sexta-feira, 13 de maio de 2011

Mais uma chance para se descobrir a liberdade

LIÇÃO 133

Não darei valor aquilo que não tem valor.

1. Às vezes, no ensino, há benefício em se trazer o aluno de volta a interesses práticos, particularmente depois de teres passado por aquilo que parece teórico e muito distante do que o aluno já aprendeu. Faremos isto hoje. Não falaremos de ideias elevadas e abrangentes do mundo, mas, em vez disto, nos deteremos nos benefícios para ti.

2. Tu não pedes muito da vida, mas pouco demais. Quando permites que tua mente seja atraída para os interesses do corpo, para coisas que compras, para o prestígio, da forma que o mundo valoriza, pedes o sofrimento, não a felicidade. Este curso não tenta tirar de ti o pouco que tens. Não tenta substituir por ideias utópicas as satisfações que o mundo contém. Não há nenhuma satisfação no mundo.

3. Hoje listamos os critérios reais pelos quais testar todas as coisas que pensas querer. A menos que atendam a estes sólidos requisitos, não vale a pena desejá-los em absoluto, pois eles só podem ocupar o lugar daquilo que oferece mais. Não podes inventar as leis que regem a escolha, tanto quanto não podes inventar alternativas entre as quais escolher. Podes fazer a escolha; na verdade, tens de fazê-la. Mas é sábio aprender as leis que pões em movimento quando escolhes e entre quais alternativas escolhes.

4. Já enfatizamos que existem apenas duas, independente de quantas parecem existir. O limite está estabelecido, e não podemos mudar isto. Seria muito mesquinho para contigo permitir que as alternativas fossem ilimitadas e, deste modo, atrasar tua escolha final até que tivesses considerados todas no tempo, sem seres trazido de modo tão claro ao lugar em que só há uma escolha a ser feita.

5. Outra lei benigna semelhante é que não existe nenhuma condescendência naquilo que tua escolha tem de trazer. Ela não pode te dar só um pouco, pois não existe meio termo. Cada escolha que fazes te traz tudo ou nada. Por isto, se aprenderes os testes pelos quais podes distinguir o tudo do nada, farás a melhor escolha.

6. Primeiro, se escolheres algo que não durará eternamente, o que escolhes é sem valor. Um valor temporário não tem qualquer valor. O tempo não pode eliminar nunca um valor que seja real. Aquilo que desaparece gradualmente e morre nunca existiu e não traz nenhuma contribuição para aquele que o escolhe. Ele está enganado pelo nada em uma forma da qual pensa gostar.

7. Em seguida, se escolheres tirar alguma coisa de alguém, não te sobrará nada. Isto porque, quando negas o direito dele a tudo, negas teu próprio direito. Por isto, não reconhecerás as coisas que, de fato, tens negando que elas existem. Aquele que busca tirar está enganado pela ilusão de que a perda pode oferecer ganho. A perda, não obstante, tem de oferecer perda e nada mais.

8. Tua próxima consideração é aquela na qual se baseiam todas as outras. Por que a escolha que fazes tem valor para ti? O que atrai tua mente para ela? A que propósito ela serve? É aqui que é mais fácil do que tudo se enganar. Porque o ego não é capaz de reconhecer aquilo que ele quer. Ele nem mesmo diz a verdade tal como a percebe, pois precisa manter o halo que usa para proteger suas metas de manchas e de ferrugem, para que possas ver quão "inocente" ele é.

9. No entanto, sua camuflagem é um fino verniz que só pode enganar àqueles que ficam contentes em ser enganados. As metas dele são óbvias para qualquer um que se dê ao trabalho de procurá-las. Aqui duplica-se o engano pois aquele que é enganado não perceberá que simplesmente deixou de ganhar. Ele acreditará que atende às metas ocultas do ego.

10. Todavia, embora o ego tente manter seu halo límpido ao alcance de sua visão, ele, ainda assim, tem de perceber suas bordas manchadas e seu núcleo enferrujado. Seus erros inúteis lhe parecem pecados, porque ele olha para a mancha como se fosse dele mesmo; a ferrugem como um sinal de profunda indignidade em si mesmo. Aquele que quer conservar as metas do ego e atendê-las como suas não comete nenhum erro, de acordo com os ditames de seu guia. Esta orientação ensina que é erro acreditar que pecados são apenas equívocos, pois quem sofreria por seus pecados se isto fosse verdade?

11. E, assim, chegamos ao critério para a escolha que é o mais difícil de se acreditar, porque sua clareza está coberta por várias camadas de incerteza. Se sentires qualquer culpa por tua escolha, permites que as metas do ego se interponham entre as alternativas reais. E, deste modo, não percebes de forma clara que há apenas duas, e a alternativa que pensas que escolheste parece assustadora e perigosa demais para ser o nada que, de fato, é.

12. Todas as coisas são absolutamente valiosas ou sem valor, dignas ou não de serem buscadas, totalmente desejáveis ou não valem o menor esforço para se obter. Justamente por isto é fácil escolher. A complexidade não é nada exceto uma cortina de fumaça, que esconde o fato muito simples de que nenhuma decisão pode ser difícil. Qual é o ganho para ti em aprender isto? É muito maior do que apenas o de permitir que faças escolhas facilmente e sem dor.

13. Alcança-se o próprio Céu de mãos vazias e mentes abertas, que vêm sem nada para achar tudo e reclamá-lo como seu. Tentaremos alcançar este estado hoje, deixando o auto-engano de lado e com uma disposição honesta para dar valor apenas ao verdadeiramente valioso e ao real. Nossos dois períodos de prática mais longos, de quinze minutos cada, começam com isto:

Não darei valor àquilo que não tem valor, e busco
apenas o que tem valor, pois é só isto que desejo achar.

14. E, então, recebe aquilo que espera por todos aqueles que chegam sem dificuldades ao portão do Ceú, que se abre quando eles chegam. Se começares a te permitir a acumular alguns fardos inúteis, ou a acreditar que percebes que se apresentam algumas decisões difíceis para ti, sê rápido em responder com esta ideia simples:

Não darei valor àquilo que não tem valor,
porque aquilo que é valioso me pertence.

