terça-feira, 27 de junho de 2017

Os olhos - e os sentidos - são a porta do engano


LIÇÃO 178

Deus é só Amor e, por isto, eu também.

1. (165) Que minha mente não negue os Pensamentos de Deus.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

2. (166) Eu estou encarregado das dádivas de Deus.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 178

"Deus é só Amor e, por isto, eu também."

As ideias que revisamos hoje, mais uma vez, ainda fazem parte daquelas que, de acordo com o Curso, nesta primeira parte do livro de exercícios, têm por objetivo ajudar-nos a desaprender e a abandonar os ensinamentos do mundo. São elas: [Que minha mente não negue os Pensamentos de Deus.] e [Eu estou encarregado das dádivas de Deus.]. E nós vamos praticá-las, seguindo a orientação do livro para esta revisão, envolvendo-as no pensamento: Deus é só Amor e, por isto, eu também.

Para o desaprender e o abandonar os ensinamentos do mundo é preciso que deixemos de dar ouvidos ao ego: a falsa identidade que construímos e pensamos ter e ser. Uma identidade falsa, como eu disse, que não tem nada a ver com aquilo que somos na verdade. Isto é, quando nos voltamos para o falso eu - o ego - acreditando no que ele diz, e no pretenso poder que ele diz ter, para nos ajudar a enfrentar o mundo e fazer com que nos saiamos vencedores nessa aparente batalha - nós contra o mundo -, o que fazemos, na realidade, é negar os Pensamentos de Deus. Pois o ego só existe quando acreditamos que nossa mente se pode dividir e existir separada da Mente de Deus.

Quando damos crédito à orientação do ego, reforçamos a crença na separação e nos sentimos perdidos, vítimas de um mundo imenso e ameaçador, onde o perigo, a doença e a morte se escondem em cada encruzilhada, em cada beco, em cada ponto dos caminhos pelos quais precisamos passar. Mais ainda. Os outros são todos nossos inimigos prontos a nos atacar e matar, para tirar proveito do pouco que temos, esquecidos de que somos nós - cada um de nós é - os encarregados de todas as dádivas de Deus e de que nada nos falta e que nada nem ninguém pode tirar proveito de nada que tenhamos. E esquecidos também de que só temos, de fato, aquilo que damos. 

Em nossa loucura chegamos ao ponto de rezar para que Deus nos dê algumas coisas, ou que afaste de nós os males que Ele nunca criou e nem sabe que existe, uma vez que ele apenas diz SIM a tudo o que escolhemos. 

Joel Goldsmith, sim, ele mais uma vez, diz que para se chegar à verdadeira oração precisamos nos perguntar: "dou crédito a meus olhos [ou a qualquer dos meus sentidos], ou dou crédito aos místicos do mundo [à Voz por Deus em meu interior], àqueles que, pelo contato intuitivo com Deus, tiveram a revelação de que o mal no mundo não existe como uma realidade, e [de] que não há nenhuma lei de pecado e [de] enfermidade"?

Para ele, a oração verdadeira, a única que podemos fazer e que é eficaz, consiste em buscarmos aumentar em nós o desejo de nos tornarmos conscientes da realidade da Presença de Deus. A única realidade que existe. A única presença que conta. 

Ou ainda como aquilo Curso diz, logo em sua introdução, ser seu objetivo, isto é, "remover os bloqueios à consciência da presença do amor", que é nossa herança natural.

Lembremo-nos, então, novamente de Guimarães Rosa que, citado outras vezes, diz: "Os olhos [e os sentidos todos, de forma geral] são a porta do engano; duvide deles..."

É para isso que praticamos. 

Às práticas?

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Para vencer a crença coletiva na realidade da morte


LIÇÃO 177

Deus é só Amor e, por isto, eu também.

1. (163) Não há morte. O Filho de Deus é livre.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

2. (164) Agora somos um com Aquele Que é nossa Fonte.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 177

"Deus é só Amor e, por isto, eu também."

Revisamos hoje as seguintes ideias: 1) Não há morte. O Filho de Deus é livre. 2) Agora somos um com Aquele que é nossa Fonte. Envolvemos ambas as ideias das práticas deste dia com o pensamento que as ilumina e enriquece: Deus é só Amor e, por isto, eu também.

