quarta-feira, 7 de novembro de 2012

É preciso abrir mão do mundo inteiro para ganhá-lo



LIÇÃO 312

Vejo todas as coisas como quero que sejam.

1. A percepção vem depois do julgamento. Depois de julgar, vemos então aquilo que queremos ver. Pois a vista serve simplesmente para nos oferecer o que queremos. É impossível não ver aquilo que queremos ver e deixar de ver aquilo que escolhemos ver. Com quanta certeza, então, o mundo real tem de vir saudar a visão sagrada de qualquer pessoa que adota o propósito do Espírito Santo como sua meta para a visão. Porque ela não pode deixar de olhar para aquilo que Cristo quer que veja e de compartilhar o Amor de Cristo por aquilo que vê.

2. Não tenho nenhum objetivo hoje a não ser o de olhar para um mundo liberado, livre de todos os julgamentos que fiz. Pai, esta é Tua Vontade para mim hoje e, por isso, ela tem de ser também a minha meta.

*

COMENTÁRIO:

Continuo a acreditar que a esta altura do aprendizado já estamos sabendo fazer algumas ligações entre as ideias que o Curso nos apresenta para as práticas e algumas das razões por que resistimos ao ensinamento, conforme já comentei anteriormente. Ou já aprendemos a identificar algumas das razões para que as experiências que vivemos se deem da forma que se dão. Não poderia ser diferente com as práticas da ideia desta quarta-feira, dia 7 de novembro. Tanto ela quanto a que praticamos ontem são essenciais para nos ajudar a pôr em xeque [vide comentários de anos anteriores] o motivo para vermos o mundo como o vemos. E também as razões para acreditarmos que há algo de real no que vemos.

Se vocês estiverem atentos hão de ver que há uma estreita ligação entre a ideia que praticamos hoje e uma lição das mais importantes da primeira parte do livro de exercícios. A lição 132, lembram?, Libero o mundo de tudo o que eu pensava que fosse. Além disso, claro, ela está diretamente relacionada à lição de ontem.Julgo todas as coisas como quero que sejam. Poderia ser diferente? Não! A não ser que continuássemos no auto-engano de acreditar que existe alguma coisa fora de nós. Ou que existe uma vontade diferente da Deus. Ou que existe algo fora de Deus.

Este comentário tem muito a ver com os que fiz para esta mesma em anos anteriores e também com o momento que estamos vivendo, tanto nas práticas, quanto em nossas experiências neste mundo. É por isso que é preciso trazer à mente mais uma vez aquela parte do texto de que já falei algumas vezes, que está no capítulo 26 e que tem por título O amigo indicado

É essa parte do texto que vai nos mostrar que, ao acreditar em qualquer medida na percepção que nos oferecem os sentidos, só podemos estar todos errados, pois não se pode acreditar que nada do vemos neste mundo pode ser alguma coisa diferente de ilusão. Na verdade, não há como acreditar que alguma coisa fora de nós exista. Nada no mundo, nem dinheiro, nem poder, nem prestígio, por exemplo, pode fazer com que o mundo venha a ser de alguma forma um lugar mais fácil de se viver. Tudo o que se pode fazer aqui é melhorar o sonho, torná-lo, talvez, feliz. Mas, mantendo-se a consciência de que o mundo é sonho.

Repetindo, pois, de agora em diante o comentário de 2010 e de 2011: Notar, perceber, entender, trazer à consciência, aceitar e reconhecer que "A percepção vem depois do julgamento" (grifo meu) é IMPORTANTÍSSIMO. Aqui, na compreensão disto, está a chave para se entender as razões pelas quais nossas experiências se apresentam a nós desta ou daquela forma. É nosso julgamento que determina a percepção que vamos ter. Ou como o Curso diz em outro momento: "A percepção é um espelho, não um fato". Vejam bem: "Depois de julgar, vemos então aquilo que queremos ver". Pois a visão dos olhos do corpo, ou a percepção de qualquer de nossos sentidos, só nos oferece aquilo que queremos, aquilo que escolhemos ver, tocar, cheirar, ouvir ou saborear, provar. O mesmo acontece em relação ao que escolhemos sentir a partir da percepção. A experiência se apresenta, nós a interpretamos [damos um significado à neutralidade dela em nosso julgamento] e decidimos sofrer, sentir dor, raiva, medo, culpa, mágoa, e assim por diante.

