domingo, 22 de outubro de 2017

Ao contrário de nos separar, a diversidade nos une


8. O que é o mundo real?

1. O mundo real é um símbolo, igual ao resto do que a percepção oferece. Contudo, ele representa o contrário daquilo que tu fizeste. Teu mundo é visto pelos olhos do medo e te traz à mente as evidências do horror. O mundo real não pode ser visto senão por olhos que o perdão abençoa, a fim de que eles vejam um mundo no qual o horror seja impossível e não se possa encontrar indícios de medo.

2. O mundo real possui uma contrapartida para cada pensamento infeliz que se reflete em teu mundo; uma compensação infalível para as cenas de medo e para os ruídos de luta que teu mundo contém. O mundo real apresenta um mundo visto de forma diferente, por olhos serenos e por uma mente em paz. Não há nada aí a não ser paz. Não se ouve nenhum grito de dor e de tristeza aí porque não fica nada fora do perdão. E as imagens são serenas. Só imagens felizes podem chegar à mente que se perdoa.

3. Que necessidade esta mente tem de pensamentos de morte, ataque e assassinato? O que ela pode perceber a sua volta a não ser segurança, amor e alegria? O que há para ela querer escolher condenar e o que há para ela querer julgar de modo desfavorável? O mundo que ela vê nasce de uma mente em paz consigo mesma. Não há nenhum perigo à espreita em nada do que ela vê, porque ela é benigna e só vê benignidade.

4. O mundo real é o símbolo de que o sonho de pecado e de culpa acabou, e de que o Filho de Deus já não dorme. Seus olhos despertos percebem o reflexo seguro do Amor de seu Pai; a garantia infalível de que ele está redimido. O mundo real indica o fim do tempo, pois a percepção dele torna o tempo inútil.

5. O Espírito Santo não tem nenhuma necessidade do tempo depois que o tempo cumpre o propósito d'Ele. Agora, Ele espera aquele único instante a mais para que Deus dê Seu passo final e o tempo desapareça, levando consigo a percepção enquanto se vai, e deixa apenas a verdade para ser ela mesma. Esse instante é nossa meta, porque ele contém a lembrança de Deus. E, quando olhamos para um mundo perdoado, é Ele Quem nos chama e vem para nos levar para casa, lembrando-nos de nossa Identidade, que nosso perdão nos devolve.

*

LIÇÃO 295

Hoje o Espírito Santo olha através de mim.

1. Cristo pede para usar meus olhos hoje para, desta forma, redimir o mundo. Ele pede esta dádiva para poder me oferecer paz de espírito e afastar todo o medo e toda a dor. E, quando se afastam de mim, os sonhos que eles pareciam depositar sobre o mundo desaparecem. A redenção tem de ser única. Quando sou salvo, o mundo é salvo comigo. Pois todos nós temos de ser redimidos juntos. O medo se apresenta de muitas formas diferentes, mas o amor é um só.

2. Meu Pai, Cristo me pediu uma dádiva, e uma dádiva que dou para que ela me seja dada. Ajuda-me a usar os olhos de Cristo hoje, para, deste modo, permitir que o Espírito Santo abençoe todas as coisas sobre as quais eu venha a pousar me olhar, para que Seu Amor misericordioso possa permanecer em mim.


*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 295

Preparei-me hoje, mais uma vez, para fazer um comentário diferente daqueles que fiz em anos anteriores para esta mesma lição, mas, de novo, em função da leitura do livro The Power of Intention [A Força da Intenção], de Wayne Dyer, de que lhes falei há algum tempo, achei que valia a pena manter a mesma linha de raciocínio que ele tem para chamar a atenção de vocês novamente para a necessidade de que estejamos sempre atentos para questionar toda e qualquer informação que chegue até nós. 

Se voltarmos um pouquinho que seja de nossa atenção a uma ou duas das ideias que praticamos nos últimos poucos dias, veremos que elas nos aconselham, entre outras coisas, a esquecer o passado de meu irmão, ou que nos dizem que o passado passou, se foi, e não pode nos tocar. Há ainda uma que nos pede que pratiquemos ver só a felicidade deste momento.

Assim como eu disse anteriormente - isto é, nos comentários que estou meio que repetindo -, refletindo a respeito destas ideias de dias atrás, não há como não pensar no fato de que, conscientes disso ou não, ainda nos debatemos, hoje, em tentativas de encontrar novas interpretações para as palavras que, atribuídas a Jesus, chegaram até nós, ditas há mais de 2.000 anos. Mesmo àquelas que, de verdade, não podem ter sido ditas por ele. E também pelas que certamente, pelo que se sabe dele - e acreditando que ele, de fato existiu -, ele diria ou pode ter dito. A se considerar que o Jesus histórico, de quem tão pouco se conhece, teve realmente o papel que a Igreja constituída com base em sua figura lhe atribui, o que é bastante passível de muita dúvida. 

Penso, porém, que devem ser muito poucos os que se perguntam: - Quem pode garantir que o que ele disse mesmo seja o que os escritos e escritores nos trouxeram ao longo do tempo? Quem pode nos garantir que existiu mesmo "o homem-Deus" que a Igreja nos quer vender até hoje? Há muitos estudiosos, não-teólogos e teólogos também, que acreditam que a Igreja "inventou" este Jesus de que falamos hoje. Inclusive a história toda de crucificação e ressurreição.

E que dizer, então, dos textos de que nos valemos até hoje e que são muito mais antigos do que os ditos "evangelhos" do Novo Testamento que o cristianismo nos legou?

Não estaremos todos sugestionados por uma história que foi sendo escrita apenas para atender aos interesses de uns poucos que queriam exercer algum poder sobre um grande número de pessoas, condicionando-as a este ou àquele comportamento, sob a ameaça de uma condenação a um castigo eterno e permanente após a morte do corpo? Uma possibilidade inconcebível, na verdade. Afinal, os registros todos que temos são feitos, ou foram feitos, por apenas cerca de meia dúzia de pessoas, que nos contam o que viram de acordo com sua percepção. Será que outras testemunhas não diriam coisas diferentes?

