terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Dizemos o Nome de Deus quando dizemos Eu Sou


12. O que é o ego?

1. O ego é idolatria; o sinal do ser limitado e separado, nascido em um corpo, condenado a sofrer e a terminar sua vida na morte. Ele é a "vontade" que percebe a Vontade de Deus como inimiga e toma uma forma na qual ela é negada. O ego é a "prova" de que a força é fraca e de que o amor é amedrontador, de que a vida é, na verdade, morte e de que só aquilo que contraria Deus é verdadeiro.

2. O ego é louco. Com medo, ele se põe diante de Todos os Lugares, separado do Todo, separado do Infinito. Em sua loucura, ele pensa ter se tornado um vitorioso sobre o Próprio Deus. E, em sua autonomia insuportável, ele "percebe" que a Vontade de Deus foi destruída. Ele sonha com castigo e treme diante das imagens de seus sonhos; seus inimigos, que buscam assassiná-lo antes de ele poder garantir sua segurança atacando-os.

3. O Filho de Deus não tem ego. O que ele pode saber da loucura e da morte de Deus, se habita n'Ele? O que ele pode saber da tristeza e do sofrimento, se vive na alegria eterna? O que ele pode saber do medo e do castigo, do pecado e da culpa, do ódio e do ataque, se tudo o que existe à volta dele é a paz perene, livre de conflitos e imperturbada para sempre, no silêncio e na tranquilidade mais profundos?

4. Conhecer a realidade é não ver o ego e seus pensamentos, seus esforços, seus atos, suas leis e crenças, seus sonhos, suas esperanças  seus planos para a própria salvação e o custo que a crença nele cobra. Em termos de sofrimento, o preço pela fé no ego é tão imenso que a crucificação do Filho de Deus é oferecida diariamente em seu santuários sombrio, e o sangue tem de jorrar diante do altar em que seus seguidores doentios se preparam para morrer.

5. Porém, um único lírio de perdão transformará as trevas em luz; o altar às ilusões no santuário à Própria Vida. E a paz será devolvida para sempre às mentes santas que Deus criou como Seu Filho, Sua morada, Sua alegria, Seu amor, inteiramente Seu, um só com Ele totalmente.

*

LIÇÃO 337

Minha inocência me protege de todo o mal.

1. Minha inocência me assegura paz perfeita, segurança eterna, amor duradouro, liberdade permanente de todo pensamento de perda, liberação completa do sofrimento. E meu estado só pode ser o da felicidade, pois somente felicidade me é dado. O que tenho de fazer para saber que tudo isso é meu? Tenho de aceitar a Expiação para mim mesmo e nada mais. Deus já fez todas as coisas que precisam ser feitas. E eu tenho de aprender que não preciso fazer nada por mim mesmo, pois só preciso aceitar meu Ser, minha inocência, criada para mim, que já é minha agora, para sentir o Amor de Deus me protegendo do mal, para entender que meu Pai ama Seu Filho, para saber que eu sou o Filho que meu Pai ama.

2. Tu, Que me criaste em inocência, não estás equivocado acerca do que sou. Eu estava enganado quando pensei que tinha pecado, mas aceito a Expiação para mim mesmo. Pai, agora meu sonho acabou. Amém.


*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 337

Hoje, a ideia que vamos praticar de novo é mais uma daquelas que buscam nos devolver à condição natural de filhos de Deus, inocentes, livres, herdeiros da alegria e de paz, completas, perfeitas e ilimitadas. Nessa condição, somos qual crianças, prontas para viver a experiência daquilo que a Vontade de Deus reservou para nós, seja o que for. Ou não lhes parece que as crianças estão sempre prontas para a próxima brincadeira? Ou para repetir alguma de que gostaram muito, vezes sem conta.

E se soubéssemos - e quiséssemos, e decidíssemos - , a partir do que vemos todos o dias no comportamento das crianças, das criancinhas, trazer ao mundo apenas o que é reflexo da inocência que pensamos ter perdido, por alguma razão equivocada? Poderíamos, então, dizer como a ideia para as práticas:

Minha inocência me protege de todo o mal. 

Até porque para a inocência não pode haver mal algum. Quem, em sã consciência, já olhou para o mundo com os olhos do perdão e viu nele qualquer coisa de condenável? 

Repetindo, pois, a pergunta que já fiz algumas vezes antes, o que tenho de fazer para saber que: 

Minha inocência me assegura paz perfeita, segurança eterna, amor duradouro, liberdade permanente de todo pensamento de perda, liberação completa do sofrimento. E [que] meu estado só pode ser o da felicidade, pois somente felicidade me é dado, 

como começa a lição?

O que tenho de fazer para saber que tudo isso é meu?

A resposta que nos dá o ensinamento, com a lição:

Tenho de aceitar a Expiação para mim mesmo e nada mais. Deus já fez todas as coisas que precisam ser feitas. E eu tenho de aprender que não preciso fazer nada por mim mesmo, pois só preciso aceitar meu Ser, minha inocência, criada para mim, que já é minha agora, para sentir o Amor de Deus me protegendo do mal, para entender que meu Pai ama Seu Filho, para saber eu sou o Filho que meu Pai ama.

Isto é, como o Curso ensina em determinado ponto:

Tu não tens de fazer nada. 

Eu não tenho de fazer nada. Nenhum de nós tem de fazer nada. Nada, nada, nada! Nada, a não ser aceitar a Expiação [o desfazer do erro, de qualquer erro] para mim mesmo. Cada um de nós para si mesmo. E todos e cada um de nós para todos. Deus já fez tudo o que há para ser feito. Por isso, meu papel é apenas reconhecer e aceitar - ou lembrar - minha inocência. Assim como o teu e o de cada uma das pessoas todas do mundo. É só reconhecer e aceitar que continuo a ser tal como Deus me criou, e que nada do que penso ter feito, fiz ou possa vir a fazer pode modificar isso.

