sábado, 26 de outubro de 2024

Nossa decisão pelo Reino: vamos adiá-la até quando?

 

8. O que é o mundo real?

1. O mundo real é um símbolo, igual ao resto do que a percepção oferece. Contudo, ele representa o contrário daquilo que tu fizeste. Teu mundo é visto pelos olhos do medo e te traz à mente as evidências do horror. O mundo real não pode ser visto senão por olhos que o perdão abençoa, a fim de que eles vejam um mundo no qual o horror seja impossível e não se possa encontrar indícios de medo.

2. O mundo real possui uma contrapartida para cada pensamento infeliz que se reflete em teu mundo; uma compensação infalível para as cenas de medo e para os ruídos de luta que teu mundo contém. O mundo real apresenta um mundo visto de forma diferente, por olhos serenos e por uma mente em paz. Não há nada aí a não ser paz. Não se ouve nenhum grito de dor e de tristeza aí porque não fica nada fora do perdão. E as imagens são serenas. Só imagens felizes podem chegar à mente que se perdoa.

3. Que necessidade esta mente tem de pensamentos de morte, ataque e assassinato? O que ela pode perceber a sua volta a não ser segurança, amor e alegria? O que há para ela querer escolher condenar e o que há para ela querer julgar de modo desfavorável? O mundo que ela vê nasce de uma mente em paz consigo mesma. Não há nenhum perigo à espreita em nada do que ela vê, porque ela é benigna e só vê benignidade.

4. O mundo real é o símbolo de que o sonho de pecado e de culpa acabou, e de que o Filho de Deus já não dorme. Seus olhos despertos percebem o reflexo seguro do Amor de seu Pai; a garantia infalível de que ele está redimido. O mundo real indica o fim do tempo, pois a percepção dele torna o tempo inútil.

5. O Espírito Santo não tem nenhuma necessidade do tempo depois que o tempo cumpre o propósito d'Ele. Agora, Ele espera aquele único instante a mais para que Deus dê Seu passo final e o tempo desapareça, levando consigo a percepção enquanto se vai, e deixa apenas a verdade para ser ela mesma. Esse instante é nossa meta, porque ele contém a lembrança de Deus. E, quando olhamos para um mundo perdoado, é Ele Quem nos chama e vem para nos levar para casa, lembrando-nos de nossa Identidade, que nosso perdão nos devolve.

*

LIÇÃO 300

Este mundo dura só um instante.

1. Este é um pensamento que pode ser usado para dizer que a morte e a dor são o destino inevitável de todos os que vêm aqui, pois suas alegrias desaparecem antes de serem possuídas ou mesmo apreendidas. No entanto, ele também é a ideia que não permite que nenhuma percepção falsa nos mantenha sob seu controle, nem represente mais do que uma nuvem passageira em um céu eternamente sereno. E é esta serenidade, sem nuvens, inegável e segura, que buscamos hoje.

2. Buscamos Teu mundo sagrado hoje. Pois nós, Teus Filhos amados, perdemos o rumo por algum tempo. Mas ouvimos Tua Voz e aprendemos exatamente o que fazer para sermos devolvidos ao Céu e a nossa Identidade verdadeira. E hoje damos graças porque o mundo dura só instante. Queremos ir além deste diminuto instante para a eternidade.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 300

Caras, caros, 

Vamos mais uma vez ao comentário para a lição de hoje? Trezentos dias prática, é isso, não? E claro que isso não é pouco. E são muito, muito, mais dias para aqueles que estão e continuam por aqui desde o início, em 2009. Quem serão estes, estas? Quantos, quantas serão? Espero que todos e todas vocês comemorem muito estes trezentos dias. Tanto vocês que chegam aqui pela vez primeira, quanto vocês que já estão aqui há mais tempo. É motivo para comemoração, sim. Com certeza.

Assim, mais ou menos como tenho dito até agora, desde que começamos, todas as vezes em que chegamos aqui, tanto para aqueles e aquelas que vêm pela primeira vez quanto para aqueles e aquelas que já estão aqui há algum tempo, a partir do início das postagens deste blogue: Parabéns mais uma vez a todos e a todas nós, que neste dia chegamos a esta lição de número trezentos, quer pela primeira, pela segunda, terceira ou mais vezes. 

Este é um marco importante. E, como eu disse outras vezes também, não é pouco pensar que passamos trezentos dias deste ano buscando nos manter na mesma sintonia, mantendo-nos em contato com a energia do espírito em nós mesmos e em nós mesmas. Buscando lembrar-nos no dia a dia - uma, duas, três, quantas vezes mais for possível a cada um, a cada uma -, de voltar à presença do divino em nós mesmos e em nós mesmas com frequência. Com o passar do tempo, e a partir da familiarização com as práticas, as lições diárias passam a ser imprescindíveis, porque passam a fazer parte da ação concreta da decisão tomada como compromisso pessoal, de cada um e de cada uma com o divino em si.

Talvez, possamos, este ano também, aproveitando a ideia para nossas práticas de hoje, nos perguntar de novo: Quanto tempo dura um instante?, que é o tempo que dura o mundo de acordo com a ideia que praticamos hoje. Será que esta ideia não serve para que cheguemos, de uma vez por todas, à conclusão de que o único tempo que existe é o presente, o agora?

Será que não vamos ser capazes, ao praticar esta ideia, de voltar nossa atenção por completo ao uso que fazemos do tempo - do presente, do "único tempo que existe"? Será que estamos vivendo a vida que nos dá a alegria e a paz completas e perfeitas, que são a Vontade de Deus para nós, de acordo com o que o Curso ensina?

Ou será que continuamos a adiar a tomada de decisão, acreditando que ainda há muito tempo para isso? Ainda é muito cedo para eu tomar a decisão de voltar para Deus? Será que o mundo pode me oferecer alguma coisa que Deus não tem? Por que razão acho tão difícil tomar a decisão de fazer o que o Curso me pede para fazer? Por que razão o contato com o espírito, com o divino interior, me assusta?

"Buscai em primeiro lugar o reino de Deus, e o resto vos será dado por acréscimo", esta é uma das mensagens atribuídas a Jesus, no tempo em que se diz e acredita que ele viveu. Uma mensagem que continua a valer neste tempo em que ele, na condição de Cristo, o Filho de Deus e nosso irmão mais velho, vive em nós, pois o que quer que tenha vivido em algum momento e nos tenha chegado à consciência continua a viver em nós. Pois, por mais que não entendamos, por maior que seja a dificuldade que tenhamos para aceitar e reconhecer, a verdade é que o único tempo que existe é este, o momento presente que vivemos. E neste exato momento seja em que tempo for tudo o que vive vive em nós, por nós e para nós. 

