sexta-feira, 13 de março de 2026

A vida espiritual é a vida em que vemos que TUDO É

 

LIÇÃO 72

Guardar mágoas é um ataque ao plano de Deus para salvação.

1. Apesar de reconhecermos que o plano do ego para a salvação é o contrário do plano de Deus, ainda não enfatizamos que ele é um ataque aberto ao plano d'Ele e uma tentativa deliberada de destruí-lo. No ataque, atribui-se a Deus as características que, na verdade, estão associadas ao ego, enquanto o ego parece assumir as características de Deus.

2. O desejo fundamental do ego é o de tomar o lugar de Deus. De fato, o ego é a encarnação física deste desejo. Pois é este desejo que parece envolver a mente com um corpo, mantendo-a separada e sozinha, e incapaz de alcançar outras mentes a não ser por intermédio do corpo criado para aprisioná-la. A limitação sobre a comunicação não pode ser a melhor maneira de expandir a comunicação. No entanto o ego quer que acredites que é.

3. Embora aqui seja óbvia a tentativa de manter as limitações que um corpo imporia, talvez não seja tão evidente a razão pela qual guardar mágoas é um ataque ao plano de Deus para a salvação. Mas vamos refletir acerca dos tipos de coisas em relação às quais estás inclinado a guardar mágoas. Elas não estão sempre associadas com alguma coisa que um corpo faz? Uma pessoa diz algo de que não gostas. Ela faz alguma coisa que te desagrada. Ela "trai" seus pensamentos hostis com sua conduta.

4. Tu não lidas aqui com o que a pessoa é. Ao contrário, estás preocupado exclusivamente com o que ela faz em um corpo. Estás fazendo mais do que deixar de ajudá-la a se libertar das limitações do corpo. Estás tentando efetivamente mantê-la nele, confundindo-o com ela e julgando serem a mesma coisa. Nisso Deus é atacado, pois, se Seu Filho é só um corpo, então Ele também tem de ser. Um criador totalmente diferente de sua criação é inconcebível.

5. Se Deus é um corpo, qual tem de ser Seu plano para a salvação? Qual poderia ser exceto a morte? Ao tentar Se apresentar como o Autor da vida e não da morte, Ele é um mentiroso e um impostor, cheio de promessas falsas, que oferece ilusões em lugar da verdade. A aparente realidade do corpo torna bastante convincente esta perspectiva de Deus. De fato, se o corpo fosse real, seria verdadeiramente difícil escapar desta conclusão. E cada mágoa que guardas sustenta que o corpo é real. Ela ignora inteiramente o que teu irmão é. Reforça tua crença de que ele é um corpo e o condena por isto. E afirma que a salvação dele tem de ser a morte, projetando este ataque sobre Deus e O considerando responsável por ele.

6. A esta arena cuidadosamente preparada, onde animais raivosos buscam uma presa e onde a misericórdia não pode entrar, o ego vem para te salvar. Deus te fez um corpo. Muito bem. Vamos aceitar isto e ficar contentes. Enquanto um corpo, não te deixes privar daquilo que o corpo oferece. Aceita o pouco que podes obter. Deus não te deu nada. O corpo é teu único salvador. Ele é a morte de Deus e tua salvação.

7. Esta é a crença universal do mundo que vês. Alguns odeiam o corpo e tentam feri-lo e humilhá-lo. Outros amam o corpo e tentam glorificá-lo e exaltá-lo. Mas enquanto o corpo estiver no centro de teu conceito de ti mesmo, estás atacando o plano de Deus para a salvação, e guardando tuas mágoas contra Ele e contra Sua criação, a fim de não poderes ouvir a Voz da verdade e acolhê-La como Amiga. Em vez disso, o salvador que escolheste tomou o lugar d'Ela. Ele é teu amigo; Deus é teu inimigo.

8. Hoje, vamos tentar interromper estes ataques inúteis à salvação. Tentaremos recebê-la bem, em vez disso. Tua percepção de cabeça para baixo é nociva para tua paz de espírito. Tu te vês em um corpo, com a verdade fora de ti, trancada longe de tua consciência pelas limitações do corpo. Agora vamos experimentar ver isto de modo diferente.

9. A Voz da verdade está em nós, aonde foi colocada por Deus. É o corpo que está fora de nós e que não nos interessa. Estar sem um corpo é estar em nosso estado natural. Reconhecer a luz da verdade em nós é nos reconhecermos tal qual somos. Ver nosso Ser como separado do corpo é pôr fim ao ataque ao plano de Deus para a salvação e aceitá-lo em lugar disso. E, aonde quer que Seu plano seja aceito, ele já está realizado.

10. Nosso objetivo hoje, nos períodos de prática mais longos, é ficarmos cientes de que o plano de Deus para a salvação já se realizou em nós. Para atingir este objetivo, temos de substituir o ataque pela aceitação. Enquanto o atacarmos, não poderemos compreender o plano de Deus para nós. Por isso, estamos atacando algo que não reconhecemos. Agora, vamos tentar pôr de lado o julgamento e perguntar qual é o plano de Deus para nós:

O que é a salvação, Pai? Eu não sei.
Dize-me, para que eu possa compreender.

Então, esperaremos em silêncio a resposta d'Ele. Nós atacamos o plano de Deus para a salvação sem esperar para ouvir o que ele é. Gritamos tão alto nossas mágoas que não ouvimos a Voz d'Ele. Usamos nossas mágoas para fechar nossos olhos e tapar nossos ouvidos.

11. Agora queremos ver, e ouvir, e aprender. "O que é a salvação, Pai"? Pergunta e receberás a resposta. Busca e acharás. Não estamos mais perguntando o que é a salvação e onde achá-la ao ego. Estamos perguntando à verdade. Fica certo, então, de que a resposta será verdadeira por causa d'Aquele a Quem perguntas.

12. Sempre que sentires tua confiança enfraquecer e tua esperança de sucesso vacilar e se apagar, repete a pergunta e teu pedido, lembrando-te de que pedes ao Criador sublime da infinitude, Que te criou igual a Si Mesmo:

O que é a salvação, Pai? Eu não sei.
Dize-me, para que eu possa compreender.

Ele responderá. Decide-te a ouvir.

13. Um ou dois períodos de prática mais breves por hora talvez sejam suficientes hoje, uma vez que eles serão de algum modo mais longos do que de costume. Estes exercícios devem começar com isto:

Guardar mágoas é um ataque ao plano de Deus
para a salvação. Deixa-me aceitá-lo em vez
disso. O que é a salvação, Pai?

Em seguida, espera em silêncio cerca de um minuto, de preferência de olhos fechados, e escuta a resposta d'Ele.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 72

Caras, caros,

Neste dia vamos praticar com a seguinte ideia:

"Guardar mágoas é um ataque ao plano de Deus para a salvação."

E vamos, mais uma vez, explorar esta lição de um modo diferente hoje, repetindo o que fizemos em anos passados. 

