sábado, 18 de julho de 2026

Apesar do corpo, nós, humanos, podemos ser livres

 

LIÇÃO 199

Eu não sou um corpo. Sou livre.

1. A liberdade tem de ser impossível enquanto perceberes a ti mesmo como um corpo. O corpo é um limite. Aquele que quer buscar liberdade em um corpo a procura aonde ela não pode ser encontrada. A mente pode se tornar livre quando não mais se vir em um corpo, amarrada firmemente a ele e protegida por sua presença. Se isto fosse a verdade, a mente seria, de fato, vulnerável.

2. A mente que serve ao Espírito Santo é ilimitada para sempre de todas as formas, está além das leis de tempo e espaço, livre de quaisquer preconceitos e com força e poder para fazer qualquer coisa que se pedir a ela. Pensamentos de ataque não podem entrar em uma mente como esta, porque ela foi dada à Fonte do amor, e o medo não pode entrar nunca em uma mente que se ligue ao amor. Ela descansa em Deus. E quem poderia ter medo se vive na Inocência e apenas ama?

3. É essencial para teu progresso neste curso que aceites a ideia de hoje e que lhe dês muito valor. Não te preocupes que ela seja bem insana para o ego. O ego preza o corpo porque mora nele e vive unido à casa que constrói. O corpo é uma parte da ilusão que o protege de se descobrir ilusório.

4. Ele se esconde aí e aí pode ser visto como é. Manifesta tua inocência e estás livre. O corpo desaparece, porque não tens nenhuma necessidade dele, exceto a que o Espírito Santo vê. Para isto, o corpo se apresentará como uma forma útil para aquilo que a mente tem de fazer. Deste modo, ele vem a ser um veículo que ajuda o perdão a ser estendido à meta todo-abrangente que o perdão precisa alcançar, de acordo com o plano de Deus para a salvação.

5. Sustenta a ideia de hoje e pratica-a, hoje, e todos os dias. Torna-a uma parte de todos os períodos de prática que empreenderes. Não há nenhum pensamento, em razão disso, que não se aperfeiçoe em poder para ajudar o mundo, e nenhum que não ganhe também mais dádivas para ti. Anunciamos o chamado da liberdade no mundo inteiro com esta ideia. E tu te dispensarias da aceitação das dádivas que dás?

6. O Espírito Santo é o lar das mentes que buscam liberdade. N'Ele elas encontram o que buscam. Agora a finalidade do corpo está clara. E ele se torna perfeito na capacidade de servir a uma meta não-dividida. Em resposta inequívoca e livre de conflitos à mente que tem por meta apenas o pensamento da liberdade, o corpo serve, e serve bem, ao seu objetivo. Sem o poder de escravizar, ele é um valioso servidor da liberdade que a mente, no interior do Espírito Santo, busca.

7. Liberta-te hoje. E carrega a liberdade como tua dádiva àqueles que ainda acreditam ser escravos dentro de um corpo. Liberta-te, a fim de que o Espírito Santo possa fazer uso de tua saída da escravidão para libertar os muitos que se percebem como presos e desamparados, e com medo. Deixa que o amor substitua seus medos por teu intermédio. Aceita a salvação agora e dá tua mente Àquele Que te chama para Lhe dares esta dádiva. Pois Ele quer te dar a liberdade completa, a alegria completa e a esperança que encontra sua realização plena em Deus.

8. Tu és o Filho de Deus. Tu vives na imortalidade para sempre. Não queres devolver tua mente a isto? Então pratica bem o pensamento que o Espírito Santo te dá para hoje. Nele teus irmãos ficam livres contigo; o mundo é abençoada juntamente contigo; o Filho de Deus não chorará mais e o Céu dá graças pela aumento da alegria que tua prática traz até mesmo para ele. E o Próprio Deus estende Seu Amor e felicidade cada vez que disseres:

Eu não sou um corpo. Sou livre. Ouço a Voz que Deus
me dá e é apenas a isto que minha mente obedece.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 199

Caras, caros,

Hoje nossa lição vai nos auxiliar a pensar a respeito de liberdade.

"Eu não sou um corpo. Sou livre."

Comecemos mais uma vez nossa exploração da lição para o dia de hoje, da mesma forma que o fizemos em anos passados, lembrando-nos de que, de acordo com o que ensina Joel Goldsmith, o único problema do ser humano é a falta de liberdade. O ser humano, para ele, nunca foi, e não é, livre. É um escravo - física, política, econômica e, pode-se até mesmo dizer, espiritualmente.

O ser humano é um escravo, em primeiro lugar, de si mesmo, em si mesmo e de seu próprio corpo, da imagem que faz de si mesmo pensando, de modo equivocado, que é um corpo. Está acorrentado por hábitos, teorias e crenças políticas, econômicas e espirituais de gerações e gerações que também viviam o mesmo equívoco. Vivem, vivemos, até hoje. Também é escravo de seus próprios pensamentos e de tudo o que materializa a partir deles, sem nem ao menos se dar conta de que se mudasse sua forma de pensar tudo mudaria.

De que forma, então, o ser humano, até hoje escravo, pode chegar à liberdade?

Aprendendo a ouvir a Voz por Deus no interior de si. Rendendo-se à graça e abandonando a crença de que é e está separado de Deus e de tudo e de todos.

