quarta-feira, 22 de julho de 2026

O que pode aquietar o ego é manter a atenção na luz

 

LIÇÃO 203

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (183) Invoco o Nome de Deus e o meu próprio nome.

O Nome de Deus é minha liberação de todo pensamento de mal e de pecado, porque é meu próprio nome assim como o d'Ele.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 203

Caras, caros,

Lembram-se de que já me referi, no passado - e mais do que só uma vez -, a um livro de Thomas Keating, cujo título é A condição humana? Acho que vale a pena relembrar o que eu disse que ele tinha a nos ensinar, na ocasião em que falei dele. E, com certeza, em sintonia com o que o Curso quer que aprendamos, a partir das práticas com a lição de hoje, bem como com as práticas de todos os dias. 

A certa altura de seu livro, falei naquela oportunidade, repito agora, Keating diz que quem está envolvido em uma prática espiritual precisa de orientação e que "nem todo guia espiritual que aparece pode oferecê-la. O mais importante é a fidelidade à prática diária de uma forma contemplativa de oração" [o grifo é meu]. Não é isso o que lhes parece que são os exercícios: "uma forma contemplativa de oração"?

À medida que buscamos nos lembrar de quem somos, na verdade, em Deus, a pratica diária, o autor diz,  "gradativamente nos expõe ao inconsciente em um ritmo com que podemos lidar, e [nos] coloca... sob a orientação do Espírito Santo. O amor divino prepara-nos, então, para receber[mos] o máximo que Deus pode comunicar de sua luz interior". Lembrando-nos sempre de que o máximo que podemos receber em dado momento é diferente para cada um e cada uma nós.

Assim, resta lembrar que a ideia que praticamos hoje chama a atenção para o fato de que, ao invocar o Nome de Deus, reconhecemos que "o mesmo amor incondicional, que se move em Deus, está se movendo em nós pela Graça, suplantando o ego humano com o divino 'Eu'", para que possamos começar a "manifestar na vida diária, não nossos falsos egos e preconceitos, mas a ternura infinita de Deus, o interesse de Deus por cada coisa viva", de acordo com Keating.

E, ainda de acordo com o que ele diz, e que é a mesma coisa que diz Joel Goldsmith, citado várias outras vezes,  "enquanto nos identificarmos com algum papel ou pessoa, não estaremos livres para manifestar a pureza da presença de Deus. Parte da vida é um processo de abandonar qualquer papel, embora digno, com que você se identifica. Ele [o papel com o qual você se identifica] não é você. Suas emoções não são você. Seu corpo não é você. Se você não é nada disso, que é você", então?

Lembrem-se, lembremo-nos, da lição 189, por que passamos há pouco, e que vamos revisar daqui a alguns dias. Lá, no sétimo parágrafo, o Curso aconselha a nos aquietarmos, a abandonarmos tudo o que já nos aconteceu no passado, inclusive o próprio Curso, para podermos ir a Deus de mãos livres, de mente aberta [ir metaforicamente apenas porque, na verdade, o que fazemos ao deixar tudo para trás, é tão somente permitir que sejam removidos os obstáculos que interpusemos entre o divino, que somos, e um "eu" que construímos e que acreditamos egoicamente ser]. Porque nada do que já experimentamos antes pode nos levar a nós mesmos, a nós mesmas. Só podemos chegar a nós mesmos e a nós mesmas, e, por extensão, a Deus, agora. E no silêncio. 

Numa entrevista recente, publicado no jornal El País, o filósofo George Steiner diz o seguinte, e que tem a ver com isso de que falo acima:

"... há algo que me preocupa: os jovens [eu diria que não só os jovens] já não têm tempo... de ter tempo. Nunca a aceleração mecânica das rotinas da vida foi tão forte quanto hoje. E é preciso se ter tempo para buscar tempo. E outra coisa: não há que se ter medo do silêncio. O medo das crianças do silêncio me dá medo. Só o silêncio nos ensina a encontrar o essencial em nós mesmos."  

Ora, o que pode ser o essencial em nós mesmos, em nós mesmas? O mundo e seu sistema de pensamento, o mundo e seus ruídos, a estática que não nos permite ouvir a voz interior durante muito mais do que uns poucos segundos, tudo isso serve apenas para nos distrairmos de nós mesmos e de nós mesmas. Para voltarmos a atenção para tudo aquilo que o mundo quer que compremos, para a perpetuação da existência do ego e de todas as diferenças que o ego quer nos fazer acreditar que nos separam uns e umas dos outros e das outras, mas que, mais do que nos separar uns e umas dos outros e das outras, nos separam de Deus, e de nós mesmos, de nós mesmas, uma vez que o que Deus é é também o que somos.

Tudo isso pode desaparecer se buscarmos alguns momentos de silêncio no dia-a-dia, como prática até, todos os dias. Se reservarmos um pouco de tempo para aquilo que é essencial em nós: nós mesmos, nós mesmas. O divino em nós. Isso vai permitir que os obstáculos que o ego quer interpor entre Deus e nós sejam removidos. A pouco e pouco. E quanto mais tempo escolhermos dedicar ao silêncio tanto mais fácil ficará ouvir a Voz por Deus em nossos dias. Tanto mais fácil será perceber a luz que trazemos interiormente e que tem de se irradiar para iluminar o mundo e tudo o que há nele, ainda que apenas aparentemente. 

Quer dizer, o ego só aparece quando nos esquecemos de trazer a ele a Luz do divino que sabemos em nós. Quando permitimos que seus ruídos sejam ouvidos e nos distraiam a atenção. Daí a necessidade da atenção, da vigilância, para que não nos deixemos enganar pelo ensinamento do mundo, para que não nos deixemos tentar a dar valor àquilo que não tem valor, como ensina uma das lições por que já passamos.

E, para terminar este comentário da mesma forma que fiz no passado, chamo sua atenção para o seguinte: "se nós [ainda] não tivermos experimentado a nós mesmos e a nós mesmas como amor incondicional, temos mais trabalho a fazer - porque isso [amor incondicional] é o que realmente somos".

Às práticas, pois!

terça-feira, 21 de julho de 2026

Todos e todas nós buscamos, sim, a volta para casa

 

LIÇÃO 202

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (182) Eu me aquietarei por um momento e irei para casa.

Por que eu escolheria ficar por mais um momento onde não é meu lugar, quando o Próprio Deus me dá Sua Voz e me chama de volta a casa?

