quarta-feira, 11 de março de 2026

Tu te vales de que "doenças" para evitar a salvação?

 

LIÇÃO 70

Minha salvação vem de mim.

1. Toda tentação não é nada mais do que alguma forma da tentação básica de não acreditar na ideia para hoje. A salvação parece vir de qualquer lugar exceto de ti. Do mesmo modo, também, a fonte da culpa. Tu não vês nem a culpa nem a salvação como estando em tua própria mente e em nenhum outro lugar. Quando perceberes de forma clara que toda culpa é somente uma invenção de tua mente, tu também perceberás claramente que culpa e salvação têm de estar no mesmo lugar. Ao compreenderes isto, estás salvo.

2. O custo aparente de aceitar a ideia de hoje é este: ela significa que nada fora de ti mesmo pode te salvar; nada fora de ti mesmo pode te dar paz. Mas significa também que nada fora de ti mesmo pode te ferir ou perturbar tua paz ou te transtornar de qualquer maneira. A ideia de hoje te coloca no comando do universo, aonde é teu lugar devido ao que tu és. Este não é um papel que possa ser aceito parcialmente. E tu certamente tens de começar a perceber que aceitá-lo é a salvação.

3. Pode, no entanto, não estar claro para ti por que razão o reconhecimento de que a culpa está em tua própria mente acarreta necessariamente o reconhecimento de que a salvação também está aí. Deus não teria posto o remédio para a doença aonde ele não pode ajudar. Este é o modo como tua mente funciona, mas a d'Ele, dificilmente. Ele quer que sejas curado, por isso Ele mantém a Fonte da cura aonde a necessidade da cura existe.

4. Tu tentas fazer exatamente o contrário, ao fazeres todas as tentativas, por mais distorcidas e bizarras que elas possam ser, para separar a cura da doença para a qual ela se destinava e, deste modo, conservar a doença. Teu objetivo era assegurar que a cura não acontecesse. O objetivo de Deus era assegurar que ocorresse.

5. Hoje praticamos perceber claramente que a Vontade de Deus e a nossa são, de fato, a mesma em relação a isto. Deus quer que sejamos curados e nós, de verdade, não queremos ficar doentes, porque isto nos torna infelizes. Por isso, ao aceitarmos a ideia para hoje, estamos realmente de acordo com Deus. Ele não quer que fiquemos doentes. Nem nós. Ele quer que sejamos curados. Nós também.

6. Estamos preparados para dois períodos de prática mais longos hoje, cada um dos quais deve durar de dez a quinze minutos. Porém, ainda deixaremos que tu decidas quando empreendê-los. Seguiremos esta prática durante algumas lições e, mais uma vez, seria bom decidires com antecedência quando seria um bom momento para reservar a cada um deles e, em seguida, ser fiel a tuas próprias decisões tão rigorosamente quanto possível.

7. Começa estes períodos de prática repetindo a ideia para hoje, acrescentando uma declaração que significa teu reconhecimento de que a salvação não vem de nenhum lugar fora de ti mesmo. Poderias formulá-la deste modo:

Minha salvação vem de mim. Ela não pode vir
de nenhum outro lugar.

Em seguida, de olhos fechados, dedica alguns minutos a rever alguns dos lugares externos nos quais procuraste a salvação no passado; - em outras pessoas, em posses, em várias situações e acontecimentos e em autoconceitos que procuraste tornar verdadeiros. Reconhece que ela não está lá e dize a ti mesmo:

Minha salvação não pode vir de nenhuma destas coisas.
Minha salvação vem de mim e só de mim.

8. Agora, mais uma vez, vamos tentar alcançar a luz em ti, que é onde tua salvação está. Não podes achá-la nas nuvens que cercam a luz e é nelas que a estás buscando. Ela não está aí. Ela está além das nuvens e na luz adiante. Lembra-te de que terás de atravessar as nuvens antes de poderes alcançar a luz. Mas lembra-te também de que nunca encontraste nada que durasse ou que quisesses nesta configuração de nuvens que imaginaste.

9. Já que todas as ilusões de salvação falharam para ti, certamente não queres permanecer nas nuvens, buscando ídolos lá inutilmente, quando podes tão facilmente caminhar até a luz da salvação verdadeira. Tenta atravessar as nuvens usando qualquer meio que te agrade. Se te ajudar, pensa em mim segurando tua mão e te conduzindo. E eu te asseguro que isto não será nenhuma fantasia vã.

10. Para os períodos de prática breves e frequentes, hoje, lembra-te de que tua salvação vem de ti e de que nada, a não ser teus próprios pensamentos, podem dificultar teu avanço. Tu estás livre de toda interferência externa. Tu és responsável por tua salvação. Tu és responsável pela salvação do mundo. Dize, então:

Minha salvação vem de mim. Nada fora de mim pode me
deter. A salvação do mundo e a minha estão dentro de mim.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 70

Caras, caros,

Já é mais do que chegada a hora de começarmos a assumir a responsabilidade pelo mundo que vemos, uma vez que, como o Curso ensina, não há nada fora de nós. 

Por isso, é necessário também que paremos de acreditar que qualquer coisa pode aparecer de fora, do nada, e, de maneira mágica, resolver os problemas por que passamos. É preciso que entendamos o mais rápido possível que não há nada fora de nós que nos possa atacar e, por consequência, também não há nada fora de nós que nos possa salvar.

É isto que vamos praticar com a ideia que a lição nos oferece para hoje.

"Minha salvação vem de mim."

O que é tentação? Tentação é tudo aquilo que busca nos afastar de nós mesmos ou de nós mesmas, do Ser, do divino interior. Dito de outra forma, tentação é tudo aquilo que reforça a crença básica e equivocada do ego - "o falso eu", o "grande impostor", a imagem falsa de nós mesmos e de nós mesmas, que o mundo nos leva a construir e manter -, segundo a qual estamos separados e separadas de Deus, uns e umas dos outros e das outras.

Pode-se dizer também que tentação é tudo aquilo que nos leva a ver, fora de nós mesmos, ou de nós mesmas, a fonte de tudo o que existe, quer pensemos na ilusão, quer na realidade. Ou ainda que é tentação tudo aquilo que nos leva a julgar qualquer coisa no mundo.

Mas, para começo de conversa, vejamos, uma vez mais, o que a lição de hoje tem a dizer:

Toda tentação não é nada mais do que alguma forma da tentação básica de não acreditar na ideia para hoje. A salvação parece vir de qualquer lugar exceto de ti. Do mesmo modo, também, a fonte da culpa. Tu não vês nem a culpa nem a salvação como estando em tua própria mente e em nenhum outro lugar. Quando perceberes de forma clara que toda culpa é somente uma invenção de tua mente, tu também perceberás claramente que culpa e salvação têm de estar no mesmo lugar. Ao compreenderes isto, estás salvo.

