quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Quem criou este mundo?

LIÇÃO 14

Deus não criou um mundo sem significado*.

1. A ideia para hoje é, evidentemente, a razão pela qual é impossível um mundo sem significado. Aquilo que Deus não criou não existe. E tudo o que existe existe tal qual Ele o criou. O mundo que vês não tem nada a ver com a realidade. Ele é de tua própria autoria e não existe.

2. Os exercícios para hoje devem ser praticados de olhos fechados do início ao fim. O período de exame mental deve ser curto, um minuto no máximo. Não faças mais do que três períodos de prática com a ideia de hoje, a menos que os aches agradáveis. Se achares, será porque compreendes realmente para que servem.

3. A ideia para hoje é outro passo no aprendizado de abandonar os pensamentos que escreves no mundo e ver a Palavra de Deus em lugar deles. Os passos iniciais nesta troca, que pode verdadeiramente ser chamada de salvação, podem ser bem difíceis e até bem dolorosos. Alguns deles te conduzirão diretamente ao medo. Não serás abandonado aí. Irás muito além disso. Nosso rumo é em direção à segurança e à paz perfeitas.

4. De olhos fechados, pensa em todos os horrores do mundo, que passam por tua mente. Cita cada um à medida que te ocorre e, em seguida, nega sua realidade. Deus não o criou e, portanto, ele não é real. Dize, por exemplo:

Deus não criou aquela guerra e, portanto, ela não é real.
Deus não criou aquele acidente aéreo e, portanto, ele não é real.
Deus não criou aquela calamidade [especifica] e, portanto, ela não é real.

5. Os sujeitos adequados para a aplicação da ideia de hoje também podem incluir qualquer coisa que tenhas medo que te aconteça ou a qualquer pessoa com quem estejas preocupado. Em cada caso, cita a "desventura" de forma bem específica. Não uses termos genéricos. Por exemplo, não digas "Deus não criou a doença", mas "Deus não criou o câncer", ou ataques cardíacos, ou o que quer que desperte medo em ti.

6. Isto para que olhas é teu repertório pessoal de horrores. Estas coisas são parte do mundo que tu vês. Algumas delas são ilusões compartilhadas e outras são partes de teu inferno pessoal. Não importa. Aquilo que Deus não criou só pode estar em tua própria mente separado da d'Ele. Por isso, não tem nenhum significado. Em reconhecimento deste fato, conclui os períodos de prática repetindo a ideia de hoje:

Deus não criou um mundo sem significado.

7. A ideia para hoje pode, obviamente, ser aplicada a qualquer coisa que te perturbe durante o dia, à parte dos períodos de prática. Sê muito específico ao aplicá-la. Dize:

Deus não criou um mundo sem significado. Ele
não criou [especifica a situação que está te
perturbando] e, portanto, isto não é real.

* Continua a valer a observação feita para as lições 11 e 12.

*

COMENTÁRIO:

A lição deste dia 14 traz consigo a oportunidade de comprovarmos por nós mesmos a falta de significado do mundo que pensamos ver e ser real. Um mundo que Deus não criou. Quem o criou, então? Nas práticas da ideia de hoje podemos perceber que aquilo que destacamos como horrores é apenas parte de nossa própria ilusão de mundo. Basta olharmos com um pouco de atenção para perceber claramente que, neste mundo, aquilo que é aparentemente um horror para nós é, muitas vezes, algo muito diferente para outros. As qualidades que damos às coisas todas que povoam nosso mundo não são senão projeções de nossos desejos, de nossos medos, de nossos sonhos. Projeções das coisas que trazemos interiormente às quais classificamos deste ou daquele modo, sem nenhuma base na realidade.

