domingo, 24 de junho de 2018

Só a partir do comprometimento teremos resultados


LIÇÃO 175

Deus é só Amor e, por isto, eu também.

1. (159) Dou os milagres que recebo.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

2. (160) Estou em casa. O medo é o estranho aqui.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 175

"Deus é só Amor e, por isto, eu também."

Hoje, vamos revisar, mais uma vez, dois dos pensamentos das vinte lições recentes com o intuito de nos aproximarmos cada vez mais da nova fase da compreensão que está logo adiante, a nossa espera, na segunda parte do Livro de Exercícios. São eles: [Dou os milagres que recebo.] e [Estou em casa. O medo é estranho aqui.] Envolvemos a ambos na ideia: Deus é só Amor e, por isto, eu também.

Da mesma forma que em anos anteriores, antes de chegarmos às práticas efetivamente, vou convidá-los a explorar a lição de hoje, tendo em mente dois pontos do último capítulo do livro texto, que têm muito a ver com as ideias que revisamos e que dizem o seguinte:

Não penses que por acaso se encontra a felicidade seguindo uma estrada que se afaste dela. Isto não faz nenhum sentido e não pode ser o caminho. Para ti, que pareces achar este curso difícil demais para aprender, deixa-me repetir que para atingires uma meta tens de ir na sua [dela] direção, não na direção contrária. E toda estrada que conduz a outra direção não beneficiará o objetivo a ser alcançado. Se isto é difícil de entender, então é impossível compreender este curso. Mas apenas neste caso. Pois, caso contrário, ele é apenas um ensinamento básico do óbvio [T-31.IV.7].

Trago aos teus olhos cansados a visão de um mundo diferente; tão novo, luminoso e fresco, que tu te esquecerás da dor e do sofrimento que viste antes. No entanto, essa é uma visão que deves compartilhar com todos que vires, pois do contrário não a verás. Dar essa dádiva é o modo de torná-la tua [T-31.VIII.8:4-6]. 

Uma última observação a respeito da necessidade do compromisso com os exercícios e da razão pela qual o Curso nos oferece as lições para as práticas, valendo-me das palavras de Bhagwan Shree Rajneesh: "Um compromisso é um ponto sem retorno... tudo o que é lindo na vida vem através de um compromisso." Ou ainda, "o comprometimento [nos] leva ao próprio centro das coisas". 

Isto é, como tenho dito ao longo do tempo às pessoas todas que participam dos grupos de estudos e também neste espaço, é só o comprometimento que pode nos trazer resultados. Ou, usando outras palavras, é crucial que tomemos a decisão de alinhar nossa vontade à Vontade de Deus, ou não vamos entender que elas são a mesma. E não vamos ser capazes de viver a Vontade d'Ele, de alegria e paz completas e perfeitas, para todos e para cada uma de nós. 

Que dificuldade há em deixar tudo a cargo do Espírito Santo para só colher a paz e a alegria completas e perfeitas dia após dia? Só alguém muito estúpido pode achar que oferecer resistência a seu mais profundo desejo vai realizá-lo. O sonho da felicidade sem fim tem de ser o ponto de partida da jornada. Qualquer sonho que tenhamos, só pode ser realizado se nos provemos de todos os instrumentos de que precisamos para a sua realização. Um desses instrumentos é manter o sonho vivo, alimentá-lo dia e noite, sem dar ouvidos a qualquer coisa ou pessoa no mundo que o queira matar. 

Às práticas?

sábado, 23 de junho de 2018

O ego, bem lá no fundo, é o maior vício que temos


LIÇÃO 174

Deus é só Amor e, por isto, eu também.

1. (157) Quero entrar na Sua Presença agora.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

2. (158) Hoje aprendo a dar como recebo.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 174

"Deus é só Amor e, por isto, eu também."

Peço-lhes permissão para, mais uma vez, de novo, novamente, repetir o comentário que fiz para esta lição nos últimos anos. Alguém se incomoda de lê-lo uma vez mais? Acho que sempre é possível olhar, ou ler, de modo diferente e aprender coisas novas, mesmo com a leitura de algo que já vimos anteriormente. E depois quem, de fato, se lembra do que eu disse então?

Vejamos, pois, a razão por que acho que vale a pena republicá-lo - fiz pequeninas alterações e acréscimos. Ao relê-lo, hoje, mantenho a impressão de que ele continua a ser pertinente e a de que pode nos levar a aprofundar a reflexão a respeito das duas ideias que revisamos hoje.

As ideias que revisamos neste dia - [Quero entrar na Sua Presença agora.] e [Hoje aprendo a dar como recebo.] -, ambas envolvidas pela ideia de que Deus é só Amor e, por isto, eu também, levam-nos a refletir acerca das escolhas que fazemos a todo instante, a maior parte das vezes de forma inconsciente, porque os efeitos delas fazem que nos perguntemos com frequência, como Paulo, em uma das cartas nos Evangelhos, se não estou enganado, "por que faço o mal que não quero, e não o bem que quero"?

Eckhart Tolle, em seu livro O Poder do Silêncio, diz o seguinte: "O ego precisa estar em conflito com alguém ou com alguma coisa. Isso explica por que, apesar de você querer, paz, alegria e amor, não consegue suportar a paz, a alegria e o amor por muito tempo. Você diz que quer ser feliz, mas está viciado em ser infeliz". Porque você acredita, foi levado a acreditar, na possibilidade do sofrimento, da dor, da doença, do medo, da culpa e de tudo o que pode afastar da paz e da alegria, pelo sistema de pensamento do ego.