Um dos livros que li a respeito dos textos chegaram até nós diz que: "Quem quer que lesse um livro na Antiguidade nunca estava cem por cento seguro de que estava lendo o que o autor escrevera. Palavras podiam ter sido trocadas. E, de fato, eram, mesmo que só um pouco".

E por quê? Porque "as pessoas que reproduziam textos por todo o império [romano] não eram, normalmente, aquelas que queriam ler os textos. Os copistas, em geral, reproduziam os textos para outros", e sempre por encomenda.

Assim, remetendo a Orígenes, afirma o autor que muitas vezes "as diferenças entre os manuscritos se tornaram gritantes, ou pela negligência de algum copista ou pela audácia perversa de outros; ou eles descuidavam de verificar o que transcreveram ou no processo de verificação acrescenta[va]m ou apaga[va]m trechos, como mais lhes agrad[ass]e".

Somos sugestionáveis! Mas, sabendo disso, não lhes parece ser mais fácil olhar para tudo e questionar os mapas que nos estão apresentando, perguntando-nos, ou a quem os oferece a nós, se eles têm alguma a coisa a ver, de fato, com a geografia do caminho que queremos trilhar ou se não serão apenas mais alguns instrumentos destinados a nos indicar a direção errada, ou uma direção que atenda somente aos interesses dos fazedores e vendedores de mapas? 


Quem nos garante que de fato estamos fazendo só aquilo que queremos, de verdade, fazer? Quem pode nos dar a certeza de que não estamos apenas funcionando como títeres, qual marionetes manipuladas por cordões, por que iludidos por uma liberdade que nos venderam como "a liberdade", mas que no fundo só permite que multipliquemos as ações que atendem a interesses que não são nossos verdadeiramente?

É claro que este comentário poderia ser muito mais extenso, dada a imensa gama de possibilidades e de questões que ele suscita. Mas deveria? O que quero com ele é apenas chamar sua atenção para o fato de que não pode ser senão por meio do Espírito Santo, do divino em nós [alguns podem preferir chamar isso de consciência], que poderemos ter acesso à verdade a respeito de nós mesmos e do que somos de fato.

E é para isto que nos orienta a ideia das práticas de hoje. Pois, ainda de acordo com o livro de que falava acima, "... o único modo de entender o que um autor quer dizer é conhecer o que suas palavras - todas as suas palavras - realmente querem dizer". E quero crer que conhecer significa acolher as palavras experimentalmente, ou seja, encontrar seu eco dentro de nós mesmos, como expressão do divino em nós. Divino que compartilhamos com quem escreve o que lemos.

Há, porém, que nos lembrarmos de que, além disso, todas as palavras estão sempre sujeitas a milhares de interpretações, que variam de acordo com o interesse, com o objetivo e com a experiência de quem quer que esteja lidando com elas. E, mesmo que venhamos a conhecer "todas as palavras" de um autor, o que elas "realmente" querem dizer está além de nossa percepção. E muitas vezes até além da percepção do próprio autor. [Lembram-se da diferença entre percepção e conhecimento?]

Qualquer um, que não o autor, pode se identificar com as palavras dele, pode concordar com o que ele diz, pode discordar e pode até mesmo entender o que ele diz como não tendo absolutamente nada a ver com a realidade de que ele fala, pelo menos não com a realidade da forma como vista por este leitor discordante.

No entanto, se emprestarmos nossos ouvidos interiores ao Espírito Santo, para tentar ouvi-Lo a partir da compreensão amorosa do divino em nós, é bastante provável que cheguemos à comunicação perfeita. É bem provável que cheguemos a comungar com o(s) outro(s), partilhando o entendimento de que somos um, e de que a diversidade, ao invés de nos separar, nos une, e enriquece nossa experiência dando-lhe uma variedade de matizes e cores e sons e melodias que ela não teria em muitas circunstâncias, vistas apenas com os olhos do corpo, ouvidas apenas com os ouvidos do corpo. Sentidas apenas com os sentidos do humano em nós. 


Às práticas?


sábado, 21 de outubro de 2017

Ninguém tem o direito de fazer alguém sentir medo


8. O que é o mundo real?

1. O mundo real é um símbolo, igual ao resto do que a percepção oferece. Contudo, ele representa o contrário daquilo que tu fizeste. Teu mundo é visto pelos olhos do medo e te traz à mente as evidências do horror. O mundo real não pode ser visto senão por olhos que o perdão abençoa, a fim de que eles vejam um mundo no qual o horror seja impossível e não se possa encontrar indícios de medo.

2. O mundo real possui uma contrapartida para cada pensamento infeliz que se reflete em teu mundo; uma compensação infalível para as cenas de medo e para os ruídos de luta que teu mundo contém. O mundo real apresenta um mundo visto de forma diferente, por olhos serenos e por uma mente em paz. Não há nada aí a não ser paz. Não se ouve nenhum grito de dor e de tristeza aí porque não fica nada fora do perdão. E as imagens são serenas. Só imagens felizes podem chegar à mente que se perdoa.

3. Que necessidade esta mente tem de pensamentos de morte, ataque e assassinato? O que ela pode perceber a sua volta a não ser segurança, amor e alegria? O que há para ela querer escolher condenar e o que há para ela querer julgar de modo desfavorável? O mundo que ela vê nasce de uma mente em paz consigo mesma. Não há nenhum perigo à espreita em nada do que ela vê, porque ela é benigna e só vê benignidade.

4. O mundo real é o símbolo de que o sonho de pecado e de culpa acabou, e de que o Filho de Deus já não dorme. Seus olhos despertos percebem o reflexo seguro do Amor de seu Pai; a garantia infalível de que ele está redimido. O mundo real indica o fim do tempo, pois a percepção dele torna o tempo inútil.

5. O Espírito Santo não tem nenhuma necessidade do tempo depois que o tempo cumpre o propósito d'Ele. Agora, Ele espera aquele único instante a mais para que Deus dê Seu passo final e o tempo desapareça, levando consigo a percepção enquanto se vai, e deixa apenas a verdade para ser ela mesma. Esse instante é nossa meta, porque ele contém a lembrança de Deus. E, quando olhamos para um mundo perdoado, é Ele Quem nos chama e vem para nos levar para casa, lembrando-nos de nossa Identidade, que nosso perdão nos devolve.

