domingo, 5 de julho de 2026

Só precisa compreender aquele que acredita na ilusão

 

LIÇÃO 186

A salvação do mundo depende de mim.

1. Eis aqui a afirmação que um dia afastará toda a arrogância de todas as mentes. Eis aqui a ideia da humildade verdadeira, que não defende nenhum papel como o teu próprio papel a não ser aquele que te foi dado. Ela te oferece a aceitação de um papel designado para ti, sem insistir em outro. Ela não julga teu papel adequado. Ela apenas reconhece que a Vontade de Deus se faz tanto na terra quanto no Céu. Ela une todas as vontades na terra no plano do Céu para salvar o mundo, devolvendo-o à paz do Céu.

2. Não lutemos com nosso papel. Nós não o criamos. Ele não é ideia nossa. O meio pelo qual ele será cumprido perfeitamente nos foi dado. Tudo o que se pede que façamos é que aceitemos nossa parte na verdadeira humildade e que não neguemos com arrogância auto-enganadora que somos dignos. Temos a força para fazer o que nos é dado fazer. Nossas mentes são perfeitamente adequadas para assumir o papel que nos foi designado por Aquele Que nos conhece bem.

3. A ideia de hoje pode parecer bastante séria até que percebas seu significado. Tudo o que ela diz é que teu Pai ainda Se lembra de ti, que és Seu Filho. Ela não pede que sejas diferente do que és de nenhuma forma. O que a humildade poderia pedir a não ser isto? E o que a arrogância poderia negar senão isto? Hoje não recuaremos de nossa obrigação sob o motivo ilusório de que a modéstia é ultrajada. É o orgulho que negaria o Chamado do Próprio Deus.

4. Abandonamos toda a falsa humildade hoje para podermos escutar a Voz de Deus nos revelar o que Ele quer que façamos. Não duvidaremos de nossa aptidão para a função que Ele nos oferecerá. Teremos certeza apenas de que Ele conhece nossos poderes, nossa sabedora e nossa santidade. E, se Ele acredita que somos dignos, então somos. É só a arrogância que julga de outro modo.

5. Há um e somente um caminho para se liberar da prisão que teu plano de provar que o falso é verdadeiro te traz. Aceita, no lugar dele, o plano que não fizeste. Não julgues teu valor para ele. Se a Voz de Deus te garante que a salvação necessita de tua parte e que o todo depende de ti, fica certo de que é verdade. O arrogante tem de se agarrar às palavras, com medo de ir além delas para experimentar o que poderia desacreditar sua atitude. Os humildes, no entanto, estão livres para ouvir a Voz que lhes diz o que eles são e o que fazer.

6. A arrogância inventa uma imagem de ti mesmo que não é real. É esta imagem que treme e foge em pânico quando a Voz por Deus te assegura que tens o poder, a sabedoria e a santidade para ultrapassar todas as imagens. Tu não és fraco como a imagem de ti mesmo é. Tu não és ignorante e desamparado. O pecado não pode manchar a verdade em ti e o sofrimento não pode chegar perto do lar santo de Deus.

7. Tudo isto a Voz por Deus te diz. E, quando Ele fala, a imagem treme e busca atacar a ameaça que ela não conhece, sentindo suas bases se desintegrarem. Abandona-a. A salvação do mundo depende de ti e não deste monte de pó inútil. O que ele pode dizer ao Filho de Deus? Por que ele precisa se preocupar com isto de alguma forma?

8. E, assim, achamos nossa paz. Aceitaremos a função que Deus nos deu, pois todas as ilusões se baseiam na estranha crença de que podemos criar outra por nós mesmos. Os papéis que criamos para nós mesmos são inconstantes e parecem mudar do desconsolo à felicidade extasiante do amor e de amar. Podemos rir ou chorar e saudar o dia com boas vindas ou com lágrimas. Nossa verdadeira forma de ser parece mudar à medida que experimentamos milhares de alterações de humor e nossas emoções, de fato, nos elevam às alturas ou nos arremessa violentamente ao chão em desespero.

9. Este é o Filho de Deus? Deus poderia criar tamanha instabilidade e chamá-la de Filho? Ele, Que é imutável, compartilha Suas características com Sua criação. Todas as imagens que Seu Filho parece criar não têm nenhum efeito naquilo que ele é. Elas atravessam sua mente como folhas varridas pelo vento, que formam um padrão por um instante, se separam para se agrupar novamente, e desaparecerem  Ou como miragens, surgindo do pó, sobre um deserto.

10. Estas imagens irreais se irão e deixarão tua mente desanuviada e serena, quando aceitares a função que te foi dada. As imagens que criaste só dão origem a metas contraditórias, temporárias e vagas, incertas e ambíguas. Quem poderia ser constante em seus esforços ou orientar sua forças e energias concentradas em direção a metas como estas? As funções que o mundo preza são tão incertas que mudam dez vezes por hora nos casos mais seguros. Que esperança de benefício pode se basear em metas como estas?

11. Em amoroso contraste, tão certo quanto é a volta do sol a cada manhã para dissipar a noite, a verdadeira função que te foi dada se destaca clara e totalmente não ambígua. Não há nenhuma dúvida acerca de sua validade. Ela vem d'Aquele Que não conhece nenhum erro e Sua Voz tem certeza de Suas mensagens. Elas não mudarão nem entrarão em conflito. Todas apontam para uma só meta e uma meta que podes atingir. Teu plano pode ser impossível, mas o de Deus não pode fracassar nunca porque Ele é a sua Fonte.

12. Faze conforme a Voz de Deus te orienta. E se Ele te pede uma coisa que parece impossível, lembra-te de Quem é que pede e de quem faria a negativa. Considera isto então: quem tem mais probabilidade de estar certo? A Voz que fala pelo Criador de todas as coisas, Que conhece todas as coisas exatamente como são, ou uma imagem distorcida de ti mesmo, confusa, desnorteada, incoerente e insegura de tudo? Não deixes que esta voz te oriente. Ouve, em seu lugar, uma Voz segura, que te fala de uma função que te foi dada por teu Criador, Que Se lembra de ti e pede com insistência que te lembres d'Ele agora.

