quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Nosso medo mais profundo é da luz que trazemos


LIÇÃO 280

Que limites posso impor ao Filho de Deus?

1. Aquele Que Deus criou sem limites é livre. Posso inventar uma prisão para ele, mas só em ilusões, não na verdade. Nenhum Pensamento de Deus deixa a Mente de Seu Pai. Nenhum Pensamento de Deus não é nada a não ser puro para sempre. Posso impor limites ao Filho de Deus, cujo Pai quis que ele seja sem limites e igual a Si Mesmo em liberdade e em amor?

2. Deixa-me render homenagem a Teu Filho hoje, pois assim encontro o caminho para Ti. Pai, não imponho nenhum limite ao Filho que Tu amas e que criaste sem limites. O louvor que ofereço a ele é Teu e o que é Teu também pertence a mim.

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COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 280

Repito o comentário, inclusive o título dado à postagem, feito para esta lição em 2014. 

A ideia que praticamos hoje encerra a série de dez lições sob o tema O que é o Cristo? E, se prestamos toda a atenção de que somos capazes, é forçoso reconhecer mais uma vez que todas as lições nos convidaram a aproveitar o fato de que não há limites para o que somos nem para o que podemos fazer, quando aceitamos nossa identidade crística, vivendo a experiência deste mundo, a partir desta Identidade. 

E é mais uma vez esta ideia que vamos praticar com a lição de hoje. Uma ideia que vai facilitar que tomemos em definitivo a decisão em favor da mudança, se aprendermos a aceitar o que temos direito como filhos de Deus. 

Como eu disse antes, o Curso afirma que, em geral - uma vez que temos direito a absolutamente tudo -, é muito pouco o que pedimos. Isto porque ainda acreditamos que precisamos pedir, o que significa reforçar a crença na escassez, na carência. Ou, dizendo de outra forma, aquele de nós que acredita ser necessário pedir alguma coisa a Deus, se vê separado d'Ele. É por isso que na grande maioria das vezes não consegue o que pede.

Joel Goldsmith, em seus livros, acentua o fato de que Deus está mais próximo de nós do que a respiração, do que nossas mãos e pés. Diz ele que "a prece não é um pedido, pois não sabemos como orar ou o que pedir; não sabemos como entrar ou sair [de nossa relação com Deus]. Não sabemos o que pedir porque ignoramos qual possa ser o nosso bem amanhã, que talvez não tenha nenhuma relação com o de hoje". Diz também que a verdadeira prece não tem por objetivo "influenciar, manipular ou usar Deus". É por isso que, de acordo com ele, é preciso que reconheçamos não saber como rezar para aprendermos a deixar que Deus ore em nós.

Aprender isso, vai nos trazer a certeza de que, como eu também já disse várias vezes antes, não há limites para  o que podemos fazer em Deus, com Ele. Isso nos dará também a certeza de que vivemos e nos movemos n'Ele. No entanto, a maior parte do tempo, parece-nos que somos limitados, frágeis e indefesos seres que habitam um corpo fadado à deterioração e à morte. 

Por que razão acreditamos nisto? Há como mudar esta crença? Queremos mudá-la de fato? Ou já estamos tão acostumados a ela que a simples possibilidade de qualquer mudança já nos dá medo? Estaremos já tão habituados aos limites que aparentemente nos impomos que a ideia de mudança pressupõe um esforço que não estamos dispostos a fazer? Aceitamos já por inteiro o transe? Já aceitamos o conforto da acomodação de forma incondicional, ao ponto de nos assustar a ideia de abandoná-lo?

Em um livro intitulado Prisões que Escolhemos para Viver, a escritora britânica, Doris Lessing, afirma que "todos nós, em certo grau, sofremos lavagem cerebral, efetuada pela sociedade em que vivemos. E verificamos esse fato [dentre outras maneiras] quando viajamos para outro país e somos capazes de enxergar o nosso com os olhos de um estrangeiro. Não há muito o que fazer a esse respeito, a não ser constatar que é assim que as coisas funcionam. Cada um de nós é parte de grandes e confortadoras ilusões forjadas pela sociedade para manter sua própria auto-confiança".

