terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Vamos banhar as pessoas do mundo com amor?


LIÇÃO 24

Eu não percebo meus maiores interesses.

1. Não percebes claramente que resultado te faria feliz em nenhuma situação que surja. Por isto, tu não tens nenhum guia para a ação apropriada e nenhum modo de julgar o resultado. O que fazes é determinado por tua percepção da situação e essa percepção está errada. É inevitável, então, que não vás atender a teus maiores interesses. No entanto, eles são tua única meta em qualquer situação percebida de modo correto. De outra forma, não reconhecerás quais são eles.

2. Se te desses conta de que não percebes teus maiores interesses, poder-se-ia ensinar-te quais são eles. Mas, diante de tua convicção de que sabes quais eles são, não podes aprender. A ideia para hoje é um passo na direção da abertura de tua mente a fim de que o aprendizado possa começar.

3. Os exercícios para hoje pedem muito mais honestidade do que estás acostumado a usar. Alguns poucos sujeitos, considerados honesta e cuidadosamente em cada um dos cinco períodos de prática que devem ser empreendidos hoje, serão mais úteis do que um exame mais superficial de um número grande deles. Sugere-se dois minutos para cada um dos períodos de exame mental que os exercícios envolvem.

4. Os períodos de prática devem começar com a repetição da ideia de hoje, de olhos fechados, seguida pelo exame mental em busca de situações não resolvidas acerca das quais estejas preocupado atualmente. A ênfase deve estar em descobrir o resultado que queres. Rápido perceberás com clareza que tens em mente várias metas como parte do resultado desejado e também que essas metas estão em níveis diferentes e que, muitas vezes, são antagônicas.

5. Ao aplicares a ideia para hoje, cita cada situação que te ocorrer e depois lista cuidadosamente o maior número possível de metas que gostarias que fossem alcançadas na sua resolução. A forma de cada aplicação deve ser mais ou menos a seguinte:

Na situação que envolve _________, eu gostaria que ________
acontecesse, e que __________ acontecesse,

e assim por diante. Tenta incluir tantos tipos diferentes de resultado quantos realmente possam te ocorrer, mesmo que alguns deles não pareçam estar diretamente relacionados à situação ou que nem mesmo pertençam a ela de forma alguma.

6. Se estes exercícios forem feitos de modo correto, reconhecerás rapidamente que fazes um grande número de exigências da situação, que não têm nada a ver com ela. Também reconhecerás que muitas de tuas metas são contraditórias, que não tens nenhum resultado harmonioso em mente, e que terás de te frustrar em relação a algumas de tuas metas independentemente de como a situação se resolva.

7. Depois de examinares a lista do maior número possível de metas almejadas para cada situação não resolvida que passar por tua mente, dize a ti mesmo:

Eu não percebo meus maiores interesses.

e passa para a seguinte.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 24

Continuemos hoje a refletir e a analisar de forma aberta as possibilidades que nos oferecem dia a dia as lições que o Curso no traz. 

Em perfeita sintonia com o que o Curso ensina e também com a ideia para as nossas práticas de hoje, David Hawkins, em livro que li há algum tempo, com o qual fiquei completamente encantado e de que lhes falei também nos comentários anteriores para esta lição, diz: 

"O problema básico da humanidade é que a mente humana é incapaz de distinguir a verdade da falsidade. Ela não pode diferenciar o 'bem' do 'mal'. Sem nenhum meio para sua auto-proteção, os humanos estão à mercê da falsidade em todos os seus disfarces enganadores, que desfilam como patriotismo, religião, o bem social, diversão inocente, etc."

Não lhes parece que isso é exatamente a mesma coisa que reconhecer, como a lição quer, que:

"Eu não percebo meus maiores interesses."

E muita atenção:

Os exercícios para hoje pedem muito mais honestidade do que estás acostumado a usar. Alguns poucos sujeitos, considerados honesta e cuidadosamente em cada um dos cinco períodos de prática que devem ser empreendidos hoje, serão mais úteis do que um exame mais superficial de um número grande deles. Sugere-se dois minutos para cada um dos períodos de exame mental que os exercícios envolvem.

Desde o início de nossas práticas, neste e nos anos anteriores em que começamos com os primeiros comentários traduzidos daqueles feitos por Tara Singh em um de seus livros, fomos informados da necessidade de sermos inteiramente honestos, principalmente em relação a nós mesmos e a nossa forma de ver o mundo. Pois só a partir da decisão de sermos absolutamente honestos é que podemos, de fato, como diz a lição de hoje, começar o processo de aprendizado. 

Enquanto caminhamos na direção que o Curso aponta com o interesse voltado para a necessidade de nosso próprio ego de justificar e avalizar os julgamentos que fazemos de coisas, de pessoas e de situações que vemos no mundo, buscando salvaguardar nossos próprios interesses, julgando que há alguma coisa de valor no mundo, ou que o mundo contém algo que de fato podemos querer, fingindo estar interessados em ver as coisas de modo diferente, sem acreditar que é possível, sem nos comprometermos de fato com as práticas, ainda não começamos de verdade a aceitar o ensinamento. Ao contrário, nós o estamos negando.

E, para sermos inteiramente honestos, para com nós mesmos e para com o mundo, é preciso que estejamos dispostos a abandonar a negação, como aconselha Hawkins: 

"Se desistirmos da negação, veremos que a falsidade, a manipulação e a distorção da verdade suprem predominantemente as tendências mais vis do homem e permeiam toda a sociedade. Os jogos populares para computador [por exemplo] não são nem inocentes, nem inofensivos; são máquinas mortíferas de treinamento planejadas para enfraquecer a sensibilidade espiritual pelo condicionamento da mente para a mutilação e para a matança inconscientes." 

