sábado, 25 de julho de 2026

As coisas que acontecem acontecem por que razão?

 

LIÇÃO 206

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (186) A salvação do mundo depende de mim.

Deus me confiou Suas dádivas, porque sou Seu Filho. E quero levar Suas dádivas aonde Ele deseja que elas estejam.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 206

Caras, caros,

Nestes tempos de ceticismo e de quase abandono das coisas do espírito que vivemos, como se só a matéria, o material, e os corpos importassem na vida, é interessante nos perguntarmos se haverá razão para as coisas que acontecem acontecerem. Talvez seja interessante também nos perguntarmos qual a razão para as coisas que acontecem a cada um e a cada uma de nós, aparentemente, acontecerem da forma que acontecem.

E talvez seja conveniente também repetir as perguntas feitas nos comentários dos últimos anos a esta lição. Lembram? 

Vejamos, repetindo:  

Vocês já repararam, já se deram conta de que a maioria das profecias, de um modo ou de outro, sempre se realizou, ou quase sempre se realiza, e de que é bem possível esperar que aquilo que se prenuncia, quase que com certeza, se realize nalgum momento? 

Por quê? - vocês hão de se perguntar. O que se pode dizer a respeito? O que se pode pensar?

Lembremo-nos, primeiro, de que os profetas, os de antigamente e também os de hoje, surgem e se anunciam em função de momentos e situações críticas que se apresentam, e que criam um clima de temor e de medo no inconsciente de um grande número de pessoas num ponto qualquer do planeta. Ou, como me parece ser o caso no momento, em todo o planeta. É óbvio como se pode ver nos dias que correm que até mesmo, por vezes, esses ditos profetas se apoderam do inconsciente de uma nação e do mundo inteiro, provocando as crises, quer econômicas, quer sociais, quer políticas, quer religiosas, quer de outra natureza qualquer. O mesmo se dá no microcosmo de um grupo de pessoas, num condomínio, numa família ou em escolas, em grupos menores e maiores. 

Vocês não estão ouvindo muitas pessoas dizerem que o que está acontecendo no mundo nestes dias é um absurdo, que jamais se poderia esperar que vivêssemos um retrocesso aparentemente tão grande de consciência na atualidade? Parece - o julgamento do ego nos diz - que os vilões, e apenas os vilões, se apossaram do poder em todas, ou quase todas as nações do mundo e estão trabalhando de forma febril para acabar com os pobres, com os miseráveis, os deficientes, os desajustados, os diferentes e as diferenças no mundo. Ou quiçá trabalham de forma a multiplicar exponencialmente o número de pobres. Pois querem que todos rezem segundo sua cartilha própria, a dos vilões, que, óbvio, não se consideram tal.

Atentados aqui e ali, de forma aleatória, aparentemente, sem que se consiga descobrir as razões para tais coisas. Sem falar na pandemia, que, por si só, e pela falta de preparo de muitas nações continua fazendo mortes e mais mortes de um modo nunca visto antes. A não ser talvez, como nos lembram, a tal gripe espanhola.  

Um quadro como este serve de desculpa para atos outros, sem justificativa, E mesmo aqueles que acreditam ter justificativas para cometer os atos cada vez mais apavorantes, usam-nos como desculpa para outros - os que não têm causa alguma - manifestarem sua loucura, com mais atos insanos e inconsequentes. 

Ora, a partir do que o Curso ensina, é mais ou menos óbvio concluir que foi a força, a energia, de um grande número de mentes sintonizadas em determinado pensamento - medo, crise, guerra, peste, vírus, fome ou o que quer que seja - que transformou em realidade a situação que se temia. Pois tudo o que se nos apresenta à experiência não é nada mais nada menos do que o resultado, a materialização, das crenças que abrigamos e acalentamos em nós.

É difícil para o ego admitir, como o Curso ensina, que "medo é desejo", mas esta ideia tem a mais perfeita lógica por detrás de si. Se nossos pensamentos são o mecanismo que materializa as experiências por que passamos, aquelas que escolhemos viver, e se é a energia que depositamos nos pensamentos que provoca tal materialização, nada mais óbvio do que pensar que, se colocamos nossa energia num medo qualquer, é esse medo que vai se materializar, porque é lá que mora a nossa crença, em forma de pensamento. É naquilo que temos presa nossa atenção. 

É óbvio, portanto, que, de acordo com o ensinamento do Curso, como eu já disse várias outras vezes também, que tudo o que vivemos neste mundo não passa de ilusão, porque o mundo só existe como projeção daquilo que pensamos, para materializar as informações, as experiências, as situação pelas quais queremos - e pensamos precisar - passar  para confirmar aquilo em que acreditamos a respeito de mundo e a nosso próprio respeito. 

