quinta-feira, 20 de julho de 2017

Dar da liberdade que temos é o que nos torna livres


REVISÃO VI

Introdução

1. Para esta revisão tomamos apenas uma ideia a cada dia e a praticamos tantas vezes quanto possível. Além do tempo que dedicas pela manhã, que não deve ser menos do que quinze minutos e das lembranças de hora em hora, ao longo do dia, usa a ideia tantas vezes quanto puderes entre estas práticas. Cada uma destas ideias, por si só, seria suficiente para a salvação, se fosse verdadeiramente aprendida. Cada uma seria suficiente para dar liberdade a ti e ao mundo, de todas as formas de escravidão, e para convidar a lembrança de Deus a vir outra vez.

2. Com isto em mente, começamos nossa prática na qual revisamos cuidadosamente os pensamentos que o Espírito Santo nos deu em nossas últimas vinte lições. Cada um deles, se compreendido, praticado, aceito e aplicado a todos os acontecimentos aparentes ao longo de todo o dia, contém todo o currículo. Um só é suficiente. Mas, a partir deste único, não se pode fazer nenhuma exceção. E, assim, precisamos usá-los todos e permitir que eles se fundam em um só, à medida que cada um contribui para o todo que aprendemos.

3. Estas sessões de prática, como em nossa última revisão, estão centradas em torno de um tema central com o qual começamos e terminamos cada lição. É este:

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

O dia começa e termina com isto. E nós o repetimos a cada hora ou nos lembramos, nos intervalos, de que temos uma função que transcende o mundo que vemos. Além disso, e de uma repetição do pensamento particular que praticamos no dia, não se insiste em nenhuma forma de exercício, exceto em um abandono sincero de tudo o que atravanca a mente e a torna surda à razão, à sanidade e à simples verdade.

4. Para esta revisão, tentaremos ir além das palavras e das formas específicas de prática. Pois, desta vez, tentamos combinar um ritmo mais rápido com um caminho mais curto para a serenidade e para a paz de Deus. Nós simplesmente fechamos os olhos e, em seguida, esquecemos tudo o que pensávamos saber e compreender. Pois, deste modo, ficamos livres de tudo o que não sabíamos e de tudo o que não éramos capazes de compreender.

5. Há apenas uma exceção a esta falta de estrutura. Não permitas que nenhum pensamento vão passe sem ser questionado. Se perceberes algum, nega-lhe seu domínio e te apressa a assegurar a tua mente que não é isto que ela quer. Em seguida, deixa que o pensamento que negaste seja abandonado de forma tranquila em uma troca rápida e segura pela ideia que praticamos no dia.

6. Quando fores tentado, apressa-te em declarar tua liberdade da tentação, enquanto dizes:

Eu não quero este pensamento. Em seu lugar, escolho __________ .

E, em seguida, repete a ideia para o dia e deixa que ela tome o lugar daquilo que pensaste. Além de tais aplicações particulares de cada uma das ideias do dia, acrescentaremos apenas algumas expressões planejadas ou pensamentos específicos para auxiliar na prática. Como alternativa, damos estes momentos de tranquilidade ao Professor Que ensina no silêncio, fala da paz e dá a nossos pensamentos qualquer significado que eles possam ter.

7. Ofereço a Ele esta revisão por ti. Eu te coloco sob a responsabilidade d'Ele e deixo que Ele te ensine o que fazer e dizer e pensar, cada vez que te voltares para Ele. Ele não vai deixar de estar a tua disposição cada vez que O chamares para te ajudar. Vamos oferecer a Ele toda a revisão que começamos agora e não nos esqueçamos também a Quem ela foi dada, ao praticarmos dia após dia, avançando na direção da meta que Ele estabeleceu para nós; deixando que Ele nos ensine como seguir, e confiando completamente n'Ele quanto à melhor maneira pela qual cada período de prática pode se tornar uma dádiva amorosa de liberdade para o mundo.

*

LIÇÃO 201

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (181) Confio em meus irmãos, que são um comigo.

Não há ninguém que não seja meu irmão. Sou abençoado pela unidade com o universo e com Deus, meu Pai, o único Criador do todo que é meu Ser, para sempre Um comigo.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 201

Como vocês podem ver mais uma vez, esta revisão é de certa forma diferente de todas as anteriores, pois é a última deste ano de práticas. Ela marca o final das práticas com a primeira parte do Livro de Exercícios e nos prepara para as lições da segunda parte. As lições que vão nos oferecer a possibilidade da cura da percepção.

Fazer o Curso significa, em meu modo de entender, fazer os exercícios, as lições, assumir um compromisso com o que somos na verdade e ater-se a este compromisso de forma tão firme, séria - mas com alegria - e constante quanto possível.

Conforme já lhes disse em anos passados, e repito agora, depois de algumas tentativas frustradas, iniciei as minhas práticas das lições no primeiro dia do ano de 2000. Venho praticando desde então. O blogue, por isso, é um grande incentivador das práticas. Ele, o blogue, e o compromisso que assumi a partir dele com a publicação da lições, inicialmente, e depois, em 2010, com a proposta de revisão da tradução do livro de exercícios, me mantêm ligado às práticas diariamente. 

Além do mais, de acordo com o que dizia Anna Sharp - a facilitadora dos primeiros encontros de que participei a partir de 1997, e a pessoa com quem tive os primeiros contatos com o Curso -, o encontro semanal para os que participam de grupos não é suficiente para o aprendizado. Não é o bastante para provocar e facilitar a mudança dos hábitos desenvolvidos por anos e anos. Além disso, uma hora e meia por semana é um tempo muito curto, já que, tão logo saímos dos encontros, o mundo do ego volta a nos assombrar vinte e quatro horas por dia, todos os dias.

O que posso dizer, então, do processo, passados estes vinte anos? 

É crucial tomar a decisão a cada momento, se quisermos aprender o modo de questionar absolutamente tudo o que a percepção nos oferece, para não nos deixarmos influenciar pelo mundo. Pois tudo o que a percepção dos sentidos nos mostra é apenas ilusão. O ego quer que vejamos este mundo como a única realidade que existe e com a qual podemos contar. Não é! O Curso ensina em uma das lições: Eu sou espírito.