Lembrando-nos, no entanto, de uma passagem do texto do Curso, podemos dizer que "isto não precisa ser assim". Basta nos decidirmos a olhar para o mundo de modo diferente.

Todavia, o que acontece, em geral, é que, na verdade, a ideia de liberdade nos assusta mais do que as prisões e os limites a que nos sujeitamos. Aliás, Marianne Williamsom, em seu livro Um Retorno ao Amor, diz isto de forma clara e cristalina ao afirmar, como também já citei várias vezes antes, que "o medo mais profundo que abrigamos no peito não tem nada a ver com o fato de sermos medíocres [limitados]". 


Diz ela que "nosso medo mais profundo é o de que sejamos poderosos para além de todas as medidas. É nossa luz, não nossa escuridão, o que mais nos assusta. Nós nos perguntamos: 'Quem sou eu para ser brilhante, maravilhoso, talentoso, fabuloso?' Na verdade, quem és para não sê-lo? Tu és um filho de Deus. Fingir-se pequeno não serve de nada ao mundo. Não é uma atitude esclarecida encolher-se para que outros não se sintam inseguros a tua volta. Fomos todos feitos para brilhar, como as crianças brilham". 

E mais, finaliza ela: "Nascemos para tornar manifesta a glória de Deus, que está dentro de nós. Não apenas em alguns de nós; em todos nós. E, quando deixamos que nossa luz brilhe, inconscientemente, damos permissão para que os outros façam o mesmo. À medida que nos libertamos de nossos medos [e limites], nossa presença libera os demais automaticamente". 

Às práticas?

terça-feira, 6 de outubro de 2015

É vital manter o estado da "mente que não sabe"


LIÇÃO 279

A liberdade da criação garante minha própria liberdade.

1. O fim dos sonhos está garantido para mim, porque o Filho de Deus não fica abandonado pelo Amor d'Ele. Somente nos sonhos existe um momento em que ele parece estar na prisão e esperar por uma liberdade futura, se ela existir de alguma forma. Na realidade, porém, seus sonhos acabaram com a verdade estabelecida no lugar deles. E agora a liberdade já é dele. Devo esperar a liberação preso a correntes que já foram cortadas, se Deus me oferece a liberdade agora?

2. Aceitarei tuas promessas hoje e depositarei minha fé nelas. Meu Pai ama o Filho Que Ele criou como Seu Próprio Filho. Tu me negarias as dádivas que me deste?

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 279

"Busca em primeiro lugar o Reino de Deus e todas as coisas te serão acrescentadas". [Lucas 12:31]

É só a decisão de pôr em primeiro lugar o Reino, como eu já disse inúmeras vezes e como dizem todos os mestres com quem temos contato em todas as tradições de sabedoria, que pode garantir que tenhamos a liberdade de que somos herdeiros pela condição de filhos de Deus.

E por quê?

Porque nada no mundo pode satisfazer nosso anseio pela liberdade. Nada no mundo ou do mundo pode nos oferecer a alegria e a paz que encontramos ao viver para o Reino. Precisamos compreender - no sentido de aceitar - que só existe um único poder e que é a ele que temos de nos render. Enquanto não nos decidirmos pela rendição completa e absoluta a este único poder, viveremos constantemente a impressão de altos e baixos.

Da mesma forma, precisamos renunciar a toda e qualquer ideia que tenhamos a respeito de nós mesmos, do mundo e de tudo o que há para se fazer no mundo. É esta renúncia que pode nos dar a liberdade de que fala a ideia que praticamos hoje. A liberdade que nos é garantida pela liberdade da criação. Pois, de acordo com Stephen Mitchell, "a única liberdade fundamental é a liberdade de nossas próprias ideias". Isto é, precisamos nos permitir duvidar de tudo - absolutamente tudo, sem exceção - o que o sistema de pensamento do ego quer que pensemos a nosso próprio respeito e a respeito do mundo todo. Ou, como os budistas ensinam, é vital que sejamos capazes de aprender a nos manter no estado da "mente que não sabe". 