Na verdade, a partir disto, é bastante lógico concluir que tudo aquilo em que pensamos, tudo aquilo em que acreditamos, vai se concretizar, quer neste momento, quer em algum momento do futuro, próximo ou distante, uma vez que nossos pensamentos, nossas crenças, nossos medos, se materializam em forma de problemas, experiências, situações por que precisamos passar - ou acreditamos precisar passar, como dito acima, apenas para confirmar que temos razões para acreditar naquilo em que acreditamos. 

É por esta razão que os profetas têm suas profecias e previsões confirmadas muitas vezes, na maioria delas, eu diria. Pois o futuro tende a materializar aquilo que prevemos ou profetizamos, se acreditamos na previsão, na profecia. Embora, no fundo, saibamos que o que o mundo nos oferece é apenas uma experiência de ilusões, baseadas na imagem de nós mesmos e de nós mesmas que inventamos - o falso eu, o ego do Curso -, que não é o que somos de fato, é esta experiência de ilusões que compõe a aparente realidade que o mundo nos apresenta. 

É apenas modificando nossas crenças que podemos modificar a experiência das ilusões, a experiência deste mundo, transformando-o no lugar para viver "o sonho feliz", em lugar de lidar com um pesadelo que se torna a cada dia mais apavorante, a se acreditar nas previsões dos pessimistas e céticos de plantão. Além, é claro, de grande parte dos líderes das nações do mundo de hoje, que parecem ter sucumbido ao deus capital, mercado, esquecendo-se quase que completamente do humano, e das necessidades básicas do humano de liberdade, de respeito, de fraternidade, de solidariedade, de compaixão e dos valores que nos tornam humanos.

Assim é que chegamos à ideia para nossa revisão de hoje, que nos ensina que: A salvação do mundo depende de mim. Para aprendermos a vigiar nossos pensamentos, para que a ilusão de mundo que construímos para nós mesmos, para nós mesmas e para todos e todas que habitam este mundo conosco seja a ilusão de um mundo perdoado, um mundo de alegria, de paz e de amor. Livre da arrogância e da onipotência do ego. Livre da necessidade do ego de ter sempre razão.

Às práticas?

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Na verdade, tudo o que queremos é só a paz de Deus

 

LIÇÃO 205

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (185) Eu quero a paz de Deus.

A paz de Deus é tudo o que quero. A paz de Deus é minha única meta; o objetivo de todo o meu viver aqui, o fim que busco, meu propósito e minha função, e minha vida, enquanto eu morar em um lugar em que não estou em casa.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 205

Caras, caros,

Voltemos mais uma vez às perguntas feitas nos comentários dos últimos anos:

O que eu quero? O que tu queres? O que queremos? Quem, de fato, sabe o que quer? Quem está buscando atender aos anseios mais profundos de seu coração? Será que alguém entre nós se ocupa verdadeiramente de buscar aquilo que quer ou, como a maioria, está preocupado, ou preocupada, tentando afastar aquilo que não quer?

Quem de nós já experimentou, alguma vez, alguma coisa, uma sensação melhor do que a de estar na mais absoluta paz de Deus e ainda pôde pensar que seria possível existir algo mais a se querer depois de ter experimentado essa paz?

Haverá - alguém pode afirmar de forma categórica a partir de sua experiência pessoal - algo melhor do que a paz de Deus [penso que se pode dizer isso também, falando da paz de espírito, aquela paz, aquela sensação de tranquilidade em que tudo, absolutamente tudo, está no lugar certo, que temos de vez em quando - um instante santo, de que fala o Curso] para se desejar neste mundo, ou em qualquer mundo que possa existir?

A resposta a estas perguntas e a todas as perguntas que possamos ter e que possamos pensar e que possamos vir a fazer ao longo de nossa vida está na ideia que revisamos hoje. 

A maioria dos equívocos a que nos leva o sistema de pensamento do ego se deve ao fato de ele nos fazer pensar que podemos enganar a Deus, "um pouquinho só". Quer dizer, o ego nos faz acreditar que podemos, sim, desejar pra valer as coisas do mundo e ao mesmo tempo estabelecer um relacionamento satisfatório com Ele/Ela. Na prática, isto não é nada mais do que auto-engano, ou a quem pensamos enganar, senão a nós mesmos e a nós mesmas, acreditando que podemos esconder alguma coisa de Deus? Já não aprendemos que Ele/Ela é o que somos e que somos o que Ele/Ela é? 

Assim, é sempre só a nós mesmos e a nós mesmas que buscamos enganar, pois Deus não está em nenhum lugar que não em nós e em tudo o que existe. Não existe um Deus exterior a nós, a quem possamos recorrer para nos livrar da dor, do sofrimento, da doença ou da morte. O único Deus que existe só diz sim a tudo o que escolhermos. E estas experiências - dor, sofrimento, perda, escassez, miséria, doença ou morte - só existem para aqueles ou aquelas de nós que as escolhem. Ou não acreditamos que existem pessoas felizes, alegres, satisfeitas com tudo o que têm, que não aspiram a nada mais porque Deus - seu Deus interior - lhes dá tudo aquilo de que precisam em todos os momentos? 

