sábado, 4 de julho de 2026

Só aquilo que queres ver a percepção te pode mostrar

 

LIÇÃO 185

Eu quero a paz de Deus.

1. Dizer estas palavras não significa nada. Mas dizê-las com real intenção significa tudo. Se ao menos pudesses dizê-las deste modo por um instante apenas, não haveria mais nenhuma tristeza possível para ti de forma alguma, em qualquer tempo ou lugar. O Céu seria completamente devolvido à plena consciência, a lembrança de Deus restituída por inteiro, a ressurreição de toda a criação reconhecida plenamente.

2. Ninguém pode dizer estas palavras com real intenção e não ser curado. Ninguém pode brincar com sonhos, nem pensar que ele mesmo é um sonho. Ninguém pode inventar um inferno e pensar que ele é real. Ele quer a paz de Deus e ela lhe é dada. Pois isto é tudo o que ele quer e é tudo o que receberá. Muitos dizem estas palavras. Mas, de fato, poucos as dizem com real intenção. Tu só tens de olhar para o mundo que vês a teu redor para teres a certeza de quão poucos verdadeiramente eles são. O mundo mudaria completamente, se duas pessoas quaisquer concordassem que estas palavras exprimem a única coisa que querem.

3. Duas mentes com uma única intenção ficam tão fortes que o que desejam se torna a Vontade de Deus. Pois as mentes só podem se unir na verdade. Em sonhos, não há dois que possam compartilhar a mesma intenção. Para cada um deles o herói do sonho é diferente; o resultado desejado não é o mesmo para ambos. Perdedor e ganhador simplesmente se revezam em padrões alternados, à medida que a proporção entre ganho e perda e perda e ganho adquire um aspecto diferente ou toma outra forma.

4. Todavia é só transigência que um sonho pode trazer. Às vezes ele assume a forma de união, mas apenas a forma. O significado necessariamente escapa ao sonho, uma vez que a meta do sonho é a conciliação. Mentes não podem se unir em sonhos. Elas apenas barganham. E que barganha pode lhes dar a paz de Deus? As ilusões vêm para tomar o lugar d'Ele. E aquilo que é a intenção d'Ele se perde para a intenção de conciliação de mentes adormecidas, cada um visando seu próprio benefício e a perda do outro.

5. Dizer com real intenção que queres a paz de Deus é renunciar a todos os sonhos. Pois ninguém que queira ilusões e que, portanto, busque o meio que traz ilusões diz estas palavras com real intenção. Ele examina as ilusões e as acha insuficientes. Agora ele busca ir além delas, reconhecendo que mais um sonho não ofereceria mais do que todos os outros. Os sonhos são um só para ele. E ele aprende que a única diferença entre eles é a da forma, pois qualquer um trará o mesmo desespero e o mesmo sofrimento que trazem os demais.

6. A mente que diz com real intenção que tudo o que quer é a paz tem de se unir a outras mentes, pois é desta forma que se alcança a paz. E, quando o desejo de paz é genuíno, o meio para achá-lo é dado de um modo que cada mente que a busca com honestidade pode compreender. Seja qual for a forma que a lição tome, ela é planejada para cada uma de tal modo que ela não pode confundi la, se seu pedido for sincero. Mas, se ela não pede com sinceridade, não há nenhuma forma pela qual a lição encontre aceitação e seja aprendida verdadeiramente.

7. Dediquemos nossa prática hoje ao reconhecimento de que, de fato, dizemos com real intenção as palavras que pronunciamos. Nós queremos a paz de Deus. Isto não é nenhum desejo vão. Estas palavras não pedem que nos seja dado outro sonho. Elas não pedem transigência, nem tentam fazer outra barganha na esperança de que ainda pode haver alguma que possa ser bem-sucedida onde todas as outras falharam. Dizer estas palavras com real intenção é reconhecer que as ilusões são inúteis, é pedir o eterno em lugar de sonhos inconstantes que parecem mudar naquilo que oferecem mas que são um só em inutilidade.

8. Dedica teus períodos de prática hoje a vasculhar tua mente com cuidado para descobrir os sonhos que ainda prezas. O que pedes em teu coração? Esquece as palavras que usas ao fazeres teus pedidos. Considera apenas aquilo que acreditas que te dará consolo e te trará felicidade. Mas não desanimes com as ilusões que persistem, pois a forma delas não é o que importa agora. Não permitas que alguns sonhos sejam mais aceitáveis, reservando para outros vergonha e segredo. Eles são o mesmo. E, sendo o mesmo, deve-se fazer uma única pergunta a todos eles: "É isto que quero ter em lugar do Céu e da paz de Deus?"

9. É esta escolha que fazes. Não te enganes que é de outra forma. Não é possível nenhuma transigência nisto. Tu escolhes a paz de Deus ou pedes sonhos. E, uma vez que os pediste, os sonhos virão. Porém, com a mesma certeza, virá a paz de Deus, e para permanecer contigo para sempre. Ela não desaparecerá a cada volta ou curva da estrada, para reaparecer, irreconhecível, em formas que mudam e se alteram com cada passo que dás.

10. Tu queres a paz de Deus. E todos aqueles que parecem buscar sonhos também. Para eles e também para ti mesmo, pedes apenas isto quando fazes este pedido com profunda sinceridade. Pois, deste modo, alcanças o que eles querem realmente e unes tua própria intenção ao que eles buscam acima de todas as coisas, algo desconhecido para eles talvez, mas certo para ti. Foste fraco, às vezes, incerto de teu objetivo e inseguro acerca do que querias, de onde procurar e de para onde se voltar em busca de ajuda na tentativa. A ajuda te foi dada. E não queres te beneficiar dela por compartilhá-la?

11. Ninguém que busque verdadeiramente a paz de Deus pode deixar de encontrá-la. Pois apenas pede para não mais se enganar por negar a si mesmo aquilo que é a Vontade de Deus. Quem é que, pedindo aquilo que já tem, pode permanecer insatisfeito? Quem é que, pedindo uma resposta que cabe a si mesmo dar, poderia ficar sem resposta? A paz de Deus é tua.

