quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Se nós não nos amarmos, nem Deus poderá nos amar

 

8. O que é o mundo real?

1. O mundo real é um símbolo, igual ao resto do que a percepção oferece. Contudo, ele representa o contrário daquilo que tu fizeste. Teu mundo é visto pelos olhos do medo e te traz à mente as evidências do horror. O mundo real não pode ser visto senão por olhos que o perdão abençoa, a fim de que eles vejam um mundo no qual o horror seja impossível e não se possa encontrar indícios de medo.

2. O mundo real possui uma contrapartida para cada pensamento infeliz que se reflete em teu mundo; uma compensação infalível para as cenas de medo e para os ruídos de luta que teu mundo contém. O mundo real apresenta um mundo visto de forma diferente, por olhos serenos e por uma mente em paz. Não há nada aí a não ser paz. Não se ouve nenhum grito de dor e de tristeza aí porque não fica nada fora do perdão. E as imagens são serenas. Só imagens felizes podem chegar à mente que se perdoa.

3. Que necessidade esta mente tem de pensamentos de morte, ataque e assassinato? O que ela pode perceber a sua volta a não ser segurança, amor e alegria? O que há para ela querer escolher condenar e o que há para ela querer julgar de modo desfavorável? O mundo que ela vê nasce de uma mente em paz consigo mesma. Não há nenhum perigo à espreita em nada do que ela vê, porque ela é benigna e só vê benignidade.

4. O mundo real é o símbolo de que o sonho de pecado e de culpa acabou, e de que o Filho de Deus já não dorme. Seus olhos despertos percebem o reflexo seguro do Amor de seu Pai; a garantia infalível de que ele está redimido. O mundo real indica o fim do tempo, pois a percepção dele torna o tempo inútil.

5. O Espírito Santo não tem nenhuma necessidade do tempo depois que o tempo cumpre o propósito d'Ele. Agora, Ele espera aquele único instante a mais para que Deus dê Seu passo final e o tempo desapareça, levando consigo a percepção enquanto se vai, e deixa apenas a verdade para ser ela mesma. Esse instante é nossa meta, porque ele contém a lembrança de Deus. E, quando olhamos para um mundo perdoado, é Ele Quem nos chama e vem para nos levar para casa, lembrando-nos de nossa Identidade, que nosso perdão nos devolve.

*

LIÇÃO 298

Eu Te amo, Pai, e amo Teu Filho.

1. Minha gratidão permite que meu amor seja aceito sem medo. E, dessa forma, sou, afinal, devolvido a minha realidade. O perdão retira tudo o que se intrometia com minha vista sagrada. E eu chego perto do fim da jornada sem sentido, de carreiras loucas e de valores artificiais. Em lugar disso, aceito o que Deus estabeleceu como meu, certo de que só nisso serei salvo; certo de que atravesso o medo para encontrar meu amor.

2. Pai, venho a Ti hoje porque não quero seguir nenhum caminho a não ser o Teu. Tu estás a meu lado. Teu caminho é seguro. E eu estou grato por Tuas dádivas de refúgio garantido e de saída para tudo o que quer esconder meu amor por Deus, meu Pai, e por Seu Filho santo.


*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 298

Caras, caros,

Hoje, como sempre, e sempre e cada vez mais, é necessário que fiquemos de olhos bem abertos a tudo e a todos. A atenção é sempre vital. É preciso que voltemos toda a atenção de que somos capazes para a ideia que o Curso nos oferece para as práticas, uma vez que, em geral, como eu já disse antes, e não poucas vezes, não estamos acostumados a declarar nosso amor a Deus. Muito menos, de forma honesta e sincera, a qualquer um de seus filhos, ou a qualquer uma de suas filhas, a quem, às vezes, dizemos amar, mas com um amor condicionado ao atendimento de certas exigências do falso eu que pensamos ser. 


Assim como diz a monja budista, Pema Chödrön, em seu livro quando tudo se desfaz, "as pessoas sempre dizem que é isso que desejam: querem amar e ser amadas incondicionalmente. Achamos que seria ótimo ter um relacionamento desse tipo, mas apenas se pudermos estabelecer nossas próprias regras" [grifo meu]. Para onde foi o "incondicional"? Aliás, o livro tem um subtítulo bastante adequado para os tempos que vivemos: Orientação para Tempos Difíceis, não acham?

Também não estamos acostumados/as a pensar que amamos a nós mesmos/as - muito menos de maneira incondicional -, ou que é preciso que nos amemos. Em geral, somos os juízes mais cruéis de nós mesmos/as. Que dirá, então, confessar que nos amamos, a não ser de forma jocosa como uma música tempo atrás, que declarava: "Eu me amo, eu me amo, não posso mais viver sem mim"?

No entanto, penso, isto não deve ser tomado em conta de brincadeira. Pois só quando formos capazes de reconhecer em nós mesmos a expressão do divino, e nos amarmos, de fato, sendo, inclusive, capazes de declarar - ainda que apenas para nós mesmos/as, que é o que importa - que nos amamos, é que estaremos declarando nosso amor a Deus.

Por esta razão, eu os convido mais uma vez a que voltemos nossa atenção para aquilo que é necessário aprendermos para alcançar o reino de Deus em nós, de acordo com o que nos instrui Joel Goldsmith em um de seus livros: O Despertar da Consciência Mística. Consciência a que também poderíamos chamar de "consciência espiritual". 

Para entendermos melhor o que significa atenção, voltar-se para o espírito, ou voltar-se para si, ou para Deus, a partir do que diz Joel, precisamos estar dispostos/as a sentar, sozinhos/as, duas ou três vezes por dia, para lembrarmos a nós mesmos/as de toda a verdade que pudermos lembrar a respeito de Deus, do reino divino, do universo divino e da criação de Deus, para depois descansarmos. N'Ele.


