terça-feira, 9 de agosto de 2011

Renovar o compromisso a cada um dos passos

PARTE II

Introdução

1. As palavras farão pouco sentido agora. Nós as usamos apenas como guias dos quais já não dependemos. Pois agora buscamos somente a experiência direta da verdade. As lições que restam são simplesmente introduções aos momentos em que deixamos o mundo de dor e avançamos para penetrar na paz. Agora começamos a atingir a meta que este curso estabelece e a encontrar o fim em cuja direção nossa prática sempre esteve orientada.

2. Agora tentamos permitir que o exercício seja simplesmente um começo. Pois esperamos em calma expectativa por nosso Deus e Pai. Deus garante que Ele Mesmo dará o último passo. E temos certeza de que Ele cumpre Suas promessas. Já fomos longe na estrada e agora esperamos por Ele. Continuaremos a passar algum tempo com Ele a cada manhã e à noite, enquanto isto nos fizer felizes. Já não consideramos o tempo uma questão de duração. Usamos tanto quanto necessitarmos para o resultado que desejamos. Tampouco esqueceremos de nossa lembrança a cada hora no intervalo, chamando por Deus quanto tivermos necessidade d'Ele no momento em que formos tentados a esquecer nossa meta.

3. Continuaremos com um pensamento central para todos os dias que virão e usaremos aquele pensamento para começar nossos momentos de descanso e para acalmar nossas mentes quando necessário. Mas não nos satisfaremos simplesmentes com a prática nos instantes santos que restam, que concluem o ano que dedicamos a Deus. Dizemos algumas palavras simples de boas vindas e esperamos que o Pai Se revele, conforme Ele prometeu. Nós O chamamos e Ele assegura que Seu Filho não ficará sem resposta quando invocar o Nome d'Ele.

4. Agora vamos a Ele só com Sua Palavra em nossas mentes e corações, e esperamos que Ele dê, em nossa direção, o passo de que Ele falou pela Sua Voz, que Ele não deixaria de dar quando nós O convidássemos. Ele não abandona Seu Filho em toda sua loucura, nem trai a confiança que Seu Filho tem n'Ele. A fidelidade de Deus não O torna merecedor do convite que Ele busca para nos fazer felizes? Nós o ofereceremos e ele será aceito. Agora passaremos nossos momentos com Ele deste modo. Dizemos as palavras do convite que Sua Voz sugere e, em seguida, esperamos que Ele venha a nós.

5. Agora se cumpre o tempo da profecia. Agora todas as antigas promessas são mantidas e cumpridas por inteiro. Não resta nenhuma ação para o tempo separar de sua realização. Pois agora não podemos falhar. Senta em silêncio e espera teu Pai. Ele deseja vir a ti quando reconheceres que é tua vontade que Ele o faça. E que tu nunca poderias vir tão longe a menos que visses, ainda que de modo não muito claro, que esta é tua vontade.

6. Eu estou tão perto de ti que não podemos falhar. Pai, nós damos estes momentos santos a Ti, em gratidão Àquele Que nos ensina como deixar o mundo de tristeza em troca de seu substituto, que Tu nos deste. Não olhamos para trás agora. Olhamos para frente e cravamos nossos olhos no final da jornada. Aceita estas nossas pequenas dádivas de gratidão, uma vez que pela visão de Cristo vemos um mundo além daquele que criamos e aceitamos que esse mundo seja o substituo pleno para o nosso.

7. E agora esperamos em silêncio, sem medo e certos de Tua vinda. Buscamos encontrar nosso caminho seguindo o Guia que Tu nos enviaste. Não conhecíamos o caminho, mas Tu não nos esqueceste. E sabemos que Tu não nos esquecerás agora. Pedimos apenas que Tuas antigas promessas, que é Tua Vontade cumprir, sejam cumpridas. Ao pedir isto desejamos Contigo. O Pai e o Filho, Cujas Vontades santas criaram tudo o que existe, não podem falhar em nada. Com esta certeza empreendemos estes últimos passos em direção a Ti e descansamos na confiança de Teu Amor, que não faltará ao Filho que chama por Ti.