É também de Mitchell a ideia segundo a qual "...pode-se dizer que só vive verdadeiramente em harmonia com o divino aquele que está pronto para tudo, que não exclui nenhuma experiência, nem mesmo a mais incompreensível".

Aproximamo-nos hoje do final de mais um período de prática, cuja unidade se deu pela pergunta: O que é o Cristo? Uma pergunta cuja resposta está diretamente relacionada à ideia que se oferece para nosso treino. Pois o que pode ser o Cristo que não nossa Identidade verdadeira, que permite compreender que ainda somos livres como Deus nos criou.

Do mesmo modo a criação toda é livre para se exprimir e é nela  que podemos perceber o reflexo de nossa própria liberdade, como já disse outras vezes. Mesmo naqueles momentos em que parece que as coisas se apresentam a nossa experiência sem que aparentemente sejamos capazes de qualquer interferência. Quer dizer, mesmo quando o que acontece parece ter acontecido sem que tenhamos escolhido.

Isto não é verdade, conforme já vimos em uma lição anterior que dizia:

É impossível que qualquer coisa não solicitada por mim mesmo venha a mim. Mesmo neste mundo, sou eu que governo meu destino. Aquilo que eu desejo é o que acontece. O que não acontece é aquilo que eu não quero que aconteça.

E, repetindo ainda uma vez o final de comentário feito em anos anteriores, é isto, por incrível que pareça, que diz também o livro A Biologia da Crença, de Bruce H. Lipton, cuja leitura recomendo enfaticamente de novo. Diz ele que:

"... o controle de nossa vida não depende de sorte ou das características [genéticas] estabelecidas no momento da concepção, mas sim de nós mesmos. Somos os senhores de nossa biologia [assim como de tudo o que nos cerca]; administradores do programa de processamento. Temos a capacidade de editar os dados que entram em nosso bio-computador, assim como todas as palavras que são digitadas."

Não será isto a confirmação de que, de fato, somos absolutamente livres, em todo e qualquer sentido, para escolher quaisquer experiências que queiramos viver neste mundo e em qualquer mundo que queiramos inventar para nós?

É a resposta a esta pergunta que as práticas de hoje oferecem. 

Às práticas?

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Não possuímos um ego, a ideia de um nos possui


LIÇÃO 278

Se eu for limitado, meu Pai não é livre.

1. Se eu aceitar que sou prisioneiro em um corpo, em um mundo no qual todas as coisas que aparentam viver parecem morrer, então, meu Pai é prisioneiro comigo. E é nisto que acredito quando afirmo que tenho de obedecer às leis que o mundo obedece; que as fragilidades e os pecados que percebo são reais e não se pode fugir deles. Se eu for limitado de qualquer modo, não conheço meu Pai nem meu Ser. E estou perdido para toda realidade. Pois a verdade é livre, e aquilo que é limitado não é uma parte da verdade.

2. Pai, não peço nada senão a verdade. Tenho muitos pensamentos tolos acerca de mim mesmo e de minha criação, e trago um sonho de medo em minha mente. Hoje não quero sonhar. Escolho o caminho para Ti em lugar da loucura e em vez do medo. Pois a verdade é segura e só o amor é certo.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 278

Repito o comentário - inclusive o título dado à postagem no ano passado - que fiz em anos passados e que ainda é válido para nos aproximarmos da ideia para a práticas de hoje. Posso, e quero, pois, continuar a dizer que vários livros que li ultimamente ou mesmo alguns que leio no momento colocam enorme ênfase no fato de que os limites que pensamos existir em nossa vida são apenas limites auto-impostos, ilusórios, uma vez que aquilo que somos em essência é sempre expressão da liberdade mais absoluta, que não pode ser aprisionada em nenhum lugar, nem em tempo algum. Nem em um corpo, nem em bilhões deles. E que precisamos, por isso, olhar com grande reserva para tudo aquilo que, pensamos, aparentemente nos limita.