Quem pode nos dar esta disposição é o desejo muito grande, o desejo ardente, de conhecer o Reino de Deus e de vivê-lo. Ou como diz o Curso em texto que já lemos em grupo algumas vezes, ao tempo em que participei de alguns grupos de estudo do Curso: Estar no Reino é simplesmente focalizar tua completa atenção nele. Enquanto acreditares que podes te dedicar àquilo que não é verdadeiro, estás aceitando o conflito como tua escolha [e é óbvio vais te sentir separado do Reino]. 

Um livro que li há já algum tempo, e de que também já falei outras vezes, Dying to be me [literalmente: "morrer - ou morrendo - para ser eu"], ainda sem tradução para o Português, trata da experiência de quase-morte da autora, Anita Moorjani. A certa altura, falando acerca dos motivos que a levaram a viver tal experiência - uma das perguntas mais frequente das pessoas em suas palestras - ela diz o seguinte, resumindo a resposta em uma única palavra: medo. Isto é, falta de amor a si mesma. Pois como já vimos é impossível amar a Deus [e a si mesmo/a] e sentir medo. 

Em compensação, no estado a que ela teve acesso quando passou pela experiência, o que ela vivenciou foi a consciência do quanto ela mesma se julgou e do quanto se tratou de forma muito severa ao longo de toda a vida. E ela diz, em tradução livre que fiz:

Não havia ninguém me castigando. Compreendi finalmente que era a mim mesma que eu não tinha perdoado, não a outras pessoas. Eu era a única que me julgava, a quem tinha desamparado e a quem eu não amava o bastante. Não tinha nada a ver com ninguém. Eu me vi como uma linda criança do universo. Só o fato de eu existir me fazia merecer o amor incondicional. Percebi que eu não tinha de fazer nada para merecer isso - nem rezar, nem pedir qualquer outra coisa. Vi que eu nunca tinha me amado, me valorizado ou visto a beleza de minha própria alma.

Nem mesmo Deus nos pode amar, se nós não nos amarmos.

Precisamos aprender, reaprender, lembrar de sentir e viver como vivíamos enquanto criancinhas. Lembram-se da exortação atribuída a Jesus dizendo a seus discípulos que eles deviam ser como criancinhas? Vejam como isto tem de ser entendido a partir do que nos diz Nikos Kazantzákis, em outro livro que li recentemente:

Lembro-me que frequentemente me sentava na entrada de nossa casa, o sol brilhava, o vento queimava, em um casarão vizinho amassavam-se uvas para o preparo do vinho, o mundo cheirava a bagaço de uva, e eu fechava os olhos feliz da vida, estendia as mãos e esperava; e Deus vinha; durante minha infância, ele nunca me enganou, ele vinha criança como eu, e me colocava nas mãos os seus brinquedinhos - o sol, a lua, o vento. "É um presente para você", dizia-me, "um presente, brinque com eles; eu tenho outros brinquedos". Eu abria os olhos, Deus desaparecia, mas seus brinquedinhos ficavam em minhas mãos.

Eu possuía, embora não o soubesse e não sabia por que a vivia, a onipotência de Deus; eu criava o mundo como o queria. Eu era uma massa moldável, o mundo também era uma massa moldável... 


Continua a ser,, hoje, para todos e todas nós como sempre o foi, e como será até o fim dos temposAfinal, o mundo só existe como representação materializada aparentemente dos desejos e crenças e medos que trazemos dentro de nós.

A seguir, dou-lhes novamente aquela pequena oração/meditação de Goldsmith, para que exercitemos manifestar nosso desejo pelo Reino. Um desejo que tem necessariamente de reconhecer como verdadeira a declaração que nos pede para fazer a ideia para as práticas de hoje:

Pai, agora, fala. Estou pronto para ouvir Tua Voz. Estou receptivo a Tua Presença. Tenho só um desejo - não é daqui de fora. Não estou interessado em conseguir emprego, posição, riqueza, fama, fortuna ou felicidade - nem mesmo paz, nem mesmo segurança. Meu único desejo nesta vida é Te conhecer. Este é meu único desejo. Entrego a Ti, Pai, este mundo inteiro. Devolvo-Te todos e todas as coisas que estão nele. Deixa-me apenas Te ter em mim. Já não peço graças para mim mesmo ou para qualquer outra pessoa. Deixa-me apenas Te conhecer. 

Às práticas?


terça-feira, 24 de outubro de 2023

Só a nós mesmos/as precisamos perdoar. E sempre.

 

8. O que é o mundo real?

1. O mundo real é um símbolo, igual ao resto do que a percepção oferece. Contudo, ele representa o contrário daquilo que tu fizeste. Teu mundo é visto pelos olhos do medo e te traz à mente as evidências do horror. O mundo real não pode ser visto senão por olhos que o perdão abençoa, a fim de que eles vejam um mundo no qual o horror seja impossível e não se possa encontrar indícios de medo.

2. O mundo real possui uma contrapartida para cada pensamento infeliz que se reflete em teu mundo; uma compensação infalível para as cenas de medo e para os ruídos de luta que teu mundo contém. O mundo real apresenta um mundo visto de forma diferente, por olhos serenos e por uma mente em paz. Não há nada aí a não ser paz. Não se ouve nenhum grito de dor e de tristeza aí porque não fica nada fora do perdão. E as imagens são serenas. Só imagens felizes podem chegar à mente que se perdoa.

3. Que necessidade esta mente tem de pensamentos de morte, ataque e assassinato? O que ela pode perceber a sua volta a não ser segurança, amor e alegria? O que há para ela querer escolher condenar e o que há para ela querer julgar de modo desfavorável? O mundo que ela vê nasce de uma mente em paz consigo mesma. Não há nenhum perigo à espreita em nada do que ela vê, porque ela é benigna e só vê benignidade.

