domingo, 9 de agosto de 2026

O primeiro passo no caminho para o Ser que somos

 

PARTE II

Introdução

1. As palavras farão pouco sentido agora. Nós as usamos apenas como guias dos quais já não dependemos. Pois agora buscamos somente a experiência direta da verdade. As lições que restam são simplesmente introduções aos momentos em que deixamos o mundo de dor e avançamos para penetrar na paz. Agora começamos a atingir a meta que este curso estabelece e a encontrar o fim em cuja direção nossa prática sempre esteve orientada.

2. Agora tentamos permitir que o exercício seja simplesmente um começo. Pois esperamos em calma expectativa por nosso Deus e Pai. Deus garante que Ele Mesmo dará o último passo. E temos certeza de que Ele cumpre Suas promessas. Já fomos longe na estrada e agora esperamos por Ele. Continuaremos a passar algum tempo com Ele a cada manhã e à noite, enquanto isto nos fizer felizes. Já não consideramos o tempo uma questão de duração. Usamos tanto quanto necessitarmos para o resultado que desejamos. Tampouco esqueceremos de nossa lembrança a cada hora no intervalo, chamando por Deus quanto tivermos necessidade d'Ele no momento em que formos tentados a esquecer nossa meta.

3. Continuaremos com um pensamento central para todos os dias que virão e usaremos aquele pensamento para começar nossos momentos de descanso e para acalmar nossas mentes quando necessário. Mas não nos satisfaremos simplesmente com a prática nos instantes santos que restam, que concluem o ano que dedicamos a Deus. Dizemos algumas palavras simples de boas vindas e esperamos que o Pai Se revele, conforme Ele prometeu. Nós O chamamos e Ele assegura que Seu Filho não ficará sem resposta quando invocar o Nome d'Ele.

4. Agora vamos a Ele só com Sua Palavra em nossas mentes e corações, e esperamos que Ele dê, em nossa direção, o passo de que Ele falou por Sua Voz, que Ele não deixaria de dar quando nós O convidássemos. Ele não abandona Seu Filho em toda sua loucura, nem trai a confiança que Seu Filho tem n'Ele. A fidelidade de Deus não O torna merecedor do convite que Ele busca para nos fazer felizes? Nós o ofereceremos e ele será aceito. Agora passaremos nossos momentos com Ele deste modo. Dizemos as palavras do convite que Sua Voz sugere e, em seguida, esperamos que Ele venha a nós.

5. Agora se cumpre o tempo da profecia. Agora todas as antigas promessas são mantidas e cumpridas por inteiro. Não resta nenhuma ação para o tempo separar de sua realização. Pois agora não podemos falhar. Senta em silêncio e espera teu Pai. Ele deseja vir a ti quando reconheceres que é tua vontade que Ele o faça. E tu nunca poderias vir tão longe a menos que visses, ainda que de modo não muito claro, que esta é tua vontade.

6. Eu estou tão perto de ti que não podemos falhar. Pai, nós damos estes momentos santos a Ti, em gratidão Àquele Que nos ensina como deixar o mundo de tristeza em troca de seu substituto, que Tu nos deste. Não olhamos para trás agora. Olhamos para frente e cravamos nossos olhos no final da jornada. Aceita estas nossas pequenas dádivas de gratidão, uma vez que pela visão de Cristo vemos um mundo além daquele que criamos e aceitamos que esse mundo seja o substituto pleno para o nosso.

7. E, agora, esperamos em silêncio, sem medo e certos de Tua vinda. Buscamos encontrar nosso caminho seguindo o Guia que Tu nos enviaste. Não conhecíamos o caminho, mas Tu não nos esqueceste. E sabemos que Tu não nos esquecerás agora. Pedimos apenas que Tuas antigas promessas, que é Tua Vontade cumprir, sejam cumpridas. Ao pedir isto desejamos Contigo. O Pai e o Filho, Cujas Vontades santas criaram tudo o que existe, não podem falhar em nada. Com esta certeza empreendemos estes últimos passos em direção a Ti e descansamos na confiança de Teu Amor, que não faltará ao Filho que chama por Ti.

8. E, assim, iniciamos a parte final deste ano santo, que passamos juntos na busca da verdade e de Deus, que é seu único Criador. Descobrimos o caminho que Ele escolheu para nós e fizemos a escolha de segui-Lo assim como Ele quer que façamos. Sua Mão nos ampara. Seus Pensamentos iluminam a escuridão de nossas mentes. Seu Amor nos chama incessantemente desde o início do tempo.

9. Tínhamos um desejo de que Deus fracassasse em ter o Filho a quem Ele criou para Si Mesmo. Queríamos que Deus mudasse a Si Mesmo e fosse o que queríamos fazer d'Ele. E acreditávamos que nossos desejos loucos eram a verdade. Agora estamos alegres porque tudo isto está desfeito e nós não pensamos mais que as ilusões são verdadeiras. A lembrança de Deus resplandece pelos vastos horizontes de nossas mentes. Mais um instante e ela surgirá outra vez. Mais um instante e nós, que somos Filhos de Deus, estaremos a salvo em casa, onde Ele quer que estejamos.

10. Agora, a necessidade de prática quase acabou. Pois nesta última parte chegaremos a compreender que só precisamos chamar por Deus e todas as tentações desaparecem. Em lugar de palavras, precisamos apenas sentir Seu Amor. Em vez de preces, só precisamos invocar Seu Nome. Em lugar de julgar, só precisamos ficar calmos e deixar que todas as coisas sejam curadas. Aceitaremos o modo pelo qual o plano de Deus terminará do mesmo modo que recebemos o modo com que ele começou. Agora ele está consumado. Este ano nos trouxe até a eternidade.

