quinta-feira, 4 de junho de 2026

É preciso um tempo de silêncio para se ouvir o divino

 

LIÇÃO 155

Recuarei e permitirei que Ele mostre o caminho.

1. Há um jeito de viver no mundo que não é daqui, embora pareça ser. Tu não mudas a aparência, embora sorrias com mais frequência. Tua fronte fica serena, teus olhos ficam em paz. E aqueles que andam pelo mundo do mesmo jeito que tu andas te reconhecem como um deles. Todavia, aqueles que ainda não perceberam este jeito também te reconhecerão e acreditarão que és igual a eles, assim como eras antes.

2. O mundo é uma ilusão. Aqueles que escolheram vir a ele estão buscando um lugar no qual possam ser ilusões e evitar sua própria realidade. Porém, quando descobrem que sua própria realidade está até mesmo aqui, eles recuam, então, e a deixam mostrar o caminho. Que outra escolha têm a fazer realmente? Permitir que as ilusões andem na frente da verdade é loucura. Mas permitir que as ilusões desapareçam atrás da verdade e permitir que a verdade se mostre como é é simplesmente sanidade.

3. Esta é a escolha natural que fazemos hoje. A ilusão louca permanecerá em evidência por algum tempo, para ser vista por aqueles que escolheram vir e que ainda não se regozijam ao descobrir que estavam equivocados em sua escolha. Eles não podem aprender diretamente da verdade porque negam que isto seja verdade. E, por isto, eles precisam de um Professor Que percebe sua loucura, mas Que ainda pode olhar, além da ilusão, para a verdade natural neles.

4. Se a verdade exigisse que desistissem do mundo pareceria a eles que ela lhes pediu para sacrificarem alguma coisa real. Muitos escolheram renunciar ao mundo apesar de ainda acreditarem em sua realidade. E experimentaram uma sensação de perda e, em consequência disto, não se libertaram. Outros não escolheram nada senão o mundo e experimentaram uma sensação de perda ainda mais profunda que não entenderam.

5. Entre estes caminhos há outra estrada que conduz para longe de qualquer tipo de perda, pois deixa-se para trás rapidamente tanto o sacrifício quanto a privação. Este é o caminho designado para ti agora. Tu andas por este caminho assim como outros e também não pareces ser diferente deles, embora, de fato, sejas. Deste modo podes lhes ser útil enquanto ajudas a ti mesmo a ajustar os passos deles ao caminho que Deus abre para ti, e para eles por teu intermédio.

6. Parece que a ilusão ainda persiste em ti, a fim de que possas alcançá-los. Mas ela recuou. E não é de ilusão que eles te ouvem falar e também não é ilusão que ofereces para seus olhos verem e para suas mentes compreenderem. A verdade, que anda a tua frente, também não pode lhes falar por meio de ilusões, pois a estrada leva para além das ilusões agora, enquanto os chamas ao longo do caminho para que possam te seguir.

7. No final, todas as estradas conduzem a esta. Pois sacrifício e privação são caminhos que não levam a lugar nenhum, escolhas de derrota e metas que continuarão a ser impossíveis. Tudo isto recua quando a verdade se apresenta em ti para afastares teus irmão dos caminhos da morte e colocá-los no caminho da felicidade. O sofrimento deles é só ilusão. No entanto, eles precisam de um guia para conduzi los para fora dela pois eles confundem ilusão com verdade.

8. Este é o chamado da salvação e nada mais. Ele te pede que aceites a verdade e que a deixes ir na tua frente, iluminando o caminho do resgate da ilusão. Este não é um resgate com um preço. Não há nenhum custo, mas apenas ganho. A ilusão só pode aparentar manter o filho de Deus aprisionado. É apenas das ilusões que ele se salva. Quando elas recuam, ele se encontra novamente.

9. Caminha com segurança agora, mas com cuidado porque este caminho é novo para ti. E podes descobrir que ainda ficas tentado a andar na frente da verdade e permitir que as ilusões sejam o teu guia. Teus irmãos santos te foram dados para seguirem as tuas pegadas enquanto caminhas em direção da verdade com clareza de objetivo. Ela vai na tua frente agora para que eles possam ver alguma coisa com a qual possam se identificar, algo que compreendam para mostrar o caminho.

10. Entretanto, no final da jornada não haverá nenhuma brecha, nenhuma distância entre a verdade e ti. E todas as ilusões que andavam pelo caminho que trilhavas também se afastarão de ti, sem deixar nada para manter a verdade separada da completude de Deus, santa como Ele Mesmo. Recua com fé e deixa a verdade mostrar o caminho. Tu não sabes aonde vais. Mas Aquele Que sabe vai contigo. Deixa que Ele te conduza com os outros.

11. Quando os sonhos acabarem, o tempo fechar a porta sobre todas as coisas que passam e os milagres forem desnecessários, o Filho santo de Deus não fará nenhuma jornada. Não haverá nenhum desejo de ser ilusão como uma alternativa mais apropriada do que a verdade. E nos adiantamos em direção a isso, à medida que avançamos ao longo do caminho que a verdade nos indica. Esta é nossa última jornada, que fazemos por todos. Não devemos perder nosso rumo. Pois do mesmo modo que a verdade segue a nossa frente, ela vai à frente de nossos irmãos que vão nos seguir.

12. Caminhamos para Deus. Para e reflete a respeito disto. Algum outro caminho poderia ser mais santo ou mais digno de teu esforço, de teu amor e de toda a tua determinação? Que caminho poderia te dar mais do que tudo ou oferecer menos e ainda assim satisfazer o Filho santo de Deus? Caminhamos para Deus. A verdade que caminha diante de nós agora é una com Ele e nos conduz ao lugar no qual Ele sempre esteve. Que caminho a não ser este poderia ser um caminho que escolherias em seu lugar?

13. Teus pés estão plantados sobre a estrada que conduz o mundo a Deus. Não olhes para caminhos que parecem te conduzir a outro lugar. Os sonhos não são um guia digno para ti, que és o Filho de Deus. Não te esqueças de que Ele coloca Sua Mão na tua e, em Sua confiança, te oferece teus irmão para que sejas digno da confiança d'Ele em ti. Ele não pode estar enganado. A confiança d'Ele torna seguro teu caminho e tua meta garantida. Tu não desapontarás teus irmãos nem teu Ser.

14. E, agora, Ele pede apenas que penses n'Ele por um momento a cada dia, para que Ele possa falar contigo e te contar de Seu Amor, lembrando-te de quão grande é Sua confiança, quão ilimitado Seu Amor. Em teu Nome e em Seu Próprio Nome, que são o mesmo, praticamos com alegria este pensamento hoje:

Recuarei e permitirei que Ele mostre o caminho,
Pois quero caminhar pela estrada que conduz a Ele.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 155

Caras, caros,

Conforme falamos ontem, nós, todas e todos nós, não temos a menor ideia de onde estamos, quem somos ou o que estamos fazendo a maior parte do tempo. É apenas quando nos damos um tempo de silêncio, para ouvir a voz da divindade interior, o Ser em nós, que por vezes intuímos o que fazer, onde ir, o que dizer a quem encontrar, ou experimentamos a paz no lugar onde nos encontramos.