Lembrando de algo a respeito do que já falamos outras vezes - muitas e muitas -, é interessante pensar, mais uma vez, que uma ideia complementa a outra e lhe dá sentido, mesmo raciocinando nos termos da lógica do ego. Pois toda a nossa prisão depende do fato de acreditarmos no ego, quando ele nos diz que nossa liberdade só é possível na morte. Para sermos livres de verdade, porém, é preciso que abandonemos a crença na morte.

Logo, basta acreditarmos que a morte não existe, conforme diz o Curso, contrariando a crença do ego, para podermos ser livres. Mais ainda, lembrando de uma das ideias que revisamos ontem, se ainda somos como Deus nos criou, e se as ideias não deixam sua fonte, é bem possível acreditar que "agora", isto é, no presente, somos um com Aquele Que é nossa Fonte. Não lhes parece? 

Só a ilusão pode morrer. Isto é, o corpo, a casa aparente do ego, que é o que o falso eu quer que acreditemos que somos. Mas será que não é possível que a morte do corpo também seja uma crença que é preciso questionar? Elio D'Anna, em seu livro A Escola dos Deuses, de que tenho falado aqui há já algum tempo, diz que é preciso questionarmos a ideia da inevitabilidade da morte. 

Joshua David Stone, no seu livro Psicologia da Alma diz o seguinte a respeito deste tema: 

"A maioria das pessoas envolvidas com a busca espiritual e a religião crê na imortalidade da alma. Em outras palavras, você como extensão de alma ou personalidade encarnada é um ser eterno. Seu corpo morre, mas você continua reencarnando uma vez atrás da outra, até que atinja a liberação ou ascensão. 

"Muitas pessoas não percebem, porém. que o corpo físico também é imortal. Não é imortal para a maioria das pessoas porque a humanidade tem uma crença coletiva na realidade da morte. A morte é uma crença, assim como a vida eterna é uma crença. A humanidade como um todo, na maior parte da sua existência, foi e é identificada com o material; portanto, com respeito a essa questão sempre deu ouvidos à voz do ego negativo, e não à voz da alma [ou à Voz por Deus, como a chama o Curso]." 

Se dermos ouvidos apenas à Voz por Deus em nós, conforme o Curso quer que aprendamos, é possível que sejamos capazes, como também diz Stone, de programar nosso corpo para a juventude e para a saúde, da mesma forma que o fazemos para o envelhecimento e para a doença, por acreditarmos na morte. 

Para tanto é preciso que nos vejamos como ideias do divino, que não abandonam sua fonte. Pois, repetindo uma pergunta já feita antes, quem é o Filho de Deus a não ser cada um de nós mesmos, na verdade?

Ora, o Curso, como já sabemos - ou deveríamos saber a esta altura -, sem sombra de dúvida, nos oferece toda a orientação de que precisamos para passarmos a viver o que somos, sem medo. Mormente se nos deixarmos envolver pelas ideias que ele nos oferece, sem resistências, certos de que a Voz por Deus [a que só podemos ter acesso, voltando-nos para o interior de nós mesmos] - que sabe qual é a Vontade d'Ele para nós -, nos garante que a Vontade de Deus e a nossa são uma única e mesma vontade.

Envolvendo, então, as ideias para as práticas de hoje no pensamento de que Deus é só Amor e que, por isto, é só Amor que somos também, vamos aproveitar ainda para incluir em nossa reflexão algumas das ideias que já praticamos e que podem mais facilmente nos libertar de tudo aquilo que a crença na separação gera. Entre elas: Acima de tudo eu quero ver [as coisas de modo diferente], Deus vai comigo aonde eu forNão há nada a temer e Eu sou como Deus me criou.

Às práticas?

domingo, 25 de junho de 2017

Dizer que um homem é bom também é julgá-lo


LIÇÃO 176

Deus é só Amor e, por isto, eu também.

1. (161) Dá-me tua bênção, Filho santo de Deus.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

2. (162) Eu sou como Deus me criou.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 176

"Deus é só Amor e, por isto, eu também."

A ideia destacada acima, como tenho feito desde o início deste quinto período de revisão, é a que deve envolver, em nossas práticas de hoje, as ideias que revisamos: [Dá-me tua bênção, Filho santo de Deus.] e [Eu sou como Deus me criou.]. Duas ideias de grande importância para nosso aprendizado de como chegar à percepção correta: a percepção que nos dá o Espírito Santo em nós. 

