sábado, 9 de maio de 2026

A meta a se escolher é viver a sintonia com o divino

 

LIÇÃO 129

Além deste mundo há um mundo que eu quero.

1. Esta é a ideia que se segue à que praticamos ontem. Tu não podes te limitar à ideia de que o mundo é inútil, pois, a menos que vejas que há alguma coisa mais para se esperar, só ficarás deprimido. Nossa ênfase não está na desistência do mundo, mas na troca dele por aquilo que é muito mais satisfatório, pleno de alegria e capaz de te oferecer paz. Pensas que este mundo pode te oferecer isto?

2. Talvez valha a pena pensar mais uma vez por um breve momento a respeito do valor deste mundo. Talvez admitas que não há nenhuma perda em se abandonar toda a ideia de valor aqui. O mundo que vês é, de fato, impiedoso, instável, cruel, indiferente a ti, rápido na vingança e implacável em seu ódio. Ele só dá para tirar e afastar todas as coisas que te foram caras por algum tempo. Não se encontra o amor duradouro, pois não há nenhum aqui. Este é o mundo do tempo, aonde todas as coisas acabam.

3. Será uma perda achar, em lugar deste, um mundo no qual seja impossível perder; em que o amor dure para sempre e a vingança não tenha nenhum significado? Será perda encontrar todas as coisas que realmente queres e saber que elas não têm fim e que continuarão a ser exatamente como as queres ao longo do tempo? Não obstante, até mesmo elas serão finalmente trocadas por aquilo de que não podemos falar, pois tu vais, daí, a um lugar onde as palavras falham por completo, na direção de um silêncio no qual não se fala uma língua e, contudo, compreende-se com certeza.

4. A comunicação, precisa e clara como o dia, permanece ilimitada por toda a eternidade. E o Próprio Deus fala a Seu Filho, da mesma forma que Seu Filho fala com Ele. A linguagem d'Eles não tem palavras, porque o que Eles dizem não pode ser representado por meio de símbolos. O conhecimento d'Eles é direto e totalmente compartilhado e totalmente uno. Quão distante disto estás, tu, que permaneces preso a este mundo. E, todavia, quão próximo estás, quando o trocas pelo mundo que queres.

5. Agora o último passo é certo; agora, estás a um instante da intemporalidade. Aqui só podes olhar para frente, nunca para trás, para ver de novo o mundo que não queres. Eis aqui o mundo que vem para tomar o lugar dele, quando libertas tua mente das ninharias que o mundo apresenta para te manter prisioneiro. Não dês valor a elas e elas desaparecerão. Valoriza-as e elas te parecerão reais.

6. A escolha é esta. Que perda pode haver para ti em escolher não valorizar o nada? Este mundo não tem nada que realmente queiras, mas aquilo que escolhes em seu lugar tu, de fato, queres! Deixa que ele te seja dado hoje. Ele espera apenas por tua escolha para tomar o lugar de todas as coisas que buscas mas não queres.

7. Pratica tua vontade para fazer esta troca dez minutos pela manhã e à noite, e mais uma vez no intervalo entre uma e outra. Começa com isto:

Além deste mundo há um mundo que eu quero. Escolho ver aquele
mundo em vez deste, pois aqui não há nada que eu realmente queira.

Em seguida, fecha os olhos sobre o mundo que vês e na escuridão silenciosa observa as luzes que não são deste mundo se acenderem uma a uma, até que o lugar onde uma começa e a outra termina perca todo o significado enquanto elas se fundem numa só.

8. Hoje, as luzes do Céu se inclinam em tua direção, para brilhar sobre tuas pálpebras enquanto descansas além do mundo da escuridão. Eis aqui a luz que teus olhos não podem ver. E, no entanto, tua mente pode vê-la com clareza e pode compreender. Hoje te é dado um dia de graça e nós agradecemos. Percebemos claramente neste dia que o que temias perder era apenas a perda.

9. Agora, de fato, compreendemos que não existe perda. Pois, finalmente, vimos o oposto dela e estamos gratos porque a escolha foi feita. Lembra-te de tua decisão a cada hora e reserva um instante para confirmar tua escolha, deixando de lado quaisquer pensamentos que tenhas e dando ênfase, por um breve instante, apenas a isto:

O mundo que vejo não tem nada que eu queira.
Além deste mundo há um mundo que eu quero.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 129

Caras, caros,

Quem de nós já não pensou que este mundo não é o melhor dos mundos? Quem dentre nós ainda não se questionou acerca da possibilidade de um mundo melhor do que este? Quem neste mundo vive sua vida de modo pleno e está feliz com o que vive? Quantos e quantas de nós? Haverá mesmo alguém assim?

Será mesmo que este mundo em que aparentemente vivemos é verdadeiro, ou ele é apenas "Maya" como dizem os budistas, apenas uma ilusão de mundo? E haverá, de fato, um mundo verdadeiro, um mundo real, que não podemos ver, nem imaginar?

Bem... a ideia para as práticas de hoje vai nos falar exatamente disto.

Vejamos:

"Além deste mundo há um mundo que eu quero."

É quase que bastante óbvio pensar, como eu já disse várias vezes antes, e como o Curso ensina, que, se este mundo não tem nada que eu queira, tem de haver um mundo que pode me dar o que quero. Um mundo que eu queira. É assim que vamos começar a lição de hoje:

Esta é a ideia que se segue à que praticamos ontem. Tu não podes te limitar à ideia de que o mundo é inútil, pois, a menos que vejas que há alguma coisa mais para se esperar, só ficarás deprimido. Nossa ênfase não está na desistência do mundo, mas na troca dele por aquilo que é muito mais satisfatório, pleno de alegria e capaz de te oferecer paz. Pensas que este mundo pode te oferecer isto?

É também, talvez, quase óbvio, para alguns e/ou algumas de nós, que se este mundo pudesse oferecer aquilo que queremos, não viveríamos as insatisfações, as incertezas, as dúvidas e os sobressaltos que ele nos oferece. Não viveríamos com medo do que pode acontecer no próximo instante, daqui a pouco, amanhã ou no futuro. Aliás, se pensássemos que este mundo pode nos dar qualquer coisa que queiramos, nós o viveríamos sempre no presente. Saberíamos deixar de levar em consideração quaisquer coisas acontecidas no passado e não nos preocuparíamos com nada do que pudesse vir a acontecer de agora em diante. 

