segunda-feira, 1 de junho de 2026

Reconhecermo-nos Filhos de Deus é a humildade real

 

LIÇÃO 152

O poder de decisão é meu.

1. Ninguém pode sofrer perda a menos que ela seja sua própria decisão. Ninguém pode sentir dor a não ser que sua escolha determine este estado para si. Ninguém pode se afligir, nem ter medo, nem pensar que está doente a menos que estes sejam os resultados que queira. E ninguém morre sem sua própria permissão. Tudo o que acontece não representa nada senão teu desejo e não se omite nada do que escolhes. Eis aqui teu mundo, completo em todos os detalhes. Eis aqui toda a realidade dele para ti. E é só nisto que a salvação está.

2. Podes acreditar que esta posição seja extrema e abrangente demais para ser verdadeira. Mas a verdade pode ter exceções? Se tens a dádiva de todas as coisas, a perda pode ser real? A dor pode ser parte da paz, ou a tristeza parte da alegria? O medo e a doença podem entrar em uma mente na qual habitem o amor e a santidade perfeita? A verdade tem de ser todo-abrangente, se é que é absolutamente a verdade. Não aceites nenhum oposto e nenhuma exceção, pois fazê-lo é contradizer inteiramente a verdade.

3. A salvação é o reconhecimento de que a verdade é verdadeira e de que nada mais é verdadeiro. Ouviste isto antes, mas podes ainda não aceitar ambas as partes. Sem a primeira, a segunda não faz nenhum sentido. Mas sem a segunda, a primeira não é mais verdadeira. A verdade não pode ter um oposto. Nunca é demais dizer isto e pensar a este respeito. Pois se o que não é verdadeiro fosse tão verdadeiro quanto o que é verdadeiro, então, parte da verdade seria falsa. E a verdade perde seu sentido. Nada a não ser a verdade é verdadeiro, e o que é falso é falso.

4. Esta é a mais simples das distinções, embora a mais enigmática. Mas não em razão de que seja uma distinção difícil de perceber. Ela está escondida atrás de um vasto conjunto de escolhas que não parecem ser inteiramente tuas. E, deste modo, a verdade parece ter alguns aspectos que descaracterizam a coerência, mas que não parecem ser apenas contradições que tu inseriste.

5. Uma vez que Deus te criou, tu tens de permanecer imutável, com estados transitórios falsos por definição. E isso inclui todas as mudanças de sensações, alterações nas condições do corpo e da mente; em toda a consciência e em todas as reações. Esta é a abrangência total que separa a verdade do falso e pela qual o falso se mantém separado da verdade assim como ele é.

6. Não é estranho que acredites que pensar que fizeste o mundo que vês seja arrogância? Deus não o fez. Podes ter certeza disto. O que Ele pode saber do efêmero, do pecador e do culpado, do medroso, do sofredor e do solitário, e da mente que vive em um corpo que tem de morrer? Tu apenas O acusas de loucura ao pensar que Ele fez um mundo onde tais coisas parecem ter realidade. Ele não é louco. Contudo, só a loucura faz um mundo como este.

7. Pensar que Deus fez o caos, contradisse Sua Vontade, inventou opostos para a verdade e permite que a morte triunfe sobre a vida, tudo isto é arrogância. A humildade veria imediatamente que estas coisas não vêm d'Ele. E tu podes ver aquilo que Deus não criou? Pensar que podes é apenas acreditar que podes perceber aquilo que Deus não quis que existisse. E o que pode ser mais arrogante do que isto?

8. Sejamos verdadeiramente humildes hoje e aceitemos o que fazemos assim como é. O poder de decisão é nosso. Decide apenas aceitar teu lugar legítimo como co-criador do universo e tudo o que pensas que fizeste desaparecerá. O que surge na consciência, então, será tudo o que sempre existiu, eternamente tal como é agora. E isto tomará o lugar dos auto-enganos feitos apenas para usurpar o altar do Pai e do Filho.

9. Hoje praticamos a verdadeira humildade, abandonando a falsa presunção a partir da qual o ego busca provar que ela é arrogante. Só o ego pode ser arrogante. A verdade, porém, é humilde ao reconhecer seu poder, sua imutabilidade e sua eterna integridade, sua abrangência total, a dádiva perfeita de Deus para Seu Filho amado. Abandonamos a arrogância que diz que somos pecadores, culpados e medrosos, envergonhados daquilo que somos e, em lugar disto, em verdadeira humildade, elevamos nossos corações Àquele Que nos criou imaculados, iguais a Si Mesmo em poder e em amor.

10. O poder de decisão é nosso. E aceitamos aquilo que somos e reconhecemos o Filho de Deus humildemente. Reconhecer o Filho de Deus também pressupõe que todos os autoconceitos foram abandonados e reconhecidos como falsos. Percebeu-se a arrogância deles. E, na humildade, aceitamos alegremente como nossas a radiância do Filho de Deus, sua benevolência, sua completa inocência, o Amor de seu Pai, seu direito ao Céu e a libertação do inferno.

11. Agora nos unimos em alegre reconhecimento de que as mentiras são falsas e só a verdade é verdadeira. Pensamos apenas na verdade ao nos levantarmos e passarmos cinco minutos praticando seus caminhos, encorajando nossas mentes assustadas com isto:

O poder de decisão é meu. Neste dia, eu me aceitarei
como aquilo que a Vontade de meu Pai me criou para ser.

Esperaremos, então, em silêncio, desistindo de todos os auto-enganos, enquanto pedimos a nosso Ser que Ele Se revele a nós. E Aquele Que nunca partiu virá a nossa consciência mais uma vez, grato por devolver Seu lar a Deus, como ele se destinava a ser.

12. Espera por Ele com paciência ao longo do dia e, de hora em hora, convida-O com as palavras com as quais o dia começou, concluindo-o com o mesmo convite para teu Ser. A Voz de Deus responderá porque Ele fala por ti e por teu Pai. Ele substituirá todos os teus pensamentos desvairados pela paz de Deus, os auto-enganos pela verdade de Deus e as ilusões de ti mesmo pelo Filho de Deus.

