quarta-feira, 15 de julho de 2026

Aprender a reconhecer e a aceitar a real humildade

 

LIÇÃO 196

Só posso crucificar a mim mesmo.

1. Quando isto for bem compreendido e mantido em plena consciência, não tentarás te ferir nem tornar teu corpo escravo da vingança. Não atacarás a ti mesmo e perceberás claramente que atacar outro é apenas atacar a ti mesmo. Ficarás livre da crença louca de que atacar um irmão te salva. E compreenderás que a segurança dele é a tua própria segurança e que com a cura dele ficas curado.

2. A princípio, talvez não compreendas como se pode encontrar a misericórdia que é ilimitada e mantém todas as coisas sob sua proteção segura na ideia que praticamos hoje. De fato, ela pode parecer um sinal de que não se pode nunca fugir ao castigo porque o ego, sujeito àquilo que vê como ameaça, está pronto para citar a verdade para proteger suas mentiras. Porém, deste modo, ele só pode deixar de compreender a verdade de que se vale. Mas tu podes aprender a perceber estas aplicações tolas e negar o significado que parecem ter.

3. Desta forma, também ensinas tua mente que não és um ego. Pois as maneiras pelas quais o ego quer distorcer a verdade não te enganarão mais. Não acreditarás que és um corpo a ser crucificado. E verás, na ideia de hoje, a luz da ressurreição olhando para os pensamentos de libertação e de vida, além de todos os pensamentos de crucificação e de morte. 

4. A ideia de hoje é um passo que damos para nos conduzir, da escravidão, ao estado de perfeita liberdade. Vamos dar este passo hoje, a fim de podermos seguir rapidamente pelo caminho que a salvação nos mostra, dando cada passo na sequência estabelecida, enquanto a mente renuncia a seus fardos um a um. Não é de tempo que necessitamos para isto. Só de vontade. Pois aquilo que parecia precisar de mil anos pode ser feito facilmente em um só instante pela graça de Deus.

5. O pensamento sombrio e sem esperança de que podes fazer ataques a outros e te salvar te prega na cruz. Talvez ele parecesse ser a salvação. Mas ele apenas defendeu a crença de que o medo de Deus é verdadeiro. E o que é isto senão o inferno? Quem poderia acreditar que seu Pai é seu inimigo mortal, que está separado de si, e que espera para destruir sua vida e apagá-lo do universo sem medo do inferno em seu coração?

6. Esta é a forma de loucura em que acreditas, quando aceitas o pensamento amedrontador de que podes atacar outro e ficar livre. Até que esta forma mude, não há esperança. Até que, ao menos, vejas que isto tem de ser inteiramente impossível, como poderia haver saída? O medo de Deus é real para quem quer que pense que este pensamento é verdadeiro. E ele não perceberá sua tolice, ou nem mesmo verá que ela existe de modo que lhe seja possível questioná-la.

7. Para questioná-la de algum modo, primeiro sua forma tem de mudar pelo menos tanto quanto permitir que se abrande o medo de represália e que a responsabilidade te seja, até certo ponto, devolvida. A partir daí podes pelo menos considerar se queres continuar neste caminho doloroso. Até que esta mudança se realize, não podes perceber que são apenas teus pensamentos que te amedrontam e que tua libertação depende de ti.

8. Nossos próximos passos serão fáceis, se deres este hoje. A partir daí vamos adiante bem rápido. Pois tão logo compreendas que é impossível seres ferido a não ser por teus próprios pensamentos, o medo de Deus tem de desaparecer. Não podes, então, acreditar que o medo seja causado fora de ti. E Deus, A Quem pensaste em banir pode ser acolhido de volta na menta santa que Ele nunca deixou.

9. Pode-se, com certeza, ouvir a canção da salvação na ideia que praticamos hoje. Se só podes crucificar a ti mesmo, não feriste o mundo e não precisas temer sua vingança e sua perseguição. Tampouco precisas te esconder aterrorizado pelo medo mortal de Deus que a projeção esconde atrás de si. A coisa que mais temes é tua salvação. Tu és forte e é força que queres. E és livre e alegre pela liberdade. Buscaste ser tanto fraco quanto limitado, porque temias tua força e tua liberdade. Contudo, a salvação está nelas.

10. Há um instante em que o terror parece se apoderar de tua mente de forma tão completa que a saída parece bastante desanimadora. Quando perceberes claramente, de uma vez por todas, que é a ti mesmo que temes, a mente se perceberá dividida. E isto ficou escondido enquanto acreditaste que o ataque poderia ser dirigido para fora e devolvido de fora para dentro. Parecia existir um inimigo fora que tinhas de temer. E deste modo um deus fora de ti mesmo se tornou teu inimigo mortal; a fonte do medo.

11. Agora, por um instante, um assassino é percebido dentro de ti, ansioso por tua morte, concentrado em tramar o castigo para ti até o momento em que ele possa matar finalmente. No entanto, é neste instante também que a salvação chega. Pois o medo de Deus desaparece. E tu podes chamá-Lo para te salvar, com Seu Amor, das ilusões, chamando-O de Pai e a ti mesmo de Filho d'Ele. Reza para que o instante possa ser logo -, hoje. Afasta-te do medo e tenta te aproximar do amor.

12. Não há nenhum Pensamento de Deus que não vá contigo para te ajudar a alcançar este instante e ir além dele rapidamente com segurança para sempre. Quando o medo de Deus desaparece não há nenhum obstáculo que ainda permaneça entre tu e a santa paz de Deus. Quão benigna e misericordiosa é a ideia que praticamos! Dá-lhe boas vindas, como deves, pois ela é tua libertação. De fato, apenas tua mente é que pode tentar crucificar. Mas ao mesmo tempo tua redenção também virá de ti.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 196

Caras, caros,

Acredito que quase todas nós, quase todos nós, já tivemos atitudes que magoaram, feriram, machucaram alguma pessoa de nossas relações nalgum momento em nossa trajetória pela vida. E, se o fizemos de propósito ou não, não é importante para o fato. O que importante é lembrar, quando evocamos a situação, que a dor que causamos não foi sentida apenas pela pessoa que resolvemos ferir. Doeu, e muito mais até, talvez, em nós mesmas, em nós mesmos, ainda que não o quiséssemos reconhecer na ocasião.

