segunda-feira, 15 de junho de 2026

As dádivas, se não as ofereço, nego-as a mim mesmo

 

LIÇÃO 166

Eu estou encarregado das dádivas de Deus.

1. Todas as coisas te são dadas. A confiança de Deus em ti não tem limite. Ele conhece Seu Filho. Ele dá sem exceção, não retendo nada que possa contribuir para tua felicidade. E, não obstante, a menos que tua vontade seja uma só com a d'Ele, Suas dádivas não são recebidas. Mas o que te faria pensar que existe outra vontade além da d'Ele?

2. Eis aqui o paradoxo subjacente à feitura do mundo. Este mundo não é a Vontade de Deus e, por isto, ele não é real. Porém, aqueles que pensam que ele é real têm ainda de acreditar que há outra vontade, e uma que conduz a efeitos contrários àqueles que Ele quer. Impossível, de fato; mas toda a mente que olha para o mundo e o julga certo, sólido, digno de confiança e verdadeiro acredita em dois criadores; ou em um, ele mesmo apenas. Mas nunca em um só Deus.

3. As dádivas de Deus não são aceitáveis para ninguém que tenha estas crenças estranhas. Ele tem de acreditar que aceitar as dádivas de Deus, por mais evidentes que elas possam vir a ser, por mais urgentemente que ele possa ser chamado a reclamá-las como suas, é ser pressionado à traição de si mesmo. Ele tem de negar a presença delas, contradizer a verdade e sofrer para preservar o mundo que fez.

4. Aqui é o único lar que ele conhece. Aqui está a única segurança que ele acredita poder encontrar. Sem o mundo que fez, ele é um pária; sem lar e com medo. Ele não se dá conta de que é aqui, de fato, que ele é amedrontado, e sem lar, também; um pária vagando tão distante de casa, longe há tanto tempo que não compreende que se esqueceu de onde veio, aonde vai e até mesmo quem ele é realmente.

5. Entretanto, em suas divagações solitárias e sem sentido, as dádivas de Deus vão com ele, inteiramente desconhecidas para ele. Ele não pode perdê-las. Mas ele não olhará para aquilo que lhe é dado. Ele continua a vagar, ciente da futilidade do que vê a sua volta em todos os lugares, percebendo o quanto sua pouca sorte apenas diminui enquanto segue em frente em direção a lugar nenhum. Ele ainda continua a vagar na amargura e na pobreza, só, embora Deus vá com ele, e um tesouro dele tão grande que tudo o que o mundo contém é sem valor diante de sua magnitude.

6. Ele parece uma figura lamentável, exausto, fatigado, com as roupas surradas, e com pés que sangram um pouco em razão da estrada dura pela qual ele anda. Ninguém deixa de se identificar com ele, pois todos que vêm aqui buscam o caminho que ele segue e sentem a derrota e a desesperança do mesmo modo que ele as sente. No entanto, ele é realmente trágico, quando vês que ele segue o caminho que escolheu e só precisa perceber de forma clara Quem anda com ele e explorar seus valores para ser livre?

7. Este é teu ser escolhido, aquele que fizeste como substituto para a realidade. Este é o ser que defendes violentamente contra toda razão, todo indício e todas as testemunhas com prova para te mostrar que este não és tu. Tu não lhes dás ouvidos. Continuas no caminho que fixaste para ti, com os olhos voltados para baixo a fim de não teres um vislumbre da verdade e seres liberado do auto-engano e libertado.

8. Tu te escondes com medo para não sentir o toque de Cristo sobre teu ombro e para não perceber Sua mão benigna te orientando a olhar para tuas dádivas. Como poderias, então, anunciar tua pobreza no exílio? Ele te faria rir desta percepção de ti mesmo. Onde está, então, a auto piedade? E o que vem a ser de toda a tragédia que buscaste inventar para aquele a quem Deus destinava apenas alegria?

9. Teu medo antigo vem a ti agora e a justiça, enfim, te alcança. A mão de Cristo toca teu ombro e sentes que não estás sozinho. Pensas até mesmo que o ser amargurado que acreditavas que eras pode não ser tua Identidade. Talvez a Palavra de Deus seja mais verdadeira do que a tua. Talvez as dádivas d'Ele para ti sejam reais. Talvez Ele não tenha sido inteiramente ludibriado por teu plano de manter Seu Filho em esquecimento profundo, e de seguir pelo caminho que escolheste sem teu Ser.

10. A Vontade de Deus não resiste. Ela é simplesmente. Não é a Deus que aprisionas em teu plano para perder teu Ser. Ele não sabe de um plano tão estranho a Sua Vontade. Há uma necessidade que Ele não compreendeu, à qual Ele deu uma Resposta. Isto é tudo. E tu, que tens esta Resposta dada a ti, não tens necessidade de nada mais do que isto.

11. Agora vivemos, porque agora não podemos morrer. O desejo de morte é respondido e agora a visão que olhava para ele foi substituída pela visão que compreende que tu não és o que fingias ser. Caminha contigo Alguém Que responde benignamente a todos os teus medos com esta única resposta misericordiosa: "Isto não é verdade". Ele mostra todas as dádivas que tens cada vez que a ideia de pobreza te oprime e fala de Seu Companheirismo quando te percebes solitário e com medo.

12. Ele também te lembra ainda de mais uma coisa de que tinhas te esquecido. Pois o toque d'Ele te torna igual a Ele Mesmo. As dádivas que tens não são só para ti. O que Ele vem te oferecer, tu tens agora de aprender a dar. Esta é a lição que Sua doação contém , pois Ele te salva da solidão que buscaste fazer para te esconder de Deus. Ele te lembra de todas as dádivas que Deus te dá. Ele também fala daquilo que tua vontade se torna quanto aceitas estas dádivas e reconheces que elas são tuas.

