quarta-feira, 27 de junho de 2012

O amor não depende de qualquer coisa que façamos



LIÇÃO 179

Deus é só Amor e, por isto, eu também.

1. (167) Há uma só vida e é esta que compartilho com Deus.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

2. (168) Tua graça me é dada. Eu a reivindico agora.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

*

COMENTÁRIO:

A ideia que envolve todos os pensamentos das lições que revisamos é o que nos define. É ela que assegura nossa condição de Filhos de Deus, que é só Amor e, por esta razão, nos garante a condição de filhos do Amor que não finda nunca e que ultrapassa a lógica e a necessidade de se lhe atribuir uma razão. Ou razões outras quaisquer, ou quaisquer outros motivos e explicações, que não apenas o amor.

O Amor - o nosso, o que somos, e o de Deus, que é só o que Ele é e que é só o que nós somos - independe de qualquer coisa que façamos [Lembram do "tu não precisas fazer nada"?]. Ele não cresce de qualquer coisa que alguém nos dá ou dá a Deus. Se fosse assim, o Amor flutuaria ao sabor dos gestos de alguém. "Teria razões e explicações. Se um dia nos faltassem os gestos", ou se eles faltassem a Deus, o Amor morreria "como flor arrancada da terra", para utilizar uma fala de Rubem Alves.

Para ele, repetindo o que disse em anos passados, "nada mais falso do que o ditado popular": amor com amor se paga. Pois, diz ele, "amor é estado de graça e com amor não se paga. O amor não é regido pela lógica das trocas comerciais. Nada te devo. Nada me deves. Como a rosa floresce porque floresce, eu te amo porque te amo". E Deus nos ama porque nos ama, porque "Deus é só Amor".

Ou, voltando mais uma vez ao poeta Carlos Drummond de Andrade, como já fiz antes: "Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no eclipse. Amor foge e a dicionários e a regulamentos vários... Amor não se troca... Porque amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo...".

Estes são pensamentos que podem enriquecer nossa reflexão desta quarta-feira, dia 27 de junho, levando-nos a olhar para as ideias que revisamos com a mente cheia de gratidão pela vida que compartilhamos com Deus e pela graça do Amor que Ele é e nos dá para sermos com Ele, n'Ele, sem pedir nada em troca.


Como vocês podem ver, este comentário, com modificações mínimas é quase que a repetição literal daqueles que fiz para esta lição nos dois últimos anos. Pareceu-me que valia a pena voltar a ele. O que vocês acham?



terça-feira, 26 de junho de 2012

"Os olhos... são a porta do engano; duvide deles."



LIÇÃO 178

Deus é só Amor e, por isto, eu também.

1. (165) Que minha mente não negue os Pensamentos de Deus.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

2. (166) Eu estou encarregado das dádivas de Deus.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

*

COMENTÁRIO:

As ideias que vamos revisar nesta terça-feira, 26 de junho, estão entre aquelas - como todas as que praticamos nesta primeira parte do livro - cujo objetivo é fazer com que desaprendamos e abandonemos os ensinamentos do mundo. Isto é, quando nos voltamos para o falso eu - o ego - acreditando no que ele diz e no pretenso poder que ele diz ter para nos ajudar a enfrentar o mundo e sair vencedores, o que fazemos, na realidade, é negar os Pensamentos de Deus. Pois o ego só existe quando acreditamos que nossa mente se pode dividir e existir separada da Mente de Deus.


Quando damos crédito à orientação do ego, reforçamos a crença na separação e nos sentimos perdidos, vítimas de um mundo imenso e ameaçador, onde o perigo, a doença e a morte se escondem em cada encruzilhada, em cada beco, em cada ponto dos caminhos pelos quais precisamos passar. Mais ainda. Os outros todos são nossos inimigos prontos a nos atacar e matar, para tirar proveito do pouco que temos, esquecidos de que somos nós - cada um de nós é - os encarregados de todas as dádivas de Deus e de que nada nos falta e que nada nem ninguém pode tirar proveito de nada que tenhamos. E de que só temos, de fato, aquilo que damos. 


Em nossa loucura chegamos ao ponto de rezar para que Deus nos dê algumas coisas, ou que afaste de nós os males que Ele nunca criou e nem sabe que existe, uma vez que ele apenas diz SIM a tudo o que escolhemos. 


