terça-feira, 28 de julho de 2026

Atenção e vigilância é o que se aprende nas práticas

 

LIÇÃO 209

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (189) Sinto o Amor de Deus em mim agora.

O Amor de Deus é o que me criou. O Amor de Deus é tudo o que sou. O Amor de Deus demonstra que sou Seu Filho. O Amor de Deus em mim me liberta.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 209

Caras, caros,

Penso, como já disse em anos anteriores, que grande parte da ingenuidade, da espontaneidade, da alegria e do destemor da maioria das crianças muito pequenas - e de algumas maiores, ou de outras, ditas especiais e também de alguns raros adultos a que se poderia chamar de iluminados - se deve a sua quase que total dependência dos pais e de adultos a sua volta e à confiança que lhes dedicam (aos pais e a esses adultos, parentes ou não), uma vez que sua razão ainda não lhes dá a capacidade de pensar lógica e racionalmente, o que só vai acontecer em uns poucos anos, quando acontecer. Se acontecer.

A depender da forma com que forem ensinadas a se relacionarem com as pessoas e coisas do mundo, elas, as crianças, vão continuar a desenvolver sua confiança em si mesmas e nas outras pessoas, a partir da confiança que devotam aos pais e aos adultos que as rodeiam, ao mesmo tempo em que vão começar a ser menos dependentes deles, quando tudo se desenrolar a contento, da forma como costuma acontecer normalmente, para a maioria das pessoas no mundo.

É, pois, por um lado, muito importante que aprendamos - se ainda não aprendemos - a confiar nas pessoas, em todas as pessoas que se apresentam em nossas vidas em qualquer momento, pois é só este aprendizado que vai nos dar a confiança necessária para que nos entreguemos à vida de forma incondicional, reconhecendo, aceitando e acolhendo toda e qualquer experiência que se apresentar, porque cientes de que as escolhemos nós, mesmo quando não temos consciência do momento em que se deu a escolha e, às vezes, nem da razão ou razões por que ela foi feita. 

Por outro, é preciso termos ciência de que a confiança nos outros é reveladora da confiança que depositamos em nós mesmos, ou em nós mesmas. Porque, se não confiamos em nós, não há como confiar nos outros. Quer dizer, até há, mas aí vamos nos valer daquela confiança desconfiada, vamos nos relacionar com uns e outros, ou umas e outras, quase que o tempo todo, com aquela postura a que se costuma chamar de "confiar, sim, mas sempre com um pé atrás". 

É também muito importante saber que a confiança só pode nascer da aceitação do outro por inteiro e, por extensão, da confiança completa em nós mesmos, ou em nós mesmas, sem julgamento. Isto é, é necessário abandonar o julgamento para confiar. Lembremo-nos de que quando não confiamos em nós mesmos, ou em nós mesmas estamos desconfiando do divino. E o mesmo acontece quando não temos confiança nos outros. Ou como disse alguém, Madre Tereza de Calcutá, se não me engano: "tudo é sempre entre Deus e eu", porque não há nada fora de mim. Ou de Deus, ou do que quer cada um, ou cada uma, de nós acredite como algo maior do que esta imagem equivocada que fazemos de nós mesmos, ou de nós mesmas.

Lembram-se da primeira lição que revisamos nesta série, a última das revisões: Confio em meus irmãos, que são um comigo? E todos são meus irmãos e irmãs, nossos irmãos e irmãs. Todas as pessoas do mundo.

E digo tudo isto mais uma vez apenas para que busquemos nos pôr em sintonia com o que trazemos de nossa experiência em relação à ideia que o Curso nos oferece para as práticas de hoje.

Nada do que já passou tem qualquer importância. E, se não fomos ensinados nem ensinadas a confiar, ou se não fomos, ao longo de nossas vidas, educados nem educadas de forma a ser cada vez mais livres, e a viver em harmonia com a Vontade de Deus para nós, o momento para corrigir a percepção é agora. O momento para ser livre, para escolher e tomar a decisão pela liberdade, é agora. É agora, neste momento, neste instante exato, que podemos sentir o Amor de Deus. E, não importa a experiência pela qual estejamos passando, se quisermos perceber alguma mudança no mundo, é só agora, no instante presente, neste exato momento, que precisamos e podemos mudar nosso modo de olhar para ele. É isto que, por consequência, vai trazer a mudança.

Não há outro tempo a não ser o presente. Quando nos deixamos enganar por aquilo a que damos nome de passado, imaginando que, se alguma coisa lá tivesse sido diferente, a situação que vivemos hoje poderia ser diferente, estamos nos auto-enganando. Estamos da mesma forma nos auto-enganando, quando buscamos nos convencer de que amanhã tudo vai ser diferente, porque nos propusemos a começar a fazer as coisas de forma diferente. É, sim, auto-engano, enquanto não tomarmos, de fato, a decisão e nos convencermos de que o que é preciso mudar só pode ser mudado agora:  e apenas a partir da tomada de decisão. E, claro, da ação, ou ações, que deve(m) se seguir à tomada de decisão.

