sábado, 7 de setembro de 2013

É possível uma doutrina de salvação sem Deus?


LIÇÃO 250

Que eu não me veja como limitado.

1. Que hoje eu veja o Filho de Deus e testemunhe sua glória. Que eu não tente ocultar a luz sagrada nele para ver sua força diminuída e reduzida à fragilidade; nem perceba nele as falhas com as quais eu atacaria sua soberania.

2. Ele é Teu Filho, meu Pai. E hoje quero ver sua bondade em lugar de minhas ilusões. Ele é o que sou e do modo que o vejo também vejo a mim mesmo. Hoje quero ver verdadeiramente para que neste dia eu possa enfim me identificar com ele.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 250

Ao reler o cometário feito a esta lição no ano passado, surgiu uma dúvida. A pergunta que intitulava a postagem - e que vou manter - desta lição no ano passado era a seguinte: É possível uma doutrina de salvação sem Deus? E o comentário, a exploração da ideia que vamos praticar hoje, buscava dar uma resposta a esta pergunta.

Mas a dúvida que me aparece agora está, de fato, relacionada à resposta mesma que eu dei. Vejam abaixo de onde se origina a pergunta e, na sequência, a tentativa de respondê-la. E me digam, por favor, o que vocês acham da questão. E, óbvio, da forma como ela foi respondida.

Um livro de Luc Ferry, que leio [isto foi no ano passado] no momento, propõe uma definição nova para a Filosofia, a partir do que ela foi e do que deve continuar sendo, de acordo com o autor.

Assim, em seu modo de ver e dizer, a Filosofia é "... uma doutrina da salvação sem Deus, uma resposta à questão da vida boa, que não passa por um 'ser supremo' nem pela fé, mas por um esforço próprio de pensamento e pela razão. Uma exigência de lucidez, em suma, como condição última para a serenidade, compreendida em seu sentido mais simples e forte: uma vitória - sem dúvida sempre relativa e frágil - sobre o medo, o medo da morte em particular, que sob diversas formas, igualmente insidiosas, nos impede de viver bem."

Ora, uma doutrina da salvação sem Deus tem de ser uma doutrina que leva em consideração apenas o modo de ver do falso eu, o ego do Curso, tomando em conta apenas o que se vive neste mundo, abandonando de vez a perspectiva de uma vida diferente desta que vivemos nos sentidos. 

A questão, acredito, é que viver a vida boa, de que falavam os filósofos desde a Antiguidade, já é muito difícil com Deus, como será buscar vivê-la sem Ele? 

Em última instância sabemos que Deus é apenas uma ideia e, a se acreditar no que ensinaram todos os mestres e sábios, Ele é o que nós somos e nós somos o que Ele é, exatamente como o Curso ensina. Por que, então, abrir mão da ideia de que somos ilimitados, em Deus [porque somos o que Ele é] quando vivemos a experiência de mundo a partir do que somos? Por que não buscar viver em comunhão com a ideia de que todos os limites que pensamos existir são sempre auto-impostos?

Os problemas que precisamos enfrentar neste mundo não têm nada a ver com Deus, quer acreditemos n'Ele, quer não. E, de acordo com o Curso, não é preciso fazer nada. Basta ser. Quando cedemos à influência do modo de pensar do falso eu, enganamo-nos e inventamos um mundo que não existe, porque o vemos a partir do filtro do julgamento. 

A visão verdadeira vai nos mostrar que o mundo que vemos com os sentidos não existe. Melhor dizendo, a visão vai mostrar que o mundo que vemos é apenas projeção daquilo que trazemos dentro de nós mesmos. E, se o que vemos não nos leva a viver a vida boa, não nos coloca em contato com a alegria perfeita e completa, cabe a quem mudar, então? 

Talvez a resposta para a dúvida que surgiu esteja na seguinte historinha, que pode conciliar tanto o modo de ver e dizer de Luc Ferry, quanto o modo que convida a ver o mundo a partir da ideia da existência de um Deus, que não cabe em palavras, mas cuja Presença garante que somos muito mais do que apenas corpos.

