quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Novas ideias acerca do tempo

LIÇÃO 7

Eu vejo só o passado.

1. É particularmente difícil acreditar nesta ideia a princípio. Porém, ela é a base lógica para todas as anteriores.
Ela é a razão pela qual nada do que vês significa coisa alguma.
Ela é a razão pela qual dás a tudo o que vês todo o significado que tem para ti.
Ela é a razão pela qual não entendes nada do que vês.
Ela é a razão pela qual teus pensamentos não significam nada, e a razão pela qual eles são como as coisas que vês.
Ela é a razão pela qual tu nunca estás transtornado pelo motivo que imaginas.
Ela é a razão pela qual tu estás transtornado porque vês algo que não existe.

2. É muito difícil mudar ideias antigas a respeito do tempo, porque tudo aquilo em que acreditas está radicado no tempo e depende de não aprenderes estas ideias novas a respeito dele. No entanto, é justamente por isso que precisas de ideias novas acerca do tempo. Esta primeira ideia a respeito do tempo não é, de fato, tão estranha quanto pode parecer de início.

3. Olha para uma xícara, por exemplo. Tu vês uma xícara ou simplesmente revês tuas experiências passadas de pegar um xícara, de estar com sede, de beber de uma xícara, de sentir a borda de uma xícara contra teus lábios, de tomar o café da manhã e assim por diante? Tuas reações estéticas à xícara não são também baseadas em experiências passadas? De que outra forma saberias se esse tipo de xícara se quebraria ou não se a deixasses cair? O que sabes a respeito dessa xícara exceto aquilo que aprendeste no passado? Tu não tens nenhuma ideia do que essa xícara é, a não ser pelo teu aprendizado passado. Então, tu a vês realmente?

4. Olha ao teu redor. Isso é igualmente verdadeiro a respeito de qualquer coisa para a qual olhes. Reconhece isso aplicando a ideia de hoje indistintamente para o que quer que capte teu olhar. Por exemplo:

Eu vejo só o passado neste lápis.
Eu vejo só o passado neste sapato.
Eu vejo só o passado nesta mão.
Eu vejo só o passado naquele corpo.
Eu vejo só o passado naquele rosto.

5. Não te demores em nenhuma coisa em particular, mas lembra-te de não omitir nada de modo específico. Olha rapidamente para cada sujeito e, em seguida, passa para o seguinte. Três ou quatro períodos de prática, que durem aproximadamente um minuto cada, serão suficientes.

*

COMENTÁRIO:

Tentemos ainda dar mais subsídios para que nossa colega Cristina possa avaliar melhor as razões pelas quais sentiu um certo desconforto, uma certa preocupação, alguma dúvida, algum aborrecimento e se disse "desanimada" com as práticas, em função dos acontecimentos de Angra e de outros lugares assolados pelas chuvas dos últimos dias. Apesar de ela já ter revelado se sentir mais centrada. O exercício é bom para todos nós.

Parafraseando um texto que leio no momento acerca das práticas do ho'oponopono, que - lembram-se? - nos coloca na condição de 100% responsáveis por tudo o que vemos acontecer em nossas vidas e em tudo no mundo, alguém diz ser certo que sempre vão surgir empecilhos de um modo ou de outro em nossas vidas, sejam problemas de família, estresse, opiniões divergentes, catástrofes naturais ou a guerra. De início é sempre difícil aceitar isso - e principalmente aceitar que cada um de nós tem 100% de responsabilidade por isso, se é isso que vê. Depois de algum tempo de prática, no entanto, em lugar de nos perguntarmos "Por que eu?" ou "Por que só comigo?" (perguntas que induzem a uma resposta de culpa), passamos a ser capazes de dizer "Eu sou responsável" (sem culpa) e simplesmente entregar os pontos, utilizar as ferramentas que os exercícios dão e deixar que Deus assuma ou controle.

Quando aprendemos a fazer isso, deixamos de ser um obstáculo em nosso próprio caminho. Assim que damos um passo, por menor que ele seja, para fora de nós mesmos, para culpar, reagir, lastimar, reclamar e assim por diante, perdemos de vista o assunto em questão, ou seja, a nossa chance de abandonar o problema que só pode ser resolvido dentro de nós mesmos. A partir da mudança do modo de ver. Quando fazemos acusações, nós nos desligamos da Fonte, na ilusão de que poderíamos - a partir da orientação equivocada do sistema de pensamento do ego - fazer melhor do que o divino.

