quarta-feira, 7 de agosto de 2024

Os ensinamentos do mundo devem ser abandonados

 

LIÇÃO 220

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (200) Não há nenhuma paz a não ser a paz de Deus.

Não deixes que eu me desvie do caminho da paz, pois fico perdido em outras estradas que não esta. Mas deixa-me seguir Aquele Que me conduz para casa, e a paz é tão certa quanto o Amor de Deus.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 220

Caras, caros,

Eis-nos de novo aqui, prontos para as práticas com a última das ideias desta revisão, que encerra as lições da primeira parte do livro de exercícios. Terminamos aqui o primeiro trecho do caminho que escolhemos seguir, o trecho mais longo e, quiçá, mais difícil, para nós, os e as que já nos havíamos acomodado - porque todos, todas, ou quase todos, ou quase todas, é bom ressalvar, gostamos do que é cômodo - com as orientações que o mundo do ego nos oferece como forma de viver a vida neste mundo, que o falso eu considera verdadeiro, mas que o Curso ensina ser apenas a ilusão das ilusões. 

Oxalá tenhamos todos e todas - aqueles e aquelas de nós que chegam até aqui pela primeira, aqueles e aquelas de nós que estão fazendo o caminho pela segunda, terceira, quarta ou mais vezes -, alcançado o objetivo de pôr de lado alguns, se não todos, dos ensinamentos do mundo. Principalmente aqueles que nos impediam de seguir adiante na direção de nós mesmos e de nós mesmas [do autoconhecimento] e de Deus que habita o interior de cada um e de cada uma de nós.

Esta primeira parte, pois, se encerra com a afirmação, a ideia, de que não há nenhuma paz a não ser a paz de Deus. Isto é, não adianta de nada procurarmos a paz em outros lugares, em pessoas, em coisas e em qualquer ponto do mundo, do planeta ou do universo. Se não entrarmos em contato com a paz de Deus, que só pode estar em nós mesmos e em nós mesmas, ainda não teremos alcançado a paz que pode nos devolver à origem, à Fonte, ao que somos na verdade. 

E como entrar em contato com Deus em nós mesmos e em nós mesmas e com a paz de que vem d'Ele, a não ser pela prática constante e permanente, das lições que o Curso nos oferece? São as lições que vão transformar nossa mente e coração em um campo fértil no qual podemos plantar as sementes dos bons pensamentos, que, carregados com humildade e regados com as águas do amor, vão nos levar a continuar a busca do conhecimento de nós mesmos e de nós mesmas.

Lembremo-nos também mais uma vez de que chegar até aqui é uma grande realização, pois, de alguma forma já estamos preparados para dar continuidade à jornada, à viagem, que, uma vez iniciada, não termina jamais. Uma jornada em que, se vocês lembrarem do que eu já disse algumas vezes, não devemos - nem podemos - nos desviar do caminho da paz, o único caminho que pode nos levar à alegria que dá a percepção verdadeira, a percepção que está em sintonia com o espírito em nós e que vai, enfim, nos levar a nosso destino último e primeiro: a nós mesmos, a nós mesmas e, por consequência, a Deus.

Pratiquemos, portanto, mais uma vez, ficar em paz e oferecer a paz, para aprendê-la. Ou como diz o Curso, em seu sexto capítulo: As Lições do Amor, "para ter paz, ensina a paz para aprendê-la". 

Às práticas?

terça-feira, 6 de agosto de 2024

Para ouvir o espírito, precisamos aquietar a mente

 

LIÇÃO 219

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (199) Eu não sou um corpo. Sou livre.

Eu sou o Filho de Deus. Aquieta-te, minha mente, e pensa nisto por um momento. E, depois, volta à terra, sem confusão a respeito do que meu Pai ama para sempre como Seu Filho.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 219

Caras, caros,

Pode-se dizer mais uma vez que nada melhor, nem mais apropriado, do que nos aproximarmos do fim desta última revisão e, por consequência, do final da primeira parte do Livro de Exercícios, revendo mesmo esta ideia, a que serve também para dar unidade à revisão de todas as ideias que praticamos neste período. 