Lembram-se das primeiras lições que nos diziam que nada do que vemos tem qualquer significado? Ou que somos nós quem damos significado a tudo que vemos? Ou que não entendemos nada do que vemos? Ou ainda aquela que nos garante que nunca estamos transtornados, aborrecidos, magoados ou preocupados pela razão que imaginamos, pois só nos aborrecemos ou preocupamos com ideias que vêm do passado, um tempo que não existe?

Na verdade, o Curso nos ensina também que não somos capazes de ver as coisas - ou pessoas - para as quais olhamos como elas são no momento em que dirigimos nosso olhar para elas, pois nossos pensamentos não têm qualquer significado e só vemos o passado. Porque julgamos para poder ver o que queremos. Nossos pensamentos são julgamentos que fazemos e transformam muitas vezes o que vemos em "uma forma de vingança".

Bem feito! Não é assim que reagimos quando alguém vem nos contar que lhe aconteceu alguma coisa acerca da qual já o (a) havíamos alertado? E quantas vezes "torcemos" para que alguém, que não nos quis ouvir, se dê mal para provar que estávamos certos?  Quantas vezes pedimos uma prova concreta para um pensamento que sabemos correto, mas no qual não queremos acreditar porque vai de encontro [isto é, contraria] à crença que queremos manter, sabendo que "o concreto" é apenas mais uma forma de ilusão que materializamos?

Daí o Curso nos perguntar a certa altura se queremos ser felizes ou ter razão. Não é possível ter os dois. Aliás, é preciso aprendermos a abrir mão de todas as certezas que não venham do Amor. Precisamos aprender a abrir mão do mundo inteiro para ganhar o mundo. Precisamos nos entregar por inteiro ao espírito, se quisermos, de fato, encontrar a paz de espírito por que ansiamos e que só o Amor de Deus pode nos dar.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Vemos apenas o que queremos ver? É possível?



10. O que é o Juízo Final?

1. A Segunda Vinda de Cristo oferece esta dádiva ao Filho de Deus: ouvir a Voz por Deus revelar que aquilo que é falso é falso e que aquilo que é verdadeiro não muda nunca. E este é o julgamento no qual a percepção acaba. No começo tu vês um mundo que aceita isto como verdadeiro, projetado a partir de uma mente agora correta. E, com essa visão santa, a percepção dá uma bênção silenciosa e, então, desaparece, alcançada sua meta e cumprida sua missão.

2. O juízo final sobre o mundo não contém nenhuma condenação. Pois ele vê o mundo como totalmente perdoado, inocente e totalmente sem propósito. Sem uma causa e, agora, sem uma função na visão de Cristo, ele simplesmente desaparece no nada. Aí ele nasceu e também aí acaba. E todas as imagens no sonho em que o mundo começou se vão com ele. Agora, os corpos são inúteis e, por isso, se desvanecerão, porque o Filho de Deus não tem limites.

3. Tu, que acreditaste que o Juízo Final de Deus condenaria o mundo ao inferno junto contigo, aceita esta verdade santa: o Julgamento de Deus é a dádiva da Correção que Ele concedeu a todos os teus erros, libertando-te deles e de todos os efeitos que eles já pareceram ter. Ter medo da graça redentora de Deus é apenas ter medo da liberação total do sofrimento, da volta à paz, à segurança e à felicidade, e da união com tua própria Identidade.

4. O Juízo Final de Deus é tão misericordioso quanto cada passo no plano designado por Ele para abençoar Seu Filho e lhe pedir que volte à paz eterna que Deus compartilha com o filho. Não tenhas medo do amor. Pois só ele pode curar toda a tristeza, enxugar todas as lágrimas e despertar suavemente, de seu sonho de dor, o Filho a quem Deus reconhece como Seu. Não tenhas medo disso. A salvação pede que tu lhe dês acolhida. E o mundo espera tua alegre aceitação, que o libertará.

