terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Neste mundo, nada dura para sempre, nada é eterno

 

LIÇÃO 55

A revisão de hoje inclui o seguinte:

1. (21) Estou decidido a ver as coisas de modo diferente.

O que vejo agora são apenas sinais de doença, de infelicidade e de morte. Não pode ser isto o que Deus criou para Seu Filho amado. O próprio fato de eu ver tais coisas é prova de que não compreendo a Deus. Por isto, eu também não compreendo Seu Filho. O que vejo me diz que não sei quem eu sou. Estou decidido a ver as testemunhas da verdade em mim em lugar daquelas que me mostram uma ilusão de mim mesmo.

2. (22) O que vejo é uma forma de vingança.

O mundo que vejo raramente é uma representação de pensamentos amorosos. É um retrato do ataque a tudo por tudo. É tudo menos um reflexo do Amor de Deus e do Amor de Seu Filho. São meus próprios pensamentos de ataque que dão origem a este retrato. Meus pensamentos amorosos vão me salvar desta percepção do mundo e me darão a paz que Deus pretendia que eu tivesse.

3. (23) Posso escapar deste mundo desistindo dos pensamentos de ataque.

A salvação está nisto, e em nenhum outro lugar. Sem pensamentos de ataque eu não poderia ver um mundo de ataque. À medida que o perdão permitir que o amor volte a minha consciência, verei um mundo de paz e de segurança e de alegria. E é isto que escolho ver em lugar daquilo para que olho agora.

4. (24) Eu não percebo meus maiores interesses.

Como eu poderia reconhecer meus maiores interesses se não sei quem sou? O que penso serem meus maiores interesses apenas me prenderia mais ao mundo de ilusões. Estou disposto a seguir o Guia que Deus me dá para descobrir quais são meus maiores interesses, reconhecendo que não posso percebê-los por mim mesmo.

5. (25) Eu não sei para serve coisa alguma.

Para mim, a finalidade de todas as coisas é a de provar que minhas ilusões a meu próprio respeito são verdadeiras. É para este fim que tento usar todos e tudo. É para isto que acredito que o mundo serve. Por esta razão não reconheço a verdadeira finalidade dele. A finalidade que dou ao mundo conduz a um quadro amedrontador dele. Que eu abra minha mente à verdadeira finalidade do mundo retirando aquela que lhe dou e aprendendo a verdade a respeito dele.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 55

Caras, caros, 

Para estas práticas de revisão, comecemos com a primeira das ideias, que completa e estende a última das que revisamos ontem:

"Estou decidido a ver as coisas de modo diferente."

Estou? Estás? Estamos? Mesmo?

Por quanto tempo? Quão firme é minha-tua-nossa decisão?

O desafio que esta ideia apresenta é, mais uma vez, no mínimo, aceitar a Expiação para mim mesmo, ou para mim mesma, aceitando a responsabilidade não só pelos desastres, mas também por tudo o que vejo neste mundo. Também faz parte do desafio, a partir do momento em que aceito a Expiação para mim mesmo, ou para mim mesma, que eu me proponha a mudar o modo de olhar para o mundo.

Perdoando-me pelo equívoco de vê-lo imperfeito, incompleto, e me decidindo a olhar para tudo de modo diferente, posso alcançar a verdade em mim. Posso reconhecer e receber o milagre que a lição oferece e aceitar e acolher o divino, que é minha identidade.

Agora, a segunda ideia: 

"O que vejo é uma forma de vingança."

As práticas com esta ideia é que me podem fazer perceber que meus pensamentos, fundados na crença na separação que o ego quer me fazer acreditar verdadeira, não podem refletir o amor de Deus. Longe disso, eles são reflexos de meu orgulho, que é a negação do amor e da verdade do que sou.

Isto me leva à terceira ideia. Como escapar deste mundo? O que posso fazer para manter minha decisão de ver de modo diferente e renunciar à vingança de meu modo de ver baseado no orgulho do ego?

"Posso escapar deste mundo desistindo dos pensamentos de ataque."