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LIÇÃO 294

Meu corpo é uma coisa inteiramente neutra.

1. Eu sou um Filho de Deus. E posso ser outra coisa também? Deus criou o mortal e o perecível? Que utilidade tem para o Filho amado de Deus aquilo que tem de morrer? E, não obstante, uma coisa neutra não percebe a morte, pois não se investe pensamentos de medo aí, tampouco se coloca um arremedo de amor sobre ela. Sua neutralidade a protege enquanto tiver uma utilidade. E, mais tarde, ela é abandonada. Ela não está doente, nem velha, nem ferida. Ela só não tem mais função, é desnecessária e é dispensada. Permite que eu não a veja como mais do que isso hoje, útil por algum tempo e própria para atender a uma necessidade, para manter sua utilidade enquanto puder ser útil e para ser substituída então por um bem maior.

2. Pai, meu corpo não pode ser Teu Filho. E aquilo que não é criado não pode ser pecador nem inocente; nem bom nem mau. Permite, então, que eu use este sonho para ajudar em Teu plano, a fim de que despertemos de todos os sonhos que fizemos.


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COMENTÁRIO:


Explorando a Lição 294

A ideia para nossas práticas de hoje traz para reflexão o tema da neutralidade do corpo. E, se voltarmos nossa atenção para o que as primeiras lições nos ensinaram, haveremos de lembrar que o Curso diz que somos sempre só nós mesmos que damos valor, ou atribuímos significado, ao que vemos. Pois o mundo - e tudo o que há nele, inclusive nossos corpos - é neutro.

É por isso que o Curso, numa das lições iniciais, em certo momento nos aconselha: "Esquece-te deste mundo, esquece-te deste curso e vem com as mãos totalmente vazias ao teu Deus". A Deus em ti mesmo. Isto é, vale dizer, volta-te apenas para dentro de ti, esvazia tua mente de qualquer desejo e de qualquer intenção e experimentarás Deus, pois não há nada real a não ser Ele. 

O próprio Curso, porém, diz que é mais fácil acreditares que Deus é uma ideia do que acreditares que tu mesmo és uma ideia. E uma ideia de algo que inventaste em tuas fantasias a respeito da separação e que pensas que é o que tu és. Algo que existe apenas em tua imaginação: o ego, um falso eu, a imagem que fazes de ti mesmo para te relacionares com o mundo.

Quando ainda estamos, de alguma maneira, sob a influência desse falso eu [o ego] - o que quer dizer que ainda damos importância às formas, aos sentidos e à percepção -, acreditamos que eles podem ser meios de encontrar a felicidade e a alegria plenas neste mundo, mesmo este curso pode ser - e é - usado pelo ego para nos confundir. 

Assim, como eu já disse antes, precisamos aprender a abandonar quaisquer medos que tenhamos do destino que está reservado aos corpos, como a quaisquer outros veículos de comunicação e instrumentos de que nos valemos para viver aqui.

Precisamos também aprender, e incluir em nossa experiência, a convicção de que o "corpo é uma coisa inteiramente neutra", conforme o Curso ensina, e que, por isso, não há razão para que ninguém nos queira ensinar a temer sua perda. 


Lembremo-nos, então, mais uma vez do que nos ensina o jagunço Riobaldo, já citado outras vezes:

"... enquanto houver no mundo um vivente medroso, um menino tremor, todos perigam - o contagioso. Mas ninguém tem a licença de fazer medo nos outros, ninguém tenha. O maior direito que é meu - o que quero e sobrequero -: é que ninguém tem o direito de fazer medo em mim."


Tanto isto é verdade que nem o Próprio Deus nos impede de fazer qualquer coisa que queiramos. Nem nos julga, nem nos quer punir - nem pune - e castigar por qualquer crença que tenhamos. Nem mesmo quando, equivocadamente, nos acreditamos separados d'Ele, repetindo em parte comentários anteriores para esta mesma lição.

Às práticas?


sexta-feira, 20 de outubro de 2017

O Imutável EU SOU, em nós, está sempre conosco


8. O que é o mundo real?

1. O mundo real é um símbolo, igual ao resto do que a percepção oferece. Contudo, ele representa o contrário daquilo que tu fizeste. Teu mundo é visto pelos olhos do medo e te traz à mente as evidências do horror. O mundo real não pode ser visto senão por olhos que o perdão abençoa, a fim de que eles vejam um mundo no qual o horror seja impossível e não se possa encontrar indícios de medo.

2. O mundo real possui uma contrapartida para cada pensamento infeliz que se reflete em teu mundo; uma compensação infalível para as cenas de medo e para os ruídos de luta que teu mundo contém. O mundo real apresenta um mundo visto de forma diferente, por olhos serenos e por uma mente em paz. Não há nada aí a não ser paz. Não se ouve nenhum grito de dor e de tristeza aí porque não fica nada fora do perdão. E as imagens são serenas. Só imagens felizes podem chegar à mente que se perdoa.

3. Que necessidade esta mente tem de pensamentos de morte, ataque e assassinato? O que ela pode perceber a sua volta a não ser segurança, amor e alegria? O que há para ela querer escolher condenar e o que há para ela querer julgar de modo desfavorável? O mundo que ela vê nasce de uma mente em paz consigo mesma. Não há nenhum perigo à espreita em nada do que ela vê, porque ela é benigna e só vê benignidade.

4. O mundo real é o símbolo de que o sonho de pecado e de culpa acabou, e de que o Filho de Deus já não dorme. Seus olhos despertos percebem o reflexo seguro do Amor de seu Pai; a garantia infalível de que ele está redimido. O mundo real indica o fim do tempo, pois a percepção dele torna o tempo inútil.

5. O Espírito Santo não tem nenhuma necessidade do tempo depois que o tempo cumpre o propósito d'Ele. Agora, Ele espera aquele único instante a mais para que Deus dê Seu passo final e o tempo desapareça, levando consigo a percepção enquanto se vai, e deixa apenas a verdade para ser ela mesma. Esse instante é nossa meta, porque ele contém a lembrança de Deus. E, quando olhamos para um mundo perdoado, é Ele Quem nos chama e vem para nos levar para casa, lembrando-nos de nossa Identidade, que nosso perdão nos devolve.

