sábado, 7 de janeiro de 2012

Aprender algo é torná-lo parte do que somos

LIÇÃO 7

Eu vejo só o passado.

1. É particularmente difícil acreditar nesta ideia a princípio. Porém, ela é a base lógica para todas as anteriores.
Ela é a razão pela qual nada do que vês significa coisa alguma.
Ela é a razão pela qual dás a tudo o que vês todo o significado que tem para ti.
Ela é a razão pela qual não entendes nada do que vês.
Ela é a razão pela qual teus pensamentos não significam nada, e a razão pela qual eles são como as coisas que vês.
Ela é a razão pela qual tu nunca estás transtornado pelo motivo que imaginas.
Ela é a razão pela qual tu estás transtornado porque vês algo que não existe.

2. É muito difícil mudar ideias antigas a respeito do tempo, porque tudo aquilo em que acreditas está radicado no tempo e depende de não aprenderes estas ideias novas a respeito dele. No entanto, é justamente por isso que precisas de ideias novas acerca do tempo. Esta primeira ideia a respeito do tempo não é, de fato, tão estranha quanto pode parecer de início.

3. Olha para uma xícara, por exemplo. Tu vês uma xícara ou simplesmente revês tuas experiências passadas de pegar um xícara, de estar com sede, de beber de uma xícara, de sentir a borda de uma xícara contra teus lábios, de tomar o café da manhã e assim por diante? Tuas reações estéticas à xícara não são também baseadas em experiências passadas? De que outra forma saberias se esse tipo de xícara se quebraria ou não se a deixasses cair? O que sabes a respeito dessa xícara exceto aquilo que aprendeste no passado? Tu não tens nenhuma ideia do que essa xícara é, a não ser pelo teu aprendizado passado. Então, tu a vês realmente?

4. Olha ao teu redor. Isso é igualmente verdadeiro a respeito de qualquer coisa para a qual olhes. Reconhece isso aplicando a ideia de hoje indistintamente para o que quer que capte teu olhar. Por exemplo:

Eu vejo só o passado neste lápis.
Eu vejo só o passado neste sapato.
Eu vejo só o passado nesta mão.
Eu vejo só o passado naquele corpo.
Eu vejo só o passado naquele rosto.

5. Não te demores em nenhuma coisa em particular, mas lembra-te de não omitir nada de modo específico. Olha rapidamente para cada sujeito e, em seguida, passa para o seguinte. Três ou quatro períodos de prática, que durem aproximadamente um minuto cada, serão suficientes.

*

COMENTÁRIO:

Um poema, ou parte de um, de Daniel Lima talvez nos ajude a nos aproximarmos da ideia para as práticas deste sábado, dia 7 de janeiro, com um olhar mais tranquilo. Um olhar, quem sabe?, mais sereno, porque pontilhado pela certez de que aquilo que somos não depende do tempo.


Diz ele:


És imortal 
mas a vida começa agora.
Já começou agora desde sempre.
Amanhã é uma ilusão. A eternidade
é hoje. Ou nunca.


E podemos estender a reflexão perguntando a nós mesmos em que momentos da vida, de fato, fomos felizes. Em que momentos nos encontramos com a alegria plena e indikzível e a certeza de que nada do que aconteça vai nos impedir de ser aquilo que nascemos para ser?


Certamente a resposta não está no passado, uma vez que o passado se foi. E nós - o que somos - ainda estamos aqui. Seja aqui o lugar que for. Mas estaremos mesmo?


Ou estaremos olhando apenas para esta ideia, para esta lição, para esta tela de computador, pensando no que nos espera pelo dia, nos próximos dias? Ou estaremos comparando as impressões que a ideia nos desperta com aquelas do ano passado, ou de um tempo ainda mais distante - se é que isso pode significar alguma coisa - se é que lembramos delas, ou desses tempos?


