quarta-feira, 19 de junho de 2013

Quem ainda acredita em um Deus que castiga?


LIÇÃO 170

Não há nenhuma maldade em Deus e nenhuma em mim.

1. Ninguém ataca sem intenção de ferir. Não pode haver nenhuma exceção a isto. Quando pensas atacar em defesa própria, pressupões que ser mau é proteção; estás a salvo em razão da maldade. Tu queres acreditar que ferir outro te traz liberdade. E pressupões que atacar é trocar o estado em que te encontras por alguma coisa melhor, mais fora de perigo, mais segura contra invasões perigosas e contra o medo.

2. Quão inteiramente insana é a ideia de que defender-se do medo é atacar! Pois nisto se produz e se alimenta o medo com sangue, para fazê-lo crescer e inchar e se enraivecer. E, deste modo, protege-se o medo, não se fica livre dele. Hoje aprendemos uma lição que pode te poupar de mais atraso e de mais amargura desnecessária do que podes talvez imaginar. A lição é esta:

Tu fazes aquilo de que te defendes e por tua
própria defesa ele se torna real e inevitável. Depõe
tuas armas e só então perceberás que ele é falso.

3. Parece que atacas o inimigo externo. Contudo, tua defesa instala um inimigo interno; uma estranha ideia em guerra contigo, privando-te da paz, dividindo tua mente em dois campos que parecem ser totalmente inconciliáveis. Pois agora o amor tem um "inimigo", um opositor; e o medo, o estranho, precisa agora de tua defesa contra a ameaça daquilo que realmente és.

4. Se refletires com cuidado acerca dos meios pelos quais tua defesa própria imaginária segue em frente do modo que imaginou, perceberás as premissas nas quais a ideia se baseia. Primeiro, é evidente que as ideias têm de deixar sua fonte, pois és tu que inventas o ataque e que tem de tê-lo concebido em primeiro lugar. Mas atacas fora de ti mesmo e separas tua mente daquele que deve ser atacado, com absoluta fé em que a divisão que fizeste é real.

5. Depois, confere-se as características do amor a seu "inimigo". Pois o mundo se torna tua segurança e o protetor de tua paz, a quem te voltas buscando consolo e saída para as dúvidas acerca de tua força e esperança de repouso na paz sem sonhos. E quando se despoja o amor daquilo que pertence a ele, e só a ele, dota-se o amor das características do medo. Pois o amor te pediria que depusesses qualquer defesa como simples tolice. E tuas armas, de fato, se desintegrariam em pó. Pois é isto que são.

6. Com o amor como inimigo, a maldade tem de se tornar um deus. E deuses exigem que aqueles que os adoram obedeçam a seus ditames e se recusem a questioná-los. Distribui-se punição severa de forma implacável àqueles que questionam se as exigências são ajuizadas ou mesmo sãs. Seus inimigos é que são insensatos e loucos, enquanto eles são sempre misericordiosos e justos.

7. Hoje olhamos para este deus malvado de forma imparcial. E observamos que embora seus lábios estejam manchados de sangue e ele pareça lançar labaredas de fogo, ele é feito de pedra apenas. Ele não pode fazer nada. Não precisamos desafiar seu poder. Ele não tem nenhum. E aqueles que veem nele sua segurança não têm nenhum protetor, nenhuma força a invocar em caso de perigo e nenhum guerreiro poderoso para lutar por eles.

8. Este momento pode ser terrível. Mas ele também pode ser o momento de tua libertação de uma escravidão abjeta. Fazes uma escolha, pondo-te diante deste ídolo, vendo-o exatamente como ele é. Devolverás ao amor aquilo que buscaste tirar dele à força para depositar diante deste pedaço de pedra estúpido? Ou farás outro ídolo para substituí-lo? Pois o deus da maldade toma muitas formas. Pode-se achar outra.

9. Contudo, não penses que o medo é a saída para o medo. Lembremo-nos do que o texto enfatiza a respeito dos obstáculos à paz. O último deles, o mais difícil de se acreditar que não seja nada, um pretenso obstáculo com a aparência de uma barreira sólida, impenetrável, assustadora e além do conquistável, é o medo do Próprio Deus. Eis aqui a premissa básica que entroniza a ideia do medo como deus. Pois o medo é amado por aqueles que o adoram e, agora, o amor parece se revestir de maldade.

10. De onde vem a crença totalmente insana em deuses de vingança? O amor não confunde suas características com as do medo. No entanto, os adoradores do medo têm de perceber sua própria confusão no "inimigo" do medo; a maldade dele agora como parte do amor. E o que se torna mais amedrontador do que o Próprio Coração do Amor? O sangue parece estar em Seus lábios; o fogo vem d'Ele. E Ele é mais terrível que tudo, inconcebivelmente mau, abatendo a todos que O reconhecem como seu Deus.

11. A escolha que fazes hoje é segura. Pois olhas pela última vez para este pedaço de escultura de pedra que fizeste e não mais o chamas de deus. Tu alcançaste este lugar antes, mas escolheste que este deus mau ainda permanecesse contigo sob outra forma. E, por isto, o medo de Deus voltou contigo. Desta vez tu o deixas aí. E voltas para um mundo novo, sem o fardo de seu peso; visto, não pelos olhos cegos do medo, mas pela visão que tua escolha te devolveu.

12. Agora sim teus olhos pertencem a Cristo e Ele olha através deles. Agora tua voz pertence a Deus e repete a d'Ele. E, agora, teu coração permanece em paz para sempre. Tu O escolhes em lugar de ídolos e tuas características, dadas a ti por teu Criador, te são, enfim, devolvidas. O Chamado a Deus foi ouvido e atendido. Agora o medo dá lugar ao amor, e o Próprio Deus substitui a maldade.

13. Pai, somos como Tu. Não habita em nós nenhuma maldade, pois não há nenhuma em Ti. E nós abençoamos o mundo só com aquilo que recebemos de Ti. Escolhemos outra vez e fazemos nossa escolha por todos os nossos irmãos, sabendo que eles são um conosco. Nós trazemos Tua salvação a eles, assim como a recebemos agora. E damos graças por eles que nos tornam completos. Vemos Tua glória neles e encontramos neles nossa paz. Somos santos porque Tua Santidade nos liberta. E damos graças. Amém.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 170



"Não há nenhuma maldade em Deus e nenhuma em mim."

A lição de hoje encerra mais um passo em nossa caminhada. Amanhã vamos dar início a um novo período de revisões. Porque "todo dia é dia de treino". Em se tratando de aprender a nosso próprio respeito, não podemos nos distrair, pois o ego, ou falso eu, não perde tempo, está em atividade 24 horas por dia, e se vale de toda e qualquer oportunidade para tentar nos convencer de que somos algo que não somos. É por isso que não podemos nos distrair de nós mesmos.

A lição de hoje, portanto, trata disso a partir de um ponto a respeito do qual é bom refletirmos: a ideia de que, se há maldade no mundo, tem de haver maldade em mim e, se há maldade em mim, por consequência, tem também de haver maldade em Deus, uma vez que o Curso ensina que somos Filhos d'Ele, criados a Sua semelhança.

Em geral, o que a ilusão quer vender - e quer que compremos - é a ideia de que estamos separados de Deus, ou Ele está separado de nós. Pensando bem, no entanto, será que isso é possível? O que acontece é que, na maioria das vezes, a maior parte do tempo, estamos dormindo. Mesmo quando pensamos estar acordados.