Tudo o que Deus tem é meu, é teu e é de todos nós. Por isso basta que nos dediquemos por inteiro ao Reino, como eu já disse antes, para que tudo aquilo de que precisamos se apresente em nossa vida. É também por esta razão que Joel Goldsmith, ao se referir a esta mensagem, alerta para o fato de que quando nos decidimos por Deus, temos de tomar a decisão sem pensar no "resto". Isto é, o "resto" - aquilo que nos será dado por acréscimo -  certamente será o suficiente e até mais do que o suficiente para que vivamos a abundância, a alegria e a paz neste instante que o mundo dura. 

Quem de nós vai ter coragem de se arriscar? 

Às práticas?

sexta-feira, 25 de outubro de 2024

A impermanência é a constante e o melhor do mundo

 

8. O que é o mundo real?

1. O mundo real é um símbolo, igual ao resto do que a percepção oferece. Contudo, ele representa o contrário daquilo que tu fizeste. Teu mundo é visto pelos olhos do medo e te traz à mente as evidências do horror. O mundo real não pode ser visto senão por olhos que o perdão abençoa, a fim de que eles vejam um mundo no qual o horror seja impossível e não se possa encontrar indícios de medo.

2. O mundo real possui uma contrapartida para cada pensamento infeliz que se reflete em teu mundo; uma compensação infalível para as cenas de medo e para os ruídos de luta que teu mundo contém. O mundo real apresenta um mundo visto de forma diferente, por olhos serenos e por uma mente em paz. Não há nada aí a não ser paz. Não se ouve nenhum grito de dor e de tristeza aí porque não fica nada fora do perdão. E as imagens são serenas. Só imagens felizes podem chegar à mente que se perdoa.

3. Que necessidade esta mente tem de pensamentos de morte, ataque e assassinato? O que ela pode perceber a sua volta a não ser segurança, amor e alegria? O que há para ela querer escolher condenar e o que há para ela querer julgar de modo desfavorável? O mundo que ela vê nasce de uma mente em paz consigo mesma. Não há nenhum perigo à espreita em nada do que ela vê, porque ela é benigna e só vê benignidade.

4. O mundo real é o símbolo de que o sonho de pecado e de culpa acabou, e de que o Filho de Deus já não dorme. Seus olhos despertos percebem o reflexo seguro do Amor de seu Pai; a garantia infalível de que ele está redimido. O mundo real indica o fim do tempo, pois a percepção dele torna o tempo inútil.

5. O Espírito Santo não tem nenhuma necessidade do tempo depois que o tempo cumpre o propósito d'Ele. Agora, Ele espera aquele único instante a mais para que Deus dê Seu passo final e o tempo desapareça, levando consigo a percepção enquanto se vai, e deixa apenas a verdade para ser ela mesma. Esse instante é nossa meta, porque ele contém a lembrança de Deus. E, quando olhamos para um mundo perdoado, é Ele Quem nos chama e vem para nos levar para casa, lembrando-nos de nossa Identidade, que nosso perdão nos devolve.

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LIÇÃO 299

A santidade eterna habita em mim.

1. Minha santidade está muito além de minha própria capacidade de entender ou conhecer. No entanto, Deus, meu Pai, Que a criou, reconhece minha santidade como a d'Ele. Nossa Vontade conjunta a compreende. E Nossa Vontade conjunta sabe que isso é verdade.

2. Pai, minha santidade não vem de mim. Ela não é minha para ser destruída pelo pecado. Ela não é minha para sofrer ataques. Ilusões podem escondê-la, mas não podem extinguir sua radiância nem turvar sua luz. Ela continua a ser perfeita e intocada para sempre. Todas as coisas são curadas nela, pois continuam a ser tal qual Tu as criaste. E eu posso conhecer minha santidade. Pois a Própria Santidade me criou, e eu posso conhecer minha Fonte porque é Tua Vontade que Tu sejas conhecido.


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COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 299

Caras, caros,

Repetindo, uma vez mais ainda, o que eu disse em anos anteriores, a ideia que vamos praticar hoje busca nos devolver à condição natural do Filho de Deus. É a prática desta ideia que pode nos pôr em contato com aquilo que verdadeiramente somos. 

Aquilo em que acreditamos nos ter transformado a partir das experiências que vivemos neste mundo não tem importância, pois só existe naquela parte de nossa mente que imagina de modo equivocado ser possível uma existência separada da Deus. 

A imagem que fazemos de nós mesmos e de nós mesmas, que cria e constrói este mundo em que aparentemente vivemos, é falsa. É apenas uma parte da ilusão. E toda a ideia de busca e todos os esforços que fazemos nos vários caminhos que trilhamos servem apenas para confirmar aquilo que o Curso diz, que é a mesma coisa que nos dizem todos os mestres de todos os tempos. Nós já somos aquilo que buscamos. 

Atenção! Atenção! Atenção!

Nós, todos, todas, cada um e cada uma de nós, sempre fomos, já somos e seremos eternamente aquilo que buscamos.

É por isso, pois, que as ideias da alegria e da paz, perfeitas e completas, bem como a da santidade são, como já disse anteriormente, recorrentes no Curso, por serem elas a condição natural do Filho de Deus. Aprender a reconhecer e a internalizar a santidade em nós é o que vai nos permitir viver na alegria e na paz perfeitas. É o que vai nos devolver à Graça, ao Eu, de que fala Ramana Maharshi, quando diz, conforme já vimos antes, que:

"As pessoas não entendem a verdade nua e crua e - a verdade de sua consciência de cada dia, sempre presente e eterna. Essa é a verdade do Eu. Existe alguém que não esteja consciente do Eu? Embora não gostem de ouvir falar disso, as pessoas estão ávidas por saber o que vai além [de suas vidas momentâneas] - céu, inferno, reencarnação. Exatamente porque elas amam o mistério e não a verdade pura, as religiões as mimam - para, finalmente, trazê-las de volta ao Eu. Por mais que possam vagar, vocês devem retornar em última instância ao Eu; portanto, por que não subsistir no Eu [na santidade] aqui e agora?

"... a Graça está sempre presente desde o princípio. A Graça é o Eu. Não é algo para ser conseguido. Basta reconhecer sua existência.

"Se a realização não fosse eterna, não valeria a pena. Assim, o que buscamos [a santidade, a Graça, o Eu] não é algo que deve ter começado a existir, mas algo que é eterno e está presente agora mesmo, presente em sua própria consciência [algo que habita em nós].

"[Na verdade], passamos [aparentemente e na ilusão apenas] por todo tipo de práticas e princípios vigorosos para nos tornarmos o que já somos agora [o que sempre fomos e seremos eternamente]. Todo [o] esforço serve simplesmente para nos livrarmos da impressão errada de que estamos limitados pelas aflições desta vida.

"Inicialmente, é impossível para você não fazer esforço. Quando você vai mais fundo, é impossível para você fazer esforço."

