terça-feira, 31 de março de 2009

Problema e solução andam sempre juntos.

A lição de número 90, para este dia 31 de março, finaliza a nossa segunda revisão do ano, convidando-nos a revisitar as ideias das lições 79 [Que eu reconheça o problema para que ele possa ser resolvido.] e 80 [Que eu reconheça que meus problemas foram resolvidos.].

Como penso ter dito, ao passarmos pela primeira destas duas lições, não há como resolver um problema que não sabemos ter. E, apesar de a segunda destas nos afirmar que basta reconhecermos que toods os nossos problemas já estão resolvidos para que eles, de fato, se resolvam, no ego, ainda nos parece que os problemas fazem fila a nossa porta, à espera de solução. Todos diferentes, todos envolvendo decisões seríssimas que, muitas vezes, temos medo de tomar. Ou para não nos magoarmos com este(a) ou aquele(a), ou para não magoarmos ninguém. Esquecidos de que "só meus próprios pensamentos podem me ferir". Ou afetar ou atingir. E, por consequência, ninguém pode magoar ninguém. E só podemos salvar a nós mesmos. [Lembram? "Minha salvação vem de mim."] Isto é, a salvação do mundo depende de mim, conforme diz o Curso, apenas na medida em que reconheço e aceito a responsabilidade por tudo o que crio. Incondicionalmente.

Só temos, de verdade, um problema. A crença na ideia da separação. O mesmo e único problema que se apresenta de infinitas formas diferentes, para atender à necessidade do ego de nos mostrar a mesma ilusão de vários modos distintos. Um truque para nos manter aprisionados à crença de que ele dispõe de inúmeros recursos para nos ajudar a resolver os problemas que ele mesmo cria para nós. Para nos afastar da questão central, aquela que pode pôr termo a tudo o que pensamos serem os problemas de nossa vida.

Todos eles, reduzidos à questão central, vão se mostrar sempre como uma forma de mágoa [que favorece a separação] que queremos manter e alimentar. Se só temos um problema, fica óbvio que só existe também uma solução. E é isso que o ego não quer que percebamos. Se os problemas que ele nos apresenta são um só e se originam de uma mágoa, a solução para todos eles é o perdão. O milagre do perdão, que é uma expressão autêntica do amor em que fomos criados, resolve todos os problemas. Porque o perdão me devolve [e a nós todos] à unidade, onde sei que os problemas já estão resolvidos. Melhor ainda, na unidade não existem problemas. Todos se apagam à luz de verdade do que somos.

Talvez seja importante ressaltar ainda, de acordo com a lição de hoje, que é o mau uso que fazemos do tempo que nos dá a impressão de termos problemas. Algo que o perdão, ao nos devolver à unidade, também resolve porque nos coloca diretamente na eternidade, aqui e agora, no lugar e no tempo em que podemos reconhecer que o problema e a resposta são sempre simultâneos e não podem existir separadamente. Logo, sempre que, aparentemente, um problema se apresenta, à luz da unidade de que fazemos parte, a solução tem de estar junto com ele. Basta estamos atentos.

Para as práticas deste dia, as orientações são as mesmas dadas no início do período de revisão.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Tudo é milagre. Tudo é mistério.

Neste dia 30 de março, pensando ainda em quem está chegando agora e não teve contato anterior com "os milagres", e visando a facilitar a continuação da prática dos exercícios desta lição 89, na qual vamos revisar as ideias das lições 77 [Eu tenho direito a milagres.] e 78 [Que os milagres substituam todas as mágoas.], talvez seja interessante relembrar aqui alguns dos princípios dos milagres, descritos no início do texto do Curso.

Um deles diz que "milagres são naturais" e que, "quando não acontecem [é porque] alguma coisa deu errado". Em seguida, vem o princípio segundo o qual "milagres são um direito de todos, mas primeiro é necessário purificação". Voltando um pouquinho ainda o texto diz que todos os "milagres acontecem naturalmente como expressões do amor" e que "o verdadeiro milagre é [grifo meu] o amor que os inspira". E mais, que "neste sentido, tudo o que vem do amor é um milagre".

Penso que isso deve bastar para orientar nossa prática de hoje das ideias que revisamos. Primeiro porque, contrariando as leis deste mundo, que apenas nos colocam cada vez mais em contato com a ilusão, em suas mais variadas formas, levando-nos, ou tentando nos levar a, acreditar que os milagres não existem ou são coisas sobrenaturais que acontecem apenas a alguns poucos "puros de coração", entre os quais não nos incluímos, o Curso nos diz que todos temos direito aos milagres e que eles são naturais, e só não acontecem quando alguma coisa dá errado.

