terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Nossa inocência não pode jamais ser maculada


13. O que é um milagre?

1. Um milagre é uma correção. Ele não cria e nem muda verdadeiramente em absoluto. Ele apenas olha para a catástrofe e lembra à mente que o que ela vê é falso. Ele desfaz o erro, mas não tenta ir além da percepção, nem suplantar a função do perdão. Deste modo, ele permanece nos limites do tempo. Não obstante, ele abre caminho para a volta da intemporalidade e para o despertar do amor, pois o medo tem de desaparecer sob o efeito da solução benéfica que ele traz.

2. Um milagre contém a dádiva da graça, pois é dado e recebido como único. E, desta forma, põe bem à mostra a lei da verdade a que o mundo não obedece, porque deixa de entender por completo os caminhos dela. Um milagre inverte a percepção que estava de cabeça para baixo anteriormente e, desta maneira, põe termo às estranhas distorções que eram evidentes. Com isto a percepção fica aberta à verdade. Com isto vê-se o perdão como justificado.

3. O perdão é o lar dos milagres. Os olhos de Cristo os entregam a todos que eles olham com misericórdia e amor. A percepção permanece correta na visão d'Ele e aquilo cuja finalidade era amaldiçoar vem para abençoar. Cada lírio de perdão oferece o milagre silencioso do amor ao mundo inteiro. E cada um é depositado diante da Palavra de Deus, sobre o altar universal ao Criador e à criação, na luz da pureza perfeita e da alegria infinita.

4. Aceita-se o milagre primeiro com base na fé, porque pedi-lo indica que a mente está pronta para compreender aquilo que ela não pode ver e não entende. Mas a fé trará suas evidências para demonstrar que aquilo em que se baseava de fato existe. E, assim, o milagre justificará tua fé nele e demonstrará que se baseava em um mundo mais verdadeiro do que aquele que vias antes; um mundo livre daquilo que pensavas existir.

5. Milagres caem do Céu como gotas de chuva reparadora sobre um mundo árido e empoeirado, a que criaturas famintas e sedentas vêm para morrer. Agora elas têm água. Agora o mundo tem vida. E os sinais de vida brotam em todos os lugares, para demonstrar que aquilo que nasce não pode morrer jamais, pois aquilo que tem vida é imortal.

*

LIÇÃO 341

Só posso atacar minha própria inocência,
E é apenas isso que me mantém a salvo.

1. Pai, Teu Filho é santo. Eu sou aquele a quem Tu sorris com amor e com ternura tão serenos, e profundos e tranquilos, que o universo sorri de volta para Ti e compartilha Tua Santidade. Quão puros, quão seguros, quão santos, então, somos nós, morando no Teu Sorriso, com todo o Teu Amor concedido a nós, vivendo em unidade Contigo, em fraternidade e Paternidade totais; em inocência tão perfeita que o Senhor da Inocência pensa em nós como Seus Filhos, um universo de Pensamento que O completa.

2. Não vamos, então, atacar nossa inocência, pois ela contém da Palavra de Deus para nós. E estamos salvos em seu reflexo benigno.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 341

Pela oitava vez, salvo engano, vamos receber, de novo, hoje, a décima-terceira instrução especial [O que é um milagre?], que vai orientar e dar unidade às lições e ideias para as práticas dos próximos dez dias, juntamente com a primeira lição da série. É útil e vai ser proveitoso, conforme o Curso recomenda, que nos lembremos de voltar a esta instrução pelo menos uma vez a cada dia, antes das práticas. Para tanto vou publicá-la novamente antes de cada uma das outras nove lições desta série, como comecei a fazer nesta ano.

A partir dela vamos aprender que:

Um milagre é uma correção. Ele não cria e nem muda verdadeiramente em absoluto. Ele apenas olha para a catástrofe e lembra à mente que o que ela vê é falso. Ele desfaz o erro, mas não tenta ir além da percepção, nem suplantar a função do perdão. Deste modo, ele permanece nos limites do tempo. Não obstante, ele abre caminho para a volta da intemporalidade e para o despertar do amor, pois o medo tem de desaparecer sob o efeito da solução benéfica que ele traz. 

Na verdade, quando em contato com o Ser, com o Eu Sou que original e verdadeiramente somos, estamos de volta à casa, no mundo real que há além deste mundo de aparências, de ilusões e de enganos. Aí, não há necessidade de milagres, porque não há nada a ser corrigido. Tudo é o que é, simplesmente. 

De qualquer modo, quando nos abrirmos por completo à ideia de que o mundo que vemos e construímos não passa de ilusão e não tem nada que, de fato, queiramos, como ensina o Curso, vamos ser capazes de reconhecer, de compreender que:

Um milagre contém a dádiva da graça, pois é dado e recebido como único. E, desta forma, põe bem à mostra a lei da verdade a que o mundo não obedece, porque deixa de entender por completo os caminhos dela. Um milagre inverte a percepção que estava de cabeça para baixo anteriormente e, desta maneira, põe termo às estranhas distorções que eram evidentes. Com isto a percepção fica aberta à verdade. Com isto vê-se o perdão como justificado. 

Vê-se também claramente que:

O perdão é o lar dos milagres. Os olhos de Cristo os entregam a todos que eles olham com misericórdia e amor. A percepção permanece correta na visão d'Ele e aquilo cuja finalidade era amaldiçoar vem para abençoar. Cada lírio de perdão oferece o milagre silencioso do amor ao mundo inteiro. E cada um é depositado diante da Palavra de Deus, sobre o altar universal ao Criador e à criação, na luz da pureza perfeita e da alegria infinita. 

É bem interessante observar, com a maior atenção de que somos capazes, o fato de ser o perdão, aquilo que possibilita a realização do milagre. Pois todo milagre é apenas uma expressão de amor. E o perdão mostra que já estamos prontos para as expressões máximas de amor. Assim é que:

Aceita-se o milagre primeiro com base na fé, porque pedi-lo indica que a mente está pronta para compreender aquilo que ela não pode ver e não entende. Mas a fé trará suas evidências para demonstrar que aquilo em que se baseava de fato existe. E, assim, o milagre justificará tua fé nele e demonstrará que se baseava em um mundo mais verdadeiro do que aquele que vias antes; um mundo livre daquilo que pensavas existir. 

