segunda-feira, 13 de novembro de 2023

Nosso exato lugar neste mundo: como encontrá-lo?

 

10. O que é o Juízo Final?

1. A Segunda Vinda de Cristo oferece esta dádiva ao Filho de Deus: ouvir a Voz por Deus revelar que aquilo que é falso é falso e que aquilo que é verdadeiro não muda nunca. E este é o julgamento no qual a percepção acaba. No começo tu vês um mundo que aceita isto como verdadeiro, projetado a partir de uma mente agora correta. E, com essa visão santa, a percepção dá uma bênção silenciosa e, então, desaparece, alcançada sua meta e cumprida sua missão.

2. O juízo final sobre o mundo não contém nenhuma condenação. Pois ele vê o mundo como totalmente perdoado, inocente e totalmente sem propósito. Sem uma causa e, agora, sem uma função na visão de Cristo, ele simplesmente desaparece no nada. Aí ele nasceu e também aí acaba. E todas as imagens no sonho em que o mundo começou se vão com ele. Agora, os corpos são inúteis e, por isso, se desvanecerão, porque o Filho de Deus não tem limites.

3. Tu, que acreditaste que o Juízo Final de Deus condenaria o mundo ao inferno junto contigo, aceita esta verdade santa: o Julgamento de Deus é a dádiva da Correção que Ele concedeu a todos os teus erros, libertando-te deles e de todos os efeitos que eles já pareceram ter. Ter medo da graça redentora de Deus é apenas ter medo da liberação total do sofrimento, da volta à paz, à segurança e à felicidade, e da união com tua própria Identidade.

4. O Juízo Final de Deus é tão misericordioso quanto cada passo no plano designado por Ele para abençoar Seu Filho e lhe pedir que volte à paz eterna que Deus compartilha com o filho. Não tenhas medo do amor. Pois só ele pode curar toda a tristeza, enxugar todas as lágrimas e despertar suavemente, de seu sonho de dor, o Filho a quem Deus reconhece como Seu. Não tenhas medo disso. A salvação pede que tu lhe dês acolhida. E o mundo espera tua alegre aceitação, que o libertará.

5. Este é o Juízo Final de Deus: "Tu ainda és Meu Filho santo, eternamente inocente, eternamente amoroso e eternamente amado, tão sem limites quanto teu Criador e inteiramente imutável e puro para sempre. Desperta, portanto, e volta para Mim. Eu sou Teu Pai e tu és Meu Filho".

*

LIÇÃO 317

Sigo pelo caminho escolhido para mim.

1. Tenho um lugar específico a ocupar; um papel só para mim. A salvação espera até eu aceitar este papel como aquilo que escolho fazer. Até eu fazer esta escolha, sou escravo do tempo e do destino humano. Mas quando eu, com disposição e alegria, seguir pelo caminho que o plano de meu Pai escolheu para eu seguir, então, reconhecerei que a salvação já está aqui, já foi dada a todos os meus irmãos e já é minha também.

2. Pai, é Teu caminho que escolho hoje. Escolho ir aonde ele me levar, escolho fazer o que ele quiser que eu faça. Teu caminho é inevitável e o fim é seguro. A lembrança de Ti me espera nele. E todas as minhas tristezas terminam no Teu abraço, no abraço que Tu prometeste a Teu Filho, que pensou equivocadamente se ter perdido da proteção segura de Teus Braços amorosos.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 317

Caras, caros, 

Como já lhes disse anteriormente, Hazrat Inayat Khan, em um livro intitulado The Awakening of the Human Spirit [O Despertar do Espírito Humano], diz o seguinte:

Quando sopramos a centelha que se deve encontrar em cada coração humano, a centelha que se pode chamar de a centelha divina no homem, e a chama surge, a vida inteira se torna iluminada e o homem ouve e vê e sabe e compreende.

Diz ele que chegamos ao conhecimento de cinco modos distintos. O primeiro é a impressão, que muitas vezes nos é dada pelos sentidos, pela percepção. O segundo é a intuição, a que chamamos muitas vezes de sexto sentido. O terceiro é o sonho ou a visão, o quarto é a inspiração, que está relacionada à capacidade de receber. Isto é, a qualidade da receptividade da mente, que está aberta ao espírito.

Por fim, o quinto modo é a revelação, a respeito da qual ele diz:

Quando a alma está sintonizada a esse estado, então, os olhos e os ouvidos do coração estão abertos para ver e ouvir a palavra que vem de todos os lugares. De fato, todos os átomos deste mundo, tanto na terra quanto no céu, falam, e falam alto. São os ouvidos surdos do coração e os olhos fechados da alma que impedem o homem de vê-los e ouvi-los.

E Khan continua, citando um verso de um poeta hindu: 

"Ó ser, não é por falha do divino Amado que tu não O podes ver, que tu não O podes ouvir. Ele está diante de ti permanentemente. Se não O podes ouvir e não O vês, é tua própria falta."

Tudo isto está diretamente relacionado à ideia que vamos praticar de novo hoje. Pois, ao darmos ouvidos ao falso eu em nós - o "ser" do poeta ou o ego do Curso -, damos demonstração de não querermos nos render ao Espírito que nos anima e orienta e acompanha em todos os caminhos. E é quem, em comum acordo com nossa vontade última de felicidade, de paz e de alegria, perfeitas e completas, nos indica o rumo a seguir, conforme a ideia da lição de hoje.

Fernando Pessoa, poeta maior português, diz o seguinte:

É humano querer o que nos é preciso, e é humano desejar o que não nos é preciso, mas é para nós desejável. O que é doença é desejar com igual intensidade o que é preciso e o que é desejado, e sofrer por não ser perfeito como se se sofresse por não ter pão. O mal romântico é este: é querer a lua como se houvesse uma maneira de a obter. Não se pode comer um bolo sem o perder. 

No entanto, podemos pensar que a perda, ao se comer o bolo, é ganho em termos de alimento para o corpo. Então, na verdade, não se perde nada. Aliás, isso está bem de acordo com aquela tão famosa lei de Lavoisier, segundo a qual, "na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma", se bem me lembro.

E lembrando-nos de novo do jagunço Riobaldo, do Grande Sertão: Veredas, obra maior de Guimarães Rosa, em um momento no qual a fala do jagunço vem manifestar um desejo que todos temos, lá bem no fundo, muitas vezes sem saber como manifestá-lo. Ele diz:

"Queria entender do medo e da coragem, e da gã que empurra a gente a fazer tantos atos, dar corpo ao suceder." 

