quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Sabemos que cada um vê um mundo diferente?


LIÇÃO 325

Todas as coisas que penso ver refletem ideias.

1. Este é o princípio fundamental da salvação: o que vejo reflete um processo em minha mente, que começa com minha ideia do que quero. A partir disso, a mente constrói uma imagem da coisa que deseja, julga favorável e, portanto, busca encontrar. Essas imagens são, em seguida, projetadas para fora, examinadas, consideradas reais e preservadas como pessoais. Dos desejos loucos, surge um mundo louco. Do julgamento, surge um mundo condenado. E, de pensamentos de perdão, surge um mundo pacífico, misericordioso para com o Filho de Deus, para lhe oferecer um lar benigno no qual ele possa descansar por um momento antes de seguir adiante, para ajudar seus irmãos a andarem para frente com ele e encontrarem o caminho para o Céu e para Deus.

2. Pai Nosso, Tuas ideias refletem a verdade, e as minhas, separadas das Tuas, apenas inventam sonhos. Deixa-me ver apenas aquilo que reflete Tuas ideias, pois as Tuas, e só as Tuas, estabelecem a verdade.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 325

A ideia que vamos praticar hoje traz consigo a revelação do modo de que nos valemos [a maior parte do tempo induzidos pelas crenças do falso eu] para "aparentemente" criar este mundo. Ou será que algum de nós acredita que tudo aquilo que vê existe na forma que se apresenta a ele e é real daquela forma para todos os que povoam seu mundo? 

Será que já não nos passou pela cabeça o fato de que o que vemos pode não ser exatamente como vemos? A descoberta de que outros veem de modo diferente do nosso não é suficiente para pôr em dúvida a pretensa certeza de que aquilo que vemos só pode ser da forma que vemos? E saber que cada um vê um mundo diferente não é prova suficiente de que só vemos a ilusão?

Como já disse antes, tudo o que aparentemente existe em nosso mundo, antes de existir, foi uma ideia. Daí ser possível acreditarmos na veracidade da ideia que o Curso apresenta para as nossas práticas:

Todas as coisas que penso ver refletem ideias.

Não lhes parece claro isso? Lembram-se da ideia que praticamos com a lição de número sete: Eu só vejo o passado? Lá já éramos orientados a perguntar a nós mesmos a respeito de nossa experiência com uma xícara. O que sabemos a respeito da xícara a não ser aquilo que aprendemos a respeito dela no passado. O que é uma xícara, senão uma ideia de um recipiente para se tomar chá, café, ou outro líquido qualquer materializada? Será que a vemos verdadeiramente? 

Como se dá este processo e como ele pode facilitar que nos aproximemos da salvação? Vejamos o que a lição diz:

Este é o princípio fundamental da salvação: o que vejo reflete um processo em minha mente, que começa com minha ideia do que quero. A partir disso, a mente constrói uma imagem da coisa que deseja, julga favorável e, portanto, busca encontrar. Essas imagens são, em seguida, projetadas para fora, examinadas, consideradas reais e preservadas como pessoais. Dos desejos loucos, surge um mundo louco. Do julgamento, surge um mundo condenado. E, de pensamentos de perdão, surge um mundo pacífico, misericordioso para com o Filho de Deus, para lhe oferecer um lar benigno no qual ele possa descansar por um momento antes de seguir adiante, para ajudar seus irmãos a andarem para frente com ele e encontrarem o caminho para o Céu e para Deus.

Ora, não há como não pensar no que a ideia nos sugere para as práticas. ... Dos desejos loucos, surge um mundo louco. Do julgamento, surge um mundo condenado. Basta, pois, que tomemos nossa decisão de escolher o Céu para que o Céu se apresente a nossa experiência. Mesmo neste mundo.

Para tanto, é necessário abrir mão de todas as crenças. É preciso que estejamos dispostos a reformular todos os conceitos que temos, de nós mesmos, dos outros, da vida e do significado deste mundo. Ou como o Curso diz:

Aprender este curso exige disposição para questionar todos os valores que manténs. Um só mantido oculto ou indefinido pode comprometer teu aprendizado. Nenhuma crença é neutra. Cada uma delas tem o poder de ditar cada decisão que tomas. Pois uma decisão é uma conclusão baseada em tudo o que acreditas.

