segunda-feira, 24 de julho de 2017

Tudo o que queremos, de fato, é a paz de Deus


LIÇÃO 205

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (185) Eu quero a paz de Deus.

A paz de Deus é tudo o que quero. A paz de Deus é minha única meta; o objetivo de todo o meu viver aqui, o fim que busco, meu propósito e minha função, e minha vida, enquanto eu morar em um lugar em que não estou em casa.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 205

Voltemos mais uma vez às perguntas feitas nos comentários dos últimos anos:

O que eu quero? O que tu queres? O que queremos? Quem, de fato, sabe o que quer? Quem está buscando atender aos anseios mais profundos de seu coração? Será que alguém entre nós se ocupa verdadeiramente de buscar aquilo que quer ou, como a maioria, está preocupado tentando afastar aquilo que não quer?

Quem de nós já experimentou, alguma vez, alguma coisa, uma sensação melhor do que a de estar na mais absoluta paz de Deus e ainda pôde pensar que seria possível existir algo mais a se querer depois de ter experimentado essa paz?

Haverá - alguém pode afirmar de forma categórica a partir de sua experiência pessoal - algo melhor do que a paz de Deus para se desejar neste mundo, ou em qualquer mundo que possa existir?

A resposta a estas perguntas e a todas as perguntas que possamos ter e que possamos pensar e que possamos vir a fazer ao longo de nossa vida está na ideia que revisamos hoje. 

A maioria dos equívocos a que nos leva o sistema de pensamento do ego se deve ao fato de ele nos fazer pensar que podemos, "um pouquinho só", enganar a Deus. Quer dizer o ego nos faz acreditar que podemos, sim, desejar pra valer as coisas do mundo e ao mesmo tempo estabelecer um relacionamento satisfatório com Ele. Na prática, isto não é nada mais do que auto-engano, ou a quem pensamos enganar, acreditando que podemos esconder alguma coisa de Deus? 

É sempre só a nós mesmos que buscamos enganar, pois Deus não está em nenhum lugar que não em nós mesmos. Não existe um Deus exterior a nós, a quem possamos recorrer para nos livrar da dor, do sofrimento, da doença ou da morte. O único Deus que existe só diz sim a tudo o que escolhermos. E estas experiências - dor, sofrimento, perda, escassez, miséria, doença ou morte - só existem para aqueles de nós que as escolhem. Ou não acreditamos que existem pessoas felizes, alegres, satisfeitas com tudo o que têm, que não aspiram nada mais porque Deus - seu Deus interior - lhes dá tudo aquilo de que precisam em todos os momentos? 

Minha mulher, a partir de uma conversa a respeito de uma das últimas experiências que tivemos em nossa viagem pelo sertão num dos últimos anos passados, logo que voltamos, me lembrou de um filme que ela assistiu, uma espécie de documentário, que retratava a experiência de um jornalista ocidental que passara um ano entre os mongóis, no deserto, junto àquelas tribos de nômades que vivem em tendas e se deslocam pelo deserto de período em período. 

Foi uma experiência riquíssima para o jornalista que, ao encerrar seu tempo entre eles, enquanto os mongóis finalizavam os preparativos para mais uma jornada, queria dar um presente de despedida aos que o acolheram, sem descobrir o que poderia ser. Resolveu, então, perguntar a eles qual era a coisa de que mais sentiam falta. E eles não entenderam a pergunta. Pois é só a partir do ponto de vista do ocidental, que vive no dito mundo civilizado e tecnológico, que alguém pode pensar que uma tribo nômade pode sentir falta de alguma coisa em seu modo de viver. 

Na verdade, a ideia de que alguma coisa pode faltar a alguém é apenas mais um dos disfarces a que recorre o sistema de pensamento do ego para nos fazer pensar que alguma coisa no mundo pode vir a nos satisfazer, a nos dar a felicidade. Nós nos comparamos, egoicamente, uns aos outros a partir daquilo que pensamos ter e que "falta" - em nossa percepção equivocada - a outros. Para nos julgarmos melhores do que outros. É aquela ideia: "eu tenho, você não tem". Ou a ideia da inveja que tenho de algo que outro tem e eu não. No entanto, isso só aprofunda mais e mais a ideia de separação, porque, por mais que acreditemos ter neste mundo, há sempre alguém que tem mais. E isso tira a paz de qualquer um que ainda esteja iludido, pensando que há algum valor em alguma coisa do mundo. 

Na verdade, quem tem a paz de Deus tem tudo. Nada lhe pode faltar. Ou, dizendo de outra forma, só podemos descobrir que temos tudo, quando experimentarmos, de fato, a paz de Deus. Lembram-se do Salmo: "O Senhor [o divino em mim] é meu pastor e nada me pode faltar"?

É por isto que a ideia para as práticas de hoje pode nos ensinar - e ensina a quem quiser aprender de fato - a manifestar de forma clara e inequívoca o único desejo que pode nos levar a alcançar salvação, para nós mesmos e para o mundo inteiro, além de nos colocar a todos em contato com a luz de que somos feitos e que nos mostra a verdade a nosso próprio respeito.

Como eu já disse várias vezes antes - e repito uma vez mais hoje -, o pensamento que vamos utilizar para as práticas de hoje é o único pensamento verdadeiro de que precisamos para transformar de modo indescritível nossa experiência de estar no mundo. Ele é um pensamento que pode nos transportar para além de todas as aparentes barreira e obstáculos que parecem nos impedir de alcançar a alegria e a paz perfeitas, que são a Vontade de Deus para todos e cada um de nós.