4. O mundo real é o símbolo de que o sonho de pecado e de culpa acabou, e de que o Filho de Deus já não dorme. Seus olhos despertos percebem o reflexo seguro do Amor de seu Pai; a garantia infalível de que ele está redimido. O mundo real indica o fim do tempo, pois a percepção dele torna o tempo inútil.

5. O Espírito Santo não tem nenhuma necessidade do tempo depois que o tempo cumpre o propósito d'Ele. Agora, Ele espera aquele único instante a mais para que Deus dê Seu passo final e o tempo desapareça, levando consigo a percepção enquanto se vai, e deixa apenas a verdade para ser ela mesma. Esse instante é nossa meta, porque ele contém a lembrança de Deus. E, quando olhamos para um mundo perdoado, é Ele Quem nos chama e vem para nos levar para casa, lembrando-nos de nossa Identidade, que nosso perdão nos devolve.

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LIÇÃO 297

O perdão é a única dádiva que dou.

1. O perdão é a única dádiva que dou, porque ele é a única dádiva que quero. E tudo o que dou, dou a mim mesmo. Esta é a fórmula básica da salvação. E eu, que quero ser salvo, quero fazê-la minha, para que ela seja o modo como vivo em um mundo que precisa de salvação, e que será salvo quando eu aceitar a Expiação para mim mesmo.

2. Pai, quão seguros são Teus caminhos; quão seguro o resultado final deles, e quão confiantemente já está estabelecido cada passo de minha salvação, e realizado por Tua graça. Graças sejam dadas a Ti por Tuas dádiva eternas, e graças Te dou por minha Identidade.


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COMENTÁRIO:



Explorando a LIÇÂO 297

Caras, caros, 

A ideia que o Curso nos oferece para as práticas de hoje, como eu já disse antes, está relacionada de modo direto à mensagem central de Jesus, a serem verdadeiros os relatos trazidos até nós de sua passagem por este mundo, ainda que herdados dos filtros de outros que não os que conviveram com ele pessoalmente. A se acreditar que ele tenha realmente existido e exercido o papel que a igreja deu a ele. E qual foi esta mensagem central? O perdão, a tudo e a todos, sem sombra de dúvida. 

As práticas com a ideia de hoje também estão intrinsecamente ligadas ao que foi central na vida e mensagem de São Francisco de Assis, o homem que, no seu próprio tempo, também foi capaz de viver em sua vida a mensagem ligada à mensagem central de Jesus, pelas informações que temos de historiadores e estudiosos da vida e da obra do santo.

Assim, aproveitemos para nos lembrar uma vez mais do comentário feito a esta lição em anos anteriores. Voltemo-nos para São Francisco e para o que ele diz em sua oração, conhecida mundialmente.  Pois, se ouvirmos, de fato, o que ele diz em sua oração, aliando suas palavras à ideia que praticamos hoje, vamos ser capazes de aprender, de fato, que "é [só] perdoando que se é perdoado", e que tudo o que precisamos fazer para obter aquilo que queremos obter é, em primeiro lugar, oferecê-lo. 


Também é importante lembrar que, como o Curso, ensina, em qualquer circunstância, só perdoamos a nós mesmos/as. Porque é só a nós mesmos/as que é necessário perdoar. Se vocês estiverem lembrados/as do que ensina o Dr. Hew Len, a respeito do ho'oponopono, tudo o que precisamos fazer é perdoar-nos pelos equívocos de nossa percepção, pois são eles, os equívocos, que povoam o mundo perceptível de erros que, na verdade, não existem. A não ser em nossa interpretação do que vemos no mundo. No nosso julgamento do que vemos, pode-se dizer.

Como eu já disse antes também, Leonardo Boff, em seu livro A Oração de São Francisco, começa sua mensagem a respeito da frase "É perdoando que se é perdoado" dizendo que: "Uma das dimensões mais surpreendentes e até escandalosas da mensagem de Jesus é o anúncio de que seu Deus é um Deus de amor incondicional e de irrestrita misericórdia. [Um Deus que] Oferece a todos o seu amor e o seu perdão, mesmo quando não [Se] depara com a contrapartida deste amor. [Um Deus que] Ama até 'os ingratos e maus' "(Lc 6, 35).

Há ainda na mesma oração mais uma referência ao perdão que diz "onde houver ofensa, que eu leve o perdão". Repetindo: para fazer isto, é preciso que estejamos dispostos/as a seguir a orientação do Curso e buscar um modo diferente de olhar para o mundo. Pois não há nenhuma dúvida de que para se "ver verdadeiramente" é preciso que se queira "verdadeiramente" ver. Ou não conhecemos o ditado: "o pior cego é o que não quer ver"? É para que aprendamos também a querer ver que o Curso nos oferece estas práticas diárias.

Quando nos decidirmos, de fato, a olhar para o mundo de modo diferente, aprenderemos a eliminar a pouco e pouco o julgamento que fazemos daquilo que vemos. Este é o caminho que vai nos oferecer a visão de um mundo perdoado.

E que tal lembrar da Oração de São Francisco mais uma vez?

Senhor,
Fazei-me um instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre,
Fazei que eu procure mais consolar, que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado,
Pois é dando que se recebe,
É perdoando que se é perdoado,
E é morrendo que se vive para a vida eterna.

Às práticas?


segunda-feira, 23 de outubro de 2023

A neutralidade do corpo deve ser estendida ao mundo

 

8. O que é o mundo real?

1. O mundo real é um símbolo, igual ao resto do que a percepção oferece. Contudo, ele representa o contrário daquilo que tu fizeste. Teu mundo é visto pelos olhos do medo e te traz à mente as evidências do horror. O mundo real não pode ser visto senão por olhos que o perdão abençoa, a fim de que eles vejam um mundo no qual o horror seja impossível e não se possa encontrar indícios de medo.