De fato, os pensamentos de ataque não fazem senão perpetuar o círculo vicioso de defesa-ataque, ataque-defesa. E, na verdade, quando não julgo, não preciso me defender de nada. E se não preciso me defender de nada também não há nada que me vá atacar.

Se eu não aprisionar nada nem ninguém em meu julgamento, posso viver a liberdade de um mundo perfeito, onde tudo acontece e coopera para o bem, sem a necessidade egoica de compreender por que razão as coisas acontecem da forma que acontecem.

Só o ego quer compreender e pensa que precisa fazê-lo. Só o ego precisa fazer, e fazer, e fazer. O divino não precisa fazer nada e é isso que o Curso ensina. Em Deus, com Ele/Ela, não preciso fazer nada.

Sem Deus, acreditando estar separado de tudo e de todos, não posso ser capaz de reconhecer, nem de aceitar, como diz a quarta das ideias de hoje, que: 

"Eu não percebo meus maiores interesses."

Não é possível conhecer o que são, de verdade, meus interesses, se não sei quem sou, se não sei qual é minha função neste mundo e se acredito que este mundo de ilusões possa conter alguma coisa de valor, alguma coisa que compense meu esforço. Alguma coisa que eu necessite e pela qual valha a pena lutar.

Conforme o Curso ensina, qualquer coisa neste mundo que acredites ter valor, ser algo pelo qual valha a pena lutar, pode te ferir e o fará.

Não porque tenha o poder para te ferir, mas porque, ao dares realidade a ela, abres as portas para que entrem todas as formas loucas da ilusão, para o bem ou para o mal.

É por isso que precisamos também praticar mais uma vez a quinta ideia de hoje: 

"Eu não sei para que serve coisa alguma." 

O orgulho do ego nasce de sua vontade de ser onipotente e de poder ocupar/usurpar o lugar de Deus. É por isso que ele se arvora conhecedor do que é melhor para mim. É por isso que a lição ensina, com esta ideia, que, para mim, em sintonia com o ego, a finalidade de todas as coisas é provar que as ilusões a meu próprio respeito são verdadeiras.

É para isso que o ego busca usar todas as pessoas e todas as coisas. Para me - e nos - convencer de que o mundo - e as coisas do mundo - tem algum valor em si mesmo.

Não tem! 

Por mais que tentemos nos convencer de que há no mundo qualquer coisa que possa nos trazer alegria, paz e felicidade, somos forçados e forçadas, por praticamente todas as nossas experiências no mundo, a reconhecer e a admitir que tudo o que o mundo consegue nos dar é apenas temporário.

Nada nele dura para sempre. Nada nele é eterno.

É também por isso que não há como saber para que serve coisa alguma neste mundo. E só quando aprendemos a soltar, a abandonar, a abrir mão do apego e do controle às coisas, às pessoas, e ao mundo é que a verdadeira finalidade de tudo pode se mostrar.

É só a partir deste modo de olhar que podemos deixar que o mundo e tudo nele seja apenas e exatamente o que é, livre de qualquer julgamento que tenhamos posto sobre qualquer coisa.

Às práticas?

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Tudo no mundo está sob a nossa responsabilidade

 

LIÇÃO 54

Estas são as ideias para a revisão de hoje:

1. (16) Eu não tenho nenhum pensamento neutro.

Pensamentos neutros são impossíveis porque todos os pensamentos têm poder. Eles tanto criarão um mundo falso quanto me conduzirão para o mundo verdadeiro. Mas os pensamentos não podem deixar de ter efeitos. Da mesma forma que o mundo que vejo surge dos erros de meu modo de pensar, o mundo verdadeiro também despontará diante de meus olhos quando eu permitir que meus erros sejam corrigidos. Meus pensamentos não podem ser verdadeiros e falsos ao mesmo tempo. Eles têm de ser uma coisa ou outra. O que vejo me mostra qual das duas coisas eles são.

2. (17) Eu não vejo nenhuma coisa neutra.

O que vejo testemunha o que penso. Se eu não pensasse, não existiria, porque vida é pensamento. Que eu olhe para o mundo que vejo como a representação de meu próprio estado de espírito. Sei que meu estado de espírito pode mudar. E, por isso, sei também que o mundo que vejo pode mudar do mesmo modo.