5. Este é o Juízo Final de Deus: "Tu ainda és Meu Filho santo, eternamente inocente, eternamente amoroso e eternamente amado, tão sem limites quanto teu Criador e inteiramente imutável e puro para sempre. Desperta, portanto, e volta para Mim. Eu sou Teu Pai e tu és Meu Filho".

*

LIÇÃO 311

Julgo todas as coisas como quero que sejam.

1. O julgamento foi feito para ser uma arma contra a verdade. Ele separa aquilo contra o qual está sendo usado e o isola como se fosse uma coisa separada. E, em seguida, faz dela aquilo que queres que seja. Ele julga aquilo que não pode compreender, porque não pode ver a totalidade e, por isso, julga de forma falsa. Não vamos usá-lo hoje, mas fazer dele uma dádiva. Àquele Que tem um uso diferente para ele. Ele nos aliviará da agonia de todos os julgamentos que fazemos de nós mesmos e restabelecerá a paz de espírito, dando-nos o Juízo de Deus acerca de Seu Filho.

2. Pai, esperamos com a mente aberta, hoje, ouvir Teu Juízo acerca do Filho que Tu amas. Não o conhecemos e não podemos julgá-lo. E, assim, deixamos que Teu Amor decida o que ele, a quem Tu criaste como Teu Filho, tem de ser.

*

COMENTÁRIO:

Eis-nos de novo, nesta terça-feira, dia 6 de novembro, às voltas com o novo tema que o Curso nos oferece para orientar e dar unidade às práticas dos próximos dez dias, das próximas dez lições, entre elas a de hoje: O que é o Juízo Final? 

Como já se disse antes, e não poucas vezes, utilizados corretamente, de acordo com as instruções recebidas inicialmente, tanto o texto desta instrução, ao qual devemos voltar diariamente, quanto as ideias das lições que vamos praticar podem nos ajudar a abandonar o julgamento por completo. 

E abandonar o julgamento significa abandonar tanto aquele julgamento que fazemos de nós mesmos quanto o que fazemos do(s) outro(s). Apesar de já sabermos há muito, intuitiva e inconscientemente, aquilo que o Curso ensina. Isto é, que todo o julgamento que fazemos é sempre o julgamento de nós mesmos.

Da mesma forma, as ideias que o Curso nos reserva para as práticas dos próximos dez dias podem nos fazer abandonar de uma vez por todas a crença que recebemos de nossa educação, segundo a qual o Juízo Final reserva a todos e a cada um de nós a possibilidade de uma condenação ao fogo do inferno, ao chorar e ranger de dentes, uma vez que não somos capazes de atender às exigências de perfeição que nos faz o sistema de pensamento do ego do alto de sua onipotência.

Podemos então nos perguntar novamente, como fizemos antes: quantas vezes nos culpamos por alguma atitude que consideramos equivocada e que acreditamos que pudesse ter ferido alguém ou provocado dor e mágoa? E quantas vezes, para nossa surpresa, descobrimos que a pessoa que julgamos ter prejudicado, ferido ou magoado veio nos agradecer pela palavra ou pelo gesto, que lhe permitiu ver a questão de outra perspectiva? Que lhe permitiu aprender, crescer e mudar?

A humildade de reconhecer que não sabemos nada é essencial para nossa aproximação do ensinamento do UCEM. O próprio Curso vai nos aconselhar alguma vez a abandonar tudo o que pensamos, tudo o que aprendemos, tudo o que pensamos saber, e até mesmo a abandonar o próprio ensinamento que ele nos oferece, para nos aproximarmos da luz de mãos, mentes e corações vazios. A luz, que é o que somos, e que é o que Deus reserva para cada um de nós no mais íntimo de nós mesmos.

