domingo, 8 de novembro de 2026

Quando iremos nos entregar por inteiro ao espírito?

 

10. O que é o Juízo Final?

1. A Segunda Vinda de Cristo oferece esta dádiva ao Filho de Deus: ouvir a Voz por Deus revelar que aquilo que é falso é falso e que aquilo que é verdadeiro não muda nunca. E este é o julgamento no qual a percepção acaba. No começo tu vês um mundo que aceita isto como verdadeiro, projetado a partir de uma mente agora correta. E, com essa visão santa, a percepção dá uma bênção silenciosa e, então, desaparece, alcançada sua meta e cumprida sua missão.

2. O juízo final sobre o mundo não contém nenhuma condenação. Pois ele vê o mundo como totalmente perdoado, inocente e totalmente sem propósito. Sem uma causa e, agora, sem uma função na visão de Cristo, ele simplesmente desaparece no nada. Aí ele nasceu e também aí acaba. E todas as imagens no sonho em que o mundo começou se vão com ele. Agora, os corpos são inúteis e, por isso, se desvanecerão, porque o Filho de Deus não tem limites.

3. Tu, que acreditaste que o Juízo Final de Deus condenaria o mundo ao inferno junto contigo, aceita esta verdade santa: o Julgamento de Deus é a dádiva da Correção que Ele concedeu a todos os teus erros, libertando-te deles e de todos os efeitos que eles já pareceram ter. Ter medo da graça redentora de Deus é apenas ter medo da liberação total do sofrimento, da volta à paz, à segurança e à felicidade, e da união com tua própria Identidade.

4. O Juízo Final de Deus é tão misericordioso quanto cada passo no plano designado por Ele para abençoar Seu Filho e lhe pedir que volte à paz eterna que Deus compartilha com o filho. Não tenhas medo do amor. Pois só ele pode curar toda a tristeza, enxugar todas as lágrimas e despertar suavemente, de seu sonho de dor, o Filho a quem Deus reconhece como Seu. Não tenhas medo disso. A salvação pede que tu lhe dês acolhida. E o mundo espera tua alegre aceitação, que o libertará.

5. Este é o Juízo Final de Deus: "Tu ainda és Meu Filho santo, eternamente inocente, eternamente amoroso e eternamente amado, tão sem limites quanto teu Criador e inteiramente imutável e puro para sempre. Desperta, portanto, e volta para Mim. Eu sou Teu Pai e tu és Meu Filho".

*

LIÇÃO 312

Vejo todas as coisas como quero que sejam.

1. A percepção vem depois do julgamento. Depois de julgar, vemos então aquilo que queremos ver. Pois a vista serve simplesmente para nos oferecer o que queremos. É impossível não ver aquilo que queremos ver e deixar de ver aquilo que escolhemos ver. Com quanta certeza, então, o mundo real tem de vir saudar a visão sagrada de qualquer pessoa que adota o propósito do Espírito Santo como sua meta para a visão. Porque ela não pode deixar de olhar para aquilo que Cristo quer que veja e de compartilhar o Amor de Cristo por aquilo que vê.

2. Não tenho nenhum objetivo hoje a não ser o de olhar para um mundo liberado, livre de todos os julgamentos que fiz. Pai, esta é Tua Vontade para mim hoje e, por isso, ela tem de ser também a minha meta.


*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 312

Caras, caros,

Repetindo mais uma vez, em parte, os últimos comentários feitos para esta mesma lição em anos anteriores, continuo a acreditar que a esta altura do aprendizado um bom número de pessoas entre nós já sabe fazer algumas ligações entre as ideias que o Curso nos apresenta para as práticas e algumas das razões por que resistimos ao ensinamento, se é que alguma, ou algum de nós, ainda apresenta algum tipo de resistência a ele. E me parece claro que, por mais que mergulhemos no estudo e nas práticas do ensinamento, o ego sempre vai resistir de uma ou outra maneira. E algumas e alguns de nós vão preferir ouvir o ego ao espírito. Sempre foi assim, continua sendo e não sei por que seria diferente. Se todos e todas resolvêssemos viver nossa vida ouvindo apenas as orientações que o espírito em nós nos dá, é bastante provável que vivêssemos o Céu na terra. Acredito, porém, que é claro que há, entre nós, aquelas e aqueles que vivem o Céu na terra, pois já entregaram suas vidas ao Ser em si.

Acredito também que já aprendemos a identificar algumas das razões para que as experiências que vivemos se deem da forma com que se dão. Não poderia ser diferente com as práticas da ideia de hoje. Ela é naturalmente uma extensão daquela que praticamos ontem. E ambas são essenciais para nos ajudar a pôr em xeque os motivos que nos levam a ver o mundo do modo que vemos. E também as razões para acreditarmos que há algo de real no que vemos.

Se vocês estiverem atentas e atentos, hão de ver que há uma estreita ligação entre a ideia que praticamos hoje e uma lição das mais importantes - em meu modo de ver -  da primeira parte do livro de exercícios: a de número132, lembram? Libero o mundo de tudo o que eu pensava que fosse. Além disso, é claro, ela está diretamente relacionada à ideia da lição de ontem: Julgo todas as coisas como quero que sejam. (Não que se possa dizer que alguma lição é mais importante do que qualquer outra, conforme o Curso orienta, uma vez que todas e cada uma delas são essenciais para o aprendizado.)

Poderia ser diferente? 

Não, não mesmo! A não ser que continuássemos no auto-engano de acreditar que existe alguma coisa fora de nós. Ou que existe uma vontade diferente da Vontade Deus. Ou que existe algo fora de Deus, ou de nós n'Ele/Ela, ou d'Ele/Ela em nós. Aliás, cabe perguntar aqui, perguntar-nos, acreditamos de fato que não há nada fora de nós? Já trazemos entranhada em nós esta ideia? Já a aceitamos como verdadeira, ou ainda resistimos a ela? 

Se ainda nos debatemos para aceitar esta ideia ou se ainda cremos que algo neste mundo pode ser real, é hora de voltarmos a questionar nossas crenças todas. Absolutamente todas. Pelos motivos que já vimos em lição recente. É porque não há nada fora de nós, que precisamos ter sempre muito cuidado com aquilo que pensamos, com aquilo que ouvimos, com aquilo que dizemos e com aquilo que aceitamos para fazer parte de nossa experiência, de nossa vida. O tempo inteiro. Daí, a recomendação milenar: "Orai e vigiai".

