sábado, 26 de janeiro de 2013

O único problema que precisamos resolver


LIÇÃO 26

Meus pensamentos de ataque ferem minha invulnerabilidade.

1. É certamente óbvio que, se podes ser atacado, não és invulnerável. Tu vês o ataque como uma ameaça real. Isto acontece em razão de acreditares que podes, de fato, atacar. E aquilo que teria efeitos por teu intermédio também tem de ter efeitos sobre ti. É esta lei que, em última instância, te salvará, mas tu a estás utilizando de modo equivocado agora. Por isto, tu tens de aprender de que modo ela pode ser usada em favor de teus maiores interesses mais do que contra eles.

2. Uma vez que teus pensamentos de ataque serão projetados, terás medo do ataque. E, se temes o ataque, tens de acreditar que não és invulnerável. Por esta razão, os pensamentos de ataque te tornam vulnerável em tua própria mente, que é o lugar aonde estão os pensamentos de ataque. Pensamentos de ataque e invulnerabilidade não podem ser aceitos simultaneamente. Eles se contradizem.

3. A ideia para hoje apresenta o pensamento segundo o qual tu sempre atacas a ti mesmo primeiro. Se os pensamentos de ataque impõem a crença de que és vulnerável, seu efeito é o de enfraquecer tua percepção de ti mesmo. Deste modo eles atacam tua percepção de ti mesmo. E, por acreditares neles, não podes mais acreditar em ti mesmo. Uma imagem falsa de ti mesmo vem tomar o lugar daquilo que tu és.

4. A prática com a ideia de hoje te ajudará a compreender que a vulnerabilidade, ou a invulnerabilidade, é o resultado de teus próprios pensamento. Nada exceto teus pensamentos pode te atacar. Nada exceto teus pensamentos pode te fazer pensar que és vulnerável. E nada exceto teus pensamentos pode provar para ti mesmo que isto não é verdade.

5. Pede-se seis períodos de prática para a aplicação da ideia de hoje. Deve-se tentar dois minutos inteiros para cada um deles, embora o tempo possa ser reduzido para um minuto se o desconforto for grande demais. Não o reduzas mais do que isso.

6. Deves começar o período de prática repetindo a ideia para hoje, fechando os olhos, em seguida, e revisando as questões não-resolvidas, cujos resultados estão sendo causa de inquietação para ti. A inquietação pode tomar a forma de depressão, angústia, raiva, uma sensação de incoveniência, medo, pressentimento e fixação. Qualquer problema ainda indefinido que tenda a voltar a teus pensamentos durante o dia é um sujeito adequado. Tu não serás capaz de utilizar um número muito grande em qualquer um dos períodos de prática, porque deve-se dedicar a cada um um tempo maior do que o de costume. A ideia de hoje deve ser aplicada da seguinte forma:

Eu estou preocupado com ____________ .

Em seguida, examina cada resultado possível que ocorra em relação a isso e que te cause preocupação, referindo-te a cada um de modo bem específico, dizendo:

Tenho medo de que ________________ aconteça.

8. Se estiveres fazendo os exercícios de forma adequada, deves encontrar cerca de cinco ou seis possibilidades aflitivas à disposição para cada situação que usares, e é bastante provável achares mais. É muito mais proveitoso examinar por completo algumas poucas situações do que tatear em um número maior. À medida que a lista de resultados previstos para cada situação continuar, é provável que aches alguns deles menos aceitáveis, especialmente aqueles que te ocorrerem perto do final. Na medida do possível para ti, porém, tenta tratar todos do mesmo modo.

9. Depois de citares cada resultado do qual tenhas medo, dize a ti mesmo:

Este pensamento é um ataque contra mim mesmo.

Conclui cada período de prática repetindo a ideia de hoje para ti mesmo mais uma vez.

*

COMENTÁRIO:

Para melhor nos prepararmos para um fim de semana pleno de alegria, de felicidade, de amor, de paz de espírito e de luz, vamos, neste sábado, explorar a LIÇÃO 26.

"Meus pensamentos de ataque ferem minha invulnerabilidade."

O que entendemos por invulnerabilidade? De acordo com o dicionário, invulnerabilidade é a qualidade daquilo que é invulnerável, isto é, algo que não pode ser ferido, atacado ou ser maculado de nenhum modo por qualquer coisa que seja.

Na realidade, somos invulneráveis porque somos - sempre seremos - tal qual Deus nos criou. Isto é, íntegros, completos, perfeitos do jeito que somos, independentemente de como nos vemos, de como pensamos a nosso próprio respeito, a partir das impressões que nos oferecem os sentidos, a percepção.

Meus pensamentos de ataque ferem minha invulnerabilidade.

A lição começa:

É certamente óbvio que, se podes ser atacado, não és invulnerável. Tu vês o ataque como uma ameaça real. Isto acontece em razão de acreditares que podes, de fato, atacar. E aquilo que teria efeitos por teu intermédio também tem de ter efeitos sobre ti. É esta lei que, em última instância, te salvará, mas tu a estás utilizando de modo equivocado agora. Por isto, tu tens de aprender de que modo ela pode ser usada em favor de teus maiores interesses mais do que contra eles.

A crença na separação, que deu origem a todo o universo de ilusões em que pensamos viver, conforme diz o Curso, é o único problema que precisamos resolver.

Só podemos nos ver ou imaginar que nos vemos separados - uns dos outros, e de Deus - e que vivemos vidas "privadas", "pessoais" e "particulares", que não têm nada a ver com as vidas de "outros", se nossa atenção estiver voltada principalmente para a voz do ego, para aquilo que diz a voz do falso eu, a quem o Curso chama à certa altura de "o grande impostor".

