terça-feira, 7 de julho de 2026

A Vontade de Deus só se pode realizar aqui e agora

 

LIÇÃO 188

A paz de Deus brilha em mim agora.

1. Por que esperar pelo Céu? Aqueles que buscam a luz estão apenas cobrindo seus olhos. A luz está neles agora. A iluminação é apenas um reconhecimento, não uma mudança em absoluto. A luz não é do mundo, porém tu que podes carregar a luz em ti também és um estranho aqui. A luz veio contigo de teu lar de origem e ficou contigo porque é tua. Ela é a única coisa que trazes contigo d'Aquele Que é tua Fonte. Ela brilha em ti porque ilumina teu lar e te conduz de volta ao lugar de onde ela veio e aonde estás em casa.

2. Esta luz não pode ser perdida. Por que esperar para encontrá-la no futuro ou acreditar que ela já se perdeu ou nunca existiu? Ela pode ser vista tão facilmente que os argumentos que provam que ela não existe são ridículos. Quem pode negar a presença daquilo que vê em si mesmo? Não é difícil olhar para dentro, pois toda a luz começa aí. Não há nenhuma visão, seja de sonhos ou de uma Fonte mais verdadeira, que não seja uma sombra daquilo que se vê a partir da visão interior. Aí a percepção começa e aí ela termina. Ela não tem nenhuma fonte a não ser esta.

3. A paz de Deus brilha em ti agora e se estende ao mundo inteiro desde o teu coração. Ela pára para acariciar toda coisa viva e deixa nelas uma bênção que permanece para todo o sempre. Aquilo que ela dá tem de ser eterno. Ela retira todos os pensamentos do efêmero e do sem valor. Ela traz renovação a todos os corações cansados e ilumina todas as visões à medida que passa. Todas as suas dádivas são dadas a todos e todos se unem para dar graças a ti que dás e a ti que recebes.

4. O brilho em tua mente lembra o mundo daquilo que ele esqueceu e o mundo, do mesmo modo, te devolve a lembrança. A salvação se irradia de ti com dádivas incomensuráveis, dadas e devolvidas. O Próprio Deus agradece a ti, o doador da dádiva. E, em Sua bênção, a luz em ti brilha de modo mais claro, somando-se às dádivas que tens para oferecer ao mundo.

5. A paz de Deus nunca pode ser contida. Aquele que a reconhece em si mesmo tem de dá-la. E os meios para dá-la estão em sua compreensão. Ele perdoa porque reconhece a verdade em si. A paz de Deus brilha em ti agora, e em todas as coisas vivas. Na tranquilidade ela é reconhecida universalmente. Pois aquilo para que olha tua visão interior é tua percepção do universo.

6. Senta calmamente e fecha os olhos. A luz dentro de ti é suficiente. Só ela tem o poder para te dar a dádiva da visão. Exclui o mundo exterior e deixa que teus pensamentos voem para a paz interior. Eles conhecem o caminho. Pois pensamentos honestos, imaculados pelo sonho de coisas do mundo exterior a ti mesmo, se tornam os mensageiros santos do Próprio Deus.

7. Estes pensamentos tu pensas com Ele. Eles reconhecem seu lar. E apontam para sua Fonte, Onde Deus Pai e Filho são um. A paz de Deus brilha neles, mas eles têm de permanecer contigo também, pois nasceram em tua mente, da mesma forma que a tua nasceu na de Deus. Eles te conduzem de volta à paz, de onde vieram apenas para te lembrar como tens de voltar.

8. Eles atendem à Voz de teu Pai quando te recusas a escutar. E eles te pedem com insistência e de forma paciente que aceites Sua Palavra como aquilo que és, em vez de fantasias e sombras. Eles te lembram de que és o co-criador de todas as coisas que vivem. Pois do mesmo modo que a paz de Deus brilha em ti, ela tem de brilhar sobre elas.

9. Hoje praticamos chegar mais perto da luz em nós. Tomamos nossos pensamentos inconstantes e os levamos delicadamente de volta ao lugar em que eles se alinham com todos os pensamentos que compartilhamos com Deus. Não deixaremos que eles se desviem. Deixamos a luz dentro de nossas mentes orientá-los a virem para casa. Nós os traímos, ordenando que se afastassem de nós. Mas agora pedimos que voltem e os limpamos de desejos estranhos e de anseios confusos. Devolvemos a eles a santidade de sua herança.

10. Deste modo, nossas mentes se recuperam com eles e reconhecemos que a paz de Deus ainda brilha em nós e, a partir de nós, em todas as coisas vivas que compartilham nossa vida. Nós perdoaremos a todas, absolvendo o mundo inteiro daquilo que pensávamos que ele fez a nós. Pois somos nós que fazemos o mundo do modo que o queremos. Agora escolhemos que ele seja inocente, livre de pecado e aberto à salvação. E depositamos sobre ele nossa bênção salvadora, ao dizermos:

A paz de Deus brilha em mim agora.
Que todas as coisas brilhem sobre mim nesta paz,
e que eu as abençoe com a luz em mim.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 188

Caras, caros,

Conforme já vimos no ensinamento o único tempo que existe de fato é o presente. Quer dizer, aqui e agora. Todas as questões que temos em relação ao tempo se referem apenas à ilusão de que existiu um tempo antes deste que estamos vivendo: o passado, que, como a palavra diz, já passou, e à de que além deste tempo que vivemos haverá um tempo ainda por vir: o futuro, que só existe como expectativa ilusória de que há algo que precisamos fazer para ir adiante.

O fato de acreditarmos em um tempo linear, que se desloca num espaço que não sabemos definir qual é, complica enormemente as possibilidade que temos de viver plenamente. Por quê? Porque quando não estamos pensando em alguma coisa que "aconteceu" e, por isso, não vivemos o momento de modo pleno, estamos distraídos, ou distraídas, fantasiando o que gostaríamos que viesse a acontecer daqui a pouco, amanhã, depois, num tempo que ainda não existe.

Como o Curso afirma, quando não estamos com a mente no passado, nos a colocamos no futuro. E não vivemos, não saboreamos, não aproveitamos nada, ou praticamente nada, do presente, o único tempo que existe, o único tempo em que de fato podemos viver.

É também a isto que se relacionam as práticas com a ideia que temos para este dia.

"A paz de Deus brilha em mim agora."

Hoje, vamos explorar mais uma vez a ideia que quer nos levar à tomada da decisão de acabar com a espera pelo Céu. Uma ideia que quer que nos conscientizemos de que não há necessidade de nenhuma espera, se, de fato, queremos viver o Céu na terra. O que causa a aparente demora e adia o momento em que vamos reconhecer que a Vontade de Deus e a nossa são a mesma é nossa falta de convicção. E só nossa falta de convicção que nos impede de tomar a decisão de uma vez por todas. 

