quinta-feira, 7 de maio de 2026

Tens disposição, coragem, para abandonar o mundo?

 

LIÇÃO 127

Não há nenhum amor a não ser o de Deus.

1. Talvez penses que diferentes tipos de amor são possíveis. Talvez penses que há um tipo de amor para isto, um tipo para aquilo; um modo de amar alguém, outro modo ainda de amar outro alguém. O amor é único. Ele não tem nenhuma parte separada e nenhum grau; nenhum tipo, nem níveis; nenhuma divergência e nenhuma distinção. Ele é igual a si mesmo, inteiramente imutável. Ele nunca se altera com uma pessoa ou uma circunstância. Ele é o Coração de Deus e o de Seu Filho também.

2. O significado do amor está escondido de qualquer um que pense que o amor pode mudar. Ele não percebe que mudar o amor tem de ser impossível. E, deste modo, ele pensa que, às vezes, pode amar e, noutras, odiar. Ele também pensa que o amor pode ser oferecido a um e ainda permanecer ele mesmo embora seja negado a outros. Acreditar nestas coisas a respeito do amor é não compreendê-lo. Se ele pudesse fazer tais distinções, teria de julgar entre o justo e o pecador, e perceber o Filho de Deus em partes separadas.

3. O amor não pode julgar. Do mesmo modo que ele é único em si mesmo, ele olha para tudo como um só. Seu significado está na unidade. E tem de escapar à mente que pensa nele como tendencioso ou parcial. Não há nenhum amor a não ser o de Deus e tudo o que se refere ao amor é d'Ele. No lugar onde não há amor, não há nenhum outro princípio que governe. O amor é uma lei que não tem oposto. Sua completude é o poder que mantém todas as coisas unas, a ligação entre o Pai e o Filho que Os mantém eternamente como o mesmo.

4. Nenhum curso cujo objetivo seja te ensinar a te lembrares do que és realmente poderia deixar de enfatizar que não pode existir nunca uma diferença entre o que tu és realmente e o que o amor é. O significado do amor é teu próprio significado, e compartilhado pelo Próprio Deus. Pois o que tu és é o que Ele é. Não há nenhum amor a não ser o d'Ele, e o que Ele é é tudo o que existe. Sobre Ele Mesmo não se impõe nenhum limite e, por isto, tu também és ilimitado.

5. Nenhuma lei a que o mundo obedeça pode te ajudar a apreender o significado do amor. Aquilo em que o mundo acredita foi feito para esconder o significado do amor e para mantê-lo oculto e secreto. Não há nenhum princípio que o mundo sustente que não viole a verdade do que o amor é e do que tu também és.

6. Não busques no mundo para achar teu Ser. Não se encontra o amor na escuridão e na morte. Porém ele é completamente aparente aos olhos que veem e aos ouvidos que ouvem a Voz do amor. Hoje praticamos libertar tua mente de todas as leis a que pensas ter de obedecer; de todos os limites sob os quais vives e de todas as mudanças que pensas serem parte do destino humano. Hoje damos o maior passo individual que este curso exige em teu avanço na direção à meta que ele estabeleceu.

7. Se conseguires, hoje, o mais leve vislumbre do que o amor significa, avançaste uma distância imensurável e um tempo maior do que o que se pode contar em anos na direção de tua liberdade. Então, juntos, vamos ficar contentes por dedicar algum tempo a Deus hoje e compreender que não há uso melhor para o tempo do que este.

8. Escapa, hoje, de todas as leis nas quais acreditas agora por duas vezes durante quinze minutos. Abre tua mente e descansa. É possível, para qualquer um que não dê valor a ele, escapar do mundo que parece te aprisionar. Retira todo o valor que deste a seus parcos oferecimentos e dádivas insignificantes e deixa que a dádiva de Deus substitua todas elas.

9. Chama por teu Pai, certo de que a Voz d'Ele responderá. Ele Mesmo assegura isto. E Ele Mesmo colocará uma centelha de verdade em tua mente sempre que desistires de uma crença falsa, uma ilusão sombria de tua própria realidade e do que o amor significa. Ele brilhará através de teus pensamentos inúteis hoje e te ajudará a compreender a verdade a respeito do amor. Ele habitará contigo em mansidão amorosa, quando permitires que Sua Voz ensine o significado do amor a tua mente pura e aberta. E Ele abençoará a lição com Seu Amor.

10. Hoje a quantidade de anos futuros de espera pela salvação desaparece diante da intemporalidade do que aprendes. Demos graças, hoje, por sermos poupados de um futuro idêntico ao passado. Hoje, deixamos o passado atrás de nós, para não ser lembrado jamais. E erguemos nossos olhos para um presente diferente do passado em todos os aspectos.

11. O mundo incipiente é recém-nascido. E nós o observamos crescer em saúde e força, para distribuir sua bênção sobre todos que vierem aprender a pôr de lado o mundo que pensavam que era feito no ódio para ser inimigo do amor. Agora todos ficaram livres junto conosco. Agora todos são nossos irmãos no Amor de Deus.

12. Nós nos lembraremos deles ao longo do dia, porque não podemos deixar uma parte de nós fora de nosso amor, se quisermos conhecer nosso Ser. Pensa, pelo menos três vezes por hora, em alguém que faz a jornada contigo e que veio aprender aquilo que tu tens de aprender. E, quando ele vier a tua mente, dá-lhe esta mensagem de teu Ser:

Eu te abençoo, irmão, com o Amor de Deus, que
quero compartilhar contigo. Pois quero aprender
a lição feliz de que não há nenhum amor a não ser
o de Deus e o teu e o meu e o de todos.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 127

Caras, caros,

Vamos começar a exploração da ideia de hoje, que é:

"Não há nenhum amor a não ser o de Deus.",

refletindo a respeito de como pensamos no amor, como o vemos em nossas vidas, como nos deixamos levar pelas ideias equivocadas do sistema de pensamento do ego a respeito do que é o amor, inventando milhares, milhões de formas de amor, que, na verdade, não têm nada a ver com o amor de que fala o Curso, que é o amor de Deus.

Por isso, a ideia que vamos praticar hoje traz consigo, mais uma vez, como não poderia deixar de ser, outra nova oportunidade, a mais nova - mais uma - de nos pormos em contato com aquilo que somos verdadeiramente. Isto é, temos, hoje, novamente, mais uma oportunidade de aprender, na prática - e com as práticas deste dia -, a respeito do amor, que é o que somos, e de Deus, que é o Amor Que Somos.