13. As dádivas são tuas, confiadas a teu cuidado, para dares a todos que escolheram a estrada solitária de que escapaste. Eles não compreendem que buscam apenas seus desejos. Tu és quem os ensina agora. Pois aprendeste de Cristo que há outro caminho para eles andarem. Ensina-os pela demonstração da felicidade que vem para aqueles que sentem o toque de Cristo e reconhecem as dádivas de Deus. Não permitas que a tristeza te tente a ser desleal para com a tua confiança.

14. Neste caso teus suspiros trairão as esperanças daqueles que olham para ti em busca de sua liberação. Tuas lágrimas são as deles. Se ficas doente, apenas retardas a cura deles. Aquilo de que tens medo apenas lhes ensina que seus medos se justificam. Tua mão se torna a doadora do toque de Cristo; a mudança de teu modo de pensar se torna a prova de que aquele que aceita as dádivas de Deus jamais pode sofrer coisa alguma. Tu estás encarregado da liberação da dor do mundo.

15. Não o traias. Torna-te a prova viva daquilo que o toque de Cristo pode oferecer a todos. Deus confia todas as Suas dádivas a ti. Sê testemunha, em tua felicidade, do quanto vem a ser transformada a mente que escolhe aceitar Suas dádivas e sentir o toque de Cristo. Esta é tua missão agora. Pois Deus confia a doação de Suas dádivas a todos os que as recebem. Ele compartilha Sua alegria contigo. E, agora, tu vais compartilhá-la com o mundo.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 166

Caras, caros,

Conforme já falamos outras vezes, muitas, aqui, poucas e poucos dentre nós sabem por que razão estão vivendo neste mundo. Em geral, a grande maioria das pessoas anda por este mundo feito zumbi. 

Ainda não nos apercebemos de que estar aqui é uma dádiva. Ainda não somos capazes de agradecer o tempo inteiro por tudo aquilo que recebemos. E recebemos o tempo inteiro.

É disto que vamos tratar com as práticas da ideia que o Curso nos oferece para hoje.

"Eu estou encarregado das dádivas de Deus."

Pensando mais uma vez na forma como cada um e cada uma de nós recebe a informação, na forma como cada um e cada uma de nós filtra - a partir de sua própria experiência - a informação que lhe chega e reserva para si só aquilo que se encaixa em sua própria maneira de pensar, acho que vale a pena nos perguntarmos de novo - e refletirmos  a respeito: o que significa para cada um e para cada uma de nós a ideia para as práticas de hoje?

Perguntemo-nos, então: o que significa para mim ouvir, ler, praticar com a ideia que me informa e informa a cada um e cada uma de nós que "eu estou encarregado das dádivas de Deus"? 

E vai ficar claro, esperemos pelo menos, que as práticas deste dia se destinam a responder a esta pergunta. se praticarmos direito, sincera e honestamente seguindo as orientações do Curso. Em geral, não nos vemos como portadoras e portadores dos dons divinos e esta ideia quer nos fazer ver que o somos de fato. 

Esta ideia quer que reconheçamos que, a maior parte do tempo somos muito mal-agradecidos e mal-agradecidas e nos julgamos desgraçados e desgraçadas por viver aonde vivemos, nas condições em que vivemos, no corpo que nos carrega. Julgamos ser apenas uns pobres-diabos, umas pobre-diabas. Mas, para as práticas de hoje, isso só é verdadeiro quando estamos vivendo apenas a ilusão. Quer dizer, quando, imersos e imersas por inteiro na ilusão, a tomamos por realidade.

Interessante e produtivo também para a nossa reflexão e prática é notar que, só em função de não nos vermos como portadores, ou portadoras, dos dons divinos, como "encarregados [ou encarregadas] das dádivas", orientados e orientadas pelo falso eu e por seu sistema de pensamento, é que nos arvoramos em juízes e juízas julgadores e julgadoras do(s) outro(s), ou da(s) outra(s). E de nós mesmos e de nós mesmas por consequência, e em primeiro lugar, uma vez que o(s) outro(s), a(s) outra(s), é (são) apenas projeção(ões) de partes, de fragmentos, de nós mesmos e de nós mesmas, que estamos buscando rejeitar, ao não reconhecê-los em nós. 

Em todo o caso, a partir da ideia de hoje deve ficar claro para cada um e cada uma de nós, como ensina o Curso, que não podemos ver o divino nas outras pessoas, nem em nada do que há no mundo, se não o conseguimos sequer vislumbrar em nós mesmos e em nós mesmas. E já que não há, de fato, nada fora de nós mesmos e de nós mesmas, conforme já vimos muitas e muitas vezes até agora, precisamos aprender, praticando as ideias que o Curso nos oferece dia após dia, que é só em nós - em cada um e cada uma de nós e, claro, em todos e todas nós - que os dons estão disponíveis. Tudo só começa e termina em nós. Sempre.

A prática da ideia de hoje, portanto, oferece novamente a possibilidade de aprendermos de que forma podemos viver o Paraíso na terra, o Céu na terra. De que forma criar e transportar daqui para ali, de ali para cá, por onde quer que andemos, aquele paraíso portátil de que falamos algumas lições atrás. 

Por que, então, adiar a tomada de decisão, se tudo o que queremos é viver o Paraíso, o Céu, na terra? Pelo receio de que haja um preço a se pagar por isso? O medo de que este preço seja muito alto? O que pensamos poder perder, o que pensamos ter de dar em troca, pelas dádivas de Deus? Esta vida que vivemos? Mas quem vive, de fato, quando pensa estar separado de Deus? Quando pensa levar uma vida miserável, e ser um deserdado por Deus? 

[Breve parêntese para uma historinha:
 
Diz-se que um grande mestre da tradição hassídica, Yitzhak Méir, ainda era uma criança quando alguém, para se divertir, lhe disse: 
- Eu te dou um florim se me disseres onde mora Deus. 
- E eu, respondeu a criança, te dou dois se me disseres aonde Ele não mora.] 