De acordo com o texto, logo no início, quando ele nos põe em contato com os princípios dos milagres, "todos os milagres significam vida, e Deus é o Doador da vida". Isto é praticamente a mesma coisa que a lição oferece, quando diz, ao final da instrução:

Milagres caem do Céu como gotas de chuva reparadora sobre um mundo árido e empoeirado, a que criaturas famintas e sedentas vêm para morrer. Agora elas têm água. Agora o mundo tem vida. E os sinais de vida brotam em todos os lugares, para demonstrar que aquilo que nasce não pode morrer jamais, pois aquilo que tem vida é imortal.

E a primeira das lições com esta instrução busca nos devolver a inocência, a condição natural do Filho de Deus, que nunca se perdeu nem nunca foi manchada por nada que pensemos ter feito para tanto. Uma condição ou estado que, de acordo com a lição, é o que garante nossa segurança. Ou:

Só posso atacar minha própria inocência,
E é apenas isso que me mantém a salvo.

Pois vocês já imaginaram como de fato nos sentiríamos se, de verdade, pudéssemos atacar a inocência do outro. Penso que todos nós já experimentamos a sensação de desconforto e de falta de paz e de alegria que se apresentou toda vez que, de algum modo, "atacamos" alguém com intenção de ferir. É, então, como a lição ensina, o fato de não podermos verdadeiramente atacar a inocência de outrem que nos mantém a salvo. Mas a ausência da paz e da alegria só se resolve quando perdoamos, a nós mesmos, àquele que pensamos nos ter ferido ou àquele que quisemos ferir de alguma forma. 

É por isso que precisamos aprender a dizer, com as práticas:

Pai, Teu Filho é santo. Eu sou aquele a quem Tu sorris com amor e com ternura tão serenos, e profundos e tranquilos, que o universo sorri de volta para Ti e compartilha Tua Santidade. Quão puros, quão seguros, quão santos, então, somos nós, morando no Teu Sorriso, com todo o Teu Amor concedido a nós, vivendo em unidade Contigo, em fraternidade e Paternidade totais; em inocência tão perfeita que o Senhor da Inocência pensa em nós como Seus Filhos, um universo de Pensamento que O completa.

E a estender isto a todos os que se apresentarem a nossa experiência.

Se vocês estiveram atentos até aqui, terão percebido que o Curso ensina de várias maneiras diferentes que ainda somos como Deus nos criou. O que significa dizer que nada do que fazemos, ou do que pensemos poder fazer, ou nada do que fizermos, pode atacar nossa inocência, nunca, a não ser na ilusão. 

Basta, pois, que nos decidamos a seguir a orientação que a lição oferece, dizendo e buscando agir a partir disso:

Não vamos, então, atacar nossa inocência, pois ela contém da Palavra de Deus para nós. E estamos salvos em seu reflexo benigno.

Somos, sempre fomos e seremos eternamente, inteiramente inocentes e puros. Candidatos a viver apenas a alegria e a paz completas e perfeitas, que são a Vontade de Deus para todos e para cada um de nós. 

Às práticas?

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

É bastante possível mudar nossos padrões mentais


12. O que é o ego?

1. O ego é idolatria; o sinal do ser limitado e separado, nascido em um corpo, condenado a sofrer e a terminar sua vida na morte. Ele é a "vontade" que percebe a Vontade de Deus como inimiga e toma uma forma na qual ela é negada. O ego é a "prova" de que a força é fraca e de que o amor é amedrontador, de que a vida é, na verdade, morte e de que só aquilo que contraria Deus é verdadeiro.

2. O ego é louco. Com medo, ele se põe diante de Todos os Lugares, separado do Todo, separado do Infinito. Em sua loucura, ele pensa ter se tornado um vitorioso sobre o Próprio Deus. E, em sua autonomia insuportável, ele "percebe" que a Vontade de Deus foi destruída. Ele sonha com castigo e treme diante das imagens de seus sonhos; seus inimigos, que buscam assassiná-lo antes de ele poder garantir sua segurança atacando-os.

3. O Filho de Deus não tem ego. O que ele pode saber da loucura e da morte de Deus, se habita n'Ele? O que ele pode saber da tristeza e do sofrimento, se vive na alegria eterna? O que ele pode saber do medo e do castigo, do pecado e da culpa, do ódio e do ataque, se tudo o que existe à volta dele é a paz perene, livre de conflitos e imperturbada para sempre, no silêncio e na tranquilidade mais profundos?

4. Conhecer a realidade é não ver o ego e seus pensamentos, seus esforços, seus atos, suas leis e crenças, seus sonhos, suas esperanças  seus planos para a própria salvação e o custo que a crença nele cobra. Em termos de sofrimento, o preço pela fé no ego é tão imenso que a crucificação do Filho de Deus é oferecida diariamente em seu santuários sombrio, e o sangue tem de jorrar diante do altar em que seus seguidores doentios se preparam para morrer.

5. Porém, um único lírio de perdão transformará as trevas em luz; o altar às ilusões no santuário à Própria Vida. E a paz será devolvida para sempre às mentes santas que Deus criou como Seu Filho, Sua morada, Sua alegria, Seu amor, inteiramente Seu, um só com Ele totalmente.

*

LIÇÃO 340

Posso ficar livre do sofrimento hoje.

1. Pai, eu Te agradeço por este dia e pela liberdade que ele certamente trará. Este dia é santo, pois hoje Teu Filho será redimido. O sofrimento dele acabou. Pois ele ouvirá Tua Voz orientando-o a achar a visão de Cristo pelo perdão e a ficar livre do sofrimento para sempre. Obrigado pelo dia de hoje, meu Pai. Vim a este mundo apenas para alcançar este dia e aquilo que ele reserva de alegria e liberdade para Teu Filho santo e para o mundo que ele fez, que, hoje, fica livre junto com ele.

2. Alegra-te hoje! Alegra-te! Hoje não há espaço para nada exceto para alegria e gratidão. Nosso Pai redimiu Seu Filho neste dia. Nem sequer um de nós deixará de ser salvo hoje. Nenhum de nós permanecerá no medo, e não haverá ninguém que o Pai não reúna a Si Mesmo, desperto no Céu, no Coração do Amor.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 340

Hoje, a ideia que vamos praticar traz de volta um dos temas centrais de todo o ensinamento: o de que somos responsáveis pelas experiências que vivemos e que podemos escolher olhar para tudo de forma diferente. Isto é, uma vez que tudo se materializa a partir de nossos pensamentos e só nós temos controle de nossos pensamentos - cada um de nós dos seus -. é absolutamente coerente pensar que somos capazes de mudar nossa experiência ou nosso estado emocional se resolvermos mudar nossa forma de pensar. 

