segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

As respostas estão sempre dentro de nós mesmos/as

 

LIÇÃO 39

Minha santidade é minha salvação.

1. Se a culpa é o inferno, qual é o oposto dela? Da mesma forma que o texto para o qual este livro de exercícios foi escrito, as ideias para os exercícios são muito simples, muito claras e totalmente inequívocas. Não estamos interessados em proezas intelectuais nem em jogos de lógica. Lidamos apenas com o verdadeiramente óbvio, que passa despercebido nas nuvens de complexidade nas quais pensas que pensas.

2. Se a culpa é o inferno, qual é o oposto dela? Isto não é difícil, certamente. A hesitação que podes sentir para responder não se deve à ambiguidade da pergunta. Mas tu acreditas que a culpa é o inferno? Se acreditasses, verias imediatamente o quanto o texto é direto e simples, e não precisarias absolutamente de um livro de exercícios. Ninguém precisa praticar para adquirir o que já é seu.

3. Já dissemos que tua salvação é a salvação do mundo. E qual é a novidade a respeito de tua própria salvação? Tu não podes dar aquilo que não tens. Um salvador tem de estar salvo. De que outro modo ele poderia ensinar a salvação? Os exercícios de hoje se aplicarão a ti, reconhecendo que tua salvação é vital para a salvação do mundo. Enquanto aplicas os exercícios ao teu mundo, todo o mundo é beneficiado.

4. Tua santidade é a resposta para todas as perguntas que já foram feitas, que estão sendo feitas agora, ou que serão feitas no futuro. Tua santidade significa o fim da culpa e, portanto, o fim do inferno. Tua santidade é a salvação do mundo e a tua própria. Como poderias tu, aquele a quem tua santidade pertence, ser excluído dela? Deus não conhece o imperfeito. É possível que Ele não conheça Seu Filho?

5. Insiste-se em cinco minutos completos para os quatro períodos mais longos de prática de hoje e se encoraja sessões de prática mais demoradas e frequentes. Se quiseres ultrapassar as solicitações mínimas, recomenda-se um número maior de sessões em lugar de sessões mais longas, embora se sugira ambas.

6. Começa o período de prática, como de costume, pela repetição da ideia para ti mesmo. Em seguida, de olhos fechados, descobre teus pensamentos não-amorosos em qualquer forma que se apresentem: inquietação, depressão, raiva, medo, angústia, insegurança e assim por diante. Seja qual for a forma que tomem, eles não são amorosos e são, portanto, amedrontadores. E é deles, então, que precisas ser salvo.

7. Situações específicas, acontecimentos ou pessoas que associas a qualquer tipo de pensamentos não-amorosos são sujeitos adequados para os exercícios de hoje. É imprescindível que os vejas de modo diferente para tua salvação. E é tua bênção sobre eles que te salvará e que te dará a visão.

8. Devagar, sem escolha consciente e sem ênfase particular indevida a qualquer um deles examina tua mente em busca de cada pensamento que se interpõe entre tua salvação e tu. Aplica a ideia para hoje a cada um deles deste modo:

Meus pensamentos não-amorosos a respeito de ________ estão me
mantendo no inferno. Minha santidade é minha salvação.

9. É possível que aches estes períodos de prática mais fáceis se os intercalares com vários períodos breves durante os quais apenas repetes lentamente a ideia de hoje para ti mesmo algumas vezes. Também podes achar útil incluir alguns breves intervalos nos quais apenas relaxas e pareces não pensar em nada. No início é muito difícil concentração prolongada. Ela virá a ser mais fácil quanto tua mente se tornar mais disciplinada e menos passível de distração.

10. Enquanto isso, deves te sentir livre para introduzir variações nos períodos de exercícios de qualquer forma que te agrade. Contudo, ao modificares o método de aplicá-la, não mudes a ideia em si. De qualquer modo que escolhas usá-la, a ideia deve ser declarada de maneira que seu significado seja o fato de que tua santidade é tua salvação. Conclui cada período de prática com a repetição da ideia em sua forma original mais uma vez, e acrescentando:

Se a culpa é o inferno, qual é o oposto dela?

11. Nas aplicações mais breves, que devem ser feitas cerca três ou quatro vezes por hora, e mais se possível, podes fazer esta pergunta a ti mesmo, repetir a ideia de hoje, e ambas de preferência. Se surgirem tentações, uma forma particularmente útil da ideia é:

Minha santidade é minha salvação disto.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 39

Hoje, mais uma vez, a ideia que vamos explorar diz:

"Minha santidade é minha salvação."

Aquelas e aqueles que estão atentos hão de ter notado que, desde a lição 35, estamos aprendendo e praticando reconhecer a santidade em nós, em cada um, em cada uma, e em todos e todas nós, e a aplicá-la a tudo e a todos e todas à volta de nós, para que tudo se torne uma bênção e possamos viver a experiência de um mundo abençoado, um mundo perdoado de todos os equívocos e erros que escrevemos sobre ele. 

