sexta-feira, 3 de julho de 2026

É tão somente do ego a necessidade de compreensão

 

LIÇÃO 184

O Nome de Deus é minha herança.

1. Tu vives de símbolos. Inventas nome para tudo o que vês. Cada coisa se torna uma entidade separada, identificada por seu próprio nome. Com isto, tu a separas da unidade. Com isto, tu estabeleces suas características peculiares e a destacas de outras coisas dando ênfase ao espaço que a cerca. Tu colocas este espaço entre todas as coisas às quais dás um nome diferente; entre todos os acontecimentos em termos de tempo e lugar; entre todos os corpos que são saudados por um nome.

2. Este espaço que vês como que destacando todas as coisas umas das outras é o meio pelo qual se adquire a percepção do mundo. Tu vês alguma coisa aonde não existe nada e, do mesmo modo, não vês nada aonde existe unidade; um espaço entre todas as coisas, entre todas as coisas e tu. Deste modo, pensas que dás vida na separação. Por esta divisão pensas que és constituído como uma unidade que funciona com uma vontade independente.

3. O que são estes nomes pelos quais o mundo se torna um série de acontecimentos distintos, de coisas desunidas, de corpos que se mantêm separados e que contêm pedaços de mente como consciências separadas? Tu lhes deste estes nomes, fundando a percepção do modo que desejavas que a percepção fosse. Deu-se nome às coisas sem nome e, deste modo, também se deu realidade a elas. Pois àquilo a que se dá nome dá-se significado e ele será visto, então, como significativo; uma causa de efeito verdadeiro com consequência inata em si mesma.

4. É deste modo que se faz a realidade pela visão tendenciosa, predisposta contra a verdade de maneira intencional. A integridade é sua inimiga. Ela imagina coisas insignificantes e as vê. E uma falta de espaço, uma sensação de unidade ou uma visão que vê de forma diferente se tornam ameaças que ela tem de vencer, combater e negar.

5. No entanto, esta outra visão ainda continua a ser uma orientação natural para a mente conduzir sua percepção. É difícil ensinar à mente milhares e milhares de nomes estranhos. Porém, tu acreditas que isto é o que aprender significa; sua meta única e essencial por meio da qual se chega à comunicação e pela qual se pode compartilhar conceitos de modo significativo.

6. Esta é a essência da herança que o mundo dá. E todo aquele que aprende a pensar que isto é verdade aceita os sinais e símbolos que asseguram que o mundo é real. É nisto que eles acreditam. Eles não deixam nenhuma dúvida de que aquilo que tem nome existe. Pode ser visto do modo que se esperava. Aquilo que nega que ele seja verdadeiro é apenas ilusão, pois ele é a realidade final. É loucura questioná-lo; aceitar sua presença é a prova da sanidade.

7. Este é o ensinamento do mundo. É uma fase do aprendizado por que cada um dos que vêm tem de passar. Mas quanto mais cedo ele perceber em que ela se baseia, quão questionáveis são suas premissas, quão duvidosos seus resultados, tanto mais rápido ele questionará seus efeitos. O aprendizado que cessa naquilo que o mundo quer ensinar não chega ao sentido. Em seu lugar adequado, ele só serve como um ponto de partida a partir do qual outro tipo de aprendizado pode começar; pode-se adquirir uma nova percepção e todos os nomes arbitrários que o mundo dá podem ser retirados à medida que são questionados.

8. Não penses que fizeste o mundo. As ilusões, sim! Mas aquilo que é verdadeiro na terra e no Céu está além de tua capacidade de dar nomes. Quando chamas um irmão, é a seu corpo que apelas. A verdadeira Identidade dele está escondida de ti por aquilo que acreditas que ele realmente é. Seu corpo reage àquilo de que tu o chamas, pois sua mente concorda em assumir o nome que lhe deste como seu. E, assim, sua unidade é negada duas vezes, em razão de o perceberes separado de ti e por ele aceitar este nome separado como seu.

9. De fato, seria estranho se se pedisse para ires além de todos os símbolos do mundo, esquecendo-os para sempre, e  se se pedisse, ao mesmo tempo, que aceitasses uma função de ensinar. É necessário que uses os símbolos do mundo por algum tempo. Mas não te deixes enganar por eles também. Eles não representam absolutamente nada e, em tua prática, é este pensamento que te liberará deles. Eles se tornam apenas o meio pelo qual tu podes te comunicar de formas que o mundo pode entender, mas que reconheces não ser a unidade na qual se pode encontrar a verdadeira comunicação.

10. Assim, o que necessitas são intervalos diários nos quais o aprendizado do mundo se torne uma fase transitória; uma prisão da qual sais para a luz do sol e esqueces a escuridão. Aqui compreendes a Palavra, o Nome que Deus te deu; a única Identidade que todas as coisas compartilham; o único reconhecimento daquilo que é verdadeiro. E, em seguida, recuas para a escuridão, não porque pensas que ela é real, mas apenas para declarar sua irrealidade em termos que ainda façam sentido no mundo que a escuridão governa.

11. Usa todos os nomes e símbolos inúteis que descrevem com precisão o mundo das trevas. Mas não os aceites como tua realidade. O Espírito Santo usa todos eles, mas Ele não esquece que a criação tem um só Nome, um único significado e uma Fonte singular que unifica todas as coisas em Si Mesma. Usa todos os nomes que o mundo lhes dá apenas por conveniência, mas não te esqueças de que elas compartilham o Nome de Deus juntamente contigo.

12. Deus não tem nenhum nome. E, não obstante, o Nome d'Ele vem a ser a lição final segundo a qual todas as coisas são uma só e, nesta lição, todo o aprendizado termina. Unificam-se todos os nomes; preenche-se todos os espaços com o reflexo da verdade. Fecha-se toda brecha e cura-se a separação. O Nome de Deus é a herança que Ele deu àqueles que escolheram o ensinamento do mundo para substituir o Céu  Em nossa prática, nosso objetivo é permitir que nossas mentes aceitem o que Deus deu como resposta à herança lamentável que fizeste como tributo adequado ao Filho que Ele ama.

13. Ninguém que busque o significado do Nome de Deus pode fracassar. A experiência tem de vir para completar a Palavra. Mas primeiro tens de aceitar o Nome com sendo toda a realidade e perceber claramente que os muitos nomes que deste a seus aspectos distorcem o que vês mas não atrapalham em absoluto a verdade. Trazemos um único Nome a nossa prática. Usamos um único Nome para unificar nossa visão.

14. E, embora utilizemos um nome diferente para cada percepção de um aspecto do Filho de Deus, entendemos que eles só têm um Nome, que Ele lhes dá. É este Nome que usamos ao praticar. E, pelo uso d'Ele, todas as separações tolas que nos mantinham cegos desaparecem. E recebemos força para ver além delas. Agora nossa visão é abençoada com bênçãos que podemos dar do mesmo modo que recebemos.

