sábado, 12 de setembro de 2026

É tempo de escolhermos entre "ter razão ou ser feliz"

 

4. O que é o pecado?

1. Pecado é insanidade. Ele é o meio pelo qual a mente é levada à loucura e busca deixar que ilusões tomem o lugar da verdade. E, por estar louca, a mente vê ilusões aonde a verdade deveria estar e aonde ela verdadeiramente está. O pecado deu olhos ao corpo, pois o que há para os inocentes quererem ver? Que necessidade eles têm da visão, da audição e do tato? O que querem ouvir ou tentar compreender? De qualquer modo, o que perceberiam? Perceber não é conhecer. E a verdade só pode se satisfazer com o conhecimento e nada mais.

2. O corpo é o instrumento que a mente criou, em seus esforços para se enganar. A finalidade dele é lutar. Mas a meta da luta pode mudar. E, em função disso, o corpo serve para lutar por um objetivo diferente. O que ele busca agora é escolhido pelo objetivo que a mente aceita como substituto para a meta do autoengano. A verdade, tanto quanto as mentiras, pode ser sua meta. Neste caso, os sentidos, de preferência, buscarão testemunhas para aquilo que é verdadeiro.

3. O pecado é o lar de todas as ilusões, que representam apenas coisas imaginárias, resultantes de pensamentos que não são verdadeiros. Eles são a "prova" de que aquilo que não tem nenhuma realidade é verdadeiro. O pecado prova que o Filho de Deus é mau, que a intemporalidade tem de ter um fim, que a vida eterna tem de morrer. E que o Próprio Deus perdeu o Filho que Ele ama, ficando apenas com a corrupção para completar a Si Mesmo, com Sua Vontade derrotada pela morte para sempre, com o amor morto pelo ódio e com a paz a não existir mais.

4. Os sonhos de um louco são amedrontadores e o pecado parece, de fato, aterrorizar. E, no entanto, aquilo que o pecado percebe é apenas uma brincadeira infantil. O Filho de Deus pode fingir que se tornou um corpo, presa do mal e da culpa, com nada mais do que uma vida curta que termina com a morte. Mas seu Pai reluz sobre ele o tempo todo e o ama com um Amor infinito, que suas simulações não podem mudar em absoluto.

5. Até quando, ó Filho de Deus, sustentarás a brincadeira do pecado? Não é melhor abandonar estes brinquedos infantis de pontas afiadas? Em quanto tempo estarás pronto para voltar a casa? Hoje, talvez? Não existe nenhum pecado. A criação é imutável. Ainda queres adiar a volta ao Céu? Até quando, ó Filho de Deus, até quando?

*

LIÇÃO 255

Escolho passar este dia na paz perfeita.

1. Não me parece que posso escolher ter apenas paz hoje. E, não obstante, meu Deus me garante que Seu Filho é como Ele Mesmo. Que neste dia eu tenha fé n'Aquele Que diz que sou o Filho de Deus. E permita que a paz que escolho para ser minha hoje testemunhe a verdade daquilo que Ele diz. O Filho de Deus não pode ter nenhuma preocupação e tem de permanecer na paz do Céu para sempre. Em Nome d'Ele dedico o dia de hoje a encontrar aquilo que meu Pai quer para mim, aceitando-o como meu e dando-o a todos os Filhos de meu Pai junto comigo.

2. E, por isto, meu Pai, quero passar este dia Contigo. Teu Filho não Te esqueceu. A paz que Tu deste a ele ainda está em sua mente, e é lá que eu escolho passar o dia de hoje.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 255

Caras, caros,

O livro texto do Curso afirma, em um de seus pontos, conforme já lhes disse anteriormente, que o conteúdo de qualquer ilusão particular do ego não tem importância. Mas ressalta que, mesmo assim, a correção de qualquer ilusão é útil em um contexto específico. Porque as ilusões do ego são bastante específicas, embora a mente seja abstrata por natureza.

O que isto quer dizer? Quer dizer que tudo o que o ego vê, embora pareça concreto, é apenas a projeção de seu sistema de pensamento. Isto é, tudo o que a percepção pode mostrar a partir dos sentidos é apenas uma forma particular de ilusão que depende daquilo que nós - cada um ou cada uma de nós - escolhemos pensar a respeito do mundo e das coisas e pessoas do mundo.

Dizendo de outra forma, a partir do que nos ensina o Curso, em geral - para não dizer nunca -, não reagimos aos fatos, mas apenas à interpretação que fazemos deles, dos fatos. E é essa interpretação que pode, por vezes, nos afastar da paz e da alegria, que são - ou deveriam ser - nosso estado natural.

Mas podemos perfeitamente escolher não interpretar nada. Isso significa deixar o mundo em paz. Deixar a vida em paz. Deixar em paz todas as pessoas e todas as coisas do mundo. Olhar para tudo com um olhar amoroso, neutro, e permitir que cada coisa e pessoa siga seu curso, faça no seu ritmo, seja o que é, sem querer que nada seja diferente do que é.