Isso, no entanto, como eu já disse também, exige uma disposição para treinar a mente para alcançar a percepção verdadeira. Uma percepção livre das influências do falso eu.  Uma percepção que vai nos permitir "alcançar o mundo real", o mundo que só a inocência permite alcançar. É a ele que nos remetem as práticas diárias. São as práticas que vão nos permitir dizer, na mais absoluta convicção de nossa própria inocência, como orienta a lição de hoje: Pai,

Tu, Que me criaste em inocência, não estás equivocado acerca do que sou. Eu estava enganado quando pensei que tinha pecado, mas aceito a Expiação para mim mesmo. Pai, agora meu sonho acabou. Amém.

Pois o mal só pode mesmo existir no sonho, ou melhor num pesadelo, criado pela mente equivocada do falso eu, que se vê e quer que nos vejamos separados de Deus e uns dos outros. O Curso, no entanto, nos assegura que mesmo neste mundo podemos escolher viver "o sonho feliz".

Já no "mundo real" o mal não existe. Ele só pode parecer existir na ilusão. E mesmo aí ele é apenas fruto do equívoco de nos acreditarmos de algum modo separados. A certa altura do Curso, o texto, em sintonia com a ideia das práticas de hoje, diz:

Senta-te tranquilamente e olha para o mundo que vês, e dize a ti mesmo: "O mundo real não é assim. Não tem edifícios e não existem ruas pelas quais as pessoas andam sozinhas e separadas. Não há lojas nas quais as pessoas compram um lista interminável de coisas de que não necessitam. Ele não é iluminado por luz artificial, e a noite não vem sobre ele. Não existe dia que se torne claro e depois vá escurecendo. Não há nenhuma perda. Nada do que existe deixa de brilhar, e brilha para sempre".

Repetindo: se isso nos assusta [aos egos e corpos pensamos ser], podemos até recorrer à Ciência moderna que afirma hoje em dia que "o mundo em três dimensões, de paisagens, mares, edifícios e corpos humanos, apenas existe nessa forma quando nós olhamos para ele". Quando não o fazemos, ele é apenas "uma massa de campos vibratórios".

Isto, conforme já vimos também, é a mesma coisa que dizer que cada coisa que aparentemente existe, ou seja, cada coisa que percebemos com qualquer um de nossos cinco sentidos - inclusive os próprios sentidos - só existe porque a materializamos, primeiro, na mente, na consciência, e, em seguida, em nossa vida, no mundo, a partir da ideia de que ela é necessária para nossa experiência.

É por isso também que aquilo de que já não necessitamos em nosso experimentar do mundo deixa de existir, desaparece, ou morre. E mesmo que acreditemos que aquilo de que não precisamos ainda possa existir em outro lugar, em outro nível, em outra "realidade", na prática, para nós, para nossa consciência, ele já não existe mais. 

É por isso, por fim, que precisamos prestar toda a atenção de que somos capazes - toda a atenção possível - aos nossos pensamentos, conforme tenho dito às pessoas nos grupos de estudos. Pois nossos pensamentos se transformam em palavras e afirmações [ou negações] que fazemos, que reverberam com sua própria energia [e com a nossa também] e materializam as experiências por que vamos passar, as pessoas com quem vamos entrar em contato, as situações com que vamos nos defrontar. 

Para aproveitar de algo que, acho, deve ser compartilhado, e que li há algum tempo em um dos livros de Wayne Dyer, precisamos aprender a pensar que, como Moisés [o da Bíblia, não eu, hahaha] aprendeu, de acordo com a Bíblia, EU SOU  é o nome de Deus. Então precisamos tomar todo o cuidado com o que acrescentamos a nossas falas sempre que dizemos Eu sou. Porque quando dizemos Eu Sou o que dizemos é o Nome de Deus.

Enfim, são nossos pensamentos, para além do bem e do mal, que vão transformar em realidade aquilo por que pensamos precisar passar para o desenvolvimento de nossa consciência, para o aperfeiçoar de nosso aprendizado. E são os pensamentos que temos a nosso próprio respeito, que se materializam nas experiências que escolhemos viver, quando dizemos Eu sou. 

Às práticas?


segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

É enganador o conhecimento que os sentidos nos dá


12. O que é o ego?

1. O ego é idolatria; o sinal do ser limitado e separado, nascido em um corpo, condenado a sofrer e a terminar sua vida na morte. Ele é a "vontade" que percebe a Vontade de Deus como inimiga e toma uma forma na qual ela é negada. O ego é a "prova" de que a força é fraca e de que o amor é amedrontador, de que a vida é, na verdade, morte e de que só aquilo que contraria Deus é verdadeiro.

2. O ego é louco. Com medo, ele se põe diante de Todos os Lugares, separado do Todo, separado do Infinito. Em sua loucura, ele pensa ter se tornado um vitorioso sobre o Próprio Deus. E, em sua autonomia insuportável, ele "percebe" que a Vontade de Deus foi destruída. Ele sonha com castigo e treme diante das imagens de seus sonhos; seus inimigos, que buscam assassiná-lo antes de ele poder garantir sua segurança atacando-os.

3. O Filho de Deus não tem ego. O que ele pode saber da loucura e da morte de Deus, se habita n'Ele? O que ele pode saber da tristeza e do sofrimento, se vive na alegria eterna? O que ele pode saber do medo e do castigo, do pecado e da culpa, do ódio e do ataque, se tudo o que existe à volta dele é a paz perene, livre de conflitos e imperturbada para sempre, no silêncio e na tranquilidade mais profundos?