O aparente esforço que precisamos fazer inicialmente só é necessário porque "no estado do viver, as coisas vão enqueridas [amarradas] com muita astúcia: um dia é todo para a esperança, o seguinte para a desconsolação", como nos ensina o jagunço Riobaldo.

Porém, ele mesmo nos alerta para o fato de que: "Somente com a alegria é que a gente realiza bem - mesmo até as tristes ações".


E novamente Nikos Kazantzakis:

"O rosto mais iluminado da desesperança é Deus; o rosto mais iluminado de esperança é Deus..."  


Entretanto, esperança e medo são duas faces da mesma moeda. A esperança não existe sem o medo e vice-versa. Daí, a necessidade de transcendermos essa aparente divisão, que é o que constrói este mundo ilusório, onde a separação é a tônica. Precisamos aprender a amar a impermanência neste mundo, porque é ela que nos oferece a visão da intemporalidade. Só ela pode nos mostrar quão pouco importante é o apego que temos às coisas mundanas, que duram tão somente o breve espaço de nossa respiração, para no momento seguinte já se transformarem em outra coisa.

Às práticas?

ADENDO:

Este adendo foi escrito em 2020. Tendo como base os comentários daquele ano - um ano bissexto como este - para os comentários que estou publicando neste ano. Resolvi mantê-lo, como forma de responder, acredito, a várias questões que podem surgir ao longo do caminho, à medida que buscamos seguir os ensinamento do UCEM, praticando suas lições. Ampliei-o um pouquinho, por conta de tudo o que penso ter aprendido desde então.

Olá a todos e todas. Olá, Glória, do Atelier G'Ávila,

Esta é uma tentativa de resposta à questão trazida pela nossa colega Glória, a respeito do livro "Cartas de Cristo", mas acredito que pode ser uma reflexão que vale para todos nós em nossos caminhos pela busca do autoconhecimento. Um amigo, mestre, acha melhor dizer na busca da "autoconstrução".

É claro que existem muitos outros livros que dizem ter sido ditados por uma "Voz" e que esta "Voz" seria a "Voz" de Jesus, não o homem que dizem ter vivido na Palestina há mais de dois mil anos, mas a "Voz" do Cristo, a "Voz" de Deus feito carne e sangue e sentidos.

Portanto, o que posso dizer?

Primeiro que não conheço o livro, quer dizer, não o li. Cheguei a comprá-lo e a começar sua leitura em algum momento em 2012, mas não fui além da terceira carta. Inicialmente porque não gostei da tradução e depois o tom do livro não chegou a me tocar de fato. Cheguei ao ponto de comprar um exemplar para ler no original, em inglês, mas a leitura também não deslanchou.

Isso quer dizer que o livro não é bom? Que a mensagem não é boa, ou que não deve ser ouvida, lida, estudada? Absolutamente não! Sei que existem grupos que estudam este "Cartas de Cristo". Assim como há grupos que estudam outros textos, de outros mestres. Não há nada de errado nisto. 

É preciso que nos lembremos de que o próprio "Um Curso em Milagres" é também um livro que muitas pessoas não conseguem ler. Muitas pessoas que se aproximam dele não conseguem dar continuidade às práticas das lições diárias. E os próprios "lançadores" do livro, ainda em vida, chegaram a dizer que sua mensagem não era para todas as pessoas. Kenneth Wapnick aconselhava as pessoas a não se preocuparem em fazer com que a mensagem do Curso se disseminasse, se espalhasse. Não é o que o Curso pede. Não é o que ele quer. Não é a isto que ele se presta.

A própria Helen Schucman, que transcreveu as palavras ditadas pela "Voz" era uma pessoa que não lidava bem com o Curso, nem com sua mensagem. 

Com respeito ao que eu disse no comentário à lição 295, onde surgiu a questão da colega, há assunto para muitas vidas.

Eu diria que essas "Cartas" entram no rol de inúmeros outros textos que circulam pelo mundo de tempos em tempos, buscando trazer uma nova luz para aquilo que se diz que o homem Jesus - encarnando o papel de Filho de Deus e vivendo-o, como se fora um nosso irmão mais velho, como afirma no Curso - disse. 

Isso significa que por trás de tudo o que a história nos conta, por trás de tudo o que as religiões e seus padres, pastores e divulgadores interessados nos contam, há uma mensagem que não ficou clara para um grande número de pessoas. Assim, sempre aparece alguém que quer e vai esclarecer as coisas. Isto talvez signifique que há um grande número de egos querendo aplauso, querendo traduzir a mensagem dos mestres. Aliás, as religiões todas não fazem nada a não ser isto.

Parece-me, porém, não ser verdade que a mensagem dos mestres não é clara. O problema, o que obscurece e deturpa, em geral, a mensagem é o que os seguidores fazem com ela. 

A mensagem dos mestres em todos os tempos é claríssima, e é apenas uma: "faze aos outros apenas aquilo que queres que façam a ti". Ou "ama teu próximo [irmão] como a ti mesmo". Todo o resto são apenas comentários. Interpretações.

O Curso traz logo no início, em sua introdução, um resumo do que precisamos aprender que se limita a três pequenas frases:

"Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisto está a paz de Deus."

Pronto! E tudo está dito. 

Há ainda um ditado que vem, se não me engano, lá da sabedoria do Oriente e diz: "Quando o aluno está pronto, o mestre aparece". 

Para terminar, sem me alongar demais, eu diria que o importante não pode ser nunca o meio, pelo qual a mensagem se apresenta, e sim a mensagem em si. Em outras palavras, como também diz o Curso a certa altura, não precisamos mais do que aprender, praticar e viver no dia a dia nada mais do que apenas a ideia de uma só das lições para sermos salvos e para salvar o mundo todo conosco.

Eu, para mim, para minha vidam adotei o roteiro dado pelo Curso. E procuro, além de praticar as lições diariamente, pô-las em prática nos meus dias há já mais de vinte anos. Isso, no entanto, não me impede de beber de outras fontes e de encontrar boas águas numa e noutra.

O maior cuidado, não obstante, que todos e todas nós devemos ter é o de não transformar nenhum dos meios - o Curso, as Cartas, o professor, a professora, o mestre, a mestra, o guru, a gurua - em ídolos. Para tanto, o Curso sempre nos oferece a possibilidade de consultarmos o divino em nós mesmos e em nós mesmas e de lembrar-nos do mais importante que o ensinamento pode nos oferecer: não há nada fora. Ouçamos o divino em nós para agir de acordo com o que nos fala a alma, o coração. Abandonando quaisquer conselhos que venham do ego, ou de qualquer forma ilusória.

