segunda-feira, 23 de abril de 2018

E só mesmo com a salvação que temos compromisso


LIÇÃO 113

Para revisão pela manhã e à noite:

1. (95) Eu sou um Ser único unido ao meu Criador.

A serenidade e a paz perfeitas são minhas agora,
porque sou um Ser único, completamente íntegro,
em unidade com toda a criação e com Deus.

2. (96) A salvação vem de meu Ser único.

De meu Ser único, Cujo conhecimento ainda permanece
em minha mente, vejo o plano perfeito de Deus para a
minha salvação realizado de forma completa.

3. Para a hora:
Eu sou um Ser único unido ao meu Criador.

Para a meia hora:
A salvação vem de meu Ser único.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 113

Continuemos as práticas de revisão das lições, entregando-nos ao espírito e abrindo-nos, mais uma vez, para ouvir a Voz que fala por Deus no interior de nós mesmos.

Estamos revisando cada uma das vinte ideias das práticas recentes para reforçar o aprendizado acerca de nós mesmos, do que somos, na verdade, e para tomarmos consciência de nossa unidade com Deus, nosso Criador. Isto é, para termos bem claro que a 'separação' de cuja veracidade o ego tenta nos convencer nunca existiu.

Sabemos, assim, que é no reconhecimento e na aceitação da unidade com tudo e com todos e no abandono da crença em uma separação que nunca existiu, não existe e não existirá jamais, que podemos compreender o plano de Deus para a salvação e assumir o compromisso de cumprir nosso papel, sem o qual a salvação não pode se realizar.

É para isso que o Curso nos oferece as práticas e as revisões das ideias a cada passo. Pois é essencial, para que a salvação se realize, que reconheçamos nosso Ser único, unido ao Criador e à criação toda. É essencial que tenhamos em mente que nosso compromisso dever ser para com nossa salvação, que é, por consequência, a salvação do mundo.

Pratiquemos, pois, a salvação, em primeiro lugar para nós mesmos. E ela há de vir, de nós, para nós mesmos e para o mundo inteiro. 

Às práticas?

*

ADENDO:

Jornada num tempo sem tempo (ou viagem de volta no tempo?)

2017. Abril, dia 23: De Viana a Navarrete (22,5 km)

Saio de Viana perto das oito horas rumo a Logroño. Uma caminhada tranquila, apesar das bolhas nos pés.

Duas horas depois já estou na entra de Logroño: dez quilômetros percorridos. Já quase na chegada, encontro Bart, um holandês que está, pela primeira vez, fazendo o Caminho Francês, sozinho. A mulher dele já fez o Caminho Português e, até onde entendo do inglês que ele fala, os dois fizeram juntos, há alguns anos, o Caminho Primitivo.

Ele tem tempo para percorrer todo o Caminho, uma vez que só vai voltar à Holanda na primeira semana de julho.

Separamo-nos depois de termos buscado folhetos, mapas e roteiro das atividades e da programação em Logroño, no centro de atendimento ao turista e aos peregrinos na entrada da cidade, sobre a ponte que parece um cartão postal ao se chegar. 

Eis aí uma foto dela, que publiquei também há um ano, no instagram e no facebook:



Logroño é uma cidade grande e muito bonita. Acolhe o peregrino de braços aberto. Há que se dizer que a peregrinação é uma fonte de renda inestimável para todos os lugares que acolhem e acomodam as pessoas ao longo do caminho. E não são poucos os lugares.

Mas, como eu dizia, Logroño acolhe muito bem o peregrino e prepara com todo cuidado o caminho para que ele continue em frente. A sensação, porém, por contraditória que pareça é a de que a cidade não quer que os peregrinos se vão.

Tomo um café da manhã maravilhoso, apesar do horário - já passa das dez horas -, no Café Royal, no centro. Um suco de laranja, um café grande - americano como dizem os espanhóis ao longo de todo o caminho - com um pedaço/fatia de "tortilla de bacalao" deliciosa.

Saio do café em direção à saída da cidade, que se dá atravessando um parque fantástico, enorme, a que acorrem centenas de pessoas com seus filhos, seus animais de estimação. Famílias inteiras, a pé ou de bicicleta. Um parque que parece ser interminável, de onde a sensação a que me referi antes.

E, conforme tinha me avisado Juan, um peregrino de Barcelona, ontem, muitas pessoas estão no parque preparando o "barbacoa". O cheiro de churrasco nos espaços disponíveis do parque para tal é uma tentação.

Daí, finda a passagem pelo parque, creio que se chama Parque de la Grajera, passa-se por um antiguo  hospital de peregrinos e, depois de mais ou menos três horas de caminhada, chegamos a Navarrete, outra cidade linda nesta região da Espanha.

Digo chegamos porque perto da chegada encontro Tina e Márcio, o casal de baianos com quem tinha saído de Saint Jean, e andamos juntos os últimos mil e poucos metros que nos separam da cidade. Aliás, como não poderia deixar de ser, mil metros de uma subida que judia do peregrino depois de tanto tempo caminhando.

Registramo-nos no Albergue de Peregrinos. O pior banho por enquanto e a pior cama/colchão até aqui. Tudo pela módica quantia de sete euros.

Almoço sozinho num bar das adjacências. Tina e Márcio, que tinham ido almoçar no melhor restaurante da cidade, de acordo com um morador que nos tinha indicado o caminho para o albergue, chegam de volta.

À tardinha, vamos todos ao bar em que almocei e que oferece, a partir das 19:30 horas, o Menu do Peregrino, como reza a tradição "primer plato", segundo prato y postre, con vino y água à vontade, por quinze euros.

Encontramos lá Alexandre, o gaúcho, que faz a caminhada mais ou menos no mesmo ritmo dos baianos, mas que sempre chega na frente. Ele também quer jantar. Jantamos todos juntos.

Aí, já é hora de voltar ao albergue e descansar para a jornada que amanhã vamos ter pela frente. A ideia é ir a Nájera e, depois, seguir até Azofra. Vinte e quatro quilômetros ao todo.


domingo, 22 de abril de 2018

Viver distante da luz, da alegria e da paz, não é viver


LIÇÃO 112

Para revisão pela manhã e à noite:

1. (93) A luz e a alegria e a paz habitam em mim.

Eu sou o lar da luz e da alegria e da paz. Eu as acolho no
lar que compartilho com Deus, porque sou uma parte d'Ele.

2. (94) Eu sou como Deus me criou.

Continuarei a ser como fui para sempre, criado pelo
Imutável como Ele Mesmo. E sou um com Ele e Ele comigo.

3. Para a hora:
A luz e a alegria e a paz habitam em mim.

Para a meia hora:
Eu sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 112

Lembremo-nos, como nos indica a introdução deste período de revisão, de reservar os primeiros e os últimos cinco minutos de nosso dia de vigília para as práticas com as ideias de hoje. Lembremo-nos também de que a exploração das lições deste período está a cargo de cada um de nós.

