sábado, 7 de março de 2026

Ouvir a voz do ego ou a Voz por Deus é escolha nossa

 

LIÇÃO 66

Minha felicidade e minha função são a mesma coisa.

1. Tu certamente percebeste ao longo de todas as nossas lições recentes uma ênfase na ligação entre o cumprimento de tua função e a conquista da felicidade. Isto é porque tu não vês realmente a ligação. No entanto, há mais do que apenas uma ligação entre elas; elas são a mesma coisa. Suas formas são diferentes, mas seu conteúdo é perfeitamente igual.

2. O ego trava uma batalha permanente com o Espírito Santo acerca da questão fundamental do que é tua função. Ele também trava uma batalha constante com o Espírito Santo a respeito do que é tua felicidade. Não é uma batalha com dois lados. O ego ataca e o Espírito Santo não reage. Ele sabe qual é tua função. Ele sabe que ela é tua felicidade.

3. Hoje tentaremos ir além desta batalha totalmente sem sentido para chegar à verdade a respeito de tua função. Não nos ocuparemos de discussões inúteis acerca do que ela é. Não ficaremos, de modo incorrigível, envolvidos na definição de felicidade e em estabelecer o meio para alcançá-la. Não vamos favorecer o ego dando ouvidos a seus ataques à verdade. Vamos simplesmente ficar alegres por poder descobrir o que a verdade é.

4. Nosso período de prática mais longo hoje tem por finalidade tua aceitação do fato de que não apenas existe uma ligação muito verdadeira entre a função que Deus te deu e a tua felicidade, mas que elas são, na verdade, idênticas. Deus só te dá felicidade. Por isso, a função que Ele te deu tem de ser a felicidade, mesmo que pareça ser diferente. Os exercícios de hoje são uma tentativa de ir além dessas diferenças de aparência e reconhecer um conteúdo universal onde, na verdade, ele existe.

5. Começa o período de prática com dez a quinze minutos pela revisão destas ideias:

Deus só me dá felicidade.
Ele me dá minha função.
Por isso, minha função tem de ser a felicidade.

Tenta perceber a lógica desta sequência, mesmo que ainda não aceites a conclusão. A conclusão só poderia ser falsa se as duas primeiras ideias estivessem erradas. Vamos pensar, então, a respeito das premissas por um momento enquanto praticamos.

6. A primeira premissa é a de que Deus só te dá felicidade. Isto poderia ser falso, é claro, mas para ser falso é necessário definir Deus como algo que Ele não é. O amor não pode dar o mal e o que não é felicidade é mau. Deus não pode dar o que Ele não tem e Ele não pode ter o que Ele não é. A menos que Deus só te dê felicidade, Ele tem de ser mau. E é nesta definição d'Ele que acreditas, se não aceitas a primeira premissa.

7. A segunda premissa é a de que Deus te dá tua função. Vimos que só existem duas partes na tua mente. Uma é governada pelo ego e é feita de ilusões. A outra é o lar do Espírito Santo, onde a verdade habita. Não existe nenhum guia diferente entre os quais escolher a não ser estes, e nenhum resultado diferente possível como consequência de tua escolha, a não ser o medo que o ego sempre gera, ou o amor que o Espírito Santo sempre oferece para substituir o medo.

8. Deste modo, tua função só pode ser: ou estabelecida por Deus, por meio de Sua Voz, ou feita pelo ego, que fizeste para substituí-Lo. Qual é a verdadeira? A menos que Deus tenha te dado tua função, ela tem de ser a dádiva do ego. O ego, sendo ele mesmo uma ilusão e só oferecendo a ilusão de dádivas, tem realmente dádivas a oferecer?

9. Pensa a respeito disto durante o período de prática mais longo hoje. Pensa também a respeito das muitas formas que a ilusão de tua função toma em tua mente, e nas muitas maneiras pelas quais tentaste achar a salvação sob a orientação do ego. Tu a achaste? Foste feliz? Elas te trouxeram paz? Precisamos de muita honestidade hoje. Lembra-te dos resultados de modo imparcial e pensa também se alguma vez foi racional esperar a felicidade de qualquer coisa que o ego já propôs. Não obstante, o ego é a única alternativa à Voz do Espírito Santo.

10. Tu escutarás a loucura ou ouvirás a verdade. Tenta fazer esta escolha enquanto pensas a respeito das premissas sobre as quais nossa conclusão se baseia. Nós podemos compartilhar esta conclusão, mas nenhuma outra. Pois o Próprio Deus a compartilha conosco. A ideia de hoje é outro passo gigantesco na percepção do mesmo como o mesmo e do diferente como diferente. De um lado ficam todas as ilusões. Toda a verdade fica do outro. Vamos tentar perceber de modo claro hoje que só a verdade é verdadeira.