Eis aí a questão! Estamos viciados no ego. No fundo, lá no mais fundo de nós, é no ego que somos viciados. E, embora digamos a nós mesmos muitas vezes que queremos algo diferente, nós o dizemos apenas da boca para fora, de forma irrefletida e inconsciente, porque ainda não sabemos, de fato, o que queremos. E temos muito medo de escolher errado. E um medo muito maior ainda de escolher certo. Ainda não nos decidimos de fato a fazer o que a mudança que queremos, ou dizemos querer, exige que façamos. 

Ainda não estamos dispostos a, por exemplo, fazer o que o Curso nos pede, para nos livrarmos da influência do ego. Poderíamos dizer que o Curso é uma espécie de EA - Egoólatras Anônimos, aonde podemos contar uns aos outros de que forma vivemos nossos vícios, aonde podemos aprender também o que fazer para abandoná-lo: uma lição por dia, uma prática diária.

O que nos resta fazer, então? Aprender mais a respeito de nosso vício, para trazê-lo à consciência e reconhecer todos os efeitos de sua presença em nossa vida. Conhecê-lo é que vai permitir que nos livremos dele. Pois, ainda de acordo com Tolle, no mesmo livro, nossa infelicidade não vem dos fatos da vida, mas do que ele chama de condicionamento de nossas mentes. Pois, em geral, como o Curso ensina, quase nunca reagimos aos fatos, mas tão somente à interpretação [julgamento, muitas vezes, porque as interpretações não podem deixar de ser quase sempre julgamentos] que fazemos deles.

As práticas diárias das ideias que o Curso nos oferece, bem como outras práticas que busquem nos pôr em contato com nós mesmos, com o Ser, com o divino em nós, são um remédio milagroso para eliminar o vício que aprendemos com o mundo - que recebemos do mundo -, eliminando também, por consequência, todos os seus efeitos e permitindo que experimentemos a paz de Deus.

Duvidam? 

Todos nós já passamos por uma situação na qual "perdemos as estribeiras", isto é, uma situação em que reagimos de uma forma que nos surpreende(u) por completo. Ao relatá-la, depois de passado algum tempo, costumamos dizer: "aquilo me deixou completamente fora de mim". Na verdade, salvo alguns "instantes santos" é assim que vivemos no ego a maior parte do tempo. E dizemos também: "quando caí em mim" percebi o estrago, mas já era tarde demais.

O que significa "estar fora de si", senão inconsciência, não estar no agora, não estar presente por inteiro na situação, não estar em Deus? E "cair em si" não é a mesma coisa que recobrar a consciência, estar presente, estar em Deus, na Sua Presença?

Aproveitemos, pois, as ideias das práticas da revisão de hoje para "entrar na Sua Presença", aprender a ficar Nela e a compartilhá-la com todos aqueles a quem vamos encontrar neste dia, oferecendo-lhes a Presença, da mesma forma que A recebemos. 

Às práticas?

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Deus fica sem poder nos ajudar sem nossa permissão


LIÇÃO 173

Deus é só Amor e, por isto, eu também.

1. (155) Recuarei e permitirei que Ele mostre o caminho.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

2. (156) Caminho com Deus em perfeita santidade.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 173

"Deus é só Amor e, por isto, eu também."

São as ideias: [Recuarei e permitirei que Ele mostre o caminho.] e [Caminho com Deus em perfeita santidade.] que revisamos mais uma vez nesta prática, envolvendo-as também na ideia de que Deus é só Amor e, por isto, eu também.

Na prática, o que estas ideias podem fazer por nós, uma vez mais, é mostrar-nos a importância da entrega. Isto é, como o Curso ensina, não precisamos fazer nada, se aprendermos a entregar ao divino tudo aquilo que nos cabe decidir e fazer, além, é claro, de tudo aquilo que não queremos. E, mais do que entender que não precisamos fazer nada, também é necessário que aprendamos - e que aprendamos bem aprendido - a não atrapalhar o plano de Deus para cada um de nós. Apesar de isso não ser possível, por mais que o ego tente nos convencer do contrário.

Não sabemos nada, não temos capacidade de decidir nada com base em nossa percepção e em nossos sentidos. Daí a necessidade de recuarmos e de permitirmos que Deus, em nós, faça o que há para ser feito. Do mesmo modo, mesmo quando não estamos cientes disso, caminhamos com Deus em perfeita santidade.

É interessante, importante, porém, imperativo até, eu diria, que busquemos nos tornar conscientes da Presença de Deus em nossa vida, em nossos dias, em nossos caminhos. Caso contrário Ela não pode nos valer de nada. Sem nossa permissão, isto é, sem o nosso consentimento, nem Deus pode fazer nada por nós, uma vez que temos o mesmo poder que Ele. Ora, duas forças de igual tamanho se anulam. 

O poder que nos foi dado com o livre arbítrio ninguém pode desafiar, nem mesmo o Próprio Deus. Se Ele o fizesse, não teríamos, então, o dito livre arbítrio. O poder que é d'Ele e, que por ser d'Ele também é nosso, de cada um de nós, não pertence, todavia, à falsa imagem que fazemos de nós mesmos. Ele só se apresenta para cada um que precisa dele quando alinhado à Vontade de Deus para nós, que, via de regra, é a nossa própria vontade também.

Podemos pensar que sabemos o que fazer, aonde ir e o que queremos, a partir do que nos diz o falso eu - o ego do Curso. Entretanto, tudo o que alcançamos até agora não nos trouxe, nem de longe a satisfação, a paz que julgávamos que alcançaríamos ao conseguir determinada realização. Ou alguém já chegou à plena satisfação, à paz e à alegria completas e perfeitas a partir das escolhas feitas pelo ego? 

Não? 

Por quê? 