2. O mundo real possui uma contrapartida para cada pensamento infeliz que se reflete em teu mundo; uma compensação infalível para as cenas de medo e para os ruídos de luta que teu mundo contém. O mundo real apresenta um mundo visto de forma diferente, por olhos serenos e por uma mente em paz. Não há nada aí a não ser paz. Não se ouve nenhum grito de dor e de tristeza aí porque não fica nada fora do perdão. E as imagens são serenas. Só imagens felizes podem chegar à mente que se perdoa.

3. Que necessidade esta mente tem de pensamentos de morte, ataque e assassinato? O que ela pode perceber a sua volta a não ser segurança, amor e alegria? O que há para ela querer escolher condenar e o que há para ela querer julgar de modo desfavorável? O mundo que ela vê nasce de uma mente em paz consigo mesma. Não há nenhum perigo à espreita em nada do que ela vê, porque ela é benigna e só vê benignidade.

4. O mundo real é o símbolo de que o sonho de pecado e de culpa acabou, e de que o Filho de Deus já não dorme. Seus olhos despertos percebem o reflexo seguro do Amor de seu Pai; a garantia infalível de que ele está redimido. O mundo real indica o fim do tempo, pois a percepção dele torna o tempo inútil.

5. O Espírito Santo não tem nenhuma necessidade do tempo depois que o tempo cumpre o propósito d'Ele. Agora, Ele espera aquele único instante a mais para que Deus dê Seu passo final e o tempo desapareça, levando consigo a percepção enquanto se vai, e deixa apenas a verdade para ser ela mesma. Esse instante é nossa meta, porque ele contém a lembrança de Deus. E, quando olhamos para um mundo perdoado, é Ele Quem nos chama e vem para nos levar para casa, lembrando-nos de nossa Identidade, que nosso perdão nos devolve.

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LIÇÃO 296

O Espírito Santo fala por meu intermédio hoje.

1. O Espírito Santo precisa de minha voz hoje, para que o mundo inteiro possa ouvir Tua Voz e escutar Tua Palavra por intermédio de mim. Estou decidido a deixar que Tu fales por meio de mim, pois não quero nenhuma palavra a não ser as Tuas e não quero ter nenhum pensamento que esteja separado dos Teus, pois só os Teus são verdadeiros. Eu quero ser o salvador do mundo que fiz. Pois, tendo-o amaldiçoado, quero libertá-lo, para poder achar saída e ouvir a Palavra que Tua Voz sagrada vai dizer para mim hoje.

2. Hoje ensinamos aquilo que precisamos aprender, e só isso. E, por isso, a meta de nosso aprendizado se torna uma meta sem conflitos e pode ser facilmente alcançada e realizada. Quão alegremente o Espírito Santo vem para nos resgatar do inferno, quando permitimos que Seu ensinamento, por nosso intermédio, convença o mundo a buscar e a achar o caminho natural para Deus.


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COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 296

Caras, caros,

A certa altura, ainda no início do livro The Power of Intention [A Força da Intenção, na versão em Português], de que lhes falei no comentário de ontem, Wayne Dyer diz o seguinte:

"Em qualquer [dado] instante no tempo, todo o Espírito está concentrado no ponto em que focalizas tua atenção. Por isso, tu podes combinar [e pôr em ação] toda a energia criativa num dado momento no tempo [qualquer que seja ele]. Isso é teu livre arbítrio em ação."

A ideia que praticamos hoje é, de certa forma, expressão disto mesmo de que fala Dyer. Isto é, quando nossa atenção está focalizada por inteiro no divino interior, é o divino que se manifesta [e fala, e age] por nosso intermédio. E é a partir do divino que funcionamos e vemos funcionar tudo no mundo.

O que acontece, como  eu já disse outras vezes, é que, em geral, andamos pelo mundo, e pela vida, distraídas e distraídos de nós mesmas, de nós mesmos, do divino em nós mesmas, em nós mesmos, bombardeadas, bombardeados, que somos o tempo todo pelas mensagens do falso eu. Aquele "eu" - ego, a imagem que temos de nós - que construímos a partir de todos os equívocos que o mundo ensina, e nos quais, equivocadas e equivocados, nós acreditamos.

O que precisamos fazer é perceber claramente que a neutralidade do corpo deve ser estendida ao mundo e que podemos fazer isso também com o nosso olhar, se o entregarmos ao divino em nós, se deixarmos nossa visão do mundo a cargo do Espírito Santo, abandonando por completo a ideia que construímos a respeito de quem, ou do que, somos, a que nos referimos como "eu", este "eu" a que o Curso chama de ego.

As crenças que temos e que dão existência ao ego e a todos os seus-nossos equívocos são, de acordo com Wayne Dyer, as seguintes:

1. Eu sou o que tenho. Minhas posses me definem.

2. Eu sou o que faço. Minhas conquistas me definem.

3. Eu sou o que os outros pensam de mim. Minha reputação me define.

4. Eu estou separado/a de todos. Meu corpo e só meu corpo me define.

5. Eu estou separado/a de tudo o que está faltando em minha vida. O espaço de minha vida está desligado de meus desejos.

6. Eu estou separado/a de Deus. Minha vida depende do estabelecimento de meu valor por Deus [um Deus que existe fora de mim].

É, pois, para nos livrarmos de uma, duas, três, ou de todas estas crenças que praticamos hoje. Assim como é para isto que o Curso nos oferece todas as ideias que praticamos. Pois não importa o quanto tentemos, não podemos chegar ao Espírito, ou desenvolver a visão amorosa d'Ele em nós, ou permitir que Ele fale por nós, a partir dos sentidos e da percepção do corpo, ou do ego, que não consegue, nem quer, ver a neutralidade do corpo ou dos sentidos.

Para que o Espírito fale por intermédio de nós, é necessário que nos rendamos a Ele, com disciplina, sabedoria e amor, e também perseverança e persistência, para que sejamos constantes e consistentes nas práticas. E isto, é claro, só as práticas diárias podem nos dar. 