*

COMENTÁRIO:
Explorando a LIÇÃO 152

Caras, caros,

Ano passado, talqualmente este, fiz várias postagens, quer dizer, tenho programado as postagens do blog desde Maceió, onde vim com minha companheira de vida passar um tempo com meu filho do meio, sua esposa e minhas duas netas.

Também tenho tido bastante tempo para ler, como no ano passado, lembram? Disse-lhes, então, que entre os livros que li, estava um de Mia Couto, o escritor moçambicano. Um livro de ensaios. Vários muito interessantes. Observei que alguns ensaios tinham a ver com isto tudo que estudamos com o Curso. E também com a nossa busca de nos tornamos o que somos e de viver a partir do que somos. E ainda sobre a impossibilidade do autoconhecimento, de que falei, se não me engano na postagem de ontem.

E por quê? 

Porque como Mia Couto diz, a certa altura de um de seus ensaios, falando do fato de sua assinatura não ter sido reconhecida como sua, mesmo em sua presença:

"A verdade é que nós somos sempre não uma mas várias pessoas e deveria ser norma que a nossa assinatura acabasse sempre por não conferir, Todos nós convivemos com diversos eus, diversas pessoas reclamando nossa identidade. O segredo é permitir que as escolhas que a vida nos impõe não nos obriguem a matar a nossa diversidade interior. O melhor nesta vida é poder escolher, mas o mais triste é ter mesmo que escolher."

Não lhes parece que isso tem a ver com o que o Curso ensina sobre a escolha e com a ideia que temos para as práticas de hoje? Esta que está logo aí abaixo?

"O poder de decisão é meu."

Perguntemo-nos de novo: precisa dizer mais? Mas quem de nós, de verdade, acredita que pode decidir sua própria vida? Quem dentre nós não está certo de que o mundo é um tirano, um ditador cruel, que exerce um poder ferrenho sobre nossas vidas? Sobre a vida de todos, todas, cada um e de cada uma de nós. 

Elio D'Anna, a certa altura de seu livro, A Escola dos Deuses, diz o seguinte: 

"O mundo, quando você o vê, já foi feito... é esta a razão pela qual se chama criado; vem depois! É efeito! Existe uma causa que vem antes. Somente poucos dentre poucos podem perceber que o mundo não tem uma direção, não tem uma vontade própria." 

É nossa própria vontade, o poder que trazemos em nós, que dá direção ao mundo. Ou como o mesmo Elio D'Anna diz: "A vontade pertence somente ao indivíduo... Ela [a vontade do indivíduo, o poder que ele traz em si] governa o mundo. Se a vontade se ausenta, o mundo automaticamente toma a direção". Quer dizer, o mundo como construção coletiva do(s) ego(s), do(s) falso(s) eu(s), assume o controle e o comando sobre o indivíduo. Neste caso, ele deixa de ser um indivíduo e passa a ser apenas mais um no rebanho.

É em razão disso que precisamos das práticas de hoje com esta ideia. Elas vão nos abrir os olhos para a vontade, que pensávamos esquecida, vão nos devolver o poder que pensávamos perdido, ou que pensávamos nos tivesse sido tirado por Deus por não nos acreditarmos merecedores e merecedoras de tanto. Elas também vão nos ensinar que não é arrogância pensar que fazemos o mundo que pensamos ver. E que só a verdade é verdadeira. E que, por consequência, o falso é falso e não pode nunca ser verdadeiro.

Comecemos:

Ninguém pode sofrer perda a menos que ela seja sua própria decisão. Ninguém pode sentir dor a não ser que sua escolha determine este estado para si. Ninguém pode se afligir, nem ter medo, nem pensar que está doente a menos que estes sejam os resultados que queira. E ninguém morre sem sua própria permissão. Tudo o que acontece não representa nada senão teu desejo e não se omite nada do que escolhes. Eis aqui teu mundo, completo em todos os detalhes. Eis aqui toda a realidade dele para ti. E é só nisto que a salvação está.

Isto equivale a dizer que é só por decisão própria que perdemos, e é apenas na ilusão que alguém pode perder. Também é escolha de cada um e de cada uma de nós sentir dor, afligir-se, ter medo, ficar doente e morrer. Isto tem a ver com aquilo de que falamos há pouco, ou seja, do propósito que damos a nossa percepção. Lembrem-se de que só vemos o que queremos ver e não há como ser diferente. É também disso que trata a lição, ao dizer:

Podes acreditar que esta posição seja extrema e abrangente demais para ser verdadeira. Mas a verdade pode ter exceções? Se tens a dádiva de todas as coisas, a perda pode ser real? A dor pode ser parte da paz, ou a tristeza parte da alegria? O medo e a doença podem entrar em uma mente na qual habitem o amor e a santidade perfeita? A verdade tem de ser todo-abrangente, se é que é absolutamente a verdade. Não aceites nenhum oposto e nenhuma exceção, pois fazê-lo é contradizer inteiramente a verdade.

É só o reconhecimento disso que vai nos fazer ver e viver, de fato, a salvação, como a seguir:

A salvação é o reconhecimento de que a verdade é verdadeira e de que nada mais é verdadeiro. Ouviste isto antes, mas podes ainda não aceitar ambas as partes. Sem a primeira, a segunda não faz nenhum sentido. Mas sem a segunda, a primeira não é mais verdadeira. A verdade não pode ter um oposto. Nunca é demais dizer isto e pensar a este respeito. Pois se o que não é verdadeiro fosse tão verdadeiro quanto o que é verdadeiro, então, parte da verdade seria falsa. E a verdade perde seu sentido. Nada a não ser a verdade é verdadeiro, e o que é falso é falso.

Esta é a mais simples das distinções, embora a mais enigmática. Mas não em razão de que seja uma distinção difícil de perceber. Ela está escondida atrás de um vasto conjunto de escolhas que não parecem ser inteiramente tuas. E, deste modo, a verdade parece ter alguns aspectos que descaracterizam a coerência, mas que não parecem ser apenas contradições que tu inseriste.