4. Conhecer a realidade é não ver o ego e seus pensamentos, seus esforços, seus atos, suas leis e crenças, seus sonhos, suas esperanças  seus planos para a própria salvação e o custo que a crença nele cobra. Em termos de sofrimento, o preço pela fé no ego é tão imenso que a crucificação do Filho de Deus é oferecida diariamente em seu santuários sombrio, e o sangue tem de jorrar diante do altar em que seus seguidores doentios se preparam para morrer.

5. Porém, um único lírio de perdão transformará as trevas em luz; o altar às ilusões no santuário à Própria Vida. E a paz será devolvida para sempre às mentes santas que Deus criou como Seu Filho, Sua morada, Sua alegria, Seu amor, inteiramente Seu, um só com Ele totalmente.

*

LIÇÃO 336

O perdão me permite saber que as mentes são unidas.

1. O perdão é o meio designado para o fim da percepção. O conhecimento se restabelece depois que: primeiro, a percepção se modifica para, em seguida, dar lugar àquilo que permanece para sempre além de seu mais profundo alcance. Pois imagens e sons podem servir, no máximo, para despertar a memória que está além de todos eles. O perdão varre as distorções e abre o altar escondido à verdade. Seus lírios refletem a luz para o interior da mente e a chamam para voltar e olhar para dentro, para encontrar aquilo que ela procura fora inutilmente. Pois aí, e só aí, se restabelece a paz de espírito, pois essa é a morada do Próprio Deus.

2. Possa o perdão varrer meus sonhos de separação e de pecado na paz. Deixa-me, então, meu Pai, olhar para dentro e achar Tua garantia de que minha inocência se mantém; Tua Palavra permanece inalterada em minha mente, Teu Amor ainda habita em meu coração.



*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 336

Repetindo, com pequenas modificações aqui e ali, o comentário de anos passados.


A ideia que vamos praticar mais uma vez hoje deve servir para nos abrir os olhos, a mente e o coração para o fato de que nunca houve um momento em que nos tenhamos separado de Deus. Conforme o Curso ensina, as mentes são unidas. E o que pode nos permitir ver isso é o perdão. Ou como a ideia para as práticas diz:

O perdão me permite saber que as mentes são unidas. 

Não existem pensamentos privados. As ideias não deixam sua fonte. E a união das mentes não autoriza a pensar que existem várias mentes diferentes, uma em cada corpo, que se comunicam umas com as outras. Não! Não é assim! Na verdade, todos nós nos valemos de uma e mesma ligação a uma só Mente única, a qual estamos conectados o tempo todo, quer conscientes disso ou não. É mais ou menos como a Matrix, que o filme de mesmo nome mostra. 

Mesmo a mente, com "m" minúsculo, a do ego, é uma só para todos nós, aparentemente habitantes deste mundo, que pensamos ser o mesmo para todos, mas que não é, por mais que a crença na separação nos impeça de reconhecer isso. E é por isso que não existem pensamentos privados. E tudo aquilo que qualquer um de nós pode pensar em fazer já foi pensado antes por alguém, ou está sendo pensado no mesmo momento ou ainda vai ser pensado por alguém, que não pode ser senão nós mesmos, em um corpo diferente, mas apenas em aparência. 

Aquilo que tememos, a partir da sintonia com o sistema de pensamento do ego, que descubram de nós, que pode nos revelar, desmascarar para os outros, ou revelar o que pensamos ("Como sou egoísta, como sou descuidado, como sou odioso, e por aí a fora"), é o mesmo que o "outro", ou a "outra" pensa. Seja este outro, ou esta outra, quem for. Existe uma unidade entre todos nós, que a maior parte do tempo não somos capazes de ver, de perceber.

Por que, então, não nos damos conta disso? Por que não experimentamos, na prática, a unidade, ou só a experimentamos em raros e fugazes instantes, a que o Curso chama de "instante santo"?

Porque estamos por demais habituados, treinados e automatizados pela crença na separação, que o ego e o mundo do ego promovem o dia inteiro, todos os dias. E porque, repetindo, como observa Guimarães Rosa, em geral, "... vivemos, de modo incorrigível, distraídos das coisas mais importantes".

Isto é, cedemos aos apelos do falso eu e nos perdemos em um mundo de coisas e pessoas aparentemente separadas, às quais atribuímos características e valores diferentes a partir de nossa percepção equivocada de umas e outras. Criticando, julgando e condenando. 

Daí, a necessidade das práticas com a ideia de hoje para podermos reconhecer, aprender e aceitar que:

O perdão é o meio designado para o fim da percepção. O conhecimento se restabelece depois que: primeiro, a percepção se modifica para, em seguida, dar lugar àquilo que permanece para sempre além de seu mais profundo alcance. Pois imagens e sons podem servir, no máximo, para despertar a memória que está além de todos eles. O perdão varre as distorções e abre o altar escondido à verdade. Seus lírios refletem a luz para o interior da mente e a chamam para voltar e olhar para dentro, para encontrar aquilo que ela procura fora inutilmente. Pois aí, e só aí, se restabelece a paz de espírito, pois essa é a morada do Próprio Deus.

E, voltando ao que eu já disse antes a este respeito, se pensarmos bem, mais dia, menos dia, ainda que por caminhos diferentes, havemos todos de chegar à conclusão de que as mentes são unidas. Ou será que algum de nós tem consciência do momento em que deixou de perceber, de saber, que "as mentes são unidas"? Em que momento passamos a acreditar na ideia de separação? 

No mínimo, podemos pensar que em algum momento de nossa experiência neste mundo fomos convidados a olhar para alguma coisa e considerá-la melhor ou pior do que outra, deixando de vê-la como parte de um todo harmônico, no qual as partes são todas neutras e desempenham apenas o papel que lhes cabe.

