poema de Wordsworth, da ode Indícios de Imortalidade, em que ele fala a respeito do lugar a que pertencemos, na verdade:

Nosso nascimento não é mais do que um sono e um esquecimento:
A alma que se levanta conosco, a nossa Estrela de vida,
Tinha sua morada alhures,
E veio de longe, 
Não num completo esquecimento,
E não numa total nudez,
Mas trazendo nuvens de glória, nós viemos
De Deus, que é o nosso lar...

Vamos voltar, então, uma vez mais ainda, nossa atenção à oração de Thomas Merton, do livro Diálogos com o Silêncio [uma forma de meditação], que certamente pode nos indicar o caminho para a volta ao lar do mesmo modo que as práticas orientam. Diz ele:

Senhor, meu Deus, não tenho ideia de onde estou indo.
Não vejo o caminho adiante de mim. 
Não posso saber com certeza onde terminará. Nem
sequer, em verdade, me conheço. E o fato de pensar
que estou seguindo Tua vontade, não significa que
realmente o esteja fazendo. Mas creio que o desejo de
Te agradar Te agrada, de fato. E espero jamais vir a 
fazer algo contrário a esse desejo. E sei que, se agir assim,
Tu hás de me levar pelo caminho certo, embora eu possa
nada saber a esse respeito. Portanto, hei de confiar sempre
em Ti, ainda que eu possa parecer estar perdido e na sombra
da morte. Não temerei, pois Tu estás sempre comigo, e
nunca me deixarás enfrentar meus perigos sozinho. 

Às práticas?

terça-feira, 30 de junho de 2026

Só de dentro de nós poderá vir a felicidade verdadeira

 

Introdução às Lições 181-200

1. Nossas poucas lições seguintes fazem questão particular de fortalecer tua disposição para tornar forte teu frágil compromisso; fundir tuas metas dispersas em uma única intenção. Ainda não se pede de ti uma dedicação total e constante. Mas, agora, pede-se que pratiques a fim de obter a sensação de paz que este compromisso unificado dará, ainda que apenas de modo intermitente. É experimentar isto que assegura que darás tua total disposição para seguir o caminho que o curso apresenta.

2. Agora, nossas lições se ajustam especificamente à ampliação de horizontes e para orientar a aproximação às barreiras particulares que mantêm tua visão reduzida e limitada demais para permitir que percebas o valor de tua meta. Agora, tentamos erguer estas barreiras, ainda que por breves momentos. As palavras, por si só, não podem transmitir a sensação de alívio que o erguer destas barreiras traz. Mas a experiência de liberdade e de paz que surge quanto desistes de teu rígido controle daquilo que percebes fala por si mesma. Tua motivação será tão aumentada que as palavras se tornam de pouca importância. Terás certeza daquilo que queres e daquilo que não tem valor.

3. E, então, começamos nossa jornada para além das palavras concentrando-nos em primeiro lugar naquilo que ainda impede teu avanço. A experiência daquilo que há além da defensiva permanece fora do alcance enquanto ele for negado. Ele pode estar lá, mas não podes aceitar a presença dele. Por isto, agora, tentamos ir além de todas as defesas por alguns momentos a cada dia. Não se pede nada mais do que isto, porque não é necessário nada mais do que isto. Isto será suficiente para garantir que o restante virá.

*

LIÇÃO 181

Confio em meus irmãos, que são um comigo.

1. Confiar em teus irmãos é essencial para estabeleceres e manteres a fé em tua capacidade de transcender a dúvida e a falta de uma confiança inabalável em ti mesmo. Quando atacas um irmão, deixas claro que ele está limitado por aquilo que percebes nele. Tu não olhas para além dos erros dele. Em vez disto, eles são ampliados, tornando-se barreiras a tua consciência do Ser que está além de teus próprios equívocos e além dos pretensos pecados dele bem como dos teus.

2. A percepção tem um centro de interesse. É este centro que dá coerência ao que vês. Muda este centro apenas e o que vês mudará em conformidade. Agora, tua visão mudará para dar apoio à intenção que substituiu a que tinhas antes. Tira o centro de teu interesse dos pecados de teus irmãos e experimentarás a paz que vem da fé na inocência. Esta fé recebe seu único apoio seguro daquilo que vês nos outros além dos pecados deles. Pois seus equívocos, se focalizados, são testemunhas dos teus pecados. E não transcenderás a visão deles para ver a inocência que está além.