É claro que, como o Curso ensina, este aprendizado faz parte do desfazer daquilo que o mundo nos ensinou até agora a nosso próprio respeito, tentando nos fazer acreditar que somos pecadores e pecadoras - com uma carga maior ainda recaindo sobre as mulheres a partir do mito da criação, em que se atribui a Eva o pecado de aceitar a maçã da serpente e oferecê-la a Adão - e carregamos a culpa pela crucificação. Ora, só podemos crucificar a nós mesmos/as. E ninguém tem de carregar nenhuma cruz para chegar à Expiação. Basta-nos reconhecer que ainda somos como Deus nos criou, estendendo este reconhecimento a todos e todas e a cada um e cada uma dos/as que cruzam o nosso caminho,

A lição de hoje é a última, neste série, que vai falar disso desta forma. "Cada lição nos apresenta um desafio e um milagre", diz Tara Singh. O desafio que esta nos traz se apresenta já na pergunta inicial: 

Se a culpa é o inferno, qual é o oposto dela?

Esta pergunta vai se repetir algumas vezes ao longo do texto utilizado para apresentar a lição, para que aceitemos o desafio e nos entreguemos ao milagre que há na verdade eterna das palavras da lição.

Continuando:

Se a culpa é o inferno, qual é o oposto dela? Da mesma forma que o texto para o qual este livro de exercícios foi escrito, as ideias para os exercícios são muito simples, muito claras e totalmente inequívocas. Não estamos interessados em proezas intelectuais nem em jogos de lógica. Lidamos apenas com o verdadeiramente óbvio, que passa despercebido nas nuvens de complexidade nas quais pensas que pensas.

Porque, na verdade, não lidamos com nada complicado, complexo, ambíguo ou de algum modo ardiloso. Não estamos entrando em terreno de areia movediça. Podemos caminhar tranquilamente. No entanto, como o Curso ensina, nossa maior dificuldade está sempre, ou quase sempre, em lidar com o óbvio. O que nos incomoda, via de regra é o óbvio, nunca o complicado, nunca o complexo.

Duvidam? Não lhes parece que é assim? Não? Mesmo?

Vejamos, então. Suponhamos que um amigo, ou amiga, aprontou. Ele, ou ela, fez alguma coisa que em seu entender é "imperdoável", algo que jamais poderia ter feito, se fosse de fato seu/sua amigo(a). Sentindo-se culpado(a), ele(a) vem pedir desculpas, perdão. 

O que você faz?

O óbvio é desculpar, perdoar. Dizer-lhe que não foi nada, que nada aconteceu e que o que importa é a amizade - o amor - que os une.

Minha santidade é minha salvação.

O óbvio é isso! Pois a santidade dele ou dela é a mesma minha, a mesma sua. Porém, quantos de nós se dispõem a um comportamento "óbvio" desses? Em geral, ficamos "de mal", "riscamos a pessoa de nosso caderno", ou a pomos numa "lista negra", reservada para todos aqueles e todas aquelas que nos magoaram, ou que deixaram de atender as nossas expectativas. Todos aqueles e aquelas que não se sujeitaram a caber dentro da caixinha que reservamos para eles e elas e ousaram contrariar nosso modo de pensar.

Isto não é o inferno? Não é isto que nos mantém aprisionados/as na culpa, longe e separados/as das pessoas, sem contato com aquilo que somos, ansiando pelo revide, pela vingança. Dar o troco é tudo o que queremos. E inúmeras vezes fingimos perdoar, desculpar, para aguardar pela oportunidade de devolver o golpe que sofremos. É isto que alimenta e reforça a crença na separação. E nos mantém afastados/as da santidade.

Vamos um pouco mais adiante, repetindo a pergunta inicial antes de dar um novo passo:

Se a culpa é o inferno, qual é o oposto dela? Isto não é difícil, certamente. A hesitação que podes sentir para responder não se deve à ambiguidade da pergunta. Mas tu acreditas que a culpa é o inferno? Se acreditasses, verias imediatamente o quanto o texto é direto e simples, e não precisarias absolutamente de um livro de exercícios. Ninguém precisa praticar para adquirir o que já é seu.

Quantos e quantas de nós sentem prazer na culpa? Um prazer gerado por aquilo a que o Curso chama de "a atração da culpa". É essa atração que nos coloca, vezes sem conta, na posição de vítimas. A partir dessa posição, exclamamos: "Ah, meu Deus, por que eu? Por que isso aconteceu comigo?".

Perguntemo-nos como convida a lição: "Eu acredito que a culpa é o inferno"? Estamos certos/as de que queremos abandonar o inferno em que a culpa nos coloca? Ou desenvolvemos, em sintonia com "o grande impostor", um certo gosto pela vida [?] no inferno? Achamos o inferno mais emocionante? Vibramos com o perigo que nos oferecem as tentações sugeridas pelo ego?

Minha santidade é minha salvação.

Ora, já não é mais do que óbvio que minha salvação só pode vir de minha santidade?

Mas eu a reconheço? Quantas vezes por dia, por semana, por mês, ou por ano eu me volto para dentro de mim para me lembrar de que sou santo?

Continuemos a prestar atenção ao que nos diz o exercício:

Já dissemos que tua salvação é a salvação do mundo. E qual é a novidade a respeito de tua própria salvação? Tu não podes dar aquilo que não tens. Um salvador tem de estar salvo. De que outro modo ele poderia ensinar a salvação? Os exercícios de hoje se aplicarão a ti, reconhecendo que tua salvação é vital para a salvação do mundo. Enquanto aplicas os exercícios ao teu mundo, todo o mundo é beneficiado.

