domingo, 7 de junho de 2026

Aquilo que damos é o que trazemos em nós. Sempre.

 

LIÇÃO 158

Hoje aprendo a dar como recebo.

1. O que te é dado? O conhecimento de que és uma mente, na Mente e apenas mente, para sempre inocente, totalmente sem medo, porque foste criado a partir do amor. E que também não deixas tua Fonte, permanecendo sempre como foste criado. Isto te foi dado como conhecimento que não podes perder. Este conhecimento também foi dado a todas as coisas vivas, pois é apenas por ele que se vive.

2. Tu recebes tudo isto. Ninguém que ande pelo mundo deixa de recebê-lo. Não é este conhecimento que dás, pois este é o que a criação deu. Não se pode aprender tudo isto. O que, então, tens de aprender a dar hoje? Nossa lição de ontem lembrou de um tema que se encontra bem no início do livro texto. A experiência não pode ser compartilhada de forma direta, do modo que a visão pode. A descoberta de que o Pai e o Filho são um só virá a seu tempo a cada mente. Este tempo, porém, é decidido pela própria mente, não é ensinado.

3. Esse momento já está estabelecido. Ele parece ser bastante arbitrário. Todavia não há nenhum passo ao longo da estrada que alguém dê apenas por acaso. Esse passo já foi dado por ele, embora ele ainda não o tenha iniciado. Pois o tempo apenas parece ir em uma direção. Nós apenas empreendemos uma jornada que já acabou. Porém, ela parece reservar um futuro ainda desconhecido para nós.

4. O tempo é um truque, um passe de mágica, uma imensa ilusão na qual imagens vêm e vão como que por encanto. Mas, por detrás das aparências, há um plano que não muda. O roteiro está escrito. O momento em que a experiência virá para pôr fim a tua dúvida está decidido. Pois nós só vemos a jornada, a partir do ponto em que ela terminou, olhando em retrospectiva para ela, imaginando que a fazemos mais uma vez, revendo mentalmente o que passou.

5. Um professor não oferece experiência, porque ele não a aprendeu. Ela se revelou a ele no momento indicado a ela. Mas a visão é sua dádiva. Esta ele pode dar diretamente, pois o conhecimento de Cristo não está perdido, porque Ele tem uma visão que pode dar a qualquer um que a peça. A Vontade do Pai e a d'Ele estão unidas no conhecimento. Mas há uma visão que o Espirito Santo vê, porque a Mente de Cristo também a vê.

6. Aqui se dá a união do mundo das dúvidas e das sombras com o intangível. Eis aqui um lugar sereno dentro do mundo, tornado santo pelo perdão e pelo amor. Aqui todas as contradições se harmonizam, pois aqui a jornada chega ao fim. A experiência - não aprendida, não ensinada, não vista - existe simplesmente. Isto está além de nossa meta, pois transcende o que precisa ser realizado. Nossa atenção é para com a visão de Cristo. Esta nós podemos obter.

7. A visão de Cristo tem uma só lei. Ela não olha para um corpo e o confunde com o Filho que Deus criou. Ela vê uma luz além do corpo; uma ideia além daquilo que se pode tocar, uma pureza não manchada por erros, por equívocos lamentáveis e pensamentos amedrontadores de culpa, oriundos de sonhos de pecado. Ela não vê nenhuma separação. E olha para todos, em cada circunstância, em todos os acontecimentos e situações, sem o menor enfraquecimento da luz que vê.

8. Isto se pode ensinar; e tem de ser ensinado por todos que querem alcançá-lo. Exige apenas o reconhecimento de que o mundo não pode dar nada que nem de leve possa se comparar a isto em valor, nem estabelecer uma meta que não desapareça simplesmente quando se percebe isto. E tu dás isto hoje: não vejas ninguém como um corpo. Saúda cada um como o Filho de Deus que ele é, reconhecendo que ele é um contigo na santidade.

9. Assim perdoa-se seus pecados, pois Cristo tem a visão que tem poder para ignorar todos eles. Em Seu perdão eles desaparecem. Não vistos pelo Uno, eles simplesmente desaparecem, porque uma visão da santidade que há por trás deles vem para tomar seu lugar. Não importa a forma que eles tomem, nem quão atrozes eles pareçam ser, nem quem parece ser ferido por eles. Eles não existem mais. E todos os efeitos que pareciam ter desaparecem com eles, desfeitos para não existirem nunca mais.

10. Desta forma aprendes a dar como recebes. E também desta forma a visão de Cristo olha para ti. Não é difícil aprender esta lição, se te lembrares de que vês apenas a ti mesmo em teu irmão. Se ele estiver perdido no pecado, tu também tens de estar; se vires luz nele, teus pecados foram perdoados por ti mesmo. Cada irmão que encontrares hoje apresenta uma nova chance para deixares que a visão de Cristo brilhe sobre ti e te oferece a paz de Deus.

11. Não importa o momento em que a revelação virá, pois ela não pertence ao tempo. Porém, o tempo ainda tem uma dádiva a oferecer, na qual se reflete o verdadeiro conhecimento de um modo tão preciso que suas imagens compartilham sua santidade invisível; sua semelhança brilha com seu amor imortal. Hoje praticamos ver com os olhos de Cristo. E, a partir das dádivas sagradas que oferecemos, a visão de Cristo também olha para nós. 

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 158

Caras, caros,

Parece-me que já falei outras vezes neste espaço a respeito do quanto, em geral, somos, todas e todos, pessoas mal-agradecidas. 

