sexta-feira, 10 de abril de 2026

As práticas são um experimento com rigor científico

 

LIÇÃO 100

Meu papel é essencial ao plano de Deus para a salvação.

1. Da mesma forma que o Filho de Deus completa seu Pai, também teu papel nele completa o plano de teu Pai. A salvação tem de anular a crença louca em pensamentos e corpos separados, que conduzem a vidas separadas, que seguem caminhos separados. Uma única função compartilhada por mentes separadas as une em um único objetivo, pois cada uma delas é igualmente essencial a todas.

2. A Vontade de Deus para ti é a felicidade perfeita. Por que deverias escolher ir contra a Vontade d'Ele? O papel que Ele reservou para tu assumires na realização de Seu plano te é dado para que possas voltar à condição que Ele quer. Este papel é tão essencial ao plano d'Ele quanto para a tua felicidade. Tua alegria tem de ser total para permitir que o plano d'Ele seja compreendido por aqueles a quem Ele te envia. Eles verão sua função em tua face resplandecente e ouvirão o chamado de Deus por eles em teu riso feliz.

3. Tu, de fato, és essencial ao plano de Deus. Sem tua alegria, a alegria d'Ele fica incompleta. Sem teu sorriso, o mundo não pode ser salvo. Enquanto estiveres triste, a luz que o Próprio Deus designou como o meio para salvar o mundo fica opaca e sem brilho e ninguém ri porque todo riso só pode ecoar o teu.

4. Tu, de fato, és essencial ao plano de Deus. Do mesmo modo que tua luz aumenta cada luz que brilha no Céu, também tua alegria na terra invoca todas as mentes para que abandonem suas tristezas e tomem seu lugar a teu lado no plano de Deus. Os mensageiros de Deus são alegres e a alegria deles cura a tristeza e o desespero. Eles são a prova de que Deus quer a felicidade perfeita para todos que aceitarem como suas as dádivas de seu Pai.

5. Não nos permitiremos ficar tristes hoje. Pois, se o fizermos, deixaremos de assumir o papel que é essencial ao plano de Deus, bem como para nossa visão. A tristeza é o sinal de que queres desempenhar outro papel, em lugar daquele que te foi designado por Deus. Desta forma, deixas de mostrar ao mundo quão grande é a felicidade que Ele quer para ti. E, assim, não reconheces que ela é tua.

6. Hoje tentaremos compreender que a alegria é nossa função aqui. Se estás triste, teu papel não é cumprido e, assim, todo o mundo fica privado da alegria, junto contigo. Deus te pede que sejas feliz, para que o mundo possa ver o quanto Ele ama Seu Filho e não quer que nenhuma tristeza surja para diminuir a alegria dele; nenhum medo o assalte para perturbar sua paz. Tu és o mensageiro de Deus hoje. Tu trazes a felicidade d'Ele a todos para quem olhas; a paz d'Ele para todos que olham para ti e veem a mensagem de Deus em teu rosto feliz.

7. Vamos nos preparar para isto hoje; em nosso períodos de prática de cinco minutos, sentindo a felicidade despontar em nós de acordo com a Vontade de nosso Pai e com a nossa. Começa os exercícios com o pensamento que a ideia de hoje contém. Compreende claramente, então, que teu papel é ser feliz. É só isto que se pede de ti ou de qualquer um que queira toma seu lugar entre os mensageiros de Deus. Pensa no que isto significa. De fato, estavas errado em tua crença de que se pede algum sacrifício. Tu só recebes de acordo com o plano de Deus e nunca perdes ou te sacrificas ou morres.

8. Tentemos agora achar essa alegria que confirma para nós e para o mundo inteiro a Vontade de Deus para nós. É tua função achá-la e achá-la agora. Vieste para isto. Permite que este seja o dia em que serás bem-sucedido! Olha bem fundo dentro de ti sem desanimar com todos os pensamentos insignificantes e metas tolas por que passas enquanto te elevas para encontrar Cristo em ti.

9. Ele estará lá. E tu podes alcançá-Lo agora. O que poderias preferir ver em lugar d'Aquele Que espera que possas vê-Lo? Que pensamento insignificante tem poder para te impedir? Que meta tola pode te afastar do sucesso se Aquele Que te chama é o Próprio Deus?

10. Ele estará lá. Tu és essencial ao plano d'Ele. Tu és o mensageiro d'Ele hoje. E tens de achar aquilo que Ele quer que dês. Não te esqueças da ideia para hoje nos intervalos entre os períodos de prática de cada hora. É teu Ser Que te chama hoje. E é a Ele que respondes, cada vez que dizes a ti mesmo que és essencial ao plano de Deus para a salvação do mundo.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 100

Caras, caros,

Para este dia a ideia que vamos praticar é a seguinte:

"Meu papel é essencial ao plano de Deus para a salvação."

Vamos explorá-la?

Eis-nos aqui outra vez - mais uma - chegando ao marco dos 100 dias. Cem dias, cem lições. 

Em um dos anos passados, ao tempo em que preparava este comentário estava lendo um livro de D. Patrick Miller, Living with Miracles [Vivendo com os Milagres, numa tradução livre]. Patrick é o jornalista que escreveu, há alguns anos, "A história completa do Curso em Milagres", um livro muito interessante, e que ele já reescreveu com novo título - Understanding A Course in Miracles [Entendendo Um Curso em Milagres - ou Para entender Um Curso em Milagres] -, mas que ainda não foi traduzido. Living with Miracles, o primeiro citado, era um livro novo para mim, também sem tradução. Ele conta no livro sua experiência, à época, de mais de 25 anos como estudante do Curso. E é uma maravilha o que ele tem a dizer a respeito das mudanças que aconteceram em sua vida a partir do contato com o Curso. E, claro, também das que podem acontecer na nossa.

