domingo, 29 de março de 2026

O conhecedor É a verdade que está sendo conhecida

 

LIÇÃO 88

Hoje revisaremos estas ideias:

1. (75) A luz veio.

Ao escolher a salvação em lugar do ataque, escolho simplesmente reconhecer aquilo que já existe. A salvação é uma decisão que já foi tomada. O ataque e as mágoas não existem para se escolher. É por isto que sempre escolho entre a verdade e a ilusão; entre o que existe e o que não. A luz veio. Eu só posso escolher a luz, pois não há nenhuma alternativa para ela. Ela substitui a escuridão e a escuridão desaparece.

2. Estas formas vão se revelar úteis para aplicações específicas desta ideia:

Isto não pode me mostrar a escuridão pois a luz veio.
A luz em ti é tudo o que eu quero ver, [nome].
Quero ver nisto apenas o que existe.

3. (76) Eu não estou sujeito a nenhuma lei a não ser às de Deus.

Eis aqui a declaração perfeita de minha liberdade. Eu não estou sujeito a nenhuma lei a não ser às de Deus. Sou constantemente tentado a inventar outras leis e a lhes conferir poder sobre mim. Sofro apenas em razão de minha crença nelas. Elas não têm absolutamente nenhum efeito real sobre mim. Estou perfeitamente livre dos efeitos de todas as leis, salvo as de Deus. E as d'Ele são as leis da liberdade.

4. Para formas específicas de aplicação desta ideia, estas seriam úteis:

Minha percepção disto me mostra que acredito em leis que não existem.
Eu vejo apenas as leis de Deus em ação nisto.
Que eu permita que as leis de Deus, e não as minhas, atuem nisto.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 88

Caras, caros,

Repriso mais uma vez, com alguns pequenos acréscimos, o comentário feito para esta lição em anos anteriores. 

Eis aí a primeira da ideias que revisamos com a lição de hoje: 

"A luz veio."

E eis um pensamento para nos ajudar a refletir a respeito do que é estar ciente da necessidade da Presença da Luz: 

"Um dia, para merecer [e para viver] o Paraíso, e para poder mantê-lo, tu deverás saber protegê-lo de toda mediocridade, de qualquer desatenção... de tuas mortes internas. Um homem [ou uma mulher] solar projeta a própria luminosidade, um mundo feliz, íntegro, e não permite que nada o ofusque (Elio D'Anna)."

Assim, quantos e quantas de nós podem de fato dizer que "a luz veio" a esta altura das práticas? Já a vimos? Estamos cientes da presença da luz em nossos dias? Estamos "sendo" a luz do mundo?

Quantos e quantas de nós de fato queremos, desejamos de forma ardente e apaixonada, que a luz esteja sempre presente, que sejamos nós a levá-la aonde formos? Quantos e quantas de nós não nos satisfazemos com o estado ora luminoso, ora de escuridão, que parece ser a vida do modo com que a levamos, vivendo a maior parte do tempo no julgamento, acreditando que é possível curar-nos e curar o mundo sem antes nos perdoarmos e perdoarmos o mundo inteiro? Ou simplesmente abandonando de vez as culpas, os medos e, por extensão, todo e qualquer julgamento.
 
A luz veio.

O que significa perceber a presença da luz?

Significa que já não temos mais nada a ver com este mundo dos sentidos e das formas. Não no sentido de que o deixamos de perceber ou de que deixamos de viver nossa vida aqui, mas no sentido de que nada nele nos prende. Nada nele nos limita. Nada nele nos amedronta e nada nele nos separa das outras pessoas, que sabemos complementos, extensões, do que somos em nossa inteireza. Nada nele nos impede de viver a liberdade, a alegria e a paz infinitas. Já não queremos nada do mundo porque o sabemos transitório, porque o sabemos construído apenas a partir da ilusão de separação daquilo que, na verdade, somos: luz.

Não foi isso que praticamos há pouco: eu sou a luz do mundo?

É isso que somos. É da consciência de que somos a luz do mundo que reconhecemos e aceitamos nosso papel no plano de Deus para a salvação do mundo. E é isso o que nos diz esta primeira ideia hoje:

Ao escolher a salvação em lugar do ataque, escolho simplesmente reconhecer aquilo que já existe. A salvação é uma decisão que já foi tomada. O ataque e as mágoas não existem para se escolher. É por isto que sempre escolho entre a verdade e a ilusão; entre o que existe e o que não. A luz veio. Eu só posso escolher a luz, pois não há nenhuma alternativa para ela. Ela substitui a escuridão e a escuridão desaparece.