Ah... Existe a necessidade do reconhecimento de minha santidade. Pois, se é que o mundo precisa ser salvo, e se sou eu, pela santidade em mim, quem pode - deve e vai - salvá-lo, preciso me apossar, isto é, trazer a santidade a minha consciência e mantê-la aí. Só assim vou poder ver a santidade do mundo, sua neutralidade. E santidade que há em tudo e em todas as pessoas e coisas e seres que o povoam, salvando-as todas. Reconhecer e aceitar minha santidade, aplicando-a a mim mesmo e a tudo o que penso de mim, me salva. E, quando sei que estou salvo, sei que o mundo todo está salvo comigo.

Minha santidade é minha salvação.

Voltemos nosso olhar para um último ponto a que precisamos dar particular atenção:

Tua santidade é a resposta para todas as perguntas que já foram feitas, que estão sendo feitas agora, ou que serão feitas no futuro. Tua santidade significa o fim da culpa e, portanto, o fim do inferno. Tua santidade é a salvação do mundo e a tua própria. Como poderias tu, aquele a quem tua santidade pertence, ser excluído dela? Deus não conhece o imperfeito. É possível que Ele não conheça Seu Filho?

Como podemos perceber, a resposta para todas as questões está sempre em nós mesmos, em nós mesmas e, quase sempre, nas próprias perguntas que fazemos. Tudo começa em nós, em cada um e cada uma de nós, nas ideias que somos em sintonia com a ideia da divindade em nós. E, diferentemente do que o ego ensina, as respostas que obtemos das experiências pelas quais passamos não são tão importantes quanto as novas perguntas que elas suscitam. São elas, as novas perguntas, que vão nos mostrar que todas as respostas estão em nós mesmos, em nós mesmas.

Atentemos, pois, a todas as instruções que a lição nos oferece para chegarmos a práticas mais eficazes e benéficas, lembrando-nos de que a única pergunta que precisamos fazer, a pergunta que vai nos levar adiante até alcançarmos a meta que o Curso propõe e se dispõe a nos auxiliar a alcançar é:

"Quem sou?"

Quando formos capazes de dar uma resposta a esta pergunta, não com palavras, mas sim por termos chegado a conhecer inteiramente "aquele" ou "aquela" que faz a pergunta, por termos conhecido, em nós, Aquele/Aquela que a pode responder e a responde, sem necessidade de palavras, teremos chegado ao fim desta jornada que não tem distância, como ensina o Curso

Às práticas?

domingo, 7 de fevereiro de 2021

Aceitar a nossa santidade também nos torna livres

 

LIÇÃO 38

Não há nada que minha santidade não possa fazer.

1. Tua santidade inverte todas as leis do mundo. Ela está além de todas as restrições do tempo, do espaço, da distância e de qualquer tipo de limites. Tua santidade é totalmente sem limites em seu poder, porque ela te estabelece como um Filho de Deus, na unidade com a Mente de seu Criador.

2. O poder de Deus se manifesta por intermédio de tua santidade. O poder de Deus se faz disponível por intermédio de tua santidade. E não há nada que o poder de Deus não possa fazer. Então, tua santidade pode eliminar toda dor, pode pôr fim a todo pesar e resolver todos os problemas. Ela pode fazê-lo com relação a ti mesmo e com qualquer outra pessoa. Ela é igual em poder para ajudar qualquer um porque ela é igual em seu poder para salvar qualquer um.

3. Se tu és santo, tudo o que Deus criou também é. Tu és santo porque todas as coisas que Ele criou são santas. E todas as coisas que Ele criou são santas porque tu és. Nos exercícios de hoje aplicaremos o poder de tua santidade a todos os problemas e dificuldades ou a qualquer tipo de sofrimento em que por acaso pensares, em relação a ti mesmo ou em relação a outra pessoa. Não faremos nenhuma distinção porque não há nenhuma distinção.

4. Nos quatro períodos de prática mais longos, cada um dos quais deve durar cinco minutos completos de preferência, repete a ideia para hoje, fecha os olhos e, então, examina tua mente em busca de qualquer sensação de perda ou de infelicidade tal como a vês. Tenta fazer a menor distinção possível entre uma situação que seja difícil para ti e uma que seja difícil para outra pessoa. Identifica a situação de forma específica e também o nome da pessoa envolvida. Para a aplicação da ideia para hoje, utiliza esta forma:

Na situação que envolve _____________ na qual me vejo,
não há nada que minha santidade não possa fazer.
Na situação que envolve _________ na qual ________ se vê,
não há nada que minha santidade não possa fazer.

5. Podes querer variar este procedimento de vez em quando e acrescentar alguns de teus próprios pensamentos pertinentes. Poderias gostar, por exemplo, de incluir pensamentos tais como:

Não há nada que minha santidade não possa fazer
porque o poder de Deus está nela.

Introduz quaisquer variações que te agradem, mas mantém os exercícios focalizados no tema: "Não há nada que minha santidade não possa fazer". O objetivo dos exercícios de hoje é começar a inspirar em ti uma sensação de que tens domínio sobre todas as coisas em razão daquilo que tu és.

6. Nas aplicações mais breves e frequentes, utiliza a ideia em sua forma original, a menos que um problema específico relacionado a ti ou a alguma outra pessoa surja, ou venha à mente. Nesse caso, usa a forma mais específica da aplicação da ideia a ele.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 38

Não sei se todos tiveram a oportunidade de ler uma observação que postei após o comentário à lição 35, a da última quinta-feira, por isso chamo-lhes a atenção para ela. Não que haja nada de especial ou diferente da linha de pensamento de que me valho para fazer os comentários, como forma de auxiliar meu próprio entendimento das lições e como tentativa de facilitar as práticas, as minhas próprias e a de quantos/as se valem deste espaço para as suas. 

