segunda-feira, 16 de março de 2026

O mundo sempre nos mostra só o que queremos ver

 

LIÇÃO 75


A luz veio.

1. A luz veio. Estás curado e podes curar. A luz veio. Estás salvo e podes salvar. Estás em paz e levas a paz contigo aonde fores. As trevas e a desordem e a morte desapareceram. A luz veio.

2. Hoje celebramos o final feliz de teu longo sonho de desventura. Não há nenhum sonho mau agora. A luz veio. Hoje começa o tempo da luz para ti e para todos. É uma nova era na qual nasce um novo mundo. O velho, em sua passagem, não deixa nenhum vestígio sobre ele. Hoje vemos um mundo diferente, porque a luz veio.

3. Nossos exercícios para hoje serão exercícios felizes, nos quais damos graças pela passagem do velho e pelo começo do novo. Não fica nenhuma sombra do passado para escurecer nossa vista e esconder o mundo que o perdão nos oferece. Hoje aceitaremos o mundo novo como aquilo que queremos ver. O que desejamos nos será dado. Queremos ver a luz; a luz veio.

4. Nossos períodos de prática mais longos serão dedicados a olhar para o mundo que nosso perdão nos mostra. É isto que queremos ver, e apenas isto. Nosso propósito sincero torna nossa meta inevitável. Hoje, finalmente, o mundo verdadeiro se ergue diante de nós em alegria para ser visto. A visão nos é dada, agora que a luz veio.

5. Não queremos ver a sombra do ego sobre o mundo hoje. Vemos a luz e, nela, vemos o reflexo do Céu se estender sobre o mundo. Começa os períodos de prática mais longos dando a ti mesmo as boas novas de tua liberação:

A luz veio. Eu perdoo o mundo.

6. Não te demores no passado hoje. Mantém uma mente aberta por completo, livre de todas as ideias do passado e limpa de toda noção que inventas. Tu perdoas o mundo hoje. Agora podes olhar para ele como se nunca o tivesses visto antes. Tu ainda não sabes com que ele se parece. Esperas apenas que ele te seja apresentado. Enquanto esperas, repete várias vezes, devagar e com toda a paciência:

A luz veio. Eu perdoo o mundo.

7. Percebe claramente que teu perdão te dá direito à visão. Compreende que o Espírito Santo nunca deixa de oferecer a dádiva da visão aos misericordiosos. Acredita que Ele não te abandonará agora. Perdoas o mundo. Ele ficará contigo enquanto vigias e esperas. Ele te mostrará o que a visão verdadeira vê. É Sua Vontade e tu te uniste a Ele. Espera pacientemente por Ele. Ele virá. A luz veio. Tu perdoas o mundo.

8. Dize-Lhe que tu sabes que não podes falhar porque confias n'Ele. E dize a ti mesmo que esperas na certeza de olhar para o mundo que Ele te prometeu. A partir deste momento verás de modo diferente. Hoje a luz veio. E tu verás o mundo que te foi prometido desde o início do tempo e no qual o fim do tempo está garantido.

9. Os períodos de prática mais breves também serão lembretes alegres de tua liberação. Lembra-te a cada quinze minutos mais ou menos de que hoje é um tempo de celebração especial. Dá graças pela misericórdia e pelo Amor de Deus. Regozija-te no poder do perdão para curar tua visão completamente. Confia que há um novo início neste dia. Sem as trevas do passado sobre teus olhos, não podes deixar de ver hoje. E o que vires será tão bem-vindo que estenderás o presente para sempre com alegria.

10. Dize então:

A luz veio. Eu perdoo o mundo.

Caso sejas tentado, dize a qualquer um que pareça te empurrar de volta à escuridão:

A luz veio. Eu te perdoo.

11. Dedicamos este dia à serenidade na qual Deus quer que tu estejas. Mantém-na na consciência de ti mesmo para vê-la em todos os lugares hoje, enquanto celebramos o começo de tua visão e a vista do mundo verdadeiro, que chega para substituir o mundo não-perdoado que pensavas ser verdadeiro.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 75

Caras, caros,

Parece-me muito importante praticarmos com a ideia que a lição de hoje nos traz. É claro que sempre é importante praticar com todas e com cada uma das ideias que o Curso nos oferece neste Livro de Exercícios, porém esta ideia em particular quer nos mostrar que só nós bloqueamos a luz que somos. Só nós somos responsáveis por deixar de mostrar a luz a todas as pessoas que dividem o mundo conosco. Achamo-nos, muitas vezes, na escuridão, por incapacidade, ou por falta de vontade, de abrir os olhos.

Por isso praticamos hoje entender que:

"A luz veio."

Como já sabemos, tudo o que somos é luz. Tudo o que existe, na verdade, é apenas luz. Ou energia em forma de luz. É claro que mesmo a ciência dos homens já descobriu isso também. E diz, entre outras coisas, que é nossa a escolha de vê-la em sua forma original, isto é na forma de luz ou onda, ou transformá-la ilusoriamente em matéria.

Isto significa dizer, como também já sabemos, e como o Curso ensina, que o mundo é apenas uma projeção de nossa vontade, de nossos desejos, daquilo que queremos que seja a verdade a partir da percepção de nosso corpo, de nossos sentidos. É só por isso que ele sempre nos mostra apenas aquilo que queremos ver. Quando o vemos a partir do Eu Sou O Que Sou, o Ser, que é a verdade a nosso respeito, vemos o mundo apenas como neutro e sabemos que não há nada de valor nele. Vemos que não há nele nada que queiramos de verdade. 