Uma das formas de fazer isso é praticar as lições do modo que o Curso orienta. Pois o que faz com que nos aproximemos de ensinamentos tais como o do Curso é exatamente a sensação de falta de liberdade, a sensação de que há algo mais na vida do que apenas aquilo que, em geral, acontece em nossos dias, todos, ou na maioria deles pelo menos, dedicados às tarefas da sobrevivência, desnecessárias e não importantes na maior parte dos casos.

Como eu já disse antes, muitas das pessoas que se aproximam do Curso o fazem à procura de uma resposta para seus problemas e de uma explicação para as situações que enfrentam em sua vida pessoal.

Também é comum que essas pessoas, após um breve tempo de contato com o ensinamento, se afastem dele, aparentemente sem razão alguma. Em geral, se o fazem é porque, quando começam a ouvir o que ele diz acerca do ego e do corpo - que o Curso identifica como a casa do ego - percebem no Curso, de modo equivocado, é claro, uma ameaça àquilo que acreditam ser: corpos. 

Isto é, o Curso, de fato, é uma ameaça à manutenção da crença no ego - um falso eu, uma imagem que vamos construindo ao longo do tempo a partir daquilo que nos ensina o mundo e seu sistema de pensamento - como aquilo que somos. Uma imagem à qual nos apegamos e que necessita de um corpo para existir. Quer dizer, o ego se acredita capaz de nos convencer de que somos apenas corpos e que não há nada além dele em nós. No entanto, o que ele nos oferece é um relacionamento com o mundo e com todas as coisas do - e no - mundo a partir de uma imagem equivocada que seu sistema de pensamento construiu de nós mesmos e de nós mesmas, em nós e para nós mesmos e nós mesmas.

Por isto, a lição de hoje traz para as práticas a ideia que coloca as coisas nos devidos lugares, apresentando-nos o corpo como apenas "uma forma útil para aquilo que a mente tem de fazer", dando-lhe apenas o papel que ele tem de cumprir e nada mais. Isto é, oferecendo a todos e todas nós, seres humanos, a possibilidade da liberdade apesar do corpo.

O corpo, na verdade - e para o Curso, que trata de fazer com que voltemos nossa atenção para a verdade -, tem de ser apenas uma ferramenta, um instrumento perfeito para a comunicação. Para a perfeita comunicação. Ou, como diz a lição, o corpo é "um veículo que ajuda o perdão a ser estendido à meta todo-abrangente que o perdão precisa alcançar, de acordo com o plano de Deus". E, se ainda não o é para alguns e algumas de nós, tem de vir a ser, pois é só o perdão que pode - e vai - nos levar à liberdade, assim que o escolhermos.

Repetindo algo que eu já disse também em anos anteriores: é a prática desta ideia que pode nos dar a liberdade que pensamos ter perdido ao nos acreditarmos corpos por sugestão do ego. Livres da crença a que o ego quer nos induzir, libertamo-nos de todos os conflitos, pois, quando o corpo já não pode mais nos escravizar, ele passa a ser apenas "um servidor valioso". 

Às práticas?

sexta-feira, 17 de julho de 2026

O que vivemos é uma ilusão de ótica da consciência

 

LIÇÃO 198

Só minha condenação me fere.

1. O ferir é impossível. E, no entanto, ilusão cria ilusão. Se podes condenar, podes ser ferido. Pois acreditas que podes ferir e o direito que estabeleceste para ti mesmo agora pode ser usado contra ti, até que o abandones por inútil, indesejado e irreal. Então, a ilusão deixa de ter efeitos e aqueles que parecia ter serão desfeitos. Estás livre, então, pois a liberdade é tua dádiva e agora podes receber a dádiva que deste.

2. Condena e te tornas prisioneiro. Perdoa e ficas livre. Esta é a lei que rege a percepção. Não é uma lei que o conhecimento entende, pois a liberdade é uma parte do conhecimento. Assim, condenar é, na verdade, impossível. O que parece ser suas influências e seus efeitos absolutamente não aconteceu. No entanto, por algum tempo, temos de lidar com eles como se tivessem acontecido. Ilusão cria ilusão. Exceto uma. O perdão é ilusão que é resposta a todas as restantes.

3. O perdão varre todos os outros sonhos e, embora ele mesmo seja um sonho, não provoca nenhum outro. Todas as ilusões, salvo esta, têm de se multiplicar milhares de vezes. Mas é aqui que as ilusões acabam. O perdão é o fim dos sonhos, porque ele é um sonho de despertar. Ele, em si mesmo, não é a verdade. Mas ele aponta para o lugar em que a verdade tem de estar e dá a orientação com a certeza do Próprio Deus. Ele é um sonho no qual o Filho de Deus desperta para seu Ser e para seu Pai, sabendo que Eles são um só.

4. O perdão é a única via que conduz para longe do desastre, para além de todo o sofrimento e, finalmente, para longe da morte. Como poderia haver outro caminho, se este é o plano do Próprio Deus? E por que te oporias a ele, brigarias com ele, buscarias achar milhares de maneiras pelas quais ele tem de estar errado, milhares de possibilidades outras?

5. Não é mais sábio ficar alegre por teres a resposta para teus problemas em tuas mãos? Não é mais inteligente agradecer Àquele Que dá a salvação e aceitar sua dádiva com gratidão? E não é uma bondade para contigo mesmo ouvir Sua Voz e aprender as lições simples que Ele quer ensinar, em lugar de tentar rejeitar Sua palavras e colocar as tuas próprias palavras no lugar das d'Ele?