Em função disso é que podemos escolher, a qualquer momento que quisermos, não só dizer:

Posso ficar livre do sofrimento hoje.,

mas também passar a experimentar uma vida livre de todo e qualquer sofrimento, como esta ideia nos ensina a fazer. E a partir do momento em que tomamos tal decisão podemos também expressar o quanto somos gratos, dizendo:

Pai, eu Te agradeço por este dia e pela liberdade que ele certamente trará. Este dia é santo, pois hoje Teu Filho será redimido. O sofrimento dele acabou. Pois ele ouvirá Tua Voz orientando-o a achar a visão de Cristo pelo perdão e a ficar livre do sofrimento para sempre. Obrigado pelo dia de hoje, meu Pai. Vim a este mundo apenas para alcançar este dia e aquilo que ele reserva de alegria e liberdade para Teu Filho santo e para o mundo que ele fez, que, hoje, fica livre junto com ele.

Como já lhes disse outras vezes a coisa funciona assim: quem oferece o exemplo que republico é Louise Hay, a partir de sua experiência de vida. Vejamos o que ela diz:

Quero lhe expor um dos motivos que me fazem saber que as doenças [e, por extensão todo o e qualquer forma de sofrimento] podem ser vencidas com a simples troca de padrões mentais.

Anos atrás recebi um diagnóstico de câncer vaginal. Devido ao meu passado, que inclui um estupro aos cinco anos de idade e uma infância cheia de maus-tratos, não foi surpresa eu manifestar a terrível doença nessa parte do corpo. Como já era instrutora de cura mental há vários anos, tomei cons­ciência de que me estava sendo dada a oportunidade de pra­ticar e provar a verdade dos meus ensinamentos. Como qual­quer um que fica sabendo que está com câncer, de início entrei em pânico absoluto, mas logo ele foi substituído pela convicção de que o processo de cura mental funcionava. 


Consciente de que o câncer é provocado por um profundo ressentimento, guardado por um longo tempo até ele praticamente começar a comer o corpo, eu soube que teria muito trabalho mental à minha frente. Percebi que, se me submetesse a uma operação para me livrar da doença sem eliminar o padrão mental que a estava causando, o câncer voltaria. Quando esta ou qualquer outra doença reaparece, não é porque os médicos não "tiraram tudo", mas sim porque o paciente não modificou seu modo de pensar e continua recriando o mesmo mal. Também sabia que, se fosse capaz de eliminar por completo o modelo mental que criara a condição chamada "câncer", eu nem precisaria de ajuda profissional. Portanto, barganhei por mais tempo. Meu médico, a contragosto, me concedeu três meses, deixando bem claro que eu estava pondo a vida em perigo pela demora.

Imediatamente comecei a trabalhar com meu instrutor para eliminar velhos padrões de ressentimento. Até aquela época eu desconhecia que guardava dentro de mim um profundo rancor. Como somos cegos aos nossos modelos mentais! Seria preciso um longo exercício de perdão.

Outra coisa que fiz foi consultar um nutricionista para desintoxicar completamente meu organismo.

Assim, cuidando da limpeza mental e física, em seis meses consegui mostrar aos médicos o que eu já sabia: eu não apresentava mais nenhum tipo de câncer. Ainda guardo o resultado dos primeiros exames, que deram positivo, para me recordar o quanto pude ser negativamente criativa.

Hoje, quando um cliente me procura, por mais terríveis que possam ser seus males, sei que, se ele estiver disposto a fazer o trabalho mental de modificar os velhos padrões e per­doar, praticamente qualquer mal pode ser curado. A palavra "incurável", tão assustadora para muitos, na verdade quer di­zer apenas que determinada doença não pode ser curada por métodos "externos" e que precisamos nos interiorizar para efetuar a cura. A "condição" anormal que aparentemente veio do nada voltará para o nada.


Vejam, pois, a partir da ideia que praticamos hoje, a extensão do poder que nos é dado para estender a energia amorosa em que fomos criados.

A história de Louise Hay é uma prova de que é possível para todos e cada um de nós mudar os padrões mentais. Uma vez que foi possível para ela, precisamos acreditar que também é possível para nós, se assim o decidirmos. E, tomada a decisão, podemos certamente ouvir a Voz por Deus dizer em nós:

Alegra-te hoje! Alegra-te! Hoje não há espaço para nada exceto para alegria e gratidão. Nosso Pai redimiu Seu Filho neste dia. Nem sequer um de nós deixará de ser salvo hoje. Nenhum de nós permanecerá no medo, e não haverá ninguém que o Pai não reúna a Si Mesmo, desperto no Céu, no Coração do Amor. 

Às práticas?


domingo, 4 de dezembro de 2016

A prática perfeita é a entrega ao espírito, ao Eu Sou


12. O que é o ego?

1. O ego é idolatria; o sinal do ser limitado e separado, nascido em um corpo, condenado a sofrer e a terminar sua vida na morte. Ele é a "vontade" que percebe a Vontade de Deus como inimiga e toma uma forma na qual ela é negada. O ego é a "prova" de que a força é fraca e de que o amor é amedrontador, de que a vida é, na verdade, morte e de que só aquilo que contraria Deus é verdadeiro.

2. O ego é louco. Com medo, ele se põe diante de Todos os Lugares, separado do Todo, separado do Infinito. Em sua loucura, ele pensa ter se tornado um vitorioso sobre o Próprio Deus. E, em sua autonomia insuportável, ele "percebe" que a Vontade de Deus foi destruída. Ele sonha com castigo e treme diante das imagens de seus sonhos; seus inimigos, que buscam assassiná-lo antes de ele poder garantir sua segurança atacando-os.

3. O Filho de Deus não tem ego. O que ele pode saber da loucura e da morte de Deus, se habita n'Ele? O que ele pode saber da tristeza e do sofrimento, se vive na alegria eterna? O que ele pode saber do medo e do castigo, do pecado e da culpa, do ódio e do ataque, se tudo o que existe à volta dele é a paz perene, livre de conflitos e imperturbada para sempre, no silêncio e na tranquilidade mais profundos?

