sábado, 4 de janeiro de 2014

Confias mais nas palavras do Curso ou nas tuas?


LIÇÃO 4

Estes pensamentos não significam nada. São como
as coisas que vejo neste quarto [nesta rua,
desta janela, neste lugar].

1. Diferentemente dos anteriores, estes exercícios não começam com a ideia para o dia. Nestes períodos de prática, começa por observar os pensamentos que cruzam tua mente por cerca de um minuto. Em seguida aplica a ideia a eles. Se já estiveres ciente de pensamentos infelizes, usa-os como sujeitos para a ideia. Entretanto, não escolhas apenas os pensamentos que pensas serem "maus". Descobrirás, se te treinares a olhar para teus pensamentos, que eles representam uma mistura tal que, de certa forma, nenhum deles pode ser chamado "bom" ou "mau". É por esta razão que eles não significam nada.

2. Ao escolheres os sujeitos para a aplicação da ideia de hoje, pede-se a habitual especificidade. Não tenhas medo de usar tanto pensamentos "bons" quanto "maus". Nenhum deles representa teus pensamentos verdadeiros, que estão sendo cobertos por eles. Os "bons" são apenas sombras do que está além, e sombras tornam a visão difícil. Os "maus" são bloqueios à visão e tornam impossível ver. Tu não queres nem um, nem outro.

3. Este é um exercício muito importante e será repetido de vez em quando de forma um pouco diferente. O objetivo aqui é o de te treinar para os primeiros passos na direção da meta de separar o que não tem significado daquilo que é significativo. É uma primeira tentativa no propósito de longo alcance do aprendizado de perceberes o sem significado como fora de ti e o significativo dentro. É também o início do treinamento de tua mente para reconhecer o que é o mesmo e o que é diferente.

4. Ao usares teus pensamentos para a aplicação da ideia para hoje, identifica cada pensamento pela imagem ou pelo acontecimento central que ele contém, por exemplo:

Este pensamento sobre __________ não significa nada.
É como as coisas que vejo neste quarto [nesta
rua, e assim por diante].

5. Podes também utilizar a ideia para um pensamento particular que reconheças como prejudicial. Esta prática é útil, mas não é um substituto para os procedimentos mais aleatórios a serem seguidos para os exercícios. Contudo, não examines tua mente por mais do que um minuto aproximadamente. Tu ainda és inexperiente demais para evitar a tendência de te tornares inutilmente preocupado.

6. Além disso, uma vez que estes exercícios são os primeiros deste tipo, podes achar particularmente difícil a suspensão do julgamento em relação aos pensamentos. Não repitas estes exercícios mais do que três ou quatro vezes durante o dia. Voltaremos a eles mais tarde.

*

COMENTÁRIO:

E, então, o que me dizem de explorar mais uma vez estas primeiras lições a partir dos textos de Tara Singh? Como lhes disse no ano passado, relutei um pouco antes de me decidir postá-los por pensar que vocês pudessem achá-los muito longos para um comentário. Espero que não. De qualquer modo, vamos a mais um deles hoje, pois não?


Explorando a LIÇÃO 4

Estes pensamentos não significam nada. São como 
as coisas que vejo neste quarto [nesta rua,
desta janela, neste lugar].

Quero compartilhar algo contigo - algo muito profundo. Mas me pergunto se o receberás. Se não tiveres "ouvidos para ouvir", a única coisa que ouvirás é tua própria opinião. O que anseio por compartilhar está além da opinião, até mesmo além do pensamento. É algo que se pode comunicar pelo pensamento, mas que não pode ser recebido pelo pensamento.

O que significa receber? Receber é aproveitar a energia da verdade no mesmo instante em que ela é compartilhada, e trazê-la imediatamente à aplicação para o resto de nossas vidas. Mas nós acreditamos em aprender. Aprender significa adiar. "Vou aprender agora e aplicarei mais tarde. "É assim que nós criamos o tempo.


Estes pensamento não significam nada.

Uma afirmação surpreendente, não? O que é pensamento? Pergunta a ti mesmo. Nós o usamos por toda a nossa vida. Existe qualquer coisa que teu pensamento pode dizer que signifique alguma coisa? Precisamos perceber nossa irresponsabilidade, a forma com que usamos as palavras e as tornamos sem significado.

O pensamento é uma reação - favorável ou desfavorável, positivo ou negativo. Ou ele gosta, ou não gosta de uma pessoa, de um lugar ou atividade. Ele está preso a escolhas. O que o pensamento sabe além de declaração e defensiva?

Antes de nos tornarmos reativos ou confusos, por que não sermos honestos e reconhecer que nada do que nosso pensamento diz significa muito. São só palavras, não?