11. Nos períodos de prática mais breves, que seriam muito proveitosos hoje se fossem feitos duas vezes por hora, sugere-se esta forma de aplicação:

Minha felicidade e minha função são a mesma coisa,
porque Deus me dá ambas.

Não levarás mais do que um minuto, e provavelmente menos, para repetir estas palavras lentamente e pensar a respeito delas por um instante enquanto as dizes.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 66

Caras, caros,

Praticamos nos dois últimos dias com as ideias de que não podemos esquecer nossa função, ou o papel que nos cabe neste mundo de aparências e ilusões, e de que este papel deve se limitar àquele que Deus nos deu. Pode parecer, assim, que, como quer que pensemos o ego, não temos liberdade para escolher o caminho que nos vai levar à alegria e a paz completas e perfeitas. Isto é, falta-nos o tal livre arbítrio, que nos faria tomar o destino em nossas próprias mãos para fazermos o que bem entendermos com nossas vidas. Não é mesmo?

Entretanto, o que todo ser humano busca em sua vida, sabemos, é apenas a felicidade. Às vezes, por caminhos tortuosos e difíceis que o deixam bem próximo do abismo, da loucura, da depressão, do medo de viver e de se entregar ao prazer que lhe oferece a vida, mesmo neste mundo de ilusões. É por isso que a ideia da lição de hoje vem para iluminar as razões por que devemos lembrar de nossa função e de que a única função que temos é aquela que Deus nos deu.

Vejamos, pois:

"Minha felicidade e minha função são a mesma coisa."

Se pensarmos bem, podemos concluir que nada nos deixa mais felizes de que fazer a coisa certa. Quer dizer, aquilo que é, ou parece ser, a coisa certa para nós, seja o que for, no momento em que se apresenta, não é mesmo? Será que algum ou alguma de nós já parou para pensar a razão para isso? Haverá?

Por outro lado, também podemos nos perguntar por que razão muitas vezes escolhemos fazer coisas que não nos deixam felizes, que nos afastam da alegria, coisas que nos tiram a paz de espírito e que decidimos fazer, contrariando, de modo inexplicável, a própria razão/intuição que nos diz que vamos sofrer se fizermos aquilo.

É exatamente disto que trata a lição de hoje. Vejamos:

Tu certamente percebeste ao longo de todas as nossas lições recentes uma ênfase na ligação entre o cumprimento de tua função e a conquista da felicidade. Isto é porque tu não vês realmente a ligação. No entanto, há mais do que apenas uma ligação entre elas; elas são a mesma coisa. Suas formas são diferentes, mas seu conteúdo é perfeitamente igual.

É certo que podemos dizer que a resposta às primeiras perguntas feitas acima se relaciona de forma direta com a ligação que temos com o divino em nós, a razão, ou a parte de nossa mente que mantém contato constante com Deus e com o Espírito Santo que Ele/Ela nos deu para compartilharmos.

O que nos deixa felizes, sem dúvida, mesmo quando não temos consciência disso, é o cumprimento de nossa função. É a aceitação do papel que nos cabe no plano de Deus para a salvação do mundo. Para a nossa salvação também.

Já em relação à pergunta seguinte, a resposta mais óbvia pode ser encontrada no fato de nos acreditarmos separadas e separados de Deus e uns e umas dos outros e das outras. O ego, "o grande impostor", é quem nos convence a tomar decisões que nos afastam da alegria e nos impedem de viver e de perceber que nossa felicidade e nossa função são uma só e mesma coisa.
 
Minha felicidade e minha função são a mesma coisa.

É isso que vamos ver a lição nos dizer em seguida. Ela também vai mostrar a razão pela qual aparentemente existe a possibilidade de escolhermos alguma coisa diferente da felicidade. Vai deixar bem claro a qual orientação damos ouvidos, quando nos decidimos por algo que não pode nos trazer a alegria e a felicidade e a paz de espírito.

Eis aí:

O ego trava uma batalha permanente com o Espírito Santo acerca da questão fundamental do que é tua função. Ele também trava uma batalha constante com o Espírito Santo a respeito do que é tua felicidade. Não é uma batalha com dois lados. O ego ataca e o Espírito Santo não reage. Ele sabe qual é tua função. Ele sabe que ela é tua felicidade.

O desafio que a lição nos oferece é o de abrirmos olhos, ouvidos, mente e coração para aceitar que nada do que possamos fazer que seja diferente de nossa função pode nos fazer felizes. Enquanto não aceitarmos a Vontade de Deus para nós, viveremos o inferno de pensar que existe um mundo de alegria, de paz e de felicidade, mas que não o podemos alcançar, porque não somos dignas e dignos dele, por estarmos separadas de separados de Deus, e por não conhecermos nossa função.