Isto é, o desafio aqui, mais uma vez, é reconhecermos e aceitarmos que não há nada fora de nós mesmos e de nós mesmas. Tudo, tudo o que vemos, ouvimos, tocamos, provamos, cheiramos ou sentimos, está em nós. Não pode estar em nenhum outro lugar. Nunca. Até porque não existe nenhum outro lugar fora de nós mesmos e de nós mesmas. E podemos pensar e acreditar nisto até mesmo no que se refere ao vírus da Covid-19, suas variantes e outros vírus, bem como de todas as doenças e de todos os males de que temos notícia e que povoam nosso mundo particular.

Nada mais óbvio, nada mais lógico então do que começarmos a lidar com o mundo todo, a começar por nosso mundo particular, a partir da verdade eterna da ideia que praticamos hoje:

Minha salvação vem de mim.

Podemos, então, desde já, experimentar a colher os benefícios de acreditar, reconhecer, aceitar e aplicar em nossos dias a ideia? Ou ainda vamos preferir acreditar que a salvação pode vir de outro lugar, de outra pessoa, de um Deus exterior a nós?

O que custa experimentar acreditar e pôr em prática a ideia da lição de hoje?

Vejamos:

O custo aparente de aceitar a ideia de hoje é este: ela significa que nada fora de ti mesmo pode te salvar; nada fora de ti mesmo pode te dar paz. Mas significa também que nada fora de ti mesmo pode te ferir ou perturbar tua paz ou te transtornar de qualquer maneira. A ideia de hoje te coloca no comando do universo, aonde é teu lugar devido ao que tu és. Este não é um papel que possa ser aceito parcialmente. E tu certamente tens de começar a perceber que aceitá-lo é a salvação.

É a mais completa e absoluta liberdade que a ideia, a lição, de hoje oferece. Uma liberdade, porém, que traz consigo uma enorme responsabilidade, pois ela nos coloca no comando, na direção, do universo. Tudo fica sob nosso controle. No entanto, é lógico também supor que tamanha responsabilidade nos é dada apenas porque o divino em nós sabe que somos capazes de assumi-la.

Porém, ainda assim, é isso que nos assusta, não? A ideia de que tudo está sob nosso controle apenas.

Para viver, contudo, a partir da ideia de que:

Minha salvação vem de mim.

é preciso que eu seja capaz de aceitar também que não há nada fora de mim que me possa condenar, julgar ou aprisionar. Continuo a ser como Deus me criou. Santo e absolutamente inocente. 

No entanto, e apesar da ideia que o Curso nos trouxe ontem afirmar que nossa única necessidade é a salvação, ainda hesitamos em aceitar a afirmação de nossa inocência. 

Como diz Clarice Lispector, a conselho do ego, "temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes". 

Não é assim? Temos vergonha de nos dizermos, de nos sentirmos inocentes, puros e puras. Ainda acreditamos que o mundo lida mal com a inocência, com a pureza. Ainda acreditamos que ser inocente é sinônimo de ser "otário", "babaca", "panaca", "ingênuo", "fraco", "molenga", "sangue de barata", e por aí a fora.

Todavia, mais do que isso, o que nos põe apreensivos e relutantes em aceitar a ideia de que somos inocentes, e a de que a salvação só pode vir de nós mesmos, ou de nós mesmas, é o fato de que não é possível deixar de receber com ela a responsabilidade pela salvação do mundo também. Não há como fugir da verdade de que somos nós - tu, eu e cada um ou cada uma de nós todos e todas - que o criamos [o mundo] e o mantemos aprisionado, nas condições que damos a ele por acreditarmos nas imagens que inventamos para ele.

Assim, vale para todos nós o que vem a seguir: 

Não há dúvida, nem para mim e nem para nenhum nem nenhuma sequer de nós, que pensamos habitar um mundo separado daquilo que somos, de que também não posso aceitar esta responsabilidade [a de minha salvação e a da salvação do mundo todo], este compromisso, pela metade. Ora sou, ora não sou. Ser o EU SOU QUE SOU é que vai me fazer ver, em mim, ser e partilhar a luz do mundo com tudo, com todos e com todas.

É claro, também, que ao me reconhecer como a luz do mundo e seu salvador, tenho de reconhecer também que "as culpas" e "os males" do mundo, quando penso que existem culpas e males nele, só podem estar em minha mente.

A razão para isso é o que a lição nos mostra a seguir:

Pode, no entanto, não estar claro para ti por que razão o reconhecimento de que a culpa está em tua própria mente acarreta necessariamente o reconhecimento de que a salvação também está aí. Deus não teria posto o remédio para a doença aonde ele não pode ajudar. Este é o modo como tua mente funciona, mas a d'Ele, dificilmente. Ele quer que sejas curado, por isso Ele mantém a Fonte da cura aonde a necessidade da cura existe.

Ora, mesmo a natureza mostra que a doença e a cura andam de mãos dadas. Ou não é na serpente que está o veneno que pode matar e que, ao mesmo tempo, serve para a cura da picada fatal? E os venenos das plantas não são também aproveitados para infusões e usos que os transformam em remédio para vários males? E as vacinas não são produzidas a partir dos vírus que são causas de doenças?

Minha salvação vem de mim.

A doença nunca pode estar separada daquilo que funciona como sua cura. Assim é que, apesar de toda a ilusão que me faz ver o mundo como um lugar caótico, como um lugar em que tudo acontece para provar que estou fadado ao inferno e que não há saída possível, tenho de reconhecer que minha salvação vem de mim.

E a lição continua:

Tu tentas fazer exatamente o contrário, ao fazeres todas as tentativas, por mais distorcidas e bizarras que elas possam ser, para separar a cura da doença para a qual ela se destinava e, deste modo, conservar a doença. Teu objetivo era assegurar que a cura não acontecesse. O objetivo de Deus era assegurar que ocorresse.

Em geral é o que faço. É o que fazemos todos e todas. Gostamos de nossas doenças. Elas, por vezes, se tornam mecanismos pelos quais chamamos - e recebemos - uma atenção de que acreditamos precisar e que não teríamos, caso vivêssemos a saúde plena, que só é possível a partir da alegria.