Agora que compartilhei, recebeste a verdade disto?

É possível para nós descobrir diretamente que pensamento é reação e que vida é ação? A própria descoberta disto é uma ação, pois a ação remove o pensamento e percebe o falso como falso. A ação pode dizer: Estes pensamentos não significam nada.

Aplicar Um Curso em Milagres exige integridade e convicção. Nós raramente exigimos isto de nós mesmos. Mudar é muito difícil para nós. De fato, mudar é a coisa mais difícil na vida. Se, numa geração, uma pessoa muda, essa geração é uma geração afortunada. Parece que não temos a gana necessária pela verdade; não queremos, de fato, mudar. Nós queremos fazer coisas; queremos nos melhorar. Por que nos falta a paixão para aplicar o que o Curso sugere?


Começa por observar os pensamentos que cruzam tua mente por cerca de um minuto.

Quantos pensamentos te ocorreram? Dezenas, certo? Não há um só instante em que fiques livres deles. Mas o minuto em que os observas pode revelar o padrão de tua vida porque aquele minuto é o que tua vida é.

O que acontece quando começas a prestar atenção a teus pensamentos? Descobres que o pensamento te leva para longe de ti mesmo, ele te liga ao exterior, ele sempre se refere a alguma coisa. A consciência, por outro lado, te traz para mais perto de ti mesmo e te mostra como pensas. A ação da consciência é muito mais forte do que a ação do pensamento, pois a consciência é uma luz a que não se pode enganar. A consciência percebe o falso como falso.

A consciência não "faz" nada. Ela simplesmente diz: "Olha, o que estás fazendo é falso." Podes reconhecer o falso como falso, sem fazer nada a respeito? Se puderes, a ação está em curso. Perceber o falso como falso te liberta dele. Tu não fazes mais parte dele. Entretanto, apenas repetir estas palavras e pensar que as aprendeste não é ser livre.

Se nos enganamos com o "aprendizado", no final, a força do Curso está perdida para nós.

O pensamento promove a atividade; a ação da consciência desfaz a atividade. A consciência descobre que somente a Vontade de Deus não é falsa. Perceber realmente a falsidade da vida pessoal te traz à inocência. Quando a inocência diz: "Eu não sei", na verdade, está dizendo: "O pensamento não sabe". A partir dessa liberdade, nasce uma nova expressão.

A observação de teu próprio pensamento desperta o discernimento. Então, o "conhece-te a ti mesmo" vem a ser.


Descobrirás, se te treinares a olhar para teus pensamentos, 
que eles representam uma mistura tal que, de certa forma, 
nenhum deles pode ser chamado "bom" ou "mau". É por 
esta razão que eles não significam nada.

Agora podes questionar a autoridade que dás ao pensamento. Ele te governa; ele explora e manipula toda a tua vida. Agora sabes qual é o problema. E tua observação do problema te torna sério.

A lição continua para dizer que esses nem ao menos são teus pensamentos verdadeiros.


Não tenhas medo de usar tanto pensamentos "bons" 
quanto "maus". Nenhum deles representa teus 
pensamentos verdadeiros, que estão sendo cobertos por eles.

Os pensamentos que passam por tua mente pertencem à personalidade. Os pensamentos da personalidade não significam nada. Uma vez que percebas isto, eles ficam fora do caminho

Tu não tens de fazer nada acerca dos pensamentos verdadeiros; eles já estão presentes. Os pensamentos verdadeiros são aqueles que pensas com Deus. Eles vêm do espírito.

Aprender, compreender e saber vêm do pensamento da personalidade. Eles não significam coisa alguma. A clareza dentro de ti que remove o pensamento é real.

Tu virás a conhecer teus pensamentos verdadeiros se deres a ti mesmo a dádiva do silêncio. Tu dás um passo na direção de recebê-los ficando atento. Quando estás atento, os pensamentos que não significam nada começam a desaparecer. E, automaticamente, tu te tornas receptivo a teus pensamentos verdadeiros.

Tudo o que tens de fazer é chegar ao silêncio e observar a glória e a santidade de sua ação impessoal. O silêncio de apresenta à eternidade, que é sempre pura, sempre imaculada.

Que bênção teres nascido no tempo de Um Curso em Milagres, ter em tuas mãos a chave do Céu. Agora, confiarás mais nas palavras do Curso do que nas tuas?

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Ao nomear algo, nós o separamos do todo


LIÇÃO 3

Eu não entendo nada do que vejo neste quarto
[nesta rua, desta janela, neste lugar].

