quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

O ponto de poder está sempre no momento presente.

 

LIÇÃO 57

Hoje vamos revisar estas ideias:

1. (31) Eu não sou [a] vítima do mundo que vejo.

Como posso ser vítima de um mundo que pode ser completamente desfeito, se eu escolher fazê-lo? Minhas correntes estão soltas. Posso me livrar delas simplesmente por desejar fazê-lo. A porta da prisão está aberta. Posso abandoná-la simplesmente caminhando para fora dela. Nada me prende a este mundo. Só meu desejo de ficar me mantém prisioneiro. Quero desistir de meus desejo loucos e caminhar, enfim, na direção da luz do sol.

2. (32) Eu invento o mundo que vejo.

Eu inventei a prisão na qual me vejo. Tudo o que preciso fazer é reconhecer isto e estou livre. Eu me engano ao acreditar que é possível aprisionar o Filho de Deus. Fui cruelmente enganado nesta crença, que não quero mais. O Filho de Deus tem de ser livre para sempre. Ele é tal como Deus o criou, e não o que quero fazer dele. Ele está aonde Deus quer que ele esteja, e não aonde eu imaginava mantê-lo.

3. (33) Existe outro modo de olhar para o mundo.

Uma vez que a finalidade do mundo não é aquela que atribuí a ele, tem de haver outro modo de olhar para ele. Eu vejo tudo de cabeça para baixo e meus pensamentos são o contrário da verdade. Eu vejo o mundo como uma prisão para o Filho de Deus. A verdade, então, tem de ser que o mundo realmente é um lugar no qual ele pode ser libertado. Quero olhar para o mundo como ele é, e vê-lo como um lugar onde o Filho de Deus encontra sua liberdade.

4. (34) Eu poderia ver paz em vez disto.

Quando eu vir o mundo como um lugar de liberdade, perceberei claramente que ele reflete as leis de Deus em lugar das regras que inventei para ele obedecer. Compreenderei que a paz, não a guerra, habita nele. E perceberei que a paz também habita nos corações de todos aqueles que compartilham este lugar comigo.

5. (35) Minha mente é parte da Mente de Deus. Eu sou absolutamente santo.

Quando compartilho a paz do mundo com meus irmãos, começo a compreender que esta paz nasce do fundo de mim mesmo. O mundo para o qual olho adquire a luz do meu perdão e me devolve o brilho do perdão. Nesta luz eu começo a ver aquilo que minhas ilusões a meu próprio respeito mantinham escondido. Começo a compreender a santidade de todas as coisas vivas, incluindo a mim mesmo, e a unidade delas comigo.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 57

Caras, caros,

As ideias que vamos revisar hoje trazem consigo a possibilidade de vivermos nossas vidas sendo apenas a expressão do divino que trazemos conosco e que é o que verdadeiramente somos. Se quisermos, é claro, e se não nos deixarmos enganar pelas artimanhas do ego.

A primeira das ideias que vamos explorar em nossas práticas da revisão de hoje tem a ver com a forma pela qual vemos a nós mesmas e a nós mesmos, a forma com que vemos o mundo e trazemos a nós as experiências que vão fazer parte de nossa vida. É ela:

"Eu não sou [a] vítima do mundo que vejo."

Uma chamada de atenção de Louise Hay, logo na introdução de seu livro Você Pode Curar Sua Vida, põe em xeque a ideia que o ego quer nos vender: que podemos ser vítimas de alguma coisa fora de nós no mundo. Diz Louise, referindo-se a alguns pontos de sua filosofia de vida:

"Somos todos cem por cento responsáveis por nossas experiências. Cada pensamento que temos está criando nosso futuro. O ponto de poder está sempre no momento presente. Todos sofrem de culpa e ódio voltados contra si próprios. A frase chave de todos é: 'Não sou bastante bom'. Ela é apenas um pensamento e um pensamento pode ser modificado. Ressentimento, crítica e culpa são os padrões mais prejudiciais. A liberação do ressentimento pode remover até o câncer. Quando realmente amamos a nós mesmos, tudo na vida funciona. Devemos nos libertar do passado e perdoar a todos. Devemos estar dispostos a começar a aprender a nos amarmos. A auto-aprovação e auto-aceitação no agora são a chave para mudanças positivas. Cada uma das chamadas 'doenças' em nosso corpo é criada [apenas] por nós [mesmos]."

Onde então a vítima?

Vê-se que a partir desta primeira é perfeitamente lógico praticar com a segunda das ideias de hoje. 