É preciso, portanto, que tomemos a decisão de viver apenas o presente. O agora. Pois, também como o ensina o Curso, não há nenhum outro tempo. É preciso também que tomemos a decisão pelo Céu, pelo amor, pela alegria e pela paz, que são a Vontade de Deus para todos e cada um de nós.

Quando estivermos dispostos a abandonar tudo aquilo que o mundo nos oferece, abrindo mão de nossas ideias e crenças, construídas a partir de uma lógica que considera verdadeiro e certo apenas aquilo que vemos do modo que vemos, é que vamos ser capazes de deixar de lado quaisquer certezas, para buscar a sintonia com os Pensamentos de Deus, que é o que somos na verdade, n'Ele e com Ele. 

Aí vamos ser capazes também de abandonar nossa identificação com um corpo para experimentar viver a liberdade, a paz e a alegria que só o perdão ao mundo, e a nós mesmos, pode oferecer. E vamos poder dizer como a lição nos orienta: 

Pai Nosso, Tuas ideias refletem a verdade, e as minhas, separadas das Tuas, apenas inventam sonhos. Deixa-me ver apenas aquilo que reflete Tuas ideias, pois as Tuas, e só as Tuas, estabelecem a verdade. 

Às práticas?

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Praticar a ideia de hoje é abandonar o controle


LIÇÃO 324

Eu apenas sigo, pois não quero conduzir.

1. Pai, Tu és Aquele Que me deu o plano para minha salvação. Tu estabeleceste o caminho que devo seguir, o papel que devo assumir e todos os passos do caminho designado para mim. Eu não posso me perder. Só posso escolher me desviar por algum tempo e depois voltar. Tua Voz amorosa sempre vai me chamar de volta e guiar meus passos corretamente. Todos os meus meus irmãos podem seguir pelo caminho que lhes indico. No entanto, eu apenas sigo no caminho que leva a Ti, conforme Tu me orientas e queres que eu siga.

2. Sigamos, pois, Aquele Que conhece o caminho. Não precisamos hesitar porque não podemos nos perder de Sua Mão amorosa exceto por um instante. Caminhamos juntos porque O seguimos. E é Ele que torna certo o final e garante um volta segura para casa.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 324

A ideia que vamos praticar hoje visa a nos mostrar a verdade daquilo que diz o texto a certa altura: "tu não precisas fazer nada". Ou aproveitando o mesmo mote podemos nos valer daquele título de um dos livros de Anna Sharp, que é: A Vida Tende a Dar Certo Nós é que Atrapalhamos

Se, de fato, nos ativermos a estas duas ideias acima, quer dizer, que não precisamos fazer nada e que a vida tende a dar certo desde que não atrapalhemos, veremos que tudo o que é preciso é apenas seguir, como orienta a ideia das práticas de hoje:

Eu apenas sigo, pois não quero conduzir.

Quem, de fato, quer conduzir, e busca sempre se manter no controle é o ego, o falso eu, que não tem nada a ver com o que, na verdade, somos. Aí, a partir da orientação dele, em lugar de seguir e deixar que as coisa fluam e que a vida dê certo do jeito que tem de dar, nós atrapalhamos. E atrapalhamos todas as vezes que damos ouvidos e crédito ao que nos aconselha o falso eu - a imagem que construímos de nós mesmos, a que o Curso denomina ego. Pois, na verdade, "ainda somos como Deus nos criou". 

E para agirmos como o Filho de Deus é preciso que aceitemos o plano de salvação d'Ele. Isto é, como nos pede que façamos a lição:

Pai, Tu és Aquele Que me deu o plano para minha salvação. Tu estabeleceste o caminho que devo seguir, o papel que devo assumir e todos os passos do caminho designado para mim. Eu não posso me perder. Só posso escolher me desviar por algum tempo e depois voltar. Tua Voz amorosa sempre vai me chamar de volta e guiar meus passos corretamente. Todos os meus meus irmãos podem seguir pelo caminho que lhes indico. No entanto, eu apenas sigo no caminho que leva a Ti, conforme Tu me orientas e queres que eu siga.

Conforme já disse outras vezes, de acordo com Joel Goldsmith, cujo ensinamento está de acordo com o que o Curso quer que aprendamos, o milagre é este: Nossa união consciente com Deus - uma unidade que não pode ser desfeita, não importa o que pensemos, digamos, façamos ou acreditemos - torna tudo disponível, mesmo neste mundo, no momento em que sentimos a necessidade. E nada, nem ninguém, pode afastar isso de nós, de modo algum - nada, nem ninguém.