[Peço-lhes paciência, pois apesar de estar escrito "diferente" logo aí atrás na frase, vamos repetir, na verdade, o que fizemos em anos passados. Mas como nenhuma lição se apresenta a nenhuma ou a nenhum de nós como igual à que vimos anteriormente - quer dizer, a cada vez ela é uma lição diferente -, entendo que a repetição do comentário também pode revelar novos aspectos que a primeira ou a segunda leitura deixaram passar.]

Mas vamos lá!

Vamos tentar estabelecer uma ligação entre o que nos diz cada um dos parágrafos que orientam as práticas e uma ou duas frases de Joel Goldsmith, retiradas de seu livro O caminho infinito? Creio que vamos poder nos beneficiar da sabedoria do caminho infinito, ao mesmo tempo em que nos preparamos para aceitar o desafio que a lição traz com esta ideia e colher o milagre, ou milagres, que ela nos oferece.

Comecemos, pois: os parágrafos entre aspas são de Goldsmith e aqueles em itálico, como todos poderão reconhecer são os parágrafos da lição:

"Comece a sua vida espiritual por compreender que todos os conflitos devem ser apaziguados dentro da sua [própria] consciência."

"Nunca existe um conflito com uma pessoa ou condição, e sim com o falso conceito mantido mentalmente acerca de uma pessoa, coisa, circunstância ou condição. Por isso, faça a correção dentro de você mesmo, em lugar de tentar mudar alguém ou algo externo."

Apesar de reconhecermos que o plano do ego para a salvação é o contrário do plano de Deus, ainda não enfatizamos que ele é um ataque aberto ao plano d'Ele e uma tentativa deliberado de destruí-lo. No ataque, atribui-se a Deus as características que, na verdade, estão associadas ao ego, enquanto o ego parece assumir as características de Deus.

"Reconheça a Deus como substância, lei, causa e atividade de tudo o que é, e deixe, logo a seguir, de se imiscuir física ou psiquicamente com o mundo externo. Volte-se para dentro de si mesmo, e resolva aí todas as aparências."

O desejo fundamental do ego é o de tomar o lugar de Deus. De fato, o ego é a encarnação física deste desejo. Pois é este desejo que parece envolver a mente com um corpo, mantendo-a separada e sozinha, e incapaz de alcançar outras mentes a não ser por intermédio do corpo criado para aprisioná-la. A limitação sobre a comunicação não pode ser a melhor maneira de expandir a comunicação. No entanto o ego quer que acredites que é.

"Quando vivemos a partir do centro do nosso Ser, os pensamentos, as opiniões, as leis e as teorias do mundo não nos afetam. Nada nos atinge, pois nós não reagimos ao mundo das aparências."

"Na vida espiritual, não colocamos rótulos sobre o mundo. Não julgamos como bom ou mau, doente ou sadio, rico ou pobre. Enquanto as aparências possam mostrar harmonia ou discórdia, pelo não julgamento, meramente reconhecemos, deixando que o que É verdadeiramente defina a si mesmo."

Embora aqui seja óbvia a tentativa de manter as limitações que um corpo imporia, talvez não seja tão evidente a razão pela qual guardar mágoas é um ataque ao plano de Deus para a salvação. Mas vamos refletir acerca dos tipos de coisas em relação às quais estás inclinado a guardar mágoas. Elas não estão sempre associadas com alguma coisa que um corpo faz? Uma pessoa diz algo de que não gostas. Ela faz alguma coisa que te desagrada. Ela "trai" seus pensamentos hostis com sua conduta.

"Viver espiritualmente é saber que tudo É; não dê nomes, rótulos, definições, nem julgue aquilo que é. Contente-se em saber que É, e deixe que aquilo que É lhe revele seu Ser, sua natureza e caráter."

Tu não lidas aqui com o que a pessoa é. Ao contrário, estás preocupado exclusivamente com o que ela faz em um corpo. Estás fazendo mais do que deixar de ajudá-la a se libertar das limitações do corpo. Estás tentando efetivamente mantê-la nele, confundindo-o com ela e julgando serem a mesma coisa. Nisso Deus é atacado, pois, se Seu Filho é só um corpo, então Ele também tem de ser. Um criador totalmente diferente de sua criação é inconcebível.

"Não procures Deus no reino do pensamento ou das coisas."

"Ninguém pode revelar Deus a outrem, mas revelando a natureza da prece, colocamos o outro na condição de ter a experiência de Deus, e esta só pode ocorrer pela correta compreensão da oração, que é o ponto de contato com Deus; a oração é o caminho para a revelação de Deus, é a preparação da consciência para a experiência de Deus."

"A oração é a visão interior da harmonia. Esta visão é obtida pela renúncia ao desejo de mudar ou de melhorar alguém ou alguma coisa."

Se Deus é um corpo, qual tem de ser Seu plano para a salvação? Qual poderia ser exceto a morte? Ao tentar Se apresentar como o Autor da vida e não da morte, Ele é um mentiroso e um impostor, cheio de promessas falsas, que oferece ilusões em lugar da verdade. A aparente realidade do corpo torna bastante convincente esta perspectiva de Deus. De fato, se o corpo fosse real, seria verdadeiramente difícil escapar desta conclusão. E cada mágoa que guardas sustenta que o corpo é real. Ela ignora inteiramente o que teu irmão é. Reforça tua crença de que ele é um corpo e o condena por isto. E afirma que a salvação dele tem de ser a morte, projetando este ataque sobre Deus e O considerando responsável por ele.

"Não se deixe enganar, eis o segredo: preencha sua consciência com a palavra de Deus; ouça-a; leia-a; pondere e medite sobre ela. Isto amadurece e enriquece a consciência, e esta, agora mais profunda e mais pura, se transforma em causa, lei, substância e ação de nossa vida. Esta consciência enobrecida, que evolveu pelo estudo, pela prática e pela meditação, alcança a comunhão consciente com Deus e o profundo silêncio da Minha Paz. Somos então elevados ao reino de uma atmosfera que transcende palavras e pensamentos."

A esta arena cuidadosamente preparada, onde animais raivosos buscam uma presa e onde a misericórdia não pode entrar, o ego vem para te salvar. Deus te fez um corpo. Muito bem. Vamos aceitar isto e ficar contentes. Enquanto um corpo, não te deixes privar daquilo que o corpo oferece. Aceita o pouco que podes obter. Deus não te deu nada. O corpo é teu único salvador. Ele é a morte de Deus e tua salvação.

