domingo, 16 de janeiro de 2022

Neste mundo de ilusões, pensar é sinônimo de julgar

 

LIÇÃO 16

Eu não tenho nenhum pensamento neutro.

1. A ideia para hoje é um passo inicial para fazer desaparecer a crença de que teus pensamentos não têm nenhum efeito. Tudo o que vês é o resultado de teus pensamentos. Não há nenhuma exceção para este fato. Os pensamentos não são grandes ou pequenos, poderosos ou fracos. Eles simplesmente são verdadeiros ou falsos. Os verdadeiros criam a sua própria semelhança. Os falsos o fazem à deles.

2. Não existe nenhuma noção mais contraditória em si mesma do que a de "pensamentos vãos". Aquilo que dá origem à percepção de um mundo inteiro dificilmente pode ser chamado de vão. Todo pensamento que tens colabora com a verdade ou com a ilusão; ou ele estende a verdade ou multiplica ilusões. Tu, de fato, podes multiplicar o nada, mas não o estenderás ao fazê-lo.

3. Além do teu reconhecimento de que teus pensamentos nunca são vãos, a salvação pede que reconheças também que todo pensamento que tens ou traz paz ou guerra, ou amor ou medo. Um resultado neutro é impossível porque é impossível um pensamento neutro. Há uma tentação tão grande de rejeitar os pensamentos de medo como sem importância, triviais e como não merecedores de que te incomodes com eles, que é essencial que os reconheças a todos como igualmente destrutivos, mas igualmente irreais. Praticaremos esta ideia de muitas formas antes que verdadeiramente a compreendas.

4. Ao aplicares a ideia para hoje, examina tua mente por cerca de um minuto de olhos fechados e busca efetivamente não deixar passar nenhum pensamento "minúsculo" que possa ser capaz de frustrar o exame. Isto é bastante difícil até te acostumares. Descobrirás que ainda é difícil para ti não fazer distinções irreais. Todo pensamento que te ocorrer, independentemente das qualidades que atribuas a ele, é um sujeito adequado para a aplicação da ideia de hoje.

5. Nos períodos de prática, repete primeiro a ideia para ti mesmo e, depois, à medida que cada um passar por tua mente, mantêm-no na consciência enquanto dizes a ti mesmo:

Este pensamento sobre _________ não é um pensamento neutro.
Aquele pensamento sobre _________ não é um pensamento neutro.

Como de costume, utiliza a ideia de hoje sempre que tomares consciência de um pensamento em particular que desperte inquietação. Para esta finalidade, sugere-se a seguinte forma:

Este pensamento sobre ________ não é um pensamento neutro,
porque eu não tenho nenhum pensamento neutro.

6. Recomenda-se quatro ou cinco períodos de prática, se os achares relativamente fáceis. Se experimentares alguma tensão, três serão suficientes. A duração do período dos exercícios também deve ser reduzida se houver desconforto.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 16

"Eu não tenho nenhum pensamento neutro."

Vamos prosseguir nossa exploração das lições cientes de que não estamos sós. Por isso, podemos ficar certos, ou certas, de que a experiência da alegria vai ser uma companhia constante a partir de determinado ponto das práticas. 

A lição que vamos explorar hoje tem por objetivo dissipar a crença segundo a qual os pensamentos que temos não exercem nenhum efeito no mundo, como informa já de saída a primeira frase do primeiro parágrafo. E também, como a ideia que praticamos na lição 11, lida com a inversão do modo de pensar do mundo, que quer nos fazer ficar no autoengano do sistema de pensamento do ego.

Não é verdade que acreditamos poder pensar o que quisermos a respeito de quem quer que seja por termos quase que um tipo de certeza de que nada do que pensamos pode atingir ninguém ou pode ter qualquer efeito sobre qualquer coisa no mundo? Não é este o fundamento sobre o qual se baseia nossa ânsia por julgar, por falar - bem ou mal - de pessoas, de homens e de mulheres, de situações, de política, de economia, de futebol, de comportamento, ou de qualquer tema que nos passe pela cabeça?

Eu não tenho nenhum pensamento neutro.

A lição começa:

A ideia para hoje é um passo inicial para fazer desaparecer a crença de que teus pensamentos não têm nenhum efeito. Tudo o que vês é o resultado de teus pensamentos. Não há nenhuma exceção para este fato.

Já não aconteceu com vocês de estarem pensando numa pessoa e essa pessoa, de repente, "do nada", como se diz, se materializar em sua frente? Quer, de fato, pessoalmente, quer por uma ligação telefônica, uma mensagem no computador, uma notícia num jornal ou revista, ou mesmo no rádio ou na televisão? Ou de pensarem em alguma coisa e essa coisa aparecer em sua frente, surgindo aparentemente não se sabe de onde?

Eu não tenho nenhum pensamento neutro.

Tudo o que vês é o resultado de teus pensamentos. 

Não há nenhuma exceção para este fato.

Ao final do capítulo vinte-e-um do texto, o Curso, sob o tema, A última questão sem resposta, chama a atenção para o seguinte:

A alegria não pode ser percebida, exceto pela visão constante. E a visão constante só pode ser dada àqueles que desejam constância. O poder do desejo do Filho de Deus continua a ser a prova de que aquele que se percebe impotente está equivocado. Deseja o que quiseres e o verás e pensarás que é real. Todo pensamento tem apenas o poder de libertar ou matar. E nenhum pensamento pode deixar a mente de quem o pensa, ou deixar de ter efeito sobre ele.