8. E, assim, iniciamos a parte final deste ano santo, que passamos juntos na busca da verdade e de Deus, que é seu único Criador. Descobrimos o caminho que Ele escolheu para nós e fizemos a escolha de seguí-Lo assim como Ele quer que façamos. Sua Mão nos ampara. Seus Pensamentos iluminam a escuridão de nossas mentes. Seu Amor nos chama incessantemente desde o ínício do tempo.

9. Tínhamos um desejo de que Deus fracassasse em ter o Filho a quem Ele criou para Si Mesmo. Queríamos que Deus mudasse a Si Mesmo e fosse o que queríamos fazer d'Ele. E acreditávamos que nossos desejos loucos eram a verdade. Agora estamos alegres porque tudo isto está desfeito e nós não pensamos mais que as ilusões são verdadeiras. A lembrança de Deus resplandece pelos vastos horizontes de nossas mentes. Mais um instante e ela surgirá outra vez. Mais um instante e nós, que somos Filhos de Deus, estaremos a salvo em casa, onde Ele quer que estejamos.

10. Agora, a necessidade de prática quase acabou. Pois nesta última parte chegaremos a compreender que só precisamos chamar por Deus e todas as tentanções desaparecem. Em lugar de palavras, precisamos apenas sentir Seu Amor. Em vez de preces, só precisamos invocar Seu Nome. Em lugar de julgar, só precisamos ficar calmos e deixar que todas as coisas sejam curadas. Aceitaremos o modo pelo qual o plano de Deus terminará do mesmo modo que recebemos o modo com que ele começou. Agora ele está consumado. Este ano nos trouxe até a eternidade.

11. Conservaremos ainda uma nova utilidade para as palavras. De vez em quando, instruções acerca de um tema de particular importância se intercalarão com nossas lições diárias e os períodos sem palavras, profunda experiência que deve vir posteriormente. Estes pensamentos particulares devem ser revistos todos os dias e cada um deles deve continuar até que o próximo te seja dado. Eles devem ser lidos e deve-se refletir a respeito deles lentamente com atenção por algum tempo antes de um dos instantes santos e abençoados do dia. Damos agora a primeira destas intruções.

*

1. O que é o perdão?

1. O perdão reconhece que o que pensaste que teu irmão fez a ti não aconteceu. Ele não perdoa os pecados e os torna reais. Ele vê que não houve pecado. E, em vista disso, todos os teus pecados são perdoados. O que é o pecado exceto uma ideia falsa acerca do Filho de Deus? O perdão simplesmente vê sua falsidade e, em razão disso, a abandona. Agora, então, o que fica livre para ocupar seu lugar é a Vontade de Deus.

2. Um pensamento que não perdoa é um pensamento que faz um juízo ao qual não porá em dúvida, embora não seja verdadeiro. A mente está fechada e não será liberada. O pensamento oculta a projeção, apertando suas correntes a fim de que as distorções fiquem mais veladas e mais disfarçadas; menos facilmente sujeitas à dúvida e mantidas mais distante do bom senso. O que pode se interpor entre uma projeção rígida e o objetivo que ela escolhe como a meta que quer?

3. Um pensamento que não perdoa faz muitas coisas. Busca seu objetivo numa ação frenética, torcendo e destruindo aquilo que vê como intromissões ao caminho que escolheu. Seu objetivo, e também o meio pelo qual quer alcançá-lo, é a distorção. Ele inicia suas tentativas furiosas de esmagar a realidade sem preocupação com qualquer coisa que pareça apresentar uma contradição a seu ponto de vista.

4. O perdão, por outro lado, é tranquilo e, de modo sereno, não faz nada. Ele não transgride nenhum aspecto da realidade, nem busca alterá-la para formas que lhe agradem. Ele olha simplesmente e espera, e não julga. Aquele que não quer perdoar tem de julgar, pois precisa justificar seu fracasso em perdoar. Mas aquele que quer perdoar tem de aprender a receber a verdade exatamente como ela é.

5. Não faças nada, então, e permite que o perdão te mostre o que fazer, por intermédio d'Aquele Que é teu Guia, teu Salvador e Protetor, forte em esperança e certo de teu êxito final. Ele já te perdoou, porque esta é Sua função, que Lhe foi dada por Deus. Agora tu tens de compartilhara a função d'Ele e perdoar aquele que Ele salvou, cuja inocência Ele vê a a quem Ele reconhece como o Filho de Deus.