Pois, na verdade, a partir do que se pode ler no livro "A Escola dos Deuses", de Elio D'Anna, que já mencionei aqui, e que li há já alguns anos, aquilo que vemos à volta de nós... a aparente realidade externa a nós é sempre o passado, como o Curso também afirma. [Lembram das lições iniciais? Há uma, a sétima, que nos ensina e nos leva a praticar a ideia: "Eu só vejo o passado".] Aquilo a que chamamos de presente, na realidade, não é uma transmissão ao vivo. Aquilo que vemos e tocamos, os eventos que podemos jurar que acontecem neste exato momento são estados registrados tempos atrás. Para poderem acontecer, receberam nosso consentimento em outra dimensão no mundo do ser. Pois em nossos estados normais, por assim dizer, tudo o que escolhemos é a partir do sistema de pensamento do ego. Assim é que as coisas que pensamos ver agora são frutos de uma escolha que fizemos no tempo. Uma escolha que se materializa, como projeção de nossos pensamentos, também no tempo, que, na verdade, não existe.**

A lição continua:

Talvez valha a pena pensar mais uma vez por um breve momento a respeito do valor deste mundo. Talvez admitas que não há nenhuma perda em se abandonar toda a ideia de valor aqui. O mundo que vês é, de fato, impiedoso, instável, cruel, indiferente a ti, rápido na vingança e implacável em seu ódio. Ele só dá para tirar e afastar todas as coisas que te foram caras por algum tempo. Não se encontra o amor duradouro, pois não há nenhum aqui. Este é o mundo do tempo, aonde todas as coisas acabam.

Sabemos disso o tempo todo, mesmo que o neguemos a maior parte de tempo. Independente do apego que temos a certas coisas ou pessoas do mundo, ou mesmo a ideias, sabemos que tudo aqui é transitório e não vai durar. É por isso que a ideia para as práticas de hoje nos traz a possibilidade de estendermos o alcance de nossos anseios para além daquilo que é passageiro. Uma ideia que nos leva ao contato - ou à possibilidade dele -, nem que apenas por um breve instante, com aquilo que somos na verdade, em Deus. 

Como o Curso diz a respeito do mundo e do que pensamos experimentar nele, e como também podemos ler em Elio D'Anna e em muitos outros autores e mestres comprometidos com a verdade, estendendo a ideia de que falava acima, os fatos e acontecimentos são estados de ser solidificados, tornados visíveis pelo tempo. Enquanto os assistimos e somos envolvidos e envolvidas por eles, podemos acreditar que eles estão se verificando diante de nossos olhos, podemos ter a ilusão de que são novos e de que acontecem pela primeira vez. Na realidade, entretanto, eles são apenas a projeção de um estado de ser de nosso passado, que se repete com apenas algumas pequenas variações. 

Além deste mundo há um mundo que eu quero.

Apesar de nossa experiência de vida estar aparentemente ligada a este mundo das formas, que vemos, e que mudam conforme muda nosso olhar, a lição de hoje nos convida a praticar a ideia da existência de um mundo que se situa além deste que vemos. Mais: que é este outro mundo - o real e verdadeiro -, que ainda não somos capazes de ver, o que, de verdade, queremos.

E pergunta:

Será uma perda achar, em lugar deste, um mundo no qual seja impossível perder; em que o amor dure para sempre e a vingança não tenha nenhum significado? Será perda encontrar todas as coisas que realmente queres e saber que elas não têm fim e que continuarão a ser exatamente como as queres ao longo do tempo? Não obstante, até mesmo elas serão finalmente trocadas por aquilo de que não podemos falar, pois tu vais, daí, a um lugar onde as palavras falham por completo, na direção de um silêncio no qual não se fala uma língua e, contudo, compreende-se com certeza. 

O que de fato te prende a este mundo? Há nele alguma coisa, pessoa ou ideia, sem a qual absolutamente não podes viver? Pensa um pouco. Reflete um pouco. Já passaste pela experiência de acreditar que determinada coisa era imprescindível e já não a tens, não é mesmo? Ou pela experiência de crer, em algum momento de tua vida, que não seria possível viver sem a companhia daquela pessoa específica, e já não convives com ela. 

Além deste mundo há um mundo que eu quero.

E nele:

A comunicação, precisa e clara como o dia, permanece ilimitada por toda a eternidade. E o Próprio Deus fala a Seu Filho, da mesma forma que Seu Filho fala com Ele. A linguagem d'Eles não tem palavras, porque o que Eles dizem não pode ser representado por meio de símbolos. O conhecimento d'Eles é direto e totalmente compartilhado e totalmente uno. Quão distante disto estás, tu, que permaneces preso a este mundo. E, todavia, quão próximo estás, quando o trocas pelo mundo que queres.

Mas como fazer esta troca? De acordo com o Curso, não precisas fazer nada. Basta que te rendas à Presença de Deus em tua vida, reconhecendo-a em ti, em tudo. Abandonando todas as coisas que exigem a presença de um "eu" separado de todos os outros. Abandonando toda ideia de "meu", "minha", abrindo-te às dádivas que Deus te dá e que são verdadeiramente dadas porque são eternas. "Fazendo" como Joel Goldsmith, que declara em um de seus livros: "Eu não penso em minha vida; eu observo Deus em ação".

Precisas tomar a decisão. Precisas estabelecer a meta de viver a verdade em sintonia com o divino, a partir da sintonia com o Espírito Santo em ti. E, mais do que apenas estabelecer a meta, vivê-la.  

Tomada a decisão

Agora... 

... o último passo é certo; agora, estás a um instante da intemporalidade. Aqui só podes olhar para frente, nunca para trás, para ver de novo o mundo que não queres. Eis aqui o mundo que vem para tomar o lugar dele, quando libertas tua mente das ninharias que o mundo apresenta para te manter prisioneiro. Não dês valor a elas e elas desaparecerão. Valoriza-as e elas te parecerão reais.

É isto que basta: a tomada de decisão. Lembra-te, porém, de que a decisão tem de ser tomada a cada passo, a cada instante, a cada fração de segundo e a cada segundo, a cada minuto, e tem ser renovada o tempo todo,

Isto é o que nos oferecem as práticas, a oportunidade de renovar a tomada de decisão dia a dia, passo a passo, sem desistir jamais de viver o mundo que queremos, em lugar deste mundo que não oferece nada do que queremos.