3. Por isto, ao praticarmos hoje, deixaremos primeiro que todos estes pequenos centros de interesse deem lugar a nossa enorme necessidade de permitir que nossa inocência se torne aparente. Informamos nossas mentes que é isto, e só isto, o que buscamos por apenas um momento. Não nos importamos com nossas metas futuras. E o que vimos no instante anterior não tem nenhum interesse para nós durante este intervalo de tempo em que exercitamos mudar nossa intenção. Buscamos a inocência e nada mais. Nós a buscamos sem nenhuma preocupação a não ser o agora.

4. Um risco muito grande para o sucesso é o envolvimento com tuas metas anteriores e futuras. Estás bastante preocupado com quão radicalmente diferentes daquelas que tinhas antes são as metas que este curso defende. E também ficas desanimado com a ideia deprimente e limitante de que, mesmo que sejas bem-sucedido, vais perder teu caminho mais uma vez de forma inevitável.

5. Como isto poderia ter importância? Pois o passado se foi; o futuro é só imaginário. Estas preocupações são apenas defesas contra a mudança do centro de interesse atual da percepção. Nada mais. Abandonamos estas limitações inúteis por um momento. Não olhamos para crenças anteriores e aquilo em que acreditamos já não nos incomodará. Iniciamos o período de prática com uma única intenção: olhar para a inocência interior.

6. Reconheceremos que nos desviamos desta meta, se a raiva bloquear nosso caminho sob qualquer forma. E, se nos lembrarmos dos pecados de um irmão, nosso centro de interesse limitado restringirá nossa visão e voltaremos nossos olhos para nossos próprios erros, que ampliaremos e chamaremos de nossos "pecados". Por isto, por um breve momento, sem considerar passado ou futuro, caso estes bloqueios surjam, nós os transcenderemos com instruções a nossas mentes para mudarem o centro de interesse, dizendo:

Não é para isto que quero olhar.
Confio em meus irmãos, que são um comigo.

7. E também usaremos este pensamento para nos mantermos seguros ao longo do dia. Não buscamos metas a longo prazo. Quando cada obstrução parecer bloquear a visão de nossa inocência, buscaremos apenas, por um instante, a cessação do sofrimento que o centro de interesse no pecado trará e que permanecerá, caso não seja corrigido.

8. Tampouco pedimos fantasias. Pois o que buscamos ver existe de fato. E quando nosso centro de interesse ultrapassar os erros, veremos um mundo inteiramente puro. Quando ver isto for tudo o que quisermos ver, quando isto for tudo o que buscarmos em nome da percepção verdadeira, os olhos de Cristo serão nossos inevitavelmente. E o Amor que Ele sente por nós também será nosso. Isto virá a ser a única coisa que veremos refletida no mundo e em nós mesmos.

9. O mundo, que, antes, demonstrava nossos pecados, se torna a prova de que somos inocentes. E nosso amor por todos que vemos testemunha nossa lembrança do Ser sagrado que não conhece nenhum pecado e que nunca poderia pensar em nada fora de Sua inocência. Buscamos esta lembrança ao voltarmos nossas mentes para a prática de hoje. Não olhamos nem para frente, nem para trás. Olhamos diretamente para o presente. E damos nossa confiança à experiência pela qual pedimos agora. Nossa inocência é apenas a Vontade de Deus. Neste instante nossa vontade é una com A d'Ele.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 181

Caras, caros,

Eis-nos diante do primeiro desafio desta nova etapa. Para a percepção corrigida não deve haver problema algum em praticar com a ideia de hoje. Também não deve ser nada difícil acreditar que é possível confiar em nossos irmãos e irmãs, e nas pessoas todas com quem dividimos nosso tempo de estar no mundo, embora ele seja só ilusório e não exista, na verdade. Pelo menos não como pensamos nele. Com a concretude que lhe damos.

Já imaginaram como seria viver com o conhecimento de que não há nada de importante no mundo? Que o próprio mundo e tudo o que aparentemente há nele não tem a menor importância? Não viveríamos, por assim dizer, livres, leves e soltas, livres leves e soltos, na certeza de que não há nada que precisemos fazer, nada que precisemos mudar, nem a necessidade de efetuar qualquer mudança no mundo, melhorá-lo de qualquer maneira?