13. Sua Voz serena está chamando do conhecido para o desconhecido. Ele quer te consolar, embora Ele não conheça nenhuma tristeza. Ele quer fazer uma restituição, embora Ele seja completo; uma dádiva para ti, embora Ele saiba que tu já tens tudo. Ele tem Pensamentos que atendem a toda necessidade que Seu Filho percebe, embora Ele não as veja. Pois o Amor tem de dar e o que é dado em Nome d'Ele assume a forma mais útil em um mundo de formas.

14. Estas são as formas que não podem enganar jamais, porque elas vêm da Própria Ausência de Formas. O perdão é uma forma terrena de amor, que, assim como é no Céu, não tem nenhuma forma. Porém, dá-se aqui o que é necessário aqui do modo que for necessário. Desta forma tu podes cumprir tua função até mesmo aqui, embora ainda seja muito mais o que o amor vai significar para ti, quanto a ausência de formas for restabelecida para ti. A salvação do mundo depende de ti, que podes perdoar. Esta é tua função aqui.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 186

Caras, caros,

Vocês já se deram conta da importância que têm no mundo, mesmo neste mundo de ilusões? E por que a pergunta? Porque em geral todas e todos nós nos consideramos seres insignificantes, cujo poder individual não serve nem para mover uma palha, no plano de Deus para o que deve ser o mundo real.

Na verdade, não é bem assim. Cada uma e cada um de nós é parte complementar fundamental do divino, do todo. E o todo só pode ser todo quando todas as suas partes têm a mesma importância. Assim, mesmo que não nos consideremos capazes de qualquer salvação, nem sequer para nós mesmas, ou para nós mesmos, o fato é que somos. Capazes e importantes. Muito. E a salvação do mundo depende, sim, da salvação de cada uma de nós, de cada um de nós.

É disso que vamos tratar com as práticas da ideia que o ensinamento nos oferece para este dia.

"A salvação do mundo depende de mim."

Quantos, ou quantas, dentre nós já se aperceberam de que a ideia que vamos praticar hoje é, de fato, a mais pura expressão da verdade? Só eu posso salvar o mundo, se acredito na mensagem atribuída historicamente a Jesus por todas as religiões que o adotaram como salvador, e trazida mais uma vez ao mundo pela Voz à qual se atribui a autoria deste Curso. O mesmo vale para quem acredita na mensagem que, segundo a história, ele nos deixou há mais de dois mil anos. Ou não nos lembramos de que, de acordo com os registros - verdadeiros ou não - que chegaram até nós, ele disse que tudo o que ele fez cada um e cada uma de nós pode fazer igual e melhor?

Além do mais há que se considerar que o Curso ensina que "não há nenhum mundo", a não ser aquele que nós mesmos e nós mesmas construímos com nossos pensamentos e ações, acreditando ser possível uma existência separada de Deus.

Mais! Basta que acreditemos na veracidade da afirmação do Curso de que não existe nada fora de nós, para se criar em nós a certeza interior de que o mundo que existe aparentemente só existe como expressão daquilo que trazemos dentro de cada um de nós mesmos, dentro de cada uma de nós mesmas. E é isso mesmo o que diz Elio D'Anna em seu livro A Escola dos Deuses, para quem se deu ao trabalho de lê-lo, conforme a recomendação que fiz algum tempo atrás.

É preciso que nos conscientizemos de que isso também é verdade para todos e todas nós, uma vez que tudo o que vemos, ouvimos, cheiramos, tocamos, provamos, pensamos ou sentimos não é nada a não ser extensão ou projeção daquilo mesmo que há dentro de cada um, de cada uma, de todos e de todas ao mesmo tempo. Isto é, o mundo que vemos é um mundo diferente para cada um e para cada uma de nós, que olhamos para ele. Mais ainda, ele é um mundo diferente a cada instante em que olhamos para ele. E ele é, para cada um e cada uma de nós, apenas o fruto das crenças que desenvolvemos ao longo do tempo que aparentemente passamos aqui. É assim que ele se mostra a cada um e a cada uma, a sua maneira, com uma percepção própria, fundada nos equívocos particulares dos sentidos individuais, e na visão própria de cada um, ou de cada uma, que serve apenas para confirmar aquilo em que cada um e cada uma de nós acredita.

Por isso posso repetir sem susto o que já disse nos comentários dos últimos anos: ainda bem que a lição de hoje apresenta uma ideia que nos pede para relevar as formas, todas as formas, sem exceção, uma vez que cada um e cada uma de nós em seu próprio mundo aprende de acordo com sua capacidade inerente de ouvir e entender - entender, aqui, no sentido de aceitar e seguir a orientação que o Curso oferece - a ideia que pratica. E para cada um, ou cada uma, ela se apresenta da forma que lhe for mais conveniente, da forma lhe seja mais fácil e melhor de reconhecer, compreender e aceitar. 

Lembremo-nos sempre, pois, de que compreender só é, de fato, compreender, quando é sinônimo de aceitar. E também de que não há necessidade de compreender a partir do que sabemos intelectualmente, uma vez que tudo o que sabemos via intelecto, só pode se referir - e, de fato, só se refere mesmo - à ilusão. Quer dizer, só tem necessidade de compreensão aquele, ou aquela, que acredita, ou que quer acreditar, que pode haver qualquer realidade na ilusão.

Fiquemos atentos e atentas, portanto, ao que nos diz a lição de hoje acerca da necessidade de assumirmos o papel que nos cabe na salvação do mundo. Lembremo-nos de que, se Deus nos garante que temos todo o poder, toda a sabedoria e toda a santidade e inocência necessárias para levar a cabo a tarefa, é porque, de fato, temos. 

É importante lembrar ainda que assumir este papel significa também assumir cem por cento a responsabilidade pela cura do mundo que construímos com nossos pensamentos, palavras, atos e omissões, como já lhes disse em vários comentários anteriores. 

