segunda-feira, 9 de março de 2026

Só vamos chegar à alegria abandonando as mágoas

 

LIÇÃO 68

O amor não guarda mágoas.

1. Tu, que foste criado pelo amor igual a ele mesmo, não podes guardar mágoas e conhecer teu Ser. Guardar uma mágoa é esquecer quem és. Guardar uma mágoa é ver a ti mesmo como um corpo. Guardar uma mágoa é permitir que o ego governe tua mente e condenar o corpo à morte. Talvez ainda não percebas inteiramente de forma clara o que exatamente guardar mágoas faz a tua mente. Guardar mágoas parece separar-te de tua Fonte e te tornar diferente d'Ele. Faz-te acreditar que Ele é igual ao que te tornaste, pois ninguém pode pensar em seu Criador como diferente de si mesmo.

2. Excluído de teu Ser, que permanece ciente de Sua semelhança a Seu Criador, teu Ser parece dormir, enquanto a parte de tua mente que tece ilusões em seu sono parece estar desperta. Tudo isso pode surgir de guardar mágoas? Oh, sim! Pois aquele que guarda mágoas nega que foi criado pelo amor, e seu Criador se torna assustador para ele em seu sonho de ódio. Quem pode sonhar com o ódio e não ter medo de Deus?

3. É tão certo que aqueles que guardam mágoas redefinirão Deus a sua própria imagem, quanto é certo que Deus os criou iguais a Si Mesmo e os definiu como parte de Si. É tão certo que aqueles que guardam mágoas sentirão culpa, quanto é certo que aqueles que perdoam acharão paz. É tão certo que aqueles que guardam mágoas se esquecerão de quem são, quanto é certo que aqueles que perdoam se lembrarão.

4. Não estarias disposto a abandonar tuas mágoas, se acreditasses que isso é verdade? Talvez não imagines que podes abandonar tuas mágoas. Isto, no entanto, é simplesmente uma questão de motivação. Hoje tentaremos descobrir como te sentirias sem elas. Se fores bem-sucedido, mesmo que por muito pouco, nunca mais haverá um problema de motivação novamente.

5. Começa o período de prática mais longo de hoje pela busca em tua mente daqueles contra quem guardas o que consideras serem tuas principais mágoas. Será bem fácil achar algumas delas. Em seguida, pensa nas mágoas aparentemente sem importância que guardas contra aqueles de quem gostas ou mesmo pensas amar. Bem depressa ficará claro que não há ninguém contra quem não nutras algum tipo de mágoa. Isto te deixa sozinho em todo o universo em tua percepção de ti mesmo.

6. Decide-te agora a ver todas essas pessoas como amigas. Dize a todas elas, pensando em cada uma por vez ao fazê-lo:

Quero te ver como meu amigo, para poder me lembrar
de que és parte de mim e vir a conhecer a mim mesmo.

Passa o tempo restante do período de prática pensando em ti mesmo como perfeitamente em paz com todos e com tudo, a salvo em um mundo que te protege e te ama, ao qual amas de forma recíproca. Tenta sentir a segurança te envolvendo, pairando sobre ti e te sustentando. Tenta acreditar, ainda que por pouco tempo, que nada pode te ferir de forma alguma. No final do período de prática, dize a ti mesmo:

O amor não guarda mágoas. Quando eu abandonar todas
as minhas mágoas, saberei que estou em perfeita segurança.

7. Os períodos de prática mais breves devem incluir uma rápida aplicação da ideia desta forma, toda vez que surgir algum pensamento de mágoa contra alguém, fisicamente presente ou não:

O amor não guarda mágoas. Que eu não traia meu Ser.

Além disso, repete a ideia várias vezes por hora desta forma:

O amor não guarda mágoas. Quero despertar para meu Ser
deixando de lado todas as mágoas e acordando n'Ele.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 68

Caras, caros,

Nunca é demais nos perguntarmos se sabemos de fato o que é amor. Porque no mundo do ego, o das ilusões e o da crença na separação, parece que andaram nos ensinando que existem muitas formas de amor, de amar. Não é mesmo?

E essas formas são tantas e tão variadas que nos levam muitas vezes a pensar que não existe nada tão contraditório quanto o amor neste mundo. E por quê? Porque, na verdade, todas as formas de amor, e de amar, que o ego ensina não são nada a não ser ilusões. O ego considera, a partir da crença na separação, que as pessoas são todas diferentes e têm muitas carências e necessidades específicas, que só podem ser preenchidas desta ou daquela maneira.

Assim, para uns e umas, amar é preencher as carências, encontrar uma forma de satisfazer as necessidades, sem levar em conta o que se oferece ao outro ou à outra. Basta que eu esteja satisfeito. O outro - a outra - não interessa. É por isso que em muitas das experiências de relacionamento por que passam as pessoas as mágoas correm soltas. Ela me fez isto ou aquilo. Ele me fez este ou aquele desaforo. A falta de atenção para com as outras pessoas grassa na maioria das relações.

Esquecemo-nos de que, como precisamos praticar hoje,

" O amor não guarda mágoas."

Comecemos?

Gosto muito desta lição. Gosto mesmo. Muito. Já lhes disse isso outras vezes. Sem querer compará-la a qualquer uma das outras lições por que já passamos, ou pelas quais ainda vamos passar mais de uma vez, acho que a ideia que ela nos oferece para as práticas pode nos poupar de muita dor e sofrimento. Assim como pode nos livrar de pensar que um ou outro relacionamento especial que vivemos tem alguma coisa a ver com amor, que só se apresenta mesmo naqueles relacionamentos aos quais o Curso denomina "relacionamentos santos". 

É claro que todas as lições têm este mesmo poder. Sabemos disso. Mas sempre há, para cada um ou cada uma de nós, uma ou outra que toca mais fundo, ou que fala melhor ao nosso coração em determinados momentos. Lembrando sempre que precisamos estar dispostas e dispostos a nos abrirmos à Voz por Deus, cada vez mais a cada lição, a cada dia.

E como aprender esta ideia pode nos poupar de muita dor e sofrimento ou do auto-engano em relação ao que ego diz que sentimos por alguém?

É fácil, fácil. Extremamente fácil. Basta que pensemos por um segundo nas pessoas a quem pensamos amar.

[Façamos uma pequena pausa na leitura aqui para pensar.] 

