segunda-feira, 23 de março de 2026

Não é necessário compreender. As práticas bastam!

 

LIÇÃO 82

Revisaremos estas ideias hoje:

1. (63) A luz do mundo leva paz a todas as mentes pelo meu perdão.

Meu perdão é o meio pelo qual a luz do mundo encontra expressão por meu intermédio. Meu perdão é o meio pelo qual me torno consciente da luz do mundo em mim. Meu perdão é o meio pelo qual o mundo é curado juntamente comigo. Que eu perdoe o mundo, então, para que ele possa ser curado comigo.

2. As sugestões de formas específicas para a aplicação desta ideia são:

Que a paz se estenda de minha mente para a tua, [nome].
Eu compartilho a luz do mundo contigo, [nome].
Pelo meu perdão posso ver isto tal como é.

3. (64) Que eu não me esqueça de minha função.

Eu não quero me esquecer de minha função porque quero me lembrar de meu Ser. Não posso cumprir minha função se eu a esquecer. E, a menos que eu cumpra minha função, não experimentarei a alegria que Deus pretende para mim.

4. Formas específicas adequadas desta ideia incluem:

Que eu não utilize isto para esconder minha função de mim.
Quero usar isto como uma oportunidade para cumprir minha função.
Isto pode ameaçar meu ego, mas não pode alterar minha função de modo algum.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 82

Caras, caros,

Estamos agora, mais uma vez, em nossa segunda revisão neste ano. A lição de hoje traz mais duas ideias para revermos e, com elas, novos desafios, novos milagres, para aqueles e aquelas de nós que se encontram em "estado de prontidão para os milagres".

As ideias de hoje são as seguintes:

"A luz do mundo leva paz a todas as mentes pelo meu perdão."

"Que eu não me esqueça de minha função."

Vamos a elas?

Rever, revisar, revisitar, todos estes verbos trazem em seu significado a possibilidade de uma nova promessa. A promessa que traz a cada um, cada uma, a todos e a todas nós, de novo, a oportunidade de lidar com algo que já vimos antes, uma ideia pela qual já passamos e, quem sabe, se estivermos dispostos, a oportunidade de olhar de modo diferente para aquilo que ainda não aprendemos bem. Aquilo que não praticamos bem e que não nos trouxe o milagre correspondente à aceitação do desafio.

Lembremo-nos por um instante do que diz a instrução que antecede as lições de revisão neste período. Vamos, entre outras coisas, encontrar lá o seguinte:

Considera estes períodos de prática como oferendas ao caminho, à verdade e à vida. Recusa-te a te deixares desviar para digressões, ilusões e pensamentos de morte. Tu te dedicas à salvação. Decide-te a cada dia a não deixar tua função inconclusa. 

É isso que estamos fazendo com nossas práticas? Nós as estamos considerando "oferendas ao caminho, à verdade e à vida"? Ou temos tido de dispender um esforço muito grande para nos mantermos atentos, atentas, e para fazer o que cada lição pede que façamos?

A luz do mundo leva paz a todas as pessoas pelo meu perdão.

Quem é a luz do mundo? Já me acostumei à ideia de que "sou a luz do mundo" e que minha função como luz do mundo é estender o perdão a tudo e a todos? Já a aceitei em mim e, a partir de sua aceitação, estou disposto, disposta, a fazer minha parte no plano de Deus para a salvação?

Voltemos ainda um pouco mais no tempo e nas lições e lembremo-nos de que lá, no comentário que iniciava as lições da primeira revisão, Tara Singh nos chamava a atenção para o fato de que a compreensão daquilo que o Curso nos pede para fazermos não é uma necessidade. Basta que o façamos. Basta que o pratiquemos. Isto continua verdadeiro. E, se o fizermos, com certeza vamos experimentar os milagres que cada lição nos reserva. Isto tampouco é diferente no que diz respeito a esta nova revisão e a cada uma das ideias que vamos praticar com cada lição a que dedicamos mais uma vez nossa atenção.

Mais uma vez: é o teu perdão que pode levar a paz a todas as pessoas, a começar por ti mesmo.

Que eu não me esqueça de minha função.

É ainda a instrução inicial para este período de revisão que vai nos dar a chave para nos mantermos firmes em nossa decisão de nos lembrarmos de que somos a luz do mundo.

É isto que ela diz:

Não permitas que tua intenção vacile diante de pensamentos distrativos. Percebe de maneira clara que, seja qual for a forma que tais pensamentos possam tomar, eles não têm nenhum significado e nenhuma força. Substitui-os por tua determinação de ser bem-sucedido. Não te esqueças de que tua vontade tem poder sobre todas as fantasias e sonhos. Confia nela para passar por eles e para te carregar para além de todos.