É ela também que vai nos preparar para a segunda parte do livro, aquela que vai nos levar na direção da percepção verdadeira: a percepção do Espírito Santo que todos nós compartilhamos, apesar de não termos consciência disso a maior parte do tempo. 

São as práticas com as ideias de hoje que, no caminho em direção do que vamos praticar com as ideias da segunda parte, vão abrir nossa mente para a liberdade de que necessitamos para viver a vida a partir da percepção que nos dá o Espírito Santo em nós.  

Assim, como eu já disse anteriormente, revisamos hoje a ideia que nos oferece a possibilidade de libertação completa de uma das crenças mais fortes dentre aquelas que nos aprisionam e que limitam - ainda que apenas aparentemente - aquilo que somos na verdade, em um corpo, em uma forma materializada. Uma ideia que nos afiança sermos livres, se reconhecermos, compreendermos e aceitarmos que não somos só corpos. 

O que somos, ainda que nos vejamos em um corpo de matéria, é espírito. E é só a partir do espírito em nós que podemos ser livres. E também deixar que os corpos sejam livres, seja qual for a forma que eles tomem.

É esta a verdade a respeito do que somos, se acreditarmos que ainda somos como Deus nos criou. Mas quem acredita nisto, quando olha para o mundo e vê o "caos" que aparentemente se instalou sobre a terra, sobre o planeta e no universo como um todo, por conta da interferência humana? 

Todavia, a ideia que praticamos hoje também permite que vejamos que o aparente "caos" é apenas a ilusão gerada pela crença em corpos e formas, frutos de uma separação que nunca existiu. Ele é apenas uma interpretação - na mais das vezes equivocada - que fazemos do que vemos.

É por esta razão que a orientação para as práticas fala em aquietar a mente. Para que olhemos de modo diferente para o mundo, e para as coisas dele ou nele. Nada é o que parece ser. Não nos enganemos por mais tempo. Pois o que nossos olhos veem, conforme uma lição lá do início, é apenas o passado. E o que é o passado a não ser uma história que contamos a nós mesmos, a nós mesmas? 

Quando cometemos o equívoco de acreditar que compreendemos o que percebemos, seu significado está perdido para nós (conforme T-11.VIII.2:3). Porque neste exato segundo já não somos, nem percebemos, o que fomos no segundo anterior. E a maior parte de toda a dor que experimentamos se origina no fato de tentarmos sê-lo. Isto é, de acreditarmos que o que somos agora não muda, ou que o que somos agora, neste exato momento, é a mesma coisa que fomos há algum tempo, ou há muito tempo.

Ainda de acordo com o que o Curso ensina, não conhecemos o significado de nenhuma das coisas que vemos e não temos nenhum pensamento totalmente verdadeiro. Mas temos um Professor Que conhece o significado de todas coisas. Podemos perguntar a Ele, se estivermos dispostos a aprender. Todavia, para aprender com Ele, é preciso que estejamos dispostos a questionar todas as coisas [no mundo e do mundo] que aprendemos por conta própria, pois aprendemos mal quando buscamos ser professores de nós mesmos, ou de nós mesmas (vide T-11.VIII.3).

Aproveitemos, pois, as práticas de hoje para aprender a respeito de nossa liberdade com o único Professor Que conhece todas as coisas, aquietando nossas mentes para ouvir Sua Resposta. 

A elas?

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Como impedir a mente de nos fazer instrumentos dela

 

LIÇÃO 218

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (198) Só minha condenação me fere.

Minha condenação mantém minha percepção duvidosa e com meus olhos cegos não posso perceber a beleza de minha glória. Hoje, porém, posso ver esta glória e ficar alegre.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 218

Caras, caros,

Atenção! Atenção! Atenção, mais uma vez! Hoje, reprise da reprise da reprise. Não perca. Você não pode deixar de ler! Vai ser bom para sua prática.