É a este conhecimento que o Curso quer nos levar. É este conhecimento que o Curso abre para nós, se aprendermos a suspender todo e qualquer julgamento. Isto é confiar. E é isto que vamos praticar com a ideia deste dia.

"Confio em meus irmãos, que são um comigo"

Como já lhes disse outras vezes, e não poucas, uma vez que, neste, estamos no décimo oitavo ano das práticas das lições do Curso em conjunto neste espaço - para quem está aqui desde o início, em 2009 -, as vinte ideias que vamos praticar com as lições que começam hoje, e a revisão delas logo em seguida, vão marcar o fim desta primeira etapa de exercícios, o fim da primeira parte do Livro de Exercícios. Quer dizer, depois de as termos praticado uma vez mais na última revisão, antes da segunda parte.

Nunca é demais repetir o significado do movimento que fazemos com as práticas das lições desta primeira parte do Livro de Exercícios. Chegar até aqui, seja pela primeira, pela segunda, ou ainda seja esta a terceira, a quarta, a décima primeira ou a décima sexta vez, significa, como eu já disse antes também, que estamos de novo mais perto do momento em que abandonamos o ensinamento do mundo - do ego - e voltamos nossa atenção para o que o Espírito em nós quer nos ensinar: a percepção correta, a percepção curada, que traz consigo a possibilidade de que cheguemos, mais dia, menos dia, apesar de impossível, ao autoconhecimento, e, por consequência, ao vislumbre do divino em nós, nossa real Identidade. O Eu Sou o Que Sou, que é o que somos. 

Desde o início, durante a primeira parte do livro de exercícios, o Curso busca nos ensinar a cada dia, de algum modo,  a desaprendermos mais e mais daquilo que o mundo ensina. Para, num segundo momento, num segundo passo - o que daremos a partir do início da segunda parte do livro de exercícios - começarmos a lidar com aquilo que nos fala da verdade a respeito de nós mesmos e de nós mesmas. Uma verdade que o mundo e seu sistema de pensamento só faz esconder sob as mais variadas aparências e formas. 

Para mim, digo de novo - e mais uma vez -, é uma grande alegria chegar até aqui com todos e todas vocês. Espero que isto seja apenas um estímulo maior para que continuemos juntos em nossa caminhada, enquanto ela durar. Ou, como o Curso diz em determinado ponto, há muito a se aprender [ou lembrar, se preferirem] e o mundo e o ensinamento do mundo só nos atrasam. 

Lembremo-nos sempre de que as práticas, dia a dia, buscam nos ensinar a ficarmos atentos e atentas à Voz por Deus, que só pode estar no interior de cada um e de cada uma de nós. É preciso que apuremos, pois, nossos ouvidos e que não tenhamos medo de olhar para dentro. Pois, repetindo o que disse meu amigo Rivaldo Andrade, antes de se encantar:

A felicidade que bate na porta vem de fora. Do jeito que ela vem, também se vai, deixando-nos como sempre fomos, simples seres, felicidade sem limite. Quem vive só olhando para fora, fecha a porta para o Eu [interior] e a felicidade de fora vem e bate, mas nunca resolve efetivamente, porque os problemas decorrem [sempre do fato] de estarmos olhando pra fora e não para dentro. Dentro não há problema, só realização, paz perfeita sem limite. A essa paz também se dá o nome de felicidade ou amor, mas é muito mais que amor e felicidade, é REALIZAÇÃO DA PAZ PERFEITA, além de qualquer conceito mental, por maravilhoso que esse seja.

A paz original do eu, em cada um, sem diferença, é o que está descrito na bíblia como "O Reino dos Céus está dentro de vós". Até o diabo a tem, a diferença é que ele vive com a atenção voltada para a mente, sonhando com o amor e a felicidade mentais. O diabo é diabo porque vive sonhando com possibilidades, deixando a paz perfeita da realidade infinita do SI MESMO fechada atrás da porta que ele faz quando olha para suas próprias projeções, fazendo o mundo que vê fora. Este diabo é sempre o ego de cada um, sem dúvida, sem exceção.

É para voltarmos a compartilhar deste conhecimento que praticamos a ideia de hoje, que quer que aprendamos a devolver as bênçãos que recebemos de cada um daqueles, ou de cada uma daquelas, com quem dividimos nosso aparente estar-no-mundo e que, como nós mesmos e como nós mesmas, são a manifestação do divino para nos iluminar e para mostrar aspectos de nós que não podemos ver sozinhos, ou sozinhas.