4. Conhecer a realidade é não ver o ego e seus pensamentos, seus esforços, seus atos, suas leis e crenças, seus sonhos, suas esperanças  seus planos para a própria salvação e o custo que a crença nele cobra. Em termos de sofrimento, o preço pela fé no ego é tão imenso que a crucificação do Filho de Deus é oferecida diariamente em seu santuários sombrio, e o sangue tem de jorrar diante do altar em que seus seguidores doentios se preparam para morrer.

5. Porém, um único lírio de perdão transformará as trevas em luz; o altar às ilusões no santuário à Própria Vida. E a paz será devolvida para sempre às mentes santas que Deus criou como Seu Filho, Sua morada, Sua alegria, Seu amor, inteiramente Seu, um só com Ele totalmente.

*

LIÇÃO 339

Receberei qualquer coisa que eu pedir.

1. Nenhum de nós deseja a dor. Mas pode-se pensar que dor é prazer. Nenhum de nós evitaria sua felicidade. Mas pode-se pensar que a alegria é dolorosa, ameaçadora e perigosa. Cada um vai receber aquilo que pedir. Mas, de fato, pode ficar confuso acerca das coisas que quer; a condição que quer alcançar. O que pode pedir, então, que quereria quando recebesse? Ele pede aquilo que o assustará e lhe trará sofrimento. Vamos nos decidir hoje a pedir aquilo, e só aquilo, que realmente queremos para podermos passar este dia sem medo, sem confundir dor com alegria ou medo com amor.

2. Pai, este é Teu dia. É um dia em que não vou fazer nada por mim mesmo, mas ouvir Tua Voz em tudo o que fizer; e pedir apenas aquilo que Tu me ofereces, e aceitar somente os Pensamentos que Tu compartilhas comigo.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 339

A ideia que vamos praticar hoje tem estreita relação com a necessidade de que nos disponhamos a assumir total e completa responsabilidade por tudo o que vivemos, e por tudo o que acontece no mundo também. Isso é o que é a dita "tomada de decisão". É isto que pode me dar a certeza de que sou o senhor de meu destino. Desde que, é claro, esta decisão tenha sido tomada em sintonia com o divino em mim.

Mas como assim, vocês dirão? 

Ora, assumir a responsabilidade por tudo o que acontece no mundo, em sintonia com o divino, é assumir nosso próprio destino e, ao mesmo tempo, entregar ao espírito, abrindo mão de qualquer tentativa de controle. Em geral, poucos de nós têm consciência de que o que vivem e veem é sua responsabilidade. Em geral também, a grande maioria das pessoas acha que há alguma coisa ou alguém fora delas mesmas que determina seu destino. Isto é, são poucos os que se sentem senhores de seu próprio destino. Que dizer então de se pedir a alguém que assuma a responsabilidade por tudo o que acontece no mundo, pelo destino do mundo inteiro?

Explico. 

Como o mundo só existe a partir da consciência de cada um, cada um de nós é sempre responsável por seu mundo particular, que é sempre o único que existe para cada um. Isso, então, inclui - é claro - pelo menos, tudo aquilo que acontece no mundo e que nos chega à consciência, uma vez que não existe nenhum mundo que seja idêntico para todas as pessoas que o povoam. Assim, é claro que aquilo que não nos chega à consciência não existe para nós. Muito embora possa existir para uns e outros no campo das infinitas possibilidades.

É por isso que cada um de nós pode - e deve, se quiser de fato assumir a responsabilidade por sua própria vida - dizer tranquilamente, acreditando ser verdade, que:

Receberei qualquer coisa que eu pedir.

Muito embora durante a maior parte do tempo não tenhamos consciência de que as experiências que se apresentam em nossa vida são resultados de uma ou mais escolhas que fizemos, ou fazemos, a lição que praticamos hoje nos garante que sempre vamos receber qualquer coisa que pedirmos. Não há como ser diferente. Ou para dizer de outro modo, como dizia uma facilitadora do Curso com quem quase todos tivemos contato: "Deus sempre diz sim". 

Por que, então, aparentemente, tantos de nós vivem situações que não se parecem em nada com aquilo que, de fato, querem? Com aquilo que pensam ter pedido? A lição tem uma resposta a isso:

Nenhum de nós deseja a dor. Mas pode-se pensar que dor é prazer. Nenhum de nós evitaria sua felicidade. Mas pode-se pensar que a alegria é dolorosa, ameaçadora e perigosa. Cada um vai receber aquilo que pedir. Mas, de fato, pode ficar confuso acerca das coisas que quer; a condição que quer alcançar. O que pode pedir, então, que quereria quando recebesse? Ele pede aquilo que o assustará e lhe trará sofrimento.

E isso acontece porque, como sabemos, o universo todo é apenas energia em movimento e tudo o que vemos é apenas a manifestação, na forma, de uma energia que trazemos dentro de nós mesmos, mesmo quando não temos consciência dela. O que acontece na maioria dos casos, em grande parte das vezes. 

Quando, então, vivemos uma situação que é diversa daquela que pensamos querer viver é porque, lá, no mais íntimo e profundo de nós mesmos, havia alguma dúvida quanto a merecermos o que pedimos. Isto é, no fundo, não nos sentíamos à vontade imaginando-nos de posse daquilo que pensamos em pedir, ou vivendo a condição que a realização de nosso desejo nos daria. Tínhamos ou tivemos alguma dúvida a respeito de querer mesmo o que pensávamos ou pensamos querer, ou mesmo de merecer recebê-lo.

O resultado, pois, sim, sim, sem sombra de dúvida veio a ser, aparentemente, algo diverso daquilo em que pensamos. Isso porque a energia que movimenta o universo não está ligada àquilo que escolhemos de forma consciente, àquilo que dizemos ou pensamos querer, mas à energia que há em um nível mais profundo em nós, no nível dos sentimentos, que não depende do que dizemos ou pensamos, do que manifestamos por meio de palavras, e sim daquilo que sentimos no mais íntimo de nós, da energia que se desprende de nós quando buscamos ou pensamos querer algo. 

Por isso precisamos praticar cada vez mais, e sempre com maior atenção, com toda a dedicação de que formos capazes. Para aprendermos a tomar a decisão de escolher, em sintonia, com o que sentimos. Aí, seguindo a orientação que nos oferece o Curso, diremos com alegria e com convicção:

Vamos nos decidir hoje a pedir aquilo, e só aquilo, que realmente queremos para podermos passar este dia sem medo, sem confundir dor com alegria ou medo com amor.