Pensaram? Então perguntem e respondam agora para si mesmas, para si mesmos, há alguma coisa que eu gostaria de mudar nessa(s) pessoa(s)? Respondam também a estas duas outras perguntas: há alguma coisa que esta pessoa faz ou fez que me faz pensar se posso confiar mesmo nela? Se posso lhe dedicar todo o amor que penso que dedico?

O amor não guarda mágoas.

Há um trechinho do texto que diz o seguinte: "se atacas aquele a quem Deus quer curar e odeias aquele a quem Ele ama, então tu e teu Criador têm uma vontade diferente, distinta, diversa. No entanto, se tu és a Vontade d'Ele, o que tens de acreditar neste caso é que tu não és tu mesmo"[a].

Vejamos como a lição começa:

Tu, que foste criado pelo amor igual a ele mesmo, não podes guardar mágoas e conhecer teu Ser. Guardar uma mágoa é esquecer quem és. Guardar uma mágoa é ver a ti mesmo como um corpo. Guardar uma mágoa é permitir que o ego governe tua mente e condenar o corpo à morte. Talvez ainda não percebas inteiramente de forma clara o que exatamente guardar mágoas faz a tua mente. Guardar mágoas parece separar-te de tua Fonte e te tornar diferente d'Ele. Faz-te acreditar que Ele é igual ao que te tornaste, pois ninguém pode pensar em seu Criador como diferente de si mesmo.

Não é exatamente isso que diz, em outras palavras, o trecho do texto que destaquei acima? É claro que, na maior parte das vezes, não temos consciência de que guardar mágoas é uma forma de ataque. Quando nos magoamos com algo ou com alguma coisa que pensamos que alguém nos faz ou fez, estamos deixando de reconhecer seu direito a pensar e a fazer as coisas do modo que melhor lhe aprouver. Deixamos de reconhecer que ele, ou ela, é uma manifestação perfeita do divino. Ficamos magoadas e magoados com Deus, na verdade. E, claro, com nós mesmas e com nós mesmos, uma vez que somos extensões d'Ele/d'Ela.

Isso será possível? Só quando cedemos aos apelos do ego e nos deixamos cegar pelo orgulho, buscando ter razão apenas. Esquecendo por completo de nossa necessidade - e direito natural por herança divina - de sermos felizes e da Vontade de Deus para nós de alegria completa e perfeita.

O amor não guarda mágoas.

É só na ilusão que podemos pensar em nós mesmas e em nós mesmos como diferentes ou separadas e separados de Deus. E é isso o que a lição nos informa a seguir:

Excluído de teu Ser, que permanece ciente de Sua semelhança a Seu Criador, teu Ser parece dormir, enquanto a parte de tua mente que tece ilusões em seu sono parece estar desperta. Tudo isso pode surgir de guardar mágoas? Oh, sim! Pois aquele que guarda mágoas nega que foi criado pelo amor, e seu Criador se torna assustador para ele em seu sonho de ódio. Quem pode sonhar com o ódio e não ter medo de Deus?

Nós só nos excluímos de nosso Ser na ilusão ou quando pensamos em nós como sendo "alguma outra coisa" que, na verdade, não somos.

Dizendo de novo, de outra maneira, vivemos e nos movemos em Deus. Não existe nenhuma possibilidade de existirmos separados, ou separadas, d'Ele/d'Ela, mesmo que o ego pense ou queira que pensemos de outro modo, oferecendo-nos a ilusão de uma vida cheia de diferenças às quais podemos nos comparar. Nada disso dura. Nada disso é real. E o resultado de embarcar na viagem a que o ego nos convida é apenas medo e culpa. O que resulta do medo e da culpa, já sabemos, é apenas mais separação, mais ilusão.

E é também só na ilusão que podemos redefinir Deus à imagem e semelhança do que o ego quer e pensa que Ele pode ser, como veremos a seguir com a lição:

É tão certo que aqueles que guardam mágoas redefinirão Deus a sua própria imagem, quanto é certo que Deus os criou iguais a Si Mesmo e os definiu como parte de Si. É tão certo que aqueles que guardam mágoas sentirão culpa, quanto é certo que aqueles que perdoam acharão paz. É tão certo que aqueles que guardam mágoas se esquecerão de quem são, quanto é certo que aqueles que perdoam se lembrarão.

É, pois, em direção ao perdão que as práticas da ideia de hoje nos levam. É a partir delas que vamos ser capazes de lembrar que Deus, o amor, nos criou iguais a Si Mesmo.

O amor não guarda mágoas.

Lembram-se da epístola aos Coríntios? O apóstolo diz que: 

"O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita...; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba; (...) Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor."

E sofredor aqui toma seu sentido emprestado do verbo sofrer significando aguentar, suportar, tolerar, ou admitir, experimentar, consentir, ser paciente. 

Podemos até pensar no amor como sinônimo de alegria duradoura, de felicidade eterna e constante e de completa e perfeita paz de espírito.

Vai ser necessário que deixemos de lado todas as nossas mágoas para termos um vislumbre da alegria que Deus quer para nós, pois só pelo abandono de todas as mágoas é que podemos chegar à alegria. E isso é a continuação da lição:

Não estarias disposto a abandonar tuas mágoas, se acreditasses que isso é verdade? Talvez não imagines que podes abandonar tuas mágoas. Isto, no entanto, é simplesmente uma questão de motivação. Hoje tentaremos descobrir como te sentirias sem elas. Se fores bem-sucedido, mesmo que por muito pouco, nunca mais haverá um problema de motivação novamente.

E todas e todos podemos ser - e seremos - bem-sucedidas e bem-sucedidos e não mais nos faltará motivação, se ficarmos atentas e atentos a tudo o que a lição nos pede para fazermos como parte das práticas, aplicando a ideia para hoje a todo instante em que nos surpreendermos pensando que há algo que alguém faça que possa nos fazer ficar magoados ou magoadas. E, em qualquer situação de conflito, perguntemo-nos, como convida Neale Donald Walsch a fazermos: O que o amor faria? 

Às práticas?

domingo, 8 de março de 2026

O amor é, de fato, a única coisa verdadeira que existe

 

LIÇÃO 67

O amor me criou igual a si mesmo.