12. A paz foi criada para ti, dada a ti por teu Criador e estabelecida como Sua Própria dádiva eterna. Como podes falhar, se pedes apenas aquilo que Ele deseja para ti? E como teu pedido poderia estar limitado a ti mesmo apenas? Nenhuma dádiva de Deus pode permanecer não compartilhada. É esta característica que separa as dádivas de Deus de todos os sonhos que alguma vez pareceram tomar o lugar da verdade.

13. Ninguém pode perder e todos têm de ganhar sempre que qualquer dádiva de Deus seja solicitada e recebida por quem quer que seja. Deus dá apenas para unir. Tirar não tem sentido para Ele. E, quando tirar for igualmente sem sentido para ti, podes ficar certo de que compartilhas uma só Vontade com Ele e Ele contigo. E saberás também que compartilhas uma só Vontade com todos os teus irmãos cujas intenções são as tuas.

14. É esta única intenção que buscamos hoje, unindo nossos desejos às necessidades de cada coração, ao chamado de cada mente, à esperança que existe além do desespero, ao amor que o ataque quer esconder, à irmandade que o ódio busca separar, mas que continua a existir tal qual Deus a criou. Com uma Ajuda igual a esta ao nosso lado, podemos falhar hoje, quando pedimos que a paz de Deus nos seja dada?

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 185

Caras, caros,

Dizer "não" é um problema para a maioria de nós, pessoas humanas. Por que será?

Eu arriscaria dizer que uma das coisas que nos leva a enfrentar esta dificuldade está relacionada ao fato de a maioria de nós não sabermos exatamente o que queremos. Daí que, quando se apresenta uma escolha a ser feita, ficamos titubeando para dizer sim ou não. E o nosso não, em geral, nunca é categórico. Óbvio, como tudo o que fazemos e dizemos sem saber direito o que somos, o que queremos e aonde queremos chegar, não é mesmo?

Todas e todos nós, ou a maioria das pessoas pelo menos, pode-se dizer, queremos a paz de Deus. Ou dizemos querê-la. Muitas vezes, no meio da confusão que são quase todas as vidas, afirmamos querer ao menos um segundo de paz. "Será que não posso ter ao menos um segundo de sossego?" - dizemos.

É claro que podemos. É claro que todas e todos nós temos direito à paz de Deus. Mas precisamos ser claras, claros, objetivas, objetivos, e fazer tudo o que for necessário para consegui-la. E o primeiro passo é oferecer a paz. A tudo, a todas e a todos. Porque, a menos que sejamos capazes de oferecê-la, não a obteremos. Ou, dizendo de outro modo, não há outra forma qualquer de se obter a paz, a não ser oferecendo paz. É para isso que a ideia para as práticas de hoje aponta.

"Eu quero a paz de Deus."

A ideia que vamos praticar mais uma vez hoje quer nos auxiliar na tomada de decisão, ensinando-nos a escolher e a declarar com clareza cristalina o que queremos. As práticas, feitas de acordo com as instruções do Curso, certamente vão nos ajudar a reconhecer que estamos, em geral, mais preocupados em evitar, ou listar, aquilo que não queremos do que em descobrir e/ou definir o que queremos, buscando, de fato, viver a partir de nossos quereres, e não do medo - ou desejo - daquilo que não queremos.

Assim,  reforçando pois, a ideia que praticamos hoje pode - e vai, se a praticarmos do modo que o Curso orienta -, tornar mais claro o que, de fato, cada um e cada uma de nós quer. Pois o que podemos desejar além da paz de Deus? E tendo a certeza de que a paz de Deus nos pertence, haverá alguma coisa mais a desejar? 

Como vimos em lição recente, a percepção nos mostra que aquilo que vemos se mostra em função do foco que temos, ou pomos, naquilo que nos interessa ver. Diferentemente do que pensamos, não sofremos os efeitos de alguma coisa que se apresenta para nos fazer sofrer, ou para nos fazer ver que o mundo é mau, que as pessoas são más ou que há alguma coisa de errado com o mundo. Porém, se nosso foco, ou nossa atenção, for este, é isto que veremos. Não porque isto de fato exista, mas apenas como a concretização, a confirmação de nosso desejo de ver desta forma. 

Em um livro que li há já algum tempo, o autor, citando o que alguém escreveu a respeito de Cristóvão Colombo e do modo como ele, Cristóvão, via e descrevia o mundo, pelo que se lê em seus diários [os de Colombo], diz: "É maravilhoso ver como, quando um homem deseja muito algo e se agarra firmemente a isso em sua imaginação, tem a impressão, a todo momento, de que tudo aquilo que ouve e vê testemunha a favor dessa coisa". 

A maior parte do tempo não nos damos conta de nossa participação ou da participação de nosso querer nas coisas que acontecem, porque estamos preocupados com o que [aparentemente] nos acontece, e que dizemos não querer [da boca para fora, no pensamento consciente verbalizado]. Mas onde está nosso foco? A que damos mais atenção? Ao que queremos ou ao que não queremos?

É por isto que a lição de hoje diz: "Eu quero a paz de Deus." E diz:

Dizer estas palavras não significa nada. Mas dizê-las com real intenção significa tudo. Se ao menos pudesses dizê-las deste modo por um instante apenas, não haveria mais nenhuma tristeza possível para ti de forma alguma, em qualquer tempo ou lugar. O Céu seria completamente devolvido à plena consciência, a lembrança de Deus restituída por inteiro, a ressurreição de toda a criação reconhecida plenamente.