Daí a importância de nos darmos este tempo de silêncio periodicamente, diariamente, durante as práticas com as lições, para afastar de nossa mente os pensamentos e as orientações do ego, que sempre quer ditar o que devemos fazer, onde ir, com quem falar, sem a menor intenção de nos levar ao caminho da paz. Muito pelo contrário, porque o ego só se alimenta de conflitos. Sem os conflitos ele não existe.

É isto que nos convida a fazer a ideia com que vamos praticar hoje. A permitirmos que o divino interior nos mostre o caminho, e não o ego. Vamos à exploração dela?

"Recuarei e permitirei que Ele mostre o caminho."

As práticas com a  ideia da lição de hoje vão permitir que vislumbremos o mundo que queremos. O mundo em que queremos viver. O mundo em que podemos experimentar a alegria e a paz, completas e perfeitas. A Vontade de Deus para nós. Nossa própria vontade, que é a mesma d'Ele/d'Ela.

E vocês podem estar se perguntando: mas como?

Aprendendo a renunciar à aparente necessidade de controle que só o falso eu, a imagem que construímos para nós mesmos e para nós mesmas, pode pensar em ter. A origem de todos os problemas que pensamos ver e que pensamos ter de enfrentar está aí. É só o ego que quer usurpar o lugar de Deus. Só o ego pode se pensar separado de Deus e de toda a Criação.

Mas não somos o ego, que nem sequer existe (no sentido de que ele não é real). É apenas uma imagem de nós mesmos e nós mesmas, construída a partir da crença na separação, que nunca aconteceu, não acontece e jamais acontecerá. Assim como este mundo é apenas uma imagem construída pelo sistema de pensamento do ego. Uma projeção tão somente de todos os conflitos e medos, de todas as incertezas e dúvidas e culpas, de todos os horrores que inventamos e que trazemos dentro de nós. Só ilusão.

A resistência que emprestamos às pessoas, situações e circunstâncias que surgem em nosso caminho também é responsável por grande parte das dificuldades que se apresentam a nossa experiência neste mundo. Ou ainda a resistência que temos em aceitar a mudança. É fato também que temos muita dificuldade para reconhecer que nada se apresenta a nós por acaso, por fatalidade de um destino inexorável ou por culpa ou responsabilidade e escolha de alguém que não nós mesmos e nós mesmas.

Daí a necessidade das práticas da ideia que o Curso nos traz uma vez mais hoje. Isto é, a necessidade de começarmos a abandonar a resistência em fazer aquilo que a Voz por Deus pede que façamos. A necessidade de aprendermos a não resistir à possibilidade de nos abrirmos à Voz por Deus e ao Próprio Deus e a não resistir às formas todas, quaisquer que sejam elas, com que tudo se apresenta a nossa consciência. A necessidade de nos abrirmos ao que nos pede o Ser em nós, o Ser que é o que somos verdadeiramente em Deus, com Ele/Ela.

Lembremo-nos da lição: "Todas as coisas são ecos da Voz por Deus". Será que, se olharmos para qualquer pessoa, coisa, situação e circunstância, com a ideia de que "todas as coisas são ecos da Voz por Deus", sentiremos algum impulso de reagir, atacar ou resistir?

Lembremo-nos também mais uma vez de Marco Aurélio, como já citei anteriormente, que disse, há mais de 2.000 anos: 

"Aceite o que quer que venha para você nas tramas do destino, pois o que se ajustaria mais adequadamente às suas necessidades?" 

Isto é, o que quer que se apresente a nós é o que precisamos experimentar para dar mais um passo em direção de nós mesmos e de nós mesmas.

Ou ainda como diz Eckhart Tolle no livro O Poder do Agora

"Não oferecer resistência à vida é estar em estado de graça, de descanso e de luz".

E perguntemo-nos ainda mais uma vez: o que mais precisamos aprender a partir da ideia de recuar e permitir que Deus nos mostre o caminho? Não será este um bom começo para aprendermos a praticar a entrega? 

Às práticas?

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Quem não gostaria de saber seu lugar no mundo?

 

LIÇÃO 154

Eu estou entre os ministros de Deus.

1. Não sejamos nem arrogantes nem falsamente humildes hoje. Já fomos além de tais tolices. Não podemos nos julgar nem precisamos fazê-lo. Estas são apenas tentativas de evitar a decisão e de adiar o compromisso com nossa função. Não nos cabe julgar nosso valor, nem podemos saber qual é o melhor papel para nós; o que podemos fazer em um plano maior que não podemos ver em sua totalidade. Nosso papel é distribuído no Céu, não no inferno. E o que pensamos que é fraqueza pode ser força; o que acreditamos ser nossa força muitas vezes é arrogância.

2. Qualquer que possa ser o papel designado a ti, ele foi escolhido pela Voz por Deus, Cuja função é também a de falar por ti. Vendo tuas forças exatamente como são e igualmente ciente de onde elas podem ser melhor aplicadas, a que, a quem e quando, Ele escolhe e aceita teu papel para ti. Ele não trabalha sem teu próprio consentimento. Mas Ele não Se deixa enganar acerca do que tu és e escuta apenas a Sua Voz em ti.

3. É por meio da capacidade d'Ele de ouvir uma só Voz, que é a d'Ele Mesmo, que tu, enfim, te tornas consciente de que existe uma única Voz em ti. E essa Voz única indica tua função e a confia a ti, dando-te a força necessária para compreendê-la, fazer o que ela pede e ser bem-sucedido em todas as coisas que fazes que se relacionem a ela. Deus Se une a Seu Filho nisto e, deste modo, Seu Filho vem a ser o mensageiro de Sua unidade com Ele.

4. É esta união, por meio da Voz por Deus, do Pai e do Filho que separa a salvação do mundo. É esta Voz que fala de leis a que o mundo não obedece, que assegura a salvação de todos os pecados, com a abolição da culpa na mente que Deus criou inocente. Agora esta mente se torna ciente mais uma vez de Quem a criou e de Sua união duradoura consigo mesma. Assim, o Ser dela é a única realidade na qual sua vontade e a de Deus estão unidas.

5. Um mensageiro não é aquele que escreve a mensagem que entrega. Ele também não questiona o direito de quem a escreve, nem pergunta por que razão ele escolhe aqueles que receberão a mensagem que leva. Basta que ele a aceite, que a ofereça àqueles a quem ela se destina e cumpra seu papel na entrega da mensagem. Se ele decide o que as mensagens devem ser, ou qual é a finalidade delas, ou para onde elas devem ser levadas, está deixando de desempenhar o papel que lhe cabe como portador da Palavra.