O Juízo Final, o Curso afirma em outro ponto, não é o fim do mundo, mas sua transformação em Céu. O que significa dizer, sim, o fim do mundo, mas o fim do mundo como o conhecemos agora, a partir da percepção equivocada do falso eu - do ego. O Juízo Final, para o Curso, será, talvez, em meu modo de entender, a liberação das culpas e dos medos, do apego e das carências. O reconhecimento de que temos tudo e tudo podemos em Deus, com Ele, na Unidade com o que somos.

Daí a necessidade e a utilidade das práticas da ideia para hoje: Julgo todas as coisas como quero que sejam. Para trazermos à consciência o fato de que tudo o que vemos só pode deixar de ser neutro quando lhe dermos algum valor. Isto é, as coisas que vemos são forçosamente o que queremos que sejam. Sim, as coisas que vemos são apenas aquilo que queremos ver. Não há como ser diferente. A não ser que mudemos nosso modo de pensar a respeito delas.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Um dia perfeito, pleno de paz de alegria e de amor



LIÇÃO 310

Passo o dia de hoje sem medo e com amor.

1. Quero passar este dia Contigo, meu Pai, do modo que Tu escolheste que todos os meus dias deveriam ser. E o que vou viver não pertence em absoluto ao tempo. A alegria que chega a mim não pertence aos dias nem às horas, pois vem do Céu a Teu Filho. Este dia será Tua doce advertência para eu me lembrar de Ti, Teu chamado benevolente a Teu Filho santo, o sinal de que Tua graça veio a mim e de que é Tua Vontade que eu seja libertado hoje.

2. Tu e eu passamos este dia juntos. E o mundo inteiro se junta a nós em nossa canção de agradecimento e de alegria para com Aquele Que nos deu a salvação e Que nos libertou. Fomos devolvidos à paz e à santidade. Não há espaço para o medo em nós hoje, pois acolhemos o amor em nossos corações.

*

COMENTÁRIO:

Como o próprio pensamento nos convida a fazer, e como já disse antes, a ideia que vamos praticar nesta segunda-feira, dia 5 de novembro, pode nos fazer experimentar um dia inteiro de paz, um dia perfeito. Um dia pleno de amor e de luz. Se permanecermos no presente, no aqui e agora, a cada momento que se apresentar.

Repetindo o que fiz no comentário do último ano para esta lição, dou-lhes abaixo, para estender a reflexão acerca do presente, da vida e da morte, um dos poemas d'O segundo livro do Tao, traduzido, para o inglês, por Stephen Mitchell e, para o português, por Marilene Tombini, [fiz umas pequenas alterações, que aparecem entre colchetes, no intuito de tornar mais clara a tradução]. É o seguinte:

A vida é a companhia da morte;
a morte é o início da vida.
Quem pode compreender
como as duas se relacionam?
Mas se a vida e a morte são companheiras, 
por que [deverias] te preocupar?
Tudo está ligado pela raiz.
Aqui chegamos do desconhecido
e voltamos para [o lugar] de onde viemos.

O que as pessoas amam [da] vida
é sua miraculosa beleza;
o que odeiam [da] morte
é a perda e decadência que a envolve.
Contudo, perder é não perder,
e a decadência se transforma em beleza,
assim como a beleza volta a ser decadência.
Somos inspirados e expirados.
Portanto, tudo [o] que precisas
é entender o único sopro
que forma o mundo.
O Mestre está sempre cônscio
do mistério no cerne de todas as coisas.

De novo: há um comentário de Ramana Maharshi a respeito deste poema, ao final do mesmo livro, que diz o seguinte: "É estranho as pessoas não quererem saber [do] presente, de cuja existência ninguém pode duvidar, mas [estarem] sempre ansiosas para saber [mais a respeito do] passado ou [do] futuro, ambos desconhecidos. O que é nascimento e o que é morte? Por que ir ao nascimento e à morte para entender o que se experimenta todos os dias ao dormir e acordar? Quando dormimos, este corpo e o mundo não existem para nós, e essas questões não nos preocupam e, contudo, existimos, o mesmo eu que existe agora quando acordamos. É só quando acordamos que temos um corpo e vemos o mundo. Se entendermos o acordar e o dormir [propriamente], entenderemos vida e morte. Mas o acordar e o dormir acontecem todos os dias, então as pessoas não percebem como é maravilhoso, e só querem saber [de] nascimento e morte.

domingo, 4 de novembro de 2012

Quantas formas de auto-engano escolhemos?