Aquilo que vemos e lemos na mídia, qualquer forma que tome ela, o que vemos, ouvimos e compartilhamos nas redes sociais tem de passar pelo filtro da honestidade que queremos ter para com nós mesmos. Se nos alegramos com a ideia de provocar alguém de nossas relações apenas porque sabemos que vamos deixá-lo/a enfurecido/a ou para, como se diz, espicaçá-lo/a, compartilhando notícias e postagens carregadas de julgamento, estamos, na verdade, aceitando participar do jogo de mundo de ilusões, reforçando a crença na separação e nos sentidos, ora melhores do que uns, ora piores, mas em qualquer dos casos, separados.

A lição começa por dizer:

Não percebes claramente que resultado te faria feliz em nenhuma situação que surja. Por isto, tu não tens nenhum guia para a ação apropriada e nenhum modo de julgar o resultado. O que fazes é determinado por tua percepção da situação e essa percepção está errada. É inevitável, então, que não vás atender a teus maiores interesses. No entanto, eles são tua única meta em qualquer situação percebida de modo correto. De outra forma, não reconhecerás quais são eles.

É isto que precisamos reconhecer e aceitar como parte da decisão de ver as coisas de modo diferente. Não podemos nos enganar, fingindo que sabemos o que não sabemos. Se vocês estiverem lembrados, nos últimos anos relacionei a ideia para as práticas com nossa tentativa equivocada muitas vezes de acrescentar mais líquido em uma taça cheia.

Isso não é possível! 

Para se colocar líquido novo em uma taça é preciso esvaziá-la antes. É aí que mora a relação entre a ideia de hoje e nosso modo de pensar. Por pensarmos saber o que queremos, não estamos abertos a reconhecer que não temos a menor ideia do que seria melhor para nós em praticamente nenhuma das situações com que nos defrontamos. Ou, dizendo de outro modo, como diz também Hawkins: 

"A evolução [ou desenvolvimento] espiritual acontece como resultado da remoção de obstáculos e não verdadeiramente como aquisição de qualquer coisa nova. A dedicação permite a rendição das ilusões caras e das futilidades preferidas da mente, de modo que ela se torne progressivamente mais livre e mais aberta à luz de Verdade."

É em razão disso que o Curso diz:

Se te desses conta de que não percebes teus maiores interesses, poder-se-ia ensinar-te quais são eles. Mas, diante de tua convicção de que sabes quais são eles, não podes aprender. A ideia para hoje é um passo na direção da abertura de tua mente a fim de que o aprendizado possa começar.

E é também em razão disso que a lição nos pede toda a honestidade de que somos capazes. Ou, pelo menos, muito mais honestidade do que estamos habituados a usar para reconhecer o que estamos vendo, ou o que estamos sentindo.

Em geral, temos vergonha de reconhecer que não sabemos o que fazer em determinadas situações. Ficamos embaraçados e nem queremos falar a respeito de determinadas coisas. Que dirá reconhecer que, em praticamente todas as situações:

Eu não percebo meus maiores interesses.

E que dizer, então,  de reconhecer e aceitar que todas as situações que se apresentam a nossa experiência são sempre a materialização de escolhas que fizemos?

Como costumo dizer, em consonância com o ensinamento do Curso, acredito, quando uma situação qualquer se apresenta a nossa experiência, precisamos em primeiro lugar reconhecer a responsabilidade que nos cabe nela. Isto é, precisamos lidar com ela, sabendo que ela só se apresentou porque a pedimos, ainda que de modo inconsciente. Não podemos resistir a ela. Isso fará com que ela continue a nos afastar da alegria, se se apresentou de um modo que não nos põe em contato direto com a alegria.

O que fazer então, se

Eu não percebo meus maiores interesses.[?]

Reconhecer que a situação é uma escolha equivocada que fizemos é o primeiro passo para mudar. Em seguida, é preciso aceitar, acolher a situação, lidar com ela, considerando-a neutra e, depois, agradecer por ela se ter apresentado da forma como se apresentou. Só então é que podemos fazer uma nova escolha, quando é o caso. Mas, como podemos intuir a partir do que a lição de hoje nos diz, ao fazermos nossa escolha, precisamos ter em mente que, quase nunca, sabemos quais são nosso maiores interesses. Para buscarmos a sintonia com o divino em nós, a razão, a Voz por Deus, entregando-nos e entregando nossa escolha ao Espírito e aceitando o que quer se apresente, entendendo que, seja o que for que aconteça, o que acontecer "é a única coisa que poderia ter acontecido". E temos de ser gratos por isso.

Eu não percebo meus maiores interesses.  

Repetindo, as práticas que o Curso nos oferece são a melhor maneira que temos para aprender a reconhecer que não sabemos nada. São a melhor ajuda que podemos encontrar para abrir nossa mente para a mudança. Uma mudança que vai nos ensinar de que modo abrir mão da necessidade de ter razão e de "bater o pé", acreditando que sabemos o que é melhor para nós. São as práticas que vão nos ensinar quão libertador é abrir mão do controle. Afinal, como o Curso pergunta a certa altura, "queres ter razão ou ser feliz"?

Assim como nos ensinam a reconhecer que não sabemos, de fato, como escolher o melhor para nós em quase nenhuma ocasião, as práticas nos ensinam também a aceitar o resultado que vai se mostrar a nós a partir de nossa decisão de deixar a cargo do Espírito Santo a escolha do que vai nos fazer felizes e nos devolver à alegria, que é a Vontade de Deus para nós.