Porque, na verdade, é óbvio para quem, de fato, quiser ver que ainda funcionamos no mundo pensando que estamos separados de Deus. Preocupados com o passado, um tempo que não existe mais, ou com o futuro, um tempo que ainda não existe.

Precisamos aprender, e ter sempre em mente, na medida do possível, que tudo o que podemos fazer é apenas o que fazemos agora, neste momento, no presente. Do mesmo modo, Goldsmith, falando da natureza de Deus afirma que "o que Deus não está fazendo agora mesmo não o poderá fazer nunca e ninguém o pode levar a fazê-lo". 

Ele diz que "nunca houve um tempo em que Deus não existisse e, mesmo da limitada perspectiva do olhar humano, isso significa que também nunca haverá um tempo [em] que Deus vai deixar de existir. Desta convicção nasce a consciência de que Deus é eterno. Da mesma forma não há nenhum lugar em que Deus não exista".

Em sintonia com a primeira das ideias que revisamos, Goldsmith diz que "quem compreende a natureza de Deus não pode nunca lhe pedir coisa alguma. Sabe que Deus só pode doar a Si Mesmo e este dom é suficiente para todas as nossas necessidades. Um Deus diferente deste é uma fábula inventada pelos homens". 

De novo: atenção, muita atenção: 

Um Deus diferente d'Aquele que só pode doar a Si Mesmo não passa de uma fábula inventada pelos homens, que não podem existir fora d'Ele.

Assim é que podemos pensar e praticar também a segunda das ideias para a revisão de hoje, com a convicção de que tudo o que podemos fazer é nos permitirmos caminhar com Deus "em perfeita santidade", uma vez que, como já vimos em lição anterior, Deus vai conosco aonde formos. Entretanto, é preciso que autorizemos, que queiramos sentir e viver a experiência da Presença. Precisamos dar nosso completo e total consentimento a Deus. Se não manifestarmos nossa concordância, recuando em nosso desejos baseados no sistema de pensamento do ego, nem Deus pode nos ajudar. 

Ás práticas?

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Na medida em que a percepção muda o mundo muda


LIÇÃO 172

Deus é só Amor e, por isto, eu também.

1. (153) Minha segurança está em ser sem defesas.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

2. (154) Eu estou entre os ministros de Deus.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 172

"Deus é só Amor e, por isto, eu também."

Revisamos hoje mais duas ideias das práticas recentes, envolvendo-as na frase: Deus é só Amor e, por isto, eu também, que, de certa forma, espelha também o significado das outras que são: Minha segurança está em ser sem defesas e Eu estou entre os ministros de Deus.

Como já devemos saber, estas duas ideias são da maior importância para a nova fase de compreensão que nos espera. A nova fase da qual o Curso fala na introdução a este período. Uma fase a que podemos chamar de fase da percepção curada, ou fase da percepção correta, baseada na forma de olhar do Espírito Santo em nós.

Vamos, pois, nos valer, de novo, de mais um exemplo do livro A Arte de Curar pelo Espírito, de Joel Goldsmith, que trata também de nos ensinar o modo de curar nossa percepção, contaminada pelo sistema de pensamento do mundo, ou do ego, por se basear na crença em que estamos todos separados de Deus.

Para ele, o tratamento espiritual, ou a cura espiritual, que também é a cura que o ensinamento do Curso quer que aprendamos, para a nossa salvação e a salvação do mundo inteiro, não envolve nada mais do que a cura de nossa própria percepção. Isto é, o curador tem apenas de curar sua percepção individual para perceber claramente que nada do que está aparentemente "errado" em seu mundo existe de fato. 

Ao praticar para a cura da própria percepção, o curador aprende que: na mesma medida em que sua percepção muda, o mundo também muda, o que é sinal mais claro que podemos ter de que o mundo, da forma com que o vemos, só existe a partir do que pensamos dele. E que existem tantos mundos quantas são as pessoas que pensam em um mundo. Ora, é claro que um número infinito de mundos é inconciliável com qualquer desejo que qualquer um tenha de afirmar que apenas o seu mundo é verdadeiro.

Tanto Goldsmith, quanto o Curso, com o conceito de Expiação - ou o desfazer do erro -, ou o ho'oponopono percebem que, se a necessidade de cura ou o pedido de cura se apresentou à consciência do curador, do doente, ou de qualquer pessoa que seja, tudo o que se pode fazer é buscar limpar aquela parte da consciência, da mente, que inventou ou deu realidade ao engano, acreditando estar separada de Deus. Assim, é Goldsmith que diz:

Se não te dirigires a Deus por uma razão única - unicamente por causa de Deus - então admites a existência de dois poderes, o Bem e o Mal, e esperas que Deus, o grande Poder benéfico, empreenda algo contra o outro Poder, o maléfico. Não terás paz nem sossego enquanto viveres na expectativa de um Deus, grande e poderoso, que deva fazer algo contra o erro.

Uma expectativa deste tipo tão-somente reforça a ideia de dualidade, a crença na separação. Como eu já disse muitas outras vezes, há uns poucos passos simples, que precisamos dar para nos livrarmos de qualquer aparente mal que se nos apresente. 

O primeiro é reconhecer que o "mal" aparente que vemos nós o inventamos,  nós o escolhemos, mesmo que de forma inconsciente. O segundo é acolher o que quer que se apresente na forma como se apresenta, isto é, assumir a responsabilidade pelo que se apresentou por entender que fomos nós que o pedimos. Por fim, precisamos apenas agradecer por ele ter se apresentado da forma com que se apresentou para, se for o caso, podermos fazer uma nova escolha, em sintonia com o divino em nós. Aí, e só aí, encontraremos a paz. 

Às práticas? 