Wayne Dyer, em um de seus livros, nos alerta para ficarmos atentas e atentos a nosso diálogo interior. Pois, diz ele, um dos maiores obstáculos à sintonia com o espírito são os nossos pensamentos e, claro, com ela, nossa conversa com nós mesmas, com nós mesmos, ou a conversa que o ego - o falso eu - tenta travar conosco. E Eckhart Tolle, em seu livro, O Poder do Agora, conforme já citei outras vezes, diz ser preciso que nos lembremos de que não somos nossos pensamentos. Temos pensamentos apenas. 


Diz ele, também, que um dos grandes medos que temos em relação aos pensamentos é o medo de que - acreditamos - se pararmos de pensar, vamos morrer. Isso não é verdade. O contrário disso é que é verdadeiro. Se aprendermos a parar os pensamentos, o que vai acontecer é que vamos entrar em contato com aquilo que somos verdadeiramente. Aí é que vamos viver de verdade. Viver no presente. Agora. No único tempo que existe.

Assim a ideia para as práticas de hoje, estendendo a de ontem, chamam de novo a nossa atenção para o fato de que aquilo que vivemos - e que aparentemente vem de fora - é apenas o resultado dos pensamentos e decisões que tomamos internamente. É por isso que precisamos parar e pensar, por exemplo, na forma pela qual somos tratadas e tratados por aquelas pessoas com quem convivemos. 


Tudo o que elas fazem é apenas aplicar a nós aquilo que nós mesmas e nós mesmos aplicamos. A nós mesmas, a nós mesmos, a outras e a outros. Isto é, o modo com que as outras pessoas (e há que lembrar aqui, por via das dúvidas, caso nos tenhamos esquecido, que as outras pessoas também somos nós, versões de nós que existem para podermos nos ver inteiramente, uma vez que um corpo só não engloba o que somos na verdade) nos tratam tem absolutamente tudo a ver com o modo com que nos tratamos: o modo como cada uma e cada um de nós trata a si mesma, a si mesmo. Porque aquilo que pensamos se expande, mesmo quando pensamos a respeito daquilo que nos aborrece, mesmo quando pensamos acerca daquilo que não queremos em nossa vida. Ou daquilo que nos agrada. Assim como daquilo que queremos.

Este comentário, mais uma vez, tem muito a ver com os que fiz para esta mesma lição em anos anteriores, como já disse acima. Tem a ver também com o momento que estamos vivendo, tanto nas práticas, quanto em nossas experiências neste mundo. É por isso que é preciso trazer à mente mais uma vez aquela parte do texto de que já falei algumas vezes, que está no capítulo 26 e que tem por título: VI. O amigo indicado. 

É essa parte do texto que vai nos mostrar que, ao acreditar em qualquer medida na percepção que nos oferecem os sentidos, só podemos estar todas e todos erradas e errados, pois não se pode acreditar que nada do que vemos neste mundo pode ser alguma coisa diferente de ilusão. Na verdade, não há como acreditar que alguma coisa fora de nós exista. Nada no mundo, nem dinheiro, nem poder, nem prestígio, por exemplo, pode fazer com que o mundo venha a ser de alguma forma um lugar mais fácil de se viver. Tudo o que se pode fazer aqui é melhorar o sonho, torná-lo, talvez, feliz. Mas, mantendo-se a consciência de que o mundo é sonho.

Repito, pois, uma vez mais, a partir daqui o comentário dos anos anteriores. 

Notar, perceber, entender, trazer à consciência, aceitar e reconhecer que "A percepção vem depois do julgamento" (grifo meu) é IMPORTANTÍSSIMO. Aqui, na compreensão disto, está a chave para se entender as razões pelas quais nossas experiências se apresentam a nós desta ou daquela forma. É nosso julgamento que determina a percepção que vamos ter. 

Como o Curso diz em outro momento: "A percepção é um espelho, não um fato". Vejam bem: "Depois de julgar, vemos então aquilo que queremos ver" (grifo meu). Pois a visão dos olhos do corpo, ou a percepção de qualquer de nossos sentidos, só nos oferece aquilo que queremos, aquilo que escolhemos ver, tocar, cheirar, ouvir ou saborear, provar. O mesmo acontece em relação ao que escolhemos sentir a partir da percepção. A experiência se apresenta, nós a interpretamos [em nosso julgamento, damos um significado à neutralidade dela] e decidimos sofrer, sentir dor, raiva, medo, culpa, mágoa, desespero, impotência e assim por diante.

Lembram-se das primeiras lições que nos diziam que nada do que vemos tem qualquer significado? Ou que somos nós quem damos significado a tudo que vemos? Ou que não entendemos nada do que vemos? Ou ainda aquela que nos garante que nunca estamos transtornadas, transtornados, aborrecidas, aborrecidos, magoadas, magoados ou preocupadas e preocupados pela razão que imaginamos, pois só nos aborrecemos ou preocupamos com ideias que vêm do passado, um tempo que não existe, lembram-se?

Na verdade, o Curso nos ensina também que não somos capazes de ver as coisas - ou pessoas - para as quais olhamos como elas são no momento em que dirigimos nosso olhar para elas, pois nossos pensamentos não têm qualquer significado e só vemos o passado. Porque julgamos para poder ver o que queremos. Nossos pensamentos são julgamentos que fazemos e transformam, muitas vezes - na maioria delas, pode-se dizer -, o que vemos em "uma forma de vingança".

Bem feito! 


Não é assim que reagimos quando alguma pessoa de nossas relações e convívio vem nos contar que lhe aconteceu alguma coisa acerca da qual já a havíamos alertado? E quantas vezes "torcemos" para que alguém, que não nos quis ouvir, se dê mal para provar que estávamos certas, ou certos?  Quantas vezes pedimos uma prova concreta para um pensamento que sabemos correto, mas no qual não queremos acreditar porque vai de encontro à crença [isto é, a contraria] que queremos manter, sabendo que "o concreto" é apenas mais uma forma de ilusão que "materializamos" para provar nossos próprios pontos de vista, confirmá-los?

Daí o Curso nos perguntar a certa altura se queremos ser felizes ou ter razão. Não é possível ter os dois. Aliás, é preciso aprendermos a abrir mão de todas as certezas que não venham do Amor. Precisamos aprender a abrir mão do mundo inteiro para ganhar o mundo. Precisamos nos entregar por inteiro ao espírito, se quisermos, de fato, encontrar a paz de espírito por que ansiamos e que só o Amor de Deus, em nós mesmas, em nós mesmos, pode nos dar. 