1. A ideia de hoje é uma afirmação perfeita e correta do que tu és. É por isto que tu és a luz do mundo. É por isto que Deus te designou como o salvador do mundo. É por isto que o Filho de Deus confia em ti para a sua salvação. Ele é salvo por aquilo que tu és. Hoje faremos todos os esforços para alcançar esta verdade acerca de ti, e para perceber de modo inteiramente claro, ainda que por apenas um instante, que ela é a verdade.

2. No período de prática mais longo, refletiremos a respeito de tua realidade e de sua natureza totalmente inalterada e inalterável. Começaremos com a repetição desta verdade acerca de ti e, em seguida, passaremos alguns minutos acrescentando algumas ideias afins, tais como:

A santidade me criou santo.
A benignidade me criou benigno.
A utilidade me criou capaz de servir.
A perfeição me criou perfeito.

Qualquer característica que esteja de acordo com Deus tal como Ele Se define é adequada ao uso. Estamos tentando, hoje, desfazer tua definição de Deus e substituí-la pela d'Ele Próprio.

3. Depois de passares por vários destes pensamentos afins, tenta desistir de todos os pensamentos por um breve intervalo preparatório e, em seguida, tenta alcançar a verdade em ti, depois de todas as tuas imagens e preconceitos a teu próprio respeito. Se o amor te criou igual a si mesmo, este Ser tem de estar em ti. E, em algum lugar em tua mente, Ele existe para que O aches.

4. Podes achar necessário repetir a ideia para hoje de vez em quando para substituir pensamentos que distraiam. Também podes achar que isto não é suficiente e que precisas continuar acrescentando outros pensamentos relacionados à verdade a teu respeito. No entanto, talvez sejas bem-sucedido em ir além disso e a atravessar o intervalo da negligência até a consciência de uma luz resplandecente na qual te reconheces tal qual o amor te criou. Confia que hoje farás muito para trazer essa consciência para mais perto, quer sintas que foste bem-sucedido quer não.

5. Será particularmente proveitoso hoje praticar a ideia para o dia tantas vezes quantas puderes. Precisas ouvir a verdade acerca de ti mesmo tão frequentemente quanto possível, porque tua mente está muito distraída com auto-imagens falsas. Seria muito benéfico te lembrares de que o amor te criou igual a si mesmo quatro ou cinco vezes por hora e talvez até mais do que isso. Ouve a verdade a teu próprio respeito nisto.

6. Tenta perceber claramente, nos períodos de prática mais breves, que não é tua voz pequenina e solitária que te diz isto. Esta é a Voz por Deus, lembrando-te de teu Pai e de teu Ser. Esta é a Voz da verdade substituindo tudo o que o ego te diz a teu próprio respeito com a simples verdade a respeito do Filho de Deus. Tu foste criado pelo amor igual a ele mesmo.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 67

Caras, caros,

Talvez não haja nenhuma ideia mais coerente e mais verdadeira para praticarmos neste dia em que se comemora no mundo inteiro o Dia Internacional da Mulher. Uma data escolhida dentro da ilusão do tempo e da crença numa separação que não existe, na verdade, pois somos todos e todas Um/Uma. E toda a existência está ligada a cada um e a cada uma de nós. Sem um de nós, sem uma de nós, o mundo, Deus, seria incompleto, como ensina o Curso.

Assim, pratiquemos para, talvez, alcançarmos um vislumbre da luz que nos criou como a si mesma.

"O amor me criou igual a si mesmo."

Repetindo, pois, as perguntas que já fiz muitas e muitas vezes antes:

O que farias se tivesses a mais absoluta certeza de que és quem és e que o que és, na verdade, é a mais perfeita manifestação do amor de Deus? A manifestação do Próprio Deus? Como achas que te sentirias se tu tivesses consciência constante da Presença de Deus em tua vida? Se acreditasses todo o tempo que vives e te moves n'Ele/n'Ela e que tu e Ele/Ela são um/uma só?

Pois esta é a verdade a teu respeito, como vais ver na lição que vamos praticar hoje. Haverá, pois, alguma razão para duvidares disso? Vejamos como a lição com começa:

A ideia de hoje é uma afirmação perfeita e correta do que tu és. É por isto que tu és a luz do mundo. É por isto que Deus te designou como o salvador do mundo. É por isto que o Filho de Deus confia em ti para a sua salvação. Ele é salvo por aquilo que tu és. Hoje faremos todos os esforços para alcançar esta verdade acerca de ti, e para perceber de modo inteiramente claro, ainda que por apenas um instante, que ela é a verdade.

Não foi o que eu disse? 

E que precisas fazer para chegar a esta verdade a teu respeito? Nada! Este é todo o grande esforço que precisas fazer para chegar a ela. Ou pensas que não fazer nada é fácil, quando o ego está a todo instante te chamando para embarcares na viagem da ilusão, querendo te convencer de que és "alguma outra coisa" e de que não és o que és? Ou de que és infinitamente menor do que és na verdade? Ou de que és incompetente, incapaz, sem as habilidades necessárias para funcionar no mundo?

O amor me criou igual a si mesmo.

Lembra-te: o esforço para não fazer nada é apenas o movimento natural de parar de dar ouvidos ao que o ego diz e de te voltares para a Voz por Deus no interior de ti mesmo, ou de ti mesma, para o Espírito Santo, ou para aquela parte de tua mente que está sempre em contato com Deus: a razão. Vê o título da postagem da lição de ontem. É sempre tu que escolhes a voz que queres ouvir.

Para tanto, precisas fazer o seguinte, diz a lição:

No período de prática mais longo, refletiremos a respeito de tua realidade e de sua natureza totalmente inalterada e inalterável. Começaremos com a repetição desta verdade acerca de ti e, em seguida, passaremos alguns minutos acrescentando algumas ideias afins, tais como:

A santidade me criou santo.
A benignidade me criou benigno.
A utilidade me criou capaz de servir.
A perfeição me criou perfeito.

Qualquer característica que esteja de acordo com Deus tal como Ele Se define é adequada ao uso. Estamos tentando, hoje, desfazer tua definição de Deus e substituí-la pela d'Ele Próprio.

Como a própria lição orienta, podes incluir nestas ideias tudo aquilo que pensas que pode estar relacionado a Deus. Tudo o que dissermos a respeito d'Ele/d'Ela é insuficiente para abranger a magnitude de Seu Poder, de Seu Amor, de Sua Santidade, de Sua Benignidade ou de Sua Perfeição [características que também são tuas por seres o Ser que és]. Podemos pensar em Deus como sendo o Tudo de Tudo. E ainda assim não O/A teremos alcançado em Sua Totalidade.