Sabendo disso, quem acha que é preciso conduzir? Quem está disposto a arriscar viver a ilusão da separação de Deus apenas para ter, na aparência, o controle sobre sua vida? Só o ego, que não quer abrir mão do controle,  que tem dificuldade para seguir e que acha que é capaz de conduzir não só a sua vida, mas muitas vezes se acha no direito de dizer o que é melhor para outros com quem convive. 

É por isso que precisamos praticar como nos diz a lição:

Sigamos, pois, Aquele Que conhece o caminho. Não precisamos hesitar porque não podemos nos perder de Sua Mão amorosa exceto por um instante. Caminhamos juntos porque O seguimos. E é Ele que torna certo o final e garante um volta segura para casa.

Às práticas?
 

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Aprender a forma de se libertar dos julgamentos


LIÇÃO 323

Faço o "sacrifício" do medo com alegria.

1. Eis aqui o único "sacrifício" que Tu pedes a Teu Filho amado: pedes que ele desista de todo o sofrimento, de toda a sensação de perda e de tristeza, de toda ansiedade e dúvida e permita livremente que Teu Amor venha a se derramar em sua consciência, curando-o da dor e lhe dando Tua Própria alegria eterna. É este o "sacrifício" que Tu me pedes e ele é um que faço com prazer; o único "custo" do restabelecimento de Tua memória em mim, para a salvação do mundo.

2. E, quando pagamos a dívida que temos para com a verdade - uma dívida que é apenas o abandono dos auto-enganos e das imagens que adorávamos falsamente -, a verdade volta para nós na integridade e na alegria. Não somos mais enganados. O amor volta então a nossa consciência. E ficamos em paz mais uma vez, pois o medo se foi e só o amor permanece.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 323

Comecemos, pois, a explorar a lição de hoje, voltando aos comentários anteriores a esta mesma lição, em que eu dizia que a ideia que praticamos hoje nos coloca em contato com uma verdade inegável: a de que todos nós abriríamos mão do medo, de qualquer medo, com alegria.

Como eu disse, então, não há ninguém que, de modo consciente goste ou queira viver com medo, sentir medo do que quer que seja. Ou estou enganado? Será, então, um "sacrifício" abrir mão da crença na separação, que nos põe o fardo da culpa e nos abre ao julgamento, de nós mesmos, e de tudo e de todos? Será um sacrifício abrir mão da onipotência que o falso eu quer atribuir a si mesmo para usurpar o lugar de Deus em nós?

E a lição diz a respeito:

Eis aqui o único "sacrifício" que Tu pedes a Teu Filho amado: ... que ele desista de todo o sofrimento, de toda a sensação de perda e de tristeza, de toda ansiedade e dúvida e permita livremente que Teu Amor venha a se derramar em sua consciência, curando-o da dor e lhe dando Tua Própria alegria eterna. É este o "sacrifício" que Tu me pedes e ele é um que faço com prazer; o único "custo" do restabelecimento de Tua memória em mim, para a salvação do mundo.

Vejamos se há um modo de descobrir o que é o julgamento e o que ele faz para nos afastar da alegria, para nos tirar a paz e nos deixar com medo e nos sentido culpados. De acordo com Sara Paddison, em seu livro O Poder Oculto do Coração:

"O modo como você vê a vida - pessoas, lugares e situação - é da maior importância. Existe uma linha muito tênue entre avaliar uma coisa e julgá-la. As avaliações, quando feitas sem o coração, transformam-se com facilidade em julgamentos. Julgar a si mesmo e aos outros constitui um hábito absolutamente mecânico, uma frequência em geral aceita pela nossa sociedade que gera uma quantidade extraordinária de stress [culpa e medo]."

Diz ela ainda que:

"Os julgamentos costumam ser sutis, formados com base em velhas mágoas, pressões, stress, pressa e comparações entre você mesmo e os outros. As comparações enganam. (...) Os julgamentos nos impedem de estabelecer uma ligação com a essência de outra pessoa [e, por conseguinte, com nossa própria essência], além de promoverem desequilíbrio e desarmonia no nosso sistema."

