quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Só em Deus podemos fazer tudo aquilo que fazemos

 

LIÇÃO 43

Deus é minha Fonte. Separado d'Ele, não posso ver.

1. A percepção não é uma característica de Deus. A Ele pertence o reino do conhecimento. No entanto, Ele criou o Espírito Santo como o Mediador entre percepção e conhecimento. Sem esta ligação com Deus, a percepção substituiria o conhecimento para sempre em tua mente. Com esta ligação com Deus, a percepção se tornará tão mudada e purificada que conduzirá ao conhecimento. Esta é a função dela tal como o Espírito Santo a vê.

2. Em Deus não podes ver. A percepção não tem nenhuma função em Deus e não existe. Porém, na salvação, que é o desfazer do que nunca existiu, a percepção tem um propósito poderoso. Feita pelo Filho de Deus para um propósito não-santo, ela tem de se tornar o meio para o restabelecimento de sua santidade em sua consciência. A percepção não tem nenhum significado. No entanto, o Espírito Santo lhe dá um significado muito próximo ao de Deus. A percepção curada vem a ser o meio pelo qual o Filho de Deus perdoa seu irmão e, deste modo, perdoa a si mesmo.

3. Separado de Deus, tu não podes ver porque não podes existir separado de Deus. Tudo o que fazes fazes n'Ele, porque tudo o que pensas tu pensas com a Mente d'Ele. Se a visão for verdadeira, e ela é verdadeira na medida em que compartilha o propósito do Espírito Santo, então, tu não podes ver separado de Deus.

4. Pede-se três períodos de prática de cinco minutos hoje; um, o mais cedo possível, e outro, o mais tarde possível no dia. Podes empreender o terceiro no momento mais conveniente e oportuno que as circunstâncias e a disposição permitirem. No começo destes períodos de prática, repete para ti mesmo a ideia para hoje de olhos abertos. Depois, olha a tua volta por um breve momento, e aplica a ideia especificamente ao que vires. Quatro ou cinco sujeitos são suficientes para esta fase do período de prática. Poderias dizer, por exemplo:

Deus é minha Fonte. Separado d'Ele, não posso ver esta escrivaninha.
Deus é minha Fonte. Separado d'Ele, não posso ver aquele retrato.

5. Embora esta parte do período de exercícios deva ser relativamente breve, certifica-te de que escolhes os sujeitos para esta fase da prática de forma indistinta, sem inclusão ou exclusão autodeterminadas. Para a segunda fase, mais longa, fecha os olhos, repete a ideia de hoje mais uma vez e, então, deixa que quaisquer pensamentos afins que te ocorrerem contribuam com a ideia a tua própria maneira pessoal. Pensamentos tais como:

Eu vejo pelos olhos do perdão.
Eu vejo o mundo como abençoado.
O mundo pode me mostrar a mim mesmo.
Eu vejo meus próprios pensamentos, que são como os de Deus.

Qualquer pensamento relacionado de forma mais ou menos direta com a ideia de hoje é adequado. Os pensamentos não precisam ter nenhuma relação óbvia com a ideia, mas não devem ser contrários a ela.

6. Se achares que tua mente divaga; se começares a perceber pensamentos que estejam claramente em desacordo com a ideia de hoje, ou se parecer que não és capaz de pensar em nada, abre os olhos, repete a primeira fase do exercícios e, em seguida, tenta a segunda fase mais uma vez. Não permitas a ocorrência de nenhum período longo em que fiques preocupado com pensamentos inoportunos. Volta à primeira fase do exercício tantas vezes quantas forem necessárias para impedir isso.

7. Na aplicação da ideia de hoje nos períodos breves de prática, a forma pode variar de acordo com as circunstâncias e situações em que te encontrares durante o dia. Quando estiveres com alguém, por exemplo, tenta te lembrar de lhe dizer silenciosamente:

Deus é minha Fonte. Separado d'Ele, não posso te ver.

Esta forma tanto é aplicável a estranhos quanto àqueles que pensas serem mais próximos de ti. De fato, tenta não fazer distinções deste tipo de modo algum.

8. A ideia de hoje também deve ser aplicada, ao longo do dia, a várias situações e acontecimentos que possam se apresentar, particularmente àqueles que pareçam te afligir de algum modo. Para este fim, aplica a ideia desta forma:

Deus é minha Fonte. Separado d'Ele, não posso ver isto.

9. Se, no momento, nenhum sujeito particular se apresentar a tua consciência, simplesmente repete a ideia em sua forma original. Tenta, hoje, não permitir que se passem quaisquer períodos longos de tempo sem te lembrares da ideia de hoje e, deste modo, te lembrares de tua função.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 43

Caras, caros,

A ideia para as nossas práticas hoje, é, como vocês já viram, a seguinte:

"Deus é minha Fonte. Separado d'Ele, não posso ver."

A lição começa assim:

 A percepção não é uma característica de Deus...

