segunda-feira, 7 de setembro de 2026

É possível uma doutrina da salvação sem Deus? (13)

 

3. O que é o mundo?

1. O mundo é percepção equivocada. Ele nasce do erro e não abandona sua fonte. Ele não continuará a existir quando o pensamento que lhe deu origem deixar de ser apreciado. Quando a ideia de separação se transformar em um pensamento de perdão verdadeiro, o mundo será visto sob outra luz; e uma luz que leva à verdade, na qual o mundo inteiro tem de desaparecer e todos os seus erros sumirem. Como consequência disto, sua fonte desaparece e seus efeitos também.

2. O mundo foi feito como um ataque a Deus. Ele simboliza o medo. E o que é o medo exceto ausência de amor? Desta forma o mundo tinha por objetivo ser um lugar aonde Deus não pudesse entrar, e onde Seu Filho pudesse estar separado d'Ele. A percepção nasceu aqui, pois o conhecimento não poderia produzir tais pensamentos insanos. Mas os olhos enganam e os ouvidos escutam de forma errada. Então, os erros se tornam bem possíveis, pois a certeza desaparece.

3. Em seu lugar nasceram os mecanismos da ilusão. E, agora, eles partem para encontrar o que lhes cabe buscar. Seu objetivo é servir à finalidade para a qual o mundo foi feito para testemunhar e tornar verdadeira. Eles veem, em suas ilusões, apenas uma base sólida na qual a verdade existe, mantida ao lado das mentiras. Porém, tudo o que elas informam é só ilusão que é mantida ao lado da verdade.

4. Do mesmo modo que a vista foi feita para conduzir para longe da verdade, ela pode ser reorientada. Os sons se tornam o chamado por Deus e toda percepção pode receber uma nova finalidade d'Aquele a Quem Deus nomeou Salvador do mundo. Segue Sua luz e vê o mundo da forma que Ele vê. Ouve só a Voz d'Ele em tudo o que fala a ti. E deixa Ele te dar a paz e a certeza que jogaste fora, mas que o Céu preserva n'Ele para ti.

5. Não nos acomodemos até que o mundo se junte a nossa percepção transformada. Não nos demos por satisfeitos até que o perdão se torne total. E não tentemos mudar nossa função. Temos de salvar o mundo. Pois nós, que o fizemos, temos de vê-lo pelos olhos de Cristo, para que aquilo que foi feito para morrer possa ser devolvido à vida eterna.

*

LIÇÃO 250

Que eu não me veja como limitado.

1. Que hoje eu veja o Filho de Deus e testemunhe sua glória. Que eu não tente ocultar a luz sagrada nele para ver sua força diminuída e reduzida à fragilidade; nem perceba nele as falhas com as quais eu atacaria sua soberania.

2. Ele é Teu Filho, meu Pai. E hoje quero ver sua bondade em lugar de minhas ilusões. Ele é o que sou e do modo que o vejo também vejo a mim mesmo. Hoje quero ver verdadeiramente para que neste dia eu possa enfim me identificar com ele.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 250

Caras, caros,

Pensei, após tantos anos usando o mesmo comentário para esta lição, em mudá-lo. Buscar outro motivo para a reflexão e ir numa direção diferente. Ao lê-lo mais uma vez, no entanto, não tive coragem. Acho que ele ainda é pertinente e pode provocar um aprofundamento da reflexão a respeito da ideia para as práticas, a respeito de como nos vemos - com o olhar do ego - e como podemos e devemos nos ver a nós mesmas, a nós mesmos, e a todas as pessoas que dividem seu estar momentaneamente no mundo conosco. Neste tempo em que pensamos viver.

É claro que eu poderia pensar em lhes dizer como me sinto hoje, passados já todos estes anos, a respeito da ideia da possibilidade da salvação sem Deus. Quer dizer, acreditemos ou não na existência de Deus, nossa experiência neste mundo de ilusões - pelo menos penso que a da maioria das pessoas - é a de que há alguma coisa maior - e talvez maior nem seja a palavra certa - do que cada uma ou cada um de nós individualmente, conforme fomos ensinadas, ensinados, à qual estamos ligadas, ligados. Um ser divino? Mais de um?

Ninguém tem a resposta definitiva. Por isso é que é necessário vivermos ou buscarmos viver em harmonia com o que acreditamos ser e deixar que as pessoas todas, as outras que não sabemos incluir em nossa unidade, vivam também em harmonia com aquilo em que acreditam ser. Sem tentar catequisar ninguém. Nunca.

Assim, voltemos ao comentário já repisado tantas vezes:

Ao reler o comentário feito a esta lição nos últimos anos, surgiu uma dúvida. A pergunta que intitulava a postagem - e que vou manter uma vez mais: a décima-terceira [alguém já se deu conta disto?] - desta lição no ano passado era a seguinte: É possível uma doutrina de salvação sem Deus? E o comentário, a exploração da ideia que vamos praticar hoje, buscava dar uma resposta a esta pergunta.

Mas a dúvida que me aparece agora está, de fato, relacionada à resposta mesma que eu dei. Vejam abaixo de onde se origina a pergunta e, na sequência, a tentativa de respondê-la. E me digam, por favor, se puderem, como já lhes pedi que fizessem outras vezes, o que vocês acham da questão. E, óbvio, da forma como ela foi respondida. Neste ano, isto é, no ano passado, acrescentei um ponto para a reflexão a partir de uma frase de Simone Weil, que vocês verão logo em seguida.

