quinta-feira, 28 de maio de 2026

É ilusória a ideia de uma existência separada de Deus

 

LIÇÃO 148

Minha mente contém só o que penso com Deus.

(135) Se me defendo, sou atacado.

(136) A doença é uma defesa contra a verdade.

*

COMENTÁRIO:

Caras, caros,

Por mais que nos esforcemos, por maiores que sejam nossas tentativas de apagar a ideia de Deus de nossas mentes, ela sempre vai estar lá. Não porque nenhum ou nenhuma de nós tenha certeza ou possa de alguma forma provar a existência d'Ele/Ela, mas simplesmente porque tudo o que existe, antes de passar a existir, foi uma ideia, como já estamos carecas de saber, não é mesmo?

Há quem acredite em Deus. E há quem não acredite. Que diferença isto faz? A rigor, nenhuma, falando honestamente. Porque mesmo as pessoas que não acreditam em Deus já se acostumaram à ideia de um deus. Quer dizer, mesmo que não tenhamos fé na existência de um ser que controlaria o universo todo e que seria responsável por tudo o que acontece no mundo - e a quem muitas pessoas culpam pelas desgraças todas que existem em seu mundo, a pobreza, a doença, a fome, as guerras, os desastres naturais, os acidentes de qualquer natureza -, todos e todas nós já fomos inoculados com a palavra Deus, que contém a ideia de um ser assim.

Por isso, entre outras coisas, é interessante que prestemos toda a atenção de que somos capazes na exploração das ideias de nossa revisão de hoje, com foco especial na ideia que dá unidade às práticas.

*

Explorando a LIÇÃO 148

"Minha mente contém só o que penso com Deus."

 Se me defendo, sou atacado.

A doença é uma defesa contra a verdade.

De que forma podemos explorar as duas ideias que o Curso oferece para as práticas de hoje? O que podemos pensar ou dizer a respeito desta ideia: "Se me defendo, sou atacado."? Será que algum, alguma, de nós já parou para pensar a respeito? Será que algum, alguma, de nós já se deu conta da verdade e do milagre que estão por trás desta ideia aparentemente tão simples, tão lógica? Já percebemos que quando estamos esperando ser atacados, atacadas, por alguém, por alguma coisa que fizemos, ou por algo que deixamos de fazer e que nos pesa na consciência, nossa posição é sempre defensiva? Parece-nos que tudo o que a outra pessoa diz é um ataque, mesmo que a tal pessoa com quem conversamos não tenha a menor ideia da razão pela qual estamos nos defendendo. Mesmo que o que ela diga não tenha a menor intenção de nos atacar. 

E que dizer da segunda ideia, então? Aparentemente, antes de entrar em contato com o Curso, nunca ouvimos dizer coisa parecida. Uma doença sempre nos pareceu algo que acontece, algo que vem por conta do tempo, de maus cuidados em relação a nossos corpos, de acidentes, de maus tratos na infância ou de quaisquer outras causas que justifiquem que alguém desenvolva algum tipo de doença. Mas, acredito, jamais passou pela cabeça de ninguém que não tenha tido contato com o Curso a ideia de que a doença possa ser, na verdade, como o Curso sustenta, uma defesa contra a verdade. 

Que verdade?  Vejamos, pois. Paremos para refletir. Para descobrir a verdade e o milagre por detrás desta segunda ideia também.

Por que ficamos doentes? Porque acreditamos que podemos ser atacados ou atacadas pela verdade. É daí que vem nossa crença na necessidade de defesas. Mas, se ainda somos como Deus nos criou, o que poderia nos atacar? Ou não acreditamos que ainda somos tal qual Deus nos criou?

O Curso ensina que nunca houve um tempo em que nos separamos de Deus. Isto quer dizer que a ideia de uma existência separada d'Ele é apenas ilusão. Aliás, podemos pensar até que acreditar na ilusão de uma vida à parte de Deus é que é, sim, um ataque a Ele. Mas é também um ataque que só pode ser feito pelo ego, pelo falso eu, pela imagem equivocada que construímos de nós mesmos e de nós mesmas. Isto é, um ataque da ilusão à verdade, que não pode ter nenhum efeito.