Praticar a ideia de hoje pode nos permitir um pequeno vislumbre desta verdade: a de que estamos todos, ou quase todos, hipnotizados por uma grande ilusão de mundo criada coletivamente no tempo. Uma ilusão que só tem valor enquanto damos valor ao tempo. Uma ilusão que só encontra razão de ser no tempo, que não existe. Pelo menos não da maneira pela qual o concebemos. Não da maneira pela qual o experimentamos na ilusão de passado, presente e futuro como algo linear e concreto. Isto é, um passado que, de fato, existe e no qual nos apoiamos para definir o que somos. Um presente que na maior parte do tempo nos passa despercebido, porque nos ocupamos de construir, a partir do passado que nos trouxe até aqui, um futuro, que, esperamos, seja melhor do que o passado e do que o presente.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O maior medo do ego

LIÇÃO 13

Um mundo sem significado* gera medo.

1. A ideia de hoje é, na verdade, outra forma da anterior, exceto que ela é mais específica em relação à emoção despertada. De fato, um mundo sem significado é impossível. Não existe nada sem significado. No entanto, disso não decorre que não pensarás que percebes algo que não tem nenhum significado. Ao contrário, estarás particularmente inclinado a acreditar que, de fato, o percebes.

2. O reconhecimento da falta de significado desperta profunda ansiedade em todos os separados. Ele representa uma situação em que Deus e o ego "desafiam" um ao outro para decidir de quem é o significado a ser escrito no espaço vazio que a falta de significado oferece. O ego se lança de modo frenético para estabelecer suas próprias ideias aí, com medo de que, caso não o faça, o vazio seja utilizado para demonstrar sua própria impotência e irrealidade. E somente nisto ele está correto.

3. Por isso, é essencial que aprendas a reconhecer o sem significado e a aceitá-lo sem medo. Se tiveres medo, é certo que dotarás o mundo de características que ele não possui e o atulharás de imagens que não existem. Para o ego, ilusões são dispositivos de segurança, do mesmo modo que elas também têm de ser para ti, que te equiparas ao ego.

4. Os exercícios para hoje, que devem ser feitos cerca de três ou quatro vezes por não mais do que mais ou menos um minuto no máximo, de cada vez, devem ser práticados de um modo um pouco diferente dos anteriores. De olhos fechados, repete a ideia de hoje para ti mesmo. Em seguida, abre os olhos e olha a tua volta lentamente dizendo:

Estou olhando para um mundo sem significado.

Repete esta declaração para ti mesmo enquanto olhas ao teu redor. Então, fecha os olhos e conclui com:

Um mundo sem significado gera medo porque eu penso
que estou em competição com Deus.

5. Podes achar difícil evitar algum tipo de resistência a esta declaração final. Seja qual for a forma que tal resistência possa tomar, lembra-te de que estás, de fato, com medo de tal pensamento por causa da "vingaça" do "inimigo". A esta altura, não se espera que acredites na declaração e, provavelmente, a rejeitarás como absurda. Observa com muito cuidado, porém, quaisquer sinais de medo, evidentes ou dissimulados, que ela possa despertar.

6. Esta é nossa primeira tentativa de declarar uma relação explícita de causa e efeito de um tipo que estás muito inexperiente para reconhecer. Não te demores na declaração final e tenta nem mesmo pensar nela, exceto durante os períodos de prática. Neste momento isso será suficiente.

*Valem as observação feitas para as lições 11 e 12.

*

COMENTÁRIO:

Que prazer ter de volta assim, de forma caudalosa e generosa, as observações/contribuições de vocês, Nina, Sania, Carmen e Dani. Os exemplos de suas próprias maneiras de experimentar e praticar as ideias que as lições oferecem. Obrigado.

A lição deste dia 13 de janeiro começa, de forma mais contundente, a colocar "o dedo na ferida". A apontar as razões pelas quais nos apegamos às ilusões de mundo que construímos. E me faz lembrar de que o maior medo do ego, que pude observar até o presente - não apenas nos grupos de estudos de UCEM, mas em todas as circunstâncias em que alguém tem de enfrentar uma verdade que desafia seu modo de ver e de pensar o mundo -, é o de ter de abandonar suas crenças. É o de ter de se desfazer de suas ilusões. É o de perder o poder e o controle que pensa exercer sobre os corpos daqueles que se acreditam apenas corpos, e que começam a despertar.