Ninguém pode dizer estas palavras com real intenção e não ser curado. Ninguém pode brincar com sonhos, nem pensar que ele mesmo é um sonho. Ninguém pode inventar um inferno e pensar que ele é real. Ele quer a paz de Deus e ela lhe é dada. Pois isto é tudo o que ele quer e é tudo o que receberá. Muitos dizem estas palavras. Mas, de fato, poucos as dizem com real intenção. Tu só tens de olhar para o mundo que vês a teu redor para teres a certeza de quão poucos verdadeiramente eles são. O mundo mudaria completamente, se duas pessoas quaisquer concordassem que estas palavras exprimem a única coisa que querem. 

Quer dizer, lembrando ainda da lição recente: quando quisermos experimentar só isto, ou seja, "a paz de Deus", ou o amor de Deus, é só isto que experimentaremos. 

Atenção ao foco!

Duas mentes com uma única intenção ficam tão fortes que o que desejam se torna a Vontade de Deus. Pois as mentes só podem se unir na verdade. Em sonhos, não há dois que possam compartilhar a mesma intenção. Para cada um deles o herói do sonho é diferente; o resultado desejado não é o mesmo para ambos. Perdedor e ganhador simplesmente se revezam em padrões alternados, à medida que a proporção entre ganho e perda e perda e ganho adquire um aspecto diferente ou toma outra forma.

Todavia é só transigência que um sonho pode trazer. Às vezes ele assume a forma de união, mas apenas a forma. O significado necessariamente escapa ao sonho, uma vez que a meta do sonho é a conciliação. Mentes não podem se unir em sonhos. Elas apenas barganham. E que barganha pode lhes dar a paz de Deus? As ilusões vêm para tomar o lugar d'Ele. E aquilo que é a intenção d'Ele se perde para a intenção de conciliação de mentes adormecidas, cada um visando seu próprio benefício e a perda do outro.

Dizer com real intenção que queres a paz de Deus é renunciar a todos os sonhos [nutridos a partir do ego]. Pois ninguém que queira ilusões e que, portanto, busque o meio que traz ilusões diz estas palavras com real intenção. Ele examina as ilusões e as acha insuficientes. Agora ele busca ir além delas, reconhecendo que mais um sonho não ofereceria mais do que todos os outros. Os sonhos são um só para ele. E ele aprende que a única diferença entre eles é a da forma, pois qualquer um trará o mesmo desespero e o mesmo sofrimento que trazem os demais.

Que mais se pode dizer para ilustrar o que a lição nos quer ensinar hoje?

A mente que diz com real intenção que tudo o que quer é a paz tem de se unir a outras mentes, pois é desta forma que se alcança a paz. E, quando o desejo de paz é genuíno, o meio para achá-lo é dado de um modo que cada mente que a busca com honestidade pode compreender. Seja qual for a forma que a lição tome, ela é planejada para cada uma de tal modo que ela não pode confundi-la, se seu pedido for sincero. Mas, se ela não pede com sinceridade, não há nenhuma forma pela qual a lição encontre aceitação e seja aprendida verdadeiramente.

Podemos pensar nesta lição também como a forma prática de exercitar aquilo que o texto nos ensina no capítulo 17, a partir do subtítulo VI: Estabelecer a meta. Também vale a pena dar uma espiadinha no que ele diz e continuar a leitura pelos dois subtítulos seguintes: o VII: O chamado para a fé e o VIII: As condições da paz.

Repetindo uma vez mais uma das perguntas feitas em comentários de anos passados, de que mais precisaríamos se, de verdade, reconhecêssemos, no mais fundo de nossos corações, que a Vontade de Deus para nós é a alegria e a paz perfeitas, completas? E que, ao reconhecermos isso, já o temos.

Ou valendo-nos de uma pergunta de Joel Goldsmith, em um de seus livros: 

"O que pode querer aquele que tem tudo"?

É para responder a esta e a outras possíveis perguntas que se destinam nossas práticas. 

A elas?

sexta-feira, 3 de julho de 2026

É tão somente do ego a necessidade de compreensão

 

LIÇÃO 184

O Nome de Deus é minha herança.

1. Tu vives de símbolos. Inventas nome para tudo o que vês. Cada coisa se torna uma entidade separada, identificada por seu próprio nome. Com isto, tu a separas da unidade. Com isto, tu estabeleces suas características peculiares e a destacas de outras coisas dando ênfase ao espaço que a cerca. Tu colocas este espaço entre todas as coisas às quais dás um nome diferente; entre todos os acontecimentos em termos de tempo e lugar; entre todos os corpos que são saudados por um nome.

2. Este espaço que vês como que destacando todas as coisas umas das outras é o meio pelo qual se adquire a percepção do mundo. Tu vês alguma coisa aonde não existe nada e, do mesmo modo, não vês nada aonde existe unidade; um espaço entre todas as coisas, entre todas as coisas e tu. Deste modo, pensas que dás vida na separação. Por esta divisão pensas que és constituído como uma unidade que funciona com uma vontade independente.

3. O que são estes nomes pelos quais o mundo se torna um série de acontecimentos distintos, de coisas desunidas, de corpos que se mantêm separados e que contêm pedaços de mente como consciências separadas? Tu lhes deste estes nomes, fundando a percepção do modo que desejavas que a percepção fosse. Deu-se nome às coisas sem nome e, deste modo, também se deu realidade a elas. Pois àquilo a que se dá nome dá-se significado e ele será visto, então, como significativo; uma causa de efeito verdadeiro com consequência inata em si mesma.

4. É deste modo que se faz a realidade pela visão tendenciosa, predisposta contra a verdade de maneira intencional. A integridade é sua inimiga. Ela imagina coisas insignificantes e as vê. E uma falta de espaço, uma sensação de unidade ou uma visão que vê de forma diferente se tornam ameaças que ela tem de vencer, combater e negar.

5. No entanto, esta outra visão ainda continua a ser uma orientação natural para a mente conduzir sua percepção. É difícil ensinar à mente milhares e milhares de nomes estranhos. Porém, tu acreditas que isto é o que aprender significa; sua meta única e essencial por meio da qual se chega à comunicação e pela qual se pode compartilhar conceitos de modo significativo.