15. Pai, nosso Nome é o Teu. N'Ele estamos unidos a todas as coisas vivas e a Ti Que és seu único Criador. Aquilo que fizemos e que chamamos com muitos nomes diferentes é apenas uma sombra que tentamos lançar sobre Tua Própria realidade. E estamos felizes e gratos porque estávamos errados. Damos a Ti todos os nossos erros para que possamos ser absolvidos de todos os efeitos que nossos erros pareciam ter. E aceitamos a verdade que Tu dás em lugar de cada um deles. Teu Nome é nossa salvação e saída para o que fizemos. Teu Nome nos reúne na unidade que é nossa herança e nossa paz. Amém.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 184

Caras, caros,

Falamos ontem também a respeito do Nome de Deus, que é nosso próprio nome. Ampliemos, pois, nossa reflexão com as práticas da ideia que o ensinamento nos oferece para hoje.

"O Nome de Deus é minha herança."

Como já lhes disse muitas outras vezes, a ideia que vamos praticar hoje é uma espécie de continuação da ideia das práticas de ontem, com um grande aprofundamento para se refletir. Uma ideia que, ontem, já alertava para a inutilidade das palavras como instrumento para descrição da realidade. Isto é, tudo o que pudermos dizer com palavras a respeito da realidade não é a realidade. Ou tudo o que dissermos a respeito de Deus não é Deus. Ou dizendo ainda de outra forma, de acordo com uma expressão dos taoístas: tudo aquilo que se pode dizer do Tao não é o Tao.

Do mesmo modo, a palavra Deus não serve para descrever nem a ideia de Deus, nem tudo o que ela encerra. Nós usamos as palavras apenas pela conveniência, em uma tentativa de comunicação baseada em símbolos carregados de conceitos [e muitas vezes, na maioria delas até, eu diria, de preconceitos, que são, sem dúvida alguma, julgamentos] que partilhamos com outros falantes da língua de que nos valemos para falar das coisas que os símbolos nomeiam. Todavia, não sabemos o que elas, as coisas mesmo, são, de fato, nem para que servem, se nos lembrarmos de uma das primeiras lições desta jornada para desaprender o que o mundo ensina, como ponto de partida para o verdadeiro aprendizado.

Há sempre um acordo tácito entre a pessoa que fala e a que ouve no sentido de se chegar à comunicação, ao entendimento daquilo a que o falante se refere e que deve ser decodificado por aquele que ouve. Precisamos, porém, como nos adverte a lição de hoje, aprender a não confundir a coisa com o símbolo e vice-versa.

Lembrando do que nos diz o texto do Curso a certa altura: "Tu que falas através de símbolos obscuros e tortuosos, não compreendes a linguagem que fizeste. Ela não tem significado, pois seu propósito não é a comunicação, mas sim o rompimento da comunicação. Se o propósito da linguagem é a comunicação, como essa língua pode significar alguma coisa"?

Já aprendemos também  que a verdadeira comunicação se dá entre as mentes que partilham uma mesma intenção. Esta comunicação - a verdadeira -, pois, independe de palavras, independe de símbolos. Quando precisamos recorrer a eles - aos símbolos - para tentar descrever o que se passou em nós, o momento já passou e a comunicação já se interrompeu. Não há como descrever o indescritível. Não há como nomear o inominável. Não há como dizer o indizível, como já lhes disse também em outras ocasiões. 

Podemos pensar ainda que a linguagem poética, isto é, a linguagem da poesia, dos e das poetas, talvez traga em si a possibilidade de uma compreensão que, às vezes, nos coloca próximos da comunicação, por tirar das palavras o significado comum, raso e plano, dando-lhes, e a nós, uma perspectiva e uma profundidade que normalmente, por si só, elas não têm. Como se na poesia as palavras pudessem receber uma carga de significados que vai além das formas e dos símbolos, que vai além do som e dos conceitos que nos habituamos a atribuir a elas.

Convido-os e convido-as, pois, mais uma vez, a praticarem com o Nome de Deus, que é também o nosso e que é a melhor forma de nos pormos em contato com nossa Identidade verdadeira.


*

Um adendo que continua válido:

Ampliando o comentário de nossa colega Cida, feito à lição 183, num dos anos passados, compartilho sua impressão e o modo pelo qual ela entende que deve [e que devemos todos nós] praticar, ao mesmo tempo em que agradeço mais uma vez a ela por continuar conosco e por suas palavras. [Você continua conosco, Cida?]

Acrescento, então, como também o fiz antes, algumas observações, considerações, que devem servir bem à nossa reflexão, quer para a lição que praticamos ontem, quer para a de hoje, ou ainda para todas e para cada uma das lições.

Em primeiro lugar há que se dizer que sim, sim, Cida, como você dizia lá atrás, a única alternativa, para quem decidiu despertar, é dedicar-se com afinco e colocar a teoria em prática diariamente, em todos os instantes possíveis.

E é também verdade que, à medida que praticamos, deixando-nos envolver pela Luz do Espírito que se manifesta por nosso intermédio, esta Luz faz o trabalho de dissolver as crenças arraigadas que, desde os tempos imemoriais, nos limitam e nos impedem de viver a unidade com o divino em nós mesmos e em nós mesmas e, por consequência, com tudo o que existe.

Precisamos, porém, ter sempre um enorme cuidado e a maior atenção, quando falamos das coisas terrenas, porque é nesta questão que, como se diz popularmente, "mora o perigo". E digo isto pensando que é neste ponto exatamente que o ego nos empurra na direção de mais separação.

Tentando explicar melhor, podemos dizer  que "as coisas terrenas" fazem parte tão somente da experiência que escolhemos viver na forma, ao virmos a este mundo de aparências e ao nos valermos de um corpo limitado pelos sentidos, pelo tempo e pelo espaço, porque, elas mesmas, ilusórias.

No fundo, no fundo, e ao final da jornada, quando nos abrirmos para receber apenas a inspiração da Luz do Espírito em nós, haveremos de perceber claramente que não existe isso de "coisas terrenas", ou "coisas dos corpos" e "coisas de Deus" separadas. Só existe Deus. Tudo, de um modo ou de outro, é apenas Deus Se manifestando desta ou daquela forma, por mais estranho que as formas possam nos parecer, por vezes.