É claro que o Curso, como ele mesmo diz, é apenas um caminho. E precisamos ter isso bem claro, para não corrermos o risco de embarcar na mesma jornada a que querem nos levar - e muitas vezes nos levam - a maioria das "religiões" institucionalizadas, que se satisfazem com oferecer ídolos, orientando-nos a uma obediência cega, que priva todos, ou quase todos, os fieis, ou seguidores, de qualquer tipo de liberdade, oferecendo-lhes no lugar dela, prisões e mais prisões. Dogmas e mais dogmas. Na prática, quem depende de uma religião, continua escravo do sistema de pensamento do mundo, do ego.

Ora, só podemos aprender com a liberdade e só podemos ser livres quando aprendemos a oferecer a todos os que passam por nossa vida a mesma liberdade que nos põe em contato com a alegria e com a paz completas e perfeitas que, no dizer do Curso, são a Vontade de Deus para cada um e para todos nós. Enquanto ainda mantivermos em nós o pensamento de exercer o controle sobre alguma coisa ou sobre alguém, estamos reforçando nossa condição de prisioneiros do ego em nós mesmos e do ego no mundo.

Por isto é que os convido agora, a todos e a todas que já estão aqui, e a quem mais vier, a darmos mais uma vez os últimos vinte passos que restam para chegarmos ao ponto em que as lições vão ensinar mais a respeito da forma a ser usada para que nos lembremos do que, e de quem, somos na verdade. 

As lições que praticamos visam a nos levar ao ponto em que vamos ter certeza e confiança de que, como diz Joel Goldsmith, em seu livro A Arte de Curar pelo Espírito, "o Espírito atua sem cessar, atraindo a nós o que é nosso, seja o que isso for". É isto que vai nos permitir "entregar" ao Espírito toda a nossa vida, abandonando por completo qualquer medo, qualquer culpa.

Mais, ele diz: "lembra-te dele [de Deus, do Espirito] em todos os teus caminhos e ele te guiará no caminho certo". 

Peço-lhes, pois, mais uma vez, que revisemos com passos leves, sabendo agora que qualquer um destes últimos passos, por si só, dado com toda a disposição, de mente e coração abertos, pode nos devolver a herança que Deus, nosso Pai e nosso Ser, reserva para cada um de nós, quando nos voltamos amorosamente para Ele dispostos a reconhecer, aceitar e assumir o compromisso com o papel que nos cabe em Seu plano para a salvação do mundo.

Ele vai conosco aonde formos, se O buscarmos trazer à consciência, se ficarmos atentos para tê-Lo na consciência em todos os instantes. Que esta certeza permaneça em nossos corações e mentes. Que Sua presença torne cada vez mais leve nosso caminhar. Vamos com Ele. Não há mais como nos desviarmos do caminho. A Vontade d'Ele, de alegria e paz completas para nós, é também a nossa vontade. 

É para aprender isto que revisamos hoje a ideia: Confio em meus irmãos, que são um comigo.

Às práticas, pois. Boa revisão a todos.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Vamos continuar a praticar a alegria e a gratidão?


LIÇÃO 200

Não há nenhuma paz a não ser a paz de Deus.

1. Não busques mais. Não acharás paz a não ser a paz de Deus. Aceita este fato e poupa a ti mesmo a agonia de decepções ainda mais amargas, do triste desespero e da fria sensação da desesperança e da dúvida. Não busques mais. Não há nada mais para achares exceto a paz de Deus, a menos que busques sofrimento e dor.

2. Este é o ponto final ao qual cada um tem de chegar, enfim, para abandonar toda a esperança de achar a felicidade aonde não há nenhuma; de ser salvo por aquilo que só pode ferir; de criar paz do caos, alegria da dor e Céu do inferno. Não tentes mais ganhar por meio da perda, nem morrer para viver. Só podes estar pedindo a derrota.

3. Todavia, com a mesma facilidade, podes pedir amor, felicidade e a vida eterna na paz que não tem fim. Pede isto e só podes ganhar. Pedir aquilo que já tens tem de ser bem-sucedido. Pedir que aquilo que é falso seja verdadeiro só pode fracassar. Perdoa-te pelas fantasias vãs e não busques mais o que não podes achar. Pois o que poderia ser mais tolo do que buscar o inferno indefinidamente, quando tens apenas de olhar como os olhos abertos para descobrir que o Céu está diante de ti, em uma porta que se abre facilmente para te acolher?

4. Vem para casa. Não achaste tua felicidade em lugares estranhos e em formas hostis que não têm nenhum significado para ti, embora buscasses torná-las significativas. Este mundo não é o teu lugar. És um estranho aqui. Mas te é dado achar o meio a partir do qual o mundo não parece mais ser uma prisão ou uma cela para ninguém.

5. A liberdade te é dada no mesmo lugar em que só viste correntes e portas de ferro. Mas tens de mudar teu modo de pensar acerca da finalidade do mundo, se quiseres achar saída. Ficarás preso até vires o mundo inteiro como abençoado e libertares todos de teus equívocos e os aceitares pelo que são. Tu não os criaste, nem a ti mesmo. E quando libertas um, o outro é aceito como é.

6. O que o perdão faz? Na verdade, ele não tem nenhuma função e não faz nada. Pois ele é desconhecido no Céu. É só no inferno que se necessita dele e onde ele tem de servir a uma função muito importante. A libertação do Filho de Deus dos sonhos maus que ele sonha e ainda assim acredita serem verdadeiros não é um objetivo valioso? Quem poderia aspirar a mais, quando parece haver uma escolha a se fazer entre sucesso e fracasso, amor e medo?

7. Não há nenhuma paz a não ser a paz de Deus, porque Ele tem um Filho que não pode inventar um mundo que contraria a Vontade d'Ele e a sua própria, que é a mesma que a de Deus. O que ele poderia esperar achar em tal mundo? Ele não pode ser real, porque nunca foi criado. É aqui que ele quer buscar a paz? Ou ele tem de perceber, à medida que olha para ele, que o mundo só pode enganar? Porém, ele pode aprender a considerá-lo de outra forma e encontrar a paz de Deus.

8. A paz é a ponte que todos cruzarão para deixar este mundo para trás. Mas a paz começa no interior do mundo percebido de forma diferente, que conduz, a partir desta nova percepção, ao portão do Céu e ao caminho que está além. A paz é a resposta para metas divergentes, para jornadas absurdas, insensatas, buscas desvairadas, vãs, e esforços sem sentido. Agora o caminho fica fácil, inclinando-se suavemente na direção da ponte na qual está a liberdade dentro da paz de Deus.