Basta que pensemos uma vez mais na terceira daquelas quatro leis espirituais que se ensina na Índia: "Toda vez que você iniciar é o momento certo". Mas não dá para deixar para amanhã. É preciso tomar a decisão agora. E saber que tomar a decisão é apenas o começo. E que ela vai ter de ser tomada a cada passo, a cada instante, a cada novo desafio, a cada nova experiência. Até estarmos certos de que tomamos a decisão que nos leva a viver a Vontade de Deus de alegria e paz perfeitas e completas para nós o tempo todo. Até sermos capazes de dizer e viver o tempo inteiro o que a ideia de hoje nos pede para praticar. Pois enquanto não formos capazes de confiar em nós mesmos e em nós mesmas e de nos amarmos inteira e completamente, ainda não estaremos sentindo em nós o Amor de Deus. E não o viveremos de fato. Daí a necessidade da atenção, da vigilância e dos exercícios diários.

Às práticas?

segunda-feira, 27 de julho de 2026

A vida sempre cumpre seu papel de ser só o que é

 

LIÇÃO 208

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (188) A paz de Deus brilha em mim agora.

Vou me aquietar e deixar que a terra se aquiete comigo. E, neste silêncio, encontraremos a paz de Deus. Ela está dentro do meu coração, que dá testemunho do Próprio Deus.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 208

Caras, caros,

Como eu já disse alguma vezes antes, a ideia que vamos praticar hoje pode nos ajudar a aprender a salvação, a vivê-la e a estendê-la ao mundo, livrando-nos de todos os equívocos e permitindo que a luz de Deus brilhe sobre cada um e cada uma de nós e sobre todos e todas nós. Aliás, isto é o que cada uma das ideias que praticamos nesta revisão pode fazer, se aprendida, aceita e aplicada com disciplina e determinação, conforme o Curso nos diz.

Para aproveitar uma vez mais, quer dizer, re-reaproveitar, o comentário feito a esta lição anteriormente gostaria de convidá-los, de novo, a pensarem na seguinte frase: 

"A vida é muito simples." 

O que isto lhes diz, se é que lhes diz alguma coisa? Parece-lhes verdadeira tal afirmação? Parece-se de algum modo com a experiência de vida que vivem, que nós vivemos? Ou é exatamente o contrário? 

"A vida é muito simples."

Parece-lhes muito ingênuo dizer isto? Muito pretensioso, arrogante?
  
Na verdade, a partir do que sabemos de tudo o que recebemos como legado de inúmeros mestres, a vida é, de fato, muito simples. Nós é que a complicamos. É o que dizem todas as pessoas, ou quase todas, que viveram sua vida de maneira simples. Ou as que a vivem ainda hoje de forma simples, com simplicidade. A questão é que, de modo diferente daquele que ensinam os mestres e as mestras, cada um, ou cada uma, de nós complica a vida a sua própria maneira. 

Fazendo dela um bicho-de-sete-cabeças, damos à vida uma complexidade que ela absolutamente não tem, se prestarmos atenção verdadeira a suas manifestações e desdobramentos.

Aqui, vou fazer uma interrupção neste comentário para acrescentar um tipo de historinha que está no livro de Rosana Kazakevic a respeito de sua experiência no Caminho de Santiago, que li há não muito tempo, após minha volta do Caminho de Santiago, nove anos atrás. O livro se chama "Uma viagem por dentro e por fora", para quem se interessar.

Diz ela que a certa altura retomou uma conversa que tivera com Deus antes e Ele lhe perguntou se ela queria de fato a companhia d'Ele, ao que ela respondeu que sim.

Na continuação da conversa ela disse a Deus que gostava de fazer planos e Ele disse que sabia, e que ela já tinha estragado muitos planos d'Ele.

Ela, é claro, quis saber que planos e de que forma ela os tinha estragado. 

E Ele respondeu que foram muitos. Ela tinha estragado todos os planos d'Ele em que não seguia sua, dela, voz interior [a d'Ele também, é óbvio], fazendo tudo o que os outros queriam. Disse Deus a ela que era uma escolha dela e que ela reclamava dos resultados. Chorava e piorava. Aí, Ele teve de deixá-la por conta até que ela visse que suas escolhas, as dela, não eram boas. Finalmente, ela viu. E Ele completou dizendo que os resultados não são atribuição d'Ele, eles vêm com as escolhas do caminho que cada uma ou cada um faz.

E, continuando com o comentário: 

É por isso que a vida, tal qual cada um e cada uma de nós, só quer ser o que é, cumprir seu papel, e é isso o que ela faz, diferentemente da maioria de nós, que se sente paralisada à simples menção apenas de que é preciso antes de tudo ser, ou de agir no mundo a partir do que se é. Afinal, alguém sabe dizer o que somos? Na verdade, como o Curso ensina, só encontraremos a alegria e a paz perfeitas e completas, a vontade de Deus para todos, todas, cada um e cada uma de nós [que é a mesma que a nossa], quando aprendermos a ser o que somos. Isto é, quando nos decidirmos a viver a partir daquilo que somos, quando dermos espaço e atenção à nossa própria voz interior, que não é nada mais nada menos do que a voz do divino em nós. 