Pensemos, então, por alguns instantes, a respeito do poder de nossos pensamentos. O poder de nossos desejos, que chega, às vezes, a nos assustar. Será isso o que nos amedronta tanto: saber-nos portadores do mesmo poder de Deus? É isso que não queremos reconhecer e aceitar: o fato de que podemos, sim, mudar o mundo, salvar-nos e salvá-lo? Basta, para tanto que mudemos nosso modo de pensar. Melhor dizendo, basta que deixemos de julgar. Basta decidirmos abandonar qualquer tipo de julgamento para termos acesso a nossos pensamentos verdadeiros. Aqueles que temos com Deus.

Eu não tenho nenhum pensamento neutro.

Os pensamentos não são grandes ou pequenos, poderosos ou fracos. Eles simplesmente são verdadeiros ou falsos. Os verdadeiros criam a sua própria semelhança. Os falsos o fazem à deles.

Ora, então, na verdade, nossos pensamentos são a origem de tudo o que vemos, mesmo na ilusão de mundo em que pensamos viver. E podemos chegar à visão da verdade, se escolhermos ficar somente com os pensamentos verdadeiros.

Ou, como é mais comum, podemos ver apenas um mundo de ilusões, criado pelos pensamentos falsos que temos ao nos ligarmos ao sistema de pensamento do ego, que se vê separado de tudo e de todos. E que tenta nos convencer de que podemos, acreditando-nos separados, pensar sem julgar. Não podemos. Na separação em que o ego acredita existir, pensar é julgar.

A lição continua:

Não existe nenhuma noção mais contraditória do que a de "pensamentos vãos". Aquilo que dá origem à percepção de um mundo inteiro dificilmente pode ser chamado de vão. Todo pensamento que tens colabora com a verdade ou com a ilusão; ou ele estende a verdade ou multiplica ilusões. Tu, de fato, podes multiplicar o nada, mas não o estenderás ao fazê-lo.

Assim, não existe a menor possibilidade de que qualquer pensamento seja, de fato, "vão". Mesmo aqueles que pensamos bobos têm efeito. Podemos não perceber de imediato, mas, mais dia, menos dia, algo se apresenta a nossa experiência como resultado de algum pensamento "bobo" que não fomos capazes de identificar como equivocado em nossa mente.

As crenças  que trazem as experiências que escolhemos viver, inconscientes a maior parte das vezes, resultam de pensamentos, emoções e sensações que vamos armazenando na mente sem perceber para poder limpar.

Se pensarmos em um computador, por exemplo, sabemos que há que limpar periodicamente o conteúdo que se acumulou em seu disco rígido, sob o risco de ele parar de funcionar ou de passar a funcionar de modo precário. Da mesma forma, precisamos trazer à consciência aqueles conteúdos do inconsciente que nos impedem de acessar a alegria, a serenidade e a paz de espírito, que nos permitem atuar no mundo de forma sadia.

Eu não tenho nenhum pensamento neutro.

Peço-lhes, pois, que deem o máximo de atenção possível ao terceiro parágrafo desta lição:

Além do teu reconhecimento de que teus pensamentos nunca são vãos, a salvação pede que reconheças também que todo pensamento que tens ou traz paz ou guerra, ou amor ou medo. Um resultado neutro é impossível porque é impossível um pensamento neutro. Há uma tentação tão grande de rejeitar os pensamentos de medo como sem importância, triviais e como não merecedores de que te incomodes com eles, que é essencial que os reconheças a todos como igualmente destrutivos, mas igualmente irreais. Praticaremos esta ideia de muitas formas antes que verdadeiramente a compreendas.

A prática e a aplicação da ideia às pessoas, coisas ou situações, vão provar sua veracidade, se de fato escolhermos aceitar o desafio que lição de hoje nos propõe. 

Às práticas?
 

sábado, 15 de janeiro de 2022

Só aparência e julgamento é o que vemos no mundo

 

LIÇÃO 15

Meus pensamentos são imagens que faço.

1. É em razão de os pensamentos que pensas que pensas aparecerem como imagens que não os reconheces como nada. Tu pensas que os pensas e, por isto, pensas que os vês. É deste modo que teu "ver" foi feito. Esta é a função que dás aos olhos de teu corpo. Não é ver. É construir imagens. Toma o lugar de ver, substituindo a visão por ilusões.

2. Esta ideia introdutória ao processo de construção de imagens que chamas de ver não fará muito sentido para ti. Tu começarás a compreendê-la quanto vires pequenas bordas de luz em torno dos mesmos objetos familiares que vês agora. Isto é o começo da visão verdadeira. Podes ter certeza de que a visão verdadeira virá rapidamente quando isso acontecer.

3. Conforme prosseguirmos, poderás ter muitos "episódios de luz". Eles poderão assumir muitas formas diferentes, algumas das quais bastante inesperadas. Não tenhas medo deles. Eles são sinais de que estás abrindo os olhos finalmente. Eles não perdurarão, porque simplesmente simbolizam a percepção verdadeira e não estão relacionados ao conhecimento. Estes exercícios não vão te revelar o conhecimento. Mas prepararão o caminho para ele.

4. Ao praticares a ideia para hoje, primeiro repete-a para ti mesmo e, depois, aplica-a a qualquer coisas que vires à volta de ti, utilizando o nome dela e deixando que teus olhos descansem sobre ela enquanto dizes:

Este(a) _______ é uma imagem que faço.
Aquele(a) ________ é uma imagem que faço.

Não é necessário incluir um número grande de sujeitos específicos para a aplicação da ideia de hoje. É necessário, porém, continuar a olhar para cada sujeito enquanto repetes a ideia para ti mesmo. A ideia deve ser repetida bem lentamente a cada vez.

