segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Que tal uma ducha de amor nas pessoas do mundo?


LIÇÃO 24

Eu não percebo meus maiores interesses.

1. Não percebes claramente que resultado te faria feliz em nenhuma situação que surja. Por isto, tu não tens nenhum guia para a ação apropriada e nenhum modo de julgar o resultado. O que fazes é determinado por tua percepção da situação e essa percepção está errada. É inevitável, então, que não vás atender a teus maiores interesses. No entanto, eles são tua única meta em qualquer situação percebida de modo correto. De outra forma, não reconhecerás quais são eles.

2. Se te desses conta de que não percebes teus maiores interesses, poder-se-ia ensinar-te quais são eles. Mas, diante de tua convicção de que sabes quais eles são, não podes aprender. A ideia para hoje é um passo na direção da abertura de tua mente a fim de que o aprendizado possa começar.

3. Os exercícios para hoje pedem muito mais honestidade do que estás acostumado a usar. Alguns poucos sujeitos, considerados honesta e cuidadosamente em cada um dos cinco períodos de prática que devem ser empreendidos hoje, serão mais úteis do que um exame mais superficial de um número grande deles. Sugere-se dois minutos para cada um dos períodos de exame mental que os exercícios envolvem.

4. Os períodos de prática devem começar com a repetição da ideia de hoje, de olhos fechados, seguida pelo exame mental em busca de situações não resolvidas acerca das quais estejas preocupado atualmente. A ênfase deve estar em descobrir o resultado que queres. Rápido perceberás com clareza que tens em mente várias metas como parte do resultado desejado e também que essas metas estão em níveis diferentes e que, muitas vezes, são antagônicas.

5. Ao aplicares a ideia para hoje, cita cada situação que te ocorrer e depois lista cuidadosamente o maior número possível de metas que gostarias que fossem alcançadas na sua resolução. A forma de cada aplicação deve ser mais ou menos a seguinte:

Na situação que envolve _________, eu gostaria que ________
acontecesse, e que __________ acontecesse,

e assim por diante. Tenta incluir tantos tipos diferentes de resultado quantos realmente possam te ocorrer, mesmo que alguns deles não pareçam estar diretamente relacionados à situação ou que nem mesmo pertençam a ela de forma alguma.

6. Se estes exercícios forem feitos de modo correto, reconhecerás rapidamente que fazes um grande número de exigências da situação, que não têm nada a ver com ela. Também reconhecerás que muitas de tuas metas são contraditórias, que não tens nenhum resultado harmonioso em mente, e que terás de te frustrar em relação a algumas de tuas metas independentemente de como a situação se resolva.

7. Depois de examinares a lista do maior número possível de metas almejadas para cada situação não resolvida que passar por tua mente, dize a ti mesmo:

Eu não percebo meus maiores interesses.

e passa para a seguinte.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 24

Hoje, como de costume, vamos continuar a refletir e a analisar de forma aberta as possibilidades que as lições do Curso nos oferecem dia a dia. Combinado?

Em perfeita sintonia com o que o Curso ensina e também com a ideia para as nossas práticas de hoje, David Hawkins, em livro que li há algum tempo, com o qual fiquei completamente encantado e de que lhes falei também nos comentários anteriores para esta lição, diz: 

"O problema básico da humanidade é que a mente humana é incapaz de distinguir a verdade da falsidade. Ela não pode diferenciar o 'bem' do 'mal'. Sem nenhum meio para sua autoproteção, os humanos estão à mercê da falsidade em todos os seus disfarces enganadores, que desfilam como patriotismo, religião, o bem social, diversão inocente, etc."

Não lhes parece que isso é exatamente a mesma coisa que reconhecer, como a lição quer, que:

"Eu não percebo meus maiores interesses."