Temos aqui, com cada um desses momentos de cinco minutos e/ou com qualquer intervalo de tempo que dediquemos às práticas, mais uma nova oportunidade de aprender [ou lembrar] o que, de fato, somos. Mais uma oportunidade de aprender a só nos identificarmos com nossos anseios mais profundos, de luz, de alegria e de paz, que já estão satisfeitos, por sermos quem somos.

Não há como viver longe da luz, da alegria e da paz, se aprendermos, reconhecermos e aceitarmos e praticarmos a ideia que afirma que ainda somos como Deus nos criou. Sempre seremos. Viver longe da luz, da alegria e da paz não é viver. É recusar-se a aceitar a Vontade de Deus para nós - para cada um de nós e para todos nós. 

Às práticas?


*

ADENDO:

2017. Abril, dia 22: De Villamayor de Monjardin a Viana (31 km)

A alvorada é cedo. Logo depois das seis acordo para ir ao banheio e já me preparo para o "desayuno", o café da manhã. Nenhum movimento de ninguém. Aparentemente não há aqui nenhum peregrino disposto a sair cedo.

Qual é o plano de hoje? Daqui a Los Arcos, o ponto seguinte para quem está seguindo o guia ao pé da letra, são cerca de doze, quase treze, quilômetros.

Os próximos pontos de parada possíveis são Samsol, acerca de sete quilômetros de Los Arcos, e Torres del Rio, cerca de um quilômetro depois de Samsol. Penso, então, que vou tentar chegar a Viana, o que daria uma caminhada de trinta e um quilômetros. Está bom para um peregrino inexperiente, neste que é o sétimo dia da caminhada, não?

Bem, saio de Villamayor uns minutos depois das oito.

Aqui, mais um parêntese.

O que serve de guia e de indicador para o peregrino são as conchas-símbolo do Caminho e a infinidade de setas amarelas que assinalam por onde seguir, em que direção andar. Normalmente, vê-se uma seta a cada 200/300, no máximo, 500 metros. E a advertência diz que se você andar mais de um quilômetro e não vir uma seta é melhor voltar ao ponto em que viu a última e retomar o caminho a partir daí.

Mas quem diz?

Tudo segue muito bem até aqui. Demoro cerca de duas horas e meia para alcançar Los Arcos, onde me abasteço de um suco e de água, além de alguns minutos de descanso.

Daí, sigo para Samsol, aonde chego às 12 horas. Há um bar-restaurante agradável, com mesas numa área externa com árvores frutíferas e não, uma espécie de fonte com água corrente. Pássaros buscando restos de alimentos nas mesas fazem a festa.

Almoço aí: um "bocadillo de jamon y queso" e "una cerveza". Aí já está Peter, um dos "estranja" de não me lembro onde, de saída. Vai esticar até Viana. Despedimo-nos.

Quarenta e cinco minutos depois, saio de Samsol seguindo as setas e ando, e ando, e ando. Logo ao sair do bar, as setas indicavam um caminho que levava à estrada de asfalto e a atravessava. A partir da travessia o caminho bifurca: à esquerda, onde não se vê seta alguma. A lógica diz para continuar pela direita, onde avisto várias pilhas enormes de feno.

Depois de andar cerca de uma hora sem encontrar nenhum sinal - teimosia? - de que estou no caminho certo, já meio cansado para voltar ao ponto de onde parti, resolvo ir em frente, na direção de uma antena de celular, presumo, gigante que avisto. Como estou subindo, penso que de lá vou ver alguma indicação do caminho. 

Nada!

Há uma construção um pouco à frente, à esquerda, onde imagina poder encontrar alguém para pedir orientação.

Nada! Ninguém! Só vacas!

Do ponto a que cheguei, porém, enxergo uma estrada asfaltada. Carros passam numa direção e noutra. Poucos, é verdade. 

Perdido! No meio do nada, num país estranho. 

Decido então, seguir descendo na direção da estrada. É provável, bem provável, digo para mim mesmo, que lá encontra alguma placa indicativa, algum sinal que me diga onde estou e para onde devo ir.

Chego na estrada e escolho caminha para a minha esquerda, uma vez que não há placa alguma e descubro, logo em seguida, uma espécie de confluência de estradas. Há acima de terreno em que me encontro uma "Autopista" que despeja uma parte dos carros nesta estrada local.

Sem saber direito o que fazer, decido andar pela "Autopista", o que - descubro um pouco mais tarde - é proibido e passível de multa. Pela marcação da quilometragem na via é possível saber quantos quilômetros ando e quanto tempo demoro entre uma marca e outra - cerca de seis ou sete minutos para fazer um quilômetro.

Adiante, vejo placas que apontam para Logroño: a cerca de quinze quilômetros, e sigo. Carros em alta velocidade passam por mim, procuro ficar o mais à margem possível, andando às vezes do lado de fora da proteção de metal que há na estrada. Alguns buzinam. A rodovia tem câmeras.

Chego a andar mais ou menos três ou quatro quilômetros, quando uma viatura da polícia rodoviária espanhola me alcança e faz sinais para que eu pare. Os policiais param a viatura à margem da rodovia, alguns metros adiante de mim e me pedem para alcançá-los. Um dos guardas, bem compreensivo e paciente, me fala da proibição e do perigo e me pergunta porque não telefonei. Digo-lhe que não sabia, que não tinha como telefonar. O outro, meio mal-humorado, diz sentir muito mas que vai ter de me multar porque foram acionados por vários motoristas que ligaram para a central informando que havia um "peaton" na autopista. Além disso há também as várias câmeras que me registraram a andar na via.

Digo-lhes que tudo bem, que eu não sabia. O guarda mais simpático diz que também já fez o Caminho. O outro me pede os documentos e aplica a multa - cinquenta euros -, que pago passando o cartão na maquininha que eles trazem consigo. Ele preenche a papelada e me dá as minhas vias, pedindo que eu ponha a mochila e os bastões no carro e entre.

Embarcado na viatura, eles partem na direção de Viana. A cerca de dois quilômetros do ponto onde estávamos vejo a placa indicando a saída para Viana. Não posso deixar de pensar que se eles tivessem se demorado apenas uns dez minutos mais para me alcançar eu teria chegado sozinho. Teria andado muito mais, é claro.

Depois da saída, uns poucos minutos e estamos no trevo de Viana. Eles me desembarcam, indicam a direção e se despedem. Assim que eles parte e tomam o caminho de volta, percebo que deixei meus bastões na viatura. Penso, então, que agora sim, a multa ficou cara. 

Um detalhe a registrar aqui é que quase que invariavelmente, mesmo quando se está andando em terreno plano, a chegada a um povoado implica sempre numa subida enorme que exige um grande esforço. Não é diferente com Viana.

Após a subida exaustiva, chego ao albergue, que cobra oito euros pelo pernoite e não oferece nada, a não ser a cama. É meio velho e aparenta falta de cuidados. A moça da recepção parece estar muito mal-humorada. Também pode ser um registro equivocado meu por conta do que passei para chegar até aqui. 