9. Não vamos nos desviar de nosso caminho novamente hoje. Vamos para o Céu e o caminho é reto. Só pode haver atraso e perda desnecessária de tempo, se tentarmos andar ao léu por atalhos espinhosos. Só Deus é certo e Ele guiará nossos passos. Ele não abandonará Seu Filho em necessidade nem o deixará se desviar de sua casa eternamente. O Pai chama, o Filho ouvirá. E isso é tudo o que existe para aquilo que parece ser um mundo separado de Deus, em que os corpos são reais.

10. Agora há silêncio. Não busques mais. Chegaste ao lugar em que a estrada é atapetada com as folhas dos desejos falsos, caídas das árvores da desesperança que buscaste antes. Agora elas estão no chão. E tu olhas para cima, e na direção do Céu, com os olhos do corpo tendo utilidade por um só instante a mais agora. A paz já é reconhecida afinal e podes sentir seu abraço suave envolver teu coração e tua mente em consolo e amor.

11. Hoje não buscamos nenhum ídolo. A paz não pode ser encontrada neles. A paz de Deus é nossa e nós só aceitamos e queremos isso. Que a paz esteja conosco hoje. Pois descobrimos um modo simples e alegre de abandonar o mundo da ambiguidade e de substituir nossas metas inconstantes e sonhos solitários pelo propósito único e pelo companheirismo. Pois a paz, se for de Deus, é união. Estamos perto de casa e nos aproximamos ainda mais cada vez que dissermos:

Não há nenhuma paz a não ser a paz de Deus,
E eu estou alegre e agradecido que seja assim.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 200

"Não há nenhuma paz a não ser a paz de Deus."

"Não há nenhuma paz a não ser a paz de Deus". Repito de novo e de novo e de novo: dito isto, será preciso dizer alguma coisa mais?

Perguntemo-nos uma vez mais também: quem acredita que pode ficar em paz, ou que pode de algum modo encontrar alguma paz que não venha de Deus? Mas não o deus que as religiões, em geral, nos querem vender: um deus criado à imagem e semelhança do ego no ser humano.

A lição de hoje chama a nossa atenção para o fato de que, acima de tudo, o que queremos experimentar de verdade é a paz que vem de Deus, e esta paz está ao nosso alcance em qualquer momento. Basta que a desejemos de fato. Basta que nos entreguemos à ideia de que não pode haver - e não há - nada que nos possa satisfazer por completo, nem no mundo nem em lugar algum do universo, a não ser a paz de Deus. Ou a alegria que é a condição natural do Filho de Deus.

Mais uma vez: a lição de hoje - ainda que só de certa forma -, encerra as práticas com as ideias de primeira parte do livro de exercícios, embora isto ainda não signifique que tenhamos encerrado esta primeira parte, repetindo o que já disse outras vezes ao chegarmos novamente a este ponto.

Por quê?

Porque a partir de amanhã, preparando-nos de forma mais concreta para a segunda parte do Livro de Exercícios - aquela parte que vai nos oferecer a possibilidade da visão a partir da percepção correta do Espírito Santo em nós -, vamos revisar cada uma das últimas vinte ideias praticadas. São elas, mais uma vez, que vão nos oferecer os elementos finais de que precisamos para o contato efetivo com as lições da segunda parte.

É preciso reconhecermos novamente que ter chegado juntos até aqui nesta, que é a nona vez para quem segue as postagens e pratica as lições a partir deste espaço desde o início, é, de fato, uma façanha e tanto. Mas isso não significa que a façanha dos que chegaram até este ponto pela primeira vez em suas práticas seja menor. Também não significa que a missão dos que vieram até aqui pela quarta, quinta, ou sexta vez esteja cumprida. Acho que ainda há muito a se aprender. Não acham?

Entretanto podemos dizer de novo que estamos todos de parabéns. Pois agora nos aproximamos rapidamente daquele ponto no aprendizado em que o Espírito Santo vai nos orientar diretamente, se permitirmos, na direção da percepção verdadeira, que também virá a desaparecer, quando chegarmos ao autoconhecimento, ao ponto em que compreenderemos que a percepção é desnecessária.

Podemos, sim, celebrar e praticar com alegria, porque depois da revisão que iniciaremos amanhã, e que durará exatos vinte dias, vamos (re)começar as práticas com as ideias da segunda parte do livro de exercícios. 

Quem já passou por ela, vai reconhecer de forma mais clara, mais uma vez, que, a partir das práticas da primeira parte, já somos capazes de esquecer, de deixar de lado, relevar e questionar muitas das coisas que o mundo nos ensinou e ainda quer ensinar de forma equivocada, a partir do sistema de pensamento do ego, acerca de nós mesmos. 

Quem chega pela primeira vez até aqui, vai se perceber,  mesmo que ainda de forma não muito clara, capaz de identificar os momentos em que o mundo, e o que ele ensina, busca nos levar de volta ao auto-engano. Isto significa que atingimos os objetivos a que visam as primeiras 220 lições. E significa também que, de algum modo, já somos capazes de nos colocar sob a orientação do Espírito Santo e de deixar que Ele nos guie, mesmo que ainda não de forma permanente, mesmo que ainda apenas por momentos.

É por isso que os convido a continuarem a praticar com alegria e gratidão, em particular a ideia que o Curso nos oferece para as práticas de hoje. Continuemos também a praticar a própria alegria, e a gratidão, pois agora já podemos vislumbrar a certeza de que estamos cada vez mais próximos de nós mesmos, daquilo que somos na verdade em Deus e com Ele. É isto que vai nos colocar cada vez mais perto do reconhecimento e da aceitação da Vontade de Deus para nós como sendo a nossa própria vontade.

Às práticas?

terça-feira, 18 de julho de 2017

Os seres humanos podem ser livres, apesar do corpo


LIÇÃO 199

Eu não sou um corpo. Sou livre.

1. A liberdade tem de ser impossível enquanto perceberes a ti mesmo como um corpo. O corpo é um limite. Aquele que quer buscar liberdade em um corpo a procura aonde ela não pode ser encontrada. A mente pode se tornar livre quando não mais se vir em um corpo, amarrada firmemente a ele e protegida por sua presença. Se isto fosse a verdade, a mente seria, de fato, vulnerável.

