sexta-feira, 5 de novembro de 2021

O mundo é ilusão pura. De que serve tentar mudá-lo?

 

9. O que é a Segunda Vinda?

1. A Segunda Vinda de Cristo, que é tão certa quanto Deus, é apenas a correção e a volta da sanidade. Ela é uma parte da condição que restitui o que nunca se perdeu e que restabelece o que é verdadeiro para todo o sempre. Ela é o convite para que a Palavra de Deus tome o lugar da ilusão; a disposição de permitir que o perdão se estenda sobre todas as coisas sem exceção e sem reserva.

2. É a natureza todo-abrangente da Segunda Vinda de Cristo que permite que ela envolva o mundo e te mantenha em segurança em seu benigno advento, que abarca todas as coisas vivas consigo. Não há limite para o alívio que a Segunda Vinda traz, uma vez que a criação de Deus tem de ser ilimitada. O perdão ilumina o caminho da Segunda Vinda porque ela brilha sobre todas as coisas vivas como uma só. E, desse modo, a unidade é enfim reconhecida.

3. A Segunda Vinda põe fim às lições que o Espírito Santo ensina, dando lugar ao Juízo Final, em que o aprendizado termina em um resumo derradeiro que se estenderá além de si mesmo e chegará a Deus. A Segunda Vinda é o instante em que todas as mentes são entregues às mãos de Cristo, para serem devolvidas ao espírito em nome da criação verdadeira e da Vontade de Deus.

4. A Segunda Vinda é o único acontecimento no tempo que o próprio tempo não pode atingir. Pois cada um daqueles que algum dia veio para morrer, ou que ainda virá, ou que está presente agora é igualmente liberado daquilo que fez. Nessa igualdade Cristo é restabelecido qual uma Identidade única, na qual os Filhos de Deus reconhecem que todos eles são um só. E Deus Pai sorri para Seu Filho, Sua única criação e Sua única alegria.

5. Reza para que a Segunda Vinda aconteça logo, mas não te acomodes nisso. Ela precisa de teus olhos e ouvidos e mãos e pés. Ela precisa de tua voz. E, mais do que tudo, ela precisa de tua boa vontade. Alegremo-nos por sermos capazes de fazer a Vontade de Deus e de nos unirmos em sua luz sagrada. Atenção, o Filho de Deus é um em nós, e podemos alcançar o Amor de nosso Pai por intermédio d'Ele.

*

LIÇÃO 309

Não terei medo de olhar para dentro hoje.

1. A eterna inocência está dentro de mim, porque é Vontade de Deus que ela esteja aí para todo o sempre. Eu, Seu Filho, cuja vontade não tem limites tal qual a Própria Vontade d'Ele, não posso desejar nenhuma mudança nisso. Pois negar a Vontade de meu Pai é negar minha própria vontade. Olhar para dentro é apenas descobrir minha vontade tal qual Deus a criou e tal qual ela é. Eu tenho medo de olhar para dentro porque imagino que criei outra vontade que não é verdadeira e a tornei real. Mas ela não tem nenhum efeito. Dentro de mim está a Santidade de Deus. Dentro de mim está a lembrança d'Ele.

2. O passo que dou hoje, meu Pai, é minha libertação infalível de sonhos vãos de pecado. Teu altar continua sereno e puro. Ele é o altar santo para meu Ser e nele encontro minha Identidade verdadeira.


*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 309

De quantas formas diferentes escolhemos o auto-engano neste mundo? De que precisamos para abandonar de uma vez por todas a ilusão de um mundo que precisa urgentemente de mudanças? Um mundo povoado por pessoas cheias de defeitos que precisam mudar para atender a um padrão - o nosso, via ego -, a um ideal, a um modelo, para que possamos amá-las mais e melhor? 

O que pensamos de nós mesmos/as, então, é muitas vezes indizível, porque o juiz que trazemos em nós - o ego - é mais rigoroso com aquilo que vê em nós mesmos/as do que com tudo o que possa ver aparentemente fora de si, uma vez que, reforçando uma das ideias centrais do Curso, não há nada fora. 

Ora, pois, o que vemos, então, aparentemente fora, o outro, os outros e tudo o mais, não são senão projeções daquilo que trazemos dentro. Daí a necessidade de abandonarmos de vez a ideia ilusória de que é necessário mudar o mundo. Não há o que mudar, a não ser o modo de ver. "Não há mundo", o Curso ensina.

É claro que isso tem a ver, conforme já chamei sua atenção antes, com  o que praticamos na lição 93, da primeira parte do Livro de Exercícios, que nos oferece a ideia: A luz e a alegria e a paz habitam em mim. Mas, em geral, não é assim que nos vemos. 

O texto que nos prepara para as práticas com a lição 93 fala claramente daquilo que pensamos acerca de nós mesmos/as, ao dizer:

Tu pensas ser o lar do mal, das trevas e do pecado. Pensas que, se alguém pudesse perceber a verdade acerca de ti, ficaria repugnado e fugiria [de ti] como de uma cobra venenosa. Pensas que, se aquilo que é a verdade acerca de ti te fosse revelado, serias acometido de um horror tão intenso que te precipitarias para a morte pela tua própria mão, por ser impossível continuar a viver depois de ver isso.

Ora, como já aprendemos, isto não é a verdade a nosso respeito. Como poderia ser, se somos o Filho de Deus?

É por isso que é necessário que pratiquemos, que façamos as lições da maneira que nos orienta o Curso, para que comecemos a aprender a verdade a respeito do Filho de Deus, a verdade a respeito de nós mesmos/as e a acerca de Deus.

É isto que podemos aprender com as práticas da ideia que o Curso nos oferece para hoje. Pois é apenas no interior de nós mesmos - para onde podemos nos voltar sem medo algum - que podemos encontrar a verdade, que podemos nos conhecer e conhecer Deus em nós.

Às práticas?

OBSERVAÇÃO: 

Aproveito para acrescentar, mais uma vez, a este comentário, que é quase que uma repetição literal dos comentários feitos a esta mesma lição nos últimos anos, uma resposta à pergunta, feita anos atrás, por Gugu, um de nossos colegas praticantes, ao comentar a lição 304.