Já falamos antes que, tal qual o Curso ensina, "a percepção é uma escolha, e não um fato". A partir da percepção dos nossos sentidos, o que experimentamos é - e só pode ser - apenas uma projeção, um reflexo, daquilo que trazemos no interior, como já vimos também. E só vemos o que escolhemos e decidimos ver. Sempre. E aqui não há exceções. Mesmo que não nos pareça assim.

É só em razão disso, do fato de podermos escolher o que queremos ver, que vivemos o que pensamos viver neste mundo, aparentemente separados e separadas de Deus, da Fonte.

Curso nos oferece a possibilidade de escolher de novo sempre que a percepção mostra qualquer coisa que nos afaste da alegria, qualquer coisa que possa abalar e comprometer nossa paz de espírito. 

Deus é minha Fonte. Separado d'Ele, não posso ver.

Mas, então, se a percepção não é uma característica de Deus, o que podemos esperar d'Ele/d'Ela, cegas e cegos que estamos pelos enganos que nos oferecem os sentidos?

É a lição que, continuando, traz a resposta:

A Ele pertence o reino do conhecimento. No entanto, Ele criou o Espírito Santo como o Mediador entre percepção e conhecimento. Sem esta ligação com Deus, a percepção substituiria o conhecimento para sempre em tua mente. Com esta ligação com Deus, a percepção se tornará tão mudada e purificada que conduzirá ao conhecimento. Esta é a função dela tal como o Espírito Santo a vê.

O Reino de Deus é o reino do conhecimento. E é o Espírito Santo em nós que pode transformar e purificar a percepção para que ela nos possa conduzir ao conhecimento de nós mesmas, de nós mesmos, e, por extensão, ao conhecimento de Deus.

O que significa mesmo transformar a percepção e purificá-la? Nada mais, nada menos do que retirar dela todo e qualquer julgamento. Isto é, a percepção deve vir a estar a serviço da visão que está além dos sentidos, a visão que é a dádiva de Deus para nós.

Utilizar a percepção para a função que o Espírito Santo vê para ela quer dizer utilizá-la como um instrumento, um meio, que pode nos levar ao conhecimento. É este uso da percepção que vai nos dar a visão. É o que vai nos devolver ao contato permanente com a Fonte. 

Deus é minha Fonte. Separado d'Ele não posso ver.

Quem precisa ver neste mundo? Quem vê este mundo? Quem precisa ver "este" mundo?

A lição continua:

Em Deus não podes ver. A percepção não tem nenhuma função em Deus e não existe. Porém, na salvação, que é o desfazer do que nunca existiu, a percepção tem um propósito poderoso. Feita pelo Filho de Deus para um propósito não-santo, ela tem de se tornar o meio para o restabelecimento de sua santidade em sua consciência. A percepção não tem nenhum significado. No entanto, o Espírito Santo lhe dá um significado muito próximo ao de Deus. A percepção curada vem a ser o meio pelo qual o Filho de Deus perdoa seu irmão e, deste modo, perdoa a si mesmo.

Não podemos ver em Deus. Em Deus, só podemos ser. De que nos serve a percepção? Separadas e separados de Deus, do Espírito Santo em nós, a percepção não nos serve para nada a não ser para nos fazer pensar que há alguma realidade nas ilusões do mundo.

A percepção não tem nenhum significado separada do significado que o Espírito Santo dá a ela. É por isso que, se nos voltarmos para Ele, pedindo-Lhe, querendo, que transforme e purifique nossa percepção do mundo e de tudo o que aparentemente há nele, vamos ser capazes de utilizá-la para o perdão, primeiro de nós mesmos, de nós mesmas, depois, para o perdão de nossos irmãos e irmãs e, por fim, para o perdão do mundo. 

Deus é minha Fonte. Separado d'Ele não posso ver.

O ego, "o grande impostor", se vale de inúmeras maneiras de engano para tentar nos fazer acreditar que o que percebemos a partir dos sentidos é real. Para tentar nos fazer crer que a separação é real.

No entanto, a lição ensina:

Separado de Deus, tu não podes ver porque não podes existir separado de Deus. Tudo o que fazes fazes n'Ele, porque tudo o que pensas tu pensas com a Mente d'Ele. Se a visão for verdadeira, e ela é verdadeira na medida em que compartilha o propósito do Espírito Santo, então, tu não podes ver separado de Deus.

É isso que a lição pede que pratiquemos hoje: exercitar a certeza de que tudo o que fazemos, fazemos em Deus e de que existe um modo de ver que vem de Deus e que não tem absolutamente nenhum vínculo com a percepção, com os sentidos. 

Deus é minha Fonte. Separado d'Ele não posso ver.

Sigamos, atentas e atentos, as instruções que o Curso traz no restante da lição e, sem dúvida, seremos capazes de alcançar pelo menos um vislumbre do conhecimento, de Deus em nós. Decidindo-nos a praticar com honestidade, com certeza vamos ser capazes de, nem que apenas por um instante, sentir a Presença de Deus em nós. E O/A veremos em tudo e em todos.

E estamos apenas no começo.

Às práticas?

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Queres poupar esforço? Rende-te à Vontade de Deus.

 

LIÇÃO 42

Deus é minha força. A visão é Sua dádiva.

