segunda-feira, 11 de maio de 2026

É somente a verdade o que nos pode oferecer o Céu

 

LIÇÃO 131

Ninguém que busque alcançar a verdade pode falhar.

1. O fracasso está em toda parte enquanto buscas metas que não podem ser alcançadas. Tu procuras permanência no impermanente, amor onde não há nenhum, segurança no meio do perigo, imortalidade no interior da escuridão do sonho da morte. Quem poderia ser bem-sucedido onde a contradição é o cenário de sua busca e o lugar a que vem para encontrar estabilidade?

2. Não se atinge metas sem sentido. Não há forma de alcançá-las, pois os meios com os quais lutas por elas são tão sem sentido quanto elas. Quem pode usar tais meios absurdos e esperar ganhar qualquer coisa por intermédio deles? Aonde eles podem conduzir? E o que eles podem realizar que ofereça alguma esperança de ser real? A busca da fantasia conduz à morte porque é a busca do nada, e enquanto buscas a vida pedes a morte. Tu buscas segurança e certeza enquanto em teu coração rezas pelo perigo e por proteção para o sonho mesquinho que fizeste.

3. No entanto, a busca é inevitável aqui. Vieste para isto e certamente farás aquilo a que foste destinado. Mas o mundo não pode ditar a meta pela qual buscas, a menos que tu lhe dês o poder para fazê-lo. Caso contrário, ainda és livre para escolher uma meta que esteja além do mundo e de todos os pensamentos mundanos, e uma que venha a ti a partir de uma ideia que abandonaste, apesar de te lembrares dela, uma ideia antiga e, não obstante, nova, um eco de uma herança esquecida, e que contém tudo o que realmente queres.

4. Alegra-te por teres de buscar. Alegra-te também por aprenderes que buscas o Céu e que tens de encontrar a meta que queres realmente. Ninguém pode deixar de querer esta meta e de alcançá-la no fim. O Filho de Deus não pode buscar em vão, mesmo que tente forçar o atraso, enganar-se e pensar que é o inferno que busca. Quando ele está errado, acha a correção. Quando se desvia, é conduzido de volta à tarefa que lhe cabe.

5. Ninguém permanece no inferno, pois ninguém pode abandonar seu Criador nem alterar Seu Amor, perfeito, intemporal e imutável. Tu encontrarás o Céu. Tudo o que buscas, a não ser isto, se perderá. Mas não por ser tomado de ti. Desaparecerá porque não o queres. Tu alcançarás a meta que queres realmente com tanta certeza quanto a de que Deus te criou na inocência.

6. Por que esperar pelo Céu? Ele está aqui hoje. O tempo é a grande ilusão de que o Céu passou ou está no futuro. Mas isto não pode ser verdade, se ele estiver aonde Deus quer que Seu Filho esteja. Como a Vontade de Deus poderia estar no passado ou ainda por acontecer? O que Ele quer é agora, sem um passado e totalmente sem futuro. Está tão distante do tempo quanto uma pequena vela de uma estrela longínqua ou aquilo que escolheste daquilo que realmente queres.

7. O Céu continua a ser tua única alternativa a este mundo estranho que fizeste e a todos os seus caminhos; a seus padrões mutáveis, a seus prazeres dolorosos e a suas alegrias trágicas. Deus não criou nenhuma contradição. Aquilo que nega sua própria existência e ataca a si mesmo não vem d'Ele. Ele não criou duas mentes, tendo o Céu como o efeito feliz de uma e a terra, que é o contrário do Céu de todas as maneiras, como o resultado lamentável da outra.

8. Deus não experimenta nenhum conflito. E Sua Criação também não está dividida em duas. Como Seu Filho poderia estar no inferno, se o Próprio Deus o colocou no Céu? Ele poderia perder aquilo que a Vontade Eterna lhe dá para ser seu lar para sempre? Vamos tentar não impor mais uma vontade estranha sobre o único objetivo de Deus. Ele está aqui porque quer estar e o que Ele quer é presente agora, fora do alcance do tempo.

9. Hoje não escolheremos um paradoxo em lugar da verdade. Como o Filho de Deus poderia inventar o tempo para afastar a Vontade de Deus? Deste modo ele se nega e contradiz aquilo que não tem nenhum oposto. Ele pensa que inventou um inferno em oposição ao Céu e acredita que habita naquilo que não existe enquanto que o Céu é o lugar que ele não pode achar.

10. Abandona pensamentos tolos como estes hoje e volta tua mente para ideias verdadeiras, em lugar deles. Ninguém que busque alcançar a verdade pode falhar e é a verdade que buscamos hoje. Três vezes, hoje, dedicaremos dez minutos a esta meta e pediremos para ver o despontar do mundo real substituir as imagens que apreciamos por ideias que se elevam em lugar de pensamentos que não fazem nenhum sentido, não têm nenhum efeito e nem fonte nem essência na verdade.

11. Nós reconhecemos isto ao iniciar nossos períodos de prática. Começa com isto:

Peço para ver um mundo diferente e ter um tipo de pensamento
diferente daqueles que pensei. Não inventei sozinho o mundo que
busco, os pensamentos que quero ter não são os meus.

Observa tua mente durante alguns minutos e vê, embora teus olhos estejam fechados, o mundo sem sentido que pensas ser real. Revê também os pensamentos compatíveis com tal mundo e que pensas serem verdadeiros. Abandona-os então e te aprofunda abaixo deles na direção do lugar sagrado aonde eles não podem penetrar. Abaixo deles há uma porta em tua mente que tu não podes trancar por completo para esconder o que está além.

12. Busca esta porta e acha-a. Mas, antes de tentar abri-la, lembra-te de que ninguém que busque alcançar a verdade pode falhar. E é este pedido que fazes hoje. Nada a não ser isto tem qualquer significado agora; não se valoriza nem se busca nenhuma outra meta, não queres realmente nada antes desta porta e buscas apenas o que está depois dela.

13. Estende tua mão e vê quão facilmente a porta se abre apenas com tua intenção de atravessá-la. Anjos iluminam o caminho, por isso toda a escuridão se desvanece e tu ficas em uma luz tão brilhante e clara que podes compreender tudo o que vês. Um instante de surpresa, talvez, te fará parar antes de perceberes claramente que o mundo que vês diante de ti reflete a verdade que conhecias e que não esqueceste totalmente ao errares pelos sonhos.

14. Não podes falhar hoje. O Espírito do Céu, que te foi enviado, caminha contigo para que possas te aproximar desta porta algum dia e, com a ajuda d'Ele, passar por ela em direção à luz sem esforço. É hoje este dia. Hoje Deus cumpre Sua antiga promessa para Seu Filho santo, assim como Seu Filho se lembra da Sua para Ele. Este é um dia de alegria, pois chegamos ao momento e ao lugar designados em que acharás a meta de toda a tua busca aqui e de toda a busca do mundo, que terminam quando passas para o outro lado da porta.