Tudo isso, é claro, nos afasta da verdade de nós mesmos e nos afasta dos outros todos, que também são o que somos na unidade, impedindo-nos de perceber o auto-engano em que estamos vivendo. Tudo o que temos de fazer, então, é levar nossos julgamentos, culpas e medos à verdade, para voltarmos ao contato com aquilo que somos verdadeiramente.

Pois, como diz a lição:

... quando pagamos a dívida que temos para com a verdade - uma dívida que é apenas o abandono dos auto-enganos e das imagens que adorávamos falsamente -, a verdade volta para nós na integridade e na alegria. Não somos mais enganados. O amor volta então a nossa consciência. E ficamos em paz mais uma vez, pois o medo se foi e só o amor permanece.

Para isso praticamos.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Dar valor ao mundo é tornar realidade a ilusão


LIÇÃO 322

Só posso desistir do que nunca foi real.

1. Eu sacrifico ilusões, nada mais. E, quando as ilusões se vão, encontro as dádivas que elas tentavam esconder esperando por mim em acolhida luminosa e prontas para dar as mensagens milenares de Deus para mim. A lembrança de Deus habita em cada dádiva que recebo d'Ele. E cada sonho serve apenas para esconder o Ser que é o único Filho de Deus, à semelhança d'Ele, o Santo Que ainda habita n'Ele para sempre do mesmo modo que Ele ainda habita em mim.

2. Pai, todo sacrifício continua a ser eternamente inconcebível para Ti. E, por isso,  eu não posso sacrificar nada a não ser em sonhos. Do modo que Tu me criaste, não posso desistir de nada do que Tu me deste. Aquilo que Tu não deste não é real. Que perda posso prever exceto a perda do medo e a volta do amor a minha mente?

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 322

Em algum ponto do texto do Curso encontramos a informação de que não vamos encontrar nem a paz, nem a alegria, nem a felicidade a que aspiramos, e que também é a Vontade de Deus para cada um de nós, enquanto não nos rendermos à orientação do divino, do espírito, no interior. Por isso, sempre que em nossa caminhada pelo mundo abandonamos qualquer coisa, uma atividade, uma propriedade, um lugar, uma pessoa, estamos apenas abandonando ilusões.

Ou, como diz a lição de hoje:

Eu sacrifico ilusões, nada mais.

E o que acontece a partir do momento em que abandonamos as ilusões?

... quando as ilusões se vão, encontro as dádivas que elas tentavam esconder esperando por mim em acolhida luminosa e prontas para dar as mensagens milenares de Deus para mim.

É disto que trata a ideia para as práticas de hoje: da verdade a respeito deste mundo. E daquilo que fazemos no mundo, que é apenas uma ilusão. Tanto é assim que podemos observar facilmente que o mundo é diferente para cada um de nós, como eu disse ontem. Ou não é assim que o veem? Acreditam que há algo de verdadeiro no mundo?

Voltemos nossa atenção mais uma vez para o que nos diz outra parte do texto à qual já me referi várias vezes.

Qualquer coisa neste mundo que acredites ser boa e de valor, e pela qual vale a pena lutar, pode te ferir, e o fará. Não porque tenha o poder de ferir, mas apenas porque tu negaste que ela é apenas uma ilusão e a tornaste real. E ela é real para ti. Deixou de ser nada. E a partir da realidade percebida para ela entram todas as ilusões doentias do mundo. Toda a crença no pecado, no poder do ataque, em dano e ferimento, em sacrifício e morte vem a ti. Pois ninguém pode tornar uma única ilusão real, e mesmo assim escapar das demais. Pois quem pode escolher manter aquelas que prefere e encontrar a segurança que só a verdade pode oferecer? Quem pode crer que as ilusões são todas a mesma e ainda assim afirmar que uma delas é melhor?

Eis aí, pois, o enorme problema que aparentemente temos de enfrentar para "viver" num mundo como este, que nos oferece inúmeras coisas que podem, e querem, a partir da orientação do falso eu nos parecer verdadeiras. É deste modo que o falso eu trabalha para nos convencer de que há algumas coisas a que devemos/podemos, de fato, nos apegar neste mundo, dar-lhes realidade. 

É, porém, só no entender do ego que há no mundo coisas a que devemos dar valor. No entanto, quando damos ouvidos a ele, tudo o que fazemos é dar realidade à ilusão. Pois, de verdade, só as dádivas que recebemos de Deus é que têm valor, como nos diz a lição.