ADENDO: 

Caras, caros, 

Aproveito aqui, conforme fiz no ano passado, para voltar à lição 167 por alguns momentos, para não deixar sem comentário por mais tempo as observações de nossa colega Cida - feitas também no ano passado -, após passarmos por ela (a lição 167). Vamos, pois, nos deter por alguns instantes mais uma vez no que ela dizia, o que pode ser de alguma ajuda para nós e para o nosso aprendizado. 

Dizia ela ter ficado parada na lição 167, particularmente nos parágrafo dois, quatro e cinco. Este último que ela disse não ter compreendido. 

Meu comentário:

Ao praticar com a lição 167 na última sexta-feira [acho que neste ano caiu no sábado] também fiquei impressionado com a releitura do segundo parágrafo, do quarto e do quinto. E também do sexto e do sétimo. Tanto é que fiz alguma anotações a respeito.

No segundo:

A ideia da morte... é a única ideia que há por debaixo de todas as sensações, de todas as emoções, que não sejam de extrema felicidade e de alegria total. A morte funciona como se fosse um alarme ao qual reagimos de qualquer modo que não seja com alegria completa.

A admissão da ideia da morte é o que está por detrás de quaisquer sensações, emoções, como tristeza, perda, ansiedade, sofrimento e dor, dúvida, escassez, insatisfação, medo e mesmo um simples suspiro de cansaço, um leve mal-estar ou a mais simples expressão de desagrado, ou de enfado e contrariedade.

No quarto:

A crença na separação, isto é, a ideia de que podemos de alguma forma estar separados de nosso Criador, é também a admissão da ideia da morte. Acreditar em condições que mudam e em emoções que variam em razão de causas que não podemos controlar, que não inventamos e que não podemos mudar nunca também é acreditar na ideia da morte.

Acreditar na morte equivale a crer que ideias podem deixar sua fonte e adquirir características que a fonte não tem. Quer dizer, as ideias - pensamos - podem deixar sua fonte [a mente] e se tornarem diferentes de sua própria origem, separando-se da fonte tanto em estado quanto em espaço, tempo e forma.

No sexto:

É a mente que cria todas as coisas que existem e não pode dar a essas coisas quaisquer qualidades que lhe faltem. Lembremo-nos da expressão: "por seus frutos eles serão conhecidos".

No sétimo:

O "aparente" contrário da vida só pode ser outra forma de vida.

Agora, para nos atermos ao que a lição quer que aprendamos, pensando nas dúvidas que a Cida manifestou, temos de ter bem claro que: "Há uma só vida, e é esta que compartilho com Deus".

Ora, o que é a Fonte, a Origem, onde tudo é criado? É Deus, o Criador, de Quem nunca nos separamos, Quem faz que permaneçamos desde sempre como fomos criados, para nos lembrarmos da ideia que diz: "Eu sou como Deus me criou".

Não posso ser diferente. A não ser na ilusão.

A ideia de que a manifestação, ou as diversas formas da manifestação, pode ter características diferentes de seu criador é apenas um engano a que quer nos conduzir o ego, para reforçar em nós a crença na separação, que nunca houve, reforçando.

Agora a frase que Cida diz não ter compreendido, no quinto parágrafo, em negrito: "As ideias permanecem unidas a sua fonte. [E] ... podem estender tudo o que sua fonte contém. Neste aspecto, elas podem ir muito além de si mesmas. Mas não podem dar origem àquilo que nunca lhes foi dado." 

O que o Curso está fazendo, dizendo, é simplesmente que tudo aquilo que vemos como manifestação e que, aparentemente, não traz apenas as qualidades do divino, são "criações", por assim dizer, ou, melhor talvez,  invenções do ego, que acredita na separação.

O que vemos que esteja em total desacordo com o divino? Ou melhor, o que podemos ver que pode estar em completo desacordo com o divino?

Nada, nada, nada! Absolutamente nada! 

Mas como assim? Assim, assim, sim!

Lembram-se de que a certa altura o Curso diz que temos de aprender que "tudo está absolutamente certo exatamente da maneira como está"? Isso significa dizer que não há nada que precise ser mudado, nada que precise de conserto. A não ser aos olhos do ego que não são capazes de ver nada que não apenas a ilusão criada pela percepção dos sentidos.

De novo: "Há uma só vida, e é esta que eu compartilho com Deus".

Assim, é só na ilusão, na experiência ilusória de um mundo que inventamos que podemos nos desviar da origem. Não há necessidade nenhuma de "criar uma nova origem verdadeira para novas manifestações", como diz Cida. Basta que mudemos nossa percepção.

E também não há necessidade de se "retornar" à origem, nem a minha, nem "às mais antigas até chegar em origens bem distantes da humanidade [para] perceber aí onde aconteceram as distorções". Tudo o que podemos fazer é corrigir nossa percepção, pois como o Curso ensina, o único tempo que existe é o presente. O passado não existe. Não há o que procurar lá. Só se quisermos continuar acreditando que existe qualquer verdade na ilusão de que houve um tempo em que tudo foi criado.

Não, não, não! Como eu já disse antes, se bem me lembro, a Criação é agora, ela se dá em cada agora que experimentamos com consciência, estando presentes. Sendo!

É bem verdade que há muito a aprender [desvendar] com a lição 167, como diz Cida. Mas isso vale para todas as lições também, se estivermos atentos em nossas práticas.

Paz e bem! 

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Há que lembrar: limitações são sempre auto-impostas


REVISÃO V

Introdução

1. Agora revisamos mais uma vez. Desta vez estamos prontos para oferecer mais esforço e mais tempo àquilo que empreendemos. Reconhecemos que nos preparamos para outra fase da compreensão. Queremos dar este passo por completo, para podermos ir adiante de novo mais seguros, com mais sinceridade, com a fé mantida de forma mais convicta. Nossos passos não foram firmes e as dúvidas nos fizeram caminhar de modo insegura e lento pela estrada que este curso apresenta. Mas agora nos apressamos, pois nos aproximamos de uma certeza maior, de um propósito mais firme e de uma meta mais garantida.