Isto é, muitas vezes, em várias situações diferentes, nos perguntamos por que razão fizemos esta ou aquela coisa, ou mesmo o que levou Fulano, Beltrano ou Sicrano a procederem desta ou daquela forma. Algumas delas - muitas também - sem entender que somos nós mesmos, ou nós mesmas, os responsáveis pelas escolhas que fazemos. Ou seja, perguntamo-nos a respeito das razões que nos levaram a agir deste ou daquele modo, ou dos motivos que levam outros e outras a suas ações, como se houvesse alguma coisa fora de nós que pudesse determinar a direção de nossos atos. Não há. Tudo é uma questão de sintonia.

O próprio Rosa na continuação de sua fala conclui que:

"O que induz a gente para más ações estranhas, é que a gente está pertinho do que é nosso por direito, e não sabe, não sabe, não sabe!"

A ideia destas praticas, como eu já disse antes, pode dar a impressão de que alguém, que não nós mesmos, ou nós mesmas, escolheu um caminho que nos dispomos a seguir, quando resolvemos aceitar a ideia que o Curso nos oferece. Ledo engano!

Apesar de a ideia nos pôr em contato com a necessidade de tomar uma decisão que envolve seguir um caminho aparentemente já escolhido, não é exatamente assim que devemos pensar a seu respeito. Ela - e o Curso, de modo geral -, apenas nos pede que reconheçamos a necessidade de aceitar a função que nos cabe no plano de Deus, não passiva, mas conscientemente. Isto é, decididos e decididas a tomar posse daquilo, parafraseando Rosa, que é nosso por direito e não sabemos, não sabemos, não sabemos!

Para tanto, como o Curso nos ensina, não é preciso fazer nada. Mas um "não fazer nada" que também não é passivo. Um "não fazer nada" que envolve a decisão de aceitar o papel que Deus reservou a cada um e a cada uma de nós para alcançarmos e vivermos a alegria completa e perfeita, que é Sua Vontade para todos, todas, para cada um e cada uma de nós, conforme já aprendemos com este ensinamento. Na verdade, um papel que envolve a decisão de render-se inteira e completamente à Vontade de Deus, que, como aprendemos aqui, é a mesma que a nossa, para nos pormos a serviço de todos.

Como diz Rabindranath Tagore:

Dormi e sonhei que a vida era alegria.
Acordei e vi que a vida era serviço.
Agi e vi que o serviço é alegria. 

Ou, para usar novamente as palavras de Francis Utéza, estudioso de Guimarães Rosa, em seu livro, JGR: Metafísica do Grande Sertão, referindo-se ao ensinamento dos taoístas e comparando-o à fala de Rosa a que me referi acima, que diz:

"... o homem só encontra seu exato lugar na imensa espiral do universo se deixar sua vontade acompanhar as forças cósmicas que regem o movimento".

É disso que trata hoje a nossa prática. A ela?

domingo, 12 de novembro de 2023

Não há razão para angústia em nada àquele/a que crê

 

10. O que é o Juízo Final?

1. A Segunda Vinda de Cristo oferece esta dádiva ao Filho de Deus: ouvir a Voz por Deus revelar que aquilo que é falso é falso e que aquilo que é verdadeiro não muda nunca. E este é o julgamento no qual a percepção acaba. No começo tu vês um mundo que aceita isto como verdadeiro, projetado a partir de uma mente agora correta. E, com essa visão santa, a percepção dá uma bênção silenciosa e, então, desaparece, alcançada sua meta e cumprida sua missão.

2. O juízo final sobre o mundo não contém nenhuma condenação. Pois ele vê o mundo como totalmente perdoado, inocente e totalmente sem propósito. Sem uma causa e, agora, sem uma função na visão de Cristo, ele simplesmente desaparece no nada. Aí ele nasceu e também aí acaba. E todas as imagens no sonho em que o mundo começou se vão com ele. Agora, os corpos são inúteis e, por isso, se desvanecerão, porque o Filho de Deus não tem limites.

3. Tu, que acreditaste que o Juízo Final de Deus condenaria o mundo ao inferno junto contigo, aceita esta verdade santa: o Julgamento de Deus é a dádiva da Correção que Ele concedeu a todos os teus erros, libertando-te deles e de todos os efeitos que eles já pareceram ter. Ter medo da graça redentora de Deus é apenas ter medo da liberação total do sofrimento, da volta à paz, à segurança e à felicidade, e da união com tua própria Identidade.

4. O Juízo Final de Deus é tão misericordioso quanto cada passo no plano designado por Ele para abençoar Seu Filho e lhe pedir que volte à paz eterna que Deus compartilha com o filho. Não tenhas medo do amor. Pois só ele pode curar toda a tristeza, enxugar todas as lágrimas e despertar suavemente, de seu sonho de dor, o Filho a quem Deus reconhece como Seu. Não tenhas medo disso. A salvação pede que tu lhe dês acolhida. E o mundo espera tua alegre aceitação, que o libertará.

5. Este é o Juízo Final de Deus: "Tu ainda és Meu Filho santo, eternamente inocente, eternamente amoroso e eternamente amado, tão sem limites quanto teu Criador e inteiramente imutável e puro para sempre. Desperta, portanto, e volta para Mim. Eu sou Teu Pai e tu és Meu Filho".

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LIÇÃO 316

Todas as dádivas que dou a meus irmãos são minhas.

1. Da mesma forma que todas as dádivas que meus irmãos dão são minhas, cada dádiva que dou também me pertence. Cada uma permite que um erro passado se vá e não deixe nenhuma sombra sobre a mente santa que meu Pai ama. Sua graça me é dada em cada dádiva que um irmão recebe ao longo de todo o tempo e além de todo o tempo também. Meus depósitos estão cheios e anjos guardam suas portas abertas para que não se perca nenhuma dádiva e para que apenas se acrescente mais. Deixa-me ir ao lugar onde estão meus tesouros e entrar no lugar em que sou verdadeiramente bem-vindo me sinto em casa, entre as dádivas que Deus me dá.

2. Pai, quero aceitar Tuas dádivas hoje. Eu não as reconheço. Mas confio que Tu Que as deste vais prover os meios pelos quais eu possa vê-las,  perceber seu valor e apreciar apenas elas como aquilo que quero.


*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 316

Caras, caros,

Como todos e todas vocês bem podem ver a ideia que o Curso oferece, mais uma vez, para as práticas de hoje é como que um contraponto àquela que praticamos ontem. Isto é, da mesma forma que reconhecemos que tudo o que nossos irmãos dão a quem quer que seja nos pertence também, é preciso reconhecermos que tudo aquilo que damos a nossos irmãos também é nosso, não deixa de ser nosso. Isto é, mesmo dado, continua a nos pertencer. Pois, como o Curso diz em outro ponto, e como é parte também da sabedoria popular, "ninguém pode dar aquilo que não tem". Ou "só pode te faltar aquilo que não dás". Ou ainda, a partir do que nos diz a Oração de São Francisco "é dando que se recebe".