Como já lhes disse antes, é esta percepção equivocada que temos de nós mesmos e de nós mesmas e, por consequência, do mundo inteiro e de tudo o que aparentemente existe nele, que nos põe permanentemente na defensiva, pois faz que nos vejamos como criaturas frágeis, destinadas a voltar ao pó, de onde se diz que viemos. Mas o que volta ao pó é apenas aquela parte ilusória de nós, que é feita de pó. O que somos, na verdade, não pode morrer, nem virar pó.

No entanto, ao nos identificarmos com um corpo perecível - a forma que temos na ilusão da percepção -, que está sujeito ao ataque de parte de nós mesmos e de nós mesmas, de outros ou outras de nós, da passagem do tempo, das condições climáticas e de todas as coisas que povoam o mundo amedrontador que construímos a partir desta percepção distorcida, damos à ilusão um poder sobre nós que ela não tem e nos deixamos enganar pelo ego, que se vale do poder que atribuímos a algo que não existe.

O fato de vivermos na defensiva, identificador do julgamento que fazemos de nós mesmos e de nós mesmas, e que projetamos em tudo o que vemos, abre espaço para o ataque, melhor dizendo, autoriza a que nos sintamos atacados/as pelas outras pessoas e por outras coisas vivas, vírus, bactérias, animais, grandes e pequenos, visíveis e invisíveis; e por coisas aparentemente inanimadas, utensílios, plantas, líquidos e alimentos. 

É para nos libertarmos da crença na separação, que gera a ideia da necessidade de defesa, que revisamos hoje. A primeira das ideias para as práticas deste dia ensina de forma clara como deslocar o ataque de qualquer coisa aparentemente externa a nós, atribuindo-o à única fonte de onde ele pode surgir: de nossa posição de defesa. 

É claro que isto contraria aquele pensamento do mundo segundo o qual "a melhor defesa é o ataque" e ensina que não há necessidade de defesas, que não podemos ser atacados nem atacadas por nada nem por ninguém, a não ser por nossa própria percepção equivocada de nós mesmos e de nós  mesmas, que constrói todo este mundo de ilusões em que pensamos habitar. Na verdade, a melhor defesa não é o ataque. A melhor defesa é acreditar que ainda somos como Deus nos criou, na inocência e na pureza e na alegria, que permitem o olhar amoroso para tudo, para todos e todas porque não percebe nenhum ataque, porque não cogita a possibilidade de atacar a nada nem a ninguém.

A segunda informa a razão pela qual inventamos a doença, que consegue ser, ao mesmo tempo, uma forma de defesa e de ataque. Contra a verdade e contra nós mesmos, contra nós mesmas. Sempre. Por mais que queiramos nos auto-enganar atribuindo uma doença qualquer a alguma coisa exterior a nós, todas as doenças são escolhas que fazemos - claro que na maior parte das vezes de forma inconsciente - e das quais nos valemos para atacar a verdade, ou para fazê-la calar, quando não queremos aceitar a completa e total responsabilidade por tudo aquilo que nos acontece na vida. 

Quem quer de forma consciente assumir que cria para si mesmo ou para si mesma todas as experiências e situações por que passa? Quem quer assumir conscientemente que as pessoas que o/a cercam são as pessoas que ele/ela mesmo/a escolheu para o bem ou para o mal? E reconhecer e aceitar que elas cumprem um papel que ele/ela mesmo/a atribuiu a elas e que ele/ela deve ser grato/a por isso? 

Que se dirá, então, da possibilidade de encontrar alguém capaz de aceitar a responsabilidade por tudo o que vê no mundo, isto é, por tudo aquilo que lhe chega à consciência, sabendo que cabe apenas a si mesmo, ou a si mesma, mudar o que vê, perdoando-se pela percepção equivocada para perdoar o mundo inteiro?