De uma forma muito simplificada pode-se dizer que a maior parte do tempo não reconhecemos o quanto temos a agradecer por termos nascido com todos os privilégios que temos, embora não os consideremos, a rigor, privilégios. Apenas por falta de consciência.

Esquecemo-nos de que a imensa maioria das pessoas no mundo inteiro tem lutar com unhas e dentes todos os dias para conseguir fazer uma refeição por dia. Esquecemo-nos de que no mundo inteiro, nalguns lugares mais, noutros menos, muitas pessoas não sabem se chegarão vivas a suas casas ao final de um dia de trabalho, em função da violência que grassa em seus lugares de morada, ou em função das guerras desencadeadas na maioria das vezes por outros países contra os seus, mas também das guerras civis, causadas pela tirania de alguns governos nalguns países. E pela insanidade de governantes no mundo inteiro, que se acham no direito de exterminar pessoas e civilizações por desejo de expansão de território, ou simplesmente pelo ódio que devotam a semelhantes seus que não partilham de suas crenças. Isto acontece desde que o mundo  é mundo. E sempre na ilusão, se olharmos bem.

Assim é que tem de ser extremamente interessante refletir a respeito daquilo que recebemos já desde o nascimento e o quanto temos a agradecer por isso. Ao mesmo tempo, também é interessante que nossa reflexão se dê na direção de buscarmos nos tornar capazes de dar mais, de dar tanto quanto recebemos, de nos doarmos à vida, às pessoas todas que partilham este mundo conosco. Quem sabe assim nos tornaremos instrumentos da paz.

É na direção deste aprendizado que as práticas com a ideia que o Curso oferece hoje.

"Hoje aprendo a dar como recebo."

A ideia que vamos praticar hoje, mais uma vez, remete a outras duas ideias básicas do ensinamento do Curso conforme eu já chamei sua atenção a respeito antes. Duas ideias que é bom termos sempre em mente. Uma delas é a de que "ideias não deixam sua fonte". Isto se aplica também a nós mesmos, a nós mesmas, que, na condição de pensamentos de Deus, na unidade com Ele/Ela, não podemos estar separados, nem separadas d'Ele/Ela, como o ego quer nos fazer acreditar.

A outra é uma ideia que apareceu na lição ontem: a de que não nos é possível ensinar a experiência de forma direta. Dito de outra forma, aquilo que decidimos experimentar - e experimentamos - deixa marcas em nós, de um modo que não pode ser comunicado, nem compartilhado, porque, no fundo, no fundo, não somos capazes de pôr em palavras o que experimentamos. Ou seja, não podemos compartilhar aquilo que acreditamos saber e que não é fruto de um aprendizado adquirido de maneira semelhante à forma pela qual o mundo ensina. Isto significa dizer ainda que aquilo que sabemos ser, e somos, não pode ser compartilhado de forma direta também, porque só o sabemos sendo, nunca falando a respeito disso.

É por isto que a lição de hoje nos leva a praticar outra forma de aprendizado. Uma forma que nos permite partilhar a visão, quando a aprendemos. Ou seja, podemos aprender e ensinar a visão de Cristo. Basta que estejamos dispostos e dispostas a olhar para cada um de nossos irmãos, para cada uma de nossas irmãs - e para todos eles e todas elas - e ver nele e nela, ou neles todos e nelas todas, apenas o Filho, ou a Filha, de Deus. 

Isto significa abrir mão de todo e qualquer julgamento, de toda e qualquer tentativa de controle ou domínio. Pois como a lição nos lembra, aquilo que vemos no(s) outro(s), ou na(s) outra(s), é apenas um reflexo daquilo que vemos em nós mesmos e em nós mesmas, daquilo que trazemos em nós e que, muitas vezes, não somos capazes ou não queremos reconhecer.

Estendendo ainda um pouco o comentário, é preciso que nos lembremos de que, como ensina Wayne Dyer, a partir também do Curso, tu não podes dar aquilo que não tens.

Assim, enquanto não aprendermos a dar como recebemos - o que recebemos de Deus, e não a partir de nossa percepção equivocada -, não perceberemos que Deus nos dá tudo. Nem teremos presente a ideia de que só nos pode faltar aquilo que não damos, como o Curso ensina.

Indo ainda um pouco mais longe, e continuando com o pensamento naquilo que Dyer diz, só podemos dar aquilo que temos, e o que temos é o que pensamos trazer em nosso interior. Isto é, como ele diz, aquilo que damos a cada dia são itens de nosso inventário pessoal. Se passamos adiante o ódio, é porque temos ódio armazenado dentro de nós para dar. Se passamos adiante a miséria, a escassez e a carência, isso significa que possuímos um suprimento destas coisas disponível para distribuição.

E, reprisando, o exemplo mais interessante que ele dá está no ato de espremer uma laranja. É o seguinte:

"Quando esprememos uma laranja, sempre obtemos suco de laranja. Esta afirmação é verdadeira independentemente de quem esprema a laranja, da hora em que a fruta é espremida, do instrumento usado para espremê-la ou das circunstâncias que envolvem o ato de espremer a laranja. O que sai é o que está do lado de dentro."

A mesma lógica se aplica a cada um, a cada uma e a todos e todas nós. Quando alguém te aperta, exerce sobre ti algum tipo de pressão ou diz alguma coisa pouco lisonjeira ou crítica a teu respeito, e de dentro de ti sai a raiva, o ódio, a amargura, a tensão, a depressão ou a ansiedade, são estas coisas que tu tens do lado de dentro.