Minha companheira de jornada nesta vida ilusória, a partir de uma conversa a respeito de uma das últimas experiências que tivemos em nossa viagem pelo sertão, num dos últimos anos passados, logo que voltamos, me lembrou de um filme a que ela assistiu, uma espécie de documentário, que retratava a experiência de um jornalista ocidental que passara um ano entre os mongóis, no deserto, junto àquelas tribos de nômades que vivem em tendas e se deslocam pelo deserto de período em período. 

O jornalista conta no filme que foi para ele uma experiência riquíssima, e que, ao encerrar seu tempo entre eles, enquanto os mongóis finalizavam os preparativos para mais uma jornada, queria dar um presente de despedida aos que o acolheram, sem atinar o que poderia ser. Resolveu, então, perguntar a eles qual era a coisa de que mais sentiam falta, necessidade, a coisa que mais precisavam. E eles não entenderam a pergunta. Pois é só a partir do ponto de vista do ocidental, que vive no dito mundo civilizado e tecnológico, que alguém pode pensar que uma tribo nômade pode sentir falta de alguma coisa de que necessite em seu modo de viver. 

Na verdade, a ideia de que alguma coisa pode faltar a alguém é apenas mais um dos disfarces a que recorre o sistema de pensamento do ego para nos fazer pensar que alguma coisa no mundo pode vir a nos satisfazer, a nos dar a felicidade. Nós nos comparamos, egoicamente, uns aos outros, e umas às outras, a partir daquilo que pensamos ter e que "falta" - em nossa percepção equivocada - a outros e outras. Para nos julgarmos melhores do que outros e outras. É aquela ideia: "eu tenho, você não tem". Ou a ideia da inveja que tenho de algo que outro, ou outra, tem e eu não. No entanto, isso só aprofunda mais e mais a ideia de separação, porque, por mais que acreditemos ter neste mundo, há sempre alguém que, aparentemente, tem mais. E isso tira a paz de qualquer um, ou qualquer uma, que ainda esteja iludido ou iludida, pensando que há algum valor em se ter alguma coisa do mundo. Ninguém pode ter mais do que apenas aquilo que é. Ou, dito de outra forma, só temos o que somos. Nada mais.

Na verdade, quem tem a paz de Deus [paz de espírito] tem tudo. Nada lhe pode faltar. Ou, dizendo de outra forma, só podemos descobrir que temos tudo, quando experimentarmos, de fato, a paz de Deus. Lembram-se do Salmo: "O Senhor [o divino em mim] é meu pastor e nada me pode faltar"?

É por isto que a ideia para as práticas de hoje pode nos ensinar - e ensina a quem quiser aprender de fato - a manifestar de forma clara e inequívoca o único desejo que pode nos levar a alcançar salvação, para nós mesmos, para nós mesmas e para o mundo inteiro, além de nos colocar a todos e todas em contato com a luz de que somos feitos e feitas e que nos mostra a verdade a nosso próprio respeito.

Como eu já disse várias vezes antes - e repito uma vez mais hoje -, o pensamento que vamos utilizar para as práticas de hoje é o único pensamento verdadeiro de que precisamos para transformar de modo indescritível nossa experiência de estar no mundo. Ele é um pensamento que pode nos transportar para além de todas as aparentes barreira e obstáculos que parecem nos impedir de alcançar a alegria e a paz perfeitas, que são a Vontade de Deus para todos, todas e cada um e cada uma de nós.

Só por isso vale perguntar mais uma vez: Quanto tempo ainda vamos esperar para aceitar a ideia de que tudo o que queremos, de fato, é a paz de Deus [mesmo que não tenhamos consciência disso]? De que ela é a única coisa que pode preencher nossas vidas com a alegria perfeita e completa, que é a condição natural do Filho de Deus? Quanto tempo ainda vamos levar para decidir que só queremos que o Deus em nós viva a vida por nós e escolha o que é melhor para nós?

Às práticas?

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Como construir uma experiência de mundo diferente

 

LIÇÃO 204

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (184) O Nome de Deus é minha herança.

O Nome de Deus me lembra de que sou Seu Filho, não escravo do tempo, livre das leis que governam o mundo de ilusões doentias, livre em Deus, um com Ele para todo o sempre.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.


*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 204

Caras, caros,

O mundo só existe como representação e materialização de nossos pensamentos. Quer dizer, se aparentemente somos tantas pessoas no mundo, é porque nalgum momento nosso pensamento nos fez perceber que, além de nós mesmos, ou de nós mesmas, o mundo precisava ser povoado de pessoas outras que completassem aspectos nossos que não podemos perceber sozinhos, sozinhas.

É mais ou menos como, lembrando algum mito da criação, sendo deuses e deusas, nos sentíssemos sós e quiséssemos compartilhar nossa solidão, compartilhar com alguém aquilo que pensamos perceber em nós, dividir isso com alguém que nos pudesse ouvir ao menos.

