terça-feira, 12 de maio de 2026

Se quisermos ser livres, precisamos libertar o mundo

 

LIÇÃO 132

Libero o mundo de tudo o que eu pensava que ele fosse.

1. O que mantém o mundo preso a não ser tuas crenças? E o que pode salvar o mundo exceto teu Ser? A crença é, de fato, poderosa. Os pensamentos que tens são poderosos e os efeitos das ilusões são tão fortes quanto a verdade. Um louco imagina que o mundo que ele vê é real e não duvida dele. Ele também não pode ser influenciado pelo questionamento dos efeitos de seus pensamentos. É só quando se coloca em questão a fonte de seus pensamentos que a esperança de liberdade finalmente vem para ele.

2. No entanto, consegue-se a salvação com facilidade, pois todos são livres para mudar sua maneira de pensar e todos os seus pensamentos mudam com ela. Nisto, desloca-se a fonte dos pensamento, pois mudar a maneira de pensar significa que mudaste a fonte de todas as ideias que tens ou tiveste alguma vez ou que ainda terás. Tu libertas o passado daquilo que pensavas antes. Tu libertas o futuro de todos os pensamentos antigos de busca daquilo que não queres achar.

3. Agora, o único tempo que sobra é o presente. Aqui, no presente, o mundo se liberta. Pois, quando permites que o passado desapareça e liberas o futuro de teus medos antigos, achas a saída e a dás ao mundo. Tu escravizas o mundo com todos os teus medos, tuas dúvidas e sofrimentos, tuas dores e lágrimas; e todos os teus pesares exercem pressão sobre ele e o mantêm prisioneiro de tuas crenças. A morte o surpreende em todos os lugares, porque conservas pensamentos cruéis de morte em tua mente.

4. O mundo em si mesmo não é nada. Tua mente tem de dar significado a ele. E o que vês sobre ele são teus desejos traduzidos de modo que possas olhar para eles e pensar que são reais. Talvez tu penses que não fizeste o mundo, mas que vieste contra a vontade para aquilo que já estava feito, dificilmente esperando que teus pensamentos lhe dessem significado. Entretanto, na verdade, encontraste exatamente aquilo que procuravas quando chegaste.

5. Não há nenhum mundo separado daquilo que desejas e nisto está tua liberação suprema. Muda simplesmente tua forma de pensar a respeito do que queres ver e todo o mundo tem de mudar em consequência disto. As ideias não deixam sua fonte. Se quiseres compreender a lição para hoje, tens de ter em mente este tema fundamental, que se afirma várias vezes no texto. Não é o orgulho que te diz que fizeste o mundo que vês e que ele muda na medida em que mudas tua maneira de pensar.

6. Mas é o orgulho que sustenta que vens a um mundo bem distinto de ti mesmo, refratário àquilo que pensas e bem distante daquilo que te aventuras a pensar que ele é. Não há nenhum mundo! É esta a ideia básica que o curso tenta te ensinar. Nem todos estão prontos para aceitá-la e cada um tem de ir tão longe quanto pode se permitir ser conduzido ao longo da estrada em direção à verdade. Ele recuará e irá ainda mais longe ou talvez dê um passo atrás por algum tempo e, depois, volte mais uma vez.

7. Mas a cura é a dádiva para aqueles que estão preparados para aprender que não há nenhum mundo e que podem aceitar a lição agora. A prontidão deles lhe levará a lição de alguma forma que podem compreender e reconhecer. Alguns a veem de repente à beira da morte e se levantam para ensiná-la. Outros a encontram na experiência que não é deste mundo, que lhes mostra que o mundo não existe porque o que veem tem de ser a verdade e, não obstante, contradiz claramente o mundo.

8. E alguns a encontrarão neste curso e nos exercícios que fazemos hoje. A ideia de hoje é verdadeira porque o mundo não existe. E, se ele é, de fato, tua própria fantasia, então podes liberá-lo de todas as coisas que já pensaste que ele era simplesmente substituindo todos os pensamentos que lhe deram estas aparências. Os doentes se curam quando abandonam todos os pensamentos de doença e os mortos ressuscitam quando permites que pensamentos de vida substituam todos os pensamentos de morte que já tiveste.

9. Uma lição anterior repetida uma vez tem de ser enfatizada novamente, pois ela contém o alicerce inabalável para a ideia de hoje. Tu és como Deus te criou. Não existe nenhum lugar aonde possas sofrer e nenhum tempo que possa trazer alteração a tua condição eterna. Como pode existir um mundo de tempo e espaço, se continuas a ser como Deus te criou?

10. O que a lição de hoje é a não ser outro modo de dizer que conhecer teu Ser é a salvação do mundo? Libertar o mundo de todo tipo de dor é apenas mudar tua forma de pensar a teu próprio respeito. Não há nenhum mundo independente de tuas ideias porque as ideias não deixam sua fonte e tu manténs o mundo no interior de tua mente em pensamento.

11. Porém, se tu és como Deus te criou, não podes pensar separado d'Ele, nem criar nada que não compartilhe Sua intemporalidade e Amor. O amor e a intemporalidade são inseparáveis de mundo que vês? O mundo que vês cria como Deus? A menos que o faça, ele não é real e não pode existir em absoluto. Se tu és real, o mundo que vês é falso, pois a criação de Deus é diferente do mundo em todos os aspectos. E como foste criado a partir dos Pensamentos d'Ele, também foram teus pensamentos que criaram o mundo e que têm de libertá-lo a fim de que possas conhecer os Pensamentos que compartilhas com Deus.

12. Libera o mundo! Tuas criações verdadeiras esperam por esta liberação para te dar a paternidade, não de ilusões , mas como Deus na verdade. Deus compartilha Sua Paternidade contigo que és Seu Filho, pois Ele não faz nenhuma distinção entre aquilo que é Ele Mesmo e aquilo que também é Ele Mesmo. Aquilo que Ele criou não está separado d'Ele e em nenhum lugar o Pai termina e o Filho começa como algo separado d'Ele.

