quarta-feira, 25 de abril de 2018

Só os equívocos da percepção podem mostrar erros


LIÇÃO 115

Para revisão pela manhã e à noite:

1. (99) A salvação é minha única função aqui.

Minha função aqui é perdoar o mundo por todos os
erros que faço. Pois, deste modo, sou liberado deles
com todo o mundo.

2. (100) Meu papel é essencial ao plano de Deus para a salvação.

Eu sou essencial ao plano de Deus para a salvação
do mundo. Pois Ele me deu Seu plano para que eu
possa salvar mundo.

3. Para a hora:
A salvação é minha única função aqui.

Para a meia hora:
Meu papel é essencial ao plano para salvação.


*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 115

Convido-os, hoje, mais uma vez, como já fiz antes aqui, noutras vezes, a se lembrarem do que diz Eckhart Tolle, a respeito da magnitude de nossa importância - a importância que cada um de nós tem. Diz ele, "você está aqui para possibilitar que o propósito divino do universo se revele. Veja como você é importante!"

Não há desculpas nem justificativas para qualquer um de nós se sentir pequeno ou incapaz. Pois como o Curso diz: "O amor descansa na certeza. Só a incerteza pode ser defensiva. E toda incerteza é dúvida acerca de si mesmo".

Todas as dádivas de Deus estão à disposição de todos e de cada um de nós. Cabe, pois, a cada um de nós - se quisermos viver a experiência da alegria que é a condição natural do filho de Deus - ser a manifestação do divino para mostrar ao mundo o propósito divino do universo.

Por isso, as ideias que revisamos hoje nos oferecem nova chance de aprender que nossa única função neste mundo é a salvação. Alguém acredita que haja um papel mais importante do que este? É claro que não. E, se alguém acha que não tem as condições necessárias para cumprir este papel, está enganado. Redondamente. Está se auto-enganando e se deixando enganar pelo sistema de pensamento do falso eu, a quem o Curso chama de ego, ou de "o grande impostor", e que é apenas uma ideia ilusória que temos de nós. Uma ideia que nem de longe tem a ver com o que somos na verdade.

Na verdade, sabemos, à luz do ensinamento, que o ego não quer que nos acreditemos essenciais ao plano de Deus para a salvação. Ele também não quer que nos saibamos capazes de perdoar o mundo, porque é só a partir da orientação dele - do ego, o falso eu - que podemos condenar o mundo, aprisionando-o numa condição e numa imagem que, de fato, não tem nada a ver com o mundo real, e dando, assim, ao ego, uma realidade que ele não tem.

É por isso que precisamos reconhecer e aceitar nossa a responsabilidade pelo perdão do mundo e de tudo o que há nele, deixando de dar ouvidos ao ego. Pois, quando aprendemos a reconhecer que todos os erros do mundo são apenas equívocos de nossa percepção, pois só estes equívocos é que podem mostrar quaisquer erros, podemos perdoá-lo, pelo perdão que damos a nós mesmos e a nossa própria percepção. E nos salvamos. E salvamos o mundo inteiro, por consequência e extensão, conforme eu disse há pouco em um dos comentários anteriores.

Simples assim! 

Às práticas?

*

ADENDO:

Jornada num tempo sem tempo (ou viagem de volta no tempo?)

2017. Abril, dia 25: De Azofra a Grañon (22km)

Saímos, Alexandre e eu, de Azofra antes das sete. Tina e Márcio que também fizeram sua parada lá saíram mais cedo ainda. Ainda estava escuro.

Logo após sairmos, o caminho bifurca e - problema - não encontramos sinais. Paramos. Duas peregrinas esperaram por nós para ver se sabíamos em que direção seguir.

Alexandre apontou na direção de uma cidade cujas luzes se via à frente, à esquerda de onde estávamos, argumentando que era a única direção lógica a seguir, pois à direita estava tudo escuro, não havia uma única luz à vista. Também não víamos nenhum outro peregrino.

Tocamos em frente. As mulheres voltaram. Lembram da orientação dos que conhecem o caminho? Se você não encontrar nenhuma indicação em quinze minutos de caminhada, volte.

Alexandre, apesar de nenhum sinal à vista, insistiu em seguir porque a cidadezinha estava muito próxima: "impossível não haver indicação". Não havia. Perdemo-nos.

Chegamos a Alesanco, uma cidadezinha a três quilômetros de Azofra, que não faz parte do roteiro do Caminho de Santiago. No máximo funciona como um desvio.

Buscamos informações. Encontramos um caminhoneiro, que disse, após uma consulta a seu GPS, ser necessário que voltássemos à direita pela estrada em que nos encontrávamos, andar cerca de dois quilômetros e entrar à esquerda perto da Autopista. Aí já estaríamos de volta ao caminho.

Fomos! Chovia! Deu certo. Dois quilômetros depois chegamos ao ponto em que os peregrinos atravessavam a pista da via em que estávamos para seguir à esquerda na direção dos outros pontos.

Na sequência do caminho, passa-se por Cirueña, um povoado, em que, um pouco antes, há um Clube de Golfe. A impressão que se tem é de que se trata de uma cidade abandonada, ou de uma cidade utilizada apenas para férias em determinados períodos.