Voltando à leitura do "livrinho" de Joel Goldsmith, vamos descobrir que ele diz que para se chegar à verdadeira oração precisamos nos perguntar: "dou crédito a meus olhos [ou a qualquer dos meus sentidos], ou dou crédito aos místicos do mundo [à Voz por Deus em meu interior], àqueles que, pelo contato intuitivo com Deus, tiveram a revelação de que o mal no mundo não existe como uma realidade, e que não há nenhuma lei de pecado e [de] enfermidade"?


Para Goldsmith, a oração verdadeira, a única que podemos fazer e que é eficaz, consiste em buscarmos aumentar em nós o desejo de nos tornarmos conscientes da realidade da presença de Deus. A única realidade que existe. A única presença que conta.


Aliás, se vocês estão lembrados, no finalzinho do comentário do ano passado a esta lição, de que me vali de texto de Guimarães Rosa, uma das frase dele dizia: "Os olhos [e os sentidos todos de forma geral] são a porta do engano; duvide deles..."


É para isso que praticamos. 


Às práticas?

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Só o ego [o falso eu] acredita na existência da morte



LIÇÃO 177

Deus é só Amor e, por isto, eu também.

1. (163) Não há morte. O Filho de Deus é livre.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

2. (164) Agora somos um com Aquele Que é nossa Fonte.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

*

COMENTÁRIO:

Nesta segunda-feira, dia 25 de junho, vamos revisar as ideias das lições 163 e 164. Revendo o comentário feito no ano passado para as práticas desta lição, podemos nos voltar para a ideia do quanto é interessante pensar que uma ideia complementa a outra e lhe dá sentido, mesmo raciocinando nos termos da lógica do ego. Pois toda a nossa prisão depende do fato de acreditarmos no ego quando ele nos diz que nossa liberdade só é possível na morte.

Logo, a se acreditar que a morte não existe, conforme diz Curso, contrariando a crença do ego, podemos ser livres. Mais ainda, lembrando de uma das ideias que revisamos ontem, se ainda somos como Deus nos criou, e se as ideias não deixam sua fonte, é bem possível acreditar que "agora somos um com Aquele Que é nossa Fonte". Não lhes parece?

E, repetindo a pergunta feita anteriormente, quem é o Filho de Deus a não ser não cada um de nós mesmos, na verdade?

Ora, o Curso, como já disse várias vezes antes, sem sombra de dúvida, nos oferece tudo aquilo de que precisamos para viver o que somos, sem medo. Mormente se nos deixarmos envolver pelas ideias que ele nos oferece, sem resistências, certos de que a Voz por Deus [a que só podemos ter acesso, voltando-nos para o interior de nós mesmos], que sabe qual é a Vontade d'Ele para nós, nos garante que a Vontade de Deus e a nossa são uma única e mesma vontade.

Envolvendo, então, as ideias para as práticas de hoje no pensamento de que "Deus é só Amor" e que, por isto, é só Amor que somos também, vamos aproveitar ainda para refletir acerca de algumas das ideias que podem mais facilmente nos libertar de tudo aquilo que a crença na separação gera. Entre elas: acima de tudo eu quero ver [as coisas de modo diferente], Deus vai comigo aonde eu for, não há nada a temer e eu sou como Deus me criou.

domingo, 24 de junho de 2012

Para abandonar o desejo de "engaiolar o outro"



LIÇÃO 176

Deus é só Amor e, por isto, eu também.

1. (161) Dá-me tua bênção, Filho santo de Deus.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

2. (162) Eu sou como Deus me criou.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

*

COMENTÁRIO:

O Curso traz mais duas ideias importantes para nossa revisão neste domingo, dia 24 de junho. E peço-lhes que me desculpem repetir, mas acho que o comentário feito nos dois últimos anos ainda é pertinente e vale também ser revisto, com pequenas modificações. Vocês se incomodam?

 A quem podemos imaginar que pedimos a bêncão? A quem senão a cada uma das pessoas que povoam nosso mundo? Mas acreditamos que elas nos podem abençoar? Somos capazes de vê-las como o Filho santo de Deus, depois de todas as características, qualidades e defeitos, que lhes atribuímos, acreditando de maneira equivocada no falso eu - o ego do Curso - e em seus conselhos baseados na crença em uma separação que, na verdade, nunca existiu?

A segunda ideia que revisamos talvez se revele o melhor caminho para voltarmos a ver cada uma das pessoas que povoam nosso mundo como o Filho santo de Deus. Pois, se acreditarmos que ainda somos como Deus nos criou, vai ser impossível vê-las de modo diferente. Não acham?

