sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Ajustar a lente do amor ao olhar já é um bom começo

 

7. O que é o Espírito Santo?

1. O Espírito Santo se interpõe entre as ilusões e a verdade. Uma vez que Ele tem de construir uma ponte sobre a brecha entre a realidade e os sonhos, a percepção leva ao conhecimento por meio da Graça que Deus dá a Ele para ser Sua dádiva a todos que se voltarem para Ele em busca da verdade. Do outro lado da ponte que Ele provê, todos os sonhos são levados à verdade, para serem dissipados diante da luz do conhecimento. Descartam-se aí, para sempre, cenas e sons. E, aonde eles eram percebidos anteriormente, o perdão torna possível o final tranquilo da percepção.

2. É apenas este fim dos sonhos que a meta do ensinamento do Espírito Santo estabelece. Pois, diferente de testemunhas do medo, cenas e sons têm de ser transformados em testemunhas do amor. E, quando isso se realizar inteiramente, o aprendizado atinge a única meta que tem na verdade. Pois o aprendizado se torna o meio para ir além de si mesmo a fim de ser substituído pela verdade eterna, à medida que o Espírito Santo o guia na direção do resultado que Ele vê para o aprendizado.

3. Se ao menos soubesses o quanto teu Pai anseia que reconheças tua inocência, não permitirias que a Voz d'Ele apelasse em vão, nem rejeitarias Seu substituto para as imagens e sonhos assustadores que fizeste. O Espírito Santo compreende os meios que fizeste, pelos quais queres alcançar o que é inalcançável para sempre. E, se os ofereceres a Ele, Ele utilizará os meios que fizeste em defesa do exílio para devolver tua mente ao lugar em que ela verdadeiramente se sente em casa. 

4. O Espírito Santo, desde o conhecimento onde Ele foi colocado por Deus, te chama para que deixes o perdão descansar sobre teus sonhos, para seres devolvido à sanidade e à paz de espírito. Sem o perdão, teus sonhos continuarão a te aterrorizar. E a lembrança de todo Amor de teu Pai não voltará para assinalar que o fim dos sonhos chegou.

5. Aceita a dádiva de teu Pai. Ela é um Chamado do Amor para o Amor, a fim de que o Amor seja apenas Ele Mesmo. A dádiva d'Ele é o Espírito Santo, por meio do qual a paz do Céu é devolvida ao Filho amado de Deus. Tu te recusarias a aceitar a função de completar Deus, se tudo o que Ele deseja é que tu sejas completo?

*

LIÇÃO 282

Hoje eu não terei medo do amor.

1. Se eu pudesse hoje perceber apenas isso de forma clara, a salvação para todo o mundo seria alcançada. Esta, a decisão de não ser insano e de me aceitar como o Próprio Deus, meu Pai e minha Fonte, me criou. Esta, a decisão de não ficar adormecido em sonhos de morte, enquanto a verdade permanece viva para sempre na alegria do amor. E esta, a escolha de reconhecer o Ser a Quem Deus criou como o Filho que Ele ama e Que continua a ser minha única Identidade.

2. Pai, Teu Nome é Amor e, por isso, o meu também. Esta é a verdade. E pode-se mudar a verdade dando-lhe outro nome simplesmente? O nome do medo é apenas um equívoco. Que eu não tenha medo da verdade hoje.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 282

Caras, caros, 

Neste dia, novamente, o Curso oferece para as práticas uma ideia que tem tudo a ver com nossa libertação completa do aparente poder do ego - o falso eu - sobre nós. Para tanto, basta que nos entreguemos ao amor, sem qualquer reserva, sem qualquer medo.

O amor, como eu já disse outras vezes, é apenas a verdade a nosso respeito. É o que somos. Hoje e sempre. É, como o Curso ensina, a única coisa real que existe. Pois, ao olhos do Espírito Santo, ou à luz da visão crística que o Curso oferece, tudo o que não é amor é um pedido de amor. Tudo o que não é amor não existe. É parte da ilusão que o ego criou de forma equivocada a partir da percepção, dos sentidos, que não podem deixar de julgar.

Para que pensemos e pratiquemos de forma leve e prazerosa, para que nos entreguemos, como eu disse, sem medo e sem reservas, podemos até ceder nossa atenção por alguns minutos à música e à letra da música Lente do Amor, de Gilberto Gil. Perceberemos nela a diferença que faz depositar sobre tudo e sobre todos um olhar que passa pela lente do amor. Ouçam mais uma vez, por favor, com toda a atenção possível no que a letra diz.

http://youtu.be/Q_BcCT2hCYs

Não será, pois, de ajuda para as nossas práticas e para aprendermos a olhar para o mundo de modo diferente, como o Curso nos orienta a fazer, que comecemos por ajustar a lente do amor a nosso olhar? 

Lembremo-nos ainda de que, ao comentar a lição nos últimos anos, explorando mais fundo os significados das palavras originais e das que usamos para traduzi-las - tanto Lillian quanto eu -, sugeri ser mais útil, para a vida que levamos, para as situações que certamente vão se apresentar ao longo de todo o dias, sermos capazes de tornar real, a partir das práticas, a capacidade de não se ter medo do amor do que apenas compreender que é possível viver sem medo do amor.

Como eu disse, então, parece-me que é esta capacidade que pode, de fato, fazer toda a diferença e nos levar à decisão de não sermos irracionais [nem insanos, nem insanas] e de nos aceitarmos como Deus nos criou, o que, sem dúvida, trará a salvação. Para nós mesmos, para nós mesmas e para o mundo inteiro. É, mais uma vez, o momento certo para a tomada de decisão pelo amor, pelo Céu.

Às práticas?

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Pra começo de conversa, a responsabilidade é só tua

 

7. O que é o Espírito Santo?

1. O Espírito Santo se interpõe entre as ilusões e a verdade. Uma vez que Ele tem de construir uma ponte sobre a brecha entre a realidade e os sonhos, a percepção leva ao conhecimento por meio da Graça que Deus dá a Ele para ser Sua dádiva a todos que se voltarem para Ele em busca da verdade. Do outro lado da ponte que Ele provê, todos os sonhos são levados à verdade, para serem dissipados diante da luz do conhecimento. Descartam-se aí, para sempre, cenas e sons. E, aonde eles eram percebidos anteriormente, o perdão torna possível o final tranquilo da percepção.

