sexta-feira, 8 de maio de 2026

Tem valor um mundo que muda a um piscar de olhos?

 

LIÇÃO 128

O mundo que vejo não tem nada que eu queira.

1. O mundo que vês não tem nada do que precisas para te oferecer, nada que possas usar de nenhum modo, nem absolutamente nada que sirva para te dar alegria. Acredita nesta ideia e estás salvo de anos de sofrimento, de inúmeras frustrações e de esperanças que se tornam cinzas amargas de desespero. Ninguém tem senão de aceitar esta ideia como verdadeira, se quiser deixar o mundo para trás e se elevar acima de seu domínio insignificante e de suas peculiaridades.

2. Cada coisa que valorizas aqui é apenas uma corrente que te prende ao mundo e não servirá a nenhum outro fim a não ser a este. Pois todas as coisas têm de servir à finalidade que lhes dás, até veres um fim diferente nelas. O único fim digno de tua mente que este mundo tem é o de passares por ele sem demora para perceber alguma esperança aonde não há nenhuma. Não te enganes mais. O mundo que vês não tem nada que queiras.

3. Escapa, hoje, das correntes que colocas em tua mente, quando percebes a salvação aqui. Pois tornas parte de ti, da forma que te percebes, aquilo a que dás valor. Todas as coisas que buscas para tornar teu valor maior a tua vista te limitam mais, escondem de ti teu valor e acrescentam outra barreira diante da porta que conduz à consciência verdadeira de teu Ser.

4. Não permitas que nada relativo aos pensamentos do corpo retardem teu avanço em direção à salvação, nem te permitas a tentação de acreditar que o mundo tem qualquer coisa que queiras que te detenha. Não há nada aqui para se apreciar. Nada aqui vale um instante de atraso e dor; um instante de incerteza e dúvida. O inútil não oferece nada. Não se pode encontrar garantia de valor no inútil.

5. Hoje praticamos abandonar todas as ideias de valor que damos ao mundo. Nós o deixamos livre dos propósitos que demos a seus aspectos e a suas fases e a seus sonhos. Nós o mantemos sem finalidade em nossas mentes e o libertamos de tudo o que desejaríamos que ele fosse. Desta forma, nós, de fato, erguemos as correntes que obstruem a porta pela qual precisamos passar para nos libertamos do mundo e para ir além de todas as metas e valores insignificantes e de pouca importância.

6. Para e fica quieto por um instante e vê quão alto te elevas acima do mundo, quando liberas tua mente das correntes e a deixas buscar o nível em que ela se sente à vontade. Ela ficará agradecida por ser livre por algum tempo. Ela sabe qual é seu lugar. Liberta suas asas apenas e ela voará na certeza e na alegria para se unir a seu propósito sagrado. Deixa que ela descanse em seu Criador, para ser devolvida, aí, à sanidade, à liberdade e ao amor.

7. Dá-lhe dez minutos de descanso três vezes hoje. E quando, mais tarde, teus olhos se abrirem, não darás tanto valor a qualquer coisa que vires quanto davas antes, ao olhar para ela. Toda tua perspectiva do mundo mudará, por pouco que seja, cada vez que permitires que tua mente escape de suas correntes. O mundo não é o lugar dela. E o teu lugar é o lugar aonde ela quer estar e aonde ela vai descansar quando a liberas do mundo. Teu Guia é de confiança. Abre tua mente a Ele. Aquieta-te e descansa.

8. Protege tua mente ao longo de todo este dia da mesma forma. E, quando pensares ver algum valor em um aspecto ou em uma imagem do mundo, recusa-te a colocar essa corrente sobre tua mente, dize apenas a ti mesmo com convicção serena:

Isto não me tentará a me atrasar.
O mundo que vejo não tem nada que eu queira.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 128

Caras, caros,

A ideia que vamos praticar neste dia quer nos fazer abrir os olhos para o fato de que tudo o que vemos, provamos, tocamos, cheiramos, ouvimos e sentimos neste mundo é apenas ilusão, não vai durar e não tem qualquer valor real.

Ela é a seguinte:

"O mundo que vejo não tem nada que eu queira."

Comecemos, pois, a exploração:

Repetindo, com grande ênfase para que não fiquem dúvidas, a abertura da apresentação da lição:

O mundo que vês não tem nada do que precisas para te oferecer, nada que possas usar de nenhum modo, nem absolutamente nada que sirva para te dar alegria... 

Ou pensas que ele tem? Ou pensas que há no mundo alguma coisa que queres? Algo ou alguém que te pode dar alegria, paz, felicidade ou qualquer outra coisa que já não seja tua, recebida por tua herança de filho de Deus? A lição continua...

... Acredita nesta ideia e estás salvo de anos de sofrimento, de inúmeras frustrações e de esperanças que se tornam cinzas amargas de desespero. Ninguém tem senão de aceitar esta ideia como verdadeira, se quiser deixar o mundo para trás e se elevar acima de seu domínio insignificante e de suas peculiaridades.

Cada coisa que valorizas aqui é apenas uma corrente que te prende ao mundo e não servirá a nenhum outro fim a não ser a este. Pois todas as coisas têm de servir à finalidade que lhes dás, até veres um fim diferente nelas. O único fim digno de tua mente que este mundo tem é o de passares por ele sem demora para perceber alguma esperança aonde não há nenhuma. Não te enganes mais. O mundo que vês não tem nada que queiras.

A única coisa que o mundo pode oferecer é a ilusão de uma felicidade fugidia, uma felicidade que pode tomar diferentes formas e que nunca pode satisfazer nenhum, nenhuma, de nós por completo. Ele também oferece aquele tipo de amor que muda ao sabor da percepção, ao sabor do humor e que se oferece a alguns e a algumas, mas não a outros, ou outras. Que dirá a todos, a todas? O mundo, na ilusão, também oferece alguns momentos de paz, não é mesmo? Uma paz, no entanto, que nunca é duradoura, porque há sempre o medo, a culpa, a dor, o sofrimento, a mágoa, o ódio e o ressentimento por trás da paz que o mundo oferece. Uma paz que só se apresenta por instantes, quando, naquela fração de segundos, às vezes, somos capazes de deixar de lado todos os enganos e ilusões do mundo. Para viver um "instante santo". 