O amor me criou igual a si mesmo.

Esta ideia, que traz o desafio desta lição, é, ao mesmo tempo, o milagre que a lição oferece. Podes até voltar a uma lição anterior para te auxiliar a aceitar o desafio. Àquela que diz: Minha mente é parte da Mente de Deus. Eu sou absolutamente santo. Ou ainda àquela que diz: Eu sou abençoado como um Filho de Deus.

Se pensares bem, vais ver que todas as lições que praticamos antes foram responsáveis por chegarmos até aqui. Agora, na continuação da prática de hoje, cabe te voltares para dentro de ti mesma, ou de ti mesmo, para fazeres o que a lição orienta. Assim:

Depois de passares por vários destes pensamentos afins, tenta desistir de todos os pensamentos por um breve intervalo preparatório e, em seguida, tenta alcançar a verdade em ti, depois de todas as tuas imagens e preconceitos a teu próprio respeito. Se o amor te criou igual a si mesmo, este Ser tem de estar em ti. E, em algum lugar em tua mente, Ele existe para que O aches.

Não te parece lógico o que a lição propõe? Se o amor te criou igual a si mesmo, este Ser [de amor] tem de estar em ti... em algum lugar em tua mente, Ele existe para que O aches. E este Ele é o "Eu Sou", que é o que verdadeiramente és.

Isto tem a ver, como eu também já disse antes, com o fato de que, diferentemente do que pensamos, este "eu", de quem falamos e que aparentemente passa pelas situações e experiência que escolhemos viver, muitas vezes - a maioria delas, quem sabe? - de forma inconsciente, não tem nada, ou muito pouco tem a ver, com o "Eu Sou", que é o "eu" real e verdadeiro de/em nós mesmas, de/em nós mesmos. É por isso que precisas procurar muito bem em ti mesma, ou de ti mesmo, para ultrapassares todas as imagens que fizeste de ti, a fim de alcançares a verdade a teu respeito.

O amor me criou igual a si mesmo.

É esta verdade a teu respeito que precisas reconhecer e aceitar. É desta verdade que precisas te convencer. É só nela que tens de acreditar. É ela a única verdade a teu respeito. Nada do que pensas separada, ou separado, de Deus e do amor existe. É apenas uma ilusão inventada pelo ego que te diz que és algo diferente do que és, algo diferente e separado de Deus.

Para te livrares da influência do ego e de suas ilusões vai ser preciso que te dediques a fazer o que a lição recomenda a seguir: 

Podes achar necessário repetir a ideia para hoje de vez em quando para substituir pensamentos que distraiam. Também podes achar que isto não é suficiente e que precisas continuar acrescentando outros pensamentos relacionados à verdade a teu respeito. No entanto, talvez sejas bem-sucedido em ir além disso e a atravessar o intervalo da negligência até a consciência de uma luz resplandecente na qual te reconheces tal qual o amor te criou. Confia que hoje farás muito para trazer essa consciência para mais perto, quer sintas que foste bem-sucedido quer não.

Vê bem que não importa como vais te sentir depois das práticas. Melhor dizendo, mesmo que não sintas que foste bem-sucedida, ou bem-sucedido, a lição garante que fizeste muito para trazer para mais perto de ti a consciência de uma luz resplandecente na qual te reconheces como fruto do amor que te criou igual a si mesmo. Lembra-te de que só o ego quer ver os resultados. E os quer imediatamente. Confia no amor que és e deixa que o ego se cale.

Mais do que a repetição da ideia, sua aplicação às situações com que te defrontarás hoje deve servir para que vislumbres em ti a fonte do amor. De todo o amor.

Para tanto, diz a lição:

Será particularmente proveitoso hoje praticar a ideia para o dia tantas vezes quantas puderes. Precisas ouvir a verdade acerca de ti mesmo tão frequentemente quanto possível, porque tua mente está muito distraída com auto-imagens falsas. Seria muito benéfico te lembrares de que o amor te criou igual a si mesmo quatro ou cinco vezes por hora e talvez até mais do que isso. Ouve a verdade a teu próprio respeito nisto.

O amor me criou igual a si mesmo.

Há alguma coisa a se conhecer além disso que possa ter qualquer importância? É claro que não. 

Por fim:

Tenta perceber claramente, nos períodos de prática mais breves, que não é tua voz pequenina e solitária que te diz isto. Esta é a Voz por Deus, lembrando-te de teu Pai e de teu Ser. Esta é a Voz da verdade substituindo tudo o que o ego te diz a teu próprio respeito com a simples verdade a respeito do Filho de Deus. Tu foste criado pelo amor igual a ele mesmo.

É por isso que a ideia de hoje deve ser praticada com toda a atenção de que somos capazes, para que nos possamos perceber como criações do amor, que nos criou a todos e a todas iguais a si mesmo. Isto significa que o que somos, em essência, é amor, é luz. Porque o amor é a única coisa verdadeira que existe. E tudo o que não é amor, ou tudo o que não vem dele, é ilusão e não existe. Ou como o Curso ensina: "tudo o que não é amor é um pedido de amor".

É por isso também que, como eu já disse antes, as práticas de hoje têm importância vital. São elas que vão nos ensinar a limpar e a curar os falsos registros que o tempo, o instrumento de aprendizado de que se vale o ego, fez acumular em nossa mente e substituí-los pela verdade a nosso próprio respeito, que é intemporal e não está sujeita às crenças equivocadas do ego. 

Às práticas?

sábado, 7 de março de 2026

Ouvir a voz do ego ou a Voz por Deus é escolha nossa

 

LIÇÃO 66

Minha felicidade e minha função são a mesma coisa.

1. Tu certamente percebeste ao longo de todas as nossas lições recentes uma ênfase na ligação entre o cumprimento de tua função e a conquista da felicidade. Isto é porque tu não vês realmente a ligação. No entanto, há mais do que apenas uma ligação entre elas; elas são a mesma coisa. Suas formas são diferentes, mas seu conteúdo é perfeitamente igual.