Só por isso vale perguntar mais uma vez: Quanto tempo ainda vamos esperar para aceitar a ideia de que tudo o que queremos, de fato, é a paz de Deus [mesmo que não tenhamos consciência disso]? De que ela é a única coisa que pode preencher nossas vidas com a alegria perfeita e completa, que é a condição natural do Filho de Deus? Quanto tempo ainda vamos levar para decidir que só queremos que o Deus em nós viva a vida por nós e escolha o que é melhor para nós?

Às práticas?

domingo, 23 de julho de 2017

Quando nossa meta é a verdade tudo adquire sentido


LIÇÃO 204

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (184) O Nome de Deus é minha herança.

O Nome de Deus me lembra de que sou Seu Filho, não escravo do tempo, livre das leis que governam o mundo de ilusões doentias, livre em Deus, um com Ele para todo o sempre.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.


*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 204

A ideia que vamos praticar mais uma vez hoje em nossa revisão revela a verdadeira herança a que temos direito na - e pela - condição de filhos de Deus que somos. Ela complementa e estende a ideia das práticas de ontem. Por isso, repetindo mais uma vez o que eu já disse várias vezes antes, gostaria de lembrá-los/las de que, assim como herdamos, de nossa família terrena, na experiência ilusória das formas e dos sentidos, um nome que é o que nos acompanha desde o nascimento até o fim de nossa existência na forma humana, o fato de sermos Filhos de Deus também nos dá o direito de carregar o Nome d'Ele, até mesmo durante o tempo em que aparentemente permanecemos em contato com o corpo que nos serve de veículo neste mundo. 

É preciso que nos lembremos ainda de que, quando nos decidimos, de fato, a voltar nossa vida "completamente para Deus" e "colocar o reino de Deus em primeiro lugar", podemos ter a impressão de que alguns dos relacionamentos que mantínhamos antes, outros que ainda que mantemos, e que se baseiam na busca da satisfação no mundo, acabam. Ou, na melhor das hipóteses, mudam por completo.

Algumas das pessoas que conhecemos e com quem convivemos até então se afastam e mostram uma espécie de não-reconhecimento, quando não um tipo de rejeição, àquilo [à ameaça] que passamos a representar a seus egos [o falso eu, a imagem que fazem de si e a que fazem de nós], quando resolvemos aceitar nosso papel no plano de Deus para a salvação do mundo.

Uma das lições que já praticamos diz que "só o plano de Deus para a salvação funcionará". Quando reconhecemos isso, entendendo o fato de que, como também diz Thomas Keating, de quem já falamos várias vezes, "somente a experiência de Deus pode colocar em perspectiva todas as outras formas de prazer ou as promessas de felicidade que várias criaturas [no e do mundo] nos proporcionam". 

O que o Curso pede que façamos não é abandonar o mundo ou as coisas e pessoas e criaturas do mundo. O que ele nos pede é que olhemos para o mundo de modo diferente, que olhemos primeiro para nós mesmos para encontrar as dádivas que recebemos, a fim de que sejamos capazes de oferecê-las, da mesma forma que Deus as oferece a todos e a cada um de nós a todo momento, todos os dias, o tempo todo.

Há ainda um texto do Curso, que também já mencionei várias outras vezes, intitulado "Estabelecer a meta" [na página 388, para quem tem o livro], que fala claramente da necessidade de tomarmos a decisão de viver para a verdade, aceitando e reconhecendo a Vontade de Deus de alegria e paz completas para nós como nossa própria vontade. Se estabelecemos a verdade como meta, toda e qualquer situação que se apresentar vai ser vivenciada como significativa para nos levar em direção a ela.

O que eu acho que posso dizer, depois de mais de vinte anos em contato com o Curso e de mais de quinze com as práticas diárias, é que quando escolhemos de verdade voltar "nossas vidas completamente para Deus" [o que significa colocar sempre o Reino de Deus em primeiro lugar],  vamos ser capazes - a partir da fidelidade a nós mesmos e a nossa decisão de praticar diariamente lembrar de Deus, em nós -, de perceber que tudo e todos a nossa volta são manifestações do mesmo divino que nos dá nossa verdadeira identidade. 

Finalmente, vamos aprender que a separação nunca existiu, não existe e não poderá jamais existir. É isso que vai nos permitir construir uma experiência de mundo diferente. Uma experiência que não exclui nada, mas que, ao contrário, inclui tudo.

Às práticas?

sábado, 22 de julho de 2017

A atenção mantida na Luz interior aquietará o ego


LIÇÃO 203

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (183) Invoco o Nome de Deus e o meu próprio nome.

O Nome de Deus é minha liberação de todo pensamento de mal e de pecado, porque é meu próprio nome assim como o d'Ele.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 203

Lembram-se de que já me referi no passado - e mais do que só uma vez - a um livro de Thomas Keating, intitulado A condição humana? Acho que vale a pena relembrar o que eu disse que ele tinha a nos ensinar na ocasião em que falei dele. E, com certeza, em sintonia com o que o Curso quer que aprendamos, a partir das práticas com a lição de hoje, bem como com as práticas de todos os dias. 

A certa altura de seu livro, falei naquela oportunidade, repito agora, Keating diz que quem está envolvido em uma prática espiritual precisa de orientação e que "nem todo guia espiritual que aparece pode oferecê-la. O mais importante é a fidelidade à prática diária de uma forma contemplativa de oração" [o grifo é meu]. Não é isso o que lhes parece que são os exercícios?

À medida que buscamos nos lembrar de quem somos, na verdade, em Deus, o autor diz que a prática diária "gradativamente nos expõe ao inconsciente em um ritmo com que podemos lidar, e [nos] coloca... sob a orientação do Espírito Santo. O amor divino prepara-nos, então, para receber o máximo que Deus pode comunicar de sua luz interior". Lembrando-nos sempre de que o máximo que podemos receber em dado momento é diferente para cada um nós.