1. Aplica esta ideia do mesmo modo que as anteriores, sem fazer distinções de qualquer tipo. O que quer que vejas é um sujeito adequado para a aplicação da ideia. Certifica-te de que não questionas a adequação de qualquer coisa para a aplicação da ideia. Estes não são exercícios de julgamento. Qualquer coisa é adequada se tu a vês. Algumas das coisas que vês podem estar carregadas de significado emocional para ti. Tenta deixar de lado tais emoções e usa simplesmente essas coisas da mesma forma que usarias qualquer outra.

2. O objetivo dos exercícios é ajudar a limpar tua mente de todas as associações do passado, para veres as coisas exatamente como elas se apresentam para ti agora, e para compreenderes claramente quão pouco realmente sabes a respeito delas. Por isso, é essencial que mantenhas uma mente perfeitamente aberta, livre do julgamento, ao escolheres as coisas às quais a ideia para o dia deve ser aplicada. Para este propósito uma coisa é igual à outra; igualmente adequada e, portanto, igualmente útil.

*

COMENTÁRIO:

Continuamos hoje, mais uma vez, é claro, a tirar proveito dos comentários feitos por Tara Singh às dez primeiras lições. O que estão achando? O texto de hoje só poderia se chamar:


Explorando a LIÇÂO 3

Eu não entendo nada do que vejo neste quarto
[nesta rua, desta janela, neste lugar].

Senta tranquilamente um instante.Invoca a Presença de Jesus Cristo, o autor do Curso, Aquele a cargo do processo de Expiação.Aproxima-te do Curso com respeito e serenidade.

Vivemos uma vida externalizado em um mundo externalizado no qual existe uma enorme quantidade de estímulos. Mas não podemos todos nós fugir para um lugar solitário na floresta para fazer as lições, Temos de fazê-las aonde estamos.

Tu precisas do Curso porque sofres pressão e recebes estímulos. Ele é como tomar um banho na água pura de uma fonte. Tu precisas ser purificado das pressões do cérebro para teres espaço para um milagre. Podes perceber agora porque as primeiras lições insistem em que desaceleres? Se a fazes pela primeira vez ou pela quinta, a chave é dar espaço para a lição.

Cada um de nós existe como um potencial, embora não estejamos cientes disso. Nós temos a capacidade de receber o que vem de Deus.

Professores de religião e "baby gurus" tentam nos preocupar com "feitos" - faze este mantra, esta prática, esta prece. A pessoa que conhece seu potencial, porém, deixa para trás todas as coisas externas. Livre de sua própria personalidade, ela descobre que o conceito de "mim e meu" é abstrato; não é real.

Quando percebemos de forma clara nosso potencial, nós nos tornamos atentos. O cérebro chega à serenidade naturalmente e recebe o milagre. O milagre remove todas as palavras e desejos e nos traz à realização. Assim, deixamos para trás a personalidade.

Não falhemos em perceber de forma clara nosso potencial tentando nos melhorar. Como podemos melhorar o que é perfeito? Em lugar de perceber com clareza a perfeição que somos, começamos um contra-movimento de insatisfação.


Eu não entendo nada do que vejo...

Teu potencial para receber veria o mundo com uma mente tranquila. Tua mente tranquila olharia para as coisas sem fragmentá-las. Ela não atribuiria valor a coisas particulares ou começaria a lhes dar nomes. No momento em que começas a dar nome a elas, tu lhes estás dando significado.

Olha a tua volta com essa mente tranquila, sem dar nome a qualquer coisa.

Em seguida, quando ouves os problemas de um amigo, podes chegar àquela mesma serenidade. Podes ouvir o que ele diz sem qualquer opinião ou julgamento. Do contrário, enquanto ele fala, teu cérebro está concordando ou discordando. Tu tens de trazer essa interpretação à paz porque, afinal, não entendes nada.

Então, talvez a partir de tua paz dirás alguma coisa que seja sábia, alguma coisa nascida do silêncio e da afeição. Teu espaço quer te dar sabedoria.


Eu não entendo nada do que vejo...

Que alívio abandonar o fardo do saber!

A lição começa:


Aplica esta ideia... sem fazer distinções de qualquer tipo.

Fica ciente de como o processo do pensamento divide todas as coisas. Dando a uma coisa particular uma característica, ou aprendendo seu nome, acreditamos que a compreendemos. Mas não. É esta tendência de fazer distinções que separa todas as coisas. E nós chamamos essa separação de "conhecer". Não admira que não entendamos coisa alguma.

A questão talvez esteja naquilo que chamamos de ver. Tu vês tua cadeira, tua planta, teu braço. Antes mesmo de veres a cadeira, tu percebes se ela é tua ou minha. Isto é ver? Ou é apego e julgamento? Isso não pode ter nada a ver com a realidade.