Só lhes chamo a atenção porque ela é uma espécie de reflexão desencadeada pela leitura inicial da lição 35, no momento em que a fiz. Uma reflexão que se apresentou enquanto eu iniciava as práticas e que pode servir para abrir caminho à maneira pela qual o Espírito Santo pode inspirar a cada um ou cada uma de nós, se nos abrirmos o suficiente para Ele. O modo com que a lição e a ideia que ela traz a cada dia exercem seu efeito sobre nós se faz sentir, acredito, de forma diferente para cada um e cada uma. Aí, na reflexão que compartilhei com vocês, está um deles. Espero que o Espírito Santo também inspire a cada um e a cada uma de vocês a compartilhar algum dos efeitos da lição sempre que for possível.

Pois, como já disse antes, creio ser da maior importância a leitura das manifestações, comentários, de todos(as) os(as) nossos(as) colegas de caminhada, sempre que algum(a) deles(as) se dispõe a fazê-lo. Acho que aquilo que cada um, e cada uma, de nós pode compartilhar a respeito de sua experiência com o Curso é um bem precioso. Até para que outros e outras dentre nós percebam que, se algumas vezes a forma da experiência é diferente para cada um e cada uma de nós, em essência, todos e todas experimentamos a ilusão do mundo mais ou menos do mesmo modo. Isto é, a cada um e a cada uma é dada a escolha da situação que quer viver para avançar em seu caminho na direção do desenvolvimento da consciência de si, ou do divino em si.

Por isso é que o Curso ensina que a forma não importa. As formas não importam. Não há uma ilusão melhor ou pior do que a outra. Todas, todas, absolutamente todas, são a mesma, para a verdade. Por isso não importa o tipo de experiência ilusória por que passamos. Nada daquilo que experimentamos ou que possamos vir a experimentar  na ilusão dos sentidos e da percepção, seja o que for, pode manchar ou macular a inocência ou a graça que é nosso estado natural.

Daí, a necessidade de praticarmos hoje a ideia segundo a qual:

"Não há nada que minha santidade não possa fazer."

Há que se pensar com muito vagar e atenção a respeito desta ideia, vocês não acham?

Será que ela significa exatamente o que diz?

Em outras palavras, posso fazer tudo, tudo, o que eu quiser?

Mesmo?

Sim, sim, é isso mesmo!

Não há nada que minha santidade não possa fazer.

Eis aí de novo uma declaração de independência. Esta ideia é uma declaração de nossa absoluta liberdade em relação a tudo e a todos no mundo. Não há limites para o que podemos fazer, a partir de nossa santidade. Não aquela santidade carola e/ou limitadora que as aulas de religião ensinavam, mas a santidade que está em se ser o que se é, sem tirar nem pôr. Isto é, em reconhecer em cada um e cada uma de nós mesmos/mesmas e em todos e todas nós o Filho de Deus, que ainda é como Deus o criou.

Como bem o diz o começo da lição:

Tua santidade inverte todas as leis do mundo. Ela está além de todas as restrições do tempo, do espaço, da distância e de qualquer tipo de limites. Tua santidade é totalmente sem limites em seu poder, porque ela te estabelece como um Filho de Deus, na unidade com a Mente de seu Criador.

É isso exatamente. E, como eu disse no início desta exploração, é preciso refletir, é preciso meditar, é preciso ponderar, é preciso reconhecer, aceitar e aplicar a verdade eterna das palavras desta lição.

Ao mesmo tempo em que a santidade me dá liberdade para fazer o que eu quiser, ela também me entrega a completa e total responsabilidade por tudo o que me chega à consciência neste mundo. E me põe responsável pelos efeitos de minhas ações, quer consciente delas, quer não.

Neste mundo em que aparentemente vivemos, temos, conforme nos ensinam, de respeitar um número infinito de limites, sob pena de sermos punidos/as, castigados/as, presos/as, torturados/as, banidos/as, excomungados/as e até mesmo mortos/as pela desobediência às leis que o mundo inventa.

No entanto, como o Curso ensina aqui:

Não há nada que minha santidade não possa fazer.

As leis do mundo, que minha santidade inverte, servem apenas para regular as formas de que me valho - atendendo ao sistema de pensamento do mundo, fonte do pensamento do ego - para inventar as ilusões que quero experimentar.

É por isso que posso me valer do que a lição de hoje ensina para me sentir livre do mundo, pois nada daquilo que eu fizer na ilusão vai afetar, ou macular, aquilo que sou na verdade. E posso e devo estender esta ideia a tudo o que todas as pessoas do mundo fazem, livrando-me assim de julgar qualquer coisa que qualquer um, ou qualquer uma, faz ou venha a fazer

A lição diz mais:

O poder de Deus se manifesta por intermédio de tua santidade. O poder de Deus se faz disponível por intermédio de tua santidade. E não há nada que o poder de Deus não possa fazer. Então, tua santidade pode eliminar toda dor, pode pôr fim a todo pesar e resolver todos os problemas. Ela pode fazê-lo com relação a ti mesmo e com qualquer outra pessoa. Ela é igual em poder para ajudar qualquer um porque ela é igual em seu poder para salvar qualquer um.