Ou, como diz Joel Goldsmith, lembrando um trechinho de seu livro A Arte de Curar pelo Espírito: quando começarmos a olhar o mundo com os olhos do Espírito, veremos em cada coisa à volta de nós - nas flores, nas nuvens, nas estrelas, no pôr-do-sol, no amanhecer - alguma coisa maior do que aquilo que a mente humana pode apreender. Por detrás de cada forma, aparentemente externa, há sempre mais do que a mente ou o olho humano podem compreender. Quando vemos com a visão do Espírito, vemos o homem-Deus e a mulher-Deus, criados à imagem e semelhança d'Ele. Não como homem ou mulher, cujas formas não têm nada a ver com a imagem de Deus. Nossa semelhança a Ele diz respeito ao espírito apenas, ao que somos na verdade.

É isto que pode - e vai, com certeza - nos tornar seres despertos.

Assim, como eu disse acima, precisamos tomar muito cuidado com as coisas do mundo. Elas não são, na aparência, a "Real Substância", como você diz, mas precisamos ver além das aparências, porque além delas, existe, sim, em tudo e em todos, a "Real Substância". Poderíamos perfeitamente dizer que além das aparências é possível ver o espírito em cada coisa: a luz.

Podemos, portanto, ter Jesus, o homem, como exemplo de alguém - Deus manifestado - que viveu sua vida terrena a partir do Ser, mas para vivermos a partir do Ser não é necessário que o idolatremos, aliás, isto é bem o contrário do que se diz que ele ensinou e daquilo que o Curso ensina, diferentemente do que querem que aprendamos as religiões tornadas instituições, que se valem do poder terreno para submeter e subjugar homens e mulheres.

Entendo o que você quer dizer, quando fala de viver como o Cristo, mas lembremo-nos de que o Cristo está em cada um e cada uma de nós, "Cristo" é o que cada um e cada uma de nós é na unidade com Deus. Por isso o Curso ensina que "tudo está absolutamente certo exatamente como está". 

Não há nada que precisemos mudar, nem no mundo, nem em nenhum de nós mesmos, ou em nenhuma de nós mesmas, a não ser a percepção, que, quando equivocada, cedendo à crença na separação do ego, nos mostra um mundo diferente daquele que é a Vontade de Deus para nós e que nos afasta da alegria, que é nossa condição natural de Filhos d'Ele.

Em seu livro "A história completa do Curso em Milagres", o jornalista D. Patrick Miller colhe um depoimento de Kenneth Wapnick - um dos primeiros professores do Curso, que auxiliou Helen a editar o livro para ele ter o formato que nos chegou às mãos -, em que Wapnick diz ser necessário chamar a atenção dos estudantes do Curso para eles não se esquecerem de ser normais.

Eis as palavras dele no livro, que talvez sirvam para nos dar alguma clareza a respeito da forma que temos de aprender para nos aproximarmos dos ensinamentos do Curso:

"Frequentemente constato que é preciso recomendar às pessoas: Não se esqueçam de ser normais. Os estudantes podem acabar achando que não precisam trancar a porta de noite, pois o Curso lhes diz que confiem; podem cancelar o seguro, porque o Curso lhes diz que não planejem o futuro, e podem se sentir culpados quando espirram, porque o Curso diz que 'a doença é uma defesa contra a verdade'. Daí eu preciso lembrar a eles que sejam normais. Naturalmente, que sejam solidários com alguém que esteja doente. Que não comecem a fazer sermão sobre o fato de a doença ser uma defesa.

"O que as pessoas costumam fazer é negar o ponto em que se encontram, ou procuram reinterpretar seu comportamento atual dentro das linhas intelectuais do Curso, em vez de se modificarem segundo a orientação interna [do espírito]. O Curso não nos pede que neguemos nossos sentimentos e experiências [das "coisas terrenas"] - de fato, ele faz exatamente o contrário. Ele diz que devemos olhar claramente para nossos sentimentos [e emoções], com a intenção de 'trazê-los à verdade'. Não podemos fazer isto sem fazer aquilo, sem estarmos plenamente conscientes do que sentimos."

Uma última palavrinha. Atentemos à expressão de Wapnick no segundo parágrafo da citação: as pessoas procuram "reinterpretar seu comportamento atual dentro das linhas intelectuais [grifo meu] do Curso, em vez de se modificarem segundo a orientação interna".

Sabemos já de longa data que não há como compreender intelectualmente Deus, o Espírito, a Verdade, o Amor, a Justiça, a Alegria, a Luz, a Consciência, a Paz de Espírito, o Tao, ou qualquer outra palavra de que possamos lançar mão para nos referirmos ao EU SOU, que cada um, e cada uma, de nós é na Unidade. Isto é mais ou menos o que está dito lá nos parágrafos que abrem o comentário à lição que praticamos hoje.

Então, ao nos aproximarmos do Curso, precisamos deixar de lado qualquer intenção de "compreender". Voltem, por favor, à postagem de 20 de fevereiro, dos últimos anos. Lá, na tradução que fiz do livro de Tara Singh vamos encontrar, entre outras coisas, o seguinte:

"O Curso deixa muito claro que a compreensão não é necessária [a não ser para o ego, para reforçar a vontade que o ego tem de existir de fato]; ela não tem importância. Nós sempre pensamos que ela era importante. Toda a nossa vida foi dedicada a compreender. O Curso diz que não precisas compreender a lição, mas tens de praticá-la. De fato, tu podes até mesmo resistir à lição ou achá-la irritante. Está certo. Podes manter tua opinião; tua mente ainda não está treinada."

E assim por diante...

Post Scriptum

Ao atualizar este comentário ocorreu-me o seguinte, a partir da afirmação do Curso, segundo a qual não existe nada fora. Pode-se dizer, então, a partir disso, que tudo o que buscamos em nossa vida fora de nós mesmos e de nós mesmas não é senão uma forma de idolatria. Quer dizer, quando nos pomos a buscar nesta ou naquela religião, neste ou naquele ensinamento, nesta ou naquela doutrina, num líder qualquer no mundo, por algo que acreditamos não ter, estamos procurando no lugar errado. É só dentro de nós mesmos e de nós mesmas que vamos poder, mais dia, menos dia, encontrar aquilo que nos dá a paz e a alegria. A casa. O lar. Em nós mesmos, em nós mesmas, estejamos aonde estivermos, façamos o que quer que façamos.

Lembremo-nos sempre, ou busquemos nos lembrar sempre com toda a atenção de que somos capazes, que o mundo aparente e tudo o que há nele, seja o que for, é apenas um reflexo do que trazemos dentro. Para ser bem claro e cristalino, nada, nada, nada, mas nada mesmo, do que eu procuro fora de mim existe de verdade, a não ser que exista em mim. Como querer, então, que algo de fora me possa ensinar? Como acreditar, então, em qualquer coisa que alguém diga com vistas a me fazer parecer menor do que sou. Ou maior do que penso ser. Todo o poder que existe é meu. Se não o uso, é apenas por escolha minha. Se alguém duvida do que sou capaz, duvida apenas porque reflete, para confirmar um equívoco comum meu e da maioria das pessoas, uma dúvida que eu mesmo tenho a meu respeito. Mas, perguntemo-nos sempre, neste caso e em todos os outros sobre os quais ainda pairam dúvidas: quem é este "eu" que duvida?