Digo isto apenas para salientar um fato a respeito do qual não damos a devida atenção a maior parte do tempo. No entender de Patrick, as lições fazem parte de uma verdadeira experiência científica. Pois como pede/orienta a introdução ao livro de exercícios, o/a estudante não tem de acreditar nas ideias que pratica, pode até ter certa resistência a algumas delas ou rejeitar outras com veemência. Não tem importância. Tudo o que se pede é que ele, ou ela, as pratique conforme a orientação. Nada mais do que isso. Os resultados é que vão revelar se a ideia, ou ideias, é/são verdadeira(s). Isso é, sim, sem dúvida, um experimento que segue o rigor da ciência.

Assim, dito isto, e voltando a falar deste nosso novo centésimo dia de práticas conjuntas, há que se dizer que a ideia para as práticas de hoje traz de novo consigo o desafio de nos afirmarmos, de nos aceitarmos, de, de fato, nos entendermos, como essenciais ao plano de Deus para a salvação, diferentemente do que o ego quer pensemos e acreditemos a nosso próprio respeito. 

Vamos aceitar o desafio e reconhecer a importância de nosso papel? Vamos reconhecer e aceitar o milagre que advém disso: saber que ainda somos como Deus nos criou e que Ele/Ela conta conosco para a realização de Seu plano? Pois, como o texto diz a certa altura, precisamos saber que "o Próprio Deus é incompleto sem mim". 

Aliás, penso que mais do que apenas saber disso, precisamos viver na certeza e na confiança de que tudo o que fazemos fazemos em Deus, com Ele/Ela. E que não há nada diferente que possamos fazer além daquilo que nos cabe fazer como filhos e filhas de Deus, salvadores e salvadoras do mundo. Eu, de mim para mim mesmo, em unidade com o divino em mim, penso ser isto o que faço com a postagem das lições e dos comentários que as seguem, como forma de buscar aprofundar as reflexões e as práticas, e de chegar mais próximo do conhecimento de mim mesmo, para poder responder à questão: "Quem sou?", que, em última análise, é tudo o que buscamos fazer em nossa experiência mundana.

Comecemos, pois, para início de conversa, a refletir a respeito do que a lição oferece para as práticas de hoje:

Da mesma forma que o Filho de Deus completa seu Pai, também teu papel nele completa o plano de teu Pai. A salvação tem de inverter a crença louca em pensamentos e corpos separados, que conduzem a vidas separadas, que seguem caminhos separados. Uma única função compartilhada por mentes separadas as une em um único objetivo, pois cada uma delas é igualmente essencial a todas.

Lembremo-nos de que vimos ontem que salvação e perdão são a mesma coisa. E lembremo-nos também de que é o perdão a nós mesmos e a nós mesmas que pode fazer com que compreendamos quão essencial é nosso papel no plano de Deus. É preciso que sejamos capazes de inverter o modo de pensar do mundo. A separação não existe, não pode existir, nem nunca poderá. Mesmo que a maioria das pessoas do mundo ainda mantenha sua crença na separação e busque incentivá-la, reforçá-la, sempre que possível. Inconscientemente a maioria das vezes, é claro. Daí, a recomendação do Curso a certa altura de que estejamos dispostos e dispostas a questionar absolutamente tudo o que o mundo nos mostra e busca ensinar.

Meu papel é essencial ao plano de Deus para a salvação.

É a crença na separação que criou este mundo, como um lugar em que aprisionamos a nós mesmos e a nós mesmas em corpos destinados à dor, ao sofrimento, à escassez, à perda, à violência, às guerras e à morte e a tudo o que a ilusão pode nos oferecer. Não é isso que Deus quer para Seu Filho, não é esta a Vontade de Deus para nós, como diz a lição:

A Vontade de Deus para ti é a felicidade perfeita. Por que deverias escolher ir contra a Vontade d'Ele? O papel que Ele reservou para tu assumires na realização de Seu plano te é dado para que possas voltar à condição que Ele quer. Este papel é tão essencial ao plano d'Ele quanto para a tua felicidade. Tua alegria tem de ser total para permitir que o plano d'Ele seja compreendido por aqueles a quem Ele te envia. Eles verão sua função em tua face resplandecente e ouvirão o chamado de Deus por eles em teu riso feliz.

Ou como diz Joel Goldsmith em um de seus livros:

"O amor é a única razão de viver. Parece estranho, mas é verdade. Não existe outro motivo para se permanecer na terra, senão a oportunidade de amar, e quem quer que já tenha experimentado isto sabe que não existe alegria como a do amor: nenhuma alegria se compara à de compartilhar, conceder, compreender e dar, coisas que não passam de sinônimos de amor."

É por esta razão que estamos aqui. É por esta razão que:

Meu papel é essencial ao plano de Deus para a salvação.

É pelo amor, pelo perdão e pela alegria que vou ser capaz de cumprir meu papel. Para tanto é preciso que reconheçamos, aceitemos e pratiquemos o que a lição traz, vendo-nos como ela pede que nos vejamos. Assim:

Tu, de fato, és essencial ao plano de Deus. Sem tua alegria, a alegria d'Ele fica incompleta. Sem teu sorriso, o mundo não pode ser salvo. Enquanto estiveres triste, a luz que o Próprio Deus designou como o meio para salvar o mundo fica opaca e sem brilho e ninguém ri porque todo riso só pode ecoar o teu.

