sexta-feira, 6 de julho de 2012

Não existe nenhum outro tempo que não o agora



LIÇÃO 188

A paz de Deus brilha em mim agora.

1. Por que esperar pelo Céu? Aqueles que buscam a luz estão apenas cobrindo seus olhos. A luz está neles agora. A iluminação é apenas um reconhecimento, não uma mudança em absoluto. A luz não é do mundo, porém tu que podes carregar a luz em ti também és um estranho aqui. A luz veio contigo de teu lar de origem e ficou contigo porque é tua. Ela é a única coisa que traz contigo d'Aquele Que é tua Fonte. Ela brilha em ti porque ilumina teu lar e te conduz de volta ao lugar de onde ela veio e aonde estás em casa.

2. Esta luz não pode ser perdida. Por que esperar para encontrá-la no futuro ou acreditar que ela já se perdeu ou nunca existiu? Ela pode ser vista tão facilmente que os argumentos que provam que ela não existe são ridículos. Quem pode negar a presença daquilo que vê em si mesmo? Não é difícil olhar para dentro, pois toda a luz começa aí. Não há nenhuma visão, seja de sonhos ou de uma Fonte mais verdadeira, que não seja uma sombra daquilo que se vê a partir da visão interior. Aí a percepção começa e aí ela termina. Ela não tem nenhuma fonte a não ser esta.

3. A paz de Deus brilha em ti agora e se estende ao mundo inteiro desde o teu coração. Ela pára para acariciar toda coisa viva e deixa nelas uma bênção que permanece para todo o sempre. Aquilo que ela dá tem de ser eterno. Ela retira todos os pensamentos do efêmero e do sem valor. Ela traz renovação a todos os corações cansados e ilumina todas as visões à medida que passa. Todas as suas dádivas são dadas a todos e todos se unem para dar graças a ti que dás e a ti que recebes.

4. O brilho em tua mente lembra o mundo daquilo que ele esqueceu e o mundo, do mesmo modo, te devolve a lembrança. A salvação se irradia de ti com dádivas incomensuráveis, dadas e devolvidas. O Próprio Deus agradece a ti, o doador da dádiva. E, em Sua bênção, a luz em ti brilha de modo mais claro, somando-se às dádivas que tens para oferecer ao mundo.

5. A paz de Deus nunca pode ser contida. Aquele que a reconhece em si mesmo tem de dá-la. E os meios para dá-la estão em sua compreensão. Ele perdoa porque reconhece a verdade em si. A paz de Deus brilha em ti agora, e em todas as coisas vivas. Na tranquilidade ela é reconhecida universalmente. Pois aquilo para que olha tua visão interior é tua percepção do universo.

6. Senta calmamente e fecha os olhos. A luz dentro de ti é suficiente. Só ela tem o poder para te dar a dádiva da visão. Exclui o mundo exterior e deixa que teus pensamentos voem para a paz interior. Eles conhecem o caminho. Pois pensamentos honestos, imaculados pelo sonho de coisas do mundo exterior a ti mesmo, se tornam os mensageiros santos do Próprio Deus.

7. Estes pensamentos tu pensas com Ele. Eles reconhecem seu lar. E apontam para sua Fonte, Onde Deus Pai e Filho são um. A paz de Deus brilha neles, mas eles têm de permanecer contigo também, pois nasceram em tua mente, da mesma forma que a tua nasceu na de Deus. Eles te conduzem de volta à paz, de onde vieram apenas para te lembrar como tens de voltar.

8. Eles atendem à Voz de teu Pai quando te recusas a escutar. E eles te pedem com insistência e de forma paciente que aceites Sua Palavra como aquilo que és, em vez de fantasias e sombras. Eles te lembram de que és o co-criador de todas as coisas que vivem. Pois do mesmo modo que a paz de Deus brilha em ti, ela tem de brilhar sobre elas.

9. Hoje praticamos chegar mais perto da luz em nós. Tomamos nossos pensamentos inconstantes e os levamos delicadamente de volta ao lugar em que eles se alinham com todos os pensamentos que compartilhamos com Deus. Não deixaremos que eles se desviem. Deixamos a luz dentro de nossas mentes orientá-los a virem para casa. Nós os traímos, ordenando que se afastassem de nós. Mas agora pedimos que voltem e os limpamos de desejos estranhos e de anseios confusos. Devolvemos a eles a santidade de sua herança.

10. Deste modo, nossas mentes se recuperam com eles e reconhecemos que a paz de Deus ainda brilha em nós e, a partir de nós, em todas as coisas vivas que compartilham nossa vida. Nós perdoaremos a todas, absolvendo o mundo inteiro daquilo que pensávamos que ele fez a nós. Pois somos nós que fazemos o mundo do modo que o queremos. Agora escolhemos que ele seja inocente, livre de pecado e aberto à salvação. E depositamos sobre ele nossa bênção salvadora, ao dizermos:

A paz de Deus brilha em mim agora.
Que todas as coisas brilhem sobre mim nesta paz,
e que eu as abençoe com a luz em mim.

*

COMENTÁRIO:

Como lhes disse também no ano passado, a ideia que vamos praticar neste dia 6 de julho, sexta-feira, me lembrou de uma música que cantávamos nas missas há muitos anos. Alguém lembra de uma música que se chama Por que esperar amanhã? Creio que o que ela diz bate com a pergunta feita logo no início do texto que nos encaminha para a lição: Por que esperar pelo Céu?

A letra da música diz o seguinte [a estrofe em negrito é o refrão, que é cantado, após cada uma das outras estrofes]:

Por que esperar amanhã?
Por que esperar amanhã?
Escuta este canto, enxuga este pranto.
Por que esperar amanhã?

Escuta este canto que nos traz o vento,
é um canto de sofrimento.
Alguém pede pão, alguém pede paz
e tu o que lhe darás?

Escuta este canto de quem está sedento,
é um canto que traz o vento.
Alguém pede paz, alguém pede amor
e tu o que lhe darás?

Quem pode falar, quem vai responder
ao que nos pede esta voz?
Cada um de nós tem sempre o que dar,
por isso não vai deixar,

Deixar prá fazer amanhã,
deixar prá dizer amanhã,
eu conto contigo, eu sou teu amigo,
por que esperar amanhã?

Interessante é notar que, quando falamos a respeito do tempo - pensando que é possível adiar qualquer ação -, estamos apenas reforçando nossa crença em um tempo linear, que não existe a não ser na ilusão. Um tempo a que nos referimos como passado, presente e futuro, que se sobrepõem um ao outro, mas que existem de forma independente e separada, como já vimos antes aqui.

Na verdade, conforme o UCEM afirma, o único tempo que existe é o presente, o agora, e o agora é o tempo que mais se assemelha à eternidade. Assim, podemos perceber que tudo o que acontece só pode acontecer no tempo certo e que tudo está no lugar certo em todos os momentos em que olharmos para o mundo, pois não há como ser de outra forma.