É certo que um mundo sem significado só pode gerar medo, uma vez que estamos todos, de algum modo, quer conscientes disso ou não, buscando um sentido para nossas vidas. E ouvir dizer que o mundo não tem significado pode ser uma verdadeira bofetada nas crenças que acalentamos. Tirar do mundo, e das coisas do mundo, o significado que damos a ele, e a elas... a tudo aquilo a que nos apegamos é como tirar o chão sobre o qual pisamos. Como viver, então, se aquilo em que acreditávamos, de fato, não existe? Como seguir adiante se tudo o que fazemos, na verdade, é repetir os equívocos, em função de vivermos prisioneiros das memórias e lembranças de um tempo - passado - que já não existe, ou de basearmos e dirigirmos nossas ações para um tempo - futuro - que também não existe?

Por isso, entre outras coisas, estou certo de que vale a pena continuar as práticas. Elas vão nos ensinar, no mínimo, a dedicarmos mais de nossa atenção ao presente, a nós mesmos. Vão nos permitir escolher abandonar cada vez mais o julgamento que o mundo ensina. E a limpar nossas memórias, para agirmos no mundo a partir da inspiração do presente. O único tempo que existe.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Deixar que a verdade se escreva no mundo

LIÇÃO 12

Estou transtornado porque vejo um mundo sem significado*.

1. A importância desta ideia está no fato de que ela contém uma correção para uma distorção básica de percepção. Tu pensas que aquilo que te transtorna é um mundo assustador, ou um mundo triste, ou um mundo violento, ou um mundo doente. Todas estas características são dadas a ele por ti. O mundo em si mesmo não tem significado.

2. Estes exercícios são feitos com os olhos abertos. Olha ao teu redor, desta vez bem devagar. Tenta regular teu ritmo de forma que a passagem lenta de teu olhar de uma coisa para outra envolva um intervalo de tempo razoavelmente constante. Não permitas que o tempo da passagem se torne marcadamente mais longo ou mais curto, mas tenta, em lugar disso, manter um andamento sereno e uniforme do início ao fim. O que vês não importa. É isso que ensinas a ti mesmo quando dás a qualquer coisa sobre a qual teu olhar pouse atenção e tempo iguais. Este é um passo inicial no aprendizado de dar valor igual a todas elas.

3. Enquanto olhas ao teu redor, dize a ti mesmo:

Eu penso ver um mundo amedrontador, um mundo
perigoso, um mundo hostil, um mundo triste,
um mundo perverso, um mundo louco,

e assim por diante, usando quaisquer termos descritivos que te ocorrerem. Se te ocorrerem termos que parecem mais positivos do que negativos, inclui-os. Por exemplo, podes pensar em "um mundo bom", ou em "um mundo satisfatório". Se tais termos te ocorrerem usa-os juntamente com os outros. Podes não entender ainda por que estes adjetivos "amáveis" são adequados a estes exercícios, mas lembra-te de que um "mundo bom" pressupõe um "mau" e um "mundo satisfatório" pressupõe um "insatisfatório". Todos os termos que passarem por tua mente são sujeitos adequados para os exercícios de hoje. Sua qualidade aparente não importa.

4. Certifica-te de não alterares os intervalos de tempo entre as aplicações da ideia de hoje àquilo que pensas ser agradável e àquilo que pensas ser desagradável. Para os propósitos destes exercícios, não há nenhuma diferença entre eles. No final do período de prática, acrescenta:

Mas estou transtornado porque vejo um mundo sem significado.

5. Aquilo que não tem significado não é bom nem mau. Por que, então, um mundo sem significado deveria te transtornar? Se pudesses aceitar o mundo como sem significado e permitir que a verdade fosse escrita sobre ele para ti, isso te faria indescritivelmente feliz. Mas, em razão de ele ser sem significado, és impelido a escrever nele aquilo que queres que ele seja. É isto o que vês nele. É isto que não tem significado na verdade. Por baixo de tuas palavras está escrita a Palavra de Deus. A verdade te transtorna agora, mas quando tuas palavras forem apagadas, verás as d'Ele. Este é o propósito fundamental destes exercícios.