E muita atenção:

Os exercícios para hoje pedem muito mais honestidade do que estás acostumado a usar. Alguns poucos sujeitos, considerados honesta e cuidadosamente em cada um dos cinco períodos de prática que devem ser empreendidos hoje, serão mais úteis do que um exame mais superficial de um número grande deles. Sugere-se dois minutos para cada um dos períodos de exame mental que os exercícios envolvem.

Desde o início de nossas práticas, neste e nos anos anteriores em que começamos com os primeiros comentários traduzidos daqueles feitos por Tara Singh em um de seus livros, fomos informados da necessidade de sermos inteiramente honestos/as, principalmente em relação a nós mesmos/as e a nossa forma de ver o mundo. Pois só a partir da decisão de sermos absolutamente honestos/as é que podemos, de fato, como diz a lição de hoje, começar o processo de aprendizado. 

Enquanto caminhamos na direção que o Curso aponta com o interesse voltado para a necessidade de nosso próprio ego de justificar e avalizar os julgamentos que fazemos de coisas, de pessoas e de situações que vemos no mundo, buscando salvaguardar nossos próprios interesses, julgando que há alguma coisa de valor no mundo, ou que o mundo contém algo que de fato possamos querer, fingindo estar interessados/as em ver as coisas de modo diferente, sem acreditar que é possível, sem nos comprometermos de fato com as práticas, ainda não começamos de verdade a aceitar o ensinamento. Ao contrário, nós o estamos negando.

E, para sermos inteiramente honestos/as, para com nós mesmos/as e para com o mundo, é preciso que estejamos dispostos/as a abandonar a negação, como aconselha Hawkins: 

"Se desistirmos da negação, veremos que a falsidade, a manipulação e a distorção da verdade suprem predominantemente as tendências mais vis do homem [e da mulher] e permeiam toda a sociedade. Os jogos populares para computador [por exemplo] não são nem inocentes, nem inofensivos; são máquinas mortíferas de treinamento planejadas para enfraquecer a sensibilidade espiritual pelo condicionamento da mente para a mutilação e para a matança inconscientes." 

Agora, nos dias que correm, podemos acrescentar uma miríade de tecnologias criadas para vender a todas as pessoas a ideia de que as mentiras têm mais poder do que a verdade. Governos e governantes, aqui e em vários lugares do mundo, se associaram a uma indústria de fabricação de mentiras, que se acha capaz de conduzir, a partir das notícias que inventam e das informações que distribuem, as pessoas como se conduz um rebanho, mantendo o controle de sua forma de ver e de questionar o mundo, as notícias, as informações e as ações, ou a falta delas, para a melhoria das condições gerais de vida das pessoas.

Aquilo que vemos e lemos na mídia, qualquer forma que tome ela, o que vemos, ouvimos e compartilhamos nas redes sociais tem de passar pelo filtro da honestidade que queremos ter para com nós mesmos/as. Se nos alegramos com a ideia de provocar alguém de nossas relações apenas porque sabemos que vamos deixá-lo/a enfurecido/a ou para, como se diz, espicaçá-lo/a, compartilhando notícias e postagens carregadas de julgamento ou de mentiras fabricadas para esconder o que se passa por trás, para ocultar as verdadeiras intenções das pessoas interessadas apenas no lucro fácil às custas do empobrecimento geral, estamos, na verdade, aceitando participar do jogo do mundo de ilusões, reforçando a crença na separação e nos sentidos, ora melhores do que uns, ora piores, mas em qualquer dos casos, separados. Sempre ilusórios.

A lição começa por dizer:

Não percebes claramente que resultado te faria feliz em nenhuma situação que surja. Por isto, tu não tens nenhum guia para a ação apropriada e nenhum modo de julgar o resultado. O que fazes é determinado por tua percepção da situação e essa percepção está errada. É inevitável, então, que não vás atender a teus maiores interesses. No entanto, eles são tua única meta em qualquer situação percebida de modo correto. De outra forma, não reconhecerás quais são eles.