5. Embora obviamente não sejas capaz de aplicar a ideia a um número muito grande de coisas durante o minuto aproximado de prática que se recomenda, tenta tornar a seleção o mais aleatória possível. Se começares a te sentir inquieto, menos do que um minuto será suficiente para os períodos de prática. Não faças mais do que três períodos de aplicação da ideia para hoje, a menos que te sintas inteiramente à vontade com ela, e não ultrapasses quatro. Todavia, a ideia pode ser aplicada conforme a necessidade ao longo do dia.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 15

"Meus pensamentos são imagens que faço."

Parece-lhes claro este título para a lição de hoje? Já lhes passou pela cabeça que nossos pensamentos, na verdade, não têm forma, não têm significado? Eles se apresentam como imagens que vamos aprendendo ao longo de nossas vidas, Imagens a que damos nome e separamos do todo. Imagens que mudam o tempo todo. E que mudam ao sabor do que sentimos, ao sabor de nosso humor e das coisas e situações que aparentemente se apresenta a nós.

Lembram-se da sétima lição? Aquela que nos chama a atenção para o fato de que vemos só o passado. Há lá um exemplo que pode servir para ilustrar também a ideia que praticamos hoje. Um exemplo que nos pede para olhar para uma xícara e questionar o que sabemos a respeito dela no presente, aqui e agora. Um exemplo que nos leva a concluir que tudo o que pensamos saber da xícara é apenas o que aprendemos dela no passado. Não a vemos verdadeiramente. Não sabemos o que ela é. E isso vale para tudo. 

Ao praticar a sétima lição no ano que passou, ocorreu-me também um exemplo de que um grande número de pessoas entre nós está ciente, mas que muitas pessoas não sabem. 

Sabem as estrelas que vemos no céu, ao olharmos para ele numa noite estrelada? Elas não existem, fazem parte de um passado que já se foi há milhares de anos. Se bem me lembro do que li, o céu para o qual voltamos nosso olhar e nossa atenção, à procura de estrelas, é uma imagem do céu de 500 mil anos atrás, porque este é o tempo que a imagem demora para chegar a nós, cobrindo, na velocidade da luz, a distância que nos separa das estrelas. Isto não é um atestado cabal de que vemos só o passado? 

Meus pensamentos são imagens que faço.

É assim que nossa memória registra as coisas, as estrelas, as pessoas e as situações que experimentamos: com imagens do passado. No presente não podemos fabricar imagens porque, mesmo sem ter consciência disto a maior parte do tempo, quando o vivemos, vivemos a unidade com tudo o que nos rodeia. Não há tempo, não há espaço, não há um "eu" para ver, sentir, tocar, cheirar ou provar. Também não há um "eu" que duvide do que vê. Há só sintonia, comunhão, comunicação perfeita.

O que é ver, então, para nós? Quem pode garantir que o que vemos é real? Os pensamentos que temos não significam coisa alguma, assim como as coisas que pensamos ver. Nossa mente se preocupa apenas com pensamentos do passado - no presente, quando estamos de fato nele - não há motivos para preocupação alguma - e não somos capazes de ver nada tal como é agora, neste exato momento.

O que a lição nos diz a respeito? Vejamos o primeiro parágrafo:
 
É em razão de os pensamentos que pensas que pensas aparecerem como imagens que não os reconheces como nada. Tu pensas que os pensas e, por isto, pensas que os vês. É deste modo que teu "ver" foi feito. Esta é a função que dás aos olhos de teu corpo. Não é ver. É construir imagens. Toma o lugar de ver, substituindo a visão por ilusões.
 
Ela também diz a seguir, no segundo parágrafo, que esta ideia pode não fazer sentido para nós, de início. Para nenhum ou nenhuma de nós, que acreditamos no que nos mostram os sentidos. Mas diz ainda que vamos começar a entendê-la melhor a partir do momento em que virmos pequenas réstias de luz circundando os mesmos objetos que vemos agora, e que nos são familiares - imagens do passado. A partir daí começaremos a ter contato com a verdadeira visão.

Podemos dizer, metaforicamente, que começar a ver a luz em torno dos objetos, pessoas e situações a que estamos acostumados, significa apenas que começamos a perceber que, na verdade, os olhos do corpo não podem mesmo ver. Eles se limitam a registrar as imagens de um passado que já não existe. Ou as imagens que julgamos que queremos ver. Aquelas que construímos internamente, muitas vezes como forma de fugir à realidade que nos cerca.

Do mesmo modo, os outros sentidos de que somos dotados não são úteis para a apreensão do mundo real, da Realidade, uma vez que eles, a exemplo da visão, dependem dos pensamentos que não tem significado, que aprendemos no e do  mundo. Tudo no mundo é tão-somente julgamento e aparência. Isto é, o que vemos no mundo é só julgamento e aparência. Tudo o que vemos, tocamos, ouvimos, cheiramos ou provamos está ligado ao passado, a pensamentos e imagens, impressões, sons, aromas e sabores que já não existem, isto é, não têm realidade, a não ser em nossa memória, em nossa mente. 

Meus pensamentos são imagens que faço.

Peguemos mais um exemplo, uma fotografia. Uma fotografia de algum tempo atrás de alguém que "conhecemos bem". Não importa quem. Uma fotografia daquela pessoa, que a registra e a mostra num tempo em que ainda não a conhecíamos. Como podemos dizer que ela é a mesma pessoa que pensamos conhecer hoje? Como ela mesma pode dizer isso? Ao vê-la numa foto anterior muitas vezes somos levados a pensar que não é possível que ela já tenha tido a aparência que a fotografia nos mostra. Onde está a verdade? Na pessoa que julgamos conhecer? Na fotografia? Ou na imagem dela que construímos em nossa mente?
 
Meus pensamentos são imagens que faço.