6. No papel dos mensageiros do Céu, há uma única diferença que os distingue daqueles que o mundo indica. As mensagens que eles entregam se destinam em primeiro lugar a si mesmos. E é apenas quando eles as podem aceitar para si mesmos que se tornam capazes de levá-las adiante e oferecê-las em todos os lugares a que se destinavam. Do mesmo modo que os mensageiros da terra, eles não escrevem as mensagens que portam, mas se tornam seus primeiros receptores no sentido mais verdadeiro, recebendo a fim de se prepararem para oferecer.

7. Um mensageiro da terra cumpre seu papel entregando todas as suas mensagens. Os mensageiros de Deus desempenham seu papel a partir de sua aceitação das mensagens d'Ele como se fossem para si mesmos e demonstram que compreenderam as mensagens entregando-as. Eles não escolhem nenhum papel que não lhes tenha sido dado pela autoridade d'Ele. E, assim, eles se beneficiam de cada mensagem que entregam.

8. Queres receber as mensagens de Deus? Pois, assim, tu te tornas mensageiro d'Ele, de fato. Tu és nomeado agora. E, não obstante, esperas para oferecer as mensagens que recebes. E, assim, não sabes que elas são tuas e não as reconheces. Ninguém pode receber e compreender que recebeu até dar. Pois sua própria aceitação do que recebeu está no dar.

9. Tu, que és agora o mensageiro de Deus, recebe Suas mensagens. Pois isto é parte do papel que te foi designado. Deus não deixa de oferecer aquilo de que precisas, e aquilo de que precisas também não deixa de ser aceito. Porém, outra parte da tarefa designada a ti ainda está para ser realizada. Aquele Que recebeu as mensagens de Deus para ti quer que elas também sejam recebidas por ti. Pois deste modo tu te identificas, de fato, com Ele e reivindicas tuas próprias mensagens.

10. É esta união que empreendemos reconhecer hoje. Não buscaremos manter nossas mentes separadas d'Aquele Que nos fala, pois é apenas a nossa própria voz que ouvimos quando prestamos atenção a Ele. Só Ele pode nos falar e falar por nós, unindo em uma única Voz o recebimento e a oferta da Palavra de Deus; a oferta e o recebimento da Vontade d'Ele.

11. Praticamos oferecer a Ele o que Ele quer para reconhecer Suas dádivas para nós. Ele necessita de nossa Voz para poder falar por nosso intermédio. Ele necessita de nossas mãos para segurar Suas mensagens e levá-las àqueles a quem Ele indica. Ele necessita de nossos pés para nos levarem aonde Ele quer, a fim de que aqueles que esperam no sofrimento possam, enfim, ser libertados. E Ele necessita de nossa vontade unida à d'Ele para podermos ser os verdadeiros receptores das dádivas que Ele oferece.

12. Aprendamos apenas esta lição hoje: nós não reconheceremos aquilo que recebemos até que o ofereçamos. Tu ouves isto ser dito de centenas de modos, centenas de vezes e, no entanto, ainda te falta a crença. Mas isto é certo: até que se dê crédito a isto, receberás mil milagres e, depois, receberás mais mil, mas não saberás que o Próprio Deus não esconde nenhuma dádiva além das que já tens; e que Ele não nega a menor das bênçãos a Seu Filho. O que isto pode significar para ti, até que te identifiques com Ele e com que Lhe pertence?

13. Nossa lição para hoje se declara desta forma:

Eu estou entre os ministros de Deus e sou grato
por ter os meios pelos quais reconhecer que sou livre.

14. O mundo retrocede à medida que iluminamos nossas mentes e percebemos claramente que estas palavras santas são verdadeiras. Elas são a mensagem que nos foi enviado por nosso Criador hoje. Agora demonstramos o quanto elas mudam nosso modo de pensar a nosso próprio respeito e a respeito de qual é nossa função. Pois quando provarmos não aceitar nenhuma vontade da qual não compartilhamos, muitas dádivas de nosso Criador nos saltarão aos olhos e pularão em nossas mãos e reconheceremos o que recebemos.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 154

Caras, caros,

Em geral, nenhuma de nós, nenhum de nós, sabe verdadeiramente onde está, o que é, ou por que razão está onde pensa estar, não é mesmo? Perguntamo-nos com certa frequência o que viemos fazer neste mundo de aparências sem encontrar nenhuma resposta satisfatória. Sem achar uma resposta que nos deixe tranquilas, tranquilos, e em paz.

Por que isso acontece? 

Creio que ninguém sabe dizer. Ninguém nunca soube. Todas as pessoas que vieram antes de nós se limitaram, é preciso dizer sem medo, a especulações. Nenhuma filosofia, nenhuma religião, nenhuma ciência, existente neste tempo em que aparentemente vivemos, nem nenhuma existente em tempos anteriores ao nosso soube dar uma resposta a estas questões.

Penso, pois, que preciso lhes dizer que é porque não há resposta. Não há. E todas as respostas possíveis têm, de modo inequívoco, de fazer parte da ilusão, desta que experimentamos e construímos e aumentamos cada vez que nos valemos da lógica subjacente ao sistema de pensamento do ego.

Assim, é muito importante prestarmos toda a atenção de que somos capazes à ideia que vamos utilizar para as práticas deste dia. 

"Eu estou entre o ministros de Deus."

Hoje, temos a oportunidade de reconhecer mais uma vez nossa função de mensageiras e mensageiros de Deus neste mundo, a partir do reconhecimento de que estamos entre [as ministras e] os ministros d'Ele/d'Ela, conforme a ideia que o Curso oferece para as práticas.

Além da ideia central para as práticas de hoje, a lição nos convida a aprender uma única coisa. Talvez a mais importante para este dia, bem como para todos os nossos dias neste mundo, e que é tudo o que precisamos aprender para viver a alegria, a paz e a felicidade completas, que são a Vontade de Deus para nós. Para todos e todas nós. 

E o que é esta única coisa que precisamos aprender?

O que precisamos aprender é que não seremos capazes de reconhecer o que temos enquanto não tomarmos a decisão de oferecer o que temos. Tudo. Absolutamente tudo. Pois, de acordo com o ensinamento do Curso, na verdade, só temos aquilo que damos.

Isto é, é preciso que compreendamos - e compreender é necessariamente aceitar - que dar e receber são a mesma coisa. Lembram-se da lição 108?

O Curso ensina, como já sabemos e vimos antes, que Deus nos dá tudo. O fato de vivermos como se nos faltasse alguma coisa é apenas um equívoco que podemos corrigir abandonando a crença na separação, colocando-nos à disposição do divino interior para ser tudo aquilo que podemos ser.

Para tanto, é preciso que pratiquemos a lição de hoje com toda a atenção de que somos capazes, aceitando nosso lugar entre [as ministras e] os ministros de Deus, reconhecendo que só vamos encontrar a paz e a alegria que buscamos quando nos rendermos à Vontade d'Ele/Ela para nós, que é a mesma que a nossa.