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 202

Caras, caros,

Vou repetir mais uma vez o comentário feito a esta lição nos últimos anos, por continuar a vê-lo como pertinente com o que vamos praticar. 

Aí vai então:

Como vimos ontem, de acordo com a instruções que recebemos para as práticas deste período de revisão, qualquer uma das lições que vamos praticar, entendida, praticada, aceita e aplicada a tudo o que aparentemente nos acontecer ao longo de todo o dia, todos os dias, é suficiente para nossa salvação individual e, por consequência, para a salvação do mundo inteiro, uma vez que cada uma delas contém todo o currículo. Isto também vale para todas e cada uma das lições do Curso inteiro, e não apenas para as vinte que revisamos no momento. Lembremo-nos também de que cada um, e cada uma, de nós traz em si o mundo inteiro.

Assim é que a ideia que praticamos hoje chama nossa atenção para o anseio que nos leva a buscar de forma incessante um modo de voltar para casa, uma vez que, em geral, mesmo que de modo muito sutil e, muitas vezes - a maioria delas, eu diria -, inconsciente, não nos sentimos em casa aqui, neste mundo, estejamos aonde estivermos.

A razão para este "desconforto", para esta "inquietação", já sabemos, ou já deveríamos saber a esta altura, está na crença na separação. A percepção do mundo das formas nos mostra, separados de nós, aspectos do divino em nós mesmos e em nós mesmas em tudo e em todas as pessoas, que muitas vezes temos dificuldade para reconhecer, aceitar e acolher. Entre estes aspectos está aquele que se denomina "sombra".

Ken Wilber, em seu livro A Visão Integral, entre outros, diz que "sombra" é um termo que representa "o inconsciente pessoal ou o material psicológico que reprimimos, negamos, dissociamos ou rejeitamos". Diz mais que, "infelizmente, negar esse material não faz com que ele vá embora; pelo contrário, ele volta para nos perturbar com dolorosos sintomas neuróticos, obsessões, medos e ansiedades. Trazer este material à superfície, familiarizar-se com ele e apropriar-se dele é necessário não apenas para a eliminação dos sintomas dolorosos, mas também para a formação de uma auto-imagem mais verdadeira e saudável".

Acredito também, como já disse outras vezes, que a prática diária pode nos dar condições de reconhecer, sem medo, aqueles aspectos de nós que buscamos reprimir, negar, dissociar ou rejeitar. Mais: os exercícios com as ideias que o Curso nos apresenta são um ótimo instrumento para aprendermos a aceitá-los, acolhê-los, encará-los. Para conversar com eles e integrá-los a nossa experiência. Isto tudo facilita a volta a casa, que não é nada mais nada menos do que voltar para nós mesmos e para nós mesmas, incluindo tudo o que vemos aparentemente separado de nós.

Voltar a casa, pode-se dizer, talvez seja apenas reconhecer e aceitar a verdade daquilo que o Curso diz, quando diz: "já somos aquilo que estamos buscando".

Basta, portanto, como nos ensina o Curso pela ideia que praticamos hoje, que nos aquietemos por um instante e voltaremos para casa.

Às práticas?

segunda-feira, 20 de julho de 2026

O que nos torna livres é doar a liberdade que temos

 

REVISÃO VI

Introdução

1. Para esta revisão tomamos apenas uma ideia a cada dia e a praticamos tantas vezes quanto possível. Além do tempo que dedicas pela manhã, que não deve ser menos do que quinze minutos e das lembranças de hora em hora, ao longo do dia, usa a ideia tantas vezes quanto puderes entre estas práticas. Cada uma destas ideias, por si só, seria suficiente para a salvação, se fosse verdadeiramente aprendida. Cada uma seria suficiente para dar liberdade a ti e ao mundo, de todas as formas de escravidão, e para convidar a lembrança de Deus a vir outra vez.

2. Com isto em mente, começamos nossa prática na qual revisamos cuidadosamente os pensamentos que o Espírito Santo nos deu em nossas últimas vinte lições. Cada um deles, se compreendido, praticado, aceito e aplicado a todos os acontecimentos aparentes ao longo de todo o dia, contém todo o currículo. Um só é suficiente. Mas, a partir deste único, não se pode fazer nenhuma exceção. E, assim, precisamos usá-los todos e permitir que eles se fundam em um só, à medida que cada um contribui para o todo que aprendemos.

3. Estas sessões de prática, como em nossa última revisão, estão centradas em torno de um tema central com o qual começamos e terminamos cada lição. É este:

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

O dia começa e termina com isto. E nós o repetimos a cada hora ou nos lembramos, nos intervalos, de que temos uma função que transcende o mundo que vemos. Além disso, e de uma repetição do pensamento particular que praticamos no dia, não se insiste em nenhuma forma de exercício, exceto em um abandono sincero de tudo o que atravanca a mente e a torna surda à razão, à sanidade e à simples verdade.

4. Para esta revisão, tentaremos ir além das palavras e das formas específicas de prática. Pois, desta vez, tentamos combinar um ritmo mais rápido com um caminho mais curto para a serenidade e para a paz de Deus. Nós simplesmente fechamos os olhos e, em seguida, esquecemos tudo o que pensávamos saber e compreender. Pois, deste modo, ficamos livres de tudo o que não sabíamos e de tudo o que não éramos capazes de compreender.

5. Há apenas uma exceção a esta falta de estrutura. Não permitas que nenhum pensamento vão passe sem ser questionado. Se perceberes algum, nega-lhe seu domínio e te apressa a assegurar a tua mente que não é isto que ela quer. Em seguida, deixa que o pensamento que negaste seja abandonado de forma tranquila em uma troca rápida e segura pela ideia que praticamos no dia.

6. Quando fores tentado, apressa-te em declarar tua liberdade da tentação, enquanto dizes:

Eu não quero este pensamento. Em seu lugar, escolho __________ .

E, em seguida, repete a ideia para o dia e deixa que ela tome o lugar daquilo que pensaste. Além de tais aplicações particulares de cada uma das ideias do dia, acrescentaremos apenas algumas expressões planejadas ou pensamentos específicos para auxiliar na prática. Como alternativa, damos estes momentos de tranquilidade ao Professor Que ensina no silêncio, fala da paz e dá a nossos pensamentos qualquer significado que eles possam ter.