Talvez seja interessante notar que, a partir desta ideia, fica mais fácil entender porque as pessoas com quem convivemos, aquelas com quem pensamos dividir nosso mundo, parecem, às vezes, viver noutro mundo que não o nosso. Parecem pensar de modo completamente diferente do nosso e materializar coisas que não podemos materializar, nem entender muitas vezes, não? Vivem à volta de nós, algumas pessoas, muitas delas, ou todas elas até, experiências inteiramente diferentes das nossas, não é mesmo?

Se nos identificamos com o que está dito aí acima, isso, acredito, também pode tornar mais fácil perceber que é possível a cada uma e a cada um de nós construir uma experiência diferente de mundo. Bastando para tanto que mudemos nossa forma de pensar. Deixando de lado impedimentos e obstáculos que interpomos à realização de alguns de nossos desejos. Aprendendo que, para algo se materializar, esse algo tem de estar firme em nossas cabeças, em nossos corações, em nossos pensamentos. Compreendendo que, por ser o mundo apenas um reflexo do que pensamos dele, podemos transformá-lo a nosso bel-prazer.

Temos todo o direito de.

A ideia que vamos praticar mais uma vez hoje em nossa revisão revela a verdadeira herança a que temos direito na - e pela - condição de filhos e filhas de Deus que somos. Ela complementa e estende a ideia das práticas de ontem. Por isso, repetindo mais uma vez o que eu já disse várias vezes antes, gostaria de lembrá-los e lembrá-las de que, assim como herdamos, de nossa família terrena, na experiência ilusória das formas e dos sentidos, um nome que é o que nos acompanha desde o nascimento até o fim de nossa existência na forma humana, o fato de sermos Filhos e Filhas de Deus também nos dá o direito de carregar o Nome d'Ele/Ela, até mesmo durante o tempo em que aparentemente permanecemos em contato com o corpo que nos serve de veículo neste mundo. 

É preciso que nos lembremos ainda de que, quando nos decidimos, de fato, a voltar nossa vida "completamente para Deus" e "colocar o reino de Deus em primeiro lugar", podemos ter a impressão de que alguns dos relacionamentos que mantínhamos antes, outros que ainda que mantemos, e que se baseiam na busca da satisfação no mundo, acabam. Ou, na melhor das hipóteses, mudam por completo.

Algumas das pessoas que conhecemos e com quem convivemos até então se afastam e mostram uma espécie de não-reconhecimento, quando não um tipo de rejeição, àquilo [à ameaça] que passamos a representar a seus egos [o falso eu, a imagem que fazem de si e a que fazem de nós], quando resolvemos aceitar nosso papel no plano de Deus para a salvação do mundo.

Uma das lições que já praticamos diz que "só o plano de Deus para a salvação funcionará". Quando reconhecemos isso, entendendo o fato de que, como também diz Thomas Keating, de quem já falamos várias vezes antes, "somente a experiência de Deus pode colocar em perspectiva todas as outras formas de prazer ou as promessas de felicidade que várias criaturas [no e do mundo] nos proporcionam". 

O que o Curso pede que façamos não é abandonar o mundo ou as coisas e pessoas e criaturas do mundo. O que ele nos pede é que olhemos para o mundo de modo diferente, que olhemos primeiro para nós mesmos e para nós mesmas para encontrar as dádivas que recebemos, a fim de que sejamos capazes de oferecê-las, da mesma forma que Deus as oferece a todos, todas, a cada um e a cada uma de nós a todo momento, todos os dias, o tempo todo.

Há ainda um texto do Curso, que também já mencionei várias outras vezes, intitulado "Estabelecer a meta" [na página 388, para quem tem o livro], que fala claramente da necessidade de tomarmos a decisão de viver para a verdade, aceitando e reconhecendo a Vontade de Deus de alegria e paz completas para nós como nossa própria vontade. Se estabelecemos a verdade como meta, toda e qualquer situação que se apresentar vai ser vivenciada como significativa para nos levar em direção a ela.

O que eu acho que posso dizer, depois desses quase trinta anos em contato com o Curso e dos quase vinte com as práticas diárias, é que quando escolhemos de verdade voltar "nossas vidas completamente para Deus" [o que significa colocar sempre o Reino de Deus em primeiro lugar],  vamos ser capazes - a partir da fidelidade a nós mesmos e a nós mesmas e a nossa decisão de praticar diariamente lembrar de Deus, em nós -, de perceber que tudo e todos a nossa volta são manifestações do mesmo divino que nos dá nossa verdadeira identidade. 

Finalmente, vamos aprender que a separação nunca existiu, não existe e não poderá jamais existir. É isso que vai nos permitir construir uma experiência de mundo diferente. Uma experiência que não exclui nada, mas que, ao contrário, inclui absolutamente tudo.

Às práticas?

quarta-feira, 22 de julho de 2026

O que pode aquietar o ego é manter a atenção na luz

 

LIÇÃO 203

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (183) Invoco o Nome de Deus e o meu próprio nome.