15. Lembra-te com frequência de que hoje deve ser um dia de alegria especial e te abstém de pensamentos de desânimo e de queixas inúteis. Chegou o momento da salvação. O próprio Céu estabeleceu que hoje seja um tempo de graça para ti e para o mundo. Se te esqueceres desta verdade feliz, lembra a ti mesmo com isto:

Hoje busco e acho tudo o que quero.
Meu único propósito o oferece a mim.
Ninguém que busque alcançar a verdade pode falhar.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 131

Caras, caros,

Nosso estar no mundo está fundado na ideia de que, em geral, não sabemos o que é a verdade. Ninguém sabe. Mas será verdade isto? Será que ninguém sabe mesmo o que é a verdade? Ou será mesmo que existe uma verdade que devemos saber? Existirá mesmo uma verdade, que é única, e que serve para que todas as pessoas e seres e coisas vivam melhor e de forma mais completa sua vida no espaço e no tempo que ela aparentemente dura neste mundo?

Como encontrá-la? É isto que a ideia para as práticas de hoje quer que aprendamos.

Vamos a ela?

"Ninguém que busque alcançar a verdade pode falhar."

Isto quer dizer que a verdade está ao alcance de todos e todas que a queiram de fato? Sim, sim. Óbvio, não? Não é assim que vocês entendem também?

E por que, então, parece tão difícil viver a partir da verdade? Porque ela não está distante de nenhum de nós, de nenhuma de nós. Todos e todas nós a conhecemos, pois todos e todas nós a trazemos dentro.

Tanto é assim que sempre sabemos quando estamos nos esquivando dela. Sabemos quando estamos sendo condescendentes com a preguiça mental, com o comodismo, com o conforto egoísta, com a falta de disposição para mudar aquilo que sabemos ser necessário mudar em nós mesmos e em nós mesmas, para viver a verdade do que somos.

Ou estou enganado?

Não sabemos que não há como atingir metas inatingíveis? Não sabemos quando estamos apenas nos auto-enganando, ao dizer que vamos fazer isto ou aquilo sem termos, no fundo, a real intenção de fazer o que quer que seja? Dizendo que vamos fazer apenas para aquietar nosso próprio ego ou o ego de outro alguém que nos cobra uma ação?

A lição que praticamos hoje começa assim:

O fracasso está em toda parte enquanto buscas metas que não podem ser alcançadas. Tu procuras permanência no impermanente, amor onde não há nenhum, segurança no meio do perigo, imortalidade no interior da escuridão do sonho da morte. Quem poderia ser bem-sucedido onde a contradição é o cenário de sua busca e o lugar a que vem para encontrar estabilidade?

Não se atinge metas sem sentido. Não há forma de alcançá-las, pois os meios com os quais lutas por elas são tão sem sentido quanto elas. Quem pode usar tais meios absurdos e esperar ganhar qualquer coisa por intermédio deles? Aonde eles podem conduzir? E o que eles podem realizar que ofereça alguma esperança de ser real? A busca da fantasia conduz à morte porque é a busca do nada, e enquanto buscas a vida pedes a morte. Tu buscas segurança e certeza enquanto em teu coração rezas pelo perigo e por proteção para o sonho mesquinho que fizeste.

É! Sabemos que nada daquilo que pensamos querer neste mundo pode nos dar uma migalha sequer da alegria, do amor, da felicidade e da paz que o Céu [em cada um e em cada uma de nós] reserva para nós [para todos, todas, cada um e cada uma de nós]. No entanto, as práticas que o Curso nos pede para fazermos podem nos levar a alcançar tudo isto. Basta que aprendamos, pela prática, o que a ideia de hoje busca nos ensinar. Reconhecer a verdade nela é suficiente para que a aceitemos e confiemos que: 

Ninguém que busque alcançar a verdade pode falhar.

A lição continua:

No entanto, a busca é inevitável aqui. Vieste para isto e certamente farás aquilo a que foste destinado. Mas o mundo não pode ditar a meta pela qual buscas, a menos que tu lhe dês o poder para fazê-lo. Caso contrário, ainda és livre para escolher uma meta que esteja além do mundo e de todos os pensamentos mundanos, e uma que venha a ti a partir de uma ideia que abandonaste, apesar de te lembrares dela, uma ideia antiga e, não obstante, nova, um eco de uma herança esquecida, e que contém tudo o que realmente queres.

Alegra-te por teres de buscar. Alegra-te também por aprenderes que buscas o Céu e que tens de encontrar a meta que queres realmente. Ninguém pode deixar de querer esta meta e de alcançá-la no fim. O Filho de Deus não pode buscar em vão, mesmo que tente forçar o atraso, enganar-se e pensar que é o inferno que busca. Quando ele está errado, acha a correção. Quando se desvia, é conduzido de volta à tarefa que lhe cabe.

É, a busca é inevitável aqui. Pois parece que nós estamos perdidos, perdidas, neste mundo. Parece que não pertencemos a este mundo, o que é a mais pura verdade. Basta que nos lembremos de duas das últimas lições que diziam que não há nada que queiramos neste mundo e que há um mundo que queremos além deste. 

Ninguém que busque alcançar a verdade pode falhar. 

É só a verdade que pode nos oferecer o Céu. O mundo que queremos. O Céu é tudo o que realmente queremos, é o mundo que queremos. Ou será que esquecemos do "a verdade vos libertará"? Ora, procuramos a verdade porque queremos alcançar e viver o Céu, que é o que Deus reserva para cada um e cada uma de nós que reconheça, aceite e assuma o compromisso de cumprir seu papel no plano de Deus para a salvação.

Enquanto não nos decidirmos, porém, pelo Céu, vamos continuar a experimentar o inferno. Mesmo que não saibamos que é isto que escolhemos, ao não escolhermos o Céu.

No entanto:

Ninguém permanece no inferno, pois ninguém pode abandonar seu Criador nem alterar Seu Amor, perfeito, intemporal e imutável. Tu encontrarás o Céu. Tudo o que buscas, a não ser isto, se perderá. Mas não por ser tomado de ti. Desaparecerá porque não o queres. Tu alcançarás a meta que queres realmente com tanta certeza quanto a de que Deus te criou na inocência. 

E podes alcançá-la ainda hoje. Agora. Pois não há necessidade nenhuma de esperar. Basta escolheres, como a lição diz:

Por que esperar pelo Céu? Ele está aqui hoje. O tempo é a grande ilusão de que o Céu passou ou está no futuro. Mas isto não pode ser verdade, se ele estiver aonde Deus quer que Seu Filho esteja. Como a Vontade de Deus poderia estar no passado ou ainda por acontecer? O que Ele quer é agora, sem um passado e totalmente sem futuro. Está tão distante do tempo quanto uma pequena vela de uma estrela longínqua ou aquilo que escolheste daquilo que realmente queres.