Um desses livros cita um poema de Rumi, que diz o seguinte:

Toda noite, Tu libertas nossos espíritos do corpo
E de seus ardis, fazendo-nos puros como tábulas rasas. 
Toda noite, espíritos são libertados dessa jaula,
E tornados livres, sem comandar nem ser comandados.
De noite, o prisioneiro não tem consciência de sua prisão.
De noite, o rei não tem consciência de sua majestade..
Aí, não se pensa em perdas ou ganhos,
Nem se dá atenção a isso ou àquilo.

Isto, é claro, está em perfeita sintonia com a ideia que o Curso oferece para as práticas de hoje. É a ideia que vem ensinar de que modo podemos entrar em contato com aquilo que somos em Deus. Algo que, à semelhança d'Ele, não tem nenhum limite, a não ser em nossa imaginação habitada pelos enganos em que quer nos manter presos o falso eu, conforme já disse antes.

Wayne Dyer nos alerta para o seguinte:

"... a partir do instante em que deixaste o ventre de tua mãe, ficaste sujeito ao condicionamento cultural planejado para te ajudar a te contentares com viver uma 'vida normal' no nível do estado comum de consciência, que geralmente significa aceitar o que quer que a vida te ofereça. De muitas maneiras, foste programado para acreditar que não possuis a sabedoria ou a capacidade para manifestar a realização de teus anseios e desejos."

Ora, isto não é verdade. Tu sempre podes escolher, aprender, crescer e mudar. É ainda Dyer que diz haver um nível de consciência no qual "podes optar por viver, um nível a partir do qual podes te descobrir realizando todo e qualquer desejo que tenhas, se estiveres disposto a mudar teu conceito de ti mesmo" de um ser limitado para um ser para o qual não há limites.

É neste nível de consciência que podemos ter certeza de que ainda somos como Deus nos criou, como ensina o Curso. Sempre fomos e seremos sempre, independentemente daquilo em que nos decidirmos a acreditar. 

Voltemos mais uma vez a atenção para a introdução do livro. Lá está o resumo de tudo o que buscamos aprender, quer pelo estudo do texto, quer pelas práticas das lições, quer pela leitura do manual dos professores, pelos esclarecimentos dos termos, quer pelos suplementos que o Curso recebeu logo após ser publicado.

E o que nos diz este resumo? Diz simplesmente que: 


Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisto está a paz de Deus.

Isto é tudo o que precisamos aprender. Isto é tudo o que precisamos tornar parte de nosso repertório mais íntimo para servir de orientação e de estímulo sempre que nossas escolhas, conscientes ou inconscientes nos apresentarem qualquer situação ou experiência que nos afaste da alegria completa e perfeita; a condição natural do Filho de Deus, que somos todos nós na unidade.

Cientes de que apenas isso é a verdade que deve iluminar nossos caminhos, podemos deixar de dar ouvidos a quaisquer limites ou pensamentos de limites que nos queira sugerir o ego, o falso eu. Na verdade, lembrando aquilo de que já falei outras vezes, de acordo com o Curso, o ego não existe.

Lembram do que Wei Wu Wei, já citado antes diz a respeito? 

Nós não possuímos um ego. Estamos 
possuídos pela ideia de um. 

Por isso, quando acreditamos que qualquer coisa fora de nós pode nos atingir, fazer sofrer, trazer dor ou alegria, o que acontece é que, naquele momento, não temos consciência das escolhas que fizemos. Ainda precisamos aprender a afinar o instrumento à espera da hora de dançar. Ainda estamos na travessia. E, com certeza, Deus está conosco.

