quinta-feira, 6 de agosto de 2026

A Presença de Deus precisa de nosso consentimento

 

LIÇÃO 218

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (198) Só minha condenação me fere.

Minha condenação mantém minha percepção duvidosa e com meus olhos cegos não posso perceber a beleza de minha glória. Hoje, porém, posso ver esta glória e ficar alegre.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 218

Caras, caros,

Atenção! Atenção! Atenção!

Hoje, reprise da reprise da reprise. Não perca! Você não pode deixar de ler! Vai ser bom para sua prática.

Brincadeiras à parte, vou reprisar, para a lição de hoje, uma vez mais, o comentário feito em anos anteriores, inclusive o título da postagem. Espero que, tal como eu, vocês vejam sentido naquilo que eu disse então. E que o sentido de lá possa servir para o que vivemos hoje, aqui. Bom dia a todos. Boas práticas.

Thomas Keating, de quem já lhes falei algumas vezes antes, em seu livro Intimidade com Deus, compara nossa consciência a um rio, em cuja superfície os pensamentos passeiam, como barcos. "A superfície do rio representa nosso nível psicológico normal de consciência. Mas o rio também tem profundezas e o mesmo acontece com nossa consciência. Debaixo do nível psicológico normal de consciência, há o nível espiritual de consciência, no qual nosso intelecto e vontade funcionam em seu modo peculiar, de maneira espiritual", diz ele.

Ele acrescenta que em um nível mais profundo ainda, ou numa região mais "centralizada", "está a Força Divina Interior, onde a energia divina está presente como fonte de nossa existência e inspiração a todo momento". É na parte mais central ou mais íntima de nosso ser, em um lugar a que "os místicos chamam de 'fundamento da existência' ou 'pico do espírito' que podemos encontrar "o esforço pessoal e a graça".

O que fazemos na prática diária, ao utilizarmos a ideia que o Curso nos apresenta a cada lição, e praticando com ela de acordo com as instruções, serve como um "gesto do consentimento de nossa vontade espiritual para a presença de Deus no mais íntimo de nosso ser".

Durante as práticas, a ideia deve aparecer em nossa imaginação sem exercer "nenhuma função tranquilizadora no nível de nosso fluxo de consciência normal". Em vez disso, seu papel é favorecer a expressão "de nossa intenção, a escolha de nossa vontade de se abrir e [de] se entregar à presença divina". [Mais ou menos a mesma coisa que o dr. Hew Len diz no livro Limite Zero ao se referir à utilização das frases para a prática do ho'oponopono: Sinto muito. Me perdoa, por favor. Obrigado. Eu te amo.]

A ideia deve ser utilizada para permitir - se nos lembrarmos da metáfora da consciência como um rio -, que "os pensamentos naveguem como barcos na superfície do rio, sem atrair nosso desejo, nem provocar aversão". Isso vai permitir que nos desviemos por algum tempo do processo de pensar, pois "o processo pensante", diz Keating, tende a reforçar o sistema ao qual estamos acostumados e não nos deixa sair do "frenesi para 'obter algo' do mundo exterior para abastecer nossas compulsões ou disfarçar nossa mágoa", além, é claro, de acentuar quaisquer sensações de culpa ou medo que, por alguma razão, qualquer que seja, tenhamos desenvolvido.

Lembram-se do que Eckhart Tolle diz a respeito do pensamento? Em seu livro, O Poder do Agora, ele diz que o processo do pensamento faz com que nos identifiquemos com a mente e que "ser incapaz de parar de pensar provoca uma aflição terrível".

Quando nos identificamos com a mente, diz Eckhart, "criamos uma tela opaca de conceitos, rótulos, imagens, palavras, julgamentos e definições que bloqueia todas as relações verdadeiras" e que se interpõe entre nós e o nosso próprio interior, entre nós e o próximo, entre nós e a natureza e entre nós e o divino em nós mesmos, ou em nós mesmas. É por essa razão que, para ele, "pensar se tornou uma doença". Isto é, "o ruído mental incessante nos impede de encontrar a área de serenidade interior que é inseparável" daquilo que, na verdade, somos.

Dizendo de outro modo, "a doença acontece quanto as coisas se desequilibram. Por exemplo, não há nada errado com a divisão e a multiplicação das células no corpo humano. Mas, quando esse processo acontece sem levar em conta o organismo como um todo, as células se proliferam e temos a doença", o câncer, entre elas.

Isso é quase a mesma coisa que Keating diz quando, ao se referir ao processo de pensamento, sugere que um descanso "em bases regulares de vinte a trinta minutos sem pensar" nos levaria a perceber que "não somos os nossos pensamentos. Temos pensamentos, mas não somos os nossos pensamentos" [praticamente a mesma coisa que Tolle diz n'O Poder do Agora].

O que, em geral, nos faz sofrer é pensarmos que somos os nossos pensamentos e, se os nossos pensamentos são inquietantes, penosos ou "maus", ficamos confusos com eles. Se nos déssemos o direito de parar de pensar por algum tempo, todos os dias, como disciplina - lembram-se da fidelidade à prática? -, começaríamos a ver que não precisamos ser dominados pelos pensamentos.

Em última instância, o que acontece é que não percebemos que a mente pode ser - e é - "um instrumento magnífico" [Tolle], usada de maneira correta. Em geral, em nosso nível psicológico normal, nós a usamos de forma errada, ou, melhor dizendo, não a usamos, deixamos que ela nos use. Ao acreditar que somos a mente, que somos nossos pensamentos, permitimos que o instrumento se aposse de nós. Tornamo-nos o instrumento. 