Conforme já sabemos, as ideias que praticamos hoje são complementares. Pois a aceitação da segunda:

"Eu não estou sujeito a nenhuma lei a não ser às de Deus."

depende de nossa aceitação da primeira. Isto é, só quando recebo, acolho e aceito a luz é que posso reconhecer e aceitar que não estou sujeito a nenhuma lei senão às de Deus, uma vez que não existe algo como Deus e eu, ou Deus e nós, mas, sim, apenas Deus.

Deus, como o Curso ensina, é uma ideia. E, assim como a ideia que tenho de mim não é o que de fato sou, a ideia de Deus é apenas uma ideia, enquanto este eu que sou não estiver na unidade total e absoluta com Deus.

Ou, para aproveitar o que nos diz Joel Goldsmith em um de seus livros:

"Nada do que você possa saber sobre Deus é Deus, já que o conhecedor da verdade é Deus. No entanto, vamos direto ao ensinamento do que Deus é, embora seja realmente impossível ensinar o que Deus é, já que eu sou. Mas, este mesmo eu sou é você quando está dizendo 'eu sou'. Em última análise, tudo o que se pode conhecer sempre sobre Deus é que eu sou Ele. Esta é a verdade básica. Sempre o conhecedor, aquele que está conhecendo a verdade, é a verdade que está sendo conhecida." 

E há também, para ilustrar melhor, talvez, uma historinha de dois rabinos, contada no livro "Contos Filosóficos do Mundo Inteiro", de Jean-Claude Carrière. Diz ela: 

... determinada noite, dois rabinos iniciaram ... uma discussão sobre a existência de Deus. 
Eles trocaram os argumentos conhecidos sobre este assunto e, finalmente, lá pelas quatro ou cinco horas da madrugada, concluíram que Deus não existe. Sobre isso estavam totalmente de acordo. 
No dia seguinte, pela manhã, um dos rabinos - que havia convidado o outro, de passagem pela cidade, a pernoitar em sua própria casa - procura o colega e o encontra num canto do jardim recitando suas preces habituais. 
Ele se espanta e pergunta: 
- Mas o que você está fazendo? 
- Bem, como você vê, estou recitando minhas preces matinais. 
- Mas, lembre-se: discutimos a noite inteira e chegamos à conclusão de que Deus não existe. E então? Pode me dizer por que está fazendo as suas preces. 
O outro rabino lhe diz, muito simplesmente: 
- Mas o que Deus tem a ver com isso? **

Eu não estou sujeito a nenhuma lei a não ser às de Deus.

Esta a segunda das ideias que praticamos hoje. Uma ideia que nos oferece o desafio de reconhecermos nela a liberdade de que precisamos para viver nossas vidas neste mundo a partir do que somos, e não a partir de uma falsa imagem que fazemos de nós, que não retrata nossa realidade. 

É assim que vamos entender de que forma praticar o que a lição pede:

Eis aqui a declaração perfeita de minha liberdade. Eu não estou sujeito a nenhuma lei a não ser às de Deus. Sou constantemente tentado a inventar outras leis e a lhes conferir poder sobre mim. Sofro apenas em razão de minha crença nelas. Elas não têm absolutamente nenhum efeito real sobre mim. Estou perfeitamente livre dos efeitos de todas as leis, salvo as de Deus. E as d'Ele são as leis da liberdade.

É também por isso que podemos ter certeza de que, como já lhes disse, mesmo vagando pelas trevas que construímos a partir de uma crença em algo que não existe; mesmo não sabendo que podemos escolher de modo diferente; mesmo optando por fazer nossas escolhas a partir da percepção equivocada e experimentando todo tipo de dor, de sofrimento, de mágoa, de angústia, de raiva, de decepção e fracasso, mais dia, menos dia, vamos compreender que para o "eu sou" em nós não há outras leis que não as de Deus e que, por isso, só podemos escolher a luz, só podemos existir na luz, pois Ele é o que somos e é luz. Nós também.

Às práticas?

** Ou se entende esta historinha internamente, de forma clara. Ou não se a entende em absoluto. Eu diria que ela é quase como um koan dos zen-budistas. Quer dizer, para aquele, ou aquela, que compreende, como já se disse antes muitas vezes, as coisas são como são. Da mesma forma que para aquele, ou aquela, que não compreende. 

Percebem?

sábado, 28 de março de 2026

Precisamos aprender a aceitar todas as diferenças

 

LIÇÃO 87

Hoje nossa revisão abrangerá estas ideias:

1. (73) Eu quero que haja luz.