Reconhecer que não sabemos, como já dissemos várias vezes antes, é o primeiro passo para começar a esvaziar a taça, para permitir que ela volte a se encher, para se esvaziar de novo, se encher mais uma vez e novamente se esvaziar... Na verdade, quanto mais esvaziarmos a taça de nossa mente da pretensa sabedoria, tanto mais seremos capazes de enchê-la com o novo, com a sabedoria indizível, que não precisa de palavras para ser vista, percebida e reconhecida. 

Às práticas?

ADENDO:

Este adendo traz a mesma coisa que lhes disse no ano passado e o estou repetindo com algumas modificações, por achá-lo ainda pertinente. Então, como lhes disse lá:

Já desde a lição 8, que ensina que nunca estamos sozinhos ao experimentar os efeitos de nosso modo de olhar para o mundo, queria adicionar um link para uma música antiga de James Taylor, que me veio à mente ao praticar. Uma música que se chama "Shower the People", e que tem como refrão as frases "Shower the people you love with love, show them the way that you feel, things are gonna be just fine if you only will. 

Livremente traduzido este refrão e a mensagem central da letra da música querem dizer mais ou menos o seguinte:

Faça chover amor sobre as pessoas que você ama,
ou [Banhe as pessoas que você ama com amor]Mostre-lhes como você se sente
Basta você desejar - ou fazer isso - e as coisas vão funcionar perfeitamente.

Na postagem do ano passado não tinha encontrado um vídeo com a letra traduzida e publiquei o link com a letra no original. Entretanto, nos comentários feitos à lição, minha irmã, Nina, postou o link da música com as legendas em português, que é o que lhes ofereço abaixo. Obrigado, Nina, mais uma vez. 

https://www.youtube.com/watch?v=X2tkUAG0XrE 

E, como eu disse também no ano passado, pensando bem é fácil, às vezes até demais, banhar de amor as pessoas que amamos, aquelas de quem gostamos. O desafio é buscar banhar de amor também aquelas pessoas de quem dizemos não gostar, por esta ou aquela razão. Que são sempre julgamentos que fazemos.

'Bora tentar?

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Aprender a dar ao mundo o valor que ele tem, e só


LIÇÃO 23

Posso escapar do mundo que vejo
desistindo dos pensamentos de ataque.

1. A ideia para hoje contém a única saída para o medo que será sempre bem-sucedida. Nada mais funcionará; tudo o mais é sem significado. Mas este jeito não pode falhar. Todo pensamento que tens cria algum segmento do mundo que vês. É com teus pensamentos, então, que temos de trabalhar, se quisermos que tua percepção do mundo mude.

2. Se a causa do mundo que vês são os pensamentos de ataque, tens de aprender que são esses pensamentos que não queres. Não faz sentido deplorar o mundo. Não faz sentido tentar mudar o mundo. Ele é incapaz de mudança porque é apenas um efeito. Mas, de fato, faz sentido mudar teus pensamentos a respeito do mundo. Agora estás mudando a causa. O efeito mudará automaticamente.

3. O mundo que vês é um mundo vingativo e tudo nele é um símbolo de vingança. Cada uma de tuas percepções da "realidade externa" é uma representação pitoresca de teus próprios pensamentos de ataque. Cabe muito bem perguntar se isso pode ser chamado de "ver". Fantasia não é uma palavra melhor para tal processo e alucinação um termo mais adequado para o resultado?

4. Tu vês o mundo que fazes, mas não te vês como o autor das imagens. Tu não podes ser salvo do mundo, mas podes escapar daquilo que é sua causa. Isto é o que significa salvação, pois onde está o mundo quando aquilo que é causa dele acaba? A visão já tem um substituto para todas as coisas que pensas ver agora. A beleza pode iluminar tuas imagens e, assim, transformá-las de tal modo que tua as amarás, mesmo que elas forem feitas de ódio. Pois tu não as farás sozinho.

5. A ideia para hoje apresenta o pensamento segundo o qual não estás preso ao mundo que vês, porque é possível mudar aquilo que é causa dele. Esta mudança pede, primeiro, que a causa seja identificada e, em seguida, abandonada, para poder ser substituída. Os dois primeiros passos deste processo pedem tua cooperação. O último não. Tuas imagens já foram substituídas. Ao dares os primeiros dois passos, verás que isso é verdade.

6. Além de usá-la ao longo do dia, quando a necessidade surgir, pede-se cinco períodos de prática para a aplicação da ideia de hoje. Ao olhares a tua volta, repete lentamente a ideia para ti mesmo primeiro e, depois, fecha os olhos e dedica cerca de um minuto a examinar tua mente em busca de tantos pensamentos de ataque quantos te ocorrerem. À medida que cada um passar por tua mente, dize:

Posso escapar do mundo que vejo desistindo dos
pensamentos de ataque sobre ________ .

Mantém cada pensamento de ataque em mente enquanto dizes isto e, então, descarta aquele pensamento e passa ao seguinte.

7. Certifica-te de incluir tanto os pensamentos em que atacas quanto aqueles em que és atacado nos períodos de prática. Os efeitos de ambos são exatamente os mesmos porque eles são exatamente os mesmos. Tu ainda não reconheces isto e pede-se, apenas desta vez, que os trates como se fossem os mesmos nos períodos de prática de hoje. Ainda estamos no estágio de identificação da causa do mundo que vês. Quando, finalmente, aprenderes que os pensamentos em que atacas e aqueles nos quais és atacado não são diferentes, estarás pronto para abandonar a causa.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 23

Qual desbravadores a se embrenharem por terrenos e caminhos nunca pisados antes em tempo algum, como fizemos também em anos passados, vamos explorar, mais uma vez, hoje, a lição de número 23. Ou será que algum de nós pensa já conhecer o terreno, em função de já ter passado por aqui antes? 