A vida sempre cumpre seu papel independentemente daquelas dificuldades que atribuímos a seu desdobrar-se, ou que pensamos ver enquanto a vida se manifesta. Não há dificuldades para ela. Todos os seus caminhos são planos e retos. Não há curvas, nem desvios. A vida, apesar de qualquer coisa que pensemos dela, segue sempre em frente. Nada a detém. Tudo e todos fazem parte do que ela é. Da mesma forma que tudo e todos são partes do que somos, na verdade. Ou, aproveitando uma fala que se atribui a John Lennon, "a vida é aquilo que acontece enquanto você faz planos".

Entretanto, naquilo que nos diz respeito, as coisas são diferentes. Muitas vezes, por medo de manifestar o que somos, ou por medo de ser aquilo que acreditamos ser no mais íntimo de nós mesmos. ou de nós mesmas, nós nos negamos o direito de ser e, por consequência, negamos a vida que vibra em nós e que quer se manifestar. Quer ser apenas a manifestação da alegria, que é a verdadeira característica daquilo que somos.

Negando a vida a nós mesmos, ou a nós mesmas, passamos a cultivar, ao mesmo tempo, um medo e um desejo mórbidos de morte em qualquer das formas que acreditamos que ela se apresente. Matamo-nos uns aos outros, umas às outras e a nós mesmos, ou a nós mesmas, das mais variadas maneiras.

Em nome do orgulho, como eu já disse também em anos passados, deixamos de estender a mão a quem precisa receber algum conforto de nós. Em nome do medo, deixamos de nos mostrar, defendendo-nos constante e continuamente daquilo a que chamamos de ataques, mas que não passam de pedidos de ajuda. 

Como o Curso ensina, qualquer ataque é um pedido de ajuda, um pedido de atenção e de amor, que se oferece a nós para mudarmos a forma de ver o mundo. Pede que mudemos nossa maneira de criar e de construir o mundo, nosso modo de nos relacionarmos com o mundo para que ele possa experimentar a paz e a luz de Deus.

Vamos pensar nisso durante as práticas de hoje?

domingo, 26 de julho de 2026

Para se reconhecer nossa total dependência de Deus

 

LIÇÃO 207

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (187) Abençoo o mundo porque abençoo a mim mesmo.

A bênção de Deus brilha sobre mim desde o interior do meu coração, onde Ele habita. Só preciso me voltar para Deus e todo o pesar se dissipa à medida que aceito Seu Amor infinito por mim.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 207

Caras, caros,

Repito, com pequenas alterações, comentário já feito em anos passados.

A ideia que o Curso nos oferece para as práticas de hoje dá-nos novamente a oportunidade de reconhecermos nossa completa e total dependência de Deus, ou da ideia de Deus, pois só n'Ele/Ela podemos abençoar o mundo, por nos reconhecermos abençoados e aceitarmos todas as bênçãos que só Ele/Ela nos dá. 

Há um ponto no livro texto em que o Curso diz que não precisamos da bênção de Deus, porque já a temos. Sempre a tivemos e a teremos para sempre. O que precisamos, na verdade, de acordo com o texto, é de nossa própria bênção. E por quê?

Porque Deus é só bênção. E porque, é claro, só nós condenamos, ferimos, e sempre só a nós mesmos ou a nós mesmas. Por mais que tentemos e pensemos em ferir e condenar a outros semelhantes nossos. Isto é, quando dedicamos nossos pensamentos e ações para ferir, magoar, machucar ou condenar alguém, o que fazemos é, sem dúvida, sempre uma condenação de nós mesmos, de nós mesmas, por ser a condenação de uma parte qualquer da obra perfeita do Criador. Lembram-se de que não há nada fora?

Em Deus, tudo é bênção. E não há um momento sequer em que não estejamos n'Ele/Ela. É só na ilusão que podemos acreditar em uma separação que nunca existiu, não existe e não existirá jamais. Pois vivemos e nos movemos em Deus o tempo todo, mesmo quando aparentemente não O/A sentimos próximo de nós. E, na verdade, só podemos nos sentir assim, quando nós nos afastamos d'Ele/Ela. Pois Ele/Ela jamais Se afasta de nenhum nem de nenhuma de nós.

Aí, nada parece fazer sentido. E, de fato, não faz. Pois, na verdade, nosso existir, nosso estar-no-mundo, só pode vir a ter sentido a partir da consciência de que só existimos na Unidade com o Pai. Sem Ele/Ela, nada existe, nada faz sentido.

Lembrando mais uma vez da passagem do Curso que citei em anos passados: "não podes conhecer o poder real do Filho em seu verdadeiro relacionamento com o Pai, a menos que reconheças tua completa dependência de Deus". 

É também só a partir desse reconhecimento que podemos conhecer também todas as bênçãos que o Pai nos dá. Ou reconhecer tudo como bênção. Pois, se há alguém de quem depender, quem poderia querer depender de outro alguém qualquer que não Deus, que é o único Poder em quem podemos confiar para ser, para viver e para ter tudo aquilo de que precisamos?

De fato, só seremos capazes de aprender, reconhecer e viver a liberdade quando reconhecermos, aceitarmos e formos agradecidos e agradecidas por nossa total dependência de Deus. Ou vocês acham que existe outra forma de ser livre? Que é possível a liberdade sem Deus? 