Pratiquemos, portanto, hoje, para aprendermos a abandonar tanto a defensiva quanto o ataque, entregando-nos por inteiro à verdade cujo conhecimento, segundo o que nos disseram que Jesus disse, nos libertará. 

Às práticas?

quarta-feira, 27 de maio de 2026

O mundo que queremos mora no mais íntimo de nós

 

LIÇÃO 147

Minha mente contém só o que penso com Deus.

(133) Não darei valor àquilo que não tem valor.

(134) Que eu perceba o perdão tal como ele é.

*

COMENTÁRIO:

Caras, caros,

Uma pessoa que conheço afirma que o autoconhecimento é impossível. E, se a gente pensar bem, é preciso reconhecer que essa pessoa tem razão. Não acham?

Explico por quê?

À luz do ensinamento que o Curso nos oferece, nossa caminhada é uma viagem que se dá sem distância. Quer dizer, não vamos sair daqui, do ponto em que estamos, por exemplo, e chegar a um ponto bem distante daquele do qual partimos. Não!

A caminhada vai sempre se dar na direção de nós mesmos, de nós mesmas. Por quê? Porque ainda não nos conhecemos, não sabemos aonde estamos e nem para onde vamos. Assim, o Curso nos oferece uma jornada na direção do autoconhecimento, que significa conhecer a nós mesmos, a nós mesmas, e conhecer Deus.

Ora, o Curso também afirma que Deus é apenas uma ideia. E, mais, diz que nós, cada um e cada uma de nós, também somos apenas uma ideia. Se a Criação não tem princípio nem fim, ela está sempre acontecendo, de modo que aquilo que somos num dado momento já não é mais o que seremos no momento seguinte, como chegaremos a nos conhecer? Quando? Nunca! Porque assim também é a ideia de Deus, que só pode Se conhecer experimentando as miríades de Si Mesmos, Si Mesmas, que brotam no universo a cada instante.

Daí a importância de praticarmos mais uma vez as ideias que o Curso nos pede para revisarmos hoje.


Explorando a LIÇÃO 147

"Minha mente contém só o que penso com Deus."

Não darei valor àquilo que não tem valor.

Que eu perceba o perdão tal como ele é.

Hoje, mais uma vez, vamos buscar reforçar em nossa consciência o aprendizado de duas ideias que também são vitais em nossa busca do autoconhecimento, isto é, o aprendizado, o reconhecimento e a aceitação da verdade do que somos, que é o que o ensinamento do Curso oferece a quem se dispõe a seguir as orientações que ele traz a cada um, a cada uma. Sempre nos lembrando também de que nestes dias de revisão somos convidados e convidadas a plantar em nossa consciência a verdade que há na afirmação que abre todas as lições: Minha mente contém só o que penso com Deus. E este contém também poderia ser "guarda", "mantém", "retém". Quer dizer, é só o que pensamos com Deus que nos sustenta, que tem valor, que é verdadeiro.

A primeira das ideias que revisamos nos convida a praticar e a reforçar o entendimento de que o mundo que vemos não contém nada daquilo que, de fato, queremos, conforme uma lição que já praticamos anteriormente. Ou alguém entre nós, querendo muito alguma coisa, já se satisfez por completo com ela, após obtê-la? Isto é, obteve o que queria e nunca mais desejou nada do mundo?

Esta ideia, pelo convite a aprendermos a não dar valor àquilo que não tem valor, nos incita a abandonarmos o apego às coisas todas do mundo, animadas ou inanimadas, reconhecendo a neutralidade delas, a fim de aprendermos a usá-las apenas como instrumentos que podem nos servir de auxílio na caminhada em direção ao mundo que há além deste, e que é o mundo que queremos. 

Não nos enganemos, porém, pensando que o mundo que queremos tem alguma coisa a ver com a aparente materialidade deste. Não! Na verdade, o mundo que queremos mora no mais íntimo de nós mesmos e de nós mesmas e é a melhor expressão do Céu que podemos encontrar, exatamente porque não está fora e pode ser acessado a qualquer instante a partir do momento em que nos decidirmos por ele.