Assim, resta lembrar que a ideia que praticamos hoje chama a atenção para o fato de que, ao invocar o Nome de Deus, reconhecemos que "o mesmo amor incondicional, que se move em Deus, está se movendo em nós pela Graça, suplantando o ego humano com o divino 'Eu'", para que possamos começar a "manifestar na vida diária, não nossos falsos egos e preconceitos, mas a ternura infinita de Deus, o interesse de Deus por cada coisa viva", de acordo com Keating.

E, ainda de acordo com o que ele diz, "enquanto nos identificarmos com algum papel ou pessoa, não estaremos livres para manifestar a pureza da presença de Deus. Parte da vida é um processo de abandonar qualquer papel, embora digno, com que você se identifica. Ele [o papel com o qual você se identifica] não é você. Suas emoções não são você. Seu corpo não é você. Se você não é nada disso, que é você", então?

Lembrem-se, lembremo-nos, da lição 189, por que passamos há pouco, e que vamos revisar daqui a alguns dias. Lá, no sétimo parágrafo, o Curso aconselha a nos aquietarmos, a abandonarmos tudo o que já nos aconteceu no passado, inclusive o próprio Curso, para podermos ir a Deus de mãos livres, de mente aberta [ir metaforicamente apenas porque, na verdade, o que fazemos ao deixar tudo para trás, é tão somente permitir que sejam removidos os obstáculos que interpusemos entre o divino, que somos, e um "eu" que construímos e que acreditamos egoicamente ser]. Porque nada do que já experimentamos antes pode nos levar a nós mesmos. Só podemos chegar a nós mesmos, e, por extensão, a Deus, agora. E no silêncio. 

Numa entrevista recente, publicado no jornal El País, o filósofo George Steiner diz o seguinte, e que tem a ver com isso de falo acima:

"... há algo que me preocupa: os jovens [eu diria que não só os jovens] já não têm tempo... de ter tempo. Nunca a aceleração mecânica das rotinas da vida foi tão forte quanto hoje. E é preciso se ter tempo para buscar tempo. E outra coisa: não há que se ter medo do silêncio. O medo das crianças do silêncio me dá medo. Só o silêncio nos ensina a encontrar o essencial em nós mesmos."  

Ora, o que pode ser o essencial em nós mesmos? O mundo e seu sistema de pensamento, o mundo e seus ruídos, a estática que não nos permite ouvir a voz interior durante muito mais do que uns poucos segundos, tudo isso serve apenas para nos distrairmos de nós mesmos. Para voltarmos a atenção para tudo aquilo que o mundo quer que compremos, para a perpetuação da existência do ego e de todas as diferenças que o ego quer nos fazer acreditar que nos separam uns dos outros, mas que, mais do que nos separar uns dos outros, nos separam de Deus, de nós mesmos.

Tudo isso pode desaparecer se buscarmos alguns momentos de silêncio dia a dia. Se reservarmos um pouco de tempo para aquilo que é essencial em nós: nós mesmos. O divino em nós. Isso vai permitir que os obstáculos que o ego quer interpor entre Deus e nós sejam removidos. Pouco a pouco. E quanto mais tempo escolhermos dedicar ao silêncio tanto mais fácil ficará ouvir a Voz por Deus em nossos dias. Tanto mais fácil será perceber a luz que trazemos interiormente e que tem de se irradiar para iluminar o mundo e tudo o que há nele, ainda que apenas aparentemente. 

Quer dizer, o ego só aparece quando nos esquecemos de trazer a ele a Luz do divino que sabemos em nós. Quando permitimos que seus ruídos sejam ouvidos e nos distraiam a atenção. Daí a necessidade da atenção, da vigilância, para que não nos deixemos enganar pelo ensinamento do mundo, para que não nos deixemos tentar a dar valor àquilo que não tem valor, como ensina uma das lições por que já passamos.

E, para terminar este comentário da mesma forma que fiz no passado, chamo sua atenção para o seguinte: "se nós [ainda] não tivermos experimentado a nós mesmos como amor incondicional, temos mais trabalho a fazer - porque isso [amor incondicional] é o que realmente somos".

Às práticas, pois!

sexta-feira, 21 de julho de 2017

O que todos nós buscamos não é voltar para casa?


LIÇÃO 202

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (182) Eu me aquietarei por um momento e irei para casa.

Por que eu escolheria ficar por mais um momento onde não é meu lugar, quando o Próprio Deus me dá Sua Voz e me chama de volta a casa?

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 202

Vou repetir mais uma vez o comentário feito a esta lição nos últimos anos, por continuar a vê-lo como pertinente com o que vamos praticar. Aí vai então:

Como vimos ontem, de acordo com a instruções que recebemos para as práticas deste período de revisão, qualquer uma das lições que vamos praticar, entendida, praticada, aceita e aplicada a tudo o que aparentemente nos acontecer ao longo de todo o dia, todos os dias, é suficiente para nossa salvação individual e, por consequência, para a salvação do mundo inteiro, uma vez que cada uma delas contém todo o currículo. Isto também vale para todas e cada uma das lições do Curso inteiro, e não apenas para as vinte que revisamos no momento. Lembremo-nos também de que cada um de nós traz em si o mundo inteiro.

Assim é que a ideia que praticamos hoje chama nossa atenção para o anseio que nos leva a buscar de forma incessante um modo de voltar para casa, uma vez que, em geral, mesmo que de modo muito sutil e, muitas vezes - a maioria delas, eu diria -, inconsciente, não nos sentimos em casa aqui, neste mundo, estejamos aonde estivermos.