13. Não há nenhum mundo porque ele é um pensamento separado de Deus e feito para separar o Pai e o Filho e separar uma parte do Próprio Deus e, assim, destruir Sua Integridade. Um mundo que venha desta ideia pode ser real? Pode existir em algum lugar? Nega as ilusões, mas aceita a verdade. Nega que és uma sombra depositada por um breve instante sobre um mundo agonizante. Libera tua mente e olharás para um mundo livre.

14. Nosso objetivo, hoje, é libertar o mundo de todos os pensamentos inúteis que já tivemos a respeito dele e a respeito de todas as coisas vivas que vemos nele. Elas não podem existir. Nem nós. Pois nós estamos no lar que nosso Pai estabeleceu para nós juntamente com elas. E nós, que somos como Ele nos criou, queremos liberar o mundo de cada uma de nossas ilusões neste dia, para podermos ser livres.

15. Começa os períodos de quinze minutos em que praticamos duas vezes hoje com isto:

Eu, que continuo a ser como Deus me criou quero liberar o mundo
de tudo o que pensei que ele fosse. Pois eu sou real porque o mundo
não é e quero conhecer minha própria realidade.

Em seguida, descansa simplesmente, atento mas sem nenhum esforço, e deixa que tua mente mude em paz, para que o mundo seja libertado junto contigo.

16. Não precisas perceber de forma clara que a cura vem tanto para muitos irmãos do outro lado do mundo quanto para aqueles que vês por perto, à medida que irradias estes pensamentos para abençoar o mundo. Mas sentirás teu próprio alívio, embora ainda não possas compreender por completo que nunca poderias ser liberado sozinho.

17. Ao longo do dia, aumenta a liberdade enviada por tuas ideias a todo o mundo e, sempre que fores tentado a negar o poder da simples mudança de tua maneira de pensar, dize:

Eu libero o mundo de tudo o que pensei que ele fosse
e escolho minha própria realidade em vez disto.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 132

Caras, caros,

Vocês já pararam para pensar que, de um modo ou de outro, todos e todas nós somos prisioneiros e prisioneiras de alguém ou alguma coisa neste mundo?

E por quê?

Porque "este" mundo, em que pensamos viver, só existe a partir das crenças que temos, tanto as que nos foram legadas pelos nossos antepassados, quanto as que nós mesmos e nós mesmas construímos ao longo de nossa caminhada por aqui. Isto quer dizer que as prisões em que nos encontramos são sempre construídas por nós mesmos, por nós mesmas. E que não há ninguém, a não ser cada um e cada uma de nós, que nos possa libertar.

Conforme vimos numa lição de poucos dias atrás, a 125, "o plano de Deus é este simplesmente, o Filho de Deus é livre para salvar a si mesmo". Quer dizer, todas e todos nós, Filhos e Filhas de Deus, nascemos livres. Podemos salvar a nós mesmos, a nós mesmas. Por que razão escolhemos nos tornar prisioneiros e prisioneiras de um sistema de pensamento que nos nega o direito de sermos o que somos? Por que insistimos em manter o mundo preso a nossas crenças?

É disto que vamos tratar com as práticas da ideia que o Curso nos oferece neste dia.

"Libero o mundo de tudo o que eu pensava que ele fosse."

Eis aqui, mais uma vez, a lição - entre outras - que pode nos salvar - a cada um e a cada uma de nós - e salvar o mundo inteiro ao mesmo tempo, se praticada, aprendida e aplicada. Aliás, conforme eu já disse várias outras vezes e como todos nós sabemos, o Curso afirma que qualquer uma das ideias que ele oferece, se praticada, aprendida e aplicada é suficiente para a salvação de cada um e de cada uma de nós e, por extensão, para a salvação de todos e de todas nós. Esta, particularmente, pode fazer que se abram mais rapidamente todas as portas de cada uma das prisões que inventamos para viver.

Pois, ela começa por perguntar:

O que mantém o mundo preso a não ser tuas crenças? E o que pode salvar o mundo exceto teu Ser? A crença é, de fato, poderosa. Os pensamentos que tens são poderosos e os efeitos das ilusões são tão fortes quanto a verdade. Um louco imagina que o mundo que ele vê é real e não duvida dele. Ele também não pode ser influenciado pelo questionamento dos efeitos de seus pensamentos. É só quando se coloca em questão a fonte de seus pensamentos que a esperança de liberdade finalmente vem para ele.

Esta é uma das lições mais poderosas que já praticamos. Ela leva a nos perguntarmos o que nos impede de sermos livres. O que nos prende ao mundo a não ser o apego às crenças que desenvolvemos, a ideias às quais nos aferramos, aos valores que damos às pessoas e às coisas do mundo e aos juízos [julgamentos] que fazemos de nós mesmos e de nós mesmas, do mundo, das pessoas e de tudo o que aparentemente vemos nele?
 
Libero o mundo de tudo o que eu pensava que ele fosse.

É. pois, só isto que precisamos aprender a fazer: liberar o mundo de tudo aquilo que pensamos que ele é a cada instante e cada vez mais. Pois não é o mundo que nos mantém prisioneiros e prisioneiras. Na verdade, somos nós que o aprisionamos e, por consequência, nos fazemos prisioneiros e prisioneiras dele e de tudo o que há nele, em função de um ou mais julgamentos que não queremos abandonar. Achamo-nos sabedores e sabedoras da verdade e de tudo o que é preciso fazer para que o mundo seja um lugar melhor para se viver. Mas não fazemos nenhum movimento para ser a mudança que queremos ver no mundo. Será que sabemos, então, o que é melhor para ele? Não será isso pura onipotência egoica? 

Elio D'Anna diz: "o mundo é assim [como é, ou como o vês], porque tu és assim, e não o contrário". 

Isto é, é nossa forma de pensar e de ver o mundo, de pensar e de ver a nós mesmos e a nós mesmas, que materializa o mundo de ilusões que vemos, porque cada um, e cada uma, o vê de um modo diferente. Quer dizer, há tantos mundos quanto são as pessoas que pensam viver nele. Daí o Curso afirmar: "não há mundo". Só aquele que cada um e cada uma de nós traz dentro de si mesmo, de si mesma.