6. As palavras d'Ele funcionarão. As palavras d'Ele salvarão. As palavras d'Ele contêm toda a esperança, toda a bênção e toda a alegria que alguma vez já puderam ser encontradas nesta terra. As palavras d'Ele nasceram em Deus e chegam a ti com o amor do Céu sobre elas. Aqueles que ouvem Suas palavras ouvem a canção do Céu. Pois estas são as palavras nas quais todas se fundem como uma só finalmente. E, quando esta única palavras desaparecer, o Verbo de Deus virá tomar o lugar dela, pois então ela será lembrada e amada.

7. Este mundo tem muitos territórios aparentemente separados em que a misericórdia não tem significado e onde o ataque parece ser justificado. Mas todos são um só; um lugar no qual se oferece a morte ao Filho de Deus e a seu Pai. Podes pensar que Eles aceitam. Mas, se olhares novamente para o lugar em que vês o sangue d'Eles, vais perceber um milagre em lugar dele. Que tolice é acreditar que Eles poderiam morrer! Que tolice acreditar que podes atacar! Que loucura é pensar que poderias ser condenado e que o Filho santo de Deus pode morrer!

8. A serenidade de teu Ser permanece inalterada, intocada por pensamentos como estes e não tem consciência de qualquer condenação que poderia necessitar de perdão. Sonhos de qualquer espécie são estranhos e hostis à verdade. E o que, a não ser a verdade, poderia ter um Pensamento que constrói uma ponte para si, que leva as ilusões para o outro lado?

9. Hoje praticamos deixar a liberdade vir para construir sua casa contigo. A verdade dá estas palavras a tua mente, a fim de que possas achar a chave para a luz e deixar que a escuridão acabe:

Só minha condenação me fere.
Só meu próprio perdão me liberta.

Não te esqueças hoje de que não pode haver nenhuma forma de sofrimento que não deixe de esconder um pensamento de rancor. E que também não existe nenhuma forma de dor que o perdão não possa curar.

10. Aceita a única ilusão que afirma que não há nenhuma condenação no Filho de Deus e o Céu é lembrado imediatamente; esquece-se o mundo, esquece-se todas as suas crenças estranhas com ele, quando a face de Cristo aparece, enfim, sem véu neste sonho único. Esta é a dádiva de Deus, teu Pai, que o Espírito Santo guarda para ti. Deixa que este dia também seja celebrado tanto na terra quanto em teu lar santo. Sê benigno para Ambos, enquanto perdoas as faltas das quais pensaste que Eles eram culpados e vê, desde a face de Cristo, tua inocência brilhar sobre ti.

11. Agora há silêncio no mundo inteiro. Agora existe serenidade onde antes havia uma torrente frenética de pensamentos sem sentido. Agora existe uma luz tranquila sobre a face da terra, que se acalmou em um sono sem sonhos. E agora só o Verbo de Deus permanece sobre ela. Só se pode perceber isso por mais um instante. Então, os símbolos acabam e tudo o que já pensaste ter feito se desvanece por completo da mente que Deus sabe ser Seu único Filho para sempre.

12. Não há nenhuma condenação nele. Ele é perfeito em sua santidade. Ele não precisa de nenhum pensamento de misericórdia. Quem poderia lhe dar as dádivas se tudo é seu? E quem poderia sonhar em oferecer perdão ao Filho da Própria Inocência, tão igual a Ele, de Quem é Filho, que olhar para o Filho é deixar de perceber para só conhecer o Pai? Nesta visão do Filho, tão breve que nem ao menos um instante se interpõe entre a visão única e a própria intemporalidade, vês a visão de ti mesmo e, então, desapareces para sempre em Deus.

13. Hoje chegamos ainda mais perto do fim de tudo o que ainda quer se interpor entre esta visão e nossa vista. E estamos contentes por chegar tão longe e reconhecer que Aquele Que nos trouxe até aqui não nos abandonará agora. Pois Ele quer nos dar a dádiva que Deus nos dá por Seu intermédio hoje. Agora é o momento de tua libertação. Chegou a hora. A hora chegou hoje.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 198

Caras, caros,

O mesmo que nos acontece quando magoamos, ferimos ou buscamos causar dor em alguém, conforme falamos outro dia, acontece quando, em nossa pretensa onipotência alimentada pelo ego, julgamos e condenamos alguém. Quer dizer, é a nós mesmos, ou a nós mesmas, que condenamos, magoamos, ferimos ou causamos dor.

Pelos mesmos motivos a que nos referimos ao falar da lição que afirma que "só posso crucificar a mim mesmo". Talvez ainda não nos tenhamos dado conta de toda a extensão do significado de "não existe nada fora". Para isso praticamos com a ideia que o ensinamento nos oferece neste dia. 

"Só minha condenação me fere."

Repetindo o que eu já disse antes no comentário a esta mesma lição e repetindo de forma diferente também o título da postagem dos últimos anos, a ideia que vamos praticar mais uma vez hoje complementa e estende, amplia e torna mais abrangente, o alcance das ideias das duas últimas lições de nossas práticas: Só posso crucificar a mim mesmo. eposso ganhar a minha [própria] gratidão. Além disso, ela nos leva, com certeza, ao reconhecimento de que, se [nos] perdoarmos, vamos ver o mundo de modo diferente, como nos diz a lição 193, que praticamos há alguns poucos dias. 

Aliás, como a própria lição 193 diz, ao nos pedir para reconhecermos que todas as coisas são lições que Deus quer que aprendamos, a ideia para as práticas de então é reveladora de tudo o que há por detrás das formas, tanto das lições que praticamos, quanto das experiências, das situações e circunstâncias por que passamos e também das pessoas que encontramos em nossa vida, em nossos caminhos ao longo do tempo. 