Se dás significado a uma única coisa, tu a separas do Todo. O Todo, a Fonte, é real. Tua visão física não é. Tu dás significado a teu apego, mas o Todo não pode ser possuído. ELE É. Teu isolamento nos sentidos físicos te separa e te cega. São só os sentidos do corpo que te governam?


O que quer que vejas é um sujeito adequado para a aplicação da ideia.

Eu não entendo nada do que vejo...

Todas as coisas se tornam um sujeito adequado, porque a lição é a verdade. Não estás contente por te moveres na direção da humildade em vez de ires na direção da arrogância do "saber"?

Fingir "saber" é o contrário da gratidão.Na gratidão tu serias inspirado; não distinguirias isto ou aquilo como "teu". Na verdade, nada te pertence, nem mesmo teus dedos.

E, assim, a lição te liberta da identificação com qualquer coisa incompleta. Tu percebes claramente teu imenso potencial, além do tempo e do espaço.


Certifica-te de que não questionas a adequação de qualquer coisa para a aplicação da ideia.

No minuto em que questionas, usas o pensamento. Uma questão verdadeira, no entanto, questiona o próprio pensamento. Em vez de ativar tua mente, tua questão a silencia.Tua mente tranquila recebe a graça de alguma coisa que está além do pensamento. Quando a mente está em paz, ela não julga.


Estes não são exercícios de julgamento.

O pensamento é a forma inferior de inteligência. No instante em que usas o pensamento, julgas.


O objetivo dos exercícios é ajudar a limpar tua mente de todas as associações do passado, para veres as coisas exatamente como elas se apresentam para ti agora, e para compreenderes claramente quão pouco realmente sabes a respeito delas.

O que vai limpar tua mente a não ser a consciência do que pensas? Tens de pedir isto de ti mesmo para despertar teu potencial interior.

A lição continua: Por isso, é essencial... O Curso não usa palavras como "essencial" de modo leviano.


Por isso, é essencial que mantenhas uma mente perfeitamente aberta, livre do julgamento...

Tu sabes como manter uma mente perfeitamente aberta, livre do julgamento? Há muita lição de casa a fazer, não?

Há alguns anos, depois de fazer a lição, escrevi:

O julgamento vem da separação,
daí a continuidade de "o que é" - separação.
A emoção, também, é pessoal e física.
Na separação, não entendo coisa alguma.
Meu julgamento atribui valor
de acordo com o apego.
Que eu possa ver a insanidade como insanidade
e, por ver deste modo, sair dela imediatamente
sem o pensamento-tempo.

À medida que a sabedoria desta lição começa a se revelar, crescerás um século. Tu não podes ser o que foste ontem.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Deixar de viver sob a "autoridade do pensamento"


LIÇÃO 2

Eu dou a todas as coisas que vejo neste quarto [nesta rua, desta janela, neste lugar]
todo o significado que têm para mim.

1. As práticas com esta ideia são as mesmas que aquelas com a primeira. Começa com as coisas que estão perto de ti e aplica a ideia a qualquer coisa sobre a qual teu olhar pouse. Depois, amplia o alcance para fora. Vira a cabeça para incluir o que quer que esteja em qualquer um dos lados. Se possível, vira-te e aplica a ideia àquilo que estava atrás de ti. Continua, tanto quanto possível, a não fazer distinção quando escolheres os sujeitos para a aplicação da ideia; não te concentres em nenhuma coisa em particular e não tentes incluir tudo o que vês em uma área determinada, ou introduzirás tensão.

2. Olha simplesmente com naturalidade e com razoável rapidez ao teu redor, tentando evitar a escolha por tamanho, brilho, cor, material ou pela importância relativa para ti. Escolhe os objetos simplesmente quando os vires. Tenta aplicar o exercício com igual facilidade a um corpo ou a um botão, uma mosca ou um piso, um braço ou uma maçã. O único critério para a aplicação da ideia a qualquer coisa é simplesmente que teus olhos a tenham encontrado. Não faças nenhuma tentativa de incluir qualquer coisa em particular, mas certifica-te de que nada seja excluído de forma específica.

*

COMENTÁRIO: 

E então, gostaram de (re-)explorar a primeira lição com Tara Singh? Prontos para a segunda? É o que vamos fazer hoje, mais uma vez


Explorando a LIÇÃO 2

"Eu dou a todas as coisas que vejo neste quarto, [nesta rua, desta janela, neste lugar]
todo o significado que têm para mim."

As práticas com esta ideia são as mesmas que aquelas com a primeira. Começa com as coisas que estão perto de ti e aplica a ideia a qualquer coisa sobre a qual teu olhar pouse. Depois, amplia o alcance para fora. 

