terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Escolher outro jeito de olhar para tudo

LIÇÃO 33

Existe outro modo de olhar para o mundo.

1. A ideia de hoje é uma tentativa de reconhecer que podes mudar tua percepção do mundo, tanto em seu aspecto externo quanto no interno. Deve-se dedicar cinco minutos completos às aplicações da manhã e da noite. Nestes períodos de prática a ideia deve ser repetida tantas vezes quanto achares agradável, apesar de essencial que as aplicações sejam feitas sem pressa. Alterna entre o exame de tuas percepções externa e interna, mas sem uma sensação de mudança brusca.

2. Olha apenas casualmente o mundo que percebes como exterior a ti, em seguida, fecha os olhos e examina teus pensamentos interiores com a mesma casualidade. Tenta permanecer igualmente indiferente a ambos e manter este desapego enquanto repetes a idea ao longo do dia.

3. Os períodos mais breves de exercícios devem ser tão frequentes quanto possível. Aplicações específicas da ideia de hoje também devem ser feitas de imediato, quando surgir qualquer situação que te tente a ficar inquieto. Para estas aplicações, dize:

Existe outro modo de olhar para isto.

4. Lembra-te de aplicar a ideia de hoje no instante em que te conscientizares da angústia. Pode ser necessário reservar cerca de um minuto para te sentares tranquilamente e repetir a ideia para ti mesmo várias vezes. É provável que fechar os olhos ajude nesta forma de aplicação.

*

COMENTÁRIO:

A palavra modo, na ideia que praticamos neste dia 2 de fevereiro, traduz a palavra way, do original. E, a se pensar no momento em que as emoções de Bill Thetford explodiram na expressão "tem de haver outro jeito" [vejam o Prefácio do UCEM], o que, de certa forma, desencadeou para Helen e Bill o processo de escritura do Curso, a palavra mais indicada para se usar na tradução de way talvez fosse mesmo jeito e não modo, conforme a escolha de Lillian. Isso nos daria, então: "Existe outro jeito de olhar para o mundo".

Também em nossos relacionamentos, quando falamos com alguém a respeito do modo com que ele, ou ela, nos olha, não é mais comum dizermos "por que você está me olhando deste jeito?" do que, por exemplo, "Ai, não me olhe deste modo!"?

Modo, jeito, forma, maneira... existem muitas palavras diferentes para traduzir way, uma palavra que ocupa quase sempre muito mais do que uma página inteira de definições e sinônimos em qualquer dicionário.

De qualquer sorte, esta informação deve servir para, no mínimo, provocar um breve momento de reflexão acerca do quanto não sabemos. Para não nos arvorarmos em sabedores, conhecedores, autoridades em tais e tais questões, uma vez que sempre há um jeito diferente de se olhar para qualquer coisa. E não podemos, em condições normais, dar conta de todas as possibilidades.

Assim, nossa escolha em relação ao modo de olhar para o mundo deve recair naquele que nos põe em contato com a paz e a alegria perfeitas, aquele modo que nos impede de dar ouvidos - e de, assim, reforçá-la - à crença na separação que, de acordo com o ensinamento do Curso, é o único problema que precisamos resolver. Ou seja, por trás de todos os problemas que vemos está a crença na separação. É só ela que nos afasta daquilo que somos verdadeiramente, dos outros, da unidade e de Deus, em nós mesmos, nos outros e na unidade.

Que tal, então, seguir a orientação da lição de hoje e descobrir um novo modo de olhar para o mundo?

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

"A responsabilidade pelo que se vê"

LIÇÃO 32

Eu invento o mundo que vejo.

1. Hoje, continuamos a desenvolver o tema de causa e efeito. Tu não és vítima do mundo que vês porque tu o inventaste. Tu podes desistir dele tão facilmente quanto o inventaste. Tu o verás ou não, conforme desejares. Enquanto o quiseres, tu o verás; quando não o quiseres mais, ele não existirá para que o vejas.

2. A ideia para hoje, como as anteriores, se aplica a teus mundos interior e exterior, que, na verdade, são o mesmo. Porém, já que os vês como diferentes, os períodos de prática para hoje incluirão duas fases novamente, uma envolvendo o mundo que vês fora de ti e a outra o mundo que vês em tua mente. Nos exercícios de hoje, tenta introduzir a ideia de que ambos estão em tua própria imaginação.