Às práticas?

sábado, 4 de julho de 2026

Só aquilo que queres ver a percepção te pode mostrar

 

LIÇÃO 185

Eu quero a paz de Deus.

1. Dizer estas palavras não significa nada. Mas dizê-las com real intenção significa tudo. Se ao menos pudesses dizê-las deste modo por um instante apenas, não haveria mais nenhuma tristeza possível para ti de forma alguma, em qualquer tempo ou lugar. O Céu seria completamente devolvido à plena consciência, a lembrança de Deus restituída por inteiro, a ressurreição de toda a criação reconhecida plenamente.

2. Ninguém pode dizer estas palavras com real intenção e não ser curado. Ninguém pode brincar com sonhos, nem pensar que ele mesmo é um sonho. Ninguém pode inventar um inferno e pensar que ele é real. Ele quer a paz de Deus e ela lhe é dada. Pois isto é tudo o que ele quer e é tudo o que receberá. Muitos dizem estas palavras. Mas, de fato, poucos as dizem com real intenção. Tu só tens de olhar para o mundo que vês a teu redor para teres a certeza de quão poucos verdadeiramente eles são. O mundo mudaria completamente, se duas pessoas quaisquer concordassem que estas palavras exprimem a única coisa que querem.

3. Duas mentes com uma única intenção ficam tão fortes que o que desejam se torna a Vontade de Deus. Pois as mentes só podem se unir na verdade. Em sonhos, não há dois que possam compartilhar a mesma intenção. Para cada um deles o herói do sonho é diferente; o resultado desejado não é o mesmo para ambos. Perdedor e ganhador simplesmente se revezam em padrões alternados, à medida que a proporção entre ganho e perda e perda e ganho adquire um aspecto diferente ou toma outra forma.

4. Todavia é só transigência que um sonho pode trazer. Às vezes ele assume a forma de união, mas apenas a forma. O significado necessariamente escapa ao sonho, uma vez que a meta do sonho é a conciliação. Mentes não podem se unir em sonhos. Elas apenas barganham. E que barganha pode lhes dar a paz de Deus? As ilusões vêm para tomar o lugar d'Ele. E aquilo que é a intenção d'Ele se perde para a intenção de conciliação de mentes adormecidas, cada um visando seu próprio benefício e a perda do outro.

5. Dizer com real intenção que queres a paz de Deus é renunciar a todos os sonhos. Pois ninguém que queira ilusões e que, portanto, busque o meio que traz ilusões diz estas palavras com real intenção. Ele examina as ilusões e as acha insuficientes. Agora ele busca ir além delas, reconhecendo que mais um sonho não ofereceria mais do que todos os outros. Os sonhos são um só para ele. E ele aprende que a única diferença entre eles é a da forma, pois qualquer um trará o mesmo desespero e o mesmo sofrimento que trazem os demais.

6. A mente que diz com real intenção que tudo o que quer é a paz tem de se unir a outras mentes, pois é desta forma que se alcança a paz. E, quando o desejo de paz é genuíno, o meio para achá-lo é dado de um modo que cada mente que a busca com honestidade pode compreender. Seja qual for a forma que a lição tome, ela é planejada para cada uma de tal modo que ela não pode confundi la, se seu pedido for sincero. Mas, se ela não pede com sinceridade, não há nenhuma forma pela qual a lição encontre aceitação e seja aprendida verdadeiramente.

7. Dediquemos nossa prática hoje ao reconhecimento de que, de fato, dizemos com real intenção as palavras que pronunciamos. Nós queremos a paz de Deus. Isto não é nenhum desejo vão. Estas palavras não pedem que nos seja dado outro sonho. Elas não pedem transigência, nem tentam fazer outra barganha na esperança de que ainda pode haver alguma que possa ser bem-sucedida onde todas as outras falharam. Dizer estas palavras com real intenção é reconhecer que as ilusões são inúteis, é pedir o eterno em lugar de sonhos inconstantes que parecem mudar naquilo que oferecem mas que são um só em inutilidade.

8. Dedica teus períodos de prática hoje a vasculhar tua mente com cuidado para descobrir os sonhos que ainda prezas. O que pedes em teu coração? Esquece as palavras que usas ao fazeres teus pedidos. Considera apenas aquilo que acreditas que te dará consolo e te trará felicidade. Mas não desanimes com as ilusões que persistem, pois a forma delas não é o que importa agora. Não permitas que alguns sonhos sejam mais aceitáveis, reservando para outros vergonha e segredo. Eles são o mesmo. E, sendo o mesmo, deve-se fazer uma única pergunta a todos eles: "É isto que quero ter em lugar do Céu e da paz de Deus?"

9. É esta escolha que fazes. Não te enganes que é de outra forma. Não é possível nenhuma transigência nisto. Tu escolhes a paz de Deus ou pedes sonhos. E, uma vez que os pediste, os sonhos virão. Porém, com a mesma certeza, virá a paz de Deus, e para permanecer contigo para sempre. Ela não desaparecerá a cada volta ou curva da estrada, para reaparecer, irreconhecível, em formas que mudam e se alteram com cada passo que dás.

10. Tu queres a paz de Deus. E todos aqueles que parecem buscar sonhos também. Para eles e também para ti mesmo, pedes apenas isto quando fazes este pedido com profunda sinceridade. Pois, deste modo, alcanças o que eles querem realmente e unes tua própria intenção ao que eles buscam acima de todas as coisas, algo desconhecido para eles talvez, mas certo para ti. Foste fraco, às vezes, incerto de teu objetivo e inseguro acerca do que querias, de onde procurar e de para onde se voltar em busca de ajuda na tentativa. A ajuda te foi dada. E não queres te beneficiar dela por compartilhá-la?

11. Ninguém que busque verdadeiramente a paz de Deus pode deixar de encontrá-la. Pois apenas pede para não mais se enganar por negar a si mesmo aquilo que é a Vontade de Deus. Quem é que, pedindo aquilo que já tem, pode permanecer insatisfeito? Quem é que, pedindo uma resposta que cabe a si mesmo dar, poderia ficar sem resposta? A paz de Deus é tua.