Interessante é notar que, quando falamos a respeito do tempo - pensando que é possível adiar qualquer ação -, estamos apenas reforçando nossa crença em um tempo linear, que não existe a não ser na ilusão. Um tempo a que nos referimos como passado, presente e futuro, que se sobrepõem um ao outro, mas que aparentemente existem de forma independente e separada, como já vimos antes aqui.

Na verdade, conforme o Curso afirma, o único tempo que existe é o presente, o agora, e o agora, o presente, é o tempo que mais se assemelha à eternidade. Aliás, a eternidade só pode se comparar ao presente. Assim, podemos perceber que tudo o que acontece só pode acontecer no tempo certo, e que tudo está no lugar certo em todos os momentos em que olharmos para o mundo, pois não há como ser de outra forma.

O ensinamento nos autoriza a pensar, salvo engano de interpretação - e me corrijam, por favor, se eu estiver vendo de forma equivocada -, que não há atrasos na vida. Tudo acontece a seu tempo, no tempo certo, o tempo inteiro [lembremo-nos da terceira e da quarta leis espirituais que se ensina na Índia: Quando você começa alguma coisa, é o momento certo; e quando alguma coisa acaba, termina de fato]. 

Por isso, se alguma coisa ainda não aconteceu, ela não aconteceu simplesmente porque não era sua hora de acontecer. Ou alguém ainda pode ter dúvida disso? E se alguma coisa que algum ou alguma de nós vive ainda não terminou, é porque ela ainda não está acabada. Quer dizer, se não acabou é porque ainda não aprendemos com ela tudo o que ela queria nos ensinar. Ou porque ainda não aprendemos com ela tudo o que escolhemos aprender, pois ela só se apresentou porque a pedimos, mesmo que não tenhamos consciência disso o tempo todo. 

Assim, entender que algo pode acontecer fora do tempo certo - isto é, antes ou depois do momento em que acontece - apenas atesta o equívoco de  nossa percepção a respeito do tempo. É como se diz comumente - e de forma equivocada - de alguém, [ou de nós mesmos e de nós mesmas, às vezes], que ele (ou ela) estava no lugar errado na hora errada. Ora, isso é impossível. Sempre estamos no lugar certo e na hora certa, aonde quer que estejamos. É só lá que podemos estar. No lugar certo, seja ele o que for. Na hora que for.

Repetindo algo que eu já disse antes, o Curso nos afiança que seu ensinamento não está além do aprendizado imediato, a menos que acreditemos que "a Vontade de Deus leva tempo" para se realizar. E acreditar nisto significa apenas que preferimos adiar o reconhecimento de que tudo o que somos e vivemos, na verdade, é parte da Vontade de Deus. Fora da Vontade d'Ele/Ela só podemos experimentar ilusões. Pois a Vontade de Deus sempre se realiza num tempo fora do tempo [linear, ilusório], que é o presente: o aqui e agora, seja o momento que for.

Referindo-se à prática do instante santo, o texto nos assegura de que "o instante santo é este instante e todos os instantes". É, em razão disto, aquele que quisermos que seja. Cabe a nós a tomada da decisão de quando ele será, e não podemos trazê-lo à consciência enquanto não o quisermos de verdade. Assim como não podemos materializar em nossa vida nada que não esteja em nossos pensamentos.

De certa forma, entendo que a lição de hoje começa dizendo a mesma coisa de outro modo. Isto é, que não há necessidade de esperarmos pelo Céu, podemos vivê-lo agora e em qualquer instante em que decidirmos aceitar para nós, como nossa vontade em sintonia com o divino em nós, que tudo o que desejamos é viver o Céu em nossas vidas. Cabe-nos apenas tomar esta decisão. Por que não agora? Por quanto tempo ainda pensamos poder adiar a tomada de decisão? Quanto ainda acreditamos que há para se aprender com a experiência da ilusão? Há, de fato, alguma coisa que a ilusão nos possa ensinar? 

As pessoas que buscam a luz apenas cobrem os olhos, pois a luz está em nós o tempo todo. Ou seja, não existe uma situação em que estejamos afastados, ou afastadas, da luz e nem um instante que não seja santo, mesmo que na ilusão de mundo que construímos ou inventamos pensemos haver coisas não santas, devidas à escuridão.

As práticas, como digo constantemente e como o Curso diz, podem - e vão - nos ensinar isto. 

A elas?

segunda-feira, 6 de julho de 2026

A habilidade de aprender que não se sabe é sabedoria

 

LIÇÃO 187

Abençoo o mundo porque abençoo a mim mesmo.

1. Ninguém pode dar a menos que tenha. De fato, dar é a prova de ter. Já estabelecemos este ponto antes. O que parece tornar difícil de acreditar nele não é isto. Ninguém pode duvidar de que primeiro tens de possuir o que queres dar. É na segunda fase que o mundo e a percepção verdadeira divergem. Depois de teres e dares, o mundo afirma, então, que perdeste o que possuías. A verdade assegura que dar vai aumentar o que tens.

2. Como isto é possível? Pois é certo que, se dás uma coisa finita, os olhos do teu corpo não a perceberão como tua. No entanto, aprendemos que as coisas apenas representam os pensamentos que as criaram. E não te falta prova de que quando dás ideias tu as reforças em tua própria mente. Talvez a forma com que o pensamento parece surgir mude ao dar. Porém, ele tem de voltar àquele que dá. E a forma que ele assume também não pode ser menos aceitável. Tem de ser mais.

3. Primeiro as ideias têm de te pertencer antes que as dês. Se tens de salvar o mundo, primeiro aceitas a salvação para ti mesmo. Mas não acreditarás que isto aconteceu até que vejas os milagres que isto traz a todos para quem olhas. Nisto se esclarece a ideia de dar e ela adquire significado. Agora podes perceber que, por tua doação, tua riqueza aumenta.

4. Protege todas as coisas que prezas pelo ato de doá-las e terás certeza de que nunca as perderás. Aquilo que pensavas não ter vai se provar teu deste modo. Não valorizes, porém, sua forma. Pois esta mudará e ficará irreconhecível no tempo, por mais que tentes mantê-la a salvo. Nenhuma forma dura. É a ideia por detrás da forma das coisas que vive, imutável.

5. Dá com alegria. Só podes ganhar deste modo. O pensamento permanece e ganha força quando é reforçado pela doação. Os pensamentos se estendem na medida em que são dados, pois não podem se perder. Não existe nenhum doador ou receptor no sentido que o mundo os concebe. Há um doador que conserva; outro que também dará. E ambos têm de ganhar nesta troca, pois cada um terá o pensamento na forma mais útil para si. O que alguém parece perder é sempre alguma coisa que ele valorizará menos do que aquilo que certamente lhe será devolvido.