A lembrança de Deus habita em cada dádiva que recebo d'Ele. E cada sonho serve apenas para esconder o Ser que é o único Filho de Deus, à semelhança d'Ele, o Santo Que ainda habita n'Ele para sempre do mesmo modo que Ele ainda habita em mim.

É por isso que o Curso ensina que a verdade a nosso próprio respeito não pode mudar. Não importa o que façamos na ilusão, continuamos a ser tal como Deus nos criou. Nossa herança é a santidade do Filho de Deus. O poder que temos, e que não tem limites, vem da inocência que Ele nos garante não poder ser maculada em nenhuma instância.

É também por isso que:

... todo sacrifício continua a ser eternamente inconcebível para [Deus]. E, por isso,  eu não posso sacrificar nada a não ser em sonhos. Do modo que Tu me criaste, não posso desistir de nada do que Tu me deste. Aquilo que Tu não deste não é real. Que perda posso prever exceto a perda do medo e a volta do amor a minha mente?

Às práticas?

domingo, 17 de novembro de 2013

Ter de volta a liberdade que pensamos perdida


11. O que é a criação?

1. A criação é a soma de todos os Pensamentos de Deus, em número infinito e sem qualquer limite. Só o amor cria, e só como ele mesmo. Nunca houve um tempo em que aquilo que ele criou não existia. Tampouco haverá um em que qualquer coisa que ele criou venha a sofrer qualquer perda. Os Pensamentos de Deus são para todo o sempre exatamente como eram e tal qual são, imutáveis ao longo do tempo e depois que o tempo acabar.

2. Os Pensamentos de Deus recebem todo o poder que seu próprio Criador tem. Pois Ele quer acrescentar ao amor por sua extensão. Deste modo, Seu Filho compartilha da criação e, por isso, tem de compartilhar do poder de criar. Aquilo que Deus quer que seja Um para sempre ainda será Um quando o tempo acabar; e não mudará ao longo do curso do tempo, permanecendo como era antes que a ideia de tempo começasse.

3. A criação é o contrário de todas as ilusões, pois criação é verdade. A criação é o Filho santo de Deus, pois na criação Sua Vontade é completa em todos os aspectos, tornando cada parte continente do todo. Garante-se a inviolabilidade de sua unicidade para sempre; preservada eternamente dentro de Sua Vontade santa, além de toda possibilidade de dano, de separação, de imperfeição e de qualquer mancha em sua inocência.

4. Nós somos a criação; nós, os Filhos de Deus. Parecemos estar separados e não-cientes de nossa unidade com Ele. Mas, por trás de todas as nossas dúvidas, além de todos os nossos medos, ainda existe a certeza. Pois o amor permanece com todos os seus Pensamentos, porque é deles a certeza do amor. A memória de Deus está em nossas mentes, que conhecem sua unicidade e sua unidade com seu Criador. Permite que nossa função seja apenas deixar que esta memória volte, apenas para permitir que a Vontade de Deus seja feita sobre a terra, apenas para sermos devolvidos à sanidade e para sermos apenas como Deus nos criou.

5. Nosso pai nos chama. Ouvimos Sua Voz e perdoamos a criação em Nome de Seu Criador, a Própria Santidade, Santidade Da Qual Sua Própria criação compartilha; Santidade Que ainda é uma parte de nós.

*

LIÇÃO 321

Pai, só em Ti está minha liberdade.

1. Não entendi o que me libertou, nem o que minha liberdade é e nem onde procurar para encontrá-la. Pai, procurei em vão até que ouvi Tua Voz me orientando. Não quero mais guiar a mim mesmo agora. Pois nem fiz, nem entendi o modo de achar minha liberdade. Mas confio em Ti. Tu, Que me dotaste de minha liberdade como Teu Filho santo, não estarás perdido para mim. Tua Voz me guia e finalmente o caminho para Ti está aberto e livre para mim. Pai, só em Ti está minha liberdade. Pai, é minha vontade voltar.

2. Hoje respondemos pelo mundo, que será libertado conosco. Quão alegres estamos por achar nossa liberdade pelo caminho infalível que nosso Pai estabeleceu. E quão certa é a salvação do mundo inteiro, quando aprendemos que só podemos achar nossa liberdade em Deus.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 321

Chegamos hoje à décima primeira das instruções especiais que buscam orientar as práticas das lições desta segunda parte do livro de exercícios. Desta vez, pelos próximos dez dias a contar de hoje, o tema que vai dar unidade aos nossos exercícios diários é: O que é a criação?