2. A mente que serve ao Espírito Santo é ilimitada para sempre de todas as formas, está além das leis de tempo e espaço, livre de quaisquer preconceitos e com força e poder para fazer qualquer coisa que se pedir a ela. Pensamentos de ataque não podem entrar em uma mente como esta, porque ela foi dada à Fonte do amor, e o medo não pode entrar nunca em uma mente que se ligue ao amor. Ela descansa em Deus. E quem poderia ter medo se vive na Inocência e apenas ama?

3. É essencial para teu progresso neste curso que aceites a ideia de hoje e que lhe dês muito valor. Não te preocupes que ela seja bem insana para o ego. O ego preza o corpo porque mora nele e vive unido à casa que constrói. O corpo é uma parte da ilusão que o protege de se descobrir ilusório.

4. Ele se esconde aí e aí pode ser visto como é. Manifesta tua inocência e estás livre. O corpo desaparece, porque não tens nenhuma necessidade dele, exceto a que o Espírito Santo vê. Para isto, o corpo se apresentará como uma forma útil para aquilo que a mente tem de fazer. Deste modo, ele vem a ser um veículo que ajuda o perdão a ser estendido à meta todo-abrangente que o perdão precisa alcançar, de acordo com o plano de Deus para a salvação.

5. Sustenta a ideia de hoje e pratica-a, hoje, e todos os dias. Torna-a uma parte de todos os períodos de prática que empreenderes. Não há nenhum pensamento, em razão disso, que não se aperfeiçoe em poder para ajudar o mundo, e nenhum que não ganhe também mais dádivas para ti. Anunciamos o chamado da liberdade no mundo inteiro com esta ideia. E tu te dispensarias da aceitação das dádivas que dás?

6. O Espírito Santo é o lar das mentes que buscam liberdade. N'Ele elas encontram o que buscam. Agora a finalidade do corpo está clara. E ele se torna perfeito na capacidade de servir a uma meta não-dividida. Em resposta inequívoca e livre de conflitos à mente que tem por meta apenas o pensamento da liberdade, o corpo serve, e serve bem, ao seu objetivo. Sem o poder de escravizar, ele é um valioso servidor da liberdade que a mente, no interior do Espírito Santo, busca.

7. Liberta-te hoje. E carrega a liberdade como tua dádiva àqueles que ainda acreditam ser escravos dentro de um corpo. Liberta-te, a fim de que o Espírito Santo possa fazer uso de tua saída da escravidão para libertar os muitos que se percebem como presos e desamparados, e com medo. Deixa que o amor substitua seus medos por teu intermédio. Aceita a salvação agora e dá tua mente Àquele Que te chama para Lhe dares esta dádiva. Pois Ele quer te dar a liberdade completa, a alegria completa e a esperança que encontra sua realização plena em Deus.

8. Tu és o Filho de Deus. Tu vives na imortalidade para sempre. Não queres devolver tua mente a isto? Então pratica bem o pensamento que o Espírito Santo te dá para hoje. Nele teus irmãos ficam livres contigo; o mundo é abençoada juntamente contigo; o Filho de Deus não chorará mais e o Céu dá graças pela aumento da alegria que tua prática traz até mesmo para ele. E o Próprio Deus estende Seu Amor e felicidade cada vez que disseres:

Eu não sou um corpo. Sou livre. Ouço a Voz que Deus
me dá e é apenas a isto que minha mente obedece.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 199

"Eu não sou um corpo. Sou livre."

Comecemos mais uma vez nossa exploração da lição para o dia de hoje, da mesma forma que o fizemos em anos passados, lembrando-nos de que, de acordo com o que ensina Joel Goldsmith, o único problema do ser humano é a falta de liberdade. O ser humano, para ele, nunca foi, e não é, livre. É um escravo - física, política, econômica e, pode-se até dizer, espiritualmente.

O ser humano é um escravo, em primeiro lugar, de si mesmo, em si mesmo e de seu próprio corpo, da imagem que faz de si mesmo pensando-se, de modo equivocado, um corpo. Está acorrentado por hábitos, teorias e crenças políticas, econômicas e espirituais de gerações e gerações que também viviam o mesmo equívoco. Vivem, vivemos, até hoje. Também é escravo de seus próprios pensamentos e de tudo o que materializa a partir deles, sem nem ao menos se dar conta de que se mudasse sua forma de pensar tudo mudaria.

De que forma, então, o ser humano, até hoje escravo, pode chegar à liberdade?

Aprendendo a ouvir a Voz por Deus no interior de si. Rendendo-se à graça e abandonando a crença de que é e está separado de Deus e de tudo e de todos.

Uma das formas de fazer isso é praticar as lições do modo que o Curso orienta. Pois o que faz com que nos aproximemos de ensinamentos tais como o do Curso é exatamente a sensação de falta de liberdade, a sensação de que há algo mais na vida do que apenas aquilo que, em geral, acontece em nossos dias, todos, ou a maioria deles pelo menos, dedicados às tarefas da sobrevivência.

Como eu já disse antes, muitas das pessoas que se aproximam do Curso o fazem à procura de uma resposta para seus problemas e de uma explicação para as situações que enfrentam em sua vida pessoal.

Também é comum que essas pessoas, após um breve tempo de contato com o ensinamento, se afastem dele, aparentemente sem razão alguma. Em geral o fazem porque, quando começam a ouvir o que ele diz acerca do ego e do corpo, que o Curso identifica como a casa do ego, percebem no Curso, de modo equivocado, é claro, uma ameaça àquilo que acreditam ser: corpos. 

Isto é, o Curso, de fato, é uma ameaça à manutenção da crença no ego - um falso eu, uma imagem que vamos construindo ao longo do tempo a partir daquilo que nos ensina o mundo e seu sistema de pensamento - como aquilo que somos. Uma imagem à qual nos apegamos e que necessita de um corpo para existir. Quer dizer, o ego se acredita capaz de nos convencer de que somos apenas corpos e que não há nada além dele em nós. No entanto, o que ele nos oferece é um relacionamento com o mundo e com todas as coisas do - e no - mundo a partir de uma imagem equivocada que seu sistema de pensamento construiu de nós mesmos, em nós e para nós mesmos.