O ensinamento nos autoriza a pensar, salvo engano de interpretação - e me corrijam, por favor, se eu estiver vendo de forma equivocada -, que não há atrasos na vida. Tudo acontece no tempo certo o tempo inteiro. E alguma coisa que não aconteceu antes não aconteceu simplesmente porque não era a hora de acontecer. E algo que entendemos como se tivesse acontecido fora do tempo, antes ou depois, apenas atesta nossa percepção equivocada a respeito do tempo.

Repetindo o que disse no ano passado, em uma das leituras que fizemos em um dos grupos de estudos de segunda, o Curso nos afiança que seu ensinamento não está além do aprendizado imediato, a menos que acreditemos que "a Vontade de Deus leva tempo" para se realizar. E acreditar nisto significa apenas que preferimos adiar o reconhecimento de que tudo o que somos e vivemos, na verdade, é parte da Vontade de Deus. Fora da Vontade d'Ele só podemos experimentar ilusões.

Referindo-se à prática do instante santo, o texto nos assegura que "o instante santo é este instante e todos os instantes". É aquele que quisermos que seja. Cabe a nós decidir quando ele será e não podemos trazê-lo à consciência enquanto não o quisermos.

De certa forma, entendo que a lição de hoje começa dizendo a mesma coisa de outro modo. Isto é, que não há necessidade de esperarmos pelo Céu, podemos vivê-lo agora e em qualquer instante em que decidirmos que tudo o que desejamos é viver o Céu em nossas vidas. Os que buscam a luz apenas cobrem os olhos, pois a luz está em nós o tempo todo. Ou seja, não existe uma situação em que estejamos afastados da luz e nem um instante que não seja santo.

As práticas, como digo constantemente e como o Curso diz, podem nos ensinar isto.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Como chegar a uma concepção nova de suprimento



LIÇÃO 187

Abençoo o mundo porque abençoo a mim mesmo.

1. Ninguém pode dar a menos que tenha. De fato, dar é a prova de ter. Já estabelecemos este ponto antes. O que parece tornar difícil de acreditar nele não é isto. Ninguém pode duvidar de que primeiro tens de possujir o que queres dar. É na segunda fase que o mundo e a percepção verdadeira divergem. Depois de teres e dares, o mundo afirma, então, que perdeste o que possuías. A verdade assegura que dar vai aumentar o que tens.

2. Como isto é possível? Pois é certo que, se dás uma coisa finita, os olhos do teu corpo não perceberão como tua. No entanto, aprendemos que as coias apenas representam os pensamentos que as criaram. E não te falta prova de que quando dás ideias tu as reforças em tua própria mente. Talvez a forma com que o pensamento parece surgir mude ao dar. Porém, ele tem de voltar àquele que dá. E a forma que ele assume também não pode ser menos aceitável. Tem de ser mais.

3. Primeiro as ideias têm de te pertencer antes que as dês. Se tens de salvar o mundo, primeiro aceitas a salvação para ti mesmo. Mas não acreditarás que isto aconteceu até que vejas os milagres que isto traz a todos para quem olhas. Nisto se esclarece a ideoa de dar e ela adquire significado. Agora podes perceber que, por tua doação, tua riqueza aumenta.

4. Protege todas as coisas que prezas pelo ato de doá-las e terás certeza de que nunca as perderás. Aquilo que pensavas não ter vai se provar teu deste modo. Não valorizes, porém, sua forma. Pois esta mudará e ficará irreconhecível no tempo, por mais que tentes mantê-la a salvo. Nenhuma forma dura. É a ideia por detrás da forma das coisas que vive, imutável.

5. Dá com alegria. Só podes ganhar deste modo. O pensamento permanece e ganha força quando é reforçado pela doação. Os pensamentos se estendem na medida em que são dados, pois não podem se perder. Não existe nenhum doador ou receptor no sentido que o mundo os concebe. Há um doador que conserva; outro que também dará. E ambos têm de ganhar nesta troca, pois cada um terá o pensamento na forma mais útil para si. O que alguém parece perder é sempre alguma coisa que ele valorizará menos do que aquilo que certamente lhe será devolvido.

6. Não te esqueças nunca de que só dás a ti mesmo. Aquele que entende o que significa dar tem de rir da ideia de sacrifício. E também não pode deixar de reconhecer as muitas formas que o sacrifício pode assumir. Ele também ri da dor e da perda, da doença e do sofrimento, da pobreza, da fome e da morte. Ele reconhece que o sacrifício contnua a ser a única ideia por trás de todas estas coisas e em sua risada tranquila elas são curadas.

7. Reconhecida, a ilusão tem de desaparecer. Não aceites o sofrimente e eliminas a ideia de sofrimento. Tua bênção pousa sobre todos os que sofrem, quando escolhes ver todo o sofrimento como ele é. A ideia do sacrifício dá origem da todas as formas que o sofrimente parecer assumir. E o sacrfício é uma ideia tão louca que a sanidade a elimina imediatamente.

8. Nunca acredites que podes sacrificar. Não há nenhum lugar para o sacrifício naquilo que tem algum valor. Se o pensamento acudir, a própria presença dele prova que o erro surgiu e que tem de se fazer a correção. Tua bênçao o corrigirá. Dada primeiro a ti, ela agora é tua para dares também. Nenhuma forma de sacrifício e sofrimento pode durar o bastante diante do rosto daquele que se perdoa e se abençoa.

9. Os lírios que teu irmão te oferece estão depositados sobre teu altar, com os que lhe ofereceste ao lado deles. Quem poderia ter medo de olhar para tão bela santidade? A grande ilusão do medo de Deus se reduz a nada diante da pureza que verás aqui. Não tenhas medo de olhar. A ventura que verás afastará toda ideia de forma e deixará em seu lugar a dádiva perfeita sempre presente, destinada a crescer para sempre, tua eternamente, para ser dada incessantemente.

10. Agora somos um em pensamento, pois o medo se foi. E aqui, diante do altar do único Deus, do único Pai, do único Criador e do único Pensamento, estamos juntos como um único Filho de Deus. Não separados d'Aquele Que é nossa Fonte; não distantes de um só irmão que é parte de nosso único Ser, Cuja inocência se uniu a nós todos como um só, permanecemos em bem-aventurança e damos do mesmo modo que recebemos. O Nome de Deus está em nossos lábios. E, ao olharmos para dentro, vemos a pureza do Ceú brilhar em nosso reflexo do Amor de nosso Pai.

11. Agora somos abençoados e agora abençoamos o mundo. Queremos estender aquilo para que olhamos, porque queremos vê-lo em todos os lugares. Queremos vê-lo brilhar com a graça de Deus em todos. Não queremos que ele seja negado a nada do que vemos. E, para garantir que esta visão santa seja nossa, nós a oferecemos a tudo o que vemos. Pois aonde a virmos ela nos será devolvida na forma de lírios que podemos depositar em nosso altar, transformando-o em um lar para a Própria Inocência, Que habita conosco e nos oferece a Santidade d'Ela como sendo nossa.