Pois tudo o que nos acontece está diretamente ligado a uma decisão que tomamos, mesmo, repetindo para reforçar, quando não temos consciência de tê-la tomado. Tudo está também ligado àquelas leis espirituais que se ensina na Índia, das quais já falamos outras vezes.

Vale lembrar, não acham? 

1. A pessoa que vem é a certa. 
2. Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido. 
3. Quando se inicia alguma coisa é o momento certo. 
4. Quando alguma coisa acaba, termina de fato. 

Tomada a decisão, seguindo a orientação do Curso, nossa prática, a prática perfeita, não exige nada a não ser a entrega ao espírito - ao EU SOU, em nós, uma vez que não existe nada fora de nós mesmos - deste nosso dia, na certeza de que receberemos, sim, tudo aquilo que pedirmos, para podermos experimentar a alegria e a paz perfeitas e completas, que são a Vontade de Deus para nós. Assim, dizemos simplesmente:

Pai, este é Teu dia. É um dia em que não vou fazer nada por mim mesmo, mas ouvir Tua Voz em tudo o que fizer; e pedir apenas aquilo que Tu me ofereces, e aceitar somente os Pensamentos que Tu compartilhas comigo.

Às práticas?


sábado, 3 de dezembro de 2016

Como abandonar aquilo que nos afasta da alegria?


12. O que é o ego?

1. O ego é idolatria; o sinal do ser limitado e separado, nascido em um corpo, condenado a sofrer e a terminar sua vida na morte. Ele é a "vontade" que percebe a Vontade de Deus como inimiga e toma uma forma na qual ela é negada. O ego é a "prova" de que a força é fraca e de que o amor é amedrontador, de que a vida é, na verdade, morte e de que só aquilo que contraria Deus é verdadeiro.

2. O ego é louco. Com medo, ele se põe diante de Todos os Lugares, separado do Todo, separado do Infinito. Em sua loucura, ele pensa ter se tornado um vitorioso sobre o Próprio Deus. E, em sua autonomia insuportável, ele "percebe" que a Vontade de Deus foi destruída. Ele sonha com castigo e treme diante das imagens de seus sonhos; seus inimigos, que buscam assassiná-lo antes de ele poder garantir sua segurança atacando-os.

3. O Filho de Deus não tem ego. O que ele pode saber da loucura e da morte de Deus, se habita n'Ele? O que ele pode saber da tristeza e do sofrimento, se vive na alegria eterna? O que ele pode saber do medo e do castigo, do pecado e da culpa, do ódio e do ataque, se tudo o que existe à volta dele é a paz perene, livre de conflitos e imperturbada para sempre, no silêncio e na tranquilidade mais profundos?

4. Conhecer a realidade é não ver o ego e seus pensamentos, seus esforços, seus atos, suas leis e crenças, seus sonhos, suas esperanças  seus planos para a própria salvação e o custo que a crença nele cobra. Em termos de sofrimento, o preço pela fé no ego é tão imenso que a crucificação do Filho de Deus é oferecida diariamente em seu santuários sombrio, e o sangue tem de jorrar diante do altar em que seus seguidores doentios se preparam para morrer.

5. Porém, um único lírio de perdão transformará as trevas em luz; o altar às ilusões no santuário à Própria Vida. E a paz será devolvida para sempre às mentes santas que Deus criou como Seu Filho, Sua morada, Sua alegria, Seu amor, inteiramente Seu, um só com Ele totalmente.

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LIÇÃO 338

Só meus pensamentos me afetam.

1. Só isto é necessário para permitir que a salvação venha ao mundo inteiro. Pois neste pensamento singular todas as pessoas são liberadas do medo. Com isto elas aprendem que ninguém as assusta e que nada pode ameaçá-las. Não têm inimigos e estão a salvo de todas as coisas externas. Seus pensamentos podem assustá-las, mas, uma vez que estes pensamentos só pertencem a elas, elas têm o poder de mudá-los e de trocar cada pensamento de medo por um pensamento alegre de amor. Elas crucificam a si mesmas. Deus, porém, planeja que Seu Filho amado seja redimido.

2. Teu plano é seguro, meu Pai -, só o Teu. Todos os outros fracassarão. E eu terei pensamentos que me assustarão até aprender que Tu me dás o único Pensamento que me conduz à salvação. Só os meus falharão e não me levarão a lugar algum. Mas o Pensamento que Tu me deste garante me levar para casa, porque ele contém Tua promessa a Teu Filho.

*

COMENTÁRIO:

As práticas e a compreensão da ideia que o Curso nos oferece na lição deste sábado, dia 3 de dezembro, são vitais, se quisermos, de fato, alcançar a percepção verdadeira, se quisermos, de verdade, aprender a olhar para o mundo de modo diferente.

E para isto nada mais simples do que compreender - e compreender sempre significa reconhecer e aceitar - que são apenas os meus pensamentos que me afetam. Isto é, nada, nada, nada, mas nadinha mesmo, fora de mim pode me perturbar, aborrecer, irritar ou despertar qualquer sensação que me afaste a alegria e da paz de espírito.

Voltemos um pouco de nossa atenção uma vez mais à ideia da lição 312: Vejo todas as coisas como quero que sejam. Aprendemos com ela que: "A percepção vem depois do julgamento. Depois de julgar, vemos então aquilo que queremos ver. Pois a vista/visão serve apenas para nos oferecer o que queremos ver. É impossível não ver aquilo que queremos ver e [é impossível também] deixar de ver aquilo que escolhemos ver". 

Isto, e a ideia que praticamos hoje, serve para demonstrar a verdade do que o texto diz a certa altura a respeito do que vemos no(s) outro(s), do que ouvimos do(s) outro(s), de todos os que nos cercam e fazem parte de nossa caminhada por este mundo:

A mensagem que teu irmão te dá depende de ti. O que ele te diz? O que queres que ele te diga? Tua decisão a respeito dele determina a mensagem que recebes. Lembra-te de que o Espírito Santo está nele, e de que Sua Voz te fala por intermédio dele [de teu irmão]. O que um irmão tão santo pode te dizer exceto a verdade? Mas tu a ouves? Teu irmão pode não saber quem ele é, mas existe uma luz na mente dele que sabe. Essa luz pode brilhar na tua dando veracidade às palavras dele e te tornando capaz de ouví-las. As palavras dele são a resposta do Espírito Santo para ti. Tua fé nele é forte o suficiente para permitir que ouças? [T-9.II.5]

Não será, pois, conveniente, porque libertador, que pratiquemos com toda a nossa disposição a ideia de hoje? Que coloquemos, de coração, o mais profundo de nossos desejos ao praticar, na certeza de que aprenderemos hoje a maneira de abandonar de uma vez por todas tudo aquilo que nos impede de viver somente a alegria? 