2. É apenas este fim dos sonhos que a meta do ensinamento do Espírito Santo estabelece. Pois, diferente de testemunhas do medo, cenas e sons têm de ser transformados em testemunhas do amor. E, quando isso se realizar inteiramente, o aprendizado atinge a única meta que tem na verdade. Pois o aprendizado se torna o meio para ir além de si mesmo a fim de ser substituído pela verdade eterna, à medida que o Espírito Santo o guia na direção do resultado que Ele vê para o aprendizado.

3. Se ao menos soubesses o quanto teu Pai anseia que reconheças tua inocência, não permitirias que a Voz d'Ele apelasse em vão, nem rejeitarias Seu substituto para as imagens e sonhos assustadores que fizeste. O Espírito Santo compreende os meios que fizeste, pelos quais queres alcançar o que é inalcançável para sempre. E, se os ofereceres a Ele, Ele utilizará os meios que fizeste em defesa do exílio para devolver tua mente ao lugar em que ela verdadeiramente se sente em casa. 

4. O Espírito Santo, desde o conhecimento onde Ele foi colocado por Deus, te chama para que deixes o perdão descansar sobre teus sonhos, para seres devolvido à sanidade e à paz de espírito. Sem o perdão, teus sonhos continuarão a te aterrorizar. E a lembrança de todo Amor de teu Pai não voltará para assinalar que o fim dos sonhos chegou.

5. Aceita a dádiva de teu Pai. Ela é um Chamado do Amor para o Amor , a fim de que o Amor seja apenas Ele Mesmo. A dádiva d'Ele é o Espírito Santo, por meio do qual a paz do Céu é devolvida ao Filho amado de Deus. Tu te recusarias a aceitar a função de completar Deus, se tudo o que Ele deseja é que tu sejas completo?

*

LIÇÃO 281

Nada pode me ferir, a não ser meus pensamentos.

1. Pai, Teu Filho é perfeito. Quando penso estar ferido de alguma forma, é porque me esqueci de quem sou e de que sou tal como Tu me criaste. Teus Pensamentos só podem me trazer felicidade. Se alguma vez estou triste ou ferido ou doente, esqueci o que Tu pensas e pus minhas ideias insignificantes e inúteis no lugar que pertence a Teus Pensamentos e aonde eles estão. Nada pode me ferir, a não ser meus pensamentos. Os Pensamentos que tenho Contigo são verdadeiros.

2. Não vou ferir a mim mesmo hoje. Pois estou muito além de qualquer dor. Meu Pai me pôs em segurança no Céu e vela por mim. E eu não quero atacar o Filho que Ele ama, porque também me cabe amar o que Ele ama.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 281

Caras, caros,

Chegamos, neste dia, mais uma vez, à sétima das instruções específicas para as práticas das lições desta segunda parte do Livro de Exercícios. O tema - O que é o Espírito Santo? - traz as instruções que vão orientar nossas práticas durante os próximos dez dias, a contar de hoje.  Para facilitar as práticas, como comecei a fazer nos últimos anos, desde o início dos comentários às lições desta segunda parte do Livro de Exercícios, vou continuar a postar a cada dia, antes da lição, o texto do tema, a que devemos voltar todos os dias, conforme nos orienta o Curso, antes do treino com a ideia para o dia.

Assim, como eu já disse outras vezes antes, vamos ter, por dez dias, a oportunidade de ouvir o Espírito Santo, que é, aliás, a única parte de nós que existe verdadeiramente. O Espírito Santo é a parte que nos une uns aos outros, umas às outras, de quem estamos só aparentemente separados, ou separadas, e que nos põe em contato com o que somos na verdade: o Filho de Deus.  

Oxalá, possamos, a partir das práticas de hoje e das dos próximos dias, começar a reconhecê-Lo e aceitá-Lo como nosso Guia, para aprendermos a agradecer, por ser Ele, o Espírito Santo, a dádiva de Deus para cada um e cada uma de nós, o meio para termos de volta e para experimentarmos mais uma vez a paz do Céu.

O Espírito Santo é o meio pelo qual podemos abandonar a percepção equivocada do falso eu [o ego do Curso], que só nos oferece alternativas entre ilusão e sonho. É também só Ele que nos pode devolver à consciência o reconhecimento de nossa inocência, para que abandonemos o autoexílio a que nos impusemos como forma de punir e expiar uma culpa que nunca tivemos, não temos e nem teremos jamais.

E é, enfim, o Espírito Santo, na condição de mensageiro do Amor de Deus, que nos permite oferecer e aceitar o perdão a todos os sonhos para voltarmos à sanidade e para que experimentemos a paz de espírito mais uma vez e, desta vez, definitivamente.

Perguntemo-nos, pois, mais uma vez: há modo melhor de se aprender isto do que a prática e o entendimento da ideia que o Curso nos oferece na lição de hoje? Praticá-la da forma devida, aceitando as orientações que nos dá o ensinamento, vai fazer com que compreendamos verdadeiramente [e lembrem-se de que compreender é aceitar] que nada nos pode ferir, exceto nossos próprios pensamentos. Se já aprendemos que somos nós que governamos nossos pensamentos [vide Lição 253], deve ficar extremamente fácil, então, escolher os pensamentos que queremos ter a partir desta lição. Ou não? 


Bem a propósito disto que falo, é uma fala de um personagem de livro de Julian Barnes, que li há já algum tempo, que diz a alguém (mudei o tratamento pessoal da tradução, da terceira pessoa, para a segunda, para deixar a fala mais enfática):

"Desculpa, não, tu não podes culpar os teus pais mortos, ou o fato de teres irmãos ou irmãs, ou não os teres, ou os teus genes, ou a sociedade, ou seja o que for - não em circunstâncias normais. Começa com a ideia de que a responsabilidade é apenas tua..."

Às práticas?

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Não é a sombra o que mais nos assusta, é nossa luz

 

6. O que é o Cristo?

1. Cristo é o Filho de Deus tal qual Ele O criou. Ele é o Ser que compartilhamos, que nos une uns aos outros e também a Deus. Ele é o Pensamento que ainda mora no interior da Mente que é Sua Fonte. Ele não abandona Seu lar santo, nem perde a inocência na qual Ele foi criado. Ele habita na Mente de Deus.

2. Cristo é o elo que te mantém um com Deus e garante que a separação não é mais do que uma ilusão do desespero, pois a esperança habitará n'Ele para sempre. Tua mente é parte da d'Ele e a d'Ele é parte da tua. Ele é a parte aonde a Resposta de Deus está, aonde todas as decisões já foram tomadas e na qual os sonhos acabaram. Ele permanece intocado por qualquer coisa que os olhos do corpo percebem. Pois embora Seu Pai tenha depositado n'Ele o meio para tua salvação, ainda assim Ele continua sendo o Ser Que, tal qual Seu Pai, não conhece nenhum pecado.