11. Conservaremos ainda uma nova utilidade para as palavras. De vez em quando, instruções acerca de um tema de particular importância se intercalarão com nossas lições diárias, com os períodos sem palavras e a profunda experiência que deve vir logo em seguida a eles. Estes pensamentos particulares devem ser revistos todos os dias e cada um deles deve continuar até que o próximo te seja dado. Eles devem ser lidos e deve-se refletir a respeito deles lentamente com atenção por algum tempo antes de um dos instantes santos e abençoados do dia. Damos agora a primeira destas instruções.

*

1. O que é o perdão?

1. O perdão reconhece que o que pensaste que teu irmão fez a ti não aconteceu. Ele não perdoa os pecados e os torna reais. Ele vê que não houve pecado. E, em vista disso, todos os teus pecados são perdoados. O que é o pecado exceto uma ideia falsa acerca do Filho de Deus? O perdão simplesmente vê sua falsidade e, em razão disso, a abandona. Agora, então, o que fica livre para ocupar seu lugar é a Vontade de Deus.

2. Um pensamento que não perdoa é um pensamento que faz um juízo ao qual não porá em dúvida, embora não seja verdadeiro. A mente está fechada e não será liberada. O pensamento oculta a projeção, apertando suas correntes a fim de que as distorções fiquem mais veladas e mais disfarçadas; menos facilmente sujeitas à dúvida e mantidas mais distante do bom senso. O que pode se interpor entre uma projeção rígida e o objetivo que ela escolhe como a meta que quer?

3. Um pensamento que não perdoa faz muitas coisas. Busca seu objetivo numa ação frenética, torcendo e destruindo aquilo que vê como intromissões ao caminho que escolheu. Seu objetivo, e também o meio pelo qual quer alcançá-lo, é a distorção. Ele inicia suas tentativas furiosas de esmagar a realidade sem preocupação com qualquer coisa que pareça apresentar uma contradição a seu ponto de vista.

4. O perdão, por outro lado, é tranquilo e, de modo sereno, não faz nada. Ele não transgride nenhum aspecto da realidade, nem busca alterá-la para formas que lhe agradem. Ele olha simplesmente e espera, e não julga. Aquele que não quer perdoar tem de julgar, pois precisa justificar seu fracasso em perdoar. Mas aquele que quer perdoar tem de aprender a receber a verdade exatamente como ela é.

5. Não faças nada, então, e permite que o perdão te mostre o que fazer, por intermédio d'Aquele Que é teu Guia, teu Salvador e Protetor, forte em esperança e certo de teu êxito final. Ele já te perdoou, porque esta é Sua função, que Lhe foi dada por Deus. Agora tu tens de compartilhar a função d'Ele e perdoar aquele que Ele salvou, cuja inocência Ele vê e a quem Ele reconhece como o Filho de Deus.

*

LIÇÃO 221

Paz a minha mente. Que todos os meus pensamentos silenciem.

1. Pai, venho a Ti hoje para buscar a paz que só Tu podes dar. Venho em silêncio. Na calma de meu coração, nos recantos mais profundos de minha mente, espero e presto atenção a Tua Voz. Fala comigo hoje, meu Pai. Venho ouvir Tua Voz em silêncio e na certeza e no amor, convencido de que Tu ouvirás meu chamado e me responderás.

2. Agora esperamos em paz. Deus está aqui, porque esperamos juntos. Tenho certeza de que Ele falará contigo e de que ouvirás. Aceita minha confiança, pois ela é tua. Nossas mentes estão unidas. Nós esperamos com uma só intenção; ouvir a resposta de nosso Pai a nosso chamado, para permitir que nossos pensamentos silenciem e encontrem a paz de Deus, para ouvi-Lo falar daquilo que somos e para Se revelar a Seu Filho.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 221

Caras, caros,

Hoje começamos, mais uma vez, a dar o primeiro dos grandes passos que vão nos levar de forma definitiva à percepção verdadeira, o primeiro passo no caminho que nos levará ao encontro definitivo com o Ser que, de fato, somos, conforme diz o Curso. Pois a partir de hoje todos os nossos passos serão grandes, mais que grandes, serão passos gigantescos. Óbvio que para as pessoas que se dispuserem a fazer o que recomenda o ensinamento. 

É claro também que, de novo, este primeiro passo é um recomeço para todos e todas nós que temos o hábito diário das práticas há mais de um ano. E é também um começo para os que iniciam esta parte jornada pela vez primeira agora. Nem por isso ele deixa de ser outra vez, mais uma vez, um passo muito importante, porque, se continuamos a praticar, é em razão de - uma vez que não chegamos à compreensão e, por extensão, à aceitação das ideias mais importantes do Curso - ainda não nos considerarmos prontos, prontas, para viver apenas o que somos, na verdade em Deus. Ainda acreditamos que há algum tipo de separação entre o que somos e o que Deus é. 

Isto não é verdade! Se atentos, atentas, a nós mesmos, a nós mesmas e à vida que manifesta o sagrado e o divino de milhares de formas diferentes; se persistentes em nossas práticas, tornarmo-nos capazes, como aconselha Sai Baba, de proteger a colheita crescente dos frutos que resultam de semearmos em nós mesmos e em nós mesmas e no mundo todo as sementes dos bons pensamentos, regando-os com as águas e bênçãos do amor, com um pesticida chamado coragem; se formos capazes de nutrir nossa plantação com o fertilizante da concentração mental, seremos capazes de colher a sabedoria que vai nos permitir perceber claramente que cada um, ou cada uma, de nós já é Ele/Ela.

Talvez, por acreditarmos na separação, pensemos ainda que podemos ser diferentes do que Ele/Ela [Deus] é. E, orientados, ou orientadas, pelo sistema de pensamento do mundo, ou não concebemos pensar em nós mesmos, ou em nós mesmas, como apenas a manifestação - ou como uma das manifestações - do divino, ou ainda acreditamos haver alguma coisa de valor neste mundo, nesta experiência da forma e dos sentidos. Por tudo isso, o passo que alguns e algumas de nós damos hoje, mais uma vez, é também um passo muito importante para aqueles e aquelas que chegam aqui pela primeira vez, do mesmo modo que é importante para aqueles e aquelas que já o deram antes, uma, duas, três ou mais vezes. Ele pode nos levar ao despertar, se ainda não nos sentimos despertos, ou despertas. Ele, este passo, pode fazer que nos tornemos Ele/Ela - ou cheguemos à consciência de que já somos Ele/Ela, na unidade. Aliás, embora não o saibamos na maior parte do tempo, sempre somos Ele/Ela, porque não há nada fora de nós, assim como não há nada fora d'Ele/Ela.