Às práticas?


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Quando dizemos Eu Sou falamos o Nome de Deus


12. O que é o ego?

1. O ego é idolatria; o sinal do ser limitado e separado, nascido em um corpo, condenado a sofrer e a terminar sua vida na morte. Ele é a "vontade" que percebe a Vontade de Deus como inimiga e toma uma forma na qual ela é negada. O ego é a "prova" de que a força é fraca e de que o amor é amedrontador, de que a vida é, na verdade, morte e de que só aquilo que contraria Deus é verdadeiro.

2. O ego é louco. Com medo, ele se põe diante de Todos os Lugares, separado do Todo, separado do Infinito. Em sua loucura, ele pensa ter se tornado um vitorioso sobre o Próprio Deus. E, em sua autonomia insuportável, ele "percebe" que a Vontade de Deus foi destruída. Ele sonha com castigo e treme diante das imagens de seus sonhos; seus inimigos, que buscam assassiná-lo antes de ele poder garantir sua segurança atacando-os.

3. O Filho de Deus não tem ego. O que ele pode saber da loucura e da morte de Deus, se habita n'Ele? O que ele pode saber da tristeza e do sofrimento, se vive na alegria eterna? O que ele pode saber do medo e do castigo, do pecado e da culpa, do ódio e do ataque, se tudo o que existe à volta dele é a paz perene, livre de conflitos e imperturbada para sempre, no silêncio e na tranquilidade mais profundos?

4. Conhecer a realidade é não ver o ego e seus pensamentos, seus esforços, seus atos, suas leis e crenças, seus sonhos, suas esperanças  seus planos para a própria salvação e o custo que a crença nele cobra. Em termos de sofrimento, o preço pela fé no ego é tão imenso que a crucificação do Filho de Deus é oferecida diariamente em seu santuários sombrio, e o sangue tem de jorrar diante do altar em que seus seguidores doentios se preparam para morrer.

5. Porém, um único lírio de perdão transformará as trevas em luz; o altar às ilusões no santuário à Própria Vida. E a paz será devolvida para sempre às mentes santas que Deus criou como Seu Filho, Sua morada, Sua alegria, Seu amor, inteiramente Seu, um só com Ele totalmente.

*

LIÇÃO 337

Minha inocência me protege de todo o mal.

1. Minha inocência me assegura paz perfeita, segurança eterna, amor duradouro, liberdade permanente de todo pensamento de perda, liberação completa do sofrimento. E meu estado só pode ser o da felicidade, pois somente felicidade me é dado. O que tenho de fazer para saber que tudo isso é meu? Tenho de aceitar a Expiação para mim mesmo e nada mais. Deus já fez todas as coisas que precisam ser feitas. E eu tenho de aprender que não preciso fazer nada por mim mesmo, pois só preciso aceitar meu Ser, minha inocência, criada para mim, que já é minha agora, para sentir o Amor de Deus me protegendo do mal, para entender que meu Pai ama Seu Filho, para saber que eu sou o Filho que meu Pai ama.

2. Tu, Que me criaste em inocência, não estás equivocado acerca do que sou. Eu estava enganado quando pensei que tinha pecado, mas aceito a Expiação para mim mesmo. Pai, agora meu sonho acabou. Amém.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 337

A ideia que vamos praticar hoje é mais uma daquelas que buscam nos devolver à condição natural de filhos de Deus, inocentes, livres, herdeiros da alegria e de paz, completas, perfeitas e ilimitadas. Nessa condição, somos qual crianças, prontas para viver a experiência daquilo que a Vontade de Deus reservou para nós, seja o que for. Ou não lhes parece que as crianças estão sempre prontas para a próxima brincadeira? Ou para repetir alguma de que gostaram muito, vezes sem conta.

E se soubéssemos - e quiséssemos, e decidíssemos - , a partir do que vemos todos o dias no comportamento das crianças, das criancinhas, trazer ao mundo apenas o que é reflexo da inocência que pensamos ter perdido, por alguma razão equivocada? Poderíamos, então, dizer como a ideia para as práticas:

Minha inocência me protege de todo o mal. 

Até porque para a inocência não pode haver mal algum. Quem, em sã consciência, já olhou para o mundo com os olhos do perdão e viu nele qualquer coisa de condenável? 

Repetindo, pois, a pergunta que já fiz algumas vezes antes, o que tenho de fazer para saber que: 

Minha inocência me assegura paz perfeita, segurança eterna, amor duradouro, liberdade permanente de todo pensamento de perda, liberação completa do sofrimento. E [que] meu estado só pode ser o da felicidade, pois somente felicidade me é dado

como começa a lição?

O que tenho de fazer para saber que tudo isso é meu?

A resposta que nos dá o ensinamento, com a lição:

Tenho de aceitar a Expiação para mim mesmo e nada mais. Deus já fez todas as coisas que precisam ser feitas. E eu tenho de aprender que não preciso fazer nada por mim mesmo, pois só preciso aceitar meu Ser, minha inocência, criada para mim, que já é minha agora, para sentir o Amor de Deus me protegendo do mal, para entender que meu Pai ama Seu Filho, para saber eu sou o Filho que meu Pai ama.

Isto é, como o Curso ensina em determinado ponto:

Tu não tens de fazer nada

Eu não tenho de fazer nada. Nenhum de nós tem de fazer nada. Nada, nada, nada! Nada, a não ser aceitar a Expiação [o desfazer do erro, de qualquer erro] para mim mesmo. Cada um de nós para si mesmo. E todos e cada um de nós para todos. Deus já fez tudo o que há para ser feito. Por isso, meu papel é apenas reconhecer e aceitar - ou lembrar - minha inocência. Assim como o teu e o de cada uma das pessoas todas do mundo. É só reconhecer e aceitar que continuo a ser tal como Deus me criou, e que nada do que penso ter feito, fiz ou possa vir a fazer pode modificar isso.