A lição continua:

No entanto, consegue-se a salvação com facilidade, pois todos são livres para mudar sua maneira de pensar e todos os seus pensamentos mudam com ela. Nisto, desloca-se a fonte dos pensamento, pois mudar a maneira de pensar significa que mudaste a fonte de todas as ideias que tens, ou tiveste alguma vez, ou que ainda terás. Tu libertas o passado daquilo que pensavas antes. Tu libertas o futuro de todos os pensamentos antigos de busca daquilo que não queres achar.

Agora, o único tempo que sobra é o presente. Aqui, no presente, o mundo se liberta. Pois, quando permites que o passado desapareça e liberas o futuro de teus medos antigos, achas a saída e a dás ao mundo. Tu escravizas o mundo com todos os teus medos, tuas dúvidas e sofrimentos, tuas dores e lágrimas; e todos os teus pesares exercem pressão sobre ele e o mantêm prisioneiro de tuas crenças. A morte o surpreende em todos os lugares, porque conservas pensamentos cruéis de morte em tua mente.

Precisamos, de fato, aprender a liberar o mundo de tudo aquilo que pensamos a respeito dele. Precisamos dar a liberdade a ele para podermos ser livres e viver em mundo livre. Tudo o que precisamos aprender está aqui, na ideia desta lição, que praticamos hoje. Nela está toda a salvação. A nossa - de cada um e de cada uma - e a do mundo inteiro. Ou pensam que existe uma forma melhor de salvar o mundo do que livrá-lo dos pensamentos julgadores de qualquer tipo que impusemos a ele? Ao liberar o mundo, fico livre. Pois nada mais me prende a ele. E nem eu o mantenho mais aprisionado em minha percepção equivocada.
 
Libero o mundo de tudo o que eu pensava que ele fosse.

Com isso, aprendo que:

O mundo em si mesmo não é nada. Tua mente tem de dar significado a ele. E o que vês sobre ele são teus desejos traduzidos de modo que possas olhar para eles e pensar que são reais. Talvez tu penses que não fizeste o mundo, mas que vieste contra a vontade para aquilo que já estava feito, dificilmente esperando que teus pensamentos lhe dessem significado. Entretanto, na verdade, encontraste exatamente aquilo que procuravas quando chegaste.

Não há nenhum mundo separado daquilo que desejas e nisto está tua liberação suprema. Muda simplesmente tua forma de pensar a respeito do que queres ver e todo o mundo tem de mudar em consequência disto. As ideias não deixam sua fonte. Se quiseres compreender a lição para hoje, tens de ter em mente este tema fundamental, que se afirma várias vezes no texto. Não é o orgulho que te diz que fizeste o mundo que vês e que ele muda na medida em que mudas tua maneira de pensar.

Mas é o orgulho que sustenta que vens a um mundo bem distinto de ti mesmo, refratário àquilo que pensas e bem distante daquilo que te aventuras a pensar que ele é. Não há nenhum mundo! É esta a ideia básica que o curso tenta te ensinar. Nem todos estão prontos para aceitá-la e cada um tem de ir tão longe quanto pode se permitir ser conduzido ao longo da estrada em direção à verdade. Ele recuará e irá ainda mais longe ou talvez dê um passo atrás por algum tempo e, depois, volte mais uma vez.

Não é maravilhoso descobrir que podes mudar o mundo a teu bel prazer? Podes torná-lo um lugar para viveres "o sonho feliz", em vez deste lugar em que aparentemente só se constroem pesadelos: de medo, de dor, de culpa, de violência, de doenças, de sofrimento e de morte. 

E o que precisas fazer? 

Abandonar o orgulho que sustenta que vens a um mundo bem distinto de ti mesmo, refratário àquilo que pensas e bem distante daquilo que te aventuras a pensar que ele é

É o ego quem tenta te fazer acreditar que é humildade acreditar que não tens nenhum poder sobre o mundo e que teus pensamentos não o alteram, nem o podem mudar de forma alguma.
 
Libero o mundo de tudo o que eu pensava que ele fosse.

Não há razão alguma para manteres o mundo aprisionado. Isto não te traz nenhum benefício. Ao contrário, isto te afasta da alegria, que é a Vontade de Deus para ti. Porque, como o Curso pergunta: quem é mais prisioneiro, a pessoa que está atrás das grades, ou seu carcereiro?

Libera o mundo, praticando a ideia de hoje da maneira que a lição orienta que o faças. Isto vai te dar a liberdade. Isto vai permitir que sejas aquilo que quiseres ser e que és, sem receio algum de qualquer coisa, sem medo do que ninguém possa dizer a teu respeito. Isto é, as práticas de liberar o mundo vão fazer com que te libertes para ser expressão e manifestação do divino em ti. Viverás o Céu na terra. Experimentarás a alegria e a paz perfeitas e completas que são a Vontade de Deus para ti, e para todos e todas nós.

Isto é cura. 

Às práticas?

segunda-feira, 11 de maio de 2026

É somente a verdade o que nos pode oferecer o Céu

 

LIÇÃO 131

Ninguém que busque alcançar a verdade pode falhar.

1. O fracasso está em toda parte enquanto buscas metas que não podem ser alcançadas. Tu procuras permanência no impermanente, amor onde não há nenhum, segurança no meio do perigo, imortalidade no interior da escuridão do sonho da morte. Quem poderia ser bem-sucedido onde a contradição é o cenário de sua busca e o lugar a que vem para encontrar estabilidade?

2. Não se atinge metas sem sentido. Não há forma de alcançá-las, pois os meios com os quais lutas por elas são tão sem sentido quanto elas. Quem pode usar tais meios absurdos e esperar ganhar qualquer coisa por intermédio deles? Aonde eles podem conduzir? E o que eles podem realizar que ofereça alguma esperança de ser real? A busca da fantasia conduz à morte porque é a busca do nada, e enquanto buscas a vida pedes a morte. Tu buscas segurança e certeza enquanto em teu coração rezas pelo perigo e por proteção para o sonho mesquinho que fizeste.