A ironia é que não podes dar o que não tens porque estás sempre dando o que tens e, por consequência, recarregando tua vida com aquilo que dás. Seja o que for. Para sair do círculo e deixar de receber aquilo de que não gostas, é preciso que te perguntes: - o que tenho dentro de mim? e - por que escolher armazenar este tipo de energia para oferecer aos outros?

As práticas com a ideia de hoje podem te [nos] ajudar a responder a estas questões e a escolher de modo diferente. 

Às práticas?

sábado, 6 de junho de 2026

O que Deus oferece é a liberdade completa e perfeita

 

LIÇÃO 157

Quero entrar na Sua Presença agora.

1. Este é um dia de silêncio e de confiança. É um momento especial de compromisso em teu calendário. É um momento que o Céu reservou para iluminar, para lançar uma luz intemporal sobre este dia, em que se ouvem ecos da eternidade. Este dia é santo, pois ele anuncia uma experiência nova, um tipo diferente de sensação e de consciência. Tu passas incontáveis dias e noites na celebração da morte. Hoje aprendes a sentir a alegria da vida.

2. Este é outro momento crucial de decisão no currículo. Acrescentamos, agora, uma nova dimensão, uma experiência nova que derrama uma luz sobre tudo o que já aprendemos e que nos prepara para aquilo que ainda temos de aprender. Ela nos leva até a porta aonde o aprendizado acaba e onde temos um vislumbre daquilo que está além dos pontos mais altos que é possível é atingir com ele. Ela nos deixa aqui por um instante e vamos além dela, certos de nossa direção e de nossa única meta.

3. Hoje te será dado sentir um toque do Céu, embora vás voltar aos caminhos do aprendizado. Porém, já estás longe o suficiente no caminho para alterar o tempo o bastante, a fim de te elevares acima de suas leis e caminhar por algum tempo na eternidade. Aprenderás a fazer isto cada vez mais, à medida que cada lição, exercitada de modo sincero, te trouxer mais rapidamente a este lugar sagrado e te deixar aí, por um momento, entregue a teu Ser.

4. Ele orientará tua prática hoje, pois aquilo por que pedes agora é o que Ele deseja. E, neste dia, tendo unido tua vontade à d'Ele, aquilo que pedes tem de te ser dado. Não é necessário nada a não ser a ideia de hoje para iluminar tua mente e deixá-la descansar na expectativa calma e na alegria serena, em que deixas o mundo para trás rapidamente.

5. Deste dia em diante, teu ministério adquire uma dedicação genuína e um brilho que passa pela ponta de teus dedos àqueles que tocas e abençoa aqueles para quem olhas. Uma visão atinge a todos que encontras e a todos em quem pensas ou que pensam em ti. Pois hoje tua experiência transformará tanto tua mente que ela vai se tornar o padrão para os Pensamentos santos de Deus.

6. Teu corpo será santificado hoje, sendo agora seu único propósito levar a visão daquilo que experimentas neste dia para iluminar o mundo. Não podemos dar uma experiência como esta de forma direta. Contudo, ela deixa uma visão nos teus olhos que podes oferecer a todos, para que cada um possa chegar mais rápido à mesma experiência, na qual esquece-se o mundo de modo sereno e se lembra do Céu por algum tempo.

7. À medida que esta experiência se intensifica e que todas as metas, com exceção desta, passam a ter pouco valor, o mundo ao qual voltarás fica um pouco mais próximo do final do tempo, um pouco mais parecido com o Céu em seus caminhos, um pouco mais perto de sua liberação. E tu, que trazes a luz a ele, passarás a ver a luz com mais certeza; a visão mais distinta. Virá o tempo em que não voltarás com a mesma forma com a qual apareces agora, pois não terás necessidade dela. Agora, no entanto, ela tem uma finalidade e se prestará bem a ela.

8. Hoje, iniciamos um curso que não imaginaste. Mas o Santo, o Doador dos sonhos felizes da vida, Tradutor da percepção em verdade, o Guia santo para o Céu dado a ti, sonha para ti esta jornada que fazes e que começa hoje, com a experiência que este dia te oferece para ser tua.

9. Queremos entrar na Presença de Cristo agora, serenamente inconscientes de tudo, exceto de Sua face resplandecente e de Seu Amor perfeito. A visão de Sua face ficará contigo, mas haverá um momento que transcende toda visão, mesmo esta, a mais sagrada. Tu nunca ensinarás isto, pois não o obtiveste pelo aprendizado. No entanto, a visão fala de tua lembrança daquilo que conheceste naquele instante e que certamente conhecerás de novo.


*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 157

Caras, caros,

Como vocês veem a caminhada está chegando a um ponto em que já deixamos de dar tanta atenção ao que nos ensina o ego com seu sistema de pensamento que comanda este mundo de aparências e ilusões. Ou estou enganado?

Pela lógica do Espirito Santo, ou do divino interior, por quem estamos nos deixando guiar nas últimas lições, os passos se vão multiplicando na direção do aprendizado do que nós somos verdadeiramente em Deus, com Ele/Ela. 

Aproximamo-nos a passos largos daquilo que somos na verdade, sem medo de sermos felizes, sem medo de nos reconhecermos Filhas e Filhos de Deus, unos com Ele/Ela. É por isso que vai nos parecer cada vez mais natural a ideia com que vamos praticar neste dia.

