quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Bem mais do que a imagem que fazes de ti é o que és

 

LIÇÃO 35

Minha mente é parte da Mente de Deus.
Eu sou absolutamente santo.

1. A ideia de hoje não descreve o modo como te vês agora. Ela descreve, porém, o que a visão te mostrará. É difícil, para qualquer um que pense estar neste mundo, acreditar nisto a respeito de si mesmo. No entanto, o fato de não acreditar nisto é a razão para ele pensar que está neste mundo.

2. Tu acreditarás ser parte do lugar aonde pensas estar. Isto porque te cercas do ambiente que queres. E tu o queres para proteger a imagem que fazes de ti mesmo. A imagem é parte desse ambiente. O que vês enquanto acreditas estar nele é visto pelos olhos da imagem. Isto não é visão. Imagens não podem ver.

3. A ideia para hoje apresenta uma perspectiva bem diferente de ti mesmo. Ao estabelecer tua Fonte, ela estabelece tua Identidade e te descreve do modo que realmente tens de ser na verdade. Utilizaremos uma aplicação um pouco diferente para a ideia de hoje porque a ênfase para hoje está mais no que percebe do que naquilo que ele percebe.

4. Começa cada um dos três períodos de prática de cinco minutos de hoje pela repetição da ideia para ti mesmo e, depois, fecha os olhos e examina tua mente em busca dos vários tipos de termos descritivos nos quais te vês. Inclui todas as características baseadas no ego que atribuis a ti mesmo, positivas ou negativas, desejáveis ou indesejáveis, grandiosas ou humilhantes. Todas são igualmente irreais, porque não olham para ti mesmo com os olhos da santidade.

5. Na parte inicial do período de exame mental, é provável que enfatizes aquilo que consideras serem os aspectos mais negativos de tua percepção de ti mesmo. Perto da última parte do período de exercícios, no entanto, termos descritivos mais auto elogiosos podem muito bem te passar pela mente. Tenta reconhecer que a direção de tuas fantasias a teu próprio respeito não importa. Ilusões, na realidade, não têm nenhuma direção. Elas simplesmente não são verdadeiras. 

6. Uma lista aleatória adequadas para a aplicação da ideia para hoje poderia ser a seguinte: 

Eu me vejo submisso.
Eu me vejo deprimido.
Eu me vejo fracassado.
Eu me vejo ameaçado.
Eu me vejo desamparado.
Eu me vejo vitorioso.
Eu me vejo perdedor.
Eu me vejo generoso.
Eu me vejo virtuoso.

7. Não deves pensar nestes termos de um modo abstrato. Eles te ocorrerão à medida que várias situações, pessoas e acontecimentos em que tomes parte passarem por tua mente. Escolhe qualquer situação específica que te ocorrer, identifica o termo ou termos descritivos que acreditas serem aplicáveis a tuas reações àquela situação e usa-os para a aplicação da ideia de hoje. Depois de citares cada um, acrescenta:

Mas minha mente é parte da Mente de Deus.
Eu sou absolutamente santo.

8. Durante os períodos mais longos de exercícios, é provável que haja intervalos em que não te ocorra nada específico. Não te esforces para imaginar situações específicas para preencher o intervalo, mas apenas relaxa e repete a ideia de hoje devagar até que algo te ocorra. Embora nada do que, de fato, te ocorrer deva ser omitido dos exercícios, nada deve ser "desencavado" com esforço. Não se deve usar nem coerção nem discriminação.

9. Tantas vezes quanto possível durante o dia, escolhe uma característica ou características específicas que atribuis a ti mesmo no momento e aplica a ideia para hoje a elas, acrescentando a cada uma delas a ideia na forma indicada acima. Se não te ocorrer nada em particular, simplesmente repete a ideia para ti mesmo de olhos fechados.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 35

"Minha mente é parte da Mente de Deus.
Eu sou absolutamente santo."

Caras, caros,

Para quem tem alguma questão ou dúvida acerca da forma que utilizei para traduzir o que lição diz no original - e que é diferente da versão publicada que conhecemos - recomendo uma passada de olhos nos comentários dos últimos cinco, seis ou sete anos.

Para começar nossa exploração, parafraseio uma afirmação de Alan Watts a respeito do ponto principal do tema de que trata um de seus livros - As Filosofias da Ásia -, relacionando-o ao ponto essencial de nossas práticas, que não é uma ideia, uma teoria, nem mesmo um tipo de comportamento. 

O que as práticas nos oferecem, antes de qualquer coisa, é um modo de experimentar uma transformação da consciência comum de todos os dias, a fim de que fique bem claro para nós que este é o modo como, na verdade, as coisas são. Ou ainda, como diz Tara Singh, conforme já vimos durante vários anos nos comentários, a fim de que possamos perceber a verdade eterna que há em cada uma das ideias que praticamos em toda lição.

E é exatamente isso que a lição de hoje nos diz, para início de conversa. Vejamos:

A ideia de hoje não descreve o modo como te vês agora. Ela descreve, porém, o que a visão te mostrará. É difícil, para qualquer um que pense estar neste mundo, acreditar nisto a respeito de si mesmo. No entanto, o fato de não acreditar nisto é a razão para ele pensar que está neste mundo.

Não é verdade que te parece difícil acreditar em tua santidade? Neste mundo, tudo o que aprendemos nos leva a concluir exatamente o contrário disto, não é mesmo?

Além do mais, o que significa santidade para ti? O que é ser santo?

Ser santo é simplesmente ser. Isto é, a santidade de cada uma e de cada um só tem a ver com sua capacidade ser o que é em qualquer circunstância. Não há nenhum outro modo de se ser santo. Nem existe nenhum outro tipo de santidade. Nada mais, nada menos. Não significa mudar nada do que somos. Significa, porém, ao mesmo tempo, não negar absolutamente nada daquilo que somos.

Para assumirmos nossa santidade, como quer que aprendamos a lição, basta que tomemos a decisão de ver. Pois é isso, apenas nossa santidade - e a santidade do mundo e de tudo o que há nele - que a visão vai nos mostrar. Ou seja, aceitar a santidade do que somos, pode nos fazer aceitar "o mundo [inteiro e tudo o que há nele] com embevecimento, gratidão e reverência". Não uma reverência de submissão, mas uma reverência que nos coloca em sintonia com a ideia de que o mundo é tão somente um reflexo daquilo que somos.

Minha mente é parte da Mente de Deus.
Eu sou absolutamente santo.

O que nos leva a não enxergar - e por vezes a negar - o que somos na verdade é o que a lição traz a seguir:

Tu acreditarás ser parte do lugar aonde pensas estar. Isto porque te cercas do ambiente que queres. E tu o queres para proteger a imagem que fazes de ti mesmo. A imagem é parte desse ambiente. O que vês enquanto acreditas estar nele é visto pelos olhos da imagem. Isto não é visão. Imagens não podem ver.

Não é assim mesmo que nos posicionamos? Ao adotarmos para nossa vida determinadas ideias, nós as vestimos, nas roupas que usamos, nas pessoas com quem nos relacionamos, nos modos de lazer que escolhemos, na atividade profissional a que nos dedicamos e em tudo mais. Isto é, nós nos consideramos separadas, ou separados, de outros modos de viver e, muitas vezes, nos recusamos a nos colocar na posição da outra pessoa, para entender as razões que a levaram a agir desta ou daquela maneira, contrariando, ou rejeitando nosso modo particular de ver o mundo.