Um livro de Luc Ferry, que li, há alguns anos, propunha uma definição nova para a Filosofia, a partir do que ela foi e do que deve continuar sendo, de acordo com o autor.

Assim, em seu modo de ver e dizer, a Filosofia é "... uma doutrina da salvação sem Deus, uma resposta à questão da vida boa, que não passa por um 'ser supremo' nem pela fé, mas por um esforço próprio de pensamento e pela razão. Uma exigência de lucidez, em suma, como condição última para a serenidade, compreendida em seu sentido mais simples e forte: uma vitória - sem dúvida sempre relativa e frágil - sobre o medo, o medo da morte em particular, que sob diversas formas, igualmente insidiosas, nos impede de viver bem".

Ora, parece-me, uma doutrina da salvação sem Deus tem de ser uma doutrina que leva em consideração apenas o modo de ver do falso eu, o ego do Curso, tomando em conta apenas o que se vive neste mundo, abandonando de vez a perspectiva de uma vida diferente desta que vivemos nos sentidos. 

A questão, acredito, é que viver a vida boa, de que falavam os filósofos desde a Antiguidade, já é muito difícil com Deus, como será buscar vivê-la sem Ele/Ela? Ou será que a ideia de Deus impede que vivamos a vida boa de modo natural? Simone Weil, que leio pela primeira vez, diz que "... os que não creem estão mais perto da verdade do que os que creem; tudo é mentira". O que é algo para se pensar profundamente, não acham?

Em última instância, sabemos que Deus é apenas uma ideia e, a se acreditar no que ensinaram todos os mestres e sábios, Ele/Ela é o que nós somos e nós somos o que Ele/Ela é, exatamente como o Curso ensina. Por que, então, abrir mão da ideia de que somos ilimitados, em Deus [porque somos o que Ele/Ela é], quando vivemos a experiência de mundo a partir do que somos? Por que não buscar viver em comunhão com a ideia de que todos os limites que pensamos existir são sempre, vide ensinamento, auto impostos?

Penso que os problemas que precisamos enfrentar neste mundo não têm nada a ver com Deus, quer acreditemos n'Ele/n'Ela, quer não. E, de acordo com o Curso, não é preciso fazer nada. Basta ser. Quando cedemos à influência do modo de pensar do falso eu, enganamo-nos e inventamos um mundo que não existe, porque o vemos a partir do filtro do julgamento. 

A visão verdadeira vai nos mostrar que o mundo que vemos com os sentidos não existe. Melhor dizendo, a visão vai mostrar claramente que o mundo que vemos a partir dos sentidos é apenas projeção daquilo que trazemos dentro de nós mesmos/as. Tudo está contaminado pelo julgamento que fazemos, primeiro, de nós mesmos/as, e, depois, pelo julgamento que fazemos de todas as coisas e pessoas que existem no mundo, como se tudo não fosse tão somente invenção nossa. Mesmo Deus. E, se o que vemos não nos leva a viver a vida boa, não nos coloca em contato com a alegria perfeita e completa, cabe a quem mudar, então? 

Talvez a resposta para a dúvida que surgiu esteja na seguinte historinha, que pode conciliar tanto o modo de ver e dizer de Luc Ferry, quanto o modo que convida a ver o mundo a partir da ideia da existência de um Deus, que não cabe em palavras, mas cuja Presença garante que somos muito mais do que apenas corpos.

"Em um dos majestosos banquetes da corte, cada um se sentava obedecendo à ordem, esperando a entrada do Rei. Entrou, então, um homem simples, maltrapilho, e escolheu um lugar acima de todos os outros. Sua ousadia irritou o primeiro ministro que ordenou que o recém-chegado se identificasse. Era um ministro? Não. Mais. Era o Rei? Não. Mais. 'Então você é Deus?' - perguntou o primeiro ministro. 'Eu estou acima disso também', respondeu o homem. 'Não existe nada acima de Deus', retorquiu o primeiro ministro. 'Esse nada', foi a resposta, 'sou eu'.

E, então, às práticas? 

NOTA 1: 

É claro que a resposta que buscamos não existe como uma expressão única que se possa adequar a todas as experiências por que passamos nós, os seres humanos. Nem para exprimir todas as experiências de um único ser humano em sua individualidade, tampouco para dar conta das experiência de todos os seres humanos que aparentemente existem e vivem a condição da forma e dos sentidos neste mundo.

Depois de treze anos com a mesma questão a se repetir, haverá alguém entre nós que tenha se debruçado sobre ela e buscado responder para si mesmo, ou para si mesma, mergulhando fundo em seu próprio universo e buscando entrar em contato com aquilo que de fato ele/ela é, quando não está hipnotizado, ou hipnotizada, pela ilusão de realidade que o mundo lhe oferece?

É claro que as respostas que temos e damos para as perguntas que surgem em nossas vidas são importantes e servem de alguma ajuda em algum ponto de nossa jornada. Mas, precisamos nos lembrar sempre e ter sempre presente, são só as perguntas certas que nos podem levar - e, de fato, nos levam - adiante. Aqueles que "sabem" tudo não necessitam perguntas. E, claro, nem de respostas. Têm-nas todas. 