Este é, de fato, um dos maiores equívocos de que somos capazes. Acreditamos conhecer alguém a quem já encontramos uma vez, quando, na verdade, o que fazemos, a maior parte do tempo é aprisioná-lo(a) em um julgamento que fazemos, fizemos, ou continuamos a fazer, dele(a). Um ataque na verdade. É por isso que praticamos hoje a ideia, segundo a qual

"Eu posso desistir do mundo que vejo
desistindo dos pensamentos de ataque."

Que te parece ser a proposta da lição? "Quero mesmo desistir do mundo que vejo, da forma como o vejo?" -, podes te perguntar. Por quê? Há alguma coisa que queres no mundo? Há, no mundo, alguma coisa, ou pessoa, sem a qual não podes viver?

Há um ponto no texto em que o Curso diz [estou traduzindo direto do original, sem consultar a tradução de Lillian Paes]:

Qualquer coisa neste mundo, que acredites ser boa e valiosa, e pela qual valha a pena lutar, pode te ferir e o fará. Não porque tenha o poder para ferir, mas apenas porque negaste que ela é só uma ilusão e a tornaste real. E ela é real para ti. Ela deixou de ser [apenas o] nada [que de fato é]. E, a partir da realidade percebida [e dada] para ela, se apresenta todo o mundo das ilusões doentias. Toda a crença no pecado, no poder do ataque, na dor e no mal, no sacrifício e na morte, vem a ti. Porque ninguém pode tornar real uma ilusão e, ao mesmo tempo, escapar das demais. Pois quem pode escolher manter as ilusões que prefere e encontrar a segurança que só a verdade pode dar? Quem pode acreditar que as ilusões são [todas] a mesma e ainda assim afirmar que uma dentre elas é melhor?
   
Ora, lembrando dos comentários de anos anteriores, o que contém o mundo que vemos? Ou, personalizando um pouco mais, o que contém o mundo que vês? Ele te parece estar cheio de desgraças, de infelicidade, de dor, de sofrimento, de desastres, de poluição dos mais variados tipos? 

Eu posso desistir do mundo que vejo
desistindo dos pensamentos de ataque.

Ele está superpopuloso, com gente, como se diz popularmente, "saindo pelo ladrão", sem lugar para dormir, sem lugar para morar, sem as condições mínimas para uma vida decente e confortável, oferecendo um verão com calor excessivo, falta de água na cidade onde moras? Estás satisfeito com o mundo que vês? Ou gostarias de mudá-lo? Ou gostarias de ter nascido em outra época, em outro lugar? Em outro corpo? Com uma situação econômica diferente? Em outro ambiente familiar? Com outras pessoas como pais, irmãos, parentes, amigos?

A lição ensina:

A ideia para hoje contém a única saída para o medo que será sempre bem-sucedida. Nada mais funcionará; tudo o mais é sem significado. Mas este jeito não pode falhar. Todo pensamento que tens cria algum segmento do mundo que vês. É com teus pensamentos, então, que temos de trabalhar, se quisermos que tua percepção do mundo mude.

O que vemos é uma forma de vingança [lembram da lição de ontem?]. Logo, tudo no mundo que vemos também é, certamente, uma forma de vingança. Uma vingança que se apresenta em função de nossa crença na separação e de nossa crença na necessidade do ataque como forma de defesa. Ou muitos de nós não concordam com a expressão corriqueira: "a melhor defesa é o ataque"?

Entretanto, como o Curso diz:

Se a causa do mundo que vês são os pensamentos de ataque, tens de aprender que são esses pensamentos que não queres. Não faz sentido deplorar o mundo. Não faz sentido tentar mudar o mundo. Ele é incapaz de mudança porque é apenas um efeito. Mas, de fato, faz sentido mudar teus pensamentos a respeito do mundo. Agora estás mudando a causa. O efeito mudará automaticamente.

A bem da verdade, e pensando ainda em comentários anteriores a esta mesma lição, a partir do que vimos até agora, o que o Curso nos oferece é a oportunidade de perceber que este mundo - e tudo o que ele contém - não tem nenhum significado. Isto é, para a verdade e para o que somos na verdade, o mundo - e tudo o que há nele -  não tem nenhum valor. Para aprendermos a dar a ele apenas o valor que ele tem, na verdade. Isto é, se nada do que vemos tem qualquer significado ou valor, não há porque nos apegarmos a nada. Se nada do que vemos vai durar para sempre, não há motivo algum para imaginarmos que existem no mundo coisas de que precisemos para sermos o que somos, para viver nossas vidas, a não ser na experiência ilusória da forma e dos sentidos.

Ora, continua a lição:

O mundo que vês é um mundo vingativo e tudo nele é um símbolo de vingança. Cada uma de tuas percepções da "realidade externa" é uma representação pitoresca de teus próprios pensamentos de ataque. Cabe muito bem perguntar se isso pode ser chamado de "ver". Fantasia não é uma palavra melhor para tal processo e alucinação um termo mais adequado para o resultado? 

Não há nada de que precisemos nos vingar. Nada de que precisemos nos defender. Não há necessidade de ataque de modo algum, por razão alguma. Também não existem, no mundo, coisas, ou pessoas, sem as quais não poderíamos viver. Afinal, tudo o que vemos é apenas projeção daquilo que trazemos dentro de nós. Para sermos bem realistas, como eu já disse antes, talvez seja bom ponderarmos acerca da possibilidade de considerar verdadeiro aquilo que diz a letra de uma música com intenções de ironia, que tocou nos rádios algum tempo atrás: "eu me amo, eu me amo, não posso mais viver sem mim". 