"Eu invento o mundo que vejo." 

É claro que, se somos cem por cento responsáveis por nossas experiências, temos de ser nós mesmas e nós mesmos a inventar o mundo que vemos, com tudo o que há nele, alegria, tristeza, dor, amor, felicidade e angústia. Porém, é preciso ficarmos atentas e atentos para o fato de que há um só e único poder: o de Deus. Tudo o que pensamos criar, que inventamos, aparentemente separadas e separados de Deus, é apenas ilusão. Para o bem ou para o mal. 

Ou como diz um personagem de um dos livros que li há algum tempo, como o ego quer que acreditemos: 

"Quem de nós é mesmo feliz...? Não creio que exista uma felicidade verdadeira. Isso é invenção dos poetas. Nossas vidas passam por diferentes estágios e um deles é o da felicidade. Pode-se dizer, porém, que existe uma felicidade permanente? Creio que não. Há em nossas vidas um estado de desordem permanente que impede que a felicidade se instale..." 

É isso, sim, que o ego quer que acreditemos. Que ora podemos experimentar a felicidade, ora não, por conta do caos que permitimos que se instale em nossas experiências diárias. No entanto, isso não precisa ser assim, conforme o Curso ensina. Desde que tomemos a decisão de mudar nosso modo de olhar para o mundo e para tudo o que há nele. 

Lembram-se da lição que praticamos na última quarta-feira? Uma parte do comentário se vale do texto do Curso para pôr por terra a ideia de que uma felicidade permanente não é possível. Assim como é possível a paz constante e permanente e a experiência da alegria, característica do divino que somos, que dura eternamente, mesmo neste mundo.

Ou como o Curso diz, repetindo o que citei lá atrás: 

A felicidade enganosa ou a felicidade em forma mutante, que se transforma com tempo e lugar, é uma ilusão que não tem significado algum. A felicidade tem de ser constante, porque a obtemos pela desistência do desejo do inconstante [É este o significado de vencer o mundo: não se deixar dominar pelo desejo de nada que não vá durar para sempre.]. 

E o que pode nos ensinar a desistir do desejo do inconstante? É o Curso que responde mais uma vez, na continuação do texto acima:

O abandono do desejo do inconstante só pode se dar a partir da alegria verdadeira. E:

Não se pode perceber a alegria senão pela visão verdadeira. E a visão verdadeira só pode ser dada àqueles que desejam constância. O poder do desejo do Filho de Deus continua a ser a prova de que ele está equivocado quando se percebe impotente [e isto tem de ser o que leva alguém a acreditar que há um estado de desordem permanente em nossas vidas que impede que a felicidade constante se instale]

Mais, diz o Curso a respeito de nosso poder: 

Deseja o que quiseres e o verás e pensarás que é real. Nenhum pensamento deixa de ter o poder de libertar ou matar. E nenhum [pensamento] pode deixar a mente de quem o pensa ou deixar de influenciá-lo. 

Assim, só não é capaz da felicidade constante, da alegria permanente ou da paz que dura para sempre, aquela, ou aquele, que se deixa iludir pelo desejo do inconstante. O que significa dizer, aquela, ou aquele. que ainda não se decidiu a colocar o divino em primeiro lugar. 

E como aprendemos a fazer isto?

Com as práticas. Com a constante vigilância de nossos pensamentos e desejos.

Se aprendermos, com as práticas, a mergulhar o mais profundamente possível no interior de nós mesmas e de nós mesmos, vamos descobrir lá um centro de paz e de alegria perfeitas, que vai nos dar, com certeza, a felicidade permanente. Mesmo em meio às mais violentas turbulências por que passa nossa vida na forma e nos sentidos.

Ou ainda, a partir desse centro interior vamos ser capazes de descobrir a Fonte do poder divino em nós para aprender que, como diz Joel Goldsmith: "Enquanto não percebermos que nossos pensamentos bons não são o poder espiritual, não seremos capazes de perceber que mesmo os pensamentos maus do mundo também não são poder". O único poder é Deus.

É claro também que a partir das práticas das duas ideias anteriores, pode-se depreender que:

"Existe outro modo de olhar para o mundo." 

Não cabe nem a nenhuma, nem a nenhum, de nós determinar a finalidade do mundo, uma vez que em momento algum temos todos os dados ou todas as informações de que necessitaria alguém para resolver uma questão qualquer de modo que só o bem pudesse resultar dela.