3. Mais uma vez, começaremos os períodos de prática da manhã e da noite com a repetição da ideia para hoje duas ou três vezes enquanto olhas a tua volta para o mundo que vês como fora de ti mesmo. Em seguida, fecha os olhos e olha para teu mundo interior. Tenta, tanto quanto possível, tratar ambos da mesma forma. Repete a ideia para hoje sem pressa tantas vezes quanto desejares, à medida que observas as figuras que tua imaginação apresenta para tua consciência.

4. Recomenda-se de três a cinco minutos para os dois períodos mais longos de prática, pedindo-se não menos do que três. Pode-se utilizar mais do que cinco, se achares os exercícios tranquilos. Para facilitar isto, escolhe um momento em que prevejas poucas interrupções e quanto tu mesmo te sentires suficientemente preparado.

5. Deve-se continuar com estes exercícios durante o dia tantas vezes quanto possível. As aplicações mais breves consistem em repetires a ideia devagar, enquanto examinas ora teu mundo interior, ora teu mundo exterior. Não importa qual dos dois escolheres.

6. A ideia para hoje também deve ser aplicada imediatamente a qualquer situação que possa te afligir. Aplica a ideia dizendo a ti mesmo:

Eu inventei esta situação tal como a vejo.

*

COMENTÁRIO:

A quem queremos enganar quando atribuímos a "culpa" ou a responsabilidade pela situação que vivemos a alguém que nos fez isso ou aquilo? Ou a alguém que deixou de fazer isso ou aquilo por nós?

Continuamos, neste dia 1º de fevereiro, nosso aprendizado a respeito de responsabilidade. Para sermos capazes de compreender e aceitar o fato de que "uma instrução que não recebemos" não é responsável pelos resultados que deixamos de obter. Ou por aquele que obtivemos, do qual não gostamos.

Há um trecho do Texto, no capítulo 21, que vale citar como forma de aprendermos melhor a praticar com mais confiança, pois nele, de acordo com o Curso, está o poder da salvação. Basta, pois, dizermos "com convicção e sem reservas":

Eu sou responsável pelo que vejo.
Eu escolho as sensações que experimento, e
eu decido quanto à meta que quero alcançar.
E eu peço todas as coisas que parecem me acontecer,
e as recebo de acordo com o que peço.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Quem se deixa enganar pelo ego?

LIÇÃO 31

Eu não sou vítima* do mundo que vejo.

1. A ideia de hoje é a introdução de tua declaração de liberdade. Mais uma vez, a ideia deve ser aplicada tanto ao mundo que vês fora quanto ao mundo que vês dentro. Na aplicação da ideia, usaremos uma forma de prática que será utilizada cada vez mais, com modificações conforme indicado. Em geral, a forma inclui dois aspectos, um no qual aplicas a ideia de modo mais contínuo e o outro que consiste em aplicações frequentes da ideia ao longo do dia.

2. São necessários dois períodos de prática mais longos com a ideia para hoje, um pela manhã e um à noite. Recomenda-se de três a cinco minutos para cada um destes períodos. Durante este tempo, olha a tua volta lentamente enquanto repetes a ideia duas ou três vezes. Em seguida, fecha os olhos e aplica a mesma ideia a teu mundo interior. Escaparás de ambos ao mesmo tempo, pois o interior é a causa do exterior.

3. Enquanto examinas teu mundo exterior deixa simplesmente que quaisquer pensamentos que passem por tua mente cheguem a tua consciência, para considerar cada um por um momento e, então, ser substituído pelo seguinte. Tenta não estabelecer qualquer tipo de hierarquia entre eles. Observa-os virem e irem com a maior imparcialidade possível. Não te demores em nenhum em particular, mas tenta deixar a corrente seguir adiante regular e tranquilamente, sem qualquer envolvimento especial de tua parte. Ao sentares calmamente para observar teus pensamentos, repete a ideia de hoje para ti mesmo quantas vezes quiseres, mas sem nenhuma sensação de pressa.

4. Além disso, repete, para ti mesmo, a ideia para hoje com a maior frequência possível durante o dia. Lembra-te de que estás fazendo uma declaração de independência em nome de tua própria liberdade. E em tua liberdade está a liberdade do mundo.

5. A ideia para hoje também é particularmente útil para ser usada como uma resposta a qualquer forma de tentação que possa surgir. Ela é uma declaração de que não cederás à tentação para te colocares em cativeiro.