12. A paz foi criada para ti, dada a ti por teu Criador e estabelecida como Sua Própria dádiva eterna. Como podes falhar, se pedes apenas aquilo que Ele deseja para ti? E como teu pedido poderia estar limitado a ti mesmo apenas? Nenhuma dádiva de Deus pode permanecer não compartilhada. É esta característica que separa as dádivas de Deus de todos os sonhos que alguma vez pareceram tomar o lugar da verdade.

13. Ninguém pode perder e todos têm de ganhar sempre que qualquer dádiva de Deus seja solicitada e recebida por quem quer que seja. Deus dá apenas para unir. Tirar não tem sentido para Ele. E, quando tirar for igualmente sem sentido para ti, podes ficar certo de que compartilhas uma só Vontade com Ele e Ele contigo. E saberás também que compartilhas uma só Vontade com todos os teus irmãos cujas intenções são as tuas.

14. É esta única intenção que buscamos hoje, unindo nossos desejos às necessidades de cada coração, ao chamado de cada mente, à esperança que existe além do desespero, ao amor que o ataque quer esconder, à irmandade que o ódio busca separar, mas que continua a existir tal qual Deus a criou. Com uma Ajuda igual a esta ao nosso lado, podemos falhar hoje, quando pedimos que a paz de Deus nos seja dada?

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 185

Caras, caros,

Dizer "não" é um problema para a maioria de nós, pessoas humanas. Por que será?

Eu arriscaria dizer que uma das coisas que nos leva a enfrentar esta dificuldade está relacionada ao fato de a maioria de nós não sabermos exatamente o que queremos. Daí que, quando se apresenta uma escolha a ser feita, ficamos titubeando para dizer sim ou não. E o nosso não, em geral, nunca é categórico. Óbvio, como tudo o que fazemos e dizemos sem saber direito o que somos, o que queremos e aonde queremos chegar, não é mesmo?

Todas e todos nós, ou a maioria das pessoas pelo menos, pode-se dizer, queremos a paz de Deus. Ou dizemos querê-la. Muitas vezes, no meio da confusão que são quase todas as vidas, afirmamos querer ao menos um segundo de paz. "Será que não posso ter ao menos um segundo de sossego?" - dizemos.

É claro que podemos. É claro que todas e todos nós temos direito à paz de Deus. Mas precisamos ser claras, claros, objetivas, objetivos, e fazer tudo o que for necessário para consegui-la. E o primeiro passo é oferecer a paz. A tudo, a todas e a todos. Porque, a menos que sejamos capazes de oferecê-la, não a obteremos. Ou, dizendo de outro modo, não há outra forma qualquer de se obter a paz, a não ser oferecendo paz. É para isso que a ideia para as práticas de hoje aponta.

"Eu quero a paz de Deus."

A ideia que vamos praticar mais uma vez hoje quer nos auxiliar na tomada de decisão, ensinando-nos a escolher e a declarar com clareza cristalina o que queremos. As práticas, feitas de acordo com as instruções do Curso, certamente vão nos ajudar a reconhecer que estamos, em geral, mais preocupados em evitar, ou listar, aquilo que não queremos do que em descobrir e/ou definir o que queremos, buscando, de fato, viver a partir de nossos quereres, e não do medo - ou desejo - daquilo que não queremos.

Assim,  reforçando pois, a ideia que praticamos hoje pode - e vai, se a praticarmos do modo que o Curso orienta -, tornar mais claro o que, de fato, cada um e cada uma de nós quer. Pois o que podemos desejar além da paz de Deus? E tendo a certeza de que a paz de Deus nos pertence, haverá alguma coisa mais a desejar? 

Como vimos em lição recente, a percepção nos mostra que aquilo que vemos se mostra em função do foco que temos, ou pomos, naquilo que nos interessa ver. Diferentemente do que pensamos, não sofremos os efeitos de alguma coisa que se apresenta para nos fazer sofrer, ou para nos fazer ver que o mundo é mau, que as pessoas são más ou que há alguma coisa de errado com o mundo. Porém, se nosso foco, ou nossa atenção, for este, é isto que veremos. Não porque isto de fato exista, mas apenas como a concretização, a confirmação de nosso desejo de ver desta forma. 

Em um livro que li há já algum tempo, o autor, citando o que alguém escreveu a respeito de Cristóvão Colombo e do modo como ele, Cristóvão, via e descrevia o mundo, pelo que se lê em seus diários [os de Colombo], diz: "É maravilhoso ver como, quando um homem deseja muito algo e se agarra firmemente a isso em sua imaginação, tem a impressão, a todo momento, de que tudo aquilo que ouve e vê testemunha a favor dessa coisa". 

A maior parte do tempo não nos damos conta de nossa participação ou da participação de nosso querer nas coisas que acontecem, porque estamos preocupados com o que [aparentemente] nos acontece, e que dizemos não querer [da boca para fora, no pensamento consciente verbalizado]. Mas onde está nosso foco? A que damos mais atenção? Ao que queremos ou ao que não queremos?

É por isto que a lição de hoje diz: "Eu quero a paz de Deus." E diz:

Dizer estas palavras não significa nada. Mas dizê-las com real intenção significa tudo. Se ao menos pudesses dizê-las deste modo por um instante apenas, não haveria mais nenhuma tristeza possível para ti de forma alguma, em qualquer tempo ou lugar. O Céu seria completamente devolvido à plena consciência, a lembrança de Deus restituída por inteiro, a ressurreição de toda a criação reconhecida plenamente.

Ninguém pode dizer estas palavras com real intenção e não ser curado. Ninguém pode brincar com sonhos, nem pensar que ele mesmo é um sonho. Ninguém pode inventar um inferno e pensar que ele é real. Ele quer a paz de Deus e ela lhe é dada. Pois isto é tudo o que ele quer e é tudo o que receberá. Muitos dizem estas palavras. Mas, de fato, poucos as dizem com real intenção. Tu só tens de olhar para o mundo que vês a teu redor para teres a certeza de quão poucos verdadeiramente eles são. O mundo mudaria completamente, se duas pessoas quaisquer concordassem que estas palavras exprimem a única coisa que querem. 