Nós nem sabemos o que pode ser o bem para nós, conforme já praticamos. Não sabemos para que serve coisa alguma neste mundo. Nem ao menos sabemos o que somos, a maior parte do tempo. Valendo-nos ainda do que diz Joel Goldsmith, é preciso ponderar que:

A verdade obtida por meio do intelecto, do cérebro, como diria Tara Singh, e que permanece no nível da mente humana, independente de quão lógica ou razoável possa parecer, não tem nada a ver com a percepção espiritual. É só a partir do contato com o Espírito em nós que vamos ser capazes de descobrir, reconhecer e aceitar a verdade eterna desta terceira ideia de hoje. A verdade que pode nos colocar em contato com o Céu na terra e permitir que cheguemos mais perto da verdade a respeito de nós mesmas e de nós mesmos.

Precisamos nos decidir o quanto antes a emprestar um olhar diferente a tudo que vemos no mundo, se quisermos obter o que a quarta ideia de nossas práticas diz ser possível.
 
"Eu poderia ver paz em vez disto."

O que nos impede de ficar em paz? De viver a paz de espírito que só pode ser resultado da alegria e do amor pela vida que recebemos e que não tem fim?

Mateus, no Novo Testamente, dá-nos uma pista das razões por que vemos o que vemos e permitimos que o que vemos nos tire a paz nos afaste da alegria e nos cegue para o amor.

Diz ele:

Porque o coração deste povo se tornou insensível.
E eles ouviram de má vontade,
e fecharam os olhos,
para não acontecer que vejam com os olhos,
e ouçam com os ouvidos,
e entendam com o coração, e se convertam,
e assim eu os cure.

Para Goldsmith, nisto está "toda a história do mundo humano". O mundo, que se orienta pelo sistema de pensamento de separação do ego, "não quer que [se] lhe tire o dinheiro, o poder ou a posição. O mundo tem medo de ouvir esta mensagem, por temer que possa se convencer de que a guerra não é uma necessidade e que os pânicos e as crises são inúteis". O mundo, de fato, não quer ver a paz. O mundo dos egos, diga-se de passagem.

Quando alcançamos a paz de espírito somos capazes de compreender que somos muito mais do que corpos e formas e sentidos. Em paz, é possível aprender, reconhecer, aceitar e pôr em prática tudo aquilo que precisamos fazer para sermos apenas a manifestação do divino no mundo.

É a partir da experiência da paz interior que podemos praticar a última das ideias deste dia, com a confiança e a certeza de que ela é a expressão da verdade acerca de nós.
 
"Minha mente é parte da Mente de Deus. Eu sou absolutamente santo." 

Mas qual de nós acredita nisto de si mesma, de si mesmo? Ou qual de nós vive a partir desta convicção: a de que é absolutamente santa, absolutamente santo? E o que significa para nós ser santa, ser santo?

Ser santo, ou santa, como já vimos e como já foi dito neste espaço tantas vezes, não tem nada a ver com não cometer erros, com não ter dúvidas ou com não se deixar enganar pelo ego às vezes. Tem a ver, sim, com a tomada de decisão de ver de modo diferente. De ver, acima de tudo. Ser santo, ou santa, do modo como acredito que o Curso entende, ensina e quer que aprendamos, é aceitar-se como se é. E ser no mundo a expressão mais autêntica do divino. O que significa ser capaz de entregar ao Espírito, à Mente de Deus, tudo aquilo com que não se pode lidar.

É ser e aceitar-se por inteiro, incluindo nesta aceitação toda e qualquer experiência que se escolher e que se apresentar. Fazer como diz Eckhart Tolle:
 
Perdoe-se por não estar em paz. 
Quando você aceita totalmente a sua falta de paz,
essa falta se transforma em paz.
Tudo o que você aceita totalmente o conduz para lá,
e o leva para a paz.
Este é o milagre da entrega.

Às práticas?

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Domando as incoerências do ego chega-se à verdade

 

LIÇÃO 56

Nossa revisão para o dia de hoje abrange o seguinte:

1. (26) Meus pensamentos de ataque ferem minha invulnerabilidade.

Como posso saber quem sou, se me vejo sob ataque constante? A dor, a doença, a perda, a idade e a morte parecem me ameaçar. Todas as minhas esperanças, e desejos e planos, parecem estar à mercê de um mundo que não posso controlar. No entanto, a segurança perfeita e a realização completa são minha herança. Eu tento entregar minha herança em troca do mundo que vejo. Mas Deus mantém minha herança a salvo para mim. Meus próprios pensamentos verdadeiros me ensinarão o que ela é.

