quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

O caminho só se abrirá se acreditares que é possível

 

LIÇÃO 49

A Voz de Deus fala comigo durante todo o dia.

1. É bem possível escutar a Voz de Deus durante todo o dia sem interromper tuas atividades normais de modo algum. A parte de tua mente na qual a verdade habita está em comunicação permanente com Deus, quer estejas ciente disso quer não. É a outra parte da tua mente que atua no mundo e que obedece às leis do mundo. É esta parte que está constantemente distraída, desorganizada e é muito inconstante.

2. A parte que ouve a Voz por Deus é calma, está sempre em paz e é totalmente segura. Ela é, de fato, a única parte que existe. A outra parte é uma ilusão louca, frenética e perturbada, mas destituída de qualquer tipo de realidade. Tenta não dar ouvidos a ela. Tenta te identificar com a parte de tua mente em que a serenidade e a paz reinam para sempre. Tenta ouvir a Voz de Deus te chamar amorosamente, lembrando-te de que teu Criador não Se esqueceu de Seu Filho.

3. Hoje precisamos pelo menos quatro períodos de prática de cinco minutos, e mais, se possível. Tentaremos, de fato, ouvir a Voz de Deus fazendo-te lembrar d'Ele e de teu Ser. Vamos nos aproximar com confiança destes pensamentos que são os mais felizes e santos, sabendo que, ao fazê-lo, estamos unindo nossa vontade à Vontade de Deus. Ele quer que ouças Sua Voz. Ele A deu a ti para ser ouvida.

4. Escuta em profundo silêncio. Fica muito sereno e abre tua mente. Ultrapassa todos os guinchos estridentes e todas as fantasias doentias que encobrem teus pensamentos verdadeiros e escondem tua ligação eterna com Deus. Mergulha profundamente na paz que espera por ti além dos pensamentos frenéticos e desenfreados e das cenas e sons deste mundo louco. Tu não vives aqui. Estamos tentando alcançar teu lar verdadeiro. Estamos tentando alcançar o lugar aonde tu és verdadeiramente bem-vindo. Estamos tentando alcançar Deus.

5. Não te esqueças de repetir a ideia de hoje com muita frequência. Faze-o de olhos abertos quando necessário, mas fechados quando possível. E, sempre que puderes, certifica-te de te sentares tranquilamente e repetir a ideia para hoje, fechando os olhos ao mundo e percebendo claramente que convidas a Voz de Deus a falar contigo.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 49

Caras, caros,

A ideia que vamos praticar com a lição de hoje é a seguinte:

"A Voz de Deus fala comigo durante todo o dia."

Vamos, pois, à exploração da ideia para nossas práticas.

Estamos chegando novamente a mais um ponto decisivo em nossa jornada, um ponto de mudança, um ponto de mutação. E a lição de hoje é mais um novo instrumento para facilitar a caminhada. Eu diria que ela é, de certa maneira, um modo diferente de praticarmos uma ideia anterior que dizia: Deus vai comigo aonde eu for.

Não lhes parece?

Mas, como vimos em relação àquela lição, àquela ideia, precisamos buscar ter consciência da Presença para que, de fato, se quisermos, cheguemos a experimentá-la viva em nossos dias. Agora, em relação à ideia para as práticas de hoje, também vamos ter de abrir espaço em nossa consciência para que ela seja a expressão da verdade para nós.

A lição começa assim:

É bem possível escutar a Voz de Deus durante todo o dia sem interromper tuas atividades normais de modo algum. A parte de tua mente na qual a verdade habita está em comunicação permanente com Deus, quer estejas ciente disso quer não. É a outra parte da tua mente que atua no mundo e que obedece às leis do mundo. É esta parte que está constantemente distraída, desorganizada e é muito inconstante.

Sim, sim, sei, é bem possível. Mas como fazer isso?

Basta que faças calar aquela "outra parte da tua mente que atua no mundo e que obedece às leis do mundo".

Pergunto de novo: - como fazer isso?

Voltando-te para  o interior de ti mesmo ou de ti mesma, é claro. Deixando que apenas a parte da tua mente que está em contato permanente com Deus fale contigo - ela é, aliás, a única parte verdadeira de tua mente e de todas as mentes. Para isso é necessário atenção, disposição, decisão, determinação. 

Ou como eu disse outro dia me valendo de Joe Vitale:

"Se a Divindade está tentando nos guiar, precisamos silenciar para ouvir seus sussurros e sentir seus cutucões. Isso significa ficar em silêncio com mais frequência para praticar mais a meditação e ouvir mais as flores e árvores." 

Isto é, abrir-nos por inteiro a tudo o que se mostra a nós, como forma de ouvir que

A Voz de Deus fala comigo durante todo o dia.

Há um trecho do livro texto do Curso que afirma: "quando quiseres só amor, é só isso que verás". Isto é revelador do poder de teu querer. De teu poder quando te decides, quando te comprometes, quando te manténs fiel ao compromisso assumido contigo mesmo ou contigo mesma, ou com o divino em ti.

Vejamos o que a lição oferece a seguir:

A parte que ouve a Voz por Deus é calma, está sempre em paz e é totalmente segura. Ela é, de fato, a única parte que existe. A outra parte é uma ilusão louca, frenética e perturbada, mas destituída de qualquer tipo de realidade. Tenta não dar ouvidos a ela. Tenta te identificar com a parte de tua mente em que a serenidade e a paz reinam para sempre. Tenta ouvir a Voz de Deus te chamar amorosamente, lembrando-te de que teu Criador não Se esqueceu de Seu Filho.