O fato de reconhecermos que aquilo que os irmãos dão nos pertence permite que reconheçamos de forma mais fácil e aceitemos também a ideia de que não há nada fora de nós. Isto é a mesma coisa que dizer que não há mundo fora de nós. Ou, dizendo de outro modo, isto implica reconhecer, mesmo antes de sermos capazes de aceitá-lo, que o mundo que vemos aparentemente fora de nós, não é nada mais do que uma projeção, uma exteriorização, a materialização daquilo tudo que trazemos interiormente, repetindo algo que já dissemos muitas vezes.

Uma reflexão deste tipo é o que pode nos dar um vislumbre da compreensão do significado da unidade. Porque, como todos e todas já sabemos, "compreender é aceitar". Dizendo melhor, nós só não compreendemos aquilo que não aceitamos, ou que nos recusamos a aceitar. Portanto, se, de fato, quisermos reconhecer nossos equívocos em relação a tudo e a todas as pessoas e coisas do mundo, é fácil. Basta olharmos para aquilo que acreditamos não compreender e busquemos, com olhos amorosos, identificar aí o que não queremos aceitar. Feito isto, damos início, ou seguimento, ao processo do aprendizado de nós mesmos/as.

Repisando em algo que já é parte do repertório de respostas que têm os/as que se aproximam deste Curso, de mente e corações abertos, a ideia das práticas de hoje também se refere a, pelo menos dois, dos ensinamentos centrais do Curso, que são: "os pensamentos não deixam sua Fonte", e "dar e receber são a mesma coisa".

Na prática, a ideia para os exercícios de hoje oferece a certeza de que tudo o que damos continua a ser nosso. Ou, melhor dizendo, de acordo com o ensinamento, "só temos verdadeiramente aquilo que damos". Ou ainda, "só te falta aquilo que não estás dando", conforme citei um pouco acima.

Portanto, podemos ficar tranquilos e tranquilas em relação a nossos maiores medos que se referem à perda, à escassez e à carência. Pois todas as dádivas que damos a qualquer de nossos irmãos nos pertencem. Vão continuar a nos pertencer para sempre. Por isso, não se justificam nosso medos, nossas angústias, a menos que não sejamos capazes de crer que ainda somos como Deus nos criou e que somos Seu Filho. 

Ou, citando Paramahansa Yogananda: 

Enquanto acreditamos no íntimo de nossos corações que nossa capacidade é limitada, e nos sentimos angustiados e infelizes, está nos faltando fé. Aquele que crê verdadeiramente em Deus não tem nenhum direito de se sentir angustiado em relação a nada.

É preciso dizer mais?

Às práticas?

sábado, 11 de novembro de 2023

Que tal tu deixares tua própria luz brilhar no mundo?

 

10. O que é o Juízo Final?

1. A Segunda Vinda de Cristo oferece esta dádiva ao Filho de Deus: ouvir a Voz por Deus revelar que aquilo que é falso é falso e que aquilo que é verdadeiro não muda nunca. E este é o julgamento no qual a percepção acaba. No começo tu vês um mundo que aceita isto como verdadeiro, projetado a partir de uma mente agora correta. E, com essa visão santa, a percepção dá uma bênção silenciosa e, então, desaparece, alcançada sua meta e cumprida sua missão.

2. O juízo final sobre o mundo não contém nenhuma condenação. Pois ele vê o mundo como totalmente perdoado, inocente e totalmente sem propósito. Sem uma causa e, agora, sem uma função na visão de Cristo, ele simplesmente desaparece no nada. Aí ele nasceu e também aí acaba. E todas as imagens no sonho em que o mundo começou se vão com ele. Agora, os corpos são inúteis e, por isso, se desvanecerão, porque o Filho de Deus não tem limites.

3. Tu, que acreditaste que o Juízo Final de Deus condenaria o mundo ao inferno junto contigo, aceita esta verdade santa: o Julgamento de Deus é a dádiva da Correção que Ele concedeu a todos os teus erros, libertando-te deles e de todos os efeitos que eles já pareceram ter. Ter medo da graça redentora de Deus é apenas ter medo da liberação total do sofrimento, da volta à paz, à segurança e à felicidade, e da união com tua própria Identidade.

4. O Juízo Final de Deus é tão misericordioso quanto cada passo no plano designado por Ele para abençoar Seu Filho e lhe pedir que volte à paz eterna que Deus compartilha com o filho. Não tenhas medo do amor. Pois só ele pode curar toda a tristeza, enxugar todas as lágrimas e despertar suavemente, de seu sonho de dor, o Filho a quem Deus reconhece como Seu. Não tenhas medo disso. A salvação pede que tu lhe dês acolhida. E o mundo espera tua alegre aceitação, que o libertará.

5. Este é o Juízo Final de Deus: "Tu ainda és Meu Filho santo, eternamente inocente, eternamente amoroso e eternamente amado, tão sem limites quanto teu Criador e inteiramente imutável e puro para sempre. Desperta, portanto, e volta para Mim. Eu sou Teu Pai e tu és Meu Filho".

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LIÇÃO 315

Todas as dádivas que meus irmão dão me pertencem.

1. Mil tesouros vêm a mim a cada dia, a cada momento que passa. Sou abençoado durante todo o dia com dádivas cujo valor está muito além das coisas que posso imaginar. Um irmão sorri para outro e meu coração se alegra. Alguém pronuncia uma palavra de gratidão ou misericórdia e minha mente recebe esta dádiva e a aceita como sua. E cada um que acha o caminho para Deus se torna meu salvador, indicando o caminho para mim e me dando sua certeza de que aquilo que ele aprendeu é, de fato, meu também.

2. Eu te agradeço, Pai, pelas muitas dádivas de cada Filho de Deus que vêm a mim hoje e todos os dias. As dádivas de meus irmãos para mim não têm limite. Possa eu agora lhes oferecer minha gratidão, para que a gratidão a eles possa me levar adiante em direção ao meu Criador e à lembrança d'Ele.


*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 315

Caras, caros,

A ideia que o Curso nos oferece para as práticas de hoje revela mais uma vez que, na verdade, não há nada fora de cada uma  de nós mesmas nem de cada um de nós mesmos. É da descoberta disso, e de seu reconhecimento e aceitação, que trata o ensinamento com que nos envolvemos neste Curso. Nesta busca, que nos pode, se assim o decidirmos, levar em direção ao autoconhecimento, e, por consequência, ao conhecimento de Deus em nós, dê-se a Ele o nome que parecer mais adequado.