Ora, não há preço nenhum a pagar e não é preciso fazer coisa alguma a não ser estender as dádivas a tudo o que existe, a todas e a todos. Ao compartilhá-las reconhecemos que as temos, pois nós as aceitamos e somos gratos e gratas por elas.

O que a lição de hoje nos ensina é que precisamos aprender a ter consciência de que tudo o que fazemos é a nós mesmos e a nós mesmas que fazemos, e precisamos ter essa consciência sempre presente em nós em todos os nossos dias, em todos os momentos, em todas as situações e circunstâncias. E também de que tudo o que fazemos a nós mesmos e a nós mesmas fazemos, por consequência a Deus, porque não podemos ser diferentes ou separados e separadas d'Ele/Ela. Então, se estendermos as dádivas de Deus, a tudo e a todos e todas, por estarmos encarregados e encarregadas delas, por as termos reconhecido e aceitado como nossas, o que poderemos receber em troca? Mais dádivas apenas.

Por outro lado, toda e qualquer dádiva que nos negamos a oferecer a quem quer que seja, da mesma forma, é a nós mesmos e a nós mesmas que negamos e é por isso que deixamos de recebê-la. Na maioria das vezes em que espero receber algo e não recebo é porque me neguei a oferecer aquilo a alguém, ao universo. Quer dizer, quando não ofereço as dádivas que recebo, eu as nego a mim mesmo. Isto nos leva a concluir mais uma vez, em perfeita sintonia com o que o Curso ensina, que "só nos falta aquilo que não damos", como já vimos outras vezes.

Busquemos, então, aprender, com a ideia para as práticas de hoje, que Deus confiou e confia a nós o tempo inteiro todas as Suas dádivas. E, claro, com elas, a completa e total responsabilidade por tudo o que vamos escolher fazer com o que recebemos.

Às práticas?

domingo, 14 de junho de 2026

Há um lugar, no fundo de nós, que a ilusão não toca

 

LIÇÃO 165

Que minha mente não negue o Pensamento de Deus.

1. O que faz este mundo parecer real exceto tua própria negação da verdade que está além? O que a não ser teus pensamentos de amargura e morte esconde a felicidade completa e a vida eterna que teu Pai deseja para ti? E o que poderia esconder o que não pode ser oculto exceto a ilusão? O que poderia afastar de ti aquilo que já tens exceto tua escolha de não o ver, negando que ele existe?

2. O Pensamento de Deus te criou. Ele não te abandonou, nem nunca ficas separado dele nenhum instante. Ele te pertence. Vives por ele. Ele é tua Fonte de vida, mantendo-te uno com ela, e todas as coisas são uma só contigo porque ele não te abandonou. O Pensamento de Deus te protege, cuida de ti, torna macio teu lugar de descanso e suave teu caminho, iluminando tua mente com felicidade e amor. A eternidade e a vida eterna brilham em tua mente, porque o Pensamento de Deus não te abandona e ainda mora contigo.

3. Quem negaria sua segurança e sua paz, sua alegria, sua cura e sua paz de espírito, seu descanso tranquilo, seu despertar calmo, se simplesmente reconhecesse o lugar aonde eles habitam? Ele não se prepararia imediatamente para ir até onde eles se encontram, abandonando tudo o mais como sem valor em comparação a eles? E os tendo encontrado não se certificaria de que ficassem consigo e de que ele permanecesse com eles?

4. Não negues o Céu. Ele é teu hoje, basta pedir. E também não precisas perceber quão grande é a dádiva, quão mudado estará teu modo de pensar antes que ela venha a ti. Pede para receber e te é dado. A convicção está nele. Até que o acolhas como teu, a incerteza permanece. No entanto, Deus é justo. Não se exige certeza para receberes aquilo que só a tua aceitação pode conceder.

5. Pede com desejo. Não precisas ter certeza de que pedes a única coisa que queres. Mas, quando a receberes, terás certeza de que tens o tesouro que sempre buscaste. O que, então, trocarias por ele? O que te levaria agora a deixar que ele desaparecesse de tua visão em êxtase? Pois esta visão prova que trocaste tua cegueira pelos olhos de Cristo, que veem; tua mente veio abandonar a negação e aceitar o Pensamento de Deus como tua herança.

6. Agora toda a dúvida passou, o fim da jornada está certo e a salvação te é dada. Agora o poder de Cristo está em ti, para curares como foste curado. Pois agora estás entre os salvadores do mundo. Teu destino é aí e em nenhum outro lugar. Deus consentiria em permitir que Seu Filho permanecesse eternamente faminto por sua negação do alimento de que precisa para viver? A abundância habita nele e a privação não pode separá-lo do Amor de Deus, que anima, e de seu lar.

7. Pratica com esperança hoje. Pois, de fato, a esperança se justifica. Tuas dúvidas não têm sentido, pois Deus é certo. E o Pensamento d'Ele nunca está ausente. A certeza tem de morar dentro de ti, que és o anfitrião d'Ele. Este curso elimina todas as dúvidas que colocas entre Ele e tua certeza d'Ele.

8. Contamos com Deus e não com nós mesmos para nos dar segurança. E, em Nome d'Ele, praticamos conforme Sua Palavra nos orienta a fazer. A certeza d'Ele está acima de qualquer dúvida. O Amor d'Ele permanece além de todo o medo. O Pensamento d'Ele ainda está além de todos os sonhos e está em nossas mentes, de acordo com Sua Vontade.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 165

Caras, caros,

É, parece-me, bastante óbvio que as ideias que o Curso nos oferece para as práticas de cada dia nos preparam para um "salto quântico", eu diria. E por quê? 

Ora, porque, se pensarmos bem, o que o mundo da física quântica descobriu e nos apresentou foi o fato, entre outros, é claro, de que não somos simples observadores do mundo, da vida. O que pensamos, o que esperamos, aquilo por que ansiamos modifica a experiência por que passamos e seu resultado, qualquer que seja ela.