A única "coisa" real é Deus. É o Amor que vem d'Ele/d'Ela, que é o que Ele/Ela é. É o que veríamos, perceberíamos, se pudéssemos, de algum modo, vislumbrar uma forma de apreender o que Ele/Ela é. Pois Ele/Ela é o Inominável, o Indizível e nada do que pudermos dizer a respeito d'Ele O define, uma vez que definir é limitar e Ele/Ela não conhece limites. Por outro lado, e também da mesma forma, tudo o que dissermos d'Ele/Ela também não é o que Ele/Ela é, porque tudo o que conhecemos conhecemos dentro de uma consciência ainda limitada por nossa experiência da, e na, forma.

É este amor sem limites, indivisível e, ao mesmo tempo, capaz de abarcar tudo e todos num mesmo abraço, que a lição nos convida a conhecer. Assim:

Talvez penses que diferentes tipos de amor são possíveis. Talvez penses que há um tipo de amor para isto, um tipo para aquilo; um modo de amar alguém, outro modo ainda de amar outro alguém. O amor é único. Ele não tem nenhuma parte separada e nenhum grau; nenhum tipo, nem níveis; nenhuma divergência e nenhuma distinção. Ele é igual a si mesmo, inteiramente imutável. Ele nunca se altera com uma pessoa ou uma circunstância. Ele é o Coração de Deus e o de Seu Filho também.

É a este amor que podemos chamar de incondicional. Não há outro.

A lição continua:

O significado do amor está escondido de qualquer um que pense que o amor pode mudar. Ele não percebe que mudar o amor tem de ser impossível. E, deste modo, ele pensa que, às vezes, pode amar e, noutras, odiar. Ele também pensa que o amor pode ser oferecido a um e ainda permanecer ele mesmo embora seja negado a outros. Acreditar nestas coisas a respeito do amor é não compreendê-lo. Se ele pudesse fazer tais distinções, teria de julgar entre o justo e o pecador, e perceber o Filho de Deus em partes separadas.

O amor não pode julgar. Do mesmo modo que ele é único em si mesmo, ele olha para tudo como um só. Seu significado está na unidade. E tem de escapar à mente que pensa nele como tendencioso ou parcial. Não há nenhum amor a não ser o de Deus e tudo o que se refere ao amor é d'Ele. No lugar onde não há amor não há nenhum outro princípio que governe. O amor é uma lei que não tem oposto. Sua completude é o poder que mantém todas as coisas unas, a ligação entre o Pai e o Filho que Os mantém eternamente como o mesmo.

Será que a partir disso ainda vamos pensar que há como dividir as pessoas entre as que merecem receber nosso amor e as que não, como o ego nos aconselha a fazer? Será que ainda vamos ser capazes de pensar que podemos dar um amor um pouco maior a algumas e um amor um pouco menor, diferente a outras? Ou ainda negar o amor totalmente a outras mais?

Não há nenhum amor a não ser o de Deus. 

Isto quer dizer que não é amor um sentimento ou emoção qualquer que tenhamos, e que nos permita pensar ser possível excluir alguém de nosso abraço amoroso. Vejamos, então, o que o Curso quer que aprendamos: 

Nenhum curso cujo objetivo seja te ensinar a te lembrares do que és realmente poderia deixar de enfatizar que não pode existir nunca uma diferença entre o que tu és realmente e o que o amor é. O significado do amor é teu próprio significado, e compartilhado pelo Próprio Deus. Pois o que tu és é o que Ele é. Não há nenhum amor a não ser o d'Ele, e o que Ele é é tudo o que existe. Sobre Ele Mesmo não se impõe nenhum limite e, por isto, tu também és ilimitado.

Nenhuma lei a que o mundo obedeça pode te ajudar a apreender o significado do amor. Aquilo em que o mundo acredita foi feito para esconder o significado do amor e para mantê-lo oculto e secreto. Não há nenhum princípio que o mundo sustente que não viole a verdade do que o amor é e do que tu também és.

Não busques no mundo para achar teu Ser. Não se encontra o amor na escuridão e na morte. Porém ele é completamente aparente aos olhos que veem e aos ouvidos que ouvem a Voz do amor. Hoje praticamos libertar tua mente de todas as leis a que pensas ter de obedecer; de todos os limites sob os quais vives e de todas as mudanças que pensas serem parte do destino humano. Hoje damos o maior passo individual que este curso exige em teu avanço na direção à meta que ele estabeleceu.

É isso! É preciso que estejamos dispostos a reconhecer que as leis do mundo, que limitam o amor,  não têm de ser obedecidas, se praticarmos viver o amor de Deus, a recebê-lo e a estendê-lo a tudo e a todos, mesmo neste mundo.

Como o Curso ensina, o que Deus nos dá é dado verdadeiramente e tem de ser recebido de verdade. Pois as dádivas de Deus não têm realidade, quando não as recebemos. É por isso que não nos serve de nada a compreensão intelectual da onipotência, onisciência e onipresença de Deus. É preciso que a tenhamos na consciência, na mente e no coração. Deus só pode ir conosco aonde formos se O/A convidarmos e permitirmos que Ele/Ela vá conosco.

Não há nenhum amor a não ser o de Deus.

É esta verdade que a lição quer que aprendamos hoje, para recebermos com ela o milagre que está reservado a cada um e a cada uma de nós, quando nos abrirmos para o único amor que existe. E não há limites para o que podemos alcançar se o desejarmos de verdade.

É o que a lição diz desta forma:

Se conseguires, hoje, o mais leve vislumbre do que o amor significa, avançaste uma distância imensurável e um tempo maior do que o que se pode contar em anos na direção de tua liberdade. Então, vamos, juntos, ficar contentes por dedicar algum tempo a Deus hoje e compreender que não há uso melhor para o tempo do que este.

Escapa, hoje, de todas as leis nas quais acreditas agora por duas vezes durante quinze minutos. Abre tua mente e descansa. É possível, para qualquer um que não dê valor a ele, escapar do mundo que parece te aprisionar. Retira todo o valor que deste a seus parcos oferecimentos e dádivas insignificantes e deixa que a dádiva de Deus substitua todas elas.