É a razão para tal sentimento ou emoção que a ideia que praticamos hoje vai nos oferecer. Uma vez que todas as pessoas do mundo e mais tudo o que aparentemente existe nele é parte do que somos, podemos já de certo modo concluir, intuir que tudo o que fizermos à menor das criaturas ou coisas que nos cercam é a nós mesmas, a nós mesmos que fazemos.

Daí a ideia para as práticas de hoje ser a que afirma:

"Só posso crucificar a mim mesmo."

Dou-lhes abaixo, uma vez mais, quase que inteiramente sem modificações, o comentário feito a esta mesma lição nos últimos anos. Não por preguiça de pensar ou de escrever um comentário novo. Não por não poder ressaltar algum aspecto diferente da lição e da ideia que o Curso nos oferece para as práticas de hoje, mas, sim, porque me parece que nunca é demais voltarmos nossa atenção para o poder que temos, para aquilo que somos na verdade, como forma de aprendermos a eliminar tudo o que nos impede de entrar em contato - e mantê-lo - com o divino em nós mesmos/as.

Por isso, também vale a pena hoje, novamente, para começar, chamar-lhes a atenção para uma frase do nono parágrafo. Uma frase que é também reveladora do medo de Deus a que o texto da lição se refere. O medo que a lição quer nos ajudar a eliminar. Ela diz: "a coisa que mais temes é tua salvação". E por quê?

Se pensarmos bem, nos veremos forçados a concordar com o que a frase diz. Ela diz, de outro modo, a mesma coisa que Marianne Williamsom nos diz a respeito do poder que temos em seu livro Um Retorno ao Amor, que nada mais é do que um resumo simplificado do ensinamento do Curso. Quem ainda não o leu, e acha difícil a linguagem do Curso, deve com certeza tentar. Acho que a leitura do livro de Marianne, além de nos colocar em contato com tudo o que é central no ensinamento, ajuda a facilitar o entendimento do Curso. 

Em todo o caso, vamos ao que ela diz a respeito de nosso poder e de qual é nosso medo mais profundo: 

"Nosso medo mais profundo não é o de que sejamos medíocres. Nosso medo mais profundo é o de que sejamos poderosos além de qualquer medida. É nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos assusta. Nós nos perguntamos: 'Quem sou eu para ser brilhante, maravilhoso, talentoso, fabuloso?' Na verdade quem és tu para não o seres? Tu és um filho de Deus. Fingir-te pequeno [diminuir a ti mesmo] não ajuda o mundo em nada. Não há nada de brilhante em te encolheres para que os outros não se sintam inseguros a tua volta. Fomos feitos para brilhar, como as crianças. Nascemos para tornar manifesta a glória de Deus, que habita no interior de todos nós. Ela não está apenas em alguns de nós; está em todos nós. E, quando deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente, damos permissão aos outros para que façam o mesmo. Quando nos libertamos de nosso próprio medo, nossa presença libera os outros automaticamente."

Isto - fingir-nos impotentes, pequenos ou incapazes, diminuir-nos frente aos outros - como já vimos em uma lição anterior, não tem absolutamente nada a ver com humildade. A verdadeira humildade está em reconhecer e aceitar que somos divinos e possuímos, como herança de nossa origem. todo o poder e a glória de Deus.

Vamos pensar a respeito disto durante as práticas?

terça-feira, 14 de julho de 2026

Se também queres aprender sobre a gratidão, pratica!

 

LIÇÃO 195

O amor é o caminho que sigo com gratidão.

1. Gratidão é uma lição difícil de aprender para aqueles que olham para o mundo de maneira imprópria. O máximo que eles podem fazer é verem a si mesmos como melhores do que outros. E tentam ficar satisfeitos porque outro parece sofrer mais do que eles. Quão mesquinhos e censuráveis são tais pensamentos! Pois quem tem motivos para agradecer enquanto outros têm menos motivos? E quem pode sofrer menos porque vê outro sofrer mais? Tua gratidão se deve só Àquele Que fez desaparecer do mundo inteiro toda razão para o sofrimento.

2. É insano dar graças pelo sofrimento. Mas é igualmente insano faltar com a gratidão Àquele Que te oferece o meio seguro pelo qual toda dor é curada e o sofrimento substituído pelo riso e pela felicidade. E nem os que ainda são parcialmente sãos poderiam se recusar a dar os passos que Ele indica e a seguir pelo caminho que Ele coloca diante deles para fugirem da prisão que eles pensavam não ter nenhuma porta para a liberdade que agora percebem.

3. Teu irmão é teu "inimigo" porque vês nele o rival para tua paz; um saqueador que tira sua alegria de ti e não te deixa nada a não ser um desespero negro, tão amargo e inexorável que não sobra nenhuma esperança. Agora a vingança é tudo o que existe para se desejar. Agora, só tentas derrubá-lo para que repouse na morte contigo, tão inútil quanto tu mesmo; com tão pouco deixado em seus dedos ávidos quanto nos teus.

4. Tu não ofereces gratidão a Deus porque teu irmão é mais escravo do que tu, nem poderias, em sã consciência, ficar com raiva se ele parecer ser mais livre. O amor não faz comparações. E a gratidão só pode ser sincera se estiver unida ao amor. Damos graças a Deus, nosso Pai, porque todas as coisas encontrarão sua liberdade em nós. Nunca acontecerá de alguns serem libertados enquanto outros ainda estiverem presos. Pois quem pode barganhar em nome do amor?

5. Por isto, dá graças, mas com sinceridade. E deixa tua gratidão dar espaço a todos que se libertarão contigo; o doente, o fraco, o necessitado e medroso, e aqueles que choram uma perda aparente ou sentem o que parece ser dor, que sofrem frio ou fome ou que andam pelo caminho do ódio e pela senda da morte. Todos estes vão contigo. Não nos comparemos a eles, pois desta forma nós os separamos de nossa consciência da unidade que compartilhamos com eles, do mesmo modo que eles têm de compartilhar conosco.