Às práticas?

segunda-feira, 29 de junho de 2026

É preciso questionarmos a lógica enviesada do ego

 

LIÇÃO 180

Deus é só Amor e, por isto, eu também.

1. (169) Vivo pela graça. Pela graça me liberto.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

2. (170) Não há maldade em Deus e nem em mim.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 180

Caras, caros,

Se estivermos praticando de forma correta, com atenção, com cuidado e com toda a nossa capacidade, toda a  honestidade de que somos capazes, já teremos chegado à conclusão de que quanto mais aprendemos, tanto menos sabemos. Pois entendemos que quanto mais sabemos, mais sabemos que o que sabemos não é nada comparado a tudo o que ainda precisamos saber.

Mas também já teremos compreendido que, na verdade, o saber que nos oferece o mundo não é importante, do mesmo modo que não precisamos da compreensão para praticar com as ideias que o ensinamento nos traz para o treino diário.

Daí a importância de nos determos atentamente nas ideias com que vamos praticar neste dia, preparando-nos para a próxima etapa do aprendizado.

"Deus é só Amor e, por isto, eu também."

Encerramos esta nossa quinta revisão, hoje, mais uma vez, com a prática das duas últimas ideias das vinte por que passamos há pouco: [Vivo pela graça. Pela graça me liberto.] e [Não há nenhuma maldade em Deus e nenhuma em mim.]. E como fizemos desde a instrução inicial para este período, envolvemos cada uma das ideias para o nosso treino com o pensamento: Deus é só Amor e, por isto, eu também, antes e durante as práticas.

Estas duas, que revisamos hoje, particularmente, são ideias que podem nos levar, e de fato nos levam, a questionar a lógica enviesada do ego, além de nos oferecerem a perspectiva de um caminho mais suave e tranquilo, para uma jornada sem sobressaltos na direção do autoconhecimento. Isto é, na direção de nós mesmos e de nós mesmas e, por extensão, na direção do divino interior, na direção de Deus. Um Deus dentro, porque não há nada fora, como já aprendemos.

Uma jornada que vai nos levar por novos caminhos novamente a partir de amanhã. Uma jornada que vai nos levar aos últimos vinte exercícios, às últimas vinte lições desta primeira parte, em que praticamos com vistas a desaprender aquilo que o mundo nos ensinou a partir do sistema de pensamento do ego. E uma jornada que vai nos levar também à última das revisões para, então, passarmos à segunda parte do Livro de Exercícios e às lições que vão nos oferecer algumas da visões que podemos ter a partir da percepção correta, a partir da visão do Espírito Santo.

As práticas de hoje ensinam, ou buscam nos fazer relembrar de que é pela graça que vivemos e de que é também por ela que podemos nos libertar das prisões que o ego inventou para um ser que não reconhecemos em nós, um ser que, na verdade, não tem nada a ver com o que somos. 

Pratiquemos, pois, para alcançar a paz e a alegria, para iluminar a verdade a nosso próprio respeito. Alegremo-nos por reconhecer que esta ideia apaga para sempre toda e qualquer possibilidade de acreditarmos que há qualquer traço de maldade em Deus, em nós mesmos e em nós mesmas ou no mundo.

Deixemo-nos, portanto, envolver pela graça e pelo Amor em nossas práticas de hoje. Não há nada a temer

A elas?

domingo, 28 de junho de 2026

Deus te dirá isto, se e quando ouvires com atenção:

 

LIÇÃO 179

Deus é só Amor e, por isto, eu também.

1. (167) Há uma só vida e é esta que compartilho com Deus.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

2. (168) Tua graça me é dada. Eu a reivindico agora.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 179

Caras, caros,

Já nos aproximamos do final de mais uma revisão. Como todas as outras que fizemos até aqui, esta também tem por objetivo facilitar os próximos passos que daremos, deixando frescas em nossas cabeças as ideias trabalhadas num período anterior.

Este período de revisão, que englobou as ideias com que praticamos nos vinte dias que o antecederam, é muito importante porque abre caminho para as últimas vinte ideias que vamos praticar durante os próximos vinte dias após a última que revisaremos amanhã. Além disso, na sequência, faremos também durante vinte dias, depois, a revisão dessas ideias para entrarmos na segunda parte do livro de exercícios: a parte que vai nos apresentar o ensinamento do Espírito Santo a partir da percepção corrigida.