No entanto, quando nos deixamos influenciar pelo modo de ver do ego - o falso eu, ou a imagem que fazemos de nós mesmos e de nós mesmas a partir da crença na separação -, o mundo nos parece ter alguma coisa de valor e faz com que nos identifiquemos com a matéria [nossos corpos] e demos realidade a eles [os corpos], acreditando que somos corpos, e às coisas que vemos a partir da projeção equivocada dos sentidos dos corpos e de seus/nossos desejos conflitantes, porque inconstantes e mutáveis. 

É disso que a luz quer nos curar, de acordo com a lição que praticamos mais uma vez hoje, e que começa assim:

A luz veio. Estás curado e podes curar. A luz veio. Estás salvo e podes salvar. Estás em paz e levas a paz contigo aonde fores. As trevas e a desordem e a morte desapareceram. A luz veio.

Hoje celebramos o final feliz de teu longo sonho de desventura. Não há nenhum sonho mau agora. A luz veio. Hoje começa o tempo da luz para ti e para todos. É uma nova era na qual nasce um novo mundo. O velho, em sua passagem, não deixa nenhum vestígio sobre ele. Hoje vemos um mundo diferente, porque a luz veio.

Eis aí o desafio e o milagre que a lição nos oferece hoje.

O desafio está em nos abrirmos para a luz que cura nossa percepção equivocada e nos devolve a alegria e a paz há tanto tempo perdidas.

Como fazer para aproveitar melhor tudo o que a lição tem a nos dar neste dia? Praticar, é claro. São as práticas que vão nos fazer perceber que, de fato:

A luz veio.

E que, curados, curadas, podemos também curar. Basta que façamos o seguinte:

Nossos exercícios para hoje serão exercícios felizes, nos quais damos graças pela passagem do velho e pelo começo do novo. Não fica nenhuma sombra do passado para escurecer nossa vista e esconder o mundo que o perdão nos oferece. Hoje aceitaremos o mundo novo como aquilo que queremos ver. O que desejamos nos será dado. Queremos ver a luz; a luz veio.

Nossos períodos de prática mais longos serão dedicados a olhar para o mundo que nosso perdão nos mostra. É isto que queremos ver, e apenas isto. Nosso propósito sincero torna nossa meta inevitável. Hoje, finalmente, o mundo verdadeiro se ergue diante de nós em alegria para ser visto. A visão nos é dada, agora que a luz veio.

O mundo que o perdão nos mostra é um mundo muito diferente daquele que vemos pelos olhos do corpo. É um mundo de luz. E o que a luz pode fazer? O que a luz faz?

A luz pode fazer tudo e, de fato, a luz faz tudo para nos oferecer a visão límpida e cristalina daquilo que somos na verdade. É ela que afasta do mundo todas as trevas que se apresentam a partir de nosso julgamento e faz dissipar para sempre a escuridão em que o ego busca nos manter mergulhados e mergulhadas. Impedindo-nos de nos aproximarmos de nossa Fonte, o que o [ele, o ego] faria desaparecer para sempre. Quer dizer, faria com que o ego não tivesse quaisquer influências sobre nosso modo de estar, funcionar e viver no mundo, mesmo neste mundo de ilusões.

E é disso que a lição nos lembra a seguir:

Não queremos ver a sombra do ego sobre o mundo hoje. Vemos a luz e, nela, vemos o reflexo do Céu se estender sobre o mundo. Começa os períodos de prática mais longos dando a ti mesmo as boas novas de tua liberação:

A luz veio. Eu perdoo o mundo.

Não te demores no passado hoje. Mantém uma mente aberta por completo, livre de todas as ideias do passado e limpa de toda noção que inventas. Tu perdoas o mundo hoje. Agora podes olhar para ele como se nunca o tivesses visto antes. Tu ainda não sabes com que ele se parece. Esperas apenas que ele te seja apresentado. Enquanto esperas, repete várias vezes, devagar e com toda a paciência:

A luz veio. Eu perdoo o mundo.

Pois a luz nos permite viver o perdão. E depois do perdão que damos a nós mesmos, a nós mesmas, e ao mundo podemos ver nossa própria inocência e pureza. Ver que ainda somos como Deus nos criou e que nada pode nos separar d'Ele ou de nós mesmas e de nós mesmos, ou daquilo que somos. É a luz que nos devolve a visão e nos permite ver que o mundo, por ser neutro, é inocente. Por isto podemos perdoá-lo e vê-lo como, de fato, é. Ao perdoar o mundo, perdoamos tudo o que há nele, que é apenas o reflexo daquilo mesmo que somos. E toda a ilusão se vai. Pois.

A luz veio.

E como a luz veio, podemos perceber claramente nosso direito ao perdão. E, ao recebê-lo para nós mesmos, para nós mesmas, nós também o recebemos para podermos oferecê-lo a todos, a todas e a tudo. Como a lição também ensina:

Percebe claramente que teu perdão te dá direito à visão. Compreende que o Espírito Santo nunca deixa de oferecer a dádiva da visão aos misericordiosos. Acredita que Ele não te abandonará agora. Perdoas o mundo. Ele ficará contigo enquanto vigias e esperas. Ele te mostrará o que a visão verdadeira vê. É Sua Vontade e tu te uniste a Ele. Espera pacientemente por Ele. Ele virá. A luz veio. Tu perdoas o mundo.

Dize-Lhe que tu sabes que não podes falhar porque confias n'Ele. E dize a ti mesmo que esperas na certeza de olhar para o mundo que Ele te prometeu. A partir deste momento verás de modo diferente. Hoje a luz veio. E tu verás o mundo que te foi prometido desde o início do tempo e no qual o fim do tempo está garantido.  

Agora, as práticas já nos deixam mais leves, podemos sentir os efeitos da luz, da visão que é a dádiva que ela traz e do perdão que ela nos convida a aceitar e que já aceitamos.