Quer dizer, lembrando ainda da lição recente: quando quisermos experimentar só isto, ou seja, "a paz de Deus", ou o amor de Deus, é só isto que experimentaremos. 

Atenção ao foco!

Duas mentes com uma única intenção ficam tão fortes que o que desejam se torna a Vontade de Deus. Pois as mentes só podem se unir na verdade. Em sonhos, não há dois que possam compartilhar a mesma intenção. Para cada um deles o herói do sonho é diferente; o resultado desejado não é o mesmo para ambos. Perdedor e ganhador simplesmente se revezam em padrões alternados, à medida que a proporção entre ganho e perda e perda e ganho adquire um aspecto diferente ou toma outra forma.

Todavia é só transigência que um sonho pode trazer. Às vezes ele assume a forma de união, mas apenas a forma. O significado necessariamente escapa ao sonho, uma vez que a meta do sonho é a conciliação. Mentes não podem se unir em sonhos. Elas apenas barganham. E que barganha pode lhes dar a paz de Deus? As ilusões vêm para tomar o lugar d'Ele. E aquilo que é a intenção d'Ele se perde para a intenção de conciliação de mentes adormecidas, cada um visando seu próprio benefício e a perda do outro.

Dizer com real intenção que queres a paz de Deus é renunciar a todos os sonhos [nutridos a partir do ego]. Pois ninguém que queira ilusões e que, portanto, busque o meio que traz ilusões diz estas palavras com real intenção. Ele examina as ilusões e as acha insuficientes. Agora ele busca ir além delas, reconhecendo que mais um sonho não ofereceria mais do que todos os outros. Os sonhos são um só para ele. E ele aprende que a única diferença entre eles é a da forma, pois qualquer um trará o mesmo desespero e o mesmo sofrimento que trazem os demais.

Que mais se pode dizer para ilustrar o que a lição nos quer ensinar hoje?

A mente que diz com real intenção que tudo o que quer é a paz tem de se unir a outras mentes, pois é desta forma que se alcança a paz. E, quando o desejo de paz é genuíno, o meio para achá-lo é dado de um modo que cada mente que a busca com honestidade pode compreender. Seja qual for a forma que a lição tome, ela é planejada para cada uma de tal modo que ela não pode confundi-la, se seu pedido for sincero. Mas, se ela não pede com sinceridade, não há nenhuma forma pela qual a lição encontre aceitação e seja aprendida verdadeiramente.

Podemos pensar nesta lição também como a forma prática de exercitar aquilo que o texto nos ensina no capítulo 17, a partir do subtítulo VI: Estabelecer a meta. Também vale a pena dar uma espiadinha no que ele diz e continuar a leitura pelos dois subtítulos seguintes: o VII: O chamado para a fé e o VIII: As condições da paz.

Repetindo uma vez mais uma das perguntas feitas em comentários de anos passados, de que mais precisaríamos se, de verdade, reconhecêssemos, no mais fundo de nossos corações, que a Vontade de Deus para nós é a alegria e a paz perfeitas, completas? E que, ao reconhecermos isso, já o temos.

Ou valendo-nos de uma pergunta de Joel Goldsmith, em um de seus livros: 

"O que pode querer aquele que tem tudo"?

É para responder a esta e a outras possíveis perguntas que se destinam nossas práticas. 

A elas?

sexta-feira, 3 de julho de 2026

É tão somente do ego a necessidade de compreensão

 

LIÇÃO 184

O Nome de Deus é minha herança.

1. Tu vives de símbolos. Inventas nome para tudo o que vês. Cada coisa se torna uma entidade separada, identificada por seu próprio nome. Com isto, tu a separas da unidade. Com isto, tu estabeleces suas características peculiares e a destacas de outras coisas dando ênfase ao espaço que a cerca. Tu colocas este espaço entre todas as coisas às quais dás um nome diferente; entre todos os acontecimentos em termos de tempo e lugar; entre todos os corpos que são saudados por um nome.

2. Este espaço que vês como que destacando todas as coisas umas das outras é o meio pelo qual se adquire a percepção do mundo. Tu vês alguma coisa aonde não existe nada e, do mesmo modo, não vês nada aonde existe unidade; um espaço entre todas as coisas, entre todas as coisas e tu. Deste modo, pensas que dás vida na separação. Por esta divisão pensas que és constituído como uma unidade que funciona com uma vontade independente.

3. O que são estes nomes pelos quais o mundo se torna um série de acontecimentos distintos, de coisas desunidas, de corpos que se mantêm separados e que contêm pedaços de mente como consciências separadas? Tu lhes deste estes nomes, fundando a percepção do modo que desejavas que a percepção fosse. Deu-se nome às coisas sem nome e, deste modo, também se deu realidade a elas. Pois àquilo a que se dá nome dá-se significado e ele será visto, então, como significativo; uma causa de efeito verdadeiro com consequência inata em si mesma.

4. É deste modo que se faz a realidade pela visão tendenciosa, predisposta contra a verdade de maneira intencional. A integridade é sua inimiga. Ela imagina coisas insignificantes e as vê. E uma falta de espaço, uma sensação de unidade ou uma visão que vê de forma diferente se tornam ameaças que ela tem de vencer, combater e negar.

5. No entanto, esta outra visão ainda continua a ser uma orientação natural para a mente conduzir sua percepção. É difícil ensinar à mente milhares e milhares de nomes estranhos. Porém, tu acreditas que isto é o que aprender significa; sua meta única e essencial por meio da qual se chega à comunicação e pela qual se pode compartilhar conceitos de modo significativo.

6. Esta é a essência da herança que o mundo dá. E todo aquele que aprende a pensar que isto é verdade aceita os sinais e símbolos que asseguram que o mundo é real. É nisto que eles acreditam. Eles não deixam nenhuma dúvida de que aquilo que tem nome existe. Pode ser visto do modo que se esperava. Aquilo que nega que ele seja verdadeiro é apenas ilusão, pois ele é a realidade final. É loucura questioná-lo; aceitar sua presença é a prova da sanidade.