Às práticas, pois.

sábado, 25 de julho de 2026

As coisas que acontecem acontecem por que razão?

 

LIÇÃO 206

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (186) A salvação do mundo depende de mim.

Deus me confiou Suas dádivas, porque sou Seu Filho. E quero levar Suas dádivas aonde Ele deseja que elas estejam.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 206

Caras, caros,

Nestes tempos de ceticismo e de quase abandono das coisas do espírito que vivemos, como se só a matéria, o material, e os corpos importassem na vida, é interessante nos perguntarmos se haverá razão para as coisas que acontecem acontecerem. Talvez seja interessante também nos perguntarmos qual a razão para as coisas que acontecem a cada um e a cada uma de nós, aparentemente, acontecerem da forma que acontecem.

E talvez seja conveniente também repetir as perguntas feitas nos comentários dos últimos anos a esta lição. Lembram? 

Vejamos, repetindo:  

Vocês já repararam, já se deram conta de que a maioria das profecias, de um modo ou de outro, sempre se realizou, ou quase sempre se realiza, e de que é bem possível esperar que aquilo que se prenuncia, quase que com certeza, se realize nalgum momento? 

Por quê? - vocês hão de se perguntar. O que se pode dizer a respeito? O que se pode pensar?

Lembremo-nos, primeiro, de que os profetas, os de antigamente e também os de hoje, surgem e se anunciam em função de momentos e situações críticas que se apresentam, e que criam um clima de temor e de medo no inconsciente de um grande número de pessoas num ponto qualquer do planeta. Ou, como me parece ser o caso no momento, em todo o planeta. É óbvio como se pode ver nos dias que correm que até mesmo, por vezes, esses ditos profetas se apoderam do inconsciente de uma nação e do mundo inteiro, provocando as crises, quer econômicas, quer sociais, quer políticas, quer religiosas, quer de outra natureza qualquer. O mesmo se dá no microcosmo de um grupo de pessoas, num condomínio, numa família ou em escolas, em grupos menores e maiores. 

Vocês não estão ouvindo muitas pessoas dizerem que o que está acontecendo no mundo nestes dias é um absurdo, que jamais se poderia esperar que vivêssemos um retrocesso aparentemente tão grande de consciência na atualidade? Parece - o julgamento do ego nos diz - que os vilões, e apenas os vilões, se apossaram do poder em todas, ou quase todas as nações do mundo e estão trabalhando de forma febril para acabar com os pobres, com os miseráveis, os deficientes, os desajustados, os diferentes e as diferenças no mundo. Ou quiçá trabalham de forma a multiplicar exponencialmente o número de pobres. Pois querem que todos rezem segundo sua cartilha própria, a dos vilões, que, óbvio, não se consideram tal.

Atentados aqui e ali, de forma aleatória, aparentemente, sem que se consiga descobrir as razões para tais coisas. Sem falar na pandemia, que, por si só, e pela falta de preparo de muitas nações continua fazendo mortes e mais mortes de um modo nunca visto antes. A não ser talvez, como nos lembram, a tal gripe espanhola.  

Um quadro como este serve de desculpa para atos outros, sem justificativa, E mesmo aqueles que acreditam ter justificativas para cometer os atos cada vez mais apavorantes, usam-nos como desculpa para outros - os que não têm causa alguma - manifestarem sua loucura, com mais atos insanos e inconsequentes. 

Ora, a partir do que o Curso ensina, é mais ou menos óbvio concluir que foi a força, a energia, de um grande número de mentes sintonizadas em determinado pensamento - medo, crise, guerra, peste, vírus, fome ou o que quer que seja - que transformou em realidade a situação que se temia. Pois tudo o que se nos apresenta à experiência não é nada mais nada menos do que o resultado, a materialização, das crenças que abrigamos e acalentamos em nós.

É difícil para o ego admitir, como o Curso ensina, que "medo é desejo", mas esta ideia tem a mais perfeita lógica por detrás de si. Se nossos pensamentos são o mecanismo que materializa as experiências por que passamos, aquelas que escolhemos viver, e se é a energia que depositamos nos pensamentos que provoca tal materialização, nada mais óbvio do que pensar que, se colocamos nossa energia num medo qualquer, é esse medo que vai se materializar, porque é lá que mora a nossa crença, em forma de pensamento. É naquilo que temos presa nossa atenção. 

É óbvio, portanto, que, de acordo com o ensinamento do Curso, como eu já disse várias outras vezes também, que tudo o que vivemos neste mundo não passa de ilusão, porque o mundo só existe como projeção daquilo que pensamos, para materializar as informações, as experiências, as situação pelas quais queremos - e pensamos precisar - passar  para confirmar aquilo em que acreditamos a respeito de mundo e a nosso próprio respeito. 

Na verdade, a partir disto, é bastante lógico concluir que tudo aquilo em que pensamos, tudo aquilo em que acreditamos, vai se concretizar, quer neste momento, quer em algum momento do futuro, próximo ou distante, uma vez que nossos pensamentos, nossas crenças, nossos medos, se materializam em forma de problemas, experiências, situações por que precisamos passar - ou acreditamos precisar passar, como dito acima, apenas para confirmar que temos razões para acreditar naquilo em que acreditamos. 