Meus pensamentos de ataque ferem minha invulnerabilidade.

Em razão de darmos ouvidos à voz do "grande impostor", não compreendemos a maior parte das vezes que, como o Curso ensina, "a percepção é uma escolha e não um fato". Não compreendemos que é da escolha de voz que queremos ouvir e daquilo que queremos ver que depende tudo o que acreditamos ser. E, ainda segundo o texto, a percepção só é testemunha daquilo que escolhemos ouvir e ver, nunca da Realidade, pois a Realidade não necessita de nossa cooperação para ser o que é.

É daí que a lição continua:

Uma vez que teus pensamentos de ataque serão projetados, terás medo do ataque. E, se temes o ataque, tens de acreditar que não és invulnerável. Por esta razão, os pensamentos de ataque te tornam vulnerável em tua própria mente, que é o lugar aonde estão os pensamentos de ataque. Pensamentos de ataque e invulnerabilidade não podem ser aceitos simultaneamente. Eles se contradizem.

Quando escutamos o que a voz do ego diz e vemos o que ele nos orienta a ver, com certeza nos vemos "de forma diminuta, vulnerável e cheio[s] de medo". Experimentamos sentimentos de depressão, indignidade, instabilidade e irrealidade. Acreditamo-nos vítimas desamparadas de forças que estão muito além de nosso próprio controle e são muito mais poderosas do que nós. E, é claro, pensamos que o mundo é quem dirige nosso destino. 

Meus pensamentos de ataque ferem minha invulnerabilidade.

É isso exatamente que fazem os pensamentos de ataque. Vejamos o que a lição diz a seguir:

A ideia para hoje apresenta o pensamento segundo o qual tu sempre atacas a ti mesmo primeiro. Se os pensamentos de ataque impõem a crença de que és vulnerável, seu efeito é o de enfraquecer tua percepção de ti mesmo. Deste modo eles atacam tua percepção de ti mesmo. E, por acreditares neles, não podes mais acreditar em ti mesmo. Uma imagem falsa de ti mesmo vem tomar o lugar daquilo que tu és.

Atentemos, pois, para isto: é "uma imagem falsa de ti mesmo", o ego, o falso eu, "o grande impostor", que se apresenta para tomar o lugar do que somos, na verdade, a partir de nossos pensamentos de ataque. Entretanto ele não tem nada a ver com o que somos na realidade. Podemos até acreditar que é ele que faz o mundo que dirige nosso destino, mas não podemos, em função disso, acreditar que o que ele faz tem qualquer coisa a ver com a Realidade.

É por isso que:

A prática com a ideia de hoje te ajudará a compreender que a vulnerabilidade, ou a invulnerabilidade, é o resultado de teus próprios pensamento. Nada exceto teus pensamentos pode te atacar. Nada exceto teus pensamentos pode te fazer pensar que és vulnerável. E nada exceto teus pensamentos pode provar para ti mesmo que isto não é verdade.

Atenção - e vamos voltar a isso mais tarde, adiante: "Nada exceto teus pensamentos pode te atacar".

Ora, se compreendemos isto, o que há para temer?

Eu sou o dono e senhor de meus pensamentos e, se só eles podem me atacar, e se meus pensamentos não significam coisa alguma, quem pode resolver esta questão? Somente eu mesmo. De que forma? Reconhecendo que meus pensamentos não significam coisa alguma e que, por isso, não têm nenhum poder para sequer arranhar minha invulnerabilidade. Reconhecendo ainda que só eu posso escolher os pensamentos que vou ter ou os que não quero, abandonando de uma vez por todas as orientações da voz do "grande impostor", que faz tudo o que estiver a seu alcance para reforçar a crença na separação, sem a qual não pode existir.

Assim, seguindo passo a passo as orientações da lição podemos aplicar a ideia de hoje para mudar nosso modo de pensar.

Por exemplo: quando estou preocupado com a possibilidade de ter contraído uma doença grave, tenho medo de que ela me impossibilite de fazer as coisas da mesma forma que faço hoje e que, por fim, ela me leve à morte. Ora, que não reconhece que estes pensamentos só podem ser um ataque a mim mesmo?

Quando nossos pensamentos nos deixam temerosos em relação a outra pessoa, por algo que ela possa vir a sofrer, é preciso que reconheçamos que os pensamentos que temos, apesar de parecerem um ataque a ela, são sempre, em primeiro lugar, um ataque a nós mesmos. Porque reforçam a crença na separação.

Lembremo-nos de que citando parte do texto no ano passado, aprendemos que:


O amor perfeito exclui o medo.
Se o medo existe,
então não há amor perfeito.
Mas:
Só o amor perfeito existe.
Se há medo,
ele produz um estado que não existe.

"Acredita nisto e serás livre."

Às práticas?


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Para entregar o mundo inteiro ao Espírito Santo


LIÇÃO 25

Eu não sei para que serve coisa alguma.

1. Propósito é significado. A ideia de hoje explica por que nada do que vês significa coisa alguma. Tu não sabes para que servem as coisas. Por isto, elas não têm significado para ti. Tudo serve a teus maiores interesses. É para isto que todas as coisas servem; é este o propósito delas; é isto o que todas as coisas significam. É no reconhecimento disto que tuas metas se tornam harmoniosas. É no reconhecimento disto que aquilo que vês se reveste de significado.