Brincadeiras à parte, vou reprisar para a lição de hoje, uma vez mais, o comentário feito em anos anteriores. Espero que, tal como eu, vocês ainda vejam sentido naquilo que eu disse então. E que o sentido de lá possa servir para o que vivemos hoje. Bom dia a todos. Boas práticas.

Thomas Keating, de quem já lhes falei algumas vezes antes, em seu livro Intimidade com Deus, compara nossa consciência a um rio, em cuja superfície os pensamentos passeiam, como barcos. "A superfície do rio representa nosso nível psicológico normal de consciência. Mas o rio também tem profundezas e o mesmo acontece com nossa consciência. Debaixo do nível psicológico normal de consciência, há o nível espiritual de consciência, no qual nosso intelecto e vontade funcionam em seu modo peculiar, de maneira espiritual", diz ele.

Ele acrescenta que em um nível mais profundo ainda, ou numa região mais 'centralizada', "está a Força Divina Interior, onde a energia divina está presente como fonte de nossa existência e inspiração a todo momento". É na parte mais central ou íntima de nosso ser, em um lugar a que "os místicos chamam de 'fundamento da existência' ou 'pico do espírito' que podemos encontrar "o esforço pessoal e a graça".

O que fazemos na prática diária, ao utilizarmos a ideia que o Curso nos apresenta a cada lição, de acordo com as instruções, serve, para me apropriar do que Keating diz, como um "gesto do consentimento de nossa vontade espiritual para a presença de Deus no mais íntimo de nosso ser".

Durante as práticas, a ideia deve aparecer em nossa imaginação sem exercer "nenhuma função tranquilizadora no nível de nosso fluxo de consciência normal". Em vez disso, seu papel é favorecer a expressão "de nossa intenção, a escolha de nossa vontade de se abrir e [de] se entregar à presença divina". [Mais ou menos a mesma coisa que o dr. Hew Len diz no livro Limite Zero ao se referir à utilização das frases para a prática do ho'oponopono: Sinto muito. Me perdoa, por favor. Obrigado. Eu te amo.]

A ideia deve ser utilizada para permitir - se nos lembrarmos da metáfora da consciência como um rio -, que "os pensamentos naveguem como barcos na superfície do rio, sem atrair nosso desejo, nem provocar aversão". Isso vai permitir que nos desviemos por algum tempo do processo de pensar, pois "o processo pensante", diz Keating, tende a reforçar o sistema ao qual estamos acostumados e não nos deixa sair do "frenesi para 'obter algo' do mundo exterior para abastecer nossas compulsões ou [para] disfarçar nossa mágoa", além, é claro, de acentuar quaisquer sensações de culpa ou medo que tenhamos desenvolvido por alguma razão.

Lembram-se do que Eckhart Tolle diz a respeito do pensamento? Em seu livro, O Poder do Agora, ele diz que o processo do pensamento faz com que nos identifiquemos com a mente e que "ser incapaz de parar de pensar provoca uma aflição terrível".

Quando nos identificamos com a mente, diz Eckhart, "criamos uma tela opaca de conceitos, rótulos, imagens, palavras, julgamentos e definições que bloqueia todas as relações verdadeiras" e que se interpõe entre nós e o nosso próprio interior, entre nós e o próximo, entre nós e a natureza e entre nós e o divino em nós mesmos, ou em nós mesmas. É por essa razão que, para ele, "pensar se tornou uma doença". Isto é, "o ruído mental incessante nos impede de encontrar a área de serenidade interior que é inseparável" daquilo que, na verdade, somos.

Dizendo de outro modo, "a doença acontece quanto as coisas se desequilibram. Por exemplo, não há nada errado com a divisão e a multiplicação das células no corpo humano. Mas, quando esse processo acontece sem levar em conta o organismo como um todo, as células se proliferam e temos a doença", o câncer, entre elas.