1. A ideia para hoje combina dois pensamentos muito poderosos, ambos de importância vital. Ela também demonstra uma relação de causa e efeito que explica a razão pela qual não podes fracassar em teus esforços para alcançar a meta do curso. Tu verás porque é a Vontade de Deus. É a força d'Ele, não a tua, que te dá poder. E é a dádiva d'Ele, em lugar de tua própria, que te oferece a visão.

2. Deus é, de fato, tua força e o que Ele dá é dado verdadeiramente. Isto significa que podes recebê-lo a qualquer momento, em qualquer lugar, aonde quer que estejas e em qualquer circunstância em que te encontrares. Tua passagem pelo tempo e pelo espaço não é fruto do acaso. Tu não podes senão estar no lugar certo, no momento certo. Assim é a força de Deus. Assim são Suas dádivas.

3. Hoje teremos dois períodos de prática de três a cinco minutos, um assim que possível depois de acordares e outro tão próximo quanto possível da hora em que fores dormir. É melhor, porém, esperar até que possas te sentar tranquilamente sozinho, em um momento em que te sintas preparado, do que te preocupares com a hora da prática em si.

4. Começa estes períodos de prática com a repetição da ideia para hoje lentamente, de olhos abertos, olhando ao teu redor. Em seguida, fecha os olhos e repete a ideia outra vez, ainda mais devagar do que antes. Depois disso, tenta não pensar em nada, a não ser nos pensamentos relacionados com a ideia para o dia que te ocorrerem. Poderias pensar, por exemplo:

A visão tem de ser possível. Deus dá verdadeiramente.
ou:
As dádivas de Deus têm de ser minhas, porque Ele as deu a mim.

5. Qualquer pensamento claramente relacionado à ideia para hoje é adequado. Podes, de fato, ficar bastante surpreso com o tamanho da compreensão a respeito do curso que alguns de teus pensamentos contêm. Deixa-os virem sem censura, a menos que aches que tua mente está apenas divagando e que deixaste pensamentos obviamente inoportunos se intrometerem. É possível também que chegues a um ponto em que absolutamente nenhum pensamento pareça vir a tua mente. Se tais intromissões ocorrerem, abre os olhos e repete o pensamento mais uma vez enquanto olhas lentamente a tua volta; fecha os olhos, repete a ideia uma vez mais e, então, continua a buscar em tua mente os pensamentos relacionados a ela.

6. Lembra-te, contudo, de que uma busca por pensamentos afins que exija muito esforço não é apropriada aos exercícios de hoje. Tenta apenas dar um passo atrás e permitir que os pensamentos venham. Se achares isto difícil, é melhor passar o período de prática alternando entre as repetições lentas da ideia de olhos abertos e de olhos fechados do que te esforçares para achar pensamentos adequados.

7. Não há nenhum limite para o número de períodos de prática breves que seriam benéficos hoje. A ideia para o dia é um passo inicial para reunir os pensamentos e para te ensinar que estás estudando um sistema de pensamento unificado ao qual nada de necessário está faltando e no qual não se inclui nada contraditório ou inoportuno.

8. Quanto mais vezes repetires a ideia durante o dia, tanto mais vezes lembrarás a ti mesmo de que a meta do curso é importante para ti e de que não te esqueces dela.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 42

Caras, caros,

A ideia que o Curso oferece hoje, como eu já disse antes algumas vezes, traz consigo o meio de que podemos nos valer para chegar ao autoconhecimento, à realização da meta do Curso, e, por consequência à unidade com Deus, de quem nunca nos separamos, por mais que o falso eu tente nos convencer do contrário.

"Deus é minha força. A visão é Sua dádiva."

Ou como a lição diz, para início de conversa:

A ideia para hoje combina dois pensamentos muito poderosos, ambos de importância vital. Ela também demonstra uma relação de causa e efeito que explica a razão pela qual não podes fracassar em teus esforços para alcançar a meta do curso. Tu verás porque é a Vontade de Deus. É a força d'Ele, não a tua, que te dá poder. E é a dádiva d'Ele, em lugar de tua própria, que te oferece a visão.

Depois das práticas de ontem, quando aprendemos que Deus vai conosco aonde formos, sabemos que nunca estamos sozinhas, nem sozinhos. Aprendemos que não podemos jamais ficar sozinhas ou sozinhos, porque, como ensinava uma lição anterior, Deus está em tudo o que vemos. Nada mais lógico, não?, uma vez que Ele/Ela está em nossa mente. Por consequência, é apenas d'Ele/d'Ela que podemos receber, reconhecer e aceitar a força que nos move. Feito isso, podemos dizer que a visão é Sua dádiva. A visão verdadeira, aquela que não depende dos olhos do corpo, mas da decisão de ver as coisas de modo diferente. 

Ou, dizendo como o Curso diz:

Deus é, de fato, tua força e o que Ele dá é dado verdadeiramente. Isto significa que podes recebê-lo a qualquer momento, em qualquer lugar, aonde quer que estejas e em qualquer circunstância em que te encontrares. Tua passagem pelo tempo e pelo espaço não é fruto do acaso. Tu não podes senão estar no lugar certo, no momento certo. Assim é a força de Deus. Assim são Suas dádivas.