Após Cirueña, chega-se a Santo Domingo de La Calzada, que tem uma catedral histórica maravilhosa. Paga-se três euros para visitá-la. Fiz a visita. 

Eis aí uma foto de parte da fachada da igreja:



Além de tudo o que se vê dentro da igreja, há um ponto para o qual vale a pena chamar a atenção. É um espaço, acima das cabeças em que há um galinheiro, com um galo e uma galinha vivos. Os animais são substituídos de tempo em tempo. Reza a lenda que se, ao você se aproximar de onde eles estão, o galo cantar você vai fazer o seu caminho sem incidentes. 

Há também a história acerca da razão pela qual o galo está ali. Conta-se que em certa ocasião, um casal de peregrinos franceses, acompanhado por seu filho, um rapaz de rara beleza, se hospedou em um hotel da cidade. A camareira do hotel se apaixonou pelo rapaz e tentou seduzi-lo. Não teve sucesso. Ela decidiu, então, se vingar e escondeu um objeto do hotel entre os pertences do jovem. Acusado de roubo, ele foi julgado sumariamente e enforcado. Seus pais prosseguiram na peregrinação. Em Santiago, pediram ao Apóstolo por seu filho, para que sua inocência fosse provada e sua vida devolvida.

Ao voltarem para sua cidade de origem, pararam em Santo Domingo e foram até a árvore onde seu filho ainda permanecia pendurado na forca. Espantados, verificaram que o rapaz ainda vivia.

Imediatamente, foram até o juiz que almoçava um frango frito. Ao lhe contarem que seu filho ainda estava vivo, o magistrado disse que só acreditaria na inocência dele e o libertaria se aquele frango que comia voltasse a cantar.

Num instante o frango assado pulou no prato e começou a cantar. Desde então, para lembrar este milagre de Santiago, há sempre um galo na Catedral.

Saindo de Santo Domingo, em pouco mais de uma hora chega-se a Grañon.

Aqui vivi uma experiência incrível. Já lhes conto.

O Albergue em que fomos recebidos e nos registramos é um albergue "parroquial", como tantos que existem no caminho. Ele não tem uma taxa a ser paga pelo peregrino, que contribui com um donativo. O albergue se localiza numa das laterais da igreja de Grañon, em dois andares meio que numa espécie de sótão. Oferece jantar e café da manhã.

Como ainda é cedo, após me registrar procuro um lugar para comer alguma coisa. Chove um pouquinho. Não há bares com mesas nas ruas. Encontro ao lado da igreja o Bar Sindicato e pergunto se há algo para comer. Sim, há. Uma "ensalada mixta y lomos y vegetales".

No bar, mais de uma dezena de homens de pé. Dois ou três mais jovens, os outros todos aparentando ter mais de 60 anos. Um senhor, sentado, lê o jornal e bebe algo que parece vinho, mas não é. Os outros todos também bebem algo de pé encostados no balcão em dois grupos.

Os "hospitaleros" no albergue são Julio, um espanhol de Bilbao, e Fernando, um português. Recebem os peregrinos com uma água com limão. Maravilhosa. Oferecem a ceia-jantar e o café da manhã em troca de donativos. Não têm ainda o selo do Caminho. O albergue tem um número grande de colchonetes que se distribuem aos peregrinos e são dispostos no chão em cima de uma das laterais da igreja, no último andar e logo abaixo no final da subida pelas escadas.

Após a missa, às sete horas, com a bênção do peregrino, Julio e Fernando preparam o jantar, que é servido às oito horas. Após o jantar somos convidados para uma reflexão de cerca de cinco ou dez minutos.

O jantar foi ótimo. Uma espécie de sopa de legumes feita com sete quilos de abobrinha, alho porró, pimentão verde, cebola, grão-de-bico e dez por cento disto de carne de porco. Uma salada mista em seguida e arroz doce de sobremesa. Água e vinho.

Depois do jantar, Julio e Fernando nos convidam a segui-los por entre um corredor que vai sendo iluminado por velas que são distribuídas entre os peregrinos que vão se postando à medida que chegam em uma espécie de círculo. Estamos no alto do coro da igreja. Um coordenador diz algumas palavras a respeito da igreja e das tentativas que estão fazendo para recuperá-la. E pede-se que cada um dos presentes diga algo de si e das razões por que está no caminho. Também pode ser uma música, um poema ou o que quer que o peregrino ou peregrina queira dizer.

Vamos nos apresentando, de uma forma que mexe com todos. Aí, uma moça canta, um trecho de uma música clássica com uma voz maravilhosa que ecoa naquela igreja a atinge a todos de forma diferente, provocando muitas emoções diferentes. Quando chega minha vez, me apresento e também canto à capela o "canto de um povo de um lugar", que é o que me ocorre no momento.

Finda a apresentação de todos, voltamos à sala onde jantamos e todos se preparam para descansar. Todos, imagino, plenos de sentimentos de alegria e de paz, provocados pela magia do que vivemos. E, como eu, penso que à espera do que nos aguarda ao longo do caminho que recomeça amanhã.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Na alegria, na felicidade e só está o natural em nós


LIÇÃO 114

Para revisão pela manhã e à noite:

1. (97) Eu sou espírito.