O que pode dar errado, se os "milagres são naturais"? Parece-me que a questão é apenas a tal da "purificação". E o que significa "purificação"? Traduzindo: não significa que não somos puros, mas que ainda não aprendemos a nos colocar à disposição da Vontade de Deus. Significa que ainda não aprendemos que a Vontade d'Ele é a única que existe e que nossa vontade é a mesma que a d'Ele. Significa apenas que precisamos aprender a focalizar toda a atenção de que somos capazes naquilo que verdadeiramente importa: carregar um único desejo no coração. O desejo de cumprir a Vontade de Deus para nós. Significa que precisamos nos purificar simplesmente porque nos distraímos de nós mesmos. Mergulhados na ilusão, andamos de olhos fechados às "expressões do amor" que se nos apresentam a todo momento. Se pensarmos bem, tudo é milagre, porque tudo o que nos acontece, de alguma forma misteriosa [porque normalmente não nos apercebemos disso], acontece apenas para nos guiar na direção da "alegria perfeita", na direção da realização da Vontade de Deus para nós.

Gosto de lembrar de uma canção antiga em que o autor diz que "o maior mistério é ver mistérios. Ai de mim, senhora natureza humana, olhar as coisas como são, quem dera, e apreciar o simples que de tudo emana. Nem tanto pelo encanto da palavra, mais pela beleza de se ter a fala". Isso não é reconhecer o milagre? Poder-se-ia dizer, assim, mais, que tudo é mistério e tudo é milagre para os olhos amorosos e atentos. Aliás, acho até que se pode dizer que a atenção é uma das maiores expressões do amor, se não a maior.

E, entre outras coisas, é para aprender isso que fazemos os exercícios. As orientações para a prática de hoje continuam sendo as mesmas estabelecidas no início desta revisão.

domingo, 29 de março de 2009

A luz que pode nos dar a paz

Para quem está chegando agora e nunca ouviu falar dos milagres e para quem, apesar de já ter tido contato, ainda resiste à linguagem que nos coloca na posição de "salvadores do mundo", porque incompreensível, buscando responder ao comentário da Nina e, ao mesmo tempo, dar uma resposta às perguntas da Duda, ambas registradas no texto de sexta-feira, dia 27, só posso dizer o seguinte: ou nos responsabilizamos pelo mundo que criamos ou não. Se acreditamos no ensinamento do Curso, é óbvio que a responsabilidade pelo mundo é nossa. De cada um de nós. Que mundo precisa de salvação? O mundo que Deus criou? Ou o mundo que eu criei? O mundo que cada um de nós cria na ilusão da onipotência do ego?

Até onde entendo, a dificuldade em aceitar a posição de "salvador do mundo" faz parte da estratégia de falsa humildade do ego, que coloca fora de si a responsabilidade pelos problemas do mundo, atribuindo aos outros uma culpa que, na verdade, não existe e nem cabe a ninguém. Para o Curso, o mundo e tudo o que existe nele é neutro. O juízo de valor, para o bem ou para o mal, é cada um de nós que dá. Daí, aceitar a posição de "salvador do mundo" nada mais é do que aceitar a responsabilidade por tudo o que crio, consciente ou inconscientemente. No ego, as ilusões todas, e em Deus todas as experiências que me põem em contato com a alegria perfeita, que é a Vontade d'Ele para mim, para cada um e para todos nós.