7. Ofereço a Ele esta revisão por ti. Eu te coloco sob a responsabilidade d'Ele e deixo que Ele te ensine o que fazer e dizer e pensar, cada vez que te voltares para Ele. Ele não vai deixar de estar a tua disposição cada vez que O chamares para te ajudar. Vamos oferecer a Ele toda a revisão que começamos agora e não nos esqueçamos também a Quem ela foi dada, ao praticarmos dia após dia, avançando na direção da meta que Ele estabeleceu para nós; deixando que Ele nos ensine como seguir, e confiando completamente n'Ele quanto à melhor maneira pela qual cada período de prática pode se tornar uma dádiva amorosa de liberdade para o mundo.

*

LIÇÃO 201

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (181) Confio em meus irmãos, que são um comigo.

Não há ninguém que não seja meu irmão. Sou abençoado pela unidade com o universo e com Deus, meu Pai, o único Criador do todo que é meu Ser, para sempre Um comigo.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 201

Caras, caros,

Como vocês podem ver mais uma vez, esta revisão é de certa forma diferente de todas as anteriores, pois é a última deste ano de práticas. Ela vai marcar o final das práticas com a primeira parte do Livro de Exercícios e nos preparar para as lições da segunda parte. As lições que vão nos oferecer a possibilidade da cura da percepção.

Fazer o Curso significa, em meu modo de entender, fazer os exercícios, as lições, assumir um compromisso com o que somos na verdade e ater-se a este compromisso de forma tão firme, séria - mas com alegria - e constante quanto possível.

Conforme já lhes disse em anos passados - e repito agora -, depois de algumas tentativas frustradas, iniciei as minhas práticas das lições no primeiro dia do ano de 2000. Venho praticando desde então. O blogue, por isso, é um grande incentivador das práticas para mim. Ele, o blogue, e o compromisso que assumi a partir dele com a publicação da lições, inicialmente, e depois, em 2010 e nos anos que se seguem desde então, com a proposta de revisão da tradução do livro de exercícios, me mantêm ligado às práticas diariamente. Além, é claro, do compromisso assumido comigo mesmo pela busca do conhecimento, ou do encontro, ou do reconhecimento do Ser em mim, do encontro com o Eu Sou o Que Sou.

Além do mais, de acordo com o que dizia a pessoa que fazia o papel de facilitadora dos primeiros encontros de que participei a partir de 1997 - a pessoa com quem tive os primeiros contatos com o Curso -, o encontro semanal, ou sua leitura eventual, para as pessoas que participam de grupos de estudos do Curso, não é suficiente para o aprendizado. Porque não é o bastante para provocar e facilitar a mudança dos hábitos desenvolvidos por anos e anos. Uma hora e meia por semana (o tempo de duração dos encontros normalmente) é um tempo muito curto, já que, tão logo as pessoas saem dos encontros, o mundo do ego volta a assombrá-las vinte e quatro horas por dia, todos os dias. Apesar de sempre ser bem possível que a pessoa tenha um clarão de iluminação em qualquer momento de sua vida, com e sem o estudo do Curso.

O que posso dizer, então, do processo, passados estes quase trinta anos? 

É crucial tomar a decisão a cada momento, se quisermos aprender o modo de questionar absolutamente tudo o que a percepção nos oferece, para não nos deixarmos influenciar pelo mundo. Pois tudo o que a percepção dos sentidos nos mostra é apenas ilusão. O ego quer que vejamos este mundo como a única realidade que existe e com a qual podemos contar. Não é! O Curso ensina em uma das lições: Eu sou espírito.

É claro que o Curso, como ele mesmo diz, é apenas um caminho. E precisamos ter isso bem claro, para não corrermos o risco de embarcar na mesma jornada a que quer nos levar - e muitas vezes nos leva - a maioria das "religiões" institucionalizadas, que se satisfazem com oferecer ídolos, orientando-nos a uma obediência cega, que priva todos, ou quase todos, os fieis, ou seguidores, de qualquer tipo de liberdade, oferecendo-lhes no lugar dela, prisões e mais prisões. Dogmas e mais dogmas. Na prática, quem adere a - e se torna dependente de - uma religião, continua escravo do sistema de pensamento do mundo, do ego. O mesmo vale, pode-se dizer, para qualquer pessoa que se deixe envolver pelo Curso, deixando de viver sua vida e cumprir sua função de salvador, ou salvadora do mundo, buscando convencer outras pessoas a seguirem seu caminho com o Curso, tornando-se um, ou uma, fundamentalista do ensinamento, sem buscar ver o que pode existir no mundo como experiência reveladora do divino a quem o busca. Ou considerando o Curso como o único caminho.

Ora, só podemos aprender com a liberdade e só podemos ser livres quando aprendemos a doar, a oferecer, a todos os que passam por nossa vida a mesma liberdade que nos põe em contato com a alegria e com a paz completas e perfeitas que, no dizer do Curso, são a Vontade de Deus para cada um e cada uma e para todos e todas nós. Enquanto ainda mantivermos em nós o pensamento de exercer o controle sobre alguma coisa ou sobre alguém, estamos reforçando nossa condição de prisioneiros e prisioneiras do ego em nós mesmos e em nós mesmas e do ego no mundo.

Por isto é que, agora, de novo, convido a todos e a todas que já estão aqui, e a quem mais vier, a darmos mais uma vez os últimos vinte passos que restam para chegarmos ao ponto em que as lições vão ensinar mais a respeito da forma a ser usada para que nos lembremos do que, e de quem, somos na verdade. 

As lições que praticamos visam a nos levar ao ponto em que vamos ter certeza e confiança de que, como diz Joel Goldsmith, em seu livro A Arte de Curar pelo Espírito, "o Espírito atua sem cessar, atraindo a nós o que é nosso, seja o que isso for". É isto que vai nos permitir "entregar" ao Espírito toda a nossa vida, abandonando por completo qualquer medo, qualquer culpa.

Mais, ele diz: "lembra-te dele [de Deus, do Espirito] em todos os teus caminhos e ele te guiará no caminho certo". 

Peço-lhes, pois, mais uma vez, que revisemos com passos leves, sabendo agora que qualquer um destes últimos passos, por si só, dado com toda a disposição, de mente e coração abertos, pode nos devolver a herança que Deus, nosso Pai/Mãe e nosso Ser, reserva para cada um e cada uma de nós, quando nos voltamos amorosamente para Ele/Ela dispostos a reconhecer, aceitar e assumir o compromisso com o papel que nos cabe em Seu plano para a salvação do mundo.