Eu sou o Filho de Deus. Nenhum corpo pode conter
meu espírito nem impor sobre mim uma limitação
que Deus não criou.

2. (98) Vou aceitar meu papel no plano de Deus para a salvação.

O que pode ser minha função exceto aceitar a Palavra de
Deus, Que me criou para o que sou e serei para sempre?

3. Para a hora:
Eu sou espírito.

Para a meia hora:
Vou aceitar meu papel no plano de Deus para a salvação.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 114

As ideias da revisão hoje são uma nova oportunidade para que nos lembremos de tudo aquilo que precisamos aprender [ou lembrar], para sermos capazes de reconhecer e aceitar o que somos na verdade [espírito, em unidade com o divino] e o papel que cabe a cada um neste mundo [aceitar meu papel no plano de Deus para a salvação].

Não nos deixemos enganar pelo uso que o ego faz da mente, buscando nos limitar com a crença de que somos apenas corpos e de que estamos destinados aos limites que a separação nos impõe. O que ele tenta fazer é que acreditemos ser só um corpo perecível, frágil, destinado a voltar ao pó de onde aparentemente vieram todos os corpos. 

O que somos não pode ser contido ou limitado por um corpo, por uma forma. E, certamente, não foi do pó que viemos, mas da luz. É o espírito de luz que nos anima e modifica o pó e lhe dá sentido. A luz é nosso destino, o lugar de onde nunca saímos.

É isto que revisamos e praticamos com as ideias de hoje. Ao nos aceitarmos como espírito - e espírito de luz -, e não corpo, não podemos fazer nada a não ser aceitar o papel que nos cabe no plano de Deus para a salvação. E são só o reconhecimento e a aceitação disso que podem nos devolver à alegria e à felicidade, que mostram o que é natural em nós, em nossa condição de Filhos de Deus e espelham a Vontade d'Ele para todos e cada um de nós.

Às práticas?


*

ADENDO:

Jornada num tempo sem tempo (ou viagem de volta no tempo?)

2017. Abril, dia 24: De Navarrete a Azofra (24 km)

Em Navarrete também se desperta cedo. Por volta das seis horas da manhã. Depois de tudo preparado, perto de uma hora depois, saio.

O caminho em direção a Nájera, que está a cerca de dezoito quilômetros, se faz subindo durante os primeiros quase dez quilômetros. De uma altitude de pouco mais de 400 metros até o Alto de Santo Antón, a 715 metros. Desce-se em seguida, nos quase dez quilômetros restantes, até os 490 metros de Nájera.

O primeiro ponto de parada, em Ventosa, é já bem perto do ponto mais alto. Num dos bares do lugar, peço um "sumo de naranja", um café e como meio "bocadillo de jamón y queso" que trazia comigo desde Sansol.

O caminho até Nàjera é tão tranquilo que quase chega a ser monótono, quilômetros e mais quilômetros, ora por estrada de terra, ora por uma espécie de caminho de asfalto ou de concreto, passando por plantações de uva, oliveiras, feno e por alguns agricultores com suas máquinas agrícolas em alguns pontos cuidando de suas plantações ou preparando a terra para novos cultivos.

Chego em Nájera às onze horas. Quatro horas de caminhada para cobrir os dezoito quilômetros. Uma média que não está nada mal, considerando uma parada de cerca de meia hora e o estado de meus pés.

Nájera é uma cidade pequena  e encantadora. Para ir-se ao centro e para ir adiante no caminho, passa-se por sobre a ponte sobre o rio Najerilla. Uma ponte antiga, com as grades de proteção de ferro. Linda.

Vejam a foto:



Segue-se daí por uma elevação que vai levar para fora da cidade. E tome mais quilômetros de estrada de terra e pedra e plantações de uva, oliveiras e feno.

Chego cedo em Azofra: uma hora da tarde. Um lugarejo bastante simpático. Estou cansado. Nos últimos dois ou três quilômetros minha perna esquerda começou a dar mostras de fadiga - a panturrilha. Creio que por conta das bolhas no pé esquerdo, o caminhar força um pouco mais. Mas cheguei bem.

O albergue em que faço meu registro é um dos melhores que encontrei até agora, desde Roncesvalles. As camas são divididas, duas em duas, em compartimentos meio que privativos. Não há beliches, o que é por si só muito bom. A cama que me foi designada fica no mesmo compartimento ocupado por Alexandre, que tem sido companhia mais ou menos constante nos últimos trechos. Assim como Tina e Márcio que também pararam aqui.

Após a chegada e um banho meio complicado por causa daquelas duchas que são rentes às paredes e cuja temperatura não se pode regular, saímos para almoçar no Bar Sevilha, na rua central da cidade, que fica bem perto do albergue. O menu do peregrino: primeiros pratos, segundos pratos e postre (sobremesa) por dez euros, com direito a vinho e/ou água.

Almoça-se e janta-se ao mesmo tempo dado o horário. Como muito bem. Uma salada mista com atum e ovo cozido, um bife de ternera com fritas e "cuajada con miel".

De volta ao albergue, lavo roupas, ponho para secar, e ainda há sol e tempo suficiente para aproveitar a piscina para os pés - um tanque de água fria -, para relaxá-los e deixá-los prontos. Somos vários peregrinos e peregrinas em volta da piscina com os pés mergulhados na água. O máximo.