"Em um dos majestosos banquetes da corte, cada um se sentava obedecendo à ordem, esperando a entrada do Rei. Entrou, então, um homem simples, maltrapilho, e escolheu um lugar acima de todos os outros. Sua ousadia irritou o primeiro ministro que ordenou que o recém-chegado se identificasse. Era um ministro? Não. Mais. Era o Rei? Não. Mais. 'Então você é Deus?' - perguntou o primeiro ministro. 'Eu estou acima disso também', respondeu o homem. 'Não existe nada acima de Deus', retorquiu o primeiro ministro. 'Esse nada', foi a resposta, 'sou eu'.

E, então, às práticas?

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Olhar o mundo e tudo e todos nele com compaixão


LIÇÃO 249

O perdão põe fim a todo sofrimento e a toda perda.

1. O perdão pinta um quadro de um mundo no qual o sofrimento acabou, a perda passou a ser impossível e a raiva não faz nenhum sentido. O ataque acabou e a loucura tem um fim. Que sofrimento é concebível agora? Que perda pode ser mantida? O mundo se torna um lugar de alegria, de abundância, caridade e doação infinita. Agora ele é tão parecido ao Céu que rapidamente se transforma na luz que reflete. E, deste modo, a jornada que o Filho de Deus começou termina na luz da qual ele veio.

2. Pai, queremos devolver nossas mentes a Ti. Nós as traímos, mantendo-as em um laço apertado de amargura e as amedrontamos com pensamentos de violência e de morte. Agora queremos descansar em Ti mais uma vez, assim como Tu nos criaste.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 249

Lembremo-nos da lição que praticamos há pouco e que nos dava a condição de cegos. Sem o perdão. No comentário feito a ela, chamei a atenção para o tema que é central e recorrente em todas as lições, assim como é o ponto central e vital do ensinamento de Jesus, que lá há mais de mil anos, quer cá no momento presente via Um Curso em Milagres: o perdão. Que vamos exercitar mais uma vez hoje.

Perdoa e verás tudo de modo diferente. É a partir de uma lição anterior, já lembrada, que podemos, mais uma vez, enriquecer as práticas da ideia de hoje.

A lição deste dia traz consigo uma oração para usarmos para, com ela, manifestarmos o desejo de devolver nossas mentes a Deus, já que não sabemos o que fazer com elas e as usamos de forma equivocada para criar experiências de dor, de sofrimento, de violência e de morte, em função de as usarmos para o julgamento de nós mesmos e de tudo e de todos no mundo.

Ora, como já disse outras vezes, um dos aspectos mais importantes práticas diárias é elas permitirem que exercitemos a compaixão para com nós mesmos, para com tudo e todos e para com o mundo inteiro. De acordo com o que diz Thomas Keating, no livro Invitation to Love, "muitas pessoas chegam à auto-consciência de si mesmas com baixa auto-estima e [por isso] sofrem de vários níveis de ódio a si mesmas".

Para ele, "este estado de espírito é orgulho invertido. Em lugar de buscarem auto-glorificação, essas pessoas se degradam porque não se sentem à altura da imagem de perfeição idealizada que sua auto-imagem exige. Quando deixam de atender a esse padrão impossível, o orgulho, não Deus, diz: 'Tu não vales nada!' Então, elas sentem vergonha por não estarem à altura de suas próprias expectativas elevadas que sua educação, cultura, ou impulso para super-conquistas criaram".

A ideia para as práticas de hoje vem exatamente atender a esta necessidade de que olhemos com mais compaixão, não só para os que vivem perto de nós e para o mundo todo, mas igual e particularmente para nós mesmos. Perdoando-nos por todo e qualquer equívoco, vendo o equívoco, seja ele qual for, apenas como um passo em nossa jornada, vamos poder abandonar a ideia do sofrimento como um "mal necessário" e vamos aprender que não há perda e que não há falta. Isto é, conforme o Curso ensina, tudo aquilo que nos falta é apenas aquilo que não estamos dando.

Às práticas?

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Aprendendo a abandonar a escolha do sofrimento


LIÇÃO 248

Qualquer coisa que sofra não faz parte de mim.