Hoje usarei o poder de minha vontade. Não é minha vontade tatear nas trevas de um lado para outro, assustado por sombras e com medo de coisas invisíveis e irreais. A luz será meu guia hoje. Eu a seguirei aonde ela me conduzir, e só olharei para aquilo que ela me mostrar. Neste dia experimentarei a paz da percepção verdadeira.

2. Para aplicações específicas, estas formas desta ideia seriam úteis:

Isto não pode esconder a luz que quero ver.
Tu estás na luz comigo, [nome].
Isto parecerá diferente na luz.

3. (74) Não há nenhuma vontade a não ser a Vontade de Deus.

Estou em segurança hoje porque não há nenhuma vontade a não ser a de Deus. Eu só posso ter medo quando acredito que existe outra vontade. Eu só tento atacar quando estou com medo, e só quando tento atacar posso acreditar que minha segurança eterna está ameaçada. Hoje, reconhecerei que tudo isto não acontece. Eu estou em segurança porque não há nenhuma vontade a não ser a de Deus.

4. Estas são algumas formas úteis desta ideia para aplicações específicas:

Que eu perceba isto na harmonia com a Vontade de Deus.
É Vontade de Deus que tu sejas Seu Filho, [nome], e minha também.
Isto é parte da Vontade de Deus para mim, não importa como eu o veja.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 87

Caras, caros,

"Eu quero que haja luz."

Esta é a primeira das duas ideias que revisamos com a lição de hoje. Uma ideia que nos oferece o desafio de buscarmos no mais íntimo de nós mesmos responder à pergunta: Tu queres que a luz se faça em tua vida?

A existência da luz pressupõe o fim das trevas e da escuridão. Quando nos encontramos mergulhadas ou mergulhados na dor e no sofrimento, por quaisquer razões que se tenham apresentado a nossa experiência, tudo o que parece que vemos é uma treva densa, que nos envolve e quer nos engolir. Parece que nunca mais vamos ser capazes de experimentar a alegria, não é mesmo?

Eu quero que haja luz.

A alegria, no entanto, tem de estar escondida em nós mesmos, em nós mesmas. O que acontece é que em tais momentos não conseguimos achá-la. Às vezes, parece até que não queremos, de verdade, achá-la. Ou como diz uma amiga minha. Às vezes, o pior é saber que a dor vai passar. Aliás, a este respeito eu já devo ter comentado também em algum momento que, como revela um dos textos do livro Canja de Galinha para a Alma, que li há muito tempo, "não consigo é sinônimo de não quero".  Ou ainda, pensando no que dizem a respeito do tempo: que cura tudo, que é um grande professor, quiçá o melhor de todos. O problema é justamente que, de acordo com o que diz Hector Berlioz: O tempo é um grande professor, mas, infelizmente, ele mata todos os seus discípulos

Apesar e/ou em função de tudo o que podemos pensar, o que nos traz esta primeira ideia que praticamos hoje, como parte do exercício de revisão, é a oportunidade de vivermos o milagre de reencontrar a luz em nós mesmos e em nós mesmas, seja qual for a situação que vivemos que a tenha feito se esconder de nós. É a partir de nossa vontade que podemos achá-la, reencontrá-la em nós, e experimentá-la, como a lição diz:

Hoje usarei o poder de minha vontade. Não é minha vontade tatear nas trevas de um lado para outro, assustado por sombras e com medo de coisas invisíveis e irreais. A luz será meu guia hoje. Eu a seguirei aonde ela me conduzir, e só olharei para aquilo que ela me mostrar. Neste dia experimentarei a paz da percepção verdadeira.

A luz é o que somos no amor. E a alegria é a Vontade d'Ele para nós. É isso que vamos praticar com a segunda das ideias que revisamos hoje.

"Não há nenhuma vontade a não ser a Vontade de Deus."

Faz uma enorme diferença em nossa vida, no dia-a-dia, perceber, reconhecer, entender e aceitar, e ficar grato por nossa vontade e a de Deus serem uma só, pois a partir desta aceitação, podemos passar a ver o mundo de forma diferente, com olhos amorosos que incluem e acolhem a tudo e a todos em sua visão.  

O milagre que as práticas das ideias que revisamos hoje oferece está no fato de que elas são capazes de juntar mais uma vez nossa vontade à Vontade de Deus, uma vez que elas são a mesma, uma vez não existe nem nunca poderá existir nenhuma vontade separada da Vontade de Deus.

Não há nenhuma vontade a não ser a Vontade de Deus.