É isso que precisas fazer! Na verdade, é isso que precisas querer fazer. Tentar não dar ouvidos à parte da tua mente que é apenas "uma ilusão louca, frenética e perturbada" e que está a maior parte do tempo "distraída, desorganizada e é muito inconstante".

Precisas saber  - ter consciência de - que a única parte de tua mente que é verdadeira, que existe de fato, é a parte que se mantém em contato e em comunicação permanente com Deus. É a partir dela que crias, ou co-crias, tua experiência de viver e estender o amor, a alegria e paz.

A Voz de Deus fala comigo durante todo o dia.

A verdade eterna das palavras desta lição está na ideia que praticamos. A questão é: queres de fato dar espaço para ouvir em ti a Voz por Deus?

Vamos refletir por uns instantes a respeito disso, antes de passarmos à próxima instrução que a lição traz:

Hoje precisamos pelo menos quatro períodos de prática de cinco minutos, e mais, se possível. Tentaremos, de fato, ouvir a Voz de Deus fazendo-te lembrar d'Ele e de teu Ser. Vamos nos aproximar com confiança destes pensamentos que são os mais felizes e santos, sabendo que, ao fazê-lo, estamos unindo nossa vontade à Vontade de Deus. Ele quer que ouças Sua Voz. Ele A deu a ti para ser ouvida.

O importante aqui é que tenhamos respondido de forma positiva à pergunta anterior. Só assim vamos poder nos comprometer de verdade a tentar ouvir a Voz de Deus. Não precisamos nos restringir às quatro vezes de cinco minutos. Se pudermos, se nossa disposição e a experiência com as práticas nos fizer perceber a Presença do divino em nós, podemos estender os períodos para ouvir a Voz por Deus por mais tempo.

A Voz de Deus fala comigo durante todo o dia.

Atenção à instrução que se segue, pois é este o modo de que vamos nos valer para fazer calar aquela parte da mente que só nos põe em contato com as ilusões.

Escuta em profundo silêncio. Fica muito sereno e abre tua mente. Ultrapassa todos os guinchos estridentes e todas as fantasias doentias que encobrem teus pensamentos verdadeiros e escondem tua ligação eterna com Deus. Mergulha profundamente na paz que espera por ti além dos pensamentos frenéticos e desenfreados e das cenas e sons deste mundo louco. Tu não vives aqui. Estamos tentando alcançar teu lar verdadeiro. Estamos tentando alcançar o lugar aonde tu és verdadeiramente bem-vindo. Estamos tentando alcançar Deus.

Agora já és capaz de te desligar, ainda que por breves momentos, do turbilhão de pensamentos com os quais o ego quer impedir que faças silêncio, para mergulhar em teu interior à procura da Presença de Deus, buscando ouvir a Voz que fala por Deus em ti.

Lembra-te mais uma vez do que dizia outra de nossas lições anteriores. É muito fácil e natural alcançar Deus, porque, na verdade, alcançá-Lo é "a única coisa natural no mundo". Mas lembra-te também de que o caminho só se abrirá, se acreditares que é possível.

Diferentemente do que pensas, talvez, é preciso praticar para acreditar, é preciso que aprendas a aplicar, em teus dias, em tua vida, nas situações que enfrentas, com as pessoas que encontras e com as coisas que percebes, as ideias que o Curso oferece.

Assim é importante ter em mente o que a lição sugere, por fim:

Não te esqueças de repetir a ideia de hoje com muita frequência. Faze-o de olhos abertos quando necessário, mas fechados quando possível. E, sempre que puderes, certifica-te de te sentares tranquilamente e repetir a ideia para hoje, fechando os olhos ao mundo e percebendo claramente que convidas a Voz de Deus a falar contigo.

Lembra-te de repetir a ideia tantas vezes quanto possível. De olhos abertos, de olhos fechados. No meio de tua atividade normal. Mas também busca parar em algum momento sempre que te for possível para convidar Deus a falar contigo.

Não queres ouvir o que Ele/Ela tem a te dizer?

Às práticas, pois!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Este mundo não é criação de Deus, ele é só um sonho

 

LIÇÃO 48

Não há nada a temer.

1. A ideia para hoje simplesmente declara um fato. Não é um fato para aqueles que acreditam em ilusões, mas ilusões não são fatos. Na verdade, não há nada a temer. É muito fácil reconhecer isto. Mas, para aqueles que querem que as ilusões sejam verdadeiras, é muito difícil reconhecê-lo.

2. Os períodos de prática de hoje serão muito breves, muito simples e muito frequentes. Repete simplesmente a ideia tantas vezes quanto possível. Podes usá-la de olhos abertos a qualquer momento e em qualquer situação. Recomenda-se com veemência, porém, que reserves cerca de um minuto sempre que possível para fechar os olhos e repetir a ideia lentamente para ti mesmo várias vezes. É particularmente importante que utilizes a ideia imediatamente, se alguma coisa perturbar tua paz de espírito.

3. A presença do medo é um forte indício de que estás confiando em tua própria força. A consciência de que não há nada a temer demonstra que em algum lugar em tua mente, embora não necessariamente em um lugar que já reconheças, tu te lembraste de Deus e deixaste a força d'Ele tomar o lugar de tua fraqueza. No instante em que estiveres disposto a fazer isto, de fato, não há nada a temer.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 48

Caras, caros,

Vamos repetir juntas, juntos, até cansar a ideia para as práticas de hoje? Até nos convencermos de que, de fato, ´"não há nada a temer"?

"Não há nada a temer."