Chama por teu Pai, certo de que a Voz d'Ele responderá. Ele Mesmo assegura isto. E Ele Mesmo colocará uma centelha de verdade em tua mente sempre que desistires de uma crença falsa, uma ilusão sombria de tua própria realidade e do que o amor significa. Ele brilhará através de teus pensamentos inúteis hoje e te ajudará a compreender a verdade a respeito do amor. Ele habitará contigo em mansidão amorosa, quando permitires que Sua Voz ensine o significado do amor a tua mente pura e aberta. E Ele abençoará a lição com Seu Amor.

É certo que é aparentemente difícil aceitar uma ideia como a de hoje enquanto ainda pensarmos que há qualquer coisa de valor no mundo das aparências, das formas e das ilusões. Precisamos ter disposição e coragem, estar dispostos e dispostas a abandonar o mundo de uma vez por todas. Para ganhá-lo por inteiro. Para vencê-lo. Para libertá-lo por completo de quaisquer ideias e pensamentos equivocados que ainda temos a respeito dele. Mas quando teremos tal disposição, se tudo o que conseguimos fazer é protelar nossa decisão de escolher o Céu de forma definitiva? Quando, então, nos decidiremos a deixar de dar valor a qualquer coisa no - e do - mundo?

Uma das lições que já praticamos mais de uma vez garante que ainda somos como Deus nos criou, pois não há como sermos diferentes. Com a de hoje vamos fazer um esforço para aprender que não há, de fato, nada de valor no mundo em que aparentemente vivemos. Ao contrário, o mundo busca esconder o significado do amor, de modo a não o descobrirmos e, por consequência, não nos descobrirmos nele. E nem a Deus em nós.

Não há nenhum amor a não ser o de Deus. 

Pratiquemos, pois, de acordo com as orientações que recebemos hoje, para apressar nosso encontro com o Ser em nós, de Quem equivocadamente pensamos estar separados e separadas. Pois, como o Curso afirma em determinado ponto, já somos Aquilo que buscamos.

Assim é que vamos aprender que:

Hoje a quantidade de anos futuros de espera pela salvação desaparece diante da intemporalidade do que aprendes. Demos graças, hoje, por sermos poupados de um futuro idêntico ao passado. Hoje, deixamos o passado atrás de nós, para não ser lembrado jamais. E erguemos nossos olhos para um presente diferente do passado em todos os aspectos.

O mundo incipiente é recém-nascido. E nós o observamos crescer em saúde e força, para distribuir sua bênção sobre todos que vierem aprender a pôr de lado o mundo que pensavam que era feito no ódio para ser inimigo do amor. Agora todos ficaram livres junto conosco. Agora todos são nossos irmãos no Amor de Deus.

Nós nos lembraremos deles ao longo do dia, porque não podemos deixar uma parte de nós fora de nosso amor, se quisermos conhecer nosso Ser. Pensa, pelo menos três vezes por hora, em alguém que faz a jornada contigo e que veio aprender aquilo que tu tens de aprender. E, quando ele vier a tua mente, dá-lhe esta mensagem de teu Ser:

Eu te abençoo, irmão, com o Amor de Deus, que
quero compartilhar contigo. Pois quero aprender
a lição feliz de que não há nenhum amor a não ser
o de Deus e o teu e o meu e o de todos. 

Às práticas?

quarta-feira, 6 de maio de 2026

A melhor ferramenta do Curso é a prática das lições

 

LIÇÃO 126

Tudo o que dou é dado a mim mesmo.

1. A ideia de hoje, completamente estranha para o ego e para o modo de pensar do mundo, é vital para a inversão da forma de pensar que este curso trará. Se acreditasses nesta afirmação, não haveria nenhum problema em relação ao perdão completo, à certeza da meta e à direção correta. Tu compreenderias o meio pelo qual a salvação vem a ti e não hesitarias em usá-lo agora.

2. Consideremos aquilo em que de fato acreditas em lugar desta ideia. Parece-te que as outras pessoas estão separadas de ti e que são capazes de se comportar de maneiras que não têm nenhuma relação com teus pensamentos, nem os teus com os delas. Por isto, tuas atitudes não têm nenhum efeito sobre elas e os pedidos de ajuda delas não estão de nenhuma forma relacionados aos teus. Pensas, além disso, que elas podem pecar sem afetar tua percepção de ti mesmo, enquanto que tu podes julgar o pecado delas e, ainda assim, permanecer livre de condenação e em paz.

3. Quando "perdoas" um pecado não há francamente nenhum ganho para ti. Tu ofereces caridade a alguém indigno apenas para salientar que és melhor, que estás em um plano mais elevado do que aquele a quem perdoas. Ele não merece tua tolerância generosa, que concedes a alguém não merecedor da dádiva, porque seus pecados o reduzem a uma condição inferior à de uma verdadeira igualdade contigo. Ele não tem nenhum direito a teu perdão. Teu perdão estende uma dádiva a ele, mas dificilmente a ti mesmo.

4. Deste modo, o perdão é basicamente deletério; uma generosa extravagância, benevolente, apesar de não merecida, uma dádiva às vezes concedida, noutras negada. Não merecido, é justo negá-lo e não é justo que sofras quando ele é negado. O pecado que perdoas não é teu. Alguém separado de ti o cometeu. E se, então, fores bondoso para com ele, dando-lhe aquilo que ele não merece, a dádiva não é mais tua do que o pecado era dele.

5. Se isto for verdadeiro, o perdão não tem nenhuma base confiável e segura sobre a qual se apoiar. Ele é uma excentricidade, na qual tu, algumas vezes, escolhes dar de forma bondosa um alívio não merecido. Entretanto, continua a ser teu direito não permitir que o pecador escape do pagamento justo por seu pecado. Pensas que o Senhor do Céu permitiria que a salvação do mundo dependesse disto? O cuidado d'Ele por ti não seria, de fato, pequeno se tua salvação se baseasse em uma extravagância?

6. Tu não compreendes o perdão. Do modo como o vês, ele é apenas um controle imposto ao ataque aberto, que não exige correção em tua mente. Do modo como o percebes, ele não pode te oferecer a paz. Ele não é um meio para tua liberação daquilo que vês em alguém diferente de ti mesmo. Ele não tem nenhum poder para restabelecer tua unidade com ele em tua consciência. Ele não é o que Deus pretendia que ele fosse para ti.