2. (27) Acima de tudo, eu quero ver.

Reconhecendo que o que vejo reflete o que penso que sou, percebo claramente que a visão é minha maior necessidade. O mundo que vejo é a confirmação da natureza terrível da auto-imagem que criei. Se eu quiser me lembrar de quem eu sou, é essencial que eu abandone esta imagem de mim mesmo. Quando ela for substituída pela verdade, a visão certamente me será dada. E, com essa visão, olharei para o mundo e para mim mesmo com caridade e amor.

3. (28) Acima de tudo, quero ver de modo diferente.

O mundo que vejo mantém minha auto-imagem terrível no lugar e assegura sua continuidade. Enquanto eu vir o mundo tal como o vejo agora, a verdade não pode penetrar em minha consciência. Quero permitir que a porta por trás deste mundo seja aberta para mim, para eu poder olhar, adiante dela, para o mundo que reflete o Amor de Deus.

4. (29) Deus está em tudo o que vejo.

Por trás de cada imagem que faço, a verdade permanece inalterada. Por trás de cada véu com que cubro a face do amor, sua luz continua a ser radiante. Além de todos os meus desejos loucos está minha vontade, unida à Vontade de meu Pai. Deus ainda está em todos os lugares e em todas as coisas para sempre. E nós, que somos parte d'Ele, ainda olharemos para o que há além de todas as aparências e reconheceremos a verdade além de todas elas.

5. (30) Deus está em tudo o que vejo, porque Deus está em minha mente.

Em minha própria mente, por trás de todos os meus pensamentos loucos de separação e de ataque, existe o conhecimento de que tudo é um para sempre. Eu não perdi o conhecimento de Quem eu sou, porque me esqueci disso. Ele está guardado para mim na Mente de Deus, Que não abandona Seus Pensamentos. E eu, que estou entre eles, sou um com eles e um com Ele.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 56

Caras, caros,

Na revisão de hoje, as práticas devem servir para nos lembrar de algo de que já falamos antes. Isto é, que, em geral, não nos damos conta de que nossos pensamentos, mal dirigidos, se voltam sempre diretamente para e contra nós mesmas ou contra nós mesmos. 

Comecemos, pois, a partir desta lembrança, a explorar a lição e as ideias para a revisão de hoje com a primeira delas: 

"Meus pensamentos de ataque ferem minha invulnerabilidade."

Não poderia ser diferente, uma vez que não há nada fora de mim. Tudo o que faço só pode ter como efeito algo que acontece para mim mesmo. Se ataco alguém, também me firo. Se ofendo alguém, também obtenho os resultados da ofensa cometida e tenho de aceitar as consequências advindas dela. E, se machuco alguém, a dor, normalmente, é maior em mim. Mesmo que no calor do momento eu não perceba.

O desafio que esta ideia apresenta deve servir para nos levar à consciência de que precisamos aprender, como o Curso ensina, a olhar para as coisas de modo diferente, decidindo-nos a ver acima de tudo, como sugere a segunda das ideias com a qual vamos praticar hoje:

"Acima de tudo, eu quero ver."

Ver verdadeiramente é o que pode nos devolver a consciência de nossa unidade com Deus. Ver é tudo o que precisamos para abandonar a imagem que fazemos de nós mesmas e de nós mesmos a partir do ego e de sua crença na separação.

Para Joel Goldsmith, "entender o que é Deus é ver Deus como a verdadeira vida do ser individual". A minha, a tua, a nossa vida e a de todo e qualquer ser. Isso é, na verdade, ver. Não a partir do que nos mostram os olhos do corpo, mas a partir do espírito, que está além do corpo, além das formas. E o "entender o que é Deus", de que ele fala, não acontece na mente, não tem nada a ver com o intelecto. Este entender tem relação direta com o saber, o conhecer, que experimentamos no instante santo.

E aí vamos à terceira ideia de hoje: 

"Acima de tudo, quero ver de modo diferente."

E por que acima de tudo? Porque hoje não vejo. Melhor dizendo, o que penso ser a visão hoje é aquilo que está relacionado aos sentidos de meu corpo. Visão, audição, olfato, paladar e tato. Isso não mostra, nem pode mostrar, a realidade de nada.

Voltando ainda a Goldsmith: "... Deus é a Alma do nosso ser, Deus é a Mente, o Espírito Santo, a verdadeira Essência da qual somos formados. Deus é o centro do nosso ser". 