Sigamos, pois, o restante das orientações que a lição reserva para nossas práticas, na certeza de que a ideia hoje vai nos fazer entender melhor as experiências por que passamos. Principalmente se já formos capazes de entender que todas elas sempre se apresentam a partir de uma escolha que fazemos ou fizemos, individual ou conjuntamente. Uma escolha que sempre podemos mudar, quando, e se, aceitamos a responsabilidade pela experiência que o mundo nos apresenta, acolhendo-a e sendo gratos e gratas por ela se ter apresentado seja lá da maneira que for.

Aprendamos, portanto, com as práticas deste dia a agradecer por tudo o que recebemos e por tudo o que vivemos, para alcançar a certeza de que "todas as coisas cooperam para o bem". E de "que tudo está [sempre, em qualquer momento em que olhamos para o mundo] absolutamente certo da forma como está". Nem poderia ser diferente. Se ainda não somos capazes de ver assim, é porque ainda não aprendemos a escolher de modo diferente, a olhar para o mundo de modo diferente. Acima de tudo, porque ainda acreditamos que há, ou que pode haver, alguma coisa de valor neste mundo. 

Às práticas?


*

Um adendo e uma pequena reflexão a respeito dele:

Repetindo: 

Num dos anos passados, nossa colega Cida Guimarães, compartilhou o seguinte como comentário [dei uma pequenina editada] a esta lição:

Esse mundo que eu quero tem cores, perfume, harmonia, é manifestado na multiplicidade da Natureza. Para sintonizar nele é preciso "purificar", limpá-lo de todas as toxidades impostas por uma vida distante do que é natural. Um bom começo é cuidarmos com carinho da nossa alimentação. O curso diz que há um "Deus" no nosso interior. Então, vamos nos alimentar oferecendo para Ele tudo que é saudável, vivo e simples. Tudo que ele mesmo nos oferece: frutas, verduras, legumes e sementes. Deixar de intoxicar nosso "Deus" com alimentos cheios de agrotóxicos, industrializados, com açúcar e gordura, álcool, etc. Nossas células, livres de tudo isso, têm possibilidade de voltar a funcionar divinamente e de nos ajudar a encontrar o caminho de volta. Conectar-nos com o belo da Natureza, com sua simplicidade e seus mistérios. Cultivar uma planta, acompanhando o seu crescimento, da semente até o desabrochar da plantinha. São caminhos concretos que nos levam para estágios mágicos da vida verdadeira. O divino está aí a cada momento. Vamos nos pôr em sintonia com essa dimensão sempre. 

*

Preciso aqui, antes de entrar na reflexão que quero que façamos, lembrar a vocês que os comentário são sempre bem-vindos, pois são eles que nos oferecem a sempre nova possibilidade de entrarmos em contato com partes de nós com as quais ainda não estamos familiarizados e que podem revelar - e muitas vezes revelam, de fato - crenças que temos e que nos limitam.

Vamos refletir por uns momentos na descrição do mundo que nossa querida Cida diz querer:

É um mundo que tem cores, perfume, harmonia e se manifesta pela multiplicidade e, por que não dizer?, pela diversidade da natureza. Será desse mundo que a lição fala? Ou esse mundo descrito por ela não será apenas uma versão do Paraíso na terra?

O Curso nos pede que questionemos todas as nossas crenças. Pede que sejamos capazes de questionar tudo aquilo que o mundo nos ensinou e continua a ensinar. Daí este exercício.

Como diz Joel Goldsmith em um de seus livros, é fácil para nós pensar que abandonar o julgamento significa deixar de olhar para o que reputamos feio, nocivo, ruim, mau, tóxico e outros adjetivos quaisquer que queiramos dar às coisas que se nos apresentam à experiência. Mais difícil, diz ele, é perceber que as coisas que reputamos boas, agradáveis, gostosas, também são apenas frutos do julgamento.

O Curso ensina que o mundo, este mundo, e tudo o que há nele, é neutro. Então, não há razão para atribuirmos valores - bons ou maus, ou quaisquer outros - a nada que esteja nele. Porque tudo o que há nele não é real. Ou dito de outra forma, não há nada de real nele. Ele, o mundo que vemos fora, é apenas aparência, ilusão. Projeção daquilo que trazemos dentro.

Indo a mais um ponto da descrição de Cida, e finalizando para não me alongar demais, todos e todas nós somos capazes de entender, ou penso que somos, que uma alimentação natural é melhor para o corpo. E aí é que mora o perigo, isto é, aí que está o revelador da crença por trás desta afirmação. Há aí a revelação da crença de que somos o corpo, não é mesmo?

É claro que, na medida em que nos valemos do corpo como o veículo de comunicação de que fala o Curso, será, talvez - mas apenas talvez - mais inteligente dar ao corpo uma alimentação saudável. Mas o que é saudável para um pode não ser para outro. E se pensarmos na variedade de formas de vida que há na Terra, podemos bem entender que o alimento de uma não pode não ser adequado para outra. E que muitas formas de vida utilizam outras como alimento. O ser humano não é diferente. A maioria pelo menos não. 

Há algum mal em se cuidar do corpo? Não, claro que não. Pois o que somos não é o corpo. Por outro lado, haverá algum mal em se descuidar do corpo? A resposta obviamente tem de ser também um não. 

Então, aonde eu quero chegar? Não quero chegar a lugar nenhum. Só estou ponderando que aquilo que dizemos e que é revelador de nossas crenças precisa ser olhado sempre com atenção. 

Não sei se o mundo que Cida descreve é o mundo que queremos, nem mesmo sei se ela, de fato, acredita que ele é o mundo que ela quer. Ou se ela acredita que o mundo real e verdadeiro seja mesmo assim. Este exercício de reflexão é apenas uma forma de provocar o questionamento. 

Uma vez que, como o Curso nos pede para praticar numa de suas lições, "eu sou espírito", haverá mesmo uma natureza harmônica no mundo que queremos? Haverá necessidade de alimentação saudável ou não? Haverá corpos?

Pensemos, pois.


** Neste ponto do comentário pensei em colocar parte de um texto de Pierre Lévy, no ponto de seu livro "O Fogo Liberador", que ele intitula "o capítulo da presença" e que vem com o subtítulo "o pensamento e o instante". Depois, pensando bem, resolvi colocá-lo aqui, após o adendo para acrescentar mais um ponto à reflexão que eu quis provocar com ele [o adendo].

Vejam, pois, leiam o que nos diz Lévy em seu livro, que, aliás, recomendo muito, e que eu acredito em sintonia com o Curso:

"Nem os pensamentos nem as emoções representam o que quer que seja. Eles são.