Ora, nada mais equivocado do que isto. Se aceitarmos o desafio que a lição de hoje nos oferece, o milagre que ela traz também vai se apresentar imediatamente. Isto é, se nos abrirmos ao espírito em nós, podemos compreender e, por consequência, aceitar que nossa felicidade está estreitamente ligada a nossa função. Até porque, como costumo dizer, precisamos ter sempre em mente que compreender e aceitar são sinônimos. É por isso que não há como chegar à felicidade, se não aceitarmos cumprir nossa função [o que só pode significar que ainda não a compreendemos, pois só não aceitamos aquilo que não compreendemos].
 
Minha felicidade e minha função são a mesma coisa.

Não há como negar esta ideia se prestarmos bastante atenção ao que lição nos diz a seguir:

Hoje tentaremos ir além desta batalha totalmente sem sentido para chegar à verdade a respeito de tua função. Não nos ocuparemos de discussões inúteis acerca do que ela é. Não ficaremos, de modo incorrigível, envolvidos na definição de felicidade e em estabelecer o meio para alcançá-la. Não vamos favorecer o ego dando ouvidos a seus ataques à verdade. Vamos simplesmente ficar alegres por poder descobrir o que a verdade é.

Nosso período de prática mais longo hoje tem por finalidade tua aceitação do fato de que não apenas existe uma ligação muito verdadeira entre a função que Deus te deu e a tua felicidade, mas que elas são, na verdade, idênticas. Deus só te dá felicidade. Por isso, a função que Ele te deu tem de ser a felicidade, mesmo que pareça ser diferente. Os exercícios de hoje são uma tentativa de ir além dessas diferenças de aparência e reconhecer um conteúdo universal onde, na verdade, ele existe.

Busquemos com toda a atenção, com toda a honestidade e com toda a sinceridade de que somos capazes, nos lembrar mais uma vez de que "todas as coisas cooperam para o bem". Por isso, não importa a forma com que a pessoa, a coisa, a situação ou a circunstância se apresentam em nossa experiência, independentemente de qualquer forma, "todas as coisas cooperam para o bem". 

Dito de outro modo: "a pessoa que vem é a certa" e, em todas, todas, todas as situações e/ou circunstâncias, "aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido". Sempre. Saber disso já não nos coloca próximas e próximos da experiência da felicidade? Não é já o reconhecimento e a aceitação de nossa função? E mais do que saber, aplicar isto em nossos dias já não é trabalhar com o entendimento de que a felicidade está ligada à função?

Minha felicidade e minha função são a mesma coisa.

Dedicar a maior atenção de que somos capazes a cada um dos parágrafos que se seguem a estes, que destaco e que servem de orientação e de preparação para que tiremos o máximo proveito da ideia que a lição traz hoje, é o que vai fazer toda a diferença em nossas práticas.

Como eu já disse várias vezes antes, de acordo com o que ensina o Curso, quando fazemos qualquer escolha, sempre escolhemos entre Céu e inferno. Ouvir a Voz por Deus em nós mesmas e em nós mesmos é escolher o Céu, escolher a felicidade e aceitar nossa função. Ouvir a voz do ego é continuar a escolher o inferno e reforçar a crença na separação. Na verdade, só há uma escolha a ser feita. Saber fazê-la depende apenas de aceitarmos a ideia que a lição nos oferece hoje:
 
Minha felicidade e minha função são a mesma coisa.

Às práticas?

sexta-feira, 6 de março de 2026

É preciso fazermos novas perguntas, questionar tudo

 

LIÇÃO 65

Minha única função é a que Deus me deu.

1. A ideia para hoje reafirma teu compromisso com a salvação. Ela também te lembra de que não tens nenhuma função diferente desta. Estes dois pensamentos são obviamente necessários para um compromisso total. A salvação não pode ser o único objetivo que manténs, enquanto ainda nutrires outros. A completa aceitação da salvação como tua única função envolve necessariamente duas fases; o reconhecimento da salvação como tua única função e o abandono de todas as outras metas que inventas para ti mesmo.

2. Esta é a única maneira pela qual podes assumir teu lugar legítimo entre os salvadores do mundo. Esta é a única maneira a partir da qual podes dizer com propriedade: "Minha única função é a que Deus me deu". Esta é a única maneira pela qual podes achar a paz de espírito.

3. Hoje, e nos próximos dias, reserva de dez a quinze minutos para um período de prática mais longo, no qual tentas compreender e aceitar o que a ideia para o dia, de fato, significa. A ideia de hoje te oferece saída para tudo o que consideras serem tuas dificuldades. Ela coloca em tuas próprias mãos a chave da porta para a felicidade, que fechas para ti mesmo. Ela te dá a resposta para toda busca que fazes desde que o tempo teve início.