3. No entanto, a busca é inevitável aqui. Vieste para isto e certamente farás aquilo a que foste destinado. Mas o mundo não pode ditar a meta pela qual buscas, a menos que tu lhe dês o poder para fazê-lo. Caso contrário, ainda és livre para escolher uma meta que esteja além do mundo e de todos os pensamentos mundanos, e uma que venha a ti a partir de uma ideia que abandonaste, apesar de te lembrares dela, uma ideia antiga e, não obstante, nova, um eco de uma herança esquecida, e que contém tudo o que realmente queres.

4. Alegra-te por teres de buscar. Alegra-te também por aprenderes que buscas o Céu e que tens de encontrar a meta que queres realmente. Ninguém pode deixar de querer esta meta e de alcançá-la no fim. O Filho de Deus não pode buscar em vão, mesmo que tente forçar o atraso, enganar-se e pensar que é o inferno que busca. Quando ele está errado, acha a correção. Quando se desvia, é conduzido de volta à tarefa que lhe cabe.

5. Ninguém permanece no inferno, pois ninguém pode abandonar seu Criador nem alterar Seu Amor, perfeito, intemporal e imutável. Tu encontrarás o Céu. Tudo o que buscas, a não ser isto, se perderá. Mas não por ser tomado de ti. Desaparecerá porque não o queres. Tu alcançarás a meta que queres realmente com tanta certeza quanto a de que Deus te criou na inocência.

6. Por que esperar pelo Céu? Ele está aqui hoje. O tempo é a grande ilusão de que o Céu passou ou está no futuro. Mas isto não pode ser verdade, se ele estiver aonde Deus quer que Seu Filho esteja. Como a Vontade de Deus poderia estar no passado ou ainda por acontecer? O que Ele quer é agora, sem um passado e totalmente sem futuro. Está tão distante do tempo quanto uma pequena vela de uma estrela longínqua ou aquilo que escolheste daquilo que realmente queres.

7. O Céu continua a ser tua única alternativa a este mundo estranho que fizeste e a todos os seus caminhos; a seus padrões mutáveis, a seus prazeres dolorosos e a suas alegrias trágicas. Deus não criou nenhuma contradição. Aquilo que nega sua própria existência e ataca a si mesmo não vem d'Ele. Ele não criou duas mentes, tendo o Céu como o efeito feliz de uma e a terra, que é o contrário do Céu de todas as maneiras, como o resultado lamentável da outra.

8. Deus não experimenta nenhum conflito. E Sua Criação também não está dividida em duas. Como Seu Filho poderia estar no inferno, se o Próprio Deus o colocou no Céu? Ele poderia perder aquilo que a Vontade Eterna lhe dá para ser seu lar para sempre? Vamos tentar não impor mais uma vontade estranha sobre o único objetivo de Deus. Ele está aqui porque quer estar e o que Ele quer é presente agora, fora do alcance do tempo.

9. Hoje não escolheremos um paradoxo em lugar da verdade. Como o Filho de Deus poderia inventar o tempo para afastar a Vontade de Deus? Deste modo ele se nega e contradiz aquilo que não tem nenhum oposto. Ele pensa que inventou um inferno em oposição ao Céu e acredita que habita naquilo que não existe enquanto que o Céu é o lugar que ele não pode achar.

10. Abandona pensamentos tolos como estes hoje e volta tua mente para ideias verdadeiras, em lugar deles. Ninguém que busque alcançar a verdade pode falhar e é a verdade que buscamos hoje. Três vezes, hoje, dedicaremos dez minutos a esta meta e pediremos para ver o despontar do mundo real substituir as imagens que apreciamos por ideias que se elevam em lugar de pensamentos que não fazem nenhum sentido, não têm nenhum efeito e nem fonte nem essência na verdade.

11. Nós reconhecemos isto ao iniciar nossos períodos de prática. Começa com isto:

Peço para ver um mundo diferente e ter um tipo de pensamento
diferente daqueles que pensei. Não inventei sozinho o mundo que
busco, os pensamentos que quero ter não são os meus.

Observa tua mente durante alguns minutos e vê, embora teus olhos estejam fechados, o mundo sem sentido que pensas ser real. Revê também os pensamentos compatíveis com tal mundo e que pensas serem verdadeiros. Abandona-os então e te aprofunda abaixo deles na direção do lugar sagrado aonde eles não podem penetrar. Abaixo deles há uma porta em tua mente que tu não podes trancar por completo para esconder o que está além.

12. Busca esta porta e acha-a. Mas, antes de tentar abri-la, lembra-te de que ninguém que busque alcançar a verdade pode falhar. E é este pedido que fazes hoje. Nada a não ser isto tem qualquer significado agora; não se valoriza nem se busca nenhuma outra meta, não queres realmente nada antes desta porta e buscas apenas o que está depois dela.

13. Estende tua mão e vê quão facilmente a porta se abre apenas com tua intenção de atravessá-la. Anjos iluminam o caminho, por isso toda a escuridão se desvanece e tu ficas em uma luz tão brilhante e clara que podes compreender tudo o que vês. Um instante de surpresa, talvez, te fará parar antes de perceberes claramente que o mundo que vês diante de ti reflete a verdade que conhecias e que não esqueceste totalmente ao errares pelos sonhos.

14. Não podes falhar hoje. O Espírito do Céu, que te foi enviado, caminha contigo para que possas te aproximar desta porta algum dia e, com a ajuda d'Ele, passar por ela em direção à luz sem esforço. É hoje este dia. Hoje Deus cumpre Sua antiga promessa para Seu Filho santo, assim como Seu Filho se lembra da Sua para Ele. Este é um dia de alegria, pois chegamos ao momento e ao lugar designados em que acharás a meta de toda a tua busca aqui e de toda a busca do mundo, que terminam quando passas para o outro lado da porta.

