sexta-feira, 15 de maio de 2026

Eis aqui novamente a explicação cristalina do Curso

 

LIÇÃO 135

Se me defendo, sou atacado.

1. Quem se defenderia a menos que pensasse que foi atacado, que o ataque foi real e que sua própria defesa poderia salvá-lo? Mas nisto está toda a loucura da defesa; ela dá realidade plena às ilusões e depois tenta lidar com elas como se fossem reais. Acrescenta ilusões às ilusões tornando, deste modo, a correção duplamente difícil. E é isto o que fazes quando tentas planejar o futuro, reforçar o passado ou organizar o presente do modo que desejas.

2. Tu ages a partir de crença segundo a qual tens de te proteger do que está acontecendo porque o que acontece tem de conter aquilo que te ameaça. Uma sensação de ameaça é um reconhecimento de uma fraqueza inerente; uma crença em que existe um perigo capaz de exigir de ti que faças a defesa adequada. O mundo se baseia nesta crença louca. E todas as suas estruturas, todos os seus pensamentos e dúvidas, suas penalidades e armamentos pesados, suas definições legais e seus códigos, sua ética e seus líderes e seus deuses, todos servem apenas para preservar a sensação de ameaça. Pois ninguém que ande pelo mundo com uma armadura pode deixar de ter o terror golpeando se coração.

3. A defesa é assustadora. Ela brota do medo e aumenta o medo cada vez que se faz uma defesa. Tu pensas que ela oferece segurança. Mas ela fala do medo tornado real e do terror justificado. Não é estranho que, enquanto elaboras teus planos e reforças tua blindagem e tuas fechaduras, não pares para perguntar o que defendes, e como, e contra o quê?

4. Vamos considerar primeiro o que defendes. Tem de ser alguma coisa muito fraca e fácil de se assaltar. Tem de ser alguma coisa que se torna presa fácil, incapaz de se proteger e que necessita de tua defesa. O que, a não ser o corpo, tem tal fragilidade que necessita de cuidados constantes e atentos, de uma preocupação profunda para proteger sua breve vida? O que, a não ser o corpo, treme e tem de ser incapaz de servir ao Filho de Deus como um anfitrião digno?

5. No entanto, não é o corpo que pode ter medo, nem ser um objeto do medo. Ele não tem nenhuma necessidade exceto aquela que atribuis a ele. Ele não necessita de nenhuma estrutura complicada de defesa, de nenhuma medicina que induza à saúde, de nenhum cuidado e de absolutamente nenhuma preocupação. Defende sua vida, ou dá-lhe presentes para torná-lo belo ou muros para torná-lo seguro, e apenas declaras que teu lar está aberto ao ladrão do tempo, que ele é perecível, passível de desintegração, tão inseguro que tem de ser guardado com tua própria vida.

6. Este quadro não é amedrontador? Podes ficar em paz com tal conceito de teu lar? Mas o que dotou o corpo do direito de te servir deste modo exceto tua própria crença? É tua mente que deu ao corpo todas as funções que vês nele e que fixou seu valor muito acima de um pequeno monte de pó e de água. Quem faria a defesa de algo que reconhecesse ser assim?

7. O corpo não necessita de nenhuma defesa. Nunca é demais enfatizar isto. Ele será forte e saudável, se a mente não prejudicar atribuindo-lhe papéis que ele não pode desempenhar, objetivos além de seu alcance e metas elevadas que ele não pode realizar. Tais tentativas, ridículas, embora apreciadas de maneira profunda, são as fontes para os muitos ataques loucos que fazes contra ele. Pois ele parece não ser capaz de atender tuas expectativas, tuas necessidades, teus valores e teus sonhos.

8. O "ser" que precisa de proteção não é real. O corpo, sem valor e dificilmente digno da menor defesa, precisa apenas ser percebido como bem distante de ti e ele se torna um instrumento saudável e útil por meio do qual a mente pode funcionar até que a utilidade dele acabe. Quem quereria conservá-lo quanto sua utilidade se acabar?

9. Defende o corpo e atacas tua mente. Pois vês nela os defeitos, as fraquezas, os limites e as faltas das quais pensas que o corpo tem de ser salvo. Tu não verá a mente como estando separada das condições corpóreas. E imporás ao corpo toda a dor que advém da noção da mente como limitada e frágil, e separada das outras mentes e separadas de sua Fonte.

10. São estes os pensamentos que necessitam de cura e o corpo reagirá com saúde, quando eles estiverem corrigidos e substituídos pela verdade. Esta é a única defesa do corpo. Porém, é nisto que procuras a defesa dele? Tu lhe ofereces um tipo de proteção da qual ele não ganha absolutamente nenhum benefício, mas apenas acrescenta aflição à aflição de sua mente. Tu não curas, mas simplesmente eliminas a esperança de cura, pois deixas de ver aonde a esperança tem de estar se ele for significativa.

11. Um mente curada não planeja. Ela executa os planos que recebe por ouvir a sabedoria que não lhe pertence. Ele espera até ser instruída quanto ao que deve ser feito e, em seguida, passa a fazê-lo. Ela não depende de si mesma para nada exceto para sua adequação para o cumprimento dos planos que lhe foram designados. Ela está segura na convicção de que obstáculos não podem impedir seu avanço na direção da realização de qualquer objetivo que sirva ao plano maior estabelecido para o bem de todos.

12. Uma mente curada está livre da crença de que tem de planejar, apesar de não saber qual é o melhor resultado, o meio pelo qual ele se realiza, nem como reconhecer o problema para cuja solução se fez o plano. Ela tem de fazer mau uso do corpo até reconhecer que isto é verdadeiro. Mas, quando ela aceita isto como verdadeiro, ela, então, está curada e abandona o corpo.

13. A escravização do corpo aos planos que a mente não-curada estabelece para se salvar tem de provocar náuseas no corpo. Ele não é livre para ser o meio de ajudar em um plano que vai muito além de sua própria proteção e que necessita de seu serviço por algum tempo. Nesta função assegura-se a saúde. Pois todas as coisas que a mente emprega para isto funcionarão perfeitamente, e, com a força que lhe é dada, ela não pode falhar.