Na verdade, não posso viver sem me amar. Nenhum de nós pode viver de verdade se não dedicar a si mesmo o maior e melhor amor de que é capaz. E, em geral, os problemas que enfrentamos se devem ao fato de não nos amarmos o suficiente. O que, de fato, demonstra que estamos tentando viver sem nós mesmos. Pois o que somos, como o Curso ensina, na verdade, é só amor. 

Assim, por tudo o que aprendemos do Curso até aqui, por já sabermos, deduzirmos ou intuirmos que não há nada fora de nós, apesar de ainda não termos consciência permanente disso, é que temos de voltar nossa atenção, em primeiro lugar para nós mesmos, dirigir nosso olhar amoroso em primeiro lugar para nós mesmos. É por isso que a lição diz:

Tu vês o mundo que fazes, mas não te vês como o autor das imagens. Tu não podes ser salvo do mundo, mas podes escapar daquilo que é sua causa. Isto é o que significa salvação, pois onde está o mundo quando aquilo que é causa dele acaba? A visão já tem um substituto para todas as coisas que pensas ver agora. A beleza pode iluminar tuas imagens e, assim, transformá-las de tal modo que tua as amarás, mesmo que elas forem feitas de ódio. Pois tu não as farás sozinho.

Atentemos, pois para os passos que a lição nos pede para dar - aqueles que dependem de nossa cooperação -, com toda a atenção e honestidade de que somos capazes. Identificar em nós a causa para podermos abandoná-la e permitir que seja substituída. Estás disposto a dar os passos necessários para ver a mudança? Outro mundo. Ou um mundo sob um novo modo de olhar. Afinal, como perguntava a lição de ontem: É este mundo [o que vemos agora] que queremos realmente ver?

Pois, como eu já disse anteriormente também, não há nada mais verdadeiro e libertador do que a ideia que praticamos hoje. Aliás, nada mais prático do que treinar a ideia que o Curso nos oferece neste dia, para nos libertarmos do mundo. Pois se ele, como o vemos, é uma forma de vingança, e a vingança é uma forma de ataque, de que melhor forma podemos escapar da vingança do mundo que vemos do que desistindo dos pensamentos de ataque, que o criam do modo com que o vemos?

Às práticas?

domingo, 22 de janeiro de 2017

O estado que vivemos agora é o único que existe


LIÇÃO 22

O que vejo é uma forma de vingança.

1. A ideia de hoje descreve de forma precisa o modo com que uma pessoa que alimente pensamentos de ataque em sua mente tem de ver o mundo. Ao projetar sua raiva no mundo, ela vê a vingança prestes a cair sobre si. Assim, seu próprio ataque é percebido como auto-defesa. Isto se torna um círculo vicioso crescente até ela estar disposta a mudar seu modo de ver. Caso contrário, pensamentos de ataque e de contra-ataque a perturbarão e povoarão o mundo inteiro. Que paz de espírito é possível para ela, então?

2. É desta fantasia cruel que queres escapar. Não é uma boa notícia ouvir que isto não é verdade? Descobrir que podes escapar não é uma descoberta feliz? Tu construíste aquilo que queres destruir; todas as coisas que odeias e queres atacar e matar. Tudo aquilo de que tens medo não existe.

3. Olha para o mundo ao teu redor pelo menos cinco vezes hoje por, no mínimo, um minuto a cada vez. Enquanto teus olhos se moverem lentamente de um objeto para outro, de um corpo para outro, dize a ti mesmo:

Eu vejo apenas o perecível.
Eu não vejo nada que vá durar.
O que vejo não é real.
O que vejo é uma forma de vingança.

Ao final de cada período de prática, pergunta a ti mesmo:

Este é o mundo que realmente quero ver?

A resposta certamente é óbvia.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 22

Antes de passarmos à exploração propriamente dita da lição, quero agradecer mais uma vez as manifestações todas os colegas e de todas as colegas que continuam a compartilhar suas impressões e a praticar as lições juntamente com todos os/as anônimos/as e não-anônimos/as que passeiam por este espaço, quer diariamente, quer de forma esporádica.

Como está dito na abertura do blogue, em 21 de janeiro de 2009, conforme a repetição da primeira postagem feita ontem para quem não esteve por aqui desde o início, o objetivo para a criação deste espaço foi, e continua a ser, exatamente a troca de ideias a respeito das lições e do Curso, além, é claro, de facilitar o acesso de todos a um só lugar onde as lições se apresentem dia a dia, com um comentário que quer ser um facilitador, para melhor entendimento dos pontos principais da lição a cada dia, todos os dias. 

Assim, muito obrigado ao David, que no passado comentou a lição do dia 19 de janeiro, dizendo que "é tão difícil não julgar... mas [que] sem dúvida... não julgar é o grande salto para a compreensão da união [unidade] de todos nós". 

Só para ilustrar mais uma vez, repetindo uma pequena reflexão a respeito do que ele diz, precisamos pensar, lembrar, ter em mente, que somos nós mesmos - cada um de nós a seu modo - que fazemos este mundo e escolhemos as experiências que queremos viver.

Como fazemos isso? A partir de nossos pensamentos, de nossas crenças. São nossos pensamentos que criam as experiências por que escolhemos passar. Assim, é claro que, se eu penso que "é tão difícil não julgar", é este pensamento que vai criar as experiências que vão me fazer julgar, ou que vão me dar argumentos [ao ego em mim] para justificar meus julgamentos, pois minha crença se faz revelada na expressão "é tão difícil não julgar". 

Percebem, como nós criamos para nós mesmos as armadilhas em que nos colocamos?

