segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Tu lembras de ser feliz, se teu orgulho está em jogo?

 

LIÇÃO 47

Deus é a força na qual eu confio.

1. Se tu confias na tua própria força, tens todas as razões para ficar apreensivo, ansioso e amedrontado. O que podes prever ou controlar? O que há em ti com que se possa contar? O que te daria a capacidade de estar ciente de todas as características de qualquer problema e de resolvê-lo de tal modo que apenas o bem pudesse advir dele? O que há em ti que te dê o reconhecimento da solução correta e a garantia de que ela será alcançada?

2. Tu não podes fazer nenhuma destas coisas por ti mesmo. Acreditar que podes é colocar tua confiança onde a confiança não é justificada e confirmar o medo, a ansiedade, a depressão, a raiva e o pesar. Quem pode colocar sua fé na fraqueza e se sentir seguro? Mas quem pode colocar sua fé na força e se sentir fraco?

3. Deus é tua segurança em todas as circunstâncias. Sua Voz fala por Ele em todas as situações e em todos os aspectos de todas as situações, dizendo-te exatamente o que fazer para invocar Sua força e Sua proteção. Não há nenhuma exceção porque Deus não tem nenhuma exceção. E a Voz que fala por Ele pensa da mesma forma que Ele.

4. Hoje tentaremos ir além de tua própria fraqueza e alcançar a Fonte da força verdadeira. Quatro períodos de prática de cinco minutos são necessários hoje e insiste-se em períodos mais longos e frequentes. Fecha os olhos e começa, como de costume, pela repetição da ideia para o dia. Em seguida, passa um ou dois minutos em busca de situações às quais revestiste de medo em tua vida, descartando cada uma delas dizendo a ti mesmo:

Deus é a força na qual eu confio.

5. Tenta, agora, escapar de todas as preocupações relativas a tua percepção de falta de capacidade. É óbvio que qualquer situação que te cause preocupação está associada a sensações de falta de capacidade, pois, do contrário, acreditarias que podes lidar com a situação com sucesso. Não é acreditando em ti mesmo que vais adquirir confiança. Mas a força de Deus em ti é bem-sucedida em todas as coisas.

6. O reconhecimento de tua própria fragilidade é um passo necessário na correção de teus erros, mas raramente é um passo suficiente para te dar a confiança de que necessitas e à qual tens direito. Tu também tens de ganhar a consciência de que a confiança em tua força verdadeira é inteiramente justificada sob todos os aspectos e em todas as circunstâncias.

7. Na fase final do período de prática tenta ir fundo em tua mente para alcançar um lugar de segurança verdadeira. Tu reconhecerás que o alcançaste se experimentares uma sensação de paz profunda, ainda que breve. Abandona todas as coisas sem importâncias que se agitam e borbulham na superfície de tua mente, e desce mais para alcançar o Reino do Céu. Há um lugar em ti onde existe a paz perfeita. Há um lugar em ti onde nada é impossível. Há um lugar em ti onde a força de Deus habita.

8. Repete a ideia com frequência durante o dia. Utiliza-a como a tua resposta a qualquer inquietação. Lembra-te de que a paz é teu direito porque depositas tua confiança na força de Deus.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 47

Caras, caros,

A ideia que vamos utilizar para nossos treinos de hoje é:

"Deus é a força na qual eu confio."

Comecemos por explorá-la pensando que percorremos já um longo caminho até aqui. Não lhes parece? Quarenta e sete dias já. Quarenta e sete lições. E esta, para muitas e muitos de nós, não é a primeira vez. Ainda bem, não?

E aqui onde é?

O ponto a que chegamos, ora. Esta lição. O ponto que nos permite praticar a ideia de que Deus é o Único Poder, a única força, em que podemos confiar, como nos diz a lição de hoje.

Vejamos, então, o que a lição tem a nos dizer para começar. Atenção, por favor.

Se tu confias na tua própria força, tens todas as razões para ficar apreensivo, ansioso e amedrontado. O que podes prever ou controlar? O que há em ti com que se possa contar? O que te daria a capacidade de estar ciente de todas as características de qualquer problema e de resolvê-lo de tal modo que apenas o bem pudesse advir dele? O que há em ti que te dê o reconhecimento da solução correta e a garantia de que ela será alcançada?

Temos mesmo todos os motivos para ficar apreensivos ou apreensivas, ansiosos ou ansiosas e com medo em qualquer situação que tenhamos de enfrentar, para a qual só pudermos contar com nossa própria força. Não podemos - não somos capazes de - controlar nada, prever nada. Que dirá optar pela solução que resultaria no bem para todos e todas, para tudo a nossa volta.

Não é por isso que, antes de nos dirigirmos a um compromisso qualquer, a um encontro com alguém a quem tenhamos de mostrar nossas capacidades, nossas habilidades, alguém com quem tenhamos de negociar alguma coisa, ficamos trêmulos ou trêmulas, confusos ou confusas, inseguros ou inseguras?

Ora pensamos que o melhor é dizer isso, ora aquilo, ora que é melhor não dizer nada, não "abrir demais", e em geral ficamos com medo da resposta à pergunta que fazemos, via ego, a nós mesmos ou a nós mesmas: "E se...?"

Ora, não seria melhor se confiássemos inteiramente em Deus e entregássemos a Ele, ao divino em nós a situação e/ou o problema junto com o resultado e tudo, e todas as pessoas envolvidas, incluindo-nos também aí? 

Joe Vitale, em seu livro, Marco Zero, diz: "Talvez a gente precise passar menos tempo pretendendo [quer dizer, tendo a intenção de] e mais tempo recebendo".

Deus é a força na qual eu confio.

Ainda precisamos refletir com vagar acerca do que dizemos quando pensamos precisar da ajuda de alguém e nos parece, quer dizer, temos a impressão de que parece não haver ninguém com quem possamos contar, ninguém em quem possamos confiar.

E Deus?

É certo que, se nem eu mesmo sou confiável para mim e, às vezes, sou capaz de fazer coisas de que "até Deus duvida", distraído de mim mesmo a maior parte do tempo, não há ninguém no mundo com quem possamos contar, ou em quem possamos confiar, se não nos entregamos e entregamos tudo em primeiro lugar à força de Deus, ao poder de Deus em nós. 