3. (18) Não estou sozinho ao experimentar os efeitos de meu modo de ver.

Se não tenho nenhum pensamento privado, não posso ver um mundo privado. Até mesmo a ideia louca de separação teve de ser compartilhada antes de poder dar forma à base do mundo que vejo. Contudo, esse compartilhar foi um compartilhar do nada. Eu também posso apelar a meus pensamentos verdadeiros, que compartilham tudo com todos. Uma vez que meus pensamentos de separação convocam os pensamentos de separação dos outros, meus pensamentos verdadeiros também despertam os pensamentos verdadeiros neles. E o mundo que meus pensamentos verdadeiros me mostram despontará tanto na sua vista quanto na minha.

4. (18) Não estou sozinho ao experimentar os efeitos de meus pensamentos.

Não estou sozinho em nada. Tudo o que penso, ou digo, ou faço ensina a todo o universo. Um Filho de Deus não pode pensar ou falar ou agir à toa. Ele não pode estar sozinho em coisa alguma. Por isso, está ao meu alcance mudar todas as mentes junto com a minha, porque o poder de Deus me pertence.

5. (20) Eu estou decidido a ver.

Reconhecendo a natureza fracionada de meus pensamentos, estou decidido a ver. Quero olhar para as testemunhas que me mostram que o modo de pensar do mundo mudou. Quero ver a prova de que aquilo que foi realizado por meu intermédio capacitou o amor a substituir o medo, o riso a substituir as lágrimas e a abundância a substituir a perda. Quero olhar para o mundo verdadeiro e deixar que ele me ensine que minha vontade e a Vontade de Deus são uma só.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 54

Caras, caros,

Continuemos com nossas práticas de revisão.

Já passamos algumas vezes por aqui antes. Será que passamos? Quantas vezes? Uma, duas, três, mais...? Alguém lembra? Mesmo assim, as ideias que vamos explorar hoje devem ser vistas e praticadas como se fora a primeira vez. Pois, de fato, depois de termos deixado o passado para trás, é a primeira vez que nos aproximamos da lição.

"Eu não tenho nenhum pensamento neutro."

Esta é a primeira das oportunidades que a lição de hoje nos traz para um novo começo, para uma nova decisão, uma nova escolha. 

É já sabido que, apesar de não significarem coisa alguma, são nossos pensamentos que criam as experiências que vamos viver na ilusão de tempo em que aparentemente nos encontramos. É por isso que eles não podem ser neutros. É por isso que precisamos vigiá-los. Para sermos capazes de utilizá-los agora para ver de modo diferente. Para que a visão nos mostre apenas o mundo verdadeiro, presente, que está adiante e além de todas as ilusões que pensamos viver a partir dos sentidos e dos pensamentos equivocados.

"Eu não vejo nenhuma coisa neutra."

Não há escapatória, pois não? Se meus pensamentos não são neutros e inventam o mundo da ilusão e, além disso, raramente me põem em contato com o real em mim - e sempre mais quando consigo calá-los do que quando lhes dou ouvidos -, não posso ver nenhuma coisa que seja neutra. Pois ao olhar para as coisas com os olhos do corpo, a partir de pensamentos equivocados, já as estou julgando. Meu olhar e meus sentidos, de modo geral, aprisionam todas as pessoas e todas as coisas em conceitos, negando-lhes e, por consequência, negando a mim mesmo, a liberdade de que preciso para ver todas as coisas de modo diferente e para permitir que todas as pessoas e coisas sejam exatamente como são. É isso que me impede de ver a realidade.

A prática com esta segunda ideia que revisitamos hoje dá-nos nova oportunidade de escolher mudar nosso modo de ver. Uma oportunidade que pode nos fazer perceber, finalmente, que:

"Não estou sozinho ao experimentar os efeitos de meu modo de ver."