Assim:

Os períodos de prática mais breves também serão lembretes alegres de tua liberação. Lembra-te a cada quinze minutos mais ou menos de que hoje é um tempo de celebração especial. Dá graças pela misericórdia e pelo Amor de Deus. Regozija-te no poder do perdão para curar tua visão completamente. Confia que há um novo início neste dia. Sem as trevas do passado sobre teus olhos, não podes deixar de ver hoje. E o que vires será tão bem-vindo que estenderás o presente para sempre com alegria.

Dize então:

A luz veio. Eu perdoo o mundo.

Caso sejas tentado, dize a qualquer um que pareça te empurrar de volta à escuridão:

A luz veio. Eu te perdoo.

Resta-nos apenas dar graças pelos milagres que vêm com a luz. Que tal aproveitar, então, para oferecer a luz que somos ao mundo todo, juntamente com o perdão e a visão que ela traz?

É a isso que a lição nos convida:

Dedicamos este dia à serenidade na qual Deus quer que tu estejas. Mantém-na na consciência de ti mesmo para vê-la em todos os lugares hoje, enquanto celebramos o começo de tua visão e a vista do mundo verdadeiro, que chega para substituir o mundo não-perdoado que pensavas ser verdadeiro.

A luz veio.

Às práticas?

domingo, 15 de março de 2026

Todo instante de consciência no Ser já é eternidade

 

LIÇÃO 74

Não há nenhuma vontade a não ser a de Deus.

1. Pode-se considerar a ideia de hoje como o pensamento central a que se destinam todos os nossos exercícios. A Vontade de Deus é a única Vontade. Quando reconheces isto, reconheces que tua vontade é a d'Ele. A crença em que o conflito é possível desaparece. A paz substitui a estranha ideia de que estás dilacerado por metas contraditórias. Enquanto uma expressão da Vontade de Deus, tu não tens nenhuma meta a não ser a d'Ele.

2. Há uma paz imensa na ideia de hoje, e os exercícios para hoje se destinam a achá-la. A própria ideia é totalmente verdadeira. Por esta razão, ela não pode dar origem a ilusões. Sem ilusões o conflito é impossível. Vamos tentar reconhecer isto hoje e experimentar a paz que este reconhecimento traz.

3. Começa os períodos de prática mais longos repetindo estes pensamentos várias vezes, devagar e com a firme decisão de compreender o que eles significam e de mantê-los em mente:

Não há nenhuma vontade a não ser a de Deus.
Eu não posso ficar em conflito.

Em seguida, passa alguns minutos acrescentando alguns pensamentos afins, tais como:

Eu estou em paz.
Nada pode me perturbar.
Minha vontade é a de Deus.
Minha vontade e a de Deus são a mesma.
Deus quer paz para Seu Filho.

Durante esta fase introdutória, certifica-te de te ocupares prontamente de quaisquer pensamentos de conflito que possam passar por tua mente. Dize imediatamente a ti mesmo:

Não há nenhuma vontade a não ser a de Deus.
Estes pensamentos contraditórios não têm sentido.

4. Se houver uma área de conflito que pareça ser particularmente difícil de resolver, escolhe-a para uma reflexão especial. Pensa nela brevemente, mas de forma muito específica, identifica a pessoa, ou pessoas, e a situação, ou situações, envolvidas e dize a ti mesmo:

Não há nenhuma vontade a não ser a de Deus. Eu a compartilho com Ele.
Meus conflitos a respeito de __________ não podem ser verdadeiros.

5. Depois de limpares tua mente desta forma, fecha os olhos e tenta experimentar a paz à qual tua realidade te dá direito. Mergulha nela e sente-a se fechando a tua volta. Pode haver alguma tentação de confundir estas tentativas com retraimento, mas é fácil descobrir a diferença. Se estiveres sendo bem-sucedido, terás uma sensação de alegria profunda e de uma vivacidade ampliada, em lugar de uma sensação de desânimo e de fraqueza.

6. A alegria define a paz. Por esta experiência reconhecerás que a alcançaste. Se te sentires escorregando para o retraimento, repete depressa a ideia para hoje e tenta outra vez. Faze isto tantas vezes quantas forem necessárias. Há um claro benefício em te recusares a admitir refúgio no retraimento, mesmo que não experimentes a paz que buscas.

7. Nos períodos mais breves, que devem ser empreendidos a intervalos regulares e pré-determinados hoje, dize a ti mesmo:

Não há nenhuma vontade a não ser a de Deus. Eu busco Sua paz hoje.

Tenta, então, achar o que estás buscando. Um minuto ou dois a cada meia hora, se possível de olhos fechados, seriam bem empregados nisto hoje.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 74

Caras, caros,

Por mais que nos sintamos donos e donas de nossos próprios narizes, cheios e cheias de vontade, acreditando que podemos - quer dizer, que somos capazes de - escolher entre as miríades de opções de viveres e de coisas que o universo nos oferece, é preciso, para chegarmos a algum lugar próximo daquilo a que o Curso chama de "o sonho feliz", reconhecermos, como nos diz a ideia para as práticas de hoje, que:

"Não há nenhuma vontade a não ser a de Deus."

Sem reconhecermos isso, de nada nos adianta exercermos nossa vontade ou imprimirmos o poder que temos em nós para alcançar algum objetivo, algum sucesso na vida. O que vamos alcançar não vai nos dar aquilo que é a Vontade de Deus para todas e todos nós: a alegria e a paz completas.

Comecemos, pois, a explorar a ideia da lição de hoje.

Eis aí, já na ideia que a lição traz, o desafio com o qual temos de lidar hoje. E aceitá-lo é também aceitar o milagre que há por trás da lição e de sua prática.