Ou vocês acham que Ele poderia deixar de estar? Que, de alguma forma, somos capazes de limitá-Lo? 

Às práticas?

domingo, 4 de outubro de 2015

Quando deixaremos de impor limites ao que somos?


LIÇÃO 277

Que eu não limite Teu Filho a leis que inventei.

1. Teu Filho é livre, meu Pai. Que eu não imagine que o prendo às leis que invento para dominar o corpo. Ele não está sujeito a nenhuma das leis que inventei, pelas quais tento tornar o corpo mais seguro. Ele não muda a partir daquilo que é mutável. Ele não é escravo de nenhuma das leis do tempo. Ele é tal como Tu o criaste, porque não conhece nenhuma lei a não ser a do amor.

2. Não vamos adorar ídolos, nem acreditar em qualquer lei que a idolatria quer inventar para esconder a liberdade do Filho de Deus. Ele não está limitado senão por suas crenças. O que ele é, porém, está muito além de sua fé em escravidão ou liberdade. Ele é livre porque é Filho de seu Pai. E não pode ser limitado a menos que a verdade de Deus possa mentir e Deus possa querer enganar a Si Mesmo.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 277

Comecemos, pois, mais uma vez, o comentário e a exploração da lição de hoje repetindo uma frase de Charlie Chaplin, que disse:


Estou sempre alegre. Essa é a maneira de resolver 
os problemas da vida. 

A melhor maneira, eu diria. A única talvez. Lembram do que o Dito ensinava ao Miguilim? Acho que vale repetir, não?

 "Miguilim, Miguilim, vou ensinar o que agorinha eu sei, demais: é que a gente pode ficar sempre alegre, alegre, mesmo com toda coisa ruim que acontece acontecendo. A gente deve de poder ficar então mais alegre, mais alegre, por dentro!..." 

E não é isso, a alegria completa e perfeita, que o Curso diz ser a Vontade de Deus para todos e cada um de nós?

Mais. Voltando a um livro que li em 2011, encontro lá o seguinte: "... a falta de alegria é uma tortura diária, é um vazio que fica no coração, é um vazio que nada preenche porque é uma falta de si mesmo, é saudade dos sonhos que [se] tinha e [de] que se esqueceu, tendo[-se] esquecido também [de] como era sonhar".

"O mundo é sonho." E, em geral, é um sonho ruim, um verdadeiro pesadelo, para a grande maioria de nós, habitantes deste mundo de ilusões. E por quê? Porque esta grande maioria não percebe claramente sua capacidade de transformar o pesadelo em um "sonho feliz". Porque esta grande maioria acredita que há algo de real nas experiências que escolhe viver diariamente para perpetuar a ilusão.

É disto que o Curso quer nos libertar, com o ensinamento, com as práticas das lições, oferecendo-nos, mesmo neste mundo de aparências apenas, a possibilidade de contato com "o mundo real", para que sejamos capazes, de fato, de transformar o pesadelo em um "sonho feliz".

A tristeza, a dor, o sofrimento, a culpa, a morte e tudo mais que nos afasta da alegria são limites que nós mesmos nos impusemos, que continuamos inconscientemente, a mais das vezes, a impor a nós mesmos e a todos, ou quase todos, os que partilham conosco a experiência do mundo da forma. 

Nada disso se refere ao que somos na verdade. É por isso que as práticas de hoje, como todas aliás, têm de ser feitas com toda a atenção possível, para que nos libertemos de todos os limites que buscamos impor ao Filho de Deus, em nós mesmos e nos outros, que são extensões de nós mesmos na unidade de que participamos em Deus. 

Uma lição anterior, logo depois da primeira revisão, a de número 76, já nos convidava a praticar de forma um pouco diferente a libertação do Filho de Deus, pedindo que reconhecêssemos que não estamos sujeitos a nenhuma lei a não ser a de Deus. 