Ou teremos coragem e honestidade suficientes para admitir que não temos tanta certeza assim de que, como diz a ideia para as práticas de hoje, "não há nada a temer"? Ou a qualquer ruído estranho corremos a fechar portas e janelas, buscando proteger-nos e às pessoas que estão próximas de nós de um "perigo" que, se pensarmos bem, só pode estar em nossa cabeça? Ou ainda não entendemos que "não há nada fora"? Ou não queremos entender?

E a ameaça nuclear dos países que têm bombas atômicas em seus arsenais de guerra e podem querer usá-las para atacar outros países, ou para se defenderem das ameaças de outros? E os países que estão tentando construir as bombas nucleares e fazendo testes com elas? E os fabricantes de armas, que contratam guerras para vender seu produto? E as armas químicas? As biológicas? E o vírus? Será que foi criação de alguém para disseminar o medo e a doença, como já ouvimos afirmarem algumas teorias da conspiração?

E os venenos da indústria de defensivos agrícolas? E os venenos disfarçados em remédios que nos enfia goela abaixo a indústria farmacêutica? E os médicos e profissionais da medicina de hoje, a serviço das indústrias farmacêuticas? Médicos que nem olham para seus pacientes e mal os examinam, e que, a partir da descrição dos sintomas, ou de resultados de exames, receitam uma batelada de remédios, caros muitas vezes, que não curam, mas entorpecem, amenizam os sintomas e viciam o paciente, para que ele se torne um consumidor constante daquele remédio.

E o terrorismo que põe em risco a vida de milhares de pessoas diariamente pelo mundo inteiro? E o tráfico de drogas, que requisita o serviço de milhares de jovens e crianças e as armas para defenderem seus pontos?

E a violência doméstica, na maior parte das vezes não denunciada ou declarada, que sofrem mulheres e crianças em seus próprios lares no mundo todo, sem que haja uma solução visível para ela, nem a longo, nem a médio, que dirá a curto prazo? 

E a violência que agride as pessoas que ousam pensar de modo diferente e buscar diferentes modos de exprimir sua alegria, sua individualidade? A violência contra os homossexuais? As lésbicas? Os/as transexuais? As pessoas de pele negra? Os imigrantes em países de pessoas que temem perder seus empregos para um estrangeiro? E a violência contra as mulheres? E a violência contra as pessoas que têm crenças religiosas diferentes das nossas? E a violência contra as pessoas que professam posições políticas diferentes das que temos?

E a poluição que ameaça destruir a vida natural do planeta, aquecendo-o até o ponto em que ele vai virar um inferno de fogo?

E os hackers? E os vírus de computador? E os conglomerados internacionais que sufocam a economia e perpetuam a pobreza e o subdesenvolvimentos dos países pobres? E a Inteligência Artificial? E Trump, o novo presidente dos Estados Unidos, que está a ameaçar vários países, com taxações sobre produtos, com guerras, com violência e os imigrantes com deportação? Chegando ao desplante de invadir a Venezuela e sequestrar seu presidente.

E, de novo, o vírus e a pandemia? Quantos e quantas ainda vão morrer até que se crie a tal "imunidade de rebanho", ou que todos e todas recebam as doses necessárias de vacinas? Por quanto tempo ainda vai perdurar o medo de se sair à rua, sem máscara, sem álcool gel, sem proteção? Quantas variantes diferentes do vírus vão surgir para que a ameaça não diminua?

E, e, e, e...?

Comecemos a explorar a lição antes de afundarmos em um mar de aparentes ameaças à vida em todas as suas formas como a conhecemos:

A ideia para hoje simplesmente declara um fato. Não é um fato para aqueles que acreditam em ilusões, mas ilusões não são fatos. Na verdade, não há nada a temer. É muito fácil reconhecer isto. Mas, para aqueles que querem que as ilusões sejam verdadeiras, é muito difícil reconhecê-lo.

Percebem a diferença que há entre buscar a sintonia com os Pensamentos de Deus, deixando para trás o mundo, e estar em sintonia com os pensamentos e crenças do ego?

O mundo é ilusão, é sonho, não criação de Deus. Reflete apenas aquilo que cada um, ou cada uma, de nós traz no interior de si mesmo, de si mesma. Se sintonizados ou sintonizadas à crença do ego na separação, vamos ver um mundo cheio de ameaças, de dor, de guerras, de tristezas, de mágoas, de ódios, ressentimentos, carências, escassez, depressão, violência, loucura e morte.

Ilusões que inventam e ampliam ilusões.

Não há nada a temer.

A menos que queiramos que as ilusões sejam reais, isto é, orientados e orientadas pelo orgulho e pela pretensa onipotência do ego, acreditarmos que há no mundo alguma coisa de valor, algo pelo qual valha a pena lutar, algo pelo qual valha a pena viver.

Neste caso teremos medo de perdê-la e nos alinharemos àqueles e àquelas para quem o mundo das aparências e das formas, da ilusão, tem alguma coisa que querem.

Não há nada a temer.

Por quanto tempo ainda vamos dar força às crenças do ego, e do mundo que ele inventou? Por quanto tempo ainda nos deixaremos enganar, acreditando que alguma coisa, pessoa, ou situação, fora de nós pode nos ameaçar, ferir ou matar?

É por isso que a lição nos instrui assim:

Os períodos de prática de hoje serão muito breves, muito simples e muito frequentes. Repete simplesmente a ideia tantas vezes quanto possível. Podes usá-la de olhos abertos a qualquer momento e em qualquer situação. Recomenda-se com veemência, porém, que reserves cerca de um minuto sempre que possível para fechar os olhos e repetir a ideia lentamente para ti mesmo várias vezes. É particularmente importante que utilizes a ideia imediatamente, se alguma coisa perturbar tua paz de espírito.