É por esta razão que os profetas têm suas profecias e previsões confirmadas muitas vezes, na maioria delas, eu diria. Pois o futuro tende a materializar aquilo que prevemos ou profetizamos, se acreditamos na previsão, na profecia. Embora, no fundo, saibamos que o que o mundo nos oferece é apenas uma experiência de ilusões, baseadas na imagem de nós mesmos e de nós mesmas que inventamos - o falso eu, o ego do Curso -, que não é o que somos de fato, é esta experiência de ilusões que compõe a aparente realidade que o mundo nos apresenta. 

É apenas modificando nossas crenças que podemos modificar a experiência das ilusões, a experiência deste mundo, transformando-o no lugar para viver "o sonho feliz", em lugar de lidar com um pesadelo que se torna a cada dia mais apavorante, a se acreditar nas previsões dos pessimistas e céticos de plantão. Além, é claro, de grande parte dos líderes das nações do mundo de hoje, que parecem ter sucumbido ao deus capital, mercado, esquecendo-se quase que completamente do humano, e das necessidades básicas do humano de liberdade, de respeito, de fraternidade, de solidariedade, de compaixão e dos valores que nos tornam humanos.

Assim é que chegamos à ideia para nossa revisão de hoje, que nos ensina que: A salvação do mundo depende de mim. Para aprendermos a vigiar nossos pensamentos, para que a ilusão de mundo que construímos para nós mesmos, para nós mesmas e para todos e todas que habitam este mundo conosco seja a ilusão de um mundo perdoado, um mundo de alegria, de paz e de amor. Livre da arrogância e da onipotência do ego. Livre da necessidade do ego de ter sempre razão.

Às práticas?

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Na verdade, tudo o que queremos é só a paz de Deus

 

LIÇÃO 205

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (185) Eu quero a paz de Deus.

A paz de Deus é tudo o que quero. A paz de Deus é minha única meta; o objetivo de todo o meu viver aqui, o fim que busco, meu propósito e minha função, e minha vida, enquanto eu morar em um lugar em que não estou em casa.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 205

Caras, caros,

Voltemos mais uma vez às perguntas feitas nos comentários dos últimos anos:

O que eu quero? O que tu queres? O que queremos? Quem, de fato, sabe o que quer? Quem está buscando atender aos anseios mais profundos de seu coração? Será que alguém entre nós se ocupa verdadeiramente de buscar aquilo que quer ou, como a maioria, está preocupado, ou preocupada, tentando afastar aquilo que não quer?

Quem de nós já experimentou, alguma vez, alguma coisa, uma sensação melhor do que a de estar na mais absoluta paz de Deus e ainda pôde pensar que seria possível existir algo mais a se querer depois de ter experimentado essa paz?

Haverá - alguém pode afirmar de forma categórica a partir de sua experiência pessoal - algo melhor do que a paz de Deus [penso que se pode dizer isso também, falando da paz de espírito, aquela paz, aquela sensação de tranquilidade em que tudo, absolutamente tudo, está no lugar certo, que temos de vez em quando - um instante santo, de que fala o Curso] para se desejar neste mundo, ou em qualquer mundo que possa existir?

A resposta a estas perguntas e a todas as perguntas que possamos ter e que possamos pensar e que possamos vir a fazer ao longo de nossa vida está na ideia que revisamos hoje. 

A maioria dos equívocos a que nos leva o sistema de pensamento do ego se deve ao fato de ele nos fazer pensar que podemos enganar a Deus, "um pouquinho só". Quer dizer, o ego nos faz acreditar que podemos, sim, desejar pra valer as coisas do mundo e ao mesmo tempo estabelecer um relacionamento satisfatório com Ele/Ela. Na prática, isto não é nada mais do que auto-engano, ou a quem pensamos enganar, senão a nós mesmos e a nós mesmas, acreditando que podemos esconder alguma coisa de Deus? Já não aprendemos que Ele/Ela é o que somos e que somos o que Ele/Ela é? 

Assim, é sempre só a nós mesmos e a nós mesmas que buscamos enganar, pois Deus não está em nenhum lugar que não em nós e em tudo o que existe. Não existe um Deus exterior a nós, a quem possamos recorrer para nos livrar da dor, do sofrimento, da doença ou da morte. O único Deus que existe só diz sim a tudo o que escolhermos. E estas experiências - dor, sofrimento, perda, escassez, miséria, doença ou morte - só existem para aqueles ou aquelas de nós que as escolhem. Ou não acreditamos que existem pessoas felizes, alegres, satisfeitas com tudo o que têm, que não aspiram a nada mais porque Deus - seu Deus interior - lhes dá tudo aquilo de que precisam em todos os momentos? 

Minha companheira de jornada nesta vida ilusória, a partir de uma conversa a respeito de uma das últimas experiências que tivemos em nossa viagem pelo sertão, num dos últimos anos passados, logo que voltamos, me lembrou de um filme a que ela assistiu, uma espécie de documentário, que retratava a experiência de um jornalista ocidental que passara um ano entre os mongóis, no deserto, junto àquelas tribos de nômades que vivem em tendas e se deslocam pelo deserto de período em período. 