7. Ao não Lhe dares a dádiva que Ele te pede, tu não podes reconhecer as dádivas d'Ele e pensas que Ele não as deu a ti. Porém, Ele te pediria uma dádiva a menos que ela fosse para ti? Ele poderia ficar satisfeito com gestos vazios e avaliar tais dádivas mesquinhas como dignas de Seu Filho? A salvação é uma dádiva melhor do que isto. E o perdão verdadeiro, como a forma pela qual ela é obtida, tem de curar a mente que dá, porque dar é receber. Aquilo que permanece não recebido não foi dado, mas aquilo que foi dado tem de ser recebido.

8. Hoje tentamos compreender a verdade segundo a qual doador e receptor são o mesmo. Precisarás de ajuda para tornar isto significativo, porque é muito estranho ao modo de pensar a que estás acostumado. Mas a Ajuda de que precisas está aí. Oferece tua fé a Ele hoje e pede a Ele que compartilhe de tua prática com a verdade hoje. E se captares apenas um vislumbre pequenino do alívio que há na ideia que praticamos hoje, este será um dia de glória para o mundo.

9. Dá, hoje, quinze minutos duas vezes à tentativa de compreensão da ideia de hoje. Ela é o pensamento a partir do qual o perdão assume o lugar correto em tuas prioridades. Ela é o pensamento que vai liberar tua mente de todos os obstáculos àquilo que o perdão significa e permitir que percebas claramente o valor dele para ti.

10. Em silêncio, fecha os olhos sobre o mundo que não compreende o perdão e busca refúgio no lugar sereno em que os pensamentos se transformam e as falsas crenças são abandonadas. Repete a ideia de hoje e pede ajuda para compreender o que ela significa realmente. Dispõe-te a ser instruído. Alegra-te em ouvir a Voz da verdade e da cura falar contigo e compreenderás as palavras que Ele diz, e reconhecerás que Ele te diz tuas próprias palavras.

11. Tantas vezes quantas puderes, lembra a ti mesmo de que tens um objetivo hoje; um objetivo que torna este dia de valor especial para ti mesmo e para todos os teus irmãos. Não deixes que tua mente se esqueça deste objetivo por muito tempo, mas dize a ti mesmo:

Tudo o que dou é dado a mim mesmo. A Ajuda de que preciso para
aprender que isto é verdadeiro está comigo agora. E confiarei n'Ele.

Em seguida passa um momento tranquilo, abrindo tua mente para a correção d'Ele e para Seu Amor. E acreditarás no que ouves d'Ele porque o que Ele dá será recebido por ti.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 126

Caras, caros,

A ideia que temos para as práticas hoje tem tudo a ver com uma ideia que já praticamos e que é sempre um espinho no sistema de pensamento do ego. É aquela ideia que diz que dar e receber são uma coisa só na verdade. Algo inimaginável para o ego e seu sistema de pensamento. O sistema que faz o mundo girar do modo como a maioria das pessoas que o habitam pensam que ele gira.

A ideia é a seguinte:

"Tudo o que dou é dado a mim mesmo."

Nesta postagem, que de certa forma meio que repete comentários anteriores feitos para explorar a lição, é preciso ressaltar mais uma vez a necessidade de que pratiquemos. De nada adianta estudar e estudar e estudar..., sem levar o objeto do estudo à prática. Também não serve de nada nascer com algum talento para alguma coisa, se não praticarmos com esse talento. E é certo que todos nós nascemos com um talento, um talento único, que leva o Curso a nos autorizar a afirmar: "o próprio Deus é incompleto sem mim". É isso o que vocês vão ver no vídeo abaixo, que recebi de um amigo, alguém que frequentou o grupo conosco durante algum tempo, e que compartilho com vocês: 

(Um pequeno parêntese, antes de prosseguirmos, ou se preferirem também podem deixar para assistir ao vídeo depois da leitura de todo o comentário.)

https://youtu.be/tpfvJ9Qw6K

[Para assistir ao vídeo basta passear com o cursor do mouse sobre o endereço clicando com o botão esquerdo e, em seguida, clicando com o direito sobre o endereço, seguir a orientação que ele dá: Ir até...] 

Como eu já disse antes muitos e muitas estudantes do Curso se queixam de que ele não dá instruções práticas para as questões que se apresentam no dia a dia, mas será que, de fato, já paramos para fazer o que o Curso pede para fazermos? Com a maior disposição possível para dar o melhor de nós mesmos e de nós mesmas à mais simples das tarefas? Se de fato nos abrirmos para o que o Curso pede que façamos, vamos perceber que as instruções práticas são as experiências que se apresentam como resultado de nossas escolhas.

Não estamos gostando dos resultados, das experiências que se estão apresentando? É sempre possível escolher de novo, afinal, somos nós que criamos o mundo que vemos, tocamos, cheiramos, provamos e ouvimos. Ou vocês pensam que há alguém dirigindo o universo para ir na direção contrária à direção que gostaríamos que ele fosse? Não há, não! Não há mesmo! Somos tu e eu, nós todos e todas, que escolhemos a direção em que queremos que nossas vidas vão e, por consequência e extensão, todas as vidas do mundo. Ou seja, cada um e cada uma de nós é que escolhe a direção e as experiências que quer viver e que quer que o mundo todo viva, as lições que quer aprender e as lições que quer que o mundo todo aprenda, ou não.

Então...

Eis aqui, nesta lição, com esta ideia, a oportunidade - mais uma - para a virada de nossas vidas. Para virá-las de cabeça para baixo, de sorte a ver o mundo e tudo mais com um olhar diferente. Ou, quem sabe?, para pôr o mundo de cabeça para baixo, de modo a vê-lo simplesmente como uma imagem daquilo que projetamos sobre ele, com nossas ideias e pensamentos. 

Ou como a lição diz:

A ideia de hoje, completamente estranha para o ego e para o modo de pensar do mundo, é vital para a inversão da forma de pensar que este curso trará. Se acreditasses nesta afirmação, não haveria nenhum problema em relação ao perdão completo, à certeza da meta e à direção correta. Tu compreenderias o meio pelo qual a salvação vem a ti e não hesitarias em usá-lo agora.

E que ganhas ao inverter a forma de pensar? É a lição que responde:

Consideremos aquilo em que de fato acreditas em lugar desta ideia. Parece-te que as outras pessoas estão separadas de ti e que são capazes de se comportarem de maneiras que não têm nenhuma relação com teus pensamentos, nem os teus com os delas. Por isto, tuas atitudes não têm nenhum efeito sobre elas e os pedidos de ajuda delas não estão de nenhuma forma relacionados aos teus. Pensas, além disso, que elas podem pecar sem afetar tua percepção de ti mesmo, enquanto que tu podes julgar o pecado delas e, ainda assim, permanecer livre de condenação e em paz.