14. Talvez não seja fácil perceber que planos de iniciativa própria são apenas defesas, de acordo com o objetivo que todas elas foram feitas para realizar. Elas são o meio pelo qual uma mente assustada quer empreender sua própria proteção com o sacrifício da verdade. Não é difícil perceber isto claramente em algumas formas que estes auto-enganos assumem, nos quais a negação da realidade é bem clara. No entanto, muitas vezes não se reconhece o planejamento como uma defesa.

15. A mente envolvida em planejar por si mesma está ocupada em estabelecer o controle dos acontecimentos futuros. Ela não pensa que será suprida, a não ser que faça suas próprias provisões. O tempo se torna uma necessidade futura, a ser controlada pelo aprendizado e pela experiência obtidos de acontecimentos do passado e das crenças anteriores. Ela ignora o presente, pois se baseia na ideia de que o passado ensina o suficiente para permitir que a mente determine seu curso futuro.

16. A mente que planeja está, deste modo, se recusando a permitir a mudança. Aquilo que ela aprendeu antes se torna a base para suas metas futuras. Sua experiência passada orienta sua escolha do que vai acontecer. E ela não vê que tudo aquilo de que ela necessita para garantir um futuro bem diferente do passado está aqui e agora, sem a continuidade de quaisquer ideias antigas e crenças doentias. A expectativa não desempenha absolutamente nenhum papel pois a confiança atual determina o caminho.

17. As defesas são os planos que tentas fazer contra a verdade. O objetivo deles é selecionar aquilo que aprovas e ignorar aquilo que consideras incompatível com tuas crenças a respeito de tua realidade. O que sobra, no entanto, é, de fato, inútil. Pois tua realidade é que é a "ameaça" que tuas defesas querem atacar, esconder e derrotar e crucificar.

18. O que poderias não aceitar, se apenas soubesses que tudo o que acontece, todos os acontecimentos, passados, presentes e por vir, são planejados de forma benigna por Aquele Cujo único propósito é teu bem? Talvez tenha compreendido mal o plano d'Ele, pois Ele nunca te ofereceria dor. Mas tuas defesas não te deixam ver que a bênção amorosa d'Ele brilha em cada passo que já deste. Enquanto fazias planos para a morte, Ele te conduzia suavemente à vida eterna.

19. Tua confiança atual n'Ele é a defesa que garante um futuro tranquilo, sem um traço de pesar e com alegria que aumenta constantemente, à medida que esta vida se torna um instante santo, estabelecido no tempo, mas prestando atenção apenas à imortalidade. Não deixes que nenhuma defesa a não ser tua confiança atual determine o futuro, e esta vida se torna um encontro significativo com a verdade, que somente tuas defesas querem esconder.

20. Sem defesas, tu te tornas uma luz que o Céu reconhece com gratidão como sendo a dele. E ela te levará adiante por caminhos indicados para a tua felicidade de acordo com o plano antigo, iniciado quando o tempo nasceu. Teus seguidores unirão sua luz a tua e ela aumentará até que o mundo seja iluminado pela alegria. E nossos irmãos abandonarão alegremente suas defesas incômodas, que não lhes serviam de nada e só podiam aterrorizar.

21. Hoje vamos apressar este momento com a confiança atual, pois isto é parte do que se planejou para nós. Teremos certeza de que tudo aquilo de que precisamos nos é dado para a nossa realização disto hoje. Não fazemos nenhum plano acerca de como isto se dará, mas percebemos claramente que nossa não-defensividade é tudo o que se exige para que a verdade desponte em nossas mentes com segurança.

22. Duas vezes, hoje, durante quinze minutos descansamos de planejamentos inúteis e de todo pensamento que impeça a verdade de penetrar em nossas mentes. Receberemos, hoje, em lugar de planejar, para podermos dar em vez de organizar. E receberemos verdadeiramente ao dizermos:

Se me defendo, sou atacado. Mas na não-defensividade serei forte e
aprenderei o que minhas defesas escondem.

23. Nada mais que isso. Se houver planos a fazer, serás informado deles. Ele podem não ser os planos que pensavas serem necessários, e também não ser, de fato, as respostas aos problemas com os quais pensavas te defrontar. Mas eles são respostas a outro tipo de pergunta, que continua sem resposta embora necessite ser respondida até que a Resposta venha a ti afinal.

24. Todas as tuas defesas foram planejadas para o não-recebimento daquilo que receberás hoje. E à luz e à alegria da pura confiança, vais te perguntar por que razão pensaste alguma vez que tens de te defender da liberdade. O céu não pede nada. É o inferno que faz exigências extravagantes de sacrifício. Hoje, durante estes momentos, tu não desistes de nada, quando, indefeso, te apresentas ao teu Criador como realmente és.

25. Ele Se lembra de ti. Hoje nós nos lembraremos d'Ele. Pois este é o tempo da Páscoa em nossa salvação. E tu despertas de novo daquilo que parecia ser morte e desespero. Agora a luz da esperança renasceu em ti, pois agora vens, sem defesa, aprende o papel para ti no plano de Deus. Que planos inúteis ou crenças mágicas ainda podem ter valor, quanto tu recebes tua função da Voz pelo Próprio Deus?

26. Tenta não moldar este dia da maneira que acreditas te beneficiaria mais. Pois não podes imaginar toda a felicidade que vem para ti sem teu planejamento. Aprende hoje. Todo o mundo dará este passo gigantesco e celebrará tua Páscoa contigo. Ao longo do dia, quando pequenas coisas tolas parecerem despertar a defensividade em ti e tentarem a tecer planos, lembra a ti mesmo que este é um dia especial para o aprendizado e reconhece isto com o seguinte:

Esta é minha Páscoa. E eu quero mantê-la santa. Não me
defenderei, porque o Filho de Deus não precisa de nenhuma
defesa contra a verdade de sua realidade.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 135

Caras, caros,

Esta é a ideia que vamos praticar hoje:

"Se me defendo, sou atacado."

Como tenho feito nos últimos anos, para as práticas com a ideia de hoje, poupo vocês de um comentário mais longo, em função da extensão do texto de preparo para a lição que o Curso nos oferece neste dia. Repito, pois, aqui, mais uma vez, apenas o que já disse antes.