Apesar de dizermos comumente: "Graças a Deus!", na grande maioria das vezes, não é de forma consciente que o dizemos. Isto é, em geral, é comum que simplesmente nos conformemos com todas as coisas que acontecem dizendo que o que aconteceu foi Vontade de Deus. Será verdade?

Tenho cá as minhas dúvidas e acho que podemos pensar um pouquinho melhor a respeito. Pois como o Curso ensina, a Vontade de Deus para nós é a alegria e a paz completas e perfeitas. Assim, não podemos dizer, quando estamos tristes, por uma situação que nos afasta da alegria e nos tira a paz, que foi a Vontade de Deus que nos ofereceu tal situação. Isto é, sem sombra de dúvida, uma forma, consciente ou inconsciente, de buscarmos nos eximir da responsabilidade que nos cabe no plano de Deus para a salvação.

A Vontade de Deus só é a Vontade d'Ele/d'Ela quando a experiência que se apresenta a nós é de alegria, quando nos sentimos na mais perfeita paz. Porque a Vontade de Deus não é conformista, ela é dinâmica e está sempre no presente. Por isso é que só se pode chegar a conhecê-la quando se está no aqui e no agora, o único tempo que existe.

Mas vejamos como começa a lição:

Pode-se considerar a ideia de hoje como o pensamento central a que se destinam todos os nossos exercícios. A Vontade de Deus é a única Vontade. Quando reconheces isto, reconheces que tua vontade é a d'Ele. A crença em que o conflito é possível desaparece. A paz substitui a estranha ideia de que estás dilacerado por metas contraditórias. Enquanto uma expressão da Vontade de Deus, tu não tens nenhuma meta a não ser a d'Ele.

É bem disso que falávamos, pois reconhecer como verdadeira a ideia de hoje, significa assumir o compromisso com Deus de só fazer a Sua Vontade, d'Ele, pois que ela é também a minha, a tua, a nossa e a de todos e de todas que aparentemente vivem neste mundo. E até mesmo a daqueles e daquelas que, sob a influência equivocada do ego, se acreditam separados ou separadas de Deus.

Não há nenhuma vontade a não ser a de Deus.

E é só isso que fazemos, mesmo quando não temos consciência de que o fazemos, desde que nossa caminhada nos leve na direção da alegria e da paz. Se não é isso que buscamos estamos vivendo o equivoco que resulta da crença na separação.

É também isso que a lição diz:

Há uma paz imensa na ideia de hoje, e os exercícios para hoje se destinam a achá-la. A própria ideia é totalmente verdadeira. Por esta razão, ela não pode dar origem a ilusões. Sem ilusões o conflito é impossível. Vamos tentar reconhecer isto hoje e experimentar a paz que este reconhecimento traz.

Acreditando-nos separados, ou separadas, de Deus e de todas as outras pessoas e formas de vida no planeta, tudo o que podemos experimentar, de um modo ou de outro, num momento ou noutro, é o conflito. E o conflito é resultado de acreditarmos nas imagens que projetamos sobre o mundo e que julgamos reais. Imagens a que atribuímos valor e desejamos possuir. 

Nossa vontade, assim, se afasta da Vontade de Deus, a única vontade que existe de fato.

Não há nenhuma vontade a não ser a de Deus.

Na verdade, não há como nos afastarmos da Vontade de Deus, a não ser na ilusão. Neste caso, precisamos nos voltar para dentro, praticar conforme orienta a lição de hoje e o Curso, para podermos chegar a reconhecer que a Vontade de Deus e a nossa são uma só e a mesma.

E é isso que o Curso nos orienta a fazer do seguinte modo:

Começa os períodos de prática mais longos repetindo estes pensamentos várias vezes, devagar e com a firme decisão de compreender o que eles significam e de mantê-los em mente:

Não há nenhuma vontade a não ser a de Deus.
Eu não posso ficar em conflito.

Em seguida, passa alguns minutos acrescentando alguns pensamentos afins, tais como:

Eu estou em paz.
Nada pode me perturbar.
Minha vontade é a de Deus.
Minha vontade e a de Deus são a mesma.
Deus quer paz para Seu Filho.

Durante esta fase introdutória, certifica-te de te ocupares prontamente de quaisquer pensamentos de conflito que possam passar por tua mente. Dize imediatamente a ti mesmo:

Não há nenhuma vontade a não ser a de Deus.
Estes pensamentos contraditórios não têm sentido.

Nada que pensemos a partir da crença na separação faz sentido. E nada do que vemos a partir dessa crença existe de verdade. Tudo o que vemos, quando acreditamos ver apenas com os olhos do corpo e com os sentidos, é apenas uma miragem. É a projeção de desejos equivocados e contraditórios que nos propõe o ego.

Não há nenhuma vontade a não ser a de Deus.

Quando nos voltamos para o interior de nós mesmas ou de nós mesmos e buscamos fazer calar os desejos do mundo, os conflitos desaparecem e podemos olhar de modo diferente para o mundo e para tudo o que há nele.

É isto o que a lição nos pede para fazer em seguida:

Se houver uma área de conflito que pareça ser particularmente difícil de resolver, escolhe-a para uma reflexão especial. Pensa nela brevemente, mas de forma muito específica, identifica a pessoa, ou pessoas, e a situação, ou situações, envolvidas e dize a ti mesmo:

Não há nenhuma vontade a não ser a de Deus. Eu a compartilho com Ele.
Meus conflitos a respeito de __________ não podem ser verdadeiros.