LIÇÃO 309

Não terei medo de olhar para dentro hoje.

1. A eterna inocência está dentro de mim, porque é Vontade de Deus que ela esteja aí para todo o sempre. Eu, Seu Filho, cuja vontade não tem limites tal qual a Própria Vontade d'Ele, não posso desejar nenhuma mudança nisso. Pois negar a Vontade de meu Pai é negar minha própria vontade. Olhar para dentro é apenas descobrir minha vontade tal qual Deus a criou e tal qual ela é. Eu tenho medo de olhar para dentro porque imagino que criei outra vontade que não é verdadeira e a tornei real. Mas ela não tem nenhum efeito. Dentro de mim está a Santidade de Deus. Dentro de mim está a lembrança d'Ele.

2. O passo que dou hoje, meu Pai, é minha libertação infalível de sonhos vãos de pecado. Teu altar continua sereno e puro. Ele é o altar santo para meu Ser e nele encontro minha Identidade verdadeira.

*

COMENTÁRIO:

De quantas formas diferentes escolhemos o auto-engano neste mundo? De que precisamos para abandonar de uma vez por todas a ilusão de um mundo que precisa de mudança, de pessoas cheias de defeitos que precisam mudar para atender a um padrão, a um ideal, para que possamos amá-las mais  e melhor? O que pensamos de nós mesmos, então, é muitas vezes indizível, porque o juiz que trazemos em nós - o ego - é mais rigoroso com aquilo que vê em nós mesmos do que com tudo o que possa ver fora de si.

É claro que isso tem a ver, conforme já chamei sua atenção antes, o que praticamos na lição 93, da primeira parte do Livro de Exercícios, que nos oferece a ideia: "A luz e a alegria e a paz habitam em mim". Mas, em geral, não é assim que nos vemos. 

O que o texto que nos prepara para as práticas com a lição 93 fala claramente daquilo que pensamos acerca de nós mesmo, ao dizer: "Tu pensas ser o lar do mal, das trevas e do pecado. Pensas que, se alguém pudesse perceber a verdade acerca de ti, ficaria repugnado e fugiria como de uma cobra venenosa. Pensas que, se aquilo que é a verdade acerca de ti te fosse revelado, serias acometido de um horror tão intenso que te precipitarias para a morte pela tua própria mão, por ser impossível continuar a viver depois de ver isso."

Ora, como já aprendemos, isto não é a verdade a nosso respeito. Como poderia ser, se somos o Filho de Deus?

É por isso que as práticas se fazem necessárias, para comecemos a aprender a verdade a respeito do Filho de Deus, a verdade a respeito de nós mesmos e a acerca de Deus.

É isto que podemos aprender com as práticas da ideia que o Curso nos oferece para este domingo, dia 4 de novembro. Pois é apenas no interior de nós mesmos, para onde podemos nos voltar sem medo algum, que podemos encontrar a verdade, que podemos nos conhecer e conhecer Deus em nós.

Às práticas?


sábado, 3 de novembro de 2012

Para se compreender a ilusão de tempo e espaço


LIÇÃO 308

Este instante é o único tempo que existe.

1. Imagino o tempo de tal forma que frustro meu objetivo. Se eu escolher alcançar a intemporalidade além do tempo, tenho de mudar minha percepção a respeito da serventia do tempo. O propósito do tempo não pode ser o de manter o passado e o futuro como uma coisa só. O único intervalo em que posso ser salvo do tempo é agora. Pois o perdão chega para me libertar neste instante. O nascimento de Cristo é agora, sem um passado ou um futuro. Ele vem para dar Sua bênção presente ao mundo, devolvendo-o à intemporalidade e ao amor. E o amor está sempre presente, aqui e agora.

2. Obrigado por este instante, Pai. É agora que sou redimido. Este instante é o momento que Tu estabeleces para a liberação de Teu Filho e para a salvação do mundo nele.