Mesmo que não sejamos capazes de ver claramente, tudo aquilo que nos incomoda e perturba está relacionado a algo ou alguém que não perdoamos, a uma mágoa que guardamos [lembrando sempre que é só a nós mesmos e a nós mesmas que perdoamos, quer dizer, se há alguém ou algo a respeito de quem ou de que estamos magoados, ou magoadas, precisamos nos perdoar pelo equívoco de achar que este alguém ou algo é responsável pela forma como nos sentimos]. É claro que, enquanto não fizermos isso, nos tornamos prisioneiros e prisioneiras [de nós mesmos e de nós mesmas por estarmos aprisionando o/a(s) outro/a(s) ou algo em nossa experiência], como afirma a lição de hoje logo no seu segundo parágrafo: Condena e te tornas prisioneiro.

Tanto a ideia para as práticas de hoje quanto as outras três de que falei acima, como já aprendemos, devem servir para reforçar mais e mais em nós a certeza de que não há absolutamente nada fora de nós mesmos e de nós mesmas, de acordo com o que o Curso ensina. Isto equivale a dizer que tudo o que vemos, ouvimos, tocamos, cheiramos ou provamos, absolutamente tudo, por mais estranho ou esdrúxulo que nos possa parecer, é apenas uma projeção de nossos próprios pensamentos, um reflexo daquilo que trazemos em nosso interior e que, muitas vezes, nos recusamos a reconhecer como nosso. Isso não lhes lembra também o que já citei aqui de Elio D'Anna, em seu livro A Escola dos Deuses?

O mundo que se apresenta à visão, aos sentidos de cada um, cada uma e de todos e todas nós, é apenas uma ilusão, uma ideia, um pensamento, a que damos forma. E, como eu já disse muitas outras vezes, em sintonia com o que o Curso ensina e com o que dizem todos os grandes mestres e de todas as grandes mestras de todos os tempos, se este mundo aparentemente nos causa alguma dor, algum sofrimento, nos afasta da paz e nos dá a sensação de uma solidão insuportável, a única maneira de mudá-lo é mudando nossa percepção de nós mesmos e de nós mesmas, perdoando-nos por nossa percepção equivocada [lembram-se do ho'oponopono?] e perdoando o mundo, por consequência . 

O melhor instrumento, quiçá o único dentro da ilusão que vivemos, de que podemos nos valer para curar o mundo e para nos curarmos de tudo o que pensamos que pode nos ferir é o perdão. Lembrando-nos sempre de que só podemos perdoar a nós mesmos, a nós mesmas, reforçando o que está dito um pouco aí acima. Ou para dizer como Gil, "não há o que perdoar, por isso é que há de haver mais compaixão".

Repetindo uma vez mais o que eu disse nos últimos anos, vamos rever o que disse Einstein a respeito do que é um ser humano? Algo que pode ajudar a expandir nossa percepção de nós mesmos e de nós mesmas e a estender o perdão a tudo e a todos e todas que vemos, pois - de novo, insisto - só podemos perdoar a nós mesmos, ou a nós mesmas. Diz-nos ele: 

"Um ser humano é uma parte do todo a que se chama 'universo', uma parte limitada no tempo e no espaço. Ele se experimenta, [e experimenta a] seus pensamentos e sensações, como algo separado do restante, uma espécie de ilusão de ótica da ... consciência. Esta ilusão é um tipo de prisão para nós, restringindo-nos a nossos desejos pessoais e à afeição por algumas poucas pessoas mais próximas de nós. Nossa tarefa tem de ser a de nos libertarmos desta prisão pelo alargamento de nosso círculo de compaixão para incluir todas as criaturas vivas e a totalidade da natureza em sua beleza. Ninguém é capaz de alcançar isto totalmente, mas o esforço por tal realização é parte da libertação e uma base para a segurança interior."

Quando buscamos alcançar a iluminação - ou o contato com o divino em nós [o que é sinônimo de busca do autoconhecimento] -, não é necessário que a alcancemos, de fato, ou que façamos realmente o contato. Basta nossa disposição para tanto para que se dê em nossa mente a abertura de que precisamos para a que luz se apresente a nós e nos convide a olhar para tudo de modo diferente. 

Quando mudamos, o mundo muda conosco. 

Quantas vezes vamos precisar ouvir, ler e repetir isto?

Quantas forem necessárias até aprendermos.

Às práticas?

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Pelo pensamento não é possível chegar à liberdade

 

 LIÇÃO 197


Só posso ganhar a minha gratidão.

1. Eis aqui o segundo passo que damos para libertar nossa mente da crença em uma força externa contrária a tua. Fazes esforços de bondade e de perdão. No entanto, tu os transformas em ataque novamente, a menos que encontres gratidão externa e agradecimentos generosos. Tuas doações têm de ser recebidas com reverência a fim de que não sejam retiradas. E, assim, pensas que as dádivas de Deus, na melhor das hipóteses, são empréstimos; na pior, enganos que te privariam de defesas para garantir que quando Ele atacar não deixe de matar.

2. Quão facilmente aqueles que não sabem o que seus pensamentos podem fazer confundem Deus e culpa. Nega tua força e a fraqueza tem de se tornar a salvação para ti. Vê a ti mesmo como prisioneiro e as grades se tornam teu lar. E também não deixarás a prisão ou reivindicarás tua força até que culpa e salvação não sejam vistas como uma só e que liberdade e salvação sejam vistas como unidas, com a força a seu lado para ser buscada e reclamada, e encontrada e plenamente reconhecida.