O mundo que vejo não tem nada que eu queira.

Pois como o Curso ensina: 

"A felicidade fugidia ou a felicidade em forma mutante, que se desloca com o tempo e o lugar, é uma ilusão que não tem nenhum significado. A felicidade tem de ser constante, porque se chega a ela desistindo do desejo do inconstante. Não se pode perceber a alegria senão pela visão verdadeira. E a visão verdadeira só é dada àqueles que desejam constância." 

Isto é, como orienta o budismo, pelo que penso saber dele, é preciso que calemos, e abandonemos, em nós todos os desejos por alguma coisa, por alguma emoção que possam advir do contato com as coisas - e pessoas - do mundo.

Como chegar a isto? Seguindo a orientação que a lição nos dá para as práticas:

Escapa, hoje, das correntes que colocas em tua mente, quando percebes a salvação aqui. Pois tornas parte de ti, da forma te percebes, aquilo a que dás valor. Todas as coisas que buscas para tornar teu valor maior a tua vista te limitam mais, escondem de ti teu valor e acrescentam outra barreira diante da porta que conduz à consciência verdadeira de teu Ser.

Não permitas que nada relativo aos pensamentos do corpo retardem teu avanço em direção à salvação, nem te permitas a tentação de acreditar que o mundo tem qualquer coisa que queiras que te detenha. Não há nada aqui para se apreciar. Nada aqui vale um instante de atraso e dor; um instante de incerteza e dúvida. O inútil não oferece nada. Não se pode encontrar garantia de valor no inútil.

É na direção da constância e da visão verdadeira que as práticas de hoje nos levam. Com elas, a partir delas, vamos - melhor seria dizer podemos vir a - aprender a perceber que o mundo não nos oferece nada que seja duradouro, permanente, nada que possa vir a ser eterno. Pois o mundo é, a cada novo instante, apenas um reflexo de nossos pensamentos equivocados acerca de nós mesmos e de nós mesmas. É um lugar que inventamos em pensamentos para esconder de nós mesmos e de nós mesmas aquilo que somos, para lembrar a lição de ontem. O mundo na maior parte do tempo é apenas a materialização ilusória das interpretações que fazemos daquilo que nos mostra nossa percepção, que, é sempre bom lembrar, só nos mostra aquilo que escolhemos ver.

O mundo que vejo não tem nada que eu queira.

Duvidamos da verdade que a ideia da lição nos traz? Perguntemo-nos então: O que pode haver de valor na fantasia de um mundo que muda a cada piscar de olhos de cada um ou de cada uma de nós? Não será isso um sonho? Melhor dizendo, não será um pesadelo um mundo onde tudo muda ao sabor de cada equívoco em que acreditamos? E não só dos equívocos, dos acertos também. Será que, de verdade, queremos nos tornar prisioneiros e prisioneiras de um pesadelo, no qual todos os horrores que nossa imaginação inventa assumem uma realidade que não têm apenas para nos assombrar? Ou queremos experimentar viver "o sonho feliz"?

Se quisermos viver, mesmo neste mundo, "o sonho feliz", precisamos das práticas de hoje. E, claro, precisamos das práticas de todos os dias para não incorrermos no equívoco de acreditar que há, no mundo, alguma coisa que queiramos ou alguma coisa de que precisemos.

A lição orienta:

Hoje praticamos abandonar todas as ideias de valor que damos ao mundo. Nós o deixamos livre dos propósitos que demos a seus aspectos e a suas fases e a seus sonhos. Nós o mantemos sem finalidade em nossas mentes e o libertamos de tudo o que desejaríamos que ele fosse. Desta forma, nós, de fato, erguemos as correntes que obstruem a porta pela qual precisamos passar para nos libertamos do mundo e para ir além de todas as metas e valores insignificantes e de pouca importância.

Para e fica quieto por um instante e vê quão alto te elevas acima do mundo, quando liberas tua mente das correntes e a deixas buscar o nível em que ela se sente à vontade. Ela ficará agradecida por ser livre por algum tempo. Ela sabe qual é seu lugar. Liberta suas asas apenas e ela voará na certeza e na alegria para se unir a seu propósito sagrado. Deixa que ela descanse em seu Criador, para ser devolvida, aí, à sanidade, à liberdade e ao amor.

Sabemos já, a partir daqui que:
 
O mundo que vejo não tem nada que eu queira.

Ou ainda como o Curso diz: 

"Qualquer coisa neste mundo que acredites ser boa, de valor e pela qual valha a pena lutar, pode te ferir e o fará. Não porque tenha o poder de ferir, mas apenas porque negaste que ela é apenas uma ilusão e a tornaste real. E ela é real para ti. Ela deixou de ser nada. E, a partir da realidade percebida nela, entra todo o mundo de ilusões doentias. Toda a crença no pecado, no poder do ataque, na dor e no mal, no sacrifício e na morte, vem a ti. Pois ninguém pode tornar real uma ilusão e, mesmo assim, escapar do restante delas. Pois quem pode escolher manter aquelas que prefere e encontrar a segurança que só a verdade pode dar? Quem pode acreditar que as ilusões são iguais e ainda assim sustentar que uma delas é melhor?"

É preciso que demos trégua a nossa mente, que a deixemos descansar, a lição afirma. E podemos fazer isso aceitando praticar do modo que o Curso sugere:

Dá-lhe dez minutos de descanso três vezes hoje. E quando, mais tarde, teus olhos se abrirem, não darás tanto valor a qualquer coisa que vires quanto davas antes, ao olhar para ela. Toda tua perspectiva do mundo mudará, por pouco que seja, cada vez que permitires que tua mente escape de suas correntes. O mundo não é o lugar dela. E o teu lugar é o lugar aonde ela quer estar e aonde ela vai descansar quando a liberas do mundo. Teu Guia é de confiança. Abre tua mente a Ele. Aquieta-te e descansa.