*

COMENTÁRIO:

Ontem praticamos para aprender a liberar o mundo de todo e qualquer julgamento que fazíamos dele. Por isso pode-se entender, então, que fica mais fácil praticar, entender e aceitar a ideia para as práticas desta sexta-feira, dia 13 de maio. Sexta-feira treze! Um bom dia para praticarmos uma ideia que nos ensina a não dar valor àquilo tudo que não tem valor, pois tudo o que é valioso já nos pertence. Sexta-feira treze! Um dia especialmente bom para começarmos a deixar de dar valor a quaisquer superstições que tenhamos aprendido e que nos convida a comportamentos muitas vezes injustificáveis.

Neste dia em que se comemora, aqui no Brasil, a data em que se concedeu a liberdade aos escravos negros, trazidos de lugares distantes do continente africano para trabalharem de sol a sol para o enriquecimento material dos poderosos senhores que dominavam, então, o país, pode-se dizer, ironicamente, que de um modo ou de outro ainda continuamos todos a ser escravos um mundo que não tem sentido. Um mundo que não existe. Um mundo que ainda valorizamos, muito embora ele se prove sem valor de todas as maneiras a todo instante. Ou algum de nós já se deu conta do que é verdadeiramente importante e se desapegou por completo de toda e qualquer ilusão de valor que o mundo oferece?

A ideia que praticamos hoje visa a nos ensinar a retirar deste mundo todo o valor que lhe damos, para, assim, nos aproximarmos da liberdade pela qual ansiamos, a liberdade que nos pertence e pertece a todos e a cada um dos que vivem no mundo conosco. A liberdade que precisamos descobrir em nós mesmos e aprender a partilhar, oferecendo-a a tudo e a todos no mundo. Pois, repetindo o que eu disse no comentário do ano passado, nada nos escraviza mais do que qualquer coisa à qual damos um valor que ela não tem. E todos, todos, no fundo, sabemos disto.

Às práticas, pois!

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Não estamos presos ao mundo. É o contrário.

LIÇÃO 132

Libero o mundo de tudo o que eu pensava que ele fosse.

1. O que mantém o mundo preso a não ser tuas crenças? E o que pode salvar o mundo exceto teu Ser? A crença é, de fato, poderosa. Os pensamentos que tens são poderosos e os efeitos das ilusões são tão fortes quanto a verdade. Um louco imagina que o mundo que ele vê é real e não duvida dele. Ele também não pode ser influenciado pelo questionamento dos efeitos de seus pensamentos. É só quando se coloca em questão a fonte de seus pensamentos que a esperança de liberdade finalmente vem para ele.

2. No entanto, consegue-se a salvação com facilidade, pois todos são livres para mudar sua maneira de pensar e todos os seus pensamentos mudam com ela. Nisto, desloca-se a fonte dos pensamento, pois mudar a maneira de pensar significa que mudaste a fonte de todas as ideias que tens ou tiveste alguma vez ou que ainda terás. Tu libertas o passado daquilo que pensavas antes. Tu libertas o futuro de todos os pensamentos antigos de busca daquilo que não queres achar.

3. Agora, o único tempo que sobra é o presente. Aqui, no presente, o mundo se liberta. Pois quando permites que se suspenda o passado e liberas o futuro de teus medos antigos achas a saída e a dás ao mundo. Tu escravizas o mundo com todos os teus medos, tuas dúvidas e sofrimento, tuas dores e lágrimas; e todos os teus pesares o exercem pressão sobre ele e o mantêm prisioneiro de tuas crenças. A morte o surpreende em todos os lugares, porque conservas pensamentos cruéis de morte em tua mente.

4. O mundo em si mesmo não é nada. Tua mente tem de dar significado a ele. E o que vês sobre ele são teus desejos traduzidos de modo que possas olhar para eles e pensar que são reais. Talvez tu penses que não fizeste o mundo, mas que vieste contra a vontade para aquilo que já estava feito, dificilmente esperando que teus pensamentos lhe dessem significado. Entretanto, na verdade, encontraste exatamente aquilo que procuravas quando chegaste.

5. Não há nenhum mundo separado daquilo que desejas e nisto está tua liberação suprema. Muda simplesmente tua forma de pensar a respeito do que queres ver e todo o mundo tem de mudar em consequência disto. As ideias não deixam sua fonte. Se quiseres compreender a lição para hoje, tens de ter em mente este tema fundamental, que se afirma várias vezes no texto. Não é o orgulho que te diz que fizeste o mundo que vês e que ele muda na medida em que mudas tua maneira de pensar.

6. Mas é o orgulho que sustenta que vens a um mundo bem distinto de ti mesmo, refratário àquilo que pensas e bem distante daquilo que te aventuras a pensar que ele é. Não há nenhum mundo! É esta a ideia básica que o curso tenta te ensinar. Nem todos estão prontos para aceitá-la e cada um tem de ir tão longe quanto pode se permitir ser conduzido ao longo da estrada em direção à verdade. Ele recuará e irá ainda mais longe ou talvez dê um passo atrás por algum tempo e, depois, volte mais uma vez.

7. Mas a cura é a dádiva para aqueles que estão preparados para aprender que não há nenhum mundo e que podem aceitar a lição agora. A prontidão deles lhe levará a lição de alguma forma que podem compreender e reconhecer. Alguns a veem de repente à beira da morte e se levantam para ensiná-la. Outros a encontram na experiência que não é deste mundo, que lhes mostra que o mundo não existe porque o que veem tem de ser a verdade e, não obstante, contradiz claramente o mundo.

8. E alguns a encontrarão neste curso e nos exercícios que fazemos hoje. A ideia de hoje é verdadeira porque o mundo não existe. E, se ele é, de fato, tua própria fantasia, então podes liberá-lo de todas as coisas que já pensaste que ele era simplesmente substituindo todos os pensamentos que lhe deram estas aparências. Os doentes se curam quando abandonam todos os pensamentos de doença e os mortos ressuscitam quando permites que pensamentos de vida substituam todos os pensamentos de morte que já tiveste.

9. Uma lição anterior repetida uma vez tem de ser enfatizada novamente, pois ela contém o alicerce inabalável para a ideia de hoje. Tu és como Deus te criou. Não existe nenhum lugar aonde possas sofrer e nenhum tempo que possa trazer alteração a tua condição eterna. Como pode existir um mundo de tempo e espaço, se continuas a ser como Deus te criou?

10. O que a lição de hoje é a não ser outro modo de dizer que conhecer teu Ser é a salvação do mundo? Libertar o mundo de todo tipo de dor é apenas mudar tua forma de pensar a teu próprio respeito. Não há nenhum mundo independente de tuas ideias porque as ideias não deixam sua fonte e tu manténs o mundo no interior de tua mente em pensamento.