É isto que precisamos reconhecer e aceitar como parte da decisão de ver as coisas de modo diferente. Não podemos nos enganar, fingindo que sabemos o que não sabemos. Se vocês estiverem lembrados/as, nos últimos anos relacionei a ideia para as práticas com nossa tentativa equivocada muitas vezes de acrescentar mais líquido em uma taça cheia.

Isso não é possível! 

Para se colocar líquido novo em uma taça é preciso esvaziá-la antes. É aí que mora a relação entre a ideia de hoje e nosso modo de pensar. Por pensarmos saber o que queremos, não estamos abertos a reconhecer que não temos a menor ideia do que seria melhor para nós em praticamente nenhuma das situações com que nos defrontamos. Ou, dizendo de outro modo, como diz também Hawkins: 

"A evolução [ou desenvolvimento] espiritual acontece como resultado da remoção de obstáculos e não verdadeiramente como aquisição de qualquer coisa nova. A dedicação permite a rendição das ilusões caras e das futilidades preferidas da mente, de modo que ela se torne progressivamente mais livre e mais aberta à luz de Verdade."

É em razão disso que o Curso diz:

Se te desses conta de que não percebes teus maiores interesses, poder-se-ia ensinar-te quais são eles. Mas, diante de tua convicção de que sabes quais são eles, não podes aprender. A ideia para hoje é um passo na direção da abertura de tua mente a fim de que o aprendizado possa começar.

E é também em razão disso que a lição nos pede toda a honestidade de que somos capazes. Ou, pelo menos, muito mais honestidade do que estamos habituados/as a usar e a oferecer para reconhecer o que estamos vendo, ou o que estamos sentindo.

Em geral, temos vergonha de reconhecer que não sabemos o que fazer em determinadas situações. Ficamos embaraçados/as e nem queremos falar a respeito de determinadas coisas. Que dirá reconhecer que, em praticamente todas as situações:

Eu não percebo meus maiores interesses.

E que dizer, então,  de reconhecer e aceitar que todas as situações que se apresentam a nossa experiência são sempre a materialização de escolhas que fizemos?

Como costumo dizer, em consonância com o ensinamento do Curso, acredito, quando uma situação qualquer se apresenta a nossa experiência, precisamos em primeiro lugar reconhecer a responsabilidade que nos cabe nela. Isto é, precisamos lidar com ela, sabendo que ela só se apresentou porque a pedimos, ainda que de modo inconsciente. Não podemos resistir a ela. Isso fará com que ela continue a nos afastar da alegria, se se apresentou de um modo que não nos põe em contato direto com a alegria.

O que fazer então, se

Eu não percebo meus maiores interesses.[?]

Reconhecer que a situação é uma escolha equivocada que fizemos é o primeiro passo para mudar. Em seguida, é preciso aceitar, acolher a situação, lidar com ela, mergulhando, indo fundo no sentimento ou emoção que ela nos despertou, para, em seguida, poder considerá-la neutra e, depois, agradecer por ela se ter apresentado da forma como se apresentou. Só então é que podemos fazer uma nova escolha, quando é o caso. Mas, como podemos intuir a partir do que a lição de hoje nos diz, ao fazermos nossa escolha, precisamos ter em mente que, quase nunca, sabemos quais são nosso maiores interesses. Para buscarmos a sintonia com o divino em nós, a razão, a Voz por Deus, entregando-nos e entregando nossa escolha ao Espírito e aceitando o que quer se apresente, entendendo que, seja o que for que aconteça, o que acontecer "é a única coisa que poderia ter acontecido". E temos de ser gratos/as por isso.

Eu não percebo meus maiores interesses.  

Repetindo, as práticas que o Curso nos oferece são a melhor maneira que temos para aprender a reconhecer que não sabemos nada - não importa o que a voz do ego diz no interior de nossa cabeça. Elas, as práticas, são a melhor ajuda que podemos encontrar para abrir nossa mente para a mudança. Uma mudança que vai nos ensinar de que modo abrir mão da necessidade de ter razão e de "bater o pé", acreditando que sabemos o que é melhor para nós. São as práticas que vão nos ensinar quão libertador é abrir mão do controle, mesmo que o ego resista. Afinal, como o Curso pergunta a certa altura, "queres ter razão ou ser feliz"? E se optamos por "ter razão", podemos ter certeza de que estamos sob o domínio do ego.