3. O mundo tem de te agradecer quando lhe ofereces a liberação de tuas ilusões. Contudo, teus agradecimentos também te pertencem, pois a liberação do mundo só pode refletir a tua. Tua gratidão é tudo o que tuas dádivas pedem, para serem uma oferenda duradoura de um coração agradecido, livre do inferno para sempre. É isto que queres desfazer tomando de volta tuas dádivas porque não foram reconhecidas? És tu quem as reverencia e lhes dá os agradecimentos devidos, pois és tu quem recebe as dádivas.

4. Não importa se outro considera tuas dádivas indignas. Em sua mente, há uma parte que se junta a tua para te agradecer. Não importa se tuas dádivas parecem perdidas e inúteis. Elas são recebidas aonde são dadas. Em tua gratidão elas são aceitas universalmente e reconhecidas com gratidão pelo Coração do Próprio Deus. E tu as tomarias de volta se Ele as aceitou com gratidão?

5. Deus abençoa toda dádiva que Lhe dás e toda dádiva é dada a Ele, porque ela só pode ser dada a ti mesmo. E aquilo que pertence a Deus tem de ser d'Ele Mesmo. No entanto, nunca perceberás claramente que as dádivas d'Ele são certas, eternas, imutáveis, infinitas, que dão eternamente, estendendo amor e somando-se a tua alegria sem fim, enquanto perdoares apenas para atacar mais uma vez.

6. Retira as dádivas que dás e pensarás que aquilo que te foi dado foi retirado de ti. Mas aprende a deixar que o perdão afaste os pecados que pensas ver fora de ti mesmo e não poderás jamais pensar que as dádivas de Deus são apenas emprestadas por algum tempo antes que Ele as tome de volta novamente na morte. Pois a morte, então não fará nenhum sentido para ti.

7. E, com o fim desta crença, o medo acaba para sempre. Agradece a teu Ser por isto, pois Ele é grato a Deus e Ele agradece por ti a Si Mesmo. Cristo ainda virá a todos que vivem, pois todos têm de viver e se mover n'Ele. O Ser que Ele é está seguro em seu Pai, porque a Vontade d'Eles é a Mesma. A gratidão d'Eles a tudo o que Eles criaram não tem fim, pois a gratidão continua a ser uma parte do amor.

8. Graças sejam dadas a ti, o Filho santo de Deus. Pois da forma pela qual foste criado, conténs todas as coisas em teu Ser. E tu ainda és como Deus te criou. E também não podes turvar a luz de tua perfeição. O Coração de Deus está assentado em teu coração. Ele gosta de ti porque tu és Ele Mesmo. Toda a gratidão te pertence, em razão do que és.

9. Dá graças do mesmo modo que recebes. Liberta-te de toda ingratidão a qualquer pessoa que torna teu Ser completo. E ninguém fica fora deste Ser. Dá graças por todos os incontáveis canais que estendem este Ser. Tudo o que fazes é dado a Ele. Tudo o que pensas só podem ser os Pensamentos d'Ele, ao compartilhar com Ele os Pensamentos santos de Deus. Conquista agora a gratidão que negaste a ti mesmo quando esqueceste a função que Deus te deu. Mas não penses nunca que Ele deixa de dar graças a ti alguma vez.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 197

Caras, caros,

Que recompensas vocês querem do mundo, das pessoas com quem o partilham? Vocês vivem com a expectativa de reconhecimento das outras pessoas pelo que fazem, pela forma como fazem? Vocês são pessoas que se frustram quando, ao completarem uma tarefa, não recebem os elogios de praxe? Vocês esperam que as pessoas com quem convivem as vejam, as reconheçam por serem quem são, as elogiem e lhes prestem homenagem em situações como seu aniversário, sua formatura, suas promoções no trabalho e coisas assim corriqueiras nas vidas de todas e todos?

Reflitamos bem a respeito destas questões e outras similares que possam surgir, por favor. A ideia para as práticas de hoje, parece-me, tem a ver com elas.

"Só posso ganhar a minha gratidão."

Buscando resumir mais uma vez o que a lição quer que aprendamos, antes de entrarmos no comentário propriamente dito, gostaria de compartilhar de novo com vocês algo que um amigo meu [agora já encantado, na luz] postou em sua linha do tempo no Facebook no dia em que escrevi este comentário, há já vários anos. E, parafraseando o que dizem ter dito Jesus em seu tempo, quem tiver olhos para ver, que veja; quem tiver ouvidos para ouvir, que ouça, e quem tiver capacidade para ler que leia, além das palavras, para ver se alguma coisa do que ele [este meu amigo encantado] diz encontra eco em seu coração.

É o seguinte [editado por mim]:

A vida sem felicidade é tão boa!

Só uma vida sem atributos como felicidade, amor, esperança, serenidade, equilíbrio, eficiência [e tantos outros] não tem tristeza, ansiedade, culpa, medo, tédio ou depressão. É a única vida da qual você pode sair sem um pingo de medo e numa boa tão grande que é impossível descrever.

As pessoas de pensamento comum, ajustado ao sistema, jamais poderão entender isso. Uma vida sem felicidade [amor, esperança, serenidade, equilíbrio, eficiência e tantos outros nomes que damos aos nossos anseios de loucura] faz do mundo ordinário [o mundo comum do dia a dia de cada um e de cada uma de nós], com suas pretensas compensações, um absurdo tão grande que tudo [o] que ele contém e nos oferece torna-se asqueroso e tremendamente ofensivo, uma afronta à verdade única interior [por assim dizer], da qual perdemos totalmente a noção. 