2. O ego trava uma batalha permanente com o Espírito Santo acerca da questão fundamental do que é tua função. Ele também trava uma batalha constante com o Espírito Santo a respeito do que é tua felicidade. Não é uma batalha com dois lados. O ego ataca e o Espírito Santo não reage. Ele sabe qual é tua função. Ele sabe que ela é tua felicidade.

3. Hoje tentaremos ir além desta batalha totalmente sem sentido para chegar à verdade a respeito de tua função. Não nos ocuparemos de discussões inúteis acerca do que ela é. Não ficaremos, de modo incorrigível, envolvidos na definição de felicidade e em estabelecer o meio para alcançá-la. Não vamos favorecer o ego dando ouvidos a seus ataques à verdade. Vamos simplesmente ficar alegres por poder descobrir o que a verdade é.

4. Nosso período de prática mais longo hoje tem por finalidade tua aceitação do fato de que não apenas existe uma ligação muito verdadeira entre a função que Deus te deu e a tua felicidade, mas que elas são, na verdade, idênticas. Deus só te dá felicidade. Por isso, a função que Ele te deu tem de ser a felicidade, mesmo que pareça ser diferente. Os exercícios de hoje são uma tentativa de ir além dessas diferenças de aparência e reconhecer um conteúdo universal onde, na verdade, ele existe.

5. Começa o período de prática com dez a quinze minutos pela revisão destas ideias:

Deus só me dá felicidade.
Ele me dá minha função.
Por isso, minha função tem de ser a felicidade.

Tenta perceber a lógica desta sequência, mesmo que ainda não aceites a conclusão. A conclusão só poderia ser falsa se as duas primeiras ideias estivessem erradas. Vamos pensar, então, a respeito das premissas por um momento enquanto praticamos.

6. A primeira premissa é a de que Deus só te dá felicidade. Isto poderia ser falso, é claro, mas para ser falso é necessário definir Deus como algo que Ele não é. O amor não pode dar o mal e o que não é felicidade é mau. Deus não pode dar o que Ele não tem e Ele não pode ter o que Ele não é. A menos que Deus só te dê felicidade, Ele tem de ser mau. E é nesta definição d'Ele que acreditas, se não aceitas a primeira premissa.

7. A segunda premissa é a de que Deus te dá tua função. Vimos que só existem duas partes na tua mente. Uma é governada pelo ego e é feita de ilusões. A outra é o lar do Espírito Santo, onde a verdade habita. Não existe nenhum guia diferente entre os quais escolher a não ser estes, e nenhum resultado diferente possível como consequência de tua escolha, a não ser o medo que o ego sempre gera, ou o amor que o Espírito Santo sempre oferece para substituir o medo.

8. Deste modo, tua função só pode ser: ou estabelecida por Deus, por meio de Sua Voz, ou feita pelo ego, que fizeste para substituí-Lo. Qual é a verdadeira? A menos que Deus tenha te dado tua função, ela tem de ser a dádiva do ego. O ego, sendo ele mesmo uma ilusão e só oferecendo a ilusão de dádivas, tem realmente dádivas a oferecer?

9. Pensa a respeito disto durante o período de prática mais longo hoje. Pensa também a respeito das muitas formas que a ilusão de tua função toma em tua mente, e nas muitas maneiras pelas quais tentaste achar a salvação sob a orientação do ego. Tu a achaste? Foste feliz? Elas te trouxeram paz? Precisamos de muita honestidade hoje. Lembra-te dos resultados de modo imparcial e pensa também se alguma vez foi racional esperar a felicidade de qualquer coisa que o ego já propôs. Não obstante, o ego é a única alternativa à Voz do Espírito Santo.

10. Tu escutarás a loucura ou ouvirás a verdade. Tenta fazer esta escolha enquanto pensas a respeito das premissas sobre as quais nossa conclusão se baseia. Nós podemos compartilhar esta conclusão, mas nenhuma outra. Pois o Próprio Deus a compartilha conosco. A ideia de hoje é outro passo gigantesco na percepção do mesmo como o mesmo e do diferente como diferente. De um lado ficam todas as ilusões. Toda a verdade fica do outro. Vamos tentar perceber de modo claro hoje que só a verdade é verdadeira.

11. Nos períodos de prática mais breves, que seriam muito proveitosos hoje se fossem feitos duas vezes por hora, sugere-se esta forma de aplicação:

Minha felicidade e minha função são a mesma coisa,
porque Deus me dá ambas.

Não levarás mais do que um minuto, e provavelmente menos, para repetir estas palavras lentamente e pensar a respeito delas por um instante enquanto as dizes.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 66

Caras, caros,

Praticamos nos dois últimos dias com as ideias de que não podemos esquecer nossa função, ou o papel que nos cabe neste mundo de aparências e ilusões, e de que este papel deve se limitar àquele que Deus nos deu. Pode parecer, assim, que, como quer que pensemos o ego, não temos liberdade para escolher o caminho que nos vai levar à alegria e a paz completas e perfeitas. Isto é, falta-nos o tal livre arbítrio, que nos faria tomar o destino em nossas próprias mãos para fazermos o que bem entendermos com nossas vidas. Não é mesmo?

Entretanto, o que todo ser humano busca em sua vida, sabemos, é apenas a felicidade. Às vezes, por caminhos tortuosos e difíceis que o deixam bem próximo do abismo, da loucura, da depressão, do medo de viver e de se entregar ao prazer que lhe oferece a vida, mesmo neste mundo de ilusões. É por isso que a ideia da lição de hoje vem para iluminar as razões por que devemos lembrar de nossa função e de que a única função que temos é aquela que Deus nos deu.

Vejamos, pois:

"Minha felicidade e minha função são a mesma coisa."

Se pensarmos bem, podemos concluir que nada nos deixa mais felizes de que fazer a coisa certa. Quer dizer, aquilo que é, ou parece ser, a coisa certa para nós, seja o que for, no momento em que se apresenta, não é mesmo? Será que algum ou alguma de nós já parou para pensar a razão para isso? Haverá?

Por outro lado, também podemos nos perguntar por que razão muitas vezes escolhemos fazer coisas que não nos deixam felizes, que nos afastam da alegria, coisas que nos tiram a paz de espírito e que decidimos fazer, contrariando, de modo inexplicável, a própria razão/intuição que nos diz que vamos sofrer se fizermos aquilo.