Ele/Ela vai conosco aonde formos, se O/A buscarmos trazer à consciência, se ficarmos atentos para tê-Lo/La na consciência em todos os instantes. Que esta certeza permaneça em nossos corações e mentes. Que Sua presença torne cada vez mais leve nosso caminhar. Vamos com Ele/Ela. Não há mais como nos desviarmos do caminho. A Vontade d'Ele/Ela, de alegria e paz completas para nós, é também a nossa vontade. 

É para aprender isto que revisamos hoje a ideia: Confio em meus irmãos, que são um comigo.

Boa revisão a todos e todas.

Às práticas, pois!

domingo, 19 de julho de 2026

Serve apenas à ilusão o aprendizado do, e no, mundo


LIÇÃO 200

Não há nenhuma paz a não ser a paz de Deus.

1. Não busques mais. Não acharás paz a não ser a paz de Deus. Aceita este fato e poupa a ti mesmo a agonia de decepções ainda mais amargas, do triste desespero e da fria sensação da desesperança e da dúvida. Não busques mais. Não há nada mais para achares exceto a paz de Deus, a menos que busques sofrimento e dor.

2. Este é o ponto final ao qual cada um tem de chegar, enfim, para abandonar toda a esperança de achar a felicidade aonde não há nenhuma; de ser salvo por aquilo que só pode ferir; de criar paz do caos, alegria da dor e Céu do inferno. Não tentes mais ganhar por meio da perda, nem morrer para viver. Só podes estar pedindo a derrota.

3. Todavia, com a mesma facilidade, podes pedir amor, felicidade e a vida eterna na paz que não tem fim. Pede isto e só podes ganhar. Pedir aquilo que já tens tem de ser bem-sucedido. Pedir que aquilo que é falso seja verdadeiro só pode fracassar. Perdoa-te pelas fantasias vãs e não busques mais o que não podes achar. Pois o que poderia ser mais tolo do que buscar o inferno indefinidamente, quando tens apenas de olhar como os olhos abertos para descobrir que o Céu está diante de ti, em uma porta que se abre facilmente para te acolher?

4. Vem para casa. Não achaste tua felicidade em lugares estranhos e em formas hostis que não têm nenhum significado para ti, embora buscasses torná-las significativas. Este mundo não é o teu lugar. És um estranho aqui. Mas te é dado achar o meio a partir do qual o mundo não parece mais ser uma prisão ou uma cela para ninguém.

5. A liberdade te é dada no mesmo lugar em que só viste correntes e portas de ferro. Mas tens de mudar teu modo de pensar acerca da finalidade do mundo, se quiseres achar saída. Ficarás preso até vires o mundo inteiro como abençoado e libertares todos de teus equívocos e os aceitares pelo que são. Tu não os criaste, nem a ti mesmo. E quando libertas um, o outro é aceito como é.

6. O que o perdão faz? Na verdade, ele não tem nenhuma função e não faz nada. Pois ele é desconhecido no Céu. É só no inferno que se necessita dele e onde ele tem de servir a uma função muito importante. A libertação do Filho de Deus dos sonhos maus que ele sonha e ainda assim acredita serem verdadeiros não é um objetivo valioso? Quem poderia aspirar a mais, quando parece haver uma escolha a se fazer entre sucesso e fracasso, amor e medo?

7. Não há nenhuma paz a não ser a paz de Deus, porque Ele tem um Filho que não pode inventar um mundo que contraria a Vontade d'Ele e a sua própria, que é a mesma que a de Deus. O que ele poderia esperar achar em tal mundo? Ele não pode ser real, porque nunca foi criado. É aqui que ele quer buscar a paz? Ou ele tem de perceber, à medida que olha para ele, que o mundo só pode enganar? Porém, ele pode aprender a considerá-lo de outra forma e encontrar a paz de Deus.

8. A paz é a ponte que todos cruzarão para deixar este mundo para trás. Mas a paz começa no interior do mundo percebido de forma diferente, que conduz, a partir desta nova percepção, ao portão do Céu e ao caminho que está além. A paz é a resposta para metas divergentes, para jornadas absurdas, insensatas, buscas desvairadas, vãs, e esforços sem sentido. Agora o caminho fica fácil, inclinando-se suavemente na direção da ponte na qual está a liberdade dentro da paz de Deus.

9. Não vamos nos desviar de nosso caminho novamente hoje. Vamos para o Céu e o caminho é reto. Só pode haver atraso e perda desnecessária de tempo, se tentarmos andar ao léu por atalhos espinhosos. Só Deus é certo e Ele guiará nossos passos. Ele não abandonará Seu Filho em necessidade nem o deixará se desviar de sua casa eternamente. O Pai chama, o Filho ouvirá. E isso é tudo o que existe para aquilo que parece ser um mundo separado de Deus, em que os corpos são reais.

10. Agora há silêncio. Não busques mais. Chegaste ao lugar em que a estrada é atapetada com as folhas dos desejos falsos, caídas das árvores da desesperança que buscaste antes. Agora elas estão no chão. E tu olhas para cima, e na direção do Céu, com os olhos do corpo tendo utilidade por um só instante a mais agora. A paz já é reconhecida afinal e podes sentir seu abraço suave envolver teu coração e tua mente em consolo e amor.

11. Hoje não buscamos nenhum ídolo. A paz não pode ser encontrada neles. A paz de Deus é nossa e nós só aceitamos e queremos isso. Que a paz esteja conosco hoje. Pois descobrimos um modo simples e alegre de abandonar o mundo da ambiguidade e de substituir nossas metas inconstantes e sonhos solitários pelo propósito único e pelo companheirismo. Pois a paz, se for de Deus, é união. Estamos perto de casa e nos aproximamos ainda mais cada vez que dissermos:

Não há nenhuma paz a não ser a paz de Deus,
E eu estou alegre e agradecido que seja assim.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 200

Caras, caros,

Onde se pode encontrar a paz? Queremos a paz verdadeiramente? Por que, desde que temos notícia de que o mundo é mundo, as pessoas, os países, homens e mulheres, estejam aonde estiverem vivem em permanente estado de guerra?

Quem sabe as práticas com a ideia que o ensinamento reserva para o dia de hoje sirva para nos dar alguma luz a respeito do tema.

"Não há nenhuma paz a não ser a paz de Deus."