3. Lar do Espírito Santo e à vontade em Deus apenas, Cristo, de fato, continua em paz no interior de tua mente santa. Na verdade, esta é a única parte de ti que é real. O resto são sonhos. Esses sonhos, porém, também serão entregues a Cristo, para se desvanecerem diante de Sua glória e te revelarem, por fim teu Ser santo, o Cristo.

4. O Espírito Santo, a partir do Cristo em ti, alcança todos os teus sonhos e lhes ordena que venham a Ele, para serem traduzidos em verdade. Ele os trocará pelo sonho final que Deus designou como o fim dos sonhos. Além do mais, quando o perdão descansar sobre o mundo e a paz chegar a todo Filho de Deus, o que poderia haver para manter as coisas separadas, pois o que resta ver exceto a face de Cristo?

5. E por quanto tempo essa face será vista, se ela é apenas o símbolo de que nesse momento acabou o tempo para o aprendizado de que alcançou-se, enfim, a meta da Expiação? Busquemos, por isto, então, achar a face de Cristo e não olhar para mais nada. Quando virmos Sua glória saberemos que não temos nenhuma necessidade de aprendizado ou de percepção ou de tempo, nem de nada a não ser do Ser santo, o Cristo a Quem Deus criou como Seu Filho.

*

LIÇÃO 280

Que limites posso impor ao Filho de Deus?

1. Aquele Que Deus criou sem limites é livre. Posso inventar uma prisão para ele, mas só em ilusões, não na verdade. Nenhum Pensamento de Deus deixa a Mente de Seu Pai. Nenhum Pensamento de Deus não é nada a não ser puro para sempre. Posso impor limites ao Filho de Deus, cujo Pai quis que ele seja sem limites e igual a Si Mesmo em liberdade e em amor?

2. Deixa-me render homenagem a Teu Filho hoje, pois assim encontro o caminho para Ti. Pai, não imponho nenhum limite ao Filho que Tu amas e que criaste sem limites. O louvor que ofereço a ele é Teu e o que é Teu também pertence a mim.


*

COMENTÁRIO:


EXPLORANDO A LIÇAO 280

Caras, caros,

Repito, com algumas pequenas alterações, o comentário, feito para esta lição nos últimos anos. 

A ideia que praticamos hoje encerra a série de dez lições com o tema O que é o Cristo? E, se prestamos toda a atenção de que somos capazes, é forçoso reconhecer mais uma vez que todas as lições desde o início delas, lá na Introdução ao livro de exercícios, e já na primeira lição, nos convidam a aproveitar o fato de que não há limites para o que somos nem para o que podemos fazer, quando aceitamos nossa identidade crística e divina, vivendo a experiência deste mundo, a partir desta Identidade. 

E é mais uma vez esta ideia - a ideia de que não há limites para o que somos - que vamos praticar com a lição de hoje. Uma ideia que vai facilitar que tomemos em definitivo a decisão em favor da mudança, se aprendermos a aceitar tudo aquilo a que temos direito como filhos e filhas de Deus. 

Como eu disse antes, o Curso afirma que, em geral - uma vez que temos direito a absolutamente tudo -, é muito pouco o que pedimos. Isto porque ainda acreditamos que precisamos pedir, o que significa reforçar a crença na escassez, na carência. Ou, dizendo de outra forma, aquele, ou aquela, de nós que acredita ser necessário pedir alguma coisa a Deus, só pode se ver separado, ou separada, d'Ele, d'Ela. É por isso que na grande maioria das vezes não consegue o que pede. Ou recebe algo bem diferente daquilo que pensa ter pedido. Até porque quase nunca sabemos o que pedir, já que, em geral, nenhum, ou nenhuma, de nós sabe de fato o que precisa, ou o que quer verdadeiramente.

Joel Goldsmith, em seus livros, acentua o fato de que Deus está mais próximo de nós do que a respiração, do que nossas mãos e pés. Diz ele que "a prece não é [não deve ser] um pedido, pois não sabemos como orar ou o que pedir; não sabemos como entrar ou sair [de nossa relação com Deus]. Não sabemos o que pedir porque ignoramos qual possa ser o nosso bem amanhã, que talvez não tenha nenhuma relação com o de hoje". Diz também que a verdadeira prece não tem por objetivo "influenciar, manipular ou usar Deus". É por isso que, de acordo com ele, é preciso que reconheçamos não saber como rezar para aprendermos a deixar que Deus ore em nós, por nós.

Aprender isso, vai nos trazer a certeza de que, como eu também já disse várias vezes antes, não há limites para  o que podemos fazer em Deus, com Ele/Ela. Isso nos dará também a certeza de que é n'Ele, n'Ela, que vivemos e nos movemos. No entanto, é forçoso reconhecer que a maior parte do tempo, parece-nos que somos seres limitados, frágeis e indefesos, que habitam um corpo fadado à deterioração e à morte. 

Por que razão acreditamos nisto? Há como mudar esta crença? Queremos mudá-la de fato? Ou já estamos tão acostumados a ela que a simples possibilidade de qualquer mudança já nos dá medo? Estaremos já tão habituados aos limites que aparentemente nos impomos que a ideia de mudança pressupõe um esforço que não estamos dispostos, nem dispostas a fazer? Aceitamos já por inteiro o transe? Já aceitamos o conforto da acomodação de forma incondicional, a ponto de a ideia de abandoná-lo nos assustar?

Em um livro intitulado Prisões que Escolhemos para Viver, Doris Lessing, escritora britânica, afirma que "todos nós, em certo grau, sofremos lavagem cerebral, efetuada pela sociedade em que vivemos. E verificamos esse fato [dentre outras maneiras] quando viajamos para outro país e somos capazes de enxergar o nosso com os olhos de um estrangeiro. Não há muito o que fazer a esse respeito, a não ser constatar que é assim que as coisas funcionam. Cada um de nós é parte de grandes e confortadoras ilusões forjadas pela sociedade para manter sua própria autoconfiança".

Lembrando-nos, no entanto, de uma das passagem do texto do Curso, podemos dizer que "isto não precisa ser assim". Basta nos decidirmos a olhar para o mundo de modo diferente.