O Céu continua a ser tua única alternativa a este mundo estranho que fizeste e a todos os seus caminhos; a seus padrões mutáveis, a seus prazeres dolorosos e a suas alegrias trágicas. Deus não criou nenhuma contradição. Aquilo que nega sua própria existência e ataca a si mesmo não vem d'Ele. Ele não criou duas mentes, tendo o Céu como o efeito feliz de uma e a terra, que é o contrário do Céu de todas as maneiras, como o resultado lamentável da outra.

Não há razão para que nos demoremos em decidir. Só quando cedemos aos conflitos da mente aparentemente dividida é que podemos ter alguma dúvida a respeito do que queremos. Quando, porém, nos voltamos para o interior de nós mesmos e de nós mesmas e entramos em contato com o Ser, em nós, aquela parte de nós que continua a ser como Deus a criou, e que é a única que existe verdadeiramente, sabemos que decisão tomar.

Pois:

Deus não experimenta nenhum conflito. E Sua Criação também não está dividida em duas. Como Seu Filho poderia estar no inferno, se o Próprio Deus o colocou no Céu? Ele poderia perder aquilo que a Vontade Eterna lhe dá para ser seu lar para sempre? Vamos tentar não impor mais uma vontade estranha sobre o único objetivo de Deus. Ele está aqui porque quer estar e o que Ele quer é presente agora, fora do alcance do tempo.

Vamos, então, assumir o compromisso de seguir a todas as orientações que a lição nos dá a seguir a respeito do modo com que vamos praticar? E, feito isto, pratiquemos, depois do compromisso assumido, com toda a confiança de que somos capazes. Pois podemos, sim, alcançar o Céu em nós mesmos e em nós mesmas ainda hoje, e podemos passar a vivê-lo a partir de agora, neste dia, e em todos os dias que ainda viveremos esta experiência de corpos e formas e percepção e sentidos.

E todos e todas nós podemos fazer isso com a certeza de que não podemos falhar. Pois Deus vai conosco aonde formos, conforme já vimos e praticamos em lição anterior, e que deve ter se tornado parte de nossas práticas desde então, não é mesmo?

Às práticas, portanto!

domingo, 10 de maio de 2026

O resultado dos conflitos do ego é só ilusão. Sempre.

 

LIÇÃO 130

É impossível ver dois mundos.

1. A percepção é coerente. O que vês reflete teu modo de pensar. E teu modo de pensar reflete tua escolha do que queres ver. Teus valores são determinantes disto, pois tens de querer ver aquilo que valorizas, acreditando que o que vês existe realmente. Ninguém pode ver um mundo ao qual sua mente não dê valor. E ninguém pode deixar de ver aquilo que acredita querer.

2. Mas quem pode realmente odiar e amar ao mesmo tempo? Quem pode desejar que aquilo que não quer seja real? E quem pode escolher ver um mundo do qual tenha medo? O medo tem de cegar, pois sua arma é esta: aquilo a que temes ver tu não podes ver. O amor e a percepção, deste modo, andam de mão dadas, mas o medo esconde aquilo que existe nas trevas.

3. O que, então, o medo pode projetar sobre o mundo? O que pode ser visto nas trevas que seja real? A verdade é eclipsada pelo medo e o que resta é apenas imaginário. Pois o que pode ser real em fantasias nascidas do pânico? O que quererias para que isto se mostre a ti? O que desejarias conservar em tal sonho?

4. O medo cria tudo o que pensas ver. Toda a separação, todas as distinções e a profusão de diferenças que acreditas que compõem o mundo. Elas não existem. O inimigo do amor as fez. Porém, o amor não pode ter nenhum inimigo e, por isto, elas não têm nenhuma causa, nenhuma existência e nenhuma consequência. Elas podem ser valorizadas, mas continuam a ser irreais. Podem ser buscadas, mas não podem ser encontradas. Hoje, não as buscaremos, nem desperdiçaremos este dia na busca daquilo que não se pode achar.

5. É impossível ver dois mundos que não têm nenhum ponto de coincidência de qualquer tipo. Busca pelo único; o outro desaparece. Só um continua a existir. Eles constituem o limite de escolha além do qual tua decisão não pode ir. Tudo o que existe para se escolher está entre o verdadeiro e o falso e nada mais do que estes.

6. Hoje não tentaremos nenhuma transigência onde nenhuma é possível. O mundo que vês é prova de que já fizeste uma escolha tão abrangente quanto seu oposto. O que queremos aprender hoje é mais do que simplesmente a lição de que não podes ver dois mundos. Ela também ensina que aquele que vês é bem coerente do ponto de vista a partir do qual o vês. Ele está em perfeitas condições porque tem origem em uma única emoção e reflete sua fonte em tudo o que vês.

7. Seis vezes hoje, em agradecimento e com gratidão, damos cinco minutos à ideia que põe fim a toda transigência e dúvida e vamos além de todas elas como se fossem uma só. Não faremos milhares de distinções inúteis nem tentaremos levar conosco uma pequena parte da ilusão, enquanto dedicamos nossas mentes a descobrir apenas o que é real.

8. Começa tua busca pelo outro mundo pedindo uma força maior do que tua própria força e reconhecendo o que é que buscas. Tu não queres ilusões. E vens a estes cinco minutos esvaziando tuas mãos de todos os tesouros insignificantes deste mundo. Esperas que Deus te ajude, ao dizeres:

É impossível ver dois mundos. Que eu aceite a força que
Deus me oferece para não ver nenhum valor neste mundo,
a fim de poder encontrar minha liberdade e minha redenção.

9. Deus estará presente. Pois invocas o poder grande e infalível que dará este passo gigantesco contigo com gratidão. E não deixarás de ver os agradecimentos d'Ele expressos em percepção tangível e em verdade. Não duvidarás daquilo para que olharás, pois, embora seja percepção, não é do tipo de visão que teus olhos já tenham visto antes por si mesmos. E saberás que a força de Deus te sustentava enquanto fazias esta escolha.

10. Rejeita a tentação facilmente hoje sempre que ela surgir, lembrando-te simplesmente dos limites de tua escolha. O irreal ou o real, o falso ou o verdadeiro é o que vês e só o que vês. A percepção é compatível com tua escolha e o inferno ou o Céu vêm a ti de acordo com ela.

