sábado, 26 de maio de 2018

O significado do mundo está no que pensamos dele


LIÇÃO 146

Minha mente contém só o que penso com Deus.

(131) Ninguém que busque alcançar a verdade pode falhar.

(132) Libero o mundo de tudo o que eu pensava que ele fosse.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 146

"Minha mente contém só o que penso com Deus."

Ninguém que busque alcançar a verdade pode falhar.

Libero o mundo de tudo o que eu pensava que ele fosse.

Voltemos mais uma vez nossa atenção para a primeira das ideias que revisamos hoje. Uma ideia que nos põe em contato direto com a possibilidade de alcançarmos a verdade a nosso próprio respeito, além de qualquer sombra de dúvida, além de qualquer idade e de qualquer medida no tempo. 

Aliás, só quem pode duvidar disso é o falso eu [o ego do Curso], aquela parte de nossa mente que acredita na separação e que busca nos convencer de que a ilusão que este mundo nos oferece é que é a verdade.

Lembremo-nos de que o Curso ensina que o estado natural de todo Filho de Deus é o estado de graça, ressaltando que "quando ele [o Filho de Deus] não está em estado de graça, está fora de seu ambiente natural e não funciona bem".

Noutro ponto do texto o Curso diz que só fora de nosso ambiente natural é que podemos nos perguntar: "O que é a verdade?", já que a verdade é o ambiente pelo qual e para o qual fomos criados. Isto, sem dúvida, dá todo o sentido à primeira das ideias que revisamos hoje.

A segunda ideia de nossa revisão indica a maneira pela qual podemos alcançar a verdade. Isto é, pela liberação do mundo, pela compreensão de que tudo o que já pensamos no passado a respeito do mundo foi mudando com a ilusão da passagem do tempo, que, como o Curso ensina, não existe como uma linha linear sobre a qual vão se depositando nossas vivências dia a dia.

Porque, assim como mudamos o modo de pensar ao longo do tempo em que acreditamos viver, o mundo vai mudando, bem de acordo com a mudança que operamos em nosso modo de pensar, não é mesmo? Então, resta-nos a alternativa de alinhar o que pensamos ao que o Curso ensina acerca do mundo. Isto é, que ele, e tudo o que aparentemente existe nele, é neutro. 

Isto quer dizer, conforme já vimos lá atrás, nas primeiras lições, que todas as coisas só adquirem significado a partir daquilo que pensamos delas. Em outras palavras, o mundo, as coisas e as pessoas do, e no, mundo têm apenas o significado que queremos que tenham. 

Refazendo, portanto, a pergunta feita antes, compreender isto não é, de fato, um grande passo em direção à liberdade e, por consequência, em direção à verdade? E mais: um grande passo na direção do estado de graça, nosso estado natural, que fica além do tempo e de qualquer medida que possamos inventar na experiência dos sentidos e da forma? 

Às práticas?

*

ADENDO:

Jornada num tempo sem tempo (ou viagem de volta no tempo?)

2017. Maio, dia 26: De Santiago de Compostela a Madri (Via trem - Renfe)

Apesar da previsão do tempo não ter anunciado chuva, amanheceu chovendo em Santiago. Hora de arrumar todas as coisas para ir até a estação.

Saio da Pensión Forest por volta das nove e meia, sob chuva, uns pingos esparsos apenas. Passo pela Catedral - pela saída, na verdade -, passo pela praça lateral dela e pela entrada provisória noutra das laterais. Tudo ainda está meio que começando a voltar à vida. Umas poucas pessoas de capa de chuva, turistas e guias de guarda-chuvas, alguns peregrinos chegando e buscando informações, após a festa da chegada.

Escolho o caminho por uma rua em que há um longo trecho para se caminhar sob os arcos, pois aí há bastante proteção para não ser pego pela chuva. Tento ir à ótica que há no fim da rua. Ainda tenho a sensação de que posso conseguir consertar de alguma forma o par de óculos quebrados que trouxe comigo. Ainda não abriu.

Vou, então, à procura do caminho para chegar à estação e, para variar, tomo a direção errada. Caminho cerca de quatro ou cinco quarteirões até encontrar alguém que me dá a informação do caminho a tomar. Vou na direção indicada e paro dois quarteirões adiante, onde a pessoa que me deu a informação dizia haver uma praça de onde eu devia seguir diretamente em frente. Pergunto a um senhor que está limpando as vitrines de uma livraria e ele me dá outra indicação.

Sigo para o lado que me diz que devo ir e chego, assim, à rua que vai me levar diretamente à estação ferroviária. São vários quarteirões até lá. Ainda chove aqueles pingos esparsos. Chego cedo. Um pouco depois das dez. O horário do trem é 12:10 horas. 