Bem vindos todos de volta às práticas. Dani, da terra dos cangurus, Nina, de Sampa, Carmen, Cassio [vanicer] e Cristina. E quantos mais se ligam a nós e aos exercícios. Mais uma vez, um ótimo 2010 a todos, com todos os milagres necessários.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

O que pensamos ver não existe

LIÇÃO 6

Eu estou transtornado porque vejo algo que não existe.

1. Os exercícios com esta ideia são muito parecidos aos anteriores. Novamente, é necessário dar nome tanto à forma de transtorno (raiva, medo, preocupação, depressão e assim por diante) quanto à fonte percebida de forma muito específica para qualquer aplicação da ideia. Por exemplo:

Eu estou com raiva de _______ porque vejo algo que não existe.
Eu estou preocupado com _______ porque vejo algo que não existe.

2. A ideia de hoje é útil para a aplicação a qualquer coisa que pareça te transtornar e, para este fim, pode ser usada com proveito ao longo do dia. No entanto, os três ou quatro períodos de prática pedidos devem ser precedidos de mais ou menos um minuto de busca mental, como antes, e pela aplicação da ideia a cada pensamento de transtorno descoberto na busca.

3. Mais uma vez, se resistires a aplicar a ideia a alguns pensamentos de transtorno mais do que a outros, lembra-te dos dois avisos expressos na lição anterior:

Não há nenhum transtorno pequeno. Todos eles
perturbam minha paz de espírito do mesmo modo.
E:

Eu não posso manter esta forma de transtorno e abandonar
as outras. Então, para os objetivos destes exercícios, vou
considerá-las todas como a mesma.
*

COMENTÁRIO:

Esta ideia e sua prática complementa a resposta que acredito pode fazer a diferença para a questão da Cristina, a qual a Carmen deu uma resposta que encontra perfeita sintonia naquilo que o Curso quer nos ensinar.

Mais uma vez, precisamos buscar nos convencer de que nada do que vemos é, de fato, da forma como pensamos ver. Como disse a Carmen e como diz o UCEM, o mundo é neutro e, por consequência, todas as coisas do mundo são neutras. Vamos ver numa das próximas lições que somos nós que damos todo o significada às coisas. E o significado que damos é todo o significado que elas podem tem para nós. Mas isso não significa nada, se pensarmos que o que vemos é apenas um ínfima partícula de um todo que não podemos ver.

Julgar as situações é inútil, a bem da verdade. Julgar as pessoas, mais inútil ainda. A menos que queiramos viver com o julgamento sobre nós mesmos.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Nós não sabemos nada de nada

LICÃO 5

Eu nunca estou transtornado pela razão que imagino.

1. Esta ideia, como a anterior, pode ser usada com qualquer pessoa ou acontecimento que penses estar te causando dor. Aplica-a de modo específico a qualquer coisa que acredites ser a causa de teu transtorno, usando a descrição da sensação em quaisquer termos que te pareçam exatos. O transtorno pode parecer ser medo, preocupação, depressão, ansiedade, raiva, ódio, ciúme, ou ter inúmeras formas todas as quais serão percebidas como diferentes. Isso não é verdade. Entretanto, até aprenderes que a forma não importa, cada uma é um sujeito adequado para os exercícios do dia. Aplicar a ideia a cada uma delas separadamente é o primeiro passo para o reconhecimento de que, em última instância, elas são todas a mesma.

2. Quando utilizares a ideia de hoje para uma causa percebida como específica de um transtorno em qualquer forma, usa tanto o nome da forma com que vês o transtorno quanto a causa a que tu o atribuis. Por exemplo:

Eu não estou com raiva de __________ pela razão que imagino.
Eu não estou com medo de __________ pela razão que imagino.

3. Mas, novamente, isso não deve substituir os períodos de prática em que primeiro examinas tua mente em busca das "fontes" do transtorno no qual acreditas e as formas de transtorno que pensas resultarem delas.

4. Nestes exercícios, mais do que nos anteriores, podes achar difícil não fazer distinções e evitar conferir a alguns sujeitos peso maior do que a outros. Talvez ajude se antes dos exercícios declarares:

Não há nenhum transtorno pequeno. Todos eles
perturbam minha paz de espírito do mesmo modo.

5. Em seguida, examina tua mente em busca de qualquer coisa que esteja te angustiando, independente de quanta aflição, muita ou pouca, imagines que isso esteja causando.