*

COMENTÁRIO:

As práticas da ideia que o Curso nos oferece para esta quinta-feira, dia 5 de julho, vão nos revelar, se ainda não o sabemos, o quanto recebemos e a forma pela qual podemos fazer multiplicar os dons recebidos.


De acordo com o que ensina Joel Goldsmith, em capítulo intitulado Uma nova concepção de suprimento, no "livrinho" - A Arte de Curar pelo Espírito -, de que lhes falei há alguns dias, "o suprimento dos bens da vida é uma das coisas mais simples que um principiante no caminho espiritual pode realizar". 


Precisamos, porém, estar atentos ao fato de que há uma grande diferença entre "a verdade espiritual que subjaz ao suprimento e a concepção humana desse suprimento". 


É interessante notar a correspondência entre o que Goldsmith ensina e que o Curso nos diz na lição que praticamos hoje. Diz ele: "Em sentido espiritual, ser suprido dos bens da vida, não quer dizer receber algo, mas sim dar algo". O que é bem o contrário do que se pensa no sentido humano. 


Ele afirma isso porque, em seu modo de ver, "no plano espiritual, não existe nenhum caminho para realizar o plano como tal: tal processo seria impossível, uma vez que todos os bens do céu e da terra já estão dentro de ti, neste momento, razão por que toda e qualquer tentativa de receberes de fora o suprimento desses bens" está fadada ao fracasso. Pois, como ele diz,  "não existe nenhum processo de subsistência fora do teu ser.Se quiseres fruir a plenitude daquilo de que necessitas para tua vivência, tens de abrir um caminho [interior] pelo qual essa plenitude possa fluir e se manifestar".   

Para aproveitar também, em parte, os comentários feitos a esta mesma lição nos anos passados, vamos lembrar de que o rabino Nilton Bonder, em seu livro Fronteiras da Inteligência, diz que "a sabedoria não é um saber, mas a habilidade de aprender". 


Ele também diz lá que "a única forma que se tem de chegar à certeza é pela dúvida. E [que] mesmo assim essa certeza deve estar eternamente aberta à dúvida. Ou, em outras palavras, ainda pertencer à categoria da dúvida". Para ele, "a espiritualidade não foge a esta regra da 'inteligência'. Ao contrário do que muitos pensam, a fé não é formada de certezas, mas de dúvidas trabalhadas de forma sensível e sofisticada".

Alan Watts, no livro God [Deus], para dizer a mesma coisa de outro modo, afirma que a "fé é um estado de abertura ou confiança" e que "a entrega é a atitude fundamental da fé". O que não significa que não se pode ter dúvidas. Estas, contudo, quando existirem - e acho que sempre vão existir -, também têm de fazer parte da entrega.

Da mesma forma, o Curso, em um de seus exercícios, convida, a certa altura, a abandonarmos tudo, inclusive o próprio livro, para buscarmos o encontro com o Ser no mergulho mais profundo em nós mesmos, aonde vamos ser capazes de ouvir distintamente a Voz por Deus.

Lembremo-nos mais uma vez da Oração de São Francisco, que afirma que "é dando que se recebe", palavras a que raramente damos atenção, porque distraídos de nós mesmos a maior parte do tempo. Quantas vezes já ouvimos estas palavras antes? Alguma vez já percebemos, de fato, a verdade que há nelas? Quantas vezes nos dispomos a verificar, na prática, a veracidade delas? E quantas vezes, apesar de comprovada sua verdade, nos esquecemos disto, julgando que é negando a doação que poderemos manter e guardar aquilo que prezamos? Temendo perder o que conquistamos "a duras penas".

As práticas de hoje vão reforçar em nós a ideia de que somos abençoados com todas as dádivas de Deus, na terra e no céu, que podemos abençoar e que é só dando que podemos receber, pois ela nos diz claramente que só damos a nós mesmos. Sempre!

Às práticas, pois!

quarta-feira, 4 de julho de 2012

É preciso assumir-se a responsabilidade pelo mundo



LIÇÃO 186

A salvação do mundo depende de mim.

1. Eis aqui a afirmação que um dia afastará toda a arrogância de todas as mentes. Eis aqui a ideia da verdadeira humildade, que não defende nenhum papel como o teu próprio papel a não ser aquele que te foi dado. Ela te oferece a aceitação de um papel designado para ti, sem insistir em outro. Ela não julga teu papel adequado. Ela apenas reconhece que a Vontade de Deus se faz tanto na terra quanto no Céu. Ela une todas as vontades na terra no plano do Céu para salvar o mundo, devolvendo-o à paz do Céu.

2. Não lutemos com nosso papel. Nós não o criamos. Ele não é ideia nossa. O meio pelo qual ele será cumprido perfeitamente nos foi dado. Tudo o que se pede que façamos é que aceitemos nossa parte na verdadeira humildade e que não neguemos com arrogância auto-enganadora que somos dignos. Temos a força para fazer o que nos é dado fazer. Nossas mentes são perfeitamente adequadas para assumir o papel que nos foi designado por Aquele Que nos conhece bem.

3. A ideia de hoje pode parecer bastante séria até que percebas seu significado. Tudo o que ela diz é que teu Pai ainda Se lembra de ti, que és Seu Filho. Ela não pede que sejas diferente do que és de nenhuma forma. O que a humildade poderia pedir a não ser isto? E o que a arrogância poderia negar senão isto? Hoje não recuaremos de nossa obrigação sob o motivo ilusório de que a modéstia é ultrajada. É o orgulho que negaria o Chamado do Próprio Deus.

4. Abandonamos toda a falsa humildade hoje para podermos escutar a Voz de Deus nos revelar o que Ele quer que façamos. Não duvidaremos de nossa aptidão para a função que Ele nos oferecerá. Teremos certeza apenas de que Ele conhece nossos poderes, nossa sabedora e nossa santidade. E, se Ele acredita que somos dignos, então somos. É só a arrogância que julga de outro modo.

5. Há um e somente um caminho para se liberar da prisão que teu plano de provar que o falso é verdadeiro te traz. Aceita, no lugar dele, o plano que não fizeste. Não julgues teu valor para ele. Se a Voz de Deus te garante que a salvação necessita de tua parte e que o todo depende de ti, fica certo de que é verdade. O arrogante tem de se agarrar às palavras, com medo de ir além delas para experimentar o que poderia desacreditar sua atitude. Os humildes, no entanto, estão livres para ouvri a Voz que lhes diz o que eles são e o que fazer.

6. A arrogância inventa uma imagem de ti mesmo que não é real. É esta imagem que treme e foge em pânico quando a Voz por Deus te assegura que tens o poder, a sabedoria e a santidade para ultrapassar todas as imagens. Tu não és fraco como a imagem de ti mesmo é. Tu não és ignorante e desamparado. O pecado não pode manchar a verdade em ti e o sofrimento não pode chegar perto do lar santo de Deus.