Ou ainda como sugere Joe Vitale, a partir de suas práticas com o ho'oponopono

"Se a Divindade está tentando nos guiar, precisamos silenciar para ouvir seus sussurros e sentir seus cutucões. Isso significa ficar em silêncio com mais frequência para praticar mais a meditação e ouvir mais a flores e árvores." E ouvir o mar, e os pássaros e os animais. Os sons e silêncios da natureza à volta de nós. As gentes ao nosso redor também.

Quando não fazemos isso, deixando-nos invadir pelos ruídos e pela estática do mundo do ego, e ficamos julgando nossa própria competência ou incompetência, a competência ou incompetência das outras pessoas, comparando a disposição, ou a prontidão, que temos para ser de ajuda com a falta de disposição, ou prontidão, das outras pessoas, a nosso modo de ver, tudo o que fazemos, na verdade é aprisionar-nos, e aprisionar as pessoas todas com quem convivemos - e mesmo aquelas com quem nem convivemos, nem conhecemos -, num julgamento que nos impede de ver de modo diferente. E que reforça a crença na separação. 

Aí, é óbvio: não vamos ouvir a Divindade e muito menos seguir sua orientação. Tornamo-nos surdos e surdas a ela.

Deus é a força na qual eu confio.

Nada, mas nada mesmo no mundo, por mais que pensemos às vezes que sim - que somos especiais e temos habilidades que outras pessoas não têm -, pode nos dar a capacidade de ter consciência de todos os aspectos que estão envolvidos na resolução do menor dos problemas para solucioná-lo de um modo que traga apenas o bem geral como resultado, como eu já disse um pouco acima.

Já sabemos que "todas as coisas cooperam para o bem", mas, em geral, temos grandes dificuldades para enxergar, por exemplo, de que modo uma tragédia como a que atingiu a população da Filipinas há bem pouco tempo atrás, ou a que atingiu mineiros e pescadores, além da fauna e da flora e moradores da região de Mariana, matando o Rio Doce, que era fonte de alimentos e de renda para grande parte da população de lá (e causando o desequilíbrio que culminou numa endemia de febre amarela no Estado de Minas Gerais, e que chegou a ameaçar atingir os outros estados brasileiros) possa servir para o "bem" geral e/ou para o bem de qualquer dos envolvidos. Ou o "acidente" mais recente ainda em Minas Gerais, o de Brumadinho, que deixou vários mortos, uma quantidade enorme de pessoas desaparecidas e outras sem casa, sem lugar para morar, que perderam tudo o que tinham. Ou ainda, para terminar de enumerar algumas das "desgraças" de nossos dias,  guerra da Rússia contra a Ucrânia e o terremoto na Turquia e na Síria. Agora temos também Israel, que se dedica e exterminar todas as pessoas que ocupam uma pequena faixa de terra em Gaza. Isto é, Israel que busca exterminar todos os palestinos. Que "bem" esses acontecimentos podem trazer? E o tal de Trump?

Haverá alguém que saiba nos dizer, por exemplo, de que forma esta pandemia de Covid-19, que acometeu o mundo inteiro, e que aparentemente ainda está muito longe de se dissipar ou de deixar de ameaçar as vidas das pessoas do planeta, porque suas variantes de multiplicam e se transformam em inúmeros tipos de viroses e trazem sequelas de que não temos notícias. "coopera para o bem"? Talvez possamos intuir com alguns poucos iluminados ou algumas poucas iluminadas que isto que enfrentamos pode servir para diminuir a crença na separação, uma vez que não há ninguém imune aos perigos que o vírus oferece. Mesmo as pessoas que contraíram o vírus e não apresentam sintomas podem transmiti-lo e fazer com que ele provoque até mesmo a morte de outras pessoas.

De que maneira - podemos nos perguntar - isso "coopera para o bem"?

Esquecemo-nos da relatividade de todas as coisas no mundo, bem como de sua neutralidade. Esquecemo-nos a maior parte do tempo do livre arbítrio e "não conseguimos" [leia-se "não queremos"] compreender que não existem acidentes ou acasos e que em tudo o que acontece a nossa volta, nossa vontade - ou nosso desejo, talvez em forma de medo - está sendo atendida, ao mesmo tempo em que é atendida a vontade de cada uma daquelas pessoas com quem dividimos nossa aparente existência no tempo. [Aqui talvez seja bom lembrar daquele ponto central do ensinamento que afirma: "medo é desejo".]

Deus é a força na qual eu confio.

Há alguma coisa em mim, em ti, que seja capaz, que nos autorize a reconhecer em quaisquer circunstâncias qual é a solução certa para um problema, para uma questão, e garantir que ela vai se realizar e trazer apenas o bem geral de todas as pessoas envolvidas, bem como para tudo o que está em jogo?

"Tu não precisas fazer nada." Este é um dos ensinamentos centrais do Curso. Mas isto não significa cruzar os braços e esperar que tudo caia do Céu. Significa tão somente reconhecer e aceitar que, por nós mesmos ou por nós mesmas, não somos capazes de lidar com todos os aparentes problemas que o mundo nos pede para enfrentarmos. Significa reconhecer e aceitar que há um Poder com que podemos contar, uma força à qual sempre podemos recorrer.

Deus é a força na qual eu confio.

É isso que a lição vai nos dizer em seguida. Ouçamos:

Tu não podes fazer nenhuma destas coisas por ti mesmo. Acreditar que podes é colocar tua confiança onde a confiança não é justificada e confirmar o medo, a ansiedade, a depressão, a raiva e o pesar. Quem pode colocar sua fé na fraqueza e se sentir seguro? Mas quem pode colocar sua fé na força e se sentir fraco?

Por que razão, para quê, nos voltamos para o ego e sua falsa força e pretensa onipotência, permitindo que só a insegurança, a dúvida, o medo, a ansiedade, a raiva, a tristeza e a depressão se apresentem em nossas vidas cada vez que precisamos lidar com uma questão que diga respeito a nossa felicidade?

Por que nos voltamos para o ego, se:

Deus é tua segurança em todas as circunstâncias. Sua Voz fala por Ele em todas as situações e em todos os aspectos de todas as situações, dizendo-te exatamente o que fazer para invocar Sua força e Sua proteção. Não há nenhuma exceção porque Deus não tem nenhuma exceção. E a Voz que fala por Ele pensa da mesma forma que Ele.

Às vezes, e até com uma certa frequência, somos capazes de perceber que a escolha que estamos fazendo, ou prestes a fazer, vai nos afastar da alegria, vai nos tirar a paz de espírito e nos fazer mergulhar no inferno, mas teimamos em fazê-la, não é mesmo?