Tu, de fato, és essencial ao plano de Deus. Do mesmo modo que tua luz aumenta cada luz que brilha no Céu, também tua alegria na terra invoca todas as mentes para que abandonem suas tristezas e tomem seu lugar a teu lado no plano de Deus. Os mensageiros de Deus são alegres e a alegria deles cura a tristeza e o desespero. Eles são a prova de que Deus quer a felicidade perfeita para todos que aceitarem como suas as dádivas de seu Pai.

E mais:

Não nos permitiremos ficar tristes hoje. Pois, se o fizermos, deixaremos de assumir o papel que é essencial ao plano de Deus, bem como para nossa visão. A tristeza é o sinal de que queres desempenhar outro papel, em lugar daquele que te foi designado por Deus. Desta forma, deixas de mostrar ao mundo quão grande é a felicidade que Ele quer para ti. E, assim, não reconheces que ela é tua.

A esta altura já devemos ser capazes de compreender a importância de nossas práticas. Nestes cem dias que praticamos juntos, juntas - e a maioria, acredito, mais do que uma vez -,  já aprendemos que, mesmo não sendo ainda capazes de uma total e completa dedicação, as práticas nos oferecem um vislumbre do Céu na terra. Isto porque já conseguimos ver, ainda que por breves instantes de cada vez, a centelha divina em nós, que é a mesma que podemos ver nas outras pessoas todas, e em cada uma das que cruzam nossos caminhos. Já provamos a alegria e a paz que as lições e suas práticas trazem consigo. E testemunhamos o milagre que há em cada uma, quando aceitamos o desafio que cada uma delas oferece. Este desafio hoje é aceitar que:

Meu papel é essencial ao plano de Deus para a salvação.

O milagre vai depender da honestidade e da sinceridade que dedicarmos às práticas. Pois:

Hoje tentaremos compreender que a alegria é nossa função aqui. Se estás triste, teu papel não é cumprido e, assim, todo o mundo fica privado da alegria, junto contigo. Deus te pede que sejas feliz, para que o mundo possa ver o quanto Ele ama Seu Filho e não quer que nenhuma tristeza surja para diminuir a alegria dele; nenhum medo o assalte para perturbar sua paz. Tu és o mensageiro de Deus hoje. Tu trazes a felicidade d'Ele a todos para quem olhas; a paz d'Ele para todos que olham para ti e veem a mensagem de Deus em teu rosto feliz.

"A alegria é nossa função aqui." E a alegria passa pela aceitação do papel que Deus reserva a cada um, a cada uma de nós. A alegria depende de nossa disposição para o perdão. E o perdão nos salva. Pois "salvação e perdão são a mesma coisa". Já não experimentamos a alegria que há em perdoar? Quem ainda não se sentiu como que nas nuvens, depois de ter conseguido perdoar uma ofensa que pensava que alguém lhe tinha feito? Por que isso acontece? Porque só podemos perdoar a nós mesmos, a nós mesmas, pelo julgamento que fazemos ou fizemos do que o outro, ou a outra, fez. O outro, a outra, não fez nada de errado, foi nossa percepção que interpretou o feito como ofensivo.

Shakespeare já dizia isso pela fala de Hamlet: "As coisas, em si mesmas, não são nem boas nem más; é o pensamento que as torna deste ou daquele jeito". É por isso que uma lição recente nos dizia: "Minha salvação depende de mim". De quem mais dependeria? Se preciso ser salvo, tenho de querer ser salvo. E no instante em que manifesto minha vontade de ser salvo já estou. É também por isso que:

Meu papel é essencial ao plano de Deus para a salvação.

É crucial que pratiquemos de modo sincero e honesto, acreditando que o milagre virá, se seguirmos as orientações que a lição traz. Fiquemos atentos e atentas ao que ela nos diz a respeito de como praticar e atentemos também às palavras. Mais: atentemos para o que ela diz além das palavras. É certo que seremos bem-sucedidos e bem-sucedidas hoje.

Tudo o que buscamos a cada lição é a revelação, a re-descoberta, o encontro com o Ser que verdadeiramente somos. Um Ser de Deus. Um ser em Deus. Um ser com Deus. Um Ser que só pode se completar na unidade com seu Criador. Nossa perseverança nos torna dignos e dignas de receber o milagre. A meta está garantida. O caminho está sendo preparado, aplainado para que possamos caminhar com leveza. 

Às práticas?

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Tua função é te manteres em contato com a felicidade

 

LIÇÃO 99

A salvação é minha única função aqui.

1. Salvação e perdão são a mesma coisa. Ambos pressupõem que algo saiu errado, alguma coisa da qual é preciso ser salvo, perdoado; algo errado que necessita de mudança corretiva, alguma coisa separada ou diferente da Vontade de Deus. Deste modo, ambos os termos pressupõem uma coisa impossível mas que, não obstante, aconteceu, tendo por consequência um estado de conflito percebido entre o que existe e o que nunca poderia existir.

2. Agora, verdade e ilusão são iguais, pois ambas aconteceram. O impossível vem a ser a coisa pela qual precisas perdão, salvação. Agora, a salvação se torna a fronteira entre a verdade e a ilusão. Ela reflete a verdade porque é o meio pelo qual podes escapar das ilusões. No entanto, ela ainda não é a verdade porque ela desfaz o que nunca foi feito.

3. Como poderia, de alguma forma, haver um ponto de convergência em que se pode conciliar terra e Céu dentro de uma mente em que ambos existem? A mente que vê ilusões pensa que elas são reais. Elas existem no sentido de que são pensamentos. E, no entanto, elas não são reais porque a mente que tem estes pensamentos está separada de Deus.