Ou como lhes disse, como nova possibilidade de traduzir a ideia do original, "não sou só eu que experimento os efeitos de meu modo de ver". Isto lhe parece chover no molhado? Não é! Para olhos e ouvidos atentos, e para mentes e corações abertos, nunca é demais repetir que a responsabilidade pelo mundo que vemos é nossa, de cada um, de cada uma, de nós mesmos e de nós mesmas, tanto individual quanto coletivamente. E que quando escolhemos olhar para isto ou aquilo desta ou daquela forma, fazemos que todas as pessoas que povoam nosso mundo, recebam os efeitos do modo que escolhemos para ver.

Um exemplo até banal é pensar que eu conheço uma pessoa a quem vejo como maravilhosa, boa, inteligente, caridosa, generosa, modelo de pessoa bela, do bem. É claro que vou me referir a ela destacando as qualidades e características que vejo, e que, por ver nela, também são minhas. As pessoas outras a quem eu falar dela podem vir a ter presente em sua mente aquilo que eu disse e, ao conhecê-la, podem vê-la e achar nela as mesmas coisas de que falei. 

Ou não! Porque cada um, cada uma, de nós olha para o mundo a partir de suas próprias referências internas e, mesmo que eu fale maravilhas de alguém que conheço, uma pessoa que não se acha maravilhosa e que se julga e condena por todas as suas falhas, isto é, pelas falhas que pensa que tem, pode ser incapaz de ver as qualidades que vejo e a que me refiro quando falo de alguém. Porque não as vê em si mesma.

É em função disso que existe a necessidade de pensarmos bem antes de dizer qualquer coisa de alguém. Até porque sempre falamos apenas de nós mesmos.

"Não estou sozinho ao experimentar os efeitos de meus pensamentos."

Aqui também vale lembrar que a ideia original pode ser traduzida como "não sou só eu que experimento os efeitos de meus pensamentos". E o desafio que esta quarta ideia que revisamos nos oferece é bem claro e simples: aprender que posso e devo buscar ter consciência daquilo que penso, sob pena de multiplicar as ilusões do julgamento que trazem meus pensamentos para meu olhar para o mundo e para tudo o que há nele. É bem fácil perceber que tudo aquilo que penso - e meus pensamentos não são neutros - materializa o mundo que quero ver. Mas muitas vezes, em função de meus equívocos, materializa também coisas que não quero ver.

O que fazer neste caso? Mudar meu modo de pensar, meu modo de ver. Pois os efeitos do que penso atingem todas as pessoas a quem meu pensamento se dirige. E, exemplificando, se me dirijo ao encontro de alguém achando que vou encontrar um monstro, uma pessoa inflexível, injusta, exigente ao extremo, temendo o que pode acontecer no encontro, é muito provável que o resultado dele seja uma completa decepção. Uma experiência que me leva para bem longe da alegria e me tira a paz. Sem dúvida, a pessoa "captou" - recebeu e absorveu a energia de - meus pensamentos e fez com que eles fossem a materialização de minhas expectativas. E todas as pessoas a quem encontro também vão ser atingidas pelos efeitos daquilo que pensei.

"Eu estou decido a ver."

Por fim, esta quinta e última ideia, traz o desafio da tomada de decisão. Uma vez aceito este desafio o milagre que se apresenta é a visão. Não a visão que os olhos do corpo oferece, mas a visão que transcende os sentidos. A visão que nos põe em contato com o divino no interior de nós mesmos/as. E, por extensão, nos permite ver a manifestação do divino em tudo e em todos.

Às práticas?

domingo, 22 de fevereiro de 2026

O aprendizado do mestre também tem de continuar

 

LIÇÃO 53

Hoje revisaremos o seguinte:

1. (11) Meus pensamentos sem significado me mostram um mundo sem significado.

Já que os pensamentos dos quais estou ciente não significam nada, o mundo que os retrata não pode ter nenhum significado. O que produz este mundo é insano e o que ele produz também é. A realidade não é insana e eu tenho tanto pensamentos reais quanto pensamentos insanos. Por isso eu posso ver um mundo real, se confiar em meus pensamentos reais como guia para a visão.

2. (12) Eu estou transtornado porque vejo um mundo sem significado.