Nada mais eficaz do que libertar o outro, a outra. Nada mais eficaz do que o perdão. E o perdão é sempre para nós mesmas e para nós mesmos, pois quando não julgamos não há necessidade alguma de perdão. Isto é, quando achamos que há algo que precisamos perdoar em alguém, na verdade, o que há para perdoar é apenas nossa própria percepção equivocada, que julgou, rotulou, classificou e aprisionou alguma coisa ou alguém em alguma imagem diferente da de criatura ou criação de Deus.

Como é possível pensarmos que amamos a Deus sobre todas as coisas, quando não somos capazes de amar alguma, qualquer uma, por menor que seja, de suas criações? Para chegarmos a conhecer a alegria e a paz completas e perfeitas, precisamos descobrir que só somos, de fato, felizes quando fazemos a Vontade de Deus. Pois,

Não há nenhuma vontade a não ser a de Deus.

E tem mais:

Depois de limpares tua mente desta forma, fecha os olhos e tenta experimentar a paz à qual tua realidade te dá direito. Mergulha nela e sente-a se fechando a tua volta. Pode haver alguma tentação de confundir estas tentativas com retraimento, mas é fácil descobrir a diferença. Se estiveres sendo bem-sucedido, terás uma sensação de alegria profunda e de uma vivacidade ampliada, em lugar de uma sensação de desânimo e de fraqueza.

Uma vez tenhamos reconhecido que não há nenhuma vontade a não ser a de Deus, podemos nos abandonar à alegria e à paz de espírito, porque teremos conhecido nossa realidade. Ainda que por breve instante, teremos um vislumbre do que é a Vontade de Deus para nós e experimentaremos a alegria e a paz no presente, no instante que se faz santo, porque alinhamos nossa vontade à de Deus.

A alegria define a paz. Por esta experiência reconhecerás que a alcançaste. Se te sentires escorregando para o retraimento, repete depressa a ideia para hoje e tenta outra vez. Faze isto tantas vezes quantas forem necessárias. Há um claro benefício em te recusares a admitir refúgio no retraimento, mesmo que não experimentes a paz que buscas.

Não há problema algum em perceber que isto não dura muito. Na verdade, como o Curso ensina estar no presente é a experiência mais próxima que podemos ter da eternidade. Eternidade não é um presente que se estende ad infinitum, mas um instante em que temos consciência do Ser, do divino em nós, um instante em que sentimos em nós Presença de Deus, do infinito, do amor sem fim. Reconhecer a verdade eterna da lição de hoje pode nos dar muito desses instantes.

Basta que ponhamos toda a atenção de que somos capazes para seguir as orientações que o Curso nos dá para as práticas desta lição. Por fim, façamos o seguinte:

Nos períodos mais breves, que devem ser empreendidos a intervalos regulares e pré-determinados hoje, dize a ti mesmo:

Não há nenhuma vontade a não ser a de Deus. Eu busco Sua paz hoje.

Tenta, então, achar o que estás buscando. Um minuto ou dois a cada meia hora, se possível de olhos fechados, seriam bem empregados nisto hoje.

Às práticas?

sábado, 14 de março de 2026

Tudo o que podemos ver ou perceber é parte de nós


LIÇÃO 73

Eu quero que haja luz.

1. Vamos considerar, hoje, a vontade que compartilhas com Deus. Ela não é a mesma coisa que os desejos fúteis do ego, dos quais surgem a escuridão e o nada. A vontade que compartilhas com Deus tem todo o poder da criação em si. Os desejos fúteis do ego não são compartilhados e, por isto, não têm absolutamente nenhum poder. Eles não são fúteis considerando-se que podem fazer um mundo de ilusões no qual tua crença pode ser muito forte. Mas eles são fúteis, de fato, em termos de criação. Eles não fazem nada que seja real.

2. Desejos fúteis e mágoas são parceiros ou co-autores em retratar o mundo que vês. Os desejos do ego deram origem ao mundo que vês e a necessidade de mágoas do ego, que são imprescindíveis para garantir sua existência, povoa o mundo de imagens que parecem te atacar e exigir um julgamento "justo". Estas imagens se tornam os intermediários que o ego emprega para lidar com as mágoas. Elas se colocam entre tua consciência e a realidade de teus irmãos. Ao vê-las, tu não conheces teus irmãos, nem teu Ser.

3. Tua vontade está perdida para ti nesta estranha forma de escambo, no qual se troca a culpa de um lado para o outro e as mágoas aumentam a cada troca. Um mundo assim pode ter sido criado pela Vontade que o Filho de Deus compartilha com seu Pai? Deus criou a desventura para Seu Filho? A criação é a Vontade de Ambos simultaneamente. Deus criaria um mundo que matasse a Ele Mesmo?

4. Hoje vamos tentar mais uma vez alcançar o mundo que está em harmonia com tua vontade. A luz está nele porque ele não se opõe à Vontade de Deus. Não é o Céu, mas a luz do Céu brilha sobre ele. A escuridão desapareceu. Os desejos fúteis do ego se retiraram. Mas a luz que brilha sobre este mundo reflete tua vontade e, por isso, tem de ser em ti que vamos procurá-la.

5. Teu retrato do mundo só pode espelhar o que está dentro. Não se pode encontrar nem a fonte da luz nem a das trevas fora. As mágoas escurecem tua mente, e buscas e geras um mundo sombrio. O perdão dissipa a escuridão, reafirma tua vontade e te permite olhar para um mundo de luz. Enfatizamos repetidas vezes que a barreira das mágoas é facilmente ultrapassada e não pode se interpor entre tu e tua salvação. A razão é muito simples. Tu queres realmente ficar no inferno? Tu queres realmente chorar e sofrer e morrer?