É particularmente importante que nos lembremos de aplicar a ideia: "Não há nada a temer.", se qualquer coisa se apresentar para perturbar nossa paz de espírito. 

Esta é uma das lições mais poderosas de todo o Curso, em meu modo de entender, e pode transformar nossas vidas num piscar de olhos, caso a levemos suas práticas a sério, caso reconheçamos a verdade eterna que há em suas palavras, caso a pratiquemos e caso a apliquemos a partir de hoje a tudo e a todos em nosso dia-a-dia.

Como a lição nos orienta, por fim:

A presença do medo é um forte indício de que estás confiando em tua própria força. A consciência de que não há nada a temer demonstra que em algum lugar em tua mente, embora não necessariamente em um lugar que já reconheças, tu te lembraste de Deus e deixaste a força d'Ele tomar o lugar de tua fraqueza. No instante em que estiveres disposto a fazer isto, de fato, não há nada a temer.

É a isso que se refere o "não fazer nada" do Curso. Basta que nos lembremos de Deus e O aceitemos e acolhamos em nós e que deixemos a força d'Ele tomar o lugar de nossa fraqueza. Todos estamos convidados e convidadas a fazer isso o tempo todo. Quando, de fato, o fizermos, reconheceremos, saberemos que não há nada a temer.

Às práticas, pois!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Tu lembras de ser feliz, se teu orgulho está em jogo?

 

LIÇÃO 47

Deus é a força na qual eu confio.

1. Se tu confias na tua própria força, tens todas as razões para ficar apreensivo, ansioso e amedrontado. O que podes prever ou controlar? O que há em ti com que se possa contar? O que te daria a capacidade de estar ciente de todas as características de qualquer problema e de resolvê-lo de tal modo que apenas o bem pudesse advir dele? O que há em ti que te dê o reconhecimento da solução correta e a garantia de que ela será alcançada?

2. Tu não podes fazer nenhuma destas coisas por ti mesmo. Acreditar que podes é colocar tua confiança onde a confiança não é justificada e confirmar o medo, a ansiedade, a depressão, a raiva e o pesar. Quem pode colocar sua fé na fraqueza e se sentir seguro? Mas quem pode colocar sua fé na força e se sentir fraco?

3. Deus é tua segurança em todas as circunstâncias. Sua Voz fala por Ele em todas as situações e em todos os aspectos de todas as situações, dizendo-te exatamente o que fazer para invocar Sua força e Sua proteção. Não há nenhuma exceção porque Deus não tem nenhuma exceção. E a Voz que fala por Ele pensa da mesma forma que Ele.

4. Hoje tentaremos ir além de tua própria fraqueza e alcançar a Fonte da força verdadeira. Quatro períodos de prática de cinco minutos são necessários hoje e insiste-se em períodos mais longos e frequentes. Fecha os olhos e começa, como de costume, pela repetição da ideia para o dia. Em seguida, passa um ou dois minutos em busca de situações às quais revestiste de medo em tua vida, descartando cada uma delas dizendo a ti mesmo:

Deus é a força na qual eu confio.

5. Tenta, agora, escapar de todas as preocupações relativas a tua percepção de falta de capacidade. É óbvio que qualquer situação que te cause preocupação está associada a sensações de falta de capacidade, pois, do contrário, acreditarias que podes lidar com a situação com sucesso. Não é acreditando em ti mesmo que vais adquirir confiança. Mas a força de Deus em ti é bem-sucedida em todas as coisas.

6. O reconhecimento de tua própria fragilidade é um passo necessário na correção de teus erros, mas raramente é um passo suficiente para te dar a confiança de que necessitas e à qual tens direito. Tu também tens de ganhar a consciência de que a confiança em tua força verdadeira é inteiramente justificada sob todos os aspectos e em todas as circunstâncias.

7. Na fase final do período de prática tenta ir fundo em tua mente para alcançar um lugar de segurança verdadeira. Tu reconhecerás que o alcançaste se experimentares uma sensação de paz profunda, ainda que breve. Abandona todas as coisas sem importâncias que se agitam e borbulham na superfície de tua mente, e desce mais para alcançar o Reino do Céu. Há um lugar em ti onde existe a paz perfeita. Há um lugar em ti onde nada é impossível. Há um lugar em ti onde a força de Deus habita.

8. Repete a ideia com frequência durante o dia. Utiliza-a como a tua resposta a qualquer inquietação. Lembra-te de que a paz é teu direito porque depositas tua confiança na força de Deus.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 47

Caras, caros,

A ideia que vamos utilizar para nossos treinos de hoje é:

"Deus é a força na qual eu confio."

Comecemos por explorá-la pensando que percorremos já um longo caminho até aqui. Não lhes parece? Quarenta e sete dias já. Quarenta e sete lições. E esta, para muitas e muitos de nós, não é a primeira vez. Ainda bem, não?

E aqui onde é?

O ponto a que chegamos, ora. Esta lição. O ponto que nos permite praticar a ideia de que Deus é o Único Poder, a única força, em que podemos confiar, como nos diz a lição de hoje.

Vejamos, então, o que a lição tem a nos dizer para começar. Atenção, por favor.

Se tu confias na tua própria força, tens todas as razões para ficar apreensivo, ansioso e amedrontado. O que podes prever ou controlar? O que há em ti com que se possa contar? O que te daria a capacidade de estar ciente de todas as características de qualquer problema e de resolvê-lo de tal modo que apenas o bem pudesse advir dele? O que há em ti que te dê o reconhecimento da solução correta e a garantia de que ela será alcançada?