A segunda ideia que revisamos hoje indica o melhor instrumento a ser usado para nos livrarmos do apego às coisas do mundo. É só o perdão que pode curar nossa percepção equivocada. Ao aprendermos a perceber o perdão como ele é, ou seja, um meio de eliminar a crença na separação, que apenas a percepção equivocada pode reforçar, seremos capazes de dar valor apenas àquilo que, de verdade, tem valor. À paz, à alegria e à felicidade completas, que são a Vontade de Deus para nós, em Seu Amor Infinito. 

Às práticas?

terça-feira, 26 de maio de 2026

É do que pensas das coisas que brota seu significado

 

LIÇÃO 146

Minha mente contém só o que penso com Deus.

(131) Ninguém que busque alcançar a verdade pode falhar.

(132) Libero o mundo de tudo o que eu pensava que ele fosse.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 146

Caras, caros,

Não há como não fazer uma ligação entre as ideias que vamos praticar com esta lição e aquela ideia que às vezes se repete na práticas e diz que ainda somos como Deus nos criou.

Explico: se ainda somos como Deus nos criou, é óbvio que não nos separamos jamais d'Ele/Ela e que nossa mente só pode conter aquilo que pensamos com Ele/Ela. É também óbvio que, se mantivermos esta ideia em mente, aceitando-a e compreendendo o que ela quer dizer, o que ela representa em nosso caminhada neste mundo, não há como falharmos em nossa busca pela verdade. E ainda que caminhemos sem muita certeza do que pode vir pela frente, com esta ideia em mente, vamos ser capazes de liberar o mundo de tudo o que quer que tivéssemos imaginado que ele era.

É assim que começamos nossas práticas de hoje.

"Minha mente contém só o que penso com Deus."

Ninguém que busque alcançar a verdade pode falhar.

Libero o mundo de tudo o que eu pensava que ele fosse.

Voltemos mais uma vez nossa atenção para a primeira das ideias que revisamos hoje. Uma ideia que nos põe em contato direto com a possibilidade de alcançarmos a verdade a nosso próprio respeito, além de qualquer sombra de dúvida, além de qualquer idade e de qualquer medida no tempo. 

Aliás, só quem pode duvidar disso é o falso eu [o ego do Curso], aquela parte de nossa mente que acredita na separação e que busca nos convencer de que a ilusão que este mundo nos oferece é que é a verdade.

Lembremo-nos de que o Curso ensina que o estado natural de todo Filho de Deus é o estado de graça, ressaltando que "quando ele [o Filho de Deus] não está em estado de graça, está fora de seu ambiente natural e não funciona bem".

Noutro ponto do texto o Curso diz que só fora de nosso ambiente natural é que podemos nos perguntar: "O que é a verdade?", já que a verdade é o ambiente pelo qual e para o qual fomos criados. Isto, sem dúvida, dá todo o sentido à primeira das ideias que revisamos hoje.

A segunda ideia de nossa revisão indica a maneira pela qual podemos alcançar a verdade. Isto é, pela liberação do mundo, pela compreensão de que tudo o que já pensamos no passado a respeito do mundo foi mudando com a ilusão da passagem do tempo, que, como o Curso ensina, não existe como uma linha linear sobre a qual vão se depositando nossas vivências dia a dia.

Porque, assim como mudamos o modo de pensar ao longo do tempo em que acreditamos viver, o mundo vai mudando, bem de acordo com a mudança que operamos em nosso modo de pensar, não é mesmo? Então, resta-nos a alternativa de alinhar o que pensamos ao que o Curso ensina acerca do mundo. Isto é, que ele, e tudo o que aparentemente existe nele, é neutro. 

Isto quer dizer, conforme já vimos lá atrás, nas primeiras lições, que todas as coisas só adquirem significado a partir daquilo que pensamos delas. Em outras palavras, o mundo, as coisas e as pessoas do, e no, mundo têm apenas o significado que queremos que tenham. 

Refazendo, portanto, a pergunta feita antes, compreender isto não é, de fato, um grande passo em direção à liberdade e, por consequência, em direção à verdade? E mais: um grande passo na direção do estado de graça, nosso estado natural, que fica além do tempo e de qualquer medida que possamos inventar na experiência dos sentidos e da forma? 