Eis aqui mais uma vez a lição que explica de modo definitivo e claro o objetivo a que o Curso se propõe, e que nos oferece - a todos, todas, a cada um e a cada uma de nós - a oportunidade de vivermos livres de quaisquer medos, pois não há nada que possa ameaçar o que somos na verdade.

A lição que praticamos hoje é, de certa forma, uma explanação maravilhosa e cristalina daquilo que resume o Curso - isto é, uma explicação absolutamente clara do próprio Curso -, e que está lá, na Introdução do livro.

Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisto está a paz de Deus.

E não há mais nada a se acrescentar. 

Às práticas?

quinta-feira, 14 de maio de 2026

"Só a luz cuida de tudo efetivamente." (Riva)

 

LIÇÃO 134

Que eu perceba o perdão tal como ele é.

1. Vamos revisar o significado de "perdoar", pois ele está sujeito a ser distorcido e a ser percebido como algo que exige um sacrifício injusto da ira justa, uma dádiva injustificada e não merecida, e uma negação total da verdade. Sob tal ponto de vista, o perdão tem de ser percebido como uma simples loucura excêntrica e este curso parece basear a salvação numa extravagância.

2. Corrige-se facilmente esta perspectiva distorcida do que significa o perdão, quando podes aceitar o fato de que não se pede perdão para aquilo que é verdadeiro. Ele tem de se limitar àquilo que é falso. Ele não se aplica a qualquer coisa a não ser a ilusões. A verdade é criação de Deus e não tem sentido perdoá-la. Toda a verdade pertence a Ele, reflete Suas leis e irradia Seu Amor. Isto precisa de perdão? Como podes perdoar o inocente e eternamente benigno?

3. A principal dificuldade de tua parte para achar o perdão genuíno é que ainda acreditas que tens de perdoar a verdade e não ilusões. Tu compreendes o perdão como uma tentativa inútil de olhar para além do que existe; ignorar a verdade, em um esforço infundado para te enganar tornando verdadeira uma ilusão. Este ponto de vista distorcido reflete apenas o poder que a ideia de pecado conserva sobre tua mente, na maneira como pensas a teu próprio respeito.

4. Por acreditares que teus pecados são reais, olhas para o perdão como engano. Pois é impossível pensar no pecado como verdadeiro e não acreditar que o perdão é uma mentira. Desta forma, o perdão é realmente apenas um pecado, como todos os outros. Ele diz que a verdade é falsa e sorri para os degenerados como se eles fossem tão inocentes quanto a grama; tão brancos quanto a neve. Ele está iludido quanto àquilo que pensa poder realizar. Ele quer ver como certo o que é claramente errado; o repulsivo como bom.

5. O perdão não é nenhuma saída sob tal ponto de vista. Ele é apenas mais um sinal de que o pecado é imperdoável, no melhor dos casos a ser escondido, negado ou chamado por outro nome, pois o perdão é uma traição à verdade. A culpa não pode ser perdoada. Se pecas, tua culpa é eterna. Aqueles que são perdoados sob o ponto de vista de que seus pecados são reais, são ridicularizados de forma deplorável e duas vezes condenados; primeiro por si mesmos, por aquilo que pensam ter feito, e mais uma vez por aqueles que os perdoam.

6. É a irrealidade do pecado que torna o perdão natural e totalmente são, um alívio profundo para aqueles que o oferecem; uma bênção serena aonde ele é recebido. Ele não encoraja as ilusões, mas as recolhe alegremente, com uma risada suave e as deposita aos pés da verdade de forma benigna. E, aí, elas desaparecem por completo.

7. O perdão é a única coisa que representa a verdade nas ilusões do mundo. Ele vê a inutilidade delas e ignora francamente as milhares de formas com que elas podem se apresentar. Ele olha para as mentiras, mas não se engana. Ele não presta atenção aos guinchos auto-acusadores de pecadores enlouquecidos pela culpa. Ele olha para eles com olhos serenos e lhes diz simplesmente: "Meu irmão, o que pensas não é a verdade".

8. A força do perdão é sua honestidade, que é tão íntegra que vê ilusões como ilusões, não como verdade. É por esta razão que ele vem a ser o esclarecedor diante das mentiras; o generoso restituidor da simples verdade. Em função de sua capacidade de ignorar o que não existe, ele abre caminho para a verdade, que está bloqueada pelos sonhos de culpa. Agora estás livre para seguir no caminho que teu perdão verdadeiro abre para ti. Pois, se um irmão recebe esta dádiva de ti, a porta está aberta para ti mesmo.

9. Há um modo muito simples de achar a porta para o perdão verdadeiro e de percebê-la totalmente aberta em boas vindas. Quando te sentires tentado a acusar alguém de pecado sob qualquer forma, não deixes que tua mente se demore naquilo que pensas que ele fez, pois isto é auto-engano. Pergunta, em vez disso: "Eu me acusaria de fazer isto?".

10. Deste modo, verás alternativas para a escolha em termos que a tornam significativa e manterás tua mente tão livre da culpa e da dor quanto o Próprio Deus pretendia que ela fosse, e como, na verdade, ela é. São apenas as mentiras que querem condenar. Na verdade, a única coisa que existe é a inocência. O perdão se coloca entre as ilusões e a verdade; entre o mundo que vês e aquele que fica além dele; entre o inferno da culpa e o portão do Céu.

11. Do outro lado desta ponte, tão poderosa quanto o amor que depositou sua bênção sobre ela, todos os sonhos de mal e de ódio e de ataque são trazidos à verdade tranquilamente. Eles não se mantêm para inchar e rugir, e para aterrorizar o tolo sonhador que acredita neles. Ele é acordado suavemente de seu sonho pela compreensão de que aquilo que pensava ver nunca existiu. E, agora, ele não pode achar que todas as saídas lhe foram negadas.

12. Ele não tem de lutar para se salvar. Ele não tem de matar os dragões que pensava que o perseguiam. E também não precisa erguer os sólidos muros de pedra e as portas de ferro que pensava o poriam em segurança. Ele pode retirar a armadura pesada e inútil feita para acorrentar sua mente ao medo e ao sofrimento. O passo dele é leve e, quando ele levanta o pé para seguir adiante, uma estrela fica para trás para indicar o caminho àqueles que o seguem.