Vejam, pois, repetida a historinha de Wayne Dyer a respeito de Sai Baba, o grande santo indiano que parecia possuir "os poderes mágicos da manifestação instantânea", cuja presença parecia curar os doentes e que transmitia uma sensação de paz e de bem-aventurança a todas as pessoas com quem entrava em contato. Diz Wayne que em certa ocasião um repórter ocidental perguntou a Sai Baba: "Você é Deus?" Ele respondeu prontamente: "Sim, eu sou!" Logo em seguida, após uma pausa, em função da confusão que sua resposta gerara entre todos os presentes, ele prosseguiu: "E vocês também são. A única diferença entre vocês e eu é que eu tenho certeza disso e vocês duvidam".

É nesta direção, isto é, na direção do reconhecimento de nossa unidade com Deus, que é nossa verdadeira Identidade, que os exercícios desta segunda parte vão nos levar. A percepção verdadeira é a que vai nos fazer ver - experimentar, na prática e não apenas intelectualmente - que não há nada fora de nós, nem de Deus. A partir daí já não precisaremos da percepção. Nem das práticas.

Às práticas?

ADENDO:

Como tenho feito já há vários anos, vou manter aquela pequena modificação feita na forma de apresentar diariamente as lições desta segunda parte do livro, para continuar a oferecer aos leitores e às leitoras a cada dia, a reprise dos pensamentos acerca do tema particular a que se relacionam as lições e as ideias diárias, pois como orienta o Curso, no final da apresentação desta segunda parte do Livro de Exercícios:

"Estes pensamentos particulares devem ser revistos todos os dias e cada um deles deve continuar até que o próximo te seja dado. Eles devem ser lidos e deve-se refletir a respeito deles lentamente com atenção por algum tempo antes de um dos instantes santos e abençoados do dia."

sábado, 8 de agosto de 2026

Se quiseres ter paz, "ensina a paz para aprendê-la"

 

LIÇÃO 220

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (200) Não há nenhuma paz a não ser a paz de Deus.

Não deixes que eu me desvie do caminho da paz, pois fico perdido em outras estradas que não esta. Mas deixa-me seguir Aquele Que me conduz para casa, e a paz é tão certa quanto o Amor de Deus.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 220

Caras, caros,

Eis-nos de novo aqui, prontos para as práticas com a última das ideias desta revisão, que encerra as lições da primeira parte do livro de exercícios. Terminamos aqui o primeiro trecho do caminho que escolhemos seguir, o trecho mais longo e, quiçá, mais difícil, para nós, que já nos havíamos acomodado - porque todos, todas, ou quase todos e quase todas, é bom ressalvar, gostamos do que é cômodo - com as orientações que o mundo do ego nos oferece como forma de viver a vida neste mundo, que o falso eu considera verdadeiro, mas que o Curso ensina ser apenas a ilusão das ilusões. 

Oxalá tenhamos todos e todas - aqueles e aquelas que chegam até aqui pela primeira, e aqueles e aquelas que estão fazendo o caminho pela segunda, terceira, quarta ou mais vezes -, alcançado o objetivo de pôr de lado alguns, se não todos, dos ensinamentos do mundo. Principalmente aqueles que até agora nos impediam de seguir adiante na direção de nós mesmos e de nós mesmas [das possibilidades de construir, ou de buscar, um autoconhecimento, se isso for possível] e de Deus que habita o interior de cada um e de cada uma de nós.

Esta primeira parte, pois, se encerra com a afirmação, a ideia, de que não há nenhuma paz a não ser a paz de Deus. Isto é, não adianta de nada procurarmos a paz em outros lugares, em pessoas, em coisas e em qualquer ponto do mundo, do planeta ou do universo. Se não entrarmos em contato com a paz de Deus, que só pode estar em nós mesmos e em nós mesmas, ainda não teremos alcançado a paz que pode nos devolver à origem, à Fonte, ao que somos na verdade. 

E como entrar em contato com Deus em nós mesmos e em nós mesmas, e com a paz que vem d'Ele/d'Ela, a não ser pela prática constante e permanente, das lições que o Curso nos oferece - ou uma prática espiritual outra qualquer com que tenhamos assumido o compromisso de buscar o divino interior durante pelo menos alguns minutos todos os dias? São elas, as lições, no caso dos e das estudantes do Curso - ou a prática que tivermos escolhido -, que vão transformar nossa mente e coração em um campo fértil no qual podemos plantar as sementes dos bons pensamentos, que, carregados com humildade e regados com as águas do amor, vão nos levar ao conhecimento de nós mesmos e de nós mesmas.

Lembremo-nos também mais uma vez de que chegar até aqui é uma grande realização, pois, de alguma forma já estamos preparados e preparadas para dar continuidade à jornada, à viagem, que, uma vez iniciada, não termina jamais. Uma jornada em que, se vocês lembrarem do que eu já disse algumas vezes, não devemos - nem podemos - nos desviar do caminho da paz, o único caminho que pode nos levar à alegria que dá a percepção verdadeira, a percepção que está em sintonia com o espírito em nós e que vai, enfim, nos levar a nosso destino último e primeiro: a nós mesmos e a nós mesmas. E, por consequência, a Deus, que é o que somos.

Pratiquemos, portanto, mais uma vez, ficar em paz e oferecer a paz, para aprendê-la. Ou como diz o Curso, em seu sexto capítulo: As Lições do Amor, "para ter paz, ensina a paz para aprendê-la". 