A razão para este "desconforto", para esta "inquietação", já sabemos, ou já deveríamos saber a esta altura, está na crença na separação. A percepção do mundo das formas nos mostra, separados de nós, aspectos do divino em nós mesmos em tudo e em todos, que muitas vezes temos dificuldade para reconhecer, aceitar e acolher. Entre estes aspectos está aquele que se denomina "sombra".

Ken Wilber, em seu livro A Visão Integral, entre outros, diz que "sombra" é um termo que representa "o inconsciente pessoal ou o material psicológico que reprimimos, negamos, dissociamos ou rejeitamos". Diz mais que, "infelizmente, negar esse material não faz com que ele vá embora; pelo contrário, ele volta para nos perturbar com dolorosos sintomas neuróticos, obsessões, medos e ansiedades. Trazer este material à superfície, familiarizar-se com ele e apropriar-se dele é necessário não apenas para a eliminação dos sintomas dolorosos, mas também para a formação de uma auto-imagem mais verdadeira e saudável".

Acredito, como já disse outras vezes, que a prática diária pode nos dar condições de reconhecer, sem medo, aqueles aspectos de nós que buscamos reprimir, negar, dissociar ou rejeitar. Mais: os exercícios com as ideias que o Curso nos apresenta são um ótimo instrumento para aprendermos a aceitá-los, acolhê-los, encará-los. Para conversar com eles e integrá-los a nossa experiência. Isto tudo facilita a volta a casa, que não é nada mais nada menos do que voltar para nós mesmos, incluindo tudo o que vemos aparentemente separado de nós.

Voltar a casa, pode-se dizer, talvez seja apenas reconhecer e aceitar a verdade daquilo que o Curso diz, quando diz: "já somos aquilo que estamos buscando".

Basta, portanto, como nos ensina o Curso pela ideia que praticamos hoje, que nos aquietemos por um instante e voltaremos para casa.

Às práticas?

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Dar da liberdade que temos é o que nos torna livres


REVISÃO VI

Introdução

1. Para esta revisão tomamos apenas uma ideia a cada dia e a praticamos tantas vezes quanto possível. Além do tempo que dedicas pela manhã, que não deve ser menos do que quinze minutos e das lembranças de hora em hora, ao longo do dia, usa a ideia tantas vezes quanto puderes entre estas práticas. Cada uma destas ideias, por si só, seria suficiente para a salvação, se fosse verdadeiramente aprendida. Cada uma seria suficiente para dar liberdade a ti e ao mundo, de todas as formas de escravidão, e para convidar a lembrança de Deus a vir outra vez.

2. Com isto em mente, começamos nossa prática na qual revisamos cuidadosamente os pensamentos que o Espírito Santo nos deu em nossas últimas vinte lições. Cada um deles, se compreendido, praticado, aceito e aplicado a todos os acontecimentos aparentes ao longo de todo o dia, contém todo o currículo. Um só é suficiente. Mas, a partir deste único, não se pode fazer nenhuma exceção. E, assim, precisamos usá-los todos e permitir que eles se fundam em um só, à medida que cada um contribui para o todo que aprendemos.

3. Estas sessões de prática, como em nossa última revisão, estão centradas em torno de um tema central com o qual começamos e terminamos cada lição. É este:

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

O dia começa e termina com isto. E nós o repetimos a cada hora ou nos lembramos, nos intervalos, de que temos uma função que transcende o mundo que vemos. Além disso, e de uma repetição do pensamento particular que praticamos no dia, não se insiste em nenhuma forma de exercício, exceto em um abandono sincero de tudo o que atravanca a mente e a torna surda à razão, à sanidade e à simples verdade.

4. Para esta revisão, tentaremos ir além das palavras e das formas específicas de prática. Pois, desta vez, tentamos combinar um ritmo mais rápido com um caminho mais curto para a serenidade e para a paz de Deus. Nós simplesmente fechamos os olhos e, em seguida, esquecemos tudo o que pensávamos saber e compreender. Pois, deste modo, ficamos livres de tudo o que não sabíamos e de tudo o que não éramos capazes de compreender.

5. Há apenas uma exceção a esta falta de estrutura. Não permitas que nenhum pensamento vão passe sem ser questionado. Se perceberes algum, nega-lhe seu domínio e te apressa a assegurar a tua mente que não é isto que ela quer. Em seguida, deixa que o pensamento que negaste seja abandonado de forma tranquila em uma troca rápida e segura pela ideia que praticamos no dia.

6. Quando fores tentado, apressa-te em declarar tua liberdade da tentação, enquanto dizes:

Eu não quero este pensamento. Em seu lugar, escolho __________ .

E, em seguida, repete a ideia para o dia e deixa que ela tome o lugar daquilo que pensaste. Além de tais aplicações particulares de cada uma das ideias do dia, acrescentaremos apenas algumas expressões planejadas ou pensamentos específicos para auxiliar na prática. Como alternativa, damos estes momentos de tranquilidade ao Professor Que ensina no silêncio, fala da paz e dá a nossos pensamentos qualquer significado que eles possam ter.

7. Ofereço a Ele esta revisão por ti. Eu te coloco sob a responsabilidade d'Ele e deixo que Ele te ensine o que fazer e dizer e pensar, cada vez que te voltares para Ele. Ele não vai deixar de estar a tua disposição cada vez que O chamares para te ajudar. Vamos oferecer a Ele toda a revisão que começamos agora e não nos esqueçamos também a Quem ela foi dada, ao praticarmos dia após dia, avançando na direção da meta que Ele estabeleceu para nós; deixando que Ele nos ensine como seguir, e confiando completamente n'Ele quanto à melhor maneira pela qual cada período de prática pode se tornar uma dádiva amorosa de liberdade para o mundo.