Vou para o bar para tomar o café-da-manhã, que ainda não tinha tomado. Preciso lembrar aqui que estou carregando duas mochilas, uma na frente e outra nas costas, além da caixa de papelão dos Correios com os bastões.

Após o café, resta esperar. Lá pelas tantas, por volta do meio-dia, os alto-falantes anunciam que está aberto o serviço de controle de peso de bagagens para o trem em que vou viajar. Todos os passageiros vão para a via - o local em que o tal controle vai ser feito. Tem-se de passar a bagagem toda, as duas mochilas e a caixa com os bastões pela máquina de raio-X, daquele tipo usado em aeroportos. 

Depois disso, apresento o bilhete da passagem e vamos aguardar o trem que está atrasado em um minuto.

O destino é Madri, mas está prevista um troca de trem em Ourense, o que acontece cerca de quarenta minutos depois de iniciada a viagem. O trem de Ourense também tem um atraso de três ou quatro minutos.

Partimos.

Inicialmente a previsão de chegada a Madri era às 17:54 horas. Com as paradas e os atrasos, chegamos às 18 horas. Na Estação Chamartin, que eu não conheço. Sinto-me meio perdido, porque pensei que chegaria na Estação Atocha, que já conheço.

Vou ao banheiro e depois parto em busca de informações. No balcão da Renfe a atendente me dá um bilhete para tomar outro trem diretamente para o Aeroporto Barajas, Terminal T4.

A viagem demora cerca de 15 ou 20 minutos. Aí toca descobrir como chegar ao hotel. No balcão de informações uma atendente me dias para tomar o autobus 200 e descer em Canillejas. Tomar, em seguida, o 77 e descer em Yecora. SQN. Primeiro descubro que para tomar o 77 é preciso atravessar a rotunda em o 200 me deixou. Tomo o 77 e depois de muitas paradas chego a Yecora. Desço. Procuro no mapa que há atrás do ponto a rua do hotel. Quem diz que acho?

Então, me encaminho na direção de uma loja que vende frutas, sucos e "otras cositas mas" e peço ajuda para a moça, que parece ser a dona do estabelecimento, uma jovem que está com a filhinha, que está na fase de aprender a escrever e chama pela mamá a todo instante - " La erre, mamá? Y esta"?

A moça, com toda a paciência do mundo, pega seu celular e consulta daqui, consulta dali, resolve me dar outro itinerário, em que eu teria de tomar três ônibus diferentes. O itinerário que a atendente no aeroporto me deu me deixou menos do que no meio do caminho, mas na direção contrária. Aí ele me pergunta se eu não posso pagar um táxi. Digo que posso, desde que não seja muito caro - porque, diz ela, seria muito complicado fazer o trajeto de ônibus e, ainda assim, eu teria de andar muito para chegar ao hotel.

Ela me dá um copinho de suco de laranja. E chama o táxi para mim. Minha figura deve estar de fazer dó. Lembremo-nos de novo que estou com as duas mochilas e a caixa de papelão. E que o calor está de arrepiar: 36 graus.

Ela, com a filhinha, espera o táxi na porta comigo. O taxista chega em dois ou três minutos. Despeço-me se saber como agradecer e ela diz que foi um prazer ajudar. 

No caminho, o motorista me pergunta a respeita do acontecido e fica surpreso com a indicação que me deram. No fim, diz ele, você tomou dois ônibus, três euros, e vai pagar a corrida que dever dar uns doze euros. Se tivesse tomado um táxi direto no aeroporto pagaria cerca de 20 euros e já estaria no hotel sem essa confusão toda, sem contar o cansaço. Ele diz que não há linha de ônibus que passe no hotel onde vou ficar. 

Bem... cheguei. Fiz o registro e subi para tomar banho. Já passava das oito e meia. Faço uso do telefone durante algum tempo para enviar algumas mensagens e responder a outras e desço para jantar.

Após o jantar, subo para dormir. Ligo a televisão, mas não encontro nada assistível. Apago as luzes às 23:16 horas. E durmo.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Abrir a porta ao contato com a verdade do que somos


LIÇÃO 145

Minha mente contém só o que penso com Deus.

(129) Além deste mundo há um mundo que eu quero.

(130) É impossível ver dois mundos.

*

COMENTÁRIO: 

Antes de nos debruçarmos sobre as ideias para a revisão de hoje, antes da exploração de cada uma delas, vamos voltar nossa atenção mais uma vez por alguns instantes para uma questão a respeito da dor e de sua realidade, postada há dois anos por nosso colega e companheiro de jornada, David, ao comentar a respeito da lição 142 e da anterior, e de seus comentários. 