6. Esquece os argumentos do ego, que buscam provar que tudo isto é, de fato, o Céu. Tu sabes que não é verdade. Tu não podes querer isto para ti mesmo. Há um ponto além do qual as ilusões não podem ir. Sofrer não é felicidade, e é a felicidade que queres realmente. Na verdade, esta é tua vontade. E, por isso, a salvação também é tua vontade. Tu queres ser bem-sucedido naquilo que tentas fazer hoje. Nós o empreendemos com tua bênção e teu feliz consentimento.

7. Seremos bem-sucedidos hoje, se te lembrares de que queres a salvação para ti mesmo. Tu queres aceitar o plano de Deus porque fazes parte dele. Tu não tens nenhuma vontade que possa, de fato, se opor a ele, e não queres fazê-lo. A salvação é para ti. Acima de tudo, queres a liberdade para te lembrares de Quem és verdadeiramente. Hoje é o ego que fica impotente diante de tua vontade. Tua vontade é livre e nada pode vencê-la.

8. Por isto, empreendemos os exercícios para hoje com alegre confiança, certos de que acharemos o que for tua vontade achar e de que lembraremos o que for tua vontade lembrar. Nenhum desejo fútil pode nos impedir, nem nos enganar com uma ilusão de força. Permite que tua vontade seja feita hoje, e põe fim para sempre na crença louca de que escolhes o inferno em lugar do Céu.

9. Começaremos nossos períodos de prática mais longos com o reconhecimento de que o plano de Deus para a salvação, e apenas o d'Ele, está totalmente de acordo com tua vontade. Ele não é o propósito de um poder estranho que és forçado a aceitar a contragosto. É o único propósito neste momento com o qual tu e teu Pai estão em perfeito acordo. Serás bem-sucedido hoje, o tempo estabelecido para a liberação do Filho de Deus do inferno e de todos os desejos vãos. Agora sua vontade é devolvida a sua consciência. Ele está disposto, neste dia mesmo, a olhar para a luz em si e ser salvo.

10. Depois de te lembrares disto e de te decidires a manter tua vontade com clareza em tua mente, dize a ti mesmo com paciente firmeza e convicção serena:

Eu quero que haja luz. Que eu veja a luz 

que reflete a Vontade de Deus e a minha.


Em seguida, deixa que tua vontade se afirme, unida ao poder de Deus e unida a teu Ser. Coloca o restante do período de prática sob a orientação d'Eles. Une-te a Eles enquanto Eles mostram o caminho.

11. Nos períodos de prática mais breves, faze mais uma vez uma declaração daquilo que realmente queres. Dize:

Eu quero que haja luz. A escuridão não é minha vontade.

Isto deve ser repetido várias vezes por hora. É mais importante, porém, aplicar a ideia de hoje desta forma imediatamente, caso sejas tentado a guardar uma mágoa de qualquer tipo. Isto te ajudará a abandonar tuas mágoas, em lugar de nutri-las e escondê-las na escuridão.

*


COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 73

Caras, caros,

São muito poucos, ou poucas, dentre o gênero humano - e mesmo entre os animais, das plantas, nem se fala - as pessoas que gostam da escuridão, ou que a preferem à luz.

No entanto, muitas pessoas não percebem que, apesar de não gostarem da escuridão, têm mais medo da luz em si mesmas do que das coisas que as associam à escuridão, à sombra.

É para perceber e abrir os nossos olhos a respeito que vamos praticar com a ideia que a lição de hoje nos oferece:

"Eu quero que haja luz."

Comecemos, então, nossa exploração de hoje pela lenda bíblica [ou mito bíblico] da Criação:

"No princípio, Deus criou o céu e a terra. Ora, a terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo, e um vento de Deus pairava sobre as águas. Deus disse: 'Haja luz' e houve luz." 

É assim que começa o livro de Gênesis, na versão d'A Bíblia de Jerusalém. E por que digo "a lenda"? Porque a esta altura me parece que muito poucas pessoas, a não ser umas poucas e uns poucos fundamentalistas e fanáticas ou fanáticos, ainda acreditam nesta versão da criação de modo literal. Isto é, em razão disto, esta versão é apenas mais uma, entre as inúmeras que existem nas várias culturas pelo mundo inteiro, para o mito da Criação, por um Deus Todo-Poderoso, Onipotente e Onisciente. Um Deus exterior à Criação.

A lição de hoje nos traz o desafio de buscar viver a verdadeira vontade de Deus, que é também a de cada um e a de cada uma de nós, e que só existe unida à d'Ele. O desafio que a lição nos propõe é o de percebermos que somos nós, na unidade com Deus, que criamos a luz, porque somos luz com Ele, n'Ele. Da mesma forma somos amor com Ele, como Ele, conforme nos ensinou uma lição recente, cuja ideia afirmava: "O amor me criou igual a si mesmo". 

É também parte do desafio perceber que a criação não está terminada. Isto é, a criação continua, e continua, e continua, à medida que nos movemos na energia do divino em que habitamos e que é o que somos. Na verdade, pelo que se descobriu ao longo dos tempos, nada do que vemos existe individualmente e de forma estanque, tudo é parte de um processo contínuo que se desdobra nas inúmeras formas de vida que vemos e nas infinitas formas que não somos capazes de ver a olho nu.

A Luz, que é a essência do que somos tem a mesma essência da Luz que Deus é. Ele/Ela, a energia divina, ou a Luz divina não criou um mundo acabado, não criou uma vida que se extingue com a deterioração da matéria. Aliás, aquilo a que denominamos deterioração não passa de uma das transformações por que passa a energia em forma de matéria, para que a vida continue, para que a criação continue a se fazer.