* A palavra victim, do original, também tem a acepção que permitiria traduzí-la por escravo. A frase ficaria, então, "Eu não sou escravo do mundo que vejo". Em minha opinião, este significado talvez seja até mais adequado para traduzir a ideia da lição de hoje, a se considerar o que dizem as instruções para as práticas quanto à declaração de independência que fazemos ao usar a ideia. Optei por manter a versão dada por Lillian em função do fato de ser comum em nossa experiência neste mundo o contato com pessoas que se julgam vítimas das circunstâncias que as cercam, por não terem aprendido ainda a assumir a responsabilidade pelas situações que seus pensamentos criam para suas vidas.

*

COMENTÁRIO:

Creio que se pode dizer que começamos agora, neste dia 31 de janeiro, a aprender alguma coisa a respeito de responsabilidade. Quem é vítima do mundo? Quem vitima quem? E se não somos vítimas do mundo que vemos, o que somos? O que é o mundo? A quem o mundo escraviza? A quem ele pode escravizar?

Utilizar a ideia ao longo do dia, com as práticas, de acordo com as orientações, vai nos permitir perceber o quanto estamos enganados. Ou o quanto nos deixamos enganar pelo "mundo", acreditando no ego que nos diz que não há como fugir do sofrimento neste mundo. Ou que não há como mudar o mundo. Ou que nós não somos capazes de mudar. Nem a nós mesmos, nem ao mundo.

Será?

sábado, 30 de janeiro de 2010

Um programa de treinamento da mente

LIÇÃO 30

Deus está em tudo o que vejo, porque Deus está em minha mente.

1. A ideia para hoje é o trampolim para a visão. A partir desta ideia o mundo se abrirá diante de ti e olharás para ele e verás nele aquilo que nunca tinhas visto antes. E o que vias antes não será visível para ti nem mesmo vagamente.

2. Hoje tentamos usar um tipo novo de "projeção". Não estamos tentando nos livrar do que não gostamos buscando vê-lo fora. Ao contrário, tentamos ver no mundo o que está no interior de nossas mentes e aquilo que queremos reconhecer que está aí. Deste modo, tentamos nos unir ao que vemos, em lugar de mantê-lo separado de nós. Esta é a diferença fundamental entre a visão e o modo como vês.

3. A ideia de hoje deve ser aplicada tantas vezes quanto possível durante todo o dia. Sempre que tiveres um momento, repete-a para ti mesmo devagar, olhando a tua volta e tentando perceber claramente que a ideia, de fato, se aplica a tudo o que vês agora, ou ao que poderias ver agora, se estivesse ao alcance de tua vista.

4. A visão verdadeira não está limitada a noções tais como "perto" e "longe". A fim de te ajudar a começar a te acostumares com esta ideia, tenta pensar em coisas distantes de teu alcance atual tanto quanto naquelas que podes realmente ver ao aplicares a ideia de hoje.

5. A visão verdadeira não só não é limitada pelo espaço e pela distância, mas também não depende absolutamente dos olhos do corpo. A mente é sua única fonte. Também a fim de te ajudar a conseguires ficar mais acostumado com esta ideia, dedica vários períodos de prática à aplicação da ideia de olhos fechados, usando quaisquer sujeitos que venham a tua mente e olhando mais para dentro do que para fora. A ideia de hoje se aplica igualmente a ambos.

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COMENTÁRIO:

Nos dias que correm, a própria Ciência já nos informa que não há diferença para nosso cérebro entre aquilo que é aparentemente real e visível aos nossos olhos e aquilo que existe apenas em nossos pensamentos.

Daí a importância de se praticar a ideia que o Curso nos oferece neste dia 30 de janeiro. O Curso, às vezes, se auto-define como um programa de treinamento da mente, uma vez que tudo o que precisamos mudar, de fato, se quisermos viver no mundo "o sonho feliz" de alcançar a alegria e a paz perfeitas, que são a Vontade de Deus para nós, é apenas nosso modo de pensar. Pois, na verdade, são apenas os nossos pensamentos que "criam" e constróem a aparente realidade que vivemos.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Confiar na orientação do Espírito Santo

LIÇÃO 29


Deus está em tudo o que vejo.


1. A ideia para hoje explica por que tu podes ver todo o propósito em todas as coisas. Ela explica por que nada está separado, por si mesmo ou em si mesmo. E explica por que nada do que vês significa coisa alguma. De fato, ela explica cada ideia que usamos até agora e também todas as subsequentes. A ideia de hoje é a base total para a visão.