2. Tu percebes o mundo, e tudo nele, como significativo em termos das metas do ego. Essas metas não têm nada a ver com teus maiores interesses, porque tu não és o ego. Esta identificação falsa te torna incapaz de compreender para que serve qualquer coisa. Por consequência, estás fadado a fazer mau uso delas. Quando acreditares nisto, tentarás retirar as metas que estabeleceste para o mundo, em vez de tentar reforçá-las.

3. Outra maneira de descrever as metas que percebes agora é dizer que todas elas estão relacionadas a interesses "pessoais". Uma vez que não tens nenhum interesse pessoal, tuas metas, de fato, estão relacionadas ao nada. Por esta razão, quando as valorizas, não tens absolutamente nenhuma meta. E, deste modo, não sabes para que serve coisa alguma.

4. Antes que possas retirar qualquer sentido dos exercícios para hoje, é necessário mais um pensamento. Nos níveis mais superficiais tu, de fato, reconheces o propósito. Mas o propósito não pode ser compreendido nestes níveis. Por exemplo, compreendes, de fato, que um telefone serve ao propósito de falar com alguém que não esteja fisicamente próximo de ti. O que não compreendes é para que queres alcançá-lo. E é isto que torna teu contato com ele significativo ou não.

5. É vital para teu aprendizado que estejas disposto a desistir das metas que estabeleceste para todas as coisas. O reconhecimento de que elas não fazem sentido, e de que não são "boas" ou "más", é o único jeito de realizar isto. A ideia para hoje é um passo nesta direção.

6. Pede-se seis períodos de prática, cada um com dois minutos de duração. Cada período deve começar com uma repetição lenta da ideia para hoje, seguida de um olhar a tua volta deixando que teu olhar se fixe em qualquer coisa que capte teus olhos casualmente, perto ou longe, "importante" ou "sem importância", "humana" ou "não-humana". Com teus olhos fixos em cada sujeito que selecionares deste modo, dize por exemplo:

Eu não sei para que serve esta cadeira.
Eu não sei para que serve este lápis.
Eu não sei para que serve esta mão.

Dize isto bem devagar, sem deslocar teus olhos do sujeito até completares a declaração a respeito dele. Em seguida, passa para o próximo e aplica a ideia de hoje como antes.

*

COMENTÁRIO:

Nesta sexta-feira, dia 25 de janeiro, para os que estão atentos e praticam conosco desde o início do ano, ou antes, vamos explorar, com a LIÇÃO 25, uma ideia que está diretamente relacionada à das práticas de ontem.

"Eu não sei para que serve coisa alguma."

Começamos assim:

 Propósito é significado. A ideia de hoje explica por que nada do que vês significa coisa alguma. Tu não sabes para que servem as coisas. Por isto, elas não têm significado para ti. Tudo serve a teus maiores interesses. É para isto que todas as coisas servem; é este o propósito delas; é isto o que todas as coisas significam. É no reconhecimento disto que tuas metas se tornam harmoniosas. É no reconhecimento disto que aquilo que vês se reveste de significado.

É isso! Vejam se não estou certo em dizer que existe uma relação direta entre afirmar que eu não percebo meus maiores interesses e reconhecer que eu não sei para que serve coisa alguma.

É claro também que, em função de pensamentos que não significam coisa alguma, só posso acreditar na verdade da primeira lição com a qual começo a perceber, de fato, que nada do que vejo significa coisa alguma.

Que significado pode ter algo que não sei para que serve? E:

Eu não sei para que serve coisa alguma.

No entanto, como o Curso diz, tudo o que existe existe para atender a nossos maiores interesses. A nossos melhores interesses. Que não sabemos quais são também.

Reconhecendo, todavia, que tudo está aí para atender a nossos interesses podemos começar a atribuir significado a tudo. Podemos unificar as nossas metas em uma só: o autoconhecimento. O que, em última instância, vai nos levar ao conhecimento de Deus.

Eu não sei para que serve coisa alguma.

A lição continua:

Tu percebes o mundo, e tudo nele, como significativo em termos das metas do ego. Essas metas não têm nada a ver com teus maiores interesses, porque tu não és o ego. Esta identificação falsa te torna incapaz de compreender para que serve qualquer coisa. Por consequência, estás fadado a fazer mau uso delas. Quando acreditares nisto, tentarás retirar as metas que estabeleceste para o mundo, em vez de tentar reforçá-las.

É muito importante estamos atentos pra isso: "quando acreditares nisto [no fato de que as metas do ego não têm nada a ver com nossos maiores interesses], tentarás retirar as metas que estabeleceste para o mundo, em vez de tentar reforçá-las".

O mundo, em si mesmo, não tem significado algum e não serve a nenhum propósito, conforme já aprendemos. Porém, quando visto à luz do que o Curso ensina, ele pode servir para chegarmos à verdade, à paz de espírito, que, seguramente, estão entre os nossos maiores interesses.

Por que razão damos tanta importância às coisas do mundo? Porque ainda acreditamos haver alguma coisa de real nele. Alguma coisa que queremos. Algo de que precisamos.

Não há!

Se ainda pensamos que há é porque ainda estamos iludidos pelos equívocos de nossa percepção, que depende do corpo e dos sentidos.

Eu não sei para que serve coisa alguma.

Outra forma de dizer isso é o que vem na continuação da lição:

 Outra maneira de descrever as metas que percebes agora é dizer que todas elas estão relacionadas a interesses "pessoais". Uma vez que não tens nenhum interesse pessoal, tuas metas, de fato, estão relacionadas ao nada. Por esta razão, quando as valorizas, não tens absolutamente nenhuma meta. E, deste modo, não sabes para que serve coisa alguma.