Nada, nada, nada, mas nada mesmo em nossa experiência de fazedores de imagens se sustenta. Nenhuma das imagens que fazemos pode sobreviver. "Tudo muda o tempo todo no mundo", como diz Lulu Santos na canção. Nenhuma das imagens que vemos é real. Podemos escolher milhares de maneiras diferentes para testar a ideia que o Curso nos oferece para as práticas de hoje e vamos concluir, em relação a todas elas, que esta ideia é verdadeira.

Ela pode nos conduzir imediatamente à experiência da liberdade, fazendo-nos deixar para trás todo e qualquer apego que tenhamos a quaisquer coisas no mundo. Também pode nos libertar do apego a pessoas e situações que acreditamos serem as mais importantes em nossa vida.

Ela pode, igualmente, nos conduzir ao vislumbre de uma experiência do amor de Deus, ou como quer que chamemos aquela energia vital que nos anima, pois nos permite perceber que as pessoas, as coisas e situações de nossas vidas são prisioneiras de imagens que fazemos. Se quisermos, pois, experimentar a liberdade, libertar o mundo e tudo o que pensamos haver nele, a ideia de hoje pode nos fazer aplicar o que diz a canção de Sting: "If you love somebody, set them free", o que significa dizer: "Se amas alguém, liberta-o", ou ainda, "Se amas alguém, dá-lhe liberdade, deixa-o(a) livre".

Às práticas?

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Não tem nada a ver com Deus o mundo que criamos

 

LIÇÃO 14

Deus não criou um mundo sem significado*.

1. A ideia para hoje é, evidentemente, a razão pela qual é impossível um mundo sem significado. Aquilo que Deus não criou não existe. E tudo o que existe existe tal qual Ele o criou. O mundo que vês não tem nada a ver com a realidade. Ele é de tua própria autoria e não existe.

2. Os exercícios para hoje devem ser praticados de olhos fechados do início ao fim. O período de exame mental deve ser curto, um minuto no máximo. Não faças mais do que três períodos de prática com a ideia de hoje, a menos que os aches agradáveis. Se achares, será porque compreendes realmente para que servem.

3. A ideia para hoje é outro passo no aprendizado de abandonar os pensamentos que escreves no mundo e ver a Palavra de Deus em lugar deles. Os passos iniciais nesta troca, que pode verdadeiramente ser chamada de salvação, podem ser bem difíceis e até bem dolorosos. Alguns deles te conduzirão diretamente ao medo. Não serás abandonado aí. Irás muito além disso. Nosso rumo é em direção à segurança e à paz perfeitas.

4. De olhos fechados, pensa em todos os horrores do mundo, que passam por tua mente. Cita cada um à medida que te ocorre e, em seguida, nega sua realidade. Deus não o criou e, portanto, ele não é real. Dize, por exemplo:

Deus não criou aquela guerra e, portanto, ela não é real.
Deus não criou aquele acidente aéreo e, portanto, ele não é real.
Deus não criou aquela calamidade [especifica] e, portanto, ela não é real.

5. Os sujeitos adequados para a aplicação da ideia de hoje também podem incluir qualquer coisa que tenhas medo que te aconteça ou a qualquer pessoa com quem estejas preocupado. Em cada caso, cita a "desventura" de forma bem específica. Não uses termos genéricos. Por exemplo, não digas "Deus não criou a doença", mas "Deus não criou o câncer", ou ataques cardíacos, ou o que quer que desperte medo em ti.

6. Isto para que olhas é teu repertório pessoal de horrores. Estas coisas são parte do mundo que tu vês. Algumas delas são ilusões compartilhadas e outras são partes de teu inferno pessoal. Não importa. Aquilo que Deus não criou só pode estar em tua própria mente separado da d'Ele. Por isso, não tem nenhum significado. Em reconhecimento deste fato, conclui os períodos de prática repetindo a ideia de hoje:

Deus não criou um mundo sem significado.

7. A ideia para hoje pode, obviamente, ser aplicada a qualquer coisa que te perturbe durante o dia, à parte dos períodos de prática. Sê muito específico ao aplicá-la. Dize:

Deus não criou um mundo sem significado. Ele
não criou [especifica a situação que está te
perturbando] e, portanto, isto não é real.

______________________
*NOTA DA TRADUÇÃO: Continua a valer a observação feita para as lições 11 e 12.


*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 14

Hoje, vamos explorar mais uma vez - para quem já está aqui há algum tempo - a lição de número 14, que nos traz para as práticas a seguinte ideia:

"Deus não criou um mundo sem significado."

E é claro que todos, todas, nós somos capazes de entender que a ideia a que vamos dedicar nossa atenção hoje é complementar àquela que foi objeto de nossas práticas ontem, não é mesmo?

Como a lição diz, logo no início:

A ideia para hoje é, evidentemente, a razão pela qual é impossível um mundo sem significado. Aquilo que Deus não criou não existe. E tudo o que existe existe tal qual Ele o criou. O mundo que vês não tem nada a ver com a realidade. Ele é de tua própria autoria e não existe.

Pronto! Eis aí a explicação para todas as ilusões de que pensamos precisar para viver. Nós as inventamos todas. Da mesma forma que inventamos e construímos o mundo a partir de nossos pensamentos sem significado.

Entretanto, praticar isto, e reconhecer que o mundo é uma forma de auto-engano - um engano de que, equivocados/as, pensamos ser vítimas -. é abrir as portas para a tomada de decisão de assumir a responsabilidade por nós mesmos/as, por nossas vidas, pela nossa salvação e pela salvação do mundo. É abrir-nos para a necessidade de mudarmos nosso modo de olhar para o mundo, e para tudo o que há nele.

A lição continua:

A ideia para hoje é outro passo no aprendizado de abandonar os pensamentos que escreves no mundo e ver a Palavra de Deus em lugar deles. Os passos iniciais nesta troca, que pode verdadeiramente ser chamada de salvação, podem ser bem difíceis e até bem dolorosos. Alguns deles te conduzirão diretamente ao medo. Não serás abandonado aí. Irás muito além disso. Nosso rumo é em direção à segurança e à paz perfeitas.