Às práticas?

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Para escutar o Espírito a mente precisa estar quieta

 

LIÇÃO 219

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (199) Eu não sou um corpo. Sou livre.

Eu sou o Filho de Deus. Aquieta-te, minha mente, e pensa nisto por um momento. E, depois, volta à terra, sem confusão a respeito do que meu Pai ama para sempre como Seu Filho.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 219

Caras, caros,

Pode-se dizer mais uma vez que nada melhor, nem mais apropriado, do que nos aproximarmos do fim desta última revisão e, por consequência, do final da primeira parte do Livro de Exercícios, revisando esta ideia, que também serve como forma de dar unidade à revisão de todas as ideias que praticamos recentemente. 

É ela também que vai nos preparar para a segunda parte do livro, aquela que vai nos levar na direção da percepção verdadeira: a percepção do Espírito Santo que todos e todas nós compartilhamos, apesar de não termos consciência disso a maior parte do tempo. 

São as práticas com as ideias de hoje que, no caminho em direção do que vamos praticar com as ideias da segunda parte, vão abrir nossa mente para a liberdade de que necessitamos para viver a vida a partir da percepção que nos dá - ou vai nos dar, se ainda não o ouvimos-, o Espírito Santo em nós.  

Assim, como eu já disse anteriormente, revisamos hoje a ideia que nos oferece a possibilidade de libertação completa de uma das crenças mais fortes dentre as que nos aprisionam e que limitam - ainda que apenas aparentemente - aquilo que somos na verdade, em um corpo, em uma forma. Uma ideia que nos afiança sermos livres, se reconhecermos, compreendermos e aceitarmos que não somos só corpos. 

O que somos, ainda que nos vejamos em um corpo, é uma ideia, é espírito. E é só a partir do espírito em nós que podemos ser livres. E também deixar que os corpos sejam livres, seja qual for a forma que eles tomem.

É esta a verdade a respeito do que somos, se acreditarmos que ainda somos como Deus nos criou. Mas quem acredita nisto, quando olha para o mundo e vê o "caos" que aparentemente se instalou sobre a terra? 

Todavia, a ideia que praticamos hoje também permite que vejamos que o aparente "caos" é apenas a ilusão gerada pela crença em corpos e formas, frutos de uma separação que nunca existiu. Ele é apenas uma interpretação - na mais das vezes equivocada - que fazemos do que vemos.

É por esta razão que a orientação para as práticas fala em aquietar a mente, assim como todos os mestres o fizeram em todos os tempos, vide comentário à lição de ontem. Para que olhemos de modo diferente para o mundo, e para as coisas dele ou nele. Nada é o que parece ser. Não nos enganemos por mais tempo. Pois o que nossos olhos veem, na verdade, conforme uma lição lá do início, é apenas o passado. E o que é o passado a não ser uma história que contamos a nós mesmos/as? 

Quando cometemos o equívoco de acreditar que compreendemos o que percebemos, seu significado está perdido para nós (conforme T-11.VIII.2:3). Porque nesse exato segundo já não somos, nem percebemos, o que fomos no segundo anterior. E a maior parte de toda a dor que experimentamos se origina no fato de tentarmos sê-lo. Isto é, de acreditarmos que o que somos agora não muda, ou que o que somos agora, neste exato momento, é a mesma coisa que fomos há algum tempo, há bem pouco tempo, ou há muito tempo.

Ainda de acordo com o que o Curso ensina, não conhecemos o significado de nenhuma das coisas que vemos e não temos nenhum pensamento totalmente verdadeiro. Mas temos um Professor Que conhece o significado de todas coisas. Podemos perguntar a Ele, se estivermos dispostos e dispostas a aprender. Todavia, para aprender com Ele, é preciso que estejamos dispostos e dispostas a questionar todas as coisas [no mundo e do mundo] que aprendemos por conta própria, pois aprendemos mal quando buscamos ser professores ou professoras de nós mesmos e de nós mesmas (vide T-11.VIII.3). É também necessário que aquietemos nossas mentes para ouvir o que o Professor no interior de nós mesmos, ou nós mesmas, tem a dizer.

Aproveitemos, pois, as práticas de hoje para aprender a respeito de nossa liberdade com o único Professor Que conhece todas as coisas, aquietando nossas mentes para ouvir Sua Resposta. 

A elas?

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

A Presença de Deus precisa de nosso consentimento

 

LIÇÃO 218

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (198) Só minha condenação me fere.

Minha condenação mantém minha percepção duvidosa e com meus olhos cegos não posso perceber a beleza de minha glória. Hoje, porém, posso ver esta glória e ficar alegre.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 218

Caras, caros,

Atenção! Atenção! Atenção!

Hoje, reprise da reprise da reprise. Não perca! Você não pode deixar de ler! Vai ser bom para sua prática.

Brincadeiras à parte, vou reprisar, para a lição de hoje, uma vez mais, o comentário feito em anos anteriores, inclusive o título da postagem. Espero que, tal como eu, vocês vejam sentido naquilo que eu disse então. E que o sentido de lá possa servir para o que vivemos hoje, aqui. Bom dia a todos. Boas práticas.

Thomas Keating, de quem já lhes falei algumas vezes antes, em seu livro Intimidade com Deus, compara nossa consciência a um rio, em cuja superfície os pensamentos passeiam, como barcos. "A superfície do rio representa nosso nível psicológico normal de consciência. Mas o rio também tem profundezas e o mesmo acontece com nossa consciência. Debaixo do nível psicológico normal de consciência, há o nível espiritual de consciência, no qual nosso intelecto e vontade funcionam em seu modo peculiar, de maneira espiritual", diz ele.

Ele acrescenta que em um nível mais profundo ainda, ou numa região mais "centralizada", "está a Força Divina Interior, onde a energia divina está presente como fonte de nossa existência e inspiração a todo momento". É na parte mais central ou mais íntima de nosso ser, em um lugar a que "os místicos chamam de 'fundamento da existência' ou 'pico do espírito' que podemos encontrar "o esforço pessoal e a graça".