6. Agradecemos a nosso Pai por uma única coisa: por não estarmos separados de nenhuma coisa viva e, por isto, sermos um com Ele. E nos regozijamos porque não se pode fazer nunca nenhuma exceção que reduziria nossa totalidade, nem prejudicar ou mudar nossa função de completar Aquele Que é Ele Mesmo completude. Damos graças por toda coisa viva, pois do contrário não damos graças por nada e deixamos de reconhecer as dádivas de Deus para nós.

7. Deixemos, então, nossos irmãos apoiarem suas cabeças cansadas em nossos ombros enquanto descansam por um instante. Nós damos graças por eles. Pois se pudermos lhes indicar a paz que queremos encontrar, o caminho se abre, enfim, para nós. Uma porta antiga balança mais uma vez livremente; uma Palavra esquecida há muito tempo ressoa de novo em nossa lembrança e ganha clareza quando estamos dispostos mais uma vez a ouvir. 

8. Segue, então, pelo caminho do amor com gratidão. Pois, quando abandonamos as comparações  esquece-se o ódio. O que mais fica como obstáculo à paz? O medo de Deus se desfaz, por fim, e nós perdoamos sem comparar. Deste modo, não podemos escolher deixar de ver algumas coisas e, ao mesmo tempo, manter outras trancadas como "pecados". Quando teu perdão for completo, terás total gratidão, porque verás que todas as coisas, por serem amorosas, se tornam merecedoras do direito ao amor, tanto quanto teu Ser.

9. Hoje aprendemos a pensar na gratidão em lugar de raiva, malícia e vingança. Tudo nos foi dado. Se nos recusarmos a reconhecê-lo, não teremos, por consequência, direito a nossa amargura e a uma percepção de nós mesmo que nos vê em um lugar de perseguição implacável, no qual somos rotulados de forma constante e empurrados de um lado para outro sem um pensamento ou cuidado por nós ou por nosso futuro? A gratidão é o pensamento singular com que substituímos estas percepções insanas. Deus Se importa conosco e nos chama de Filho. Pode existir mais do que isto?

10. Nossa gratidão preparará o caminho para Ele e encurtará nosso tempo de aprendizado mais do que poderias sonhar alguma vez. A gratidão anda de mãos dadas com o amor e onde um está o outro tem de ser encontrado. Pois a gratidão é apenas um aspecto do Amor que é a Fonte de toda a criação. Deus dá graças a ti, Seu Filho, por seres quem és; Sua Própria completude e a Fonte do amor juntamente com Ele. Tua gratidão a Ele é una com a d'Ele para ti. Pois o amor não pode andar por nenhuma estrada que não a da gratidão e, deste modo, nós, que andamos no caminho para Deus, seguimos.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 195

Caras, caros,

Quantas vezes você, ou alguém que você conhece, já se deparou com uma pessoa ingrata? Ou já passou pela experiência de ter próximo de si alguém aparentemente incapaz de gratidão? Alguém para quem o mundo parece estar sempre devendo, a quem as pessoas todas, não importa o que façam, não podem acertar nunca, não são capazes de agradar.

É claro que todas, todos, ou quase, já encontramos alguém assim. Alguém que se julga dona, ou dono, do mundo e que acredita que tudo o que lhe é oferecido é apenas a obrigação de quem o oferece. É muito difícil conviver com alguém assim, não? Principalmente porque o ego quer agradecimentos, quando dá alguma coisa.

Que tal aprender sobre gratidão com a ideia para as práticas de hoje?

"O amor é o caminho que sigo com gratidão."

Repetindo de forma quase que integral o comentário a esta lição, feito em anos anteriores, vamos começar nosso treino de hoje, voltando nossa atenção, mais uma vez, por um instante, para uma das frase do texto que nos apresenta a ideia para as práticas de hoje. Diz ela:

"Damos graças a Deus, nosso Pai, porque todas as coisas encontrarão sua liberdade em nós."

Será? Encontrarão? Algum dia, talvez... Quando? 

Ou será que no momento, não estamos por demais ocupados/as em aprisionar praticamente todas as coisas que vemos e em que pensamos e o/a(s) outro/a(s) em imagens que fazemos de tudo, sem perceber, que é sempre e tão somente a nós mesmos/as que aprisionamos? 

Vejamos de que modo a lição nos apresenta o fato e a razão pela qual nos mantemos prisioneiros:

Gratidão é uma lição difícil de aprender para aqueles que olham para o mundo de maneira imprópria. O máximo que eles podem fazer é verem a si mesmos como melhores do que outros. E tentam ficar satisfeitos porque outro parece sofrer mais do que eles. Quão mesquinhos e censuráveis são tais pensamentos! Pois quem tem motivos para agradecer enquanto outros têm menos motivos? E quem pode sofrer menos porque vê outro sofrer mais? Tua gratidão se deve só Àquele Que fez desaparecer do mundo inteiro toda razão para o sofrimento.

Já comentei antes e até mais de uma vez -, se não me engano, que quase todos, quase todas, nós somos, em geral mal-agradecidos/as. Porque, normalmente, podemos nos sentir dispostos/as a dar, mas raramente temos a mesma disposição para receber. Receber é quase sempre um problema, pois receber, no julgamento que fazemos de tudo e de todas as coisas e, por extensão, de nós mesmos/as, faz com que nos sintamos diminuídos/as diante daquele, ou daquela, que nos oferece alguma coisa, seja ela material, seja ela imaterial. É claro que isso só se dá por influência do sistema de pensamento do falso eu - o ego do Curso, que busca reforçar a crença numa separação que só existe em seu modo de pensar equivocado.  

Ou já não nos percebemos todos e todas, em algum momento, constrangidos/as de uma forma inexplicável ao receber um elogio, como se não fôssemos merecedores/as, dizendo apenas, muitas vezes, "ora, não foi nada"? Esquecemo-nos de que "dar e receber são a mesma coisa", conforme ensina o Curso.

As práticas de hoje devem servir para nos ensinar um pouco de gratidão, tanto por aquilo que podemos e nos sentimos dispostos a dar, quanto por aquilo tudo que recebemos como dádiva de Deus, nosso Pai, por meio das pessoas com quem dividimos este mundo, sejam elas quem forem. Oxalá aprendamos, ainda que só um pouco. 

Às práticas?

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Tudo o que o ego quer é apenas de conflito e controle

 

LIÇÃO 194

Entrego o futuro nas Mãos de Deus.