A quem podemos imaginar que pedimos a bênção  A quem, senão a cada uma das pessoas que povoam nosso mundo? Mas acreditamos, de fato, de coração, que elas nos podem abençoar? Somos capazes de vê-las como o Filho santo de Deus, depois de todas as características, qualidades e defeitos, que lhes atribuímos, acreditando de maneira equivocada no falso eu - o ego do Curso - e em seus conselhos baseados na crença em uma separação que, na verdade, nunca existiu?

A segunda ideia que revisamos talvez se revele o melhor caminho para voltarmos a ver cada uma das pessoas que povoam nosso mundo como o Filho santo de Deus. Pois, se acreditarmos que ainda somos como Deus nos criou, vai ser impossível vê-las de modo diferente. Não acham?

Rubem Alves, em uma de suas crônicas, diz que, no ego, nosso desejo é sempre o de "engaiolar o outro e levá-lo pelos caminhos que são nossos. Isso vale para tudo: marido-mulher, pai-filha, mãe-filho, patrão-empregado, professor-aluno...". Mas há uma saída, ainda de acordo com ele, "que sugere a possibilidade de uma relação sem gaiolas", uma relação que dá liberdade ao outro para ser o que é. Está em "um pequeno poema de [Fritz] Perls", que ele cita em sua crônica. Um poema que diz o seguinte:

Eu sou eu.
Você é você.
Eu não estou neste mundo para atender
às suas expectativas.
E você não está neste mundo para atender
às minhas expectativas.
Eu faço a minha coisa.
Você faz a sua.
E quando nos encontramos.
É muito bom.


As práticas das ideias que revisamos hoje, envoltas na ideia de que também somos amor porque Deus é só Amor, podem nos levar à compreensão de que, de fato, ainda somos como Deus nos criou e de que todas as pessoas que se apresentam a nós em qualquer ocasião de nossas vidas são o Filho santo de Deus que veio para nos abençoar. Mesmo que de uma forma que ainda não somos capazes de compreender. 

Lembram-se da primeira lei espiritual que se ensina na Índia: "a pessoa que vem [sempre, em qualquer circunstância, em qualquer situação] é a certa"?

Este comentário, até aqui, hão de lembrar os que seguem o blogue há algum tempo, é praticamente o mesmo que fiz para esta mesma lição nos últimos anos.

Vou acrescentar apenas uma observação a respeito da necessidade de abandonarmos qualquer impressão que tenhamos de conhecer alguém, se o conhecemos somente a partir da aparências, se não formos capazes de olhar para o que está além do corpo, como ensina o Curso.

Quem, além do Curso, chama a atenção para isso é Joel Goldsmith, que diz em um de seus livros:

"Até agora conheceste a teus amigos, parentes, pacientes e alunos como seres humanos, alguns bons e outros maus. De hoje em diante não deverás mais conhecê-los como bons nem maus; deverás conhecê-los como seres espirituais. É tão errado conhecer um homem como sendo bom, quanto conhecê-lo como sendo mau. É tão errado considerar um homem rico, quanto considerá-lo pobre. Não deves conhecer a nenhuma pessoa como boa ou má, segundo a carne [a forma, o corpo]. Doravante deves conhecê-la como a Cristo." 

Apenas para que não fiquem dúvidas, vale salientar que aquilo que Goldsmith chama de "errado" é somente a expressão do mesmo equívoco do sistema de pensamento do ego, para quem há coisas boas e coisas más, coisas certas e coisas erradas. Tudo isso, é claro, só existe - e se refere tão somente às aparências - neste mundo das formas e dos sentidos dos corpos. O mundo ilusório da percepção. Assim, dizer que um homem é bom também é julgá-lo acreditando, pela comparação a outros homens, que existem homens maus, e dando realidade à ilusão.

Às práticas?

sábado, 24 de junho de 2017

Só teremos resultados a partir do comprometimento


LIÇÃO 175

Deus é só Amor e, por isto, eu também.

1. (159) Dou os milagres que recebo.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

2. (160) Estou em casa. O medo é o estranho aqui.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 175

"Deus é só Amor e, por isto, eu também."