Não há maior, nem melhor, expressão de liberdade, de alegria e de prazer real do que fazer a Vontade de Deus, depois de entendermos que a Vontade d'Ele e a nossa são a mesma. Com Ele, n'Ele, podemos tudo. E nós entramos em contato e estabelecemos a ligação permanente com Ele, quando aceitamos nossa santidade.

Aí podemos experimentar, na prática, o poder de Deus agindo em nós, e a partir de nós, para pôr fim a toda dor, a toda tristeza, e para resolver todos os problemas aparentes.

Não há nada que minha santidade não possa fazer.

Quando alguma coisa aparentemente não vai bem em nossa vida, ou quando alguém de nosso convívio - amigo, parente, distante ou próximo, conhecido, ou mesmo alguém de quem só ouvimos falar - vem nos apresentar um problema , qualquer que seja ele - doença, dificuldade financeira, depressão -, tudo o que precisamos aprender a fazer é "esquecer" do problema. "Esquecer" aqui no sentido de não alimentar, de não dar forças à ideia ou à crença que a pessoa tem a respeito do problema por que passa. Sem, no entanto, menosprezar a crença da pessoa.

Precisamos aprender a bloquear quaisquer informações relacionadas à questão, ao nome da pessoa e mesmo da doença com a qual estamos tendo contato, conforme ensina também Joel Goldsmith em seus livros. Acreditar na doença, na dificuldade financeira, na escassez, na depressão e no sofrimento é dar realidade à ilusão. E não vamos ser de nenhuma ajuda nem a nós mesmos/as, nem a ninguém, se acreditarmos que há qualquer realidade na condição que nós mesmos/as, ele ou ela, experimentamos no momento.

É só nossa santidade que vai nos permitir fazer isso. Reconhecer que quaisquer percalços que nos afastam da alegria de nossa caminhada são apenas instantes em que deixamos de acessar o poder de Deus em nós por meio de nossa santidade. Momentos em que parece que demos ouvidos ao ego e a sua crença na separação. Ao nos voltarmos para o divino interior, porém, estabelecemos as condições para a cura, ou para a solução do problema. Tanto o nosso quanto o de outra pessoa qualquer. Pois é a aceitação de nossa santidade que pode - e vai - nos fazer livres.

Não há nada que minha santidade não possa fazer.

Se, e quando, algo não vai bem e não experimentamos a alegria que é o estado natural do filho de Deus, é porque nos desligamos da unidade, deixando de perceber tudo o que nossa santidade pode fazer.

E a lição vai ainda ou pouco mais longe:

Se tu és santo, tudo o que Deus criou também é. Tu és santo porque todas as coisas que Ele criou são santas. E todas as coisas que Ele criou são santas porque tu és. Nos exercícios de hoje aplicaremos o poder de tua santidade a todos os problemas e dificuldades ou a qualquer tipo de sofrimento em que por acaso pensares, em relação a ti mesmo ou em relação a outra pessoa. Não faremos nenhuma distinção porque não há nenhuma distinção.

É aqui, nisto, que precisamos nos concentrar, bem como nas orientações que se seguem a respeito do modo de aplicar a ideia de hoje, buscando envolver a tudo, a todos e a todas no abraço amoroso de nossa santidade. Pois tudo que as lições nos oferecem a cada dia é a possibilidade da salvação, a nossa e a do mundo inteiro.

Às práticas?

sábado, 6 de fevereiro de 2021

Podemos nos ver íntegros ao aceitarmos a santidade

 

LIÇÃO 37

Minha santidade abençoa o mundo.

1. Esta ideia contém o primeiro vislumbre de tua função verdadeira no mundo, ou da razão pela qual estás aqui. Teu propósito é ver o mundo por meio de tua própria santidade. Deste modo, tu e o mundo são abençoados ao mesmo tempo. Ninguém perde; não se tira nada de ninguém; todos ganham por meio de tua visão santa. Ele significa o fim do sacrifício porque oferece a todos seu direito integral. E cada um tem direito a todas as coisas porque elas são seu direito como um Filho de Deus.

2. Não existe nenhuma outra maneira que possa eliminar a ideia de sacrifício do modo de pensar do mundo. Qualquer outro modo de ver exigirá pagamento de alguém ou de alguma coisa inevitavelmente. Como consequência, aquele que percebe perderá. E nem sequer terá ideia do motivo pelo qual perde. Contudo sua integridade lhe é devolvida à consciência por meio de tua visão. Tua santidade o abençoa por não lhe pedir nada. Aqueles que se veem íntegros não fazem nenhuma exigência.

3. Tua santidade é a salvação do mundo. Ela te permite ensinar ao mundo que ele é um contigo, não por meio de sermão, nem por lhe dizeres qualquer coisa, mas simplesmente por teu reconhecimento sereno de que em tua santidade todas as coisas são abençoadas junto contigo.

4. Os quatro períodos mais longos de exercícios de hoje, que devem envolver de três a cinco minutos de prática, começam com a repetição da ideia para hoje, seguida de mais ou menos um minuto no qual olhas ao teu redor enquanto aplicas a ideia a qualquer coisa que vejas:

Minha santidade abençoa esta cadeira.
Minha santidade abençoa aquela janela.
Minha santidade abençoa este corpo.

Em seguida, fecha os olhos e aplica a ideia a qualquer pessoa que te ocorrer, usando o nome dela e dizendo:

Minha santidade te abençoa, [nome].