Aprender algo tem de significar compreender. E compreender é aceitar. Só sabemos que aprendemos alguma coisa quando ela passa a ser parte do que somos. Depois que passou pelo filtro do amor em nós. Por isso, terminemos este comentário com mais um trecho de um poema de Daniel Lima, que talvez sirva para trazer um pouco mais de clareza àquilo de que estamos falando. Diz ele o seguinte:


Sei que é só meu o de dentro;
se é de fora não é meu,
pois tudo faz-se-me estranho 
se o amor não o torna eu.


Às práticas? 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Deixando de fazer tempestade em copo d'água


LIÇÃO 6

Eu estou transtornado porque vejo algo que não existe.

1. Os exercícios com esta ideia são muito parecidos aos anteriores. Novamente, é necessário dar nome tanto à forma de transtorno (raiva, medo, preocupação, depressão e assim por diante) quanto à fonte percebida de forma muito específica para qualquer aplicação da ideia. Por exemplo:

Eu estou com raiva de _______ porque vejo algo que não existe.
Eu estou preocupado com _______ porque vejo algo que não existe.

2. A ideia de hoje é útil para a aplicação a qualquer coisa que pareça te transtornar e, para este fim, pode ser usada com proveito ao longo do dia. No entanto, os três ou quatro períodos de prática pedidos devem ser precedidos de mais ou menos um minuto de busca mental, como antes, e pela aplicação da ideia a cada pensamento de transtorno descoberto na busca.

3. Mais uma vez, se resistires a aplicar a ideia a alguns pensamentos de transtorno mais do que a outros, lembra-te dos dois avisos expressos na lição anterior:

Não há nenhum transtorno pequeno. Todos eles
perturbam minha paz de espírito do mesmo modo.

E:

Eu não posso manter esta forma de transtorno e abandonar
as outras. Então, para os objetivos destes exercícios, vou
considerá-las todas como a mesma.

*

COMENTÁRIO:

Nesta sexta-feira, dia 6 de janeiro, se comemora o dia de reis. De acordo com a lenda que envolve o nascimento de Jesus, diz-se que três reis magos, Gaspar, Melquior e Baltazar partiram do oriente, seguindo uma estrela no céu, que anunciava o nascimento de um deus menino. Iam prestar homenagem levando-lhe o que havia de mais precioso em seus lugares de origem: ouro, incenso e mirra.


As práticas de hoje nos levam a pensar no quanto nos aborrecemos na vida porque damos realidade a coisas que não existem. Como se diz popularmente, estamos acostumados a fazer tempestade em copo d'água, dando uma importância a coisas que absolutamente não têm importância, deixando de ver o que há de mais importante em nossas vidas.


As riquezas que estão em nosso lugar de origem e que só podemos encontrar voltando-nos para o mais profundo no interior de nós mesmos, o lugar em que podemos achar a paz de espírito imperturbável, o lugar em que podemos entrar em contato com a alegria, com a graça, que é nosso estado natural, conforme vimos na lição de ontem. 


Como o Curso nos lembrava no final do ano passado, preparando-nos para o início de mais um ano, este ano, o sinal do Natal (o renascer que deve acontecer todos os dias em nossas vidas) é uma estrela e devemos vê-la dentro de nós mesmos e não fora. Este renascer diário é o que as práticas buscam nos proporcionar, para que sejamos capazes de reconhecer e abandonar qualquer forma de transtorno que se apresente a nossa experiência.


Às práticas, pois!  

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Para voltarmos ao estado natural do Filho de Deus


LICÃO 5

Eu nunca estou transtornado pela razão que imagino.

1. Esta ideia, como a anterior, pode ser usada com qualquer pessoa ou acontecimento que penses estar te causando dor. Aplica-a de modo específico a qualquer coisa que acredites ser a causa de teu transtorno, usando a descrição da sensação em quaisquer termos que te pareçam exatos. O transtorno pode parecer ser medo, preocupação, depressão, ansiedade, raiva, ódio, ciúme, ou ter inúmeras formas todas as quais serão percebidas como diferentes. Isso não é verdade. Entretanto, até aprenderes que a forma não importa, cada uma é um sujeito adequado para os exercícios do dia. Aplicar a ideia a cada uma delas separadamente é o primeiro passo para o reconhecimento de que, em última instância, elas são todas a mesma.