Todavia, o que acontece, em geral, é que, na verdade, a ideia de liberdade nos assusta mais do que as prisões e os limites a que nos sujeitamos. Aliás, Marianne Williamsom, em seu livro Um Retorno ao Amor, diz isto de forma clara e cristalina ao afirmar, como também já citei várias vezes antes, que "o medo mais profundo que abrigamos no peito não tem nada a ver com o fato de sermos [ou de nos acreditarmos] medíocres [limitados]". 


Diz ela que "nosso medo mais profundo é o de que sejamos poderosos para além de todas as medidas. É nossa luz, não nossa escuridão, o que mais nos assusta. Nós nos perguntamos: 'Quem sou eu para ser brilhante, maravilhoso, talentoso, fabuloso?' Na verdade, quem és para não sê-lo? Tu és um filho de Deus. Fingir-se pequeno [Diminuir-se] não serve de nada ao mundo. Não é uma atitude esclarecida encolher-se [diminuir-se] para que outros não se sintam inseguros a tua volta. Fomos todos feitos para brilhar, como as crianças brilham". 

E mais, finaliza ela: "Nascemos para tornar manifesta a glória de Deus, que está dentro de nós. Não apenas em alguns de nós; em todos nós. E, quando deixamos que nossa luz brilhe, inconscientemente, damos permissão para que os outros façam o mesmo. À medida que nos libertamos de nossos medos [e limites], nossa presença libera os demais automaticamente". 

Às práticas?

terça-feira, 6 de outubro de 2026

"A mente que pensa que sabe" está morta para o real

 

6. O que é o Cristo?

1. Cristo é o Filho de Deus tal qual Ele O criou. Ele é o Ser que compartilhamos, que nos une uns aos outros e também a Deus. Ele é o Pensamento que ainda mora no interior da Mente que é Sua Fonte. Ele não abandona Seu lar santo, nem perde a inocência na qual Ele foi criado. Ele habita na Mente de Deus.

2. Cristo é o elo que te mantém um com Deus e garante que a separação não é mais do que uma ilusão do desespero, pois a esperança habitará n'Ele para sempre. Tua mente é parte da d'Ele e a d'Ele é parte da tua. Ele é a parte aonde a Resposta de Deus está, aonde todas as decisões já foram tomadas e na qual os sonhos acabaram. Ele permanece intocado por qualquer coisa que os olhos do corpo percebem. Pois embora Seu Pai tenha depositado n'Ele o meio para tua salvação, ainda assim Ele continua sendo o Ser Que, tal qual Seu Pai, não conhece nenhum pecado.

3. Lar do Espírito Santo e à vontade em Deus apenas, Cristo, de fato, continua em paz no interior de tua mente santa. Na verdade, esta é a única parte de ti que é real. O resto são sonhos. Esses sonhos, porém, também serão entregues a Cristo, para se desvanecerem diante de Sua glória e te revelarem, por fim teu Ser santo, o Cristo.

4. O Espírito Santo, a partir do Cristo em ti, alcança todos os teus sonhos e lhes ordena que venham a Ele, para serem traduzidos em verdade. Ele os trocará pelo sonho final que Deus designou como o fim dos sonhos. Além do mais, quando o perdão descansar sobre o mundo e a paz chegar a todo Filho de Deus, o que poderia haver para manter as coisas separadas, pois o que resta ver exceto a face de Cristo?

5. E por quanto tempo essa face será vista, se ela é apenas o símbolo de que nesse momento acabou o tempo para o aprendizado de que alcançou-se, enfim, a meta da Expiação? Busquemos, por isto, então, achar a face de Cristo e não olhar para mais nada. Quando virmos Sua glória saberemos que não temos nenhuma necessidade de aprendizado ou de percepção ou de tempo, nem de nada a não ser do Ser santo, o Cristo a Quem Deus criou como Seu Filho.

*

LIÇÃO 279

A liberdade da criação garante minha própria liberdade.

1. O fim dos sonhos está garantido para mim, porque o Filho de Deus não fica abandonado pelo Amor d'Ele. Somente nos sonhos existe um momento em que ele parece estar na prisão e esperar por uma liberdade futura, se ela existir de alguma forma. Na realidade, porém, seus sonhos acabaram com a verdade estabelecida no lugar deles. E agora a liberdade já é dele. Devo esperar a liberação preso a correntes que já foram cortadas, se Deus me oferece a liberdade agora?

2. Aceitarei tuas promessas hoje e depositarei minha fé nelas. Meu Pai ama o Filho Que Ele criou como Seu Próprio Filho. Tu me negarias as dádivas que me deste?


*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 279

Caras, caros,

Comecemos lembrando do início deste comentário, com a citação de Lucas, em anos anteriores.

"Busca em primeiro lugar o Reino de Deus e todas as coisas te serão acrescentadas". [Lucas 12:31]

E perguntando-nos: por quê? 

A resposta só pode ser porque é só a decisão de pôr em primeiro lugar o Reino, como eu já disse inúmeras vezes e como dizem todos os mestres com quem temos contato em todas as tradições de sabedoria, que pode garantir que tenhamos, de fato, o direito de viver a liberdade de que somos herdeiros pela condição de filhos de Deus.

E, mais uma vez, por quê?

Porque nada no mundo pode satisfazer nosso anseio pela liberdade. Nada no mundo, ou do mundo, pode nos oferecer a alegria e a paz que encontramos ao viver para o Reino. Precisamos compreender - no sentido de aceitar - que só existe um único poder e que é a ele que temos de nos render. Enquanto não nos decidirmos pela rendição completa e absoluta a este único poder, que é o poder divino, mas que é também nosso, viveremos na impressão constante de altos e baixos.

Da mesma forma, precisamos renunciar a toda e qualquer ideia que tenhamos a respeito de nós mesmos e de nós mesmas, do mundo e de tudo o que há para se fazer no mundo. É esta renúncia que pode nos dar a liberdade de que fala a ideia que praticamos hoje. A liberdade que nos é garantida pela liberdade da criação. 


De acordo com Stephen Mitchell, "a única liberdade fundamental é a liberdade de nossas próprias ideias". Isto é, precisamos ser capazes de nos permitirmos duvidar de tudo - absolutamente tudo, sem exceção - aquilo que o sistema de pensamento do ego quer que pensemos a nosso próprio respeito e a respeito do mundo todo. Ou, como os budistas ensinam, é vital que sejamos capazes de aprender a nos mantermos no estado da "mente que não sabe". Porque "a mente que pensa que sabe" está morta para o real, para o novo.