É claro também que não podemos mudar ninguém. Tudo o que podemos mudar é nosso modo de olhar para o mundo e para as pessoas nele. Alguém precisa ser salvo no meu mundo? Como salvá-lo(a)? Simples, salvando-me. Como? Aceitando que tudo o que vejo é projeção do que existe dentro de mim. Na verdade, nada nem ninguém, para o Curso, precisa de salvação. Já fomos e estamos salvos para toda a eternidade. Lembram-se daquele comentário que fiz algum tempo atrás a respeito de um quadrinho? Ele dizia: Descobrimos o inimigo, nós somos ele. Isto é, só precisamos nos salvar mesmo de nosso próprio ego. Como fazê-lo? Negando-nos a lhe dar um poder sobre nós que ele não tem. Negando-nos a ouvi-lo quando ele nos aconselha a distribuir culpas e a guardar mágoas e ressentimentos. É simples! Fácil? Não! Muito difícil. Por quê? Porque vivemos no mundo dos sentidos, que depende do tempo e do espaço, que acredita no tempo e no espaço. Isso nos leva a ter uma história que muitas vezes nos esmaga e impede ou tolhe nossas tentativas de mudar o modo de ver as coisas. Afinal, "estamos no mundo e precisamos construir nossa experiência de vida nele". Como não dar ouvidos a todos os egos que povoam nosso mundo presente e como deixar de ouvir "voz da experiência" de todos os egos que viveram antes de nós? É sobre isso que o Curso nos convida a refletir. É esta a nossa função no mundo, no dia a dia, desaprender pouco a pouco, da melhor forma que pudermos, toda a ilusão que o ego construiu ao longo do tempo. Aprendendo a vê-la como ilusão apenas. Aprendendo que somos mais do que só um corpo. Buscando cada vez mais ouvir a Voz por Deus no interior de nós mesmos. Para isso servem os exercícios. Vamos à revisão de hoje?

As ideias das lições 75, A luz veio, e 76, Não estou sujeito a nenhuma lei exceto às de Deus, são as que revisamos neste dia 28 de março, na prática da lição 87. Já sabemos que não estamos sozinhos. Já aprendemos que somos a luz do mundo e que só as mágoas que guardamos, quando insistimos em nos magoar ou em ficar ressentidos, pode esconder a luz do mundo que trazemos em nós. Fomos convidados a decidir que queremos a luz. E também aprendemos que nossa salvação só pode vir de nós mesmos.

Todas estas ideias, além das muitas outras que as lições nos ofereceram até agora, podem ter nos deixado confusos, pois elas são o contrário do que o mundo ensina e "batem de frente", por assim dizer, com o plano de salvação do ego. Isso não tem importância. Não neste momento. Basta que tenhamos nos decidido, de fato, a assumir a responsabilidade pelo mundo que inventamos e levar adiante a prática de aprender a lembrar o que somos na verdade. Basta isso e a verdade vai se revelar a nós mais dia, menos dia.

Não precisamos nos preocupar, pois todas as aparentes dificuldades que vão continuar a se apresentar em nosso dia a dia são apenas efeitos da resistência de nosso ego a abandonar as ilusões. "A luz veio". Mesmo que a crença nesta ideia dure apenas uns poucos instantes durante o(s) dia(s) que em que a estamos praticando, podemos ter certeza de que ela ficará permanentemente registrada em nossa memória, para se apresentar quando for necessária.

Se já aprendemos a não resistir à ideia de que só plano de Deus para a salvação pode funcionar, porque aprendemos que não sabemos nada, apesar da quantidade de informação que recebemos desde o momento em que nascemos até agora, não há mais razão para duvidar, nem por um segundo, de que não estamos sujeitos a nenhuma lei que não as de Deus. Isso, em lugar de nos deixar em pânico, porque aparentemente tira de nossas mãos o "controle" que gostaríamos, e gostamos, de ter sobre tudo e sobre todos, no ego, deve nos tranquilizar, deve nos pôr em contato com uma sensação de paz duradoura. Porque nos permite entregar a Ele, e a Seu Espírito Santo, tudo aquilo que não entendemos e com que não sabemos como lidar.

Os períodos e formas da prática continuam a obedecer às orientações vistas no início deste tempo de revisão.

sábado, 28 de março de 2009

Teu caminho tem um coração?

Como o Curso nos aconselha a praticar mais do que uma vez por dia, volto à lição 87 e às ideias de hoje com um comentário que escrevi para um amigo e que, de alguma forma, tem a ver com o momento que vivem todas as pessoas do grupo de estudos do UCEM de que fazemos parte aqui em São Paulo.

É inútil tentar resistir à Vontade de Deus.

A se acreditar nas informações que chegaram até nós, ao longo do tempo, o próprio Jesus, no momento de escolher atender à necessidade de ser crucificado, quem sabe com alguma sensação humana de medo, uma vez que habitava um corpo, pediu que o Pai afastasse de si aquele cálice, para, em seguida, render-se inteiramente a Ele, pedindo que se fizesse Sua Vontade e não a dele, Jesus.