11. Aceita uma pequena parte do inferno como real e condenaste teus olhos e amaldiçoaste tua visão e o que verás é, de fato, o inferno. Todavia, o alívio do Céu ainda está ao alcance de tua escolha, para tomar o lugar de tudo o que o inferno te apresentaria. Tudo o que precisas dizer a qualquer parte do inferno, seja qual for a forma que ela assuma, é simplesmente isto:

É impossível ver dois mundos. Eu busco minha liberdade
e minha redenção e isto não é uma parte do que eu quero.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 130

Caras, caros,

Por mais que tentemos, e por melhor que sejamos em alguma coisa, é sempre muito difícil, para não dizer, é impossível, fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. Como se diz popularmente: "assoviar e chupar cana", por exemplo.

Assim é que a ideia para as práticas de hoje vai buscar nos fazer ver que este mundo em que pensamos viver não existe, isto é, ele é apenas uma ilusão. Melhor dizendo, o mundo em que pensamos viver é, ao mesmo tempo, uma e inúmeras ilusões. Porque ele é, na ilusão, um mundo diferente para cada um e cada uma dos e das bilhões de pessoas que o habitam. O mundo real, que, aparentemente, não podemos tocar, só parece intocável porque ainda não nos libertamos da ideia da necessidade dos sentidos, do corpo. Ainda estamos apegados à matéria, pensando que é dela que somos feitos. Não e não! A matéria, quando não é luz, não existe de fato, é tão somente pó, poeira.

Por isso é que vamos praticar com a ideia de que

"É impossível ver dois mundos."

Será que desta vez vais aprender a fazer a escolha certa? Vais tomar a decisão? Vais fazer a única escolha que te cabe fazer? A ideia que a lição de hoje traz para as práticas diz ser impossível ver dois mundos.

Já não estás cansado, cansada, de ver, não apenas dois, uma infinidade de mundos que não queres? E tudo em função de, apesar de tudo o que o pensas saber, ainda não teres aprendido que só podes escolher entre o Céu e o inferno. Sempre! Em toda e qualquer circunstância escolhes entre Céu e inferno. Entre crucificação e redenção. 

É impossível ver dois mundos.

Por quê? 

Porque, repetindo:

A percepção é coerente. O que vês reflete teu modo de pensar. E teu modo de pensar reflete tua escolha do que queres ver. Teus valores são determinantes disto, pois tens de querer ver aquilo que valorizas, acreditando que o que vês existe realmente. Ninguém pode ver um mundo ao qual sua mente não dê valor. E ninguém pode deixar de ver aquilo que acredita querer.

... ninguém pode deixar de ver aquilo que acredita querer [ver]. É só isso que vês. Aquilo que queres ver. É só o que podes ver. É só o que todos, todas, cada um e cada uma de nós podemos ver. Mas, e quando o que vemos não é aquilo que pensamos querer ver? Não é aquilo que queremos?

Ora, isso é apenas reflexo da mente dividida, que pensa querer ver algo e, em lugar daquele algo que pensa querer ver, vê outra coisa. Aquilo de que tem medo, quem sabe? Aquilo que não quer confessar que gostaria de ver. Vejamos o que a lição diz:

Mas quem pode realmente odiar e amar ao mesmo tempo? Quem pode desejar que aquilo que não quer seja real? E quem pode escolher ver um mundo do qual tenha medo? O medo tem de cegar, pois sua arma é esta: aquilo a que temes ver tu não podes ver. O amor e a percepção, deste modo, andam de mão dadas, mas o medo esconde aquilo que existe nas trevas.

O que, então, o medo pode projetar sobre o mundo? O que pode ser visto nas trevas que seja real? A verdade é eclipsada pelo medo e o que resta é apenas imaginário. Pois o que pode ser real em fantasias nascidas do pânico? O que quererias para que isto se mostre a ti? O que desejarias conservar em tal sonho?

O medo cria tudo o que pensas ver. Toda a separação, todas as distinções e a profusão de diferenças que acreditas que compõem o mundo. Elas não existem. O inimigo do amor as fez. Porém, o amor não pode ter nenhum inimigo e, por isto, elas não têm nenhuma causa, nenhuma existência e nenhuma consequência. Elas podem ser valorizadas, mas continuam a ser irreais. Podem ser buscadas, mas não podem ser encontradas. Hoje, não as buscaremos, nem desperdiçaremos este dia na busca daquilo que não se pode achar.

Os conflitos da mente dividida têm origem no medo. O medo vem da culpa. A culpa vem da crença na separação, do desejo [e ao mesmo tempo medo] do ego de tomar, usurpar, o lugar de Deus. E é pelo medo e pela culpa que o ego trabalha para perpetuar em nós a crença em sua existência. A crença de que existe um ego, um ser, separado de Deus, que pode contrariar a Vontade d'Ele/d'Ela. 

É impossível ver dois mundos.

A existência de um ser separado de Deus traz a possibilidade ilusória de mais de um mundo, de muitos. Aliás, de tantos mundos quantos sejam os conflitos interiores que cada um ou cada uma de nós traga em si, multiplicados pela quantidade de seres que acreditam na separação. Mas tudo isso é apenas a ilusão assumindo as formas que o conflito dos egos dá a ela.

Porém:

É impossível ver dois mundos que não têm nenhum ponto de coincidência de qualquer tipo. Busca pelo único; o outro desaparece. Só um continua a existir. Eles constituem o limite de escolha além do qual tua decisão não pode ir. Tudo o que existe para se escolher está entre o verdadeiro e o falso e nada mais do que estes.

É o que podemos aprender hoje. Reconhecendo e aceitando a verdade da ideia que praticamos, vamos alcançar o milagre que a lição reserva. Um milagre que pode nos fazer escolher de uma vez por todas abandonar este mundo, que não tem nada que queiramos.

Façamos, pois, o que a lição nos pede para fazermos, seguindo a orientação que o Curso traz:

Hoje não tentaremos nenhuma transigência onde nenhuma é possível. O mundo que vês é prova de que já fizeste uma escolha tão abrangente quanto seu oposto. O que queremos aprender hoje é mais do que simplesmente a lição de que não podes ver dois mundos. Ela também ensina que aquele que vês é bem coerente do ponto de vista a partir do qual o vês. Ele está em perfeitas condições porque tem origem em uma única emoção e reflete sua fonte em tudo o que vês.

Seis vezes hoje, em agradecimento e com gratidão, damos cinco minutos à ideia que põe fim a toda transigência e dúvida e vamos além de todas elas como se fossem uma só. Não faremos milhares de distinções inúteis nem tentaremos levar conosco uma pequena parte da ilusão, enquanto dedicamos nossas mentes a descobrir apenas o que é real.

Mais: entreguemo-nos às práticas de modo insistente, sem resistência, sem hesitação, dispostos e dispostas, decididos e decididas a alcançar o mundo que queremos. Assim:

Começa tua busca pelo outro mundo pedindo uma força maior do que tua própria força e reconhecendo o que é que buscas. Tu não queres ilusões. E vens a estes cinco minutos esvaziando tuas mãos de todos os tesouros insignificantes deste mundo. Esperas que Deus te ajude, ao dizeres:

É impossível ver dois mundos. Que eu aceite a força que
Deus me oferece para não ver nenhum valor neste mundo,
a fim de poder encontrar minha liberdade e minha redenção.