Peço-lhes de novo atenção aqui, muita atenção: a verdade "está escondida atrás de um vasto conjunto de escolhas que não parecem ser inteiramente tuas... [e conter] alguns aspectos que descaracterizam a coerência", mas estes aspectos são apenas contradições que tu mesmo, ou tu mesma, inseriste. Apesar de não parecerem.

A lição prossegue para nos mostrar a incoerência do sistema de pensamento do ego e para nos oferecer como contraponto a lógica e a coerência do sistema de pensamento do Espírito Santo. Assim:

Uma vez que Deus te criou, tu tens de permanecer imutável, com estados transitórios falsos por definição. E isso inclui todas as mudanças de sensações, alterações nas condições do corpo e da mente; em toda a consciência e em todas as reações. Esta é a abrangência total que separa a verdade do falso e pela qual o falso se mantém separado da verdade assim como ele é.

Não é estranho que acredites que pensar que fizeste o mundo que vês seja arrogância? Deus não o fez. Podes ter certeza disto. O que Ele pode saber do efêmero, do pecador e do culpado, do medroso, do sofredor e do solitário, e da mente que vive em um corpo que tem de morrer? Tu apenas O acusas de loucura ao pensar que Ele fez um mundo onde tais coisas parecem ter realidade. Ele não é louco. Contudo, só a loucura faz um mundo como este.

Pensar que Deus fez o caos, contradisse Sua Vontade, inventou opostos para a verdade e permite que a morte triunfe sobre a vida, tudo isto é arrogância. A humildade veria imediatamente que estas coisas não vêm d'Ele. E tu podes ver aquilo que Deus não criou? Pensar que podes é apenas acreditar que podes perceber aquilo que Deus não quis que existisse. E o que pode ser mais arrogante do que isto?

A verdadeira humildade está em reconhecer o poder que temos em Deus, com Ele, e, a partir deste reconhecimento, em fazer de nossa presença no mundo uma manifestação amorosa do divino em nós. Deus dá o poder de decisão a cada um, a cada uma. E só diz sim a tudo o que pensarmos, a tudo o que quisermos do fundo de nossos corações. "Tu não precisas fazer nada", o Curso ensina. Basta te entregares ao poder que Deus te dá. Basta deixar, com alegria e gratidão, que Deus viva tua vida por ti, em ti. E só tu podes te decidir por isso.

Façamos, pois, hoje o que nos pede a lição:

Sejamos verdadeiramente humildes hoje e aceitemos o que fazemos assim como é. O poder de decisão é nosso. Decide apenas aceitar teu lugar legítimo como co-criador do universo e tudo o que pensas que fizeste desaparecerá. O que surge na consciência, então, será tudo o que sempre existiu, eternamente tal como é agora. E isto tomará o lugar dos auto-enganos feitos apenas para usurpar o altar do Pai e do Filho.

Hoje praticamos a verdadeira humildade, abandonando a falsa presunção a partir da qual o ego busca provar que ela é arrogante. Só o ego pode ser arrogante. A verdade, porém, é humilde ao reconhecer seu poder, sua imutabilidade e sua eterna integridade, sua abrangência total, a dádiva perfeita de Deus para Seu Filho amado. Abandonamos a arrogância que diz que somos pecadores, culpados e medrosos, envergonhados daquilo que somos e, em lugar disto, em verdadeira humildade, elevamos nossos corações Àquele Que nos criou imaculados, iguais a Si Mesmo em poder e em amor.

Ao contrário do que o mundo busca nos ensinar, reconhecer que somos Filhos e Filhas de Deus, sim, é que é humildade. A verdadeira humildade que nos dá direito a tudo o que foi criado por Ele para Seus Filhos, ou para Suas Filhas, e para todas as criaturas. Isso também nos dá o poder de criar, ou co-criar, com Ele. Só vamos ser capazes de viver a verdadeira humildade aceitando o poder do divino em nós e não fazendo-nos fracos ou fracas ou impotentes, incapazes de usar a vontade do divino em nós, como o mundo do pensamento do ego quer que aprendamos e que pensemos que somos.

Finalizamos, assim:

Agora nos unimos em alegre reconhecimento de que as mentiras são falsas e só a verdade é verdadeira. Pensamos apenas na verdade ao nos levantarmos e passarmos cinco minutos praticando seus caminhos, encorajando nossas mentes assustadas com isto:

O poder de decisão é meu. Neste dia, eu me aceitarei
como aquilo que a Vontade de meu Pai me criou para ser.

Esperaremos, então, em silêncio, desistindo de todos os auto-enganos, enquanto pedimos a nosso Ser que Ele Se revele a nós. E Aquele Que nunca partiu virá a nossa consciência mais uma vez, grato por devolver Seu lar a Deus, como ele se destinava a ser.

Espera por Ele com paciência ao longo do dia e, de hora em hora, convida-O com as palavras com as quais o dia começou, concluindo-o com o mesmo convite para teu Ser. A Voz de Deus responderá porque Ele fala por ti e por teu Pai. Ele substituirá todos os teus pensamentos desvairados pela paz de Deus, os auto-enganos pela verdade de Deus e as ilusões de ti mesmo pelo Filho de Deus.

 Às práticas?

domingo, 31 de maio de 2026

Fazemos que o mundo seja nossa prisão, ao julgá-lo

 

LIÇÃO 151

Todas as coisas são ecos da Voz por Deus.

1. Ninguém pode julgar com base em evidência tendenciosa. Isto não é julgamento. É apenas uma opinião baseada na ignorância e na dúvida. Sua aparente certeza é apenas um disfarce para a incerteza que ele quer esconder. Precisa de defesa irracional porque é irracional. E sua defesa parece forte , convincente e indubitável, em razão de todas as dúvidas subjacentes.

2. Tu não pareces duvidar do mundo que vês. Tu não questionas realmente o que os olhos do corpo te mostram. E também não perguntas por que acreditas nele, muito embora tenhas aprendido há muito tempo que teus sentidos, de fato, enganam. Quando paras para te recordar com que frequência eles foram testemunhas falhas, de fato, é ainda mais estranho que acredites no que eles contam até o último detalhe. Por que acreditarias neles de forma tão irrestrita? Por que, a não ser em razão da dúvida subjacente, que queres esconder com uma demonstração de certeza?