O Nome de Deus é minha liberação de todo pensamento de mal e de pecado, porque é meu próprio nome assim como o d'Ele.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 203

Caras, caros,

Lembram-se de que já me referi, no passado - e mais do que só uma vez -, a um livro de Thomas Keating, cujo título é A condição humana? Acho que vale a pena relembrar o que eu disse que ele tinha a nos ensinar, na ocasião em que falei dele. E, com certeza, em sintonia com o que o Curso quer que aprendamos, a partir das práticas com a lição de hoje, bem como com as práticas de todos os dias. 

A certa altura de seu livro, falei naquela oportunidade, repito agora, Keating diz que quem está envolvido em uma prática espiritual precisa de orientação e que "nem todo guia espiritual que aparece pode oferecê-la. O mais importante é a fidelidade à prática diária de uma forma contemplativa de oração" [o grifo é meu]. Não é isso o que lhes parece que são os exercícios: "uma forma contemplativa de oração"?

À medida que buscamos nos lembrar de quem somos, na verdade, em Deus, a pratica diária, o autor diz,  "gradativamente nos expõe ao inconsciente em um ritmo com que podemos lidar, e [nos] coloca... sob a orientação do Espírito Santo. O amor divino prepara-nos, então, para receber[mos] o máximo que Deus pode comunicar de sua luz interior". Lembrando-nos sempre de que o máximo que podemos receber em dado momento é diferente para cada um e cada uma nós.

Assim, resta lembrar que a ideia que praticamos hoje chama a atenção para o fato de que, ao invocar o Nome de Deus, reconhecemos que "o mesmo amor incondicional, que se move em Deus, está se movendo em nós pela Graça, suplantando o ego humano com o divino 'Eu'", para que possamos começar a "manifestar na vida diária, não nossos falsos egos e preconceitos, mas a ternura infinita de Deus, o interesse de Deus por cada coisa viva", de acordo com Keating.

E, ainda de acordo com o que ele diz, e que é a mesma coisa que diz Joel Goldsmith, citado várias outras vezes,  "enquanto nos identificarmos com algum papel ou pessoa, não estaremos livres para manifestar a pureza da presença de Deus. Parte da vida é um processo de abandonar qualquer papel, embora digno, com que você se identifica. Ele [o papel com o qual você se identifica] não é você. Suas emoções não são você. Seu corpo não é você. Se você não é nada disso, que é você", então?

Lembrem-se, lembremo-nos, da lição 189, por que passamos há pouco, e que vamos revisar daqui a alguns dias. Lá, no sétimo parágrafo, o Curso aconselha a nos aquietarmos, a abandonarmos tudo o que já nos aconteceu no passado, inclusive o próprio Curso, para podermos ir a Deus de mãos livres, de mente aberta [ir metaforicamente apenas porque, na verdade, o que fazemos ao deixar tudo para trás, é tão somente permitir que sejam removidos os obstáculos que interpusemos entre o divino, que somos, e um "eu" que construímos e que acreditamos egoicamente ser]. Porque nada do que já experimentamos antes pode nos levar a nós mesmos, a nós mesmas. Só podemos chegar a nós mesmos e a nós mesmas, e, por extensão, a Deus, agora. E no silêncio. 

Numa entrevista recente, publicado no jornal El País, o filósofo George Steiner diz o seguinte, e que tem a ver com isso de que falo acima:

"... há algo que me preocupa: os jovens [eu diria que não só os jovens] já não têm tempo... de ter tempo. Nunca a aceleração mecânica das rotinas da vida foi tão forte quanto hoje. E é preciso se ter tempo para buscar tempo. E outra coisa: não há que se ter medo do silêncio. O medo das crianças do silêncio me dá medo. Só o silêncio nos ensina a encontrar o essencial em nós mesmos."  

Ora, o que pode ser o essencial em nós mesmos, em nós mesmas? O mundo e seu sistema de pensamento, o mundo e seus ruídos, a estática que não nos permite ouvir a voz interior durante muito mais do que uns poucos segundos, tudo isso serve apenas para nos distrairmos de nós mesmos e de nós mesmas. Para voltarmos a atenção para tudo aquilo que o mundo quer que compremos, para a perpetuação da existência do ego e de todas as diferenças que o ego quer nos fazer acreditar que nos separam uns e umas dos outros e das outras, mas que, mais do que nos separar uns e umas dos outros e das outras, nos separam de Deus, e de nós mesmos, de nós mesmas, uma vez que o que Deus é é também o que somos.

Tudo isso pode desaparecer se buscarmos alguns momentos de silêncio no dia-a-dia, como prática até, todos os dias. Se reservarmos um pouco de tempo para aquilo que é essencial em nós: nós mesmos, nós mesmas. O divino em nós. Isso vai permitir que os obstáculos que o ego quer interpor entre Deus e nós sejam removidos. A pouco e pouco. E quanto mais tempo escolhermos dedicar ao silêncio tanto mais fácil ficará ouvir a Voz por Deus em nossos dias. Tanto mais fácil será perceber a luz que trazemos interiormente e que tem de se irradiar para iluminar o mundo e tudo o que há nele, ainda que apenas aparentemente. 