Temos mesmo todos os motivos para ficar apreensivos ou apreensivas, ansiosos ou ansiosas e com medo em qualquer situação que tenhamos de enfrentar, para a qual só pudermos contar com nossa própria força. Não podemos - não somos capazes de - controlar nada, prever nada. Que dirá optar pela solução que resultaria no bem para todos e todas, para tudo a nossa volta.

Não é por isso que, antes de nos dirigirmos a um compromisso qualquer, a um encontro com alguém a quem tenhamos de mostrar nossas capacidades, nossas habilidades, alguém com quem tenhamos de negociar alguma coisa, ficamos trêmulos ou trêmulas, confusos ou confusas, inseguros ou inseguras?

Ora pensamos que o melhor é dizer isso, ora aquilo, ora que é melhor não dizer nada, não "abrir demais", e em geral ficamos com medo da resposta à pergunta que fazemos, via ego, a nós mesmos ou a nós mesmas: "E se...?"

Ora, não seria melhor se confiássemos inteiramente em Deus e entregássemos a Ele, ao divino em nós a situação e/ou o problema junto com o resultado e tudo, e todas as pessoas envolvidas, incluindo-nos também aí? 

Joe Vitale, em seu livro, Marco Zero, diz: "Talvez a gente precise passar menos tempo pretendendo [quer dizer, tendo a intenção de] e mais tempo recebendo".

Deus é a força na qual eu confio.

Ainda precisamos refletir com vagar acerca do que dizemos quando pensamos precisar da ajuda de alguém e nos parece, quer dizer, temos a impressão de que parece não haver ninguém com quem possamos contar, ninguém em quem possamos confiar.

E Deus?

É certo que, se nem eu mesmo sou confiável para mim e, às vezes, sou capaz de fazer coisas de que "até Deus duvida", distraído de mim mesmo a maior parte do tempo, não há ninguém no mundo com quem possamos contar, ou em quem possamos confiar, se não nos entregamos e entregamos tudo em primeiro lugar à força de Deus, ao poder de Deus em nós. 

Ou ainda como sugere Joe Vitale, a partir de suas práticas com o ho'oponopono

"Se a Divindade está tentando nos guiar, precisamos silenciar para ouvir seus sussurros e sentir seus cutucões. Isso significa ficar em silêncio com mais frequência para praticar mais a meditação e ouvir mais a flores e árvores." E ouvir o mar, e os pássaros e os animais. Os sons e silêncios da natureza à volta de nós. As gentes ao nosso redor também.

Quando não fazemos isso, deixando-nos invadir pelos ruídos e pela estática do mundo do ego, e ficamos julgando nossa própria competência ou incompetência, a competência ou incompetência das outras pessoas, comparando a disposição, ou a prontidão, que temos para ser de ajuda com a falta de disposição, ou prontidão, das outras pessoas, a nosso modo de ver, tudo o que fazemos, na verdade é aprisionar-nos, e aprisionar as pessoas todas com quem convivemos - e mesmo aquelas com quem nem convivemos, nem conhecemos -, num julgamento que nos impede de ver de modo diferente. E que reforça a crença na separação. 

Aí, é óbvio: não vamos ouvir a Divindade e muito menos seguir sua orientação. Tornamo-nos surdos e surdas a ela.

Deus é a força na qual eu confio.

Nada, mas nada mesmo no mundo, por mais que pensemos às vezes que sim - que somos especiais e temos habilidades que outras pessoas não têm -, pode nos dar a capacidade de ter consciência de todos os aspectos que estão envolvidos na resolução do menor dos problemas para solucioná-lo de um modo que traga apenas o bem geral como resultado, como eu já disse um pouco acima.

Já sabemos que "todas as coisas cooperam para o bem", mas, em geral, temos grandes dificuldades para enxergar, por exemplo, de que modo uma tragédia como a que atingiu a população da Filipinas há bem pouco tempo atrás, ou a que atingiu mineiros e pescadores, além da fauna e da flora e moradores da região de Mariana, matando o Rio Doce, que era fonte de alimentos e de renda para grande parte da população de lá (e causando o desequilíbrio que culminou numa endemia de febre amarela no Estado de Minas Gerais, e que chegou a ameaçar atingir os outros estados brasileiros) possa servir para o "bem" geral e/ou para o bem de qualquer dos envolvidos. Ou o "acidente" mais recente ainda em Minas Gerais, o de Brumadinho, que deixou vários mortos, uma quantidade enorme de pessoas desaparecidas e outras sem casa, sem lugar para morar, que perderam tudo o que tinham. Ou ainda, para terminar de enumerar algumas das "desgraças" de nossos dias,  guerra da Rússia contra a Ucrânia e o terremoto na Turquia e na Síria. Agora temos também Israel, que se dedica e exterminar todas as pessoas que ocupam uma pequena faixa de terra em Gaza. Isto é, Israel que busca exterminar todos os palestinos. Que "bem" esses acontecimentos podem trazer? E o tal de Trump?

Haverá alguém que saiba nos dizer, por exemplo, de que forma esta pandemia de Covid-19, que acometeu o mundo inteiro, e que aparentemente ainda está muito longe de se dissipar ou de deixar de ameaçar as vidas das pessoas do planeta, porque suas variantes de multiplicam e se transformam em inúmeros tipos de viroses e trazem sequelas de que não temos notícias. "coopera para o bem"? Talvez possamos intuir com alguns poucos iluminados ou algumas poucas iluminadas que isto que enfrentamos pode servir para diminuir a crença na separação, uma vez que não há ninguém imune aos perigos que o vírus oferece. Mesmo as pessoas que contraíram o vírus e não apresentam sintomas podem transmiti-lo e fazer com que ele provoque até mesmo a morte de outras pessoas.