É também de Mitchell a ideia segundo a qual "...pode-se dizer que só vive verdadeiramente em harmonia com o divino aquele que está pronta para tudo, que não exclui nenhuma experiência, nem mesmo a mais incompreensível". Quer dizer, aquele que sabe que não sabe.

Aproximamo-nos hoje do final de mais um período de prática, cuja unidade se deu pela pergunta: O que é o Cristo? Uma pergunta cuja resposta está diretamente relacionada à ideia que se oferece para nosso treino. Pois o que pode ser o Cristo que não nossa Identidade verdadeira, que permite compreender que ainda somos livres como Deus nos criou.

Do mesmo modo a criação toda é livre para se exprimir e é só nela que podemos perceber o reflexo de nossa própria liberdade, como eu já disse outras vezes. Mesmo naqueles momentos em que parece que as coisas se apresentam a nossa experiência sem que aparentemente sejamos capazes de qualquer interferência. Quer dizer, mesmo quando o que acontece parece ter acontecido sem que tenhamos escolhido.

Isto não é verdade! Conforme já vimos em uma lição anterior, que dizia:

É impossível que qualquer coisa não solicitada por mim mesmo venha a mim. Mesmo neste mundo, sou eu que governo meu destino. Aquilo que eu desejo é o que acontece. O que não acontece é aquilo que eu não quero que aconteça.

E, repetindo ainda uma vez o final de comentário feito em anos anteriores, é isto, por incrível que pareça, que diz também o livro A Biologia da Crença, de Bruce H. Lipton, cuja leitura recomendo enfaticamente de novo. Diz ele que:

"... o controle de nossa vida não depende de sorte ou das características [genéticas] estabelecidas no momento da concepção, mas sim de nós mesmos. Somos os senhores de nossa biologia [assim como de tudo o que nos cerca]; administradores do programa de processamento. Temos a capacidade de editar os dados que entram em nosso bio-computador, assim como todas as palavras que são digitadas."

Não será isto a confirmação de que, de fato, somos absolutamente livres, em todo e qualquer sentido, para escolher quaisquer experiências que queiramos viver neste mundo e em qualquer mundo que queiramos inventar para nós?

É a resposta a esta pergunta que as práticas de hoje oferecem. 

Às práticas?

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Não temos um ego, fomos possuídos pela ideia de um

 

6. O que é o Cristo?

1. Cristo é o Filho de Deus tal qual Ele O criou. Ele é o Ser que compartilhamos, que nos une uns aos outros e também a Deus. Ele é o Pensamento que ainda mora no interior da Mente que é Sua Fonte. Ele não abandona Seu lar santo, nem perde a inocência na qual Ele foi criado. Ele habita na Mente de Deus.

2. Cristo é o elo que te mantém um com Deus e garante que a separação não é mais do que uma ilusão do desespero, pois a esperança habitará n'Ele para sempre. Tua mente é parte da d'Ele e a d'Ele é parte da tua. Ele é a parte aonde a Resposta de Deus está, aonde todas as decisões já foram tomadas e na qual os sonhos acabaram. Ele permanece intocado por qualquer coisa que os olhos do corpo percebem. Pois embora Seu Pai tenha depositado n'Ele o meio para tua salvação, ainda assim Ele continua sendo o Ser Que, tal qual Seu Pai, não conhece nenhum pecado.

3. Lar do Espírito Santo e à vontade em Deus apenas, Cristo, de fato, continua em paz no interior de tua mente santa. Na verdade, esta é a única parte de ti que é real. O resto são sonhos. Esses sonhos, porém, também serão entregues a Cristo, para se desvanecerem diante de Sua glória e te revelarem, por fim teu Ser santo, o Cristo.

4. O Espírito Santo, a partir do Cristo em ti, alcança todos os teus sonhos e lhes ordena que venham a Ele, para serem traduzidos em verdade. Ele os trocará pelo sonho final que Deus designou como o fim dos sonhos. Além do mais, quando o perdão descansar sobre o mundo e a paz chegar a todo Filho de Deus, o que poderia haver para manter as coisas separadas, pois o que resta ver exceto a face de Cristo?

5. E por quanto tempo essa face será vista, se ela é apenas o símbolo de que nesse momento acabou o tempo para o aprendizado de que alcançou-se, enfim, a meta da Expiação? Busquemos, por isto, então, achar a face de Cristo e não olhar para mais nada. Quando virmos Sua glória saberemos que não temos nenhuma necessidade de aprendizado ou de percepção ou de tempo, nem de nada a não ser do Ser santo, o Cristo a Quem Deus criou como Seu Filho.

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LIÇÃO 278

Se eu for limitado, meu Pai não é livre.

1. Se eu aceitar que sou prisioneiro em um corpo, em um mundo no qual todas as coisas que aparentam viver parecem morrer, então, meu Pai é prisioneiro comigo. E é nisto que acredito quando afirmo que tenho de obedecer às leis que o mundo obedece; que as fragilidades e os pecados que percebo são reais e não se pode fugir deles. Se eu for limitado de qualquer modo, não conheço meu Pai nem meu Ser. E estou perdido para toda realidade. Pois a verdade é livre, e aquilo que é limitado não é uma parte da verdade.

2. Pai, não peço nada senão a verdade. Tenho muitos pensamentos tolos acerca de mim mesmo e de minha criação, e trago um sonho de medo em minha mente. Hoje não quero sonhar. Escolho o caminho para Ti em lugar da loucura e em vez do medo. Pois a verdade é segura e só o amor é certo.


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COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 278

Caras, caros,

Repito o comentário que fiz em anos passados e que, acho, ainda é válido para nos aproximarmos da ideia para a práticas de hoje. Posso, e quero, pois, continuar a dizer que vários livros que li ultimamente, ou mesmo alguns que leio no momento, colocam enorme ênfase no fato de que os limites que pensamos existir em nossa vida sempre são apenas limites auto-impostos, como o próprio Curso afirma. Isto quer dizer que eles são aqueles limites que nós mesmos e nós mesmas criamos por comodismo, por medo de mudar, por medo de não agradar a uns e outros, ou para não criarmos conflitos com nossos familiares, amigos, círculo de trabalho ou social, ou por outra razão qualquer. No entanto, eles todos são ilusórios, uma vez que aquilo que somos em essência é sempre expressão da liberdade mais absoluta. 