É claro, repito, que este mundo de aparências em que acreditamos estar, e que cremos ser real e verdadeiro, nos oferece uma avalanche de informações e de coisas, e de provas de sua realidade - separada -, que muitas vezes nos atordoa e exige um esforço sobre-humano até para respirar de forma tranquila e pensar de forma clara.

Mas também é fato de que desde a Antiguidade, os filósofos lidam com a ideia de que a percepção que nos oferece os sentidos não é um guia confiável. Do mesmo modo que nos diz o Curso, Heráclito, filosofo que viveu há cerca de 500 anos antes de Cristo, já dizia que "o conhecimento sensível [isto é, o conhecimento aparente daquilo que se percebe pela via dos sentidos] é enganador e deve ser separado pela razão". 

Ora, isto é o mesmo que dizer que não podemos confiar nas percepções do corpo, nem acreditar na separação aparente de corpos. Ou na separação das mentes, ou mesmo em sua divisão. É só nos sonhos da ilusão deste mundo que podemos acreditar em mentes divididas. Mesmo quando o Curso nos diz que nossa mente se dividiu após a dita separação ou "queda", ele só nos diz isto para chamar a atenção para o fato de que nunca houve a separação. 

Por isso podemos dizer tranquilamente, como orienta a lição de hoje: 

Possa o perdão varrer meus sonhos de separação e de pecado na paz. Deixa-me, então, meu Pai, olhar para dentro e achar Tua garantia de que minha inocência se mantém; Tua Palavra permanece inalterada em minha mente, Teu Amor ainda habita em meu coração.

Às práticas?


domingo, 1 de dezembro de 2019

A escolha daquilo que quer viver pertence a cada um


12. O que é o ego?

1. O ego é idolatria; o sinal do ser limitado e separado, nascido em um corpo, condenado a sofrer e a terminar sua vida na morte. Ele é a "vontade" que percebe a Vontade de Deus como inimiga e toma uma forma na qual ela é negada. O ego é a "prova" de que a força é fraca e de que o amor é amedrontador, de que a vida é, na verdade, morte e de que só aquilo que contraria Deus é verdadeiro.

2. O ego é louco. Com medo, ele se põe diante de Todos os Lugares, separado do Todo, separado do Infinito. Em sua loucura, ele pensa ter se tornado um vitorioso sobre o Próprio Deus. E, em sua autonomia insuportável, ele "percebe" que a Vontade de Deus foi destruída. Ele sonha com castigo e treme diante das imagens de seus sonhos; seus inimigos, que buscam assassiná-lo antes de ele poder garantir sua segurança atacando-os.

3. O Filho de Deus não tem ego. O que ele pode saber da loucura e da morte de Deus, se habita n'Ele? O que ele pode saber da tristeza e do sofrimento, se vive na alegria eterna? O que ele pode saber do medo e do castigo, do pecado e da culpa, do ódio e do ataque, se tudo o que existe à volta dele é a paz perene, livre de conflitos e imperturbada para sempre, no silêncio e na tranquilidade mais profundos?

4. Conhecer a realidade é não ver o ego e seus pensamentos, seus esforços, seus atos, suas leis e crenças, seus sonhos, suas esperanças  seus planos para a própria salvação e o custo que a crença nele cobra. Em termos de sofrimento, o preço pela fé no ego é tão imenso que a crucificação do Filho de Deus é oferecida diariamente em seu santuários sombrio, e o sangue tem de jorrar diante do altar em que seus seguidores doentios se preparam para morrer.

5. Porém, um único lírio de perdão transformará as trevas em luz; o altar às ilusões no santuário à Própria Vida. E a paz será devolvida para sempre às mentes santas que Deus criou como Seu Filho, Sua morada, Sua alegria, Seu amor, inteiramente Seu, um só com Ele totalmente.

*

LIÇÃO 335

Escolho ver a inocência de meu irmão.

1. O perdão é uma escolha. Nunca vejo meu irmão tal qual ele é, pois isso está muito além da percepção. O que vejo nele é apenas o que quero ver, porque isso representa o que quero que seja a verdade. É só a isso que reajo, não importa o quanto eu pareça ser impelido por acontecimentos externos. Escolho ver aquilo que quero ver e é isso, e apenas isso, que vejo. A inocência de meu irmão me mostra que quero ver minha própria inocência. E eu a verei, se escolher ver meu irmão em sua luz santa.

2. O que poderia devolver a memória de Ti para mim, exceto ver a inocência de meu irmão? A santidade dele me lembra de que ele foi criado um comigo e igual a mim mesmo. Nele encontro meu Ser e em Teu Filho encontro também a memória de Ti.


*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 335

Talvez seja conveniente, e sirva de alguma ajuda, como fizemos nos últimos anos, porque já nos aproximamos do final de mais um destes, que medimos por um calendário de dias, semanas, meses, recapitular algumas ideias de lições que, a meu ver, têm algo a acrescentar a nossa reflexão com as práticas da ideia de hoje. Recapitulo, pois, apesar de alguma pequenas mudanças, inclusive o título dado à postagem em anos passados, invertendo apenas a posição das palavras. Vejamos, então: 

Escolho ver a inocência de meu irmão.

Vamos pois, mais uma vez, recapitular os comentários anteriores a esta mesma lição e as ideias que, acredito, podem nos levar a aprofundar a reflexão e, ao mesmo tempo, oferecer exemplos bem claros da coerência do ensinamento. E, desde já, como também fiz anteriormente, peço-lhes mais uma vez que me perdoem se o comentário lhes parecer demasiado longo. Fiquem, por favor, só com a lição e com as práticas da ideia, se lhes parecer melhor.

A primeira delas é a ideia da lição 22, lembram?: 


O que eu vejo é uma forma de vingança. 