6. Não te esqueças nunca de que só dás a ti mesmo. Aquele que entende o que significa dar tem de rir da ideia de sacrifício. E também não pode deixar de reconhecer as muitas formas que o sacrifício pode assumir. Ele também ri da dor e da perda, da doença e do sofrimento, da pobreza, da fome e da morte. Ele reconhece que o sacrifício continua a ser a única ideia por trás de todas estas coisas e em sua risada tranquila elas são curadas.

7. Reconhecida, a ilusão tem de desaparecer. Não aceites o sofrimento e eliminas a ideia de sofrimento. Tua bênção pousa sobre todos os que sofrem, quando escolhes ver todo o sofrimento como ele é. A ideia do sacrifício dá origem da todas as formas que o sofrimento parecer assumir. E o sacrifício é uma ideia tão louca que a sanidade a elimina imediatamente.

8. Nunca acredites que podes sacrificar. Não há nenhum lugar para o sacrifício naquilo que tem algum valor. Se o pensamento acudir, a própria presença dele prova que o erro surgiu e que tem de se fazer a correção. Tua bênção o corrigirá. Dada primeiro a ti, ela agora é tua para dares também. Nenhuma forma de sacrifício e sofrimento pode durar o bastante diante do rosto daquele que se perdoa e se abençoa.

9. Os lírios que teu irmão te oferece estão depositados sobre teu altar, com os que lhe ofereceste ao lado deles. Quem poderia ter medo de olhar para tão bela santidade? A grande ilusão do medo de Deus se reduz a nada diante da pureza que verás aqui. Não tenhas medo de olhar. A ventura que verás afastará toda ideia de forma e deixará em seu lugar a dádiva perfeita sempre presente, destinada a crescer para sempre, tua eternamente, para ser dada incessantemente.

10. Agora somos um em pensamento, pois o medo se foi. E aqui, diante do altar do único Deus, do único Pai, do único Criador e do único Pensamento, estamos juntos como um único Filho de Deus. Não separados d'Aquele Que é nossa Fonte; não distantes de um só irmão que é parte de nosso único Ser, Cuja inocência se uniu a nós todos como um só, permanecemos em bem-aventurança e damos do mesmo modo que recebemos. O Nome de Deus está em nossos lábios. E, ao olharmos para dentro, vemos a pureza do Céu brilhar em nosso reflexo do Amor de nosso Pai.

11. Agora somos abençoados e agora abençoamos o mundo. Queremos estender aquilo para que olhamos, porque queremos vê-lo em todos os lugares. Queremos vê-lo brilhar com a graça de Deus em todos. Não queremos que ele seja negado a nada do que vemos. E, para garantir que esta visão santa seja nossa, nós a oferecemos a tudo o que vemos. Pois aonde a virmos ela nos será devolvida na forma de lírios que podemos depositar em nosso altar, transformando-o em um lar para a Própria Inocência, Que habita conosco e nos oferece a Santidade d'Ela como sendo nossa.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 187

Caras, caros,

Uma pergunta para começar: alguma, algum, de vocês tem absoluta certeza de alguma coisa em sua vida?

Não? Por que será?

Não será porque nada é certo e tudo é duvidoso neste mundo de ilusões? Ou será que entre todas as ilusões que criamos, inventamos, para tentar encontrar alguma paz de espírito em nossos dias, estará também a certeza de que sabemos, de fato, alguma coisa?

O Curso nos aconselha, a certa altura, a questionarmos tudo o que pensamos saber. Não precisamos compreender nada. Não precisamos saber nada. Aliás, parece-me, vive melhor esta ilusão a pessoa que não tem pretensões a saber de nada. A que se deixa levar pela vida, como diz a letra de uma música popular de não muito tempo atrás.

É para se valorizar a ideia de que vale a pena duvidar de tudo o que nos informam os sentidos, pela via do sistema de pensamento do ego, que se prestam nossas práticas com as ideias que o ensinamento nos oferece dia a dia. Não é diferente com a ideia que vamos praticar hoje. 

"Abençoo o mundo porque abençoo a mim mesmo."

Assim convido vocês, uma vez mais, a fazerem comigo um exercício mental, como já fizemos anteriormente. E, de novo, cada um para si mesmo, ou cada uma para si mesma, da forma mais honesta e sincera possível. Vamos nos perguntar e responder o quanto nos amamos. Isto é, podemos formular as perguntas assim, por exemplo: Quanto amor de verdade eu dedico a mim mesmo, a mim mesma? Eu [o eu sou que sou] estou no centro de minha vida? A coisa mais importante no mundo para mim é o que sou [o eu sou que sou]? Sou capaz de me amar apesar de todas as circunstâncias, em todas as situações? E, sejam elas quais forem e faça eu o que fizer, não importa em que momento de minha vida, estou decidido, decidida, a continuar me amando e acreditando que mereço vir em primeiro lugar no meu mundo?

O que este exercício vai revelar? Vai revelar a cada um e a cada uma de nós a razão pela qual o mundo que vivemos é assim como é para nós. Se, em primeiro lugar, não nos amamos inteira e completamente como somos, não seremos jamais capazes de amar ninguém. Nem Deus. Se o amor que oferecemos a nós mesmos e a nós mesmas é o maior que podemos oferecer, vamos ser capazes de perceber que só as pessoas amorosas permanecem a nossa volta e aumentam em nós o amor que temos por nós, assim como aumenta nossa capacidade de amar tudo, todas e todos no mundo. Amar o que somos acima de todas as coisas, situações e circunstâncias, equivale a amar a Deus sobre todas as coisas. Pois o Eu Sou o Que Sou é o mesmo Eu Sou o Que Sou que Deus É. 

Amor, a partir do ensinamento do Curso, é sinônimo de pureza, de inocência, de verdade, de luz, de liberdade, de fé, de convicção e certeza - mesmo na dúvida -, de abundância e de plenitude. Amor é o que Deus é e o que somos n'Ele/n'Ela, com Ele/Ela. Assim é que amar a mim mesmo, a mim mesma, é o melhor que posso fazer para abençoar o mundo e, por extensão, abençoar a tudo, a todas e a todos, e receber todas dádivas de Deus em mim. 

Outro dia, há já algum tempo, assisti no facebook, pela postagem de alguém, um vídeo daquele "filósofo" careca (?) de sobrenome Kamal, que adora uma platitude, vocês já viram? Ele falava a respeito de ética, dizendo que só as pessoas éticas têm amigos e mantêm as amizades ao longo de suas vidas. É claro que não é necessário dizer que para se ser ético é preciso que nos amemos. Pois só assim podemos amar nossos amigos e amigas. E, quem sabe?, até nossos inimigos e inimigas.