13. O perdão tem de ser praticado, pois o mundo não pode perceber seu significado nem te oferecer um guia para te ensinar sua benevolência. Não há nenhum pensamento em todo o mundo que leve à mínima compreensão das leis a que ele obedece, nem do Pensamento que ele reflete. Ele é tão estranho ao mundo quanto tua própria realidade é. E, não obstante, ele une tua mente à realidade em ti.

14. Hoje praticamos o perdão verdadeiro para que o momento da união não se demore mais. Pois queremos nos encontrar com nossa realidade em liberdade e em paz. Nossa prática vem a ser as pegadas que iluminam o caminho para todos os nossos irmão, que nos seguirão até a realidade que compartilhamos com eles. Para que isto possa se realizar, vamos dar um quarto de hora duas vezes hoje e passá-lo com o Guia Que compreende o significado do perdão e Que nos foi enviado para ensiná-lo. Peçamos a Ele:

Que eu perceba o perdão tal como ele é.

15. Em seguida, escolhe um irmão conforme Ele te orientar e enumera, um a um, seus "pecados", à medida que passarem por tua mente. Certifica-te de não te demorares em nenhum deles, mas imagina que estás usando as "ofensas" dele apenas para salvar o mundo de todas as ideias de pecado. Reflete por um breve instante a respeito de todas as coisas ruins que pensaste dele e pergunta a ti mesmo a cada vez: "Eu me condenaria por isto?".

16. Deixa que ele fique livre de todos os pensamentos de pecado que tinhas em relação a ele. E, agora, estás preparado para a liberdade. Se até agora estás praticando com disposição e honestidade, começarás a experimentar uma elevação, uma redução de peso sobre teu peito, uma sensação de alívio profunda e nítida. Deve-se dedicar o tempo restante à experiência de libertação de todas as correntes pesadas que buscaste colocar sobre teu irmão, mas que foram colocadas sobre ti mesmo.

17. Deve-se praticar o perdão ao longo do dia, pois ainda haverá muitos momentos nos quais esquecerás o significado dele e atacarás a ti mesmo. Quando isto acontecer, permite que tua mente veja além desta ilusão, enquanto dizes a ti mesmo:

Que eu perceba o perdão tal como ele é. Eu me acusaria de
fazer isto? Não colocarei esta corrente sobre mim mesmo.

Em tudo o que fizeres lembra-te disto:

Ninguém é crucificado sozinho, mas, ao mesmo tempo,
ninguém pode entrar no Céu por si mesmo.

*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 134

Caras, caros,

Hoje vamos praticar com uma ideia que vai buscar nos fazer perceber o que é verdadeiramente o perdão. Para que ele serve e por que devemos aprender a usá-lo.

A ideia é esta:

"Que eu perceba o perdão tal como ele é."

Para explorar a ideia, buscando ampliar seu alcance e entendimento, vou repetir o comentário já feito a esta lição em anos anteriores, inclusive o título da postagem. Assim:

A lição de hoje, de novo, oferece para as práticas uma ideia que vai nos ensinar a conhecer o que é o perdão e a perceber claramente qual é o valor do perdão verdadeiro.

Deste modo:

Vamos revisar o significado de "perdoar", pois ele está sujeito a ser distorcido e a ser percebido como algo que exige um sacrifício injusto da ira justa, uma dádiva injustificada e não merecida, e uma negação total da verdade. Sob tal ponto de vista, o perdão tem de ser percebido como uma simples loucura excêntrica e este curso parece basear a salvação numa extravagância.

Corrige-se facilmente esta perspectiva distorcida do que significa o perdão, quando podes aceitar o fato de que não se pede perdão para aquilo que é verdadeiro. Ele tem de se limitar àquilo que é falso. Ele é não se aplica a qualquer coisa a não ser a ilusões. A verdade é criação de Deus e não tem sentido perdoá-la. Toda a verdade pertence a Ele, reflete Suas leis e irradia Seu Amor. Isto precisa de perdão? Como podes perdoar o inocente e eternamente benigno?

Este aprendizado do perdão tal como ele é não é obviamente o passo que tem de se seguir de forma obrigatória ao que aprendemos das lições anteriores? Isto é, a liberar o mundo de tudo o que pensávamos a seu respeito e a não dar valor àquilo que não tem valor?

Como posso liberar o mundo, se eu não for capaz de perdoar? Como posso deixar de dar valor ao que não tem valor, se eu não conseguir perdoar? 

Que eu perceba o perdão tal como ele é.

É isso que preciso aprender a fazer. Pois, enquanto eu pensar que alguma pessoa pode fazer verdadeiramente para mim alguma coisa pela qual eu a tenha de perdoar, ainda não liberei o mundo, ainda estou dando valor àquilo que não tem valor. Estou buscando me eximir da responsabilidade que tenho para com tudo o que acontece em minha vida e me considerando uma vítima deste mundo.

A lição continua:

A principal dificuldade de tua parte para achar o perdão genuíno é que ainda acreditas que tens de perdoar a verdade e não ilusões. Tu compreendes o perdão como uma tentativa inútil de olhar para além do que existe; ignorar a verdade, em um esforço infundado para te enganar tornando verdadeira uma ilusão. Este ponto de vista distorcido reflete apenas o poder que a ideia de pecado conserva sobre tua mente, na maneira como pensas a teu próprio respeito.

Por acreditares que teus pecados são reais, olhas para o perdão como engano. Pois é impossível pensar no pecado como verdadeiro e não acreditar que o perdão é uma mentira. Desta forma, o perdão é realmente apenas um pecado, como todos os outros. Ele diz que a verdade é falsa e sorri para os degenerados como se eles fossem tão inocentes quanto a grama; tão brancos quanto a neve. Ele está iludido quanto àquilo que pensa poder realizar. Ele quer ver como certo o que é claramente errado; o repulsivo como bom.