Às práticas?

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Uma mudança só é possível quando começa dentro

 

LIÇÃO 145

Minha mente contém só o que penso com Deus.

(129) Além deste mundo há um mundo que eu quero.

(130) É impossível ver dois mundos.

*

COMENTÁRIO: 

Caras, caros,

Antes de nos debruçarmos sobre as ideias para a revisão de hoje, antes da exploração de cada uma delas, vamos voltar nossa atenção mais uma vez por alguns instantes para uma questão a respeito da dor e de sua realidade, postada há alguns anos por nosso colega e companheiro de jornada, David, ao fazer um comentário sobre a lição 142 e a anterior, e sobre os comentários que fiz a elas. 

Óbvio é que, para a maioria de nós, estudantes do Curso, como o próprio David reconhece, quase todas as nossas experiências dizem respeito na maior parte do tempo à ilusão de que vivemos num mundo [se não estivermos vivendo a experiência de um "instante santo", se não estivermos no aqui e agora, inteiramente imersos e imersas no momento presente]. Neste mundo que, se pensarmos bem, só pode ser ilusório, uma vez que ele não bate em praticamente nenhuma de suas características com qualquer mundo em que viva qualquer uma das cerca de oito bilhões de pessoas que o dividem conosco. Ou haverá algo comum no mundo que pensamos viver com qualquer outro mundo em que viva algum de nossos semelhantes, nossos contemporâneos, hoje? Com o mundo em que vive David, por exemplo? 

Numa tentativa de resposta, o que posso dizer é que a experiência da dor, David, como toda e qualquer outra experiência que se apresenta em nossa vida, é também, por menos que pareça, uma escolha que fazemos - claro que na grande maioria das vezes esta escolha é inconsciente. Seja ela uma dor física, em função de uma doença, ou de um acidente, seja ela uma dor psicológica, uma angústia, uma depressão, ou outra qualquer do gênero. [Talvez seja interessante voltarmos às lições 135 e 136, entre outras, que nos dão o significado da doença, na visão do ensinamento.]

É claro que ela é "real", por assim dizer, para quem a sente. No entanto, se já aprendemos que somos nós que criamos e construímos o mundo e as experiências que queremos viver nele, certamente seremos capazes de assumir cem por cento da responsabilidade por tudo o que acontece em nossa vida. É isso que pode nos dar a possibilidade de fazer escolhas diferentes, quando os resultados das que fizemos nos afastam da alegria, que é, ou deveria ser de acordo com o ensinamento, nossa condição natural. 

Então, David e colegas, a dor pode acontecer e ser inevitável em algum momento em nossa vida. Porém, não podemos nos identificar com ela, podemos escolher não transformá-la em sofrimento, acreditando em sua terrível realidade e nos deixando abater por ela. Ela, na verdade, não tem nunca nenhum poder, a não ser aquele que damos a ela. 

Ramana Maharshi, que faz parte mais uma vez deste comentário logo abaixo, passou os últimos longos anos de sua vida no corpo, acometido de uma doença que causaria uma dor insuportável dia após dia a qualquer ser humano comum, não desperto, segundo todos os médicos que o examinaram. No entanto, pelo que dizem os que o conheceram e escreveram sobre ele ao longo dos anos, ele nunca se queixou em momento algum. Espero que estas observações lhe sirvam de algum auxílio, David, e fique à vontade para continuar a conversa, se achar necessário. 

Vamos, então, à exploração da nossa lição de hoje.

*

Explorando a LIÇÃO 145

"Minha mente contém só o que penso com Deus."

Além deste mundo há um mundo que eu quero.

É impossível ver dois mundos.

As ideias que revisamos hoje são a sequência natural das ideias da revisão de ontem. Abrem nova porta para entrarmos em contato com a verdade a respeito do que vemos a partir da percepção do corpo e dos sentidos. Permitem que nos debrucemos sobre nossas escolhas para refletir a respeito do que nos mantém presos e presas a este mundo. O que há nele que ainda queiramos? A que estamos apegados, apegadas? 