Deus não criou um mundo sem significado.

Deus não criou aquela guerra e, portanto, ela não é real.

Voltando aos fatos que foram notícia no passado recente, Deus não criou nenhum dos atentados de que já tivemos notícias - como aquele que vitimou os cartunistas na França, há poucos anos, nem mesmo dos que aconteceram no ano que passou. Deus não criou o atentado perpetrado pela menina-bomba na Nigéria, há pouco, nem criou a violência policial contra as pessoas que se manifestam aqui, ou em outro lugar qualquer do mundo, em favor de mudanças. Deus também não é responsável pela morte dos índios dos últimos dias, que continuam a ocorrer de forma cada vez mais violenta, por aqueles que têm os olhos voltados para as riquezas que podem vir a ser exploradas dentro dos territórios demarcados. Ou pela violências contra homo-afetivos, mulheres, negros e negras, ou contra as pessoas que não concordam com o poder que se estabeleceu no país desde os dois últimos anos, sem se considerar o que veio depois da retirada de seu cargo da presidenta eleita democraticamente. Tudo isso, portanto, não é real.

Atualizando um pouco mais as notícias, Deus não criou o atentado de três anos atrás na Turquia, na Alemanha. Não foi Deus que matou ou fez morrer de câncer o cantor-ator David Bowie. Também não foi Deus o responsável pelo "acidente", que já se podia prever, da Samarco, que deixou inúmeras pessoas desabrigadas e provocou uma catástrofe ecológica em Minas Gerais, que se estendeu até o Espírito Santo. Deus também não foi, nem é, o responsável pela chacina nos presídios privados no Amazonas e em Roraima, ou por aquele de alguns anos atrás no Carandiru. 

Do mesmo modo, não é responsabilidade de Deus a aparição do vírus da Covid-19, ou de suas mutações mais letais e mais contagiosas que já se apresentam em vários lugares do mundo. Nem pelo novo tipo de gripe que anda a assustar as populações em vários lugares do mundo. Tampouco é da responsabilidade de Deus o acidente acontecido em Capitólio, mais uma vez Minas Gerais, uma vez que, pelo que se sabe, já existiam indicações de que aquilo estava para acontecer, sem que ninguém tomasse as providências necessárias para evitar o acontecido. Essas coisas, entre outras todas, são da alçada e da responsabilidade dos humanos, que perderam respeito pelo natural, pela natureza, na ganância da acumulação de riquezas que nem de longe se comparam à riqueza que é ter saúde, estar vivo,  poder desfrutar das belezas que a natureza, que o viver, reserva aos/às que têm olhos para ver, ouvidos para ouvir e corações e almas para sentir.  

Da mesma forma, Deus não criou a doença terminal, o câncer, a Aids ou qualquer outra condição que roube a vida do ser humano. Deus não criou a depressão, ou a síndrome do pânico, ou fez com que um de nós, ou muitos de nós, nem uma ou muitas de nós, padecêssemos ao sermos privados das condições necessárias à manutenção da vida, à sobrevivência. Isso tudo também, por conseguinte, não é real. Nem o desemprego. Nem a corrupção.

Podemos até imaginar uma lista maior do que a que nos sugere a lição para descrever o que ela chama de "teu repertório pessoal de horrores", mas, no fundo, no fundo, sabemos que nenhum deles faz parte da criação de Deus. Sabemos que Deus não criou um mundo sem significado. Nós, sim.

Mesmo aqueles ou aquelas que, muitas vezes, falam em nome de Deus para justificar atos que não sejam de amor, sabem, no fundo, que estão se enganando e aumentando assim o repertório das ilusões que, na verdade, não existem. Pois não existe nada que não tenha sido criado por Deus. E tudo o que Deus cria é eterno.

Podemos voltar à primeira lição e perguntar a nós mesmos, como o fez Tara Singh, em seu comentário nalguns dos  últimos anos: será que algum, ou alguma, de nós pode dizer palavras que sejam verdadeiras hoje? Daqui a dez anos? Daqui a cem anos?

Todavia, independentemente do que qualquer um ou qualquer uma de nós faça hoje, daqui a dez anos, daqui a cem anos, ou daqui a um tempo que não sejamos capazes de medir, as palavras de verdade eterna que o Curso oferece vão continuar a dizer:

"Deus não criou um mundo sem significado." 

Espero que esta postagem também sirva para abrir os olhos de todos e todas os/as que frequentam este espaço, mesmo daqueles ou daquelas que não se manifestam em comentários, e também daqueles e daquelas que compartilham seu modo de ver o mundo e de se relacionar com o ensinamento e, a partir dele, com o mundo. 

É isto que precisamos praticar. É isto que precisamos aplicar em nossas vidas a partir de agora. Principalmente a partir deste ano novo, que nos traz a promessa de muita dor, pela falta de visão, de empatia, de sensibilidade, de humanidade e de flexibilidade, dos governantes que estão no poder, pouco se lixando para o que acontece com as pessoas que os elegeram, e para os seguidores destes mesmos governantes, que concordam com as políticas e as ações que visam ao extermínio do maior número de pessoas possível. Práticas que também não têm nada a ver com a criação de Deus. Práticas que não tem absolutamente nada a ver com a mensagem extraídas dos Evangelhos que muitos e muitas dizem seguir de maneira hipócrita.

Às práticas?

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

As práticas bastam! Não precisas acreditar em nada!

 

LIÇÃO 13

Um mundo sem significado* gera medo.