Melhor dizendo, não há nada que aconteça em minha vida que não aconteça porque o desejei. Não há nada que aconteça na vida de nenhuma pessoa que não seja resultado de suas escolhas, de suas crenças, de sua vontade e de seus pensamentos.

O "salto quântico" de que falo se refere à possibilidade de que as práticas com as ideias do Curso traga a cada uma, a cada um, de nós a consciência de que, como disse alguém, "vós sois deuses". Quer dizer, todas, todos, cada uma e cada um de nós somos, em essência, toda a luz, todo o poder. Podemos materializar em nossa vida, em nosso experimentar do mundo, tudo o que quisermos. Podemos recomeçar a Criação do zero, trazendo à luz o mundo que quisermos. Se não negarmos o "Pensamento de Deus" em nós.

É isto que vamos praticar com a ideia de hoje.

"Que minha mente não negue o Pensamento de Deus."

Ao final da lição desta última quinta-feira, com a lição 163, o Curso oferecia uma breve oração, que pode - e deve - ser utilizada nos vários momentos de nossas vidas em que a dúvida resolver se instalar para nos desviar da decisão tomada em favor das práticas que nos podem levar ao autoconhecimento e, por consequência, ao conhecimento de Deus em nós e ao Céu. 

Diz ela o seguinte e estou alterando a forma de tratamento para torná-la pessoal, individual:

Abençoa meus olhos hoje, Pai. Sou Teu mensageiro e quero olhar para o reflexo glorioso de Teu Amor que resplandece em todas as coisas. Vivo e me movo em Ti apenas. Não estou separado de Tua vida eterna. A morte não existe, porque a morte não é a Tua Vontade. E habito o lugar em que me colocaste, na vida que compartilho Contigo e com todas as coisas vivas, para ser igual a Ti, e parte de Ti para sempre. Aceito Teus Pensamentos como os meus e Te entrego minha vontade para que ela permaneça eternamente em unidade com a Tua. Amém.

Usar esta oração é também, em meu modo de ver, uma forma de nos comprometermos com a ideia para as práticas de hoje. Isto é, usá-la também é escolher que minha mente não negue o Pensamento de Deus. É, ao contrário de negar os pensamentos de Deus, uma forma de buscar alinhar a mente com o Pensamento d'Ele, sintonizando apenas o Pensamento d'Ele em nós.

É reafirmar nossa crença na ideia de que os pensamentos não podem deixar sua fonte. Ou, dizendo de outra maneira, é abandonar todo e qualquer compromisso com o sistema de pensamento do ego, abandonar qualquer compromisso com a ilusão do mundo e negar a crença na separação.

 A ideia que praticamos com a lição de hoje traz consigo, de novo, a oportunidade de exercitarmos a decisão de aceitar o contato permanente com o Pensamento de Deus em nós. O único Pensamento que dá sentido à existência e nos permite andar por este mundo de ilusões de forma serena e tranquila. Em paz e serenidade, na certeza da alegria e da felicidade completas, que são a Vontade de Deus para todos, todas, cada um e cada uma de nós.

Por maiores que sejam as tentativas do ego de nos fazer crer na separação, que criou todo este mundo de ilusões, lá no fundo de nossa mente há um espaço intocado pela ilusão, um espaço que nos leva sempre a buscar a verdade, a buscar conhecer-nos. 

É nesse lugar que nossa mente sabe que somos Pensamentos de Deus, que nossa vontade e a d'Ele/Ela são uma só e que estamos em contato permanente com Ele/Ela. É esta parte de nossa mente que sabe que tudo o que precisamos fazer é reconhecer isto para receber e aceitar a visão de Cristo em nós [que também é escolher que nossa mente não negue o Pensamento de Deus], para ver o mundo apenas como um instrumento, uma ferramenta, que nos ajude e que nos permita viver, em todos os instantes, situações e circunstâncias, a alegria e a felicidade perfeitas e completas.

Às práticas?

sábado, 13 de junho de 2026

É bem possível construir um paraíso portátil dia a dia

 

LIÇÃO 164

Agora somos um com Aquele Que é nossa Fonte.

1. Em que momento senão agora a verdade pode ser reconhecida? O presente é o único tempo que existe. E chegamos, por isto, hoje, neste instante, agora, para olhar para aquilo que existe para sempre; não em nossa visão, mas aos olhos de Cristo. Ele olha para além do tempo e vê a eternidade tal como ela se apresenta aí. Ele ouve os sons que o mundo sem sentido e agitado engendra, mas Ele os ouve vagamente. Pois, além deles todos, Ele ouve a melodia do Céu e a Voz por Deus mais clara, mais significativa, mais próxima.

2. O mundo se desvanece facilmente diante de Sua visão. Seus ruídos se tornam indistintos. Uma melodia de muito longe do mundo fica cada vez mais distinta; um chamado antigo ao qual Ele dá uma resposta antiga. Tu os reconhecerás a ambos pois são apenas tua resposta ao Chamado de teu Pai a ti. Cristo responde por ti refletindo teu Ser, utilizando tua voz para dar Seu consentimento feliz, aceitando tua liberação por ti.

3. Quão santa é tua prática hoje, quando Cristo te dá Sua visão e ouve por ti, e responde ao Chamado que Ele ouve em teu nome! Quão sereno é o instante que ofereces para passar com Ele, distante do mundo. Quão facilmente se esquecem todos teus pretensos pecados e se apagam todas as tuas tristezas. Neste dia abandona-se a aflição, pois visões e sons que chegam de um ponto mais próximo do que o mundo ficam claros para ti que, hoje, desejas aceitar as dádivas que Ele oferece.

