quinta-feira, 14 de maio de 2026

"Só a luz cuida de tudo efetivamente." (Riva)

 

LIÇÃO 134

Que eu perceba o perdão tal como ele é.

1. Vamos revisar o significado de "perdoar", pois ele está sujeito a ser distorcido e a ser percebido como algo que exige um sacrifício injusto da ira justa, uma dádiva injustificada e não merecida, e uma negação total da verdade. Sob tal ponto de vista, o perdão tem de ser percebido como uma simples loucura excêntrica e este curso parece basear a salvação numa extravagância.

2. Corrige-se facilmente esta perspectiva distorcida do que significa o perdão, quando podes aceitar o fato de que não se pede perdão para aquilo que é verdadeiro. Ele tem de se limitar àquilo que é falso. Ele não se aplica a qualquer coisa a não ser a ilusões. A verdade é criação de Deus e não tem sentido perdoá-la. Toda a verdade pertence a Ele, reflete Suas leis e irradia Seu Amor. Isto precisa de perdão? Como podes perdoar o inocente e eternamente benigno?

3. A principal dificuldade de tua parte para achar o perdão genuíno é que ainda acreditas que tens de perdoar a verdade e não ilusões. Tu compreendes o perdão como uma tentativa inútil de olhar para além do que existe; ignorar a verdade, em um esforço infundado para te enganar tornando verdadeira uma ilusão. Este ponto de vista distorcido reflete apenas o poder que a ideia de pecado conserva sobre tua mente, na maneira como pensas a teu próprio respeito.

4. Por acreditares que teus pecados são reais, olhas para o perdão como engano. Pois é impossível pensar no pecado como verdadeiro e não acreditar que o perdão é uma mentira. Desta forma, o perdão é realmente apenas um pecado, como todos os outros. Ele diz que a verdade é falsa e sorri para os degenerados como se eles fossem tão inocentes quanto a grama; tão brancos quanto a neve. Ele está iludido quanto àquilo que pensa poder realizar. Ele quer ver como certo o que é claramente errado; o repulsivo como bom.

5. O perdão não é nenhuma saída sob tal ponto de vista. Ele é apenas mais um sinal de que o pecado é imperdoável, no melhor dos casos a ser escondido, negado ou chamado por outro nome, pois o perdão é uma traição à verdade. A culpa não pode ser perdoada. Se pecas, tua culpa é eterna. Aqueles que são perdoados sob o ponto de vista de que seus pecados são reais, são ridicularizados de forma deplorável e duas vezes condenados; primeiro por si mesmos, por aquilo que pensam ter feito, e mais uma vez por aqueles que os perdoam.

6. É a irrealidade do pecado que torna o perdão natural e totalmente são, um alívio profundo para aqueles que o oferecem; uma bênção serena aonde ele é recebido. Ele não encoraja as ilusões, mas as recolhe alegremente, com uma risada suave e as deposita aos pés da verdade de forma benigna. E, aí, elas desaparecem por completo.

7. O perdão é a única coisa que representa a verdade nas ilusões do mundo. Ele vê a inutilidade delas e ignora francamente as milhares de formas com que elas podem se apresentar. Ele olha para as mentiras, mas não se engana. Ele não presta atenção aos guinchos auto-acusadores de pecadores enlouquecidos pela culpa. Ele olha para eles com olhos serenos e lhes diz simplesmente: "Meu irmão, o que pensas não é a verdade".

8. A força do perdão é sua honestidade, que é tão íntegra que vê ilusões como ilusões, não como verdade. É por esta razão que ele vem a ser o esclarecedor diante das mentiras; o generoso restituidor da simples verdade. Em função de sua capacidade de ignorar o que não existe, ele abre caminho para a verdade, que está bloqueada pelos sonhos de culpa. Agora estás livre para seguir no caminho que teu perdão verdadeiro abre para ti. Pois, se um irmão recebe esta dádiva de ti, a porta está aberta para ti mesmo.

9. Há um modo muito simples de achar a porta para o perdão verdadeiro e de percebê-la totalmente aberta em boas vindas. Quando te sentires tentado a acusar alguém de pecado sob qualquer forma, não deixes que tua mente se demore naquilo que pensas que ele fez, pois isto é auto-engano. Pergunta, em vez disso: "Eu me acusaria de fazer isto?".

10. Deste modo, verás alternativas para a escolha em termos que a tornam significativa e manterás tua mente tão livre da culpa e da dor quanto o Próprio Deus pretendia que ela fosse, e como, na verdade, ela é. São apenas as mentiras que querem condenar. Na verdade, a única coisa que existe é a inocência. O perdão se coloca entre as ilusões e a verdade; entre o mundo que vês e aquele que fica além dele; entre o inferno da culpa e o portão do Céu.

11. Do outro lado desta ponte, tão poderosa quanto o amor que depositou sua bênção sobre ela, todos os sonhos de mal e de ódio e de ataque são trazidos à verdade tranquilamente. Eles não se mantêm para inchar e rugir, e para aterrorizar o tolo sonhador que acredita neles. Ele é acordado suavemente de seu sonho pela compreensão de que aquilo que pensava ver nunca existiu. E, agora, ele não pode achar que todas as saídas lhe foram negadas.

12. Ele não tem de lutar para se salvar. Ele não tem de matar os dragões que pensava que o perseguiam. E também não precisa erguer os sólidos muros de pedra e as portas de ferro que pensava o poriam em segurança. Ele pode retirar a armadura pesada e inútil feita para acorrentar sua mente ao medo e ao sofrimento. O passo dele é leve e, quando ele levanta o pé para seguir adiante, uma estrela fica para trás para indicar o caminho àqueles que o seguem.

13. O perdão tem de ser praticado, pois o mundo não pode perceber seu significado nem te oferecer um guia para te ensinar sua benevolência. Não há nenhum pensamento em todo o mundo que leve à mínima compreensão das leis a que ele obedece, nem do Pensamento que ele reflete. Ele é tão estranho ao mundo quanto tua própria realidade é. E, não obstante, ele une tua mente à realidade em ti.

14. Hoje praticamos o perdão verdadeiro para que o momento da união não se demore mais. Pois queremos nos encontrar com nossa realidade em liberdade e em paz. Nossa prática vem a ser as pegadas que iluminam o caminho para todos os nossos irmão, que nos seguirão até a realidade que compartilhamos com eles. Para que isto possa se realizar, vamos dar um quarto de hora duas vezes hoje e passá-lo com o Guia Que compreende o significado do perdão e Que nos foi enviado para ensiná-lo. Peçamos a Ele:

Que eu perceba o perdão tal como ele é.

