sábado, 7 de janeiro de 2023

Só a atenção pode nos fazer viver no presente

 

LIÇÃO 7

Eu vejo só o passado.

1. É particularmente difícil acreditar nesta ideia a princípio. Porém, ela é a base lógica para todas as anteriores. Ela é a razão pela qual nada do que vês significa coisa alguma. 
Ela é a razão pela qual dás a todas as coisas que vês todo o significado que têm para ti. 
Ela é a razão pela qual não entendes nada do que vês.
Ela é a razão pela qual teus pensamentos não significam nada, e a razão pela qual eles são como as coisas que vês. 
Ela é a razão pela qual tu nunca estás transtornado pelo motivo que imaginas.
Ela é a razão pela qual tu estás transtornado porque vês algo que não existe.

2. É muito difícil mudar ideias antigas a respeito do tempo, porque tudo aquilo em que acreditas está radicado no tempo e depende de não aprenderes estas ideias novas a respeito dele. No entanto, é justamente por isso que precisas de ideias novas acerca do tempo. Esta primeira ideia a respeito do tempo não é, de fato, tão estranha quanto pode parecer de início.

3. Olha para uma xícara, por exemplo. Tu vês uma xícara ou simplesmente revês tuas experiências passadas de pegar um xícara, de estar com sede, de beber de uma xícara, de sentir a borda de uma xícara contra teus lábios, de tomar o café da manhã e assim por diante? Tuas reações estéticas à xícara não são também baseadas em experiências passadas? De que outra forma saberias se esse tipo de xícara se quebraria ou não se a deixasses cair? O que sabes a respeito dessa xícara exceto aquilo que aprendeste no passado? Tu não tens nenhuma ideia do que essa xícara é, a não ser pelo teu aprendizado passado. Então, tu a vês realmente?

4. Olha ao teu redor. Isso é igualmente verdadeiro a respeito de qualquer coisa para a qual olhes. Reconhece isso aplicando a ideia de hoje indistintamente para o que quer que capte teu olhar. Por exemplo:

Eu vejo só o passado neste lápis.
Eu vejo só o passado neste sapato.
Eu vejo só o passado nesta mão.
Eu vejo só o passado naquele corpo.
Eu vejo só o passado naquele rosto.

5. Não te demores em nenhuma coisa em particular, mas lembra-te de não omitir nada de modo específico. Olha rapidamente para cada sujeito e, em seguida, passa para o seguinte. Três ou quatro períodos de prática, que durem aproximadamente um minuto cada, serão suficientes.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 7:

Caras, caros,

Comecemos a jornada de práticas com a lição de número sete: "Eu vejo só o passado".

Parece-lhes verdadeira esta ideia, esta afirmação? 

Eu lhes diria que, depois destes anos todos de prática, nada me parece tão verdadeiro quanto esta ideia, esta afirmação? 

E por quê?

Porque, a rigor, se nos voltarmos para tudo o que aconteceu antes no mundo em que pensamos viver, vamos encontrar lá, em algum lugar do passado, a explicação para nos convencer de que o que experimentamos em nossas vidas, dia a dia, não passa de ilusão.

A ciência já concluiu que o tempo que pensamos viver de forma linear, passado, presente e futuro, não existe. Ou seja, o tempo como o contamos é apenas uma convenção. Há sociedades e civilizações que contam e vivem o tempo de modo diferente do nosso. Basta pensarmos, por exemplo, que para nós este é o ano de número 2023, no calendário dito gregoriano, adotado nalgum momento no passado, por razões que não vêm ao caso. Já para os judeus o ano em que eles vivem é o de número 5782.

O Curso vai nos trazer daqui a pouco a afirmação, que já conhecemos todos e todas, de que o único tempo que existe é o presente. 

Sabemos disso, e este é um dos grande problemas que enfrentamos e que nos impede de viver bem, de viver a vida boa, porque não conseguimos atinar como viver apenas no presente. E todos os problemas que advêm desta nossa, por assim dizer, "incapacidade" de viver "o presente", de viver "no presente", e apenas no presente, são o que nos atormenta, o que nos impede de viver de fato.

Prestemos bastante atenção às instruções que acompanham a ideia para as práticas. Já no primeiro parágrafo, ou primeiro ponto, ela nos revela a razão para praticarmos todas as ideias anteriores até aqui. Melhor dizendo, o fato de só vermos o passado é revelador de que as coisas que vemos não significam coisa alguma e das outras que se seguiram à primeira ideia das práticas.

Há um segredo para se viver o presente. Um segredo que não é segredo para ninguém, mas que poucas pessoas pensam serem capazes de praticar. Ou porque o julgam muito difícil, ou porque preferem não pensar a respeito, ou ainda porque preferem não se dar ao trabalho de fazer o esforço necessário para viver a vida a partir deste segredo.

E qual é o segredo? 

Simples, simples, simples! 

Atenção! 