É assim que a lição pede que pratiquemos esta segunda ideia:

Estou em segurança hoje porque não há nenhuma vontade a não ser a de Deus. Eu só posso ter medo quando acredito que existe outra vontade. Eu só tento atacar quando estou com medo, e só quando tento atacar posso acreditar que minha segurança eterna está ameaçada. Hoje, reconhecerei que tudo isto não acontece. Eu estou em segurança porque não há nenhuma vontade a não ser a de Deus.

Lembremo-nos do que diz Ramana Maharshi a respeito de Deus, em sintonia com as ideias que praticamos:

"Deus não apenas é o coração de tudo, ele é o propósito de tudo, ele é a fonte de tudo, a morada e o fim de tudo. Tudo vem dele, tem seu lugar nele e, por fim, se resolve nele." 

É ao entendimento disto que as práticas nos levam, se feitas com atenção, obedecendo às instruções que o Curso nos dá para cada uma delas. É para nos ajudar a descobrir que existe, de fato, uma forma diferente de olhar para tudo, uma forma que podemos aprender da aceitação da Vontade de Deus para nós, da aceitação de que a única vontade que existe é a d'Ele/d'Ela, e de que a Vontade d'Ele/d'Ela é a mesma que a nossa. 

É esta forma diferente de olhar para tudo e para todos, que nos ensina a envolver o mundo todo e tudo o que ele contém em um abraço amoroso, que cura todos os males e todas as dores que pensamos existir, pois não julga e não condena. Ao contrário, aceita as diferenças amorosamente por entender que as diferenças não separam. Na verdade, o que acontece é o contrário, são nossas diferenças que nos unem. 

São as diferenças que nos permitem conhecer formas outras de viver e de ver o mundo, enriquecendo toda a vida. As diferenças também nos permitem conhecer partes de nós mesmos e de nós mesmas com as quais não tínhamos tido contato enquanto isolados/ e isoladas, fechados e fechadas, ilhados e ilhadas em nós mesmos, em nós mesmas. Mesmo depois desse tempo em que, por força de buscar reduzir as possibilidade de contágio pelo vírus, ou por suas variantes, nessa pandemia, que parece não ter prazo para acabar (ou vocês pensam que ela já acabou?), muitos e muitas de nós fomos forçados e forçadas a aprender a viver com menos contato pessoal com as pessoas. Ainda assim, a partir dos contatos que continuamos a fazer pelas redes sociais, impressiona ver o quanto precisamos aprender a respeito das diferenças, e da necessidade de aceitá-las.

O diferente, quando o vejo, reconheço e aceito, sou eu mesmo. É uma parte de mim que se mostra para me fazer completo, para me tornar inteiro, se ainda não sou - e não sou inteiro, se ainda não abarquei o mundo todo com tudo o que há nele, perdoando-o dentro de mim. E perdoando a mim mesmo por vê-lo a maior parte do tempo de forma equivocada, dando-lhe características que sua neutralidade não tem. E isso não tem nada a ver com a forma pela qual o diferente se aproxima de mim. A forma, seja ela qual for, é sempre tão-somente um reflexo de mim mesmo, daquilo que trago dentro de mim. 

Em um determinado momento do texto, o Curso chama a atenção para a forma com que olhamos para o irmão, para o próximo. Isto é, podemos nos perguntar a cada instante, a cada novo encontro com as pessoas que povoam nosso mundo: como eu te vejo? De que modo devo olhar para o próximo para ver a santidade em mim? E o que vai me trazer a experiência de ver a santidade em mim? 

Eis o que o Curso diz, parafraseando-o: 

O mundo ficaria imóvel e a paz desceria sobre ele em benignidade e com uma bênção tão completa que nenhum vestígio de conflito continuaria a existir para assombrar-te na escuridão da noite, se apenas visses a santidade do teu irmão. 

E mais: 

Teu irmão é teu salvador dos sonhos feitos de medo. É a cura de tua noção de sacrifício e de teu medo de que o que tens poderia se dispersar no vento e se converter em pó. Em teu irmão está a garantia de que Deus está aqui e de que está contigo agora. 

E ainda: 

Enquanto teu irmão for o que ele é [ele é como Deus o criou], podes estar certo de que é possível conhecer a Deus e de que Ele/Ela será conhecido por ti. Pois Deus jamais poderia abandonar Sua própria criação. O sinal de que isso é verdadeiro está no teu irmão, que te é oferecido de forma que todas as tuas dúvidas a teu próprio respeito possam desaparecer diante da santidade dele [que, reconhecida, revela tua própria santidade]. Olha para teu irmão e vê nele a criação de Deus. Pois é nele que o Pai espera pelo teu reconhecimento de que Ele/Ela o criou [assim como a ti] como parte de Si Mesmo.