São as práticas com estas duas ideias que podem explicar e nos fazer ver a razão pela qual não há nada que, de fato, queiramos neste mundo. Ele não é verdadeiro. Pelo menos não da maneira como o percebemos.

Elas também servem para assegurar que não nos sintamos perdidos em um mundo que é apenas fruto de uma ilusão da percepção equivocada. Uma percepção que tem por ponto de partida a crença na possibilidade de uma existência separada daquilo que somos verdadeiramente e, por consequência, separada de Deus e apartada de todas as manifestações d'Ele.

A segunda das ideia de nossa revisão de hoje, ao garantir que não é possível ver dois mundos, nos assegura a existência de apenas um mundo verdadeiro: aquele que está além do que vemos na ilusão e que é o que queremos.

E, mais uma vez - para nos lembrarmos -, o que o Curso nos pede não é que desistamos deste mundo, mas que o troquemos por um mundo muito mais satisfatório, mais pleno de alegria. Um mundo que pode nos oferecer a paz. Para tanto, basta escolhermos mudar nossa forma de pensar a respeito deste mundo que vemos. Como todos e todas nós já aprendemos, não há nada a mudar fora de nós. Qualquer mudança só é possível a partir do interior. É só dentro que precisamos mudar.

Precisamos nos lembrar também de que o mundo que vemos apenas reflete nossa forma de pensar, que, por sua vez, é influenciada por nossas crenças, para se tornar o reflexo de nossa escolha do que queremos ver. É só a partir de um ponto de vista equivocado que podemos pensar em mundo no qual possam existir o ódio e o amor ao mesmo tempo.

As práticas ensejam a mudança na forma de pensar, de que precisamos para limpar nossa consciência do auto-engano a que nos induz o sistema de pensamento do falso eu, em que este mundo de ilusões se baseia.

Às práticas, pois!

domingo, 24 de maio de 2026

Não satisfaremos nosso desejo de Céu neste mundo

 

LIÇÃO 144

Minha mente contém só o que penso com Deus.

(127) Não há nenhum amor a não ser o de Deus.

(128) O mundo que vejo não tem nada que eu queira.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 144

Caras, caros,

Fica cada vez mais fácil aceitar, compreender e praticar as lições do Curso a cada revisão. Porque se deixamos escapar alguma coisa quando praticamos alguma ideia pela primeira vez, ao tempo da revisão podemos recuperar aquilo que perdemos. Sem contar que os milagres que o Curso põe a nossa disposição se tornam cada vez mais claros. Podemos percebê-los, senti-los, vivê-los a cada nova experiência que se apresenta a nós.

Não é assim com vocês? Não tem sido assim, desde que tomaram a decisão de praticar como o Curso pede, com toda a honestidade possível? Tomando a decisão de praticar a cada novo dia, a cada nova hora, a cada minuto?

Bem, é fato que podemos encontrar alguns percalços pelo caminho, mas o que praticamos nesta revisão, repetindo que "minha mente contém só o que penso com Deus" durante dez dias tem todo o poder que existe para nos mostrar todos os milagres que precisamos ver. E, principalmente, nos fazer ver o milagre que precisamos ser.

Vamos, pois, à lição de hoje:

"Minha mente contém só o que penso com Deus."

Não há nenhum amor a não ser o de Deus.

O mundo que vejo não tem nada que eu queira.

Revisamos hoje, mais uma vez, duas ideias que, com as práticas, devem servir para reforçar em nossa consciência o fato de que todo amor vem de Deus e o aprendizado de que não há nenhum amor a não ser o d'Ele. Isto é, a partir desta ideia, tudo aquilo que aparentemente não vem d'Ele é ilusão, não existe e não é amor.

A segunda das ideias que praticamos nos convida a reconhecer que o mundo que vemos não tem nada que, de fato, queiramos. Pois, quando paramos para refletir, podemos perceber claramente que, na verdade, tudo o que vemos no mundo é passageiro, é efêmero, e não pode - e nem vai - durar.