2. Pai, firma nossos pés. Permite que nossas dúvidas se calem e que nossas mentes santas silenciem e fala conosco. Não temos nenhuma palavra para Te oferecer. Queremos apenas escutar Tua Palavra e fazê-la nossa. Orienta nossa prática tal qual um pai guia uma criancinha ao longo de um caminho que ela não compreende. Mas que segue, certa de que está a salvo porque seu pai lhe mostra o caminho.

3. Por isto trazemos nossa prática a Ti. E, se tropeçarmos, Tu nos erguerás. Se esquecermos o caminho, contamos com Tua lembrança certa. Nós nos desviamos, mas Tu não esquecerás de nos chamar de volta. Apressa nossos passos agora, para podermos mudar de modo mais seguro e rápido em Tua direção. E aceitamos a Palavra que Tu nos ofereces para unificar nossa prática, enquanto revisamos as ideias que Tu nos deste.

4. É esta a ideia que deve preceder os pensamentos que revisamos. Cada um apenas esclarece algum aspecto desta ideia ou a ajuda a ser mais significativa, mais pessoal e verdadeira e descreve melhor o Ser santo que compartilhamos e que agora nos preparamos para conhecer mais uma vez:

Deus é só Amor e, por isto, eu também.

Só este Ser conhece o Amor. Só este Ser é completamente coerente em Seus Pensamentos; conhece Seu Criador, compreende a Si Mesmo, é perfeito em Seu conhecimento e em Seu Amor e não muda nunca de Seu estado permanente de união com Seu Pai e Consigo Mesmo.

5. E é isto que espera para nos encontrar ao final da jornada. Cada passo que damos nos leva um pouco mais perto. Esta revisão vai reduzir o tempo de forma imensurável, se conservarmos em mente que esta continua a ser nossa meta e que, enquanto praticamos, é disto que nos aproximamos. Elevemos nossos corações do pó à vida, ao nos lembrarmos de que isto nos foi prometido e de que este curso foi enviado para abrir o caminho da luz para nós e para nos ensinar, passo a passo, como voltar ao Ser eterno que pensávamos ter perdido.

6. Eu faço a jornada contigo. Pois compartilho de tuas dúvidas e medos por algum tempo, para poderes vir a mim que reconheço a estrada pela qual todos os medos e dúvidas são vencidos. Nós caminhamos juntos. Eu tenho de compreender incerteza e dor, embora saiba que elas não têm nenhum significado. Porém, um salvador tem de permanecer com aqueles que ensina, vendo o que veem, mas conservando ainda em sua mente o caminho que o conduziu para fora e que, agora, vai te conduzir para fora com ele. O Filho de Deus é crucificado até caminhares ao longo da estrada comigo.

7. Minha ressurreição vem novamente toda vez que conduzo um irmão em segurança até o lugar em que a jornada termina e é esquecida. Eu me renovo toda vez que um irmão aprende que há uma saída para a infelicidade e para a dor. Eu renasço toda vez que a mente de um irmão se volta para a luz em si mesmo e me procura. Eu não esqueço ninguém. Ajuda-me agora a te conduzir de volta para onde a jornada começou, para fazeres outra escolha comigo.

8. Libera-me enquanto praticas mais uma vez as ideias que eu trouxe para ti, d'Aquele Que vê tua amarga necessidade e conhece a resposta que Deus Lhe deu. Revisamos juntos estas ideias. Juntos dedicamos nosso tempo e esforço a elas. E, juntos, as ensinaremos a nossos irmãos. Deus não quer ter o Céu incompleto. O Céu espera por ti do mesmo modo que eu. Eu sou incompleto sem tua parte em mim. E, quando me torno íntegro, vamos juntos ao nosso antigo lar, preparado para nós antes do tempo existir e mantido inalterado pelo tempo, imaculado e seguro, tal como será quando, enfim, o tempo acabar.

9. Deixa, então, que esta revisão seja a tua dádiva para mim. Pois é só isto que eu preciso; que ouças as palavras que digo e as ofereças ao mundo. Tu és minha voz, meus olhos, meus pés, minhas mãos, pelas quais eu salvo o mundo. O Ser do qual te chamo é apenas o teu próprio Ser. Vamos a Ele juntos. Toma a mão de teu irmão, pois este não é um caminho que percorremos sozinhos. Eu caminho contigo nele e tu comigo. Nosso Pai quer que Seu Filho seja um com Ele. Que vidas, então, não têm apenas de ser unas contigo?

10. Deixa que esta revisão venha a ser um momento em que compartilhamos uma experiência nova para ti, uma experiência, porém, tão velha quanto o tempo e ainda mais velha. Santificado o teu Nome. Tua glória imaculada para sempre. E tua totalidade agora completa do modo que Deus a criou. Tu és Seu Filho, que completa Seu estender-Se em ti mesmo. Nós praticamos apenas uma verdade antiga que conhecíamos antes que a ilusão parecesse reivindicar o mundo. E lembramos ao mundo que ele fica livre de todas as ilusões cada vez que dissermos:

Deus é só Amor e, por isto, eu também.

11. Com isto começamos cada dia de nossa revisão. Com isto começamos e terminamos cada período do momento da prática. E com esta ideia adormecemos, para despertar mais uma vez com estas mesmas palavras em nossos lábios para saudar mais um dia. Não deixaremos de envolver com ela nenhum dos pensamentos que revisamos e usaremos o pensamento para mantê-la diante de nossas mentes e para mantê-la claramente em nossa lembrança ao longo de todo o dia. E, assim, quando terminarmos esta revisão, reconheceremos que as palavras que dizemos são verdadeiras.