*

LIÇÃO 221

Paz a minha mente. Que todos os meus pensamentos silenciem.

1. Pai, venho a Ti hoje para buscar a paz que só Tu podes dar. Venho em silêncio. Na calma de meu coração, nos recantos mais profundos de minha mente, espero e presto atenção a Tua Voz. Fala comigo hoje, meu Pai. Venho ouvir Tua Voz em silêncio e na certeza e no amor, convencido de que Tu ouvirás meu chamado e me responderás.

2. Agora esperamos em paz. Deus está aqui, porque esperamos juntos. Tenho certeza de que Ele falará contigo e de que ouvirás. Aceita minha confiança, pois ela é tua. Nossas mentes estão unidas. Nós esperamos com uma só intenção; ouvir a resposta de nosso Pai a nosso chamado, para permitir que nossos pensamentos silenciem e encontrem a paz de Deus, para ouví-Lo falar daquilo que somos e para Se revelar a Seu Filho.

*

COMENTÁRIO:

Vamos começar, nesta terça-feira, dia 9 de agosto, mais uma vez, para quem está conosco desde o início, há três anos, a dar os primeiros daqueles passoas que vão nos levar em direção à percepção verdadeira, conforme o Curso nos orienta. Repetindo o que eu disse no ano passado, espero que todos continuemos a ter uma jornada de muita paz, de muita alegria e de muita esperança. A luz está conosco. Espero e desejo, pois, que continuemos a caminhar todos juntos, animados pela perspectiva de compartilhar a luz que vamos receber de volta para iluminar todos os nossos caminhos e para iluminar os caminhos de todos aqueles que caminham conosco.

É importante que renovemos de novo o compromisso de seguir as orientações que receberemos ao longo destes últimos passos. Cada uma delas está destinada a ficar conosco por dez dias. Isto é, cada instrução será renovada a cada dez lições. Por isto a necessidade de toda a atenção a estes primeiros passos.

Desejo, mais uma vez, a todos os que já estão conosco há algum tempo, da mesma forma que aos que se juntaram a nós há pouco e a todos os que estão chegando agora ou aos que ainda virão, uma boa jornada. Vamos todos, por favor, buscar nos lembrar sempre de que caminhamos juntos. Por isso, todos podemos ser úteis para animar e iluminar a caminhada de quem quer que precise de nossa luz e de nossa alegria.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Alcançar a paz de Deus para voltar à Fonte

LIÇÃO 220

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (200) Não há nenhuma paz a não ser a paz de Deus.

Não deixes que eu me desvie do caminho da paz, pois fico perdido em outras estradas que não esta. Mas deixa-me seguir Aquele Que me conduz para casa, e a paz é tão certa quanto o Amor de Deus.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

A ideia que vamos revisar nesta segunda-feira, dia 8 de agosto, é a última da primeira parte do livro de exercícios. Terminamos aqui o primeiro trecho do caminho que escolhemos seguir. Oxalá tenhamos todos - os que chegam até aqui pela primeira, os que estão refazendo o caminho pela segunda, terceira, quarta ou mais vezes -, alcançado o objetivo de pôr de lado alguns, se não todos, os ensinamentos do mundo, que nos impediam de seguir adiante na direção de nós mesmos [do autoconhecimento] e de Deus.

Esta primeira parte, pois, se encerra com a afirmação de que "não há nenhuma paz a não ser a paz de Deus". Isto é, de nada adianta procurarmos em outros lugares, em pessoas coisas e em qualquer ponto do mundo. Se não entrarmos em contato com a paz de Deus em nós mesmos, ainda não teremos alcançado a paz que pode nos devolver à origem, à Fonte, ao que somos na verdade.

Lembremo-nos também de que chegar até aqui é uma grande realização, pois, de alguma forma já estamos preparados para dar continuidade à jornada, que não termina jamais, uma vez iniciada. Uma jornada, como eu disse no ano passado, em que não devemos nos desviar do caminho da paz, o caminho que pode nos levar a alcançar a percepção verdadeira, a percepção que está em sintonia com o espírito em nós e que vai, enfim, nos levar a nosso destino final: a nós mesmos e a Deus.

Pratiquemos, portanto, mais uma vez, ficar em paz e oferecer a paz, para aprendê-la.

domingo, 7 de agosto de 2011

Aquietar a mente e ouvir a resposta da Voz por Deus

LIÇÃO 219

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (199) Eu não sou um corpo. Sou livre.