7. Tudo isto a Voz por Deus te diz. E, quando Ele fala, a imagem treme e busca atacar a ameaça que ela não conhece, sentindo suas bases se desintegrarem. Abandona-a. A salvação do mundo depende de ti e não deste monte de pó inútil. O que ele pode dizer ao Filho de Deus? Por que ele precisa se preocupar com isto de alguma forma?

8. E, assim, achamos nossa paz. Aceitaremos a função que Deus nos deu, todas as ilusões se baseiam na estranha crença de que podemos criar outra por nós mesmos. Os papéis que criamos para nós mesmos são inconstantes e parecem mudar do desconsolo à felicidade extasiante do amor e de amar. Podemos rir ou chorar e saudar o dia com boas vindas ou com lágrimas. Nossa verdadeira forma de ser parece mudar à medida que experimentamos milhares de alterações de humor e nossas emoções, de fato, nos elevam às alturas ou nos arremessa violentamente ao chão em desespero.

9. Este é o Filho de Deus? Deus poderia criar tamanha instabilidade e chamá-la de Filho? Ele, Que é imutável, compartilha Suas características com Sua criação. Todas as imagens que Seu Filho parece criar não têm nenhnum efeito naquilo que ele é. Elas atravessam sua mente como folhas varridas pelo vento, que formam um padrão por um instante, se separam para se agrupar novamente, e desapararecem. Ou como miragens, surgindo do pó, sobre um deserto.

10. Estas imagens irreais se irão e deixarão tua mente desanuviada e serena, quando aceitares a funão que te foi dada. As imagens que criaste só dão origem a metas contraditórias, temporárias e vagas, incertas e ambíguas. Quem poderia ser constante em seus esforços ou orientar sua forças e energias concentradas em direção a metas como estas? As funções que o mundo preza são tão incertas que mudam dez vezes por hora nos casos mais seguros. Que esperança de benefício pode se basear em metas como estas?

11. Em amoroso contraste, tão certo quanto é a volta do sol a cada manhã para dissipar a noite, a verdadeira função que te foi dada se destaca clara e totalmente não ambígua. Não há nenhuma dúvida acerca de sua validade. Ela vem d'Aquele Que não conhece nenhum erro e Sua Voz tem certeza de Suas mensagens. Elas não mudarão nem entrarão em conflito. Todas apontam para uma só meta e uma meta que podes atingir. Teu plano pode ser impossível, mas o de Deus não pode fracassar nunca porque Ele é a sua Fonte.

12. Faze conforme a Voz de Deus te orienta. E se Ele te pede uma coisa que parece impossível, lembra-te de Quem é que pede e de quem faria a negativa. Considera isto então: quem tem mais probabilidade de estar certo? A Voz que fala pelo Criador de todas as coisas, Que conhece todas as coisas exatamente como são, ou uma imagem distorcida de ti mesmo, confusa, desnorteada, incoerente e insegura de tudo? Não deixes que esta voz te oriente. Ouve, em seu lugar, uma Voz segura, que te fala de uma função que te foi dada por teu Criador, Que Se lembra de ti e pede com insistência que te lembres d'Ele agora.

13. Sua Voz serena está chamando do conhecido para o desconhecido. Ele quer te consolar, embora Ele não conheça nenhuma tristeza. Ele quer fazer uma restituição, embora Ele seja completo; uma dádiva para ti, embora Ele saiba que tu já tens tudo. Ele tem Pensamentos que atendem a toda necessidade que Seu Filho percebe, embora Ele não as veja. Pois o Amor tem de dar e o que é dado em Nome d'Ele assume a forma mais útil em um mundo de formas.

14. Estas são as formas que não podem enganar jamais, porque elas vêm da Própria Ausência de Formas. O perdão é uma forma terrena de amor, que, assim como é no Céu, não tem nenhuma forma. Porém, dá-se aqui o que é necessário aqui do modo que for necessário. Desta forma tu podes cumprir tua função até mesmo aqui, embora ainda seja muito mais o que o amor vai significar para ti, quanto a ausência de formas for restabelecida para ti. A salvação do mundo depende de ti, que podes perdoar. Esta é tua função aqui.

*

COMENTÁRIO:

Quantos de nós já nos demos conta de que a ideia que vamos praticar nesta quarta-feira, dia 4 de julho, é a mais pura expressão da verdade? Só eu posso salvar o mundo, se acredito na mensagem de Jesus contida neste Curso. O mesmo vale para quem acredita na mensagem que ele nos deixou há mais de 2 mil anos. Ou não nos lembramos de que ele disse que tudo o que ele fez podemos fazer igual e melhor?

Mais, basta que acreditemos na veracidade da afirmação do Curso de que não existe nada fora de nós, para se criar em nós a certeza interior de que o mundo não existe a não ser como expressão daquilo que trazemos dentro de cada um de nós mesmos. O que é também verdade para todos nós, uma vez que tudo não é senão extensão ou projeção do que há dentro de cada um e de todos ao mesmo tempo. Isto é, o mundo que vemos é um mundo diferente para cada um de nós, que olhamos para ele. Cada um a sua maneira, com uma visão própria.

Por isso posso repetir sem susto o que disse nos dois últimos anos: ainda bem que a lição de hoje apresenta uma ideia que nos pede para relevar as formas, uma vez que cada um de nós em seu próprio mundo aprende de acordo com a própria capacidade de ouvir e entender a ideia que pratica. E para cada um ela se apresenta da forma que lhe for mais conveniente, da forma lhe seja mais fácil e melhor de reconhecer, compreender e aceitar.

Fiquemos atentos, pois, ao que nos diz a lição de hoje acerca da necessidade de assumirmos o papel que nos cabe na salvação do mundo. Lembremo-nos de que, se Deus nos garante que temos todo o poder, toda a sabedoria e toda a santidade e inocência necessárias para levar a cabo a tarefa, é porque, de fato, temos. É importante lembrar ainda que assumir este papel significa também assumir cem por cento a responsabilidade pelo mundo que construímos com nossos pensamentos, palavras, atos e omissões, como já lhes disse em vários comentários anteriores.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Já nos perguntamos o que queremos de fato?


LIÇÃO 185

Eu quero a paz de Deus.

1. Dizer estas palavras não significa nada. Mas dizê-las com real intenção significa tudo. Se ao menos pudesses dizê-las deste modo por um instante apenas, não haveria mais nenhuma tristeza possível para ti de forma alguma, em qualquer tempo ou lugar. O Céu seria completamente devolvido à plena consciência, a lembrança de Deus restituída por inteiro, a ressurreição de toda a criação reconhecida plenamente.