Deus estará presente. Pois invocas o poder grande e infalível que dará este passo gigantesco contigo com gratidão. E não deixarás de ver os agradecimentos d'Ele expressos em percepção tangível e em verdade. Não duvidarás daquilo para que olharás, pois, embora seja percepção, não é do tipo de visão que teus olhos já tenham visto antes por si mesmos. E saberás que a força de Deus te sustentava enquanto fazias esta escolha.

Vamos refletir por alguns instantes antes de continuar. Que mundo queres? Este mundo que constróis a partir de teus pensamentos equivocados é digno de ser o lar para uma criança de Deus? Ele protege a paz e irradia amor sobre ela? Mantém o coração da criança de Deus intocado pelo medo e lhe permite dar sempre, sem qualquer sensação de perda? Este mundo que constróis ensina que dar é a alegria da criança de Deus e que Deus fica agradecido a ela pelo que ela dá? Pois o único lugar em que podes ser feliz é um mundo assim. 

É impossível ver dois mundos.

Por isso praticamos conforme nos pede a lição:

Rejeita a tentação facilmente hoje sempre que ela surgir, lembrando-te simplesmente dos limites de tua escolha. O irreal ou o real, o falso ou o verdadeiro é o que vês e só o que vês. A percepção é compatível com tua escolha e o inferno ou o Céu vêm a ti de acordo com ela.

Aceita uma pequena parte do inferno como real e condenaste teus olhos e amaldiçoaste tua visão e o que verás é, de fato, o inferno. Todavia, o alívio do Céu ainda está ao alcance de tua escolha, para tomar o lugar de tudo o que o inferno te apresentaria. Tudo o que precisas dizer a qualquer parte do inferno, seja qual for a forma que ela assuma, é simplesmente isto:

É impossível ver dois mundos. Eu busco minha liberdade
e minha redenção e isto não é uma parte do que eu quero.

Pratiquemos, portanto, a fim de nos livrarmos da impressão de que este mundo ainda contém qualquer coisa que queiramos. Para aprendermos de que modo chegar, além dele, até o mundo que, de fato, queremos, aonde vamos nos encontrar com o que somos e viver a paz e a alegria que são nosso estado natural, nossa herança e direito na condição de Filhas e Filhos de Deus. 

Às práticas?


*


Uma observação necessária ao adendo ao comentário de ontem:

Cida e gente, não incorram, por favor, no equívoco de pensar que, ao comentar qualquer manifestação de quem quer que seja de vocês, eu esteja querendo dizer que sua manifestação estava ou está errada e que eu sei [só eu] como é que se deve pensar. Ou que estou criticando a forma pela qual vocês manifestam seu modo de ver e de pensar. 

Não, não! Pelo amor de Deus!

Sou imensamente agradecido por quaisquer comentários, porque são eles que me permitem perceber em mim mesmo o quanto ainda tenho de aprender para poder dizer que não sei nada.

Não tenho mesmo nem a menor intenção, que dirá qualquer pretensão, de lhes dizer como devem pensar, ou como devem fazer suas práticas, e, como costumava dizer às pessoas que entravam em contato com o Curso, a partir daquilo que eu dizia e continuo a dizer aqui, ou em contato com as sessões de leitura que fizemos. Sempre que vocês tiverem qualquer dúvida a respeito dos comentários que já fiz, que faço, ou de qualquer afirmação que eu já tenha feito ou venha a fazer, sigam, por favor, a orientação do seu próprio divino interior e a orientação do Curso e da Voz que o ditou. Não acreditem em nada do que eu disser, sem questionar, sem levar a seus corações e ver se há alguma sintonia entre aquilo que estou dizendo e o que vocês estão ouvindo o divino lhes dizer internamente.

Obrigado, Cida, por se manifestar sempre, compartilhando seu modo de ver e de lidar com as lições e por nos contar o efeito delas em sua vida. E obrigado também a todos que leem e praticam as lições a partir do blogue.

Repetindo e reforçando, se alguma coisa no comentário que acrescento à lição lhes parecer em desacordo com o ensinamento, fiquem com a lição apenas. Sempre. 

E, mais uma vez, fiquem à vontade, por favor, para comentar, sugerir, criticar, acrescentar, ponderar, refletir e contar suas próprias experiências e as inspirações que lhes surgem, tanto em relação às lições, quanto em relação aos comentários e, agora, aos adendos.

Paz e bem!

sábado, 9 de maio de 2026

A meta a se escolher é viver a sintonia com o divino

 

LIÇÃO 129

Além deste mundo há um mundo que eu quero.

1. Esta é a ideia que se segue à que praticamos ontem. Tu não podes te limitar à ideia de que o mundo é inútil, pois, a menos que vejas que há alguma coisa mais para se esperar, só ficarás deprimido. Nossa ênfase não está na desistência do mundo, mas na troca dele por aquilo que é muito mais satisfatório, pleno de alegria e capaz de te oferecer paz. Pensas que este mundo pode te oferecer isto?

2. Talvez valha a pena pensar mais uma vez por um breve momento a respeito do valor deste mundo. Talvez admitas que não há nenhuma perda em se abandonar toda a ideia de valor aqui. O mundo que vês é, de fato, impiedoso, instável, cruel, indiferente a ti, rápido na vingança e implacável em seu ódio. Ele só dá para tirar e afastar todas as coisas que te foram caras por algum tempo. Não se encontra o amor duradouro, pois não há nenhum aqui. Este é o mundo do tempo, aonde todas as coisas acabam.

3. Será uma perda achar, em lugar deste, um mundo no qual seja impossível perder; em que o amor dure para sempre e a vingança não tenha nenhum significado? Será perda encontrar todas as coisas que realmente queres e saber que elas não têm fim e que continuarão a ser exatamente como as queres ao longo do tempo? Não obstante, até mesmo elas serão finalmente trocadas por aquilo de que não podemos falar, pois tu vais, daí, a um lugar onde as palavras falham por completo, na direção de um silêncio no qual não se fala uma língua e, contudo, compreende-se com certeza.

4. A comunicação, precisa e clara como o dia, permanece ilimitada por toda a eternidade. E o Próprio Deus fala a Seu Filho, da mesma forma que Seu Filho fala com Ele. A linguagem d'Eles não tem palavras, porque o que Eles dizem não pode ser representado por meio de símbolos. O conhecimento d'Eles é direto e totalmente compartilhado e totalmente uno. Quão distante disto estás, tu, que permaneces preso a este mundo. E, todavia, quão próximo estás, quando o trocas pelo mundo que queres.