E acrescento uma historinha que li recentemente, acerca do "abrir mão do mundo". Diz ela:

... Era uma vez um grande rei, bonitão, comilão, que gostava de se divertir, tinha 365 mulheres em seu harém. Um dia, foi a um mosteiro e viu um eremita: "Que grande sacrifício você está fazendo!" disse-lhe, e olhou para ele com misericórdia. "Seu sacrifício é maior, meu rei", respondeu o eremita. "Como assim?" "Porque eu reneguei o mundo efêmero, enquanto você renegou o eterno". 

Às práticas?

sábado, 7 de novembro de 2026

Estamos dispostos a questionar os nossos valores?

 

10. O que é o Juízo Final?

1. A Segunda Vinda de Cristo oferece esta dádiva ao Filho de Deus: ouvir a Voz por Deus revelar que aquilo que é falso é falso e que aquilo que é verdadeiro não muda nunca. E este é o julgamento no qual a percepção acaba. No começo tu vês um mundo que aceita isto como verdadeiro, projetado a partir de uma mente agora correta. E, com essa visão santa, a percepção dá uma bênção silenciosa e, então, desaparece, alcançada sua meta e cumprida sua missão.

2. O juízo final sobre o mundo não contém nenhuma condenação. Pois ele vê o mundo como totalmente perdoado, inocente e totalmente sem propósito. Sem uma causa e, agora, sem uma função na visão de Cristo, ele simplesmente desaparece no nada. Aí ele nasceu e também aí acaba. E todas as imagens no sonho em que o mundo começou se vão com ele. Agora, os corpos são inúteis e, por isso, se desvanecerão, porque o Filho de Deus não tem limites.

3. Tu, que acreditaste que o Juízo Final de Deus condenaria o mundo ao inferno junto contigo, aceita esta verdade santa: o Julgamento de Deus é a dádiva da Correção que Ele concedeu a todos os teus erros, libertando-te deles e de todos os efeitos que eles já pareceram ter. Ter medo da graça redentora de Deus é apenas ter medo da liberação total do sofrimento, da volta à paz, à segurança e à felicidade, e da união com tua própria Identidade.

4. O Juízo Final de Deus é tão misericordioso quanto cada passo no plano designado por Ele para abençoar Seu Filho e lhe pedir que volte à paz eterna que Deus compartilha com o filho. Não tenhas medo do amor. Pois só ele pode curar toda a tristeza, enxugar todas as lágrimas e despertar suavemente, de seu sonho de dor, o Filho a quem Deus reconhece como Seu. Não tenhas medo disso. A salvação pede que tu lhe dês acolhida. E o mundo espera tua alegre aceitação, que o libertará.

5. Este é o Juízo Final de Deus: "Tu ainda és Meu Filho santo, eternamente inocente, eternamente amoroso e eternamente amado, tão sem limites quanto teu Criador e inteiramente imutável e puro para sempre. Desperta, portanto, e volta para Mim. Eu sou Teu Pai e tu és Meu Filho".

*

LIÇÃO 311

Julgo todas as coisas como quero que sejam.

1. O julgamento foi feito para ser uma arma contra a verdade. Ele separa aquilo contra o qual está sendo usado e o isola como se fosse uma coisa separada. E, em seguida, faz dela aquilo que queres que seja. Ele julga aquilo que não pode compreender, porque não pode ver a totalidade e, por isso, julga de forma falsa. Não vamos usá-lo hoje, mas fazer dele uma dádiva. Àquele Que tem um uso diferente para ele. Ele nos aliviará da agonia de todos os julgamentos que fazemos de nós mesmos e restabelecerá a paz de espírito, dando-nos o Juízo de Deus acerca de Seu Filho.

2. Pai, esperamos com a mente aberta, hoje, ouvir Teu Juízo acerca do Filho que Tu amas. Não o conhecemos e não podemos julgá-lo. E, assim, deixamos que Teu Amor decida o que ele, a quem Tu criaste como Teu Filho, tem de ser.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 311

Caras, caros,

Eis-nos, mais uma vez, no momento de praticar a partir de um tema novo. Quer dizer, não exatamente novo para aquelas e aqueles que já estão aqui há algum tempo. Agora, porém, novamente, o tema que o Curso nos oferece para orientar e dar unidade às práticas dos próximos dez dias, das próximas dez lições, inclusive a de hoje, é: O que é o Juízo Final? 

Como já se disse antes, e não poucas vezes, utilizados corretamente, de acordo com as instruções recebidas inicialmente, tanto o texto desta instrução - ao qual devemos voltar diariamente, nestes próximos dez dias -, quanto as ideias das lições que vamos praticar podem nos ajudar a abandonar por completo o julgamento. E como tenho feito nos últimos anos, para facilitar, vou continuar postando a cada dia o texto da instrução para mais esta série. 

Abandonar o julgamento significa abandonar tanto aquele julgamento que fazemos de nós mesmas, de nós mesmos, quanto o que fazemos de todas as outras pessoas e coisas que aparentemente estão no mundo conosco. Apesar de já sabermos há muito, intuitiva e inconscientemente, aquilo que o Curso ensina. Isto é, ainda que ao julgarmos alguém ou alguma coisa costumemos nos referir a outra pessoa, ou outras pessoas, em qualquer circunstância, todo o julgamento que fazemos é sempre e tão somente o julgamento de nós mesmas, ou de nós mesmos. Por quê? Porque, como o Curso ensina, não há nada fora. A outra, o outro, as outras, os outros, somos nós mesmas, nós mesmos. Numa embalagem diferente. Numa forma que precisamos aprender a aceitar como parte de nós, para nos sentimos completas, ou completos, uma vez que o Próprio Deus é incompleto sem qualquer uma ou qualquer um de nós.

O julgamento é o primeiro obstáculo à paz, conforme o Curso descreve no capítulo dezenove do texto. Quer dizer, quando nos deixamos enganar pelo sistema de pensamento do ego, não somos capazes de experimentar a paz, a não ser por breves momentos, o que revela nosso desejo inconsciente, é claro - no ego -, de ficarmos livres da paz. E por quê? Porque desde nossa mais tenra idade, e quem sabe mesmo quando ainda éramos apenas um embrião no útero de nossas mães, aprendemos, ou o mundo do ego nos quis ensinar, que não é possível experimentar a paz por mais do que uns poucos instantes. 