O jornalista conta no filme que foi para ele uma experiência riquíssima, e que, ao encerrar seu tempo entre eles, enquanto os mongóis finalizavam os preparativos para mais uma jornada, queria dar um presente de despedida aos que o acolheram, sem atinar o que poderia ser. Resolveu, então, perguntar a eles qual era a coisa de que mais sentiam falta, necessidade, a coisa que mais precisavam. E eles não entenderam a pergunta. Pois é só a partir do ponto de vista do ocidental, que vive no dito mundo civilizado e tecnológico, que alguém pode pensar que uma tribo nômade pode sentir falta de alguma coisa de que necessite em seu modo de viver. 

Na verdade, a ideia de que alguma coisa pode faltar a alguém é apenas mais um dos disfarces a que recorre o sistema de pensamento do ego para nos fazer pensar que alguma coisa no mundo pode vir a nos satisfazer, a nos dar a felicidade. Nós nos comparamos, egoicamente, uns aos outros, e umas às outras, a partir daquilo que pensamos ter e que "falta" - em nossa percepção equivocada - a outros e outras. Para nos julgarmos melhores do que outros e outras. É aquela ideia: "eu tenho, você não tem". Ou a ideia da inveja que tenho de algo que outro, ou outra, tem e eu não. No entanto, isso só aprofunda mais e mais a ideia de separação, porque, por mais que acreditemos ter neste mundo, há sempre alguém que, aparentemente, tem mais. E isso tira a paz de qualquer um, ou qualquer uma, que ainda esteja iludido ou iludida, pensando que há algum valor em se ter alguma coisa do mundo. Ninguém pode ter mais do que apenas aquilo que é. Ou, dito de outra forma, só temos o que somos. Nada mais.

Na verdade, quem tem a paz de Deus [paz de espírito] tem tudo. Nada lhe pode faltar. Ou, dizendo de outra forma, só podemos descobrir que temos tudo, quando experimentarmos, de fato, a paz de Deus. Lembram-se do Salmo: "O Senhor [o divino em mim] é meu pastor e nada me pode faltar"?

É por isto que a ideia para as práticas de hoje pode nos ensinar - e ensina a quem quiser aprender de fato - a manifestar de forma clara e inequívoca o único desejo que pode nos levar a alcançar salvação, para nós mesmos, para nós mesmas e para o mundo inteiro, além de nos colocar a todos e todas em contato com a luz de que somos feitos e feitas e que nos mostra a verdade a nosso próprio respeito.

Como eu já disse várias vezes antes - e repito uma vez mais hoje -, o pensamento que vamos utilizar para as práticas de hoje é o único pensamento verdadeiro de que precisamos para transformar de modo indescritível nossa experiência de estar no mundo. Ele é um pensamento que pode nos transportar para além de todas as aparentes barreira e obstáculos que parecem nos impedir de alcançar a alegria e a paz perfeitas, que são a Vontade de Deus para todos, todas e cada um e cada uma de nós.

Só por isso vale perguntar mais uma vez: Quanto tempo ainda vamos esperar para aceitar a ideia de que tudo o que queremos, de fato, é a paz de Deus [mesmo que não tenhamos consciência disso]? De que ela é a única coisa que pode preencher nossas vidas com a alegria perfeita e completa, que é a condição natural do Filho de Deus? Quanto tempo ainda vamos levar para decidir que só queremos que o Deus em nós viva a vida por nós e escolha o que é melhor para nós?

Às práticas?

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Como construir uma experiência de mundo diferente

 

LIÇÃO 204

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (184) O Nome de Deus é minha herança.

O Nome de Deus me lembra de que sou Seu Filho, não escravo do tempo, livre das leis que governam o mundo de ilusões doentias, livre em Deus, um com Ele para todo o sempre.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.


*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 204

Caras, caros,

O mundo só existe como representação e materialização de nossos pensamentos. Quer dizer, se aparentemente somos tantas pessoas no mundo, é porque nalgum momento nosso pensamento nos fez perceber que, além de nós mesmos, ou de nós mesmas, o mundo precisava ser povoado de pessoas outras que completassem aspectos nossos que não podemos perceber sozinhos, sozinhas.

É mais ou menos como, lembrando algum mito da criação, sendo deuses e deusas, nos sentíssemos sós e quiséssemos compartilhar nossa solidão, compartilhar com alguém aquilo que pensamos perceber em nós, dividir isso com alguém que nos pudesse ouvir ao menos.

Talvez seja interessante notar que, a partir desta ideia, fica mais fácil entender porque as pessoas com quem convivemos, aquelas com quem pensamos dividir nosso mundo, parecem, às vezes, viver noutro mundo que não o nosso. Parecem pensar de modo completamente diferente do nosso e materializar coisas que não podemos materializar, nem entender muitas vezes, não? Vivem à volta de nós, algumas pessoas, muitas delas, ou todas elas até, experiências inteiramente diferentes das nossas, não é mesmo?