Vejamos. Quantos de nós ainda acreditam que quedas de aviões, naufrágios, tsunamis, maremotos, incêndios, descarrilamentos, terremotos, erupções de vulcões, etc, representam a ação de Deus, o castigo que Ele impõe a uma parcela da humanidade, aos pecadores?

Isto não seria uma maldade de Deus?

O ensinamento do Curso, em sintonia com o de Jesus, difere completamente desta crença. "Porquanto Deus enviou Seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo" (João, 3, 17). "Nem eu tampouco te condeno" (João, 8, 11). "Não peques mais para que não te suceda coisa pior" (João, 5,14). Não coisa pior enviada por Deus, mas resultado da volta a crenças já superadas, consequência da lei de ação e reação.

Jesus não fala de castigo, a não ser daqueles causados pelas nossas ações equivocadas, que, a bem da verdade, não são castigos, mas apenas respostas, resultados, de nossas próprias ações.Nas palavras dele a lei de ação e reação é expressa assim: "O que semeardes colhereis". Não como castigo de Deus, mas como consequência de nossos atos, como materialização de nossas crenças. 

Assim, se estamos vendo a ilusão e tratando dela como se fosse verdadeira, estamos vivendo um estado em que aparentemente deixamos Deus de lado e nos voltamos para as atividades e para as necessidades que exigem nossa atenção no dia-a-dia, sem deixar sobrar um minuto sequer para voltar nossos pensamentos a Ele. Sem deixar tempo ou espaço algum para nos voltarmos para o divino interior, para verificar que não há nada fora de nós mesmos e que nós mesmos vivemos e nos movemos em Deus o tempo todo.

Repetindo, de certa forma, a pergunta que fiz nos últimos anos: quantas vezes nos voltamos para Deus apenas como uma última tentativa desesperada para resolver questões mais urgentes, cuja solução nos parecia quase impossível, e, uma vez resolvidas, para nossa alegria, O deixamos de lado? Isto é, voltamo-nos para o mundo da ilusão renovados, cheios de novas ideias, prontos para enfrentar o mundo, mais uma vez, "sozinhos". Ou melhor dizendo, esquecidos de que, ao nos afastarmos outra vez d'Ele, escolhemos de novo um "deus mau", sob a forma da auto-suficiência e da onipotência egoicas.

É claro que, num primeiro momento, agradecidos a Ele pelo conforto, pela paz e pela solução para o problema - ou problemas - que nos afligia. Mas esta gratidão não dura muito, porque o ego não quer ficar devendo favores ou obrigações, a ninguém, muito menos a Deus. É por esta razão que devemos pôr toda a atenção possível às práticas de hoje, preparando-nos desde já para a revisão que começa amanhã.

Às práticas?

terça-feira, 18 de junho de 2013

É só a graça de Deus que nos pode libertar


LIÇÃO 169

Vivo pela graça. Pela graça me liberto.

1. A graça é um aspecto do Amor de Deus que é o mais parecido ao estado predominante na unidade da verdade. É a aspiração mais elevada do mundo, pois conduz para além do mundo inteiramente. Está além do aprendizado embora seja a meta do aprendizado, pois a graça não pode vir até que a mente se prepare para a aceitação verdadeira. A graça vem a ser imediatamente inevitável naqueles que preparam uma mesa em que ele possa ser disposta de forma benigna e aceita com boa vontade; um altar puro e sagrado para a dádiva.

2. A graça é a aceitação do Amor de Deus em um mundo de ódio e medo aparentes. Apenas pela graça o ódio e o medo acabam, pois a graça representa um estado tão contrário a tudo o que o mundo contém que aqueles cujas mentes são iluminadas pela dádiva da graça não podem acreditar que o mundo do medo seja real.

3. Não se aprende a graça. O último passo deve ir além de todo o aprendizado. A graça não é a meta que este curso aspira alcançar. No entanto, nós nos preparamos para a graça, uma vez que uma mente aberta pode ouvir o Chamado para despertar. Ela não está hermeticamente fechada à Voz de Deus. Ela se torna consciente de que há coisas que não conhece e, desta forma, fica pronta para aceitar um estado completamente diferente da experiência com a qual está habitualmente familiarizada.

4. Talvez pareça que contradizemos a afirmação de que a revelação do Pai e do Filho como um só já está estabelecida. Mas dissemos também que a mente decide quando será este momento e que já o decidiu. E, não obstante, insistimos para que tu dês testemunho da Palavra de Deus para apressar a experiência da verdade e acelerar seu advento em cada mente que reconhecer os efeitos da verdade em ti.

5. A unidade é apenas a ideia de que Deus é. E, em Seu Ser, Ele abrange todas as coisas. Nenhuma mente contém nada a não ser Ele. Dizemos "Deus é" e, então, paramos de falar, pois neste conhecimento as palavras não têm sentido. Não há lábios para pronunciá-las e nenhuma parte da mente suficientemente distinta para perceber que agora ela está consciente de alguma coisa que não seja ela mesma. Ela se uniu a sua Fonte. E, como sua Própria Fonte, ela simplesmente é.

6. Não podemos em absoluto falar, nem escrever e nem mesmo pensar a respeito disto. Ele vem a cada mente quando o total reconhecimento de que sua vontade é a Vontade de Deus se der por completo e for recebido de forma completa. Ele devolve a mente ao presente infinito, no qual não se pode conceber passado e futuro. Ele está adiante da salvação; depois de qualquer ideia de tempo, de perdão e da face sagrada do Cristo. O Filho de Deus simplesmente desaparece em seu Pai, assim como seu Pai nele. O mundo absolutamente nunca existiu. A eternidade continua a ser um estado permanente.

7. Isto está além da experiência que tentamos apressar. Entretanto, o perdão, ensinado e aprendido, traz consigo as experiências que dão testemunho de que está próximo o momento que a própria mente estabeleceu para abandonar tudo, menos isto. Nós não a apressamos porque o que vais oferecer estava escondido d'Aquele Que ensina o que o perdão significa.

8. Todo o aprendizado estava na Mente d'Ele, realizado e completo. Ele reconheceu tudo o que o tempo contém e o deu a todas as mentes a fim de que cada uma pudesse decidir, a partir de um ponto de vista no qual o tempo acabara, quando ela seria liberada para a revelação e para a eternidade. Repetimos várias vezes antes que tu apenas fazes uma jornada que já terminou.

9. Pois a unidade tem de estar aqui. Qualquer que seja o momento que a mente estabelece para a revelação, ele é inteiramente alheio àquilo que tem de ser um estado permanente, que é eternamente como sempre foi e que deve permanecer para sempre como é agora. Nós apenas assumimos o papel há muito tempo atribuído e reconhecido plenamente como realizado por completo por Aquele Que escreveu o roteido da salvação em Nome de Seu Criador e em Nome do Filho de Seu Criador.

10. Não há mais nenhuma necessidade de esclarecer o que ninguém no mundo pode compreender. Quando a revelação de tua unidade vier, ela será conhecida e compreendida plenamente. Agora temos trabalho a fazer, pois os que estão no tempo podem falar de coisas distantes e ouvir as palavras que explicam que o que está por vir já está vindo. Porém, que significado as palavras podem transmitir para aqueles que ainda contam as horas e se levantam e trabalham e vão dormir obedecendo ao ritmo delas?

11. Basta, então, que tenhas trabalho para fazer para, de fato, cumprires teu papel. O fim deve permanecer oculto para ti até que se cumpra teu papel. Não importa. Pois teu papel ainda é aquele do qual todos os outros dependem. Quando assumes o papel que te foi designado, a salvação chega um pouco mais perto de cada coração inseguro que ainda não pulsa em sintonia com Deus.