É por isso que as práticas da ideia que o Curso nos oferece para hoje podem - e vão - nos revelar uma vez mais, se ainda não o sabemos, o quanto recebemos [de nós mesmos, ou de nós mesmas, pois, uma vez que não há nada fora, é só de nós mesmos e de nós mesmas que podemos receber] e a forma pela qual podemos fazer multiplicar os dons recebidos.

De acordo com o que ensina Joel Goldsmith, no livro A Arte de Curar pelo Espírito,  em capítulo intitulado Uma nova concepção de suprimento, de já lhes falei outras vezes, "o suprimento dos bens da vida é uma das coisas mais simples que um principiante no caminho espiritual pode realizar". 

Precisamos, porém, estar atentos e atentas ao fato de que há uma grande diferença entre "a verdade espiritual que subjaz ao suprimento e a concepção humana desse suprimento". 

É interessante notar a correspondência entre o que Goldsmith ensina e o que o Curso nos diz na lição que praticamos hoje. Diz ele: "Em sentido espiritual, ser suprido dos bens da vida, não quer dizer receber algo, mas sim dar algo". O que é bem o contrário do que se pensa no sentido humano. 

Ele afirma isso porque, em seu modo de ver, "no plano espiritual, não existe nenhum caminho para realizar o plano como tal: tal processo seria impossível, uma vez que todos os bens do céu e da terra já estão dentro de ti, neste momento, razão por que toda e qualquer tentativa de receberes de fora o suprimento desses bens" está fadada ao fracasso. Pois, como ele diz,  "não existe nenhum processo de subsistência fora do teu ser. Se quiseres fruir a plenitude daquilo de que necessitas para tua vivência, tens de abrir um caminho [interior] pelo qual essa plenitude possa fluir e se manifestar".  

Isto também é o que ensina Elio D'Anna, em seu livro, A Escola dos Deuses. Se não soubermos alimentar a abundância, a riqueza, a beleza, a inocência e a pureza do Ser que somos internamente, não há como ver essas coisas todas "fora". O "fora", como já aprendemos, é apenas um reflexo do que trazemos dentro. Assim, quando não nos acreditamos merecedores e merecedoras disto ou daquilo, ou quando alimentamos dúvidas acerca de algo que desejamos, pensando que é possível que não o alcancemos, contribuímos para que se materialize em nossa experiência aquilo que está no fundo, em forma de crença, e não o que vem à superfície em forma de pensamento.

Isto quer dizer, como o Curso ensina, que todas as limitações são sempre auto impostas, como também já vimos anteriormente. Basta que coloquemos nossa atenção em algo, o que quer que seja, para que este algo se materialize. E isto tanto para o nosso bem e para a nossa alegria, quanto para o nosso sofrimento e tristeza. É aquilo em que acreditamos que acontece. [ATENÇÃO, MUITA ATENÇÃO: É aquilo em que acreditamos que acontece.] Em toda e qualquer circunstância. Lembram-se da segunda lei espiritual que se aprende na Índia: Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido

Aproveitemos também novamente para nos lembrarmos do que o rabino Nilton Bonder diz, em seu livro Fronteiras da Inteligência: "a sabedoria não é um saber, mas a habilidade de aprender". Isto é o mesmo que dizer, como já se disse muitas vezes, que a sabedoria começa para alguém quando ele, ou ela, reconhece que não sabe. E, claro, quando se abre para aprender. 

Ele também diz que "a única forma que se tem de chegar à certeza é pela dúvida. E [que] mesmo assim essa certeza [a que vem], ou qualquer certeza que pensemos ter, deve estar eternamente aberta à dúvida. Ou, em outras palavras, ainda pertencer à categoria da dúvida". Para ele, "a espiritualidade não foge a esta regra da 'inteligência'. Ao contrário do que muitos pensam, a fé não é formada de certezas, mas de dúvidas trabalhadas de forma sensível e sofisticada".

Mas estas dúvidas desaparecem quando chegamos ao conhecimento, que, apesar de não ser o objeto de que se ocupa o ensinamento do Curso, nos espera quando nos rendemos por completo a Deus. Isto é, quando nos abandonamos por inteiro na certeza de que nosso único desejo é fazer o que é a Vontade d'Ele. Quando deixamos de lado a crença na separação.

Alan Watts, no livro God [Deus], para dizer a mesma coisa de outro modo, afirma que a "fé é um estado de abertura ou confiança" e que "a entrega é a atitude fundamental da fé". O que não significa que não se pode ter dúvidas. Estas, contudo, quando existirem - e acho que sempre vão existir -, também têm de fazer parte da entrega.

Da mesma forma, o Curso, em um de seus exercícios, convida, a certa altura, a abandonarmos tudo, inclusive o próprio Curso, e buscarmos o encontro com o Ser no mergulho mais profundo em nós mesmos, em nós mesmas, aonde vamos ser capazes de ouvir distintamente a Voz por Deus.

Lembremo-nos ainda mais uma vez da Oração de São Francisco, que afirma que "é dando que se recebe", palavras a que raramente damos atenção, porque distraídos de nós mesmos, de nós mesmas a maior parte do tempo. Quantas vezes já ouvimos estas palavras antes? Alguma vez já percebemos, de fato, a verdade que há nelas? Quantas vezes nos dispusemos a verificar, na prática, a veracidade delas? E quantas vezes, apesar de comprovada sua verdade, nos esquecemos disto, julgando que é negando a doação que poderemos manter e guardar aquilo que prezamos? Temendo perder o que conquistamos "a duras penas". 

Tenho de incluir aqui uma frase que li alguns dias atrás, nalgum aplicativo, que dizia mais ou menos o seguinte: "Por que te esforças tanto para acumular coisas se nada de fato te pertence neste mundo"? Quer dizer, é como aquela outra observação que já conhecemos há tempo. Chegamos a este mundo nus, sem nada nas mãos, e vamos deixá-lo do mesmo modo, sem nada que possamos levar conosco, a não ser aquilo que vivemos e experimentamos no mais íntimo de nós mesmos e de nós mesmas. Tudo nos é dado por empréstimo para fazermos bom uso e para repartirmos.  

É por esta razão que as práticas de hoje vão reforçar em nós a ideia de que somos abençoados e abençoadas com todas as dádivas de Deus, na terra e no céu, que podemos abençoar, e que é só dando que podemos receber, pois ela nos diz claramente que só damos a nós mesmos e a nós mesmas. Sempre!

Às práticas, pois!

domingo, 5 de julho de 2026

Só precisa compreender aquele que acredita na ilusão

 

LIÇÃO 186

A salvação do mundo depende de mim.

