terça-feira, 2 de junho de 2026

Tudo o que precisamos fazer é abrir mão do controle

 

LIÇÃO 153

Minha segurança está em ser sem defesas.

1. Tu, que te sentes ameaçado por este mundo inconstante, pelas viradas da sorte nele e por suas brincadeiras cruéis, seus relacionamentos breves e todas as "dádivas" que ele apenas te empresta para tomar de volta mais uma vez, presta bastante atenção nesta lição. O mundo não oferece segurança. Ele se baseia no ataque e todas as suas "dádivas" com aparência de segurança são logros enganadores. Ele ataca e em seguida ataca novamente. Aonde o perigo ameaça desta forma, nenhuma paz de espírito é possível.

2. O mundo só dá origem à defensiva. Pois a ameaça gera raiva, a raiva faz o ataque parecer razoável, francamente provocado e justificado em nome da defesa própria. Porém, a defensiva é uma dupla ameaça. Pois ela evidencia a fraqueza e funda um sistema de defesa que não pode funcionar. Com isto os fracos ficam ainda mais debilitados, pois há traição fora e uma traição ainda maior no interior. Agora a mente está confusa e não sabe para onde se voltar para achar saída para suas fantasias.

3. É como se ela estivesse amarrada no interior de um círculo, no qual outro círculo a prendesse e mais um dentro daquele, até que não se pudesse mais ter esperança ou obter saída. Ataque, defesa; defesa, ataque se tornam os círculos das horas e dos dias que amarram a mente com pesadas fitas de aço revestidas de ferro, que retrocedem apenas para começar outra vez. Parece não haver nenhuma trégua, nem fim, para o aperto sempre mais firme da prisão imposta sobre a mente.

4. As defesas são o preço mais alto que o ego quer cobrar. Nelas reside a loucura sob uma forma tão inflexível que a esperança de sanidade parece ser apenas um sonho inútil, além do possível. A sensação de ameaça que o mundo encoraja é muito mais profunda e fica tão mais distante do delírio e da violência do que podes imaginar, que não fazes nenhuma ideia de toda a destruição que ela produz.

5. Tu és escravo dela. Tu não sabes o que fazer por medo dela. Tu, que sentes seu aperto férreo sobre teu coração, não compreendes o quanto ela te força a sacrificar. Tu não percebes de forma clara o que fazes para sabotar a santa paz de Deus com tua defensiva. Pois vês o Filho de Deus apenas como uma vítima à qual atacar com as fantasias, os sonhos e as ilusões que ele inventa; mas indefeso na presença delas, apenas carente de defesa por meio de mais fantasias ainda e de sonhos, pelos quais as ilusões de sua segurança o consolam.

6. A não-defensiva é força. Isto atesta o reconhecimento do Cristo em ti. Talvez lembres que o texto afirma que sempre se faz a escolha entre a força do Cristo e tua própria fraqueza, vista separada d'Ele. A não-defensiva não pode ser atacada nunca, porque ela reconhece uma força tão grande que o ataque se torna loucura, ou uma brincadeira tola que uma criança cansada poderia brincar, quando estivesse sonolenta demais para se lembrar do que quer.

7. A defensiva é fraqueza. Ela declara que negas o Cristo e vens a temer a raiva de Seu Pai. O que pode te salvar agora de teu delírio de um deus irado, cuja imagem assustadora acreditas ver em ação em todos os males do mundo? O que senão ilusões poderiam te defender agora, se é apenas contra ilusões que lutas?

8. Não participaremos de tais jogos infantis hoje. Pois nosso objetivo verdadeiro é salvar o mundo e não queremos trocar a alegria infinita que nossa função nos oferece por tolices. Não queremos permitir que nossa felicidade escape porque um fragmento de um sonho inútil passou por acaso por nossas mentes e porque confundimos as figuras nele com o Filho de Deus, seu instante minúsculo pela eternidade.

9. Hoje olhamos para além dos sonhos e reconhecemos que não precisamos de nenhuma defesa porque fomos criados inatacáveis, sem qualquer pensamento ou desejo ou sonho no qual o ataque tenha qualquer significado. Agora não podemos ter medo, pois deixamos para trás todos os pensamentos assustadores. E estamos seguros na não-defensiva, calmamente convictos de nossa segurança, certos da salvação, certos de que realizaremos o objetivo escolhido, à medida que nosso ministério estende sua bênção sagrada pelo mundo.

10. Fica quieto por um instante e, em silêncio, pensa quão santo é teu propósito, com que segurança descansas, intocável em sua luz. Os ministros de Deus escolhem que a verdade esteja com eles. Quem é mais santo do que eles? Quem pode ter mais certeza de que sua felicidade está inteiramente assegurada? E quem poderia estar mais fortemente protegido? Que defesa poderia ser necessária àqueles que estão entre os escolhidos de Deus por escolha d'Ele e também pela deles mesmos?

11. É a função dos ministros de Deus ajudar seus irmãos a escolherem como eles escolhem. Deus escolhe a todos, mas poucos chegam a perceber claramente que a Vontade d'Ele é apenas a deles mesmos. E, enquanto deixares de ensinar o que aprendes, a salvação espera e as trevas mantêm o mundo em uma prisão horrível. E também não aprenderás que a luz veio a ti e que tua saída se completou com sucesso. Pois não verás a luz até que a ofereças a todos os teus irmãos. Quando eles a receberem de tuas mãos, então a reconhecerás como tua.

12. Pode-se pensar na salvação como uma brincadeira que crianças felizes brincam. Ela foi planejada por Aquele Que ama Suas crianças e Que quer substituir seus brinquedos assustadores por jogos felizes, que lhes ensinem que o jogo do medo acabou. O jogo d'Ele educa na felicidade porque não há perdedor. Cada um dos que jogam tem de ganhar e na vitória dele garante-se o ganho de todos. O jogo do medo é posto de lado com alegria, quando as crianças chegam a ver os benefícios que a salvação traz.

13. Tu, que brincas que estás perdido para ter esperança, abandonado por teu Pai, deixado só, aterrorizado, em um mundo assustador, enlouquecido pelo pecado e pela culpa, fica feliz agora. Este jogo acabou. Agora começa um tempo de paz, no qual guardamos os brinquedos de culpa e trancamos para sempre nossos pensamentos fantásticos e infantis de pecado fora das mentes puras e santas das crianças do Céu e do Filho de Deus.

14. Paramos por mais um instante apenas para jogar nosso jogo final e feliz sobre esta terra. E, em seguida, vamos assumir nosso lugar legítimo aonde habita a verdade e onde os jogos não têm significado. Assim termina a novela. Deixa que este dia traga o último capítulo para mais perto do mundo, para que todos possam aprender que a fábula que ele lê a respeito de um destino aterrorizante, da derrota de todas as suas esperanças, sua defesa lamentável contra uma vingança da qual não se pode fugir, é apenas sua própria fantasia no delírio. Os ministros de Deus chegam para despertá-lo dos sonhos sombrios que esta novela suscita em sua memória confusa, perplexa com este conto mentiroso. Enfim, o Filho de Deus pode sorrir, ao aprender que ele não é verdadeiro.