A lição começa assim:

Vamos considerar, hoje, a vontade que compartilhas com Deus. Ela não é a mesma coisa que os desejos fúteis do ego, dos quais surgem a escuridão e o nada. A vontade que compartilhas com Deus tem todo o poder da criação em si. Os desejos fúteis do ego não são compartilhados e, por isto, não têm absolutamente nenhum poder. Eles não são fúteis considerando-se que podem fazer um mundo de ilusões no qual tua crença pode ser muito forte. Mas eles são fúteis, de fato, em termos de criação. Eles não fazem nada que seja real.

Ora, da mesma forma que na unidade com Deus criamos a luz, quando nos acreditamos separados, ou separadas, d'Ele, ou quando pensamos ser alguma coisa diferente do que somos na Verdade, podemos passar a fazer um mundo separado d'Ele, um mundo que é apenas reflexo das projeções do "falso eu" - o ego - com quem nos identificamos a partir da crença em uma separação que não existe. Nunca existiu e não existirá jamais.

Eu quero que haja luz.

É este exatamente o desafio: identificar, reconhecer e aceitar em nós a vontade que partilhamos com Deus de que a luz nos envolva e proteja e guie todos os nossos passos na direção de nós mesmos/as e, por consequência, na direção de Deus, de Quem nunca nos afastamos.

O que pode nos impedir de reconhecer e aceitar a Vontade de Deus como nossa?

A lição diz:

Desejos fúteis e mágoas são parceiros ou co-autores em retratar o mundo que vês. Os desejos do ego deram origem ao mundo que vês e a necessidade de mágoas do ego, que são imprescindíveis para garantir sua existência, povoa o mundo de imagens que parecem te atacar e exigir um julgamento "justo". Estas imagens se tornam os intermediários que o ego emprega para lidar com as mágoas. Elas se colocam entre tua consciência e a realidade de teus irmãos. Ao vê-las, tu não conheces teus irmãos, nem teu Ser.

As mágoas se colocam entre a nossa consciência e a realidade do que somos e a realidade de nossos irmãos e de nossas irmãs. Quando nos deixamos envolver pelas mágoas do ego, esquecemo-nos de quem somos. Julgamo-nos separados, ou separadas, de Deus, uns dos outros, umas das outras e de tudo. Acreditamos que podemos culpar o(s) outro(s) e a(s) outra(s) pelas situações que vivemos.

Aí:

Tua vontade está perdida para ti nesta estranha forma de escambo, no qual se troca a culpa de um lado para o outro e as mágoas aumentam a cada troca. Um mundo assim pode ter sido criado pela Vontade que o Filho de Deus compartilha com seu Pai? Deus criou a desventura para Seu Filho? A criação é a Vontade de Ambos simultaneamente. Deus criaria um mundo que matasse a Ele Mesmo?

As mágoas multiplicam mágoas e nos fazem mergulhar num mundo de sonhos ou, melhor dizendo, num mundo de pesadelos dos quais não conseguimos nos livrar porque quanto mais mágoas guardamos mais o(s) outro(s), ou a(s) outra(s), parece(m) nos atacar. Passamos a viver na defensiva, como se no mundo, tudo, todos e todas, nos acusassem de algo que nem sabemos ter feito.

É isso que se transforma na crise de depressão, na angústia que gera um estresse absurdo e impossível de suportar e leva as pessoas a terem colapsos, infartos, ataques de pânico e infindáveis formas de insanidade. Entre elas, pode-se dizer, o surgimento de um vírus com capacidade de provocar um colapso no mundo inteiro, levando milhões de pessoas à morte, assim, num piscar de olhos.

Eu quero que haja luz.

E o que se pode fazer a respeito? O que a lição propõe:

Hoje vamos tentar mais uma vez alcançar o mundo que está em harmonia com tua vontade. A luz está nele porque ele não se opõe à Vontade de Deus. Não é o Céu, mas a luz do Céu brilha sobre ele. A escuridão desapareceu. Os desejos fúteis do ego se retiraram. Mas a luz que brilha sobre este mundo reflete tua vontade e, por isso, tem de ser em ti que vamos procurá-la.

A lição nos convida a entender que somos luz, que Deus é luz, que tudo o que existe é uma manifestação de Deus e, por extensão, da luz. Tudo é Deus. E a percepção humana não é nada mais do que a luz que percebe a luz. A matéria, a forma, é apenas um espelho que reflete a luz e cria imagens a partir desta luz. O mundo da ilusão é apenas sonho, uma cortina de fumaça que nos impede de enxergar quem realmente somos. 

É para isso que lição pede que voltemos nossa atenção:

Teu retrato do mundo só pode espelhar o que está dentro. Não se pode encontrar nem a fonte da luz nem a das trevas fora. As mágoas escurecem tua mente, e buscas e geras um mundo sombrio. O perdão dissipa a escuridão, reafirma tua vontade e te permite olhar para um mundo de luz. Enfatizamos repetidas vezes que a barreira das mágoas é facilmente ultrapassada e não pode se interpor entre tu e tua salvação. A razão é muito simples. Tu queres realmente ficar no inferno? Tu queres realmente chorar e sofrer e morrer?

É preciso que respondamos de fato, honesta e sinceramente, às perguntas: queremos realmente ficar no inferno gerado pelas mágoas, pela culpa e pelo julgamento? É chorar e sofrer e morrer que queremos verdadeiramente?

Não parece ser apenas loucura acreditar que Deus nos trouxe para viver num mundo de agonia, de dor, de angústia e de carência, e que Ele espera apenas a hora de nossa morte, o fim de nossa jornada aqui, para nos dizer por que razão fez isso conosco? Esta só pode ser a percepção de um louco, do ego que vive na - e para a - escuridão por medo de desaparecer na luz. E é ele também que busca nos convencer de que isso é o Céu.

Eu quero que haja luz.