"Não há nenhuma paz a não ser a paz de Deus". Repito de novo, e de novo, e de novo: dito isto, será preciso dizer alguma coisa mais?

Perguntemo-nos uma vez mais também: quem acredita que pode ficar em paz, ou que pode de algum modo encontrar alguma paz que não venha de Deus? Mas não o deus que as religiões, em geral, nos querem vender: um deus criado à imagem e semelhança do ego no ser humano. Ou seja, um deus criado pelo ego.

A lição de hoje chama a nossa atenção para o fato de que, acima de tudo, o que queremos experimentar de verdade é a paz que vem de Deus, e esta paz está ao nosso alcance em qualquer momento. Basta que a desejemos de fato. Basta que nos entreguemos à ideia de que não pode haver - e não há - nada que nos possa satisfazer por completo, nem no mundo nem em lugar algum do universo, a não ser a paz de Deus. Ou a alegria que é a condição natural do Filho de Deus.

Mais uma vez: a lição de hoje - ainda que só de certa forma -, encerra as práticas com as ideias desta primeira parte do livro de exercícios, embora isto ainda não signifique que a tenhamos encerrado [a primeira parte], repetindo o que já disse outras vezes ao chegarmos novamente a este ponto.

Por quê?

Porque a partir de amanhã, preparando-nos de forma mais concreta para a segunda parte do Livro de Exercícios - aquela parte que vai nos oferecer a possibilidade da visão a partir da percepção correta do Espírito Santo em nós -, vamos revisar, durante os próximos vinte dias, uma a uma, cada uma das últimas vinte ideias praticadas. São elas, mais uma vez, que vão nos oferecer os elementos finais de que precisamos para o contato efetivo com as lições da segunda parte.

É preciso reconhecer novamente que termos chegado juntos até aqui nesta, que é a décima-sétima vez para quem segue as postagens e pratica as lições a partir deste espaço desde o início, é, de fato, uma façanha e tanto. Mas isso não significa que a façanha daqueles e daquelas que chegam a este ponto em suas práticas pela primeira vez seja menor. Também não significa que a missão daqueles e daquelas que vieram até aqui pela quarta, quinta, ou sexta vez esteja cumprida. Nem a daqueles e daquelas que estão há mais tempo na jornada. Ainda há muito a se aprender. Não acham? Até porque o aprendizado das coisas do mundo não significa nada. E, pelo que se sabe aqui, na verdade, quanto mais se sabe, menos sabemos.

Podemos e devemos, é claro, apesar disso dizer de novo que estamos todos e todas de parabéns. Pois agora nos aproximamos rapidamente daquele ponto do aprendizado em que o Espírito Santo vai nos orientar diretamente - se permitirmos - na direção da percepção verdadeira, que também virá a desaparecer, quando chegarmos ao autoconhecimento - se isto for de algum modo possível -, ao ponto em que compreenderemos que a percepção é desnecessária. O ponto em que vamos saber que todo o aprendizado é desnecessário, a não ser para fazer desvanecer a ilusão, para saber identificá-la em todas as formas com que ela se apresenta.

Podemos, então, sim, celebrar e praticar com alegria, porque depois da revisão que iniciaremos amanhã, e que durará exatos vinte dias, vamos (re)começar as práticas com as ideias da segunda parte do livro de exercícios. 

Quem já passou por ela, vai reconhecer de forma mais clara, mais uma vez, que, a partir das práticas da primeira parte, já somos capazes de esquecer, de deixar de lado, relevar e questionar muitas das coisas que o mundo nos ensinou e ainda quer ensinar de forma equivocada, a partir do sistema de pensamento do ego, acerca de nós mesmos e de nós mesmas. 

Quem chega pela primeira vez até aqui, vai se perceber,  mesmo que ainda de forma não muito clara, capaz de identificar os momentos em que o mundo, e o que ele ensina, busca nos levar de volta ao auto-engano. Isto significa que atingimos os objetivos a que visam as primeiras 220 lições. E significa também que, de algum modo, já somos capazes de nos colocar sob a orientação do Espírito Santo e de deixar que Ele nos guie, mesmo que ainda não de forma permanente, mesmo que ainda apenas por momentos.

É por isso que convido a todas e todos vocês a continuarem a praticar com alegria e gratidão, em particular a ideia que o Curso nos oferece para as práticas de hoje. Continuemos também a praticar a própria alegria, e a gratidão, pois agora já podemos vislumbrar a certeza de que estamos cada vez mais próximos, ou próximas, de nós mesmos, de nós mesmas, daquilo que somos na verdade em Deus e com Ele. É isto que vai nos colocar cada vez mais perto do reconhecimento e da aceitação da Vontade de Deus para nós como sendo a nossa própria vontade.

Às práticas?

sábado, 18 de julho de 2026

Apesar do corpo, nós, humanos, podemos ser livres

 

LIÇÃO 199

Eu não sou um corpo. Sou livre.

1. A liberdade tem de ser impossível enquanto perceberes a ti mesmo como um corpo. O corpo é um limite. Aquele que quer buscar liberdade em um corpo a procura aonde ela não pode ser encontrada. A mente pode se tornar livre quando não mais se vir em um corpo, amarrada firmemente a ele e protegida por sua presença. Se isto fosse a verdade, a mente seria, de fato, vulnerável.

2. A mente que serve ao Espírito Santo é ilimitada para sempre de todas as formas, está além das leis de tempo e espaço, livre de quaisquer preconceitos e com força e poder para fazer qualquer coisa que se pedir a ela. Pensamentos de ataque não podem entrar em uma mente como esta, porque ela foi dada à Fonte do amor, e o medo não pode entrar nunca em uma mente que se ligue ao amor. Ela descansa em Deus. E quem poderia ter medo se vive na Inocência e apenas ama?

3. É essencial para teu progresso neste curso que aceites a ideia de hoje e que lhe dês muito valor. Não te preocupes que ela seja bem insana para o ego. O ego preza o corpo porque mora nele e vive unido à casa que constrói. O corpo é uma parte da ilusão que o protege de se descobrir ilusório.

4. Ele se esconde aí e aí pode ser visto como é. Manifesta tua inocência e estás livre. O corpo desaparece, porque não tens nenhuma necessidade dele, exceto a que o Espírito Santo vê. Para isto, o corpo se apresentará como uma forma útil para aquilo que a mente tem de fazer. Deste modo, ele vem a ser um veículo que ajuda o perdão a ser estendido à meta todo-abrangente que o perdão precisa alcançar, de acordo com o plano de Deus para a salvação.