Nosso comportamento, de certa forma, está descrito neste trecho do livro A Cidadela, um livro póstumo de Antoine de Saint-Exupéry, autor também do conhecidíssimo O Pequeno Príncipe:

"Houve uma altura da minha mocidade em que senti piedade pelos mendigos e pelas suas úlceras. Até chegava a apalavrar curandeiros e a comprar bálsamos por causa deles. As caravanas traziam-me de uma ilha longínqua unguentos derivados do ouro, que têm a virtude de voltar a compor a pele ao de cimo da carne. Procedi assim até descobrir que eles tinham como artigo de luxo aquele insuportável fedor. Surpreendi-os a coçarem e a regarem com bosta aquelas pústulas, como quem estruma uma terra para dela extrair a flor cor de púrpura. Mostravam orgulhosamente uns aos outros a sua podridão e gabavam-se das esmolas recebidas. Aquele que mais ganhara comparava-se a si próprio ao sumo sacerdote que expõe o ídolo mais prendado. Se consentiam em consultar o meu médico era na esperança de que o cancro deles o surpreendesse pela pestilência e pelas proporções. Chegavam a empregar os cotos para conquistar um lugar no mundo. Daí também o aceitarem os cuidados como uma homenagem e oferecerem os membros a abluções bajuladoras. Mas, apenas o mal os deixava, descobriam-se sem importância. Já nada alimentavam que fosse deles próprios, davam-se por inúteis. O único remédio era ressuscitar de novo essa úlcera que vivia à custa deles. E, uma vez envoltos de novo no seu mal, gloriosos e vãos, pegavam na escudela e tornavam a empreender o caminho das caravanas. Voltavam a espoliar os viajantes em nome de seus sórdidos deuses."

Minha salvação vem de mim.

É na direção do entendimento e da aceitação disso que a lição nos orienta. É para isso que praticamos.

Assim:

Hoje praticamos perceber claramente que a Vontade de Deus e a nossa são, de fato, a mesma em relação a isto. Deus quer que sejamos curados e nós, de verdade, não queremos ficar doentes, porque isto nos torna infelizes. Por isso, ao aceitarmos a ideia para hoje, estamos realmente de acordo com Deus. Ele não quer que fiquemos doentes. Nem nós. Ele quer que sejamos curados. Nós também.

E, mais uma vez, cabe a nós mesmos e a nós mesmas a decisão, a escolha. Queremos ser curados, curadas? Queremos, de fato, assumir o compromisso com a salvação - a nossa e a do mundo?

Para isso precisamos estar prontos, prontas. Estamos? Continuando com a lição vamos responder a esta pergunta:

Estamos preparados para dois períodos de prática mais longos hoje, cada um dos quais deve durar de dez a quinze minutos. Porém, ainda deixaremos que tu decidas quando empreendê-los. Seguiremos esta prática durante algumas lições e, mais uma vez, seria bom decidires com antecedência quando seria um bom momento para reservar a cada um deles e, em seguida, ser fiel a tuas próprias decisões tão rigorosamente quanto possível.

O modo de fazer - e a que a aplicação da ideia de hoje leva - o que a lição pede está dito no restante das orientações que se seguem a este sexto parágrafo.

Minha salvação vem de mim.

O tempo todo estamos tentando chegar à luz em nós mesmos, em nós mesmas para reconhecermos e aceitarmos que a iluminação - e, por consequência, a salvação - do mundo inteiro depende de nós. Depende de nos decidirmos a viver no mundo sendo o ser de luz que somos na verdade.

Para viver assim precisamos praticar constante e frequentemente, aplicar, reconhecer e aceitar que, como diz a última das orientações da lição de hoje:

Minha salvação vem de mim.
Nada fora de mim pode me deter.
A salvação do mundo e a minha própria salvação estão dentro de mim.

Praticar com isto honesta e sinceramente é assumir o compromisso com nossa própria salvação e com a salvação do mundo inteiro.

Às práticas?

terça-feira, 10 de março de 2026

Tua luz só se fará visível ao abandonares as mágoas

 

LIÇÃO 69

Minhas mágoas escondem a luz do mundo em mim.

1. Ninguém pode ver o que tuas mágoas escondem. Uma vez que tuas mágoas escondem a luz do mundo em ti, todos ficam nas trevas e tu a seu lado. Mas, quando o véu de tuas mágoas se ergue, ficas liberado com eles. Compartilha a salvação agora com aquele que ficou a teu lado quando estavas no inferno. Ele é teu irmão na luz do mundo que salva a ambos.

2. Vamos fazer, hoje, mais uma tentativa verdadeira de alcançar a luz em ti. Antes de empreendermos isto em nosso período de prática mais longo, vamos dedicar vários minutos à reflexão a respeito do que tentamos fazer. Estamos, literalmente, tentando entrar em contato com a salvação do mundo. Estamos tentando ver adiante do véu da escuridão que a mantém escondida. Estamos tentando permitir que o véu seja erguido, para ver as lágrimas do Filho de Deus desaparecerem na luz do sol.

3. Comecemos nosso período de prática mais longo hoje com a percepção perfeita de que isto é verdade e com determinação verdadeira para alcançar o que nos é mais caro do que tudo. A salvação é nossa única necessidade. Não há nenhum outro propósito e nenhuma função diferente a se cumprir aqui. Nossa única meta é aprender a salvação. Vamos finalizar a antiga busca hoje, encontrando a luz em nós, para mostrá-la a todos que buscam conosco para que a vejam e se regozijem.

4. Agora, de modo muito tranquilo, de olhos fechado, tenta abandonar todas as informações que, em geral, ocupam tua consciência. Pensa em tua mente como um círculo imenso, cercado por uma camada de nuvens escuras e pesadas. Tu podes ver apenas as nuvens porque pareces estar fora do círculo e bem separado dele.

5. Do lugar aonde estás não podes ver nenhuma razão para acreditar que existe uma luz brilhante escondida pelas nuvens. As nuvens parecem ser a única realidade. Elas parecem ser tudo o que há para se ver. Por isso não tentas atravessá-las e ir além delas, que é o único modo pelo qual ficarias realmente convencido da inconsistência delas. Faremos esta tentativa hoje.

6. Depois de pensares a respeito da importância do que tentas fazer por ti mesmo e pelo mundo, tenta sossegar em perfeita serenidade, lembrando apenas o quanto queres alcançar a luz em ti hoje -, agora! Decide-te a atravessar as nuvens. Estende-te e toca-as em tua mente. Dispersa-as com a mão; sente-as sobre tua face e testa e pálpebras à medida que as atravessas. Continua; as nuvens não podem te impedir.

7. Se estiveres fazendo os exercícios de forma correta, começarás a ter uma sensação de ser elevado e conduzido adiante. Teu pequeno esforço e tua modesta determinação invocam o poder do universo para te ajudar e o Próprio Deus te erguerá das trevas para a luz. Tu estás em harmonia com a Vontade d'Ele. Não podes falhar porque tua vontade é a d'Ele.