Agradeço também a Eliane e a Nina, por todos os comentários, confirmando que continuam conosco. E a Lena que também comentou uma ou outra lição, dizendo-se perceber, em 2014, diferente da Lena de 2013, ao praticar mais uma vez as lições. Provavelmente, se ela continua conosco, o que acredito ser verdadeiro, o mesmo deve ter se dado em relação às práticas de 2015 e 2016, que devem ter trazido à tona uma nova Lena, para viver este ano novo de 2017.

É claro que também sou enormemente agradecido a todos e todas que visitam o blogue, mesmo quando não fazem comentários, ou mesmo quando fazem sua visita anonimamente. Espero que ele dê a todos e todas a oportunidade de entrarem em contato com uma forma de se buscar chegar ao autoconhecimento. 

Cida tem sido uma parceira constante em seus comentários e contribuições. Preciso lembrar também da Paula, que fez um primeiro comentário há pouco [e lá já se vão quase dois anos]. O Murilo, que se juntou a nós recentemente. Há ainda a Majô, que respondeu "presente" pelo WhatsApp e a Maria José, nossa colega, que de vez em quando comenta a lição ou faz alguma pergunta a respeito dela por e-mail. David, este ano, ainda não respondeu presente em comentário, mas acredito que ele continua conosco. E se esqueci alguém, peço que relevem e me perdoem. Ou se manifestem.

E, mais uma vez, para explorar a ideia para as práticas de hoje, vou me valer, entre outros, do comentário que fiz neste espaço em 2009, quando estava apenas começando e quando os comentários e o blogue ainda não tinham a forma que têm hoje. Que lhes parece? Estão dispostos, mais uma vez, a voltar no tempo - que não existe - e trazer à luz aquilo de que se falou para, quem sabe, começarmos a praticar ver as coisas de modo diferente?

"O que vejo é uma forma de vingança."

Curso pede:

Olha para o mundo ao teu redor pelo menos cinco vezes hoje por, no mínimo, um minuto a cada vez. Enquanto teus olhos se moverem lentamente de um objeto para outro, de um corpo para outro, dize a ti mesmo:

Eu vejo apenas o perecível.
Eu não vejo nada que vá durar.
O que vejo não é real.
O que vejo é uma forma de vingança.

Como se dá este tipo de visão?

É óbvio que, sem o conhecimento de que nossos pensamentos não significam coisa alguma, pensamos poder atribuir a eles, e ao que vemos a partir deles, todo o significado que têm para nós. E é óbvio também que o fazemos. E, porque acreditamos que é só deste modo que o mundo funciona, acreditamos também que é só assim que podemos agir. Projetando nossos pensamentos sobre o mundo e vendo-os se materializarem do jeito que queremos ou, na maioria das vezes, do jeito que não queremos. Outras do jeito que pensamos querer. Ou mesmo projetando-os sem saber, inconscientes de que é a partir do que pensamos que as experiências se apresentam em nossa vida. Ou, noutras ainda, reclamando por esta ou aquela situação "desagradável" se ter materializado, como se ela não fora uma escolha nossa. 

O que vejo é uma forma de vingança.

Ou não é isso que nos leva a dizer: "Bem feito! Eu bem que avisei que era isso que ia acontecer.", quando alguém a quem demos um conselho, ou uma opinião, e que se recusou a nos ouvir, se dá mal? Isso não um ataque?

A lição diz:

A ideia de hoje descreve de forma precisa o modo com que uma pessoa que alimente pensamentos de ataque em sua mente tem de ver o mundo. Ao projetar sua raiva no mundo, ela vê a vingança prestes a cair sobre si. Assim, seu próprio ataque é percebido como auto-defesa. Isto se torna um círculo vicioso crescente até ela estar disposta a mudar seu modo de ver. Caso contrário, pensamentos de ataque e de contra-ataque a perturbarão e povoarão o mundo inteiro. Que paz de espírito é possível para ela, então?

Lembram-se do que eu disse nos últimos anos?

Por que razão vocês imaginam que insistimos tanto em manter um ponto de vista, uma forma de pensar que nos foi ensinada e que só faz impedir que vivamos a paz de espírito que nos colocaria de forma permanente no céu? De que imaginam que temos de nos vingar? Do passado? Do futuro? De maus tratos que sofremos na infância, na adolescência ou mais tarde, após nos termos tornado adultos, quando embarcamos na viagem a que estamos todos destinados como responsáveis por nós mesmos, pela nossa própria manutenção e sustento em um mundo absolutamente competitivo, em que não se pode dar lugar à alegria, à atenção e cuidado para com o outro, sob pena de termos nosso tapete "puxado", ou de sermos taxados de bobos, ingênuos e outros adjetivos similares?

Como eu disse em 2009, a "mudança" necessária para que vejamos o mundo de forma diferente não é um estado para ser obtido, ou perseguido e alcançado em muitas vidas. No tempo. Pode-se [é possível!] consegui-la instantânea e imediatamente. Num piscar de olhos. Ela depende apenas de uma decisão. Depende de se buscar um estado de atenção permanente a nós mesmos. Ao que somos e ao que vivemos, e ao que criamos a partir do que somos, ou seja, a partir do estado de atenção. Ao que sentimos em nosso contato particular com o mundo que criamos e recriamos a cada instante, a cada nova informação, a cada experiência nova. É um estado de "iluminação" constante e permanente que se pode, sim!, alcançar pela consciência de que não existe, para nenhum de nós, um estado diferente daquele que vivemos agora. Todos vivemos a cada instante apenas aquilo que nos é dado viver, a partir das escolhas que fazemos, das crenças e dos pensamentos que usamos para construir nossa experiência de mundo e o próprio mundo. Ou, dito de outra forma, o estado que vivemos agora - seja no momento que for - é o único que existe.