1. A ideia de hoje é outro passo na direção à salvação rápida e é um passo gigantesco, de fato! Tão grande é a distância que ele cobre que te coloca bem perto do Céu, com a meta à frente e os obstáculos atrás. Teus pés alcançaram os gramados que te recebem com alegria no portão do Céu; o lugar sereno da paz, onde aguardas com certeza o passo final de Deus. Quão longe da terra avançamos agora. Quão perto chegamos de nossa meta! Quão curta a jornada a percorrer ainda.

2. Aceita a ideia de hoje e ultrapassas toda a ansiedade, todos os abismos do inferno, todo o negror da depressão, dos pensamentos de pecado e da desolação trazida pela culpa. Aceita a ideia de hoje e liberas o mundo de toda prisão por soltares as correntes pesadas que trancavam a porta da liberdade para ele. Tu estás salvo e tua salvação, deste modo, se torna a dádiva que dás ao mundo porque aceitas.

3. Não se sente depressão, não se experimenta dor ou se percebe perda em nenhum momento. Em nenhum momento se pode colocar a tristeza em um trono e adorá-la de modo sincero. Em nenhum momento alguém pode sequer morrer. E, por isto, cada momento dado a Deus ao passar, com o seguinte já dado a Ele, é um tempo de tua liberação da tristeza, da dor e até mesmo da própria morte.

4. Deus mantém teu futuro da mesma forma que Ele mantém teu passado e teu presente. Para Ele, eles são um só e, por esta razão, eles devem ser um para ti. Porém, neste mundo, o curso do tempo ainda parece real. E, por isto, não se pede a ti que entendas a falta de sequência que realmente se encontra no tempo. Pede-se apenas que soltes o futuro e que o coloques nas Mãos de Deus. E verás por tua experiência que depositaste também nas Mãos d'Ele o passado e o presente, porque o passado não te punirá mais e o medo do futuro não terá sentido agora.

5. Libera o futuro. Pois o passado se foi, e o que é presente, livre de seu legado de pesar e tristeza, de perda e de dor, se torna o momento em que tempo foge da escravidão das ilusões, onde segue seu curso impiedoso, inevitável. Então, cada instante que era escravo do tempo se transforma em um instante santo, quando a luz que se mantinha escondida no Filho de Deus é libertada para abençoar o mundo. Agora ele está livre e toda sua glória brilha sobre um mundo libertado com ele para compartilhar sua santidade.

6. Se puderes ver a lição de hoje como a libertação que ela realmente é, não hesitarás em dedicar um esforço tão sólido quanto possível para torná-la parte de ti. À medida que ele se tornar um pensamento que rege tua mente, um hábito em teu repertórios para a solução de problemas, uma forma de reação rápida à tentação, estenderás teu aprendizado ao mundo. E quando aprenderes a ver a salvação em todas as coisas, o mundo também perceberá que está salvo.

7. Que preocupação pode assaltar aquele que entrega seu futuro às Mãos amorosas de Deus? O que ele pode sofrer? O que pode lhe causar dor, ou lhe trazer experiência de perda? O que ele pode temer? E a que ele pode dar atenção exceto com amor? Pois aquele que escapou de todo o medo da dor futura encontrou seu caminho para a paz presente e a certeza de cuidado que o mundo não pode ameaçar jamais. Ele tem certeza de que sua percepção pode ser imperfeita, todavia nunca lhe faltará correção. Ele está livre para escolher novamente quando se enganar; para mudar sua forma de pensar quando cometer erros.

8. Coloca, então, teu futuro nas Mãos de Deus. Pois, assim, pedes que a lembrança d'Ele venha de novo, para substituir pela verdade do amor todos teus pensamentos de pecado e de mal. Pensas que deste modo o mundo poderia deixar de ganhar e que toda criatura viva não reagiria com a percepção curada? Aquele que se entrega a Deus também confia o mundo às Mãos a que ele mesmo recorre em busca de conforto e segurança. Ele abandona as ilusões doentias do mundo juntamente com as suas e oferece paz a ambas.

9. Agora estamos salvos de verdade. Pois descansamos tranquilos nas Mãos de Deus, certos de que só o bem pode vir a nós. Se esquecermos, seremos tranquilizados de modo benigno. Se aceitarmos um pensamento que não perdoa, ele logo será substituído pelo reflexo do amor. E se formos tentados a atacar, recorreremos Àquele Que protege nosso descanso para que faça por nós a escolha que deixa a tentação bem para trás. O mundo não é mais nosso inimigo, porque escolhemos ser amigos dele.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 194

Caras, caros,

Não sei se já lhes falei aqui nalgum momento a respeito da pílula que resolve todos os problemas e elimina todos os conflitos por que as pessoas que vêm a este mundo passam.

Pois é, a enorme maioria das pessoas que precisa resolver problemas e enfrentar os conflitos todos que se apresentam em suas vidas todos os dias sonha com esta pílula.

E se não lhes falei dela antes é porque ela não existe. 

Por mais que queiramos, por mais que procuremos, por mais que nos esforcemos, por mais que deleguemos todo o nosso trabalho à ciência, à religião, ou a quem quer seja, no intuito de encontrar a fórmula mágica - a pílula - que poderia transformar este mundo num paraíso na terra, tudo seria em vão.

A ideia que vamos praticar hoje talvez nos dê uma pista do que é possível fazer para viver o Céu na terra.

"Entrego o futuro nas Mãos de Deus."

Um de nossos maiores problemas em aceitar todas as coisas como lições que Deus quer que aprendamos [a ideia que praticamos ontem, lembram?] está diretamente relacionado às expectativas que temos, quando nos debruçamos sobre algum assunto que precisamos resolver, quando dedicamos nossa atenção a algum problema que nos preocupa ou quando fazemos planos para algum momento que queremos viver no futuro. Isso sem contar com o que pensamos a respeito do que já nos aconteceu no passado, fatos, situações e pessoas que não queremos libertar de nosso julgamento e que nos mantêm prisioneiros/as de algo que já não existe.