5. Podes continuar o período de prática de olhos fechados; podes abrir os olhos novamente e aplicar a ideia para hoje ao teu mundo exterior se assim desejares; podes alternar entre a aplicação da ideia ao que vês a tua volta e àquilo que está em teus pensamentos; ou podes utilizar qualquer combinação destas duas fases da aplicação que preferires. Os períodos de prática devem ser concluídos com uma repetição da ideia de olhos fechados e outra, imediatamente em seguida, de olhos abertos.

6. Os exercícios mais breves consistem em repetir a ideia tantas vezes quanto puderes. É particularmente útil aplicá-la em silêncio a qualquer um que encontrares, usando seu nome ao fazê-lo. É essencial usar a ideia se alguém parecer te causar uma reação hostil. Oferece-lhe imediatamente a bênção de tua santidade, a fim de que possas aprender a mantê-la em tua própria consciência.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 37

A ideia para as nossas práticas e exploração de hoje é:
 
"Minha santidade abençoa o mundo."

Uma ideia que é consequência natural daquela que a lição de ontem nos ofereceu: Minha santidade envolve tudo o que vejo. Isto é, se minha santidade envolve tudo o que vejo e minha santidade é uma bênção, o resultado natural é que minha santidade estenda sua bênção ao mundo todo, como o Curso nos diz hoje, para início de conversa. 

Vejamos:

Esta ideia contém o primeiro vislumbre de tua função verdadeira no mundo, ou da razão pela qual estás aqui. Teu propósito é ver o mundo por meio de tua própria santidade. Deste modo, tu e o mundo são abençoados ao mesmo tempo. Ninguém perde; não se tira nada de ninguém; todos ganham por meio de tua visão santa. Ele significa o fim do sacrifício porque oferece a todos seu direito integral. E cada um tem direito a todas as coisas porque elas são seu direito como um Filho de Deus.

Um dos grandes equívocos do sistema de pensamento em que se baseia o ego é acreditar que alguém tem de perder para ele ganhar. Isto é, neste mundo, a impressão, ou a percepção, que aprendemos é a de que alguém só pode ganhar às custas da perda de outrem. Ou de que só podemos alcançar aquilo que desejamos depois de fazer enormes sacrifícios.

Isto não é verdade! Se fosse, já teríamos chegado a um ponto em que um, e apenas um, ego estaria no controle do mundo inteiro. Apesar de parecer que caminhamos cada vez mais rapidamente nessa direção. Um ego que se poderia equiparar a Deus. Mas um deus que exigiria o sacrifício de tudo de todos, para ter tudo só para si. Como nos parece ser possível ver no fato de apenas um por cento da humanidade possuir o equivalente em riquezas materiais, e ilusórias, ao que possuem os outros 99% de seres humanos. Este deus do ego talvez já esteja atuando entre nós, a humanidade. Ele se chama Capital, ou Mercado, ou Lucro.

No entanto, Deus - Aquele de que o Curso fala - não tira nada de ninguém. Ele apenas dá. Ele apenas é. Se pusermos em prática o que o Curso ensina, vamos experimentar a verdade de que todos ganham por meio de nossa visão:

Minha santidade abençoa o mundo.

A lição continua:

Não existe nenhuma outra maneira que possa eliminar a ideia de sacrifício do modo de pensar do mundo. Qualquer outro modo de ver exigirá pagamento de alguém ou de alguma coisa inevitavelmente. Como consequência, aquele que percebe perderá. E nem sequer terá ideia do motivo pelo qual perde. Contudo sua integridade lhe é devolvida à consciência por meio de tua visão. Tua santidade o abençoa por não lhe pedir nada. Aqueles que se veem íntegros não fazem nenhuma exigência.

É em função do que o mundo ensina que o Curso nos orienta a desaprender o que aprendemos aqui. É neste sentido que todo o trabalho que precisamos fazer, de acordo com Tara Singh e com a proposta do ensinamento, é, na verdade, mais um trabalho de desfazer, de desaprender o que mundo ensina, do que qualquer outra coisa.

Não poderemos alcançar a paz de espírito e a alegria em Deus, se acreditarmos que há algum valor em qualquer coisa do mundo. Precisamos, na verdade, desistir do mundo para ganhá-lo por inteiro, de acordo com os ensinamentos de praticamente todos os grandes mestres que já viveram a ilusão da experiência da forma neste planeta. Nossa liberdade e salvação estão em não darmos valor a nada deste mundo. Pois ele é apenas ilusão.

Enquanto eu quiser alguma coisa do mundo, vou acreditar que preciso sacrificar meu tempo, minha dedicação, meu estudo, ou qualquer outra coisa a que dê valor, para obter a coisa que quero. E vou me esquecer de que, na verdade, estou tornando real uma ilusão. Pois, de fato, não há nada no mundo que eu queira, se, em Deus tenho tudo. E só em Deus posso ter tudo.

Minha santidade abençoa o mundo.

É isto o que a santidade faz, ao me devolver a visão, ela me devolve também a integridade que não precisa de nada do mundo. É ela que pode me salvar e salvar o mundo, conforme nos diz a lição a seguir:

Tua santidade é a salvação do mundo. Ela te permite ensinar ao mundo que ele é um contigo, não por meio de sermão, nem por lhe dizeres qualquer coisa, mas simplesmente por teu reconhecimento sereno de que em tua santidade todas as coisas são abençoadas junto contigo.