Esses limites funcionam como prisões em que escolhemos viver, na mais das vezes de modo inconsciente. Prisões que não nos deixam agir com a liberdade a que temos direito pleno. Uma liberdade que não pode e nem deve ser aprisionada por ninguém, em nenhum lugar, nem em tempo algum. Nem em um corpo, nem em bilhões deles. E que precisamos, por isso, olhar com grande reserva para tudo aquilo que, pensamos, aparentemente nos limita.

Um desses livros cita um poema de Rumi, que diz o seguinte:

Toda noite, Tu libertas nossos espíritos do corpo
E de seus ardis, fazendo-nos puros como tábulas rasas. 
Toda noite, espíritos são libertados dessa jaula,
E tornados livres, sem comandar nem ser comandados.
De noite, o prisioneiro não tem consciência de sua prisão.
De noite, o rei não tem consciência de sua majestade..
Aí, não se pensa em perdas ou ganhos,
Nem se dá atenção a isso ou àquilo.

Isto, é claro, está em perfeita sintonia com a ideia que o Curso oferece para as práticas de hoje. É a ideia que vem ensinar de que modo podemos entrar em contato com aquilo que somos em Deus. Algo que, à semelhança d'Ele/Ela, não tem nenhum limite, a não ser em nossa imaginação habitada pelos enganos em que quer nos manter presos o falso eu, conforme já disse antes.

Wayne Dyer nos alerta para o seguinte:

"... a partir do instante em que deixaste o ventre de tua mãe, ficaste sujeito ao condicionamento cultural planejado para te ajudar a te contentares com viver uma 'vida normal' no nível do estado comum de consciência, que geralmente significa aceitar o que quer que a vida te ofereça. De muitas maneiras, foste programado para acreditar que não possuis a sabedoria ou a capacidade para manifestar a realização de teus anseios e desejos."

Ora, isto não é verdade. Tu sempre podes escolher, aprender, crescer e mudar. É ainda Dyer que diz haver um nível de consciência no qual "podes optar por viver, um nível a partir do qual podes te descobrir realizando todo e qualquer desejo que tenhas, se estiveres disposto a mudar teu conceito de ti mesmo" de um ser limitado para um ser para o qual não há limites.

É neste nível de consciência que podemos ter certeza de que ainda somos como Deus nos criou, como ensina o Curso. Sempre fomos e seremos sempre, independentemente daquilo em que nos decidirmos a acreditar. 

Voltemos mais uma vez a atenção para a introdução do livro. Lá está o resumo de tudo o que buscamos aprender, quer pelo estudo do texto, quer pelas práticas das lições, quer pela leitura do manual dos professores, pelos esclarecimentos dos termos, quer pelos suplementos que o Curso recebeu logo após ser publicado.

E o que nos diz este resumo? Diz simplesmente que:

 
Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisto está a paz de Deus.

Isto é tudo o que precisamos aprender. Isto é tudo o que precisamos tornar parte de nosso repertório mais íntimo e profundo para servir de orientação e de estímulo sempre que nossas escolhas, conscientes ou inconscientes nos apresentarem qualquer situação ou experiência que nos afaste da alegria completa e perfeita; a condição natural do Filho de Deus, que somos todos e todas nós na unidade.

Cientes de que apenas isso é a verdade que deve iluminar nossos caminhos, podemos deixar de dar ouvidos a quaisquer limites ou pensamentos de limites que nos queira sugerir o ego, o falso eu. Na verdade, lembrando aquilo de que já falei outras vezes, de acordo com o Curso, o ego não existe.

Lembram do que Wei Wu Wei, já citado antes, diz a respeito? 


Nós não possuímos um ego. Estamos 
possuídos pela ideia de um. 

Por isso, quando acreditamos que qualquer coisa fora de nós pode nos atingir, fazer sofrer, trazer dor ou alegria, o que acontece é que, naquele momento, não temos consciência das escolhas que fizemos. Ainda precisamos aprender a afinar o instrumento à espera da hora de dançar. Ainda estamos na travessia. E, com certeza, Deus está conosco.

Ou vocês acham que Ele/Ela poderia deixar de estar? Que, de alguma forma, somos capazes de limitá-Lo/La?

Às práticas?

domingo, 4 de outubro de 2026

Até quando vamos tentar pôr limites ao Ser em nós?

 

6. O que é o Cristo?

1. Cristo é o Filho de Deus tal qual Ele O criou. Ele é o Ser que compartilhamos, que nos une uns aos outros e também a Deus. Ele é o Pensamento que ainda mora no interior da Mente que é Sua Fonte. Ele não abandona Seu lar santo, nem perde a inocência na qual Ele foi criado. Ele habita na Mente de Deus.

2. Cristo é o elo que te mantém um com Deus e garante que a separação não é mais do que uma ilusão do desespero, pois a esperança habitará n'Ele para sempre. Tua mente é parte da d'Ele e a d'Ele é parte da tua. Ele é a parte aonde a Resposta de Deus está, aonde todas as decisões já foram tomadas e na qual os sonhos acabaram. Ele permanece intocado por qualquer coisa que os olhos do corpo percebem. Pois embora Seu Pai tenha depositado n'Ele o meio para tua salvação, ainda assim Ele continua sendo o Ser Que, tal qual Seu Pai, não conhece nenhum pecado.

3. Lar do Espírito Santo e à vontade em Deus apenas, Cristo, de fato, continua em paz no interior de tua mente santa. Na verdade, esta é a única parte de ti que é real. O resto são sonhos. Esses sonhos, porém, também serão entregues a Cristo, para se desvanecerem diante de Sua glória e te revelarem, por fim teu Ser santo, o Cristo.

4. O Espírito Santo, a partir do Cristo em ti, alcança todos os teus sonhos e lhes ordena que venham a Ele, para serem traduzidos em verdade. Ele os trocará pelo sonho final que Deus designou como o fim dos sonhos. Além do mais, quando o perdão descansar sobre o mundo e a paz chegar a todo Filho de Deus, o que poderia haver para manter as coisas separadas, pois o que resta ver exceto a face de Cristo?

5. E por quanto tempo essa face será vista, se ela é apenas o símbolo de que nesse momento acabou o tempo para o aprendizado de que alcançou-se, enfim, a meta da Expiação? Busquemos, por isto, então, achar a face de Cristo e não olhar para mais nada. Quando virmos Sua glória saberemos que não temos nenhuma necessidade de aprendizado ou de percepção ou de tempo, nem de nada a não ser do Ser santo, o Cristo a Quem Deus criou como Seu Filho.

*

LIÇÃO 277

Que eu não limite Teu Filho a leis que inventei.