1. Eis aqui a afirmação que um dia afastará toda a arrogância de todas as mentes. Eis aqui a ideia da humildade verdadeira, que não defende nenhum papel como o teu próprio papel a não ser aquele que te foi dado. Ela te oferece a aceitação de um papel designado para ti, sem insistir em outro. Ela não julga teu papel adequado. Ela apenas reconhece que a Vontade de Deus se faz tanto na terra quanto no Céu. Ela une todas as vontades na terra no plano do Céu para salvar o mundo, devolvendo-o à paz do Céu.

2. Não lutemos com nosso papel. Nós não o criamos. Ele não é ideia nossa. O meio pelo qual ele será cumprido perfeitamente nos foi dado. Tudo o que se pede que façamos é que aceitemos nossa parte na verdadeira humildade e que não neguemos com arrogância auto-enganadora que somos dignos. Temos a força para fazer o que nos é dado fazer. Nossas mentes são perfeitamente adequadas para assumir o papel que nos foi designado por Aquele Que nos conhece bem.

3. A ideia de hoje pode parecer bastante séria até que percebas seu significado. Tudo o que ela diz é que teu Pai ainda Se lembra de ti, que és Seu Filho. Ela não pede que sejas diferente do que és de nenhuma forma. O que a humildade poderia pedir a não ser isto? E o que a arrogância poderia negar senão isto? Hoje não recuaremos de nossa obrigação sob o motivo ilusório de que a modéstia é ultrajada. É o orgulho que negaria o Chamado do Próprio Deus.

4. Abandonamos toda a falsa humildade hoje para podermos escutar a Voz de Deus nos revelar o que Ele quer que façamos. Não duvidaremos de nossa aptidão para a função que Ele nos oferecerá. Teremos certeza apenas de que Ele conhece nossos poderes, nossa sabedora e nossa santidade. E, se Ele acredita que somos dignos, então somos. É só a arrogância que julga de outro modo.

5. Há um e somente um caminho para se liberar da prisão que teu plano de provar que o falso é verdadeiro te traz. Aceita, no lugar dele, o plano que não fizeste. Não julgues teu valor para ele. Se a Voz de Deus te garante que a salvação necessita de tua parte e que o todo depende de ti, fica certo de que é verdade. O arrogante tem de se agarrar às palavras, com medo de ir além delas para experimentar o que poderia desacreditar sua atitude. Os humildes, no entanto, estão livres para ouvir a Voz que lhes diz o que eles são e o que fazer.

6. A arrogância inventa uma imagem de ti mesmo que não é real. É esta imagem que treme e foge em pânico quando a Voz por Deus te assegura que tens o poder, a sabedoria e a santidade para ultrapassar todas as imagens. Tu não és fraco como a imagem de ti mesmo é. Tu não és ignorante e desamparado. O pecado não pode manchar a verdade em ti e o sofrimento não pode chegar perto do lar santo de Deus.

7. Tudo isto a Voz por Deus te diz. E, quando Ele fala, a imagem treme e busca atacar a ameaça que ela não conhece, sentindo suas bases se desintegrarem. Abandona-a. A salvação do mundo depende de ti e não deste monte de pó inútil. O que ele pode dizer ao Filho de Deus? Por que ele precisa se preocupar com isto de alguma forma?

8. E, assim, achamos nossa paz. Aceitaremos a função que Deus nos deu, pois todas as ilusões se baseiam na estranha crença de que podemos criar outra por nós mesmos. Os papéis que criamos para nós mesmos são inconstantes e parecem mudar do desconsolo à felicidade extasiante do amor e de amar. Podemos rir ou chorar e saudar o dia com boas vindas ou com lágrimas. Nossa verdadeira forma de ser parece mudar à medida que experimentamos milhares de alterações de humor e nossas emoções, de fato, nos elevam às alturas ou nos arremessa violentamente ao chão em desespero.

9. Este é o Filho de Deus? Deus poderia criar tamanha instabilidade e chamá-la de Filho? Ele, Que é imutável, compartilha Suas características com Sua criação. Todas as imagens que Seu Filho parece criar não têm nenhum efeito naquilo que ele é. Elas atravessam sua mente como folhas varridas pelo vento, que formam um padrão por um instante, se separam para se agrupar novamente, e desaparecerem  Ou como miragens, surgindo do pó, sobre um deserto.

10. Estas imagens irreais se irão e deixarão tua mente desanuviada e serena, quando aceitares a função que te foi dada. As imagens que criaste só dão origem a metas contraditórias, temporárias e vagas, incertas e ambíguas. Quem poderia ser constante em seus esforços ou orientar sua forças e energias concentradas em direção a metas como estas? As funções que o mundo preza são tão incertas que mudam dez vezes por hora nos casos mais seguros. Que esperança de benefício pode se basear em metas como estas?

11. Em amoroso contraste, tão certo quanto é a volta do sol a cada manhã para dissipar a noite, a verdadeira função que te foi dada se destaca clara e totalmente não ambígua. Não há nenhuma dúvida acerca de sua validade. Ela vem d'Aquele Que não conhece nenhum erro e Sua Voz tem certeza de Suas mensagens. Elas não mudarão nem entrarão em conflito. Todas apontam para uma só meta e uma meta que podes atingir. Teu plano pode ser impossível, mas o de Deus não pode fracassar nunca porque Ele é a sua Fonte.

12. Faze conforme a Voz de Deus te orienta. E se Ele te pede uma coisa que parece impossível, lembra-te de Quem é que pede e de quem faria a negativa. Considera isto então: quem tem mais probabilidade de estar certo? A Voz que fala pelo Criador de todas as coisas, Que conhece todas as coisas exatamente como são, ou uma imagem distorcida de ti mesmo, confusa, desnorteada, incoerente e insegura de tudo? Não deixes que esta voz te oriente. Ouve, em seu lugar, uma Voz segura, que te fala de uma função que te foi dada por teu Criador, Que Se lembra de ti e pede com insistência que te lembres d'Ele agora.

13. Sua Voz serena está chamando do conhecido para o desconhecido. Ele quer te consolar, embora Ele não conheça nenhuma tristeza. Ele quer fazer uma restituição, embora Ele seja completo; uma dádiva para ti, embora Ele saiba que tu já tens tudo. Ele tem Pensamentos que atendem a toda necessidade que Seu Filho percebe, embora Ele não as veja. Pois o Amor tem de dar e o que é dado em Nome d'Ele assume a forma mais útil em um mundo de formas.

14. Estas são as formas que não podem enganar jamais, porque elas vêm da Própria Ausência de Formas. O perdão é uma forma terrena de amor, que, assim como é no Céu, não tem nenhuma forma. Porém, dá-se aqui o que é necessário aqui do modo que for necessário. Desta forma tu podes cumprir tua função até mesmo aqui, embora ainda seja muito mais o que o amor vai significar para ti, quanto a ausência de formas for restabelecida para ti. A salvação do mundo depende de ti, que podes perdoar. Esta é tua função aqui.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 186

Caras, caros,

Vocês já se deram conta da importância que têm no mundo, mesmo neste mundo de ilusões? E por que a pergunta? Porque em geral todas e todos nós nos consideramos seres insignificantes, cujo poder individual não serve nem para mover uma palha, no plano de Deus para o que deve ser o mundo real.