6. Também podes te descobrir menos disposto a aplicar a ideia de hoje a algumas fontes de transtorno percebidas do que a outras. Se acontecer isso, pensa primeiro no seguinte:

Eu não posso manter esta forma de transtorno e abandonar
as outras. Então, para os objetivos destes exercícios, vou
considerá-las todas como a mesma.

7. Em seguida, investiga tua mente por não mais do que cerca de um minuto e tenta identificar algumas forma diferentes de transtorno que estejam te perturbando, independente da importância relativa que possas dar a elas. Aplica a ideia para hoje a cada uma delas, usando tanto o nome da fonte do transtorno conforme o percebes quanto o da sensação do modo com que o experimentas. Outros exemplos são:

Eu não estou preocupado com __________ pela razão que imagino.
Eu não estou desanimado com __________ pela razão que imagino.

Três ou quatro vezes durante o dia é suficiente.

*

COMENTÁRIO:

Talvez a prática deste exercício, neste dia 5 de janeiro, por mais difícil que seja, possa trazer a resposta às questões que nossa colega Cristina apresenta. É claro que todos nós "vimos" as imagens que a imprensa nos ofereceu de todos os acontecimentos dos últimos dias. E é claro também que não conseguimos responder ou reagir sem levar em conta a dor dos que perderam parentes, amigos e pessoas conhecidas. Ou mesmo das pessoas todas que não conhecíamos e que deixaram de fazer parte deste nosso mundo.

O que este exercício oferece é a oportunidade da auto-avaliação. O que, de fato me aborrece e transtorna? É algo que está fora de mim? Ou é algo que crio para justificar meus medos, minhas culpas, meu julgamento de mim mesmo e do mundo inteiro, onde penso que todas as coisas e pessoas vivem?

Lembrando do exercício do ho'oponopono, com o qual tomamos contato há algum tempo, parece-me que o mais difícil para nosso estado de consciência habitual é aceitar que cada um de nós tem 100% de responsabilidade por absolutamente tudo o que acontece em sua vida e na vida de todos no mundo. E cada um de nós, em função do entendimento ou não dessa responsabilidade, escolhe como reagir a tudo o que acontece, recebendo de volta os resultados de sua escolha. Assim, entendida essa responsabilidade, o que nos resta fazer é simplesmente dizer "sinto muito", "perdoa-me, por favor", "eu te amo". Com a finalidade de limpar de nossos registros as memórias de todos os julgamentos que já fizemos e que continuamos a fazer a todo instante, sempre que nos distraímos.

A dificuldade que se nos apresenta em situações como a de que Cristina fala é aceitar que é só a falsa ideia de onipotência do ego que pode fazer com que nos sintamos revoltados, magoados, transtornados além das medidas do sentimento de compaixão e aceitação das escolhas de todos os que "resolveram" viver a situação que não entendemos. Precisamos nos lembrar permanentemente de que "não sabemos absolutamente nada de nada". E aceitar isso de todo coração.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A importância da tomada de decisão

LIÇÃO 4

Estes pensamentos não significam nada. São como
as coisas que vejo neste quarto [nesta rua,
desta janela, neste lugar].

1. Diferentemente dos anteriores, estes exercícios não começam com a ideia para o dia. Nestes períodos de prática, começa por observar os pensamentos que cruzam tua mente por cerca de um minuto. Em seguida aplica a ideia a eles. Se já estiveres ciente de pensamentos infelizes, usa-os como sujeitos para a ideia. Entretanto, não escolhas apenas os pensamentos que pensas serem "maus". Descobrirás, se te treinares a olhar para teus pensamentos, que eles representam uma mistura tal que, de certa forma, nenhum deles pode ser chamado "bom" ou "mau". É por esta razão que eles não significam nada.

2. Ao escolheres os sujeitos para a aplicação da ideia de hoje, pede-se a habitual especificidade. Não tenhas medo de usar tanto pensamentos "bons" quanto "maus". Nenhum deles representa teus pensamentos verdadeiros, que estão sendo cobertos por eles. Os "bons" são apenas sombras do que está além, e sombras tornam a visão difícil. Os "maus" são bloqueios à visão e tornam impossível ver. Tu não queres nem um, nem outro.