É na direção de uma escolha deste tipo que nos encaminha a ideia que praticamos mais uma vez hoje. Alguém disse outro dia em algum texto que li, que não podemos acreditar em Deus e, ao mesmo tempo, ter dúvidas, ou ter medo. Da mesma forma, não podemos acreditar em Deus e não viver em paz, não viver na alegria. Paz e alegria são a Vontade Deus para nós. Mas precisamos nos perdoar [o Curso diz que precisamos aceitar a Expiação para nós mesmos, ou para nós mesmas, o que significa voltar a acreditar que ainda somos como Deus nos criou, puros, puras e inocentes, incapazes de qualquer tipo de pecado - até porque não existe nenhum pecado] por acreditarmos, às vezes - muitas vezes? -, que podemos estar separados, ou separadas de Deus, e, por consequência, daquilo que somos. Não podemos!

Por isso é que podemos ficar tranquilos, tranquilas, e praticar a ideia que o Curso nos oferece para os treinos de hoje na certeza e na confiança de que o melhor que fazemos é escolher entregar nosso dia a Deus, ser neste dia, e em todos os que virão, apenas um instrumento a partir do qual a Presença Se manifesta e vive. Deixar que Deus viva a nossa vida por nós.

Afinal, como o Curso pergunta, queremos ter razão ou ser felizes? O que parece ser mais importante para nós, em nossa experiência na forma, no mundo: ter razão ou ser feliz? Podemos ter a mais absoluta certeza de que, se nossa resposta é "ter razão", ainda estamos completamente dominados, dominadas, pelo ego, acreditando na ilusão do mundo e na separação. Mas como o Curso ensina "isto não precisa ser assim".

Às práticas?

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Orientação prática para limpeza do corpo e da mente

 

4. O que é o pecado?

1. Pecado é insanidade. Ele é o meio pelo qual a mente é levada à loucura e busca deixar que ilusões tomem o lugar da verdade. E, por estar louca, a mente vê ilusões aonde a verdade deveria estar e aonde ele verdadeiramente está. O pecado deu olhos ao corpo, pois o que há para os inocentes quererem ver? Que necessidade eles têm da visão, da audição e do tato? O que querem ouvir ou tentar compreender? De qualquer modo, o que perceberiam? Perceber não é conhecer. E a verdade só pode se satisfazer com o conhecimento e nada mais.

2. O corpo é o instrumento que a mente criou, em seus esforços para se enganar. A finalidade dele é lutar. Mas a meta da luta pode mudar. E, em função disso, o corpo serve para lutar por um objetivo diferente. O que ele busca agora é escolhido pelo objetivo que a mente aceita como substituto para a meta do autoengano. A verdade, tanto quanto as mentiras, pode ser sua meta. Neste caso, os sentidos, de preferência, buscarão testemunhas para aquilo que é verdadeiro.

3. O pecado é o lar de todas as ilusões, que representam apenas coisas imaginárias, resultantes de pensamentos que não são verdadeiros. Eles são a "prova" de que aquilo que não tem nenhuma realidade é verdadeiro. O pecado prova que o Filho de Deus é mau, que a intemporalidade tem de ter um fim, que a vida eterna tem de morrer. E que o Próprio Deus perdeu o Filho que Ele ama, ficando apenas com a corrupção para completar a Si Mesmo, com Sua Vontade derrotada pela morte para sempre, com o amor morto pelo ódio e com a paz a não existir mais.

4. Os sonhos de um louco são amedrontadores e o pecado parece, de fato, aterrorizar. E, no entanto, aquilo que o pecado percebe é apenas uma brincadeira infantil. O Filho de Deus pode fingir que se tornou um corpo, presa do mal e da culpa, com nada mais do que uma vida curta que termina com a morte. Mas seu Pai reluz sobre ele o tempo todo e o ama com um Amor infinito, que suas simulações não podem mudar em absoluto.

5. Até quando, ó Filho de Deus, sustentarás a brincadeira do pecado? Não é melhor abandonar estes brinquedos infantis de pontas afiadas? Em quanto tempo estarás pronto para voltar a casa? Hoje, talvez? Não existe nenhum pecado. A criação é imutável. Ainda queres adiar a volta ao Céu? Até quando, ó Filho de Deus, até quando?

*

LIÇÃO 254

Que todas as vozes que não A de Deus se calem em mim.

1. Pai, hoje quero ouvir só a Tua Voz. Quero vir a Ti no silêncio mais profundo para ouvir Tua Voz e receber Tua Palavra. Não tenho nenhuma prece a não ser esta: venho a Ti para Te pedir a verdade. E a verdade é só Tua Vontade, que quero compartilhar Contigo hoje.

2. Hoje não permitimos que nenhum pensamento do ego guie nossas palavras ou ações. Quando tais pensamentos surgirem, recuaremos suavemente e olharemos para eles e, em seguida, os abandonaremos. Não queremos o que eles trariam consigo. E, por isto, não escolhemos mantê-los. Eles estão em silêncio agora. E, no silêncio, abençoado por Seu Amor, Deus fala conosco e nos conta de nossa vontade, uma vez que escolhemos nos lembrar d'Ele.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 254

Caras, caros,

Vou repetir ainda uma vez o comentário feito a esta lição em anos passados. Vocês se incomodam? Lembram dele?

A ideia que vamos praticar hoje pede que voltemos a falar de Yogananda, como já fizemos antes. O que ele diz em determinado ponto de um de seus livros é o eco perfeito do que o Curso pede que exercitemos neste dia. Vejam [leiam, ouçam] com toda a atenção de que forem capazes:

"Deus é o sussurro no templo de tua consciência e a luz da intuição. Tu sabes quando estás agindo errado. Todo o teu ser te diz, e essa sensação é a voz de Deus. Se não O escutas, Ele fica calado. Mas quando despertares da ilusão e quiseres agir corretamente, Ele te guiará." 