Isto é exatamente aquilo que o Curso nos traz no texto intitulado O amigo indicado, no capítulo vinte-e-seis, quando diz: 

Qualquer coisa neste mundo que acredites ser boa e valiosa e pela qual valha a pena lutar, pode te ferir e o fará. Não porque tenha o poder para ferir, mas apenas porque tu negaste que ela é apenas uma ilusão e a tornaste real. E ela se tornou real para ti. E não é [mais apenas um] nada. E, a partir da realidade percebida nela, entra todo o mundo de ilusões doentias. Toda a crença no pecado, no poder do ataque, na dor e no mal, no sacrifício e na morte vem a ti. Porque ninguém pode tornar uma ilusão verdadeira e, ainda assim, escapar das restantes. Pois quem pode escolher manter aquelas [ilusões] que prefere e encontrar a segurança que só a verdade pode oferecer? Quem pode acreditar que as ilusões são todas a mesma e ainda afirmar que uma delas é melhor? 

E voltando agora nosso olhar para a ideia que vamos praticar novamente hoje.

Pergunto-lhes uma vez mais: - Vocês conhecem aquele ditado: "quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece"? 

Pois é verdadeiro! No duro! 

E querem saber por quê? 

Porque quanto mais dedicamos nossa atenção para práticas que visem a nos livrar de alguma coisa como indesejável, sem reconhecê-la, aceitá-la, acolhê-la e sem agradecer por ela, tanto mais reforçamos a probabilidade de que ela continue a se apresentar a nossa experiência. Ou dito de outra forma, com outro ditado popular, "aquilo a que se resiste persiste".

Acredito, porém, que estes ditados também podem ser encarados de forma afirmativa. Isto é, quanto mais voltarmos a atenção para aquelas coisas que queremos alcançar, a partir da entrega de tudo e de todos ao espírito em nós, deixando de lado a interpretação e o julgamento do ego, tanto mais as coisas e pessoas e situações ou circunstâncias que se apresentarem virão para reforçar o aprendizado, ressaltando um ponto aqui, outro ali. Para nos mostrar sempre de forma mais clara aquilo que precisamos aprender.

Por esta razão apenas, e porque ainda me parece que o que eu queria dizer a respeito desta lição é exatamente o que já disse outras vezes antes, vou continuar com o comentário feito para ela em anos anteriores. Desta vez, com algumas poucas e pequenas modificações. Aí vai:

Vale a pena lembrar aqui o poema que trata da possibilidade de uma relação livre do engaiolamento, isto é, do aprisionamento, do julgamento, que, em geral, buscamos e incluímos em praticamente todas as nossas relações, com tudo e com todos. O poema de Perls, que citei também algumas lições atrás: 

Eu sou eu. 
Você é você. 
Eu não estou neste mundo para atender
as suas expectativas.
E você não está no mundo para atender
as minhas expectativas.
Eu faço a minha coisa.
Você faz a sua.
E quando nos encontramos
É muito bom.

É para isto que lição de hoje nos chama a atenção. 

A ideia de que "só posso ganhar minha [própria] gratidão" traz à lembrança outra lição, que diz: "tudo o que dou dou a mim mesmo". Isto quer dizer que tudo o que vivo tem de ser vivido apenas para minha própria satisfação, para minha própria alegria e para minha própria salvação. Até porque uma das ideias centrais do ensinamento é a de que não existe nada fora de nós mesmos/as.

[Um parêntese: um exemplo que me ocorre neste exato momento. Já pensaram quantas postagens eu teria feito até hoje neste espaço se dependesse dos comentários, ou da aprovação, feitos por aqueles ou aquelas que leem o que posto, além de mim? Quer queira, quer não, tenho de reconhecer todos os dias que tudo o que aparece aqui, aparece apenas para me ensinar mais a respeito de mim mesmo. Um comentário ou outro feito por alguém também tem a mesma e única finalidade: me ensinar mais a respeito de mim mesmo, pois o outro é também uma parte minha que preciso reconhecer, acolher e aceitar por inteiro. Fecha o parêntese.]

Num dos volumes da trilogia Conversando com Deus, falando pelas palavras de Neale Donald Walsch, Deus afirma que a única responsabilidade que qualquer pessoa tem neste mundo é apenas para consigo mesma. Isto é egoísmo? Para o sistema de pensamento do ego, talvez. Porém, se pensarmos bem, veremos que não. Pois tudo começa em nós mesmos/as e é só em nós mesmos/as que pode terminar. Em cada um, ou cada uma de nós. Para o bem ou para o mal.

Lembro-me de ter lido num dos livros de Fritjof Capra, Uma Sabedoria Incomum, que, após uma palestra de Krishnamurti, ele, Capra, foi se aconselhar com Krishnamurti a respeito de uma questão para a qual ansiava por uma resposta. Sua questão era: "Como posso ser um cientista e ainda assim seguir seu conselho para interromper o pensamento e libertar-me do conhecido?".

Capra conta que Krishnamurti, sem hesitar, respondeu sua pergunta em dez segundos, e de um modo que resolveu completamente seu problema. A resposta foi: "Primeiro você é um ser humano e depois um cientista. Antes você tem de se tornar livre, e essa liberdade não pode ser atingida por meio do pensamento. Ela é atingida pela meditação - a compreensão da totalidade da vida, em que cessam todas as formas de fragmentação". 