Às práticas?

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Só do Espírito Santo pode vir a nós a alegria perfeita

 

LIÇÃO 217

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (197) Só posso ganhar a minha gratidão.

Quem, a não ser eu mesmo, deve agradecer por minha salvação? E de que modo, a não ser pela salvação, posso descobrir o Ser a Quem devo minha gratidão?

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 217

Caras, caros,

De novo, de novo e de novo, se pararmos para refletir um pouquinho só que seja a respeito da última da ideia que revisamos: Só posso crucificar a mim mesmo, relacionando-a, mais uma vez, como fiz ontem, à ideia de uma lição anterior: Tudo que dou é dado a mim mesmo, abrimos caminho uma vez mais para a ideia da revisão de amanhã: Só minha condenação me fere.  

Lembremo-nos ainda - aqueles e aquelas que já estão há mais de um ano por aqui e que já passaram pela prática de todas as lições ao menos uma vez - de que há, na segunda parte, uma lição cuja ideia afirma: Nada pode me ferir, exceto meus pensamentos. Há outra ainda a dizer que: Só meus pensamentos me afetam. 

A partir de todas estas ideias é forçoso concluir que, na verdade, tudo sempre gira de modo inevitável em torno de nós mesmos e de nós mesmas, de cada um e de cada uma de nós individualmente. O coletivo também é apenas uma projeção de tudo o que povoa nossa mente - a de cada um, a de cada uma, a de todos e a de todas nós -, se, de novo, pararmos para pensar com bastante atenção. 

Isto significa dizer, como também já vimos inúmeras vezes, que o mundo que vejo só existe como projeção ou manifestação de tudo aquilo que trago dentro de mim. E o mesmo vale para cada uma das pessoas que aparentemente existem no mundo. Tanto isso é verdade que estamos já até cansados de ouvir dizer que há tantos mundos quantas são as pessoas que habitam o mundo. Este em que nossa percepção diz que vivemos.

Isto é apenas a confirmação da ideia que praticamos hoje, que nos diz que só podemos esperar nossa própria gratidão. Mais uma razão, conforme eu já disse no passado, para aprendermos a não depositar nenhuma expectativa em nada, nem em ninguém. Para entregarmos, sim!, todos nossos planos e projetos ao divino, e a um divino - uma vez que não há nada fora de nós mesmos ou de nós mesmas, como o Curso ensina - que só pode existir em nós, ao Espírito Santo, que também só pode existir em nós. Um divino, ou um Espírito Santo em nós, que sabe tudo a respeito de gratidão. 

É também o Espírito Santo, em nós, quem sabe o que pode nos dar a alegria perfeita: a Vontade de Deus para nós, e que, claro!, é nossa própria vontade. Em meio a toda e qualquer dúvida que pode advir do sistema de pensamento do mundo, deve bastar-nos a certeza de que sempre podemos contar com nossa própria gratidão, uma vez a tenhamos aprendido.

Repetindo ainda uma vez o que eu já disse em anos passados, esta ideia é também mais uma razão para que deixemos de buscar determinar de que modo as outras pessoas devem viver, para que busquemos aprender a abrir mão do controle, de qualquer tipo de controle. Se, em geral, não sabemos o que fazer com nosso próprio mundo, o que nos leva a pensar que podemos decidir o que é melhor para uns e outros, para seus mundos, e para o mundo todo? Ou para todos os mundos que existem?

E, recorrendo ainda a comentários anteriores, é bom lembrar de novo que o texto que introduziu esta ideia para as práticas na primeira vez diz a certa altura:

Não importa se outro considera tuas dádivas indignas. Na mente dele existe uma parte que se junta a tua para te agradecer. Não importa se tuas dádivas parecem perdidas e inúteis. Elas são recebidas onde são dadas. Em tua gratidão elas são aceitas universalmente e reconhecidas com gratidão pelo Coração do Próprio Deus.

E, de novo, alguém pode pedir ou querer mais do que isto? Não será o caso de aprendermos a dar graças por sermos capazes da gratidão? E, se tudo que damos é a nós mesmos e a nós mesmas que damos, será difícil concluir que sempre que somos gratos ou gratas a alguém por alguma coisa é nossa própria gratidão que recebemos? E que não precisamos de nada mais do que isto? 

Lembremo-nos também, por fim, que, do mesmo modo que não podemos ser capazes de amar a ninguém, nem a nada no mundo, se não formos, em primeiro lugar, capazes de amar a nós mesmos, a nós mesmas, de forma incondicional, não seremos capazes da gratidão para com nada nem para com ninguém se não aprendermos a ser gratos e gratas a nós mesmos, a nós mesmas, por nós mesmos, por nós mesmas.

Às práticas?

*

ADENDO:

Em anos passados, alguns adendos foram se juntando aos comentários de exploração das lições, na tentativa de ampliar o alcance do comentário ou de acrescentar a ele aspectos que só surgiram depois dele feito e publicado.

Aqui, para a ideia das práticas de hoje, "Só posso ganhar minha gratidão.", também é o caso de se fazer um complemento ao comentário que lhes ofereço há já alguns anos, com algumas poucas modificações. Para, quem sabe, iluminar um pouco mais o que o comentário quer dizer, para facilitar, talvez, as práticas, reforçando a necessidade delas.