15. Lembra-te com frequência de que hoje deve ser um dia de alegria especial e te abstém de pensamentos de desânimo e de queixas inúteis. Chegou o momento da salvação. O próprio Céu estabeleceu que hoje seja um tempo de graça para ti e para o mundo. Se te esqueceres desta verdade feliz, lembra a ti mesmo com isto:

Hoje busco e acho tudo o que quero.
Meu único propósito o oferece a mim.
Ninguém que busque alcançar a verdade pode falhar.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 131

Caras, caros,

Nosso estar no mundo está fundado na ideia de que, em geral, não sabemos o que é a verdade. Ninguém sabe. Mas será verdade isto? Será que ninguém sabe mesmo o que é a verdade? Ou será mesmo que existe uma verdade que devemos saber? Existirá mesmo uma verdade, que é única, e que serve para que todas as pessoas e seres e coisas vivam melhor e de forma mais completa sua vida no espaço e no tempo que ela aparentemente dura neste mundo?

Como encontrá-la? É isto que a ideia para as práticas de hoje quer que aprendamos.

Vamos a ela?

"Ninguém que busque alcançar a verdade pode falhar."

Isto quer dizer que a verdade está ao alcance de todos e todas que a queiram de fato? Sim, sim. Óbvio, não? Não é assim que vocês entendem também?

E por que, então, parece tão difícil viver a partir da verdade? Porque ela não está distante de nenhum de nós, de nenhuma de nós. Todos e todas nós a conhecemos, pois todos e todas nós a trazemos dentro.

Tanto é assim que sempre sabemos quando estamos nos esquivando dela. Sabemos quando estamos sendo condescendentes com a preguiça mental, com o comodismo, com o conforto egoísta, com a falta de disposição para mudar aquilo que sabemos ser necessário mudar em nós mesmos e em nós mesmas, para viver a verdade do que somos.

Ou estou enganado?

Não sabemos que não há como atingir metas inatingíveis? Não sabemos quando estamos apenas nos auto-enganando, ao dizer que vamos fazer isto ou aquilo sem termos, no fundo, a real intenção de fazer o que quer que seja? Dizendo que vamos fazer apenas para aquietar nosso próprio ego ou o ego de outro alguém que nos cobra uma ação?

A lição que praticamos hoje começa assim:

O fracasso está em toda parte enquanto buscas metas que não podem ser alcançadas. Tu procuras permanência no impermanente, amor onde não há nenhum, segurança no meio do perigo, imortalidade no interior da escuridão do sonho da morte. Quem poderia ser bem-sucedido onde a contradição é o cenário de sua busca e o lugar a que vem para encontrar estabilidade?

Não se atinge metas sem sentido. Não há forma de alcançá-las, pois os meios com os quais lutas por elas são tão sem sentido quanto elas. Quem pode usar tais meios absurdos e esperar ganhar qualquer coisa por intermédio deles? Aonde eles podem conduzir? E o que eles podem realizar que ofereça alguma esperança de ser real? A busca da fantasia conduz à morte porque é a busca do nada, e enquanto buscas a vida pedes a morte. Tu buscas segurança e certeza enquanto em teu coração rezas pelo perigo e por proteção para o sonho mesquinho que fizeste.

É! Sabemos que nada daquilo que pensamos querer neste mundo pode nos dar uma migalha sequer da alegria, do amor, da felicidade e da paz que o Céu [em cada um e em cada uma de nós] reserva para nós [para todos, todas, cada um e cada uma de nós]. No entanto, as práticas que o Curso nos pede para fazermos podem nos levar a alcançar tudo isto. Basta que aprendamos, pela prática, o que a ideia de hoje busca nos ensinar. Reconhecer a verdade nela é suficiente para que a aceitemos e confiemos que: 

Ninguém que busque alcançar a verdade pode falhar.

A lição continua:

No entanto, a busca é inevitável aqui. Vieste para isto e certamente farás aquilo a que foste destinado. Mas o mundo não pode ditar a meta pela qual buscas, a menos que tu lhe dês o poder para fazê-lo. Caso contrário, ainda és livre para escolher uma meta que esteja além do mundo e de todos os pensamentos mundanos, e uma que venha a ti a partir de uma ideia que abandonaste, apesar de te lembrares dela, uma ideia antiga e, não obstante, nova, um eco de uma herança esquecida, e que contém tudo o que realmente queres.

Alegra-te por teres de buscar. Alegra-te também por aprenderes que buscas o Céu e que tens de encontrar a meta que queres realmente. Ninguém pode deixar de querer esta meta e de alcançá-la no fim. O Filho de Deus não pode buscar em vão, mesmo que tente forçar o atraso, enganar-se e pensar que é o inferno que busca. Quando ele está errado, acha a correção. Quando se desvia, é conduzido de volta à tarefa que lhe cabe.

É, a busca é inevitável aqui. Pois parece que nós estamos perdidos, perdidas, neste mundo. Parece que não pertencemos a este mundo, o que é a mais pura verdade. Basta que nos lembremos de duas das últimas lições que diziam que não há nada que queiramos neste mundo e que há um mundo que queremos além deste. 

Ninguém que busque alcançar a verdade pode falhar. 

É só a verdade que pode nos oferecer o Céu. O mundo que queremos. O Céu é tudo o que realmente queremos, é o mundo que queremos. Ou será que esquecemos do "a verdade vos libertará"? Ora, procuramos a verdade porque queremos alcançar e viver o Céu, que é o que Deus reserva para cada um e cada uma de nós que reconheça, aceite e assuma o compromisso de cumprir seu papel no plano de Deus para a salvação.

Enquanto não nos decidirmos, porém, pelo Céu, vamos continuar a experimentar o inferno. Mesmo que não saibamos que é isto que escolhemos, ao não escolhermos o Céu.

No entanto:

Ninguém permanece no inferno, pois ninguém pode abandonar seu Criador nem alterar Seu Amor, perfeito, intemporal e imutável. Tu encontrarás o Céu. Tudo o que buscas, a não ser isto, se perderá. Mas não por ser tomado de ti. Desaparecerá porque não o queres. Tu alcançarás a meta que queres realmente com tanta certeza quanto a de que Deus te criou na inocência. 

E podes alcançá-la ainda hoje. Agora. Pois não há necessidade nenhuma de esperar. Basta escolheres, como a lição diz:

Por que esperar pelo Céu? Ele está aqui hoje. O tempo é a grande ilusão de que o Céu passou ou está no futuro. Mas isto não pode ser verdade, se ele estiver aonde Deus quer que Seu Filho esteja. Como a Vontade de Deus poderia estar no passado ou ainda por acontecer? O que Ele quer é agora, sem um passado e totalmente sem futuro. Está tão distante do tempo quanto uma pequena vela de uma estrela longínqua ou aquilo que escolheste daquilo que realmente queres.