Lembrando de algo que eu já disse outras vezes, a certa altura do texto o Curso diz que:

Este curso levará ao conhecimento, mas o conhecimento em si mesmo ainda está além do alcance de nosso currículo. E também não existe qualquer necessidade de tentarmos falar daquilo que tem de estar além das palavras para sempre. Precisamos nos lembrar apenas de que quem quer que alcance o mundo real, além do qual o aprendizado não pode ir, irá além dele, mas de forma diferente. Onde o aprendizado termina, aí começa Deus, pois o aprendizado termina diante d'Aquele Que é completo onde Ele começa e onde não há fim. Não nos cabe insistir naquilo que não pode ser obtido. Há muito a aprender. A prontidão para o conhecimento ainda tem de ser alcançada [T-18.IX.11].

Nunca é demais lembrar aqui, uma vez mais ainda, algo de que falamos várias vezes ao longo do tempo nos encontros dos grupo de estudos de que participei por um bom tempo, e também neste espaço. É a isto que se refere Marianne Williamson quando, em seu livro Um Retorno ao Amor, do qual vocês já ouviram falar muitas outras vezes, diz que:

"... nosso medo mais profundo não é o de sermos medíocres. Nosso medo mais profundo é o de que sejamos poderosos além de quaisquer medidas. É nossa luz, não nossa escuridão, que nos amedronta mais. Nós nos perguntamos: 'Quem sou eu para ser brilhante, maravilhoso[a], talentoso[a], fabuloso[a]?' Na verdade, quem és para não sê-lo? Tu és uma criança de Deus. Diminuir a ti mesmo[a] não vai servir de nada ao mundo. Não há nada de instrutivo em te diminuíres a fim de que outras pessoas não se sintam inseguras a tua volta. Todos nós fomos feitos para brilhar, do mesmo modo que as crianças brilham. Nascemos para ser a manifestação da glória de Deus [seja lá qual for o nome que damos a Ele]. Ela está dentro de nós. Ela não está em alguns de nós apenas; está em todos nós. E quando permitimos que nossa própria luz brilhe, inconscientemente, damos permissão a outras pessoas para fazerem o mesmo. Quando nos libertamos de nossos próprios medos, nossa presença automaticamente libera os outros."

Isto também tem a ver, como já sabemos, com o fato de o Curso afirmar que quando um de nós, seja ele quem for, alcançar o mundo real, todos o alcançarão. Algo que ainda me parece ser de muito difícil compreensão para muitos e muitas, pois parece significar que quando uma pessoa apenas se ilumina, todas as pessoas chegam à iluminação naquele instante mesmo. Independentemente do estágio de desenvolvimento da consciência em que cada uma delas aparentemente esteja. Isto não é bem assim, porém, isto quer dizer, de verdade, que quando uma pessoa se ilumina todas chegam à iluminação, sim, mas só na visão daquela pessoa que se iluminou. As outras pessoas precisam chegar lá por si mesmas. O fato de uma pessoa se iluminar, ou alcançar o mundo real, quer apenas dizer que todas o alcançarão, porque, na verdade, não há separação. Na unidade somos todos um só e o mesmo. Para Deus há só um Filho, que é Um com Ele.

Interessante é notar que na prática, no entanto, neste mundo da ilusão dos sentidos e das formas, isso [o fato de que somos todos um só]
 é fácil de se perceber também. Basta pensarmos em algo muito simples e comum que faça parte de nosso dia a dia. A lâmpada, por exemplo, para se continuar falando de luz. Quando um de nós - Thomas Edison - "inventou" a lâmpada, ela passou a fazer parte da experiência de praticamente todos e todas no mundo. Hoje em dia já não há muitas pessoas entre nós que nunca tenham tido contato com uma lâmpada. E a maioria não consegue imaginar um mundo onde ela não existia. Ou um mundo no qual ela não exista.

Um exemplo mais moderno, ao qual também já me referi, é a telefonia celular, que traz a possibilidade de contato permanente com qualquer pessoa no mundo inteiro e, nalguns casos - com modelos de aparelhos mais sofisticados e recentes -, abre até mesmo as portas para todas as informações e dados disponíveis na rede deste mundo globalizado. E pode-se pensar mesmo na tal inteligência artificial, que nada mais é do que a condensação de tudo o que existe numa, por assim dizer, "identidade virtual" que tem a capacidade de nos devolver tudo aquilo que já aprendemos, a partir de um programa de dados.

Querem mais razões para que nos dediquemos com afinco "às práticas" de hoje?

sexta-feira, 10 de novembro de 2023

Alguém saberá dizer quanto tempo dura um instante?

 

10. O que é o Juízo Final?

1. A Segunda Vinda de Cristo oferece esta dádiva ao Filho de Deus: ouvir a Voz por Deus revelar que aquilo que é falso é falso e que aquilo que é verdadeiro não muda nunca. E este é o julgamento no qual a percepção acaba. No começo tu vês um mundo que aceita isto como verdadeiro, projetado a partir de uma mente agora correta. E, com essa visão santa, a percepção dá uma bênção silenciosa e, então, desaparece, alcançada sua meta e cumprida sua missão.

2. O juízo final sobre o mundo não contém nenhuma condenação. Pois ele vê o mundo como totalmente perdoado, inocente e totalmente sem propósito. Sem uma causa e, agora, sem uma função na visão de Cristo, ele simplesmente desaparece no nada. Aí ele nasceu e também aí acaba. E todas as imagens no sonho em que o mundo começou se vão com ele. Agora, os corpos são inúteis e, por isso, se desvanecerão, porque o Filho de Deus não tem limites.

3. Tu, que acreditaste que o Juízo Final de Deus condenaria o mundo ao inferno junto contigo, aceita esta verdade santa: o Julgamento de Deus é a dádiva da Correção que Ele concedeu a todos os teus erros, libertando-te deles e de todos os efeitos que eles já pareceram ter. Ter medo da graça redentora de Deus é apenas ter medo da liberação total do sofrimento, da volta à paz, à segurança e à felicidade, e da união com tua própria Identidade.

4. O Juízo Final de Deus é tão misericordioso quanto cada passo no plano designado por Ele para abençoar Seu Filho e lhe pedir que volte à paz eterna que Deus compartilha com o filho. Não tenhas medo do amor. Pois só ele pode curar toda a tristeza, enxugar todas as lágrimas e despertar suavemente, de seu sonho de dor, o Filho a quem Deus reconhece como Seu. Não tenhas medo disso. A salvação pede que tu lhe dês acolhida. E o mundo espera tua alegre aceitação, que o libertará.