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LIÇÃO 293


Todo o medo passou e só existe amor aqui.

1. Todo o medo passou porque sua fonte acabou e todos os seus pensamentos acabaram com ela. O amor, cuja Fonte está aqui para todo o sempre, fica sendo o único estado presente. O mundo pode parecer alegre e puro, e seguro e acolhedor, com todos os meus erros do passado a pressioná-lo e a me mostrarem formas distorcidas de medo? No presente, porém, é fácil de se reconhecer o amor, e seus efeitos são visíveis. O mundo inteiro brilha como reflexo de sua luz sagrada e eu percebo, por fim, um mundo perdoado.

2. Pai, não deixes que Teu mundo sagrado fuja de minha vista hoje. Nem deixes que meus ouvidos fiquem surdos aos hinos de gratidão que o mundo canta sob os sons do medo. Existe um mundo verdadeiro que o presente mantém a salvo de todos os erros anteriores. E eu quero ver só este mundo diante de meus olhos hoje.


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COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 293

Vamos estender nossa reflexão  de hoje com a ideia que o Curso nos oferece para as práticas, pensando um pouco a respeito de quais seriam nossos impedimentos para uma vida plena de alegria, de saúde, de paz, em sintonia com o divino em nós mesmos. 

Vamos lá, então. 

Os obstáculos e questões que nos impedem de seguir adiante, vivendo apenas um momento de cada vez, não existem senão em nossa cabeça. São nossos próprios pensamentos que, projetados, transformam o caminho em uma via pedregosa, cheia de curvas, de desvios, de perigos e de acidentes.

"Se" - pensamos - "as coisas fossem só um pouquinho diferentes tudo seria muito melhor". Esquecemo-nos de que as coisas são neutras, as próprias pessoas com quem convivemos são neutras. O mundo, e tudo o que ele contém, recebe apenas e tão-somente o significado que damos a ele.

Não existe "se" a não ser quando nos amarramos a um ou mais julgamentos que fazemos de nós mesmos, e há que nos lembrarmos sempre de que quando apontamos o dedo para alguém, os outros três dedos de nossas mãos se voltam irremediavelmente para nós mesmos.  Nada, absolutamente nada, do que existe e vemos pode mudar a menos que nós mudemos. Nenhum "se" pode vir a atrapalhar o caminho que traçamos e nos propomos a viver, quando nossa decisão se baseia naquilo que, em nós, sabe-nos maior do que o que vemos em nós, na imagem que construímos de nós mesmos, maior do que o corpo que nos carrega e serve de veículo de comunicação e interação com o(s) outro(s) e com o mundo.

O Imutável em nós - o que está além da salvação, além de quaisquer crenças do ego, de doutrinas, de filosofias, psicologias e credos -, o EU SOU, está sempre conosco, quer estejamos em dúvida, quer estejamos decididos a dar um passo de cada vez, quer estejamos serenos, quer estejamos "pré-ocupados" com o que pode acontecer a cada passo, se...

Não importa!

No fundo, a razão pela qual cada um de nós está aqui e vive a vida que vive, e constrói o mundo da forma pela qual o constrói para si e para os outros, também não tem importância, uma vez que estamos aqui apenas somando ilusões à ilusão maior do ego: a de que existe um mundo que tem de ser mudado, transformado, melhorado, sob pena de sucumbir aos desmandos de uma humanidade que se esqueceu de si mesma.

Na verdade, não há nenhum mundo, a não ser o mundo interior, que se projeta e cria a ilusão de luz e sombra, que nos guia ao longo desta jornada, destinada apenas a nos devolver à origem última, da qual nunca nos ausentamos, que permanece conosco o tempo inteiro. Mesmo quando não temos consciência disso.

É por isso que podemos praticar com toda a confiança a ideia de hoje.

Às práticas?


quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Quando iremos nos render à Presença em nós?


8. O que é o mundo real?

1. O mundo real é um símbolo, igual ao resto do que a percepção oferece. Contudo, ele representa o contrário daquilo que tu fizeste. Teu mundo é visto pelos olhos do medo e te traz à mente as evidências do horror. O mundo real não pode ser visto senão por olhos que o perdão abençoa, a fim de que eles vejam um mundo no qual o horror seja impossível e não se possa encontrar indícios de medo.

2. O mundo real possui uma contrapartida para cada pensamento infeliz que se reflete em teu mundo; uma compensação infalível para as cenas de medo e para os ruídos de luta que teu mundo contém. O mundo real apresenta um mundo visto de forma diferente, por olhos serenos e por uma mente em paz. Não há nada aí a não ser paz. Não se ouve nenhum grito de dor e de tristeza aí porque não fica nada fora do perdão. E as imagens são serenas. Só imagens felizes podem chegar à mente que se perdoa.

3. Que necessidade esta mente tem de pensamentos de morte, ataque e assassinato? O que ela pode perceber a sua volta a não ser segurança, amor e alegria? O que há para ela querer escolher condenar e o que há para ela querer julgar de modo desfavorável? O mundo que ela vê nasce de uma mente em paz consigo mesma. Não há nenhum perigo à espreita em nada do que ela vê, porque ela é benigna e só vê benignidade.

4. O mundo real é o símbolo de que o sonho de pecado e de culpa acabou, e de que o Filho de Deus já não dorme. Seus olhos despertos percebem o reflexo seguro do Amor de seu Pai; a garantia infalível de que ele está redimido. O mundo real indica o fim do tempo, pois a percepção dele torna o tempo inútil.

5. O Espírito Santo não tem nenhuma necessidade do tempo depois que o tempo cumpre o propósito d'Ele. Agora, Ele espera aquele único instante a mais para que Deus dê Seu passo final e o tempo desapareça, levando consigo a percepção enquanto se vai, e deixa apenas a verdade para ser ela mesma. Esse instante é nossa meta, porque ele contém a lembrança de Deus. E, quando olhamos para um mundo perdoado, é Ele Quem nos chama e vem para nos levar para casa, lembrando-nos de nossa Identidade, que nosso perdão nos devolve.