Como "ver" isto com os olhos do corpo? Com os sentidos? A partir do modo de pensar do mundo?

Para tanto precisamos praticar e aplicar a quarta das ideias que estamos revisando hoje, mudando o foco de nosso olhar, e de nossos sentidos, para descobrir que: 

"Deus está em tudo o que vejo."

O valor de reconhecer isto e de reconhecer que "Deus é a Alma do nosso ser... o centro de nosso ser" está em nos levar à gratidão, que permite dizermos: "Obrigado, Pai". Somos gratos por podermos ter contato com a verdade a respeito do que somos em Deus, com Ele. E o que é verdadeiro para nós - para cada uma e cada um de nós de forma individual -, tem de ser verdadeiro para todo o universo, em todo lugar e em todo o tempo.

Isso nos traz, então, mais uma vez, à última das ideias para as práticas de hoje: 

"Deus está em tudo o que vejo, porque Deus está em minha mente."

Se já aprendemos que não há nada fora de nós, então Deus só pode estar em nós, em cada uma e em cada um de nós. O que somos, na verdade, em essência, é o que Deus é.

E, mais uma vez, Joel Goldsmith pode nos ajudar a refletir e a praticar melhor o que a ideia nos pede para aplicarmos a nossas vidas.

Diz ele:

"A consciência é Deus - a tua consciência, a minha consciência. Uma consciência infinita e indivisível, que se manifesta individualmente como a tua consciência e a minha consciência - isto é Deus. É a atividade da tua consciência e da minha, que resulta no desenvolvimento da nossa experiência harmônica diária. Não podemos nos sentar com uma mente inerte, apática e descuidada e acreditar que há um poder de Deus agindo por nós em algum lugar. O poder de Deus é a atividade de nossa consciência."

Eis aí a verdade eterna por detrás das palavras da lição de hoje. Eis aí o desafio que cada uma e cada um de nós precisa enfrentar. Pois a verdade necessita - exige, de fato -, para se manifestar, para que cheguemos a conhecê-la, tu e eu, que domemos as incoerências do ego. Só domando as incoerências do ego é que poderemos conhecer a verdade que nos libertará.

Às práticas?

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Neste mundo, nada dura para sempre, nada é eterno

 

LIÇÃO 55

A revisão de hoje inclui o seguinte:

1. (21) Estou decidido a ver as coisas de modo diferente.

O que vejo agora são apenas sinais de doença, de infelicidade e de morte. Não pode ser isto o que Deus criou para Seu Filho amado. O próprio fato de eu ver tais coisas é prova de que não compreendo a Deus. Por isto, eu também não compreendo Seu Filho. O que vejo me diz que não sei quem eu sou. Estou decidido a ver as testemunhas da verdade em mim em lugar daquelas que me mostram uma ilusão de mim mesmo.

2. (22) O que vejo é uma forma de vingança.

O mundo que vejo raramente é uma representação de pensamentos amorosos. É um retrato do ataque a tudo por tudo. É tudo menos um reflexo do Amor de Deus e do Amor de Seu Filho. São meus próprios pensamentos de ataque que dão origem a este retrato. Meus pensamentos amorosos vão me salvar desta percepção do mundo e me darão a paz que Deus pretendia que eu tivesse.

3. (23) Posso escapar deste mundo desistindo dos pensamentos de ataque.

A salvação está nisto, e em nenhum outro lugar. Sem pensamentos de ataque eu não poderia ver um mundo de ataque. À medida que o perdão permitir que o amor volte a minha consciência, verei um mundo de paz e de segurança e de alegria. E é isto que escolho ver em lugar daquilo para que olho agora.

4. (24) Eu não percebo meus maiores interesses.

Como eu poderia reconhecer meus maiores interesses se não sei quem sou? O que penso serem meus maiores interesses apenas me prenderia mais ao mundo de ilusões. Estou disposto a seguir o Guia que Deus me dá para descobrir quais são meus maiores interesses, reconhecendo que não posso percebê-los por mim mesmo.

5. (25) Eu não sei para serve coisa alguma.

Para mim, a finalidade de todas as coisas é a de provar que minhas ilusões a meu próprio respeito são verdadeiras. É para este fim que tento usar todos e tudo. É para isto que acredito que o mundo serve. Por esta razão não reconheço a verdadeira finalidade dele. A finalidade que dou ao mundo conduz a um quadro amedrontador dele. Que eu abra minha mente à verdadeira finalidade do mundo retirando aquela que lhe dou e aprendendo a verdade a respeito dele.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 55

Caras, caros, 

Para estas práticas de revisão, comecemos com a primeira das ideias, que completa e estende a última das que revisamos ontem:

"Estou decidido a ver as coisas de modo diferente."