3. Este é um exercício muito importante e será repetido de vez em quando de forma um pouco diferente. O objetivo aqui é o de te treinar para os primeiros passos na direção da meta de separar o que não tem significado daquilo que é significativo. É uma primeira tentativa no propósito de longo alcance do aprendizado de perceberes o sem significado como fora de ti e o significativo dentro. É também o início do treinamento de tua mente para reconhecer o que é o mesmo e o que é diferente.

4. Ao usares teus pensamentos para a aplicação da ideia para hoje, identifica cada pensamento pela imagem ou pelo acontecimento central que ele contém, por exemplo:

Este pensamento sobre __________ não significa nada.
É como as coisas que vejo neste quarto [ nesta
rua, e assim por diante].

5. Podes também utilizar a ideia para um pensamento particular que reconheças como prejudicial. Esta prática é útil, mas não é um substituto para os procedimentos mais aleatórios a serem seguidos para os exercícios. Contudo, não examines tua mente por mais do que um minuto aproximadamente. Tu ainda és inexperiente demais para evitar a tendência de te tornares inutilmente preocupado.

6. Além disso, uma vez que estes exercícios são os primeiros deste tipo, podes achar particularmente difícil a suspensão do julgamento em relação aos pensamentos. Não repitas estes exercícios mais do que três ou quatro vezes durante o dia. Voltaremos a eles mais tarde.

*

COMENTÁRIO:

Um passo de cada vez. Pequeno? Pode ser. Não importa. Importante é que tenhamos nos decidido a dar os passos. Pois é só assim que podemos nos pôr a caminho, em direção a algum lugar. E é só dando um passo depois do outro, uma vez tomada a decisão, que vamos poder chegar lá. É muito bom, porém, saber que não vamos sozinhos.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Aprendendo a abrir-se para ver

LIÇÃO 3

Eu não entendo nada do que vejo neste quarto
[nesta rua, desta janela, neste lugar].

1. Aplica esta ideia do mesmo modo que as anteriores, sem fazer distinções de qualquer tipo. O que quer que vejas é um sujeito adequado para a aplicação da ideia. Certifica-te de que não questionas a adequação de qualquer coisa para a aplicação da ideia. Estes não são exercícios de julgamento. Qualquer coisa é adequada se tu a vês. Algumas das coisas que vês podem estar carregadas de significado emocional para ti. Tenta deixar de lado tais emoções e usa simplesmente essas coisas da mesma forma que usarias qualquer outra.

2. O objetivo dos exercícios é ajudar a limpar tua mente de todas as associações do passado, para veres as coisas exatamente como elas se apresentam para ti agora, e para compreenderes claramente quão pouco realmente sabes a respeito delas. Por isso, é essencial que mantenhas uma mente perfeitamente aberta, livre do julgamento, ao escolheres as coisas às quais a ideia para o dia deve ser aplicada. Para este propósito uma coisa é igual à outra; igualmente adequada e, portanto, igualmente útil.

*

COMENTÁRIO:

Neste dia 3 de janeiro, continuamos a praticar o desfazer da programação que recebemos do mundo desde que nascemos e que ainda continuamos a receber constantemente em nosso dia a dia. De fato, o que sabemos a respeito de tudo o que vemos, quando dirigimos nosso olhar para qualquer coisa ao alcance de nossos olhos?

O que sabemos - agora, no momento presente - a respeito de algo ou de alguém para o que ou para quem voltamos nossa atenção, mesmo que só em pensamento?

Aquilo que acreditamos saber não está contaminado por uma ou mais memórias do passado?

Assim, de verdade, não vemos. Não sabemos nada a respeito de nada do que vemos. Nem ao menos estamos abertos para ver.

Pratiquemos pois da forma que o Curso nos orienta.

sábado, 2 de janeiro de 2010

O segundo passo natural depois do primeiro

LIÇÃO 2

Eu dou a tudo o que vejo neste quarto
[nesta rua, desta janela, neste lugar]
todo o significado que tem para mim.

1. As práticas com esta ideia são as mesmas que aquelas com a primeira. Começa com as coisas que estão perto de ti e aplica a ideia a qualquer coisa sobre a qual teu olhar pouse. Depois, amplia o alcance para fora. Vira a cabeça para incluir o que quer que esteja em qualquer um dos lados. Se possível, vira-te e aplica a ideia àquilo que estava atrás de ti. Continua, tanto quanto possível, a não fazer distinção quando escolheres os sujeitos para a aplicação da ideia; não te concentres em nenhuma coisa em particular e não tentes incluir tudo o que vês em uma área determinada, ou introduzirás tensão.