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LIÇÃO 292

É certo um final feliz para todas as coisas.

1. As promessas de Deus não fazem nenhuma exceção. E Ele assegura que só se pode achar a alegria como resultado final para todas as coisas. O momento em que se chegará a este resultado, porém, depende de nós; de quanto tempo permitiremos que uma vontade estranha pareça se opor à d'Ele. E, enquanto pensarmos que essa vontade é real, não acharemos o final que Ele estabelece como resultado para todos os problemas que percebemos, para todas as provações que vemos e para cada situação com que nos deparamos. Contudo, o fim é certo. Pois a Vontade de Deus se faz na terra e no Céu. Nós vamos buscar e achar segundo a Vontade d'Ele, que assegura que se faça a nossa vontade.

2. Nós Te agradecemos, Pai, por Tua garantia de apenas resultados felizes no final. Ajuda-nos a não nos intrometermos e, assim, atrasar os finais felizes que Tu nos prometes para cada problema que podemos perceber, para cada provação que ainda pensamos ter de enfrentar.


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COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 292

Hoje, vamos dedicar nossa atenção mais uma vez, ainda que apenas por um momento, às ideias de nossas práticas de ontem [Este é um dia de serenidade e de paz.] e de anteontem [Minha felicidade neste momento é tudo o que vejo.].

Voltar nossa atenção para as ideias que praticamos dois dias atrás, como eu disse nos comentários anteriores para esta lição, só pode nos levar a concluir que a ideia que vamos praticar hoje tem de ser verdadeira. Mais: não podemos também deixar de concluir que o Curso está certo ao afirmar que o único tempo que existe é o presente.

E, como eu disse antes também, alguns podem até se perguntar: Por quê? E eu, repetindo ainda alguns dos comentários anteriores, diria que a razão para tanto é o fato de que as práticas diárias nos põem - agora - em contato direto com o que somos - e de que nos esquecemos a maior parte do tempo -, ainda que por alguns instantes apenas, dependendo do modo pelo qual nos dedicamos a elas. 

Em geral, porém, vivemos de forma inconsciente, fazendo coisas, querendo coisas, obtendo coisas e sonhando em ter e acumular mais e mais coisas, numa busca e numa atividade desenfreadas que nos afastam cada vez mais de nós mesmos, de tudo, de todos e, mais sério, nos afastam aparentemente cada vez mais de Deus. Apesar de este afastamento ser impossível. Lembremo-nos apenas, por exemplo, de uma das lições da primeira parte do livro que afirma: Deus vai comigo aonde eu for.

Ora, o contato com o que somos, agora - o único tempo que existe -, ainda que por breves instantes, nos devolve a consciência do divino em nós e nos permite estar presentes por inteiro em toda e qualquer situação que se apresente. É nossa presença por inteiro que facilita viver cada dia como "um dia de serenidade e de paz", ou que possibilita vermos apenas nossa "felicidade neste momento".

E é claro que estes vislumbres e vivências do presente, do "aqui e agora", em nós mesmos, por mais breves que sejam, insisto, podem nos garantir - e garantem, de fato -, que, como a ideia que praticamos hoje: É certo um final feliz para todas as coisas.

Vamos, pois, em nossas práticas hoje, oferecer ao Pai toda a gratidão de que somos capazes pela certeza de que a Vontade d'Ele é a garantia de nossa [própria] vontade, que é a mesma d'Ele e que só pode ser satisfeita, quando nos rendermos por completo a Sua Presença em nós. 

Às práticas?


quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Perdoar, de fato, significa não ver o que não existe


8. O que é o mundo real?

1. O mundo real é um símbolo, igual ao resto do que a percepção oferece. Contudo, ele representa o contrário daquilo que tu fizeste. Teu mundo é visto pelos olhos do medo e te traz à mente as evidências do horror. O mundo real não pode ser visto senão por olhos que o perdão abençoa, a fim de que eles vejam um mundo no qual o horror seja impossível e não se possa encontrar indícios de medo.

2. O mundo real possui uma contrapartida para cada pensamento infeliz que se reflete em teu mundo; uma compensação infalível para as cenas de medo e para os ruídos de luta que teu mundo contém. O mundo real apresenta um mundo visto de forma diferente, por olhos serenos e por uma mente em paz. Não há nada aí a não ser paz. Não se ouve nenhum grito de dor e de tristeza aí porque não fica nada fora do perdão. E as imagens são serenas. Só imagens felizes podem chegar à mente que se perdoa.

3. Que necessidade esta mente tem de pensamentos de morte, ataque e assassinato? O que ela pode perceber a sua volta a não ser segurança, amor e alegria? O que há para ela querer escolher condenar e o que há para ela querer julgar de modo desfavorável? O mundo que ela vê nasce de uma mente em paz consigo mesma. Não há nenhum perigo à espreita em nada do que ela vê, porque ela é benigna e só vê benignidade.

4. O mundo real é o símbolo de que o sonho de pecado e de culpa acabou, e de que o Filho de Deus já não dorme. Seus olhos despertos percebem o reflexo seguro do Amor de seu Pai; a garantia infalível de que ele está redimido. O mundo real indica o fim do tempo, pois a percepção dele torna o tempo inútil.

5. O Espírito Santo não tem nenhuma necessidade do tempo depois que o tempo cumpre o propósito d'Ele. Agora, Ele espera aquele único instante a mais para que Deus dê Seu passo final e o tempo desapareça, levando consigo a percepção enquanto se vai, e deixa apenas a verdade para ser ela mesma. Esse instante é nossa meta, porque ele contém a lembrança de Deus. E, quando olhamos para um mundo perdoado, é Ele Quem nos chama e vem para nos levar para casa, lembrando-nos de nossa Identidade, que nosso perdão nos devolve.

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LIÇÃO 291

Este é um dia de serenidade e de paz.

1. Hoje a visão de Cristo olha por intermédio de mim. A visão d'Ele me apresenta todas as coisas perdoadas e em paz, e oferece esta mesma visão ao mundo. E eu aceito esta visão em seu nome, tanto para mim quanto também para o mundo. Quanta graça vemos hoje! Quanta santidade vemos à volta de nós! E podemos reconhecer que ela é uma santidade da qual compartilhamos; é a Santidade do Próprio Deus.