15. Hoje praticamos de uma forma que vamos manter por algum tempo. Começaremos cada dia dando nossa atenção à ideia diária durante o maior tempo possível. Cinco minutos, agora, são o mínimo que oferecemos no preparo para um dia no qual a salvação é a única meta que temos. Melhor seriam dez; quinze, melhor ainda. E, à medida que a confusão deixa de surgir para nos afastar de nosso objetivo, descobriremos que meia hora é um tempo demasiado curto para se passar com Deus. Tampouco estaremos dispostos a oferecer menos à noite, com gratidão e alegria.

16. Cada hora amplia nossa paz crescente, quando nos lembramos de ser fiéis à Vontade que compartilhamos com Deus. Às vezes, talvez, um minuto, até menos, será o máximo que poderemos oferecer ao soar de cada hora. Algumas vezes esqueceremos. Noutras as atividades do mundo nos impedirão e não seremos capazes de nos afastar por alguns momentos para voltar nossos pensamentos para Deus.

17. No entanto, quando pudermos, manteremos nossa confiança como ministros de Deus, lembrando-nos a cada hora de nossa missão e do Seu Amor. E nos sentaremos calmamente e esperaremos por Ele e ouviremos Sua Voz, e aprenderemos o que Ele quer que aprendamos na hora que ainda está por vir, enquanto O agradecemos por todas as dádivas que Ele nos deu na que passou.

18. Com o tempo, com a prática, nunca deixarás de pensar n'Ele e de ouvir Sua Voz amorosa orientando teus passos por caminhos suaves, onde caminharás na verdadeira não-defensiva. Pois saberás que o Céu vai contigo. E também não queres manter tua mente afastada d'Ele nem por um momento, embora passes teu tempo oferecendo a salvação ao mundo. Pensas que Ele não tornará isto possível para ti, que escolheste executar o plano d'Ele para a salvação do mundo e para a tua?

19. Nosso tema hoje é nossa não-defensiva. Nós nos cobrimos com ele enquanto nos preparamos para enfrentar o dia. Levantamo-nos fortes em Cristo e deixamos nossa fraqueza desaparecer, enquanto nos lembramos de que a força d'Ele habita em nós. Nós nos lembraremos de que Ele permanece ao nosso lado ao longo do dia e nunca deixa nossa fraqueza sem o apoio de Sua força. Invocamos a força d'Ele cada vez que sentirmos a ameaça de nossas defesas minarem nossa convicção a respeito de nosso objetivo. Pararemos por um instante, enquanto Ele nos diz: "Eu estou aqui".

20. Agora tua prática começará a assumir a dedicação do amor, para te auxiliar a impedir tua mente de se desviar de seu objetivo. Não tenhas medo nem fiques apreensivo. Não pode haver nenhuma dúvida de que alcançarás tua meta final. Os ministros de Deus não podem fracassar nunca, porque o amor e a força e a paz que brilham a partir deles para todos os seus irmão vêm d'Ele. Estas são as dádivas d'Ele para ti. Tudo o que precisas oferecer a Ele, em retribuição, é a não-defensiva. Tu simplesmente abandonas aquilo que nunca foi real, para olhar para o Cristo e ver Sua inocência.


*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 153

Caras, caros,

Voltamos mais uma vez ao mote da segurança. Um tema que nos dias de hoje é muito comentado. Principalmente da parte das pessoas que têm algumas posses, mais ainda daquelas que têm muitas posses.

É um tal de erguer cercas, contratar empresas de segurança, instalar câmaras e alarmes, buscar no mercado o que há de mais moderno para fazer com que nos sintamos seguros dentro do cantinho que escolhemos para ser nossa prisão particular. Prisão, sim, porque mal dormimos à noite, se algum dos equipamentos de segurança falha.

Enquanto isto, os ditos "bandidos" andam soltos e não têm medo de ninguém, nem de nós, nem das empresas de segurança, da polícia, ou do governo, mesmo quando dentro das prisões. Estão seguros. A norma agora é chefiar o crime de dentro das prisões. E por que isto acontece? Porque as pessoas que escolheram viver do crime, ou no crime, em geral, não têm nada a perder. E, quem não tem nada a perder, não tem medo. Não tem razão para se defender.

É disto que vamos tratar hoje com a ideia que o ensinamento traz para as nossas práticas. A ela? 

"Minha segurança está em ser sem defesas."

Novamente: se quisermos nos manter fiéis ao que o Curso ensina, não há como não relacionar esta lição e esta ideia a uma lição anterior, a 135, que diz: Se me defendo, sou atacado.

Todos os movimentos que fazemos se devem a uma lógica que muitas vezes não paramos para questionar, nem conseguimos perceber, porque a maior parte do tempo distraídos e distraídas de nós mesmos, de nós mesmas e do que acontece à volta de nós, pensando no movimento anterior [o passado], e nas consequências dele, ou tentando antecipar o próximo movimento [o futuro], e avaliando os possíveis resultados que advirão com ele.

Quer queiramos, quer não, quer saibamos de forma consciente, quer não, os movimentos que fazemos são sempre aqueles que podemos fazer a partir da consciência que temos de nós mesmos e de nós mesmas, a partir das vontades, dos desejos e dos quereres que nos movem na direção do sonho, da alegria e da felicidade.

À medida que nos movimentamos pelo mundo e buscamos ver claramente o que nos move, em função de resultados que se apresentam, e que muitas vezes não são aparentemente aqueles que queríamos ou que pensávamos querer - aqueles que nos fazem felizes, que nos enchem de alegria - vamos aprendendo a mudar as escolhas. No entanto, enquanto buscarmos pensando que havemos de preencher alguma necessidade, alguma falta, vamos viver experiências de altos e baixos, vamos passar por experiências que nos satisfazem e por outras que não nos dão a satisfação esperada.

Por quê?

Porque é preciso compreendermos - e este compreender tem sempre de ser no sentido de aceitar - que não precisamos fazer nada. Nada, nada, nada. Isto, para usar uma expressão corriqueira bastante conhecida, também equivale a aceitar como verdadeiro aquele ditado: "muito ajuda quem não atrapalha".