Óbvio é que, para a maioria de nós, estudantes do Curso, como o próprio David reconhece, quase todas as nossas experiências dizem respeito na maior parte do tempo à ilusão de que vivemos num mundo [se não estivermos vivendo a experiência de um "instante santo", se não estivermos no aqui e agora, inteiramente imersos no momento presente]. Neste mundo que, se pensarmos bem, só pode ser ilusório, uma vez que ele não bate em praticamente nenhuma de suas características com qualquer mundo em que viva qualquer uma das cerca de 8 bilhões de pessoas que o dividem conosco. Ou haverá algo comum no mundo que pensamos viver com qualquer outro mundo em que viva algum de nossos semelhantes, nossos contemporâneos, hoje? Com o mundo em que vive David, por exemplo? 

Numa tentativa de resposta, o que posso dizer é que a experiência da dor, David, como toda e qualquer outra experiência que se apresenta em nossa vida é também uma escolha que fazemos. Seja ela uma dor física, em função de uma doença, ou de um acidente, seja ela uma dor psicológica, uma angústia, uma depressão, ou outra qualquer do gênero. 

É claro que ela é "real", por assim dizer, para quem a sente. No entanto, se já aprendemos que somos nós que criamos e construímos o mundo e as experiências que queremos viver nele, certamente seremos capazes de assumir 100% da responsabilidade por tudo o que acontece em nossa vida. É isso que pode nos dar a possibilidade de fazer escolhas diferentes, quando os resultados das que fizemos nos afastam da alegria, que é nossa condição natural. 

Então, David e colegas, a dor pode acontecer e ser inevitável em algum momento em nossa vida. Porém, não podemos nos identificar com ela, podemos escolher não transformá-la em sofrimento, acreditando em sua terrível realidade e nos deixando abater por ela. Ela, na verdade, não tem nunca nenhum poder, a não ser aquele que damos a ela. 

Ramana Maharshi, que faz parte mais uma vez deste comentário logo abaixo, passou os últimos longos anos de sua vida no corpo, acometido de uma doença que causaria uma dor insuportável dia após dia a qualquer ser humano comum, não desperto. No entanto, pelo que dizem os que o conheceram e escreveram sobre ele ao longo dos anos, ele nunca se queixou em momento algum. Espero que estas observações lhe sirvam de algum auxílio, David, e fique à vontade para continuar a conversa, se achar necessário. 

Vamos, então, à exploração da nossa lição de hoje. Mantenho o título dado à postagem no ano passado, por julgar que ele é pertinente com a questão do David.


Explorando a LIÇÃO 145

"Minha mente contém só o que penso com Deus."

Além deste mundo há um mundo que eu quero.

É impossível ver dois mundos.

As ideias que revisamos hoje são a sequência natural das ideias da revisão de ontem. Abrem nova porta para entrarmos em contato com a verdade a respeito do que vemos a partir da percepção do corpo e dos sentidos. Permitem que nos debrucemos sobre nossas escolhas para refletir a respeito do que nos mantém presos a este mundo. O que há nele que ainda queiramos? A que estamos apegados? 

São as práticas com estas duas ideias que podem explicar e nos fazer ver a razão pela qual não há nada que, de fato, queiramos neste mundo. Ele não é verdadeiro. Pelo menos não da maneira como o percebemos.

Elas também servem para assegurar que não nos sintamos perdidos em um mundo que é apenas fruto de uma ilusão da percepção equivocada. Uma percepção que tem por ponto de partida a crença na possibilidade de uma existência separada daquilo que somos verdadeiramente e, por consequência, separada de Deus e apartada de todas as manifestações d'Ele.

A segunda das ideia de nossa revisão de hoje, ao garantir que não é possível ver dois mundos, nos assegura a existência de apenas um mundo verdadeiro: aquele que está além do que vemos na ilusão e que é o que queremos.

E, mais uma vez - para nos lembrarmos -, o que o Curso nos pede não é que desistamos deste mundo, mas que o troquemos por um mundo muito mais satisfatório, mais pleno de alegria. Um mundo que pode nos oferecer a paz. Para tanto, basta escolhermos mudar nossa forma de pensar a respeito deste mundo que vemos. Como todos já aprendemos, não há nada a mudar fora de nós. Só dentro.

Precisamos nos lembrar também de que o mundo que vemos apenas reflete nossa forma de pensar, que, por sua vez, é influenciada por nossas crenças, para se tornar o reflexo de nossa escolha do que queremos ver. É só a partir de um ponto de vista equivocado que podemos pensar em mundo no qual possam existir o ódio e o amor ao mesmo tempo.

As práticas ensejam a mudança na forma de pensar, de que precisamos para limpar nossa consciência do auto-engano a que nos induz o sistema de pensamento do falso eu, em que este mundo de ilusões se baseia.

Às práticas, pois! 

DUAS OBSERVAÇÕES:

Se tudo correu como planejado em minha caminhada a Santiago, devo estar chegando a Compostela hoje, que é o dia de meu aniversário, quer dizer a data em que se comemora minha chegada a este mundo de ilusões. Será que vai ser possível fazer um comentário qualquer desde lá?