Hoje, vamos revisar, mais uma vez, dois dos pensamentos das vinte lições recentes com o intuito de nos aproximarmos cada vez mais da nova fase da compreensão que está logo adiante, a nossa espera, na segunda parte do Livro de Exercícios. São eles: [Dou os milagres que recebo.] e [Estou em casa. O medo é estranho aqui.] Envolvemos a ambos na ideia: Deus é só Amor e, por isto, eu também.

Da mesma forma que em anos anteriores, antes de chegarmos às práticas efetivamente, vou convidá-los a explorar a lição de hoje, tendo em mente dois pontos do último capítulo do livro texto, que têm muito a ver com as ideias que revisamos e que dizem o seguinte:

Não penses que por acaso se encontra a felicidade seguindo uma estrada que se afaste dela. Isto não faz nenhum sentido e não pode ser o caminho. Para ti, que pareces achar este curso difícil demais para aprender, deixa-me repetir que para atingires uma meta tens de ir na sua [dela] direção, não na direção contrária. E toda estrada que conduz a outra direção não beneficiará o objetivo a ser alcançado. Se isto é difícil de entender, então é impossível compreender este curso. Mas apenas neste caso. Pois, caso contrário, ele é apenas um ensinamento básico do óbvio [T-31.IV.7].

Trago aos teus olhos cansados a visão de um mundo diferente; tão novo, luminoso e fresco, que tu te esquecerás da dor e do sofrimento que viste antes. No entanto, essa é uma visão que deves compartilhar com todos que vires, pois do contrário não a verás. Dar essa dádiva é o modo de torná-la tua [T-31.VIII.8:4-6]. 

Uma última observação a respeito da necessidade do compromisso com os exercícios e da razão pela qual o Curso nos oferece as lições para as práticas, valendo-me das palavras de Bhagwan Shree Rajneesh: "Um compromisso é um ponto sem retorno... tudo o que é lindo na vida vem através de um compromisso." Ou ainda, "o comprometimento [nos] leva ao próprio centro das coisas". 

Isto é, como tenho dito ao longo do tempo às pessoas todas que participam dos grupos de estudos e também neste espaço, é só o comprometimento que pode nos trazer resultados. Ou, usando outras palavras, é crucial que tomemos a decisão de alinhar nossa vontade à Vontade de Deus, ou não vamos entender que elas são a mesma. E não vamos ser capazes de viver a Vontade d'Ele, de alegria e paz completas e perfeitas, para todos e para cada uma de nós. 

Que dificuldade há em deixar tudo a cargo do Espírito Santo para só colher a paz e a alegria completas e perfeitas dia após dia? Só alguém muito estúpido pode achar que oferecer resistência a seu mais profundo desejo vai realizá-lo. O sonho da felicidade sem fim tem de ser o ponto de partida da jornada. Qualquer sonho que tenhamos, só pode ser realizado se nos provemos de todos os instrumentos de que precisamos para a sua realização. Um desses instrumentos é manter o sonho vivo, alimentá-lo dia e noite, sem dar ouvidos a qualquer coisa ou pessoa no mundo que o queira matar. 

Às práticas?

sexta-feira, 23 de junho de 2017

O maior vício que temos lá bem no fundo é o ego


LIÇÃO 174

Deus é só Amor e, por isto, eu também.

1. (157) Quero entrar na Sua Presença agora.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

2. (158) Hoje aprendo a dar como recebo.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 174

"Deus é só Amor e, por isto, eu também."

Peço-lhes permissão para, mais uma vez, de novo, novamente, repetir o comentário que fiz para esta lição nos últimos anos. Alguém se incomoda de lê-lo uma vez mais? Acho que sempre é possível olhar de modo diferente e aprender coisas novas, mesmo com a leitura de algo que já lemos anteriormente. E depois quem, de fato, se lembra do que eu disse então?

Vejamos, pois, a razão por que acho que vale a pena republicá-lo. Ao relê-lo, hoje, mantenho a impressão de que ele continua a ser pertinente e a de que pode nos levar a aprofundar a reflexão a respeito das duas ideias que revisamos hoje.

As ideias que revisamos neste dia - [Quero entrar na Sua Presença agora.] e [Hoje aprendo a dar como recebo.] -, ambas envolvidas pela ideia de que Deus é só Amor e, por isto, eu também, levam-nos a refletir acerca das escolhas que fazemos a todo instante, a maior parte das vezes de forma inconsciente, porque os efeitos delas fazem que nos perguntemos com frequência, como Paulo, em uma das cartas nos Evangelhos, se não estou enganado, "por que faço o mal que não quero, e não o bem que quero"?