Pensamentos loucos são perturbadores. Ele produzem um mundo no qual não há nenhuma ordem em lugar algum. Somente o caos governa um mundo que representa um modo de pensar caótico, e o caos não tem nenhuma lei. Não posso viver em paz em tal mundo. Eu me sinto grato porque este mundo não é verdadeiro e porque não preciso vê-lo a menos que escolha dar valor a ele. E não escolho dar valor àquilo que é totalmente insano e não tem nenhum significado.

3. (13) Um mundo sem significado gera medo.

O totalmente insano gera medo porque é completamente inseguro e não oferece nenhuma base para a confiança. Nada é seguro na loucura. Ela não oferece nenhuma segurança e nenhuma esperança. Mas tal mundo não é verdadeiro. Eu lhe dou a ilusão de realidade e sofro em função da minha crença nele. Agora escolho retirar esta crença e colocar minha confiança na realidade. Ao escolher isto, escaparei dos efeitos do mundo de medo, porque estou reconhecendo que ele não existe.

4. (14) Deus não criou um mundo sem significado.

Como pode existir um mundo sem significado, se Deus não o criou? Ele é a Fonte de todo o significado e tudo o que é verdadeiro está na Mente d'Ele. Está em minha mente também, porque Ele o criou comigo. Por que eu deveria continuar a sofrer os efeitos de meus próprios pensamentos insanos, se meu lar é a perfeição da criação? Que eu me lembre do poder de minha decisão e reconheça o lugar onde, de fato, habito.

5. (15) Meus pensamentos são imagens que faço.

Tudo o que vejo reflete meus pensamentos. São meus pensamentos que me dizem onde estou e o que sou. O fato de eu ver um mundo no qual o sofrimento, a perda e a morte existem me mostram que estou vendo apenas a representação de meus pensamentos insanos e que não estou permitindo que meus pensamentos verdadeiros distribuam sua luz generosa sobre o que vejo. O caminho de Deus é seguro, porém. As imagens que faço não podem predominar sobre Ele, porque não é minha vontade que o façam. Minha vontade é a d'Ele e não colocarei outros deuses diante d'Ele.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 53

Caras, caros,

Repito o comentário dos últimos anos, com algumas pequenas alterações e correções. 

Eis-nos aqui, mais uma vez, diante da oportunidade de aceitar o desafio que a lição de revisão de hoje nos oferece e de receber e aceitar o milagre que ela reserva a cada um e a cada uma de nós, de acordo com o comprometimento que emprestamos ao nosso envolvimento com o Curso e com suas lições. Na verdade, um compromisso que só podemos assumir para com nós mesmos, ou nós mesmas.

Curso, a Voz por Deus, a Voz que o trouxe à luz, pode ser considerado um verdadeiro mestre espiritual. E, no dizer de Eckhart Tolle: 

"Um verdadeiro mestre não tem nada a ensinar, sua única função é nos ajudar a eliminar aquilo que nos separa da verdade do que somos, uma verdade que já conhecemos lá no fundo de nós mesmos". 

Ou ainda, para lembrar do que diz Guimarães Rosa, a respeito do mestre, em seu Grande Sertão: Veredas: 

"Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende."

É por isso e para isso que revisamos a primeira das ideias que diz: Meus pensamentos sem significado me mostram um mundo sem significado. É isso que me deixa transtornado [Estou transtornado porque vejo um mundo sem significado.] na maior parte do tempo, a segunda ideia da revisão. Pois não sei [não sabemos, em geral] explicar por que sinto o que sinto, ou por que penso o que penso, nem por que vejo o que vejo.

É este mundo sem significado que faz com que eu sinta medo. 

A terceira ideia: Um mundo sem significado gera medo. Não sei onde estou, o que é este mundo, nem por que estou aqui. Tampouco sei qual é minha função neste mundo, que, por ser aparentemente sem significado, me parece amedrontador. Como a lição ensina, no entanto, ... tal mundo não é verdadeiro. Eu lhe dou a ilusão de realidade e sofro em função da minha crença nele.

Posso, pois, escolher retirar esta crença e colocar minha confiança na realidade. Ao escolher isto, escaparei dos efeitos do mundo de medo, porque estou reconhecendo que ele não existe.