12. O perdão é o tema principal que perpassa toda a salvação, mantendo todas as suas parte em ligações significativas, seu curso orientado e seu resultado seguro. E agora pedimos a graça, a última dádiva que a salvação pode conceder. A experiência que a graça oferece terá fim no tempo, pois a graça prenuncia o Ceú, embora não substitua a ideia do tempo senão por um breve instante.

13. O intervalo é suficiente. É aqui que se depositam os milagres para te serem devolvidos a partir dos instantes santos que recebes, por meio da graça em tua experiência, para todos aqueles que veem a luz que se prende a teu rosto. O que é o rosto de Cristo a não ser o daquele que esteve por um instante na intemporalidade e trouxe um reflexo claro da unidade que sentiu um instante atrás para abençoar o mundo? Como poderias, enfim, alcançá-la para sempre, enquanto uma parte de ti permanece fora, sem saber, adormecida e necessitanto de ti como testemunha da verdade?

14. Sê grato por voltar, tal como ficaste contente em ir por um instante, e aceita as dádivas que a graça te ofereceu. Tu as trazes de volta para ti mesmo. E a revelação não está muito atrás. Sua vinda está garantida. Pedimos a graça e a experiência que vem da graça. Acolhemos a liberação que ela oferece a todos. Não pedimos o que não se pode perdi. Não olhamos adiante daquilo que a graça pode dar. Pois podemos dar isso na graça que nos foi dada.

15. A meta de nosso aprendizado hoje não vai além desta prece. Porém, no mundo, o que poderia ser mais do que aquilo que pedimos neste dia Àquele Que dá a graça que pedimos, assim como ela Lhe foi dada?

Vivo pela graça. Pela graça me liberto.
Dou pela graça. Pela graça vou libertar.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 169


"Vivo pela graça. Pela graça me liberto."

Que a graça divina alcance nossa consciência hoje, a partir da ideia que praticamos. A partir de nossa prática. Que a graça de Deus nos acompanhe em todos os caminhos e esteja presente em todas as situações que se apresentarem a nós neste dia. Que a graça do divino em nós conceda a cada um ver a si mesmo em todos aqueles com quem se encontrar. Pois é pela graça, que nos concede a liberdade, que vamos ser capazes de libertar a todos do julgamento do mundo.

Como eu já disse antes, e não apenas uma vez só, se tivermos bem presente uma lição que já praticamos, seremos capazes de nos lembrar de que Deus vai conosco aonde formos. E se Ele vai conosco aonde formos, temos de reconhecer que a graça d'Ele também tem de estar conosco aonde quer que estejamos. É isto que as práticas de hoje visam a nos ajudar a lembrar.

Pois, independentemente de quaisquer esforços que façamos, independente de qualquer busca a que nos dediquemos, é só a graça de Deus que pode, de fato, nos libertar e nos fazer compreender, para além da lógica e da razão, que já somos aquilo que buscamos, conforme ensina o Curso. A jornada que aparentemente fazemos, na verdade, é uma jornada que não tem nada a ver com distância. Não tem nada a ver com o tempo, nem com espaço ou lugar.

Joel Goldsmith, em um de seus livros, diz que "enquanto pensarmos em nossa vida, em nosso corpo e em nossos negócios, e em como poderemos modificá-los ou melhorá-los, estamos vivendo dentro dos limites do parêntese, do finito [não estamos vivendo pela graça]. Mas no momento que percebemos o círculo na sua integridade, deixamos de confinar a Vida num parêntese [e somos libertados].

Diz mais que "é possível que, nesse momento, estejamos contemplando a Vida desde o ângulo desse parêntese, mas, pelo menos, estaremos testemunhando a manifestação da vida que não tem começo e não terá fim, e assim estamos desfazendo esse parêntese", [aproximando-nos da eternidade, em que somos livres para ser o que somos, em Deus, sob Sua graça].

Isso se consegue pelas práticas diárias.


segunda-feira, 17 de junho de 2013

Reconhecer-nos Filhos de Deus é aceitar a graça

LIÇÃO 168

Tua graça me é dada. Eu a reivindico agora.

1. Deus fala conosco. Não falaremos com Ele? Ele não está distante. Ele não faz nenhuma tentativa de Se esconder de nós. Nós tentamos nos esconder d'Ele e nos enganamos. Ele permanece inteiramente acessível. Ele ama Seu Filho. Não existe nenhuma certeza a não ser esta, mas esta é suficiente. Ele amará Seu Filho para sempre. Enquanto a mente de Seu Filho permanece adormecida, Deus ainda o ama. E quando a mente dele desperta, Ele o ama com um Amor imutável.

2. Se ao menos conhecesses o significado do Amor de Deus, esperança e desespero seriam impossíveis. Pois a esperança estaria satisfeita para sempre; qualquer espécie de desespero inimaginável. A graça d'Ele Sua resposta para todo o desespero, pois nela está a lembrança de Seu Amor. Ele não daria alegremente o meio pelo qual se reconhecer Sua Vontade? A graça de Deus é tua a partir de teu reconhecimento. E a lembrança d'Ele desperta na mente que Lhe pede o meio pelo qual seu sono acaba.

3. Hoje pedimos a Deus a dádiva que Ele preserva com o maior cuidado em nossos corações, esperando para ser reconhecida. Esta é a dádiva por meio da qual Deus se inclina para nós e nos eleva, dando Ele Mesmo o passo final para a salvação. Orientados pela Voz d'Ele, aprendemos todos os passos, menos este. Mas, finalmente, Ele Mesmo vem e nos toma em Seus Braços e varre as teias de nosso sono. Sua dádiva de graça é mais do que apenas uma resposta. Ela devolve todas as lembranças que a mente adormecida esquecera; toda a certeza do que é o significado do Amor.

4. Deus ama Seu Filho. Pede-Lhe agora para dar o meio pelo qual este mundo desaparecerá; e, em primeiro lugar, virá a visão e, apenas um instante depois, o conhecimento. Pois, na graça, vês uma luz que envolve o mundo inteiro no amor e observas o medo desaparecer de cada rosto, enquanto os corações se elevam e reivindicam a luz como sua. O que fica agora para que o Céu se atrase por mais um instante? O que ainda não se desfez, se teu perdão descansa sobre todas as coisas?

5. Este é um dia novo e santo, pois recebemos o que nos foi dado. Nossa fé está no Doador, não em nossa própria aceitação. Nós reconhecemos nossos erros, mas Ele, para Quem qualquer erro é desconhecido, ainda é Aquele Que responde aos nossos erros dando-nos o meio de abandoná-los e de nos elevarmos a Ele com gratidão e amor.

6. E Ele desce para nos encontrar, enquanto vamos a Ele. Pois o que Ele prepara para nós Ele nos dá e nós recebemos. Esta é a Vontade d'Ele porque Ele ama Seu Filho. Rezamos a Ele hoje, devolvendo apenas a palavra que Ele nos dá por meio de Sua Própria Voz, a Palavra d'Ele, Seu Amor:

Tua graça me é dada. Eu a reinvindico agora.
Pai, venho a Ti. E Tu virás a mim, que peço.
Eu sou o Filho que Tu amas.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 168



"Tua graça me é dada. Eu a reivindico agora."

A ideia para as práticas de hoje, como, em geral, cada uma das que praticamos com o Livro de Exercícios lição a lição, oferece mais uma vez a oportunidade do contato com nossa herança legítima de Filhos de Deus. E o que é preciso fazer para tomar posse desta herança?