O perdão não é nenhuma saída sob tal ponto de vista. Ele é apenas mais um sinal de que o pecado é imperdoável, no melhor dos casos a ser escondido, negado ou chamado por outro nome, pois o perdão é uma traição à verdade. A culpa não pode ser perdoada. Se pecas, tua culpa é eterna. Aqueles que são perdoados sob o ponto de vista de que seus pecados são reais, são ridicularizados de forma deplorável e duas vezes condenados; primeiro por si mesmos, por aquilo que pensam ter feito, e mais uma vez por aqueles que os perdoam.

É a irrealidade do pecado que torna o perdão natural e totalmente são, um alívio profundo para aqueles que o oferecem; uma bênção serena aonde ele é recebido. Ele não encoraja as ilusões, mas as recolhe alegremente, com uma risada suave e as deposita aos pés da verdade de forma benigna. E, aí, elas desaparecem por completo.

Na verdade, o Filho de Deus não pode pecar. Apesar de te acreditares separado, ou separada, de Deus, de teus irmãos, de tuas irmãs e de todos os teus semelhantes, ainda és como Deus te criou. Somos todos e todas. E somos um só. Não há o que perdoar em ti, nem em mim e nem em ninguém, a não ser a percepção equivocada. Por isso a lição nos leva a pedirmos:

Que eu perceba o perdão tal como ele é.

E o que é o perdão? É a lição que lança uma luz diferente da luz do mundo sobre ele:

O perdão é a única coisa que representa a verdade nas ilusões do mundo. Ele vê a inutilidade delas e ignora francamente as milhares de formas com que elas podem se apresentar. Ele olha para as mentiras, mas não se engana. Ele não presta atenção aos guinchos auto-acusadores de pecadores enlouquecidos pela culpa. Ele olha para eles com olhos serenos e lhes diz simplesmente: "Meu irmão, o que pensas não é a verdade".

A força do perdão é sua honestidade, que é tão íntegra que vê ilusões como ilusões, não como verdade. É por esta razão que ele vem a ser o esclarecedor diante das mentiras; o generoso restituidor da simples verdade. Em função de sua capacidade de ignorar o que não existe, ele abre caminho para a verdade, que está bloqueada pelos sonhos de culpa. Agora estás livre para seguir no caminho que teu perdão verdadeiro abre para ti. Pois, se um irmão recebe esta dádiva de ti, a porta está aberta para ti mesmo.

Nós nos enganamos com o que ensina o sistema de pensamento do mundo - o sistema de pensamento do ego, do falso eu, em vista de sua percepção equivocada - , pensando que podemos, de fato, "perdoar" alguém por alguma coisa que ele, ou ela, tenha feito. 

Nosso engano se deve ao fato de que ainda não aprendemos por completo que tudo o que "aparentemente" nos acontece é sempre resultado de uma escolha que nós mesmos ou nós mesmas fazemos, mesmo quando o que se apresenta a nossa experiência não tem - para a nossa forma de perceber, a partir dos sentidos - nada a ver com o que pensamos ter escolhido e/ou pedido. Isto porque, na verdade, raramente nos relacionamos com os fatos. Nós quase que só nos relacionamos, em geral, com a interpretação que fazemos dos fatos, como o Curso ensina.

Reconhecer isto é chegar à porta que se abre para o perdão verdadeiro, que só podemos dar a nós mesmos e a nós mesmas uma vez que é apenas nossa percepção que percebe a ilusão como verdadeira, como algo a ser perdoado. A lição fala também do modo de que podemos nos valer para chegar ao perdão.

Assim:

Há um modo muito simples de achar a porta para o perdão verdadeiro e de percebê-la totalmente aberta em boas vindas. Quando te sentires tentado a acusar alguém de pecado sob qualquer forma, não deixes que tua mente se demore naquilo que pensas que ele fez, pois isto é auto-engano. Pergunta, em vez disso: "Eu me acusaria de fazer isto?".

Deste modo, verás alternativas para a escolha em termos que a tornam significativa e manterás tua mente tão livre da culpa e da dor quanto o Próprio Deus pretendia que ela fosse, e como, na verdade, ela é. São apenas as mentiras que querem condenar. Na verdade, a única coisa que existe é a inocência. O perdão se coloca entre as ilusões e a verdade; entre o mundo que vês e aquele que fica além dele; entre o inferno da culpa e o portão do Céu.

A única coisa que existe é a inocência... Isto não traz uma sensação de alívio? Não tira todo o peso, toda a carga de culpa e de pecado que pusemos sobre os ombros? Os nossos ombros e os ombros daqueles e daquelas que andam nesta jornada conosco. 

Que eu perceba o perdão tal como ele é.

É muito importante para o desenvolvimento do trabalho que fazemos de busca da consciência e do conhecimento de nós mesmos e de nós mesmas, que reconheçamos e aceitemos a verdade que a lição de hoje nos oferece e que pratiquemos para empregá-la em nosso viver diário, a fim de percebermos que é só a ilusão que precisa ser perdoada. A verdade apenas é.

Sigamos, pois, o restante das orientações para as práticas, que nos dá a lição, certos e certas de que não há nada a perdoar. Deus não perdoa. Ele não vê o erro. Não vê o pecado. Só a ilusão faz isto. Só a percepção equivocada pode fazer isto e pensar que há qualquer verdade na ilusão.

Deixo-os e deixo-as, mais uma vez, com um texto do mestre Rivaldo Andrade, que já está na luz, ou que, como nós, cada um de e cada uma de nós e como todos e todas nós, sempre esteve, embora não tenhamos consciência disso o tempo todo, e que pode ser de grande ajuda para que se entenda a verdade que a lição de hoje traz. Ele diz o seguinte:

Fique aqui e só aqui.

Pare de lembrar.

A luz [a verdade] é ausência de lembranças [de passado].

Saiba que Deus não perdoa, apenas não lembra. Adão, lembrando, inventou o conhecimento e caiu do paraíso. Por isso Jesus recomenda tanto o perdão, pois este é simplesmente uma forma de esquecimento, uma eliminação de lembranças, [um apagar] de arquivos [da memória]. Mas, eliminação de qualquer arquivo que seja, por mais lindo e importante que pareça. Só Deus realmente importa.