Eu sou o Filho de Deus. Aquieta-te, minha mente, e pensa nisto por um momento. E, depois, volta à terra, sem confusão a respeito do que meu Pai ama para sempre como Seu Filho.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Eis aqui neste domingo, dia 7 de agosto, a reprise do comentário feito a esta mesma lição no ano passado, com apenas algumas pequenas alterações.

Revisamos hoje a ideia que nos oferece a possibilidade de libertação completa da crença que nos aprisiona e limita em um corpo, em uma forma. Uma ideia que nos afiança sermos livres, ao reconhecermos, compreendermos e  aceitarmos que não somos corpos. Somos espírito. E o espírito é livre.

É esta a verdade a respeito do que somos, se acreditarmos que ainda somos como Deus nos criou. Mas quem acredita nisto, quando olha para o mundo e vê o "caos" que aparentemente se instalou sobre a terra? Porém, a ideia que praticamos também nos permite ver que o aparente "caos" é apenas a ilusão gerada pela crença em corpos e formas, frutos de uma separação que nunca existiu. Ele é apenas uma interpretação que fazemos do que vemos.

É por esta razão que a orientação para as práticas fala em aquietar a mente. Para que olhemos de modo diferente para o mundo, e para as coisas dele ou nele. Nada é o que parece ser. Pois o que nossos olhos vêem, conforme uma lição lá do início é apenas o passado. E quando cometemos o equívoco de acreditar que compreendemos o que percebemos, seu significado está perdido para nós (conforme T-11.VIII.2:3).

Ainda de acordo com o que o Curso ensina, não conhecemos o significado de nenhuma das coisas que vemos e não temos nenhum pensamento totalmente verdadeiro. Mas temos um Professor, Que conhece o significado de todas coisas. E podemos perguntar a Ele se estivermos dispostos a aprender. Todavia, para aprender com Ele, é preciso que tenhamos disposição para questionar todas as coisas que aprendemos por conta própria [no mundo e do mundo], pois aprendemos mal quando buscamos ser professores de nós mesmos (vide T-11.VIII.3).

Aproveitemos, pois, as práticas de hoje para aprender a respeito de nossa liberdade com o único Professor Que conhece todas as coisas, aquietando nossas mentes para ouvir Sua Resposta.

sábado, 6 de agosto de 2011

"Temos pensamentos, não somos os pensamentos."

LIÇÃO 218

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (198) Só minha condenação me fere.

Minha condenação mantém minha percepção duvidosa e com meus olhos cegos não posso perceber a beleza de minha glória. Hoje, porém, posso ver esta glória e ficar alegre.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Thomas Keating, de quem já lhes falei antes, em seu livro Intimidade com Deus, compara nossa consciência a um rio, em cuja superfície os pensamentos passeiam, como barcos. "A superfície do rio representa nosso nível psicológico normal de consciência. Mas o rio também tem profundezas e o mesmo acontece com nossa consciência. Debaixo do nível psicológico normal de consciência, há o nível espiritual de consciência, no qual nosso intelecto e vontade funcionam em seu modo peculiar, de maneira espiritual", diz ele.

E acrescenta, em um nível mais profundo ainda, ou mais 'centralizada', "está a Força Interior Divina, onde a energia divina está presente como fonte de nossa existência e inspiração a todo momento". É na parte mais central ou íntima de nosso ser, em um lugar a que "os místicos chamam de 'fundamento da existência' ou 'pico do espírito' que podemos encontrar "o esforço pessoal e a graça".

O que fazemos na prática diária, ao utilizarmos a ideia que o Curso nos apresenta a cada lição, de acordo com as instruções, serve como um "gesto do consentimento de nossa vontade espiritual para a presença de Deus no mais íntimo de nosso ser".

Durante as práticas, a ideia  dever aparecer em nossa imaginação sem exercer "nenhuma função tranquilizadora no nível de nosso fluxo de consciência normal". Em vez disso, seu papel é favorecer a expressão "de nossa intenção, a escolha de nossa vontade de se abrir e [de] se entregar à presença divina".