NOTA 2: 

Após a publicação desta lição num dos anos passados, um colega fez um comentário em que dizia achar que o comentário que fiz para a lição não tinha nada a ver com ela. Seu argumento foi o de que a lição é muito bela e que trata de nossos irmãos e do fato de que devemos nos ver como unos.

Pode ser que ele tenha razão. Mas, ao republicar o mesmo comentário, parece-me ainda que há, sim, uma ligação entre tudo o que digo nele e o que a ideia para as práticas nos traz. 

E por quê?

Porque se eu buscar no mundo uma doutrina de salvação que exclua o divino, vou estar limitado a mim mesmo, e ao mundo. Não haverá nada além de corpos e de mentes limitadas para servir de referência a meu viver. Vou ter de levar a vida comparando meu modo de viver ao modo de outros, julgando-os e pensando em como sou melhor ou pior do que eles. Aí, sim, me afasto da possibilidade de me ver como um com os outros todos com quem divido o mundo.

Enfim, as palavras, como o Curso diz no início dessas lições da segunda parte do livro de exercícios, não são mais tão importantes. São apenas pontos em que podemos nos apoiar para ir na direção do silêncio que pode nos pôr em contato com a Voz por Deus. E, como eu disse desde o início deste blogue, os comentários que faço são apenas tentativas de aprofundar a reflexão. Não representam nunca uma certeza, nem querem dizer jamais que o jeito que vejo é o certo. Por isso, aconselho a todos/as os/as navegantes do espaço a deixarem de lado meus comentários, se lhes parecer conveniente. Ou questioná-los como o colega fez. O importante, para o Curso, a meu ver, e pelo que ele diz na introdução ao livro dos exercícios, são as práticas com as ideias que ele oferece. O resto é apenas o resto.

domingo, 6 de setembro de 2026

O que nos pode faltar é apenas aquilo que não damos

 

3. O que é o mundo?

1. O mundo é percepção equivocada. Ele nasce do erro e não abandona sua fonte. Ele não continuará a existir quando o pensamento que lhe deu origem deixar de ser apreciado. Quando a ideia de separação se transformar em um pensamento de perdão verdadeiro, o mundo será visto sob outra luz; e uma luz que leva à verdade, na qual o mundo inteiro tem de desaparecer e todos os seus erros sumirem. Como consequência disto, sua fonte desaparece e seus efeitos também.

2. O mundo foi feito como um ataque a Deus. Ele simboliza o medo. E o que é o medo exceto ausência de amor? Desta forma o mundo tinha por objetivo ser um lugar aonde Deus não pudesse entrar, e onde Seu Filho pudesse estar separado d'Ele. A percepção nasceu aqui, pois o conhecimento não poderia produzir tais pensamentos insanos. Mas os olhos enganam e os ouvidos escutam de forma errada. Então, os erros se tornam bem possíveis, pois a certeza desaparece.

3. Em seu lugar nasceram os mecanismos da ilusão. E, agora, eles partem para encontrar o que lhes cabe buscar. Seu objetivo é servir à finalidade para a qual o mundo foi feito para testemunhar e tornar verdadeira. Eles veem, em suas ilusões, apenas uma base sólida na qual a verdade existe, mantida ao lado das mentiras. Porém, tudo o que elas informam é só ilusão que é mantida ao lado da verdade.

4. Do mesmo modo que a vista foi feita para conduzir para longe da verdade, ela pode ser reorientada. Os sons se tornam o chamado por Deus e toda percepção pode receber uma nova finalidade d'Aquele a Quem Deus nomeou Salvador do mundo. Segue Sua luz e vê o mundo da forma que Ele vê. Ouve só a Voz d'Ele em tudo o que fala a ti. E deixa Ele te dar a paz e a certeza que jogaste fora, mas que o Céu preserva n'Ele para ti.

5. Não nos acomodemos até que o mundo se junte a nossa percepção transformada. Não nos demos por satisfeitos até que o perdão se torne total. E não tentemos mudar nossa função. Temos de salvar o mundo. Pois nós, que o fizemos, temos de vê-lo pelos olhos de Cristo, para que aquilo que foi feito para morrer possa ser devolvido à vida eterna.

*

LIÇÃO 249

O perdão põe fim a todo sofrimento e a toda perda.

1. O perdão pinta um quadro de um mundo no qual o sofrimento acabou, a perda passou a ser impossível e a raiva não faz nenhum sentido. O ataque acabou e a loucura tem um fim. Que sofrimento é concebível agora? Que perda pode ser mantida? O mundo se torna um lugar de alegria, de abundância, caridade e doação infinita. Agora ele é tão parecido ao Céu que rapidamente se transforma na luz que reflete. E, deste modo, a jornada que o Filho de Deus começou termina na luz da qual ele veio.

2. Pai, queremos devolver nossas mentes a Ti. Nós as traímos, mantendo-as em um laço apertado de amargura e as amedrontamos com pensamentos de violência e de morte. Agora queremos descansar em Ti mais uma vez, assim como Tu nos criaste.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 249

Caras, caros,

Lembremo-nos mais uma vez da lição que praticamos há pouco e que nos dava a condição de cegos e cegas. Sem o perdão. No comentário feito a ela, chamei a atenção para o tema que é central e recorrente em todas as lições, assim como é o ponto central e vital do ensinamento de Jesus: o perdão. De acordo com o que nos conta a história e a religião católica, quer lá, há mais de dois mil anos, quer cá, no momento presente, via Um Curso em Milagres. Que vamos exercitar mais uma vez hoje.