Às práticas?

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Somos só uma ideia à imagem e semelhança de Deus

 

LIÇÃO 183

Invoco o Nome de Deus e o meu próprio.

1. O Nome de Deus é santo, mas não é mais santo do que o teu. Invocar o Nome de Deus é apenas invocar teu próprio nome. Um pai dá seu nome ao filho e, assim, identifica o filho consigo. Os irmãos dele compartilham o nome e, deste modo, ficam unidos por um laço ao qual se voltam em busca de sua identidade. O Nome de teu Pai te lembra de quem tu és, mesmo em um mundo que não sabe; mesmo que tu não te lembres.

2. O Nome de Deus não pode ser ouvido sem resposta, nem dito sem um eco na mente que te convida a lembrar. Dize o Nome d'Ele e convidas os anjos a envolverem o solo em que te encontras e a cantarem para ti enquanto abrem suas asas para te manter seguro e te proteger de todo pensamento mundano que se intrometeria em tua santidade.

3. Repete o Nome de Deus e todo o mundo responde abandonando as ilusões. Cada sonho a que o mundo dá valor desaparece subitamente e, onde ele parecia estar, encontras uma estrela; um milagre da graça. Os doentes se levantam, curados de seus pensamentos doentios. Os cegos podem ver; os surdos podem ouvir. Os infelizes abandonam sua lamentação e as lágrimas de dor secam quando o riso feliz vem para abençoar o mundo.

4. Repete o Nome de Deus e os nomes insignificantes perdem o sentido. Todas as tentações se tornam apenas uma coisa inominável e indesejável diante do Nome de Deus. Repete o Nome d'Ele e vê com que facilidade esqueces os nomes de todos os deuses que valorizaste. Eles perdem o nome de deus que lhes deste. Tornam-se anônimos e inúteis para ti, embora, antes de deixares que o Nome de Deus substitua seus nomes insignificantes, ficasses diante deles em adoração chamando-os de deuses.

5. Repete o Nome de Deus e invocas teu Ser, Cujo Nome é o d'Ele. Repete o Nome d'Ele e todas as coisas pequeninas e inomináveis sobre a terra assumem a perspectiva correta. Aqueles que invocam o Nome de Deus não podem confundir o inominável pelo Nome, nem o pecado pela graça, nem corpos pelo Filho santo de Deus. E, se te unires a um irmão, enquanto te sentas com ele em silêncio, e repetires o Nome de Deus junto com ele em tua mente calma, estabeleces aí um altar que alcança o Próprio Deus e Seu Filho.

6. Pratica apenas isto hoje: repete o Nome de Deus lentamente muitas e muitas vezes. Esquece todos os nomes a não ser o d'Ele. Não ouças mais nada. Deixa que todos os teus pensamentos se prendam a isto. Não usamos nenhuma outra palavra exceto no início, quando declaramos a ideia de hoje apenas uma vez. E, então, o Nome de Deus se torna nosso único pensamento, nossa única palavra, a única coisa que ocupa nossas mentes, o único desejo que temos, o único som com algum significado e o único Nome de tudo o que desejamos ver, de tudo o que chamaríamos de nosso.

7. Deste modo fazemos um convite que não pode ser recusado nunca. E Deus virá e Ele Mesmo o atenderá. Não penses que Ele ouve as preces inúteis daqueles que O invocam com os nomes de ídolos que o mundo preza. Eles não podem alcançá-Lo desta forma. Ele não pode ouvir os apelos a Ele para não ser Ele Mesmo, ou para que Seu Filho receba outro nome que não o d'Ele.

8. Repete o Nome de Deus e O reconheces como o único Criador da realidade. E reconheces também que Seu Filho é parte d'Ele, criando em Seu Nome. Senta em silêncio e deixa que o Nome d'Ele se torne a ideia todo-abrangente que ocupa por completo tua mente. Deixa que todos os pensamentos silenciem exceto este. E responde a todos os outros com isto e vê o Nome de Deus substituir os milhares de nomes insignificantes que deste a teus pensamentos, sem te aperceberes de que há um único Nome para tudo o que existe e para tudo o que existirá.

9. Hoje podes chegar a um estado no qual experimentarás a dádiva da graça. Podes escapar de toda a escravidão do mundo e dar ao mundo a mesma liberação que achaste. Podes lembrar daquilo que o mundo esqueceu e lhe oferecer tua própria lembrança. Hoje podes aceitar o papel que desempenhas na salvação do mundo e também em tua própria salvação. E ambas podem se realizar por completo.

10. Volta-te para o Nome de Deus para tua liberação e ela te é dada. Não é necessário nenhuma prece a não ser esta, pois ela contém todas em si. As palavras são insignificantes e todos os apelos desnecessários quando o Filho de Deus invoca o Nome de seu Pai. Os Pensamentos de seu Pai se tornam seus próprios pensamentos. Ele reclama para si tudo o que seu Pai deu, ainda dá e dará para sempre. Ele Lhe pede que deixe que todas as coisas que ele pensava ter feito fiquem sem nome agora e que, no lugar delas, o santo Nome de Deus seja sua compreensão da inutilidade delas.

11. Todas as coisas insignificantes estão quietas. Agora os sons insignificantes são inaudíveis. As coisas insignificantes da terra desaparecem. O universo não se constitui de nada que não do Filho de Deus, que invoca seu Pai. E a Voz de seu Pai responde em Nome do santo Nome de seu Pai. Neste relacionamento eterno e sereno, no qual a comunicação transcende de longe todas as palavras e ainda supera a profundidade e a elevação do que quer que as palavras poderiam transmitir, está a paz eterna. Em nome de nosso Pai queremos experimentar esta paz hoje. E, em Nome d'Ele, ela nos será dada.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 183

Caras, caros,

Dentre as lendas e mitos que incorporamos a nossas vidas, está o mito da criação do mundo, por um Deus que se sentia só. Depois do mundo criado, criados o homem e a mulher, a história tomou um rumo diferente daquele que "Deus" poderia imaginar, de acordo com as narrativas que foram sendo registradas ao longo do tempo.

Entre estas narrativas, encontramos também a história de Moisés, salvador do povo judeu do cativeiro dos egípcios. E Moisés, reza a lenda, subiu ao Monte Sinai e, lá, recebeu as Tábuas da Lei. Os Dez Mandamentos que encontramos no Antigo Testamento da Bíblia judaico-cristã. Entre os principais mandamentos se encontram o que exorta as pessoas a amarem a Deus sobre todas as coisas e a não tomarem seu santo nome em vão.

