quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Queres poupar esforço? Rende-te à Vontade de Deus.

 

LIÇÃO 42

Deus é minha força. A visão é Sua dádiva.

1. A ideia para hoje combina dois pensamentos muito poderosos, ambos de importância vital. Ela também demonstra uma relação de causa e efeito que explica a razão pela qual não podes fracassar em teus esforços para alcançar a meta do curso. Tu verás porque é a Vontade de Deus. É a força d'Ele, não a tua, que te dá poder. E é a dádiva d'Ele, em lugar de tua própria, que te oferece a visão.

2. Deus é, de fato, tua força e o que Ele dá é dado verdadeiramente. Isto significa que podes recebê-lo a qualquer momento, em qualquer lugar, aonde quer que estejas e em qualquer circunstância em que te encontrares. Tua passagem pelo tempo e pelo espaço não é fruto do acaso. Tu não podes senão estar no lugar certo, no momento certo. Assim é a força de Deus. Assim são Suas dádivas.

3. Hoje teremos dois períodos de prática de três a cinco minutos, um assim que possível depois de acordares e outro tão próximo quanto possível da hora em que fores dormir. É melhor, porém, esperar até que possas te sentar tranquilamente sozinho, em um momento em que te sintas preparado, do que te preocupares com a hora da prática em si.

4. Começa estes períodos de prática com a repetição da ideia para hoje lentamente, de olhos abertos, olhando ao teu redor. Em seguida, fecha os olhos e repete a ideia outra vez, ainda mais devagar do que antes. Depois disso, tenta não pensar em nada, a não ser nos pensamentos relacionados com a ideia para o dia que te ocorrerem. Poderias pensar, por exemplo:

A visão tem de ser possível. Deus dá verdadeiramente.
ou:
As dádivas de Deus têm de ser minhas, porque Ele as deu a mim.

5. Qualquer pensamento claramente relacionado à ideia para hoje é adequado. Podes, de fato, ficar bastante surpreso com o tamanho da compreensão a respeito do curso que alguns de teus pensamentos contêm. Deixa-os virem sem censura, a menos que aches que tua mente está apenas divagando e que deixaste pensamentos obviamente inoportunos se intrometerem. É possível também que chegues a um ponto em que absolutamente nenhum pensamento pareça vir a tua mente. Se tais intromissões ocorrerem, abre os olhos e repete o pensamento mais uma vez enquanto olhas lentamente a tua volta; fecha os olhos, repete a ideia uma vez mais e, então, continua a buscar em tua mente os pensamentos relacionados a ela.

6. Lembra-te, contudo, de que uma busca por pensamentos afins que exija muito esforço não é apropriada aos exercícios de hoje. Tenta apenas dar um passo atrás e permitir que os pensamentos venham. Se achares isto difícil, é melhor passar o período de prática alternando entre as repetições lentas da ideia de olhos abertos e de olhos fechados do que te esforçares para achar pensamentos adequados.

7. Não há nenhum limite para o número de períodos de prática breves que seriam benéficos hoje. A ideia para o dia é um passo inicial para reunir os pensamentos e para te ensinar que estás estudando um sistema de pensamento unificado ao qual nada de necessário está faltando e no qual não se inclui nada contraditório ou inoportuno.

8. Quanto mais vezes repetires a ideia durante o dia, tanto mais vezes lembrarás a ti mesmo de que a meta do curso é importante para ti e de que não te esqueces dela.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 42

Caras, caros,

A ideia que o Curso oferece hoje, como eu já disse antes algumas vezes, traz consigo o meio de que podemos nos valer para chegar ao autoconhecimento, à realização da meta do Curso, e, por consequência à unidade com Deus, de quem nunca nos separamos, por mais que o falso eu tente nos convencer do contrário.

"Deus é minha força. A visão é Sua dádiva."

Ou como a lição diz, para início de conversa:

A ideia para hoje combina dois pensamentos muito poderosos, ambos de importância vital. Ela também demonstra uma relação de causa e efeito que explica a razão pela qual não podes fracassar em teus esforços para alcançar a meta do curso. Tu verás porque é a Vontade de Deus. É a força d'Ele, não a tua, que te dá poder. E é a dádiva d'Ele, em lugar de tua própria, que te oferece a visão.

Depois das práticas de ontem, quando aprendemos que Deus vai conosco aonde formos, sabemos que nunca estamos sozinhas, nem sozinhos. Aprendemos que não podemos jamais ficar sozinhas ou sozinhos, porque, como ensinava uma lição anterior, Deus está em tudo o que vemos. Nada mais lógico, não?, uma vez que Ele/Ela está em nossa mente. Por consequência, é apenas d'Ele/d'Ela que podemos receber, reconhecer e aceitar a força que nos move. Feito isso, podemos dizer que a visão é Sua dádiva. A visão verdadeira, aquela que não depende dos olhos do corpo, mas da decisão de ver as coisas de modo diferente. 

Ou, dizendo como o Curso diz:

Deus é, de fato, tua força e o que Ele dá é dado verdadeiramente. Isto significa que podes recebê-lo a qualquer momento, em qualquer lugar, aonde quer que estejas e em qualquer circunstância em que te encontrares. Tua passagem pelo tempo e pelo espaço não é fruto do acaso. Tu não podes senão estar no lugar certo, no momento certo. Assim é a força de Deus. Assim são Suas dádivas.

Lembremo-nos apenas disso, pois, quando qualquer pessoa, situação ou circunstância se apresentar para, aparentemente, perturbar nossa paz de espírito: 

Deus é minha força. A visão é Sua dádiva.