Se nos identificamos com o que está dito aí acima, isso, acredito, também pode tornar mais fácil perceber que é possível a cada uma e a cada um de nós construir uma experiência diferente de mundo. Bastando para tanto que mudemos nossa forma de pensar. Deixando de lado impedimentos e obstáculos que interpomos à realização de alguns de nossos desejos. Aprendendo que, para algo se materializar, esse algo tem de estar firme em nossas cabeças, em nossos corações, em nossos pensamentos. Compreendendo que, por ser o mundo apenas um reflexo do que pensamos dele, podemos transformá-lo a nosso bel-prazer.

Temos todo o direito de.

A ideia que vamos praticar mais uma vez hoje em nossa revisão revela a verdadeira herança a que temos direito na - e pela - condição de filhos e filhas de Deus que somos. Ela complementa e estende a ideia das práticas de ontem. Por isso, repetindo mais uma vez o que eu já disse várias vezes antes, gostaria de lembrá-los e lembrá-las de que, assim como herdamos, de nossa família terrena, na experiência ilusória das formas e dos sentidos, um nome que é o que nos acompanha desde o nascimento até o fim de nossa existência na forma humana, o fato de sermos Filhos e Filhas de Deus também nos dá o direito de carregar o Nome d'Ele/Ela, até mesmo durante o tempo em que aparentemente permanecemos em contato com o corpo que nos serve de veículo neste mundo. 

É preciso que nos lembremos ainda de que, quando nos decidimos, de fato, a voltar nossa vida "completamente para Deus" e "colocar o reino de Deus em primeiro lugar", podemos ter a impressão de que alguns dos relacionamentos que mantínhamos antes, outros que ainda que mantemos, e que se baseiam na busca da satisfação no mundo, acabam. Ou, na melhor das hipóteses, mudam por completo.

Algumas das pessoas que conhecemos e com quem convivemos até então se afastam e mostram uma espécie de não-reconhecimento, quando não um tipo de rejeição, àquilo [à ameaça] que passamos a representar a seus egos [o falso eu, a imagem que fazem de si e a que fazem de nós], quando resolvemos aceitar nosso papel no plano de Deus para a salvação do mundo.

Uma das lições que já praticamos diz que "só o plano de Deus para a salvação funcionará". Quando reconhecemos isso, entendendo o fato de que, como também diz Thomas Keating, de quem já falamos várias vezes antes, "somente a experiência de Deus pode colocar em perspectiva todas as outras formas de prazer ou as promessas de felicidade que várias criaturas [no e do mundo] nos proporcionam". 

O que o Curso pede que façamos não é abandonar o mundo ou as coisas e pessoas e criaturas do mundo. O que ele nos pede é que olhemos para o mundo de modo diferente, que olhemos primeiro para nós mesmos e para nós mesmas para encontrar as dádivas que recebemos, a fim de que sejamos capazes de oferecê-las, da mesma forma que Deus as oferece a todos, todas, a cada um e a cada uma de nós a todo momento, todos os dias, o tempo todo.

Há ainda um texto do Curso, que também já mencionei várias outras vezes, intitulado "Estabelecer a meta" [na página 388, para quem tem o livro], que fala claramente da necessidade de tomarmos a decisão de viver para a verdade, aceitando e reconhecendo a Vontade de Deus de alegria e paz completas para nós como nossa própria vontade. Se estabelecemos a verdade como meta, toda e qualquer situação que se apresentar vai ser vivenciada como significativa para nos levar em direção a ela.

O que eu acho que posso dizer, depois desses quase trinta anos em contato com o Curso e dos quase vinte com as práticas diárias, é que quando escolhemos de verdade voltar "nossas vidas completamente para Deus" [o que significa colocar sempre o Reino de Deus em primeiro lugar],  vamos ser capazes - a partir da fidelidade a nós mesmos e a nós mesmas e a nossa decisão de praticar diariamente lembrar de Deus, em nós -, de perceber que tudo e todos a nossa volta são manifestações do mesmo divino que nos dá nossa verdadeira identidade. 

Finalmente, vamos aprender que a separação nunca existiu, não existe e não poderá jamais existir. É isso que vai nos permitir construir uma experiência de mundo diferente. Uma experiência que não exclui nada, mas que, ao contrário, inclui absolutamente tudo.

Às práticas?

quarta-feira, 22 de julho de 2026

O que pode aquietar o ego é manter a atenção na luz

 

LIÇÃO 203

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (183) Invoco o Nome de Deus e o meu próprio nome.

O Nome de Deus é minha liberação de todo pensamento de mal e de pecado, porque é meu próprio nome assim como o d'Ele.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 203

Caras, caros,

Lembram-se de que já me referi, no passado - e mais do que só uma vez -, a um livro de Thomas Keating, cujo título é A condição humana? Acho que vale a pena relembrar o que eu disse que ele tinha a nos ensinar, na ocasião em que falei dele. E, com certeza, em sintonia com o que o Curso quer que aprendamos, a partir das práticas com a lição de hoje, bem como com as práticas de todos os dias. 