Da mesma forma a lição de número 132, uma das minhas favoritas, nos pede para liberarmos o mundo de tudo o que pensamos que ele é. Isto é, na prática, parar de limitar o Filho de Deus por meio de leis que só podem reger um mundo de sonhos. Um mundo que não tem nada que queiramos. Quando vamos parar de tentar impor limites ao que somos?

Às práticas?

sábado, 3 de outubro de 2015

Aprendendo a superar críticas e comentários ferinos


LIÇÃO 276

Cabe a mim manifestar a Palavra de Deus.

1. Qual é a Palavra de Deus? "Meu Filho é puro e santo como Eu Mesmo." E deste modo Deus se tornou, de fato, Pai do Filho que Ele ama, pois ele foi criado assim. Esta é a Palavra que Seu Filho não criou com Ele, porque Seu Filho nasceu nela. Vamos aceitar Sua Paternidade e tudo o que nos é dado. Neguemos que fomos criados em Seu Amor e negaremos nosso Ser, para ficarmos inseguros de Quem somos, de Quem é nosso Pai e com que propósito viemos. E, não obstante, precisamos apenas reconhecer Aquele Que nos deu Sua Palavra em nossa criação para nos lembrarmos d'Ele e, então, lembrar de nosso Ser.

2. Pai, Tua Palavra é minha. E é ela que quero manifestar a todos os meus irmãos, que me são dados para estimar como a mim mesmo, de mesmo modo com que sou amado e abençoado e salvo por Ti.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 276

Repito para as práticas da ideia de hoje o comentário feito no ano passado para esta lição, inclusive o titulo da postagem, como uma forma de tentar responder talvez à pergunta da colega, Maria José, do grupo de estudos, quanto ao "bullying". Vejamos, pois. 

Hoje, o Curso, mais uma vez, nos oferece para as práticas uma ideia que já praticamos de outra forma. Uma ideia que convida a assumirmos a responsabilidade pela salvação. A nossa própria salvação, a de cada um de nós mesmos, e a do mundo inteiro, conforme comentários outros que fiz no passado para esta mesma lição. 

Mas o que é a salvação? Lembram-se da segunda das instruções para as práticas das lições desta segunda parte do Livro de Exercícios? "A salvação é uma promessa, feita por Deus, de que encontrarias finalmente o teu caminho até Ele." Uma promessa que será certamente cumprida, quando aprendermos a viver em harmonia com o mundo que aparentemente nos cerca e com tudo o que há nele.

Repetindo de comentários de anos passados, Paramahansa Yogananda, no livro Onde Existe Luz, entre outras coisas, fala a respeito das formas pelas quais é possível nos darmos bem com as pessoas com quem convivemos, com as que encontramos ocasionalmente e com todos que nos chegam à consciência de algum modo, nalgum momento, quer presentes fisicamente, quer apenas passeando por nossos pensamentos. 

Um exemplo, para casos em que é necessário superar uma crítica, relevar um comentário ferino ou algo que alguém diz com intenção de nos ferir, e que serve como uma forma de aplicarmos na prática a ideia que o Curso nos oferece hoje, diz o seguinte:

"Quando um ente querido (...) testa nossa paciência além dos limites, devemos nos retirar para um lugar quieto, trancar a porta, praticar alguns exercícios físicos e relaxar da seguinte maneira: sente-se numa cadeira firme, com a coluna vertebral ereta. Lentamente inspire e expire doze vezes. Então afirme, profunda e mentalmente, dez vezes ou mais: 'Pai, Tu és harmonia. Possa eu refletir Tua harmonia. Harmoniza esse meu ente querido atacado pelo erro'." 

Não lhes parece isso uma forma de nos tornar capazes de "manifestar a Palavra de Deus"?

Às práticas, pois!

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Só a percepção precisa de cura. Está tudo certo.


LIÇÃO 275

A Voz reparadora de Deus protege todas as coisas hoje.