Ou ainda, pensando nas lições anteriores:  

Deus está em tudo o que vejo. 
Deus vai comigo aonde eu for. 

Para chegarmos a receber os efeitos da Presença em nossa vida, em nossos dias todos e em cada um dos dias, basta que busquemos trazer o divino à consciência à primeira hora do dia, todos os dias. É para isso que os exercícios servem. É para isso que precisamos dar nossa atenção ao restante das instruções de lição de hoje. Pois só Deus, como eu já disse antes também, é nossa companhia constante. E n'Ele/n'Ela apenas podemos ficar em paz de verdade.

Pois é de nossa disposição de aprender com o Espírito Santo que vamos reconhecer que:

Deus é minha força. A visão é Sua dádiva.

E não há nada melhor a se aprender do que isso: que é d'Ele/d'Ela que vem nossa força e que toda dádiva que Ele/Ela reserva a cada uma e a cada um de nós é a visão, uma vez que, em geral, andamos cegas e cegos e surdas e surdos e inconscientes pelo mundo, equivocadas e equivocados, percebendo-nos fracas, fracos e impotentes, porque acreditamos na ideia da separação. Na verdade, somos tudo o que existe. E só existimos ou podemos existir na unidade, uns com os outros, umas com as outras, com todos e todas, e com tudo, e com Deus.

E é, no mínimo, reconfortante saber - mesmo que no fundo ainda não acreditemos nisso - que não há como falharmos em nossos esforços para alcançar a meta do Curso. Talvez seja melhor ainda aprender que não há necessidade de nenhum esforço, se nos rendermos à Vontade de Deus, que é a mesma que a nossa. 

Às práticas?


OBSERVAÇÃO:

Na verdade, pensando a partir do título desta postagem, e lembrando-me do que diz Krishnamurti, em uma de suas palestras transcritas no livro Uma Nova Maneira de Agir, existe um modo de viver a energia que alimenta e movimenta a vida, uma energia que não tem motivo, isto é, uma energia que existe por si mesma e, que, por isso, é extraordinariamente vital e criadora. Uma energia que, por não depender de motivo algum, não é produto de nenhum conflito e que tem o poder de dissipar todas as formas de ilusão, de sofrimento e de confusão.

Em geral, diz Krishnamurti, "a única energia que conhecemos tem motivo; é produto de atrito ou conflito ou do empenho em alcançar determinado fim; é energia derivada: como a energia produzida pelos alimentos ou a energia gerada pelo odiar ou amar alguém. [Essa] energia derivada de um motivo, agradável ou doloroso, contém sempre o germe do conflito".

Assim é que, ao nos valermos para nossas ações no mundo desta energia que tem motivo, ou que depende de um motivo, trazemos conflito e confusão a nossa experiência, a nossa existência. Daí ser possível pensar que a energia que não tem motivo é a energia que recebemos do reconhecimento do divino em nós. Quando nossa ação no mundo não depende do que pensamos, não depende dos objetivos que estabelecemos. Isto é, em sintonia com a Vontade de Deus, em nós, reconhecendo que a vontade d'Ele/d'Ela e a nossa são a mesma, nosso agir no mundo nos poupa de qualquer esforço.

Pensemos, pois! Melhor, reflitamos a este respeito para descobrir de que tipo de energia estamos nos valendo.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Alcançar Deus é a única coisas natural neste mundo

 

LIÇÃO 41

Deus vai comigo aonde eu for.

1. Mais cedo ou mais tarde, a ideia de hoje superará por completo a sensação de solidão e abandono que todos os separados experimentam. Depressão é uma consequência inevitável da separação. Ansiedade, angústia, uma sensação de profundo desamparo, miséria, sofrimento e medo intenso de perda também são.

2. Os separados inventam muitas "curas" para o que acreditam serem "os males do mundo". Mas a única coisa que eles não fazem é questionar a realidade do problema. No entanto, seus efeitos não podem ser curados porque o problema não é real. A ideia para hoje tem o poder para pôr fim a toda essa tolice para sempre. E é tolice, apesar das formas perigosas e trágicas que pode tomar.

3. Tudo o que é perfeito está no mais íntimo de ti, pronto para se irradiar por meio de ti para o mundo. Isso vai curar todo o pesar, e a dor, e a perda, porque vai curar a mente que pensou que essas coisas fossem verdadeiras e sofreu em função de sua sujeição a elas.

4. Tu não podes ser privado nunca de tua santidade perfeita porque a Fonte dela vai contigo aonde fores. Tu não podes sofrer nunca porque a Fonte de toda a alegria vai contigo aonde fores. Tu não podes nunca estar só porque a Fonte de toda vida vai contigo aonde fores. Nada pode destruir tua paz de espírito porque Deus vai contigo aonde fores.

5. Compreendemos que não acredites em tudo isso. Como poderias, se a verdade está escondida no mais íntimo de ti, sob uma nuvem pesada de pensamentos insanos, impenetráveis e disfarçados, que representam, não obstante, tudo o que vês? Hoje faremos nossa primeira tentativa verdadeira de ultrapassar essa nuvem escura e pesada, e atravessá-la para chegar à luz que está além.

6. Hoje haverá apenas um período de prática longo. Pela manhã, se possível assim que levantares, senta tranquilamente durante três a cinco minutos, de olhos fechados. No início do período de prática, repete a ideia de hoje bem devagar. Em seguida, não faças nenhum esforço para pensar em nada. Tenta, em vez disso, obter uma sensação de te voltares para dentro, além de todos os pensamentos vãos do mundo. Tenta penetrar bem fundo em tua própria mente, mantendo-a livre de quaisquer pensamentos que possam distrair tua atenção.