"Perseguir [aqui talvez a melhor palavra para traduzir o que Joel diz seja "buscar"] as coisas boas, tais como os prazeres, coisas e lugares, para deles nos regozijarmos, é a barreira ao desenvolvimento espiritual [Um adendo: Por quê? Por que buscar as coisas boas pode ser uma barreira ao desenvolvimento espiritual? Porque ao buscarmos as coisas ditas "boas" estamos no julgamento. Estamos evitando as coisas "más". Para que o desenvolvimento espiritual seja possível, precisamos abandonar as divisões todas, não há bem e mal, para Deus. Todas as coisas cooperam para o bem. Nada irreal existe. O real não pode ser ameaçado. Nisto está a paz de Deus.] A busca única pela realização de Deus faz com que o prazer, coisas e lugares de regozijo venham naturalmente até nós. Então, nosso prazer se torna maior pela conscientização da Fonte de tudo."

"É impossível alcançar qualquer coisa através de Deus enquanto tivermos o desejo de encontrá-la. [Há que se colocar Deus em primeiro lugar e tudo o mais nos será dado por acréscimo.]"

"Tudo o que pode ser conhecido é efeito - nunca Deus. Pare de tentar."

Hoje, vamos tentar interromper estes ataques inúteis à salvação. Tentaremos recebê-la bem, em vez disso. Tua percepção de cabeça para baixo é nociva para tua paz de espírito. Tu te vês em um corpo, com a verdade fora de ti, trancada longe de tua consciência pelas limitações do corpo. Agora vamos experimentar ver isto de modo diferente.

"A vida não está na dependência da matéria."

"Deus não é poder. Quando alcançamos o centro da Consciência, encontramos uma completa tranquilidade - uma fonte profunda do Silêncio. Não é poder, pois não há nada contra o que ser posto à prova ou a superar: Ele simplesmente É."

Nosso objetivo hoje, nos períodos de prática mais longos, é ficarmos cientes de que o plano de Deus para a salvação já se realizou em nós. Para atingir este objetivo, temos de substituir o ataque pela aceitação. Enquanto o atacarmos, não poderemos compreender o plano de Deus para nós. Por isso, estamos atacando algo que não reconhecemos. Agora, vamos tentar pôr de lado o julgamento e perguntar qual é o plano de Deus para nós:

O que é a salvação, Pai? Eu não sei.
Dize-me, para que eu possa compreender.

Então, esperaremos em silêncio a resposta d'Ele. Nós atacamos o plano de Deus para a salvação sem esperar para ouvir o que ele é. Gritamos tão alto nossas mágoas que não ouvimos a Voz d'Ele. Usamos nossas mágoas para fechar nossos olhos e tapar nossos ouvidos.

"O homem, julgando pelos padrões humanos, se queixa de que a prece não é atendida. Para se beneficiar da prece precisa se desfazer de todos os conceitos pessoais de bem. Não tente acomodar a oração atendida aos moldes dos desejos humanos."

"A verdade é infinita; por isso não pode ser conhecida por termos finitos."

"Vai a Deus como um vaso vazio, desejando o preenchimento segundo as medidas e maneiras de Deus. [Buscar o preenchimento segundo tuas próprias medidas é diminuir-te e limitá-Lo.]"

Agora queremos ver, e ouvir, e aprender. "O que é a salvação, Pai"? Pergunta e receberás a resposta. Busca e acharás. Não estamos mais perguntando o que é a salvação e onde achá-la ao ego. Estamos perguntando à verdade. Fica certo, então, de que a resposta será verdadeira por causa d'Aquele a Quem perguntas.

"Qualquer resposta em um nível inferior ao da pura consciência se origina do nosso ego humano e não do nosso Eu."

"É um erro acreditar que as orações e o desejo humano possam colocar Deus a nosso favor. Deve haver uma elevação de consciência até que seja alcançada Sua presença - e ali descansaremos. Ali na verdade está o perene repouso dos cuidados, preocupações, dúvidas e medos."

Sempre que sentires tua confiança enfraquecer e tua esperança de sucesso vacilar e se apagar, repete a pergunta e teu pedido, lembrando-te de que pedes ao Criador sublime da infinitude, Que te criou igual a Si Mesmo:

O que é a salvação, Pai? Eu não sei.
Dize-me, para que eu possa compreender.

Ele responderá. Decide-te a ouvir.

"Vivemos n'Ele. Só n'Ele encontramos nossa completeza e perfeição. Separados d'Ele somos como árvores arrancada do solo - como ondas separadas do mar."

Um ou dois períodos de prática mais breves por hora talvez sejam suficientes hoje, uma vez que eles serão de algum modo mais longos do que de costume. Estes exercícios devem começar com isto:

Guardar mágoas é um ataque ao plano de Deus
para a salvação. Deixa-me aceitá-lo em vez
disso. O que é a salvação, Pai?

Em seguida, espera em silêncio cerca de um minuto, de preferência de olhos fechados, e escuta a resposta d'Ele.

"Recolhe-te com frequência ao centro do teu Ser, meu Filho. Deixa que o divino Amor te envolva; fica em paz, na 'Minha paz'."

Aqui chegaste à grande experiência: a compreensão e a obtenção da Minha paz, do Meu vinho, do Meu pão - a Substância invisível e infinita, Lei e Causa."

"Ó minha criança! a bênção que te pertence como a Minha paz desce sobre ti, te envolve e te sustenta!"

Às práticas? 

quinta-feira, 12 de março de 2026

Maior evidência de sucesso é a ausência de conflitos

 

LIÇÃO 71

Só o plano de Deus para a salvação funcionará.

1. Podes não perceber claramente que o ego estabeleceu um plano para a salvação em oposição ao de Deus. É neste plano que acreditas. Já que ele é o contrário do de Deus, também acreditas que aceitar o plano de Deus em lugar do plano do ego é ser amaldiçoado. Isto parece ser absurdo, é claro. Mas, depois de considerarmos o que é exatamente o plano do ego, talvez vás perceber de forma bem clara que, por mais absurdo que ele possa ser, tu, de fato, acreditas nele.

2. O plano do ego para a salvação está centrado em guardar mágoas. Ele sustenta que, se outro alguém falasse ou agisse de modo diferente, se alguma circunstância ou acontecimento externos mudassem, tu estarias salvo. Deste modo, a fonte da salvação é percebida constantemente como estando fora de ti mesmo. Cada mágoa que guardas é uma declaração e uma afirmação na qual acreditas, que diz: "Se isto fosse diferente, eu estaria salvo". Assim, a mudança da forma de pensar necessária para a salvação é exigida de todos e de tudo, exceto de ti mesmo.

3. O papel designado para tua própria mente neste plano, então, é simplesmente decidir o que, exceto ela mesma, tem de mudar, se for para seres salvo. De acordo com este plano louco, qualquer fonte de salvação percebida é aceitável, desde que não funcione. Isto garante que a busca infrutífera continuará, pois a ilusão insiste que, embora esta esperança sempre tenha falhado, ainda há motivos para esperança em outros lugares e em outras coisas. Outra pessoa ainda se ajustará melhor; outra situação ainda ensejará o sucesso.