Depois do registro no albergue e do banho, saio para jantar. Ainda no restaurante alguém me avisa que meus "amigos" policiais passaram procurando por mim lá no albergue. Ao chegar na acomodação 3, cama 41, meus bastões estão lá. Intactos.

Incluo aqui um registro do pôr-de-sol em Viana, feito às 21:10 horas, o que seriam 16:10 hora no Brasi:



Durmo tranquilo, após o cuidado com os pés. Creio que o calor durante a caminhada pelo asfalto foi responsável pelo começo da apresentação de bolhas em meu pé esquerdo.

Amanhã a aventura recomeça.

sábado, 21 de abril de 2018

E hora de revisar e de olhar para o divino interior


REVISÃO III

Introdução

1. Nossa próxima revisão começa hoje. Vamos revisar duas lições recentes a cada dia durante dez dias sucessivos de prática. Respeitaremos um formato especial para estes períodos de prática, ao qual recomenda-se com insistência que sigas tão fielmente quanto possível.

2. Compreendemos, é claro, que pode ser impossível para ti empreender o que se sugere aqui como o mais favorável a cada dia e a cada hora do dia. O aprendizado não será prejudicado quando perderes um perído de prática por ser impossível no momento estabelecido. Tampouco é necessário que faças esforços excessivos para te certificares de que estás acompanhando em termos de números. Rituais não são nosso objetivo e frustrariam nossa meta.

3. Mas o aprendizado será dificultado se pulares um período de prática por estares sem vontade de dedicar a ele o tempo que se pede que dês. Não te enganes a este respeito. A má vontade pode ser escondida de forma muito cuidadosa por trás de um disfarce feito de situações que não podes controlar. Aprende a distinguir as situações pouco favoráveis a tua prática daquelas que estabeleces para sustentar um disfarce para tua má vontade.

4. Os períodos de prática que perdeste porque não quiseste fazê-los, seja qual for a razão, devem ser feitos assim que mudares teu modo de pensar acerca de teu objetivo. Só terás má vontade para cooperar na prática da salvação se ela atrapalhar metas que valorizas mais. Quando retiras o valor dado a elas, deixas que teus períodos de prática sejam substitutos para tuas ladainhas a elas. Elas não te dão nada. Mas tua prática pode te oferecer tudo. E, por isto, aceita o que ela te oferece e fica em paz.

5. O formato que deves usar para esta revisão é este: dedica cinco minutos, ou mais se preferires, duas vezes por dia, para refletir acerca dos pensamentos indicados. Lê as ideias e os comentários escritos abaixo para o exercício de cada dia. E, em seguida, começa a pensar a respeito deles, enquanto permites que tua mente os relacione a tuas necessidades, a teus problemas aparentes e a todas as tuas preocupações.

6. Coloca as ideias em tua mente e deixa que ela as use da forma que escolher. Confia que ela as usará com sabedoria e que será ajudada em suas decisões por Aquele Que te deu os pensamentos. Em que podes confiar a não ser naquilo que está em tua mente? Acredita, nestas revisões, que o meio que o Espírito Santo utiliza não falhará. A sabedoria de tua mente virá em teu auxílio. Orienta-a no início; em seguida, descansa em uma fé silenciosa e deixa que a mente empregue os pensamentos que lhe deste, uma vez que eles te foram dados para que ela os use.

7. Eles te foram dados em total confiança; com certeza absoluta de que os usarias bem; com fé total que perceberias suas mensagens e as usarias para ti mesmo. Oferece-as a tua mente com a mesma confiança e certeza e fé. Ela não falhará. É ela o meio escolhido pelo Espírito Santo para a tua salvação. Já que ela tem a confiança d'Ele, o meio que Ele escolheu tem certamente que merecer a tua.

8. Chamamos a atenção para os benefícios que terás se dedicares os primeiros cinco minutos do dia a tuas revisões e se também deres os últimos cinco minutos de tua vigília a elas. Se isto não for possível, tenta ao menos dividi-los de forma a empreenderes uma pela manhã e a outra durante a última hora antes de ires dormir.

9. Os exercícios a serem feitos ao longo do dia são igualmente importantes e talvez até mesmo de maior valor. Estás inclinado a praticar somente nos horários indicados e depois seguir teu caminho na direção de outras coisas, sem aplicar o que aprendeste a elas. Como consequência, recebes pouco reforço e não dás a teu aprendizado uma chance justa de provar quão grandes são suas dádivas potenciais para ti. Eis aqui outra chance de usá-lo bem.

10. Nestas revisões, ressaltamos a necessidade de permitires que teu aprendizado não fique à toa entre teus períodos de prática mais longos. Tenta fazer uma breve, mas séria, revisão de tuas duas ideias diárias a cada hora. Usa uma delas na hora cheia e a outra meia hora depois. Não precisas dar mais do que apenas um momento a cada uma. Repete-a e permite que tua mente descanse um pouquinho em silêncio e em paz. Em seguida, volta-te para outras coisas, mas tenta conservar o pensamento contigo e deixa que ele sirva também para te ajudar a manter tua paz ao longo do dia.

11. Se fores perturbado, pensa nele novamente. Estes períodos de prática são planejados para te ajudar a criar o hábito de aplicar o que aprendes a cada dia a tudo o que fizeres. Não repitas o pensamento para deixá-lo de lado. Sua utilidade para ti não tem limites. E ele se destina a te servir de todas as maneiras, em todos os momentos e lugares, e sempre que precisares de qualquer tipo de ajuda. Tenta, então, levá-lo contigo nos afazeres do dia para torná-lo sagrado, digno do Filho de Deus, agradável para Deus e para teu Ser.

12. As tarefas da revisão de cada dia se concluirão com uma reafirmação do pensamento a ser usado em cada hora e também daquele a se aplicar a cada meia hora. Não os esqueças. Esta segunda chance com cada uma destas ideias trará avanços tão grandes que sairemos destas revisões com benefícios tão grandes que iremos adiante em terreno mais firme, com passos mais decididos e fé mais forte.

13. Não te esqueças quão pouco aprendes.
Não te esqueças o quanto podes aprender agora.
Não te esqueças da necessidade que teu Pai tem de ti,
Enquanto revisas estes pensamentos que Ele te deu.

*

LIÇÃO 111

Para a revisão pela manhã e à noite:

1. (91) Vê-se milagres na luz.

Eu não posso ver no escuro. Deixa que a luz da santidade
ilumine minha mente e me permita ver a inocência interior.


2. (92) Vê-se milagres na luz, e luz e força são a mesma coisa.

Eu vejo por meio da força, a dádiva de Deus para mim.
Minha fraqueza é a escuridão que a dádiva d'Ele dissipa,
dando-me Sua força para tomar o lugar dela.


3. Para a hora:
Vê-se milagres na luz.

Para a meia hora:
Vê-se milagres na luz, e luz e força são a mesma coisa. 