6. Esta é a essência da herança que o mundo dá. E todo aquele que aprende a pensar que isto é verdade aceita os sinais e símbolos que asseguram que o mundo é real. É nisto que eles acreditam. Eles não deixam nenhuma dúvida de que aquilo que tem nome existe. Pode ser visto do modo que se esperava. Aquilo que nega que ele seja verdadeiro é apenas ilusão, pois ele é a realidade final. É loucura questioná-lo; aceitar sua presença é a prova da sanidade.

7. Este é o ensinamento do mundo. É uma fase do aprendizado por que cada um dos que vêm tem de passar. Mas quanto mais cedo ele perceber em que ela se baseia, quão questionáveis são suas premissas, quão duvidosos seus resultados, tanto mais rápido ele questionará seus efeitos. O aprendizado que cessa naquilo que o mundo quer ensinar não chega ao sentido. Em seu lugar adequado, ele só serve como um ponto de partida a partir do qual outro tipo de aprendizado pode começar; pode-se adquirir uma nova percepção e todos os nomes arbitrários que o mundo dá podem ser retirados à medida que são questionados.

8. Não penses que fizeste o mundo. As ilusões, sim! Mas aquilo que é verdadeiro na terra e no Céu está além de tua capacidade de dar nomes. Quando chamas um irmão, é a seu corpo que apelas. A verdadeira Identidade dele está escondida de ti por aquilo que acreditas que ele realmente é. Seu corpo reage àquilo de que tu o chamas, pois sua mente concorda em assumir o nome que lhe deste como seu. E, assim, sua unidade é negada duas vezes, em razão de o perceberes separado de ti e por ele aceitar este nome separado como seu.

9. De fato, seria estranho se se pedisse para ires além de todos os símbolos do mundo, esquecendo-os para sempre, e  se se pedisse, ao mesmo tempo, que aceitasses uma função de ensinar. É necessário que uses os símbolos do mundo por algum tempo. Mas não te deixes enganar por eles também. Eles não representam absolutamente nada e, em tua prática, é este pensamento que te liberará deles. Eles se tornam apenas o meio pelo qual tu podes te comunicar de formas que o mundo pode entender, mas que reconheces não ser a unidade na qual se pode encontrar a verdadeira comunicação.

10. Assim, o que necessitas são intervalos diários nos quais o aprendizado do mundo se torne uma fase transitória; uma prisão da qual sais para a luz do sol e esqueces a escuridão. Aqui compreendes a Palavra, o Nome que Deus te deu; a única Identidade que todas as coisas compartilham; o único reconhecimento daquilo que é verdadeiro. E, em seguida, recuas para a escuridão, não porque pensas que ela é real, mas apenas para declarar sua irrealidade em termos que ainda façam sentido no mundo que a escuridão governa.

11. Usa todos os nomes e símbolos inúteis que descrevem com precisão o mundo das trevas. Mas não os aceites como tua realidade. O Espírito Santo usa todos eles, mas Ele não esquece que a criação tem um só Nome, um único significado e uma Fonte singular que unifica todas as coisas em Si Mesma. Usa todos os nomes que o mundo lhes dá apenas por conveniência, mas não te esqueças de que elas compartilham o Nome de Deus juntamente contigo.

12. Deus não tem nenhum nome. E, não obstante, o Nome d'Ele vem a ser a lição final segundo a qual todas as coisas são uma só e, nesta lição, todo o aprendizado termina. Unificam-se todos os nomes; preenche-se todos os espaços com o reflexo da verdade. Fecha-se toda brecha e cura-se a separação. O Nome de Deus é a herança que Ele deu àqueles que escolheram o ensinamento do mundo para substituir o Céu  Em nossa prática, nosso objetivo é permitir que nossas mentes aceitem o que Deus deu como resposta à herança lamentável que fizeste como tributo adequado ao Filho que Ele ama.

13. Ninguém que busque o significado do Nome de Deus pode fracassar. A experiência tem de vir para completar a Palavra. Mas primeiro tens de aceitar o Nome com sendo toda a realidade e perceber claramente que os muitos nomes que deste a seus aspectos distorcem o que vês mas não atrapalham em absoluto a verdade. Trazemos um único Nome a nossa prática. Usamos um único Nome para unificar nossa visão.

14. E, embora utilizemos um nome diferente para cada percepção de um aspecto do Filho de Deus, entendemos que eles só têm um Nome, que Ele lhes dá. É este Nome que usamos ao praticar. E, pelo uso d'Ele, todas as separações tolas que nos mantinham cegos desaparecem. E recebemos força para ver além delas. Agora nossa visão é abençoada com bênçãos que podemos dar do mesmo modo que recebemos.

15. Pai, nosso Nome é o Teu. N'Ele estamos unidos a todas as coisas vivas e a Ti Que és seu único Criador. Aquilo que fizemos e que chamamos com muitos nomes diferentes é apenas uma sombra que tentamos lançar sobre Tua Própria realidade. E estamos felizes e gratos porque estávamos errados. Damos a Ti todos os nossos erros para que possamos ser absolvidos de todos os efeitos que nossos erros pareciam ter. E aceitamos a verdade que Tu dás em lugar de cada um deles. Teu Nome é nossa salvação e saída para o que fizemos. Teu Nome nos reúne na unidade que é nossa herança e nossa paz. Amém.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 184

Caras, caros,

Falamos ontem também a respeito do Nome de Deus, que é nosso próprio nome. Ampliemos, pois, nossa reflexão com as práticas da ideia que o ensinamento nos oferece para hoje.

"O Nome de Deus é minha herança."

Como já lhes disse muitas outras vezes, a ideia que vamos praticar hoje é uma espécie de continuação da ideia das práticas de ontem, com um grande aprofundamento para se refletir. Uma ideia que, ontem, já alertava para a inutilidade das palavras como instrumento para descrição da realidade. Isto é, tudo o que pudermos dizer com palavras a respeito da realidade não é a realidade. Ou tudo o que dissermos a respeito de Deus não é Deus. Ou dizendo ainda de outra forma, de acordo com uma expressão dos taoístas: tudo aquilo que se pode dizer do Tao não é o Tao.