4. Este é o plano do ego para a salvação. Certamente podes ver o quanto ele está em rigoroso acordo com a doutrina básica do ego: "Busca, mas não aches". Pois o que poderia garantir de modo mais seguro que não acharás a salvação do que canalizar todos os teus esforços para buscá-la aonde ela não está?

5. O plano de Deus para a salvação funciona simplesmente porque, ao seguires a orientação d'Ele, buscas a salvação aonde ela está. Mas, se for para seres bem-sucedido, como Deus assegura que serás, tens de estar disposto a só buscar lá. De outro modo, teu propósito fica dividido e tentarás seguir dois planos para a salvação que são diametralmente contrários em todos os sentidos. A consequência só pode trazer confusão, miséria e uma profunda sensação de fracasso e desespero.

6. Como podes escapar de tudo isso? De forma muito simples. A ideia para hoje é a resposta. Só o plano de Deus para a salvação funcionará. Não pode haver conflito verdadeiro a este respeito, porque não existe nenhuma alternativa possível ao plano de Deus que possa te salvar. É d'Ele o único plano que obrigatoriamente será bem-sucedido.

7. Vamos praticar o reconhecimento desta certeza hoje. E vamos nos regozijar por existir uma resposta àquilo que parece ser um conflito sem nenhuma solução possível. Todas as coisas são possíveis para Deus. A salvação tem de ser tua em razão de Seu plano, que não pode fracassar.

8. Começa os períodos de prática mais longos deste dia pensando a respeito da ideia de hoje e percebendo claramente que ela contém duas partes, cada uma das quais dando contribuição igual ao todo. O plano de Deus para a tua salvação funcionará e outros planos não. Não te permitas ficar deprimido ou com raiva com a segunda parte; ela é inseparável da primeira. E na primeira está a tua liberação total de todas as tuas próprias tentativas insanas e propostas loucas para te libertares. Elas te conduziram à depressão e à raiva, mas o plano de Deus será bem-sucedido. Ele te conduzirá à liberação e à alegria.

9. Lembrando-nos disto, vamos dedicar o restante dos períodos mais longos de prática para pedir que Deus revele Seu plano para nós. Pergunta de modo muito específico a Ele:

O que queres que faça?
Aonde queres que eu vá?
O que queres que eu diga, e a quem?

Dá-Lhe pleno controle do resto do período de prática e deixa que Ele te diga o que precisa ser feito por ti em Seu plano para a tua salvação. Ele responderá na medida da tua disposição para ouvir Sua Voz. Não te recuses a ouvir. O próprio fato de estares fazendo os exercícios prova que tens alguma disposição para escutar. Isto é suficiente para estabelecer teu direito à resposta de Deus.

10. Nos períodos de prática mais breves, dize a ti mesmo várias vezes que o plano de Deus para a salvação, e só o d'Ele, funcionará. Fica alerta para toda tentação de guardar mágoas hoje, e reage a elas com esta forma da ideia de hoje:

Guardar mágoas é o contrário do plano de Deus
para a salvação. E só o plano d'Ele funcionará.

Tenta te lembrar da ideia de hoje de seis a sete vezes por hora. Não poderia haver melhor maneira de passar meio minuto, ou menos, do que lembrar a Fonte de tua salvação e de vê-La aonde Ela está.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 71

Caras, caros,

Em geral, todas e todos nós fazemos planos para nossas vidas, esperando alcançar o sucesso sem muita preocupação com as maneiras de que precisamos nos valer para realizar os planos e, tendo-os realizado, chegar ao sucesso.

Esquecemo-nos, porém, de que os planos que temos se baseiam nas informações que obtemos a partir dos sentidos e do sistema de pensamento do ego. Isso é algo que sempre envolve risco porque todo o sistema de pensamento do ego se baseia na ilusão, assim como os sentidos.

É por isso que precisamos praticar com a ideia de hoje, para deixarmos de lado os planos que fazemos e para adquirirmos a certeza de que:

"Só o plano de Deus para a salvação funcionará."

e de que não precisamos de nada mais do que esta certeza.

Comecemos?

Lemos na Bíblia: 

Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem os consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração. (...) Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas. Por isso vos digo: Não fiqueis ansiosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer, ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. (...) Porque vosso Pai celestial sabe que precisais de tudo isso. Mas buscai em primeiro lugar o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.

Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus... em primeiro lugar... em primeiro lugar... em primeiro lugar... O quê? O Reino de Deus. O conhecimento de si. O de nós mesmos e de nós mesmas. O conhecimento do divino em nós mesmos e em nós mesmas. A Presença do divino em nós mesmos e em nós mesmas.

É possível entender isso?

O que está em primeiro lugar em nossa vida hoje? O que a lição e a ideia para as práticas de hoje têm a ver com esta passagem do novo testamento?

Talvez ela sirva para nos mostrar, em concordância com o que a lição diz, que o ego também tem um plano para a salvação, no qual Deus não está em primeiro lugar. Longe disso!

Vejamos pois, para começar:

Podes não perceber claramente que o ego estabeleceu um plano para a salvação em oposição ao de Deus. É neste plano que acreditas. Já que ele é o contrário do de Deus, também acreditas que aceitar o plano de Deus em lugar do plano do ego é ser amaldiçoado. Isto parece ser absurdo, é claro. Mas, depois de considerarmos o que é exatamente o plano do ego, talvez vás perceber de forma bem clara que, por mais absurdo que ele possa ser, tu, de fato, acreditas nele.

Será verdade que acreditamos mais no plano do ego do que no plano de Deus? Bem... em primeiro lugar para responder a esta pergunta precisamos nos perguntar se sabemos qual é o plano do ego e se conhecemos ou buscamos conhecer o plano de Deus para a salvação.

Só o plano de Deus para a salvação funcionará.

É claro que, mesmo quando não o dizemos claramente e mesmo quando não o temos bem definido em nossa mente, sabemos qual é o plano do ego para a salvação. Vivemos por ele. 

Não....? 

Então não é verdade que nascemos, crescemos e nos desenvolvemos a partir do que nos ensina o mundo? Vivemos, de acordo com o que nos orienta o mundo, a partir do momento em que nascemos, para conquistar um lugar ao sol, como se já não o tivéssemos, desde sempre. Nossa família nos ensina a estudar para aprender a melhor forma de chegar a uma posição na comunidade, na sociedade. Uma forma de construir uma vida de riquezas e de conforto a qualquer custo. Muitas vezes à custa de nossos sonhos mais caros, porque aquilo com que sonhamos em geral não gera a renda necessária para a vida de luxo e de conforto que queremos [queremos mesmo? ou só estamos sendo treinados para consumir e consumir a fim de engordar a conta bancária e a vida luxuosa de outras pessoas?] - ou que fomos convencidos e convencidas a querer querer - levar. Eis aí de modo bastante resumido a salvação para o ego.