Queremos ter razão, não é mesmo? O ego em nós. Que importa ser feliz, quando nosso "orgulho" está em jogo?

Nada, mas nada mesmo, vai nos tirar o gostinho de dar um tapa de luvas em alguém que pensamos nos ter ofendido de algum modo.  Isso não será apenas nós nos deixando dominar pelo ego e por sua/nossa crença na separação?

Deus é a força na qual eu confio.

Prestemos, por favor, toda a atenção e usemos de nossa maior capacidade de honestidade quanto ao restante das instruções da lição de hoje para experimentarmos o contato com a Fonte da força verdadeira em nós: Deus.

A própria lição assegura que vamos ser capazes de reconhecer que chegamos à fonte de nossa segurança verdadeira, ao experimentarmos, além de todas as coisas sem importâncias que se agitam e borbulham na superfície de [nossa] mente, ainda que muito brevemente, uma profunda sensação de paz.

Atenção à verdade eterna das palavras da lição:

Há um lugar em ti onde existe a paz perfeita. Há um lugar em ti onde nada é impossível. Há um lugar em ti onde a força de Deus habita.

Às práticas?

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Devemos, primeiro, o perdão a nós mesmos, mesmas

 

LIÇÃO 46

Deus é o Amor no qual eu perdoo.

1. Deus não perdoa porque Ele nunca condena. E tem de haver condenação antes que o perdão seja necessário. O perdão é a grande necessidade deste mundo, mas isto porque ele é um mundo de ilusões. Aqueles que perdoam estão, deste modo, se liberando das ilusões, enquanto aqueles que negam o perdão estão se comprometendo com elas. Uma vez que só condenas a ti mesmo, tu também só perdoas a ti mesmo.

2. Contudo, embora Deus não perdoe, Seu Amor é, apesar de tudo, a base do perdão. O medo condena e o amor perdoa. Deste modo, o perdão desfaz o que o mundo produz, devolvendo a mente à consciência de Deus. Por esta razão, o perdão pode verdadeiramente ser chamado de salvação. É ele o meio pelo qual as ilusões desaparecem.

3. Os exercícios de hoje pedem, pelo menos, três períodos de cinco minutos completos e tantos períodos mais breves quantos possíveis. Começa os períodos de prática mais longos com a repetição da ideia para ti mesmo, como de costume. Fecha os olhos ao fazê-lo e passa um minuto ou dois examinando tua mente à procura daqueles a quem não perdoas. Não importa "o quanto" não os perdoas. Tu os perdoas inteiramente ou não os perdoas em absoluto.

4. Se estiveres fazendo bem os exercícios não deves ter nenhuma dificuldade para encontrar várias pessoas a quem não perdoas. Um critério seguro é o de que qualquer pessoa de quem não gostes é um sujeito adequado. Cita cada um pelo nome e dize:

Deus é o Amor no qual eu te perdoo, [nome].

5. O objetivo da primeira fase dos períodos de prática de hoje é te colocar em uma posição para perdoares a ti mesmo. Depois de aplicares a ideia a todos que te vieram à mente, dize a ti mesmo:

Deus é o Amor no qual eu me perdoo.

Em seguida, dedica o restante do período de prática a acrescentar ideias afins tais como:

Deus é o Amor com o qual amo a mim mesmo.
Deus é o Amor no qual sou abençoado.

6. A forma da aplicação pode variar consideravelmente, mas não se deve perder de vista a ideia central. Poderias dizer, por exemplo:

Eu não posso ser culpado porque sou um Filho de Deus.
Eu já estou perdoado.
Nenhum medo é possível em uma mente amada por Deus.
Não há nenhuma necessidade de atacar porque o amor me perdoa.

O período de prática deve terminar, porém, com uma repetição da ideia de hoje conforme sua declaração original.

7. Os períodos de prática mais breves podem consistir tanto em uma repetição da ideia na forma original quanto em uma forma afim, conforme preferires. Certifica-te, no entanto, de fazer aplicações mais específicas, se necessário. Elas serão necessárias a qualquer momento, durante o dia, em que ficares ciente de qualquer tipo de reação negativa a qualquer pessoa, presente ou não. Neste caso, dize-lhe em silêncio:

Deus é o Amor no qual eu te perdoo.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 46

Caras, caros,

A ideia com que vamos praticar hoje é esta aqui abaixo

"Deus é o Amor no qual eu perdoo."

Mas antes de chegarmos, de fato, à exploração da ideia para as práticas de hoje, recapitulemos um pouco algumas das lições anteriores recentes: 

Deus vai comigo aonde eu for. Sempre que eu tiver consciência d'Ele/d'Ela, ou sempre que eu buscar ficar consciente de Sua Presença. Quando me deixo enganar pela crença na separação, dando ouvidos à voz do ego, perco a oportunidade, ainda que apenas na ilusão, de experimentar Deus como meu companheiro, amigo e Pai Todo-Amoroso, ou Mãe Toda-Amorosa, que vai comigo aonde eu for.

Deus é minha força. A visão é Sua dádiva. É claro que toda minha força vem de minha decisão de ver Deus. Em tudo e em todas as pessoas. Isto é ver de modo diferente. A dádiva da visão é minha, e sempre me foi dada. Sempre será. Se não a uso é porque ainda não me decidi por ela. No que se refere a Deus, ela está sempre à disposição. E no que se refere a mim? E a ti?

Deus é minha Fonte. Separado d'Ele, não posso ver. Mesmo neste mundo, preciso ter consciência de que minha Fonte é Deus e de que não posso ver verdadeiramente enquanto der crédito à crença na separação, em qualquer de suas formas.

Deus é a luz na qual eu vejo. Acreditar que posso ver no escuro é apenas um auto-engano sem sentido. É só na Luz que se pode de fato ver. E a Luz vem de Deus, a Luz é Deus, e está dentro de mim, porque a Luz é também o que sou. É a consciência disso que pode me libertar do inferno que penso viver neste mundo.

Deus é a Mente com a qual eu penso. Sei que meus pensamentos verdadeiros são aqueles que penso com Deus, n'Ele. É d'Ele a Mente na qual posso entrar em contato com o que sou na verdade.

Deus é o Amor no qual eu perdoo.

É aqui, a esta ideia, que nos trazem todas as que praticamos antes, claro que para nos levar além, bem além, de tudo aquilo que acreditamos ser real neste mundo, que se alimenta e nutre das ilusões que o ego inventa.