Por isto, a lição de hoje traz para as práticas a ideia que coloca as coisas nos devidos lugares, apresentando-nos o corpo como apenas "uma forma útil para aquilo que a mente tem de fazer", dando-lhe apenas o papel que ele tem de cumprir e nada mais. Isto é, oferecendo a nós, seres humanos, a possibilidade da liberdade apesar do corpo.

O corpo, na verdade - e para o Curso, que trata de fazer com que voltemos nossa atenção para a verdade -, tem de ser apenas uma ferramenta, um instrumento perfeito para a comunicação. Ou, como diz a lição, o corpo é "um veículo que ajuda o perdão a ser estendido à meta todo-abrangente que o perdão precisa alcançar, de acordo com o plano de Deus". E, se ainda não é para alguns de nós, tem de vir a ser, pois é só o perdão que pode - e vai - nos levar à liberdade, assim que o escolhermos.

Repetindo algo que eu já disse também em anos anteriores: é a prática desta ideia que pode nos dar a liberdade que pensamos ter perdido ao nos acreditarmos corpos por sugestão do ego. Livres da crença a que o ego quer nos induzir, libertamo-nos de todos os conflitos, pois, quando o corpo já não pode mais nos escravizar, ele passa a ser apenas "um servidor valioso". 

Às práticas?

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Vivemos um tipo de ilusão de ótica da consciência


LIÇÃO 198

Só minha condenação me fere.

1. O ferir é impossível. E, no entanto, ilusão cria ilusão. Se podes condenar, podes ser ferido. Pois acreditas que podes ferir e o direito que estabeleceste para ti mesmo agora pode ser usado contra ti, até que o abandones por inútil, indesejado e irreal. Então, a ilusão deixa de ter efeitos e aqueles que parecia ter serão desfeitos. Estás livre, então, pois a liberdade é tua dádiva e agora podes receber a dádiva que deste.

2. Condena e te tornas prisioneiro. Perdoa e ficas livre. Esta é a lei que rege a percepção. Não é uma lei que o conhecimento entende, pois a liberdade é uma parte do conhecimento. Assim, condenar é, na verdade, impossível. O que parece ser suas influências e seus efeitos absolutamente não aconteceu. No entanto, por algum tempo, temos de lidar com eles como se tivessem acontecido. Ilusão cria ilusão. Exceto uma. O perdão é ilusão que é resposta a todas as restantes.

3. O perdão varre todos os outros sonhos e, embora ele mesmo seja um sonho, não provoca nenhum outro. Todas as ilusões, salvo esta, têm de se multiplicar milhares de vezes. Mas é aqui que as ilusões acabam. O perdão é o fim dos sonhos, porque ele é um sonho de despertar. Ele, em si mesmo, não é a verdade. Mas ele aponta para o lugar em que a verdade tem de estar e dá a orientação com a certeza do Próprio Deus. Ele é um sonho no qual o Filho de Deus desperta para seu Ser e para seu Pai, sabendo que Eles são um só.

4. O perdão é a única via que conduz para longe do desastre, para além de todo o sofrimento e, finalmente, para longe da morte. Como poderia haver outro caminho, se este é o plano do Próprio Deus? E por que te oporias a ele, brigarias com ele, buscarias achar milhares de maneiras pelas quais ele tem de estar errado, milhares de possibilidades outras?

5. Não é mais sábio ficar alegre por teres a resposta para teus problemas em tuas mãos? Não é mais inteligente agradecer Àquele Que dá a salvação e aceitar sua dádiva com gratidão? E não é uma bondade para contigo mesmo ouvir Sua Voz e aprender as lições simples que Ele quer ensinar, em lugar de tentar rejeitar Sua palavras e colocar as tuas próprias palavras no lugar das d'Ele?

6. As palavras d'Ele funcionarão. As palavras d'Ele salvarão. As palavras d'Ele contêm toda a esperança, toda a bênção e toda a alegria que alguma vez já puderam ser encontradas nesta terra. As palavras d'Ele nasceram em Deus e chegam a ti com o amor do Céu sobre elas. Aqueles que ouvem Suas palavras ouvem a canção do Céu. Pois estas são as palavras nas quais todas se fundem como uma só finalmente. E, quando esta única palavras desaparecer, o Verbo de Deus virá tomar o lugar dela, pois então ela será lembrada e amada.

7. Este mundo tem muitos territórios aparentemente separados em que a misericórdia não tem significado e onde o ataque parece ser justificado. Mas todos são um só; um lugar no qual se oferece a morte ao Filho de Deus e a seu Pai. Podes pensar que Eles aceitam. Mas, se olhares novamente para o lugar em que vês o sangue d'Eles, vais perceber um milagre em lugar dele. Que tolice é acreditar que Eles poderiam morrer! Que tolice acreditar que podes atacar! Que loucura é pensar que poderias ser condenado e que o Filho santo de Deus pode morrer!

8. A serenidade de teu Ser permanece inalterada, intocada por pensamentos como estes e não tem consciência de qualquer condenação que poderia necessitar de perdão. Sonhos de qualquer espécie são estranhos e hostis à verdade. E o que, a não ser a verdade, poderia ter um Pensamento que constrói uma ponte para si, que leva as ilusões para o outro lado?

9. Hoje praticamos deixar a liberdade vir para construir sua casa contigo. A verdade dá estas palavras a tua mente, a fim de que possas achar a chave para a luz e deixar que a escuridão acabe:

Só minha condenação me fere.
Só meu próprio perdão me liberta.

Não te esqueças hoje de que não pode haver nenhuma forma de sofrimento que não deixe de esconder um pensamento de rancor. E que também não existe nenhuma forma de dor que o perdão não possa curar.

10. Aceita a única ilusão que afirma que não há nenhuma condenação no Filho de Deus e o Céu é lembrado imediatamente; esquece-se o mundo, esquece-se todas as suas crenças estranhas com ele, quando a face de Cristo aparece, enfim, sem véu neste sonho único. Esta é a dádiva de Deus, teu Pai, que o Espírito Santo guarda para ti. Deixa que este dia também seja celebrado tanto na terra quanto em teu lar santo. Sê benigno para Ambos, enquanto perdoas as faltas das quais pensaste que Eles eram culpados e vê, desde a face de Cristo, tua inocência brilhar sobre ti.