De acordo com o que aprendemos na lição 312, "a percepção vem depois do julgamento". Isto é, só depois que damos um nome à coisa, ou atribuímos um valor ou uma qualidade à pessoa para quem olhamos, é que as vemos. E as vemos de um modo que representa aquilo que queremos que seja a verdade a respeito delas, tanto das pessoas quanto das coisas, ou das situações por que passamos ou vemos alguém passar.

A segunda é a da lição 34: 


Eu poderia ver paz em vez disso. 

A prática desta ideia juntamente com a da ideia de hoje serve para reforçar em nossa consciência a ideia de que, conforme o Curso afirma: Existe outro modo de olhar para o mundo. E para todas as coisas e pessoas que existem no mundo. Um modo que pode nos devolver a segurança, a serenidade, a paz e a alegria, que são nossa herança natural.

A terceira das ideias que me ocorre como forma de aprofundar e estender as práticas da ideia da lição de hoje é a da lição 138: 


O Céu é a decisão que tenho de tomar. 

Cabe aqui nos perguntarmos - cada um de nós para si mesmo - "o que é o Céu para mim"?

Não seria viver o Céu, olhar para meu irmão ou irmã, seja qual for a forma com que ele, ou ela, se apresente, e ver apenas sua inocência, isto é, ver nele, ou nela, apenas a manifestação do divino? Há como se experimentar isso? Há! - diz o Curso. Mas temos de tomar a decisão e mantê-la, "no matter what", quer dizer, não importa o que aconteça. Não importa que obstáculos se interponham entre nossa decisão e o necessário para cumprir o compromisso que assumimos ao tomá-la.

E aqui entra a quarta das ideias relacionadas à de hoje para recapitulação. É a da lição 152: 


O poder de decisão é meu. 

Aí já não há mais como fugir. É preciso que reconheçamos que não vivemos o Céu apenas porque ainda não nos decidimos por isso. Mais: esta ideia nos ensina também não haver ninguém, a não ser a nós mesmos, a quem responsabilizar. Ninguém é culpado de nada. O que acontece apenas é que ainda não tomamos a decisão. Devemos nos culpar por isso? Não! Muitas vezes não sabemos como fazê-lo. Muitas vezes pensamos que já a tomamos, mas as experiências se apressam a nos mostrar coisas diferentes do Céu. São as práticas diárias que podem nos ajudar, sem dúvida -, e muito.

A última das ideias, então, que gostaria que revíssemos, para finalizar este comentário, é a da lição 253: 


Meu Ser é o soberano do universo. 

E aqui, creio, cabe até voltar às primeiras frases desta lição específica. Que são as seguintes:

É impossível que qualquer coisa não solicitada por mim mesmo venha a mim. Mesmo neste mundo, sou eu que governo meu destino. Aquilo que eu desejo é o que acontece. O que não acontece é aquilo que não quero que aconteça.

Dito isto, resta-nos voltar para as práticas com a ideia de hoje: 


Escolho ver a inocência de meu irmão. 

E a lição começa dizendo, ainda que de modo diferente, a mesma coisa que nos dizem as lições que trouxemos de volta à lembrança: 

O perdão é uma escolha. 

Isto é, somos nós - cada um de nós a sua própria maneira -, e apenas nós, que podemos decidir aquilo que queremos viver. E isto é livre arbítrio. 

E continua:

Nunca vejo meu irmão tal qual ele é, pois isso está muito além da percepção. O que vejo nele é apenas o que quero ver, porque isso representa o que quero que seja a verdade. É só a isso que reajo, não importa o quanto eu pareça ser impelido por acontecimentos externos. Escolho ver aquilo que quero ver e é isso, e apenas isso, que vejo. A inocência de meu irmão me mostra que quero ver minha própria inocência. E eu a verei, se escolher ver meu irmão em sua luz santa.

É por isso que, por mais que queiramos em determinadas ocasiões, não podemos abrir mão de nossa responsabilidade por qualquer coisa que se apresente a nossa consciência. Pois ninguém, mas ninguém mesmo, pode escolher ou decidir por nós, a não ser quando, equivocados, entregamos a outro o poder que nos pertence por direito. E, mesmo assim, temos de assumir a responsabilidade por aquilo que o outro fez com o poder que lhe demos.

Só teremos de volta, porém, o poder que nos pertence, quando tivermos de volta a memória de Deus em nós. Com ela poderemos desfrutar de tudo o que nos pertence como filhos d'Ele. Quando formos capazes de tomar a decisão de perdoar o mundo e ver a inocência do filho de Deus, e de entregar a Ele toda a nossa vida, dizendo, como orienta a lição:

O que poderia devolver a memória de Ti para mim, exceto ver a inocência de meu irmão? A santidade dele me lembra de que ele foi criado um comigo e igual a mim mesmo. Nele encontro meu Ser e em Teu Filho encontro também a memória de Ti.

Vamos, então, aprofundar a reflexão acerca do que queremos? Acerca do que estamos fazendo para chegar lá? Até quando vamos apelar para o auto-engano, dizendo a nós mesmo que estamos fazendo tudo o que podemos? Que não conseguimos fazer mais? Lembremo-nos daquela instrução que diz que "não consigo" é sinônimo de "não quero". 

Às práticas?


sábado, 30 de novembro de 2019

Perdoar o mundo é a mesma coisa que abrir mão dele


12. O que é o ego?

1. O ego é idolatria; o sinal do ser limitado e separado, nascido em um corpo, condenado a sofrer e a terminar sua vida na morte. Ele é a "vontade" que percebe a Vontade de Deus como inimiga e toma uma forma na qual ela é negada. O ego é a "prova" de que a força é fraca e de que o amor é amedrontador, de que a vida é, na verdade, morte e de que só aquilo que contraria Deus é verdadeiro.