[Observação: Apesar de o ensinamento do Curso afirmar que o erro, na verdade, não existe, ele ainda existe como possibilidade no sistema de pensamento do ego, o falso eu, mas apenas na ilusão. Daí, quando ouvimos nossa intuição, a voz do divino interior, dizer que o que vamos fazer é errado, é apenas porque ainda nos julgamos, ainda acreditamos que há uma coisa certa a se fazer, um ideal - que é só do ego. Ou, para lembrar o que Dito disse a seu irmão Miguilim: só podemos pensar que uma coisa que se faz é bem feita ou mal feita, enquanto ainda não a fizemos. Uma vez feitas, todas as coisas são bem feitas. São - cada uma delas é, a seu tempo - a única coisa que se poderia ter feito. Podemos até lembrar aqui da primeira lei espiritual que se aprende na Índia. Lembram? "Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido".] 

Nunca é demais repetir também as orientações práticas que nos dão os mestres a fim de ficarmos atentas, ou atentos, para ouvir a Voz por Deus, deixando que se cale todo o ruído e que se dissipe toda a estática barulhenta do falso eu, que quer nos impedir de chegar ao silêncio no qual podemos ouvir o sussurro, que é Deus no templo de nossa consciência, como diz e quer Yogananda acima.

Aproveitemos pois, para rever parte de um comentário anterior, que trouxe uma orientação prática para a limpeza da mente e do corpo, no descanso noturno do sono, de acordo com texto que traduzi do livro Christ in You [Cristo em Ti], de autor anônimo, publicado pela primeira vez em 1909, e que está em perfeita sintonia com o que praticamos. 

Diz o seguinte:

"Esta noite, quando fores descansar, não permitas que os sentidos sugiram fraqueza ou cansaço; em lugar disto, deixa que tua camada espiritual dentro e fora te envolva e fortaleça, até ficares consciente da vitória espiritual antes de dormires. Teu corpo inteiro será renovado por este batismo santo e teu despertar pela manhã será um triunfo e uma alegria. O efeito disto é uma limpeza da mente e do corpo. Muito se faz durante as horas de sono e de escuridão. Rezamos para que tu possas verdadeiramente dizer: 'Desperto ou dormindo, eu ainda estou Contigo'. Pára de te preocupar." 

Yogananda, se vocês estiverem lembrados, também oferece uma orientação parecida, ao dizer que podemos ficar livres dos efeitos de ações e pensamentos passados tendo uma mente forte e o coração puro, e sugere que: quando quaisquer perturbações oriundas de ações e pensamentos passados infestarem tua vida, vai dormir, pois no sono subconsciente, ficas livre. 

Isto é a mesma coisa que nos diz a lição de hoje quando nos pede para praticar com a ideia: Que todas as vozes que não A de Deus se calem em mim, não lhes parece?

Às práticas?

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Só aquele ou aquela que quiser ver a luz poderá vê-la

 

4. O que é o pecado?

1. Pecado é insanidade. Ele é o meio pelo qual a mente é levada à loucura e busca deixar que ilusões tomem o lugar da verdade. E, por estar louca, a mente vê ilusões aonde a verdade deveria estar e aonde ele verdadeiramente está. O pecado deu olhos ao corpo, pois o que há para os inocentes quererem ver? Que necessidade eles têm da visão, da audição e do tato? O que querem ouvir ou tentar compreender? De qualquer modo, o que perceberiam? Perceber não é conhecer. E a verdade só pode se satisfazer com o conhecimento e nada mais.

2. O corpo é o instrumento que a mente criou, em seus esforços para se enganar. A finalidade dele é lutar. Mas a meta da luta pode mudar. E, em função disso, o corpo serve para lutar por um objetivo diferente. O que ele busca agora é escolhido pelo objetivo que a mente aceita como substituto para a meta do auto-engano. A verdade, tanto quanto as mentiras, pode ser sua meta. Neste caso, os sentidos, de preferência, buscarão testemunhas para aquilo que é verdadeiro.

3. O pecado é o lar de todas as ilusões, que representam apenas coisas imaginárias, resultantes de pensamentos que não são verdadeiros. Eles são a "prova" de que aquilo que não tem nenhuma realidade é verdadeiro. O pecado prova que o Filho de Deus é mau, que a intemporalidade tem de ter um fim, que a vida eterna tem de morrer. E que o Próprio Deus perdeu o Filho que Ele ama, ficando apenas com a corrupção para completar a Si Mesmo, com Sua Vontade derrotada pela morte para sempre, com o amor morto pelo ódio e com a paz a não existir mais.

4. Os sonhos de um louco são amedrontadores e o pecado parece, de fato, aterrorizar. E, no entanto, aquilo que o pecado percebe é apenas uma brincadeira infantil. O Filho de Deus pode fingir que se tornou um corpo, presa do mal e da culpa, com nada mais do que uma vida curta que termina com a morte. Mas seu Pai reluz sobre ele o tempo todo e o ama com um Amor infinito, que suas simulações não podem mudar em absoluto.