1. Eu rejeitei a verdade. Que eu seja agora igualmente honesto para rejeitar a falsidade. Qualquer coisa que sofra não faz parte de mim. Aquilo que se aflige não sou eu mesmo. Aquilo que sente dor é só uma ilusão em minha mente. Na realidade, aquilo que morre nunca viveu e apenas zomba da verdade acerca de mim mesmo. Agora renuncio a auto-conceitos e enganos e mentiras a respeito do Filho santo de Deus. Agora estou pronto para aceitá-lo de volta como Deus o criou e como ele é.

2. Pai, meu antigo amor por Ti volta e me permite amar também Teu Filho novamente. Pai, eu sou como Tu me criaste. Agora Teu Amor, e meu próprio amor, é lembrado. Agora compreendo que eles são o mesmo.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 248

Na exploração da ideia que vamos praticar hoje, vou me valer de partes de comentários feitos em anos anteriores, estendendo um pouco o raciocínio para ver se somos capazes de aprofundar a reflexão a respeito daquilo que o Curso quer que aprendamos com o pensamento que apresenta para nosso treino.

Como eu disse, então, as práticas para hoje devem ser feitas a partir de uma ideia muito interessante, a se considerar a forma como o mundo nos ensina. Isto é, desde muito pequenos fomos - somos e continuamos a ser de modo bastante insistente - ensinados que é preciso estudar muito, trabalhar muito, fazer muito sacrifício e suportar muito sofrimento para se chegar a algum lugar, para se obter algum sucesso, mesmo relativo na vida. Que se dirá, então, o que é necessário para se chegar à realização. Neste mundo.

E por que razão precisamos aprender isso? É, de fato, para se acreditar numa coisa dessas? E se houvesse outra forma de se chegar a algum lugar, de se alcançar o sucesso, que não envolvesse passar por qualquer tipo de sofrimento? Que não exigisse nenhum tipo de sacrifício? Ou que remetesse apenas às origens naturais e verdadeiras da palavra que vem de sagrado, de sacro (o)fício, isto é do fazer sagrado, que nada mais é do que nos voltarmos para a função que nos cabe neste mundo, a da salvação, que é viver no mundo a experiência da santidade, que nada mais é do que viver a partir da alegria completa e perfeita, a Vontade de Deus para nós?

Lembram-se de que em anos anteriores, ao comentar esta lição, separei algumas frases que fazem parte do repertório mais ou menos comum que recebemos de pessoas mais velhas, de professores, de pais, tios e avós, da sabedoria dita popular, ao longo de nossa jornada pela vida?

Ei-las aqui novamente para ilustrar as "sugestões" que recebemos de forma subliminar particular e de modo coletivo como modo de nos condicionarmos a aceitar a inevitabilidade do sofrimento: "O sofrimento é um mal necessário.", "Pau que nasce torto não tem jeito, morre torto.", "No pain, no gain.", que poderia ser traduzida como "Sem dor, não há crescimento." E há mais, não há amor sem sofrimento. A recompensa do amor é o sofrimento... e tantas outras. Acho que seria um bom exercício garimpar em nossa experiência este tipo de frase, para aprender a neutralizá-la, para varrê-las todas de nosso repertório.

Então, bem de acordo com o que nos ensina o Curso, e lembrando-nos de que "hipnose é sugestão aceita" ou "... é repetição, repetição, repetição", o que vocês acham que as frases que selecionei acima e outras, que ouvimos à exaustão, fazem com nossa mente? Ou o que vocês pensam que os publicitários têm em mente quanto produzem suas propagandas e as repetem milhares e milhares de vezes, repetindo a pergunta que fiz também em anos passados?

E repito uma vez mais a postagem de uma amiga no facebook que tem a ver com a ideia que praticamos hoje e diz o seguinte:

 "a única maneira de fluir com a vida, sem criar tensão, dores e sofrimentos (desnecessários), é aceitar tudo o que a vida nos dá, com profunda gratidão, pois tudo é como deve ser! Esta atitude, por si só, elimina qualquer sofrimento ou decepção..." 

Isto é estar inteiro e ter fé no amor infinito que cria a vida e que sempre conspira a nosso favor.