O que precisamos além da alegria e da paz de espírito?

Não é isso que nos devolve a consciência de nossa unidade com Deus e com tudo o que Ele é?

Nossa santidade é nossa salvação. E ela é absolutamente natural. Ao alcançá-la na consciência, alcançamos instantaneamente a liberdade. Pois, conforme diz Tony Parsons, em seu livro "the open secret" [o segredo aberto, em minha tradução livre] "a natureza da liberação é direta, simples e tão natural quanto respirar. Muitos cruzarão com ela e rapidamente voltarão a se misturar àquilo que pensam poder conhecer ou fazer. Mas existem aqueles para os quais o convite encontrará eco... eles verão subitamente e estarão prontos para abandonar toda busca, mesmo a busca daquilo que chamam iluminação".

Se nossa atenção não se desviou até aqui, havemos de lembrar de que nossa mente é parte da Mente de Deus. É por isso que somos absolutamente santos. O tempo todo, desde o início do tempo, até o fim dele. Descobrir, ou lembrar da santidade, que é nossa herança natural de filhos de Deus, nos coloca em sintonia direta com Ele. E é por isso que podemos abençoar o mundo. Pois nossa santidade, reflexo da santidade de Deus, envolve tudo o que existe. 

Minha santidade abençoa o mundo.

É minha santidade que pode me mostrar, voltando a Tony Parsons, que "... eu já sou aquilo que busco. O que quer que seja que busque ou pense querer, por maior que seja a lista de compras, todos os meus desejos são apenas um reflexo de meu anseio de voltar para casa. E casa é unidade, casa é minha natureza original. Ela está aqui, simplesmente no que existe. Não há nenhum outro lugar para o qual eu tenha de ir, e nada mais que eu tenha de me tornar."

Abençoemos, pois, a partir de nossa santidade, o mundo, o que pensamos ser e o que somos, mesmo que não entendamos a diferença. As práticas podem, de fato, mudar nossa percepção a respeito de nós mesmos, isto é, a respeito da imagem que construímos de nós mesmos equivocados pela crença na separação. 

Às práticas?

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Duas notas importantes:

A partir dos comentários feitos à lição do dia 4 fiquei sabendo que a Cristiane, estudante dos milagres com quem tive contato nas postagens iniciais do blogue, na Indonésia, voltou ao Curso, agora morando na Dinamarca.

Que legal, Cristiane. Um prazer tê-la de volta para partilhar suas experiências de vida com Curso conosco. Bem-vinda. Fique à vontade, por favor, mais uma vez, para comentar e trazer suas contribuições para todos e todas nós que nos encontramos por aqui para aprender e ensinar aquilo que pode nos levar ao autoconhecimento.

Também respondendo ao colega CORRUPÇÃONÃO, que quer saber se pode partilhar o conteúdo deste espaço com um grupo de estudos de UCEM no WhatsApp, digo que sim, sem problemas. O conteúdo está aberto a quem quer que queira tomar contato com os ensinamentos do Curso. Aqui, lidamos em primeiro lugar com o livro de exercícios do Curso, numa tentativa de criar uma comunidade que fique e estude e pratique na mesma sintonia.

Obrigado a todos e todas por estarem por aqui e comentar.

Paz e bem!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

A santidade é o ponto de partida para as experiências

 

LIÇÃO 36

Minha santidade envolve tudo o que vejo.

1. A ideia de hoje estende a de ontem daquele que percebe para o percebido. Tu és santo porque tua mente é parte da Mente de Deus. E, porque és santo, tua visão também tem de ser santa. "Impecável" quer dizer sem pecado. Tu não podes ser ligeiramente sem pecado. És impecável ou não. Se tua mente é parte da Mente de Deus, tens de ser impecável, ou uma parte da Mente d'Ele seria pecadora. Tua visão está relacionada à Santidade d'Ele, não a teu ego e, por isso, não a teu corpo.

2. Pede-se para hoje quatro períodos de prática de três a cinco minutos. Tenta distribuí-los de modo razoavelmente uniforme e faze as aplicações mais breves com frequência, para preservar tua proteção o dia inteiro. Os períodos de prática mais longos devem tomar esta forma:

3. Primeiro, fecha os olhos e repete a ideia para hoje várias vezes, lentamente. Em seguida, abre os olhos e olha bem devagar a tua volta, aplicando a ideia de modo específico a qualquer coisa que observares em teu exame casual. Dize, por exemplo:

Minha santidade envolve aquele tapete.
Minha santidade envolve aquela parede.
Minha santidade envolve estes dedos.
Minha santidade envolve aquela cadeira.
Minha santidade envolve aquele corpo.
Minha santidade envolve esta caneta.

Durante estes períodos de prática, fecha os olhos e repete a ideia para ti mesmo. Em seguida, abre os olhos e continua como antes.

4. Para os períodos mais breves, fecha os olhos e repete a ideia; olha a tua volta quando repetires mais uma vez e conclui com mais uma repetição de olhos fechados. Todas as aplicações devem, é claro, ser feitas bem devagar, tão sem esforço e sem pressa quanto possível.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 36

 "Minha santidade envolve tudo o que vejo."