6. Três ou quatro vezes são suficientes para a prática da ideia para hoje. Os períodos de prática também não devem exceder um minuto. Podes achar até mesmo isso longo demais. Interrompe os exercícios sempre que experimentares uma sensação de inquietude.

* Continua valendo a observação feita ontem a respeito da expressão sem significado como equivalente a sem sentido para traduzir a palavra original: meaningless.

*

COMENTÁRIO:

Parece-me, agora, depois de vários anos de prática destes exercícios, cada vez mais evidente a necessidade de fazermos uma limpeza na memória, livrando-a de tudo aquilo que faz ou fez parte de nossa história, quer de nossa história pessoal e individual, quer da história do mundo como um todo.

Depois da leitura do UCEM feita em grupo ontem, lembramo-nos daquela passagem do texto que diz que a história não existiria se não teimássemos em repetir os erros do passado. Isto é dito de um modo tão claro e honesto que chega a abalar as convicções nas quais o ego quer nos fazer acreditar. Ou seja, de que temos um dever para com as tradições, para com tudo aquilo que nos foi legado pela "civilização". Que temos de manter acesa a chama do patriotismo e de todos os "ismos" que apenas semeiam e alimentam a crença na ideia da separação. Isso para citar apenas dois exemplos.

Mas, será que, valendo-nos da mesma lógica que o ego utiliza, não é possível acreditar que "toda cura é libertação do passado" [T-13.VIII.1:1]? Ou já não passamos todos por experiências que comprovam esta afirmação? Isto é, todos nós já nos encontramos em algum momento em alguma situação que pedia que libertássemos alguém [ou nós mesmos] do julgamento em que o/a mantínhamos prisioneiro(a) e, ao fazer isso, experimentamos aquela maravilhosa sensação de termos tirado um fardo muito pesado de sobre nossos ombros, um alívio, uma sensação de liberdade e alegria que mal podia ser descrita.

É disso que trata o exercício deste dia 12 de janeiro. Cada um de nós pode libertar o mundo, deixando que a verdade seja escrita sobre ele, tal como ela é, e não como gostaríamos que fosse.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Aprender a lidar com a responsabilidade

LIÇÃO 11

Meus pensamentos sem significado me mostram
um mundo sem significado*.

1. Esta é a primeira ideia que temos que está relacionada a uma fase fundamental do processo de correção: a inversão do modo de pensar do mundo. Parece que o mundo determina o que percebes. A ideia de hoje apresenta o conceito de que teus pensamentos determinam o mundo que vês. Alegra-te, de fato, por praticar a ideia em sua forma inicial, pois nesta ideia tua liberação está assegurada. A chave para o perdão está nela.

2. Deve-se empreender os períodos de prática da ideia de hoje de um modo um pouco diferente dos anteriores. Começa com os olhos fechados e repete a ideia para ti mesmo lentamente. Em seguida, abre os olhos e olha ao teu redor, perto e longe, para cima e para baixo - para qualquer lugar. Durante o minuto aproximado a ser passado usando a ideia, repete-a para ti mesmo simplesmente, seguro de fazê-lo sem pressa e sem nenhuma sensação de urgência ou esforço.

3. Para fazer estes exercícios com o máximo benefício, os olhos devem se mover de uma coisa para outra de forma razoavelmente rápida, uma vez que não devem se demorar em nada em particular. As palavras, no entanto, devem ser usadas de uma forma calma, até mesmo vagarosamente. A apresentação a esta ideia, em particular, deve ser praticada do modo mais casual possível. Ela contém a base para a paz, para o relaxamento e para a liberdade que estamos tentando alcançar. Ao concluires os exercícios, fecha os olhos e repete a ideia para ti mesmo lentamente mais uma vez.

4. Três períodos de prática provavelmente serão suficientes. Todavia, se houver pouca ou nenhuma inquietude e uma inclinação a fazer mais, pode-se empreender até cinco períodos. Não se recomenda mais do que isso.

* A expressão sem significado, traduzida do original meaningless, também poderia ser traduzida por sem sentido, sem prejuízo do significado/sentido do texto original, em meu modo de entender.