5. Sustenta a ideia de hoje e pratica-a, hoje, e todos os dias. Torna-a uma parte de todos os períodos de prática que empreenderes. Não há nenhum pensamento, em razão disso, que não se aperfeiçoe em poder para ajudar o mundo, e nenhum que não ganhe também mais dádivas para ti. Anunciamos o chamado da liberdade no mundo inteiro com esta ideia. E tu te dispensarias da aceitação das dádivas que dás?

6. O Espírito Santo é o lar das mentes que buscam liberdade. N'Ele elas encontram o que buscam. Agora a finalidade do corpo está clara. E ele se torna perfeito na capacidade de servir a uma meta não-dividida. Em resposta inequívoca e livre de conflitos à mente que tem por meta apenas o pensamento da liberdade, o corpo serve, e serve bem, ao seu objetivo. Sem o poder de escravizar, ele é um valioso servidor da liberdade que a mente, no interior do Espírito Santo, busca.

7. Liberta-te hoje. E carrega a liberdade como tua dádiva àqueles que ainda acreditam ser escravos dentro de um corpo. Liberta-te, a fim de que o Espírito Santo possa fazer uso de tua saída da escravidão para libertar os muitos que se percebem como presos e desamparados, e com medo. Deixa que o amor substitua seus medos por teu intermédio. Aceita a salvação agora e dá tua mente Àquele Que te chama para Lhe dares esta dádiva. Pois Ele quer te dar a liberdade completa, a alegria completa e a esperança que encontra sua realização plena em Deus.

8. Tu és o Filho de Deus. Tu vives na imortalidade para sempre. Não queres devolver tua mente a isto? Então pratica bem o pensamento que o Espírito Santo te dá para hoje. Nele teus irmãos ficam livres contigo; o mundo é abençoada juntamente contigo; o Filho de Deus não chorará mais e o Céu dá graças pela aumento da alegria que tua prática traz até mesmo para ele. E o Próprio Deus estende Seu Amor e felicidade cada vez que disseres:

Eu não sou um corpo. Sou livre. Ouço a Voz que Deus
me dá e é apenas a isto que minha mente obedece.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 199

Caras, caros,

Hoje nossa lição vai nos auxiliar a pensar a respeito de liberdade.

"Eu não sou um corpo. Sou livre."

Comecemos mais uma vez nossa exploração da lição para o dia de hoje, da mesma forma que o fizemos em anos passados, lembrando-nos de que, de acordo com o que ensina Joel Goldsmith, o único problema do ser humano é a falta de liberdade. O ser humano, para ele, nunca foi, e não é, livre. É um escravo - física, política, econômica e, pode-se até mesmo dizer, espiritualmente.

O ser humano é um escravo, em primeiro lugar, de si mesmo, em si mesmo e de seu próprio corpo, da imagem que faz de si mesmo pensando, de modo equivocado, que é um corpo. Está acorrentado por hábitos, teorias e crenças políticas, econômicas e espirituais de gerações e gerações que também viviam o mesmo equívoco. Vivem, vivemos, até hoje. Também é escravo de seus próprios pensamentos e de tudo o que materializa a partir deles, sem nem ao menos se dar conta de que se mudasse sua forma de pensar tudo mudaria.

De que forma, então, o ser humano, até hoje escravo, pode chegar à liberdade?

Aprendendo a ouvir a Voz por Deus no interior de si. Rendendo-se à graça e abandonando a crença de que é e está separado de Deus e de tudo e de todos.

Uma das formas de fazer isso é praticar as lições do modo que o Curso orienta. Pois o que faz com que nos aproximemos de ensinamentos tais como o do Curso é exatamente a sensação de falta de liberdade, a sensação de que há algo mais na vida do que apenas aquilo que, em geral, acontece em nossos dias, todos, ou na maioria deles pelo menos, dedicados às tarefas da sobrevivência, desnecessárias e não importantes na maior parte dos casos.

Como eu já disse antes, muitas das pessoas que se aproximam do Curso o fazem à procura de uma resposta para seus problemas e de uma explicação para as situações que enfrentam em sua vida pessoal.

Também é comum que essas pessoas, após um breve tempo de contato com o ensinamento, se afastem dele, aparentemente sem razão alguma. Em geral, se o fazem é porque, quando começam a ouvir o que ele diz acerca do ego e do corpo - que o Curso identifica como a casa do ego - percebem no Curso, de modo equivocado, é claro, uma ameaça àquilo que acreditam ser: corpos. 

Isto é, o Curso, de fato, é uma ameaça à manutenção da crença no ego - um falso eu, uma imagem que vamos construindo ao longo do tempo a partir daquilo que nos ensina o mundo e seu sistema de pensamento - como aquilo que somos. Uma imagem à qual nos apegamos e que necessita de um corpo para existir. Quer dizer, o ego se acredita capaz de nos convencer de que somos apenas corpos e que não há nada além dele em nós. No entanto, o que ele nos oferece é um relacionamento com o mundo e com todas as coisas do - e no - mundo a partir de uma imagem equivocada que seu sistema de pensamento construiu de nós mesmos e de nós mesmas, em nós e para nós mesmos e nós mesmas.

Por isto, a lição de hoje traz para as práticas a ideia que coloca as coisas nos devidos lugares, apresentando-nos o corpo como apenas "uma forma útil para aquilo que a mente tem de fazer", dando-lhe apenas o papel que ele tem de cumprir e nada mais. Isto é, oferecendo a todos e todas nós, seres humanos, a possibilidade da liberdade apesar do corpo.

O corpo, na verdade - e para o Curso, que trata de fazer com que voltemos nossa atenção para a verdade -, tem de ser apenas uma ferramenta, um instrumento perfeito para a comunicação. Para a perfeita comunicação. Ou, como diz a lição, o corpo é "um veículo que ajuda o perdão a ser estendido à meta todo-abrangente que o perdão precisa alcançar, de acordo com o plano de Deus". E, se ainda não o é para alguns e algumas de nós, tem de vir a ser, pois é só o perdão que pode - e vai - nos levar à liberdade, assim que o escolhermos.