15. Em seguida, escolhe um irmão conforme Ele te orientar e enumera, um a um, seus "pecados", à medida que passarem por tua mente. Certifica-te de não te demorares em nenhum deles, mas imagina que estás usando as "ofensas" dele apenas para salvar o mundo de todas as ideias de pecado. Reflete por um breve instante a respeito de todas as coisas ruins que pensaste dele e pergunta a ti mesmo a cada vez: "Eu me condenaria por isto?".

16. Deixa que ele fique livre de todos os pensamentos de pecado que tinhas em relação a ele. E, agora, estás preparado para a liberdade. Se até agora estás praticando com disposição e honestidade, começarás a experimentar uma elevação, uma redução de peso sobre teu peito, uma sensação de alívio profunda e nítida. Deve-se dedicar o tempo restante à experiência de libertação de todas as correntes pesadas que buscaste colocar sobre teu irmão, mas que foram colocadas sobre ti mesmo.

17. Deve-se praticar o perdão ao longo do dia, pois ainda haverá muitos momentos nos quais esquecerás o significado dele e atacarás a ti mesmo. Quando isto acontecer, permite que tua mente veja além desta ilusão, enquanto dizes a ti mesmo:

Que eu perceba o perdão tal como ele é. Eu me acusaria de
fazer isto? Não colocarei esta corrente sobre mim mesmo.

Em tudo o que fizeres lembra-te disto:

Ninguém é crucificado sozinho, mas, ao mesmo tempo,
ninguém pode entrar no Céu por si mesmo.

*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 134

Caras, caros,

Hoje vamos praticar com uma ideia que vai buscar nos fazer perceber o que é verdadeiramente o perdão. Para que ele serve e por que devemos aprender a usá-lo.

A ideia é esta:

"Que eu perceba o perdão tal como ele é."

Para explorar a ideia, buscando ampliar seu alcance e entendimento, vou repetir o comentário já feito a esta lição em anos anteriores, inclusive o título da postagem. Assim:

A lição de hoje, de novo, oferece para as práticas uma ideia que vai nos ensinar a conhecer o que é o perdão e a perceber claramente qual é o valor do perdão verdadeiro.

Deste modo:

Vamos revisar o significado de "perdoar", pois ele está sujeito a ser distorcido e a ser percebido como algo que exige um sacrifício injusto da ira justa, uma dádiva injustificada e não merecida, e uma negação total da verdade. Sob tal ponto de vista, o perdão tem de ser percebido como uma simples loucura excêntrica e este curso parece basear a salvação numa extravagância.

Corrige-se facilmente esta perspectiva distorcida do que significa o perdão, quando podes aceitar o fato de que não se pede perdão para aquilo que é verdadeiro. Ele tem de se limitar àquilo que é falso. Ele é não se aplica a qualquer coisa a não ser a ilusões. A verdade é criação de Deus e não tem sentido perdoá-la. Toda a verdade pertence a Ele, reflete Suas leis e irradia Seu Amor. Isto precisa de perdão? Como podes perdoar o inocente e eternamente benigno?

Este aprendizado do perdão tal como ele é não é obviamente o passo que tem de se seguir de forma obrigatória ao que aprendemos das lições anteriores? Isto é, a liberar o mundo de tudo o que pensávamos a seu respeito e a não dar valor àquilo que não tem valor?

Como posso liberar o mundo, se eu não for capaz de perdoar? Como posso deixar de dar valor ao que não tem valor, se eu não conseguir perdoar? 

Que eu perceba o perdão tal como ele é.

É isso que preciso aprender a fazer. Pois, enquanto eu pensar que alguma pessoa pode fazer verdadeiramente para mim alguma coisa pela qual eu a tenha de perdoar, ainda não liberei o mundo, ainda estou dando valor àquilo que não tem valor. Estou buscando me eximir da responsabilidade que tenho para com tudo o que acontece em minha vida e me considerando uma vítima deste mundo.

A lição continua:

A principal dificuldade de tua parte para achar o perdão genuíno é que ainda acreditas que tens de perdoar a verdade e não ilusões. Tu compreendes o perdão como uma tentativa inútil de olhar para além do que existe; ignorar a verdade, em um esforço infundado para te enganar tornando verdadeira uma ilusão. Este ponto de vista distorcido reflete apenas o poder que a ideia de pecado conserva sobre tua mente, na maneira como pensas a teu próprio respeito.

Por acreditares que teus pecados são reais, olhas para o perdão como engano. Pois é impossível pensar no pecado como verdadeiro e não acreditar que o perdão é uma mentira. Desta forma, o perdão é realmente apenas um pecado, como todos os outros. Ele diz que a verdade é falsa e sorri para os degenerados como se eles fossem tão inocentes quanto a grama; tão brancos quanto a neve. Ele está iludido quanto àquilo que pensa poder realizar. Ele quer ver como certo o que é claramente errado; o repulsivo como bom.

O perdão não é nenhuma saída sob tal ponto de vista. Ele é apenas mais um sinal de que o pecado é imperdoável, no melhor dos casos a ser escondido, negado ou chamado por outro nome, pois o perdão é uma traição à verdade. A culpa não pode ser perdoada. Se pecas, tua culpa é eterna. Aqueles que são perdoados sob o ponto de vista de que seus pecados são reais, são ridicularizados de forma deplorável e duas vezes condenados; primeiro por si mesmos, por aquilo que pensam ter feito, e mais uma vez por aqueles que os perdoam.

É a irrealidade do pecado que torna o perdão natural e totalmente são, um alívio profundo para aqueles que o oferecem; uma bênção serena aonde ele é recebido. Ele não encoraja as ilusões, mas as recolhe alegremente, com uma risada suave e as deposita aos pés da verdade de forma benigna. E, aí, elas desaparecem por completo.

Na verdade, o Filho de Deus não pode pecar. Apesar de te acreditares separado, ou separada, de Deus, de teus irmãos, de tuas irmãs e de todos os teus semelhantes, ainda és como Deus te criou. Somos todos e todas. E somos um só. Não há o que perdoar em ti, nem em mim e nem em ninguém, a não ser a percepção equivocada. Por isso a lição nos leva a pedirmos:

Que eu perceba o perdão tal como ele é.

E o que é o perdão? É a lição que lança uma luz diferente da luz do mundo sobre ele:

O perdão é a única coisa que representa a verdade nas ilusões do mundo. Ele vê a inutilidade delas e ignora francamente as milhares de formas com que elas podem se apresentar. Ele olha para as mentiras, mas não se engana. Ele não presta atenção aos guinchos auto-acusadores de pecadores enlouquecidos pela culpa. Ele olha para eles com olhos serenos e lhes diz simplesmente: "Meu irmão, o que pensas não é a verdade".