Ora, o Nome de Deus é nosso próprio nome, o nome de cada uma e de cada um de nós, criadas e criados à sua imagem e semelhança. Mas não da forma que nos ensina o sistema de pensamento do ego, que nos diz que nós somos corpos. À imagem e semelhança de Deus, somos ideias, espíritos de luz, não corpos.

É disto que vamos tratar nas práticas com a ideia que o ensinamento reserva para nós neste dia. 

"Invoco o Nome de Deus e o meu próprio."

Invocar o nome de Deus é invocar também meu próprio nome, uma vez que fui criado à imagem e semelhança d'Ele/Ela [lembrando-nos de que esta semelhança não tem absolutamente nada a ver com o corpo, uma vez que, tal qual Deus, o que somos é espírito. Ideias.]. É n'Ele/Ela que encontro minha verdadeira Identidade, minha realidade além das aparências e além da falsa identidade que aceitei ao acreditar no que me diz o ego, a partir da percepção dos sentidos e do corpo, com o que ele se confunde e com o qual quer me confundir.

Assim, meio que repriso uma vez mais um comentário anterior a esta mesma lição, com pequenas alterações e acréscimos, por continuar gostando dele. Creio, quer dizer, continuo a crer que ele exprime alguns aspectos de nosso envolvimento com a percepção dos sentidos, da forma e do corpo, aos quais muitas vezes não estamos atentos, em atentas, distraídos e distraídas que estamos de nós mesmos e de nós mesmas a maior parte do tempo. Posso dizer, então, de novo que a ideia que o Curso nos oferece para as práticas de hoje, tem tudo a ver com aquilo que Eckhart Tolle diz a respeito das palavras no segundo capítulo de seu livro Um Novo Mundo - O Despertar de uma Nova Consciência.

E penso, continuo a pensar, que o que ele diz pode, inclusive, ser de grande auxílio em nossas práticas de hoje, ajudando-nos a abrir mão das palavras, de conceitos preconcebidos e de ideias limitadoras que temos acerca do mundo, das coisas do mundo e de nós mesmos e de nós mesmas, em favor do uso de uma só palavra: Deus. Deus é a única palavra que traz em si todo o significado de todas as coisas. Lembrando-nos de que as palavras só têm o significado e o valor que cada um e cada uma de nós dá a elas.

Eis o que Eckhart Tolle diz: 

"As palavras, não importa se são verbalizadas e transformadas em sons ou se permanecem como pensamentos, podem lançar um encanto quase hipnótico sobre nós. É muito fácil nos perdermos por causa delas, sermos hipnotizados pela crença implícita de que, quando vinculamos um termo a alguma coisa sabemos o que ela é. A verdade é que não sabemos o que ela é. Apenas encobrimos o mistério com um rótulo. Tudo - um pássaro, uma árvore, uma simples pedra e, certamente, um ser humano - é, em última análise, incognoscível. Isto porque o que podemos perceber, experimentar, e a respeito do que podemos pensar, é a camada superficial da realidade, menos do que a ponta de um iceberg.

"(...) As palavras reduzem a realidade a algo que a mente humana é capaz de entender, o que não é muita coisa. A linguagem consiste em cinco sons básicos que se originam nas cordas vocais. Elas são as vogais a, e, i, o, u. Os outros sons são consoantes produzidas pela pressão do ar: s, f, g, e assim por diante. Você acredita que alguma combinação destes sons básicos é suficiente para explicar o que é você, o propósito supremo do universo ou até mesmo o que uma árvore ou uma pedra são em essência?" 

Ampliando ainda um pouco mais o comentário, creio que as práticas com a ideia de hoje podem nos levar a compreender também o que, no dizer de Karen Armstrong, em seu livro Em defesa de Deus, já sabiam e sabem "alguns dos maiores teólogos judeus, cristãos e muçulmanos", e mais todos os mestres espirituais de todos os tempos. Isto é, que, "embora seja importante expressar nossas ideias sobre o divino" ..., "todas as palavras utilizadas para descrever coisas mundanas não servem para falarmos de Deus. Ele não é bom, divino, poderoso ou inteligente em qualquer sentido que possamos compreender. Não podemos sequer dizer que Deus existe, porque nosso conceito de existência é limitado demais".

É por esta razão que o próprio Curso a certa altura afirma que, em alguma instância, por mais vagamente que seja, reconhecemos "que Deus é [apenas] uma ideia" e que a fé n'Ele/Ela se reforça pelo compartilhar. Mais do que só isso o Curso afirma: "O que achas difícil aceitar é o fato de que, assim como teu Pai, tu és uma ideia" [e não um corpo]: à imagem e semelhança de Deus.

Isso tudo é razão suficiente para nos dedicarmos com afinco e atenção às práticas, não acham? 

Às práticas?

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Para o Curso, a meditação visa à abertura ao divino

 

LIÇÃO 182

Ficarei quieto por um instante e irei para casa.

1. O mundo no qual pareces viver não é tua casa. E, em algum lugar em tua mente, tu sabes que isto é verdade. Uma lembrança de casa continua a te assombrar, como se houvesse um lugar que te pede para voltares, embora não reconheças a voz nem aquilo de que a voz te lembra. Porém, tu ainda te sentes um estranho aqui, vindo de algum lugar completamente desconhecido. Nada tão definido que possas dizer com certeza que és um exilado. Apenas uma sensação constante, às vezes, não mais do que um pequenino arrepio, vagamente lembrada, em outros momentos rejeitada com vigor, mas algo que, com certeza, voltará à mente de novo.

2. Não há ninguém que não saiba do que falamos. No entanto, alguns tentam pôr de lado o sofrimento em jogos de que se valem para ocupar o tempo e manter sua tristeza longe de si mesmos. Outros negam estar tristes e não reconhecem suas lágrimas em absoluto. Outros, ainda, insistem que isso de que falamos é ilusão, algo a ser considerado como nada mais do que apenas um sonho. Porém, com absoluta honestidade, fora da defensiva e do auto-engano, quem negaria que compreende o que dizemos?

3. Falamos por todo aquele que anda por este mundo, pois ele não está em casa. Ele vaga incerto em uma procura sem fim, buscando nas trevas o que não pode achar, sem reconhecer o que procura. Constrói mil casas embora nenhuma satisfaça sua mente irrequieta. Ele não compreende que constrói em vão. O lar que ele busca não pode ser construído por ele. Não há nenhum substituto para o Céu. Tudo o que ele já fez foi o inferno. 