Na verdade, não é bem assim. Cada uma e cada um de nós é parte complementar fundamental do divino, do todo. E o todo só pode ser todo quando todas as suas partes têm a mesma importância. Assim, mesmo que não nos consideremos capazes de qualquer salvação, nem sequer para nós mesmas, ou para nós mesmos, o fato é que somos. Capazes e importantes. Muito. E a salvação do mundo depende, sim, da salvação de cada uma de nós, de cada um de nós.

É disso que vamos tratar com as práticas da ideia que o ensinamento nos oferece para este dia.

"A salvação do mundo depende de mim."

Quantos, ou quantas, dentre nós já se aperceberam de que a ideia que vamos praticar hoje é, de fato, a mais pura expressão da verdade? Só eu posso salvar o mundo, se acredito na mensagem atribuída historicamente a Jesus por todas as religiões que o adotaram como salvador, e trazida mais uma vez ao mundo pela Voz à qual se atribui a autoria deste Curso. O mesmo vale para quem acredita na mensagem que, segundo a história, ele nos deixou há mais de dois mil anos. Ou não nos lembramos de que, de acordo com os registros - verdadeiros ou não - que chegaram até nós, ele disse que tudo o que ele fez cada um e cada uma de nós pode fazer igual e melhor?

Além do mais há que se considerar que o Curso ensina que "não há nenhum mundo", a não ser aquele que nós mesmos e nós mesmas construímos com nossos pensamentos e ações, acreditando ser possível uma existência separada de Deus.

Mais! Basta que acreditemos na veracidade da afirmação do Curso de que não existe nada fora de nós, para se criar em nós a certeza interior de que o mundo que existe aparentemente só existe como expressão daquilo que trazemos dentro de cada um de nós mesmos, dentro de cada uma de nós mesmas. E é isso mesmo o que diz Elio D'Anna em seu livro A Escola dos Deuses, para quem se deu ao trabalho de lê-lo, conforme a recomendação que fiz algum tempo atrás.

É preciso que nos conscientizemos de que isso também é verdade para todos e todas nós, uma vez que tudo o que vemos, ouvimos, cheiramos, tocamos, provamos, pensamos ou sentimos não é nada a não ser extensão ou projeção daquilo mesmo que há dentro de cada um, de cada uma, de todos e de todas ao mesmo tempo. Isto é, o mundo que vemos é um mundo diferente para cada um e para cada uma de nós, que olhamos para ele. Mais ainda, ele é um mundo diferente a cada instante em que olhamos para ele. E ele é, para cada um e cada uma de nós, apenas o fruto das crenças que desenvolvemos ao longo do tempo que aparentemente passamos aqui. É assim que ele se mostra a cada um e a cada uma, a sua maneira, com uma percepção própria, fundada nos equívocos particulares dos sentidos individuais, e na visão própria de cada um, ou de cada uma, que serve apenas para confirmar aquilo em que cada um e cada uma de nós acredita.

Por isso posso repetir sem susto o que já disse nos comentários dos últimos anos: ainda bem que a lição de hoje apresenta uma ideia que nos pede para relevar as formas, todas as formas, sem exceção, uma vez que cada um e cada uma de nós em seu próprio mundo aprende de acordo com sua capacidade inerente de ouvir e entender - entender, aqui, no sentido de aceitar e seguir a orientação que o Curso oferece - a ideia que pratica. E para cada um, ou cada uma, ela se apresenta da forma que lhe for mais conveniente, da forma lhe seja mais fácil e melhor de reconhecer, compreender e aceitar. 

Lembremo-nos sempre, pois, de que compreender só é, de fato, compreender, quando é sinônimo de aceitar. E também de que não há necessidade de compreender a partir do que sabemos intelectualmente, uma vez que tudo o que sabemos via intelecto, só pode se referir - e, de fato, só se refere mesmo - à ilusão. Quer dizer, só tem necessidade de compreensão aquele, ou aquela, que acredita, ou que quer acreditar, que pode haver qualquer realidade na ilusão.

Fiquemos atentos e atentas, portanto, ao que nos diz a lição de hoje acerca da necessidade de assumirmos o papel que nos cabe na salvação do mundo. Lembremo-nos de que, se Deus nos garante que temos todo o poder, toda a sabedoria e toda a santidade e inocência necessárias para levar a cabo a tarefa, é porque, de fato, temos. 

É importante lembrar ainda que assumir este papel significa também assumir cem por cento a responsabilidade pela cura do mundo que construímos com nossos pensamentos, palavras, atos e omissões, como já lhes disse em vários comentários anteriores. 

Às práticas?

sábado, 4 de julho de 2026

Só aquilo que queres ver a percepção te pode mostrar

 

LIÇÃO 185

Eu quero a paz de Deus.

1. Dizer estas palavras não significa nada. Mas dizê-las com real intenção significa tudo. Se ao menos pudesses dizê-las deste modo por um instante apenas, não haveria mais nenhuma tristeza possível para ti de forma alguma, em qualquer tempo ou lugar. O Céu seria completamente devolvido à plena consciência, a lembrança de Deus restituída por inteiro, a ressurreição de toda a criação reconhecida plenamente.

2. Ninguém pode dizer estas palavras com real intenção e não ser curado. Ninguém pode brincar com sonhos, nem pensar que ele mesmo é um sonho. Ninguém pode inventar um inferno e pensar que ele é real. Ele quer a paz de Deus e ela lhe é dada. Pois isto é tudo o que ele quer e é tudo o que receberá. Muitos dizem estas palavras. Mas, de fato, poucos as dizem com real intenção. Tu só tens de olhar para o mundo que vês a teu redor para teres a certeza de quão poucos verdadeiramente eles são. O mundo mudaria completamente, se duas pessoas quaisquer concordassem que estas palavras exprimem a única coisa que querem.

3. Duas mentes com uma única intenção ficam tão fortes que o que desejam se torna a Vontade de Deus. Pois as mentes só podem se unir na verdade. Em sonhos, não há dois que possam compartilhar a mesma intenção. Para cada um deles o herói do sonho é diferente; o resultado desejado não é o mesmo para ambos. Perdedor e ganhador simplesmente se revezam em padrões alternados, à medida que a proporção entre ganho e perda e perda e ganho adquire um aspecto diferente ou toma outra forma.