Isso é quase a mesma coisa que Keating diz quando, ao se referir ao processo de pensamento, sugere que um descanso "em bases regulares de vinte a trinta minutos sem pensar" nos levaria a perceber que, voltando ao que diz Tolle, "não somos os nossos pensamentos. Temos pensamentos, mas não somos os nossos pensamentos".

O que, em geral, nos faz sofrer é pensar que somos os nossos pensamentos e, se os nossos pensamentos são inquietantes, penosos ou 'maus', ficamos confusos e confusas com eles. Se nos déssemos o direito de parar de pensar por algum tempo, todos os dias, como disciplina - lembram-se da fidelidade à prática? -, começaríamos a ver que não precisamos ser dominados nem dominadas pelos pensamentos.

Em última instância, o que acontece é que não percebemos que a mente pode ser - e é - "um instrumento magnífico" [Tolle], usada de maneira correta. Em geral, em nosso nível psicológico normal, nós a usamos de forma errada, ou, melhor dizendo, não a usamos, deixamos que ela nos use. Ao acreditar que somos a mente, que somos nossos pensamentos, permitimos que o instrumento se aposse de nós. Tornamo-nos o instrumento. Isto é, a mente nos fez de instrumentos dela.

Às práticas?

domingo, 4 de agosto de 2024

É só do Espírito que a alegria perfeita pode vir a nós

 

LIÇÃO 217

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (197) Só posso ganhar a minha gratidão.

Quem, a não ser eu mesmo, deve agradecer por minha salvação? E de que modo, a não ser pela salvação, posso descobrir o Ser a Quem devo minha gratidão?

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 217

Caras, caros,

De novo: se pararmos para refletir um pouquinho só que seja a respeito da última da ideia que revisamos, Só posso crucificar a mim mesmo, relacionando-a, mais uma vez, como fiz ontem, à ideia de uma lição anterior: Tudo que dou é dado a mim mesmo, abrimos caminho para a ideia da revisão de amanhã, Só minha condenação me fere.  

Lembremo-nos ainda - as pessoas que já estão há mais de um ano por aqui e que já passaram pela prática de todas as lições ao menos uma vez - de que há, na segunda parte, uma lição cuja ideia afirma: Nada pode me ferir, exceto meus pensamentos. Há outra ainda a dizer que: Só meus pensamentos me afetam. 

A partir de todas estas ideias é forçoso concluir que, na verdade, tudo sempre gira de modo inevitável em torno de nós mesmos, de nós mesmas, de cada um e de cada uma de nós individualmente. O coletivo também é apenas uma projeção de tudo o que povoa nossa mente - a de cada um e a de cada uma de nós -, se, de novo, pararmos para pensar com bastante atenção. 

Isto significa dizer, uma vez mais, que o mundo só existe como projeção ou manifestação de tudo aquilo que trago dentro de mim. Tanto isso é verdade que estamos já até cansados de ouvir dizer que há tantos mundos quantas são as pessoas que aparentemente habitam o mundo. Este em que nossa percepção diz que vivemos.

Isto é apenas a confirmação da ideia que praticamos hoje, que nos diz que só podemos esperar nossa própria gratidão. Mais uma razão, conforme eu já disse no passado, para aprendermos a não depositar nenhuma expectativa em nada, nem em ninguém. Para entregarmos, sim!, todos nossos planos e projetos ao divino, e a um divino - uma vez que não há nada fora de nós mesmos, ou de nós mesmas, como o Curso ensina - que só pode existir em nós mesmos e em nós mesmas, ao Espírito Santo, que também só pode existir em nós mesmos e em nós mesmas. Um divino, ou um Espírito Santo em nós, que sabe tudo a respeito de gratidão. 

É também o Espírito Santo, em nós, quem sabe o que pode nos dar a alegria perfeita: a Vontade de Deus para nós, e que, claro!, é nossa própria vontade. Em meio a toda e qualquer dúvida que pode advir do sistema de pensamento do mundo, deve bastar-nos a certeza de que sempre podemos contar com nossa própria gratidão, uma vez a tenhamos aprendido.