Quando "perdoas" um pecado não há francamente nenhum ganho para ti. Tu ofereces caridade a alguém indigno apenas para salientar que és melhor, que estás em um plano mais elevado do que aquele a quem perdoas. Ele não merece tua tolerância generosa, que concedes a alguém não merecedor da dádiva, porque seus pecados o reduzem a uma condição inferior à de uma verdadeira igualdade contigo. Ele não tem nenhum direito a teu perdão. Teu perdão estende uma dádiva a ele, mas dificilmente a ti mesmo.

Deste modo, o perdão é basicamente deletério; uma generosa extravagância, benevolente, apesar de não merecida, uma dádiva às vezes concedida, noutras negada. Não merecido, é justo negá-lo e não é justo que sofras quando ele é negado. O pecado que perdoas não é teu. Alguém separado de ti o cometeu. E se, então, fores bondoso para com ele, dando-lhe aquilo que ele não merece, a dádiva não é mais tua do que o pecado era dele.

Se isto for verdadeiro, o perdão não tem nenhuma base confiável e segura sobre a qual se apoiar. Ele é uma excentricidade, na qual tu, algumas vezes, escolhes dar de forma bondosa um alívio não merecido. Entretanto, continua a ser teu direito não permitir que o pecador escape do pagamento justo por seu pecado. Pensas que o Senhor do Céu permitiria que a salvação do mundo dependesse disto? O cuidado d'Ele por ti não seria, de fato, pequeno se tua salvação se baseasse em uma extravagância?

Não é assim mesmo que pensas? Não é assim que, em geral, pensamos todos e todas nós? Não é isso que o mundo ensina? Não é assim que as religiões ensinam? Não é isto que padres, pastores, bispos e representantes das religiões organizadas fazem no mundo, quando não perdoam que uma religião diferente da sua - normalmente a única certa - esteja "roubando" seus fiéis, diminuindo o tamanho de seu rebanho? Lembremo-nos de que a preocupação maior de todas as igrejas institucionalizadas é apenas com o dinheiro que os fiéis contribuem para que padres, pastores e representantes possam viver a vida com a fartura que negam à maioria das pessoas. Há exceções, é claro. Mas são sempre muito poucas.
 
Tudo o que dou é dado a mim mesmo. 

Quando nosso ponto de partida é a ideia segundo a qual aquilo que dou está perdido para mim, não há como compreender, não há como reconhecer ou aceitar a verdade que a lição de hoje oferece.

Vamos um pouco mais adiante:

Tu não compreendes o perdão. Do modo como o vês, ele é apenas um controle imposto ao ataque aberto, que não exige correção em tua mente. Do modo como o percebes, ele não pode te oferecer a paz. Ele não é um meio para tua liberação daquilo que vês em alguém diferente de ti mesmo. Ele não tem nenhum poder para restabelecer tua unidade com ele em tua consciência. Ele não é o que Deus pretendia que ele fosse para ti.

Ao não Lhe dares a dádiva que Ele te pede, tu não podes reconhecer as dádivas d'Ele e pensas que Ele não as deu a ti. Porém, Ele te pediria uma dádiva a menos que ela fosse para ti? Ele poderia ficar satisfeito com gestos vazios e avaliar tais dádivas mesquinhas como dignas de Seu Filho? A salvação é uma dádiva melhor do que isto. E o perdão verdadeiro, como a forma pela qual ela é obtida, tem de curar a mente que dá, porque dar é receber. Aquilo que permanece não recebido não foi dado, mas aquilo que foi dado tem de ser recebido.

Dar e receber são a mesma coisa. Já passamos por esta lição, conforme lhes chamei a atenção lá no início. O que fazes, então, quando negas alguma coisa a um semelhante, a um irmão, a uma irmã, que precisa da dádiva que lhe podes oferecer, quando podes? A quem negas?
 
Tudo o que dou é dado a mim mesmo. 

Voltando a algo de que já falamos e que costuma ser uma das questões comuns que se apresentam a nossa experiência nos relacionamentos que temos: o que fazer quando a raiva ou o orgulho impedem de exercitarmos o perdão? O que fazer quando acreditamos já nos termos perdoado - e a todas as pessoas envolvidas - por determinado problema e o problema se apresenta mais uma vez?

É disso que a lição fala. Assim:

Hoje tentamos compreender a verdade segundo a qual doador e receptor são o mesmo. Precisarás de ajuda para tornar isto significativo, porque é muito estranho ao modo de pensar a que estás acostumado. Mas a Ajuda de que precisas está aí. Oferece tua fé a Ele hoje e pede a Ele que compartilhe de tua prática com a verdade hoje. E se captares apenas um vislumbre pequenino do alívio que há na ideia que praticamos hoje, este será um dia de glória para o mundo.

Não está aí a resposta para todas as questões que fazemos acerca do perdão? 

Só podes perdoar a ti mesmo! A ti mesma! Não há um pecador e um salvador. Ou uma pecadora e uma salvadora. Cada um e cada uma de nós é apenas salvador, salvadora. Mas precisamos olhar para nós mesmos e para nós mesmas e para todas as pessoas que povoam nosso mundo com o mesmo olhar de Cristo. Precisamos ver o Cristo na outra pessoa, em todas as pessoas. E enquanto não formos capazes de fazer isto, estaremos vendo apenas as imagens que fizemos de outros e outras aparentemente separados e separadas de nós. Melhores que nós, piores que nós? Não importa! Importa, sim, perceber a divindade, a santidade, em nós e estendê-la a cada uma das pessoas que se apresentam em nossas vidas. Pois: 

Tudo o que dou é dado a mim mesmo.

Verdade!

Assim a lição nos instrui:

Dá, hoje, quinze minutos duas vezes à tentativa de compreensão da ideia de hoje. Ela é o pensamento a partir do qual o perdão assume o lugar correto em tuas prioridades. Ela é o pensamento que vai liberar tua mente de todos os obstáculos àquilo que o perdão significa e permitir que percebas claramente o valor dele para ti.