E, se ele não existe, é porque não foi criado por Deus [Deus não criou um mundo sem significado.]. Esta é mais uma das ideias que a lição de hoje nos dá a oportunidade de praticar: a visão de que posso escolher, em Deus, em sintonia com a mente que compartilho com Ele, reconhecer "o poder de minha decisão" e "o lugar onde, de fato, habito".

Reconhecendo isso, posso perceber também que: Meus pensamentos são imagens que faço. - a última das ideias que revisitamos hoje. Na verdade, como eu já disse em anos passados, todo o transtorno que aparentemente é viver neste mundo se deve apenas ao apego às imagens que fazemos, que inventam e constroem este mundo insano e amedrontador.

Porém, como ensina a última das ideias que revisamos:

Tudo o que vejo reflete meus pensamentos. São meus pensamentos que me dizem onde estou e o que sou. O fato de eu ver um mundo no qual o sofrimento, a perda e a morte existem me mostram que estou vendo apenas a representação de meus pensamentos insanos e que não estou permitindo que meus pensamentos verdadeiros distribuam sua luz generosa sobre o que vejo. O caminho de Deus é seguro, porém. As imagens que faço não podem predominar sobre Ele, porque não é minha vontade que o façam. Minha vontade é a d'Ele e não colocarei outros deuses diante d'Ele.

E, voltando à ideia a respeito do mestre espiritual, podemos dizer, se pensarmos bem, que todas as pessoas com quem cruzamos no passado, as pessoas com quem temos contato agora e todas as que cruzarão nosso caminho ao longo de toda a nossa vida são nosso mestres espirituais - além é claro de imagens que fazemos - pois é só a partir do contato com elas, de mente e coração abertos, que vamos descobrir aspectos de nós mesmos e de nós mesmas a que, de outro modo, não temos acesso.

Para aproveitar bem das ideias que revisamos é preciso termos em mente que todas "as palavras são só indicadores", sinalizadores. Não é possível achar "aquilo que elas mostram no reino do pensamento", mas apenas numa dimensão muito "mais profunda e infinitamente mais vasta do que o pensamento".

"Uma característica dessa dimensão é uma paz vibrante e viva", no dizer de Eckhart Tolle, que tem muito mais a ver com a alegria e com a ação do que com qualquer outro aspecto da experiência de ver o mundo e de viver nele a partir do filtro dos sentidos.

Lembremo-nos das orientações para as práticas neste período na introdução à revisão. 

Às práticas, pois não?

sábado, 21 de fevereiro de 2026

A partir das práticas, viver, aqui e agora, "o presente"

 

LIÇÃO 52

A revisão de hoje abrange estas ideias:

1. (6) Eu estou transtornado porque vejo o que não existe.

A realidade nunca é assustadora. É impossível que ela possa me transtornar. A realidade só traz a paz perfeita. Quando estou transtornado, é sempre porque substituí a realidade por ilusões que inventei. As ilusões são perturbadoras porque lhes dou realidade e, deste modo, considero a realidade uma ilusão. Nada na criação de Deus, de nenhuma forma, se deixa abalar por esta minha confusão. Eu sempre estou transtornado por nada.

2. (7) Eu só vejo o passado.

Ao olhar a minha volta, condeno o mundo para o qual eu olho. Chamo a isto de ver. Utilizo o passado contra todos e contra tudo, transformando-os em meus inimigos. Quando eu me perdoar e me lembrar de Quem sou, abençoarei a todos e a tudo o que vir. Não haverá passado e, por isso, nenhum inimigo. E olharei com amor para tudo o que deixei de ver antes.

3. (8) Minha mente está preocupada com pensamentos passados.

Eu só vejo meus próprios pensamentos e minha mente está preocupada com o passado. O que, então, posso ver tal como é? Que eu me lembre de que olho para o passado a fim de impedir que o presente desponte em minha mente. Que eu compreenda que estou tentando usar o tempo contra Deus. Que eu aprenda a entregar o passado, percebendo claramente que, ao fazê-lo, não estou desistindo de nada.

4. (9) Eu não vejo nada tal como é agora.