8. Confia em teu Pai hoje e fica certo de que Ele te ouve e te atende. Podes ainda não reconhecer Sua resposta, mas podes, de fato, ter certeza de que ela te é dada e de que ainda a receberás. Experimenta, enquanto tentas atravessar das nuvens para a luz, manter esta confiança em tua mente. Tenta te lembrar de que, enfim, estás unindo tua vontade à de Deus. Tenta manter em mente, com clareza, o pensamento de que aquilo que empreendes com Deus tem de ser bem-sucedido. Depois, deixa que o poder de Deus opere em ti e por teu intermédio, a fim de que se façam a Vontade d'Ele e a tua.

9. Nos períodos de prática mais breves, que quererás fazer com a maior frequência possível em função da importância da ideia de hoje para ti e para tua felicidade, lembra-te de que tuas mágoas escondem a luz do mundo de tua consciência. Lembra-te também de que não a buscas sozinho e de que sabes onde procurá-la. Dize, então:

Minhas mágoas escondem a luz do mundo em mim.
Não posso ver aquilo que escondo. Quero, porém, permitir
que me seja revelado, para minha salvação e para a salvação do mundo.

Certifica-te ainda de dizeres a ti mesmo:

Se eu esconder esta mágoa, a luz do mundo ficará escondida de mim,

se fores tentado a manter qualquer coisa contra alguém hoje.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 69

Caras, caros,

Certamente todos e todas nós já nos encontramos com alguém que à primeira vista nos pareceu uma pessoa iluminada, não é mesmo? Ao conversarmos com uma pessoa assim, descobrimos invariavelmente que ela é uma pessoa de bem com a vida. Uma pessoa que não se importa com as aparências do mundo e nem liga para o que as outras pessoas a volta de si dizem ou fazem, mesmo quando se referem a ela.

O que isto quer dizer? Isto quer dizer, com certeza, que essa pessoa não carrega mágoa alguma e que é por isso que sua luz se tornou visível, mesmo que ela não saiba disso de forma consciente. É para podermos vislumbrar a possibilidade de tornarmos nossa luz visível que precisamos praticar com atenção a ideia que o Curso nos oferece para os treinos com a lição de hoje.

'Bora lá!

"Minhas mágoas escondem a luz do mundo em mim."

Quantas vezes fingiste não ouvir alguma coisa que o outro disse e te magoaste e ficaste ressentida ou ressentido? Quantas vezes resolveste ficar de mal com alguém por alguma coisa de que não gostaste que esse alguém "fez" a ti de? Esqueceste? Com o passar do tempo, aquilo que era aparentemente alguma coisa sem importância foi deixado para trás e tudo seguiu seu curso de forma natural.

Será?

Há pessoas, disse certa vez alguém, que mantêm um caderninho de anotações, onde registram todos os desaforos, os descasos, as pretensas ofensas que pessoas "amigas" e conhecidas, ou mesmo desconhecidas, lhes fazem. Seu objetivo com tal caderninho é manter o registro que vai lhes permitir se vingarem na primeira oportunidade que tiverem.

Será que és uma dessas pessoas? Onde está a luz nelas, neste caso? Onde estaria a luz em ti, se és este tipo de pessoa? Não te foi dito que és a luz do mundo e que a salvação do mundo depende de ti e de tua luz? O que será que esconde de ti a luz que certamente há em ti? A luz que és e que é Deus também?

É isso que a lição de hoje vai mostrar. 

Comecemos:

Ninguém pode ver o que tuas mágoas escondem. Uma vez que tuas mágoas escondem a luz do mundo em ti, todos ficam nas trevas e tu a seu lado. Mas, quando o véu de tuas mágoas se ergue, ficas liberado com eles. Compartilha a salvação agora com aquele que ficou a teu lado quando estavas no inferno. Ele é teu irmão na luz do mundo que salva a ambos.

Vamos fazer, hoje, mais uma tentativa verdadeira de alcançar a luz em ti. Antes de empreendermos isto em nosso período de prática mais longo, vamos dedicar vários minutos à reflexão a respeito do que tentamos fazer. Estamos, literalmente, tentando entrar em contato com a salvação do mundo. Estamos tentando ver adiante do véu da escuridão que a mantém escondida. Estamos tentando permitir que o véu seja erguido, para ver as lágrimas do Filho de Deus desaparecerem na luz do sol.

Minhas mágoas escondem a luz do mundo em mim.

Quando nos deixamos envolver pelas emoções que despertam as mágoas em nós, mergulhamos num sono profundo e mesmo pensando que estamos acordados, não conseguimos ver quão nefastos podem ser alguns dos hábitos que cultivamos e que, ingenuamente, acreditamos não exercerem nenhum efeito sobre o mundo, ou sobre qualquer pessoa no mundo. Ou mesmo sobre nós. Grande engano.

Em geral, aquelas coisas que fazemos de forma mecânica, por hábitos adquiridos, afastam nossa atenção de nós mesmos e de nós mesmas e permitem comportamentos a que podemos chamar de "automáticos". Ações e coisas que dizemos sem pensar e sem a atenção necessária para nos colocar presentes na ação ou, quando falamos, para nos permitir ouvir de fato o que dizemos. É claro que tudo o que fazemos e dizemos repercute de algum modo no universo todo. E, se o fazemos e dizemos a partir de um sentimento de mágoa, privamos o mundo de nossa luz ao mesmo tempo em que nós mesmos e nós mesmas nos privamos dela.

É para voltarmos à luz que praticamos hoje e todos os dias. Atentemos ao que nos reserva a ideia da lição e suas práticas: é nelas que vamos encontrar aquilo que nos é mais caro do que tudo. Isto é, aqui vamos descobrir, reconhecer e aceitar aquilo que é nossa única necessidade: 

A salvação é nossa única necessidade. Não há nenhum outro propósito e nenhuma função diferente a se cumprir aqui. Nossa única meta é aprender a salvação. Vamos finalizar a antiga busca hoje, encontrando a luz em nós, para mostrá-la a todos que buscam conosco para que a vejam e se regozijem.

Minhas mágoas escondem a luz do mundo em mim.

E o desafio desta lição é reconhecermos que não podemos guardar mágoas sob pena de vermos desaparecer a luz do mundo em nós. Este reconhecimento é bem possível se seguirmos, com toda a atenção e honestidade de que somos capazes, as orientações que a lição oferece. Vejamos:

Agora, de modo muito tranquilo, de olhos fechado, tenta abandonar todas as informações que, em geral, ocupam tua consciência. Pensa em tua mente como um círculo imenso, cercado por uma camada de nuvens escuras e pesadas. Tu podes ver apenas as nuvens porque pareces estar fora do círculo e bem separado dele.

Do lugar aonde estás não podes ver nenhuma razão para acreditar que existe uma luz brilhante escondida pelas nuvens. As nuvens parecem ser a única realidade. Elas parecem ser tudo o que há para se ver. Por isso não tentas atravessá-las e ir além delas, que é o único modo pelo qual ficarias realmente convencido da inconsistência delas. Faremos esta tentativa hoje.