*

LIÇÃO 201

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (181) Confio em meus irmãos, que são um comigo.

Não há ninguém que não seja meu irmão. Sou abençoado pela unidade com o universo e com Deus, meu Pai, o único Criador do todo que é meu Ser, para sempre Um comigo.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 201

Como vocês podem ver mais uma vez, esta revisão é de certa forma diferente de todas as anteriores, pois é a última deste ano de práticas. Ela marca o final das práticas com a primeira parte do Livro de Exercícios e nos prepara para as lições da segunda parte. As lições que vão nos oferecer a possibilidade da cura da percepção.

Fazer o Curso significa, em meu modo de entender, fazer os exercícios, as lições, assumir um compromisso com o que somos na verdade e ater-se a este compromisso de forma tão firme, séria - mas com alegria - e constante quanto possível.

Conforme já lhes disse em anos passados, e repito agora, depois de algumas tentativas frustradas, iniciei as minhas práticas das lições no primeiro dia do ano de 2000. Venho praticando desde então. O blogue, por isso, é um grande incentivador das práticas. Ele, o blogue, e o compromisso que assumi a partir dele com a publicação da lições, inicialmente, e depois, em 2010, com a proposta de revisão da tradução do livro de exercícios, me mantêm ligado às práticas diariamente. 

Além do mais, de acordo com o que dizia Anna Sharp - a facilitadora dos primeiros encontros de que participei a partir de 1997, e a pessoa com quem tive os primeiros contatos com o Curso -, o encontro semanal para os que participam de grupos não é suficiente para o aprendizado. Não é o bastante para provocar e facilitar a mudança dos hábitos desenvolvidos por anos e anos. Além disso, uma hora e meia por semana é um tempo muito curto, já que, tão logo saímos dos encontros, o mundo do ego volta a nos assombrar vinte e quatro horas por dia, todos os dias.

O que posso dizer, então, do processo, passados estes vinte anos? 

É crucial tomar a decisão a cada momento, se quisermos aprender o modo de questionar absolutamente tudo o que a percepção nos oferece, para não nos deixarmos influenciar pelo mundo. Pois tudo o que a percepção dos sentidos nos mostra é apenas ilusão. O ego quer que vejamos este mundo como a única realidade que existe e com a qual podemos contar. Não é! O Curso ensina em uma das lições: Eu sou espírito.

É claro que o Curso, como ele mesmo diz, é apenas um caminho. E precisamos ter isso bem claro, para não corrermos o risco de embarcar na mesma jornada a que querem nos levar - e muitas vezes nos levam - a maioria das "religiões" institucionalizadas, que se satisfazem com oferecer ídolos, orientando-nos a uma obediência cega, que priva todos, ou quase todos, os fieis, ou seguidores, de qualquer tipo de liberdade, oferecendo-lhes no lugar dela, prisões e mais prisões. Dogmas e mais dogmas. Na prática, quem depende de uma religião, continua escravo do sistema de pensamento do mundo, do ego.

Ora, só podemos aprender com a liberdade e só podemos ser livres quando aprendemos a oferecer a todos os que passam por nossa vida a mesma liberdade que nos põe em contato com a alegria e com a paz completas e perfeitas que, no dizer do Curso, são a Vontade de Deus para cada um e para todos nós. Enquanto ainda mantivermos em nós o pensamento de exercer o controle sobre alguma coisa ou sobre alguém, estamos reforçando nossa condição de prisioneiros do ego em nós mesmos e do ego no mundo.

Por isto é que os convido agora, a todos e a todas que já estão aqui, e a quem mais vier, a darmos mais uma vez os últimos vinte passos que restam para chegarmos ao ponto em que as lições vão ensinar mais a respeito da forma a ser usada para que nos lembremos do que, e de quem, somos na verdade. 

As lições que praticamos visam a nos levar ao ponto em que vamos ter certeza e confiança de que, como diz Joel Goldsmith, em seu livro A Arte de Curar pelo Espírito, "o Espírito atua sem cessar, atraindo a nós o que é nosso, seja o que isso for". É isto que vai nos permitir "entregar" ao Espírito toda a nossa vida, abandonando por completo qualquer medo, qualquer culpa.

Mais, ele diz: "lembra-te dele [de Deus, do Espirito] em todos os teus caminhos e ele te guiará no caminho certo". 

Peço-lhes, pois, mais uma vez, que revisemos com passos leves, sabendo agora que qualquer um destes últimos passos, por si só, dado com toda a disposição, de mente e coração abertos, pode nos devolver a herança que Deus, nosso Pai e nosso Ser, reserva para cada um de nós, quando nos voltamos amorosamente para Ele dispostos a reconhecer, aceitar e assumir o compromisso com o papel que nos cabe em Seu plano para a salvação do mundo.

Ele vai conosco aonde formos, se O buscarmos trazer à consciência, se ficarmos atentos para tê-Lo na consciência em todos os instantes. Que esta certeza permaneça em nossos corações e mentes. Que Sua presença torne cada vez mais leve nosso caminhar. Vamos com Ele. Não há mais como nos desviarmos do caminho. A Vontade d'Ele, de alegria e paz completas para nós, é também a nossa vontade. 

É para aprender isto que revisamos hoje a ideia: Confio em meus irmãos, que são um comigo.

Às práticas, pois. Boa revisão a todos.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Vamos continuar a praticar a alegria e a gratidão?


LIÇÃO 200

Não há nenhuma paz a não ser a paz de Deus.

1. Não busques mais. Não acharás paz a não ser a paz de Deus. Aceita este fato e poupa a ti mesmo a agonia de decepções ainda mais amargas, do triste desespero e da fria sensação da desesperança e da dúvida. Não busques mais. Não há nada mais para achares exceto a paz de Deus, a menos que busques sofrimento e dor.