Do mesmo modo, a palavra Deus não serve para descrever nem a ideia de Deus, nem tudo o que ela encerra. Nós usamos as palavras apenas pela conveniência, em uma tentativa de comunicação baseada em símbolos carregados de conceitos [e muitas vezes, na maioria delas até, eu diria, de preconceitos, que são, sem dúvida alguma, julgamentos] que partilhamos com outros falantes da língua de que nos valemos para falar das coisas que os símbolos nomeiam. Todavia, não sabemos o que elas, as coisas mesmo, são, de fato, nem para que servem, se nos lembrarmos de uma das primeiras lições desta jornada para desaprender o que o mundo ensina, como ponto de partida para o verdadeiro aprendizado.

Há sempre um acordo tácito entre a pessoa que fala e a que ouve no sentido de se chegar à comunicação, ao entendimento daquilo a que o falante se refere e que deve ser decodificado por aquele que ouve. Precisamos, porém, como nos adverte a lição de hoje, aprender a não confundir a coisa com o símbolo e vice-versa.

Lembrando do que nos diz o texto do Curso a certa altura: "Tu que falas através de símbolos obscuros e tortuosos, não compreendes a linguagem que fizeste. Ela não tem significado, pois seu propósito não é a comunicação, mas sim o rompimento da comunicação. Se o propósito da linguagem é a comunicação, como essa língua pode significar alguma coisa"?

Já aprendemos também  que a verdadeira comunicação se dá entre as mentes que partilham uma mesma intenção. Esta comunicação - a verdadeira -, pois, independe de palavras, independe de símbolos. Quando precisamos recorrer a eles - aos símbolos - para tentar descrever o que se passou em nós, o momento já passou e a comunicação já se interrompeu. Não há como descrever o indescritível. Não há como nomear o inominável. Não há como dizer o indizível, como já lhes disse também em outras ocasiões. 

Podemos pensar ainda que a linguagem poética, isto é, a linguagem da poesia, dos e das poetas, talvez traga em si a possibilidade de uma compreensão que, às vezes, nos coloca próximos da comunicação, por tirar das palavras o significado comum, raso e plano, dando-lhes, e a nós, uma perspectiva e uma profundidade que normalmente, por si só, elas não têm. Como se na poesia as palavras pudessem receber uma carga de significados que vai além das formas e dos símbolos, que vai além do som e dos conceitos que nos habituamos a atribuir a elas.

Convido-os e convido-as, pois, mais uma vez, a praticarem com o Nome de Deus, que é também o nosso e que é a melhor forma de nos pormos em contato com nossa Identidade verdadeira.


*

Um adendo que continua válido:

Ampliando o comentário de nossa colega Cida, feito à lição 183, num dos anos passados, compartilho sua impressão e o modo pelo qual ela entende que deve [e que devemos todos nós] praticar, ao mesmo tempo em que agradeço mais uma vez a ela por continuar conosco e por suas palavras. [Você continua conosco, Cida?]

Acrescento, então, como também o fiz antes, algumas observações, considerações, que devem servir bem à nossa reflexão, quer para a lição que praticamos ontem, quer para a de hoje, ou ainda para todas e para cada uma das lições.

Em primeiro lugar há que se dizer que sim, sim, Cida, como você dizia lá atrás, a única alternativa, para quem decidiu despertar, é dedicar-se com afinco e colocar a teoria em prática diariamente, em todos os instantes possíveis.

E é também verdade que, à medida que praticamos, deixando-nos envolver pela Luz do Espírito que se manifesta por nosso intermédio, esta Luz faz o trabalho de dissolver as crenças arraigadas que, desde os tempos imemoriais, nos limitam e nos impedem de viver a unidade com o divino em nós mesmos e em nós mesmas e, por consequência, com tudo o que existe.

Precisamos, porém, ter sempre um enorme cuidado e a maior atenção, quando falamos das coisas terrenas, porque é nesta questão que, como se diz popularmente, "mora o perigo". E digo isto pensando que é neste ponto exatamente que o ego nos empurra na direção de mais separação.

Tentando explicar melhor, podemos dizer  que "as coisas terrenas" fazem parte tão somente da experiência que escolhemos viver na forma, ao virmos a este mundo de aparências e ao nos valermos de um corpo limitado pelos sentidos, pelo tempo e pelo espaço, porque, elas mesmas, ilusórias.

No fundo, no fundo, e ao final da jornada, quando nos abrirmos para receber apenas a inspiração da Luz do Espírito em nós, haveremos de perceber claramente que não existe isso de "coisas terrenas", ou "coisas dos corpos" e "coisas de Deus" separadas. Só existe Deus. Tudo, de um modo ou de outro, é apenas Deus Se manifestando desta ou daquela forma, por mais estranho que as formas possam nos parecer, por vezes.

Ou, como diz Joel Goldsmith, lembrando um trechinho de seu livro A Arte de Curar pelo Espírito: quando começarmos a olhar o mundo com os olhos do Espírito, veremos em cada coisa à volta de nós - nas flores, nas nuvens, nas estrelas, no pôr-do-sol, no amanhecer - alguma coisa maior do que aquilo que a mente humana pode apreender. Por detrás de cada forma, aparentemente externa, há sempre mais do que a mente ou o olho humano podem compreender. Quando vemos com a visão do Espírito, vemos o homem-Deus e a mulher-Deus, criados à imagem e semelhança d'Ele. Não como homem ou mulher, cujas formas não têm nada a ver com a imagem de Deus. Nossa semelhança a Ele diz respeito ao espírito apenas, ao que somos na verdade.

É isto que pode - e vai, com certeza - nos tornar seres despertos.