11. Porém, se tu és como Deus te criou, não podes pensar separado d'Ele, nem criar nada que não compartilhe Sua intemporalidade e Amor. O amor e a intemporalidade são inseparáveis de mundo que vês? O mundo que vês cria como Deus? A menos que o faça, ele não é real e não pode existir em absoluto. Se tu és real, o mundo que vês é falso, pois a criação de Deus é diferente do mundo em todos os aspectos. E como foste criado a partir dos Pensamentos d'Ele, também foram teus pensamentos que criaram o mundo e que têm de libertá-lo a fim de que possas conhecer os Pensamentos que compartilhas com Deus.

12. Libera o mundo! Tuas criações verdadeiras esperam por esta liberação para te dar a paternidade, não de ilusões , mas como Deus na verdade. Deus compartilha Sua Paternidade contigo que és Seu Filho, pois Ele não faz nenhuma distinção entre aquilo que é Ele Mesmo e aquilo que também é Ele Mesmo. Aquilo que Ele criou não está separado d'Ele e em nenhum lugar o Pai termina e o Filho começa como algo separado d'Ele.

13. Não há nenhum mundo porque ele é um pensamento separado de Deus e feito para separar o Pai e o Filho e separar uma parte do Próprio Deus e, assim, destruir Sua Integridade. Um mundo que venha desta ideia pode ser real? Pode existir em algum lugar? Nega as ilusões, mas aceita a verdade. Nega que és uma sombra depositada por um breve instante sobre um mundo agonizante. Libera tua mente e olharás para um mundo livre.

14. Nosso objetivo, hoje, é libertar o mundo de todos os pensamentos inúteis que já tivemos a respeito dele e a respeito de todas as coisas vivas que vemos nele. Elas não podem existir. Nem nós. Pois nós estamos no lar que nosso Pai estabeleceu para nós juntamente com elas. E nós, que somos como Ele nos criou, queremos liberar o mundo de cada uma de nossas ilusões neste dia, para podermos ser livres.

15. Começa os períodos de quinze minutos em que praticamos duas vezes hoje com isto:

Eu, que continuo a ser como Deus me criou quero liberar o mundo
de tudo o que pensei que ele fosse. Pois eu sou real porque o mundo
não é e quero conhecer minha própria realidade.

Em seguida, descansa simplesmente, atento mas sem nenhum esforço, e deixa que tua mente mude em paz, para que o mundo seja libertado junto contigo.

16. Não precisas perceber de forma clara que a cura vem tanto para muitos irmãos do outro lado do mundo quanto para aqueles que vês por perto, à medida que irradias estes pensamentos para abençoar o mundo. Mas sentirás teu próprio alívio, embora ainda não possas compreender por completo que nunca poderias ser liberado sozinho.

17. Ao longo do dia, aumenta a liberdade enviada por tuas ideias a todo o mundo e, sempre que fores tentado a negar o poder da simples mudança de tua maneira de pensar, dize:

Eu libero o mundo de tudo o que pensei que ele fosse
e escolho minha própria realidade em vez disto.

*

COMENTÁRIO:

Eis aqui a lição que pode nos salvar e salvar o mundo inteiro ao mesmo tempo, se praticada, aprendida e posta em prática. Aliás, o Curso afirma que qualquer uma das ideias que ele nos oferece, se pratica, aprendida e posta em prática é suficiente para a salvação de todos nós.

Nesta quinta-feira, dia 12 de maio, no entanto, vamos praticar uma das mais poderosas que já vi. Pois o que nos impede de ser livres a não ser nosso apego às crenças que desenvolvemos, às quais nos apegamos, aos valores que damos às coisas do mundo e aos juízos [julgamentos] que fazemos acerca do mundo, das pessoas e de tudo o que aparentemente vemos nele?

Não é o mundo que nos mantém prisioneiros. O contrário é verdadeiro. Nós é que aprisionamos o mundo e tudo o que há nele em um julgamento que não queremos abandonar, achando-nos sabedores da verdade e de tudo o que é preciso fazer para que o mundo seja um lugar melhor para se viver. Será? Isso não será pura onipotência egóica?

Precisamos, de fato, aprender a liberar o mundo de tudo aquilo que pensamos a respeito dele. Precisamos que ele seja livre para podermos ser livres e viver em mundo livre. Tudo o que precisamos aprender está aqui, nesta ideia da lição 132, que praticamos hoje. Nela está toda a salvação. A nossa - de cada um - e a do mundo inteiro. Ou vocês pensam que existe uma forma melhor de salvar o mundo do que livrá-lo de quaisquer pensamentos de qualquer tipo que impusemos a ele? Ao liberar o mundo, fico livre. Pois nada mais me prende a ele. E nem eu o mantenho mais aprisionado em minha percepção equivocada.

Como eu disse no ano passado, há muito a aprender e muito a praticar. Aproveitemos o tempo portanto. Este instante é o único tempo que existe.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Lembremo-nos de que só a verdade liberta

LIÇÃO 131

Ninguém que busque alcançar a verdade pode falhar.

1. O fracasso está em toda parte enquanto buscas metas que não podem ser alcançadas. Tu procuras permanência no impermanente, amor onde não há nenhum, segurança no meio do perigo, imortalidade no interior da escuridão do sonho da morte. Quem poderia ser bem-sucedido onde a contradição é o cenário de sua busca e o lugar a que vem para encontrar estabilidade?

2. Não se atinge metas sem sentido. Não há forma de alcançá-las, pois os meios com os quais lutas por elas são tão sem sentido quanto elas. Quem pode usar tais meios absurdos e esperar ganhar qualquer coisa por intermédio deles? Aonde eles podem conduzir? E o que eles podem realizar que ofereça alguma esperança de ser real? A busca da fantasia conduz à morte porque é a busca do nada, e enquanto buscas a vida pedes a morte. Tu buscas segurança e certeza enquanto em teu coração rezas pelo perigo e por proteção para o sonho mesquinho que fizeste.

3. No entanto, a busca é inevitável aqui. Vieste para isto e certamente farás aquilo a que foste destinado. Mas o mundo não pode ditar a meta pela qual buscas, a menos que tu lhe dês o poder para fazê-lo. Caso contrário, ainda és livre para escolher uma meta que esteja além do mundo e de todos os pensamentos mundanos, e uma que venha a ti a partir de uma ideia que abandonaste, apesar de te lembrares dela, uma ideia antiga e, não obstante, nova, um eco de uma herança esquecida, e que contém tudo o que realmente queres.

