quarta-feira, 18 de julho de 2012

Praticando para chegar à percepção verdadeira



LIÇÃO 200

Não há nenhuma paz a não ser a paz de Deus.

1. Não busques mais. Não acharás paz a não ser a paz de Deus. Aceita este fato e poupa a ti mesmo a agonia de decepções ainda mais amargas, do triste desespero e da fria sensação da desesperança e da dúvida. Não busques mais. Não há nada mais para achares exceto a paz de Deus, a menos que busques sofrimento e dor.

2. Este é o ponto final ao qual cada um tem de chegar, enfim, para abandonar toda a esperança de achar a felicidade aonde não há nenhuma; de ser salvo por aquilo que só pode ferir; de criar paz do caos, alegria da dor e Céu do inferno. Não tentes mais ganhar por meio da perda, nem morrer para viver. Só podes estar pedindo a derrota.

3. Todavia, com a mesma facilidade, podes pedir amor, felicidade e a vida eterna na paz que não tem fim. Pedi isto e só podes ganhar. Pedir aquilo que já tens tem de ser bem-sucedido. Pedir que aquilo que é falso seja verdadeiro só pode fracassar. Perdoa-te pelas fantasias vãs e não busques mais o que não podes achar. Pois o que poderia ser mais tolo do que buscar o inferno indefinidamente, quando tens apenas de olhar como os olhos abertos para descobrir que o Céu está diante de ti, em uma porta que se abre facilmente para te acolher?

4. Vem para casa. Não achaste tua felicidade em lugares estranhos e em formas hostis que não têm nenhum significado para ti, embora buscasses torná-las significativas. Este mundo não é o teu lugar. És um estranho aqui. Mas te é dado achar o meio a partir do qual o mundo não parece mais ser uma prisão ou uma cela para ninguém.

5. A liberdade te é dada no mesmo lugar em que só viste correntes e portas de ferro. Mas tens de mudar teu modo de pensar acerca da finalidade do mundo, se quiseres achar saída. Ficarás preso até vires o mundo inteiro como abençoado e libertares todos de teus equívocos e os aceitares pelo que são. Tu não os criaste, nem a ti mesmo. E quando libertas um, o outro é aceito como é.

6. O que o perdão faz? Na verdade, ele não tem nenhuma função e não faz nada. Pois ele é desconhecido no Céu. É só no inferno que se necessita dele e onde ele tem de servir a uma função muito importante. A libertação do Filho de Deus dos sonhos maus que ele sonha e ainda assim acredita serem verdadeiros não é um objetivo valioso? Quem poderia aspirar a mais, quando parece haver uma escolha a se fazer entre sucesso e fracasso, amor e medo?

7. Não há nenhuma paz a não ser a paz de Deus, porque Ele tem um Filho que não pode inventar um mundo que contraria a Vontade d'Ele e a sua própria, que é a mesma que a de Deus. O que ele poderia esperar achar em tal mundo? Ele não pode ser real, porque nunca foi criado. É aqui que ele quer buscar a paz? Ou ele tem de perceber, à medida que olha para ele, que o mundo só pode enganar? Porém, ele pode aprender a considerá-lo de outra forma e encontrar a paz de Deus.

8. A paz é a ponte que todos cruzarão para deixar este mundo para trás. Mas a paz começa no interior do mundo percebido de forma diferente, que conduz, a partir desta nova percepção, ao portão do Céu e ao caminho que está além. A paz é a resposta para metas divergentes, para jornadas absurdas, insensatas, buscas desvairadas, vâs e esforços sem sentido. Agora o caminho fica fácil, inclinando-se suavemente na direção da ponte na qual está a liberdade dentro da paz de Deus.

9. Não vamos nos desviar de nosso caminho novamente hoje. Vamos para o Céu e o caminho é reto. Só pde haver atraso e perda desnecessária de tempo, se tentarmos andar ao léu por atalhos espinhosos. Só Deus é certo e Ele guiará nossos passos. Ele não abandonará Seu Filho em necessidade nem o deixará se desviar de sua casa eternamente. O Pai chama, o Filho ouvirá. E isso é tudo o que existe para aquilo que parece ser um mundo separado de Deus, em que os corpos são reais.

10. Agora há silêncio. Não busques mais. Chegaste ao lugar em que a estrada é atapetada com as folhas dos desejos falsos, caídas das árvores da desesperança que buscaste antes. Agora elas estão no chão. E tu olhas para cima, e na direção do Céu, com os olhos do corpo tendo utilidade por um só instante a mais agora. A paz já é reconhecida afinal e podes sentir seu abraço suave envolver teu coração e tua mente em consolo e amor.

11. Hoje não buscamos nenhum ídolo. A paz não pode ser encontrada neles. A paz de Deus é nossa e nós só aceitamos e queremos isso. Que a paz esteja conosco hoje. Pois descobrimos um modo simples e alegre de abandonar o mundo da ambiguidade e de substituir nossas metas inconstantes e sonhos solitários pelo propósito único e pelo companheirismo. Pois a paz, se for de Deus, é união. Estamos perto de casa e nos aproximamos ainda mais cada vez que dissermos:

Não há nenhuma paz a não ser a paz de Deus,
E eu estou alegre e agradecido que seja assim.

*

COMENTÁRIO:

A lição desta quarta-feira, dia 19 de julho, encerra mais uma vez as práticas com as ideias de primeira parte do livro de exercícios, embora isto ainda não signifique que tenhamos encerrado esta primeira parte, repetindo o que já disse anteriormente ao chegarmos aqui. 


Por quê? 


Porque a partir de amanhã, preparando-nos de forma mais concreta para a segunda parte do Livro de Exercícios, vamos revisar cada uma das últimas vinte ideias que praticamos. São elas, mais uma vez, que vão nos preparar para a segunda parte, que traz a série de lições que vai nos pôr mais perto da percepção verdadeira, aquela que compartilhamos com o divino em nós, com o Espírito Santo.

É preciso que reconheçamos que ter chegado juntos até aqui nesta que é a quarta vez para quem segue o blog desde o início  é, de fato, uma façanha e tanto. E isto também vale para os que chegaram até este ponto pela primeira vez em suas práticas. De novo, estamos todos de parabéns. Pois agora nos aproximamos rapidamente daquele ponto no aprendizado em que o Espírito Santo vai nos ensinar a percepção verdadeira, que também virá a desaparecer, quando chegarmos ao autoconhecimento, ao ponto em que a percepção é desnecessária.