À luz do que nos ensina o Curso, ou, melhor dizendo, do que ele busca nos ensinar, podemos entender que estamos sós no mundo. Mas, ao mesmo tempo, é preciso aprendermos a certeza de que somos o mundo inteiro. Somos todo o universo - cada um e cada uma de nós é o universo inteiro. Nossa solidão, como a de Deus, segundo a lenda da Bíblia, é que nos leva a "criar" - melhor seria talvez dizer inventar - este mundo com todas as suas características e dicotomias.
 
Diferente do mundo "criado por Deus", o mundo que criamos é um mundo repleto de imperfeições e de problemas. Todos advindos da crença na separação, conforme ensina o Curso. É por isso que talvez seja muito interessante e proveitoso refletir profundamente a respeito da gratidão, esta que só podemos ganhar de nós mesmos, ou de nós mesmas. Porque como estamos cansados e cansadas de saber ou ler ou ouvir "não há nada fora".

Muitos e muitas de nós, ao começarem a tomar consciência de si - no mundo do ego -, passam a perceber a separação física. Inicialmente, quando ainda muito criancinhas, não nos percebemos separados, ou separadas, de nossa mãe biológica. É só depois de algum tempo que vamos começar a ter ciência de que existimos num corpo diferente do daquele que nos abrigou durante toda a gestação, até estarmos prontos e prontas para a expulsão e a queda do paraíso.

Assim, é comum que as crianças construam seus mundos fantasiando, ouvindo, vendo, cheirando, tocando e sendo tocadas, e materializando na fala um universo distinto de todos os universos que existiam até então. Nada mais normal do que isso, não?

A questão começa a se complicar quando, passado o tempo, não conseguimos mais distinguir o real da fantasia. Por nos temos afastados da essência a que estávamos ligados e ligadas enquanto ainda éramos apenas um ser humano em potencial.

É claro que são muitos os fatores que nos levam a experimentar o mundo de tantas formas diferentes mesmo sendo nós basicamente os mesmos, as mesmas, em essência. Uns e umas de nós, mais, outros e outras, menos, nos deixamos influenciar pelo que chamamos de fatores externos, todos partes da ilusão criada pela crença na separação. E é por isso que cada um e cada uma de nós vive num mundo diferente daquele em que se pensa que vivem todos os seres humanos, a humanidade.

Não há um só mundo que se pareça a ponto de se acreditar que existem dois mundos iguais. E em todos eles, pode-se dizer, há sempre uma única necessidade a ser suprida, para a satisfação completa da ânsia natural pela alegria, pela paz e pela felicidade: o reconhecimento de que só cada um, cada uma, pode escolher viver a unidade. Não há nada nem ninguém que possa me fazer mais feliz ao expressar uma gratidão que não tenha origem em mim mesmo.  

Daí a necessidade de praticar e praticar e praticar, para que o ego não nos engane, fazendo-nos pensar que seríamos mais felizes, teríamos mais alegria, ou desfrutaríamos da paz, caso alguma coisa ou alguém mudasse em nossa experiência de viver. 

Tudo o que importa, de fato, é que só posso mesmo ganhar minha própria gratidão. Ela é a única coisa que pode dar sentido a minha existência aparente neste mundo. Assim como cada um só pode ganhar sua própria gratidão. Cada uma a sua. 

Não precisamos, nenhum nem nenhuma de nós, da gratidão de nenhuma outra pessoa a não ser a de nós mesmos, a de nós mesmas. Se não formos gratos a nós mesmos, a nós mesmas, não vamos aprender a gratidão por mais que nos esforcemos. Da mesma forma se não formos capazes de dedicar todo o amor de que somos capazes, primeiro, a nós mesmos, a nós mesmas, não seremos capazes de amar ninguém verdadeiramente. 

Paz e bem!

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Queres alcançar a paz? Abandona a culpa e o ataque.

 

LIÇÃO 216

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (196) Só posso crucificar a mim mesmo.

Tudo o que faço, faço a mim mesmo. Se ataco, eu sofro. Mas, se eu perdoar, a salvação me será dada.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 216

Caras, caros, 

A ideia que vamos revisitar mais uma vez hoje, como já se disse antes, contém uma verdade que não aprendemos com o mundo. Quer dizer, não a aprendemos a não ser depois de muitas cabeçadas e de, como se diz, cansar de "dar murro em ponta de faca". Pois tudo o que o mundo nos ensina a fazer é julgar, condenar, atacar e crucificar todos e todas que se apresentem em nossos caminhos. 

Para o sistema de pensamento do mundo - o do ego - todos e todas são culpados e culpadas pelo estado de coisas que vivemos todos e todas e cada um e cada uma de nós, e, por consequência, é claro, nós mesmos e nós mesmas, cada um, cada uma, de nós é culpado, ou culpada, e tem de carregar a culpa por alguma coisa horrível que já fez, ainda faz, ou vai fazer nalgum momento no futuro. 

É claro que isso é só uma tentativa equivocada de transferir nossa própria responsabilidade pessoal por nossa vida individual a outras pessoas e circunstâncias, ignorando - porque o mundo não ensina, pela intromissão do ego -, que somos nós mesmos e nós mesmas que as fazemos: as circunstâncias - e também as outras pessoas, que não são nada mais do que imagens de nós mesmos, ou de nós mesmas, que não conseguimos ver olhando apenas para a imagem que pensamos ser. Assim como somos responsáveis por absolutamente tudo, todos e todas no mundo. Pelo menos por tudo aquilo que, no mundo, se apresenta a nossa consciência.