Ora, viver do modo que vivemos, como se precisássemos nos defender o tempo todo de um mundo perigoso, um mundo em que há armadilhas em cada esquina, um mundo no qual o inimigo usa os disfarces mais inusitados e pode nos surpreender com a guarda baixa, não é viver absolutamente. É atrapalhar a vida. É não entender a lógica da vida e seus movimentos. É acreditar que é preciso fazer alguma coisa para melhorar um mundo no qual a vida é criada de modo perfeito. Tanto é assim que ninguém até hoje consegue explicar como a vida funciona. Ninguém conseguiu "criar" vida ou reproduzir "artificialmente" de maneira parecida os movimentos da vida.

É a vida que se sobrepõe a tudo o que podemos fazer no mundo. É a vida que continua a existir quando morre uma flor, um pássaro, uma planta qualquer, um animal qualquer ou mesmo quando as pessoas, conhecidas ou desconhecidas, quer próximas, quer distantes, morrem. A vida não morre jamais.

Tudo o que precisamos compreender, e aceitar, é que estamos no lugar certo o tempo todo, seja lá onde for que estivermos. Fazemos - porque é só o que podemos fazer em qualquer instante dado - o que tem de ser feito, em cada um e em todos os momentos, seja lá o que for que fizermos. Ou como diz a música From the Beginning, de Emerson, Lake & Palmer, que citei também no comentário dos anos anteriores: "Vê, é tudo claro, tinhas de estar aqui, desde o início".

A lição de ontem - O poder de decisão é meu - é absolutamente clara a respeito do equívoco das crenças a partir das quais pensamos que o que vivemos é viver. Isto é, pensamos estar à mercê de um poder tirano sobre o qual não temos o menor controle. Um poder que nos pôs num mundo qual um barco à deriva no meio de uma tempestade num mar em fúria. E achamos que precisamos lutar para nos defender dos perigos que este poder nos apresenta a cada instante.

Nada mais falso. Isto é, como a lição de ontem diz:

Ninguém pode sofrer perda a menos que isso seja sua própria decisão. Ninguém pode sentir dor a não ser que sua escolha eleja esse estado para si. Ninguém pode se afligir nem ter medo nem se perceber doente a menos que esses resultados seja o que quer. E ninguém morre sem seu próprio consentimento. Tudo o que acontece representa apenas teu desejo e nada do que escolhas deixa de acontecer. Eis aqui teu mundo, completo em todos os detalhes. Eis aqui a realidade inteira dele para ti. E é só aqui que está a salvação. 

Ou, como diz Elio D'Anna em seu livro, de que já lhes falei: "o inesperado precisa de um longo tempo de preparação" e nada do que acontece a ninguém acontece sem seu consentimento, conforme o ensinamento do Curso.

Quem, então, pensas que cria [inventa] a necessidade de defesas? Quem cria [inventa em sua imaginação insana] os perigos de que se defender? Obviamente não é aquilo que tu és na verdade, em Deus. Só pode ser uma imagem falsa de ti mesmo, ou de ti mesma, que construíste para justificar este mundo insano em que pensas viver.

É importante observar o que diz a última frase do primeiro parágrafo que cito: "E é só aqui que está a salvação".

E ela é muito simples, se abandonares tua necessidade de controle, se abandonares o julgamento do mundo, se baixares todas as tuas armas e deixares de te defender. A salvação está em deixar que Deus viva a Sua vida em ti. Pois Isso é o que és. Na verdade, todas as defesas que o ego inventa são para se proteger de Deus, e de nada mais.

É hora, pois, de reconhecer que não há necessidade de nos defendermos de Deus. É hora de abandonarmos toda a luta. É hora de reconhecermos que nossa vontade e a Vontade de Deus são a mesma.

NOTA: Reprisando ainda uma vez mais: quem quiser ouvir a música que citei, que acho belíssima, o link é o seguinte:

http://www.youtube.com/watch?v=3epPMa5rq0U 

Às práticas?

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Reconhecermo-nos Filhos de Deus é a humildade real

 

LIÇÃO 152

O poder de decisão é meu.

1. Ninguém pode sofrer perda a menos que ela seja sua própria decisão. Ninguém pode sentir dor a não ser que sua escolha determine este estado para si. Ninguém pode se afligir, nem ter medo, nem pensar que está doente a menos que estes sejam os resultados que queira. E ninguém morre sem sua própria permissão. Tudo o que acontece não representa nada senão teu desejo e não se omite nada do que escolhes. Eis aqui teu mundo, completo em todos os detalhes. Eis aqui toda a realidade dele para ti. E é só nisto que a salvação está.

2. Podes acreditar que esta posição seja extrema e abrangente demais para ser verdadeira. Mas a verdade pode ter exceções? Se tens a dádiva de todas as coisas, a perda pode ser real? A dor pode ser parte da paz, ou a tristeza parte da alegria? O medo e a doença podem entrar em uma mente na qual habitem o amor e a santidade perfeita? A verdade tem de ser todo-abrangente, se é que é absolutamente a verdade. Não aceites nenhum oposto e nenhuma exceção, pois fazê-lo é contradizer inteiramente a verdade.

3. A salvação é o reconhecimento de que a verdade é verdadeira e de que nada mais é verdadeiro. Ouviste isto antes, mas podes ainda não aceitar ambas as partes. Sem a primeira, a segunda não faz nenhum sentido. Mas sem a segunda, a primeira não é mais verdadeira. A verdade não pode ter um oposto. Nunca é demais dizer isto e pensar a este respeito. Pois se o que não é verdadeiro fosse tão verdadeiro quanto o que é verdadeiro, então, parte da verdade seria falsa. E a verdade perde seu sentido. Nada a não ser a verdade é verdadeiro, e o que é falso é falso.

4. Esta é a mais simples das distinções, embora a mais enigmática. Mas não em razão de que seja uma distinção difícil de perceber. Ela está escondida atrás de um vasto conjunto de escolhas que não parecem ser inteiramente tuas. E, deste modo, a verdade parece ter alguns aspectos que descaracterizam a coerência, mas que não parecem ser apenas contradições que tu inseriste.

5. Uma vez que Deus te criou, tu tens de permanecer imutável, com estados transitórios falsos por definição. E isso inclui todas as mudanças de sensações, alterações nas condições do corpo e da mente; em toda a consciência e em todas as reações. Esta é a abrangência total que separa a verdade do falso e pela qual o falso se mantém separado da verdade assim como ele é.

6. Não é estranho que acredites que pensar que fizeste o mundo que vês seja arrogância? Deus não o fez. Podes ter certeza disto. O que Ele pode saber do efêmero, do pecador e do culpado, do medroso, do sofredor e do solitário, e da mente que vive em um corpo que tem de morrer? Tu apenas O acusas de loucura ao pensar que Ele fez um mundo onde tais coisas parecem ter realidade. Ele não é louco. Contudo, só a loucura faz um mundo como este.