O que fazemos na prática diária, ao utilizarmos a ideia que o Curso nos apresenta a cada lição, e praticando com ela de acordo com as instruções, serve como um "gesto do consentimento de nossa vontade espiritual para a presença de Deus no mais íntimo de nosso ser".

Durante as práticas, a ideia deve aparecer em nossa imaginação sem exercer "nenhuma função tranquilizadora no nível de nosso fluxo de consciência normal". Em vez disso, seu papel é favorecer a expressão "de nossa intenção, a escolha de nossa vontade de se abrir e [de] se entregar à presença divina". [Mais ou menos a mesma coisa que o dr. Hew Len diz no livro Limite Zero ao se referir à utilização das frases para a prática do ho'oponopono: Sinto muito. Me perdoa, por favor. Obrigado. Eu te amo.]

A ideia deve ser utilizada para permitir - se nos lembrarmos da metáfora da consciência como um rio -, que "os pensamentos naveguem como barcos na superfície do rio, sem atrair nosso desejo, nem provocar aversão". Isso vai permitir que nos desviemos por algum tempo do processo de pensar, pois "o processo pensante", diz Keating, tende a reforçar o sistema ao qual estamos acostumados e não nos deixa sair do "frenesi para 'obter algo' do mundo exterior para abastecer nossas compulsões ou disfarçar nossa mágoa", além, é claro, de acentuar quaisquer sensações de culpa ou medo que, por alguma razão, qualquer que seja, tenhamos desenvolvido.

Lembram-se do que Eckhart Tolle diz a respeito do pensamento? Em seu livro, O Poder do Agora, ele diz que o processo do pensamento faz com que nos identifiquemos com a mente e que "ser incapaz de parar de pensar provoca uma aflição terrível".

Quando nos identificamos com a mente, diz Eckhart, "criamos uma tela opaca de conceitos, rótulos, imagens, palavras, julgamentos e definições que bloqueia todas as relações verdadeiras" e que se interpõe entre nós e o nosso próprio interior, entre nós e o próximo, entre nós e a natureza e entre nós e o divino em nós mesmos, ou em nós mesmas. É por essa razão que, para ele, "pensar se tornou uma doença". Isto é, "o ruído mental incessante nos impede de encontrar a área de serenidade interior que é inseparável" daquilo que, na verdade, somos.

Dizendo de outro modo, "a doença acontece quanto as coisas se desequilibram. Por exemplo, não há nada errado com a divisão e a multiplicação das células no corpo humano. Mas, quando esse processo acontece sem levar em conta o organismo como um todo, as células se proliferam e temos a doença", o câncer, entre elas.

Isso é quase a mesma coisa que Keating diz quando, ao se referir ao processo de pensamento, sugere que um descanso "em bases regulares de vinte a trinta minutos sem pensar" nos levaria a perceber que "não somos os nossos pensamentos. Temos pensamentos, mas não somos os nossos pensamentos" [praticamente a mesma coisa que Tolle diz n'O Poder do Agora].

O que, em geral, nos faz sofrer é pensarmos que somos os nossos pensamentos e, se os nossos pensamentos são inquietantes, penosos ou "maus", ficamos confusos com eles. Se nos déssemos o direito de parar de pensar por algum tempo, todos os dias, como disciplina - lembram-se da fidelidade à prática? -, começaríamos a ver que não precisamos ser dominados pelos pensamentos.

Em última instância, o que acontece é que não percebemos que a mente pode ser - e é - "um instrumento magnífico" [Tolle], usada de maneira correta. Em geral, em nosso nível psicológico normal, nós a usamos de forma errada, ou, melhor dizendo, não a usamos, deixamos que ela nos use. Ao acreditar que somos a mente, que somos nossos pensamentos, permitimos que o instrumento se aposse de nós. Tornamo-nos o instrumento. 

Às práticas?

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Só do Espírito Santo pode vir a nós a alegria perfeita

 

LIÇÃO 217

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (197) Só posso ganhar a minha gratidão.

Quem, a não ser eu mesmo, deve agradecer por minha salvação? E de que modo, a não ser pela salvação, posso descobrir o Ser a Quem devo minha gratidão?

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 217

Caras, caros,

De novo, de novo e de novo, se pararmos para refletir um pouquinho só que seja a respeito da última da ideia que revisamos: Só posso crucificar a mim mesmo, relacionando-a, mais uma vez, como fiz ontem, à ideia de uma lição anterior: Tudo que dou é dado a mim mesmo, abrimos caminho uma vez mais para a ideia da revisão de amanhã: Só minha condenação me fere.  

Lembremo-nos ainda - aqueles e aquelas que já estão há mais de um ano por aqui e que já passaram pela prática de todas as lições ao menos uma vez - de que há, na segunda parte, uma lição cuja ideia afirma: Nada pode me ferir, exceto meus pensamentos. Há outra ainda a dizer que: Só meus pensamentos me afetam. 

A partir de todas estas ideias é forçoso concluir que, na verdade, tudo sempre gira de modo inevitável em torno de nós mesmos e de nós mesmas, de cada um e de cada uma de nós individualmente. O coletivo também é apenas uma projeção de tudo o que povoa nossa mente - a de cada um, a de cada uma, a de todos e a de todas nós -, se, de novo, pararmos para pensar com bastante atenção. 

Isto significa dizer, como também já vimos inúmeras vezes, que o mundo que vejo só existe como projeção ou manifestação de tudo aquilo que trago dentro de mim. E o mesmo vale para cada uma das pessoas que aparentemente existem no mundo. Tanto isso é verdade que estamos já até cansados de ouvir dizer que há tantos mundos quantas são as pessoas que habitam o mundo. Este em que nossa percepção diz que vivemos.