Ora são nossos pais, ora é nossa família toda. Ora são os professores, ora é a escola em que estudamos. Ora é o bairro ou o lugar em que vivemos, ora é o país em que nascemos. Em alguns momentos é o supervisor em nosso emprego, nosso superior direto, noutros é a empresa, que não nos dá a chance que pensamos precisar e merecer. Noutros é a situação econômica, social e política do país, onde "todos" os representantes eleitos são corruptos e só pensam em seu próprio bem. Ou ainda onde alguns - em geral aqueles que consideramos nossos adversários - são "mais" corruptos que o tolerável.  Noutras ainda é a religião em que fomos criados e criadas, que quer nos manter sob o jugo de um Deus acusador e vingativo. Em geral, nunca, ou quase nunca, dirigimos o olhar para dentro de nós mesmos e de nós mesmas, buscando ver aí toda a responsabilidade que nos cabe por aquilo que pensamos estar vivendo.

Quando é que vamos aprender a deixar de atribuir a outro(s), ou a outra(s), a responsabilidade que nos cabe pelo estado das coisas que vivemos? Quando é que vamos compreender - e, lembrem-se, compreender é aceitar - que só nós mesmos, só nós mesmas, criamos e construímos esse estado de coisas, seja ele qual for. 

Um estado que, aliás, como já se disse também muitas outras vezes neste espaço, nunca parece ser de nossa própria responsabilidade, conforme dito também dois parágrafos acima. Porque "eu" sei o que faço e o que quero e o que não quero. Os outros? Os outros estão todos errados, a se dar ouvidos ao sistema de pensamento deste falso "eu", desta imagem de nós mesmos e de nós mesmas apenas, que vamos construindo com o aprendizado do mundo, e que o Curso chama de ego.

O Curso diz várias vezes, em diversos pontos diferentes, que oferece um ensinamento muito simples. Afinal, diz ele a certa altura, o que pode ser mais simples do que ensinar que só a verdade é verdadeira? E que o que é falso é falso?

E é isto que a ideia para as práticas de hoje nos ajuda a aprender e a compreender. Pois ela é apenas extensão e consequência natural de outra lição que diz: Tudo o que dou é dado a mim mesmo (Lição 126). Ora, se só dou a mim mesmo, é lógico que só posso ferir a mim mesmo, não? Da mesma forma, só posso julgar, condenar, culpar e crucificar a mim mesmo, não? Mesmo quando estou atribuindo todas as culpas do mundo a todos e a todas que me cercam menos a mim mesmo.

Isto não é simples de se aprender? Sim! Sim! É simples, mas não é fácil. E por quê? Porque, na maior parte do tempo, estamos hipnotizados, hipnotizadas, pelos modos e sugestões do mundo [do ego, o falso eu], grande número de vezes não nos apercebemos de que o que fazemos só atinge mais fundo, de fato, a nós mesmos, a nós mesmas.

Apesar de todos e todas já termos experimentado em algum momento a dor que resulta de se ferir alguém, o ego nos convida a relevar esta dor e a esquecê-la, sob a justificativa de que o que fizemos era o que aquela pessoa merecia, mas não ensina como abandonar o sentimento de culpa que se origina do ataque.

Na verdade, sabemos que não é assim. Pois sempre que buscamos ferir ou atacar alguém é a nós mesmos, a nós mesmas, que machucamos mais. E pagamos o preço em culpa. E a culpa gera o medo. E não conseguimos mais ficar em paz, nem experimentar a alegria, que é nosso estado natural. É só abandonando a culpa, que vem do ataque e do julgamento do ataque, frutos da crença na separação, que vamos conseguir experimentar a paz.

Afinal, o que queremos de verdade para nossa vida? Paz ou culpa? Ou, lembrando novamente de mais um dos ensinamentos do Curso: queremos ter razão ou ser felizes?

Às práticas?

*

ADENDO: 

Creio que todos e todas nós já nos apercebemos de que o Curso fala conosco, com cada um e cada uma de nós, com uma voz que não é diferente daquela voz interior que conhecemos em nós mesmos e em nós mesmas e que nos leva a fazer aquilo que aparenta ser o melhor para nós, dirigindo-nos às ações, ou inações, aqui e ali para nos oferecer a alegria e a paz de espírito. Ou já não nos surpreendemos nalguma passagem pensando : - Nossa, como é que ele, o Curso, sabe que fiz isto. Quer dizer, ele está nos revelando que determinado ponto está dirigido a nós, a cada um e a cada uma de nós de forma específica.

Bem, este adendo, assim como todos os outros, também quer ter destinatário específico, ou destinatária específica. Claro, ele se dirige a quem bem o entender.

Vejamos o seguinte: muitas pessoas que tiveram, e ainda têm, contato com o Curso se queixam de que ele não oferece orientações práticas para se viver no mundo. Orientações do tipo, faça isto, não faça aquilo, isto não deve ser feito, isto pode e isto não pode, ou qualquer coisa parecida. 

Ora, nada mais falso do que isto, eu diria. Porque, como já falei em um comentário nalgum momento, o Curso não pode ser mais objetivo e prático do que qualquer outra instrução que possamos receber de um mestre, uma mestra, de um orientador, uma orientadora, de um psicólogo, de uma psicóloga ou de quem quer que seja.

Como assim?, vocês podem objetar.