Aí, é só esperar um tempinho, tratar dos pés e ir para a cama. Há que descansar para poder encarar o que mais uma etapa nos reserva para amanhã.


segunda-feira, 23 de abril de 2018

E só mesmo com a salvação que temos compromisso


LIÇÃO 113

Para revisão pela manhã e à noite:

1. (95) Eu sou um Ser único unido ao meu Criador.

A serenidade e a paz perfeitas são minhas agora,
porque sou um Ser único, completamente íntegro,
em unidade com toda a criação e com Deus.

2. (96) A salvação vem de meu Ser único.

De meu Ser único, Cujo conhecimento ainda permanece
em minha mente, vejo o plano perfeito de Deus para a
minha salvação realizado de forma completa.

3. Para a hora:
Eu sou um Ser único unido ao meu Criador.

Para a meia hora:
A salvação vem de meu Ser único.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 113

Continuemos as práticas de revisão das lições, entregando-nos ao espírito e abrindo-nos, mais uma vez, para ouvir a Voz que fala por Deus no interior de nós mesmos.

Estamos revisando cada uma das vinte ideias das práticas recentes para reforçar o aprendizado acerca de nós mesmos, do que somos, na verdade, e para tomarmos consciência de nossa unidade com Deus, nosso Criador. Isto é, para termos bem claro que a 'separação' de cuja veracidade o ego tenta nos convencer nunca existiu.

Sabemos, assim, que é no reconhecimento e na aceitação da unidade com tudo e com todos e no abandono da crença em uma separação que nunca existiu, não existe e não existirá jamais, que podemos compreender o plano de Deus para a salvação e assumir o compromisso de cumprir nosso papel, sem o qual a salvação não pode se realizar.

É para isso que o Curso nos oferece as práticas e as revisões das ideias a cada passo. Pois é essencial, para que a salvação se realize, que reconheçamos nosso Ser único, unido ao Criador e à criação toda. É essencial que tenhamos em mente que nosso compromisso dever ser para com nossa salvação, que é, por consequência, a salvação do mundo.

Pratiquemos, pois, a salvação, em primeiro lugar para nós mesmos. E ela há de vir, de nós, para nós mesmos e para o mundo inteiro. 

Às práticas?

*

ADENDO:

Jornada num tempo sem tempo (ou viagem de volta no tempo?)

2017. Abril, dia 23: De Viana a Navarrete (22,5 km)

Saio de Viana perto das oito horas rumo a Logroño. Uma caminhada tranquila, apesar das bolhas nos pés.

Duas horas depois já estou na entra de Logroño: dez quilômetros percorridos. Já quase na chegada, encontro Bart, um holandês que está, pela primeira vez, fazendo o Caminho Francês, sozinho. A mulher dele já fez o Caminho Português e, até onde entendo do inglês que ele fala, os dois fizeram juntos, há alguns anos, o Caminho Primitivo.

Ele tem tempo para percorrer todo o Caminho, uma vez que só vai voltar à Holanda na primeira semana de julho.

Separamo-nos depois de termos buscado folhetos, mapas e roteiro das atividades e da programação em Logroño, no centro de atendimento ao turista e aos peregrinos na entrada da cidade, sobre a ponte que parece um cartão postal ao se chegar. 

Eis aí uma foto dela, que publiquei também há um ano, no instagram e no facebook:



Logroño é uma cidade grande e muito bonita. Acolhe o peregrino de braços aberto. Há que se dizer que a peregrinação é uma fonte de renda inestimável para todos os lugares que acolhem e acomodam as pessoas ao longo do caminho. E não são poucos os lugares.

Mas, como eu dizia, Logroño acolhe muito bem o peregrino e prepara com todo cuidado o caminho para que ele continue em frente. A sensação, porém, por contraditória que pareça é a de que a cidade não quer que os peregrinos se vão.

Tomo um café da manhã maravilhoso, apesar do horário - já passa das dez horas -, no Café Royal, no centro. Um suco de laranja, um café grande - americano como dizem os espanhóis ao longo de todo o caminho - com um pedaço/fatia de "tortilla de bacalao" deliciosa.

Saio do café em direção à saída da cidade, que se dá atravessando um parque fantástico, enorme, a que acorrem centenas de pessoas com seus filhos, seus animais de estimação. Famílias inteiras, a pé ou de bicicleta. Um parque que parece ser interminável, de onde a sensação a que me referi antes.

E, conforme tinha me avisado Juan, um peregrino de Barcelona, ontem, muitas pessoas estão no parque preparando o "barbacoa". O cheiro de churrasco nos espaços disponíveis do parque para tal é uma tentação.

Daí, finda a passagem pelo parque, creio que se chama Parque de la Grajera, passa-se por um antiguo  hospital de peregrinos e, depois de mais ou menos três horas de caminhada, chegamos a Navarrete, outra cidade linda nesta região da Espanha.

Digo chegamos porque perto da chegada encontro Tina e Márcio, o casal de baianos com quem tinha saído de Saint Jean, e andamos juntos os últimos mil e poucos metros que nos separam da cidade. Aliás, como não poderia deixar de ser, mil metros de uma subida que judia do peregrino depois de tanto tempo caminhando.