Alguém se anima a dizer o que é a criação? Acredito, como já disse antes, que ela tem um significado diferente para cada um de nós, pois o mundo de cada um de nós, por mais difícil que seja acreditar nisto, é um mundo diferente. Daí todas as dificuldades que temos para conviver uns com os outros. 

Dizendo de outra forma, cada um de nós acha que o mundo que vê é o único que existe e, muitas vezes, não aceita a interferência de outros em seu mundo. Ou não entende que o mundo que o outro descreve é apenas um mundo diferente, uma vez que, na prática, para os que se veem separados, não há dois mundos iguais. Mais interessante ainda, é se pensar que, a partir do que o Curso ensina, na verdade, não há nenhum mundo. Como responder, pois, à pergunta: O que é a Criação?

É claro que uma resposta que atenda e integre todas as diferenças aparentes dos mundos todos que cada um de nós cria só pode ser aquela dada ao longo do texto introdutório à primeira das dez lições que praticaremos a seguir: "Nós somos a criação". Isto é, todos e cada um de nós, na unidade com Deus. Nós somos o Filho de Deus, os Pensamentos d'Ele, aparentemente separados, mas, na verdade, compartilhando uma unidade e uma completude que não pode jamais ser ameaçada. 

É também interessante pensar em que momento se deu, ou se dá a Criação. E aqui também o Curso nos leva a pensar de modo diferente do que pensa o mundo. Pois nunca houve um momento em que a criação não existisse. Como lidar com isso, então? 

Lembrando-nos de que a cada instante, a cada despertar, o mundo se cria novo, com todas as possibilidades renovadas. Basta abrirmos os olhos para perceber que aquilo que vemos é sempre novo a cada momento e que não há uma experiência que se repita da mesma forma. Não há uma pessoa que encontremos em algum momento que seja a mesma que vamos encontrar em outro momento mais tarde. 

Isto é, a Criação é agora. Acontece em todos os "agoras', quando estamos presentes, conscientes de que estamos criando em Deus, com Ele, se nossa atenção e se aquilo que somos está vivendo integralmente o momento que se apresenta para ser vivido. 

Mas, para tanto, precisamos da liberdade que pensávamos perdida e que só podemos achar em Deus. Isto é, rendendo-nos à ideia de que a Vontade de Deus e a nossa são uma só e que, conforme nos ensinava a lição de ontem, não há nenhum limite para a nossa força, para a nossa paz, para nossa alegria e para qualquer dos atributos que Deus deu ao nos criar, uma vez que só n'Ele podemos ser, só com Ele podemos criar e existir. É esta liberdade que a ideia que praticamos hoje busca nos devolver.

sábado, 16 de novembro de 2013

Vês o mundo com o olhar amoroso de Deus?


LIÇÃO 320

Meu Pai me dá todo o poder.

1. O Filho de Deus não tem limites. Não há nenhum limite para sua força, sua paz, sua alegria nem para qualquer qualidade que seu Pai deu na sua criação. O que ele quiser com seu Criador e Redentor tem de acontecer. Sua vontade sagrada não pode ser negada nunca porque seu Pai brilha sobre sua mente e deposita toda a força e todo o amor, na terra e no Céu, diante dela. Eu sou aquele a quem tudo isso é dado. Eu sou aquele em quem o poder da Vontade de meu Pai habita.

2. Tua Vontade pode realizar todas as coisas em mim e, então, se estender também ao mundo inteiro por meu intermédio. Não há nenhum limite para Tua Vontade. E, por isso, todo o poder também foi dado a Teu Filho.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 320

Chegamos hoje, mais uma vez, à última das lições centradas no tema: O que é o Juízo Final? 

Meu Pai me dá todo o poder.

Bem de acordo com o que o Curso busca nos ensinar, a ideia para as prática de hoje nos coloca mais uma vez no centro de todos os acontecimentos de nossas vidas. Pois:

O Filho de Deus não tem limites. Não há nenhum limite para sua força, sua paz, sua alegria nem para qualquer qualidade que seu Pai deu na sua criação

Isto é, o poder dado por Deus a Seu Filho nos dá o direito de escolhermos assumir de uma vez por todas a responsabilidade por tudo aquilo que aparentemente nos acontece em nosso mundo, por tudo o que acontece no mundo inteiro, ou, no mínimo por tudo aquilo que nos chega à consciência. Uma vez que:

Sua vontade [a do Filho de Deus] sagrada não pode ser negada nunca porque seu Pai brilha sobre sua mente e deposita toda a força e todo o amor, na terra e no Céu, diante dela.