A força do perdão é sua honestidade, que é tão íntegra que vê ilusões como ilusões, não como verdade. É por esta razão que ele vem a ser o esclarecedor diante das mentiras; o generoso restituidor da simples verdade. Em função de sua capacidade de ignorar o que não existe, ele abre caminho para a verdade, que está bloqueada pelos sonhos de culpa. Agora estás livre para seguir no caminho que teu perdão verdadeiro abre para ti. Pois, se um irmão recebe esta dádiva de ti, a porta está aberta para ti mesmo.

Nós nos enganamos com o que ensina o sistema de pensamento do mundo - o sistema de pensamento do ego, do falso eu, em vista de sua percepção equivocada - , pensando que podemos, de fato, "perdoar" alguém por alguma coisa que ele, ou ela, tenha feito. 

Nosso engano se deve ao fato de que ainda não aprendemos por completo que tudo o que "aparentemente" nos acontece é sempre resultado de uma escolha que nós mesmos ou nós mesmas fazemos, mesmo quando o que se apresenta a nossa experiência não tem - para a nossa forma de perceber, a partir dos sentidos - nada a ver com o que pensamos ter escolhido e/ou pedido. Isto porque, na verdade, raramente nos relacionamos com os fatos. Nós quase que só nos relacionamos, em geral, com a interpretação que fazemos dos fatos, como o Curso ensina.

Reconhecer isto é chegar à porta que se abre para o perdão verdadeiro, que só podemos dar a nós mesmos e a nós mesmas uma vez que é apenas nossa percepção que percebe a ilusão como verdadeira, como algo a ser perdoado. A lição fala também do modo de que podemos nos valer para chegar ao perdão.

Assim:

Há um modo muito simples de achar a porta para o perdão verdadeiro e de percebê-la totalmente aberta em boas vindas. Quando te sentires tentado a acusar alguém de pecado sob qualquer forma, não deixes que tua mente se demore naquilo que pensas que ele fez, pois isto é auto-engano. Pergunta, em vez disso: "Eu me acusaria de fazer isto?".

Deste modo, verás alternativas para a escolha em termos que a tornam significativa e manterás tua mente tão livre da culpa e da dor quanto o Próprio Deus pretendia que ela fosse, e como, na verdade, ela é. São apenas as mentiras que querem condenar. Na verdade, a única coisa que existe é a inocência. O perdão se coloca entre as ilusões e a verdade; entre o mundo que vês e aquele que fica além dele; entre o inferno da culpa e o portão do Céu.

A única coisa que existe é a inocência... Isto não traz uma sensação de alívio? Não tira todo o peso, toda a carga de culpa e de pecado que pusemos sobre os ombros? Os nossos ombros e os ombros daqueles e daquelas que andam nesta jornada conosco. 

Que eu perceba o perdão tal como ele é.

É muito importante para o desenvolvimento do trabalho que fazemos de busca da consciência e do conhecimento de nós mesmos e de nós mesmas, que reconheçamos e aceitemos a verdade que a lição de hoje nos oferece e que pratiquemos para empregá-la em nosso viver diário, a fim de percebermos que é só a ilusão que precisa ser perdoada. A verdade apenas é.

Sigamos, pois, o restante das orientações para as práticas, que nos dá a lição, certos e certas de que não há nada a perdoar. Deus não perdoa. Ele não vê o erro. Não vê o pecado. Só a ilusão faz isto. Só a percepção equivocada pode fazer isto e pensar que há qualquer verdade na ilusão.

Deixo-os e deixo-as, mais uma vez, com um texto do mestre Rivaldo Andrade, que já está na luz, ou que, como nós, cada um de e cada uma de nós e como todos e todas nós, sempre esteve, embora não tenhamos consciência disso o tempo todo, e que pode ser de grande ajuda para que se entenda a verdade que a lição de hoje traz. Ele diz o seguinte:

Fique aqui e só aqui.

Pare de lembrar.

A luz [a verdade] é ausência de lembranças [de passado].

Saiba que Deus não perdoa, apenas não lembra. Adão, lembrando, inventou o conhecimento e caiu do paraíso. Por isso Jesus recomenda tanto o perdão, pois este é simplesmente uma forma de esquecimento, uma eliminação de lembranças, [um apagar] de arquivos [da memória]. Mas, eliminação de qualquer arquivo que seja, por mais lindo e importante que pareça. Só Deus realmente importa.

Com nosso HD [a mente] vazio, a mente, inundada pela Luz, roda instantaneamente qualquer programa que nos seja apresentado e podemos ver com mais facilidade a profundidade de tudo. Uma mente cheia de lembranças é como um HD superlotado. Qualquer mancha na superfície deterá nossa compreensão. Crenças são vírus que guardamos e que danificam todo o sistema gerando divisão, interesses e, consequentemente, medos, mágoas e ódios. 

Há [aparentemente] muita doença no mundo porque o homem acredita muito. Com isso acaba não vendo nada como é simplesmente, pois coloca uma lembrança em cima de tudo o que vê. Aí, não vê mais o que é, a realidade simples. Só vê lembranças [Lembram da lição "Eu só vejo o passado"?]. E isso impede o fluxo natural da simplicidade maravilhosa do eu interior, que abençoa e purifica a vida constantemente. 

Passada [um]a situação [qualquer que seja ela], delete o arquivo [perdoe e esqueça]. Deixe o HD sempre vazio, livre para a paz original do eu ordenar divinamente o pensamento no eterno e ilimitado agora em que a vida se manifesta.

Só a Luz cuida de tudo efetivamente.


Às práticas?

quarta-feira, 13 de maio de 2026

É apenas parte da ilusão o mundo e tudo que há nele

 

LIÇÃO 133

Não darei valor àquilo que não tem valor.

1. Às vezes, no ensino, há benefício em se trazer o aluno de volta a interesses práticos, particularmente depois de se ter passado por aquilo que parece teórico e muito distante do que o aluno já aprendeu. Faremos isto hoje. Não falaremos de ideias elevadas e abrangentes do mundo, mas, em vez disto, nos deteremos nos benefícios para ti.

2. Tu não pedes muito da vida, mas pouco demais. Quando permites que tua mente seja atraída para os interesses do corpo, para coisas que compras, para o prestígio, da forma que o mundo valoriza, pedes o sofrimento, não a felicidade. Este curso não tenta tirar de ti o pouco que tens. Não tenta substituir por ideias utópicas as satisfações que o mundo contém. Não há nenhuma satisfação no mundo.