7. Pensar que Deus fez o caos, contradisse Sua Vontade, inventou opostos para a verdade e permite que a morte triunfe sobre a vida, tudo isto é arrogância. A humildade veria imediatamente que estas coisas não vêm d'Ele. E tu podes ver aquilo que Deus não criou? Pensar que podes é apenas acreditar que podes perceber aquilo que Deus não quis que existisse. E o que pode ser mais arrogante do que isto?

8. Sejamos verdadeiramente humildes hoje e aceitemos o que fazemos assim como é. O poder de decisão é nosso. Decide apenas aceitar teu lugar legítimo como co-criador do universo e tudo o que pensas que fizeste desaparecerá. O que surge na consciência, então, será tudo o que sempre existiu, eternamente tal como é agora. E isto tomará o lugar dos auto-enganos feitos apenas para usurpar o altar do Pai e do Filho.

9. Hoje praticamos a verdadeira humildade, abandonando a falsa presunção a partir da qual o ego busca provar que ela é arrogante. Só o ego pode ser arrogante. A verdade, porém, é humilde ao reconhecer seu poder, sua imutabilidade e sua eterna integridade, sua abrangência total, a dádiva perfeita de Deus para Seu Filho amado. Abandonamos a arrogância que diz que somos pecadores, culpados e medrosos, envergonhados daquilo que somos e, em lugar disto, em verdadeira humildade, elevamos nossos corações Àquele Que nos criou imaculados, iguais a Si Mesmo em poder e em amor.

10. O poder de decisão é nosso. E aceitamos aquilo que somos e reconhecemos o Filho de Deus humildemente. Reconhecer o Filho de Deus também pressupõe que todos os autoconceitos foram abandonados e reconhecidos como falsos. Percebeu-se a arrogância deles. E, na humildade, aceitamos alegremente como nossas a radiância do Filho de Deus, sua benevolência, sua completa inocência, o Amor de seu Pai, seu direito ao Céu e a libertação do inferno.

11. Agora nos unimos em alegre reconhecimento de que as mentiras são falsas e só a verdade é verdadeira. Pensamos apenas na verdade ao nos levantarmos e passarmos cinco minutos praticando seus caminhos, encorajando nossas mentes assustadas com isto:

O poder de decisão é meu. Neste dia, eu me aceitarei
como aquilo que a Vontade de meu Pai me criou para ser.

Esperaremos, então, em silêncio, desistindo de todos os auto-enganos, enquanto pedimos a nosso Ser que Ele Se revele a nós. E Aquele Que nunca partiu virá a nossa consciência mais uma vez, grato por devolver Seu lar a Deus, como ele se destinava a ser.

12. Espera por Ele com paciência ao longo do dia e, de hora em hora, convida-O com as palavras com as quais o dia começou, concluindo-o com o mesmo convite para teu Ser. A Voz de Deus responderá porque Ele fala por ti e por teu Pai. Ele substituirá todos os teus pensamentos desvairados pela paz de Deus, os auto-enganos pela verdade de Deus e as ilusões de ti mesmo pelo Filho de Deus.

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COMENTÁRIO:
Explorando a LIÇÃO 152

Caras, caros,

Ano passado, talqualmente este, fiz várias postagens, quer dizer, tenho programado as postagens do blog desde Maceió, onde vim com minha companheira de vida passar um tempo com meu filho do meio, sua esposa e minhas duas netas.

Também tenho tido bastante tempo para ler, como no ano passado, lembram? Disse-lhes, então, que entre os livros que li, estava um de Mia Couto, o escritor moçambicano. Um livro de ensaios. Vários muito interessantes. Observei que alguns ensaios tinham a ver com isto tudo que estudamos com o Curso. E também com a nossa busca de nos tornamos o que somos e de viver a partir do que somos. E ainda sobre a impossibilidade do autoconhecimento, de que falei, se não me engano na postagem de ontem.

E por quê? 

Porque como Mia Couto diz, a certa altura de um de seus ensaios, falando do fato de sua assinatura não ter sido reconhecida como sua, mesmo em sua presença:

"A verdade é que nós somos sempre não uma mas várias pessoas e deveria ser norma que a nossa assinatura acabasse sempre por não conferir, Todos nós convivemos com diversos eus, diversas pessoas reclamando nossa identidade. O segredo é permitir que as escolhas que a vida nos impõe não nos obriguem a matar a nossa diversidade interior. O melhor nesta vida é poder escolher, mas o mais triste é ter mesmo que escolher."

Não lhes parece que isso tem a ver com o que o Curso ensina sobre a escolha e com a ideia que temos para as práticas de hoje? Esta que está logo aí abaixo?

"O poder de decisão é meu."

Perguntemo-nos de novo: precisa dizer mais? Mas quem de nós, de verdade, acredita que pode decidir sua própria vida? Quem dentre nós não está certo de que o mundo é um tirano, um ditador cruel, que exerce um poder ferrenho sobre nossas vidas? Sobre a vida de todos, todas, cada um e de cada uma de nós. 

Elio D'Anna, a certa altura de seu livro, A Escola dos Deuses, diz o seguinte: 

"O mundo, quando você o vê, já foi feito... é esta a razão pela qual se chama criado; vem depois! É efeito! Existe uma causa que vem antes. Somente poucos dentre poucos podem perceber que o mundo não tem uma direção, não tem uma vontade própria." 

É nossa própria vontade, o poder que trazemos em nós, que dá direção ao mundo. Ou como o mesmo Elio D'Anna diz: "A vontade pertence somente ao indivíduo... Ela [a vontade do indivíduo, o poder que ele traz em si] governa o mundo. Se a vontade se ausenta, o mundo automaticamente toma a direção". Quer dizer, o mundo como construção coletiva do(s) ego(s), do(s) falso(s) eu(s), assume o controle e o comando sobre o indivíduo. Neste caso, ele deixa de ser um indivíduo e passa a ser apenas mais um no rebanho.

É em razão disso que precisamos das práticas de hoje com esta ideia. Elas vão nos abrir os olhos para a vontade, que pensávamos esquecida, vão nos devolver o poder que pensávamos perdido, ou que pensávamos nos tivesse sido tirado por Deus por não nos acreditarmos merecedores e merecedoras de tanto. Elas também vão nos ensinar que não é arrogância pensar que fazemos o mundo que pensamos ver. E que só a verdade é verdadeira. E que, por consequência, o falso é falso e não pode nunca ser verdadeiro.

Comecemos:

Ninguém pode sofrer perda a menos que ela seja sua própria decisão. Ninguém pode sentir dor a não ser que sua escolha determine este estado para si. Ninguém pode se afligir, nem ter medo, nem pensar que está doente a menos que estes sejam os resultados que queira. E ninguém morre sem sua própria permissão. Tudo o que acontece não representa nada senão teu desejo e não se omite nada do que escolhes. Eis aqui teu mundo, completo em todos os detalhes. Eis aqui toda a realidade dele para ti. E é só nisto que a salvação está.