É exatamente disto que trata a lição de hoje. Vejamos:

Tu certamente percebeste ao longo de todas as nossas lições recentes uma ênfase na ligação entre o cumprimento de tua função e a conquista da felicidade. Isto é porque tu não vês realmente a ligação. No entanto, há mais do que apenas uma ligação entre elas; elas são a mesma coisa. Suas formas são diferentes, mas seu conteúdo é perfeitamente igual.

É certo que podemos dizer que a resposta às primeiras perguntas feitas acima se relaciona de forma direta com a ligação que temos com o divino em nós, a razão, ou a parte de nossa mente que mantém contato constante com Deus e com o Espírito Santo que Ele/Ela nos deu para compartilharmos.

O que nos deixa felizes, sem dúvida, mesmo quando não temos consciência disso, é o cumprimento de nossa função. É a aceitação do papel que nos cabe no plano de Deus para a salvação do mundo. Para a nossa salvação também.

Já em relação à pergunta seguinte, a resposta mais óbvia pode ser encontrada no fato de nos acreditarmos separadas e separados de Deus e uns e umas dos outros e das outras. O ego, "o grande impostor", é quem nos convence a tomar decisões que nos afastam da alegria e nos impedem de viver e de perceber que nossa felicidade e nossa função são uma só e mesma coisa.
 
Minha felicidade e minha função são a mesma coisa.

É isso que vamos ver a lição nos dizer em seguida. Ela também vai mostrar a razão pela qual aparentemente existe a possibilidade de escolhermos alguma coisa diferente da felicidade. Vai deixar bem claro a qual orientação damos ouvidos, quando nos decidimos por algo que não pode nos trazer a alegria e a felicidade e a paz de espírito.

Eis aí:

O ego trava uma batalha permanente com o Espírito Santo acerca da questão fundamental do que é tua função. Ele também trava uma batalha constante com o Espírito Santo a respeito do que é tua felicidade. Não é uma batalha com dois lados. O ego ataca e o Espírito Santo não reage. Ele sabe qual é tua função. Ele sabe que ela é tua felicidade.

O desafio que a lição nos oferece é o de abrirmos olhos, ouvidos, mente e coração para aceitar que nada do que possamos fazer que seja diferente de nossa função pode nos fazer felizes. Enquanto não aceitarmos a Vontade de Deus para nós, viveremos o inferno de pensar que existe um mundo de alegria, de paz e de felicidade, mas que não o podemos alcançar, porque não somos dignas e dignos dele, por estarmos separadas de separados de Deus, e por não conhecermos nossa função.

Ora, nada mais equivocado do que isto. Se aceitarmos o desafio que a lição de hoje nos oferece, o milagre que ela traz também vai se apresentar imediatamente. Isto é, se nos abrirmos ao espírito em nós, podemos compreender e, por consequência, aceitar que nossa felicidade está estreitamente ligada a nossa função. Até porque, como costumo dizer, precisamos ter sempre em mente que compreender e aceitar são sinônimos. É por isso que não há como chegar à felicidade, se não aceitarmos cumprir nossa função [o que só pode significar que ainda não a compreendemos, pois só não aceitamos aquilo que não compreendemos].
 
Minha felicidade e minha função são a mesma coisa.

Não há como negar esta ideia se prestarmos bastante atenção ao que lição nos diz a seguir:

Hoje tentaremos ir além desta batalha totalmente sem sentido para chegar à verdade a respeito de tua função. Não nos ocuparemos de discussões inúteis acerca do que ela é. Não ficaremos, de modo incorrigível, envolvidos na definição de felicidade e em estabelecer o meio para alcançá-la. Não vamos favorecer o ego dando ouvidos a seus ataques à verdade. Vamos simplesmente ficar alegres por poder descobrir o que a verdade é.

Nosso período de prática mais longo hoje tem por finalidade tua aceitação do fato de que não apenas existe uma ligação muito verdadeira entre a função que Deus te deu e a tua felicidade, mas que elas são, na verdade, idênticas. Deus só te dá felicidade. Por isso, a função que Ele te deu tem de ser a felicidade, mesmo que pareça ser diferente. Os exercícios de hoje são uma tentativa de ir além dessas diferenças de aparência e reconhecer um conteúdo universal onde, na verdade, ele existe.

Busquemos com toda a atenção, com toda a honestidade e com toda a sinceridade de que somos capazes, nos lembrar mais uma vez de que "todas as coisas cooperam para o bem". Por isso, não importa a forma com que a pessoa, a coisa, a situação ou a circunstância se apresentam em nossa experiência, independentemente de qualquer forma, "todas as coisas cooperam para o bem". 

Dito de outro modo: "a pessoa que vem é a certa" e, em todas, todas, todas as situações e/ou circunstâncias, "aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido". Sempre. Saber disso já não nos coloca próximas e próximos da experiência da felicidade? Não é já o reconhecimento e a aceitação de nossa função? E mais do que saber, aplicar isto em nossos dias já não é trabalhar com o entendimento de que a felicidade está ligada à função?

Minha felicidade e minha função são a mesma coisa.

Dedicar a maior atenção de que somos capazes a cada um dos parágrafos que se seguem a estes, que destaco e que servem de orientação e de preparação para que tiremos o máximo proveito da ideia que a lição traz hoje, é o que vai fazer toda a diferença em nossas práticas.

Como eu já disse várias vezes antes, de acordo com o que ensina o Curso, quando fazemos qualquer escolha, sempre escolhemos entre Céu e inferno. Ouvir a Voz por Deus em nós mesmas e em nós mesmos é escolher o Céu, escolher a felicidade e aceitar nossa função. Ouvir a voz do ego é continuar a escolher o inferno e reforçar a crença na separação. Na verdade, só há uma escolha a ser feita. Saber fazê-la depende apenas de aceitarmos a ideia que a lição nos oferece hoje:
 
Minha felicidade e minha função são a mesma coisa.

Às práticas?

sexta-feira, 6 de março de 2026

É preciso fazermos novas perguntas, questionar tudo

 

LIÇÃO 65

Minha única função é a que Deus me deu.

1. A ideia para hoje reafirma teu compromisso com a salvação. Ela também te lembra de que não tens nenhuma função diferente desta. Estes dois pensamentos são obviamente necessários para um compromisso total. A salvação não pode ser o único objetivo que manténs, enquanto ainda nutrires outros. A completa aceitação da salvação como tua única função envolve necessariamente duas fases; o reconhecimento da salvação como tua única função e o abandono de todas as outras metas que inventas para ti mesmo.