Também é um problema o fato de pensarmos não ter tempo para fazer tudo aquilo que queremos fazer, uma vez que é isto exatamente que nos impede de viver o único tempo que existe: o presente. Pois, como diz o Curso, passamos do passado diretamente ao futuro. Como aprender, então, a entregar o futuro nas Mãos de Deus, como ensina a ideia da lição que vamos praticar hoje?

Nossas expectativas muitas vezes - na maioria delas - nos impedem de acolher e aceitar a situação que se apresenta a cada momento. Elas nos impedem de reconhecer e praticar como verdadeiras aquelas quatro leis da espiritualidade que se ensina na Índia, que revimos em comentário de uma lição recente. Estamos, em geral, sendo movidos pela pergunta: "E se"...?

Lembram-se de que lhes falei antes que minha mãe dizia que o "e se?" é pior que lepra? Pois, repetindo o que eu disse então, se pensarmos bem, o que podemos, de fato, fazer para provocar qualquer mudança verdadeira no mundo que vemos, a não ser mudar nosso modo de olhar para ele, e fazê-lo já, neste instante presente, agora? 

Que mudança esperamos ver ou provocar no mundo, deixando para fazer o movimento daqui a pouco, amanhã ou depois, ou num futuro que nunca chega? Quem quer começar, de verdade, a fazer alguma diferença em sua própria vida, aceitar o papel que lhe cabe na salvação do mundo, tem de fazê-lo já, agora. Ou continuará a adiar o momento do encontro consigo mesmo, com as desculpas mais esfarrapadas, mesmo sabendo disso.

Vamos buscar aprender mais uma vez, com as práticas da ideia de hoje, a lembrar de aceitar com humildade, de aceitar serena e tranquilamente que não sabemos nada mesmo a respeito de nada. Nem sequer sabemos como escolher o caminho que pode nos levar à felicidade, pois não sabemos também o que é a felicidade ou o que nos faz felizes. Aceitar isto, de coração e mente abertos, nos liberta por completo do jugo da pretensa onipotência do ego.

Voltando uma vez mais ao que diz Alan Watts a respeito do saber: "da mesma forma que a visão surge de algo invisível, também, quando sabemos que não sabemos, sabemos realmente. Sabemos, porque perceber claramente que não sabemos é um estado de espírito no qual temos de abandonar nossos esforços para compreender a vida a partir do intelecto".

O ego é absolutamente dependente do intelecto e precisa de explicação racional e lógica para tudo o que vê, como vimos algumas lições atrás. É por isso que ele não consegue se comunicar com o divino. O ego, para existir - ou para acreditar que existe -, precisa do controle e do conflito. O tempo todo. O divino não precisa de nada. Ele se basta. E é em razão de sermos, de fato, manifestações do divino que, na verdade, só podemos experimentar a paz e a alegria quando entregamos tudo nas mãos de Deus. Entregar tudo nas mãos de Deus significa voltar a casa de onde nunca saímos. Voltar a viver a partir da sintonia com o divino que é o que somos. E que sempre seremos.

Às práticas?

domingo, 12 de julho de 2026

Eis aqui uma lição, dentre todas, que resume o Curso

 

LIÇÃO 193

Todas as coisas são lições que Deus quer que eu aprenda.

1. Deus não conhece aprendizado. Mas Sua Vontade se estende àquilo que Ele não compreende, no sentido de que Ele deseja que a felicidade que Seu Filho herdou d'Ele seja serena, eterna e ganhe alcance para sempre, que se expanda eternamente na alegria da criação completa e perenemente aberta e inteiramente ilimitada n'Ele. Esta é a Vontade d'Ele. E, desta forma, a Vontade d'Ele oferece os meios para que isto se realize.

2. Deus não vê nenhuma contradição. Mas Seu Filho pensa vê-las. Assim, ele tem uma necessidade de Alguém Que possa corrigir sua visão desviada e lhe dar a visão que o conduzirá de volta ao lugar em que a percepção acaba. Deus não percebe absolutamente. Mas é Ele Quem dá o meio pelo qual a percepção se torna verdadeira e bela o suficiente para permitir que a luz do Céu brilhe sobre si. É Ele Quem responde àquilo que Seu Filho quer contestar e mantém sua inocência a salvo para sempre.

3. Estas são as lições que Deus quer que aprendas. A Vontade d'Ele reflete todas elas e elas refletem Sua bondade amorosa para com o Filho que Ele ama. Cada lição tem um pensamento central, o mesmo em todas elas. Só a forma muda, com circunstâncias e acontecimentos diferentes; com personagens e temas diferentes, aparentes mas não reais. Todas são iguais em seu conteúdo básico. É este:

Perdoa e verás isto de modo diferente.

4. É certo que nem toda a aflição parece ser apenas falta de perdão. Mas é este o conteúdo sob a forma. É esta igualdade que torna certo o aprendizado, porque a lição é tão simples que, no fim, não pode ser rejeitada. Ninguém pode se esconder para sempre de uma verdade tão verdadeiramente óbvia que aparece sob formas incontáveis e, ainda assim, é tão facilmente reconhecida em todas elas, se se quiser ver apenas a simples lição aí.

5. Perdoa e verás isto de modo diferente.

Estas são as palavras que o Espírito Santo diz em todas as tuas tribulações, toda tua dor, todo sofrimento, independente de sua forma. Estas são as palavras com as quais a tentação termina, e a culpa, abandonada, não é mais reverenciada. Estas são as palavras que põem fim ao sonho do pecado e livram a mente do medo. Estas são as palavras pelas quais a salvação chega para o mundo inteiro.

6. Não aprenderemos a dizer estas palavras quando formos tentados a acreditar que a dor é real e que a morte é nossa escolha em lugar da vida? Não aprenderemos a dizer estas palavras quanto tivermos entendido seu poder para liberar todas as mentes da escravidão? Estas são as palavras que te dão poder sobre todos os acontecimentos que parecem ter recebido poder sobre ti. Tu os vês de modo correto quando manténs estas palavras em plena consciência e não te esqueces de que elas se aplicam a tudo o que vês ou a qualquer coisa que algum irmão vê de maneira imprópria.

7. Como podes saber quando vês de forma errada ou quando alguém deixa de perceber a lição que deveria aprender? A dor parece real à percepção? Se parecer, fica certo de que a lição não foi aprendida. E de que uma falta de perdão continua escondida na mente que vê a dor pelos olhos que a mente controla.