*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 111

Com as últimas vinte lições (da 91 à 110), que praticamos até ontem, cobrimos, mais uma vez, uma nova etapa de nosso aprendizado. É tempo, portanto, de começarmos outro período de revisão. De novo. 

Uma vez que são bastante claras e explícitas as instruções para as práticas de cada uma das próximas dez lições, a partir das quais vamos rever e praticar de modo um tanto diferente do anterior os vinte exercícios e ideias que vimos por último, neste ano em curso, ainda não vou fazer nenhum longo comentário com o fim de explorar uma a uma estas dez novas lições como temos feito desde o início das práticas nos dois últimos anos.

Em vez disso, dou-lhes, mais uma vez, assim espero, liberdade para que as explorem por si mesmos/mesmas, na expectativa, quase certeza de que, ao se voltarem para o divino no interior de si mesmos/mesmas, cada um(a) de vocês vai aceitar o desafio, ou desafios, que cada uma das lições traz mais uma vez, e também vai experimentar o milagre, ou milagres, que certamente vão se apresentar para todos(as) os(as) que praticarem com honestidade, oferecendo a Deus o melhor de si, para receber também o melhor. Voltemo-nos, pois, para o divino interior a partir das práticas.

Caso algum de vocês julgue necessário, pode sempre recorrer às lições e aos comentários publicados antes para cada uma delas, quando se apresentou pela primeira vez. E, por favor, fiquem também à vontade para manifestar suas impressões e/ou experiências com as práticas sempre que julgarem necessário. Podemos trocar ideias a respeito sempre que quiserem ao longo desta revisão.

Assim mais uma vez desejo boas práticas e boa revisão a todos/todas. 

Às práticas?

*

ADENDO: 

Jornada num tempo sem tempo (ou viagem de volta no tempo?)

2017. Abril, dia 21: De Cirauqui a Villamayor de Monjardin (24 km)

Caminhante, não há caminho, o caminho se faz ao caminhar.
Antonio Machado poeta espanhol.

E entramos no sexto dia da caminhada. 

Após o café da manhã, organizada toda a mochila de novo, tomei novamente a estrada.

O destino, quer dizer a próxima parada sugerida pelos guias do Caminho, é LIzarra/Estella. Mas isso para quem começou sua caminhada de hoje em Puente la Reina. No meu caso, tendo adiantado quase oito quilômetros, decidi seguir adiante, prevendo parar em Villamayor de Monjardin, cerca de dez quilômetros depois de Lizarra.

Ao sair de Cirauqui, o primeiro ponto de parada, para um café, água ou alguma coisa para comer, ou para usar o banheiro, é Lorca, a cerca de seis quilômetros, cuja atração é uma ponte medieval. Parei lá apenas para comprar umas pastilhas para a garganta que está me incomodando há já bem uns dois dias. Creio que por conta da baixa umidade do ar. Também tirei algumas fotos.

Esta é a ponte.




Depois, passa-se por Villatuerta, mais cinco quilômetros e, antes de se chegar a Lizarra/Estella, desviando um pouco do caminho, está o que mapa identifica como a Ermita de San Miguel, para mim, uma igreja abandonada sem nada que indicasse o santo a que fora devotads, cercada por oliveiras. Algumas muito antigas. Parei lá para beber água, descansar da mochila e tirar algumas fotos.

Lizarra/Estella é um espetáculo à parte. Uma cidade grande com arquitetura antiga, mas com um centro que oferece todas as facilidades da vida moderna. Lembra muito aquelas cidadezinhas medievais com um grande número de igrejas e prédios dos séculos XII, XIII.

Saindo de Estella, a dois quilômetros de distância, está Ayegui, um ponto que marca os primeiros cem quilômetros do Caminho. Seguem-se o Monastério de Irache, que tem um Hospital dos Peregrinos e uma fonte das Bodegas de Irache, na qual se pode provar o vinho produzido lá. Só na fonte! Há um aviso que diz não ser permitido levar o vinho da fonte. Para tanto é preciso comprar e pagar.

Villamayor de Monjardin, que escolhi como ponto de parada do dia, está a uma altitude de 625 metros, duzentos acima de Lizarra, passando ainda por Azqueta. Uma subida e tanto para quem já está cansado pela quantidade de quilômetros percorrida.

Encontro os italianos, pai e filho, em Azqueta. Ele dizem ter a intenção de ir até Los Arcos. Mas de Azqueta até lá são mais quinze quilômetros. É cedo ainda, mas não me arrisquei. Meus pés, minhas pernas e meu corpo inteiro pedem descanso.

Aqui estou, pois, em Villamayor de Monjardin, um lugarzinho porreta. O albergue é muito bom. Foi possível lavar toda a roupa do dia, pois ainda há sol suficiente para secar tudo até amanhã de manhã.

Janto num bar nas proximidades do albergue, passeio um pouco pelas redondezas e vou deitar.

Este foi o sexto dia. E amanhã tem mais.


sexta-feira, 20 de abril de 2018

A realidade de Deus inclui em si a mudança constante


LIÇÃO 110

Eu sou como Deus me criou.

1. Vamos repetir a ideia de hoje de vez em quando. Pois só este pensamento seria suficiente para te salvar, e ao mundo, se acreditasses que ele é verdadeiro. A verdade dele significaria que não fizeste nenhuma mudança real em ti mesmo, nem mudaste o universo a fim de que Deus fosse substituído pelo medo e pelo mal, pelo sofrimento e pela morte. Se continuas a ser como Deus te criou, teu medo não tem nenhum significado, o mal não é real e o sofrimento e a morte não existem.

2. A ideia de hoje é, por isto, tudo o que precisas para deixar que a correção total cure tua mente e te dê a visão perfeita que curará todos os erros que qualquer mente cometa em qualquer tempo ou lugar. Ela é suficiente para curar o passado e libertar o futuro. Ela é suficiente para permitir que se aceite o presente como ele é. Ela é suficiente para permitir que o tempo seja o meio para o mundo inteiro aprender a escapar do tempo e de todas as mudanças que o tempo parece trazer ao passar.

3. Se continuas a ser como Deus te criou, as aparências não podem substituir a verdade, a saúde não pode se transformar em doença nem a morte pode ser um substituto para a vida, ou o medo para o amor. Tudo isto não acontece, se continuas a ser como Deus te criou. Tu não precisas de nenhum pensamento, a não ser exatamente deste único para permitir que a redenção venha iluminar o mundo e libertá-lo do passado.

4. Neste único pensamento o passado todo se desfaz; o presente é salvo para se estender serenamente a um futuro intemporal. Se tu és como Deus te criou, então, não há nenhuma separação de tua mente da d'Ele, nenhuma divisão entre tua mente e as outras mentes e só há unidade em tua própria mente.

5. O poder de cura da ideia de hoje é ilimitado. Ela é o berço de todos os milagres, a grande restabelecedora da consciência do mundo. Pratica a ideia de hoje com gratidão. Esta é a verdade que vem para te libertar. Esta é a verdade que Deus te assegura. Esta é a Palavra na qual toda a tristeza acaba.