2. O ego é louco. Com medo, ele se põe diante de Todos os Lugares, separado do Todo, separado do Infinito. Em sua loucura, ele pensa ter se tornado um vitorioso sobre o Próprio Deus. E, em sua autonomia insuportável, ele "percebe" que a Vontade de Deus foi destruída. Ele sonha com castigo e treme diante das imagens de seus sonhos; seus inimigos, que buscam assassiná-lo antes de ele poder garantir sua segurança atacando-os.

3. O Filho de Deus não tem ego. O que ele pode saber da loucura e da morte de Deus, se habita n'Ele? O que ele pode saber da tristeza e do sofrimento, se vive na alegria eterna? O que ele pode saber do medo e do castigo, do pecado e da culpa, do ódio e do ataque, se tudo o que existe à volta dele é a paz perene, livre de conflitos e imperturbada para sempre, no silêncio e na tranquilidade mais profundos?

4. Conhecer a realidade é não ver o ego e seus pensamentos, seus esforços, seus atos, suas leis e crenças, seus sonhos, suas esperanças  seus planos para a própria salvação e o custo que a crença nele cobra. Em termos de sofrimento, o preço pela fé no ego é tão imenso que a crucificação do Filho de Deus é oferecida diariamente em seu santuários sombrio, e o sangue tem de jorrar diante do altar em que seus seguidores doentios se preparam para morrer.

5. Porém, um único lírio de perdão transformará as trevas em luz; o altar às ilusões no santuário à Própria Vida. E a paz será devolvida para sempre às mentes santas que Deus criou como Seu Filho, Sua morada, Sua alegria, Seu amor, inteiramente Seu, um só com Ele totalmente.

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LIÇÃO 334

Reivindico, hoje, as dádivas que o perdão dá.

1. Não vou esperar outro dia para achar os tesouros que meu Pai me oferece. Todas as ilusões são vãs e os sonhos desaparecem, mesmo porque se baseiam em percepções falsas. Permite que hoje eu não aceite dádivas tão mesquinhas novamente. A Voz de Deus oferece a paz de Deus a todos que ouvem e escolhem segui-Lo. Esta é minha escolha hoje. E, assim, vou encontrar os tesouros que Deus me dá.

2. Busco apenas o eterno. Pois Teu Filho não pode se satisfazer com nada menos do que isso. O que, então, pode servir de consolo para ele, a não ser aquilo que Tu ofereces a sua mente confusa e coração amedrontado, para lhe dar segurança e lhe trazer paz? Quero ver meu irmão sem pecado hoje. Esta é Tua Vontade para mim, pois deste modo verei minha inocência.


*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 334

A ideia para as práticas de hoje tem a ver com o renovar nossa decisão de tomar posse da herança de filhos de Deus, a que temos direito natural, por ainda sermos tal qual Deus nos criou, conforme ensina o Curso de várias maneiras e em várias ocasiões ao longo do texto e dos exercícios. 

Tal decisão começa com a afirmação que cada um de nós vai fazer da ideia: 

Reivindico, hoje, as dádivas que o perdão dá.

Ela tem a ver com o perdão, porque é a forma de acessar essa herança. Pois perdoar o mundo é o mesmo que abandoná-lo, é a mesma coisa que abrir mão dele, para ganhá-lo por inteiro, à luz da percepção verdadeira, sabendo que ele não vai durar, que ele não é eterno e não tem senão o valor que lhe damos, que é sempre temporário e variável. Por dependente da percepção que temos e que, ora nos mostra algo como útil, ora como inútil. 

Ora, se nos parecer difícil pensar na enormidade do gesto que parece ser oferecer o perdão ao mundo todo, é preciso que nos lembremos que o Curso ensina que não há nada fora. Assim é que podemos ficar tranquilos e aceitar a tarefa, pois, além de tudo, perdoar o mundo não é nada mais nada menos do que apenas nos perdoarmos a nós mesmos, por tudo e por nada, aceitando que ainda somos como Deus nos criou, escolhendo viver a Vontade d'Ele para nós, que é a mesma que a nossa, como vimos há pouco 

E é urgente que tomemos esta decisão. A decisão que pode nos salvar e salvar o mundo inteiro. Pois por que esperar para fazer em outro momento, se a decisão pode nos pôr em contato com a paz e a alegria perfeitas e completas, que são a Vontade de Deus para nós? Assim é que dizemos:

Não vou esperar outro dia para achar os tesouros que meu Pai me oferece. Todas as ilusões são vãs e os sonhos desaparecem, mesmo porque se baseiam em percepções falsas. Permite que hoje eu não aceite dádivas tão mesquinhas novamente. A Voz de Deus oferece a paz de Deus a todos que ouvem e escolhem segui-Lo. Esta é minha escolha hoje. E, assim, vou encontrar os tesouros que Deus me dá.

Vamos, pois, perdoar o mundo, em sintonia com o que o Curso ensina, para podermos encontrar e desfrutar dos tesouros que Deus nos dá. Perdoemos o mundo e tudo o que há nele e esqueçamos o passado. Pois perdoar o mundo é, como já disse outras vezes, entregá-lo a seu próprio destino, juntamente com seu futuro, sem sequer uma única intenção de controle, sem qualquer pretensão de saber ditar a ele "melhores" modos e maneiras.

Repetindo, perdoar o mundo é reconhecer que ele não tem nada que queiramos realmente. É dar a ele apenas o valor que lhe é devido por sua impermanência, por sabê-lo passageiro e mutável, reconhecendo a diversidade apenas como aspectos diferentes da mesma ilusão, que o cria e constrói a partir de pensamentos baseados na crença em uma ideia que valoriza a separação, como se ela fosse verdadeira, esquecendo-se da Unidade, de que todos somos partes. 