Lembremo-nos apenas disso, pois, quando qualquer pessoa, situação ou circunstância se apresentar para, aparentemente, perturbar nossa paz de espírito: 

Deus é minha força. A visão é Sua dádiva.

Ou ainda, pensando nas lições anteriores:  

Deus está em tudo o que vejo. 
Deus vai comigo aonde eu for. 

Para chegarmos a receber os efeitos da Presença em nossa vida, em nossos dias todos e em cada um dos dias, basta que busquemos trazer o divino à consciência à primeira hora do dia, todos os dias. É para isso que os exercícios servem. É para isso que precisamos dar nossa atenção ao restante das instruções de lição de hoje. Pois só Deus, como eu já disse antes também, é nossa companhia constante. E n'Ele/n'Ela apenas podemos ficar em paz de verdade.

Pois é de nossa disposição de aprender com o Espírito Santo que vamos reconhecer que:

Deus é minha força. A visão é Sua dádiva.

E não há nada melhor a se aprender do que isso: que é d'Ele/d'Ela que vem nossa força e que toda dádiva que Ele/Ela reserva a cada uma e a cada um de nós é a visão, uma vez que, em geral, andamos cegas e cegos e surdas e surdos e inconscientes pelo mundo, equivocadas e equivocados, percebendo-nos fracas, fracos e impotentes, porque acreditamos na ideia da separação. Na verdade, somos tudo o que existe. E só existimos ou podemos existir na unidade, uns com os outros, umas com as outras, com todos e todas, e com tudo, e com Deus.

E é, no mínimo, reconfortante saber - mesmo que no fundo ainda não acreditemos nisso - que não há como falharmos em nossos esforços para alcançar a meta do Curso. Talvez seja melhor ainda aprender que não há necessidade de nenhum esforço, se nos rendermos à Vontade de Deus, que é a mesma que a nossa. 

Às práticas?


OBSERVAÇÃO:

Na verdade, pensando a partir do título desta postagem, e lembrando-me do que diz Krishnamurti, em uma de suas palestras transcritas no livro Uma Nova Maneira de Agir, existe um modo de viver a energia que alimenta e movimenta a vida, uma energia que não tem motivo, isto é, uma energia que existe por si mesma e, que, por isso, é extraordinariamente vital e criadora. Uma energia que, por não depender de motivo algum, não é produto de nenhum conflito e que tem o poder de dissipar todas as formas de ilusão, de sofrimento e de confusão.

Em geral, diz Krishnamurti, "a única energia que conhecemos tem motivo; é produto de atrito ou conflito ou do empenho em alcançar determinado fim; é energia derivada: como a energia produzida pelos alimentos ou a energia gerada pelo odiar ou amar alguém. [Essa] energia derivada de um motivo, agradável ou doloroso, contém sempre o germe do conflito".

Assim é que, ao nos valermos para nossas ações no mundo desta energia que tem motivo, ou que depende de um motivo, trazemos conflito e confusão a nossa experiência, a nossa existência. Daí ser possível pensar que a energia que não tem motivo é a energia que recebemos do reconhecimento do divino em nós. Quando nossa ação no mundo não depende do que pensamos, não depende dos objetivos que estabelecemos. Isto é, em sintonia com a Vontade de Deus, em nós, reconhecendo que a vontade d'Ele/d'Ela e a nossa são a mesma, nosso agir no mundo nos poupa de qualquer esforço.

Pensemos, pois! Melhor, reflitamos a este respeito para descobrir de que tipo de energia estamos nos valendo.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Alcançar Deus é a única coisas natural neste mundo

 

LIÇÃO 41

Deus vai comigo aonde eu for.

1. Mais cedo ou mais tarde, a ideia de hoje superará por completo a sensação de solidão e abandono que todos os separados experimentam. Depressão é uma consequência inevitável da separação. Ansiedade, angústia, uma sensação de profundo desamparo, miséria, sofrimento e medo intenso de perda também são.

2. Os separados inventam muitas "curas" para o que acreditam serem "os males do mundo". Mas a única coisa que eles não fazem é questionar a realidade do problema. No entanto, seus efeitos não podem ser curados porque o problema não é real. A ideia para hoje tem o poder para pôr fim a toda essa tolice para sempre. E é tolice, apesar das formas perigosas e trágicas que pode tomar.

3. Tudo o que é perfeito está no mais íntimo de ti, pronto para se irradiar por meio de ti para o mundo. Isso vai curar todo o pesar, e a dor, e a perda, porque vai curar a mente que pensou que essas coisas fossem verdadeiras e sofreu em função de sua sujeição a elas.

4. Tu não podes ser privado nunca de tua santidade perfeita porque a Fonte dela vai contigo aonde fores. Tu não podes sofrer nunca porque a Fonte de toda a alegria vai contigo aonde fores. Tu não podes nunca estar só porque a Fonte de toda vida vai contigo aonde fores. Nada pode destruir tua paz de espírito porque Deus vai contigo aonde fores.