"Passado e futuro só existem nos pensamentos presentes. Acreditar no futuro e no passado (aqueles que nossos pensamentos produzem: não há outros) é manter-se ainda na ilusão de seus pensamentos. Esteja atento à qualidade de seus pensamentos agora. Só o instante existe e a qualidade da vida é o presente.

"Só podemos ter um pensamento por vez. A comparação entre dois pensamentos, o julgamento ou a lembrança de um pensamento é ainda outro pensamento. Quando somos tomados por um pensamento, ele parece ser o mais importante, o mais urgente. Mas logo em seguida esse mesmo pensamento dá lugar a outro, de tal modo que nenhum pensamento é importante.

"Os pensamento que nos parecem 'importantes' e os sentimentos que nos parecem 'vivos' em determinado instante passam para segundo plano ou são esquecidos no instante seguinte. Observar esse processo incessante de aparecimento e desaparecimento, de entrada em cena e de retorno à sombra, deveria ajudar-nos a não acreditar na importância do que quer que seja e a perceber que nosso espírito esta continuamente construindo e destruindo essa importância.

"Nada é absolutamente bom, até mesmo o melhor pensamento: ele poderia nos fazer perder o instante.

"A maioria dos 'pensamentos' vem do automatismo mental. O verdadeiro pensamento, o pensamento nobre, é percepção direta, contemplação, presença, criação, ação sobre si, envolvimento profundo, transformação do ser. O pensamento nobre jamais é julgamento. Sabemos que realmente pensamos quando percebemos diferente, quando um espaço se abre.

"Só os pensamentos felizes são pensamentos verdadeiros. Não estou falando das verdades 'objetivas', 'universais', 'científicas', mas sim das verdades existenciais, emocionais, da verdade das situações. Os pensamentos verdadeiros não são nem evasivas nem subterfúgios. Eles olham para a vida de frente, aqui e agora. Os pensamentos verdadeiros são percepções.

"A maioria dos pensamentos tece um véu que nos separa do mundo e de nós mesmos. Eles desviam nossa atenção do que acontece aqui e agora, Impedem-nos de sentir. Tentamos escapar da experiência direta do grande fluxo porque tememos renunciar à solidez ilusória de nosso eu e do mundo 'exterior'. No entanto, por trás do borrão dos pensamentos, conceitos, preconceitos e de todas as formas de loquacidade mental brilha a luz do despertar.

"Para orientar nossa existência, é preciso saber discernir. Para saber discernir, temos de aprender a ver as coisas tal como são. Para ver as coisas tal como são, é preciso cessar de projetar nossos estados mentais no mundo. Para cessar de projetar, devemos nos conhecer. Para nos conhecermos, precisamos ser nosso próprio amigo. Para sermos nosso próprio amigo, esforcemo-nos para acolher com carinho todos os pensamentos. Para aceitar todos os pensamentos, paremos de distinguir entre os bons e os maus. Se quisermos, sinceramente cessar de distinguir entre os bons e os maus pensamentos, temos de meditar com constância e disciplina. Para meditar, é preciso distinguir, sem julgar, entre a plena consciência do instante e a fuga nos pensamentos. Nesse estágio, o problema de se orientar na vida não mais se apresenta. Moramos desde sempre no coração da existência."

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Tem valor um mundo que muda a um piscar de olhos?

 

LIÇÃO 128

O mundo que vejo não tem nada que eu queira.

1. O mundo que vês não tem nada do que precisas para te oferecer, nada que possas usar de nenhum modo, nem absolutamente nada que sirva para te dar alegria. Acredita nesta ideia e estás salvo de anos de sofrimento, de inúmeras frustrações e de esperanças que se tornam cinzas amargas de desespero. Ninguém tem senão de aceitar esta ideia como verdadeira, se quiser deixar o mundo para trás e se elevar acima de seu domínio insignificante e de suas peculiaridades.

2. Cada coisa que valorizas aqui é apenas uma corrente que te prende ao mundo e não servirá a nenhum outro fim a não ser a este. Pois todas as coisas têm de servir à finalidade que lhes dás, até veres um fim diferente nelas. O único fim digno de tua mente que este mundo tem é o de passares por ele sem demora para perceber alguma esperança aonde não há nenhuma. Não te enganes mais. O mundo que vês não tem nada que queiras.

3. Escapa, hoje, das correntes que colocas em tua mente, quando percebes a salvação aqui. Pois tornas parte de ti, da forma que te percebes, aquilo a que dás valor. Todas as coisas que buscas para tornar teu valor maior a tua vista te limitam mais, escondem de ti teu valor e acrescentam outra barreira diante da porta que conduz à consciência verdadeira de teu Ser.

4. Não permitas que nada relativo aos pensamentos do corpo retardem teu avanço em direção à salvação, nem te permitas a tentação de acreditar que o mundo tem qualquer coisa que queiras que te detenha. Não há nada aqui para se apreciar. Nada aqui vale um instante de atraso e dor; um instante de incerteza e dúvida. O inútil não oferece nada. Não se pode encontrar garantia de valor no inútil.

5. Hoje praticamos abandonar todas as ideias de valor que damos ao mundo. Nós o deixamos livre dos propósitos que demos a seus aspectos e a suas fases e a seus sonhos. Nós o mantemos sem finalidade em nossas mentes e o libertamos de tudo o que desejaríamos que ele fosse. Desta forma, nós, de fato, erguemos as correntes que obstruem a porta pela qual precisamos passar para nos libertamos do mundo e para ir além de todas as metas e valores insignificantes e de pouca importância.

6. Para e fica quieto por um instante e vê quão alto te elevas acima do mundo, quando liberas tua mente das correntes e a deixas buscar o nível em que ela se sente à vontade. Ela ficará agradecida por ser livre por algum tempo. Ela sabe qual é seu lugar. Liberta suas asas apenas e ela voará na certeza e na alegria para se unir a seu propósito sagrado. Deixa que ela descanse em seu Criador, para ser devolvida, aí, à sanidade, à liberdade e ao amor.

7. Dá-lhe dez minutos de descanso três vezes hoje. E quando, mais tarde, teus olhos se abrirem, não darás tanto valor a qualquer coisa que vires quanto davas antes, ao olhar para ela. Toda tua perspectiva do mundo mudará, por pouco que seja, cada vez que permitires que tua mente escape de suas correntes. O mundo não é o lugar dela. E o teu lugar é o lugar aonde ela quer estar e aonde ela vai descansar quando a liberas do mundo. Teu Guia é de confiança. Abre tua mente a Ele. Aquieta-te e descansa.