É preciso atenção, muita atenção, para tudo o que fazemos, como bem diz o ditado: "o pior cego é o que não quer ver". Quando nos isolamos num ponto de vista, ou num modo de olhar para as coisas, um modo inflexível, deixamos passar muitas oportunidades de viver a alegria e de encontrar e viver também a paz de espírito. Eu poderia ver paz em vez disso, lembram?

Além do mais, como diz a canção, "tudo muda o tempo todo no mundo, não adianta fugir [fingir?], nem mentir pra si mesmo". Pois o mundo é apenas o resultado dos pensamentos daquelas e daqueles que o pensam e muda de acordo com os pensamentos que escolhemos.

Minha mente é parte da Mente de Deus.
Eu sou absolutamente santo.

O que quero dizer com isso tudo está no que a lição nos oferece na sequência:

A ideia para hoje apresenta uma perspectiva bem diferente de ti mesmo. Ao estabelecer tua Fonte, ela estabelece tua Identidade e te descreve do modo que realmente tens de ser na verdade.

Na verdade, o que tu és, tua Identidade, não pode ser descrita, no sentido de que não há como definir com palavras o que cada uma, ou cada um, de nós é em Deus, com Ele - e só podemos ser n'Ele. Além disso, definir, como se sabe, é limitar. Se o que o Deus é, é indefinível, por ser Ele ilimitado, isto também se aplica a nós, a mim, a ti e a qualquer ser humano, a qualquer ser vivo, animado ou inanimado, de que tenhamos notícia.

De acordo com o que reza a lenda, ao Se apresentar a Moisés, no episódio bíblico da sarça ardente, Deus diz a Moisés que EU SOU é quem o instrui a falar ao povo.

É isso: EU SOU O QUE SOU. Deus simplesmente é. E tu e eu também.

Viver a experiência do mundo, a partir de um corpo dotado de sentidos que escolhe a percepção como forma de ver está muito aquém de nossa Identidade.

É por isso que a lição nos convida a praticar ver-nos tal qual nos vemos [na ilusão] e trabalhar com algumas das ideias que usamos para pensar a nosso próprio respeito. Façamos isto não de forma abstrata, mas sim trazendo à consciência as ideias que fazemos de nós mesmas e de nós mesmos, para podermos nos curar ao entendermos a verdade a nosso próprio respeito, a verdade acerca de quem somos. Pois, como a lição ensina:

Minha mente é parte da Mente de Deus.
Eu sou absolutamente santo.

Às práticas?

*

OBSERVAÇÃO: 

Conforme  todas e todos vocês devem saber, o comentário que leem, normalmente a partir das 00h30 todos os dias, é postado com alguma antecedência. Isto é, ele é programado para ser mostrado a partir daquele horário a cada dia, com algumas raras exceções, por um motivo ou outro, normalmente, alheios a minha vontade.

Creio que assim como vocês não têm a menor ideia de como funcionam as práticas para mim, ou de onde vêm os comentários que vocês leem aqui, eu também não sei como as práticas funcionam para vocês. E diria mais, além disso, na verdade, raramente sei como a lição e seu comentário vão funcionar para mim.

Já cheguei, às vezes, a brincar com algumas pessoas que me falam da postagem do blogue, perguntando ou comentando alguma coisa a respeito do que está dito aqui, dizendo-lhes que o Moisés com quem elas estão falando, na maior parte das vezes, não sabe o que "aquele Moisés" lá do blogue escreveu, nem lembra do que está dito lá. Às vezes, não faz mesmo a menor ideia do que está dito lá.

E, apesar da brincadeira, posso dizer, sim, que é só quando vou fazer as minhas práticas diárias que entro em contato com aquilo que "aquele Moisés do blogue" escreveu. E é quase sempre uma alegria perceber que há alguma coerência, pensando-se na lógica do Espírito Santo, do divino, ou do SER, entre aquilo que "aquele Moisés" disse e aquilo que eu experimento como sensações, sentimentos e aprendizados das ideias das lições, na prática de cada dia. Aqui, podemos nos valer daquela ideia do Curso, segundo a qual só ensinamos aquilo que mais precisamos aprender, não é mesmo?

Vez por outra, no entanto, ao iniciar as práticas logo pela manhã, a ideia me encaminha numa direção, se não diferente daquela da postagem, do comentário, uma que abre outras possibilidades para o trato com a ideia. Então, me ocorreu partilhar aqui com vocês, o que aconteceu em relação à ideia de hoje, durante as práticas, há cerca de seis, sete, ou oito anos. Esta que nos leva ao trabalho de reconhecer que

Minha mente é parte da Mente de Deus. 
Eu sou absolutamente santo.

Conforme já lhes relatei e repito, há seis ou sete anos aconteceu o seguinte: ao iniciar a leitura, o segundo parágrafo me chamou a atenção e me fez escrever para mim mesmo:

- Este parágrafo explica por que nascemos onde nascemos, e vemos como vemos, e pensamos ser como pensamos ser. 

- Como?

Após a leitura, então, propus-me, por escrito, a seguinte reflexão:

"Tu acreditarás ser parte do lugar aonde pensas estar."

Não é assim que pensamos acerca de nós mesmas e de nós mesmos?

Eu sou brasileiro, se estou, por escolha própria, há muito tempo no Brasil, ou se nasci aqui. Sou gaúcho, porque nasci em determinado lugar ao Sul neste país. Ou não. Sou carioca porque nasci ou escolhi a cidade do Rio de Janeiro para viver, e assim por diante.

Sou, dizemos, corintiano, santista, são-paulino, palmeirense, atleticano, gremista, e por aí a fora.
Sou patriota, comunista, católico, anarquista, budista, taoísta, e por aí vai.
Sou professor, biólogo, economista, advogado, motorista de táxi, manobrista, jardineiro...

Quem é este "eu"? Que "eu" acredita ser tudo isso?

- Já paraste para questionar isto?

Pensas "isto porque te cercas do ambiente que queres".

De novo, não é exatamente assim? Não te sentes protegida, protegido, por dizeres e pensares quão melhor é teres nascido no lugar em que nasceste, e não em outro lugar qualquer?

Não te sentes absolutamente à vontade para dizer que o lugar em que vives é o melhor para se viver? Mesmo quando, no fundo, não acreditas nisso e pensas que gostarias de estar em outro lugar e ser outra pessoa?

Tudo isso por quê?

Porque, é óbvio, "queres proteger a imagem que fazes de ti mesmo". No fundo, no fundo, estás apenas preocupada, preocupado, com a imagem que inventaste. Pensas no que vão pensar de ti, no que vão falar de ti se souberem de tua insatisfação contigo mesma, contigo mesmo, com o papel que escolheste representar.

Aquilo que és verdadeiramente está soterrado, sepultado por enormes camadas de defesas, de motivos, de justificativas, de razões e de crenças que escolheste  e construíste em tua mente para evitar ver a santidade em ti mesma, em ti mesmo. E, por extensão, nos outros e no mundo.