Pensemos. Voltemo-nos para o interior de nós mesmos, para o interior de nós mesmas, e busquemos lá. O que estamos fazendo com as lições, com as práticas? Estamos tentando abandonar o ego, ou estamos dando-lhe alimento para que ele se fortaleça? Dando-lhe argumentos para ele continuar a nos orientar de forma a que neguemos a responsabilidade que temos para com tudo o que nos acontece?

Sabemos de aprendizados antigos que reconhecemos a árvore por seus frutos. Quer dizer, os resultados que se apresentam a nossa vida estão diretamente ligados à forma com que regamos nossa árvore interior, oferecendo-lhe todos os nutrientes, luz e calor, e cuidado, para seu crescimento saudável. Se, nalgum momento de nossa vida, ou em toda ela, no tempo em que estamos vivendo neste mundo, os resultados que obtivemos não são satisfatórios, não conseguimos colher os frutos que pensamos ter plantado ao longo da vida, não será porque, sem querer, sem entender, de modo equivocado, estamos nos deixando enganar pelo ego?

Se atentos e atentas às orientações, às lições, às práticas, ainda assim não logramos obter satisfação - no sentido de paz de espírito, alegria - com a vida que vivemos e experimentamos sentimentos de falta, de carência, de necessidades, quer físicas, quer espirituais, não será porque nos estamos deixando enganar pelo ego? Não será porque estamos permitindo que o ego se valha do ensinamento para reforçar em nós a crença na separação, na escassez, na dor, no sofrimento e na morte?

Kenneth Wapnick, um dos primeiros professores do Curso, alertava para a necessidade de agirmos como pessoas normais, para não mergulharmos de cabeça no Curso, esquecendo-nos de que há coisas na experiência ilusória do mundo para as quais precisamos dar também nossa atenção. Os nossos relacionamentos, os nossos trabalhos, que nos propiciam a sobrevivência e também devem nos oferecer conforto, bem-estar e uma situação de vida satisfatória e suficiente, para que não precisemos pensar, com preocupação ou medo, nas necessidades do corpo a serem supridas.

Se alguém dentre nós está vivendo uma situação desagradável (no julgamento do ego sempre), em que não tem alguma coisa que considera importante para seu viver, a orientação prática do Curso não pode ser mais clara. É preciso que esta pessoa se volte para dentro de si e perceba o quanto está se deixando dominar pelo ego em suas atitudes, em suas ações, em suas formas de se relacionar com as pessoas que fazem parte de sua vida, enganando-as e se deixando enganar por elas e por si mesma. Muitas vezes, o ego nos leva a fingir uma elevação espiritual que estamos longe de sentir, uma paz de espírito e uma leveza de que só ouvimos falar.

Não nos enganemos mais! Se nosso viver no mundo não nos dá aquilo que "julgamos" merecer para viver uma vida digna e tranquila, "a culpa" não é do mundo, nem de quaisquer pessoas no mundo. Precisamos nos voltar para dentro, observar e analisar bem atentamente, para perceber que espaço o ego ocupa em nossos dias. Quantos interesses mundanos ocupam nosso pensamento dia a dia. Que lugar reservamos em nosso tempo para ser apenas o Ser e viver a partir da orientação do divino.

O Curso afirma com todas as letras que nós nos contentamos com muito pouco, uma vez que, na condição de filhos e filhas de Deus, temos direito a tudo. Resta nos voltarmos para dentro de nós mesmos e para dentro de nós mesmas para ver o que estamos escolhendo viver. Se pensamos ou sentimos que algo nos falta, é certamente porque ainda estamos vivendo sob a orientação do ego.

'Bora refletir a respeito?

Paz e bem!

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

A atenção: forma natural de oração. (Donizete Galvão)

 

LIÇÃO 215

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (195) O amor é o caminho que sigo com gratidão.

O Espírito Santo é meu único Guia. Ele caminha comigo no amor. E eu dou graças a Ele por me mostrar o caminho a seguir.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 215

Caras, caros,

O que o Curso oferece, mais uma vez, para nossas práticas de hoje nesta sexta e última revisão, antes de passarmos à segunda parte do Livro de Exercícios, é uma ideia à qual vai ser preciso darmos o melhor do melhor de nossa capacidade de atenção. E por que digo isto? Porque, em geral, no estado comum de consciência não nos apercebemos da necessidade da gratidão pelo caminho que seguimos, seja ele qual for. Não nos damos conta de que é só quando somos agradecidos, ou agradecidas, que o universo derrama sobre nós todas as suas bênçãos e maravilhas. Como sabemos, ou devíamos já saber a esta altura, o universo é apenas um grande espelho, na verdade um espelho enorme, imensurável, que só nos devolve o que mostramos, o que oferecemos, a ele.

E afinal, já passamos antes pelas lições que ensinam que somos nós mesmos e nós mesmas que criamos as experiências pelas quais queremos - escolhemos e precisamos - passar, não é? E como o fazemos? De onde elas vêm? Do nada? Não! Não! Elas vêm de nossos pensamentos, de nossas ações, ou da falta delas, e tudo isso é resultado de nossas crenças, que se manifestam a partir daquilo que damos para o mundo. Ou do que não damos, quando a experiência que vivemos é de escassez, de falta e de perda.

É por esta razão que nossas práticas hoje visam a nos abrir os olhos para o fato de que o caminho pelo qual seguimos é o caminho do amor. Pois, quer queiramos quer não, quer saibamos quer não, o caminho em que andamos é aquele que vai nos levar ao amor: o único anseio que queremos de verdade ver atendido. Não ao amor que se busca no mundo, nas coisas e pessoas do mundo e que pode ser confundido com barganha, mas o amor que é, em última instância, aquilo que somos na realidade. Mesmo que não tenhamos isto muito claro em nossa consciência.