E o espírito em nós? Alguém hoje em dia ensina a seus filhos que o que somos, na verdade, é espírito? Ensina que o espírito é importante e que deve ser ouvido antes de nos pormos em movimento seja na direção que for?

O que mais ensina, em que se baseia, o plano de salvação do ego? É o que a lição diz a seguir:

O plano do ego para a salvação está centrado em guardar mágoas. Ele sustenta que, se outro alguém falasse ou agisse de modo diferente, se alguma circunstância ou acontecimento externos mudassem, tu estarias salvo. Deste modo, a fonte da salvação é percebida constantemente como estando fora de ti mesmo. Cada mágoa que guardas é uma declaração e uma afirmação na qual acreditas, que diz: "Se isto fosse diferente, eu estaria salvo". Assim, a mudança da forma de pensar necessária para a salvação é exigida de todos e de tudo, exceto de ti mesmo.

Não é assim que vivemos a vida? Pulando de uma atividade para outra. De um emprego para outro. De uma forma de insatisfação para outra. De um relacionamento para outro? Sempre esperando encontrar em algum outro lugar, em alguma outra pessoa, em alguma outra atividade, o Céu na terra. Sempre evitando olhar para dentro ou emprestar os ouvidos à voz da razão, que perguntaria: "Se nada disso te faz feliz, por que insistes em tentar deste modo?" 

Só o plano de Deus para a salvação funcionará.

Mas quem quer ouvir isto? E dito por si mesmo, por si mesma, pela razão [aquela parte de nossa mente que está em contato constante e permanente com o divino] em si mesmo, em si mesma. Vamos, então, tateando no escuro à procura da luz que tem, com certeza, de vir de algum outro lugar. Há que se buscar a fonte da luz fora*. É preciso que algumas condições mudem em nossa vida, que algumas pessoas se esforcem mais, que algumas situações deixem de se apresentar e que, finalmente, o mundo inteiro se ajuste a nossa forma de pensar. Isto, certamente, é a salvação para o ego.

Isto não está de pleno acordo com o que a  lição diz?

O papel designado para tua própria mente neste plano, então, é simplesmente decidir o que, exceto ela mesma, tem de mudar, se for para seres salvo. De acordo com este plano louco, qualquer fonte de salvação percebida é aceitável, desde que não funcione. Isto garante que a busca infrutífera continuará, pois a ilusão insiste que, embora esta esperança sempre tenha falhado, ainda há motivos para esperança em outros lugares e em outras coisas. Outra pessoa ainda se ajustará melhor; outra situação ainda ensejará o sucesso.

Ilusão após ilusão, e continuamos a insistir. Desilusão após desilusão, começamos a pensar se não haverá alguma coisa errada conosco, não é mesmo? É claro que há! É o ego! É o ego que está errado. Mas ele nos convence a continuar tentando. Diz que mais dia, menos dia, havemos de chegar lá.

Só o plano de Deus para a salvação funcionará.

O Curso diz a certa altura que "o contrário das ilusões não é a desilusão, mas a verdade". E é da verdade que o ego tem medo. É a verdade que ele não quer ouvir. Até se pensarmos na palavra "des-ilusão" podemos pensar que desilusão deveria ser, de fato, viver fora da ilusão, na verdade. Mas, em geral, não é assim que a experimentamos, não é mesmo? Dizemos ter sofrido uma desilusão, quando alguma coisa não correu como esperado nalgum setor de nossa vida, de nossa experiência, negando-nos a reconhecer que a verdade é que estávamos iludidos, ou iludidas, esperando sucesso numa experiência ilusória, enganosa, que nos foi sussurrada pelo ego, como mais uma tentativa de alcançar a felicidade a partir das coisas e pessoas do mundo.

É a lição que aponta, mais uma vez, para a verdade a respeito do plano de salvação do ego:

Este é o plano do ego para a salvação. Certamente podes ver o quanto ele está em rigoroso acordo com a doutrina básica do ego: "Busca, mas não aches". Pois o que poderia garantir de modo mais seguro que não acharás a salvação do que canalizar todos os teus esforços para buscá-la aonde ela não está?

Além de tudo, fazer o que ego diz dá muito trabalho. Exige muito esforço. E causa muita insegurança, muita dúvida, muita incerteza. Pois ora ele olha o mundo ora de um modo, ora de outro. E nenhum dos mundos que vê o satisfaz. Mesmo quando, a seu serviço e por seus conselhos, conseguimos galgar algumas posições e adquirir alguma importância neste mundo de luta sem fim, ele não se dá por satisfeito. Quer mais e mais. E lá vamos nós a fazer mais esforços para conquistar novos territórios.

Pode-se ser feliz assim? Onde havemos de encontrar a alegria de viver submetendo-nos à tortura do plano do ego para a salvação? Onde vamos achar a paz de espírito e um lugar e um instante de descanso se, para o modo de pensar do ego, quem fica parado está sujeito a ser atropelado pelas outras pessoas ambiciosas e seus egos que se multiplicam pelos caminhos?

Será que não há outro jeito?

A lição continua:

O plano de Deus para a salvação funciona simplesmente porque, ao seguires a orientação d'Ele, buscas a salvação aonde ela está. Mas, se for para seres bem-sucedido, como Deus assegura que serás, tens de estar disposto a só buscar lá. De outro modo, teu propósito fica dividido e tentarás seguir dois planos para a salvação que são diametralmente contrários em todos os sentidos. A consequência só pode trazer confusão, miséria e uma profunda sensação de fracasso e desespero.

Lembram-se de que lá, no início, o evangelista já dizia que não se pode servir a dois senhores? Precisamos, pois, tomar a decisão e escolher a que senhor queremos servir. Ao ego ou a Deus? A quem vamos buscar ouvir em primeiro lugar? [Lembremo-nos que "servir" aqui não tem o sentido de submissão, mas de escolha consciente de ouvir a Voz por Deus em nós.]

Já aprendemos um pouco a respeito do plano de salvação do ego e vimos que ele não funciona. Será que não é o momento de buscarmos prestar atenção ao que nos oferece o plano de Deus para a salvação? Divididos, ou divididas, não há como chegarmos a lugar algum. E se os planos que buscamos seguir, a partir do ego, ora nos levam numa direção, ora nos levam na direção oposta, aonde podemos esperar chegar? Como sair disso?

É o que a lição traz agora:

Como podes escapar de tudo isso? De forma muito simples. A ideia para hoje é a resposta. Só o plano de Deus para a salvação funcionará. Não pode haver conflito verdadeiro a este respeito, porque não existe nenhuma alternativa possível ao plano de Deus que possa te salvar. É d'Ele o único plano que obrigatoriamente será bem-sucedido.

Eis aí o desafio da lição. Eis aí também o milagre que se mostra. Aceitar o plano de Deus para a salvação vai nos livrar de todo e qualquer conflito. E a ausência de conflitos é, sim, a maior garantia de sucesso. A maior evidência de sucesso.