O ambiente em que vives, e de que te cercas, é criação tua. Invenção, melhor dizendo. É uma barreira, construída com todo o cuidado, à consciência de que tudo o que importa é o amor, a alegria, a paz. A verdade, enfim.

E, como não poderia deixar de ser:

"A imagem [que fazes de ti mesmo/a] é parte desse ambiente."

Assim, todas, ou quase todas, as tuas relações são fundadas sobre uma base falsa. Este "eu" de quem falas e que pensas ser não existe. Ele é parte de uma programação, um dado num programa de dados de que já não necessitas, e que podes perfeitamente deletar.

O que tu és está muito além da imagem que fazes de ti mesma, de ti mesmo. Da imagem a partir da qual pensas ter construído um mundo inteiro de ilusões e de falsidade, com tudo isso que pensas ver em teu dia a dia, no ambiente de que te cercaste.

"O que vês enquanto acreditas estar nele [só] é visto pelos olhos da imagem. Isto não é visão. Imagens não podem ver."

E então?

'Bora desfazer a programação que nos impede de viver apenas o que somos?

Aliás, um último ponto - inédito nesta reflexão -, pensando agora "cá com meus botões", como se diz, me ocorre que Alan Watts, o mesmo de que falei no início deste comentário tem um um livro maravilhoso a respeito desta programação que vamos recebendo e construindo para preservar a imagem inventada de nós mesmas e de nós mesmos, enquanto experimentamos estar neste mundo ilusório. O livro se intitula: "The Book - On the Taboo Against Knowing Who You Are". Traduzindo livremente seria: O Livro - Sobre o Tabu contra Conheceres Quem Tu És. Existe uma tradução antiga, da editora Planeta, com o título Tabu. Ela traz um subtítulo: O Que O Impede de Saber Quem Você É?

Às práticas?

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

As nossas experiências têm de se tornar impessoais

 

LIÇÃO 34

Eu poderia ver paz em vez disso.

1. A ideia para hoje começa a descrever as condições que predominam no outro modo de ver. Paz de espírito é evidentemente uma questão interior. Ela tem de começar com teus próprios pensamentos e, então, se estender para fora. É de tua paz de espírito que surge uma percepção serena do mundo.

2.Pede-se três períodos mais longos de prática para os exercícios de hoje. Aconselha-se um pela manhã e um à noite, com um período adicional a ser empreendido no intervalo a qualquer momento que pareça o mais adequado à disposição. Todas as aplicações devem ser feitas de olhos fechados. É para teu mundo interior que as aplicações da ideia de hoje devem ser feitas.

3. Pede-se cerca de cinco minutos de exame mental para cada um dos períodos mais longos de prática. Examina tua mente em busca de pensamentos de medo, situações que provoquem ansiedade, pessoas ou acontecimentos "desagradáveis", ou qualquer outra coisa a respeito da qual nutras pensamentos não amorosos. Observa-os todos despreocupadamente, repetindo a ideia para hoje devagar enquanto os observas surgirem em tua mente e deixa que cada um seja substituído pelo seguinte.

4. Se começares a sentir dificuldade para pensar em sujeitos específicos, continua a repetir a ideia para ti mesmo de uma maneira calma, sem aplicá-la a nada em particular. Certifica-te, porém, de não fazer nenhuma exclusão específica.

5. As aplicações mais breves têm de ser frequentes e devem ser feitas sempre que sentires que tua paz de espírito está ameaçada de algum modo. O objetivo é o de te protegeres da tentação durante o dia inteiro. Se surgir uma forma específica de tentação em tua consciência, o exercício deve tomar esta forma:

Eu poderia ver paz nesta situação em vez do que vejo nela agora.

6. Se as invasões a tua paz de espírito tomarem a forma de emoções adversas mais genéricas, tais como depressão, ansiedade ou angústia, usa a ideia em sua forma original. Se achares que precisas de mais do que uma aplicação da ideia de hoje para te ajudar a mudar o modo de pensar em qualquer contexto específico, tenta reservar alguns minutos e dedicá-los à repetição da ideia até experimentares alguma sensação de alívio. Ela te será útil se disseres a ti mesmo especificamente:

Eu posso substituir minhas sensações de depressão,
ansiedade ou angústia [ou meus pensamentos
a respeito desta situação, pessoa ou acontecimento] pela paz.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 34

Caras, caros,
 
Para que possamos, de fato, viver um dia de louvor e de agradecimento, um dia de alegria sem fim, que nos mostre um vislumbre do que é olhar de outro modo para o mundo, vamos explorar a lição e a ideia que o Curso oferece para hoje.

"Eu poderia ver paz em vez disso."

Como se pode ler em um livro de Don Miguel Ruiz, um curador, um xamã mexicano, da tribo dos toltecas: 

"Todos nós, pelo menos uma vez em nossas vidas, experimentamos a comunhão com nosso Criador. Há momentos de inspiração em que sentimos a grandeza da criação, a beleza e a perfeição de todas as coisas que existem. Nossa reação emocional [só] pode ser de maravilhamento. Sentimos a mais incrível paz interior misturada com intensa alegria, e a chamamos de bênção, ou estado de graça e gratidão".

É nesta direção que as práticas querem nos levar. Porque é indo nesta direção que podemos chegar à verdade do que somos. E também para que possamos nos maravilhar cada vez mais e perceber mais vezes a perfeição que nos rodeia, sendo gratas e gratos por ela, sentindo-nos abençoadas e abençoados por estarmos vivos, aqui e agora, aonde quer que estejamos.

É em razão disso que a lição começa assim:

A ideia para hoje começa a descrever as condições que predominam no outro modo de ver.

Eu poderia ver paz em vez disso.

O que me incomoda? Ainda a pandemia, que, diferentemente do que se pensa, ainda não acabou?  As notícias que informam a respeito de novas mutações do vírus, com variantes muito mais contagiosas? Novos surtos? Novos casos de pessoas com COVID?  O trabalho ou a falta dele, a escola, o patrão, os colegas, a atividade, em si, a que me dedico? É a política? São os partidos, os políticos? O governo? As guerras? A violência? As pessoas com quem convivo e que pensam de modo diferente do meu? Estou lidando com algo que, aparentemente, não tem significado algum, não faz nenhum sentido? Mas que sentido há no mundo, além daquele que lhe dou?

Se as coisas não fazem sentido para mim, não será porque eu não estou vendo nenhum sentido em mim, em minha vida? Não será porque estou dissociado daquilo que sou na verdade? Não será porque "eu" quero que as coisas tenham sentido, mesmo quando não têm, quando são neutras, como tudo no mundo? Como o próprio mundo? A quem se refere este "mim"? Quem é este "eu" de que falo?

Se nada do que vejo faz sentido ou se apresenta de forma caótica e confusa, quem em mim pode tomar a decisão de ver as coisas de modo diferente?
 
Eu poderia ver paz em vez disso.

E a lição diz em seguida: 

Paz de espírito é evidentemente uma questão interior. Ela tem de começar com teus próprios pensamentos e, então, se estender para fora. É de tua paz de espírito que surge uma percepção serena do mundo.