Repetindo ainda uma vez o que eu já disse em anos passados, esta ideia é também mais uma razão para que deixemos de buscar determinar de que modo as outras pessoas e outros seres vivos devem viver, para que busquemos aprender a abrir mão do controle. Se, em geral, não sabemos o que fazer com nosso próprio mundo, o que nos leva a pensar que podemos decidir o que é melhor para uns e outros, para seus mundos, e para o mundo todo?

E, recorrendo ainda a comentários anteriores, é bom lembrar de novo que o texto que introduziu esta ideia para as práticas na primeira vez diz a certa altura:

Não importa se outro considera tuas dádivas indignas. Na mente dele existe uma parte que se junta a tua para te agradecer. Não importa se tuas dádivas parecem perdidas e inúteis. Elas são recebidas onde são dadas. Em tua gratidão elas são aceitas universalmente e reconhecidas com gratidão pelo Coração do Próprio Deus.

E, de novo, alguém pode pedir ou querer mais do que isto? Não será o caso de aprendermos a dar graças por sermos capazes da gratidão? E, se tudo que damos é a nós mesmos e a nós mesmas que damos, será difícil concluir que sempre que somos gratos, ou gratas, a alguém por alguma coisa é nossa própria gratidão que recebemos? E que não precisamos de mais nada? 

Às práticas?

sábado, 3 de agosto de 2024

Abandonando o ataque e a culpa para provar a paz

 

LIÇÃO 216

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (196) Só posso crucificar a mim mesmo.

Tudo o que faço, faço a mim mesmo. Se ataco, eu sofro. Mas, se eu perdoar, a salvação me será dada.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 216

Caras, caros,

A ideia que vamos revisar mais uma vez hoje, como já disse algumas vezes antes, contém uma verdade que não aprendemos com o mundo. Quer dizer, não aprendemos a não ser depois de dar muitas cabeçadas e de, como se diz popularmente, cansar de dar murros em ponta de faca. Pois tudo o que o mundo nos ensina a fazer é julgar, condenar, atacar e crucificar todos, todas, e tudo o que se apresenta em nossos caminhos como culpados pelo estado de coisas que vivemos e, por consequência, é claro, a nós mesmos e a nós mesmas. 

É claro que isso é só uma tentativa equivocada de transferir nossa própria responsabilidade por nossa vida a outros e a outras circunstâncias, ignorando - porque o mundo não nos ensina - que somos nós mesmos e nós mesmas que fazemos nossas circunstâncias. Assim como somos responsáveis por absolutamente tudo no mundo. Pelo menos por tudo aquilo que, no mundo, se apresenta a nossa consciência.

Ora são nossos pais, ora é nossa família toda. Ora são os professores, ora é a escola em que estudamos. Ora é o bairro ou o lugar em que vivemos, ora é o país em que nascemos. Em alguns momentos é o supervisor, ou gerente em nosso emprego, nosso superior direto, noutros é a empresa, que não nos dá a chance que pensamos precisar. Noutros é a situação econômica, social e política do país, onde "todos" os representantes eleitos são corruptos e só pensam em seu próprio bem. Ou ainda onde alguns - em geral aqueles que consideramos nossos adversários - são "mais" corruptos que o tolerável.  Noutras ainda é a religião em que fomos criados, que quer nos manter sob o jugo de um Deus acusador e vingativo.

Quando é que vamos aprender a deixar de atribuir a outro(s) a responsabilidade que nos cabe pelo estado das coisas que vivemos? Quando é que vamos compreender - e, lembrem-se, compreender é aceitar - que só nós mesmos e nós mesmas criamos e construímos esse estado de coisas, seja ele qual for. 

Um estado que, aliás, como eu já disse também, nunca parece ser de nossa própria responsabilidade. Porque "eu" sei o que faço, o que quero e o que não quero. Os outros? Os outros estão todos errados, a se dar ouvidos ao sistema de pensamento deste falso "eu", uma imagem de nós mesmos e de nós mesmas apenas, que vamos construindo com o aprendizado do mundo, e que o Curso chama de ego.