Em silêncio, fecha os olhos sobre o mundo que não compreende o perdão e busca refúgio no lugar sereno em que os pensamentos se transformam e as falsas crenças são abandonadas. Repete a ideia de hoje e pede ajuda para compreender o que ela significa realmente. Dispõe-te a ser instruído. Alegra-te em ouvir a Voz da verdade e da cura falar contigo e compreenderás as palavras que Ele diz, e reconhecerás que Ele te diz tuas próprias palavras.

Tantas vezes quantas puderes, lembra a ti mesmo de que tens um objetivo hoje; um objetivo que torna este dia de valor especial para ti mesmo e para todos os teus irmãos. Não deixes que tua mente se esqueça deste objetivo por muito tempo, mas dize a ti mesmo:

Tudo o que dou é dado a mim mesmo. A Ajuda de que preciso para
aprender que isto é verdadeiro está comigo agora. E confiarei n'Ele.

Em seguida passa um momento tranquilo, abrindo tua mente para a correção d'Ele e para Seu Amor. E acreditarás no que ouves d'Ele porque o que Ele dá será recebido por ti.

De acordo com o Curso, não se pode transformar em verdadeiro o pecado de alguém. É impossível, porque o pecado não existe, de verdade. Não podemos lidar com algo que realmente acreditamos que tenha acontecido para depois perdoar, pois só podemos perdoar ilusões. Por isso, é que é preciso que pensemos no pecado como algo que não existe. Isso torna mais fácil o exercício do perdão. Aliás, talvez seja até mais fácil abrir-nos para o perdão se tirarmos a ideia de pecado de nosso repertório. 

Mas como assim? Perdoar alguma coisa que não existe? Se não existe, por que perdoar? Para que evitemos transformar a ilusão em algo verdadeiro, em algo que acreditamos ter de fato acontecido. Ainda que o fato nos pareça um pecado, é preciso lidar com ele como algo que só aconteceu na ilusão. Como fazê-lo?

Lembrando que o que vemos sempre é: ou apenas uma projeção daquilo que trazemos interiormente, que se manifesta para confirmar nossas crenças, que se manifesta para atender a um pedido nosso de uma determinada experiência, para nos ensinar algo que ainda não aprendemos a respeito de nós mesmos ou de nós mesmas, algo de que esquecemos, na verdade, e de que queremos nos lembrar; ou um pedido de amor, venha na forma que vier; ou uma extensão do amor, que é o que somos todos e todas intrinsecamente.

O mundo, e todas coisas do mundo, as pessoas, os seres animados e inanimados, tudo e todos são neutros, bem como todas as experiências. O que muda então? Apenas o modo de ver, a maneira de olhar para tudo e para todos. Se houver algum equívoco, ele é sempre apenas um equívoco da percepção dos sentidos.
 
Tudo o que dou é dado a mim mesmo. 

Para perceber a verdade da ideia de hoje e para receber o milagre que ela oferece, nada melhor do que fazer uso de um dos melhores instrumentos que o Curso oferece para aprendermos a fazer melhores escolhas [e melhores aqui não significa que uma escolha pode ser melhor do que outra qualquer, mas apenas que as podemos fazer de forma mais consciente]: a prática dos exercícios. 

E, tanto em relação ao perdão, quanto a tudo o que é necessário aprendermos para viver o "sonho feliz" neste mundo, a ideia para as práticas de hoje oferece o único grande segredo [que não é segredo nenhum] que vale a pena aprender, praticar e trazer sempre em mente, se, de fato, quisermos nos salvar e assumir o papel que nos cabe no plano de Deus para a salvação.

Às práticas, pois.

terça-feira, 5 de maio de 2026

Não há distância na jornada que fazemos no Curso

 

LIÇÃO 125

Eu recebo a Palavra de Deus em paz hoje.

1. Que este dia seja um dia de serenidade e de escuta tranquila. Teu Pai quer que ouças a Palavra d'Ele hoje. Ele te chama das profundezas de tua mente onde Ele habita. Ouve-O hoje. Nenhuma paz é possível até que Sua Palavra seja ouvida por todo o mundo; até que tua mente, em escuta tranquila, aceite a mensagem que o mundo tem de ouvir para anunciar o tempo sereno da paz.

2. Este mundo mudará por teu intermédio. Nenhum outro meio pode salvá-lo, pois o plano de Deus é este simplesmente: o Filho de Deus é livre para salvar a si mesmo, recebeu a Palavra de Deus para ser seu Guia, para estar sempre em sua mente e a seu lado para conduzi-lo em segurança a casa de seu Pai por sua própria vontade, sempre tão livre quanto a de Deus. Ele não é conduzido pela força, mas apenas pelo amor. Ele não é julgado, mas apenas santificado.

3. Hoje ouvimos a Voz de Deus em serenidade, sem a intromissão de nossos pensamentos mesquinhos, sem nossos desejos pessoais e sem qualquer julgamento de Sua Palavra santa. Não nos julgaremos hoje, pois não é possível julgar aquilo que somos. Estamos além de quaisquer julgamentos que o mundo impõe ao Filho de Deus. O mundo não o conhece. Não daremos ouvidos ao mundo hoje, mas esperaremos em silêncio pela Palavra de Deus.

4. Ouve teu Pai falar, Filho santo de Deus. Sua Voz quer te dar Sua Palavra santa, para espalhares pelo mundo as boas novas da salvação e do tempo sagrado da paz. Hoje nos reunimos no trono de Deus, o lugar sereno dentro da mente aonde Ele habita para sempre, na santidade que Ele criou e que nunca deixará.

5. Ele não espera até que voltes tua mente para Ele para te dar Sua Palavra. Ele não Se esconde de ti, enquanto te desvias d'Ele por algum tempo. Ele não nutre as ilusões que tu manténs acerca de ti mesmo. Ele conhece Seu Filho e quer que ele permaneça como parte d'Ele independente de seus sonhos; independentemente de sua loucura de achar que sua própria vontade não lhe pertence.

6. Ele fala contigo hoje. A Voz d'Ele espera teu silêncio, pois Sua Palavra não pode ser ouvida enquanto tua mente não estiver tranquila por algum tempo e enquanto os desejos sem sentido não estiverem calados. Espera pela Palavra d'Ele em paz. Há paz em teu interior, à qual se invocar, para te ajudar a preparar tua mente mais sagrada para ouvir falar a Voz por seu Criador.

7. Nos momentos adequados ao silêncio, três vezes hoje, dá dez dos minutos reservados à escuta do mundo para, em lugar disto, escolher uma escuta tranquila da Palavra de Deus. Ele te fala desde um lugar mais perto do que teu coração. A Voz d'Ele está mais próxima do que tua mão. Seu Amor é tudo o que és e o que Ele é; o mesmo que tu e tu o mesmo que Ele.