Depois de pensares a respeito da importância do que tentas fazer por ti mesmo e pelo mundo, tenta sossegar em perfeita serenidade, lembrando apenas o quanto queres alcançar a luz em ti hoje -, agora! Decide-te a atravessar as nuvens. Estende-te e toca-as em tua mente. Dispersa-as com a mão; sente-as sobre tua face e testa e pálpebras à medida que as atravessas. Continua; as nuvens não podem te impedir.

Que mais podemos fazer a não ser nos entregarmos ao exercício? E:

Se estiveres fazendo os exercícios de forma correta, começarás a ter uma sensação de ser elevado e conduzido adiante. Teu pequeno esforço e tua modesta determinação invocam o poder do universo para te ajudar e o Próprio Deus te erguerá das trevas para a luz. Tu estás em harmonia com a Vontade d'Ele. Não podes falhar porque tua vontade é a d'Ele.

Minhas mágoas escondem a luz do mundo em mim.

Podes acreditar nisso? Podes reconhecer que se a luz do mundo que és não se faz visível é porque ainda tens o hábito de guardar mágoas. É preciso mudar isso. É preciso que te abras à Voz por Deus em ti e ouças o que o Espírito Santo tem a te dizer. E é isto o que a lição diz:

Confia em teu Pai hoje e fica certo de que Ele te ouve e te atende. Podes ainda não reconhecer Sua resposta, mas podes, de fato, ter certeza de que ela te é dada e de que ainda a receberás. Experimenta, enquanto tentas atravessar das nuvens para a luz, manter esta confiança em tua mente. Tenta te lembrar de que, enfim, estás unindo tua vontade à de Deus. Tenta manter em mente, com clareza, o pensamento de que aquilo que empreendes com Deus tem de ser bem-sucedido. Depois, deixa que o poder de Deus opere em ti e por teu intermédio, a fim de que se façam a Vontade d'Ele e a tua.

Não precisas fazer mais do que isto. O milagre se mostrará a ti se seguires com atenção as orientações que a lição traz para finalizar tuas práticas. Vais reconhecê-lo na forma de uma alegria que não podes definir e de uma paz que te tranquiliza inteiramente. É a luz em ti se mostrando e se deixando ver.

Às práticas?

segunda-feira, 9 de março de 2026

Só vamos chegar à alegria abandonando as mágoas

 

LIÇÃO 68

O amor não guarda mágoas.

1. Tu, que foste criado pelo amor igual a ele mesmo, não podes guardar mágoas e conhecer teu Ser. Guardar uma mágoa é esquecer quem és. Guardar uma mágoa é ver a ti mesmo como um corpo. Guardar uma mágoa é permitir que o ego governe tua mente e condenar o corpo à morte. Talvez ainda não percebas inteiramente de forma clara o que exatamente guardar mágoas faz a tua mente. Guardar mágoas parece separar-te de tua Fonte e te tornar diferente d'Ele. Faz-te acreditar que Ele é igual ao que te tornaste, pois ninguém pode pensar em seu Criador como diferente de si mesmo.

2. Excluído de teu Ser, que permanece ciente de Sua semelhança a Seu Criador, teu Ser parece dormir, enquanto a parte de tua mente que tece ilusões em seu sono parece estar desperta. Tudo isso pode surgir de guardar mágoas? Oh, sim! Pois aquele que guarda mágoas nega que foi criado pelo amor, e seu Criador se torna assustador para ele em seu sonho de ódio. Quem pode sonhar com o ódio e não ter medo de Deus?

3. É tão certo que aqueles que guardam mágoas redefinirão Deus a sua própria imagem, quanto é certo que Deus os criou iguais a Si Mesmo e os definiu como parte de Si. É tão certo que aqueles que guardam mágoas sentirão culpa, quanto é certo que aqueles que perdoam acharão paz. É tão certo que aqueles que guardam mágoas se esquecerão de quem são, quanto é certo que aqueles que perdoam se lembrarão.

4. Não estarias disposto a abandonar tuas mágoas, se acreditasses que isso é verdade? Talvez não imagines que podes abandonar tuas mágoas. Isto, no entanto, é simplesmente uma questão de motivação. Hoje tentaremos descobrir como te sentirias sem elas. Se fores bem-sucedido, mesmo que por muito pouco, nunca mais haverá um problema de motivação novamente.

5. Começa o período de prática mais longo de hoje pela busca em tua mente daqueles contra quem guardas o que consideras serem tuas principais mágoas. Será bem fácil achar algumas delas. Em seguida, pensa nas mágoas aparentemente sem importância que guardas contra aqueles de quem gostas ou mesmo pensas amar. Bem depressa ficará claro que não há ninguém contra quem não nutras algum tipo de mágoa. Isto te deixa sozinho em todo o universo em tua percepção de ti mesmo.

6. Decide-te agora a ver todas essas pessoas como amigas. Dize a todas elas, pensando em cada uma por vez ao fazê-lo:

Quero te ver como meu amigo, para poder me lembrar
de que és parte de mim e vir a conhecer a mim mesmo.

Passa o tempo restante do período de prática pensando em ti mesmo como perfeitamente em paz com todos e com tudo, a salvo em um mundo que te protege e te ama, ao qual amas de forma recíproca. Tenta sentir a segurança te envolvendo, pairando sobre ti e te sustentando. Tenta acreditar, ainda que por pouco tempo, que nada pode te ferir de forma alguma. No final do período de prática, dize a ti mesmo:

O amor não guarda mágoas. Quando eu abandonar todas
as minhas mágoas, saberei que estou em perfeita segurança.

7. Os períodos de prática mais breves devem incluir uma rápida aplicação da ideia desta forma, toda vez que surgir algum pensamento de mágoa contra alguém, fisicamente presente ou não:

O amor não guarda mágoas. Que eu não traia meu Ser.

Além disso, repete a ideia várias vezes por hora desta forma:

O amor não guarda mágoas. Quero despertar para meu Ser
deixando de lado todas as mágoas e acordando n'Ele.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 68

Caras, caros,

Nunca é demais nos perguntarmos se sabemos de fato o que é amor. Porque no mundo do ego, o das ilusões e o da crença na separação, parece que andaram nos ensinando que existem muitas formas de amor, de amar. Não é mesmo?

E essas formas são tantas e tão variadas que nos levam muitas vezes a pensar que não existe nada tão contraditório quanto o amor neste mundo. E por quê? Porque, na verdade, todas as formas de amor, e de amar, que o ego ensina não são nada a não ser ilusões. O ego considera, a partir da crença na separação, que as pessoas são todas diferentes e têm muitas carências e necessidades específicas, que só podem ser preenchidas desta ou daquela maneira.