De que maneira - podemos nos perguntar - isso "coopera para o bem"?

Esquecemo-nos da relatividade de todas as coisas no mundo, bem como de sua neutralidade. Esquecemo-nos a maior parte do tempo do livre arbítrio e "não conseguimos" [leia-se "não queremos"] compreender que não existem acidentes ou acasos e que em tudo o que acontece a nossa volta, nossa vontade - ou nosso desejo, talvez em forma de medo - está sendo atendida, ao mesmo tempo em que é atendida a vontade de cada uma daquelas pessoas com quem dividimos nossa aparente existência no tempo. [Aqui talvez seja bom lembrar daquele ponto central do ensinamento que afirma: "medo é desejo".]

Deus é a força na qual eu confio.

Há alguma coisa em mim, em ti, que seja capaz, que nos autorize a reconhecer em quaisquer circunstâncias qual é a solução certa para um problema, para uma questão, e garantir que ela vai se realizar e trazer apenas o bem geral de todas as pessoas envolvidas, bem como para tudo o que está em jogo?

"Tu não precisas fazer nada." Este é um dos ensinamentos centrais do Curso. Mas isto não significa cruzar os braços e esperar que tudo caia do Céu. Significa tão somente reconhecer e aceitar que, por nós mesmos ou por nós mesmas, não somos capazes de lidar com todos os aparentes problemas que o mundo nos pede para enfrentarmos. Significa reconhecer e aceitar que há um Poder com que podemos contar, uma força à qual sempre podemos recorrer.

Deus é a força na qual eu confio.

É isso que a lição vai nos dizer em seguida. Ouçamos:

Tu não podes fazer nenhuma destas coisas por ti mesmo. Acreditar que podes é colocar tua confiança onde a confiança não é justificada e confirmar o medo, a ansiedade, a depressão, a raiva e o pesar. Quem pode colocar sua fé na fraqueza e se sentir seguro? Mas quem pode colocar sua fé na força e se sentir fraco?

Por que razão, para quê, nos voltamos para o ego e sua falsa força e pretensa onipotência, permitindo que só a insegurança, a dúvida, o medo, a ansiedade, a raiva, a tristeza e a depressão se apresentem em nossas vidas cada vez que precisamos lidar com uma questão que diga respeito a nossa felicidade?

Por que nos voltamos para o ego, se:

Deus é tua segurança em todas as circunstâncias. Sua Voz fala por Ele em todas as situações e em todos os aspectos de todas as situações, dizendo-te exatamente o que fazer para invocar Sua força e Sua proteção. Não há nenhuma exceção porque Deus não tem nenhuma exceção. E a Voz que fala por Ele pensa da mesma forma que Ele.

Às vezes, e até com uma certa frequência, somos capazes de perceber que a escolha que estamos fazendo, ou prestes a fazer, vai nos afastar da alegria, vai nos tirar a paz de espírito e nos fazer mergulhar no inferno, mas teimamos em fazê-la, não é mesmo?

Queremos ter razão, não é mesmo? O ego em nós. Que importa ser feliz, quando nosso "orgulho" está em jogo?

Nada, mas nada mesmo, vai nos tirar o gostinho de dar um tapa de luvas em alguém que pensamos nos ter ofendido de algum modo.  Isso não será apenas nós nos deixando dominar pelo ego e por sua/nossa crença na separação?

Deus é a força na qual eu confio.

Prestemos, por favor, toda a atenção e usemos de nossa maior capacidade de honestidade quanto ao restante das instruções da lição de hoje para experimentarmos o contato com a Fonte da força verdadeira em nós: Deus.

A própria lição assegura que vamos ser capazes de reconhecer que chegamos à fonte de nossa segurança verdadeira, ao experimentarmos, além de todas as coisas sem importâncias que se agitam e borbulham na superfície de [nossa] mente, ainda que muito brevemente, uma profunda sensação de paz.

Atenção à verdade eterna das palavras da lição:

Há um lugar em ti onde existe a paz perfeita. Há um lugar em ti onde nada é impossível. Há um lugar em ti onde a força de Deus habita.

Às práticas?

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Devemos, primeiro, o perdão a nós mesmos, mesmas

 

LIÇÃO 46

Deus é o Amor no qual eu perdoo.

1. Deus não perdoa porque Ele nunca condena. E tem de haver condenação antes que o perdão seja necessário. O perdão é a grande necessidade deste mundo, mas isto porque ele é um mundo de ilusões. Aqueles que perdoam estão, deste modo, se liberando das ilusões, enquanto aqueles que negam o perdão estão se comprometendo com elas. Uma vez que só condenas a ti mesmo, tu também só perdoas a ti mesmo.

2. Contudo, embora Deus não perdoe, Seu Amor é, apesar de tudo, a base do perdão. O medo condena e o amor perdoa. Deste modo, o perdão desfaz o que o mundo produz, devolvendo a mente à consciência de Deus. Por esta razão, o perdão pode verdadeiramente ser chamado de salvação. É ele o meio pelo qual as ilusões desaparecem.

3. Os exercícios de hoje pedem, pelo menos, três períodos de cinco minutos completos e tantos períodos mais breves quantos possíveis. Começa os períodos de prática mais longos com a repetição da ideia para ti mesmo, como de costume. Fecha os olhos ao fazê-lo e passa um minuto ou dois examinando tua mente à procura daqueles a quem não perdoas. Não importa "o quanto" não os perdoas. Tu os perdoas inteiramente ou não os perdoas em absoluto.