Isto porque, como diz o texto, é o pequeno resquício de ataque, que queremos preservar e manter, contra o irmão que vem a ser o obstáculo à paz, pois não podemos atacar o irmão sem atacarmos a nós mesmas, a nós mesmos. O ataque, por consequência, nos tira a paz e revela nossa crença na separação, que, por sua vez, nos mantém presas, presos, à ilusão de que podemos existir separadas ou separados de Deus e umas das outras ou uns dos outros.

Mais uma vez, precisamos voltar ao que nos diz o texto, quando ele nos alerta para a necessidade de que estejamos dispostas e dispostos a questionar todos os valores que mantemos, se quisermos aprender este Curso. Isto é, nada daquilo que acreditamos pode deixar de ser questionado e trazido à verdade. Nenhuma de nossas crenças e valores pode ser mantida oculta sem colocar em risco o nosso aprendizado. Pois, "nenhuma crença é neutra", Cada uma delas tem o poder de ditar as decisões que tomamos, uma vez que uma decisão é uma conclusão que se baseia em todas as coisas em que acreditamos. 

Daí a necessidade de que pratiquemos a ideia de hoje, à luz de seu tema central, para limpar a crença equivocada que fomos ensinadas e ensinados a manter, segundo a qual o Juízo Final seria um momento em que seríamos julgadas e condenadas, ou julgados e condenados, se ímpias ou ímpios, a arder no fogo do inferno por toda a eternidade, separadas e separados em definitivo das outras pessoas, julgadas boas e puras.

Não é mais agradável e confortador saber, pois, que o Juízo Final não nos trará senão o conhecimento de que Deus ainda nos vê como o Filho santo, inocente e amoroso que Ele/Ela sempre amou, ama e amará por toda a eternidade? Um Filho que é puro, ilimitado e imutável tanto quanto seu Pai.

Podemos então nos perguntar novamente, como fizemos antes: quantas vezes nos culpamos por alguma atitude que consideramos equivocada e que acreditamos que pudesse ter ferido alguém ou provocado dor e mágoa? E quantas vezes, para nossa surpresa, a pessoa que julgamos ter prejudicado, ferido ou magoado veio nos agradecer pela palavra ou pelo gesto, que lhe permitiu ver a questão de outra perspectiva? Que lhe permitiu aprender, crescer e mudar?

A humildade de reconhecer que não sabemos nada é essencial para nossa aproximação e para o aprendizado do que o Curso nos ensina. O próprio Curso vai nos aconselhar alguma vez a abandonar tudo o que pensamos, tudo o que aprendemos, tudo o que pensamos saber, e até mesmo a abandonar o próprio ensinamento que ele oferece, para nos aproximarmos da luz, do Ser que somos, na verdade, de mãos, mentes e corações vazios. A luz radiante do espírito, que é o que somos, e que é o que Deus também é, e que é o que Ele/Ela reserva para cada uma e cada um de nós no mais íntimo de nós mesmas, de nós mesmos.

O Juízo Final, o Curso afirma em outro ponto, não é o fim do mundo, mas sua transformação em Céu. O que significa dizer, sim, o fim do mundo, mas o fim do mundo como o conhecemos agora, a partir da percepção equivocada e limitada do falso eu - do ego. O Juízo Final, para o Curso, será, talvez, em meu modo de entender, a liberação das culpas e dos medos, do apego e das carências, de todas as limitações que nós mesmas e nós mesmos nos impusemos, nos impomos e continuamos a nos impor, ao nos acreditarmos separadas e separados de Deus. O reconhecimento, enfim, de que temos tudo e tudo podemos em Deus, com Ele, na Unidade com o que somos.

Isto, portanto, esclarece a necessidade e a utilidade das práticas da ideia de hoje. Uma ideia que vai ajudar a trazer à consciência o fato de que tudo o que vemos só pode deixar de ser neutro quando lhe dermos algum valor. Isto é, as coisas que vemos são forçosamente o que queremos que sejam. Sim, as coisas que vemos são apenas aquilo que queremos ver. Não há como ser diferente. A não ser que mudemos nosso modo de pensar a respeito delas. 

Para auxiliar também em nossa reflexão, trazendo, talvez, uma forma diferente de dizer as mesmas coisas que o Curso ensina, dou-lhes novamente um vídeo de Alan Watts, que trata de nos dar a conhecer o verdadeiro "eu" de nós todas, de nós todos. E que é também o objetivo deste Curso. Vejam no link aí abaixo, por favor:

https://youtu.be/WbIc1UdH8rs

Às práticas?

sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Uma imagem equivocada do amor, é o que o medo é

 

9. O que é a Segunda Vinda?

1. A Segunda Vinda de Cristo, que é tão certa quanto Deus, é apenas a correção e a volta da sanidade. Ela é uma parte da condição que restitui o que nunca se perdeu e que restabelece o que é verdadeiro para todo o sempre. Ela é o convite para que a Palavra de Deus tome o lugar da ilusão; a disposição de permitir que o perdão se estenda sobre todas as coisas sem exceção e sem reserva.

2. É a natureza todo-abrangente da Segunda Vinda de Cristo que permite que ela envolva o mundo e te mantenha em segurança em seu benigno advento, que abarca todas as coisas vivas consigo. Não há limite para o alívio que a Segunda Vinda traz, uma vez que a criação de Deus tem de ser ilimitada. O perdão ilumina o caminho da Segunda Vinda porque ela brilha sobre todas as coisas vivas como uma só. E, desse modo, a unidade é enfim reconhecida.

3. A Segunda Vinda põe fim às lições que o Espírito Santo ensina, dando lugar ao Juízo Final, em que o aprendizado termina em um resumo derradeiro que se estenderá além de si mesmo e chegará a Deus. A Segunda Vinda é o instante em que todas as mentes são entregues às mãos de Cristo, para serem devolvidas ao espírito em nome da criação verdadeira e da Vontade de Deus.

4. A Segunda Vinda é o único acontecimento no tempo que o próprio tempo não pode atingir. Pois cada um daqueles que algum dia veio para morrer, ou que ainda virá, ou que está presente agora é igualmente liberado daquilo que fez. Nessa igualdade Cristo é restabelecido qual uma Identidade única, na qual os Filhos de Deus reconhecem que todos eles são um só. E Deus Pai sorri para Seu Filho, Sua única criação e Sua única alegria.

5. Reza para que a Segunda Vinda aconteça logo, mas não te acomodes nisso. Ela precisa de teus olhos e ouvidos e mãos e pés. Ela precisa de tua voz. E, mais do que tudo, ela precisa de tua boa vontade. Alegremo-nos por sermos capazes de fazer a Vontade de Deus e de nos unirmos em sua luz sagrada. Atenção, o Filho de Deus é um em nós, e podemos alcançar o Amor de nosso Pai por intermédio d'Ele.