5. Até quando, ó Filho de Deus, sustentarás a brincadeira do pecado? Não é melhor abandonar estes brinquedos infantis de pontas afiadas? Em quanto tempo estarás pronto para voltar a casa? Hoje, talvez? Não existe nenhum pecado. A criação é imutável. Ainda queres adiar a volta ao Céu? Até quando, ó Filho de Deus, até quando?

*

LIÇÃO 253

Meu Ser é o soberano do universo.

1. É impossível que qualquer coisa não solicitada por mim mesmo venha a mim. Mesmo neste mundo, sou eu que governo meu destino. Aquilo que eu desejo é o que acontece. O que não acontece é aquilo que eu não quero que aconteça. Tenho de aceitar isto. Pois deste modo sou levado, para além deste mundo, até minhas criações, filhas de minha vontade, no Céu, onde meu Ser sagrado habita com elas e com Aquele Que me criou.

2. Tu és o Ser a Quem criaste Filho, que cria como Tu Mesmo e que é Um Contigo. Meu Ser, que rege o universo, é apenas Tua Vontade em união perfeita com minha própria vontade, que só pode oferecer a aceitação alegre da Tua, para que ela possa se estender para Si Mesma.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 253

Caras, caros,

Vamos repetir ainda uma vez o comentário feito a esta lição em anos anteriores? Podemos?

Acho que vale a pena. O que acham?

Um texto extraído do ensinamento milenar conhecido como Upanishad, talvez seja suficiente para trazer mais luz à ideia que praticamos hoje, e que nos revela o mistério do Eu Sou o Que Sou. É do Taittiriya Upanishad e diz o seguinte:

Maravilha! Maravilha! Maravilha!
Sou alimento! Sou alimento! Sou alimento!
Eu me alimento! Eu me alimento! Eu me alimento!

Meu nome não morrerá, não morrerá, não morrerá!

Fui o primeiro a nascer no primeiro dos mundos,
Antes mesmo dos deuses, do ventre da eternidade!
Quem me doa a outrem é quem mais me possui!
Eu, que sou alimento, alimento-me de quem de mim se alimenta!
O mundo a mim pertence!

Aquele que sabe disso brilha como o sol.

Assim é o mistério!.

Não lhes parece que isso esclarece também a fala atribuída a Jesus, segundo o Evangelho de João: "Antes de Abraão, eu sou"!

Às práticas?

ADENDO:

Não lhes parece que fica cada vez mais perto da obviedade a ideia de que somos apenas pensamentos, ideias, assim como Deus, conforme o Curso afirma.

À luz do ensinamento, no livro texto, nos textos que apresentam as lições, no manual dos professores, ou na parte de esclarecimento de termos, em qualquer lugar que abramos o livro, a luz se apresenta para quem quer que seja que queira, de fato, ver.

Também neste texto reapresentado como comentário à lição de hoje. 

É claro que, para quem quer ver, de fato, friso, o mundo não existe. Não da forma como pensamos nele. Não da forma como o sistema de pensamento do ego quer que o vejamos. Não da forma como pensamos vê-lo.

O mundo só pode existir a partir do momento que damos existência a ele, a partir do instante em que nos pensamos seres existentes, muito embora apenas como ideias. Enquanto não tomamos ciência de que existimos apesar do corpo, da forma, o mundo não existe. Nem nada nem ninguém do que ele contém. Nada nasce enquanto não nascemos. E só depois de nascermos é que as coisas podem começar a nascer. E tudo continua a nascer, novo de novo, enquanto formos capazes de abrir os olhos pela manhã a cada dia.

Que tal refletirmos a este respeito, enquanto ainda pensamos viver no tempo, no mundo?

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Uma ideia que nos ensina e devolve a real identidade

 

 4. O que é o pecado?

1. Pecado é insanidade. Ele é o meio pelo qual a mente é levada à loucura e busca deixar que ilusões tomem o lugar da verdade. E, por estar louca, a mente vê ilusões aonde a verdade deveria estar e aonde ela verdadeiramente está. O pecado deu olhos ao corpo, pois o que há para os inocentes quererem ver? Que necessidade eles têm da visão, da audição e do tato? O que querem ouvir ou tentar compreender? De qualquer modo, o que perceberiam? Perceber não é conhecer. E a verdade só pode se satisfazer com o conhecimento e nada mais.

2. O corpo é o instrumento que a mente criou, em seus esforços para se enganar. A finalidade dele é lutar. Mas a meta da luta pode mudar. E, em função disso, o corpo serve para lutar por um objetivo diferente. O que ele busca agora é escolhido pelo objetivo que a mente aceita como substituto para a meta do auto-engano. A verdade, tanto quanto as mentiras, pode ser sua meta. Neste caso, os sentidos, de preferência, buscarão testemunhas para aquilo que é verdadeiro.

3. O pecado é o lar de todas as ilusões, que representam apenas coisas imaginárias, resultantes de pensamentos que não são verdadeiros. Eles são a "prova" de que aquilo que não tem nenhuma realidade é verdadeiro. O pecado prova que o Filho de Deus é mau, que a intemporalidade tem de ter um fim, que a vida eterna tem de morrer. E que o Próprio Deus perdeu o Filho que Ele ama, ficando apenas com a corrupção para completar a Si Mesmo, com Sua Vontade derrotada pela morte para sempre, com o amor morto pelo ódio e com a paz a não existir mais.