5. Agora o último passo é certo; agora, estás a um instante da intemporalidade. Aqui só podes olhar para frente, nunca para trás, para ver de novo o mundo que não queres. Eis aqui o mundo que vem para tomar o lugar dele, quando libertas tua mente das ninharias que o mundo apresenta para te manter prisioneiro. Não dês valor a elas e elas desaparecerão. Valoriza-as e elas te parecerão reais.

6. A escolha é esta. Que perda pode haver para ti em escolher não valorizar o nada? Este mundo não tem nada que realmente queiras, mas aquilo que escolhes em seu lugar tu, de fato, queres! Deixa que ele te seja dado hoje. Ele espera apenas por tua escolha para tomar o lugar de todas as coisas que buscas mas não queres.

7. Pratica tua vontade para fazer esta troca dez minutos pela manhã e à noite, e mais uma vez no intervalo entre uma e outra. Começa com isto:

Além deste mundo há um mundo que eu quero. Escolho ver aquele
mundo em vez deste, pois aqui não há nada que eu realmente queira.

Em seguida, fecha os olhos sobre o mundo que vês e na escuridão silenciosa observa as luzes que não são deste mundo se acenderem uma a uma, até que o lugar onde uma começa e a outra termina perca todo o significado enquanto elas se fundem numa só.

8. Hoje, as luzes do Céu se inclinam em tua direção, para brilhar sobre tuas pálpebras enquanto descansas além do mundo da escuridão. Eis aqui a luz que teus olhos não podem ver. E, no entanto, tua mente pode vê-la com clareza e pode compreender. Hoje te é dado um dia de graça e nós agradecemos. Percebemos claramente neste dia que o que temias perder era apenas a perda.

9. Agora, de fato, compreendemos que não existe perda. Pois, finalmente, vimos o oposto dela e estamos gratos porque a escolha foi feita. Lembra-te de tua decisão a cada hora e reserva um instante para confirmar tua escolha, deixando de lado quaisquer pensamentos que tenhas e dando ênfase, por um breve instante, apenas a isto:

O mundo que vejo não tem nada que eu queira.
Além deste mundo há um mundo que eu quero.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 129

Caras, caros,

Quem de nós já não pensou que este mundo não é o melhor dos mundos? Quem dentre nós ainda não se questionou acerca da possibilidade de um mundo melhor do que este? Quem neste mundo vive sua vida de modo pleno e está feliz com o que vive? Quantos e quantas de nós? Haverá mesmo alguém assim?

Será mesmo que este mundo em que aparentemente vivemos é verdadeiro, ou ele é apenas "Maya" como dizem os budistas, apenas uma ilusão de mundo? E haverá, de fato, um mundo verdadeiro, um mundo real, que não podemos ver, nem imaginar?

Bem... a ideia para as práticas de hoje vai nos falar exatamente disto.

Vejamos:

"Além deste mundo há um mundo que eu quero."

É quase que bastante óbvio pensar, como eu já disse várias vezes antes, e como o Curso ensina, que, se este mundo não tem nada que eu queira, tem de haver um mundo que pode me dar o que quero. Um mundo que eu queira. É assim que vamos começar a lição de hoje:

Esta é a ideia que se segue à que praticamos ontem. Tu não podes te limitar à ideia de que o mundo é inútil, pois, a menos que vejas que há alguma coisa mais para se esperar, só ficarás deprimido. Nossa ênfase não está na desistência do mundo, mas na troca dele por aquilo que é muito mais satisfatório, pleno de alegria e capaz de te oferecer paz. Pensas que este mundo pode te oferecer isto?

É também, talvez, quase óbvio, para alguns e/ou algumas de nós, que se este mundo pudesse oferecer aquilo que queremos, não viveríamos as insatisfações, as incertezas, as dúvidas e os sobressaltos que ele nos oferece. Não viveríamos com medo do que pode acontecer no próximo instante, daqui a pouco, amanhã ou no futuro. Aliás, se pensássemos que este mundo pode nos dar qualquer coisa que queiramos, nós o viveríamos sempre no presente. Saberíamos deixar de levar em consideração quaisquer coisas acontecidas no passado e não nos preocuparíamos com nada do que pudesse vir a acontecer de agora em diante. 

Pois, na verdade, a partir do que se pode ler no livro "A Escola dos Deuses", de Elio D'Anna, que já mencionei aqui, e que li há já alguns anos, aquilo que vemos à volta de nós... a aparente realidade externa a nós é sempre o passado, como o Curso também afirma. [Lembram das lições iniciais? Há uma, a sétima, que nos ensina e nos leva a praticar a ideia: "Eu só vejo o passado".] Aquilo a que chamamos de presente, na realidade, não é uma transmissão ao vivo. Aquilo que vemos e tocamos, os eventos que podemos jurar que acontecem neste exato momento são estados registrados tempos atrás. Para poderem acontecer, receberam nosso consentimento em outra dimensão no mundo do ser. Pois em nossos estados normais, por assim dizer, tudo o que escolhemos é a partir do sistema de pensamento do ego. Assim é que as coisas que pensamos ver agora são frutos de uma escolha que fizemos no tempo. Uma escolha que se materializa, como projeção de nossos pensamentos, também no tempo, que, na verdade, não existe.**

A lição continua:

Talvez valha a pena pensar mais uma vez por um breve momento a respeito do valor deste mundo. Talvez admitas que não há nenhuma perda em se abandonar toda a ideia de valor aqui. O mundo que vês é, de fato, impiedoso, instável, cruel, indiferente a ti, rápido na vingança e implacável em seu ódio. Ele só dá para tirar e afastar todas as coisas que te foram caras por algum tempo. Não se encontra o amor duradouro, pois não há nenhum aqui. Este é o mundo do tempo, aonde todas as coisas acabam.

Sabemos disso o tempo todo, mesmo que o neguemos a maior parte de tempo. Independente do apego que temos a certas coisas ou pessoas do mundo, ou mesmo a ideias, sabemos que tudo aqui é transitório e não vai durar. É por isso que a ideia para as práticas de hoje nos traz a possibilidade de estendermos o alcance de nossos anseios para além daquilo que é passageiro. Uma ideia que nos leva ao contato - ou à possibilidade dele -, nem que apenas por um breve instante, com aquilo que somos na verdade, em Deus. 

Como o Curso diz a respeito do mundo e do que pensamos experimentar nele, e como também podemos ler em Elio D'Anna e em muitos outros autores e mestres comprometidos com a verdade, estendendo a ideia de que falava acima, os fatos e acontecimentos são estados de ser solidificados, tornados visíveis pelo tempo. Enquanto os assistimos e somos envolvidos e envolvidas por eles, podemos acreditar que eles estão se verificando diante de nossos olhos, podemos ter a ilusão de que são novos e de que acontecem pela primeira vez. Na realidade, entretanto, eles são apenas a projeção de um estado de ser de nosso passado, que se repete com apenas algumas pequenas variações. 