2. Quando utilizares a ideia de hoje para uma causa percebida como específica de um transtorno em qualquer forma, usa tanto o nome da forma com que vês o transtorno quanto a causa a que tu o atribuis. Por exemplo:

Eu não estou com raiva de __________ pela razão que imagino.
Eu não estou com medo de __________ pela razão que imagino.

3. Mas, novamente, isso não deve substituir os períodos de prática em que primeiro examinas tua mente em busca das "fontes" do transtorno no qual acreditas e as formas de transtorno que pensas resultarem delas.

4. Nestes exercícios, mais do que nos anteriores, podes achar difícil não fazer distinções e evitar conferir a alguns sujeitos peso maior do que a outros. Talvez ajude se antes dos exercícios declarares:

Não há nenhum transtorno pequeno. Todos eles
perturbam minha paz de espírito do mesmo modo.

5. Em seguida, examina tua mente em busca de qualquer coisa que esteja te angustiando, independente de quanta aflição, muita ou pouca, imagines que isso esteja causando.

6. Também podes te descobrir menos disposto a aplicar a ideia de hoje a algumas fontes de transtorno percebidas do que a outras. Se acontecer isso, pensa primeiro no seguinte:

Eu não posso manter esta forma de transtorno e abandonar
as outras. Então, para os objetivos destes exercícios, vou
considerá-las todas como a mesma.

7. Em seguida, investiga tua mente por não mais do que cerca de um minuto e tenta identificar algumas forma diferentes de transtorno que estejam te perturbando, independente da importância relativa que possas dar a elas. Aplica a ideia para hoje a cada uma delas, usando tanto o nome da fonte do transtorno conforme o percebes quanto o da sensação do modo com que o experimentas. Outros exemplos são:

Eu não estou preocupado com __________ pela razão que imagino.
Eu não estou desanimado com __________ pela razão que imagino.

Três ou quatro vezes durante o dia é suficiente.

*

COMENTÁRIO:

Há muitas ocasiões em que não sabemos como identificar uma sensação de desconforto, um mal-estar ou uma aflição que nos perturba e angustia e nos tira a paz. Algo a quem nem mesmo somos capazes de dar nome às vezes. Ou será que sou só eu?


Podemos chamar a isso de transtorno, agitação, aborrecimento, apreensão, medo, ira, fúria, raiva, preocupação, ansiedade, ciúme, depressão. Ou outros nomes ainda. De acordo com as lições pelas quais já passamos e com o que o Curso busca nos ensinar nesta primeira parte nada disso é verdadeiro. Nada disso significa coisa alguma.


É isto que vamos trabalhar hoje. O aprendizado de que nada disso tem qualquer significado. É disto que vamos extrair e fazer nossas práticas nesta quinta-feira, dia 5 de janeiro. Até porque, para quem ainda não sabe, e para relembrar os que já sabem e podem ter esquecido, o Curso nos ensina que tudo aquilo que nos afasta da alegria nos afasta do estado natural dos filhos de Deus.


Pois como o Curso diz: "A graça é o estado natural de todo Filho de Deus. Quando ele não está em estado de graça, está fora de seu ambiente natural e não funciona bem". Eis, pois, aí a possível razão, certamente "ilusória" para qualquer transtorno: a ideia de que é possível nos afastarmos da graça.


Às práticas? 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Há um caminho para cada um que é único


LIÇÃO 4

Estes pensamentos não significam nada. São como
as coisas que vejo neste quarto [nesta rua,
desta janela, neste lugar].

1. Diferentemente dos anteriores, estes exercícios não começam com a ideia para o dia. Nestes períodos de prática, começa por observar os pensamentos que cruzam tua mente por cerca de um minuto. Em seguida aplica a ideia a eles. Se já estiveres ciente de pensamentos infelizes, usa-os como sujeitos para a ideia. Entretanto, não escolhas apenas os pensamentos que pensas serem "maus". Descobrirás, se te treinares a olhar para teus pensamentos, que eles representam uma mistura tal que, de certa forma, nenhum deles pode ser chamado "bom" ou "mau". É por esta razão que eles não significam nada.