Como encontrar, então, a "tal" paz de espírito?

Mudando meu modo de olhar para o mundo. Já passamos por isto há pouco em lições anteriores. Retirando do mundo tudo aquilo que acho que ele é com base em experiências do passado. "A história só existe como repetição de erros", o Curso ensina. Só pode ser esta a razão para que vivamos e revivamos, nós e a humanidade toda, as mesmas experiências de guerras, de fome, de morte, de doenças e de destruição. Ainda não fomos capazes de aprender com os erros que história nos mostra. Tanto é assim que a humanidade toda, em grande número de países hoje em dia, está trazendo de volta governos e governantes que se alinham a políticas genocidas, como o fascismo e o nazismo. Ditaduras disfarçadas de democracia, que se impõem pelo medo. Políticas que querem tolher as liberdades das pessoas.

Isto, é claro, é assustador. Mas apenas para o falso eu, o ego, na experiência da ilusão que pensamos viver. Sabemos também que nada é o que parece ser. Só precisamos encontrar, em nós mesmas, em nós mesmos, um modo de não aprisionar nem as coisas, nem as pessoas, nem as situações que vemos ou as que experimentamos em rótulos que as separem de nossa própria experiência. Temos de aceitar que tudo começa com as escolhas que fazemos, com os pensamentos que pensamos. São elas, as escolhas que fazemos, e nossos pensamentos que materializam o mundo em que pensamos viver.

Don Ruiz, em outro de seus livros, diz que um dos compromissos que precisamos assumir, se quisermos voltar a experimentar a alegria de viver em todos os momentos de nossa vida, é o de nunca levarmos nada para o lado pessoal.

Da mesma forma, Joel Goldsmith diz que precisamos aprender a impessoalizar, despersonalizar, tornar as experiências, de alguma forma, impessoais. Ninguém nunca faz nada contra nós, contra mim, contra ninguém. Tudo acontece por uma razão e só a pessoa que vive a situação - qualquer que ela seja - pode assumir a responsabilidade pelo que está vivendo, porque o pediu, ainda que inconscientemente a mais das vezes. E precisa fazê-lo para poder chegar à paz.

Eu poderia ver paz em vez disso.

Sempre existe a possibilidade de se escolher de novo, como o Curso ensina. Quando alguma coisa me acontece, alguma coisa que me afasta da alegria e da felicidade, preciso lidar com ela de modo responsável. Não posso culpar ninguém pelo que aconteceu, sob pena de perder de vista minha paz de espírito. Tenho de assumir que o que me acontece é escolha minha, mesmo que a escolha tenha se dado de forma inconsciente.

Se busco encontrar culpados para as coisas que vivo, estou me enganando e fugindo da responsabilidade que assumi em relação a minha própria vida. Pois já sei que "eu invento o mundo que vejo".

O que fazer então com uma situação problemática, uma "doença", uma "perda", uma "tragédia", esta pandemia, ou qualquer coisa que, não curada, pode me levar à depressão, ao desespero, à perda completa da paz de espírito? E quantas aparentemente "acontecem" todos os dias na vida de todas as pessoas? O que fazer?

Preciso enfrentar a situação, olhar de frente para ela e assumir que ela só se apresentou por ser a experiência que escolhi viver - ainda que de modo inconsciente, como já disse um pouco acima. Assumir a responsabilidade por qualquer experiência que se apresente a mim é o primeiro passo. Não importa se, conscientemente, não tenho lembrança de a ter pedido. "Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido." Esta é uma das quatro leis - a segunda delas - espirituais que se aprende na Índia. E ela se refere a tudo.

Sabendo disso, então, posso, devo e vou acolher e aceitar a experiência que se apresenta, qualquer que seja ela - segundo passo. E posso, devo e vou - terceiro passo - agradecer por ela se ter apresentado exatamente da forma que se apresentou. Pois, de um modo que nem sempre se pode explicar, ela trouxe exatamente aquilo de que eu precisava para conhecer um pouco mais de mim mesmo.

O quarto e último passo é escolher de novo. Quando - e se - for o caso. Mas não posso chegar a este passo sem passar por cada um dos anteriores. Na prática, o que preciso aprender é a não resistir a nada. Pois a resistência em geral se deve ao julgamento. Um ditado popular diz: "Aquilo a que se resiste persiste".

Isso não quer dizer, no entanto, que precisamos aceitar tudo de forma passiva. Não! Quer dizer apenas que devemos olhar para o que se apresenta e assumir ativamente a responsabilidade que nos cabe. Agora, quando alguma coisa se apresenta sem que isso nos afete, então, é porque não somos o responsável por ela. Aí, basta que deixemos a vida fluir simplesmente. Acrescentando, se for o caso, a nosso repertório a nova informação que a situação nos trouxe.

Por isso é que a ideia para hoje, em qualquer situação, nos pede para praticar: 

Eu poderia vez paz em vez disso.

Mais uma vez, o restante do que a lição oferece são instruções específicas a respeito do modo de aplicar a ideia para nosso maior benefício, de praticá-la.

De maneira particular, podemos ficar bem atentas e atentos ao que ela traz ao final, para usarmos não apenas hoje, mas em quaisquer ocasiões em que vejamos balançar nossa paz de espírito.

É isso:

Eu posso substituir minhas sensações de depressão,
ansiedade ou angústia [ou meus pensamentos
a respeito desta situação, pessoa ou acontecimento] pela paz. 

Às práticas?

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Teu convívio com as pessoas as liberta ou aprisiona?

 

LIÇÃO 33

Existe outro modo de olhar para o mundo.

1. A ideia de hoje é uma tentativa de reconhecer que podes mudar tua percepção do mundo, tanto em seu aspecto externo quanto no interno. Deve-se dedicar cinco minutos completos às aplicações da manhã e da noite. Nestes períodos de prática a ideia deve ser repetida tantas vezes quanto achares agradável, apesar de essencial que as aplicações sejam feitas sem pressa. Alterna entre o exame de tuas percepções externa e interna, mas sem uma sensação de mudança brusca.

2. Olha apenas casualmente o mundo que percebes como exterior a ti, em seguida, fecha os olhos e examina teus pensamentos interiores com a mesma casualidade. Tenta permanecer igualmente indiferente a ambos e manter este desapego enquanto repetes a ideia ao longo do dia.

3. Os períodos mais breves de exercícios devem ser tão frequentes quanto possível. Aplicações específicas da ideia de hoje também devem ser feitas de imediato, quando surgir qualquer situação que te tente a ficar inquieto. Para estas aplicações, dize:

Existe outro modo de olhar para isto.

4. Lembra-te de aplicar a ideia de hoje no instante em que te conscientizares da angústia. Pode ser necessário reservar cerca de um minuto para te sentares tranquilamente e repetir a ideia para ti mesmo várias vezes. É provável que fechar os olhos ajude nesta forma de aplicação.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 33

Caras, caros,

"Existe outro modo de olhar para o mundo."