Relendo este adendo, à luz do tempo de práticas e de leituras outras desde o período em que ele foi escrito, parece-me útil acrescentar que o que o Curso pede de nós - oferecendo-nos com seu ensinamento a possibilidade de que o alcancemos - é que não nos deixemos amarrar, aprisionar, ou prender por quaisquer coisas da forma, dos sentidos, aconselhando-nos inclusive a que o abandonemos, quando tivermos alcançado a liberdade do amor por nós mesmas e por nós mesmas, a certeza de que somos um com o divino que nos nutre e mantém vivos, vivas.

Dizendo de outra forma, o Curso não seria necessário, como ele mesmo diz, se agíssemos no mundo a partir daquilo que nos manda a fazer o coração, orientado pelo divino que o dirige e dá força e proteção por toda a eternidade. Tudo o que precisamos fazer é ser nós mesmos, nós mesmas. 

Paz e bem!

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

Queremos ser amados, amadas, incondicionalmente?

 

8. O que é o mundo real?

1. O mundo real é um símbolo, igual ao resto do que a percepção oferece. Contudo, ele representa o contrário daquilo que tu fizeste. Teu mundo é visto pelos olhos do medo e te traz à mente as evidências do horror. O mundo real não pode ser visto senão por olhos que o perdão abençoa, a fim de que eles vejam um mundo no qual o horror seja impossível e não se possa encontrar indícios de medo.

2. O mundo real possui uma contrapartida para cada pensamento infeliz que se reflete em teu mundo; uma compensação infalível para as cenas de medo e para os ruídos de luta que teu mundo contém. O mundo real apresenta um mundo visto de forma diferente, por olhos serenos e por uma mente em paz. Não há nada aí a não ser paz. Não se ouve nenhum grito de dor e de tristeza aí porque não fica nada fora do perdão. E as imagens são serenas. Só imagens felizes podem chegar à mente que se perdoa.

3. Que necessidade esta mente tem de pensamentos de morte, ataque e assassinato? O que ela pode perceber a sua volta a não ser segurança, amor e alegria? O que há para ela querer escolher condenar e o que há para ela querer julgar de modo desfavorável? O mundo que ela vê nasce de uma mente em paz consigo mesma. Não há nenhum perigo à espreita em nada do que ela vê, porque ela é benigna e só vê benignidade.

4. O mundo real é o símbolo de que o sonho de pecado e de culpa acabou, e de que o Filho de Deus já não dorme. Seus olhos despertos percebem o reflexo seguro do Amor de seu Pai; a garantia infalível de que ele está redimido. O mundo real indica o fim do tempo, pois a percepção dele torna o tempo inútil.

5. O Espírito Santo não tem nenhuma necessidade do tempo depois que o tempo cumpre o propósito d'Ele. Agora, Ele espera aquele único instante a mais para que Deus dê Seu passo final e o tempo desapareça, levando consigo a percepção enquanto se vai, e deixa apenas a verdade para ser ela mesma. Esse instante é nossa meta, porque ele contém a lembrança de Deus. E, quando olhamos para um mundo perdoado, é Ele Quem nos chama e vem para nos levar para casa, lembrando-nos de nossa Identidade, que nosso perdão nos devolve.

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LIÇÃO 298

Eu Te amo, Pai, e amo Teu Filho.

1. Minha gratidão permite que meu amor seja aceito sem medo. E, dessa forma, sou, afinal, devolvido a minha realidade. O perdão retira tudo o que se intrometia com minha vista sagrada. E eu chego perto do fim da jornada sem sentido, de carreiras loucas e de valores artificiais. Em lugar disso, aceito o que Deus estabeleceu como meu, certo de que só nisso serei salvo; certo de que atravesso o medo para encontrar meu amor.

2. Pai, venho a Ti hoje porque não quero seguir nenhum caminho a não ser o Teu. Tu estás a meu lado. Teu caminho é seguro. E eu estou grato por Tuas dádivas de refúgio garantido e de saída para tudo o que quer esconder meu amor por Deus, meu Pai, e por Seu Filho santo.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 298

Caras, caros,

Hoje, como sempre, e sempre e cada vez mais, é necessário que fiquemos de olhos bem abertos a tudo e a todos. A atenção é sempre vital. É preciso que voltemos toda a atenção de que somos capazes para a ideia que o Curso nos oferece para as práticas, uma vez que, em geral, como eu já disse antes, não estamos acostumados nem acostumadas a declarar nosso amor a Deus. Muito menos, de forma honesta e sincera, a qualquer um e qualquer uma de seus filhos e filhas, a quem, às vezes, dizemos amar, mas com um amor condicionado ao atendimento de certas exigências do falso eu que pensamos ser. 


Assim como diz a monja budista, Pema Chödrön, em seu livro quando tudo se desfaz, "as pessoas sempre dizem que é isso que desejam: querem amar e ser amadas incondicionalmente. Achamos que seria ótimo ter um relacionamento desse tipo, mas apenas se pudermos estabelecer nossas próprias regras" [grifo meu]. Para onde foi o "incondicional"?

Também não estamos acostumados a pensar que amamos a nós mesmos e a nós mesmas - muito menos de maneira incondicional -, ou que é preciso que nos amemos. Em geral, somos os juízes, as juízas, mais cruéis de nós mesmos e de nós mesmas. Que dirá, então, confessar que nos amamos, a não ser de forma jocosa como uma música tempo atrás, que declarava: "Eu me amo, eu me amo, não posso mais viver sem mim"?

No entanto, isto não deve ser levado em conta de brincadeira. Pois só quando formos capazes de reconhecer em nós mesmos e em nós mesmas a expressão do divino, e nos amarmos, de fato, sendo, inclusive, capazes de declarar - ainda que apenas para nós mesmos e nós mesmas, que é o que importa - que nos amamos, é que estaremos declarando nosso amor a Deus.

Por esta razão, eu convido vocês mais uma vez a que voltemos nossa atenção para aquilo que é necessário aprendermos para alcançar o reino de Deus em nós, de acordo com o que nos instrui Joel Goldsmith em um de seus livros: O Despertar da Consciência Mística. Consciência a que também poderíamos chamar de "consciência espiritual". 

Para entendermos melhor o que significa atenção, voltar-se para o espírito, ou voltar-se para si, ou para Deus, a partir do que diz Joel, precisamos estar dispostos e dispostas a sentar, sozinhos, sozinhas, duas ou três vezes por dia, para lembrarmos a nós mesmos e a nós mesmas de toda a verdade que pudermos lembrar a respeito de Deus, do reino divino, do universo divino e da criação de Deus, para depois descansarmos. N'Ele.


Quem pode nos dar esta disposição é o desejo muito grande, o desejo ardente, de conhecer o Reino de Deus e de vivê-lo. Ou como diz o Curso em texto que já lemos em grupo algumas vezes - à época em que eu ainda fazia parte de grupos de leitura: Estar no Reino é simplesmente focalizar tua completa atenção nele. Enquanto acreditares que podes te dedicar àquilo que não é verdadeiro, estás aceitando o conflito como tua escolha [e, é óbvio vais te sentir separado, ou separada, do Reino]. 