Não há nada no mundo que vá durar para sempre, para a eternidade; e o que buscamos, unindo-nos à orientação do Curso nesta lição é apenas o eterno. Por isso dizemos:

Busco apenas o eterno. Pois Teu Filho não pode se satisfazer com nada menos do que isso. O que, então, pode servir de consolo para ele, a não ser aquilo que Tu ofereces a sua mente confusa e coração amedrontado, para lhe dar segurança e lhe trazer paz? Quero ver meu irmão sem pecado hoje. Esta é Tua Vontade para mim, pois deste modo verei minha inocência.

Para nos lembrarmos de tudo isso, ofereço-lhes mais uma vez, outra, a passagem do livro Primeiras Estórias, de Guimarães Rosa, na qual ele nos apresenta a compreensão disto, a partir da percepção do Menino, em um trecho de uma das estórias:

"E, vindo outro dia, no não-estar-mais-dormindo e não-estar-ainda-acordado, o Menino recebia uma claridade de juízo - feito um assopro - doce, solta. Quase como assistir às certezas lembradas por um outro; era que nem uma espécie de cinema de desconhecidos pensamentos; feito ele estivesse podendo copiar no espírito ideias de gente muito grande. Tanto, que, por aí, desapareciam, esfiapadas.

"Mas naquele raiar, ele sabia e achava: que a gente nunca podia apreciar, direito, mesmo as coisas bonitas ou boas, que aconteciam. Às vezes, porque sobrevinham depressa e inesperadamente, a gente nem estando arrumado. Ou esperadas, e então não tinham gosto de tão boas, eram só um arremedo grosseiro. Ou porque as outras coisas, as ruins, prosseguiam também, de lado e do outro, não deixando limpo lugar. Ou porque faltavam ainda outras coisas, acontecidas em diferentes ocasiões, mas que careciam de formar junto com aquelas, para o completo. Ou porque, mesmo enquanto estavam acontecendo, a gente já sabia que elas já estavam caminhando para se acabar roídas pelas horas, desmanchadas..." 

Não lhes parece que as práticas podem nos levar mais depressa ao encontro de nós mesmos, no Ser, em Deus, com Ele? Não lhes parece que perdoar o mundo vai permitir que, de fato, reivindiquemos e recebamos as dádivas que o perdão oferece, e que, na verdade, já são nossas? 

Às práticas?


sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Comportamentos ditos irresponsáveis: como tratá-los


12. O que é o ego?

1. O ego é idolatria; o sinal do ser limitado e separado, nascido em um corpo, condenado a sofrer e a terminar sua vida na morte. Ele é a "vontade" que percebe a Vontade de Deus como inimiga e toma uma forma na qual ela é negada. O ego é a "prova" de que a força é fraca e de que o amor é amedrontador, de que a vida é, na verdade, morte e de que só aquilo que contraria Deus é verdadeiro.

2. O ego é louco. Com medo, ele se põe diante de Todos os Lugares, separado do Todo, separado do Infinito. Em sua loucura, ele pensa ter se tornado um vitorioso sobre o Próprio Deus. E, em sua autonomia insuportável, ele "percebe" que a Vontade de Deus foi destruída. Ele sonha com castigo e treme diante das imagens de seus sonhos; seus inimigos, que buscam assassiná-lo antes de ele poder garantir sua segurança atacando-os.

3. O Filho de Deus não tem ego. O que ele pode saber da loucura e da morte de Deus, se habita n'Ele? O que ele pode saber da tristeza e do sofrimento, se vive na alegria eterna? O que ele pode saber do medo e do castigo, do pecado e da culpa, do ódio e do ataque, se tudo o que existe à volta dele é a paz perene, livre de conflitos e imperturbada para sempre, no silêncio e na tranquilidade mais profundos?

4. Conhecer a realidade é não ver o ego e seus pensamentos, seus esforços, seus atos, suas leis e crenças, seus sonhos, suas esperanças  seus planos para a própria salvação e o custo que a crença nele cobra. Em termos de sofrimento, o preço pela fé no ego é tão imenso que a crucificação do Filho de Deus é oferecida diariamente em seu santuários sombrio, e o sangue tem de jorrar diante do altar em que seus seguidores doentios se preparam para morrer.

5. Porém, um único lírio de perdão transformará as trevas em luz; o altar às ilusões no santuário à Própria Vida. E a paz será devolvida para sempre às mentes santas que Deus criou como Seu Filho, Sua morada, Sua alegria, Seu amor, inteiramente Seu, um só com Ele totalmente.

*

LIÇÃO 333

O perdão acaba com o sonho de conflito aqui.

1. O conflito tem de ser resolvido. Se quisermos nos livrar dele, não podemos evitá-lo, pô-lo de lado, negá-lo, disfarçá-lo, vê-lo em outro lugar, dar-lhe outro nome ou escondê-lo por meio de qualquer tipo de truque. Ele tem de ser visto exatamente como é, onde se pensa que ele está, na realidade que lhe foi dada e com o propósito que a mente conferiu a ele. Pois só assim suas defesas são suspensas e a verdade pode brilhar sobre ele à medida que ele desaparece.

2. Pai, o perdão é a luz que Tu escolheste para eliminar todo conflito e toda dúvida, e para iluminar o caminho de nossa volta a Ti. Nenhuma luz a não ser essa pode pôr fim a nosso sonho mau. Nenhuma luz a não ser essa pode salvar o mundo. Pois apenas essa não falhará em nada jamais, pois é Tua dádiva para Teu Filho amado.