Assim, podemos aprender que tudo aquilo que sofre é apenas parte da ilusão do falso eu, o ego do Curso, com quem nos identificamos, mas que não é o que somos de verdade. Uma historinha a respeito de Sai Baba, contada por Wayne Dyer em um de seus livros, pode ilustrar melhor isto de que falamos. 

Diz ele, a certa altura, que uma amiga sua, que visitou por uma semana o ashram de Sai Baba, na Índia, ao voltar, escreveu a Wayne, dizendo-lhe ter ficado mortificada de ver Sai Baba em uma cadeira de rodas em razão de múltiplas fraturas em sua bacia. Dizia-lhe na carta que, de acordo com os médicos, nenhum corpo humano normal poderia sobreviver a tal agonia física. Mas Sai Baba permanecia pleno de bênçãos e completamente livre de sua condição física.

Continuando, ela contou que um devoto de Sai Baba lhe perguntou como é que um ser realizado em Deus, iluminado como ele tinha de passar pelo sofrimento físico. Por que ele não curava a si mesmo? E Sai Baba respondeu ao devoto:

Minha vida é minha mensagem. As pessoas, hoje, precisam aprender a abandonar o apego ao corpo e experimentar sua divindade interior. A dor é um fenômeno natural. Mas o sofrimento é uma "escolha". Eu não sofro, uma vez que eu não sou o corpo. 

O sofrimento só existe a partir do ego, este falso eu que pensamos ser. O sofrimento é uma escolha daqueles de nós que acreditam ser corpos, que acreditam na separação, na carência, na escassez, na falta e em tudo o que nos distancia de Deus, e do poder que é nossa herança de filhos. É daí que vem a necessidade das práticas. Para nos lembrarmos de nossa origem divina. Para voltarmos a experimentá-la no dia-a-dia.

Às práticas?

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O perdão dá a visão para sentir e viver a realidade


LIÇÃO 247

Sem perdão ainda serei cego.

1. O pecado é o símbolo do ataque. Vê-o em qualquer lugar e eu sofrerei. Pois o perdão é o único meio pelo qual a visão de Cristo vem a mim. Que eu aceite como a pura verdade o que a visão d'Ele me mostra e fique completamente curado. Irmão, vem a mim e deixa eu olhar para ti. Tua beleza reflete a minha. Tua inocência é minha. Tu estás perdoado e eu continuo contigo.

2. Hoje quero olhar para todos deste modo. Meus irmãos são Teus Filhos. Tua Paternidade os criou e os deu todos a mim como parte de Ti e também de meu próprio Ser. Hoje louvo a Ti por meio deles e, deste modo, espero reconhecer meu Ser neste dia.

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COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 247

Como já disse anteriormente, há uma lição que resume todo o ensinamento e todo o trabalho que, com as práticas, o Curso pede que façamos para aprender. Esta lição é a de número 193: Todas as coisas são lições que Deus quer que eu aprenda.

Mais interessante ainda é que a lição 193 traz em si uma ideia, um pensamento central, que está em perfeita sintonia com a ideia para nossas práticas de hoje. O Curso diz lá que todas as lições, esta inclusive, e a 193, se resumem a uma ideia central. A forma muda, mas o conteúdo básico de todas elas é o mesmo. E é o seguinte: Perdoa e verás isto de modo diferente.

Seja lá o que "isto" for, o Curso ensina que em toda situação, em todo acontecimento, quando não estamos em paz, ou quando estamos sofrendo, ou passando pela experiência da dor, é porque deixamos de perdoar alguma coisa, alguma pessoa, alguma situação. E o sentimento que experimentamos, que nos afasta da paz e da alegria, só se apresenta porque estamos cegos e não perdoamos.

É de vital importância lembrar também que só perdoamos a nós mesmos. Se vocês estiverem bem lembrados, lá no início da segunda parte do livro de exercícios, quando somos apresentados ao primeiro tema [O que é o perdão?] que vai nortear nossos primeiros dez passos nesse novo momento da jornada, somos convidados a reconhecer, a partir do perdão, que aquilo que pensamos que nosso irmão tinha feito a nós não aconteceu.

Mais: o perdão "não perdoa pecados e os torna reais. Ele vê que não houve nenhum pecado. E dessa perspectiva todos os teus pecados estão perdoados". Pois - ele pergunta - "o que é o pecado, a não ser uma ideia falsa acerca do Filho de Deus?". 