Isto equivale a dizer que é só por decisão própria que perdemos, e é apenas na ilusão que alguém pode perder. Também é escolha de cada um e de cada uma de nós sentir dor, afligir-se, ter medo, ficar doente e morrer. Isto tem a ver com aquilo de que falamos há pouco, ou seja, do propósito que damos a nossa percepção. Lembrem-se de que só vemos o que queremos ver e não há como ser diferente. É também disso que trata a lição, ao dizer:

Podes acreditar que esta posição seja extrema e abrangente demais para ser verdadeira. Mas a verdade pode ter exceções? Se tens a dádiva de todas as coisas, a perda pode ser real? A dor pode ser parte da paz, ou a tristeza parte da alegria? O medo e a doença podem entrar em uma mente na qual habitem o amor e a santidade perfeita? A verdade tem de ser todo-abrangente, se é que é absolutamente a verdade. Não aceites nenhum oposto e nenhuma exceção, pois fazê-lo é contradizer inteiramente a verdade.

É só o reconhecimento disso que vai nos fazer ver e viver, de fato, a salvação, como a seguir:

A salvação é o reconhecimento de que a verdade é verdadeira e de que nada mais é verdadeiro. Ouviste isto antes, mas podes ainda não aceitar ambas as partes. Sem a primeira, a segunda não faz nenhum sentido. Mas sem a segunda, a primeira não é mais verdadeira. A verdade não pode ter um oposto. Nunca é demais dizer isto e pensar a este respeito. Pois se o que não é verdadeiro fosse tão verdadeiro quanto o que é verdadeiro, então, parte da verdade seria falsa. E a verdade perde seu sentido. Nada a não ser a verdade é verdadeiro, e o que é falso é falso.

Esta é a mais simples das distinções, embora a mais enigmática. Mas não em razão de que seja uma distinção difícil de perceber. Ela está escondida atrás de um vasto conjunto de escolhas que não parecem ser inteiramente tuas. E, deste modo, a verdade parece ter alguns aspectos que descaracterizam a coerência, mas que não parecem ser apenas contradições que tu inseriste.

Peço-lhes de novo atenção aqui, muita atenção: a verdade "está escondida atrás de um vasto conjunto de escolhas que não parecem ser inteiramente tuas... [e conter] alguns aspectos que descaracterizam a coerência", mas estes aspectos são apenas contradições que tu mesmo, ou tu mesma, inseriste. Apesar de não parecerem.

A lição prossegue para nos mostrar a incoerência do sistema de pensamento do ego e para nos oferecer como contraponto a lógica e a coerência do sistema de pensamento do Espírito Santo. Assim:

Uma vez que Deus te criou, tu tens de permanecer imutável, com estados transitórios falsos por definição. E isso inclui todas as mudanças de sensações, alterações nas condições do corpo e da mente; em toda a consciência e em todas as reações. Esta é a abrangência total que separa a verdade do falso e pela qual o falso se mantém separado da verdade assim como ele é.

Não é estranho que acredites que pensar que fizeste o mundo que vês seja arrogância? Deus não o fez. Podes ter certeza disto. O que Ele pode saber do efêmero, do pecador e do culpado, do medroso, do sofredor e do solitário, e da mente que vive em um corpo que tem de morrer? Tu apenas O acusas de loucura ao pensar que Ele fez um mundo onde tais coisas parecem ter realidade. Ele não é louco. Contudo, só a loucura faz um mundo como este.

Pensar que Deus fez o caos, contradisse Sua Vontade, inventou opostos para a verdade e permite que a morte triunfe sobre a vida, tudo isto é arrogância. A humildade veria imediatamente que estas coisas não vêm d'Ele. E tu podes ver aquilo que Deus não criou? Pensar que podes é apenas acreditar que podes perceber aquilo que Deus não quis que existisse. E o que pode ser mais arrogante do que isto?

A verdadeira humildade está em reconhecer o poder que temos em Deus, com Ele, e, a partir deste reconhecimento, em fazer de nossa presença no mundo uma manifestação amorosa do divino em nós. Deus dá o poder de decisão a cada um, a cada uma. E só diz sim a tudo o que pensarmos, a tudo o que quisermos do fundo de nossos corações. "Tu não precisas fazer nada", o Curso ensina. Basta te entregares ao poder que Deus te dá. Basta deixar, com alegria e gratidão, que Deus viva tua vida por ti, em ti. E só tu podes te decidir por isso.

Façamos, pois, hoje o que nos pede a lição:

Sejamos verdadeiramente humildes hoje e aceitemos o que fazemos assim como é. O poder de decisão é nosso. Decide apenas aceitar teu lugar legítimo como co-criador do universo e tudo o que pensas que fizeste desaparecerá. O que surge na consciência, então, será tudo o que sempre existiu, eternamente tal como é agora. E isto tomará o lugar dos auto-enganos feitos apenas para usurpar o altar do Pai e do Filho.

Hoje praticamos a verdadeira humildade, abandonando a falsa presunção a partir da qual o ego busca provar que ela é arrogante. Só o ego pode ser arrogante. A verdade, porém, é humilde ao reconhecer seu poder, sua imutabilidade e sua eterna integridade, sua abrangência total, a dádiva perfeita de Deus para Seu Filho amado. Abandonamos a arrogância que diz que somos pecadores, culpados e medrosos, envergonhados daquilo que somos e, em lugar disto, em verdadeira humildade, elevamos nossos corações Àquele Que nos criou imaculados, iguais a Si Mesmo em poder e em amor.

Ao contrário do que o mundo busca nos ensinar, reconhecer que somos Filhos e Filhas de Deus, sim, é que é humildade. A verdadeira humildade que nos dá direito a tudo o que foi criado por Ele para Seus Filhos, ou para Suas Filhas, e para todas as criaturas. Isso também nos dá o poder de criar, ou co-criar, com Ele. Só vamos ser capazes de viver a verdadeira humildade aceitando o poder do divino em nós e não fazendo-nos fracos ou fracas ou impotentes, incapazes de usar a vontade do divino em nós, como o mundo do pensamento do ego quer que aprendamos e que pensemos que somos.

Finalizamos, assim:

Agora nos unimos em alegre reconhecimento de que as mentiras são falsas e só a verdade é verdadeira. Pensamos apenas na verdade ao nos levantarmos e passarmos cinco minutos praticando seus caminhos, encorajando nossas mentes assustadas com isto:

O poder de decisão é meu. Neste dia, eu me aceitarei
como aquilo que a Vontade de meu Pai me criou para ser.

Esperaremos, então, em silêncio, desistindo de todos os auto-enganos, enquanto pedimos a nosso Ser que Ele Se revele a nós. E Aquele Que nunca partiu virá a nossa consciência mais uma vez, grato por devolver Seu lar a Deus, como ele se destinava a ser.