2. Ao escolheres os sujeitos para a aplicação da ideia de hoje, pede-se a habitual especificidade. Não tenhas medo de usar tanto pensamentos "bons" quanto "maus". Nenhum deles representa teus pensamentos verdadeiros, que estão sendo cobertos por eles. Os "bons" são apenas sombras do que está além, e sombras tornam a visão difícil. Os "maus" são bloqueios à visão e tornam impossível ver. Tu não queres nem um, nem outro.

3. Este é um exercício muito importante e será repetido de vez em quando de forma um pouco diferente. O objetivo aqui é o de te treinar para os primeiros passos na direção da meta de separar o que não tem significado daquilo que é significativo. É uma primeira tentativa no propósito de longo alcance do aprendizado de perceberes o sem significado como fora de ti e o significativo dentro. É também o início do treinamento de tua mente para reconhecer o que é o mesmo e o que é diferente.

4. Ao usares teus pensamentos para a aplicação da ideia para hoje, identifica cada pensamento pela imagem ou pelo acontecimento central que ele contém, por exemplo:

Este pensamento sobre __________ não significa nada.
É como as coisas que vejo neste quarto [ nesta
rua, e assim por diante].

5. Podes também utilizar a ideia para um pensamento particular que reconheças como prejudicial. Esta prática é útil, mas não é um substituto para os procedimentos mais aleatórios a serem seguidos para os exercícios. Contudo, não examines tua mente por mais do que um minuto aproximadamente. Tu ainda és inexperiente demais para evitar a tendência de te tornares inutilmente preocupado.

6. Além disso, uma vez que estes exercícios são os primeiros deste tipo, podes achar particularmente difícil a suspensão do julgamento em relação aos pensamentos. Não repitas estes exercícios mais do que três ou quatro vezes durante o dia. Voltaremos a eles mais tarde.

*

COMENTÁRIO:

Ainda que aparentemente não faça sentido para nossa experiência de mundo a ideia que o Curso nos apresenta para as práticas nesta quarta-feira, dia 4 de janeiro, é a partir dela que podemos aprender a nos libertar da ideia de que somos o que pensamos. O que, de certo modo, também é verdadeiro. Mas, se vocês lembrarem de um comentário que fiz anteriormente, há de lembrar que, citando Eckhart Tolle, eu disse, como ele, que nós temos pensamentos, não somos pensamentos. E que é infundado o medo que temos de parar de pensar, por acreditar que se pararmos de pensar vamos deixar de existir, ou vamos morrer. Ou vamos nos perder em algum lugar desconhecido do qual temos muito medo de não poder voltar.


Ora, isso tudo é apenas uma prisão em que o mundo nos colocou, o sistema de pensamento equivocado de um falso eu, que não é o que somos. O que somos então? É isto que estamos buscando descobrir com as práticas que nos oferece o Curso. É na direção de nós mesmos que andamos ao buscar desfazer o que o mundo nos ensinou e continua a ensinar dia após dia.


Há um caminho que é único. Um caminho que é exclusivo a cada um de nós. A decisão de segui-lo é individual e cabe a cada um de nós tomá-la no momento que parecer conveniente e adequado. Aqui, apelo mais uma vez a Daniel Lima, que fala desse caminho:


Teu caminho.
O absoluto caminho.
O caminho que é teu
e que ninguém por ti percorrerá.
O único, o exclusivo, o absoluto caminho.


Se puderes, segue-o.
E segue-o mais ainda,
se não o puderes.


Às práticas?

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Por menos que eu reconheça é para mim que vou


LIÇÃO 3

Eu não entendo nada do que vejo neste quarto
[nesta rua, desta janela, neste lugar].