Às práticas?

terça-feira, 2 de junho de 2026

Tudo o que precisamos fazer é abrir mão do controle

 

LIÇÃO 153

Minha segurança está em ser sem defesas.

1. Tu, que te sentes ameaçado por este mundo inconstante, pelas viradas da sorte nele e por suas brincadeiras cruéis, seus relacionamentos breves e todas as "dádivas" que ele apenas te empresta para tomar de volta mais uma vez, presta bastante atenção nesta lição. O mundo não oferece segurança. Ele se baseia no ataque e todas as suas "dádivas" com aparência de segurança são logros enganadores. Ele ataca e em seguida ataca novamente. Aonde o perigo ameaça desta forma, nenhuma paz de espírito é possível.

2. O mundo só dá origem à defensiva. Pois a ameaça gera raiva, a raiva faz o ataque parecer razoável, francamente provocado e justificado em nome da defesa própria. Porém, a defensiva é uma dupla ameaça. Pois ela evidencia a fraqueza e funda um sistema de defesa que não pode funcionar. Com isto os fracos ficam ainda mais debilitados, pois há traição fora e uma traição ainda maior no interior. Agora a mente está confusa e não sabe para onde se voltar para achar saída para suas fantasias.

3. É como se ela estivesse amarrada no interior de um círculo, no qual outro círculo a prendesse e mais um dentro daquele, até que não se pudesse mais ter esperança ou obter saída. Ataque, defesa; defesa, ataque se tornam os círculos das horas e dos dias que amarram a mente com pesadas fitas de aço revestidas de ferro, que retrocedem apenas para começar outra vez. Parece não haver nenhuma trégua, nem fim, para o aperto sempre mais firme da prisão imposta sobre a mente.

4. As defesas são o preço mais alto que o ego quer cobrar. Nelas reside a loucura sob uma forma tão inflexível que a esperança de sanidade parece ser apenas um sonho inútil, além do possível. A sensação de ameaça que o mundo encoraja é muito mais profunda e fica tão mais distante do delírio e da violência do que podes imaginar, que não fazes nenhuma ideia de toda a destruição que ela produz.

5. Tu és escravo dela. Tu não sabes o que fazer por medo dela. Tu, que sentes seu aperto férreo sobre teu coração, não compreendes o quanto ela te força a sacrificar. Tu não percebes de forma clara o que fazes para sabotar a santa paz de Deus com tua defensiva. Pois vês o Filho de Deus apenas como uma vítima à qual atacar com as fantasias, os sonhos e as ilusões que ele inventa; mas indefeso na presença delas, apenas carente de defesa por meio de mais fantasias ainda e de sonhos, pelos quais as ilusões de sua segurança o consolam.

6. A não-defensiva é força. Isto atesta o reconhecimento do Cristo em ti. Talvez lembres que o texto afirma que sempre se faz a escolha entre a força do Cristo e tua própria fraqueza, vista separada d'Ele. A não-defensiva não pode ser atacada nunca, porque ela reconhece uma força tão grande que o ataque se torna loucura, ou uma brincadeira tola que uma criança cansada poderia brincar, quando estivesse sonolenta demais para se lembrar do que quer.

7. A defensiva é fraqueza. Ela declara que negas o Cristo e vens a temer a raiva de Seu Pai. O que pode te salvar agora de teu delírio de um deus irado, cuja imagem assustadora acreditas ver em ação em todos os males do mundo? O que senão ilusões poderiam te defender agora, se é apenas contra ilusões que lutas?

8. Não participaremos de tais jogos infantis hoje. Pois nosso objetivo verdadeiro é salvar o mundo e não queremos trocar a alegria infinita que nossa função nos oferece por tolices. Não queremos permitir que nossa felicidade escape porque um fragmento de um sonho inútil passou por acaso por nossas mentes e porque confundimos as figuras nele com o Filho de Deus, seu instante minúsculo pela eternidade.

9. Hoje olhamos para além dos sonhos e reconhecemos que não precisamos de nenhuma defesa porque fomos criados inatacáveis, sem qualquer pensamento ou desejo ou sonho no qual o ataque tenha qualquer significado. Agora não podemos ter medo, pois deixamos para trás todos os pensamentos assustadores. E estamos seguros na não-defensiva, calmamente convictos de nossa segurança, certos da salvação, certos de que realizaremos o objetivo escolhido, à medida que nosso ministério estende sua bênção sagrada pelo mundo.

10. Fica quieto por um instante e, em silêncio, pensa quão santo é teu propósito, com que segurança descansas, intocável em sua luz. Os ministros de Deus escolhem que a verdade esteja com eles. Quem é mais santo do que eles? Quem pode ter mais certeza de que sua felicidade está inteiramente assegurada? E quem poderia estar mais fortemente protegido? Que defesa poderia ser necessária àqueles que estão entre os escolhidos de Deus por escolha d'Ele e também pela deles mesmos?

11. É a função dos ministros de Deus ajudar seus irmãos a escolherem como eles escolhem. Deus escolhe a todos, mas poucos chegam a perceber claramente que a Vontade d'Ele é apenas a deles mesmos. E, enquanto deixares de ensinar o que aprendes, a salvação espera e as trevas mantêm o mundo em uma prisão horrível. E também não aprenderás que a luz veio a ti e que tua saída se completou com sucesso. Pois não verás a luz até que a ofereças a todos os teus irmãos. Quando eles a receberem de tuas mãos, então a reconhecerás como tua.

12. Pode-se pensar na salvação como uma brincadeira que crianças felizes brincam. Ela foi planejada por Aquele Que ama Suas crianças e Que quer substituir seus brinquedos assustadores por jogos felizes, que lhes ensinem que o jogo do medo acabou. O jogo d'Ele educa na felicidade porque não há perdedor. Cada um dos que jogam tem de ganhar e na vitória dele garante-se o ganho de todos. O jogo do medo é posto de lado com alegria, quando as crianças chegam a ver os benefícios que a salvação traz.

13. Tu, que brincas que estás perdido para ter esperança, abandonado por teu Pai, deixado só, aterrorizado, em um mundo assustador, enlouquecido pelo pecado e pela culpa, fica feliz agora. Este jogo acabou. Agora começa um tempo de paz, no qual guardamos os brinquedos de culpa e trancamos para sempre nossos pensamentos fantásticos e infantis de pecado fora das mentes puras e santas das crianças do Céu e do Filho de Deus.

14. Paramos por mais um instante apenas para jogar nosso jogo final e feliz sobre esta terra. E, em seguida, vamos assumir nosso lugar legítimo aonde habita a verdade e onde os jogos não têm significado. Assim termina a novela. Deixa que este dia traga o último capítulo para mais perto do mundo, para que todos possam aprender que a fábula que ele lê a respeito de um destino aterrorizante, da derrota de todas as suas esperanças, sua defesa lamentável contra uma vingança da qual não se pode fugir, é apenas sua própria fantasia no delírio. Os ministros de Deus chegam para despertá-lo dos sonhos sombrios que esta novela suscita em sua memória confusa, perplexa com este conto mentiroso. Enfim, o Filho de Deus pode sorrir, ao aprender que ele não é verdadeiro.