Não queremos aprisionar o Filho de Deus em uma ideia falsa, queremos? Não o queremos manter prisioneiro em um julgamento que não nos permita amá-lo e, por consequência, não nos permita amar o Pai. Como vimos ontem, é preciso que amemos o Filho de Deus em nós, antes de sermos capazes de manifestar nosso amor pelo Pai. 

E o Filho de Deus é cada um de nós. É a Filiação inteira. Somos todos nós. Quando negamos o perdão a um irmão, nós o estamos negando, primeiro, a nós mesmos e, em seguida, a toda a Filiação e por extensão ao Próprio Deus. É por isso que praticamos: Sem perdão ainda serei cego. Pois, de fato, o que nos impede de ver a realidade no mundo, a realidade em nós mesmos e a realidade em tudo e todos é a falta de perdão.

Perdoa e verás isto de modo diferente. Esta é a ideia em que precisamos nos concentrar, em sintonia com a que praticamos hoje, caso nos decidamos pela visão crística. Perdoa e verás o mundo e tudo o que há nele de modo diferente. Pois, afinal de contas, como já praticamos antes: Acima de tudo, eu quero ver de modo diferente. E só o perdão a mim mesmo e ao mundo inteiro é que pode me dar a visão que permitirá perceber, sentir, viver e experimentar a realidade.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Aprendendo a amar o Filho de Deus em nós mesmos


LIÇÃO 246

Amar meu Pai é amar Seu Filho.

1. Que eu não pense que posso achar o caminho para Deus, se tiver ódio em meu coração. Que eu não tente ferir o Filho de Deus e pensar que posso conhecer meu Pai ou meu Ser. Que eu não deixe de me reconhecer e ainda acredite que minha consciência pode conter meu Pai ou que minha mente pode compreender todo o amor que meu Pai sente por mim e todo o amor que retribuo a Ele.

2. Aceitarei o caminho que Tu escolheres para chegar a Ti, meu Pai. Pois nisso serei bem-sucedido, porque é Tua Vontade. E quero reconhecer que aquilo que Tu queres é também o que quero, e só isso. E, por isso, escolho amar Teu Filho. Amém.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 246

A ideia que vamos praticar hoje propõe uma reflexão a respeito da necessidade de que amemos a nós mesmos para sermos capazes de amar todos os filhos de Deus, e toda a criação, para podermos dizer, verdadeiramente, que O amamos.

Isto, é claro, depende de termos reconhecido, aceitado e acolhido em nós a ideia da unidade, que é o mesmo que abandonar de uma vez por todas a crença na separação; o único problema que precisamos resolver, de acordo com o ensinamento do Curso.

Para tanto é preciso que busquemos esvaziar a mente de tudo o que o mundo do falso eu nos ensinou. Ou, dito em outras palavras, é necessário que aprendamos a nos aquietar para nos tornarmos o reflexo e a manifestação de Deus na terra, para sermos e vivermos a expressão do divino, que é o que verdadeiramente somos.

Vejamos mais uma vez o que nos diz Paramahansa Yogananda a respeito disso:

"O reflexo da lua não pode ser visto claramente em águas agitadas, mas quando a superfície da águas está calma, aparece um reflexo perfeito da lua. O mesmo acontece com a mente: quando está calma, vê-se claramente refletida a face enluarada da alma. Nós, como almas, somos reflexos de Deus. Quando, por meio de técnicas de meditação [oração centrante, prática das lições, ou outro modo que escolhermos], eliminamos os pensamentos inquietos do lago da mente, contemplamos nossa alma - reflexo perfeito do Espírito - e compreendemos que a alma e Deus são Um." 

Ou o que o próprio Curso diz:

"A memória de Deus vem à mente silenciosa. Ela não pode vir aonde há conflito, pois uma mente em guerra contra si mesma não se lembra da benevolência eterna. Os meios da guerra não são os meios da paz e o que as pessoas voltadas para a guerra querem lembrar não é amor."