4. Alegra-te por teres de buscar. Alegra-te também por aprenderes que buscas o Céu e que tens de encontrar a meta que queres realmente. Ninguém pode deixar de querer esta meta e de alcançá-la no fim. O Filho de Deus não pode buscar em vão, mesmo que tente forçar o atraso, enganar-se e pensar que é o inferno que busca. Quando ele está errado, acha a correção. Quando se desvia, é conduzido de volta à tarefa que lhe cabe.

5. Ninguém permanece no inferno, pois ninguém pode abandonar seu Criador nem alterar Seu Amor, perfeito, intemporal e imutável. Tu encontrarás o Céu. Tudo o que buscas, a não ser isto, se perderá. Mas não por ser tomado de ti. Desaparecerá porque não o queres. Tu alcançarás a meta que queres realmente com tanta certeza quanto a de que Deus te criou na inocência.

6. Por que esperar pelo Céu? Ele está aqui hoje. O tempo é a grande ilusão de que o Céu passou ou está no futuro. Mas isto não pode ser verdade, se ele estiver aonde Deus quer que Seu Filho esteja. Como a Vontade de Deus poderia estar no passado ou ainda por acontecer? O que Ele quer é agora, sem um passado e totalmente sem futuro. Está tão distante do tempo quanto uma pequena vela de uma estrela longíngua ou aquilo que escolheste daquilo que realmente queres.

7. O Céu continua a ser tua única alternativa a este mundo estranho que fizeste e a todos os seus caminhos; a seus padrões mutáveis, a seus prazeres dolorosos e a suas alegrias trágicas. Deus não criou nenhuma contradição. Aquilo que nega sua própria existência e ataca a si mesmo não vem d'Ele. Ele não criou duas mentes, tendo o Céu como o efeito feliz de uma e a terra, que é o contrário do Céu de todas as maneiras, como o resultado lamentável da outra.

8. Deus não experimenta nenhum conflito. E Sua Criação também não está dividida em duas. Como Seu Filho poderia estar no inferno, se o Próprio Deus o colocou no Céu? Ele poderia perder aquilo que a Vontade Eterna lhe dá para ser seu lar para sempre? Vamos tentar não impor mais uma vontade estranha sobre o único objetivo de Deus. Ele está aqui porque quer estar e o que Ele quer é presente agora, fora do alcance do tempo.

9. Hoje não escolheremos um paradoxo em lugar da verdade. Como o Filho de Deus poderia inventar o tempo para afastar a Vontade de Deus? Deste modo ele se nega e contradiz aquilo que não tem nenhum oposto. Ele pensa que inventou um inferno em oposição ao Céu e acredita que habita naquilo que não existe enquanto que o Céu é o lugar que ele não pode achar.

10. Abandona pensamentos tolos como estes hoje e volta tua mente para ideias verdadeiras, em lugar deles. Ninguém que busque alcançar a verdade pode falhar e é a verdade que buscamos hoje. Três vezes, hoje, dedicaremos dez minutos a esta meta e pediremos para ver o despontar de mundo real substituir as imagens que apreciamos por ideias que se elevam em lugar de pensamentos que não fazem nenhum sentido, não têm nenhum efeito e nem fonte nem essência na verdade.

11. Nós reconhecemos ao iniciar nossos períodos de prática. Começa com isto:

Peço para ver um mundo diferente e ter um tipo de pensamento
diferente daqueles que pensei. Não inventei sozinho o mundo que
busco, os pensamentos que quero ter não são os meus.

Observa tua mente durante alguns minutos e vê, embora teus olhos estejam fechados, o mundo sem sentido que pensas ser real. Revê também os pensamentos compatíveis com tal mundo e que pensas serem verdadeiros. Abandona-os então e te aprofunda abaixo deles na direção do lugar sagrado aonde eles não podem penetrar. Abaixo deles há uma porta em tua mente que tu não podes trancar por completo para esconder o que está além.

12. Busca esta porta e acha-a. Mas, antes de tentar abrí-la, lembra-te de que ninguém que busque alcançar a verdade pode falhar. E é este pedido que fazes hoje. Nada a não ser isto tem qualquer significado agora; não se valoriza nem se busca nenhuma outra meta, não queres realmente nada antes desta porta e buscas apenas o que está depois dela.

13. Estende tua mão e vê quão facilmente a porta se abre com tua intenção apenas de atravessá-la. Anjos iluminam o caminho, por isto toda a escuridão se desvanece e tu ficas em uma luz tão brilhante e clara que podes compreender tudo o que vês. Um instante de surpresa, talvez, te fará parar antes de perceber claramente que o mundo que vês diante de ti reflete a verdade que conhecias e que não esqueceste totalmente ao errares pelos sonhos.

14. Não podes falhar hoje. O Espírito do Céu, que te foi enviado, caminha contigo para que possas te aproximar desta porta algum dia e, com a ajuda d'Ele, passar por ela em direção à luz sem esforço. É hoje este dia. Hoje Deus cumpre Sua antiga promessa para Seu Filho santo, assim como Seu Filho se lembra da Sua para Ele. Este é um dia de alegria, pois chegamos ao momento e ao lugar designados em que acharás a meta de toda a tua busca aqui e de toda a busca do mundo, que terminam quando passas para o outro lado da porta.

15. Lembra-te com frequência de que hoje deve ser um dia de alegria especial e te abstém de pensamentos de desânimo e de queixas inúteis. Chegou o momento da salvação. O próprio Céu estabeleceu que hoje seja um tempo de graça para ti e para o mundo. Se te esqueceres desta verdade feliz, lembra a ti mesmo com isto:

Hoje busco e acho tudo o que quero.
Meu único propósito o oferece a mim.
Ninguém que busque alcançar a verdade pode falhar.

*

COMENTÁRIO:

Como eu disse no ano passado ao comentar esta lição, nada daquilo que pensamos querer neste mundo pode nos dar uma migalha sequer da alegria, do amor, da felicidade e da paz que o Céu reserva para nós. E para alcançar tudo isto basta que aprendamos, pela prática, o que a ideia da lição desta quarta-feira, dia 11 de maio, busca nos ensinar. Basta que reconheçamos a verdade na ideia que praticamos, que confiemos nela quando nos diz que: Ninguém que busque alcançar a verdade pode falhar.

