quarta-feira, 13 de junho de 2012

Há, nas mentes, um espaço intocado pela ilusão



LIÇÃO 165

Que minha mente não negue o Pensamento de Deus.

1. O que faz este mundo parecer real exceto tua própria negação da verdade que está além? O que a não ser teus pensamentos de amargura e morte esconde a felicidade completa e a vida eterna que teu Pai deseja para ti? E o que poderia esconder o que não pode ser oculto exceto a ilusão? O que poderia afastar de ti aquilo que já tens exceto tua escolha de não o ver, negando que ele existe?

2. O Pensamento de Deus te criou. Ele não te abandonou, nem nunca ficas separado dele nenhum instante. Ele te pertence. Vives por ele. Ele é tua Fonte de vida, mantendo-te uno com ela, e todas as coisas são uma só contigo porque ele não te abandonou. O Pensamento de Deus te protege, cuida de ti, torna macio teu lugar de descanso e suave teu caminho, iluminando tua mente com felicidade e amor. A eternidade e a vida eterna brilham em tua mente, porque o Pensamento de Deus não te abandona e ainda mora contigo.

3. Quem negaria sua segurança e sua paz, sua alegria, sua cura e sua paz de espírito, seu descanso tranquilo, seu despertar calmo, se simplesmente reconhecesse o lugar aonde eles habitam? Ele não se prepararia imediatamente para ir até onde eles se encontram, abandonando tudo o mais como sem valor em comparação a eles? E os tendo encontrado não se certificaria de que ficassem consigo e de que ele permanecesse com eles?

4. Não negues o Céu. Ele é teu hoje, basta pedir. E também não precisas perceber quão grande é a dádiva, quão mudado estará teu modo de pensar antes que ela venha a ti. Pede para receber e te é dado. A convicção está nele. Até que o acolhas como teu, a incerteza permanece. No entanto, Deus é justo. Não se exige certeza para receberes aquilo que só a tua aceitação pode conceder.

5. Pede com desejo. Não precisas ter certeza de que pedes a única coisa que queres. Mas, quando a receberes, terás certeza de que tens o tesouro que sempre buscaste. O que, então, trocarias por ele? O que te levaria agora a deixar que ele desaparecesse de tua visão em êxtase? Pois esta visão prova que trocaste tua cegueira pelos olhos de Cristo, que veem; tua mente veio abandonar a negação e aceitar o Pensamento de Deus como tua herança.

6. Agora toda a dúvida passou, o fim da jornada está certo e a salvação te é dada. Agora o poder de Cristo está em ti, para curares como foste curado. Pois agora está entre os salvadores do mundo. Teu destino é aí e em nenhum outro lugar. Deus consentiria em permitir que Seu Filho permanecesse eternamente faminto por sua negação do alimento de que precisa para viver? A abundância habita nele e a privação não pode separá-lo do Amor de Deus, que anima, e de seu lar.

7.Pratica com esperança hoje. Pois, de fato, a esperança se justifica. Tuas dúvidas não têm sentido, pois Deus é certo. E o Pensamento d'Ele nunca está ausente. A certeza tem de morar dentro de ti, que és o anfitrião d'Ele. Este curso elimina todas as dúvidas que colocas entre Ele e tua certeza d'Ele.

8. Contamos com Deus e não com nós mesmos para nos dar segurança. E, em Nome d'Ele, praticamos conforme Sua Palavra nos orienta a fazer. A certeza d'Ele está acima de qualquer dúvida. O Amor d'Ele permanece além de todo o medo. O Pensamento d'Ele ainda está além de todos os sonhos em está em nossas mentes, de acordo com Sua Vontade.

*

COMENTÁRIO:

Ao final da lição 163, a desta segunda-feira, o Curso nos ofereceu uma breve oração, que pode - e deve - ser utilizada nos vários momentos de nossas vidas em que a dúvida resolver se instalar para nos desviar da decisão tomada em favor das práticas que nos podem levar ao autoconhecimento e, por consequência, ao conhecimento de Deus em nós. Diz ela:


Abençoa nossos olhos hoje, Pai Nosso. Somos Teus mensageiros e queremos olhar para o reflexo glorioso de Teu Amor que resplandece em todas as coisas. Vivemos e nos movemos em Ti apenas. Não estamos separados de Tua vida eterna. A morte não existe, porque a morte não é a Tua Vontade. E habitamos o lugar em que nos colocaste, na vida que compartilhamos Contigo e com todas as coisas vivas, para sermos iguais a Ti, e partes de Ti para sempre. Aceitamos Teus Pensamentos como nossos e nossa vontade está eternamente em unidade com a Tua. Amém.


É com isto que sugiro que continuemos nossas práticas, nesta quarta-feira, dia 13 de junho, depois da ideia praticada ontem, que nos convidou a lembrar mais uma vez que não podemos nos separar de nossa Fonte. A lição de hoje traz consigo, de novo, a oportunidade de exercitarmos a decisão de aceitar e de ficar em contato permanente com o Pensamento de Deus em nós. O único Pensamento que dá sentido à existência e nos permite andar por este mundo de ilusões de forma serena e tranquila. Em paz, na certeza da alegria e da felicidade completas que são a Vontade de Deus para todos e cada um de nós.

Lá no fundo de nossa mente, conforme já disse antes, por maior que seja a nossa crença na separação, que criou todo este mundo de ilusões, há um espaço intocado pela ilusão, um espaço que nos leva sempre a buscar a verdade, a buscar conhecer-nos. É neste lugar que nossa mente sabe que somos Pensamentos de Deus, que nossa vontade e d'Ele são uma só e que estamos em contato permanente com Ele. É esta parte de nossa mente que sabe que tudo o que precisamos fazer é reconhecer isto para receber e aceitar a visão de Cristo em nós, para ver no mundo apenas um instrumento que nos permita viver a alegria e a felicidade perfeitas.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Nada pode ser feito senão no presente, no agora.



LIÇÃO 164

Agora somos um com Aquele Que é nossa Fonte.