Podemos, sim, celebrar e praticar com alegria, porque depois da revisão que terá início amanhã, e que durará exatos vinte dias, vamos (re)começar as práticas da segunda parte do livro de exercícios. Quem já passou por ela, vai reconhecer de forma mais clara, mais uma vez, que, a partir das práticas da primeira parte, já somos capazes de esquecer, deixar de lado, relevar e questionar muitas das coisas que o mundo, de forma equivocada, nos ensinou e ainda quer ensinar acerca de nós mesmos. Quem chega pela primeira vez até aqui, vai se perceber, ainda que de forma não muito clara, capaz de identificar os momentos em que o mundo, e o que ele ensina, busca nos levar de volta ao auto-engano. Isto significa que atingimos os objetivos a que visam as primeiras 220 lições.

É por isso que os convido a continuarem a praticar com alegria, e a praticar a própria alegria, pois agora já podemos vislumbrar a certeza de que estamos cada vez mais próximos de nós mesmos, daquilo que somos na verdade em Deus e com Ele. É isto que vai nos colocar cada vez mais perto do reconhecimento e da aceitação da Vontade de Deus para nós como sendo a nossa própria vontade. 


OBSERVAÇÃO: Este comentário, salvo pequeninas alterações repete quase que inteiramente os comentários feitos a esta lição nos dois anos anteriores.


terça-feira, 17 de julho de 2012

O Curso como ameaça às crenças falsas do ego


LIÇÃO 199

Eu não sou um corpo. Sou livre.

1. A liberdade tem de ser impossível enquanto perceberes a ti mesmo como um corpo. O corpo é um limite. Aquele que quer buscar liberdade em um corpo a procura aonde ela não pode ser encontrada. A mente pode se tornar livre quando não mais se vir em um corpo, amarrada firmemente a ele e protegida por sua presença. Se isto fosse a verdade, a mente seria, de fato, vulnerável.

2. A mente que serve ao Espírito Santo é ilimitada para sempre de todas as formas, está além das leis de tempo e espaço, livre de quaisquer preconceitos e com força e poder para fazer qualquer coisa que se pedir a ela. Pensamentos de ataque não podem entrar em uma mente como esta, porque ela foi dada à Fonte do amor, e o medo não pode entrar nunca em uma mente que se ligue ao amor. Ela descansa em Deus. E quem poderia ter medo se vive na Inocência e apenas ama?

3. É essencial para teu progresso neste curso que aceites a ideia de hoje e que lhe dês muito valor. Não te preocupes que ela seja bem insana para o ego. O ego preza o corpo porque mora nele e vive unido à casa que contrói. O corpo é uma parte da ilusão que o protege de se descobrir ilusório.

4. Ele se esconde aí e aí pode ser visto como é. Manifesta tua inocência e estás livre. O corpo desaparece, porque não tens nenhuma necessidade dele, exceto a que o Espírito Santo vê. Para isto, o corpo se apresentará como uma forma útil para aquilo que a mente tem de fazer. Deste modo, ele vem a ser um veículo que ajuda o perdão a ser estendido à meta todo-abrangente que o perdão precisa alcançar, de acordo com o plano de Deus para a salvação.

5. Sustenta a ideia de hoje e pratica-a, hoje, e todos os dias. Torna-a uma parte de todos os períodos de prática que empreenderes. Não há nenhum pensamento, em razão disso, que não se aperfeiçoe em poder para ajudar o mundo, e nenhum que não ganhe também mais dádivas para ti. Anunciamos o chamado da liberdade no mundo inteiro com esta ideia. E tu te dispensarias da aceitação das dádivas que dás?

6. O Espírito Santo é o lar das mentes que buscam liberdade. N'Ele elas encontram o que buscam. Agora a finalidade do corpo está clara. E ele se torna perfeito na capacidade de servir a uma meta não-dividida. Em resposta inequívoca e livre de conflitos à mente que tem por meta apenas o pensamento da liberdade, o corpo serve, e serve bem, ao seu objetivo. Sem o poder de escravizar, ele é um valioso servidor da liberdade que a mente, no interior do Espírito Santo, busca.

7. Liberta-te hoje. E carrega a liberdade como tua dádiva àqueles que ainda acreditam ser escravos dentro de um corpo. Liberta-te, a fim de que o Espírito Santo possa fazer uso de tua saída da escravidão para libertar os muitos que se percebem como presos e desamparados, e com medo. Deixa que o amor substitua seus medos por teu intermédio. Aceita a salvação agora e dá tua mente Àquele Que te chama para Lhe dares esta dádiva. Pois Ele quer te dar a liberdade completa, a alegria completa e a esperança que encontra sua realização plena em Deus.

8. Tu és o Filho de Deus. Tu vives na imortalidade para sempre. Não queres devolver tua mente a isto? Então pratica bem o pensamento que o Espírito Santo te dá para hoje. Nele teus irmãos ficam livres contigo; o mundo é abençoada juntamente contigo; o Filho de Deus não chorará mais e o Céu dá graças pela aumento da alegria que tua prática traz até mesmo para ele. E o Próprio Deus estende Seu Amor e felicidade cada vez que disseres:

Eu não sou um corpo. Sou livre. Ouço a Voz que Deus
me dá e é apenas a isto que minha mente obedece.

*

COMENTÁRIO:

Como eu disse também nos dois últimos anos, muitas das pessoas que se aproximam do ensinamento do UCEM à procura de uma resposta para seus problemas e de uma explicação para as situações que enfrentam em sua vida pessoal e que, após um breve tempo, se afastam dele aparentemente sem razão alguma, fazem-no porque, quando começam a ouvir o que ele diz acerca do ego e a respeito do corpo, que o Curso identifica como a casa do ego, percebem no Curso, de modo equivocado, é claro, uma ameaça àquilo que acreditam ser. 


Isto é, o Curso, de fato, é uma ameaça à manutenção da crença no ego - um falso eu - como aquilo que somos. Quer dizer, o ego - que nos oferece um relacionamento com o mundo e com as coisas do mundo a partir de uma imagem equivocada que seu sistema de pensamento construiu de nós -, se acredita capaz de nos convencer de que somos apenas corpos e que não há nada além dele em nós.

Por isto, a lição desta terça-feira, dia 17 de julho, oferece para as práticas a ideia que coloca as coisas nos devidos lugares, apresentando-nos o corpo como apenas "uma forma útil para aquilo que a mente tem de fazer", dando-lhe apenas o papel que ele tem de cumprir e nada mais. O corpo, na verdade e para o Curso, tem de ser uma ferramenta, um instrumento perfeito para a comunicação. Ou, como diz a lição, [se ainda não é para nós, tem de vir a ser] o corpo é "um veículo que ajuda o perdão a ser estendido à meta todo-abrangente que o perdão precisa alcançar, de acordo com o plano de Deus".

Repetindo mais uma vez o que eu disse também nos dois anos passados: é a prática desta ideia que pode nos dar a liberdade que pensamos ter perdido ao nos acreditarmos corpos por sugestão do ego. Livres da crença a que o ego quer nos induzir, libertamo-nos de todos os conflitos, pois o corpo já não pode mais nos escravizar e passa a ser apenas "um servidor valioso".