Espera por Ele com paciência ao longo do dia e, de hora em hora, convida-O com as palavras com as quais o dia começou, concluindo-o com o mesmo convite para teu Ser. A Voz de Deus responderá porque Ele fala por ti e por teu Pai. Ele substituirá todos os teus pensamentos desvairados pela paz de Deus, os auto-enganos pela verdade de Deus e as ilusões de ti mesmo pelo Filho de Deus.

 Às práticas?

domingo, 31 de maio de 2026

Fazemos que o mundo seja nossa prisão, ao julgá-lo

 

LIÇÃO 151

Todas as coisas são ecos da Voz por Deus.

1. Ninguém pode julgar com base em evidência tendenciosa. Isto não é julgamento. É apenas uma opinião baseada na ignorância e na dúvida. Sua aparente certeza é apenas um disfarce para a incerteza que ele quer esconder. Precisa de defesa irracional porque é irracional. E sua defesa parece forte , convincente e indubitável, em razão de todas as dúvidas subjacentes.

2. Tu não pareces duvidar do mundo que vês. Tu não questionas realmente o que os olhos do corpo te mostram. E também não perguntas por que acreditas nele, muito embora tenhas aprendido há muito tempo que teus sentidos, de fato, enganam. Quando paras para te recordar com que frequência eles foram testemunhas falhas, de fato, é ainda mais estranho que acredites no que eles contam até o último detalhe. Por que acreditarias neles de forma tão irrestrita? Por que, a não ser em razão da dúvida subjacente, que queres esconder com uma demonstração de certeza?

3. Como podes julgar? Teu julgamento se baseia nos testemunhos que teus sentidos te oferecem. E nunca houve testemunho mais falso do que este. Mas de que outra forma julgas o mundo que vês? Depositas uma fé lamentável naquilo que teus olhos e ouvidos contam. Pensas que teus dedos tocam a realidade e se fecham sobre a verdade. É esta a consciência que compreendes e que pensas ser mais verdadeira do que aquilo que a Voz eterna pelo Próprio Deus testemunha.

4. Isto pode ser julgamento? Insiste-se muitas vezes contigo para que te abstenhas do julgamento, não porque ele seja um direito que se nega a ti. Tu não podes julgar. Tu podes apenas acreditar nos julgamentos do ego, que são todos falsos. Ele orienta teus sentidos com cuidado para provar quão fraco és, quão indefeso e amedrontado, quão receoso da punição merecida, quão imundo pelo pecado, quão desprezível em tua culpa.

5. Ele te diz que esta coisa, de que ele fala e ainda quer defender, és tu mesmo. E tu acreditas que isto é verdade com obstinada certeza. Porém, interiormente, permanece a dúvida oculta de que ele não acredita naquilo que te apresenta como realidade com tanta convicção. É só a si mesmo que ele condena. É dentro de si mesmo que ele vê a culpa. É seu próprio desespero que ele vê em ti.

6. Não dês ouvidos à voz dele. As testemunhas que ele te envia para te provar que o mal dele é teu próprio mal são falsas e falam com segurança daquilo que não conhecem. Tua fé nelas é irracional porque tu não compartilharias as dúvidas que o senhor delas não pode derrotar por completo. Tu acreditas que duvidar de seus vassalos é duvidar de ti mesmo.

7. No entanto, tens de aprender a duvidar de que o testemunho delas desobstruirá o caminho para te reconheceres e permitir que só a Voz por Deus seja o Juiz do que é digno de tua própria crença. Ele não te dirá que teu irmão deve ser julgado por aquilo que teus olhos veem nele, nem por aquilo que sua boca diz a teus ouvidos, nem por aquilo que o toque de teus dedos te contam a respeito dele. Ele não toma conhecimento de tais evidências inúteis, que apenas levantam falso testemunho contra o Filho de Deus. Ele reconhece apenas aquilo que Deus ama e, na luz santa daquilo que Ele vê todos os sonhos do ego acerca do que és se desvanecem diante do esplendor que Ele vê.

8. Deixa que Ele seja o Juiz do que tu és, pois Ele tem uma certeza na qual não há nenhuma dúvida, porque se baseia em tão grande Certeza que a dúvida fica sem significado diante de Sua face. Cristo não pode duvidar de Si Mesmo. A Voz por Deus pode apenas exaltá-Lo, regozijando-se na inocência total e eterna d'Ele. Aquele a Quem Ele julga só pode rir da culpa, agora sem vontade de brincar com brinquedos de pecado, ignorando os testemunhos do corpo diante do arrebatamento que a face santa do Cristo provoca.

9. E Ele te julga deste modo. Aceita a Palavra d'Ele como o que tu és, pois Ele dá testemunho de tua bela criação e da Mente Cujo Pensamento criou tua realidade. O que o corpo pode significar para Aquele Que conhece a glória do Pai e do Filho? A que sussurros do ego Ele pode dar ouvidos? O que pode convencê-Lo de que teus pecados são reais? Deixa que Ele também seja o Juiz de todas as coisas que parecem te acontecer neste mundo. As lições d'Ele vão te capacitar a construir uma ponte sobre a brecha entre as ilusões e a verdade.

10. Ele eliminará toda a fé que colocaste na dor, na infelicidade, no sofrimento e na perda. Ele te dá a visão que pode ver além destas aparências sombrias e que pode ver a bondosa face de Cristo em todas elas. Tu não duvidarás mais de que apenas o bem pode vir a ti que és amado por Deus, pois Ele julgará todos os acontecimentos e ensinará a única lição que todos eles contêm.

11. Ele escolherá neles os elementos que representam a verdade e desconsiderará aqueles aspectos que apenas refletem sonhos inúteis. E Ele reinterpretará tudo o que vês, e todas as ocorrências, cada circunstância e todos os acontecimentos que parecem te tocar de qualquer modo a partir de Seu único ponto de referência, totalmente unificado e certo. E tu verás o amor por trás do ódio, a constância na mudança, o puro no pecado e somente as bênçãos do Céu sobre o mundo.

12. Esta é a tua ressurreição, pois tua vida não é uma parte do nada que vês. Ela fica além do corpo e do mundo, depois de todo testemunho da maldade, no interior do Sagrado, santo como Ele Mesmo. Em tudo e em todos a Voz d'Ele não quer te falar de outra coisa senão de teu Ser e de teu Criador, Que é um com Ele. Deste modo verá a santa face do Cristo em tudo e não ouvirás em tudo nenhum som a não ser o eco da Voz de Deus.