5. Compreendemos que não acredites em tudo isso. Como poderias, se a verdade está escondida no mais íntimo de ti, sob uma nuvem pesada de pensamentos insanos, impenetráveis e disfarçados, que representam, não obstante, tudo o que vês? Hoje faremos nossa primeira tentativa verdadeira de ultrapassar essa nuvem escura e pesada, e atravessá-la para chegar à luz que está além.

6. Hoje haverá apenas um período de prática longo. Pela manhã, se possível assim que levantares, senta tranquilamente durante três a cinco minutos, de olhos fechados. No início do período de prática, repete a ideia de hoje bem devagar. Em seguida, não faças nenhum esforço para pensar em nada. Tenta, em vez disso, obter uma sensação de te voltares para dentro, além de todos os pensamentos vãos do mundo. Tenta penetrar bem fundo em tua própria mente, mantendo-a livre de quaisquer pensamentos que possam distrair tua atenção.

7. Se achares útil, podes repetir a ideia de vez em quando. Mas, acima de tudo, tenta ir o mais fundo dentro de ti, longe do mundo e de todos os pensamentos tolos do mundo. Estás tentando ir além de todas essas coisas. Estás tentando abandonar as aparências e te aproximar da realidade.

8. É bem possível alcançar Deus. De fato, é bem fácil, porque é a coisa mais natural no mundo. Poder-se-ia até dizer que é a única coisa natural no mundo. O caminho se abrirá, se acreditares que é possível. Este exercício pode trazer resultados muito surpreendentes, mesmo na primeira tentativa e, mais cedo ou mais tarde, ele é sempre bem-sucedido. Entraremos em mais detalhes acerca deste tipo de prática à medida que avançarmos. Mas ela nunca fracassará por completo, e é possível o sucesso imediato.

9. Usa a ideia de hoje com frequência durante todo o dia, repetindo-a bem devagar, de preferência de olhos fechados. Pensa no que dizes; no que as palavras significam. Concentra-te na santidade que elas pressupõem em ti; na companhia infalível que tens; na proteção total que te envolve.

10. De fato, podes te dar ao luxo de rir de pensamentos de medo, ao te lembrares de que Deus vai contigo aonde fores.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 41

Caras, caros,

As práticas com a ideia que o Curso nos oferece para o dia de hoje garantem que independentemente do lugar em que estivermos, se nossa consciência se voltar para a Presença do divino, vamos ser capazes de vivenciá-La em nós, pelo tempo que quisermos. É em razão disso que a ideia que vamos explorar hoje se apresenta assim: 

"Deus vai comigo aonde eu for." 

Vejamos já o que lição nos traz, para início de conversa:

Mais cedo ou mais tarde, a ideia de hoje superará por completo a sensação de solidão e abandono que todos os separados experimentam. Depressão é uma consequência inevitável da separação. Ansiedade, angústia, uma sensação de profundo desamparo, miséria, sofrimento e medo intenso de perda também são.

Praticamos durante todo do dia de ontem a afirmação de sermos abençoadas e abençoados como filhos de Deus. Deve-se depreender disso que é lógico e verdadeiro afirmar, então, como a ideia da lição de hoje nos pede que façamos, que:

Deus vai comigo aonde eu for. [?]

Ora, quem acredita nisto de fato e vive com esta certeza, mesmo entre aquelas e aqueles que dizem crer em Deus? A maioria de nós, quando se refere a Deus, apenas o faz da boca para fora, por força do hábito. Ou estou mentindo? Quem, pensando na lição de ontem: "Eu sou abençoado como um Filho de Deus", diz: "Graças a Deus", sentindo de verdade que é grata, ou grato, a Ele, por qualquer coisa que tenha recebido?

Se vivo a maior parte de minha vida distraído de mim mesmo, sem saber aonde vou, por que razão vivo neste mundo, sem saber por que faço o que faço, sem a menor consciência do valor de coisa alguma, sem o menor cuidado ou atenção com nada que me possa fazer voltar-me para o interior de mim mesmo, por me acreditar a maior parte do tempo separado de tudo, de todos e de Deus, quando pode me ocorrer pensar que:

Deus vai comigo aonde eu for. [?]

Vai?

Paremos por um instante aqui. Vamos refletir.

O que nos parece mais presente em nossa experiência dia a dia e na maior parte dos dias que vivemos?

Eu lhes digo. 

Não será o medo, a depressão, a angústia, a amargura, a solidão, a preocupação, uma sensação de impotência ou de falta de sentido, a carência, o medo de perder o que temos, o receio de não conseguirmos aquilo de que pensamos precisar para viver, o medo de não sermos amadas ou amados como gostaríamos, o medo de não encontrarmos alguém - um companheiro, uma companheira - para amar, para dividir nosso tempo, nossa vida, doenças, dor, pobreza, violência, raiva, ressentimento, mágoa, inveja, ódio, culpa? 