*

LIÇÃO 310

Passo o dia de hoje sem medo e com amor.

1. Quero passar este dia Contigo, meu Pai, do modo que Tu escolheste que todos os meus dias deveriam ser. E o que vou viver não pertence em absoluto ao tempo. A alegria que chega a mim não pertence aos dias nem às horas, pois vem do Céu a Teu Filho. Este dia será Tua doce advertência para eu me lembrar de Ti, Teu chamado benevolente a Teu Filho santo, o sinal de que Tua graça veio a mim e de que é Tua Vontade que eu seja libertado hoje.

2. Tu e eu passamos este dia juntos. E o mundo inteiro se junta a nós em nossa canção de agradecimento e de alegria para com Aquele Que nos deu a salvação e Que nos libertou. Fomos devolvidos à paz e à santidade. Não há espaço para o medo em nós hoje, pois acolhemos o amor em nossos corações.


*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 310

Caras, caros,

E se pudéssemos fazer com que, como a ideia que praticamos hoje, todos os nossos dias fossem vividos sem medo, com amor?

Isto será possível? É possível isto?

É! E me lembra uma historinha destas contadas por um mestre que diz o seguinte:

"O medo bateu à porta. O amor foi abrir e não havia ninguém." 

Um trecho do livro texto do Curso diz a certa altura: Quando quiseres só amor é só isso que terás. E em outro ponto, em leitura que fizemos há já bastante tempo, num dos grupos de estudos, ao tempo em que eu os frequentava, lemos: O que o medo escondeu ainda é parte de ti. Unir-te à Expiação é o caminho para sair do medo.

Isto é, o Ser em nós, o divino espírito, que é o que somos na verdade, só pode estar oculto em nós pelo medo que temos de entrar em contato com ele. O medo que temos de olhar para dentro nos impede de, de fato, olhar para lá e encontrar apenas a inocência, a pureza, a mansidão, a benignidade, a paz e a alegria do Filho de Deus, que são aquilo que compartilhamos com Ele, quer estejamos conscientes disso, quer não. 

É só para isso que precisamos olhar, como nos ensinava a lição de ontem. Não há razão nenhuma, em nenhum lugar e em tempo algum para o medo, se, de fato, nos voltarmos para o amor e quisermos encontrar o Ser em nós, se, de verdade, quisermos conhecer Deus.

O Curso ensina já na própria introdução:

O Curso não tem por objetivo ensinar o significado do amor, pois isso está além do que pode ser ensinado. Porém, ele visa a remover as barreiras à consciência da presença do amor, que é tua herança natural. O oposto do amor é o medo, mas aquilo que é todo-abrangente [o amor] não pode ter nenhum oposto.

Isto quer dizer que o medo é apenas uma imagem equivocada do amor. Uma imagem construída pelo falso eu, imagem esta que é, na ilusão, o que pensamos ser. Então, é lógico que se voltarmos toda a nossa atenção para tudo o que o amor é, e para tudo o que o amor nos pode oferecer, não vai sobrar espaço em nossa mente para qualquer pensamento de medo.

As lições do livro de exercícios se prestam exatamente a isto: a blindar nossa mente para todo e qualquer pensamento que nos leve a acreditar que estamos separadas, ou separados, da Fonte de onde viemos, que é o próprio Amor.

É ainda no início do livro que vamos encontrar Os Princípios dos Milagres, que nos informam que:

Os milagres acontecem naturalmente como expressões do amor. O verdadeiro milagre é o amor que os inspira. Neste sentido, tudo o que vem do amor é um milagre. (...) Milagres são naturais. Quando não acontecem, algo deu errado. (...) Eles trazem mais amor tanto para o doador quanto para o recebedor.

Resta-nos, pois, apenas firmar o compromisso de seguir a orientação que recebemos da Voz por Deus, quando iniciamos o dia com a prática da ideia especificada para aquele dia, para que sejamos capazes de experimentar, dia após dia, um tempo no qual o medo não pode entrar, porque fizemos a escolha de viver o amor, de viver no amor.

Às práticas?

quinta-feira, 5 de novembro de 2026

O mundo é pura ilusão. De nada vale tentar mudá-lo.

 

9. O que é a Segunda Vinda?

1. A Segunda Vinda de Cristo, que é tão certa quanto Deus, é apenas a correção e a volta da sanidade. Ela é uma parte da condição que restitui o que nunca se perdeu e que restabelece o que é verdadeiro para todo o sempre. Ela é o convite para que a Palavra de Deus tome o lugar da ilusão; a disposição de permitir que o perdão se estenda sobre todas as coisas sem exceção e sem reserva.

2. É a natureza todo-abrangente da Segunda Vinda de Cristo que permite que ela envolva o mundo e te mantenha em segurança em seu benigno advento, que abarca todas as coisas vivas consigo. Não há limite para o alívio que a Segunda Vinda traz, uma vez que a criação de Deus tem de ser ilimitada. O perdão ilumina o caminho da Segunda Vinda porque ela brilha sobre todas as coisas vivas como uma só. E, desse modo, a unidade é enfim reconhecida.

3. A Segunda Vinda põe fim às lições que o Espírito Santo ensina, dando lugar ao Juízo Final, em que o aprendizado termina em um resumo derradeiro que se estenderá além de si mesmo e chegará a Deus. A Segunda Vinda é o instante em que todas as mentes são entregues às mãos de Cristo, para serem devolvidas ao espírito em nome da criação verdadeira e da Vontade de Deus.

4. A Segunda Vinda é o único acontecimento no tempo que o próprio tempo não pode atingir. Pois cada um daqueles que algum dia veio para morrer, ou que ainda virá, ou que está presente agora é igualmente liberado daquilo que fez. Nessa igualdade Cristo é restabelecido qual uma Identidade única, na qual os Filhos de Deus reconhecem que todos eles são um só. E Deus Pai sorri para Seu Filho, Sua única criação e Sua única alegria.

5. Reza para que a Segunda Vinda aconteça logo, mas não te acomodes nisso. Ela precisa de teus olhos e ouvidos e mãos e pés. Ela precisa de tua voz. E, mais do que tudo, ela precisa de tua boa vontade. Alegremo-nos por sermos capazes de fazer a Vontade de Deus e de nos unirmos em sua luz sagrada. Atenção, o Filho de Deus é um em nós, e podemos alcançar o Amor de nosso Pai por intermédio d'Ele.