"Perdoa e verás tudo de modo diferente". É a partir de uma lição anterior, já lembrada, que podemos, mais uma vez, enriquecer e aprofundar a reflexão para tornar mais produtivas as práticas da ideia de hoje.

A lição deste dia traz consigo uma oração que podemos usar para, com ela, manifestar o desejo de devolver nossas mentes a Deus, já que não sabemos o que fazer com elas e as usamos de forma equivocada para criar experiências de dor, de sofrimento, de violência e de morte, em função de as usarmos para o julgamento de nós mesmos, de nós mesmas e de tudo e de todas as pessoas e coisas no mundo. Como se soubéssemos melhor do que Deus criar mundos.

Ora, como eu já disse outras vezes, um dos aspectos mais importantes das práticas diárias é elas permitirem que exercitemos a compaixão para com nós mesmos, para com nós mesmas, para com tudo, todos e todas, e para com o mundo inteiro. De acordo com o que diz Thomas Keating, no livro Invitation to Love [Convite ao Amor], "muitas pessoas chegam à autoconsciência de si mesmas com baixa auto-estima e [por isso] sofrem de vários níveis de ódio a si mesmas". Por terem feito isto, ou por terem deixado de fazer isto. Por não terem feito aquilo, ou por terem feito aquilo, e assim por diante.

Para ele, "este estado de espírito é orgulho invertido. Em lugar de buscarem auto-glorificação, essas pessoas se degradam porque não se sentem à altura da imagem de perfeição idealizada que sua auto-imagem exige. Quando deixam de atender a esse padrão impossível, o orgulho, não Deus, diz: 'Tu não vales nada!' Então, elas sentem vergonha por não estarem à altura de suas próprias expectativas elevadas que sua educação, cultura, ou impulso para super conquistas criaram".

A ideia para as práticas de hoje vem exatamente atender a esta necessidade: a de que olhemos com mais compaixão, não só para as pessoas que vivem perto de nós e para o mundo todo, mas igual e particularmente para nós mesmos e para nós mesmas. Perdoando-nos por todo e qualquer equívoco. Vendo o equívoco, seja ele qual for, apenas como um passo em nossa jornada, vamos poder abandonar a ideia do sofrimento como um "mal necessário" e vamos aprender que não há perda e que não há falta. Isto é, conforme o Curso ensina, apenas aquilo que não damos é o  que pode nos faltar.

Às práticas?

sábado, 5 de setembro de 2026

Se crês que és só um corpo, escolheste o sofrimento

 

3. O que é o mundo?

1. O mundo é percepção equivocada. Ele nasce do erro e não abandona sua fonte. Ele não continuará a existir quando o pensamento que lhe deu origem deixar de ser apreciado. Quando a ideia de separação se transformar em um pensamento de perdão verdadeiro, o mundo será visto sob outra luz; e uma luz que leva à verdade, na qual o mundo inteiro tem de desaparecer e todos os seus erros sumirem. Como consequência disto, sua fonte desaparece e seus efeitos também.

2. O mundo foi feito como um ataque a Deus. Ele simboliza o medo. E o que é o medo exceto ausência de amor? Desta forma o mundo tinha por objetivo ser um lugar aonde Deus não pudesse entrar, e onde Seu Filho pudesse estar separado d'Ele. A percepção nasceu aqui, pois o conhecimento não poderia produzir tais pensamentos insanos. Mas os olhos enganam e os ouvidos escutam de forma errada. Então, os erros se tornam bem possíveis, pois a certeza desaparece.

3. Em seu lugar nasceram os mecanismos da ilusão. E, agora, eles partem para encontrar o que lhes cabe buscar. Seu objetivo é servir à finalidade para a qual o mundo foi feito para testemunhar e tornar verdadeira. Eles veem, em suas ilusões, apenas uma base sólida na qual a verdade existe, mantida ao lado das mentiras. Porém, tudo o que elas informam é só ilusão que é mantida ao lado da verdade.

4. Do mesmo modo que a vista foi feita para conduzir para longe da verdade, ela pode ser reorientada. Os sons se tornam o chamado por Deus e toda percepção pode receber uma nova finalidade d'Aquele a Quem Deus nomeou Salvador do mundo. Segue Sua luz e vê o mundo da forma que Ele vê. Ouve só a Voz d'Ele em tudo o que fala a ti. E deixa Ele te dar a paz e a certeza que jogaste fora, mas que o Céu preserva n'Ele para ti.

5. Não nos acomodemos até que o mundo se junte a nossa percepção transformada. Não nos demos por satisfeitos até que o perdão se torne total. E não tentemos mudar nossa função. Temos de salvar o mundo. Pois nós, que o fizemos, temos de vê-lo pelos olhos de Cristo, para que aquilo que foi feito para morrer possa ser devolvido à vida eterna.

*

LIÇÃO 248

Qualquer coisa que sofra não faz parte de mim.