2. É provável que aches esta ideia muito difícil de apreender a esta altura. Podes achá-la tola, irreverente, absurda, engraçada e até mesmo repreensível. Deus certamente não está em uma mesa, por exemplo, da forma como tu a vês. No entanto, enfatizamos ontem que a mesa compartilha o propósito do universo. E aquilo que compartilha o propósito do universo compartilha o propósito de seu Criador.

3. Tenta, então, hoje, começar a aprender como olhar para todas as coisas com amor, gratidão e receptividade. Tu não as vês agora. Queres saber o que há nelas? Nada é como te parece. Seu propósito sagrado está além de teu pouco alcance. Quando a visão te mostrar a santidade que anima o mundo compreenderás perfeitamente a ideia de hoje. E não compreenderás como pudeste alguma vez achá-la difícil.

4. Nossos seis períodos de prática de dois minutos para hoje devem seguir um padrão agora familiar. Começa com a repetição da ideia para ti mesmo e, em seguida, aplica-a a sujeitos escolhidos aleatoriamente a tua volta, citando cada um de forma específica. Tenta evitar a tendência a uma seleção auto-direcionada, que pode ser particularmente tentadora em relação à ideia de hoje em razão de sua natureza completamente inusitada. Lembra-te de que qualquer ordem que estabeleças é igualmente estranha à realidade.

5. Por isso, tua lista de sujeitos deve ser tão livre de tua seleção pessoal quanto possível. Por exemplo, uma lista adequada poderia inlcuir:


Deus está neste cabide.
Deus está nesta revista.
Deus está neste dedo.
Deus está nesta lâmpada.
Deus está naquele corpo.
Deus está naquela porta.
Deus está naquele cesto de lixo.


Além dos períodos de prática estabelecidos, repete a ideia para hoje pelo menos uma vez por hora, olhando lentamente a tua volta enquanto, sem pressa, dizes as palavras para ti mesmo. Pelo menos uma ou duas vezes, deves experimentar uma sensação de tranquilidade enquanto fazes isso.


*

COMENTÁRIO:


A lição deste dia 29 de janeiro nos oferece uma ideia à qual não estamos acostumados. Uma ideia que pode causar alguma estranheza, por isso precisamos voltar à introdução do Livro de Exercícios, que nos orienta a aplicar as ideias da forma como o Curso nos pede, sem julgá-las. Não é preciso que acreditemos nas ideias e nem precisamos acolhê-las bem.


Se, de algum modo, alguém se sentir incomodado com a ideia para a prática de hoje, há um trecho do livro que diz o seguinte:

Este curso oferece uma situação de aprendizado muito direta e muito simples e provê o Guia [o Espírito Santo] Que te diz o que fazer. Se o fizeres, verás que funciona. Seus resultados são mais convincentes do que suas palavras. Eles te convencerão de que as palavras são verdadeiras.

Basta-nos, portanto, confiar no Espírito Santo e seguir as orientações, uma vez tomada a decisão de fazer os exercícios.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Quem de nós quer, acima de tudo, de fato, ver todas as coisas de modo diferente?

LIÇÃO 28

Acima de tudo quero ver as coisas de modo diferente.

1. Hoje damos, de fato, aplicação específica à ideia de ontem. Nestes períodos de prática, assumirás uma série de compromissos definidos. Não nos interessa agora se os cumprirás no futuro. Se pelo menos estiveres disposto a assumí-los agora, deste início ao movimento para mantê-los. E nós ainda estamos no começo.

2. Podes te perguntar por que é importante dizer, por exemplo, "Acima de tudo quero ver esta mesa de modo diferente". Em si mesma, ela não é absolutamente importante. Mas o que é por si mesma? E o que significa "em si mesma"? Tu vês muitas coisas separadas a tua volta, o que, de fato, significa que não estás vendo em absoluto. Tu vês ou não. Quando vires uma única coisa de modo diferente, verás todas as coisas de modo diferente. A luz que verás em qualquer uma delas é a mesma que verás em todas.

3. Quando dizes, "Acima de tudo quero ver esta mesa de modo diferente", está assumindo um compromisso de retirar todas as ideias preconcebidas acerca da mesa e de abrir tua mente para o que ela é e para que ela serve. Tu não a estás definindo em termos passados. Está perguntando o que ela é, em lugar de lhe dizer o que ela é. Não estás amarrando seu significado a tua experiência diminuta com mesas, nem estás limitando o propósito dela a tuas ideias pessoais insignificantes.