4. Se estiveres fazendo bem os exercícios não deves ter nenhuma dificuldade para encontrar várias pessoas a quem não perdoas. Um critério seguro é o de que qualquer pessoa de quem não gostes é um sujeito adequado. Cita cada um pelo nome e dize:

Deus é o Amor no qual eu te perdoo, [nome].

5. O objetivo da primeira fase dos períodos de prática de hoje é te colocar em uma posição para perdoares a ti mesmo. Depois de aplicares a ideia a todos que te vieram à mente, dize a ti mesmo:

Deus é o Amor no qual eu me perdoo.

Em seguida, dedica o restante do período de prática a acrescentar ideias afins tais como:

Deus é o Amor com o qual amo a mim mesmo.
Deus é o Amor no qual sou abençoado.

6. A forma da aplicação pode variar consideravelmente, mas não se deve perder de vista a ideia central. Poderias dizer, por exemplo:

Eu não posso ser culpado porque sou um Filho de Deus.
Eu já estou perdoado.
Nenhum medo é possível em uma mente amada por Deus.
Não há nenhuma necessidade de atacar porque o amor me perdoa.

O período de prática deve terminar, porém, com uma repetição da ideia de hoje conforme sua declaração original.

7. Os períodos de prática mais breves podem consistir tanto em uma repetição da ideia na forma original quanto em uma forma afim, conforme preferires. Certifica-te, no entanto, de fazer aplicações mais específicas, se necessário. Elas serão necessárias a qualquer momento, durante o dia, em que ficares ciente de qualquer tipo de reação negativa a qualquer pessoa, presente ou não. Neste caso, dize-lhe em silêncio:

Deus é o Amor no qual eu te perdoo.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 46

Caras, caros,

A ideia com que vamos praticar hoje é esta aqui abaixo

"Deus é o Amor no qual eu perdoo."

Mas antes de chegarmos, de fato, à exploração da ideia para as práticas de hoje, recapitulemos um pouco algumas das lições anteriores recentes: 

Deus vai comigo aonde eu for. Sempre que eu tiver consciência d'Ele/d'Ela, ou sempre que eu buscar ficar consciente de Sua Presença. Quando me deixo enganar pela crença na separação, dando ouvidos à voz do ego, perco a oportunidade, ainda que apenas na ilusão, de experimentar Deus como meu companheiro, amigo e Pai Todo-Amoroso, ou Mãe Toda-Amorosa, que vai comigo aonde eu for.

Deus é minha força. A visão é Sua dádiva. É claro que toda minha força vem de minha decisão de ver Deus. Em tudo e em todas as pessoas. Isto é ver de modo diferente. A dádiva da visão é minha, e sempre me foi dada. Sempre será. Se não a uso é porque ainda não me decidi por ela. No que se refere a Deus, ela está sempre à disposição. E no que se refere a mim? E a ti?

Deus é minha Fonte. Separado d'Ele, não posso ver. Mesmo neste mundo, preciso ter consciência de que minha Fonte é Deus e de que não posso ver verdadeiramente enquanto der crédito à crença na separação, em qualquer de suas formas.

Deus é a luz na qual eu vejo. Acreditar que posso ver no escuro é apenas um auto-engano sem sentido. É só na Luz que se pode de fato ver. E a Luz vem de Deus, a Luz é Deus, e está dentro de mim, porque a Luz é também o que sou. É a consciência disso que pode me libertar do inferno que penso viver neste mundo.

Deus é a Mente com a qual eu penso. Sei que meus pensamentos verdadeiros são aqueles que penso com Deus, n'Ele. É d'Ele a Mente na qual posso entrar em contato com o que sou na verdade.

Deus é o Amor no qual eu perdoo.

É aqui, a esta ideia, que nos trazem todas as que praticamos antes, claro que para nos levar além, bem além, de tudo aquilo que acreditamos ser real neste mundo, que se alimenta e nutre das ilusões que o ego inventa.

A lição de hoje começa por dizer que o perdão só é necessário depois da condenação. Quantos, ou quantas, de nós já pensaram nisso? Que só precisamos perdoar porque condenamos o tempo todo? Sem nossa condenação o mundo seria um mundo perdoado. Um mundo neutro. Livre das projeções e dos equívocos que atribuímos a ele. Como de fato é, na verdade.

Quando eu aprender a olhar para o mundo - para tudo o que há nele e para todas as pessoas nele - com o olhar amoroso de Deus em mim, o perdão não será mais necessário, pois ao me perdoar por minha percepção equivocada do mundo, me perdoo pelo mundo, isto é, pelo meu julgamento do mundo, e o perdoo automática e completamente. Daí a necessidade de nos perdoarmos em primeiro lugar. Sem o perdão a nós mesmos e a nós mesmas, não é possível perdoar o mundo, nem ninguém.

Mas vejamos como a lição nos apresenta esta ideia para começar:

Deus não perdoa porque Ele nunca condena. E tem de haver condenação antes que o perdão seja necessário. O perdão é a grande necessidade deste mundo, mas isto porque ele é um mundo de ilusões. Aqueles que perdoam estão, deste modo, se liberando das ilusões, enquanto aqueles que negam o perdão estão se comprometendo com elas. Uma vez que só condenas a ti mesmo, tu também só perdoas a ti mesmo.

É isso, então! É só da condenação de meu olhar ao que vejo, enquanto ainda não me decidi a ver de modo diferente, ou enquanto ainda não aprendi que, acima de tudo, quero [e preciso] ver de modo diferente, que brota a necessidade de perdão.