Registramo-nos no Albergue de Peregrinos. O pior banho por enquanto e a pior cama/colchão até aqui. Tudo pela módica quantia de sete euros.

Almoço sozinho num bar das adjacências. Tina e Márcio, que tinham ido almoçar no melhor restaurante da cidade, de acordo com um morador que nos tinha indicado o caminho para o albergue, chegam de volta.

À tardinha, vamos todos ao bar em que almocei e que oferece, a partir das 19:30 horas, o Menu do Peregrino, como reza a tradição "primer plato", segundo prato y postre, con vino y água à vontade, por quinze euros.

Encontramos lá Alexandre, o gaúcho, que faz a caminhada mais ou menos no mesmo ritmo dos baianos, mas que sempre chega na frente. Ele também quer jantar. Jantamos todos juntos.

Aí, já é hora de voltar ao albergue e descansar para a jornada que amanhã vamos ter pela frente. A ideia é ir a Nájera e, depois, seguir até Azofra. Vinte e quatro quilômetros ao todo.


domingo, 22 de abril de 2018

Viver distante da luz, da alegria e da paz, não é viver


LIÇÃO 112

Para revisão pela manhã e à noite:

1. (93) A luz e a alegria e a paz habitam em mim.

Eu sou o lar da luz e da alegria e da paz. Eu as acolho no
lar que compartilho com Deus, porque sou uma parte d'Ele.

2. (94) Eu sou como Deus me criou.

Continuarei a ser como fui para sempre, criado pelo
Imutável como Ele Mesmo. E sou um com Ele e Ele comigo.

3. Para a hora:
A luz e a alegria e a paz habitam em mim.

Para a meia hora:
Eu sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 112

Lembremo-nos, como nos indica a introdução deste período de revisão, de reservar os primeiros e os últimos cinco minutos de nosso dia de vigília para as práticas com as ideias de hoje. Lembremo-nos também de que a exploração das lições deste período está a cargo de cada um de nós.

Temos aqui, com cada um desses momentos de cinco minutos e/ou com qualquer intervalo de tempo que dediquemos às práticas, mais uma nova oportunidade de aprender [ou lembrar] o que, de fato, somos. Mais uma oportunidade de aprender a só nos identificarmos com nossos anseios mais profundos, de luz, de alegria e de paz, que já estão satisfeitos, por sermos quem somos.

Não há como viver longe da luz, da alegria e da paz, se aprendermos, reconhecermos e aceitarmos e praticarmos a ideia que afirma que ainda somos como Deus nos criou. Sempre seremos. Viver longe da luz, da alegria e da paz não é viver. É recusar-se a aceitar a Vontade de Deus para nós - para cada um de nós e para todos nós. 

Às práticas?


*

ADENDO:

2017. Abril, dia 22: De Villamayor de Monjardin a Viana (31 km)

A alvorada é cedo. Logo depois das seis acordo para ir ao banheio e já me preparo para o "desayuno", o café da manhã. Nenhum movimento de ninguém. Aparentemente não há aqui nenhum peregrino disposto a sair cedo.

Qual é o plano de hoje? Daqui a Los Arcos, o ponto seguinte para quem está seguindo o guia ao pé da letra, são cerca de doze, quase treze, quilômetros.

Os próximos pontos de parada possíveis são Samsol, acerca de sete quilômetros de Los Arcos, e Torres del Rio, cerca de um quilômetro depois de Samsol. Penso, então, que vou tentar chegar a Viana, o que daria uma caminhada de trinta e um quilômetros. Está bom para um peregrino inexperiente, neste que é o sétimo dia da caminhada, não?

Bem, saio de Villamayor uns minutos depois das oito.

Aqui, mais um parêntese.

O que serve de guia e de indicador para o peregrino são as conchas-símbolo do Caminho e a infinidade de setas amarelas que assinalam por onde seguir, em que direção andar. Normalmente, vê-se uma seta a cada 200/300, no máximo, 500 metros. E a advertência diz que se você andar mais de um quilômetro e não vir uma seta é melhor voltar ao ponto em que viu a última e retomar o caminho a partir daí.

Mas quem diz?

Tudo segue muito bem até aqui. Demoro cerca de duas horas e meia para alcançar Los Arcos, onde me abasteço de um suco e de água, além de alguns minutos de descanso.

Daí, sigo para Samsol, aonde chego às 12 horas. Há um bar-restaurante agradável, com mesas numa área externa com árvores frutíferas e não, uma espécie de fonte com água corrente. Pássaros buscando restos de alimentos nas mesas fazem a festa.

Almoço aí: um "bocadillo de jamon y queso" e "una cerveza". Aí já está Peter, um dos "estranja" de não me lembro onde, de saída. Vai esticar até Viana. Despedimo-nos.

Quarenta e cinco minutos depois, saio de Samsol seguindo as setas e ando, e ando, e ando. Logo ao sair do bar, as setas indicavam um caminho que levava à estrada de asfalto e a atravessava. A partir da travessia o caminho bifurca: à esquerda, onde não se vê seta alguma. A lógica diz para continuar pela direita, onde avisto várias pilhas enormes de feno.