4. Não questionarás aquilo que já definiste. E a finalidade destes exercícios é fazer perguntas e receber respostas. Ao dizeres, "Acima de tudo quero ver esta mesa de modo diferente", estás te comprometendo a ver. Não é um compromisso exclusivo. É um compromisso que se aplica tanto à mesa quanto a qualquer outra coisa, nem mais nem menos.

5. Poderias, de fato, obter a visão simplesmente a partir dessa mesa, se estivesses disposto a retirar todas as tuas ideias particulares a respeito dela e a olhar para ela com uma mente completamente aberta. Ela tem algo para te mostrar; algo belo e puro e de valor infinito, cheio de felicidade e esperança. Escondido sob todas as tuas ideias a respeito dela está seu propósito verdadeiro, o propósito que ela compartilha com todo o universo.

6. Portanto, ao usares a mesa como um sujeito para aplicar a ideia para hoje, tu estás realmente pedindo para ver o propósito do universo. Farás este mesmo pedido a cada sujeito que usares nos períodos de prática. E assumes o compromisso com cada um deles de permitir que seu propósito te seja revelado, em lugar de colocar teu próprio julgamento sobre ele.

7. Teremos seis períodos de prática de dois minutos hoje, nos quais primeiro se declara a ideia de hoje e, em seguida, se aplica a ideia a qualquer coisa que vejas ao teu redor. Os sujeitos não só devem ser escolhidos aleatoriamente, mas deve-se atribuir a cada um a mesma sinceridade enquanto se aplica a ideia de hoje a ele, em uma tentativa de reconhecer o valor igual deles todos em sua contribuição para teu ver.

8. Como de costume, as aplicações devem incluir o nome do sujeito que, por acaso, teus olhos encontrarem e deves fixar teus olhos nele enquanto dizes:

Acima de tudo quero este _________ de modo diferente.

Cada aplicação deve ser feita bem devagar e tão refletidamente quanto possível. Não há pressa.

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COMENTÁRIO:

Uma vez que a ideia da lição deste dia 28 de janeiro amplia a metáfora relacionada à visão de que tratamos ontem, podemos continuar a falar a respeito do ver como capacidade física e considerá-lo inextricavelmente ligado ao ver, à visão, em seu sentido mais amplo e abrangente.

Continuemos, pois, com o exemplo de ontem do processo de Meir Schneir. Ele nos conta que o escritor britânico Aldous Huxley, a certa altura de sua vida, recorreu aos exercícios indicados por um certo Dr. Bates "para se recuperar de um problema próximo à cegueira" e escreveu um livro intitulado A arte de ver, no qual descreveu "o ver como um processo" que envolve os olhos, o cérebro e a mente. Um processo que consiste em: "sentir: as células dos olhos sensíveis à luz recebem informação sobre o ambiente por meio de raios de luz...; selecionar: a mente não consegue lidar com todos os dados visuais que chegam aos olhos; assim, ela os dirige para escolher certos dados aos quais prestar atenção; [e] perceber: os dados visuais selecionados são reconhecidos e interpretados pela mente."

Falando do processo físico de ver, Meir diz que "para aperfeiçoar nossa visão, necessitamos reconhecer que ela é uma interação complexa entre os olhos e a mente. Também necessitamos aprender como levar a mente a trabalhar para nós, e não contra nós. Um dos maiores obstáculos que necessitamos vencer é a crença de que os olhos [e, por consequência, nossa visão] nunca poderão melhorar. Essa crença pode nos impedir de reconhecer ou aceitar quando melhoramos de fato, ou convencemo-nos de que, em certas situações, simplesmente não vamos conseguir ver e assim não deveríamos tentar".

Não lhes parece que isso se refere a muito mais do que apenas a um processo físico? Será que isto não tem a ver com a conclusão a que chegamos, a maior parte das vezes inconscientemente, de que não vale apenas fazer nenhum esforço para mudar, porque "o mundo não tem jeito mesmo", independentemente do que possamos fazer?

Daí a necessidade das práticas.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O que queremos "acima de tudo"?

LIÇÃO 27

Acima de tudo eu quero ver.