3. Hoje listamos os critérios reais pelos quais testar todas as coisas que pensas querer. A menos que atendam a estes sólidos requisitos, não vale a pena desejá-los em absoluto, pois eles só podem ocupar o lugar daquilo que oferece mais. Não podes inventar as leis que regem a escolha, tanto quanto não podes inventar alternativas entre as quais escolher. Podes fazer a escolha; na verdade, tens de fazê-la. Mas é sábio aprender as leis que pões em movimento quando escolhes e entre quais alternativas escolhes.

4. Já enfatizamos que existem apenas duas, independente de quantas parecem existir. O limite está estabelecido, e não podemos mudar isto. Seria muito mesquinho para contigo permitir que as alternativas fossem ilimitadas e, deste modo, atrasar tua escolha final até que tivesses considerados todas no tempo, sem seres trazido de modo tão claro ao lugar em que só há uma escolha a ser feita.

5. Outra lei benigna semelhante é que não existe nenhuma condescendência naquilo que tua escolha tem de trazer. Ela não pode te dar só um pouco, pois não existe meio termo. Cada escolha que fazes te traz tudo ou nada. Por isto, se aprenderes os testes pelos quais podes distinguir o tudo do nada, farás a melhor escolha.

6. Primeiro, se escolheres algo que não durará eternamente, o que escolhes é sem valor. Um valor temporário não tem qualquer valor. O tempo não pode eliminar nunca um valor que seja real. Aquilo que desaparece gradualmente e morre nunca existiu e não traz nenhuma contribuição para aquele que o escolhe. Ele está enganado pelo nada em uma forma da qual pensa gostar.

7. Em seguida, se escolheres tirar alguma coisa de alguém, não te sobrará nada. Isto porque, quando negas o direito dele a tudo, negas teu próprio direito. Por isto, não reconhecerás as coisas que, de fato, tens negando que elas existem. Aquele que busca tirar está enganado pela ilusão de que a perda pode oferecer ganho. A perda, não obstante, tem de oferecer perda e nada mais.

8. Tua próxima consideração é aquela na qual se baseiam todas as outras. Por que a escolha que fazes tem valor para ti? O que atrai tua mente para ela? A que propósito ela serve? É aqui que é mais fácil do que tudo se enganar. Porque o ego não é capaz de reconhecer aquilo que ele quer. Ele nem mesmo diz a verdade tal como a percebe, pois precisa manter o halo que usa para proteger suas metas de manchas e de ferrugem, para que possas ver quão "inocente" ele é.

9. No entanto, sua camuflagem é um fino verniz que só pode enganar àqueles que ficam contentes em ser enganados. As metas dele são óbvias para qualquer um que se dê ao trabalho de procurá-las. Aqui duplica-se o engano pois aquele que é enganado não perceberá que simplesmente deixou de ganhar. Ele acreditará que atende às metas ocultas do ego.

10. Todavia, embora o ego tente manter seu halo límpido ao alcance de sua visão, ele, ainda assim, tem de perceber suas bordas manchadas e seu núcleo enferrujado. Seus erros inúteis lhe parecem pecados, porque ele olha para a mancha como se fosse dele mesmo; a ferrugem como um sinal de profunda indignidade em si mesmo. Aquele que quer conservar as metas do ego e atendê-las como suas não comete nenhum erro, de acordo com os ditames de seu guia. Esta orientação ensina que é erro acreditar que pecados são apenas equívocos, pois quem sofreria por seus pecados se isto fosse verdade?

11. E, assim, chegamos ao critério para a escolha que é o mais difícil de se acreditar, porque sua clareza está coberta por várias camadas de incerteza. Se sentires qualquer culpa por tua escolha, permitiste que as metas do ego se interpusessem entre as alternativas reais. E, deste modo, não percebes de forma clara que há apenas duas, e a alternativa que pensas que escolheste parece assustadora e perigosa demais para ser o nada que, de fato, é.

12. Todas as coisas são absolutamente valiosas ou sem valor, dignas ou não de serem buscadas, totalmente desejáveis ou não valem o menor esforço para se obter. Justamente por isto é fácil escolher. A complexidade não é nada exceto uma cortina de fumaça, que esconde o fato muito simples de que nenhuma decisão pode ser difícil. Qual é o ganho para ti em aprender isto? É muito maior do que apenas o de permitir que faças escolhas facilmente e sem dor.

13. Alcança-se o próprio Céu de mãos vazias e mentes abertas, que vêm sem nada para achar tudo e reclamá-lo como seu. Tentaremos alcançar este estado hoje, deixando o auto-engano de lado e com uma disposição honesta para dar valor apenas ao verdadeiramente valioso e ao real. Nossos dois períodos de prática mais longos, de quinze minutos cada, começam com isto:

Não darei valor àquilo que não tem valor, e busco
apenas o que tem valor, pois é só isto que desejo achar.

14. E, então, recebe aquilo que espera por todos aqueles que chegam sem dificuldades ao portão do Céu, que se abre quando eles chegam. Se começares a te permitir a acumular alguns fardos inúteis, ou a acreditar que percebes que se apresentam algumas decisões difíceis para ti, sê rápido em responder com esta ideia simples:

Não darei valor àquilo que não tem valor,
porque aquilo que é valioso me pertence.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 133

Caras, caros,

Uma das coisas mais interessantes, ao que me parece, que pode acontecer - e acontece algumas vezes -  na vida das pessoas a partir das práticas com as ideias do Curso, é a mudança da percepção. Explico: quando uma pessoa se dedica sinceramente a fazer as lições, a cumprir o compromisso assumido consigo mesma neste treinamento para chegar a ver as coisas de modo diferente, não há como ela não perceber a ilusão que transparece em tudo no mundo e em todas as pessoas ainda guiadas pelo sistema de pensamento do ego.

A partir do momento em que a pessoa se compromete a fazer as lições, e as faz, seguindo o programa que o Curso oferece, o mundo - e tudo o que aparentemente existe nele - começa a se mostrar sob outra luz. Os contatos com as pessoas, que lutam em seu dia a dia para sobreviver e superar os zilhões de obstáculos que se interpõem em suas vidas para impedi-las de chegarem aonde planejam chegar, mostram que todas elas, ou quase todas, não sabem, de fato, aonde estão, aonde querem chegar, nem o que fazer para chegar lá, ou o que fazer quando chegarem lá, se chegarem nalgum momento.

Na verdade, quando nós buscamos um objetivo mundano em nossa lida diária, dando a ele um valor que ele não tem, porque apenas ilusório, o que estamos fazendo é entregar nossa liberdade, oferecendo-a em troca de algo que não tem valor duradouro, pois todas as coisas do mundo não duram mais do que um segundo da eternidade.

É por isso que precisamos praticar com a ideia que o Curso nos oferece hoje.  