É isto que precisamos afirmar para seguir a orientação da lição de hoje e receber o milagre que ela nos reserva:

Esquece os argumentos do ego, que buscam provar que tudo isto é, de fato, o Céu. Tu sabes que não é verdade. Tu não podes querer isto para ti mesmo. Há um ponto além do qual as ilusões não podem ir. Sofrer não é felicidade, e é a felicidade que queres realmente. Na verdade, esta é tua vontade. E, por isso, a salvação também é tua vontade. Tu queres ser bem-sucedido naquilo que tentas fazer hoje. Nós o empreendemos com tua bênção e teu feliz consentimento.

De fato, é em função daquilo em que o ego quer que acreditemos que se faz necessário praticar. Precisamos ser capazes de deixar de lado os conselhos do ego. Só assim será possível reencontrarmos a Fonte da luz em nós mesmos/as, em nossa unidade com Deus.

Eu quero que haja luz.

A ideia que praticamos hoje serve para alinhar nossa vontade à de Deus. Ao mesmo tempo em que ela amplia e estende a ideia da lição de ontem que nos assegurava de que guardar mágoas é um ataque ao plano de Deus para a salvação, ela reforça a ideia de que somos a luz do mundo, que já praticamos, e nos faz perceber que só as mágoas podem esconder a luz do mundo em nós.

Seremos bem-sucedidos hoje, se te lembrares de que queres a salvação para ti mesmo. Tu queres aceitar o plano de Deus porque fazes parte dele. Tu não tens nenhuma vontade que possa, de fato, se opor a ele, e não queres fazê-lo. A salvação é para ti. Acima de tudo, queres a liberdade para te lembrares de Quem és verdadeiramente. Hoje é o ego que fica impotente diante de tua vontade. Tua vontade é livre e nada pode vencê-la.

Por que não fazemos a nós mesmas e a nós mesmos a pergunta: o que queremos realmente? E por que não a respondemos com toda a honestidade e sinceridade de que somos capazes. Queremos paz de espírito? Queremos amor? Queremos luz? Não sabemos responder sincera e honestamente a estas perguntas. Temos medo do que o desejo destas coisas pode nos trazer. Isto é, tememos perder nosso gosto em julgar, em falar mal das pessoas, em manter uma atitude de alegria e de mostrar a felicidade, que seria constante a partir de nossa decisão pelo céu. É claro que podemos dizer conscientemente, isto é, a partir do intelecto, que queremos tudo isso, mas será que é isso que desejamos no fundo de nossos corações, desde o mais profundo de nós mesmas e de nós mesmos? Basta olhar para as experiências que escolhemos viver e passar, e os resultados delas, que teremos a resposta.

Sem dúvida tudo isso representa a salvação. Pois quem seria louco o bastante para viver num mundo que não tem significado algum acreditando que tudo o que o espera é apenas a morte e o fim?

Eu quero que haja luz.

E é por isto que...

... empreendemos os exercícios para hoje com alegre confiança, certos de que acharemos o que for tua vontade achar e de que lembraremos o que for tua vontade lembrar. Nenhum desejo fútil pode nos impedir, nem nos enganar com uma ilusão de força. Permite que tua vontade seja feita hoje, e põe fim para sempre na crença louca de que escolhes o inferno em lugar do Céu.

De acordo com o que diz Debbie Ford, a chave para isso "é tomar consciência de que não há nada que possamos ver ou perceber que também não faça parte de nós... somos tudo o que vemos, tudo o que julgamos, tudo o que admiramos. Não importa a cor da pele, o peso ou a escolha religiosa, compartilhamos as mesmas qualidades universais. Todas as pessoas são iguais em sua essência". Isto é, na luz.

Eu quero que haja luz.

Por isso:

Começaremos nossos períodos de prática mais longos com o reconhecimento de que o plano de Deus para a salvação, e apenas o d'Ele, está totalmente de acordo com tua vontade. Ele não é o propósito de um poder estranho que és forçado a aceitar a contragosto. É o único propósito neste momento com o qual tu e teu Pai estão em perfeito acordo. Serás bem-sucedido hoje, o tempo estabelecido para a liberação do Filho de Deus do inferno e de todos os desejos vãos. Agora sua vontade é devolvida a sua consciência. Ele está disposto, neste dia mesmo, a olhar para a luz em si e ser salvo.

Estamos dispostos, dispostas, de fato, a olhar para luz em nós mesmos/as e sermos salvos?

Precisamos nos lembrar disto e de responder honestamente a esta pergunta.

Depois de te lembrares disto e de te decidires a manter tua vontade com clareza em tua mente, dize a ti mesmo com paciente firmeza e convicção serena:

Eu quero que haja luz. Que eu veja a luz
que reflete a Vontade de Deus e a minha.

Em seguida, deixa que tua vontade se afirme, unida ao poder de Deus e unida a teu Ser. Coloca o restante do período de prática sob a orientação d'Eles. Une-te a Eles enquanto Eles mostram o caminho.

É apenas unindo-nos ao poder que vem de Deus e que está em nós mesmos/as, em nosso Ser, que podemos fazer com que nossa vontade se afirme e se mantenha durante todo o dia. E podemos fazê-lo, tanto nos períodos mais longos em que nos dedicamos às práticas, quanto nos períodos mais curtos em que vamos proceder de acordo com o que a lição indica:

Nos períodos de prática mais breves, faze mais uma vez uma declaração daquilo que realmente queres. Dize:

Eu quero que haja luz. A escuridão não é minha vontade.

Isto deve ser repetido várias vezes por hora. É mais importante, porém, aplicar a ideia de hoje desta forma imediatamente, caso sejas tentado a guardar uma mágoa de qualquer tipo. Isto te ajudará a abandonar tuas mágoas, em lugar de nutri-las e escondê-las na escuridão. 

Às práticas?