1. Em que momento senão agora a verdade pode ser reconhecida? O presente é o único tempo que existe. E chegamos, por isto, hoje, neste instante, agora, para olhar para aquilo que existe para sempre; não em nossa visão, mas aos olhos de Cristo. Ele olha para além do tempo e vê a eternidade tal como ela se apresenta aí. Ele ouve os sons que o mundo sem sentido e agitado engendra, mas Ele os ouve vagamente. Pois, além deles todos, Ele ouve a melodia do Céu e a Voz por Deus mais clara, mais significativa, mais próxima.

2. O mundo se desvanece facilmente diante de Sua visão. Seus ruídos se tornam indistintos. Uma melodia de muito longe do mundo fica cada vez mais distinta; um chamado antigo ao qual Ele dá uma resposta antiga. Tu os reconhecerás a ambos pois são apenas tua resposta ao Chamado de teu Pai a ti. Cristo responde por ti refletindo teu Ser, utilizando tua voz para dar Seu consentimento feliz, aceitando tua liberação por ti.

3. Quão santa é tua prática hoje, quando Cristo te dá Sua visão e ouve por ti, e responde ao Chamado que Ele ouve em teu nome! Quão sereno é o instante que ofereces para passar com Ele, distante do mundo. Quão facilmente se esquecem todos teus pretensos pecados e se apagam todas as tuas tristezas. Neste dia abandona-se a aflição, pois visões e sons que chegam de um ponto mais próximo do que o mundo ficam claros para ti que, hoje, desejas aceitar as dádivas que Ele oferece.

4. Há um silêncio no qual o mundo não pode se intrometer. Há uma paz antiga que levas em teu coração e que não perdes. Há em ti uma sensação de santidade que o pecado não toca nunca. Tu te lembrarás de tudo isto hoje. A fidelidade na prática hoje trará recompensas tão grandes, e tão completamente diferentes de todas as coisas que buscaste antes, que saberás que teu tesouro está aqui e que aqui está teu descanso.

5. Este é o dia em que fantasias vãs se abrem como uma cortina para revelar o que há além delas. Agora, aquilo que existe realmente se faz visível, enquanto todas as sombras que pareciam escondê-lo simplesmente desaparecem. Agora se atinge o equilíbrio e a balança do julgamento é entregue Àquele Que julga verdadeiramente. E, no julgamento d'Ele, um mundo de perfeita inocência se desdobrará diante dos teus olhos. Agora tu o verás com os olhos de Cristo. Agora sua transformação está clara para ti.

6. Irmão, este dia é sagrado para o mundo. Tua visão, que te foi dada de muito além de todas as coisas neste mundo, volta seu olhar para elas sob uma nova luz. E o que vês vem a ser a cura e a salvação do mundo. O valioso e o sem valor são percebidos e reconhecidos por aquilo que são. E o que é digno de teu amor recebe teu amor, enquanto não sobra nada para se temer.

7. Não julgaremos hoje. Receberemos apenas o que nos é dado pelo julgamento feito além do mundo. Nossa prática de hoje se torna a dádiva de gratidão por nossa libertação da cegueira e do sofrimento. Tudo o que vemos só aumentará nossa alegria, porque sua santidade reflete a nossa. Estamos perdoados na visão de Cristo, com o mundo todo perdoado na nossa. Abençoamos o mundo, ao vê-lo na luz em que nosso Salvador olha para nós e lhe oferece a liberdade que nos é dada por Sua visão de perdão, e não por nossa própria visão.

8. Abre as cortinas em tua prática abandonando simplesmente todas as coisas que pensas querer. Põe de lado teus tesouros insignificantes e deixa um espaço claro e aberto em tua mente ao qual Cristo pode vir e te oferecer o tesouro da salvação. Ele necessita de tua mente mais sagrada para salvar o mundo. Este propósito não é digno de ser teu? Não vale a pena buscar a visão de Cristo acima das metas insatisfatórias do mundo?

9. Não deixes que o dia de hoje passe sem que as dádivas que ele contém para ti recebam teu consentimento e tua aceitação. Podemos mudar o mundo se tu as reconheceres. Talvez não percebas o valor que tua aceitação dá ao mundo. Mas certamente queres isto: poder trocar todo o sofrimento pela alegria neste dia mesmo. Pratica com seriedade e a dádiva é tua. Deus te enganaria? A promessa d'Ele pode falhar? Podes te recusar a tão pouco, quando a Mão d'Ele oferece a salvação completa a Seu Filho?

*

COMENTÁRIO:

A ideia para nossas práticas desta terça-feira, dia 12 de junho, apenas revela algo que nunca mudou. Algo que precisamos incluir em nossos pensamentos de todos os dias e algo a que precisamos nos acostumar de novo. A verdade a nosso próprio respeito. A respeito daquilo que somos na verdade. Na unidade. E por não estarmos acostumados à verdade depois de tanto tempo aprendendo e praticando a ilusão é que precisamos das práticas que o Curso oferece. Aliás, há um grupo de estudos de UCEM na internet que se vale da expressão "Todo dia é dia de treino" como forma de não perder de vista a necessidade de nos exercitarmos constantemente.

Em todo o caso não custa chamar a atenção, tantas vezes quanto possível, para o fato de que somos um com Aquele Que é nossa Fonte, como nos lembra a ideia da lição de hoje. Agora e sempre. A separação em que o falso eu - o ego, para o Curso - acredita não aconteceu. Não há e nunca haverá nenhuma possibilidade de nos separarmos de Deus. E se alguma vez imaginamos que isso é possível é apenas porque nos distraímos de nós mesmos. Por alguns instantes nos distraímos do fato de que somos um com Deus permanentemente. Distraímo-nos de nós mesmos e pensamos ser possível nos separarmos de nossa Fonte,  e da unidade com tudo o que existe.