O Curso diz várias vezes, em diversos pontos diferentes, que oferece um ensinamento muito simples. Afinal, diz ele a certa altura, o que pode ser mais simples do que ensinar que só a verdade é verdadeira? E que o que é falso é falso?

E é isto que a ideia para as práticas de hoje nos ajuda a aprender e a compreender. Pois ela é apenas extensão e consequência natural de outra lição que diz: Tudo o que dou é dado a mim mesmo (Lição 126). Ora, se só dou a mim mesmo, é lógico que só posso ferir a mim mesmo, não? Da mesma forma, só posso julgar, condenar, culpar e crucificar a mim mesmo, não? Mesmo quando estou atribuindo tudo a todos menos a mim mesmo.

Isto não é simples de se aprender? Sim! Sim! É simples, mas não é fácil. E por quê? Porque, na maior parte do tempo, estamos hipnotizados e hipnotizadas pelos modos e sugestões do mundo [do ego, o falso eu], grande número de vezes não nos apercebemos de que o que fazemos só atinge mais fundo, de fato, a nós mesmos, a nós mesmas.

Apesar de todos e todas nós já termos experimentado em algum momento a dor que resulta de se ferir alguém, o ego nos convida a relevar esta dor e a esquecê-la, sob a justificativa de que o que fizemos era o que aquela pessoa merecia, mas não ensina como abandonar o sentimento de culpa que se origina do ataque.

Na verdade, sabemos que não é assim. Pois sempre que buscamos ferir ou atacar alguém é a nós mesmos, a nós mesmas, que machucamos mais. E pagamos o preço em culpa. E a culpa gera o medo. E não conseguimos mais ficar em paz, nem experimentar a alegria, que é nosso estado natural. É só abandonando a culpa, que vem do ataque e do julgamento do ataque, frutos da crença na separação, que vamos conseguir experimentar a paz.

Afinal, o que queremos de verdade para nossa vida? Paz ou culpa? Ou, lembrando de mais um dos ensinamentos do Curso: queremos ter razão ou ser felizes?

Às práticas?

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

É importante e muito prestar atenção. Vejam por quê!

 

LIÇÃO 215

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (195) O amor é o caminho que sigo com gratidão.

O Espírito Santo é meu único Guia. Ele caminha comigo no amor. E eu dou graças a Ele por me mostrar o caminho a seguir.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 215

Caras, caros,

Mais uma vez, o que o Curso oferece para nossas práticas de hoje é uma ideia à qual vai ser preciso darmos o melhor de nossa capacidade de atenção. E por que digo isto? Porque, em geral, no estado comum de consciência não nos apercebemos da necessidade da gratidão pelo caminho que seguimos, seja ele qual for. Não nos damos conta de que é só quando somos agradecidos, ou agradecidas, que o universo derrama sobre nós todas as suas bênçãos e maravilhas. Como sabemos, o universo é apenas um grande, um enorme espelho, e só nos devolve o que mostramos a ele.

E afinal, já passamos pelas lições que ensinam que somos nós mesmos e nós mesmas que criamos as experiências pelas quais queremos - escolhemos e precisamos - passar, não é? E como o fazemos? De onde elas vêm? Do nada? Não! Não! Elas vêm de nossos pensamentos, de nossas ações, ou da falta delas, que são resultados de nossas crenças. E se manifestam a partir daquilo que damos para o mundo. Ou do que não damos, quando a experiência que vivemos é de escassez, de falta e de perda.

É por esta razão que nossas práticas hoje visam a nos abrir os olhos para o fato de que o caminho que seguimos é o caminho do amor. Pois, quer queiramos quer não, quer saibamos quer não, o caminho em que andamos é aquele que vai nos levar ao amor; o único anseio que queremos de verdade ver atendido. Não ao amor que se busca no mundo, nas coisas e pessoas do mundo e que pode ser confundido com barganha, mas o amor que é, em última instância, aquilo que somos na realidade. Mesmo que não tenhamos isto muito claro em nossa consciência.