8. Protege tua mente ao longo de todo este dia da mesma forma. E, quando pensares ver algum valor em um aspecto ou em uma imagem do mundo, recusa-te a colocar essa corrente sobre tua mente, dize apenas a ti mesmo com convicção serena:

Isto não me tentará a me atrasar.
O mundo que vejo não tem nada que eu queira.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 128

Caras, caros,

A ideia que vamos praticar neste dia quer nos fazer abrir os olhos para o fato de que tudo o que vemos, provamos, tocamos, cheiramos, ouvimos e sentimos neste mundo é apenas ilusão, não vai durar e não tem qualquer valor real.

Ela é a seguinte:

"O mundo que vejo não tem nada que eu queira."

Comecemos, pois, a exploração:

Repetindo, com grande ênfase para que não fiquem dúvidas, a abertura da apresentação da lição:

O mundo que vês não tem nada do que precisas para te oferecer, nada que possas usar de nenhum modo, nem absolutamente nada que sirva para te dar alegria... 

Ou pensas que ele tem? Ou pensas que há no mundo alguma coisa que queres? Algo ou alguém que te pode dar alegria, paz, felicidade ou qualquer outra coisa que já não seja tua, recebida por tua herança de filho de Deus? A lição continua...

... Acredita nesta ideia e estás salvo de anos de sofrimento, de inúmeras frustrações e de esperanças que se tornam cinzas amargas de desespero. Ninguém tem senão de aceitar esta ideia como verdadeira, se quiser deixar o mundo para trás e se elevar acima de seu domínio insignificante e de suas peculiaridades.

Cada coisa que valorizas aqui é apenas uma corrente que te prende ao mundo e não servirá a nenhum outro fim a não ser a este. Pois todas as coisas têm de servir à finalidade que lhes dás, até veres um fim diferente nelas. O único fim digno de tua mente que este mundo tem é o de passares por ele sem demora para perceber alguma esperança aonde não há nenhuma. Não te enganes mais. O mundo que vês não tem nada que queiras.

A única coisa que o mundo pode oferecer é a ilusão de uma felicidade fugidia, uma felicidade que pode tomar diferentes formas e que nunca pode satisfazer nenhum, nenhuma, de nós por completo. Ele também oferece aquele tipo de amor que muda ao sabor da percepção, ao sabor do humor e que se oferece a alguns e a algumas, mas não a outros, ou outras. Que dirá a todos, a todas? O mundo, na ilusão, também oferece alguns momentos de paz, não é mesmo? Uma paz, no entanto, que nunca é duradoura, porque há sempre o medo, a culpa, a dor, o sofrimento, a mágoa, o ódio e o ressentimento por trás da paz que o mundo oferece. Uma paz que só se apresenta por instantes, quando, naquela fração de segundos, às vezes, somos capazes de deixar de lado todos os enganos e ilusões do mundo. Para viver um "instante santo". 

O mundo que vejo não tem nada que eu queira.

Pois como o Curso ensina: 

"A felicidade fugidia ou a felicidade em forma mutante, que se desloca com o tempo e o lugar, é uma ilusão que não tem nenhum significado. A felicidade tem de ser constante, porque se chega a ela desistindo do desejo do inconstante. Não se pode perceber a alegria senão pela visão verdadeira. E a visão verdadeira só é dada àqueles que desejam constância." 

Isto é, como orienta o budismo, pelo que penso saber dele, é preciso que calemos, e abandonemos, em nós todos os desejos por alguma coisa, por alguma emoção que possam advir do contato com as coisas - e pessoas - do mundo.

Como chegar a isto? Seguindo a orientação que a lição nos dá para as práticas:

Escapa, hoje, das correntes que colocas em tua mente, quando percebes a salvação aqui. Pois tornas parte de ti, da forma te percebes, aquilo a que dás valor. Todas as coisas que buscas para tornar teu valor maior a tua vista te limitam mais, escondem de ti teu valor e acrescentam outra barreira diante da porta que conduz à consciência verdadeira de teu Ser.

Não permitas que nada relativo aos pensamentos do corpo retardem teu avanço em direção à salvação, nem te permitas a tentação de acreditar que o mundo tem qualquer coisa que queiras que te detenha. Não há nada aqui para se apreciar. Nada aqui vale um instante de atraso e dor; um instante de incerteza e dúvida. O inútil não oferece nada. Não se pode encontrar garantia de valor no inútil.

É na direção da constância e da visão verdadeira que as práticas de hoje nos levam. Com elas, a partir delas, vamos - melhor seria dizer podemos vir a - aprender a perceber que o mundo não nos oferece nada que seja duradouro, permanente, nada que possa vir a ser eterno. Pois o mundo é, a cada novo instante, apenas um reflexo de nossos pensamentos equivocados acerca de nós mesmos e de nós mesmas. É um lugar que inventamos em pensamentos para esconder de nós mesmos e de nós mesmas aquilo que somos, para lembrar a lição de ontem. O mundo na maior parte do tempo é apenas a materialização ilusória das interpretações que fazemos daquilo que nos mostra nossa percepção, que, é sempre bom lembrar, só nos mostra aquilo que escolhemos ver.

O mundo que vejo não tem nada que eu queira.

Duvidamos da verdade que a ideia da lição nos traz? Perguntemo-nos então: O que pode haver de valor na fantasia de um mundo que muda a cada piscar de olhos de cada um ou de cada uma de nós? Não será isso um sonho? Melhor dizendo, não será um pesadelo um mundo onde tudo muda ao sabor de cada equívoco em que acreditamos? E não só dos equívocos, dos acertos também. Será que, de verdade, queremos nos tornar prisioneiros e prisioneiras de um pesadelo, no qual todos os horrores que nossa imaginação inventa assumem uma realidade que não têm apenas para nos assombrar? Ou queremos experimentar viver "o sonho feliz"?

Se quisermos viver, mesmo neste mundo, "o sonho feliz", precisamos das práticas de hoje. E, claro, precisamos das práticas de todos os dias para não incorrermos no equívoco de acreditar que há, no mundo, alguma coisa que queiramos ou alguma coisa de que precisemos.