A lição de hoje começa por dizer que o perdão só é necessário depois da condenação. Quantos, ou quantas, de nós já pensaram nisso? Que só precisamos perdoar porque condenamos o tempo todo? Sem nossa condenação o mundo seria um mundo perdoado. Um mundo neutro. Livre das projeções e dos equívocos que atribuímos a ele. Como de fato é, na verdade.

Quando eu aprender a olhar para o mundo - para tudo o que há nele e para todas as pessoas nele - com o olhar amoroso de Deus em mim, o perdão não será mais necessário, pois ao me perdoar por minha percepção equivocada do mundo, me perdoo pelo mundo, isto é, pelo meu julgamento do mundo, e o perdoo automática e completamente. Daí a necessidade de nos perdoarmos em primeiro lugar. Sem o perdão a nós mesmos e a nós mesmas, não é possível perdoar o mundo, nem ninguém.

Mas vejamos como a lição nos apresenta esta ideia para começar:

Deus não perdoa porque Ele nunca condena. E tem de haver condenação antes que o perdão seja necessário. O perdão é a grande necessidade deste mundo, mas isto porque ele é um mundo de ilusões. Aqueles que perdoam estão, deste modo, se liberando das ilusões, enquanto aqueles que negam o perdão estão se comprometendo com elas. Uma vez que só condenas a ti mesmo, tu também só perdoas a ti mesmo.

É isso, então! É só da condenação de meu olhar ao que vejo, enquanto ainda não me decidi a ver de modo diferente, ou enquanto ainda não aprendi que, acima de tudo, quero [e preciso] ver de modo diferente, que brota a necessidade de perdão.

É isso! Sou eu mesmo o responsável por ver o mundo cheio de problemas e pecados e erros e tudo o que vem da crença na separação. Eu mesmo o condeno e me condeno ao inferno que penso viver, ao inferno em que penso viver. Por outro lado, só eu mesmo o posso perdoar. E o modo de fazer isso é me perdoando.

E o perdão só se dá à ilusão, em qualquer de suas formas, mesmo aquelas que nos parecem verdadeiras. Ou algum, alguma, de nós pensa que precisa perdoar a verdade?

Deus é o Amor no qual eu perdoo.

Ah, quanto nos deixamos enganar pelo mundo do ego! Ah, como gostamos de nos deixar enganar pelo ego! Quanto vibramos quando surge uma pequena oportunidade de dar uma "alfinetada" em alguém, em falar de alguém, comparando este alguém a outras pessoas, diminuindo-o ou aumentando-o, apenas para separá-lo, para não ver que o que ele é também é o que somos.

Muitas vezes nos dizemos capazes de lidar com a verdade pura e simplesmente. E, quando ela se apresenta, ficamos ressentidas, ressentidos, magoadas, magoados, "de mal" com a pessoa, ou pessoas, que nos fez ver a embrulhada em que nos enfiamos por dar ouvidos ao ego, ao mundo. 

Um filme a que assisti recentemente, quase lá pelo fim, tem uma fala interessante para se pensar. Ela diz que a verdade é feia. Será? E por quê? Talvez porque acreditamos, pela percepção do ego, que a beleza está nas imagens que fazemos de tudo o que vemos. E a verdade não está em nenhuma imagem. Não a podemos apreender em imagens. Nem nas coisas que vemos. Porque a verdade está dentro de nós mesmas, de nós mesmos. Nos a trazemos sempre em nosso interior, mas em geral não queremos nos dar o trabalho de olhar para a verdade e reconhecê-la. Preferimos a mentira, a ilusão. Para nos auto-enganarmos.

Muitas vezes dizemos que queremos acima de tudo saber a verdade, não importa qual seja ela. Mas, no fundo, acreditamos que, às vezes, uma "mentirinha" bem intencionada fica melhor. "Menti, para não magoá-lo, para não magoá-la", dizemos. Pode? A verdade não pode magoar nunca. E qualquer mágoa é sempre do ego.

Por que mentimos? Por medo! Puro medo de ouvir ou de perceber o quanto algumas coisas ilusórias "podem" nos ferir.

Deus é o Amor no qual eu perdoo.

Mas não é verdade que qualquer pessoa ou coisa nos possa ferir. Aquelas e aqueles que já estão aqui há algum tempo sabem que: só minha condenação me fere (lição 198); que: nada a não ser meus pensamentos pode me ferir (lição 281); ou ainda que: só meus pensamentos me afetam (lição 228). Onde está, então, o poder  da outra, do outro, ou das coisas, sobre mim? Nem nada, nem ninguém, tem poder sobre mim, a não ser que eu dê o poder a alguma coisa ou a alguém.

Vejamos como a lição continua:

Contudo, embora Deus não perdoe, Seu Amor é, apesar de tudo, a base do perdão. O medo condena e o amor perdoa. Deste modo, o perdão desfaz o que o mundo produz, devolvendo a mente à consciência de Deus. Por esta razão, o perdão pode verdadeiramente ser chamado de salvação. É ele o meio pelo qual as ilusões desaparecem.

Como eu dizia acima, a única coisa que pode nos levar a preferir uma "mentirinha" à verdade é o medo. E todo medo se origina da culpa que, por sua vez, só pode ter suas raízes na crença em alguma forma de separação.

Ora, como já vimos, Deus é  o Tudo de tudo. Deus é o Único Poder. Nada se pode opor a Ele. Bem e mal não existem. Não existe erro. A Criação é perfeita assim como Deus é perfeito. E somos um com Ele. É Ele nossa Força. É d'Ele que recebemos a visão. É n'Ele, em Sua Luz, que podemos ver. E é d'Ele a Mente com que pensamos.

Deus é o Amor no qual eu perdoo.

Há como ainda se ter dúvidas a respeito do que somos? 

Por que devemos nos perdoar? 

Apenas por nos deixarmos enganar por vezes pela ilusão. Muitas vezes. Vezes sem conta até. Entretanto, trazendo as ilusões à luz da consciência da Mente que compartilhamos com Deus, elas só podem se dissipar. Trazendo os medos, as culpas e os erros, que acreditamos perceber, à luz do Amor que Deus nos dá, eles só podem desaparecer.

O restante das instruções da lição para as práticas de hoje exigem bastante atenção e honestidade, pois o ego pode nos levar a pensar que não há razão para trabalharmos a cura, o perdão, de um pequeno contragosto, de uma leve sensação de medo ou de culpa, por insignificantes.