"Não darei valor àquilo que não tem valor."

As práticas de ontem mostraram de que forma podemos liberar o mundo de todo e qualquer julgamento que já fizemos, fazíamos ou continuamos a fazer dele. A partir delas, fica mais fácil, então, praticar, entender e aceitar a ideia que o Curso oferece uma vez mais para as práticas de hoje. Uma ideia que ensina a não dar valor àquilo tudo, fora de nós mesmos e de nós mesmas, que não tem valor, pois tudo o que é valioso já nos pertence, é parte do que somos em realidade.

Vejamos como a lição começa:

Às vezes, no ensino, há benefício em se trazer o aluno de volta a interesses práticos, particularmente depois de se ter passado por aquilo que parece teórico e muito distante do que o aluno já aprendeu. Faremos isto hoje. Não falaremos de ideias elevadas e abrangentes do mundo, mas, em vez disto, nos deteremos nos benefícios para ti.

Tu não pedes muito da vida, mas pouco demais. Quando permites que tua mente seja atraída para os interesses do corpo, para coisas que compras, para o prestígio, da forma que o mundo valoriza, pedes o sofrimento, não a felicidade. Este curso não tenta tirar de ti o pouco que tens. Não tenta substituir por ideias utópicas as satisfações que o mundo contém. Não há nenhuma satisfação no mundo.

Eis aqui o segredo - se é que existe algum - a partir do qual alinhar nossos desejos de forma a obtermos a total satisfação. Nada no mundo pode nos oferecer a satisfação que merecemos na condição de Filhos de Deus. Já até praticamos a ideia que ensina que este mundo não tem nada que eu queira, não é mesmo?

Alguém se deu conta do que se falou, então? De qual era o desafio da lição com esta ideia? E de qual era o milagre que havia por trás dela?

Ora, a oportunidade para se tomar a decisão que a lição de hoje sugere que tomemos:

Não darei valor àquilo que não tem valor. 

Isto é, se este mundo não tem nada que eu queira, não há nada que eu possa ou queira valorizar nele. Ou há?

O que a lição diz pode trazer luz ao assunto:

Hoje listamos os critérios reais pelos quais testar todas as coisas que pensas querer. A menos que atendam a estes sólidos requisitos, não vale a pena desejá-los em absoluto, pois eles só podem ocupar o lugar daquilo que oferece mais. Não podes inventar as leis que regem a escolha, tanto quanto não podes inventar alternativas entre as quais escolher. Podes fazer a escolha; na verdade, tens de fazê-la. Mas é sábio aprender as leis que pões em movimento quando escolhes e entre quais alternativas escolhes.

Já enfatizamos que existem apenas duas, independente de quantas parecem existir. O limite está estabelecido, e não podemos mudar isto. Seria muito mesquinho para contigo permitir que as alternativas fossem ilimitadas e, deste modo, atrasar tua escolha final até que tivesses considerados todas no tempo, sem seres trazido de modo tão claro ao lugar em que só há uma escolha a ser feita.

Outra lei benigna semelhante é que não existe nenhuma condescendência naquilo que tua escolha tem de trazer. Ela não pode te dar só um pouco, pois não existe meio termo. Cada escolha que fazes te traz tudo ou nada. Por isto, se aprenderes os testes pelos quais podes distinguir o tudo do nada, farás a melhor escolha.

Vejamos, em seguida, os tais critérios, lembrando-nos de trazer à mente tudo aquilo que gostaríamos de obter e que, aparentemente, nos falta para testar se, de fato, há nisso algum valor, de acordo com o que ensina a lição:

Primeiro, se escolheres algo que não durará eternamente, o que escolhes é sem valor. Um valor temporário não tem qualquer valor. O tempo não pode eliminar nunca um valor que seja real. Aquilo que desaparece gradualmente e morre nunca existiu e não traz nenhuma contribuição para aquele que o escolhe. Ele está enganado pelo nada em uma forma da qual pensa gostar.

Em seguida, se escolheres tirar alguma coisa de alguém, não te sobrará nada. Isto porque, quando negas o direito dele a tudo, negas teu próprio direito. Por isto, não reconhecerás, de fato, as coisas que tens negando que elas existem. Aquele que busca tirar está enganado pela ilusão de que a perda pode oferecer ganho. A perda, não obstante, tem de oferecer perda e nada mais.

Tua próxima consideração é aquela na qual se baseiam todas as outras. Por que a escolha que fazes tem valor para ti? O que atrai tua mente para ela? A que propósito ela serve? É aqui que é mais fácil do que tudo se enganar. Porque o ego não é capaz de reconhecer aquilo que ele quer. Ele nem mesmo diz a verdade tal como a percebe, pois precisa manter o halo que usa para proteger suas metas de manchas e de ferrugem, para que possas ver quão "inocente" ele é.

Pára um instante para refletir acerca daquilo que pensas querer. Vai durar para sempre? Já pertence a alguém? E vais ter de tirar desse alguém? Por que aquilo tem valor para ti? Lembra-te de que a ideia que praticas e a decisão que tens de tomar é:

Não darei valor àquilo que não tem valor. 

Para que serve aquilo que pensas querer? Que benefício pensas que isso vai te trazer? Atende a que objetivo? É algo que vai te colocar em contato com a alegria e a paz completas e perfeitas? Ou isso tu já tens? Não tens certeza?

Lembra-te também de que se pensas que não tens a alegria e a paz perfeita é apenas porque o ego te faz crer que estás separado ou separada delas, em razão de te acreditares separado ou separada de Deus. 

Vejamos, então, o que a lição diz acerca das formas de que se vale o ego para camuflar o fato de que ele não é capaz de reconhecer aquilo que ele quer.

... [a] camuflagem [do ego] é um fino verniz que só pode enganar àqueles que ficam contentes em ser enganados. As metas dele são óbvias para qualquer um que se dê ao trabalho de procurá-las. Aqui duplica-se o engano pois aquele que é enganado não perceberá que simplesmente deixou de ganhar. Ele acreditará que atende às metas ocultas do ego.

Todavia, embora o ego tente manter seu halo límpido ao alcance de sua visão, ele, ainda assim, tem de perceber suas bordas manchadas e seu núcleo enferrujado. Seus erros inúteis lhe parecem pecados, porque ele olha para a mancha como se fosse dele mesmo; a ferrugem como um sinal de profunda indignidade em si mesmo. Aquele que quer conservar as metas do ego e atendê-las como suas não comete nenhum erro, de acordo com os ditames de seu guia. Esta orientação ensina que é erro acreditar que pecados são apenas equívocos, pois quem sofreria por seus pecados se isto fosse verdade?