Às práticas? 

OBSERVAÇÃO: 

Apenas para acrescentar ao comentário a beleza da letra e da música que afirma, como o título da postagem, ser necessário que aceitemos todas as diferentes formas de amar, dou-lhes abaixo o link de vídeo que postei há algum tempo no facebook:

https://www.youtube.com/watch?v=fPjRK2FuQJQ&feature=youtu.bePreci

sexta-feira, 27 de março de 2026

O plano de ego para a salvação é oposto ao de Deus

 

LIÇÃO 86

São estas as ideias para a revisão de hoje:

1. (71) Só o plano de Deus para a salvação funcionará.

Não faz sentido, para mim, procurar a salvação de forma descontrolada. Eu a vi em muitas pessoas e em muitas coisas, mas, quando quis alcançá-la, ela não estava lá. Eu estava errado a respeito de onde ela está. Eu estava errado a respeito do que ela é. Não empreenderei mais nenhuma busca inútil. Só o plano de Deus para a salvação funcionará. E me alegrarei porque o plano d'Ele não pode fracassar nunca.

2. Estas são algumas formas sugeridas para a aplicação desta ideia de modo específico:

O plano de Deus para a salvação me salvará de minha percepção disto.
Isto não é nenhuma exceção no plano de Deus para a minha salvação.
Que eu só perceba isto à luz do plano de Deus para a salvação.

3. (72) Guardar mágoas é um ataque ao plano de Deus para a salvação.

Guardar mágoas é uma tentativa de provar que o plano de Deus para a salvação não funcionará. No entanto, só plano d'Ele funcionará. Por esta razão, ao guardar mágoas estou jogando para fora de minha consciência minha única esperança de salvação. Não quero mais frustrar meus maiores interesses deste modo insano. Quero aceitar o plano de Deus para a salvação e ser feliz.

4. Aplicações específicas desta ideia poderiam ter estas formas:

Quando olho para isto estou escolhendo entre uma percepção equivocada e a salvação.
Se eu perceber razão para mágoas nisto, não verei razão para minha salvação.
Isto pede salvação, não ataque.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 86

Caras, caros,

Continuamos, neste segundo período de revisão que o Curso nos oferece, a voltar nosso olhar, dia a dia, para duas lições dentre as que praticamos recentemente. 

E como eu já disse antes, isto é sempre, a cada dia, uma nova oportunidade para que aceitemos os desafios que elas nos oferecem, se já não o fizemos no primeiro momento em que elas se apresentaram ou ainda na primeira vez em que entramos em contato com a ideia, e para que aceitemos também o milagre que cada uma traz, se nos dispusermos a praticá-las com toda a atenção de que somos capazes.

As que vamos explorar hoje são:
 
"Só o plano de Deus para a salvação funcionará."

e

"Guardar mágoas é um ataque ao plano de Deus para a salvação."

Comecemos por reconhecer e aceitar a verdade eterna que há por detrás da primeira das ideias que revisamos. Isto é, é só o plano de Deus para a salvação que pode funcionar, pois nada do que fazemos a partir da crença de que podemos estar ou ficar separados ou separadas d'Ele/Ela dá certo. Nada do que fazemos, ou pensamos poder fazer, separados ou separadas de Deus pode nos levar a experimentar a alegria e a paz de espírito que Ele/Ela quer para nós.

É em função disso que a lição pede para praticarmos assim: 

Não faz sentido, para mim, procurar a salvação de forma descontrolada. Eu a vi em muitas pessoas e em muitas coisas, mas, quando quis alcançá-la, ela não estava lá. Eu estava errado a respeito de onde ela está. Eu estava errado a respeito do que ela é. Não empreenderei mais nenhuma busca inútil. Só o plano de Deus para a salvação funcionará. E me alegrarei porque o plano d'Ele não pode fracassar nunca.

Em geral, acreditamos que alguma coisa fora de nós pode nos salvar ou nos ferir e matar. Uma pessoa, um emprego, uma posição social, um cargo "importante", ganhar na loteria, encontrar a pessoa certa no lugar certo, uma atividade, um governo e tantas outras coisas. 

Nada disso funciona de verdade, pois tudo aquilo que esperamos encontrar no mundo nos escapa por entre os dedos quando o alcançamos. Todo o objetivo que estabelecemos, uma vez alcançado, pede que estabeleçamos outro, pede que busquemos ir além. 