Aproveitando, então, o que digo aí acima, vou me valer novamente de um pequeno trecho do texto como forma de chamar sua atenção para a necessidade de olharmos para o mundo de modo diferente, como preconiza o Curso. Atentos. Atentas. O trecho está no capítulo 12 e tem por título VIII. A atração do amor pelo amor.

Diz ele a determinada altura: 

"Se buscas o amor com o fim de atacá-lo, jamais o acharás. Pois, se o amor é compartilhar, como podes achá-lo a não ser a partir dele mesmo? Oferece-o e ele virá a ti, porque ele [o amor] é atraído para si mesmo". 

É para se pensar, portanto, na diferença que há entre as formas com que buscamos o amor, obedecendo às orientações do sistema de pensamento do ego - carentes, necessitados, ou necessitadas, certos e certas de uma imperfeição que não tem nada a ver com o que somos na realidade -, buscando uma completude que não pode ser encontrada em nada, nem em ninguém, a não ser em nós mesmos ou em nós mesmas, no contato com o divino interior; e a forma que o Curso busca nos ensinar, a partir da orientação do Espírito Santo.

Para o Espírito Santo, que sabe que somos completos e perfeitos, ou completas e perfeitas, em Deus, isto é, em nós mesmos e em nós mesmas unidos e unidas ao divino, o movimento em direção ao amor é o de extensão, de doação. Pois, como o Curso ensina, dar e receber são a mesma coisa. Em outras palavras, ainda de acordo com o ensinamento, só nos pode faltar aquilo que não damos. É por isso que precisamos aprender a gratidão. Pois só sendo capazes de agradecer por tudo o que se apresenta a nós pelos caminhos que escolhermos é que vamos perceber que trilhamos o caminho do amor. 

E mais: para nos apercebermos da importância da atenção a tudo o que nos rodeia, repriso aqui, pela quarta vez, quinta?, ou sexta, quem sabe ?, o poema "Oração Natural", do amigo poeta, Donizete Galvão, que, no dizer de Guimarães Rosa, se "encantou", no início do ano de 2014, passado. Trata-se da: 

Oração Natural 

Fique atento
ao ritmo,
aos movimentos
do peixe no anzol.
Fique atento
às falas
das pessoas
que só dizem 
o necessário.
Fique atento
aos sulcos
de sal
de sua face.
Fique atento
aos frutos tardios
que pendem
da memória.
Fique atento
às raízes
que se trançam
em seu coração.
A atenção:
forma natural
de oração.

Às práticas?

domingo, 2 de agosto de 2026

No universo das potencialidades nada é impossível

 

LIÇÃO 214

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (194) Entrego o futuro nas Mãos de Deus.

O passado se foi; o futuro ainda não existe. Agora estou livre de ambos. Pois o que Deus dá só pode ser para o bem. E eu aceito apenas o que Ele dá como aquilo que me pertence.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 214

Caras, caros,

Recomeço a exploração da ideia que vamos praticar com esta lição fazendo de novo as perguntas feitas nos anos passados:

Alguém sabe me dizer aonde está o meu passado? Ou o passado em geral? Alguém, quem quer que seja, sabe dizer aonde está seu próprio passado? Ou todo o passado? Existe? Existiu?

E aonde estará meu futuro? Alguém sabe me dizer? Alguém sabe dizer aonde estará seu futuro? Existe? Vai existir, de fato?

Conforme o Curso ensina, e alguns e algumas de nós já aprendemos, o único tempo que existe é o presente, o agora. A partir do aprendizado disto, podemos ficar tranquilos, tranquilas, em relação a tudo o que aparentemente existe em nossa vida. E principalmente em relação a tudo o que queremos que venha a existir. Pois tudo o que ainda não existe só existe - só pode existir - de verdade em potencial, tão somente como possibilidade. E só em nossos pensamentos. Não há como materializar qualquer coisa, se não a tivermos primeiro visualizado em pensamento. Quer dizer, nada daquilo que não pensamos pode se materializar. Assim, é meio óbvio, não?, que nada daquilo em que não pensamos pode existir. E não existe.

Daí, pode-se deduzir logicamente que tudo quanto pensamos existir, antes de existir, foi um pensamento, não? E o que queremos para a nossa vida? Basta que desejemos em pensamento alguma coisa para que ela passe a existir, talvez ainda não materialmente, visível, tocável, apreensível pelos sentidos, mas apenas potencialmente durante algum tempo. Assim, quanto mais forte for nosso desejo, tanto maior a possibilidade de que tal coisa venha a se materializar em nossas vidas.

Mas... Cuidado! Muito, muito cuidado mesmo! Isto vale também para aquilo de que temos medo, vale para aquilo que NÃO queremos, para aquilo que abominamos, aquilo em que gostaríamos de poder nem pensar a respeito - mas pensamos -, por medo, por mágoa, por ressentimento, por raiva ou por qualquer razão que seja, ainda que inevitavelmente ligada ao julgamento que fazemos de outros e outras e, por consequência, de nós mesmos e de nós mesmas. 

No universo das potencialidades não existe o "não". Pois naquele universo nada é impossível. E tudo aquilo que pensamos, para o bem ou para o mal, pode vir a se materializar a depender da intensidade de nosso desejo, ou de nosso medo. Pois nossos pensamentos são energia e tudo o que se materializa só se materializa a partir da energia. É por isso também que João Guimarães Rosa, consciente do poder dos pensamentos, escreveu que "o que tem de ser, tem muita força".