Teus olhos veem uma árvore - mas a árvore é somente teu conceito de algo que cresce e abriga vida. Tu lhe dás o nome de "árvore". Tu vês que ela é uma bela árvore, ou que ela tem frutos, e aprendes a respeito dela. Isso é parte da função de teu cérebro.

Mas a visão não vê a árvore. A visão só vê a totalidade. Ela não pode separar a árvore de qualquer outra coisa. Só o cérebro dá nomes a coisas diferentes.

Nós vemos a partir do pensamento. O pensamento tem desejos e problemas. A visão não. A questão é, então, ser liberado do pensamento que projetamos. Ele não faz parte da criação. Deus não criou o pensamento; Deus criou a visão.

Como podes te libertar do pensamento? Tu precisas do Espírito Santo para sair do mundo do pensamento projetado e desfazer aquilo que não tem significado. Querer que o Espírito Santo resolva teus problemas, no entanto, é a premissa errada. Para o Espírito Santo, os problemas não existem. Se quiseres estabelecer contato com o Espírito Santo, tens de desfazer teus próprios problemas.

Podes tomar a decisão de não permitir nunca que teu pensamento projetado te governe? Quando tens verdadeiramente a intenção de ver a falta de significado do pensamento, o Espírito Santo já está te liberando e te trazendo à visão. Mas, se estiveres satisfeito no ponto aonde estás, então não precisas do Espírito Santo.

Não podes te aproximar do Espírito Santo querendo alguma coisa porque o Espírito Santo desfaz qualquer coisa que queiras. Podes pensar: "Agora tenho alguém a minha disposição". Não. O Espírito Santo não é um garoto de recados. Ele não vai aumentar teu sofrimento; para começar é tua carência que te prendeu na armadilha. Se realmente invocares o Espírito Santo, podes continuar a viver com teus valores antigos? O Espírito Santo dissipa as ilusões de querer e de ver. Quando valorizas a visão acima de qualquer coisa, o Espírito Santo está presente. Tua própria disposição de desfazer O convida.

Podes perceber que, para se relacionar com o Espírito Santo, já deve ter havido uma mudança de valores dentro de ti? Tu estás deixando o mundo para trás por desfazê-lo.

Porém, a menos que ponhamos energia nisso, não seremos receptivos ao desfazer. Vivemos no nível da dualidade - do gostar e do não gostar, "quero isto" e "não quero aquilo". Quanto do mundo teremos de deixar para trás para descobrir que na realidade não existem árvores separadas, religiões separadas, nacionalidades separadas. À medida que nos movemos na direção do reconhecimento de nós mesmos tal qual Deus nos criou, o Espírito Santo já está aí, já está ajudando.

Lembra da Lição 1: Nada do que vejo... significa coisa alguma. Protestamos: "Tenho de justificar minha visão. Minha visão dá significado a minha existência. Como vou viver no mundo. Como posso lidar com a questão do medo"? Estas questões estão além do gostar e do não gostar. A premissa fundamental de tudo o que fazemos é medo e insegurança. A questão central é a sobrevivência.

Justificamos ver tudo em termos de nossa sobrevivência. Damos autoridade ao cérebro - ao corpo - e ignoramos o espírito. Este é o erro que o Espírito Santo corrige.


Eu dou a todas as coisas que vejo... todo o significado que têm para mim.

Podes aceitar a verdade disto? Quando fores liberado da limitação de ver, deixarás para trás a própria condição corporal. Então, apesar de o corpo não mais te controlar, o Cristo em ti ainda precisa de teu corpo para trazer a luz do Céu à terra.

Podes olhar além do corpo de uma pessoa e reconhecer o Cristo nela? Teus olhos físicos não podem fazer isso; só a visão pode. Então, vês o que Deus criou, e a questão do perdão nem ao menos surge. Tu queres realmente, mais do que qualquer outra coisa, ir além da limitação da visão física?


Eu dou a todas as coisas que vejo... todo o significado que têm para mim.

O ver com os olhos físicos pode ser chamado de julgamento.Temos uma opinião acerca de todas as coisas que vemos, e toda opinião é uma forma de julgamento. "Isto é meu, aquilo é dela. Lavarei meus pratos, mas não lavarei os teus." O "eu" é falso. Uma vez que o falso "eu" dá significado, o que ele vê não tem significado.

No fim, vamos perceber com clareza que aquilo a que damos significado não tem absolutamente nenhum significado. Ver o que é sem significado te liberta.

Viramos as coisas de cabeça para baixo. Não queremos deixar para trás; queremos buscar. Mas é desnecessário buscar. Deixar para trás é a única coisa que importa.

Tu não podes fugir do desfazer. E, para desfazer, precisas do Espírito Santo, que não atende a nenhum outros propósito. Quando estás disposto a te conhecer - e conhecer a ti mesmo é conhecer Deus - precisas desfazer e eliminar todas as tuas pressuposições, todas as tuas opiniões, todos os teus saberes, todas as coisas de que não gostas, e todas as coisas de que gostas. Tudo.