4. Há um silêncio no qual o mundo não pode se intrometer. Há uma paz antiga que levas em teu coração e que não perdes. Há em ti uma sensação de santidade que o pecado não toca nunca. Tu te lembrarás de tudo isto hoje. A fidelidade na prática hoje trará recompensas tão grandes, e tão completamente diferentes de todas as coisas que buscaste antes, que saberás que teu tesouro está aqui e que aqui está teu descanso.

5. Este é o dia em que fantasias vãs se abrem como uma cortina para revelar o que há além delas. Agora, aquilo que existe realmente se faz visível, enquanto todas as sombras que pareciam escondê-lo simplesmente desaparecem. Agora se atinge o equilíbrio e a balança do julgamento é entregue Àquele Que julga verdadeiramente. E, no julgamento d'Ele, um mundo de perfeita inocência se desdobrará diante dos teus olhos. Agora tu o verás com os olhos de Cristo. Agora sua transformação está clara para ti.

6. Irmão, este dia é sagrado para o mundo. Tua visão, que te foi dada de muito além de todas as coisas neste mundo, volta seu olhar para elas sob uma nova luz. E o que vês vem a ser a cura e a salvação do mundo. O valioso e o sem valor são percebidos e reconhecidos por aquilo que são. E o que é digno de teu amor recebe teu amor, enquanto não sobra nada para se temer.

7. Não julgaremos hoje. Receberemos apenas o que nos é dado pelo julgamento feito além do mundo. Nossa prática de hoje se torna a dádiva de gratidão por nossa libertação da cegueira e do sofrimento. Tudo o que vemos só aumentará nossa alegria, porque sua santidade reflete a nossa. Estamos perdoados na visão de Cristo, com o mundo todo perdoado na nossa. Abençoamos o mundo, ao vê-lo na luz em que nosso Salvador olha para nós e lhe oferece a liberdade que nos é dada por Sua visão de perdão, e não por nossa própria visão.

8. Abre as cortinas em tua prática abandonando simplesmente todas as coisas que pensas querer. Põe de lado teus tesouros insignificantes e deixa um espaço claro e aberto em tua mente ao qual Cristo pode vir e te oferecer o tesouro da salvação. Ele necessita de tua mente mais sagrada para salvar o mundo. Este propósito não é digno de ser teu? Não vale a pena buscar a visão de Cristo acima das metas insatisfatórias do mundo?

9. Não deixes que o dia de hoje passe sem que as dádivas que ele contém para ti recebam teu consentimento e tua aceitação. Podemos mudar o mundo se tu as reconheceres. Talvez não percebas o valor que tua aceitação dá ao mundo. Mas certamente queres isto: poder trocar todo o sofrimento pela alegria neste dia mesmo. Pratica com seriedade e a dádiva é tua. Deus te enganaria? A promessa d'Ele pode falhar? Podes te recusar a tão pouco, quando a Mão d'Ele oferece a salvação completa a Seu Filho?

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 164

Caras, caros,

A vida lhes parece difícil? Amarga? Cheia de coisas que gostariam de não experimentar? Experiências que preferiam não viver?

Parece-lhes que tudo conspira contra sua felicidade, sua alegria, sua vontade de estar em paz, sem grandes preocupações, sem grandes contrariedades? Parece-lhes difícil fazer do limão uma limonada?

Penso que para a maioria de nós, pessoas que vivem na crença, ou que vivem a crença de uma separação que não existe, essa crença é o que nos impede de desfrutar verdadeiramente das coisas e dos fatos da vida. Quer dizer, é a ideia de que somos o que o ego nos diz que somos que nos impede de ver de forma clara o que a vida está a nos oferecer todos os dias. 

Por isso é que precisamos praticar com toda a honestidade e disposição de que somos capazes a ideia que o Curso nos oferece para o treino de hoje.


"Agora somos um com Aquele Que é nossa Fonte." 

A ideia para as práticas de hoje, repetindo os comentários de anos passados, revela simplesmente, mais uma vez, de forma clara e cristalina algo que nunca mudou, não muda e não mudará jamais. Algo que precisamos incluir em nossos pensamentos de todos os dias, de todas as horas, de todos os minutos e de todos os segundos que vivemos. Algo a que precisamos nos acostumar de novo: a verdade a nosso próprio respeito. A respeito daquilo que somos na verdade. Na unidade. 

Precisamos das práticas das ideias que o Curso oferece por não estarmos acostumados e acostumadas à verdade, depois de tanto tempo no mundo - ou até mesmo para alguns daqueles, ou algumas daquelas que, entre nós, não estejam aparentemente aqui há muito tempo. O fato é que por estarmos aqui, ou por nos acreditarmos aqui, desde que nascemos num corpo, estamos, desde então, aprendendo, praticando e reforçando dia a dia a ilusão, acreditando que pode haver algo de verdadeiro neste mundo, como o ego quer que pensemos, para garantir realidade a sua existência. 

E, falando de práticas, há um grupo de estudos do Curso na internet que ensina que "todo dia é dia de treino", como forma de não se perder de vista a necessidade do exercício constante e contínuo. Eu diria mais: que todo instante é ocasião de treino, de prática da verdade. Porque precisamos aprender a ficar atentos e atentas o tempo todo. Precisamos aprender a não nos distrairmos de nós mesmos e de nós mesmas. É preciso, como dizia Gurdjieff, "lembrar-se de si". O tempo todo. A todo instante.

Em todo o caso, não custa chamar a atenção, tantas vezes quanto possível, para o fato de que, "agora [e sempre], somos um com Aquele Que é nossa Fonte", porque sempre fomos e nunca deixamos, nem deixaremos de ser, como a ideia da lição de hoje quer que nos lembremos, mesmo que ainda não tenhamos plena consciência disso. 

A questão é que, quando não estamos conscientes da Presença da Fonte de toda a vida em nós, não podemos nos valer de Sua Força, de Seu Poder, o Único Poder que existe e que, de acordo com Joel Goldsmith, nem é um poder, porque não precisa ser, uma vez que não há nada fora de Si. Não há nada que possa ameaçar a Verdade, a Vida. É por isso que praticamos lá atrás, lembram?, a ideia de que não há nada a temer. Nem agora nem nunca.