É assim que vamos renovar nossa decisão durante as práticas, quer nos períodos mais longos, quer nos mais breves. É por isso que a lição nos lembra de que não queremos esquecer de nossa função, pois é mantê-la em mente que vai nos fazer ter de volta na consciência o Ser, que somos na unidade com Deus.

Para tanto podemos nos valer ainda da orientação que nos oferece a instrução inicial:

Reafirma tua decisão nos períodos mais breves de prática também, usando a forma original da ideia para aplicações generalizadas e formas mais específicas quando necessário. Incluem-se algumas formas específicas nos comentários que se seguem às enunciações das ideias. Contudo, elas são apenas sugestões. O que importa não são as palavras específicas que usas. 

Às práticas?

domingo, 22 de março de 2026

Pára de julgar se queres começar a espalhar o perdão

 

REVISÃO II

Introdução

1. Agora estamos prontos para outra revisão. Começaremos onde a última parou e abordaremos duas ideias a cada dia. Dedicaremos a primeira parte de cada dia a uma destas ideias e a parte seguinte à outra. Faremos um período de exercícios mais longo e frequentes períodos mais breves nos quais praticaremos cada uma das ideias.

2. Os períodos de prática mais longos obedecerão a esta forma geral: reserva cerca de quinze minutos para cada um deles e começa pensando a respeito das ideias para o dia e nos comentários incluídos nas lições. Dedica três ou quatro minutos a lê-los devagar, várias vezes se desejares, e, em seguida, fecha os olhos e escuta.

3. Repete a primeira fase do período de exercícios se perceberes que tua mente se desvia, mas tenta passar a maior parte do tempo escutando tranquilamente, porém, com cuidado. Há uma mensagem a tua espera. Confia que a receberás. Lembra-te de que ela te pertence e de que a queres.

4. Não permitas que tua intenção vacile diante de pensamentos distrativos. Percebe de maneira clara que, seja qual for a forma que tais pensamentos possam tomar, eles não têm nenhum significado e nenhuma força. Substitui-os por tua determinação de ser bem-sucedido. Não te esqueças de que tua vontade tem poder sobre todas as fantasias e sonhos. Confia nela para passar por eles e para te carregar para além de todos.

5. Considera estes períodos de prática como oferendas ao caminho, à verdade e à vida. Recusa-te a te deixares desviar para digressões, ilusões e pensamentos de morte. Tu te dedicas à salvação. Decide-te a cada dia a não deixar tua função inconclusa.

6. Reafirma tua decisão nos períodos mais breves de prática também, usando a forma original da ideia para aplicações generalizadas e formas mais específicas quando necessário. Incluem-se algumas formas específicas nos comentários que se seguem às enunciações das ideias. Contudo, elas são apenas sugestões. O que importa não são as palavras específicas que usas.

*

LIÇÃO 81

Nossas ideias para a revisão, hoje, são:

1. (61) Eu sou a luz do mundo.

Quão santo sou eu, a quem foi dada a função de iluminar o mundo! Que eu silencie diante de minha santidade. Que todos os meus conflitos desapareçam em sua luz serena. Que eu me lembre Quem sou em sua paz.

2. Algumas formas específicas para a aplicação desta ideia quando parecerem surgir dificuldades especiais poderiam ser:

Que eu não esconda a luz do mundo em mim.
Que a luz do mundo brilhe por meio desta experiência.
Esta sombra desaparecerá diante da luz.

3. (62) O perdão é minha função como a luz do mundo.

É aceitando minha função que verei a luz em mim. E nesta luz minha função se mostrará perfeitamente clara e inequívoca diante de minha vista. Minha aceitação não depende de meu reconhecimento do que minha função é, pois eu ainda não compreendo o perdão. Mas confiarei que, na luz, eu a verei tal qual é.

4. Formas específicas para o uso desta ideia poderiam incluir:

Que isto me ajude a aprender o que o perdão significa.
Que eu não separe minha função de minha vontade.
Não usarei isto para um objetivo impróprio.

*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 81

Caras, caros,

Começamos hoje a segunda revisão do Curso. Esta revisão vai se ater às últimas vinte lições com que praticamos, como todas e todos vocês já sabem. 

Por que revisar? 

Porque precisamos de uma pausa para refletir com calma, com vagar e atenção sobre as ideias que as lições nos oferecem. Lembrem-se de que estamos tentando apagar o que o mundo nos ensinou e continua a ensinar a partir do sistema de pensamento do ego. É isto tudo que precisamos "desaprender", para zerar nossas mentes, deixá-las prontas para viverem a partir do Ser, daquele que é real em nós.

Assim, as ideias que vamos praticar nesta primeira lição de revisão são as seguintes:

"Eu sou a luz do mundo."

"O perdão é minha função como a luz do mundo."