Espero que sim.

A segunda observação é uma sugestão: quem puder - e quiser, é claro - procure ver o comentário de nossa colega, Cida, feito a esta lição no ano passado. Como um exemplo do que é possível fazer com a dor.

*

ADENDO:

Jornada num tempo sem tempo (ou viagem de volta no tempo?)

2017. Maio, dia 25: Santiago de Compostela

Como se pode ver, em relação à primeira das observações acima, deu certo! Duplamente! Cheguei a Santiago, pela primeira vez, como relatado antes, no dia 19. E, no dia 24, ontem, pela segunda vez, para comemorar meu aniversário de 65 anos, em Santiago. Hoje!

Acordo cedo, para variar. E saio da "Pensión" por volta das sete e meia. Vou até a frente da Catedral e vejo a chegada de alguns peregrinos, enquanto espero por Lincoln, Azevedo e seus amigos. Uma vez que ele havia dito que só chegaria por volta das nove e meia, resolvo tomar o café-da-manhã num bar próximo que está abrindo.

Volto, logo depois, para a frente - na verdade os fundos - da Catedral, que é o caminho que fazem os peregrinos. Duas mulheres me chamam a atenção. Percebo que são brasileiras quando comentam a necessidade de sair do lugar em que estavam sentadas porque passa um caminhão lavando a rua.

Elas mudam de lado e eu também. Após a passagem do caminhão, elas voltam ao ponto inicial aonde batia sol. Ainda está um pouco frio à sombra.

Em seguida, um homem aparece com seus apetrechos para fazer o papel de estátua de Gandhi. Prepara tudo a meu lado, alonga por algum tempo e se posta na passagem. Peço a uma delas para tirar um foto minha ao lado do "Gandhi estátua" e ouço a outra chamá-la de Isabel. Pergunto, então: - Você é Isabel, esposa de Lincoln?

Era. Aí nos apresentamos. A outra se chama Lila, e é mulher de Délio, um dos amigos que Lincoln e Azevedo esperaram e encontraram, conforme combinado, em Ponferrada para fazerem juntos o restante do Caminho. O último do quarteto se chama Gladston.

Quando, após a foto, a "estátua" comenta que aquele era seu trabalho, e que era preciso pôr uma moeda em seu cestinho logo à frente  - o que eu estava me preparando para fazer - e ouve que somos brasileiros, arremata que era comum que brasileiros não pagassem pela foto. Gandhi era um português-alemão, nascido na Alemanha.

Mais tarde um pouquinho, por volta das dez, chegam Lincoln, Délio, Azevedo e Gladston. Encaminham-se para a escada do prédio em frente à saída da Catedral, que é onde nos encontramos, e Lincoln recebe um banho de água mineral. O acordo entre eles era que o banho fosse de vinho, mas como logo após a missa ele e Isabel viajam para Portugal - Porto - Lisboa - Faro -, onde vão encontrar a filha, optaram pela água.

Em seguida, vamos para a fila da Compostelana. Consigo lá comprar a passagem de trem para Madri, para amanhã às 12:10 horas, com escala - troca de trem - em Orense. A previsão de chegada a Madri é às 17:54 horas. 

Feitos todos os trâmites, os quatro com a posse devida de sua Compostelana, vamos de novo assistir à missa do peregrino. Igreja lotada, com direito a Coral, bota-fumeiro e, de novo, a bênção.

Não consegui, conforme o combinado, encontrar Lincoln, Isabel e Délio e Lila na saída da missa. Creio que, devido ao tempo escasso deles, eles devem ter saído direto para o hotel, onde uma taxista conhecida deles, que os levaria diretamente ao Porto, já devia estar esperando.

Fomos, então, almoçar apenas nós três: Gladston, Azevedo e eu.

Uma delícia de almoço. Pago por eles, como presente de aniversário. Obrigadíssimo. 

Ao sair do restaurante, passamos pelos Correios, onde Gladston tinha ficado de pegar sua mochila, antes de eles irem para o hotel. Aí, eu acabei comprando uma caixa-padrão para acondicionar os bastões. Despedimo-nos, eles seguiram para o hotel, que não era longe. Combinamos de nos encontrar no mesmo ponto do encontro da manhã, entre seis e meia e sete horas.

Volto, mais uma vez, à pensão. Escovar os dentes, arrumar algumas coisas, se bem que não adianta tentar arrumar nada, a não ser na hora de ir para a estação de trens.

Descanso um pouco e saio de novo, por volta das cinco e meia. Vou até as lojas. Compro mais algumas medalhinhas, pulseirinhas, enquanto espero o tempo passar. Volto ao ponto de encontro. Ainda não chegaram. Sigo pela rua olhando as vitrines das lojas. Não encontro nada que possa agradar a meu filho, Victor.