Aí vai:

Caro Gugu,

Desculpe-me a demora em responder a sua questão de um dia de outubro de não lembro que ano. O que aconteceu? Quando li sua pergunta, estava fora de casa. Apesar de ter algum acesso à internet, os comentários às lições dos dias seguintes já estavam com suas postagens pré-programadas. Então, resolvi deixar para responder a sua pergunta quando em casa, para poder fazê-lo com calma e tranquilidade, sem pressas nem pressões, de forma a não deixar nenhuma dúvida.

O que, a meu ver, significa "ensinar" para o Curso?

Uma resposta curta, fácil e simples seria dizer aquilo que o Curso diz a certa altura:


Ensina só amor, porque é só isso o que és.

Então, quando o Curso fala de ensinar, não está se referindo a ensinar o Curso, mas a ensinar o que somos. A nós mesmos/as e a todas as pessoas com quem convivemos neste mundo de aparências e formas. Isto é, cada um e cada uma de nós deve procurar ensinar apenas aquilo que é, porque em todas as situações estamos ensinando e aprendendo. 

Ou seja, para dizer como o Curso diz, em qualquer circunstância ou experiência, só ensinamos aquilo que nós mesmos/as precisamos aprender.

É por isso que, em primeiro lugar, o Curso se define, desde seu início, como um caminho. E, como todos podemos apreender, um caminho que pode não servir para todas as pessoas. Assim, não devemos buscar ensinar o Curso ao maior número possível de pessoas - não nos é pedido que o façamos e nem é necessário fazermos isso.

Não há nenhuma necessidade de largarmos tudo para ensinar o Curso. Também não há nenhuma necessidade de fazer esse tipo de movimento para qualquer outro tipo de ensinamento ou caminho. A menos que isso seja aquilo que nosso coração nos pede para fazermos. A menos que isso seja nossa forma de ser o que somos, de mostrar e de manifestar o que somos.

Em outras palavras, para não me alongar muito. Toda a nossa vida, todas as experiências que escolhemos viver, todas as pessoas que se apresentam em nossa vida, o mundo todo e tudo e todas as pessoas e coisas nele só fazem - ou só existem para - nos ensinar o que somos. Da mesma forma tudo o que fazemos, todos os nossos pensamentos, gestos e atitudes servem tão somente para nosso aprendizado do que somos. Para que nos lembremos, ou relembremos, de que ainda somos como Deus nos criou, como ensina o Curso.

Espero que minha resposta lhe possa ser útil, Gugu. E fique à vontade, por favor, para comentar, perguntar ou compartilhar seu entendimento deste ou daquele ponto que você esteja estudando.

Paz e bem!

Moisés

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

O que somos não muda no tempo. Nem no espaço.

 

9. O que é a Segunda Vinda?

1. A Segunda Vinda de Cristo, que é tão certa quanto Deus, é apenas a correção e a volta da sanidade. Ela é uma parte da condição que restitui o que nunca se perdeu e que restabelece o que é verdadeiro para todo o sempre. Ela é o convite para que a Palavra de Deus tome o lugar da ilusão; a disposição de permitir que o perdão se estenda sobre todas as coisas sem exceção e sem reserva.

2. É a natureza todo-abrangente da Segunda Vinda de Cristo que permite que ela envolva o mundo e te mantenha em segurança em seu benigno advento, que abarca todas as coisas vivas consigo. Não há limite para o alívio que a Segunda Vinda traz, uma vez que a criação de Deus tem de ser ilimitada. O perdão ilumina o caminho da Segunda Vinda porque ela brilha sobre todas as coisas vivas como uma só. E, desse modo, a unidade é enfim reconhecida.

3. A Segunda Vinda põe fim às lições que o Espírito Santo ensina, dando lugar ao Juízo Final, em que o aprendizado termina em um resumo derradeiro que se estenderá além de si mesmo e chegará a Deus. A Segunda Vinda é o instante em que todas as mentes são entregues às mãos de Cristo, para serem devolvidas ao espírito em nome da criação verdadeira e da Vontade de Deus.

4. A Segunda Vinda é o único acontecimento no tempo que o próprio tempo não pode atingir. Pois cada um daqueles que algum dia veio para morrer, ou que ainda virá, ou que está presente agora é igualmente liberado daquilo que fez. Nessa igualdade Cristo é restabelecido qual uma Identidade única, na qual os Filhos de Deus reconhecem que todos eles são um só. E Deus Pai sorri para Seu Filho, Sua única criação e Sua única alegria.

5. Reza para que a Segunda Vinda aconteça logo, mas não te acomodes nisso. Ela precisa de teus olhos e ouvidos e mãos e pés. Ela precisa de tua voz. E, mais do que tudo, ela precisa de tua boa vontade. Alegremo-nos por sermos capazes de fazer a Vontade de Deus e de nos unirmos em sua luz sagrada. Atenção, o Filho de Deus é um em nós, e podemos alcançar o Amor de nosso Pai por intermédio d'Ele.

*

LIÇÃO 308

Este instante é o único tempo que existe.

1. Imagino o tempo de tal forma que frustro meu objetivo. Se eu escolher alcançar a intemporalidade além do tempo, tenho de mudar minha percepção a respeito da serventia do tempo. O propósito do tempo não pode ser o de manter o passado e o futuro como uma coisa só. O único intervalo em que posso ser salvo do tempo é agora. Pois o perdão chega para me libertar neste instante. O nascimento de Cristo é agora, sem um passado ou um futuro. Ele vem para dar Sua bênção presente ao mundo, devolvendo-o à intemporalidade e ao amor. E o amor está sempre presente, aqui e agora.

2. Obrigado por este instante, Pai. É agora que sou redimido. Este instante é o momento que Tu estabeleces para a liberação de Teu Filho e para a salvação do mundo nele.