Quanto mais atenção deres ao desfazer, tanto mais energia receberás. Tens de te recusar a concluir que é inútil. No momento em que concluíres, mais uma vez adoras o pensamento. Dás significado ao sem significado, e somente tu podes parar isso. Se fores sério, não aceitarás tuas próprias conclusões; não viverás sob a autoridade do pensamento. Tu nunca mais declararás que alguma coisa é sem significado para acreditar que ela tem significado.

A visão é parte da realidade. Sua luz já inerente a teu interior. Uma vez que estejas liberado do pensamento, tua realidade é a luz. Na visão tu te tornas parte do todo - de todo o universo. Conflito, contradição, dualidade acabam. Existe apenas "aquilo que é".

Tu tens muito a desfazer antes de terminar a leitura desta segunda lição. Ela pode te trazer à visão, neste exato lugar, neste exato instante.  

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

O passado se foi. É tudo novo de novo.


Caríssimos, caríssimas,

Desculpem-me o atraso nesta primeira postagem deste ano que se iniciou há algumas horas. Ontem não tive como chegar perto de um computador, por este motivo é que só estou postando a primeira lição do ano agora.

Como vocês já sabem, encerramos ontem, com a quinta prática das lições 361 a 365 e o com a leitura do Epílogo do Livro de Exercícios, mais um período de práticas em nossa jornada rumo ao autoconhecimento. E bem sabemos que todo epílogo é apenas o início de alguma coisa nova, de algo diferente. É por isso que vamos, mais uma vez, a partir de hoje, recomeçar as práticas a partir da:

INTRODUÇÃO

1, Um fundamento teórico como o que o texto oferece é necessário como uma estrutura para tornar os exercícios significativos. Contudo, é fazer os exercícios que tornará possível a meta do curso. Uma mente não-treinada não pode realizar nada. O objetivo deste livro de exercícios é treinar tua mente para pensar de acordo com as linhas que o texto levanta.

2. Os exercícios são muito simples. Não exigem muito tempo e não importa aonde tu os fazes. Eles não precisam de preparo. O período de treinamento é de um ano. Os exercícios estão numerados de 1 a 365. Não tentes fazer mais do que uma lição por dia.

3. O livro de exercícios é dividido em duas partes principais, a primeira lida com o desfazer do modo pelo qual vês agora, e a segunda com a aquisição da percepção verdadeira. Com exceção dos períodos de revisão, os exercícios de cada dia são planejados em torno de uma ideia central, que é declarada primeiro. Segue-se a isso a descrição dos procedimentos específicos a partir dos quais a ideia para o dia deve ser aplicada.

4. O objetivo do livro de exercícios é treinar tua mente de um modo sistemático para uma percepção diferente de todos e de tudo no mundo. Os exercícios são planejados para te ajudar a generalizar as lições, de forma a entenderes que cada uma delas é igualmente aplicável a tudo e a todos que vês.

5. A transferência do treinamento em percepção verdadeira não ocorre do mesmo modo que a transferência do treinamento do mundo. Se a percepção verdadeira a respeito de qualquer pessoa, situação ou acontecimento for alcançada, a transferência para todos e para tudo está garantida. Por outro lado, uma única exceção mantida em separado da percepção verdadeira torna suas realizações impossíveis em qualquer lugar.

6. Assim, as únicas regras gerais a serem observadas do início ao fim são: primeiro, que os exercícios sejam praticados com grande especificidade, conforme será indicado. Isso te ajudará a generalizar as ideias envolvidas em cada situação na qual te encontres, e a todos e a tudo nela. Segundo, certifica-te de não te decidires por contra própria que há algumas pessoas, situações ou coisas às quais as ideias não se aplicam. Isso impedirá a transferência do treinamento. A própria natureza da percepção verdadeira é que ela não tem nenhum limite. É o oposto da maneira que vês agora.

7. O objetivo geral dos exercícios é aumentar tua capacidade de estender as ideias que praticarás para incluir tudo. Isso não vai exigir nenhum esforço de tua parte. Os próprios exercícios satisfazem as condições necessárias para este tipo de transferência.

8. Acharás difícil de acreditar em algumas ideias que o livro de exercícios apresenta e outras poderão parecer bastante surpreendentes. Isso não tem importância. O que se pede de ti é simplesmente que apliques as ideias do modo que és orientado a fazer. Não se pede absolutamente que as julgues. Só se pede que as uses. É o uso delas que lhes dará significado para ti e que te mostrará que elas são verdadeiras.