A separação em que o falso eu - o ego, para o Curso - acredita não aconteceu. Não há, nem nunca haverá nenhuma possibilidade de nos separarmos de Deus, da Fonte. E se alguma vez imaginamos que isso é possível é apenas porque nos distraímos de nós mesmos e de nós mesmas. Por alguns instantes nos distraímos do fato de que somos um com Deus permanentemente. Nós nos distraímos de nós e pensamos ser possível a separação de nossa Fonte, e da unidade com tudo o que existe.

Nosso equívoco se deve principalmente ao fato de que pensamos no tempo de forma linear. Isto é, pensamos existir um tempo que passou, o passado; um tempo que acontece agora, o presente; e um tempo que será decorrente destes, o futuro. E, a maior parte do tempo, vivemos entre o passado e o futuro, sem nos darmos conta de que, como a lição nos diz hoje, o presente é o único tempo que existe.

Na verdade, não podemos viver senão o presente, o agora, no presente. Aqui e agora. Não há um modo de viver que seja resultado de alguma coisa que já vivemos, ou que alguém no mundo já viveu e nos legou como herança, a não ser na ilusão do tempo dividido em passado, presente e futuro.

A verdade é que vivemos, quando vivemos de fato, um presente no instante em que ele se apresenta e somos um com ele, para viver, tão logo aquele instante passe, o instante presente seguinte, e assim por diante, até a eternidade, que só pode ser vista e experimentada quando estamos e somos o que somos no presente, no instante, em cada instante.

Aqueles e aquelas de nós que sentem saudade do passado ou atribuem a fatos que acreditam ter acontecido lá, no passado, os resultados do que vivem agora, esquecem de que só se pode fazer as escolhas no presente. As pessoas que acreditam e esperam uma vida melhor, o Céu, quem sabe, num tempo que virá, também estão se enganando, pois o Céu não é um lugar, não é um estado que vai se apresentar a partir das boas ações que fizermos ao longo do tempo, depois de um tempo, ou depois da morte do corpo. 

Não! Como o Curso ensina e como já praticamos também: o Céu é a decisão que tenho de tomar. Se eu quiser viver o Céu na terra, em minha experiência da forma e dos sentidos. 

Elio D'Anna, em seu livro A Escola dos Deuses, traz um exemplo interessante a respeito do qual vale a pena pensar para melhor entender  por que razão escolhemos as experiências que escolhemos para construir nossas vidas. 

Diz ele a certa altura, já perto do finalzinho do livro, que em nossa experiência diária, em função das crenças que se cristalizaram em nós, e dos pensamentos que escolhemos pensar e das emoções que decidimos sentir e viver, com base na percepção dos sentidos, estamos inclinados e inclinadas a criar e alimentar um inferno portátil, por não querermos abandonar as características de seres irritadiços, irascíveis e briguentos. E essas características, que recebemos de gerações e gerações antes da nossa, são as mesmas que cultivamos e transmitimos às gerações que estão chegando e às que virão depois da nossa. Por quanto tempo? 

Diz mais, e é aqui que eu quero chegar neste comentário, para finalizá-lo, que a vida é sempre como nós a sonhamos. Só podemos encontrar aquilo que sonhamos, aquilo com que alimentamos nossos pensamentos e emoções. Isso é inevitável. Para ele, "a vida já é um paraíso terrestre para quem construiu e alimenta em si constantemente um paraíso portátil".

Assim, relembrando para reforçar, não há nada que possamos fazer em algum tempo, qualquer tempo, que não seja agora. Não nos iludamos mais. A alegria, a felicidade, a paz, o amor, a serenidade, a calma, tudo isto depende de nossa escolha e são o ponto de partida para vivermos a alegria e a paz. A partir disso, construir o paraíso portátil dia após dia é bem possível. 

Porém, se não encontrarmos em nós mesmos e em nós mesmas, agora, a alegria e a paz nas práticas de que somos um com Aquele Que é nossa Fonte, não seremos capazes de vivê-las, nem de oferecê-las a tudo e a todas as pessoas no mundo. Nem de construir nosso próprio paraíso portátil.

Às práticas?

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Para quem crê na morte, não há liberdade possível

 

LIÇÃO 163

Não há morte. O Filho de Deus é livre.

1. A morte é uma ideia que assume muitas formas, muitas vezes não reconhecidas. Pode se apresentar como tristeza, medo, ansiedade ou dúvida; como raiva, descrença e falta de confiança; cuidado com corpos, inveja e todas as formas em que o desejo de seres como não és possa vir a te tentar. Todos estes pensamentos são apenas reflexos da adoração da morte como salvadora e doadora da liberação.

2. Personificação do medo, anfitrião do pecado, deus da culpa e senhor das ilusões e enganos, o pensamento da morte parece, de fato, poderoso. Pois ela parece manter todas as coisas vivas ao alcance de sua mão ressequida; todas as esperanças e desejos sob sua influência maléfica; todas as metas percebidas apenas sob a influência de seus olhos invisíveis. O frágil, o desamparado e o doente se curvam diante de sua imagem, pensando que só ela é real, inevitável, digna de sua confiança. Pois só ela virá com certeza.

3. Todas as coisas a não ser a morte são vistas como incertas, perdidas muito rapidamente apesar de difíceis de ganhar, duvidosas em seus resultados, inclinadas a frustrar as expectativas que geraram em algum momento e a deixar o gosto de pó e de cinzas em seu rastro, em lugar das aspirações e dos sonhos. Só se pode contar com a morte. Pois ela virá com passos seguros quando chegar o momento de sua vinda. Ela nunca deixará de tomar toda vida como refém de si mesma.