Repetindo algo que eu já disse também em anos anteriores: é a prática desta ideia que pode nos dar a liberdade que pensamos ter perdido ao nos acreditarmos corpos por sugestão do ego. Livres da crença a que o ego quer nos induzir, libertamo-nos de todos os conflitos, pois, quando o corpo já não pode mais nos escravizar, ele passa a ser apenas "um servidor valioso". 

Às práticas?

sexta-feira, 17 de julho de 2026

O que vivemos é uma ilusão de ótica da consciência

 

LIÇÃO 198

Só minha condenação me fere.

1. O ferir é impossível. E, no entanto, ilusão cria ilusão. Se podes condenar, podes ser ferido. Pois acreditas que podes ferir e o direito que estabeleceste para ti mesmo agora pode ser usado contra ti, até que o abandones por inútil, indesejado e irreal. Então, a ilusão deixa de ter efeitos e aqueles que parecia ter serão desfeitos. Estás livre, então, pois a liberdade é tua dádiva e agora podes receber a dádiva que deste.

2. Condena e te tornas prisioneiro. Perdoa e ficas livre. Esta é a lei que rege a percepção. Não é uma lei que o conhecimento entende, pois a liberdade é uma parte do conhecimento. Assim, condenar é, na verdade, impossível. O que parece ser suas influências e seus efeitos absolutamente não aconteceu. No entanto, por algum tempo, temos de lidar com eles como se tivessem acontecido. Ilusão cria ilusão. Exceto uma. O perdão é ilusão que é resposta a todas as restantes.

3. O perdão varre todos os outros sonhos e, embora ele mesmo seja um sonho, não provoca nenhum outro. Todas as ilusões, salvo esta, têm de se multiplicar milhares de vezes. Mas é aqui que as ilusões acabam. O perdão é o fim dos sonhos, porque ele é um sonho de despertar. Ele, em si mesmo, não é a verdade. Mas ele aponta para o lugar em que a verdade tem de estar e dá a orientação com a certeza do Próprio Deus. Ele é um sonho no qual o Filho de Deus desperta para seu Ser e para seu Pai, sabendo que Eles são um só.

4. O perdão é a única via que conduz para longe do desastre, para além de todo o sofrimento e, finalmente, para longe da morte. Como poderia haver outro caminho, se este é o plano do Próprio Deus? E por que te oporias a ele, brigarias com ele, buscarias achar milhares de maneiras pelas quais ele tem de estar errado, milhares de possibilidades outras?

5. Não é mais sábio ficar alegre por teres a resposta para teus problemas em tuas mãos? Não é mais inteligente agradecer Àquele Que dá a salvação e aceitar sua dádiva com gratidão? E não é uma bondade para contigo mesmo ouvir Sua Voz e aprender as lições simples que Ele quer ensinar, em lugar de tentar rejeitar Sua palavras e colocar as tuas próprias palavras no lugar das d'Ele?

6. As palavras d'Ele funcionarão. As palavras d'Ele salvarão. As palavras d'Ele contêm toda a esperança, toda a bênção e toda a alegria que alguma vez já puderam ser encontradas nesta terra. As palavras d'Ele nasceram em Deus e chegam a ti com o amor do Céu sobre elas. Aqueles que ouvem Suas palavras ouvem a canção do Céu. Pois estas são as palavras nas quais todas se fundem como uma só finalmente. E, quando esta única palavras desaparecer, o Verbo de Deus virá tomar o lugar dela, pois então ela será lembrada e amada.

7. Este mundo tem muitos territórios aparentemente separados em que a misericórdia não tem significado e onde o ataque parece ser justificado. Mas todos são um só; um lugar no qual se oferece a morte ao Filho de Deus e a seu Pai. Podes pensar que Eles aceitam. Mas, se olhares novamente para o lugar em que vês o sangue d'Eles, vais perceber um milagre em lugar dele. Que tolice é acreditar que Eles poderiam morrer! Que tolice acreditar que podes atacar! Que loucura é pensar que poderias ser condenado e que o Filho santo de Deus pode morrer!

8. A serenidade de teu Ser permanece inalterada, intocada por pensamentos como estes e não tem consciência de qualquer condenação que poderia necessitar de perdão. Sonhos de qualquer espécie são estranhos e hostis à verdade. E o que, a não ser a verdade, poderia ter um Pensamento que constrói uma ponte para si, que leva as ilusões para o outro lado?

9. Hoje praticamos deixar a liberdade vir para construir sua casa contigo. A verdade dá estas palavras a tua mente, a fim de que possas achar a chave para a luz e deixar que a escuridão acabe:

Só minha condenação me fere.
Só meu próprio perdão me liberta.

Não te esqueças hoje de que não pode haver nenhuma forma de sofrimento que não deixe de esconder um pensamento de rancor. E que também não existe nenhuma forma de dor que o perdão não possa curar.

10. Aceita a única ilusão que afirma que não há nenhuma condenação no Filho de Deus e o Céu é lembrado imediatamente; esquece-se o mundo, esquece-se todas as suas crenças estranhas com ele, quando a face de Cristo aparece, enfim, sem véu neste sonho único. Esta é a dádiva de Deus, teu Pai, que o Espírito Santo guarda para ti. Deixa que este dia também seja celebrado tanto na terra quanto em teu lar santo. Sê benigno para Ambos, enquanto perdoas as faltas das quais pensaste que Eles eram culpados e vê, desde a face de Cristo, tua inocência brilhar sobre ti.

11. Agora há silêncio no mundo inteiro. Agora existe serenidade onde antes havia uma torrente frenética de pensamentos sem sentido. Agora existe uma luz tranquila sobre a face da terra, que se acalmou em um sono sem sonhos. E agora só o Verbo de Deus permanece sobre ela. Só se pode perceber isso por mais um instante. Então, os símbolos acabam e tudo o que já pensaste ter feito se desvanece por completo da mente que Deus sabe ser Seu único Filho para sempre.

12. Não há nenhuma condenação nele. Ele é perfeito em sua santidade. Ele não precisa de nenhum pensamento de misericórdia. Quem poderia lhe dar as dádivas se tudo é seu? E quem poderia sonhar em oferecer perdão ao Filho da Própria Inocência, tão igual a Ele, de Quem é Filho, que olhar para o Filho é deixar de perceber para só conhecer o Pai? Nesta visão do Filho, tão breve que nem ao menos um instante se interpõe entre a visão única e a própria intemporalidade, vês a visão de ti mesmo e, então, desapareces para sempre em Deus.