4. Todavia é só transigência que um sonho pode trazer. Às vezes ele assume a forma de união, mas apenas a forma. O significado necessariamente escapa ao sonho, uma vez que a meta do sonho é a conciliação. Mentes não podem se unir em sonhos. Elas apenas barganham. E que barganha pode lhes dar a paz de Deus? As ilusões vêm para tomar o lugar d'Ele. E aquilo que é a intenção d'Ele se perde para a intenção de conciliação de mentes adormecidas, cada um visando seu próprio benefício e a perda do outro.

5. Dizer com real intenção que queres a paz de Deus é renunciar a todos os sonhos. Pois ninguém que queira ilusões e que, portanto, busque o meio que traz ilusões diz estas palavras com real intenção. Ele examina as ilusões e as acha insuficientes. Agora ele busca ir além delas, reconhecendo que mais um sonho não ofereceria mais do que todos os outros. Os sonhos são um só para ele. E ele aprende que a única diferença entre eles é a da forma, pois qualquer um trará o mesmo desespero e o mesmo sofrimento que trazem os demais.

6. A mente que diz com real intenção que tudo o que quer é a paz tem de se unir a outras mentes, pois é desta forma que se alcança a paz. E, quando o desejo de paz é genuíno, o meio para achá-lo é dado de um modo que cada mente que a busca com honestidade pode compreender. Seja qual for a forma que a lição tome, ela é planejada para cada uma de tal modo que ela não pode confundi la, se seu pedido for sincero. Mas, se ela não pede com sinceridade, não há nenhuma forma pela qual a lição encontre aceitação e seja aprendida verdadeiramente.

7. Dediquemos nossa prática hoje ao reconhecimento de que, de fato, dizemos com real intenção as palavras que pronunciamos. Nós queremos a paz de Deus. Isto não é nenhum desejo vão. Estas palavras não pedem que nos seja dado outro sonho. Elas não pedem transigência, nem tentam fazer outra barganha na esperança de que ainda pode haver alguma que possa ser bem-sucedida onde todas as outras falharam. Dizer estas palavras com real intenção é reconhecer que as ilusões são inúteis, é pedir o eterno em lugar de sonhos inconstantes que parecem mudar naquilo que oferecem mas que são um só em inutilidade.

8. Dedica teus períodos de prática hoje a vasculhar tua mente com cuidado para descobrir os sonhos que ainda prezas. O que pedes em teu coração? Esquece as palavras que usas ao fazeres teus pedidos. Considera apenas aquilo que acreditas que te dará consolo e te trará felicidade. Mas não desanimes com as ilusões que persistem, pois a forma delas não é o que importa agora. Não permitas que alguns sonhos sejam mais aceitáveis, reservando para outros vergonha e segredo. Eles são o mesmo. E, sendo o mesmo, deve-se fazer uma única pergunta a todos eles: "É isto que quero ter em lugar do Céu e da paz de Deus?"

9. É esta escolha que fazes. Não te enganes que é de outra forma. Não é possível nenhuma transigência nisto. Tu escolhes a paz de Deus ou pedes sonhos. E, uma vez que os pediste, os sonhos virão. Porém, com a mesma certeza, virá a paz de Deus, e para permanecer contigo para sempre. Ela não desaparecerá a cada volta ou curva da estrada, para reaparecer, irreconhecível, em formas que mudam e se alteram com cada passo que dás.

10. Tu queres a paz de Deus. E todos aqueles que parecem buscar sonhos também. Para eles e também para ti mesmo, pedes apenas isto quando fazes este pedido com profunda sinceridade. Pois, deste modo, alcanças o que eles querem realmente e unes tua própria intenção ao que eles buscam acima de todas as coisas, algo desconhecido para eles talvez, mas certo para ti. Foste fraco, às vezes, incerto de teu objetivo e inseguro acerca do que querias, de onde procurar e de para onde se voltar em busca de ajuda na tentativa. A ajuda te foi dada. E não queres te beneficiar dela por compartilhá-la?

11. Ninguém que busque verdadeiramente a paz de Deus pode deixar de encontrá-la. Pois apenas pede para não mais se enganar por negar a si mesmo aquilo que é a Vontade de Deus. Quem é que, pedindo aquilo que já tem, pode permanecer insatisfeito? Quem é que, pedindo uma resposta que cabe a si mesmo dar, poderia ficar sem resposta? A paz de Deus é tua.

12. A paz foi criada para ti, dada a ti por teu Criador e estabelecida como Sua Própria dádiva eterna. Como podes falhar, se pedes apenas aquilo que Ele deseja para ti? E como teu pedido poderia estar limitado a ti mesmo apenas? Nenhuma dádiva de Deus pode permanecer não compartilhada. É esta característica que separa as dádivas de Deus de todos os sonhos que alguma vez pareceram tomar o lugar da verdade.

13. Ninguém pode perder e todos têm de ganhar sempre que qualquer dádiva de Deus seja solicitada e recebida por quem quer que seja. Deus dá apenas para unir. Tirar não tem sentido para Ele. E, quando tirar for igualmente sem sentido para ti, podes ficar certo de que compartilhas uma só Vontade com Ele e Ele contigo. E saberás também que compartilhas uma só Vontade com todos os teus irmãos cujas intenções são as tuas.

14. É esta única intenção que buscamos hoje, unindo nossos desejos às necessidades de cada coração, ao chamado de cada mente, à esperança que existe além do desespero, ao amor que o ataque quer esconder, à irmandade que o ódio busca separar, mas que continua a existir tal qual Deus a criou. Com uma Ajuda igual a esta ao nosso lado, podemos falhar hoje, quando pedimos que a paz de Deus nos seja dada?

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 185

Caras, caros,

Dizer "não" é um problema para a maioria de nós, pessoas humanas. Por que será?

Eu arriscaria dizer que uma das coisas que nos leva a enfrentar esta dificuldade está relacionada ao fato de a maioria de nós não sabermos exatamente o que queremos. Daí que, quando se apresenta uma escolha a ser feita, ficamos titubeando para dizer sim ou não. E o nosso não, em geral, nunca é categórico. Óbvio, como tudo o que fazemos e dizemos sem saber direito o que somos, o que queremos e aonde queremos chegar, não é mesmo?

Todas e todos nós, ou a maioria das pessoas pelo menos, pode-se dizer, queremos a paz de Deus. Ou dizemos querê-la. Muitas vezes, no meio da confusão que são quase todas as vidas, afirmamos querer ao menos um segundo de paz. "Será que não posso ter ao menos um segundo de sossego?" - dizemos.

É claro que podemos. É claro que todas e todos nós temos direito à paz de Deus. Mas precisamos ser claras, claros, objetivas, objetivos, e fazer tudo o que for necessário para consegui-la. E o primeiro passo é oferecer a paz. A tudo, a todas e a todos. Porque, a menos que sejamos capazes de oferecê-la, não a obteremos. Ou, dizendo de outro modo, não há outra forma qualquer de se obter a paz, a não ser oferecendo paz. É para isso que a ideia para as práticas de hoje aponta.