Eckhart Tolle, em seu livro O Poder do Silêncio, diz o seguinte: "O ego precisa estar em conflito com alguém ou com alguma coisa. Isso explica por que, apesar de você querer, paz, alegria e amor, não consegue suportar a paz, a alegria e o amor por muito tempo. Você diz que quer ser feliz, mas está viciado em ser infeliz". Porque você acredita, foi levado a acreditar, na possibilidade do sofrimento, da dor, da doença, do medo, da culpa e de tudo o que pode afastar da paz e da alegria, pelo sistema de pensamento do ego.

Eis aí a questão! Estamos viciados no ego. No fundo, lá no mais fundo de nós, é no ego que somos viciados. E, embora digamos a nós mesmos muitas vezes que queremos algo diferente,  nós o dizemos apenas da boca para fora, de forma irrefletida e inconsciente, porque ainda não sabemos, de fato, o que queremos. E temos muito medo de escolher errado. E um medo muito maior ainda de escolher certo. Ainda não nos decidimos de fato a fazer o que a mudança que queremos, ou dizemos querer, exige que façamos. 

Ainda não estamos dispostos a, por exemplo, fazer o que o Curso nos pede, para nos livrarmos da influência do ego. Poderíamos dizer que o Curso é uma espécie de EA - Egoólatras Anônimos, aonde podemos contar uns aos outros de que forma vivemos nossos vícios, aonde podemos aprender também o que fazer para abandoná-lo: uma lição por dia, uma prática diária.

O que nos resta fazer, então? Aprender mais a respeito de nosso vício, para trazê-lo à consciência e reconhecer todos os efeitos de sua presença em nossa vida. Conhecê-lo é que vai permitir que nos livremos dele. Pois, ainda de acordo com Tolle, no mesmo livro, nossa infelicidade não vem dos fatos da vida, mas do que ele chama de condicionamento de nossas mentes. Pois, em geral, como o Curso ensina, quase nunca reagimos aos fatos, mas tão somente à interpretação [julgamento, muitas vezes] que fazemos deles.

As práticas diárias das ideias que o Curso nos oferece, bem como outras práticas que busquem nos pôr em contato com nós mesmos, com o Ser, com o divino em nós, são um remédio milagroso para eliminar o vício que aprendemos com o mundo, eliminando também, por consequência, todos os seus efeitos e permitindo que experimentemos a paz de Deus.

Duvidam? Todos nós já passamos por uma situação na qual "perdemos as estribeiras", isto é, uma situação em que reagimos de uma forma que nos surpreende por completo. Ao relatá-la, depois de passado algum tempo, costumamos dizer: "aquilo me deixou completamente fora de mim". Na verdade, salvo alguns "instantes santos" é assim que vivemos no ego a maior parte do tempo. E dizemos também: "quando caí em mim" percebi o estrago, mas já era tarde demais.

O que significa "estar fora de si", senão inconsciência, não estar no agora, não estar presente por inteiro na situação, não estar em Deus? E "cair em si" não é a mesma coisa que recobrar a consciência, estar presente, estar em Deus, na Sua Presença?

Aproveitemos, pois, as ideias das práticas da revisão de hoje para "entrar na Sua Presença", aprender a ficar Nela e a compartilhá-la com todos aqueles a quem vamos encontrar neste dia, oferecendo-lhes a Presença, da mesma forma que A recebemos. 

Às práticas?

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Sem nossa permissão nem Deus pode nos ajudar


LIÇÃO 173

Deus é só Amor e, por isto, eu também.

1. (155) Recuarei e permitirei que Ele mostre o caminho.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

2. (156) Caminho com Deus em perfeita santidade.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 173

"Deus é só Amor e, por isto, eu também."

São as ideias: [Recuarei e permitirei que Ele mostre o caminho.] e [Caminho com Deus em perfeita santidade.] que revisamos mais uma vez nesta prática, envolvendo-as também na ideia de que Deus é só Amor e, por isto, eu também.