Sim, basta ficarmos atentos, ou atentas, a tudo e a todos e todas a nossa volta, atentos às experiências que se apresentam, vivendo uma de cada vez integralmente, sem medo de ser feliz, seja qual for a experiência que se apresente. Afinal, não podemos ter controle sobre nada, absolutamente  nada no mundo, a não ser sobre nossos pensamentos. E é só a atenção que vai nos permitir escolher os pensamentos que queremos. As coisas do mundo, vamos aprender com o ensinamento, e o próprio mundo, são neutras. Não há nada que possamos fazer para mudá-las. Tudo o que podemos fazer é mudar nosso modo de olhar para elas, permitindo que elas sejam o que são. Libertando-as do passado e do que nos ensinou o mundo sobre elas. Precisamos olhar para tudo, todos e todas, como se víssemos pela primeira vez. O tempo todo.

Às práticas?


sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

É preciso atenção às sensações que nos chegam

 

LIÇÃO 6

Eu estou transtornado porque vejo algo que não existe.

1. Os exercícios com esta ideia são muito parecidos aos anteriores. Novamente, é necessário dar nome tanto à forma de transtorno (raiva, medo, preocupação, depressão e assim por diante) quanto à fonte percebida de forma muito específica para qualquer aplicação da ideia. Por exemplo:

Eu estou com raiva de _______ porque vejo algo que não existe.
Eu estou preocupado com _______ porque vejo algo que não existe.

2. A ideia de hoje é útil para a aplicação a qualquer coisa que pareça te transtornar e, para este fim, pode ser usada com proveito ao longo do dia. No entanto, os três ou quatro períodos de prática pedidos devem ser precedidos de mais ou menos um minuto de busca mental, como antes, e pela aplicação da ideia a cada pensamento de transtorno descoberto na busca.

3. Mais uma vez, se resistires a aplicar a ideia a alguns pensamentos de transtorno mais do que a outros, lembra-te dos dois avisos expressos na lição anterior:

Não há nenhum transtorno pequeno. Todos eles
perturbam minha paz de espírito do mesmo modo.

E:

Eu não posso manter esta forma de transtorno e abandonar
as outras. Então, para os objetivos destes exercícios, vou
considerá-las todas como a mesma.

*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO  6

"Eu estou transtornado porque vejo algo que não existe."

Caras, caros,

Buscando fazer, neste ano, os comentários de modo diferente, como lhes disse ao iniciarmos as práticas, pode acontecer, como hoje, de o comentário não ir ao ar no horário costumeiramente programado, por razões que não necessitam ser explicadas aqui.

Então, continuando, a ideia para as práticas de hoje, a que voltamos nossa atenção já algumas vezes - pelo menos as pessoas que circulam por este espaço há algum tempo - está, de forma muito clara, relacionada à que praticamos ontem: Eu nunca estou transtornado pela razão que imagino.

Está claro para vocês, não?

O transtorno, em qualquer de suas formas, como o Curso ensina: medo, preocupação, depressão, ansiedade, raiva, ódio, ciúme, desânimo, ou outras, só faz nos afastar do presente momento.

Quer dizer, quando embarcamos num estado desses, saímos do eixo, do centro, afastamo-nos do real em nós, de nós mesmos, de nós mesmas.

E isso nunca, ou quase nunca, se dá pela razão que usamos para justificar nosso transtorno, tenha ele a forma que tiver.

É mais ou menos aquela historinha da gota d'água que faz transbordar o copo. Vamos acumulando sensações ao longo de um dia, por exemplo, sem nos darmos conta do que elas estão fazendo conosco, e, ao final do dia, qualquer pessoa ou coisa que cruze nosso caminho, e amplie aquelas sensações, pode vir a ser a vítima de uma explosão nossa.

A pessoa que explode, nós quando explodimos - em nosso transtorno - saímos de nós mesmos, de nós mesmas. No sentido de que nos deixamos tomar pela emoção desencadeada pelas sensações que acumularam. Sem nem ao menos ter ideia do que nos levou a reagirmos - ou a nos comportarmos - daquela forma.

Justificado é dizer, pois, que o transtorno normalmente não tem nada a ver com a razão que imaginamos.

Do mesmo modo, a ideia para as práticas de hoje fica bem clara, se pensarmos que a partir do momento em que a pessoa explode, e não percebe o motivo para sua explosão, está agindo por um impulso vindo não se sabe de onde. Quer dizer, a pessoa não está agindo a partir de seu centro, de si mesma, mas das emoções e sensações acumuladas, que ela não consegue perceber ou controlar.

É óbvio, pois, que grande parte de nossas ações se devem a coisas que não existem. No presente. No instante mesmo em que agimos. Um impulso, uma faísca, nos leva a dizer e a fazer coisas que em nosso estado "normal" não faríamos, ou diríamos, não é mesmo?

Daí o ensinamento nos oferecer a ideia para hoje. Para chegarmos à consciência da necessidade da atenção, do questionamento das razões para nossos transtornos. Elas existem? São o que imaginamos?

Às práticas?
 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

As práticas nos levam para mais perto do que somos

 

LIÇÃO 5

Eu nunca estou transtornado pela razão que imagino.