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Um ser humano é uma parte do todo, do universo



LIÇÃO 198

Só minha condenação me fere.

1. O ferir é impossível. E, no entanto, ilusão cria ilusão. Se podes condenar, podes ser ferido. Pois acreditas que podes ferir e o direito que estabeleceste para ti mesmo agora pode ser usado contra ti, até que o abandones por inútil, indesejado e irreal. Então, a ilusão deixa de ter efeitos e aqueles que parecia ter serão desfeitos. Estás livre, então, pois a liberdade é tua dádiva e agora podes receber a dádiva que deste.

2. Condena e te tornas prisioneiro. Perdoa e ficas livre. Esta é a lei que rege a percepção. Não é uma lei que o conhecimento entende, pois a liberdade é uma parte do conhecimento. Assim, condenar é, na verdade, impossível. O que parece ser suas influências e seus efeitos absolutamente não aconteceu. No entanto, por algum tempo, temos de lidar com eles como se tivessem acontecido. Ilusão cria ilusão. Exceto uma. O perdão e ilusão que é resposta e todas as restantes.

3. O perdão varre todos os outros sonhos e, embora ele mesmo seja um sonho, ele não provoca nenhum outro. Todas as ilusões, salvo esta, têm de se multiplicar milhares de vezes. Mas é aqui que as ilusões acabam. O perdão é o fim dos sonhos, porque ele é um sonho de despertar. Ele, em si mesmo, não é a verdade. Mas ele aponta para o lugar em que a verdade tem de estar e dá a orientação com a certeza do Próprio Deus. Ele é um sonho no qual o Filho de Deus deperta para seu Ser e para seu Pai, sabendo que Eles são um só.

4. O perdão é a única via que conduz para longe do desastre, para além de todo o sofrimento e, finalmente, para longe da morte. Como poderia have outro caminho, se este é o plano do Próprio Deus? E por que te oporias e ele, brigarias com ele, buscarias achar milhares de maneiras pelas quais ele tem de estar errado, milhares de possibilidades outras?

5. Não é mais sábio ficar alegre por teres a resposta para teus problemas em tuas mãos? Não é mais inteligente agradecer Àquele Que dá a salvação e aceitar sua dádiva com gratidão? E não é uma bondade para contigo mesmo ouvir Sua Voz e aprender as lições simples que Ele quer ensinar, em lugar de tentar rejeitar Sua palavras e colocar as tuas próprias palavras no lugar das d'Ele?

6. As palavras d'Ele funcionarão. As palavras d'Ele salvarão. As palavras d'Ele contêm toda a esperança, toda a bênção e toda a alegria que alguma vez já puderam ser encontradas nesta terra. As palavras d'Ele nasceram em Deus e chegam a ti com o amor do Céu sobre elas. Aqueles que ouvem Suas palavras ouvem a canção do Céu. Pois estas são as palavras nas quais todas se fundem como uma só finalmente. E, quando esta única palavras desaparecer, o Verbo de Deus virá tomar o lugar dela, pois então ela será lembrada e amada.

7. Este mundo tem muitos territórios aparentemente separados em que a misericórdia não tem significado e onde o ataque parece ser justificado. Mas todos são um só; um lugar no qual se oferece a morte ao Filho de Deus e a seu Pai. Podes pensar que Eles aceitam. Mas, se olhares novamente para o lugar em que vês o sangue d'Eles, vais perceber um milagre em lugar dele. Que tolice é acreditar que Eles poderiam morrer! Que tolice acreditar que podes atacar! Que loucura é pensar que poderias ser condenado e que o Filho santo de Deus pode morrer!

8. A serenidade de teu Ser permanece inalterada por pensamentos como estes e não tem consciência de qualquer condenação que poderia necessitar de perdão. Sonhos de qualquer espécie são estranhos e hostis à verdade. E o que, a não ser a verdade, poderia ter um Pensamento que constrói uma ponte para si, que leva as ilusões para o outro lado?

9. Hoje praticamos deixar a liberdade vir para construir sua casa contigo. A verdade dá estas palavras a tua mente, a fim de que possas achar a chave para a luz e deixar que a escuridão acabe:

Só minha condenação me fere.
Só meu próprio perdão me liberta.

Não te esqueças hoje de que não pode haver nenhuma forma de sofrimento que não deixe de esconder um pensamento de rancor. E que também não existe nenhuam forma de dor que o perdão não possa curar.

10. Aceita a única ilusão que afirma que não há nenhuma condenação no Filho de Deus e o Céu é lembrado imediatamente; esquece-se o mundo, esquece-se todas as suas crenças estranhas com ele, quando a face de Cristo aparece, enfim, sem véu neste sonho único. Esta é a dádiva de Deus, teu Pai, que o Espírito Santo guarda para ti. Deixa que este dia também seja celebrado tanto na terra quanto em teu lar santo. Sê benigno para Ambos, enquanto perdoas as faltas das quais pensaste que Eles eram culpados e vê, desde a face de Cristo, tua inocência brilhar sobre ti.

11. Agora há silêncio no mundo inteiro. Agora existe serenidade onde antes havia uma torrente frenética de pensamentos sem sentido. Agora existe uma luz tranquila sobre a face da terra, que se acalmou em um sono sem sonhos. E agora só o Verbo de Deus permanece sobre ela. Só se pode perceber isso por mais um instante. Então, os símbolos acabam e tudo o que já pensaste ter feito se desvanece por completo da mente que Deus sabe ser Seu único Filho para sempre.

12. Não há nenhuma condenação nele. Ele é perfeito em sua santidade. Ele não precisa de nenhum pensamento de misericórdia. Quem poderia lhe dar as dádivas se tudo é seu? E quem poderia sonhar em oferecer perdão ao Filho da Própria Inocência, tão igual a Ele, De Quem é Filho, que olhar para o Filho é deixar de perceber para só conhecer o Pai? Nesta visão do Filho, tão breve que nem ao menos um instante se interpõe entre a visão única e a própria intemporalidade, vês a visão de ti mesmo e, então, desapareces para sempre em Deus.

13. Hoje chegamos ainda mais perto do fim de tudo o que ainda quer se interpor entre esta visão e nossa vista. E estamos contentes por chegar tão longe e reconhecer que Aquele Que nos trouxe até aqui não nos abandonorá agora. Pois Ele quer nos dar a dádiva que Deus nos dá por Seu intermédio hoje. Agora é o momento de tua libertação. Chegou a hora. A hora chegou hoje.