Protege tua mente ao longo de todo este dia da mesma forma. E, quando pensares ver algum valor em um aspecto ou em uma imagem do mundo, recusa-te a colocar essa corrente sobre tua mente, dize apenas a ti mesmo com convicção serena:

Isto não me tentará a me atrasar.
O mundo que vejo não tem nada que eu queira.

Ou podemos nos deixar ficar mergulhados e mergulhadas no pesadelo de ilusões que o mundo oferece. No entanto, as práticas com a ideia de hoje e a aceitação da verdade que há no que a lição nos pede para praticar podem abrir espaço para o milagre de nosso despertar para "o sonho feliz". 

Um sonho no qual podemos nos esquecer da crença equivocada em uma separação que nunca aconteceu, nem poderá jamais acontecer, abandonando-a de vez. Um sonho no qual podemos experimentar no presente, aqui e agora, a alegria, a paz e a felicidade perfeitas, completas e constantes que são a Vontade de Deus para todos, para todas, para cada um e para cada uma de nós. 

Às práticas?

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Tens disposição, coragem, para abandonar o mundo?

 

LIÇÃO 127

Não há nenhum amor a não ser o de Deus.

1. Talvez penses que diferentes tipos de amor são possíveis. Talvez penses que há um tipo de amor para isto, um tipo para aquilo; um modo de amar alguém, outro modo ainda de amar outro alguém. O amor é único. Ele não tem nenhuma parte separada e nenhum grau; nenhum tipo, nem níveis; nenhuma divergência e nenhuma distinção. Ele é igual a si mesmo, inteiramente imutável. Ele nunca se altera com uma pessoa ou uma circunstância. Ele é o Coração de Deus e o de Seu Filho também.

2. O significado do amor está escondido de qualquer um que pense que o amor pode mudar. Ele não percebe que mudar o amor tem de ser impossível. E, deste modo, ele pensa que, às vezes, pode amar e, noutras, odiar. Ele também pensa que o amor pode ser oferecido a um e ainda permanecer ele mesmo embora seja negado a outros. Acreditar nestas coisas a respeito do amor é não compreendê-lo. Se ele pudesse fazer tais distinções, teria de julgar entre o justo e o pecador, e perceber o Filho de Deus em partes separadas.

3. O amor não pode julgar. Do mesmo modo que ele é único em si mesmo, ele olha para tudo como um só. Seu significado está na unidade. E tem de escapar à mente que pensa nele como tendencioso ou parcial. Não há nenhum amor a não ser o de Deus e tudo o que se refere ao amor é d'Ele. No lugar onde não há amor, não há nenhum outro princípio que governe. O amor é uma lei que não tem oposto. Sua completude é o poder que mantém todas as coisas unas, a ligação entre o Pai e o Filho que Os mantém eternamente como o mesmo.

4. Nenhum curso cujo objetivo seja te ensinar a te lembrares do que és realmente poderia deixar de enfatizar que não pode existir nunca uma diferença entre o que tu és realmente e o que o amor é. O significado do amor é teu próprio significado, e compartilhado pelo Próprio Deus. Pois o que tu és é o que Ele é. Não há nenhum amor a não ser o d'Ele, e o que Ele é é tudo o que existe. Sobre Ele Mesmo não se impõe nenhum limite e, por isto, tu também és ilimitado.

5. Nenhuma lei a que o mundo obedeça pode te ajudar a apreender o significado do amor. Aquilo em que o mundo acredita foi feito para esconder o significado do amor e para mantê-lo oculto e secreto. Não há nenhum princípio que o mundo sustente que não viole a verdade do que o amor é e do que tu também és.

6. Não busques no mundo para achar teu Ser. Não se encontra o amor na escuridão e na morte. Porém ele é completamente aparente aos olhos que veem e aos ouvidos que ouvem a Voz do amor. Hoje praticamos libertar tua mente de todas as leis a que pensas ter de obedecer; de todos os limites sob os quais vives e de todas as mudanças que pensas serem parte do destino humano. Hoje damos o maior passo individual que este curso exige em teu avanço na direção à meta que ele estabeleceu.

7. Se conseguires, hoje, o mais leve vislumbre do que o amor significa, avançaste uma distância imensurável e um tempo maior do que o que se pode contar em anos na direção de tua liberdade. Então, juntos, vamos ficar contentes por dedicar algum tempo a Deus hoje e compreender que não há uso melhor para o tempo do que este.

8. Escapa, hoje, de todas as leis nas quais acreditas agora por duas vezes durante quinze minutos. Abre tua mente e descansa. É possível, para qualquer um que não dê valor a ele, escapar do mundo que parece te aprisionar. Retira todo o valor que deste a seus parcos oferecimentos e dádivas insignificantes e deixa que a dádiva de Deus substitua todas elas.

9. Chama por teu Pai, certo de que a Voz d'Ele responderá. Ele Mesmo assegura isto. E Ele Mesmo colocará uma centelha de verdade em tua mente sempre que desistires de uma crença falsa, uma ilusão sombria de tua própria realidade e do que o amor significa. Ele brilhará através de teus pensamentos inúteis hoje e te ajudará a compreender a verdade a respeito do amor. Ele habitará contigo em mansidão amorosa, quando permitires que Sua Voz ensine o significado do amor a tua mente pura e aberta. E Ele abençoará a lição com Seu Amor.

10. Hoje a quantidade de anos futuros de espera pela salvação desaparece diante da intemporalidade do que aprendes. Demos graças, hoje, por sermos poupados de um futuro idêntico ao passado. Hoje, deixamos o passado atrás de nós, para não ser lembrado jamais. E erguemos nossos olhos para um presente diferente do passado em todos os aspectos.

11. O mundo incipiente é recém-nascido. E nós o observamos crescer em saúde e força, para distribuir sua bênção sobre todos que vierem aprender a pôr de lado o mundo que pensavam que era feito no ódio para ser inimigo do amor. Agora todos ficaram livres junto conosco. Agora todos são nossos irmãos no Amor de Deus.