3. Como podes julgar? Teu julgamento se baseia nos testemunhos que teus sentidos te oferecem. E nunca houve testemunho mais falso do que este. Mas de que outra forma julgas o mundo que vês? Depositas uma fé lamentável naquilo que teus olhos e ouvidos contam. Pensas que teus dedos tocam a realidade e se fecham sobre a verdade. É esta a consciência que compreendes e que pensas ser mais verdadeira do que aquilo que a Voz eterna pelo Próprio Deus testemunha.

4. Isto pode ser julgamento? Insiste-se muitas vezes contigo para que te abstenhas do julgamento, não porque ele seja um direito que se nega a ti. Tu não podes julgar. Tu podes apenas acreditar nos julgamentos do ego, que são todos falsos. Ele orienta teus sentidos com cuidado para provar quão fraco és, quão indefeso e amedrontado, quão receoso da punição merecida, quão imundo pelo pecado, quão desprezível em tua culpa.

5. Ele te diz que esta coisa, de que ele fala e ainda quer defender, és tu mesmo. E tu acreditas que isto é verdade com obstinada certeza. Porém, interiormente, permanece a dúvida oculta de que ele não acredita naquilo que te apresenta como realidade com tanta convicção. É só a si mesmo que ele condena. É dentro de si mesmo que ele vê a culpa. É seu próprio desespero que ele vê em ti.

6. Não dês ouvidos à voz dele. As testemunhas que ele te envia para te provar que o mal dele é teu próprio mal são falsas e falam com segurança daquilo que não conhecem. Tua fé nelas é irracional porque tu não compartilharias as dúvidas que o senhor delas não pode derrotar por completo. Tu acreditas que duvidar de seus vassalos é duvidar de ti mesmo.

7. No entanto, tens de aprender a duvidar de que o testemunho delas desobstruirá o caminho para te reconheceres e permitir que só a Voz por Deus seja o Juiz do que é digno de tua própria crença. Ele não te dirá que teu irmão deve ser julgado por aquilo que teus olhos veem nele, nem por aquilo que sua boca diz a teus ouvidos, nem por aquilo que o toque de teus dedos te contam a respeito dele. Ele não toma conhecimento de tais evidências inúteis, que apenas levantam falso testemunho contra o Filho de Deus. Ele reconhece apenas aquilo que Deus ama e, na luz santa daquilo que Ele vê todos os sonhos do ego acerca do que és se desvanecem diante do esplendor que Ele vê.

8. Deixa que Ele seja o Juiz do que tu és, pois Ele tem uma certeza na qual não há nenhuma dúvida, porque se baseia em tão grande Certeza que a dúvida fica sem significado diante de Sua face. Cristo não pode duvidar de Si Mesmo. A Voz por Deus pode apenas exaltá-Lo, regozijando-se na inocência total e eterna d'Ele. Aquele a Quem Ele julga só pode rir da culpa, agora sem vontade de brincar com brinquedos de pecado, ignorando os testemunhos do corpo diante do arrebatamento que a face santa do Cristo provoca.

9. E Ele te julga deste modo. Aceita a Palavra d'Ele como o que tu és, pois Ele dá testemunho de tua bela criação e da Mente Cujo Pensamento criou tua realidade. O que o corpo pode significar para Aquele Que conhece a glória do Pai e do Filho? A que sussurros do ego Ele pode dar ouvidos? O que pode convencê-Lo de que teus pecados são reais? Deixa que Ele também seja o Juiz de todas as coisas que parecem te acontecer neste mundo. As lições d'Ele vão te capacitar a construir uma ponte sobre a brecha entre as ilusões e a verdade.

10. Ele eliminará toda a fé que colocaste na dor, na infelicidade, no sofrimento e na perda. Ele te dá a visão que pode ver além destas aparências sombrias e que pode ver a bondosa face de Cristo em todas elas. Tu não duvidarás mais de que apenas o bem pode vir a ti que és amado por Deus, pois Ele julgará todos os acontecimentos e ensinará a única lição que todos eles contêm.

11. Ele escolherá neles os elementos que representam a verdade e desconsiderará aqueles aspectos que apenas refletem sonhos inúteis. E Ele reinterpretará tudo o que vês, e todas as ocorrências, cada circunstância e todos os acontecimentos que parecem te tocar de qualquer modo a partir de Seu único ponto de referência, totalmente unificado e certo. E tu verás o amor por trás do ódio, a constância na mudança, o puro no pecado e somente as bênçãos do Céu sobre o mundo.

12. Esta é a tua ressurreição, pois tua vida não é uma parte do nada que vês. Ela fica além do corpo e do mundo, depois de todo testemunho da maldade, no interior do Sagrado, santo como Ele Mesmo. Em tudo e em todos a Voz d'Ele não quer te falar de outra coisa senão de teu Ser e de teu Criador, Que é um com Ele. Deste modo verá a santa face do Cristo em tudo e não ouvirás em tudo nenhum som a não ser o eco da Voz de Deus.

13. Hoje praticamos sem palavras, exceto no início do período que passamos com Deus. Nós começamos estes períodos com apenas uma única e lenta repetição da ideia com a qual o dia começa. E, em seguida, observamos nossos pensamentos pedindo silenciosamente a intercessão d' Àquele Que vê os elementos da verdade neles. Deixa que Ele avalie cada pensamento que vem à mente, elimine os elementos de sonho e os devolva novamente como ideias puras que não contradizem a Vontade de Deus.

14. Dá teus pensamentos a Ele e Ele os devolverá como milagres que revelam de forma clara, alegremente, a totalidade e a felicidade que Deus deseja para Seu Filho, como prova de Seu Amor eterno. E à medida que cada pensamento é transformado desta maneira, ele assume o poder de cura da Mente que viu a verdade nele e deixou de ser enganada por aquilo que lhe foi acrescentado equivocadamente. Todos os fios da fantasia acabam. E o que permanece fica unificado em um Pensamento perfeito que oferece sua perfeição em todos os lugares.