Depois de andar cerca de uma hora sem encontrar nenhum sinal - teimosia? - de que estou no caminho certo, já meio cansado para voltar ao ponto de onde parti, resolvo ir em frente, na direção de uma antena de celular, presumo, gigante que avisto. Como estou subindo, penso que de lá vou ver alguma indicação do caminho. 

Nada!

Há uma construção um pouco à frente, à esquerda, onde imagina poder encontrar alguém para pedir orientação.

Nada! Ninguém! Só vacas!

Do ponto a que cheguei, porém, enxergo uma estrada asfaltada. Carros passam numa direção e noutra. Poucos, é verdade. 

Perdido! No meio do nada, num país estranho. 

Decido então, seguir descendo na direção da estrada. É provável, bem provável, digo para mim mesmo, que lá encontra alguma placa indicativa, algum sinal que me diga onde estou e para onde devo ir.

Chego na estrada e escolho caminha para a minha esquerda, uma vez que não há placa alguma e descubro, logo em seguida, uma espécie de confluência de estradas. Há acima de terreno em que me encontro uma "Autopista" que despeja uma parte dos carros nesta estrada local.

Sem saber direito o que fazer, decido andar pela "Autopista", o que - descubro um pouco mais tarde - é proibido e passível de multa. Pela marcação da quilometragem na via é possível saber quantos quilômetros ando e quanto tempo demoro entre uma marca e outra - cerca de seis ou sete minutos para fazer um quilômetro.

Adiante, vejo placas que apontam para Logroño: a cerca de quinze quilômetros, e sigo. Carros em alta velocidade passam por mim, procuro ficar o mais à margem possível, andando às vezes do lado de fora da proteção de metal que há na estrada. Alguns buzinam. A rodovia tem câmeras.

Chego a andar mais ou menos três ou quatro quilômetros, quando uma viatura da polícia rodoviária espanhola me alcança e faz sinais para que eu pare. Os policiais param a viatura à margem da rodovia, alguns metros adiante de mim e me pedem para alcançá-los. Um dos guardas, bem compreensivo e paciente, me fala da proibição e do perigo e me pergunta porque não telefonei. Digo-lhe que não sabia, que não tinha como telefonar. O outro, meio mal-humorado, diz sentir muito mas que vai ter de me multar porque foram acionados por vários motoristas que ligaram para a central informando que havia um "peaton" na autopista. Além disso há também as várias câmeras que me registraram a andar na via.

Digo-lhes que tudo bem, que eu não sabia. O guarda mais simpático diz que também já fez o Caminho. O outro me pede os documentos e aplica a multa - cinquenta euros -, que pago passando o cartão na maquininha que eles trazem consigo. Ele preenche a papelada e me dá as minhas vias, pedindo que eu ponha a mochila e os bastões no carro e entre.

Embarcado na viatura, eles partem na direção de Viana. A cerca de dois quilômetros do ponto onde estávamos vejo a placa indicando a saída para Viana. Não posso deixar de pensar que se eles tivessem se demorado apenas uns dez minutos mais para me alcançar eu teria chegado sozinho. Teria andado muito mais, é claro.

Depois da saída, uns poucos minutos e estamos no trevo de Viana. Eles me desembarcam, indicam a direção e se despedem. Assim que eles parte e tomam o caminho de volta, percebo que deixei meus bastões na viatura. Penso, então, que agora sim, a multa ficou cara. 

Um detalhe a registrar aqui é que quase que invariavelmente, mesmo quando se está andando em terreno plano, a chegada a um povoado implica sempre numa subida enorme que exige um grande esforço. Não é diferente com Viana.

Após a subida exaustiva, chego ao albergue, que cobra oito euros pelo pernoite e não oferece nada, a não ser a cama. É meio velho e aparenta falta de cuidados. A moça da recepção parece estar muito mal-humorada. Também pode ser um registro equivocado meu por conta do que passei para chegar até aqui. 

Depois do registro no albergue e do banho, saio para jantar. Ainda no restaurante alguém me avisa que meus "amigos" policiais passaram procurando por mim lá no albergue. Ao chegar na acomodação 3, cama 41, meus bastões estão lá. Intactos.

Incluo aqui um registro do pôr-de-sol em Viana, feito às 21:10 horas, o que seriam 16:10 hora no Brasi:



Durmo tranquilo, após o cuidado com os pés. Creio que o calor durante a caminhada pelo asfalto foi responsável pelo começo da apresentação de bolhas em meu pé esquerdo.

Amanhã a aventura recomeça.

sábado, 21 de abril de 2018

E hora de revisar e de olhar para o divino interior


REVISÃO III

Introdução

1. Nossa próxima revisão começa hoje. Vamos revisar duas lições recentes a cada dia durante dez dias sucessivos de prática. Respeitaremos um formato especial para estes períodos de prática, ao qual recomenda-se com insistência que sigas tão fielmente quanto possível.

2. Compreendemos, é claro, que pode ser impossível para ti empreender o que se sugere aqui como o mais favorável a cada dia e a cada hora do dia. O aprendizado não será prejudicado quando perderes um perído de prática por ser impossível no momento estabelecido. Tampouco é necessário que faças esforços excessivos para te certificares de que estás acompanhando em termos de números. Rituais não são nosso objetivo e frustrariam nossa meta.