9. Lembra-te apenas disso: não precisas acreditar nas ideias, não precisas aceitá-las e não precisas nem mesmo acolhê-las bem. Podes resistir vivamente a algumas delas. Nada disso terá importância ou diminuirá sua eficácia. Mas não te permitas fazer exceções na aplicação das ideias que o livro de exercícios contém e, sejam quais forem tuas reações às ideias, usa-as. Não se pede nada mais do que isso.

*


PARTE I

LIÇÃO 1

Nada do que vejo neste quarto [nesta rua, desta
janela, neste lugar] significa coisa alguma.

1. Agora olha lentamente ao teu redor e pratica aplicar esta ideia de modo muito específico a quaisquer coisas que vejas:

Esta mesa não significa nada.
Esta cadeira não significa nada.
Esta mão não significa nada.
Este pé não significa nada.
Esta caneta não significa nada.

2. Em seguida, olha para mais longe do que está em tua área de visão imediata e aplica a ideia a uma escala mais ampla:

Aquela porta não significa nada.
Aquele corpo não significa nada.
Aquela lâmpada não significa nada.
Aquele cartaz não significa nada.
Aquela sombra não significa nada.

3. Observa que estas afirmações não estão organizadas em qualquer ordem e que não levam em consideração nenhuma diferença nos tipos de coisas às quais são aplicadas. É este o objetivo do exercício. A afirmação simplesmente deve ser aplicada a qualquer coisa que vês. Ao praticares a ideia para o dia, utiliza-a de forma totalmente indiscriminada. Não tentes aplicá-la a tudo o que vês, porque estes exercícios não devem se tornar ritualísticos. Certifica-te somente de que nada do que vês seja excluído de modo específico. Uma coisa é igual à outra no que se refere à aplicação da ideia.

4. Cada uma das três primeiras lições não deve ser feita mais do que duas vezes ao dia, de preferência pela manhã e à noite. Elas tampouco devem ser tentadas por mais do que cerca de um minuto, a menos que isso imponha uma sensação de pressa. Uma sensação agradável de ócio é essencial.

*

COMENTÁRIO:

E mais uma vez neste recomeço para os que recomeçam e neste começo para os que iniciam a jornada pela vez primeira, vou lhes deixar, com os comentários publicados no ano passado. Pelo menos para estas dez primeiras lições, conforme eu já dizia no dia 1 de janeiro do ano que acabou.

Vejam aí, pois:

Neste dia, de novo, vou lhes oferecer a tradução livre de um texto de Tara Singh, do qual lhes falei no início de 2011, se não me engano. Vou fazer isso durante os primeiros dez dias deste ano, uma vez que ele trata de explorar as práticas das dez primeiras lições. Creio que vale a pena e espero que vocês aproveitem. Bem-vindos(as) às práticas de 2014.

O texto se intitula:


Explorando a LIÇÃO 1


"Nada do que vejo nesta sala
[nesta rua, desta janela, neste lugar]
significa coisa alguma."

Algum de nós pode dizer palavras que serão verdadeiras daqui a dez anos? Daqui a cem anos? O que acontece conosco? Que bem trazem todas as nossas invenções, nossa educação, ou os "ismos" que determina nossas vidas? Pensamos que o que vemos significa alguma coisa. Mas a primeira lição do UCEM diz: Nada do que vejo... significa coisa alguma.

Em razão de o Curso exigir muita atenção, depois de algum tempo a maioria das pessoas o põe de lado sem sequer fazer contato com a energia de suas palavras. Um Curso em Milagres é Conhecimento Verdadeiro. Ele seria significativo se apenas cinco pessoas o aplicassem. Afinal de contas, onze pescadores mudaram o destino do mundo!

A primeira lição por si só começa a desfazer nosso sistema de crença.


Nada do que vejo... significa coisa alguma.

Tu serias libertado por completo se te desses conta disso. Por quê? Porque se o que vês não significa nada para ti, tu não te apegarias a nada, o que vês não regularia tua vida. Tua conta bancária tem significado para ti? Tem poder sobre ti? Quem lhe dá significado?

A primeira lição pode te libertar de tudo o que sabes. Tu te enganas em acreditar que as teorias abstratas de outras pessoas são teus próprios pensamentos. Se lhes desses tempo e atenção, perceberias com clareza que o que sabes não é real, que estás sujeito a teu condicionamento.

Tu podes tentar entender a ideia da lição intelectualmente, mas isso não significa nada. A verdade independe da personalidade. A verdade não diz respeito a alguma coisa.

Por que não ficamos desiludidos com a insanidade de nosso sistema de pensamento? O próprio meio a partir do qual pensamos é corrupto. E dentro dessa moldura corrompida, queremos ter pensamentos melhores. Mas pensamentos não podem ser melhores.