Um dos textos de Joel Goldsmith que li no ano passado, chama a atenção para a necessidade de tornarmos impessoal nossa relação com as coisas mundanas. Todas elas são apenas imagens que projetamos sobre o mundo. Imagens que não têm absolutamente nada a ver com a realidade.

Assim, acalentar, alimentar, valorizar e nutrir metas "pessoais" também não tem significado algum. Lembram-se de que não existem pensamentos privados? Da mesma forma, nada do que fazemos ou pensamos tem relação a nada que possamos classificar de "privado" ou "pessoal". Tudo o que existe realmente existe na unidade e se relaciona ao todo.

Como posso saber, então, para que serve qualquer coisa, se a considero separada do todo?

Eu não sei para que serve coisa alguma.

E continuamos, para melhor praticar:

Antes que possas retirar qualquer sentido dos exercícios para hoje, é necessário mais um pensamento. Nos níveis mais superficiais tu, de fato, reconheces o propósito. Mas o propósito não pode ser compreendido nestes níveis. Por exemplo, compreendes, de fato, que um telefone serve ao propósito de falar com alguém que não esteja fisicamente próximo de ti. O que não compreendes é para que queres alcançá-lo. E é isto que torna teu contato com ele significativo ou não.

Em certo ponto, o texto afirma que cada encontro que temos com alguém traz uma nova oportunidade para a salvação do mundo, ensejando nossa própria salvação e a da pessoa com quem nos encontramos, desde que a olhemos a partir do olhar do espírito, o olhar crístico, que só vê nela - e, por consequência, nos faz ver em nós mesmos - o filho de Deus.

Eu não sei para que serve coisa alguma.

Por isso:

É vital para teu aprendizado que estejas disposto a desistir das metas que estabeleceste para todas as coisas. O reconhecimento de que elas não fazem sentido, e de que não são "boas" ou "más", é o único jeito de realizar isto. A ideia para hoje é um passo nesta direção.

Deixar para trás, desistir das metas que estabelecemos para qualquer coisa no mundo é abandonar de uma vez por todas o julgamento. É dispor-se a ver. E ver todas as coisas de modo diferente. É deixar de lado a crença na separação. É entregar ao Espírito Santo todas as coisas, e o mundo inteiro, juntamente com todos os pensamentos que possamos vir a ter.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Há que ser o mais honesto possível nas práticas


LIÇÃO 24

Eu não percebo meus maiores interesses.

1. Não percebes claramente que resultado te faria feliz em nenhuma situação que surja. Por isto, tu não tens nenhum guia para a ação apropriada e nenhum modo de julgar o resultado. O que fazes é determinado por tua percepção da situação e essa percepção está errada. É inevitável, então, que não vás atender a teus maiores interesses. No entanto, eles são tua única meta em qualquer situação percebida de modo correto. De outra forma, não reconhecerás quais são eles.

2. Se te desses conta de que não percebes teus maiores interesses, poder-se-ia ensinar-te quais são eles. Mas, diante de tua convicção de que sabes quais são eles, não podes aprender. A ideia para hoje é um passo na direção da abertura de tua mente a fim de que o aprendizado possa começar.

3. Os exercícios para hoje pedem muito mais honestidade do que estás acostumado a usar. Alguns poucos sujeitos, considerados honesta e cuidadosamente em cada um dos cinco períodos de prática que devem ser empreendidos hoje, serão mais úteis do que um exame mais superficial de um número grande deles. Sugere-se dois minutos para cada um dos períodos de exame mental que os exercícios envolvem.

4. Os períodos de prática devem começar com a repetição da ideia de hoje, de olhos fechados, seguida pelo exame mental em busca de situações não resolvidas acerca das quais estejas preocupado atualmente. A ênfase deve estar em descobrir o resultado que queres. Rápido perceberás com clareza que tens em mente várias metas como parte do resultado desejado e também que essas metas estão em níveis diferentes e que, muitas vezes, são antagônicas.

5. Ao aplicares a ideia para hoje, cita cada situação que te ocorrer e depois lista cuidadosamente o maior número possível de metas que gostarias que fossem alcançadas na sua resolução. A forma de cada aplicação deve ser mais ou menos a seguinte:

Na situação que envolve _________, eu gostaria que ________
acontecesse, e que __________ acontecesse,

e assim por diante. Tenta incluir tantos tipos diferentes de resultado quantos realmente possam te ocorrer, mesmo que alguns deles não pareçam estar diretamente relacionados à situação ou que nem mesmo pertençam a ela de forma alguma.

6. Se estes exercícios forem feitos de modo correto, reconhecerás rapidamente que fazes um grande número de exigências da situação, que não têm nada a ver com ela. Também reconhecerás que muitas de tuas metas são contraditórias, que não tens nenhum resultado harmonioso em mente, e que terás de te frustrar em relação a algumas de tuas metas independentemente de como a situação se resolva.

7. Depois de examinares a lista do maior número possível de metas almejadas para cada situação não resolvida que passar por tua mente, dize a ti mesmo:

Eu não percebo meus maiores interesses.

e passa para a seguinte.

*

COMENTÁRIO:

Continuemos a analisar de forma aberta as possibilidades que nos oferecem dia a dia as lições que o Curso no traz. Nesta quinta-feira, dia 24 de janeiro vamos explorar a LIÇÃO 24. 


"Eu não percebo meus maiores interesses."