As sensações de que falo acima só fizeram se exacerbar. E evidenciam de modo cabal o quanto nos sentimos separadas, separados, das outras pessoas, das coisas todas do mundo, animadas ou inanimadas.

Vale perguntar de novo, então, se qualquer uma dessas emoções ou sensações está presente em nosso dia a dia, como afirmar que nos sentimos abençoadas, abençoados, como filhos e filhas de Deus? Como acreditar que: 

Deus vai comigo aonde eu for. [?]

Há que se fazer uma ressalva aqui, uma observação muito, muito, importante, mas muito importante mesmo. É algo a respeito do que talvez ainda não tenhamos parado para pensar seriamente.

Alguma ou algum de nós de fato acredita que, vivendo neste mundo e experimentando qualquer uma das emoções ou sensações descritas acima, está em Deus? Pode estar vivendo e se movendo em Deus? Ou dizendo de outra maneira, é possível acreditar que uma única emoção dessas possa vir de Deus? Mais ainda, quem dentre nós e dentre as pessoas todas que conhecemos, ou com quem temos contato, não pensa que essas emoções ou sensações vêm a nós de Deus? Será?

Alguns dirão, mas... mas: "Deus não está no Céu, na terra e em toda parte"?

Lembram-se de que já falei algumas vezes a respeito de "viver como se Deus existisse"? Bem, se vivemos a maior parte de nossas vidas num aparente exílio, sem nos voltarmos quase nunca para o divino, como podemos esperar contar com a Presença de Deus? Se só nos voltamos para Deus, quando "as coisas chegam a um nível que não podemos suportar", como é que podemos acreditar na ideia da lição de hoje? 

De acordo com Joel Goldsmith, no livro A União Consciente com Deus, a ideia segundo a qual "Deus é onipresente. Deus está sempre comigo"! não é verdadeira em absoluto. É apenas "um daqueles lugares-comuns, uma daquelas citações"! Não concordam?

Em seu [o de Joel] modo de dizer, "é verdade que Deus é onipresente". É verdade que Deus está exatamente onde estamos. Mas, se é verdade que Deus é onipresente, Ele deve ter estado presente nas guerras em que morreram milhares de jovens, e ainda deve estar presente naquelas que acontecem em nossos dias, quer sejam guerras pelo poder político dentro de um país, quer sejam as que opõem uns países a outros para suprir interesses financeiros ou de ampliação de domínios ou territórios, quer as guerras como a do narcotráfico, que fazem de crianças e adolescentes instrumentos e os põem em luta contra policiais. Se é verdade que Deus é onipresente ele também deve ter estado nos campos de concentração onde morreram milhões de pessoas. E podemos pensar em milhares de situações desse tipo para perguntarmos, onde estava Deus enquanto tudo isso acontecia?

É ainda Goldsmith que fala: "certamente Deus estava lá, mas Deus não é uma pessoa e Deus não pode olhar para você... e dizer que sente o sofrimento que você está suportando". Deus também está nos hospitais, nas prisões, nas frentes de batalha e nos locais onde ocorrem "acidentes". Deus é onipresente! Ele certamente está, nos dias de hoje, e esteve nos últimos dois ou três anos junto das pessoas que estiveram e continuam na linha de frente para ajudar a salvar as pessoas que se contaminaram com o vírus da Covid-19, ou outra doença qualquer, ou catástrofe natural, e estão passando por dificuldades para recuperar sua saúde, sua vida, suas casas, seu lugar de morada. Ou junto daquelas que tiveram de interromper as atividades que eram sua fonte de renda e ficaram dependentes da ajuda do governo, da ajuda humanitária vinda de muito longe e insuficiente para atender a todos que necessitam dela. Ou ainda junto de todas as pessoas que estão envolvidas com a guerra entre Ucrânia e Rússia, que na frente de batalha, quer em suas vidas civis alteradas pelos acontecimentos. Ou também junto dos palestinos que estão sendo erradicados, varridos da face da terra, pelos israelenses com um poderio de fogo incomensuravelmente maior do que o dos palestinos. Quem vai sobrar para contar a história? E que história vai ser contada? Lembram que o Curso ensina que a história é apenas a repetição de erros e que não faz sentido algum?

"Mas" - pergunta Joel - "de que serve isso para alguém"? De que nos serve saber disso? Ora, é preciso dizer com todas as letras, Deus está disponível em cada caso, [em cada vida, somente] na medida de nossa percepção da Presença d'Ele. Se não O trazemos conscientemente em nós, pela decisão de viver nossa experiência a partir da sintonia com o divino, Ele não só não pode fazer nada por nós, como nós corremos o risco de viver nossa vida inteira como se Ele não existisse. Sem jamais nos apercebermos de Sua Graça. 

Deus vai comigo aonde eu for. [?]

É por essa razão que o Curso oferece as práticas diárias. Para trazermos à consciência a Presença de Deus em nossas vidas, nem que seja pelo menos por uns poucos instantes a cada dia. Para que, quem sabe, em algum momento O experimentemos de forma permanente, entregando-nos por inteiro à Presença, desistindo do mundo, para podermos ganhá-lo por completo.