Há uma parte do texto que diz literalmente: "tu não precisas fazer nada". O que isso quer dizer, na prática? Que podemos cruzar os braços, deitar numa rede, sentar num sofá ou deitar numa cama e esperar que tudo o que nos pertence por direito caia do Céu?

Não, não! Isso não significa que podemos nos sentar simplesmente e esperar que a solução para tudo caia do Céu. Apesar de, ao mesmo tempo, poder significar isto para aqueles que acreditam, de fato, que não é preciso fazer nada, que é só deixar que a vida os leve. Por que não? 

Entretanto, o que podemos pensar a respeito da afirmação de que não é preciso fazer nada, a partir de qualquer experiência por que tenhamos passado, é que o "não fazer nada" do Curso não é exatamente a mesma coisa que o ego pensa a respeito de "não fazer nada".

Entendo que, a partir de nossa consciência do espírito em nós, "não fazer nada", no contexto do ensinamento do Curso, envolve não utilizar as intenções do sistema de pensamento do ego para "fazer" as coisas que ele nos pede que façamos. 

Isto quer dizer que não podemos nos deixar enganar pelo que o ego nos apresenta na forma e pensar que vivemos em um mundo que necessita de reparos, que homens e mulheres precisam mudar, que o que vemos no mundo é uma grande confusão gerada por erros enormes de todos os que viveram antes de nós e por erros maiores daqueles que vivem conosco no mundo neste tempo. E pensar até mesmo que aqueles que virão depois de nós vão continuar a cometer os mesmos erros que já foram cometidos ao longo do tempo. Aliás, o Curso também diz que a história só existe porque continuamos a cometer os mesmos erros.

Em meu modo de ver, o "não fazer nada" do ego é o entregar-se à ideia de que não importa o que façamos, nada irá mudar, pois só o que pode mudar é a ilusão. Não importa quão boas e nobres sejam as nossas intenções, o mundo e todos e tudo nele estão condenados, no melhor dos sentidos, à verdade. 

Para o ego, as coisas, na ilusão, só vão piorar ou melhorar, às vezes, para piorar depois vezes sem conta, independentemente do que cada um fizer, pois somos apenas partes insignificantes de um universo muito maior sobre o qual não temos a menor influência. Tudo dentro da ilusão de mundo que o falso eu nos mostra.

Para o Curso, no entanto, em meu modo de ver, o "não fazer nada" é reconhecer o que a lição de hoje nos convida a praticar. "Não fazer nada" é, pois, reconhecer que somos herdeiros legítimos e naturais da graça divina. E reconhecer que a merecemos e que podemos reivindicá-la. Até porque para viver a graça, ou na graça, é preciso que a queiramos. Ou, como dizia uma lição anterior, é reconhecer que estamos encarregados "das dádivas de Deus". "Não fazer nada" é, portanto, reivindicar esta graça, para aprender a olhar para o mundo de modo diferente. E ver nele, e em tudo o que existe, a marca da graça de Deus, impressa pelo nosso olhar amoroso.


domingo, 16 de junho de 2013

O futuro é apenas o prolongamento do presente


LIÇÃO 167

Há uma só vida e é esta que compartilho com Deus.

1. Não existem tipos diferentes de vida, pois a vida é igual à verdade. Ela não tem graus. É a única condição da qual tudo o que Deus criou compartilha. Como todos os Pensamentos d'Ele, ela não tem oposto. Não há morte porque aquilo que Deus criou compartilha de Sua vida. Não há morte porque não existe um oposto para Deus. Não há morte porque o Pai e o Filho são um só.

2. Neste mundo, parece haver um estado que é o contrário da vida. Tu o chamas de morte. No entanto, aprendemos que a ideia da morte toma muitas formas. É a única ideia subjacente a todas as sensações que não sejam extremamente felizes. É o alarme ao qual atendes quando reages de qualquer modo que não seja alegria completa. Qualquer tristeza, perda, ansiedade, sofrimento e dor, mesmo um suspiro de cansaço, um leve mal-estar ou a mais simples expressão de desagrado admitem a morte. E, deste modo, negam que vives.

3. Tu pensas que a morte está relacionada ao corpo. Porém, ela é apenas uma ideia inaplicável ao que se vê como físico. Uma ideia existe na mente. Por isto ela pode ser aplicada da forma que a mente a orienta. Mas é em sua origem que ela tem de ser mudada, se a mudança acontecer. As ideias não deixam sua fonte. A ênfase que este curso coloca nesta ideia se deve ao fato de ela ser primordial em nossas tentativas de mudar teu modo de pensar acerca de ti mesmo. Ela é a razão pela qual podes curar. Ela é a causa da cura. Ela é o motivo pelo qual não podes morrer. A verdade dela te estabeleceu como uno com Deus.

4. A morte é a ideia de que estás separado de teu Criador. É a crença de que as condições mudam, as emoções variam em razão de causas que não podes controlar, que não inventaste e que não podes mudar nunca. É a crença arraigada de que ideias podem deixar sua fonte e assumir qualidades que a fonte não tem, tornando-se diferentes de sua própria origem, separadas dela tanto em estado quanto em espaço, tempo e forma.

5. A morte não pode vir da vida. As ideias permanecem unidas a sua fonte. Elas podem estender tudo o que sua fonte contém. Neste aspecto, elas podem ir muito além de si mesmas. Mas não podem dar origem àquilo que nunca lhes foi dado. Conforme foram feitas, assim será seu fazer. Conforme foram criadas, assim criarão. E voltarão ao lugar de onde vieram.

6. A mente pode imaginar que dorme, mas isto é tudo. Ela não pode mudar aquilo que é seu estado desperto. Ela não pode inventar um corpo, nem morar no interior de um corpo. Aquilo que é estranho à mente não existe, porque não tem fonte. Pois a mente cria todas as coisas que existem e não pode lhes dar qualidades que lhe faltem, nem mudar seu próprio estado de atenção eterna. Ela não pode fazer o físico. Aquilo que parece morrer é apenas o sinal da mente adormecida.

7. O contrário da vida só pode ser outra forma de vida. Como tal, ela pode ser conciliada com o que criou, porque ela não é um oposto na verdade. Sua forma pode mudar; ela pode parecer ser o que não é. No entanto, mente é mente, acordada ou dormindo. Ela não é seu contrário em nada criado, nem naquilo que ela parece fazer quanto acredita que dorme.

8. Deus só cria a mente desperta. Ele não dorme, e Suas criações não podem compartilhar aquilo que Ele não dá, nem inventar condições que Ele não compartilhe com elas. A ideia da morte não é o contrário dos pensamentos de vida. Por serem eternamente não contrariados por opostos de qualquer tipo, os Pensamentos de Deus continuam a ser imutáveis para sempre, com o poder para se estenderem imutavelmente, mas ainda no interior de si mesmos, pois eles estão em todos os lugares.

9. Aquilo que parece ser o contrário da vida está dormindo simplesmente. Quando a mente escolhe ser o que ela não é e simular um poder estranho que não tem, um estado estranho no qual não pode penetrar ou uma condição falsa que não se encontre em sua Fonte, ela simplesmente parece ir dormir um pouco. Ela sonha com o tempo; um intervalo no qual o que parece acontecer não acontece jamais, as mudanças feitas não têm sentido e todos os acontecimentos não estão em parte alguma. Quando a mente desperta, ela apenas se mantém como sempre foi.