7. Este é o ensinamento do mundo. É uma fase do aprendizado por que cada um dos que vêm tem de passar. Mas quanto mais cedo ele perceber em que ela se baseia, quão questionáveis são suas premissas, quão duvidosos seus resultados, tanto mais rápido ele questionará seus efeitos. O aprendizado que cessa naquilo que o mundo quer ensinar não chega ao sentido. Em seu lugar adequado, ele só serve como um ponto de partida a partir do qual outro tipo de aprendizado pode começar; pode-se adquirir uma nova percepção e todos os nomes arbitrários que o mundo dá podem ser retirados à medida que são questionados.

8. Não penses que fizeste o mundo. As ilusões, sim! Mas aquilo que é verdadeiro na terra e no Céu está além de tua capacidade de dar nomes. Quando chamas um irmão, é a seu corpo que apelas. A verdadeira Identidade dele está escondida de ti por aquilo que acreditas que ele realmente é. Seu corpo reage àquilo de que tu o chamas, pois sua mente concorda em assumir o nome que lhe deste como seu. E, assim, sua unidade é negada duas vezes, em razão de o perceberes separado de ti e por ele aceitar este nome separado como seu.

9. De fato, seria estranho se se pedisse para ires além de todos os símbolos do mundo, esquecendo-os para sempre, e  se se pedisse, ao mesmo tempo, que aceitasses uma função de ensinar. É necessário que uses os símbolos do mundo por algum tempo. Mas não te deixes enganar por eles também. Eles não representam absolutamente nada e, em tua prática, é este pensamento que te liberará deles. Eles se tornam apenas o meio pelo qual tu podes te comunicar de formas que o mundo pode entender, mas que reconheces não ser a unidade na qual se pode encontrar a verdadeira comunicação.

10. Assim, o que necessitas são intervalos diários nos quais o aprendizado do mundo se torne uma fase transitória; uma prisão da qual sais para a luz do sol e esqueces a escuridão. Aqui compreendes a Palavra, o Nome que Deus te deu; a única Identidade que todas as coisas compartilham; o único reconhecimento daquilo que é verdadeiro. E, em seguida, recuas para a escuridão, não porque pensas que ela é real, mas apenas para declarar sua irrealidade em termos que ainda façam sentido no mundo que a escuridão governa.

11. Usa todos os nomes e símbolos inúteis que descrevem com precisão o mundo das trevas. Mas não os aceites como tua realidade. O Espírito Santo usa todos eles, mas Ele não esquece que a criação tem um só Nome, um único significado e uma Fonte singular que unifica todas as coisas em Si Mesma. Usa todos os nomes que o mundo lhes dá apenas por conveniência, mas não te esqueças de que elas compartilham o Nome de Deus juntamente contigo.

12. Deus não tem nenhum nome. E, não obstante, o Nome d'Ele vem a ser a lição final segundo a qual todas as coisas são uma só e, nesta lição, todo o aprendizado termina. Unificam-se todos os nomes; preenche-se todos os espaços com o reflexo da verdade. Fecha-se toda brecha e cura-se a separação. O Nome de Deus é a herança que Ele deu àqueles que escolheram o ensinamento do mundo para substituir o Céu  Em nossa prática, nosso objetivo é permitir que nossas mentes aceitem o que Deus deu como resposta à herança lamentável que fizeste como tributo adequado ao Filho que Ele ama.

13. Ninguém que busque o significado do Nome de Deus pode fracassar. A experiência tem de vir para completar a Palavra. Mas primeiro tens de aceitar o Nome com sendo toda a realidade e perceber claramente que os muitos nomes que deste a seus aspectos distorcem o que vês mas não atrapalham em absoluto a verdade. Trazemos um único Nome a nossa prática. Usamos um único Nome para unificar nossa visão.

14. E, embora utilizemos um nome diferente para cada percepção de um aspecto do Filho de Deus, entendemos que eles só têm um Nome, que Ele lhes dá. É este Nome que usamos ao praticar. E, pelo uso d'Ele, todas as separações tolas que nos mantinham cegos desaparecem. E recebemos força para ver além delas. Agora nossa visão é abençoada com bênçãos que podemos dar do mesmo modo que recebemos.

15. Pai, nosso Nome é o Teu. N'Ele estamos unidos a todas as coisas vivas e a Ti Que és seu único Criador. Aquilo que fizemos e que chamamos com muitos nomes diferentes é apenas uma sombra que tentamos lançar sobre Tua Própria realidade. E estamos felizes e gratos porque estávamos errados. Damos a Ti todos os nossos erros para que possamos ser absolvidos de todos os efeitos que nossos erros pareciam ter. E aceitamos a verdade que Tu dás em lugar de cada um deles. Teu Nome é nossa salvação e saída para o que fizemos. Teu Nome nos reúne na unidade que é nossa herança e nossa paz. Amém.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 184

Caras, caros,

Falamos ontem também a respeito do Nome de Deus, que é nosso próprio nome. Ampliemos, pois, nossa reflexão com as práticas da ideia que o ensinamento nos oferece para hoje.

"O Nome de Deus é minha herança."

Como já lhes disse muitas outras vezes, a ideia que vamos praticar hoje é uma espécie de continuação da ideia das práticas de ontem, com um grande aprofundamento para se refletir. Uma ideia que, ontem, já alertava para a inutilidade das palavras como instrumento para descrição da realidade. Isto é, tudo o que pudermos dizer com palavras a respeito da realidade não é a realidade. Ou tudo o que dissermos a respeito de Deus não é Deus. Ou dizendo ainda de outra forma, de acordo com uma expressão dos taoístas: tudo aquilo que se pode dizer do Tao não é o Tao.