6. Para teus períodos de prática de cinco minutos, começa com esta citação do texto:

Eu sou como Deus me criou. Seu Filho não pode sofrer nada.
E eu sou Seu Filho.

7. Em seguida, com esta declaração em tua mente, de forma decidida, tenta descobrir nela o Ser Que é o Próprio Filho santo de Deus*.

8. Busca, dentro de ti, Aquele Que é o Cristo em ti, o Filho de Deus e irmão para o mundo; o Salvador Que está salvo para sempre, com poder para salvar a quem quer que O toque, mesmo que levemente, pedindo pela Palavra que lhe diz que ele é um irmão para Ele.

9. Tu és como Deus te criou. Exalta teu Ser hoje. Não permitas que as imagens que esculpiste para serem o Filho de Deus, em lugar do que ele é, sejam adoradas hoje. No fundo de tua mente o Cristo sagrado em ti espera teu reconhecimento como tu mesmo. E tu estás perdido e não conheces a ti mesmo enquanto ele permanecer não-reconhecido e desconhecido.

10. Busca-O hoje e O encontra. Ele será teu Salvador de todos os ídolos que fazes. Pois, quando O encontrares, compreenderás quão inúteis são teus ídolos e quão falsas são as imagens que acreditaste que eram tu. Hoje fazemos um grande progresso na direção da verdade, abandonando os ídolos e abrindo nossas mãos e corações e mentes para Deus.

11. Nós nos lembraremos d'Ele ao longo do dia com os corações agradecidos e com pensamentos amorosos para todos que se encontrarem conosco hoje. Pois é deste modo que nos lembraremos d'Ele. E diremos, para podermos lembrar de Seu Filho, nosso Ser sagrado, o Cristo em cada um de nós:

Eu sou como Deus me criou.

Vamos declarar esta verdade tantas vezes quantas pudermos. Esta é a Palavra de Deus que te liberta. Esta é a chave que abre os portões do Céu e te deixa entrar na paz de Deus e em Sua eternidade.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 110

"Eu sou como Deus me criou."

Ei-la de volta! A ideia que nos devolve, mais uma vez, ao que somos na verdade. Basta esta, compreendida, praticada e aplicada de forma honesta e sincera, para que alcancemos a verdade e vivamos o Céu como escolha, em lugar de dar crédito a qualquer forma de ilusão que nos ofereça o mundo.

Eu sou como Deus me criou.

Isto não significa, porém, que sou um produto acabado, predestinado a este ou àquele papel, à margem de meu próprio poder de decisão. Não! Reconhecer a verdade desta ideia é reconhecer e aceitar que, na verdade, nunca nos separamos do Criador - tal coisa é impossível - e que partilhamos com Ele de Sua Vontade de alegria plena para nós. Isto é o livre arbítrio: escolher alinhar nossa vontade à Vontade de Deus, reconhecendo que a Vontade d'Ele e a nossa são a mesma.

É preciso reconhecermos, a partir disso, como diz Guimarães Rosa, em seu Grande Sertão: Veredas, que: 

"o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra, montão". 

Isto também é livre arbítrio: é ser como Deus nos criou.

Eu sou como Deus me criou.

Mas Deus não é alguma coisa estática. E, criados à imagem e semelhança d'Ele, não podemos pensar em nós mesmos, isto é, no que somos verdadeiramente, e acreditar que seríamos alguma coisa incapaz de crescer, aprender e mudar o tempo todo, a cada instante.

É este o desafio que a lição de hoje traz: aprendermos que somos como Deus nos criou e nada do que façamos pode modificar isso. O desafio é que aceitemos o fato de que tudo aquilo que somos muda e muda o tempo todo, assim como Deus. Pois a realidade de Deus só pode ser encontrada no movimento perpétuo da mudança que abrange e abarca toda a criação em todos os seus mais variados aspectos, em todas as suas mais diversas manifestações.

É por isto que praticamos hoje, mais uma vez, aquela única ideia que, por si só, pode nos dar o milagre da paz e da alegria, completas e perfeitas para todo o sempre. Esta é a ideia que pode nos curar e salvar, e também ao mundo inteiro, se acreditarmos nela sincera e verdadeiramente. 

Eu sou como Deus me criou.

Já praticamos esta ideia antes e vamos voltar a ela outras vezes, como a lição diz, ao longo deste ano de práticas. Pois ela sozinha é suficiente para nos devolver à consciência todo o amor, que pensamos ter perdido em algum momento de nossa vida. Ela pode ainda nos devolver à consciência a inocência e a pureza que recebemos de Deus na criação e que também pensamos ser capazes de macular com nossas crenças em ídolos e ilusões.

Tudo o que precisamos fazer é praticá-la com toda a honestidade de que somos capazes, devotando também a ela toda a atenção possível, parágrafo a parágrafo, instrução após instrução e prática após prática, para reconhecermos a verdade que ela traz em si,  o que vai nos fazer aceitar como verdadeiro o que ela afirma acerca de cada um de nós e nos levar acreditar e a aceitar de volta o poder ilimitado que Deus nos devolve, por intermédio dela. 

Isto vai afastar de nós todos os medos, todas as mágoas, todo o sofrimento, toda a dor e toda e qualquer crença na tristeza e na morte, que permeiam as situações que este mundo nos apresenta. Ela pode nos fazer ver o mundo de modo diferente. Com os olhos do Espírito Santo, com a visão do Cristo renascida e renovada em nós, por acreditarmos que somos como Deus nos criou. 

Às práticas?


ADENDO:

Jornada num tempo sem tempo (ou uma volta no tempo?)

2017. Abril, dia 20: De Cizur Menor a Cirauqui (26,8 km)

Como eu ia dizendo, ao chegar em Cizur Menor encontrei, no albergue em que me registrei, Eduardo, um paranaense de Francisco Beltrão, a quem conheci em Roncesvalles, simpático, bonachão, de falar alto e bom som.

Também estava no albergue, Tomiko, a japonesa tímida lá de Orisson, que demonstrou grande alegria ao me ver e, contrariando a rigidez e a sisudez dos hábitos que se atribuem aos japoneses, me abraçou longa e carinhosamente. 

Como ainda não falei da rotina do peregrino, vou aproveitar para fazer este parêntese breve aqui. 

O peregrino caminha com sua mochila, que deve pesar no máximo dez por cento do peso de cada pessoa. Normalmente carrega-se um pouco mais, considerando duas garrafas de água, os bastões, o chapéu e algum lanche que se adquire para uma eventual necessidade ao longo do caminho. 

Ao parar, é necessário soltar a mochila do corpo e acomodá-la e, claro, cada vez que retomar a caminhada, vesti-la novamente, incorporá-la à figura. Isto não é nenhum problema sério. O mais complicado é que cada vez que se chega para pernoitar em algum lugar, há que se tirar o saco de dormir, o chinelo para o banho, a toalha, as roupas que se vai vestir, a roupa que se vai usar para dormir, o material de higiene pessoal e outras coisas para necessidades pontuais.