Quem sofreria por seus pecados, se acreditasse que pecados são apenas equívocos, que podem facilmente ser corrigidos pela verdade? Ou que pecados não existem? Ou que erros são apenas julgamentos de escolhas que fizemos e que não nos levaram aonde pensávamos que queríamos chegar? Na verdade, tudo o que existe é apenas a experiência, fruto da escolha, que sempre se pode mudar. Ou como o Curso ensina é sempre possível escolher outra vez.

Isto, de acordo com a lição que praticamos hoje, nos traz ao último critério de que podemos nos valer para escolher. Desta forma:

E, assim, chegamos ao critério para a escolha que é o mais difícil de se acreditar, porque sua clareza está coberta por várias camadas de incerteza. Se sentires qualquer culpa por tua escolha, permites que as metas do ego se interponham entre as alternativas reais. E, deste modo, não percebes de forma clara que há apenas duas, e a alternativa que pensas que escolheste parece assustadora e perigosa demais para ser o nada que, de fato, é.

Não há pois, nada, a fazer exceto "entregar" ao espírito, ao divino em nós, e permitir que a razão - aquela parte em nós que está em contato permanente com Deus - escolha em sintonia com a alegria e a paz completas e perfeitas, que sabemos ser a Vontade de Deus para nós, que é também a nossa vontade. Ou dito de outro modo, entregar ao divino tudo o que se faz, bem como tudo o que há para se fazer.

A lição chega ao fim com as seguintes orientações finais, para não deixar nenhuma dúvida:

Todas as coisas são absolutamente valiosas ou sem valor, dignas ou não de serem buscadas, totalmente desejáveis ou não valem o menor esforço para se obter. Justamente por isto é fácil escolher. A complexidade não é nada exceto uma cortina de fumaça, que esconde o fato muito simples de que nenhuma decisão pode ser difícil. Qual é o ganho para ti em aprender isto? É muito maior do que apenas o de permitir que faças escolhas facilmente e sem dor.

Alcança-se o próprio Céu de mãos vazias e mentes abertas, que vêm sem nada para achar tudo e reclamá-lo como seu. Tentaremos alcançar este estado hoje, deixando o auto-engano de lado e com uma disposição honesta para dar valor apenas ao verdadeiramente valioso e ao real. Nossos dois períodos de prática mais longos, de quinze minutos cada, começam com isto:

Não darei valor àquilo que não tem valor, e busco
apenas o que tem valor, pois é só isto que desejo achar.

E, então, recebe aquilo que espera por todos aqueles que chegam sem dificuldades ao portão do Céu, que se abre quando eles chegam. Se começares a te permitir a acumular alguns fardos inúteis, ou a acreditar que percebes que se apresentam algumas decisões difíceis para ti, sê rápido em responder com esta ideia simples:

Não darei valor àquilo que não tem valor,
porque aquilo que é valioso me pertence. 

Às práticas?

terça-feira, 12 de maio de 2026

Se quisermos ser livres, precisamos libertar o mundo

 

LIÇÃO 132

Libero o mundo de tudo o que eu pensava que ele fosse.

1. O que mantém o mundo preso a não ser tuas crenças? E o que pode salvar o mundo exceto teu Ser? A crença é, de fato, poderosa. Os pensamentos que tens são poderosos e os efeitos das ilusões são tão fortes quanto a verdade. Um louco imagina que o mundo que ele vê é real e não duvida dele. Ele também não pode ser influenciado pelo questionamento dos efeitos de seus pensamentos. É só quando se coloca em questão a fonte de seus pensamentos que a esperança de liberdade finalmente vem para ele.

2. No entanto, consegue-se a salvação com facilidade, pois todos são livres para mudar sua maneira de pensar e todos os seus pensamentos mudam com ela. Nisto, desloca-se a fonte dos pensamento, pois mudar a maneira de pensar significa que mudaste a fonte de todas as ideias que tens ou tiveste alguma vez ou que ainda terás. Tu libertas o passado daquilo que pensavas antes. Tu libertas o futuro de todos os pensamentos antigos de busca daquilo que não queres achar.

3. Agora, o único tempo que sobra é o presente. Aqui, no presente, o mundo se liberta. Pois, quando permites que o passado desapareça e liberas o futuro de teus medos antigos, achas a saída e a dás ao mundo. Tu escravizas o mundo com todos os teus medos, tuas dúvidas e sofrimentos, tuas dores e lágrimas; e todos os teus pesares exercem pressão sobre ele e o mantêm prisioneiro de tuas crenças. A morte o surpreende em todos os lugares, porque conservas pensamentos cruéis de morte em tua mente.

4. O mundo em si mesmo não é nada. Tua mente tem de dar significado a ele. E o que vês sobre ele são teus desejos traduzidos de modo que possas olhar para eles e pensar que são reais. Talvez tu penses que não fizeste o mundo, mas que vieste contra a vontade para aquilo que já estava feito, dificilmente esperando que teus pensamentos lhe dessem significado. Entretanto, na verdade, encontraste exatamente aquilo que procuravas quando chegaste.

5. Não há nenhum mundo separado daquilo que desejas e nisto está tua liberação suprema. Muda simplesmente tua forma de pensar a respeito do que queres ver e todo o mundo tem de mudar em consequência disto. As ideias não deixam sua fonte. Se quiseres compreender a lição para hoje, tens de ter em mente este tema fundamental, que se afirma várias vezes no texto. Não é o orgulho que te diz que fizeste o mundo que vês e que ele muda na medida em que mudas tua maneira de pensar.

6. Mas é o orgulho que sustenta que vens a um mundo bem distinto de ti mesmo, refratário àquilo que pensas e bem distante daquilo que te aventuras a pensar que ele é. Não há nenhum mundo! É esta a ideia básica que o curso tenta te ensinar. Nem todos estão prontos para aceitá-la e cada um tem de ir tão longe quanto pode se permitir ser conduzido ao longo da estrada em direção à verdade. Ele recuará e irá ainda mais longe ou talvez dê um passo atrás por algum tempo e, depois, volte mais uma vez.

7. Mas a cura é a dádiva para aqueles que estão preparados para aprender que não há nenhum mundo e que podem aceitar a lição agora. A prontidão deles lhe levará a lição de alguma forma que podem compreender e reconhecer. Alguns a veem de repente à beira da morte e se levantam para ensiná-la. Outros a encontram na experiência que não é deste mundo, que lhes mostra que o mundo não existe porque o que veem tem de ser a verdade e, não obstante, contradiz claramente o mundo.