A lição orienta:

Hoje praticamos abandonar todas as ideias de valor que damos ao mundo. Nós o deixamos livre dos propósitos que demos a seus aspectos e a suas fases e a seus sonhos. Nós o mantemos sem finalidade em nossas mentes e o libertamos de tudo o que desejaríamos que ele fosse. Desta forma, nós, de fato, erguemos as correntes que obstruem a porta pela qual precisamos passar para nos libertamos do mundo e para ir além de todas as metas e valores insignificantes e de pouca importância.

Para e fica quieto por um instante e vê quão alto te elevas acima do mundo, quando liberas tua mente das correntes e a deixas buscar o nível em que ela se sente à vontade. Ela ficará agradecida por ser livre por algum tempo. Ela sabe qual é seu lugar. Liberta suas asas apenas e ela voará na certeza e na alegria para se unir a seu propósito sagrado. Deixa que ela descanse em seu Criador, para ser devolvida, aí, à sanidade, à liberdade e ao amor.

Sabemos já, a partir daqui que:
 
O mundo que vejo não tem nada que eu queira.

Ou ainda como o Curso diz: 

"Qualquer coisa neste mundo que acredites ser boa, de valor e pela qual valha a pena lutar, pode te ferir e o fará. Não porque tenha o poder de ferir, mas apenas porque negaste que ela é apenas uma ilusão e a tornaste real. E ela é real para ti. Ela deixou de ser nada. E, a partir da realidade percebida nela, entra todo o mundo de ilusões doentias. Toda a crença no pecado, no poder do ataque, na dor e no mal, no sacrifício e na morte, vem a ti. Pois ninguém pode tornar real uma ilusão e, mesmo assim, escapar do restante delas. Pois quem pode escolher manter aquelas que prefere e encontrar a segurança que só a verdade pode dar? Quem pode acreditar que as ilusões são iguais e ainda assim sustentar que uma delas é melhor?"

É preciso que demos trégua a nossa mente, que a deixemos descansar, a lição afirma. E podemos fazer isso aceitando praticar do modo que o Curso sugere:

Dá-lhe dez minutos de descanso três vezes hoje. E quando, mais tarde, teus olhos se abrirem, não darás tanto valor a qualquer coisa que vires quanto davas antes, ao olhar para ela. Toda tua perspectiva do mundo mudará, por pouco que seja, cada vez que permitires que tua mente escape de suas correntes. O mundo não é o lugar dela. E o teu lugar é o lugar aonde ela quer estar e aonde ela vai descansar quando a liberas do mundo. Teu Guia é de confiança. Abre tua mente a Ele. Aquieta-te e descansa.

Protege tua mente ao longo de todo este dia da mesma forma. E, quando pensares ver algum valor em um aspecto ou em uma imagem do mundo, recusa-te a colocar essa corrente sobre tua mente, dize apenas a ti mesmo com convicção serena:

Isto não me tentará a me atrasar.
O mundo que vejo não tem nada que eu queira.

Ou podemos nos deixar ficar mergulhados e mergulhadas no pesadelo de ilusões que o mundo oferece. No entanto, as práticas com a ideia de hoje e a aceitação da verdade que há no que a lição nos pede para praticar podem abrir espaço para o milagre de nosso despertar para "o sonho feliz". 

Um sonho no qual podemos nos esquecer da crença equivocada em uma separação que nunca aconteceu, nem poderá jamais acontecer, abandonando-a de vez. Um sonho no qual podemos experimentar no presente, aqui e agora, a alegria, a paz e a felicidade perfeitas, completas e constantes que são a Vontade de Deus para todos, para todas, para cada um e para cada uma de nós. 

Às práticas?

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Tens disposição, coragem, para abandonar o mundo?

 

LIÇÃO 127

Não há nenhum amor a não ser o de Deus.

1. Talvez penses que diferentes tipos de amor são possíveis. Talvez penses que há um tipo de amor para isto, um tipo para aquilo; um modo de amar alguém, outro modo ainda de amar outro alguém. O amor é único. Ele não tem nenhuma parte separada e nenhum grau; nenhum tipo, nem níveis; nenhuma divergência e nenhuma distinção. Ele é igual a si mesmo, inteiramente imutável. Ele nunca se altera com uma pessoa ou uma circunstância. Ele é o Coração de Deus e o de Seu Filho também.

2. O significado do amor está escondido de qualquer um que pense que o amor pode mudar. Ele não percebe que mudar o amor tem de ser impossível. E, deste modo, ele pensa que, às vezes, pode amar e, noutras, odiar. Ele também pensa que o amor pode ser oferecido a um e ainda permanecer ele mesmo embora seja negado a outros. Acreditar nestas coisas a respeito do amor é não compreendê-lo. Se ele pudesse fazer tais distinções, teria de julgar entre o justo e o pecador, e perceber o Filho de Deus em partes separadas.

3. O amor não pode julgar. Do mesmo modo que ele é único em si mesmo, ele olha para tudo como um só. Seu significado está na unidade. E tem de escapar à mente que pensa nele como tendencioso ou parcial. Não há nenhum amor a não ser o de Deus e tudo o que se refere ao amor é d'Ele. No lugar onde não há amor, não há nenhum outro princípio que governe. O amor é uma lei que não tem oposto. Sua completude é o poder que mantém todas as coisas unas, a ligação entre o Pai e o Filho que Os mantém eternamente como o mesmo.

4. Nenhum curso cujo objetivo seja te ensinar a te lembrares do que és realmente poderia deixar de enfatizar que não pode existir nunca uma diferença entre o que tu és realmente e o que o amor é. O significado do amor é teu próprio significado, e compartilhado pelo Próprio Deus. Pois o que tu és é o que Ele é. Não há nenhum amor a não ser o d'Ele, e o que Ele é é tudo o que existe. Sobre Ele Mesmo não se impõe nenhum limite e, por isto, tu também és ilimitado.

5. Nenhuma lei a que o mundo obedeça pode te ajudar a apreender o significado do amor. Aquilo em que o mundo acredita foi feito para esconder o significado do amor e para mantê-lo oculto e secreto. Não há nenhum princípio que o mundo sustente que não viole a verdade do que o amor é e do que tu também és.

6. Não busques no mundo para achar teu Ser. Não se encontra o amor na escuridão e na morte. Porém ele é completamente aparente aos olhos que veem e aos ouvidos que ouvem a Voz do amor. Hoje praticamos libertar tua mente de todas as leis a que pensas ter de obedecer; de todos os limites sob os quais vives e de todas as mudanças que pensas serem parte do destino humano. Hoje damos o maior passo individual que este curso exige em teu avanço na direção à meta que ele estabeleceu.