3. Mas o aprendizado será dificultado se pulares um período de prática por estares sem vontade de dedicar a ele o tempo que se pede que dês. Não te enganes a este respeito. A má vontade pode ser escondida de forma muito cuidadosa por trás de um disfarce feito de situações que não podes controlar. Aprende a distinguir as situações pouco favoráveis a tua prática daquelas que estabeleces para sustentar um disfarce para tua má vontade.

4. Os períodos de prática que perdeste porque não quiseste fazê-los, seja qual for a razão, devem ser feitos assim que mudares teu modo de pensar acerca de teu objetivo. Só terás má vontade para cooperar na prática da salvação se ela atrapalhar metas que valorizas mais. Quando retiras o valor dado a elas, deixas que teus períodos de prática sejam substitutos para tuas ladainhas a elas. Elas não te dão nada. Mas tua prática pode te oferecer tudo. E, por isto, aceita o que ela te oferece e fica em paz.

5. O formato que deves usar para esta revisão é este: dedica cinco minutos, ou mais se preferires, duas vezes por dia, para refletir acerca dos pensamentos indicados. Lê as ideias e os comentários escritos abaixo para o exercício de cada dia. E, em seguida, começa a pensar a respeito deles, enquanto permites que tua mente os relacione a tuas necessidades, a teus problemas aparentes e a todas as tuas preocupações.

6. Coloca as ideias em tua mente e deixa que ela as use da forma que escolher. Confia que ela as usará com sabedoria e que será ajudada em suas decisões por Aquele Que te deu os pensamentos. Em que podes confiar a não ser naquilo que está em tua mente? Acredita, nestas revisões, que o meio que o Espírito Santo utiliza não falhará. A sabedoria de tua mente virá em teu auxílio. Orienta-a no início; em seguida, descansa em uma fé silenciosa e deixa que a mente empregue os pensamentos que lhe deste, uma vez que eles te foram dados para que ela os use.

7. Eles te foram dados em total confiança; com certeza absoluta de que os usarias bem; com fé total que perceberias suas mensagens e as usarias para ti mesmo. Oferece-as a tua mente com a mesma confiança e certeza e fé. Ela não falhará. É ela o meio escolhido pelo Espírito Santo para a tua salvação. Já que ela tem a confiança d'Ele, o meio que Ele escolheu tem certamente que merecer a tua.

8. Chamamos a atenção para os benefícios que terás se dedicares os primeiros cinco minutos do dia a tuas revisões e se também deres os últimos cinco minutos de tua vigília a elas. Se isto não for possível, tenta ao menos dividi-los de forma a empreenderes uma pela manhã e a outra durante a última hora antes de ires dormir.

9. Os exercícios a serem feitos ao longo do dia são igualmente importantes e talvez até mesmo de maior valor. Estás inclinado a praticar somente nos horários indicados e depois seguir teu caminho na direção de outras coisas, sem aplicar o que aprendeste a elas. Como consequência, recebes pouco reforço e não dás a teu aprendizado uma chance justa de provar quão grandes são suas dádivas potenciais para ti. Eis aqui outra chance de usá-lo bem.

10. Nestas revisões, ressaltamos a necessidade de permitires que teu aprendizado não fique à toa entre teus períodos de prática mais longos. Tenta fazer uma breve, mas séria, revisão de tuas duas ideias diárias a cada hora. Usa uma delas na hora cheia e a outra meia hora depois. Não precisas dar mais do que apenas um momento a cada uma. Repete-a e permite que tua mente descanse um pouquinho em silêncio e em paz. Em seguida, volta-te para outras coisas, mas tenta conservar o pensamento contigo e deixa que ele sirva também para te ajudar a manter tua paz ao longo do dia.

11. Se fores perturbado, pensa nele novamente. Estes períodos de prática são planejados para te ajudar a criar o hábito de aplicar o que aprendes a cada dia a tudo o que fizeres. Não repitas o pensamento para deixá-lo de lado. Sua utilidade para ti não tem limites. E ele se destina a te servir de todas as maneiras, em todos os momentos e lugares, e sempre que precisares de qualquer tipo de ajuda. Tenta, então, levá-lo contigo nos afazeres do dia para torná-lo sagrado, digno do Filho de Deus, agradável para Deus e para teu Ser.

12. As tarefas da revisão de cada dia se concluirão com uma reafirmação do pensamento a ser usado em cada hora e também daquele a se aplicar a cada meia hora. Não os esqueças. Esta segunda chance com cada uma destas ideias trará avanços tão grandes que sairemos destas revisões com benefícios tão grandes que iremos adiante em terreno mais firme, com passos mais decididos e fé mais forte.

13. Não te esqueças quão pouco aprendes.
Não te esqueças o quanto podes aprender agora.
Não te esqueças da necessidade que teu Pai tem de ti,
Enquanto revisas estes pensamentos que Ele te deu.

*

LIÇÃO 111

Para a revisão pela manhã e à noite:

1. (91) Vê-se milagres na luz.

Eu não posso ver no escuro. Deixa que a luz da santidade
ilumine minha mente e me permita ver a inocência interior.


2. (92) Vê-se milagres na luz, e luz e força são a mesma coisa.