Agora só precisamos nos perguntar: quem é o Filho de Deus? E o Curso - a lição - responde:

Eu sou aquele a quem tudo isso é dado. Eu sou aquele em quem o poder da Vontade de meu Pai habita.

Peguntemo-nos mais, então. Como entender a ideia de que meu Pai me dá todo o poder? Isso significa que só eu recebi e tenho comigo todo o poder de Deus? Não! Significa apenas que recebi e tenho todo o poder de que necessito e que sou capaz de aceitar e usar para escolher o que fazer de minha própria vida. Para fazer meu próprio mundo, uma vez que não há nada fora de mim, conforme o Curso ensina.

Praticar a ideia que o Curso oferece neste dia significa abrir-se à evidência de que tudo aquilo que vemos é tão somente "uma interpretação finita do infinito real que esta esperando" para ser entendido a partir do espírito, "com os sentidos do espírito", para usar mais uma vez uma expressão de Joel Goldsmith. 

Esta "interpretação", por sua vez, não é nada senão o resultado visível de escolhas que cada um de nós fez [ou faz] a respeito daquilo que quer viver neste mundo, ou em qualquer mundo que tenha escolhido, uma vez que cada um de nós vive "aparentemente" em um mundo que é apenas seu. Daí enfrentarmos tantas dificuldades para lidar como as inúmeras formas diferentes de viver.

Essas dificuldades ficam cada vez mais evidentes sempre que um de nós decide que sabe o que é melhor para si e para todos os outros. Ou alguém acha que é brincadeira assumir a responsabilidade por todo o poder que herdamos de Deus, sem decidir-se, de fato, a dirigir para si mesmo, para o outro, ou outros, e para o mundo inteiro apenas o olhar amoroso que Deus nos oferece?

E quantos de nós são capazes de tal olhar? Podemos, porém, treinar nossas mentes para tal desenvolver tal capacidade. Basta "não fazer nada" a partir da orientação do ego, ou do mundo. Entregando ao espírito as decisões que precisamos tomar. Assim viveremos nossa experiência do mundo sabendo que:

Tua Vontade pode realizar todas as coisas em mim e, então, se estender também ao mundo inteiro por meu intermédio. Não há nenhum limite para Tua Vontade. E, por isso, todo o poder também foi dado a Teu Filho.

Para tanto há que se praticar. Dia após dia.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Propagar no mundo a superirradiação que salva


LIÇÃO 319

Eu vim para a salvação do mundo.

1. Eis aqui um pensamento do qual se retirou toda a arrogância e em que só a verdade permanece. Pois a arrogância impede a verdade. Mas, quando não existir nenhuma arrogância, a verdade virá imediatamente e preencherá o espaço que o ego deixou desocupado pelas mentiras. Só o ego pode ser limitado e, por isso, ele tem de buscar metas restritas e limitadoras. O ego pensa que aquilo que alguém ganha a totalidade tem de perder. E, no entanto, é a Vontade de Deus que eu aprenda que aquilo que alguém ganha é dado a todos.

2. Pai, Tua Vontade é completa. E a meta que brota dela compartilha sua totalidade. Que objetivo me poderia ter sido dado a não ser a salvação do mundo? E o que a não ser isto poderia ser a Vontade que meu Ser compartilha Contigo?

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 319

Eu vim para a salvação do mundo.

Já imaginaram como seria reconhecer, compreender, de fato, e aceitar a ideia com que vamos praticar hoje? Quem de nós acredita verdadeiramente e pode dizer, como Jesus disse à época em que viveu: "Eu sou a verdade e a vida. Aquele que vem a mim viverá para sempre."?

Será arrogância dizer isso? O que a lição diz? 

Eis aqui um pensamento do qual se retirou toda a arrogância e em que só a verdade permanece.

Ora, o falso eu quer nos fazer crer que arrogância seria dizermos: a salvação do mundo depende de mim. Não é isso mesmo que pensamos. Não é isso que fomos - e ainda somos - ensinados a crer pelo ensinamento do mundo, que acredita que estamos separados uns dos outros e de Deus?