Assim, para uns e umas, amar é preencher as carências, encontrar uma forma de satisfazer as necessidades, sem levar em conta o que se oferece ao outro ou à outra. Basta que eu esteja satisfeito. O outro - a outra - não interessa. É por isso que em muitas das experiências de relacionamento por que passam as pessoas as mágoas correm soltas. Ela me fez isto ou aquilo. Ele me fez este ou aquele desaforo. A falta de atenção para com as outras pessoas grassa na maioria das relações.

Esquecemo-nos de que, como precisamos praticar hoje,

" O amor não guarda mágoas."

Comecemos?

Gosto muito desta lição. Gosto mesmo. Muito. Já lhes disse isso outras vezes. Sem querer compará-la a qualquer uma das outras lições por que já passamos, ou pelas quais ainda vamos passar mais de uma vez, acho que a ideia que ela nos oferece para as práticas pode nos poupar de muita dor e sofrimento. Assim como pode nos livrar de pensar que um ou outro relacionamento especial que vivemos tem alguma coisa a ver com amor, que só se apresenta mesmo naqueles relacionamentos aos quais o Curso denomina "relacionamentos santos". 

É claro que todas as lições têm este mesmo poder. Sabemos disso. Mas sempre há, para cada um ou cada uma de nós, uma ou outra que toca mais fundo, ou que fala melhor ao nosso coração em determinados momentos. Lembrando sempre que precisamos estar dispostas e dispostos a nos abrirmos à Voz por Deus, cada vez mais a cada lição, a cada dia.

E como aprender esta ideia pode nos poupar de muita dor e sofrimento ou do auto-engano em relação ao que ego diz que sentimos por alguém?

É fácil, fácil. Extremamente fácil. Basta que pensemos por um segundo nas pessoas a quem pensamos amar.

[Façamos uma pequena pausa na leitura aqui para pensar.] 

Pensaram? Então perguntem e respondam agora para si mesmas, para si mesmos, há alguma coisa que eu gostaria de mudar nessa(s) pessoa(s)? Respondam também a estas duas outras perguntas: há alguma coisa que esta pessoa faz ou fez que me faz pensar se posso confiar mesmo nela? Se posso lhe dedicar todo o amor que penso que dedico?

O amor não guarda mágoas.

Há um trechinho do texto que diz o seguinte: "se atacas aquele a quem Deus quer curar e odeias aquele a quem Ele ama, então tu e teu Criador têm uma vontade diferente, distinta, diversa. No entanto, se tu és a Vontade d'Ele, o que tens de acreditar neste caso é que tu não és tu mesmo"[a].

Vejamos como a lição começa:

Tu, que foste criado pelo amor igual a ele mesmo, não podes guardar mágoas e conhecer teu Ser. Guardar uma mágoa é esquecer quem és. Guardar uma mágoa é ver a ti mesmo como um corpo. Guardar uma mágoa é permitir que o ego governe tua mente e condenar o corpo à morte. Talvez ainda não percebas inteiramente de forma clara o que exatamente guardar mágoas faz a tua mente. Guardar mágoas parece separar-te de tua Fonte e te tornar diferente d'Ele. Faz-te acreditar que Ele é igual ao que te tornaste, pois ninguém pode pensar em seu Criador como diferente de si mesmo.

Não é exatamente isso que diz, em outras palavras, o trecho do texto que destaquei acima? É claro que, na maior parte das vezes, não temos consciência de que guardar mágoas é uma forma de ataque. Quando nos magoamos com algo ou com alguma coisa que pensamos que alguém nos faz ou fez, estamos deixando de reconhecer seu direito a pensar e a fazer as coisas do modo que melhor lhe aprouver. Deixamos de reconhecer que ele, ou ela, é uma manifestação perfeita do divino. Ficamos magoadas e magoados com Deus, na verdade. E, claro, com nós mesmas e com nós mesmos, uma vez que somos extensões d'Ele/d'Ela.

Isso será possível? Só quando cedemos aos apelos do ego e nos deixamos cegar pelo orgulho, buscando ter razão apenas. Esquecendo por completo de nossa necessidade - e direito natural por herança divina - de sermos felizes e da Vontade de Deus para nós de alegria completa e perfeita.

O amor não guarda mágoas.

É só na ilusão que podemos pensar em nós mesmas e em nós mesmos como diferentes ou separadas e separados de Deus. E é isso o que a lição nos informa a seguir:

Excluído de teu Ser, que permanece ciente de Sua semelhança a Seu Criador, teu Ser parece dormir, enquanto a parte de tua mente que tece ilusões em seu sono parece estar desperta. Tudo isso pode surgir de guardar mágoas? Oh, sim! Pois aquele que guarda mágoas nega que foi criado pelo amor, e seu Criador se torna assustador para ele em seu sonho de ódio. Quem pode sonhar com o ódio e não ter medo de Deus?

Nós só nos excluímos de nosso Ser na ilusão ou quando pensamos em nós como sendo "alguma outra coisa" que, na verdade, não somos.

Dizendo de novo, de outra maneira, vivemos e nos movemos em Deus. Não existe nenhuma possibilidade de existirmos separados, ou separadas, d'Ele/d'Ela, mesmo que o ego pense ou queira que pensemos de outro modo, oferecendo-nos a ilusão de uma vida cheia de diferenças às quais podemos nos comparar. Nada disso dura. Nada disso é real. E o resultado de embarcar na viagem a que o ego nos convida é apenas medo e culpa. O que resulta do medo e da culpa, já sabemos, é apenas mais separação, mais ilusão.

E é também só na ilusão que podemos redefinir Deus à imagem e semelhança do que o ego quer e pensa que Ele pode ser, como veremos a seguir com a lição:

É tão certo que aqueles que guardam mágoas redefinirão Deus a sua própria imagem, quanto é certo que Deus os criou iguais a Si Mesmo e os definiu como parte de Si. É tão certo que aqueles que guardam mágoas sentirão culpa, quanto é certo que aqueles que perdoam acharão paz. É tão certo que aqueles que guardam mágoas se esquecerão de quem são, quanto é certo que aqueles que perdoam se lembrarão.

É, pois, em direção ao perdão que as práticas da ideia de hoje nos levam. É a partir delas que vamos ser capazes de lembrar que Deus, o amor, nos criou iguais a Si Mesmo.

O amor não guarda mágoas.

Lembram-se da epístola aos Coríntios? O apóstolo diz que: 

"O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita...; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba; (...) Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor."

E sofredor aqui toma seu sentido emprestado do verbo sofrer significando aguentar, suportar, tolerar, ou admitir, experimentar, consentir, ser paciente. 