Isto é apenas a confirmação da ideia que praticamos hoje, que nos diz que só podemos esperar nossa própria gratidão. Mais uma razão, conforme eu já disse no passado, para aprendermos a não depositar nenhuma expectativa em nada, nem em ninguém. Para entregarmos, sim!, todos nossos planos e projetos ao divino, e a um divino - uma vez que não há nada fora de nós mesmos ou de nós mesmas, como o Curso ensina - que só pode existir em nós, ao Espírito Santo, que também só pode existir em nós. Um divino, ou um Espírito Santo em nós, que sabe tudo a respeito de gratidão. 

É também o Espírito Santo, em nós, quem sabe o que pode nos dar a alegria perfeita: a Vontade de Deus para nós, e que, claro!, é nossa própria vontade. Em meio a toda e qualquer dúvida que pode advir do sistema de pensamento do mundo, deve bastar-nos a certeza de que sempre podemos contar com nossa própria gratidão, uma vez a tenhamos aprendido.

Repetindo ainda uma vez o que eu já disse em anos passados, esta ideia é também mais uma razão para que deixemos de buscar determinar de que modo as outras pessoas devem viver, para que busquemos aprender a abrir mão do controle, de qualquer tipo de controle. Se, em geral, não sabemos o que fazer com nosso próprio mundo, o que nos leva a pensar que podemos decidir o que é melhor para uns e outros, para seus mundos, e para o mundo todo? Ou para todos os mundos que existem?

E, recorrendo ainda a comentários anteriores, é bom lembrar de novo que o texto que introduziu esta ideia para as práticas na primeira vez diz a certa altura:

Não importa se outro considera tuas dádivas indignas. Na mente dele existe uma parte que se junta a tua para te agradecer. Não importa se tuas dádivas parecem perdidas e inúteis. Elas são recebidas onde são dadas. Em tua gratidão elas são aceitas universalmente e reconhecidas com gratidão pelo Coração do Próprio Deus.

E, de novo, alguém pode pedir ou querer mais do que isto? Não será o caso de aprendermos a dar graças por sermos capazes da gratidão? E, se tudo que damos é a nós mesmos e a nós mesmas que damos, será difícil concluir que sempre que somos gratos ou gratas a alguém por alguma coisa é nossa própria gratidão que recebemos? E que não precisamos de nada mais do que isto? 

Lembremo-nos também, por fim, que, do mesmo modo que não podemos ser capazes de amar a ninguém, nem a nada no mundo, se não formos, em primeiro lugar, capazes de amar a nós mesmos, a nós mesmas, de forma incondicional, não seremos capazes da gratidão para com nada nem para com ninguém se não aprendermos a ser gratos e gratas a nós mesmos, a nós mesmas, por nós mesmos, por nós mesmas.

Às práticas?

*

ADENDO:

Em anos passados, alguns adendos foram se juntando aos comentários de exploração das lições, na tentativa de ampliar o alcance do comentário ou de acrescentar a ele aspectos que só surgiram depois dele feito e publicado.

Aqui, para a ideia das práticas de hoje, "Só posso ganhar minha gratidão.", também é o caso de se fazer um complemento ao comentário que lhes ofereço há já alguns anos, com algumas poucas modificações. Para, quem sabe, iluminar um pouco mais o que o comentário quer dizer, para facilitar, talvez, as práticas, reforçando a necessidade delas.

À luz do que nos ensina o Curso, ou, melhor dizendo, do que ele busca nos ensinar, podemos entender que estamos sós no mundo. Mas, ao mesmo tempo, é preciso aprendermos a certeza de que somos o mundo inteiro. Somos todo o universo - cada um e cada uma de nós é o universo inteiro. Nossa solidão, como a de Deus, segundo a lenda da Bíblia, é que nos leva a "criar" - melhor seria talvez dizer inventar - este mundo com todas as suas características e dicotomias.
 
Diferente do mundo "criado por Deus", o mundo que criamos é um mundo repleto de imperfeições e de problemas. Todos advindos da crença na separação, conforme ensina o Curso. É por isso que talvez seja muito interessante e proveitoso refletir profundamente a respeito da gratidão, esta que só podemos ganhar de nós mesmos, ou de nós mesmas. Porque como estamos cansados e cansadas de saber ou ler ou ouvir "não há nada fora".

Muitos e muitas de nós, ao começarem a tomar consciência de si - no mundo do ego -, passam a perceber a separação física. Inicialmente, quando ainda muito criancinhas, não nos percebemos separados, ou separadas, de nossa mãe biológica. É só depois de algum tempo que vamos começar a ter ciência de que existimos num corpo diferente do daquele que nos abrigou durante toda a gestação, até estarmos prontos e prontas para a expulsão e a queda do paraíso.

Assim, é comum que as crianças construam seus mundos fantasiando, ouvindo, vendo, cheirando, tocando e sendo tocadas, e materializando na fala um universo distinto de todos os universos que existiam até então. Nada mais normal do que isso, não?

A questão começa a se complicar quando, passado o tempo, não conseguimos mais distinguir o real da fantasia. Por nos temos afastados da essência a que estávamos ligados e ligadas enquanto ainda éramos apenas um ser humano em potencial.

É claro que são muitos os fatores que nos levam a experimentar o mundo de tantas formas diferentes mesmo sendo nós basicamente os mesmos, as mesmas, em essência. Uns e umas de nós, mais, outros e outras, menos, nos deixamos influenciar pelo que chamamos de fatores externos, todos partes da ilusão criada pela crença na separação. E é por isso que cada um e cada uma de nós vive num mundo diferente daquele em que se pensa que vivem todos os seres humanos, a humanidade.

Não há um só mundo que se pareça a ponto de se acreditar que existem dois mundos iguais. E em todos eles, pode-se dizer, há sempre uma única necessidade a ser suprida, para a satisfação completa da ânsia natural pela alegria, pela paz e pela felicidade: o reconhecimento de que só cada um, cada uma, pode escolher viver a unidade. Não há nada nem ninguém que possa me fazer mais feliz ao expressar uma gratidão que não tenha origem em mim mesmo.  