Sabemos que só a verdade pode nos oferecer o Céu, que é tudo o que realmente queremos. Ou será que esquecemos do "a verdade vos libertará"? Ora, nós procuramos a verdade, porque queremos alcançar e viver o Céu, que é o que Deus reserva para cada um de nós que reconheça, aceite e assuma o compromisso de cumprir seu papel no plano de Deus para a salvação. E todos podemos fazer isso com a certeza de que não podemos falhar. Pois Deus vai conosco aonde formos.

terça-feira, 10 de maio de 2011

O mundo só pode mostrar o que escolhermos ver

LIÇÃO 130

É impossível ver dois mundos.

1. A percepção é coerente. O que vês reflete teu modo de pensar. E teu modo de pensar reflete tua escolha do que queres ver. Teus valores são determinantes disto, pois tens de querer ver aquilo que valorizas, acreditando que o que vês existe realmente. Ninguém pode ver um mundo ao qual sua mente não dê valor. E ninguém pode deixar de ver aquilo que acredita querer.

2. Mas quem pode realmente odiar e amar ao mesmo tempo? Quem pode desejar que aquilo que não quer seja real? E quem pode escolher ver um mundo do qual tenha medo? O medo tem de cegar, pois sua arma é esta: aquilo a que temes ver tu não podes ver. O amor e a percepção, deste modo, andam de mão dadas, mas o medo esconde aquilo que existe nas trevas.

3. O que, então, o medo pode projetar sobre o mundo? O que pode ser visto nas trevas que seja real? A verdade é eclipsada pelo medo e o que resta é apenas imaginário. Contudo, o que pode ser real em fantasias nascidas do pânico? O que quererias para que isto se mostre a ti? O que desejarias conservar em tal sonho?

4. O medo cria tudo o que pensas ver. Toda a separação, todas as distinções e a profusão de diferenças que acreditas que compõem o mundo. Elas não existem. O inimigo do amor as fez. Porém, o amor não pode ter nenhum inimigo e, por isto, elas não têm nenhuma causa, nenhuma existência e nenhuma consequência. Elas podem ser valorizadas, mas continuam a ser irreais. Podem ser buscadas, mas não podem ser encontradas. Hoje, não as buscaremos, nem desperdiçaremos este dia na busca daquilo que não se pode achar.

5. É impossível ver dois mundo que não têm nenhum ponto de coincidência de qualquer tipo. Busca pelo único; o outro desaparece. Só um continua a existir. Eles constituem o limite de escolha além do qual tua decisão não pode ir. Tudo o que existe para se escolher está entre o verdadeiro e o falso e nada mais do que estes.

6. Hoje não tentaremos nenhuma transigência onde nenhuma é possível. O mundo que vês é prova de que já fizeste uma escolha tão abrangente quanto seu oposto. O que queremos aprender hoje é mais do que simplesmente a lição de que não podes ver dois mundos. Ela também ensina que aquele que vês é bem coerente do ponto de vista a partir do qual o vês. Ele está em perfeitas condições porque tem origem em uma única emoção e reflete sua fonte em tudo o que vês.

7. Seis vezes hoje, em agradecimento e com gratidão, damos cinco minutos à ideia que põe fim a toda transigência e dúvida e vamos além de todas elas como se fossem uma só. Não faremos milhares de distinções inúteis nem tentaremos levar conosco uma pequena parte da ilusão, enquanto dedicamos nossas mentes a descobrir apenas o que é real.

8. Começa tua busca pelo outro mundo pedindo uma força maior do que tua própria força e reconhecendo o que é que buscas. Tu não queres ilusões. E vens a estes cinco minutos esvaziando tuas mãos de todos os tesouros insignificantes deste mundo. Esperas que Deus te ajude, ao dizeres:

É impossível ver dois mundos. Que eu aceite a força que
Deus me oferece para não ver nenhum valor neste mundo,
a fim de poder encontrar minha liberdade e minha redenção.

9. Deus estará presente. Pois invocas o poder grande e infalível que dará este passo gigantesco contigo com gratidão. E não deixarás de ver os agradecimentos d'Ele expressos em percepção tangível e em verdade. Não duvidarás daquilo para que olharás, pois, embora seja percepção, não é do tipo de visão que teus olhos já tenham visto antes por si mesmos. E saberás que a força de Deus te sustentava enquanto fazias esta escolha.

10. Rejeita a tentação facilmente hoje sempre que ela surgir, lembrando-te simplesmente dos limites de tua escolha. O irreal ou o real, o falso ou o verdadeiro é o que vês e só o que vês. A percepção é compativel com tua escolha e o inferno ou o Céu vêm a ti de acordo com ela.

11. Aceita uma pequena parte do inferno como real e condenaste teus olhos e amaldiçoaste tua visão e o que verás é, de fato, o inferno. Todavia, o alívio do Céu ainda está ao alcance de tua escolha, para tomar o lugar de tudo o que o inferno te apresentaria. Tudo o que precisas dizer a qualquer parte do inferno, seja qual for a forma que ela assuma, é simplesmente isto:

É impossível ver dois mundo. Eu busco minha liberdade
e minha redenção e isto não é uma parte do que eu quero.

*

COMENTÁRIO:

Vamos começar nosso dia, nesta terça-feira, dia 10 de maio, aprendendo a fazer a escolha certa. A única que nos cabe fazer. A ideia de hoje nos diz ser impossível ver dois mundos e já estamos cansados de ver, não apenas dois, mas uma infinidade de mundos que não queremos, porque, apesar de tudo o que pensamos saber, ainda não aprendemos que só podemos escolher entre o Céu e o inferno. Sempre! Em toda e qualquer circunstância estamos escolhendo entre Céu e inferno. Entre a crucificação e a redenção.

Pratiquemos pois, conforme nos instrui a lição de hoje para nos livrarmos da impressão de que este mundo ainda contém qualquer coisa que queiramos. Para aprendermos como ir, além dele, até o mundo que queremos, aonde vamos nos encontrar com o que somos e viver a paz e a alegria que são nosso estado natural, nossa herança de direito na condição de Filhos de Deus.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Aprendendo a escolher de modo diferente

LIÇÃO 129

Além deste mundo há um mundo que eu quero.