Como já lhes disse no comentário dos últimos anos a esta lição, a partir da leitura de Marco Zero, livro de Joe Vitale, que é, pelo que ele diz, uma continuação e um aprofundamento do que foi escrito no anterior com a parceria do Dr. Hew Len, o Limite Zeroas práticas com o ho'oponopono objetivam, assim como as do Curso, desfazer o erro, ajudar-nos a desfazer a programação que o mundo oferece, ou seja, uma programação que visa a que tenhamos o comportamento de robôs, que devem reagir sempre de forma determinada e previsível às coisas, sem qualquer capacidade de questionamento.

Para escrever o Limite Zero, Joe teve a colaboração, a autorização e a coautoria do dr. Ihaleakala Hew Len, como eu disse acima. Assim, da parceria dos dois, podemos aprender algo a respeito do ensinamento havaiano que leva o nome de Ho'oponopono, uma palavra que, na língua falada pelos havaianos, como já lhes disse aqui antes, tem, de certo modo, o mesmo significado que a palavra Expiação tem para o Curso: desfazer o erro.

Em função disso é que as práticas com a ideia de hoje devem funcionar como sendo uma chave para aprendermos também de que forma podemos desfazer as lembranças e o passado que herdamos por nossa criação, ao mesmo tempo em que podemos neutralizar quaisquer experiências que nos afastem da alegria e da felicidade. O uso das quatro frases-chaves do ho'oponopono serve para que nos reconectemos ao divino em nós, liberando-nos de quaisquer julgamentos que o ego queira fazer de qualquer situação.

É, de forma similar ao uso do ho'oponopono, que o Curso nos pede que afirmemos para nós mesmas e para nós mesmos e para quem quer que faça parte de nossa experiência que

"Existe outro modo de olhar para o mundo."

Que me dizem? Seremos capazes de lidar com esta ideia? De aceitá-la e de pô-la em prática? Sem dúvida, ela vai nos mostrar que são "... nossas lembranças [os programas em nossa memórias que] nos impedem de experimentar a realidade pura deste mundo". E vai nos mostrar também que, sim, 

Existe outro modo de olhar para o mundo.

Não lhes parece isso a coisa mais lógica a se dizer, a partir de tudo o que praticamos até agora? Principalmente se considerarmos por mais um instante a ideia da lição de ontem: Eu invento o mundo que vejo.

A lição de hoje começa assim:

A ideia de hoje é uma tentativa de reconhecer que podes mudar tua percepção do mundo, tanto em seu aspecto externo quanto no interno.

Existe outro modo de olhar para o mundo.

Mas já sabemos disso, não é mesmo? Mesmo que não o confessemos, temos plena consciência de que, muitas vezes, as sensações que experimentamos, quer em relação a nós mesmas e nós mesmos, quer em relação a outras e outros, quer em relação ao mundo todo, se devem apenas a nos termos aferrado a uma ideia - em geral, preconceituosa - que não queremos mudar.

Quando, por exemplo, concluímos, aconselhadas e aconselhados, é claro, pelo sistema de pensamento do ego, que alguém nos magoou, traiu nossa confiança, mentiu e nos enganou, decidimos colocar essa pessoa na geladeira - "dar-lhe um gelo", como se diz - e deixamos de falar com ela, não respondemos a suas perguntas, fingimos não vê-la, se ela se dirige a nós. Nos dias que correm, nós a bloqueamos de nossos contatos, deixamos de segui-la nas redes e a banimos, na medida do possível, de nossos pensamentos. Não queremos - e às vezes nem sabemos mais mesmo - nem lembrar do que ela nos fez.

Sofremos, sofremos, sofremos. Às vezes a consideramos importante em nossa vida. Mas, para manter a decisão tomada, por nos acharmos cobertas, ou cobertos, de razão, não a perdoamos. Quer dizer, se pensarmos melhor, não nos perdoamos por termos confiado nela. O que, não deixa de ser um julgamento e uma condenação que, no fundo, fazemos a nós mesmas e a nós mesmos, uma vez que é só a nós mesmas e só a nós mesmos que podemos julgar. Não importa se nossa condenação recebe como condenado um nome diferente do nosso. É sempre a nós mesmas e nós mesmos que julgamos e condenamos. Assim, também, é sempre só a nós mesmas e a nós mesmos que podemos perdoar. Mas

Existe outro modo de olhar para o mundo.

O Curso ensina a certa altura: "qualquer tipo de erro não corrigido te engana em relação ao poder que está em ti para fazer a correção. Se o poder pode corrigir e não permites que ele o faça, tu o negas a ti mesmo e ao teu irmão. E se ele compartilha essa mesma crença, ambos irão pensar que estão condenados".

É deste modo que escolhemos aprisionar as pessoas com quem convivemos. Sem perceber que, quando condenamos uma pessoa à prisão de nosso julgamento, nós nos condenamos juntamente com ela à mesma prisão. Há também, pois, em função disso, que se reformular aquele ditado popular ao sistema de pensamento do ego: "a primeira impressão é a que fica". Pois acreditar nisso favorece o julgamento, a condenação e o aprisionamento da(s) outra(s) pessoa(s). E, por consequência, nosso próprio aprisionamento e o reforço à crença na separação.

Se 

Existe outro modo de olhar para o mundo.

, - e sabemos que existe -, por que não escolher, decidir, ver as coisas de modo diferente, se fazer isso pode nos devolver a alegria de viver, perdida por tanto tempo desde que nos decidimos a julgar e a condenar tudo e todas, e todos, que vemos?

Atentemos bem ao restante das instruções para as práticas desta lição, para aprendermos hoje mesmo a aplicar a ideia:

Existe outro modo de olhar para o mundo.

Olhar para o mundo e ver as coisas de modo diferente, retirando de tudo e de todas, e de todos, quaisquer coisas que tenham relação com o passado, é o que vai nos permitir abandonar a loucura, a insanidade que é julgar, que é acreditar que podemos viver separadas e separados de Deus e umas e uns das outras e dos outros.

No mesmo ponto do texto que citei acima, o Curso diz que "é fácil deixar a casa da loucura, se vires a razão [aquela parte da mente em nós que está em contato permanente com o divino, e que é a única parte verdadeira]. Não deixas a insanidade indo a algum outro lugar. Tu a deixas simplesmente por aceitares a razão no lugar onde estava a loucura [traduzido diretamente do original]". Pois

Existe outro modo de olhar para o mundo.

Quando nos decidimos a não perdoar alguém - o que equivale à decisão de não nos perdoarmos -, estamos, na verdade, condenando o filho de Deus, separando-o de nós mesmas e de nós mesmos. Estamos ensinando que ele está separado de nós e aprendendo exatamente a mesma coisa. Pois conforme o Curso ensina, só podemos ensinar ao outro que ele é como queremos que ele seja, e aquilo que escolhemos que ele seja é, sem tirar nem pôr, aquilo que nós mesmas, ou nós mesmos, escolhemos ser.

Daí a importância de praticarmos a verdade eterna que a ideia da lição de hoje oferece. É este o desafio que ela nos propõe. Aceitá-lo, o desafio, e aprender a olhar para o mundo de outro modo pode - e vai - nos salvar. E, por consequência e extensão, salvará o mundo inteiro.

Às práticas?

domingo, 1 de fevereiro de 2026

"Toda 'coisa' perceptível é um produto da mente."