Se não formos capazes de aquietar a mente para que o amor venha à tona e se derrame sobre nós mesmos, não seremos capazes de amar o Filho de Deus e, por consequência, não amaremos Seu Pai, que é o mesmo nosso. É preciso, por isso, que amemos em primeiro lugar o Filho de Deus em nós mesmos.

É isso que a lição de hoje quer que pratiquemos.

Às práticas?

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Para experimentar, praticar e viver o instante santo


LIÇÃO 245

Tua paz está comigo, Pai. Estou seguro.

1. Tua paz me envolve, Pai. Aonde eu for, Tua paz vai comigo. Ela derrama sua luz sobre todos que encontro. Eu a levo aos abandonados e aos que sentem medo. Eu ofereço Tua paz àqueles que sentem dor, ou que se afligem pela perda, ou que pensam estar privados de esperança e de felicidade. Envia-os a mim, meu Pai. Deixa-me carregar Tua paz comigo. Pois quero salvar Teu Filho, como é Tua Vontade, para poder chegar a reconhecer meu Ser.

2. E então vamos em paz. Damos ao mundo inteiro a mensagem que recebemos. E, deste modo, vimos para escutar a Voz por Deus, Que nos fala enquanto anunciamos a Palavra d'Ele, Cujo Amor reconhecemos porque compartilhamos a Palavra que Ele nos dá.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 245

Da mesma forma que em anos anteriores, com palavras diferentes talvez, vou lhes propor que tratemos de aproveitar a lição e a ideia que o Curso nos oferece para as práticas de hoje, para buscar entender bem aquilo que o ensinamento chama de "o instante santo" e aprender ainda mais, se possível, a exercitá-lo cada vez mais no dia-a-dia.

Como eu disse também em vários comentários anteriores, exercitar o instante santo nada mais é do que buscar pôr em prática aquilo que o ensinamento chama de "comunicação perfeita". O tipo de comunicação que só pode acontecer quando estamos conscientes da presença divina em nós, conscientes da paz de Deus a nos envolver e nos sabemos em segurança, onde quer que estejamos, conforme a ideia que praticamos. 

E como ficar sempre mais conscientes da presença divina? Praticando as lições, buscando ficar em silêncio para ouvir a Voz por Deus, esvaziando a mente e deixando que os pensamentos que nos aturdem com seu turbilhão de ruídos silenciem para podermos perceber que, como diz Paramahansa Yogananda: 

Muito maior do que qualquer pessoa que tu ansiaste ser, é o que tu és. Deus Se manifesta em ti de um modo que não Se manifesta em qualquer outro ser humano; tua face é diferente da de qualquer outra pessoa; tua alma é diferente da de qualquer outra pessoa. Tu te bastas a ti próprio, pois dentro de tua alma está o maior de todos os tesouros: Deus. 

Para experimentar o instante santo e exercitá-lo, o que significa abandonar todo e qualquer aprendizado que o mundo já tenha oferecido e abrir-se para o novo, precisamos aprender a ficar atentos ao presente, atentos a nós mesmos e a tudo o que se passa conosco no instante mesmo em que estamos vivendo, qualquer que seja a experiência, a situação, a circunstância, ou, ainda, a pessoa que se apresenta. 

E, voltando ao que ensina Yogananda, para termos cada vez mais experiências do instante santo, precisamos aprender que:

A Auto-realização é o conhecimento - percebido mediante o corpo, a mente e a alma - de que somos um com a onipresença de Deus, de que não temos que orar para que ela venha a nós, de que não estamos, meramente, sempre próximos dela, mas de que a onipresença de Deus é nossa própria onipresença, de que somos partes d'Ele agora, tal qual sempre haveremos de ser.

É para isto, para chegar a desenvolver e viver a partir desta consciência e conhecimento, que praticamos. Hoje e todos os dias.

domingo, 1 de setembro de 2013

Não há perigo em lugar algum no mundo ou fora dele


LIÇÃO 244

Eu não corro perigo em nenhum lugar do mundo.

1. Teu Filho está seguro em qualquer lugar que esteja, porque Tu estás lá com ele. Ele só precisa chamar Teu Nome e se lembrará de sua segurança e de Teu Amor, pois são uma coisa só. Como ele pode ter medo ou duvidar ou deixar de saber que não pode sofrer, ficar em perigo ou experimentar a infelicidade, quanto pertence a Ti, amado e amoroso, na segurança de Teu abraço Paterno?