Um livro que li há já algum tempo, e de que falei outras vezes, Dying to be me [literalmente: "morrer - ou morrendo - para ser eu"], ainda sem tradução para o Português, trata da experiência de quase-morte da autora, Anita Moorjani. A certa altura, falando acerca dos motivos que a levaram a viver tal experiência - uma das perguntas mais frequente das pessoas em suas palestras - ela diz o seguinte, resumindo a resposta em uma única palavra: medo. Isto é, falta de amor a si mesma. Pois como já vimos é impossível amar a Deus [e a si mesmo] e sentir medo. 

Em compensação, no estado a que ela teve acesso quando passou pela experiência, o que ela vivenciou foi a consciência do quanto ela mesma se julgou e do quanto se tratou de forma muito severa ao longo de toda a vida. E ela diz:

Não havia ninguém me castigando. Compreendi finalmente que era a mim mesma que eu não tinha perdoado, não a outras pessoas. Eu era a única que me julgava, a quem tinha desamparado e a quem eu não amava o bastante. Não tinha nada a ver com ninguém. Eu me vi como uma linda criança do universo. Só o fato de eu existir me fazia merecer o amor incondicional. Percebi que eu não tinha de fazer nada para merecer isso - nem rezar, nem pedir qualquer outra coisa. Vi que eu nunca tinha me amado, me valorizado ou visto a beleza de minha própria alma.

Nem Deus pode nos amar, se nós não nos amarmos [no sentido de que ele não é autorizado por nós mesmos e nós mesmas a nos amar - lembremo-nos de que temos o livre-arbítrio, que impede que Deus nos obrigue a qualquer coisa. E, no entanto, se voltarmos por um instante ao comentário para a lição de ontem, vimos lá que, de acordo com Leonardo Boff, mesmo quando não há a contrapartida, Deus nos ama].

Precisamos aprender, reaprender, lembrar de sentir e viver como vivíamos enquanto criancinhas. Lembram-se da exortação atribuída a Jesus dizendo a seus discípulos que eles deviam ser como criancinhas. Vejam como isto pode ser - ou tem de - entendido a partir do que nos diz Nikos Kazantzakis, em livro que li recentemente:

Lembro-me que frequentemente me sentava na entrada de nossa casa, o sol brilhava, o vento queimava, em um casarão vizinho amassavam-se uvas para o preparo do vinho, o mundo cheirava a bagaço de uva, e eu fechava os olhos feliz da vida, estendia as mãos e esperava; e Deus vinha; durante minha infância, ele nunca me enganou, ele vinha criança como eu, e me colocava nas mãos os seus brinquedinhos - o sol, a lua, o vento. "É um presente para você", dizia-me, "um presente, brinque com eles; eu tenho outros brinquedos". Eu abria os olhos, Deus desaparecia, mas seus brinquedinhos ficavam em minhas mãos.

Eu possuía, embora não o soubesse e não sabia porque a vivia, a onipotência de Deus; eu criava o mundo como o queria. Eu era uma massa moldável, o mundo também era uma massa moldável... 


Continua a ser para todos e todas nós como sempre o foi, hoje e como será até o fim dos temposAfinal, o mundo só existe como representação materializada aparentemente dos desejos e crenças e medos que trazemos dentro de nós.

A seguir, dou-lhes novamente aquela pequena oração/meditação de Goldsmith, para que exercitemos manifestar nosso desejo pelo Reino. Um desejo que tem necessariamente de reconhecer como verdadeira a declaração que nos pede para fazer a ideia para as práticas de hoje:

Pai, agora, fala. Estou pronto para ouvir Tua Voz. Estou receptivo a Tua Presença. Tenho só um desejo - não é daqui de fora. Não estou interessado em conseguir emprego, posição, riqueza, fama, fortuna ou felicidade - nem mesmo paz, nem mesmo segurança. Meu único desejo nesta vida é Te conhecer. Este é meu único desejo. Entrego a Ti, Pai, este mundo inteiro. Devolvo-Te todos e todas as coisas que estão nele. Deixa-me apenas Te ter em mim. Já não peço graças para mim mesmo ou para qualquer outra pessoa. Deixa-me apenas Te conhecer. 

Às práticas?

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

É preciso perdoar só a nós mesmos e a nós mesmas

 

8. O que é o mundo real?

1. O mundo real é um símbolo, igual ao resto do que a percepção oferece. Contudo, ele representa o contrário daquilo que tu fizeste. Teu mundo é visto pelos olhos do medo e te traz à mente as evidências do horror. O mundo real não pode ser visto senão por olhos que o perdão abençoa, a fim de que eles vejam um mundo no qual o horror seja impossível e não se possa encontrar indícios de medo.

2. O mundo real possui uma contrapartida para cada pensamento infeliz que se reflete em teu mundo; uma compensação infalível para as cenas de medo e para os ruídos de luta que teu mundo contém. O mundo real apresenta um mundo visto de forma diferente, por olhos serenos e por uma mente em paz. Não há nada aí a não ser paz. Não se ouve nenhum grito de dor e de tristeza aí porque não fica nada fora do perdão. E as imagens são serenas. Só imagens felizes podem chegar à mente que se perdoa.

3. Que necessidade esta mente tem de pensamentos de morte, ataque e assassinato? O que ela pode perceber a sua volta a não ser segurança, amor e alegria? O que há para ela querer escolher condenar e o que há para ela querer julgar de modo desfavorável? O mundo que ela vê nasce de uma mente em paz consigo mesma. Não há nenhum perigo à espreita em nada do que ela vê, porque ela é benigna e só vê benignidade.

4. O mundo real é o símbolo de que o sonho de pecado e de culpa acabou, e de que o Filho de Deus já não dorme. Seus olhos despertos percebem o reflexo seguro do Amor de seu Pai; a garantia infalível de que ele está redimido. O mundo real indica o fim do tempo, pois a percepção dele torna o tempo inútil.

5. O Espírito Santo não tem nenhuma necessidade do tempo depois que o tempo cumpre o propósito d'Ele. Agora, Ele espera aquele único instante a mais para que Deus dê Seu passo final e o tempo desapareça, levando consigo a percepção enquanto se vai, e deixa apenas a verdade para ser ela mesma. Esse instante é nossa meta, porque ele contém a lembrança de Deus. E, quando olhamos para um mundo perdoado, é Ele Quem nos chama e vem para nos levar para casa, lembrando-nos de nossa Identidade, que nosso perdão nos devolve.

*

LIÇÃO 297

O perdão é a única dádiva que dou.

1. O perdão é a única dádiva que dou, porque ele é a única dádiva que quero. E tudo o que dou, dou a mim mesmo. Esta é a fórmula básica da salvação. E eu, que quero ser salvo, quero fazê-la minha, para que ela seja o modo como vivo em um mundo que precisa de salvação, e que será salvo quando eu aceitar a Expiação para mim mesmo.