1. A ideia de hoje é, na verdade, outra forma da anterior, exceto que ela é mais específica em relação à emoção despertada. De fato, um mundo sem significado é impossível. Não existe nada sem significado. No entanto, disso não decorre que não pensarás que percebes algo que não tem nenhum significado. Ao contrário, estarás particularmente inclinado a acreditar que, de fato, o percebes.

2. O reconhecimento da falta de significado desperta profunda ansiedade em todos os separados. Ele representa uma situação em que Deus e o ego "desafiam" um ao outro para decidir de quem é o significado a ser escrito no espaço vazio que a falta de significado oferece. O ego se lança de modo frenético para estabelecer suas próprias ideias aí, com medo de que, caso não o faça, o vazio seja utilizado para demonstrar sua própria impotência e irrealidade. E somente nisto ele está correto.

3. Por isso, é essencial que aprendas a reconhecer o sem significado e a aceitá-lo sem medo. Se tiveres medo, é certo que dotarás o mundo de características que ele não possui e o atulharás de imagens que não existem. Para o ego, ilusões são dispositivos de segurança, do mesmo modo que elas também têm de ser para ti, que te equiparas ao ego.

4. Os exercícios para hoje, que devem ser feitos cerca de três ou quatro vezes por não mais do que mais ou menos um minuto no máximo, de cada vez, devem ser praticados de um modo um pouco diferente dos anteriores. De olhos fechados, repete a ideia de hoje para ti mesmo. Em seguida, abre os olhos e olha a tua volta lentamente dizendo:

Estou olhando para um mundo sem significado.

Repete esta declaração para ti mesmo enquanto olhas ao teu redor. Então, fecha os olhos e conclui com:

Um mundo sem significado gera medo porque eu penso
que estou em competição com Deus.

5. Podes achar difícil evitar algum tipo de resistência a esta declaração final. Seja qual for a forma que tal resistência possa tomar, lembra-te de que estás, de fato, com medo de tal pensamento por causa da "vingança" do "inimigo". A esta altura, não se espera que acredites na declaração e, provavelmente, a rejeitarás como absurda. Observa com muito cuidado, porém, quaisquer sinais de medo, evidentes ou dissimulados, que ela possa despertar.

6. Esta é nossa primeira tentativa de declarar uma relação explícita de causa e efeito de um tipo que estás muito inexperiente para reconhecer. Não te demores na declaração final e tenta nem mesmo pensar nela, exceto durante os períodos de prática. Neste momento isso será suficiente.

_____________________
*NOTA DE TRADUÇÃO: Valem as observação feitas para as lições 11 e 12.

*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 13

"Um mundo sem significado gera medo."

Basta que voltemos a atenção por um momento para a ideia que dá título ao exercício com que vamos trabalhar hoje, para percebermos, sem sombra de dúvida, a verdade que a lição contém, não é mesmo?

O que nos assusta e amedronta, e nos põe muitas vezes em estados de depressão e de tristeza, é pensar que o mundo não faz sentido. Não há sentido para a vida que vivemos, para as coisas que fazemos. Nada no mundo parece nos trazer qualquer satisfação, qualquer alegria, paz. Ou melhor dizendo, nada no mundo parece nos trazer qualquer satisfação, alegria ou paz que durem. Tudo em nossas vidas, assim como o mundo, dura apenas um instante. É só por pensarmos isso, e de forma equivocada, que podemos dizer que 

Um mundo sem significado gera medo.

A lição, porém, nos tranquiliza de saída ao dizer que, na verdade, ou de verdade:

De fato, um mundo sem significado é impossível. 
Não existe nada sem significado.

Mas isso não significa que não sejamos capazes de pensar que percebemos coisas que não têm significado, que não fazem nenhum sentido. E, tal como o Curso diz,

Ao contrário, estarás particularmente inclinado a acreditar que, de fato, o percebes.

E é aí que mora o perigo [que também só pode existir na ilusão]. Ou já não nos perguntamos inúmeras vezes: "Se Deus é um Deus de poder infinito, de bondade e de amor infinitos e só quer a alegria e a paz perfeitas para todos, como é que Ele permite que tanta coisa ruim aconteça no mundo"? E esta pergunta deve ser absolutamente corriqueira nos dias que vivemos no momento, não? Com infinitas ameaças pairando sobre as cabeças de todos os homens e todas as mulheres do mundo. Isso não faz nenhum sentido, não?

Um mundo sem significado gera medo.

É com isto que precisamos trabalhar. Pois a lição ensina que a ansiedade que sentimos surge, por parte dos separados, ou das separadas, do "reconhecimento da falta de significado". É isto que nos coloca "em competição com Deus". E, se vocês estiverem lembrados, em algum ponto, logo no início do texto, se não me engano, o Curso diz que o maior desejo do ego é usurpar o lugar de Deus.

É exatamente isso que ele - o ego - trata de fazer tão logo nos convence de que não há sentido no mundo, em nossa vida, nem em nada do que percebemos. Porque a busca de sentido, mesmo que não nos pareça assim, também é trabalho do ego.

É então que:

O ego se lança de modo frenético para estabelecer suas próprias ideias aí, com medo de que, caso não o faça, o vazio seja utilizado para demonstrar sua própria impotência e irrealidade. E somente nisto ele está correto.

Por isso, é essencial que aprendas a reconhecer o sem significado e a aceitá-lo sem medo. Se tiveres medo, é certo que dotarás o mundo de características que ele não possui e o atulharás de imagens que não existem. Para o ego, ilusões são dispositivos de segurança, do mesmo modo que elas também têm de ser para ti, que te equiparas ao ego.

O desafio, portanto, que a lição de hoje nos propõe é que sejamos capazes de olhar para o mundo - e para as coisas do mundo - por, pelo menos, três vezes, e por cerca de um minuto, declará-lo sem significado, e reconhecer que:

Um mundo sem significado gera medo porque eu penso
que estou em competição com Deus.