4. Talvez penses que é o lar de tua infância que queres achar novamente. Agora, a infância de teu corpo e seu abrigo são uma lembrança tão distorcida, que só tens um retrato de um passado que nunca aconteceu. Mas há uma Criança em ti Que busca a casa de Seu Pai e que sabe que Ela é uma estranha aqui. Esta infância é eterna, com uma inocência que durará para sempre. Aonde quer que esta Criança vá é solo sagrado. É a Santidade d'Ela que ilumina o Céu e que traz à terra o reflexo puro da luz acima, na qual terra e Céu estão unidos como uma coisa só.

5. É esta Criança em ti que teu Pai conhece como Seu Próprio Filho. É esta Criança Que conhece Seu Pai. Ela deseja ir para casa tão profunda e continuamente que Sua voz te implora que A deixes descansar um momento. Ela não te pede mais do que apenas uns poucos instantes de repouso; apenas um intervalo no qual Ela possa voltar a respirar mais uma vez o ar sagrado que enche a casa de Seu Pai. Tu também és a casa d'Ela. Ela voltará. Mas dá-Lhe apenas um breve momento para que Ela seja Ela Mesma, na paz que é a casa d'Ela, descansando no silêncio e na paz e no amor.

6. Esta Criança precisa de tua proteção. Ela está longe de casa. Ela é tão pequenina que parece fácil excluí-La, Sua voz débil tão prontamente escondida, Seu pedido de ajuda quase inaudível em meio aos sons discordantes e barulhos ásperos e irritantes do mundo. Mas Ela sabe que Sua proteção segura ainda habita em ti. Tu não A abandonarás. Ela irá para casa e tu junto com Ela.

7. Esta Criança é tua não-defensiva; tua força. Ela confia em ti. Ela veio porque sabia que não fracassarias. Ela murmura sem cessar a respeito de Sua casa para ti. Pois Ela quer te levar de volta com Ela, para que Ela Mesma possa ficar e não voltar mais uma vez a um lugar que não é o lugar d'Ela e no qual Ela vive como um pária em um mundo de pensamentos estranhos. A paciência d'Ela não tem limites. Ela esperará até ouvires Sua Voz suave dentro de ti, pedindo que A deixes ir em paz, junto contigo, ao lugar em que Ela está em casa e tu com Ela.

8. Quando ficares quieto por um instante, quando o mundo se afastar de ti, quando ideias inúteis deixarem de ter valor em tua mente irrequieta, então ouvirás a Voz d'Ela. Ela te chama de modo tão comovente que não resistirás mais a Ela. Nesse instante, Ela te levará para Sua casa e tu ficarás com Ela em completa tranquilidade, silêncio e paz, além de todas as palavras, não perturbado pelo medo e pela dúvida, com a certeza sublime de que estás em casa.

9. Descansa com Ela com frequência hoje. Pois Ela estava disposta a se tornar uma Criancinha para que pudesses aprender d'Ela quão forte é aquele que vem sem defesas, oferecendo apenas mensagens de amor para aqueles que pensam que ela é seu inimigo. Ela carrega o poder do Céu em Sua mão e os chama de amigos e lhes dá Sua força, para que possam ver que Ela quer ser Amiga deles. Ela pede que eles A protejam, pois o lar d'Ela está muito distante e Ela não voltará para lá sozinha.

10. Cristo renasce como apenas uma Criancinha cada vez que um peregrino quer deixar sua casa. Pois ele tem de aprender que aquilo que quer proteger é apenas esta Criança, Que chega sem defesa e Que está protegida pela não-defensiva. Vai para casa com Ela de vez em quando hoje. Tu és tão estranho aqui quanto Ela.

11. Reserva tempo, hoje, para pôr de lado teu escudo que não te favorece em nada e depõe a lança e a espada que levantaste contra um inimigo inexistente. Cristo te chama de amigo e de irmão. Ele inclusive veio pedir tua ajuda para permitir que Ele vá para casa hoje, completo e completamente. Ele vem do mesmo modo que vem uma criancinha, que tem de pedir proteção e amor a seu pai. Ele rege o universo e, no entanto, te pede de forma incessante que voltes com Ele e que não aceites mais ilusões como teus deuses.

12. Tu não perdeste tua inocência. É por isto que anseias. Este é o desejo de teu coração. Esta é a voz que ouves e é este o chamado a que não se pode dizer não. A Criança sagrada permanece contigo. A casa d'Ela é a tua. Hoje, Ela te dá Sua não-defensiva e tu a aceitas em troca de todos os brinquedos de guerra que fizeste. E agora o caminho de casa está aberto e a jornada tem um termo em vista finalmente. Fica quieto por um instante e vai para casa com Ela, e fica em paz por algum tempo.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 182

Caras, caros,

Quanto tempo em suas vidas, nestes dias atuais atribulados, cheios de compromissos, agendas lotadas, tudo por fazer todos os dias, todos os minutos ocupados, vocês encontram para ficar em silêncio?

E que dizer dos ruídos do mundo inteiro, em todos os lugares, a estática dos aplicativos dos celulares, a estática das conversas nos grupos, nas discussões com pessoas que têm opiniões diferentes? 

Hoje em dia, estamos o tempo todo à mercê do que ditam os influenciadores, as influenciadoras. Há que se comprar isto, há que se adquirir aquilo, há que se experimentar a última dieta para emagrecer, para perder peso, para encontrar o equilíbrio na saúde, na vida amorosa, na vida sexual e na situação econômica. Ninguém tem tempo nem espaço para parar. Ninguém tem espaço ou tempo para se dedicar a si.

Será que estamos indo no caminho certo? Alguém já pensou a respeito? É isto que a ideia para as práticas de hoje nos traz para a reflexão.

"Ficarei quieto por um instante e irei para casa."

A ideia que o Curso traz para nossas práticas de hoje nos remete uma vez mais à meditação. Não àquela para a qual necessariamente precisamos buscar um local tranquilo, preparando-nos para sentar em posição de lótus e nos entregarmos à interiorização, a partir de um mantra murmurado mentalmente até atingirmos o estado em que não somos mais bombardeados pelos pensamentos do ego. Ou, ao menos, até atingirmos o estado em que deixamos passarem os pensamentos sem nos ligarmos a nenhum deles.

A meditação que o Curso pede é aquela que pode nos levar ao ponto em que, cansados e cansadas de todo o ruído, de toda a estática do mundo, que nos impedem de chegar a nós mesmos, ou a nós mesmas, ao centro, ao divino interior e a um estado de pura atenção, resolvemos calar, aquietar a mente, e mergulhar na direção do mais íntimo de nós, à procura da Criança sagrada em nós, de que nos esquecemos, quando nos deixarmos envolver mais e mais pelas atividades mundanas, insanas e febris, sob a orientação da falsa identidade que aceitamos do ego.