*

COMENTÁRIO:

Eu diria que, de certa forma, esta lição nos apresenta a ideia que vai permitir, mais adiante, que entendamos a responsabilidade que temos por tudo aquilo que vivemos. Dito de outro modo, como nos revela o ho'oponopono, esta lição traz consigo o conceito que vai nos levar a assumir 100% de responsabilidade por tudo o que vemos e vivemos no mundo.

De acordo com o dr. Ihaleakala Hew Len, citado no livro Limite Zero: "O objetivo da vida é retornar ao Amor, de momento a momento. Para atender a esse propósito, a pessoa precisa reconhecer que é completamente responsável por criar a sua vida do jeito como ela é. Ela precisa compreender que são seus pensamentos que criam a sua vida da maneira como ela é de momento a momento. Os problemas não são as pessoas, os lugares e as situações, mas sim os pensamentos a respeito deles. A pessoa precisa aceitar a ideia de que não existe 'lá fora'."

Praticar a ideia da lição deste dia 11 de janeiro nos possibilita justamente o entendimento disto.

domingo, 10 de janeiro de 2010

O verdadeiro propósito deste mundo

LIÇÃO 10

Meus pensamentos não significam nada.

1. Esta ideia se aplica a todos os pensamentos de que estás ciente, ou dos quais te tornes ciente nos períodos de prática. A razão pela qual a ideia é aplicável a todos eles é que eles não são teus pensamentos verdadeiros. Fizemos esta distinção antes e a faremos novamente. Tu ainda não tens nenhuma base para comparação. Quanto tiveres, não terás nenhuma dúvida de que aquilo em que acreditavas que eram teus pensamentos não significava nada.

2. Esta é a segunda vez que usamos este tipo de ideia. Apenas a forma é ligeiramente diferente. Desta vez a ideia é apresentada com "Meus pensamentos" em lugar de "Estes pensamentos" e não se faz nenhuma ligação com as coisas ao teu redor de modo evidente. Agora a ênfase está na falta de realidade daquilo que pensas que pensas.

3. Este aspecto do processo de correção começou com a ideia de que os pensamentos de que estás ciente são sem significado, estão fora de ti em vez de estarem dentro e, em seguida, enfatizou-se sua condição de passados em lugar de sua condição de pensamentos presentes. Agora enfatizamos que a presença destes "pensamentos" significa que não estás pensando. Este é simplesmente outro modo de repetir nossa declaração anterior de que tua mente é, de fato, um espaço em branco. Reconhecer isto é reconhecer o nada, quando pensas que o vês. Como tal, este é o pré-requisito para a visão.

4. Fecha os olhos para estes exercícios e começa-os repetindo a ideia de hoje para ti mesmo bem devagar. Acrescenta em seguida:

Esta ideia ajudará a me liberar de tudo aquilo em que acredito agora.

Os exercícios, como antes, consistem em investigar tua mente em busca de todos os pensamentos disponíveis para ti, sem seleção ou julgamento. Tanta evitar qualquer tipo de classificação. De fato, se achares útil fazê-lo, poderia imaginar que estás vendo passar uma procissão estranha e sortida de pensamentos, que tem pouco ou nenhum significado pessoal para ti. À medida que cada um passa por tua mente, dize:

Meu pensamento sobre __________ não significa nada.
Meu pensamento sobre __________ não significa nada.


5. A ideia de hoje pode servir obviamente para qualquer pensamento que te aflija em qualquer momento. Além disso, recomenda-se cinco períodos de prática, cada um envolvendo não mais do que cerca de um minuto de exame mental. Não se recomenda que o tempo do período seja estendido, e ele deve ser reduzido para meio minuto ou menos, se experimentares desconforto. Lembra-te, porém, de repetir a ideia lentamente antes de aplicá-la de forma específica e também de acrescentar:

Esta ideia ajudará a me liberar de tudo aquilo em que acredito agora.

*

COMENTÁRIO:


Neste dia 10 de janeiro chegamos à lição de número dez, que nos oferece uma das ideias mais importantes e poderosas - e com ela uma ótima oportunidade - para nos liberarmos de todas as crenças falsas que temos, com base nas quais fazemos nossas escolhas e colhemos, muitas vezes inconscientemente, os resultados delas.