Assim, como eu disse acima, precisamos tomar muito cuidado com as coisas do mundo. Elas não são, na aparência, a "Real Substância", como você diz, mas precisamos ver além das aparências, porque além delas, existe, sim, em tudo e em todos, a "Real Substância". Poderíamos perfeitamente dizer que além das aparências é possível ver o espírito em cada coisa: a luz.

Podemos, portanto, ter Jesus, o homem, como exemplo de alguém - Deus manifestado - que viveu sua vida terrena a partir do Ser, mas para vivermos a partir do Ser não é necessário que o idolatremos, aliás, isto é bem o contrário do que se diz que ele ensinou e daquilo que o Curso ensina, diferentemente do que querem que aprendamos as religiões tornadas instituições, que se valem do poder terreno para submeter e subjugar homens e mulheres.

Entendo o que você quer dizer, quando fala de viver como o Cristo, mas lembremo-nos de que o Cristo está em cada um e cada uma de nós, "Cristo" é o que cada um e cada uma de nós é na unidade com Deus. Por isso o Curso ensina que "tudo está absolutamente certo exatamente como está". 

Não há nada que precisemos mudar, nem no mundo, nem em nenhum de nós mesmos, ou em nenhuma de nós mesmas, a não ser a percepção, que, quando equivocada, cedendo à crença na separação do ego, nos mostra um mundo diferente daquele que é a Vontade de Deus para nós e que nos afasta da alegria, que é nossa condição natural de Filhos d'Ele.

Em seu livro "A história completa do Curso em Milagres", o jornalista D. Patrick Miller colhe um depoimento de Kenneth Wapnick - um dos primeiros professores do Curso, que auxiliou Helen a editar o livro para ele ter o formato que nos chegou às mãos -, em que Wapnick diz ser necessário chamar a atenção dos estudantes do Curso para eles não se esquecerem de ser normais.

Eis as palavras dele no livro, que talvez sirvam para nos dar alguma clareza a respeito da forma que temos de aprender para nos aproximarmos dos ensinamentos do Curso:

"Frequentemente constato que é preciso recomendar às pessoas: Não se esqueçam de ser normais. Os estudantes podem acabar achando que não precisam trancar a porta de noite, pois o Curso lhes diz que confiem; podem cancelar o seguro, porque o Curso lhes diz que não planejem o futuro, e podem se sentir culpados quando espirram, porque o Curso diz que 'a doença é uma defesa contra a verdade'. Daí eu preciso lembrar a eles que sejam normais. Naturalmente, que sejam solidários com alguém que esteja doente. Que não comecem a fazer sermão sobre o fato de a doença ser uma defesa.

"O que as pessoas costumam fazer é negar o ponto em que se encontram, ou procuram reinterpretar seu comportamento atual dentro das linhas intelectuais do Curso, em vez de se modificarem segundo a orientação interna [do espírito]. O Curso não nos pede que neguemos nossos sentimentos e experiências [das "coisas terrenas"] - de fato, ele faz exatamente o contrário. Ele diz que devemos olhar claramente para nossos sentimentos [e emoções], com a intenção de 'trazê-los à verdade'. Não podemos fazer isto sem fazer aquilo, sem estarmos plenamente conscientes do que sentimos."

Uma última palavrinha. Atentemos à expressão de Wapnick no segundo parágrafo da citação: as pessoas procuram "reinterpretar seu comportamento atual dentro das linhas intelectuais [grifo meu] do Curso, em vez de se modificarem segundo a orientação interna".

Sabemos já de longa data que não há como compreender intelectualmente Deus, o Espírito, a Verdade, o Amor, a Justiça, a Alegria, a Luz, a Consciência, a Paz de Espírito, o Tao, ou qualquer outra palavra de que possamos lançar mão para nos referirmos ao EU SOU, que cada um, e cada uma, de nós é na Unidade. Isto é mais ou menos o que está dito lá nos parágrafos que abrem o comentário à lição que praticamos hoje.

Então, ao nos aproximarmos do Curso, precisamos deixar de lado qualquer intenção de "compreender". Voltem, por favor, à postagem de 20 de fevereiro, dos últimos anos. Lá, na tradução que fiz do livro de Tara Singh vamos encontrar, entre outras coisas, o seguinte:

"O Curso deixa muito claro que a compreensão não é necessária [a não ser para o ego, para reforçar a vontade que o ego tem de existir de fato]; ela não tem importância. Nós sempre pensamos que ela era importante. Toda a nossa vida foi dedicada a compreender. O Curso diz que não precisas compreender a lição, mas tens de praticá-la. De fato, tu podes até mesmo resistir à lição ou achá-la irritante. Está certo. Podes manter tua opinião; tua mente ainda não está treinada."

E assim por diante...

Post Scriptum

Ao atualizar este comentário ocorreu-me o seguinte, a partir da afirmação do Curso, segundo a qual não existe nada fora. Pode-se dizer, então, a partir disso, que tudo o que buscamos em nossa vida fora de nós mesmos e de nós mesmas não é senão uma forma de idolatria. Quer dizer, quando nos pomos a buscar nesta ou naquela religião, neste ou naquele ensinamento, nesta ou naquela doutrina, num líder qualquer no mundo, por algo que acreditamos não ter, estamos procurando no lugar errado. É só dentro de nós mesmos e de nós mesmas que vamos poder, mais dia, menos dia, encontrar aquilo que nos dá a paz e a alegria. A casa. O lar. Em nós mesmos, em nós mesmas, estejamos aonde estivermos, façamos o que quer que façamos.