"Quero entrar na Sua Presença agora."

Dediquemos mais uma vez este dia de silêncio e de confiança, hoje, a todos os que vieram para este mundo e que viram partir familiares, amigos, pessoas queridas, experimentando a dor de uma aparente separação, gerada apenas pela ideia, ou pela crença, de que algo do que vivemos pode ser vivido de forma separada de tudo e de todos e, principalmente, de Deus. 

Tudo o que aparentemente vivemos nesta experiência ilusória de uma vida em que estamos todos e todas separados e separadas uns dos outros, umas das outras, e de Deus e, por extensão, de nós mesmos e de nós mesmas, não tem nada a ver com a realidade do que somos. Isto é apenas aparência de realidade, como ensina a lição 152, pela qual alguns e algumas de nós já passamos algumas vezes. O que vivemos, neste mundo, isto é, a experiência que aparentemente temos aqui, é apenas ilusório. O que pensamos ser, em geral, não é o que somos de fato. Na verdade.

É por isso que a lição diz: este é um momento especial de compromisso em nosso calendário de dias, pois é um momento que o Céu reservou para oferecer seu brilho e lançar uma luz intemporal sobre este dia, em que se ouvem ecos da eternidade.

Este dia é santo, sagrado, pois nos apresenta uma experiência nova; um tipo diferente de sensação e de consciência.

Já passamos, como a lição lembra, incontáveis dias e noites na celebração da morte, mas, hoje, a ideia que praticamos vai nos ensinar a sentir, e a celebrar, a alegria da vida.

A morte não existe para nós, que escolhemos estar, entrar, na Presença de Deus, que escolhemos a Luz, a Verdade, a Alegria, o Amor e a Vida.

Todos e todas nós - ou quase todos e quase todas -, que viemos a este mundo já passamos pela experiência de acompanhar o desenrolar-se de um drama pessoal de algum familiar, que envelheceu ou que contraiu uma doença grave, de um amigo ou de alguma pessoa próxima, ou mesmo não tão próxima, cujo corpo passou a apresentar sinais de envelhecimento, precoce ou não, de tristeza e de desencanto com a vida. Poder-se- ia até dizer que a pessoa fez uma escolha diferente daquela que fazemos diariamente de acordar para esta experiência ilusória: a de viver e celebrar mais um dia, escolhendo partir e deixar de se identificar com o corpo. 

Muitos e muitas ficam amargurados e amarguradas, se sentem abandonados e abandonadas por Deus e pelos familiares, pelos amigos e pelas pessoas chegadas, antes de confirmarem sua decisão. Acredito, porém, que todos haveremos de passar por esse momento, ou por um momento parecido com esse. O momento em que fica claro que já não precisamos do corpo, como forma de afirmar a vida. Antes, o contrário é que é verdadeiro. A vida, de verdade, não depende nem de um corpo, nem de muitos. Nem de uma encarnação, nem de muitas. 

Um filme que vi há já algum tempo afirma que quem tem medo de morrer tem, na verdade, medo da vida, de viver. Um médico oriental, de quem li uma entrevista há pouco também, diz que o fato mais natural da vida é a morte [que é, na realidade, apenas a "morte", por assim dizer, de um invólucro, de um corpo que recebeu  o sopro da vida, pelo qual se sustenta, durante algum tempo]. Vivemos a experiência de corpos apenas para morrer. O morrer dos corpos. Ou para permitir que os corpos morram, sem que soframos por apego a algo que não é real. Ou já não vimos centenas, milhares de vezes, morrer o corpo em que nascemos, enquanto se transformava em outro, em outros, em muitos e em variados, ao longo do tempo?

Sabemos que não há motivo para dor, para tristeza ou amargura, quando o tempo do corpo está para se acabar. Todas essas coisas, essas sensações são escolhas, e são transitórias, como vimos também na lição 152. Sabemos que podemos seguir com confiança pelos caminhos a nós designados, aqueles que escolhemos a cada passo, a cada pensamento e decisão. Pois, como diz um amigo, que já está na Luz, "a Luz cuida de tudo", e tudo o que acontece é sempre, em qualquer situação ou circunstância, a única coisa que poderia ter acontecido, lembrando uma daquelas leis espirituais que se ensinam na Índia. Podemos manter o tempo inteiro a certeza de que "tudo coopera para o bem".

O que pode nos ajudar e confortar em todas as circunstâncias, quando nos permitimos ser guiados pelo divino interior, é confiar na verdade da ideia que praticamos ontem: caminho com Deus na santidade perfeita. E é também esta confiança e certeza que nos leva a afirmar com a ideia de hoje: Quero entrar na Sua Presença agora. Pois é apenas isso que pode nos dar a certeza que vamos, mais dia, menos dia, voltar a estar na Presença de Deus [o que significa apenas dizer, que voltaremos a ter plena consciência de nós mesmos e de nós mesmas como expressões completas do divino], de onde, na verdade, nunca saímos. E, por voltar a estar na Presença de Deus, quero dizer voltar a estar plenamente conscientes da Presença d'Ele/Ela em nós a cada instante, em todos os instantes, o tempo todo, sempre, eternamente.