Às práticas?


domingo, 22 de outubro de 2023

A diversidade, ao invés de separar, é o que nos une

 

8. O que é o mundo real?

1. O mundo real é um símbolo, igual ao resto do que a percepção oferece. Contudo, ele representa o contrário daquilo que tu fizeste. Teu mundo é visto pelos olhos do medo e te traz à mente as evidências do horror. O mundo real não pode ser visto senão por olhos que o perdão abençoa, a fim de que eles vejam um mundo no qual o horror seja impossível e não se possa encontrar indícios de medo.

2. O mundo real possui uma contrapartida para cada pensamento infeliz que se reflete em teu mundo; uma compensação infalível para as cenas de medo e para os ruídos de luta que teu mundo contém. O mundo real apresenta um mundo visto de forma diferente, por olhos serenos e por uma mente em paz. Não há nada aí a não ser paz. Não se ouve nenhum grito de dor e de tristeza aí porque não fica nada fora do perdão. E as imagens são serenas. Só imagens felizes podem chegar à mente que se perdoa.

3. Que necessidade esta mente tem de pensamentos de morte, ataque e assassinato? O que ela pode perceber a sua volta a não ser segurança, amor e alegria? O que há para ela querer escolher condenar e o que há para ela querer julgar de modo desfavorável? O mundo que ela vê nasce de uma mente em paz consigo mesma. Não há nenhum perigo à espreita em nada do que ela vê, porque ela é benigna e só vê benignidade.

4. O mundo real é o símbolo de que o sonho de pecado e de culpa acabou, e de que o Filho de Deus já não dorme. Seus olhos despertos percebem o reflexo seguro do Amor de seu Pai; a garantia infalível de que ele está redimido. O mundo real indica o fim do tempo, pois a percepção dele torna o tempo inútil.

5. O Espírito Santo não tem nenhuma necessidade do tempo depois que o tempo cumpre o propósito d'Ele. Agora, Ele espera aquele único instante a mais para que Deus dê Seu passo final e o tempo desapareça, levando consigo a percepção enquanto se vai, e deixa apenas a verdade para ser ela mesma. Esse instante é nossa meta, porque ele contém a lembrança de Deus. E, quando olhamos para um mundo perdoado, é Ele Quem nos chama e vem para nos levar para casa, lembrando-nos de nossa Identidade, que nosso perdão nos devolve.

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LIÇÃO 295

Hoje o Espírito Santo olha através de mim.

1. Cristo pede para usar meus olhos hoje para, desta forma, redimir o mundo. Ele pede esta dádiva para poder me oferecer paz de espírito e afastar todo o medo e toda a dor. E, quando se afastam de mim, os sonhos que eles pareciam depositar sobre o mundo desaparecem. A redenção tem de ser única. Quando sou salvo, o mundo é salvo comigo. Pois todos nós temos de ser redimidos juntos. O medo se apresenta de muitas formas diferentes, mas o amor é um só.

2. Meu Pai, Cristo me pediu uma dádiva, e uma dádiva que dou para que ela me seja dada. Ajuda-me a usar os olhos de Cristo hoje, para, deste modo, permitir que o Espírito Santo abençoe todas as coisas sobre as quais eu venha a pousar me olhar, para que Seu Amor misericordioso possa permanecer em mim.


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COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 295

Caras, caros,

Preparei-me hoje, mais uma vez, para fazer um comentário diferente daqueles que fiz em anos anteriores para esta mesma lição, mas, de novo, em função da leitura do livro The Power of Intention [A Força da Intenção], de Wayne Dyer, de que lhes falei há algum tempo, achei que valia a pena manter a mesma linha de raciocínio que ele tem para chamar a atenção de vocês novamente para a necessidade de que estejamos sempre atentas, atentos, para questionar toda e qualquer informação que chegue até nós. 

Se voltarmos um pouquinho que seja de nossa atenção a uma ou duas das ideias que praticamos nos últimos poucos dias, veremos que elas nos aconselham, entre outras coisas, a esquecer o passado de meu irmão, ou irmã, ou que nos dizem que o passado passou, se foi, e não pode nos tocar. Há ainda uma que nos aconselha a praticarmos ver só a felicidade deste momento.

Assim, como eu disse anteriormente - isto é, nos comentários que estou meio que repetindo -, refletindo a respeito dessas ideias de dias atrás, não há como não pensar no fato de que, conscientes disso ou não, ainda nos debatemos, hoje, em tentativas de encontrar novas interpretações para as palavras que, atribuídas a Jesus, chegaram até nós, ditas há mais de 2.000 anos. Mesmo àquelas que, de verdade, não podem ter sido ditas por ele. E também pelas que certamente, pelo que se sabe dele - e acreditando que ele, de fato, existiu -, ele diria ou poderia ter dito. A se considerar que o Jesus histórico, de quem tão pouco se conhece, teve realmente o papel que a Igreja constituída com base em sua figura lhe atribui, o que é bastante passível de muita dúvida. 

Penso, porém, que devem ser muito poucos os que se perguntam: - Quem pode garantir que o que ele disse mesmo seja o que os escritos e escritores nos trouxeram ao longo do tempo? Quem pode nos garantir que existiu mesmo "o homem-Deus" que a Igreja nos quer vender até hoje? Há muitos estudiosos, não-teólogos e teólogos também, que acreditam que a Igreja "inventou" este Jesus de que falamos hoje. Inclusive a história toda de crucificação e ressurreição. E vocês, o que pensam a este respeito?


Pode-se até pensar que a Igreja se constituiu em cima das ditas "fake news", ou notícias falsas, fabricada para atender os interesses dos poderosos ao longo de várias épocas e crises por que passou o dito cristianismo. Tal como os poderosos de hoje fabricam notícias para manterem seu poder sobre todas as pessoas que, sem acesso a uma educação do tipo que busca tornar livre os educandos e educandas, sucumbem ao mando dos que dizem saber.