2. Ninguém pode dizer estas palavras com real intenção e não ser curado. Ninguém pode brincar com sonhos, nem pensar que ele mesmo é um sonho. Ninguém pode inventar um inferno e pensar que ele é real. Ele quer a paz de Deus e ela lhe é dada. Pois isto é tudo o que ele quer e é tudo o que receberá. Muitos dizem estas palavras. Mas, de fato, poucos as dizem com real intenção. Tu só tens de olhar para o mundo que vês a teu redor para teres a certeza de quão poucos verdadeiramente eles são. O mundo mudaria completamente, se duas pessoas quaisquer concordassem que estas palavras exprimem a única coisa que querem.

3. Duas mentes com uma única intenção ficam tão fortes que o que desejam se torna a Vontade de Deus. Pois as mentes só podem se unir na verdade. Em sonhos, não há dois que possam compartilhar a mesma intenção. Para cada um deles o herói do sonho é diferente; o resultado desejado não é o mesmo para ambos. Perdedor e ganhador simplesmente se revezam em padrões alternados, à medida que a proporção entre ganho e perda e perda e ganho adquire um aspecto diferente ou toma outra forma.

4. Todavia é só transigência que um sonho pode trazer. Às vezes ele assume a forma de união, mas apenas a forma. O significado necessariamente escapa ao sonho, uma vez que a meta do sonho é a conciliação. Mentes não podem se unir em sonhos. Elas apenas barganham. E que barganha pode lhes dar a paz de Deus? As ilus~eos vêm para tomar o lugar d'Ele. E aquilo que é a intenção d'Ele se perde para a intenção de conciliação de mentes adormecidas, cada um visando seu próprio benefício e a perda do outro.

5. Dizer com real intenção que queres a paz de Deus é renunciar a todos os sonhos. Pois ninguém que queira ilusões e que, portanto, busque o meio que traz ilusões diz estas palavras com real intenção. Ele examina as ilusões e as acha insuficientes. Agora ele busca ir além delas, reconhecendo que mais um sonho não ofereceria mais do que todos os outros. Os sonhos são um só para ele. E ele aprende que a única diferença entre eles é a da forma, pois qualquer um trará o mesmo desespero e o mesmo sofrimento que trazem os demais.

6. A mente que diz com real intenção que tudo o que quer é a paz tem de se unir a outras mentes, pois desta forma que se alcança a paz. E, quando o desejo de paz é genuíno, o meio para achá-lo é dado de um modo que cada mente que a busca com honestidade pode compreender. Seja qual for a forma que a lição tome, ela é planejada para cada uma de tal modo que ela não pode confundí-la, se seu pedido for sincero. Mas, se ela não pede com sinceridade, não há nenhuma forma pela qual a lição encontre aceitação e seja aprendida verdadeiramente.

7. Dediquemos nossa prática hoje ao reconhecimento de que, de fato, dizemos com real intenção as palavras que pronunciamos. Nós queremos a paz de Deus. Isto não é nenhum desejo vão. Estas palavras não pedem que nos seja dado outro sonho. Elas não pedem transigência, nem tentam fazer outra barganha na esperança de que ainda pode haver alguma que possa ser bem-sucedida onde todas as outras falharam. Dizer estas palavras com real intenção é reconhecer que as ilusões são inúteis, é pedir o eterno em lugar de sonhos inconstantes que parecem mudar naquilo que oferecem mas que são um só em inutilidade.

8. Dedica teus períodos de prática hoje a vasculhar tu mente com cuidado para descobrir os sonhos que ainda prezas. O que pedes em teu coração? Esquece as palavras que usas ao fazeres teus pedidos. Considera apenas aquilo que acreditas que te dará consolo e te trará felicidade. Mas não desanimes com as ilusões que persistem, pois a forma delas não é o que importa agora. Não permitas que alguns sonhos sejam mais aceitáveis, reservando para outros vergonha e segredo. Eles são o mesmo. E, sendo o mesmo, deve-se fazer uma única pergunta a todos eles: "É isto que quero ter em lugar do Céu e da paz de Deus?"

9. É esta escolha que fazes. Não te enganes que é de outra forma. Não é possível nenhuma transigência nisto. Tu escolhes a paz de Deus ou pedes sonhos. E, uma vez que os pediste, os sonhos virão. Porém, com a mesma certeza, virá a paz de Deus, e para permanecer contigo para sempre. Ela não desaparecerá a cada volta ou curva da estrada, para reaparecer, inrreconhecível, em formas que muda e se alteram com cada passo que dás.

10. Tu queres a paz de Deus. E todos aqueles que parecem buscar sonhos também. Para eles e também para ti mesmo, pedes apenas isto quando fazes este pedido com profunda sinceridade. Pois, deste modo, alcanças o que eles querem realmente e unes tua própria intenção ao que eles buscam acima de todas as coisas, algo desconhecido para eles talvez, mas certo para ti. Foste fraco, às vezes, incerto de teu objetivo e inseguro acerca do que querias, de onde procurar e de para onde se voltar em busca de ajuda na tentativa. A ajuda te foi dada. E não queres te beneficiar dela por compartilhá-la?

11. Ninguém que busque verdadeiramente a paz de Deus pode deixar de encontrá-la. Pois apenas pede para não mais se enganar por negar a si mesmo aquilo que é a Vontade de Deus. Quem é que, pedindo aquilo que já tem, pode permanecer insatisfeito? Quem é que, pedindo uma resposta que cabe a si mesmo dar, poderia ficar sem resposta? A paz de Deus é tua.

12. A paz foi criada para ti, dada a ti por teu Criador e estabelecida como Sua Própria dádiva eterna. Como podes falhar, se pedes apenas aquilo que Ele deseja para ti? E como teu pedido poderia esta limitado a ti mesmo apenas? Nenhuma dádiva de Deus pode permanecer não compartilhada. É esta característica que separa as dádivas de Deus de todos os sonhos que alguma vez pareceram tomar o lugar da verdade.

13. Ninguém pode perder e todos têm de ganhar sempre que qualquer dádiva de Deus seja solicitada e recebida por quem quer que seja. Deus dá apenas para unir. Tirar não tem sentido para Ele. E, quando tirar for igualmente sem sentido para ti, podes ficar certo de que compartilhas uma só Vontade com Ele e Ele contigo. E saberás também que compartilhas um só Vontade com todos os teus irmãos cujas intenções são as tuas.

14. É esta única intenção que buscamos hoje, unindo nossos desejos às necessidades de cada coração, ao chamado de cada mente, à esperança que existe além do desespero, ao amor que o ataque quer esconder, à irmandade que o ódio busca separar, mas que continua a existir tal qual Deus a criou. Com uma Ajuda igual a esta ao nosso lado, podemos falhar hoje, quando pedimos que a paz de Deus nos seja dada?