O que acontece, em geral, é que, por momentos, em instantes que se prolongam por vezes, pensamos nos ter ausentado da Presença. Mais que isso até. Pensamos que Deus, a Presença, Se ausentou. Isto não acontece nunca. O que parece acontecer é que nós, feito crianças mimadas, emburradas e voluntariosas, fazemos birra de vez em quando e deixamos de voltar nossa atenção ao divino em nós, que não se ausenta, mas que nos dá a mais completa e perfeita liberdade para viajarmos [na maionese inclusive, rsrsrsrsrs...?] na ilusão de um estado, de uma vida e de um tempo separados de Sua Presença, separados da Fonte.

No entanto, estamos, vivemos e nos movemos em Deus. O tempo todo.

É por isso que, enquanto sentirmos necessidade da experiência do corpo - e, com ele, da percepção das formas e dos sentidos neste mundo -, viveremos com ele. E, às vezes, com a crença na separação.

Quando, porém, o corpo já não for mais necessário, poderemos voltar a casa (e voltar aqui é apenas força de expressão, uma vez que nunca saímos de lá, a não ser na ilusão, que nos dá a crença na separação), à Luz, à Presença de Deus, de onde, repetindo, na verdade, nunca saímos.

Por esta razão, entre outras, escolhemos, junto daqueles que aparentemente nos deixaram e com a ideia que a lição nos oferece, entrar na Presença de Deus agora. Hoje, neste momento.

Que tal, pois, aprendermos a compartilhar uns com os outros, umas com as outras, a luz de que somos portadores e portadoras, a Presença do divino em cada um e cada uma de nós, envolvendo simbolicamente, em nossos pensamentos e práticas, todos os nossos familiares, amigos, amigas e a humanidade toda, num abraço amoroso, suave e terno, na certeza de que estamos escolhendo e oferecendo também uns aos outros, umas às outras, e ao mundo todo o Céu? Pois, conforme o Curso ensina, o Céu é a decisão que temos de tomar.

Às práticas?

sexta-feira, 5 de junho de 2026

A consciência da Presença é tudo o que precisamos

 

LIÇÃO 156

Caminho com Deus em perfeita santidade.

1. A ideia de hoje apenas declara a verdade natural que torna o pensamento do pecado impossível. Ela garante que não há nenhuma razão para a culpa, que, por ser infundada, não existe. Isto decorre da ideia básica mencionada tantas vezes no livro texto: ideias não deixam sua fonte. Se isto for verdadeiro, como podes estar separado de Deus? Como poderias andar pelo mundo sozinho e separado de tua Fonte?

2. Não somos incoerentes nos pensamentos que apresentamos em nosso currículo. A verdade tem de ser verdadeira do início ao fim, se ela for verdadeira. Ela não pode se contradizer nem ser duvidosa em algumas partes e confiável em outras. Tu não podes andar pelo mundo separado de Deus, porque não podes existir sem Ele. Ele é o que tua vida é. Aonde estás Ele está. Existe uma única vida. Esta vida tu compartilhas com Ele. Nada pode estar separado d'Ele e viver.

3. Da mesma forma que vida, aonde Ele estiver também tem de haver santidade. Nenhuma das características d'Ele deixa de ser compartilhada por tudo o que vive. Aquilo que vive é sagrado como Ele, porque o que compartilha Sua vida é parte da Santidade e tanto não poderia ser pecaminoso quanto o sol não poderia escolher ser de gelo, o mar escolher ficar separado da água ou a grama nascer com as raízes suspensas no ar.

4. Há em ti uma luz que não pode morrer, cuja presença é tão santa que o mundo é santificado por causa de ti. Todas as coisas que vivem te trazem dádivas e as depositam a teus pés com gratidão e com alegria. O perfume das flores é a dádiva delas a ti. As ondas se inclinam diante de ti e as árvores estendem seus braços para te proteger do calor e depositam suas folhas no chão diante de ti, para que possas caminhar no macio, enquanto o vento se reduz a um sussurro em torno de tua fronte sagrada.

5. A luz em ti é o que o universo almeja ver. Todas as cosias vivas ficam calmas diante de ti, pois reconhecem Aquele Que caminha contigo. A luz que carregas é a delas. E, deste modo, elas veem sua própria santidade em ti, e te saúdam como salvador e como Deus. Aceita o respeito delas pois ele se deve à Própria Santidade que caminha contigo, transformando, em Sua luz benigna, todas as coisas a Sua semelhança e a Sua pureza.

6. É deste modo que a salvação funciona. Quando recuas, a luz em ti avança e envolve o mundo. Ela não anuncia o fim do pecado no castigo e na morte. O pecado acaba na claridade e no riso, porque se vê sua estranha incongruência. Ele é uma ideia tola, um sonho bobo, não assustador, ridículo talvez, mas quem, ao aproximar-se do Próprio Deus, desperdiçaria um instante por uma extravagância inútil?

7. No entanto, tu gastas muitos e muitos anos justamente com esta ideia tola. O passado acabou, com todas as suas fantasias. Elas já não te mantêm preso. A aproximação de Deus está perto. E, no pequeno intervalo de dúvida que ainda persiste, talvez percas de vista teu Companheiro e O confundas com o antigo sonho inútil que agora passou.

8. "Quem caminha comigo?" Deve-se fazer esta pergunta mil vezes por dia, até que a certeza acabe com a dúvida e instaure a paz. Permite que a dúvida acabe hoje. Deus fala por ti, ao responder a tua pergunta com estas palavras:

Caminho com Deus em perfeita santidade. Eu ilumino o mundo,
ilumino minha mente e todas as mentes que Deus criou unas comigo.