12. As palavras, contudo, são apenas recursos e devem ser usadas, exceto no início e no fim dos períodos de prática, apenas para lembrar à mente de seu propósito, caso necessário. Colocamos fé na experiência que vem da prática, não no meio que utilizamos. Esperamos a experiência e reconhecemos que só nela está a convicção. Usamos as palavras e tentamos várias vezes ir além delas, até seu significado, que está muito além de seu som. O som se torna indistinto e desaparece, quando nos aproximamos da Fonte do significado. É Aí que achamos descanso.

*

LIÇÃO 171

Deus é só Amor e, por isto, eu também.

1. (151) Todas as coisas são ecos da Voz por Deus.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

2. (152) O poder de decisão é meu.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 171

"Deus é só Amor e, por isto, eu também."

Como já lhes disse antes, e como a maioria dos/das que frequentam este espaço sabem, do mesmo modo que é normal quando se está fazendo, ou participando de algum curso, neste também paramos a cada período para fazer uma revisão. Para facilitar o entendimento do que vimos antes e auxiliar, e quiçá tornar mais fácil, a compreensão dos passos seguintes. É o que fazemos novamente, a partir de hoje, pelos próximos dez dias. 

Voltamos mais uma vez nossa atenção a cada dia para duas das últimas vinte ideias que praticamos, agora há pouco, envolvendo cada uma delas com o pensamento: Deus é só Amor e, por isto, eu também.

Aproveito, então, para compartilhar de novo com vocês, a partir da leitura do livro A Arte de Curar pelo Espírito, de Joel S. Goldsmith, uma  forma talvez um pouco mais fácil para se entender, todo o ensinamento do Curso que frequentamos. Quer neste espaço, quer nalgum grupo de estudos ou leitura, que em nossas casas de modo individual. 

É claro que vamos revisar durante dez dias apenas as últimas vinte lições que praticamos. Porém, ao revisá-las, temos de ter em mente todas as lições praticadas antes. Pois mesmo quando não nos lembramos delas, podemos ter certeza de que, se as praticamos do modo que o Curso orienta, elas estão conosco. De algum modo, se não deixaram uma marca em nossa consciência, é certo que lançaram uma semente, que vamos ter de regar, alimentar e cercar de cuidados para que a árvore dê flores e frutos e cresça de forma saudável.

Apenas por isso gostaria de fazer uma observação a respeito dos primeiros exercícios do Curso. Alguém se lembra? Os primeiros são aqueles mais "chatinhos", aparentemente mais "sem sentido" e mais "aborrecidos" para todos nós aos primeiros contatos. Na verdade, eles têm uma importâncias descomunal, pois servem para revelar [a quem já estiver disposto a ver] quão forte é nosso apego à hipnose coletiva do mundo, mesmo quando não sabemos disso, mesmo quando ainda não temos consciência de que o sistema de pensamento do mundo - o do ego - só quer nos aprisionar na condição de instrumentos, de joguetes nas mãos daqueles que querem perpetuar para si um poder que só existe na ilusão que este mundo oferece.

Quanto mais forte é nossa resistência a eles - a estas primeiras lições -, tanto mais isso é revelador de nossa falta de disposição para seguir o caminho na direção do qual nos orienta o Curso. A resistência que se apresenta aos primeiros exercícios é, de fato, motivada por aquilo que o ego identifica como a primeira ameaça a sua soberania no interior de nossa mente dual, dividida, estilhaçada por milhares de interesses que não têm nada a ver com aquilo que realmente somos.

E é só por esta razão que nos recusamos ou resistimos a praticar as primeiras ideias do livro de exercícios, que nos ensinam a perceber que nada daquilo que vemos, ouvimos, cheiramos, tocamos ou provamos via sentidos, neste ou deste mundo, tem nenhum valor em si mesmo, a não ser aquele que nós mesmos damos a cada uma das coisas do mundo e a todas elas. Na maior parte do tempo equivocados por acreditar em alguma das coisas que o mundo nos ensina.

À medida que avançamos pelas lições e nos entregamos às práticas conforme o Curso orienta, fica mais fácil perceber, ou ao menos ter um vislumbre daqueles ensinamentos do mundo de que o Curso tenta nos libertar. Para que possamos, como diz Goldsmith em seu livro, saber, em relação às limitações que aceitamos como imposições do mundo, que:

"Nenhuma dessas limitações existe realmente. São simples imagens da minha mente, meras aparências; a verdade, porém, é que o reino de Deus, o reino da vida eterna e da harmonia universal está dentro de mim. Nada tenho de alcançar: tudo já está presente em mim. Por isso posso voltar-me para dentro de mim e gozar a realidade do reino, aqui e agora." 

Ou como o Curso diz: todas as limitações são sempre auto-impostas. Deus não impõe nenhum limite a nenhum de nós. Por esta razão temos o livre arbítrio. E temos também todo o Poder que é d'Ele.

Que lhes parece, então, começar um novo período de revisão com esta perspectiva: a de que quaisquer limitações que o mundo aparentemente nos impõe, ou que nós mesmos, sob influência do falso eu, nos impomos não existem de fato, a não ser como ideias equivocadas em nossa mente?

Isto pode verdadeiramente revelar que todas as coisas são ecos da Voz por Deus e que todo o poder de decisão é nosso, de cada um de nós. E nos fazer ver que Deus é só Amor e, por isto, nós também.

Às práticas?

terça-feira, 19 de junho de 2018

Quanto tempo de nossos dias dedicamos ao divino?