11. Agora há silêncio no mundo inteiro. Agora existe serenidade onde antes havia uma torrente frenética de pensamentos sem sentido. Agora existe uma luz tranquila sobre a face da terra, que se acalmou em um sono sem sonhos. E agora só o Verbo de Deus permanece sobre ela. Só se pode perceber isso por mais um instante. Então, os símbolos acabam e tudo o que já pensaste ter feito se desvanece por completo da mente que Deus sabe ser Seu único Filho para sempre.

12. Não há nenhuma condenação nele. Ele é perfeito em sua santidade. Ele não precisa de nenhum pensamento de misericórdia. Quem poderia lhe dar as dádivas se tudo é seu? E quem poderia sonhar em oferecer perdão ao Filho da Própria Inocência, tão igual a Ele, de Quem é Filho, que olhar para o Filho é deixar de perceber para só conhecer o Pai? Nesta visão do Filho, tão breve que nem ao menos um instante se interpõe entre a visão única e a própria intemporalidade, vês a visão de ti mesmo e, então, desapareces para sempre em Deus.

13. Hoje chegamos ainda mais perto do fim de tudo o que ainda quer se interpor entre esta visão e nossa vista. E estamos contentes por chegar tão longe e reconhecer que Aquele Que nos trouxe até aqui não nos abandonará agora. Pois Ele quer nos dar a dádiva que Deus nos dá por Seu intermédio hoje. Agora é o momento de tua libertação. Chegou a hora. A hora chegou hoje.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 198

"Só minha condenação me fere."

Repetindo o que eu já disse antes, a ideia que vamos praticar mais uma vez hoje complementa e estende, amplia, o alcance das ideias das duas últimas lições de nossas práticas: Só posso crucificar a mim mesmo. E: Só posso ganhar a minha [própria] gratidão. Além disso, ela nos leva, com certeza, ao reconhecimento de que se [nos] perdoarmos vamos ver o mundo de modo diferente, como nos dizia a lição 193, que praticamos há alguns poucos dias. 

Aliás, como a própria lição dizia, ao nos pedir para reconhecermos que todas as coisas são lições que Deus quer que aprendamos, a ideia para as práticas de então é reveladora de tudo o que há por detrás das formas, tanto das lições que praticamos, quanto das experiências, das situações e circunstâncias por que passamos e também das pessoas que encontramos em nossa vida, em nossos caminhos ao longo do tempo. 

Mesmo que não sejamos capazes de ver claramente, tudo aquilo que nos incomoda e perturba está relacionado a algo ou alguém que não perdoamos, a uma mágoa que guardamos [lembrando sempre que é só a nós mesmos que perdoamos, quer dizer, se há alguém ou algo a respeito de quem ou de que estamos magoados, precisamos nos perdoar pelo equívoco de achar que este alguém ou algo é responsável pela forma como nos sentimos] . É claro que, enquanto não fizermos isso, nos tornamos prisioneiros [de nós mesmos por estarmos aprisionando o(s) outro(s) ou algo em nossa experiência], como afirma a lição de hoje logo no seu segundo parágrafo: Condena e te tornas prisioneiro.

Tanto a ideia para as práticas de hoje quanto as outras três de que falei acima, como já aprendemos, devem servir para reforçar mais e mais em nós a certeza de que não há absolutamente nada fora de nós mesmos, de acordo com o que o Curso ensina. Isto equivale a dizer que tudo o que vemos, ouvimos, tocamos, cheiramos ou provamos, absolutamente tudo, por mais estranho ou esdrúxulo que nos possa parecer, é apenas uma projeção de nossos próprios pensamentos, um reflexo daquilo que trazemos no interior de nós mesmos e que, muitas vezes, nos recusamos a reconhecer como nosso. Isso não lhes lembra também o que já citei aqui de Elio D'Anna, em seu livro A Escola dos Deuses?

O mundo que se apresenta à visão, aos sentidos de cada um e de todos nós, é apenas uma ilusão, uma ideia, um pensamento, a que damos forma. E, como eu já disse muitas outras vezes, em sintonia com o que diz o Curso e com o que dizem todos os grandes mestres de todos os tempos, se este mundo aparentemente nos causa alguma dor, algum sofrimento, nos afasta da paz e nos dá a sensação de uma solidão insuportável, a única maneira de mudá-lo é mudando nossa percepção de nós mesmos, perdoando-nos por nossa percepção equivocada [lembram-se do ho'oponopono?] e perdoando o mundo, por consequência . 

O melhor instrumento, quiça o único dentro da ilusão que vivemos, de que podemos nos valer para curar o mundo e para nos curarmos de tudo o que pensamos que pode nos ferir é o perdão. Lembrando-nos sempre de que só podemos perdoar a nós mesmos, reforçando o que está dito um pouco aí acima. Ou para dizer como Gil, "não há o que perdoar, por isso é que há de haver mais compaixão".

Repetindo uma vez mais o que eu disse nos últimos anos, vamos rever o que disse Einstein a respeito do que é um ser humano? Algo que pode nos ajudar a expandir a percepção de nós mesmos e a estender o perdão a tudo e a todos que vemos, pois - de novo, insisto - só podemos perdoar a nós mesmos. Diz-nos ele: 

"Um ser humano é uma parte do todo a que se chama 'universo', uma parte limitada no tempo e no espaço. Ele se experimenta, [e experimenta a] seus pensamentos e sensações, como algo separado do restante, uma espécie de ilusão de ótica da ... consciência. Esta ilusão é um tipo de prisão para nós, restringindo-nos a nossos desejos pessoais e à afeição por algumas poucas pessoas mais próximas de nós. Nossa tarefa tem de ser a de nos libertarmos desta prisão pelo alargamento de nosso círculo de compaixão para incluir todas as criaturas vivas e a totalidade da natureza em sua beleza. Ninguém é capaz de alcançar isto totalmente, mas o esforço por tal realização é parte da libertação e uma base para a segurança interior."

Quando buscamos alcançar a iluminação - ou o contato com o divino em nós [o que é sinônimo de busca do autoconhecimento] -, não é necessário que a alcancemos, de fato, ou que façamos realmente o contato. Basta nossa disposição para tanto para que se dê em nossa mente a abertura de que precisamos para a que luz se apresente a nós e nos convide a olhar para tudo de modo diferente. 