 
*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 308

Com a ideia para as práticas de hoje, o Curso oferece, mais uma vez, o ensinamento que pode nos tornar livres da crença limitadora em um tempo linear, que nos faz acreditar que o que somos hoje é resultado daquilo tudo que aprendemos ao longo de nossa vida ou que somos o resultado de milhões, bilhões quem sabe, de anos de evolução. Isto não é a verdade do que somos. 

O que somos, na verdade, não muda com o tempo. Nem com o espaço. Aquilo que acreditamos a respeito de nós mesmos/as é apenas uma ideia equivocada acerca de uma imagem construída - por nós mesmos/as - partir de um sistema de crenças e pensamentos que nos dá o ego, o falso eu, e que não tem absolutamente nada a ver como que somos na verdade. 


O ego, ou o falso eu, é tão somente uma vestimenta, uma máscara que inventamos para nos relacionarmos com o mundo. Uma veste, uma máscara, uma persona que, por engano, passamos a acreditar que é o que somos. É por isso que, como eu já disse antes, em perfeita sintonia com o que o Curso ensina - penso -, nós nunca reagimos aos fatos, mas apenas às interpretações que fazemos deles, ainda a partir do falso eu.

Como podemos compreender e manter em mente, para além de quaisquer equívocos, que o tempo e o espaço não existem senão na mente humana e são apenas partes de uma ilusão? Ilusão esta criada pelo falso eu - o ego do Curso -, que é apenas a imagem de nós mesmos/as, que criamos e construímos, mas que não é o que somos, repetindo de forma diferente o parágrafo anterior.

Quem sabe repetir uma das histórias de Joel Goldsmith, extraída do livro O Despertar da Consciência Mística, possa nos trazer alguma luz sobre a questão. É 
uma história que fala de "um homem em um barco a remos, na correnteza".

O lugar e o tempo onde ele iniciou sua viagem era aqui e agora, mas o lugar para onde ele ia era ali e depois. Em outras palavras, era no futuro e era no espaço; mas quando ele chegou lá, achou que [lá] era aqui e agora. O lugar [de onde ele partiu] que tinha sido aqui e agora [agora] era lá e depois [ou antes], e o [outro] lugar para o qual ele ia era lá, mais tarde.

Tudo estava mudado; mas quando ele chegou ao último lugar, tudo atrás dele estava lá e naquele tempo e todo o seu aqui e agora tinha passado, exceto aquilo que ele carregou consigo para onde foi. Quanto ao que lhe dizia respeito, [ele] ainda estava aqui e agora.

Mais tarde, ele teve a oportunidade de subir em um balão. Quando o fez, descobriu que esses lugares [aqueles todos por onde ele havia passado e também aquele em que se encontrava] estão todos aqui e todos agora. Ele podia vê-los e tomar consciência deles das alturas, com a mesma atualidade e realidade. Não havia nem tempo nem espaço naqueles três.

Goldsmith diz mais: 


"Quando fechamos os olhos, ficamos menos cientes do tempo e do espaço; mas, quando meditamos e alcançamos, enfim, o centro do ser em nós, toda a sensação de tempo, espaço, corpo desaparece: peso, preocupação, passado e futuro. Todas essas coisas desaparecem e nos descobrimos vivendo apenas. Não há sensação de tempo, nem de presente, nem de passado, nem de futuro. Não há sensação de desejo, porque na consciência mística profunda de estar aqui e agora, isto é, de experimentar só ser, há apenas realização".

Às práticas? Aqui e agora?

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

É somente ilusão tudo o que vemos neste mundo

 

9. O que é a Segunda Vinda?

1. A Segunda Vinda de Cristo, que é tão certa quanto Deus, é apenas a correção e a volta da sanidade. Ela é uma parte da condição que restitui o que nunca se perdeu e que restabelece o que é verdadeiro para todo o sempre. Ela é o convite para que a Palavra de Deus tome o lugar da ilusão; a disposição de permitir que o perdão se estenda sobre todas as coisas sem exceção e sem reserva.

2. É a natureza todo-abrangente da Segunda Vinda de Cristo que permite que ela envolva o mundo e te mantenha em segurança em seu benigno advento, que abarca todas as coisas vivas consigo. Não há limite para o alívio que a Segunda Vinda traz, uma vez que a criação de Deus tem de ser ilimitada. O perdão ilumina o caminho da Segunda Vinda porque ela brilha sobre todas as coisas vivas como uma só. E, desse modo, a unidade é enfim reconhecida.

3. A Segunda Vinda põe fim às lições que o Espírito Santo ensina, dando lugar ao Juízo Final, em que o aprendizado termina em um resumo derradeiro que se estenderá além de si mesmo e chegará a Deus. A Segunda Vinda é o instante em que todas as mentes são entregues às mãos de Cristo, para serem devolvidas ao espírito em nome da criação verdadeira e da Vontade de Deus.

4. A Segunda Vinda é o único acontecimento no tempo que o próprio tempo não pode atingir. Pois cada um daqueles que algum dia veio para morrer, ou que ainda virá, ou que está presente agora é igualmente liberado daquilo que fez. Nessa igualdade Cristo é restabelecido qual uma Identidade única, na qual os Filhos de Deus reconhecem que todos eles são um só. E Deus Pai sorri para Seu Filho, Sua única criação e Sua única alegria.

5. Reza para que a Segunda Vinda aconteça logo, mas não te acomodes nisso. Ela precisa de teus olhos e ouvidos e mãos e pés. Ela precisa de tua voz. E, mais do que tudo, ela precisa de tua boa vontade. Alegremo-nos por sermos capazes de fazer a Vontade de Deus e de nos unirmos em sua luz sagrada. Atenção, o Filho de Deus é um em nós, e podemos alcançar o Amor de nosso Pai por intermédio d'Ele. 

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LIÇÃO 307

Minha vontade não pode ser desejos conflitantes*.

1. Pai, Tua Vontade é minha, e só ela. Não existe nenhuma outra vontade para mim. Não permitas que eu tente fazer outra vontade, pois isso não tem sentido e será motivo de dor para mim. Só Tua Vontade pode me trazer a felicidade, pois só a Tua existe. Se eu quiser ter só o que Tu podes dar, tenho de aceitar Tua Vontade para mim e escolher a paz na qual o conflito é impossível. Teu Filho é um Contigo em ser e vontade  e nada contradiz a verdade sagrada segundo a qual eu continuo a ser tal qual Tu me criaste.