Na prática, o que estas ideias podem fazer por nós, uma vez mais, é mostrar-nos a importância da entrega. Isto é, como o Curso ensina, não precisamos fazer nada, se aprendermos a entregar ao divino tudo aquilo que nos cabe decidir e fazer, além, é claro, de tudo aquilo que não queremos. E, mais do que entender que não precisamos fazer nada, também é necessário que aprendamos - e que aprendamos bem aprendido - a não atrapalhar o plano de Deus.

Não sabemos nada, não temos capacidade de decidir nada com base em nossa percepção e em nossos sentidos. Daí a necessidade de recuarmos e de permitirmos que Deus, em nós, faça o que há para ser feito. Do mesmo modo, mesmo quando não estamos cientes disso, caminhamos com Deus em perfeita santidade.

É interessante, importante, porém, imperativo até, eu diria, que busquemos nos tornar conscientes da Presença de Deus em nossa vida, em nossos dias, em nossos caminhos. Caso contrário Ela não pode nos valer de nada. Sem nossa permissão, isto é, sem o nosso consentimento, nem Deus pode fazer nada por nós, uma vez que temos o mesmo poder que Ele. Ora, duas forças de igual tamanho se anulam. 

O poder que nos foi dado com o livre arbítrio ninguém pode desafiar, nem mesmo o Próprio Deus. Se Ele o fizesse, não teríamos, então, o dito livre arbítrio. O poder que é d'Ele e, que por ser d'Ele também é nosso, de cada um de nós, não pertence, todavia, à falsa imagem que fazemos de nós mesmos. Ele só se apresenta para cada um que precisa dele quando alinhado à Vontade de Deus para nós, que, via de regra, é a nossa própria vontade também.

Podemos pensar que sabemos o que fazer, aonde ir e o que queremos, a partir do que nos diz o falso eu - o ego do Curso. Entretanto, tudo o que alcançamos até agora não nos trouxe, nem de longe a satisfação, a paz que julgávamos que alcançaríamos ao conseguir determinada realização. Ou alguém já chegou à plena satisfação, à paz e à alegria completas e perfeitas a partir das escolhas feitas pelo ego? 

Não? 

Por quê? 

Porque, na verdade, é óbvio para quem, de fato, quiser ver que ainda funcionamos no mundo pensando que estamos separados de Deus. Preocupados com o passado, um tempo que não existe mais, ou com o futuro, um tempo que ainda não existe.

Precisamos aprender, e ter sempre em mente, na medida do possível, que tudo o que podemos fazer é apenas o que fazemos agora, neste momento, no presente. Do mesmo modo, Goldsmith, falando da natureza de Deus afirma que "o que Deus não está fazendo agora mesmo não o poderá fazer nunca e ninguém o pode levar a fazê-lo". 

Ele diz que "nunca houve um tempo em que Deus não existisse e, mesmo da limitada perspectiva do olhar humano, isso significa que também nunca haverá um tempo [em] que Deus vai deixar de existir. Desta convicção nasce a consciência de que Deus é eterno. Da mesma forma não há nenhum lugar em que Deus não exista".

Em sintonia com a primeira das ideias que revisamos, Goldsmith diz que "quem compreende a natureza de Deus não pode nunca lhe pedir coisa alguma. Sabe que Deus só pode doar a Si Mesmo e este dom é suficiente para todas as nossas necessidades. Um Deus diferente deste é uma fábula inventada pelos homens". 

De novo: atenção, muita atenção: 

Um Deus diferente d'Aquele que só pode doar a Si Mesmo não passa de uma fábula inventada pelos homens, que não podem existir fora d'Ele.

Assim é que podemos pensar e praticar também a segunda das ideias para a revisão de hoje, com a convicção de que tudo o que podemos fazer é nos permitirmos caminhar com Deus "em perfeita santidade", uma vez que, como já vimos em lição anterior, Deus vai conosco aonde formos. Entretanto, é preciso que autorizemos, que queiramos sentir e viver a experiência da Presença. Precisamos dar nosso completo e total consentimento a Deus. Se não manifestarmos nossa concordância, recuando em nosso desejos baseados no sistema de pensamento do ego, nem Deus pode nos ajudar. 

Ás práticas?

quarta-feira, 21 de junho de 2017

O mundo muda na medida em que a percepção muda


LIÇÃO 172

Deus é só Amor e, por isto, eu também.