Repetindo o que eu já disse várias outras vezes, a meditação que as práticas nos pedem se refere mais a um estado de atenção, a um estado de alerta que precisamos manter durante nossas atividades do dia, o dia todo e todos os dias, para ouvir a voz da Criança interior, da inocência interior em quaisquer situações em que formos tentados e tentadas a nos afastar, a nos esquecermos de nós mesmos e de nós mesmas e, por consequência, da Criança divina em nós.

Repriso aqui também, uma vez mais, o trecho do poema de Wordsworth, da ode Indícios de Imortalidade, em que ele fala a respeito do lugar a que pertencemos, na verdade:

Nosso nascimento não é mais do que um sono e um esquecimento:
A alma que se levanta conosco, a nossa Estrela de vida,
Tinha sua morada alhures,
E veio de longe, 
Não num completo esquecimento,
E não numa total nudez,
Mas trazendo nuvens de glória, nós viemos
De Deus, que é o nosso lar...

Vamos voltar, então, uma vez mais ainda, nossa atenção à oração de Thomas Merton, do livro Diálogos com o Silêncio [uma forma de meditação], que certamente pode nos indicar o caminho para a volta ao lar do mesmo modo que as práticas orientam. Diz ele:

Senhor, meu Deus, não tenho ideia de onde estou indo.
Não vejo o caminho adiante de mim. 
Não posso saber com certeza onde terminará. Nem
sequer, em verdade, me conheço. E o fato de pensar
que estou seguindo Tua vontade, não significa que
realmente o esteja fazendo. Mas creio que o desejo de
Te agradar Te agrada, de fato. E espero jamais vir a 
fazer algo contrário a esse desejo. E sei que, se agir assim,
Tu hás de me levar pelo caminho certo, embora eu possa
nada saber a esse respeito. Portanto, hei de confiar sempre
em Ti, ainda que eu possa parecer estar perdido e na sombra
da morte. Não temerei, pois Tu estás sempre comigo, e
nunca me deixarás enfrentar meus perigos sozinho. 

Às práticas?

terça-feira, 30 de junho de 2026

Só de dentro de nós poderá vir a felicidade verdadeira

 

Introdução às Lições 181-200

1. Nossas poucas lições seguintes fazem questão particular de fortalecer tua disposição para tornar forte teu frágil compromisso; fundir tuas metas dispersas em uma única intenção. Ainda não se pede de ti uma dedicação total e constante. Mas, agora, pede-se que pratiques a fim de obter a sensação de paz que este compromisso unificado dará, ainda que apenas de modo intermitente. É experimentar isto que assegura que darás tua total disposição para seguir o caminho que o curso apresenta.

2. Agora, nossas lições se ajustam especificamente à ampliação de horizontes e para orientar a aproximação às barreiras particulares que mantêm tua visão reduzida e limitada demais para permitir que percebas o valor de tua meta. Agora, tentamos erguer estas barreiras, ainda que por breves momentos. As palavras, por si só, não podem transmitir a sensação de alívio que o erguer destas barreiras traz. Mas a experiência de liberdade e de paz que surge quanto desistes de teu rígido controle daquilo que percebes fala por si mesma. Tua motivação será tão aumentada que as palavras se tornam de pouca importância. Terás certeza daquilo que queres e daquilo que não tem valor.

3. E, então, começamos nossa jornada para além das palavras concentrando-nos em primeiro lugar naquilo que ainda impede teu avanço. A experiência daquilo que há além da defensiva permanece fora do alcance enquanto ele for negado. Ele pode estar lá, mas não podes aceitar a presença dele. Por isto, agora, tentamos ir além de todas as defesas por alguns momentos a cada dia. Não se pede nada mais do que isto, porque não é necessário nada mais do que isto. Isto será suficiente para garantir que o restante virá.

*

LIÇÃO 181

Confio em meus irmãos, que são um comigo.

1. Confiar em teus irmãos é essencial para estabeleceres e manteres a fé em tua capacidade de transcender a dúvida e a falta de uma confiança inabalável em ti mesmo. Quando atacas um irmão, deixas claro que ele está limitado por aquilo que percebes nele. Tu não olhas para além dos erros dele. Em vez disto, eles são ampliados, tornando-se barreiras a tua consciência do Ser que está além de teus próprios equívocos e além dos pretensos pecados dele bem como dos teus.

2. A percepção tem um centro de interesse. É este centro que dá coerência ao que vês. Muda este centro apenas e o que vês mudará em conformidade. Agora, tua visão mudará para dar apoio à intenção que substituiu a que tinhas antes. Tira o centro de teu interesse dos pecados de teus irmãos e experimentarás a paz que vem da fé na inocência. Esta fé recebe seu único apoio seguro daquilo que vês nos outros além dos pecados deles. Pois seus equívocos, se focalizados, são testemunhas dos teus pecados. E não transcenderás a visão deles para ver a inocência que está além.

3. Por isto, ao praticarmos hoje, deixaremos primeiro que todos estes pequenos centros de interesse deem lugar a nossa enorme necessidade de permitir que nossa inocência se torne aparente. Informamos nossas mentes que é isto, e só isto, o que buscamos por apenas um momento. Não nos importamos com nossas metas futuras. E o que vimos no instante anterior não tem nenhum interesse para nós durante este intervalo de tempo em que exercitamos mudar nossa intenção. Buscamos a inocência e nada mais. Nós a buscamos sem nenhuma preocupação a não ser o agora.

4. Um risco muito grande para o sucesso é o envolvimento com tuas metas anteriores e futuras. Estás bastante preocupado com quão radicalmente diferentes daquelas que tinhas antes são as metas que este curso defende. E também ficas desanimado com a ideia deprimente e limitante de que, mesmo que sejas bem-sucedido, vais perder teu caminho mais uma vez de forma inevitável.

5. Como isto poderia ter importância? Pois o passado se foi; o futuro é só imaginário. Estas preocupações são apenas defesas contra a mudança do centro de interesse atual da percepção. Nada mais. Abandonamos estas limitações inúteis por um momento. Não olhamos para crenças anteriores e aquilo em que acreditamos já não nos incomodará. Iniciamos o período de prática com uma única intenção: olhar para a inocência interior.

6. Reconheceremos que nos desviamos desta meta, se a raiva bloquear nosso caminho sob qualquer forma. E, se nos lembrarmos dos pecados de um irmão, nosso centro de interesse limitado restringirá nossa visão e voltaremos nossos olhos para nossos próprios erros, que ampliaremos e chamaremos de nossos "pecados". Por isto, por um breve momento, sem considerar passado ou futuro, caso estes bloqueios surjam, nós os transcenderemos com instruções a nossas mentes para mudarem o centro de interesse, dizendo:

Não é para isto que quero olhar.
Confio em meus irmãos, que são um comigo.