Lembremo-nos sempre, ou busquemos nos lembrar sempre com toda a atenção de que somos capazes, que o mundo aparente e tudo o que há nele, seja o que for, é apenas um reflexo do que trazemos dentro. Para ser bem claro e cristalino, nada, nada, nada, mas nada mesmo, do que eu procuro fora de mim existe de verdade, a não ser que exista em mim. Como querer, então, que algo de fora me possa ensinar? Como acreditar, então, em qualquer coisa que alguém diga com vistas a me fazer parecer menor do que sou. Ou maior do que penso ser. Todo o poder que existe é meu. Se não o uso, é apenas por escolha minha. Se alguém duvida do que sou capaz, duvida apenas porque reflete, para confirmar um equívoco comum meu e da maioria das pessoas, uma dúvida que eu mesmo tenho a meu respeito. Mas, perguntemo-nos sempre, neste caso e em todos os outros sobre os quais ainda pairam dúvidas: quem é este "eu" que duvida?

Às práticas?

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Somos só uma ideia à imagem e semelhança de Deus

 

LIÇÃO 183

Invoco o Nome de Deus e o meu próprio.

1. O Nome de Deus é santo, mas não é mais santo do que o teu. Invocar o Nome de Deus é apenas invocar teu próprio nome. Um pai dá seu nome ao filho e, assim, identifica o filho consigo. Os irmãos dele compartilham o nome e, deste modo, ficam unidos por um laço ao qual se voltam em busca de sua identidade. O Nome de teu Pai te lembra de quem tu és, mesmo em um mundo que não sabe; mesmo que tu não te lembres.

2. O Nome de Deus não pode ser ouvido sem resposta, nem dito sem um eco na mente que te convida a lembrar. Dize o Nome d'Ele e convidas os anjos a envolverem o solo em que te encontras e a cantarem para ti enquanto abrem suas asas para te manter seguro e te proteger de todo pensamento mundano que se intrometeria em tua santidade.

3. Repete o Nome de Deus e todo o mundo responde abandonando as ilusões. Cada sonho a que o mundo dá valor desaparece subitamente e, onde ele parecia estar, encontras uma estrela; um milagre da graça. Os doentes se levantam, curados de seus pensamentos doentios. Os cegos podem ver; os surdos podem ouvir. Os infelizes abandonam sua lamentação e as lágrimas de dor secam quando o riso feliz vem para abençoar o mundo.

4. Repete o Nome de Deus e os nomes insignificantes perdem o sentido. Todas as tentações se tornam apenas uma coisa inominável e indesejável diante do Nome de Deus. Repete o Nome d'Ele e vê com que facilidade esqueces os nomes de todos os deuses que valorizaste. Eles perdem o nome de deus que lhes deste. Tornam-se anônimos e inúteis para ti, embora, antes de deixares que o Nome de Deus substitua seus nomes insignificantes, ficasses diante deles em adoração chamando-os de deuses.

5. Repete o Nome de Deus e invocas teu Ser, Cujo Nome é o d'Ele. Repete o Nome d'Ele e todas as coisas pequeninas e inomináveis sobre a terra assumem a perspectiva correta. Aqueles que invocam o Nome de Deus não podem confundir o inominável pelo Nome, nem o pecado pela graça, nem corpos pelo Filho santo de Deus. E, se te unires a um irmão, enquanto te sentas com ele em silêncio, e repetires o Nome de Deus junto com ele em tua mente calma, estabeleces aí um altar que alcança o Próprio Deus e Seu Filho.

6. Pratica apenas isto hoje: repete o Nome de Deus lentamente muitas e muitas vezes. Esquece todos os nomes a não ser o d'Ele. Não ouças mais nada. Deixa que todos os teus pensamentos se prendam a isto. Não usamos nenhuma outra palavra exceto no início, quando declaramos a ideia de hoje apenas uma vez. E, então, o Nome de Deus se torna nosso único pensamento, nossa única palavra, a única coisa que ocupa nossas mentes, o único desejo que temos, o único som com algum significado e o único Nome de tudo o que desejamos ver, de tudo o que chamaríamos de nosso.

7. Deste modo fazemos um convite que não pode ser recusado nunca. E Deus virá e Ele Mesmo o atenderá. Não penses que Ele ouve as preces inúteis daqueles que O invocam com os nomes de ídolos que o mundo preza. Eles não podem alcançá-Lo desta forma. Ele não pode ouvir os apelos a Ele para não ser Ele Mesmo, ou para que Seu Filho receba outro nome que não o d'Ele.

8. Repete o Nome de Deus e O reconheces como o único Criador da realidade. E reconheces também que Seu Filho é parte d'Ele, criando em Seu Nome. Senta em silêncio e deixa que o Nome d'Ele se torne a ideia todo-abrangente que ocupa por completo tua mente. Deixa que todos os pensamentos silenciem exceto este. E responde a todos os outros com isto e vê o Nome de Deus substituir os milhares de nomes insignificantes que deste a teus pensamentos, sem te aperceberes de que há um único Nome para tudo o que existe e para tudo o que existirá.

9. Hoje podes chegar a um estado no qual experimentarás a dádiva da graça. Podes escapar de toda a escravidão do mundo e dar ao mundo a mesma liberação que achaste. Podes lembrar daquilo que o mundo esqueceu e lhe oferecer tua própria lembrança. Hoje podes aceitar o papel que desempenhas na salvação do mundo e também em tua própria salvação. E ambas podem se realizar por completo.

10. Volta-te para o Nome de Deus para tua liberação e ela te é dada. Não é necessário nenhuma prece a não ser esta, pois ela contém todas em si. As palavras são insignificantes e todos os apelos desnecessários quando o Filho de Deus invoca o Nome de seu Pai. Os Pensamentos de seu Pai se tornam seus próprios pensamentos. Ele reclama para si tudo o que seu Pai deu, ainda dá e dará para sempre. Ele Lhe pede que deixe que todas as coisas que ele pensava ter feito fiquem sem nome agora e que, no lugar delas, o santo Nome de Deus seja sua compreensão da inutilidade delas.