... a arrogância impede a verdade.Mas, quando não existir nenhuma arrogância, a verdade virá imediatamente e preencherá o espaço que o ego deixou desocupado pelas mentiras.  

É disso que trata a ideia que praticamos hoje. De nos libertarmos da arrogância, do orgulho, com que o ego se relaciona com tudo e com todos no mundo, acreditando-se separado e especial, num mundo povoado por corpos imperfeitos e por gente cheia de defeitos que ele quer corrigir. 

Como entrar em contato com a verdade do que somos, com a verdadeira função que nos cabe, se damos ouvidos ao ego e o deixamos no comando de nossas vidas a maior parte do tempo? Como cumprir a função que nos cabe no mundo e que é dada pela ideia de hoje, se nos acreditamos limitados, incapazes, impotentes e inúteis, a partir daquilo que o ego ensina?

Só o ego pode ser limitado e, por isso, ele tem de buscar metas restritas e limitadoras. O ego pensa que aquilo que alguém ganha a totalidade tem de perder.

Eis aí a resposta às perguntas anteriores. Só o ego pode ser limitado... E eis aqui a razão pela qual é preciso que renovemos e reforcemos nossa decisão de praticar. Dia após dia. Pois só as práticas vão nos permitir escolher de forma diferente. Ver de forma diferente. Abandonar o olhar do ego e as impressões que nos dão os sentidos do corpo. Só quando calarmos o ego, submetendo-o à vontade do espírito em nós, seremos capazes de compartilhar com todos a Vontade de Deus para nós, sem medo de perder qualquer coisa. E de viver a alegria e a paz perfeitas que são também a nossa vontade, em sintonia com a Vontade de Deus. Pois:

 ... é a Vontade de Deus que eu aprenda que aquilo que alguém ganha é dado a todos.

Isto é, se lembrarmos de duas das lições mais recentes: Todas as dádivas que meus irmãos dão me pertencem. Todas as dádivas que dou aos meus irmãos são minhas. Quer dizer, não há nada a perder nunca. Ou, lembrando Lavoisier, se preferirem: "Na natureza, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma". 

É, portanto, a partir do reconhecimento de que cada um de nós é potencialmente "o salvador do mundo" e do reconhecimento de que cada um de nós tem de ver a si mesmo como "o salvador do mundo". E, da mesma forma, ver a todos os que povoam nosso mundo como salvadores do mundo que podemos santificar os relacionamentos que vivemos. 

Pois:

"Nosso estado natural de ser é um relacionamento, um tango, um estado constante de um influenciando o outro. Do mesmo modo que as partículas subatômicas que nos compõem não podem ser separadas do espaço e das partículas que as cercam, os seres viventes também não podem ser isolados uns dos outros... Pelo ato da observação e da intenção, temos a capacidade de propagar um tipo de superirradiação para o mundo." [Lynne McTaggart, citada por Wayne Dyer no livro A Força da Intenção.]

Ora, a salvação do mundo não depende, pois, da "superirradiação" que cada um de nós pode propagar? A ideia para as práticas de hoje é aquela que estabelece minha função no mundo, no plano de Deus para a salvação do mundo. 

Para aceitar esta ideia, reconhecê-la e pô-la em prática é preciso que sejamos capazes de abrir nossa consciência à verdade. É esta abertura que vai nos fazer ver que, assim como meu papel é salvar o mundo, este papel é também teu, é o papel de todos e da cada um de nós. 

É por isso que podemos, enfim, dizer em sintonia com o que a lição ensina, acreditando em cada uma das palavras que dizemos:

Pai, Tua Vontade é completa. E a meta que brota dela compartilha sua totalidade. Que objetivo me poderia ter sido dado a não ser a salvação do mundo? E o que a não ser isto poderia ser a Vontade que meu Ser compartilha Contigo?

Sim, viemos ao mundo para salvá-lo e tanto mais depressa o mundo será salvo quanto mais rápido tomarmos a decisão de aceitar o papel que nos cabe. Esta é a unica ideia que pode dar sentido a nossas vidas e preencher com significado nosso estar no mundo. Há também que se aceitar a ideia de que não é preciso fazer nada, a não ser entregar a Deus - ao espírito divino em nós -, o comando de nossas vidas.