10. Sejamos, hoje, filhos da verdade e não neguemos nossa herança sagrada. Nossa vida não é como a imaginamos. Quem muda a vida em razão de fechar os olhos, ou fazer de si mesmo o que não é porque dorme e vê em sonhos um oposto ao que é? Não pediremos a morte em nenhuma forma hoje. E também não permitiremos , nem por um instante, que opostos imaginários à vida habitem no lugar em que o Pensamento da vida eterna foi posto pelo Próprio Deus.

11. Hoje lutamos para manter Seu lar sagrado como Ele o estabeleceu e quer que ele seja para todo o sempre. Ele é o Senhor do que pensamos hoje. E em Seus Pensamentos, que não têm opostos, compreendemos que há uma só vida e que é esta vida que compartilhamos com Ele, com toda a criação, com os pensamentos dela também, a quem Ele criou em uma unidade de vida que não pode se separar na morte e deixar a Fonte da vida de onde veio.

12. Compartilhamos uma única vida porque temos uma única Fonte, uma Fonte da qual a perfeição vem a nós, permanecendo sempre nas mentes sagradas que Ele criou perfeitas. Do modo que éramos, também somos agora e seremos para sempre. Uma mente adormecida tem de despertar, quando vê sua própria perfeição espelhando o Senhor da vida de forma tão perfeita que se desvanece no que está refletido aí. E agora ela não é mais um simples reflexo. Ela se torna a coisa que reflete e a luz que torna o reflexo possível. Não se necessita de nenhuma visão agora. Pois a mente desperta é aquela que conhece sua Fonte, seu Ser e sua Santidade.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 167

"Há uma só vida e é esta que compartilho com Deus."

Entender que a vida é uma só, e que tudo o que existe é apenas a manifestação desta vida única, apesar de toda a diversidade de formas que vemos, e entender também que esta vida única é a vida que compartilhamos com Deus, é dar um passo gigantesco em direção da cura da percepção, em direção do autoconhecimento e em direção do contato direto com o divino de quem nunca nos separamos.

Isto nos põe aptos a curar pelo espírito, pois já aprendemos a não dar crédito àquilo que nos mostram os corpos e os sentidos, colocando toda a nossa confiança na informação que nos chega a partir do divino em nós, a partir da atenção e da escuta da Voz por Deus, que brota da Fonte da criação daquilo que somos na verdade.

Em seu livro A Arte de Curar pelo Espírito, Joel Goldsmith diz que "... a cura pelo espírito é algo tão estranho, tão revolucionário, da diferente do modo cotidiano de pensar, que é difícil ensiná-la ou comunicá-la a outros".

Ele diz também que: "no momento em que alguém se torna instrumento pelo qual outro recebe cura - mesmo que se trate apenas de uma simples indigestão ou de uma dor de cabeça comum - é isto uma prova de que há uma presença, uma força; entramos em contato com Algo, que transcende a capacidade ou a inteligência humana. E isto quer dizer que, a partir daí, nosso trabalho deve consistir em continuar a procurar, intensificando a consciência dessa presença e fazendo exercícios práticos, até que venha a compreensão, seguida da verdadeira realização".  

É claro, como já vimos, que, a partir do que nos ensina o Curso, já somos capazes de entender que aquilo que o curador faz não é nada mais do que 'auxiliar' o outro, o doente, a abrir-se para a presença do divino em si mesmo, o que permite que ele transcenda/ultrapasse a crença/o pensamento que o mantém aparentemente preso à doença.

É para isso que se orientam nossas práticas. Hoje, e em todos os dias, nos momentos que escolhemos dedicar nossa atenção ao encontro com o divino em nós mesmos, como forma de alcançar o conhecimento que pensamos ter esquecido, quando, enganados pelo falso eu, nos acreditamos separados de Deus e, por consequência, de nós mesmos e daquilo que somos em essência, na verdade.

Já aprendemos em uma lição anterior que a morte não existe. O que morre não é o que Deus criou, pois "aquilo que Deus cria é eterno", uma ideia que está em perfeita sintonia com a ideia que a lição nos oferece para a práticas de hoje. 

Acreditar, perceber, reconhecer, compreender, no sentido de aceitar, a ideia de que a vida é uma só permite que nos libertemos da ideia do tempo, para compreender que o passado passou e não deixou nada a não ser a beleza e uma bênção, para aqueles que aprendem a olhar para o mundo livres do medo que serve apenas para esconder o Ser, que sempre foi, ainda é, e sempre será parte de nós, aliás, a única parte verdadeira de nós, que está além do tempo e que já venceu a morte. E que também não há futuro para se temer.

E é Goldsmith, mais uma vez, que nos garante que: "em sentido absoluto, não há futuro: o futuro é a constituição do presente, é o prolongamento do presente no tempo e no espaço; nosso futuro será este presente, qualquer que seja, a se estender através do tempo e do espaço".

E é um presente com consciência da Presença que as práticas nos oferecem. Porque, citando Goldsmith ainda: "Eis aqui agora o dia da salvação" (II Cor, 6:2). Agora é o único tempo, agora é o tempo perfeito. Agora Eu sou. Agora somos filhos de Deus. Agora - não amanhã, não quando estivermos mortos, mas agora! Agora vivemos, nos movemos e temos nosso ser na Consciência-Cristo". É só agora que podemos viver esta vida única que compartilhamos com Deus.

Às práticas?


sábado, 15 de junho de 2013

Só pode nos faltar aquilo que não damos


LIÇÃO 166

Eu estou encarregado das dádivas de Deus.

1. Todas as coisas te são dadas. A confiança de Deus em ti não tem limite. Ele conhece Seu Filho. Ele dá sem exceção, não retendo nada que possa contribuir para tua felicidade. E, não obstante, a menos que tua vontade seja uma só com a d'Ele, Suas dádivas não são recebidas. Mas o que te faria pensar que existe outra vontade além da d'Ele?

2. Eis aqui o paradoxo subjacente à feitura do mundo. Este mundo não é a Vontade de Deus e, por isto, ele não é real. Porém, aqueles que pensam que ele é real têm ainda de acreditar que há outra vontade, e uma que conduz a efeitos contrários àqueles que Ele quer. Impossível, de fato; mas toda a mente que olha para o mundo e o julga certo, sólido, digno de confiança e verdadeiro acredita em dois criadores; ou em um, ele mesmo apenas. Mas nunca em um só Deus.

3. As dádivas de Deus não são aceitáveis para ninguém que tenha estas crenças estranhas. Ele tem de acreditar que aceitar as dádivas de Deus, por mais evidentes que elas possam vir a ser, por mais urgentemente que ele possa ser chamado a reclamá-las como suas, é ser pressionado à traição de si mesmo. Ele tem de negar a presença delas, contradizer a verdade e sofrer para preservar o mundo que fez.

4. Aqui é o único lar que ele conhece. Aqui está a única segurança que ele acredita poder encontrar. Sem o mundo que fez, ele é um pária; sem lar e com medo. Ele não se dá conta de que é aqui, de fato, que ele é amedrontado, e sem lar, também; um pária vagando tão distante de casa, longe há tanto tempo que não compreende que se esqueceu de onde veio, aonde vai e até mesmo quem ele é realmente.

5. Entretanto, em suas divagações solitárias e sem sentido, as dádivas de Deus vão com ele, inteiramente desconhecidas para ele. Ele não pode perdê-las. Mas ele não olhará para aquilo que lhe é dado. Ele continua a vagar, ciente da futilidade do que vê a sua volta em todos os lugares, percebendo o quanto sua pouca sorte apenas diminui enquanto segue em frente em direção a lugar nenhum. Ele ainda continua a vagar na amargura e na probreza, só, embora Deus vá com ele, e um tesouro dele tão grande que tudo o que o mundo contém é sem valor diante de sua magnitude.