2. Hoje minha mente está calma para receber os Pensamentos que Tu me ofereces. E eu aceito o que vem de Ti em lugar do que vem de mim mesmo. Eu não conheço o caminho para Ti. Mas Tu és inteiramente digno de confiança. Pai, guia Teu Filho pelo caminho sereno que conduz a Ti. Permite que meu perdão seja completo e deixa que a lembrança de Ti volte para mim.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 291

Vamos começar, mais uma vez, com as práticas de hoje, o treinamento com as ideias das dez lições que terão por tema a oitava das instruções que o Curso oferece para esta segunda parte do livro de exercícios, que é: O que é o mundo real?

É preciso que nos lembremos a cada dia de que, como nos instrui o livro, é necessário voltar nosso olhar para esta instrução antes de cada lição, uma vez que o tema, assim como todos os outros, é de particular interesse para todos nós. É em função disso que neste ano, mais uma vez, como fiz no ano passado, estou postando antes de cada uma das lições de cada série o tema que serve para lhes dar unidade.

O tema desta série pede que questionemos o que é o mundo real. Uma vez que, em geral, pensamos que há algo de real neste mundo em que aparentemente estamos e que só precisamos descobri-lo para alcançar a felicidade, a paz e a alegria que aspiramos, que buscamos sem saber onde encontrar. Ledo engano. Não há nada de real neste mundo. Aliás, como o Curso ensina também, não há mundo. A não ser aquele que cada um de nós traz no interior de si e projeta como forma de experimentar-se, de se conhecer.

Onde estará, então, o dito mundo real? O texto afirma que a realidade está aqui. O tempo todo. E ela pertence a nós todos: Ela pertence a ti a mim e a Deus, e é inteiramente satisfatória para todos Nós. Como já lhes disse outras vezes, à luz de praticamente todos os ensinamentos espirituais, inclusive os deste Curso, não há nada fora de nós, de cada um de nós. Posso, por isso, repetir as perguntas que lhes fiz nos comentários dos últimos anos.

Isto não significa dizer, portanto, mais uma vez, ou de forma diferente, que o mundo real, assim como o ilusório, só pode estar dentro de cada um de nós? O que há, então, para se buscar neste mundo aparentemente externo? O que há para mudar neste mundo? Por que razão quase todos estamos tão envolvidos com a ideia de transformar o mundo, este mundo, que é diferente para cada um? O que há para ser transformado nele? O que há nele que queremos melhorar?

Nada. Literalmente, nada! Lembram de parte do comentário de ontem, do poema citado?

Se compreendes, as coisas são exatamente como são.
Se não compreendes, as coisas são exatamente como são.

Em geral, achamos que podemos fazer alguma coisa para melhorar este mundo. Mas o Curso ensina que não há mundo, conforme já disse acima. Melhorar, então, o quê? Na verdade tudo o que vemos é o reflexo materializado - e ainda assim só aparentemente materializado, uma vez que como dizia um título de livro não tão antigo, "Tudo o que é sólido desmancha no ar" -  daquilo que trazemos dentro de nós, e que projetamos no mundo, nas pessoas, e nas experiências que escolhemos viver. E tudo está ligado à percepção. 

Assim, para mudar qualquer coisa que nos pareça fora de lugar, ou que nos incomode por qualquer razão que seja, tudo o que precisamos fazer é trabalhar a mudança de nossa percepção. Pois não há como nos livrarmos de nada, tudo o que podemos fazer é acolher para transformar. Mais do que isso, acreditar que há alguma coisa a se fazer para melhorar este mundo é reforçar a crença na separação. 

Ou, como diz Joel Goldsmith em um de seus livros, enquanto ainda tivermos qualquer preocupação com a forma ainda estamos nos acreditando separados, uns dos outros e de Deus.

Lembram-se dos três passos de que lhes tenho falado várias vezes ao longo destes comentários nestes anos todos? É a partir deles e do conhecimento de que "todas as coisas cooperam para o bem"; e que não importa o que façamos - ou o que qualquer um de nós faça - em relação ao mundo aparentemente fora de nós, nada pode mudar o que somos na verdade. 

O mundo real só é visível para os olhos que perdoam - e perdoar é não ver o que não existe -, e nada que aparentemente manche, macule, ou diminua a pureza e a inocência do filho de Deus, não existe, de fato. É só ilusão e julgamento. 

Às práticas?

terça-feira, 17 de outubro de 2017

As coisas são só o que são, compreendendo ou não


7. O que é o Espírito Santo?

1. O Espírito Santo se interpõe entre as ilusões e a verdade. Uma vez que Ele tem de construir uma ponte sobre a brecha entre a realidade e os sonhos, a percepção leva ao conhecimento por meio da Graça que Deus dá a Ele para ser Sua dádiva a todos que se voltarem para Ele em busca da verdade. Do outro lado da ponte que Ele provê, todos os sonhos são levados à verdade, para serem dissipados diante da luz do conhecimento. Descartam-se aí, para sempre, cenas e sons. E, aonde eles eram percebidos anteriormente, o perdão torna possível o final tranquilo da percepção.

2. É apenas este fim dos sonhos que a meta do ensinamento do Espírito Santo estabelece. Pois, diferente de testemunhas do medo, cenas e sons têm de ser transformados em testemunhas do amor. E, quando isso se realizar inteiramente, o aprendizado atinge a única meta que tem na verdade. Pois o aprendizado se torna o meio para ir além de si mesmo a fim de ser substituído pela verdade eterna, à medida que o Espírito Santo o guia na direção do resultado que Ele vê para o aprendizado.

3. Se ao menos soubesses o quanto teu Pai anseia que reconheças tua inocência, não permitirias que a Voz d'Ele apelasse em vão, nem rejeitarias Seu substituto para as imagens e sonhos assustadores que fizeste. O Espírito Santo compreende os meios que fizeste, pelos quais queres alcançar o que é inalcançável para sempre. E, se os ofereceres a Ele, Ele utilizará os meios que fizeste em defesa do exílio para devolver tua mente ao lugar em que ela verdadeiramente se sente em casa. 