Isso, no entanto, como eu já disse também, exige uma disposição para treinar a mente para alcançar a percepção verdadeira. Uma percepção livre das influências do falso eu.  Uma percepção que vai nos permitir "alcançar o mundo real", o mundo que só a inocência permite alcançar. É a ele que nos remetem as práticas diárias. São as práticas que vão nos permitir dizer, na mais absoluta convicção de nossa própria inocência, como orienta a lição de hoje: Pai,

Tu, Que me criaste em inocência, não estás equivocado acerca do que sou. Eu estava enganado quando pensei que tinha pecado, mas aceito a Expiação para mim mesmo. Pai, agora meu sonho acabou. Amém.

Pois o mal só pode mesmo existir no sonho, ou melhor num pesadelo, criado pela mente equivocada do falso eu, que se vê e quer que nos vejamos separados de Deus e uns dos outros. O Curso, no entanto, nos assegura que mesmo neste mundo podemos escolher viver "o sonho feliz".

Já no "mundo real" o mal não existe. Ele só pode parecer existir na ilusão. E mesmo aí ele é apenas fruto do equívoco de nos acreditarmos de algum modo separados. A certa altura do Curso, o texto, em sintonia com a ideia das práticas de hoje, diz:

Senta-te tranquilamente e olha para o mundo que vês, e dize a ti mesmo: "O mundo real não é assim. Não tem edifícios e não existem ruas pelas quais as pessoas andam sozinhas e separadas. Não há lojas nas quais as pessoas compram um lista interminável de coisas de que não necessitam. Ele não é iluminado por luz artificial, e a noite não vem sobre ele. Não existe dia que se torne claro e depois vá escurecendo. Não há nenhuma perda. Nada do que existe deixa de brilhar, e brilha para sempre".

Repetindo: se isso nos assusta [aos egos e corpos pensamos ser], podemos até recorrer à Ciência moderna que afirma hoje em dia que "o mundo em três dimensões, de paisagens, mares, edifícios e corpos humanos, apenas existe nessa forma quando nós olhamos para ele". Quando não o fazemos, ele é apenas "uma massa de campos vibratórios".

Isto, conforme já vimos também, é a mesma coisa que dizer que cada coisa que aparentemente existe, ou seja, cada coisa que percebemos com qualquer um de nossos cinco sentidos - inclusive os próprios sentidos - só existe porque a materializamos, primeiro, na mente, na consciência, e, em seguida, em nossa vida, no mundo, a partir da ideia de que ela é necessária para nossa experiência.

É por isso também que aquilo de que já não necessitamos em nosso experimentar do mundo deixa de existir, desaparece, ou morre. E mesmo que acreditemos que aquilo de que não precisamos ainda possa existir em outro lugar, em outro nível, em outra "realidade", na prática, para nós, para nossa consciência, ele já não existe mais. 

É por isso, por fim, que precisamos prestar toda a atenção de que somos capazes - toda a atenção possível - aos nossos pensamentos, conforme tenho dito às pessoas nos grupos de estudos. Pois nossos pensamentos se transformam em palavras e afirmações [ou negações] que fazemos, que reverberam com sua própria energia [e com a nossa também] e materializam as experiências por que vamos passar, as pessoas com quem vamos entrar em contato, as situações com que vamos nos defrontar. 

Para aproveitar de algo que, acho, deve ser compartilhado, e que li recentemente em um dos livros de Wayne Dyer, precisamos aprender a pensar que, como Moisés [o da Bíblia] aprendeu, de acordo com a Bíblia, EU SOU  é o nome de Deus. Então precisamos tomar todo o cuidado com o que acrescentamos a nossas falas sempre que dizemos Eu sou. Porque quando dizemos Eu Sou falamos o Nome de Deus.

Enfim, são nossos pensamentos, para além do bem e do mal, que vão transformar em realidade aquilo por que pensamos precisar passar para o desenvolvimento de nossa consciência, para o aperfeiçoar de nosso aprendizado. E são os pensamentos que temos a nosso próprio respeito, que se materializam nas experiências que escolhemos viver, quando dizemos Eu sou

Às práticas?


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A percepção dos sentidos não é um guia confiável


12. O que é o ego?

1. O ego é idolatria; o sinal do ser limitado e separado, nascido em um corpo, condenado a sofrer e a terminar sua vida na morte. Ele é a "vontade" que percebe a Vontade de Deus como inimiga e toma uma forma na qual ela é negada. O ego é a "prova" de que a força é fraca e de que o amor é amedrontador, de que a vida é, na verdade, morte e de que só aquilo que contraria Deus é verdadeiro.

2. O ego é louco. Com medo, ele se põe diante de Todos os Lugares, separado do Todo, separado do Infinito. Em sua loucura, ele pensa ter se tornado um vitorioso sobre o Próprio Deus. E, em sua autonomia insuportável, ele "percebe" que a Vontade de Deus foi destruída. Ele sonha com castigo e treme diante das imagens de seus sonhos; seus inimigos, que buscam assassiná-lo antes de ele poder garantir sua segurança atacando-os.

3. O Filho de Deus não tem ego. O que ele pode saber da loucura e da morte de Deus, se habita n'Ele? O que ele pode saber da tristeza e do sofrimento, se vive na alegria eterna? O que ele pode saber do medo e do castigo, do pecado e da culpa, do ódio e do ataque, se tudo o que existe à volta dele é a paz perene, livre de conflitos e imperturbada para sempre, no silêncio e na tranquilidade mais profundos?

4. Conhecer a realidade é não ver o ego e seus pensamentos, seus esforços, seus atos, suas leis e crenças, seus sonhos, suas esperanças  seus planos para a própria salvação e o custo que a crença nele cobra. Em termos de sofrimento, o preço pela fé no ego é tão imenso que a crucificação do Filho de Deus é oferecida diariamente em seu santuários sombrio, e o sangue tem de jorrar diante do altar em que seus seguidores doentios se preparam para morrer.

5. Porém, um único lírio de perdão transformará as trevas em luz; o altar às ilusões no santuário à Própria Vida. E a paz será devolvida para sempre às mentes santas que Deus criou como Seu Filho, Sua morada, Sua alegria, Seu amor, inteiramente Seu, um só com Ele totalmente.

*

LIÇÃO 336

O perdão me permite saber que as mentes são unidas.