 

LIÇÃO 32

Eu invento o mundo que vejo.

1. Hoje, continuamos a desenvolver o tema de causa e efeito. Tu não és vítima do mundo que vês porque tu o inventaste. Tu podes desistir dele tão facilmente quanto o inventaste. Tu o verás ou não, conforme desejares. Enquanto o quiseres, tu o verás; quando não o quiseres mais, ele não existirá para que o vejas.

2. A ideia para hoje, como as anteriores, se aplica a teus mundos interior e exterior, que, na verdade, são o mesmo. Porém, já que os vês como diferentes, os períodos de prática para hoje incluirão duas fases novamente, uma envolvendo o mundo que vês fora de ti e a outra o mundo que vês em tua mente. Nos exercícios de hoje, tenta introduzir a ideia de que ambos estão em tua própria imaginação.

3. Mais uma vez, começaremos os períodos de prática da manhã e da noite com a repetição da ideia para hoje duas ou três vezes enquanto olhas a tua volta para o mundo que vês como fora de ti mesmo. Em seguida, fecha os olhos e olha para teu mundo interior. Tenta, tanto quanto possível, tratar ambos da mesma forma. Repete a ideia para hoje sem pressa tantas vezes quanto desejares, à medida que observas as figuras que tua imaginação apresenta para tua consciência.

4. Recomenda-se de três a cinco minutos para os dois períodos mais longos de prática, pedindo-se não menos do que três. Pode-se utilizar mais do que cinco, se achares os exercícios tranquilos. Para facilitar isto, escolhe um momento em que prevejas poucas interrupções e quanto tu mesmo te sentires suficientemente preparado.

5. Deve-se continuar com estes exercícios durante o dia tantas vezes quanto possível. As aplicações mais breves consistem em repetires a ideia devagar, enquanto examinas ora teu mundo interior, ora teu mundo exterior. Não importa qual dos dois escolheres.

6. A ideia para hoje também deve ser aplicada imediatamente a qualquer situação que possa te afligir. Aplica a ideia dizendo a ti mesmo:

Eu inventei esta situação tal como a vejo.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 32

"Eu invento o mundo que vejo."

Caras, caros,

"Eu invento o mundo que vejo."
 
Quer dizer, este eu é cada uma e cada um de nós.

Como assim? Eu?

Mas não foi Deus que criou o mundo?

Não! Isto é parte da mitologia que aprendemos nas aulas de religião - quem as teve - e que faz parte do modo de pensar do mundo, fundado pelo sistema de pensamento do ego, ensinado à maioria de nós por uns e outros, umas e outras, com o objetivo de exercer o poder sobre alguns outros e algumas outras e sobre a maioria das pessoas da humanidade.

De acordo com o Curso, o mundo que vemos - aparentemente caótico e desordenado, cheio de desigualdades e diferenças, onde todas e todos lutam com todas as forças de que são capazes para, de alguma forma, adquirir mais poder, mais coisas, ou mais do que quer que seja que lhes passe pela cabeça como algo necessário para sua felicidade - não é criação de Deus.

Para se dizer de outro modo, de uma forma um tanto mais filosófica e realista, lógica até, se me permitem chamá-la assim, conforme ensina Wei Wu Wei:

Toda "coisa" perceptível é um produto da mente.
O que somos na condição de "coisas" é isso,
E o que somos de modo diferente de "coisas" também.

Toda manifestação, assim, é um produto da mente.
O que quer que sejamos como manifestação é um produto da mente.
O que quer que sejamos em um estado diferente de manifestado
É a própria mente.

Uma vez que a mente só está manifestada na manifestação
Ela, em si mesma, é não-manifestação.
Assim, é isso que somos em estado diferente daquele de manifestado.
Deste modo nós, seres sencientes, somos a própria mente se manifestando,
E, objetivamente, a mente se manifestando como "coisas".

A coisa-em-si, como o termo afirma, é mente.
Fenômeno, como o termo afirma, é aparência.
Não-manifestados, nós somos a coisa-em-si,
Manifestados, somos aparências (fenômenos).

Eu invento o mundo que vejo.

" Ele enlouqueceu?" - vocês podem estar se perguntando de novo a meu respeito. Ou a respeito disso de que falo, com a citação de Wei Wu Wei.

Não, não e  não! É o que a lição tenta nos mostrar. Se é a mente que cria aquilo que se manifesta, e se tenho o poder de mudar os pensamentos que penso, se posso escolher ver, e ver de modo diferente, então posso inventar um mundo diferente deste em que acredito viver e que me parece, por vezes, tão imperfeito.

A lição começa por chamar nossa atenção para o fato de que ela é, na verdade, uma continuação, do "tema de causa e efeito", ou um desenvolvimento dele.

Ela afirma que não podemos ser as vítimas do mundo que vemos, porque nós o inventamos. E, assim, de modo tão fácil quanto o inventamos podemos desistir dele. E o veremos, ou não, de acordo com nossa vontade. Isto é, podemos desinventar este mundo, inventando-o todo novo de novo. É isto que é a criação: um inventar e reinventar do mundo que não acaba nunca. No caso do ego, é a invenção de tantos mundos quantas são as pessoas que caibam nele. Já no caso do divino, o mundo - este da ilusão que pensamos ver e em que pensamos viver - não existe.

Assim, enquanto quisermos um mundo, ele se mostrará a nós. Quando não mais o quisermos, ele desaparecerá de nossas vistas.

Simples, não?

Porém, o que significa querer o mundo?

Quem já navegou por aqui antes sabe que o Curso diz que enquanto acreditarmos que há alguma coisa de valor no mundo, alguma coisa pela qual acreditamos que valha a pena lutar, essa coisa poderá nos ferir e, em geral, o fará.

Não porque a coisa tenha poder em si mesma para fazê-lo, mas porque nós demos a ela poder sobre nós. Ao desejá-la, nós a tornamos real e ela passou a ser real para nós e nos faz acreditar que vale a pena lutar por ela, fazendo-nos, assim, perder de vista o fato de que ela não é nada mais do que apenas uma manifestação. Nada.

A mesma coisa acontece no que se refere às pessoas que povoam nosso mundo, as pessoas com quem nos relacionamos de um jeito ou de outro. Quando pensamos haver alguém sem cuja presença não podemos viver, o que fazemos é dar poder a esse alguém sobre nós. De fato, sabemos por experiência própria ou por nos terem contado outras pessoas que há relacionamentos entre nós humanos em que uns e umas fazem "gato e sapato" de uns e outros, umas e outras. 

Assim é que, muitas vezes - quem sabe na maioria delas - os relacionamentos pessoais que temos fracassam, ou se tornam tóxicos e sufocantes, porque queremos exercer sobre a pessoa, ou sobre as pessoas, um poder maior do que aquele que ela está disposta a nos dar, ou elas estão dispostas a nos dar, ou porque, às vezes, a(s) pessoa(s) quer(em) exercer sobre nós um poder maior do que aquele que estamos dispostos a oferecer a ela(s). Ou, como diz Rosa Montero, em um livro que estou acabando de ler no momento: "Às vezes, as relações fundadas em sofrimento são mais duradouras do que aquelas baseadas em amor". Na maioria das vezes, eu diria. Porque as pessoas preferem sofrer com algo e alguém que já conhecem a se arriscarem no desconhecido, na solidão.