*

COMENTÁRIO:

Nesta terça-feira, dia 3 de julho, a ideia que vamos praticar vai nos auxiliar na tomada de decisão, ensinando-nos a declarar o que queremos. As práticas vão nos ajudar a reconhecer que estamos, em geral, mais preocupados em evitar ou listar aquilo que não queremos do que definir o que queremos.

E a ideia que praticamos hoje torna claro o que cada um de nós quer na verdade, de fato. Pois o que podemos desejar além da paz de Deus? E tendo a certeza de que a paz de Deus nos pertence, haverá alguma coisa mais a desejar?

Podemos pensar nesta lição como a forma prática de exercitar aquilo que o texto nos ensina no capítulo 17, o subtítulo VI: Estabelecer a meta. Vale a pena dar uma espiadinha no que ele diz e continuar a leitura pelos dois subtítulos seguintes: o VII: O chamado para a fé e o VIII: As condições da paz.

Repetindo uma das perguntas feitas nos comentários dos anos passados, de que mais precisariamos, se reconhecêssemos, de verdade, no mais fundo de nossos corações, que a Vontade de Deus para nós é a alegria e a paz perfeitas, completas?

É para responder a esta e a outras possíveis perguntas que se destinam nossas práticas.


OBSERVAÇÃO: Este comentário é praticamente cópia literal daquele que fiz para esta lição no ano passado.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Para não confundir as coisas com as palavras



LIÇÃO 184

O Nome de Deus é minha herança.

1. Tu vives de símbolos. Inventas nome para tudo o que vês. Cada coisa se torna uma entidade separada, identificada por seu próprio nome. Com isto, tu a separas da unidade. Com isto, tu estabeleces suas características peculiares e a destacas de outras coisas dando ênfase ao espaço que a cerca. Tu colocas este espaço entre todas as coisas às quais dás um nome diferente; entre todos os acontecimentos em termos de tempo e lugar; entre todos os corpos que são saudados por um nome.

2. Este espaço que vês como que destacando todas as coisas umas das outras é o meio pelo qual se adquire a percepção do mundo. Tu vês alguma coisa aonde não existe nada e, do mesmo modo, não vês nada aonde existe unidade; um espaço entre todas as coisas, entre todas as coisas e tu. Deste modo, pensas que dás vida na separação. Por esta divisão pensas que és constituído como uma unidade que funciona com uma vontade independente.

3. O que são estes nomes pelos quais o mundo se torna um série de acontecimentos distintos, de coisas desunidas, de corpos que se mantêm separados e que contêm pedaços de mene como consciências separadas? Tu lhes deste estes nomes, fundando a percepção do modo que desejavas que a percepção fosse. Deram-se nomes às coisas sem nome e, deste modo, também se deu realidade a elas. Pois àquilo a que se dá nome dá-se significado e ele será visto, então, como significativo; uma causa de efeito verdadeiro com consequência inata em si mesma.

4. É deste modo que se faz a realidade pela visão tendenciosa, predisposta contra a verdade de maneira intencional. A integridade é sua inimiga. Ela imagina coisas insignificantes e as vê. E uma falta de espaço, uma sensação de unidade ou uma visão que vê de forma diferente se tornam ameaças que ela tem de vencer, combater e negar.

5. No entanto, esta outra visão ainda continua a ser uma orientação natural para a mente conduzir sua percepção. É difícil ensinar à mente milhares e milhares de nomes estranhos. Porém, tu acreditas que isto é o que aprender significa; sua meta única e essencial por meio da qual se chega à comunicação e pela qual se pode compartilhar conceitos de modo significativo.

6. Esta é a essência da herança que o mundo dá. E todo aquele que aprende a pensar que isto é verdade aceita os sinais e símbolos que asseguram que o mundo é real. É nisto que eles acreditam. Eles não deixam nenhuma dúvida de que aquilo que tem nome existe. Pode ser visto do modo que se esperava. Aquilo que nega que ele seja verdadeiro é apenas ilusão, pois ele é a realidade final. É loucura questioná-lo; aceitar sua presença é a prova da sanidade.

7. Este é o ensinamento do mundo. É uma fase do aprendizado por que cada um dos que vêm tem de passar. Mas quanto mais cedo ele perceber em que ela se baseia, quão questionáveis são suas premissas, quão duvidosos seus resultados, tanto mais rápido ele questionará seus efeitos. O aprendizado que cessa naquilo que o mundo quer ensinar não chega ao sentido. Em seu lugar adequado, ele só serve como um ponto de partida a partir do qual outro tipo de aprendizado pode começar; pode-se adquirir uma nova percepção e todos os nomes arbitrários que o mundo dá podem ser retirados à medida que são questionados.

8. Não penses que fizeste o mundo. As ilusões, sim! Mas aquilo que é verdadeiro na terra e no Céu está além de tua capacidade de dar nomes. Quando chamas um irmão, é a seu corpo que apelas. A verdadeira Identidade dele está escondida de ti por aquilo que acreditas que ele realmente é. Seu corpo reage àquilo de que tu o chamas, pois sua mente concorda em assumir o nome que lhe deste como seu. E, assim, sua unidade é negada duas vezes, por o perceberes separado de ti e por ele aceitar este nome separado como seu.

9. De fato, seria estranho se se pedisse para ires além de todos os símbolos do mundo, esquecendo-os para sempre; mas se pedisse, ao mesmo tempo, que aceitasses uma função de ensinar. Tu tens necessidade de usar os símbolos do mundo por algum tempo. Mas não te deixes enganar por eles também. Eles não representam absolutamente nada e, em tua prática, é este pensamento que te liberará deles. Eles se tornam apenas o meio pelo qual tu podes te comunicar de formas que o mundo pode entender, mas que reconheces não ser a unidade na qual se pode encontrar a verdadeira comunicação.

10. Assim, o que necessitas são intervalos diários nos quais o aprendizado do mundo se torne uma fase transitória; uma prisão da qual sais para a luz do sol e esqueces a escuridão. Aqui compreendes a Palavra, o Nome que Deus te deu; a única Identidade que todas as coisas compartilham; o único reconhecimente daquilo que é verdadeiro. E, em seguida, recuas para a escuridão, não porque pensas que ela é real, mas apenas para declarar sua irrealidade em termos que ainda façam sentido no mundo que a escuridão governa.

11. Usa todos os nomes e símbolos inúteis que descrevem com precisão o mundo das trevas. Mas não os aceites como tua realidade. O Espírito Santo usa todos eles, mas Ele não esquece que a criação tem um só Nome, um único significado e uma Fonte singular que unifica todas as coisas em Si Mesma. Usa todos os nomes que o mundo lhes dá apenas por conveniência, mas não te esqueças de que elas compartilham o Nome de Deus juntamento contigo.