7. Se achares útil, podes repetir a ideia de vez em quando. Mas, acima de tudo, tenta ir o mais fundo dentro de ti, longe do mundo e de todos os pensamentos tolos do mundo. Estás tentando ir além de todas essas coisas. Estás tentando abandonar as aparências e te aproximar da realidade.

8. É bem possível alcançar Deus. De fato, é bem fácil, porque é a coisa mais natural no mundo. Poder-se-ia até dizer que é a única coisa natural no mundo. O caminho se abrirá, se acreditares que é possível. Este exercício pode trazer resultados muito surpreendentes, mesmo na primeira tentativa e, mais cedo ou mais tarde, ele é sempre bem-sucedido. Entraremos em mais detalhes acerca deste tipo de prática à medida que avançarmos. Mas ela nunca fracassará por completo, e é possível o sucesso imediato.

9. Usa a ideia de hoje com frequência durante todo o dia, repetindo-a bem devagar, de preferência de olhos fechados. Pensa no que dizes; no que as palavras significam. Concentra-te na santidade que elas pressupõem em ti; na companhia infalível que tens; na proteção total que te envolve.

10. De fato, podes te dar ao luxo de rir de pensamentos de medo, ao te lembrares de que Deus vai contigo aonde fores.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 41

Caras, caros,

As práticas com a ideia que o Curso nos oferece para o dia de hoje garantem que independentemente do lugar em que estivermos, se nossa consciência se voltar para a Presença do divino, vamos ser capazes de vivenciá-La em nós, pelo tempo que quisermos. É em razão disso que a ideia que vamos explorar hoje se apresenta assim: 

"Deus vai comigo aonde eu for." 

Vejamos já o que lição nos traz, para início de conversa:

Mais cedo ou mais tarde, a ideia de hoje superará por completo a sensação de solidão e abandono que todos os separados experimentam. Depressão é uma consequência inevitável da separação. Ansiedade, angústia, uma sensação de profundo desamparo, miséria, sofrimento e medo intenso de perda também são.

Praticamos durante todo do dia de ontem a afirmação de sermos abençoadas e abençoados como filhos de Deus. Deve-se depreender disso que é lógico e verdadeiro afirmar, então, como a ideia da lição de hoje nos pede que façamos, que:

Deus vai comigo aonde eu for. [?]

Ora, quem acredita nisto de fato e vive com esta certeza, mesmo entre aquelas e aqueles que dizem crer em Deus? A maioria de nós, quando se refere a Deus, apenas o faz da boca para fora, por força do hábito. Ou estou mentindo? Quem, pensando na lição de ontem: "Eu sou abençoado como um Filho de Deus", diz: "Graças a Deus", sentindo de verdade que é grata, ou grato, a Ele, por qualquer coisa que tenha recebido?

Se vivo a maior parte de minha vida distraído de mim mesmo, sem saber aonde vou, por que razão vivo neste mundo, sem saber por que faço o que faço, sem a menor consciência do valor de coisa alguma, sem o menor cuidado ou atenção com nada que me possa fazer voltar-me para o interior de mim mesmo, por me acreditar a maior parte do tempo separado de tudo, de todos e de Deus, quando pode me ocorrer pensar que:

Deus vai comigo aonde eu for. [?]

Vai?

Paremos por um instante aqui. Vamos refletir.

O que nos parece mais presente em nossa experiência dia a dia e na maior parte dos dias que vivemos?

Eu lhes digo. 

Não será o medo, a depressão, a angústia, a amargura, a solidão, a preocupação, uma sensação de impotência ou de falta de sentido, a carência, o medo de perder o que temos, o receio de não conseguirmos aquilo de que pensamos precisar para viver, o medo de não sermos amadas ou amados como gostaríamos, o medo de não encontrarmos alguém - um companheiro, uma companheira - para amar, para dividir nosso tempo, nossa vida, doenças, dor, pobreza, violência, raiva, ressentimento, mágoa, inveja, ódio, culpa? 

As sensações de que falo acima só fizeram se exacerbar. E evidenciam de modo cabal o quanto nos sentimos separadas, separados, das outras pessoas, das coisas todas do mundo, animadas ou inanimadas.

Vale perguntar de novo, então, se qualquer uma dessas emoções ou sensações está presente em nosso dia a dia, como afirmar que nos sentimos abençoadas, abençoados, como filhos e filhas de Deus? Como acreditar que: 

Deus vai comigo aonde eu for. [?]

Há que se fazer uma ressalva aqui, uma observação muito, muito, importante, mas muito importante mesmo. É algo a respeito do que talvez ainda não tenhamos parado para pensar seriamente.

Alguma ou algum de nós de fato acredita que, vivendo neste mundo e experimentando qualquer uma das emoções ou sensações descritas acima, está em Deus? Pode estar vivendo e se movendo em Deus? Ou dizendo de outra maneira, é possível acreditar que uma única emoção dessas possa vir de Deus? Mais ainda, quem dentre nós e dentre as pessoas todas que conhecemos, ou com quem temos contato, não pensa que essas emoções ou sensações vêm a nós de Deus? Será?

Alguns dirão, mas... mas: "Deus não está no Céu, na terra e em toda parte"?