*

COMENTÁRIO:

A ideia que vamos praticar, nesta segunda-feira, dia 16 de julho, complementa e estende as ideias das duas lições anteriores: "só posso crucificar a mim mesmo" e "só posso ganhar a minha [própria] gratidão", conforme já disse nos comentários feitos a esta lição em anos passados. Tanto a ideia de hoje quanto as outras duas reforçam a certeza de que não há absolutamente nada fora de nós mesmos, de acordo com o que o Curso ensina. Isto equivale a dizer que tudo, absolutamente tudo, por mais estranho ou esdrúxulo que nos pareça, o que vemos é apenas uma projeção de nossos próprios pensamentos, um reflexo daquilo que trazemos no interior de nós mesmos e que, muitas vezes, nos recusamos a reconhecer como nosso.

O mundo que se apresenta a nossa visão é apenas uma ilusão, um pensamento, uma ideia à qual damos forma. E, como já disse outras vezes, em sintonia com o que diz o Curso e com o que dizem todos os grandes mestres de todos os tempos, se este mundo aparentemente nos causa alguma dor, algum sofrimento, nos afasta da paz e nos dá a sensação de uma solidão insuportável, a única maneira de mudá-lo é mudando nossa percepção de nós mesmos. É o perdão o instrumento de que podemos nos valer para curar o mundo e para nos curarmos de tudo o que pensamos que pode nos ferir. Lembrando-nos de que só podemos perdoar a nós mesmos.

Repetindo mais uma vez o que eu disse nos dois últimos anos, vamos rever o que disse Einstein a respeito do que é um ser humano. Algo que pode nos ajudar a expandir a percepção de nós mesmos e a estender o perdão a tudo e a todos que vemos, pois - de novo - só podemos perdoar a nós mesmos. Diz-nos ele: 

"Um ser humano é uma parte do todo a que se chama 'universo', uma parte limitada no tempo e no espaço. Ele se experimenta, seus pensamentos e sensações, como algo separado do restante, uma espécie de ilusão de ótica da ... consciência. Esta ilusão é um tipo de prisão para nós, restringindo-nos a nossos desejos pessoais e à afeição por algumas poucas pessoas mais próximas de nós. Nossa tarefa tem de ser a de nos libertarmos desta prisão pelo alargamento de nosso círculo de compaixão para incluir todas as criaturas vivas e a totalidade da natureza em sua beleza. Ninguém é capaz de alcançar isto totalmente, mas o esforço por tal realização é parte da libertação e uma base para a segurança interior".

Quando buscamos alcançar a iluminação, ou o contato com o divino em nós [sinônimos de busca do autoconhecimento], não é necessário que a alcancemos, de fato, ou que façamos realmente o contato. Basta nossa disposição para tanto para que se dê em nossa mente a abertura de que precisamos para a que luz se apresente a nós e nos convide a olhar para tudo de modo diferente. Quando mudamos, o mundo muda conosco.

domingo, 15 de julho de 2012

"A mente que não compreende é o Buda."



LIÇÃO 197

Só posso ganhar a minha gratidão.

1. Eis aqui o segundo passo que damos para libertar nossa mente da crença em uma força externa contrária a tua. Fazes esforços de bondade e de perdão. No entanto, tu os transformas em ataque novamente, a menos que encontres gratidão externa e agradecimentos generosos. Tuas doações têm de ser recebidas com reverência a fim de que não sejam retiradas. E, assim, pensas que as dádivas de Deus, na melhor das hipóteses, são empréstimos; na pior, enganos que te privariam de defesas para garantir que quando Ele atacar não deixe de matar.

2. Quão facilmente aqueles que não sabem o que seus pensamentos podem fazer confundem Deus e culpa. Nega tua força e a fraqueza tem de se tornar a salvação para ti. Vê a ti mesmo como prisioneiro e as grades se tornam teu lar. E também não deixarás a prisão ou reivindicarás tua força até que culpa e salvação não sejam vistas como uma só e que liberdade e salvação sejam vistas como unidas, com a força a seu lado para ser buscada e reclamada, e encontrada e plenamente reconhecida.

3. O mundo tem de te agradecer quando lhe ofereces a liberação de tuas ilusões. Contudo, teus agradecimentos também te pertencem, pois a liberaão do mundo só pode refletir a tua. Tua gratidão é tudo o que tuas dádivas pedem, para serem uma oferenda duradoura de um coração agradecido, livre do inferno para sempre. É isto que queres desfazer tomando de volta tuas dádivas porque não foram reconhecidas? És tu quem as reverencia e lhes dá os agradecimentos devidos, pois és tu quem recebe as dádivas.

4. Não importa se outro considera tuas dádivas indignas. Em sua mente, há uma parte que se junta a tua para te agradecer. Não importa se tuas dádivas parecem perdidas e inúteis. Elas são recebidas aonde são dadas. Em tua gratidão elas são aceitas universalmente e reconhecidas com gratidão pelo Coração do Próprio Deus. E tuas as tomarias de volta se Ele as aceitou com gratidão?

5. Deus abençoa toda dádiva que Lhe dás e toda dádiva é dada a Ele, porque ela só pode ser dada a ti mesmo. E aquilo que pertence a Deus tem de ser d'Ele Mesmo. No entanto, nunca perceberás claramente que as dádivas d'Ele são certas, eternas, imutáveis, infinitas, que dão eternamente, estendendo amor e somando-se a tua alegria sem fim, enquanto perdoares apenas para atacar mais uma vez.

6. Retira as dádivas que dás e pensarás que aquilo que te foi dado foi retirado de ti. Mas aprende a deixar que o perdão afaste os pecados que pensas ver fora de ti mesmo e não poderás jamais pensar que as dádivas de Deus são apenas emprestadas por algum tempo antes que Ele as tome de volta novamente na morte. Pois a morte, então não fará nenhum sentido para ti.

7. E, com o fim desta crença, o medo acaba para sempre. Agradece a teu Ser por isto, pois Ele é grato a Deus e Ele agradece por ti a Si Mesmo. Cristo ainda virá a todos que vivem, pois todos têm de viver e se mover n'Ele. O Ser que Ele é está seguro em seu Pai, porque a Vontade d'Eles é a Mesma. A gratidão d'Eles a tudo o que Eles criaram não tem fim, pois a gratidão continua a ser uma parte do amor.

8. Graças sejam dadas a ti, o Filho santo de Deus. Pois da forma pela qual foste criado, conténs todas as coisas em teu Ser. E tua ainda és como Deus te criou. E também não podes turvar a luz de tua perfeição. O Coração de Deus está assentado em teu coração. Ele gosta de ti porque tu és Ele Mesmo. Toda a gratidão te pertence, em razão do que és.