2. E com esta prece entramos silenciosamente em um estado no qual o conflito não pode chegar, porque unimos nossa vontade santa à de Deus em reconhecimento de que elas são a mesma. 


*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 307

Vamos pensar novamente um pouquinho mais a respeito do tema que busca dar unidade às práticas destas dez lições por que estamos passando desde a última sexta-feira: O que é a Segunda Vinda? 

Em um de seus livros, Joel Goldsmith diz o seguinte: 

"Muitas pessoas acreditam [de modo literal] que em breve haverá uma outra vinda do Cristo, mas estou convencido [de] que eu e você somos essa vinda, na proporção em que o Cristo é despertado em nós. Cada um de nós está agora chegando a esse estado de consciência em que podemos aceitar a declaração de Jesus [de acordo com os relatos que chegaram até nós] de que o Consolador virá a nós, quando cessarmos de confiar nas pessoas [no sentido de ver além de suas formas] e nas formas e meios humanos. Quando você pode abrir sua consciência para o Cristo total infinito, então Cristo, o Cristo da segunda vinda, virá para você e para mim [e para o mundo inteiro]." 

Isto é, como o Curso diz: a Segunda Vinda é tão somente a volta do sentido. Ou como se entender que o Céu não é um lugar, mas um estado de espírito? Quando nos ligamos à Consciência de onde viemos, e vivemos a partir dela, então estamos vivendo a Segunda Vinda.

Goldsmith, se vocês estiverem lembrados/as, diz ainda que não devemos esperar uma segunda vinda no sentido literal, isto é, não devemos esperar que uma pessoa venha, revestida de um corpo, a se proclamar o Cristo que voltou, uma vez que cada um e cada uma de nós já é a encarnação do Cristo, se aprendermos a olhar para nós mesmos/as e para todas as pessoas e coisas do mundo com a visão do espírito em nós. É importante também ter bem claro que, ainda de acordo com ele, nenhuma pessoa que não tenha empregado seu tempo em aprender a conhecer o Cristo vai vivenciar a segunda vinda, a não ser que lhe aconteça por uma misteriosa razão, por uma experiência de impacto enorme, uma súbita iluminação, como se ouve falar de alguns sábios de todos os tempos. 

Ou, ainda, como diz o teólogo Heinz Zahrnt, a quem já citei anteriormente, "quem quer conhecer Deus - assim como em outras coisas na vida - tem de apostar em algo que não conhece. Deve crer, pensar e agir como se Deus existisse".

E, voltando em parte a comentários anteriores para esta lição, é também disso que nos fala a ideia para as práticas de hoje, ao nos mostrar que nossa vontade só pode ser a Vontade de Deus, uma vez que só a Vontade d'Ele existe. Ou, se preferirem, só Ele existe [em nós, a partir de nós], conforme podemos ler no texto da introdução ao capítulo 10 do livro:

Nada além de ti mesmo pode te tornar medroso ou amoroso, por que não existe nada além de ti. (...) Deus não criou nada além de ti e nada além de ti existe, pois tu és parte d'Ele. O que exceto Ele pode existir? Além d'Ele nada pode acontecer, porque nada é real, a não ser Ele ...

O que buscamos todos e todas, e que nos pertence por direito, como Filhos de Deus, o Cristo, que somos, está sempre ao nosso alcance. O que acontece é que não o vemos a maior parte do tempo, porque cedemos nossa atenção e poder ao falso eu, que se acredita separado de Deus, que acredita poder existir uma vontade e um poder separados da Vontade de Deus.

O Curso nos orienta a praticar no sentido de re-aprender, ou re-lembrar, de nossa ligação original com Deus, mostrando-nos que tudo o que vemos neste mundo é apenas ilusão, porque perecível, destinado a não durar. E é só a partir da orientação que recebemos todos os dias pelas lições - e por suas práticas - que pode vir a ser possível chegarmos a compreender que o mundo não contém nada que realmente queiramos.

Isto também pode nos levar a entender por que o Curso diz que não precisamos fazer nada. Coisa que outros muitos mestres já nos disseram ao longo dos tempos. E entender que "não precisar fazer nada" não significa que podemos nos sentar numa rede e ficar de "papo pro ar" esperando que tudo aquilo de que pensamos precisar caia do Céu. 


Ou talvez até possa significar isso, a depender do modo como escolhemos viver. Pensando bem, no fundo, no fundo, aquele que põe o reino em primeiro lugar reconhece que tudo aquilo de que precisa lhe chega como uma dádiva, um presente, como que o maná que cai do céu para atender as necessidades prementes. Todas as necessidades. E tudo o que faz é agradecer, e agradecer, e agradecer, e dar graças.

O "não fazer nada" a que o Curso se refere tem a ver apenas com a entrega, significa entender que não é possível fazermos nada sozinhos/as. Pois fazemos tudo em Deus, com Ele. Significa entender, aceitar, acolher e agradecer o tempo todo por isso. Afinal, só alcançaremos a liberdade completa, como diz o Curso, e desfrutaremos de tudo o que é nosso por direito quando reconhecermos nossa total e completa dependência de Deus.     

* NOTA A RESPEITO DA TRADUÇÃO:

 
No original conflicting. A palavra conflicting pode ser traduzida como conflitante,  contraditório/aabsurdo/a, ou ilógico/aTodos são sinônimos que remetem a algo não unificado, algo incerto e duvidoso. Apesar de eu ter mudado a ordem da frase original, mantive o adjetivo conflitante, escolhido por Lillian como tradução para o adjetivo original, embora acredite que a ideia ficaria mais bem dita se ficasse assim: "Minha vontade não pode ter desejos contraditórios"


Às práticas?

terça-feira, 2 de novembro de 2021

O conhecimento dado pelos sentidos é enganador

 

12. O que é o ego?

1. O ego é idolatria; o sinal do ser limitado e separado, nascido em um corpo, condenado a sofrer e a terminar sua vida na morte. Ele é a "vontade" que percebe a Vontade de Deus como inimiga e toma uma forma na qual ela é negada. O ego é a "prova" de que a força é fraca e de que o amor é amedrontador, de que a vida é, na verdade, morte e de que só aquilo que contraria Deus é verdadeiro.