Ou como a lição orienta:

Vamos praticar o reconhecimento desta certeza hoje. E vamos nos regozijar por existir uma resposta àquilo que parece ser um conflito sem nenhuma solução possível. Todas as coisas são possíveis para Deus. A salvação tem de ser tua em razão de Seu plano, que não pode fracassar.

"Todas as coisas são possíveis para Deus." Em Deus, com Ele/Ela, nada é impossível. "Tudo posso naquele que me fortalece." "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e o resto vos será dado por acréscimo." 

Mas, atenção: o primeiro lugar tem de ser de Deus. Aquilo que recebemos por acréscimo não deve ser objeto de nosso desejo. Ou, dizendo de outro modo, não podemos barganhar com Deus, prometendo-Lhe o primeiro lugar, com os olhos na obtenção dos acréscimos. Pois antes de manifestarmos nosso desejo, Ele/Ela já o satisfez.
 
Só o plano de Deus para a salvação funcionará.

Reconhecer e aceitar esta ideia, praticá-la e aplicá-la às circunstâncias, situações e pessoas de nossa vida, implica abandonar por completo todo e qualquer plano que não seja o dele. Ou como a lição ensina:

Começa os períodos de prática mais longos deste dia pensando a respeito da ideia de hoje e percebendo claramente que ela contém duas partes, cada uma das quais dando contribuição igual ao todo. O plano de Deus para a tua salvação funcionará e outros planos não. Não te permitas ficar deprimido ou com raiva com a segunda parte; ela é inseparável da primeira. E na primeira está a tua liberação total de todas as tuas próprias tentativas insanas e propostas loucas para te libertares. Elas te conduziram à depressão e à raiva, mas o plano de Deus será bem-sucedido. Ele te conduzirá à liberação e à alegria.

Os dois parágrafos finais da orientação para as práticas sugerem a melhor forma de se trabalhar com a ideia de hoje e fazem com que voltemos a atenção, mais uma vez, para a necessidade de abolirmos o hábito de cultivar mágoas. Não há razão para elas. Nunca. A não ser que queiramos ceder às vontades do ego.

É bom também que pensemos de que forma podemos praticar para lembrar com a maior frequência possível que só o plano de Deus para a salvação funcionará. Acredito que aprofundar o contato com a razão pela qual estamos aqui e vivemos as experiências que vivemos pode ser de ajuda. É o texto que nos traz isso de um modo que talvez valha a pena repetir algumas vezes nos momentos em que o ego queira nos assaltar e levar a escolhas que vão fazer que nos afastemos do único plano que funcionará:

É o seguinte: 

Eu só estou aqui para ser verdadeiramente útil. 
Estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho de me preocupar com o que dizer ou com o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me orientará.
Estou contente em estar aonde quer que Ele queira,
sabendo que Ele vai comigo.
Serei curado na medida em que permitir que Ele me ensine a curar.

Às práticas?

* Um adendo: 

O asterisco neste ponto do texto é para lembrar uma estorinha antiga, que já chegou ao conhecimento da maioria das pessoas. É ela a história em que o conhecido personagem Nasruddin, das estorinhas orientais, foi encontrado certa vez fora de casa abaixado, atento, como se procurasse alguma coisa em seu jardim. A pessoa que o encontrou quis saber o que acontecia e ele respondeu que estava procurando a chave de sua casa, que tinha perdido. A pessoa então perguntou onde ele tinha perdido a chave e ele disse que a tinha perdido lá, dentro de casa. Óbvio que a pessoa perguntou, então, mas por que você está procurando aqui fora, se a perdeu lá dentro. Ao que ele respondeu, "é que aqui fora tem mais luz".

Não lhes parece que é isto o que fazemos, quando buscamos a luz fora?

Boas práticas.

Paz e bem!

quarta-feira, 11 de março de 2026

Tu te vales de que "doenças" para evitar a salvação?

 

LIÇÃO 70

Minha salvação vem de mim.

1. Toda tentação não é nada mais do que alguma forma da tentação básica de não acreditar na ideia para hoje. A salvação parece vir de qualquer lugar exceto de ti. Do mesmo modo, também, a fonte da culpa. Tu não vês nem a culpa nem a salvação como estando em tua própria mente e em nenhum outro lugar. Quando perceberes de forma clara que toda culpa é somente uma invenção de tua mente, tu também perceberás claramente que culpa e salvação têm de estar no mesmo lugar. Ao compreenderes isto, estás salvo.

2. O custo aparente de aceitar a ideia de hoje é este: ela significa que nada fora de ti mesmo pode te salvar; nada fora de ti mesmo pode te dar paz. Mas significa também que nada fora de ti mesmo pode te ferir ou perturbar tua paz ou te transtornar de qualquer maneira. A ideia de hoje te coloca no comando do universo, aonde é teu lugar devido ao que tu és. Este não é um papel que possa ser aceito parcialmente. E tu certamente tens de começar a perceber que aceitá-lo é a salvação.

3. Pode, no entanto, não estar claro para ti por que razão o reconhecimento de que a culpa está em tua própria mente acarreta necessariamente o reconhecimento de que a salvação também está aí. Deus não teria posto o remédio para a doença aonde ele não pode ajudar. Este é o modo como tua mente funciona, mas a d'Ele, dificilmente. Ele quer que sejas curado, por isso Ele mantém a Fonte da cura aonde a necessidade da cura existe.

4. Tu tentas fazer exatamente o contrário, ao fazeres todas as tentativas, por mais distorcidas e bizarras que elas possam ser, para separar a cura da doença para a qual ela se destinava e, deste modo, conservar a doença. Teu objetivo era assegurar que a cura não acontecesse. O objetivo de Deus era assegurar que ocorresse.

5. Hoje praticamos perceber claramente que a Vontade de Deus e a nossa são, de fato, a mesma em relação a isto. Deus quer que sejamos curados e nós, de verdade, não queremos ficar doentes, porque isto nos torna infelizes. Por isso, ao aceitarmos a ideia para hoje, estamos realmente de acordo com Deus. Ele não quer que fiquemos doentes. Nem nós. Ele quer que sejamos curados. Nós também.

6. Estamos preparados para dois períodos de prática mais longos hoje, cada um dos quais deve durar de dez a quinze minutos. Porém, ainda deixaremos que tu decidas quando empreendê-los. Seguiremos esta prática durante algumas lições e, mais uma vez, seria bom decidires com antecedência quando seria um bom momento para reservar a cada um deles e, em seguida, ser fiel a tuas próprias decisões tão rigorosamente quanto possível.

7. Começa estes períodos de prática repetindo a ideia para hoje, acrescentando uma declaração que significa teu reconhecimento de que a salvação não vem de nenhum lugar fora de ti mesmo. Poderias formulá-la deste modo:

Minha salvação vem de mim. Ela não pode vir
de nenhum outro lugar.