5. Este é o Juízo Final de Deus: "Tu ainda és Meu Filho santo, eternamente inocente, eternamente amoroso e eternamente amado, tão sem limites quanto teu Criador e inteiramente imutável e puro para sempre. Desperta, portanto, e volta para Mim. Eu sou Teu Pai e tu és Meu Filho".

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LIÇÃO 314

Busco um futuro diferente do passado.

1. Da nova percepção do mundo vem um futuro muito diferente do passado. Agora o futuro é reconhecido como extensão do presente apenas. Os erros do passado não podem lançar sombras sobre ele, uma vez que o medo perde seus ídolos e imagens e, por não ter forma, não tem nenhum efeito. Agora, a morte não reivindicará o futuro, pois no presente sua meta é a vida e se provê com alegria todos os meios necessários. Quem pode se lamentar ou sofrer se o presente está livre e estende sua segurança e sua paz a um futuro sereno e repleto de alegria?

2. Pai, estávamos equivocados no passado e escolhemos o presente para ficar livres. Agora deixamos de fato o futuro em Tuas Mãos, deixando para trás nossos erros passados e certos de que Tu cumprirás Tuas promessas presentes e guiarás o futuro na luz sagrada delas.


*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 314

Caras, caros,

Repetindo uma das frases de um dos livros de Wayne Dyer que li há já algum tempo, mas ao qual sempre vale a pena voltar de vez em quando:

Muda o modo de olhares para as coisas e as coisas para as quais olhas mudam.

Esta mesma ideia, dita de outro modo, é a ideia que o Curso oferece para as práticas de hoje. Que também tem a ver com as práticas de ontem. E que é, ao mesmo tempo, uma ideia a respeito da qual todas, todos, ou quase todas e todos nós, já pensamos à exaustão, conforme já comentei aqui. Cheguei até a perguntar se estaria enganado ao dizer isso. Será que só eu pensei a respeito do tempo? Será que só eu penso a respeito desta questão?

É claro que sei que não. Pois desde que temos notícia de quaisquer seres pensantes, ouvimos dizer que a questão do tempo sempre ocupou espaço de destaque nos pensamentos dos várias pensadoras e de vários pensadores que viveram antes de nós neste mundo. Aliás, o tempo é ainda uma das questões de que se ocupam muitas das pensadoras e muitos dos pensadores deste mesmo tempo em que vivemos.

E o pior - ou melhor ? - de tudo: ninguém ainda, no mundo, nos deu uma resposta satisfatória. Uma resposta que deixe claro de uma vez por todas que o tempo não existe, pelo menos não na forma que pensamos nele, não na forma de que nos valemos dele, ou nos deixamos aprisionar por ele. Se a deu, preferimos não ouvi-la, e apegar-nos às nossas crenças que dizem que o tempo passa, que o tempo cura, que o tempo é o melhor remédio.

Uma música da banda Legião Urbana, cantada por Renato Russo, diz que "temos todo o tempo do mundo", mas muitas e muitas de nós não acreditam nisso, não é mesmo? Fala-se cada vez mais hoje em dia a respeito de uma aceleração do tempo. Aceleração que dá a muitos a sensação de que tudo está passando mais depressa. Muito mais depressa. E até já ouvi dizer que as ditas vinte-e-quatro horas que o dia tem convencionalmente se reduziram a apenas dezesseis. Será? 

Como pode ser isto, se não há como medir o tempo. A quantidade de tempo que cada um e cada um de nós dispõe, desde que o mundo é mundo é a mesma para todas, para todos. Ou ainda como diz Renato Russo em outra canção: "temos nosso próprio tempo". A medida dele em horas, minutos e segundos, é apenas uma convenção. Uma das invenções humanas, para fingir que há como controlar a ilusão de alguma forma.

Será que alguém que viva sua vida presente, consciente de que tudo o que acontece só acontece agora, neste instante, tem esta mesma percepção do tempo? Será que é possível, fora da ilusão de tempo em que pensamos viver, marcar a quantidade de horas que dura um dia? Quem de nós já não teve dias que pareceram durar anos e anos que passaram tão depressa que parecem ter sido vividos ontem? Ou, como já vimos o Curso perguntar, alguém saberá responder quanto tempo dura um instante? E já não experimentamos também instantes que nos pareceram ter durado uma eternidade?

O Curso ensina que o único tempo que existe é o presente. O agora. Isto é, o tempo em que nos encontramos quando estamos inteiras e inteiros no lugar em que estamos, qualquer que seja ele, qualquer que seja o momento, ocupando-nos do que quer que estejamos fazendo. Seja o que for. É por isto que todas as discussões a respeito do tempo não levam a nada. Pois quanto mais nos ocupamos de definir o tempo, dividindo-o em passado, presente e futuro, tanto mais ele nos escapa. 

E muitas vezes nos lamentamos por não termos feito determinada coisa em uma tal situação. Ou por a termos feito noutra. Buscamos ficar mais atentas e atentos para não repetir um mesmo erro no futuro. Planejamos o que vamos fazer quando uma situação semelhante se apresentar. Ou seja, em geral, como o Curso ensina, passamos do passado diretamente para o futuro, sem perceber aonde estamos, sem estar, de fato, no único lugar e tempo em que, de verdade, podemos estar.

É por esta razão que as práticas de hoje são importantes. Oxalá elas nos permitam liberar o futuro e esquecer o passado, deixando-o junto de todas as ilusões que trouxe. Perdoado! É só isso que pode nos oferecer a perspectiva de que o futuro não seja mais como o passado, que ele se apresente pleno de potencialidades e possibilidades a serem realizadas no presente. Pois só deste modo poderemos aproveitar o tempo de forma plena. E antes de eu os deixar com o convite para as práticas, ofereço-lhes um poema, de um poeta amigo, ou um amigo poeta, com sua forma de pensar o tempo. O poema se intitula Tango e está num livro de poemas intitulado "Tesoura Cega". Vejam aí, por favor, e reflitam com as práticas. 

Tango 

Carlos Machado 

Bem que eu desconfiava:
o passo do tempo
não é constante
nem fiel ao
milho seco do relógio
- ração ofertada,
de grão em grão, a um
pássaro invisível. 

Serpente elástica,
o tempo se expande
e contrai como
corda de trapézio
circense
e arrasta o espaço
num laço dodecafônico. 

Para Einstein
ao tempo se permite
uma dança,
e o espaço vai
passo a passo com ele. 

Os dois parceiros,
num tango
cósmico, vibram
no desconcerto desse
trapézio-violino,
que os maestros nunca
saberão se está
dentro ou fora do tom.