Como já disse anteriormente, uma das primeiras lições que o contato com UCEM me ofereceu foi o descobrir que eu tenho, ou que só eu posso ter e exercer, o controle sobre meus pensamentos. É claro que aprendi também, a partir disso, que são meus pensamentos que criam e constróem "a realidade" em que vivo aparentemente.

É precisamente deste aprendizado que vamos ser capazes de perceber que "as emoções", sobre as quais dizemos muitas vezes não ter controle, "Foi mais forte do que eu!", "Não tive como evitar.", também são frutos de pensamentos, que desencadeiam processos bioquímicos em nossos corpos, processos esses que podem ser evitados e/ou controlados, se aprendermos a focalizar nossa atenção nos pensamentos que passam por nossa mente a cada momento.

Daí, a importância das primeiras lições todas deste Curso. Daí, a necessidade de nos dedicarmos, de fato, de modo firme e decidido, com fé, a seguir em frente, mesmo quando uma das lições nos coloca em uma situação aparentemente sem sentido, de acordo com o que o mundo nos ensinou e ensina. De acordo, com o Texto, "o propósito verdadeiro deste mundo é o de ser usado para corrigir" nossa descrença.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Praticar o "lembrar-se de si"

LIÇÃO 9
Eu não vejo nada tal como é agora.

1. Esta ideia, obviamente, resulta das duas anteriores. Mas, embora possas ser capaz de aceitá-la intelectualmente, é improvável que ela signifique alguma coisa para ti por enquanto. Contudo, neste ponto a compreensão não é necessária. De fato, o reconhecimento de que não compreendes é um pré-requisito para desfazer tuas ideias falsas. Estes exercícios se ocupam da prática, não da compreensão. Tu não precisas praticar aquilo que já compreendes. Na verdade, visar à compreensão e pressupor que já a tens seria andar em círculos.

2. É difícil para a mente não treinada acreditar que aquilo que ela parece retratar não existe. Esta ideia pode ser bastante assustadora e pode encontrar resistência ativa sob inúmeras formas. No entanto, isso não impede sua aplicação. Não se pede nada mais do que isso para estes exercícios ou quaisquer outros. Cada pequeno passo afastará um pouco as trevas e a compreensão finalmente virá para iluminar cada canto da mente que tenha ficado livre dos escombros que o escureciam.

3. Estes exercícios, para os quais três ou quatro períodos de prática são suficientes, envolvem olhar ao redor de ti e aplicar a ideia do dia a qualquer coisa que vejas, lembrando-te da necessidade de aplicação que não faça distinções e da regra essencial de não excluíres nada. Por exemplo:

Eu não vejo esta máquina de escrever tal como ela é agora.
Eu não vejo este telefone tal como ele é agora.
Eu não vejo este braço tal como ele é agora.

4. Começa com as coisas mais próximas de ti e depois estende o alcance para fora:

Eu não vejo aquele cabide de casacos* tal como ele é agora.
Eu não vejo aquela porta tal como ela é agora.
Eu não vejo aquele rosto tal como ele é agora.

5. Salienta-se mais uma vez que, embora não se deva tentar uma inclusão total, tem-se de evitar qualquer exclusão específica. Certifica-te de que és honesto para contigo mesmo ao fazer esta distinção. Podes ser tentanto a escondê-la.

*A nota de Lillian na primeira tradução diz que nos Estados Unidos o cabide de casacos é um objeto bem visível, colocado ao lado das portas para que os casacos de inverno sejam pendurados. Diz ainda que este exemplo não cabe nos países tropicais e pode ser substituído por outro objeto qualquer que esteja ao teu redor. Observemos, porém, que temos um objeto similar que ainda é usado em algumas casas em algumas regiões do país, que é o "mancebo", um tipo de cabide que serve para se pendurar chapéus e outros objetos.