6. Ele parece uma figura lamentável, exausto, fatigado, com as roupas surradas, e com pés que sangram um pouco em razão da estrada dura pela qual ele anda. Ninguém deixa de se identificar com ele, pois todos que vêm aqui buscam o caminho que ele segue e sentem a derrota e a desesperança do mesmo modo que ele as sente. No entanto, ele é realmente trágico, quando vês que ele segue o caminho que escolheu e só precisa perceber de forma clara Quem anda com ele e explorar seus valores para ser livre?

7. Este é teu ser escolhido, aquele que fizeste como substituto para a realidade. Este é o ser que defendes violentamente contra toda razão, todo indício e todas as testemunhas com prova para te mostrar que este não és tu. Tu não lhes dás ouvidos. Continuas no caminho que fixaste para ti, com os olhos voltados para baixo a fim de não teres um vislumbre da verdade e seres liberado do auto-engano e libertado.

8. Tu te escondes com medo para não sentir o toque de Cristo sobre teu ombro e para não perceber Sua mão benigna te orientando a olhar para tuas dádivas. Como poderias, então, anunciar tua pobreza no exílio? Ele te faria rir desta percepção de ti mesmo. Onde está, então, a auto-piedade? E o que vem a ser de toda a tragédia que buscaste inventar para aquele a quem Deus destinava apenas alegria?

9. Teu medo antigo vem a ti agora e a justiça, enfim, te alcança. A mão de Cristo toca teu ombro e sentes que não estás sozinho. Pensas até mesmo que o ser amargurado que acreditavas que eras pode não ser tua Identidade. Talvez a Palavra de Deus seja mais verdadeira do que a tua. Talvez as dádivas d'Ele para ti sejam reais. Talvez Ele não tenha sido inteiramente ludibriado por teu plano de manter Seu Filho em esquecimento profundo, e de seguir pelo caminho que escolheste sem teu Ser.

10. A Vontade de Deus não resiste. Ela é simplesmente. Não é a Deus que aprisionas em teu plano para perder teu Ser. Ele não sabe de um plano tão estranho a Sua Vontade. Há uma necessidade que Ele não compreendeu, à qual Ele deu uma Resposta. Isto é tudo. E tu, que tens esta Resposta dada a ti, não tens necessidade de nada mais do que isto.

11. Agora vivemos, porque agora não podemos morrer. O desejo de morte é respondido e agora a visão que olhava para ele foi substituída pela visão que compreende que tu não és o que fingias ser. Caminha contigo Alguém Que responde benignamente a todos os teus medos com esta única resposta misericordiosa: "Isto não é verdade". Ele mostra todas as dádivas que tens cada vez que a ideia de pobreza te oprime e fala de Seu Companheirismo quando te percebes solitário e com medo.

12. Ele também te lembra ainda de mais uma coisa de que tinhas te esquecido. Pois o toque d'Ele te torna igual a Ele Mesmo. As dádivas que tens não são só para ti. O que Ele vem te oferecer, tu tens agora de aprender a dar. Esta é a lição que Sua doação contém , pois Ele te salva da solidão que buscaste fazer para te esconder de Deus. Ele te lembra de todas as dádivas que Deus te dá. Ele também fala daquilo que tua vontade se torna quanto aceitas estas dádivas e reconheces que elas são tuas.

13. As dádivas são tuas, confiadas a teu cuidado, para dares a todos que escolheram a estrada solitária de que escapaste. Eles não compreendem que buscam apenas seus desejos. Tu és quem os ensina agora. Pois aprendeste de Cristo que há outro caminho para eles andarem. Ensina-os pela demonstração da felicidade que vem para aqueles que sentem o toque de Cristo e reconhecem as dádivas de Deus. Não permitas que a tristeza te tente a ser desleal para com a tua confiança.

14. Neste caso teus suspiros trairão as esperanças daqueles que olham para ti em busca de sua liberação. Tuas lágrimas são as deles. Se ficas doente, apenas retardas a cura deles. Aquilo de que tens medo apenas lhes ensina que seus medos se justificam. Tua mão se torna a doadora do toque de Cristo; a mudança de teu modo de pensar se torna a prova de que aquele que aceita as dádivas de Deus jamais pode sofrer coisa alguma. Tu estás encarregado da liberação da dor do mundo.

15. Não o traias. Torna-te a prova viva daquilo que o toque de Cristo pode oferecer a todos. Deus confia todas as Suas dádivas a ti. Sê testemunha, em tua felicidade, do quanto vem a ser transformada a mente que escolhe aceitar Suas dádivas e sentir o toque de Cristo. Esta é tua missão agora. Pois Deus confia a doação de Suas dádivas a todos os que as recebem. Ele compartilha Sua alegria contigo. E, agora, tu vais compartilhá-la com o mundo.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 166


"Eu estou encarregado das dádivas de Deus."

Pensando mais uma vez na forma como cada um de nós recebe a informação, na forma como cada um filtra, a partir de sua própria experiência, a informação que lhe chega e reserva para si só aquilo que se encaixa em sua própria maneira de pensar, acho que vale a pena nos perguntarmos - e refletirmos  a respeito - o que significa para cada um de nós a ideia para as práticas de hoje.

Perguntemo-nos, então: o que significa para mim ouvir, ler, que "eu estou encarregado das dádivas de Deus"? Acho que é para responder a esta pergunta que as práticas se destinam neste dia. Pois, em geral, não nos vemos portadores dos dons divinos. Muito pelo contrário, a maior parte do tempo somos muito mal-agradecidos e nos julgamos desgraçados por viver aonde vivemos, nas condições em que vivemos, no corpo que nos carrega. Pobres-diabos que julgamos ser.

A prática da ideia de hoje, porém, oferece novamente a possibilidade de aprendermos de que forma podemos viver o Paraíso na terra, o Céu na terra. Por que, então, adiar a tomada de decisão, se tudo o que queremos é viver o Paraíso, o Céu, na terra? Pelo receio de que haja um preço a se pagar? O medo que este preço seja muito alto? O que pensamos poder perder, o que pensamos ter de dar em troca, pelas dádivas de Deus? Esta vida que vivemos? Mas quem vive, de fato, quando pensa estar separado de Deus? Quando pensa ser um  miserável, um deserdado por Deus?

Ora, não há preço nenhum a pagar e não é preciso fazer coisa alguma a não ser estender as dádivas a tudo e a todos. Ao compartilhá-las reconhecemos que as temos, aceitamos e somos gratos por elas.

O que a lição de hoje nos ensina é que precisamos aprender a ter consciência de que tudo o que fazemos é a nós mesmo que fazemos. Então, se estendermos as dádivas de Deus, a tudo e a todos, por estarmos encarregados delas, por as termos reconhecido e aceitado como nossas, o que poderemos receber em troca? Mais dádivas apenas.

Por outro lado, toda dádiva que deixamos de oferecer a quem quer que seja é, da mesma forma, a nós mesmos que estamos negando e é por isso que deixamos de recebê-la. Isto nos leva a concluir, em perfeita sintonia com o que o Curso ensina, que "só nos falta aquilo que não damos", como já vimos.

Busquemos, então, aprender, com a ideia para as práticas de hoje, que Deus confiou e confia a nós o tempo inteiro todas as Suas dádivas. E, claro, com elas, a completa e total responsabilidade por tudo o que vamos escolher fazer com o que recebemos.