Do mesmo modo, a palavra Deus não serve para descrever nem a ideia de Deus, nem tudo o que ela encerra. Nós usamos as palavras apenas pela conveniência, em uma tentativa de comunicação baseada em símbolos carregados de conceitos [e muitas vezes, na maioria delas até, eu diria, de preconceitos, que são, sem dúvida alguma, julgamentos] que partilhamos com outros falantes da língua de que nos valemos para falar das coisas que os símbolos nomeiam. Todavia, não sabemos o que elas, as coisas mesmo, são, de fato, nem para que servem, se nos lembrarmos de uma das primeiras lições desta jornada para desaprender o que o mundo ensina, como ponto de partida para o verdadeiro aprendizado.

Há sempre um acordo tácito entre a pessoa que fala e a que ouve no sentido de se chegar à comunicação, ao entendimento daquilo a que o falante se refere e que deve ser decodificado por aquele que ouve. Precisamos, porém, como nos adverte a lição de hoje, aprender a não confundir a coisa com o símbolo e vice-versa.

Lembrando do que nos diz o texto do Curso a certa altura: "Tu que falas através de símbolos obscuros e tortuosos, não compreendes a linguagem que fizeste. Ela não tem significado, pois seu propósito não é a comunicação, mas sim o rompimento da comunicação. Se o propósito da linguagem é a comunicação, como essa língua pode significar alguma coisa"?

Já aprendemos também  que a verdadeira comunicação se dá entre as mentes que partilham uma mesma intenção. Esta comunicação - a verdadeira -, pois, independe de palavras, independe de símbolos. Quando precisamos recorrer a eles - aos símbolos - para tentar descrever o que se passou em nós, o momento já passou e a comunicação já se interrompeu. Não há como descrever o indescritível. Não há como nomear o inominável. Não há como dizer o indizível, como já lhes disse também em outras ocasiões. 

Podemos pensar ainda que a linguagem poética, isto é, a linguagem da poesia, dos e das poetas, talvez traga em si a possibilidade de uma compreensão que, às vezes, nos coloca próximos da comunicação, por tirar das palavras o significado comum, raso e plano, dando-lhes, e a nós, uma perspectiva e uma profundidade que normalmente, por si só, elas não têm. Como se na poesia as palavras pudessem receber uma carga de significados que vai além das formas e dos símbolos, que vai além do som e dos conceitos que nos habituamos a atribuir a elas.

Convido-os e convido-as, pois, mais uma vez, a praticarem com o Nome de Deus, que é também o nosso e que é a melhor forma de nos pormos em contato com nossa Identidade verdadeira.


*

Um adendo que continua válido:

Ampliando o comentário de nossa colega Cida, feito à lição 183, num dos anos passados, compartilho sua impressão e o modo pelo qual ela entende que deve [e que devemos todos nós] praticar, ao mesmo tempo em que agradeço mais uma vez a ela por continuar conosco e por suas palavras. [Você continua conosco, Cida?]

Acrescento, então, como também o fiz antes, algumas observações, considerações, que devem servir bem à nossa reflexão, quer para a lição que praticamos ontem, quer para a de hoje, ou ainda para todas e para cada uma das lições.

Em primeiro lugar há que se dizer que sim, sim, Cida, como você dizia lá atrás, a única alternativa, para quem decidiu despertar, é dedicar-se com afinco e colocar a teoria em prática diariamente, em todos os instantes possíveis.

E é também verdade que, à medida que praticamos, deixando-nos envolver pela Luz do Espírito que se manifesta por nosso intermédio, esta Luz faz o trabalho de dissolver as crenças arraigadas que, desde os tempos imemoriais, nos limitam e nos impedem de viver a unidade com o divino em nós mesmos e em nós mesmas e, por consequência, com tudo o que existe.

Precisamos, porém, ter sempre um enorme cuidado e a maior atenção, quando falamos das coisas terrenas, porque é nesta questão que, como se diz popularmente, "mora o perigo". E digo isto pensando que é neste ponto exatamente que o ego nos empurra na direção de mais separação.

Tentando explicar melhor, podemos dizer  que "as coisas terrenas" fazem parte tão somente da experiência que escolhemos viver na forma, ao virmos a este mundo de aparências e ao nos valermos de um corpo limitado pelos sentidos, pelo tempo e pelo espaço, porque, elas mesmas, ilusórias.

No fundo, no fundo, e ao final da jornada, quando nos abrirmos para receber apenas a inspiração da Luz do Espírito em nós, haveremos de perceber claramente que não existe isso de "coisas terrenas", ou "coisas dos corpos" e "coisas de Deus" separadas. Só existe Deus. Tudo, de um modo ou de outro, é apenas Deus Se manifestando desta ou daquela forma, por mais estranho que as formas possam nos parecer, por vezes.

Ou, como diz Joel Goldsmith, lembrando um trechinho de seu livro A Arte de Curar pelo Espírito: quando começarmos a olhar o mundo com os olhos do Espírito, veremos em cada coisa à volta de nós - nas flores, nas nuvens, nas estrelas, no pôr-do-sol, no amanhecer - alguma coisa maior do que aquilo que a mente humana pode apreender. Por detrás de cada forma, aparentemente externa, há sempre mais do que a mente ou o olho humano podem compreender. Quando vemos com a visão do Espírito, vemos o homem-Deus e a mulher-Deus, criados à imagem e semelhança d'Ele. Não como homem ou mulher, cujas formas não têm nada a ver com a imagem de Deus. Nossa semelhança a Ele diz respeito ao espírito apenas, ao que somos na verdade.

É isto que pode - e vai, com certeza - nos tornar seres despertos.

Assim, como eu disse acima, precisamos tomar muito cuidado com as coisas do mundo. Elas não são, na aparência, a "Real Substância", como você diz, mas precisamos ver além das aparências, porque além delas, existe, sim, em tudo e em todos, a "Real Substância". Poderíamos perfeitamente dizer que além das aparências é possível ver o espírito em cada coisa: a luz.