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LIÇÃO 309

Não terei medo de olhar para dentro hoje.

1. A eterna inocência está dentro de mim, porque é Vontade de Deus que ela esteja aí para todo o sempre. Eu, Seu Filho, cuja vontade não tem limites tal qual a Própria Vontade d'Ele, não posso desejar nenhuma mudança nisso. Pois negar a Vontade de meu Pai é negar minha própria vontade. Olhar para dentro é apenas descobrir minha vontade tal qual Deus a criou e tal qual ela é. Eu tenho medo de olhar para dentro porque imagino que criei outra vontade que não é verdadeira e a tornei real. Mas ela não tem nenhum efeito. Dentro de mim está a Santidade de Deus. Dentro de mim está a lembrança d'Ele.

2. O passo que dou hoje, meu Pai, é minha libertação infalível de sonhos vãos de pecado. Teu altar continua sereno e puro. Ele é o altar santo para meu Ser e nele encontro minha Identidade verdadeira.


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COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 309

Caras, caros,

Vocês já pararam para pensar em quantas formas diferentes escolhemos o auto-engano neste mundo? De que precisamos para abandonar de uma vez por todas a ilusão de um mundo que precisa urgentemente de mudanças? E mudanças urgentes e radicais a se julgar pelo que vemos e ouvimos acontecer nos quatro cantos do mundo nestes tempos de informação instantânea. Um mundo povoado por pessoas cheias de defeitos, pessoas horríveis, más, mal intencionadas, que precisam mudar para atender a um padrão - o nosso, via ego -, a um ideal, a um modelo, para que possamos amá-las mais e melhor? 

E o que pensamos de nós mesmas, de nós mesmos, então, é muitas vezes indizível, porque o juiz que trazemos em nós - o ego - é mais rigoroso com aquilo que vê em nós mesmas, em nós mesmos, do que com tudo o que possa ver aparentemente fora de si, uma vez que, reforçando uma das ideias centrais do Curso, não há nada fora. O ego não reconhece que o que vê é apenas uma imagem de si mesmo. Ou não quer que reconheçamos isto. 

Ora, o que vemos, pois, aparentemente fora, então, o outro, os outros e tudo o mais, não são senão projeções daquilo que trazemos dentro. Daí a necessidade de abandonarmos de vez a ideia ilusória de que é necessário mudar o mundo. Não há o que mudar, a não ser o modo de ver. "Não há mundo", o Curso ensina.

É claro que isso tem a ver, conforme já chamei sua atenção antes, com  o que praticamos na lição 93, da primeira parte do Livro de Exercícios, que nos oferece a ideia: A luz e a alegria e a paz habitam em mim. Mas, em geral, não é assim que nos vemos. 

O texto que nos prepara para as práticas com a lição 93 fala claramente daquilo que pensamos acerca de nós mesmas, de nós mesmos, ao dizer:

Tu pensas ser o lar do mal, das trevas e do pecado. Pensas que, se alguém pudesse perceber a verdade acerca de ti, ficaria repugnado e fugiria [de ti] como de uma cobra venenosa. Pensas que, se aquilo que é a verdade acerca de ti te fosse revelado, serias acometido de um horror tão intenso que te precipitarias para a morte pela tua própria mão, por ser impossível continuar a viver depois de ver isso.

Ora, como já aprendemos, isto não é a verdade a nosso respeito. Como poderia ser, sendo nós todos e todas, cada um e cada uma de nós individualmente o Filho de Deus, e coletivamente a Filiação?

É por isso que é necessário que pratiquemos, que façamos as lições da maneira que nos orienta o Curso, para que comecemos a aprender a verdade a respeito do Filho de Deus, a verdade a respeito de nós mesmos e de nós mesmas e a acerca de Deus.

É isto que podemos aprender com as práticas da ideia que o Curso nos oferece para hoje. Pois é apenas no interior de nós mesmas, de nós mesmos - para onde podemos nos voltar sem medo algum - que podemos encontrar a verdade, que podemos nos conhecer e conhecer Deus em nós.

Às práticas?

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Não muda no tempo ou no espaço aquilo que somos

 

9. O que é a Segunda Vinda?

1. A Segunda Vinda de Cristo, que é tão certa quanto Deus, é apenas a correção e a volta da sanidade. Ela é uma parte da condição que restitui o que nunca se perdeu e que restabelece o que é verdadeiro para todo o sempre. Ela é o convite para que a Palavra de Deus tome o lugar da ilusão; a disposição de permitir que o perdão se estenda sobre todas as coisas sem exceção e sem reserva.

2. É a natureza todo-abrangente da Segunda Vinda de Cristo que permite que ela envolva o mundo e te mantenha em segurança em seu benigno advento, que abarca todas as coisas vivas consigo. Não há limite para o alívio que a Segunda Vinda traz, uma vez que a criação de Deus tem de ser ilimitada. O perdão ilumina o caminho da Segunda Vinda porque ela brilha sobre todas as coisas vivas como uma só. E, desse modo, a unidade é enfim reconhecida.

3. A Segunda Vinda põe fim às lições que o Espírito Santo ensina, dando lugar ao Juízo Final, em que o aprendizado termina em um resumo derradeiro que se estenderá além de si mesmo e chegará a Deus. A Segunda Vinda é o instante em que todas as mentes são entregues às mãos de Cristo, para serem devolvidas ao espírito em nome da criação verdadeira e da Vontade de Deus.

4. A Segunda Vinda é o único acontecimento no tempo que o próprio tempo não pode atingir. Pois cada um daqueles que algum dia veio para morrer, ou que ainda virá, ou que está presente agora é igualmente liberado daquilo que fez. Nessa igualdade Cristo é restabelecido qual uma Identidade única, na qual os Filhos de Deus reconhecem que todos eles são um só. E Deus Pai sorri para Seu Filho, Sua única criação e Sua única alegria.

5. Reza para que a Segunda Vinda aconteça logo, mas não te acomodes nisso. Ela precisa de teus olhos e ouvidos e mãos e pés. Ela precisa de tua voz. E, mais do que tudo, ela precisa de tua boa vontade. Alegremo-nos por sermos capazes de fazer a Vontade de Deus e de nos unirmos em sua luz sagrada. Atenção, o Filho de Deus é um em nós, e podemos alcançar o Amor de nosso Pai por intermédio d'Ele.

*

LIÇÃO 308

Este instante é o único tempo que existe.