"Eu quero a paz de Deus."

A ideia que vamos praticar mais uma vez hoje quer nos auxiliar na tomada de decisão, ensinando-nos a escolher e a declarar com clareza cristalina o que queremos. As práticas, feitas de acordo com as instruções do Curso, certamente vão nos ajudar a reconhecer que estamos, em geral, mais preocupados em evitar, ou listar, aquilo que não queremos do que em descobrir e/ou definir o que queremos, buscando, de fato, viver a partir de nossos quereres, e não do medo - ou desejo - daquilo que não queremos.

Assim,  reforçando pois, a ideia que praticamos hoje pode - e vai, se a praticarmos do modo que o Curso orienta -, tornar mais claro o que, de fato, cada um e cada uma de nós quer. Pois o que podemos desejar além da paz de Deus? E tendo a certeza de que a paz de Deus nos pertence, haverá alguma coisa mais a desejar? 

Como vimos em lição recente, a percepção nos mostra que aquilo que vemos se mostra em função do foco que temos, ou pomos, naquilo que nos interessa ver. Diferentemente do que pensamos, não sofremos os efeitos de alguma coisa que se apresenta para nos fazer sofrer, ou para nos fazer ver que o mundo é mau, que as pessoas são más ou que há alguma coisa de errado com o mundo. Porém, se nosso foco, ou nossa atenção, for este, é isto que veremos. Não porque isto de fato exista, mas apenas como a concretização, a confirmação de nosso desejo de ver desta forma. 

Em um livro que li há já algum tempo, o autor, citando o que alguém escreveu a respeito de Cristóvão Colombo e do modo como ele, Cristóvão, via e descrevia o mundo, pelo que se lê em seus diários [os de Colombo], diz: "É maravilhoso ver como, quando um homem deseja muito algo e se agarra firmemente a isso em sua imaginação, tem a impressão, a todo momento, de que tudo aquilo que ouve e vê testemunha a favor dessa coisa". 

A maior parte do tempo não nos damos conta de nossa participação ou da participação de nosso querer nas coisas que acontecem, porque estamos preocupados com o que [aparentemente] nos acontece, e que dizemos não querer [da boca para fora, no pensamento consciente verbalizado]. Mas onde está nosso foco? A que damos mais atenção? Ao que queremos ou ao que não queremos?

É por isto que a lição de hoje diz: "Eu quero a paz de Deus." E diz:

Dizer estas palavras não significa nada. Mas dizê-las com real intenção significa tudo. Se ao menos pudesses dizê-las deste modo por um instante apenas, não haveria mais nenhuma tristeza possível para ti de forma alguma, em qualquer tempo ou lugar. O Céu seria completamente devolvido à plena consciência, a lembrança de Deus restituída por inteiro, a ressurreição de toda a criação reconhecida plenamente.

Ninguém pode dizer estas palavras com real intenção e não ser curado. Ninguém pode brincar com sonhos, nem pensar que ele mesmo é um sonho. Ninguém pode inventar um inferno e pensar que ele é real. Ele quer a paz de Deus e ela lhe é dada. Pois isto é tudo o que ele quer e é tudo o que receberá. Muitos dizem estas palavras. Mas, de fato, poucos as dizem com real intenção. Tu só tens de olhar para o mundo que vês a teu redor para teres a certeza de quão poucos verdadeiramente eles são. O mundo mudaria completamente, se duas pessoas quaisquer concordassem que estas palavras exprimem a única coisa que querem. 

Quer dizer, lembrando ainda da lição recente: quando quisermos experimentar só isto, ou seja, "a paz de Deus", ou o amor de Deus, é só isto que experimentaremos. 

Atenção ao foco!

Duas mentes com uma única intenção ficam tão fortes que o que desejam se torna a Vontade de Deus. Pois as mentes só podem se unir na verdade. Em sonhos, não há dois que possam compartilhar a mesma intenção. Para cada um deles o herói do sonho é diferente; o resultado desejado não é o mesmo para ambos. Perdedor e ganhador simplesmente se revezam em padrões alternados, à medida que a proporção entre ganho e perda e perda e ganho adquire um aspecto diferente ou toma outra forma.

Todavia é só transigência que um sonho pode trazer. Às vezes ele assume a forma de união, mas apenas a forma. O significado necessariamente escapa ao sonho, uma vez que a meta do sonho é a conciliação. Mentes não podem se unir em sonhos. Elas apenas barganham. E que barganha pode lhes dar a paz de Deus? As ilusões vêm para tomar o lugar d'Ele. E aquilo que é a intenção d'Ele se perde para a intenção de conciliação de mentes adormecidas, cada um visando seu próprio benefício e a perda do outro.

Dizer com real intenção que queres a paz de Deus é renunciar a todos os sonhos [nutridos a partir do ego]. Pois ninguém que queira ilusões e que, portanto, busque o meio que traz ilusões diz estas palavras com real intenção. Ele examina as ilusões e as acha insuficientes. Agora ele busca ir além delas, reconhecendo que mais um sonho não ofereceria mais do que todos os outros. Os sonhos são um só para ele. E ele aprende que a única diferença entre eles é a da forma, pois qualquer um trará o mesmo desespero e o mesmo sofrimento que trazem os demais.

Que mais se pode dizer para ilustrar o que a lição nos quer ensinar hoje?

A mente que diz com real intenção que tudo o que quer é a paz tem de se unir a outras mentes, pois é desta forma que se alcança a paz. E, quando o desejo de paz é genuíno, o meio para achá-lo é dado de um modo que cada mente que a busca com honestidade pode compreender. Seja qual for a forma que a lição tome, ela é planejada para cada uma de tal modo que ela não pode confundi-la, se seu pedido for sincero. Mas, se ela não pede com sinceridade, não há nenhuma forma pela qual a lição encontre aceitação e seja aprendida verdadeiramente.

Podemos pensar nesta lição também como a forma prática de exercitar aquilo que o texto nos ensina no capítulo 17, a partir do subtítulo VI: Estabelecer a meta. Também vale a pena dar uma espiadinha no que ele diz e continuar a leitura pelos dois subtítulos seguintes: o VII: O chamado para a fé e o VIII: As condições da paz.

Repetindo uma vez mais uma das perguntas feitas em comentários de anos passados, de que mais precisaríamos se, de verdade, reconhecêssemos, no mais fundo de nossos corações, que a Vontade de Deus para nós é a alegria e a paz perfeitas, completas? E que, ao reconhecermos isso, já o temos.

Ou valendo-nos de uma pergunta de Joel Goldsmith, em um de seus livros: 

"O que pode querer aquele que tem tudo"?

É para responder a esta e a outras possíveis perguntas que se destinam nossas práticas. 

A elas?