8. Deus não quer que sofras deste modo. Ele quer te ajudar a te perdoares. Seu Filho não se lembra de quem é. E Deus quer que Ele não se esqueça de Seu Amor e de todas as dádivas que Seu Amor traz consigo. Queres renunciar a tua própria salvação agora? Queres deixar de aprender as simples lições que o Professor do Céu põe diante de ti a fim de que toda dor possa desaparecer e Deus possa ser lembrado por Seu Filho?

9. Todas as coisas são lições que Deus quer que aprendas. Ele não quer deixar um único pensamento de falta de perdão sem correção, nem sequer um espinho ou prego para ferir Seu Filho de qualquer modo. Ele quer garantir que seu descanso sagrado permaneça tranquilo e sereno, sem nenhuma preocupação, em um lar eterno que cuide dele. E Ele quer que todas as lágrimas sejam enxugadas, que não fique nenhuma por derramar e que nenhuma fique apenas esperando o tempo estabelecido para cair. Pois Deus quer que o riso substitua cada uma delas e que Seu Filho seja livre novamente.

10. Hoje tentaremos superar milhares de aparentes obstáculos à paz em um único dia. Deixa que a misericórdia venha a ti mais rapidamente. Não tentes evitá-la por mais um dia, mais um minuto ou mais um instante. Para isto se fez o tempo. Usa-o hoje para aquilo que é a finalidade dele. Dedica, pela manhã e à noite, o tempo que puderes para atender ao objetivo que lhe é próprio e não deixes que seja menor do que aquele que pode atender a tua necessidade mais profunda.

11. Dá tudo o que puderes e um pouco mais. Pois agora queremos nos levantar com urgência e ir para a casa de nosso Pai. Estivemos fora tempo demais e não queremos nos demorar mais aqui. E, ao praticarmos, pensemos em todas as coisas que deixamos para resolver por nós mesmos e que nos mantiveram separados da cura. Vamos dá-las todas Àquele Que conhece o modo de olhar para elas a fim de que desapareçam. Sua mensagem é a verdade; Seu ensinamento é a verdade. São Suas as lições que Deus quer que aprendamos.

12. Hoje, e nos próximos dias, a cada hora, passa algum tempo praticando a lição do perdão na forma estabelecida para o dia. E tenta aplicá-la aos acontecimentos da hora, para que a seguinte fique livre da anterior. Deste modo as amarras do tempo se afrouxam facilmente. Não deixes que nenhuma hora lance suas sombras sobre a seguinte e, quando esta passar, deixa que tudo o que aconteceu nela se vá com ela. Assim, permanecerás livre, em paz eterna no mundo do tempo.

13. Esta é a lição que Deus quer que aprendas: há um modo de olhar para cada coisa que permite que ela seja outro passo em direção a Ele e à salvação do mundo. A tudo o que fala de terror, responde assim:

Perdoarei e isto desaparecerá.

Para cada receio, cada preocupação e cada forma de sofrimento, repete estas mesmas palavras. E assim seguras a chave que abre os portões do Céu e traz o Amor de Deus Pai, enfim, para a terra, para elevá-la ao Céu. Deus Mesmo dará este passo final. Não negues os pequenos passos que Ele te pede para dar em direção a Ele.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 193

Caras, caros,

É sempre bom e necessário verificarmos o progresso de nosso aprendizado. De tempos em tempos. Por quê? Porque, como o próprio ensinamento diz, o ego é manhoso, ardiloso e capaz de armar muitas armadilhas para nos enganar. Usando muitas vezes o ensinamento e suas lições, ou suas ideias mais caras, o ego nos garante que estamos progredindo, que já somos capazes de aceitar as outras pessoas sem julgá-las, aceitá-las do modo que são.

Será verdade isso? Ou será que o ego está nos levando ao auto-engano? Fazendo-nos pensar que já somos pessoas melhores do que as outras, porque estamos estudando o Curso, fazendo as lições e levando-as a sério. Isso não será, talvez, soberba? Não será talvez outro modo de julgar as pessoas com quem partilhamos nossa experiência de mundo?

Precisamos estar sempre atentas, sempre atentos. Não se brinca com o ego. É preciso que aprendamos tudo o que ele é capaz de fazer para nos iludir e para nos manter prisioneiras, ou prisioneiros, da ilusão. Tudo o que ele quer e que nos mantenhamos em conflito, em dúvida e não questionemos seu sistema de pensamento.

A ideia com que vamos praticar hoje vai nos auxiliar a entender melhor de que forma podemos lidar com o ego. 

"Todas as coisas são lições que Deus quer que eu aprenda."

A lição que praticamos hoje está entre as minhas lições favoritas, como já lhes disse algumas vezes antes. Não porque ela traz para as práticas uma ideia "melhor" do que qualquer uma das outras. Pois todas a lições - e cada uma delas - trazem em si o poder de nos fazer despertar para viver o Céu. No caso desta, eu a coloco entre as minhas favoritas, apenas porque ela traz, para mim, de forma clara e cristalina, a ideia que põe em nossas mãos a ferramenta perfeita para desfazer o mundo que fizemos até agora, para refazê-lo novo, deixando simplesmente que ele seja o que é em todos os seus aspectos, em todos os momentos em que voltamos nosso olhar para ele. Sem atrapalhar de nenhuma forma. 

É esta ideia que pode nos dar - e de fato nos dá - o instrumento perfeito para abandonarmos todo e qualquer julgamento sobre tudo e sobre todos. Pois não há nada que não passemos a ver à luz da inocência, quando nos perdoamos e perdoamos, por extensão, a tudo e a todos e todas que vemos. Porque todo o equívoco aparente em que pensamos viver nada mais é do que o julgamento que fazemos de nós mesmos/as, de tudo, de todos e de todas no mundo.

De certo modo, esta lição, e a ideia que vamos praticar com ela, nos devolve o olhar da criança divina que somos, o olhar da inocência que pensamos perdida, o olhar da pureza do Filho de Deus ao nos assegurar que todas as coisas são lições que Deus quer que aprendamos. E mais: que todas as coisas e todas as lições não contêm nada mais do que uma única lição, independente da forma com que se apresentem.