1. Imagino o tempo de tal forma que frustro meu objetivo. Se eu escolher alcançar a intemporalidade além do tempo, tenho de mudar minha percepção a respeito da serventia do tempo. O propósito do tempo não pode ser o de manter o passado e o futuro como uma coisa só. O único intervalo em que posso ser salvo do tempo é agora. Pois o perdão chega para me libertar neste instante. O nascimento de Cristo é agora, sem um passado ou um futuro. Ele vem para dar Sua bênção presente ao mundo, devolvendo-o à intemporalidade e ao amor. E o amor está sempre presente, aqui e agora.

2. Obrigado por este instante, Pai. É agora que sou redimido. Este instante é o momento que Tu estabeleces para a liberação de Teu Filho e para a salvação do mundo nele.

 
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COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 308

Caras, caros,

Com a ideia para as práticas de hoje, o Curso oferece, mais uma vez, o ensinamento que pode nos tornar livres da crença limitadora em um tempo linear, que nos faz acreditar que o que somos hoje é resultado daquilo tudo que aprendemos ao longo de nossa vida ou que somos o resultado de milhões, bilhões quem sabe, de anos de evolução. Isto não é a verdade do que somos. 

O que somos, na verdade, não muda com o tempo, que, aliás, nem existe. Nem com o espaço. Aquilo que acreditamos a respeito de nós mesmas, de nós mesmos, é apenas uma ideia equivocada acerca de uma imagem construída - por nós mesmas e nós mesmos - partir de um sistema de crenças e pensamentos que nos dá o ego, o falso eu, e que não tem absolutamente nada a ver com o que é a verdade, com o que é real, a nosso respeito. 


O ego, ou o falso eu, é tão somente uma vestimenta, uma máscara de que nos valemos para facilitar nosso relacionamento com o mundo, ele mesmo apenas uma ilusão. Essa veste é uma máscara, uma persona que, por engano, passamos a acreditar ser o que somos. É por isso que, como eu já disse antes, em perfeita sintonia com o que o Curso ensina - penso -, nós nunca reagimos aos fatos, mas apenas às interpretações que fazemos deles, interpretações estas todas feitas ainda a partir do falso eu.

Como podemos compreender e manter em mente, para além de quaisquer equívocos, que o tempo e o espaço não existem senão na mente humana e são apenas partes de uma ilusão? Ilusão esta criada pelo falso eu - o ego do Curso -, que é apenas a imagem de nós mesmas, de nós mesmos, que criamos e construímos, mas que não é o que somos, meio que repetindo de forma diferente o parágrafo anterior.

Quem sabe repetir uma das histórias de Joel Goldsmith, extraída do livro O Despertar da Consciência Mística, possa nos trazer alguma luz sobre a questão. É
uma história que fala de "um homem em um barco a remos, na correnteza".

O lugar e o tempo onde ele iniciou sua viagem era aqui e agora, mas o lugar para onde ele ia era ali e depois. Em outras palavras, era no futuro e era no espaço; mas quando ele chegou lá, achou - constatou - que [lá] era aqui e agora. O lugar [de onde ele partira] que tinha sido aqui e agora [agora] era lá e depois [ou antes], e o [outro] lugar para o qual ele ia era lá, mais tarde.

Tudo estava mudado; mas quando ele chegou ao último lugar, tudo atrás dele estava lá e naquele tempo e todo o seu aqui e agora tinha passado, exceto aquilo que ele carregou consigo para onde foi. Quanto ao que lhe dizia respeito, [ele] ainda estava aqui e agora.

Mais tarde, ele teve a oportunidade de subir em um balão. Quando o fez, descobriu que esses lugares [aqueles todos por onde ele havia passado e também aquele em que se encontrava] estão todos aqui e todos agora. Ele podia vê-los e tomar consciência deles das alturas, com a mesma atualidade e realidade. Não havia nem tempo nem espaço naqueles três.

Goldsmith diz mais: 


"Quando fechamos os olhos, ficamos menos cientes do tempo e do espaço; mas, quando meditamos e alcançamos, enfim, o centro do ser em nós, toda a sensação de tempo, espaço, corpo desaparece: peso, preocupação, passado e futuro. Todas essas coisas desaparecem e nos descobrimos vivendo apenas. Não há sensação de tempo, nem de presente, nem de passado, nem de futuro. Não há sensação de desejo, porque na consciência mística profunda de estar aqui e agora, isto é, de experimentar só ser, há apenas realização".

Às práticas? Aqui e agora?

terça-feira, 3 de novembro de 2026

Tudo o que vemos neste mundo é tão-somente ilusão

 

9. O que é a Segunda Vinda?

1. A Segunda Vinda de Cristo, que é tão certa quanto Deus, é apenas a correção e a volta da sanidade. Ela é uma parte da condição que restitui o que nunca se perdeu e que restabelece o que é verdadeiro para todo o sempre. Ela é o convite para que a Palavra de Deus tome o lugar da ilusão; a disposição de permitir que o perdão se estenda sobre todas as coisas sem exceção e sem reserva.

2. É a natureza todo-abrangente da Segunda Vinda de Cristo que permite que ela envolva o mundo e te mantenha em segurança em seu benigno advento, que abarca todas as coisas vivas consigo. Não há limite para o alívio que a Segunda Vinda traz, uma vez que a criação de Deus tem de ser ilimitada. O perdão ilumina o caminho da Segunda Vinda porque ela brilha sobre todas as coisas vivas como uma só. E, desse modo, a unidade é enfim reconhecida.

3. A Segunda Vinda põe fim às lições que o Espírito Santo ensina, dando lugar ao Juízo Final, em que o aprendizado termina em um resumo derradeiro que se estenderá além de si mesmo e chegará a Deus. A Segunda Vinda é o instante em que todas as mentes são entregues às mãos de Cristo, para serem devolvidas ao espírito em nome da criação verdadeira e da Vontade de Deus.

4. A Segunda Vinda é o único acontecimento no tempo que o próprio tempo não pode atingir. Pois cada um daqueles que algum dia veio para morrer, ou que ainda virá, ou que está presente agora é igualmente liberado daquilo que fez. Nessa igualdade Cristo é restabelecido qual uma Identidade única, na qual os Filhos de Deus reconhecem que todos eles são um só. E Deus Pai sorri para Seu Filho, Sua única criação e Sua única alegria.