4. Tenta, se possível, empreender os períodos prolongados de prática diária mais ou menos no mesmo horário a cada dia. Tenta também definir este horário com antecedência e, então, ser tão fiel a ele quanto possível. O objetivo disto é organizar teu dia de forma que reserves tempo para Deus tanto quanto para os objetivos e metas corriqueiros que buscarás. Isto é parte do treinamento disciplinar de longo alcance de que tua mente necessita, a fim de que o Espírito Santo possa usá-la de modo coerente para o objetivo que Ele compartilha contigo.

5. Nos períodos de prática mais longos, começa pela revisão da ideia para o dia. Em seguida, fecha os olhos, repete a ideia para ti mesmo mais uma vez e observa a tua mente com bastante cuidado para captar quaisquer pensamentos que passem por ela. Em primeiro lugar, não faças nenhuma tentativa de te concentrares apenas nos pensamentos afins à ideia para o dia. Em lugar disso, tenta descobrir cada pensamento que surgir para se opor a ela. Observa cada um enquanto ele chega a ti, com o menor envolvimento ou interesse possível, descartando-os um a um, ao dizeres a ti mesmo:

Este pensamento reflete uma meta que
me impede de aceitar minha única função.

6. Depois de algum tempo, será mais difícil achar pensamentos de intromissão. Experimenta, porém, continuar por cerca de um minuto mais, para tentar captar alguns dos pensamentos vãos que escaparam a tua atenção antes, mas não te canses nem recorras a um esforço indevido para fazê-lo. Em seguida, dize a ti mesmo:

Que minha função verdadeira seja escrita
para mim neste espaço em branco.

Não é necessário que uses exatamente estas palavras, mas tenta obter a sensação de estar disposto a deixar que tuas ilusões de metas sejam substituídas pela verdade.

7. Finalmente, repete a ideia para hoje mais uma vez e dedica o tempo restante do período de prática a tentar concentrar tua atenção na importância dela para ti, no alívio que sua aceitação te trará ao resolver teus conflitos de uma vez por todas, e no quanto queres realmente a salvação apesar de tuas próprias ideias tolas em contrário.

8. Nos períodos de práticas mais breves, que devem ser empreendidos ao menos uma vez por hora, utiliza esta forma para a aplicação da ideia de hoje:

Minha função é a que Deus me deu.
Eu não quero e não tenho nenhuma outra.

Fecha os olhos algumas vezes ao praticar isto e outras mantém-nos abertos e olha a tua volta. É o que vês que mudará por completo quando aceitares inteiramente a ideia de hoje.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 65

Caras, caros,

Caso ainda não tenhamos nos dado conta de que cada um e cada uma de nós tem, no mundo das aparências e ilusões, apenas de cumprir o papel que lhe está destinado para alcançar a alegria e a paz completas e perfeitas, que é o que o Curso diz ser a Vontade de Deus para cada um, cada uma e todos e todas nós, precisamos ficar muito atentos, atentas, à ideia que a lição de hoje nos oferece para as práticas.

Comecemos? 

"Minha única função é a que Deus me deu."

Tomara soubéssemos de verdade isso que a lição nos diz e aceitássemos o desafio que é reconhecer que não temos nenhuma outra função que não aquela que nos é dada por Deus. Mesmo que ainda não saibamos qual é ela, mesmo que não a compreendamos, quando formos apresentados a ela. E, com certeza, mais dia, menos dia, seremos.

Qual é, pois, esta função?

Há que se mergulhar o mais profundamente possível no silêncio, em direção ao mais íntimo em nós mesmos e de nós mesmas, para chegar à aceitação de que só seremos de fato felizes quando nos decidirmos a assumir o papel que nos cabe na salvação do mundo. E qual é este papel?

Vejamos como a lição diz isso:

A ideia para hoje reafirma teu compromisso com a salvação. Ela também te lembra de que não tens nenhuma função diferente desta. Estes dois pensamentos são obviamente necessários para um compromisso total. A salvação não pode ser o único objetivo que manténs, enquanto ainda nutrires outros. A completa aceitação da salvação como tua única função envolve necessariamente duas fases; o reconhecimento da salvação como tua única função e o abandono de todas as outras metas que inventas para ti mesmo.

Isto equivale a dizer que tudo o que fazemos com um objetivo diferente - isto é, pensando que podemos ter um objetivo diferente - do da salvação é apenas um tipo de distração. Uma distração que visa a adiar o momento de tomarmos a decisão pelo Céu. No entanto, como o Curso ensina: enquanto não escolheres o Céu, estás no inferno e no sofrimento. 