Estou? Estás? Estamos? Mesmo?

Por quanto tempo? Quão firme é minha-tua-nossa decisão?

O desafio que esta ideia apresenta é, mais uma vez, no mínimo, aceitar a Expiação para mim mesmo, ou para mim mesma, aceitando a responsabilidade não só pelos desastres, mas também por tudo o que vejo neste mundo. Também faz parte do desafio, a partir do momento em que aceito a Expiação para mim mesmo, ou para mim mesma, que eu me proponha a mudar o modo de olhar para o mundo.

Perdoando-me pelo equívoco de vê-lo imperfeito, incompleto, e me decidindo a olhar para tudo de modo diferente, posso alcançar a verdade em mim. Posso reconhecer e receber o milagre que a lição oferece e aceitar e acolher o divino, que é minha identidade.

Agora, a segunda ideia: 

"O que vejo é uma forma de vingança."

As práticas com esta ideia é que me podem fazer perceber que meus pensamentos, fundados na crença na separação que o ego quer me fazer acreditar verdadeira, não podem refletir o amor de Deus. Longe disso, eles são reflexos de meu orgulho, que é a negação do amor e da verdade do que sou.

Isto me leva à terceira ideia. Como escapar deste mundo? O que posso fazer para manter minha decisão de ver de modo diferente e renunciar à vingança de meu modo de ver baseado no orgulho do ego?

"Posso escapar deste mundo desistindo dos pensamentos de ataque."

De fato, os pensamentos de ataque não fazem senão perpetuar o círculo vicioso de defesa-ataque, ataque-defesa. E, na verdade, quando não julgo, não preciso me defender de nada. E se não preciso me defender de nada também não há nada que me vá atacar.

Se eu não aprisionar nada nem ninguém em meu julgamento, posso viver a liberdade de um mundo perfeito, onde tudo acontece e coopera para o bem, sem a necessidade egoica de compreender por que razão as coisas acontecem da forma que acontecem.

Só o ego quer compreender e pensa que precisa fazê-lo. Só o ego precisa fazer, e fazer, e fazer. O divino não precisa fazer nada e é isso que o Curso ensina. Em Deus, com Ele/Ela, não preciso fazer nada.

Sem Deus, acreditando estar separado de tudo e de todos, não posso ser capaz de reconhecer, nem de aceitar, como diz a quarta das ideias de hoje, que: 

"Eu não percebo meus maiores interesses."

Não é possível conhecer o que são, de verdade, meus interesses, se não sei quem sou, se não sei qual é minha função neste mundo e se acredito que este mundo de ilusões possa conter alguma coisa de valor, alguma coisa que compense meu esforço. Alguma coisa que eu necessite e pela qual valha a pena lutar.

Conforme o Curso ensina, qualquer coisa neste mundo que acredites ter valor, ser algo pelo qual valha a pena lutar, pode te ferir e o fará.

Não porque tenha o poder para te ferir, mas porque, ao dares realidade a ela, abres as portas para que entrem todas as formas loucas da ilusão, para o bem ou para o mal.

É por isso que precisamos também praticar mais uma vez a quinta ideia de hoje: 

"Eu não sei para que serve coisa alguma." 

O orgulho do ego nasce de sua vontade de ser onipotente e de poder ocupar/usurpar o lugar de Deus. É por isso que ele se arvora conhecedor do que é melhor para mim. É por isso que a lição ensina, com esta ideia, que, para mim, em sintonia com o ego, a finalidade de todas as coisas é provar que as ilusões a meu próprio respeito são verdadeiras.

É para isso que o ego busca usar todas as pessoas e todas as coisas. Para me - e nos - convencer de que o mundo - e as coisas do mundo - tem algum valor em si mesmo.

Não tem! 

Por mais que tentemos nos convencer de que há no mundo qualquer coisa que possa nos trazer alegria, paz e felicidade, somos forçados e forçadas, por praticamente todas as nossas experiências no mundo, a reconhecer e a admitir que tudo o que o mundo consegue nos dar é apenas temporário.

Nada nele dura para sempre. Nada nele é eterno.