Quando mudamos, o mundo muda conosco. 

Quantas vezes vamos precisar ouvir, ler e repetir isto?

Quantas forem necessárias até aprendermos.

Às práticas?

domingo, 16 de julho de 2017

Não podemos chegar à liberdade pelo pensamento


LIÇÃO 197

Só posso ganhar a minha gratidão.

1. Eis aqui o segundo passo que damos para libertar nossa mente da crença em uma força externa contrária a tua. Fazes esforços de bondade e de perdão. No entanto, tu os transformas em ataque novamente, a menos que encontres gratidão externa e agradecimentos generosos. Tuas doações têm de ser recebidas com reverência a fim de que não sejam retiradas. E, assim, pensas que as dádivas de Deus, na melhor das hipóteses, são empréstimos; na pior, enganos que te privariam de defesas para garantir que quando Ele atacar não deixe de matar.

2. Quão facilmente aqueles que não sabem o que seus pensamentos podem fazer confundem Deus e culpa. Nega tua força e a fraqueza tem de se tornar a salvação para ti. Vê a ti mesmo como prisioneiro e as grades se tornam teu lar. E também não deixarás a prisão ou reivindicarás tua força até que culpa e salvação não sejam vistas como uma só e que liberdade e salvação sejam vistas como unidas, com a força a seu lado para ser buscada e reclamada, e encontrada e plenamente reconhecida.

3. O mundo tem de te agradecer quando lhe ofereces a liberação de tuas ilusões. Contudo, teus agradecimentos também te pertencem, pois a liberação do mundo só pode refletir a tua. Tua gratidão é tudo o que tuas dádivas pedem, para serem uma oferenda duradoura de um coração agradecido, livre do inferno para sempre. É isto que queres desfazer tomando de volta tuas dádivas porque não foram reconhecidas? És tu quem as reverencia e lhes dá os agradecimentos devidos, pois és tu quem recebe as dádivas.

4. Não importa se outro considera tuas dádivas indignas. Em sua mente, há uma parte que se junta a tua para te agradecer. Não importa se tuas dádivas parecem perdidas e inúteis. Elas são recebidas aonde são dadas. Em tua gratidão elas são aceitas universalmente e reconhecidas com gratidão pelo Coração do Próprio Deus. E tu as tomarias de volta se Ele as aceitou com gratidão?

5. Deus abençoa toda dádiva que Lhe dás e toda dádiva é dada a Ele, porque ela só pode ser dada a ti mesmo. E aquilo que pertence a Deus tem de ser d'Ele Mesmo. No entanto, nunca perceberás claramente que as dádivas d'Ele são certas, eternas, imutáveis, infinitas, que dão eternamente, estendendo amor e somando-se a tua alegria sem fim, enquanto perdoares apenas para atacar mais uma vez.

6. Retira as dádivas que dás e pensarás que aquilo que te foi dado foi retirado de ti. Mas aprende a deixar que o perdão afaste os pecados que pensas ver fora de ti mesmo e não poderás jamais pensar que as dádivas de Deus são apenas emprestadas por algum tempo antes que Ele as tome de volta novamente na morte. Pois a morte, então não fará nenhum sentido para ti.

7. E, com o fim desta crença, o medo acaba para sempre. Agradece a teu Ser por isto, pois Ele é grato a Deus e Ele agradece por ti a Si Mesmo. Cristo ainda virá a todos que vivem, pois todos têm de viver e se mover n'Ele. O Ser que Ele é está seguro em seu Pai, porque a Vontade d'Eles é a Mesma. A gratidão d'Eles a tudo o que Eles criaram não tem fim, pois a gratidão continua a ser uma parte do amor.

8. Graças sejam dadas a ti, o Filho santo de Deus. Pois da forma pela qual foste criado, conténs todas as coisas em teu Ser. E tu ainda és como Deus te criou. E também não podes turvar a luz de tua perfeição. O Coração de Deus está assentado em teu coração. Ele gosta de ti porque tu és Ele Mesmo. Toda a gratidão te pertence, em razão do que és.

9. Dá graças do mesmo modo que recebes. Liberta-te de toda ingratidão a qualquer pessoa que torna teu Ser completo. E ninguém fica fora deste Ser. Dá graças por todos os incontáveis canais que estendem este Ser. Tudo o que fazes é dado a Ele. Tudo o que pensas só podem ser os Pensamentos d'Ele, ao compartilhar com Ele os Pensamentos santos de Deus. Conquista agora a gratidão que negaste a ti mesmo quando esqueceste a função que Deus te deu. Mas não penses nunca que Ele deixa de dar graças a ti alguma vez.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 197

"Só posso ganhar a minha gratidão."

Resumindo mais uma vez o que a lição quer que aprendamos, antes de entrarmos no comentário propriamente dito, gostaria de compartilhar de novo com vocês algo que um amigo meu [agora já encantado, na luz] postou em sua linha do tempo no Facebook, há três anos no dia em que escrevi este comentário. E, parafraseando o que dizem que Jesus disse em seu tempo, quem tiver olhos para ver, que veja; quem tiver ouvidos para ouvir, que ouça e quem tiver capacidade para ler que leia, além das palavras, para ver se alguma coisa do que ele diz encontra eco em seu coração.

É o seguinte [editado por mim]:

A vida sem felicidade é tão boa!

Só uma vida sem atributos como felicidade, amor, esperança, serenidade, equilíbrio, eficiência [e tantos outros] não tem tristeza, ansiedade, culpa, medo, tédio ou depressão. É a única vida da qual você pode sair sem um pingo de medo e numa boa tão grande que é impossível descrever.

As pessoas de pensamento comum, ajustado ao sistema, jamais poderão entender isso. Uma vida sem felicidade [amor, esperança, serenidade, equilíbrio, eficiência e tantos outros nomes que damos aos nossos anseios de loucura] faz do mundo ordinário [o mundo comum do dia a dia de cada um de nós], com suas pretensas compensações, um absurdo tão grande que tudo [o] que ele contém e nos oferece torna-se asqueroso e tremendamente ofensivo, uma afronta à verdade única interior [por assim dizer], da qual perdemos totalmente a noção. 