"Agora estamos prontos para outra revisão." 

Pergunto-lhes novamente: estamos?

Quantos e quantas de nós nos damos ao trabalho de olhar com bastante atenção aquilo tudo que vivemos durante o dia, antes de nos prepararmos para mais uma noite de sono tranquilo? Isto é, quantos e quantas de nós revisamos as ações que praticamos e os pensamentos que tivemos ao longo do dia, trazendo-os à luz para que possam ser curados de quaisquer equívocos que porventura tenham provocado, em nós, em nossa experiência e nas experiências das pessoas que nos são próximas e partilham seus dias conosco?

Eu sou a luz do mundo.

A primeira das ideias que a lição apresenta para as práticas de hoje é a ideia que nos coloca em contato com a verdade a respeito de nós mesmos e de nós mesmas, apesar e além do modo de pensar do ego. Este diria ser muita pretensão de cada um, ou de cada uma, de nós nos considerarmos "a luz do mundo".

Porém foi esta, pelo que se diz, a instrução que Jesus deixou a cada uma das pessoas que viveram em seu tempo, ao dizer que cada uma delas também poderia fazer tudo o que ele fazia ou fez. E melhor. Isto também vale para cada um e cada uma de nós, desde que cheguemos à mesma consciência que ele alcançou. O que é bem possível a partir das práticas.

Mas é preciso que acreditemos que somos a luz do mundo. Simplesmente repetir as palavras não serve de muita coisa. É preciso que saibamos, ainda que de modo muitas vezes inconsciente, que ainda somos, de fato, como Deus nos criou e isto é suficiente para nos acreditarmos "a luz do mundo".

O perdão é minha função como a luz do mundo.

A experiência que temos do mundo a partir dos sentidos nos mostra um lugar e um tempo que vive mergulhado nas trevas da ignorância, da violência, da dor, do sofrimento, da aflição, das doenças, da escassez, das guerras, da miséria, da corrupção, da injustiça, da vergonha e da insensibilidade.

Tudo isso é fruto do julgamento. Fruto da crença na separação, o único problema que temos, mas que já está resolvido, graças a Deus, de acordo com as práticas das duas lições anteriores e de acordo com o plano d'Ele para a salvação.

No entanto, na condição de "a luz do mundo", é preciso que nos disponhamos a abandonar o julgamento e a espalhar o perdão a todos os julgamentos que fizemos, fazemos ou faremos ao longo de nossa experiência. Estaremos dispostos e dispostas a tanto?

São as práticas, melhor dizendo, nosso compromisso para com nós mesmos e com nós mesmas, que nos leva às práticas, que vai fazer que mudemos nosso modo de olhar para nós mesmos e para nós mesmas e, por consequência, para tudo, para todas e para todos no mundo.

Às práticas?

sábado, 21 de março de 2026

A solução definitiva de todos os problemas está aqui

 

LIÇÃO 80

Que eu reconheça que meus problemas estão resolvidos.

1. Se estiveres disposto a reconhecer teus problemas, reconhecerás que não tens nenhum problema. Teu único problema básico está resolvido e não tens nenhum outro. Por isto, tens de ficar em paz. Deste modo, a salvação depende do reconhecimento deste único problema e da compreensão de que ele está resolvido. Um só problema, uma única solução. A salvação é realizada. A libertação do conflito te é dada. Aceita este fato e estás pronto para assumir teu lugar legítimo no plano de Deus para a salvação.

2. Teu único problema está resolvido! Repete isto muitas vezes hoje, com gratidão e confiança. Reconheces ter um único problema e abres o caminho para que o Espírito Santo te ofereça a resposta de Deus. Abandonas o engano e vês a luz da verdade. Aceitas a salvação para ti mesmo trazendo o problema à resposta. E podes reconhecer a resposta, porque o problema está identificado.

3. Tens direito à paz hoje. Um problema que está resolvido não pode te incomodar. Certifica-te apenas de não te esqueceres de que todos os problemas são o mesmo. Enquanto te lembrares disto, suas muitas formas não te enganarão. Um só problema, uma única solução. Aceita a paz que esta simples declaração traz.

4. Em nossos períodos de prática mais longos hoje, reivindicaremos a paz que tem de ser nossa quando o problema e a resposta são reunidos. O problema tem de desaparecer porque a resposta de Deus não pode falhar. Reconhecendo um, reconheces o outro. A solução é inseparável do problema. Tens a solução e aceitas a resposta. Estás salvo.

5. Agora, deixa que te seja dada a paz que tua aceitação traz. Fecha os olhos e recebe tua recompensa. Reconhece que teus problemas estão resolvidos. Reconhece que estás fora do conflito; livre e em paz. Acima de tudo, lembra-te de que tens um só problema e de que este problema tem uma única solução. É nisto que a simplicidade da salvação está. É por esta razão que é certo que ela funciona.