A ideia serve para permitir, se nos lembrarmos da metáfora da consciência como um rio, que "os pensamentos naveguem como barcos na superfície do rio, sem atrair nosso desejo, nem provocar aversão". Isso vai permitir que nos desviemos por algum tempo do processo de pensar, pois "o processo pensante", diz Keating, tende a reforçar o sistema ao qual estamos acostumados e não nos deixa sair do "frenesi para 'obter algo' do mundo exterior para abastecer nossas compulsões ou disfarçar nossa mágoa", além, é claro, de acentuar quaisquer sensações de culpa que tenhamos desenvolvido por alguma razão.

Lembram-se do que Eckhart Tolle diz a respeito do pensamento? Em seu livro, O Poder do Agora, ele diz que o processo do pensamento faz com que nos identifiquemos com a mente e que "ser incapaz de parar de pensar provoca uma aflição terrível".

Quando nos identificamos com a mente, diz Eckhart, "criamos uma tela opaca de conceitos, rótulos, imagens, palavras, julgamentos e definições que bloqueia todas as relações verdadeiras" e que se interpõe entre nós e o nosso próprio interior, entre nós e próximo, entre nós e a natureza e entre nós e o divino em nós mesmos. É por essa razão que, para ele, "pensar se tornou uma doença". Isto é, "o ruído mental incessante nos impede de encontrar a área de serenidade interior que é inseparável" daquilo que, na verdade, somos.

Dizendo de outro modo, "a doença acontece quanto as coisas se desequilibram. Por exemplo, não há nada errado com a divisão e a multiplicação das células no corpo humano. Mas, quando esse processo acontece sem levar em conta o organismo como um todo, as células se proliferam e temos a doença", o câncer, entre elas.

Isso é quase a mesma coisa que Keating diz quando, ao se referir ao processo de pensamento, sugere que um descanso "em bases regulares de vinte a trinta minutos sem pensar" nos levaria a perceber que "não somos nossos pensamentos. Temos pensamentos, mas não somos nossos pensamentos".

O que, em geral, nos faz sofrer é pensarmos que somos nossos pensamentos e, se nossos pensamentos são inquietantes, penosos ou 'maus', ficamos confusos com eles. Se nos déssemos o direito de parar de pensar por algum tempo, todos os dias, como disciplina - lembram-se da fidelidade à prática? -, começaríamos a ver que não precisamos ser dominados pelos pensamentos.

Em última instância, o que acontece é que não percebemos que a mente pode ser - e é - "um instrumento magnífico" [Tolle], usada de maneira correta. Em geral, em nosso nível psicológico normal, nós a usamos de forma errada, ou, melhor dizendo, não a usamos, deixamos que ela nos use. Ao acreditar que somos a mente, que somos nossos pensamentos, permitimos que o instrumento se aposse de nós. Tornamo-nos o instrumento.

É para chamar nossa atenção para isto que as práticas da ideia deste sábado, 6 de agosto, se destinam.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Não precisamos nada mais do que nossa gratidão

LIÇÃO 217

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (197) Só posso ganhar a minha gratidão.

Quem, a não ser eu mesmo, deve agradecer por minha salvação? E de que modo, a não ser pela salvação, posso descobrir o Ser a Quem devo minha gratidão?

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Se pararmos para refletir um pouquinho só que seja a respeito da última da ideia que revisamos, Só posso crucificar a mim mesmo, relacionando-a, mais uma vez como fiz ontem, à ideia de uma lição anterior, Tudo que dou é dado a mim mesmo, abrindo caminho também para a ideia que vamos revisar amanhã, Só minha condenação me fere, ou lembrando de que há, na segunda parte, uma lição cuja ideia afirma que Nada pode me ferir, exceto meus pensamentos, ou outra que diz que Só meus pensamentos me afetam, havemos de concluir que, na verdade, tudo gira em torno de nós mesmos, de cada um de nós. Ou seja, o mundo só existe como projeção ou manifetação de tudo aquilo que trago dentro de mim. Tanto isso é verdade que estamos já até cansados de ouvir dizer que há tantos mundos quantas são as pessoas que habitam neste em que aparentemente vivemos.

Isto é apenas a confirmação da ideia que praticamos nesta sexta-feira, dia 5 de agosto, que nos diz que só podemos esperar nossa própria gratidão. Mais uma razão, conforme eu disse no ano passado, para aprendermos a não depositar nenhuma expectativa em nada, nem em ninguém. Deve bastar-nos a certeza de que sempre podemos contar com nossa própria gratidão, uma vez a tenhamos aprendido.