Às práticas?

quinta-feira, 9 de novembro de 2023

É o modo de olhar apenas que nós precisamos mudar

 

10. O que é o Juízo Final?

1. A Segunda Vinda de Cristo oferece esta dádiva ao Filho de Deus: ouvir a Voz por Deus revelar que aquilo que é falso é falso e que aquilo que é verdadeiro não muda nunca. E este é o julgamento no qual a percepção acaba. No começo tu vês um mundo que aceita isto como verdadeiro, projetado a partir de uma mente agora correta. E, com essa visão santa, a percepção dá uma bênção silenciosa e, então, desaparece, alcançada sua meta e cumprida sua missão.

2. O juízo final sobre o mundo não contém nenhuma condenação. Pois ele vê o mundo como totalmente perdoado, inocente e totalmente sem propósito. Sem uma causa e, agora, sem uma função na visão de Cristo, ele simplesmente desaparece no nada. Aí ele nasceu e também aí acaba. E todas as imagens no sonho em que o mundo começou se vão com ele. Agora, os corpos são inúteis e, por isso, se desvanecerão, porque o Filho de Deus não tem limites.

3. Tu, que acreditaste que o Juízo Final de Deus condenaria o mundo ao inferno junto contigo, aceita esta verdade santa: o Julgamento de Deus é a dádiva da Correção que Ele concedeu a todos os teus erros, libertando-te deles e de todos os efeitos que eles já pareceram ter. Ter medo da graça redentora de Deus é apenas ter medo da liberação total do sofrimento, da volta à paz, à segurança e à felicidade, e da união com tua própria Identidade.

4. O Juízo Final de Deus é tão misericordioso quanto cada passo no plano designado por Ele para abençoar Seu Filho e lhe pedir que volte à paz eterna que Deus compartilha com o filho. Não tenhas medo do amor. Pois só ele pode curar toda a tristeza, enxugar todas as lágrimas e despertar suavemente, de seu sonho de dor, o Filho a quem Deus reconhece como Seu. Não tenhas medo disso. A salvação pede que tu lhe dês acolhida. E o mundo espera tua alegre aceitação, que o libertará.

5. Este é o Juízo Final de Deus: "Tu ainda és Meu Filho santo, eternamente inocente, eternamente amoroso e eternamente amado, tão sem limites quanto teu Criador e inteiramente imutável e puro para sempre. Desperta, portanto, e volta para Mim. Eu sou Teu Pai e tu és Meu Filho".

*

LIÇÃO 313

Deixa uma nova percepção vir a mim agora.

1. Pai, há uma visão que percebe todas as coisas puras, de forma que o medo desaparece e, no lugar onde ele estava, o amor é convidado a entrar. E o amor virá a qualquer lugar que seja chamado. Esta visão é Tua dádiva. Os olhos de Cristo olham para um mundo perdoado. Todos os pecados estão perdoados na visão d'Ele, pois Ele não vê nenhum pecado em nada daquilo para que Ele olha. Deixa que a percepção verdadeira d'Ele venha a mim agora, para que eu possa despertar do sonho de pecado e olhar para a inocência dentro de mim, que Tu manténs completamente inviolada sobre o altar a Teu Filho santo, o Ser com o qual quero me identificar.

2. Vamos olhar uns para os outros na visão de Cristo hoje. Quão belos somos! Quão santos e amorosos. Vem, irmão, e une-te a mim hoje. Quando nos unimos, nós salvamos o mundo. Pois em nossa visão ele se torna tão santo quanto a luz em nós.


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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 313

Caras, caros,

As práticas de hoje nos remetem, mais uma vez, a uma das ideias recentes que o Curso nos trouxe, a da lição 309: Não terei medo de olhar para dentro hoje. Pois é exatamente isto, voltar para dentro de nós mesmas, de nós mesmos, o nosso olhar, sem medo, que vai nos permitir perceber a eterna inocência que habita em nós, uma vez que, como o Curso ensina, ainda somos como Deus nos criou.

É também este olhar destemido e confiante que vai nos oferecer a possibilidade de uma nova percepção. Pois, se, ao olharmos para dentro, só virmos, de fato, a eterna inocência, será então a partir dela que vamos olhar para o mundo. E o mundo, aí, vai ser apenas uma extensão de nossa inocência. Isto é, vamos ser capazes de olhar para ele e perceber nele, e em tudo o que aparentemente há nele, a neutralidade. 

É como diz a historinha a respeito de Baba Muktananda, um grande santo na Índia, contada por Wayne Dyer em um de seus livros. Ele conta que quando alguém perguntou a Baba Muktananda: "Baba, o que você vê quando olha para mim?" Baba respondeu: "Eu vejo a luz em você." A pessoa disse: "Como pode ser isso, Baba? Eu sou uma pessoa irritada. Sou terrível. Você deve enxergar isso tudo." Baba respondeu: "Não, eu vejo luz."

É óbvio que para se ver a luz no outro é preciso que a vejamos primeiro em nós mesmas, em nós mesmos. Isto é, é preciso que deixemos que uma nova percepção venha a nós, como pede a ideia de hoje. Para tanto, porém, há que se tomar a decisão. Há que se estabelecer a meta em sintonia com o Espírito Santo. Ou alguém aqui ainda acredita que precisa, ou pode, fazer alguma coisa sozinha ou sozinho, por si só, separada ou separado de tudo e de todas e todos ? 

Aqui, podemos tentar repetir o teste a que me referi em comentários anteriores, para verificar se há necessidade ou não de mudarmos nossa percepção. Além de servir para ficarmos conscientes do quanto há que mudar, de forma a não nos deixarmos envolver pelo sistema de pensamento do ego, para chegar a uma nova percepção, o teste nos mostra em que ponto nos encontramos no estudo.

É um teste muito simples. Basta nos perguntarmos. Há alguma coisa no mundo que eu acredito que deveria ser mudada? Ou, há alguma coisa que eu queira mudar no mundo? Se, respondendo de forma mais honesta possível, entendermos que sim, é porque ainda estamos sob a influência do ego e nos vemos separadas e separados de Deus - aquele Deus que está sempre dentro - nunca fora, umas das outras e uns dos outros. 

Como sabemos, o Curso ensina que não há mundo. Portanto, não há nada a mudar, a não ser a percepção de nós mesmas, de nós mesmos. Isto é, nenhuma mudança, que não a do modo de olhar, é necessária. Pois, dizendo como diz Goldsmith, enquanto ainda tivermos qualquer preocupação em relação às formas, estaremos reforçando a crença na separação.