4. O que une a mente e os pensamentos separados à Mente e aos Pensamentos que são um só para sempre? Que plano poderia manter inviolada a verdade, apesar de reconhecer a necessidade que as ilusões trazem e oferecer o meio pelo qual elas se desfazem sem ataque e sem nenhum toque de dor? O que, a não ser um Pensamento de Deus, poderia ser este plano, pelo qual se ignora o que nunca foi feito e se esquecem os pecados que nunca foram reais?

5. O Espírito Santo mantém este plano de Deus exatamente como o recebeu d'Ele dentro da Mente de Deus e em tua própria mente. Ele está separado do tempo pelo fato de que sua Fonte é intemporal. No entanto, ele opera no tempo em razão de tua crença de que o tempo é real. Inabalável, o Espírito Santo olha para o que vês; para o pecado e a dor e a morte, para a angústia e a separação e a perda. Mas Ele sabe que uma única coisa ainda tem de ser verdadeira, Deus ainda é Amor e esta não é a Vontade d'Ele.

6. Este é o Pensamento que traz as ilusões à verdade e as vê como aparências atrás das quais está o imutável e o certo. Este é o Pensamento que salva e que perdoa, porque não deposita nenhuma fé naquilo que não é criado pela única Fonte que conhece. Este é o Pensamento cuja função é salvar por te dar a função dele como a tua própria. A salvação é tua função com Aquele a Quem o plano foi dado. Agora tu estás encarregado deste plano juntamente com Ele. Ele tem apenas uma resposta para as aparências, independente de sua forma, seu tamanho, sua profundidade ou qualquer característica que elas pareçam ter:

A salvação é minha única função aqui.
Deus ainda é Amor e esta não é a Vontade d'Ele.

7. Tu, que ainda farás milagres, certifica-te de praticar bem a ideia para hoje. Tenta perceber a força naquilo que dizes, pois estas são palavras nas quais está tua liberdade. Teu Pai te ama. Todo o mundo de dor não é Vontade d'Ele. Perdoa a ti mesmo pelo pensamento de que Ele quis isto para ti. Deixa, então, que o Pensamento com o qual Ele substitui todos os teus erros penetre nos lugares sombrios de tua mente que teve os pensamentos que nunca foram a Vontade d'Ele.

8. Esta parte pertence a Deus, assim como o resto. Ela não tem seus pensamentos solitários e os torna reais ao escondê-los d'Ele. Deixa a luz entrar e não verás nenhum obstáculo para aquilo que Ele quer para ti. Revela teus segredos para Sua luz benigna e vê quão radiante esta luz ainda brilha em ti.

9. Pratica o Pensamento d'Ele hoje e deixa que Sua luz descubra e ilumine todos os pontos sombrios e brilhe através deles para uni-los ao resto. É a Vontade de Deus que tua mente seja uma só com a d'Ele. É a Vontade de Deus que Ele tenha um único Filho. É a Vontade de Deus que tu sejas Seu único Filho. Pensa nestas coisas ao praticares hoje e começa a lição que aprendemos hoje com esta instrução no caminho da verdade:

A salvação é minha única função aqui.
Salvação e perdão são a mesma coisa.

Em seguida, volta-te para Aquele Que compartilha tua função aqui e deixa que Ele te ensine o que precisas aprender para deixar todo o medo de lado e conhecer teu Ser como o Amor que não tem nenhum oposto em ti.

10. Perdoa todos os pensamentos que querem contrariar a verdade de tua completude, unidade e paz. Tu não podes perder as dádivas que teu Pai te deu. Tu não queres ser outro ser. Tu não tens nenhuma função que não seja de Deus. Perdoa a ti mesmo pelo que pensas que fizeste. Perdão e salvação são a mesma coisa. Perdoa o que fazes e estás salvo.

11. Há uma mensagem especial para hoje que tem o poder de eliminar todas as formas de dúvida e de medo de tua mente para sempre. Se fores tentado a acreditar que elas são verdadeiras, lembra-te de que aparências não podem se opor à verdade que estas palavras poderosas contêm:

A salvação é minha única função aqui.
Deus ainda é Amor e isto não é Vontade d'Ele.

12. Tua única função te diz que tu és único. Lembra-te disto entre os momentos em que dás cinco minutos para serem partilhados com Aquele Que compartilha o plano de Deus contigo. Lembra-te:

A salvação é minha única função aqui.

Deste modo depositas o perdão em tua mente e permites que todo o medo seja posto de lado tranquilamente, a fim de que o amor possa achar seu lugar legítimo em ti e te mostrar que tu és o Filho de Deus.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 99

Caras, caros,

Voltemos mais uma vez nosso olhar para a função que nos cabe nesta vida ilusória. É isto que nos pede a ideia que vamos usar para as práticas de hoje.

Vamos a ela?

"A salvação é minha única função aqui."

Eis aqui, com esta lição, mais uma oportunidade para aprendermos qual é nossa função neste mundo. A única que temos. E também a oportunidade, mais uma, de entendermos o que é salvação.

É a lição que explica, para começar:

Salvação e perdão são a mesma coisa. Ambos pressupõem que algo saiu errado, alguma coisa da qual é preciso ser salvo, perdoado; algo errado que necessita de mudança corretiva, alguma coisa separada ou diferente da Vontade de Deus. Deste modo, ambos os termos pressupõem uma coisa impossível mas que, não obstante, aconteceu, tendo por consequência um estado de conflito percebido entre o que existe e o que nunca poderia existir.

O que pode ter saído errado? Aquilo de que falamos antes, o mundo, desde que aparentemente chegamos aqui, prepara nosso condicionamento ao sistema de pensamento do ego, para que nos ocupemos apenas de tudo o que se refere à ilusão, seja a sobrevivência do corpo, seja a beleza e a saúde dele, seja a economia, seja a cultura, seja a política, a filosofia e/ou quaisquer outros assuntos mundanos desligados do espírito, que é o que realmente somos, com o objetivo claro e simples de nos afastar de nós mesmos e de nós mesmas e da verdade a respeito do que somos na unidade com o divino em nós.