1. Esta ideia, como a anterior, pode ser usada com qualquer pessoa ou acontecimento que penses estar te causando dor. Aplica-a de modo específico a qualquer coisa que acredites ser a causa de teu transtorno, usando a descrição da sensação em quaisquer termos que te pareçam exatos. O transtorno pode parecer ser medo, preocupação, depressão, ansiedade, raiva, ódio, ciúme, ou ter inúmeras formas todas as quais serão percebidas como diferentes. Isso não é verdade. Entretanto, até aprenderes que a forma não importa, cada uma é um sujeito adequado para os exercícios do dia. Aplicar a ideia a cada uma delas separadamente é o primeiro passo para o reconhecimento de que, em última instância, elas são todas a mesma.

2. Quando utilizares a ideia de hoje para uma causa percebida como específica de um transtorno em qualquer forma, usa tanto o nome da forma com que vês o transtorno quanto a causa a que tu o atribuis. Por exemplo:

Eu não estou com raiva de __________ pela razão que imagino.
Eu não estou com medo de __________ pela razão que imagino.

3. Mas, novamente, isso não deve substituir os períodos de prática em que primeiro examinas tua mente em busca das "fontes" do transtorno no qual acreditas e as formas de transtorno que pensas resultarem delas.

4. Nestes exercícios, mais do que nos anteriores, podes achar difícil não fazer distinções e evitar conferir a alguns sujeitos peso maior do que a outros. Talvez ajude se antes dos exercícios declarares:

Não há nenhum transtorno pequeno. Todos eles
perturbam minha paz de espírito do mesmo modo.

5. Em seguida, examina tua mente em busca de qualquer coisa que esteja te angustiando, independente de quanta aflição, muita ou pouca, imagines que isso esteja causando.

6. Também podes te descobrir menos disposto a aplicar a ideia de hoje a algumas fontes de transtorno percebidas do que a outras. Se acontecer isso, pensa primeiro no seguinte:

Eu não posso manter esta forma de transtorno e abandonar
as outras. Então, para os objetivos destes exercícios, vou
considerá-las todas como a mesma.

7. Em seguida, investiga tua mente por não mais do que cerca de um minuto e tenta identificar algumas forma diferentes de transtorno que estejam te perturbando, independente da importância relativa que possas dar a elas. Aplica a ideia para hoje a cada uma delas, usando tanto o nome da fonte do transtorno conforme o percebes quanto o da sensação do modo com que o experimentas. Outros exemplos são:

Eu não estou preocupado com __________ pela razão que imagino.
Eu não estou desanimado com __________ pela razão que imagino.

Três ou quatro vezes durante o dia é suficiente.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 5:

Caras, caros,

Lá vamos nós novamente. A quinta lição neste ano em que o blogue entrou em seu décimo-quinto.

Quantas e quantos de vocês estão aqui desde o início? Quantas e quantos estão começando hoje? Quantas e quantos já andaram por aqui apenas a passeio, sem se comprometer com a mudança necessária para que o ensinamento exerça seus efeitos sobre suas vidas?

Na verdade, isso não tem importância nenhuma, uma vez que nenhum de nós, nem nenhuma, compreende qualquer coisa do que vê. E seus pensamentos não significam coisa alguma, não é mesmo?

Eu, cá pra mim, comecei, neste ano, o vigésimo-quarto ano de práticas. E sinto cada vez mais perto de mim a compreensão de que este Curso não é senão um instrumento para que eu chegue cada vez mais perto daquilo que, na verdade, sou. Na unidade com tudo o que existe e com todas as pessoas que povoam o mundo desde que aqui cheguei.

Algum, alguma, de vocês que navegam por aqui tem a mesma impressão? Quer dizer, algum, alguma, de vocês já sentiu que o ensinamento do Curso existe para que cada um e cada uma de nós possa chegar mais perto de si, diminuindo, a pouco e pouco, a distância que o sistema de pensamento do ego colocou entre nós e o que somos? Porque as práticas, levadas a sério, dissolvem a ideia de uma separação que pensamos - no ego - existir entre nós, entre cada um e cada uma e o restante das pessoas do mundo, e Deus.

Em geral, como nos pede a ideia que praticamos hoje, não sabemos por que razão reagimos assim ou assado a alguma coisa que acontece conosco ao longo do dia, dos dias, e da vida como um todo. De raro em raro, um, ou uma, de nós chega a um momento em que reconhece algo que lhe aconteceu como sendo a razão para experimentar este ou aquele sentimento, ou para viver a experiência que está vivendo no momento. Porém, de modo geral, parece-nos que andamos à deriva neste mundo, à mercê do que ele nos oferece como provação a cada dia. 

Muitas e muitos de nós vivem suas vidas como se fosse um castigo que têm de sofrer para tentar chegar a algum lugar, não é mesmo. E muito poucos, muito poucas, de nós percebem as razões para que vivamos assim.