12. Nós nos lembraremos deles ao longo do dia, porque não podemos deixar uma parte de nós fora de nosso amor, se quisermos conhecer nosso Ser. Pensa, pelo menos três vezes por hora, em alguém que faz a jornada contigo e que veio aprender aquilo que tu tens de aprender. E, quando ele vier a tua mente, dá-lhe esta mensagem de teu Ser:

Eu te abençoo, irmão, com o Amor de Deus, que
quero compartilhar contigo. Pois quero aprender
a lição feliz de que não há nenhum amor a não ser
o de Deus e o teu e o meu e o de todos.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 127

Caras, caros,

Vamos começar a exploração da ideia de hoje, que é:

"Não há nenhum amor a não ser o de Deus.",

refletindo a respeito de como pensamos no amor, como o vemos em nossas vidas, como nos deixamos levar pelas ideias equivocadas do sistema de pensamento do ego a respeito do que é o amor, inventando milhares, milhões de formas de amor, que, na verdade, não têm nada a ver com o amor de que fala o Curso, que é o amor de Deus.

Por isso, a ideia que vamos praticar hoje traz consigo, mais uma vez, como não poderia deixar de ser, outra nova oportunidade, a mais nova - mais uma - de nos pormos em contato com aquilo que somos verdadeiramente. Isto é, temos, hoje, novamente, mais uma oportunidade de aprender, na prática - e com as práticas deste dia -, a respeito do amor, que é o que somos, e de Deus, que é o Amor Que Somos.

A única "coisa" real é Deus. É o Amor que vem d'Ele/d'Ela, que é o que Ele/Ela é. É o que veríamos, perceberíamos, se pudéssemos, de algum modo, vislumbrar uma forma de apreender o que Ele/Ela é. Pois Ele/Ela é o Inominável, o Indizível e nada do que pudermos dizer a respeito d'Ele O define, uma vez que definir é limitar e Ele/Ela não conhece limites. Por outro lado, e também da mesma forma, tudo o que dissermos d'Ele/Ela também não é o que Ele/Ela é, porque tudo o que conhecemos conhecemos dentro de uma consciência ainda limitada por nossa experiência da, e na, forma.

É este amor sem limites, indivisível e, ao mesmo tempo, capaz de abarcar tudo e todos num mesmo abraço, que a lição nos convida a conhecer. Assim:

Talvez penses que diferentes tipos de amor são possíveis. Talvez penses que há um tipo de amor para isto, um tipo para aquilo; um modo de amar alguém, outro modo ainda de amar outro alguém. O amor é único. Ele não tem nenhuma parte separada e nenhum grau; nenhum tipo, nem níveis; nenhuma divergência e nenhuma distinção. Ele é igual a si mesmo, inteiramente imutável. Ele nunca se altera com uma pessoa ou uma circunstância. Ele é o Coração de Deus e o de Seu Filho também.

É a este amor que podemos chamar de incondicional. Não há outro.

A lição continua:

O significado do amor está escondido de qualquer um que pense que o amor pode mudar. Ele não percebe que mudar o amor tem de ser impossível. E, deste modo, ele pensa que, às vezes, pode amar e, noutras, odiar. Ele também pensa que o amor pode ser oferecido a um e ainda permanecer ele mesmo embora seja negado a outros. Acreditar nestas coisas a respeito do amor é não compreendê-lo. Se ele pudesse fazer tais distinções, teria de julgar entre o justo e o pecador, e perceber o Filho de Deus em partes separadas.

O amor não pode julgar. Do mesmo modo que ele é único em si mesmo, ele olha para tudo como um só. Seu significado está na unidade. E tem de escapar à mente que pensa nele como tendencioso ou parcial. Não há nenhum amor a não ser o de Deus e tudo o que se refere ao amor é d'Ele. No lugar onde não há amor não há nenhum outro princípio que governe. O amor é uma lei que não tem oposto. Sua completude é o poder que mantém todas as coisas unas, a ligação entre o Pai e o Filho que Os mantém eternamente como o mesmo.

Será que a partir disso ainda vamos pensar que há como dividir as pessoas entre as que merecem receber nosso amor e as que não, como o ego nos aconselha a fazer? Será que ainda vamos ser capazes de pensar que podemos dar um amor um pouco maior a algumas e um amor um pouco menor, diferente a outras? Ou ainda negar o amor totalmente a outras mais?

Não há nenhum amor a não ser o de Deus. 

Isto quer dizer que não é amor um sentimento ou emoção qualquer que tenhamos, e que nos permita pensar ser possível excluir alguém de nosso abraço amoroso. Vejamos, então, o que o Curso quer que aprendamos: 

Nenhum curso cujo objetivo seja te ensinar a te lembrares do que és realmente poderia deixar de enfatizar que não pode existir nunca uma diferença entre o que tu és realmente e o que o amor é. O significado do amor é teu próprio significado, e compartilhado pelo Próprio Deus. Pois o que tu és é o que Ele é. Não há nenhum amor a não ser o d'Ele, e o que Ele é é tudo o que existe. Sobre Ele Mesmo não se impõe nenhum limite e, por isto, tu também és ilimitado.

Nenhuma lei a que o mundo obedeça pode te ajudar a apreender o significado do amor. Aquilo em que o mundo acredita foi feito para esconder o significado do amor e para mantê-lo oculto e secreto. Não há nenhum princípio que o mundo sustente que não viole a verdade do que o amor é e do que tu também és.

Não busques no mundo para achar teu Ser. Não se encontra o amor na escuridão e na morte. Porém ele é completamente aparente aos olhos que veem e aos ouvidos que ouvem a Voz do amor. Hoje praticamos libertar tua mente de todas as leis a que pensas ter de obedecer; de todos os limites sob os quais vives e de todas as mudanças que pensas serem parte do destino humano. Hoje damos o maior passo individual que este curso exige em teu avanço na direção à meta que ele estabeleceu.

É isso! É preciso que estejamos dispostos a reconhecer que as leis do mundo, que limitam o amor,  não têm de ser obedecidas, se praticarmos viver o amor de Deus, a recebê-lo e a estendê-lo a tudo e a todos, mesmo neste mundo.