Lembram-se de que já falei algumas vezes a respeito de "viver como se Deus existisse"? Bem, se vivemos a maior parte de nossas vidas num aparente exílio, sem nos voltarmos quase nunca para o divino, como podemos esperar contar com a Presença de Deus? Se só nos voltamos para Deus, quando "as coisas chegam a um nível que não podemos suportar", como é que podemos acreditar na ideia da lição de hoje? 

De acordo com Joel Goldsmith, no livro A União Consciente com Deus, a ideia segundo a qual "Deus é onipresente. Deus está sempre comigo"! não é verdadeira em absoluto. É apenas "um daqueles lugares-comuns, uma daquelas citações"! Não concordam?

Em seu [o de Joel] modo de dizer, "é verdade que Deus é onipresente". É verdade que Deus está exatamente onde estamos. Mas, se é verdade que Deus é onipresente, Ele deve ter estado presente nas guerras em que morreram milhares de jovens, e ainda deve estar presente naquelas que acontecem em nossos dias, quer sejam guerras pelo poder político dentro de um país, quer sejam as que opõem uns países a outros para suprir interesses financeiros ou de ampliação de domínios ou territórios, quer as guerras como a do narcotráfico, que fazem de crianças e adolescentes instrumentos e os põem em luta contra policiais. Se é verdade que Deus é onipresente ele também deve ter estado nos campos de concentração onde morreram milhões de pessoas. E podemos pensar em milhares de situações desse tipo para perguntarmos, onde estava Deus enquanto tudo isso acontecia?

É ainda Goldsmith que fala: "certamente Deus estava lá, mas Deus não é uma pessoa e Deus não pode olhar para você... e dizer que sente o sofrimento que você está suportando". Deus também está nos hospitais, nas prisões, nas frentes de batalha e nos locais onde ocorrem "acidentes". Deus é onipresente! Ele certamente está, nos dias de hoje, e esteve nos últimos dois ou três anos junto das pessoas que estiveram e continuam na linha de frente para ajudar a salvar as pessoas que se contaminaram com o vírus da Covid-19, ou outra doença qualquer, ou catástrofe natural, e estão passando por dificuldades para recuperar sua saúde, sua vida, suas casas, seu lugar de morada. Ou junto daquelas que tiveram de interromper as atividades que eram sua fonte de renda e ficaram dependentes da ajuda do governo, da ajuda humanitária vinda de muito longe e insuficiente para atender a todos que necessitam dela. Ou ainda junto de todas as pessoas que estão envolvidas com a guerra entre Ucrânia e Rússia, que na frente de batalha, quer em suas vidas civis alteradas pelos acontecimentos. Ou também junto dos palestinos que estão sendo erradicados, varridos da face da terra, pelos israelenses com um poderio de fogo incomensuravelmente maior do que o dos palestinos. Quem vai sobrar para contar a história? E que história vai ser contada? Lembram que o Curso ensina que a história é apenas a repetição de erros e que não faz sentido algum?

"Mas" - pergunta Joel - "de que serve isso para alguém"? De que nos serve saber disso? Ora, é preciso dizer com todas as letras, Deus está disponível em cada caso, [em cada vida, somente] na medida de nossa percepção da Presença d'Ele. Se não O trazemos conscientemente em nós, pela decisão de viver nossa experiência a partir da sintonia com o divino, Ele não só não pode fazer nada por nós, como nós corremos o risco de viver nossa vida inteira como se Ele não existisse. Sem jamais nos apercebermos de Sua Graça. 

Deus vai comigo aonde eu for. [?]

É por essa razão que o Curso oferece as práticas diárias. Para trazermos à consciência a Presença de Deus em nossas vidas, nem que seja pelo menos por uns poucos instantes a cada dia. Para que, quem sabe, em algum momento O experimentemos de forma permanente, entregando-nos por inteiro à Presença, desistindo do mundo, para podermos ganhá-lo por completo.

A lição continua:

Os separados inventam muitas "curas" para o que acreditam serem "os males do mundo". Mas a única coisa que eles não fazem é questionar a realidade do problema. No entanto, seus efeitos não podem ser curados porque o problema não é real. A ideia para hoje tem o poder para pôr fim a toda essa tolice para sempre. E é tolice, apesar das formas perigosas e trágicas que pode tomar.

"... o problema não é real." O mundo é só um efeito de nossos pensamentos e o que ele mostra é apenas o reflexo daquilo que trazemos interiormente. Quando nos acreditamos separadas e separados, vemos imagens e sons, e tudo mais, que dão realidade à crença na separação. Quando, em contato e sintonia com o divino interior, acreditamos na unidade, vemos apenas a perfeição da Criação, percebendo a Presença de Deus em tudo e em todos.

Isto é:

Tudo o que é perfeito está no mais íntimo de ti, pronto para se irradiar por meio de ti para o mundo. Isso vai curar todo o pesar, e a dor, e a perda, porque vai curar a mente que pensou que essas coisas fossem verdadeiras e sofreu em função de sua sujeição a elas.

a lição vai adiante:

Tu não podes ser privado nunca de tua santidade perfeita porque a Fonte dela vai contigo aonde fores. Tu não podes sofrer nunca porque a Fonte de toda a alegria vai contigo aonde fores. Tu não podes nunca estar só porque a Fonte de toda vida vai contigo aonde fores. Nada pode destruir tua paz de espírito porque Deus vai contigo aonde fores.