Vamos ver, mais à frente, que o Curso ensina que o mundo não contém nada que queiramos.

Eu invento o mundo que vejo.

É esta ideia que explica as razões pelas quais vivemos e experimentamos o mundo da forma com que o fazemos.

Ou será que alguma ou algum de nós não é capaz de perceber que todas e todos nós vivemos a experiência de mundos diferentes? Que cada uma, e cada um, de nós vive em mundo que é só seu, a partir daquilo que ela ou ele quer, sejam ela ou ele conscientes de suas escolhas ou não? Onde, em que ponto o mundo em que vivo encontra eco no mundo de outra pessoa qualquer? Quem pode acreditar em um mundo ideal, manifestado, que seja capaz de dar a todas e a todos, e a cada uma e a cada um, a alegria perfeita e completa que é a Vontade de Deus para nós? 

Em uma de suas mensagens diárias, Neale Donald Walsch, autor, entre outros livros, da trilogia Conversando com Deus, diz que "há algo de errado com todas as coisas". Isto é, de qualquer modo que olhemos para o mundo existe sempre alguma coisa que não vai atender a todas as exigências de todos os nossos egos. É por isso que buscamos, como o Curso nos pede, aprender a - e a decidir - ver de modo diferente, porque existe um modo de olhar para o mundo que vai nos pôr em contato com a perfeição, a partir da perspectiva do espírito em nós.

Eu invento o mundo que vejo. 

E a lição nos pede para aplicarmos a ideia tanto ao mundo que vemos fora de nós quanto àquele que trazemos interiormente, pois o mundo interior é sempre a causa do exterior, que é apenas um efeito. Muito embora a grande maioria das pessoas no mundo inteiro pense o contrário. Isto é, que somos efeitos do mundo. Ou que o mundo pode ser a causa de alguma coisa.

É difícil entender que "toda 'coisa' perceptível [que se pode perceber pelos sentidos] é um produto da mente"?

Isto, esta ideia, a meu ver - quando reconhecemos a verdade eterna nela, quando a entendemos e aceitamos -, torna mais fácil abandonar qualquer julgamento que fazemos do mundo e das coisas do mundo. Todas as coisas do mundo, por se tratarem de produtos de nossas mentes, estão sob nossa responsabilidade, quer dizer, sob a responsabilidade de cada uma e de cada um de nós, em seu mundo particular.

Mesmo que pensemos que outras, ou outros, podem, assim como nós, produzir os efeitos que vemos, temos de reconhecer que as outras, e os outros, e os efeitos que elas ou eles produzem, também são produtos de nossa própria mente, que os inventou como forma de confirmar nossas crenças.

Difícil?

Se estivermos atentas e atentos às práticas até aqui, a ideia de hoje é o desdobramento natural de tudo o que já praticamos. É ela que pode nos levar a aceitarmos a total e inteira responsabilidade por todo o mundo ou, pelo menos, por tudo aquilo que nos chega à consciência em nosso mundo.

Às práticas?

sábado, 31 de janeiro de 2026

A chance para se abandonar o mundo de ilusões: ei-la

 

LIÇÃO 31

Eu não sou vítima* do mundo que vejo.

1. A ideia de hoje é a apresentação de tua declaração de liberdade. Mais uma vez, a ideia deve ser aplicada tanto ao mundo que vês fora quanto ao mundo que vês dentro. Na aplicação da ideia, usaremos uma forma de prática que será utilizada cada vez mais, com modificações conforme indicado. Em geral, a forma inclui dois aspectos, um no qual aplicas a ideia de modo mais contínuo e o outro que consiste em aplicações frequentes da ideia ao longo do dia.

2. São necessários dois períodos de prática mais longos com a ideia para hoje, um pela manhã e um à noite. Recomenda-se de três a cinco minutos para cada um destes períodos. Durante este tempo, olha a tua volta lentamente enquanto repetes a ideia duas ou três vezes. Em seguida, fecha os olhos e aplica a mesma ideia a teu mundo interior. Escaparás de ambos ao mesmo tempo, pois o interior é a causa do exterior.

3. Enquanto examinas teu mundo exterior deixa simplesmente que quaisquer pensamentos que passem por tua mente cheguem a tua consciência, para considerar cada um por um momento e, então, ser substituído pelo seguinte. Tenta não estabelecer qualquer tipo de hierarquia entre eles. Observa-os virem e irem com a maior imparcialidade possível. Não te demores em nenhum em particular, mas tenta deixar a corrente seguir adiante regular e tranquilamente, sem qualquer envolvimento especial de tua parte. Ao sentares calmamente para observar teus pensamentos, repete a ideia de hoje para ti mesmo quantas vezes quiseres, mas sem nenhuma sensação de pressa.

4. Além disso, repete, para ti mesmo, a ideia para hoje com a maior frequência possível durante o dia. Lembra-te de que estás fazendo uma declaração de independência em nome de tua própria liberdade. E em tua liberdade está a liberdade do mundo.

5. A ideia para hoje também é particularmente útil para ser usada como uma resposta a qualquer forma de tentação que possa surgir. Ela é uma declaração de que não cederás à tentação para te colocares em cativeiro.


*

NOTA DA TRADUÇÃO: 

A palavra victim, do original, também tem a acepção que permitiria traduzi-la por escravo. A frase ficaria, então, "Eu não sou escravo do mundo que vejo". Em minha opinião, este significado talvez seja até mais adequado para traduzir a ideia da lição de hoje, a se considerar o que dizem as instruções para as práticas quanto à declaração de independência que fazemos ao usar a ideia. Optei por manter a versão dada por Lillian em função do fato de ser comum em nossa experiência neste mundo o contato com pessoas que se julgam vítimas das circunstâncias que as cercam, por não terem aprendido ainda a assumir a responsabilidade pelas situações que seus pensamentos criam para suas vidas.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 31

"Eu não sou [a] vítima do mundo que vejo."

Caras, caros,

Ao dar início, em 2010, à publicação das lições numa versão que buscava revisar algumas questões de linguagem na tradução feita pela querida Lillian Paes, minha tentativa sempre foi a de chamar a atenção para alguns prontos específicos nas partes em que fiz qualquer alteração que pudesse soar como algo com uma diferença mais substancial em relação ao texto traduzido por ela a que muitos de nós nos acostumamos.

A observação que faço acima a respeito da tradução da palavra victim não é a única que se poderia fazer, uma vez que no original a ideia que vamos explorar hoje diz: I am not the victim of the world I see. Uma versão que traduziria de forma mais literal a frase, ou ideia, é a seguinte: Eu não sou "a" vítima do mundo que vejo., como vocês pode ver na repetição da ideia aí acima.

Talvez esta versão nos mostre mais claramente o modo como o ego vê o mundo, e o modo como ele, ego, se vê no mundo. Vamos explorar um pouco mais o tema?

"Eu não sou [a] vítima do mundo que vejo."

Aparentemente não há nenhuma diferença em relação à versão de Lillian e esta, a não ser pelo artigo definido "a" antes da palavra vítima. Será que isto faz de fato alguma diferença?