Se eu não vejo nada tal como é agora, pode-se verdadeiramente dizer que não vejo nada. Eu só posso ver o que existe agora. A escolha não está entre ver o passado ou o presente; a escolha está simplesmente entre ver ou não. Aquilo que escolhi ver me custou a visão. Agora quero escolher outra vez a fim de poder ver.

5. (10) Meus pensamentos não significam coisa alguma.

Eu não tenho nenhum pensamento privado. No entanto, é apenas de pensamentos privados de que estou ciente. O que estes pensamentos podem significar? Eles não existem e, por isso, não significam nada. Contudo, minha mente é parte da criação e parte de seu Criador. Será que eu não prefiro me unir ao modo de pensar do universo a esconder tudo o que, de fato, é meu com meus pensamentos "privados" lamentáveis e sem significado?

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 52

Caras, caros,

Apesar de eu ter acabado (ontem) de lhes dizer que não iria me alongar em comentários neste período de revisão, como para as práticas de cada uma das ideias a cada dia, é preciso salientar alguns pontos para que fique bem claro - espero -, para todos e todas, e para cada um, ou cada uma, de nós, a que se destinam as práticas. Daí o comentário que se segue, repetindo os de anos anteriores.

E agora? 

(Lembram-se desta pergunta?)

Como continuar a comentar estas lições depois da maratona que foi trabalhar com as primeiras cinquenta seguindo mais uma vez mais ou menos o modelo de Tara Singh para as dez primeiras? 

(E desta?)

O que vocês acham? 

(E de mais esta?)

Creio que mesmo para quem está fazendo as lições há muito tempo, não há como se aproximar de cada lição e do espírito do Curso se não o fazemos como se fosse a primeira vez. Porque é sempre a primeira vez, quando já aprendemos, porque decidimos, a deixar todo o passado para trás.

Se nos aproximamos de uma ideia, mesmo nesta revisão, com o pensamento de que ela não é mais tão importante porque já trabalhamos com ela anteriormente, quer tenha sido neste ano, quer em anos anteriores, quer há muito tempo, perdemos a oportunidade de experimentar a verdade eterna que ela nos oferece. Pois a estamos vendo sob o olhar do julgamento. 

Então, é preciso que mantenhamos em mente a necessidade de nos aproximarmos de cada uma das ideias que praticamos de mente e corações abertos, prontos e prontas para receber o que ela quer nos dar. Prontos e prontas para aceitar o desafio que ela nos oferece e colher, receber, reconhecer e aceitar o milagre que ela nos traz.

E daí que já tenhamos trilhado este caminho antes?

Agora, ele é um caminho inteiramente novo, se abandonamos o passado. Além do mais, é sempre tempo de tomarmos a decisão, caso ainda não a tenhamos tomado.

Lembram-se de que falo sempre da importância da decisão, da tomada de decisão? Por que pensam que faço isso? Que insisto nisso?

Parte da resposta está no texto de Tara Singh que lhes ofereci ontem como comentário e introdução a este período de revisão e parte está em um pequeno texto que descobri algum tempo atrás, revelador do que o Curso fala a respeito da necessidade de se tomar a decisão e daquilo que acontece a partir do momento em que o fazemos. 

É o seguinte:

Enquanto alguém não se compromete, existe a hesitação, a oportunidade de voltar atrás, a falta de efetividade. Há [porém], em relação a todos os atos de iniciativa [e criação], uma verdade elementar, cuja ignorância mata incontáveis ideias e planos: no momento em que alguém se compromete definitivamente, a Providência também se movimenta. Toda sorte de coisas acontece para ajudar alguém, o que, de outro modo, jamais teria ocorrido. Uma sequência inteira de eventos resulta da decisão, surgindo a seu favor todo tipo de incidentes não previstos, encontros e apoio material que nenhum homem jamais teria sonhado que pudessem acontecer desse jeito.

Goethe

Curso também se refere à necessidade da tomada de decisão, em particular no capítulo 21 do texto, sob o título VII. A última questão sem resposta, tomando como ponto de partida a pergunta [a última de quatro]: E quero ver aquilo que neguei porque é a verdade?