Em um livro que li há pouco mais de três anos, como já lhes disse antes, e, que tal qual hoje, abre o comentário para a exploração da ideia para as nossas práticas do dia, encontrei a frase que repito mais uma vez por acreditar que ela está em perfeita sintonia com o que vamos praticar, e que é a seguinte:

Se você pudesse ver a si próprio antes de nascer, ficaria surpreso com sua inteligência e esplendor [isto é, com sua santidade]. O nascimento é sono e esquecimento.

Para começar, então, nunca é demais repetir que, quando falamos de santidade não estamos nos referindo a nada nem a ninguém "especial". A ninguém que ande pelo mundo - como se houvesse! - meio que flutuando em função de um halo de luz que paira por sobre sua cabeça. Todos e todas nós nascemos santos, porque somos como Deus nos criou. E, apesar de tudo o que pensamos a nosso próprio respeito, a partir do que aprendemos com o mundo e com o sistema de pensamento do ego, ainda somos como Deus nos criou, conforme ensina o Curso.

Por isso também é que se pode pensar que considerar alguém "especial", em qualquer sentido, talvez seja o contrário de considerá-lo santo. Pois significa envolvê-lo (ou a ela) no julgamento. Significa separá-lo, ou separá-la, de nós mesmos/as e dos/das outros/as. Significa reforçar a crença na separação. Uma vez que todos e todas somos o mesmo filho do único Deus que existe, e que é também o que somos, separar alguém de nós por achar que ele (ou ela) é santo ou santa, enquanto todas as outras pessoas não o são, e diferentemente também do que acreditamos a nosso próprio respeito, é abdicar de nossa própria santidade.

E a santidade de que o Curso fala se refere ao que somos na verdade, conforme eu já disse anteriormente. E, na verdade, nenhum/nenhuma de nós é diferente do/da outro/outra. Nenhum/nenhuma de nós é diferente de ninguém, a não ser na forma ilusória, na manifestação, que não dura muito, e que muda tão logo mudemos nosso modo de olhar. Nenhum/nenhuma de nós é, de fato, "especial". Todos e todas somos santos e santas na mesma medida. Ninguém é mais, ou menos, santo do que ninguém. Ou, para reforçar a ideia que trabalhamos ontem, todos somos absolutamente santos e santas. É por isso que 

Minha santidade envolve tudo o que vejo.

Lembrando ainda uma vez mais, ser santo é prerrogativa de todos e de cada um de nós. Ou voltando a repetir o que diz Roberto Crema, a respeito da santidade, no livro Normose:

"... a santidade [sinônimo de plenitude] não é um privilégio de poucos; é uma responsabilidade de todos nós. Ser santo é ser inteiro, é ser simples, é ser transparente. É ser tudo aquilo que realmente somos. É uma conquista do processo de individuação, da travessia das sombras rumo ao ser, processo que jamais termina e começa com o primeiro passo neste labirinto de nós mesmos". 

Minha santidade envolve tudo o que vejo.

Enfim, a santidade é nosso estado natural. Logo, deve ser ela, a santidade, o ponto de partida para todas as experiências que escolhemos viver no mundo.

É isso que a lição tem a nos mostrar:

A ideia de hoje estende a de ontem daquele que percebe para o percebido. Tu és santo porque tua mente é parte da Mente de Deus. E, porque és santo, tua visão também tem de ser santa. "Impecável" quer dizer sem pecado. Tu não podes ser ligeiramente sem pecado. És impecável ou não. Se tua mente é parte da Mente de Deus, tens de ser impecável, ou uma parte da Mente d'Ele seria pecadora. Tua visão está relacionada à Santidade d'Ele, não a teu ego e, por isso, não a teu corpo.

Pensemos: uma exortação atribuída a Jesus, nos Evangelhos que chegaram até nós, diz: "Sede santos assim como vosso Pai é santo".

Então Deus é santo? A santidade é o estado natural de Deus e de tudo o que habita n'Ele. Ora, nós vivemos e nos movemos em Deus. Logo, nosso estado natural tem de ser a santidade.

Como posso, pois, pensar que qualquer coisa, qualquer pessoa, qualquer ser vivo, seja algo diferente de santo? Se minha mente é parte da Mente de Deus, então tenho de ser santo. Mesmo que eu, presa da ilusão, não reconheça isso nalgum momento.

E, sendo santo, minha visão também tem de ser santa. O que é santo não vê pecado, é impecável, é puro, é inocente. Sempre. Mesmo quando não reconheço isso, enganado pela percepção dos sentidos. 

Minha santidade envolve tudo o que vejo.

Não posso ser "um pouco" santo, ou "mais ou menos" santo. Sou ou não sou. E se, como a lição diz, minha mente é parte da Mente de Deus, tenho de ser impecável, sem pecado, sem mancha. Se não sou, uma parte da Mente de Deus é pecaminosa. 

Pode-se conceber algo assim?

Não! É claro que não! A menos que acreditemos na separação. A menos que acreditemos em um deus criado à imagem e semelhança do ego - "o grande impostor".

Minha santidade envolve tudo o que vejo.

É isso que lição nos oferece hoje. Tudo o que precisamos fazer é seguir as orientações para praticar a ideia, aplicando-a a tudo o que vemos, sentimos, provamos, tocamos ou ouvimos neste dia.

Podemos viver nossas experiências a partir do santo, da santidade, em nós neste dia. Neste e em todos os que virão a contar de hoje, se nos abrirmos para a verdade eterna desta lição, desta ideia:


Minha santidade envolve tudo o que vejo.

Às práticas?