8. E alguns a encontrarão neste curso e nos exercícios que fazemos hoje. A ideia de hoje é verdadeira porque o mundo não existe. E, se ele é, de fato, tua própria fantasia, então podes liberá-lo de todas as coisas que já pensaste que ele era simplesmente substituindo todos os pensamentos que lhe deram estas aparências. Os doentes se curam quando abandonam todos os pensamentos de doença e os mortos ressuscitam quando permites que pensamentos de vida substituam todos os pensamentos de morte que já tiveste.

9. Uma lição anterior repetida uma vez tem de ser enfatizada novamente, pois ela contém o alicerce inabalável para a ideia de hoje. Tu és como Deus te criou. Não existe nenhum lugar aonde possas sofrer e nenhum tempo que possa trazer alteração a tua condição eterna. Como pode existir um mundo de tempo e espaço, se continuas a ser como Deus te criou?

10. O que a lição de hoje é a não ser outro modo de dizer que conhecer teu Ser é a salvação do mundo? Libertar o mundo de todo tipo de dor é apenas mudar tua forma de pensar a teu próprio respeito. Não há nenhum mundo independente de tuas ideias porque as ideias não deixam sua fonte e tu manténs o mundo no interior de tua mente em pensamento.

11. Porém, se tu és como Deus te criou, não podes pensar separado d'Ele, nem criar nada que não compartilhe Sua intemporalidade e Amor. O amor e a intemporalidade são inseparáveis de mundo que vês? O mundo que vês cria como Deus? A menos que o faça, ele não é real e não pode existir em absoluto. Se tu és real, o mundo que vês é falso, pois a criação de Deus é diferente do mundo em todos os aspectos. E como foste criado a partir dos Pensamentos d'Ele, também foram teus pensamentos que criaram o mundo e que têm de libertá-lo a fim de que possas conhecer os Pensamentos que compartilhas com Deus.

12. Libera o mundo! Tuas criações verdadeiras esperam por esta liberação para te dar a paternidade, não de ilusões , mas como Deus na verdade. Deus compartilha Sua Paternidade contigo que és Seu Filho, pois Ele não faz nenhuma distinção entre aquilo que é Ele Mesmo e aquilo que também é Ele Mesmo. Aquilo que Ele criou não está separado d'Ele e em nenhum lugar o Pai termina e o Filho começa como algo separado d'Ele.

13. Não há nenhum mundo porque ele é um pensamento separado de Deus e feito para separar o Pai e o Filho e separar uma parte do Próprio Deus e, assim, destruir Sua Integridade. Um mundo que venha desta ideia pode ser real? Pode existir em algum lugar? Nega as ilusões, mas aceita a verdade. Nega que és uma sombra depositada por um breve instante sobre um mundo agonizante. Libera tua mente e olharás para um mundo livre.

14. Nosso objetivo, hoje, é libertar o mundo de todos os pensamentos inúteis que já tivemos a respeito dele e a respeito de todas as coisas vivas que vemos nele. Elas não podem existir. Nem nós. Pois nós estamos no lar que nosso Pai estabeleceu para nós juntamente com elas. E nós, que somos como Ele nos criou, queremos liberar o mundo de cada uma de nossas ilusões neste dia, para podermos ser livres.

15. Começa os períodos de quinze minutos em que praticamos duas vezes hoje com isto:

Eu, que continuo a ser como Deus me criou quero liberar o mundo
de tudo o que pensei que ele fosse. Pois eu sou real porque o mundo
não é e quero conhecer minha própria realidade.

Em seguida, descansa simplesmente, atento mas sem nenhum esforço, e deixa que tua mente mude em paz, para que o mundo seja libertado junto contigo.

16. Não precisas perceber de forma clara que a cura vem tanto para muitos irmãos do outro lado do mundo quanto para aqueles que vês por perto, à medida que irradias estes pensamentos para abençoar o mundo. Mas sentirás teu próprio alívio, embora ainda não possas compreender por completo que nunca poderias ser liberado sozinho.

17. Ao longo do dia, aumenta a liberdade enviada por tuas ideias a todo o mundo e, sempre que fores tentado a negar o poder da simples mudança de tua maneira de pensar, dize:

Eu libero o mundo de tudo o que pensei que ele fosse
e escolho minha própria realidade em vez disto.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 132

Caras, caros,

Vocês já pararam para pensar que, de um modo ou de outro, todos e todas nós somos prisioneiros e prisioneiras de alguém ou alguma coisa neste mundo?

E por quê?

Porque "este" mundo, em que pensamos viver, só existe a partir das crenças que temos, tanto as que nos foram legadas pelos nossos antepassados, quanto as que nós mesmos e nós mesmas construímos ao longo de nossa caminhada por aqui. Isto quer dizer que as prisões em que nos encontramos são sempre construídas por nós mesmos, por nós mesmas. E que não há ninguém, a não ser cada um e cada uma de nós, que nos possa libertar.

Conforme vimos numa lição de poucos dias atrás, a 125, "o plano de Deus é este simplesmente, o Filho de Deus é livre para salvar a si mesmo". Quer dizer, todas e todos nós, Filhos e Filhas de Deus, nascemos livres. Podemos salvar a nós mesmos, a nós mesmas. Por que razão escolhemos nos tornar prisioneiros e prisioneiras de um sistema de pensamento que nos nega o direito de sermos o que somos? Por que insistimos em manter o mundo preso a nossas crenças?

É disto que vamos tratar com as práticas da ideia que o Curso nos oferece neste dia.

"Libero o mundo de tudo o que eu pensava que ele fosse."

Eis aqui, mais uma vez, a lição - entre outras - que pode nos salvar - a cada um e a cada uma de nós - e salvar o mundo inteiro ao mesmo tempo, se praticada, aprendida e aplicada. Aliás, conforme eu já disse várias outras vezes e como todos nós sabemos, o Curso afirma que qualquer uma das ideias que ele oferece, se praticada, aprendida e aplicada é suficiente para a salvação de cada um e de cada uma de nós e, por extensão, para a salvação de todos e de todas nós. Esta, particularmente, pode fazer que se abram mais rapidamente todas as portas de cada uma das prisões que inventamos para viver.

Pois, ela começa por perguntar:

O que mantém o mundo preso a não ser tuas crenças? E o que pode salvar o mundo exceto teu Ser? A crença é, de fato, poderosa. Os pensamentos que tens são poderosos e os efeitos das ilusões são tão fortes quanto a verdade. Um louco imagina que o mundo que ele vê é real e não duvida dele. Ele também não pode ser influenciado pelo questionamento dos efeitos de seus pensamentos. É só quando se coloca em questão a fonte de seus pensamentos que a esperança de liberdade finalmente vem para ele.