4. Tu te curvarias diante de ídolos como este? Nisto se percebe a força e o poder do Próprio Deus no interior de um ídolo feito de pó. Nisto se anuncia o opositor de Deus como senhor de toda a criação, mais forte do que a Vontade de Deus em favor da vida, da infinitude do amor e da constância perfeita e imutável do Céu. Nisto derrota-se finalmente a Vontade do Pai e a do Filho, que são enterradas sob a lápide que a morte coloca sobre o corpo do Filho santo de Deus.

5. Pecaminoso na derrota, ele se torna o que a morte quer que ele seja. Seu epitáfio, que a própria morte escreve, não lhe atribui nenhum nome, pois ele se transforma em pó. Ele diz apenas isto: "Aqui jaz uma testemunha de que Deus está morto". E ela escreve isto vezes sem conta enquanto, o tempo todo, seus adoradores concordam e, ajoelhando-se com a fronte no chão, sussurram que é verdade.

6. É impossível adorar a morte sob qualquer forma e mesmo assim escolher algumas que não apreciarias e que ainda evitarias, embora ainda acreditasses nas demais. Pois a morte é total. Ou todas as coisas morrem ou, ao contrário, elas vivem e não podem morrer. Nenhuma transigência é possível. Pois aqui, mais uma vez, percebemos uma posição evidente que temos de aceitar se formos sãos; aquilo que contradiz uma ideia por completo não pode ser verdadeiro, a menos que seu contrário se prove falso.

7. A ideia da morte de Deus é tão absurda que até mesmo os loucos têm dificuldade em acreditar nela. Pois ela pressupõe que Deus estava vivo uma vez e de alguma forma pereceu; morto, aparentemente, por aqueles que não queriam que Ele sobrevivesse. A vontade mais forte deles pôde triunfar sobre a d'Ele e, por isso, a vida eterna deu lugar à morte. E, com o Pai, morreu também o Filho.

8. Os adoradores da morte podem ter medo. E, não obstante, pensamentos como estes podem ser amedrontadores? Se eles percebessem que é apenas nisto que acreditam, seriam liberados imediatamente. E tu lhes mostrarás isto hoje. Não há morte e nós renunciamos a ela agora sob todas as formas, para a salvação dele e para a nossa própria salvação também. Deus não fez a morte. Por isto, qualquer forma que ela assuma tem de ser ilusão. É esta posição que tomamos hoje. E nos é dado olhar para além da morte e ver, adiante, a vida.

9. Abençoa nossos olhos hoje, Pai Nosso. Somos Teus mensageiros e queremos olhar para o reflexo glorioso de Teu Amor que resplandece em todas as coisas. Vivemos e nos movemos em Ti apenas. Não estamos separados de Tua vida eterna. A morte não existe, pois a morte não é a Tua Vontade. E nós habitamos no lugar aonde Tu nos colocaste, na vida que compartilhamos Contigo e com todas as coisas vivas, para sermos iguais a Ti, e partes de Ti para sempre. Nós aceitamos Teus Pensamentos como nossos e nossa vontade está eternamente em unidade com a Tua. Amém.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 163

Caras, caros,

Vocês certamente já pensaram no que acontece com uma pessoa que morre. Já passaram pela experiência de um ente querido falecer, não é mesmo? E enfrentaram o luto e toda a tristeza que adveio dele. E ouviram todas as manifestações de consolo e de estímulo. E lhes pareceu que nada fazia mais sentido nenhum, não é?

No entanto, talvez ainda não tenham pensado a sério a respeito de sua própria morte, a respeito do que esperam que aconteça quando chegar sua hora, mas creio que não há razão para qualquer preocupação com este assunto. Pelo menos para quem quer que acredite na vida. Que perceba a vida como uma experiência que se renova a cada instante, independentemente do que aconteça.

É disto que vamos falar a partir das práticas com a ideia que o Curso nos traz hoje.

"Não há morte. O Filho de Deus é livre."

A ideia para as práticas de hoje, como já vimos mais de uma vez, vem bem a calhar para quem em algum momento já entrou em contato com as ideias do livro A Escola dos Deuses, de Elio D'Anna, de que já falei aqui algumas vezes. Mas não é necessário ter lido o livro para aproveitar também do ensinamento que as práticas com ela podem nos trazer. 

Voltando ao livro, porém, há que se pensar que um de seus pontos centrais, assim como no ensinamento do Curso, está na ideia de que é necessário questionarmos a crença, segundo a qual a morte é inevitável. Uma ideia que nos foi, é e continua a ser, incutida desde crianças. Quem sabe até desde antes de nascermos para esta experiência ilusória de vida num corpo. 

Vejamos pois o que a lição tem em comum com o que o livro pede que questionemos. Como lhes propus no comentário de anos passados, a questão continua a ser a mesma. 

Como falar de liberdade para quem acredita em morte, "na morte"? Que liberdade pode existir para alguém, se sua crença é a de que, mais dia menos dia, seu destino vai ser a morte? Ou como dizer para alguém que a única realidade neste mundo é, de fato, o sonho? Não aquele que temos enquanto dormimos, nem aquele que sonhamos acordados, e não despertos. Mas aquele que é o combustível que nos move. Só por um sonho, nascido de nossa vontade de nos conhecermos, de conhecermos - ou de voltarmos à consciência permanente da presença dela em nós - a divindade interior que nos inspira e move, vivemos. 

É por isso que a ideia da existência da morte - e de sua inevitabilidade - é uma grande ameaça à liberdade. Não podemos ser livres de fato, enquanto acreditarmos na morte. A morte só pode existir para quem acredita haver algo de real, algo de verdadeiro, no tempo. Para alguém que, em algum momento, de sua vida acredita que agora, com esta idade, seja ela qual for, com este tanto de anos vividos, já não dá para começar nada de novo. Já não dá para sonhar. Sim, sim, sempre há tempo para se começar de novo, seja lá qual for o sonho, seja qual for o projeto ou o plano. Depois de Santiago de Compostela, pensei, ao voltar, que poderia aprender a surfar, o que acham? É muito tarde depois dos 70 anos?