Quer dizer, o ego só aparece quando nos esquecemos de trazer a ele a Luz do divino que sabemos em nós. Quando permitimos que seus ruídos sejam ouvidos e nos distraiam a atenção. Daí a necessidade da atenção, da vigilância, para que não nos deixemos enganar pelo ensinamento do mundo, para que não nos deixemos tentar a dar valor àquilo que não tem valor, como ensina uma das lições por que já passamos.

E, para terminar este comentário da mesma forma que fiz no passado, chamo sua atenção para o seguinte: "se nós [ainda] não tivermos experimentado a nós mesmos e a nós mesmas como amor incondicional, temos mais trabalho a fazer - porque isso [amor incondicional] é o que realmente somos".

Às práticas, pois!

terça-feira, 21 de julho de 2026

Todos e todas nós buscamos, sim, a volta para casa

 

LIÇÃO 202

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (182) Eu me aquietarei por um momento e irei para casa.

Por que eu escolheria ficar por mais um momento onde não é meu lugar, quando o Próprio Deus me dá Sua Voz e me chama de volta a casa?

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 202

Caras, caros,

Vou repetir mais uma vez o comentário feito a esta lição nos últimos anos, por continuar a vê-lo como pertinente com o que vamos praticar. 

Aí vai então:

Como vimos ontem, de acordo com a instruções que recebemos para as práticas deste período de revisão, qualquer uma das lições que vamos praticar, entendida, praticada, aceita e aplicada a tudo o que aparentemente nos acontecer ao longo de todo o dia, todos os dias, é suficiente para nossa salvação individual e, por consequência, para a salvação do mundo inteiro, uma vez que cada uma delas contém todo o currículo. Isto também vale para todas e cada uma das lições do Curso inteiro, e não apenas para as vinte que revisamos no momento. Lembremo-nos também de que cada um, e cada uma, de nós traz em si o mundo inteiro.

Assim é que a ideia que praticamos hoje chama nossa atenção para o anseio que nos leva a buscar de forma incessante um modo de voltar para casa, uma vez que, em geral, mesmo que de modo muito sutil e, muitas vezes - a maioria delas, eu diria -, inconsciente, não nos sentimos em casa aqui, neste mundo, estejamos aonde estivermos.

A razão para este "desconforto", para esta "inquietação", já sabemos, ou já deveríamos saber a esta altura, está na crença na separação. A percepção do mundo das formas nos mostra, separados de nós, aspectos do divino em nós mesmos e em nós mesmas em tudo e em todas as pessoas, que muitas vezes temos dificuldade para reconhecer, aceitar e acolher. Entre estes aspectos está aquele que se denomina "sombra".

Ken Wilber, em seu livro A Visão Integral, entre outros, diz que "sombra" é um termo que representa "o inconsciente pessoal ou o material psicológico que reprimimos, negamos, dissociamos ou rejeitamos". Diz mais que, "infelizmente, negar esse material não faz com que ele vá embora; pelo contrário, ele volta para nos perturbar com dolorosos sintomas neuróticos, obsessões, medos e ansiedades. Trazer este material à superfície, familiarizar-se com ele e apropriar-se dele é necessário não apenas para a eliminação dos sintomas dolorosos, mas também para a formação de uma auto-imagem mais verdadeira e saudável".

Acredito também, como já disse outras vezes, que a prática diária pode nos dar condições de reconhecer, sem medo, aqueles aspectos de nós que buscamos reprimir, negar, dissociar ou rejeitar. Mais: os exercícios com as ideias que o Curso nos apresenta são um ótimo instrumento para aprendermos a aceitá-los, acolhê-los, encará-los. Para conversar com eles e integrá-los a nossa experiência. Isto tudo facilita a volta a casa, que não é nada mais nada menos do que voltar para nós mesmos e para nós mesmas, incluindo tudo o que vemos aparentemente separado de nós.

Voltar a casa, pode-se dizer, talvez seja apenas reconhecer e aceitar a verdade daquilo que o Curso diz, quando diz: "já somos aquilo que estamos buscando".

Basta, portanto, como nos ensina o Curso pela ideia que praticamos hoje, que nos aquietemos por um instante e voltaremos para casa.

Às práticas?

segunda-feira, 20 de julho de 2026

O que nos torna livres é doar a liberdade que temos

 

REVISÃO VI

Introdução

1. Para esta revisão tomamos apenas uma ideia a cada dia e a praticamos tantas vezes quanto possível. Além do tempo que dedicas pela manhã, que não deve ser menos do que quinze minutos e das lembranças de hora em hora, ao longo do dia, usa a ideia tantas vezes quanto puderes entre estas práticas. Cada uma destas ideias, por si só, seria suficiente para a salvação, se fosse verdadeiramente aprendida. Cada uma seria suficiente para dar liberdade a ti e ao mundo, de todas as formas de escravidão, e para convidar a lembrança de Deus a vir outra vez.