1. Aplica esta ideia do mesmo modo que as anteriores, sem fazer distinções de qualquer tipo. O que quer que vejas é um sujeito adequado para a aplicação da ideia. Certifica-te de que não questionas a adequação de qualquer coisa para a aplicação da ideia. Estes não são exercícios de julgamento. Qualquer coisa é adequada se tu a vês. Algumas das coisas que vês podem estar carregadas de significado emocional para ti. Tenta deixar de lado tais emoções e usa simplesmente essas coisas da mesma forma que usarias qualquer outra.

2. O objetivo dos exercícios é ajudar a limpar tua mente de todas as associações do passado, para veres as coisas exatamente como elas se apresentam para ti agora, e para compreenderes claramente quão pouco realmente sabes a respeito delas. Por isso, é essencial que mantenhas uma mente perfeitamente aberta, livre do julgamento, ao escolheres as coisas às quais a ideia para o dia deve ser aplicada. Para este propósito uma coisa é igual à outra; igualmente adequada e, portanto, igualmente útil.

*

COMENTÁRIO:

Nesta terça-feira, dia 3 de janeiro, vamos continuar com as práticas desta primeira parte do livros de exercícios, cujas lições se destinam a nos ensinar a desfazer a programação e os condicionamentos que recebemos do mundo desde o nosso nascimento, programação e condicionamentos que continuamos a receber dia após dia. Mas, de verdade, o que é que sabemos a respeito de tudo o que vemos, quando dirigimos nosso olhar para qualquer coisa ao alcance de nossos olhos? - repetindo a pergunta feita no ano passado.

O que sabemos - agora, no momento presente - a respeito de algo ou de alguém para o que ou para quem voltamos nossa atenção, mesmo que só em pensamento? Nada, nada, nada! E embora o falso eu teime em nos convencer de que sabemos, na verdade, não sabemos mesmo nada. Nem de nós mesmos, nem de ninguém. E como nos diz a sabedoria antiga, o primeiro passo em direção à sabedoria e ao (auto)conhecimento é reconhecer isto.


Vejamos pois como se dá nossa caminhada no entender do poeta Daniel Lima, para auxiliar nossa reflexão a respeito da ideia que o Curso nos oferece para as práticas de hoje. Diz Daniel: 


Saio de mim, mas carrego 
comigo tudo o que sou. 
Posso fingir-me de cego, 
mas como esconder que nego 
que é sempre pra mim, que eu vou? 


Toda viagem que faço, 
longe embora, é sempre assim: 
se me afasto em cada passo 
mais me vejo e me embaraço, 
vou sempre esbarrar em mim.


E também podemos nos valer da pequena prece-poema de Daniel que lhes ofereci nas últimas lições do ano passado. Lembram?

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O mundo só tem o significado que damos a ele


LIÇÃO 2

Eu dou a todas as coisas que vejo neste quarto [nesta rua, desta janela, neste lugar]
todo o significado que têm para mim.

1. As práticas com esta ideia são as mesmas que aquelas com a primeira. Começa com as coisas que estão perto de ti e aplica a ideia a qualquer coisa sobre a qual teu olhar pouse. Depois, amplia o alcance para fora. Vira a cabeça para incluir o que quer que esteja em qualquer um dos lados. Se possível, vira-te e aplica a ideia àquilo que estava atrás de ti. Continua, tanto quanto possível, a não fazer distinção quando escolheres os sujeitos para a aplicação da ideia; não te concentres em nenhuma coisa em particular e não tentes incluir tudo o que vês em uma área determinada, ou introduzirás tensão.

2. Olha simplesmente com naturalidade e com razoável rapidez ao teu redor, tentando evitar a escolha por tamanho, brilho, cor, material ou pela importância relativa para ti. Escolhe os objetos simplesmente quando os vires. Tenta aplicar o exercício com igual facilidade a um corpo ou a um botão, uma mosca ou um piso, um braço ou uma maçã. O único critério para a aplicação da ideia a qualquer coisa é simplesmente que teus olhos a tenham encontrado. Não faças nenhuma tentativa de incluir qualquer coisa em particular, mas certifica-te de que nada seja excluído de forma específica.