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COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 333

Continuo a crer que nunca é demais repetir as palavras, ou as histórias que buscam facilitar o contato e a sintonia com o que somos na verdade, e que podem nos fazer abandonar as ilusões e os conflitos por inteiro, e de uma vez por todas. É isto que vamos fazer mais uma vez hoje para explorar a ideia que o Curso oferece para as práticas. 

Pois é hoje que vamos reconhecer e aceitar o que a ideia nos diz e pô-la em prática. Para tanto, basta que digamos para nós mesmos de forma decidida:

O perdão acaba com o sonho de conflito aqui.

E, após esta tomada de consciência, vamos nos voltar para o interior de nós mesmos à procura da luz que pode perdoar a tudo e a todas as coisas, em nós, e em tudo o que está aparentemente fora de nós também.

Podemos fazer uso novamente da história que reproduzo abaixo como forma de exercitar o perdão, valendo-nos dela para aprender a reconhecer o divino no outro, para lhe oferecer a paz e a alegria do reencontro com o divino, em si mesmo, por nosso intermédio.

Gerald Jampolsky, um dos estudantes de UCEM de primeira hora e fundador do primeiro Center for Attitudinal Healing [Centro para Cura das Atitudes - CCA], escreveu, a partir de suas interpretações dos ensinamentos do UCEM, entre outros, um livro inteiro a respeito do perdão.

O livro se chama Perdão e vale a pena ser lido, pois traz explicações para as muitas razões pelas quais achamos difícil perdoar e ilustra os motivos por que "apegar-se a sentimentos de revanche e de vingança é uma atitude que só pode causar sofrimento". Um livro que descreve de forma clara e simples, "os motivos pelos quais [muitas vezes] nos negamos a perdoar e como a nossa mente trabalha para justificar essa atitude". O que, é claro, tem a ver com a ideia para nossas práticas de hoje.

Além do mais, a fim de ajudar a nos decidirmos pelo perdão, o livro "aponta os efeitos colaterais tóxicos causados [pela] intolerância e os males que isso pode provocar no nosso corpo e na nossa vida em geral. Mas, acima de tudo, revela-nos os incomensuráveis benefícios do perdão".

Entre as várias histórias que Jampolsky conta, e "que abrem nossos corações aos milagres que acontecem quando acreditamos verdadeiramente que todas as pessoas merecem o nosso amor", está a seguinte:

Na tribo Babemba, da África do Sul, quando uma pessoa age de maneira injusta ou irresponsável, ela é colocada sozinha no centro da aldeia, mas não é de maneira alguma impedida de fugir.

Todos os habitantes da aldeia param de trabalhar e formam um círculo em volta da pessoa acusada. Em seguida, cada um, independentemente de sua idade, começa a lembrar o acusado de todas as boas ações que ele praticou ao longo da vida.

Tudo o que é lembrado sobre a pessoa em questão é descrito em pormenores. Todos os atributos positivos do acusado, suas boas ações, seus pontos fortes e generosidades são ressaltados em benefício dela. Cada pessoa do círculo faz isso de forma detalhada.

Todos os fatos da vida dessa pessoa são expostos com o máximo de sinceridade e amor. Ninguém pode exagerar os acontecimentos e todos sabem que não podem inventar histórias. Ninguém mente nem é irônico ao fazer esse relato.

Essa cerimônia prossegue até que todos os habitantes da aldeia tenham relembrado os feitos dessa pessoa como membro respeitado de sua comunidade. Esse procedimento pode prolongar-se por vários dias. No final, a tribo desfaz o círculo e começa uma celebração jubilosa em que a pessoa é recebida de volta à tribo.

Pelos olhos do amor, que essa cerimônia descreve de maneira tão bela, só a reconciliação e o perdão têm lugar. Cada pessoa no círculo, bem como a pessoa colocada em seu centro, é lembrada [de] que o perdão nos dá a oportunidade de abandonar o passado e os medos do futuro. A pessoa que está no centro não é considerada uma pessoa má nem é excluída da comunidade. Em vez disso, ela é lembrada do amor que existe em seu interior e é acolhida por todos à sua volta.


A forma utilizada pelos babembas para tratar o conflito é que vai resolvê-lo de forma definitiva. Pois, como diz a lição:

O conflito tem de ser resolvido. Se quisermos nos livrar dele, não podemos evitá-lo, pô-lo de lado, negá-lo, disfarçá-lo, vê-lo em outro lugar, dar-lhe outro nome ou escondê-lo por meio de qualquer tipo de truque. Ele tem de ser visto exatamente como é, onde se pensa que ele está, na realidade que lhe foi dada e com o propósito que a mente conferiu a ele. Pois só assim suas defesas são suspensas e a verdade pode brilhar sobre ele à medida que ele desaparece.

Podemos, então, perguntar-nos: é isto o que fazemos quando alguém à volta de nós age, para o nosso julgamento, nosso modo particular de ver, de maneira injusta e irresponsável? E se, mesmo que apenas na imaginação, adotássemos o hábito de criar na mente um Círculo de Perdão [o Curso nos oferece a ideia de um círculo de Expiação], no qual colocássemos todas as pessoas que, por qualquer razão, ainda nos parece difícil perdoar? 

É possível!  Podemos fazê-lo, valendo-nos das palavras finais da lição, repetindo-as para nós mesmos sempre que uma situação de conflito se apresentar, dizendo:

Pai, o perdão é a luz que Tu escolheste para eliminar todo conflito e toda dúvida, e para iluminar o caminho de nossa volta a Ti. Nenhuma luz a não ser essa pode pôr fim a nosso sonho mau. Nenhuma luz a não ser essa pode salvar o mundo. Pois apenas essa não falhará em nada jamais, pois é Tua dádiva para Teu Filho amado.

As práticas de hoje se destinam a nos ensinar a encontrar a alegria e a liberdade que só o perdão dá.

A elas?