Como também sabemos que nossos anseios mais profundos sempre nos levam em direção ao duradouro, ao eterno, as duas ideias que praticamos servem ainda para ajudar a abrir nossos sentidos, nossas mentes e nossos corações à Voz por Deus, que nos fala interiormente de nosso desejo mais profundo pelo Céu. 

Pois tudo aquilo que passa e pode mudar para atender a nossos desejos, que variam como variam as marés, ou mudam tantas vezes quanto mudamos de roupas todos os dias, não pode, de fato, nos satisfazer. Isto é bastante claro quando pensamos nas coisas todas que já obtivemos e que deixaram de nos interessar depois que foram obtidas, depois de as conseguirmos. Não lhes parece, pois, que isto é uma confirmação de que nada no mundo ou deste mundo pode satisfazer nosso desejo de Céu? Seja Céu o que for para cada um e cada uma de nós.

Sugiro, pois, que pratiquemos com disposição para nos abrirmos ao amor de Deus em nós, que é a única coisa que existe de verdade. Para aprendermos a renunciar ao mundo, abrindo-nos, deste modo, à eternidade do que somos em Deus, com Ele.

Pois não há como negar a verdade da afirmação de que tudo passa neste mundo. Nada daquilo que vemos dura para sempre. Nem nossos corpos, que também são ideias que fazemos de nós, e não têm realidade em si mesmos, nem nosso olhar, pois, em muitas ocasiões, ao olharmos para uma mesma coisa repetidas vezes, a coisa muda. Mesmo os corpos, que achamos (de modo equivocado) que é o que somos, mudam a cada respiração, a cada interação com outros corpos e com o mundo. 

É por isso que vale praticar com afinco as ideias desta revisão. Elas nos dão mais uma vez a oportunidade de escolher o desapego das coisas do mundo, mesmo que por vezes algumas delas nos pareçam por demais valiosas.

Tudo o que vale realmente é o que somos, além do que pensamos a respeito de nós mesmos e de nós mesmas, que é apenas uma ideia falsa, uma vez que não somos nem de longe a imagem que fazemos de nós.

Tudo o que fazemos no mundo é sonhar. 

E como diz Ramana Maharshi: 

"Não há nenhuma diferença entre o estado do sonho e o estado de vigília, exceto que o sonho é curto e a vigília longa. Ambos são o resultado da mente."

Às práticas?

sábado, 23 de maio de 2026

Para a luz se apresentar é preciso dar-lhe permissão

 

LIÇÃO 143

Minha mente contém só o que penso com Deus.

(125) Hoje recebo a Palavra de Deus em paz.

(126) Tudo o que dou é dado a mim mesmo.


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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 143

Caras, caros,

"Minha mente contém só o que penso com Deus."

Hoje recebo a Palavra de Deus em paz.

Tudo o que dou é dado a mim mesmo.

Hoje vamos revisar mais duas ideias das práticas recentes, com o firme propósito de nos aquietarmos para, em primeiro lugar, ouvir e receber em nós a Palavra de Deus e para, em seguida, aprender que tudo o que damos damos apenas a nós mesmos, a nós mesmas. Sempre. Em toda e qualquer circunstância.

Se voltarmos ao  texto que apresentava a ideia para as práticas da lição 126, leremos lá que a ideia - a de que tudo o que damos é apenas a nós mesmos e a nós mesmas que damos - é completamente estranha para o ego, que se vê separado e distante de tudo e de todos, lutando para tentar manter em pé as ilusões que criou e nas quais acredita.

Seguindo, pois, as orientações que recebemos antes, podemos descobrir nisto a importância das práticas. Em primeiro lugar, para aprendermos que é só no silêncio e em paz que nós podemos nos abrir à Voz por Deus e receber em nós Sua Palavra com alegria.

Em segundo, para compreendermos que, em contato com o divino em nós, podemos abandonar todas as crenças a que o ego quer nos induzir, eliminando, assim, as ilusões que nos impedem de chegar ao conhecimento de nós mesmos e de nós mesmas e de entrar em contato com o que somos, na verdade, em Deus.