2. Pai, quão seguros são Teus caminhos; quão seguro o resultado final deles, e quão confiantemente já está estabelecido cada passo de minha salvação, e realizado por Tua graça. Graças sejam dadas a Ti por Tuas dádiva eternas, e graças Te dou por minha Identidade.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 297

Caras, caros,

A ideia que o Curso nos oferece para as práticas de hoje, como eu já disse antes, está relacionada de modo direto à mensagem central de Jesus, que chegou até nós, conforme os relatos que herdamos de sua passagem por este mundo: o perdão, a se dar crédito a tudo o que se disse e diz a respeito dele. 

As práticas com a ideia de hoje também estão intrinsecamente ligadas ao que foi central na vida e mensagem de São Francisco de Assis, o homem que, no seu próprio tempo, também foi capaz de viver em sua vida a mensagem ligada à mensagem central de Jesus, pelas informações que temos de historiadores e estudiosos da vida e da obra do santo.

Assim, aproveitemos para nos lembrar uma vez mais do comentário feito a esta lição em anos anteriores. Voltemo-nos para São Francisco e para o que ele diz em sua oração, conhecida mundialmente.  Pois, se ouvirmos, de fato, o que ele diz em sua oração, aliando suas palavras à ideia que praticamos hoje, vamos ser capazes de aprender, de fato, que "é [só] perdoando que se é perdoado", e que tudo o que precisamos fazer para obter aquilo que queremos obter é, em primeiro lugar, oferecê-lo. 


Também é importante lembrar que, como o Curso, ensina, em qualquer circunstância, só perdoamos a nós mesmos e a nós mesmas. Porque é só a nós mesmos e a nós mesmas que é necessário perdoar. Se vocês estiverem bem lembrados e bem lembradas do que ensina o Dr. Hew Len, a respeito do ho'oponopono, tudo o que precisamos fazer é perdoar-nos pelos equívocos de nossa percepção, pois são eles, os equívocos, que povoam o mundo perceptível de erros que, na verdade, não existem. A não ser em nossa interpretação do que vemos no mundo. Nosso julgamento do que vemos, pode-se dizer.

Como eu já disse antes também, Leonardo Boff, em seu livro A Oração de São Francisco, começa sua mensagem a respeito da frase "É perdoando que se é perdoado" dizendo que: "Uma das dimensões mais surpreendentes e até escandalosas da mensagem de Jesus é o anúncio de que seu Deus é um Deus de amor incondicional e de irrestrita misericórdia. [Um Deus que] Oferece a todos o seu amor e o seu perdão, mesmo quando não [Se] depara com a contrapartida deste amor. [Um Deus que] Ama até 'os ingratos e maus' "(Lucas 6, 35).

Há ainda na mesma oração mais uma referência ao perdão que diz "onde houver ofensa, que eu leve o perdão". Repetindo: para fazer isto, é preciso que estejamos dispostos e dispostas a seguir a orientação do Curso e buscar um modo diferente de olhar para o mundo. Pois não há nenhuma dúvida de que para se "ver verdadeiramente" é preciso que se queira "verdadeiramente" ver. Ou não conhecemos o ditado: "o pior cego é o que não quer ver"? É para que aprendamos também a querer ver que o Curso nos oferece estas práticas diárias.

Quando nos decidirmos, de fato, a olhar para o mundo de modo diferente, aprenderemos a eliminar a pouco e pouco o julgamento que fazemos daquilo que vemos. Esse é o caminho que vai nos oferecer a visão de um mundo perdoado.

E que tal lembrar da Oração de São Francisco mais uma vez?

Senhor,
Fazei-me um instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre,
Fazei que eu procure mais consolar, que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado,
Pois é dando que se recebe,
É perdoando que se é perdoado,
E é morrendo que se vive para a vida eterna.

Às práticas?

terça-feira, 22 de outubro de 2024

Para permitir que só fale o Espírito, o divino em nós

 

8. O que é o mundo real?

1. O mundo real é um símbolo, igual ao resto do que a percepção oferece. Contudo, ele representa o contrário daquilo que tu fizeste. Teu mundo é visto pelos olhos do medo e te traz à mente as evidências do horror. O mundo real não pode ser visto senão por olhos que o perdão abençoa, a fim de que eles vejam um mundo no qual o horror seja impossível e não se possa encontrar indícios de medo.

2. O mundo real possui uma contrapartida para cada pensamento infeliz que se reflete em teu mundo; uma compensação infalível para as cenas de medo e para os ruídos de luta que teu mundo contém. O mundo real apresenta um mundo visto de forma diferente, por olhos serenos e por uma mente em paz. Não há nada aí a não ser paz. Não se ouve nenhum grito de dor e de tristeza aí porque não fica nada fora do perdão. E as imagens são serenas. Só imagens felizes podem chegar à mente que se perdoa.

3. Que necessidade esta mente tem de pensamentos de morte, ataque e assassinato? O que ela pode perceber a sua volta a não ser segurança, amor e alegria? O que há para ela querer escolher condenar e o que há para ela querer julgar de modo desfavorável? O mundo que ela vê nasce de uma mente em paz consigo mesma. Não há nenhum perigo à espreita em nada do que ela vê, porque ela é benigna e só vê benignidade.

4. O mundo real é o símbolo de que o sonho de pecado e de culpa acabou, e de que o Filho de Deus já não dorme. Seus olhos despertos percebem o reflexo seguro do Amor de seu Pai; a garantia infalível de que ele está redimido. O mundo real indica o fim do tempo, pois a percepção dele torna o tempo inútil.

5. O Espírito Santo não tem nenhuma necessidade do tempo depois que o tempo cumpre o propósito d'Ele. Agora, Ele espera aquele único instante a mais para que Deus dê Seu passo final e o tempo desapareça, levando consigo a percepção enquanto se vai, e deixa apenas a verdade para ser ela mesma. Esse instante é nossa meta, porque ele contém a lembrança de Deus. E, quando olhamos para um mundo perdoado, é Ele Quem nos chama e vem para nos levar para casa, lembrando-nos de nossa Identidade, que nosso perdão nos devolve.

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LIÇÃO 296

O Espírito Santo fala por meu intermédio hoje.

1. O Espírito Santo precisa de minha voz hoje, para que o mundo inteiro possa ouvir Tua Voz e escutar Tua Palavra por intermédio de mim. Estou decidido a deixar que Tu fales por meio de mim, pois não quero nenhuma palavra a não ser as Tuas e não quero ter nenhum pensamento que esteja separado dos Teus, pois só os Teus são verdadeiros. Eu quero ser o salvador do mundo que fiz. Pois, tendo-o amaldiçoado, quero libertá-lo, para poder achar saída e ouvir a Palavra que Tua Voz sagrada vai dizer para mim hoje.