5. Reza para que a Segunda Vinda aconteça logo, mas não te acomodes nisso. Ela precisa de teus olhos e ouvidos e mãos e pés. Ela precisa de tua voz. E, mais do que tudo, ela precisa de tua boa vontade. Alegremo-nos por sermos capazes de fazer a Vontade de Deus e de nos unirmos em sua luz sagrada. Atenção, o Filho de Deus é um em nós, e podemos alcançar o Amor de nosso Pai por intermédio d'Ele.

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LIÇÃO 307

Minha vontade não pode ser desejos conflitantes*.

1. Pai, Tua Vontade é minha, e só ela. Não existe nenhuma outra vontade para mim. Não permitas que eu tente fazer outra vontade, pois isso não tem sentido e será motivo de dor para mim. Só Tua Vontade pode me trazer a felicidade, pois só a Tua existe. Se eu quiser ter só o que Tu podes dar, tenho de aceitar Tua Vontade para mim e escolher a paz na qual o conflito é impossível. Teu Filho é um Contigo em ser e vontade  e nada contradiz a verdade sagrada segundo a qual eu continuo a ser tal qual Tu me criaste.

2. E com esta prece entramos silenciosamente em um estado no qual o conflito não pode chegar, porque unimos nossa vontade santa à de Deus em reconhecimento de que elas são a mesma.


*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 307

Caras, caros, 

Proponho-lhes, hoje, que pensemos novamente um pouquinho mais a respeito do tema que busca dar unidade às práticas destas dez lições por que estamos passando desde o último sábado: O que é a Segunda Vinda? 

Em um de seus livros, Joel Goldsmith diz o seguinte: 

"Muitas pessoas acreditam que em breve haverá uma outra vinda do Cristo, mas estou convencido [de] que eu e você somos essa vinda, na proporção em que o Cristo é despertado em nós. Cada um de nós está agora chegando a esse estado de consciência em que podemos aceitar a declaração de Jesus [de acordo com os relatos que chegaram até nós] de que o Consolador virá a nós, quando cessarmos de confiar nas pessoas [no sentido de ver além de suas formas] e nas formas e meios humanos. Quando você pode abrir sua consciência para o Cristo total infinito, então Cristo, o Cristo da segunda vinda, virá para você e para mim [e para o mundo inteiro]." 

Isto é, como o Curso diz: a Segunda Vinda é tão somente a volta do sentido. Ou como se entender que o Céu não é um lugar, mas um estado de espírito? Quando nos ligamos à Consciência de onde viemos, e vivemos a partir dela, então estamos vivendo a Segunda Vinda.

Goldsmith, se vocês estiverem lembradas e lembrados, diz ainda que não devemos esperar uma segunda vinda no sentido literal, isto é, não devemos esperar que uma pessoa venha, revestida de um corpo, a se proclamar o Cristo que voltou, uma vez que cada uma, e cada um, de nós já é a encarnação do Cristo, se aprendermos a olhar para nós mesmas, para nós mesmos, para todas e para todos, com a visão do espírito em nós. É importante também ter bem claro que, ainda de acordo com ele, nenhuma pessoa que não tenha empregado seu tempo em aprender a conhecer o Cristo vai vivenciar a segunda vinda. 

Ou, ainda, como diz o teólogo Heinz Zahrnt, a quem já citei anteriormente, "quem quer conhecer Deus - assim como em outras coisas na vida - tem de apostar em algo que não conhece. Deve crer, pensar e agir como se Deus existisse".

E, voltando em parte a comentários anteriores para esta lição, é também disso que nos fala a ideia para as práticas de hoje, ao nos mostrar que nossa vontade só pode ser a Vontade de Deus, uma vez que só a Vontade d'Ele existe. Ou, se preferirem, só Ele existe [em nós, a partir de nós], conforme podemos ler no texto da introdução ao capítulo 10 do livro:

Nada além de ti mesmo pode te tornar medroso ou amoroso, por que não existe nada além de ti. (...) Deus não criou nada além de ti e nada além de ti existe, pois tu és parte d'Ele. O que exceto Ele pode existir? Além d'Ele nada pode acontecer, porque nada é real, a não ser Ele ...

[E tu, com Ele, e cada uma e cada um de nós, com Ele. E todas e todos nós, com Ele. Tudo, todas e todos na unidade, com Ele.]

O que buscamos todas e todos, e que nos pertence por direito, como Filhos de Deus, o Cristo, que somos, está sempre ao nosso alcance. O que acontece é que não o vemos a maior parte do tempo, porque cedemos nossa atenção e poder ao falso eu, que se acredita separado de Deus, que acredita poder existir uma vontade e um poder separados da Vontade de Deus.

O Curso nos orienta a praticar no sentido de re-aprender, ou re-lembrar, de nossa ligação original com Deus, mostrando-nos que tudo o que vemos neste mundo é apenas ilusão, porque perecível, destinado a não durar. E é só a partir da orientação que recebemos todos os dias pelas lições - e por suas práticas - que pode vir a ser possível chegarmos a compreender que o mundo não contém nada que realmente queiramos.

Isto também pode nos levar a entender por que o Curso diz que não precisamos fazer nada. Coisa que outros muitos mestres já nos disseram ao longo dos tempos. E entender que "não precisar fazer nada" não significa que podemos nos sentar numa rede e ficar de "papo pro ar" esperando que tudo aquilo de que pensamos precisar caia do Céu. 


Ou talvez até possa significar isso, a depender do modo como escolhemos viver. Pensando bem, no fundo, no fundo, aquele que põe o reino em primeiro lugar reconhece que tudo aquilo de que precisa lhe chega como uma dádiva, um presente, como que o maná que cai do céu para atender as necessidades prementes. Todas as necessidades. E tudo o que faz é agradecer, e agradecer, e agradecer, e dar graças.

O "não fazer nada" a que o Curso se refere tem a ver apenas com a entrega, significa entender que não é possível fazermos nada sozinhos. Pois fazemos tudo em Deus, com Ele. Significa entender, aceitar, acolher e agradecer o tempo todo por isso. Afinal, só alcançaremos a liberdade completa, como diz o Curso, e desfrutaremos de tudo o que é nosso por direito quando reconhecermos nossa total e completa dependência de Deus.     

* NOTA:

 
No original conflicting: a palavra conflicting pode ser traduzida como conflitante, contraditório, absurdo, incoerente ou ilógico. Todos são sinônimos que remetem a algo não unificado, algo incerto e duvidoso. Apesar de eu ter mudado a ordem da frase original, mantive o adjetivo conflitante, escolhido por Lillian como tradução para o adjetivo original, embora acredite que a ideia ficaria mais bem dita se ficasse assim: "Minha vontade não pode ter desejos contraditórios".