Como o Curso ensina, o que Deus nos dá é dado verdadeiramente e tem de ser recebido de verdade. Pois as dádivas de Deus não têm realidade, quando não as recebemos. É por isso que não nos serve de nada a compreensão intelectual da onipotência, onisciência e onipresença de Deus. É preciso que a tenhamos na consciência, na mente e no coração. Deus só pode ir conosco aonde formos se O/A convidarmos e permitirmos que Ele/Ela vá conosco.

Não há nenhum amor a não ser o de Deus.

É esta verdade que a lição quer que aprendamos hoje, para recebermos com ela o milagre que está reservado a cada um e a cada uma de nós, quando nos abrirmos para o único amor que existe. E não há limites para o que podemos alcançar se o desejarmos de verdade.

É o que a lição diz desta forma:

Se conseguires, hoje, o mais leve vislumbre do que o amor significa, avançaste uma distância imensurável e um tempo maior do que o que se pode contar em anos na direção de tua liberdade. Então, vamos, juntos, ficar contentes por dedicar algum tempo a Deus hoje e compreender que não há uso melhor para o tempo do que este.

Escapa, hoje, de todas as leis nas quais acreditas agora por duas vezes durante quinze minutos. Abre tua mente e descansa. É possível, para qualquer um que não dê valor a ele, escapar do mundo que parece te aprisionar. Retira todo o valor que deste a seus parcos oferecimentos e dádivas insignificantes e deixa que a dádiva de Deus substitua todas elas.

Chama por teu Pai, certo de que a Voz d'Ele responderá. Ele Mesmo assegura isto. E Ele Mesmo colocará uma centelha de verdade em tua mente sempre que desistires de uma crença falsa, uma ilusão sombria de tua própria realidade e do que o amor significa. Ele brilhará através de teus pensamentos inúteis hoje e te ajudará a compreender a verdade a respeito do amor. Ele habitará contigo em mansidão amorosa, quando permitires que Sua Voz ensine o significado do amor a tua mente pura e aberta. E Ele abençoará a lição com Seu Amor.

É certo que é aparentemente difícil aceitar uma ideia como a de hoje enquanto ainda pensarmos que há qualquer coisa de valor no mundo das aparências, das formas e das ilusões. Precisamos ter disposição e coragem, estar dispostos e dispostas a abandonar o mundo de uma vez por todas. Para ganhá-lo por inteiro. Para vencê-lo. Para libertá-lo por completo de quaisquer ideias e pensamentos equivocados que ainda temos a respeito dele. Mas quando teremos tal disposição, se tudo o que conseguimos fazer é protelar nossa decisão de escolher o Céu de forma definitiva? Quando, então, nos decidiremos a deixar de dar valor a qualquer coisa no - e do - mundo?

Uma das lições que já praticamos mais de uma vez garante que ainda somos como Deus nos criou, pois não há como sermos diferentes. Com a de hoje vamos fazer um esforço para aprender que não há, de fato, nada de valor no mundo em que aparentemente vivemos. Ao contrário, o mundo busca esconder o significado do amor, de modo a não o descobrirmos e, por consequência, não nos descobrirmos nele. E nem a Deus em nós.

Não há nenhum amor a não ser o de Deus. 

Pratiquemos, pois, de acordo com as orientações que recebemos hoje, para apressar nosso encontro com o Ser em nós, de Quem equivocadamente pensamos estar separados e separadas. Pois, como o Curso afirma em determinado ponto, já somos Aquilo que buscamos.

Assim é que vamos aprender que:

Hoje a quantidade de anos futuros de espera pela salvação desaparece diante da intemporalidade do que aprendes. Demos graças, hoje, por sermos poupados de um futuro idêntico ao passado. Hoje, deixamos o passado atrás de nós, para não ser lembrado jamais. E erguemos nossos olhos para um presente diferente do passado em todos os aspectos.

O mundo incipiente é recém-nascido. E nós o observamos crescer em saúde e força, para distribuir sua bênção sobre todos que vierem aprender a pôr de lado o mundo que pensavam que era feito no ódio para ser inimigo do amor. Agora todos ficaram livres junto conosco. Agora todos são nossos irmãos no Amor de Deus.

Nós nos lembraremos deles ao longo do dia, porque não podemos deixar uma parte de nós fora de nosso amor, se quisermos conhecer nosso Ser. Pensa, pelo menos três vezes por hora, em alguém que faz a jornada contigo e que veio aprender aquilo que tu tens de aprender. E, quando ele vier a tua mente, dá-lhe esta mensagem de teu Ser:

Eu te abençoo, irmão, com o Amor de Deus, que
quero compartilhar contigo. Pois quero aprender
a lição feliz de que não há nenhum amor a não ser
o de Deus e o teu e o meu e o de todos. 

Às práticas?

quarta-feira, 6 de maio de 2026

A melhor ferramenta do Curso é a prática das lições

 

LIÇÃO 126

Tudo o que dou é dado a mim mesmo.

1. A ideia de hoje, completamente estranha para o ego e para o modo de pensar do mundo, é vital para a inversão da forma de pensar que este curso trará. Se acreditasses nesta afirmação, não haveria nenhum problema em relação ao perdão completo, à certeza da meta e à direção correta. Tu compreenderias o meio pelo qual a salvação vem a ti e não hesitarias em usá-lo agora.

2. Consideremos aquilo em que de fato acreditas em lugar desta ideia. Parece-te que as outras pessoas estão separadas de ti e que são capazes de se comportar de maneiras que não têm nenhuma relação com teus pensamentos, nem os teus com os delas. Por isto, tuas atitudes não têm nenhum efeito sobre elas e os pedidos de ajuda delas não estão de nenhuma forma relacionados aos teus. Pensas, além disso, que elas podem pecar sem afetar tua percepção de ti mesmo, enquanto que tu podes julgar o pecado delas e, ainda assim, permanecer livre de condenação e em paz.

