quinta-feira, 23 de julho de 2026

Como construir uma experiência de mundo diferente

 

LIÇÃO 204

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (184) O Nome de Deus é minha herança.

O Nome de Deus me lembra de que sou Seu Filho, não escravo do tempo, livre das leis que governam o mundo de ilusões doentias, livre em Deus, um com Ele para todo o sempre.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.


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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 204

Caras, caros,

O mundo só existe como representação e materialização de nossos pensamentos. Quer dizer, se aparentemente somos tantas pessoas no mundo, é porque nalgum momento nosso pensamento nos fez perceber que, além de nós mesmos, ou de nós mesmas, o mundo precisava ser povoado de pessoas outras que completassem aspectos nossos que não podemos perceber sozinhos, sozinhas.

É mais ou menos como, lembrando algum mito da criação, sendo deuses e deusas, nos sentíssemos sós e quiséssemos compartilhar nossa solidão, compartilhar com alguém aquilo que pensamos perceber em nós, dividir isso com alguém que nos pudesse ouvir ao menos.

Talvez seja interessante notar que, a partir desta ideia, fica mais fácil entender porque as pessoas com quem convivemos, aquelas com quem pensamos dividir nosso mundo, parecem, às vezes, viver noutro mundo que não o nosso. Parecem pensar de modo completamente diferente do nosso e materializar coisas que não podemos materializar, nem entender muitas vezes, não? Vivem à volta de nós, algumas pessoas, muitas delas, ou todas elas até, experiências inteiramente diferentes das nossas, não é mesmo?

Se nos identificamos com o que está dito aí acima, isso, acredito, também pode tornar mais fácil perceber que é possível a cada uma e a cada um de nós construir uma experiência diferente de mundo. Bastando para tanto que mudemos nossa forma de pensar. Deixando de lado impedimentos e obstáculos que interpomos à realização de alguns de nossos desejos. Aprendendo que, para algo se materializar, esse algo tem de estar firme em nossas cabeças, em nossos corações, em nossos pensamentos. Compreendendo que, por ser o mundo apenas um reflexo do que pensamos dele, podemos transformá-lo a nosso bel-prazer.

Temos todo o direito de.

A ideia que vamos praticar mais uma vez hoje em nossa revisão revela a verdadeira herança a que temos direito na - e pela - condição de filhos e filhas de Deus que somos. Ela complementa e estende a ideia das práticas de ontem. Por isso, repetindo mais uma vez o que eu já disse várias vezes antes, gostaria de lembrá-los e lembrá-las de que, assim como herdamos, de nossa família terrena, na experiência ilusória das formas e dos sentidos, um nome que é o que nos acompanha desde o nascimento até o fim de nossa existência na forma humana, o fato de sermos Filhos e Filhas de Deus também nos dá o direito de carregar o Nome d'Ele/Ela, até mesmo durante o tempo em que aparentemente permanecemos em contato com o corpo que nos serve de veículo neste mundo. 

É preciso que nos lembremos ainda de que, quando nos decidimos, de fato, a voltar nossa vida "completamente para Deus" e "colocar o reino de Deus em primeiro lugar", podemos ter a impressão de que alguns dos relacionamentos que mantínhamos antes, outros que ainda que mantemos, e que se baseiam na busca da satisfação no mundo, acabam. Ou, na melhor das hipóteses, mudam por completo.

Algumas das pessoas que conhecemos e com quem convivemos até então se afastam e mostram uma espécie de não-reconhecimento, quando não um tipo de rejeição, àquilo [à ameaça] que passamos a representar a seus egos [o falso eu, a imagem que fazem de si e a que fazem de nós], quando resolvemos aceitar nosso papel no plano de Deus para a salvação do mundo.

Uma das lições que já praticamos diz que "só o plano de Deus para a salvação funcionará". Quando reconhecemos isso, entendendo o fato de que, como também diz Thomas Keating, de quem já falamos várias vezes antes, "somente a experiência de Deus pode colocar em perspectiva todas as outras formas de prazer ou as promessas de felicidade que várias criaturas [no e do mundo] nos proporcionam". 

O que o Curso pede que façamos não é abandonar o mundo ou as coisas e pessoas e criaturas do mundo. O que ele nos pede é que olhemos para o mundo de modo diferente, que olhemos primeiro para nós mesmos e para nós mesmas para encontrar as dádivas que recebemos, a fim de que sejamos capazes de oferecê-las, da mesma forma que Deus as oferece a todos, todas, a cada um e a cada uma de nós a todo momento, todos os dias, o tempo todo.

Há ainda um texto do Curso, que também já mencionei várias outras vezes, intitulado "Estabelecer a meta" [na página 388, para quem tem o livro], que fala claramente da necessidade de tomarmos a decisão de viver para a verdade, aceitando e reconhecendo a Vontade de Deus de alegria e paz completas para nós como nossa própria vontade. Se estabelecemos a verdade como meta, toda e qualquer situação que se apresentar vai ser vivenciada como significativa para nos levar em direção a ela.

O que eu acho que posso dizer, depois desses quase trinta anos em contato com o Curso e dos quase vinte com as práticas diárias, é que quando escolhemos de verdade voltar "nossas vidas completamente para Deus" [o que significa colocar sempre o Reino de Deus em primeiro lugar],  vamos ser capazes - a partir da fidelidade a nós mesmos e a nós mesmas e a nossa decisão de praticar diariamente lembrar de Deus, em nós -, de perceber que tudo e todos a nossa volta são manifestações do mesmo divino que nos dá nossa verdadeira identidade. 

Finalmente, vamos aprender que a separação nunca existiu, não existe e não poderá jamais existir. É isso que vai nos permitir construir uma experiência de mundo diferente. Uma experiência que não exclui nada, mas que, ao contrário, inclui absolutamente tudo.

Às práticas?

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