Eu vejo por meio da força, a dádiva de Deus para mim.
Minha fraqueza é a escuridão que a dádiva d'Ele dissipa,
dando-me Sua força para tomar o lugar dela.


3. Para a hora:
Vê-se milagres na luz.

Para a meia hora:
Vê-se milagres na luz, e luz e força são a mesma coisa. 



*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 111

Com as últimas vinte lições (da 91 à 110), que praticamos até ontem, cobrimos, mais uma vez, uma nova etapa de nosso aprendizado. É tempo, portanto, de começarmos outro período de revisão. De novo. 

Uma vez que são bastante claras e explícitas as instruções para as práticas de cada uma das próximas dez lições, a partir das quais vamos rever e praticar de modo um tanto diferente do anterior os vinte exercícios e ideias que vimos por último, neste ano em curso, ainda não vou fazer nenhum longo comentário com o fim de explorar uma a uma estas dez novas lições como temos feito desde o início das práticas nos dois últimos anos.

Em vez disso, dou-lhes, mais uma vez, assim espero, liberdade para que as explorem por si mesmos/mesmas, na expectativa, quase certeza de que, ao se voltarem para o divino no interior de si mesmos/mesmas, cada um(a) de vocês vai aceitar o desafio, ou desafios, que cada uma das lições traz mais uma vez, e também vai experimentar o milagre, ou milagres, que certamente vão se apresentar para todos(as) os(as) que praticarem com honestidade, oferecendo a Deus o melhor de si, para receber também o melhor. Voltemo-nos, pois, para o divino interior a partir das práticas.

Caso algum de vocês julgue necessário, pode sempre recorrer às lições e aos comentários publicados antes para cada uma delas, quando se apresentou pela primeira vez. E, por favor, fiquem também à vontade para manifestar suas impressões e/ou experiências com as práticas sempre que julgarem necessário. Podemos trocar ideias a respeito sempre que quiserem ao longo desta revisão.

Assim mais uma vez desejo boas práticas e boa revisão a todos/todas. 

Às práticas?

*

ADENDO: 

Jornada num tempo sem tempo (ou viagem de volta no tempo?)

2017. Abril, dia 21: De Cirauqui a Villamayor de Monjardin (24 km)

Caminhante, não há caminho, o caminho se faz ao caminhar.
Antonio Machado poeta espanhol.

E entramos no sexto dia da caminhada. 

Após o café da manhã, organizada toda a mochila de novo, tomei novamente a estrada.

O destino, quer dizer a próxima parada sugerida pelos guias do Caminho, é LIzarra/Estella. Mas isso para quem começou sua caminhada de hoje em Puente la Reina. No meu caso, tendo adiantado quase oito quilômetros, decidi seguir adiante, prevendo parar em Villamayor de Monjardin, cerca de dez quilômetros depois de Lizarra.

Ao sair de Cirauqui, o primeiro ponto de parada, para um café, água ou alguma coisa para comer, ou para usar o banheiro, é Lorca, a cerca de seis quilômetros, cuja atração é uma ponte medieval. Parei lá apenas para comprar umas pastilhas para a garganta que está me incomodando há já bem uns dois dias. Creio que por conta da baixa umidade do ar. Também tirei algumas fotos.

Esta é a ponte.




Depois, passa-se por Villatuerta, mais cinco quilômetros e, antes de se chegar a Lizarra/Estella, desviando um pouco do caminho, está o que mapa identifica como a Ermita de San Miguel, para mim, uma igreja abandonada sem nada que indicasse o santo a que fora devotads, cercada por oliveiras. Algumas muito antigas. Parei lá para beber água, descansar da mochila e tirar algumas fotos.

Lizarra/Estella é um espetáculo à parte. Uma cidade grande com arquitetura antiga, mas com um centro que oferece todas as facilidades da vida moderna. Lembra muito aquelas cidadezinhas medievais com um grande número de igrejas e prédios dos séculos XII, XIII.

Saindo de Estella, a dois quilômetros de distância, está Ayegui, um ponto que marca os primeiros cem quilômetros do Caminho. Seguem-se o Monastério de Irache, que tem um Hospital dos Peregrinos e uma fonte das Bodegas de Irache, na qual se pode provar o vinho produzido lá. Só na fonte! Há um aviso que diz não ser permitido levar o vinho da fonte. Para tanto é preciso comprar e pagar.

Villamayor de Monjardin, que escolhi como ponto de parada do dia, está a uma altitude de 625 metros, duzentos acima de Lizarra, passando ainda por Azqueta. Uma subida e tanto para quem já está cansado pela quantidade de quilômetros percorrida.

Encontro os italianos, pai e filho, em Azqueta. Ele dizem ter a intenção de ir até Los Arcos. Mas de Azqueta até lá são mais quinze quilômetros. É cedo ainda, mas não me arrisquei. Meus pés, minhas pernas e meu corpo inteiro pedem descanso.

Aqui estou, pois, em Villamayor de Monjardin, um lugarzinho porreta. O albergue é muito bom. Foi possível lavar toda a roupa do dia, pois ainda há sol suficiente para secar tudo até amanhã de manhã.

Janto num bar nas proximidades do albergue, passeio um pouco pelas redondezas e vou deitar.

Este foi o sexto dia. E amanhã tem mais.