4. Os sonhos de um louco são amedrontadores e o pecado parece, de fato, aterrorizar. E, no entanto, aquilo que o pecado percebe é apenas uma brincadeira infantil. O Filho de Deus pode fingir que se tornou um corpo, presa do mal e da culpa, com nada mais do que uma vida curta que termina com a morte. Mas seu Pai reluz sobre ele o tempo todo e o ama com um Amor infinito, que suas simulações não podem mudar em absoluto.

5. Até quando, ó Filho de Deus, sustentarás a brincadeira do pecado? Não é melhor abandonar estes brinquedos infantis de pontas afiadas? Em quanto tempo estarás pronto para voltar a casa? Hoje, talvez? Não existe nenhum pecado. A criação é imutável. Ainda queres adiar a volta ao Céu? Até quando, ó Filho de Deus, até quando?

*

LIÇÃO 252

O Filho de Deus é minha Identidade.

1. Meu Ser é mais santo do que todos os pensamentos de santidade que concebo agora. Seu cintilar e sua pureza perfeita são muito mais brilhantes do que qualquer luz para a qual já olhei. Seu amor é ilimitado e tem uma intensidade que abarca todas as coisas em si, na calma da certeza imperturbável. Sua força não vem dos impulsos apaixonados que movem o mundo, mas do Amor infinito do Próprio Deus. Quão mais distante deste mundo meu Ser tem de estar e, não obstante, quão perto de mim e quão próximo de Deus.

2. Pai, Tu conheces minha Identidade verdadeira. Revela-A agora para mim que sou Teu Filho, para que eu possa despertar para a verdade em Ti e saber que o Céu me é devolvido.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 252

Caras, caros,

Hoje, com a ideia que vamos praticar, o Curso procura, mais uma vez, nos devolver a verdadeira identidade que pensamos perdida, a partir do momento em que passamos a dar ouvidos ao ego - o falso eu -, de que o ensinamento fala; o ego, aquela imagem de nós mesmas, de nós mesmos, que vamos construindo na ilusão, e que quer que nos acreditemos separadas, separados de Deus, buscando, assim, nos fazer crer que existimos de forma separada uns e umas dos outros e das outras.

Como eu já disse tantas outras vezes antes, de acordo com este ensinamento sobre o qual nos debruçamos e cujas práticas buscam nos ensinar a verdade acerca de nós mesmas e de nós mesmos, isto não é verdade! Podemos encontrar nossa verdadeira identidade quando, em resposta à pergunta: "Quem sou?", nos reconhecermos filhos e filhas de Deus. Quando reconhecermos que a ideia de separação é falsa e que, na verdade, vivemos a unidade permanente com Deus e com todos aqueles e aquelas que povoam o mundo e que são, juntamente conosco, o Filho de Deus, a Filiação, como ensina o Curso, na unidade com o Pai.

O Curso ensina que somos incompletas, incompletos, sem Deus e que Ele/Ela, por Sua vez, também é incompleto/a sem nós - sem qualquer um ou qualquer uma de nós, por menor que seja a consideração que temos para com nós mesmas, ou para com nós mesmos. Tanto é assim que a certa altura do texto há uma passagem que convida a nos lembrarmos da frase: O Próprio Deus é incompleto sem mim., nos momentos em que nos sentirmos apreensivos, apreensivas, amedrontados ou amedrontadas e estivermos experimentando uma sensação de pequenez e de baixa auto-estima.

O Filho de Deus é minha Identidade. É nossa verdadeira Identidade. Esta é a ideia que praticamos hoje. É para reconhecer, acolher e aceitar esta ideia a respeito de nós mesmos e de nós mesmas, daquilo que somos, na verdade, que se destinam nossas práticas, as de hoje, bem como as de todos os dias.

Às práticas?

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Só em Deus existe felicidade verdadeira e duradoura

 

4. O que é o pecado?


1. Pecado é insanidade. Ele é o meio pelo qual a mente é levada à loucura e busca deixar que ilusões tomem o lugar da verdade. E, por estar louca, a mente vê ilusões aonde a verdade deveria estar e aonde ela verdadeiramente está. O pecado deu olhos ao corpo, pois o que há para os inocentes quererem ver? Que necessidade eles têm da visão, da audição e do tato? O que querem ouvir ou tentar compreender? De qualquer modo, o que perceberiam? Perceber não é conhecer. E a verdade só pode se satisfazer com o conhecimento e nada mais.

2. O corpo é o instrumento que a mente criou, em seus esforços para se enganar. A finalidade dele é lutar. Mas a meta da luta pode mudar. E, em função disso, o corpo serve para lutar por um objetivo diferente. O que ele busca agora é escolhido pelo objetivo que a mente aceita como substituto para a meta do autoengano. A verdade, tanto quanto as mentiras, pode ser sua meta. Neste caso, os sentidos, de preferência, buscarão testemunhas para aquilo que é verdadeiro.

3. O pecado é o lar de todas as ilusões, que representam apenas coisas imaginárias, resultantes de pensamentos que não são verdadeiros. Eles são a "prova" de que aquilo que não tem nenhuma realidade é verdadeiro. O pecado prova que o Filho de Deus é mau, que a intemporalidade tem de ter um fim, que a vida eterna tem de morrer. E que o Próprio Deus perdeu o Filho que Ele ama, ficando apenas com a corrupção para completar a Si Mesmo, com Sua Vontade derrotada pela morte para sempre, com o amor morto pelo ódio e com a paz a não existir mais.