No fundo, no fundo, no mais íntimo de nós mesmos, de nós mesmas, cada um e cada uma de nós sabemos de que forma vamos chegar à salvação. De que modo vamos ser capazes de levá-la a tudo. a todos e a todas no mundo. Porque nenhum de nós, nenhuma de nós, é feliz, ou vive apenas a alegria de ser, enquanto não está fazendo o movimento que nos põe na sintonia do divino. Aquela sintonia que nos permite conhecer nossa função. E cumpri-la.

Minha única função é a que Deus me deu.

É exatamente isso que a lição diz a seguir:

Esta é a única maneira pela qual podes assumir teu lugar legítimo entre os salvadores do mundo. Esta é a única maneira a partir da qual podes dizer com propriedade: "Minha única função é a que Deus me deu". Esta é a única maneira pela qual podes achar a paz de espírito.

Se reconhecemos e aceitamos que a Vontade de Deus para nós é a mesma que nossa vontade para nós mesmos, ou para nós mesmas, não há como negar que é na alegria que encontramos a paz de espírito. E só podemos achar a alegria duradoura quando vivemos, se não na certeza, na confiança de que o plano de Deus para a salvação é o único que pode dar certo e que, é claro, todos, todas e cada um e cada uma de nós somos partes importantes nesse plano.

Tanto é assim que há um ponto no texto em que lemos: o Próprio Deus é incompleto sem mim.

Minha única função é a que Deus me deu.

Repetindo o que eu já disse tantas outras vezes, não é a busca de respostas que vai nos levar à meta. O que precisamos fazer, na verdade, é aprender a fazer as perguntas certas. Nova perguntas. Aprender a fazer aquelas perguntas que nos ofereçam os desafios necessários para que nos movamos em direção à tomada de decisão. Aprender a fazer novas perguntas a cada instante, questionando tudo o que o mundo e seu sistema de pensamento nos oferece como resposta. E mais do que apenas isso, aprender a esperar para ouvir a resposta no silêncio. Porque, como o Curso ensina também, é muito fácil distinguir se a voz que ouvimos é a do ego ou é a Voz por Deus: o ego sempre fala primeiro. Repetindo: o ego é aquela voz que sempre fala primeiro, que não se contém. Há, pois, que se ir mais fundo no mergulho interior, então, se quisermos de fato ouvir a Voz por Deus.

Já pensaram o que aconteceria, se não tivéssemos nenhuma pergunta mais a fazer?

É por isso que o Curso ensina, como lembrou Tara Singh, que não é necessário compreender. Mas há que se praticar. Há que se buscar aplicar as ideias que as lições nos oferecem. É a aplicação delas em cada momento de nossa vida, em cada situação, em cada novo encontro com as pessoas, que vai nos convencer a olhar de modo diferente para tudo e para todos.

É como a lição diz, por exemplo:

... A ideia de hoje te oferece saída para tudo o que consideras serem tuas dificuldades. Ela coloca em tuas próprias mãos a chave da porta para a felicidade, que fechas para ti mesmo. Ela te dá a resposta para toda busca que fazes desde que o tempo teve início.

Mas isso vai depender de aceitares o que de fato significa a ideia para as práticas deste dia. Vai depender também de estares disposto a seguir o restante das orientações que o Curso dá para as práticas e de te comprometeres honesta e sinceramente a lembrar de aplicar a ideia ao teu dia.

Minha única função é a que Deus me deu.

As práticas com esta ideia podem fazer com que nos demos conta de que, em geral, nossas ações e pensamentos no mundo não são nada mais do que um modo de esconder de nós mesmos e de nós mesmas quem de fato somos. De esconder de nós mesmos e de nós mesmas que sabemos qual é nossa função. De que sabemos o que nos dá a alegria plena e verdadeira, mas que não temos coragem, de fazer o que é preciso fazer para viver a partir da decisão de cumprir nossa função no mundo, por nos julgarmos de um modo ou de outro. 

Nesta brincadeira de pensar e agir no mundo como se ele de fato existisse e tivesse algum valor, somos levados e levadas a crer que há alguma coisa que precisa ser mudada. Algo que pode ser melhorado. Às vezes, em nós mesmos, em nós mesmas, às vezes, nas outras pessoas, esquecendo-nos a maior parte do tempo de que nós também somos as outras pessoas e elas são nós também. Muitas vezes achamos que há algo que pode ser melhorado no mundo. Mas quem, a não ser o ego, pode imaginar que é possível melhorar a Criação?