1. Teu Filho é livre, meu Pai. Que eu não imagine que o prendo às leis que invento para dominar o corpo. Ele não está sujeito a nenhuma das leis que inventei, pelas quais tento tornar o corpo mais seguro. Ele não muda a partir daquilo que é mutável. Ele não é escravo de nenhuma das leis do tempo. Ele é tal como Tu o criaste, porque não conhece nenhuma lei a não ser a do amor.

2. Não vamos adorar ídolos, nem acreditar em qualquer lei que a idolatria quer inventar para esconder a liberdade do Filho de Deus. Ele não está limitado senão por suas crenças. O que ele é, porém, está muito além de sua fé em escravidão ou liberdade. Ele é livre porque é Filho de seu Pai. E não pode ser limitado a menos que a verdade de Deus possa mentir e Deus possa querer enganar a Si Mesmo.



*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 277

Caras, caros,

Comecemos, pois, mais uma vez, o comentário e a exploração da lição de hoje repetindo uma frase de Charlie Chaplin, que disse:


Estou sempre alegre. Essa é a maneira de resolver 
os problemas da vida. 

A melhor maneira, eu diria. A única talvez. Lembram do que o Dito ensinava a Miguilim? Acho que vale repetir, não?

"Miguilim, Miguilim, vou ensinar o que agorinha eu sei, demais: é que a gente pode ficar sempre alegre, alegre, mesmo com toda coisa ruim que acontece acontecendo. A gente deve de poder ficar então mais alegre, mais alegre, por dentro!..." 

E não é isso, a alegria completa e perfeita, que o Curso diz ser a Vontade de Deus para todos, todas, cada um e cada uma de nós? Não é essa, no fundo, bem no mais íntimo de nós mesmos e de nós mesmas, nossa própria vontade? Aquilo por que buscamos todos os dias? Viver de modo intenso a alegria, sempre e cada vez mais?

Mais. Voltando a um livro que li em 2011, encontro lá o seguinte: "... a falta de alegria é uma tortura diária, é um vazio que fica no coração, é um vazio que nada preenche porque é uma falta de si mesmo, é saudade dos sonhos que [se] tinha e [de] que se esqueceu, tendo[-se] esquecido também [de] como era sonhar".

"O mundo é sonho." E, em geral, é um sonho ruim, um verdadeiro pesadelo, para a grande maioria de nós, habitantes deste mundo de ilusões. E por quê? Porque esta grande maioria não percebe claramente sua capacidade, seu poder interior, de transformar o pesadelo em um "sonho feliz". Porque esta grande maioria acredita que há alguma coisa real nas experiências que escolhe viver diariamente para perpetuar a ilusão. Porque esta grande maioria acredita que é preciso mudar alguma coisa no mundo, nos outros, em si mesma. Esquece-se de que viver em harmonia com o mundo - a única coisa que pode nos dar a autêntica alegria - significa tão somente deixar que o mundo seja exatamente como é. Abrir mão de toda e qualquer tentativa de controle.

É disto que o Curso quer nos libertar, com o ensinamento, com as práticas das lições, oferecendo-nos, mesmo neste mundo de aparências apenas, a possibilidade de contato com "o mundo real", para que sejamos capazes de, de fato, transformar o pesadelo de viver neste mundo num "sonho feliz".

A tristeza, a dor, o sofrimento, a culpa, a morte e tudo mais que nos afasta da alegria, ao mesmo tempo em que fazem parte da experiência de viver, são também limites que nós mesmas, que nós mesmos, nos impusemos, que continuamos a impor, inconscientemente a mais das vezes, a nós mesmas, a nós mesmos e a todas, ou quase todas, as pessoas que partilham conosco a experiência do mundo da forma. Viciadas e viciados na "esperança" de um mundo melhor, de um futuro melhor, de podermos nos transformar em "um ser melhor", "numa pessoa melhor", continuamos a trazer o "medo" à cena diária de nossas vidas. Sem perceber que "esperança" e "medo" são apenas dois lados da mesma moeda, conforme vimos já outro dia.

Nada disso se refere ao que somos na verdade. É por isso que as práticas de hoje, como todas aliás, têm de ser feitas com toda a atenção possível, para que nos libertemos de todos os limites que ainda tentamos impor ao Filho de Deus, ao Ser, em nós mesmas, em nós mesmos e nas outras e outros, extensões de nós mesmas e de nós mesmos na unidade de que fazemos parte em Deus, com Ele. 

Uma lição anterior, logo depois da primeira revisão, a de número 76, já nos convidava a praticar de forma um pouco diferente a libertação do Filho de Deus, pedindo que reconhecêssemos que não estamos sujeitas nem sujeitos a nenhuma lei a não ser a de Deus. 

Da mesma forma a lição de número 132, uma das minhas favoritas, nos pede para liberarmos o mundo de tudo o que pensamos que ele é. Isto é, na prática, parar de tentar impor limites ao Filho de Deus por meio de leis que só podem reger um mundo de sonhos. Um mundo que não tem nada que queiramos. Até quando vais tentar impor limites ao Ser em ti, calá-Lo, deixar de dar ouvidos a Ele? Até q
uando vamos continuar as tentativas de impor limites ao que somos, ao Ser em nós?

Às práticas?

sábado, 3 de outubro de 2026

O que fazer para viver em harmonia com o mundo?

 

6. O que é o Cristo?

1. Cristo é o Filho de Deus tal qual Ele O criou. Ele é o Ser que compartilhamos, que nos une uns aos outros e também a Deus. Ele é o Pensamento que ainda mora no interior da Mente que é Sua Fonte. Ele não abandona Seu lar santo, nem perde a inocência na qual Ele foi criado. Ele habita na Mente de Deus.

2. Cristo é o elo que te mantém um com Deus e garante que a separação não é mais do que uma ilusão do desespero, pois a esperança habitará n'Ele para sempre. Tua mente é parte da d'Ele e a d'Ele é parte da tua. Ele é a parte aonde a Resposta de Deus está, aonde todas as decisões já foram tomadas e na qual os sonhos acabaram. Ele permanece intocado por qualquer coisa que os olhos do corpo percebem. Pois embora Seu Pai tenha depositado n'Ele o meio para tua salvação, ainda assim Ele continua sendo o Ser Que, tal qual Seu Pai, não conhece nenhum pecado.

3. Lar do Espírito Santo e à vontade em Deus apenas, Cristo, de fato, continua em paz no interior de tua mente santa. Na verdade, esta é a única parte de ti que é real. O resto são sonhos. Esses sonhos, porém, também serão entregues a Cristo, para se desvanecerem diante de Sua glória e te revelarem, por fim teu Ser santo, o Cristo.