Como eu já disse em comentários anteriores, esta é a única lição por detrás de todas as aparentes lições, por trás de todas as coisas e acontecimentos aparentemente diferentes, que pode nos pôr em contato com a ideia que torna mais rápido o aprendizado de nossa função de salvadores e salvadoras do mundo, quando nos decidirmos pela nossa própria salvação, aceitando a Expiação para nós mesmos, para nós mesmas. Ela também torna possível a realização de nossa função de maneira mais rápida e mais segura. Desde que a compreendamos, aceitemos, pratiquemos e a ponhamos em uso, como parte de nosso repertório diário de ações.

Isto porque nada daquilo que vemos a partir da percepção, a partir dos sentidos, pode permanecer do mesmo modo, quando nos valemos da ideia que resume e unifica todas as lições, que é a seguinte: perdoa e verás tudo [aquilo para que olhas, pensas ou imaginas] de modo diferente. O perdão põe fim às interpretações da mente, que, em nós, recebe a orientação do sistema de pensamento do ego.

Por fim, é possível dizer que quem quer que tenha experimentado alguma vez utilizar o poder destas palavras na prática já percebeu e viveu a verdade que elas carregam. E quem ainda não as experimentou precisa dar um jeito de experimentá-las, se, de fato, quiser aceitar o papel que lhe cabe no plano de Deus para a salvação do mundo. E para sua própria salvação.

Se aprendermos apenas isto, teremos aprendido tudo aquilo de que precisamos para cumprir a Vontade de Deus para nós. Afinal, esta é mais uma das lições que resumem todo o ensinamento. 

Às práticas?

sábado, 11 de julho de 2026

Se pararmos de atrapalhar, tudo pode ser só o que é

 

LIÇÃO 192

Tenho uma função que Deus quer que eu cumpra.

1. É a Vontade santa de teu Pai que tu O completes e que teu Ser seja o Filho sagrado d'Ele, puro como Ele para sempre, criado do amor, protegido no amor, estendendo amor, criando em seu nome, um com Deus e com teu Ser eternamente. Porém, o que tal função pode significar em um mundo de inveja, ódio e ataque?

2. Por isto tens uma função no mundo em seus próprios termos. Pois quem pode compreender uma linguagem muito fora de seu simples entendimento? O perdão descreve tua função aqui. Ele não é criação de Deus, pois é o meio pelo qual a falsidade pode ser desfeita. E quem perdoaria o Céu? No entanto, na terra, tu precisas do meio para abandonar as ilusões. A criação espera tua volta apenas para ser reconhecida, não para ser completada.

3. A criação não pode nem mesmo ser concebida no mundo. Ela não tem sentido aqui. O perdão é o mais próximo da terra que ela pode vir. Pois, sendo natural do Céu, ela não tem absolutamente nenhuma forma. No entanto, Deus criou Alguém Que tem o poder de traduzir em forma aquilo que é completamente sem forma. O que Ele cria são sonhos, mas de um tipo tão parecido com o despertar que a luz do dia já brilha sobre eles e os olhos que já estão se abrindo têm as visões alegres que suas oferendas contêm.

4. O perdão olha de modo benigno para todas as coisas desconhecidas no Céu, vê-as desaparecerem e deixa o mundo um lousa limpa e sem marcas sobre a qual a Palavra de Deus pode agora substituir os símbolos sem sentido escritos aí anteriormente. O perdão é o meio pelo qual o medo da morte é vencido porque agora ele não exerce nenhuma atração violenta e a culpa desapareceu. O perdão permite que se perceba o corpo como ele é: um simples recurso de ensino, a ser deixado de lado quando o aprendizado estiver completo, mas que dificilmente muda de algum modo aquele que aprende.

5. A mente sem o corpo não pode cometer erros. Ela não pode pensar que morrerá, nem ser presa do ataque impiedoso. A raiva fica impossível e, então, onde está o terror? Que medos ainda poderiam assaltar aqueles que perderam a fonte de todo ataque, o centro da angústia e a morada do medo? Só o perdão pode aliviar a mente do pensamento de que o corpo é seu lar. Só o perdão pode devolver a paz que Deus pretendeu para seu Filho Santo. Só o perdão pode convencer o Filho a olhar novamente para sua santidade.

6. Com a ira anulada, tu, de fato, perceberás que, em troca da visão de Cristo e da dádiva da visão, não se pediu nenhum sacrifício e que apenas se retirou a dor de uma mente doente e torturada. Isto não é bem-vindo? É algo para se temer? Ou é algo a se esperar, para se encontrar com gratidão e para se aceitar com alegria? Nós somos um só e, por isto, não desistimos de nada. Mas, de fato, tudo nos foi dado por Deus.

7. Contudo, precisamos do perdão para perceber que isto é verdade. Sem a luz benigna do perdão, tateamos nas trevas, usando a a razão apenas para justificar nossa raiva e nosso ataque. Nossa compreensão é tão limitada que aquilo que pensamos entender é apenas confusão nascida do erro. Estamos perdidos em névoas de sonhos transitórios e de pensamentos assustadores, com nossos olhos bem fechados contra a luz; nossas mentes envolvidas na adoração daquilo que não existe.

8. Quem pode renascer em Cristo a não ser aquele que perdoa todos que vê, ou pensa, ou imagina? Quem poderia se libertar enquanto aprisionar alguém? Um carcereiro não é livre, pois está preso junto de seu prisioneiro. Tem de ter certeza de que ele não fugirá e, assim, passa seu tempo a vigiá-lo. As barreiras que limitam o prisioneiro passam a ser o mundo no qual seu carcereiro vive junto com ele. E é da liberdade dele que depende o caminho para a libertação de ambos.

9. Por isto, não aprisiones ninguém. Libera em vez de prender, pois assim tu te tornas livre. O caminho é simples. Todas as vezes que sentires uma punhalada de raiva, percebe claramente que seguras uma espada sobre tua cabeça. E ela cairá ou será desviada na medida em que escolheres ser condenado ou livre. Desta forma, cada um que parecer te tentar a ficar com raiva simboliza teu salvador da prisão da morte. E, assim, tu lhe deves gratidão em vez de dor.