*

COMENTÁRIO:

A ideia para as práticas deste sábado, dia 3 de novembro, oferece mais uma vez o ensinamento que pode nos tornar livres da crença limitadora em um tempo linear, que nos faz acreditar que o que somos hoje é resultado daquilo tudo que aprendemos ao longo de nossa vida ou que somos o resultado de milhões, bilhões quem sabe, de anos de evolução. Isto não é a verdade do que somos. 

O que somos, na verdade, não muda com o tempo. Nem com o espaço. Aquilo que acreditamos a respeito de nós mesmos é apenas uma ideia equivocada acerca de uma imagem que fazemos do que julgamos ser o que somos. Como eu já disse antes, em harmonia com o que o Curso ensina, nós nunca reagimos aos fatos, mas apenas à interpretação que fazemos deles.

Como compreender e manter em mente, para além de quaisquer equívocos, que o tempo e espaço não existem senão na mente humana e são parte da ilusão criada pelo falso eu - o ego do Curso -, que é apenas a imagem que criamos e construímos de nós mesmos, mas que não é o que somos.

Quem sabe uma das histórias de Joel Goldsmith, extraída do livro O Despertar da Consciência Mística, pode nos trazer alguma luz sobre a questão. É uma história que fala de "um homem em um barco a remos, na correnteza".

O lugar e o tempo onde ele iniciou sua viagem era aqui e agora, mas o lugar para onde ele ia era ali e depois. Em outras palavras, era no futuro e era no espaço; mas quando ele chegou lá, achou que [lá] era aqui e agora. O lugar [de onde ele partiu] que tinha sido aqui e agora [agora] era lá e depois [ou antes], e o [outro] lugar para o qual ele ia era lá, mais tarde.

Tudo estava mudado; mas quando ele chegou ao último lugar, tudo atrás dele estava lá e naquele tempo e todo o seu aqui e agora tinha passado, exceto aquilo que ele carregou consigo para onde foi. Quanto ao que lhe dizia respeito, [ele] ainda estava aqui e agora.

Mais tarde, ele teve a oportunidade de subir em um balão. Quando o fez, descobriu que esses lugares [aqueles todos por onde ele havia passado e também aquele em que se encontrava] estão todos aqui e todos agora. Ele podia vê-los e tomar consciência deles das alturas, com a mesma atualidade e realidade. Não havia nem tempo nem espaço naqueles três.

E Goldsmith diz mais: "Quando fechamos os olhos, ficamos menos cientes do tempo e do espaço; mas, quando meditamos e alcançamos, enfim, o centro do ser em nós, toda a sensação de tempo, espaço, corpo desaparece: peso, preocupação, passado e futuro. Todas essas coisas desaparecem e nos descobrimos vivendo apenas. Não há sensação de tempo, nem de presente, nem de passado, nem de futuro. Não há sensação de desejo, porque na consciência mística profundo de estar aqui e agora, isto é, de experimentar só ser, há apenas realização".

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Abrir a consciência para o Cristo total e infinito


LIÇÃO 307

Minha vontade não pode ser desejos conflitantes*.

1. Pai, Tua Vontade é minha, e só ela. Não existe nenhuma outra vontade para mim. Não permitas que eu tente fazer outra vontade, pois isso não tem sentido e será motivo de dor para mim. Só Tua Vontade pode me trazer a felicidade, pois só a Tua existe. Se eu quiser ter só o que Tu podes dar, tenho de aceitar Tua Vontade para mim e escolher a paz na qual o conflito é impossível. Teu Filho é um Contigo em ser e vontade  e nada contradiz a verdade sagrada segundo a qual eu continuo a ser tal qual Tu me criaste.

2. E com esta prece entramos silenciosamente em um estado no qual o conflito não pode chegar, porque unimos nossa vontade santa à de Deus em reconhecimento de que elas são a mesma.

*

COMENTÁRIO:

Pensemos, nesta sexta-feira, dia 2 de novembro, um pouquinho mais a respeito do tema que busca dar unidade às práticas destas dez lições por que passamos desde o último sábado. O que é a Segunda Vinda? 