Rubem Alves, em uma de suas crônicas, diz que, no ego, nosso desejo é sempre o de "engaiolar o outro e levá-lo pelos caminhos que são nossos. Isso vale para tudo: marido-mulher, pai-filha, mãe-filho, patrão-empregado, professor-aluno...". Mas há uma saída, ainda de acordo com ele, "que sugere a possibilidade de uma relação sem gaiolas", está em "um pequeno poema de Pearls":

Eu sou eu.
Você é você.
Eu não estou neste mundo para atender
às suas expectativas.
E você não está neste mundo para atender
às minhas expectativas.
Eu faço a minha coisa.
Você faz a sua.
E quando nos encontramos.
É muito bom.



As práticas das ideias que revisamos hoje, envoltas na ideia de que também somos amor porque Deus é só Amor, podem nos levar à compreensão de que, de fato, ainda somos como Deus nos criou e de que todas as pessoas que se apresentam a nós em qualquer ocasião de nossas vidas são o Filho santo de Deus que veio para nos abençoar. Mesmo que de uma forma que ainda não somos capazes de compreender.


Lembram-se da primeira lei espiritual que se ensina na Índia: "a pessoa que vem é a certa" [Sempre!]?

sábado, 23 de junho de 2012

Uma visão que devemos compartilhar com todos



LIÇÃO 175

Deus é só Amor e, por isto, eu também.

1. (159) Dou os milagres que recebo.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

2. (160) Estou em casa. O medo é o estranho aqui.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

*

COMENTÁRIO:

Neste sábado, dia 23 de junho, vamos revisar mais dois pensamentos das lições recentes com o intuito de nos aproximarmos cada vez mais da nova fase da compreensão que está logo adiante, a nossa espera, na segunda parte do Livro de Exercícios.

Da mesma forma que nos dois últimos anos, vou convidá-los às práticas de hoje, tendo em mente dois pontos do último capítulo do livro texto, que têm muito a ver com as ideias que revisamos e dizem o seguinte:


Não penses que por acaso se encontra a felicidade seguindo uma estrada que se afaste dela. Isto não faz nenhum sentido e não pode ser o caminho. Para ti, que pareces achar este curso difícil demais para aprender, deixa-me repetir que para atingires uma meta tens de ir na sua direção, não na direção contrária. E toda estrada que conduz a outra direção não beneficiará o objetivo a ser alcançado. Se isto é difícil de entender, então é ímpossível compreender este curso. Mas apenas neste caso. Pois, caso contrário, ele é apenas um ensinamento básico do óbvio [T-31.IV.7].


Trago aos teus olhos cansados a visão de um mundo diferente; tão novo, luminoso e fresco, que tu te esquecerás da dor e do sofrimento que viste antes. No entanto, essa é uma visão que deves compartilhar com todos que vires, pois do contrário não a contemplarás. Dar essa dádiva é o modo de torná-la tua [T-31.VIII.8:4-6]. 

Uma última observação a respeito da necessidade do compromisso com os exercícios e da razão pela qual o Curso nos oferece as lições para as práticas, valendo-me das palavras de Bhagwan Shree Rajneesh: "Um compromisso é um ponto sem retorno... tudo o que é lindo na vida vem através de um compromisso." Ou ainda, "o comprometimento [nos] leva ao próprio centro das coisas".


Às práticas?

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Um remédio milagroso para eliminar o vício no ego



LIÇÃO 174

Deus é só Amor e, por isto, eu também.

1. (157) Quero entrar na Sua Presença agora.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

2. (158) Hoje aprendo a dar como recebo.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

*

COMENTÁRIO:

Vou manter o comentário feito para esta lição nos dois últimos anos. Entendo, ao relê-lo, que ele continua a ser pertinente e pode nos levar a aprofundar a reflexão a respeito das duas ideias que vamos revisar hoje.

As ideias que revisamos nesta sexta-feira, dia 22 de junho, nos levam a refletir a respeito das escolhas que fazemos a todo instante, a maior parte das vezes de forma inconsciente, porque os efeitos delas fazem que nos perguntemos com frequência, como Paulo, em uma das cartas nos Evangelhos, se não estou enganado, "por que faço o mal que não quero, e não o bem que quero"?

Eckhart Tolle, em seu livro O Poder do Silêncio, diz o seguinte: "O ego precisa estar em conflito com alguém ou com alguma coisa. Isso explica por que, apesar de você querer, paz, alegria e amor, não consegue suportar a paz, a alegria e o amor por muito tempo. Você diz que quer ser feliz, mas está viciado em ser infeliz".