Daremos passos gigantescos em nosso aprendizado a partir de agora. Daí a importância de praticarmos com toda a atenção e honestidade de que somos capazes as ideias para a revisão de hoje, bem como de todas e cada uma das ideias com que ainda vamos praticar, não é mesmo?

"Deus é só Amor e, por isto, eu também."

Esta ideia, a que envolve todos os pensamentos das lições que revisamos, é o que nos define. É ela que assegura nossa condição de Filhos e Filhas de Deus, que é só Amor e, por esta razão, nos garante a condição de filhos e filhas do Amor, que não finda nunca e que ultrapassa a lógica e a necessidade de se lhe atribuir uma razão. Ou razões outras quaisquer, ou quaisquer outros motivos e explicações, que não apenas o Amor pelo amor em si mesmo.

As ideias que revisamos hoje, envoltas na ideia que destacamos, são: [Há uma só vida e é esta que compartilho com Deus.] e [Tua Graça me é dada. Eu a reivindico agora.]. E a prática de ambas pode nos levar para mais perto de (re)conhecer o que somos, na Verdade.

O Amor - o nosso, em nós, o que somos, e o de Deus, que é só o que Ele/Ela é e que é só o que nós somos - independe de qualquer coisa que façamos [Lembram do "eu não preciso fazer nada"?]. Ele não cresce de qualquer coisa que alguém nos dá ou dá a Deus, ou de qualquer coisa que Deus dá, uma vez que Ele/Ela nos dá absolutamente tudo e só dá de Si Mesmo, ou é só a Si Mesmo que Ele/Ela dá, dando-Se sempre por inteiro. Se fosse assim, isto é, se dependesse de qualquer coisa ou de alguém, o Amor flutuaria ao sabor dos gestos desse alguém. "Teria razões e explicações. Se um dia nos faltassem os gestos", ou se eles faltassem a Deus, o Amor morreria "como flor arrancada da terra", para me valer mais uma vez de uma fala de Rubem Alves.

Para ele, repetindo o que eu disse em anos anteriores, "nada mais falso do que o ditado popular": amor com amor se paga. Pois, diz ele, "amor é estado de graça e com amor não se paga. O amor não é regido pela lógica das trocas comerciais. Nada te devo. Nada me deves. Como a rosa floresce porque floresce, eu te amo porque te amo". E Deus nos ama porque nos ama, porque "Deus é só Amor". E, por isto, nós também.

Ou, voltando mais uma vez ao poeta Carlos Drummond de Andrade, como já fiz antes: "Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no eclipse. Amor foge e a dicionários e a regulamentos vários... Amor não se troca... Porque amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo...".

Estes são pensamentos que podem enriquecer nossa reflexão de hoje, levando-nos a olhar para as ideias que revisamos com a mente e os corações cheios de gratidão pela vida que compartilhamos com Deus e pela graça do Amor que Ele/Ela é e nos dá para sermos com Ele/Ela, n'Ele/Ela, sem pedir nada em troca. 

Às práticas? 

ADENDO: 

Se estiveres atento e praticando da forma que o Curso pede que faças o mais fielmente possível, o que vai acontecer, com certeza, é que serás despertado para ouvir interiormente a Voz por Deus, que dirá, com algumas variações, de acordo com Eva Pierrakos, mais ou menos o seguinte:

Eu sou o Deus eternamente amoroso,
o Criador eternamente presente
que mora dentro de ti
que se move através de ti
que se expressa como tu em miríades de formas -
como tu, e tu, e tu -
como os animais
como as árvores e o céu e o firmamento
como tudo o que existe.

Habitarei em ti
e se Me permitires agir através de ti
ser conhecido através da tua mente
ser sentido através de teus sentimentos
experimentarás o Meu poder ilimitado.

Não temerás esse poder
que se manifesta em todos os níveis.
O poder é grande, mas entrega-te a Mim.
Entrega-te a este poder
a esta torrente que se lança vigorosa,
que te fará chorar
e que te fará sorrir,
ambos em alegria.

Porque tu és EU e EU sou tu.
Não posso atuar nesse nível
sem que sejas o Meu instrumento.
E se Me ouvires,
guiar-te-ei em cada etapa do caminho.

Sempre que estás na escuridão,
estás distante de Mim.
E se te lembrares disso,
darás os teus passos para voltar a Mim.
Não estou longe.
Estou aqui, em cada partícula do teu próprio ser.