15. Hoje praticamos de uma forma que vamos manter por algum tempo. Começaremos cada dia dando nossa atenção à ideia diária durante o maior tempo possível. Cinco minutos, agora, são o mínimo que oferecemos no preparo para um dia no qual a salvação é a única meta que temos. Melhor seriam dez; quinze, melhor ainda. E, à medida que a confusão deixa de surgir para nos afastar de nosso objetivo, descobriremos que meia hora é um tempo demasiado curto para se passar com Deus. Tampouco estaremos dispostos a oferecer menos à noite, com gratidão e alegria.

16. Cada hora amplia nossa paz crescente, quando nos lembramos de ser fiéis à Vontade que compartilhamos com Deus. Às vezes, talvez, um minuto, até menos, será o máximo que poderemos oferecer ao soar de cada hora. Algumas vezes esqueceremos. Noutras as atividades do mundo nos impedirão e não seremos capazes de nos afastar por alguns momentos para voltar nossos pensamentos para Deus.

17. No entanto, quando pudermos, manteremos nossa confiança como ministros de Deus, lembrando-nos a cada hora de nossa missão e do Seu Amor. E nos sentaremos calmamente e esperaremos por Ele e ouviremos Sua Voz, e aprenderemos o que Ele quer que aprendamos na hora que ainda está por vir, enquanto O agradecemos por todas as dádivas que Ele nos deu na que passou.

18. Com o tempo, com a prática, nunca deixarás de pensar n'Ele e de ouvir Sua Voz amorosa orientando teus passos por caminhos suaves, onde caminharás na verdadeira não-defensiva. Pois saberás que o Céu vai contigo. E também não queres manter tua mente afastada d'Ele nem por um momento, embora passes teu tempo oferecendo a salvação ao mundo. Pensas que Ele não tornará isto possível para ti, que escolheste executar o plano d'Ele para a salvação do mundo e para a tua?

19. Nosso tema hoje é nossa não-defensiva. Nós nos cobrimos com ele enquanto nos preparamos para enfrentar o dia. Levantamo-nos fortes em Cristo e deixamos nossa fraqueza desaparecer, enquanto nos lembramos de que a força d'Ele habita em nós. Nós nos lembraremos de que Ele permanece ao nosso lado ao longo do dia e nunca deixa nossa fraqueza sem o apoio de Sua força. Invocamos a força d'Ele cada vez que sentirmos a ameaça de nossas defesas minarem nossa convicção a respeito de nosso objetivo. Pararemos por um instante, enquanto Ele nos diz: "Eu estou aqui".

20. Agora tua prática começará a assumir a dedicação do amor, para te auxiliar a impedir tua mente de se desviar de seu objetivo. Não tenhas medo nem fiques apreensivo. Não pode haver nenhuma dúvida de que alcançarás tua meta final. Os ministros de Deus não podem fracassar nunca, porque o amor e a força e a paz que brilham a partir deles para todos os seus irmão vêm d'Ele. Estas são as dádivas d'Ele para ti. Tudo o que precisas oferecer a Ele, em retribuição, é a não-defensiva. Tu simplesmente abandonas aquilo que nunca foi real, para olhar para o Cristo e ver Sua inocência.


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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 153

Caras, caros,

Voltamos mais uma vez ao mote da segurança. Um tema que nos dias de hoje é muito comentado. Principalmente da parte das pessoas que têm algumas posses, mais ainda daquelas que têm muitas posses.

É um tal de erguer cercas, contratar empresas de segurança, instalar câmaras e alarmes, buscar no mercado o que há de mais moderno para fazer com que nos sintamos seguros dentro do cantinho que escolhemos para ser nossa prisão particular. Prisão, sim, porque mal dormimos à noite, se algum dos equipamentos de segurança falha.

Enquanto isto, os ditos "bandidos" andam soltos e não têm medo de ninguém, nem de nós, nem das empresas de segurança, da polícia, ou do governo, mesmo quando dentro das prisões. Estão seguros. A norma agora é chefiar o crime de dentro das prisões. E por que isto acontece? Porque as pessoas que escolheram viver do crime, ou no crime, em geral, não têm nada a perder. E, quem não tem nada a perder, não tem medo. Não tem razão para se defender.

É disto que vamos tratar hoje com a ideia que o ensinamento traz para as nossas práticas. A ela? 

"Minha segurança está em ser sem defesas."

Novamente: se quisermos nos manter fiéis ao que o Curso ensina, não há como não relacionar esta lição e esta ideia a uma lição anterior, a 135, que diz: Se me defendo, sou atacado.

Todos os movimentos que fazemos se devem a uma lógica que muitas vezes não paramos para questionar, nem conseguimos perceber, porque a maior parte do tempo distraídos e distraídas de nós mesmos, de nós mesmas e do que acontece à volta de nós, pensando no movimento anterior [o passado], e nas consequências dele, ou tentando antecipar o próximo movimento [o futuro], e avaliando os possíveis resultados que advirão com ele.

Quer queiramos, quer não, quer saibamos de forma consciente, quer não, os movimentos que fazemos são sempre aqueles que podemos fazer a partir da consciência que temos de nós mesmos e de nós mesmas, a partir das vontades, dos desejos e dos quereres que nos movem na direção do sonho, da alegria e da felicidade.

À medida que nos movimentamos pelo mundo e buscamos ver claramente o que nos move, em função de resultados que se apresentam, e que muitas vezes não são aparentemente aqueles que queríamos ou que pensávamos querer - aqueles que nos fazem felizes, que nos enchem de alegria - vamos aprendendo a mudar as escolhas. No entanto, enquanto buscarmos pensando que havemos de preencher alguma necessidade, alguma falta, vamos viver experiências de altos e baixos, vamos passar por experiências que nos satisfazem e por outras que não nos dão a satisfação esperada.

Por quê?

Porque é preciso compreendermos - e este compreender tem sempre de ser no sentido de aceitar - que não precisamos fazer nada. Nada, nada, nada. Isto, para usar uma expressão corriqueira bastante conhecida, também equivale a aceitar como verdadeiro aquele ditado: "muito ajuda quem não atrapalha".

Ora, viver do modo que vivemos, como se precisássemos nos defender o tempo todo de um mundo perigoso, um mundo em que há armadilhas em cada esquina, um mundo no qual o inimigo usa os disfarces mais inusitados e pode nos surpreender com a guarda baixa, não é viver absolutamente. É atrapalhar a vida. É não entender a lógica da vida e seus movimentos. É acreditar que é preciso fazer alguma coisa para melhorar um mundo no qual a vida é criada de modo perfeito. Tanto é assim que ninguém até hoje consegue explicar como a vida funciona. Ninguém conseguiu "criar" vida ou reproduzir "artificialmente" de maneira parecida os movimentos da vida.