Em livro de Joel Goldsmith, que leio no momento, ele diz o seguinte: 

"Muitas pessoas acreditam que em breve haverá uma outra vida do Cristo, mas estou convencido que eu e você somos essa vinda, não proporção em que o Cristo é despertado em nós. Cada um de nós está agora chegando a esse estado de consciência em que podemos aceitar a declaração de Jesus de que o Consolador virá a nós, quando cessarmos de confiar nas pessoas [no sentido de ver além de suas formas] e nas formas e meios humanos. Quando você pode abrir sua consciência para o Cristo total infinito, então Cristo, o Cristo da segunda vinda, virá para você e para mim [e para o mundo inteiro]."

Ele diz ainda que não devemos esperar uma segunda vinda no sentido literal, isto é, não devemos esperar que uma pessoa venha, revestida de um corpo, a se proclamar o Cristo que voltou, uma vez que cada um de nós já é a encarnação do Cristo, se aprendermos a olhar para nós mesmos e para todos, com a visão do espírito em nós. É importante também ter bem claro que, ainda de acordo com Goldsmith, nenhuma pessoa  que não tenha empregado seu tempo em aprender a conhecer o Cristo vai vivenciar a segunda vinda.

E, voltando em parte ao comentário anterior para esta lição, é também disso que nos fala a ideia para as práticas de hoje, ao nos mostrar que nossa vontade só pode ser a Vontade de Deus, uma vez que só a Vontade d'Ele existe. Ou, se preferirem, só Ele existe, conforme podemos ler no texto da introdução ao capítulo 10 do livro:

"Nada além de ti mesmo pode te tornar medroso ou amoroso, por que não existe nada além de ti. (...) Deus não criou nada além de ti e nada além de ti existe, pois tu és parte d'Ele. O que exceto Ele pode existir? Nada além d'Ele ocorrer, porque nada exceto Ele é real"...

O que buscamos todos, e que nos pertence por direito, como Filhos de Deus, o Cristo, que somos, está sempre ao nosso alcance. O que acontece é que não o vemos a maior parte do tempo, porque cedemos nossa atenção e poder ao falso eu, que se acredita separado de Deus, que acredita poder existir uma vontade e um poder separados da Vontade de Deus.

O Curso nos orienta a praticar no sentido de re-aprender, ou re-lembrar, de nossa ligação original a Deus, mostrando-nos que tudo neste mundo é apenas uma ilusão, porque perecível, destinado a não durar. E é só a partir da orientação que recebemos todos os dias pelas lições - e por suas práticas - que pode vir a ser possível chegarmos a compreender que o mundo não contém nada que realmente queiramos.

Isto também pode nos levar a entender por que o Curso diz que não precisamos fazer nada. Coisa que outros muitos mestres já nos disseram ao longo dos tempos. E entender que não precisar fazer nada não significa sentar-se numa rede e ficar de "papo pro ar" esperando que tudo aquilo de que pensamos precisar caia do Céu. O "não fazer nada" a que o Curso se refere tem a ver apenas com a entrega, significa entender que não é possível fazermos nada sozinhos. Pois fazemos tudo em Deus, com Ele. Significa entender, aceitar, acolher e agradecer o tempo todo por isso. Afinal, só alcançaremos a liberdade completa, como diz o Curso, e desfrutaremos de tudo o que é nosso por direito quando reconhecermos nota total e completa dependência de Deus.     

* NOTA
No original conflicting. A palavra conflicting pode ser traduzida como conflitantecontraditórioabsurdoincoerente ou ilógico, todos sinônimos que remetem a algo não unificado, algo incerto e duvidoso. Apesar de eu ter mudado a ordem da frase original, mantive o adjetivo conflitante, escolhido por Lillian como tradução para o adjetivo original, embora acredite que a ideia ficaria mais bem dita se ficasse assim: "Minha vontade não pode ter desejos contraditórios".


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Haverá um final para o que não teve um início?