Se não nos damos tempo para voltar o olhar para o interior de nós mesmos e de nós mesmas, dificilmente vamos perceber que estamos, na ilusão, nos afastando cada vez mais da alegria, da felicidade e da paz de espírito, acossados e acossadas que somos pelos compromissos com as coisas do mundo, que parecem as coisas mais importantes para todos os egos, inclusive para o nosso - o de cada um e de cada uma.

A salvação é minha única função aqui.

Mais dia, menos dia, quando menos esperarmos vamos ver se tornar verdadeiro o que a lição diz:

Agora, verdade e ilusão são iguais, pois ambas aconteceram. O impossível vem a ser a coisa pela qual precisas perdão, salvação. Agora, a salvação se torna a fronteira entre a verdade e a ilusão. Ela reflete a verdade porque é o meio pelo qual podes escapar das ilusões. No entanto, ela ainda não é a verdade porque ela desfaz o que nunca foi feito.

A salvação não é a verdade porque só desfaz o que nunca foi feito. É importante levar isso em conta. Pois nada daquilo que fazemos, ou pensamos fazer, tem alguma coisa a ver com a realidade. É nossa mente dividida que nos faz pensar que podemos mudar alguma coisa no que somos. Não podemos. Tudo o que podemos fazer é apenas reconhecer que vivemos um sonho. Uma ilusão que não parece ter fim. E queremos ver realidade no sonho. 

A salvação é minha única função aqui.

A lição continua:

Como poderia, de alguma forma, haver um ponto de convergência em que se pode conciliar terra e Céu dentro de uma mente em que ambos existem? A mente que vê ilusões pensa que elas são reais. Elas existem no sentido de que são pensamentos. E, no entanto, elas não são reais porque a mente que tem estes pensamentos está separada de Deus.

O que une a mente e os pensamentos separados à Mente e aos Pensamentos que são um só para sempre? Que plano poderia manter inviolada a verdade, apesar de reconhecer a necessidade que as ilusões trazem e oferecer o meio pelo qual elas se desfazem sem ataque e sem nenhum toque de dor? O que, a não ser um Pensamento de Deus, poderia ser este plano, pelo qual se ignora o que nunca foi feito e se esquecem os pecados que nunca foram reais?

Não estamos separados, nem separadas de Deus. É impossível que fiquemos separados ou separadas d'Ele/d'Ela. Não existimos separados ou separadas d'Ele/d'Ela. Não existe nada separado d'Ele/d'Ela. Ele/Ela é o que sou, o que és, o que somos todos e todas, o tudo de todas as coisas. Tudo o que Deus tem é meu, é teu, é nosso, é de todos e todas nós. Somos um, somos uma entidade só.

Ao aceitar meu papel no plano de Deus para a salvação, assumi um compromisso de buscar ouvir a Voz por Deus. E é o Espírito Santo em mim que vai me orientar e me guiar na direção da verdade, a meu próprio respeito, a respeito da realidade e de Deus: a única Realidade.

Na prática:

O Espírito Santo mantém este plano de Deus exatamente como o recebeu d'Ele dentro da Mente de Deus e em tua própria mente. Ele está separado do tempo pelo fato de que sua Fonte é intemporal. No entanto, ele opera no tempo em razão de tua crença de que o tempo é real. Inabalável, o Espírito Santo olha para o que vês; para o pecado e a dor e a morte, para a angústia e a separação e a perda. Mas Ele sabe que uma única coisa ainda tem de ser verdadeira, Deus ainda é Amor e esta não é a Vontade d'Ele.

Este é o Pensamento que traz as ilusões à verdade e as vê como aparências atrás das quais está o imutável e o certo. Este é o Pensamento que salva e que perdoa, porque não deposita nenhuma fé naquilo que não é criado pela única Fonte que conhece. Este é o Pensamento cuja função é salvar por te dar a função dele como a tua própria. A salvação é tua função com Aquele a Quem o plano foi dado. 

Quando nos pensamos separados e separadas de Deus, esquecemo-nos de que, na verdade, estamos em casa em Deus, "sonhando com o exílio". Esquecemos que somos perfeitamente capazes de despertar para a realidade. E que esse despertar depende apenas de nossa decisão. E o Curso diz que vamos nos lembrar da unidade no instante em que a desejarmos totalmente.

A lição nos desafia a praticar para que o plano se realize assim:

Agora tu estás encarregado deste plano juntamente com Ele. Ele tem apenas uma resposta para as aparências, independente de sua forma, seu tamanho, sua profundidade ou qualquer característica que elas pareçam ter:

A salvação é minha única função aqui.
Deus ainda é Amor e esta não é a Vontade d'Ele.

É isto que precisamos praticar de forma sincera e honesta, acreditando nas palavras que traduzem a verdade eterna da lição, que ensina qual é a única função que nos cabe cumprir neste mundo. E a lição pede que pratiquemos bem a ideia de hoje. Que tentemos perceber a força que há naquilo que dizemos:

... pois estas são palavras nas quais está tua liberdade. Teu Pai te ama. Todo o mundo de dor não é Vontade d'Ele. Perdoa a ti mesmo pelo pensamento de que Ele quis isto para ti. Deixa, então, que o Pensamento com o qual Ele substitui todos os teus erros penetre nos lugares sombrios de tua mente que teve os pensamentos que nunca foram a Vontade d'Ele.