E muita atenção:


Os exercícios para hoje pedem muito mais honestidade do que estás acostumado a usar. Alguns poucos sujeitos, considerados honesta e cuidadosamente em cada um dos cinco períodos de prática que devem ser empreendidos hoje, serão mais úteis do que um exame mais superficial de um número grande deles. Sugere-se dois minutos para cada um dos períodos de exame mental que os exercícios envolvem.

Desde o início de nossas práticas, neste ano, com os primeiros comentários traduzidos daqueles feitos por Tara Singh em um de seus livros, fomos informados da necessidade de sermos principalmente honestos em relação a nós mesmos e a nossa forma de ver o mundo. Só a partir da decisão de sermos absolutamente honestos é que podemos, de fato, como diz a lição de hoje, começar o processo de aprendizado.

A lição começa por dizer:


Não percebes claramente que resultado te faria feliz em nenhuma situação que surja. Por isto, tu não tens nenhum guia para a ação apropriada e nenhum modo de julgar o resultado. O que fazes é determinado por tua percepção da situação e essa percepção está errada. É inevitável, então, que não vás atender a teus maiores interesses. No entanto, eles são tua única meta em qualquer situação percebida de modo correto. De outra forma, não reconhecerás quais são eles.

É isto que precisamos reconhecer e aceitar como parte da decisão de ver as coisas de modo diferente. Não podemos nos enganar, fingindo que sabemos o que não sabemos. Se vocês estiverem lembrados, no ano passado relacionei a ideia para as práticas com nossa tentativa equivocada muitas vezes de acrescentar mais líquido em uma taça cheia.

Isso não é possível! 

Para se colocar líquido novo em uma taça é preciso esvaziá-la antes. É aí que mora a relação entre a ideia de hoje e nosso modo de pensar. Por pensarmos saber o que queremos, não estamos abertos a reconhecer que não temos a menor ideia do que seria melhor para nós em praticamente nenhuma das situações com que nos defrontamos. 

É em razão disso que o Curso diz:


Se te desses conta de que não percebes teus maiores interesses, poder-se-ia ensinar-te quais são eles. Mas, diante de tua convicção de que sabes quais são eles, não podes aprender. A ideia para hoje é um passo na direção da abertura de tua mente a fim de que o aprendizado possa começar.

E é também em razão disso que a lição nos pede toda a honestidade de que somos capazes. Ou, pelo menos, muito mais honestidade do que estamos habituados a usar para reconhecer o que estamos vendo, ou o que estamos sentindo.

Em geral, temos vergonha de reconhecer que não sabemos o que fazer em determinadas situações. Ficamos embaraçados e nem queremos falar a respeito de determinadas coisas. Que dirá reconhecer que, em praticamente todas as situações:


Eu não percebo meus maiores interesses.

E que dizer, então,  de reconhecer e aceitar que todas as situações que se apresentam a nossa experiência são sempre a materialização de escolhas que fizemos?

Como costumo dizer, em consonância com o ensinamento do Curso, acredito, quando uma situação qualquer se apresenta a nossa experiência, precisamos em primeiro lugar reconhecer a responsabilidade que nos cabe nela. Isto é, precisamos lidar com ela, sabendo que ela só se apresentou porque a pedimos. Não podemos resistir a ela. Isso fará com que ela continue a nos afastar da alegria, se se apresentou de um modo que não nos põe em contato direto com a alegria.

O que fazer então, se...?


Eu não percebo meus maiores interesses.

Reconhecer que a situação é uma escolha equivocada que fizemos é o primeiro passo para mudar. Em seguida, é preciso aceitar, acolher a situação e, depois, agradecer por ela se ter apresentado da forma como se apresentou. Só então é que podemos fazer uma nova escolha, quando é o caso. Mas, como podemos intuir a partir do que a lição de hoje nos diz, ao fazermos nossa escolha, precisamos ter em mente que, quase nunca, sabemos quais são nosso maiores interesses. Para buscarmos a sintonia com o divino em nós, a razão, a Voz por Deus, entregando-nos e entregando nossa escolha ao Espírito e aceitando o que quer se apresente, entendendo que, seja o que for que aconteça, o que acontecer "é a única coisa que poderia ter acontecido". E temos de ser gratos por isso.


Eu não percebo meus maiores interesses.  

Repetindo, as práticas que o Curso nos oferece são a melhor maneira que temos para aprender a reconhecer que não sabemos nada. São a melhor ajuda que podemos encontrar para abrir nossa mente para a mudança. Uma mudança que vai nos ensinar de que modo abrir mão da necessidade de ter razão e de "bater o pé", acreditando que sabemos o que é melhor para nós. São as práticas que vão nos ensinar quão libertador é abrir mão do controle.

Assim como nos ensinam a reconhecer que não sabemos, de fato, como escolher o melhor para nós em quase nenhuma ocasião, as práticas nos ensinam também a aceitar o resultado que vai se mostrar a nós a partir de nossa decisão de deixar a cargo do Espírito Santo a escolha do que vai nos fazer felizes e nos devolver à alegria, que é a Vontade de Deus para nós.

Reconhecer que não sabemos, como já dissemos várias vezes antes, é o primeiro passo para começar a esvaziar a taça, para permitir que ela volte a se encher, para se esvaziar de novo, se encher mais uma vez e novamente se esvaziar... Na verdade, quanto mais esvaziarmos a taça de nossa mente da pretensa sabedoria, tanto mais seremos capazes de enchê-la com o novo, com a sabedoria indizível, que não precisa de palavras para ser vista, percebida e reconhecida.


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Estamos satisfeitos com o mundo que vemos?