2. Hoje ensinamos aquilo que precisamos aprender, e só isso. E, por isso, a meta de nosso aprendizado se torna uma meta sem conflitos e pode ser facilmente alcançada e realizada. Quão alegremente o Espírito Santo vem para nos resgatar do inferno, quando permitimos que Seu ensinamento, por nosso intermédio, convença o mundo a buscar e a achar o caminho natural para Deus.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 296

Caras, caros,

A certa altura, ainda no início do livro The Power of Intention [A Força da Intenção, na versão em Português], de que lhes falei no comentário de ontem, Wayne Dyer diz o seguinte:

"Em qualquer [dado] instante no tempo, todo o Espírito está concentrado no ponto em que focalizas tua atenção. Por isso, tu podes combinar [e pôr em ação] toda a energia criativa num dado momento no tempo [qualquer que seja ele]. Isso é teu livre arbítrio em ação."

A ideia que praticamos hoje é, de certa forma, expressão disto mesmo de que fala Dyer. Isto é, quando focalizamos nossa atenção por inteiro no divino interior, é o divino que se manifesta [e fala, e age] por nosso intermédio. E é a partir do divino que funcionamos e vemos funcionar tudo no mundo.

O que acontece, como  eu já disse outras vezes, é que, em geral, andamos pelo mundo, e pela vida, distraídos de nós mesmos, distraídas de nós mesmas, do divino em nós, bombardeados e bombardeadas que somos o tempo todo pelas mensagens do falso eu. Aquele "eu" - ego, a imagem que temos de nós - que construímos a partir de alguns equívocos que o mundo ensina, e nos quais, equivocados, acreditamos.

O que precisamos fazer é perceber claramente que a neutralidade do corpo deve ser estendida ao mundo e que podemos fazer isso também com o nosso olhar, se o entregarmos ao divino em nós, se deixarmos nossa visão do mundo a cargo do Espírito Santo, abandonando por completo a ideia que construímos a respeito de quem ou do que somos, a que nos referimos como "eu", este "eu" a que o Curso chama de ego.

As crenças que temos e que dão existência ao ego e a todos os seus-nossos equívocos são, de acordo com Wayne Dyer, as seguintes:

1. Eu sou o que tenho. Minhas posses me definem.

2. Eu sou o que faço. Minhas conquistas me definem.

3. Eu sou o que os outros pensam de mim. Minha reputação me define.

4. Eu estou separado de todos. Meu corpo e só meu corpo me define.

5. Eu estou separado de tudo o que está faltando em minha vida. O espaço de minha vida está desligado de meus desejos.

6. Eu estou separado de Deus. Minha vida depende do estabelecimento de meu valor por Deus [um Deus que existe fora de mim].

É, pois, para nos livrarmos de uma ou de todas estas crenças que praticamos hoje. Assim como é para isto que o Curso nos oferece todas as ideias que praticamos. Pois não importa o quanto tentemos, não podemos chegar ao Espírito, ou desenvolver a visão amorosa d'Ele em nós, ou permitir que Ele fale por nós, a partir dos sentidos e da percepção do corpo, ou do ego, que não consegue, nem quer, ver a neutralidade do corpo ou dos sentidos.

Para que o Espírito fale por intermédio de nós, é necessário que nos rendamos a Ele, com disciplina, sabedoria e amor. É a entrega de que o Curso fala. E isto, é claro, é o que as práticas diárias podem nos dar. 

Às práticas?

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

A diversidade é o que nos une, em vez de nos separar

 

8. O que é o mundo real?

1. O mundo real é um símbolo, igual ao resto do que a percepção oferece. Contudo, ele representa o contrário daquilo que tu fizeste. Teu mundo é visto pelos olhos do medo e te traz à mente as evidências do horror. O mundo real não pode ser visto senão por olhos que o perdão abençoa, a fim de que eles vejam um mundo no qual o horror seja impossível e não se possa encontrar indícios de medo.

2. O mundo real possui uma contrapartida para cada pensamento infeliz que se reflete em teu mundo; uma compensação infalível para as cenas de medo e para os ruídos de luta que teu mundo contém. O mundo real apresenta um mundo visto de forma diferente, por olhos serenos e por uma mente em paz. Não há nada aí a não ser paz. Não se ouve nenhum grito de dor e de tristeza aí porque não fica nada fora do perdão. E as imagens são serenas. Só imagens felizes podem chegar à mente que se perdoa.

3. Que necessidade esta mente tem de pensamentos de morte, ataque e assassinato? O que ela pode perceber a sua volta a não ser segurança, amor e alegria? O que há para ela querer escolher condenar e o que há para ela querer julgar de modo desfavorável? O mundo que ela vê nasce de uma mente em paz consigo mesma. Não há nenhum perigo à espreita em nada do que ela vê, porque ela é benigna e só vê benignidade.

4. O mundo real é o símbolo de que o sonho de pecado e de culpa acabou, e de que o Filho de Deus já não dorme. Seus olhos despertos percebem o reflexo seguro do Amor de seu Pai; a garantia infalível de que ele está redimido. O mundo real indica o fim do tempo, pois a percepção dele torna o tempo inútil.

5. O Espírito Santo não tem nenhuma necessidade do tempo depois que o tempo cumpre o propósito d'Ele. Agora, Ele espera aquele único instante a mais para que Deus dê Seu passo final e o tempo desapareça, levando consigo a percepção enquanto se vai, e deixa apenas a verdade para ser ela mesma. Esse instante é nossa meta, porque ele contém a lembrança de Deus. E, quando olhamos para um mundo perdoado, é Ele Quem nos chama e vem para nos levar para casa, lembrando-nos de nossa Identidade, que nosso perdão nos devolve.

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LIÇÃO 295

Hoje o Espírito Santo olha através de mim.

1. Cristo pede para usar meus olhos hoje para, desta forma, redimir o mundo. Ele pede esta dádiva para poder me oferecer paz de espírito e afastar todo o medo e toda a dor. E, quando se afastam de mim, os sonhos que eles pareciam depositar sobre o mundo desaparecem. A redenção tem de ser única. Quando sou salvo, o mundo é salvo comigo. Pois todos nós temos de ser redimidos juntos. O medo se apresenta de muitas formas diferentes, mas o amor é um só.

2. Meu Pai, Cristo me pediu uma dádiva, e uma dádiva que dou para que ela me seja dada. Ajuda-me a usar os olhos de Cristo hoje, para, deste modo, permitir que o Espírito Santo abençoe todas as coisas sobre as quais eu venha a pousar me olhar, para que Seu Amor misericordioso possa permanecer em mim.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 295

Caras, caros,

Preparei-me hoje, mais uma vez, para fazer um comentário diferente daqueles que fiz em anos anteriores para esta mesma lição, mas, de novo, em função da leitura do livro The Power of Intention [A Força da Intenção], de Wayne Dyer, de que lhes falei há já algum tempo, achei que valia a pena manter a mesma linha de raciocínio que ele tem para chamar a atenção de vocês novamente para a necessidade de que estejamos sempre atentos e atentas para questionar toda e qualquer informação que chegue até nós. 