A lição continua:

Os separados inventam muitas "curas" para o que acreditam serem "os males do mundo". Mas a única coisa que eles não fazem é questionar a realidade do problema. No entanto, seus efeitos não podem ser curados porque o problema não é real. A ideia para hoje tem o poder para pôr fim a toda essa tolice para sempre. E é tolice, apesar das formas perigosas e trágicas que pode tomar.

"... o problema não é real." O mundo é só um efeito de nossos pensamentos e o que ele mostra é apenas o reflexo daquilo que trazemos interiormente. Quando nos acreditamos separadas e separados, vemos imagens e sons, e tudo mais, que dão realidade à crença na separação. Quando, em contato e sintonia com o divino interior, acreditamos na unidade, vemos apenas a perfeição da Criação, percebendo a Presença de Deus em tudo e em todos.

Isto é:

Tudo o que é perfeito está no mais íntimo de ti, pronto para se irradiar por meio de ti para o mundo. Isso vai curar todo o pesar, e a dor, e a perda, porque vai curar a mente que pensou que essas coisas fossem verdadeiras e sofreu em função de sua sujeição a elas.

a lição vai adiante:

Tu não podes ser privado nunca de tua santidade perfeita porque a Fonte dela vai contigo aonde fores. Tu não podes sofrer nunca porque a Fonte de toda a alegria vai contigo aonde fores. Tu não podes nunca estar só porque a Fonte de toda vida vai contigo aonde fores. Nada pode destruir tua paz de espírito porque Deus vai contigo aonde fores.

Por mais que tentemos, por mais que nos escondamos de nós mesmas e de nós mesmos, negando que tudo o que o mundo oferece não nos satisfaz, que as alegrias e prazeres que conseguimos obter de nossos contatos com coisas e pessoas neste mundo não apagam nosso anseio mais profundo por uma paz e uma alegria que sabemos existir, que já chegamos a experimentar em raros "instantes santos", mais dia, menos dia haveremos de reconhecer a Presença de Deus em nós. E isso nos fará superar por completo tudo aquilo que resulta da crença na separação.

Deus vai comigo aonde eu for.

Por que ainda não reconhecemos em definitivo a verdade eterna nas palavras deste exercício?

A lição diz:

Compreendemos que não acredites em tudo isso. Como poderias, se a verdade está escondida no mais íntimo de ti, sob uma nuvem pesada de pensamentos insanos, impenetráveis e disfarçados, que representam, não obstante, tudo o que vês? Hoje faremos nossa primeira tentativa verdadeira de ultrapassar essa nuvem escura e pesada, e atravessá-la para chegar à luz que está além.

E por mais uns poucos parágrafos ela continua a nos mostrar a forma de praticar, revelando-nos que, a despeito de nossa descrença, isto é, apesar de vivermos distraídas e distraídos de nós mesmas, de nós mesmos, e, por consequência, de Deus, é bem possível alcançá-Lo.

Mais até do que "bem possível": 

De fato, é bem fácil [alcançar Deus], porque é a coisa mais natural no mundo. Poder-se-ia até dizer que é a única coisa natural no mundo. O caminho se abrirá, se acreditares que é possível.

E são as práticas que tornam isso possível. 

A elas?

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Agradecer e... agradecer é tudo o que se há de fazer

 

LIÇÃO 40

Eu sou abençoado como um Filho de Deus.

1. Hoje começaremos a reivindicar algumas das coisas felizes às quais tens direito por seres o que tu és. Não se pede períodos longos de prática hoje, mas são necessários períodos breves e muito frequentes. Seria muito desejável um a cada dez minutos e insiste-se que experimentes este horário e que sejas fiel a ele sempre que possível. Se esqueceres, tenta novamente. Se houver longas interrupções, tenta novamente. Sempre que lembrares, tenta novamente.

2. Não precisas fechar os olhos para os períodos de exercícios, embora seja provável que aches mais proveitoso se o fizeres. Contudo, pode ser que, durante o dia, te encontres em várias situações nas quais não seja possível fechar os olhos. Não percas um período de prática por causa disso. Tu podes praticar muito bem sob quaisquer circunstâncias, se quiseres de fato.

3. Os exercícios de hoje tomam pouco tempo e não exigem nenhum esforço. Repete a ideia para hoje e, em seguida, acrescenta várias das características que associas a ser um Filho de Deus, aplicando-as a ti mesmo. Um período de prática poderia, por exemplo, consistir no seguinte:

Eu sou abençoado como um Filho de Deus.
Eu sou feliz, sereno, amoroso e contente.

Outro poderia tomar esta forma:

Eu sou abençoado como um Filho de Deus.
Eu sou calmo, tranquilo, seguro e confiante.

Se só dispuseres de um período breve, será suficiente dizeres a ti mesmo simplesmente que és abençoado como um Filho de Deus.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 40

Caras, caros,

Comecemos a exploração da lição de hoje com Wayne Dyer, que diz, em um de seus livros:

É difícil compreender a força [o poder] que não podemos ver, tocar, escutar, ou cheirar e ainda reconhecer que ela exista. É similar à eletricidade. Você pluga seu instrumento e não pode ver, tocar, cheirar ou escutar algo acontecendo, mas um secador de cabelo [ou outro aparelho elétrico qualquer] funciona quando você aperta o botão.