2. Com isto em mente, começamos nossa prática na qual revisamos cuidadosamente os pensamentos que o Espírito Santo nos deu em nossas últimas vinte lições. Cada um deles, se compreendido, praticado, aceito e aplicado a todos os acontecimentos aparentes ao longo de todo o dia, contém todo o currículo. Um só é suficiente. Mas, a partir deste único, não se pode fazer nenhuma exceção. E, assim, precisamos usá-los todos e permitir que eles se fundam em um só, à medida que cada um contribui para o todo que aprendemos.

3. Estas sessões de prática, como em nossa última revisão, estão centradas em torno de um tema central com o qual começamos e terminamos cada lição. É este:

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

O dia começa e termina com isto. E nós o repetimos a cada hora ou nos lembramos, nos intervalos, de que temos uma função que transcende o mundo que vemos. Além disso, e de uma repetição do pensamento particular que praticamos no dia, não se insiste em nenhuma forma de exercício, exceto em um abandono sincero de tudo o que atravanca a mente e a torna surda à razão, à sanidade e à simples verdade.

4. Para esta revisão, tentaremos ir além das palavras e das formas específicas de prática. Pois, desta vez, tentamos combinar um ritmo mais rápido com um caminho mais curto para a serenidade e para a paz de Deus. Nós simplesmente fechamos os olhos e, em seguida, esquecemos tudo o que pensávamos saber e compreender. Pois, deste modo, ficamos livres de tudo o que não sabíamos e de tudo o que não éramos capazes de compreender.

5. Há apenas uma exceção a esta falta de estrutura. Não permitas que nenhum pensamento vão passe sem ser questionado. Se perceberes algum, nega-lhe seu domínio e te apressa a assegurar a tua mente que não é isto que ela quer. Em seguida, deixa que o pensamento que negaste seja abandonado de forma tranquila em uma troca rápida e segura pela ideia que praticamos no dia.

6. Quando fores tentado, apressa-te em declarar tua liberdade da tentação, enquanto dizes:

Eu não quero este pensamento. Em seu lugar, escolho __________ .

E, em seguida, repete a ideia para o dia e deixa que ela tome o lugar daquilo que pensaste. Além de tais aplicações particulares de cada uma das ideias do dia, acrescentaremos apenas algumas expressões planejadas ou pensamentos específicos para auxiliar na prática. Como alternativa, damos estes momentos de tranquilidade ao Professor Que ensina no silêncio, fala da paz e dá a nossos pensamentos qualquer significado que eles possam ter.

7. Ofereço a Ele esta revisão por ti. Eu te coloco sob a responsabilidade d'Ele e deixo que Ele te ensine o que fazer e dizer e pensar, cada vez que te voltares para Ele. Ele não vai deixar de estar a tua disposição cada vez que O chamares para te ajudar. Vamos oferecer a Ele toda a revisão que começamos agora e não nos esqueçamos também a Quem ela foi dada, ao praticarmos dia após dia, avançando na direção da meta que Ele estabeleceu para nós; deixando que Ele nos ensine como seguir, e confiando completamente n'Ele quanto à melhor maneira pela qual cada período de prática pode se tornar uma dádiva amorosa de liberdade para o mundo.

*

LIÇÃO 201

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (181) Confio em meus irmãos, que são um comigo.

Não há ninguém que não seja meu irmão. Sou abençoado pela unidade com o universo e com Deus, meu Pai, o único Criador do todo que é meu Ser, para sempre Um comigo.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 201

Caras, caros,

Como vocês podem ver mais uma vez, esta revisão é de certa forma diferente de todas as anteriores, pois é a última deste ano de práticas. Ela vai marcar o final das práticas com a primeira parte do Livro de Exercícios e nos preparar para as lições da segunda parte. As lições que vão nos oferecer a possibilidade da cura da percepção.

Fazer o Curso significa, em meu modo de entender, fazer os exercícios, as lições, assumir um compromisso com o que somos na verdade e ater-se a este compromisso de forma tão firme, séria - mas com alegria - e constante quanto possível.

Conforme já lhes disse em anos passados - e repito agora -, depois de algumas tentativas frustradas, iniciei as minhas práticas das lições no primeiro dia do ano de 2000. Venho praticando desde então. O blogue, por isso, é um grande incentivador das práticas para mim. Ele, o blogue, e o compromisso que assumi a partir dele com a publicação da lições, inicialmente, e depois, em 2010 e nos anos que se seguem desde então, com a proposta de revisão da tradução do livro de exercícios, me mantêm ligado às práticas diariamente. Além, é claro, do compromisso assumido comigo mesmo pela busca do conhecimento, ou do encontro, ou do reconhecimento do Ser em mim, do encontro com o Eu Sou o Que Sou.