É a vida que se sobrepõe a tudo o que podemos fazer no mundo. É a vida que continua a existir quando morre uma flor, um pássaro, uma planta qualquer, um animal qualquer ou mesmo quando as pessoas, conhecidas ou desconhecidas, quer próximas, quer distantes, morrem. A vida não morre jamais.

Tudo o que precisamos compreender, e aceitar, é que estamos no lugar certo o tempo todo, seja lá onde for que estivermos. Fazemos - porque é só o que podemos fazer em qualquer instante dado - o que tem de ser feito, em cada um e em todos os momentos, seja lá o que for que fizermos. Ou como diz a música From the Beginning, de Emerson, Lake & Palmer, que citei também no comentário dos anos anteriores: "Vê, é tudo claro, tinhas de estar aqui, desde o início".

A lição de ontem - O poder de decisão é meu - é absolutamente clara a respeito do equívoco das crenças a partir das quais pensamos que o que vivemos é viver. Isto é, pensamos estar à mercê de um poder tirano sobre o qual não temos o menor controle. Um poder que nos pôs num mundo qual um barco à deriva no meio de uma tempestade num mar em fúria. E achamos que precisamos lutar para nos defender dos perigos que este poder nos apresenta a cada instante.

Nada mais falso. Isto é, como a lição de ontem diz:

Ninguém pode sofrer perda a menos que isso seja sua própria decisão. Ninguém pode sentir dor a não ser que sua escolha eleja esse estado para si. Ninguém pode se afligir nem ter medo nem se perceber doente a menos que esses resultados seja o que quer. E ninguém morre sem seu próprio consentimento. Tudo o que acontece representa apenas teu desejo e nada do que escolhas deixa de acontecer. Eis aqui teu mundo, completo em todos os detalhes. Eis aqui a realidade inteira dele para ti. E é só aqui que está a salvação. 

Ou, como diz Elio D'Anna em seu livro, de que já lhes falei: "o inesperado precisa de um longo tempo de preparação" e nada do que acontece a ninguém acontece sem seu consentimento, conforme o ensinamento do Curso.

Quem, então, pensas que cria [inventa] a necessidade de defesas? Quem cria [inventa em sua imaginação insana] os perigos de que se defender? Obviamente não é aquilo que tu és na verdade, em Deus. Só pode ser uma imagem falsa de ti mesmo, ou de ti mesma, que construíste para justificar este mundo insano em que pensas viver.

É importante observar o que diz a última frase do primeiro parágrafo que cito: "E é só aqui que está a salvação".

E ela é muito simples, se abandonares tua necessidade de controle, se abandonares o julgamento do mundo, se baixares todas as tuas armas e deixares de te defender. A salvação está em deixar que Deus viva a Sua vida em ti. Pois Isso é o que és. Na verdade, todas as defesas que o ego inventa são para se proteger de Deus, e de nada mais.

É hora, pois, de reconhecer que não há necessidade de nos defendermos de Deus. É hora de abandonarmos toda a luta. É hora de reconhecermos que nossa vontade e a Vontade de Deus são a mesma.

NOTA: Reprisando ainda uma vez mais: quem quiser ouvir a música que citei, que acho belíssima, o link é o seguinte:

http://www.youtube.com/watch?v=3epPMa5rq0U 

Às práticas?

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Reconhecermo-nos Filhos de Deus é a humildade real

 

LIÇÃO 152

O poder de decisão é meu.

1. Ninguém pode sofrer perda a menos que ela seja sua própria decisão. Ninguém pode sentir dor a não ser que sua escolha determine este estado para si. Ninguém pode se afligir, nem ter medo, nem pensar que está doente a menos que estes sejam os resultados que queira. E ninguém morre sem sua própria permissão. Tudo o que acontece não representa nada senão teu desejo e não se omite nada do que escolhes. Eis aqui teu mundo, completo em todos os detalhes. Eis aqui toda a realidade dele para ti. E é só nisto que a salvação está.

2. Podes acreditar que esta posição seja extrema e abrangente demais para ser verdadeira. Mas a verdade pode ter exceções? Se tens a dádiva de todas as coisas, a perda pode ser real? A dor pode ser parte da paz, ou a tristeza parte da alegria? O medo e a doença podem entrar em uma mente na qual habitem o amor e a santidade perfeita? A verdade tem de ser todo-abrangente, se é que é absolutamente a verdade. Não aceites nenhum oposto e nenhuma exceção, pois fazê-lo é contradizer inteiramente a verdade.

3. A salvação é o reconhecimento de que a verdade é verdadeira e de que nada mais é verdadeiro. Ouviste isto antes, mas podes ainda não aceitar ambas as partes. Sem a primeira, a segunda não faz nenhum sentido. Mas sem a segunda, a primeira não é mais verdadeira. A verdade não pode ter um oposto. Nunca é demais dizer isto e pensar a este respeito. Pois se o que não é verdadeiro fosse tão verdadeiro quanto o que é verdadeiro, então, parte da verdade seria falsa. E a verdade perde seu sentido. Nada a não ser a verdade é verdadeiro, e o que é falso é falso.

4. Esta é a mais simples das distinções, embora a mais enigmática. Mas não em razão de que seja uma distinção difícil de perceber. Ela está escondida atrás de um vasto conjunto de escolhas que não parecem ser inteiramente tuas. E, deste modo, a verdade parece ter alguns aspectos que descaracterizam a coerência, mas que não parecem ser apenas contradições que tu inseriste.

5. Uma vez que Deus te criou, tu tens de permanecer imutável, com estados transitórios falsos por definição. E isso inclui todas as mudanças de sensações, alterações nas condições do corpo e da mente; em toda a consciência e em todas as reações. Esta é a abrangência total que separa a verdade do falso e pela qual o falso se mantém separado da verdade assim como ele é.

6. Não é estranho que acredites que pensar que fizeste o mundo que vês seja arrogância? Deus não o fez. Podes ter certeza disto. O que Ele pode saber do efêmero, do pecador e do culpado, do medroso, do sofredor e do solitário, e da mente que vive em um corpo que tem de morrer? Tu apenas O acusas de loucura ao pensar que Ele fez um mundo onde tais coisas parecem ter realidade. Ele não é louco. Contudo, só a loucura faz um mundo como este.

7. Pensar que Deus fez o caos, contradisse Sua Vontade, inventou opostos para a verdade e permite que a morte triunfe sobre a vida, tudo isto é arrogância. A humildade veria imediatamente que estas coisas não vêm d'Ele. E tu podes ver aquilo que Deus não criou? Pensar que podes é apenas acreditar que podes perceber aquilo que Deus não quis que existisse. E o que pode ser mais arrogante do que isto?