2. O ego é louco. Com medo, ele se põe diante de Todos os Lugares, separado do Todo, separado do Infinito. Em sua loucura, ele pensa ter se tornado um vitorioso sobre o Próprio Deus. E, em sua autonomia insuportável, ele "percebe" que a Vontade de Deus foi destruída. Ele sonha com castigo e treme diante das imagens de seus sonhos; seus inimigos, que buscam assassiná-lo antes de ele poder garantir sua segurança atacando-os.

3. O Filho de Deus não tem ego. O que ele pode saber da loucura e da morte de Deus, se habita n'Ele? O que ele pode saber da tristeza e do sofrimento, se vive na alegria eterna? O que ele pode saber do medo e do castigo, do pecado e da culpa, do ódio e do ataque, se tudo o que existe à volta dele é a paz perene, livre de conflitos e imperturbada para sempre, no silêncio e na tranquilidade mais profundos?

4. Conhecer a realidade é não ver o ego e seus pensamentos, seus esforços, seus atos, suas leis e crenças, seus sonhos, suas esperanças  seus planos para a própria salvação e o custo que a crença nele cobra. Em termos de sofrimento, o preço pela fé no ego é tão imenso que a crucificação do Filho de Deus é oferecida diariamente em seu santuários sombrio, e o sangue tem de jorrar diante do altar em que seus seguidores doentios se preparam para morrer.

5. Porém, um único lírio de perdão transformará as trevas em luz; o altar às ilusões no santuário à Própria Vida. E a paz será devolvida para sempre às mentes santas que Deus criou como Seu Filho, Sua morada, Sua alegria, Seu amor, inteiramente Seu, um só com Ele totalmente.

*

LIÇÃO 336

O perdão me permite saber que as mentes são unidas.

1. O perdão é o meio designado para o fim da percepção. O conhecimento se restabelece depois que: primeiro, a percepção se modifica para, em seguida, dar lugar àquilo que permanece para sempre além de seu mais profundo alcance. Pois imagens e sons podem servir, no máximo, para despertar a memória que está além de todos eles. O perdão varre as distorções e abre o altar escondido à verdade. Seus lírios refletem a luz para o interior da mente e a chamam para voltar e olhar para dentro, para encontrar aquilo que ela procura fora inutilmente. Pois aí, e só aí, se restabelece a paz de espírito, pois essa é a morada do Próprio Deus.

2. Possa o perdão varrer meus sonhos de separação e de pecado na paz. Deixa-me, então, meu Pai, olhar para dentro e achar Tua garantia de que minha inocência se mantém; Tua Palavra permanece inalterada em minha mente, Teu Amor ainda habita em meu coração.



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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 336

Repetindo, com pequenas modificações aqui e ali, o comentário de anos passados.


A ideia que vamos praticar mais uma vez hoje deve servir para nos abrir os olhos, a mente e o coração para o fato de que nunca houve um momento em que nos tenhamos separado de Deus. Conforme o Curso ensina, as mentes são unidas. E o que pode nos permitir ver isso é o perdão. Ou como a ideia para as práticas diz:

O perdão me permite saber que as mentes são unidas. 

Não existem pensamentos privados. As ideias não deixam sua fonte. E a união das mentes não autoriza a pensar que existem várias mentes diferentes, uma em cada corpo, que se comunicam umas com as outras. Não! Não é assim! Na verdade, todos nós nos valemos de uma e mesma ligação a uma só Mente única, a qual estamos conectados/as o tempo todo, quer conscientes disso ou não. É mais ou menos como a Matrix, que o filme de mesmo nome mostra. 

Mesmo a mente, com "m" minúsculo, a do ego, é uma só para todos e todas nós, aparentemente habitantes deste mundo, que pensamos ser o mesmo para todas as pessoas, mas que não é, por mais que a crença na separação nos impeça de reconhecer isso. E é por isso que não existem pensamentos privados. E tudo aquilo que qualquer um, ou qualquer uma, de nós pode pensar em fazer já foi pensado antes por alguém, ou está sendo pensado no mesmo momento ou ainda vai ser pensado por alguém, que não pode ser senão nós mesmos/as, em um corpo diferente, mas apenas em aparência. 

Aquilo que tememos, a partir da sintonia com o sistema de pensamento do ego, que descubram de nós, que pode nos revelar, desmascarar para os outros, ou revelar o que pensamos ("Como sou egoísta, como sou descuidado, como sou odioso, e por aí a fora"), é o mesmo que o "outro", ou a "outra" pensa. Seja este outro, ou esta outra, quem for. Existe uma unidade entre todos e todas nós, que a maior parte do tempo não somos capazes de ver, de perceber.

Por que, então, não nos damos conta disso? Por que não experimentamos, na prática, a unidade, ou só a experimentamos em raros e fugazes instantes, a que o Curso chama de "instante santo"?

Porque estamos por demais habituados, treinados e automatizados pela crença na separação, que o ego e o mundo do ego promovem o dia inteiro, todos os dias. E porque, repetindo, como observa Guimarães Rosa, em geral, "... vivemos, de modo incorrigível, distraídos das coisas mais importantes".

Isto é, cedemos aos apelos do falso eu e nos perdemos em um mundo de coisas e pessoas aparentemente separadas, às quais atribuímos características e valores diferentes a partir de nossa percepção equivocada de umas e outras. Criticando, julgando e condenando. 

Daí, a necessidade das práticas com a ideia de hoje para podermos reconhecer, aprender e aceitar que:

O perdão é o meio designado para o fim da percepção. O conhecimento se restabelece depois que: primeiro, a percepção se modifica para, em seguida, dar lugar àquilo que permanece para sempre além de seu mais profundo alcance. Pois imagens e sons podem servir, no máximo, para despertar a memória que está além de todos eles. O perdão varre as distorções e abre o altar escondido à verdade. Seus lírios refletem a luz para o interior da mente e a chamam para voltar e olhar para dentro, para encontrar aquilo que ela procura fora inutilmente. Pois aí, e só aí, se restabelece a paz de espírito, pois essa é a morada do Próprio Deus.