Nada no mundo pode, de fato, nos dar a paz duradoura, a alegria sem fim, a não ser o divino e a sintonia com ele no interior de nós mesmos e de nós mesmas. Nenhum plano que façamos acerca de nada neste mundo pode nos salvar. 

É por isso que praticamos:
 
Só o plano de Deus para a salvação funcionará.

E como ele pode funcionar de forma fácil, rápida e eficiente? 

Pelo nosso reconhecimento da verdade, e pela nossa decisão de abandonar todo e qualquer ataque e de nos livrarmos de toda e qualquer mágoa que possamos sentir em relação a qualquer pessoa ou coisa no mundo.

Pois,

Guardar mágoas é um ataque ao plano de Deus para a salvação.

É esta a segunda ideia que vamos praticar. É este o desafio que temos de aceitar: o desafio de mudar nosso modo de olhar para o mundo e para as coisas do mundo para sermos capazes de perceber que tudo aqui é neutro. Porque tudo aqui, neste mundo ilusório, é só aparência. Nada existe verdadeiramente. Assim, nada nos pode magoar, a não ser nossos próprios pensamentos equivocados. Mesmo neste momento de aparente tensão social e política que se apresenta aos cidadãos e cidadãs deste lugar chamado Brasil e noutros lugares do mundo. Mesmo neste momento em que o mundo todo está aparentemente sendo tomado de assalto pelos "poderosos" detentores do que se convencionou chamar de "capital" e que buscam apenas aumentar ao máximo as riquezas que acumularam às custas do suor e do trabalho de milhares, milhões, de outras pessoas, que continuam a morrer, sem ter o suficiente para sua sobrevivência, ou porque as políticas dos "muito ricos" se infiltraram nos modos de vidas das sociedades para mudar a educação, a alimentação, a medicação e o atendimento feito a doentes no mundo inteiro, visando apenas ao dinheiro.
 
E as práticas nos pedem para reconhecer que:

Guardar mágoas é uma tentativa de provar que o plano de Deus para a salvação não funcionará. No entanto, só plano d'Ele funcionará. Por esta razão, ao guardar mágoas estou jogando para fora de minha consciência minha única esperança de salvação. Não quero mais frustrar meus maiores interesses deste modo insano. Quero aceitar o plano de Deus para a salvação e ser feliz.

Tudo o que vemos nas pessoas que se manifestam, em primeiro lugar, nas enraivecidas, nas que carregam e disseminam o ódio e pregam ou exercem a violência umas contra as outras não é nada mais nada menos do que mágoa. Uma ou mais mágoas que o ego esconde dos e das manifestantes todos e todas estejam do lado em que estiverem, quando pregam a partir da crença na separação.

É o reconhecimento disto que pode nos levar à decisão de passarmos a empunhar apenas as bandeiras da paz, da alegria e do amor, e a abandonar de uma vez por todas o julgamento. Por reconhecermos que praticamente todos os planos que fazemos por nós mesmos ou por nós mesmas, pensando-nos separados e separadas uns dos outros, umas das outras e de Deus, quase sempre nos levam até a beira de um abismo do qual temos muita dificuldade de voltar depois de chegarmos lá, ao fundo do poço. 

Em geral, então, é só depois de chegarmos ao fundo do poço que vamos pensar na possibilidade - porque não vemos nenhuma outra saída nas sugestões do falso eu - de nos rendermos à ideia de voltar o olhar para dentro de nós, para entrar em contato com o espírito em nós, para entregar a Deus aquilo que nos aflige, seja qual for o nome que damos àquela instância "espiritual" a que recorremos quando não temos mais para onde ir.

É aí, e só aí, que somos capazes de começar a perceber a verdade eterna que há por trás das palavras que nos traz a ideia das práticas:

Guardar mágoas é um ataque ao plano de Deus para a salvação.

Antes de alcançarmos o fundo do poço e de nos dispormos a aceitar como verdadeiras as ideias que o Curso nos oferece, quase todos tendemos a fincar pé em uma opinião, mesmo sem saber muitas vezes ao certo por que pensamos deste ou daquele modo. 

Outras tantas vezes também nos recusamos a ouvir o outro lado de uma questão apenas em razão de um sentimento de orgulho ferido, por medo de termos de reconhecer que o outro lado faz sentido e - caso não faça sentido -, sirva para explicar a razão para o acontecido, para o fato que nos magoou ou feriu nosso orgulho. Ou até mesmo para nos mostrar apenas outro modo de ver, um modo que pode apenas complementar a visão limitada que temos de tudo, de todas e de todos.