Esta ideia é também mais uma razão para que deixemos de buscar determinar o modo que os outros devem viver. Se, em geral, não sabemos o que fazer com nosso próprio mundo, o que nos leva a pensar que podemos decidir o que é melhor para uns e outros?

Voltando a uma parte do comentário do ano passado, é bom lembrar de novo que o texto que introduziu esta ideia para as práticas na primeira vez diz a certa altura: "Não importa se outro considera tuas dádivas indignas. Na mente dele existe uma parte que se junta a tua para te agradecer. Não importa se tuas dádivas parecem perdidas e inúteis. Elas são recebidas onde são dadas. Em tua gratidão elas são aceitas universalmente e reconhecidas com gratidão pelo Coração do Próprio Deus".

Alguém pode pedir ou querer mais do que isto? Não será o caso de aprendermos a dar graças por sermos capazes da gratidão? E, se tudo que damos é a nós mesmos que damos, será difícil concluir que sempre que somos gratos a alguém por alguma coisa é nossa própria gratidão que recebemos? E que não precisamos de mais nada?

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Abandonar a culpa para experimentar a paz

LIÇÃO 216

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (196) Só posso crucificar a mim mesmo.

Tudo o que faço, faço a mim mesmo. Se ataco, eu sofro. Mas, se eu perdoar, a salvação me será dada.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Uma vez que a lição desta quinta-feira, dia 4 de agosto, tem tudo a ver com o que discutimos em nosso encontro na terça e que se refere também ao longo comentário que teci ontem, repito o que disse, no ano passado a respeito da ideia que vamos revisar hoje.

Vamos revisar uma ideia que contém uma verdade que não aprendemos com o mundo. O mundo nos ensina a julgar, a condernar, a atacar e a crucificar todos os que se apresentam em nossos caminhos como culpados pelo estado de coisas que vivemos. Um estado que, aliás, nunca é de nossa própria responsabilidade, uma vez que nós "sabemos" o que fazemos e o que queremos, enquanto os outros estão todos errados, a se dar ouvidos ao sistema de pensamento do ego.

O Curso diz várias vezes, em diversos pontos diferentes, que oferece um ensinamento muito simples. Afinal, como ele diz a certa altura, o que pode ser mais simples do que descobrir que ilusão é ilusão e que só a verdade é verdadeira?

E é isto que a ideia para as práticas de hoje nos ajuda a aprender e a compreender. Pois ela é apenas extensão é consequência natural de outra lição que diz: Tudo o que dou é dado a mim mesmo (Lição 126). Ora, se só dou a mim mesmo, é lógico que só posso ferir a mim mesmo, não?

Isto não é simples de se aprender? Sim! Sim! É simples, mas não é fácil. E por quê? Por estarmos hipnotizados pelos modos e sugestões do mundo [do ego], grande número de vezes não nos apercebemos de que o que fazemos só atinge mais fundo, de fato, a nós mesmos.

Apesar de todos já termos experimentado em algum momento a dor que resulta de se ferir alguém, o ego nos convida a relevar esta dor e a esquecê-la, sob a justificativa de que o que fizemos era o que aquela pessoa merecia.

Na verdade, sabemos que não é assim. Pois sempre que buscamos ferir ou atacar alguém é a nós mesmos que machucamos mais. E pagamos o preço em culpa. E a culpa gera o medo. E não conseguimos mais ficar em paz. É só abandonando a culpa, que vem do julgamento e do ataque, frutos da crença na separação, que vamos conseguir experimentar a paz.

Afinal, o que queremos de verdade para nossa vida? Paz ou culpa?

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

"A ação do Espírito Santo é terapêutica."

LIÇÃO 215

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (195) O amor é o caminho que sigo com gratidão.

O Espírito Santo é meu único Guia. Ele caminha comigo no amor. E eu dou graças a Ele por me mostrar o caminho a seguir.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

O comentário feito a esta lição no ano passado buscava fornecer a todos os frequentadores deste espaço mais elementos para o aprofundamento das práticas com a ideia desta quarta, dia 3 de agosto. Assim como penso que fazem todos os comentários.