9. Dá graças do mesmo que recebes. Liberta-te de toda ingratidão a qualquer pessoa que torna teu Ser completo. E ninguém fica fora deste Ser. Dá graças por todos os incontáveis canais que estendem este Ser. Tudo o que fazes é dado a Ele. Tudo o que pensas só podem ser os Pensamentos d'Ele, ao compartilhar com Ele os Pensamentos santos de Deus. Conquista agora a gratidão que negaste a ti mesmo quando esqueceste a função que Deus te deu. Mas não penses nunca que Ele deixa de dar graças a ti alguma vez.

*

COMENTÁRIO:

Vocês conhecem aquele ditado: "quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece"? Pois é verdadeiro. Quanto mais voltamos nossa atenção para práticas que visem a nos livrar de alguma coisa como indesejável, sem reconhecê-la, aceitá-la, acolhê-lha e agradecer por ela, tanto mais reforçamos a probabilidade de que ela continue a se apresentar a nossa experiência.

Mas acredito que o ditado também serve se encarado de forma afirmativa. Isto é, quanto mais voltamos a atenção para aquelas coisas que queremos alcançar, a partir da entrega de tudo e de todos ao espírito, tanto mais as coisas e pessoas que se apresentam vêm reforçar o aprendizado, ressaltando um ponto aqui, outro ali. Para nos mostrar sempre de forma mais clara aquilo que precisamos aprender.

Por essa razão apenas, porque me parece que o que eu queria dizer a respeito desta lição é exatamente o que disse antes, vou reprisar mais uma vez o comentário feito para esta lição nos dois últimos anos, com algumas pequenas modificações. Aí vai:

Vale a pena lembrar aqui o poema que trata da possibilidade de uma relação livre do engaiolamento que, em geral, buscamos em todas as relações, com tudo e com todos. O poema que citei algumas lições atrás [nos dois últimos anos]:

Eu sou eu. 
Você é você. 
Eu não estou neste mundo para atender
as suas expectativas.
E você não está no mundo para atender
as minhas expectativas.
Eu faço a minha coisa.
Você faz a sua.
E quando nos encontramos
É muito bom.

É para isto que lição deste domingo, dia 15 de julho, chama nossa atenção. Lembrando-nos de outra lição que diz: "tudo o que dou dou a mim mesmo", a ideia de hoje remete ao pensamento de que "só posso ganhar minha própria gratidão". Isto quer dizer que tudo o que vivo tem de ser vivido apenas para minha própria satisfação, para minha própria alegria e para minha própria salvação.

Num dos volumes da trilogia Conversando com Deus, falando pelas palavras de Neale Donald Walsch, Deus afirma que a única responsabilidade que qualquer pessoa tem é apenas para consigo mesma. Isto é egoísmo? Para o sistema de pensamento do ego, talvez. Porém, se pensarmos bem, veremos que não. Pois tudo começa em nós mesmos e é só em nós mesmos que pode terminar. Em cada um de nós. Para o bem ou para o mal.

Lembro-me de ler em um de seus livros, Uma Sabedoria Incomum, se não me engano, que, após uma palestra de Krishnamurti, Fritjof Capra foi se aconselhar com ele a respeito da questão para a qual ansiava por uma resposta. Sua questão era: "Como posso ser um cientista e ainda assim seguir seu conselho para interromper o pensamento e libertar-me do conhecido?"

Capra conta que Krishnamurti, sem hesitar, respondeu a sua pergunta em dez segundos, e de um modo que resolveu completamente seu problema. A resposta foi: "Primeiro você é um ser humano e depois um cientista. Antes você tem de se tornar livre, e essa liberdade não pode ser atingida por meio do pensamento. Ela é atingida pela meditação - a compreensão da totalidade da vida, em que cessam todas as formas de fragmentação". 

Resumindo, vivemos para aprender a, ou lembrar de, ser o que somos. Isto aprendido, só podemos viver para o que somos, para o Ser. As práticas das lições são o equivalente da meditação neste nosso mundo de pressas e prazos e atribulações e medos e inseguranças. Elas nos proporcionam alguns intantes a cada dia para nos voltarmos para o divino em nós mesmos em busca da "compreensão da totalidade da vida", livres de pensamentos e de expectativas, livres de "todas as formas de fragmentação". Pois, voltando a algo a que já me referi antes, ficar livre dos pensamentos é alcançar aquele estado de espírito no qual abandonamos todos os esforços para compreender a vida a partir do intelecto.

Pois, de acordo com D. T. Suzuki, "a mente que não compreende é o Buda; não existe outra".

sábado, 14 de julho de 2012

Humildade é reconhecer e aceitar a divindade



LIÇÃO 196

Só posso crucificar a mim mesmo.

1. Quando isto for bem compreendido e mantido em plena consciência, não tentarás te ferir nem tornar teu corpo escravo da vingança. Não atacarás a ti mesmo e perceberás claramente que atacar outro é apenas atacar a ti mesmo. Ficarás livre da crença louca de que atacar um irmão te salva. E compreenderás que a segurança dele é a tua própria segurança e que com a cura dele ficas curaado.

2. A princípio, talvez não compreendas como se pode encontrar a misericórdia que é ilimitada e mantém todas as coisas sob sua proteção segura na ideia que praticamos hoje. De fato, ela pode parecer um sinal de que não se pode nunca fugir ao castigo porque o ego, sujeito àquilo que vê como ameaça, está pronto para citar a verdade para proteger suas mentiras. Porém, deste modo, ele só pode deixar de compreender a verdade de que se vale. Mas tu podes aprender a perceber estas aplicações tolas e negar o significado que parecem tem.

3. Desta forma, também ensinas tua mente que não és um ego. Pois as maneiras pelas quais o ego quer distorcer a verdade não te enganarão mais. Não acreditarás que és um corpo a ser crucificado. E verás, na ideia de hoje, a luz da ressurreição olhando para os pensamentos de libertação e de vida, além de todos os pensamentos de crucificação e de morte. 

4. A ideia de hoje é um passo que damos para nos conduzir, da escravidão, ao estado de perfeita liberdade. Vamos dar este passo hoje, a fim de podermos seguir rapidamente pelo caminho que a salvação nos mostra, dando cada passo na sequência estabelecida, enquanto a mente renuncia a seus fardo um a um. Não é de tempo que necessitamos para isto. Só de vontade. Pois aquilo que parecia precisar de mil anos pode ser feito facilmente em um só instante pela graça de Deus.

5. O pensamento sombrio e sem esperança de que podes fazer ataques a outros e te salvar te prega na cruz. Talvez ele parecesse ser a salvação. Mas ele apenas defendeu a crença de que o medo de Deus é verdadeiro. E o que é isto senão o inferno? Quem poderia acreditar que seu Pai é seu inimigo mortal, que está separado de si, e que espera para destruir sua vida e apagá-lo do universo sem medo do inferno em seu coração?