1. (153) Minha segurança está em ser sem defesas.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

2. (154) Eu estou entre os ministros de Deus.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 172


"Deus é só Amor e, por isto, eu também."

Revisamos hoje mais duas ideias das práticas recentes, envolvendo-as na frase: Deus é só Amor e, por isto, eu também, que, de certa forma, espelha também o significado das outras que são: Minha segurança está em ser sem defesas e Eu estou entre os ministros de Deus.

Como já devemos saber, estas duas ideias são da maior importância para a nova fase de compreensão que nos espera. A nova fase da qual o Curso fala na introdução a este período. Uma fase a que podemos chamar de fase da percepção curada, ou fase da percepção correta, baseada na forma de olhar do Espírito Santo em nós.

Vamos, pois, de novo, nos valer de mais um exemplo do livro A Arte de Curar pelo Espírito, de Joel Goldsmith, que trata também de nos ensinar o modo de curar nossa percepção, contaminada pelo sistema de pensamento do mundo, ou do ego, por se basear na crença em que estamos todos separados de Deus.

Para ele, o tratamento espiritual, ou a cura espiritual, que também é a cura que o ensinamento do Curso quer que aprendamos, para a nossa salvação e a salvação do mundo inteiro, não envolve nada mais do que a cura de nossa própria percepção. Isto é, o curador tem apenas de curar sua percepção individual para perceber claramente que nada do que está aparentemente "errado" em seu mundo existe de fato. 

Ao praticar para a cura da própria percepção, o curador aprende que: na mesma medida em que sua percepção muda, o mundo também muda, o que é sinal mais claro que podemos ter de que o mundo, da forma com que o vemos, só existe a partir do que pensamos dele. E que existem tantos mundos quantas são as pessoas que pensam em um mundo. Ora, é claro que um número infinito de mundos é inconciliável com qualquer desejo que qualquer um tenha de afirmar que apenas o seu mundo é verdadeiro.

Tanto Goldsmith, quanto o Curso, com o conceito de Expiação - ou o desfazer do erro -, ou o ho'oponopono percebem que, se a necessidade de cura ou o pedido de cura se apresentou à consciência do curador, do doente, ou de qualquer pessoa que seja, tudo o que se pode fazer é buscar limpar aquela parte da consciência, da mente, que inventou ou deu realidade ao engano, acreditando estar separada de Deus. Assim, é Goldsmith que diz:

Se não te dirigires a Deus por uma razão única - unicamente por causa de Deus - então admites a existência de dois poderes, o Bem e o Mal, e esperas que Deus, o grande Poder benéfico, empreenda algo contra o outro Poder, o maléfico. Não terás paz nem sossego enquanto viveres na expectativa de um Deus, grande e poderoso, que deva fazer algo contra o erro.

Uma expectativa deste tipo tão-somente reforça a ideia de dualidade, a crença na separação. Como eu já disse muitas outras vezes, há uns poucos passos simples, que precisamos dar para nos livrarmos de qualquer aparente mal que se nos apresente. 

O primeiro é reconhecer que o "mal" aparente que vemos nós o inventamos,  nós o escolhemos, mesmo que de forma inconsciente. O segundo é acolher o que quer que se apresente na forma como se apresenta, isto é, assumir a responsabilidade pelo que se apresentou por entender que fomos nós que o pedimos. Por fim, precisamos apenas agradecer por ele ter se apresentado da forma com que se apresentou para, se for o caso, podermos fazer uma nova escolha, em sintonia com o divino em nós. Aí, e só aí, encontraremos a paz. 

Às práticas? 

ADENDO: 

Caras, caros, 

Aproveito aqui para voltar à lição 167 por alguns momentos, apesar de que vamos revisá-la daqui a alguns dias. Mas, para não deixar as observações da Cida - feitas no último domingo, dia 18 -, sem comentário por um tempo muito mais longo, vou me deter, então, no que ela diz.

Ao praticar com a lição 167 na última sexta-feira também fiquei impressionado com a releitura do segundo parágrafo, do quarto e do quinto. E também do sexto e do sétimo. Tanto é que fiz alguma anotações a respeito.

No segundo:

A ideia da morte... é a única ideia que há por debaixo de todas as sensações, de todas as emoções, que não sejam de extrema felicidade e de alegria total. A morte funciona como se fosse um alarme ao qual reagimos de qualquer modo que não seja com alegria completa.