4. O Espírito Santo, a partir do Cristo em ti, alcança todos os teus sonhos e lhes ordena que venham a Ele, para serem traduzidos em verdade. Ele os trocará pelo sonho final que Deus designou como o fim dos sonhos. Além do mais, quando o perdão descansar sobre o mundo e a paz chegar a todo Filho de Deus, o que poderia haver para manter as coisas separadas, pois o que resta ver exceto a face de Cristo?

5. E por quanto tempo essa face será vista, se ela é apenas o símbolo de que nesse momento acabou o tempo para o aprendizado de que alcançou-se, enfim, a meta da Expiação? Busquemos, por isto, então, achar a face de Cristo e não olhar para mais nada. Quando virmos Sua glória saberemos que não temos nenhuma necessidade de aprendizado ou de percepção ou de tempo, nem de nada a não ser do Ser santo, o Cristo a Quem Deus criou como Seu Filho.

*

LIÇÃO 276

Cabe a mim manifestar a Palavra de Deus.

1. Qual é a Palavra de Deus? "Meu Filho é puro e santo como Eu Mesmo." E deste modo Deus se tornou, de fato, Pai do Filho que Ele ama, pois ele foi criado assim. Esta é a Palavra que Seu Filho não criou com Ele, porque Seu Filho nasceu nela. Vamos aceitar Sua Paternidade e tudo o que nos é dado. Neguemos que fomos criados em Seu Amor e negaremos nosso Ser, para ficarmos inseguros de Quem somos, de Quem é nosso Pai e com que propósito viemos. E, não obstante, precisamos apenas reconhecer Aquele Que nos deu Sua Palavra em nossa criação para nos lembrarmos d'Ele e, então, lembrar de nosso Ser.

2. Pai, Tua Palavra é minha. E é ela que quero manifestar a todos os meus irmãos, que me são dados para estimar como a mim mesmo, de mesmo modo com que sou amado e abençoado e salvo por Ti.


*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 276

Caras, caros,

Repetindo: hoje, o Curso, mais uma vez, nos oferece para as práticas uma ideia que já praticamos de outra forma. Uma ideia que convida a assumirmos a responsabilidade pela salvação. A nossa própria salvação, a de cada um e de cada uma de nós mesmos, de nós mesmas, e a do mundo inteiro, conforme comentários outros que fiz no passado para esta mesma lição. 

Mas o que é a salvação? Lembram-se da segunda das instruções para as práticas das lições desta segunda parte do Livro de Exercícios? "A salvação é uma promessa, feita por Deus, de que encontrarias finalmente o teu caminho até Ele." Uma promessa que será certamente cumprida, quando aprendermos a viver em harmonia com o mundo que aparentemente nos cerca e com tudo o que há nele. Até porque teremos aprendido que o mundo só existe para nos mostrar aquilo que trazemos dentro de nós. 

É por isso que a salvação depende de sermos capazes de manifestar a Palavra de Deus. E quando fazemos isso? Ou como podemos fazer isso? Ora, é muito simples, tudo o que dizemos é a manifestação da Palavra, quando dizemos a partir do Ser em nós, do divino em nós. Quer dizer, se o que dizemos não mexe com a harmonia do mundo, não questiona as coisas ou as pessoas todas em seu estado natural, permitindo que elas sejam apenas o que elas são, sem qualquer julgamento, o que fazemos, ao dizê-lo, é, sim, a manifestação da Palavra de Deus.  

É isto o que se pode entender por viver em harmonia com o mundo: o que Curso nos ensinou em lição recente, cuja ideia é: Que todas as coisas sejam exatamente como são. Aliás, essa lição poderia de forma perfeita ser traduzida também como: Deixa as coisas serem exatamente como são. Porque, de modo geral, muitos e muitas de nós achamos ser necessário reformar o mundo, Isto é, deixá-lo - e as coisas e pessoas nele - melhor. Mas o que seria deixar o mundo melhor? "Não existe mundo", afirma o Curso. Então, o que há para melhorar em qualquer mundo em que pensamos viver, se não apenas nossa percepção, uma vez que o mundo nos mostra apenas aquilo que há dentro de nós? 

O que nos leva, às vezes, a pensar que somos capazes de melhorar o que está aí posto neste mundo que vemos? Só a ideia de onipotência do ego, é claro. É só o ego em nós que não consegue viver em harmonia com o mundo, que dá a ele e às coisas nele, as qualidades e defeitos que só o próprio ego pode ter, uma vez que, como sabemos, o mundo, qualquer mundo, e tudo o que há nele, é neutro.

Em geral, só não vivemos em harmonia com o mundo, com as coisas e pessoas nele, porque queremos que elas sejam diferentes do que são. Queremos modificá-las todas para que adéquem a nosso modo de pensar e de viver. Quando constatamos que isso não é possível, projetamos sobre o mundo, na forma de julgamento todos os equívocos que trazemos interiormente. Nada mais lógico, pois, que o mundo corresponda para a maioria de nós à imagem perfeita do inferno e do caos.

Paramahansa Yogananda, no livro Onde Existe Luz, entre outras coisas, como já lhes disse anteriormente, fala a respeito das formas pelas quais é possível nos darmos bem - viver em harmonia - com as pessoas com quem convivemos, com as que encontramos ocasionalmente e com todas as que nos chegam à consciência de algum modo, nalgum momento, quer presentes fisicamente, quer apenas passeando por nossos pensamentos. 

Um exemplo, para casos em que é necessário superar uma crítica, relevar um comentário ferino ou algo que alguém diz com intenção de nos ferir, e que serve como uma forma de aplicarmos na prática a ideia que o Curso nos oferece hoje, diz o seguinte:

"Quando um ente querido (...) testa nossa paciência além dos limites, devemos nos retirar para um lugar quieto, trancar a porta, praticar alguns exercícios físicos e relaxar da seguinte maneira: sente-se numa cadeira firme, com a coluna vertebral ereta. Lentamente inspire e expire doze vezes. Então afirme, profunda e mentalmente, dez vezes ou mais: 'Pai, Tu és harmonia. Possa eu refletir Tua harmonia. Harmoniza esse meu ente querido atacado pelo erro'." 


Um outro mestre que li em algum lugar aconselha a dormir.

Não lhes parece isso uma forma de nos tornar capazes de "manifestar a Palavra de Deus"?

Às práticas, pois!