No ano passado dividi com vocês uma das muitas mensagens que Helen Schucman recebeu da "Voz", esta de 1975, está registrada no livro Absence from Felicity, de Kenneth Wapnick. A mensagem, de acordo com Ken, era uma advertência a Helen, e, por extensão, a nós todos no mundo inteiro, a não acreditar que apenas nosso desejo de ouvir seja suficiente para ouvirmos verdadeiramente. Acho que vale voltar lá e dar uma espiada.

Também a este respeito, como lembra Ken no livro citado, o Curso nos adverte categoricamente: "Não confies nas tuas boas intenções. Elas não são suficientes" (T-18.IV.2:1-2).

Buscando, então, não perder o fio da meada e manter a tentativa de lhes fornecer mais dados para explicar por que razão o Curso e todos os seus professores consideram as práticas extremamente importantes, valho-me mais uma vez do que diz Thomas Keating, em seu livro Intimidade com Deus, que citei ontem em um comentário.

Quando ele se refere ao que chama de Oração Centralizadora, podemos aproveitar o que ele diz e pensar na lições não como práticas concentradoras, nem como exercícios de atenção. O que as práticas nos oferecem diariamente é mais um "exercício de intenção. É nossa vontade, nossa faculdade de escolha, que cultivamos [com as práticas]. A vontade é também nossa faculdade de amor espiritual, que é primordialmente uma escolha. Pode ser acompanhada de sentimentos de amor, mas não os requer. O amor divino não é sentimento [pelo menos não no sentido em que pensamos a respeito do sentimento]. [O amor divino] É disposição ou atitude de submissão contínua e [de cuidado] pelos outros, semelhante [ao cuidado] que Deus tem conosco e com toda coisa viva.

"[Precisamos notar que as práticas com as quais nos comprometemos são a] aceitação não só da presença divina [em primeiro lugar, em nós mesmos], mas também da ação divina. Nossa experiência durante um período de [prática] (ou mesmo fora dele) precisa ser entendida no contexto de nosso relacionamento com o Espírito que é, acima de tudo terapêutico. Por quê? Porque estamos doentes! Se achamos que estamos bem e experimentamos essa atividade curativa (o termo tradicional é 'purificante' [ou purificadora]) ela pode nos causar grande surpresa. Às vezes, em lugar da tranquilidade jubilosa que esperamos do descanso em Deus, encontramos movimentos turbulentos de nosso inconsciente, inclusive emoções fortes e até lágrimas. Algumas medicações são dolorosas, não por ser esse o desejo do médico, mas porque nossa doença é tal que exige um remédio drástico.

"A vontade desenvolve o hábito de submissão à crescente presença e ação de Deus. Nesse ínterim, a influência do Espírito em nossa [prática] também aumenta... [Podemos imaginar o Espírito vindo em nossa direção.] À medida que nossa prática... se aprofunda há uma interação na qual às vezes nossa atividade tranquila predomina e, outras vezes, o Espírito assume."

Em alguns momentos, a partir da fidelidade à pratica diária, podemos mesmo ter a sensação de uma espécie de consciência da ação divina em nós e no mundo.

Isso não significa, no entanto, que, porque recebe o consolo espiritual proporcionado pela prática do recolhimento ou porque se deixou absorver por Deus na prática da unidade, a pessoa se tornou santa. "Como a ação do Espírito Santo é terapêutica, pode [sim!] significar que estamos tão doentes, que precisamos de atenção especial! Assim, não devemos nos envaidecer com essas coisas. Por outro lado, também não resistimos a elas, porque talvez sejam exatamente o que é preciso para nossa cura".

É por isso que o Curso ensina que "os milagres são apenas o sinal de tua disposição em seguir o plano de salvação do Espírito Santo, reconhecendo que tu não conheces o que ele é. [Não é tua/[nossa] função fazer
o trabalho do Espírito Santo] "e a não ser que aceites isso, não poderás aprender qual é a tua função".


Perdoem-me se o conteúdo deste comentário lhes parecer por demais longo, mas ele me parece muito oportuno para enriquecer e complementar as práticas da ideia de hoje, ao mesmo tempo que, acredito, serve para trazer luz aos diferentes estados emocionais que muitas vezes se manifestam em nós durante e depois das práticas.