Desço de volta ao ponto de encontro. Estão lá. Já tinha feito algumas compras, mas querem voltar a uma loja em que passaram anteriormente aonde acharam que tudo era mais barato. Vamos. Compro uns colares com o símbolo do Caminho e mais um copinho para cachaça, para um amigo.

Na sequência paramos num bar, Gladston e eu, enquanto Azevedo vai até o hotel deixar as sacolas com as compras que eles fizeram. Uma canã, duas cañas! Azevedo volta. Uma caña para ele. E vamos atrás de um restaurante para jantar.

Gladston quer uma coisa leve. Entramos num. A opção foi uma mariscada. Leve? Azevedo optou por uma "racione" de "pulpo a Gallega".

Após o jantar, já quase dez horas, voltamos à praça Campo das Estrelas (que, na verdade não é o Campo Stellae. É a denominação de um prédio ligado à Igreja, ou ao museu, ou à Universidade de Santiago, não sei). A praça Campo das Estrelas fica em outro ponto da cidade, de acordo com o mapa.

Na praça Quintana (?) rola um show de uma banda galega. Muito boa. Está no fim. Assim que a banda sai, entra uma segunda. Uma banda a cujo ensaio, ou passagem de som, assisti à tarde. Fantástica. Maravilhoso. Um showzaço para encerrar as festividades que comemoraram meus 65 anos.

Aí, a despedida. E 'bora pra vida.

Vou dormir perto da uma e meia da madrugada.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Neste mundo, nada pode satisfazer o desejo do céu


LIÇÃO 144

Minha mente contém só o que penso com Deus.

(127) Não há nenhum amor a não ser o de Deus.

(128) O mundo que vejo não tem nada que eu queira.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 144

"Minha mente contém só o que penso com Deus."

Não há nenhum amor a não ser o de Deus.

O mundo que vejo não tem nada que eu queira.

Revisamos hoje, mais uma vez, duas ideias que, com as práticas, devem servir para reforçar em nossa consciência o fato de que todo amor vem de Deus e o aprendizado de que não há nenhum amor a não ser o d'Ele. Isto é, a partir desta ideia, tudo aquilo que aparentemente não vem d'Ele é ilusão, não existe e não é amor.

A segunda das ideias que praticamos nos convida a reconhecer que o mundo que vemos não tem nada que, de fato, queiramos. Pois, quando paramos para refletir, podemos perceber claramente que, na verdade, tudo o que vemos no mundo é passageiro, é efêmero, e não pode e nem vai durar.

Como também sabemos que nossos anseios mais profundos sempre nos levam em direção ao duradouro, ao eterno, as duas ideias que praticamos servem ainda para ajudar a abrir nossos sentidos, nossas mentes e nossos corações à Voz por Deus, que nos fala interiormente de nosso desejo mais profundo pelo Céu. 

Pois tudo aquilo que passa e pode mudar para atender a nossos desejos, que variam como variam as marés, ou mudam tantas vezes quanto mudamos de roupas todos os dias, não pode, de fato, nos satisfazer. Isto é bastante claro quando pensamos nas coisas todas que já obtivemos e que deixaram de nos interessar depois que foram obtidas, depois de as conseguirmos. Não lhes parece, pois, que isto é uma confirmação de que nada no mundo ou deste mundo pode satisfazer nosso desejo de Céu? Seja Céu o que for para cada um de nós.

Sugiro, pois, que pratiquemos com disposição para nos abrirmos ao amor de Deus em nós, que é a única coisa que existe de verdade. Para aprendermos a renunciar ao mundo, abrindo-nos, deste modo, à eternidade do que somos em Deus, com Ele.

Pois não há como negar a verdade da afirmação de que tudo passa neste mundo. Nada daquilo que vemos dura para sempre. Nem nossos corpos, que também são ideias que fazemos de nós, e não têm realidade em si mesmos, nem nosso olhar, pois, em muitas ocasiões, ao olharmos para uma mesma coisa repetidas vezes, a coisa muda. Mesmo os corpos, que achamos (de modo equivocado) que é o que somos, mudam a cada respiração, a cada interação com outros corpos. 

É por isso que vale praticar com afinco as ideias desta revisão. Elas nos dão mais uma vez a oportunidade de escolher o desapego das coisas do mundo, mesmo que por vezes algumas delas nos pareçam por demais valiosas.

Tudo o que vale realmente é o que somos, além do que pensamos a respeito de nós mesmos, que é apenas uma ideia falsa, uma vez que não somos nem de longe a imagem que fazemos de nós mesmos.

Tudo o que fazemos no mundo é sonhar. 

E como diz Ramana Maharshi: 

"Não há nenhuma diferença entre o estado do sonho e o estado de vigília, exceto que o sonho é curto e a vigília longa. Ambos são o resultado da mente."

Às práticas?

*

ADENDO:

Jornada num tempo sem tempo (ou viagem de volta no tempo?)