Depois, a cada manhã, é necessário devolver tudo à mochila - à exceção da roupa que se vai usar na caminhada do dia -, de forma organizada, para caber tudo lá de novo. E ficar acessível. Dia após dia, após dia, todo o santo dia. Vocês conseguem imaginar? E pensar que eu praticamente nunca acampei, nunca carreguei mochila e nunca andei mais do que uns poucos quilômetros, em viagens e passeios por pontos turísticos em viagens. 

Acordo cedo, cerca de seis horas. Está bem frio. É escuro ainda. Começo a me preparar para a jornada deste dia. A cama em que dormi é próxima da porta de entrada do dormitório e a parte superior é de vidro. Da janela, enquanto começo a preparar minhas coisas, vejo lá fora, descalça, com uma blusinha leve e uma calça destas de ginástica, Tomiko, a fazer seus exercícios e orações matutinas - Yoga ou Tai chi, não sei dizer. Ela se demora bem mais que meia hora, sem o menor sinal de que esteja com frio ou cansada.

Saio do albergue para o café da manhã em um restaurante próximo e, após voltar e rearranjar a bagagem, deixo o albergue em direção a outro ponto da jornada por volta das oito horas da manhã. Passo por Guenduláin, subindo, e depois dos primeiros seis quilômetros, paro em Zariequegui para tomar um suco antes de prosseguir. Lembrando que em Pamplona estávamos a uma altitude de pouco mais de 400 metros, uns dois quilômetros depois de Zariequegui chega-se ao Alto del Perdón, a 770 metros de altitude, para descer durante os onze quilômetros seguintes para os 345 metros de altitude de Puente la Reina, passando-se no caminho por Uterga, Muruzábal e Óbanos.

No me quede en Puente la Reina, onde há uma ponte romana muito antiga, linda, mas prossegui, passando por Mañeru - um lugar bem "maneiro" - para chegar a Cirauqui.

Fiz meu registro no Albergue Maralotx, recebendo todas as orientações de Serena, uma italiana que trabalha lá, não sei se como voluntária ou não. Eduardo, o paranaense já tinha chegado. O albergue oferece, mediante pagamento, o jantar e o "desayuno" para quem quiser.

O jantar é muito bom. Sopa de espinafre e pão na entrada. Depois, spaghetti italiano ao alho e óleo com queijo parmesão e almôndegas ao molho de tomate. Vinho e água à vontade. Sobremesa; iogurte. Na mesa comigo, três holandeses, uma moça e um rapaz que estão fazendo o caminho de bicicleta e que saíram de Marselha, e outro senhor de quem não se soube muita coisa. Um croata, Ivan, que já fez o caminho várias vezes, tendo, inclusive, escrito dois livros a respeito. Há ainda mais dois italianos, Flavio e Leonardo, pai e filho, no albergue, com quem, mudando de mesa, finalizamos o jantar, brindando com uma garrafa de vinho que Eduardo trazia há dias em sua mochila. Menos peso para a caminhada do dia seguinte.

De Ivan, recebi um cartão para fazer contato a fim de que ele me envie cópias de seus livros em inglês, uma vez que já foram traduzidos para vários idiomas, como espanhol, inglês, italiano... Além de Ivan, há também Rodolfo, um italiano que tal qual Ivan já fez o caminho várias vezes. 

Agora, embora dormir que a regra aqui é a mesma: alvorada por volta das seis e há que se bater em retirada do albergue antes das oito da manhã.

E este foi apenas o quinto dia da caminhada.



quinta-feira, 19 de abril de 2018

Queres ver o mundo todo em paz? Vive a paz interior!


LIÇÃO 109

Eu descanso em Deus.

1. Pedimos descanso hoje, e uma tranquilidade inabalável pelas aparências do mundo. Pedimos paz e serenidade em meio a todo o distúrbio nascido de sonhos de desarmonia. Pedimos segurança e felicidade, embora pareçamos olhar para o perigo e para a tristeza. E temos o pensamento que atenderá nossa solicitação com aquilo que pedimos.

2. "Eu descanso em Deus." Este pensamento te trará o descanso e a calma, a paz e a serenidade, e a segurança e a felicidade que buscas. "Eu descanso em Deus." Este pensamento tem poder para despertar a verdade adormecida em ti, cuja visão percebe além das aparências esta mesma verdade em todos e em tudo o que existe. Eis aqui o fim do sofrimento para o mundo inteiro e para cada um dos que vieram alguma vez e dos que ainda virão para se demorar algum tempo. Eis aqui o pensamento no qual o Filho de Deus nasce novamente para reconhecer a si mesmo.

3. "Eu descanso em Deus." Inteiramente arrojado, este pensamento te acompanhará através das tempestades e das disputas, além da tristeza e da dor, além da perda e da morte e adiante, até a segurança de Deus. Não há nenhum sofrimento que ele não possa curar. Não há nenhum problema que ele não possa resolver. E nenhuma aparência deixará de se voltar para a verdade diante de teus olhos, tu, que descansas em Deus.

4. Este é o dia da paz. Tu descansas em Deus e, enquanto o mundo é dilacerado pelos ventos do ódio, teu descanso permanece completamente sereno. Teu descanso é o da verdade. Aparências não podem te tocar. Tu chamas a todos para se reunirem a ti em teu descanso e eles te ouvirão e virão a ti porque descansas em Deus. Eles não ouvirão outra voz a não ser a tua porque deste tua voz a Deus e agora descansas n'Ele e permites que Ele fale por teu intermédio.

5. N'Ele não tens cuidados e preocupações, ou fardo, ou ansiedade, ou dor, ou medo do futuro ou arrependimento do passado. Tu descansas na intemporalidade, enquanto o tempo passa sem te tocar, pois teu descanso não pode absolutamente mudar nunca de modo algum. Tu descansas hoje. E, ao fechares os olhos, mergulhas na serenidade. Deixa que estes períodos de descanso e pausa reassegurem para a tua mente que as fantasias desvairadas dela eram apenas os sonhos febris que acabaram. Deixa que ela silencie e aceite sua cura com gratidão. Sonhos amedrontadores não virão mais, agora que descansas em Deus. Reserva tempo hoje para te soltares dos sonhos e deslizar para a paz.

6. Cada hora em que descansares hoje, uma mente cansada se torna alegre de repente, um pássaro de asas quebradas começa a cantar, um rio seco há muito tempo flui mais uma vez. O mundo nasce de novo cada vez que descansares e lembrares a cada hora que vieste para trazer a paz de Deus ao mundo, para que ele possa descansar junto contigo.