4. Os sonhos de um louco são amedrontadores e o pecado parece, de fato, aterrorizar. E, no entanto, aquilo que o pecado percebe é apenas uma brincadeira infantil. O Filho de Deus pode fingir que se tornou um corpo, presa do mal e da culpa, com nada mais do que uma vida curta que termina com a morte. Mas seu Pai reluz sobre ele o tempo todo e o ama com um Amor infinito, que suas simulações não podem mudar em absoluto.

5. Até quando, ó Filho de Deus, sustentarás a brincadeira do pecado? Não é melhor abandonar estes brinquedos infantis de pontas afiadas? Em quanto tempo estarás pronto para voltar a casa? Hoje, talvez? Não existe nenhum pecado. A criação é imutável. Ainda queres adiar a volta ao Céu? Até quando, ó Filho de Deus, até quando?

*

LIÇÃO 251

Não preciso de nada a não ser da verdade.

1. Busquei muitas coisas e achei o desespero. Agora busco uma só, pois nela está tudo o que preciso e a única coisa de que preciso. Eu não precisava, e nem sequer queria, nada do que busquei antes. Eu não reconhecia minha única necessidade. Mas agora percebo que só preciso da verdade. Nela todas as necessidades são satisfeitas, todos os anseios findam, todas as expectativas são, enfim, realizadas e os sonhos acabam. Agora tenho tudo o que poderia precisar. Agora tenho tudo o que poderia querer. E, agora, por fim, me encontro em paz.

2. E damos graças por esta paz, Pai nosso. Tu nos devolveste aquilo que negamos a nós mesmos e é só isso que queremos de verdade.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 251

Caras, caros,

A partir de hoje, vamos começar nossas práticas com a quarta das instruções especiais, que vai servir para orientar nosso treino nos próximos dez dias, a contar deste. A instrução agora é: O que é o pecado? E, se vocês estiverem bem lembradas e dispostas, ou lembrados e dispostos, de fato, a seguir a orientação do Curso, é preciso que voltemos a ela, à instrução, todos os dias antes de usarmos a ideia para as práticas do dia. Assim, visando a facilitar as suas/nossas práticas, vou republicar a instrução antes de cada uma das lições desta série, como tenho feito com as anteriores há já alguns anos.

A verdade, de que fala o Curso, é Deus é o amor, a justiça, a liberdade, a paz e a alegria. E, se prestarmos bastante atenção a tudo o que se passa em nossa vida, dia a dia, vamos notar que só a alegria nos deixa em paz, só em liberdade ficamos felizes. Nada que nos limite, nada que nos ponha numa situação de carência, de dor, de medo, de sofrimento, e assim por diante, pode nos dar a paz e nos deixar serenos ou tranquilos. É o contrário que acontece em situações assim. A paz desaparece instantaneamente.

Por isso, vamos aproveitar novamente o que diz Paramahansa Yogananda no livro Onde Existe Luz

"Felicidade verdadeira, felicidade duradoura só existe em Deus, 'Aquele a quem quando se tem, nada que [se] venha a obter é maior'. Nele está a única segurança, o único abrigo, a única salvação para todos os nossos temores. Você não tem qualquer outra segurança no mundo, qualquer outra liberdade. A única liberdade verdadeira está em Deus."  

É por isso que Jesus - entre os muitos sábios e mestres de todos os tempos -, a partir dos registros que chegaram até nós, dizia em sua passagem pelo mundo: "Eu sou a verdade e a vida" e "A verdade vos libertará". Isto é, é por isso que o Curso nos convida a dizer também, como ele disse, "eu sou a luz do mundo".

É para aprender a viver só isto que praticamos.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

É possível uma doutrina da salvação sem Deus? (13)

 

3. O que é o mundo?

1. O mundo é percepção equivocada. Ele nasce do erro e não abandona sua fonte. Ele não continuará a existir quando o pensamento que lhe deu origem deixar de ser apreciado. Quando a ideia de separação se transformar em um pensamento de perdão verdadeiro, o mundo será visto sob outra luz; e uma luz que leva à verdade, na qual o mundo inteiro tem de desaparecer e todos os seus erros sumirem. Como consequência disto, sua fonte desaparece e seus efeitos também.

2. O mundo foi feito como um ataque a Deus. Ele simboliza o medo. E o que é o medo exceto ausência de amor? Desta forma o mundo tinha por objetivo ser um lugar aonde Deus não pudesse entrar, e onde Seu Filho pudesse estar separado d'Ele. A percepção nasceu aqui, pois o conhecimento não poderia produzir tais pensamentos insanos. Mas os olhos enganam e os ouvidos escutam de forma errada. Então, os erros se tornam bem possíveis, pois a certeza desaparece.

3. Em seu lugar nasceram os mecanismos da ilusão. E, agora, eles partem para encontrar o que lhes cabe buscar. Seu objetivo é servir à finalidade para a qual o mundo foi feito para testemunhar e tornar verdadeira. Eles veem, em suas ilusões, apenas uma base sólida na qual a verdade existe, mantida ao lado das mentiras. Porém, tudo o que elas informam é só ilusão que é mantida ao lado da verdade.