6. Afirma para ti mesmo várias vezes que teus problemas estão resolvidos. Repete a ideia com profunda certeza com a maior frequência possível. E certifica-te especialmente de aplicar a ideia para hoje a qualquer problema específico que surja. Dize imediatamente:

Que eu reconheça que este problema está resolvido.

7. Vamos nos decidir a não acumular mágoas hoje. Vamos nos decidir a ficar livres de problemas que não existem. O meio para isto é a sinceridade absoluta. Não te enganes acerca de qual é o problema e tens de reconhecer que ele está resolvido.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 80

Caras, caros,

Chegamos novamente hoje a um ponto de mutação, ou a um ponto de virada, quer dizer, um ponto a partir do qual tudo em nossa vida pode tomar cores novas, novas características, novas formas, e nos levar a uma vida parecida ao "sonho feliz" de que fala o Curso em seu texto.

E como será possível tal coisa? Simples, simples. Basta que atentemos para o que nos diz a lição a respeito da ideia que temos para praticar hoje. Amanhã, para quem continuar, começaremos um novo período de revisão. Há, pois, que se pôr toda a atenção de que somos capazes no treino que vamos fazer com a ideia abaixo.

A ela?

"Que eu reconheça que meus problemas estão resolvidos."

Será fácil? 

Será difícil? 

Como será a experiência de cada um, de cada uma, para aceitar o desafio que esta lição apresenta? Como será descobrir e aceitar o milagre que ela nos traz.

Como assim: "meus problemas estão resolvidos"? 

Quem diz isso não sabe o que se passa em meu dia-a-dia. É um tal de já acordar atrasado para o primeiro compromisso, com vontade de ficar um pouco-muito mais na cama. Não tenho a menor vontade de ir para o trabalho, para a escola, para a academia. Academia! Ir à feira. Levar as crianças para a escola. Esperar a condução, o "busão", que está sempre lotado. Ou o Uber, nos dias que correm. Ou enfrentar o trânsito sempre e cada vez mais congestionado. 

E as notícias que chegam então? Nos jornais e revistas nas bancas, no computador, nas mensagens eletrônicas, no "zap", no "fb", no "insta". "Amigas" e "amigos" disputando verbalmente para terem razão sobre este ou aquele ponto. Gente destratando gente. Gente matando gente. Políticos propondo e aprovando leis para "ferrar" com os cidadãos comuns, com o povão. A corrupção comendo solta para a alegria e a impunidade de uns enquanto outros, quem sabe inocentes, são acusados e perseguidos pela "justiça" cada vez mais parcial. Ainda continuamos a ter notícias da guerra - que já se desenrola há mais de três anos -, desencadeada por Putin que, ao que ele diz, em protesto contra os Estados Unidos, abre fogo contra a Ucrânia, um país seu irmão, um vizinho. Temos também a guerra iniciada por Israel e os Estados Unidos contra o Irã. Tudo em nome da democracia e, no entanto, debaixo dos panos, sabe-se que o interesse dos Estados de Unidos é apenas ter controle sobre o petróleo dos países daquela parte do mundo.

A pandemia já comemorou seu sexto aniversário - nos Estados Unidos até inventaram o termo "coronaversary", que, traduzido, seria algo como "coronaversário"? E as mortes continuam, apesar das vacinas. De forma mais esporádica, mas ainda por conta das novas variantes do vírus. Os hospitais, apesar de menos lotados, e de se ter menos médicos, médicas, enfermeiros, enfermeiras morrendo, ainda há gente morrendo, como eu disse acima. E não há sinal de que a coisa vá melhorar num espaço de tempo curto, pois as variantes do vírus continuam aparecendo. E já passamos próximos do ponto em que todas as pessoas vão ter alguém, ou da família, ou próximo, ou conhecido, que foram vitimados pelo Covid-19. 

Qual dessas experiências parece mais próxima de descrever a tua? Há muitas outras formas, é claro. Todos sabemos. Não há necessidade de nos alongarmos na descrição das atividades das pessoas todos os dias. Há pais, mães, alunos, professores, empregadas domésticas [que me parece uma profissão que só existe aqui, no Brasil, como resquício da escravatura], executivos, padres, freiras, psicólogos, psicólogas, terapeutas, médicos, enfermeiros e enfermeiras e toda uma enorme gama de profissionais ou não profissionais se preparando para "a luta diária". Todos os dias. E ainda mais neste dias.

E o que buscam todas essas pessoas? Melhor dizendo o que buscamos todas e todos nós nesta experiência que escolhemos viver neste mundo?