*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 156

Caras, caros,

Quando aprendemos a recuar, a deixar de ouvir o ego, para permitir que o divino interior seja o guia de nossos caminhos, como praticamos com a lição de ontem, o próximo passo, sem dúvida nenhuma é o que nos reserva a ideia com a qual vamos praticar hoje.

Ela é:

"Caminho com Deus em perfeita santidade."

Para dar início à exploração da ideia que o Curso nos oferece para as práticas de hoje, voltemos uma vez mais nossa atenção para o ensinamento de Joel Goldsmith, como já fizemos antes muitas outras vezes.

Diz ele de várias formas diferentes em seus livros que não nos vale de nada compreender de modo intelectual a ideia de que Deus é onipresente, onipotente e onisciente, conforme aprendemos nas primeiras lições de religião - aqueles e aquelas de nós que tiveram aulas de religião, nos moldes judaico-cristãos -, se não formos capazes de perceber a Presença d'Ele/Ela em nossos dias, em nossa vida. Se não formos capazes de integrar ao nosso dia a dia a força e o poder, o único poder verdadeiro, da Presença do divino.

De nada vale repetirmos a ideia da lição 41: Deus vai comigo aonde eu for, se não sentirmos a Presença do divino em nós enquanto praticamos. Da mesma forma não servem para nada as ideias das lições seguintes - da 42 à 47 -, se Deus não estiver presente em nossos pensamentos, palavras e ações dia a dia, momento após momento. 

É por esta razão que Goldsmith aconselha, como faz também o Curso, a buscarmos trazer à consciência a Presença do divino interior logo ao despertarmos todas as manhãs, para não corrermos o risco de enfrentar alguma situação em que duvidemos de que Deus possa estar presente. Ou para termos a certeza e a confiança de que tudo o que vamos viver ao longo do dia será permeado pela Presença.

Isto também é verdadeiro para a ideia que praticamos hoje: Caminho com Deus em perfeita santidade. Mas é preciso que demos nosso consentimento à Presença. Isto vimos na lição de anteontem. O Espírito de Deus em nós, a Voz por Deus, conhece nossas forças exatamente como elas são e sabe "onde elas podem ser melhor aplicadas, para quê, para quem e quando". É Ele/Ela, em nós, que escolhe e aceita o papel que nos cabe por nós. Mas Ele/Ela não pode trabalhar sem nosso consentimento. 

Lembram da lição recente: O poder de decisão é meu? Enquanto eu não tomar a decisão, o universo, e tudo o que há nele, fica suspenso, fica na dúvida, não se confirma. Isto é, se eu não assumo o comando e governo o mundo, o meu mundo, o mundo assume as rédeas e pode me dar um monte de coisas que me afastam da alegria, me tiram a paz e me mergulham no mais profundo dos infernos. Ou não. 

Pode ser que ele me dê um monte de coisas boas. Aí vou me acreditar uma pessoa que tem sorte, mas tudo sempre vai depender daquilo em que acredito. Se me acredito impotente, incapaz e não merecedor das coisas boas do mundo, o que vou receber do mundo vai apenas confirmar aquilo em que acredito a meu próprio respeito. Aí vou me julgar azarado. Uma vítima do mundo.

Tomar a decisão de ouvir a Voz por Deus e de seguir a orientação que nos vem do mais íntimo e verdadeiro em nós mesmos, ou em nós mesmas, da única coisa que é real em nós o tempo todo, é a forma que temos para dar o consentimento, e para reconhecer que não caminhamos sozinhos ou sozinhas neste mundo. 

Da mesma forma que praticamos com a ideia de que Deus vai conosco aonde formos, a lição de hoje convida a refletir a respeito da presença de Deus em todos os nossos passos, reconhecendo também a perfeita santidade que nos envolve neste caminhar.

Talvez nos tenhamos esquecido durante algum tempo de que não podemos viver separados, nem separadas, de Deus, porque preferimos dar ouvidos a uma voz estranha, que nos oferece uma percepção equivocada, como substituto para o Ser que sabe e pode garantir que somos feitos à imagem e semelhança de Deus. Por isso precisamos das práticas para chegarmos - ou voltarmos, se preferirem -, a nós mesmos e a nós mesmas e, por consequência, a Deus.

Paramahansa Yogananda diz que "só podemos conhecer Deus conhecendo a nós mesmos, pois nossa verdadeira natureza é semelhante à Dele. O homem foi criado à imagem de Deus".

Já, para Eckhart Tolle, "a percepção de Deus é a coisa mais natural que existe. O fato estranho e incompreensível não é que possamos nos tornar conscientes de Deus, mas sim que não [estejamos o tempo todo] conscientes [da Presença] de Deus" em nós mesmos e em nós mesmas, que não saibamos que caminhamos com Deus em perfeita santidade em qualquer circunstância. Pois como também vimos anteriormente "todas as coisas são ecos da Voz por Deus". Lembram-se?

São as práticas que podem desfazer este e outros equívocos em nossa percepção. 

Às práticas?

quinta-feira, 4 de junho de 2026

É preciso um tempo de silêncio para se ouvir o divino

 

LIÇÃO 155

Recuarei e permitirei que Ele mostre o caminho.