8. Sejamos verdadeiramente humildes hoje e aceitemos o que fazemos assim como é. O poder de decisão é nosso. Decide apenas aceitar teu lugar legítimo como co-criador do universo e tudo o que pensas que fizeste desaparecerá. O que surge na consciência, então, será tudo o que sempre existiu, eternamente tal como é agora. E isto tomará o lugar dos auto-enganos feitos apenas para usurpar o altar do Pai e do Filho.

9. Hoje praticamos a verdadeira humildade, abandonando a falsa presunção a partir da qual o ego busca provar que ela é arrogante. Só o ego pode ser arrogante. A verdade, porém, é humilde ao reconhecer seu poder, sua imutabilidade e sua eterna integridade, sua abrangência total, a dádiva perfeita de Deus para Seu Filho amado. Abandonamos a arrogância que diz que somos pecadores, culpados e medrosos, envergonhados daquilo que somos e, em lugar disto, em verdadeira humildade, elevamos nossos corações Àquele Que nos criou imaculados, iguais a Si Mesmo em poder e em amor.

10. O poder de decisão é nosso. E aceitamos aquilo que somos e reconhecemos o Filho de Deus humildemente. Reconhecer o Filho de Deus também pressupõe que todos os autoconceitos foram abandonados e reconhecidos como falsos. Percebeu-se a arrogância deles. E, na humildade, aceitamos alegremente como nossas a radiância do Filho de Deus, sua benevolência, sua completa inocência, o Amor de seu Pai, seu direito ao Céu e a libertação do inferno.

11. Agora nos unimos em alegre reconhecimento de que as mentiras são falsas e só a verdade é verdadeira. Pensamos apenas na verdade ao nos levantarmos e passarmos cinco minutos praticando seus caminhos, encorajando nossas mentes assustadas com isto:

O poder de decisão é meu. Neste dia, eu me aceitarei
como aquilo que a Vontade de meu Pai me criou para ser.

Esperaremos, então, em silêncio, desistindo de todos os auto-enganos, enquanto pedimos a nosso Ser que Ele Se revele a nós. E Aquele Que nunca partiu virá a nossa consciência mais uma vez, grato por devolver Seu lar a Deus, como ele se destinava a ser.

12. Espera por Ele com paciência ao longo do dia e, de hora em hora, convida-O com as palavras com as quais o dia começou, concluindo-o com o mesmo convite para teu Ser. A Voz de Deus responderá porque Ele fala por ti e por teu Pai. Ele substituirá todos os teus pensamentos desvairados pela paz de Deus, os auto-enganos pela verdade de Deus e as ilusões de ti mesmo pelo Filho de Deus.

*

COMENTÁRIO:
Explorando a LIÇÃO 152

Caras, caros,

Ano passado, talqualmente este, fiz várias postagens, quer dizer, tenho programado as postagens do blog desde Maceió, onde vim com minha companheira de vida passar um tempo com meu filho do meio, sua esposa e minhas duas netas.

Também tenho tido bastante tempo para ler, como no ano passado, lembram? Disse-lhes, então, que entre os livros que li, estava um de Mia Couto, o escritor moçambicano. Um livro de ensaios. Vários muito interessantes. Observei que alguns ensaios tinham a ver com isto tudo que estudamos com o Curso. E também com a nossa busca de nos tornamos o que somos e de viver a partir do que somos. E ainda sobre a impossibilidade do autoconhecimento, de que falei, se não me engano na postagem de ontem.

E por quê? 

Porque como Mia Couto diz, a certa altura de um de seus ensaios, falando do fato de sua assinatura não ter sido reconhecida como sua, mesmo em sua presença:

"A verdade é que nós somos sempre não uma mas várias pessoas e deveria ser norma que a nossa assinatura acabasse sempre por não conferir, Todos nós convivemos com diversos eus, diversas pessoas reclamando nossa identidade. O segredo é permitir que as escolhas que a vida nos impõe não nos obriguem a matar a nossa diversidade interior. O melhor nesta vida é poder escolher, mas o mais triste é ter mesmo que escolher."

Não lhes parece que isso tem a ver com o que o Curso ensina sobre a escolha e com a ideia que temos para as práticas de hoje? Esta que está logo aí abaixo?

"O poder de decisão é meu."

Perguntemo-nos de novo: precisa dizer mais? Mas quem de nós, de verdade, acredita que pode decidir sua própria vida? Quem dentre nós não está certo de que o mundo é um tirano, um ditador cruel, que exerce um poder ferrenho sobre nossas vidas? Sobre a vida de todos, todas, cada um e de cada uma de nós. 

Elio D'Anna, a certa altura de seu livro, A Escola dos Deuses, diz o seguinte: 

"O mundo, quando você o vê, já foi feito... é esta a razão pela qual se chama criado; vem depois! É efeito! Existe uma causa que vem antes. Somente poucos dentre poucos podem perceber que o mundo não tem uma direção, não tem uma vontade própria." 

É nossa própria vontade, o poder que trazemos em nós, que dá direção ao mundo. Ou como o mesmo Elio D'Anna diz: "A vontade pertence somente ao indivíduo... Ela [a vontade do indivíduo, o poder que ele traz em si] governa o mundo. Se a vontade se ausenta, o mundo automaticamente toma a direção". Quer dizer, o mundo como construção coletiva do(s) ego(s), do(s) falso(s) eu(s), assume o controle e o comando sobre o indivíduo. Neste caso, ele deixa de ser um indivíduo e passa a ser apenas mais um no rebanho.

É em razão disso que precisamos das práticas de hoje com esta ideia. Elas vão nos abrir os olhos para a vontade, que pensávamos esquecida, vão nos devolver o poder que pensávamos perdido, ou que pensávamos nos tivesse sido tirado por Deus por não nos acreditarmos merecedores e merecedoras de tanto. Elas também vão nos ensinar que não é arrogância pensar que fazemos o mundo que pensamos ver. E que só a verdade é verdadeira. E que, por consequência, o falso é falso e não pode nunca ser verdadeiro.

Comecemos:

Ninguém pode sofrer perda a menos que ela seja sua própria decisão. Ninguém pode sentir dor a não ser que sua escolha determine este estado para si. Ninguém pode se afligir, nem ter medo, nem pensar que está doente a menos que estes sejam os resultados que queira. E ninguém morre sem sua própria permissão. Tudo o que acontece não representa nada senão teu desejo e não se omite nada do que escolhes. Eis aqui teu mundo, completo em todos os detalhes. Eis aqui toda a realidade dele para ti. E é só nisto que a salvação está.