2. Esta é a única maneira pela qual podes assumir teu lugar legítimo entre os salvadores do mundo. Esta é a única maneira a partir da qual podes dizer com propriedade: "Minha única função é a que Deus me deu". Esta é a única maneira pela qual podes achar a paz de espírito.

3. Hoje, e nos próximos dias, reserva de dez a quinze minutos para um período de prática mais longo, no qual tentas compreender e aceitar o que a ideia para o dia, de fato, significa. A ideia de hoje te oferece saída para tudo o que consideras serem tuas dificuldades. Ela coloca em tuas próprias mãos a chave da porta para a felicidade, que fechas para ti mesmo. Ela te dá a resposta para toda busca que fazes desde que o tempo teve início.

4. Tenta, se possível, empreender os períodos prolongados de prática diária mais ou menos no mesmo horário a cada dia. Tenta também definir este horário com antecedência e, então, ser tão fiel a ele quanto possível. O objetivo disto é organizar teu dia de forma que reserves tempo para Deus tanto quanto para os objetivos e metas corriqueiros que buscarás. Isto é parte do treinamento disciplinar de longo alcance de que tua mente necessita, a fim de que o Espírito Santo possa usá-la de modo coerente para o objetivo que Ele compartilha contigo.

5. Nos períodos de prática mais longos, começa pela revisão da ideia para o dia. Em seguida, fecha os olhos, repete a ideia para ti mesmo mais uma vez e observa a tua mente com bastante cuidado para captar quaisquer pensamentos que passem por ela. Em primeiro lugar, não faças nenhuma tentativa de te concentrares apenas nos pensamentos afins à ideia para o dia. Em lugar disso, tenta descobrir cada pensamento que surgir para se opor a ela. Observa cada um enquanto ele chega a ti, com o menor envolvimento ou interesse possível, descartando-os um a um, ao dizeres a ti mesmo:

Este pensamento reflete uma meta que
me impede de aceitar minha única função.

6. Depois de algum tempo, será mais difícil achar pensamentos de intromissão. Experimenta, porém, continuar por cerca de um minuto mais, para tentar captar alguns dos pensamentos vãos que escaparam a tua atenção antes, mas não te canses nem recorras a um esforço indevido para fazê-lo. Em seguida, dize a ti mesmo:

Que minha função verdadeira seja escrita
para mim neste espaço em branco.

Não é necessário que uses exatamente estas palavras, mas tenta obter a sensação de estar disposto a deixar que tuas ilusões de metas sejam substituídas pela verdade.

7. Finalmente, repete a ideia para hoje mais uma vez e dedica o tempo restante do período de prática a tentar concentrar tua atenção na importância dela para ti, no alívio que sua aceitação te trará ao resolver teus conflitos de uma vez por todas, e no quanto queres realmente a salvação apesar de tuas próprias ideias tolas em contrário.

8. Nos períodos de práticas mais breves, que devem ser empreendidos ao menos uma vez por hora, utiliza esta forma para a aplicação da ideia de hoje:

Minha função é a que Deus me deu.
Eu não quero e não tenho nenhuma outra.

Fecha os olhos algumas vezes ao praticar isto e outras mantém-nos abertos e olha a tua volta. É o que vês que mudará por completo quando aceitares inteiramente a ideia de hoje.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 65

Caras, caros,

Caso ainda não tenhamos nos dado conta de que cada um e cada uma de nós tem, no mundo das aparências e ilusões, apenas de cumprir o papel que lhe está destinado para alcançar a alegria e a paz completas e perfeitas, que é o que o Curso diz ser a Vontade de Deus para cada um, cada uma e todos e todas nós, precisamos ficar muito atentos, atentas, à ideia que a lição de hoje nos oferece para as práticas.

Comecemos? 

"Minha única função é a que Deus me deu."

Tomara soubéssemos de verdade isso que a lição nos diz e aceitássemos o desafio que é reconhecer que não temos nenhuma outra função que não aquela que nos é dada por Deus. Mesmo que ainda não saibamos qual é ela, mesmo que não a compreendamos, quando formos apresentados a ela. E, com certeza, mais dia, menos dia, seremos.

Qual é, pois, esta função?

Há que se mergulhar o mais profundamente possível no silêncio, em direção ao mais íntimo em nós mesmos e de nós mesmas, para chegar à aceitação de que só seremos de fato felizes quando nos decidirmos a assumir o papel que nos cabe na salvação do mundo. E qual é este papel?

Vejamos como a lição diz isso:

A ideia para hoje reafirma teu compromisso com a salvação. Ela também te lembra de que não tens nenhuma função diferente desta. Estes dois pensamentos são obviamente necessários para um compromisso total. A salvação não pode ser o único objetivo que manténs, enquanto ainda nutrires outros. A completa aceitação da salvação como tua única função envolve necessariamente duas fases; o reconhecimento da salvação como tua única função e o abandono de todas as outras metas que inventas para ti mesmo.

Isto equivale a dizer que tudo o que fazemos com um objetivo diferente - isto é, pensando que podemos ter um objetivo diferente - do da salvação é apenas um tipo de distração. Uma distração que visa a adiar o momento de tomarmos a decisão pelo Céu. No entanto, como o Curso ensina: enquanto não escolheres o Céu, estás no inferno e no sofrimento. 

No fundo, no fundo, no mais íntimo de nós mesmos, de nós mesmas, cada um e cada uma de nós sabemos de que forma vamos chegar à salvação. De que modo vamos ser capazes de levá-la a tudo. a todos e a todas no mundo. Porque nenhum de nós, nenhuma de nós, é feliz, ou vive apenas a alegria de ser, enquanto não está fazendo o movimento que nos põe na sintonia do divino. Aquela sintonia que nos permite conhecer nossa função. E cumpri-la.

Minha única função é a que Deus me deu.

É exatamente isso que a lição diz a seguir:

Esta é a única maneira pela qual podes assumir teu lugar legítimo entre os salvadores do mundo. Esta é a única maneira a partir da qual podes dizer com propriedade: "Minha única função é a que Deus me deu". Esta é a única maneira pela qual podes achar a paz de espírito.