3. Quando "perdoas" um pecado não há francamente nenhum ganho para ti. Tu ofereces caridade a alguém indigno apenas para salientar que és melhor, que estás em um plano mais elevado do que aquele a quem perdoas. Ele não merece tua tolerância generosa, que concedes a alguém não merecedor da dádiva, porque seus pecados o reduzem a uma condição inferior à de uma verdadeira igualdade contigo. Ele não tem nenhum direito a teu perdão. Teu perdão estende uma dádiva a ele, mas dificilmente a ti mesmo.

4. Deste modo, o perdão é basicamente deletério; uma generosa extravagância, benevolente, apesar de não merecida, uma dádiva às vezes concedida, noutras negada. Não merecido, é justo negá-lo e não é justo que sofras quando ele é negado. O pecado que perdoas não é teu. Alguém separado de ti o cometeu. E se, então, fores bondoso para com ele, dando-lhe aquilo que ele não merece, a dádiva não é mais tua do que o pecado era dele.

5. Se isto for verdadeiro, o perdão não tem nenhuma base confiável e segura sobre a qual se apoiar. Ele é uma excentricidade, na qual tu, algumas vezes, escolhes dar de forma bondosa um alívio não merecido. Entretanto, continua a ser teu direito não permitir que o pecador escape do pagamento justo por seu pecado. Pensas que o Senhor do Céu permitiria que a salvação do mundo dependesse disto? O cuidado d'Ele por ti não seria, de fato, pequeno se tua salvação se baseasse em uma extravagância?

6. Tu não compreendes o perdão. Do modo como o vês, ele é apenas um controle imposto ao ataque aberto, que não exige correção em tua mente. Do modo como o percebes, ele não pode te oferecer a paz. Ele não é um meio para tua liberação daquilo que vês em alguém diferente de ti mesmo. Ele não tem nenhum poder para restabelecer tua unidade com ele em tua consciência. Ele não é o que Deus pretendia que ele fosse para ti.

7. Ao não Lhe dares a dádiva que Ele te pede, tu não podes reconhecer as dádivas d'Ele e pensas que Ele não as deu a ti. Porém, Ele te pediria uma dádiva a menos que ela fosse para ti? Ele poderia ficar satisfeito com gestos vazios e avaliar tais dádivas mesquinhas como dignas de Seu Filho? A salvação é uma dádiva melhor do que isto. E o perdão verdadeiro, como a forma pela qual ela é obtida, tem de curar a mente que dá, porque dar é receber. Aquilo que permanece não recebido não foi dado, mas aquilo que foi dado tem de ser recebido.

8. Hoje tentamos compreender a verdade segundo a qual doador e receptor são o mesmo. Precisarás de ajuda para tornar isto significativo, porque é muito estranho ao modo de pensar a que estás acostumado. Mas a Ajuda de que precisas está aí. Oferece tua fé a Ele hoje e pede a Ele que compartilhe de tua prática com a verdade hoje. E se captares apenas um vislumbre pequenino do alívio que há na ideia que praticamos hoje, este será um dia de glória para o mundo.

9. Dá, hoje, quinze minutos duas vezes à tentativa de compreensão da ideia de hoje. Ela é o pensamento a partir do qual o perdão assume o lugar correto em tuas prioridades. Ela é o pensamento que vai liberar tua mente de todos os obstáculos àquilo que o perdão significa e permitir que percebas claramente o valor dele para ti.

10. Em silêncio, fecha os olhos sobre o mundo que não compreende o perdão e busca refúgio no lugar sereno em que os pensamentos se transformam e as falsas crenças são abandonadas. Repete a ideia de hoje e pede ajuda para compreender o que ela significa realmente. Dispõe-te a ser instruído. Alegra-te em ouvir a Voz da verdade e da cura falar contigo e compreenderás as palavras que Ele diz, e reconhecerás que Ele te diz tuas próprias palavras.

11. Tantas vezes quantas puderes, lembra a ti mesmo de que tens um objetivo hoje; um objetivo que torna este dia de valor especial para ti mesmo e para todos os teus irmãos. Não deixes que tua mente se esqueça deste objetivo por muito tempo, mas dize a ti mesmo:

Tudo o que dou é dado a mim mesmo. A Ajuda de que preciso para
aprender que isto é verdadeiro está comigo agora. E confiarei n'Ele.

Em seguida passa um momento tranquilo, abrindo tua mente para a correção d'Ele e para Seu Amor. E acreditarás no que ouves d'Ele porque o que Ele dá será recebido por ti.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 126

Caras, caros,

A ideia que temos para as práticas hoje tem tudo a ver com uma ideia que já praticamos e que é sempre um espinho no sistema de pensamento do ego. É aquela ideia que diz que dar e receber são uma coisa só na verdade. Algo inimaginável para o ego e seu sistema de pensamento. O sistema que faz o mundo girar do modo como a maioria das pessoas que o habitam pensam que ele gira.

A ideia é a seguinte:

"Tudo o que dou é dado a mim mesmo."

Nesta postagem, que de certa forma meio que repete comentários anteriores feitos para explorar a lição, é preciso ressaltar mais uma vez a necessidade de que pratiquemos. De nada adianta estudar e estudar e estudar..., sem levar o objeto do estudo à prática. Também não serve de nada nascer com algum talento para alguma coisa, se não praticarmos com esse talento. E é certo que todos nós nascemos com um talento, um talento único, que leva o Curso a nos autorizar a afirmar: "o próprio Deus é incompleto sem mim". É isso o que vocês vão ver no vídeo abaixo, que recebi de um amigo, alguém que frequentou o grupo conosco durante algum tempo, e que compartilho com vocês: 

(Um pequeno parêntese, antes de prosseguirmos, ou se preferirem também podem deixar para assistir ao vídeo depois da leitura de todo o comentário.)

https://youtu.be/tpfvJ9Qw6K

[Para assistir ao vídeo basta passear com o cursor do mouse sobre o endereço clicando com o botão esquerdo e, em seguida, clicando com o direito sobre o endereço, seguir a orientação que ele dá: Ir até...] 