Para auxiliar nas práticas e estender a reflexão a respeito do que fazemos ao praticar, ofereço-lhes também aqui, mais uma vez, um pequeno texto inspirado no que diz Joel Goldsmith acerca dos benefícios que advêm da busca de viver uma vida espiritual.

É o seguinte:

O que tu e eu recebemos como benefício de nosso estudo e das práticas das lições é muito menos importante do que aquilo que o ensinamento faz no sentido de elevar o mundo inteiro. Devemos nos lembrar, tu e eu, que não existe um Curso separado e apartado de nossa consciência e da Consciência Única, Una e Infinita. Não existe um Curso pairando no espaço. Só existe no mundo um Curso que é ativo na consciência e, a menos que seus princípios encontrem atividade e expressão na tua [e na minha] consciência individual, eles não se expressarão no mundo. Daí a responsabilidade que cada um [e cada uma] de nós tem de viver a partir destes princípios, de viver estes princípios em sua vida.

Ou ainda, parafraseando o que diz Elio D'Anna:

Toda a ação verdadeira nasce - só pode nascer - de um estado de imobilidade, de paz, de silêncio e de tranquilidade, que permitem à luz que se apresente e inunde a vida do ser. Tudo o que aparentemente alguém cria e se manifesta é apenas resultado da permissão que esse alguém dá à luz de se apresentar nesta ou naquela forma escolhida.

Às práticas?

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Na verdade, aquilo que nós pensamos ser não existe

 

LIÇÃO 142

Minha mente contém só o que penso com Deus.

(123) Agradeço a meu Pai por Suas dádivas para mim.

(124) Que eu me lembre de que sou um com Deus.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 142

Caras, caros,

Continuemos nossas práticas de revisão da seguinte forma:

"Minha mente contém só o que penso com Deus."

Agradeço a meu Pai por Suas dádivas para mim.

Que eu me lembre de que sou um com Deus.

Revisamos hoje, mais uma vez, duas ideias de vital importância para se chegar ao aprendizado de abandonar os ensinamentos do ego e os do mundo. Ambas podem servir para nos levar a entender que, na verdade, aquilo que pensamos ser não existe. É apenas uma falsa imagem de nós mesmos e de nós mesmas que construímos, claro que sob a orientação do ego, "o grande impostor", no dizer do Curso. O que somos é parte da Unidade com Deus. Vive em Deus e com Ele, mesmo quando nos percebemos e acreditamos separados, separadas e distantes, de nós mesmos e de nós mesmas, uns dos outros, umas das outras e de Deus.

As práticas, se feitas de acordo com as orientações do texto introdutório a esta nova revisão, devem - e, com certeza, vão - nos levar a dar os primeiros passos na direção do despertar, auxiliando-nos a perceber o quanto nossa identificação [o apego ao] com o falso eu [o ego do Curso], com o corpo e com a mente nos atrapalha e impede de andar na direção do reconhecimento, da aceitação e do cumprimento da Vontade de Deus para nós.

Repetindo o que Eckhart Tolle diz em seu livro O Poder do Agora

Estamos tão identificados [com a mente] que nem percebemos que somos seus escravos. É quase como se algo nos dominasse sem termos consciência disso e passássemos a viver como se fôssemos a entidade dominadora. A liberdade começa quando percebemos que não somos a entidade dominadora, o pensador. Saber disso nos permite observar a entidade. No momento em que começamos a observar o pensador, ativamos um nível mais alto da consciência. Começamos a perceber, então, que existe uma vasta área de inteligência além do pensamento, e que este é apenas um aspecto diminuto da inteligência. Percebemos também que as coisas realmente importantes como a beleza, o amor, a criatividade, a alegria e a paz interior surgem de um ponto além da mente. É quando começamos a acordar.

É para este nível e para este despertar que as práticas das ideias da revisão de hoje, e as práticas em geral com todas as ideias do Curso, podem nos remeter. 

Às práticas?