*

COMENTÁRIO: 

Para quem aqui chega pela vez primeira - e mesmo para os que estão voltando aqui depois de algumas práticas -, pode parecer difícil entender, compreender , o que a ideia para a lição de hoje, dia 2 de janeiro de 2012, quer dizer. E, na verdade, ela não diz nada mais do que o óbvio, se pensarmos bem. 


O que acontece é que, ao chegarmos aqui, neste mundo, nós já o encontramos "aparentemente" cheio de coisas que, parece-nos, não conhecemos. Nunca ninguém nos ensinou - nossos pais, nossa família, parentes, professores - que o mundo, este mundo - haverá um mundo? -, só pode ter o significado que damos a ele. 


No entanto, sabemos bem que muitas vezes, quando não concordamos com alguma explicação que alguém nos dá a respeito de algo que não compreendemos, nós mesmos tomamos a decisão acerca do significado que queremos dar ao tema em questão. 


Não é assim em relação a tudo desde que nascemos? À medida que vamos crescendo no mundo aprendendo "mais" a respeito dele? Ou será que temos a ilusão de que algo que aprendemos lá na primeira infância vai continuar a ter para nós - e para quem quer que seja - o mesmo significado que tinha então? Ou será que fomos tão iludidos pelo mundo a ponto de acreditar que qualquer coisa nele - uma única coisa - possa ter o mesmo significado que tem para nós mesmos? 


Ora, é fácil responder a isso, não? E a conclusão que se pode tirar daí é que eu, e apenas eu, "dou a todas as coisas que vejo o significados que elas têm para mim". E, consequentemente, cada um faz a mesma coisa em relação a tudo o que vê. Não lhes parece assim?  


Às práticas, então!


OBSERVAÇÃO: Peço-lhes que me desculpem se a postagem nestes primeiros dias do ano não tiver a regularidade costumeira. É que não tenho computador aqui na praia, onde estou, e nem todos os dias posso me aproximar de um.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Começando mais uma vez do começo

INTRODUÇÃO


1, Um fundamento teórico como o que o texto oferece é necessário como uma estrutura para tornar os exercícios significativos. Contudo, é fazer os exercícios que tornará possível a meta do curso. Uma mente não-treinada não pode realizar nada. O objetivo deste livro de exercícios é treinar tua mente para pensar de acordo com as linhas que o texto levanta.

2. Os exercícios são muito simples. Não exigem muito tempo e não importa aonde tu os fazes. Eles não precisam de preparo. O período de treinamento é de um ano. Os exercícios estão numerados de 1 a 365. Não tentes fazer mais do que uma lição por dia.

3. O livro de exercícios é dividido em duas partes principais, a primeira lida com o desfazer do modo pelo qual vês agora, e a segunda com a aquisição da percepção verdadeira. Com exceção dos períodos de revisão, os exercícios de cada dia são planejados em torno de uma ideia central, que é declarada primeiro. Segue-se a isso a descrição dos procedimentos específicos a partir dos quais a ideia para o dia deve ser aplicada.

4. O objetivo do livro de exercícios é treinar tua mente de um modo sistemático para uma percepção diferente de todos e de tudo no mundo. Os exercícios são planejados para te ajudar a generalizar as lições, de forma a entenderes que cada uma delas é igualmente aplicável a tudo e a todos que vês.

5. A transferência do treinamento em percepção verdadeira não ocorre do mesmo modo que a transferência do treinamento do mundo. Se a percepção verdadeira a respeito de qualquer pessoa, situação ou acontecimento for alcançada, a transferência para todos e para tudo está garantida. Por outro lado, uma única exceção mantida em separado da percepção verdadeira torna suas realizações impossíveis em qualquer lugar.

6. Assim, as únicas regras gerais a serem observadas do início ao fim são: primeiro, que os exercícios sejam praticados com grande especificidade, conforme será indicado. Isso te ajudará a generalizar as ideias envolvidas em cada situação na qual te encontres, e a todos e a tudo nela. Segundo, certifica-te de não te decidires por contra própria que há algumas pessoas, situações ou coisas às quais as ideias não se aplicam. Isso impedirá a transferência do treinamento. A própria natureza da percepção verdadeira é que ela não tem nenhum limite. É o oposto da maneira que vês agora.