12. Deus não tem nenhum nome. E, não obstante, o Nome d'Ele vem a ser a lição final segundo a qual todas as coisas são uma só e, nesta lição, todo o aprendizado termina. Unificam-se todos os nomes; preenche-se todos os espaços com o reflexo da verdade. Fecha-se toda brecha e cura-se a separação. O Nome de Deus é a herança que Ele deu àqueles que escolheram o ensinamento do mundo para substituir o Ceú. Em nossa prática, nosso objetivo é permitir que nossas mentes aceitem o que Deus deu como resposta à herança lamentável que fizeste como tributo adequado ao Filho que Ele ama.

13. Ninguém que busque o significado do Nome de Deus pode fracassar. A experiência tem de vir para completar a Palavra. Mas primeiro tens de aceitar o Nome com sendo toda a realidade e perceber claramente que os muitos nomes que deste a seus aspectos distorcem o que vês mas não atrapalham em absoluto a verdade. Trazemos um único Nome a nossa prática. Usamos um único Nome para unificar nossa visão.

14. E, embora utilizemos um nome diferente para cada percepção de um aspecto do Filho de Deus, entendemos que eles só têm um Nome, que Ele lhes dá. É este Nome que usamos ao praticar. E, pelo uso d'Ele, todas as separações tolas que nos mantinham cegos desaparecem. E recebemos força para ver além delas. Agora nossa visão é abençoada com bênçãos que podemos dar do mesmo modo que recebemos.

15. Pai, nosso Nome é o Teu. N'Ele estamos unidos a todas as coisas vivas e a Ti Que és seu único Criador. Aquilo que fizemos e que chamamos com muitos nomes diferentes é apenas uma sombra que tentamos lançar sobre Tua Própria realidade. E estamos felizes e grados porque estávamos errados. Damos a Ti todos os nossos erros para que possamos ser absolvidos de todos os efeitos que nossos erros pareciam ter. E aceitamos a verdade que Tu dás em lugar de cada um deles. Teu Nome é nossa salvação e saída para o que fizemos. Teu Nome nos reúne na unidade que é nossa herança e nossa paz. Amém.

*

COMENTÁRIO:

A ideia que vamos praticar nesta segunda-feira, dia 2 de julho, como eu disse também no ano passado, é uma espécie de continuação e aprofundamento da ideia que praticamos ontem. Uma ideia que já alertava para a inutilidade das palavras como instrumentos para descrição da realidade. Isto é, tudo o que pudermos dizer com palavras a respeito da realidade não é a realidade. Ou tudo o que dissermos a respeito de Deus não é Deus. Ou dizendo ainda de outra forma, de acordo com uma expressão dos taoístas:  tudo aquilo que se pode dizer do Tao não é o Tao.

Do mesmo modo, a palavra Deus não serve para descrever a ideia de Deus e tudo o que ela encerra. Nós usamos as palavras apenas pela conveniência, em uma tentativa de comunicação baseada em símbolos que encerram conceitos que partilhamos com outros falantes da língua de que nos valemos para nos referirmos às coisas que os símbolos nomeiam. Há sempre um acordo tácito entre a pessoa que fala e a que ouve no sentido de se chegar à comunicação, ao entendimento daquilo a que o falante se refere e que deve ser decodificado por aquele que ouve. Precisamos, porém, como nos adverte a lição de hoje, aprender a não confundir a coisa com o símbolo.

Lembrando do que nos diz o texto do Curso a certa altura: "Tu que falas através de simbolos obscuros e tortuosos, não compreendes a linguagem que fizeste. Ela não tem significado, pois seu propósito não é a comunicação, mas sim o rompimento da comunicação. Se o propósito da linguagem é a comunicação, como essa língua pode significar alguma coisa"?

Já aprendemos também  que a verdadeira comunicação se dá entre as mentes que partilham uma mesma intenção. Esta comunicação - a verdadeira -, pois, independe de palavras, independe de símbolos. Quando precisamos recorrer a eles para tentar descrever o que se passou em nós, o momento já passou e a comunicação já se interrompeu. Não há como descrever o indescritível. Não há como nomear o inominável. Não há como dizer o indizível, como já disse outras vezes. 

Podemos pensar ainda que a linguagem poética, isto é, a linguagem da poesia e dos poetas, talvez traga em sí a possibilidade de uma compreensão que, às vezes, nos coloca próximos da comunicação, por tirar das palavras o significado comum, raso e plano, dando-lhes, e a nós, uma perspectiva que normalmente, por si sós, não têm. Como se na poesia as palavras pudessem receber uma carga de significados que vai além das formas, que vai além do som e dos conceitos que nos habituamos a atribuir a elas.

Convido-os, pois, mais uma vez, a praticar com o Nome de Deus, que é também o nosso e que é a melhor forma de nos pormos em contato com nossa Identidade verdadeira.


OBSERVAÇÃO: Mais uma vez, com algumas pequenas modificações e correções, este comentário é quase que uma cópia literal do comentário feito no ano passado. Creio que ele ainda pode servir para nos revelar aspectos do texto aos quais não demos toda a atenção.

domingo, 1 de julho de 2012

Para se pensar a respeito do valor das palavras



LIÇÃO 183

Invoco o Nome de Deus e o meu próprio.

1. O Nome de Deus é santo, mas não é mais santo do que o teu. Invocar o Nome de Deus é apenas invocar teu próprio nome. Um pai dá seu nome ao filho e, assim, identifica o filho consigo. Os irmãos dele compartilham o nome e, deste modo, ficam unidos por um laço ao qual se voltam em busca de sua identidade. O Nome de teu Pai te lembra de quem tu és, mesmo em um mundo que não sabe; mesmo que tu não te lembres.

2. O Nome de Deus não pode ser ouvido sem resposta, nem dito sem um eco na mente que te convida a lembrar. Dize o Nome d'Ele e convidas os anjos a envolverem o solo em que te encontras e a cantar para ti enquanto abrem suas asas para te manter seguro e te proteger de todo pensamento mundano que se intrometeria em tua santidade.

3. Repete o Nome de Deus e todo o mundo responde abandonando as ilusões. Cada sonho que o mundo dá valor desaparece subitamente e, onde ele parecia estar, encontras uma estrela; um milagre da graça. Os doentes se levantam, curados de seus pensamentos doentios. Os cegos podem ver; os surdos podem ouvir. Os infelizes abandonam sua lamentação e as lágrimas de dor secam quando o riso feliz vem para abençoar o mundo.

4. Repete o Nome de Deus e os nomes insignificantes perdem o sentido. Todas as tentações se tornam apenas uma coisa inominável e indesejável diante do Nome de Deus. Repete o Nome d'Ele e vê com que facilidade esqueces os nomes de todos os deuses que valorizaste. Eles perdem o nome de deus que lhes deste. Tornam-se anônimos e inúteis para ti, embora, antes de deixares que o Nome de Deus substitua seus nomes insignificantes, ficasses diante deles em adoração chamando-os de deuses.