Isto é exatamente aquilo que o Curso nos traz no texto intitulado O amigo indicado, no capítulo vinte-e-seis, quando diz: 

Qualquer coisa neste mundo que acredites ser boa e valiosa e pela qual valha a pena lutar, pode te ferir e o fará. Não porque tenha o poder para ferir, mas apenas porque tu negaste que ela é apenas uma ilusão e a tornaste real. E ela se tornou real para ti. E não é [mais apenas um] nada. E, a partir da realidade percebida nela, entra todo o mundo de ilusões doentias. Toda a crença no pecado, no poder do ataque, na dor e no mal, no sacrifício e na morte vem a ti. Porque ninguém pode tornar uma ilusão verdadeira e, ainda assim, escapar das restantes. Pois quem pode escolher manter aquelas [ilusões] que prefere e encontrar a segurança que só a verdade pode oferecer? Quem pode acreditar que as ilusões são todas a mesma e ainda afirmar que uma delas é melhor? 

E voltando agora nosso olhar para a ideia que vamos praticar novamente hoje.

Pergunto-lhes uma vez mais: - Vocês conhecem aquele ditado: "quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece"? 

Pois é verdadeiro! No duro! 

E querem saber por quê? 

Porque quanto mais voltamos nossa atenção para práticas que visem a nos livrar de alguma coisa como indesejável, sem reconhecê-la, aceitá-la, acolhê-lha e sem agradecer por ela, tanto mais reforçamos a probabilidade de que ela continue a se apresentar a nossa experiência. Ou dito de outra forma, aquilo a que se resiste persiste.

Acredito, porém, que o ditado também serve, se encarado de forma afirmativa. Isto é, quanto mais voltarmos a atenção para aquelas coisas que queremos alcançar, a partir da entrega de tudo e de todos ao espírito em nós, deixando de lado a interpretação e o julgamento do ego, tanto mais as coisas e pessoas e situações ou circunstâncias que se apresentarem virão para reforçar o aprendizado, ressaltando um ponto aqui, outro ali. Para nos mostrar sempre de forma mais clara aquilo que precisamos aprender.

Por esta razão apenas, e porque ainda me parece que o que eu queria dizer a respeito desta lição é exatamente o que já disse outras vezes antes, vou continuar com o comentário feito para ela em anos anteriores. Desta vez, com algumas poucas e pequenas modificações. Aí vai:

Vale a pena lembrar aqui o poema que trata da possibilidade de uma relação livre do engaiolamento, isto é, do aprisionamento, que, em geral, buscamos em todas as relações, com tudo e com todos. O poema de Perls, que citei também algumas lições atrás: 

Eu sou eu. 
Você é você. 
Eu não estou neste mundo para atender
as suas expectativas.
E você não está no mundo para atender
as minhas expectativas.
Eu faço a minha coisa.
Você faz a sua.
E quando nos encontramos
É muito bom.

É para isto que lição de hoje nos chama a atenção. 

Lembrando-nos de outra lição que diz: "tudo o que dou dou a mim mesmo", a ideia deste dia remete ao pensamento de que "só posso ganhar minha própria gratidão". Isto quer dizer que tudo o que vivo tem de ser vivido apenas para minha própria satisfação, para minha própria alegria e para minha própria salvação. 

[Um parêntese: um exemplo que me ocorre neste exato momento. Já pensaram quantas postagens eu teria feito até hoje neste espaço se dependesse dos comentários, ou da aprovação, feitos por aqueles que leem o que posto, além de mim? Quer queira, quer não, tenho de reconhecer todos os dias que tudo o que aparece aqui, aparece apenas para me ensinar mais a respeito de mim mesmo. Um comentário ou outro feito por alguém também tem a mesma e única finalidade: me ensinar mais a respeito de mim mesmo, pois o outro é também uma parte minha que preciso reconhecer, acolher e aceitar por inteiro. Fecha o parêntese.]

Num dos volumes da trilogia Conversando com Deus, falando pelas palavras de Neale Donald Walsch, Deus afirma que a única responsabilidade que qualquer pessoa tem neste mundo é apenas para consigo mesma. Isto é egoísmo? Para o sistema de pensamento do ego, talvez. Porém, se pensarmos bem, veremos que não. Pois tudo começa em nós mesmos e é só em nós mesmos que pode terminar. Em cada um de nós. Para o bem ou para o mal.

Lembro-me de ter lido num dos livros de Fritjof Capra, Uma Sabedoria Incomum, que, após uma palestra de Krishnamurti, ele, Capra, foi se aconselhar com Krishnamurti a respeito de uma questão para a qual ansiava por uma resposta. Sua questão era: "Como posso ser um cientista e ainda assim seguir seu conselho para interromper o pensamento e libertar-me do conhecido"?

Capra conta que Krishnamurti, sem hesitar, respondeu sua pergunta em dez segundos, e de um modo que resolveu completamente seu problema. A resposta foi: "Primeiro você é um ser humano e depois um cientista. Antes você tem de se tornar livre, e essa liberdade não pode ser atingida por meio do pensamento. Ela é atingida pela meditação - a compreensão da totalidade da vida, em que cessam todas as formas de fragmentação". 

Quer dizer, a liberdade está relacionada ao abandono da dependência dos pensamentos, uma vez que, como diz Tolle, que já apareceu por aqui também, nós não somos os nossos pensamentos e não precisamos ter medo de morrer se pararmos de pensar. Na verdade, quando os pensamentos estão ausentes é quando mais podemos nos sentir vivos. Ou nunca experimentaram?

Resumindo, vivemos para aprender a - ou talvez seja melhor dizer lembrar de - ser o que somos. Ou melhor dizendo ainda, para viver apenas a partir do que somos. Isto aprendido, só podemos viver para o que somos, para o Ser. 

As práticas das lições são o equivalente da meditação neste nosso mundo de pressas e prazos e atribulações e medos e inseguranças. Elas nos proporcionam alguns instantes a cada dia para nos voltarmos para o divino em nós mesmos em busca da "compreensão da totalidade da vida", livres de pensamentos e de expectativas, livres de "todas as formas de fragmentação". Pois, voltando a algo a que já me referi antes, ficar livre dos pensamentos é alcançar aquele estado de espírito no qual abandonamos todos os esforços para compreender a vida a partir do intelecto.

Pois, de acordo com D. T. Suzuki, "a mente que não compreende é o Buda; não existe outra".

Às práticas?