As lições que revisamos hoje nos colocam exatamente nesta posição. A primeira pede que exercitemos em nossa mente a idéia “Eu quero que haja luz”. Mas será que é isso que quero mesmo? No ego, é já mais ou menos claro [é?] para todos nós, estudantes de milagres, que não. O que o ego deseja, de fato, em sua ilusão de onipotência, é nos manter na escuridão, nas trevas, esconder a luz do mundo em mim, em cada um de nós. Aconselhando-nos a atacar, a guardar mágoas e a cultivar um sentimento de culpa que, na verdade, não nos cabe, não nos pertence.

A utilização desta primeira idéia nos exorta a deixar que a luz seja nosso guia hoje, para a seguirmos aonde quer que ela nos leve, para podermos experimentar, ainda que por breves momentos, a paz da percepção verdadeira.

A segunda idéia a ser revisada hoje pede que pratiquemos o reconhecimento de que não existe nenhuma vontade a não ser a de Deus.

E voltamos, assim, à idéia com que abri esta conversa. A idéia de que, por mais que se possa resistir, mais dia, menos dia, vamos ter de nos render à Vontade de Deus. Ela é a única vontade que existe. E, o melhor de tudo isso, é que a aceitação e o reconhecimento desta verdade não nos afastam da alegria, da felicidade, da harmonia, ou da paz. Ao contrário, é a aceitação dela que nos dá a segurança inabalável por nos garantir que já estamos salvos.

O exercício desta segunda idéia diz mais ainda. Diz que só podemos nos sentir amedrontados quando pensamos existir outra vontade diferente da de Deus. E que só podemos atacar, e só atacamos, quando estamos com medo, e que só quando tentamos atacar é que podemos acreditar que nossa segurança eterna está ameaçada. É preciso aprender que isso não acontece nunca. Nossa segurança e salvação residem exatamente no fato de não haver outra vontade exceto a de Deus.

É preciso termos sempre em mente que, como diz o ditado antigo, “todos os caminhos levam a Roma”. Entendendo-se, de uma vez por todas, que todos os caminhos, a se pensar na veracidade desta segunda idéia que exercitamos hoje, reconhecendo-a e aceitando, nos levam a Deus e que não existe nenhum tempo e nenhum lugar MAIS adequado para que nos voltemos para Ele. Cada um vai se encontrar, e encontrar o caminho que leva a Deus DENTRO de si mesmo, na hora exata, quando tomar a decisão de abrir seus olhos e seu coração. Acordando para o fato de que todas, absolutamente todas, as tentativas que fazemos para nos afastar d’Ele vão sempre resultar infrutíferas. Por outro lado, precisamos nos convencer também de que não somos capazes [apenas no sentido de que não nos cabe, não nos compete], ou, se o somos, não temos o direito de exercer nossa vontade própria para indicar ou escolher quais caminhos são mais indicados, ou melhores, para quem quer que caminhe conosco ao longo de nossa jornada.

Como dizia o “brujo” Don Juan, de Castañeda, todos os caminhos não são nada mais do que caminhos. O importante é você saber, é você se perguntar, se seu caminho tem um coração. Se tiver você pode segui-lo tranquilamente. Caso ele não tenha, é preciso mudar. É preciso escolher outro.


Destaco aqui dois pontos importantíssimos a serem lembrados em qualquer ocasião que nos assalte alguma dúvida, quer a respeito de nossa função no mundo, quer a respeito da Vontade de Deus para nós:

Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisto está a paz de Deus.

Eu estou aqui apenas para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para apresentar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho de me preocupar acerca do que dizer ou fazer, porque Aquele Que me
enviou me orientará.
Eu estou feliz de estar aonde quer que Ele queira, sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que permitir que Ele me ensine a curar.

A necessidade da atenção e da prática

Eu quero que haja luz (73). Esta a primeira das ideias de nossa lição 87, deste dia 28 de março. Dizer isto sabendo o que isto significa é apenas o primeiro passo na direção de acreditar que somos, de verdade, Filhos de Deus. É um passo enorme na direção de acreditar que podemos romper as correntes das limitações que nos impedem de construir e viver "o sonho feliz" neste mundo de ilusões.

A impermanência, caracteristica comum a todas as coisas existentes neste mundo, não pode, nem deve nos impedir de experimentar a alegria perfeita, não pode nos impedir de vivermos "sempre brabos de alegre", mesmo em meio a toda tristeza que acontece no mundo. É aí mesmo que temos de exercitar nossa capacidade de alegria, para não nos deixarmos envolver e ser tragados por aquele mar de incertezas e de sofrimentos que é o que aparentemente o mundo nos oferece.