A certa altura de seu livro, falei naquela oportunidade, repito agora, Keating diz que quem está envolvido em uma prática espiritual precisa de orientação e que "nem todo guia espiritual que aparece pode oferecê-la. O mais importante é a fidelidade à prática diária de uma forma contemplativa de oração" [o grifo é meu]. Não é isso o que lhes parece que são os exercícios: "uma forma contemplativa de oração"?

À medida que buscamos nos lembrar de quem somos, na verdade, em Deus, a pratica diária, o autor diz,  "gradativamente nos expõe ao inconsciente em um ritmo com que podemos lidar, e [nos] coloca... sob a orientação do Espírito Santo. O amor divino prepara-nos, então, para receber[mos] o máximo que Deus pode comunicar de sua luz interior". Lembrando-nos sempre de que o máximo que podemos receber em dado momento é diferente para cada um e cada uma nós.

Assim, resta lembrar que a ideia que praticamos hoje chama a atenção para o fato de que, ao invocar o Nome de Deus, reconhecemos que "o mesmo amor incondicional, que se move em Deus, está se movendo em nós pela Graça, suplantando o ego humano com o divino 'Eu'", para que possamos começar a "manifestar na vida diária, não nossos falsos egos e preconceitos, mas a ternura infinita de Deus, o interesse de Deus por cada coisa viva", de acordo com Keating.

E, ainda de acordo com o que ele diz, e que é a mesma coisa que diz Joel Goldsmith, citado várias outras vezes,  "enquanto nos identificarmos com algum papel ou pessoa, não estaremos livres para manifestar a pureza da presença de Deus. Parte da vida é um processo de abandonar qualquer papel, embora digno, com que você se identifica. Ele [o papel com o qual você se identifica] não é você. Suas emoções não são você. Seu corpo não é você. Se você não é nada disso, que é você", então?

Lembrem-se, lembremo-nos, da lição 189, por que passamos há pouco, e que vamos revisar daqui a alguns dias. Lá, no sétimo parágrafo, o Curso aconselha a nos aquietarmos, a abandonarmos tudo o que já nos aconteceu no passado, inclusive o próprio Curso, para podermos ir a Deus de mãos livres, de mente aberta [ir metaforicamente apenas porque, na verdade, o que fazemos ao deixar tudo para trás, é tão somente permitir que sejam removidos os obstáculos que interpusemos entre o divino, que somos, e um "eu" que construímos e que acreditamos egoicamente ser]. Porque nada do que já experimentamos antes pode nos levar a nós mesmos, a nós mesmas. Só podemos chegar a nós mesmos e a nós mesmas, e, por extensão, a Deus, agora. E no silêncio. 

Numa entrevista recente, publicado no jornal El País, o filósofo George Steiner diz o seguinte, e que tem a ver com isso de que falo acima:

"... há algo que me preocupa: os jovens [eu diria que não só os jovens] já não têm tempo... de ter tempo. Nunca a aceleração mecânica das rotinas da vida foi tão forte quanto hoje. E é preciso se ter tempo para buscar tempo. E outra coisa: não há que se ter medo do silêncio. O medo das crianças do silêncio me dá medo. Só o silêncio nos ensina a encontrar o essencial em nós mesmos."  

Ora, o que pode ser o essencial em nós mesmos, em nós mesmas? O mundo e seu sistema de pensamento, o mundo e seus ruídos, a estática que não nos permite ouvir a voz interior durante muito mais do que uns poucos segundos, tudo isso serve apenas para nos distrairmos de nós mesmos e de nós mesmas. Para voltarmos a atenção para tudo aquilo que o mundo quer que compremos, para a perpetuação da existência do ego e de todas as diferenças que o ego quer nos fazer acreditar que nos separam uns e umas dos outros e das outras, mas que, mais do que nos separar uns e umas dos outros e das outras, nos separam de Deus, e de nós mesmos, de nós mesmas, uma vez que o que Deus é é também o que somos.

Tudo isso pode desaparecer se buscarmos alguns momentos de silêncio no dia-a-dia, como prática até, todos os dias. Se reservarmos um pouco de tempo para aquilo que é essencial em nós: nós mesmos, nós mesmas. O divino em nós. Isso vai permitir que os obstáculos que o ego quer interpor entre Deus e nós sejam removidos. A pouco e pouco. E quanto mais tempo escolhermos dedicar ao silêncio tanto mais fácil ficará ouvir a Voz por Deus em nossos dias. Tanto mais fácil será perceber a luz que trazemos interiormente e que tem de se irradiar para iluminar o mundo e tudo o que há nele, ainda que apenas aparentemente. 

Quer dizer, o ego só aparece quando nos esquecemos de trazer a ele a Luz do divino que sabemos em nós. Quando permitimos que seus ruídos sejam ouvidos e nos distraiam a atenção. Daí a necessidade da atenção, da vigilância, para que não nos deixemos enganar pelo ensinamento do mundo, para que não nos deixemos tentar a dar valor àquilo que não tem valor, como ensina uma das lições por que já passamos.

E, para terminar este comentário da mesma forma que fiz no passado, chamo sua atenção para o seguinte: "se nós [ainda] não tivermos experimentado a nós mesmos e a nós mesmas como amor incondicional, temos mais trabalho a fazer - porque isso [amor incondicional] é o que realmente somos".

Às práticas, pois!