4. O Espírito Santo, desde o conhecimento onde Ele foi colocado por Deus, te chama para que deixes o perdão descansar sobre teus sonhos, para seres devolvido à sanidade e à paz de espírito. Sem o perdão, teus sonhos continuarão a te aterrorizar. E a lembrança de todo Amor de teu Pai não voltará para assinalar que o fim dos sonhos chegou.

5. Aceita a dádiva de teu Pai. Ela é um Chamado do Amor para o Amor , a fim de que o Amor seja apenas Ele Mesmo. A dádiva d'Ele é o Espírito Santo, por meio do qual a paz do Céu é devolvida ao Filho amado de Deus. Tu te recusarias a aceitar a função de completar Deus, se tudo o que Ele deseja é que tu sejas completo?

*

LIÇÃO 290


Minha felicidade neste momento é tudo o que vejo.

1. A não ser que eu olhe para aquilo que não existe, minha felicidade neste momento é tudo o que vejo. Olhos que começam a se abrir veem, enfim. E eu quero que a visão de Cristo venha a mim neste dia mesmo. Aquilo que percebo sem a Moderação Própria de Deus para a visão que fiz é assustador e doloroso de se ver. Porém, não vou deixar nem mais um instante que minha mente seja enganada pela crença de que o sonho que fiz é real. Este é o dia em que busco minha felicidade neste momento e não olho para mais nada a não ser para a coisa que busco.

2. Com esta decisão, venho a Ti e peço que Tua força me sustente hoje, enquanto busco fazer apenas Tua Vontade. Tu não podes deixar de me ouvir, Pai. Aquilo que pedi Tu já me dás. E estou certo de que verei minha felicidade hoje.


*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 290

A ideia para as práticas de hoje, de forma similar à que praticamos ontem, e dizia que "o passado acabou" e não pode nos tocar, também busca nos ensinar a fincar pé no presente, no agora. Pois o que há para se viver fora dele, fora deste exato momento? 


Se quisermos escolher o amor, só podemos fazê-lo agora, neste exato momento! A partir da tomada de consciência do que somos, que também só pode se dar neste momento. Aqui e agora. Como o Curso ensina, o presente é o único tempo que existe.

Assim, para estimular e aprofundar a reflexão com as práticas desta ideia, dou-lhes, de novo, abaixo, alguns pensamentos de sábios e mestres de todos os tempos, de ontem e de hoje, pensamentos que sempre vale a pena repetir, e sobre os quais é também sempre proveitoso refletir, em sintonia com o que a lição quer que pratiquemos:

O primeiro, de Meister Eckhart, diz o seguinte: 

"Conhecerás a Deus sem imagens, sem aparência e sem meios. Enquanto este ele e este eu, a saber, Deus e a alma, não forem um único aqui, um único agora, o eu não poderá trabalhar nem identificar-se com aquele ele."

O segundo nos vem de Sri Ramana Maharshi, para quem:

"Não há criação nem destruição, nem destino nem livre arbítrio; nem caminho nem consecução; esta é a verdade final."

O terceiro, de Amakuki Sessan, afirma o seguinte:

"A verdadeira paz e a felicidade eterna, a imortalidade e a verdade universal, o Caminho do céu e da terra, em outras palavras, a experiência do Absoluto e do infinito ou, em termos religiosos, o caminho de Buddha - o grande erro consiste em pensar consegui-lo em algum céu ou mundo do outro lado. Nunca deixamos o Caminho por um momento sequer. O que podemos deixar não é o Caminho."

Agora, um poema de Zenrin:

"Se compreenderes, as coisas são exatamente como são.
Se não compreenderes, as coisas são exatamente como são." 


E, desta vez, terminemos com algo dito por Bob Dylan que, em seu livro "Crônicas - Volume um", disse que sua avó materna que morava com eles em sua infância disse-lhe certa vez:

"... a felicidade não está na estrada que leva a algum lugar. A felicidade é a própria estrada."

Às práticas?

OBSERVAÇÃO: 


Este comentário com algumas pequenas modificações é praticamente o mesmo feito a esta lição nos últimos anos.



segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Temos de nos ver como "egoólicos" em recuperação


7. O que é o Espírito Santo?

1. O Espírito Santo se interpõe entre as ilusões e a verdade. Uma vez que Ele tem de construir uma ponte sobre a brecha entre a realidade e os sonhos, a percepção leva ao conhecimento por meio da Graça que Deus dá a Ele para ser Sua dádiva a todos que se voltarem para Ele em busca da verdade. Do outro lado da ponte que Ele provê, todos os sonhos são levados à verdade, para serem dissipados diante da luz do conhecimento. Descartam-se aí, para sempre, cenas e sons. E, aonde eles eram percebidos anteriormente, o perdão torna possível o final tranquilo da percepção.

2. É apenas este fim dos sonhos que a meta do ensinamento do Espírito Santo estabelece. Pois, diferente de testemunhas do medo, cenas e sons têm de ser transformados em testemunhas do amor. E, quando isso se realizar inteiramente, o aprendizado atinge a única meta que tem na verdade. Pois o aprendizado se torna o meio para ir além de si mesmo a fim de ser substituído pela verdade eterna, à medida que o Espírito Santo o guia na direção do resultado que Ele vê para o aprendizado.

3. Se ao menos soubesses o quanto teu Pai anseia que reconheças tua inocência, não permitirias que a Voz d'Ele apelasse em vão, nem rejeitarias Seu substituto para as imagens e sonhos assustadores que fizeste. O Espírito Santo compreende os meios que fizeste, pelos quais queres alcançar o que é inalcançável para sempre. E, se os ofereceres a Ele, Ele utilizará os meios que fizeste em defesa do exílio para devolver tua mente ao lugar em que ela verdadeiramente se sente em casa. 

4. O Espírito Santo, desde o conhecimento onde Ele foi colocado por Deus, te chama para que deixes o perdão descansar sobre teus sonhos, para seres devolvido à sanidade e à paz de espírito. Sem o perdão, teus sonhos continuarão a te aterrorizar. E a lembrança de todo Amor de teu Pai não voltará para assinalar que o fim dos sonhos chegou.