13. Hoje praticamos sem palavras, exceto no início do período que passamos com Deus. Nós começamos estes períodos com apenas uma única e lenta repetição da ideia com a qual o dia começa. E, em seguida, observamos nossos pensamentos pedindo silenciosamente a intercessão d' Àquele Que vê os elementos da verdade neles. Deixa que Ele avalie cada pensamento que vem à mente, elimine os elementos de sonho e os devolva novamente como ideias puras que não contradizem a Vontade de Deus.

14. Dá teus pensamentos a Ele e Ele os devolverá como milagres que revelam de forma clara, alegremente, a totalidade e a felicidade que Deus deseja para Seu Filho, como prova de Seu Amor eterno. E à medida que cada pensamento é transformado desta maneira, ele assume o poder de cura da Mente que viu a verdade nele e deixou de ser enganada por aquilo que lhe foi acrescentado equivocadamente. Todos os fios da fantasia acabam. E o que permanece fica unificado em um Pensamento perfeito que oferece sua perfeição em todos os lugares.

15. Passa cinco minutos deste modo quando acordares e dá com alegria outros quinze mais antes de ires dormir. Teu ministério começa quando todos os pensamentos forem purificados. Assim se ensina a ti a ensinar ao Filho de Deus a lição sagrada de sua santidade. Ninguém pode deixar de ouvir, quando ouves a Voz por Deus prestar homenagem ao Filho de Deus. E todos compartilharão contigo os pensamentos que Ele retraduz em tua mente.

16. Esta é a tua Páscoa. E assim depositas a dádiva de lírios brancos sobre o mundo, substituindo as testemunhas do pecado e da morte. O mundo é redimido pela tua transfiguração e liberado da culpa alegremente. Agora, de fato, erguemos nossas mentes ressurretas em alegria e gratidão Àquele Que nos devolve a sanidade.

17. E nos lembraremos a cada hora d'Aquele Que é salvação e liberdade. À medida que damos graças, o mundo se une a nós e aceita alegremente nossos pensamentos sagrados, que o Céu corrige e torna puros. Agora começa nosso ministério, enfim, para levar ao mundo a boa nova de que a verdade não tem nenhuma ilusão e de que a paz de Deus, por meio de nós, pertence a todos.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 151

Caras, caros,

Quantos e quantas de nós viverão tempo suficiente para descobrir de verdade que passaram todo o tempo de suas vidas atrás de algo que não existe. Num mundo que não existe. Cercados e cercadas de pessoas e coisas, vivas e inanimadas, que também só existem em suas cabeças.

Quantas e quantos de nós viverão tempo suficiente para se abrirem à descoberta de que suas vidas se perderam, ou foram desperdiças durante a maior parte do tempo em que emitiram julgamentos - contra ou a favor - disto e daquilo, desta e daquela pessoa, coisa viva ou inanimada? Desdobrando-se em milhares de tentativas de justificar as razões pelas quais julgaram assim ou assado.

Quantos e quantas de nós viverão tempo suficiente para se deixarem levar pela inspiração e para seguirem seus corações em lugar de suas mentes equivocadas, dirigidas pelo sistema de pensamento do ego, que não consegue perceber a neutralidade daquilo a que chamamos mundo, onde pensamos viver?

Acabamos ontem de revisar uma série de lições que utilizou a ideia "Minha mente contém só o que penso com Deus" para dar unidade às práticas. Parece-me que dez dias com esta ideia a abrir e a alimentar nossos dias e espíritos deveria ser suficiente para nos dar uma sacudida no sentido de pararmos de julgar. Pois, a meu ver, não pode haver julgamento na mente que só contém aquilo que ela pensa com Deus.

Mas... a verdade é que poucas pessoas estão ligando para os rumos que suas vidas tomam, acreditando que, de algum modo, alguma coisa mágica vai surgir e resolver todos os seus problemas, responder todas as suas perguntas. Esquecendo-se de assumir a responsabilidade por aquilo que "criam" e "inventam". Não é mesmo? Somos todas e todos, de alguma forma, prisioneiras e prisioneiros do mundo. Vamos ser, enquanto não desistirmos de julgá-lo.

Por isto, é que é muito importante emprestarmos toda a atenção de que somos capazes para as práticas com a ideia

"Todas as coisas são ecos da Voz por Deus."

que o Curso nos oferece para este dia.

Comecemos, pois, a exploração:

Terminado mais uma vez um período de revisão, vamos praticar de novo mais uma das ideias que pode nos libertar do julgamento de uma vez por todas. E por que precisamos nos libertar do julgamento? Porque é ele que nos mantém prisioneiros e prisioneiras de um mundo diferente daquele que queremos, daquele mundo em que temos consciência de que tudo o que fazemos fazemos a partir da Vontade de Deus, em nós, para nós, entendendo que a Vontade d'Ele/d'Ela e a nossa são a mesma. 

Há ainda várias razões para que busquemos nos libertar do julgamento. Entre elas a seguinte, de acordo com a lição:

Ninguém pode julgar com base em evidência tendenciosa. Isto não é julgamento. É apenas uma opinião baseada na ignorância e na dúvida. Sua aparente certeza é apenas um disfarce para a incerteza que ele quer esconder. Precisa de defesa irracional porque é irracional. E sua defesa parece forte , convincente e indubitável em razão de todas as dúvidas subjacentes. 

Mais razões a lição vai nos dar, para que aprendamos que a percepção mostra apenas aquilo que queremos ver. E o que queremos ver depende do propósito que estabelecemos para nossa percepção. Se nosso propósito é o julgamento, então vamos perceber o mundo sob a ótica dos sentidos, sem duvidar por um instante só de que aquilo que vemos é a "realidade". 

Vejamos o que mais nos diz a lição:

Tu não pareces duvidar do mundo que vês. Tu não questionas realmente o que os olhos do corpo te mostram. E também não perguntas por que acreditas nele, muito embora tenhas aprendido há muito tempo que teus sentidos, de fato, enganam. Quando paras para te recordar com que frequência eles foram testemunhas falhas, de fato, é ainda mais estranho que acredites no que eles contam até o último detalhe. Por que acreditarias neles de forma tão irrestrita? Por que, a não ser em razão da dúvida subjacente, que queres esconder com uma demonstração de certeza? 

A certa altura do texto o Curso ensina: 

"É essencial que se tenha em mente que toda percepção ainda está de cabeça para baixo enquanto seu propósito não for compreendido. A percepção não parece ser um meio. E é isto que torna difícil apreender até que ponto ela tem de depender do propósito que vês nela. A percepção parece te ensinar o que vês. Porém, ela apenas testemunha aquilo que ensinaste. Ela é a figura exterior de um desejo, uma imagem que querias que fosse verdadeira." 