Como eu já disse antes muitos e muitas estudantes do Curso se queixam de que ele não dá instruções práticas para as questões que se apresentam no dia a dia, mas será que, de fato, já paramos para fazer o que o Curso pede para fazermos? Com a maior disposição possível para dar o melhor de nós mesmos e de nós mesmas à mais simples das tarefas? Se de fato nos abrirmos para o que o Curso pede que façamos, vamos perceber que as instruções práticas são as experiências que se apresentam como resultado de nossas escolhas.

Não estamos gostando dos resultados, das experiências que se estão apresentando? É sempre possível escolher de novo, afinal, somos nós que criamos o mundo que vemos, tocamos, cheiramos, provamos e ouvimos. Ou vocês pensam que há alguém dirigindo o universo para ir na direção contrária à direção que gostaríamos que ele fosse? Não há, não! Não há mesmo! Somos tu e eu, nós todos e todas, que escolhemos a direção em que queremos que nossas vidas vão e, por consequência e extensão, todas as vidas do mundo. Ou seja, cada um e cada uma de nós é que escolhe a direção e as experiências que quer viver e que quer que o mundo todo viva, as lições que quer aprender e as lições que quer que o mundo todo aprenda, ou não.

Então...

Eis aqui, nesta lição, com esta ideia, a oportunidade - mais uma - para a virada de nossas vidas. Para virá-las de cabeça para baixo, de sorte a ver o mundo e tudo mais com um olhar diferente. Ou, quem sabe?, para pôr o mundo de cabeça para baixo, de modo a vê-lo simplesmente como uma imagem daquilo que projetamos sobre ele, com nossas ideias e pensamentos. 

Ou como a lição diz:

A ideia de hoje, completamente estranha para o ego e para o modo de pensar do mundo, é vital para a inversão da forma de pensar que este curso trará. Se acreditasses nesta afirmação, não haveria nenhum problema em relação ao perdão completo, à certeza da meta e à direção correta. Tu compreenderias o meio pelo qual a salvação vem a ti e não hesitarias em usá-lo agora.

E que ganhas ao inverter a forma de pensar? É a lição que responde:

Consideremos aquilo em que de fato acreditas em lugar desta ideia. Parece-te que as outras pessoas estão separadas de ti e que são capazes de se comportarem de maneiras que não têm nenhuma relação com teus pensamentos, nem os teus com os delas. Por isto, tuas atitudes não têm nenhum efeito sobre elas e os pedidos de ajuda delas não estão de nenhuma forma relacionados aos teus. Pensas, além disso, que elas podem pecar sem afetar tua percepção de ti mesmo, enquanto que tu podes julgar o pecado delas e, ainda assim, permanecer livre de condenação e em paz.

Quando "perdoas" um pecado não há francamente nenhum ganho para ti. Tu ofereces caridade a alguém indigno apenas para salientar que és melhor, que estás em um plano mais elevado do que aquele a quem perdoas. Ele não merece tua tolerância generosa, que concedes a alguém não merecedor da dádiva, porque seus pecados o reduzem a uma condição inferior à de uma verdadeira igualdade contigo. Ele não tem nenhum direito a teu perdão. Teu perdão estende uma dádiva a ele, mas dificilmente a ti mesmo.

Deste modo, o perdão é basicamente deletério; uma generosa extravagância, benevolente, apesar de não merecida, uma dádiva às vezes concedida, noutras negada. Não merecido, é justo negá-lo e não é justo que sofras quando ele é negado. O pecado que perdoas não é teu. Alguém separado de ti o cometeu. E se, então, fores bondoso para com ele, dando-lhe aquilo que ele não merece, a dádiva não é mais tua do que o pecado era dele.

Se isto for verdadeiro, o perdão não tem nenhuma base confiável e segura sobre a qual se apoiar. Ele é uma excentricidade, na qual tu, algumas vezes, escolhes dar de forma bondosa um alívio não merecido. Entretanto, continua a ser teu direito não permitir que o pecador escape do pagamento justo por seu pecado. Pensas que o Senhor do Céu permitiria que a salvação do mundo dependesse disto? O cuidado d'Ele por ti não seria, de fato, pequeno se tua salvação se baseasse em uma extravagância?

Não é assim mesmo que pensas? Não é assim que, em geral, pensamos todos e todas nós? Não é isso que o mundo ensina? Não é assim que as religiões ensinam? Não é isto que padres, pastores, bispos e representantes das religiões organizadas fazem no mundo, quando não perdoam que uma religião diferente da sua - normalmente a única certa - esteja "roubando" seus fiéis, diminuindo o tamanho de seu rebanho? Lembremo-nos de que a preocupação maior de todas as igrejas institucionalizadas é apenas com o dinheiro que os fiéis contribuem para que padres, pastores e representantes possam viver a vida com a fartura que negam à maioria das pessoas. Há exceções, é claro. Mas são sempre muito poucas.
 
Tudo o que dou é dado a mim mesmo. 

Quando nosso ponto de partida é a ideia segundo a qual aquilo que dou está perdido para mim, não há como compreender, não há como reconhecer ou aceitar a verdade que a lição de hoje oferece.

Vamos um pouco mais adiante:

Tu não compreendes o perdão. Do modo como o vês, ele é apenas um controle imposto ao ataque aberto, que não exige correção em tua mente. Do modo como o percebes, ele não pode te oferecer a paz. Ele não é um meio para tua liberação daquilo que vês em alguém diferente de ti mesmo. Ele não tem nenhum poder para restabelecer tua unidade com ele em tua consciência. Ele não é o que Deus pretendia que ele fosse para ti.

Ao não Lhe dares a dádiva que Ele te pede, tu não podes reconhecer as dádivas d'Ele e pensas que Ele não as deu a ti. Porém, Ele te pediria uma dádiva a menos que ela fosse para ti? Ele poderia ficar satisfeito com gestos vazios e avaliar tais dádivas mesquinhas como dignas de Seu Filho? A salvação é uma dádiva melhor do que isto. E o perdão verdadeiro, como a forma pela qual ela é obtida, tem de curar a mente que dá, porque dar é receber. Aquilo que permanece não recebido não foi dado, mas aquilo que foi dado tem de ser recebido.