5. Aceita a dádiva de teu Pai. Ela é um Chamado do Amor para o Amor, a fim de que o Amor seja apenas Ele Mesmo. A dádiva d'Ele é o Espírito Santo, por meio do qual a paz do Céu é devolvida ao Filho amado de Deus. Tu te recusarias a aceitar a função de completar Deus, se tudo o que Ele deseja é que tu sejas completo?


*

LIÇÃO 289

O passado acabou. Não pode me tocar.

1. A menos que o passado esteja acabado em minha mente, o mundo real tem de se esconder de minha vista. Pois, vendo apenas o que não existe, não estou, de fato, olhando para lugar algum. Como posso, então, perceber o mundo que o perdão oferece? Fez-se o passado para esconder esse mundo, pois esse é o mundo que só se pode ver agora. Ele não tem nenhum passado. Pois o que se pode perdoar senão o passado, que, se for perdoado, desaparece.

2. Pai, permite que eu não olhe para um passado que não existe. Pois Tu me ofereces Teu Próprio substituto em um mundo presente, que o passado deixa intocado e livre de pecado. Eis aqui o fim da culpa. E aqui estou pronto para Teu passo final. Devo pedir-Te que esperes mais para que Teu Filho encontre a graça que Tu planejaste para ser o fim de todos os seus sonhos e de toda a sua dor?



*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 289

Repito por inteiro, por pertinente, em meu entender, é claro, o comentário feito a esta lição nos últimos anos, até mesmo o título dado à postagem. 

A ideia que vamos praticar hoje, como não poderia deixar de ser, estende e complementa a que praticamos ontem, tornando-a mais geral e abrangente. Mais ou menos como nos informa, e quer que aprendamos, a Introdução ao livro de exercícios. Para as práticas com as lições desta segunda parte estou, neste ano, assim como fiz no também no ano passado, postando diariamente o tema que dá unidade a cada uma das séries de dez lições, para facilitar que nos lembremos de voltar a ele a cada dia, antes das práticas, como orienta o Curso.

Vejamos mais uma vez o que nos diz o livro na introdução geral aos exercícios: 

"O propósito do livro de exercícios é o de treinar tua mente de forma sistemática para uma percepção diferente de todos e de tudo no mundo. Os exercícios são planejados para te ajudar a generalizar as lições de modo a compreenderes que cada uma delas é igualmente aplicável a todos e a tudo o que vês" [LE-in.4].

Lembremo-nos também uma vez mais de uma frase de um filme a que assisti algum tempo atrás e que já compartilhei antes com vocês. Um dos personagens do filme, a certa altura, diz o seguinte: "A história de nossa vida, afinal, não é nossa vida. É apenas nossa história". 

Por que relembrar disto? Porque, se pensarmos bem, prestando bastante atenção ao fato de que cada um vê o mundo a partir de uma ótica muito particular e intransferível, seremos capazes de ver, de compreender até, de juntar a ideia das práticas de hoje à frase do filme. E mais, de aplicá-la a todos e a tudo.

E por que aplicar a ideia a tudo e a todos? - podemos nos perguntar. Como uma amiga perguntava outro dia, de que me vale perdoar o outro, não reagir, buscar amá-lo apesar de tudo, independente do que ele faça, para o bem ou para o mal? 

Vale pelo seguinte, se lembrarmos de um comentário anterior feito a esta mesma lição: só precisamos fazer tudo isso porque, em última instância, tudo o que fazemos diz respeito a nós mesmos e a Deus tão-somente. Não fazemos nada para ninguém senão para nós mesmos. Sempre que nos relacionamos com alguém, no fundo, no fundo, nosso relacionamento é apenas com Deus. Isto é, nada nunca é entre nós e alguém, quem quer que seja. Tudo é sempre uma questão entre nós e Deus, seja como for que pensemos n'Ele. Percebem nisto a razão pela qual nos dedicamos a estas práticas? 

Se isto ainda não parecer suficiente, vale lembrar também que, em geral, nalgum momento de nossas vidas, se não todos nós, quase todos nós nos propusemos a fazer alguma mudança e não conseguimos levá-la a cabo. Ou começamos a mudar um impulso negativo durante algum tempo, poucas semanas ou meses, dias, às vezes, para logo depois voltarmos ao nosso velho modo de ser, ou de agir. Quer dizer, voltar aos hábitos antigos e arraigados, por não conseguirmos nos manter conscientes da necessidade de olhar para tudo e para todos de modo diferente. 

Então... A mudança duradoura é possível. Sempre. Desde que estejamos dispostos: a abandonar o passado e a abrir mão de nossas características compulsivas e destrutivas; a substituir os comportamentos que não funcionam por outros que funcionem; e a resistir ao desejo de obter a energia que gratifica o ego, quando nos sentimos em baixa, e substituí-la pela paz, pelo amor e pelo perdão, que têm a ver com o divino em nós, com o espírito.

Em resumo, é preciso que deixemos de olhar para trás.

Enfim, como diz Yehuda Berg, do mesmo modo que "um alcoólico tem sempre de buscar resistir a beber, temos de nos ver como 'egoólicos' em recuperação, que precisam desafiar incessantemente as tentações e armadilhas do nosso passado para não sucumbirmos e voltarmos ao nosso velho modo de ser".

O que, na verdade, não é nada muito simples, "porque o caminho mais fácil é muito mais sedutor e exerce uma atração enigmática e poderosa sobre nós", diz ele ainda. Esta atração é aquela a que o Curso chama de "a atração da culpa". Porém, é preciso termos presente que, se - e cada vez que - nos desviarmos do caminho, sempre podemos aprender com os erros [ou, melhor dizendo, aprender com as experiências, sejam elas de que natureza forem] e assumir um novo compromisso.

E o melhor momento para se assumir este compromisso é agora. Ou algum de nós ainda acredita que existe outro tempo além deste momento?

Berg aconselha:

Não olhe para trás. Seu velho ser ainda está lá.
Olhe para a frente, e você verá tudo o que está destinado a se tornar. 

Às práticas?