O Céu continua a ser tua única alternativa a este mundo estranho que fizeste e a todos os seus caminhos; a seus padrões mutáveis, a seus prazeres dolorosos e a suas alegrias trágicas. Deus não criou nenhuma contradição. Aquilo que nega sua própria existência e ataca a si mesmo não vem d'Ele. Ele não criou duas mentes, tendo o Céu como o efeito feliz de uma e a terra, que é o contrário do Céu de todas as maneiras, como o resultado lamentável da outra.

Não há razão para que nos demoremos em decidir. Só quando cedemos aos conflitos da mente aparentemente dividida é que podemos ter alguma dúvida a respeito do que queremos. Quando, porém, nos voltamos para o interior de nós mesmos e de nós mesmas e entramos em contato com o Ser, em nós, aquela parte de nós que continua a ser como Deus a criou, e que é a única que existe verdadeiramente, sabemos que decisão tomar.

Pois:

Deus não experimenta nenhum conflito. E Sua Criação também não está dividida em duas. Como Seu Filho poderia estar no inferno, se o Próprio Deus o colocou no Céu? Ele poderia perder aquilo que a Vontade Eterna lhe dá para ser seu lar para sempre? Vamos tentar não impor mais uma vontade estranha sobre o único objetivo de Deus. Ele está aqui porque quer estar e o que Ele quer é presente agora, fora do alcance do tempo.

Vamos, então, assumir o compromisso de seguir a todas as orientações que a lição nos dá a seguir a respeito do modo com que vamos praticar? E, feito isto, pratiquemos, depois do compromisso assumido, com toda a confiança de que somos capazes. Pois podemos, sim, alcançar o Céu em nós mesmos e em nós mesmas ainda hoje, e podemos passar a vivê-lo a partir de agora, neste dia, e em todos os dias que ainda viveremos esta experiência de corpos e formas e percepção e sentidos.

E todos e todas nós podemos fazer isso com a certeza de que não podemos falhar. Pois Deus vai conosco aonde formos, conforme já vimos e praticamos em lição anterior, e que deve ter se tornado parte de nossas práticas desde então, não é mesmo?

Às práticas, portanto!

domingo, 10 de maio de 2026

O resultado dos conflitos do ego é só ilusão. Sempre.

 

LIÇÃO 130

É impossível ver dois mundos.

1. A percepção é coerente. O que vês reflete teu modo de pensar. E teu modo de pensar reflete tua escolha do que queres ver. Teus valores são determinantes disto, pois tens de querer ver aquilo que valorizas, acreditando que o que vês existe realmente. Ninguém pode ver um mundo ao qual sua mente não dê valor. E ninguém pode deixar de ver aquilo que acredita querer.

2. Mas quem pode realmente odiar e amar ao mesmo tempo? Quem pode desejar que aquilo que não quer seja real? E quem pode escolher ver um mundo do qual tenha medo? O medo tem de cegar, pois sua arma é esta: aquilo a que temes ver tu não podes ver. O amor e a percepção, deste modo, andam de mão dadas, mas o medo esconde aquilo que existe nas trevas.

3. O que, então, o medo pode projetar sobre o mundo? O que pode ser visto nas trevas que seja real? A verdade é eclipsada pelo medo e o que resta é apenas imaginário. Pois o que pode ser real em fantasias nascidas do pânico? O que quererias para que isto se mostre a ti? O que desejarias conservar em tal sonho?

4. O medo cria tudo o que pensas ver. Toda a separação, todas as distinções e a profusão de diferenças que acreditas que compõem o mundo. Elas não existem. O inimigo do amor as fez. Porém, o amor não pode ter nenhum inimigo e, por isto, elas não têm nenhuma causa, nenhuma existência e nenhuma consequência. Elas podem ser valorizadas, mas continuam a ser irreais. Podem ser buscadas, mas não podem ser encontradas. Hoje, não as buscaremos, nem desperdiçaremos este dia na busca daquilo que não se pode achar.

5. É impossível ver dois mundos que não têm nenhum ponto de coincidência de qualquer tipo. Busca pelo único; o outro desaparece. Só um continua a existir. Eles constituem o limite de escolha além do qual tua decisão não pode ir. Tudo o que existe para se escolher está entre o verdadeiro e o falso e nada mais do que estes.

6. Hoje não tentaremos nenhuma transigência onde nenhuma é possível. O mundo que vês é prova de que já fizeste uma escolha tão abrangente quanto seu oposto. O que queremos aprender hoje é mais do que simplesmente a lição de que não podes ver dois mundos. Ela também ensina que aquele que vês é bem coerente do ponto de vista a partir do qual o vês. Ele está em perfeitas condições porque tem origem em uma única emoção e reflete sua fonte em tudo o que vês.

7. Seis vezes hoje, em agradecimento e com gratidão, damos cinco minutos à ideia que põe fim a toda transigência e dúvida e vamos além de todas elas como se fossem uma só. Não faremos milhares de distinções inúteis nem tentaremos levar conosco uma pequena parte da ilusão, enquanto dedicamos nossas mentes a descobrir apenas o que é real.

8. Começa tua busca pelo outro mundo pedindo uma força maior do que tua própria força e reconhecendo o que é que buscas. Tu não queres ilusões. E vens a estes cinco minutos esvaziando tuas mãos de todos os tesouros insignificantes deste mundo. Esperas que Deus te ajude, ao dizeres:

É impossível ver dois mundos. Que eu aceite a força que
Deus me oferece para não ver nenhum valor neste mundo,
a fim de poder encontrar minha liberdade e minha redenção.

9. Deus estará presente. Pois invocas o poder grande e infalível que dará este passo gigantesco contigo com gratidão. E não deixarás de ver os agradecimentos d'Ele expressos em percepção tangível e em verdade. Não duvidarás daquilo para que olharás, pois, embora seja percepção, não é do tipo de visão que teus olhos já tenham visto antes por si mesmos. E saberás que a força de Deus te sustentava enquanto fazias esta escolha.