Aproveitando, então, o que digo aí acima, vou me valer novamente de um pequeno trecho do texto como forma de chamar a atenção para a necessidade de olharmos para o mundo de modo diferente, como preconiza o Curso. Atentos. O trecho está no capítulo 12 e tem por título VIII. A atração do amor pelo amor.

Diz ele a determinada altura: "Se buscas o amor com o fim de atacá-lo, jamais o acharás. Pois, se o amor é compartilhar, como podes achá-lo a não ser a partir dele mesmo? Oferece-o e ele virá a ti, porque ele [o amor] é atraído para si mesmo". 

É para se pensar, portanto, na diferença que há entre as formas com que buscamos o amor, obedecendo as orientações do sistema de pensamento do ego - carentes, necessitados, certos de uma imperfeição que não tem nada a ver com o que somos na realidade -, buscando uma completude que não pode ser encontrada em nada, nem em ninguém, a não ser em nós mesmos, em nós mesmas, no contato com o divino interior; e a forma que o Curso busca nos ensinar, a partir da orientação do Espírito Santo.

Para o Espírito Santo, que sabe que somos completos e perfeitos, completas e perfeitas em Deus, isto é, em nós mesmos e em nós mesmas, unidos e unidas ao divino, o movimento em direção ao amor é o de extensão, de doação. Pois como o Curso ensina, dar e receber são a mesma coisa. Em outras palavras, ainda de acordo com o ensinamento, só nos pode faltar aquilo que não damos. É por isso que precisamos aprender a gratidão. Pois só sendo capazes de agradecer por tudo o que se apresenta a nós pelos caminhos que escolhermos é que vamos perceber que trilhamos o caminho do amor. 

E mais: para nos apercebermos da importância da atenção a tudo o que nos rodeia, repriso aqui, pela quarta ou quinta vez, o poema "Oração Natural", do amigo poeta, Donizete Galvão, que, no dizer de Guimarães Rosa se "encantou", no início do ano de 2014, passado. Trata-se da: 

Oração Natural 

Fique atento
ao ritmo,
aos movimentos
do peixe no anzol.
Fique atento
às falas
das pessoas
que só dizem 
o necessário.
Fique atento
aos sulcos
de sal
de sua face.
Fique atento
aos frutos tardios
que pendem
da memória.
Fique atento
às raízes
que se trançam
em seu coração.
A atenção:
forma natural
de oração.

Às práticas?

quinta-feira, 1 de agosto de 2024

No universo das potencialidades não existe o "não"

 

LIÇÃO 214

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (194) Entrego o futuro nas Mãos de Deus.

O passado se foi; o futuro ainda não existe. Agora estou livre de ambos. Pois o que Deus dá só pode ser para o bem. E eu aceito apenas o que Ele dá como aquilo que me pertence.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 214

Caras, caros,

Recomeço, mais uma vez, a exploração da ideia que vamos praticar com esta lição fazendo de novo as perguntas feitas nos anos passados:

Alguém sabe me dizer aonde está o meu passado? Ou o passado em geral? Alguém, quem quer que seja, sabe dizer aonde está seu próprio passado? Ou todo o passado? Existe? Existiu?

E aonde estará meu futuro? Alguém sabe me dizer? Alguém sabe dizer aonde estará seu futuro? Existe? Vai existir, de fato?

Conforme o Curso ensina, e alguns e algumas de nós já aprendemos, o único tempo que existe é o presente, o agora. A partir do aprendizado disto, podemos ficar tranquilos e tranquilas em relação a tudo o que aparentemente existe em nossa vida. E principalmente em relação a tudo o que queremos que venha a existir. Pois tudo o que ainda não existe só existe - só pode existir - de verdade em potencial, tão somente como possibilidade. E só em nossos pensamentos. Não há como materializar qualquer coisa, se não a tivermos primeiro visualizado em pensamento. Quer dizer, nada do que não pensamos pode se materializar. Assim, é meio óbvio, não?, que nada daquilo que não pensamos pode existir, e não existe.