O que vejo é uma forma de vingança.

Enquanto não escolhermos e decidirmos, de fato, ver de modo diferente, o que o mundo vai nos mostrar é apenas uma forma de vingança, que justifique e devolva o ataque que fazemos. Um ataque que pensamos fazer a outro(s) mas que, na verdade, só fazemos a nós mesmos.

Aproveitando ainda parte do que eu disse nos últimos anos: quando iremos aprender que esta guerra absurda e inconsequente que travamos - uns mais, outros menos - contra o mundo é apenas reflexo de conflitos interiores, resultantes de nossa não-aceitação do papel que nos cabe como filhos de Deus?

E o Curso ensina:

É desta fantasia cruel que queres escapar. Ouvir que isto não é verdade, não é uma boa notícia? Descobrir que podes escapar não é uma descoberta feliz? Tu construíste aquilo que queres destruir; todas as coisas que odeias e queres atacar e matar. Tudo aquilo de que tens medo não existe.


Por isso precisamos olhar para o mundo e, atentos, aplicar a ideia a cada coisa que vemos, questionando-nos, depois de declarar que o que vemos não é real e que é apenas uma forma de vingança, como a lição aconselha: 

Este é o mundo que realmente quero ver?

Às práticas?

sábado, 21 de janeiro de 2017

As práticas podem nos levar à tomada de decisão


LIÇÃO 21

Estou decidido a ver as coisas de modo diferente.

1. A ideia para hoje é, obviamente, uma continuação e extensão da anterior. Desta vez, porém, são necessários períodos específicos de exame mental, além da aplicação da ideia a situações particulares na medida em que elas possam surgir. Insiste-se em cinco períodos de prática e em que se conceda um minuto completo a cada um.

2. Nos períodos de prática, começa repetindo a ideia para ti mesmo. Em seguida, fecha os olhos e investiga tua mente com cuidado em busca de situações passadas, presentes ou previstas que te despertem raiva. A raiva pode assumir a forma de qualquer reação, desde uma irritação leve até a fúria. O grau da emoção que experimentas não importa. Tu te tornarás cada vez mais consciente de que um leve toque de contrariedade não é nada senão um véu estendido sobre uma fúria violenta.

3. Tenta, portanto, não deixar que os pensamentos "minúsculos" de raiva escapem de ti nos períodos de prática. Lembra-te de que não sabes verdadeiramente o que desperta raiva em ti e de que nada daquilo em que acreditas em relação a isto significa coisa alguma. É provável que fiques tentado a te demorares mais em algumas situações ou pessoas do que em outras, com base na crença equivocada de que elas são mais "óbvias". Isto não é verdade. É apenas um exemplo da crença de que algumas formas de ataque são mais justificadas do que outras.

4. Quando examinares tua mente em busca de todas as formas com que se apresentam os pensamentos de ataque, mantém cada uma em mente enquanto dizes a ti mesmo:

Estou decidido a ver ________ [nome de uma pessoa] de modo diferente.
Estou decidido a ver ________ [especifica a situação] de modo diferente.

5. Tenta ser o mais específico possível. Podes, por exemplo, focalizar tua raiva em uma característica particular de uma determinada pessoa, acreditando que a raiva está limitada a esse aspecto. Se tua percepção sofre desta forma de distorção, dize:

Estou decidido a ver __________ [especifica a característica]
em _________ [nome da pessoa] de modo diferente.

*

COMENTÁRIO:

Explorando LIÇÃO 21

Hoje, vamos explorar mais uma vez a lição de número 21. Uma lição que complementa a das práticas de ontem, como ela mesma diz, ao definir a ideia, e no início de seu primeiro parágrafo. 

"Estou decidido a ver as coisas de modo diferente."

Nossa decisão pela visão é tudo o que precisamos para ver, conforme vimos ontem. Mas ver as coisas de modo diferente é tudo o que é necessário para a nossa salvação e para a salvação do mundo inteiro. Duvidam?

Ao refletir a respeito da lição de sábado, ocorreu-me que ela mesma pode servir como ponto de partida para o aprofundamento da reflexão a respeito desta que exploramos hoje. Aliás, todas as lições anteriores vêm nos preparando para a tomada de decisão. Preparando o terreno para percebermos a necessidade de ver as coisas de modo diferente. Para o nosso próprio bem e para o bem de todos.

Vejamos:

A lição dezenove dizia que às vezes as ideias relacionadas aos pensamentos antecedem aquelas relacionadas à percepção, ao perceber. Outras vezes, a percepção, o perceber, vem antes do pensamento. Isto é apenas um equívoco. Na verdade, pensar e perceber são simultâneos.

Estou decidido a ver as coisas de modo diferente.

É apenas num mundo de aparências que podemos pensar que é possível perceber de modo separado do pensar. Como se uma coisa qualquer, uma pessoa, ou uma situação se pudesse apresentar antes de termos pensado nelas. Noutras vezes temos ciência de que as coisas e as pessoas aparecem - ou as situações acontecem - ao mesmo tempo em que nosso pensamento se volta para elas. 

Não é assim que dizemos a alguém com quem aparentemente encontramos de forma inesperada, por "acaso": "Puxa, acabei de pensar em você e você apareceu. Que coincidência!"?

Estou decidido a ver as coisas de modo diferente.

Podemos começar por aí! Não há coincidências, acasos. As mentes são unidas. Estão unidas. Não há distância alguma entre "minha" mente e a mente de qualquer outra pessoa com quem eu já tenha tido contato em algum momento de minha vida. Ou mesmo entre a minha mente e a mente de qualquer uma pessoa cuja experiência tenha de fazer parte da minha, tenha alguma coisa a me informar a meu próprio respeito. Ou ainda entre as mentes de todas as pessoas com quem entrei em contato via filmes, revistas, livros ou outra fonte qualquer de informação.