Não são! E precisam, sim, ser curados do modo que a lição ensina. Pois não podemos dar ao ego o direito de querer nos levar a pensar que é possível que escuridão e luz coexistam.

Onde uma está a outra está ausente. Lembremo-nos de que a menor sensação de desconforto nos afasta da alegria completa e perfeita que é nosso estado natural. Afastar-se da alegria significa, pois, que, de algum modo, cedemos espaço à crença na separação. Isso precisa ser corrigido.

Voltemo-nos, então, para o que a lição nos ensina hoje, para corrigir quaisquer "escorregões" que possamos ter ao longo do dia.

Deus é o Amor no qual eu perdoo.

Às práticas?

sábado, 14 de fevereiro de 2026

"Ama e faze o que quiseres." (Santo Agostinho)

 

LIÇÃO 45

Deus é a Mente com a qual eu penso.

1. A ideia de hoje contém a chave para o que teus pensamentos verdadeiros são. Eles não são nada do que pensas que pensas, do mesmo modo que nada do que pensas ver está relacionado à visão de nenhuma forma. Não há nenhuma relação entre o que é verdadeiro e o que pensas ser verdadeiro. Nada do que pensas serem teus pensamentos verdadeiros se assemelha a teus pensamentos verdadeiros em nenhum aspecto. Nada do que pensas ver tem qualquer semelhança com aquilo que a visão te mostrará.

2. Tu pensas com a Mente de Deus. Por isso, compartilhas teus pensamentos com Ele, do mesmo modo que Ele compartilha os d'Ele contigo. Eles são os mesmos pensamentos, porque é a mesma Mente que os pensa. Compartilhar é tornar igual, ou tornar um só. Os pensamentos que pensas com a Mente de Deus também não deixam tua mente, porque pensamentos não deixam sua fonte. Por isso, teus pensamentos estão na Mente de Deus, do mesmo modo que tu estás. Eles também estão em tua mente, aonde Ele está. Uma vez que és parte da Mente d'Ele, teus pensamentos também são parte da Mente d'Ele.

3. Onde estão teus pensamentos verdadeiros então? Hoje tentaremos alcançá-los. Teremos de procurá-los em tua mente, porque é aí que eles estão. Eles ainda têm de estar aí, porque não podem deixar sua fonte. Aquilo que a Mente de Deus pensa é eterno, por ser parte da criação.

4. Nossos três períodos de prática de cinco minutos para hoje terão a mesma forma geral que utilizamos para aplicar a ideia de ontem. Experimentaremos abandonar o irreal e buscar o real. Negaremos o mundo em favor da verdade. Não permitiremos que os pensamentos do mundo nos detenham. Não deixaremos que as crenças do mundo nos digam que o que Deus quer que façamos é impossível. Ao contrário, tentaremos reconhecer que somente aquilo que Deus quer que façamos é possível.

5. Também vamos tentar compreender que só aquilo que Deus quer que façamos é o que queremos fazer. E também tentaremos nos lembrar de que não podemos deixar de fazer aquilo que Ele quer que façamos. Tudo nos leva a nos sentirmos confiantes de que seremos bem-sucedidos hoje. É esta a Vontade de Deus.

6. Começa os exercícios para hoje pela repetição da ideia para ti mesmo, fechando os olhos ao fazê-lo. Em seguida, passa um período relativamente breve pensando acerca de alguns poucos de teus próprios pensamentos que tenham relação com a ideia, mantendo-a em mente. Depois de acrescentares quatro ou cinco de teus próprios pensamentos à ideia, repete-a mais uma vez e dize a ti mesmo silenciosamente:

Meus pensamentos verdadeiros estão em minha mente. Eu gostaria de achá-los.

Tenta, então, ir além de todos os pensamentos irreais que escondem a verdade em tua mente para alcançar o eterno.

7. Os pensamentos que pensaste com Deus no princípio estão sob todos os pensamentos sem sentido e as ideias loucas com as quais entulhaste tua mente. Eles estão aí em tua mente agora, completamente imutáveis. Eles sempre vão estar em tua mente exatamente como sempre estiveram. Tudo o que pensas desde então mudará, mas a Base sobre a qual isto se funda é totalmente imutável.

8. É na direção desta Base que os exercícios de hoje se orientam. Nela tua mente está unida à Mente de Deus. Nela todos os teus pensamentos são um só com os d'Ele. Para este tipo de prática é necessário apenas uma coisa: que te aproximes dela como te aproximarias de um altar dedicado a Deus, o Pai, e a Deus, o Filho, no Céu. Pois é este o lugar que tentas alcançar. É provável que ainda não sejas capaz de perceber claramente quão alto estás tentando ir. No entanto, mesmo com a pouca compreensão que já adquiriste, deves ser capaz de te lembrar de que isto não é nenhuma brincadeira à toa, mas um exercício em santidade e uma tentativa de alcançar o Reino do Céu.

9. Nos períodos dos exercícios mais breves para hoje, tenta lembrar quão importante é para ti compreender a santidade da mente que pensa com Deus. Reserva um minuto ou dois, enquanto repetes a ideia ao longo do dia, para refletir a respeito da santidade de tua mente. Por mais breve que seja, afasta-te de todos os pensamentos indignos d'Aquele de Quem és o anfitrião. E agradece a Ele pelos pensamentos que Ele está tendo contigo.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 45

Caras, caros,

A ideia para as práticas de hoje é:

"Deus é a Mente com a qual eu penso."

E ela é, para começar mais uma vez, a chave para o que são nossos verdadeiros pensamentos, os pensamentos que pensamos, que temos, com Deus, n'Ele/n'Ela.

Vejamos:

A ideia de hoje contém a chave para o que teus pensamentos verdadeiros são. Eles não são nada do que pensas que pensas, do mesmo modo que nada do que pensas ver está relacionado à visão de nenhuma forma. Não há nenhuma relação entre o que é verdadeiro e o que pensas ser verdadeiro. Nada do que pensas serem teus pensamentos verdadeiros se assemelha a teus pensamentos verdadeiros em nenhum aspecto. Nada do que pensas ver tem qualquer semelhança com aquilo que a visão te mostrará.

Parece-me que foi para isso, para este momento, que a lições iniciais nos prepararam: para a descoberta ou o reconhecimento e a aceitação de que aquilo que pensamos serem nossos pensamentos não significam nada.