Com nosso HD [a mente] vazio, a mente, inundada pela Luz, roda instantaneamente qualquer programa que nos seja apresentado e podemos ver com mais facilidade a profundidade de tudo. Uma mente cheia de lembranças é como um HD superlotado. Qualquer mancha na superfície deterá nossa compreensão. Crenças são vírus que guardamos e que danificam todo o sistema gerando divisão, interesses e, consequentemente, medos, mágoas e ódios. 

Há [aparentemente] muita doença no mundo porque o homem acredita muito. Com isso acaba não vendo nada como é simplesmente, pois coloca uma lembrança em cima de tudo o que vê. Aí, não vê mais o que é, a realidade simples. Só vê lembranças [Lembram da lição "Eu só vejo o passado"?]. E isso impede o fluxo natural da simplicidade maravilhosa do eu interior, que abençoa e purifica a vida constantemente. 

Passada [um]a situação [qualquer que seja ela], delete o arquivo [perdoe e esqueça]. Deixe o HD sempre vazio, livre para a paz original do eu ordenar divinamente o pensamento no eterno e ilimitado agora em que a vida se manifesta.

Só a Luz cuida de tudo efetivamente.


Às práticas?

quarta-feira, 13 de maio de 2026

É apenas parte da ilusão o mundo e tudo que há nele

 

LIÇÃO 133

Não darei valor àquilo que não tem valor.

1. Às vezes, no ensino, há benefício em se trazer o aluno de volta a interesses práticos, particularmente depois de se ter passado por aquilo que parece teórico e muito distante do que o aluno já aprendeu. Faremos isto hoje. Não falaremos de ideias elevadas e abrangentes do mundo, mas, em vez disto, nos deteremos nos benefícios para ti.

2. Tu não pedes muito da vida, mas pouco demais. Quando permites que tua mente seja atraída para os interesses do corpo, para coisas que compras, para o prestígio, da forma que o mundo valoriza, pedes o sofrimento, não a felicidade. Este curso não tenta tirar de ti o pouco que tens. Não tenta substituir por ideias utópicas as satisfações que o mundo contém. Não há nenhuma satisfação no mundo.

3. Hoje listamos os critérios reais pelos quais testar todas as coisas que pensas querer. A menos que atendam a estes sólidos requisitos, não vale a pena desejá-los em absoluto, pois eles só podem ocupar o lugar daquilo que oferece mais. Não podes inventar as leis que regem a escolha, tanto quanto não podes inventar alternativas entre as quais escolher. Podes fazer a escolha; na verdade, tens de fazê-la. Mas é sábio aprender as leis que pões em movimento quando escolhes e entre quais alternativas escolhes.

4. Já enfatizamos que existem apenas duas, independente de quantas parecem existir. O limite está estabelecido, e não podemos mudar isto. Seria muito mesquinho para contigo permitir que as alternativas fossem ilimitadas e, deste modo, atrasar tua escolha final até que tivesses considerados todas no tempo, sem seres trazido de modo tão claro ao lugar em que só há uma escolha a ser feita.

5. Outra lei benigna semelhante é que não existe nenhuma condescendência naquilo que tua escolha tem de trazer. Ela não pode te dar só um pouco, pois não existe meio termo. Cada escolha que fazes te traz tudo ou nada. Por isto, se aprenderes os testes pelos quais podes distinguir o tudo do nada, farás a melhor escolha.

6. Primeiro, se escolheres algo que não durará eternamente, o que escolhes é sem valor. Um valor temporário não tem qualquer valor. O tempo não pode eliminar nunca um valor que seja real. Aquilo que desaparece gradualmente e morre nunca existiu e não traz nenhuma contribuição para aquele que o escolhe. Ele está enganado pelo nada em uma forma da qual pensa gostar.

7. Em seguida, se escolheres tirar alguma coisa de alguém, não te sobrará nada. Isto porque, quando negas o direito dele a tudo, negas teu próprio direito. Por isto, não reconhecerás as coisas que, de fato, tens negando que elas existem. Aquele que busca tirar está enganado pela ilusão de que a perda pode oferecer ganho. A perda, não obstante, tem de oferecer perda e nada mais.

8. Tua próxima consideração é aquela na qual se baseiam todas as outras. Por que a escolha que fazes tem valor para ti? O que atrai tua mente para ela? A que propósito ela serve? É aqui que é mais fácil do que tudo se enganar. Porque o ego não é capaz de reconhecer aquilo que ele quer. Ele nem mesmo diz a verdade tal como a percebe, pois precisa manter o halo que usa para proteger suas metas de manchas e de ferrugem, para que possas ver quão "inocente" ele é.

9. No entanto, sua camuflagem é um fino verniz que só pode enganar àqueles que ficam contentes em ser enganados. As metas dele são óbvias para qualquer um que se dê ao trabalho de procurá-las. Aqui duplica-se o engano pois aquele que é enganado não perceberá que simplesmente deixou de ganhar. Ele acreditará que atende às metas ocultas do ego.

10. Todavia, embora o ego tente manter seu halo límpido ao alcance de sua visão, ele, ainda assim, tem de perceber suas bordas manchadas e seu núcleo enferrujado. Seus erros inúteis lhe parecem pecados, porque ele olha para a mancha como se fosse dele mesmo; a ferrugem como um sinal de profunda indignidade em si mesmo. Aquele que quer conservar as metas do ego e atendê-las como suas não comete nenhum erro, de acordo com os ditames de seu guia. Esta orientação ensina que é erro acreditar que pecados são apenas equívocos, pois quem sofreria por seus pecados se isto fosse verdade?

11. E, assim, chegamos ao critério para a escolha que é o mais difícil de se acreditar, porque sua clareza está coberta por várias camadas de incerteza. Se sentires qualquer culpa por tua escolha, permitiste que as metas do ego se interpusessem entre as alternativas reais. E, deste modo, não percebes de forma clara que há apenas duas, e a alternativa que pensas que escolheste parece assustadora e perigosa demais para ser o nada que, de fato, é.