É isso! Sou eu mesmo o responsável por ver o mundo cheio de problemas e pecados e erros e tudo o que vem da crença na separação. Eu mesmo o condeno e me condeno ao inferno que penso viver, ao inferno em que penso viver. Por outro lado, só eu mesmo o posso perdoar. E o modo de fazer isso é me perdoando.

E o perdão só se dá à ilusão, em qualquer de suas formas, mesmo aquelas que nos parecem verdadeiras. Ou algum, alguma, de nós pensa que precisa perdoar a verdade?

Deus é o Amor no qual eu perdoo.

Ah, quanto nos deixamos enganar pelo mundo do ego! Ah, como gostamos de nos deixar enganar pelo ego! Quanto vibramos quando surge uma pequena oportunidade de dar uma "alfinetada" em alguém, em falar de alguém, comparando este alguém a outras pessoas, diminuindo-o ou aumentando-o, apenas para separá-lo, para não ver que o que ele é também é o que somos.

Muitas vezes nos dizemos capazes de lidar com a verdade pura e simplesmente. E, quando ela se apresenta, ficamos ressentidas, ressentidos, magoadas, magoados, "de mal" com a pessoa, ou pessoas, que nos fez ver a embrulhada em que nos enfiamos por dar ouvidos ao ego, ao mundo. 

Um filme a que assisti recentemente, quase lá pelo fim, tem uma fala interessante para se pensar. Ela diz que a verdade é feia. Será? E por quê? Talvez porque acreditamos, pela percepção do ego, que a beleza está nas imagens que fazemos de tudo o que vemos. E a verdade não está em nenhuma imagem. Não a podemos apreender em imagens. Nem nas coisas que vemos. Porque a verdade está dentro de nós mesmas, de nós mesmos. Nos a trazemos sempre em nosso interior, mas em geral não queremos nos dar o trabalho de olhar para a verdade e reconhecê-la. Preferimos a mentira, a ilusão. Para nos auto-enganarmos.

Muitas vezes dizemos que queremos acima de tudo saber a verdade, não importa qual seja ela. Mas, no fundo, acreditamos que, às vezes, uma "mentirinha" bem intencionada fica melhor. "Menti, para não magoá-lo, para não magoá-la", dizemos. Pode? A verdade não pode magoar nunca. E qualquer mágoa é sempre do ego.

Por que mentimos? Por medo! Puro medo de ouvir ou de perceber o quanto algumas coisas ilusórias "podem" nos ferir.

Deus é o Amor no qual eu perdoo.

Mas não é verdade que qualquer pessoa ou coisa nos possa ferir. Aquelas e aqueles que já estão aqui há algum tempo sabem que: só minha condenação me fere (lição 198); que: nada a não ser meus pensamentos pode me ferir (lição 281); ou ainda que: só meus pensamentos me afetam (lição 228). Onde está, então, o poder  da outra, do outro, ou das coisas, sobre mim? Nem nada, nem ninguém, tem poder sobre mim, a não ser que eu dê o poder a alguma coisa ou a alguém.

Vejamos como a lição continua:

Contudo, embora Deus não perdoe, Seu Amor é, apesar de tudo, a base do perdão. O medo condena e o amor perdoa. Deste modo, o perdão desfaz o que o mundo produz, devolvendo a mente à consciência de Deus. Por esta razão, o perdão pode verdadeiramente ser chamado de salvação. É ele o meio pelo qual as ilusões desaparecem.

Como eu dizia acima, a única coisa que pode nos levar a preferir uma "mentirinha" à verdade é o medo. E todo medo se origina da culpa que, por sua vez, só pode ter suas raízes na crença em alguma forma de separação.

Ora, como já vimos, Deus é  o Tudo de tudo. Deus é o Único Poder. Nada se pode opor a Ele. Bem e mal não existem. Não existe erro. A Criação é perfeita assim como Deus é perfeito. E somos um com Ele. É Ele nossa Força. É d'Ele que recebemos a visão. É n'Ele, em Sua Luz, que podemos ver. E é d'Ele a Mente com que pensamos.

Deus é o Amor no qual eu perdoo.

Há como ainda se ter dúvidas a respeito do que somos? 

Por que devemos nos perdoar? 

Apenas por nos deixarmos enganar por vezes pela ilusão. Muitas vezes. Vezes sem conta até. Entretanto, trazendo as ilusões à luz da consciência da Mente que compartilhamos com Deus, elas só podem se dissipar. Trazendo os medos, as culpas e os erros, que acreditamos perceber, à luz do Amor que Deus nos dá, eles só podem desaparecer.

O restante das instruções da lição para as práticas de hoje exigem bastante atenção e honestidade, pois o ego pode nos levar a pensar que não há razão para trabalharmos a cura, o perdão, de um pequeno contragosto, de uma leve sensação de medo ou de culpa, por insignificantes.

Não são! E precisam, sim, ser curados do modo que a lição ensina. Pois não podemos dar ao ego o direito de querer nos levar a pensar que é possível que escuridão e luz coexistam.

Onde uma está a outra está ausente. Lembremo-nos de que a menor sensação de desconforto nos afasta da alegria completa e perfeita que é nosso estado natural. Afastar-se da alegria significa, pois, que, de algum modo, cedemos espaço à crença na separação. Isso precisa ser corrigido.

Voltemo-nos, então, para o que a lição nos ensina hoje, para corrigir quaisquer "escorregões" que possamos ter ao longo do dia.

Deus é o Amor no qual eu perdoo.

Às práticas?