11. Todas as coisas insignificantes estão quietas. Agora os sons insignificantes são inaudíveis. As coisas insignificantes da terra desaparecem. O universo não se constitui de nada que não do Filho de Deus, que invoca seu Pai. E a Voz de seu Pai responde em Nome do santo Nome de seu Pai. Neste relacionamento eterno e sereno, no qual a comunicação transcende de longe todas as palavras e ainda supera a profundidade e a elevação do que quer que as palavras poderiam transmitir, está a paz eterna. Em nome de nosso Pai queremos experimentar esta paz hoje. E, em Nome d'Ele, ela nos será dada.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 183

Caras, caros,

Dentre as lendas e mitos que incorporamos a nossas vidas, está o mito da criação do mundo, por um Deus que se sentia só. Depois do mundo criado, criados o homem e a mulher, a história tomou um rumo diferente daquele que "Deus" poderia imaginar, de acordo com as narrativas que foram sendo registradas ao longo do tempo.

Entre estas narrativas, encontramos também a história de Moisés, salvador do povo judeu do cativeiro dos egípcios. E Moisés, reza a lenda, subiu ao Monte Sinai e, lá, recebeu as Tábuas da Lei. Os Dez Mandamentos que encontramos no Antigo Testamento da Bíblia judaico-cristã. Entre os principais mandamentos se encontram o que exorta as pessoas a amarem a Deus sobre todas as coisas e a não tomarem seu santo nome em vão.

Ora, o Nome de Deus é nosso próprio nome, o nome de cada uma e de cada um de nós, criadas e criados à sua imagem e semelhança. Mas não da forma que nos ensina o sistema de pensamento do ego, que nos diz que nós somos corpos. À imagem e semelhança de Deus, somos ideias, espíritos de luz, não corpos.

É disto que vamos tratar nas práticas com a ideia que o ensinamento reserva para nós neste dia. 

"Invoco o Nome de Deus e o meu próprio."

Invocar o nome de Deus é invocar também meu próprio nome, uma vez que fui criado à imagem e semelhança d'Ele/Ela [lembrando-nos de que esta semelhança não tem absolutamente nada a ver com o corpo, uma vez que, tal qual Deus, o que somos é espírito. Ideias.]. É n'Ele/Ela que encontro minha verdadeira Identidade, minha realidade além das aparências e além da falsa identidade que aceitei ao acreditar no que me diz o ego, a partir da percepção dos sentidos e do corpo, com o que ele se confunde e com o qual quer me confundir.

Assim, meio que repriso uma vez mais um comentário anterior a esta mesma lição, com pequenas alterações e acréscimos, por continuar gostando dele. Creio, quer dizer, continuo a crer que ele exprime alguns aspectos de nosso envolvimento com a percepção dos sentidos, da forma e do corpo, aos quais muitas vezes não estamos atentos, em atentas, distraídos e distraídas que estamos de nós mesmos e de nós mesmas a maior parte do tempo. Posso dizer, então, de novo que a ideia que o Curso nos oferece para as práticas de hoje, tem tudo a ver com aquilo que Eckhart Tolle diz a respeito das palavras no segundo capítulo de seu livro Um Novo Mundo - O Despertar de uma Nova Consciência.

E penso, continuo a pensar, que o que ele diz pode, inclusive, ser de grande auxílio em nossas práticas de hoje, ajudando-nos a abrir mão das palavras, de conceitos preconcebidos e de ideias limitadoras que temos acerca do mundo, das coisas do mundo e de nós mesmos e de nós mesmas, em favor do uso de uma só palavra: Deus. Deus é a única palavra que traz em si todo o significado de todas as coisas. Lembrando-nos de que as palavras só têm o significado e o valor que cada um e cada uma de nós dá a elas.

Eis o que Eckhart Tolle diz: 

"As palavras, não importa se são verbalizadas e transformadas em sons ou se permanecem como pensamentos, podem lançar um encanto quase hipnótico sobre nós. É muito fácil nos perdermos por causa delas, sermos hipnotizados pela crença implícita de que, quando vinculamos um termo a alguma coisa sabemos o que ela é. A verdade é que não sabemos o que ela é. Apenas encobrimos o mistério com um rótulo. Tudo - um pássaro, uma árvore, uma simples pedra e, certamente, um ser humano - é, em última análise, incognoscível. Isto porque o que podemos perceber, experimentar, e a respeito do que podemos pensar, é a camada superficial da realidade, menos do que a ponta de um iceberg.

"(...) As palavras reduzem a realidade a algo que a mente humana é capaz de entender, o que não é muita coisa. A linguagem consiste em cinco sons básicos que se originam nas cordas vocais. Elas são as vogais a, e, i, o, u. Os outros sons são consoantes produzidas pela pressão do ar: s, f, g, e assim por diante. Você acredita que alguma combinação destes sons básicos é suficiente para explicar o que é você, o propósito supremo do universo ou até mesmo o que uma árvore ou uma pedra são em essência?" 

Ampliando ainda um pouco mais o comentário, creio que as práticas com a ideia de hoje podem nos levar a compreender também o que, no dizer de Karen Armstrong, em seu livro Em defesa de Deus, já sabiam e sabem "alguns dos maiores teólogos judeus, cristãos e muçulmanos", e mais todos os mestres espirituais de todos os tempos. Isto é, que, "embora seja importante expressar nossas ideias sobre o divino" ..., "todas as palavras utilizadas para descrever coisas mundanas não servem para falarmos de Deus. Ele não é bom, divino, poderoso ou inteligente em qualquer sentido que possamos compreender. Não podemos sequer dizer que Deus existe, porque nosso conceito de existência é limitado demais".

É por esta razão que o próprio Curso a certa altura afirma que, em alguma instância, por mais vagamente que seja, reconhecemos "que Deus é [apenas] uma ideia" e que a fé n'Ele/Ela se reforça pelo compartilhar. Mais do que só isso o Curso afirma: "O que achas difícil aceitar é o fato de que, assim como teu Pai, tu és uma ideia" [e não um corpo]: à imagem e semelhança de Deus.

Isso tudo é razão suficiente para nos dedicarmos com afinco e atenção às práticas, não acham? 

Às práticas?