1. Vamos prestar atenção hoje à Voz por Deus, que traz uma lição antiga, não mais verdadeira hoje do que em outro dia qualquer. Porém, este dia foi escolhido para ser o momento em que buscaremos e ouviremos e aprenderemos e entenderemos. Une-te a mim para ouvir. Pois a Voz por Deus nos fala de coisas que não podemos entender sozinhos, nem aprender separados. É nisto que todas as coisas ficam protegidas. E é nisto que se encontra a cura da Voz por Deus.

2. Tua Voz reparadora protege todas as coisas hoje e, por isto, deixo todas as coisas para Ti. Não preciso ficar ansioso com nada. Pois Tua Voz me dirá o que fazer e onde ir; a quem falar e o que lhe dizer, que pensamentos ter, que palavras oferecer ao mundo. A segurança que trago me é dada. Pai, Tua Voz protege todas as coisas por meu intermédio.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 275

Para aproveitar ao máximo aquilo que o Curso busca ensinar, podemos, de vez em quando, associar nossas práticas ao que lemos lá, conforme já lhes disse em comentários anteriores. É por isso que gostaria de lembrá-los de que a ideia que praticamos hoje está estreitamente ligada ao que nos diz o livro texto do Curso logo em seu início, conforme destaco abaixo: 

"Tu podes fazer muito em benefício de tua própria cura e em favor da cura de outros se, em uma situação na qual a ajuda se fizer necessária, pensares nela deste modo:

Eu estou aqui apenas para ser verdadeiramente útil.                            
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho de me preocupar com o que dizer ou o que fazer, 
porque Aquele Que me enviou me orientará.
Eu estou contente de estar em qualquer lugar que Ele deseje, 
sabendo que Ele está aí comigo.
Eu serei curado na medida em que permitir que Ele me ensine a curar."

É isto que vamos aprender com as práticas da ideia de hoje. É ela, a ideia, e as práticas que vão nos permitir limpar e curar a percepção. Nossa própria percepção e a do(s) outro(s), que é a única coisa que precisa ser curada. Pois, por mais que o ego nos diga que há algo de errado no mundo, com as pessoas e coisas do mundo, o Curso ensina, como já vimos, que tudo está certo exatamente da forma como está. Se não vemos assim, é porque estamos julgando, como se soubéssemos o que pode ser melhor nesta ou naquela situação.

Á medida que trabalharmos em nós mesmos, comprometendo-nos a mudar a percepção, para olhar para tudo e para todos de modo diferente, vamos aprender que, uma vez curada nossa percepção, a cura se dá para todos os que aparentemente habitam este mundo conosco. Automaticamente.

Isto também é aprender a salvação.

Às práticas?

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Religiões institucionalizadas são só propaganda


LIÇÃO 274

Este dia pertence ao amor. Que eu não tenha medo.

1. Pai, hoje quero deixar que todas as coisas sejam tais como Tu as criaste e oferecer a Teu Filho o respeito devido a sua inocência; o amor do irmão a seu irmão e Amigo. Por meio disso sou redimido. Também por meio disso a verdade penetrará no lugar aonde as ilusões estavam, a luz substituirá toda a escuridão e Teu Filho saberá que é como Tu o criaste.

2. Hoje chega a nós uma bênção especial d'Aquele Que é nosso Pai. Dá este dia a Ele e não haverá nenhum medo hoje, porque o dia é dado ao amor.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 274

A ideia que o Curso oferece para as práticas de hoje nos convida a dedicarmos, mais uma vez, um dia inteiro ao amor. E é só o amor que pode - e vai - nos fazer abandonar e esquecer por completo quaisquer medos. É possível existir coisa melhor a se fazer? Mas, pergunto-lhes mais uma vez, será que somos capazes de dedicar um só dia dos nossos que seja inteiramente ao amor? Quem sabe? Como eu disse antes, se nos decidirmos a ficar atentos, é possível. Se nos decidirmos a estar presentes a tudo o que nos acontecer neste dia, é possível.