É também por isso que não há como saber para que serve coisa alguma neste mundo. E só quando aprendemos a soltar, a abandonar, a abrir mão do apego e do controle às coisas, às pessoas, e ao mundo é que a verdadeira finalidade de tudo pode se mostrar.

É só a partir deste modo de olhar que podemos deixar que o mundo e tudo nele seja apenas e exatamente o que é, livre de qualquer julgamento que tenhamos posto sobre qualquer coisa.

Às práticas?

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Tudo no mundo está sob a nossa responsabilidade

 

LIÇÃO 54

Estas são as ideias para a revisão de hoje:

1. (16) Eu não tenho nenhum pensamento neutro.

Pensamentos neutros são impossíveis porque todos os pensamentos têm poder. Eles tanto criarão um mundo falso quanto me conduzirão para o mundo verdadeiro. Mas os pensamentos não podem deixar de ter efeitos. Da mesma forma que o mundo que vejo surge dos erros de meu modo de pensar, o mundo verdadeiro também despontará diante de meus olhos quando eu permitir que meus erros sejam corrigidos. Meus pensamentos não podem ser verdadeiros e falsos ao mesmo tempo. Eles têm de ser uma coisa ou outra. O que vejo me mostra qual das duas coisas eles são.

2. (17) Eu não vejo nenhuma coisa neutra.

O que vejo testemunha o que penso. Se eu não pensasse, não existiria, porque vida é pensamento. Que eu olhe para o mundo que vejo como a representação de meu próprio estado de espírito. Sei que meu estado de espírito pode mudar. E, por isso, sei também que o mundo que vejo pode mudar do mesmo modo.

3. (18) Não estou sozinho ao experimentar os efeitos de meu modo de ver.

Se não tenho nenhum pensamento privado, não posso ver um mundo privado. Até mesmo a ideia louca de separação teve de ser compartilhada antes de poder dar forma à base do mundo que vejo. Contudo, esse compartilhar foi um compartilhar do nada. Eu também posso apelar a meus pensamentos verdadeiros, que compartilham tudo com todos. Uma vez que meus pensamentos de separação convocam os pensamentos de separação dos outros, meus pensamentos verdadeiros também despertam os pensamentos verdadeiros neles. E o mundo que meus pensamentos verdadeiros me mostram despontará tanto na sua vista quanto na minha.

4. (18) Não estou sozinho ao experimentar os efeitos de meus pensamentos.

Não estou sozinho em nada. Tudo o que penso, ou digo, ou faço ensina a todo o universo. Um Filho de Deus não pode pensar ou falar ou agir à toa. Ele não pode estar sozinho em coisa alguma. Por isso, está ao meu alcance mudar todas as mentes junto com a minha, porque o poder de Deus me pertence.

5. (20) Eu estou decidido a ver.

Reconhecendo a natureza fracionada de meus pensamentos, estou decidido a ver. Quero olhar para as testemunhas que me mostram que o modo de pensar do mundo mudou. Quero ver a prova de que aquilo que foi realizado por meu intermédio capacitou o amor a substituir o medo, o riso a substituir as lágrimas e a abundância a substituir a perda. Quero olhar para o mundo verdadeiro e deixar que ele me ensine que minha vontade e a Vontade de Deus são uma só.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 54

Caras, caros,

Continuemos com nossas práticas de revisão.

Já passamos algumas vezes por aqui antes. Será que passamos? Quantas vezes? Uma, duas, três, mais...? Alguém lembra? Mesmo assim, as ideias que vamos explorar hoje devem ser vistas e praticadas como se fora a primeira vez. Pois, de fato, depois de termos deixado o passado para trás, é a primeira vez que nos aproximamos da lição.

"Eu não tenho nenhum pensamento neutro."

Esta é a primeira das oportunidades que a lição de hoje nos traz para um novo começo, para uma nova decisão, uma nova escolha. 

É já sabido que, apesar de não significarem coisa alguma, são nossos pensamentos que criam as experiências que vamos viver na ilusão de tempo em que aparentemente nos encontramos. É por isso que eles não podem ser neutros. É por isso que precisamos vigiá-los. Para sermos capazes de utilizá-los agora para ver de modo diferente. Para que a visão nos mostre apenas o mundo verdadeiro, presente, que está adiante e além de todas as ilusões que pensamos viver a partir dos sentidos e dos pensamentos equivocados.

"Eu não vejo nenhuma coisa neutra."