Uma música que ouvi recentemente diz, entre outras coisas, em sua letra: "iluminado é aquele que já sabe o que é". Uma verdade, pode-se dizer, porque a maioria de nós tem muitas dúvidas a respeito de si, a respeito do que é. E é por esta razão que não sabemos porque sentimos raiva, porque nos preocupamos, porque nos transtornamos e nos sentimos desanimados, sem saber nosso lugar no mundo e na ordem das coisas.

Como eu disse acima, as práticas têm me levado a uma melhor compreensão das razões por que praticar e da necessidade de que, como o Curso ensina, abandonemos o julgamento. Todo e qualquer julgamento. O tempo todo e todo o tempo. Praticar vai permitir, se deixarmos, que cada um e cada uma de nós ande para mais perto de si, afastando-se cada vez mais da ilusão que o mundo oferece a cada passo.

Às práticas?
 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Nossos pensamentos no ego só podem criar ilusões

 


LIÇÃO 4

Estes pensamentos não significam nada. São como
as coisas que vejo neste quarto [nesta rua,
desta janela, neste lugar].

1. Diferentemente dos anteriores, estes exercícios não começam com a ideia para o dia. Nestes períodos de prática, começa por observar os pensamentos que cruzam tua mente por cerca de um minuto. Em seguida aplica a ideia a eles. Se já estiveres ciente de pensamentos infelizes, usa-os como sujeitos para a ideia. Entretanto, não escolhas apenas os pensamentos que pensas serem "maus". Descobrirás, se te treinares a olhar para teus pensamentos, que eles representam uma mistura tal que, de certa forma, nenhum deles pode ser chamado "bom" ou "mau". É por esta razão que eles não significam nada.

2. Ao escolheres os sujeitos para a aplicação da ideia de hoje, pede-se a habitual especificidade. Não tenhas medo de usar tanto pensamentos "bons" quanto "maus". Nenhum deles representa teus pensamentos verdadeiros, que estão sendo cobertos por eles. Os "bons" são apenas sombras do que está além, e sombras tornam a visão difícil. Os "maus" são bloqueios à visão e tornam impossível ver. Tu não queres nem um, nem outro.

3. Este é um exercício muito importante e será repetido de vez em quando de forma um pouco diferente. O objetivo aqui é o de te treinar para os primeiros passos na direção da meta de separar o que não tem significado daquilo que é significativo. É uma primeira tentativa no propósito de longo alcance do aprendizado de perceberes o sem significado como fora de ti e o significativo dentro. É também o início do treinamento de tua mente para reconhecer o que é o mesmo e o que é diferente.

4. Ao usares teus pensamentos para a aplicação da ideia para hoje, identifica cada pensamento pela imagem ou pelo acontecimento central que ele contém, por exemplo:

Este pensamento sobre __________ não significa nada.
É como as coisas que vejo neste quarto [nesta
rua, e assim por diante].

5. Podes também utilizar a ideia para um pensamento particular que reconheças como prejudicial. Esta prática é útil, mas não é um substituto para os procedimentos mais aleatórios a serem seguidos para os exercícios. Contudo, não examines tua mente por mais do que um minuto aproximadamente. Tu ainda és inexperiente demais para evitar a tendência de te tornares inutilmente preocupado.

6. Além disso, uma vez que estes exercícios são os primeiros deste tipo, podes achar particularmente difícil a suspensão do julgamento em relação aos pensamentos. Não repitas estes exercícios mais do que três ou quatro vezes durante o dia. Voltaremos a eles mais tarde.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a Lição 4:

Caras, caros,

Sigamos!

Não à toa o Curso trata de si mesmo, às vezes, como uma ferramenta que pode nos ajudar a desconstruir o aprendizado que tivemos, temos, e vamos continuar a ter do mundo, a partir do sistema de pensamento do ego.

E por quê?

Porque nosso mundo, quer dizer, "este" mundo ilusório, que acreditamos real e que pensamos ser o lugar onde vivemos e onde precisamos lutar, e lutar, e lutar, para conseguir um espaço no qual viver a vida que aspiramos viver, é um mundo construído por nossos pensamentos. Para o bem e para o mal.

Isto é, a rigor, na verdade, tanto o bem quanto o mal não existem, a não ser para nossos pensamentos equivocados. Estes que a lição dizem não significar nada. Com razão. Porque tudo o que se cria a partir de nossos pensamentos é só ilusão. O perecível. Nada que dure para sempre. Nada eterno.

Por isso, entre outros motivos, é bom praticar com a ideia de que nossos pensamentos, no ego, não significam nada. Mais adiante vamos ser instruídos na ideia que só são reais os pensamentos que temos com Deus, mas há ainda um caminho a ser percorrido. Precisamos com estas ideias iniciais abrir nossas mentes para desaprender o que o mundo quer que aprendamos. Porque o mundo quer que as ilusões nos governem. Que as divisões nos governem e pareçam ser o natural.