Além do mais, de acordo com o que dizia a pessoa que fazia o papel de facilitadora dos primeiros encontros de que participei a partir de 1997 - a pessoa com quem tive os primeiros contatos com o Curso -, o encontro semanal, ou sua leitura eventual, para as pessoas que participam de grupos de estudos do Curso, não é suficiente para o aprendizado. Porque não é o bastante para provocar e facilitar a mudança dos hábitos desenvolvidos por anos e anos. Uma hora e meia por semana (o tempo de duração dos encontros normalmente) é um tempo muito curto, já que, tão logo as pessoas saem dos encontros, o mundo do ego volta a assombrá-las vinte e quatro horas por dia, todos os dias. Apesar de sempre ser bem possível que a pessoa tenha um clarão de iluminação em qualquer momento de sua vida, com e sem o estudo do Curso.

O que posso dizer, então, do processo, passados estes quase trinta anos? 

É crucial tomar a decisão a cada momento, se quisermos aprender o modo de questionar absolutamente tudo o que a percepção nos oferece, para não nos deixarmos influenciar pelo mundo. Pois tudo o que a percepção dos sentidos nos mostra é apenas ilusão. O ego quer que vejamos este mundo como a única realidade que existe e com a qual podemos contar. Não é! O Curso ensina em uma das lições: Eu sou espírito.

É claro que o Curso, como ele mesmo diz, é apenas um caminho. E precisamos ter isso bem claro, para não corrermos o risco de embarcar na mesma jornada a que quer nos levar - e muitas vezes nos leva - a maioria das "religiões" institucionalizadas, que se satisfazem com oferecer ídolos, orientando-nos a uma obediência cega, que priva todos, ou quase todos, os fieis, ou seguidores, de qualquer tipo de liberdade, oferecendo-lhes no lugar dela, prisões e mais prisões. Dogmas e mais dogmas. Na prática, quem adere a - e se torna dependente de - uma religião, continua escravo do sistema de pensamento do mundo, do ego. O mesmo vale, pode-se dizer, para qualquer pessoa que se deixe envolver pelo Curso, deixando de viver sua vida e cumprir sua função de salvador, ou salvadora do mundo, buscando convencer outras pessoas a seguirem seu caminho com o Curso, tornando-se um, ou uma, fundamentalista do ensinamento, sem buscar ver o que pode existir no mundo como experiência reveladora do divino a quem o busca. Ou considerando o Curso como o único caminho.

Ora, só podemos aprender com a liberdade e só podemos ser livres quando aprendemos a doar, a oferecer, a todos os que passam por nossa vida a mesma liberdade que nos põe em contato com a alegria e com a paz completas e perfeitas que, no dizer do Curso, são a Vontade de Deus para cada um e cada uma e para todos e todas nós. Enquanto ainda mantivermos em nós o pensamento de exercer o controle sobre alguma coisa ou sobre alguém, estamos reforçando nossa condição de prisioneiros e prisioneiras do ego em nós mesmos e em nós mesmas e do ego no mundo.

Por isto é que, agora, de novo, convido a todos e a todas que já estão aqui, e a quem mais vier, a darmos mais uma vez os últimos vinte passos que restam para chegarmos ao ponto em que as lições vão ensinar mais a respeito da forma a ser usada para que nos lembremos do que, e de quem, somos na verdade. 

As lições que praticamos visam a nos levar ao ponto em que vamos ter certeza e confiança de que, como diz Joel Goldsmith, em seu livro A Arte de Curar pelo Espírito, "o Espírito atua sem cessar, atraindo a nós o que é nosso, seja o que isso for". É isto que vai nos permitir "entregar" ao Espírito toda a nossa vida, abandonando por completo qualquer medo, qualquer culpa.

Mais, ele diz: "lembra-te dele [de Deus, do Espirito] em todos os teus caminhos e ele te guiará no caminho certo". 

Peço-lhes, pois, mais uma vez, que revisemos com passos leves, sabendo agora que qualquer um destes últimos passos, por si só, dado com toda a disposição, de mente e coração abertos, pode nos devolver a herança que Deus, nosso Pai/Mãe e nosso Ser, reserva para cada um e cada uma de nós, quando nos voltamos amorosamente para Ele/Ela dispostos a reconhecer, aceitar e assumir o compromisso com o papel que nos cabe em Seu plano para a salvação do mundo.

Ele/Ela vai conosco aonde formos, se O/A buscarmos trazer à consciência, se ficarmos atentos para tê-Lo/La na consciência em todos os instantes. Que esta certeza permaneça em nossos corações e mentes. Que Sua presença torne cada vez mais leve nosso caminhar. Vamos com Ele/Ela. Não há mais como nos desviarmos do caminho. A Vontade d'Ele/Ela, de alegria e paz completas para nós, é também a nossa vontade. 

É para aprender isto que revisamos hoje a ideia: Confio em meus irmãos, que são um comigo.

Boa revisão a todos e todas.

Às práticas, pois!