1. Eu rejeitei a verdade. Que eu seja agora igualmente honesto para rejeitar a falsidade. Qualquer coisa que sofra não faz parte de mim. Aquilo que se aflige não sou eu mesmo. Aquilo que sente dor é só uma ilusão em minha mente. Na realidade, aquilo que morre nunca viveu e apenas zomba da verdade acerca de mim mesmo. Agora renuncio a autoconceitos e enganos e mentiras a respeito do Filho santo de Deus. Agora estou pronto para aceitá-lo de volta como Deus o criou e como ele é.

2. Pai, meu antigo amor por Ti volta e me permite amar também Teu Filho novamente. Pai, eu sou como Tu me criaste. Agora Teu Amor, e meu próprio amor, é lembrado. Agora compreendo que eles são o mesmo.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 248

Caras, caros,

Na exploração da ideia de hoje, que vamos praticar pela décima sétima vez consecutiva neste espaço [pelo menos aqueles e aquelas que estão por aqui desde o ano do início do blogue em 2009], vou me valer de novo de partes de comentários feitos nesses anos todos, indo um pouco além no raciocínio, para ver se de fato somos capazes de aprofundar a reflexão a respeito daquilo que o Curso quer que aprendamos com o pensamento que ele nos apresenta para o treino neste dia.

Como eu já disse, em várias ocasiões - e repito agora - as práticas para hoje devem ser feitas a partir de uma ideia muito interessante, a se considerar a forma como o mundo nos ensina. Isto é, desde muito pequenos e pequenas fomos - somos e continuamos a ser de modo bastante insistente - submetidos e submetidas a uma forma de ensino, segundo a qual é preciso se estudar muito, trabalhar muito, fazer muito sacrifício e suportar muito sofrimento para se chegar a algum lugar, para se obter algum sucesso, mesmo que esse sucesso seja apenas relativo na vida e se refira tão somente à vida que pensamos viver na ilusão deste mundo. Que dirá, então, do que seria necessário a algum, ou alguma, de nós - a todos e a todas nós - para chegar à realização. Neste mundo!

E por que razão precisamos aprender isso? É, de fato, para se acreditar numa coisa dessas? E se houvesse outra forma de se chegar a algum lugar, de se alcançar o sucesso, que não envolvesse passar por qualquer tipo de sofrimento? Que não exigisse nenhum tipo de sacrifício? Ou que remetesse apenas às origens naturais e verdadeiras da palavra "sacrifício", que vem de sagrado, de sacro (o)fício, isto é do fazer sagrado, do ofício sagrado, que nada mais é do que nos voltarmos para a função que nos cabe neste mundo: a da salvação. E salvação não é nada mais do que viver no mundo a experiência da santidade, que, por sua vez, é tão somente viver apenas a partir da alegria completa e perfeita: a Vontade de Deus para nós?

Lembram-se de que em anos anteriores, ao comentar esta lição, separei algumas frases que fazem parte do repertório mais ou menos comum que recebemos de pessoas mais velhas, de professores e professoras, de pais e mães, tios e tias, avôs e avós e da sabedoria dita popular, ao longo de nossa jornada pela vida?

Ei-las aqui novamente para ilustrar as "sugestões" que recebemos de forma subliminar particular e de modo coletivo como formas de nos condicionarmos a aceitar a inevitabilidade do sofrimento: "O sofrimento é um mal necessário.", "Pau que nasce torto não tem jeito, morre torto.", "No pain, no gain.", que poderia ser traduzida como: "Sem dor, não há crescimento [ou ganho]". E há mais: "não há amor sem sofrimento". A recompensa do amor é o sofrimento... e tantas outras. Acho que seria um bom exercício garimpar em nossa experiência este tipo de frase, para aprender a neutralizá-la, para varrê-las todas de nosso repertório.

Então, bem de acordo com o que nos ensina o Curso, e lembrando-nos de que "hipnose é sugestão aceita" ou "... é repetição, repetição, repetição", o que vocês acham que as frases que selecionei acima e outras, que ouvimos à exaustão, fazem com nossa mente? Ou o que vocês pensam que os publicitários têm em mente quanto produzem suas propagandas e as repetem milhares e milhares de vezes, repetindo a pergunta que fiz também nestes anos todos?

E repito uma vez mais a postagem de uma amiga no Facebook que tem a ver com a ideia que praticamos hoje e diz o seguinte:

"... a única maneira de fluir com a vida, sem criar tensão, dores e sofrimentos (desnecessários), é aceitar tudo o que a vida nos dá, com profunda gratidão, pois tudo é como deve ser! Esta atitude, por si só, elimina qualquer sofrimento ou decepção..." 

Reforçando o insight de minha amiga: "tudo é como deve ser". Ter isto sempre em mente, em todos os instantes e experiências ou circunstâncias por que passamos é buscar estar inteiro e ter fé no amor infinito que cria a vida e que sempre conspira a nosso favor.

Assim, podemos aprender que tudo aquilo que sofre é apenas parte da ilusão do falso eu, o ego do Curso, com quem nos identificamos, mas que não é o que somos de verdade. 

Uma historinha a respeito de Sai Baba, contada por Wayne Dyer em um de seus livros, pode ilustrar melhor isto de que falamos. 

Diz ele, a certa altura, que uma amiga sua [dele, Wayne], que visitou por uma semana o ashram de Sai Baba, na Índia, ao voltar, escreveu a Wayne, dizendo-lhe ter ficado mortificada de ver Sai Baba em uma cadeira de rodas em razão de múltiplas fraturas em sua bacia. Dizia-lhe na carta que, de acordo com os médicos, nenhum corpo humano normal poderia sobreviver a tal agonia física. Mas Sai Baba permanecia pleno de bênçãos e  livre  por completo de sua condição física.