LIÇÃO 23

Posso escapar do mundo que vejo
desistindo dos pensamentos de ataque.

1. A ideia para hoje contém a única saída para o medo que será sempre bem-sucedida. Nada mais funcionará; tudo o mais é sem significado. Mas este jeito não pode falhar. Todo pensamento que tens cria algum segmento do mundo que vês. É com teus pensamentos, então, que temos de trabalhar, se quisermos que tua percepção do mundo mude.

2. Se a causa do mundo que vês são os pensamentos de ataque, tens de aprender que são esses pensamentos que não queres. Não faz sentido deplorar o mundo. Não faz sentido tentar mudar o mundo. Ele é incapaz de mudança porque é apenas um efeito. Mas, de fato, faz sentido mudar teus pensamentos a respeito do mundo. Agora estás mudando a causa. O efeito mudará automaticamente.

3. O mundo que vês é um mundo vingativo e tudo nele é um símbolo de vingança. Cada uma de tuas percepções da "realidade externa" é uma representação pitoresca de teus próprios pensamentos de ataque. Cabe muito bem perguntar se isso pode ser chamado de "ver". Fantasia não é uma palavra melhor para tal processo e alucinação um termo mais adequado para o resultado?

4. Tu vês o mundo que fazes, mas não te vês como o autor das imagens. Tu não podes ser salvo do mundo, mas podes escapar daquilo que é sua causa. Isto é o que significa salvação, pois onde está o mundo quando aquilo que é causa dele acaba? A visão já tem um substituto para todas as coisas que pensas ver agora. A beleza pode iluminar tuas imagens e, assim, transformá-las de tal modo que tua as amarás, mesmo que elas forem feitas de ódio. Pois tu não as farás sozinho.

5. A ideia para hoje apresenta o pensamento segundo o qual não estás preso ao mundo que vês, porque é possível mudar aquilo que é causa dele. Esta mudança pede, primeiro, que a causa seja identificada e, em seguida, abandonada, para poder ser substituída. Os dois primeiros passos deste processo pedem tua cooperação. O último não. Tuas imagens já foram substituídas. Ao dares os primeiros dois passos, verás que isso é verdade.

6. Além de usá-la ao longo do dia, quando a necessidade surgir, pede-se cinco períodos de prática para a aplicação da ideia de hoje. Ao olhares a tua volta, repete lentamente a ideia para ti mesmo primeiro e, depois, fecha os olhos e dedica cerca de um minuto a examinar tua mente em busca de tantos pensamentos de ataque quantos te ocorrerem. À medida que cada um passar por tua mente, dize:

Posso escapar do mundo que vejo desistindo dos
pensamentos de ataque sobre ________ .

Mantém cada pensamento de ataque em mente enquanto dizes isto e, então, descarta aquele pensamento e passa ao seguinte.

7. Certifica-te de incluir tanto os pensamentos em que atacas quanto aqueles em que és atacado nos períodos de prática. Os efeitos de ambos são exatamente os mesmos porque eles são exatamente os mesmos. Tu ainda não reconheces isto e pede-se, apenas desta vez, que os trates como se fossem os mesmos nos períodos de prática de hoje. Ainda estamos no estágio de identificação da causa do mundo que vês. Quando, finalmente, aprenderes que os pensamentos em que atacas e aqueles nos quais és atacado não são diferentes, estarás pronto para abandonar a causa.

*

COMENTÁRIO:

Qual desbravadores a se embrenharem por terrenos e caminhos nunca pisados antes em tempo algum, vamos, nesta quarta-feira, de 23 de janeiro, explorar a LIÇÃO 23:

"Eu posso desistir do mundo que vejo
desistindo dos pensamentos de ataque."

Que nos parece ser a proposta da lição? Queremos mesmo desistir do mundo, podemos nos perguntar. Por quê? Há alguma coisa que queremos no mundo? Há, no mundo, alguma coisa, ou pessoa, sem a qual não podemos viver?

Há um ponto no texto em que o Curso diz [estou traduzindo direto do original, sem consultar a tradução de Lillian Paes]:

Qualquer coisa neste mundo, que acredites ser boa e valiosa e pela qual valha a pena lutar, pode te ferir e o fará. Não porque tenha o poder para ferir, mas apenas porque negaste que ela é só um ilusão e a tornaste real. E ela é real para ti. Ele deixou de ser nada. E a partir da realidade percebida para ela se apresenta todo o mundo das ilusões doentias. Toda a crença no pecado, no poder do ataque, na dor e no mal, no sacrifício e na morte, vem a ti. Porque ninguém pode tornar real uma ilusão e, ao mesmo tempo, escapar das restantes. Pois que pode escolher manter as ilusões que prefere e encontrar a segurança que só a verdade pode dar? Quem pode acreditar que as ilusões são a mesma e ainda assim afirmar que uma sequer delas é melhor?
   
Ora, lembrando do comentário do ano passado, o que contém o mundo que vemos? Ou, personalizando um pouco mais, o que contém o mundo que vês? Ele te parece estar cheio de desgraças, de infelicidade, de dor, de sofrimento, de desastres, de poluição dos mais variados tipos? 

Eu posso desistir do mundo que vejo
desistindo dos pensamentos de ataque.

Ele está superpopuloso, com gente, como se diz, "saindo pelo ladrão", sem lugar para dormir, sem lugar para morar, sem as condições mínimas para uma vida decente e confortável? Estás satisfeito com o mundo que vês? Ou gostarias de mudá-lo? Ou gostarias de ter nascido em outra época, em outro lugar? Em outro corpo? Com uma situação econômica diferente? Em outro ambiente familiar? Com outras pessoas como pais, irmãos, parentes?