Para que haja luz, para que a luz se faça presente em nossas vidas, precisamos reconhecer e aceitar no mais íntimo de nós mesmos que: Não há nenhuma vontade exceto a de Deus (74). E esta é a segunda ideia para revisarmos neste dia. Uma vez aceita e reconhecida esta ideia, podemos nos abandonar serenamente à paz. Porque compreendemos, enfim, que não há nenhum estado diferente daquele em que nos encontramos ao qual podemos aspirar, pelo qual podemos ansiar. Aprendemos, repetindo, que "tudo está absolutamente certo exatamente da forma como está" e que não há nada que possamos fazer além daquilo que estamos fazendo. Estamos, onde quer que estejamos, sempre no lugar e na hora certas.

É a atenção e a prática das ideias e dos exercícios que vai nos provar a veracidade disso.

sexta-feira, 27 de março de 2009

A onipotência do ego

Na onipotência, que parece ser o estado natural do ego, parece-nos que temos todas as soluções para salvar o mundo. E nos esquecemos, a maior parte do tempo, de que nem ao menos somos capazes de nos acreditar salvadores do mundo. O que é uma enorme contradição. Temos todas as soluções para salvar o mundo, mas não queremos ser chamados de salvadores. Não acreditamos naquela afirmação de Jesus que dizia que somos capazes de fazer tudo o que ele fazia. E mais. E melhor. Por que será isso? Humildade? O ego será humilde? Não, não, é o contrário. Não reconhecer que somos Filhos de Deus e que, cada um de nós, pode de verdade salvar-se, e ao mundo, é o contrário de humildade, é arrogância pura e simplesmente. Do ego. Como posso me considerar humilde, se não reconheço meu papel no mundo? Se não aceito a função que recebi de Deus?

Por isso, entre outras coisas, revisamos neste dia 27 de março, na lição 86, as ideias que vimos nas lições 71 e 72:

(71) Só o plano de Deus para a salvação funcionará.
(72) Guardar mágoas é um ataque ao plano de Deus para a salvação.

Estas ideias nos convidam a pensar no plano de salvação que o ego alimenta. Um plano baseado no ataque e no julgamento, que não pode funcionar de modo algum. Pois como vimos guardar mágoas é afastar-nos do que somos, é esconder a luz do mundo, é trabalhar para impedir a visão. É afastar-se da verdade, porque as mágoas nos levam para longe do presente, o único lugar em que podemos encontrá-la. O que é isto a não ser um ataque ao plano de Deus?

Aproveitemos os períodos da prática conforme as orientações iniciais deste período de revisão para refletir a respeito disso, utilizando as ideias destacadas para a lição de hoje.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Minha salvação e a luz do mundo

Neste dia 26 de março, com a lição 85, vamos revisar as ideias das lições 69 e 70. São elas:

(69) Minhas mágoas escondem a luz do mundo em mim.
(70) Minha salvação vem de mim.

As mágoas servem apenas para esconder a luz que há em mim e que deve ser estendida ao mundo. As mágoas, de qualquer natureza, são apenas obstáculos que me impedem de ver, de fato. Porque qualquer mágoa me devolve a um lugar que não existe, a um tempo que não existe. O passado. Se pensar bem, posso perceber claramente que toda mágoa me remete sempre a um ponto distante do presente, do agora, que, de acordo com o Curso e com a sabedoria milenar, é o único tempo que existe. O presente é o único momento em que posso atuar, decidir, escolher, agir. Estar no presente é estar na luz, é vê-la, é ser luz. Logo, se as mágoas me afastam do presente, elas só podem esconder a luz do mundo, que existe em mim e que me define. Isto para falar da primeira das ideias a ser revisada.

Quanto à segunda, parece-me suficiente dizer que não podemos buscar fora da nós o que somos ou a luz que pode nos salvar e nos devolver à Unidade em Deus. Ou como diz Harold Bloom em um de seus livros: "se nos buscamos fora de nós mesmos, encontraremos a catástrofe, erótica ou ideológica". Ou ainda: "buscar Deus fora do eu é cortejar os desastres do dogma, a corrupção institucional, a malfeitoria histórica e a crueldade".

Para a prática é preciso seguir as mesmas orientações dadas no início deste período de revisão.