1. O perdão é o meio designado para o fim da percepção. O conhecimento se restabelece depois que: primeiro, a percepção se modifica para, em seguida, dar lugar àquilo que permanece para sempre além de seu mais profundo alcance. Pois imagens e sons podem servir, no máximo, para despertar a memória que está além de todos eles. O perdão varre as distorções e abre o altar escondido à verdade. Seus lírios refletem a luz para o interior da mente e a chamam para voltar e olhar para dentro, para encontrar aquilo que ela procura fora inutilmente. Pois aí, e só aí, se restabelece a paz de espírito, pois essa é a morada do Próprio Deus.

2. Possa o perdão varrer meus sonhos de separação e de pecado na paz. Deixa-me, então, meu Pai, olhar para dentro e achar Tua garantia de que minha inocência se mantém; Tua Palavra permanece inalterada em minha mente, Teu Amor ainda habita em meu coração.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 336

A ideia que vamos praticar mais uma vez hoje deve servir para nos abrir os olhos, a mente e o coração para o fato de que nunca houve um momento em que nos tenhamos separado de Deus. Conforme o Curso ensina, as mentes são unidas. E o que pode nos permitir ver isso é o perdão. Ou como a ideia para as práticas diz:

O perdão me permite saber que as mentes são unidas. 

Não existem pensamentos privados. As ideias não deixam sua fonte. E a união das mentes não autoriza a pensar que existem várias mentes diferentes, uma em cada corpo, que se comunicam umas com as outras. Não! Não é assim! Na verdade, todos nós nos valemos de uma e mesma ligação a uma só Mente única, a qual estamos conectados o tempo todo, quer conscientes disso ou não. É mais ou menos como a Matrix, que o filme mostra. 

Mesmo a mente, com "m" minúsculo, a do ego, é uma só para todos nós, aparentemente habitantes deste mundo, que pensamos ser o mesmo para todos, mas que não é, por mais que a crença na separação nos impeça de reconhecer isso. E é por isso que não existem pensamentos privados. E tudo aquilo que qualquer um de nós pode pensar em fazer já foi pensado antes por alguém, ou está sendo pensado no mesmo momento ou ainda vai ser pensado por alguém, que não pode ser senão nós mesmos, em um corpo diferente, mas apenas em aparência. 

Aquilo que tememos, a partir da sintonia com o sistema de pensamento do ego, que descubram de nós, que pode nos revelar, ou revelar o que pensamos ("Como sou egoísta, como sou descuidado, como sou odioso, e por aí a fora"), é o mesmo que o "outro", ou "outra" pensa. Seja este outro, ou esta outra, quem for. Existe uma unidade entre todos nós, que a maior parte do tempo não somos capazes de ver, de perceber.

Por que, então, não nos damos conta disso? Por que não experimentamos, na prática, a unidade, ou só a experimentamos em raros e fugazes instantes, a que o Curso chama de "instante santo"?

Porque estamos por demais habituados, treinados e automatizados pela crença na separação, que o ego e o mundo do ego promovem o dia inteiro, todos os dias. E porque, repetindo, como observa Guimarães Rosa, em geral, "... vivemos, de modo incorrigível, distraídos das coisas mais importantes".

Isto é, cedemos aos apelos do falso eu e nos perdemos em um mundo de coisas e pessoas aparentemente separadas, às quais atribuímos características e valores diferentes a partir de nossa percepção equivocada de umas e outras. Criticando, julgando e condenando. 

Daí, a necessidade das práticas com a ideia de hoje para podermos reconhecer, aprender e aceitar que:

O perdão é o meio designado para o fim da percepção. O conhecimento se restabelece depois que: primeiro, a percepção se modifica para, em seguida, dar lugar àquilo que permanece para sempre além de seu mais profundo alcance. Pois imagens e sons podem servir, no máximo, para despertar a memória que está além de todos eles. O perdão varre as distorções e abre o altar escondido à verdade. Seus lírios refletem a luz para o interior da mente e a chamam para voltar e olhar para dentro, para encontrar aquilo que ela procura fora inutilmente. Pois aí, e só aí, se restabelece a paz de espírito, pois essa é a morada do Próprio Deus.

E, voltando ao que eu já disse antes a este respeito, se pensarmos bem, mais dia, menos dia, havemos todos de chegar à conclusão de que as mentes são unidas, ainda que por caminhos diferentes. Ou será que algum de nós tem consciência do momento em que deixamos de perceber, de saber, que "as mentes são unidas"? Em que momento passamos a acreditar na ideia de separação? 

No mínimo, podemos pensar que em algum momento de nossa experiência neste mundo fomos convidados a olhar para alguma coisa e considerá-la melhor ou pior do que outra, deixando de vê-la como parte de um todo harmônico, no qual as partes são todas neutras e desempenham apenas o papel que lhes cabe.

É claro, repito, que este mundo de aparências em que acreditamos estar, e que cremos ser real e verdadeiro, nos oferece uma avalanche de informações e de coisas, e de provas de sua realidade - separada -, que muitas vezes nos atordoa e exige um esforço sobre-humano até para respirar de forma tranquila e pensar de forma clara.

Mas também é fato de que desde a Antiguidade, os filósofos lidam com a ideia de que a percepção que nos oferece os sentidos não é um guia confiável. Do mesmo modo que nos diz o Curso, Heráclito, filosofo que viveu há cerca de 500 anos antes de Cristo, já dizia que "o conhecimento sensível [isto é, o conhecimento aparente daquilo que se percebe pela via dos sentidos] é enganador e deve ser separado pela razão". 

Ora, isto é o mesmo que dizer que não podemos confiar nas percepções do corpo, nem acreditar na separação aparente de corpos. Ou na separação das mentes, ou mesmo em sua divisão. É só nos sonhos da ilusão deste mundo que podemos acreditar em mentes divididas. Mesmo quando o Curso nos diz que nossa mente se dividiu após a dita separação ou "queda", ele só nos diz isto para chamar a atenção para o fato de que nunca houve a separação. 

Por isso podemos dizer tranquilamente, como orienta a lição de hoje: 

Possa o perdão varrer meus sonhos de separação e de pecado na paz. Deixa-me, então, meu Pai, olhar para dentro e achar Tua garantia de que minha inocência se mantém; Tua Palavra permanece inalterada em minha mente, Teu Amor ainda habita em meu coração.

Às práticas?