Lembrando-nos que este "eu" aí acima não é o que somos realmente, mas o ego, aquela imagem de nós que fomos construindo ao longo de nossa experiência. Precisamos nos lembrar também, ter em mente o que o Curso diz já em sua introdução: não precisamos acreditar em nada. As práticas se bastam. Mas fiquemos atentos à resistência que pode surgir e, a conselho do Curso, não nos detenhamos por muito tempo na afirmação de que pensamos estar competindo com Deus e de que nem pensemos nela, a não ser durante os períodos das práticas, pois o medo do ego é da "vingança" que o "inimigo" pode querer.

Reconhecer e aceitar que não pode existir nada sem significado, como a lição ensina logo no início, percebendo claramente que é apenas o ego que nos leva a pensar na possibilidade de um mundo sem sentido, ou sem significado - e que é só o ego que não consegue apreender o significado do mundo e de tudo o que existe em nossa experiência ilusória de mundo - pode nos trazer uma alegria e uma paz além do imaginável, além da compreensão de nossas mentes em seu estado normal, na ilusão.

Às práticas?

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Nada daquilo que vês é o que parece ser. Percebes?

 

LIÇÃO 12

Estou transtornado porque vejo um mundo sem significado*.

1. A importância desta ideia está no fato de que ela contém uma correção para uma distorção básica de percepção. Tu pensas que aquilo que te transtorna é um mundo assustador, ou um mundo triste, ou um mundo violento, ou um mundo doente. Todas estas características são dadas a ele por ti. O mundo em si mesmo não tem significado.

2. Estes exercícios são feitos com os olhos abertos. Olha ao teu redor, desta vez bem devagar. Tenta regular teu ritmo de forma que a passagem lenta de teu olhar de uma coisa para outra envolva um intervalo de tempo razoavelmente constante. Não permitas que o tempo da passagem se torne marcadamente mais longo ou mais curto, mas tenta, em lugar disso, manter um andamento sereno e uniforme do início ao fim. O que vês não importa. É isso que ensinas a ti mesmo quando dás a qualquer coisa sobre a qual teu olhar pouse atenção e tempo iguais. Este é um passo inicial no aprendizado de dar valor igual a todas elas.

3. Enquanto olhas ao teu redor, dize a ti mesmo:

Penso ver um mundo amedrontador, um mundo
perigoso, um mundo hostil, um mundo triste,
um mundo perverso, um mundo louco,

e assim por diante, usando quaisquer termos descritivos que te ocorrerem. Se te ocorrerem termos que parecem mais positivos do que negativos, inclui-os. Por exemplo, podes pensar em "um mundo bom", ou em "um mundo satisfatório". Se tais termos te ocorrerem usa-os juntamente com os outros. Podes não entender ainda por que estes adjetivos "amáveis" são adequados a estes exercícios, mas lembra-te de que um "mundo bom" pressupõe um "mau" e um "mundo satisfatório" pressupõe um "insatisfatório". Todos os termos que passarem por tua mente são sujeitos adequados para os exercícios de hoje. Sua qualidade aparente não importa.

4. Certifica-te de não alterares os intervalos de tempo entre as aplicações da ideia de hoje àquilo que pensas ser agradável e àquilo que pensas ser desagradável. Para os propósitos destes exercícios, não há nenhuma diferença entre eles. No final do período de prática, acrescenta:

Mas estou transtornado porque vejo um mundo sem significado.

5. Aquilo que não tem significado não é bom nem mau. Por que, então, um mundo sem significado deveria te transtornar? Se pudesses aceitar o mundo como sem significado e permitir que a verdade fosse escrita sobre ele para ti, isso te faria indescritivelmente feliz. Mas, em razão de ele ser sem significado, és impelido a escrever nele aquilo que queres que ele seja. É isto o que vês nele. É isto que não tem significado na verdade. Por baixo de tuas palavras está escrita a Palavra de Deus. A verdade te transtorna agora, mas quando tuas palavras forem apagadas, verás as d'Ele. Este é o propósito fundamental destes exercícios.

6. Três ou quatro vezes são suficientes para a prática da ideia para hoje. Os períodos de prática também não devem exceder um minuto. Podes achar até mesmo isso longo demais. Interrompe os exercícios sempre que experimentares uma sensação de inquietude.

_____________________
*NOTA DE TRADUÇÃO: Continua valendo a observação feita ontem a respeito da expressão sem significado como equivalente a sem sentido para traduzir a palavra original: meaningless.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 12

A ideia que vamos praticar hoje favorece, mais uma vez - exatamente como cada uma das lições -, a escolha e nos dá a possibilidade de uma mudança radical em nosso modo de ver o mundo. É necessário que o aceitemos [o mundo] como algo sem significado se quisermos, de fato, viver a alegria e a paz completas, conforme e a Vontade de Deus para nós. Se quisermos, de fato viver aquilo que o Curso chama de "o sonho feliz".  

Vamos explorar a ideia de hoje um pouco mais juntos?

"Eu estou transtornado porque vejo um mundo sem significado."

Se voltarmos a uma das lições recentes anteriores - a quinta -, vamos nos lembrar de que praticamos esta mesma ideia dita de modo um pouco diferente: Eu nunca estou transtornado pela razão que imagino.

E vejam que logo no primeiro parágrafo da lição de hoje está o que se pode chamar de "a essência" da verdade que ela nos oferece.

Vejamos:

A importância desta ideia está no fato de que ela contém 
uma correção para uma distorção básica de percepção.