Em seguida, de olhos fechados, dedica alguns minutos a rever alguns dos lugares externos nos quais procuraste a salvação no passado; - em outras pessoas, em posses, em várias situações e acontecimentos e em autoconceitos que procuraste tornar verdadeiros. Reconhece que ela não está lá e dize a ti mesmo:

Minha salvação não pode vir de nenhuma destas coisas.
Minha salvação vem de mim e só de mim.

8. Agora, mais uma vez, vamos tentar alcançar a luz em ti, que é onde tua salvação está. Não podes achá-la nas nuvens que cercam a luz e é nelas que a estás buscando. Ela não está aí. Ela está além das nuvens e na luz adiante. Lembra-te de que terás de atravessar as nuvens antes de poderes alcançar a luz. Mas lembra-te também de que nunca encontraste nada que durasse ou que quisesses nesta configuração de nuvens que imaginaste.

9. Já que todas as ilusões de salvação falharam para ti, certamente não queres permanecer nas nuvens, buscando ídolos lá inutilmente, quando podes tão facilmente caminhar até a luz da salvação verdadeira. Tenta atravessar as nuvens usando qualquer meio que te agrade. Se te ajudar, pensa em mim segurando tua mão e te conduzindo. E eu te asseguro que isto não será nenhuma fantasia vã.

10. Para os períodos de prática breves e frequentes, hoje, lembra-te de que tua salvação vem de ti e de que nada, a não ser teus próprios pensamentos, podem dificultar teu avanço. Tu estás livre de toda interferência externa. Tu és responsável por tua salvação. Tu és responsável pela salvação do mundo. Dize, então:

Minha salvação vem de mim. Nada fora de mim pode me
deter. A salvação do mundo e a minha estão dentro de mim.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 70

Caras, caros,

Já é mais do que chegada a hora de começarmos a assumir a responsabilidade pelo mundo que vemos, uma vez que, como o Curso ensina, não há nada fora de nós. 

Por isso, é necessário também que paremos de acreditar que qualquer coisa pode aparecer de fora, do nada, e, de maneira mágica, resolver os problemas por que passamos. É preciso que entendamos o mais rápido possível que não há nada fora de nós que nos possa atacar e, por consequência, também não há nada fora de nós que nos possa salvar.

É isto que vamos praticar com a ideia que a lição nos oferece para hoje.

"Minha salvação vem de mim."

O que é tentação? Tentação é tudo aquilo que busca nos afastar de nós mesmos ou de nós mesmas, do Ser, do divino interior. Dito de outra forma, tentação é tudo aquilo que reforça a crença básica e equivocada do ego - "o falso eu", o "grande impostor", a imagem falsa de nós mesmos e de nós mesmas, que o mundo nos leva a construir e manter -, segundo a qual estamos separados e separadas de Deus, uns e umas dos outros e das outras.

Pode-se dizer também que tentação é tudo aquilo que nos leva a ver, fora de nós mesmos, ou de nós mesmas, a fonte de tudo o que existe, quer pensemos na ilusão, quer na realidade. Ou ainda que é tentação tudo aquilo que nos leva a julgar qualquer coisa no mundo.

Mas, para começo de conversa, vejamos, uma vez mais, o que a lição de hoje tem a dizer:

Toda tentação não é nada mais do que alguma forma da tentação básica de não acreditar na ideia para hoje. A salvação parece vir de qualquer lugar exceto de ti. Do mesmo modo, também, a fonte da culpa. Tu não vês nem a culpa nem a salvação como estando em tua própria mente e em nenhum outro lugar. Quando perceberes de forma clara que toda culpa é somente uma invenção de tua mente, tu também perceberás claramente que culpa e salvação têm de estar no mesmo lugar. Ao compreenderes isto, estás salvo.

Isto é, o desafio aqui, mais uma vez, é reconhecermos e aceitarmos que não há nada fora de nós mesmos e de nós mesmas. Tudo, tudo o que vemos, ouvimos, tocamos, provamos, cheiramos ou sentimos, está em nós. Não pode estar em nenhum outro lugar. Nunca. Até porque não existe nenhum outro lugar fora de nós mesmos e de nós mesmas. E podemos pensar e acreditar nisto até mesmo no que se refere ao vírus da Covid-19, suas variantes e outros vírus, bem como de todas as doenças e de todos os males de que temos notícia e que povoam nosso mundo particular.

Nada mais óbvio, nada mais lógico então do que começarmos a lidar com o mundo todo, a começar por nosso mundo particular, a partir da verdade eterna da ideia que praticamos hoje:

Minha salvação vem de mim.

Podemos, então, desde já, experimentar a colher os benefícios de acreditar, reconhecer, aceitar e aplicar em nossos dias a ideia? Ou ainda vamos preferir acreditar que a salvação pode vir de outro lugar, de outra pessoa, de um Deus exterior a nós?

O que custa experimentar acreditar e pôr em prática a ideia da lição de hoje?

Vejamos:

O custo aparente de aceitar a ideia de hoje é este: ela significa que nada fora de ti mesmo pode te salvar; nada fora de ti mesmo pode te dar paz. Mas significa também que nada fora de ti mesmo pode te ferir ou perturbar tua paz ou te transtornar de qualquer maneira. A ideia de hoje te coloca no comando do universo, aonde é teu lugar devido ao que tu és. Este não é um papel que possa ser aceito parcialmente. E tu certamente tens de começar a perceber que aceitá-lo é a salvação.

É a mais completa e absoluta liberdade que a ideia, a lição, de hoje oferece. Uma liberdade, porém, que traz consigo uma enorme responsabilidade, pois ela nos coloca no comando, na direção, do universo. Tudo fica sob nosso controle. No entanto, é lógico também supor que tamanha responsabilidade nos é dada apenas porque o divino em nós sabe que somos capazes de assumi-la.

Porém, ainda assim, é isso que nos assusta, não? A ideia de que tudo está sob nosso controle apenas.

Para viver, contudo, a partir da ideia de que:

Minha salvação vem de mim.

é preciso que eu seja capaz de aceitar também que não há nada fora de mim que me possa condenar, julgar ou aprisionar. Continuo a ser como Deus me criou. Santo e absolutamente inocente. 

No entanto, e apesar da ideia que o Curso nos trouxe ontem afirmar que nossa única necessidade é a salvação, ainda hesitamos em aceitar a afirmação de nossa inocência. 

Como diz Clarice Lispector, a conselho do ego, "temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes". 

Não é assim? Temos vergonha de nos dizermos, de nos sentirmos inocentes, puros e puras. Ainda acreditamos que o mundo lida mal com a inocência, com a pureza. Ainda acreditamos que ser inocente é sinônimo de ser "otário", "babaca", "panaca", "ingênuo", "fraco", "molenga", "sangue de barata", e por aí a fora.