Além deste mundo há um mundo que eu quero.

Apesar de nossa experiência de vida estar aparentemente ligada a este mundo das formas, que vemos, e que mudam conforme muda nosso olhar, a lição de hoje nos convida a praticar a ideia da existência de um mundo que se situa além deste que vemos. Mais: que é este outro mundo - o real e verdadeiro -, que ainda não somos capazes de ver, o que, de verdade, queremos.

E pergunta:

Será uma perda achar, em lugar deste, um mundo no qual seja impossível perder; em que o amor dure para sempre e a vingança não tenha nenhum significado? Será perda encontrar todas as coisas que realmente queres e saber que elas não têm fim e que continuarão a ser exatamente como as queres ao longo do tempo? Não obstante, até mesmo elas serão finalmente trocadas por aquilo de que não podemos falar, pois tu vais, daí, a um lugar onde as palavras falham por completo, na direção de um silêncio no qual não se fala uma língua e, contudo, compreende-se com certeza. 

O que de fato te prende a este mundo? Há nele alguma coisa, pessoa ou ideia, sem a qual absolutamente não podes viver? Pensa um pouco. Reflete um pouco. Já passaste pela experiência de acreditar que determinada coisa era imprescindível e já não a tens, não é mesmo? Ou pela experiência de crer, em algum momento de tua vida, que não seria possível viver sem a companhia daquela pessoa específica, e já não convives com ela. 

Além deste mundo há um mundo que eu quero.

E nele:

A comunicação, precisa e clara como o dia, permanece ilimitada por toda a eternidade. E o Próprio Deus fala a Seu Filho, da mesma forma que Seu Filho fala com Ele. A linguagem d'Eles não tem palavras, porque o que Eles dizem não pode ser representado por meio de símbolos. O conhecimento d'Eles é direto e totalmente compartilhado e totalmente uno. Quão distante disto estás, tu, que permaneces preso a este mundo. E, todavia, quão próximo estás, quando o trocas pelo mundo que queres.

Mas como fazer esta troca? De acordo com o Curso, não precisas fazer nada. Basta que te rendas à Presença de Deus em tua vida, reconhecendo-a em ti, em tudo. Abandonando todas as coisas que exigem a presença de um "eu" separado de todos os outros. Abandonando toda ideia de "meu", "minha", abrindo-te às dádivas que Deus te dá e que são verdadeiramente dadas porque são eternas. "Fazendo" como Joel Goldsmith, que declara em um de seus livros: "Eu não penso em minha vida; eu observo Deus em ação".

Precisas tomar a decisão. Precisas estabelecer a meta de viver a verdade em sintonia com o divino, a partir da sintonia com o Espírito Santo em ti. E, mais do que apenas estabelecer a meta, vivê-la.  

Tomada a decisão

Agora... 

... o último passo é certo; agora, estás a um instante da intemporalidade. Aqui só podes olhar para frente, nunca para trás, para ver de novo o mundo que não queres. Eis aqui o mundo que vem para tomar o lugar dele, quando libertas tua mente das ninharias que o mundo apresenta para te manter prisioneiro. Não dês valor a elas e elas desaparecerão. Valoriza-as e elas te parecerão reais.

É isto que basta: a tomada de decisão. Lembra-te, porém, de que a decisão tem de ser tomada a cada passo, a cada instante, a cada fração de segundo e a cada segundo, a cada minuto, e tem ser renovada o tempo todo,

Isto é o que nos oferecem as práticas, a oportunidade de renovar a tomada de decisão dia a dia, passo a passo, sem desistir jamais de viver o mundo que queremos, em lugar deste mundo que não oferece nada do que queremos.

Sigamos, pois, o restante das orientações que a lição reserva para nossas práticas, na certeza de que a ideia hoje vai nos fazer entender melhor as experiências por que passamos. Principalmente se já formos capazes de entender que todas elas sempre se apresentam a partir de uma escolha que fazemos ou fizemos, individual ou conjuntamente. Uma escolha que sempre podemos mudar, quando, e se, aceitamos a responsabilidade pela experiência que o mundo nos apresenta, acolhendo-a e sendo gratos e gratas por ela se ter apresentado seja lá da maneira que for.

Aprendamos, portanto, com as práticas deste dia a agradecer por tudo o que recebemos e por tudo o que vivemos, para alcançar a certeza de que "todas as coisas cooperam para o bem". E de "que tudo está [sempre, em qualquer momento em que olhamos para o mundo] absolutamente certo da forma como está". Nem poderia ser diferente. Se ainda não somos capazes de ver assim, é porque ainda não aprendemos a escolher de modo diferente, a olhar para o mundo de modo diferente. Acima de tudo, porque ainda acreditamos que há, ou que pode haver, alguma coisa de valor neste mundo. 

Às práticas?


*

Um adendo e uma pequena reflexão a respeito dele:

Repetindo: 

Num dos anos passados, nossa colega Cida Guimarães, compartilhou o seguinte como comentário [dei uma pequenina editada] a esta lição:

Esse mundo que eu quero tem cores, perfume, harmonia, é manifestado na multiplicidade da Natureza. Para sintonizar nele é preciso "purificar", limpá-lo de todas as toxidades impostas por uma vida distante do que é natural. Um bom começo é cuidarmos com carinho da nossa alimentação. O curso diz que há um "Deus" no nosso interior. Então, vamos nos alimentar oferecendo para Ele tudo que é saudável, vivo e simples. Tudo que ele mesmo nos oferece: frutas, verduras, legumes e sementes. Deixar de intoxicar nosso "Deus" com alimentos cheios de agrotóxicos, industrializados, com açúcar e gordura, álcool, etc. Nossas células, livres de tudo isso, têm possibilidade de voltar a funcionar divinamente e de nos ajudar a encontrar o caminho de volta. Conectar-nos com o belo da Natureza, com sua simplicidade e seus mistérios. Cultivar uma planta, acompanhando o seu crescimento, da semente até o desabrochar da plantinha. São caminhos concretos que nos levam para estágios mágicos da vida verdadeira. O divino está aí a cada momento. Vamos nos pôr em sintonia com essa dimensão sempre. 

*

Preciso aqui, antes de entrar na reflexão que quero que façamos, lembrar a vocês que os comentário são sempre bem-vindos, pois são eles que nos oferecem a sempre nova possibilidade de entrarmos em contato com partes de nós com as quais ainda não estamos familiarizados e que podem revelar - e muitas vezes revelam, de fato - crenças que temos e que nos limitam.

Vamos refletir por uns momentos na descrição do mundo que nossa querida Cida diz querer:

É um mundo que tem cores, perfume, harmonia e se manifesta pela multiplicidade e, por que não dizer?, pela diversidade da natureza. Será desse mundo que a lição fala? Ou esse mundo descrito por ela não será apenas uma versão do Paraíso na terra?