Se voltarmos um pouquinho que seja de nossa atenção a uma ou duas das ideias que praticamos nos últimos poucos dias, veremos que elas nos aconselham, entre outras coisas, a esquecer o passado de meu/nosso irmão, ou que nos dizem que o passado passou, se foi, e não pode nos tocar. Há ainda uma que nos pede que pratiquemos ver só a felicidade deste momento: o presente, aqui e agora.

Assim como eu disse anteriormente, isto é, nos comentários que estou meio que repetindo, refletindo a respeito destas ideias de dias atrás, não há como não pensar no fato de que, conscientes disso ou não, ainda nos debatemos, hoje, em tentativas de encontrar novas interpretações para as palavras atribuídas a Jesus que chegaram até nós, ditas há mais de 2.000 anos. Mesmo àquelas que, de verdade, por se afastarem da lei do amor e do perdão, não poderiam ter sido ditas por ele. E também pelas que certamente, pelo que se sabe dele, ele diria ou pode ter dito. A se considerar que o Jesus histórico, de quem tão pouco se conhece, teve realmente o papel que a Igreja constituída com base em sua figura lhe atribui, o que também é para se duvidar e questionar muito. 

Penso, porém, que devem ser muito poucos os que se perguntam: - Quem pode garantir que o que ele disse mesmo seja o que os escritos e escritores nos trouxeram ao longo do tempo? Quem pode nos garantir que existiu mesmo "o homem-Deus" que a Igreja nos quer vender até hoje? Há muitos estudiosos, teólogos e não teólogos, que acreditam que a Igreja "inventou" este Jesus de que falamos hoje, ou de que as igrejas ditas cristãs falam. Inclusive a história toda de crucificação e ressurreição. Mais um mito?

E que dizer, então, dos textos de que nos valemos até hoje e que são muito mais antigos do que os ditos "evangelhos" do Novo Testamento que o cristianismo nos legou?

Não estaremos todos sugestionados por uma história que foi sendo escrita apenas para atender aos interesses de uns poucos que queriam exercer algum poder sobre um grande número de pessoas, condicionando-as a este ou àquele comportamento, sob a ameaça de uma condenação a um castigo eterno e permanente após a morte do corpo? Uma possibilidade inconcebível, na verdade. Afinal, os registros todos que temos são feitos, ou foram feitos, por apenas cerca de meia dúzia de pessoas, que nos contam o que viram de acordo com sua percepção. Será que outras testemunhas não diriam coisas diferentes?

Um dos livros que li a respeito dos textos chegaram até nós diz que: "Quem quer que lesse um livro na Antiguidade nunca estava cem por cento seguro de que estava lendo o que o autor escrevera. Palavras podiam ter sido trocadas. E, de fato, eram, mesmo que só um pouco".

E por quê? Porque "as pessoas que reproduziam textos por todo o império [romano] não eram, normalmente, aquelas que queriam ler os textos. Os copistas, em geral, reproduziam os textos para outros", sempre por encomenda.

Assim, remetendo a Orígenes, afirma o autor que muitas vezes "as diferenças entre os manuscritos se tornaram gritantes, ou pela negligência de algum copista ou pela audácia perversa de outros; ou eles descuidavam de verificar o que transcreveram ou no processo de verificação acrescenta(va)m ou apaga(va)m trechos, como mais lhes agrad[ass]e".

Somos sugestionáveis! Mas, sabendo disso, não lhes parece ser mais fácil olhar para tudo e questionar os mapas que estão nos apresentando, perguntando-nos, ou a quem os oferece a nós, se eles têm alguma a coisa a ver, de fato, com a geografia do caminho que queremos trilhar ou se não serão apenas mais alguns instrumentos destinados a nos indicar a direção errada, ou uma direção que atenda somente aos interesses dos fazedores e vendedores de mapas? 


Quem nos garante que de fato estamos fazendo só aquilo que queremos, de verdade, fazer? Quem pode nos dar a certeza de que não estamos apenas funcionando como títeres, qual marionetes manipuladas por cordões, por que iludidos e iludidas por uma liberdade que nos venderam como "a liberdade", mas que no fundo só permite que multipliquemos as ações que atendem a interesses que não são nossos verdadeiramente?

É claro que este comentário poderia ser muito mais extenso, dada a imensa gama de possibilidades e de questões que ele suscita. Mas deveria? O que quero com ele é apenas chamar sua atenção para o fato de que não pode ser senão por meio do Espírito Santo, do divino em nós [alguns podem preferir chamar isso de consciência], que poderemos ter acesso à verdade a respeito de nós mesmos, de nós mesmas e do que somos de fato.

E é para isto que nos orienta a ideia das práticas de hoje. Pois, ainda de acordo com o livro de que falava acima, "... o único modo de entender o que um autor quer dizer é conhecer o que suas palavras - todas as suas palavras - realmente querem dizer". E quero crer que conhecer significa acolher as palavras experimentalmente, ou seja, encontrar seu eco dentro de nós mesmos, de nós mesmas, como expressão do divino em nós. Divino que compartilhamos com quem escreve o que lemos.

Há, porém, que nos lembrarmos de que, além disso, todas as palavras estão sempre sujeitas a milhares de interpretações, que variam de acordo com o interesse, com o objetivo e com a experiência de quem quer que esteja lidando com elas. E, mesmo que venhamos a conhecer "todas as palavras" de um autor, o que elas "realmente" querem dizer está além de nossa percepção. E muitas vezes até além da percepção do próprio autor. [Lembram-se da diferença entre percepção e conhecimento?]

Qualquer um, que não o autor, pode se identificar com as palavras dele, pode concordar com o que ele diz, pode discordar e pode até mesmo entender o que ele diz como não tendo absolutamente nada a ver com a realidade de que ele fala, pelo menos não com a realidade da forma como vista por este leitor discordante.

No entanto, se emprestarmos nossos ouvidos interiores ao Espírito Santo, para tentar ouvi-Lo a partir da compreensão amorosa do divino em nós, é bastante provável que cheguemos à comunicação perfeita. É bem provável que cheguemos a comungar com o(s) outro(s), partilhando o entendimento de que somos um, e de que a diversidade, ao invés de nos separar, nos une, e enriquece nossa experiência dando-lhe uma variedade de matizes e cores e sons e melodias que ela não teria em muitas circunstâncias, vistas apenas com os olhos do corpo, ouvidas apenas com os ouvidos do corpo. Sentidas apenas com os sentidos do humano em nós. 


Às práticas?