Esta parte pertence a Deus, assim como o resto. Ela não tem seus pensamentos solitários e os torna reais ao escondê-los d'Ele. Deixa a luz entrar e não verás nenhum obstáculo para aquilo que Ele quer para ti. Revela teus segredos para Sua luz benigna e vê quão radiante esta luz ainda brilha em ti.

Voltemos, pois, toda a nossa atenção às instruções que a lição dá acerca do modo de praticar e busquemos fazer com que as palavras que dizemos soem verdadeiras para transformar nossa experiência neste mundo em uma experiência do Céu. Isto é possível, se reconhecermos e aceitarmos que:

A salvação é minha única função aqui. 

Pratiquemos, então, para compreender claramente que cumprir nossa função significa entrar em contato com a felicidade, ficar em contato com a alegria e com a paz, condições naturais do Filho de Deus. Para conseguir isso, é necessário aprendermos a oferecer apenas o perdão, a nós mesmos, a nós mesmas, a todos, a todas e a tudo no mundo, bem como ao próprio mundo. Ao fazermos isto, também oferecemos e recebemos a salvação, para nós mesmos, para nós mesmas e para o mundo inteiro. 

Às práticas? 

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Pois "... a Deus só se dá uma coisa: alegria." (JGR)

 

LIÇÃO 98

Vou aceitar meu papel no plano de Deus para a salvação.

1. Hoje é um dia de compromisso especial. Assumimos uma posição em favor de um só lado hoje. Tomamos partido da verdade e abandonamos as ilusões. Não vacilaremos entre as duas, mas assumiremos uma posição firme em favor da Única. Hoje, nós nos dedicamos à verdade, e à salvação do modo como Deus planejou que seja. Não sustentaremos que ela é outra coisa. Não procuraremos por ela aonde ela não está. Nós a aceitamos como ela é com alegria e assumimos o papel que nos foi designado por Deus.

2. Que felicidade é ter certeza! Deixamos de lado todas as nossas dúvidas e assumimos nossa posição com a intenção certa e com gratidão porque a dúvida acabou e a certeza veio. Temos um objetivo grandioso a cumprir e tudo o que precisamos para alcançar a meta nos é dado. Nem sequer um erro se interpõe em nosso caminho. Pois fomos absolvidos de erros. Todos os nossos pecados foram apagados pela compreensão de que eram apenas erros.

3. Os inocentes não têm medo, pois estão seguros e reconhecem sua segurança. Eles não apelam para a magia nem inventam saídas para ameaças imaginárias irreais. Eles descansam na certeza serena de que farão o que lhes é dado fazer. Não duvidam de sua própria capacidade porque sabem que sua função será inteiramente cumprida no tempo e no lugar certos. Eles assumiram a posição que assumiremos hoje, a fim de podermos compartilhar sua certeza e, deste modo, aumentá-la aceitando-a nós mesmos.

4. Eles estarão conosco; todos aqueles que tomaram o partido que tomamos hoje nos oferecerão alegremente tudo o que aprenderam e todo o benefício que conseguiram. Os que ainda estão indecisos também se unirão a nós e, tomando nossa certeza emprestado, a tornarão mais forte. Enquanto que aqueles que ainda não nasceram ouvirão o chamado que ouvimos e responderão a ele quando vierem para fazer sua escolha mais uma vez. Hoje nós não escolhemos por nós mesmos apenas.

5. Cinco minutos de teu tempo a cada hora para seres capaz de aceitar a felicidade que Deus te dá não valem a pena? Cinco minutos por hora, para reconheceres tua função particular aqui, não valem a pena? Cinco minutos não são apenas um pedido insignificante a ser atendido a fim de se obter uma recompensa tão grande que não tem medida? Tu fizeste, no mínimo, mil barganhas nas quais perdeste.

6. Eis aqui uma oferta que garante tua liberação total de qualquer tipo de dor, e uma alegria que o mundo não tem. Tu podes trocar um pouco do teu tempo por paz de espírito e certeza de intenção, com a garantia de sucesso absoluto. E, uma vez que o tempo não tem nenhum significado, não se está pedindo nada de ti em troca de tudo. Eis aqui uma barganha que não podes perder. E o que ganhas é, de fato, sem limites!

7. Dá a Ele, hoje, tua pequenina dádiva de cinco minutos a cada hora. Ele dará a profunda convicção e a certeza que te faltam às palavras que usares para praticar a ideia de hoje. As palavras d'Ele se unirão as tuas e transformarão cada repetição da ideia de hoje em uma oferenda total, feita com uma fé tão perfeita e tão segura quanto a d'Ele em ti. A confiança d'Ele em ti trará a luz a todas as palavras que disseres, e tu irás além do som delas até aquilo que elas significam verdadeiramente. Hoje, tu praticas com Ele ao dizeres:

Vou aceitar meu papel no plano de Deus para a salvação.

8. Em cada cinco minutos que passares com Ele, Ele aceitará tuas palavras e as devolverá a ti resplandecentes de fé e com uma confiança tão forte e estável que elas iluminarão o mundo com esperança e alegria. Não percas uma única chance de ser o alegre receptor das dádivas d'Ele, para poderes dá-las ao mundo hoje.

9. Dá as palavras a Ele e Ele fará o resto. Ele te capacitará a compreender tua função especial. Ele abrirá o caminho para a felicidade; e paz e confiança serão Suas dádivas; a resposta d'Ele para tuas palavras. Ele responderá que o que dizes é verdadeiro com toda Sua fé e alegria e certeza. E, então, tu terás a convicção d'Aquele Que conhece a função que tens, tanto na terra quanto no Céu. Ele estará contigo em cada período de prática que compartilhares com Ele, trocando cada instante do tempo que Lhe ofereceres pela intemporalidade e pela paz.