Eu tenho um único problema. E mesmo este único problema está resolvido. O que significa dizer que eu, aquilo que sou na verdade: O EU SOU O QUE SOU, não tenho nenhum problema. É esta ideia que vamos praticar hoje. Nossas práticas se destinam, pois, ao reconhecimento de que só temos um problema [ou de que, na verdade, não temos nenhum problema] e reconhecer isso é aceitar que ele [o único problema que aparentemente temos] já está resolvido. 

Como vamos fazer isso? A lição vai ensinar o passo a passo. Comecemos:

Se estiveres disposto a reconhecer teus problemas, reconhecerás que não tens nenhum problema. Teu único problema básico está resolvido e não tens nenhum outro. Por isto, tens de ficar em paz. Deste modo, a salvação depende do reconhecimento deste único problema e da compreensão de que ele está resolvido. Um só problema, uma única solução. A salvação é realizada. A libertação do conflito te é dada. Aceita este fato e estás pronto para assumir teu lugar legítimo no plano de Deus para a salvação.

Quantas vezes já passaste pela experiência de te sentires só, desamparado, abandonado e triste? Desamparada, só, abandonada e triste? Quantas vezes já olhaste para dentro de ti mesmo, de ti mesma, e te perguntaste o que fazer agora? Como resolver os problemas que se apresentam em tua vida? Como driblar o medo que ameaça a tua vida, com este vírus, e outros similares que têm surgido, se espalhando de todos os modos possíveis pelos dias, pelos lugares, pelas casas das pessoas? Com estas guerras que parecem prenunciar o início de uma terceira guerra mundial?

Se te lembrares bem, todas as vezes em que te voltaste para Deus, mesmo sem acreditar muito que Ele/Ela resolveria, mas pensando que já não tinhas forças para fazer nada, nem sabias mais o que fazer, uma solução surgiu e a questão que te afligia foi resolvida e de uma forma muito melhor do que aquela por que esperavas. Não foi? Há que se ser honesto, há que se ser honesta, ao responder a esta questão. 

Que eu reconheça que meus problemas estão resolvidos.

Já aprendemos que "não há nada a temer". Aprendemos também que Deus está em tudo o que vemos e que Ele/Ela vai conosco aonde formos. É Ele/Ela nossa força, e é d'Ele/d'Ela que recebemos a dádiva da visão. Ele/Ela é a Fonte e a Luz na qual vemos, a Mente com a qual pensamos e o Amor em que perdoamos. Que problemas podemos ter então?

A lição continua:

Teu único problema está resolvido! Repete isto muitas vezes hoje, com gratidão e confiança. Reconheces ter um único problema e abres o caminho para que o Espírito Santo de ofereça a resposta de Deus. Abandonas o engano e vês a luz da verdade. Aceitas a salvação para ti mesmo trazendo o problema à resposta. E podes reconhecer a resposta, porque o problema está identificado.

Tens direito à paz hoje. Um problema que está resolvido não pode te incomodar. Certifica-te apenas de não te esqueceres de que todos os problemas são o mesmo. Enquanto te lembrares disto, suas muitas formas não te enganarão. Um só problema, uma única solução. Aceita a paz que esta simples declaração traz.

É hoje que vais reconhecer e aceitar isto tudo como verdadeiro? Vais permitir que isso se transforme na própria energia de que és feito, feita? Vais incluir isto em teu DNA? Vais incluir tua herança divina em teu DNA?

Isto é tudo o que precisas fazer. É tudo o que precisamos fazer conforme ensina a lição:

Em nossos períodos de prática mais longos hoje, reivindicaremos a paz que tem de ser nossa quando o problema e a resposta são reunidos. O problema tem de desaparecer porque a resposta de Deus não pode falhar. Reconhecendo um, reconheces o outro. A solução é inseparável do problema. Tens a solução e aceitas a resposta. Estás salvo.

Agora, deixa que te seja dada a paz que tua aceitação traz. Fecha os olhos e recebe tua recompensa. Reconhece que teus problemas estão resolvidos. Reconhece que estás fora do conflito; livre e em paz. Acima de tudo, lembra-te de que tens um só problema e de que este problema tem uma única solução. É nisto que a simplicidade da salvação está. É por esta razão que é certo que ela funciona.

Não achas possível reconhecer que o único problema que tens já está resolvido? Não queres aceitar que todos os problemas, que são um só apesar da variedade de formas com que se apresentam, já estão resolvidos? Não queres reconhecer e aceitar teu direito a milagres, que outra lição ensinou a reconhecer há pouco? Como pode ser possível acreditares que ainda há algum problema a resolver?
 
Que eu reconheça que meus problemas estão resolvidos.