LIÇÃO 306

A dádiva de Cristo é tudo o que busco hoje.

1. O que a não ser a visão de Cristo eu usaria hoje, se ela pode me oferecer um dia em que vejo o mundo tão parecido com o Céu que uma lembrança antiga volta para mim? Hoje posso esquecer o mundo que fiz. Hoje posso ir além de qualquer medo e ser devolvido ao amor, e à santidade, e à paz. Hoje sou redimido e nasço de novo em um mundo de misericórdia e proteção; de bondade amorosa e da paz de Deus.

2. E assim, Pai nosso, voltamos a Ti, lembrando que nunca partimos, lembrando de Tuas dádiva para nós. Em gratidão e reconhecimento vimos, com as mãos vazias e corações e mentes abertos, pedir apenas o que Tu dás. Não podemos fazer uma oferenda adequada a Teu Filho. Mas, no Teu Amor, a dádiva de Cristo é dele.

*

COMENTÁRIO:

Repetindo, mais uma vez, com algumas pequenas alterações, os comentários feitos anteriormente a esta lição, lembremo-nos das palavras finais do livro O Nascimento do Prazer, de Carol Gilligan, do qual já lhes falei antes:

"Talvez o amor seja como a chuva. Às vezes suave, às vezes torrencial, que inunda, esboroando, alegre, constante, que impregna a terra e se acumula em fontes subterrâneas. Quando chove, quando amamos, surge mais vida. Dizer que existem duas vias, uma que leva à vida e uma que leva à morte e [que], portanto, escolhamos a vida, é na realidade dizer: escolhamos o amor. Nós temos um mapa. Conhecemos o caminho."

Isto. como eu já disse também, não é em nada diferente do que nos aconselham todos os mestres que já andaram - e os que ainda andam - por este mundo e trilharam, ou ainda trilham, os caminhos que ora trilhamos. Isto é exatamente o que dizem todos os mestres com quem já tomamos contato, de quem já tivemos notícia. E também é o que dizem todos os mestres que nos falam hoje. Ou que vão dizer todos aqueles com quem ainda vamos tomar contato.


Acredito também que isto não é nada diferente do que se continuará a dizer por anos e anos, décadas e décadas, séculos e séculos, eras, até o final dos tempos [haverá um final, se sabemos que não houve um início?], quando já não nos encontrarmos aqui, na forma corpórea, que acreditamos usar como o veículo que nos permite estar no mundo e entrar em contato e em comunicação com os que o habitam ao mesmo tempo que nós. [Lembremo-nos também de que há ainda os que, de forma equivocada, se acreditam corpos e temem por ele, por seu desaparecimento, por doenças que ele possa vir a contrair, por dores que ele possa sofrer.]

Uma lição recente afirma: "a percepção é um espelho, não um fato". O Curso ensina: "o mundo é ilusão", "o corpo é ilusão". E teimamos em acreditar que ele, o corpo, e todas as coisas que ele vê e inventa na ilusão de ser e ter algum valor diferente daquele que nós mesmos atribuímos a ele e a todas as coisas, é real, equivocados por acreditar no sistema de pensamento do ego. Teimamos em acreditar que o mundo não é apenas resultado de nossos pensamentos e interpretações colocados "aparentemente" fora de nós.

É esta nossa crença que cria-inventa todo o sofrimento, toda a dor, todas as aparentes desgraças e infortúnios do desamor no mundo em que acreditamos viver. Neste mundo das formas e aparências, que só existe a partir do que pensamos. É isso que queremos de fato? Não?

Vamos nos fazer, então, mais uma vez a pergunta feita ao final dos comentários anteriores a esta lição: Por que, então, não experimentar trazer à consciência - e mantê-la lá - a ideia que o Curso nos oferece para as práticas desta quinta-feira, dia 1 de novembro?

Ela pode, com certeza, ajudar a transformar nossa experiência pessoal de mundo e, com isso, ajudar a transformar o mundo em Céu. Pois, como o Curso ensina: "Mesmo neste mundo, sou eu que governo meu destino." Lembram-se da lição 253?

Às práticas, pois!