Em nossa ânsia por ter razão, guiados ou guiadas pelo ego, pensamos que sabemos o que é melhor para nós. O que é melhor para as pessoas que dividem suas vidas conosco e, num lance desenfreado de onipotência, pensamos saber o que é melhor para o mundo todo. Ah, Deus! Ora, pois, como Deus ousa não obedecer ao meu plano? Como Ele ousa acreditar que o plano d'Ele é melhor do que o meu? 

Eu sei o que quero. Sei o que é melhor para mim. E sei também o que é melhor para o mundo todo. Por que as pessoas não me dão ouvidos e resolvem se comportar de um modo que não tem nada a ver com o que seria melhor para mim - e obviamente melhor para elas, a partir de minha forma de ver as coisas? 

Não é assim que agimos, quando optamos por não dar ouvidos ao que a Voz por Deus nos sussurra aos ouvidos? Não é isso que estamos dizendo, quando contestamos um acontecimento, uma experiência, uma pessoa, uma situação que se nos apresenta? Um fato, um desastre, um acidente que chega ao nosso conhecimento? Uma pessoa que não corresponde a nossas expectativas? 

Precisamos, uma vez mais, porque nunca é demais, voltar às quatro leis espirituais que se aprende na Índia, tê-las em mente e buscar pô-las em prática, apelar a elas, em todos os momentos. 

Lembram-se de quais são elas?

1. A pessoa que vem é a certa.
2. Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido.
3. Quando você começa algo, é o momento certo.
4. Quando uma coisa termina, acaba realmente. 

Manter isto em mente e aplicar as situações que surgem em nosso dia-a-dia é, sem dúvida, praticar, reconhecer e aceitar as duas ideias da lição de hoje:

Só o plano de Deus para a salvação funcionará.

Guardar mágoas é um ataque ao plano de Deus para a salvação.

Às práticas?

quinta-feira, 26 de março de 2026

Só depende de cada um, cada uma, de nós a salvação

 

LIÇÃO 85

A revisão de hoje abrangerá estas ideias:

1. (69) Minhas mágoas escondem a luz do mundo em mim.

Minhas mágoas me mostram o que não existe e escondem de mim o que quero ver. Reconhecendo isto, para que quero minhas mágoas? Elas me mantêm nas trevas e escondem a luz. Mágoas e luz não podem combinar, mas luz e visão têm de estar unidas para eu ver. Para ver, tenho de abandonar as mágoas. Eu quero ver, e este será o meio pelo qual serei bem-sucedido.

2. Formas específicas para esta ideia poderiam ser feitas destas maneiras:

Que eu não use isto como uma barreira à visão.
A luz do mundo limpará tudo isto com seu brilho.
Não tenho nenhuma necessidade disto. Eu quero ver.

3. (70) Minha salvação vem de mim.

Hoje reconhecerei onde está minha salvação. Ela está em mim porque aí está sua Fonte. Ela não deixa sua Fonte e por isto não pode deixar minha mente. Não procurarei por ela fora de mim mesmo. Ela não é encontrada fora e, em seguida, trazida para dentro  Mas, de dentro de mim, ela alcançará o que está além, e tudo o que vejo refletirá apenas a luz que brilha em mim e em si mesma.

4. Estas formas da ideia são adequadas para aplicações mais específicas:

Que isto não me tente a procurar minha salvação fora de mim.
Eu não deixarei que isto se intrometa com minha consciência da Fonte de minha salvação.
Isto não tem nenhum poder para afastar de mim a salvação.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 85

Caras, caros,

Para esta lição de revisão, repito mais uma vez o comentário postado nos últimos anos:

Mesmo tendo-se sempre em mente que não é possível estabelecer uma escala de importância, isto é, que não é possível classificar como de maior ou menor importância qualquer uma das ideias que praticamos, já que uma apenas delas, conforme ensina o Curso, praticada de forma honesta e sincera, e entendida inteiramente, é suficiente para nos levar à salvação, creio que as ideias que revisamos hoje estão entre as mais significativas que já praticamos até aqui.

A comparação a que me refiro acima também não pode ser feita de modo legítimo porque o Curso, já em seu início, dando-nos os Princípios dos Milagres, sustenta que não há ordem de dificuldades em milagres, nem um é maior ou menor do que o outro, uma vez que todos são o mesmo, e se devem ao amor, que é a força que os possibilita. Isto vale também para os milagres que as ideias que as lições nos oferecem a partir das práticas. 

E hoje, as ideias que revisaremos são: 

"Minhas mágoas escondem a luz do mundo em mim."