Continuando, ela contou que um devoto de Sai Baba lhe perguntou como é que um ser realizado em Deus, iluminado como ele, tinha de passar pelo sofrimento físico. Por que ele não curava a si mesmo? E Sai Baba respondeu ao devoto:

Minha vida é minha mensagem. As pessoas, hoje, precisam aprender a abandonar o apego ao corpo e experimentar sua divindade interior. A dor é um fenômeno natural. Mas o sofrimento é uma "escolha". Eu não sofro, uma vez que eu não sou o corpo. 

O sofrimento só existe a partir do ego, este falso eu que pensamos ser. O sofrimento é uma escolha daqueles e daquelas de nós que acreditam ser apenas corpos, que acreditam na separação, na carência, na escassez, na falta e em tudo o que nos distancia de Deus, e do poder que é nossa herança de filhos. Daí ser necessário que pratiquemos. Para nos lembrarmos de nossa origem divina. Para voltarmos a experimentá-la no dia-a-dia.

Às práticas, pois?

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

"Perdoa e verás isto de modo diferente." ( Lição 193)

 

3. O que é o mundo?

1. O mundo é percepção equivocada. Ele nasce do erro e não abandona sua fonte. Ele não continuará a existir quando o pensamento que lhe deu origem deixar de ser apreciado. Quando a ideia de separação se transformar em um pensamento de perdão verdadeiro, o mundo será visto sob outra luz; e uma luz que leva à verdade, na qual o mundo inteiro tem de desaparecer e todos os seus erros sumirem. Como consequência disto, sua fonte desaparece e seus efeitos também.

2. O mundo foi feito como um ataque a Deus. Ele simboliza o medo. E o que é o medo exceto ausência de amor? Desta forma o mundo tinha por objetivo ser um lugar aonde Deus não pudesse entrar, e onde Seu Filho pudesse estar separado d'Ele. A percepção nasceu aqui, pois o conhecimento não poderia produzir tais pensamentos insanos. Mas os olhos enganam e os ouvidos escutam de forma errada. Então, os erros se tornam bem possíveis, pois a certeza desaparece.

3. Em seu lugar nasceram os mecanismos da ilusão. E, agora, eles partem para encontrar o que lhes cabe buscar. Seu objetivo é servir à finalidade para a qual o mundo foi feito para testemunhar e tornar verdadeira. Eles veem, em suas ilusões, apenas uma base sólida na qual a verdade existe, mantida ao lado das mentiras. Porém, tudo o que elas informam é só ilusão que é mantida ao lado da verdade.

4. Do mesmo modo que a vista foi feita para conduzir para longe da verdade, ela pode ser reorientada. Os sons se tornam o chamado por Deus e toda percepção pode receber uma nova finalidade d'Aquele a Quem Deus nomeou Salvador do mundo. Segue Sua luz e vê o mundo da forma que Ele vê. Ouve só a Voz d'Ele em tudo o que fala a ti. E deixa Ele te dar a paz e a certeza que jogaste fora, mas que o Céu preserva n'Ele para ti.

5. Não nos acomodemos até que o mundo se junte a nossa percepção transformada. Não nos demos por satisfeitos até que o perdão se torne total. E não tentemos mudar nossa função. Temos de salvar o mundo. Pois nós, que o fizemos, temos de vê-lo pelos olhos de Cristo, para que aquilo que foi feito para morrer possa ser devolvido à vida eterna.

*

LIÇÃO 247

Sem perdão ainda serei cego.

1. O pecado é o símbolo do ataque. Vê-o em qualquer lugar e eu sofrerei. Pois o perdão é o único meio pelo qual a visão de Cristo vem a mim. Que eu aceite como a pura verdade o que a visão d'Ele me mostra e fique completamente curado. Irmão, vem a mim e deixa eu olhar para ti. Tua beleza reflete a minha. Tua inocência é minha. Tu estás perdoado e eu continuo contigo.

2. Hoje quero olhar para todos deste modo. Meus irmãos são Teus Filhos. Tua Paternidade os criou e os deu todos a mim como parte de Ti e também de meu próprio Ser. Hoje louvo a Ti por meio deles e, deste modo, espero reconhecer meu Ser neste dia.

*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 247

Caras, caros,

Como eu já disse anteriormente, e não só uma vez, há uma lição, entre todas, que resume todo o ensinamento e todo o trabalho que o Curso pede que façamos para aprender, a partir das práticas de todos os dias. Dia após dia. Esta lição é, a meu ver, a de número 193: Todas as coisas são lições que Deus quer que eu aprenda. Além disso, é claro, temos de ter presente o fato de que todas e cada uma das lições são completas em si mesmas - quer dizer, também resumem todo o ensinamento - e podem propiciar a salvação, se de fato entendidas, praticadas e aplicadas conforme as orientações do Curso, como já sabemos.

Mais interessante ainda é que a lição 193 traz em si uma ideia, um pensamento central, que está em perfeita sintonia com a ideia para nossas práticas de hoje. O Curso diz lá que todas as lições, esta inclusive, e a 193, se resumem a uma ideia central. A forma muda, mas o conteúdo básico de todas elas é o mesmo. E é o seguinte: 

Perdoa e verás isto de modo diferente.