10. Ao longo da hora, deixa que teu tempo seja gasto na feliz preparação para os próximos cinco minutos que passarás com Ele de novo. Repete a ideia de hoje enquanto esperas que o instante feliz venha a ti outra vez. Repete-a com frequência e não te esqueças de que cada vez que o fazes permites que tua mente seja preparada para o tempo feliz que virá.

11. E, quando a hora passar e Ele estiver aí mais uma vez para passar um breve instante contigo, sê grato e abandona todas as tarefas terrenas, todos os pensamentos insignificantes e ideias limitadas e passa um momento feliz com Ele novamente. Dize-Lhe mais uma vez que aceitas o papel que Ele quer que assumas e quer te ajudar a cumprir e Ele te dará a certeza de que queres esta oportunidade que Ele cria contigo e tu com Ele.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 98

Caras, caros,

A ideia que vamos explorar para as prática de hoje trata de nos levar a um estado que vai nos permitir tomarmos consciência da necessidade de que aceitemos nosso papel no plano de Deus para a salvação. É a única forma de nos salvarmos, de salvarmos o mundo inteiro e de vivermos o "sonho feliz" neste mundo de ilusões e egos.

Comecemos?

"Vou aceitar meu papel no plano de Deus para a salvação."

Peço-lhes de novo atenção, atenção, atenção! Muita, mas muita, atenção mesmo! A ideia que vamos praticar mais uma vez hoje vai pedir que tomemos a decisão de aceitar o papel que nos cabe no plano de Deus para a salvação. Ela vai servir de meio para que aceitemos o desafio de tomar tal decisão. Vai nos revelar o que temos a ganhar a partir dessa tomada da decisão. 

Comecemos assim, pois:

Hoje é um dia de compromisso especial. Assumimos uma posição em favor de um só lado hoje. Tomamos partido da verdade e abandonamos as ilusões. Não vacilaremos entre as duas, mas assumiremos uma posição firme em favor da Única. Hoje, nós nos dedicamos à verdade, e à salvação do modo como Deus planejou que seja. Não sustentaremos que ela é outra coisa. Não procuraremos por ela aonde ela não está. Nós a aceitamos como ela é com alegria e assumimos o papel que nos foi designado por Deus.

No fundo, no fundo sabemos que só quando aceitarmos o papel que nos cabe é que vamos experimentar a alegria e a paz que são nossa herança e que são a Vontade de Deus para Seu Filho. E nós, cada um e cada uma e todos e todas nós, somos o Seu Filho.

Por que, então, parece-nos tão difícil viver em paz, viver com alegria? Por que vivemos tantas experiências que nos levam para o fundo do poço e temos tanta dificuldade em voltar a experimentar a alegria? Vezes sem conta nos encontramos como que em encruzilhadas, sem saber que rumo tomar. Por quê? Para quê? 

A resposta a estas questões está estreitamente ligada às escolhas que fazemos (ou fizemos, ou que ainda vamos fazer). Assim, pois, quando a experiência de sofrimento se apresenta a uma pessoa, e ela sofre mais do que pede a experiência, ou resolve continuar a sofrer indefinidamente, ao rememorar a experiência, ao se lamentar por que aquilo aconteceu com ela, ela sofre, então, na verdade, não porque se vê diante de um acontecimento de dor ou de luto, mas sobretudo porque escolheu o sofrimento como condição para continuar a viver a partir das escolhas de seu ego. (Sabemos que tudo isso só se dá a maior parte das vezes num nível inconsciente. Mas mesmo assim é preciso que, como parte do treinamento da mente que o Curso nos propõe, busquemos tomar consciência dos estados emocionais em que nos encontramos, ou nos que nos colocamos, uma vez que as escolhas são sempre nossas).

Uma experiência dolorosa, quando se apresenta a qualquer pessoa, apresenta-se, talvez, primeiro porque ela escolheu e, segundo para que ela viva o sofrimento até chegar ao aprendizado de que há um ponto em que o sofrimento se torna desnecessário. O luto se torna desnecessário. A dor pode se tornar desnecessária, quando já não oferece mais nenhum aprendizado novo, nenhuma nova lição. 

Por que então, por exemplo, algumas coisas aparentemente dolorosas se repetem nas nossas vidas, nas vidas de muitas pessoas, da grande maioria das pessoas? Ora, os fatos recorrentes de tua vida, de minha vida e da vida de qualquer pessoa, são recorrentes porque não queres mudar, porque não quero mudar, porque as pessoas, em geral, não querem mudar, não se sentem à vontade com mudanças. E ainda nos lamentamos, acusamos o mundo, as pessoas a nossa volta, na certeza - equivocada, é claro - de que alguém de fora pode nos prejudicar ou ser a causa de nossos sofrimentos. 

Um ser humano comum, assim, aprisionado na circularidade do tempo, não tem um futuro de verdade. Tem apenas um passado que se repete, e repete, e repete...

Afinal, o que nos impede de viver a alegria constante, a paz que não se abala com nada do que se passa neste mundo de ilusões? Temos, enfim, consciência de que o que vivemos neste mundo é apenas uma grande ilusão, enquanto não aceitarmos o papel que nos cabe no plano de Deus para a salvação? 

Vou aceitar meu papel no plano de Deus para a salvação.

A lição continua:

Que felicidade é ter certeza! Deixamos de lado todas as nossas dúvidas e assumimos nossa posição com a intenção certa e com gratidão porque a dúvida acabou e a certeza veio. Temos um objetivo grandioso a cumprir e tudo o que precisamos para alcançar a meta nos é dado. Nem sequer um erro se interpõe em nosso caminho. Pois fomos absolvidos de erros. Todos os nossos pecados foram apagados pela compreensão de que eram apenas erros.