10. Rejeita a tentação facilmente hoje sempre que ela surgir, lembrando-te simplesmente dos limites de tua escolha. O irreal ou o real, o falso ou o verdadeiro é o que vês e só o que vês. A percepção é compatível com tua escolha e o inferno ou o Céu vêm a ti de acordo com ela.

11. Aceita uma pequena parte do inferno como real e condenaste teus olhos e amaldiçoaste tua visão e o que verás é, de fato, o inferno. Todavia, o alívio do Céu ainda está ao alcance de tua escolha, para tomar o lugar de tudo o que o inferno te apresentaria. Tudo o que precisas dizer a qualquer parte do inferno, seja qual for a forma que ela assuma, é simplesmente isto:

É impossível ver dois mundos. Eu busco minha liberdade
e minha redenção e isto não é uma parte do que eu quero.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 130

Caras, caros,

Por mais que tentemos, e por melhor que sejamos em alguma coisa, é sempre muito difícil, para não dizer, é impossível, fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. Como se diz popularmente: "assoviar e chupar cana", por exemplo.

Assim é que a ideia para as práticas de hoje vai buscar nos fazer ver que este mundo em que pensamos viver não existe, isto é, ele é apenas uma ilusão. Melhor dizendo, o mundo em que pensamos viver é, ao mesmo tempo, uma e inúmeras ilusões. Porque ele é, na ilusão, um mundo diferente para cada um e cada uma dos e das bilhões de pessoas que o habitam. O mundo real, que, aparentemente, não podemos tocar, só parece intocável porque ainda não nos libertamos da ideia da necessidade dos sentidos, do corpo. Ainda estamos apegados à matéria, pensando que é dela que somos feitos. Não e não! A matéria, quando não é luz, não existe de fato, é tão somente pó, poeira.

Por isso é que vamos praticar com a ideia de que

"É impossível ver dois mundos."

Será que desta vez vais aprender a fazer a escolha certa? Vais tomar a decisão? Vais fazer a única escolha que te cabe fazer? A ideia que a lição de hoje traz para as práticas diz ser impossível ver dois mundos.

Já não estás cansado, cansada, de ver, não apenas dois, uma infinidade de mundos que não queres? E tudo em função de, apesar de tudo o que o pensas saber, ainda não teres aprendido que só podes escolher entre o Céu e o inferno. Sempre! Em toda e qualquer circunstância escolhes entre Céu e inferno. Entre crucificação e redenção. 

É impossível ver dois mundos.

Por quê? 

Porque, repetindo:

A percepção é coerente. O que vês reflete teu modo de pensar. E teu modo de pensar reflete tua escolha do que queres ver. Teus valores são determinantes disto, pois tens de querer ver aquilo que valorizas, acreditando que o que vês existe realmente. Ninguém pode ver um mundo ao qual sua mente não dê valor. E ninguém pode deixar de ver aquilo que acredita querer.

... ninguém pode deixar de ver aquilo que acredita querer [ver]. É só isso que vês. Aquilo que queres ver. É só o que podes ver. É só o que todos, todas, cada um e cada uma de nós podemos ver. Mas, e quando o que vemos não é aquilo que pensamos querer ver? Não é aquilo que queremos?

Ora, isso é apenas reflexo da mente dividida, que pensa querer ver algo e, em lugar daquele algo que pensa querer ver, vê outra coisa. Aquilo de que tem medo, quem sabe? Aquilo que não quer confessar que gostaria de ver. Vejamos o que a lição diz:

Mas quem pode realmente odiar e amar ao mesmo tempo? Quem pode desejar que aquilo que não quer seja real? E quem pode escolher ver um mundo do qual tenha medo? O medo tem de cegar, pois sua arma é esta: aquilo a que temes ver tu não podes ver. O amor e a percepção, deste modo, andam de mão dadas, mas o medo esconde aquilo que existe nas trevas.

O que, então, o medo pode projetar sobre o mundo? O que pode ser visto nas trevas que seja real? A verdade é eclipsada pelo medo e o que resta é apenas imaginário. Pois o que pode ser real em fantasias nascidas do pânico? O que quererias para que isto se mostre a ti? O que desejarias conservar em tal sonho?

O medo cria tudo o que pensas ver. Toda a separação, todas as distinções e a profusão de diferenças que acreditas que compõem o mundo. Elas não existem. O inimigo do amor as fez. Porém, o amor não pode ter nenhum inimigo e, por isto, elas não têm nenhuma causa, nenhuma existência e nenhuma consequência. Elas podem ser valorizadas, mas continuam a ser irreais. Podem ser buscadas, mas não podem ser encontradas. Hoje, não as buscaremos, nem desperdiçaremos este dia na busca daquilo que não se pode achar.

Os conflitos da mente dividida têm origem no medo. O medo vem da culpa. A culpa vem da crença na separação, do desejo [e ao mesmo tempo medo] do ego de tomar, usurpar, o lugar de Deus. E é pelo medo e pela culpa que o ego trabalha para perpetuar em nós a crença em sua existência. A crença de que existe um ego, um ser, separado de Deus, que pode contrariar a Vontade d'Ele/d'Ela. 

É impossível ver dois mundos.

A existência de um ser separado de Deus traz a possibilidade ilusória de mais de um mundo, de muitos. Aliás, de tantos mundos quantos sejam os conflitos interiores que cada um ou cada uma de nós traga em si, multiplicados pela quantidade de seres que acreditam na separação. Mas tudo isso é apenas a ilusão assumindo as formas que o conflito dos egos dá a ela.

Porém:

É impossível ver dois mundos que não têm nenhum ponto de coincidência de qualquer tipo. Busca pelo único; o outro desaparece. Só um continua a existir. Eles constituem o limite de escolha além do qual tua decisão não pode ir. Tudo o que existe para se escolher está entre o verdadeiro e o falso e nada mais do que estes.