7. Se conseguires, hoje, o mais leve vislumbre do que o amor significa, avançaste uma distância imensurável e um tempo maior do que o que se pode contar em anos na direção de tua liberdade. Então, juntos, vamos ficar contentes por dedicar algum tempo a Deus hoje e compreender que não há uso melhor para o tempo do que este.

8. Escapa, hoje, de todas as leis nas quais acreditas agora por duas vezes durante quinze minutos. Abre tua mente e descansa. É possível, para qualquer um que não dê valor a ele, escapar do mundo que parece te aprisionar. Retira todo o valor que deste a seus parcos oferecimentos e dádivas insignificantes e deixa que a dádiva de Deus substitua todas elas.

9. Chama por teu Pai, certo de que a Voz d'Ele responderá. Ele Mesmo assegura isto. E Ele Mesmo colocará uma centelha de verdade em tua mente sempre que desistires de uma crença falsa, uma ilusão sombria de tua própria realidade e do que o amor significa. Ele brilhará através de teus pensamentos inúteis hoje e te ajudará a compreender a verdade a respeito do amor. Ele habitará contigo em mansidão amorosa, quando permitires que Sua Voz ensine o significado do amor a tua mente pura e aberta. E Ele abençoará a lição com Seu Amor.

10. Hoje a quantidade de anos futuros de espera pela salvação desaparece diante da intemporalidade do que aprendes. Demos graças, hoje, por sermos poupados de um futuro idêntico ao passado. Hoje, deixamos o passado atrás de nós, para não ser lembrado jamais. E erguemos nossos olhos para um presente diferente do passado em todos os aspectos.

11. O mundo incipiente é recém-nascido. E nós o observamos crescer em saúde e força, para distribuir sua bênção sobre todos que vierem aprender a pôr de lado o mundo que pensavam que era feito no ódio para ser inimigo do amor. Agora todos ficaram livres junto conosco. Agora todos são nossos irmãos no Amor de Deus.

12. Nós nos lembraremos deles ao longo do dia, porque não podemos deixar uma parte de nós fora de nosso amor, se quisermos conhecer nosso Ser. Pensa, pelo menos três vezes por hora, em alguém que faz a jornada contigo e que veio aprender aquilo que tu tens de aprender. E, quando ele vier a tua mente, dá-lhe esta mensagem de teu Ser:

Eu te abençoo, irmão, com o Amor de Deus, que
quero compartilhar contigo. Pois quero aprender
a lição feliz de que não há nenhum amor a não ser
o de Deus e o teu e o meu e o de todos.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 127

Caras, caros,

Vamos começar a exploração da ideia de hoje, que é:

"Não há nenhum amor a não ser o de Deus.",

refletindo a respeito de como pensamos no amor, como o vemos em nossas vidas, como nos deixamos levar pelas ideias equivocadas do sistema de pensamento do ego a respeito do que é o amor, inventando milhares, milhões de formas de amor, que, na verdade, não têm nada a ver com o amor de que fala o Curso, que é o amor de Deus.

Por isso, a ideia que vamos praticar hoje traz consigo, mais uma vez, como não poderia deixar de ser, outra nova oportunidade, a mais nova - mais uma - de nos pormos em contato com aquilo que somos verdadeiramente. Isto é, temos, hoje, novamente, mais uma oportunidade de aprender, na prática - e com as práticas deste dia -, a respeito do amor, que é o que somos, e de Deus, que é o Amor Que Somos.

A única "coisa" real é Deus. É o Amor que vem d'Ele/d'Ela, que é o que Ele/Ela é. É o que veríamos, perceberíamos, se pudéssemos, de algum modo, vislumbrar uma forma de apreender o que Ele/Ela é. Pois Ele/Ela é o Inominável, o Indizível e nada do que pudermos dizer a respeito d'Ele O define, uma vez que definir é limitar e Ele/Ela não conhece limites. Por outro lado, e também da mesma forma, tudo o que dissermos d'Ele/Ela também não é o que Ele/Ela é, porque tudo o que conhecemos conhecemos dentro de uma consciência ainda limitada por nossa experiência da, e na, forma.

É este amor sem limites, indivisível e, ao mesmo tempo, capaz de abarcar tudo e todos num mesmo abraço, que a lição nos convida a conhecer. Assim:

Talvez penses que diferentes tipos de amor são possíveis. Talvez penses que há um tipo de amor para isto, um tipo para aquilo; um modo de amar alguém, outro modo ainda de amar outro alguém. O amor é único. Ele não tem nenhuma parte separada e nenhum grau; nenhum tipo, nem níveis; nenhuma divergência e nenhuma distinção. Ele é igual a si mesmo, inteiramente imutável. Ele nunca se altera com uma pessoa ou uma circunstância. Ele é o Coração de Deus e o de Seu Filho também.

É a este amor que podemos chamar de incondicional. Não há outro.

A lição continua:

O significado do amor está escondido de qualquer um que pense que o amor pode mudar. Ele não percebe que mudar o amor tem de ser impossível. E, deste modo, ele pensa que, às vezes, pode amar e, noutras, odiar. Ele também pensa que o amor pode ser oferecido a um e ainda permanecer ele mesmo embora seja negado a outros. Acreditar nestas coisas a respeito do amor é não compreendê-lo. Se ele pudesse fazer tais distinções, teria de julgar entre o justo e o pecador, e perceber o Filho de Deus em partes separadas.

O amor não pode julgar. Do mesmo modo que ele é único em si mesmo, ele olha para tudo como um só. Seu significado está na unidade. E tem de escapar à mente que pensa nele como tendencioso ou parcial. Não há nenhum amor a não ser o de Deus e tudo o que se refere ao amor é d'Ele. No lugar onde não há amor não há nenhum outro princípio que governe. O amor é uma lei que não tem oposto. Sua completude é o poder que mantém todas as coisas unas, a ligação entre o Pai e o Filho que Os mantém eternamente como o mesmo.

Será que a partir disso ainda vamos pensar que há como dividir as pessoas entre as que merecem receber nosso amor e as que não, como o ego nos aconselha a fazer? Será que ainda vamos ser capazes de pensar que podemos dar um amor um pouco maior a algumas e um amor um pouco menor, diferente a outras? Ou ainda negar o amor totalmente a outras mais?

Não há nenhum amor a não ser o de Deus. 