Podemos até pensar no amor como sinônimo de alegria duradoura, de felicidade eterna e constante e de completa e perfeita paz de espírito.

Vai ser necessário que deixemos de lado todas as nossas mágoas para termos um vislumbre da alegria que Deus quer para nós, pois só pelo abandono de todas as mágoas é que podemos chegar à alegria. E isso é a continuação da lição:

Não estarias disposto a abandonar tuas mágoas, se acreditasses que isso é verdade? Talvez não imagines que podes abandonar tuas mágoas. Isto, no entanto, é simplesmente uma questão de motivação. Hoje tentaremos descobrir como te sentirias sem elas. Se fores bem-sucedido, mesmo que por muito pouco, nunca mais haverá um problema de motivação novamente.

E todas e todos podemos ser - e seremos - bem-sucedidas e bem-sucedidos e não mais nos faltará motivação, se ficarmos atentas e atentos a tudo o que a lição nos pede para fazermos como parte das práticas, aplicando a ideia para hoje a todo instante em que nos surpreendermos pensando que há algo que alguém faça que possa nos fazer ficar magoados ou magoadas. E, em qualquer situação de conflito, perguntemo-nos, como convida Neale Donald Walsch a fazermos: O que o amor faria? 

Às práticas?

domingo, 8 de março de 2026

O amor é, de fato, a única coisa verdadeira que existe

 

LIÇÃO 67

O amor me criou igual a si mesmo.

1. A ideia de hoje é uma afirmação perfeita e correta do que tu és. É por isto que tu és a luz do mundo. É por isto que Deus te designou como o salvador do mundo. É por isto que o Filho de Deus confia em ti para a sua salvação. Ele é salvo por aquilo que tu és. Hoje faremos todos os esforços para alcançar esta verdade acerca de ti, e para perceber de modo inteiramente claro, ainda que por apenas um instante, que ela é a verdade.

2. No período de prática mais longo, refletiremos a respeito de tua realidade e de sua natureza totalmente inalterada e inalterável. Começaremos com a repetição desta verdade acerca de ti e, em seguida, passaremos alguns minutos acrescentando algumas ideias afins, tais como:

A santidade me criou santo.
A benignidade me criou benigno.
A utilidade me criou capaz de servir.
A perfeição me criou perfeito.

Qualquer característica que esteja de acordo com Deus tal como Ele Se define é adequada ao uso. Estamos tentando, hoje, desfazer tua definição de Deus e substituí-la pela d'Ele Próprio.

3. Depois de passares por vários destes pensamentos afins, tenta desistir de todos os pensamentos por um breve intervalo preparatório e, em seguida, tenta alcançar a verdade em ti, depois de todas as tuas imagens e preconceitos a teu próprio respeito. Se o amor te criou igual a si mesmo, este Ser tem de estar em ti. E, em algum lugar em tua mente, Ele existe para que O aches.

4. Podes achar necessário repetir a ideia para hoje de vez em quando para substituir pensamentos que distraiam. Também podes achar que isto não é suficiente e que precisas continuar acrescentando outros pensamentos relacionados à verdade a teu respeito. No entanto, talvez sejas bem-sucedido em ir além disso e a atravessar o intervalo da negligência até a consciência de uma luz resplandecente na qual te reconheces tal qual o amor te criou. Confia que hoje farás muito para trazer essa consciência para mais perto, quer sintas que foste bem-sucedido quer não.

5. Será particularmente proveitoso hoje praticar a ideia para o dia tantas vezes quantas puderes. Precisas ouvir a verdade acerca de ti mesmo tão frequentemente quanto possível, porque tua mente está muito distraída com auto-imagens falsas. Seria muito benéfico te lembrares de que o amor te criou igual a si mesmo quatro ou cinco vezes por hora e talvez até mais do que isso. Ouve a verdade a teu próprio respeito nisto.

6. Tenta perceber claramente, nos períodos de prática mais breves, que não é tua voz pequenina e solitária que te diz isto. Esta é a Voz por Deus, lembrando-te de teu Pai e de teu Ser. Esta é a Voz da verdade substituindo tudo o que o ego te diz a teu próprio respeito com a simples verdade a respeito do Filho de Deus. Tu foste criado pelo amor igual a ele mesmo.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 67

Caras, caros,

Talvez não haja nenhuma ideia mais coerente e mais verdadeira para praticarmos neste dia em que se comemora no mundo inteiro o Dia Internacional da Mulher. Uma data escolhida dentro da ilusão do tempo e da crença numa separação que não existe, na verdade, pois somos todos e todas Um/Uma. E toda a existência está ligada a cada um e a cada uma de nós. Sem um de nós, sem uma de nós, o mundo, Deus, seria incompleto, como ensina o Curso.

Assim, pratiquemos para, talvez, alcançarmos um vislumbre da luz que nos criou como a si mesma.

"O amor me criou igual a si mesmo."

Repetindo, pois, as perguntas que já fiz muitas e muitas vezes antes:

O que farias se tivesses a mais absoluta certeza de que és quem és e que o que és, na verdade, é a mais perfeita manifestação do amor de Deus? A manifestação do Próprio Deus? Como achas que te sentirias se tu tivesses consciência constante da Presença de Deus em tua vida? Se acreditasses todo o tempo que vives e te moves n'Ele/n'Ela e que tu e Ele/Ela são um/uma só?

Pois esta é a verdade a teu respeito, como vais ver na lição que vamos praticar hoje. Haverá, pois, alguma razão para duvidares disso? Vejamos como a lição com começa:

A ideia de hoje é uma afirmação perfeita e correta do que tu és. É por isto que tu és a luz do mundo. É por isto que Deus te designou como o salvador do mundo. É por isto que o Filho de Deus confia em ti para a sua salvação. Ele é salvo por aquilo que tu és. Hoje faremos todos os esforços para alcançar esta verdade acerca de ti, e para perceber de modo inteiramente claro, ainda que por apenas um instante, que ela é a verdade.

Não foi o que eu disse? 

E que precisas fazer para chegar a esta verdade a teu respeito? Nada! Este é todo o grande esforço que precisas fazer para chegar a ela. Ou pensas que não fazer nada é fácil, quando o ego está a todo instante te chamando para embarcares na viagem da ilusão, querendo te convencer de que és "alguma outra coisa" e de que não és o que és? Ou de que és infinitamente menor do que és na verdade? Ou de que és incompetente, incapaz, sem as habilidades necessárias para funcionar no mundo?

O amor me criou igual a si mesmo.

Lembra-te: o esforço para não fazer nada é apenas o movimento natural de parar de dar ouvidos ao que o ego diz e de te voltares para a Voz por Deus no interior de ti mesmo, ou de ti mesma, para o Espírito Santo, ou para aquela parte de tua mente que está sempre em contato com Deus: a razão. Vê o título da postagem da lição de ontem. É sempre tu que escolhes a voz que queres ouvir.