7. Com cada cinco minutos que dedicares ao descanso hoje, o mundo fica mais próximo do despertar. E o tempo em que o descanso será a única coisa a existir chega mais perto de todas as mentes fatigadas e cansadas, exaustas demais agora para seguirem seu caminho sozinhas. E elas ouvirão o pássaro começar a cantar e verão o rio começar a fluir de novo, com a esperança renascida e a energia restabelecida para caminhar com passos leves ao longo da estrada que, de repente, parece fácil enquanto elas seguem.

8. Tu descansas na paz de Deus hoje e, do teu descanso, chamas por teus irmãos para levá-los junto contigo a seu descanso. Tu serás fiel a tua confiança hoje, não esquecendo de nenhum, trazendo todos para o interior de teu ilimitado círculo de paz, o santuário sagrado onde descansas. Abre as portas do templo e deixa que eles venham desde o outro lado do mundo, e de perto também; teus irmãos distantes e teus amigos mais íntimos; convida-os todos a entrarem aqui e a descansarem contigo.

9. Tu descansas na paz de Deus hoje, tranquilo e sem medo. Cada irmão vem para ter seu descanso e para oferecê-lo a ti. Juntos, descansaremos aqui, pois assim nosso descanso se torna completo e o que damos hoje já recebemos. O tempo não é o guardião do que damos hoje. Nós damos àqueles que não nasceram e ao preteridos, a cada Pensamento de Deus e à Mente na qual estes Pensamentos nasceram e aonde descansam. E nós nos lembramos de seu lugar de descanso cada vez que dissermos a nós mesmos: "Eu descanso em Deus".

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 109

"Eu descanso em Deus."

Na verdade, quando nos damos ao trabalho e ao direito de ficar em paz e desfrutar da alegria, que é perceber a vida o tempo todo como a manifestação do divino em nós mesmos e em tudo o que nos cerca, e no mundo inteiro, podemos de fato descansar em Deus.

É o que vamos fazer com as práticas da lição de hoje, que começa assim:

Pedimos descanso hoje, e uma tranquilidade inabalável pelas aparências do mundo. Pedimos paz e serenidade em meio a todo o distúrbio nascido de sonhos de desarmonia. Pedimos segurança e felicidade, embora pareçamos olhar para o perigo e para a tristeza. E temos o pensamento que atenderá nossa solicitação com aquilo que pedimos.

Qual é este pensamento?

Eu descanso em Deus.

Conhecem, lembram, as frases da técnica do ho'oponopono com que podemos nos ligar ao divino de forma instantânea e imediata a qualquer momento? 

Sinto muito.
Me perdoa, por favor.
Obrigado.
Eu te amo.


Dizer isso, repetir estas pequenas frases, tem o mesmo efeito e faz o mesmo bem que faz repetir vezes sem conta "eu descanso em Deus". Pois isso nos faz lembrar, ainda que não necessariamente de forma consciente, de que vivemos e nos movemos em Deus e de que não há nada que precisemos fazer para consertar o mundo, para mudar nenhuma das coisas que percebemos, nem nenhuma pessoa com quem convivemos. Tudo o que precisamos fazer é buscar mudar nosso modo de ver.

A lição continua:

"Eu descanso em Deus." Este pensamento te trará o descanso e a calma, a paz e a serenidade, e a segurança e a felicidade que buscas. "Eu descanso em Deus." Este pensamento tem poder para despertar a verdade adormecida em ti, cuja visão percebe além das aparências esta mesma verdade em todos e em tudo o que existe. Eis aqui o fim do sofrimento para o mundo inteiro e para cada um dos que vieram alguma vez e dos que ainda virão para se demorar algum tempo. Eis aqui o pensamento no qual o Filho de Deus nasce novamente para reconhecer a si mesmo. 

Eu descanso em Deus.

A repetição desta ideia vai nos levar a um estado mental que nos aproxima do espírito em nós. Mesmo quando não estivermos cientes de que precisamos desta ligação. Mesmo que não saibamos por que razão estamos intranquilos, inquietos, inseguros ou amedrontados. Mesmo que aparentemente não haja nenhuma razão para o menor desconforto que sintamos, vale repetir "eu descanso em Deus". Tudo se acalma, se aquieta, em instantes.

Ou como diz a lição:

"Eu descanso em Deus." Inteiramente arrojado, este pensamento te acompanhará através das tempestades e das disputas, além da tristeza e da dor, além da perda e da morte e adiante, até a segurança de Deus. Não há nenhum sofrimento que ele não possa curar. Não há nenhum problema que ele não possa resolver. E nenhuma aparência deixará de se voltar para a verdade diante de teus olhos, tu, que descansas em Deus.

É esta ideia que vai aliviar todas as nossas tensões e nos liberar de quaisquer preocupações, pressas, medo. Não há nenhuma urgência para nada, em nenhum momento. A não ser quando nos deixamos envolver pelas orientações do falso eu, o ego. Sempre podemos nos acalmar e experimentar a paz de Deus, e andar pelo mundo com ela a nos orientar e guiar pelos caminhos que escolhemos trilhar.

Hoje descansamos em Deus, e ficamos em paz com nossa consciência. Hoje e sempre descansamos em Deus, se fizermos e buscarmos fazer tudo o que fazemos inspirados pelo que somos na verdade. Para tanto, basta que aceitemos o desafio de trazer à consciência a verdade a que se refere a ideia que praticamos neste dia.

Fazendo isto podemos ficar tranquilos e dizer confiantes, com a lição:

Este é o dia da paz. Tu descansas em Deus e, enquanto o mundo é dilacerado pelos ventos do ódio, teu descanso permanece completamente sereno. Teu descanso é o da verdade. Aparências não podem te tocar. Tu chamas a todos para se reunirem a ti em teu descanso e eles te ouvirão e virão a ti porque descansas em Deus. Eles não ouvirão outra voz a não ser a tua porque deste tua voz a Deus e agora descansas n'Ele e permites que Ele fale por teu intermédio.

Eu descanso em Deus.

Dizer isto me dá a mesma paz que Jesus ofereceu a seus discípulos e a todos os que ouviram no tempo em que viveu sua experiência da ilusão de estar em um corpo. Uma paz que não é deste mundo, mas que, ainda assim, pacifica e serena as mentes que pensam que sua realidade está no mundo.

A que outra paz podemos aspirar, se descansar em Deus nos coloca em contato com aquilo que sempre fomos, somos e vamos continuar a ser eternamente? Esta ideia pode - e de fato, se praticada da maneira que o Curso orienta -, nos livrar de toda pressa, de toda urgência e nos permitir fazer nossa caminhada tranquilamente com passos leves e serenos, pois é a paz de Deus que habita em nós que nos guia.

Ou, dito de outra forma, como a lição diz:

N'Ele não tens cuidados e preocupações, ou fardo, ou ansiedade, ou dor, ou medo do futuro ou arrependimento do passado. Tu descansas na intemporalidade, enquanto o tempo passa sem te tocar, pois teu descanso não pode absolutamente mudar nunca de modo algum. Tu descansas hoje. E, ao fechares os olhos, mergulhas na serenidade. Deixa que estes períodos de descanso e pausa reassegurem para a tua mente que as fantasias desvairadas dela eram apenas os sonhos febris que acabaram. Deixa que ela silencie e aceite sua cura com gratidão. Sonhos amedrontadores não virão mais, agora que descansas em Deus. Reserva tempo hoje para te soltares dos sonhos e deslizar para a paz.

