sábado, 14 de agosto de 2021

Teu lugar de direito não é o tempo, mas a eternidade

 

1. O que é o perdão?

1. O perdão reconhece que o que pensaste que teu irmão fez a ti não aconteceu. Ele não perdoa os pecados e os torna reais. Ele vê que não houve pecado. E, em vista disso, todos os teus pecados são perdoados. O que é o pecado exceto uma ideia falsa acerca do Filho de Deus? O perdão simplesmente vê sua falsidade e, em razão disso, a abandona. Agora, então, o que fica livre para ocupar seu lugar é a Vontade de Deus.

2. Um pensamento que não perdoa é um pensamento que faz um juízo ao qual não porá em dúvida, embora não seja verdadeiro. A mente está fechada e não será liberada. O pensamento oculta a projeção, apertando suas correntes a fim de que as distorções fiquem mais veladas e mais disfarçadas; menos facilmente sujeitas à dúvida e mantidas mais distante do bom senso. O que pode se interpor entre uma projeção rígida e o objetivo que ela escolhe como a meta que quer?

3. Um pensamento que não perdoa faz muitas coisas. Busca seu objetivo numa ação frenética, torcendo e destruindo aquilo que vê como intromissões ao caminho que escolheu. Seu objetivo, e também o meio pelo qual quer alcançá-lo, é a distorção. Ele inicia suas tentativas furiosas de esmagar a realidade sem preocupação com qualquer coisa que pareça apresentar uma contradição a seu ponto de vista.

4. O perdão, por outro lado, é tranquilo e, de modo sereno, não faz nada. Ele não transgride nenhum aspecto da realidade, nem busca alterá-la para formas que lhe agradem. Ele olha simplesmente e espera, e não julga. Aquele que não quer perdoar tem de julgar, pois precisa justificar seu fracasso em perdoar. Mas aquele que quer perdoar tem de aprender a receber a verdade exatamente como ela é.

5. Não faças nada, então, e permite que o perdão te mostre o que fazer, por intermédio d'Aquele Que é teu Guia, teu Salvador e Protetor, forte em esperança e certo de teu êxito final. Ele já te perdoou, porque esta é Sua função, que Lhe foi dada por Deus. Agora tu tens de compartilhar a função d'Ele e perdoar aquele que Ele salvou, cuja inocência Ele vê e a quem Ele reconhece como o Filho de Deus.

*

LIÇÃO 226

Meu lar me espera. Eu me apresso na direção dele.

1. Posso desistir inteiramente deste mundo, se assim eu escolher. Não é a morte que torna isto possível, mas a mudança do modo de pensar acerca da finalidade do mundo. Se eu acreditar que ele tem algum valor da forma com que o vejo agora, ele permanecerá assim para mim. Mas se eu não vir nenhum valor no mundo assim como o vejo, nada que eu queria manter como meu ou buscar como uma meta, ele se afastará de mim. Pois não busco ilusões para substituir a verdade.

2. Pai, meu lar espera minha volta alegre. Teus Braços estão abertos e eu ouço Tua Voz. Que necessidade tenho de me demorar em um lugar de desejos vãos e de sonhos despedaçados, se o Céu pode ser meu de modo tão fácil?

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 226

Atenção, atenção! Muita atenção novamente! É só isto que precisamos dedicar à ideia que o Curso nos oferece para as práticas de hoje. Toda a atenção de que formos capazes. Assim como é de atenção que precisamos em relação a todas as práticas, uma vez que são elas que vão apressar nossa jornada na direção de casa.

E a ideia de hoje pode nos dar a certeza e a confiança - se é que elas ainda nos faltam - de que precisamos para continuar nossa jornada em direção da alegria e da paz completas e perfeitas, que são a Vontade de Deus para nós.

Lembremo-nos também de que, como diz uma lição anterior, Deus vai conosco aonde formos. Isto significa dizer também que tudo o que fazemos é n'Ele/Ela que fazemos e é n'Ele/Ela também que nos movemos conforme outra das lições que já praticamos. Mas não basta que saibamos disso intelectualmente apenas. É preciso que tenhamos e vivamos isto como uma experiência pessoal. 

Na verdade, não podemos - nem devemos - pensar em Deus como um ser, à nossa imagem e/ou semelhança, como se Ele/Ela fosse uma pessoa. Precisamos pensar em Deus como uma Presença, uma Presença que está conosco o tempo inteiro, uma Presença com a qual estamos em contato o tempo todo. Precisamos aprender a carregar conosco esta Presença aonde formos, pois Ela não nos deixa, não Se separa nem Se afasta de nós, a não ser quando nós, quer consciente, quer inconscientemente, acreditamos nos afastar d'Ela.

O Pai/Mãe [Deus, a Presença] nos espera sempre no lar, na direção do qual nos apressamos. Tudo aquilo por que ansiamos, tudo aquilo que mais queremos está o tempo todo a nossa espera, porque, apesar de nos pensarmos e percebermos separados de Deus, na verdade, nunca nos separamos d'Ele/Ela e Ele/Ela está sempre conosco. 

Há um ponto do texto - que já citei antes - em que lemos: "Deus, em Sua sabedoria, não está esperando [por nós], mas Seu Reino fica incompleto enquanto [nós] esperamos. Todos os Filhos de Deus esperam [nossa] volta, exatamente da mesma forma que [nós esperamos] pela deles. O atraso não tem importância na eternidade, mas é trágico no tempo".

Esta é uma das razões pelas quais precisamos nos apressar a tomar a decisão de voltar à casa do Pai/Mãe. Quanto mais nos demoramos para tomar nossa decisão, tanto mais somos guiados pela impressão, equivocada, de que estamos separados/as d'Ele/Ela e de que vivemos vidas separadas uns e umas dos outros e das outras.

Vivekananda respondia o seguinte a seus devotos quando lhe perguntavam de que forma podiam se libertar das energias inferiores, as energias da crença na separação:

"Na primavera, observem as flores nas árvores frutíferas. Elas desaparecem por si mesmas quando o fruto se desenvolve. Assim, também, o eu inferior desaparecerá quando o divino crescer dentro de vocês."

É para permitir o crescimento do divino em nós que praticamos. É para tanto que o Curso nos oferece lição após lição. Para que tomemos a decisão de abandonar a crença que diz que estamos separados/as da Presença de Deus. 

Oxalá seja este o dia em que vamos nos sentir prontos para tomar a decisão. Por que esperar amanhã? Como o Curso diz, ainda no mesmo ponto do texto citado acima: "tu escolheste viver no tempo em lugar de viver na eternidade, e por isso acreditas que vives no tempo. Tua escolha, porém é tão livre quanto mutável [ou passível de ser alterada]. O tempo não é o teu lugar. Teu lugar é somente na eternidade, onde o Próprio Deus te colocou para sempre".

Por que não escolher viver a eternidade hoje?

Às práticas?

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