Olha com atenção e te esforça para praticar da forma que a lição orienta. Assim:

Afirma para ti mesmo várias vezes que teus problemas estão resolvidos. Repete a ideia com profunda certeza com a maior frequência possível. E certifica-te especialmente de aplicar a ideia para hoje a qualquer problema específico que surja. Dize imediatamente:

Que eu reconheça que este problema está resolvido.

Vamos nos decidir a não acumular mágoas hoje. Vamos nos decidir a ficar livres de problemas que não existem. O meio para isto é a sinceridade absoluta. Não te enganes acerca de qual é o problema e tens de reconhecer que ele está resolvido.

Se ainda te restarem quaisquer dúvidas, apressa-te a praticar a ideia que o Curso traz hoje. Ela oferece a solução definitiva para todos os problemas que pensavas ter. A partir das práticas deste dia, podes chegar à libertação completa de tudo aquilo que te amarrava às ilusões criadas pelo ego, o falso eu, e reconhecer que não precisas fazer nada a não ser aceitar a verdade a respeito do que és.

Podemos, portanto, repetindo o que eu já disse tantas vezes, ficar em paz. A luz veio. E trouxe consigo a salvação. Aceitá-la ou não é uma escolha, uma decisão, que cabe apenas a cada uma, a cada um de nós. Eis, pois, aí de novo a solução para todos os problemas.

Às práticas?

sexta-feira, 20 de março de 2026

O Curso trata das coisas do mundo não só na teoria

 

LIÇÃO 79

Que eu reconheça o problema para
que ele possa ser resolvido.

1. Um problema não pode ser resolvido se não souberes qual é ele. Mesmo que ele já esteja resolvido tu ainda terás o problema porque não reconhecerás que ele está resolvido. Esta é a situação do mundo. O problema da separação, que é verdadeiramente o único problema, já está resolvido. No entanto, a solução não é reconhecida porque o problema não é reconhecido.

2. Todos neste mundo parecem ter seus próprios problemas particulares. Mas eles são todos o mesmo e têm de ser reconhecidos como o mesmo se é para ser aceita a única solução que os resolve a todos. Quem pode perceber que um problema está resolvido se pensar que o problema é alguma outra coisa? Mesmo que a resposta lhe seja dada, ele não pode ver sua pertinência.

3. Esta é a posição na qual te encontras agora. Tu tens a resposta, mas ainda estás em dúvida a respeito de qual é o problema. Uma longa série de problemas diferentes parece te desafiar e assim que um é resolvido aparece o outro, e o seguinte. Parece não haver fim para eles. Não há nenhum momento em que te sintas completamente livre de problemas e em paz.

4. A tentação de considerar os problemas numerosos é a tentação de manter não resolvido o problema da separação. O mundo parece te presentear com um grande número de problemas, cada um pedindo uma resposta diferente. Esta percepção te coloca em uma posição para a qual teu modo de resolver problemas tem de ser precário e o fracasso inevitável.

5. Ninguém poderia resolver todos os problemas que o mundo parece ter. Eles parecem estar em tantos níveis, em formas tão variadas e apresentar conteúdos tão diversos, que te desafiam com uma situação impossível. O desânimo e a depressão são inevitáveis quando tu pensas a respeito deles. Alguns surgem de forma inesperada, exatamente quando pensavas ter resolvido os anteriores. Outros permanecem insolúveis sob uma nuvem de negação e se erguem para te assombrar de vez em quando, apenas para se esconderem mais uma vez, mas ainda sem solução.

6. Toda esta complexidade é apenas uma tentativa desesperada de não reconhecer o problema e, por isto, de não permitir que ele seja resolvido. Se pudesses reconhecer que teu único problema é a separação, não importa que forma ela assuma, poderias aceitar a resposta porque perceberias sua pertinência. Percebendo a constância subjacente a todos os problemas que parecem te desafiar, compreenderias que tens o meio para resolver todos eles. E utilizarias o meio, porque reconheces o problema.

7. Em nossos períodos de prática mais longos hoje vamos perguntar qual é o problema e qual é a resposta para ele. Não vamos pressupor que já sabemos. Tentaremos libertar nossas mentes de todos os muitos tipos diferentes de problemas que pensamos ter. Tentaremos perceber claramente que temos um só problema, que deixamos de reconhecer. Perguntaremos qual é ele e esperaremos pela resposta. Ela nos será dada. Em seguida, pediremos a solução para ele. E ela nos será dada.

8. Os exercícios para hoje serão bem-sucedidos na medida em que não insistires em definir o problema. Talvez não sejas bem-sucedido em abandonar todas as tuas ideias preconcebidas, mas isto não é necessário. Todo o necessário é alimentar alguma dúvida acerca da realidade de tua versão de quais são teus problemas. Estás tentando reconhecer que a resposta te foi dada pelo reconhecimento do problema, a fim de que o problema e a resposta possam ser reunidos e possas ficar em paz.