É assim também com a Graça que recebemos de Deus, ou da ideia a que denominamos Deus, ou da energia ou poder a que chamamos Deus ou à qual damos qualquer outro nome. O nome não importa. Aliás, é desnecessário. O importante mesmo é que nos vejamos abençoadas e abençoados, não com os olhos do corpo, mas com a visão verdadeira, aquela que recebemos do espírito que somos, do divino que vive em nós. Pois a Graça, como o Curso ensina, é o estado natural do Filho de Deus.

É por e para isso, isto é, para nos vermos preenchidas e preenchidos pela Graça divina, que vamos praticar hoje com a ideia:

"Eu sou abençoado como um Filho de Deus."

Reconhecer a verdade eterna nestas palavras pode nos levar mais rapidamente ao encontro do Ser em Deus, de quem nunca nos afastamos, a não ser na ilusão criada pelo ego a partir da crença na separação.

É por isso que a lição de hoje nos diz, para começar:

Hoje começaremos a reivindicar algumas das coisas felizes às quais tens direito por seres o que tu és. Não se pede períodos longos de prática hoje, mas são necessários períodos breves e muito frequentes. Seria muito desejável um a cada dez minutos e insiste-se que experimentes este horário e que sejas fiel a ele sempre que possível. Se esqueceres, tenta novamente. Se houver longas interrupções, tenta novamente. Sempre que lembrares, tenta novamente.

E é preciso que prestemos bastante atenção para a forma diferente de prática a que a lição nos convida. Se, normalmente, nos acostumamos a dois ou três períodos mais longos, entre os quais intercalamos, práticas mais breves, hoje vamos buscar manter o foco na ideia o maior tempo possível. Fazemos isso para não dar espaço às distrações que o mundo nos apresenta a cada instante, para que nos afastemos da verdade a nosso próprio respeito.

É importante ficarmos atentas e atentos para a orientação de não parar de tentar, por mais que ao longo do dia sejamos "forçadas", "forçados", a voltar nossa atenção a outros assuntos da rotina diária. Há sempre um jeito de nos voltarmos para o divino interior e reconhecermos, cada uma e cada um de nós de forma individual e única, que: 

Eu sou abençoado como um Filho de Deus.

Lembro-me, como já lhes disse em comentários anteriores, que há alguns anos tive contato - um contato que se renovou há pouco mais de cinco ou seis anos passados durante um breve período de tempo, com um prestador de serviços, um encanador, uma pessoa simples e tranquila, além de muito alegre no contato, durante o tempo em que fazíamos uma reforma na casa, na praia. A casa para onde planejáramos mudar - e para onde mudamos, de fato, no final de 2015.

Certo dia, acompanhando o serviço que ele fazia, uma ligação do encanamento que devia escoar a água das chuvas - a dita rede pluvial -, direcionando-a para a calçada da rua, ouvi-o a repetir, a cada etapa concluída: "Obrigado, Pai". "Obrigado, Senhor". "Deus, meu Pai, meu Pai, obrigado". Desta vez também, sempre que ele estava na obra, era possível ouvi-lo em seu agradecimento constante pelas bênçãos, por estar vivo, por poder fazer seu trabalho. 

Continuo sem saber se ele era, ou é, praticante de alguma religião, se fazia, ou faz, parte de algum grupo de estudos, ou se se dedicava, ou ainda se dedica, ao louvor a Deus de algum modo diferente daquele. O fato é que mesmo ocupado, atarefado, embaixo do sol, no tempo, fazendo o serviço que estava acostumado a fazer, ele não esquecia de agradecer e agradecer por tudo e por nada e, por que não dizer?, com certeza, por se sentir abençoado como um Filho de Deus. 

Lembro-me também de que em um livro que li há alguns anos, do qual acho que até já lhes falei algumas vezes nalguns comentários, a autora, que passou por uma experiência de quase morte, ao recobrar a consciência dizia ter experimentado um amor para o qual não há limites. Disse ela ter sentido que não há nada que possamos fazer para deixarmos de ser merecedores desse amor. Um amor sem fim que todas, todos, e cada uma, cada um, de nós merecemos apenas por estarmos vivos, por sermos quem somos, mesmo quando confusas e confusos a respeito disso. Por isso, entre outras tantas coisas, é que podemos dizer com toda a alegria de que somos capazes o tempo todo, a todo instante: 

Eu sou abençoado como um Filho de Deus.

E agradecer por isso, e agradecer, e agradecer, e dar graças o tempo inteiro, porque Deus vai conosco aonde formos. É só isso que precisamos fazer. todos os dias, a todo momento, em qualquer circunstância, em qualquer situação, seja qual for o lugar em que estejamos.

É só isso que a lição nos pede para fazermos hoje, reconhecer que: 

Eu sou abençoado como um Filho de Deus.

Às práticas?