É por isso que é comum que nos identifiquemos com tantas pessoas a quem não conhecemos pessoalmente, ou que nunca chegamos,e muitas vezes nem chegaremos, a encontrar fisicamente. Um escritor, por exemplo. As ideias que ele põe no papel, e que lemos, são aquelas mesmas que trazemos em nós e que despertam uma parte da mente que estava adormecida em nós - a mesma mente que nos une a ele. Aí, concordando com o que ele diz, acreditamos ter encontrado alguém capaz de dizer exatamente aquilo que já sentíamos ou pensávamos, mas não tínhamos palavras para dizer.

Embora isso possa parecer verdadeiro, quando estamos atentos de fato, isso é apenas um lembrar-se de algo que estava escondido em nós, sempre por nossa própria escolha. É apenas chegar um pouco mais perto do conhecimento de nós mesmos. É apenas um vislumbre de que somos muito mais do que o pouco que pensamos de nós mesmos.

Estou decidido a ver as coisas de modo diferente.

 Nos períodos de prática, começa repetindo a ideia para ti mesmo. Em seguida, fecha os olhos e investiga tua mente com cuidado em busca de situações passadas, presentes ou previstas que te despertem raiva. A raiva pode assumir a forma de qualquer reação, desde uma irritação leve até a fúria. O grau da emoção que experimentas não importa. Tu te tornarás cada vez mais consciente de que um leve toque de contrariedade não é nada senão um véu estendido sobre uma fúria violenta.

Uma canção antiga - "killing me softly with his song", conhecem, lembram? - ilustra bem o que acontece em casos assim. Casos em que nossas emoções despertam e não sabemos como lidar com elas. Apesar de soar um tanto melodramática, a letra fala de alguém [uma moça] que ouviu um rapazinho [a young boy] cantar uma bela canção e chegou perto para ouvir um instante.

O cantor era um "estranho" aos olhos dela, mas arranhava a dor que ela sentia com seus dedos, no instrumento que tocava. Cantava a vida da moça com suas palavras e a matava suavemente com sua canção. Ele contava toda a vida dela com suas palavras. E ela ficou vermelha, como que com febre, envergonhada pela multidão. Parecia a ela que ele tinha encontrado todas as suas cartas e lia cada uma delas em voz alta. 

Rezou, então, para que ele terminasse mas ele simplesmente continuou a arranhar sua dor com os dedos, a cantar a vida dela com suas palavras, a matá-la suavemente com sua canção. 

Estou decidido a ver as coisas de modo diferente.

Quem já não se sentiu assim em relação a uma música que ouviu e que pareceu expressar tudo aquilo que se sentia naquele exato momento? Ou com um filme a que assistiu? Ou um livro - ou um texto - que tenha lido? Daí a necessidade da atenção ao que nos chega à mente. Daí a necessidade de examinarmos com calma quaisquer emoções que venham perturbar nossa paz de espírito. 

Um exame atento vai nos mostrar que, com isso, estamos apenas descobrindo aspectos de nós mesmos dos quais ainda não tínhamos nos dado conta. Um exame que vale a pena experimentar fazer, se de fato estivermos decididos a ver as coisas de modo diferente

E antes de convidá-los para as práticas, gostaria de acrescentar aqui, o texto, a postagem que deu início a este blog, em 21 de janeiro de 2009. Vejam aí. Dei uma pequena editada para facilitar a leitura, mas em termos gerais continua valendo. Alguém lembra de ter lido? Comentado?

"Ano Novo. Vida Nova. A oportunidade ideal para O Novo Começo.

Assim como tudo se renova a cada instante na natureza, para fenecer e morrer no instante seguinte, nossos dias se desenrolam incessantemente, num começar e terminar que não tem fim. Basta um piscar de olhos e alguma coisa ou alguém desapareceu de nosso mundo. Partiu? Viajou? Morreu? Não é tão simples assim. O que vimos um instante atrás já não é a mesma coisa que vemos agora, ao lhe dirigirmos um novo olhar. Nossos olhos também já não são os mesmos.

Por isso os/as convido a participarem deste espaço. Para, quem sabe, aprendermos juntos O Novo Começo.

Vamos conversar e trocar ideias a respeito dos ensinamentos do UCEM? Vamos aprender todos os dias com os exercícios e com os comentários a seu respeito? 

Oxalá aprendamos que aprender depende também do que ensinamos. E que sempre só ensinamos aquilo que precisamos aprender. E que tudo, absolutamente tudo, se renova a cada instante quando aprendemos a olhar para as coisas de modo diferente. E que podemos aprender a aprender, e a fazer isso - a olhar para as coisas de modo diferente. E que as coisas todas do mundo, ao se renovarem, para se apresentarem a nós de forma diferente a cada instante, são a prova de que "tudo está absolutamente certo" exatamente da forma como se apresenta a nós em qualquer instante de nossas vidas, conforme o Curso ensina.

Como já disse alguém muito sabiamente, o mundo muda quando nós mudamos.

Cabe aqui muito bem lembrar que o exercício para este dia, o de número 21, é o seguinte: Estou decidido a ver as coisas de modo diferente. 

Depois de algum tempo estudando o UCEM, fica bem claro que esta é a única decisão que podemos tomar, se quisermos de verdade trazer alguma mudança em nossa vida.

Bem, espero que isso sirva como o sinalizador d'O Novo Começo.

Bem-vindos mais uma vez!"

Às práticas?