E é ainda por isso que a ideia que vamos revisar hoje, como eu já disse antes também, é um passo gigantesco na direção da salvação rápida e eficaz, pois cobre uma distância tão grande na direção daquilo que somos, na verdade, que nos "coloca bem perto do Céu". Pois esta ideia nos permite agir no mundo, esquecendo-nos de uma vez por todas daquilo que chamamos passado. E, por nos oferecer a possibilidade de deixar o futuro nas Mãos de Deus, nos devolve ao presente. Ao único tempo que existe de fato.

É esta a ideia que, praticada juntamente com as afirmações que unificam as práticas durante esta revisão [Eu não sou um corpo. Eu sou livre. Pois ainda sou como Deus me criou], vai nos permitir "ultrapassar toda ansiedade, todos os abismos do inferno, todo o negror da depressão, dos pensamentos de pecado e da desolação trazida pela [crença na ideia da] culpa", que se origina da crença na separação.

O que podemos temer depois de aceitarmos esta ideia? Já não há passado e qualquer coisa que possamos esperar do futuro, que ainda não existe, está nas Mãos de Deus, porque nós entregamos o futuro a Ele. Isto não é absolutamente libertador? Salvar-se - salvar o mundo - não será apenas isto: confiar o futuro às Mãos de Deus? Abrir mão de qualquer intenção, ou pretensão, de controle sobre qualquer coisa?

Pois de que nos valeram até agora todos os esforços - e o orgulho que os motiva - para controlar nossos próprios caminhos? Alguém, alguma vez, conseguiu, consegue, ou virá a conseguir, de fato, prever ou mudar o papel que lhe cabe no plano de Deus para a salvação do mundo, sem se render por completo a Ele e a Seu plano? Sem compreender que a Vontade de Deus é a mesma que a nossa?

Não é este tipo de esforço que nos desgasta, que nos apavora e nos enche de terror ao se revelar inútil? Quanto nos debatemos e quanto ainda vamos nos debater antes de aceitar que basta nos rendermos à Vontade de Deus, que é também a nossa, para que tudo se ilumine e encha de alegria, de amor e de paz todos os caminhos que trilhamos? 

Às práticas?

sábado, 1 de agosto de 2026

O divino que tu és vem a ti, quando tomas a decisão

 

LIÇÃO 213

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (193) Todas as coisas são lições que Deus quer que eu aprenda.

Uma lição é um milagre que Deus me oferece em lugar de pensamentos que tive, que me ferem. O que aprendo d'Ele é o modo pelo qual me liberto. E, por isto, escolho aprender as lições d'Ele e esquecer minhas próprias lições.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 213

Caras, caros,

Vou manter aqui, mais uma vez, para a lição e para a ideia que revisamos hoje, o mesmo comentário feito nos últimos anos, com algumas pequenas alterações necessárias. Acredito que vale a pena refletir a seu respeito novamente. O que vocês acham? Alguém se incomoda com a repetição?

Assim como não existem acasos, conforme sabemos, também não existem coincidências. Caso contrário, a quem atribuir a responsabilidade pela experiência? Se não há nenhum mundo exterior a mim, a não ser o que vejo como expressão manifesta de meu mundo interior - e o de cada um e de cada uma individualmente - o que preciso salvar? A quem preciso salvar a não ser a mim mesmo, se acredito que alguém precisa ser salvo?

É maravilhoso praticar, e compreender bem [sempre no sentido de aceitar e, neste caso, aceitar por completo], a ideia que revisamos neste primeiro dia do mês de agosto, "na contagem milenar", e ilusória, do tempo. Ou alguém, de fato, acredita que há como contar o tempo? Ela, a ideia para as práticas de hoje, abre diante de nós todas as possibilidades do aprendizado da percepção verdadeira. Pois é a compreensão dela que vai fundamentar e facilitar a aceitação da responsabilidade que cabe a cada um e a cada uma de nós por tudo o que acontece na vida. Em nossa própria vida e na vida em geral.

Um reforço ao que eu disse acima: precisamos nos lembrar sempre de que compreender é aceitar, tem de ser aceitar. Pois, de fato, só não aceitamos aquilo que ainda não compreendemos. E, quando nos recusamos a compreender algo, estamos apenas nos aferrando a uma ideia, a um preconceito [pré-conceito, conceito prévio ou anterior], a um julgamento que fizemos, que estamos fazendo, e não queremos mudar.

Assim, na verdade, a ideia das práticas de hoje é um milagre que Deus nos oferece para substituir quaisquer pensamentos que possamos ter tido a respeito de qualquer coisa que se tenha apresentado, ou se apresenta, a nós em nossa experiência. Pois permite que retiremos todo o julgamento dos fatos e das circunstâncias, das coisas e das pessoas no mundo que nos cerca. Praticar esta ideia permite que olhemos para eles com um novo olhar, um olhar diferente. Um olhar que busca apreender, compreender e aceitar a lição que se apresenta daquele modo, naquele momento, seja ela qual for, seja qual for o momento.

É importante sabermos - termos bem claro em nós o tempo todo - que, de acordo com o Curso, uma lição nos vai ser apresentada tantas vezes quantas forem necessárias e de tantas formas diferentes quantas forem preciso até que a aprendamos. Para, então, passarmos a uma nova lição, a um novo aprendizado. 