Às práticas?


quarta-feira, 8 de novembro de 2023

Aprenderemos a nos entregar por inteiro ao espírito?

 

10. O que é o Juízo Final?

1. A Segunda Vinda de Cristo oferece esta dádiva ao Filho de Deus: ouvir a Voz por Deus revelar que aquilo que é falso é falso e que aquilo que é verdadeiro não muda nunca. E este é o julgamento no qual a percepção acaba. No começo tu vês um mundo que aceita isto como verdadeiro, projetado a partir de uma mente agora correta. E, com essa visão santa, a percepção dá uma bênção silenciosa e, então, desaparece, alcançada sua meta e cumprida sua missão.

2. O juízo final sobre o mundo não contém nenhuma condenação. Pois ele vê o mundo como totalmente perdoado, inocente e totalmente sem propósito. Sem uma causa e, agora, sem uma função na visão de Cristo, ele simplesmente desaparece no nada. Aí ele nasceu e também aí acaba. E todas as imagens no sonho em que o mundo começou se vão com ele. Agora, os corpos são inúteis e, por isso, se desvanecerão, porque o Filho de Deus não tem limites.

3. Tu, que acreditaste que o Juízo Final de Deus condenaria o mundo ao inferno junto contigo, aceita esta verdade santa: o Julgamento de Deus é a dádiva da Correção que Ele concedeu a todos os teus erros, libertando-te deles e de todos os efeitos que eles já pareceram ter. Ter medo da graça redentora de Deus é apenas ter medo da liberação total do sofrimento, da volta à paz, à segurança e à felicidade, e da união com tua própria Identidade.

4. O Juízo Final de Deus é tão misericordioso quanto cada passo no plano designado por Ele para abençoar Seu Filho e lhe pedir que volte à paz eterna que Deus compartilha com o filho. Não tenhas medo do amor. Pois só ele pode curar toda a tristeza, enxugar todas as lágrimas e despertar suavemente, de seu sonho de dor, o Filho a quem Deus reconhece como Seu. Não tenhas medo disso. A salvação pede que tu lhe dês acolhida. E o mundo espera tua alegre aceitação, que o libertará.

5. Este é o Juízo Final de Deus: "Tu ainda és Meu Filho santo, eternamente inocente, eternamente amoroso e eternamente amado, tão sem limites quanto teu Criador e inteiramente imutável e puro para sempre. Desperta, portanto, e volta para Mim. Eu sou Teu Pai e tu és Meu Filho".

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LIÇÃO 312

Vejo todas as coisas como quero que sejam.

1. A percepção vem depois do julgamento. Depois de julgar, vemos então aquilo que queremos ver. Pois a vista serve simplesmente para nos oferecer o que queremos. É impossível não ver aquilo que queremos ver e deixar de ver aquilo que escolhemos ver. Com quanta certeza, então, o mundo real tem de vir saudar a visão sagrada de qualquer pessoa que adota o propósito do Espírito Santo como sua meta para a visão. Porque ela não pode deixar de olhar para aquilo que Cristo quer que veja e de compartilhar o Amor de Cristo por aquilo que vê.

2. Não tenho nenhum objetivo hoje a não ser o de olhar para um mundo liberado, livre de todos os julgamentos que fiz. Pai, esta é Tua Vontade para mim hoje e, por isso, ela tem de ser também a minha meta.


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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 312

Caras, caros,

Repetindo mais uma vez, em parte, os últimos comentários feitos para esta mesma lição em anos anteriores, continuo a acreditar que a esta altura do aprendizado um bom número de pessoas entre nós já sabe fazer algumas ligações entre as ideias que o Curso nos apresenta para as práticas e algumas das razões por que resistimos ao ensinamento, se é que alguma, ou algum de nós, ainda apresenta algum tipo de resistência a ele. E me parece claro que, por mais que mergulhemos no estudo e nas práticas do ensinamento, o ego sempre vai resistir de uma ou outra maneira. E algumas e alguns de nós vão preferir ouvir o ego a ouvir o espírito. Sempre foi assim, continua sendo e não sei por que seria diferente. Se todos e todas resolvêssemos viver nossa vida ouvindo apenas as orientações que o espírito em nós nos dá, é bastante provável que vivêssemos o Céu na terra. É claro que há, entre nós, aquelas e aqueles que vivem o Céu na terra, pois já entregaram suas vidas ao Ser em si.

Acredito também que já aprendemos a identificar algumas das razões para que as experiências que vivemos se deem da forma com que se dão. Não poderia ser diferente com as práticas da ideia de hoje. Ela é naturalmente uma extensão daquela que praticamos ontem. E ambas são essenciais para nos ajudar a pôr em xeque os motivos que nos levam a ver o mundo do modo que vemos. E também as razões para acreditarmos que há algo de real no que vemos.

Se vocês estiverem atentas e atentos, hão de ver que há uma estreita ligação entre a ideia que praticamos hoje e uma lição das mais importantes - em meu modo de ver -  da primeira parte do livro de exercícios: a de número132, lembram? Libero o mundo de tudo o que eu pensava que fosse. Além disso, é claro, ela está diretamente relacionada à ideia da lição de ontem: Julgo todas as coisas como quero que sejam. 

Poderia ser diferente? 

Não, não mesmo! A não ser que continuássemos no auto-engano de acreditar que existe alguma coisa fora de nós. Ou que existe uma vontade diferente da Vontade Deus. Ou que existe algo fora de Deus, ou de nós n'Ele, ou d'Ele em nós. Aliás, cabe perguntar aqui, perguntar-nos, acreditamos de fato que não há nada fora de nós? Já trazemos entranhada em nós esta ideia? Ou ainda resistimos a ela? 

Se ainda nos debatemos para aceitar esta ideia ou se ainda cremos que algo neste mundo pode ser real, é hora de voltarmos a questionar nossas crenças todas. Absolutamente todas. Pelos motivos que já vimos em lição recente. É porque não há nada fora de nós, que precisamos ter sempre muito cuidado com aquilo que pensamos, com aquilo que ouvimos, com aquilo que dizemos e com aquilo que aceitamos para fazer parte de nossa experiência, de nossa vida. O tempo inteiro. Daí, a recomendação milenar: "Orai e vigiai".

Wayne Dyer, em um de seus livros, nos alerta para ficarmos atentas e atentos a nosso diálogo interior. Pois, diz ele, um dos maiores obstáculos à sintonia com o espírito são os nossos pensamentos e, claro, com ela, nossa conversa com nós mesmas, com nós mesmos, ou a conversa que o ego - o falso eu - tenta travar conosco. E Eckhart Tolle, em seu livro, O Poder do Agora, conforme já citei outras vezes, diz que precisamos nos lembrar de que não somos os nossos pensamentos. Temos pensamentos apenas. 