2017. Maio, dia 24: De Fisterra a Santiago de Compostela (90 km - de ônibus)

Acordo cedo. Antes da sete. Preciso tempo para arrumar tudo na mochila antes de ir para a estação. Certo!

Chego na estação cerca de meia hora antes, mas já há uma fila de peregrinos. Entro no ônibus e em questão de minutos ele fica lotado. Quem não conseguiu lugar vai ter de esperar o próximo, dez minutos antes do meio-dia. Uau. "O sertão é uma espera enorme". 

A viagem é tranquila. Guardei as botas e calcei os tênis novos. Meus pés e minha coluna doem durante a viagem. Menos de uma hora e meia e estou de volta a Santiago. Vou a pé na direção da Catedral, qual um  peregrino. É renovada a emoção de vê-la, a despeito dos andaimes e tapumes. Sento em uma das laterais, à espera de que algum conhecido passe. Lincoln, talvez, como tinha ficado combinado. 

Nada! Aí vou atrás de algum lugar para ficar. Encontro uma pensão bem perto da Catedral. Duas noites, hoje e amanhã, por 40 euros. Feito. Acertado o registro, subo ao quarto e deixo minhas coisas.

Depois vou até a praça, que é o ponto de encontro dos peregrinos. Nada! Vou até a fila para a retirada da Compostelana. Nada. 

Ao meio-dia, assisti mais uma missa do peregrino, com direito a "bota-fumeiro" e tudo novamente. Em seguida, visitei a tumba do Apóstolo. Tétrico. Ao procurar a saída, dou de cara com Tomiko, a japonesa do primeiro dia, que eu só tinha encontrado uma vez depois num trecho um pouco adiante de Pamplona.

Foi uma grande emoção revê-la. Da parte dela também, pois ela me abraçou com tanta alegria, com tanto carinho e tão espontaneamente, que uma amiga que estava com ela se emocionou a ponto de chorar ao nos ver tão emocionados. Ela tinha chegado há dois dias. Disse a ela que eu já havia passado por ali e que estava voltando da caminhada a Muxia e a Fisterra. Ela disse também pretender ir até lá. Aí nos despedimos, sem despedida. Coisas do caminho.

Um pouco mais tarde, vou em busca de um mapa e de informações sobre as passagens de trens para Madri. em seguida procuro um lugar para almoçar. Paro num restaurante/bar acima das escadarias que dão para o Campo das Estrelas e como uma "paella de mariscos".

Uma vez que o restaurante tem internet com bom sinal, falo com uns e outros e descubro que Lincoln e Azevedo só vão chegar, com os amigos, amanhã por volta das nove e meia. Combino de esperá-los.

Está um calor do cão.

Volto então à pensão para uma "siesta", porque ninguém é de ferro, não? Durmo mais de duas horas. Acordo e me ponho de novo à procura do mapa, que esqueci no restaurante. Agora é a hora de ver/comprar as lembrancinhas...

Na loja oficial da Catedral, tudo muito caro, exceto um livro de receitas da "cocina gallega". Encontro uma loja que vende vários tipos de medalhinhas, mas decido ver se acho uma loja para comprar roupas primeiro. Quero ver se consigo vestir algo diferente do figurino mais ou menos padrão dos peregrinos.

Vou, guiando-me pelo mapa, na direção da Renfe e saio do "Casco Antiguo", na Santiago moderna, outra cidade grande. Ando, ando, ando, e nada. Depois de muito andar, encontro uma loja mas acabo não comprando nada. As calças são todas de modelo justo, justíssimo.

É notável perceber, fora do perímetro da Catedral, que Santiago é uma cidade com vida pulsante, nas ruas, nas praças, nas lojas, bares e restaurantes. Uma vida que aparentemente não está relacionada aos peregrinos ou à peregrinação. Apesar de eu acreditar que, de modo indireto, aqui tudo gira em torno dos peregrinos.

Vou a loja das medalhas. Compro algumas, em número que acho suficiente. Aí já é hora de jantar. Sinto-me um pouco cansado da comidas do menu do peregrino. Opto por um restaurante de comida italiana. Ótimo. Se não o melhor "spaghetti al pesto" que já comi, um dos melhores. Mas com certeza o mais caro. Com direito a cerveja, água, pão e "postre". Valeu cada centavo de euro.

Volto na direção do Campo das Estrelas - uma das praças vizinhas à Catedral. Paro em mais uma lojinha de lembranças. E encontro aí tudo o que eu precisava. 

No Campo das Estrelas vai começar o show "Luis Brea y el miedo". Sento-me na escadaria e assisto a um trecho do espetáculo. Lindo. Mas já passa das dez horas. Hora de peregrino que tem de acordar cedo dormir. 