Seja lá o que "isto" for, o Curso ensina que em toda situação, em todo acontecimento, quando não estamos em paz, ou quando estamos sofrendo, ou passando pela experiência da dor, é porque deixamos de nos perdoar por alguma coisa, ou nos negamos a perdoar alguma coisa, alguma pessoa, alguma situação. E claro é que, no fundo, o perdão que negamos, negamos sempre a nós mesmos, a nós mesmas. E o sentimento que experimentamos, que nos afasta da paz e da alegria, só se apresenta porque estamos cegos, ou cegas e não [nos] perdoamos.

É de vital importância lembrar o tempo todo que só perdoamos a nós mesmos, ou a nós mesmas. Se vocês estiverem bem lembrados e lembradas, lá no início da segunda parte do livro de exercícios, quando fomos apresentados ao primeiro tema [O que é o perdão?], que norteou nossos primeiros dez passos naquele novo momento da jornada, fomos convidados e convidadas a reconhecer, a partir do que é o perdão, que aquilo que pensamos que nosso irmão, ou nossa irmã, tinha feito a nós não aconteceu. Isso não se refere apenas àquele momento, àquelas dez lições iniciais. Serve, sim, para o restante de nossas práticas todas, para os nossos dias todos e para toda a nossa vida.

Mais ainda: vimos lá, então que: o perdão "não perdoa pecados e os torna reais. Ele vê que não houve nenhum pecado. E dessa perspectiva todos os teus pecados estão perdoados". Pois - ele pergunta - "o que é o pecado, a não ser uma ideia falsa acerca do Filho de Deus?". 

Não queremos aprisionar o Filho de Deus em uma ideia falsa, queremos? Não o queremos manter prisioneiro em um julgamento que não nos permita amá-lo e, por consequência, não nos permita amar o Pai. Como vimos ontem, é preciso que amemos o Filho de Deus em nós, antes de sermos capazes de manifestar nosso amor pelo Pai, ou pelo filho no outro, na outra, ou nos outros e nas outras que se apresentam a nós. 

E o Filho de Deus é cada um e cada uma de nós. É a Filiação inteira. Somos todos e todas nós. Quando negamos o perdão a um irmão, ou a uma irmã, nós o estamos negando, primeiro, a nós mesmos, a nós mesmas e, em seguida, a toda a Filiação e, por extensão, ao Próprio Deus. É por isso que praticamos: Sem perdão ainda serei cego. Pois, de fato, o que nos impede de ver a realidade no mundo, a realidade em nós mesmos e em nós mesmas e a realidade em tudo, em todos e em todas é a falta de perdão, quer dizer a falta de oferecermos o perdão, antes de qualquer coisa, a qualquer um, a qualquer uma e a nós mesmos e nós mesmas.

Perdoa e verás isto de modo diferente. Esta é a ideia em que precisamos nos concentrar, em sintonia com a que praticamos hoje, caso nos decidamos pela visão crística. Perdoa e verás o mundo e tudo o que há nele de modo diferente. Pois, afinal de contas, como já praticamos antes: Acima de tudo, eu quero ver de modo diferente. E só o perdão a mim mesmo e ao mundo inteiro é que pode me dar a visão que permitirá perceber, sentir, viver e experimentar a realidade. 

Às práticas?

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

O amor a Deus começa no amor a ti mesmo, mesma

 

3. O que é o mundo?

1. O mundo é percepção equivocada. Ele nasce do erro e não abandona sua fonte. Ele não continuará a existir quando o pensamento que lhe deu origem deixar de ser apreciado. Quando a ideia de separação se transformar em um pensamento de perdão verdadeiro, o mundo será visto sob outra luz; e uma luz que leva à verdade, na qual o mundo inteiro tem de desaparecer e todos os seus erros sumirem. Como consequência disto, sua fonte desaparece e seus efeitos também.

2. O mundo foi feito como um ataque a Deus. Ele simboliza o medo. E o que é o medo exceto ausência de amor? Desta forma o mundo tinha por objetivo ser um lugar aonde Deus não pudesse entrar, e onde Seu Filho pudesse estar separado d'Ele. A percepção nasceu aqui, pois o conhecimento não poderia produzir tais pensamentos insanos. Mas os olhos enganam e os ouvidos escutam de forma errada. Então, os erros se tornam bem possíveis, pois a certeza desaparece.

3. Em seu lugar nasceram os mecanismos da ilusão. E, agora, eles partem para encontrar o que lhes cabe buscar. Seu objetivo é servir à finalidade para a qual o mundo foi feito para testemunhar e tornar verdadeira. Eles veem, em suas ilusões, apenas uma base sólida na qual a verdade existe, mantida ao lado das mentiras. Porém, tudo o que elas informam é só ilusão que é mantida ao lado da verdade.

4. Do mesmo modo que a vista foi feita para conduzir para longe da verdade, ela pode ser reorientada. Os sons se tornam o chamado por Deus e toda percepção pode receber uma nova finalidade d'Aquele a Quem Deus nomeou Salvador do mundo. Segue Sua luz e vê o mundo da forma que Ele vê. Ouve só a Voz d'Ele em tudo o que fala a ti. E deixa Ele te dar a paz e a certeza que jogaste fora, mas que o Céu preserva n'Ele para ti.