Nosso equívoco se deve principalmente ao fato de que pensamos no tempo de forma linear. Isto é, pensamos existir um tempo que passou, o passado, um tempo que acontece agora, o presente, e um tempo que será decorrente destes, o futuro. E, a maior parte do tempo, vivemos entre o passado e o futuro sem nos darmos conta de que, como a lição nos diz hoje, o presente é o único tempo que existe. Além disso, muitas vezes sentimos saudades do passado ou atribuímos a fatos que acreditamos terem acontecido lá os resultados do que vivemos agora, esquecendo-nos de que só podemos fazer nossas escolhas no presente. Outras vezes, deixamos de estar presentes porque navegando na fantasia da construção imaginária de um futuro que possa ser melhor do que o que vivemos agora.

Ora, não há nada que possamos fazer em algum tempo que não seja agora. Que tal praticar, pois, com esta ideia em mente?

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O medo se deve à ilusão que diz que somos mortais



LIÇÃO 163

Não há morte. O Filho de Deus é livre.

1. A morte é uma ideia que assume muitas formas, muitas vezes não reconhecidas. Pode se apresentar como tristeza, medo, ansiedade ou dúvida; como raiva, descrença e falta de confiança; cuidado com corpos, inveja e todas as formas em que o desejo de seres como não és possa vir a te tentar. Todos estes pensamentos são apenas reflexos da adoração da morte como salvadora e doadora da liberação.

2. Personificação do medo, anfitrião do pecado, deus da culpa e senhor das ilusões e enganos, o pensamento da morte parece, de fato, poderoso. Pois ela parece manter todas as coisas vivas ao alcance de sua mão ressequida; todas as esperanças e desejos sob sua influência maléfica; todas as metas percebidas apenas sob a influência de seus olhos invisíveis. O frágil, o desamparado e o doente se curvam diante de sua imagem, pensando que só ela é real, inevitável, digna de sua confiança. Pois só ela virá com certeza.

3. Todas as coisas a não ser a morte são vistas como incertas, perdidas muito rapidamente apesar de difíceis de ganhar, duvidosas em seus resultados, inclinadas a frustrar as expectativas que geraram em algum momento e a deixar o gosto de pó e de cinzas em seu rastro, em lugar das aspirações e dos sonhos. Só se pode contar com a morte. Pois ela virá com passos seguros quando chegar o momento de sua vinda. Ela nunca deixará de tomar toda vida como refém de si mesma.

4. Tu te curvarias diante de ídolos como este? Nisto se percebe a força e o poder do Próprio Deus no interior de um ídolo feito de pó. Nisto se anuncia o opositor de Deus como senhor de toda a criação, mais forte do que a Vontade de Deus em favor da vida, da infinitude do amor e da constância perfeita e imutável do Céu. Nisto derrota-se finalmente a Vontade do Pai e a do Filho, que são enterradas sob a lápide que a morte coloca sobre o corpo do Filho santo de Deus.

5. Pecaminoso na derrota, ele se torna o que a morte quer que ele seja. Seu epitáfio, que a própria morte escreve, não lhe atribui nenhum nome, pois ele se transforma em pó. Ele diz apenas isto: "Aqui jaz uma testemunha de que Deus está morto". E ela escreve isto vezes sem conta enquanto, o tempo todo, seus adoradores concordam e, ajoelhando-se com a fronte no chão, sussurram que é verdade.

6. É impossível adorar a morte sob qualquer forma e mesmo assim escolher algumas que não apreciarias e que ainda evitarias, embora ainda acreditasses nas demais. Pois a morte é total. Ou todas as coisas morrem ou, ao contrário, elas vivem e não podem morrer. Nenhuma transigência é possível. Pois aqui, mais uma vez, percebemos uma posição evidente que temos de aceitar se formos sãos; aquilo que contradiz uma ideia por completo não pode ser verdadeiro, a menos que seu contrário se prove falso.

7. A ideia da morte de Deus é tão absurda que até mesmo os loucos têm dificuldade em acreditar nela. Pois ela pressupõe que Deus estava vivo uma vez e de alguma forma pereceu; morto, aparentemente, por aqueles que não queriam que Ele sobrevivesse. A vontade mais forte deles pôde triunfar sobre a d'Ele e, por isso, a vida eterna deu lugar à morte. E, com o Pai, morreu também o Filho.

8. Os adoradores da morte podem ter medo. E, não obstante, pensamentos como estes podem ser amedrontadores? Se eles percebessem que é apenas nisto que acreditam, seriam liberados imediatamente. E tu lhes mostrarás isto hoje. Não há morte e nós renunciamos a ela agora sob todas as formas, para a salvação dele e para a nossa própria salvação também. Deus não fez a morte. Por isto, qualquer forma que ela assuma tem de ser ilusão. É esta posição que tomamos hoje. E nos é dado olhar para além da morte e ver, adiante, a vida.

9. Abençoa nossos olhos hoje, Pai Nosso. Somos Teus mensageiros e queremos olhar para o reflexo glorioso de Teu Amor que resplandece em todas as coisas. Vivemos e nos movemos em Ti apenas. Não estamos separados de Tua vida eterna. A morte não existe, pois a morte não é a Tua Vontade. E nós habitamos no lugar aonde Tu nos colocaste, na vida que compartilhamos Contigo e com todas as coisas viva, para sermos iguais a Ti, e partes de Ti para sempre. Nós aceitamos Teus Pensamentos como nossos e nossa vontade está eternamente em unidade com a Tua. Amém.

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COMENTÁRIO:

Mais uma vez vou repetir o comentário feito para esta lição em ano passados. Acho-o bastante pertinente à questão e às práticas de que precisamos para continuar a caminhada na direção da meta que o Curso nos propõe. Aí vai, portanto.

Todo o medo que nos mantém acorrentados e presos a um mundo de ilusões, e nos impede de ser o que somos em todas as circunstâncias e em todos os momentos de nossa vida, desaparecerá como que por um passe de mágica, quando acreditarmos, de verdade, na ideia que o Curso nos convida a praticar nesta segunda-feira, dia 11 de junho.

Não há morte! Ora, todo o medo que experimentamos na ilusão a que chamamos de vida se origina da ideia de que somos mortais, perecíveis como tudo o que vemos neste mundo. Afinal, já "vivemos" o bastante para saber que tudo aquilo que tocamos hoje amanhã pode deixar de existir na forma. Pois "tudo muda o tempo todo no mundo", conforme diz a canção. Mas, se, de fato, não há morte, se acreditássemos mesmo nisto, não haveria nada a temer, como nos diz uma lição que já praticamos.