E que dizer, então, dos textos de que nos valemos até hoje e que são muito mais antigos do que os ditos "evangelhos" do Novo Testamento que o cristianismo nos legou?

Não estaremos todos sugestionados por uma história, no caso da Igreja e de Jesus, que foi sendo escrita apenas para atender aos interesses de uns poucos que queriam exercer algum poder sobre um grande número de pessoas, condicionando-as a este ou àquele comportamento, sob a ameaça de uma condenação a um castigo eterno e permanente após a morte do corpo? Uma possibilidade inconcebível, na verdade. Afinal, os registros todos que temos são feitos, ou foram feitos, por apenas cerca de meia dúzia de pessoas, que nos contam o que viram de acordo com sua percepção. Será que outras testemunhas não diriam coisas diferentes?

Um dos livros que li a respeito dos textos que chegaram até nós diz que: "Quem quer que lesse um livro na Antiguidade nunca estava cem por cento seguro de que estava lendo o que o autor escrevera. Palavras podiam ter sido trocadas. E, de fato, eram, mesmo que só um pouco".

E por quê? Porque "as pessoas que reproduziam textos por todo o império [romano] não eram, normalmente, aquelas que queriam ler os textos. Os copistas, em geral, reproduziam os textos para outros", e sempre por encomenda.

Assim, remetendo a Orígenes, afirma o autor que muitas vezes "as diferenças entre os manuscritos se tornaram gritantes, ou pela negligência de algum copista ou pela audácia perversa de outros; ou eles descuidavam de verificar o que transcreveram ou no processo de verificação acrescenta[va]m ou apaga[va]m trechos, como mais lhes agrad[ass]e".

Somos sugestionáveis! Mas, sabendo disso, não lhes parece ser mais fácil olhar para tudo e questionar os mapas que nos estão apresentando, perguntando-nos, ou a quem os oferece a nós, se eles têm alguma a coisa a ver, de fato, com a geografia do caminho que queremos trilhar ou se não serão apenas mais alguns instrumentos destinados a nos indicar a direção errada, ou uma direção que atenda somente aos interesses dos fazedores e vendedores de mapas? 


Quem nos garante que de fato estamos fazendo só aquilo que queremos, de verdade, fazer? Quem pode nos dar a certeza de que não estamos apenas funcionando como títeres, marionetes manipuladas por cordões [as falsas informações, por exemplo, ou o "marketing" de todos os produtos que querem que compremos], por que iludidos/as por uma liberdade que nos venderam como "a liberdade", mas que no fundo só permite que multipliquemos as ações que atendem a interesses que não são nossos verdadeiramente?

É claro que este comentário poderia ser muito mais extenso, dada a imensa gama de possibilidades e de questões que ele suscita. Mas deveria? O que quero com ele é apenas chamar sua atenção para o fato de que não pode ser senão por meio do Espírito Santo, do divino em nós [alguns podem preferir chamar isso de consciência], que poderemos ter acesso à verdade a respeito de nós mesmas, de nós mesmos, e do que somos de fato.

E é para isto que nos orienta a ideia das práticas de hoje. Pois, ainda de acordo com o livro de que falava acima, "... o único modo de entender o que um autor quer dizer é conhecer o que suas palavras - todas as suas palavras - realmente querem dizer". E quero crer que conhecer significa acolher as palavras experimentalmente, ou seja, encontrar seu eco dentro de nós mesmas, de nós mesmos, como expressão do divino em nós. Divino que compartilhamos com quem escreve o que lemos.

Há, porém, que nos lembrarmos de que, além disso, todas as palavras estão sempre sujeitas a milhares de interpretações, que variam de acordo com o interesse, com o objetivo e com a experiência de quem quer que esteja lidando com elas. E, mesmo que venhamos a conhecer "todas as palavras" de um autor, o que elas "realmente" querem dizer está além de nossa percepção. E muitas vezes até além da percepção do próprio autor. [Lembram-se da diferença entre percepção e conhecimento?]

Qualquer um, que não o autor, pode se identificar com as palavras dele, pode concordar com o que ele diz, pode discordar e pode até mesmo entender o que ele diz como não tendo absolutamente nada a ver com a realidade de que ele fala, pelo menos não com a realidade da forma com que a vê este leitor discordante.

No entanto, se emprestarmos nossos ouvidos interiores ao Espírito Santo, para tentar ouvi-Lo a partir da compreensão amorosa do divino em nós, é bastante provável que cheguemos à comunicação perfeita. É bem provável que cheguemos a comungar com o(s) outro(s), partilhando o entendimento de que somos um, e de que a diversidade, ao invés de nos separar, nos une, e enriquece nossa experiência dando-lhe uma variedade de matizes e cores e sons e melodias que ela não teria em muitas circunstâncias, vistas apenas com os olhos do corpo, ouvidas apenas com os ouvidos do corpo. Sentidas apenas com os sentidos do humano em nós. 


Às práticas?


sábado, 21 de outubro de 2023

"Ninguém tem a licença de fazer medo nos outros..."

 

8. O que é o mundo real?

1. O mundo real é um símbolo, igual ao resto do que a percepção oferece. Contudo, ele representa o contrário daquilo que tu fizeste. Teu mundo é visto pelos olhos do medo e te traz à mente as evidências do horror. O mundo real não pode ser visto senão por olhos que o perdão abençoa, a fim de que eles vejam um mundo no qual o horror seja impossível e não se possa encontrar indícios de medo.

2. O mundo real possui uma contrapartida para cada pensamento infeliz que se reflete em teu mundo; uma compensação infalível para as cenas de medo e para os ruídos de luta que teu mundo contém. O mundo real apresenta um mundo visto de forma diferente, por olhos serenos e por uma mente em paz. Não há nada aí a não ser paz. Não se ouve nenhum grito de dor e de tristeza aí porque não fica nada fora do perdão. E as imagens são serenas. Só imagens felizes podem chegar à mente que se perdoa.