12. Todas as coisas são absolutamente valiosas ou sem valor, dignas ou não de serem buscadas, totalmente desejáveis ou não valem o menor esforço para se obter. Justamente por isto é fácil escolher. A complexidade não é nada exceto uma cortina de fumaça, que esconde o fato muito simples de que nenhuma decisão pode ser difícil. Qual é o ganho para ti em aprender isto? É muito maior do que apenas o de permitir que faças escolhas facilmente e sem dor.

13. Alcança-se o próprio Céu de mãos vazias e mentes abertas, que vêm sem nada para achar tudo e reclamá-lo como seu. Tentaremos alcançar este estado hoje, deixando o auto-engano de lado e com uma disposição honesta para dar valor apenas ao verdadeiramente valioso e ao real. Nossos dois períodos de prática mais longos, de quinze minutos cada, começam com isto:

Não darei valor àquilo que não tem valor, e busco
apenas o que tem valor, pois é só isto que desejo achar.

14. E, então, recebe aquilo que espera por todos aqueles que chegam sem dificuldades ao portão do Céu, que se abre quando eles chegam. Se começares a te permitir a acumular alguns fardos inúteis, ou a acreditar que percebes que se apresentam algumas decisões difíceis para ti, sê rápido em responder com esta ideia simples:

Não darei valor àquilo que não tem valor,
porque aquilo que é valioso me pertence.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 133

Caras, caros,

Uma das coisas mais interessantes, ao que me parece, que pode acontecer - e acontece algumas vezes -  na vida das pessoas a partir das práticas com as ideias do Curso, é a mudança da percepção. Explico: quando uma pessoa se dedica sinceramente a fazer as lições, a cumprir o compromisso assumido consigo mesma neste treinamento para chegar a ver as coisas de modo diferente, não há como ela não perceber a ilusão que transparece em tudo no mundo e em todas as pessoas ainda guiadas pelo sistema de pensamento do ego.

A partir do momento em que a pessoa se compromete a fazer as lições, e as faz, seguindo o programa que o Curso oferece, o mundo - e tudo o que aparentemente existe nele - começa a se mostrar sob outra luz. Os contatos com as pessoas, que lutam em seu dia a dia para sobreviver e superar os zilhões de obstáculos que se interpõem em suas vidas para impedi-las de chegarem aonde planejam chegar, mostram que todas elas, ou quase todas, não sabem, de fato, aonde estão, aonde querem chegar, nem o que fazer para chegar lá, ou o que fazer quando chegarem lá, se chegarem nalgum momento.

Na verdade, quando nós buscamos um objetivo mundano em nossa lida diária, dando a ele um valor que ele não tem, porque apenas ilusório, o que estamos fazendo é entregar nossa liberdade, oferecendo-a em troca de algo que não tem valor duradouro, pois todas as coisas do mundo não duram mais do que um segundo da eternidade.

É por isso que precisamos praticar com a ideia que o Curso nos oferece hoje.  

"Não darei valor àquilo que não tem valor."

As práticas de ontem mostraram de que forma podemos liberar o mundo de todo e qualquer julgamento que já fizemos, fazíamos ou continuamos a fazer dele. A partir delas, fica mais fácil, então, praticar, entender e aceitar a ideia que o Curso oferece uma vez mais para as práticas de hoje. Uma ideia que ensina a não dar valor àquilo tudo, fora de nós mesmos e de nós mesmas, que não tem valor, pois tudo o que é valioso já nos pertence, é parte do que somos em realidade.

Vejamos como a lição começa:

Às vezes, no ensino, há benefício em se trazer o aluno de volta a interesses práticos, particularmente depois de se ter passado por aquilo que parece teórico e muito distante do que o aluno já aprendeu. Faremos isto hoje. Não falaremos de ideias elevadas e abrangentes do mundo, mas, em vez disto, nos deteremos nos benefícios para ti.

Tu não pedes muito da vida, mas pouco demais. Quando permites que tua mente seja atraída para os interesses do corpo, para coisas que compras, para o prestígio, da forma que o mundo valoriza, pedes o sofrimento, não a felicidade. Este curso não tenta tirar de ti o pouco que tens. Não tenta substituir por ideias utópicas as satisfações que o mundo contém. Não há nenhuma satisfação no mundo.

Eis aqui o segredo - se é que existe algum - a partir do qual alinhar nossos desejos de forma a obtermos a total satisfação. Nada no mundo pode nos oferecer a satisfação que merecemos na condição de Filhos de Deus. Já até praticamos a ideia que ensina que este mundo não tem nada que eu queira, não é mesmo?

Alguém se deu conta do que se falou, então? De qual era o desafio da lição com esta ideia? E de qual era o milagre que havia por trás dela?

Ora, a oportunidade para se tomar a decisão que a lição de hoje sugere que tomemos:

Não darei valor àquilo que não tem valor. 

Isto é, se este mundo não tem nada que eu queira, não há nada que eu possa ou queira valorizar nele. Ou há?

O que a lição diz pode trazer luz ao assunto:

Hoje listamos os critérios reais pelos quais testar todas as coisas que pensas querer. A menos que atendam a estes sólidos requisitos, não vale a pena desejá-los em absoluto, pois eles só podem ocupar o lugar daquilo que oferece mais. Não podes inventar as leis que regem a escolha, tanto quanto não podes inventar alternativas entre as quais escolher. Podes fazer a escolha; na verdade, tens de fazê-la. Mas é sábio aprender as leis que pões em movimento quando escolhes e entre quais alternativas escolhes.

Já enfatizamos que existem apenas duas, independente de quantas parecem existir. O limite está estabelecido, e não podemos mudar isto. Seria muito mesquinho para contigo permitir que as alternativas fossem ilimitadas e, deste modo, atrasar tua escolha final até que tivesses considerados todas no tempo, sem seres trazido de modo tão claro ao lugar em que só há uma escolha a ser feita.

Outra lei benigna semelhante é que não existe nenhuma condescendência naquilo que tua escolha tem de trazer. Ela não pode te dar só um pouco, pois não existe meio termo. Cada escolha que fazes te traz tudo ou nada. Por isto, se aprenderes os testes pelos quais podes distinguir o tudo do nada, farás a melhor escolha.