5. Repete o Nome de Deus e invocas teu Ser, Cujo Nome é o d'Ele. Repete o Nome d'Ele e todas as coisas pequeninas e inomináveis sobre a terra assumem a perpectiva correta. Aqueles que invocam o Nome de Deus não podem confundir o inominável pelo Nome, nem o pecado pela graça, nem corpos pelo Filho santo de Deus. E, se te unires a um irmão, enquanto sentas com ele em silêncio, e repetires o Nome de Deus junto com ele em tua mente calma, estabeleces aí um altar que alcança o Próprio Deus e Seu Filho.

6. Pratica apenas isto hoje: repete o Nome de Deus lentamente muitas e muitas vezes. Esquece todos os nomes a não ser o d'Ele. Não ouças mais nada. Deixa que todos os teus pensamentos se prendam a isto. Não usamos nenhuma outra palavra exceto no início, quando declaramos a ideia de hoje apenas uma vez. E, então, o Nome de Deus se torna nosso único pensamento, nossa única palavra, a única coisa que ocupa nossas mentes, o único desejo que temos, o único som com algum significado e o único Nome de tudo o que desajamos ver, de tudo o que chamaríamos de nosso.

7. Deste modo fazemos um convite que não pode ser recusado nunca. E Deus virá e Ele Mesmo o atenderá. Não penses que Ele ouve as preces inúteis daqueles que O invocam com os nomes de ídolos que o mundo preza. Eles não podem alcançá-Lo desta forma. Ele não pode ouvir os apelos a Ele para não ser Ele Mesmo, ou para que Seu Filho receba outro nome que não o d'Ele.

8. Repete o Nome de Deus e O reconheces como o único Criador da realidade. E reconheces também que Seu Filho é parte d'Ele, criando em Seu Nome. Senta em silêncio e deixa que o Nome d'Ele se torne a ideia todo-abrangente que ocupa por completo tua mente. Deixa que todos os pensamentos silenciem exceto este. E responde a todos os outros com isto e vê o Nome de Deus substituir os milhares de nomes insignificantes que deste a teus pensamentos, sem tem aperceberes de que há um único Nome para tudo o que existe e para tudo o que existirá.

9. Hoje podes chegar a um estado no qual experimentarás a dádiva da graça. Podes escapar de toda a escravidão do mundo e dar ao mundo a mesma liberação que achaste. Podes lembrar daquilo que o mundo esqueceu e lhe oferecer tua própria lembrança. Hoje podes aceitar o papel que desempenhas na salvação do mundo e também em tua própria salvação. E ambas pode se realizar por completo.

10. Volta-te para o Nome de Deus para tua liberação e ela te é dada. Não é necessário nenhuma prece a não ser esta, pois ela contém todas em si. As palavras são insignificantes e todos os apelos desnecessários quando o Filho de Deus invoca o Nome de seu Pai. Os Pensamentos de seu Pai se tornam seus próprios pensamentos. Ele reclama para si tudo o que seu Pai deu, ainda dá e dará para sempre. Ele Lhe pede que deixe que todas as coisas que ele pensava ter feito fiquem sem nome agora e que, no lugar delas, o santo Nome de Deus seja sua compreensão da inutilidade delas.

11. Todas as coisas insignificantes estão quietas. Agora os sons insignificantes são inaudíveis. As coisas insignificantes da terra desaparecem. O universo não se constitui de nada que não do Filho de Deus, que invoca seu Pai. E a Voz de seu Pai responde em Nome do santo Nome de seu Pai. Neste relacionamento eterno e sereno, no qual a comunicação transcende de longe todas as palavras e ainda supera a profundidade e a elevação do que quer que as palavras poderiam transmitir, está a paz eterna. Em nome de nosso Pai queremos experimentar esta paz hoje. E, em Nome d'Ele, ela nos será dada.

*

COMENTÁRIO:

Meio que reprisando o comentário feito a esta lição no ano passado, porque até gosto dele, por exprimir alguns aspectos de nosso envolvimento com a percepção aos quais muitas vezes não prestamos atenção, distraídos que estamos de nós mesmos, posso dizer mais uma vez que a ideia que o Curso nos oferece para as práticas deste domingo, dia 1º de julho, tem tudo a ver com aquilo que Eckhart Tolle diz a respeito das palavras no segundo capítulo de seu livro Um Novo Mundo - O Despertar de uma Nova Consciência.

E penso que o que ele diz, como disse antes, pode inclusive ser de grande auxílio em nossas práticas com a ideia de hoje, ajudando-nos a abrir mão das palavras, conceitos e ideias preconcebidas que temos a respeito do mundo, e das coisas do mundo, em favor do uso de uma só palavra que traz em si todo o significado de todas as coisas: Deus. Lembrando-nos de que as palavras só têm o significado e o valor que cada um de nós dá a elas.

Eis o que Tolle diz: 

"As palavras, não importa se são verbalizadas e transformadas em sons ou se permanecem como pensamentos, podem lançar um encanto quase hipnótico sobre nós. É muito fácil nos perdermos por causa delas, sermos hipnotizados pela crença implícita de que, quando vinculamos um termo a alguma coisa sabemos o que ela é. A verdade é que não sabemos o que ela é. Apenas encobrimos o mistério com um rótulo. Tudo - um pássaro, uma árvore, uma simples pedra e, certamente, um ser humano - é, em última análise, incognoscível. Isto porque o que podemos perceber, experimentar, e a respeito do que podemos pensar, é a camada superficial da realidade, menos do que a ponta de um iceberg.

"(...) As palavras reduzem a realidade a algo que a mente humana é capaz de entender, o que não é muita coisa. A linguagem consiste em cinco sons básicos que se originam nas cordas vocais. Elas são as vogais a, e, i, o, u. Os outros sons são consoantes produzidas pela pressão do ar: s, f, g, e assim por diante. Você acredita que alguma combinação destes sons básicos é suficiente para explicar o que é você, o propósito supremo do universo ou até mesmo o que uma árvore ou uma pedra são em essência?" 

Ampliando um pouco o comentário, creio que as práticas com a ideia de hoje podem nos levar a compreender também o que já sabiam e sabem, no dizer de Karen Armstrong, em seu livro Em defesa de Deus, "alguns dos maiores teólogos judeus, cristãos e muçulmanos", que, "embora seja importante expressar nossas ideias sobre o divino" ..., "todas as palavras utilizadas para descrever coisas mundanas não servem para falarmos de Deus. Ele não é bom, divino, poderoso ou inteligente em qualquer sentido que possamos compreender. Não podemos sequer dizer que Deus existe, porque nosso conceito de existência é limitado demais".

É por esta razão que o próprio Curso a certa altura afirma que em alguma instância, por mais vagamente que seja, reconhecemos "que Deus é uma ideia" e que a fé n'Ele se reforça pelo compartilhar. Mais do que só isso o Curso afirma: "O que achas difícil aceitar é o fato de que, assim como teu Pai, tu és uma ideia".

Vocês não acham que isso tudo é razão suficiente para nos dedicarmos com afinco e atenção às práticas?