3. Que necessidade esta mente tem de pensamentos de morte, ataque e assassinato? O que ela pode perceber a sua volta a não ser segurança, amor e alegria? O que há para ela querer escolher condenar e o que há para ela querer julgar de modo desfavorável? O mundo que ela vê nasce de uma mente em paz consigo mesma. Não há nenhum perigo à espreita em nada do que ela vê, porque ela é benigna e só vê benignidade.

4. O mundo real é o símbolo de que o sonho de pecado e de culpa acabou, e de que o Filho de Deus já não dorme. Seus olhos despertos percebem o reflexo seguro do Amor de seu Pai; a garantia infalível de que ele está redimido. O mundo real indica o fim do tempo, pois a percepção dele torna o tempo inútil.

5. O Espírito Santo não tem nenhuma necessidade do tempo depois que o tempo cumpre o propósito d'Ele. Agora, Ele espera aquele único instante a mais para que Deus dê Seu passo final e o tempo desapareça, levando consigo a percepção enquanto se vai, e deixa apenas a verdade para ser ela mesma. Esse instante é nossa meta, porque ele contém a lembrança de Deus. E, quando olhamos para um mundo perdoado, é Ele Quem nos chama e vem para nos levar para casa, lembrando-nos de nossa Identidade, que nosso perdão nos devolve.

*

LIÇÃO 294

Meu corpo é uma coisa inteiramente neutra.

1. Eu sou um Filho de Deus. E posso ser outra coisa também? Deus criou o mortal e o perecível? Que utilidade tem para o Filho amado de Deus aquilo que tem de morrer? E, não obstante, uma coisa neutra não percebe a morte, pois não se investe pensamentos de medo aí, tampouco se coloca um arremedo de amor sobre ela. Sua neutralidade a protege enquanto tiver uma utilidade. E, mais tarde, ela é abandonada. Ela não está doente, nem velha, nem ferida. Ela só não tem mais função, é desnecessária e é dispensada. Permite que eu não a veja como mais do que isso hoje, útil por algum tempo e própria para atender a uma necessidade, para manter sua utilidade enquanto puder ser útil e para ser substituída então por um bem maior.

2. Pai, meu corpo não pode ser Teu Filho. E aquilo que não é criado não pode ser pecador nem inocente; nem bom nem mau. Permite, então, que eu use este sonho para ajudar em Teu plano, a fim de que despertemos de todos os sonhos que fizemos.


*

COMENTÁRIO:


Explorando a Lição 294

Caras, caros,

Repetindo.

A ideia para nossas práticas de hoje traz para reflexão o tema da neutralidade do corpo. E, se voltarmos nossa atenção para o que as primeiras lições nos ensinaram, haveremos de lembrar que o Curso diz que é sempre só nós mesmos/as que damos valor, ou atribuímos significado, ao que vemos. Pois o mundo - e tudo o que há nele, inclusive nossos corpos - é neutro.

É por isso que o Curso, numa das lições da primeira parte do livro de exercícios, em certo momento nos aconselha: "Esquece-te deste mundo, esquece-te deste curso e vem com as mãos totalmente vazias ao teu Deus". A Deus em ti mesmo/a. Isto é, vale dizer, volta-te apenas para dentro de ti, esvazia tua mente de qualquer desejo e de qualquer intenção e experimentarás Deus, pois não há nada real a não ser Ele. 

O próprio Curso, porém, diz que é mais fácil acreditares que Deus é uma ideia do que acreditares que tu mesmo/a és uma ideia. E uma ideia de algo que inventaste em tuas fantasias a respeito da separação e que pensas que é o que tu és. Algo que existe apenas em tua imaginação: o ego, um falso eu, a imagem que fazes de ti mesmo/a para te relacionares com o mundo.

Enquanto ainda estivermos, de alguma maneira, sob a influência desse falso eu [o ego] - o que quer dizer que ainda damos importância às formas, aos sentidos e à percepção -, vamos acreditar que eles, os sentidos e a percepção, podem ser meios de encontrar a felicidade e a alegria plenas neste mundo, e mesmo este curso pode vir a ser - e de fato é - usado pelo ego para nos confundir. 

Assim, como eu já disse antes, precisamos aprender a abandonar quaisquer medos que tenhamos do destino que está reservado aos corpos, como a quaisquer outros veículos de comunicação e instrumentos de que nos valemos para viver aqui.

Precisamos também aprender, e incluir em nossa experiência, a convicção de que o "corpo é uma coisa inteiramente neutra", conforme o Curso ensina, e que, por isso, não há razão para que ninguém nos queira ensinar a temer sua perda. 


Lembremo-nos, então, mais uma vez do que nos ensina João Guimarães Rosa, pela voz do jagunço Riobaldo, do Grande Sertão: Veredas, já citado outras vezes:

"... enquanto houver no mundo um vivente medroso, um menino tremor, todos perigam - o contagioso. Mas ninguém tem a licença de fazer medo nos outros, ninguém tenha. O maior direito que é meu - o que quero e sobrequero -: é que ninguém tem o direito de fazer medo em mim."


Tanto isto é verdade que nem o Próprio Deus nos impede de fazer qualquer coisa que queiramos. Nem nos julga, nem nos quer punir - nem pune - e castigar por qualquer crença que tenhamos. Nem mesmo quando, equivocadamente, nos acreditamos separados/as d'Ele, repetindo em parte comentários anteriores para esta mesma lição.

Às práticas?

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

O EU SOU IMUTÁVEL está sempre conosco, em nós

 

8. O que é o mundo real?

1. O mundo real é um símbolo, igual ao resto do que a percepção oferece. Contudo, ele representa o contrário daquilo que tu fizeste. Teu mundo é visto pelos olhos do medo e te traz à mente as evidências do horror. O mundo real não pode ser visto senão por olhos que o perdão abençoa, a fim de que eles vejam um mundo no qual o horror seja impossível e não se possa encontrar indícios de medo.