O Filho de Deus é livre. É claro que, se o que nos aprisiona e nos mantém acorrentados à ilusão é o medo da morte, se aprendermos que não há morte, nos tornamos livres, como sempre fomos. Pois o limitado e prisioneiro é apenas uma ideia equivocada de nós mesmos, uma ilusão que pensamos viver e que ocupa o lugar legítimo do Filho de Deus, enquanto acreditamos na separação. Não é o que nós mesmos somos que vive esta ilusão. É uma entidade que não existe, ilusória, assim como a morte.

Ao praticar com dedicação e alegria a ideia de hoje, vamos deixar que o Filho de Deus em nós se apresente e assuma o lugar usurpado por um ser que não existe, aparentemente com nossa concordância a partir da crença no equívoco e na ilusão de imaginar que podemos ser diferentes daquilo que somos verdadeiramente, esquecendo-nos de que somos, e seremos sempre, como Deus nos criou, conforme nos ensinou a lição de ontem.

domingo, 10 de junho de 2012

Em que medida queremos mudar o modo de ver?



LIÇÃO 162

Eu sou como Deus me criou.

1. Este único pensamento, mantido na mente de forma decidida salvaria o mundo. Vamos repetí-lo de vez em quando, quando alcançarmos outro estágio no aprendizado. Ele significará muito mais para ti à medida que avançares. Estas palavras são sagradas, pois são as palavras que Deus deu em resposta ao mundo que fizeste. A partir delas o mundo desaparece e todas as coisas, vistas nas nuvens sombrias e ilusões fúteis dele, desaparecem assim que se diz estas palavras. Pois elas vêm de Deus.

2. Eis aqui a Palavra por meio da qual o Filho Se tornou a felicidade do Pai, Seu Amor e Sua completude. Aqui se anuncia e se exalta a criação tal como ela é. Não há nenhum sonho que estas palavras não dissipem, nenhuma ideia de pecado e nenhuma ilusão que o sonho contenha que não se desvaneçam diante de sua força. Elas são as trombetas do despertar que ressoam pelo mundo. Os mortos despertam em resposta a seu chamado. E os que vivem e ouvem estes sons nunca verão a morte.

3. Na verdade, aquele que torna suas estas palavras é santo, despertando com elas em sua mente, lembrando-se delas ao longo do dia, trazendo-as consigo à noite quando for dormir. Seus sonhos são felizes e seu descanso seguro, sua segurança está garantida e seu corpo curado, porque ele sempre dorme e acorda com a verdade diante de si. Ele salvará o mundo, porque dá a ele o que recebe cada vez que pratica as palavras da verdade.

4. Hoje praticamos de modo simples. Pois as palavras que usamos são poderosas e não precisam de nenhuma ideia além de si mesmas para mudar a maneira de pensar daquele que as usa. Ela muda de forma tão completa que é agora a sala do tesouro na qual Deus deposita todas as Suas dádivas e todo o Seu Amor, para serem distribuídos ao mundo inteiro, aumentando ao serem dados, mantidos completos porque seu compartilhar é ilimitado. E, desta forma, aprendes a pensar com Deus. A visão de Cristo devolve tua visão salvando tua mente.

5. Nós te exaltamos hoje. É teu o direito à santidade perfeita que aceitas agora. Com esta aceitação, traz-se a salvação para todos, pois quem poderia apreciar o pecado quando santidade como esta abençoa o mundo? Quem poderia se desesperar se a alegria perfeita é tua, acessível a todos como a cura da tristeza e do sofrimento, de toda sensação de perda, e para a liberação completa do pecado e da culpa?

6. E quem não quer ser teu irmão agora; tu, seu redentor e salvador. Quem poderia deixar de te acolher em seu coração com um convite amoroso, ansioso para se unir a alguém igual a si em santidade? Tu és como Deus te criou. Estas palavras dissipam a noite e não há mais escuridão. A luz veio hoje para abençoar o mundo. Pois tu reconheces o Filho de Deus e neste reconhecimento está o reconhecimento do mundo.


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COMENTÁRIO:

Creio que vale a pena repetir o comentário feito a este lição no ano passado. Mais uma vez. E isso significa uma ou outra modificação apenas e a repetição das perguntas que o abriam, que são: Vocês já se deram conta de que cada um de nós só ouve aquilo que quer ouvir? Há uma explicação para isso, vocês não acham?

Isto tem a ver com um dos momentos de tentativa de entender um aspecto particular de um trecho de uma leitura que fizemos em grupo. Eu dizia, então, que não podemos nos enganar nunca acreditando que aquilo que dizemos a uma pessoa em particular ou a um grupo de pessoas, independentemente das palavras que usemos, é exatamente aquilo que a pessoa ou o grupo entende.

Não é! E por quê? Porque todos nós usamos filtros individuais que desenvolvemos a partir de nosso próprio experimentar do mundo e tudo o que vemos, ouvimos, cheiramos, tocamos ou provamos recebe um significado que busca apenas confirmar aquilo que acreditamos a respeito de nós mesmos, do mundo e de tudo o que experimentamos nele. Porque, em geral, queremos que o(s) outro(s) vejam da mesma forma que vemos, imaginamos que só há um modo de ver: o nosso. E nos aferramos à ideia de que o(s) outro(s) deveria(m) ser capazes de entender o nosso ponto de vista.

Neste domingo, dia 10 de junho, no entanto, vamos compartilhar as práticas de uma ideia que - quem sabe? - pode nos dar  um instante único de uma compreensão comum. Uma ideia que quer - e pode, e vai - nos devolver à condição original de Filhos de Deus, uma ideia que já vimos e praticamos antes. Uma das mais importantes ideias que precisamos aprender para alcançar o objetivo do auto-conhecimento que nos propõe o  Curso.