1. A ideia de hoje exprime algo mais forte do que simples determinação. Ela dá prioridade à visão entre teus desejos. Podes te sentir hesitante quanto a usar a ideia, com base em que não tens certeza de que é isto que queres realmente. Isto não importa. O objetivo dos exercícios de hoje é fazer chegar mais perto o momento em que a ideia será inteiramente verdadeira.

2. Pode haver uma grande tentação em acreditares que se pede a ti algum tipo de sacrifício, quando dizes que queres ver acima de tudo. Se ficares inquieto em relação à falta de reservas pressuposta, acrescenta:

A visão não custa nada a ninguém.

Se o medo da perda ainda persistir, acrescenta ainda:

Ela só pode abençoar.

3. A ideia de hoje precisa de muitas repetições para o máximo aproveitamento. Ela deve ser usada pelo menos a cada meia hora, e mais se possível. Poderias tentar usá-la a cada quinze ou vinte minutos. Recomenda-se que, quando acordares ou pouco depois, estabelaças um intervalo de tempo definido para o uso da ideia e que tentes ser fiel a ele do início ao fim do dia. Não será difícil fazer isso mesmo se estiveres ocupado conversando ou ocupado de outra maneira no momento. Ainda assim, podes repetir uma frase curta para ti mesmo sem perturbar coisa alguma.

4. A questão verdadeira é quantas vezes tu te lembrarás? Quanto queres que a ideia de hoje seja verdadeira? Responde a uma destas perguntas e terás respondido à outra. É provável que percas várias aplicações e, talvez um número bastante grande delas. Não te incomodes com isto, mas tenta prosseguir em teu horário daí por diante. Se ao menos uma vez durante o dia sentires que foste totalmente sincero enquanto repetias a ideia de hoje, podes ter certeza de que poupaste muitos anos de esforço a ti mesmo.

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COMENTÁRIO:

O que pensamos querer "acima de tudo"? Qual é nosso maior desejo? Qual é nossa maior aspiração? Será "ver"? Quantos de nós já pensaram a este respeito? Chegaram a alguma conclusão? Será que "ver" tem alguma relação com o que precisamos fazer para alcançar nossos objetivos? Quantos de nós nos lembramos de ser imensamente agradecidos pelo fato de sermos capazes de ver, apenas no sentido de ter a faculdade da visão? E em que medida esta faculdade nos auxilia ou atrapalha na tarefa de construir o mundo no qual queremos viver? Será que o "ver" a que se refere a ideia da lição deste dia 27 de janeiro está relacionado apenas à capacidade física do corpo que acreditamos ser?

Meir Schneider nasceu cego fisicamente e tem uma história maravilhosa a respeito de seu processo de desenvolver a capacidade de ver com os olhos do corpo, um processo que envolveu muito mais do que apenas suas capacidades físicas. Para ele, "fomos treinados para acreditar que nossos olhos só podem mudar para pior, e nunca podem melhorar depois de começarem a se deteriorar". Ele diz que isto só acontece porque a maioria de nós não sabe nada a respeito de como melhorar a visão.

Diz ainda que "melhorar a visão é um processo complexo, pois a visão, em si mesma, é um processo complexo. Nossos olhos - e, assim, nossas habilidades visuais - estão ligados, inexplicavelmente, com nossos corpos, nossas mentes e nossas emoções. Nossos olhos [como de resto todos os nossos sentidos, eu diria] atuam sobre todos os aspectos de nós próprios, e são, por sua vez, afetados por todos os aspectos de nossas vidas. Trabalhar com os olhos para melhorar a visão é, portanto, sempre um desafio. No processo, você pode defrontar-se com tensões físicas profundamente arraigadas, resistência mental, bloqueios emocionais e traumas. Ao enfrentar essas coisas, entretanto, muitas pessoas descobriram a força para vencê-las, e ao melhorar a visão mudaram suas vidas".

É claro que o exemplo de Meir, de trabalho com a visão orgânica, física, pode ser estendido de forma metafórica à visão em seu sentido mais amplo e abrangente. Cito-o apenas porque a ideia que trabalhamos no exercício de hoje, da mesma forma que o trabalho com o objetivo de melhorar a visão física, vai exigir que deixemos de lado o que aprendemos do mundo a respeito de ver. E é claro que o mundo criado e construído a partir do sistema de pensamento do ego também busca nos treinar a acreditar que não há forma de melhorar nossa visão [o que poderia significar ver o mundo de modo diferente]. Isto não é verdade. E as práticas vão provar isto, se insistirmos nelas.