Isto quer dizer que, ao olharmos para algo, ou ao nomearmos alguma coisa ou alguém, já incorremos no julgamento, pois nosso olhar, ou nosso nomear, aprisiona aquele algo, aquela coisa, aquela pessoa, numa imagem que fazemos e com a qual vamos nos relacionar a partir daí. A lição, porém, pede para refletirmos acerca do seguinte:

Como podes julgar? Teu julgamento se baseia nos testemunhos que teus sentidos te oferecem. E nunca houve testemunho mais falso do que este. Mas de que outra forma julgas o mundo que vês? Depositas uma fé lamentável naquilo que teus olhos e ouvidos contam. Pensas que teus dedos tocam a realidade e se fecham sobre a verdade. É esta a consciência que compreendes e que pensas ser mais verdadeira do que aquilo que a Voz eterna pelo Próprio Deus testemunha.

Isto pode ser julgamento? Insiste-se muitas vezes contigo para que te abstenhas do julgamento, não porque ele seja um direito que se nega a ti. Tu não podes julgar. Tu podes apenas acreditar nos julgamentos do ego, que são todos falsos. Ele orienta teus sentidos com cuidado para provar quão fraco és, quão indefeso e amedrontado, quão receoso da punição merecida, quão imundo pelo pecado, quão desprezível em tua culpa.

Ele te diz que esta coisa, de que ele fala e ainda quer defender, és tu mesmo. E tu acreditas que isto é verdade com obstinada certeza. Porém, interiormente, permanece a dúvida oculta de que ele não acredita naquilo que te apresenta como realidade com tanta convicção. É só a si mesmo que ele condena. É dentro de si mesmo que ele vê a culpa. É seu próprio desespero que ele vê em ti.
 
É em função disso que precisamos nos voltar para o interior de nós mesmos e de nós mesmas e deixar que a Voz por Deus nos oriente. E ilumine nossa visão e todos os nossos sentidos, curando nossa percepção para que possamos ver apenas o reflexo da santidade em tudo aquilo sobre o que cair nosso olhar. É por isso que a lição nos orienta a não darmos ouvidos ao que nos diz o ego, a falsa imagem que fazemos de nós mesmos e de nós mesmas, o falso eu. Do seguinte modo:

Não dês ouvidos à voz dele. As testemunhas que ele te envia para te provar que o mal dele é teu próprio mal são falsas e falam com segurança daquilo que não conhecem. Tua fé nelas é irracional porque tu não compartilharias as dúvidas que o senhor delas não pode derrotar por completo. Tu acreditas que duvidar de seus vassalos é duvidar de ti mesmo. 

Ao contrário, a lição diz...

... tens de aprender a duvidar de que o testemunho delas desobstruirá o caminho para te reconheceres e permitir que só a Voz por Deus seja o Juiz do que é digno de tua própria crença. Ele não te dirá que teu irmão deve ser julgado por aquilo que teus olhos veem nele, nem por aquilo que sua boca diz a teus ouvidos, nem por aquilo que o toque de teus dedos te contam a respeito dele. Ele não toma conhecimento de tais evidências inúteis, que apenas levantam falso testemunho contra o Filho de Deus. Ele reconhece apenas aquilo que Deus ama e, na luz santa daquilo que Ele vê todos os sonhos do ego acerca do que és se desvanecem diante do esplendor que Ele vê.

Deixa que Ele seja o Juiz do que tu és, pois Ele tem uma certeza na qual não há nenhuma dúvida, porque se baseia em tão grande Certeza que a dúvida fica sem significado diante de Sua face. Cristo não pode duvidar de Si Mesmo. A Voz por Deus pode apenas exaltá-Lo, regozijando-se na inocência total e eterna d'Ele. Aquele a Quem Ele julga só pode rir da culpa, agora sem vontade de brincar com brinquedos de pecado, ignorando os testemunhos do corpo diante do arrebatamento que a face santa do Cristo provoca.

E Ele te julga deste modo. Aceita a Palavra d'Ele como o que tu és, pois Ele dá testemunho de tua bela criação e da Mente Cujo Pensamento criou tua realidade. O que o corpo pode significar para Aquele Que conhece a glória do Pai e do Filho? A que sussurros do ego Ele pode dar ouvidos? O que pode convencê-Lo de que teus pecados são reais? Deixa que Ele também seja o Juiz de todas as coisas que parecem te acontecer neste mundo. As lições d'Ele vão te capacitar a construir uma ponte sobre a brecha entre as ilusões e a verdade.

Ele eliminará toda a fé que colocaste na dor, na infelicidade, no sofrimento e na perda. Ele te dá a visão que pode ver além destas aparências sombrias e que pode ver a bondosa face de Cristo em todas elas. Tu não duvidarás mais de que apenas o bem pode vir a ti que és amado por Deus, pois Ele julgará todos os acontecimentos e ensinará a única lição que todos eles contêm.

Aí podemos voltar ao texto, no ponto em que ele diz: 

"Não pode ser difícil realizar a tarefa que Cristo [que é teu divino interior, Deus em ti, que é o que, na verdade, tu és] designou para ti, pois é Ele [em ti, a partir de ti, quando aceitas ser apenas a manifestação do divino] Quem a realiza."

Quer dizer, quando aceitamos abrir mão do controle que o ego quer que pensemos ter e quando conseguimos entender que o corpo apenas parece ser o meio de que nos valemos para realizar qualquer tarefa, pois, na verdade, quando nos pomos em sintonia com o divino interior, é a Mente Crística em nós que a realiza de fato. A Mente Crística é que é nossa mente verdadeira. Então, podemos seguir com as orientações da lição de hoje, que nos pede para que deixemos o julgamento de todos os acontecimentos para Cristo, pois

Ele escolherá neles os elementos que representam a verdade e desconsiderará aqueles aspectos que apenas refletem sonhos inúteis. E Ele reinterpretará tudo o que vês, e todas as ocorrências, cada circunstância e todos os acontecimentos que parecem te tocar de qualquer modo a partir de Seu único ponto de referência, totalmente unificado e certo. E tu verás o amor por trás do ódio, a constância na mudança, o puro no pecado e somente as bênçãos do Céu sobre o mundo. 

Isso será a nossa ressurreição, nosso despertar para um mundo novo, pois olharemos para ele com novos olhos, que serão capazes de perceber o Céu em tudo e em todos.

Fiquemos, pois, com o que nos trazem os parágrafos restantes da lição, tentando assimilar o que ela nos ensina. Praticando para compreender e vivenciar tudo o que existe, tudo aquilo que vemos e tudo o que percebemos, por mais estranho que nos possa parecer, como ecos da Voz por Deus. Isto é, daquela voz no interior de nós mesmos e de nós mesmas - de todos, todas, de cada um e de cada uma de nós - que ainda traz em si a lembrança do Céu, a lembrança de sua divina condição de alegria e de paz completas e perfeitas, que é a única coisa que é real em nós.

Isso é tudo que precisamos lembrar. E é a isto que nossas práticas se destinam. 

Às práticas?