Vejamos, em seguida, os tais critérios, lembrando-nos de trazer à mente tudo aquilo que gostaríamos de obter e que, aparentemente, nos falta para testar se, de fato, há nisso algum valor, de acordo com o que ensina a lição:

Primeiro, se escolheres algo que não durará eternamente, o que escolhes é sem valor. Um valor temporário não tem qualquer valor. O tempo não pode eliminar nunca um valor que seja real. Aquilo que desaparece gradualmente e morre nunca existiu e não traz nenhuma contribuição para aquele que o escolhe. Ele está enganado pelo nada em uma forma da qual pensa gostar.

Em seguida, se escolheres tirar alguma coisa de alguém, não te sobrará nada. Isto porque, quando negas o direito dele a tudo, negas teu próprio direito. Por isto, não reconhecerás, de fato, as coisas que tens negando que elas existem. Aquele que busca tirar está enganado pela ilusão de que a perda pode oferecer ganho. A perda, não obstante, tem de oferecer perda e nada mais.

Tua próxima consideração é aquela na qual se baseiam todas as outras. Por que a escolha que fazes tem valor para ti? O que atrai tua mente para ela? A que propósito ela serve? É aqui que é mais fácil do que tudo se enganar. Porque o ego não é capaz de reconhecer aquilo que ele quer. Ele nem mesmo diz a verdade tal como a percebe, pois precisa manter o halo que usa para proteger suas metas de manchas e de ferrugem, para que possas ver quão "inocente" ele é.

Pára um instante para refletir acerca daquilo que pensas querer. Vai durar para sempre? Já pertence a alguém? E vais ter de tirar desse alguém? Por que aquilo tem valor para ti? Lembra-te de que a ideia que praticas e a decisão que tens de tomar é:

Não darei valor àquilo que não tem valor. 

Para que serve aquilo que pensas querer? Que benefício pensas que isso vai te trazer? Atende a que objetivo? É algo que vai te colocar em contato com a alegria e a paz completas e perfeitas? Ou isso tu já tens? Não tens certeza?

Lembra-te também de que se pensas que não tens a alegria e a paz perfeita é apenas porque o ego te faz crer que estás separado ou separada delas, em razão de te acreditares separado ou separada de Deus. 

Vejamos, então, o que a lição diz acerca das formas de que se vale o ego para camuflar o fato de que ele não é capaz de reconhecer aquilo que ele quer.

... [a] camuflagem [do ego] é um fino verniz que só pode enganar àqueles que ficam contentes em ser enganados. As metas dele são óbvias para qualquer um que se dê ao trabalho de procurá-las. Aqui duplica-se o engano pois aquele que é enganado não perceberá que simplesmente deixou de ganhar. Ele acreditará que atende às metas ocultas do ego.

Todavia, embora o ego tente manter seu halo límpido ao alcance de sua visão, ele, ainda assim, tem de perceber suas bordas manchadas e seu núcleo enferrujado. Seus erros inúteis lhe parecem pecados, porque ele olha para a mancha como se fosse dele mesmo; a ferrugem como um sinal de profunda indignidade em si mesmo. Aquele que quer conservar as metas do ego e atendê-las como suas não comete nenhum erro, de acordo com os ditames de seu guia. Esta orientação ensina que é erro acreditar que pecados são apenas equívocos, pois quem sofreria por seus pecados se isto fosse verdade?

Quem sofreria por seus pecados, se acreditasse que pecados são apenas equívocos, que podem facilmente ser corrigidos pela verdade? Ou que pecados não existem? Ou que erros são apenas julgamentos de escolhas que fizemos e que não nos levaram aonde pensávamos que queríamos chegar? Na verdade, tudo o que existe é apenas a experiência, fruto da escolha, que sempre se pode mudar. Ou como o Curso ensina é sempre possível escolher outra vez.

Isto, de acordo com a lição que praticamos hoje, nos traz ao último critério de que podemos nos valer para escolher. Desta forma:

E, assim, chegamos ao critério para a escolha que é o mais difícil de se acreditar, porque sua clareza está coberta por várias camadas de incerteza. Se sentires qualquer culpa por tua escolha, permites que as metas do ego se interponham entre as alternativas reais. E, deste modo, não percebes de forma clara que há apenas duas, e a alternativa que pensas que escolheste parece assustadora e perigosa demais para ser o nada que, de fato, é.

Não há pois, nada, a fazer exceto "entregar" ao espírito, ao divino em nós, e permitir que a razão - aquela parte em nós que está em contato permanente com Deus - escolha em sintonia com a alegria e a paz completas e perfeitas, que sabemos ser a Vontade de Deus para nós, que é também a nossa vontade. Ou dito de outro modo, entregar ao divino tudo o que se faz, bem como tudo o que há para se fazer.

A lição chega ao fim com as seguintes orientações finais, para não deixar nenhuma dúvida:

Todas as coisas são absolutamente valiosas ou sem valor, dignas ou não de serem buscadas, totalmente desejáveis ou não valem o menor esforço para se obter. Justamente por isto é fácil escolher. A complexidade não é nada exceto uma cortina de fumaça, que esconde o fato muito simples de que nenhuma decisão pode ser difícil. Qual é o ganho para ti em aprender isto? É muito maior do que apenas o de permitir que faças escolhas facilmente e sem dor.

Alcança-se o próprio Céu de mãos vazias e mentes abertas, que vêm sem nada para achar tudo e reclamá-lo como seu. Tentaremos alcançar este estado hoje, deixando o auto-engano de lado e com uma disposição honesta para dar valor apenas ao verdadeiramente valioso e ao real. Nossos dois períodos de prática mais longos, de quinze minutos cada, começam com isto:

Não darei valor àquilo que não tem valor, e busco
apenas o que tem valor, pois é só isto que desejo achar.

E, então, recebe aquilo que espera por todos aqueles que chegam sem dificuldades ao portão do Céu, que se abre quando eles chegam. Se começares a te permitir a acumular alguns fardos inúteis, ou a acreditar que percebes que se apresentam algumas decisões difíceis para ti, sê rápido em responder com esta ideia simples:

Não darei valor àquilo que não tem valor,
porque aquilo que é valioso me pertence. 

Às práticas?