Não são! Tudo o que é real é parte da unidade. Tudo o que podemos aprender para viver um sonho feliz, em lugar dos pesadelos que o mundo oferece, é que tudo está sempre em seu lugar e é exatamente como deveria ser. Não existe nada de real na ilusão que o mundo oferece.

Daí a necessidade de praticarmos com honestidade, com vontade e com a melhor disposição de que somos capazes a ideia para hoje.

Às práticas?

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Quem pode dizer que entende algo deste mundo?

 

LIÇÃO 3


Eu não entendo nada do que vejo neste quarto
[nesta rua, desta janela, neste lugar].

1. Aplica esta ideia do mesmo modo que as anteriores, sem fazer distinções de qualquer tipo. O que quer que vejas é um sujeito adequado para a aplicação da ideia. Certifica-te de que não questionas a adequação de qualquer coisa para a aplicação da ideia. Estes não são exercícios de julgamento. Qualquer coisa é adequada se tu a vês. Algumas das coisas que vês podem estar carregadas de significado emocional para ti. Tenta deixar de lado tais emoções e usa simplesmente essas coisas da mesma forma que usarias qualquer outra.

2. O objetivo dos exercícios é ajudar a limpar tua mente de todas as associações do passado, para veres as coisas exatamente como elas se apresentam para ti agora, e para compreenderes claramente quão pouco realmente sabes a respeito delas. Por isso, é essencial que mantenhas uma mente perfeitamente aberta, livre do julgamento, ao escolheres as coisas às quais a ideia para o dia deve ser aplicada. Para este propósito uma coisa é igual à outra; igualmente adequada e, portanto, igualmente útil.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 3:


Caras, caros, 

continuando o programa de exercícios para uma mudança no modo de pensar o mundo que o Curso nos oferece com as lições, hoje, mais uma vez, vamos refletir com a ideia que nos convida a pensar, ou repensar,
o que sabemos a respeito do mundo e das coisas do mundo. E mesmo daquilo que pensamos saber acerca de nós mesmos, de nós mesmas.

Até que ponto temos consciência de que recebemos, ao nascer, um mundo que está sendo criado novo todos os dias a partir do que fazemos? E até que ponto o mundo que vemos nos parece completo e cheio de defeitos e de coisas de que não gostamos? Nele e nas pessoas e coisas que o povoam em nossa passagem pelo mundo.

Até que ponto compreendemos que estamos, desde nosso nascimento, sendo orientados no sentido de não tomar consciência de nós mesmos, para atender às necessidades de pessoas que têm interesse em que não busquemos viver a partir do que somos, mas sim daquilo que essas pessoas nos dizem que precisamos?

Na verdade, cada um e cada uma de nós, em contato constante com aquilo que somos, pode - no sentido de que tem todo o poder existente - criar o mundo sempre novo a cada dia, a cada amanhecer. Desde que não se renda aos ensinamentos do mundo. Não os aceite simplesmente e esteja disposto, ou disposta, a questionar de forma absoluta tudo o que aparentemente existe. Tudo o que lhe digam a respeito de qualquer coisa do mundo.

É para ir na direção deste contato constante e deste questionamento que a ideia de hoje tem de ser praticada. 
E do modo que a lição pede que o façamos. Porque, creio, nenhum ou nenhuma de nós em sã consciência pode dizer com alguma certeza que entende de fato alguma coisa do que vê neste mundo.

Às práticas? 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Vamos olhar para o mundo de um modo diferente?


LIÇÃO 2

Eu dou a todas as coisas que vejo neste quarto [nesta rua, desta janela, neste lugar]
todo o significado que têm para mim.

1. As práticas com esta ideia são as mesmas que aquelas com a primeira. Começa com as coisas que estão perto de ti e aplica a ideia a qualquer coisa sobre a qual teu olhar pouse. Depois, amplia o alcance para fora. Vira a cabeça para incluir o que quer que esteja em qualquer um dos lados. Se possível, vira-te e aplica a ideia àquilo que estava atrás de ti. Continua, tanto quanto possível, a não fazer distinção quando escolheres os sujeitos para a aplicação da ideia; não te concentres em nenhuma coisa em particular e não tentes incluir tudo o que vês em uma área determinada, ou introduzirás tensão.

2. Olha simplesmente com naturalidade e com razoável rapidez ao teu redor, tentando evitar a escolha por tamanho, brilho, cor, material ou pela importância relativa para ti. Escolhe os objetos simplesmente quando os vires. Tenta aplicar o exercício com igual facilidade a um corpo ou a um botão, uma mosca ou um piso, um braço ou uma maçã. O único critério para a aplicação da ideia a qualquer coisa é simplesmente que teus olhos a tenham encontrado. Não faças nenhuma tentativa de incluir qualquer coisa em particular, mas certifica-te de que nada seja excluído de forma específica.

*

COMENTÁRIO: 

Explorando a LIÇÃO 2:

Caras, caros,

Comecemos nossa exploração desta segunda ideia para as práticas deste dia de um modo um pouco diferente do que costumamos fazer. Podemos?