Mais, para reconhecermos e aceitarmos que nada daquilo que pensamos ver se nos mostra com, ou em, seu significado verdadeiro. Nada do que vemos na forma é o que pensamos da forma. E, como eu já disse outras vezes, os nomes que damos às coisas são apenas nomes e só podem refletir nossos próprios pensamentos equivocados, mas nunca a realidade da coisa, do objeto nomeado.

Deus é a Mente com a qual eu penso.

E é a lição que vai nos mostrar as razões pelas quais isso acontece. Continuemos:

Tu pensas com a Mente de Deus. Por isso, compartilhas teus pensamentos com Ele, do mesmo modo que Ele compartilha os d'Ele contigo. Eles são os mesmos pensamentos, porque é a mesma Mente que os pensa. Compartilhar é tornar igual, ou tornar um só. Os pensamentos que pensas com a Mente de Deus também não deixam tua mente, porque pensamentos não deixam sua fonte. Por isso, teus pensamentos estão na Mente de Deus, do mesmo modo que tu estás. Eles também estão em tua mente, aonde Ele está. Uma vez que és parte da Mente d'Ele, teus pensamentos também são parte da Mente d'Ele.

Eis aí a razão por que precisamos aprender antes que nada do que vemos tem qualquer significado, ou por que os pensamentos que pensamos não significam coisa alguma.

Eles não são nossos pensamentos verdadeiros. São, como todas as coisas que vemos com os olhos do corpo, só  ilusões.

No dizer de uma amiga, "a palavra é uma ponte que liga o silêncio do vazio à materialização de uma experiência diante do mistério". Porém, apesar de a palavra ser "um instrumento entre o vazio e o verbo, ela é insuficiente para alcançar a grandeza e profundidade do inefável e... indizível". Nenhuma palavra que possamos dizer tem nada a ver com a realidade do que sentimos, por maior que seja o esforço que façamos para convencer quem quer que nos escute da realidade de nosso sentimento, no momento em que o expressamos.

Ora, nós, neste mundo de ilusões, só conseguimos exprimir os pensamentos que nos passam pela cabeça, bem como os sentimentos que se nos apresentam, por meio de palavras. Quando podemos esperar nos tornarmos capazes de exprimir a experiência de Deus em nós?

É impossível materializar o vazio! E toda experiência por que passamos necessariamente é uma experiência diante do mistério, pois não sabemos a que atribuir a experiência que se nos apresenta na maior parte das vezes, mesmo quando temos consciência de que ela se apresentou porque a escolhemos.

E não há como dizer o indizível. 

Com Deus, n'Ele/n'Ela, só podemos ser.

É por isso que se pode dizer que, na experiência deste mundo ilusório, pensar é julgar. E julgar é dar testemunho da crença na separação. Reforçá-la em nós.

Deus é a Mente com a qual eu penso.

A lição pergunta, para que busquemos responder com ela:

Onde estão teus pensamentos verdadeiros então? Hoje tentaremos alcançá-los. Teremos de procurá-los em tua mente, porque é aí que eles estão. Eles ainda têm de estar aí, porque não podem deixar sua fonte. Aquilo que a Mente de Deus pensa é eterno, por ser parte da criação.

Será que devemos procurar nossos pensamentos verdadeiros na experiência dos sentidos? Será que os vamos encontrar na materialização dos pensamentos que temos, e que se transformam nas experiências que escolhemos viver, quer conscientes disso, quer não?

Não, não e não!

É só mergulhando no silêncio, no vazio, indo além dos pensamentos de todos dos dias, de todos os instantes, que vamos poder chegar a um vislumbre do divino em nós. É mergulhando o mais profundamente possível no interior de nós mesmos, de nós mesmas, que vamos, quem sabe?, poder sentir a Presença de Deus em nós e conhecer Seus Pensamentos, que são nossos verdadeiros pensamentos.

Deus é a Mente com a qual eu penso.

Lembremo-nos de que, ao nos decidirmos a fazer as lições do Curso, conforme ele recomenda, embarcamos em um programa de treinamento da mente. Ao começarmos, não tínhamos ainda bem claro a ideia - nem sei bem se a temos agora - de que nossa mente é una com a Mente-Deus. Por nos acreditarmos separadas umas das outras e dos outros, e separados uns dos outros e das outras e de Deus. Em função dos constantes reforços do ego e do mundo a esta crença, nem mesmo conseguíamos pensar que só existe uma Mente, e que até mesmo a mente que partilhamos é uma só.

É muito importante que emprestemos toda a atenção de que somos capazes ao que a lição nos pede nos parágrafos quatro, cinco e seis [não vou transcrevê-los].

É só a partir dessa atenção otimizada e levada ao limite de nossa capacidade que vamos ser capazes de alcançar aquilo que a lição oferece a seguir:

Os pensamentos que pensaste com Deus no princípio estão sob todos os pensamentos sem sentido e as ideias loucas com as quais entulhaste tua mente. Eles estão aí em tua mente agora, completamente imutáveis. Eles sempre vão estar em tua mente exatamente como sempre estiveram. Tudo o que pensas desde então mudará, mas a Base sobre a qual isto se funda é totalmente imutável.

Precisamos ter presente aquilo que Eckhart Tolle ensina em um de seus livros: O Poder do Agora. Em seu dizer, nós não somos os pensamentos, o que se pode reputar como a mais absoluta verdade. Nós os temos. Isto é, os pensamentos que temos, em geral, não têm nada a ver com o que somos, pois, como já aprendemos nas primeiras lições, os pensamentos que temos neste mundo só se referem ao passado e a este mundo, ilusório, que já não existe no momento em que pensamos nele e que, portanto, não significa coisa alguma.

Para entrar em contato com o que somos, na verdade, com nossos verdadeiros pensamentos, precisamos ir além do nosso pensar. É este, de fato, o significado de "estar presente", de estar "aqui e agora". Estar presente é estar além dos pensamentos, é estar em contato com o divino, em sua sintonia, vivendo-o, experimentando-o, sendo.

Tolle diz também que temos medo de morrer se ficarmos sem pensar, isto é, se fizermos parar o turbilhão de pensamentos insanos, de ideias loucas, que cruzam nossa mente de modo incessante.

Nada mais falso do que isto!

Na verdade, o medo é do ego, e é de ficar sem terreno para ampliar as ilusões e os conflitos de que necessita para tentar provar que existe.