E quem, a não ser o ego, quer compreender o mundo e buscar respostas para os acontecimentos e situações? Só o ego, cuja atividade é apenas a de disfarçar aquilo que vemos para nos convencer a acreditar que há alguma coisa de valor no mundo, quer compreender. Só o ego acredita que há algo de valor neste mundo. Algo que possamos querer. Algo fora de nós mesmos e de nós mesmas que possa nos levar a alegria, que possa nos dar a paz. Mas, lembremo-nos, não há nada fora.

O que acontece na maioria das vezes é que, ao embarcarmos em uma linha de pensamento, buscando soluções para problemas que enfrentamos pessoalmente ou que pensamos que outras pessoas enfrentam, não percebemos que é esta mesma linha de pensamento em que embarcamos que nos impede de manter presente a ideia que a lição nos pede para praticarmos hoje. Como ela mesmo diz para refletirmos a respeito de determinados pensamentos, quando nos pomos a observá-los: 

Este pensamento reflete uma meta 
que me impede de aceitar minha única função.

Não é assim que se apresentam a nós muitos dos problemas com que temos de lidar? Não é assim que eles se perpetuam em nossa experiência, como se não houvesse uma forma de viver que não envolvesse lidar com milhares de problemas diferentes. Todos são o mesmo. E derivam do único problema que, de fato, precisamos resolver: a crença na separação. 

Thomas Merton, em um livro publicado postumamente, intitulado "A experiência interior", diz o seguinte: 

"Uma das estranhas leis da vida contemplativa [esta vida que leva em conta a necessidade do contato diário com o divino e com as coisas do espírito em nós] é que nela você não se senta para resolver problemas, você simplesmente os suporta até que, de algum modo, se resolvam sozinhos, ou até que a própria vida os resolva para você. Normalmente, a solução consiste em descobrir que os problemas só existiam por estarem inseparavelmente ligados a nosso próprio eu exterior e ilusório [o ego, a imagem de nós mesmos ou de nós mesmas que construímos a partir da crença na separação]. Assim, a solução da maioria desses problemas vem com a dissolução desse falso eu."

E isso se dá - a dissolução do falso eu - com a busca da consciência da Presença de Deus em nós. Ele/Ela é o Único Poder. Não há nada fora d'Ele/d'Ela, assim como não há nada fora de nós. Tudo aquilo para que olhamos é apenas a materialização de nossos pensamentos como que numa tela de cinema. E o melhor de tudo é que o filme a que assistimos só pode ter um final para todos e todas nós à luz da consciência do divino: a alegria completa e perfeita.

Para tanto, basta que aceitemos e pratiquemos e apliquemos a ideia da lição de hoje: 

Minha única função é a que Deus me deu. 

Às práticas?

quinta-feira, 5 de março de 2026

O mundo só recebe o perdão que dou a mim mesmo

 

LIÇÃO 64

Que eu não me esqueça de minha função.

1. A ideia de hoje é apenas outra maneira de dizer: "Não me deixes cair em tentação". A finalidade do mundo que vês é a de ocultar tua função de perdão e a de te oferecer uma justificativa para esquecê-la. É a tentação de abandonar a Deus e a Seu Filho assumindo uma aparência física. É para isto que os olhos do corpo olham.

2. Nada daquilo que os olhos do corpo parecem ver pode ser qualquer coisa que não uma forma de tentação, uma vez que este foi o objetivo do corpo em si mesmo. No entanto, aprendemos que o Espírito Santo tem outra aplicação para todas as ilusões que inventas e que, por esta razão, Ele vê outro objetivo nelas. Para o Espírito Santo, o mundo é um lugar aonde tu aprendes a te perdoar por aquilo em que pensas como sendo teus pecados. Sob este ponto de vista, a aparência física da tentação vem a ser o reconhecimento espiritual da salvação.

3. Para rever nossas últimas lições, tua função aqui é a de ser a luz do mundo, um papel que te foi dado por Deus. É apenas a arrogância do ego que te leva a questionar isto e apenas o medo do ego que te induz a te considerares indigno da tarefa que te foi designada pelo Próprio Deus. A salvação do mundo aguarda teu perdão, porque por meio dele o Filho de Deus escapa, de fato, de todas as ilusões e, assim, de todas as tentações. Tu és o Filho de Deus.

4.  Só pela realização da função que Deus te deu serás feliz. Isto porque tua função é ser feliz pela aplicação do meio pelo qual a felicidade se torna inevitável. Não existe nenhuma outra forma. Por isto, cada vez que escolhes entre realizar ou não tua função, na verdade, escolhes entre ser feliz ou não.