E, voltando ao que eu já disse antes a este respeito, se pensarmos bem, mais dia, menos dia, ainda que por caminhos diferentes, havemos todos de chegar à conclusão de que as mentes são unidas. Ou será que algum, ou alguma, de nós tem consciência do momento em que deixou de perceber, de saber, que "as mentes são unidas"? Em que momento passamos a acreditar na ideia de separação? 

No mínimo, podemos pensar que em algum momento de nossa experiência neste mundo fomos convidados/as a olhar para alguma coisa e considerá-la melhor ou pior do que outra, deixando de vê-la como parte de um todo harmônico, no qual as partes são todas neutras e desempenham apenas o papel que lhes cabe.

É claro, repito, que este mundo de aparências em que acreditamos estar, e que cremos ser real e verdadeiro, nos oferece uma avalanche de informações e de coisas, e de provas de sua realidade - separada -, que muitas vezes nos atordoa e exige um esforço sobre-humano até para respirar de forma tranquila e pensar de forma clara.

Mas também é fato que desde a Antiguidade, os filósofos lidam com a ideia de que a percepção que nos oferecem os sentidos não é um guia confiável. Do mesmo modo que nos diz o Curso, Heráclito, filosofo que viveu há cerca de 500 anos antes de Cristo, já dizia que "o conhecimento sensível [isto é, o conhecimento aparente daquilo que se percebe pela via dos sentidos] é enganador e deve ser separado pela razão". 

Ora, isto é o mesmo que dizer que não podemos confiar nas percepções do corpo, nem acreditar na separação aparente de corpos. Ou na separação das mentes, ou mesmo em sua divisão. É só nos sonhos da ilusão deste mundo que podemos acreditar em mentes divididas. Mesmo quando o Curso nos diz que nossa mente se dividiu após a dita separação ou "queda", ele só nos diz isto para chamar a atenção para o fato de que nunca houve a separação. 

Por isso podemos dizer tranquilamente, como orienta a lição de hoje: 

Possa o perdão varrer meus sonhos de separação e de pecado na paz. Deixa-me, então, meu Pai, olhar para dentro e achar Tua garantia de que minha inocência se mantém; Tua Palavra permanece inalterada em minha mente, Teu Amor ainda habita em meu coração.

Às práticas?

A forma só pode vir a existir a partir do pensamento

 

9. O que é a Segunda Vinda?

1. A Segunda Vinda de Cristo, que é tão certa quanto Deus, é apenas a correção e a volta da sanidade. Ela é uma parte da condição que restitui o que nunca se perdeu e que restabelece o que é verdadeiro para todo o sempre. Ela é o convite para que a Palavra de Deus tome o lugar da ilusão; a disposição de permitir que o perdão se estenda sobre todas as coisas sem exceção e sem reserva.

2. É a natureza todo-abrangente da Segunda Vinda de Cristo que permite que ela envolva o mundo e te mantenha em segurança em seu benigno advento, que abarca todas as coisas vivas consigo. Não há limite para o alívio que a Segunda Vinda traz, uma vez que a criação de Deus tem de ser ilimitada. O perdão ilumina o caminho da Segunda Vinda porque ela brilha sobre todas as coisas vivas como uma só. E, desse modo, a unidade é enfim reconhecida.

3. A Segunda Vinda põe fim às lições que o Espírito Santo ensina, dando lugar ao Juízo Final, em que o aprendizado termina em um resumo derradeiro que se estenderá além de si mesmo e chegará a Deus. A Segunda Vinda é o instante em que todas as mentes são entregues às mãos de Cristo, para serem devolvidas ao espírito em nome da criação verdadeira e da Vontade de Deus.

4. A Segunda Vinda é o único acontecimento no tempo que o próprio tempo não pode atingir. Pois cada um daqueles que algum dia veio para morrer, ou que ainda virá, ou que está presente agora é igualmente liberado daquilo que fez. Nessa igualdade Cristo é restabelecido qual uma Identidade única, na qual os Filhos de Deus reconhecem que todos eles são um só. E Deus Pai sorri para Seu Filho, Sua única criação e Sua única alegria.

5. Reza para que a Segunda Vinda aconteça logo, mas não te acomodes nisso. Ela precisa de teus olhos e ouvidos e mãos e pés. Ela precisa de tua voz. E, mais do que tudo, ela precisa de tua boa vontade. Alegremo-nos por sermos capazes de fazer a Vontade de Deus e de nos unirmos em sua luz sagrada. Atenção, o Filho de Deus é um em nós, e podemos alcançar o Amor de nosso Pai por intermédio d'Ele.

*

LIÇÃO 306

A dádiva de Cristo é tudo o que busco hoje.

1. O que a não ser a visão de Cristo eu usaria hoje, se ela pode me oferecer um dia em que vejo o mundo tão parecido com o Céu que uma lembrança antiga volta para mim? Hoje posso esquecer o mundo que fiz. Hoje posso ir além de qualquer medo e ser devolvido ao amor, e à santidade, e à paz. Hoje sou redimido e nasço de novo em um mundo de misericórdia e proteção; de bondade amorosa e da paz de Deus.

2. E assim, Pai nosso, voltamos a Ti, lembrando que nunca partimos, lembrando de Tuas dádiva para nós. Em gratidão e reconhecimento vimos, com as mãos vazias e corações e mentes abertos, pedir apenas o que Tu dás. Não podemos fazer uma oferenda adequada a Teu Filho. Mas, no Teu Amor, a dádiva de Cristo é dele.


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COMENTÁRIO:



Explorando a LIÇÃO 306

Repito por pertinente, acho, todo o comentário feito a esta mesma lição no ano passado.