Apesar de a caminhada se ter encerrado, no sentido de que não há mais, no momento, nenhuma distância de vários quilômetros a ser percorrida a pé, o peregrino e a peregrinação, porém, continuam a existir.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

A busca de viver uma vida espiritual: seus benefícios


LIÇÃO 143

Minha mente contém só o que penso com Deus.

(125) Hoje recebo a Palavra de Deus em paz.

(126) Tudo o que dou é dado a mim mesmo.


*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 143

"Minha mente contém só o que penso com Deus."

Hoje recebo a Palavra de Deus em paz.

Tudo o que dou é dado a mim mesmo.

Hoje vamos revisar mais duas ideias das práticas recentes, com o firme propósito de nos aquietarmos para, em primeiro lugar, ouvir e receber em nós a Palavra de Deus e para, em seguida, aprender que tudo o que damos damos apenas a nós mesmos. Sempre. Em toda e qualquer circunstância.

Se voltarmos ao  texto que apresentava a ideia para as práticas da lição 126  leremos lá que a ideia - a de que tudo o que damos é apenas a nós mesmos que damos - é completamente estranha para o ego, que se vê separado e distante de tudo e de todos, lutando para tentar manter em pé as ilusões que criou e nas quais acredita.

Seguindo, pois, as orientações que recebemos antes, podemos descobrir nisto a importância das práticas. Em primeiro lugar, para aprendermos que é só no silêncio e em paz que nós podemos nos abrir à Voz por Deus e receber em nós Sua Palavra com alegria.

Em segundo, para compreendermos que, em contato com o divino em nós, podemos abandonar todas as crenças a que o ego quer nos induzir, eliminando, assim, as ilusões que nos impedem de chegar ao conhecimento de nós mesmos e de entrar em contato com o que somos, na verdade, em Deus.

Para auxiliar nas práticas e estender a reflexão a respeito do que fazemos ao praticar, ofereço-lhes também aqui, mais uma vez, um pequeno texto inspirado no que diz Joel Goldsmith acerca dos benefícios que advêm da busca de viver uma vida espiritual.

É o seguinte:

O que tu e eu recebemos como benefício de nosso estudo e das práticas das lições é muito menos importante do que aquilo que o ensinamento faz no sentido de elevar o mundo inteiro. Devemos nos lembrar, tu e eu, que não existe um Curso separado e apartado de nossa consciência e da Consciência Única, Una e Infinita. Não existe um Curso pairando no espaço. Só existe no mundo um Curso que é ativo na consciência e, a menos que seus princípios encontrem atividade e expressão na tua [e na minha] consciência individual, eles não se expressarão no mundo. Daí a responsabilidade que cada um de nós tem de viver a partir destes princípios, de viver estes princípios em sua vida.

Ou ainda, parafraseando o que diz Elio D"Anna:

Toda a ação verdadeira nasce - só pode nascer - de um estado de imobilidade, de paz, de silêncio e de tranquilidade, que permitem à luz que se apresente e inunde a vida do ser. Tudo o que aparentemente alguém cria e se manifesta é apenas resultado da permissão que esse alguém dá à luz de se apresentar nesta ou naquela forma escolhida.

Às práticas?

*

ADENDO:

Jornada num tempo sem tempo (ou viagem de volta no tempo?)

2017. Maio, dia 23: De Muxia a Fisterra (30 km)

A alvorada, aqui também, é cedo. Há que recolher as roupas nos varais, ajeitar, ou reajeitar tudo na mochila, preparar os pés para o último trecho da caminhada.

Saio de Muxia uns quinze minutos antes das oito, sem café. Não havia nada aberto ainda. Comecei a andar a partir do ponto mais extremo de Muxia: a Punta da Barca, passando de novo pelas rochas e seguindo a direção indicada pelas setas. Andei cerca de meia hora antes de perceber que havia esquecido os óculos de leitura no beliche, no albergue. 

Voltei. Peguei os óculos e saí novamente. Aí, já que tinha me atrasado de montão mesmo, parei para tomar café no "a de loló", um hotel e restaurante próximo ao albergue. Quem encontro ao entrar? Exatamente, Jantina e Marÿke, as duas holandesas.

Pedi a segunda opção de café do cardápio, uma opção mais completa. Aí, só deixei Muxia, de fato, alguns minutos depois das nove horas.

Quinze quilômetros depois, no ponto em que era obrigatório carimbar a credencial, em Lires, parei para almoçar num lugar chamado As Eiras. Muito bom. "Pulpo a gallega". A moça que me atendeu se chama Begônia, como a flor.

A caminhada se revela difícil. Um sol escaldante desde cedo. Sigo em frente e entro numa mata de reflorestamento. Nunca gostei tanto dos tais pinheiros americanos.

A cerca de sete quilômetros do destino, encontrei Jesus.