Quer dizer, a liberdade está relacionada ao abandono da dependência dos pensamentos, uma vez que, como diz Tolle, que já apareceu por aqui também, nós não somos os nossos pensamentos e não precisamos ter medo de morrer se pararmos de pensar. Na verdade, quando os pensamentos estão ausentes é quando mais podemos nos sentir vivos. Ou nunca experimentaram?

Resumindo, vivemos para aprender a - ou talvez seja melhor dizer lembrar de - ser o que somos. Ou melhor dizendo ainda, para viver apenas a partir do que somos. Isto aprendido, só podemos viver para o que somos, para o Ser. 

As práticas das lições são o equivalente da meditação neste nosso mundo de pressas e prazos e atribulações e medos e inseguranças. Elas nos proporcionam alguns instantes a cada dia para nos voltarmos para o divino em nós mesmos/as em busca da "compreensão da totalidade da vida", livres de pensamentos e de expectativas, livres de "todas as formas de fragmentação". Pois, voltando a algo a que já me referi antes, ficar livre dos pensamentos é alcançar aquele estado de espírito no qual abandonamos todos os esforços para compreender a vida a partir do intelecto.

Pois, de acordo com D. T. Suzuki, "a mente que não compreende é o Buda; não existe outra". Ou reforçando o que já disse num título de uma postagem anterior, é só o ego que precisa compreender.

Às práticas?

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Aprender a reconhecer e a aceitar a real humildade

 

LIÇÃO 196

Só posso crucificar a mim mesmo.

1. Quando isto for bem compreendido e mantido em plena consciência, não tentarás te ferir nem tornar teu corpo escravo da vingança. Não atacarás a ti mesmo e perceberás claramente que atacar outro é apenas atacar a ti mesmo. Ficarás livre da crença louca de que atacar um irmão te salva. E compreenderás que a segurança dele é a tua própria segurança e que com a cura dele ficas curado.

2. A princípio, talvez não compreendas como se pode encontrar a misericórdia que é ilimitada e mantém todas as coisas sob sua proteção segura na ideia que praticamos hoje. De fato, ela pode parecer um sinal de que não se pode nunca fugir ao castigo porque o ego, sujeito àquilo que vê como ameaça, está pronto para citar a verdade para proteger suas mentiras. Porém, deste modo, ele só pode deixar de compreender a verdade de que se vale. Mas tu podes aprender a perceber estas aplicações tolas e negar o significado que parecem ter.

3. Desta forma, também ensinas tua mente que não és um ego. Pois as maneiras pelas quais o ego quer distorcer a verdade não te enganarão mais. Não acreditarás que és um corpo a ser crucificado. E verás, na ideia de hoje, a luz da ressurreição olhando para os pensamentos de libertação e de vida, além de todos os pensamentos de crucificação e de morte. 

4. A ideia de hoje é um passo que damos para nos conduzir, da escravidão, ao estado de perfeita liberdade. Vamos dar este passo hoje, a fim de podermos seguir rapidamente pelo caminho que a salvação nos mostra, dando cada passo na sequência estabelecida, enquanto a mente renuncia a seus fardos um a um. Não é de tempo que necessitamos para isto. Só de vontade. Pois aquilo que parecia precisar de mil anos pode ser feito facilmente em um só instante pela graça de Deus.

5. O pensamento sombrio e sem esperança de que podes fazer ataques a outros e te salvar te prega na cruz. Talvez ele parecesse ser a salvação. Mas ele apenas defendeu a crença de que o medo de Deus é verdadeiro. E o que é isto senão o inferno? Quem poderia acreditar que seu Pai é seu inimigo mortal, que está separado de si, e que espera para destruir sua vida e apagá-lo do universo sem medo do inferno em seu coração?

6. Esta é a forma de loucura em que acreditas, quando aceitas o pensamento amedrontador de que podes atacar outro e ficar livre. Até que esta forma mude, não há esperança. Até que, ao menos, vejas que isto tem de ser inteiramente impossível, como poderia haver saída? O medo de Deus é real para quem quer que pense que este pensamento é verdadeiro. E ele não perceberá sua tolice, ou nem mesmo verá que ela existe de modo que lhe seja possível questioná-la.

7. Para questioná-la de algum modo, primeiro sua forma tem de mudar pelo menos tanto quanto permitir que se abrande o medo de represália e que a responsabilidade te seja, até certo ponto, devolvida. A partir daí podes pelo menos considerar se queres continuar neste caminho doloroso. Até que esta mudança se realize, não podes perceber que são apenas teus pensamentos que te amedrontam e que tua libertação depende de ti.

8. Nossos próximos passos serão fáceis, se deres este hoje. A partir daí vamos adiante bem rápido. Pois tão logo compreendas que é impossível seres ferido a não ser por teus próprios pensamentos, o medo de Deus tem de desaparecer. Não podes, então, acreditar que o medo seja causado fora de ti. E Deus, A Quem pensaste em banir pode ser acolhido de volta na menta santa que Ele nunca deixou.

9. Pode-se, com certeza, ouvir a canção da salvação na ideia que praticamos hoje. Se só podes crucificar a ti mesmo, não feriste o mundo e não precisas temer sua vingança e sua perseguição. Tampouco precisas te esconder aterrorizado pelo medo mortal de Deus que a projeção esconde atrás de si. A coisa que mais temes é tua salvação. Tu és forte e é força que queres. E és livre e alegre pela liberdade. Buscaste ser tanto fraco quanto limitado, porque temias tua força e tua liberdade. Contudo, a salvação está nelas.