É o que podemos aprender hoje. Reconhecendo e aceitando a verdade da ideia que praticamos, vamos alcançar o milagre que a lição reserva. Um milagre que pode nos fazer escolher de uma vez por todas abandonar este mundo, que não tem nada que queiramos.

Façamos, pois, o que a lição nos pede para fazermos, seguindo a orientação que o Curso traz:

Hoje não tentaremos nenhuma transigência onde nenhuma é possível. O mundo que vês é prova de que já fizeste uma escolha tão abrangente quanto seu oposto. O que queremos aprender hoje é mais do que simplesmente a lição de que não podes ver dois mundos. Ela também ensina que aquele que vês é bem coerente do ponto de vista a partir do qual o vês. Ele está em perfeitas condições porque tem origem em uma única emoção e reflete sua fonte em tudo o que vês.

Seis vezes hoje, em agradecimento e com gratidão, damos cinco minutos à ideia que põe fim a toda transigência e dúvida e vamos além de todas elas como se fossem uma só. Não faremos milhares de distinções inúteis nem tentaremos levar conosco uma pequena parte da ilusão, enquanto dedicamos nossas mentes a descobrir apenas o que é real.

Mais: entreguemo-nos às práticas de modo insistente, sem resistência, sem hesitação, dispostos e dispostas, decididos e decididas a alcançar o mundo que queremos. Assim:

Começa tua busca pelo outro mundo pedindo uma força maior do que tua própria força e reconhecendo o que é que buscas. Tu não queres ilusões. E vens a estes cinco minutos esvaziando tuas mãos de todos os tesouros insignificantes deste mundo. Esperas que Deus te ajude, ao dizeres:

É impossível ver dois mundos. Que eu aceite a força que
Deus me oferece para não ver nenhum valor neste mundo,
a fim de poder encontrar minha liberdade e minha redenção.

Deus estará presente. Pois invocas o poder grande e infalível que dará este passo gigantesco contigo com gratidão. E não deixarás de ver os agradecimentos d'Ele expressos em percepção tangível e em verdade. Não duvidarás daquilo para que olharás, pois, embora seja percepção, não é do tipo de visão que teus olhos já tenham visto antes por si mesmos. E saberás que a força de Deus te sustentava enquanto fazias esta escolha.

Vamos refletir por alguns instantes antes de continuar. Que mundo queres? Este mundo que constróis a partir de teus pensamentos equivocados é digno de ser o lar para uma criança de Deus? Ele protege a paz e irradia amor sobre ela? Mantém o coração da criança de Deus intocado pelo medo e lhe permite dar sempre, sem qualquer sensação de perda? Este mundo que constróis ensina que dar é a alegria da criança de Deus e que Deus fica agradecido a ela pelo que ela dá? Pois o único lugar em que podes ser feliz é um mundo assim. 

É impossível ver dois mundos.

Por isso praticamos conforme nos pede a lição:

Rejeita a tentação facilmente hoje sempre que ela surgir, lembrando-te simplesmente dos limites de tua escolha. O irreal ou o real, o falso ou o verdadeiro é o que vês e só o que vês. A percepção é compatível com tua escolha e o inferno ou o Céu vêm a ti de acordo com ela.

Aceita uma pequena parte do inferno como real e condenaste teus olhos e amaldiçoaste tua visão e o que verás é, de fato, o inferno. Todavia, o alívio do Céu ainda está ao alcance de tua escolha, para tomar o lugar de tudo o que o inferno te apresentaria. Tudo o que precisas dizer a qualquer parte do inferno, seja qual for a forma que ela assuma, é simplesmente isto:

É impossível ver dois mundos. Eu busco minha liberdade
e minha redenção e isto não é uma parte do que eu quero.

Pratiquemos, portanto, a fim de nos livrarmos da impressão de que este mundo ainda contém qualquer coisa que queiramos. Para aprendermos de que modo chegar, além dele, até o mundo que, de fato, queremos, aonde vamos nos encontrar com o que somos e viver a paz e a alegria que são nosso estado natural, nossa herança e direito na condição de Filhas e Filhos de Deus. 

Às práticas?


*


Uma observação necessária ao adendo ao comentário de ontem:

Cida e gente, não incorram, por favor, no equívoco de pensar que, ao comentar qualquer manifestação de quem quer que seja de vocês, eu esteja querendo dizer que sua manifestação estava ou está errada e que eu sei [só eu] como é que se deve pensar. Ou que estou criticando a forma pela qual vocês manifestam seu modo de ver e de pensar. 

Não, não! Pelo amor de Deus!

Sou imensamente agradecido por quaisquer comentários, porque são eles que me permitem perceber em mim mesmo o quanto ainda tenho de aprender para poder dizer que não sei nada.

Não tenho mesmo nem a menor intenção, que dirá qualquer pretensão, de lhes dizer como devem pensar, ou como devem fazer suas práticas, e, como costumava dizer às pessoas que entravam em contato com o Curso, a partir daquilo que eu dizia e continuo a dizer aqui, ou em contato com as sessões de leitura que fizemos. Sempre que vocês tiverem qualquer dúvida a respeito dos comentários que já fiz, que faço, ou de qualquer afirmação que eu já tenha feito ou venha a fazer, sigam, por favor, a orientação do seu próprio divino interior e a orientação do Curso e da Voz que o ditou. Não acreditem em nada do que eu disser, sem questionar, sem levar a seus corações e ver se há alguma sintonia entre aquilo que estou dizendo e o que vocês estão ouvindo o divino lhes dizer internamente.

Obrigado, Cida, por se manifestar sempre, compartilhando seu modo de ver e de lidar com as lições e por nos contar o efeito delas em sua vida. E obrigado também a todos que leem e praticam as lições a partir do blogue.

Repetindo e reforçando, se alguma coisa no comentário que acrescento à lição lhes parecer em desacordo com o ensinamento, fiquem com a lição apenas. Sempre. 

E, mais uma vez, fiquem à vontade, por favor, para comentar, sugerir, criticar, acrescentar, ponderar, refletir e contar suas próprias experiências e as inspirações que lhes surgem, tanto em relação às lições, quanto em relação aos comentários e, agora, aos adendos.

Paz e bem!