5. Lembremo-nos disto hoje. Lembremo-nos disto pela manhã e novamente à noite, e ao longo do dia também. Prepara-te com antecedência para todas as decisões que tomarás, lembrando-te de que elas são, de fato, muito simples. Cada uma delas vai conduzir à felicidade ou à infelicidade. Pode realmente ser difícil tomar uma decisão tão simples? Não deixes que a forma da decisão te engane. A complexidade da forma não pressupõe a complexidade do conteúdo. É impossível que qualquer decisão sobre a terra possa ter um conteúdo diferente desta simples escolha. Esta é a única escolha que o Espírito Santo vê. Por isto, ela é a única escolha que existe.

6. Pratiquemos hoje, então, com estas ideias:

Que eu não me esqueça de minha função.
Que eu não tente substituir a de Deus pela minha.
Que eu perdoe e seja feliz.

Pelo menos uma vez hoje, dedica de dez a quinze minutos para refletir a respeito disto de olhos fechados. Pensamentos afins virão te ajudar, se te lembrares da importância vital de tua função para ti e para o mundo.

7. Nas aplicações frequentes da ideia de hoje ao longo do dia, dedica vários minutos a revisar estes pensamentos e, então, a pensar neles e em mais nada. Isto será difícil, particularmente no início, uma vez que não és perito na disciplina mental que isto exige. Podes precisar repetir: "Que eu não me esqueça de minha função" com frequência para ajudar a te concentrares.

8. Pede-se duas formas de prática nos períodos mais breves. Faze os exercícios, às vezes, de olhos fechados, tentando te concentrar nos pensamentos que estás usando. Outras, mantém os olhos abertos depois de revisar os pensamentos e, em seguida, olha devagar e aleatoriamente a tua volta dizendo a ti mesmo:

Este é o mundo que tenho por função salvar.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 64

Caras, caros,

Continuando nossa caminhada, hoje vamos explorar a lição que nos traz a seguinte ideia:

"Que eu não me esqueça de minha função."

Comecemos?

O que sou? Quem sou? Qual é minha função neste mundo? As últimas lições que praticamos começam por nos mostrar o que somos. Isto é, cada uma, e cada um de nós, pode dizer sem medo de errar ou de parecer arrogante: Eu sou a luz do mundo.

Na condição de luz do mundo, minha função é perdoar o mundo. Mas me engano se penso que tenho de perdoar o mundo por alguma coisa que ele fez, ou por alguma coisa que alguém nele fez. Ou ainda por alguma coisa que alguém fez a ele, ou nele. Nada disso! O que tenho de perdoar está em mim se refere tão somente a meu modo equivocado de olhar para ele. É minha própria percepção do mundo que tem de ser perdoada. A certa altura o Curso ensina que só posso perdoar a mim mesmo. É isto, basicamente, que significa perdoar o mundo. Principalmente se ainda não me decidi a olhar para o mundo de modo diferente.

Que eu não me esqueça de minha função. 

O que isso quer dizer? Quer dizer que estou a maior parte do tempo distraído de mim mesmo. Distraído daquilo que sou na verdade, não sou capaz de perceber que, ao acreditar nas ilusões do mundo, estou tão somente reforçando a crença na separação.

É isso que vamos aprender a evitar com as práticas da lição de hoje. Ela começa assim:

A ideia de hoje é apenas outra maneira de dizer: "Não me deixes cair em tentação". A finalidade do mundo que vês é a de ocultar tua função de perdão e a de te oferecer uma justificativa para esquecê-la. É a tentação de abandonar a Deus e a Seu Filho assumindo uma aparência física. É para isto que os olhos do corpo olham.

O que vemos, de fato, além da aparência física? E o que é a aparente materialidade das coisas para as quais dirigimos nosso olhar neste mundo? Apenas uma forma de olharmos para uns e outros e umas e outras e percebê-los, percebê-las, separados, separadas, diferentes do que somos. Será? Não será isso apenas uma cortina de fumaça para esconder de nós a verdade a nosso próprio respeito?
 
Que eu não me esqueça de minha função.

O que é Deus para nós, se damos tanta importância ao corpo que, aparentemente, nos separa d'Ele/d'Ela? Por que damos tanta importância às formas da ilusão? A que tipo de tentação preferimos dar ouvidos, relegando o Ser em nós ao esquecimento?

Vejamos o que a lição diz:

Nada daquilo que os olhos do corpo parecem ver pode ser qualquer coisa que não uma forma de tentação, uma vez que este foi o objetivo do corpo em si mesmo. No entanto, aprendemos que o Espírito Santo tem outra aplicação para todas as ilusões que inventas e que, por esta razão, Ele vê outro objetivo nelas. Para o Espírito Santo, o mundo é um lugar aonde tu aprendes a te perdoar por aquilo em que pensas como sendo teus pecados. Sob este ponto de vista, a aparência física da tentação vem a ser o reconhecimento espiritual da tentação.