Todavia, mais do que isso, o que nos põe apreensivos e relutantes em aceitar a ideia de que somos inocentes, e a de que a salvação só pode vir de nós mesmos, ou de nós mesmas, é o fato de que não é possível deixar de receber com ela a responsabilidade pela salvação do mundo também. Não há como fugir da verdade de que somos nós - tu, eu e cada um ou cada uma de nós todos e todas - que o criamos [o mundo] e o mantemos aprisionado, nas condições que damos a ele por acreditarmos nas imagens que inventamos para ele.

Assim, vale para todos nós o que vem a seguir: 

Não há dúvida, nem para mim e nem para nenhum nem nenhuma sequer de nós, que pensamos habitar um mundo separado daquilo que somos, de que também não posso aceitar esta responsabilidade [a de minha salvação e a da salvação do mundo todo], este compromisso, pela metade. Ora sou, ora não sou. Ser o EU SOU QUE SOU é que vai me fazer ver, em mim, ser e partilhar a luz do mundo com tudo, com todos e com todas.

É claro, também, que ao me reconhecer como a luz do mundo e seu salvador, tenho de reconhecer também que "as culpas" e "os males" do mundo, quando penso que existem culpas e males nele, só podem estar em minha mente.

A razão para isso é o que a lição nos mostra a seguir:

Pode, no entanto, não estar claro para ti por que razão o reconhecimento de que a culpa está em tua própria mente acarreta necessariamente o reconhecimento de que a salvação também está aí. Deus não teria posto o remédio para a doença aonde ele não pode ajudar. Este é o modo como tua mente funciona, mas a d'Ele, dificilmente. Ele quer que sejas curado, por isso Ele mantém a Fonte da cura aonde a necessidade da cura existe.

Ora, mesmo a natureza mostra que a doença e a cura andam de mãos dadas. Ou não é na serpente que está o veneno que pode matar e que, ao mesmo tempo, serve para a cura da picada fatal? E os venenos das plantas não são também aproveitados para infusões e usos que os transformam em remédio para vários males? E as vacinas não são produzidas a partir dos vírus que são causas de doenças?

Minha salvação vem de mim.

A doença nunca pode estar separada daquilo que funciona como sua cura. Assim é que, apesar de toda a ilusão que me faz ver o mundo como um lugar caótico, como um lugar em que tudo acontece para provar que estou fadado ao inferno e que não há saída possível, tenho de reconhecer que minha salvação vem de mim.

E a lição continua:

Tu tentas fazer exatamente o contrário, ao fazeres todas as tentativas, por mais distorcidas e bizarras que elas possam ser, para separar a cura da doença para a qual ela se destinava e, deste modo, conservar a doença. Teu objetivo era assegurar que a cura não acontecesse. O objetivo de Deus era assegurar que ocorresse.

Em geral é o que faço. É o que fazemos todos e todas. Gostamos de nossas doenças. Elas, por vezes, se tornam mecanismos pelos quais chamamos - e recebemos - uma atenção de que acreditamos precisar e que não teríamos, caso vivêssemos a saúde plena, que só é possível a partir da alegria.

Nosso comportamento, de certa forma, está descrito neste trecho do livro A Cidadela, um livro póstumo de Antoine de Saint-Exupéry, autor também do conhecidíssimo O Pequeno Príncipe:

"Houve uma altura da minha mocidade em que senti piedade pelos mendigos e pelas suas úlceras. Até chegava a apalavrar curandeiros e a comprar bálsamos por causa deles. As caravanas traziam-me de uma ilha longínqua unguentos derivados do ouro, que têm a virtude de voltar a compor a pele ao de cimo da carne. Procedi assim até descobrir que eles tinham como artigo de luxo aquele insuportável fedor. Surpreendi-os a coçarem e a regarem com bosta aquelas pústulas, como quem estruma uma terra para dela extrair a flor cor de púrpura. Mostravam orgulhosamente uns aos outros a sua podridão e gabavam-se das esmolas recebidas. Aquele que mais ganhara comparava-se a si próprio ao sumo sacerdote que expõe o ídolo mais prendado. Se consentiam em consultar o meu médico era na esperança de que o cancro deles o surpreendesse pela pestilência e pelas proporções. Chegavam a empregar os cotos para conquistar um lugar no mundo. Daí também o aceitarem os cuidados como uma homenagem e oferecerem os membros a abluções bajuladoras. Mas, apenas o mal os deixava, descobriam-se sem importância. Já nada alimentavam que fosse deles próprios, davam-se por inúteis. O único remédio era ressuscitar de novo essa úlcera que vivia à custa deles. E, uma vez envoltos de novo no seu mal, gloriosos e vãos, pegavam na escudela e tornavam a empreender o caminho das caravanas. Voltavam a espoliar os viajantes em nome de seus sórdidos deuses."

Minha salvação vem de mim.

É na direção do entendimento e da aceitação disso que a lição nos orienta. É para isso que praticamos.

Assim:

Hoje praticamos perceber claramente que a Vontade de Deus e a nossa são, de fato, a mesma em relação a isto. Deus quer que sejamos curados e nós, de verdade, não queremos ficar doentes, porque isto nos torna infelizes. Por isso, ao aceitarmos a ideia para hoje, estamos realmente de acordo com Deus. Ele não quer que fiquemos doentes. Nem nós. Ele quer que sejamos curados. Nós também.

E, mais uma vez, cabe a nós mesmos e a nós mesmas a decisão, a escolha. Queremos ser curados, curadas? Queremos, de fato, assumir o compromisso com a salvação - a nossa e a do mundo?

Para isso precisamos estar prontos, prontas. Estamos? Continuando com a lição vamos responder a esta pergunta:

Estamos preparados para dois períodos de prática mais longos hoje, cada um dos quais deve durar de dez a quinze minutos. Porém, ainda deixaremos que tu decidas quando empreendê-los. Seguiremos esta prática durante algumas lições e, mais uma vez, seria bom decidires com antecedência quando seria um bom momento para reservar a cada um deles e, em seguida, ser fiel a tuas próprias decisões tão rigorosamente quanto possível.

O modo de fazer - e a que a aplicação da ideia de hoje leva - o que a lição pede está dito no restante das orientações que se seguem a este sexto parágrafo.

Minha salvação vem de mim.

O tempo todo estamos tentando chegar à luz em nós mesmos, em nós mesmas para reconhecermos e aceitarmos que a iluminação - e, por consequência, a salvação - do mundo inteiro depende de nós. Depende de nos decidirmos a viver no mundo sendo o ser de luz que somos na verdade.

Para viver assim precisamos praticar constante e frequentemente, aplicar, reconhecer e aceitar que, como diz a última das orientações da lição de hoje:

Minha salvação vem de mim.
Nada fora de mim pode me deter.
A salvação do mundo e a minha própria salvação estão dentro de mim.

Praticar com isto honesta e sinceramente é assumir o compromisso com nossa própria salvação e com a salvação do mundo inteiro.

Às práticas?