Dar e receber são a mesma coisa. Já passamos por esta lição, conforme lhes chamei a atenção lá no início. O que fazes, então, quando negas alguma coisa a um semelhante, a um irmão, a uma irmã, que precisa da dádiva que lhe podes oferecer, quando podes? A quem negas?
 
Tudo o que dou é dado a mim mesmo. 

Voltando a algo de que já falamos e que costuma ser uma das questões comuns que se apresentam a nossa experiência nos relacionamentos que temos: o que fazer quando a raiva ou o orgulho impedem de exercitarmos o perdão? O que fazer quando acreditamos já nos termos perdoado - e a todas as pessoas envolvidas - por determinado problema e o problema se apresenta mais uma vez?

É disso que a lição fala. Assim:

Hoje tentamos compreender a verdade segundo a qual doador e receptor são o mesmo. Precisarás de ajuda para tornar isto significativo, porque é muito estranho ao modo de pensar a que estás acostumado. Mas a Ajuda de que precisas está aí. Oferece tua fé a Ele hoje e pede a Ele que compartilhe de tua prática com a verdade hoje. E se captares apenas um vislumbre pequenino do alívio que há na ideia que praticamos hoje, este será um dia de glória para o mundo.

Não está aí a resposta para todas as questões que fazemos acerca do perdão? 

Só podes perdoar a ti mesmo! A ti mesma! Não há um pecador e um salvador. Ou uma pecadora e uma salvadora. Cada um e cada uma de nós é apenas salvador, salvadora. Mas precisamos olhar para nós mesmos e para nós mesmas e para todas as pessoas que povoam nosso mundo com o mesmo olhar de Cristo. Precisamos ver o Cristo na outra pessoa, em todas as pessoas. E enquanto não formos capazes de fazer isto, estaremos vendo apenas as imagens que fizemos de outros e outras aparentemente separados e separadas de nós. Melhores que nós, piores que nós? Não importa! Importa, sim, perceber a divindade, a santidade, em nós e estendê-la a cada uma das pessoas que se apresentam em nossas vidas. Pois: 

Tudo o que dou é dado a mim mesmo.

Verdade!

Assim a lição nos instrui:

Dá, hoje, quinze minutos duas vezes à tentativa de compreensão da ideia de hoje. Ela é o pensamento a partir do qual o perdão assume o lugar correto em tuas prioridades. Ela é o pensamento que vai liberar tua mente de todos os obstáculos àquilo que o perdão significa e permitir que percebas claramente o valor dele para ti.

Em silêncio, fecha os olhos sobre o mundo que não compreende o perdão e busca refúgio no lugar sereno em que os pensamentos se transformam e as falsas crenças são abandonadas. Repete a ideia de hoje e pede ajuda para compreender o que ela significa realmente. Dispõe-te a ser instruído. Alegra-te em ouvir a Voz da verdade e da cura falar contigo e compreenderás as palavras que Ele diz, e reconhecerás que Ele te diz tuas próprias palavras.

Tantas vezes quantas puderes, lembra a ti mesmo de que tens um objetivo hoje; um objetivo que torna este dia de valor especial para ti mesmo e para todos os teus irmãos. Não deixes que tua mente se esqueça deste objetivo por muito tempo, mas dize a ti mesmo:

Tudo o que dou é dado a mim mesmo. A Ajuda de que preciso para
aprender que isto é verdadeiro está comigo agora. E confiarei n'Ele.

Em seguida passa um momento tranquilo, abrindo tua mente para a correção d'Ele e para Seu Amor. E acreditarás no que ouves d'Ele porque o que Ele dá será recebido por ti.

De acordo com o Curso, não se pode transformar em verdadeiro o pecado de alguém. É impossível, porque o pecado não existe, de verdade. Não podemos lidar com algo que realmente acreditamos que tenha acontecido para depois perdoar, pois só podemos perdoar ilusões. Por isso, é que é preciso que pensemos no pecado como algo que não existe. Isso torna mais fácil o exercício do perdão. Aliás, talvez seja até mais fácil abrir-nos para o perdão se tirarmos a ideia de pecado de nosso repertório. 

Mas como assim? Perdoar alguma coisa que não existe? Se não existe, por que perdoar? Para que evitemos transformar a ilusão em algo verdadeiro, em algo que acreditamos ter de fato acontecido. Ainda que o fato nos pareça um pecado, é preciso lidar com ele como algo que só aconteceu na ilusão. Como fazê-lo?

Lembrando que o que vemos sempre é: ou apenas uma projeção daquilo que trazemos interiormente, que se manifesta para confirmar nossas crenças, que se manifesta para atender a um pedido nosso de uma determinada experiência, para nos ensinar algo que ainda não aprendemos a respeito de nós mesmos ou de nós mesmas, algo de que esquecemos, na verdade, e de que queremos nos lembrar; ou um pedido de amor, venha na forma que vier; ou uma extensão do amor, que é o que somos todos e todas intrinsecamente.

O mundo, e todas coisas do mundo, as pessoas, os seres animados e inanimados, tudo e todos são neutros, bem como todas as experiências. O que muda então? Apenas o modo de ver, a maneira de olhar para tudo e para todos. Se houver algum equívoco, ele é sempre apenas um equívoco da percepção dos sentidos.
 
Tudo o que dou é dado a mim mesmo. 

Para perceber a verdade da ideia de hoje e para receber o milagre que ela oferece, nada melhor do que fazer uso de um dos melhores instrumentos que o Curso oferece para aprendermos a fazer melhores escolhas [e melhores aqui não significa que uma escolha pode ser melhor do que outra qualquer, mas apenas que as podemos fazer de forma mais consciente]: a prática dos exercícios. 

E, tanto em relação ao perdão, quanto a tudo o que é necessário aprendermos para viver o "sonho feliz" neste mundo, a ideia para as práticas de hoje oferece o único grande segredo [que não é segredo nenhum] que vale a pena aprender, praticar e trazer sempre em mente, se, de fato, quisermos nos salvar e assumir o papel que nos cabe no plano de Deus para a salvação.

Às práticas, pois.