A admissão da ideia da morte é o que está por detrás de quaisquer sensações, emoções, como tristeza, perda, ansiedade, sofrimento e dor, dúvida, escassez, insatisfação, medo e mesmo um simples suspiro de cansaço, um leve mal-estar ou a mais simples expressão de desagrado, ou de enfado e contrariedade.

No quarto:

A crença na separação, isto é, a ideia de que podemos de alguma forma estar separados de nosso Criador, é também a admissão da ideia da morte. Acreditar em condições que mudam e em emoções que variam em razão de causas que não podemos controlar, que não inventamos e que não podemos mudar nunca também é acreditar na ideia da morte.

Acreditar na morte equivale a crer que ideias podem deixar sua fonte e adquirir características que a fonte não tem. Quer dizer, as ideias - pensamos - podem deixar sua fonte [a mente] e se tornarem diferentes de sua própria origem, separando-se da fonte tanto em estado quanto em espaço, tempo e forma.

No sexto:

É a mente que cria todas as coisas que existem e não pode dar a essas coisas quaisquer qualidades que lhe faltem. Lembremo-nos da expressão: "por seus frutos eles serão conhecidos".

No sétimo:

O "aparente" contrário da vida só pode ser outra forma de vida.

Agora, para nos atermos ao que a lição quer que aprendamos, pensando nas dúvidas que a Cida manifestou, temos de ter bem claro que: "Há uma só vida, e é esta que compartilho com Deus".

Ora, o que é a Fonte, a Origem, onde tudo é criado? É Deus, o Criador, de Quem nunca nos separamos, Quem faz que permaneçamos desde sempre como fomos criados, para nos lembrarmos da ideia que diz: "Eu sou como Deus me criou".

Não posso ser diferente. A não ser na ilusão.

A ideia de que a manifestação, ou as diversas formas da manifestação, pode ter características diferentes de seu criador é apenas um engano a que quer nos conduzir o ego, para reforçar em nós a crença na separação, que nunca houve, reforçando.

Agora a frase que Cida diz não ter compreendido, no quinto parágrafo, em negrito: "As ideias permanecem unidas a sua fonte. [E] ... podem estender tudo o que sua fonte contém. Neste aspecto, elas podem ir muito além de si mesmas. Mas não podem dar origem àquilo que nunca lhes foi dado." 

O que o Curso está fazendo, dizendo, é simplesmente que tudo aquilo que vemos como manifestação e que, aparentemente, não traz apenas as qualidades do divino, são "criações", por assim dizer, ou invenções do ego, que acredita na separação.

O que vemos que esteja em total desacordo com o divino? Ou melhor, o que podemos ver que pode estar em completo desacordo com o divino?

Nada, nada, nada! Absolutamente nada! 

Mas como assim? Assim, assim, sim!

Lembram-se de que a certa altura o Curso diz que temos de aprender que "tudo está absolutamente certo exatamente da maneira como está"? Isso significa dizer que não há nada que precise ser mudado, nada que precise de conserto. A não ser aos olhos do ego que não são capazes de ver nada que não apenas a ilusão criada pela percepção dos sentidos.

De novo: "Há uma só vida, e é esta que eu compartilho com Deus".

Assim, é só na ilusão, na experiência ilusória de um mundo que inventamos que podemos nos desviar da origem. Não há necessidade nenhuma de "criar uma nova origem verdadeira para novas manifestações", como diz Cida. Basta que mudemos nossa percepção.

E também não há necessidade de se "retornar" à origem, nem a minha, nem "às mais antigas até chegar em origens bem distantes da humanidade [para] perceber aí onde aconteceram as distorções". Tudo o que podemos fazer é corrigir nossa percepção, pois como o Curso ensina, o único tempo que existe é o presente. O passado não existe. Não há o que procurar lá. Só se quisermos continuar acreditando que existe qualquer verdade na ilusão de que houve um tempo em que tudo foi criado.

Não, não, não! Como eu já disse antes, se bem me lembro, a Criação é agora, ela se dá em cada agora que experimentamos com consciência, estando presentes. Sendo!

É bem verdade que há muito a aprender [desvendar] com a lição 167, como diz Cida. Mas isso vale para todas as lições também, se estivermos atentos em nossas práticas.

Paz e bem!