1. Há um jeito de viver no mundo que não é daqui, embora pareça ser. Tu não mudas a aparência, embora sorrias com mais frequência. Tua fronte fica serena, teus olhos ficam em paz. E aqueles que andam pelo mundo do mesmo jeito que tu andas te reconhecem como um deles. Todavia, aqueles que ainda não perceberam este jeito também te reconhecerão e acreditarão que és igual a eles, assim como eras antes.

2. O mundo é uma ilusão. Aqueles que escolheram vir a ele estão buscando um lugar no qual possam ser ilusões e evitar sua própria realidade. Porém, quando descobrem que sua própria realidade está até mesmo aqui, eles recuam, então, e a deixam mostrar o caminho. Que outra escolha têm a fazer realmente? Permitir que as ilusões andem na frente da verdade é loucura. Mas permitir que as ilusões desapareçam atrás da verdade e permitir que a verdade se mostre como é é simplesmente sanidade.

3. Esta é a escolha natural que fazemos hoje. A ilusão louca permanecerá em evidência por algum tempo, para ser vista por aqueles que escolheram vir e que ainda não se regozijam ao descobrir que estavam equivocados em sua escolha. Eles não podem aprender diretamente da verdade porque negam que isto seja verdade. E, por isto, eles precisam de um Professor Que percebe sua loucura, mas Que ainda pode olhar, além da ilusão, para a verdade natural neles.

4. Se a verdade exigisse que desistissem do mundo pareceria a eles que ela lhes pediu para sacrificarem alguma coisa real. Muitos escolheram renunciar ao mundo apesar de ainda acreditarem em sua realidade. E experimentaram uma sensação de perda e, em consequência disto, não se libertaram. Outros não escolheram nada senão o mundo e experimentaram uma sensação de perda ainda mais profunda que não entenderam.

5. Entre estes caminhos há outra estrada que conduz para longe de qualquer tipo de perda, pois deixa-se para trás rapidamente tanto o sacrifício quanto a privação. Este é o caminho designado para ti agora. Tu andas por este caminho assim como outros e também não pareces ser diferente deles, embora, de fato, sejas. Deste modo podes lhes ser útil enquanto ajudas a ti mesmo a ajustar os passos deles ao caminho que Deus abre para ti, e para eles por teu intermédio.

6. Parece que a ilusão ainda persiste em ti, a fim de que possas alcançá-los. Mas ela recuou. E não é de ilusão que eles te ouvem falar e também não é ilusão que ofereces para seus olhos verem e para suas mentes compreenderem. A verdade, que anda a tua frente, também não pode lhes falar por meio de ilusões, pois a estrada leva para além das ilusões agora, enquanto os chamas ao longo do caminho para que possam te seguir.

7. No final, todas as estradas conduzem a esta. Pois sacrifício e privação são caminhos que não levam a lugar nenhum, escolhas de derrota e metas que continuarão a ser impossíveis. Tudo isto recua quando a verdade se apresenta em ti para afastares teus irmão dos caminhos da morte e colocá-los no caminho da felicidade. O sofrimento deles é só ilusão. No entanto, eles precisam de um guia para conduzi los para fora dela pois eles confundem ilusão com verdade.

8. Este é o chamado da salvação e nada mais. Ele te pede que aceites a verdade e que a deixes ir na tua frente, iluminando o caminho do resgate da ilusão. Este não é um resgate com um preço. Não há nenhum custo, mas apenas ganho. A ilusão só pode aparentar manter o filho de Deus aprisionado. É apenas das ilusões que ele se salva. Quando elas recuam, ele se encontra novamente.

9. Caminha com segurança agora, mas com cuidado porque este caminho é novo para ti. E podes descobrir que ainda ficas tentado a andar na frente da verdade e permitir que as ilusões sejam o teu guia. Teus irmãos santos te foram dados para seguirem as tuas pegadas enquanto caminhas em direção da verdade com clareza de objetivo. Ela vai na tua frente agora para que eles possam ver alguma coisa com a qual possam se identificar, algo que compreendam para mostrar o caminho.

10. Entretanto, no final da jornada não haverá nenhuma brecha, nenhuma distância entre a verdade e ti. E todas as ilusões que andavam pelo caminho que trilhavas também se afastarão de ti, sem deixar nada para manter a verdade separada da completude de Deus, santa como Ele Mesmo. Recua com fé e deixa a verdade mostrar o caminho. Tu não sabes aonde vais. Mas Aquele Que sabe vai contigo. Deixa que Ele te conduza com os outros.

11. Quando os sonhos acabarem, o tempo fechar a porta sobre todas as coisas que passam e os milagres forem desnecessários, o Filho santo de Deus não fará nenhuma jornada. Não haverá nenhum desejo de ser ilusão como uma alternativa mais apropriada do que a verdade. E nos adiantamos em direção a isso, à medida que avançamos ao longo do caminho que a verdade nos indica. Esta é nossa última jornada, que fazemos por todos. Não devemos perder nosso rumo. Pois do mesmo modo que a verdade segue a nossa frente, ela vai à frente de nossos irmãos que vão nos seguir.

12. Caminhamos para Deus. Para e reflete a respeito disto. Algum outro caminho poderia ser mais santo ou mais digno de teu esforço, de teu amor e de toda a tua determinação? Que caminho poderia te dar mais do que tudo ou oferecer menos e ainda assim satisfazer o Filho santo de Deus? Caminhamos para Deus. A verdade que caminha diante de nós agora é una com Ele e nos conduz ao lugar no qual Ele sempre esteve. Que caminho a não ser este poderia ser um caminho que escolherias em seu lugar?