Diz ele, também, que um dos grandes medos que temos em relação aos pensamentos é o medo de que - acreditamos - se pararmos de pensar, vamos morrer. Isso não é verdade. O contrário disso é que é verdadeiro. Se aprendermos a parar os pensamentos, o que vai acontecer é que vamos entrar em contato com aquilo que somos verdadeiramente. Aí é que vamos viver de verdade. Viver no presente. Agora. No único tempo que existe.

Assim a ideia para as práticas de hoje, estendendo a de ontem, chamam de novo a nossa atenção para o fato de que aquilo que vivemos - e que aparentemente vem de fora - é apenas o resultado dos pensamentos e decisões que tomamos internamente. É por isso que precisamos parar e pensar, por exemplo, na forma pela qual somos tratadas e tratados por aquelas pessoas com quem convivemos. 


Tudo o que elas fazem é apenas aplicar a nós aquilo que nós mesmas e nós mesmos aplicamos. A nós mesmas, a nós mesmos, a outras e a outros. Isto é, o modo com que as outras pessoas (e há que lembrar aqui, por via das dúvidas, caso nos tenhamos esquecido, que as outras pessoas também somos nós, versões de nós que existem para podermos nos ver inteiramente, uma vez que um corpo só não engloba o que somos na verdade) nos tratam tem absolutamente tudo a ver com o modo com que nos tratamos: o modo como cada uma e cada um de nós trata a si mesma, a si mesmo. Porque aquilo que pensamos se expande, mesmo quando pensamos a respeito daquilo que nos aborrece, mesmo quando pensamos acerca daquilo que não queremos em nossa vida. Ou daquilo que nos agrada. Assim como daquilo que queremos.

Este comentário, mais uma vez, tem muito a ver com os que fiz para esta mesma lição em anos anteriores, como já disse acima. Tem a ver também com o momento que estamos vivendo, tanto nas práticas, quanto em nossas experiências neste mundo. É por isso que é preciso trazer à mente mais uma vez aquela parte do texto de que já falei algumas vezes, que está no capítulo 26 e que tem por título: VI. O amigo indicado

É essa parte do texto que vai nos mostrar que, ao acreditar em qualquer medida na percepção que nos oferecem os sentidos, só podemos estar todas e todos erradas e errados, pois não se pode acreditar que nada do que vemos neste mundo pode ser alguma coisa diferente de ilusão. Na verdade, não há como acreditar que alguma coisa fora de nós exista. Nada no mundo, nem dinheiro, nem poder, nem prestígio, por exemplo, pode fazer com que o mundo venha a ser de alguma forma um lugar mais fácil de se viver. Tudo o que se pode fazer aqui é melhorar o sonho, torná-lo, talvez, feliz. Mas, mantendo-se a consciência de que o mundo é sonho.

Repito, pois, uma vez mais, a partir daqui o comentário dos anos anteriores. 

Notar, perceber, entender, trazer à consciência, aceitar e reconhecer que "A percepção vem depois do julgamento" (grifo meu) é IMPORTANTÍSSIMO. Aqui, na compreensão disto, está a chave para se entender as razões pelas quais nossas experiências se apresentam a nós desta ou daquela forma. É nosso julgamento que determina a percepção que vamos ter. 

Como o Curso diz em outro momento: "A percepção é um espelho, não um fato". Vejam bem: "Depois de julgar, vemos então aquilo que queremos ver" (grifo meu). Pois a visão dos olhos do corpo, ou a percepção de qualquer de nossos sentidos, só nos oferece aquilo que queremos, aquilo que escolhemos ver, tocar, cheirar, ouvir ou saborear, provar. O mesmo acontece em relação ao que escolhemos sentir a partir da percepção. A experiência se apresenta, nós a interpretamos [em nosso julgamento, damos um significado à neutralidade dela] e decidimos sofrer, sentir dor, raiva, medo, culpa, mágoa, desespero, impotência e assim por diante.

Lembram-se das primeiras lições que nos diziam que nada do que vemos tem qualquer significado? Ou que somos nós quem damos significado a tudo que vemos? Ou que não entendemos nada do que vemos? Ou ainda aquela que nos garante que nunca estamos transtornadas, transtornados, aborrecidas, aborrecidos, magoadas, magoados ou preocupadas e preocupados pela razão que imaginamos, pois só nos aborrecemos ou preocupamos com ideias que vêm do passado, um tempo que não existe, lembram-se?

Na verdade, o Curso nos ensina também que não somos capazes de ver as coisas - ou pessoas - para as quais olhamos como elas são no momento em que dirigimos nosso olhar para elas, pois nossos pensamentos não têm qualquer significado e só vemos o passado. Porque julgamos para poder ver o que queremos. Nossos pensamentos são julgamentos que fazemos e transformam, muitas vezes - na maioria delas, pode-se dizer -, o que vemos em "uma forma de vingança".

Bem feito! 


Não é assim que reagimos quando alguma pessoa de nossas relações e convívio vem nos contar que lhe aconteceu alguma coisa acerca da qual já a havíamos alertado? E quantas vezes "torcemos" para que alguém, que não nos quis ouvir, se dê mal para provar que estávamos certas, ou certos?  Quantas vezes pedimos uma prova concreta para um pensamento que sabemos correto, mas no qual não queremos acreditar porque vai de encontro à crença [isto é, a contraria] que queremos manter, sabendo que "o concreto" é apenas mais uma forma de ilusão que "materializamos" para provar nossos próprios pontos de vista, confirmá-los?

Daí o Curso nos perguntar a certa altura se queremos ser felizes ou ter razão. Não é possível ter os dois. Aliás, é preciso aprendermos a abrir mão de todas as certezas que não venham do Amor. Precisamos aprender a abrir mão do mundo inteiro para ganhar o mundo. Precisamos nos entregar por inteiro ao espírito, se quisermos, de fato, encontrar a paz de espírito por que ansiamos e que só o Amor de Deus, em nós mesmas, em nós mesmos, pode nos dar. 

E acrescento uma historinha que li recentemente, acerca do "abrir mão do mundo". Diz ela:

... Era uma vez um grande rei, bonitão, comilão, que gostava de se divertir, tinha 365 mulheres em seu harém. Um dia, foi a um mosteiro e viu um eremita: "Que grande sacrifício você está fazendo!" disse-lhe, e olhou para ele com misericórdia. "Seu sacrifício é maior, meu rei", respondeu o eremita. "Como assim?" "Porque eu reneguei o mundo efêmero, enquanto você renegou o eterno". 

Às práticas?