Já falamos algumas vezes antes que aquilo que vemos e percebemos a partir dos sentidos, da visão do corpo, não tem significado algum, porque a visão a partir da percepção quase que invariavelmente nos engana. Nada do que vemos é o que parece ser, por mais estranha que esta afirmação nos possa parecer. Tu consegues perceber isto? Nada do que pensamos significa nada. Bulhufas. Nadinha mesmo. Nerusquinha de biribitanhas. E por quê? Porque os pensamentos que temos não são nossos pensamentos verdadeiros, que são apenas aqueles que pensamos com Deus, em contato com o divino em nós mesmos/as. São aqueles pensamentos que não estão atrelados à percepção e nem dependem dela.

Então, o que há para se fazer - que é o que o Curso nos propõe - a cada lição é praticar a mudança de percepção. É para isso que o Curso nos oferece o livro de exercícios. Para começarmos, de fato, a buscar um modo diferente de ver.

A continuação do primeiro parágrafo diz:

Tu pensas que aquilo que te transtorna é um mundo assustador, 
ou um mundo triste, ou um mundo violento, ou um mundo doente.

Não é assim mesmo que pensas? Que a grande maioria de nós pensa? Ora o mundo nos assusta, ora as pessoas nos assustam. Ora os acontecimentos nos assustam, ora as coisas do mundo parecem nos ameaçar de tal modo que nos sentimos prisioneiros. Ora o que vemos nos enche de tristeza, ora de pavor. Não conseguimos compreender a loucura ou a doença do mundo. Será que algum dia, nalgum momento, conseguiremos perceber, de fato, que o que vemos no mundo é apenas a projeção de nossos pensamentos sem significado? E que a única coisa que há que ser mudada são exatamente esses pensamentos? 

Neste momento que o mundo vive, o temor das pessoas - ou da maioria delas no mundo inteiro - está voltado para um vírus, e agora também para as suas variantes, para o "mal" que ele e suas variantes podem trazer. Doença e morte numa escala dificilmente imaginada antes. Compara-se a ação do vírus que o mundo enfrenta hoje à ação do agente causador da epidemia da gripe espanhola, lá no início do século XX, que causou a morte de milhões de pessoas no mundo inteiro. Temos ainda, no momento, a "ameaça" de uma nova gripe que tende também a se transformar em uma nova epidemia fatal.

E o que é este vírus oferece, se formos refletir a fundo, senão a materialização da necessidade de que as mentalidades mudem? A materialização da necessidade de que compreendamos que a separação entre as pessoas e entre outras formas de vida do planeta, todas as imagináveis, no micro e no macro, não é real. Tudo está conectado. Daí, a necessidade de que pensemos no todo sempre, antes de pensarmos de forma egoísta apenas no que pode ser melhor para nós mesmos, mesmas. 

De que vale a alguém ganhar o mundo e perder sua própria alma? Isto é que acontece com as pessoas preocupadas com o lucro que podem obter a partir da ação do vírus. Ou, pensando num exemplo que se pode ver no filme "Não Olhe para Cima", recente, de que podem servir as matérias-primas raras do cometa, se ele colidir com a Terra e destruir toda a vida do planeta, ou destruir o planeta mesmo? 

Assim, podemos chegar à próxima frase do texto para colocar nossa atenção no fato de que o mundo funciona a partir do que pensamos nele. Pois:

Todas estas características são dadas a ele por ti. 
O mundo em si mesmo não tem significado.

Isso mesmo! Para corrigir o equívoco de nossa percepção, que nos faz ver o mundo fora, é mesmo necessário que reconheçamos que o que nos assusta, amedronta ou entristece é aquilo que fazemos com o mundo, do mundo. Pois só nós podemos lhe dar os atributos que vemos nele.

O que acontece então? Quando reconhecemos e aceitamos o fato de que as qualidades e defeitos do mundo, das pessoas, das coisas e dos acontecimentos não estão neles, mas em nós mesmos/as tão somente?

Começamos a vislumbrar uma luz. O que nos transtorna é ver um mundo sem significado, em lugar de ver, como desejaríamos, um mundo bom, ou mundo mau, um mundo assim ou um mundo assado. Por quê?

A lição explica:

Aquilo que não tem significado não é bom nem mau. Por que, então, um mundo sem significado deveria te transtornar? Se pudesses aceitar o mundo como sem significado e permitir que a verdade fosse escrita sobre ele para ti, isso te faria indescritivelmente feliz. Mas, em razão de ele ser sem significado, és impelido a escrever nele aquilo que queres que ele seja. É isto o que vês nele. É isto que não tem significado na verdade. Por baixo de tuas palavras está escrita a Palavra de Deus. A verdade te transtorna agora, mas quando tuas palavras forem apagadas, verás as d'Ele. Este é o propósito fundamental destes exercícios. 

Como já vimos antes, apenas nós - cada um, cada uma, de nós a seu modo - somos responsáveis pelo mundo que vemos, não apenas por aquilo que se passa debaixo de nossos olhos, nas imediações e vizinhanças dos lugares aonde nos encontramos, mas por tudo aquilo que nos chega à consciência a respeito do que acontece no mundo inteiro. No universo inteiro.

Ou como disse Clarice Lispector em uma de suas crônicas, referindo-se à Anunciação, obra do pintor italiano Angelo Savelli: 

"É a mais bela e cruciante verdade do mundo. Cada ser humano recebe a anunciação; e, grávido de alma, leva a mão à garganta em susto e angústia. Como se houvesse para cada um, em algum momento da vida, a anunciação de que há uma missão a cumprir. A missão não é leve: cada homem é responsável pelo mundo inteiro".

É para reconhecer e aceitar esta responsabilidade, ou missão, para nos voltarmos para o interior de nós mesmos/as e, a partir daí, estendermos a Vontade de Deus, de alegria completa e de paz perfeita para todos nós, que praticamos. 

Às práticas?