Eu passava por uma serraria enorme logo depois do fim da mata. O caminho, as indicações ficaram confusas e meio que fiquei sem saber em que direção seguir. Desci um trecho e achei que não era por lá. Voltei e passei de novo nas proximidades da serraria, perto de uma casa grande com dois cachorros enormes e com cara de poucos amigos que, graças a Deus pareceram não me notar.

Mudei a direção e, à medida que avançava, alguém me chamou, era Jesu, numa casa um pouco acima de onde eu estava, que me ofereceu água da fonte e um suco de ananás com uva para beber. Encheu minhas garrafas com água da fonte, convidou-me para descansar um pouco na sombra e me deu um dedo de prosa.

Jesu é natural de Ciudad Real, de "La Mancha", perto da Andaluzia.

Ele me diz que fez alguns caminhos algumas vezes e há cinco anos se dedica, nesta casa que é de sua família, pelo que entendi, a ajudar os peregrinos. Pelo prazer de ajudar apenas, e para trocar impressões com gente que vem todo o mundo.

Diz que o caminho verdadeiro é o peregrino que faz. Seguir as setas é seguir numa direção que nos indicam outros, por medo de nos perdermos. Mas não há "perdida". As setas, hoje, levam a albergues, hostals, restaurantes, hotéis: este é melhor do que aquele e aí por diante. Isto não é peregrinação: é negócio.

Despedimo-nos. Agradeço-lhe e ele me deseja "buen camino", informando que há apenas mais seis ou sete quilômetros pela frente.

Os seis ou sete quilômetros mais longos que já caminhei. Parece-me que não vou chegar nunca. E quando chego ao povoado, descubro que há um longo trecho antes de eu chegar ao centro, ao pontos onde estão os albergues e os lugares que acolhem peregrinos.

Por volta das cinco e meia chego. Cansado, suado, sem saber onde ficar. Quero, preciso, urgentemente de uma cerveja. Descendo por uma rua em direção ao que parece ser o porto, encontro um bar e paro. Tiro a mochila das costas, largo os bastões e peço à moça que está no balcão uma cerveja "grande". Ela me pergunta qualquer coisa que não compreendo bem, mas respondo afirmativamente e volto à mesa. No momento seguinte, um atendente chega com uma jarra com um litro de cerveja. Isto é o "grande" aqui. Ou o que ela me perguntou.

Dali, consulto os folhetos e pergunto ao atendente a respeito de uma pensão próxima. Vou até lá. Tudo certo. Faço meu registro e vou procurar o albergue Municipal, que é, pelas informações que recebi, onde posso obter a Fisterrana. 

Encontro primeiro uma agência de passagens de ônibus e compro passagem para o primeiro ônibus de amanhã, dia 24, para Santiago.

Depois, no Albergue Municipal, obtenho o selo/carimbo do Concello de Fisterra - Fin da Ruta Xacobea, na credencial e a Fisterrana, o certificado que atesta minha chegada a pé a Fisterra, como fim da rota. E, em seguida, encontro Marcel. Conversamos um tantinho, ele diz que vai descansar um pouco e combinamos de nos encontrar por volta das nove e meia, nove e quarenta no Farol para o pôr-de-sol no fim da terra.

Volto para a pensão: Casa Velay. Tomo banho e atualizo meu caderno de anotações.

Um pouco antes das nove, saio para descobrir o caminho para o Farol. Paro num supermercado, compro uma fruta e umas castanhas e sigo. Estou de sandálias. E descubro que vou ter de andar cerca de três quilômetros numa subida para chegar ao tal Farol.

Mas, de acordo com um ditado que minha avó materna usava muito: "o que não tem remédio remediado está". Vou. E quem diz que encontro Marcel? Há um número grande de pessoas, turistas, peregrinos e locais pelo que entendi que subiram para ver o pôr-do-sol, que é um espetáculo à parte. Vejam algumas fotos abaixo:





A primeira mostra que, a certa altura da caminhada, é possível ver o mar ao longe.

A segunda é uma vista parcial de Fisterra da janela da pensão onde fiquei.

A terceira mostra um dos últimos momentos do sol se pondo no fim da terra.

O sol se põe tarde, mas achei que, encontrando Marcel, íamos comer alguma coisa, beber alguma coisa. Desço na direção da vila, passando pelo cais e por alguns armazéns, e chego a uma rua que deve ser a rua onde estão todos os bares e restaurantes de Fisterra. Mas muitos estão fechados ou fechando por causa do horário. Encontro um aberto, paro e peço uma salada mista, pão e uma cerveja. A moça que me atende traz uma senhora salada, uma verdadeira refeição. Vou bebendo a cerveja, comendo a salada devagar e apreciando o movimento das pessoas. Aqui, onde estou, também já está começando a movimentação para encerrar as atividades do dia. 

Fico mais alguns minutos, peço a conta, pago e me vou. Dormir para acordar cedo, amanhã.