É, pois, só no vazio, no silêncio, calando todos os pensamentos que vamos ser capazes de alcançar a Base na direção da qual nossas práticas se orientam hoje, como diz a lição:

É na direção desta Base que os exercícios de hoje se orientam. Nela tua mente está unida à Mente de Deus. Nela todos os teus pensamentos são um só com os d'Ele. Para este tipo de prática é necessário apenas uma coisa: que te aproximes dela como te aproximarias de um altar dedicado a Deus, o Pai, e a Deus, o Filho, no Céu. Pois é este o lugar que tentas alcançar. É provável que ainda não sejas capaz de perceber claramente quão alto estás tentando ir. No entanto, mesmo com a pouca compreensão que já adquiriste, deves ser capaz de te lembrar de que isto não é nenhuma brincadeira à toa, mas um exercício em santidade e uma tentativa de alcançar o Reino do Céu.

Não é brincadeira, não, o que tentamos fazer, percebem? Estamos tentando aprender, reconhecer, aceitar e aplicar em nossa vida, a partir de agora e em todos os dias que virão, que: 

Deus é a Mente com a qual eu penso.

E é bem provável que sejamos bem-sucedidas e bem-sucedidos. Pois, como vimos em uma lição recente, é bem possível e fácil alcançar Deus, pois isto é a coisa mais natural no mundo, se não a única coisa natural no mundo. E é verdade que o caminho se abrirá, se acreditarmos que é possível. Qualquer caminho.

É por isso que também é possível que compreendamos hoje - com as práticas - que tudo o que queremos fazer é só aquilo que Deus quer que façamos e que não é possível que deixemos de fazer aquilo que é a Vontade d'Ele/d'Ela. Podemos, assim, confiar que seremos bem-sucedidos, pois a Vontade d'Ele/d'Ela e a nossa, como o Curso ensina, são a mesma. 

Aqui, podemos pensar no que dizia Santo Agostinho como sendo aquilo que Deus quer que façamos. A frase dele diz: "Ama e faze o que quiseres". Isto é, Deus, sendo só Amor, só pode fazer o que o Amor faz. Nós, sendo o EU SOU O QUE SOU, que é o que Deus é, no Amor, só podemos fazer o que o Amor faz.

Às práticas?

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Até quando daremos poder ao ego, que é só engano?

 

LIÇÃO 44

Deus é a luz na qual eu vejo.

1. Hoje estendemos a ideia de ontem acrescentando-lhe outra dimensão. Tu não podes ver no escuro e não podes criar luz. Tu podes fazer a escuridão e, então, pensar que vês nela, mas luz reflete vida e é, por isso, um aspecto da criação. A criação e as trevas não podem coexistir, mas luz e vida têm de estar em harmonia, por serem apenas aspectos diferentes da criação.

2. Tens de reconhecer, a fim de veres, que a luz está dentro, não fora. Tu não vês fora de ti mesmo; tampouco a capacidade de ver está fora de ti. Uma parte essencial desta capacidade é a luz que torna possível ver. Ela está sempre contigo, tornando a visão possível em todas as circunstâncias.

3. Hoje vamos tentar alcançar essa luz. Para este fim, usaremos uma forma de exercício sugerida antes, e que utilizaremos cada vez mais. É uma forma particularmente difícil para a mente indisciplinada e representa uma das metas mais importantes do treinamento da mente. Ele exige precisamente aquilo que falta para a mente não-treinada. Mas este treinamento tem de ser bem-sucedido, se for para veres.

4. Faze pelo menos três períodos de prática hoje, cada um com três a cinco minutos. Recomenda-se muito um tempo maior, mas só se achares que o tempo passa com pouca ou nenhuma sensação de esforço. A forma de prática que utilizaremos hoje é a mais natural e fácil do mundo para a mente disciplinada, exatamente do mesmo modo que parece ser a mais estranha e difícil para a mente sem treino.

5. Tua mente não é mais totalmente sem treino. Estás bastante preparado para aprender a forma de exercícios que usaremos hoje, mas é possível que descubras que vais encontrar forte resistência. A razão é muito simples. Enquanto praticares deste modo, deixarás para trás tudo aquilo em que acreditas agora, e todos os pensamentos que inventaste. Na verdade, isto é a liberação do inferno. Entretanto, aos olhos do ego, é perda de identidade e uma descida ao inferno.

6. Se puderes te afastar do caminho do ego, por pouco que seja, não terás nenhuma dificuldade para reconhecer que sua contrariedade e seus medos não têm significado. Podes achar proveitoso, de vez em quando, lembrar-te de que alcançar a luz é escapar das trevas, apesar de qualquer coisa que possas acreditar em contrário. Deus é a luz na qual vês. Estás tentando alcançá-Lo.

7. Começa o período de prática repetindo a ideia de hoje com os olhos abertos e fecha-os lentamente, repetindo a ideia várias vezes mais. Tenta, em seguida, mergulhar na tua mente, abandonando qualquer tipo de intromissão e intrusão, aprofundando-te serenamente além delas. Tua mente não pode ser impedida disso, a menos que tu escolhas impedi-la. Ela está apenas seguindo seu curso natural. Tenta observar os pensamentos que passam sem envolvimento e passa por eles calmamente.

8. Embora não se recomende nenhuma abordagem particular para esta forma de exercício, o que é indispensável é uma percepção da importância do que fazes; seu valor inestimável para ti; e uma consciência de que estás te aventurando em algo verdadeiramente santo. A salvação é a tua realização mais feliz. Ela também é a única que tem qualquer significado, porque é absolutamente a única que tem qualquer utilidade verdadeira para ti.

9. Se surgir resistência, de qualquer forma, faze um intervalo longo o suficiente para repetir a ideia de hoje, mantendo os olhos fechados, a menos que fiques ciente de medo. Neste caso, é provável que aches mais tranquilizador abrir brevemente os olhos. Tenta, porém, voltar aos exercícios com os olhos fechados assim que possível.

10. Se estiveres fazendo os exercícios corretamente, deves experimentar uma sensação de relaxamento, e até mesmo um sentimento de que estás te aproximando, se não, de fato, entrando na luz. Tenta pensar em luz sem forma e sem limite, ao passares pelos pensamentos deste mundo. E não te esqueças de que eles não podem te prender ao mundo, a menos que tu lhes dês o poder para fazê-lo.