Se reconhecemos e aceitamos que a Vontade de Deus para nós é a mesma que nossa vontade para nós mesmos, ou para nós mesmas, não há como negar que é na alegria que encontramos a paz de espírito. E só podemos achar a alegria duradoura quando vivemos, se não na certeza, na confiança de que o plano de Deus para a salvação é o único que pode dar certo e que, é claro, todos, todas e cada um e cada uma de nós somos partes importantes nesse plano.

Tanto é assim que há um ponto no texto em que lemos: o Próprio Deus é incompleto sem mim.

Minha única função é a que Deus me deu.

Repetindo o que eu já disse tantas outras vezes, não é a busca de respostas que vai nos levar à meta. O que precisamos fazer, na verdade, é aprender a fazer as perguntas certas. Nova perguntas. Aprender a fazer aquelas perguntas que nos ofereçam os desafios necessários para que nos movamos em direção à tomada de decisão. Aprender a fazer novas perguntas a cada instante, questionando tudo o que o mundo e seu sistema de pensamento nos oferece como resposta. E mais do que apenas isso, aprender a esperar para ouvir a resposta no silêncio. Porque, como o Curso ensina também, é muito fácil distinguir se a voz que ouvimos é a do ego ou é a Voz por Deus: o ego sempre fala primeiro. Repetindo: o ego é aquela voz que sempre fala primeiro, que não se contém. Há, pois, que se ir mais fundo no mergulho interior, então, se quisermos de fato ouvir a Voz por Deus.

Já pensaram o que aconteceria, se não tivéssemos nenhuma pergunta mais a fazer?

É por isso que o Curso ensina, como lembrou Tara Singh, que não é necessário compreender. Mas há que se praticar. Há que se buscar aplicar as ideias que as lições nos oferecem. É a aplicação delas em cada momento de nossa vida, em cada situação, em cada novo encontro com as pessoas, que vai nos convencer a olhar de modo diferente para tudo e para todos.

É como a lição diz, por exemplo:

... A ideia de hoje te oferece saída para tudo o que consideras serem tuas dificuldades. Ela coloca em tuas próprias mãos a chave da porta para a felicidade, que fechas para ti mesmo. Ela te dá a resposta para toda busca que fazes desde que o tempo teve início.

Mas isso vai depender de aceitares o que de fato significa a ideia para as práticas deste dia. Vai depender também de estares disposto a seguir o restante das orientações que o Curso dá para as práticas e de te comprometeres honesta e sinceramente a lembrar de aplicar a ideia ao teu dia.

Minha única função é a que Deus me deu.

As práticas com esta ideia podem fazer com que nos demos conta de que, em geral, nossas ações e pensamentos no mundo não são nada mais do que um modo de esconder de nós mesmos e de nós mesmas quem de fato somos. De esconder de nós mesmos e de nós mesmas que sabemos qual é nossa função. De que sabemos o que nos dá a alegria plena e verdadeira, mas que não temos coragem, de fazer o que é preciso fazer para viver a partir da decisão de cumprir nossa função no mundo, por nos julgarmos de um modo ou de outro. 

Nesta brincadeira de pensar e agir no mundo como se ele de fato existisse e tivesse algum valor, somos levados e levadas a crer que há alguma coisa que precisa ser mudada. Algo que pode ser melhorado. Às vezes, em nós mesmos, em nós mesmas, às vezes, nas outras pessoas, esquecendo-nos a maior parte do tempo de que nós também somos as outras pessoas e elas são nós também. Muitas vezes achamos que há algo que pode ser melhorado no mundo. Mas quem, a não ser o ego, pode imaginar que é possível melhorar a Criação?

E quem, a não ser o ego, quer compreender o mundo e buscar respostas para os acontecimentos e situações? Só o ego, cuja atividade é apenas a de disfarçar aquilo que vemos para nos convencer a acreditar que há alguma coisa de valor no mundo, quer compreender. Só o ego acredita que há algo de valor neste mundo. Algo que possamos querer. Algo fora de nós mesmos e de nós mesmas que possa nos levar a alegria, que possa nos dar a paz. Mas, lembremo-nos, não há nada fora.

O que acontece na maioria das vezes é que, ao embarcarmos em uma linha de pensamento, buscando soluções para problemas que enfrentamos pessoalmente ou que pensamos que outras pessoas enfrentam, não percebemos que é esta mesma linha de pensamento em que embarcamos que nos impede de manter presente a ideia que a lição nos pede para praticarmos hoje. Como ela mesmo diz para refletirmos a respeito de determinados pensamentos, quando nos pomos a observá-los: 

Este pensamento reflete uma meta 
que me impede de aceitar minha única função.

Não é assim que se apresentam a nós muitos dos problemas com que temos de lidar? Não é assim que eles se perpetuam em nossa experiência, como se não houvesse uma forma de viver que não envolvesse lidar com milhares de problemas diferentes. Todos são o mesmo. E derivam do único problema que, de fato, precisamos resolver: a crença na separação. 

Thomas Merton, em um livro publicado postumamente, intitulado "A experiência interior", diz o seguinte: 

"Uma das estranhas leis da vida contemplativa [esta vida que leva em conta a necessidade do contato diário com o divino e com as coisas do espírito em nós] é que nela você não se senta para resolver problemas, você simplesmente os suporta até que, de algum modo, se resolvam sozinhos, ou até que a própria vida os resolva para você. Normalmente, a solução consiste em descobrir que os problemas só existiam por estarem inseparavelmente ligados a nosso próprio eu exterior e ilusório [o ego, a imagem de nós mesmos ou de nós mesmas que construímos a partir da crença na separação]. Assim, a solução da maioria desses problemas vem com a dissolução desse falso eu."

E isso se dá - a dissolução do falso eu - com a busca da consciência da Presença de Deus em nós. Ele/Ela é o Único Poder. Não há nada fora d'Ele/d'Ela, assim como não há nada fora de nós. Tudo aquilo para que olhamos é apenas a materialização de nossos pensamentos como que numa tela de cinema. E o melhor de tudo é que o filme a que assistimos só pode ter um final para todos e todas nós à luz da consciência do divino: a alegria completa e perfeita.

Para tanto, basta que aceitemos e pratiquemos e apliquemos a ideia da lição de hoje: 

Minha única função é a que Deus me deu. 

Às práticas?