7. E também usaremos este pensamento para nos mantermos seguros ao longo do dia. Não buscamos metas a longo prazo. Quando cada obstrução parecer bloquear a visão de nossa inocência, buscaremos apenas, por um instante, a cessação do sofrimento que o centro de interesse no pecado trará e que permanecerá, caso não seja corrigido.

8. Tampouco pedimos fantasias. Pois o que buscamos ver existe de fato. E quando nosso centro de interesse ultrapassar os erros, veremos um mundo inteiramente puro. Quando ver isto for tudo o que quisermos ver, quando isto for tudo o que buscarmos em nome da percepção verdadeira, os olhos de Cristo serão nossos inevitavelmente. E o Amor que Ele sente por nós também será nosso. Isto virá a ser a única coisa que veremos refletida no mundo e em nós mesmos.

9. O mundo, que, antes, demonstrava nossos pecados, se torna a prova de que somos inocentes. E nosso amor por todos que vemos testemunha nossa lembrança do Ser sagrado que não conhece nenhum pecado e que nunca poderia pensar em nada fora de Sua inocência. Buscamos esta lembrança ao voltarmos nossas mentes para a prática de hoje. Não olhamos nem para frente, nem para trás. Olhamos diretamente para o presente. E damos nossa confiança à experiência pela qual pedimos agora. Nossa inocência é apenas a Vontade de Deus. Neste instante nossa vontade é una com A d'Ele.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 181

Caras, caros,

Eis-nos diante do primeiro desafio desta nova etapa. Para a percepção corrigida não deve haver problema algum em praticar com a ideia de hoje. Também não deve ser nada difícil acreditar que é possível confiar em nossos irmãos e irmãs, e nas pessoas todas com quem dividimos nosso tempo de estar no mundo, embora ele seja só ilusório e não exista, na verdade. Pelo menos não como pensamos nele. Com a concretude que lhe damos.

Já imaginaram como seria viver com o conhecimento de que não há nada de importante no mundo? Que o próprio mundo e tudo o que aparentemente há nele não tem a menor importância? Não viveríamos, por assim dizer, livres, leves e soltas, livres leves e soltos, na certeza de que não há nada que precisemos fazer, nada que precisemos mudar, nem a necessidade de efetuar qualquer mudança no mundo, melhorá-lo de qualquer maneira?

É a este conhecimento que o Curso quer nos levar. É este conhecimento que o Curso abre para nós, se aprendermos a suspender todo e qualquer julgamento. Isto é confiar. E é isto que vamos praticar com a ideia deste dia.

"Confio em meus irmãos, que são um comigo"

Como já lhes disse outras vezes, e não poucas, uma vez que, neste, estamos no décimo oitavo ano das práticas das lições do Curso em conjunto neste espaço - para quem está aqui desde o início, em 2009 -, as vinte ideias que vamos praticar com as lições que começam hoje, e a revisão delas logo em seguida, vão marcar o fim desta primeira etapa de exercícios, o fim da primeira parte do Livro de Exercícios. Quer dizer, depois de as termos praticado uma vez mais na última revisão, antes da segunda parte.

Nunca é demais repetir o significado do movimento que fazemos com as práticas das lições desta primeira parte do Livro de Exercícios. Chegar até aqui, seja pela primeira, pela segunda, ou ainda seja esta a terceira, a quarta, a décima primeira ou a décima sexta vez, significa, como eu já disse antes também, que estamos de novo mais perto do momento em que abandonamos o ensinamento do mundo - do ego - e voltamos nossa atenção para o que o Espírito em nós quer nos ensinar: a percepção correta, a percepção curada, que traz consigo a possibilidade de que cheguemos, mais dia, menos dia, apesar de impossível, ao autoconhecimento, e, por consequência, ao vislumbre do divino em nós, nossa real Identidade. O Eu Sou o Que Sou, que é o que somos. 

Desde o início, durante a primeira parte do livro de exercícios, o Curso busca nos ensinar a cada dia, de algum modo,  a desaprendermos mais e mais daquilo que o mundo ensina. Para, num segundo momento, num segundo passo - o que daremos a partir do início da segunda parte do livro de exercícios - começarmos a lidar com aquilo que nos fala da verdade a respeito de nós mesmos e de nós mesmas. Uma verdade que o mundo e seu sistema de pensamento só faz esconder sob as mais variadas aparências e formas. 

Para mim, digo de novo - e mais uma vez -, é uma grande alegria chegar até aqui com todos e todas vocês. Espero que isto seja apenas um estímulo maior para que continuemos juntos em nossa caminhada, enquanto ela durar. Ou, como o Curso diz em determinado ponto, há muito a se aprender [ou lembrar, se preferirem] e o mundo e o ensinamento do mundo só nos atrasam. 

Lembremo-nos sempre de que as práticas, dia a dia, buscam nos ensinar a ficarmos atentos e atentas à Voz por Deus, que só pode estar no interior de cada um e de cada uma de nós. É preciso que apuremos, pois, nossos ouvidos e que não tenhamos medo de olhar para dentro. Pois, repetindo o que disse meu amigo Rivaldo Andrade, antes de se encantar:

A felicidade que bate na porta vem de fora. Do jeito que ela vem, também se vai, deixando-nos como sempre fomos, simples seres, felicidade sem limite. Quem vive só olhando para fora, fecha a porta para o Eu [interior] e a felicidade de fora vem e bate, mas nunca resolve efetivamente, porque os problemas decorrem [sempre do fato] de estarmos olhando pra fora e não para dentro. Dentro não há problema, só realização, paz perfeita sem limite. A essa paz também se dá o nome de felicidade ou amor, mas é muito mais que amor e felicidade, é REALIZAÇÃO DA PAZ PERFEITA, além de qualquer conceito mental, por maravilhoso que esse seja.

A paz original do eu, em cada um, sem diferença, é o que está descrito na bíblia como "O Reino dos Céus está dentro de vós". Até o diabo a tem, a diferença é que ele vive com a atenção voltada para a mente, sonhando com o amor e a felicidade mentais. O diabo é diabo porque vive sonhando com possibilidades, deixando a paz perfeita da realidade infinita do SI MESMO fechada atrás da porta que ele faz quando olha para suas próprias projeções, fazendo o mundo que vê fora. Este diabo é sempre o ego de cada um, sem dúvida, sem exceção.

É para voltarmos a compartilhar deste conhecimento que praticamos a ideia de hoje, que quer que aprendamos a devolver as bênçãos que recebemos de cada um daqueles, ou de cada uma daquelas, com quem dividimos nosso aparente estar-no-mundo e que, como nós mesmos e como nós mesmas, são a manifestação do divino para nos iluminar e para mostrar aspectos de nós que não podemos ver sozinhos, ou sozinhas.

Às práticas?