Podemos, portanto, ter Jesus, o homem, como exemplo de alguém - Deus manifestado - que viveu sua vida terrena a partir do Ser, mas para vivermos a partir do Ser não é necessário que o idolatremos, aliás, isto é bem o contrário do que se diz que ele ensinou e daquilo que o Curso ensina, diferentemente do que querem que aprendamos as religiões tornadas instituições, que se valem do poder terreno para submeter e subjugar homens e mulheres.

Entendo o que você quer dizer, quando fala de viver como o Cristo, mas lembremo-nos de que o Cristo está em cada um e cada uma de nós, "Cristo" é o que cada um e cada uma de nós é na unidade com Deus. Por isso o Curso ensina que "tudo está absolutamente certo exatamente como está". 

Não há nada que precisemos mudar, nem no mundo, nem em nenhum de nós mesmos, ou em nenhuma de nós mesmas, a não ser a percepção, que, quando equivocada, cedendo à crença na separação do ego, nos mostra um mundo diferente daquele que é a Vontade de Deus para nós e que nos afasta da alegria, que é nossa condição natural de Filhos d'Ele.

Em seu livro "A história completa do Curso em Milagres", o jornalista D. Patrick Miller colhe um depoimento de Kenneth Wapnick - um dos primeiros professores do Curso, que auxiliou Helen a editar o livro para ele ter o formato que nos chegou às mãos -, em que Wapnick diz ser necessário chamar a atenção dos estudantes do Curso para eles não se esquecerem de ser normais.

Eis as palavras dele no livro, que talvez sirvam para nos dar alguma clareza a respeito da forma que temos de aprender para nos aproximarmos dos ensinamentos do Curso:

"Frequentemente constato que é preciso recomendar às pessoas: Não se esqueçam de ser normais. Os estudantes podem acabar achando que não precisam trancar a porta de noite, pois o Curso lhes diz que confiem; podem cancelar o seguro, porque o Curso lhes diz que não planejem o futuro, e podem se sentir culpados quando espirram, porque o Curso diz que 'a doença é uma defesa contra a verdade'. Daí eu preciso lembrar a eles que sejam normais. Naturalmente, que sejam solidários com alguém que esteja doente. Que não comecem a fazer sermão sobre o fato de a doença ser uma defesa.

"O que as pessoas costumam fazer é negar o ponto em que se encontram, ou procuram reinterpretar seu comportamento atual dentro das linhas intelectuais do Curso, em vez de se modificarem segundo a orientação interna [do espírito]. O Curso não nos pede que neguemos nossos sentimentos e experiências [das "coisas terrenas"] - de fato, ele faz exatamente o contrário. Ele diz que devemos olhar claramente para nossos sentimentos [e emoções], com a intenção de 'trazê-los à verdade'. Não podemos fazer isto sem fazer aquilo, sem estarmos plenamente conscientes do que sentimos."

Uma última palavrinha. Atentemos à expressão de Wapnick no segundo parágrafo da citação: as pessoas procuram "reinterpretar seu comportamento atual dentro das linhas intelectuais [grifo meu] do Curso, em vez de se modificarem segundo a orientação interna".

Sabemos já de longa data que não há como compreender intelectualmente Deus, o Espírito, a Verdade, o Amor, a Justiça, a Alegria, a Luz, a Consciência, a Paz de Espírito, o Tao, ou qualquer outra palavra de que possamos lançar mão para nos referirmos ao EU SOU, que cada um, e cada uma, de nós é na Unidade. Isto é mais ou menos o que está dito lá nos parágrafos que abrem o comentário à lição que praticamos hoje.

Então, ao nos aproximarmos do Curso, precisamos deixar de lado qualquer intenção de "compreender". Voltem, por favor, à postagem de 20 de fevereiro, dos últimos anos. Lá, na tradução que fiz do livro de Tara Singh vamos encontrar, entre outras coisas, o seguinte:

"O Curso deixa muito claro que a compreensão não é necessária [a não ser para o ego, para reforçar a vontade que o ego tem de existir de fato]; ela não tem importância. Nós sempre pensamos que ela era importante. Toda a nossa vida foi dedicada a compreender. O Curso diz que não precisas compreender a lição, mas tens de praticá-la. De fato, tu podes até mesmo resistir à lição ou achá-la irritante. Está certo. Podes manter tua opinião; tua mente ainda não está treinada."

E assim por diante...

Post Scriptum

Ao atualizar este comentário ocorreu-me o seguinte, a partir da afirmação do Curso, segundo a qual não existe nada fora. Pode-se dizer, então, a partir disso, que tudo o que buscamos em nossa vida fora de nós mesmos e de nós mesmas não é senão uma forma de idolatria. Quer dizer, quando nos pomos a buscar nesta ou naquela religião, neste ou naquele ensinamento, nesta ou naquela doutrina, num líder qualquer no mundo, por algo que acreditamos não ter, estamos procurando no lugar errado. É só dentro de nós mesmos e de nós mesmas que vamos poder, mais dia, menos dia, encontrar aquilo que nos dá a paz e a alegria. A casa. O lar. Em nós mesmos, em nós mesmas, estejamos aonde estivermos, façamos o que quer que façamos.

Lembremo-nos sempre, ou busquemos nos lembrar sempre com toda a atenção de que somos capazes, que o mundo aparente e tudo o que há nele, seja o que for, é apenas um reflexo do que trazemos dentro. Para ser bem claro e cristalino, nada, nada, nada, mas nada mesmo, do que eu procuro fora de mim existe de verdade, a não ser que exista em mim. Como querer, então, que algo de fora me possa ensinar? Como acreditar, então, em qualquer coisa que alguém diga com vistas a me fazer parecer menor do que sou. Ou maior do que penso ser. Todo o poder que existe é meu. Se não o uso, é apenas por escolha minha. Se alguém duvida do que sou capaz, duvida apenas porque reflete, para confirmar um equívoco comum meu e da maioria das pessoas, uma dúvida que eu mesmo tenho a meu respeito. Mas, perguntemo-nos sempre, neste caso e em todos os outros sobre os quais ainda pairam dúvidas: quem é este "eu" que duvida?

Às práticas?