9. Os períodos de prática mais breves para hoje não serão determinados pelo tempo, mas pela necessidade. Verás muitos problemas hoje, cada um pedindo uma resposta. Nossos esforços serão orientados para o reconhecimento de que há apenas um problema e uma resposta. Neste reconhecimento todos os problemas se resolvem. Neste reconhecimento há paz.

10. Não te deixes enganar pelas formas dos problemas hoje. Sempre que qualquer dificuldade parecer surgir, dize a ti mesmo imediatamente:

Que eu reconheça este problema para que ele possa ser resolvido.

Em seguida, tenta suspender qualquer julgamento acerca do que é o problema. Se possível, fecha os olhos por um momento e pergunta qual é ele. Serás ouvido e receberás resposta.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a lição 79

Caras, caros,

Quando vocês têm algum problema costumam encará-lo de frente e buscar a solução imediatamente, ou preferem deixá-lo de molho, esperando um momento melhor - qual seria - para voltar-se para ele e buscar resolvê-lo?

Ou preferem negar que o problema existe e esperar que o "Universo" o resolva? Ou buscam milhares de soluções mirabolantes desconectadas de qualquer possível realidade apenas para poderem dizer que estão tentando ou que tentaram resolver o problema de todas as formas possíveis?

Acho que a ideia para as práticas de hoje podem nos dar uma luz a respeito de como nos aproximarmos de qualquer possível problema.

Vejamos, pois.

"Que eu reconheça o problema para que ele possa ser resolvido."

Hoje, de novo, vamos modificar um pouquinho a forma de nos aproximarmos da lição e da ideia que ela traz para as nossas práticas. Na verdade, vamos refletir de um modo um pouco mais demorado a respeito do que nos trouxe até aqui e como fomos ensinadas e ensinados, sem perceber de modo consciente a mais das vezes, a abandonar o contato como o espírito que nos anima, voltando nossa atenção, a maior parte do tempo, às coisas que se referem ao corpo, ao nosso próprio e ao de todos e de todas com quem dividimos nosso mundo. 

De que modo e por quais razões o mundo se mostra hoje a nós como algo a ser apenas explorado em proveito próprio, para acúmulo de coisas materiais, coisas que vão desaparecer com a passagem do tempo? Coisas que, sem sombra de dúvida, podem dar - e dão - privilégios e boa vida a alguns, enquanto deixam na aparente miséria e no abandono a maior parte da população do planeta. Onde está o problema? Como reconhecê-lo?

Chama-se Em defesa de Deus um livro que li entre fevereiro e março de 2011, já há quase quinze anos, e que ainda hoje se mantém na memória pela pertinência e pela forma diferente de olhar para a situação do mundo de hoje - sem condená-lo, mas sem negar que o espírito foi, de certo modo, relegado a um plano secundário pela maioria de nós, seres humanos. Se é que, sem levar em consideração o espírito que nos anima, se pode chamar alguém de ser humano. Este fato se deu, se dá ainda, é claro, em geral, em favor do consumismo, do imediatismo, do interesse individual e individualista, da inversão de valores, da falta de ética e de moral, da exploração pura e simples dos que não têm pelos que têm, em nome do progresso e do desenvolvimento e da criação de riquezas materiais, valores daquilo que se chama capitalismo, ou talvez mais apropriadamente hoje, de liberalismo capitalista. Um modo econômico dito selvagem algumas vezes.

Escrito por Karen Armstrong, em 2009, ele, o livro, busca mostrar quais os caminhos que, tomados pelas religiões, a partir das escolhas humanas, nos afastaram da religião verdadeira ou, melhor dizendo, do sentimento de religiosidade intrínseco a nossa experiência humana, como se pode ver pelos registros das primeiras manifestações encontradas pela pesquisa arqueológica, que dão conta de expressões de rituais que reconheciam uma Presença, a que não se podia dar nome, e que ficava além da experiência cotidiana.

Falando de alguns dos grandes e importantes pensadores da humanidade, Karen diz no livro que a atividade filosófica de Sócrates, e de outros filósofos da Antiguidade, não era separada da religião. Isto é, a atividade dos filósofos estava intrinsecamente ligada à religião e à espiritualidade, sendo ela mesma - a filosofia -, pode-se dizer, a religião que se praticava então, uma vez que não existia, como hoje, nenhuma prática religiosa institucionalizada sob o patrocínio de uma "autoridade" constituída, como o Papa e seus bispos, no caso da religião católica, a partir de certo ponto da história. 