1. Esta é a ideia que se segue à que praticamos ontem. Tu não podes te limitar à ideia de que o mundo é inútil, pois, a menos que vejas que há alguma coisa mais para se esperar, só ficarás deprimido. Nossa ênfase não está na desistência do mundo, mas na troca dele por aquilo que é muito mais satisfatório, pleno de alegria e capaz de te oferecer paz. Pensas que este mundo pode te oferecer isto?

2. Talvez valha a pena pensar mais uma vez por um breve momento a respeito do valor deste mundo. Talvez admitas que não há nenhuma perda em se abandonar toda a ideia de valor aqui. O mundo que vês é, de fato, impiedoso, instável, cruel, idiferente a ti, rápido na vingança e implacável em seu ódio. Ele só dá para tirar e afastar todas as coisas que te foram caras por algum tempo. Não se encontra o amor duradouro, pois não há nenhum aqui. Este é o mundo do tempo, aonde todas as coisas acabam.

3. Será uma perda achar, em lugar deste, um mundo no qual seja impossível perder; em que o amor dure para sempre e a vingança não tenha nenhum significado? Será perda encontrar todas as coisas que realmente queres e saber que elas não têm fim e que continuarão a ser exatamente como as queres ao longo do tempo? Não obstante, até mesmo elas serão finalmente trocadas por aquilo de que não podemos falar, pois tu vais, daí, a um lugar onde as palavras falham por completo, na direção de um silêncio no qual não se fala uma língua e, contudo, compreende-se com certeza.

4. A comunicação, precisa e clara como o dia, permanece ilimitada por toda a eternidade. E o Próprio Deus fala a Seu Filho, da mesma forma que Seu Filho fala com Ele. A linguagem d'Eles não tem palavras, porque o que Ele dizem não pode ser representado por meio de símbolos. O conhecimento d'Eles é direto e totalmente compartilhado e totalmente uno. Quão distante disto estás, tu, que permaneces preso a este mundo. E, todavia, quão próximo estás, quando o trocas pelo mundo que queres.

5. Agora o último passo é certo; agora, estás a um instante da intemporalidade. Aqui só podes olhar para frente, nunca para trás, para ver de novo o mundo que não queres. Eis aqui o mundo que vem para tomar o lugar dele, quando libertas tua mente das ninharias que o mundo apresenta para te manter prisioneiro. Não dês valor a elas e elas desaparecerão. Valoriza-as e elas te parecerão reais.

6. A escolha é esta. Que perda pode haver para ti em escolher não valorizar o nada? Este mundo não tem nada que realmente queiras, mas aquilo que escolhes em seu lugar tu, de fato, queres! Deixa que ele te seja dado hoje. Ele espera apenas por tua escolha para tomar o lugar de todas as coisas que buscas mas não queres.

7. Pratica tua vontade para fazer esta troca dez minutos pela manhã e à noite, e mais uma vez no intervalo entre uma e outra. Começa com isto:

Além deste mundo há um mundo que eu quero. Escolho ver aquele
mundo em vez deste, pois aqui não há nada que eu realmente queira.

Em seguida, fecha os olhos sobre o mundo que vês e na escuridão silenciosa observa as luzes que não são deste mundo se acenderem uma a uma, até que o lugar onde uma começa e a outra termina perca todo o significado enquanto elas se fundem numa só.

8. Hoje, as luzes do Céu se inclinam em tua direção, para brilhar sobre tuas pálpebras enquanto descansas além do mundo da escuridão. Eis aqui a luz que teus olhos não podem ver. E, no entanto, tua mente pode vê-la com clareza e pode compreender. Hoje te é dado um dia de graça e nós agradecemos. Percebemos claramente neste dia que o que temias perder era apenas a perda.

9. Agora, de fato, compreendemos que não existe perda. Pois, finalmente, vimos o oposto dela e estamos gratos porque a escolha foi feita. Lembra-te de tua decisão a cada hora e reserva um instante para confirmar tua escolha, deixando de lado quaisquer pensamentos que tenhas e dando ênfase, por um breve instante, apenas a isto:

O mundo que vejo não tem nada que eu queira.
Além deste mundo há um mundo que eu quero.

*

COMENTÁRIO:

Nesta segunda-feira, dia 9 de maio, passado o momento em que nos lembramos e agradecemos a Deus por nossa mãe, abraçando nela todas as mães do mundo; passado o momento em que voltamos também, ainda que apenas por um instante, nossa atenção para aquelas mães que já não estão fisicamente com seus filhos, oferecendo a elas e a eles todo o amor de que somos capazes, para que nossa atenção amorosa atingisse a todos os corações de todas as mães e de todos os filhos; e tendo feito o mesmo com todas as mães cujos filhos já não estão fisicamente presentes, para dissipar todo o sofrimento, envolvendo mães e filhos no mesmo abraço amoroso, que nos dá a certeza de que valeu a pena o amor que compartilhamos na forma por algum tempo, voltamos novamente nossa atenção para este mundo por alguns instantes. Para aprender que, independentemente, do que vemos nele, ele não nos oferece nada que realmente queiramos, conforme nossa prática de ontem. Para aprender que "além deste mundo, há um um mundo" que queremos verdadeiramente, mesmo não tendo isso ainda muito claro em nossa consciência.

Apesar de nossa experiência de vida estar ligada a este mundo das formas, que aparentemente vemos, e que mudam conforme muda nosso olhar, a lição deste dia nos convida a praticar a ideia da existência de um mundo que se situa além deste que vemos. Mais: que é esse mundo, o que ainda não somos capazes de ver, o que, de verdade, queremos. Praticar esta ideia, pois, vai nos fazer entender melhor as experiências por que passamos. Principalmente se já formos capazes de entender que todas elas sempre se apresentam a nós a partir de uma escolha que fazemos, individual ou conjuntamente. Uma escolha que sempre podemos mudar, quando aceitamos a responsabilidade pela experiência que o mundo nos apresenta, sendo gratos por ela ter se apresentado.

Aprendamos, portanto, com as práticas de hoje a agradecer por tudo o que recebemos e por tudo o que vivemos, para alcançarmos a certeza de que "todas as coisas cooperam para o bem". E "que tudo está [sempre, no momento em que olhamos para o mundo] absolutamente certo da forma como está". Nem poderia se diferente. E, se ainda não somos capazes de ver assim, é porque ainda não aprendemos a escolher de modo diferente.

domingo, 8 de maio de 2011

A promessa do despertar para o "sonho feliz"

LIÇÃO 128

O mundo que vejo não tem nada que eu queira.