Por mais que tentemos, por mais que nos escondamos de nós mesmas e de nós mesmos, negando que tudo o que o mundo oferece não nos satisfaz, que as alegrias e prazeres que conseguimos obter de nossos contatos com coisas e pessoas neste mundo não apagam nosso anseio mais profundo por uma paz e uma alegria que sabemos existir, que já chegamos a experimentar em raros "instantes santos", mais dia, menos dia haveremos de reconhecer a Presença de Deus em nós. E isso nos fará superar por completo tudo aquilo que resulta da crença na separação.

Deus vai comigo aonde eu for.

Por que ainda não reconhecemos em definitivo a verdade eterna nas palavras deste exercício?

A lição diz:

Compreendemos que não acredites em tudo isso. Como poderias, se a verdade está escondida no mais íntimo de ti, sob uma nuvem pesada de pensamentos insanos, impenetráveis e disfarçados, que representam, não obstante, tudo o que vês? Hoje faremos nossa primeira tentativa verdadeira de ultrapassar essa nuvem escura e pesada, e atravessá-la para chegar à luz que está além.

E por mais uns poucos parágrafos ela continua a nos mostrar a forma de praticar, revelando-nos que, a despeito de nossa descrença, isto é, apesar de vivermos distraídas e distraídos de nós mesmas, de nós mesmos, e, por consequência, de Deus, é bem possível alcançá-Lo.

Mais até do que "bem possível": 

De fato, é bem fácil [alcançar Deus], porque é a coisa mais natural no mundo. Poder-se-ia até dizer que é a única coisa natural no mundo. O caminho se abrirá, se acreditares que é possível.

E são as práticas que tornam isso possível. 

A elas?

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Agradecer e... agradecer é tudo o que se há de fazer

 

LIÇÃO 40

Eu sou abençoado como um Filho de Deus.

1. Hoje começaremos a reivindicar algumas das coisas felizes às quais tens direito por seres o que tu és. Não se pede períodos longos de prática hoje, mas são necessários períodos breves e muito frequentes. Seria muito desejável um a cada dez minutos e insiste-se que experimentes este horário e que sejas fiel a ele sempre que possível. Se esqueceres, tenta novamente. Se houver longas interrupções, tenta novamente. Sempre que lembrares, tenta novamente.

2. Não precisas fechar os olhos para os períodos de exercícios, embora seja provável que aches mais proveitoso se o fizeres. Contudo, pode ser que, durante o dia, te encontres em várias situações nas quais não seja possível fechar os olhos. Não percas um período de prática por causa disso. Tu podes praticar muito bem sob quaisquer circunstâncias, se quiseres de fato.

3. Os exercícios de hoje tomam pouco tempo e não exigem nenhum esforço. Repete a ideia para hoje e, em seguida, acrescenta várias das características que associas a ser um Filho de Deus, aplicando-as a ti mesmo. Um período de prática poderia, por exemplo, consistir no seguinte:

Eu sou abençoado como um Filho de Deus.
Eu sou feliz, sereno, amoroso e contente.

Outro poderia tomar esta forma:

Eu sou abençoado como um Filho de Deus.
Eu sou calmo, tranquilo, seguro e confiante.

Se só dispuseres de um período breve, será suficiente dizeres a ti mesmo simplesmente que és abençoado como um Filho de Deus.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 40

Caras, caros,

Comecemos a exploração da lição de hoje com Wayne Dyer, que diz, em um de seus livros:

É difícil compreender a força [o poder] que não podemos ver, tocar, escutar, ou cheirar e ainda reconhecer que ela exista. É similar à eletricidade. Você pluga seu instrumento e não pode ver, tocar, cheirar ou escutar algo acontecendo, mas um secador de cabelo [ou outro aparelho elétrico qualquer] funciona quando você aperta o botão.

É assim também com a Graça que recebemos de Deus, ou da ideia a que denominamos Deus, ou da energia ou poder a que chamamos Deus ou à qual damos qualquer outro nome. O nome não importa. Aliás, é desnecessário. O importante mesmo é que nos vejamos abençoadas e abençoados, não com os olhos do corpo, mas com a visão verdadeira, aquela que recebemos do espírito que somos, do divino que vive em nós. Pois a Graça, como o Curso ensina, é o estado natural do Filho de Deus.

É por e para isso, isto é, para nos vermos preenchidas e preenchidos pela Graça divina, que vamos praticar hoje com a ideia:

"Eu sou abençoado como um Filho de Deus."

Reconhecer a verdade eterna nestas palavras pode nos levar mais rapidamente ao encontro do Ser em Deus, de quem nunca nos afastamos, a não ser na ilusão criada pelo ego a partir da crença na separação.

É por isso que a lição de hoje nos diz, para começar:

Hoje começaremos a reivindicar algumas das coisas felizes às quais tens direito por seres o que tu és. Não se pede períodos longos de prática hoje, mas são necessários períodos breves e muito frequentes. Seria muito desejável um a cada dez minutos e insiste-se que experimentes este horário e que sejas fiel a ele sempre que possível. Se esqueceres, tenta novamente. Se houver longas interrupções, tenta novamente. Sempre que lembrares, tenta novamente.

E é preciso que prestemos bastante atenção para a forma diferente de prática a que a lição nos convida. Se, normalmente, nos acostumamos a dois ou três períodos mais longos, entre os quais intercalamos, práticas mais breves, hoje vamos buscar manter o foco na ideia o maior tempo possível. Fazemos isso para não dar espaço às distrações que o mundo nos apresenta a cada instante, para que nos afastemos da verdade a nosso próprio respeito.