2. O mundo real possui uma contrapartida para cada pensamento infeliz que se reflete em teu mundo; uma compensação infalível para as cenas de medo e para os ruídos de luta que teu mundo contém. O mundo real apresenta um mundo visto de forma diferente, por olhos serenos e por uma mente em paz. Não há nada aí a não ser paz. Não se ouve nenhum grito de dor e de tristeza aí porque não fica nada fora do perdão. E as imagens são serenas. Só imagens felizes podem chegar à mente que se perdoa.

3. Que necessidade esta mente tem de pensamentos de morte, ataque e assassinato? O que ela pode perceber a sua volta a não ser segurança, amor e alegria? O que há para ela querer escolher condenar e o que há para ela querer julgar de modo desfavorável? O mundo que ela vê nasce de uma mente em paz consigo mesma. Não há nenhum perigo à espreita em nada do que ela vê, porque ela é benigna e só vê benignidade.

4. O mundo real é o símbolo de que o sonho de pecado e de culpa acabou, e de que o Filho de Deus já não dorme. Seus olhos despertos percebem o reflexo seguro do Amor de seu Pai; a garantia infalível de que ele está redimido. O mundo real indica o fim do tempo, pois a percepção dele torna o tempo inútil.

5. O Espírito Santo não tem nenhuma necessidade do tempo depois que o tempo cumpre o propósito d'Ele. Agora, Ele espera aquele único instante a mais para que Deus dê Seu passo final e o tempo desapareça, levando consigo a percepção enquanto se vai, e deixa apenas a verdade para ser ela mesma. Esse instante é nossa meta, porque ele contém a lembrança de Deus. E, quando olhamos para um mundo perdoado, é Ele Quem nos chama e vem para nos levar para casa, lembrando-nos de nossa Identidade, que nosso perdão nos devolve.

*

LIÇÃO 293

Todo o medo passou e só existe amor aqui.

1. Todo o medo passou porque sua fonte acabou e todos os seus pensamentos acabaram com ela. O amor, cuja Fonte está aqui para todo o sempre, fica sendo o único estado presente. O mundo pode parecer alegre e puro, e seguro e acolhedor, com todos os meus erros do passado a pressioná-lo e a me mostrarem formas distorcidas de medo? No presente, porém, é fácil de se reconhecer o amor, e seus efeitos são visíveis. O mundo inteiro brilha como reflexo de sua luz sagrada e eu percebo, por fim, um mundo perdoado.

2. Pai, não deixes que Teu mundo sagrado fuja de minha vista hoje. Nem deixes que meus ouvidos fiquem surdos aos hinos de gratidão que o mundo canta sob os sons do medo. Existe um mundo verdadeiro que o presente mantém a salvo de todos os erros anteriores. E eu quero ver só este mundo diante de meus olhos hoje.


*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 293

Caras, caros,

Vamos estender nossa reflexão  de hoje com a ideia que o Curso nos oferece para as práticas, pensando um pouco a respeito de quais seriam nossos impedimentos para uma vida plena de alegria, de saúde, de paz, em sintonia com o divino em nós mesmas, em nós mesmos. 

Vamos lá, então. 

Os obstáculos e questões que nos impedem de seguir adiante, vivendo apenas um momento de cada vez, não existem senão em nossa cabeça. São nossos próprios pensamentos que, projetados, transformam o caminho em uma via pedregosa, cheia de curvas, de desvios, de perigos e de acidentes.

"Se" - pensamos - "as coisas fossem só um pouquinho diferentes tudo seria muito melhor". Esquecemo-nos de que as coisas são neutras, as próprias pessoas com quem convivemos são neutras. O mundo, e tudo o que ele contém, recebe apenas e tão-somente o significado que damos a ele.

Não existe "se" a não ser quando nos amarramos a um ou mais julgamentos que fazemos de nós mesmas, de nós mesmos, e há que nos lembrarmos sempre de que quando apontamos o dedo para alguém, os outros três dedos de nossas mãos se voltam irremediavelmente para nós mesmas, nós mesmos.  Nada, absolutamente nada, do que existe e vemos pode mudar a menos que nós mudemos. Nenhum "se" pode vir a atrapalhar o caminho que traçamos e nos propomos a viver, quando nossa decisão se baseia naquilo que, em nós, sabe-nos maior do que o que vemos em nós, na imagem que construímos de nós mesmas, de nós mesmos, maior do que o corpo que nos carrega e serve de veículo de comunicação e interação com todas as outras pessoas e com o mundo.

O Imutável em nós - o que está além da salvação, além de quaisquer crenças do ego, de doutrinas, de filosofias, psicologias e credos -, o EU SOU, está sempre conosco, quer estejamos em dúvida, quer estejamos decididos/as a dar um passo de cada vez, quer estejamos serenos/as, quer estejamos "pré-ocupados/as" com o que pode acontecer a cada passo, se...

Não importa!

No fundo, a razão pela qual cada um e cada uma de nós está aqui e vive a vida que vive, e constrói o mundo da forma pela qual o constrói para si e para os outros, também não tem importância, uma vez que estamos aqui apenas somando ilusões à ilusão maior do ego: a de que existe um mundo que tem de ser mudado, transformado, melhorado, sob pena de sucumbir aos desmandos de uma humanidade que se esqueceu de si mesma.

Na verdade, não há nenhum mundo, a não ser o mundo interior, que se projeta e cria a ilusão de luz e sombra, que nos guia ao longo desta jornada, destinada apenas a nos devolver à origem última, da qual nunca nos ausentamos, que permanece conosco o tempo inteiro. Mesmo quando não temos consciência disso.

É por isso que podemos praticar com toda a confiança a ideia de hoje.

Às práticas?