8. É tua voz que escutas quando Ele fala contigo. É tua Palavra que Ele diz. É a Palavra da liberdade e da paz, da unidade de vontade e de objetivo, sem nenhuma separação nem divisão na Mente única do Pai e do Filho. Escuta em paz teu Ser hoje e deixa Ele te dizer que Deus nunca abandona Seu Filho e que tu nunca abandonas teu Ser.

9. Apenas fica em paz. Não necessitarás de nenhuma regra a não ser esta para permitir que tua prática hoje te eleve acima do modo de pensar do mundo e liberte tua visão dos olhos do corpo. Apenas fica em silêncio e escuta. Ouvirás a Palavra na qual a Vontade de Deus Filho se junta à Vontade do Pai, na unidade com ela, sem nenhuma ilusão se interpondo entre o totalmente indivisível e verdadeiro. À passagem de cada hora, hoje, fica quieto por um momento e lembra a ti mesmo de que tens um objetivo particular para este dia: receber a Palavra de Deus em paz.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 125

Caras, caros,

Em geral, temos muita dificuldade para ouvir. Quer estejamos atentos, ou atentas, quer distraídos, ou distraídas, nossa mente viaja de um pensamento a outro, de uma ideia a outra com uma velocidade que não há como medir. E mesmo em meio ao burburinho de uma multidão, em meio à estática e aos ruídos do mundo, muitas vezes temos dificuldade para manter o foco e viajamos longas distâncias. Visitamos mundos, muitos, que só existem em nossas cabeças. E, noutras vezes, mesmo no meio da multidão, nos sentimos sós, sozinhos.

Não é assim com vocês?

É óbvio também que, quando queremos, somos capazes de focalizar nossa atenção e nos mantermos atentos, ou atentas, ao que se passa à volta de nós. Quando o que estamos presenciando nos interessa de modo particular. E é também óbvio que isso só acontece quando silenciamos o ego, a voz do ego em nossas cabeças, para deixar que o que acontece entre em nossa consciência. 

É disto que vamos tratar nas práticas com a ideia que o Curso nos oferece para hoje.

Vamos a ela? 

"Eu recebo a Palavra de Deus em paz hoje."

É esta a lição que vai abrir os caminhos todos para a chegada e permanência da felicidade, da alegria e da paz em nossas vidas. Pois a aceitação da Palavra de Deus e, com Ela, de Seu Amor é o que vai nos devolver à consciência da unidade com Deus, que praticamos há pouco com a lição de ontem.

Deixemos, pois, que hoje seja um dia de serenidade e de paz, em que nos colocamos à disposição para ouvir a Palavra de Deus em nós mesmos e em nós mesmas, como a lição nos convida a fazer:

Que este dia seja um dia de serenidade e de escuta tranquila. Teu Pai quer que ouças a Palavra d'Ele hoje. Ele te chama das profundezas de tua mente onde Ele habita. Ouve-O hoje. Nenhuma paz é possível até que Sua Palavra seja ouvida por todo o mundo; até que tua mente, em escuta tranquila, aceite a mensagem que o mundo tem de ouvir para anunciar o tempo sereno da paz.

E, ao receber a Palavra de Deus em nós, fiquemos também dispostos e dispostas a estendê-la ao mundo, para que todos e todas o possam ver de modo diferente, para que o mundo mude a partir da mudança que a Palavra de Deus oferece a cada um e a cada uma de nós. Pois, conforme a lição:

Este mundo mudará por teu intermédio. Nenhum outro meio pode salvá-lo, pois o plano de Deus é simplesmente este: o Filho de Deus é livre para salvar a si mesmo, recebeu a Palavra de Deus para ser seu Guia, para estar sempre em sua mente e a seu lado para conduzi-lo em segurança a casa de seu Pai por sua própria vontade, sempre tão livre quanto a de Deus. Ele não é conduzido pela força, mas apenas pelo amor. Ele não é julgado, mas apenas santificado.

Pratiquemos, então, com calma e serenidade em silêncio, calar o que não sabemos dizer, para ouvir o que precisamos aprender a dizer, ou a calar. Para aprender o que Deus quer que saibamos - ou lembremos -  a respeito de nós mesmos e de nós mesmas e a respeito d'Ele/d'Ela também. Para aprender que nossa vontade e a d'Ele/d'Ela são a mesma e que tudo o que precisamos fazer é permitir que Sua Voz Se faça ouvir em nós, e no mundo inteiro, por nosso intermédio. 

Eu recebo a Palavra de Deus em paz hoje.

Isto é tudo o que precisamos fazer. E não apenas hoje. Mas, a partir de hoje, todos os dias. É para isso que a lição nos treina. As práticas são um treinamento para que mudemos nosso modo de pensar, para que sejamos capazes de calar a voz do falso eu, este ser mesquinho que inventamos e pensamos que é o que somos. Uma imagem de nós mesmos e de nós mesmas que nem de longe se aproxima do Ser em nós, que a Palavra de Deus quer revelar.

Assim:

Hoje ouvimos a Voz de Deus em serenidade, sem a intromissão de nossos pensamentos mesquinhos, sem nossos desejos pessoais e sem qualquer julgamento de Sua Palavra santa. Não nos julgaremos hoje, pois não é possível julgar aquilo que somos. Estamos além de quaisquer julgamentos que o mundo impõe ao Filho de Deus. O mundo não o conhece. Não daremos ouvidos ao mundo hoje, mas esperaremos em silêncio pela Palavra de Deus.

É da Palavra de Deus que precisamos, para fazer calar "o falso eu" - o ego. É da Palavra de Deus que precisamos para nos libertarmos da ideia de um "eu", que não é o que somos. Um "eu" que não tem nada a ver com o Ser, que permanece em contato constante com o Pai/Mãe e só quer ouvir a Voz que fala por Ele/Ela.

Eu recebo a Palavra de Deus em paz hoje.

Apesar de nos valermos, com o Curso, das palavras comuns de nossa linguagem do dia-a-dia, quando nos abrimos por inteiro para ouvir a Voz que fala por Deus em nós, as palavras assumem outro significado, as entrelinhas significam muito mais do que quaisquer palavras, quando estamos com as mentes e os corações abertos. É assim com a música. São as pausas - os espaços minúsculos de silêncio - entre as notas que nos permitem ouvir e perceber a beleza da música, de qualquer música que ouçamos.