Como eu já disse também, e como o Curso diz, ao mesmo tempo em que é importante para que alcancemos o objetivo do Curso, a ideia que praticamos hoje é também um dos mais poderosos instrumentos de que podemos nos valer para dissipar todas as ilusões do mundo, eliminando com elas nossa necessidade de interpretação e devolvendo ao mundo, e às coisas nele, a neutralidade original, que não depende de nosso julgamento, nem dos filtros de nossa percepção.

E voltando à pergunta do início deste comentário: alguém acha que faz diferença para um copo dizer-se a ele que ele é grande, pequeno, verde ou incolor, de vidro ou de plástico, que está cheio, meio cheio ou meio vazio? Ou mesmo que faça alguma diferença para aquilo que o objeto é, em essência, que se dê a ele o nome de copo ou o de vaso, ou que se o chame simplesmente de um recipiente para se armazenar líquidos, se este for o fim para o qual o utilizamos? Ele também poderia servir, para usar o mesmo exemplo dado em anos passados, como um instrumento de medida, numa receita.

O mundo, e tudo o que existe nele, é neutro [Vocês já ouviram isto antes?]. E eu sou como Deus me criou. Isto é tudo o que precisamos saber para mudar por completo nossa forma de pensar acerca de nós mesmos e a respeito do mundo e de tudo o que nos cerca. Pois isto, como já foi dito antes também, devolve a cada um de nós a condição original de Filho de Deus e a unidade com tudo e com todos. E devolve ao mundo sua condição original, de simples instrumento de que nos podemos valer para experimentar o que somos em Deus e com Ele.

É para aprender isto que praticamos hoje. E para nos perguntarmos, uma vez que o mundo aparentemente não nos dá a alegria que gostaríamos de viver, da forma como o vemos, em que medida queremos mudar nosso modo de ver? A resposta a esta questão pode trazer luz aos resultados das escolhas que fazemos, iluminando também as razões pelas quais vivemos as experiências que vivemos.



sábado, 9 de junho de 2012

Para abandonar as interpretações da percepção



LIÇÃO 161

Dá-me tua bênção, Filho santo de Deus.

1. Hoje praticamos de modo diferente e assumimos uma posição diante de nossa raiva, a fim de que nossos medos possam desaparecer e oferecer espaço para o amor. A salvação está aqui nas palavras sinceras com que praticamos a ideia de hoje. Aqui está a resposta à tentação, que não pode nunca deixar de acolher o Cristo no lugar em que medo e raiva predominavam antes. Aqui se completa a Expiação, ultrapassa-se o mundo com segurança e o Céu é restituído imediatamente. Aqui está a resposta da Voz por Deus.

2. A abstração completa é a condição natural da mente. Mas uma parte dela não é natural agora. Ela não olha para todas as coisas como uma só. Em lugar disso, ela vê apenas fragmentos do todo, pois apenas deste modo ela poderia inventar o mundo imperfeito que vês. A finalidade de todo o ver é te mostrar aquilo que desejas ver. Todo o ouvir apenas traz a tua mente os sons que queres ouvir.

3. Assim se criaram as particularidades. E agora são as particularidades que temos de usar ao praticar. Nós as damos ao Espírito Santo para que Ele possa empregá-las para um propósito que seja diferente daquele que lhes demos. Contudo, Ele só pode usar o que fizemos para nos ensinar a partir de um ponto de vista diferente, de forma que possamos ver uma utilidade diferente para todas as coisas.

4. Um irmão é todos os irmãos. Cada mente contém todas as mentes, pois todas as mentes são uma só. Esta é a verdade. Mas estes pensamentos deixam claro o significado da criação? Estas palavras trazem com elas perfeita clareza para ti? O que parecem ser exceto sons vazios, belas talvez, corretas em sentimentos, mas fundamentalmente não compreendidas nem compreensíveis. A mente que ensinou a si mesma a pensar de forma particular não pode mais apreender a abstração no sentido de que ela é todo-abrangente. Precisamos ver um pouco para aprender muito.

5. Parece ser o corpo que sentimos limitar nossa liberdade, fazer-nos sofrer e, por fim, extinguir nossa vida. Mas corpos são apenas símbolos para uma forma concreta de medo. O medo, sem símbolos, não pede nenhuma reação, pois os símbolos só podem representar o sem sentido. Por ser verdadeiro, o amor não precisa de nenhum símbolo. Mas o medo, por ser falso, se prende às particularidades.

6. Corpos atacam mas mentes não. Esta ideia é lembrança de nosso livro texto, onde é enfatizada com frequência. É esta a razão pela qual corpos se tornam símbolos de medo facilmente. Insistiu-se muitas vezes contigo para olhares além do corpo, pois a visão dele apresenta o símbolo do "inimigo" do amor que a visão de Cristo não vê. O corpo é o alvo para o ataque pois ninguém pensa odiar uma mente. Porém, o que a não ser a mente determina que o corpo ataque? Que outra coisa poderia ser a sede do medo exceto aquilo que pensa no medo?

7. O ódio é particular. Tem de haver algo a ser atacado. Tem-se de perceber um inimigo de tal forma que ele possa ser atacado e visto e ouvido e, por fim, morto. Quando o ódio pousa sobre algo, ele exige a morte com tanta certeza quanto a Voz de Deus anuncia que a morte não existe. O medo é insaciável e absorve tudo o que seus olhos veem, vendo-se a si mesmo em tudo, forçado a se voltar contra si mesmo e a destruir.

8. Aquele que vê um irmão como um corpo o vê como símbolo do medo. E atacará porque o que vê é seu próprio medo fora de si mesmo, pronto para atacar e clamando para se unir a ele novamente. Não te deixes enganar pela intensidade da raiva que o medo projetado tem de gerar. Ele uiva, em fúria, e arranha o ar na esperança desvairada de poder alcançar seu autor e devorá-lo.

9. É isto que os olhos do corpo veem em alguém a quem o Céu estima, a quem os anjos amam e a quem Deus criou perfeito. Esta é a realidade dele. E, na visão de Cristo, sua beleza se reflete de uma forma tão sagrada e tão linda que dificilmente poderias resistir a te ajoelhares a seus pés. Porém, em vez disso, tomarás a mão dele pois és igual a ele na visão que te vê assim. O ataque a ele é um inimigo para ti, pois não perceberás que tua salvação está nas mãos dele. Pede-lhe apenas isto e ele te dará. Pede-lhe que não simbolize teu medo. Tu pedirias que o amor destruísse a si mesmo? Ou queres que ele te seja revelado e te liberte?