2. Olha simplesmente com naturalidade e com razoável rapidez ao teu redor, tentando evitar a escolha por tamanho, brilho, cor, material ou pela importância relativa para ti. Escolhe os objetos simplesmente quando os vires. Tenta aplicar o exercício com igual facilidade a um corpo ou a um botão, uma mosca ou um piso, um braço ou uma maçã. O único critério para a aplicação da ideia a qualquer coisa é simplesmente que teus olhos a tenham encontrado. Não faças nenhuma tentativa de incluir qualquer coisa em particular, mas certifica-te de que nada seja excluído de forma específica.

*

COMENTÁRIO: Continuamos, neste dia 2 de janeiro, com as práticas da segunda ideia que o Curso oferece como forma de desfazer nosso modo habitual e costumeiro de olhar para o mundo. O segundo passo natural, que decorre do primeiro. Ambos resultados da decisão de aprender a mudar, para ver as coisas do mundo de modo diferente. Como vimos na introdução ao livro de exercícios, não precisamos fazer nenhum esforço para praticar as ideias. Basta que nos disponhamos à prática. Basta deixar acontecer. Os resultados certamente virão. E serão visíveis, notáveis. Continuemos.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

As práticas que fazem a diferença

Um ano novo começa. FELIZ ANO NOVO A TODOS! Como disse ontem, todo o fim serve apenas para marcar o começo ou o recomeço de algo novo. Por isso, estou de volta neste dia 1º de janeiro de 2010, para convidá-los a retomarmos a jornada. E já aviso de antemão que esta postagem tem de ser um pouco longa, para fundamentar as bases de nossa decisão de continuar partilhando o aprendizado e para oferecer as melhores condições para a tomada de decisão. Obrigado pelo ano que passou. Bem-vindos a um novo tempo! Vamos juntos em busca de uma nova percepção!

Para quem ainda não teve a oportunidade de trabalhar com as práticas das lições, o Curso oferece um texto introdutório ao livro de exercícios, onde vamos encontrar as orientações que devem nortear nossa caminhada, voltando a ele quando quaisquer dúvidas insistirem em se manifestar. Conforme comentei ainda no ano passado, o blogue vai trazer uma novidade este ano. Diferentemente do ano passado vou postar diariamente as lições da forma como o livro as oferece, com uma ressalva apenas.

Em função de a Lillian Paes [a quem temos de agradecer imensamente pelo texto do UCEM em Português] ter declarado, por ocasião da primeira edição do Curso em língua portuguesa, que seu trabalho cuidadoso e criterioso, e longo, de tradução foi apenas um primeiro passo, que precisa ser revisado, aperfeiçoado e atualizado na medida do necessário, o texto que o blogue vai publicar deverá ter algumas diferenças em relação ao texto publicado. Espero fazer destas diferenças a minha contribuição para tornar mais claro o entendimento das lições e para tornar suas práticas mais fáceis. E espero também contar com as observações e/ou correções de quem quer que ache que a versão que ofereço também pode ser melhorada. Todas as sugestões serão bem-vindas. Outra possibilidade que ofereço, desta forma, é para quem não tem o livro, que poderá imprimir as postagens e armazená-las para montar seu próprio livro de exercícios em tradução nova ou, no mínimo, revisada, obedecendo inclusive à nova regra de ortografia.

Dito isto vamos ao trabalho.

INTRODUÇÃO

1, Um fundamento teórico como o que o texto oferece é necessário como uma estrutura para tornar os exercícios significativos. Contudo, é fazer os exercícios que tornará possível a meta do curso. Uma mente não-treinada não pode realizar nada. O objetivo deste livro de exercícios é treinar tua mente para pensar de acordo com as linhas que o texto levanta.

2. Os exercícios são muito simples. Não exigem muito tempo e não importa aonde tu os fazes. Eles não precisam de preparo. O período de treinamento é de um ano. Os exercícios estão numerados de 1 a 365. Não tentes fazer mais do que uma lição por dia.

3. O livro de exercícios é dividido em duas partes principais, a primeira lida com o desfazer do modo pelo qual vês agora, e a segunda com a aquisição da percepção verdadeira. Com exceção dos períodos de revisão, os exercícios de cada dia são planejados em torno de uma ideia central, que é declarada primeiro. Segue-se a isso a descrição dos procedimentos específicos a partir dos quais a ideia para o dia deve ser aplicada.