Nada do que vejo... significa coisa alguma.

O que nada significa? Se achares significado em alguma coisa, então ela não é nada. Ah! Existe uma pessoa que não daria significado a qualquer coisa? Se disseres: "Nada não significa nada", então deves ser capaz de chegar a esse estado. Mas dirás: "Olha, eu não posso evitar. Eu dou significado a cada coisa que vejo. Todos os que conheço dão significado ao que veem".

Agora, olha lentamente ao teu redor e pratica aplicar esta ideia 
de modo muito específico a quaisquer coisas que vejas:

"Esta mesa não significa nada."
"Esta cadeira não significa nada."
"Esta mão não significa nada."
"Este pé não significa nada."
"Esta caneta não significa nada."

Tenta libertar tua mente de dar significado ao que vês. Então eu diria que estás aplicando a lição. Apenas aprendê-la é um substituto e é bem destrutivo a longo prazo.

Ler a lição significa ter a capacidade de receber um milagre. Um milagre desfaz os significados acumulados que o cérebro dá àquilo que vê. Aprender é apenas acumulação e nunca há um milagre nisso.


Nada do que vejo... significa coisa alguma.

Nada significa "nenhuma coisa". Se vês "alguma coisa" então estás fragmentando ou isolando aquela "alguma coisa"do todo. Mas isso é apenas uma imagem; não é a realidade. E assim começa a contradição. Uma parte de ti diz: "Isso não é nada". A outra parte diz: "Eu vejo minha mão. Como posso dizer que ela não é nada"? Tu entras em uma controvérsia mental e perdes a questão básica.

Observa a atividade de teu cérebro. Perceberás que se ele chega à atenção total, ele não interfere; quando ele não está interferindo, não podes atribuir significado ao que vês.

Tens de colocar a energia atrás da atenção. E, então, a atenção se torna o professor que transforma teu sistema de crença.


Nada do que vejo... significa coisa alguma.

Se entendesses o significa da palavra "eu", ela faria brotar uma revolução dentro de ti. O "eu" abrange todas as coisas quando é livre da limitação de "coisas". Para esse "eu", todas as coisas são o vazio, e o vazio é libertação. Teu "saber" te limita; perceber com clareza as palavras do Curso te liberta.

O poder da primeira lição não tem limites. Tu não podes interpretar ou negarás a ti mesmo a Verdade que corrige todos os erros em tua mente. Tu tens de insistir em fazer contato direto com os Pensamentos de Deus inerentes ao Curso.

Não conhecemos nada a não ser aparências. E nossa hipocrisia não nos incomoda quando dizemos: Nada do que vejo... significa coisa alguma.

Nosso próprio sistema de pensamento não tem nenhuma solidez. Nenhuma ideia ou conceito que se transmite de um cérebro a outro tem a Verdade nele.

O pensamento em si mesmo é simplesmente um substituto para a visão. Quando desconfias do pensamento, tu te moves na direção da clareza, na direção da consciência. Mas quando te moves para a clareza a partir do pensamento, estás te enganando. Só podemos ver o engano de nosso próprio pensamento. Isso é ver claramente. Clareza, ou consciência, é uma energia diferente da energia do pensamento. Ela desfaz. Ela é criativa.

O pensamento jamais tocará a consciência. A consciência não é do cérebro; ele age no cérebro. A consciência é um momento - um milagre - que liberta o cérebro de tudo o que ele aprende e acumula de todo o significado que ele dá ao que vê.

O pensamento não pode conhecer a responsabilidade ou a ética, ou o Curso. Temos de ver o dano e os motivos nos pensamentos que temos. Não há nenhum amor neles; eles são centrados em si mesmos.

Mas podemos começar a nos descondicionar com a primeira lição. Se não o fizermos, não saberemos nunca o que o restante do Curso diz.

Tu podes te responsabilizar por não te deixares ser controlado pelo pensamento? Tu começas a despertar exatamente por te tornares ciente do pensamento em si mesmo. Tu não ficas mais tão apegado ou reativo ao que pensas.Nada do que vejo... significa coisa alguma apresenta um milagre: há um saber dentro de ti que é impecável, livre da dualidade.

Em verdade, só há significado naquilo que é íntegro [no sentido de não fragmentado e total, completo, inteiro], aquilo que não tem nome. Por isso, tu não podes fazer dele uma imagem; ele é o Não-conhecido.

Começas a descobrir as limitações do conhecido, e vês o Não-conhecido te libertando delas. Não há nada a buscar, mas tudo a desfazer. Alguma coisa se purifica cada vez que reconheces que Nada do que vejo... significa coisa alguma. Tu és renovado.