Não há maior engano em nosso modo de pensar do que acreditar que em algum momento podemos nos separar de Deus. Um corpo, uma forma, não pode nos separar de Deus, pois Deus é a essência do que somos. Sem Ele/Ela, ou longe d'Ele/d'Ela, não existimos. Ele/Ela nos deu o Espírito Santo para que a comunicação perfeita entre nós não possa ser interrompida.

Para o Espírito Santo o mundo inteiro e tudo o que há nele serve apenas para ensinar a nos perdoarmos por tudo aquilo que pensamos serem nossos pecados. Precisamos reconhecer, pois, que a aparência física pela qual somos tentadas e tentados é o sinal espiritual da própria salvação. Não resistir ao mal é não lhe conferir nenhum poder. E é este reconhecimento que pode nos nos liberar de toda e qualquer tentação. É este reconhecimento que pode fazer com que nos lembremos de nossa função.
 
Que eu não me esqueça de minha função.

É da nossa capacidade de lembrar da função que nos pôs aqui onde pensamos estar que depende a salvação do mundo. Nossa salvação também depende de nos lembrarmos de nossa função.

A lição continua:

... tua função aqui é a de ser a luz do mundo, um papel que te foi dado por Deus. É apenas a arrogância do ego que te leva a questionar isto e apenas o medo do ego que te induz a te considerares indigno da tarefa que te foi designada pelo Próprio Deus. A salvação do mundo aguarda teu perdão, porque por meio dele o Filho de Deus escapa, de fato, de todas as ilusões e, assim, de todas as tentações. Tu és o Filho de Deus.

Só pela realização da função que Deus te deu serás feliz. Isto porque tua função é ser feliz pela aplicação do meio pelo qual a felicidade se torna inevitável. Não existe nenhuma outra forma. Por isto, cada vez que escolhes entre realizar ou não tua função, na verdade, escolhes entre ser feliz ou não.

Não há nenhuma outra forma de realizarmos nossa função a não ser reconhecendo que a Vontade de Deus e a nossa são a mesma. Deus quer que vivamos a experiência de alegria perfeita e completa, bem como a experiência da paz completa e perfeita.

Para tanto é preciso que aceitemos o papel de luz do mundo. Somos dignos e dignas dele. E é o perdão que vai nos fazer ver isso. Quando nos perdoarmos pelos equívocos feitos pela ideia que temos de nós mesmas e de nós mesmos separadas e separados de Deus, vamos ser capazes de reconhecer que o mundo é apenas uma ilusão e não existe e que, por isso, não há nada que possa nos separar daquilo que somos em Deus, com Ele.
 
Que eu não me esqueça de minha função.

Decidamo-nos hoje a seguir as orientações que a lição nos dá e a aplicá-la a tudo, a todos e a todas em nosso dia para reconhecermos a luz do mundo em nós e para oferecermos, a partir dela, o perdão de que o mundo precisa para sua salvação. O perdão que o mundo só pode receber se o dermos a nós mesmas e a nós mesmos

É esta tomada de decisão que vai nos levar ao ponto a que se refere a lição deste modo:

Lembremo-nos disto hoje. Lembremo-nos disto pela manhã e novamente à noite, e ao longo do dia também. Prepara-te com antecedência para todas as decisões que tomarás, lembrando-te de que elas são, de fato, muito simples. Cada uma delas vai conduzir à felicidade ou à infelicidade. Pode realmente ser difícil tomar uma decisão tão simples? Não deixes que a forma da decisão te engane. A complexidade da forma não pressupõe a complexidade do conteúdo. É impossível que qualquer decisão sobre a terra possa ter um conteúdo diferente desta simples escolha. Esta é a única escolha que o Espírito Santo vê. Por isto, ela é a única escolha que existe.

Pratiquemos hoje, então, com estas ideias:


Que eu não me esqueça de minha função.
Que eu não tente substituir a de Deus pela minha.
Que eu perdoe e seja feliz.

Pelo menos uma vez hoje, dedica de dez a quinze minutos para refletir a respeito disto de olhos fechados. Pensamentos afins virão te ajudar, se te lembrares da importância vital de tua função para ti e para o mundo.

Sempre escolhemos entre felicidade e infelicidade. Qualquer escolha que façamos, que nos afaste da alegria e nos tire a paz, prova que escolhemos errado. A alegria deve ser nosso estado natural. Que dificuldade pode haver para fazer a escolha?

Nossa atenção às últimas orientações da lição é vital para que sejamos capazes de lembrar de nossa função a cada momento do dia, em cada situação e em toda circunstância que pareça nos tentar.

Às práticas?