15. Passa cinco minutos deste modo quando acordares e dá com alegria outros quinze mais antes de ires dormir. Teu ministério começa quando todos os pensamentos forem purificados. Assim se ensina a ti a ensinar ao Filho de Deus a lição sagrada de sua santidade. Ninguém pode deixar de ouvir, quando ouves a Voz por Deus prestar homenagem ao Filho de Deus. E todos compartilharão contigo os pensamentos que Ele retraduz em tua mente.

16. Esta é a tua Páscoa. E assim depositas a dádiva de lírios brancos sobre o mundo, substituindo as testemunhas do pecado e da morte. O mundo é redimido pela tua transfiguração e liberado da culpa alegremente. Agora, de fato, erguemos nossas mentes ressurretas em alegria e gratidão Àquele Que nos devolve a sanidade.

17. E nos lembraremos a cada hora d'Aquele Que é salvação e liberdade. À medida que damos graças, o mundo se une a nós e aceita alegremente nossos pensamentos sagrados, que o Céu corrige e torna puros. Agora começa nosso ministério, enfim, para levar ao mundo a boa nova de que a verdade não tem nenhuma ilusão e de que a paz de Deus, por meio de nós, pertence a todos.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 151

Caras, caros,

Quantos e quantas de nós viverão tempo suficiente para descobrir de verdade que passaram todo o tempo de suas vidas atrás de algo que não existe. Num mundo que não existe. Cercados e cercadas de pessoas e coisas, vivas e inanimadas, que também só existem em suas cabeças.

Quantas e quantos de nós viverão tempo suficiente para se abrirem à descoberta de que suas vidas se perderam, ou foram desperdiças durante a maior parte do tempo em que emitiram julgamentos - contra ou a favor - disto e daquilo, desta e daquela pessoa, coisa viva ou inanimada? Desdobrando-se em milhares de tentativas de justificar as razões pelas quais julgaram assim ou assado.

Quantos e quantas de nós viverão tempo suficiente para se deixarem levar pela inspiração e para seguirem seus corações em lugar de suas mentes equivocadas, dirigidas pelo sistema de pensamento do ego, que não consegue perceber a neutralidade daquilo a que chamamos mundo, onde pensamos viver?

Acabamos ontem de revisar uma série de lições que utilizou a ideia "Minha mente contém só o que penso com Deus" para dar unidade às práticas. Parece-me que dez dias com esta ideia a abrir e a alimentar nossos dias e espíritos deveria ser suficiente para nos dar uma sacudida no sentido de pararmos de julgar. Pois, a meu ver, não pode haver julgamento na mente que só contém aquilo que ela pensa com Deus.

Mas... a verdade é que poucas pessoas estão ligando para os rumos que suas vidas tomam, acreditando que, de algum modo, alguma coisa mágica vai surgir e resolver todos os seus problemas, responder todas as suas perguntas. Esquecendo-se de assumir a responsabilidade por aquilo que "criam" e "inventam". Não é mesmo? Somos todas e todos, de alguma forma, prisioneiras e prisioneiros do mundo. Vamos ser, enquanto não desistirmos de julgá-lo.

Por isto, é que é muito importante emprestarmos toda a atenção de que somos capazes para as práticas com a ideia

"Todas as coisas são ecos da Voz por Deus."

que o Curso nos oferece para este dia.

Comecemos, pois, a exploração:

Terminado mais uma vez um período de revisão, vamos praticar de novo mais uma das ideias que pode nos libertar do julgamento de uma vez por todas. E por que precisamos nos libertar do julgamento? Porque é ele que nos mantém prisioneiros e prisioneiras de um mundo diferente daquele que queremos, daquele mundo em que temos consciência de que tudo o que fazemos fazemos a partir da Vontade de Deus, em nós, para nós, entendendo que a Vontade d'Ele/d'Ela e a nossa são a mesma. 

Há ainda várias razões para que busquemos nos libertar do julgamento. Entre elas a seguinte, de acordo com a lição:

Ninguém pode julgar com base em evidência tendenciosa. Isto não é julgamento. É apenas uma opinião baseada na ignorância e na dúvida. Sua aparente certeza é apenas um disfarce para a incerteza que ele quer esconder. Precisa de defesa irracional porque é irracional. E sua defesa parece forte , convincente e indubitável em razão de todas as dúvidas subjacentes. 

Mais razões a lição vai nos dar, para que aprendamos que a percepção mostra apenas aquilo que queremos ver. E o que queremos ver depende do propósito que estabelecemos para nossa percepção. Se nosso propósito é o julgamento, então vamos perceber o mundo sob a ótica dos sentidos, sem duvidar por um instante só de que aquilo que vemos é a "realidade". 

Vejamos o que mais nos diz a lição:

Tu não pareces duvidar do mundo que vês. Tu não questionas realmente o que os olhos do corpo te mostram. E também não perguntas por que acreditas nele, muito embora tenhas aprendido há muito tempo que teus sentidos, de fato, enganam. Quando paras para te recordar com que frequência eles foram testemunhas falhas, de fato, é ainda mais estranho que acredites no que eles contam até o último detalhe. Por que acreditarias neles de forma tão irrestrita? Por que, a não ser em razão da dúvida subjacente, que queres esconder com uma demonstração de certeza? 

A certa altura do texto o Curso ensina: 

"É essencial que se tenha em mente que toda percepção ainda está de cabeça para baixo enquanto seu propósito não for compreendido. A percepção não parece ser um meio. E é isto que torna difícil apreender até que ponto ela tem de depender do propósito que vês nela. A percepção parece te ensinar o que vês. Porém, ela apenas testemunha aquilo que ensinaste. Ela é a figura exterior de um desejo, uma imagem que querias que fosse verdadeira." 