Eis aí a questão! Estamos viciados no ego. E, embora digamos a nós mesmos muitas vezes que queremos algo diferente, dizemo-lo apenas da boca para fora, de forma irrefletida e inconsciente, porque ainda não sabemos, de fato, o que queremos. E temos muito medo de escolher errado. E mais medo ainda de escolher certo.

O que nos resta fazer, então? Aprender mais a respeito de nosso vício, para trazê-lo à consciência e reconhecer todos os efeitos de sua presença em nossa vida. Pois, ainda de acordo com Tolle, no mesmo livro, nossa infelicidade não vem dos fatos da vida, mas do condicionamento de nossas mentes.

As práticas diárias das ideias que o Curso nos oferece, bem como outras práticas que busquem nos pôr em contato com nós mesmos, com o Ser, com o divino em nós, são um remédio milagroso para eliminar o vício que aprendemos com o mundo, eliminando também, por consequência, todos os seus efeitos e permitindo que experimentemos a paz de Deus.

Duvidam? Todos nós já passamos por uma situação na qual "perdemos as estribeiras", isto é, uma situação em que reagimos de uma forma que nos surpreende por completo. Ao relatá-la, depois de passado algum tempo, costumamos dizer: "aquilo me deixou completamente fora de mim". Na verdade, salvo alguns "instantes santos" é assim que vivemos no ego a maior parte do tempo. E dizemos também: "quando caí em mim" percebi o estrago, mas já era tarde demais.

O que significa "estar fora de si", senão inconsciência, não estar no agora, não estar presente por inteiro na situação, não estar em Deus? E "cair em si" não é a mesma coisa que recobrar a consciência, estar presente, estar em Deus, na Sua Presença?

Aproveitemos, pois, as ideias das práticas da revisão de hoje para "entrar na Sua Presença", aprender a ficar Nela e a compartilhá-la com todos aqueles a quem vamos encontrar neste dia, oferecendo-lhes a Presença, da mesma forma que A recebemos.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Deus só pode doar a Si Mesmo


LIÇÃO 173

Deus é só Amor e, por isto, eu também.

1. (155) Recuarei e permitirei que Ele mostre o caminho.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

2. (156) Caminho com Deus em perfeita santidade.
Deus é só Amor e, por isto, eu também.

*

COMENTÁRIO:

Nesta quinta-feira, dia 21 de junho, vamos continuar nossa revisão dedicando atenção a mais duas das ideias das lições recentes, que vamos envolver na ideia de que "Deus é só Amor e, por isto eu também", conforme a orientação que recebemos ao início deste período.

Para auxiliar nossas práticas, vejamos mais algumas ideias que Goldsmith expõe em seu "livrinho", cuja leitura pode nos surpreender. E muito. Podemos pensar que sabemos o que fazer, aonde ir e o que queremos, a partir do que nos diz o falso eu - o ego do Curso. Entretanto, tudo o que alcançamos até agora não nos trouxe, nem de longe a satisfação, a paz que julgávamos que alcançaríamos ao conseguir determinada realização. Isso se dá porque, na verdade, ainda funcionamos no mundo pensando que estamos separados de Deus. Preocupados com o passado, um tempo que já não existe ou com o futuro, que ainda não existe.


Precisamos aprender e trazer sempre em mente, na medida do possível, que tudo o que podemos fazer é apenas o que fazemos agora, neste momento, no presente. Do mesmo modo, Goldsmith, falando da natureza de Deus afirma que "o que Deus não está fazendo agora mesmo não o poderá fazer nunca e ninguém o pode levar a fazê-lo". Diz mais que "nunca houve um tempo em que Deus não existisse e, mesmo da limitada perspectiva do olhar humano, isso significa que também nunca haverá um tempo que Deus vai deixar de existir. Desta convicção nasce a consciência de que Deus é eterno. Da mesma forma não há nenhum lugar em que Deus não exista".


Em sintonia com a primeira das ideias que revisamos, Goldsmith diz que "quem compreende a natureza de Deus não pode nunca lhe pedir coisa alguma. Sabe que Deus só pode doar a Si Mesmo e este dom é suficiente para todas as nossas necessidades. Um Deus diferente deste é uma fábula inventada pelos homens".


Assim é que podemos pensar e praticar também a segunda das ideias para a revisão de hoje, com a convicção de que tudo o que podemos fazer é nos permitirmos caminhar com Deus "em perfeita santidade", uma vez que, como já vimos em lição anterior, Deus vai conosco aonde formos. 


Não será, pois, uma alegria praticar com tal convicção?