Daí, pode-se deduzir logicamente que tudo quanto pensamos existir, antes de existir, foi um pensamento, não? E o que queremos para a nossa vida? Basta que desejemos em pensamento alguma coisa para que ela passe a existir potencialmente. Atenção, muita atenção, ao potencialmente, que não quer dizer que a coisa passou a existir do nada. Porém, quanto mais forte for o nosso desejo, tanto maior a possibilidade de que tal coisa venha a se materializar em nossas vidas.

Mas... Cuidado! Isto vale também para aquilo de que temos medo, vale para aquilo que NÃO queremos, para aquilo que abominamos, aquilo em que gostaríamos de poder nem pensar a respeito - mas pensamos, por medo, por mágoa, por ressentimento, por raiva ou por qualquer razão que seja, ainda que inevitavelmente ligada ao julgamento que fazemos de outros e, por consequência, de nós mesmos e de nós mesmas. 

No universo das potencialidades não existe o "não". E tudo aquilo que pensamos, para o bem ou para o mal, pode vir a se materializar a depender da intensidade de nosso desejo, ou de nosso medo. A depender do quanto nosso pensamento se volta para aquilo. Pois nossos pensamentos são energia e tudo o que existe, de fato, como algo palpável, é apenas nossa energia, ou alguma forma de energia materializada. Isto vale para tudo o que existe em nossa experiência de mundo, que só se materializa a partir da energia. A nossa própria energia e a de todos os seres viventes, ou não, que habitam o mundo conosco e pensam as coisas juntamente conosco.

É por isso que a ideia que vamos revisar hoje, como eu já disse antes também, é um passo gigantesco na direção da salvação rápida e eficaz, pois cobre uma distância tão grande na direção daquilo que somos, na verdade, que nos "coloca bem perto do Céu". Pois esta ideia nos permite agir no mundo, esquecendo-nos de uma vez por todas daquilo que chamamos passado. E, por nos oferecer a possibilidade de deixar o futuro - que ainda não existe - nas Mãos de Deus, nos devolve ao presente. Ao único tempo que existe de fato.

É esta a ideia que, praticada juntamente com as afirmações que unificam as práticas durante esta revisão [Eu não sou um corpo. Eu sou livre. Pois ainda sou como Deus me criou], vai nos permitir "ultrapassar toda ansiedade, todos os abismos do inferno, toda a escuridão da depressão, dos pensamentos de pecado e da desolação trazida pela [crença na ideia da] culpa", que se origina da crença na separação.

O que podemos temer depois de aceitarmos esta ideia? Já não há passado e qualquer coisa que possamos esperar do futuro - que ainda não existe - está nas Mãos de Deus, porque nós entregamos o futuro a Ele. Isto não é absolutamente libertador? Salvar-se - salvar o mundo - não será apenas isto: confiar o futuro às Mãos de Deus? Abrir mão de qualquer pretensão de controle sobre qualquer coisa?

Pois de que nos valeram até agora todos os esforços - e o orgulho que os motiva - para controlar nossos próprios caminhos? Alguém, alguma vez, conseguiu, consegue, ou virá a conseguir, de fato, prever ou mudar o papel que lhe cabe no plano de Deus para a salvação do mundo, sem se render por completo a Ele e a Seu plano? Sem compreender que a Vontade de Deus é a mesma que a nossa?

Não é este tipo de esforço que nos desgasta, que nos apavora e que nos enche de terror ao se revelar inútil? Quanto nos debatemos e quanto ainda vamos nos debater antes de aceitar que basta nos rendermos à Vontade de Deus, que é também a nossa, para que tudo se ilumine e encha de alegria, de amor e de paz todos os caminhos que trilhamos? 

Às práticas?