6. Esta é a forma de loucura em que acreditas, quando aceitas o pensamento amedrontador de que podes atacar outro e ficar livre. Até que esta forma mude, não há esperança. Até que, ao menos, vejas que isto tem de ser inteiramente impossível, como poderia haver saída? O medo de Deus é real para quem quer que pense que este pensamento é verdadeiro. E ele não perceberá sua tolice, ou nem mesmo verá que ela existe de modo que lhe seja possível questioná-la.

7. Para questioná-la de algum modo, primeiro sua forma tem de mudar pelo menos tanto quanto permitir que se abrande o medo de represália e que a responsabilidade te seja, até certo ponto, devolvida. A partir daí podes pelo menos considerar se queres continuar neste caminho doloroso. Até que esta mudança se realize, não podes perceber que são apenas teus pensamentos que te amedrontam e que tua libertação depende de ti.

8. Nossos próximos passos serão fáceis, se deres este hoje. A partir daí vamos adiante bem rápido. Pois tão logo compreendas que é impossível seres ferido a não ser por teus próprios pensamentos, o medo de Deus tem de desaparecer. Não podes, então, acreditar que o medo seja causado fora de ti. E Deus, A Que pensaste em banir pode ser acolhido de volta na menta santa que Ele nunca deixou.

9. Pode-se, com certeza, ouvir a canção da salvação na ideia que praticamos hoje. Se só podes crucificar a ti mesmo, não feriste o mundo e não precisas temer sua vingança e sua perseguição. Tampouco precisas te esconder aterrorizado pelo medo mortal de Deus que a projeção esconde atrás de si. A coisa que mais temes é tua salvação. Tu és forte e é força que queres. E és livre e alegre pela liberdade. Buscaste ser tão fraco quanto limitado, porque temias tua força e tua liberdade. Contudo, a salvação está nelas.

10. Há um instante em que o terror parece se apoderar de tua mente de forma tão completa que a saída parece bastante desanimadora. Quando perceberes claramente, de uma vez por todas, que é a ti mesmo que temes, a mente se perceberá dividida. E isto ficou escondido enquanto acreditaste que o ataque poderia ser dirigido para fora e devolvido de fora para dentro. Parecia existir um inimigo fora que tinhas de temer. E deste modo um deus fora de ti mesmo se tornou teu inimigo mortal; a fonte do medo.

11. Agora, por um instante, um assassino é percebido dentro de ti, ansioso por tua morte, concentrado em tramar o castigo para ti até o momento em que ele possa matar finalmente. No entanto, é neste instante também que a salvação chega. Pois o medo de Deus desaparece. E tu podes chamá-Lo para te salvar, com Seu Amor, das ilusões, chamando-O de Pai e a ti mesmo de Filho d'Ele. Reza para que o instante possa ser logo -, hoje. Afasta-te do medo e tenta te aproximar do amor.

12. Não há nenhum Pensamento de Deus que não vá contigo para te ajudar a alcançar este instante e ir além dele rapidamente com segurança para sempre. Quando o medo de Deus desaparece não há nenhum obstáculo que ainda permaneça entre tu e a santa paz de Deus. Quão benigna e misericordiosa é a ideia que praticamos! Dá-lhe boas vindas, como deves, pois ela é tua libertação. De fato, apenas tua mente é que pode tentar crucificar. Mas ao mesmo tempo tua redenção também virá de ti.

*

COMENTÁRIO:

Dou-lhes abaixo, quase que inteiramente sem modificações, o comentário feito a esta mesma lição nos dois últimos anos. Não por preguiça de pensar ou ressaltar algum aspecto diferente da lição e da ideia que o Curso nos oferece para as práticas de hoje, mas porque me parece que nunca é demais voltar nossa atenção para o poder que temos, para o que verdadeiramente somos, como forma de aprendermos a eliminar tudo o que nos impede de entrar em contato, e mantê-lo, com o divino em nós mesmo.

Neste sábado, dia 14 de julho, pois, para começar, vale a pena chamar a atenção para uma frase do nono parágrafo. Uma frase que é também reveladora do medo de Deus a que o texto da lição se refere. O medo que a lição quer nos ajudar a eliminar. Ela diz: "a coisa que mais temes é tua salvação". E por quê?

Se pensarmos bem, nos veremos forçados a concordar com o que a frase diz. Ela diz, de outro modo, a mesma coisa que Marianne Williamsom nos diz a respeito do poder que temos em seu livro Um Retorno ao Amor

"Nosso medo mais profundo não é o de que sejamos medíocres. Nosso medo mais profundo é o de que sejamos poderosos além de qualquer medida. É nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos assusta. Nós nos perguntamos: 'Quem sou eu para ser brilhante, maravilhoso, talentoso, fabuloso?' Na verdade quem és tu para não ser? Tu és um filho de Deus. Fingir-te de pequeno não ajuda o mundo em nada. Não há nada de brilhante em te encolheres para que os outros não se sintam inseguros a tua volta. Fomos feitos para brilhar, como as crianças. Nascemos para tornar manifesta a glória de Deus que habita no interior de todos nós. Ela não está apenas em alguns de nós; está em todos nós. E, quando deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente, damos permissão aos outros para que façam o mesmo. Quando nos libertamos de nosso próprio medo, nossa presença libera os outros automaticamente".

Isto - fingir-nos pequenos ou incapazes - como já vimos em uma lição anterior, não tem absolutamente nada a ver com humildade. A verdadeira humildade está em reconhecer e aceitar que somos divinos e possuímos como herança de nossa origem o poder e a glória de Deus.

Vamos pensar a respeito disto durante as práticas?

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Aplicar a ideia: "dar e receber são a mesma coisa"



LIÇÃO 195

O amor é o caminho que sigo com gratidão.

1. Gratidão é uma lição difícil de aprender para aqueles que olham para o mundo de maneira imprópria. O máximo que eles podem fazer é verem a si mesmos como melhores do que outros. E tentam ficar satisfeitos porque outro parece sofrer mais do que eles. Quão mesquinhos e censuráveis são tais pensamentos! Pois quem tem motivos para agradecer enquanto outros têm menos motivos? E quem pode sofrer menos porque vê outro sofrer mais? Tua gratidão se deve só Àquele Que fez desaparecer do mundo inteiro toda razão para o sofrimento.

2. É insano dar graças pelo sofrimento. Mas é igualmente insano faltar com a gratidão Àquele Que te oferece o meio seguro pelo qual toda dor é curada e o sofrimento substituído pelo riso e pela felicidade. E nem os que ainda são parcialmente sãos poderiam se recusar a dar os passos que Ele indica e a seguir pelo caminho que Ele coloca diante deles para fugirem da prisão que eles pensavam não ter nenhuma porta para a liberdade que agora percebem.