Por que não vivemos a certeza de que somos filhos e filhas de Deus o tempo todo? Porque esquecemos. E por que esquecemos? Porque na maior parte do tempo não estamos dispostos, nem dispostas, a ficar atentos, atentas, alertas, a viver apenas o instante presente. Por quê? Porque, por vezes, preferimos navegar pelas águas e mágoas do passado. Outras vezes nos dispomos a um exercício que nos leva a mergulhar na correnteza de um tempo que ainda não chegou. Um tempo que ainda não existe, esperando, ansiando por um futuro, por um momento em que vamos poder realizar todos os nossos sonhos. Pensemos: será possível que esse tempo venha, se não formos capazes de viver agora a alegria e a paz que queremos? Se não formos capazes, agora, de viver este momento e apenas este momento?

Desde o tempo em que éramos crianças, pequenas, aparentemente indefesas, o mundo nos ensina formas de nos desviarmos de nossa meta. São os brinquedos, os chocalhinhos, os automoveizinhos, as bonecas, a televisão, o rádio. Hoje em dia temos a tecnologia da informação a nos distrair, a ponto de não vermos, não ouvirmos, não entendermos nada do que se passa a nossa volta porque atentos e atentas a um toque do celular, a um vídeo que passa na TV, a algo que acontece longe, longe de nós e que nos afasta daquilo que somos, daquilo que queremos, daquilo que precisamos fazer para nos encontrarmos e encontrarmos a alegria, que é nossa condição natural. Tudo, tudo, nos mantém tão ocupados e ocupadas que não encontramos tempo para nos descobrirmos, para buscar mais fundo um contato com o que somos, e, por fim, acabamos por perder a capacidade de fazer isso. Mais do que isso, convencidos e convencidas pelo ego e pelo que nos diz o mundo, deixamos de ver a necessidade disso. 

Vou aceitar meu papel no plano de Deus para a salvação.

 No entanto, como a lição diz:

Os inocentes não têm medo, pois estão seguros e reconhecem sua segurança. Eles não apelam para a magia nem inventam saídas para ameaças imaginárias irreais. Eles descansam na certeza serena de que farão o que lhes é dado fazer. Não duvidam de sua própria capacidade porque sabem que sua função será inteiramente cumprida no tempo e no lugar certos. Eles assumiram a posição que assumiremos hoje, a fim de podermos compartilhar sua certeza e, deste modo, aumentá-la aceitando-a nós mesmos.

Eles estarão conosco; todos aqueles que tomaram o partido que tomamos hoje nos oferecerão alegremente tudo o que aprenderam e todo o benefício que conseguiram. Os que ainda estão indecisos também se unirão a nós e, tomando nossa certeza emprestado, a tornarão mais forte. Enquanto que aqueles que ainda não nasceram ouvirão o chamado que ouvimos e responderão a ele quando vierem para fazer sua escolha mais uma vez. Hoje nós não escolhemos por nós mesmos apenas.

Lembremo-nos do que é preciso nos perguntarmos para sabermos se estamos indo na direção certa, se estamos dando os passos necessários que nos levarão à aceitação de nosso papel no plano de Deus para a salvação.

Podemos chegar a qualquer lugar sem definir um roteiro a ser seguido? É possível alcançar qualquer meta sem aceitar as condições e os instrumentos necessários a realizá-la? Alcançaremos o autoconhecimento evitando de todas as maneiras possíveis e imagináveis entrar em contato com nós mesmos, com nós mesmas? Ou rejeitando todo e qualquer contato verdadeiro com todas as pessoas que vivem a nossa volta, julgando-as e condenando-as, sem reconhecer o divino nelas, o mesmo divino que carregamos e que é o que somos todos e todas na verdade? É possível alcançar a paz sem ter a disposição para questionar toda e qualquer crença que nos afaste da alegria e da felicidade?

A ideia que a lição de hoje oferece para as práticas, em meu modo de ver, responde a todas estas perguntas. Ela também traz respostas para toda e qualquer pergunta que queiramos fazer, ou mesmo àquelas que ainda não somos sequer capazes de formular. E responde de uma maneira muito simples porque, de acordo com ela, não precisamos fazer nada além de aceitar o papel que nos cabe no plano de Deus para a salvação [lembrando sempre de que a Vontade de Deus e a nossa são a mesma] para que a paz se instale e permaneça em nossa vida. 

Cabe-nos, então, dizer com a lição: 

Vou aceitar meu papel no plano de Deus para a salvação.

E, claro, assumir o compromisso com o papel que aceitamos. E as responsabilidades que ele traz. Para tanto busquemos seguir com toda a atenção de que somos capazes o restante das instruções a respeito do modo de praticar que a lição oferece. E voltemos a nos perguntar como já o fizemos antes:

Se a Vontade de Deus para nós é felicidade e alegria e paz completas e perfeitas, se nossa função e nossa felicidade são a mesma coisa, se nossa vontade é a mesma de Deus, e se ainda somos como Deus nos criou o que resta então reconhecermos? O que nos resta fazer, então, a não ser aceitar o papel que Deus nos dá em Seu plano para a salvação?

Repetindo ainda uma vez e agradecendo de novo a Guimarães Rosa pelo que ele nos ensina quando diz: "... a Deus só se dá uma coisa: alegria". Assim como é só alegria que podemos esperar receber d'Ele/d'Ela. Quando formos capazes da alegria sozinha, a que Deus quer para nós, lembrando ainda de Rosa.

Às práticas?