Às práticas?


sexta-feira, 14 de junho de 2013

O Pensamento de Deus, em nós, dá sentido à vida


LIÇÃO 165

Que minha mente não negue o Pensamento de Deus.

1. O que faz este mundo parecer real exceto tua própria negação da verdade que está além? O que a não ser teus pensamentos de amargura e morte esconde a felicidade completa e a vida eterna que teu Pai deseja para ti? E o que poderia esconder o que não pode ser oculto exceto a ilusão? O que poderia afastar de ti aquilo que já tens exceto tua escolha de não o ver, negando que ele existe?

2. O Pensamento de Deus te criou. Ele não te abandonou, nem nunca ficas separado dele nenhum instante. Ele te pertence. Vives por ele. Ele é tua Fonte de vida, mantendo-te uno com ela, e todas as coisas são uma só contigo porque ele não te abandonou. O Pensamento de Deus te protege, cuida de ti, torna macio teu lugar de descanso e suave teu caminho, iluminando tua mente com felicidade e amor. A eternidade e a vida eterna brilham em tua mente, porque o Pensamento de Deus não te abandona e ainda mora contigo.

3. Quem negaria sua segurança e sua paz, sua alegria, sua cura e sua paz de espírito, seu descanso tranquilo, seu despertar calmo, se simplesmente reconhecesse o lugar aonde eles habitam? Ele não se prepararia imediatamente para ir até onde eles se encontram, abandonando tudo o mais como sem valor em comparação a eles? E os tendo encontrado não se certificaria de que ficassem consigo e de que ele permanecesse com eles?

4. Não negues o Céu. Ele é teu hoje, basta pedir. E também não precisas perceber quão grande é a dádiva, quão mudado estará teu modo de pensar antes que ela venha a ti. Pede para receber e te é dado. A convicção está nele. Até que o acolhas como teu, a incerteza permanece. No entanto, Deus é justo. Não se exige certeza para receberes aquilo que só a tua aceitação pode conceder.

5. Pede com desejo. Não precisas ter certeza de que pedes a única coisa que queres. Mas, quando a receberes, terás certeza de que tens o tesouro que sempre buscaste. O que, então, trocarias por ele? O que te levaria agora a deixar que ele desaparecesse de tua visão em êxtase? Pois esta visão prova que trocaste tua cegueira pelos olhos de Cristo, que veem; tua mente veio abandonar a negação e aceitar o Pensamento de Deus como tua herança.

6. Agora toda a dúvida passou, o fim da jornada está certo e a salvação te é dada. Agora o poder de Cristo está em ti, para curares como foste curado. Pois agora está entre os salvadores do mundo. Teu destino é aí e em nenhum outro lugar. Deus consentiria em permitir que Seu Filho permanecesse eternamente faminto por sua negação do alimento de que precisa para viver? A abundância habita nele e a privação não pode separá-lo do Amor de Deus, que anima, e de seu lar.

7.Pratica com esperança hoje. Pois, de fato, a esperança se justifica. Tuas dúvidas não têm sentido, pois Deus é certo. E o Pensamento d'Ele nunca está ausente. A certeza tem de morar dentro de ti, que és o anfitrião d'Ele. Este curso elimina todas as dúvidas que colocas entre Ele e tua certeza d'Ele.

8. Contamos com Deus e não com nós mesmos para nos dar segurança. E, em Nome d'Ele, praticamos conforme Sua Palavra nos orienta a fazer. A certeza d'Ele está acima de qualquer dúvida. O Amor d'Ele permanece além de todo o medo. O Pensamento d'Ele ainda está além de todos os sonhos em está em nossas mentes, de acordo com Sua Vontade.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 165


"Que minha mente não negue o Pensamento de Deus."

Ao final da lição desta última quarta, o Curso oferecia uma breve oração, que pode - e deve - ser utilizada nos vários momentos de nossas vidas em que a dúvida resolver se instalar para nos desviar da decisão tomada em favor das práticas que nos podem levar ao autoconhecimento e, por consequência, ao conhecimento de Deus em nós e ao Céu. 

Diz ela o seguinte e estou alterando a forma de tratamento para torná-la pessoal, individual:

Abençoa meus olhos hoje, Pai. Sou Teu mensageiro e quero olhar para o reflexo glorioso de Teu Amor que resplandece em todas as coisas. Vivo e me movo em Ti apenas. Não estou separados de Tua vida eterna. A morte não existe, porque a morte não é a Tua Vontade. E habito o lugar em que me colocaste, na vida que compartilho Contigo e com todas as coisas vivas, para ser igual a Ti, e parte de Ti para sempre. Aceito Teus Pensamentos como os meus e te entrego minha vontade para que ela permaneça eternamente em unidade com a Tua. Amém.

Usar esta oração é também, em meu modo de ver, uma forma de nos comprometermos com a ideia para as práticas de hoje. Isto é, é escolher que minha mente não negue o Pensamento de Deus. É, ao contrário, uma forma de buscar alinhar a mente com o Pensamento d'Ele, em nós.

É reafirmar nossa crença na ideia de que os pensamentos não podem deixar sua fonte. Ou, dizendo de outra maneira, é abandonar todo e qualquer compromisso com o sistema de pensamento do ego e negar a crença na separação.

 A ideia que praticamos com a lição de hoje traz consigo, de novo, a oportunidade de exercitarmos a decisão de aceitar o contato permanente com o Pensamento de Deus em nós. O único Pensamento que dá sentido à existência e nos permite andar por este mundo de ilusões de forma serena e tranquila. Em paz e serenidade, na certeza da alegria e da felicidade completas que são a Vontade de Deus para todos e cada um de nós.

Por maiores que sejam as tentativas do ego de nos fazer crer na separação, que criou todo este mundo de ilusões, lá no fundo de nossa mente há um espaço intocado pela ilusão, um espaço que nos leva sempre a buscar a verdade, a buscar conhecer-nos. 

É nesse lugar que nossa mente sabe que somos Pensamentos de Deus, que nossa vontade e d'Ele são uma só e que estamos em contato permanente com Ele. É esta parte de nossa mente que sabe que tudo o que precisamos fazer é reconhecer isto para receber e aceitar a visão de Cristo em nós, para ver no mundo apenas um instrumento que nos permita viver, em todos os instantes, situações e circunstâncias, a alegria e a felicidade perfeitas e completas.

Às práticas?

 

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Acreditar na separação é estar distraído de si mesmo


LIÇÃO 164

Agora somos um com Aquele Que é nossa Fonte.

1. Em que momento senão agora a verdade pode ser reconhecida? O presente é o único tempo que existe. E chegamos, por isto, hoje, neste instante, agora, para olhar para aquilo que existe para sempre; não em nossa visão, mas aos olhos de Cristo. Ele olha para além do tempo e vê a eternidade tal como ela se apresenta aí. Ele ouve os sons que o mundo sem sentido e agitado engendra, mas Ele os ouve vagamente. Pois, além deles todos, Ele ouve a melodia do Céu e a Voz por Deus mais clara, mais significativa, mais próxima.

2. O mundo se desvanece facilmente diante de Sua visão. Seus ruídos se tornam indistintos. Uma melodia de muito longe do mundo fica cada vez mais distinta; um chamado antigo ao qual Ele dá uma resposta antiga. Tu os reconhecerás a ambos pois são apenas tua resposta ao Chamado de teu Pai a ti. Cristo responde por ti refletindo teu Ser, utilizando tua voz para dar Seu consentimento feliz, aceitando tua liberação por ti.