Isto quer dizer que, ao olharmos para algo, ou ao nomearmos alguma coisa ou alguém, já incorremos no julgamento, pois nosso olhar, ou nosso nomear, aprisiona aquele algo, aquela coisa, aquela pessoa, numa imagem que fazemos e com a qual vamos nos relacionar a partir daí. A lição, porém, pede para refletirmos acerca do seguinte:

Como podes julgar? Teu julgamento se baseia nos testemunhos que teus sentidos te oferecem. E nunca houve testemunho mais falso do que este. Mas de que outra forma julgas o mundo que vês? Depositas uma fé lamentável naquilo que teus olhos e ouvidos contam. Pensas que teus dedos tocam a realidade e se fecham sobre a verdade. É esta a consciência que compreendes e que pensas ser mais verdadeira do que aquilo que a Voz eterna pelo Próprio Deus testemunha.

Isto pode ser julgamento? Insiste-se muitas vezes contigo para que te abstenhas do julgamento, não porque ele seja um direito que se nega a ti. Tu não podes julgar. Tu podes apenas acreditar nos julgamentos do ego, que são todos falsos. Ele orienta teus sentidos com cuidado para provar quão fraco és, quão indefeso e amedrontado, quão receoso da punição merecida, quão imundo pelo pecado, quão desprezível em tua culpa.

Ele te diz que esta coisa, de que ele fala e ainda quer defender, és tu mesmo. E tu acreditas que isto é verdade com obstinada certeza. Porém, interiormente, permanece a dúvida oculta de que ele não acredita naquilo que te apresenta como realidade com tanta convicção. É só a si mesmo que ele condena. É dentro de si mesmo que ele vê a culpa. É seu próprio desespero que ele vê em ti.
 
É em função disso que precisamos nos voltar para o interior de nós mesmos e de nós mesmas e deixar que a Voz por Deus nos oriente. E ilumine nossa visão e todos os nossos sentidos, curando nossa percepção para que possamos ver apenas o reflexo da santidade em tudo aquilo sobre o que cair nosso olhar. É por isso que a lição nos orienta a não darmos ouvidos ao que nos diz o ego, a falsa imagem que fazemos de nós mesmos e de nós mesmas, o falso eu. Do seguinte modo:

Não dês ouvidos à voz dele. As testemunhas que ele te envia para te provar que o mal dele é teu próprio mal são falsas e falam com segurança daquilo que não conhecem. Tua fé nelas é irracional porque tu não compartilharias as dúvidas que o senhor delas não pode derrotar por completo. Tu acreditas que duvidar de seus vassalos é duvidar de ti mesmo. 

Ao contrário, a lição diz...

... tens de aprender a duvidar de que o testemunho delas desobstruirá o caminho para te reconheceres e permitir que só a Voz por Deus seja o Juiz do que é digno de tua própria crença. Ele não te dirá que teu irmão deve ser julgado por aquilo que teus olhos veem nele, nem por aquilo que sua boca diz a teus ouvidos, nem por aquilo que o toque de teus dedos te contam a respeito dele. Ele não toma conhecimento de tais evidências inúteis, que apenas levantam falso testemunho contra o Filho de Deus. Ele reconhece apenas aquilo que Deus ama e, na luz santa daquilo que Ele vê todos os sonhos do ego acerca do que és se desvanecem diante do esplendor que Ele vê.

Deixa que Ele seja o Juiz do que tu és, pois Ele tem uma certeza na qual não há nenhuma dúvida, porque se baseia em tão grande Certeza que a dúvida fica sem significado diante de Sua face. Cristo não pode duvidar de Si Mesmo. A Voz por Deus pode apenas exaltá-Lo, regozijando-se na inocência total e eterna d'Ele. Aquele a Quem Ele julga só pode rir da culpa, agora sem vontade de brincar com brinquedos de pecado, ignorando os testemunhos do corpo diante do arrebatamento que a face santa do Cristo provoca.

E Ele te julga deste modo. Aceita a Palavra d'Ele como o que tu és, pois Ele dá testemunho de tua bela criação e da Mente Cujo Pensamento criou tua realidade. O que o corpo pode significar para Aquele Que conhece a glória do Pai e do Filho? A que sussurros do ego Ele pode dar ouvidos? O que pode convencê-Lo de que teus pecados são reais? Deixa que Ele também seja o Juiz de todas as coisas que parecem te acontecer neste mundo. As lições d'Ele vão te capacitar a construir uma ponte sobre a brecha entre as ilusões e a verdade.

Ele eliminará toda a fé que colocaste na dor, na infelicidade, no sofrimento e na perda. Ele te dá a visão que pode ver além destas aparências sombrias e que pode ver a bondosa face de Cristo em todas elas. Tu não duvidarás mais de que apenas o bem pode vir a ti que és amado por Deus, pois Ele julgará todos os acontecimentos e ensinará a única lição que todos eles contêm.

Aí podemos voltar ao texto, no ponto em que ele diz: 

"Não pode ser difícil realizar a tarefa que Cristo [que é teu divino interior, Deus em ti, que é o que, na verdade, tu és] designou para ti, pois é Ele [em ti, a partir de ti, quando aceitas ser apenas a manifestação do divino] Quem a realiza."

Quer dizer, quando aceitamos abrir mão do controle que o ego quer que pensemos ter e quando conseguimos entender que o corpo apenas parece ser o meio de que nos valemos para realizar qualquer tarefa, pois, na verdade, quando nos pomos em sintonia com o divino interior, é a Mente Crística em nós que a realiza de fato. A Mente Crística é que é nossa mente verdadeira. Então, podemos seguir com as orientações da lição de hoje, que nos pede para que deixemos o julgamento de todos os acontecimentos para Cristo, pois

Ele escolherá neles os elementos que representam a verdade e desconsiderará aqueles aspectos que apenas refletem sonhos inúteis. E Ele reinterpretará tudo o que vês, e todas as ocorrências, cada circunstância e todos os acontecimentos que parecem te tocar de qualquer modo a partir de Seu único ponto de referência, totalmente unificado e certo. E tu verás o amor por trás do ódio, a constância na mudança, o puro no pecado e somente as bênçãos do Céu sobre o mundo. 