3. Teu irmão é teu "inimigo" porque vês nele o rival para tua paz; um saqueador que tira sua alegria de ti e não te deixa nada a não ser um desespero negro, tão amargo e inexorável que não sobra nenhuma esperança. Agora a vingança é tudo o que existe para se desejar. Agora, só tentas derrubá-lo para que repouse na morte contigo, tão inútil quanto tu mesmo; com tão pouco deixado em seus dedos ávidos quanto nos teus.

4. Tu não ofereces gratidão a Deus porque teu irmão é mais escravo do que tu, nem poderias, em sã consciência, ficar com raiva se ele parecer ser mais livre. O amor não faz comparações. E a gratidão só pode ser sincera se estiver unida ao amor. Damos graças a Deus, nosso Pai, porque todas as coisas encontrarão sua liberdade em nós. Nunca acontecerá de alguns serem libertados enquanto outros ainda estiverem presos. Pois quem pode barganhar em nome do amor?

5. Por isto, dá graças, mas com sinceridade. E deixa tua gratidão dar espaço a todos que se libertarão contigo; o doente, o fraco, o necessitado e medroso, e aqueles que choram uma perda aparente ou sentem o que parece ser dor, que sofrem frio ou fome ou que andam pelo caminho do ódio e pela senda da morte. Todos estes vão contigo. Não nos comparemos a eles, pois desta forma nós os separamos de nossa consciência da unidade que compartilhamos com eles, do mesmo modo que eles têm de compartilhar conosco.

6. Agradecemos a nosso Pai por uma única coisa: por não estarmos separados de nenhuma coisa viva e, por isto, sermos um com Ele. E nos regozijamos porque não se pode fazer nunca nenhuma exceção que reduziria nossa totalidade, nem prejudicar ou mudar nossa função de completar Aquele Que é Ele Mesmo completude. Damos graças por toda coisa viva, pois do contrário não damos graças por nada e deixamos de reconhecer as dádivas de Deus para nós.

7. Deixemos, então, nossos irmãos apoiarem suas cabeças cansadas em nossos ombros enquanto descansam por um instante. Nós damos graças por eles. Pois se pudermos lhes indicar a paz que queremos encontrar, o caminho se abre, enfim, para nós. Uma porta antiga balança mais uma vez livremente; uma Palavra esquecida há muito tempo ressoa de novo em nossa lembrança e ganha clareza quando estamos dispostos mais uma vez a ouvir. 

8. Segue, então, pelo caminho do amor com gratidão. Pois, quando abandonamos as compararações, esquece-se o ódio. O que mais fica como obstáculo à paz? O medo de Deus se desfaz, por fim, e nós perdoamos sem comparar. Deste modo, não podemos escolher deixar de ver algumas coisas e, ao mesmo tempo, manter outras trancadas como "pecados". Quando teu perdão for completo, terás total gratidão, porque verás que todas as coisas, por serem amorosas, se tornam merecedoras do direito ao amor, tanto quanto teu Ser.

9. Hoje aprendemos a pensar na gratidão em lugar de raiva, malícia e vingança. Tudo nos foi dado. Se nos recusarmos a reconhecê-lo, não teremos, por consequência, direito a nossa amargura e a uma percepção de nós mesmo que nos vê em um lugar de perseguição implacável, no qual somos rotulados de forma constante e empurrados de um lado para outro sem um pensamento ou cuidado por nós ou por nosso futuro? A gratidão é o pensamento singular com que substituímos estas percepções insanas. Deus Se importa conosco e nos chama de Filho. Pode existir mais do que isto?

10. Nossa gratidão preparará o caminho para Ele e encurtará nosso tempo de aprendizado mais do que poderias sonhar alguma vez. A gratidão anda de mãos dadas com o amor e onde um está o outro tem de ser encontrado. Pois a gratidão é apenas um aspecto do Amor que é a Fonte de toda a criação. Deus dá graças a ti, Seu Filho, por seres quem és; Sua Própria completude e a Fonte do amor juntamente com Ele. Tua gratidão a Ele é una com a d'Ele para ti. Pois o amor não pode andar por nenhuma estrada que não a da gratidão e, deste modo, nós, que andamos no caminho para Deus, seguimos.

*

COMENTÁRIO:

Vamos voltar nossa atenção por um instante para uma das frase do texto que apresenta a ideia para as práticas desta sexta-feira, dia 13 de julho. Diz ela:

"Damos graças a Deus, nosso Pai, porque todas as coisas encontrarão sua liberdade em nós."

Será? Encontrarão? Algum dia, talvez... Quando? No momento, estamos por demais ocupados em aprisionar o(s) outro(s) em uma imagem que fazemos dele(s), sem perceber, a maior parte do tempo, que é só a nós mesmos que aprisionamos.

Já comentei antes, mais de uma vez até, se não me engano, que somos, em geral mal-agradecidos. Porque, normalmente, podemos nos sentir dispostos a dar, mas raramente temos a mesma disposição para receber. Receber é quase sempre um problema, pois faz que nos sintamos diminuídos [influência do sistema de pensamento do falso eu - o ego do Curso, que busca reforçar a crença numa separação que só existe em seu modo de pensar equivocado] diante daquele(a) que nos oferece alguma coisa, seja ela material, seja imaterial.

Ou já não nos percebemos todos em algum momento constrangidos de uma forma inexplicável ao receber um elogio, como se não fôssemos merecedores, dizendo muitas vezes, "ora, não foi nada"? Esquecemo-nos de que "dar e receber são a mesma coisa", conforme ensina o Curso.

As práticas de hoje devem servir para nos ensinar um pouco de gratidão, tanto por aquilo que podemos e nos sentimos dispostos a dar, quanto por aquilo tudo que recebemos como dádiva de Deus, nosso Pai, por meio das pessoas com quem dividimos este mundo, sejam elas quem forem. Oxalá aprendamos! 


OBSERVAÇÃO: Este comentário, com alterações mínimas, praticamente repete aquele que fiz no ano passado para esta lição. Espero que continue pertinente e de ajuda para ampliar a reflexão a que nos convida a ideia para as práticas de hoje.



quinta-feira, 12 de julho de 2012

O ego não consegue se comunicar com o divino



LIÇÃO 194

Entrego o futuro nas Mãos de Deus.

1. A ideia de hoje é outro passo na direção à salvação rápida e é um passo gigantesco, de fato! Tão grande é a distância que ele cobre que te coloca bem perto do Céu, com a meta à frente e os obstáculos atrás. Teus pés alcançaram os gramados que te recebem com alegria no portão do Céu; o lugar sereno da paz, onde aguardas com certeza o passo final de Deus. Quão longe da terra avançamos agora. Quão perto chegamos de nossa meta! Quão curta a jornada a percorrer ainda.