13. Teus pés estão plantados sobre a estrada que conduz o mundo a Deus. Não olhes para caminhos que parecem te conduzir a outro lugar. Os sonhos não são um guia digno para ti, que és o Filho de Deus. Não te esqueças de que Ele coloca Sua Mão na tua e, em Sua confiança, te oferece teus irmão para que sejas digno da confiança d'Ele em ti. Ele não pode estar enganado. A confiança d'Ele torna seguro teu caminho e tua meta garantida. Tu não desapontarás teus irmãos nem teu Ser.

14. E, agora, Ele pede apenas que penses n'Ele por um momento a cada dia, para que Ele possa falar contigo e te contar de Seu Amor, lembrando-te de quão grande é Sua confiança, quão ilimitado Seu Amor. Em teu Nome e em Seu Próprio Nome, que são o mesmo, praticamos com alegria este pensamento hoje:

Recuarei e permitirei que Ele mostre o caminho,
Pois quero caminhar pela estrada que conduz a Ele.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 155

Caras, caros,

Conforme falamos ontem, nós, todas e todos nós, não temos a menor ideia de onde estamos, quem somos ou o que estamos fazendo a maior parte do tempo. É apenas quando nos damos um tempo de silêncio, para ouvir a voz da divindade interior, o Ser em nós, que por vezes intuímos o que fazer, onde ir, o que dizer a quem encontrar, ou experimentamos a paz no lugar onde nos encontramos.

Daí a importância de nos darmos este tempo de silêncio periodicamente, diariamente, durante as práticas com as lições, para afastar de nossa mente os pensamentos e as orientações do ego, que sempre quer ditar o que devemos fazer, onde ir, com quem falar, sem a menor intenção de nos levar ao caminho da paz. Muito pelo contrário, porque o ego só se alimenta de conflitos. Sem os conflitos ele não existe.

É isto que nos convida a fazer a ideia com que vamos praticar hoje. A permitirmos que o divino interior nos mostre o caminho, e não o ego. Vamos à exploração dela?

"Recuarei e permitirei que Ele mostre o caminho."

As práticas com a  ideia da lição de hoje vão permitir que vislumbremos o mundo que queremos. O mundo em que queremos viver. O mundo em que podemos experimentar a alegria e a paz, completas e perfeitas. A Vontade de Deus para nós. Nossa própria vontade, que é a mesma d'Ele/d'Ela.

E vocês podem estar se perguntando: mas como?

Aprendendo a renunciar à aparente necessidade de controle que só o falso eu, a imagem que construímos para nós mesmos e para nós mesmas, pode pensar em ter. A origem de todos os problemas que pensamos ver e que pensamos ter de enfrentar está aí. É só o ego que quer usurpar o lugar de Deus. Só o ego pode se pensar separado de Deus e de toda a Criação.

Mas não somos o ego, que nem sequer existe (no sentido de que ele não é real). É apenas uma imagem de nós mesmos e nós mesmas, construída a partir da crença na separação, que nunca aconteceu, não acontece e jamais acontecerá. Assim como este mundo é apenas uma imagem construída pelo sistema de pensamento do ego. Uma projeção tão somente de todos os conflitos e medos, de todas as incertezas e dúvidas e culpas, de todos os horrores que inventamos e que trazemos dentro de nós. Só ilusão.

A resistência que emprestamos às pessoas, situações e circunstâncias que surgem em nosso caminho também é responsável por grande parte das dificuldades que se apresentam a nossa experiência neste mundo. Ou ainda a resistência que temos em aceitar a mudança. É fato também que temos muita dificuldade para reconhecer que nada se apresenta a nós por acaso, por fatalidade de um destino inexorável ou por culpa ou responsabilidade e escolha de alguém que não nós mesmos e nós mesmas.

Daí a necessidade das práticas da ideia que o Curso nos traz uma vez mais hoje. Isto é, a necessidade de começarmos a abandonar a resistência em fazer aquilo que a Voz por Deus pede que façamos. A necessidade de aprendermos a não resistir à possibilidade de nos abrirmos à Voz por Deus e ao Próprio Deus e a não resistir às formas todas, quaisquer que sejam elas, com que tudo se apresenta a nossa consciência. A necessidade de nos abrirmos ao que nos pede o Ser em nós, o Ser que é o que somos verdadeiramente em Deus, com Ele/Ela.

Lembremo-nos da lição: "Todas as coisas são ecos da Voz por Deus". Será que, se olharmos para qualquer pessoa, coisa, situação e circunstância, com a ideia de que "todas as coisas são ecos da Voz por Deus", sentiremos algum impulso de reagir, atacar ou resistir?

Lembremo-nos também mais uma vez de Marco Aurélio, como já citei anteriormente, que disse, há mais de 2.000 anos: 

"Aceite o que quer que venha para você nas tramas do destino, pois o que se ajustaria mais adequadamente às suas necessidades?" 

Isto é, o que quer que se apresente a nós é o que precisamos experimentar para dar mais um passo em direção de nós mesmos e de nós mesmas.

Ou ainda como diz Eckhart Tolle no livro O Poder do Agora

"Não oferecer resistência à vida é estar em estado de graça, de descanso e de luz".

E perguntemo-nos ainda mais uma vez: o que mais precisamos aprender a partir da ideia de recuar e permitir que Deus nos mostre o caminho? Não será este um bom começo para aprendermos a praticar a entrega? 

Às práticas?