Isso será a nossa ressurreição, nosso despertar para um mundo novo, pois olharemos para ele com novos olhos, que serão capazes de perceber o Céu em tudo e em todos.

Fiquemos, pois, com o que nos trazem os parágrafos restantes da lição, tentando assimilar o que ela nos ensina. Praticando para compreender e vivenciar tudo o que existe, tudo aquilo que vemos e tudo o que percebemos, por mais estranho que nos possa parecer, como ecos da Voz por Deus. Isto é, daquela voz no interior de nós mesmos e de nós mesmas - de todos, todas, de cada um e de cada uma de nós - que ainda traz em si a lembrança do Céu, a lembrança de sua divina condição de alegria e de paz completas e perfeitas, que é a única coisa que é real em nós.

Isso é tudo que precisamos lembrar. E é a isto que nossas práticas se destinam. 

Às práticas?

sábado, 30 de maio de 2026

Tudo o que sabemos de doença e cura é pura ilusão

 

LIÇÃO 150

Minha mente contém só o que penso com Deus.

(139) Aceitarei a Expiação para mim mesmo.

(140) Pode-se dizer que só a salvação cura.

*

COMENTÁRIO:

Caras, caros,

Vocês acreditam na possiblidade de se chegar ao autoconhecimento, ao conhecimento completo de um ou uma de nós mesmos, mesmas? Isso significaria, talvez, conhecer Deus, não é mesmo? Se é que Deus existe... Ou só existirá mesmo a ideia de Deus?

Creio que o mais próximo que alguém pode chegar ao conhecimento de si mesmo é apenas quando reconhece não se conhecer e se aceita inteiramente como é no momento em que pára para chegar a este reconhecimento.

Creio que é assim também com Deus, ou com a ideia de Deus. Se Deus existe e é responsável por toda a Criação, e se a Criação recomeça a cada milissegundo do tempo e espaço em que pensamos viver, não há como Deus chegar ao conhecimento de Si, senão reconhecendo que não Se conhece e Se aceitando inteiramente como Ele/Ela é no instante em que faz esta reflexão.

Por isso, creio também, é importante pararmos para explorar as ideias que determinam o fim desta quarta revisão. E principalmente a ideia que dá unidade a esta revisão. Vamos a elas?

*


Explorando a LIÇÃO 150

"Minha mente contém só o que penso com Deus."

Aceitarei a Expiação para mim mesmo.

Pode-se dizer que só a salvação cura.

Chegamos hoje, mais uma vez, à última das lições desta quarta revisão, com duas ideias vitais [Eu digo isso de todas, não é? É porque é verdade. Todas e cada uma delas são vitais. E uma só delas aprendida, aceita e posta em prática seria o suficiente para a salvação, como o Curso ensina.] para facilitar o aprendizado e tornar mais suave a caminhada rumo ao conhecimento de nós mesmos e de nós mesmas, que é o caminho que este Curso oferece para que alcancemos a consciência do divino em nós. Pois, como diz a Bíblia: "Não sabeis que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?" (I Cor. 3:16)

A primeira das ideias é o ponto de partida para a limpeza da percepção equivocada que temos de nós mesmos e de nós mesmas, do mundo e de todas as coisas do, e no, mundo. Para desfazer todos os erros. Aceitar a Expiação é permitir que o erro se desfaça. Qualquer erro. Na verdade, precisamos aprender e manter em mente que não há erro. Só experiência. Só a percepção equivocada e o julgamento do ego é que podem classificar - e classificam - uma experiência como um erro. É por isso que só a atenção e as práticas podem nos libertar deste equívoco, por nos ajudarem a desaprender o que o mundo nos ensina e a aprender a respeito do que somos na verdade. Por isso e para isso também é que o Curso, com suas práticas, nos ajuda a abandonar todo e qualquer julgamento do ego sobre o mundo, sobre as coisas e pessoas do mundo. 

Para aqueles que em algum momento entraram em contato com a ideia das práticas do ho'oponopono [uma palavra da língua nativa dos havaianos, que denomina também uma prática de cura], é preciso salientar que "ho'oponopono" e "Expiação", na prática, são sinônimos. Ambas significam desfazer o erro. As práticas, pois, com esta primeira ideia podem - e de fato o fazem - nos levar ao início do aprendizado de que o mundo - e tudo e todos que aparentemente estão nele - é neutro.

Aceitar a Expiação é começar a aprender que, na verdade, não existem erros, como já dito acima. Dizendo de outra forma, aceitar a Expiação, o que equivale a desfazer os erros, é retirar o julgamento de toda e qualquer experiência, permitindo que ela seja apenas o que é: uma experiência simplesmente, que vai nos oferecer um resultado, a partir de uma escolha que fizemos ou de uma decisão que tomamos. 

O resultado que a experiência mostra é que vai determinar se nossa escolha foi acertada ou equivocada. Não no sentido de julgamento, mas apenas no sentido da constatação daquilo que a experiência nos trouxe, com seu resultado. Se o resultado dela nos afastar da alegria e da paz, então é preciso escolher outra vez. Lembrando-nos sempre de que, para escolher de novo, é necessário: 1 - assumir a responsabilidade total pela escolha; 2 - receber e acolher o resultado; 3 - aceitá-lo e reconhecer que ele era a única coisa que podia ter acontecido; e 4 - ser grato por ele e pela experiência. A partir daí, abre-se a possibilidade de uma nova escolha.

Aceitar a Expiação também significa começar a aprender a ser agradecido, ou agradecida, por toda e qualquer experiência que se apresente, entendendo que todas elas são apenas a materialização aparente de um desejo nosso, de uma escolha que fizemos nalgum momento, conscientes dela ou não. Se o resultado da experiência não é algo que nos põe em contato com a alegria, nem a amplia, se é alguma coisa que nos tira a paz de espírito e nos afasta de nós mesmos, ou de nós mesmas e dos envolvidos, ou das envolvidas na experiência e se resistimos ao que se apresenta a nós, a sensação de se estar separado, ou separada, fica mais aguda. Daí a necessidade de acolher e agradecer por todas as experiências e por todos os resultados delas, sejam elas quais forem, sejam quais forem os resultados.