*

COMENTÁRIO:

A partir do contato com a ideia de que só vemos o passado, na lição 7, fica mais ou menos evidente que, nas condições normais em que vivemos, habitualmente distraídos de nós mesmos e de praticamente tudo o que nos rodeia, não somos capazes de ver nada tal como se apresenta no momento presente. Agora.

É o exercício da atenção, o "lembrar-se de si", de que falava Gurdjieff, que pode nos permitir vislumbres do presente e, em "instantes santos", o contato com o divino, com o que somos de fato. E, a partir disso, uma ligação com a Fonte de tudo o que existe.

Praticar este exercício, portanto, é buscar lembrar durante a maior parte do tempo possível que, de fato, não sabemos nada de nada, que nossa mente vê apenas coisas que já não existem. Porque está preocupada somente com pensamentos do passado.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Formatar o "hard" para limpar o "software"

LIÇÃO 8

Minha mente está preocupada com pensamentos passados.

1. Esta idéia, é claro, é a razão pela qual vês só o passado. Ninguém vê coisa alguma realmente. O que alguém vê é apenas seus pensamentos projetados para fora. A preocupação da mente com o passado é a causa da concepção equivocada do tempo de que sofre tua visão. Tua mente não pode apreender o presente, que é o unico tempo que existe. Por isso, ela não pode entender o tempo e não pode, de fato, entender nada.

2. O único pensamento totalmente verdadeiro que alguém pode ter acerca do passado é que ele não está aqui. Pensar a seu respeito de qualquer modo é, portanto, pensar em ilusões. Muito poucos perceberam claramente o que, de fato, retratar o passado ou prevenir-se para o futuro traz como consequência. Na verdade, quando faz isso, a mente está vazia, pois não está de fato pensando a respeito de nada.

3. O objetivo dos exercícios de hoje é começar a treinar tua mente a reconhecer quando ela não está pensando em absoluto. Enquanto ideias irrefletidas preocuparem tua mente a verdade fica bloqueada. Reconhecer que tua mente está simplesmente vazia, ao contrário de acreditar que ela está cheia de ideias verdadeiras, é o primeiro passo para abrir caminho para a visão.

4. Os exercícios para hoje devem ser feitos de olhos fechados. Isso porque, de fato, não podes ver nada e é mais fácil reconhecer que, não importa quão vivamente possas retratar um pensamento, não estás vendo nada. Com o menor envolvimento possível, investiga tua mente por cerca de um minuto, como de costume, observando apenas os pensamentos que encontras aí. Cita cada um deles pela imagem ou tema central que contenha e passa ao seguinte. Começa o período de prática dizendo:

Parece que estou pensando sobre ____________ .

5. Em seguida, cita cada um de teus pensamentos de modo específico, por exemplo:

Parece que estou pensando sobre [ nome de uma
pessoa], sobre [nome de um objeto], sobre [nome
de uma emoção],

e assim por diante, concluindo, no final do período de exame da mente com:

Mas minha mente está preocupada com pensamentos passados.

6. Isso pode ser feito quatro ou cinco vezes durante o dia, a menos que aches que te irrita. Se achares o exercício difícil, duas ou três vezes são suficientes. Contudo, podes achar útil incluir, no próprio exame da mente, tua irritação, ou qualquer emoção que a ideia de hoje possa causar.

*

COMENTÁRIO:

Este exercício, depois do de ontem, e em conjunto com ele, nos permite, de fato, avaliar o que pensamos saber acerca do mundo, das coisas do mundo e a nosso próprio respeito, uma vez que ele nos força a concluir que tudo o que pensamos a respeito de tudo não é nada mais do que o reflexo de um aprendizado do passado, que já não existe e que, por isso, não significa nada. O que podemos saber, então, quando não estamos 100% ligados no momento presente, atentos ao que está se passando dentro de nós aqui e agora?

Além disso, ambos os exercícios, o de ontem e o de hoje, nos permitem limpar "o disco rígido" de nossa mente, formatar o "hard drive" para começar do zero. Isto é, para aprender a olhar para tudo sem o ranço dos vírus todos com que a programação do tempo foi contaminando nosso "software", nossa mente.