LIÇÃO 170

Não há nenhuma maldade em Deus e nenhuma em mim.

1. Ninguém ataca sem intenção de ferir. Não pode haver nenhuma exceção a isto. Quando pensas atacar em defesa própria, pressupões que ser mau é proteção; estás a salvo em razão da maldade. Tu queres acreditar que ferir outro te traz liberdade. E pressupões que atacar é trocar o estado em que te encontras por alguma coisa melhor, mais fora de perigo, mais segura contra invasões perigosas e contra o medo.

2. Quão inteiramente insana é a ideia de que defender-se do medo é atacar! Pois nisto se produz e se alimenta o medo com sangue, para fazê-lo crescer e inchar e se enraivecer. E, deste modo, protege-se o medo, não se fica livre dele. Hoje aprendemos uma lição que pode te poupar de mais atraso e de mais amargura desnecessária do que podes talvez imaginar. A lição é esta:

Tu fazes aquilo de que te defendes e por tua
própria defesa ele se torna real e inevitável. Depõe
tuas armas e só então perceberás que ele é falso.

3. Parece que atacas o inimigo externo. Contudo, tua defesa instala um inimigo interno; uma estranha ideia em guerra contigo, privando-te da paz, dividindo tua mente em dois campos que parecem ser totalmente inconciliáveis. Pois agora o amor tem um "inimigo", um opositor; e o medo, o estranho, precisa agora de tua defesa contra a ameaça daquilo que realmente és.

4. Se refletires com cuidado acerca dos meios pelos quais tua defesa própria imaginária segue em frente do modo que imaginou, perceberás as premissas nas quais a ideia se baseia. Primeiro, é evidente que as ideias têm de deixar sua fonte, pois és tu que inventas o ataque e que tem de tê-lo concebido em primeiro lugar. Mas atacas fora de ti mesmo e separas tua mente daquele que deve ser atacado, com absoluta fé em que a divisão que fizeste é real.

5. Depois, confere-se as características do amor a seu "inimigo". Pois o mundo se torna tua segurança e o protetor de tua paz, a quem te voltas buscando consolo e saída para as dúvidas acerca de tua força e esperança de repouso na paz sem sonhos. E quando se despoja o amor daquilo que pertence a ele, e só a ele, dota-se o amor das características do medo. Pois o amor te pediria que depusesses qualquer defesa como simples tolice. E tuas armas, de fato, se desintegrariam em pó. Pois é isto que são.

6. Com o amor como inimigo, a maldade tem de se tornar um deus. E deuses exigem que aqueles que os adoram obedeçam a seus ditames e se recusem a questioná-los. Distribui-se punição severa de forma implacável àqueles que questionam se as exigências são ajuizadas ou mesmo sãs. Seus inimigos é que são insensatos e loucos, enquanto eles são sempre misericordiosos e justos.

7. Hoje olhamos para este deus malvado de forma imparcial. E observamos que embora seus lábios estejam manchados de sangue e ele pareça lançar labaredas de fogo, ele é feito de pedra apenas. Ele não pode fazer nada. Não precisamos desafiar seu poder. Ele não tem nenhum. E aqueles que veem nele sua segurança não têm nenhum protetor, nenhuma força a invocar em caso de perigo e nenhum guerreiro poderoso para lutar por eles.

8. Este momento pode ser terrível. Mas ele também pode ser o momento de tua libertação de uma escravidão abjeta. Fazes uma escolha, pondo-te diante deste ídolo, vendo-o exatamente como ele é. Devolverás ao amor aquilo que buscaste tirar dele à força para depositar diante deste pedaço de pedra estúpido? Ou farás outro ídolo para substituí-lo? Pois o deus da maldade toma muitas formas. Pode-se achar outra.

9. Contudo, não penses que o medo é a saída para o medo. Lembremo-nos do que o texto enfatiza a respeito dos obstáculos à paz. O último deles, o mais difícil de se acreditar que não seja nada, um pretenso obstáculo com a aparência de uma barreira sólida, impenetrável, assustadora e além do conquistável, é o medo do Próprio Deus. Eis aqui a premissa básica que entroniza a ideia do medo como deus. Pois o medo é amado por aqueles que o adoram e, agora, o amor parece se revestir de maldade.

10. De onde vem a crença totalmente insana em deuses de vingança? O amor não confunde suas características com as do medo. No entanto, os adoradores do medo têm de perceber sua própria confusão no "inimigo" do medo; a maldade dele agora como parte do amor. E o que se torna mais amedrontador do que o Próprio Coração do Amor? O sangue parece estar em Seus lábios; o fogo vem d'Ele. E Ele é mais terrível que tudo, inconcebivelmente mau, abatendo a todos que O reconhecem como seu Deus.

11. A escolha que fazes hoje é segura. Pois olhas pela última vez para este pedaço de escultura de pedra que fizeste e não mais o chamas de deus. Tu alcançaste este lugar antes, mas escolheste que este deus mau ainda permanecesse contigo sob outra forma. E, por isto, o medo de Deus voltou contigo. Desta vez tu o deixas aí. E voltas para um mundo novo, sem o fardo de seu peso; visto, não pelos olhos cegos do medo, mas pela visão que tua escolha te devolveu.

12. Agora sim teus olhos pertencem a Cristo e Ele olha através deles. Agora tua voz pertence a Deus e repete a d'Ele. E, agora, teu coração permanece em paz para sempre. Tu O escolhes em lugar de ídolos e tuas características, dadas a ti por teu Criador, te são, enfim, devolvidas. O Chamado a Deus foi ouvido e atendido. Agora o medo dá lugar ao amor, e o Próprio Deus substitui a maldade.