Daí a necessidade de praticar e praticar e praticar, para que o ego não nos engane, fazendo-nos pensar que seríamos mais felizes, teríamos mais alegria, ou desfrutaríamos da paz, caso alguma coisa ou alguém mudasse em nossa experiência de viver. 

Tudo o que importa, de fato, é que só posso mesmo ganhar minha própria gratidão. Ela é a única coisa que pode dar sentido a minha existência aparente neste mundo. Assim como cada um só pode ganhar sua própria gratidão. Cada uma a sua. 

Não precisamos, nenhum nem nenhuma de nós, da gratidão de nenhuma outra pessoa a não ser a de nós mesmos, a de nós mesmas. Se não formos gratos a nós mesmos, a nós mesmas, não vamos aprender a gratidão por mais que nos esforcemos. Da mesma forma se não formos capazes de dedicar todo o amor de que somos capazes, primeiro, a nós mesmos, a nós mesmas, não seremos capazes de amar ninguém verdadeiramente. 

Paz e bem!

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Queres alcançar a paz? Abandona a culpa e o ataque.

 

LIÇÃO 216

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (196) Só posso crucificar a mim mesmo.

Tudo o que faço, faço a mim mesmo. Se ataco, eu sofro. Mas, se eu perdoar, a salvação me será dada.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 216

Caras, caros, 

A ideia que vamos revisitar mais uma vez hoje, como já se disse antes, contém uma verdade que não aprendemos com o mundo. Quer dizer, não a aprendemos a não ser depois de muitas cabeçadas e de, como se diz, cansar de "dar murro em ponta de faca". Pois tudo o que o mundo nos ensina a fazer é julgar, condenar, atacar e crucificar todos e todas que se apresentem em nossos caminhos. 

Para o sistema de pensamento do mundo - o do ego - todos e todas são culpados e culpadas pelo estado de coisas que vivemos todos e todas e cada um e cada uma de nós, e, por consequência, é claro, nós mesmos e nós mesmas, cada um, cada uma, de nós é culpado, ou culpada, e tem de carregar a culpa por alguma coisa horrível que já fez, ainda faz, ou vai fazer nalgum momento no futuro. 

É claro que isso é só uma tentativa equivocada de transferir nossa própria responsabilidade pessoal por nossa vida individual a outras pessoas e circunstâncias, ignorando - porque o mundo não ensina, pela intromissão do ego -, que somos nós mesmos e nós mesmas que as fazemos: as circunstâncias - e também as outras pessoas, que não são nada mais do que imagens de nós mesmos, ou de nós mesmas, que não conseguimos ver olhando apenas para a imagem que pensamos ser. Assim como somos responsáveis por absolutamente tudo, todos e todas no mundo. Pelo menos por tudo aquilo que, no mundo, se apresenta a nossa consciência.

Ora são nossos pais, ora é nossa família toda. Ora são os professores, ora é a escola em que estudamos. Ora é o bairro ou o lugar em que vivemos, ora é o país em que nascemos. Em alguns momentos é o supervisor em nosso emprego, nosso superior direto, noutros é a empresa, que não nos dá a chance que pensamos precisar e merecer. Noutros é a situação econômica, social e política do país, onde "todos" os representantes eleitos são corruptos e só pensam em seu próprio bem. Ou ainda onde alguns - em geral aqueles que consideramos nossos adversários - são "mais" corruptos que o tolerável.  Noutras ainda é a religião em que fomos criados e criadas, que quer nos manter sob o jugo de um Deus acusador e vingativo. Em geral, nunca, ou quase nunca, dirigimos o olhar para dentro de nós mesmos e de nós mesmas, buscando ver aí toda a responsabilidade que nos cabe por aquilo que pensamos estar vivendo.

Quando é que vamos aprender a deixar de atribuir a outro(s), ou a outra(s), a responsabilidade que nos cabe pelo estado das coisas que vivemos? Quando é que vamos compreender - e, lembrem-se, compreender é aceitar - que só nós mesmos, só nós mesmas, criamos e construímos esse estado de coisas, seja ele qual for. 

Um estado que, aliás, como já se disse também muitas outras vezes neste espaço, nunca parece ser de nossa própria responsabilidade, conforme dito também dois parágrafos acima. Porque "eu" sei o que faço e o que quero e o que não quero. Os outros? Os outros estão todos errados, a se dar ouvidos ao sistema de pensamento deste falso "eu", desta imagem de nós mesmos e de nós mesmas apenas, que vamos construindo com o aprendizado do mundo, e que o Curso chama de ego.

O Curso diz várias vezes, em diversos pontos diferentes, que oferece um ensinamento muito simples. Afinal, diz ele a certa altura, o que pode ser mais simples do que ensinar que só a verdade é verdadeira? E que o que é falso é falso?

E é isto que a ideia para as práticas de hoje nos ajuda a aprender e a compreender. Pois ela é apenas extensão e consequência natural de outra lição que diz: Tudo o que dou é dado a mim mesmo (Lição 126). Ora, se só dou a mim mesmo, é lógico que só posso ferir a mim mesmo, não? Da mesma forma, só posso julgar, condenar, culpar e crucificar a mim mesmo, não? Mesmo quando estou atribuindo todas as culpas do mundo a todos e a todas que me cercam menos a mim mesmo.

Isto não é simples de se aprender? Sim! Sim! É simples, mas não é fácil. E por quê? Porque, na maior parte do tempo, estamos hipnotizados, hipnotizadas, pelos modos e sugestões do mundo [do ego, o falso eu], grande número de vezes não nos apercebemos de que o que fazemos só atinge mais fundo, de fato, a nós mesmos, a nós mesmas.

Apesar de todos e todas já termos experimentado em algum momento a dor que resulta de se ferir alguém, o ego nos convida a relevar esta dor e a esquecê-la, sob a justificativa de que o que fizemos era o que aquela pessoa merecia, mas não ensina como abandonar o sentimento de culpa que se origina do ataque.