10. Hoje praticamos de uma forma que tentamos anteriormente. Tua prontidão está mais próxima agora e hoje chegarás mais perto da visão de Cristo. Se estiveres atento para alcançá-la, serás bem-sucedido hoje. E, uma vez que fores bem-sucedido, não estarás mais disposto a aceitar as testemunhas que os olhos de teu corpo fazem surgir. O que verás entoará para ti antigas melodias de que te lembrarás. Tu não estás esquecido no Céu. Não queres te lembrar dele?

11. Escolhe um irmão, símbolo dos demais, e pede a salvação a ele. Vê-o, em primeiro lugar, tão claramente quanto puderes, na mesma forma com a qual estás acostumado. Vê o rosto dele, suas mão e pés, sua roupa. Observa o sorriso dele e vê gestos familiares que ele faz com tanta frequência. Em seguida pensa nisto: o que vês agora esconde de ti a visão daqule que pode perdoar todos os teus pecados, cujas mãos sagradas podem arrancar os cravos que trespassam as tuas e erguer a coroa de espinhos que colocaste sobre tua cabeça ensaguentada. Pede-lhe isto para que ele possa te libertar:

Dá-me tua bênção, Filho santo de Deus. Eu quero te ver
com os olhos de Cristo e ver em ti minha inocência perfeita.

12. E Aquele Que invocaste te atenderá. Pois Ele ouvirá a Voz por Deus em ti e responderá com tua própria voz. Olha agora para ele, a quem vês apenas como carne e osso, e reconhece que Cristo vem a ti. A ideia de hoje é tua saída segura para a raiva e para o medo. Certifica-te de a usares imediatamente, caso sejas tentado a atacar um irmão e perceber o símbolo de teu medo nele. E o verás subitamente transformado de inimigo em salvador, de demônio em Cristo.

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COMENTÁRIO:

A ideia para as práticas da lição deste sábado, dia 9 de junho, oferece a única saída possível para o inferno em que pensamos viver: o aprendizado da visão de Cristo. É neste aprendizado, e em nossas práticas com ele, que vamos encontrar o meio de pedir que a visão de Cristo nos seja dada, para que aprendamos a olhar para tudo e para todos como um só.

Como eu disse anterioremente, de acordo com o que o Curso ensina, não há nenhuma particularidade na visão de Cristo. A partir dela somos capazes de perceber que tudo e todos cumprem apenas o papel que lhes cabe no plano de Deus para a salvação. É também a partir dela que podemos compreender que tudo que vemos é apenas nossa interpretação da aparente realidade. As práticas ensinam que podemos mudar isto valendo-nos da visão de Cristo.

De acordo com o que o UCEM ensina, assim como é impossível não acreditarmos naquilo que vemos, é igualmente impossível ver algo em que não acreditamos. Pois nossa percepção - a de todos e qualquer um de nós - se constrói a partir da experiência, que leva à crença. Precisamos, porém, ter em mente de forma bem clara que percepção e consciência são coisas diferentes, muito embora usemos a palavra percepção indistintamente para nos referirmos tanto à consciência quanto à interpretação daquilo de que tomamos consciência.

Precisamos aprender e ter bem claro para nós, e em nós, o tempo todo, que tudo o que percebemos é apenas nossa própria interpretação daquilo que vemos, ou daquilo que experimentamos a partir dos sentidos. Pois a consciência não necessita da percepção nem das crenças.

Daí, como eu disse em anos passados a respeito desta lição, a necessidade de aprendermos a usar a visão de Cristo para abandonar de uma vez por todas a interpretação que fazemos do mundo e das coisas do mundo a partir do sistema de pensamento do ego. Como já vimos, o mundo - e tudo e todos que existem nele - é neutro. Apenas nós podemos lhe dar valor e significado.

Daí a necessidade das práticas.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Não existe medo se estamos em casa, em Deus



LIÇÃO 160

Estou em casa. O medo é o estranho aqui.

1. O medo é um estranho para os caminhos do amor. Identifica-te com o medo e serás um estranho para ti mesmo. E, desta forma, te tornas desconhecido para ti. Aquilo que é teu Ser continua a ser um estranho para a parte de ti que pensa ser real, mas diferente de ti mesmo. Quem poderia ser são em tal circunstância? Quem a não ser um louco poderia acreditar que é aquilo que não é se decidir contra si mesmo.

2. Há um estranho no meio de nós, que veio de uma ideia tão estranha à verdade que fala uma língua diferente, olha pra um mundo que a verdade não conhece e compreende aquilo que a verdade considerá sem sentido. Mais estranho ainda, ele não reconhece aquele a quem vem e ainda afirma que o lar dele lhe pertence, enquanto que aquele que está em casa é agora o estranho. E, não obstante, quão fácil seria dizer: "Este é meu lar. Meu lugar é aqui e não sairei porque um louco diz que devo".

3. Que razão existe para não se dizer isto? Qual poderia ser a razão exceto que convidaste este estranho a entrar para tomar teu lugar e permitir que fosses um estranho para ti mesmo? Ninguém se permitiria ser despejado de forma tão desnecessária, a menos que pensasse haver outro lar mais adequado a seus gostos.

4. Quem é o estranho? É o medo ou és tu que és inadequado ao lar que Deus proporcionou a Seu Filho? O medo é d'Ele Mesmo, criado a Sua semelhança? É ao medo que o amor completa e por que é completado? Não existe nenhum lar que possa abrigar o amor e o medo. Eles não podem coexistir. Se tu és real, então o medo tem de ser ilusão. E, se o medo é real, então tu não existes em absoluto.