2. Este é o ponto final ao qual cada um tem de chegar, enfim, para abandonar toda a esperança de achar a felicidade aonde não há nenhuma; de ser salvo por aquilo que só pode ferir; de criar paz do caos, alegria da dor e Céu do inferno. Não tentes mais ganhar por meio da perda, nem morrer para viver. Só podes estar pedindo a derrota.

3. Todavia, com a mesma facilidade, podes pedir amor, felicidade e a vida eterna na paz que não tem fim. Pede isto e só podes ganhar. Pedir aquilo que já tens tem de ser bem-sucedido. Pedir que aquilo que é falso seja verdadeiro só pode fracassar. Perdoa-te pelas fantasias vãs e não busques mais o que não podes achar. Pois o que poderia ser mais tolo do que buscar o inferno indefinidamente, quando tens apenas de olhar como os olhos abertos para descobrir que o Céu está diante de ti, em uma porta que se abre facilmente para te acolher?

4. Vem para casa. Não achaste tua felicidade em lugares estranhos e em formas hostis que não têm nenhum significado para ti, embora buscasses torná-las significativas. Este mundo não é o teu lugar. És um estranho aqui. Mas te é dado achar o meio a partir do qual o mundo não parece mais ser uma prisão ou uma cela para ninguém.

5. A liberdade te é dada no mesmo lugar em que só viste correntes e portas de ferro. Mas tens de mudar teu modo de pensar acerca da finalidade do mundo, se quiseres achar saída. Ficarás preso até vires o mundo inteiro como abençoado e libertares todos de teus equívocos e os aceitares pelo que são. Tu não os criaste, nem a ti mesmo. E quando libertas um, o outro é aceito como é.

6. O que o perdão faz? Na verdade, ele não tem nenhuma função e não faz nada. Pois ele é desconhecido no Céu. É só no inferno que se necessita dele e onde ele tem de servir a uma função muito importante. A libertação do Filho de Deus dos sonhos maus que ele sonha e ainda assim acredita serem verdadeiros não é um objetivo valioso? Quem poderia aspirar a mais, quando parece haver uma escolha a se fazer entre sucesso e fracasso, amor e medo?

7. Não há nenhuma paz a não ser a paz de Deus, porque Ele tem um Filho que não pode inventar um mundo que contraria a Vontade d'Ele e a sua própria, que é a mesma que a de Deus. O que ele poderia esperar achar em tal mundo? Ele não pode ser real, porque nunca foi criado. É aqui que ele quer buscar a paz? Ou ele tem de perceber, à medida que olha para ele, que o mundo só pode enganar? Porém, ele pode aprender a considerá-lo de outra forma e encontrar a paz de Deus.

8. A paz é a ponte que todos cruzarão para deixar este mundo para trás. Mas a paz começa no interior do mundo percebido de forma diferente, que conduz, a partir desta nova percepção, ao portão do Céu e ao caminho que está além. A paz é a resposta para metas divergentes, para jornadas absurdas, insensatas, buscas desvairadas, vãs, e esforços sem sentido. Agora o caminho fica fácil, inclinando-se suavemente na direção da ponte na qual está a liberdade dentro da paz de Deus.

9. Não vamos nos desviar de nosso caminho novamente hoje. Vamos para o Céu e o caminho é reto. Só pode haver atraso e perda desnecessária de tempo, se tentarmos andar ao léu por atalhos espinhosos. Só Deus é certo e Ele guiará nossos passos. Ele não abandonará Seu Filho em necessidade nem o deixará se desviar de sua casa eternamente. O Pai chama, o Filho ouvirá. E isso é tudo o que existe para aquilo que parece ser um mundo separado de Deus, em que os corpos são reais.

10. Agora há silêncio. Não busques mais. Chegaste ao lugar em que a estrada é atapetada com as folhas dos desejos falsos, caídas das árvores da desesperança que buscaste antes. Agora elas estão no chão. E tu olhas para cima, e na direção do Céu, com os olhos do corpo tendo utilidade por um só instante a mais agora. A paz já é reconhecida afinal e podes sentir seu abraço suave envolver teu coração e tua mente em consolo e amor.

11. Hoje não buscamos nenhum ídolo. A paz não pode ser encontrada neles. A paz de Deus é nossa e nós só aceitamos e queremos isso. Que a paz esteja conosco hoje. Pois descobrimos um modo simples e alegre de abandonar o mundo da ambiguidade e de substituir nossas metas inconstantes e sonhos solitários pelo propósito único e pelo companheirismo. Pois a paz, se for de Deus, é união. Estamos perto de casa e nos aproximamos ainda mais cada vez que dissermos:

Não há nenhuma paz a não ser a paz de Deus,
E eu estou alegre e agradecido que seja assim.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 200

"Não há nenhuma paz a não ser a paz de Deus."

"Não há nenhuma paz a não ser a paz de Deus". Repito de novo e de novo e de novo: dito isto, será preciso dizer alguma coisa mais?

Perguntemo-nos uma vez mais também: quem acredita que pode ficar em paz, ou que pode de algum modo encontrar alguma paz que não venha de Deus? Mas não o deus que as religiões, em geral, nos querem vender: um deus criado à imagem e semelhança do ego no ser humano.

A lição de hoje chama a nossa atenção para o fato de que, acima de tudo, o que queremos experimentar de verdade é a paz que vem de Deus, e esta paz está ao nosso alcance em qualquer momento. Basta que a desejemos de fato. Basta que nos entreguemos à ideia de que não pode haver - e não há - nada que nos possa satisfazer por completo, nem no mundo nem em lugar algum do universo, a não ser a paz de Deus. Ou a alegria que é a condição natural do Filho de Deus.