Sócrates, cujos pensamentos chegaram a nosso conhecimento via Platão, não tinha pretensões a ser dono da verdade absoluta, nem se tinha em conta de sábio, ou qualquer coisa que o valha, e seus ensinamentos buscavam, pensando junto com os indivíduos que o procuravam, quase sempre muito mais dar elementos para que os indivíduos que iam até ele questionassem por si mesmos a forma, ou formas, como viam o mundo, a fim de que eles mesmos descobrissem a melhor maneira de resolver suas questões e de viver suas vidas. É a ele que se atribui a famosa frase: "Conhece-te a ti mesmo".

Uma historinha que ela conta a respeito dele, diz que no fim de sua vida, Sócrates, apesar de não pensar em si mesmo como um sábio, relembrou uma ocasião em que foi atacado por um importante político de Atenas e disse para si mesmo: "Sou mais sábio que esse homem; provavelmente, nenhum de nós sabe qualquer coisa que valha a pena, porém ele pensa que sabe algo - e não sabe -, enquanto eu não sei, nem penso que sei; portanto, provavelmente sou mais sábio que ele só porque não penso que sei o que não sei".

A ideia que a lição deste dia 20 de março nos apresenta para as práticas é, como eu disse em comentário anterior, de suma importância. Considerando-se que o Curso busca nos oferecer uma forma, um caminho, para se chegar ao autoconhecimento - ao "conhece-te a ti mesmo" de Sócrates, precisamos questionar verdadeiramente aquilo que sabemos ou que pensamos saber que sabemos. Tal como ele ensinava, é preciso que questionemos a forma, ou formas, pela qual vemos o mundo, para descobrir aonde está o problema, se é que vemos algum.

Só reconhecendo o problema, como a lição ensina, é que vamos poder, de fato, lidar com ele. Daí a necessidade de que nos dediquemos às práticas com toda a atenção e com todo o esforço de que somos capazes, dispostos e dispostas a reconhecer a necessidade de mudar, se, e quando, ela se apresentar. Prontas e prontos para fazer com alegria a mudança que se nos afigure necessária. Com isso, quem sabe?, seremos capazes de reconhecer que todos os problemas do mundo são um só e o mesmo: a crença na separação.

Se nos deixamos enganar pelo sistema de pensamento do ego - o falso eu que pensamos ser -, que tenta nos convencer de que há uma quantidade ilimitada de problemas para os quais devemos buscar solução, viver passa a ser um inferno, na medida em que nos vemos forçadas e forçados, de fato, a lidar com tantos problemas, mergulhando de corpo e mente neles, abandonando o espírito, por esquecê-lo, sem que a solução de um faça diminuir a quantidade dos que nos chegam a cada momento. 

Vejam, pois, parágrafo a parágrafo o que o Curso nos oferece como forma de iluminar as práticas da ideia para hoje. É vital que prestemos toda a atenção possível ao que ele diz, pois se, de alguma forma, continuamos a ver problemas se apresentarem a nossa experiência, multiplicando-se e se agravando dia após dia, isso só pode ser sinal de que ainda não tomamos a decisão que nos pedia Tara Singh, em sintonia com o ensinamento, já lá desde as primeiras lições. 

É só a partir da decisão de pôr em prática o que as lições oferecem que vamos poder reconhecer o problema aonde ele de fato está e perceber que ele já está resolvido, e que vamos poder dizer com certeza que somos estudantes de Um Curso em Milagres. 

Apesar de parecer que o que o Curso oferece é apenas teoria, como bem podem pensar alguns e algumas entre nós - a maioria de nós até, quem sabe? -, isto não é a verdade a respeito do Curso. 

Não! Não e não! Tudo o que ele nos traz, se visto com olhos honestos e sinceros, abertos para ver de modo diferente, e ouvidos abertos para ouvir a verdade a nosso próprio respeito, é apenas prática. As lições, a aplicação das ideias no dia-a-dia em nossas vidas faz uma diferença absurda, a partir do momento em que algum ou alguma de nós se decide de fato a praticar. 

A decisão de praticar diariamente não é nada mais nada menos do que a decisão de salvar-se e de, por extensão, salvar o mundo todo. É escolher o céu. Pois, ao tomar a decisão, a pessoa que a toma escolhe olhar para o mundo e ver tudo e todas as coisas e pessoas nele de modo diferente. Sem julgar.

O foco da atenção muda e ela já não dá mais ouvidos ao apelo ensurdecedor do ego para olhar para os defeitos, problemas, diferenças, imperfeições, ou quaisquer sombras sobre a criação, ou sobre as criaturas. 

Não, o que se quer ver em tudo, em todas e em todos é apenas a luz. E quando qualquer um ou qualquer uma de nós for capaz, por ter tomado a decisão, de ver em tudo e em todas as pessoas apenas a luz, esta pessoa está salva. E, claro, o mundo todo também. Ela venceu o mundo. Reconheceu o problema para que ele pudesse ser - e ele foi - resolvido.

Às práticas?