Pensemos um pouco a partir do que a lição nos diz já em sua frase inicial:

A ideia de hoje é a apresentação de tua declaração de liberdade.

Há aqui também a necessidade de mais uma escolha diferente de palavras, de que só me dei conta agora, para traduzir a frase inicial da lição em seu original: [Today's idea is the introduction to your declaration of release.] Lillian a traduziu como: [A ideia de hoje é a introdução para a tua declaração de liberdade]. Pela lógica da Língua Portuguesa não há sentido para tal expressão. Ninguém é introduzido à sua declaração de liberdade. Assim só podemos pensar na palavra original "introduction" como "apresentação", como quando apresentamos alguém, um amigo ou amiga, a uma outra pessoa. Um sentido que também existe para a palavra na Língua Inglesa.

Assim, é clara a razão pela qual só podemos pensar também que a ideia tem de ser a apresentação a nossa declaração de independência do mundo. E a razão ou as razões por que dar importância à inclusão do artigo "a" para se lidar com a ideia que o Curso nos oferece para as práticas de hoje.

Voltando, então, em parte aos comentários feitos anteriormente a esta mesma lição:

Ora, um dos hábitos comuns do ego é "se achar", tanto para o bem quanto para o mal. Isto é, quando estamos nos sentindo bem em relação à vida que levamos - entenda-se ao emprego ou profissão que temos, ao trabalho que fazemos, às opções de lazer a que temos acesso, aos relacionamentos em que nos envolvemos, às coisas materiais de que dispomos -, julgamo-nos, vemo-nos, a partir da imagem que o ego tem de nós mesmas e de nós mesmos, "por cima da carne seca". Ninguém é melhor do que nós. Chegamos por vezes a menosprezar quem não tem o mesmo tipo de "sucesso" de que pensamos desfrutar, classificando as pessoas como perdedoras, fracassadas, fracas, incapazes e por aí vai uma série de julgamentos.

O ego sussurra em nossos ouvidos: "você é o cara". Ou, "você é a cara". Talvez: "você é a mina".

Do mesmo modo, quando nos sentimos mal e embarcamos numa "deprê", seja por que razão for, o ego tende a se ver como "a" vítima, "o" rejeitado, "o" coitado, ou "a" coitada, "aquele" ou "aquela" a quem a sorte [ou Deus] abandonou. 

Perguntamo-nos ou perguntamos a quem fala conosco e nos ouve: "por que isso foi acontecer comigo"? Ou dizemos: "é só comigo que acontece este tipo de coisa". Ou ainda: "eu devo ter sido muito ruim em outra encarnação", ou ainda, "joguei pedras na cruz, quando criancinha". E muitas outras bobagens mais, não é mesmo? Cada ego encontra seu tom particular para reclamar da vida, e da situação por que passa.

Eu não sou [a] vítima do mundo que vejo.

É muito importante notar também que em ambos os casos, seja nos momentos bons, seja nos ruins, o ego - cada uma, ou cada um, de nós sob o domínio dele - reforça a crença na separação, emitindo julgamento atrás de mais julgamento.

Dizendo de outro modo, se eu me sinto único e só eu sou "o" cara, estou - em sintonia com "o grande impostor" - pouco me lixando para o que acontece com os que vivem à volta de mim. Posso até querer demonstrar uma falsa ou fingida empatia com os que não conseguem viver como eu, mas, no fundo, acho que eles não sabem o que sei e que, por isso, não merecem os mesmos resultados que tenho. São frouxos, inseguros, incapazes, fracos e incompetentes para fazer o tipo de escolha que fiz para chegar aonde estou. Vide o que eu já disse alguns parágrafos acima.

Por outro lado, quando estou mal, quando tenho de enfrentar uma crise qualquer, eu também me ponho numa posição de isolamento, separando, afastando, ou buscando afastar de mim todas as pessoas próximas, porque "ninguém pode entender o que sinto", o que vivo. Ou porque, reza a lenda, não devemos deixar ninguém nos ver em crise, sob pena de prejudicarmos nossa imagem de bem-sucedidos, ou bem-sucedidas. E, claro, ponho a culpa de meus fracassos, de meus equívocos no fato de ninguém me dar a atenção que busco ou parar para ouvir o quanto "meu" problema é delicado e especial. Também neste caso, a ideia que o ego vende é a de que não há ninguém que sofra tanto quanto eu. Mais separação.

Transformei-me no enjeitado, no pária, a quem ninguém ama, que ninguém quer ajudar e o mundo que vejo se cobre de nuvens cinza-escuro e pesadas que me impedem de ver a luz. Tudo está a ponto de desabar sobre minha cabeça. Não há solução possível para o drama que vivo. Acho que quero morrer, para me livrar de uma vez por todas deste "vale de lágrimas", que é o mundo.

Eu não sou [a] vítima do mundo que vejo.

É claro que há um número incontável de modos de descrever as situações de que falo. Cada uma, ou cada um, de nós - no ego - vai - e pode - se perceber como "a" ou "o" alguma coisa e acreditar que sua experiência é única e que está sozinha, ou sozinho, no mundo com sua dor ou sua alegria. Os egos são solitários, apesar das mentes serem unidas, como ensina o Curso.

No entanto, lembrando das lições que já praticamos, e das que ainda vamos praticar, aplicando-as às situações que se apresentam em nosso viver, é possível intuirmos que existe outro modo de ver. Aliás, até já trabalhamos com a possibilidade de tomar a decisão de ver, e de ver de modo diferente todas as coisas.

Na lição de ontem em particular, nossa tentativa, segundo a orientação do Curso, foi a de buscarmos um jeito de nos unirmos a tudo o que vemos, dentro ou fora de nós, em lugar de manter qualquer coisa separada.

Eu não sou [a] vítima do mundo que vejo.

O que a lição nos oferece hoje, e que está lá na frase inicial, conforme falamos, é a grande oportunidade de abandonarmos de uma vez por todas o mundo. Não no sentido de morrer ou qualquer coisa parecida com isso, como ir viver numa caverna distante, ou numa montanha, longe de tudo e de todas e de todos. Mas no sentido de não dar, a qualquer coisa ou pessoa no mundo, nenhum poder sobre nós. 

Ressalte-se aqui, neste momento por que passa o mundo todo com as ameaça dos vírus e suas variantes que se multiplicam de várias formas e de novas pandemias, além das catástrofes todas que se acumulam em vários lugares do mundo em razão do que se chama de "mudança climática" e do aquecimento global. Há que se levar em conta também as ameaças generalizados em muitos países à democracia e às liberdades, a importância de termos bem claro em nossa mente que não somos "o corpo" com o qual o ego se identifica e que não devemos temer nada no mundo da ilusão. Aquilo que somos de fato não pode ser ameaçado, como vemos já na abertura do ensinamento. E tudo no mundo - pessoas e coisas, o clima, os vírus inclusive - só tem sobre nós o poder que nós dermos. Porque nem nenhuma, nem nenhum, de nós é "a" vítima do mundo. Em tempo algum.

É na direção disso que toda a orientação para as práticas deste dia nos levam. Vamos juntas, juntos? 

Às práticas?