3. Quão santa é tua prática hoje, quando Cristo te dá Sua visão e ouve por ti, e responde ao Chamado que Ele ouve em teu nome! Quão sereno é o instante que ofereces para passar com Ele, distante do mundo. Quão facilmente se esquecem todos teus pretensos pecados e se apagam todas as tuas tristezas. Neste dia abandona-se a aflição, pois visões e sons que chegam de um ponto mais próximo do que o mundo ficam claros para ti que, hoje, desejas aceitar as dádivas que Ele oferece.

4. Há um silêncio no qual o mundo não pode se intrometer. Há uma paz antiga que levas em teu coração e que não perdes. Há em ti uma sensação de santidade que o pecado não toca nunca. Tu te lembrarás de tudo isto hoje. A fidelidade na prática hoje trará recompensas tão grandes, e tão completamente diferentes de todas as coisas que buscaste antes, que saberás que teu tesouro está aqui e que aqui está teu descanso.

5. Este é o dia em que fantasias vãs se abrem como uma cortina para revelar o que há além delas. Agora, aquilo que existe realmente se faz visível, enquanto todas as sombras que pareciam escondê-lo simplesmente desaparecem. Agora se atinge o equilíbrio e a balança do julgamento é entregue Àquele Que julga verdadeiramente. E, no julgamento d'Ele, um mundo de perfeita inocência se desdobrará diante dos teus olhos. Agora tu o verás com os olhos de Cristo. Agora sua transformação está clara para ti.

6. Irmão, este dia é sagrado para o mundo. Tua visão, que te foi dada de muito além de todas as coisas neste mundo, volta seu olhar para elas sob uma nova luz. E o que vês vem a ser a cura e a salvação do mundo. O valioso e o sem valor são percebidos e reconhecidos por aquilo que são. E o que é digno de teu amor recebe teu amor, enquanto não sobra nada para se temer.

7. Não julgaremos hoje. Receberemos apenas o que nos é dado pelo julgamento feito além do mundo. Nossa prática de hoje se torna a dádiva de gratidão por nossa libertação da cegueira e do sofrimento. Tudo o que vemos só aumentará nossa alegria, porque sua santidade reflete a nossa. Estamos perdoados na visão de Cristo, com o mundo todo perdoado na nossa. Abençoamos o mundo, ao vê-lo na luz em que nosso Salvador olha para nós e lhe oferece a liberdade que nos é dada por Sua visão de perdão, e não por nossa própria visão.

8. Abre as cortinas em tua prática abandonando simplesmente todas as coisas que pensas querer. Põe de lado teus tesouros insignificantes e deixa um espaço claro e aberto em tua mente ao qual Cristo pode vir e te oferecer o tesouro da salvação. Ele necessita de tua mente mais sagrada para salvar o mundo. Este propósito não é digno de ser teu? Não vale a pena buscar a visão de Cristo acima das metas insatisfatórias do mundo?

9. Não deixes que o dia de hoje passe sem que as dádivas que ele contém para ti recebam teu consentimento e tua aceitação. Podemos mudar o mundo se tu as reconheceres. Talvez não percebas o valor que tua aceitação dá ao mundo. Mas certamente queres isto: poder trocar todo o sofrimento pela alegria neste dia mesmo. Pratica com seriedade e a dádiva é tua. Deus te enganaria? A promessa d'Ele pode falhar? Podes te recusar a tão pouco, quando a Mão d'Ele oferece a salvação completa a Seu Filho?

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 164


"Agora somos um com Aquele Que é nossa Fonte." 

A ideia para as práticas de hoje revela simplesmente algo que nunca mudou, não muda e não mudará jamais. Algo que precisamos incluir em nossos pensamentos de todos os segundos, de todos os minutos, de todas as horas e de todos os dias. Algo a que precisamos nos acostumar de novo. A verdade a nosso próprio respeito. A respeito daquilo que somos na verdade. Na unidade. 

É por não estarmos acostumados à verdade, depois de tanto tempo aprendendo, praticando e reforçando dia a dia a ilusão que precisamos das práticas que o Curso oferece. Aliás, há um grupo de estudos do Curso na internet que ensina que "todo dia é dia de treino", como forma de não se perder de vista a necessidade do exercício constante. Eu diria mais: que todo instante é ocasião de treino, de prática da verdade.

Em todo o caso não custa chamar a atenção, tantas vezes quanto possível, para o fato de que, agora e sempre, somos um com Aquele Que é nossa Fonte, como nos lembra a ideia da lição de hoje, mesmo quando não temos consciência disso. 

A questão é que, quando não estamos conscientes da Presença da Fonte de toda a vida em nós, não podemos nos valer de Sua Força, de Seu Poder, o Único Poder que existe e que, de acordo com Joel Goldsmith, nem é um poder, porque não precisa ser, uma vez que não há nada fora de Si. Nada que possa ameaçar a Verdade, a Vida. É por isso que praticamos a ideia de que não há nada a temer. Nem agora nem nunca.

A separação em que o falso eu - o ego, para o Curso - acredita não aconteceu. Não há, nem nunca haverá nenhuma possibilidade de nos separarmos de Deus, da Fonte. E se alguma vez imaginamos que isso é possível é apenas porque nos distraímos de nós mesmos. Por alguns instantes nos distraímos do fato de que somos um com Deus permanentemente. Nós nos distraímos de nós mesmos e pensamos ser possível a separação de nossa Fonte, e da unidade com tudo o que existe.

Nosso equívoco se deve principalmente ao fato de que pensamos no tempo de forma linear. Isto é, pensamos existir um tempo que passou, o passado; um tempo que acontece agora, o presente; e um tempo que será decorrente destes, o futuro. E, a maior parte do tempo, vivemos entre o passado e o futuro, sem nos darmos conta de que, como a lição nos diz hoje, o presente é o único tempo que existe.

Na verdade, não podemos viver senão o presente, o agora, no presente. Aqui e agora. Não há um modo de viver que seja resultado de alguma coisa que já vivemos, ou que alguém no mundo já viveu e nos legou como herança, a não ser na ilusão do tempo divido em passado, presente e futuro.

A verdade é que vivemos, quando vivemos, de fato, um presente no instante em que ele se apresenta e somos um com ele, para viver, tão logo aquele instante passe, o instante presente seguinte, e assim por diante, até a eternidade, que só pode ser vista e experimentada quando estamos e somos o que somos no presente, no instante, em cada instante.

Aqueles de nós, que sentem saudade do passado ou atribuem a fatos que acreditam ter acontecido lá, no passado, os resultados do que vivem agora, esquecem de que só se pode fazer as escolhas no presente. Os que acreditam e esperam uma vida melhor, o Céu, quem sabe, num tempo que virá, também estão se enganando, pois o Céu não é um lugar, não é um estado que vai se apresentar a partir das boas ações que fizermos ao longo do tempo, depois de um tempo, ou depois da morte do corpo. 

Não! Como o Curso ensina e já praticamos também: o Céu é a decisão que tenho de tomar. Se eu quiser viver o Céu na terra, em minha experiência da forma e dos sentidos. 

Ora, não há nada que possamos fazer em algum tempo, qualquer tempo, que não seja agora. Não nos iludamos mais. A alegria, a felicidade, a paz, o amor, a serenidade, a calma, tudo isto depende de nossa escolha é são o ponto de partida para vivermos a alegria e a paz. Se não as encontrarmos em nós mesmos agora, nas práticas de que somos um com Aquele Que é nossa Fonte, não seremos capazes de oferecê-las a tudo e a todos no mundo.

Às práticas?