Assim como nos ensinam a reconhecer que não sabemos, de fato, como escolher o melhor para nós em quase nenhuma ocasião, as práticas nos ensinam também a aceitar o resultado que vai se mostrar a nós a partir de nossa decisão de deixar a cargo do Espírito Santo a escolha do que vai nos fazer felizes e nos devolver à alegria, que é a Vontade de Deus para nós.

Reconhecer que não sabemos, como já eu disse várias vezes antes, é o primeiro passo para começar a esvaziar a taça, para permitir que ela volte a se encher, para se esvaziar de novo, se encher mais uma vez e novamente se esvaziar... Na verdade, quanto mais esvaziarmos a taça de nossa mente da pretensa sabedoria, tanto mais seremos capazes de enchê-la com o novo, com a sabedoria indizível, que não precisa de palavras para ser vista, percebida, reconhecida e vivida. Até o ponto em que podemos nos fundir com a fonte, abandonar a taça.

Às práticas?

*

ADENDO:

Este adendo traz a mesma coisa que lhes disse nos últimos anos. Repito-o, com algumas poucas modificações, por achá-lo ainda pertinente. Então, como lhes disse lá:

Já desde a oitava lição, que ensina que nunca estamos sozinhos ao experimentar os efeitos de nosso modo de olhar para o mundo - quer dizer nunca somos só que experimentamos o efeito de nosso olhar ou de nossos pensamentos -, queria adicionar um link para uma música antiga de James Taylor, que me veio à mente, nalgum momento em que fazia minha prática. Uma música que se chama "Shower the People", e que tem como refrão as frases "Shower the people you love with love, show them the way that you feel, things are gonna be just fine if you only will". 

Livremente traduzidos, este refrão e a mensagem central da letra da música querem dizer - e dizem - mais ou menos o seguinte:

Faça chover amor sobre as pessoas que você ama,
ou [Banhe as pessoas que você ama com amor, dê-lhes uma ducha de amor.] 
Mostre-lhes como você se sente
Basta você desejar - ou fazer isso - e as coisas vão funcionar perfeitamente.

E mais de acordo com o ensinamento poderíamos dizer que melhor seria se fôssemos capazes ou se buscássemos nos tornar capazes de fazer chover amor também sobre todas as pessoas que não amamos, porque, como diz Pierre Lévy - oh, não, Pierre Lévy de novo, não -, em seu livro "o fogo liberador":

"Quando nós, pessoas comuns, amamos isto e não aquilo, estamos amando apenas uma parte de nós mesmos, e esse desequilíbrio nos envolve numa queda sem fim."

Espero voltar a esta ideia numa próxima lição, num próximo comentário, para comentá-la, à luz do que o Curso nos ensina.

Na primeira vez que fiz postagem não tinha encontrado um vídeo com a letra traduzida e publiquei o link com a letra no original. Entretanto, nos comentários feitos à lição há já alguns anos, minha irmã, Nina, postou o link da música com as legendas em português, que é o que lhes ofereço abaixo. Obrigado, Nina, mais uma vez. 

https://www.youtube.com/watch?v=X2tkUAG0XrE 

E, como eu disse também nos últimos anos, pensando bem, é fácil, às vezes até demais, banhar de amor as pessoas que amamos, aquelas de quem gostamos. O desafio, como eu disse logo aí acima, é buscar banhar de amor também aquelas pessoas de quem dizemos não gostar, por esta ou aquela razão. Razões que sempre têm origem no julgamento que fazemos delas e, por consequência, de nós mesmos/as.

'Bora tentar?

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