7. O objetivo geral dos exercícios é aumentar tua capacidade de estender as ideias que praticarás para incluir tudo. Isso não vai exigir nenhum esforço de tua parte. Os próprios exercícios satisfazem as condições necessárias para este tipo de transferência.

8. Acharás difícil de acreditar em algumas ideias que o livro de exercícios apresenta e outras poderão parecer bastante surpreendentes. Isso não tem importância. O que se pede de ti é simplesmente que apliques as ideias do modo que és orientado a fazer. Não se pede absolutamente que as julgues. Só se pede que as uses. É o uso delas que lhes dará significado para ti e que te mostrará que elas são verdadeiras.

9. Lembra-te apenas disso: não precisas acreditar nas ideias, não precisas aceitá-las e não precisas nem mesmo acolhê-las bem. Podes resistir vivamente a algumas delas. Nada disso terá importância ou diminuirá sua eficácia. Mas não te permitas fazer exceções na aplicação das ideias que o livro de exercícios contém e, sejam quais forem tuas reações às ideias, usa-as. Não se pede nada mais do que isso.

*


PARTE I

LIÇÃO 1

Nada do que vejo neste quarto [nesta rua, desta
janela, neste lugar] significa coisa alguma.

1. Agora olha lentamente ao teu redor e pratica aplicar esta ideia de modo muito específico a qualquer coisas que vejas:

Esta mesa não significa nada.
Esta cadeira não significa nada.
Esta mão não significa nada.
Este pé não significa nada.
Esta caneta não significa nada.

2. Em seguida, olha para mais longe do que está em tua área de visão imediata e aplica a ideia a uma escala mais ampla:

Aquela porta não significa nada.
Aquele corpo não significa nada.
Aquela lâmpada não significa nada.
Aquele cartaz não significa nada.
Aquela sombra não significa nada.

3. Observa que estas afirmações não estão organizadas em qualquer ordem e que não levam em consideração nenhuma diferença nos tipos de coisas às quais são aplicadas. É este o objetivo do exercício. A afirmação simplesmente deve ser aplicada a qualquer coisa que vês. Ao praticares a ideia para o dia, utiliza-a de forma totalmente indiscriminada. Não tentes aplicá-la a tudo o que vês, porque estes exercícios não devem se tornar ritualísticos. Certifica-te somente de que nada do que vês seja excluído de modo específico. Uma coisa é igual à outra no que se refere à aplicação da ideia.

4. Cada uma das três primeiras lições não deve ser feita mais do que duas vezes ao dia, de preferência pela manhã e à noite. Elas tampouco devem ser tentadas por mais do que cerca de um minuto, a menos que isso imponha uma sensação de pressa. Uma sensação agradável de ócio é essencial.

*

COMENTÁRIO:

Olá mais uma vez a todos. Prontos para recomeçar mais uma ano de prática? Espero que sim.

Neste domingo, dia 1º de janeiro de 2012, convido-os a todos a retomarem a jornada comigo, desde o primeiro passo. Ao mesmo tempo dou-lhes as boas vindas a mais um ano de práticas. Esperando que a virada tenha sido muito boa para todos. E desejando mais uma vez que o ano seja pleno de realizações para todos nós. Que ele seja um ano cheio de luz, de paz, de alegria, de amor e de milagres.

E nada melhor, para começar bem o ano, do que começar por uma prática que pode nos levar ao autoconhecimento da forma que o Curso foi planejado para fazer. E é claro que o autoconhecimento exige que aprendamos a dar a tudo, a todos e a todas as coisas apenas o significado que têm, na verdade.

Comecemos, pois, por aprender e praticar que nada do que vemos tem qualquer significado, porque apenas parte de uma ilusão que acreditamos ser verdadeira.

Às práticas, pois.