5. Com que simplicidade, então, a questão se resolve. Quem tem medo apenas nega a si mesmo e diz: "Eu sou o estranho aqui. E, por esta razão, deixo meu lar para alguém mais parecido comigo do que eu mesmo e dou a ele tudo o que eu pensava me pertencer". Agora, porque é inevitável, ele está exilado, sem saber quem é, inseguro acerca de todas as coisas menos desta: que ele não é ele mesmo e que seu lar lhe foi negado.

6. O que ele busca agora? O que pode achar? Um estranho para si mesmo não pode achar nenhum lar seja qual for o lugar em que possa procurar, porque tornou impossível a volta. Seu caminho está perdido, a não ser que um milagre o descubra e lhe mostre imediatamente que ele não é nenhum estranho. O milagre virá. Pois o Ser dele permanece em seu lar. Ele não solicitou nenhum estranho e não aceitou nenhum pensamento estranho para ser Ele Mesmo. E chamará o que Lhe é Próprio para Si Mesmo em reconhecimento daquilo que Lhe pertence.

7. Quem é o estranho? Ele não é aquele por quem teu Ser não chama? Agora tu és incapaz de reconhecer este estranho teu meio, pois tu lhe deste teu lugar legítimo. No entanto, teu Ser é tão seguro do que Lhe pertence quanto Deus de Seu Filho. Ele não pode ficar confuso acerca da criação. Ele tem certeza do que Lhe pertence. Nenhum estranho pode se interpor entre o conhecimento d'Ele e a realidade de Seu Filho. Ele não conhece estranhos. Ele está seguro acerca de Seu Filho.

8. A certeza de Deus basta. O lugar d'Aquele Que Ele conhece como Seu Filho é aquele no qual Ele estabelece Seu Filho para sempre. Ele responde a ti, que perguntas: "Quem é o estranho"? Ouve Sua Voz te assegurar, segura e serenamente, que não és um estranho para teu Pai e que teu Criador também não se tornou estranho para ti. Aquele a quem Deus se une continua a ser um só para sempre à vontade n'Ele, sem ser estranho para Si Mesmo.

9. Hoje damos graças por Cristo vir procurar no mundo aquilo que Lhe pertence. A visão d'Ele não vê nenhum estranho, mas vê os Seus e se une a eles alegremente. Eles O veem como um estranho, pois não se reconhecem. Porém, quando Lhe dão as boas vindas, eles se lembram. E Ele, mais uma vez, os conduz bondosamente a casa, onde é o lugar deles.

10. Cristo não esquece nenhum. Ele não deixa de te dar nenhum para te lembrares, a fim de que teu lar possa ficar completo e perfeito tal como foi criado. Ele não te esquece. Mas tu não te lembrarás d'Ele até olhares para todos do modo que Ele olha. Aquele que nega seu irmão O nega e, desta forma, se recusa a aceitar a dádiva da visão pela qual seu Ser é reconhecido claramente, seu lar é lembrado e a salvação chega.


*

COMENTÁRIO:

Vou repetir nesta sexta-feira, dia 8 de junho, o comentário e a sugestão da prática dos anos passados. Assim, vamos, hoje, mais uma vez, buscar aprender a ficar à vontade na casa de Deus, que é o nosso lar. Pois a ideia que vamos praticar nos permite afastar todo o medo que ronda nossa casa, que ameaça nosso lar. Mas isto apenas na ilusão.

Na verdade, podemos ficar à vontade com o que somos também, pois somos a casa de Deus, Seu lar, da mesma forma que Ele é o nosso. E, quando nos sentimos à vontade, não nos passa nenhum temor pela cabeça, não é mesmo?

É por isso que nada de estranho pode nos ameaçar quando estamos em casa, quando estamos à vontade com o que somos. É a isto que se destina nossa prática hoje. Como dizia uma lição anterior, "não há nada a temer". É preciso que aprendamos, a partir das lições que o UCEM nos oferece, a nos sentir em casa, onde quer que estejamos no mundo. 

O Curso ensina que não há nenhuma possibilidade, em nenhum momento, de estarmos em qualquer lugar diferente daquele em que estamos. Ensina também que onde quer que estejamos estamos em Deus. E Ele vai conosco aonde formos. Também não podemos ser nada, nem sequer uma zilionésima fração, qualquer que seja ela, diferentes daquilo que somos o tempo inteiro, mesmo que não tenhamos consciência disto.

Isto é, dizendo de outro modo, por menor que seja a nossa consciência de nós mesmos e daquilo que somos em Deus e com Ele. E seja qual for o nome pelo qual aprendemos a nos referir a Ele, Ele, repetindo, vai conosco aonde formos [mais uma ideia que já praticamos em lição anterior]. 

Nós nos movemos n'Ele e tudo o que é real só pode verdadeiramente encontrar sua expressão n'Ele. E, por mais forte que seja nossa crença na ideia de que podemos estar separados d'Ele de alguma forma, sempre seremos, na verdade, apenas aquilo que somos com Ele e n'Ele. Não importa o que façamos. Tudo o que fazemos -  e que muda - muda apenas de forma ilusória. Aquilo que somos, em essência, não muda nunca.

Isto não é, pois, razão suficiente para se ficar à vontade? Aonde quer que pensemos estar? Uma vez que só podemos estar onde estamos, em contato permanente com o que somos, mesmo quando não estamos cientes disso?

quinta-feira, 7 de junho de 2012

"Ter" e "ser" são sinônimos para o Curso



LIÇÃO 159

Eu dou os milagres que recebo.

1. Ninguém pode dar o que não recebeu. Dar alguma coisa exige, em primeiro lugar, que a tenhas em teu próprio poder. Aqui, as leis do Céu e as do mundo estão de acordo. Mas aqui elas também se separam. O mundo acredita que para se possuir uma coisa ele tem de ser conservada. A salvação ensina o contrário. Dar é a maneira de reconhecer que recebeste. É a prova de que o que tens te pertence.

2. Tu compreendes que estás curado, quando ofereces a cura. Tu aceitas o perdão como realizado em ti mesmo, quando perdoas. Tu reconheces teu irmão como tu mesmo e, deste modo, percebes que és íntegro de fato. Não há nenhum milagre que não possas oferecer, pois todos te são dados. Recebe-os agora abrindo o depósito de tua mente aonde eles estão guardados e distribuindo-os.