Assim também é com a Palavra de Deus. Para recebê-La e chegar à consciência de seu significado é preciso que façamos silêncio. Como pedia uma música antiga que a liturgia utilizava nas missas há algum tempo antes das leituras dos evangelhos: "Faça silêncio em seu coração, pois o Senhor lhe quer falar".

A lição nos orienta no mesmo sentido:

Ouve teu Pai falar, Filho santo de Deus. Sua Voz quer te dar Sua Palavra santa, para espalhares pelo mundo as boas novas da salvação e do tempo sagrado da paz. Hoje nos reunimos no trono de Deus, o lugar sereno dentro da mente aonde Ele habita para sempre, na santidade que Ele criou e que nunca deixará.

Ele não espera até que voltes tua mente para Ele para te dar Sua Palavra. Ele não Se esconde de ti, enquanto te desvias d'Ele por algum tempo. Ele não nutre as ilusões que tu manténs acerca de ti mesmo. Ele conhece Seu Filho e quer que ele permaneça como parte d'Ele independente de seus sonhos; independentemente de sua loucura de achar que sua própria vontade não lhe pertence.

Ele fala contigo hoje. A Voz d'Ele espera teu silêncio, pois Sua Palavra não pode ser ouvida enquanto tua mente não estiver tranquila por algum tempo e enquanto os desejos sem sentido não estiverem calados. Espera pela Palavra d'Ele em paz. Há paz em teu interior, à qual se invocar, para te ajudar a preparar tua mente mais sagrada para ouvir falar a Voz por seu Criador.

O fato é que, como eu já disse aqui antes, o Curso fala o tempo todo de Jesus [a Voz], que se refere a si mesmo em letras minúsculas, colocando-se como um igual a nós, um irmão mais velho, por assim dizer, do Filho de Deus, da Filiação [todos e todas os Filhos e as Filhas de Deus, na unidade], do Espírito Santo e do Próprio Deus, referindo-se a qualquer um deles, ou a qualquer uma delas, por força de expressão e de sintaxe, das leis gramaticais, além das letras maiúsculas iniciais, como sendo uma pessoa, um ser, uma entidade, diferente de nós. Isto não é verdade! E é para isto que devemos ficar atentos e atentas. Quando, no Curso, Jesus [a Voz] nos fala de Deus ou do Espírito Santo, a Voz por Deus, ele não está falando de nada "fora de nós". Não! Não pode nem mesmo haver um Jesus fora de nós, que nos ensine como chegar a Deus, uma vez que como o próprio Curso diz, a viagem, a jornada que fazemos com o Curso, com seu ensinamento, é uma jornada sem distância. Uma jornada ao interior de nós mesmos e de nós mesmas apenas. Uma viagem na direção do Coração de Deus. Em nós mesmos e em nós mesmas, é claro.

Eu recebo a Palavra de Deus em paz hoje. 

Por isso podemos, sem sombra de dúvida, fazer o que a lição pede. Isto é:

Nos momentos adequados ao silêncio, três vezes hoje, dá dez dos minutos reservados à escuta do mundo para, em lugar disto, escolher uma escuta tranquila da Palavra de Deus. Ele te fala desde um lugar mais perto do que teu coração. A Voz d'Ele está mais próxima do que tua mão. Seu Amor é tudo o que és e o que Ele é; o mesmo que tu e tu o mesmo que Ele.

É tua voz que escutas quando Ele fala contigo. É tua Palavra de Ele diz. É a Palavra da liberdade e da paz, da unidade de vontade e de objetivo, sem nenhuma separação nem divisão na Mente única do Pai e do Filho. Escuta em paz teu Ser hoje e deixa Ele te dizer que Deus nunca abandona Seu Filho e que tu nunca abandonas teu Ser.

Pois como já sabemos não existe nada fora de nós! Lembram-se? E é aí que mora o xis da questão. Quando nos colocamos na posição de ouvintes de algo exterior a nós, corremos o risco de nos tornarmos idólatras, reverenciando algo que não pede reverência. 

Na verdade, quando o Curso fala do divino, ele só fala do divino em cada um e em cada uma de nós. Porque não há divino sem "um", ou "uma" de nós, qualquer que seja esse "um", ou essa "uma". É apenas para ouvir o divino em nós que precisamos fazer silêncio e abrir os ouvidos.

Eu recebo a Palavra de Deus em paz hoje. 

Quando não estamos ouvindo o "divino" em nós, estamos apenas dando ouvidos à estática sem sentido, ao que nos diz o "falso eu", a quem o Curso recomenda que fechemos os ouvidos, abrigando-nos no silêncio e calando quaisquer vozes que não sejam a de Deus, a de Seu Espírito Santo em nós.

Para tanto, atentemos ao que nos aconselha, por fim a lição:

Apenas fica em paz. Não necessitarás de nenhuma regra a não ser esta para permitir que tua prática hoje te eleve acima do modo de pensar do mundo e liberte tua visão dos olhos do corpo. Apenas fica em silêncio e escuta. Ouvirás a Palavra na qual a Vontade de Deus Filho se junta à Vontade do Pai, na unidade com ela, sem nenhuma ilusão se interpondo entre o totalmente indivisível e verdadeiro. À passagem de cada hora, hoje, fica quieto por um momento e lembra a ti mesmo de que tens um objetivo particular para este dia: receber a Palavra de Deus em paz.

Sim! É preciso que calemos todas as vozes do mundo em nós, ou não seremos capazes de ouvir a Voz por Deus em nossas mentes e corações. A menos que aprendamos a silenciar todos os desejos e anseios sem sentido pelas coisas e situações do mundo da ilusão, não seremos capazes de abrir espaço em nossas mentes e corações para preenchê-los com a única coisa capaz de satisfazer todas as nossas necessidades e de realizar todos as nossas aspirações: o Amor que Deus [em nós - poderia ser diferente?] nos oferece a cada passo da caminhada, quando escolhemos dedicá-los a Ele/Ela [em nós, não pode ser diferente], deixando a Seu cargo [a cargo do divino em nós] o controle de nossas vidas, sabedores e sabedoras de que não conhecemos nada. Pois, de fato, não sabemos o que pode nos fazer felizes, se não nos abrimos para a Voz por Deus em nós mesmos, em nós mesmas. 

Às práticas?