Mais uma vez: a lição de hoje - ainda que só de certa forma -, encerra as práticas com as ideias de primeira parte do livro de exercícios, embora isto ainda não signifique que tenhamos encerrado esta primeira parte, repetindo o que já disse outras vezes ao chegarmos novamente a este ponto.

Por quê?

Porque a partir de amanhã, preparando-nos de forma mais concreta para a segunda parte do Livro de Exercícios - aquela parte que vai nos oferecer a possibilidade da visão a partir da percepção correta do Espírito Santo em nós -, vamos revisar cada uma das últimas vinte ideias praticadas. São elas, mais uma vez, que vão nos oferecer os elementos finais de que precisamos para o contato efetivo com as lições da segunda parte.

É preciso reconhecermos novamente que ter chegado juntos até aqui nesta, que é a nona vez para quem segue as postagens e pratica as lições a partir deste espaço desde o início, é, de fato, uma façanha e tanto. Mas isso não significa que a façanha dos que chegaram até este ponto pela primeira vez em suas práticas seja menor. Também não significa que a missão dos que vieram até aqui pela quarta, quinta, ou sexta vez esteja cumprida. Acho que ainda há muito a se aprender. Não acham?

Entretanto podemos dizer de novo que estamos todos de parabéns. Pois agora nos aproximamos rapidamente daquele ponto no aprendizado em que o Espírito Santo vai nos orientar diretamente, se permitirmos, na direção da percepção verdadeira, que também virá a desaparecer, quando chegarmos ao autoconhecimento, ao ponto em que compreenderemos que a percepção é desnecessária.

Podemos, sim, celebrar e praticar com alegria, porque depois da revisão que iniciaremos amanhã, e que durará exatos vinte dias, vamos (re)começar as práticas com as ideias da segunda parte do livro de exercícios. 

Quem já passou por ela, vai reconhecer de forma mais clara, mais uma vez, que, a partir das práticas da primeira parte, já somos capazes de esquecer, de deixar de lado, relevar e questionar muitas das coisas que o mundo nos ensinou e ainda quer ensinar de forma equivocada, a partir do sistema de pensamento do ego, acerca de nós mesmos. 

Quem chega pela primeira vez até aqui, vai se perceber,  mesmo que ainda de forma não muito clara, capaz de identificar os momentos em que o mundo, e o que ele ensina, busca nos levar de volta ao auto-engano. Isto significa que atingimos os objetivos a que visam as primeiras 220 lições. E significa também que, de algum modo, já somos capazes de nos colocar sob a orientação do Espírito Santo e de deixar que Ele nos guie, mesmo que ainda não de forma permanente, mesmo que ainda apenas por momentos.

É por isso que os convido a continuarem a praticar com alegria e gratidão, em particular a ideia que o Curso nos oferece para as práticas de hoje. Continuemos também a praticar a própria alegria, e a gratidão, pois agora já podemos vislumbrar a certeza de que estamos cada vez mais próximos de nós mesmos, daquilo que somos na verdade em Deus e com Ele. É isto que vai nos colocar cada vez mais perto do reconhecimento e da aceitação da Vontade de Deus para nós como sendo a nossa própria vontade.

Às práticas?

terça-feira, 18 de julho de 2017

Os seres humanos podem ser livres, apesar do corpo


LIÇÃO 199

Eu não sou um corpo. Sou livre.

1. A liberdade tem de ser impossível enquanto perceberes a ti mesmo como um corpo. O corpo é um limite. Aquele que quer buscar liberdade em um corpo a procura aonde ela não pode ser encontrada. A mente pode se tornar livre quando não mais se vir em um corpo, amarrada firmemente a ele e protegida por sua presença. Se isto fosse a verdade, a mente seria, de fato, vulnerável.

2. A mente que serve ao Espírito Santo é ilimitada para sempre de todas as formas, está além das leis de tempo e espaço, livre de quaisquer preconceitos e com força e poder para fazer qualquer coisa que se pedir a ela. Pensamentos de ataque não podem entrar em uma mente como esta, porque ela foi dada à Fonte do amor, e o medo não pode entrar nunca em uma mente que se ligue ao amor. Ela descansa em Deus. E quem poderia ter medo se vive na Inocência e apenas ama?

3. É essencial para teu progresso neste curso que aceites a ideia de hoje e que lhe dês muito valor. Não te preocupes que ela seja bem insana para o ego. O ego preza o corpo porque mora nele e vive unido à casa que constrói. O corpo é uma parte da ilusão que o protege de se descobrir ilusório.

4. Ele se esconde aí e aí pode ser visto como é. Manifesta tua inocência e estás livre. O corpo desaparece, porque não tens nenhuma necessidade dele, exceto a que o Espírito Santo vê. Para isto, o corpo se apresentará como uma forma útil para aquilo que a mente tem de fazer. Deste modo, ele vem a ser um veículo que ajuda o perdão a ser estendido à meta todo-abrangente que o perdão precisa alcançar, de acordo com o plano de Deus para a salvação.

5. Sustenta a ideia de hoje e pratica-a, hoje, e todos os dias. Torna-a uma parte de todos os períodos de prática que empreenderes. Não há nenhum pensamento, em razão disso, que não se aperfeiçoe em poder para ajudar o mundo, e nenhum que não ganhe também mais dádivas para ti. Anunciamos o chamado da liberdade no mundo inteiro com esta ideia. E tu te dispensarias da aceitação das dádivas que dás?