4. O objetivo do livro de exercícios é treinar tua mente de um modo sistemático para uma percepção diferente de todos e de tudo no mundo. Os exercícios são planejados para te ajudar a generalizar as lições, de forma a entenderes que cada uma delas é igualmente aplicável a tudo e a todos que vês.

5. A transferência do treinamento em percepção verdadeira não ocorre do mesmo modo que a transferência do treinamento do mundo. Se a percepção verdadeira a respeito de qualquer pessoa, situação ou acontecimento for alcançada, a transferência para todos e para tudo está garantida. Por outro lado, uma única exceção mantida em separado da percepção verdadeira torna suas realizações impossíveis em qualquer lugar.

6. Assim, as únicas regras gerais a serem observadas do início ao fim são: primeiro, que os exercícios sejam praticados com grande especificidade, conforme será indicado. Isso te ajudará a generalizar as ideias envolvidas em cada situação na qual te encontres, e a todos e a tudo nela. Segundo, certifica-te de não te decidires por contra própria que há algumas pessoas, situações ou coisas às quais as ideias não se aplicam. Isso impedirá a transferência do treinamento. A própria natureza da percepção verdadeira é que ela não tem nenhum limite. É o oposto da maneira que vês agora.

7. O objetivo geral dos exercícios é aumentar tua capacidade de estender as ideias que praticarás para incluir tudo. Isso não vai exigir nenhum esforço de tua parte. Os próprios exercícios satisfazem as condições necessárias para este tipo de transferência.

8. Acharás difícil de acreditar em algumas ideias que o livro de exercícios apresenta e outras poderão parecer bastante surpreendentes. Isso não tem importância. O que se pede de ti é simplesmente que apliques as ideias do modo que és orientado a fazer. Não se pede absolutamente que as julgues. Só se pede que as uses. É o uso delas que lhes dará significado para ti e que te mostrará que elas são verdadeiras.

9. Lembra-te apenas disso: não precisas acreditar nas ideias, não precisas aceitá-las e não precisas nem mesmo acolhê-las bem. Podes resistir vivamente a algumas delas. Nada disso terá importância ou diminuirá sua eficácia. Mas não te permitas fazer exceções na aplicação das ideias que o livro de exercícios contém e, sejam quais forem tuas reações às ideias, usa-as. Não se pede nada mais do que isso.

PARTE I

LIÇÃO 1

Nada do que vejo neste quarto [nesta rua, desta
janela, neste lugar] significa coisa alguma.

1. Agora olha lentamente ao teu redor e pratica aplicar esta ideia de modo muito específico a qualquer coisas que vejas:

Esta mesa não significa nada.
Esta cadeira não significa nada.
Esta mão não significa nada.
Este pé não significa nada.
Esta caneta não significa nada.

2. Em seguida, olha para mais longe do que está em tua área de visão imediata e aplica a ideia a uma escala mais ampla:

Aquela porta não significa nada.
Aquele corpo não significa nada.
Aquela lâmpada não significa nada.
Aquele cartaz não significa nada.
Aquela sombra não significa nada.

3. Observa que estas afirmações não estão organizadas em qualquer ordem e que não levam em consideração nenhuma diferença nos tipos de coisas às quais são aplicadas. É este o objetivo do exercício. A afirmação simplesmente deve ser aplicada a qualquer coisa que vês. Ao praticares a ideia para o dia, utiliza-a de forma totalmente indiscriminada. Não tentes aplicá-la a tudo o que vês, porque estes exercícios não devem se tornar ritualísticos. Certifica-te somente de que nada do que vês seja excluído de modo específico. Uma coisa é igual à outra no que se refere à aplicação da ideia.

4. Cada uma das três primeiras lições não deve ser feita mais do que duas vezes ao dia, de preferência pela manhã e à noite. Elas tampouco devem ser tentadas por mais do que cerca de um minuto, a menos que isso imponha uma sensação de pressa. Uma sensação agradável de ócio é essencial.

*

COMENTÁRIO: Pronto! Temos aí a primeira lição do ano. Uma amostra do que vai ser trabalhar para desfazer a percepção que o mundo nos oferece e que nos trouxe ao estado em que nos encontramos no presente momento. É certo que a caminhada está apenas começando para muitos, para a maioria de nós, mas sei que alguns já praticam as lições há vários anos e que isso fez, faz e continua a fazer uma grande diferença em suas vidas. Espero, de coração, que esta diferença possa passar a ser notada já nos primeiros dias deste novo ano.