1. O mundo que vês não tem nada do que precisas para te oferecer, nada que possas usar de nenhum modo, nem absolutamente nada que sirva para te dar alegria. Acredita nesta ideia e estás salvo de anos de sofrimento, de inúmeras frustrações e de esperanças que se tornam cinzas amargas de desespero. Ninguém tem senão de aceitar esta ideia como verdadeira, se quiser deixar o mundo para trás e se elevar acima de seu domínio insignificante e de suas peculiaridades.

2. Cada coisa que valorizas aqui é apenas uma corrente que te prende ao mundo e não servirá a nenhum outro fim a não ser a este. Pois todas as coisas têm de servir à finalidade que lhes dás, até veres um fim diferente nelas. O único fim digno de tua mente que este mundo tem é o de passares por ele sem demora para perceber alguma esperança aonde não há nenhuma. Não te enganes mais. O mundo que vê não tem nada que queiras.

3. Escapa, hoje, das correntes que colocas em tua mente, quando percebes a salvação aqui. Pois aquilo que valorizas tornas parte de ti conforme te percebes. Todas as coisas que buscas para tornar teu valor maior a tua vista te limitam mais, escondem de ti teu valor e acrescentam outra barreira diante da porta que conduz à verdadeira consciência de teu Ser.

4. Não permitas que nada relativo aos pensamentos do cropo retardem teu avanço em direção à salvação, nem te permitas a tentação de acreditar que o mundo tenha qualquer coisa que te detenha. Não há nada aqui para se apreciar. Nada aqui vale um instante de atraso e dor; um instante de incerteza e dúvida. O inútil não oferece nada. Não se pode encontrar a certeza do valor na inutilidade.

5. Hoje praticamos abandonar todas as ideias de valores que damos ao mundo. Nós o deixamos livre dos propósitos que demos a seus aspectos e a suas fases e a seus sonhos. Nós o mantemos sem finalidade em nossas mentes e o libertamos de tudo o que desejamos que ele fosse. Desta forma, nós, de fato, erguemos as correntes que obstruem a porta pela qual precisamos passar para nos libertamos do mundo e para ir além de todas as metas insignificantes e de pequena importância.

6. Para e fica quieto por um instante e vê quão alto te elevas acima do mundo, quando liberas tua mente das correntes e a deixas buscar o nível em que ela se sente à vontade. Ela ficará agradecida por ser livre por algum tempo. Ela sabe qual é seu lugar. Liberta suas asas apenas e ela voará na certeza e na alegria para se unir a seu propósito sagrado. Deixa que ela descanse em seu Criador, para ser devolvida, aí, à sanidade, à liberdade e ao amor.

7. Dá-Lhe dez minutos de descanso três vezes hoje. E quando teus olhos se abrirem, em seguida, não valorizarás qualquer coisa que vires tanto quanto o fazias quando olhavas para ela antes. Toda tua perspectiva do mundo mudará, por pouco que seja, cada vez que permitires que tua mente escape de suas correntes. O mundo não é o lugar dela. E o teu lugar é o lugar aonde ela quer estar e aonde ela vai descansar quando a liberas do mundo. Teu Guia é certo. Abre tua mente a Ele. Aquieta-te e descansa.

8. Protege tua mente ao longo de todo este dia também. E, quando pensares ver algum valor em um aspecto ou em uma imagem do mundo, recusa-te a colocar esta corrente sobre tua mente, mas dize a ti mesmo com convicção serena:

Isto não me tentará a me atrasar.
O mundo que vejo não tem nada que eu queira.

*

COMENTÁRIO:

Neste domingo, dia 8 de maio, dia em que celebramos o "Dia das Mães", vamos buscar aprender a olhar de modo correto para o mundo que se apresenta diante de nossos olhos. Vamos buscar aprender a perceber que ele não nos oferece nada de durável, nada que possa vir a ser eterno. Pois o mundo é apenas o reflexo de nossos pensamentos equivocados acerca de nós mesmos. É um lugar que inventamos em pensamentos para esconder de nós mesmos aquilo que somos, para lembrar a lição de ontem.

Entre as perguntas que podemos fazer estão a respeito disso estão as seguintes, conforme comentário feito a esta lição no ano passado: O que pode haver de valor numa tal fantasia? Será que, de verdade, queremos nos tornar prisioneiros de um pesadelo, no qual todos os horrores que nossa imaginação inventa assumem uma realidade que não têm para nos assombrar? Ou queremos experimentar viver o "sonho feliz"?

As práticas deste dia e a aceitação da ideia que o Curso nos oferece trazem a promessa do despertar para o "sonho feliz", um sonho no qual podemos nos esquecer da crença falsa em uma separação que nunca aconteceu, nem poderá jamais acontecer, abandonando-a de vez. Um sonho no qual podemos experimentar no presente, aqui e agora, a alegria perfeita que é a Vontade de Deus para nós.

Um abraço e um beijo especial em todas as mães  que passeiam por este espaço, com os votos de um dia pleno de luz, de alegria, de felicidade e de amor junto de seus filhos e filhas, mesmo daqueles que já não estão presentes de forma material, mas que continuam a ser parte da maternidade amorosa que nos envolve a todos em seu abraço e em seu carinho incondicional. E aos filhos e filhas cujas mães já não estão presentes para receber seu carinho, seu amor, seus beijos e seus abraços.

sábado, 7 de maio de 2011

Aprendendo que já somos Aquilo que buscamos

LIÇÃO 127

Não há nenhum amor a não ser o de Deus.

1. Talvez penses que diferentes tipos de amor são possíveis. Talvez penses que há um tipo de amor para isto, um tipo para aquilo; um modo de amar alguém, outro modo ainda de amar outro alguém. O amor é único. Ele não tem nenhuma parte separada e nenhum grau; nenhum tipo, nem níveis; nenhuma divergência e nenhuma distinção. Ele é igual a si mesmo, inteiramente imutável. Ele nunca se altera com uma pessoa ou uma circunstância. Ele é o Coração de Deus e o de Seu Filho também.