Para tanto, precisas fazer o seguinte, diz a lição:

No período de prática mais longo, refletiremos a respeito de tua realidade e de sua natureza totalmente inalterada e inalterável. Começaremos com a repetição desta verdade acerca de ti e, em seguida, passaremos alguns minutos acrescentando algumas ideias afins, tais como:

A santidade me criou santo.
A benignidade me criou benigno.
A utilidade me criou capaz de servir.
A perfeição me criou perfeito.

Qualquer característica que esteja de acordo com Deus tal como Ele Se define é adequada ao uso. Estamos tentando, hoje, desfazer tua definição de Deus e substituí-la pela d'Ele Próprio.

Como a própria lição orienta, podes incluir nestas ideias tudo aquilo que pensas que pode estar relacionado a Deus. Tudo o que dissermos a respeito d'Ele/d'Ela é insuficiente para abranger a magnitude de Seu Poder, de Seu Amor, de Sua Santidade, de Sua Benignidade ou de Sua Perfeição [características que também são tuas por seres o Ser que és]. Podemos pensar em Deus como sendo o Tudo de Tudo. E ainda assim não O/A teremos alcançado em Sua Totalidade.

O amor me criou igual a si mesmo.

Esta ideia, que traz o desafio desta lição, é, ao mesmo tempo, o milagre que a lição oferece. Podes até voltar a uma lição anterior para te auxiliar a aceitar o desafio. Àquela que diz: Minha mente é parte da Mente de Deus. Eu sou absolutamente santo. Ou ainda àquela que diz: Eu sou abençoado como um Filho de Deus.

Se pensares bem, vais ver que todas as lições que praticamos antes foram responsáveis por chegarmos até aqui. Agora, na continuação da prática de hoje, cabe te voltares para dentro de ti mesma, ou de ti mesmo, para fazeres o que a lição orienta. Assim:

Depois de passares por vários destes pensamentos afins, tenta desistir de todos os pensamentos por um breve intervalo preparatório e, em seguida, tenta alcançar a verdade em ti, depois de todas as tuas imagens e preconceitos a teu próprio respeito. Se o amor te criou igual a si mesmo, este Ser tem de estar em ti. E, em algum lugar em tua mente, Ele existe para que O aches.

Não te parece lógico o que a lição propõe? Se o amor te criou igual a si mesmo, este Ser [de amor] tem de estar em ti... em algum lugar em tua mente, Ele existe para que O aches. E este Ele é o "Eu Sou", que é o que verdadeiramente és.

Isto tem a ver, como eu também já disse antes, com o fato de que, diferentemente do que pensamos, este "eu", de quem falamos e que aparentemente passa pelas situações e experiência que escolhemos viver, muitas vezes - a maioria delas, quem sabe? - de forma inconsciente, não tem nada, ou muito pouco tem a ver, com o "Eu Sou", que é o "eu" real e verdadeiro de/em nós mesmas, de/em nós mesmos. É por isso que precisas procurar muito bem em ti mesma, ou de ti mesmo, para ultrapassares todas as imagens que fizeste de ti, a fim de alcançares a verdade a teu respeito.

O amor me criou igual a si mesmo.

É esta verdade a teu respeito que precisas reconhecer e aceitar. É desta verdade que precisas te convencer. É só nela que tens de acreditar. É ela a única verdade a teu respeito. Nada do que pensas separada, ou separado, de Deus e do amor existe. É apenas uma ilusão inventada pelo ego que te diz que és algo diferente do que és, algo diferente e separado de Deus.

Para te livrares da influência do ego e de suas ilusões vai ser preciso que te dediques a fazer o que a lição recomenda a seguir: 

Podes achar necessário repetir a ideia para hoje de vez em quando para substituir pensamentos que distraiam. Também podes achar que isto não é suficiente e que precisas continuar acrescentando outros pensamentos relacionados à verdade a teu respeito. No entanto, talvez sejas bem-sucedido em ir além disso e a atravessar o intervalo da negligência até a consciência de uma luz resplandecente na qual te reconheces tal qual o amor te criou. Confia que hoje farás muito para trazer essa consciência para mais perto, quer sintas que foste bem-sucedido quer não.

Vê bem que não importa como vais te sentir depois das práticas. Melhor dizendo, mesmo que não sintas que foste bem-sucedida, ou bem-sucedido, a lição garante que fizeste muito para trazer para mais perto de ti a consciência de uma luz resplandecente na qual te reconheces como fruto do amor que te criou igual a si mesmo. Lembra-te de que só o ego quer ver os resultados. E os quer imediatamente. Confia no amor que és e deixa que o ego se cale.

Mais do que a repetição da ideia, sua aplicação às situações com que te defrontarás hoje deve servir para que vislumbres em ti a fonte do amor. De todo o amor.

Para tanto, diz a lição:

Será particularmente proveitoso hoje praticar a ideia para o dia tantas vezes quantas puderes. Precisas ouvir a verdade acerca de ti mesmo tão frequentemente quanto possível, porque tua mente está muito distraída com auto-imagens falsas. Seria muito benéfico te lembrares de que o amor te criou igual a si mesmo quatro ou cinco vezes por hora e talvez até mais do que isso. Ouve a verdade a teu próprio respeito nisto.

O amor me criou igual a si mesmo.

Há alguma coisa a se conhecer além disso que possa ter qualquer importância? É claro que não. 

Por fim:

Tenta perceber claramente, nos períodos de prática mais breves, que não é tua voz pequenina e solitária que te diz isto. Esta é a Voz por Deus, lembrando-te de teu Pai e de teu Ser. Esta é a Voz da verdade substituindo tudo o que o ego te diz a teu próprio respeito com a simples verdade a respeito do Filho de Deus. Tu foste criado pelo amor igual a ele mesmo.

É por isso que a ideia de hoje deve ser praticada com toda a atenção de que somos capazes, para que nos possamos perceber como criações do amor, que nos criou a todos e a todas iguais a si mesmo. Isto significa que o que somos, em essência, é amor, é luz. Porque o amor é a única coisa verdadeira que existe. E tudo o que não é amor, ou tudo o que não vem dele, é ilusão e não existe. Ou como o Curso ensina: "tudo o que não é amor é um pedido de amor".

É por isso também que, como eu já disse antes, as práticas de hoje têm importância vital. São elas que vão nos ensinar a limpar e a curar os falsos registros que o tempo, o instrumento de aprendizado de que se vale o ego, fez acumular em nossa mente e substituí-los pela verdade a nosso próprio respeito, que é intemporal e não está sujeita às crenças equivocadas do ego. 

Às práticas?