A lição ensina:

A ideia para hoje contém a única saída para o medo que será sempre bem-sucedida. Nada mais funcionará; tudo o mais é sem significado. Mas este jeito não pode falhar. Todo pensamento que tens cria algum segmento do mundo que vês. É com teus pensamentos, então, que temos de trabalhar, se quisermos que tua percepção do mundo mude.

O que vemos é uma forma de vingança [lembram da lição de ontem?]. Logo tudo no mundo que vemos também é, certamente, uma forma de vingança. Uma vingança que se apresenta em função de nossa crença na separação e de nossa crença na necessidade do ataque como forma de defesa. Ou muito de nós não concordam com a expressão corriqueira: "a melhor defesa é o ataque"?

Entretanto, como o Curso diz:

Se a causa do mundo que vês são os pensamentos de ataque, tens de aprender que são esses pensamentos que não queres. Não faz sentido deplorar o mundo. Não faz sentido tentar mudar o mundo. Ele é incapaz de mudança porque é apenas um efeito. Mas, de fato, faz sentido mudar teus pensamentos a respeito do mundo. Agora estás mudando a causa. O efeito mudará automaticamente.

A bem da verdade, e pensando ainda em comentários anteriores a esta mesma lição, a partir do que vimos até agora, o que o Curso nos oferece é a oportunidade de perceber que este mundo, e tudo o que ele contém, não tem nenhum significado. Isto é, para a verdade e para o que somos, na verdade, o mundo - e tudo o que há nele -  não tem nenhum valor. Para aprendermos a dar a ele apenas o valor que ele tem, na verdade. Isto é, se nada do que vemos tem qualquer significado ou valor, não há porque nos apegarmos a nada. Se nada do que vemos vai durar para sempre, não há motivo algum para imaginarmos que existem no mundo coisas de que precisamos para ser o que somos, para viver nossas vidas, a não ser na experiência ilusória da forma e dos sentidos.

Ora, continua a lição:

O mundo que vês é um mundo vingativo e tudo nele é um símbolo de vingança. Cada uma de tuas percepções da "realidade externa" é uma representação pitoresca de teus próprios pensamentos de ataque. Cabe muito bem perguntar se isso pode ser chamado de "ver". Fantasia não é uma palavra melhor para tal processo e alucinação um termo mais adequado para o resultado? 

Não há nada de que precisemos nos vingar. Nada de que precisemos nos defender. Não há necessidade de ataque de modo algum, por razão alguma. Também não existem, no mundo, coisas, ou pessoas, sem as quais não poderíamos viver. Afinal, tudo o que vemos é apenas projeção daquilo que trazemos dentro de nós. Para sermos bem realistas, como eu já disse antes, talvez seja bom ponderarmos acerca da possibilidade de considerar verdadeiro aquilo que diz a letra de uma música com intenções de ironia, que tocou nos rádios algum tempo atrás: "eu me amo, eu me amo, não posso mais viver sem mim". 

Pois já sabemos, deduzimos ou intuímos  que não há nada fora de nós, apesar de ainda não termos consciência permanente disso. É por isso que a lição diz:

 Tu vês o mundo que fazes, mas não te vês como o autor das imagens. Tu não podes ser salvo do mundo, mas podes escapar daquilo que é sua causa. Isto é o que significa salvação, pois onde está o mundo quando aquilo que é causa dele acaba? A visão já tem um substituto para todas as coisas que pensas ver agora. A beleza pode iluminar tuas imagens e, assim, transformá-las de tal modo que tua as amarás, mesmo que elas forem feitas de ódio. Pois tu não as farás sozinho.

Atentemos, pois para os passos que a lição nos pede para dar - aqueles que dependem de nossa cooperação -, com toda a atenção e honestidade de que somos capazes. Identificar em nós a causa para podermos abandoná-la e permitir que seja substituída. Afinal, como perguntava a lição de ontem: É este mundo [o que vemos agora] que queremos realmente ver?

Pois, também como eu disse anteriormente, não há nada mais verdadeiro e libertador do que a ideia que praticamos hoje. Aliás, nada mais prático do que treinar a ideia que o Curso nos oferece neste dia, para nos libertarmos do mundo. Pois se ele, como o vemos, é uma forma de vingança, e a vingança é uma forma de ataque, de que melhor forma podemos escapar da vingança do mundo que vemos do que desistindo dos pensamentos de ataque, que o criam do modo com que o vemos?

Às práticas?

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Não há um estado diferente do que vivemos agora


LIÇÃO 22

O que vejo é uma forma de vingança.

1. A ideia de hoje descreve de forma precisa o modo com que tem de ver o mundo uma pessoa que alimente pensamentos de ataque em sua mente. Ao projetar sua raiva no mundo, ela vê a vingança prestes a cair sobre si. Seu próprio ataque é percebido, assim, como auto-defesa. Isto se torna um círculo vicioso crescente até ela estar disposta a mudar seu modo de ver. Caso contrário, pensamentos de ataque e de contra-ataque a perturbarão e povoarão o mundo inteiro. Que paz de espírito é possível para ela, então?

2. É desta fantasia cruel que queres escapar. Ouvir que isto não é verdade, não é uma boa notícia? Descobrir que podes escapar não é uma descoberta feliz? Tu construíste aquilo que queres destruir; todas as coisas que odeias e queres atacar e matar. Tudo aquilo de que tens medo não existe.