Não é isso o que mais queremos? Não é só isso que aspiramos viver? Não é só para experimentar um pouco de paz e de tranquilidade que, equivocados muitas vezes, inconscientes e inconsequentes na maior parte do tempo, nos dedicamos a fazer tudo o que fazemos? Haverá algum sentido para nossa vida, se não formos capazes de descansar em Deus? Como viver a alegria, se não conseguimos descansar em Deus?

Eu descanso em Deus.

É esta a ideia que traz consigo o milagre de nos devolver ao contato com o Ser que Deus criou, que nunca nos abandonou e que é - e continua a ser - o que somos na verdade. Precisamos dela hoje e precisamos praticá-la, pois:

Cada hora em que descansares hoje, uma mente cansada se torna alegre de repente, um pássaro de asas quebradas começa a cantar, um rio seco há muito tempo flui mais uma vez. O mundo nasce de novo cada vez que descansares e lembrares a cada hora que vieste para trazer a paz de Deus ao mundo, para que ele possa descansar junto contigo.

E mais:

Com cada cinco minutos que dedicares ao descanso hoje, o mundo fica mais próximo do despertar. E o tempo em que o descanso será a única coisa a existir chega mais perto de todas as mentes fatigadas e cansadas, exaustas demais agora para seguirem seu caminho sozinhas. E elas ouvirão o pássaro começar a cantar e verão o rio começar a fluir de novo, com a esperança renascida e a energia restabelecida para caminhar com passos leves ao longo da estrada que, de repente, parece fácil enquanto elas seguem.

Tu descansas na paz de Deus hoje e, do teu descanso, chamas por teus irmãos para levá-los a seu descanso junto contigo. Tu serás fiel a tua confiança hoje, não esquecendo de nenhum, trazendo todos para o interior de teu ilimitado círculo de paz, o santuário sagrado onde descansas. Abre as portas do templo e deixa que eles venham desde o outro lado do mundo, e de perto também; teus irmãos distantes e teus amigos mais íntimos; convida-os todos a entrarem aqui e a descansarem contigo.

Tu descansas na paz de Deus hoje, tranquilo e sem medo. Cada irmão vem para ter seu descanso e para oferecê-lo a ti. Descansaremos juntos aqui, pois assim nosso descanso se torna completo e o que damos hoje já recebemos. O tempo não é o guardião do que damos hoje. Nós damos àqueles que não nasceram e ao preteridos, a cada Pensamento de Deus e à Mente na qual estes Pensamentos nasceram e aonde descansam. E nós nos lembramos de seu lugar de descanso cada vez que dissermos a nós mesmos: "Eu descanso em Deus".

Descansados, calmos e serenos podemos olhar para um mundo em paz. É nossa função carregar conosco, em nós, esta paz. É nossa função dividi-la, compartilhá-la com todos e oferecê-la ao mundo inteiro, para que todos possam descansar em Deus, enquanto buscam, assim como nós, cumprir sua função neste mundo. 

Eu descanso em Deus.

Hoje e sempre, a contar de hoje, de agora.

Às práticas?


ADENDO:

Jornada num tempo sem tempo (ou uma volta no tempo?)

2017. Abril, dia 19: De Zubiri a Cizur Menor (26,8 km)

A noite de sono foi tranquila. O despertar se deu por volta das seis e meia da manhã. Saímos para tomar o café da manhã num bar em uma esquina próxima. Voltamos à pensão para rearrumar as mochilas e dar início à nova etapa. 

Ao sair de Zubiri ainda estamos descendo na direção de Larrasoaña, que está a cerca de 500 metros de altitude. Passa-se por Urdaitz/Urdâniz. O caminho é relativamente fácil, à exceção de um ponto pequeno em que há uma espécie de escadaria nas proximidades de uma empresa que opera no ramo de pedras britadas.

Após Larrazoaña, a gente encontra Akerreta e Zurain. Zurain é um ponto muito agradável próximo a uma ponte sobre o mesmo rio Arga que deixáramos em Zubiri. Apesar de os mapas indicarem poucas subidas e descidas, há muitos trechos de subidas e descidas. Depois de Zurain passa-se por Irotz para chegar a Zabaldika, onde o caminho se bifurca. 

Pode-se seguir, passando-se pela Igreja de San Esteban (do século XII), maravilhosa, ou por um caminho que margeia o rio. Daí, segue-se por Arieta, pela Puente de Arre, Trinidad de Arre (Villava/Atarrabia), uma vila fundada em 1184, Burlada e chega-se a Pamplona - que foi fundada pelos romanos em 75 a. C., segundo um morador de Cizur Menor.

Até Pamplona, vínhamos juntos Lincoln e eu, seguidos a uma certa distância pelo Azevedo. Tínhamos feito uma parada estratégica em Zabaldika, onde optamos, Lincoln e eu por subir um morro enorme e conhecer a Igreja de San Esteban, onde tirei uma série de fotos da igreja e de várias flores. Tivemos uma conversa agradável com um dos padres responsáveis pela igreja e seguimos adiante.

Ao chegar a Pamplona, já na entrada da cidade, Lincoln resolveu esperar Azevedo e me encarregou de procurar um albergue para ficarmos os três: do tipo da pensão de Zubiri. Segui pelo caminho. Entra-se na parte antiga de Pamplona por uma daquelas pontes levadiças de castelos, como aquelas que se vê em filmes da Idade Média. Parei aqui e ali num albergue e acomodação não me agradou muito. Havia até alguns peregrinos com quem eu já estava familiarizado, mas não eu quis ficar. Andei um pouco mais. Passei pelo centro antigo e registrei uma Catedral maravilhosa.

Um pouco mais adiante, achei uma pensão. O preço era o mesmo que tínhamos pago em Zubiri e poderíamos nos acomodar os três, mas era um lugar meio estranho. Subia-se vários andares para chegar a um ponto onde estavam os quartos, velhos e com a aparência de não muito limpos. 

Desci e continuei andando. Quando dei por mim, já tinha praticamente atravessado a cidade e seus parques e me encontrava num parque aonde se localiza a Universidade de Navarra. Na universidade carimbei minha credencial e segui adiante. Faltavam apenas cerca de dois quilômetros para chegar a Cizur Menor, separando-me, assim, de Lincoln e de Azevedo, que ficaram em Pamplona.

Registrei-me no Albergue de Maribel, em Cizur. Aí, aproveitar o momento para tomar um banho, trocar de roupa e esperar o horário para comer alguma coisa num bar das proximidades, Faz frio à noite.

Aqui, encontrei algumas pessoas conhecidas de quem falo amanhã.