Não há escapatória, pois não? Se meus pensamentos não são neutros e inventam o mundo da ilusão e, além disso, raramente me põem em contato com o real em mim - e sempre mais quando consigo calá-los do que quando lhes dou ouvidos -, não posso ver nenhuma coisa que seja neutra. Pois ao olhar para as coisas com os olhos do corpo, a partir de pensamentos equivocados, já as estou julgando. Meu olhar e meus sentidos, de modo geral, aprisionam todas as pessoas e todas as coisas em conceitos, negando-lhes e, por consequência, negando a mim mesmo, a liberdade de que preciso para ver todas as coisas de modo diferente e para permitir que todas as pessoas e coisas sejam exatamente como são. É isso que me impede de ver a realidade.

A prática com esta segunda ideia que revisitamos hoje dá-nos nova oportunidade de escolher mudar nosso modo de ver. Uma oportunidade que pode nos fazer perceber, finalmente, que:

"Não estou sozinho ao experimentar os efeitos de meu modo de ver."

Ou como lhes disse, como nova possibilidade de traduzir a ideia do original, "não sou só eu que experimento os efeitos de meu modo de ver". Isto lhe parece chover no molhado? Não é! Para olhos e ouvidos atentos, e para mentes e corações abertos, nunca é demais repetir que a responsabilidade pelo mundo que vemos é nossa, de cada um, de cada uma, de nós mesmos e de nós mesmas, tanto individual quanto coletivamente. E que quando escolhemos olhar para isto ou aquilo desta ou daquela forma, fazemos que todas as pessoas que povoam nosso mundo, recebam os efeitos do modo que escolhemos para ver.

Um exemplo até banal é pensar que eu conheço uma pessoa a quem vejo como maravilhosa, boa, inteligente, caridosa, generosa, modelo de pessoa bela, do bem. É claro que vou me referir a ela destacando as qualidades e características que vejo, e que, por ver nela, também são minhas. As pessoas outras a quem eu falar dela podem vir a ter presente em sua mente aquilo que eu disse e, ao conhecê-la, podem vê-la e achar nela as mesmas coisas de que falei. 

Ou não! Porque cada um, cada uma, de nós olha para o mundo a partir de suas próprias referências internas e, mesmo que eu fale maravilhas de alguém que conheço, uma pessoa que não se acha maravilhosa e que se julga e condena por todas as suas falhas, isto é, pelas falhas que pensa que tem, pode ser incapaz de ver as qualidades que vejo e a que me refiro quando falo de alguém. Porque não as vê em si mesma.

É em função disso que existe a necessidade de pensarmos bem antes de dizer qualquer coisa de alguém. Até porque sempre falamos apenas de nós mesmos.

"Não estou sozinho ao experimentar os efeitos de meus pensamentos."

Aqui também vale lembrar que a ideia original pode ser traduzida como "não sou só eu que experimento os efeitos de meus pensamentos". E o desafio que esta quarta ideia que revisamos nos oferece é bem claro e simples: aprender que posso e devo buscar ter consciência daquilo que penso, sob pena de multiplicar as ilusões do julgamento que trazem meus pensamentos para meu olhar para o mundo e para tudo o que há nele. É bem fácil perceber que tudo aquilo que penso - e meus pensamentos não são neutros - materializa o mundo que quero ver. Mas muitas vezes, em função de meus equívocos, materializa também coisas que não quero ver.

O que fazer neste caso? Mudar meu modo de pensar, meu modo de ver. Pois os efeitos do que penso atingem todas as pessoas a quem meu pensamento se dirige. E, exemplificando, se me dirijo ao encontro de alguém achando que vou encontrar um monstro, uma pessoa inflexível, injusta, exigente ao extremo, temendo o que pode acontecer no encontro, é muito provável que o resultado dele seja uma completa decepção. Uma experiência que me leva para bem longe da alegria e me tira a paz. Sem dúvida, a pessoa "captou" - recebeu e absorveu a energia de - meus pensamentos e fez com que eles fossem a materialização de minhas expectativas. E todas as pessoas a quem encontro também vão ser atingidas pelos efeitos daquilo que pensei.

"Eu estou decido a ver."

Por fim, esta quinta e última ideia, traz o desafio da tomada de decisão. Uma vez aceito este desafio o milagre que se apresenta é a visão. Não a visão que os olhos do corpo oferece, mas a visão que transcende os sentidos. A visão que nos põe em contato com o divino no interior de nós mesmos/as. E, por extensão, nos permite ver a manifestação do divino em tudo e em todos.

Às práticas?