10. Há um instante em que o terror parece se apoderar de tua mente de forma tão completa que a saída parece bastante desanimadora. Quando perceberes claramente, de uma vez por todas, que é a ti mesmo que temes, a mente se perceberá dividida. E isto ficou escondido enquanto acreditaste que o ataque poderia ser dirigido para fora e devolvido de fora para dentro. Parecia existir um inimigo fora que tinhas de temer. E deste modo um deus fora de ti mesmo se tornou teu inimigo mortal; a fonte do medo.

11. Agora, por um instante, um assassino é percebido dentro de ti, ansioso por tua morte, concentrado em tramar o castigo para ti até o momento em que ele possa matar finalmente. No entanto, é neste instante também que a salvação chega. Pois o medo de Deus desaparece. E tu podes chamá-Lo para te salvar, com Seu Amor, das ilusões, chamando-O de Pai e a ti mesmo de Filho d'Ele. Reza para que o instante possa ser logo -, hoje. Afasta-te do medo e tenta te aproximar do amor.

12. Não há nenhum Pensamento de Deus que não vá contigo para te ajudar a alcançar este instante e ir além dele rapidamente com segurança para sempre. Quando o medo de Deus desaparece não há nenhum obstáculo que ainda permaneça entre tu e a santa paz de Deus. Quão benigna e misericordiosa é a ideia que praticamos! Dá-lhe boas vindas, como deves, pois ela é tua libertação. De fato, apenas tua mente é que pode tentar crucificar. Mas ao mesmo tempo tua redenção também virá de ti.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 196

Caras, caros,

Acredito que quase todas nós, quase todos nós, já tivemos atitudes que magoaram, feriram, machucaram alguma pessoa de nossas relações nalgum momento em nossa trajetória pela vida. E, se o fizemos de propósito ou não, não é importante para o fato. O que importante é lembrar, quando evocamos a situação, que a dor que causamos não foi sentida apenas pela pessoa que resolvemos ferir. Doeu, e muito mais até, talvez, em nós mesmas, em nós mesmos, ainda que não o quiséssemos reconhecer na ocasião.

É a razão para tal sentimento ou emoção que a ideia que praticamos hoje vai nos oferecer. Uma vez que todas as pessoas do mundo e mais tudo o que aparentemente existe nele é parte do que somos, podemos já de certo modo concluir, intuir que tudo o que fizermos à menor das criaturas ou coisas que nos cercam é a nós mesmas, a nós mesmos que fazemos.

Daí a ideia para as práticas de hoje ser a que afirma:

"Só posso crucificar a mim mesmo."

Dou-lhes abaixo, uma vez mais, quase que inteiramente sem modificações, o comentário feito a esta mesma lição nos últimos anos. Não por preguiça de pensar ou de escrever um comentário novo. Não por não poder ressaltar algum aspecto diferente da lição e da ideia que o Curso nos oferece para as práticas de hoje, mas, sim, porque me parece que nunca é demais voltarmos nossa atenção para o poder que temos, para aquilo que somos na verdade, como forma de aprendermos a eliminar tudo o que nos impede de entrar em contato - e mantê-lo - com o divino em nós mesmos/as.

Por isso, também vale a pena hoje, novamente, para começar, chamar-lhes a atenção para uma frase do nono parágrafo. Uma frase que é também reveladora do medo de Deus a que o texto da lição se refere. O medo que a lição quer nos ajudar a eliminar. Ela diz: "a coisa que mais temes é tua salvação". E por quê?

Se pensarmos bem, nos veremos forçados a concordar com o que a frase diz. Ela diz, de outro modo, a mesma coisa que Marianne Williamsom nos diz a respeito do poder que temos em seu livro Um Retorno ao Amor, que nada mais é do que um resumo simplificado do ensinamento do Curso. Quem ainda não o leu, e acha difícil a linguagem do Curso, deve com certeza tentar. Acho que a leitura do livro de Marianne, além de nos colocar em contato com tudo o que é central no ensinamento, ajuda a facilitar o entendimento do Curso. 

Em todo o caso, vamos ao que ela diz a respeito de nosso poder e de qual é nosso medo mais profundo: 

"Nosso medo mais profundo não é o de que sejamos medíocres. Nosso medo mais profundo é o de que sejamos poderosos além de qualquer medida. É nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos assusta. Nós nos perguntamos: 'Quem sou eu para ser brilhante, maravilhoso, talentoso, fabuloso?' Na verdade quem és tu para não o seres? Tu és um filho de Deus. Fingir-te pequeno [diminuir a ti mesmo] não ajuda o mundo em nada. Não há nada de brilhante em te encolheres para que os outros não se sintam inseguros a tua volta. Fomos feitos para brilhar, como as crianças. Nascemos para tornar manifesta a glória de Deus, que habita no interior de todos nós. Ela não está apenas em alguns de nós; está em todos nós. E, quando deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente, damos permissão aos outros para que façam o mesmo. Quando nos libertamos de nosso próprio medo, nossa presença libera os outros automaticamente."

Isto - fingir-nos impotentes, pequenos ou incapazes, diminuir-nos frente aos outros - como já vimos em uma lição anterior, não tem absolutamente nada a ver com humildade. A verdadeira humildade está em reconhecer e aceitar que somos divinos e possuímos, como herança de nossa origem. todo o poder e a glória de Deus.

Vamos pensar a respeito disto durante as práticas?