10. Sê misericordioso hoje. O Filho de Deus merece tua misericórdia. É ele quem pede que aceites o caminho para a liberdade agora. Não o rejeites. O Amor de seu Pai por ele te pertence. Tua função aqui na terra é só perdoá-lo, para poderes aceitá-lo de volta como tua Identidade. Ele é como Deus o criou. E tu és o que ele é. Perdoa os pecados dele agora e verás que tu és um com ele.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 192

Caras, caros,

É muito interessante notar, perceber em nosso comportamento habitual, o quanto estamos comprometidas, comprometidos, com o sistema de pensamento do ego, sem, aparentemente, nos darmos conta disso. Por exemplo: a maioria de nós não tem o menor pudor em criticar o comportamento das outras pessoas, chamando a atenção para tudo o que julga ser negativo nelas, acreditando piamente que está prestando um serviço à humanidade ao revelar a quem quer que seja o quanto fulano, sicrano e beltrano, ou fulana, sicrana e beltrana, são indolentes, pessimistas e não veem nada de bom nas coisas que acontecem.

Esquecemo-nos a maior parte do tempo daquela regra que afirma que, quando apontamos o dedo para alguém, outros três de nossos dedos se voltam para nós. E, notem bem, nós apontamos um e três apontam para nós. Por que será? Eu diria é que para avaliarmos bem qualquer coisa que tenhamos a dizer a respeito de qualquer outra pessoa. 

Se, de verdade, prestarmos bastante atenção, veremos que todas as pessoas só podem fazer o que fazem. Não há nada que elas possam fazer de modo diferente do que fazem, de posse das informações que têm. Cada uma, ou cada um de nós, todas e todos nós só podemos mudar nosso comportamento, quando, ao analisarmos o que fazemos e nos sentirmos infelizes com os resultados que obtemos, nos propusermos a buscar fundo em nós mesmas, ou em nós mesmos, as razões que nos levaram - ou nos levam - a agir como agimos.

Para nossa alegria, o ensinamento traz todas as informações de que precisamos, todas as orientações que devemos seguir para chegar à consciência de nossa divindade, para chegar à consciência de nossa unidade com Deus. É claro que cada uma - e cada um - de nós tem de ter bem claro sua função no mundo. E perceber que sua função é apenas aquela que nos foi dada pelo divino em nós, a única Voz a que devemos nos dirigir em situações de dúvida, ou de medo.

Vamos tratar disso com as práticas da ideia de hoje.

"Tenho uma função que Deus quer que eu cumpra."

Todos e todas nós temos uma função que Deus [sempre o divino em nós mesmos e em nós mesmas] quer que cumpramos. Cada um e cada uma de nós tem a sua em particular - e sabe qual é, ainda que às vezes de forma inconsciente, mas que, também, muitas vezes, se nega a reconhecer. E qual seria esta função? Qualquer uma que escolhermos. Qualquer uma que nos dê alegria e nos faça felizes. 

Deus não diz a cada um ou a cada uma de nós qual é o lugar que lhe cabe em Seu plano para a salvação. Toca a cada um, e a cada uma, de nós descobrir isto. E basta para tanto que nos voltemos para dentro e nos perguntemos: "o que me enche de alegria? O que faz com que eu me sinta completo ou completa, no lugar em que estou, quando estou lá?" E, se é Deus quem diz isto, Ele o diz apenas de um modo que só cada um, ou cada uma, de nós pode entender.

E o que Ele/Ela diz, então? Ele diz que tudo o que precisamos fazer é experimentar a paz de forma constante e viver a alegria completa e perfeita em todos os momentos de nossa vida. Esta é a Vontade d'Ele/Ela para cada um e cada uma de nós e para todos e todas nós. Não será também isto mesmo que todos e todas nós ansiamos? Basta, pois, que nos abramos por inteiro para ouvir a Voz que fala por Ele/Ela a nós. E o que isso tem a ver com a nossa função?

Ora, já vimos isso anteriormente. Lembram? Voltem, por favor, às lições 65 e 66, que dizem que "minha única função é a que Deus me deu" e que "minha felicidade e minha função são uma coisa só". Pois bem, a ideia que praticamos hoje, além de nos lembrar daquelas anteriores, reafirma que, de fato, há uma função para cada um e cada uma de nós, e que Deus quer que a cumpramos. Mas diz também que podemos escolher a função que nos cabe, ouvindo, reconhecendo, acolhendo e aceitando a Voz por Deus no interior de nós mesmos e de nós mesmas.

Como fazer isso? Simplesmente escolhendo ser/fazer aquilo que nos coloca em contato constante com a alegria e com a paz perfeitas e completas em todas as situações e em todos os momentos. Só isso é cumprir a Vontade de Deus. Tudo o mais é ilusão e auto-engano.

Pára de atrapalhar! 

Quem lembra dos ensinamentos do Curso, oferecidos por uma das primeiras facilitadoras do Curso entre nós, aqui no Brasil, e que se encantou há pouco tempo, há de lembrar que um de seus livros, que resumia tudo o que é preciso aprendermos tinha por título "A vida tende a dar certo, nós é que atrapalhamos".

É isto exatamente, sem tirar nem pôr. Parar de atrapalhar é tudo o que precisamos fazer para cumprir a função que Deus tem para nós. Parar de atrapalhar significa decidir-se a olhar para o mundo, e para tudo, todas e todos que vivem nele, permitindo simplesmente que tudo, todas e todos sejam exatamente aquilo que são. É esta simples cortesia que o Espírito Santo nos pede. Pois parar de atrapalhar encontra sua perfeita sintonia no "eu não preciso fazer nada".

Nalgum momento já pensaste quantas vezes te revoltaste por não poderes fazer alguma coisa que querias fazer, ou quantas vezes te aborreceste por teres de fazer alguma coisa contra a tua vontade? Tua vontade e a de Deus, o Curso ensina, são a mesma e única vontade. Se a Vontade de Deus é soberana, a tua não é menos soberana do que a d'Ele/Ela. É por isso que podes escolher fazer tudo o que quiseres dando preferência àquilo que te deixa feliz. É por isso que Santo Agostinho é lembrado por sua frase máxima: "Ama e faze o que quiseres." Isto basta. Sempre. 

Às práticas?