5. Não nos acomodemos até que o mundo se junte a nossa percepção transformada. Não nos demos por satisfeitos até que o perdão se torne total. E não tentemos mudar nossa função. Temos de salvar o mundo. Pois nós, que o fizemos, temos de vê-lo pelos olhos de Cristo, para que aquilo que foi feito para morrer possa ser devolvido à vida eterna.

*

LIÇÃO 246

Amar meu Pai é amar Seu Filho.

1. Que eu não pense que posso achar o caminho para Deus, se tiver ódio em meu coração. Que eu não tente ferir o Filho de Deus e pensar que posso conhecer meu Pai ou meu Ser. Que eu não deixe de me reconhecer e ainda acredite que minha consciência pode conter meu Pai ou que minha mente pode compreender todo o amor que meu Pai sente por mim e todo o amor que retribuo a Ele.

2. Aceitarei o caminho que Tu escolheres para chegar a Ti, meu Pai. Pois nisso serei bem-sucedido, porque é Tua Vontade. E quero reconhecer que aquilo que Tu queres é também o que quero, e só isso. E, por isso, escolho amar Teu Filho. Amém.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 246

Caras, caros,

A ideia que vamos praticar mais uma vez hoje propõe uma reflexão a respeito da necessidade de que nos amemos, para sermos capazes de amar todos e todas os filhos e as filhas de Deus, e toda a criação, para podermos dizer, por fim e verdadeiramente, que O amamos. O amor a nós mesmos e a nós mesmas - cada um de nós a si mesmo, cada uma de nós a si mesma - tem de vir em primeiro lugar. Não há outra forma de oferecer nosso amor a Deus, nem a Seu Filho, ou à Filiação, que somos todos e todas nós.

Francisco, o santo de Assis, ao fazer de todas as suas ações diárias um louvor a Deus, a seu Deus interior e ao Deus visível para ele em todos e em tudo dizia: "o amor não é amado". E se espantava com o fato de quase todas as pessoas serem tão cegas à beleza que há em tudo, quando vista a partir dos olhos que estendem o amor divino. 

Quando nos daremos conta de que para amar verdadeiramente a Deus é preciso que O vejamos em tudo e em todas as pessoas e coisas do mundo, animadas ou inanimadas, por vê-Lo e amá-Lo/La primeiramente em nós mesmos, em nós mesmas? Quando entenderemos que não é possível amar a Deus, sem amar cada aspecto da criação, por menor que ele seja?

Amar a Deus é amar Seu Filho, isto é, todos, todas, cada um, ou cada uma, daqueles, ou daquelas, que habitam o mundo conosco. Para tanto, é claro, é preciso termos reconhecido, aceitado e acolhido em nós a ideia da unidade, que é o mesmo que abandonar de uma vez por todas a crença na separação; o único problema que precisamos resolver, de acordo com o ensinamento do Curso. 

Aceitar a ideia da unidade é entender que não posso criticar, desaprovar, falar mal, odiar ou desejar que algo de ruim aconteça a qualquer uma das pessoas no mundo sem atrair para mim mesmo aquilo que quero ver acontecer à outra pessoa. Tudo o que vejo no outro, ou na outra, é meu. O outro, ou a outra, sou eu também. O outro, ou a outra, é apenas um espelho que me mostra aspectos de mim mesmo que não posso ver olhando apenas para mim.

Para entendermos isso, e para apenas um pequeno vislumbre do amor de Deus, é preciso que busquemos esvaziar a mente de tudo o que o mundo do falso eu, o mundo da ilusão do corpo e dos sentidos, nos ensinou. Ou, dito em outras palavras, é necessário que aprendamos a nos aquietar para nos tornarmos o reflexo e a manifestação de Deus na terra, para sermos e vivermos a expressão do divino, que é o que verdadeiramente somos.

Vejamos mais uma vez o que nos diz Paramahansa Yogananda a respeito disso:

"O reflexo da lua não pode ser visto claramente em águas agitadas, mas quando a superfície das águas está calma, aparece um reflexo perfeito da lua. O mesmo acontece com a mente: quando está calma, vê-se claramente refletida a face enluarada da alma. Nós, como almas, somos reflexos de Deus. Quando, por meio de técnicas de meditação [oração centrante, prática das lições, ou outro modo que escolhermos], eliminamos os pensamentos inquietos do lago da mente, contemplamos nossa alma - reflexo perfeito do Espírito - e compreendemos que a alma e Deus são Um." 

Ou o que o próprio Curso diz:

"A memória de Deus vem à mente silenciosa. Ela não pode vir aonde há conflito, pois uma mente em guerra contra si mesma não se lembra da benevolência eterna. Os meios da guerra não são os meios da paz e o que as pessoas voltadas para a guerra querem lembrar não é amor."

Se não formos capazes de aquietar a mente para que o amor venha à tona e se derrame sobre nós mesmos e sobre nós mesmas, não seremos capazes de amar o Filho de Deus e, por consequência, não amaremos Seu Pai/Sua Mãe, que é o mesmo nosso, a mesma nossa. É preciso, por isso, que amemos em primeiro lugar o Filho de Deus em nós.

É isso que a lição de hoje quer que pratiquemos.

Às práticas?