13. Hoje chegamos ainda mais perto do fim de tudo o que ainda quer se interpor entre esta visão e nossa vista. E estamos contentes por chegar tão longe e reconhecer que Aquele Que nos trouxe até aqui não nos abandonará agora. Pois Ele quer nos dar a dádiva que Deus nos dá por Seu intermédio hoje. Agora é o momento de tua libertação. Chegou a hora. A hora chegou hoje.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 198

Caras, caros,

O mesmo que nos acontece quando magoamos, ferimos ou buscamos causar dor em alguém, conforme falamos outro dia, acontece quando, em nossa pretensa onipotência alimentada pelo ego, julgamos e condenamos alguém. Quer dizer, é a nós mesmos, ou a nós mesmas, que condenamos, magoamos, ferimos ou causamos dor.

Pelos mesmos motivos a que nos referimos ao falar da lição que afirma que "só posso crucificar a mim mesmo". Talvez ainda não nos tenhamos dado conta de toda a extensão do significado de "não existe nada fora". Para isso praticamos com a ideia que o ensinamento nos oferece neste dia. 

"Só minha condenação me fere."

Repetindo o que eu já disse antes no comentário a esta mesma lição e repetindo de forma diferente também o título da postagem dos últimos anos, a ideia que vamos praticar mais uma vez hoje complementa e estende, amplia e torna mais abrangente, o alcance das ideias das duas últimas lições de nossas práticas: Só posso crucificar a mim mesmo. eposso ganhar a minha [própria] gratidão. Além disso, ela nos leva, com certeza, ao reconhecimento de que, se [nos] perdoarmos, vamos ver o mundo de modo diferente, como nos diz a lição 193, que praticamos há alguns poucos dias. 

Aliás, como a própria lição 193 diz, ao nos pedir para reconhecermos que todas as coisas são lições que Deus quer que aprendamos, a ideia para as práticas de então é reveladora de tudo o que há por detrás das formas, tanto das lições que praticamos, quanto das experiências, das situações e circunstâncias por que passamos e também das pessoas que encontramos em nossa vida, em nossos caminhos ao longo do tempo. 

Mesmo que não sejamos capazes de ver claramente, tudo aquilo que nos incomoda e perturba está relacionado a algo ou alguém que não perdoamos, a uma mágoa que guardamos [lembrando sempre que é só a nós mesmos e a nós mesmas que perdoamos, quer dizer, se há alguém ou algo a respeito de quem ou de que estamos magoados, ou magoadas, precisamos nos perdoar pelo equívoco de achar que este alguém ou algo é responsável pela forma como nos sentimos]. É claro que, enquanto não fizermos isso, nos tornamos prisioneiros e prisioneiras [de nós mesmos e de nós mesmas por estarmos aprisionando o/a(s) outro/a(s) ou algo em nossa experiência], como afirma a lição de hoje logo no seu segundo parágrafo: Condena e te tornas prisioneiro.

Tanto a ideia para as práticas de hoje quanto as outras três de que falei acima, como já aprendemos, devem servir para reforçar mais e mais em nós a certeza de que não há absolutamente nada fora de nós mesmos e de nós mesmas, de acordo com o que o Curso ensina. Isto equivale a dizer que tudo o que vemos, ouvimos, tocamos, cheiramos ou provamos, absolutamente tudo, por mais estranho ou esdrúxulo que nos possa parecer, é apenas uma projeção de nossos próprios pensamentos, um reflexo daquilo que trazemos em nosso interior e que, muitas vezes, nos recusamos a reconhecer como nosso. Isso não lhes lembra também o que já citei aqui de Elio D'Anna, em seu livro A Escola dos Deuses?

O mundo que se apresenta à visão, aos sentidos de cada um, cada uma e de todos e todas nós, é apenas uma ilusão, uma ideia, um pensamento, a que damos forma. E, como eu já disse muitas outras vezes, em sintonia com o que o Curso ensina e com o que dizem todos os grandes mestres e de todas as grandes mestras de todos os tempos, se este mundo aparentemente nos causa alguma dor, algum sofrimento, nos afasta da paz e nos dá a sensação de uma solidão insuportável, a única maneira de mudá-lo é mudando nossa percepção de nós mesmos e de nós mesmas, perdoando-nos por nossa percepção equivocada [lembram-se do ho'oponopono?] e perdoando o mundo, por consequência . 

O melhor instrumento, quiçá o único dentro da ilusão que vivemos, de que podemos nos valer para curar o mundo e para nos curarmos de tudo o que pensamos que pode nos ferir é o perdão. Lembrando-nos sempre de que só podemos perdoar a nós mesmos, a nós mesmas, reforçando o que está dito um pouco aí acima. Ou para dizer como Gil, "não há o que perdoar, por isso é que há de haver mais compaixão".

Repetindo uma vez mais o que eu disse nos últimos anos, vamos rever o que disse Einstein a respeito do que é um ser humano? Algo que pode ajudar a expandir nossa percepção de nós mesmos e de nós mesmas e a estender o perdão a tudo e a todos e todas que vemos, pois - de novo, insisto - só podemos perdoar a nós mesmos, ou a nós mesmas. Diz-nos ele: 

"Um ser humano é uma parte do todo a que se chama 'universo', uma parte limitada no tempo e no espaço. Ele se experimenta, [e experimenta a] seus pensamentos e sensações, como algo separado do restante, uma espécie de ilusão de ótica da ... consciência. Esta ilusão é um tipo de prisão para nós, restringindo-nos a nossos desejos pessoais e à afeição por algumas poucas pessoas mais próximas de nós. Nossa tarefa tem de ser a de nos libertarmos desta prisão pelo alargamento de nosso círculo de compaixão para incluir todas as criaturas vivas e a totalidade da natureza em sua beleza. Ninguém é capaz de alcançar isto totalmente, mas o esforço por tal realização é parte da libertação e uma base para a segurança interior."

Quando buscamos alcançar a iluminação - ou o contato com o divino em nós [o que é sinônimo de busca do autoconhecimento] -, não é necessário que a alcancemos, de fato, ou que façamos realmente o contato. Basta nossa disposição para tanto para que se dê em nossa mente a abertura de que precisamos para a que luz se apresente a nós e nos convide a olhar para tudo de modo diferente. 

Quando mudamos, o mundo muda conosco. 

Quantas vezes vamos precisar ouvir, ler e repetir isto?

Quantas forem necessárias até aprendermos.

Às práticas?