Quem sabe será possível? Se dedicarmos, de fato, o dia todo ao silêncio, que é a única forma de chegarmos ao autoconhecimento, deixando de lado tudo o que nos oferece o mundo das ilusões, a partir de nossa sintonia com o sistema de pensamento do falso eu, talvez seja possível. 

Repetindo pela enésima vez o que diz Krishnamurti a respeito do autoconhecimento: "autoconhecimento não significa acumular conhecimentos sobre si próprio; significa observar a si próprio. Se aprendo acumulando conhecimentos, nada aprendo a respeito de mim mesmo". Aprendendo apenas a respeito do conhecimento do mundo que vejo, continuo a encher minhas reservas de informações velhas em lugar de esvaziar a mente para que o novo possa entrar. Lembremo-nos da necessidade de esvaziar a xícara antes de servir um chá novo.

Ele diz ainda que devemos "recusar, não apenas verbal, intelectual ou teoricamente, mas negar realmente tudo o que o homem" diz e precisamos incluir aí tudo o que cada um de nós diz a si mesmo - e aos outros - a partir do que a percepção nos leva a pensar. Cabe a cada um de nós descobrir, por si próprio, o que é a Verdade. Porque não é possível obtermos a Verdade de outrem. E a Verdade também não está fixada em um ponto particular.

Lembremo-nos novamente do comentário anterior a esta lição. Krishnamurti vai ainda além, dizendo que nos cumpre ser sérios para rejeitar toda espécie de propaganda - e toda religião institucionalizada é uma contínua propaganda -, a fim de que possamos descobrir por nós mesmos "o que é a Verdade, se tal coisa existe". 

O que importa, ele diz ainda, é que compreendamos por nós mesmos e não pelo que dizem a nosso respeito psicólogos, filósofos, analistas, intelectuais, velhos mestres, mesmo os mais antigos e venerados, pois, fazendo isto, estaríamos apenas seguindo o que eles dizem a respeito de nós. 

O próprio Buda, de acordo com livro que leio no momento, se recusava, por inútil, repetidamente a discutir a respeito de 14 temas, todos eles buscando uma certeza absoluta, que ninguém pode encontrar no mundo. Vejam aí, por favor, quais são eles e vamos refletir, para mudar, caso algum destes temas seja parte de nossas próprias discussões: 

1) Se o mundo é eterno, ou não, ou ambos, ou nenhuma das duas coisas.
2) Se o mundo é finito (no espaço), ou infinito, ou ambos, ou nenhuma das duas coisas.
3) Se um ser iluminado existe depois da morte, ou não, ou ambos, ou nenhuma das coisas.
4) Se a alma é idêntica ao corpo ou diferente dele. 

Vejam bem, o próprio Buda diz que é inútil se discutir acerca destes temas. Não há reposta possível a nenhuma destas questões. Não é possível haver certeza absoluta nenhuma nunca acerca de nada. Abandonemos, pois, as certezas e busquemos nos contentar com "a sabedoria da insegurança", ou da incerteza, como também nos ensina o Curso.

Daí ser interessante notar também, pois, como já ressaltei outras vezes antes, que o próprio Curso, em uma de suas lições iniciais, nos convida a abandonarmos tudo, inclusive ao próprio Curso, e a irmos, de coração e mente abertos, na direção do mais profundo de nós mesmos. Pois é só lá, diz ele, que vamos poder, de fato, encontrar o que buscamos. E que é, na verdade, o que já somos.

Entreguemo-nos, então, às práticas, deixando este dia aos cuidados do amor, que é o que somos para descobrir que "não há nada a temer", como nos ensina uma das lições da primeira parte do livro de exercícios. 

Às práticas? 

OBSERVAÇÃO: Este comentário com algumas pequenas modificações é o mesmo feito para esta lição nos últimos três anos.