3. Olha para o mundo ao teu redor pelo menos cinco vezes hoje por, no mínimo, um minuto a cada vez. Enquanto teus olhos se moverem lentamente de um objeto para outro, de um corpo para outro, dize a ti mesmo:

Eu vejo apenas o perecível.
Eu não vejo nada que vá durar.
O que vejo não é real.
O que vejo é uma forma de vingança.

Ao final de cada período de prática, pergunta a ti mesmo:

Este é o mundo que realmente quero ver?

A resposta certamente é óbvia.

*

COMENTÁRIO:

Para explorar a Lição 22, nesta terça-feira, dia 22 de janeiro, vou me valer, entre outros, do comentário que fiz neste espaço em 2009, quando estava apenas começando e quando os comentários e o blogue ainda não tinham a forma que têm hoje. Que lhes parece? Estão dispostos a voltar no tempo - que não existe - e trazer à luz aquilo de que se falou para, quem sabe, começarmos a praticar ver as coisas de modo diferente?

"O que vejo é uma forma de vingança."

O Curso pede:

Olha para o mundo ao teu redor pelo menos cinco vezes hoje por, no mínimo, um minuto a cada vez. Enquanto teus olhos se moverem lentamente de um objeto para outro, de um corpo para outro, dize a ti mesmo:

Eu vejo apenas o perecível.
Eu não vejo nada que vá durar.
O que vejo não é real.
O que vejo é uma forma de vingança.

Como se dá este tipo de visão?

É óbvio que, sem o conhecimento de que nossos pensamentos não significam coisa alguma, pensamos poder atribuir a eles, e ao que vemos a partir deles, todo o significado que têm para nós. E é óbvio também que o fazemos. E, porque acreditamos que é só deste modo que o mundo funciona, acreditamos também que é só assim que podemos agir. Projetando nossos pensamentos sobre o mundo e vendo-os se materializarem do jeito que queremos. Ou pensamos querer.

O que vejo é uma forma de vingança.

Ou não é isso que nos leva a dizer: "Bem feito! Eu bem que avisei que era isso que ia acontecer.", quando alguém a quem demos um conselho, ou uma opinião, e que se recusou a nos ouvir, se dá mal? Isso não um ataque?

A lição diz:

A ideia de hoje descreve de forma precisa o modo com que tem de ver o mundo uma pessoa que alimente pensamentos de ataque em sua mente. Ao projetar sua raiva no mundo, ela vê a vingança prestes a cair sobre si. Seu próprio ataque é percebido, assim, como auto-defesa. Isto se torna um círculo vicioso crescente até ela estar disposta a mudar seu modo de ver. Caso contrário, pensamentos de ataque e de contra-ataque a perturbarão e povoarão o mundo inteiro. Que paz de espírito é possível para ela, então?

Lembram-se do que eu disse no ano passado?

Por que razão vocês imaginam que insistimos tanto em manter um ponto de vista, uma forma de pensar que nos foi ensinada e que só faz impedir que vivamos a paz de espírito que nos colocaria de forma permanente no céu? De que imaginam que temos de nos vingar? Do passado? Do futuro? De maus tratos que sofremos na infância, na adolescência ou mais tarde, após nos termos tornado adultos, quando embarcamos na viagem a que estamos todos destinados como responsáveis por nós mesmos, pela nossa própria manutenção e sustento em um mundo absolutamente competitivo, que não pode dar lugar à alegria, à atenção e cuidado para com o outro, sob pena de termos nosso tapete "puxado", ou de sermos taxados de bobos, ingênuos e outros adjetivos similares?

Como eu disse em 2009, a "mudança" necessária para que vejamos o mundo de forma diferente não é um estado para ser obtido, ou perseguido e alcançado em muitas vidas. No tempo. Pode-se [é possível!] consegui-la instantânea e imediatamente. Num piscar de olhos.Ela depende apenas de uma decisão. Depende de se buscar um estado de atenção permanente a nós mesmos. Ao que somos e ao que vivemos, e ao que criamos a partir do que somos, ou seja, a partir do estado de atenção. Ao que sentimos em nosso contato particular com o mundo que criamos e recriamos a cada instante, a cada nova informação, a cada experiência nova. É um estado de "iluminação" constante e permanente que se pode, sim, alcançar pela consciência de que não existe um estado diferente daquele que vivemos agora.

O que vejo é uma forma de vingança.

Enquanto não escolhermos e decidirmos, de fato, ver de modo diferente, o que o mundo vai nos mostrar é apenas uma forma de vingança, que justifique e devolva o ataque que fazemos. Um ataque que pensamos fazer a outro(s) mas que, na verdade, só fazemos a nós mesmos.


Aproveitando ainda parte do que eu disse no ano passado: quando iremos aprender que esta guerra absurda e inconsequente que travamos - uns mais outros menos - contra o mundo é apenas reflexo de conflitos interiores, resultantes de nossa não-aceitação do papel que nos cabe como filhos de Deus?

E o Curso ensina:

É desta fantasia cruel que queres escapar. Ouvir que isto não é verdade, não é uma boa notícia? Descobrir que podes escapar não é uma descoberta feliz? Tu construíste aquilo que queres destruir; todas as coisas que odeias e queres atacar e matar. Tudo aquilo de que tens medo não existe.

Por isso precisamos olhar para o mundo e, atentos, aplicar a ideia a cada coisa que vemos, questionando-nos, depois de declarar que o que vemos não é real e que é apenas uma forma de vingança, como a lição aconselha:

Este é o mundo que realmente quero ver?