O Curso nos pede que questionemos todas as nossas crenças. Pede que sejamos capazes de questionar tudo aquilo que o mundo nos ensinou e continua a ensinar. Daí este exercício.

Como diz Joel Goldsmith em um de seus livros, é fácil para nós pensar que abandonar o julgamento significa deixar de olhar para o que reputamos feio, nocivo, ruim, mau, tóxico e outros adjetivos quaisquer que queiramos dar às coisas que se nos apresentam à experiência. Mais difícil, diz ele, é perceber que as coisas que reputamos boas, agradáveis, gostosas, também são apenas frutos do julgamento.

O Curso ensina que o mundo, este mundo, e tudo o que há nele, é neutro. Então, não há razão para atribuirmos valores - bons ou maus, ou quaisquer outros - a nada que esteja nele. Porque tudo o que há nele não é real. Ou dito de outra forma, não há nada de real nele. Ele, o mundo que vemos fora, é apenas aparência, ilusão. Projeção daquilo que trazemos dentro.

Indo a mais um ponto da descrição de Cida, e finalizando para não me alongar demais, todos e todas nós somos capazes de entender, ou penso que somos, que uma alimentação natural é melhor para o corpo. E aí é que mora o perigo, isto é, aí que está o revelador da crença por trás desta afirmação. Há aí a revelação da crença de que somos o corpo, não é mesmo?

É claro que, na medida em que nos valemos do corpo como o veículo de comunicação de que fala o Curso, será, talvez - mas apenas talvez - mais inteligente dar ao corpo uma alimentação saudável. Mas o que é saudável para um pode não ser para outro. E se pensarmos na variedade de formas de vida que há na Terra, podemos bem entender que o alimento de uma não pode não ser adequado para outra. E que muitas formas de vida utilizam outras como alimento. O ser humano não é diferente. A maioria pelo menos não. 

Há algum mal em se cuidar do corpo? Não, claro que não. Pois o que somos não é o corpo. Por outro lado, haverá algum mal em se descuidar do corpo? A resposta obviamente tem de ser também um não. 

Então, aonde eu quero chegar? Não quero chegar a lugar nenhum. Só estou ponderando que aquilo que dizemos e que é revelador de nossas crenças precisa ser olhado sempre com atenção. 

Não sei se o mundo que Cida descreve é o mundo que queremos, nem mesmo sei se ela, de fato, acredita que ele é o mundo que ela quer. Ou se ela acredita que o mundo real e verdadeiro seja mesmo assim. Este exercício de reflexão é apenas uma forma de provocar o questionamento. 

Uma vez que, como o Curso nos pede para praticar numa de suas lições, "eu sou espírito", haverá mesmo uma natureza harmônica no mundo que queremos? Haverá necessidade de alimentação saudável ou não? Haverá corpos?

Pensemos, pois.


** Neste ponto do comentário pensei em colocar parte de um texto de Pierre Lévy, no ponto de seu livro "O Fogo Liberador", que ele intitula "o capítulo da presença" e que vem com o subtítulo "o pensamento e o instante". Depois, pensando bem, resolvi colocá-lo aqui, após o adendo para acrescentar mais um ponto à reflexão que eu quis provocar com ele [o adendo].

Vejam, pois, leiam o que nos diz Lévy em seu livro, que, aliás, recomendo muito, e que eu acredito em sintonia com o Curso:

"Nem os pensamentos nem as emoções representam o que quer que seja. Eles são.

"Passado e futuro só existem nos pensamentos presentes. Acreditar no futuro e no passado (aqueles que nossos pensamentos produzem: não há outros) é manter-se ainda na ilusão de seus pensamentos. Esteja atento à qualidade de seus pensamentos agora. Só o instante existe e a qualidade da vida é o presente.

"Só podemos ter um pensamento por vez. A comparação entre dois pensamentos, o julgamento ou a lembrança de um pensamento é ainda outro pensamento. Quando somos tomados por um pensamento, ele parece ser o mais importante, o mais urgente. Mas logo em seguida esse mesmo pensamento dá lugar a outro, de tal modo que nenhum pensamento é importante.

"Os pensamento que nos parecem 'importantes' e os sentimentos que nos parecem 'vivos' em determinado instante passam para segundo plano ou são esquecidos no instante seguinte. Observar esse processo incessante de aparecimento e desaparecimento, de entrada em cena e de retorno à sombra, deveria ajudar-nos a não acreditar na importância do que quer que seja e a perceber que nosso espírito esta continuamente construindo e destruindo essa importância.

"Nada é absolutamente bom, até mesmo o melhor pensamento: ele poderia nos fazer perder o instante.

"A maioria dos 'pensamentos' vem do automatismo mental. O verdadeiro pensamento, o pensamento nobre, é percepção direta, contemplação, presença, criação, ação sobre si, envolvimento profundo, transformação do ser. O pensamento nobre jamais é julgamento. Sabemos que realmente pensamos quando percebemos diferente, quando um espaço se abre.

"Só os pensamentos felizes são pensamentos verdadeiros. Não estou falando das verdades 'objetivas', 'universais', 'científicas', mas sim das verdades existenciais, emocionais, da verdade das situações. Os pensamentos verdadeiros não são nem evasivas nem subterfúgios. Eles olham para a vida de frente, aqui e agora. Os pensamentos verdadeiros são percepções.

"A maioria dos pensamentos tece um véu que nos separa do mundo e de nós mesmos. Eles desviam nossa atenção do que acontece aqui e agora, Impedem-nos de sentir. Tentamos escapar da experiência direta do grande fluxo porque tememos renunciar à solidez ilusória de nosso eu e do mundo 'exterior'. No entanto, por trás do borrão dos pensamentos, conceitos, preconceitos e de todas as formas de loquacidade mental brilha a luz do despertar.

"Para orientar nossa existência, é preciso saber discernir. Para saber discernir, temos de aprender a ver as coisas tal como são. Para ver as coisas tal como são, é preciso cessar de projetar nossos estados mentais no mundo. Para cessar de projetar, devemos nos conhecer. Para nos conhecermos, precisamos ser nosso próprio amigo. Para sermos nosso próprio amigo, esforcemo-nos para acolher com carinho todos os pensamentos. Para aceitar todos os pensamentos, paremos de distinguir entre os bons e os maus. Se quisermos, sinceramente cessar de distinguir entre os bons e os maus pensamentos, temos de meditar com constância e disciplina. Para meditar, é preciso distinguir, sem julgar, entre a plena consciência do instante e a fuga nos pensamentos. Nesse estágio, o problema de se orientar na vida não mais se apresenta. Moramos desde sempre no coração da existência."