4. Do mesmo modo que a vista foi feita para conduzir para longe da verdade, ela pode ser reorientada. Os sons se tornam o chamado por Deus e toda percepção pode receber uma nova finalidade d'Aquele a Quem Deus nomeou Salvador do mundo. Segue Sua luz e vê o mundo da forma que Ele vê. Ouve só a Voz d'Ele em tudo o que fala a ti. E deixa Ele te dar a paz e a certeza que jogaste fora, mas que o Céu preserva n'Ele para ti.

5. Não nos acomodemos até que o mundo se junte a nossa percepção transformada. Não nos demos por satisfeitos até que o perdão se torne total. E não tentemos mudar nossa função. Temos de salvar o mundo. Pois nós, que o fizemos, temos de vê-lo pelos olhos de Cristo, para que aquilo que foi feito para morrer possa ser devolvido à vida eterna.

*

LIÇÃO 250

Que eu não me veja como limitado.

1. Que hoje eu veja o Filho de Deus e testemunhe sua glória. Que eu não tente ocultar a luz sagrada nele para ver sua força diminuída e reduzida à fragilidade; nem perceba nele as falhas com as quais eu atacaria sua soberania.

2. Ele é Teu Filho, meu Pai. E hoje quero ver sua bondade em lugar de minhas ilusões. Ele é o que sou e do modo que o vejo também vejo a mim mesmo. Hoje quero ver verdadeiramente para que neste dia eu possa enfim me identificar com ele.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 250

Caras, caros,

Pensei, após tantos anos usando o mesmo comentário para esta lição, em mudá-lo. Buscar outro motivo para a reflexão e ir numa direção diferente. Ao lê-lo mais uma vez, no entanto, não tive coragem. Acho que ele ainda é pertinente e pode provocar um aprofundamento da reflexão a respeito da ideia para as práticas, a respeito de como nos vemos - com o olhar do ego - e como podemos e devemos nos ver a nós mesmas, a nós mesmos, e a todas as pessoas que dividem seu estar momentaneamente no mundo conosco. Neste tempo em que pensamos viver.

É claro que eu poderia pensar em lhes dizer como me sinto hoje, passados já todos estes anos, a respeito da ideia da possibilidade da salvação sem Deus. Quer dizer, acreditemos ou não na existência de Deus, nossa experiência neste mundo de ilusões - pelo menos penso que a da maioria das pessoas - é a de que há alguma coisa maior - e talvez maior nem seja a palavra certa - do que cada uma ou cada um de nós individualmente, conforme fomos ensinadas, ensinados, à qual estamos ligadas, ligados. Um ser divino? Mais de um?

Ninguém tem a resposta definitiva. Por isso é que é necessário vivermos ou buscarmos viver em harmonia com o que acreditamos ser e deixar que as pessoas todas, as outras que não sabemos incluir em nossa unidade, vivam também em harmonia com aquilo em que acreditam ser. Sem tentar catequisar ninguém. Nunca.

Assim, voltemos ao comentário já repisado tantas vezes:

Ao reler o comentário feito a esta lição nos últimos anos, surgiu uma dúvida. A pergunta que intitulava a postagem - e que vou manter uma vez mais: a décima-terceira [alguém já se deu conta disto?] - desta lição no ano passado era a seguinte: É possível uma doutrina de salvação sem Deus? E o comentário, a exploração da ideia que vamos praticar hoje, buscava dar uma resposta a esta pergunta.

Mas a dúvida que me aparece agora está, de fato, relacionada à resposta mesma que eu dei. Vejam abaixo de onde se origina a pergunta e, na sequência, a tentativa de respondê-la. E me digam, por favor, se puderem, como já lhes pedi que fizessem outras vezes, o que vocês acham da questão. E, óbvio, da forma como ela foi respondida. Neste ano, isto é, no ano passado, acrescentei um ponto para a reflexão a partir de uma frase de Simone Weil, que vocês verão logo em seguida.

Um livro de Luc Ferry, que li, há alguns anos, propunha uma definição nova para a Filosofia, a partir do que ela foi e do que deve continuar sendo, de acordo com o autor.

Assim, em seu modo de ver e dizer, a Filosofia é "... uma doutrina da salvação sem Deus, uma resposta à questão da vida boa, que não passa por um 'ser supremo' nem pela fé, mas por um esforço próprio de pensamento e pela razão. Uma exigência de lucidez, em suma, como condição última para a serenidade, compreendida em seu sentido mais simples e forte: uma vitória - sem dúvida sempre relativa e frágil - sobre o medo, o medo da morte em particular, que sob diversas formas, igualmente insidiosas, nos impede de viver bem".

Ora, parece-me, uma doutrina da salvação sem Deus tem de ser uma doutrina que leva em consideração apenas o modo de ver do falso eu, o ego do Curso, tomando em conta apenas o que se vive neste mundo, abandonando de vez a perspectiva de uma vida diferente desta que vivemos nos sentidos. 

A questão, acredito, é que viver a vida boa, de que falavam os filósofos desde a Antiguidade, já é muito difícil com Deus, como será buscar vivê-la sem Ele/Ela? Ou será que a ideia de Deus impede que vivamos a vida boa de modo natural? Simone Weil, que leio pela primeira vez, diz que "... os que não creem estão mais perto da verdade do que os que creem; tudo é mentira". O que é algo para se pensar profundamente, não acham?