2. O significado do amor está escondido de qualquer um que pense que o amor pode mudar. Ele não percebe que mudar o amor tem de ser impossível. E, deste modo, ele pensa que, às vezes, pode amar e, noutras, odiar. Ele também pensa que o amor pode ser oferecido a um e ainda permanecer ele mesmo embora seja negado a outros. Acreditar nestas coisas a respeito do amor é não compreendê-lo. Se ele pudesse fazer tais distinções, teria de julgar entre o justo e o pecador, e perceber o Filho de Deus em partes separadas.

3. O amor não pode julgar. Do mesmo modo que ele é unico em si mesmo, ele olha para tudo como um só. Seu significado está na unidade. E tem de escapar à mente que pensa nele como tendencioso ou parcial. Não há nenhum amor a não ser o de Deus e tudo o que se refere ao amor é d'Ele. No lugar onde não há amor não há nenhum outro princípio que governe. O amor é uma lei que não tem oposto. Sua completude é o poder que mantém todas as coisas unas, a ligação entre o Pai e o Filho que Os mantém eternamente como o mesmo.

4. Nenhum curso cujo objetivo seja te ensinar a te lembrares do que és realmente poderia deixar de enfatizar que não pode existir nunca uma diferença entre o que tu és realmente e o que o amor é. O significado do amor é teu próprio significado, e compartilhado pelo Próprio Deus. Pois o que tu és é o que Ele é. Não há nenhum amor a não ser o d'Ele, e o que Ele é é tudo o que existe. Sobre Ele Mesmo não se impõe nenhum limite e, por isto, tu também és ilimitado.

5. Nenhuma lei a que o mundo obedeça pode te ajudar a apreender o significado do amor. Aquilo em que o mundo acredita foi feito para esconder o significado do amor e para mantê-lo oculto e secreto. Não há nenhum princípio que o mundo sustente que não viole a verdade do que o amor é e do que tu também és.

6. Não busques no mundo para achar teu Ser. Não se encontra o amor na escuridão e na morte. Porém ele é completamente aparente aos olhos que veem e aos ouvidos que ouvem a Voz do amor. Hoje praticamos libertar tua mente de todas as leis a que pensas ter de obedecer; de todos os limites sob os quais vives e de todas as mudanças que pensas serem parte do destino humano. Hoje damos o maior passo individual que este curso exige em teu avanço na direção à meta que ele estabeleceu.

7. Se conseguires, hoje, o mais leve vislumbre do que o amor significa, avançaste uma distância imensurável e um tempo maior do que o que se pode contar em anos na direção de tua liberdade. Então, vamos, juntos, ficar contentes por dedicar algum tempo a Deus hoje e compreender que não há uso melhor para o tempo do que este.

8. Escapa, hoje, de todas as leis nas quais acreditas agora por duas vezes durante quinze minutos. Abre tua mente e descansa. É possível, para qualquer um que não dê valor a ele, escapar do mundo que parece te aprisionar. Retira todo o valor que deste a seus parcos oferecimentos e dádivas insignificantes e deixa que a dádiva de Deus substitua todas elas.

9. Chama por teu Pai, certo de que a Voz d'Ele responderá. Ele Mesmo assegura isto. E Ele Mesmo colocará uma centelha de verdade em tua mente sempre que desistires de uma crença falsa, uma ilusão sombria de tua própria realidade e do que o amor significa. Ele brilhará através de teus pensamentos inúteis hoje e te ajudará a compreender a verdade a respeito do amor. Ele habitará contigo em mansidão amorosa, quando permitires que Sua Voz ensine o significado do amor a tua mente pura e aberta. E Ele abençoará a lição com Seu Amor.

10. Hoje a quantidade de anos futuros de espera pela salvação desaparece diante da intemporalidade do que aprendes. Demos graças, hoje, por sermos poupados de um futuro idêntico ao passado. Hoje, deixamos o passado atrás de nós, para não ser lembrado jamais. E erguemos nossos olhos para um presente diferente do passado em todos os aspectos.

11. O mundo incipiente é recém-nascido. E nós o observamos crescer em saúde e força, para distribuir sua bênção sobre todos que vierem aprender a pôr de lado o mundo que pensavam que era feito no ódio para ser inimigo do amor. Agora todos ficaram livres junto conosco. Agora todos são nossos irmãos no Amor de Deus.

12.Nós nos lembraremos deles ao longo do dia, porque não podemos deixar uma parte de nós fora de nosso amor, se quisermos conhecer nosso Ser. Pensa, pelo menos três vezes por hora, em alguém que faz a jornada contigo e que veio aprender aquilo que tu tens de aprender. E, quando ele vier a tua mente, dá-lhe esta mensagem de teu Ser:

Eu te abençoo, irmão, com o Amor de Deus, que
quero compartilhar contigo. Pois quero aprender
a lição feliz de que não há nenhum amor a não ser
o de Deus e o teu e o meu e o de todos.

*

COMENTÁRIO:

Neste sábado, dia 7 de maio, a ideia que vamos praticar vai nos oferecer a oportunidade de, mais uma vez, nos pormos em contato com aquilo que somos verdadeiramente. Isto quer dizer que teremos, novamente, a oportunidade de aprender a respeito do amor e de Deus. Pois é só amor  o que somos, que é também o que Deus é, se pudéssemos, de algum modo, vislumbrar uma forma de apreender o que Ele é. Pois Ele é o Inominável, o Indizível e nada que dissermos a respeito d'Ele O define, uma vez que definir é limitar e Ele não conhece limites. Por outro lado, tudo o que dissermos d'Ele também não é o que Ele é, porque tudo o que conhecemos conhecemos dentro de uma consciência ainda limitada por nossa experiência da, e na, forma.

No entanto, uma das lições que já praticamos mais de uma vez garante que ainda somos como Deus nos criou, pois não há como sermos diferente. Esta, contudo, é uma ideia de difícil aceitação no mundo das aparências, das formas e das ilusões. Por isto, as práticas de hoje podem nos auxiliar a dar um grande passo para a liberação do mundo. E, em primeiro lugar,  para a nossa própria liberação dele. Pois vamos aprender que não há nada de valor no mundo em que aparentemente vivemos. Ao contrário, o mundo busca esconder o significado do amor, de modo a não o descobrirmos e, por consequência, não nos descobrirmos. E nem a Deus em nós.

Vamos, pois, praticar de acordo com as orientações de hoje, para apressar nosso encontro com o Ser em nós, de Quem equivocadamente pensamos estar separados. Pois, como o Curso afirma em determinado ponto, já somos Aquilo que buscamos.