11. Repete a ideia muitas vezes ao longo do dia, de olhos abertos ou fechados, conforme te parecer melhor no momento. Mas não te esqueças. Acima de tudo, decide-te a não esquecer hoje.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 44

Caras, caros,

"Deus é a luz na qual eu vejo."

Se Deus é tudo de tudo e nada existe fora d'Ele/d'Ela, só podemos acreditar que vemos a partir da Luz que emana d'Ele/d'Ela, da Luz que Ele/Ela é e que é também o que somos n'Ele/n'Ela, na Verdade.

A lição começa assim:

Hoje estendemos a ideia de ontem acrescentando-lhe outra dimensão. Tu não podes ver no escuro e não podes criar luz. Tu podes fazer a escuridão e, então, pensar que vês nela, mas luz reflete vida e é, por isso, um aspecto da criação. A criação e as trevas não podem coexistir, mas luz e vida têm de estar em harmonia, por serem apenas aspectos diferentes da criação.

Não podemos ver no escuro, mas podemos fazer a escuridão, podemos escolher trazê-la a nossas vidas, negando a luz em nós. Isso acontece muito. Muitas vezes nos recusamos a ver. Principalmente quando não conseguimos perceber qualquer sentido para a vida que vivemos, mas também quando espalhamos as trevas à volta de nós, acreditando que tudo, todos e todas que nos cercam se apresentam apenas para mostrar os aspectos "negativos" do mundo, apenas para nos mostrar aspectos "negativos" de nós mesmos e de nós mesmas. Quando olhamos para tudo e para todos e todas com os olhos julgadores do ego, interpretando o mundo, as pessoas, as situações e acontecimentos a partir da crença na separação. 

Deus é a luz na qual eu vejo.

Já passamos algumas vezes neste espaço por vários momentos que nos trouxeram a oportunidade da tomada de decisão de ver, e de ver todas as coisas de modo diferente. Lembram-se das lições em que praticamos as ideias: Estou decidido a ver. Ou: Estou decidido a ver as coisas de modo diferente. Ou ainda: Acima de tudo eu quero ver. E mais: Acima de tudo eu quero ver as coisas de modo diferente?

Continuemos a explorar a lição:

Tens de reconhecer, a fim de veres, que a luz está dentro, não fora. Tu não vês fora de ti mesmo; tampouco a capacidade de ver está fora de ti. Uma parte essencial desta capacidade é a luz que torna possível ver. Ela está sempre contigo, tornando a visão possível em todas as circunstâncias.

Eis aí, mais uma vez, de modo definitivo uma nova oportunidade que justifica a tomada de decisão em favor de se ver todas as coisas de modo diferente.

Eis aí também a razão pela qual nossa salvação e a salvação do mundo todo dependem de nós. A luz, que é o que somos, está dentro de nós. Dentro, não fora. Não há nada fora. É importante frisar isto. Pois isto quer dizer que quando olhamos para fora e vemos, se vemos, apenas escuridão, trevas, é porque nos decidimos a negar a luz a nós mesmos/as, negando-a, por consequência, a todos e a todas a nossa volta e ao mundo todo.

Já pensamos na responsabilidade que temos a partir da informação que nos oferece a verdade eterna nas entrelinhas do que ensina esta lição: Tu não vês fora de ti mesmo; tampouco a capacidade de ver está fora de ti...

O que vemos então quando olhamos para o mundo e a luz, aparentemente, não está lá? Apenas a escuridão que fizemos dentro de nós. As trevas que permitimos que crescessem no interior de nós mesmos/as.

Deus é a luz na qual eu vejo.

Quem tem medo do escuro? Quem tem medo dos "males do mundo"? Quem ainda acredita que o mundo é mau, que ele é povoado por gentes ambiciosas, egoístas, corruptas, e que não há salvação para ele, nem para ninguém?

É mais do que tempo de abandonarmos estas crenças, que se originam todas da crença na separação: o único problema que precisamos resolver, de acordo com o Curso.

É isto que a lição nos convida a fazer, dando-nos os instrumentos e orientando-nos como melhor usá-los. Vejamos pois:

Hoje vamos tentar alcançar essa luz. Para este fim, usaremos uma forma de exercício sugerida antes, e que utilizaremos cada vez mais. É uma forma particularmente difícil para a mente indisciplinada e representa uma das metas mais importantes do treinamento da mente. Ele exige precisamente aquilo que falta para a mente não-treinada. Mas este treinamento tem de ser bem-sucedido, se for para veres.

É aquilo que o Curso, já em seu capítulo inicial, referindo-se a si mesmo, traz: Este é um curso de treinamento da mente. Todo aprendizado envolve atenção e estudo em algum nível.

É claro, há que haver disposição para se embarcar em um programa de treinamento da mente. Ou algum, ou alguma, de nós tem a ilusão de que basta estalar os dedos e o mundo, este mundo, vai se transformar em uma versão do paraíso da noite para o dia?

Precisamos considerar quanto tempo o ego investiu - e continua a investir ainda - para nos fazer acreditar na separação. Quanto tempo nos deixamos enganar por ele, acreditando-nos frágeis, coitadinhas e coitadinhos, vítimas de um mundo exterior a nossa consciência. Precisamos considerar também por quando tempo ainda vamos nos permitir ser enganadas e enganados pelo ego, "o grande impostor", como diz o Curso.

É por isso que digo que tomar a decisão é o passo mais importante. Mais, como veremos à frente em uma das lições que vamos praticar, cuja ideia é: O poder de decisão é meu. Uma lição que vai nos ensinar a assumir o poder que temos e a nos aceitarmos apenas como a Vontade de Deus nos criou para sermos.

Deus é a luz na qual eu vejo.

Mas não nos adiantemos muito neste momento. Por ora basta-nos atender às orientações que a lição de hoje dá, atentos/as em particular à necessidade de que nos decidamos, acima de tudo, a não nos esquecermos de praticar.

Assim:

Se estiveres fazendo os exercícios corretamente, deves experimentar uma sensação de relaxamento, e até mesmo um sentimento de que estás te aproximando, se não, de fato, entrando na luz. Tenta pensar em luz sem forma e sem limite, ao passares pelos pensamentos deste mundo. E não te esqueças de que eles não podem te prender ao mundo, a menos que tu lhes dês o poder para fazê-lo.

Repete a ideia muitas vezes ao longo do dia, de olhos abertos ou fechados, conforme te parecer melhor no momento. Mas não te esqueças. Acima de tudo, decide-te a não esquecer hoje.

Às práticas?