Pensei, neste ano que se inicia, em abandonar qualquer forma de que me tenha valido ao longo dos últimos anos para fazer os comentários das lições e das ideias que o Curso nos oferece para as práticas a cada dia. Para mudar um pouco, porque a mudança é a única coisa que é constante em nossa experiência de vida, concordam?

Assim, para me ater ao que o ensinamento pede que façamos ao longo das práticas, penso que é importante a gente manter em mente o que é central no Curso. Isto é, as lições são apenas uma tentativa de nos devolver ao contato com nós mesmos, com nós mesmas. Elas são uma maneira de exercitarmos a atenção. Atenção esta que é crucial para não nos perdermos pelos caminhos que o mundo da ilusão oferece.

Outra coisa que podemos pensar é que o Curso nos pede para olhar para o mundo de modo diferente. Quer dizer, ele nos pede que mudemos nossa forma de olhar. Que voltemos a olhar para o mundo com o olhar da criança que fomos, que se encantava com a possibilidade de um novo dia. Que busquemos trazer de volta à vida esta criança, para que o mundo de renove de encantos todos os dias, o dia todo. O tempo todo.

Podemos certamente fazer isto, se nos conscientizarmos, à medida que avançamos nas lições, da importância de tirar o julgamento de nosso olhar. Dando verdadeiramente todo o significado, a neutralidade, a todas as coisas por que nossos olhos passam. Não apenas durante a prática da lição. O tempo inteiro em que abrimos nossos olhos para o que o mundo das aparências nos apresenta.

A prática do julgamento, que aprendemos do mundo, quando vamos crescendo e deixando para trás a criança que fomos, tem de ser retirada, extinta, de nossa experiência, se quisermos viver bem. 

Lembremo-nos, pois, de voltar nossos olhos para o Deus de Spinoza. Quem sabe trazemos de volta a criança dentro de nós para nosso convívio.

Às práticas?

domingo, 1 de janeiro de 2023

Há que se manter 2023 o mesmo para ele ser diferente

 

INTRODUÇÃO

1, Um fundamento teórico como o que o texto oferece é necessário como uma estrutura para tornar os exercícios significativos. Contudo, é fazer os exercícios que tornará possível a meta do curso. Uma mente não-treinada não pode realizar nada. O objetivo deste livro de exercícios é treinar tua mente para pensar de acordo com as linhas que o texto levanta.

2. Os exercícios são muito simples. Não exigem muito tempo e não importa aonde tu os fazes. Eles não precisam de preparo. O período de treinamento é de um ano. Os exercícios estão numerados de 1 a 365. Não tentes fazer mais do que uma lição por dia.

3. O livro de exercícios é dividido em duas partes principais, a primeira lida com o desfazer do modo pelo qual vês agora, e a segunda com a aquisição da percepção verdadeira. Com exceção dos períodos de revisão, os exercícios de cada dia são planejados em torno de uma ideia central, que é declarada primeiro. Segue-se a isso a descrição dos procedimentos específicos a partir dos quais a ideia para o dia deve ser aplicada.

4. O objetivo do livro de exercícios é treinar tua mente de um modo sistemático para uma percepção diferente de todos e de tudo no mundo. Os exercícios são planejados para te ajudar a generalizar as lições, de forma a entenderes que cada uma delas é igualmente aplicável a tudo e a todos que vês.

5. A transferência do treinamento em percepção verdadeira não ocorre do mesmo modo que a transferência do treinamento do mundo. Se a percepção verdadeira a respeito de qualquer pessoa, situação ou acontecimento for alcançada, a transferência para todos e para tudo está garantida. Por outro lado, uma única exceção mantida em separado da percepção verdadeira torna suas realizações impossíveis em qualquer lugar.

6. Assim, as únicas regras gerais a serem observadas do início ao fim são: primeiro, que os exercícios sejam praticados com grande especificidade, conforme será indicado. Isso te ajudará a generalizar as ideias envolvidas em cada situação na qual te encontres, e a todos e a tudo nela. Segundo, certifica-te de não te decidires por conta própria que há algumas pessoas, situações ou coisas às quais as ideias não se aplicam. Isso impedirá a transferência do treinamento. A própria natureza da percepção verdadeira é que ela não tem nenhum limite. É o oposto da maneira que vês agora.

7. O objetivo geral dos exercícios é aumentar tua capacidade de estender as ideias que praticarás para incluir tudo. Isso não vai exigir nenhum esforço de tua parte. Os próprios exercícios satisfazem as condições necessárias para este tipo de transferência.

8. Acharás difícil de acreditar em algumas ideias que o livro de exercícios apresenta e outras poderão parecer bastante surpreendentes. Isso não tem importância. O que se pede de ti é simplesmente que apliques as ideias do modo que és orientado a fazer. Não se pede absolutamente que as julgues. Só se pede que as uses. É o uso delas que lhes dará significado para ti e que te mostrará que elas são verdadeiras.