Isso me lembra de que quando vim do sul para São Paulo, conheci, entre outras, uma pessoa, um menino, ele tinha dezoito naquela época, que falava que seu maior medo, depois da morte, era envelhecer. Eu tinha vinte e nove, indo para os trinta e já era um velho para ele. Que dizia não se imaginar com minha idade, ou mais velho ainda. Lá já se vão 44 anos e ele chegou aos 62. E passou, há algum tempo, no ano do início da pandemia, pela experiência da Covid-19, 60 dias UTI, intubação, traqueostomia, diálise porque a medicação afetou o funcionamento de seus rins. Mas saiu e está se recuperando. Está agora 33 anos mais velho do que eu era à época. Qual será seu maior medo hoje? A morte?

Cortella diz que gente não fica velha. Quem fica velho é sapato, eletrodoméstico, roupa. Nós, de acordo com ele, somos sempre a cada momento a versão mais nova de nós mesmos e de nós mesmas. Basta deixarmos de lado a ideia da velhice e da morte. Mas é preciso que acreditemos para valer que a morte não existe, como a ideia que o Curso pede que pratiquemos hoje.

Não existe morte! O Curso afirma isto com todas as letras. Mais, ele diz também que não há nenhum mundo. E só poderemos ser livres, de verdade, quando reconhecermos como verdadeiras estas afirmações. Pois não seremos livres, enquanto pairarem sobre nossas cabeças a ideia de que caminhamos inexoravelmente para o fim da vida e a de que há alguma coisa de valor, que possamos querer, neste mundo de ilusões.

O Filho de Deus é livre. Eu sou como Deus me criou. Não há morte. Não há nada a temer. Deus vai comigo aonde eu for. Se me defendo, sou atacado. O poder de decisão é meu. Recuarei e permitirei que Ele me mostre o caminho.

Eis aí algumas ideias que já praticamos algumas vezes - alguns e algumas de nós várias vezes. Quantos e quantas de nós, de fato, já as assumiram e incorporaram a sua experiência de vida como verdades que podem fazer ver o mundo de modo diferente? Verdades que podem mostrar um mundo perdoado, porque apenas ilusório, efêmero, passageiro? Um mundo que é apenas fruto de uma percepção equivocada, que muda ao sabor das impressões dos sentidos.

Não há morte. Tudo o que existe é vida e vida abundante e plena que se multiplica de uma miríade de formas diferentes nas aparências que vemos, tocamos, provamos, ouvimos e cheiramos. 

Não há morte. E só por isso podemos ser livres.  

Todo o medo que nos mantém acorrentados e acorrentadas e presos e presas a um mundo de ilusões, e nos impede de ser o que somos nas mais variadas circunstâncias e a maior parte do tempo de nossa vida, desaparecerá como que por um passe de mágica, quando acreditarmos, de verdade, na ideia que o Curso nos convida a praticar hoje. 

Não há morte. Ora, todo o medo que experimentamos na ilusão a que chamamos de vida se origina da ideia de que somos mortais, perecíveis, frágeis, vulneráveis, passíveis de ataque e destrutíveis, passageiros e passageiras, como tudo o que vemos neste mundo. Afinal, já "vivemos" o bastante para saber que tudo aquilo que tocamos hoje amanhã pode deixar de existir na forma. Pois "tudo muda o tempo todo no mundo", conforme diz a canção. Mas, e se, de fato, não há morte, e se acreditássemos mesmo nisto, com certeza não haveria nada a temer, ou haveria? 

O Filho de Deus é livre. É claro que, se o que nos aprisiona e nos mantém acorrentados e acorrentadas à ilusão é o medo da morte, se aprendermos que não há morte, voltamos a experimentar a liberdade, voltamos a ser livres como sempre fomos. Pois o limitado e prisioneiro é apenas uma ideia equivocada de nós mesmos e de nós mesmas, uma ilusão que pensamos viver e que ocupa o lugar legítimo do Filho de Deus, enquanto acreditamos na separação. Não é aquilo que nós mesmos e nós mesmas somos que vive esta ilusão. É um ego, um falso eu, uma entidade que não existe, ilusória, assim como a morte.

Ao praticar com dedicação, com disposição e alegria a ideia de hoje, vamos deixar que o Filho de Deus em nós se apresente e assuma o lugar usurpado - aparentemente com nossa concordância - por um ser que não existe, um ser cuja existência se baseia apenas na crença equivocada em uma separação que também não existe, que inventou, na ilusão, a ideia de que podemos ser diferentes daquilo que somos verdadeiramente, esquecendo-nos de que somos, e seremos sempre, como Deus nos criou, conforme vimos e praticamos com a lição de ontem. 

A ideia que praticamos hoje, mais uma vez, tem de servir para trazer a cada um e a cada uma de nós a realidade que vamos encontrar em nossos dias, em nossa vida, quando escolhermos o que queremos experimentar. Precisamos nos lembrar sempre, constante e continuamente, a todo instante, em todos os instantes, que são nossas crenças, nossos pensamentos e emoções que materializam os fatos em nossa vida. 

É por isso que a liberdade só pode vir para quem não acredita na morte. Esse, ou essa, está sempre e em todos os momentos construindo sua vida a partir do sonho, de sua imortalidade. Aquele, ou aquela, que acredita na morte não é livre, porque os fatos que suas crenças, pensamentos e emoções materializam em sua vida servem para confirmar a inevitabilidade da morte. Quer dizer, quando escolhemos nossas crenças a vida, e o Universo todo com ela, se move na direção da confirmação delas. 

O que queremos, então? A vida sem fim, a imortalidade? A liberdade? Ou a morte? A escravidão?

Às práticas?