Na verdade, sabemos que não é assim. Pois sempre que buscamos ferir ou atacar alguém é a nós mesmos, a nós mesmas, que machucamos mais. E pagamos o preço em culpa. E a culpa gera o medo. E não conseguimos mais ficar em paz, nem experimentar a alegria, que é nosso estado natural. É só abandonando a culpa, que vem do ataque e do julgamento do ataque, frutos da crença na separação, que vamos conseguir experimentar a paz.

Afinal, o que queremos de verdade para nossa vida? Paz ou culpa? Ou, lembrando novamente de mais um dos ensinamentos do Curso: queremos ter razão ou ser felizes?

Às práticas?

*

ADENDO: 

Creio que todos e todas nós já nos apercebemos de que o Curso fala conosco, com cada um e cada uma de nós, com uma voz que não é diferente daquela voz interior que conhecemos em nós mesmos e em nós mesmas e que nos leva a fazer aquilo que aparenta ser o melhor para nós, dirigindo-nos às ações, ou inações, aqui e ali para nos oferecer a alegria e a paz de espírito. Ou já não nos surpreendemos nalguma passagem pensando : - Nossa, como é que ele, o Curso, sabe que fiz isto. Quer dizer, ele está nos revelando que determinado ponto está dirigido a nós, a cada um e a cada uma de nós de forma específica.

Bem, este adendo, assim como todos os outros, também quer ter destinatário específico, ou destinatária específica. Claro, ele se dirige a quem bem o entender.

Vejamos o seguinte: muitas pessoas que tiveram, e ainda têm, contato com o Curso se queixam de que ele não oferece orientações práticas para se viver no mundo. Orientações do tipo, faça isto, não faça aquilo, isto não deve ser feito, isto pode e isto não pode, ou qualquer coisa parecida. 

Ora, nada mais falso do que isto, eu diria. Porque, como já falei em um comentário nalgum momento, o Curso não pode ser mais objetivo e prático do que qualquer outra instrução que possamos receber de um mestre, uma mestra, de um orientador, uma orientadora, de um psicólogo, de uma psicóloga ou de quem quer que seja.

Como assim?, vocês podem objetar.

Pensemos. Voltemo-nos para o interior de nós mesmos, para o interior de nós mesmas, e busquemos lá. O que estamos fazendo com as lições, com as práticas? Estamos tentando abandonar o ego, ou estamos dando-lhe alimento para que ele se fortaleça? Dando-lhe argumentos para ele continuar a nos orientar de forma a que neguemos a responsabilidade que temos para com tudo o que nos acontece?

Sabemos de aprendizados antigos que reconhecemos a árvore por seus frutos. Quer dizer, os resultados que se apresentam a nossa vida estão diretamente ligados à forma com que regamos nossa árvore interior, oferecendo-lhe todos os nutrientes, luz e calor, e cuidado, para seu crescimento saudável. Se, nalgum momento de nossa vida, ou em toda ela, no tempo em que estamos vivendo neste mundo, os resultados que obtivemos não são satisfatórios, não conseguimos colher os frutos que pensamos ter plantado ao longo da vida, não será porque, sem querer, sem entender, de modo equivocado, estamos nos deixando enganar pelo ego?

Se atentos e atentas às orientações, às lições, às práticas, ainda assim não logramos obter satisfação - no sentido de paz de espírito, alegria - com a vida que vivemos e experimentamos sentimentos de falta, de carência, de necessidades, quer físicas, quer espirituais, não será porque nos estamos deixando enganar pelo ego? Não será porque estamos permitindo que o ego se valha do ensinamento para reforçar em nós a crença na separação, na escassez, na dor, no sofrimento e na morte?

Kenneth Wapnick, um dos primeiros professores do Curso, alertava para a necessidade de agirmos como pessoas normais, para não mergulharmos de cabeça no Curso, esquecendo-nos de que há coisas na experiência ilusória do mundo para as quais precisamos dar também nossa atenção. Os nossos relacionamentos, os nossos trabalhos, que nos propiciam a sobrevivência e também devem nos oferecer conforto, bem-estar e uma situação de vida satisfatória e suficiente, para que não precisemos pensar, com preocupação ou medo, nas necessidades do corpo a serem supridas.

Se alguém dentre nós está vivendo uma situação desagradável (no julgamento do ego sempre), em que não tem alguma coisa que considera importante para seu viver, a orientação prática do Curso não pode ser mais clara. É preciso que esta pessoa se volte para dentro de si e perceba o quanto está se deixando dominar pelo ego em suas atitudes, em suas ações, em suas formas de se relacionar com as pessoas que fazem parte de sua vida, enganando-as e se deixando enganar por elas e por si mesma. Muitas vezes, o ego nos leva a fingir uma elevação espiritual que estamos longe de sentir, uma paz de espírito e uma leveza de que só ouvimos falar.

Não nos enganemos mais! Se nosso viver no mundo não nos dá aquilo que "julgamos" merecer para viver uma vida digna e tranquila, "a culpa" não é do mundo, nem de quaisquer pessoas no mundo. Precisamos nos voltar para dentro, observar e analisar bem atentamente, para perceber que espaço o ego ocupa em nossos dias. Quantos interesses mundanos ocupam nosso pensamento dia a dia. Que lugar reservamos em nosso tempo para ser apenas o Ser e viver a partir da orientação do divino.

O Curso afirma com todas as letras que nós nos contentamos com muito pouco, uma vez que, na condição de filhos e filhas de Deus, temos direito a tudo. Resta nos voltarmos para dentro de nós mesmos e para dentro de nós mesmas para ver o que estamos escolhendo viver. Se pensamos ou sentimos que algo nos falta, é certamente porque ainda estamos vivendo sob a orientação do ego.

'Bora refletir a respeito?

Paz e bem!