E

"Minha salvação vem de mim."

O fato de nenhuma das ideias ter mais importância do que qualquer uma das outras tem relação direta com os princípios dos milagres [vide acima também], que estão logo no início do texto do Curso e fazem parte do primeiro capítulo. Em particular com aquele princípio que diz que não há ordem de dificuldades em milagres, uma vez que todos são o mesmo e todos são expressões máximas do amor. Na verdade, os milagres acontecem como expressões naturais do amor. E, em si mesmos, não têm importância. "A única coisa que importa é a Fonte deles": o amor. O que somos na verdade.

O milagre verdadeiro é o amor que os inspira.

Como vimos nas ideias que revisamos ontem, "o amor não guarda mágoas". É por isso que temos de perceber a verdade eterna que há por trás da primeira das ideias que praticamos hoje. Isto é: 

Minhas mágoas escondem a luz do mundo em mim.

Se estou magoada, ou magoado, ou se estou guardando mágoas deixei-me cegar pela ilusão, pela crença na separação, ao acreditar ser verdadeira a ideia de que alguma outra pessoa pode me atacar e ferir. A partir daí, não sou capaz de ver a luz do mundo, nem nela, nem em mim, nem em ninguém. Minhas mágoas a escondem.

É por isso que praticamos conforme a lição orienta:

Minhas mágoas me mostram o que não existe e escondem de mim o que quero ver. Reconhecendo isto, para que quero minhas mágoas? Elas me mantêm nas trevas e escondem a luz. Mágoas e luz não podem combinar, mas luz e visão têm de estar unidas para eu ver. Para ver, tenho de abandonar as mágoas. Eu quero ver, e este será o meio pelo qual serei bem-sucedido.

Aquilo que pensamos a respeito das ideias que as lições nos oferecem para as práticas tem a ver apenas com a sensibilidade de cada um e de cada uma, o que, às vezes, faz com que uma ideia em particular, e não outra, em determinado momento, facilite nossa caminhada em direção a nós mesmas, a nós mesmos. Entretanto, como é a orientação do Curso, precisamos nos aproximar sempre de cada ideia como se fosse a primeira vez, para recebermos de forma mais fácil o milagre que cada uma delas nos reserva.

É também assim que vamos nos aproximar da segunda das ideias das práticas da lição de hoje: 

Minha salvação vem de mim.

Ora, a verdade do que somos está presente aonde quer que estejamos. É por esta razão que o livro diz que "a procura da verdade não é senão a busca honesta de tudo aquilo que obstrui a verdade", que "não pode ser perdida, nem buscada, nem achada". Ela é como a sombra do homem, ou da mulher, que vai com ele, ou com ela, aonde ele - ou ela - for.

Buscar a salvação aonde, então? Fora de nós? No mundo? Em alguém, em alguma coisa? Não! Há que se reconhecer onde está a salvação. E é isto que vamos fazer neste dia, em sintonia com o que nos diz a lição: 

Hoje reconhecerei onde está minha salvação. Ela está em mim porque aí está sua Fonte. Ela não deixa sua Fonte e por isto não pode deixar minha mente. Não procurarei por ela fora de mim mesmo. Ela não é encontrada fora e, em seguida, trazida para dentro  Mas, de dentro de mim, ela alcançará o que está além, e tudo o que vejo refletirá apenas a luz que brilha em mim e em si mesma.

Assim, se seguirmos a orientação do Curso, vamos poder perceber de forma clara e cristalina que as mágoas são, sem sombra de dúvida, algo - uma ilusão que construímos em nossa mente - que busca obstruir a verdade, porque as mágoas não nos deixam ver a verdade por detrás de qualquer situação com que estejamos lidando. Elas, na verdade, escondem a luz do mundo em nós [a primeira ideia] e a impedem de iluminar a situação, pondo fim à separação que aparentemente vemos.

Quanto à segunda ideia - e estou me repetindo -, também é fácil perceber que, diferentemente do que o mundo nos ensina, a salvação depende sempre apenas de nós mesmas, de nós mesmos, de cada um de nós mesmos, ou de cada uma de nós mesmas, fazendo o papel que lhe cabe, cumprindo aquilo que escolheu para si. Não importa o que outras pessoas pensem, ou digam, ou façam. Quer dizer, cada um - e cada uma - de nós é responsável apenas por sua própria salvação. E, como consequência de minha própria salvação, dá-se a salvação do mundo inteiro, uma vez que não há nada fora de mim, não há nada fora de nós, de acordo com o ensinamento. 

Às práticas?