Isto equivale a dizer que é só por decisão própria que perdemos, e é apenas na ilusão que alguém pode perder. Também é escolha de cada um e de cada uma de nós sentir dor, afligir-se, ter medo, ficar doente e morrer. Isto tem a ver com aquilo de que falamos há pouco, ou seja, do propósito que damos a nossa percepção. Lembrem-se de que só vemos o que queremos ver e não há como ser diferente. É também disso que trata a lição, ao dizer:

Podes acreditar que esta posição seja extrema e abrangente demais para ser verdadeira. Mas a verdade pode ter exceções? Se tens a dádiva de todas as coisas, a perda pode ser real? A dor pode ser parte da paz, ou a tristeza parte da alegria? O medo e a doença podem entrar em uma mente na qual habitem o amor e a santidade perfeita? A verdade tem de ser todo-abrangente, se é que é absolutamente a verdade. Não aceites nenhum oposto e nenhuma exceção, pois fazê-lo é contradizer inteiramente a verdade.

É só o reconhecimento disso que vai nos fazer ver e viver, de fato, a salvação, como a seguir:

A salvação é o reconhecimento de que a verdade é verdadeira e de que nada mais é verdadeiro. Ouviste isto antes, mas podes ainda não aceitar ambas as partes. Sem a primeira, a segunda não faz nenhum sentido. Mas sem a segunda, a primeira não é mais verdadeira. A verdade não pode ter um oposto. Nunca é demais dizer isto e pensar a este respeito. Pois se o que não é verdadeiro fosse tão verdadeiro quanto o que é verdadeiro, então, parte da verdade seria falsa. E a verdade perde seu sentido. Nada a não ser a verdade é verdadeiro, e o que é falso é falso.

Esta é a mais simples das distinções, embora a mais enigmática. Mas não em razão de que seja uma distinção difícil de perceber. Ela está escondida atrás de um vasto conjunto de escolhas que não parecem ser inteiramente tuas. E, deste modo, a verdade parece ter alguns aspectos que descaracterizam a coerência, mas que não parecem ser apenas contradições que tu inseriste.

Peço-lhes de novo atenção aqui, muita atenção: a verdade "está escondida atrás de um vasto conjunto de escolhas que não parecem ser inteiramente tuas... [e conter] alguns aspectos que descaracterizam a coerência", mas estes aspectos são apenas contradições que tu mesmo, ou tu mesma, inseriste. Apesar de não parecerem.

A lição prossegue para nos mostrar a incoerência do sistema de pensamento do ego e para nos oferecer como contraponto a lógica e a coerência do sistema de pensamento do Espírito Santo. Assim:

Uma vez que Deus te criou, tu tens de permanecer imutável, com estados transitórios falsos por definição. E isso inclui todas as mudanças de sensações, alterações nas condições do corpo e da mente; em toda a consciência e em todas as reações. Esta é a abrangência total que separa a verdade do falso e pela qual o falso se mantém separado da verdade assim como ele é.

Não é estranho que acredites que pensar que fizeste o mundo que vês seja arrogância? Deus não o fez. Podes ter certeza disto. O que Ele pode saber do efêmero, do pecador e do culpado, do medroso, do sofredor e do solitário, e da mente que vive em um corpo que tem de morrer? Tu apenas O acusas de loucura ao pensar que Ele fez um mundo onde tais coisas parecem ter realidade. Ele não é louco. Contudo, só a loucura faz um mundo como este.

Pensar que Deus fez o caos, contradisse Sua Vontade, inventou opostos para a verdade e permite que a morte triunfe sobre a vida, tudo isto é arrogância. A humildade veria imediatamente que estas coisas não vêm d'Ele. E tu podes ver aquilo que Deus não criou? Pensar que podes é apenas acreditar que podes perceber aquilo que Deus não quis que existisse. E o que pode ser mais arrogante do que isto?

A verdadeira humildade está em reconhecer o poder que temos em Deus, com Ele, e, a partir deste reconhecimento, em fazer de nossa presença no mundo uma manifestação amorosa do divino em nós. Deus dá o poder de decisão a cada um, a cada uma. E só diz sim a tudo o que pensarmos, a tudo o que quisermos do fundo de nossos corações. "Tu não precisas fazer nada", o Curso ensina. Basta te entregares ao poder que Deus te dá. Basta deixar, com alegria e gratidão, que Deus viva tua vida por ti, em ti. E só tu podes te decidir por isso.

Façamos, pois, hoje o que nos pede a lição:

Sejamos verdadeiramente humildes hoje e aceitemos o que fazemos assim como é. O poder de decisão é nosso. Decide apenas aceitar teu lugar legítimo como co-criador do universo e tudo o que pensas que fizeste desaparecerá. O que surge na consciência, então, será tudo o que sempre existiu, eternamente tal como é agora. E isto tomará o lugar dos auto-enganos feitos apenas para usurpar o altar do Pai e do Filho.

Hoje praticamos a verdadeira humildade, abandonando a falsa presunção a partir da qual o ego busca provar que ela é arrogante. Só o ego pode ser arrogante. A verdade, porém, é humilde ao reconhecer seu poder, sua imutabilidade e sua eterna integridade, sua abrangência total, a dádiva perfeita de Deus para Seu Filho amado. Abandonamos a arrogância que diz que somos pecadores, culpados e medrosos, envergonhados daquilo que somos e, em lugar disto, em verdadeira humildade, elevamos nossos corações Àquele Que nos criou imaculados, iguais a Si Mesmo em poder e em amor.

Ao contrário do que o mundo busca nos ensinar, reconhecer que somos Filhos e Filhas de Deus, sim, é que é humildade. A verdadeira humildade que nos dá direito a tudo o que foi criado por Ele para Seus Filhos, ou para Suas Filhas, e para todas as criaturas. Isso também nos dá o poder de criar, ou co-criar, com Ele. Só vamos ser capazes de viver a verdadeira humildade aceitando o poder do divino em nós e não fazendo-nos fracos ou fracas ou impotentes, incapazes de usar a vontade do divino em nós, como o mundo do pensamento do ego quer que aprendamos e que pensemos que somos.

Finalizamos, assim:

Agora nos unimos em alegre reconhecimento de que as mentiras são falsas e só a verdade é verdadeira. Pensamos apenas na verdade ao nos levantarmos e passarmos cinco minutos praticando seus caminhos, encorajando nossas mentes assustadas com isto:

O poder de decisão é meu. Neste dia, eu me aceitarei
como aquilo que a Vontade de meu Pai me criou para ser.

Esperaremos, então, em silêncio, desistindo de todos os auto-enganos, enquanto pedimos a nosso Ser que Ele Se revele a nós. E Aquele Que nunca partiu virá a nossa consciência mais uma vez, grato por devolver Seu lar a Deus, como ele se destinava a ser.

Espera por Ele com paciência ao longo do dia e, de hora em hora, convida-O com as palavras com as quais o dia começou, concluindo-o com o mesmo convite para teu Ser. A Voz de Deus responderá porque Ele fala por ti e por teu Pai. Ele substituirá todos os teus pensamentos desvairados pela paz de Deus, os auto-enganos pela verdade de Deus e as ilusões de ti mesmo pelo Filho de Deus.

 Às práticas?