É importante ficarmos atentas e atentos para a orientação de não parar de tentar, por mais que ao longo do dia sejamos "forçadas", "forçados", a voltar nossa atenção a outros assuntos da rotina diária. Há sempre um jeito de nos voltarmos para o divino interior e reconhecermos, cada uma e cada um de nós de forma individual e única, que: 

Eu sou abençoado como um Filho de Deus.

Lembro-me, como já lhes disse em comentários anteriores, que há alguns anos tive contato - um contato que se renovou há pouco mais de cinco ou seis anos passados durante um breve período de tempo, com um prestador de serviços, um encanador, uma pessoa simples e tranquila, além de muito alegre no contato, durante o tempo em que fazíamos uma reforma na casa, na praia. A casa para onde planejáramos mudar - e para onde mudamos, de fato, no final de 2015.

Certo dia, acompanhando o serviço que ele fazia, uma ligação do encanamento que devia escoar a água das chuvas - a dita rede pluvial -, direcionando-a para a calçada da rua, ouvi-o a repetir, a cada etapa concluída: "Obrigado, Pai". "Obrigado, Senhor". "Deus, meu Pai, meu Pai, obrigado". Desta vez também, sempre que ele estava na obra, era possível ouvi-lo em seu agradecimento constante pelas bênçãos, por estar vivo, por poder fazer seu trabalho. 

Continuo sem saber se ele era, ou é, praticante de alguma religião, se fazia, ou faz, parte de algum grupo de estudos, ou se se dedicava, ou ainda se dedica, ao louvor a Deus de algum modo diferente daquele. O fato é que mesmo ocupado, atarefado, embaixo do sol, no tempo, fazendo o serviço que estava acostumado a fazer, ele não esquecia de agradecer e agradecer por tudo e por nada e, por que não dizer?, com certeza, por se sentir abençoado como um Filho de Deus. 

Lembro-me também de que em um livro que li há alguns anos, do qual acho que até já lhes falei algumas vezes nalguns comentários, a autora, que passou por uma experiência de quase morte, ao recobrar a consciência dizia ter experimentado um amor para o qual não há limites. Disse ela ter sentido que não há nada que possamos fazer para deixarmos de ser merecedores desse amor. Um amor sem fim que todas, todos, e cada uma, cada um, de nós merecemos apenas por estarmos vivos, por sermos quem somos, mesmo quando confusas e confusos a respeito disso. Por isso, entre outras tantas coisas, é que podemos dizer com toda a alegria de que somos capazes o tempo todo, a todo instante: 

Eu sou abençoado como um Filho de Deus.

E agradecer por isso, e agradecer, e agradecer, e dar graças o tempo inteiro, porque Deus vai conosco aonde formos. É só isso que precisamos fazer. todos os dias, a todo momento, em qualquer circunstância, em qualquer situação, seja qual for o lugar em que estejamos.

É só isso que a lição nos pede para fazermos hoje, reconhecer que: 

Eu sou abençoado como um Filho de Deus.

Às práticas?

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Em nosso próprio interior estão todas as respostas

 

LIÇÃO 39

Minha santidade é minha salvação.

1. Se a culpa é o inferno, qual é o oposto dela? Da mesma forma que o texto para o qual este livro de exercícios foi escrito, as ideias para os exercícios são muito simples, muito claras e totalmente inequívocas. Não estamos interessados em proezas intelectuais nem em jogos de lógica. Lidamos apenas com o verdadeiramente óbvio, que passa despercebido nas nuvens de complexidade nas quais pensas que pensas.

2. Se a culpa é o inferno, qual é o oposto dela? Isto não é difícil, certamente. A hesitação que podes sentir para responder não se deve à ambiguidade da pergunta. Mas tu acreditas que a culpa é o inferno? Se acreditasses, verias imediatamente o quanto o texto é direto e simples, e não precisarias absolutamente de um livro de exercícios. Ninguém precisa praticar para adquirir o que já é seu.

3. Já dissemos que tua salvação é a salvação do mundo. E qual é a novidade a respeito de tua própria salvação? Tu não podes dar aquilo que não tens. Um salvador tem de estar salvo. De que outro modo ele poderia ensinar a salvação? Os exercícios de hoje se aplicarão a ti, reconhecendo que tua salvação é vital para a salvação do mundo. Enquanto aplicas os exercícios ao teu mundo, todo o mundo é beneficiado.

4. Tua santidade é a resposta para todas as perguntas que já foram feitas, que estão sendo feitas agora, ou que serão feitas no futuro. Tua santidade significa o fim da culpa e, portanto, o fim do inferno. Tua santidade é a salvação do mundo e a tua própria. Como poderias tu, aquele a quem tua santidade pertence, ser excluído dela? Deus não conhece o imperfeito. É possível que Ele não conheça Seu Filho?

5. Insiste-se em cinco minutos completos para os quatro períodos mais longos de prática de hoje e se encoraja sessões de prática mais demoradas e frequentes. Se quiseres ultrapassar as solicitações mínimas, recomenda-se um número maior de sessões em lugar de sessões mais longas, embora se sugira ambas.

6. Começa o período de prática, como de costume, pela repetição da ideia para ti mesmo. Em seguida, de olhos fechados, descobre teus pensamentos não-amorosos em qualquer forma que se apresentem: inquietação, depressão, raiva, medo, angústia, insegurança e assim por diante. Seja qual for a forma que tomem, eles não são amorosos e são, portanto, amedrontadores. E é deles, então, que precisas ser salvo.