Em última instância, sabemos que Deus é apenas uma ideia e, a se acreditar no que ensinaram todos os mestres e sábios, Ele/Ela é o que nós somos e nós somos o que Ele/Ela é, exatamente como o Curso ensina. Por que, então, abrir mão da ideia de que somos ilimitados, em Deus [porque somos o que Ele/Ela é], quando vivemos a experiência de mundo a partir do que somos? Por que não buscar viver em comunhão com a ideia de que todos os limites que pensamos existir são sempre, vide ensinamento, auto impostos?

Penso que os problemas que precisamos enfrentar neste mundo não têm nada a ver com Deus, quer acreditemos n'Ele/n'Ela, quer não. E, de acordo com o Curso, não é preciso fazer nada. Basta ser. Quando cedemos à influência do modo de pensar do falso eu, enganamo-nos e inventamos um mundo que não existe, porque o vemos a partir do filtro do julgamento. 

A visão verdadeira vai nos mostrar que o mundo que vemos com os sentidos não existe. Melhor dizendo, a visão vai mostrar claramente que o mundo que vemos a partir dos sentidos é apenas projeção daquilo que trazemos dentro de nós mesmos/as. Tudo está contaminado pelo julgamento que fazemos, primeiro, de nós mesmos/as, e, depois, pelo julgamento que fazemos de todas as coisas e pessoas que existem no mundo, como se tudo não fosse tão somente invenção nossa. Mesmo Deus. E, se o que vemos não nos leva a viver a vida boa, não nos coloca em contato com a alegria perfeita e completa, cabe a quem mudar, então? 

Talvez a resposta para a dúvida que surgiu esteja na seguinte historinha, que pode conciliar tanto o modo de ver e dizer de Luc Ferry, quanto o modo que convida a ver o mundo a partir da ideia da existência de um Deus, que não cabe em palavras, mas cuja Presença garante que somos muito mais do que apenas corpos.

"Em um dos majestosos banquetes da corte, cada um se sentava obedecendo à ordem, esperando a entrada do Rei. Entrou, então, um homem simples, maltrapilho, e escolheu um lugar acima de todos os outros. Sua ousadia irritou o primeiro ministro que ordenou que o recém-chegado se identificasse. Era um ministro? Não. Mais. Era o Rei? Não. Mais. 'Então você é Deus?' - perguntou o primeiro ministro. 'Eu estou acima disso também', respondeu o homem. 'Não existe nada acima de Deus', retorquiu o primeiro ministro. 'Esse nada', foi a resposta, 'sou eu'.

E, então, às práticas? 

NOTA 1: 

É claro que a resposta que buscamos não existe como uma expressão única que se possa adequar a todas as experiências por que passamos nós, os seres humanos. Nem para exprimir todas as experiências de um único ser humano em sua individualidade, tampouco para dar conta das experiência de todos os seres humanos que aparentemente existem e vivem a condição da forma e dos sentidos neste mundo.

Depois de treze anos com a mesma questão a se repetir, haverá alguém entre nós que tenha se debruçado sobre ela e buscado responder para si mesmo, ou para si mesma, mergulhando fundo em seu próprio universo e buscando entrar em contato com aquilo que de fato ele/ela é, quando não está hipnotizado, ou hipnotizada, pela ilusão de realidade que o mundo lhe oferece?

É claro que as respostas que temos e damos para as perguntas que surgem em nossas vidas são importantes e servem de alguma ajuda em algum ponto de nossa jornada. Mas, precisamos nos lembrar sempre e ter sempre presente, são só as perguntas certas que nos podem levar - e, de fato, nos levam - adiante. Aqueles que "sabem" tudo não necessitam perguntas. E, claro, nem de respostas. Têm-nas todas. 

NOTA 2: 

Após a publicação desta lição num dos anos passados, um colega fez um comentário em que dizia achar que o comentário que fiz para a lição não tinha nada a ver com ela. Seu argumento foi o de que a lição é muito bela e que trata de nossos irmãos e do fato de que devemos nos ver como unos.

Pode ser que ele tenha razão. Mas, ao republicar o mesmo comentário, parece-me ainda que há, sim, uma ligação entre tudo o que digo nele e o que a ideia para as práticas nos traz. 

E por quê?

Porque se eu buscar no mundo uma doutrina de salvação que exclua o divino, vou estar limitado a mim mesmo, e ao mundo. Não haverá nada além de corpos e de mentes limitadas para servir de referência a meu viver. Vou ter de levar a vida comparando meu modo de viver ao modo de outros, julgando-os e pensando em como sou melhor ou pior do que eles. Aí, sim, me afasto da possibilidade de me ver como um com os outros todos com quem divido o mundo.

Enfim, as palavras, como o Curso diz no início dessas lições da segunda parte do livro de exercícios, não são mais tão importantes. São apenas pontos em que podemos nos apoiar para ir na direção do silêncio que pode nos pôr em contato com a Voz por Deus. E, como eu disse desde o início deste blogue, os comentários que faço são apenas tentativas de aprofundar a reflexão. Não representam nunca uma certeza, nem querem dizer jamais que o jeito que vejo é o certo. Por isso, aconselho a todos/as os/as navegantes do espaço a deixarem de lado meus comentários, se lhes parecer conveniente. Ou questioná-los como o colega fez. O importante, para o Curso, a meu ver, e pelo que ele diz na introdução ao livro dos exercícios, são as práticas com as ideias que ele oferece. O resto é apenas o resto.