9. Lembra-te apenas disso: não precisas acreditar nas ideias, não precisas aceitá-las e não precisas nem mesmo acolhê-las bem. Podes resistir vivamente a algumas delas. Nada disso terá importância ou diminuirá sua eficácia. Mas não te permitas fazer exceções na aplicação das ideias que o livro de exercícios contém e, sejam quais forem tuas reações às ideias, usa-as. Não se pede nada mais do que isso.

*

PARTE I

LIÇÃO 1

Nada do que vejo neste quarto [nesta rua, desta
janela, neste lugar] significa coisa alguma.

1. Agora olha lentamente ao teu redor e pratica aplicar esta ideia de modo muito específico a quaisquer coisas que vejas:

Esta mesa não significa nada.
Esta cadeira não significa nada.
Esta mão não significa nada.
Este pé não significa nada.
Esta caneta não significa nada.

2. Em seguida, olha para mais longe do que está em tua área de visão imediata e aplica a ideia a uma escala mais ampla:

Aquela porta não significa nada.
Aquele corpo não significa nada.
Aquela lâmpada não significa nada.
Aquele cartaz não significa nada.
Aquela sombra não significa nada.

3. Observa que estas afirmações não estão organizadas em qualquer ordem e que não levam em consideração nenhuma diferença nos tipos de coisas às quais são aplicadas. É este o objetivo do exercício. A afirmação simplesmente deve ser aplicada a qualquer coisa que vês. Ao praticares a ideia para o dia, utiliza-a de forma totalmente indiscriminada. Não tentes aplicá-la a tudo o que vês, porque estes exercícios não devem se tornar ritualísticos. Certifica-te somente de que nada do que vês seja excluído de modo específico. Uma coisa é igual à outra no que se refere à aplicação da ideia.

4. Cada uma das três primeiras lições não deve ser feita mais do que duas vezes ao dia, de preferência pela se manhã e à noite. Elas tampouco devem ser tentadas por mais do que cerca de um minuto, a menos que isso imponha uma sensação de pressa. Uma sensação agradável de ócio é essencial.

*

COMENTÁRIO: 

Explorando a LIÇÃO 1:

Caras, caros,

Antes de reiniciarmos as práticas neste primeiro dia de um ano novo - o décimo-quinto, acho, para quem está aqui desde o primeiro momento -, gostaria de lhes oferecer novamente um texto que li e compartilhei na rede no final do ano passado. 

Apesar de ter pensado mudar o rumo dos comentários no decorrer deste ano, este, para esta primeira lição, parece-me ser o mais acertado dos últimos que fiz. 

Por quê? 

Porque o texto que se segue nos leva a pensar no que é a ideia de Deus para nós, para cada um e cada uma de nós. Ele nos convida a pensar que, talvez, o Deus a que se refere seja o Deus que pensou em trazer à luz o ensinamento do Curso.

O texto é seguinte, editei em parte para facilitar a leitura: 

Quando Einstein, esteve fazendo conferências em várias universidades dos EUA, a pergunta que um grande número de alunos fez foi:
- Você acredita em Deus?

E a cada vez ele respondia:

"Eu acredito no Deus de Spinoza."

Claro que quem não conhece nem leu Spinoza não podia entender a resposta.

E quem foi Spinoza?
Baruch De Spinoza foi um filósofo holandês considerado um dos três grandes racionalistas do século da filosofia, junto com o francês Descartes.
Vejam qual é o Deus ou a natureza do Deus de Spinoza:
Para ele Deus teria dito:
“Pare de ficar rezando e batendo no peito! O que quero que você faça é que saia pelo mundo e desfrute a vida. Quero que goze, cante, divirta-se e aproveite tudo o que fiz pra você.
Pare de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que você mesmo construiu e acredita ser a minha casa! Minha casa são as montanhas, os bosques, os rios, os lagos, as praias, onde vivo e expresso Meu Amor por você.
Pare de me culpar pela sua vida miserável! Eu nunca disse que há algo mau em você, que você é um pecador ou que sua sexualidade tem algo de ruim. O sexo é um presente que lhe dei e com o qual você pode expressar amor, êxtase, alegria. Assim, não me culpe por tudo o que o fizeram crer.
Pare de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo! Se não pode me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de seus amigos, nos olhos de seu filhinho, não me encontrará em nenhum livro.
Confie em mim e deixe de me dirigir pedidos! Você vai me dizer como fazer meu trabalho?
Pare de ter medo de mim! Eu não o julgo, nem o critico, nem me irrito, nem o incomodo, nem o castigo. Eu sou puro Amor.
Pare de me pedir perdão! Não há nada a perdoar. Se eu o fiz, eu é que o enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre arbítrio. Como posso culpá-lo se responde a algo que eu pus em você? Como posso castigá-lo por ser como é, se eu o fiz?
Crê que eu poderia criar um lugar para queimar pelo resto da eternidade todos os meus filhos que não se comportam bem? Que Deus faria isso? Esqueça qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei, que são artimanhas para manipulá-lo, para controlá-lo, que só geram culpa em você!
Respeite seu próximo e não faça ao outro o que não queira para você! Preste atenção na sua vida, que seu estado de alerta seja seu guia!
Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é só o que há aqui e agora, e só de que você precisa.
Eu o fiz absolutamente livre. Não há prêmios, nem castigos. Não há pecados, nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Você é absolutamente livre para fazer da sua vida um céu ou um inferno.
Não lhe poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso lhe dar um conselho: Viva como se não o houvesse, como se esta fosse sua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não houver nada, você terá usufruído da oportunidade que lhe dei.
E, se houver, tenha certeza de que não vou perguntar se você foi comportado ou não. Vou perguntar se você gostou, se se divertiu, do que mais gostou, o que aprendeu.
Pare de crer em mim! Crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que você acredite em mim, quero que me sinta em você. Quero que me sinta em você quando beija sua amada, quando agasalha sua filhinha, quando acaricia seu cachorro, quando toma banho de mar.
Pare de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra você acredita que eu seja? Aborrece-me que me louvem. Cansa-me que me agradeçam. Você se sente grato? Demonstre-o cuidando de você, da sua saúde, das suas relações, do mundo. Sente-se olhado, surpreendido? Expresse sua alegria! Esse é um jeito de me louvar.
Pare de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que o ensinaram sobre mim! A única certeza é que você está aqui, que está vivo e que este mundo está cheio de maravilhas."