7. Situações específicas, acontecimentos ou pessoas que associas a qualquer tipo de pensamentos não-amorosos são sujeitos adequados para os exercícios de hoje. É imprescindível que os vejas de modo diferente para tua salvação. E é tua bênção sobre eles que te salvará e que te dará a visão.

8. Devagar, sem escolha consciente e sem ênfase particular indevida a qualquer um deles examina tua mente em busca de cada pensamento que se interpõe entre tua salvação e tu. Aplica a ideia para hoje a cada um deles deste modo:

Meus pensamentos não-amorosos a respeito de ________ estão me
mantendo no inferno. Minha santidade é minha salvação.

9. É possível que aches estes períodos de prática mais fáceis se os intercalares com vários períodos breves durante os quais apenas repetes lentamente a ideia de hoje para ti mesmo algumas vezes. Também podes achar útil incluir alguns breves intervalos nos quais apenas relaxas e pareces não pensar em nada. No início é muito difícil concentração prolongada. Ela virá a ser mais fácil quanto tua mente se tornar mais disciplinada e menos passível de distração.

10. Enquanto isso, deves te sentir livre para introduzir variações nos períodos de exercícios de qualquer forma que te agrade. Contudo, ao modificares o método de aplicá-la, não mudes a ideia em si. De qualquer modo que escolhas usá-la, a ideia deve ser declarada de maneira que seu significado seja o fato de que tua santidade é tua salvação. Conclui cada período de prática com a repetição da ideia em sua forma original mais uma vez, e acrescentando:

Se a culpa é o inferno, qual é o oposto dela?

11. Nas aplicações mais breves, que devem ser feitas cerca três ou quatro vezes por hora, e mais se possível, podes fazer esta pergunta a ti mesmo, repetir a ideia de hoje, e ambas de preferência. Se surgirem tentações, uma forma particularmente útil da ideia é:

Minha santidade é minha salvação disto.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 39

Caras, caros,

Hoje, mais uma vez, vamos explorar a ideia que diz:

"Minha santidade é minha salvação."

Aquelas e aqueles que estão atentas e atentos hão de ter notado que, desde a lição 35, estamos aprendendo e praticando reconhecer a santidade em nós, em cada uma, em cada um, e em todas e todos nós, e a aplicá-la a tudo e a todas e todos à volta de nós, para que tudo se torne bênção e possamos viver a experiência de um mundo abençoado, um mundo perdoado de todos os equívocos e erros que escrevemos sobre ele. 

É claro que, como o Curso ensina, este aprendizado faz parte do desfazer daquilo que o mundo nos ensinou até agora a nosso próprio respeito, tentando nos fazer acreditar que somos pecadoras e pecadores - com uma carga maior ainda recaindo sobre as mulheres a partir do mito da criação, em que se atribui a Eva o pecado de aceitar a maçã da serpente e oferecê-la a Adão - e carregamos, a partir do que a Igreja institucionalizada determinou, a culpa pela crucificação, que até hoje desperta controvérsia entre os próprios mantenedores da instituição. Ora, só podemos crucificar a nós mesmas e a nós mesmos. E ninguém tem de carregar nenhuma cruz para chegar à Expiação. Basta-nos reconhecer que ainda somos como Deus nos criou, estendendo este reconhecimento a todas, todos e a cada um e cada uma daquelas e daqueles que vão conosco ou que apenas cruzam o nosso caminho,

A lição de hoje, a última nesta série sobre nossa santidade, vai falar disso desta forma. "Cada lição nos apresenta um desafio e um milagre", diz Tara Singh. O desafio que esta nos traz se apresenta já na pergunta inicial: 

Se a culpa é o inferno, qual é o oposto dela?

Esta pergunta vai se repetir algumas vezes ao longo do texto utilizado para apresentar a lição, para que aceitemos o desafio e nos entreguemos ao milagre que há na verdade eterna das palavras da lição.

Continuando:

Se a culpa é o inferno, qual é o oposto dela? Da mesma forma que o texto para o qual este livro de exercícios foi escrito, as ideias para os exercícios são muito simples, muito claras e totalmente inequívocas. Não estamos interessados em proezas intelectuais nem em jogos de lógica. Lidamos apenas com o verdadeiramente óbvio, que passa despercebido nas nuvens de complexidade nas quais pensas que pensas.

Porque, na verdade, não lidamos com nada complicado, complexo, ambíguo ou de algum modo ardiloso. Não, não  estamos entrando em terreno de areia movediça. Podemos caminhar tranquilamente. No entanto, como o Curso ensina, nossa maior dificuldade está sempre, ou quase sempre, em lidar com o óbvio. O que nos incomoda, via de regra é o óbvio, nunca o complicado, nunca o complexo.

Duvidam? Não lhes parece que é assim? Não? Mesmo?

Vejamos, então. Suponhamos que um amigo, ou amiga, aprontou. Ele, ou ela, fez alguma coisa que em seu entender é "imperdoável", algo que jamais poderia ter feito, se fosse de fato seu amigo ou sua amiga. Sentindo-se culpado, ele vem pedir desculpas, perdão. Ou ela, sentindo-se culpada, vem lhe pedir desculpas, perdão.

O que você faz?

O óbvio é desculpar, perdoar. Dizer-lhe que não foi nada, que nada aconteceu e que o que importa é a amizade - o amor - que os une. (Lá mais pela frente, para quem está aqui pela primeira vez, vamos aprender o que é o perdão, que, para o Curso, é reconhecer que o que pensaste que teu irmão, ou irmã, fez a ti não aconteceu).

Minha santidade é minha salvação.