Pergunta: O que pode contrabalançar todo o negativismo, toda a dor, todo o sofrimento, toda a depressão, toda a violência, toda a crença na separação, todo o ódio, toda a raiva e desamor que é aparentemente o que mais chama a atenção da maioria das pessoas do mundo, que vibram nas baixas frequências da matéria, orientadas que são pelas impressões dadas pela percepção dos sentidos do corpo?

Resposta: A ideia que vamos praticar hoje. 

Por quê?

Porque ela faz parte de outra frequência de vibração. Uma frequência que nos põe, ou pode nos pôr, em contato direto com o que somos, quando inspirados, isto é, quando nos permitimos vibrar na frequência da energia do "espírito", "em espírito", que nos leva diretamente para a dádiva do Cristo, para a visão crística, que revela a cada um e a cada uma de nós sua verdadeira Identidade: a do Filho de Deus. 

Um trecho do livro texto que lemos algumas vezes nos grupos de estudos do Curso, durante o período em que fiz parte de alguns deles, diz que podemos, na experiência da ilusão do tempo, atrasar a união perfeita do Pai e do Filho, se cedermos à atração da culpa. Quer dizer, se nos deixarmos influenciar por tudo aquilo que apenas reforça a crença na separação. Mas, dizia ainda o texto, "nem o tempo nem a estação do ano significam coisa alguma na eternidade". 

"A dádiva de Cristo", de que fala a ideia que praticamos hoje, é a de nos vermos sem culpa, de ver que ainda somos, todos, todas, cada um e cada uma de nós, como Deus nos criou. Aceitar esta dádiva é aceitar a liberdade e, ao mesmo tempo, oferecê-la a tudo e a todos. Para tanto, basta que nossa decisão seja a de buscar apenas esta dádiva. 

E quando vamos, de fato, tomar a decisão de buscar apenas a dádiva do Cristo e pôr em primeiro lugar "o Reino"? Não há nada que possa vir a nos faltar, quando colocamos Deus em primeiro lugar em nossas vidas, pois tudo o que Ele tem nos pertence e está à disposição de todos, todas, de cada um e da cada uma de nós. Basta que nos voltemos para Ele.

Vejamos, pois, repetindo, que diferença pode fazer nossa tomada de decisão a partir de uma estatística que encontrei em um livro que li há algum tempo. Espero que tal estatística faça com que reconsideremos nosso hábito de deixar para depois e resolvamos mudar nosso modo de olhar para o mundo.

A pesquisa tem a ver com impacto que temos no mundo quando nos ligamos às altas frequências de vibração do espírito e revela o seguinte:

* Um indivíduo que vive e vibra na energia do otimismo e numa disposição de não julgar os outros contrabalança a negatividade de 90.000 indivíduos que se ajustam aos níveis inferiores e enfraquecedores.

* Um indivíduo que vive e vibra na energia do amor puro e da reverência [respeito] por todas as formas de vida contrabalança a negatividade de 750.000 indivíduos que se ajustam aos níveis inferiores e enfraquecedores.

* Um indivíduo que vive e vibra na energia da iluminação, da bênção e da paz infinita contrabalança a negatividade de 10 milhões de pessoas que se ajustam aos níveis inferiores e enfraquecedores [nos dias de hoje - à época em que a pesquisa foi realizada - vivem aproximadamente 22 de tais sábios].

* Um indivíduo que vive e vibra na energia da graça, do espírito puro além do corpo, em um mundo de não-dualidade ou de completa unidade vai contrabalançar a negatividade de 70 milhões de pessoas que se ajustam aos níveis inferiores e enfraquecedores de vibração [hoje - à época da pesquisa - existem 10 de tais sábios vivos]. 

Uma lição recente afirma: "a percepção é um espelho, não um fato". O Curso ensina: "o mundo é ilusão", "o corpo é ilusão". E teimamos em acreditar que ele, o corpo, e todas as coisas que ele vê e inventa na ilusão de ser e ter algum valor diferente daquele que nós mesmos/as atribuímos a ele e a todas as coisas, é real, equivocados/as por acreditar no sistema de pensamento do ego. Teimamos em acreditar que o mundo não é apenas resultado de nossos pensamentos e interpretações colocados "aparentemente" fora de nós.

É esta nossa crença que cria-inventa todo o sofrimento, toda a dor, todas as aparentes desgraças e infortúnios do desamor no mundo em que acreditamos viver. Neste mundo das formas e aparências, que só existe a partir do que pensamos. É isso que queremos de fato? Não? 

Por quanto tempo, então, ainda vamos adiar o momento de alinharmos nossa vibração à frequência de vibração do espírito e trazer o Céu à terra, vivendo em pleno a expressão do potencial com que nascemos? 

Às práticas? 


segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Só do perdão podem vir a paz e a consciência crística

 

9. O que é a Segunda Vinda?

1. A Segunda Vinda de Cristo, que é tão certa quanto Deus, é apenas a correção e a volta da sanidade. Ela é uma parte da condição que restitui o que nunca se perdeu e que restabelece o que é verdadeiro para todo o sempre. Ela é o convite para que a Palavra de Deus tome o lugar da ilusão; a disposição de permitir que o perdão se estenda sobre todas as coisas sem exceção e sem reserva.

2. É a natureza todo-abrangente da Segunda Vinda de Cristo que permite que ela envolva o mundo e te mantenha em segurança em seu benigno advento, que abarca todas as coisas vivas consigo. Não há limite para o alívio que a Segunda Vinda traz, uma vez que a criação de Deus tem de ser ilimitada. O perdão ilumina o caminho da Segunda Vinda porque ela brilha sobre todas as coisas vivas como uma só. E, desse modo, a unidade é enfim reconhecida.

3. A Segunda Vinda põe fim às lições que o Espírito Santo ensina, dando lugar ao Juízo Final, em que o aprendizado termina em um resumo derradeiro que se estenderá além de si mesmo e chegará a Deus. A Segunda Vinda é o instante em que todas as mentes são entregues às mãos de Cristo, para serem devolvidas ao espírito em nome da criação verdadeira e da Vontade de Deus.