6. O Espírito Santo é o lar das mentes que buscam liberdade. N'Ele elas encontram o que buscam. Agora a finalidade do corpo está clara. E ele se torna perfeito na capacidade de servir a uma meta não-dividida. Em resposta inequívoca e livre de conflitos à mente que tem por meta apenas o pensamento da liberdade, o corpo serve, e serve bem, ao seu objetivo. Sem o poder de escravizar, ele é um valioso servidor da liberdade que a mente, no interior do Espírito Santo, busca.

7. Liberta-te hoje. E carrega a liberdade como tua dádiva àqueles que ainda acreditam ser escravos dentro de um corpo. Liberta-te, a fim de que o Espírito Santo possa fazer uso de tua saída da escravidão para libertar os muitos que se percebem como presos e desamparados, e com medo. Deixa que o amor substitua seus medos por teu intermédio. Aceita a salvação agora e dá tua mente Àquele Que te chama para Lhe dares esta dádiva. Pois Ele quer te dar a liberdade completa, a alegria completa e a esperança que encontra sua realização plena em Deus.

8. Tu és o Filho de Deus. Tu vives na imortalidade para sempre. Não queres devolver tua mente a isto? Então pratica bem o pensamento que o Espírito Santo te dá para hoje. Nele teus irmãos ficam livres contigo; o mundo é abençoada juntamente contigo; o Filho de Deus não chorará mais e o Céu dá graças pela aumento da alegria que tua prática traz até mesmo para ele. E o Próprio Deus estende Seu Amor e felicidade cada vez que disseres:

Eu não sou um corpo. Sou livre. Ouço a Voz que Deus
me dá e é apenas a isto que minha mente obedece.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 199

"Eu não sou um corpo. Sou livre."

Comecemos mais uma vez nossa exploração da lição para o dia de hoje, da mesma forma que o fizemos em anos passados, lembrando-nos de que, de acordo com o que ensina Joel Goldsmith, o único problema do ser humano é a falta de liberdade. O ser humano, para ele, nunca foi, e não é, livre. É um escravo - física, política, econômica e, pode-se até dizer, espiritualmente.

O ser humano é um escravo, em primeiro lugar, de si mesmo, em si mesmo e de seu próprio corpo, da imagem que faz de si mesmo pensando-se, de modo equivocado, um corpo. Está acorrentado por hábitos, teorias e crenças políticas, econômicas e espirituais de gerações e gerações que também viviam o mesmo equívoco. Vivem, vivemos, até hoje. Também é escravo de seus próprios pensamentos e de tudo o que materializa a partir deles, sem nem ao menos se dar conta de que se mudasse sua forma de pensar tudo mudaria.

De que forma, então, o ser humano, até hoje escravo, pode chegar à liberdade?

Aprendendo a ouvir a Voz por Deus no interior de si. Rendendo-se à graça e abandonando a crença de que é e está separado de Deus e de tudo e de todos.

Uma das formas de fazer isso é praticar as lições do modo que o Curso orienta. Pois o que faz com que nos aproximemos de ensinamentos tais como o do Curso é exatamente a sensação de falta de liberdade, a sensação de que há algo mais na vida do que apenas aquilo que, em geral, acontece em nossos dias, todos, ou a maioria deles pelo menos, dedicados às tarefas da sobrevivência.

Como eu já disse antes, muitas das pessoas que se aproximam do Curso o fazem à procura de uma resposta para seus problemas e de uma explicação para as situações que enfrentam em sua vida pessoal.

Também é comum que essas pessoas, após um breve tempo de contato com o ensinamento, se afastem dele, aparentemente sem razão alguma. Em geral o fazem porque, quando começam a ouvir o que ele diz acerca do ego e do corpo, que o Curso identifica como a casa do ego, percebem no Curso, de modo equivocado, é claro, uma ameaça àquilo que acreditam ser: corpos. 

Isto é, o Curso, de fato, é uma ameaça à manutenção da crença no ego - um falso eu, uma imagem que vamos construindo ao longo do tempo a partir daquilo que nos ensina o mundo e seu sistema de pensamento - como aquilo que somos. Uma imagem à qual nos apegamos e que necessita de um corpo para existir. Quer dizer, o ego se acredita capaz de nos convencer de que somos apenas corpos e que não há nada além dele em nós. No entanto, o que ele nos oferece é um relacionamento com o mundo e com todas as coisas do - e no - mundo a partir de uma imagem equivocada que seu sistema de pensamento construiu de nós mesmos, em nós e para nós mesmos.

Por isto, a lição de hoje traz para as práticas a ideia que coloca as coisas nos devidos lugares, apresentando-nos o corpo como apenas "uma forma útil para aquilo que a mente tem de fazer", dando-lhe apenas o papel que ele tem de cumprir e nada mais. Isto é, oferecendo a nós, seres humanos, a possibilidade da liberdade apesar do corpo.

O corpo, na verdade - e para o Curso, que trata de fazer com que voltemos nossa atenção para a verdade -, tem de ser apenas uma ferramenta, um instrumento perfeito para a comunicação. Ou, como diz a lição, o corpo é "um veículo que ajuda o perdão a ser estendido à meta todo-abrangente que o perdão precisa alcançar, de acordo com o plano de Deus". E, se ainda não é para alguns de nós, tem de vir a ser, pois é só o perdão que pode - e vai - nos levar à liberdade, assim que o escolhermos.

Repetindo algo que eu já disse também em anos anteriores: é a prática desta ideia que pode nos dar a liberdade que pensamos ter perdido ao nos acreditarmos corpos por sugestão do ego. Livres da crença a que o ego quer nos induzir, libertamo-nos de todos os conflitos, pois, quando o corpo já não pode mais nos escravizar, ele passa a ser apenas "um servidor valioso". 

Às práticas?