Isso seria, pois, o óbvio não é mesmo? Pois a santidade dele ou dela é a mesma minha, a mesma sua. Porém, quantos, quantas, de nós se dispõem a um comportamento "óbvio" desses? Em geral, ficamos "de mal", "riscamos a pessoa de nosso caderno", damos-lhe um "gelo", ou a pomos numa "lista negra", reservada para todas aquelas pessoas que, pensamos, nos magoaram, ou que deixaram de atender as nossas expectativas. Todas aquelas pessoas que não se sujeitaram a caber dentro da caixinha que reservamos para elas e ousaram contrariar nosso modo de pensar.

Isto não é o inferno? Não é isto que nos mantém aprisionados e aprisionadas na culpa, longe e separados e separadas das pessoas, sem contato com aquilo que somos, ansiando pelo revide, pela vingança. Dar o troco é tudo o que queremos. E inúmeras vezes fingimos perdoar, desculpar, aguardando apenas pela oportunidade de devolver o golpe que sofremos. É isto que alimenta e reforça a crença na separação. E nos mantém afastados e afastadas da santidade.

Vamos um pouco mais adiante, repetindo a pergunta inicial antes de dar um novo passo:

Se a culpa é o inferno, qual é o oposto dela? Isto não é difícil, certamente. A hesitação que podes sentir para responder não se deve à ambiguidade da pergunta. Mas tu acreditas que a culpa é o inferno? Se acreditasses, verias imediatamente o quanto o texto é direto e simples, e não precisarias absolutamente de um livro de exercícios. Ninguém precisa praticar para adquirir o que já é seu.

Quantos e quantas de nós sentem prazer na culpa? Um prazer gerado por aquilo a que o Curso chama de "a atração da culpa". É essa atração que nos coloca, vezes sem conta, na posição de vítimas. A partir dessa posição, exclamamos: "Ah, meu Deus, por que eu? Por que isso aconteceu comigo?".

Perguntemo-nos como convida a lição: "Eu acredito que a culpa é o inferno"? Estamos certos, certas, de que queremos abandonar o inferno em que a culpa nos coloca? Ou desenvolvemos, em sintonia com "o grande impostor", um certo gosto pela vida [?] no inferno? Achamos o inferno mais emocionante? Vibramos com o perigo que nos oferecem as tentações sugeridas pelo ego?

Minha santidade é minha salvação.

Ora, já não é mais do que óbvio que minha salvação só pode vir de minha santidade?

Mas eu a reconheço? Quantas vezes por dia, por semana, por mês, ou por ano eu me volto para dentro de mim para me lembrar de que sou santo?

Continuemos a prestar atenção ao que nos diz o exercício:

Já dissemos que tua salvação é a salvação do mundo. E qual é a novidade a respeito de tua própria salvação? Tu não podes dar aquilo que não tens. Um salvador tem de estar salvo. De que outro modo ele poderia ensinar a salvação? Os exercícios de hoje se aplicarão a ti, reconhecendo que tua salvação é vital para a salvação do mundo. Enquanto aplicas os exercícios ao teu mundo, todo o mundo é beneficiado.

Ah... Existe a necessidade do reconhecimento de minha santidade. Pois, se é que o mundo precisa ser salvo, e se sou eu, pela santidade em mim, quem pode - deve e vai - salvá-lo, preciso me apossar, isto é, trazer a santidade a minha consciência e mantê-la aí. Só assim vou poder ver a santidade do mundo, sua neutralidade. E santidade que há em tudo e em todas as pessoas e coisas e seres que o povoam, salvando-as todas. Reconhecer e aceitar minha santidade, aplicando-a a mim mesmo e a tudo o que penso de mim, me salva. E, quando sei que estou salvo, sei que o mundo todo está salvo comigo.

Minha santidade é minha salvação.

Voltemos nosso olhar para um último ponto a que precisamos dar particular atenção:

Tua santidade é a resposta para todas as perguntas que já foram feitas, que estão sendo feitas agora, ou que serão feitas no futuro. Tua santidade significa o fim da culpa e, portanto, o fim do inferno. Tua santidade é a salvação do mundo e a tua própria. Como poderias tu, aquele a quem tua santidade pertence, ser excluído dela? Deus não conhece o imperfeito. É possível que Ele não conheça Seu Filho?

Como podemos perceber, a resposta para todas as questões está sempre em nós mesmos, em nós mesmas, e, quase sempre, nas próprias perguntas que fazemos. Tudo começa em nós, em cada um e cada uma de nós, nas ideias que somos em sintonia com a ideia da divindade em nós. E, diferentemente do que o ego ensina, as respostas que obtemos das experiências pelas quais passamos não são tão importantes quanto as novas perguntas que elas suscitam. São elas, as novas perguntas, que vão nos mostrar que todas as respostas para todas as perguntas sempre estão em nós mesmos, em nós mesmas.

Atentemos, pois, a todas as instruções que a lição nos oferece para chegarmos a práticas mais eficazes e benéficas, lembrando-nos de que a única pergunta que precisamos fazer, a pergunta que vai nos levar adiante até alcançarmos a meta que o Curso propõe e se dispõe a nos auxiliar a alcançar é:

"Quem sou?"

Quando formos capazes de dar uma resposta a esta pergunta, não com palavras, mas sim por termos chegado a conhecer inteiramente "aquele" ou "aquela" que faz a pergunta, por termos conhecido, em nós, Aquele/Aquela que a pode responder e a responde, sem necessidade de palavras, teremos chegado ao fim desta jornada que não tem distância, como ensina o Curso

Às práticas?