4. A Segunda Vinda é o único acontecimento no tempo que o próprio tempo não pode atingir. Pois cada um daqueles que algum dia veio para morrer, ou que ainda virá, ou que está presente agora é igualmente liberado daquilo que fez. Nessa igualdade Cristo é restabelecido qual uma Identidade única, na qual os Filhos de Deus reconhecem que todos eles são um só. E Deus Pai sorri para Seu Filho, Sua única criação e Sua única alegria.

5. Reza para que a Segunda Vinda aconteça logo, mas não te acomodes nisso. Ela precisa de teus olhos e ouvidos e mãos e pés. Ela precisa de tua voz. E, mais do que tudo, ela precisa de tua boa vontade. Alegremo-nos por sermos capazes de fazer a Vontade de Deus e de nos unirmos em sua luz sagrada. Atenção, o Filho de Deus é um em nós, e podemos alcançar o Amor de nosso Pai por intermédio d'Ele.

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LIÇÃO 305

Há uma paz que Cristo nos concede.

1. Aquele que usa apenas a visão de Cristo encontra uma paz tão profunda e serena, tão imperturbável e tão totalmente imutável, para a qual o mundo não tem nenhum equivalente. As comparações silenciam diante dessa paz. E o mundo inteiro se afasta em silêncio quando essa paz o envolve e o traz suavemente à verdade, para não ser mais a morada do medo. Pois o amor chega e cura o mundo por dar a ele a paz de Cristo.

2. Pai, a paz de Cristo nos é dada porque é Tua Vontade que sejamos salvos. Ajuda-nos hoje a aceitar apenas Tua dádiva e não julgá-la. Pois ela veio para nos salvar de nosso julgamento de nós mesmos.


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COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 305

Acho que também se poderia dizer e praticar com a ideia de hoje da seguinte forma: Há uma paz que [só] Cristo nos concede. E por que digo isto? Claro que porque é só o Cristo em nós, isto é, só vivendo nossa vida a partir do Cristo - o divino - em nós é que podemos viver a paz e a alegria completas e perfeitas que, segundo o que ensina o Curso, é a Vontade de Deus para todos, todas, cada um e cada uma de nós.

E o que é o Cristo? Voltemos à sexta das instruções-temas que deu unidade a uma série de nossas práticas anteriores [Vide lições 271 a 280]. Vamos achar lá, logo no início da instrução, a frase: Cristo é o Filho de Deus tal como Ele [Deus] O criou [o Filho]. Isto é, o Cristo é cada um ou cada uma de nós, ou cada um daqueles, ou cada uma daquelas que aceita a Expiação para si mesmo/a. E, ao mesmo tempo, o Cristo é a soma de todos e todas nós, livres de qualquer mácula porque perdoados/as. Inocentes. Desde o princípio até o fim. Ao aceitar a Expiação para mim [o desfazer do erro], posso compreender e viver a partir do entendimento de que ainda sou como Deus me criou.

Assim, se a paz, que aparentemente nos falta, falta-nos apenas porque ainda não somos capazes de viver a partir do Ser, do modo como fomos criados por Deus, só podemos, de fato, encontrá-la, quando encontrarmos em nós, no interior de nós mesmos/as, o Cristo, o Filho de Deus, tal qual Deus O criou. Isto é, quando reconhecermos e aceitarmos em nós, de fato, a verdade da afirmação do Curso de que ainda somos como Deus nos criou. Não há como ser diferente. Não há como sermos diferentes do que somos.

Em todo o caso, é bom também termos claro, que nem o Cristo nem outra coisa ou pessoa qualquer pode ser encontrada fora de nós. Reforçando: fora de nós não existe nada. Pois como disse sempre às pessoas todas com quem tive contato nos grupos de estudos do Curso de que participei durante algum tempo, todos os termos de que o Curso fala para se referir ao divino: Cristo, o Espírito Santo, o Filho de Deus, o Amigo, Deus, o Ser, a Filiação, o Companheiro, entre outros, não existem fora de nós. Tudo - e todos e todas - está dentro de nós. É preciso que tenhamos isto cada vez mais presente em nossa consciência a respeito de nós mesmos/as: tudo sempre esteve, sempre está e estará sempre dentro de cada um ou de cada uma de nós. E qualquer mudança que tenha de ser feita no mundo em que cada um e cada uma de nós vive, tem de, primeiro, ser feita dentro. É só o que mudamos dentro que aparece mudado à visão que olha para fora.

Portanto, como o Curso ensina, "se queres a paz, ensina a paz para aprendê-la". Isto é bem possível. Basta que olhemos para dentro de nós mesmos/as e encontremos a paz que vem do Ser, do Cristo, nossa verdadeira Identidade, e nos apropriemos do olhar crístico que olha para tudo e para todas as pessoas do mundo sem nenhuma condenação, sem nenhum julgamento. A paz está à disposição de todos e todas que se decidem pelo olhar crístico.

É o perdão, em primeiro lugar a nós mesmos/as, por nos julgarmos separados/as, uns dos outros, umas das outras e de Deus, e, depois ao mundo inteiro, a tudo e a todas as coisas e pessoas, que nos oferece a possibilidade do contato com a consciência crística e com a paz que advém dessa consciência.  "O que provém do perdão pode ser um tipo diferente de milagre em relação àquele a respeito do qual ouvimos falar nos noticiários ou em um encontro religioso. Mas é o tipo de milagre com o qual nós mesmos podemos 'trabalhar', se estivermos dispostos" [Grifo meu], repetindo algo a que já me referi anteriormente.

É por isso que hoje damos continuidade a nossas práticas com a ideia de que "há uma paz que [só] Cristo concede". Pois as práticas, "com aplicações repetidas e eficácia crescente", nos oferecem "justamente o tipo de milagre que [pode] mudar nossa maneira de ver todas as coisas". É isso também que o Curso nos oferece quando traz para as práticas ideias como "O Céu é a decisão que tenho de tomar.", ou "Acima de tudo eu quero ver.", ou "Acima de tudo eu quero ver as coisas de modo diferente.", ou, ainda, para ficar em poucos exemplos, "Eu poderia ver paz em lugar disso".

Às práticas?