Isto quer dizer que não é amor um sentimento ou emoção qualquer que tenhamos, e que nos permita pensar ser possível excluir alguém de nosso abraço amoroso. Vejamos, então, o que o Curso quer que aprendamos: 

Nenhum curso cujo objetivo seja te ensinar a te lembrares do que és realmente poderia deixar de enfatizar que não pode existir nunca uma diferença entre o que tu és realmente e o que o amor é. O significado do amor é teu próprio significado, e compartilhado pelo Próprio Deus. Pois o que tu és é o que Ele é. Não há nenhum amor a não ser o d'Ele, e o que Ele é é tudo o que existe. Sobre Ele Mesmo não se impõe nenhum limite e, por isto, tu também és ilimitado.

Nenhuma lei a que o mundo obedeça pode te ajudar a apreender o significado do amor. Aquilo em que o mundo acredita foi feito para esconder o significado do amor e para mantê-lo oculto e secreto. Não há nenhum princípio que o mundo sustente que não viole a verdade do que o amor é e do que tu também és.

Não busques no mundo para achar teu Ser. Não se encontra o amor na escuridão e na morte. Porém ele é completamente aparente aos olhos que veem e aos ouvidos que ouvem a Voz do amor. Hoje praticamos libertar tua mente de todas as leis a que pensas ter de obedecer; de todos os limites sob os quais vives e de todas as mudanças que pensas serem parte do destino humano. Hoje damos o maior passo individual que este curso exige em teu avanço na direção à meta que ele estabeleceu.

É isso! É preciso que estejamos dispostos a reconhecer que as leis do mundo, que limitam o amor,  não têm de ser obedecidas, se praticarmos viver o amor de Deus, a recebê-lo e a estendê-lo a tudo e a todos, mesmo neste mundo.

Como o Curso ensina, o que Deus nos dá é dado verdadeiramente e tem de ser recebido de verdade. Pois as dádivas de Deus não têm realidade, quando não as recebemos. É por isso que não nos serve de nada a compreensão intelectual da onipotência, onisciência e onipresença de Deus. É preciso que a tenhamos na consciência, na mente e no coração. Deus só pode ir conosco aonde formos se O/A convidarmos e permitirmos que Ele/Ela vá conosco.

Não há nenhum amor a não ser o de Deus.

É esta verdade que a lição quer que aprendamos hoje, para recebermos com ela o milagre que está reservado a cada um e a cada uma de nós, quando nos abrirmos para o único amor que existe. E não há limites para o que podemos alcançar se o desejarmos de verdade.

É o que a lição diz desta forma:

Se conseguires, hoje, o mais leve vislumbre do que o amor significa, avançaste uma distância imensurável e um tempo maior do que o que se pode contar em anos na direção de tua liberdade. Então, vamos, juntos, ficar contentes por dedicar algum tempo a Deus hoje e compreender que não há uso melhor para o tempo do que este.

Escapa, hoje, de todas as leis nas quais acreditas agora por duas vezes durante quinze minutos. Abre tua mente e descansa. É possível, para qualquer um que não dê valor a ele, escapar do mundo que parece te aprisionar. Retira todo o valor que deste a seus parcos oferecimentos e dádivas insignificantes e deixa que a dádiva de Deus substitua todas elas.

Chama por teu Pai, certo de que a Voz d'Ele responderá. Ele Mesmo assegura isto. E Ele Mesmo colocará uma centelha de verdade em tua mente sempre que desistires de uma crença falsa, uma ilusão sombria de tua própria realidade e do que o amor significa. Ele brilhará através de teus pensamentos inúteis hoje e te ajudará a compreender a verdade a respeito do amor. Ele habitará contigo em mansidão amorosa, quando permitires que Sua Voz ensine o significado do amor a tua mente pura e aberta. E Ele abençoará a lição com Seu Amor.

É certo que é aparentemente difícil aceitar uma ideia como a de hoje enquanto ainda pensarmos que há qualquer coisa de valor no mundo das aparências, das formas e das ilusões. Precisamos ter disposição e coragem, estar dispostos e dispostas a abandonar o mundo de uma vez por todas. Para ganhá-lo por inteiro. Para vencê-lo. Para libertá-lo por completo de quaisquer ideias e pensamentos equivocados que ainda temos a respeito dele. Mas quando teremos tal disposição, se tudo o que conseguimos fazer é protelar nossa decisão de escolher o Céu de forma definitiva? Quando, então, nos decidiremos a deixar de dar valor a qualquer coisa no - e do - mundo?

Uma das lições que já praticamos mais de uma vez garante que ainda somos como Deus nos criou, pois não há como sermos diferentes. Com a de hoje vamos fazer um esforço para aprender que não há, de fato, nada de valor no mundo em que aparentemente vivemos. Ao contrário, o mundo busca esconder o significado do amor, de modo a não o descobrirmos e, por consequência, não nos descobrirmos nele. E nem a Deus em nós.

Não há nenhum amor a não ser o de Deus. 

Pratiquemos, pois, de acordo com as orientações que recebemos hoje, para apressar nosso encontro com o Ser em nós, de Quem equivocadamente pensamos estar separados e separadas. Pois, como o Curso afirma em determinado ponto, já somos Aquilo que buscamos.

Assim é que vamos aprender que:

Hoje a quantidade de anos futuros de espera pela salvação desaparece diante da intemporalidade do que aprendes. Demos graças, hoje, por sermos poupados de um futuro idêntico ao passado. Hoje, deixamos o passado atrás de nós, para não ser lembrado jamais. E erguemos nossos olhos para um presente diferente do passado em todos os aspectos.

O mundo incipiente é recém-nascido. E nós o observamos crescer em saúde e força, para distribuir sua bênção sobre todos que vierem aprender a pôr de lado o mundo que pensavam que era feito no ódio para ser inimigo do amor. Agora todos ficaram livres junto conosco. Agora todos são nossos irmãos no Amor de Deus.

Nós nos lembraremos deles ao longo do dia, porque não podemos deixar uma parte de nós fora de nosso amor, se quisermos conhecer nosso Ser. Pensa, pelo menos três vezes por hora, em alguém que faz a jornada contigo e que veio aprender aquilo que tu tens de aprender. E, quando ele vier a tua mente, dá-lhe esta mensagem de teu Ser:

Eu te abençoo, irmão, com o Amor de Deus, que
quero compartilhar contigo. Pois quero aprender
a lição feliz de que não há nenhum amor a não ser
o de Deus e o teu e o meu e o de todos. 

Às práticas?