As práticas com a segunda ideia tratam de nos devolver a liberdade e o poder para experimentar o mundo sem susto, sem medo, ao nos ensinarem a perceber claramente que tudo o que pensamos a respeito da cura e das doenças, neste mundo, é apenas ilusão, sonho. 

A segunda ideia, ao devolver nossa condição original de Filhos de Deus, nos restitui a santidade, a pureza e a inocência em que fomos criados e criadas, das quais nunca nos separamos, a não ser na percepção equivocada do sistema de pensamento do ego, o falso eu, a imagem de nós mesmos e de nós mesmas que construímos para viver a experiência deste mundo. 

Às práticas?

sexta-feira, 29 de maio de 2026

O mundo muda, sim, conosco toda vez que mudamos

 

LIÇÃO 149


Minha mente contém só o que penso com Deus.

(137) Quando sou curado, não sou curado sozinho.

(138) O Céu é a decisão que tenho de tomar.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 149

"Minha mente contém só o que penso com Deus."

Quando sou curado, não sou curado sozinho.

O Céu é a decisão que tenho de tomar.

Como vocês já sabem, estou reprisando por completo, com pequeninas alterações, por pertinente, o comentário feito a esta lição em anos passados. Inclusive o título da postagem, que também é o mesmo, com a mudança da ordem das palavras apenas. 

Voltemos, pois, mais uma vez, toda a atenção de que somos capazes às ideias que vamos revisar neste dia.

A primeira delas nos remete a dois princípios - mas não só a eles, evidentemente, como também a todo o ensinamento - muito importantes dos milagres. Estes dois princípios estão lá no início do livro texto. São eles o trigésimo quinto, que diz: "os milagres são expressões do amor, mas podem não ter sempre efeitos observáveis", e o quadragésimo quinto: "Um milagre nunca se perde. Pode tocar muitas pessoas que nem mesmo encontraste e produzir mudanças não sonhadas em situações das quais nem mesmo estás ciente".

A ideia da lição 137, que revisamos agora, afirma de forma muito clara que, ao nos curarmos, não curamos apenas a nós mesmos, ou a nós mesmas. Isto significa dizer - para que o reconheçamos de forma definitiva - que tudo o que fazemos traz consequências, para nós, para quem está próximo de nós, para  quem está distante de nós, de quem nos lembramos, de quem nos esquecemos, para as pessoas que ainda estão por aqui, vivendo conosco esta experiência ilusória de mundo e também para as pessoas que já não se fazem presente em forma e aparência em nossos dias, e, óbvio, para o mundo inteiro, e até para as pessoas que ainda estão por nascer, mesmo que essas consequências não sejam visíveis para nós. Mais até, talvez, tudo o que fazemos poderá vir a ter consequências para aquelas pessoas que ainda não estão aqui, as que ainda não chegaram e que podem vir a ser tocadas por algo que fizemos, ou deixamos de fazer, como dito logo acima.

A ideia segundo a qual "quando sou curado, não sou curado sozinho" ensina, de forma absolutamente clara, que temos cem por cento de responsabilidade, se não por tudo o que acontece no mundo, pelo menos por tudo aquilo que nos chega à consciência, bem como por tudo o que nos acontece diretamente como resultado de nossas escolhas, por tudo o que construímos em nossas experiências, e, ainda, reforçando o dito logo aí acima, por tudo aquilo que de algum modo nos chegue à consciência. Quer estejamos dispostos a reconhecer isto, quer não.

É importante ter em mente, porém, que nossa responsabilidade não é em relação ao que aconteceu, e sim à cura daquilo que nos parece ser um equívoco. Aquilo que, no entanto, só pode ser um equívoco a partir de nossa percepção, que é absolutamente incapaz de ver o quadro todo, em momento algum. 

A segunda ideia que revisamos põe em nossas mãos todo o poder de que necessitamos para transformar o mundo, este mundo mesmo, ou qualquer outro que venha a existir, no Céu que queremos viver, a partir do momento em que assumimos completa e total responsabilidade por ele, por sua cura, a partir do compromisso que assumimos em relação à cura de nossa percepção. Para tanto, basta apenas nossa tomada de decisão. Pois o mundo muda conosco, toda vez que mudamos. E é muito fácil experimentar isto na prática, conforme já sugeri nas práticas dos anos anteriores e repito aqui, agora. Vale a pena fazer o teste. Faça-o.

Alguma coisa ou alguém te incomoda em teu dia a dia? Experimenta mudar tua forma de pensar a respeito de tal coisa ou de tal alguém. Faze-o de forma decidida pensando em te curar da percepção equivocada (primeira ideia) e em criar uma experiência de Céu, de paz, de alegria e de felicidade (segunda ideia). Em pouco tempo, a coisa, ou a pessoa, que parecia ser um problema vai certamente deixar de sê-lo. E tu vais poder passar a curar outras coisas que tua percepção te mostra de forma equivocada.

Como sugeri também em anos anteriores, compartilha aqui os resultados, mais tarde, e apenas se quiseres, é claro, depois de experimentar. Estou certo de que todos e todas vão se beneficiar de tua experiência e de teu compartilhamento dela.

Às práticas?

ADENDO:

Ao iniciar minhas práticas pela manhã, em algum momento num dos últimos anos, lendo o comentário que fiz à lição, falando das ideias que revisávamos então, lembrei-me de uma crônica de Clarice Lispector, que está em seu livro "A Descoberta do Mundo". Pensei em inclui-la no comentário, mas por alguma razão não o fiz. Resolvi, então, colocar a crônica num adendo ao comentário, que repriso para vocês hoje, aqui. E, por ser ela muito longa para a digitação, dou-lhes a versão em vídeo, gravado na voz de Aracy Balabanian, no YouTube. No link abaixo (é bom ouvir, e é bom ler a crônica também ou acompanhar a fala da atriz com a leitura. O texto está disponível em vários lugares na internet, se vocês quiserem se dar ao trabalho. Chama-se Perdoando Deus):

https://youtu.be/liMev7ERAXY