Esta é uma das lições mais poderosas que já praticamos. Ela leva a nos perguntarmos o que nos impede de sermos livres. O que nos prende ao mundo a não ser o apego às crenças que desenvolvemos, a ideias às quais nos aferramos, aos valores que damos às pessoas e às coisas do mundo e aos juízos [julgamentos] que fazemos de nós mesmos e de nós mesmas, do mundo, das pessoas e de tudo o que aparentemente vemos nele?
 
Libero o mundo de tudo o que eu pensava que ele fosse.

É. pois, só isto que precisamos aprender a fazer: liberar o mundo de tudo aquilo que pensamos que ele é a cada instante e cada vez mais. Pois não é o mundo que nos mantém prisioneiros e prisioneiras. Na verdade, somos nós que o aprisionamos e, por consequência, nos fazemos prisioneiros e prisioneiras dele e de tudo o que há nele, em função de um ou mais julgamentos que não queremos abandonar. Achamo-nos sabedores e sabedoras da verdade e de tudo o que é preciso fazer para que o mundo seja um lugar melhor para se viver. Mas não fazemos nenhum movimento para ser a mudança que queremos ver no mundo. Será que sabemos, então, o que é melhor para ele? Não será isso pura onipotência egoica? 

Elio D'Anna diz: "o mundo é assim [como é, ou como o vês], porque tu és assim, e não o contrário". 

Isto é, é nossa forma de pensar e de ver o mundo, de pensar e de ver a nós mesmos e a nós mesmas, que materializa o mundo de ilusões que vemos, porque cada um, e cada uma, o vê de um modo diferente. Quer dizer, há tantos mundos quanto são as pessoas que pensam viver nele. Daí o Curso afirmar: "não há mundo". Só aquele que cada um e cada uma de nós traz dentro de si mesmo, de si mesma.

A lição continua:

No entanto, consegue-se a salvação com facilidade, pois todos são livres para mudar sua maneira de pensar e todos os seus pensamentos mudam com ela. Nisto, desloca-se a fonte dos pensamento, pois mudar a maneira de pensar significa que mudaste a fonte de todas as ideias que tens, ou tiveste alguma vez, ou que ainda terás. Tu libertas o passado daquilo que pensavas antes. Tu libertas o futuro de todos os pensamentos antigos de busca daquilo que não queres achar.

Agora, o único tempo que sobra é o presente. Aqui, no presente, o mundo se liberta. Pois, quando permites que o passado desapareça e liberas o futuro de teus medos antigos, achas a saída e a dás ao mundo. Tu escravizas o mundo com todos os teus medos, tuas dúvidas e sofrimentos, tuas dores e lágrimas; e todos os teus pesares exercem pressão sobre ele e o mantêm prisioneiro de tuas crenças. A morte o surpreende em todos os lugares, porque conservas pensamentos cruéis de morte em tua mente.

Precisamos, de fato, aprender a liberar o mundo de tudo aquilo que pensamos a respeito dele. Precisamos dar a liberdade a ele para podermos ser livres e viver em mundo livre. Tudo o que precisamos aprender está aqui, na ideia desta lição, que praticamos hoje. Nela está toda a salvação. A nossa - de cada um e de cada uma - e a do mundo inteiro. Ou pensam que existe uma forma melhor de salvar o mundo do que livrá-lo dos pensamentos julgadores de qualquer tipo que impusemos a ele? Ao liberar o mundo, fico livre. Pois nada mais me prende a ele. E nem eu o mantenho mais aprisionado em minha percepção equivocada.
 
Libero o mundo de tudo o que eu pensava que ele fosse.

Com isso, aprendo que:

O mundo em si mesmo não é nada. Tua mente tem de dar significado a ele. E o que vês sobre ele são teus desejos traduzidos de modo que possas olhar para eles e pensar que são reais. Talvez tu penses que não fizeste o mundo, mas que vieste contra a vontade para aquilo que já estava feito, dificilmente esperando que teus pensamentos lhe dessem significado. Entretanto, na verdade, encontraste exatamente aquilo que procuravas quando chegaste.

Não há nenhum mundo separado daquilo que desejas e nisto está tua liberação suprema. Muda simplesmente tua forma de pensar a respeito do que queres ver e todo o mundo tem de mudar em consequência disto. As ideias não deixam sua fonte. Se quiseres compreender a lição para hoje, tens de ter em mente este tema fundamental, que se afirma várias vezes no texto. Não é o orgulho que te diz que fizeste o mundo que vês e que ele muda na medida em que mudas tua maneira de pensar.

Mas é o orgulho que sustenta que vens a um mundo bem distinto de ti mesmo, refratário àquilo que pensas e bem distante daquilo que te aventuras a pensar que ele é. Não há nenhum mundo! É esta a ideia básica que o curso tenta te ensinar. Nem todos estão prontos para aceitá-la e cada um tem de ir tão longe quanto pode se permitir ser conduzido ao longo da estrada em direção à verdade. Ele recuará e irá ainda mais longe ou talvez dê um passo atrás por algum tempo e, depois, volte mais uma vez.

Não é maravilhoso descobrir que podes mudar o mundo a teu bel prazer? Podes torná-lo um lugar para viveres "o sonho feliz", em vez deste lugar em que aparentemente só se constroem pesadelos: de medo, de dor, de culpa, de violência, de doenças, de sofrimento e de morte. 

E o que precisas fazer? 

Abandonar o orgulho que sustenta que vens a um mundo bem distinto de ti mesmo, refratário àquilo que pensas e bem distante daquilo que te aventuras a pensar que ele é

É o ego quem tenta te fazer acreditar que é humildade acreditar que não tens nenhum poder sobre o mundo e que teus pensamentos não o alteram, nem o podem mudar de forma alguma.
 
Libero o mundo de tudo o que eu pensava que ele fosse.

Não há razão alguma para manteres o mundo aprisionado. Isto não te traz nenhum benefício. Ao contrário, isto te afasta da alegria, que é a Vontade de Deus para ti. Porque, como o Curso pergunta: quem é mais prisioneiro, a pessoa que está atrás das grades, ou seu carcereiro?

Libera o mundo, praticando a ideia de hoje da maneira que a lição orienta que o faças. Isto vai te dar a liberdade. Isto vai permitir que sejas aquilo que quiseres ser e que és, sem receio algum de qualquer coisa, sem medo do que ninguém possa dizer a teu respeito. Isto é, as práticas de liberar o mundo vão fazer com que te libertes para ser expressão e manifestação do divino em ti. Viverás o Céu na terra. Experimentarás a alegria e a paz perfeitas e completas que são a Vontade de Deus para ti, e para todos e todas nós.

Isto é cura. 

Às práticas?