Este texto é de Francisco Javier Angel Real.

*

Agora, tendo em mente tudo aquilo que praticamos, as pessoas que já estão aqui há algum tempo - durante todos os anos em que nos dedicamos a ouvir a Voz por Deus em nós, aceitando o Espírito Santo como parte de nós mesmos, esperemos que, para quem chega aqui pela vez primeira, o ano de práticas também seja proveitoso.

Vamos buscar também trazer à memória - e ter presente ao longo de todo este novo ano - a orientação que nos foi dada por ocasião das comemorações do Natal passado, que simbolizam desde os tempos idos o nascimento do Cristo em nós, ou de seu renascimento: o que se dá todo o tempo, quando buscamos deixar aflorar em nossa experiência diária a consciência crística.

O que precisamos fazer, pois, para que este ano novo seja diferente é apenas deixar que todo ele seja o mesmo, permitindo que todos os nossos relacionamentos sejam santificados.

Só assim vai ser possível praticarmos  a ideia para este primeiro dia conscientes de que nada do que vemos no mundo - no lugar em que estivermos, num quarto, numa rua, numa janela, seja aonde for, ou mesmo num país qualquer do mundo - tem qualquer significado. 

Nem mesmo a pandemia - que se prolonga já desde 2020, acrescida agora pelos cuidados em relação às novas variantes, que se têm multiplicado e que se propagam de forma muito mais rápida, ou pelas novas gripes, que também ameaçam se tornar epidêmicas - tem qualquer significado. Quer dizer, a não ser o significado que cada um, cada uma, de nós dá a ela. Não importa o que façamos, o que nos mantém vivos, vivas, é nossa inocência, a pureza original com que nascemos e que não pode ser maculada por nada, por ninguém, neste mundo, ou em qualquer outro mundo que possa existir.

E são as práticas diárias que vão nos levar a entender, compreender - sempre no sentido de aceitar -, que as coisas são simplesmente o que são, e que não duram mais do que um instante, num tempo que não existe, num lugar que é construído, mantido e experimentado apenas pela ilusão. Mesmo quando, em nossa experiência de corpos dotados de formas e de sentidos, as coisas e experiências que vivemos, parecem durar dias, meses, anos, elas não têm duração, de fato, maior do que a de um instante. Ou já não estamos carecas de saber que, como diz o ditado, "tudo passa"?

O aprendizado disto é o que pode fazer com que vivamos de modo concreto e prático o desapego total das coisas do mundo, vendo-o apenas à luz da neutralidade que é o natural no que se refere a este mundo e a tudo o que aparentemente existe nele.

Vamos, seguindo as orientações dadas para esta lição, refletir acerca do significado das coisas para as quais olhamos, buscando libertar nossas mentes das crenças que foram - são e vão continuar sendo - inculcadas em nós pelo próprio mundo, visando a perpetuar-se, por meio de nossa experiência familiar, escolar, social-comunitária e global.

É na direção de desfazer todo o aprendizado que adquirimos no - e do - mundo que as práticas querem nos levar.

Precisamos desfazer a aparente solidez das coisas que vemos bem como a solidez das crenças que construímos, ou que nos foram ensinadas ao longo de nossa experiência. Como eu disse ontem, precisamos nos livrar das certezas. Não existem certezas para quem quer de fato aprender. Daí a importância da ideia que praticamos para começar este ano.

Há que se questionar tudo, absolutamente tudo, para começar de fato um novo ano, uma nova caminhada na direção do autoconhecimento, na direção de nossa verdadeira Identidade. E na direção da construção do "sonho feliz" neste mundo ilusório.

E, mais uma vez, podemos nos valer também neste novo ano do que nos diz o texto a respeito do Deus de Spinoza.

Às práticas?