Se fizeres a Minha vontade,
tu e Eu nos uniremos mais,
e Eu farei a tua vontade.

sábado, 27 de junho de 2026

Duvidemos dos sentidos, eles são a porta do engano

 

LIÇÃO 178

Deus é só Amor e, por isto, eu também.

1. (165) Que minha mente não negue os Pensamentos de Deus.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

2. (166) Eu estou encarregado das dádivas de Deus.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 178

Caras, caros,

O fato de acreditarmos que nossa vida está toda fundada no corpo é o que autoriza o sistema de pensamento do ego a tentar nos convencer de que basta à percepção trabalhar com as impressões que recebe dos sentidos para conhecer o mundo e tudo o que há nele.

Nada mais falso, porém, do que aquilo que os sentidos nos informam, se não soubermos fazê-lo passar pelos filtros da intuição, da razão e da orientação interna do divino em nós. É disto que vamos tomar ciência a partir das práticas com as ideias para a revisão de hoje. 

"Deus é só Amor e, por isto, eu também."

As ideias que revisamos hoje, mais uma vez, ainda fazem parte daquelas que, de acordo com o Curso, nesta primeira parte do livro de exercícios, têm por objetivo ajudar-nos a desaprender e a abandonar os ensinamentos do mundo. São elas: [Que minha mente não negue os Pensamentos de Deus.] e [Eu estou encarregado das dádivas de Deus.]. E nós vamos praticá-las, seguindo a orientação do livro para esta revisão, envolvendo-as no pensamento: Deus é só Amor e, por isto, eu também.

Para o desaprender e o abandonar os ensinamentos do mundo é preciso que deixemos de dar ouvidos ao ego: a falsa identidade que construímos e pensamos ter e ser. Uma identidade falsa, como eu disse, que não tem nada a ver com aquilo que somos na verdade. Isto é, quando nos voltamos para o falso eu - o ego - acreditando no que ele diz, e no pretenso poder que ele diz ter, para nos ajudar a enfrentar o mundo e fazer com que nos saiamos vencedores nessa aparente batalha - nós contra o mundo -, o que fazemos, na realidade, é negar os Pensamentos de Deus. Pois o ego só existe quando acreditamos que nossa mente se pode dividir e existir separada da Mente de Deus.

Quando damos crédito à orientação do ego, reforçamos a crença na separação e nos sentimos perdidos, vítimas de um mundo imenso e ameaçador, onde o perigo, a doença e a morte se escondem em cada encruzilhada, em cada beco, em cada ponto dos caminhos pelos quais precisamos passar. Mais ainda. Os outros são todos nossos inimigos prontos a nos atacar e matar, para tirar proveito do pouco que temos, esquecidos de que somos nós - cada um e cada uma de nós é - os encarregados de todas as dádivas de Deus e de que nada nos falta e que nada nem ninguém pode tirar proveito de nada que tenhamos. E esquecidos também de que só temos, de fato, aquilo que damos. 

Em nossa loucura chegamos ao ponto de rezar para que Deus nos dê algumas coisas, ou que afaste de nós os males que Ele nunca criou e nem sabe que existe, uma vez que ele apenas diz SIM a tudo o que escolhemos. 

Joel Goldsmith, sim, ele mais uma vez, diz que para se chegar à verdadeira oração precisamos nos perguntar: "dou crédito a meus olhos [ou a qualquer dos meus sentidos], ou dou crédito aos místicos do mundo [à Voz por Deus em meu interior], àqueles que, pelo contato intuitivo com Deus, tiveram a revelação de que o mal no mundo não existe como uma realidade, e [de] que não há nenhuma lei de pecado e [de] enfermidade"?

Para ele, a oração verdadeira, a única que podemos fazer e que é eficaz, consiste em buscarmos aumentar em nós o desejo de nos tornarmos conscientes da realidade da Presença de Deus. A única realidade que existe. A única presença que conta. 

Ou ainda como aquilo Curso diz, logo em sua introdução, ser seu objetivo, isto é, "remover os bloqueios à consciência da presença do amor", que é nossa herança natural.

Lembremo-nos, então, novamente de Guimarães Rosa que, citado outras vezes, diz: "Os olhos são a porta do engano; duvide deles..." Assim como podemos dizer que são enganosos todos os nossos sentidos na forma.

É para isso que praticamos. 

Às práticas?