Enquanto resistirmos às lições [e às experiências], considerando-as acaso, coincidência, má sorte, infortúnio, desgraça, algo que não deveria ter acontecido, ou nos considerando infelizes pelas experiências que vivemos, deixamos de ver o milagre que há por trás de todos os acontecimentos de nossas vidas.

Talvez seja de alguma ajuda saber que, de acordo com Neale Donald Walsch, "aquilo que é importante em tua vida é aquilo que tu decides que é importante e esta decisão dá origem àquele que tu és de modo indelével". Daí a importância de tomarmos a decisão de seguir a orientação e praticar as lições conforme o Curso pede. Só a partir desta decisão vamos ser capazes de encarar todas as coisas como lições que Deus quer que aprendamos. É só a partir do momento em que tomamos a decisão que o divino que somos recebe a permissão de vir a nós.

Às práticas?

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Separada da de Deus não existe nenhuma vontade

 

LIÇÃO 212

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (192) Tenho uma função que Deus quer que eu cumpra.

Busco a função que me libertará de todas as vãs ilusões do mundo. Só a função que Deus me dá pode oferecer liberdade. É apenas isto que busco, e só aceitarei isto como meu.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 212

Caras, caros,

Eis-nos de novo às voltas com a ideia de que cada uma e cada um de nós tem uma função a cumprir no plano de Deus para a salvação. Já passamos por aqui antes, não? Já falamos disso noutras ocasiões, de outras formas, não é mesmo?

A verdade é que nossa memória é muito curta e dá muito espaço para aquilo tudo que o ego nos diz nas vinte e quatro horas do tempo de que pensamos são feitos nossos dias. Além do mais, o ego não quer que nos libertemos das ilusões que lhe dão existência, com todos os conflitos que atestam sua "realidade" e a "realidade" do mundo.

Mas não podemos nos deixar enganar. Precisamos continuar nossas práticas, precisamos continuar e continuar porque:

Em certo sentido, somos todos buscadores, buscadoras. E buscamos o quê? Por quê? Será que perdemos alguma coisa? Será que há algo a ser encontrado? Por que a maioria dentre nós não está satisfeita com o que tem, com o que vive, com o lugar aonde está, com aquilo que pensa poder fazer e com aquilo que acredita não poder? Por que muitas pessoas dizem que gostariam de ter nascido noutra época, noutro lugar, noutro corpo, muitas vezes, no seio de outras famílias que não as suas?

Na verdade, quer me parecer, a partir do ensinamento do Curso, que não há nada a buscar. O próprio Curso diz que já somos aquilo que estamos buscando. Diz mais: que não perdemos nada e nem, de fato, há algo que possamos perder ou encontrar. E diz ainda que podemos tudo, pois herdamos de Deus, Pai/Mãe, o mesmo poder que Ele/Ela tem. Assim, temos pleno poder para fazer o que quisermos, desde que tomemos a decisão de agir no mundo a partir do Ser. Isto é, inspirados apenas por aquilo que somos.

Contudo, parece-me que a maior parte do tempo não sabemos o que somos, o que fazemos, o que há para fazer e nem onde estamos. Como se sentíssemos falta de alguma coisa que não sabemos dizer de forma clara o que é. Há algo que queremos e que não conseguimos identificar bem.

Este algo é aquilo a que podemos chamar de anseio pela eternidade, de saudade de casa, de saudade de um tempo em que sabemos ter vivido apenas a alegria de ser e estar no lugar a que pertencemos. Um tempo que só pode ser vivido no aqui e no agora, no momento em que estamos inteiramente imersos no Ser, naquilo que de verdade somos em sintonia com o divino.

É por esta razão que a ideia para a nossa revisão de hoje tem importância vital para a re-descoberta do papel que nos cabe na ordem das coisas, para dar sentido à vida que vivemos neste mundo, de acordo com a Vontade de Deus. Tudo o que precisamos fazer, então, a partir também da ideia que praticamos ontem, é lembrar de nossa condição de Filhos santos do Próprio Deus.

Uma passagem do livro texto, que já citei outras vezes, sugere que reconheçamos e aceitemos a seguinte ideia: "O Próprio Deus é incompleto sem mim".  Ora, esta ideia é fundamental para que recobremos o direito legítimo à herança divina que nos cabe, para que possamos ser o tempo inteiro tão somente a manifestação do Deus Vivo em nosso aparente estar-no-mundo.

E não há como não reconhecê-la se pensarmos que Deus, ou melhor dizendo, a ideia de Deus é uma ideia todo-abrangente. Ele/Ela [ou a ideia d'Ele/d'Ela] só existe para mim, para nós, para quem quer que seja, quando tudo e todos começam e terminam n'Ele/n'Ela. Tudo se recobre de sentido no Amor que é capaz de abarcar a tudo e a todos em Si.

Assim, como eu já disse antes também, da mesma forma que precisamos de Deus [ou da ideia de Deus] para que nossas vidas tenham sentido, Deus [mesmo que apenas como ideia] precisa de todos, todas, de cada um e de cada uma de nós assumindo o compromisso com a função que nos cabe para a realização de Seu plano para a salvação do mundo, para a realização de Sua Vontade de alegria e paz perfeitas e completas para cada um, cada uma. E para todos e todas nós. Uma vontade que é também a nossa. Porque não podemos ter nenhuma vontade à parte da de Deus, do mesmo modo que não podemos existir separados ou separadas d'Ele.

Às práticas?