Esta pergunta diz o Curso, ainda parece amedrontadora e diferente das outras três... A razão te asseguraria que elas são a mesma. E se refere à única e última decisão que tens de tomar. E o próprio texto pergunta: "Por que a questão final é tão importante", se ela é a mesma que as outras três?

A resposta que a razão [a parte de nossa mente que está em contato constante com Deus] dá é a seguinte: 

Ela é a mesma que as outras três, exceto no que diz respeito ao tempo. As outras são decisões que podem ser tomadas e então desfeitas e tomadas outras vez. Mas a verdade é constante e subentende um estado no qual indecisões são impossíveis. Podes desejar um mundo que governes que não te governe, e mudar de ideia. Podes desejar trocar tua impotência pelo poder e perder este mesmo desejo quando um pequeno lampejo de pecado te atrair. E podes querer ver um mundo inocente e permitir que um "inimigo" te tente a usar os olhos do corpo e mudar o que desejas.

É ainda o Curso que fala:

Em conteúdo, todas as questões são a mesma. Pois cada uma pergunta se estás disposto a trocar o mundo do pecado [que é pura ilusão construída pelo ego e seu sistema de pensamento] por aquilo que o Espírito Santo vê, uma vez que é isso o que o mundo do pecado nega. E, por isso, aqueles que olham para o pecado veem a negação do mundo real. A última pergunta, porém, acrescenta o desejo de constância a teu desejo de ver o mundo real, deste modo o desejo [de ver o mundo real] se torna o único desejo que tens. Ao responderes "sim" à última questão, acrescentas sinceridade às decisões que já tomaste acerca de tudo mais. Pois só então renuncias à opção de mudar de ideia de novo. Quanto isto for o que queres, o resto está inteiramente respondido.

Por que pensas que não tens certeza de que as outras foram respondidas? Seria necessários fazê-las com tanta frequência se tivessem sido? Até que a última decisão seja tomada, a resposta é tanto "sim" quanto "não". Pois respondes "sim" sem perceber que "sim" tem de significar "não" [enquanto te reservares o direito de mudar de ideia quanto a tua decisão de assumir o compromisso contigo mesmo].

Em todo o caso, o Curso continua: 

Ninguém se decide contra sua [própria] felicidade, mas pode fazê-lo se não perceber que o faz. E se vê sua felicidade como algo em mudança constante, ora isto, ora aquilo, e ora uma sombra enganosa sem vínculo com nada, de fato se decide contra ela.

No último parágrafo desta parte do texto vemos a razão pela qual se dá tanta importância à decisão. E só depois de a termos tomado em definitivo é que vamos ser capazes de reconhecer, compreender e aceitar que:

A felicidade enganosa ou a felicidade em forma mutante, que se transforma com tempo e lugar, é uma ilusão que não tem significado algum. A felicidade tem de ser constante, porque a obtemos pela desistência do desejo do inconstante. Não se pode perceber a alegria senão pela visão verdadeira. E a visão verdadeira só pode ser dada àqueles que desejam constância. O poder do desejo do Filho de Deus continua a ser a prova de que ele está equivocado quando se percebe impotente. Deseja o que quiseres e o verás e pensarás que é real. Nenhum pensamento deixa de ter o poder de libertar ou matar. E nenhum pode deixar a mente de quem o pensa ou deixar de influenciá-lo.

Hoje temos mais uma vez a oportunidade de tomar a decisão pelas práticas de cinco ideias poderosíssimas, que podem nos levar mais perto do reconhecimento da necessidade de abandonarmos o sistema de pensamento do ego, de abandonarmos o mundo, de abandonarmos o passado.

É a prática, a aplicação, das ideias a nossa experiência diária que vai fazer que acabem os transtornos por algo que não existe, que vai nos fazer reconhecer que só vemos o passado, porque a mente em nós só sabe se ocupar de pensamentos do passado. É também a aplicação que vai nos auxiliar a viver o "agora", o "presente", por nos mostrar que não vemos nada tal qual é agora, pois nossos pensamentos, contaminados pelo passado, pelo julgamento, não podem significar coisa alguma.

Às práticas?