13. Pai, somos como Tu. Não habita em nós nenhuma maldade, pois não há nenhuma em Ti. E nós abençoamos o mundo só com aquilo que recebemos de Ti. Escolhemos outra vez e fazemos nossa escolha por todos os nossos irmãos, sabendo que eles são um conosco. Nós trazemos Tua salvação a eles, assim como a recebemos agora. E damos graças por eles que nos tornam completos. Vemos Tua glória neles e encontramos neles nossa paz. Somos santos porque Tua Santidade nos liberta. E damos graças. Amém.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 170

"Não há nenhuma maldade em Deus e nenhuma em mim."

A lição de hoje encerra, novamente, mais um passo em nossa caminhada. Amanhã vamos dar início a um novo período de revisões. Porque "todo dia é dia de treino". E, em se tratando de aprender a nosso próprio respeito, não podemos nos distrair, pois o ego, ou falso eu, não perde tempo. Ele está em plena atividade 24 horas por dia, e se vale de toda e qualquer oportunidade para tentar nos convencer de que somos algo que não somos. Para tentar nos convencer de que sua existência é real. É por isso que não podemos nunca, em hipótese alguma, nos distrair de nós mesmos.

A lição de hoje, portanto, trata disso a partir de um ponto a respeito do qual é bom refletirmos: a ideia de que, se há maldade no mundo, tem de haver maldade em mim e, se há maldade em mim, por consequência, tem também de haver maldade em Deus, uma vez que o Curso ensina que somos Filhos d'Ele, criados a Sua semelhança.

Em geral, o que a ilusão quer vender - e quer que compremos - é a ideia de que estamos separados de Deus, ou que Ele está separado de nós. Pensando bem, no entanto, será que isso é possível? O que acontece é que, na maioria das vezes, a maior parte do tempo, estamos dormindo. Mesmo quando pensamos estar acordados.

Vejamos. Quantos de nós ainda acreditam que quedas de aviões, naufrágios, tsunamis, maremotos, incêndios, descarrilamentos, terremotos, erupções de vulcões e outros desastres naturais ou provocados pela ação humana representam a ação de Deus, o castigo que Ele impõe a uma parcela da humanidade, aos pecadores? Não acontece muitas vezes de aquilo que chamamos de "mal" atingir também aqueles que não são pecadores? Os "bonzinhos"?

Isto, o castigo aos pecadores e o "mal" que atinge também aos "bonzinhos", não seria uma maldade de Deus?

O ensinamento do Curso, em sintonia com o que nos dizem ser o de Jesus, difere completamente desta crença. "Porquanto Deus enviou Seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo" (João, 3, 17). "Nem eu tampouco te condeno" (João, 8, 11). "Não peques mais para que não te suceda coisa pior" (João, 5,14). Não coisa pior enviada por Deus, mas resultado da volta a crenças já superadas, consequências da lei de ação e reação.

Jesus não fala de castigo, a não ser daqueles causados pelas nossas ações equivocadas, que, a bem da verdade, não são castigos, mas apenas respostas, resultados, de nossas próprias ações. Nas palavras dele a lei de ação e reação é expressa assim: "O que semeardes colhereis". Não como castigo de Deus, mas como consequência de nossos atos, como produto de nossa semeadura, como materialização de nossas crenças. Pois o Deus de que fala o Curso não é um Deus de vingança. 

Assim, se estamos vendo a ilusão e tratando dela como se fosse verdadeira, estamos vivendo um estado em que aparentemente deixamos Deus de lado e nos voltamos para as atividades e para as necessidades que exigem nossa atenção no dia-a-dia, sem deixar sobrar um minuto sequer para voltar nossos pensamentos a Ele, dentro de nós mesmos. Porque não há nada fora. Nem Deus. Sem deixar tempo ou espaço algum para nos voltarmos para o divino interior, para verificar de modo consciente, por nossa própria vontade, que não há nada fora de nós mesmos e que nós mesmos vivemos e nos movemos em Deus o tempo todo.

Repetindo, de certa forma, a pergunta que fiz nos últimos anos: quantas vezes nos voltamos para Deus apenas como uma última tentativa desesperada para resolver questões mais urgentes, cuja solução nos parecia quase impossível, e, uma vez resolvidas, para nossa alegria, O deixamos de lado? Isto é, voltamo-nos uma vez mais para o mundo da ilusão renovados, cheios de novas ideias, prontos para enfrentar o mundo, mais uma vez, "sozinhos". Ou melhor dizendo, esquecidos de que, ao nos afastarmos outra vez d'Ele, escolhemos de novo um "deus mau", sob a forma da auto-suficiência e da onipotência egoicas. Perguntemo-nos também, e sejamos o mais honestos possível em responder: quanto tempo de nossos dias dedicamos ao divino em nós mesmos, dia após dia?

É claro que, num primeiro momento, somos agradecidos a Ele pelo conforto, pela paz e pela solução para o problema - ou problemas - que nos afligia. Mas esta gratidão não dura muito, porque o ego não quer ficar devendo favores ou obrigações: a ninguém, muito menos a Deus. É por esta razão que devemos pôr toda a atenção possível às práticas de hoje, preparando-nos desde já para a revisão que começa amanhã. 

Haverá alguma das últimas ideias que não praticamos devidamente? Haverá alguma delas que ainda não entendemos, não aceitamos e não transformamos em parte de nosso conhecimento consciente de nós mesmos? Amanhã começamos um novo tempo de práticas com as últimas 20 lições, pelas quais passamos há pouco. Atenção é tudo o que o Curso nos pede o tempo todo. Atenção a nós mesmos, ao que somos, ao divino interior, para não nos deixarmos engolir pela ilusão do mundo, do tempo e da separação.

Às práticas?