2. E, na verdade, é aí que estamos. Nenhuma tempestade pode alcançar o abrigo bendito de nosso lar. Estamos seguros em Deus. Pois o que pode vir a ameaçar o Próprio Deus ou amedrontar aquilo que será uma parte d'Ele para sempre?

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 244

A ideia para as práticas de hoje complementa e expande aquela de que nos valemos na última quarta-feira: O medo não se justifica de nenhuma forma [lição 240]. Ela convida a todos - e a cada um de nós - a um mergulho interior para buscar trazer à tona aquilo que ainda nos assusta, aquilo que, por alguma razão, reprimimos e que, agora, nos impede de viver a liberdade, a alegria e a paz completas que Deus quer para nós. 

Isto está diretamente relacionado a um dos textos do Curso, que diz o seguinte: "Tua tarefa não é buscar o amor, mas simplesmente buscar e achar todas as barreiras que construíste dentro de ti contra ele. Não é necessário buscar o que é verdadeiro, mas é necessários buscar o que é falso... [pois] a paz nunca virá da ilusão do amor, mas só de sua realidade".

É preciso, portanto, que não tenhamos medo de olhar para o relacionamento especial de ódio, pois a liberdade está em olhar para ele. Ainda de acordo com o texto, sem isso é impossível conhecer o significado do amor. Uma vez que não nos é possível limitar o ódio, é preciso que o reconheçamos ao olhar para dentro, para trazê-lo à consciência e lidar com ele de forma clara. Para podermos escolher o amor, que é o que queremos, porque é o que somos.

Para tanto, como eu já disse outras vezes, é preciso que nos conscientizemos de que não corremos perigo em momento algum e em lugar nenhum, nem mesmo no ponto mais profundo de nossas mentes. Não há nada em nós mesmos e em nenhum lugar do mundo que ofereça riscos àquilo que somos em Deus, com Ele. E só podemos ser n'Ele, com Ele. Pois fora d'Ele não há nada. Assim como não há nada fora de nós, conforme o Curso ensina.

Nem mesmo este mundo, repetindo, em que aparentemente vivemos, e que se apresenta, por vezes, tão cheio de riscos, tão imperfeito e caótico, pode oferecer nenhum perigo, pois ele não passa de sonho. Um sonho que sonhamos, pensando estar acordados, diferente daquele que sonhamos quando estamos dormindo, mas, de qualquer modo um sonho. Ou algum de nós acredite que alguma coisa daquilo que lhe mostra sua percepção é duradoura e vai se estender até a eternidade?

Se pusermos um pouco de nossa atenção naquilo que pensamos, vamos perceber que não temos medo de nada daquilo que acontece em nossos sonhos dormindo, mesmo quando o que acontece se apresenta de forma terrível e assustadora. E por que não temos medo, então? Simplesmente porque, em algum ponto de nós, sabemos que tudo o que estamos vivendo faz parte de um sonho e que logo vamos acordar em casa, em nosso quarto, em nossa cama, seguros e protegidos.

É preciso, porém, que demos ainda mais atenção a nossos pensamentos, que se multiplicam de forma vertiginosa a todo momento, mudando e mudando, e mudando, passando de um ponto a outro, de um assunto a outro, de uma questão a outra, de uma pessoa a outra, de uma visão a outra, de um modo de perceber a outro, de um problema a outro, detendo-se, às vezes, em um julgamento de nós mesmos que nos deprime e nos afasta da alegria, tira a nossa paz para, em seguida, alegrar-se com uma bobagem qualquer, com uma piada qualquer, com um dito espirituoso de alguém.

Dou-lhes novamente acesso à crônica de Clarice Lispector de que já falei algumas vezes aqui: "Se eu fosse eu..."? É para se pensar, será que se eu fosse eu, o mundo seria o que é? [Para quem não conhece a crônica, ela está no seguinte endereço:http://cirandadeestorias.blogspot.com/ e foi publicada em 25 de maio de 2009.]

Às práticas, pois. Para descobrir que não há perigo em lugar algum do mundo e nem mesmo fora dele!