2. Aceita a ideia de hoje e ultrapassas toda a ansiedade, todos os abismos do inferno, todo o negror da depressão, dos pensamentos de pecado e da desolação trazida pela culpa. Aceita a ideia de hoje e liberas o mundo de toda prisão por soltares as correntes pesadas que trancavam a porta da liberdade para ele. Tu estás salvo e tua salvação, deste modo, se torna a dádiva que dás ao mundo porque aceitas.

3. Não se sente depressão, não se experimenta dor ou se percebe perda em nenhum momento. Em nenhum momento se pode colocar a tristeza em um trono e adorá-la de modo sincero. Em nenhum momento alguém pode sequer morrer. E, por isto, cada momento dado a Deus ao passar, com o seguinte já dado a Ele, é um tempo de tua liberação da tristeza, da dor e até mesmo da própria morte.

4. Deus mantém teu futuro da mesma forma que Ele mantém teu passado e teu presente. Para Ele, eles são um só e, por esta razão, eles devem ser um para ti. Porém, neste mundo, o curso do tempo ainda parece real. E, por isto, não se pede a ti que entendas a falta de sequência que realmente se encontra no tempo. Pede-se apenas que soltes o futuro e que o coloques nas Mãos de Deus. E verás por tua experiência que depositaste também nas Mãos d'Ele o passado e o presente, porque o passado não te punirá mais e o medo do futuro não terá sentido agora.

5. Libera o futuro. Pois o passado se foi, e o que é presente, livre de seu legado de pesar e tristeza, de perda e de dor, se torna o momento em que tempo foge da escravidão das ilusões, onde segue seu curso impiedoso, inevitável. Então, cada instante que era escravo do tempo se transforma em um instante santo, quando a luz que se mantinha escondida no Filho de Deus é libertada para abençoar o mundo. Agora ele está livre e toda sua glória brilha sobre um mundo libertado com ele para compartilhar sua santidade.

6. Se puderes ver a lição de hoje como a libertação que ela realmente é, não hesitarás em dedicar um esforço tão sólido quanto possível para torná-la parte de ti. À medida que ele se tornar um pensamento que rege tua mente, um hábito em teu repertórios para a solução de problemas, uma forma de reação rápida à tentação, estenderás teu aprendizado ao mundo. E quando aprenderes a ver a salvação em todas as coisas, o mundo também perceberá que está salvo.

7. Que preocupação pode assaltar aquele que entrega seu futuro às Mãos amorosas de Deus? O que ele pode sofrer? O que pode lhe causar dor, ou lhe trazer experiência de perda? O que ele pode temer? E a que ele pode dar atenção exceto com amor? Pois aquele que escapou de todo o medo da dor futura encontrou seu caminho para a paz presente e a certeza de cuidado que o mundo não pode ameaçar jamais. Ele tem certeza de que sua percepção pode ser imperfeita, todavia nunca lhe faltará correção. Ele está liver para escolher novamente quando se enganar; para mudar sua forma de pensar quando cometer erros.

8. Coloca, então, teu futuro nas Mãos de Deus. Pois, assim, pedes que a lembrança d'Ele venha de novo, para substituir pela verdade do amor todos teus pensamentos de pecado e de mal. Pensas que deste modo o mundo poderia deixar de ganhar e que toda criatura viva não reagiria com a percepção curada? Aquele que se entrega a Deus também confia o mundo às Mãos a que ele mesmo recorre em busca de conforto e segurança. Ele abandona as ilusões doentia do mundo juntamente com as suas e oferece paz a ambas.

9. Agora estamos salvos de verdade. Pois descansamos tranquilos nas Mãos de Deus, certos de que só o bem pode vir a nós. Se esquecermos, seremos tranquilizados de modo benigno. Se aceitarmos um pensamento que não perdoa, ele logo será substituído pelo reflexo do amor. E se formos tentados a atacar, recorreremos Àquele Que protege nosso descanso para que faça por nós a escolha que deixa a tentação bem para trás. O mundo não é mais nosso inimigo, porque escolhemos ser amigos dele.

*

COMENTÁRIO:

Um de nossos maiores problemas em aceitar todas as coisas como lições que Deus quer que aprendamos está diretamente relacionado às expectativas que temos, quando nos debruçamos sobre algum assunto que precisamos resolver, quando dedicamos nossa atenção a algum problema que nos preocupa ou quando fazemos planos para algum momento que queremos viver no futuro.

Também é um problema o fato de pensarmos não ter tempo para fazer tudo aquilo que queremos. Pois isso nos impede exatamente de viver o único tempo que existe: o presente. Pois, como diz o Curso, passamos do passado diretamente ao futuro. Como aprender, então, a entregar o futuro nas Mãos de Deus, como ensina a ideia da lição que vamos praticar nesta quinta-feira, dia 12 de julho?

Nossas expectativas muitas vezes - na maioria delas - nos impedem de acolher e aceitar a situação que se apresenta a cada momento. Elas nos impedem de reconhecer e praticar como verdadeiras aquelas quatro leis da espiritualidade que se ensina na Índia, que vimos em comentário de uma lição recente. Estamos, em geral, sendo movidos pela pergunta: "E se"?

Lembram de que no ano passado lhes falei que minha mãe dizia que o "e se?" é pior que lepra? Pois, repetindo o que disse, então, se pensarmos bem, o que podemos, de fato, fazer para provocar qualquer mudança verdadeira no mundo que vemos, a não ser mudar nosso modo de olhar para ele e fazê-lo já, neste instante presente? Que mudança esperamos ver ou provocar no mundo, deixando para fazer o movimento amanhã, ou num futuro que nunca chega? 

Vamos buscar aprender mais uma vez, com as práticas da ideia de hoje, a lembrar de aceitar com humildade, de aceitar serena e tranquilamente que não sabemos nada mesmo a respeito de nada. Nem sequer sabemos como escolher o caminho que pode nos levar à felicidade, pois não sabemos também o que é a felicidade ou o que nos faz felizes. Aceitar isto, de coração e mente abertos, nos liberta por completo do jugo da pretensa onipotência do ego.

Reprisando ainda o que diz Alan Watts a respeito do saber: "da mesma forma que a visão surge de algo invisível, também quando sabemos que não sabemos, sabemos realmente. Sabemos, porque perceber claramente que não sabemos é um estado de espírito no qual temos de abandonar nossos esforços para compreender a vida a partir do intelecto".

O ego é absolutamente dependente do intelecto e precisa de explicação racional e lógica para tudo o que vê. É por isso que ele não consegue se comunicar com o divino. O ego precisa do controle e do conflito. O divino não precisa de nada. Ele se basta. E é em razão de sermos manifestações do divino que, na verdade, só podemos experimentar a paz e a alegria quando entregamos tudo nas mãos de Deus.