3. A visão de Cristo é um milagre. Ela vem de muito além de si mesma, pois reflete o amor eterno e o renascimento do amor que nunca morre, mas que se manteve escondido. A visão de Cristo retrata o Céu, pois vê um mundo tão semelhante ao Céu que aquilo que Deus criou perfeito pode se espelhar aí. O espelho escuro que o mundo apresenta só pode mostrar imagens distorcidas em cacos. O mundo real retrata a inocência do Céu.

4. A visão de Cristo é o milagre no qual nascem todos os milagres. Ela é a fonte deles, permanecendo com cada milagre que ofereces e, ainda assim, continuando a ser tua. Ela é o laço pelo qual se unem em extensão doador e receptor aqui na terra, da mesma forma que são um só no Céu. Cristo não vê nenhum pecado em ninguém. E em sua visão os inocentes são como um só. A santidade deles foi dada por Seu Pai e por Ele Mesmo.

5. A visão de Cristo é a ponte entre os mundos. E podes confiar seguramente no poder dela para te levar deste mundo a um mundo que se tornou santo pelo perdão. As coisas que parecem sólidas aqui são apenas sombras lá; transparentes, vistas vagamente, esquecidas às vezes e nunca capazes de esconder a luz que brilha além delas. Devolveu-se a santidade à visão e os cegos podem ver.

6. Esta é a dádiva singular do Espírito Santo: a casa do tesouro à qual podes apelar com total segurança em busca de todas as coisas que podem contribuir para tua felicidade. Todas já estão depositadas aqui. Todas podem ser recebidas, basta pedir. A porta nunca está trancada aqui e não se nega a ninguém seu menor pedido ou sua necessidade mais urgente. Não há nenhuma doença que já não esteja curada, nenhuma falta não satisfeita, nenhuma necessidade não atendida dentro desta fonte preciosa de Cristo.

7. Aqui o mundo se lembra, de fato, do que se perdeu quando ele foi criado. Pois aqui ele se conserta, torna-se novo mais uma vez, mas sob uma luz diferente. Aquilo que devia ser o lar do pecado se torna o centro da redenção e o núcleo da misericórdia, onde os sofredores são curados e acolhidos. Ninguém será mandado embora deste novo lar, aonde a salvação espera. Ninguém é estranho para ele. Ninguém pede nada a ele não ser a dádiva de sua aceitação e de sua acolhida.

8. A visão de Cristo é o solo sagrado no qual os lírios do perdão fincam suas raízes. Este é o lar deles. Daqui, eles podem ser levados de volta ao mundo, mas não podem crescer nunca em seu solo desnutrido e raso. Eles precisam da luz e do calor e do cuidado benigno que a caridade de Cristo oferece. Precisam do amor com que Ele olha para eles. E eles se tornam mensageiros d'Ele, que dão do mesmo modo que receberam.

9. Retira do depósito d'Ele, a fim de que seus tesouros possam aumentar. Seus lírios não deixam seu lar quando são levados de volta ao mundo. Suas raízes permanecem. Eles não deixam sua fonte, mas carregam sua benevolência consigo e transformam o mundo em um jardim igual àquele de onde vieram e ao qual vão mais uma com mais perfume. Agora são duplamente abençoados. As mensagens de Cristo, que trouxeram, foram entregues e voltaram para eles. E eles a devolvem a Ele com alegria.

10. Olha para o depósito de milagres planejado para dares. Não és digno da dádiva, se Deus escolheu que ela te fosse dada? Não julgues o Filho de Deus, mas segue no caminho que Ele indica. Cristo sonha o sonho de um mundo perdoado. É Sua dádiva, pela qual se pode fazer uma transição agradável da morte para a vida, da desesperança para a esperança. Sonhemos com Ele por um instante. Seu sonho nos desperta para a verdade. Sua visão nos dá o meio para uma volta a nossa santidade em Deus, nunca perdida e eterna.


*

COMENTÁRIO:

Já aprendemos, ou pelo menos lembramos [alguns de nós, ao menos, se não todos] de já ter lido no Curso que só temos, de fato, aquilo que damos. Esta é uma das ideias mais importantes que podemos aprender, se desejamos realmente alcançar a meta que o UCEM quer que alcancemos com seu ensinamento. Isto porque ela contraria tudo o que o mundo nos ensina a respeito da posse, a respeito do ter. Pois o mundo ensina que "ter" é algo separado de "ser". Enquanto o Curso ensina que "ter" e "ser" são sinônimos e que dar e receber são a mesma coisas.

O que o mundo nos ensina é apenas um equívoco oriundo da crença em uma separação que nunca aconteceu. Isto é, um equívoco gerado pela ideia de que podemos existir e viver separados da Fonte que é a origem da vida e da existência, de-se a Ela o nome que quisermos. E vimos ontem, mais uma vez, que os pensamentos não podem deixar sua fonte.

É por esta razão que o UCEM nos ensina que "dar e receber são a mesma coisa". Pois só podemos dar aquilo que recebemos. E, na criação, recebemos tudo. Na verdade, ainda de acordo com seu ensinamento, só temos, de fato, aquilo que somos [e damos]. Por consequência, quanto mais aprendermos a dar de nós mesmos [sendo o que somos] a tudo e a todos, tanto mais receberemos. 

Lembrando de um dos comentários anteriores a esta lição, não se pode encher uma taça que já esteja cheia, como nos diz um ensinamento antigo. Para que ela possa receber mais é preciso esvaziá-la. O mesmo acontece conosco. É preciso que nos esvaziemos de toda as ideias, de todos os pensamentos equivocados, que aprendemos com o mundo, para criar espaço em nós para que a luz divina nos preencha e nos devolva à consciência o Ser que somos em Deus e com Ele.

É nessa direção que nos remete a ideia desta quinta-feira, dia 7 de junho. 


Às práticas?


OBSERVAÇÃO: Este comentário repete, por pertinente, de forma quase que integral o comentário feito no ano passado.