domingo, 27 de janeiro de 2019

Escolheremos nalgum momento viver só a alegria?


LIÇÃO 27

Acima de tudo eu quero ver.

1. A ideia de hoje exprime algo mais forte do que simples determinação. Ela dá prioridade à visão entre teus desejos. Podes te sentir hesitante quanto a usar a ideia, com base em que não tens certeza de que é isto que queres realmente. Isto não importa. O objetivo dos exercícios de hoje é fazer chegar mais perto o momento em que a ideia será inteiramente verdadeira.

2. Pode haver uma grande tentação em acreditares que se pede a ti algum tipo de sacrifício, quando dizes que queres ver acima de tudo. Se ficares inquieto em relação à falta de reservas pressuposta, acrescenta:

A visão não custa nada a ninguém.

Se o medo da perda ainda persistir, acrescenta ainda:

Ela só pode abençoar.

3. A ideia de hoje precisa de muitas repetições para o máximo aproveitamento. Ela deve ser usada pelo menos a cada meia hora, e mais se possível. Poderias tentar usá-la a cada quinze ou vinte minutos. Recomenda-se que, quando acordares ou pouco depois, estabeleças um intervalo de tempo definido para o uso da ideia e que tentes ser fiel a ele do início ao fim do dia. Não será difícil fazer isso mesmo se estiveres ocupado conversando ou ocupado de outra maneira no momento. Ainda assim, podes repetir uma frase curta para ti mesmo sem perturbar coisa alguma.

4. A questão verdadeira é quantas vezes tu te lembrarás? Quanto queres que a ideia de hoje seja verdadeira? Responde a uma destas perguntas e terás respondido à outra. É provável que percas várias aplicações e, talvez um número bastante grande delas. Não te incomodes com isto, mas tenta prosseguir em teu horário daí por diante. Se ao menos uma vez durante o dia sentires que foste totalmente sincero enquanto repetias a ideia de hoje, podes ter certeza de que poupaste muitos anos de esforço a ti mesmo.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 27

Como eu já disse antes, uma vez que nossas práticas já abriram algumas clareiras na floresta fechada de nossos pensamentos, e apresentaram inúmeras possibilidades para nos levar à conclusão da necessidade de mudarmos a forma de pensar nosso viver no mundo e também o modo de que nos valemos para olhar para ele e para nós mesmos, chegou, hoje, o momento de reforçar a decisão que tomamos com as lições de números 20 e 21, [Eu estou decidido a ver.] e [Eu estou decidido a ver de modo diferente.], lembram? O que acham? Estão prontos?

"Acima de tudo eu quero ver."

Forte isto, não! Paremos por um instante. Vamos refletir por alguns momentos, acerca daquilo que a ideia apresenta. 

"Acima de tudo eu quero ver." 

Será que é isso mesmo? Ver! O que será que quero, acima de tudo? Já me perguntei isto? Que resposta obtive?

O que diz a lição?

A ideia de hoje exprime algo mais forte do que simples determinação. Ela dá prioridade à visão entre teus desejos...

Já passamos por algo parecido a isso dias atrás, com as lições de que falei no início, em que praticamos as ideias: [Estou decidido a ver.] e [Estou decidido a ver de modo diferente.], não é mesmo? E entendemos - ? - que a ideia então era, de fato, um momento para se tomar a decisão. E entendemos - ? - a necessidade da tomada de decisão, porque nos percebemos cegos, num mundo em que nada faz nenhum sentido, não é mesmo?

Mesmo assim, muito de nós relutamos a tomar a decisão. Pensamos - como muitas vezes, e em relação a várias coisas diferentes em nossa vida: "posso fazer isso depois, ainda tenho muito tempo". Não é? Mas será que há mesmo muito tempo? Para mim? Para ti?

*

Pausa para uma historinha:

Existe um conto indiano que narra a seguinte história:
Um discípulo procura o seu mestre e lhe pergunta:
-  mestre, qual é o seu segredo para nunca se enfurecer e ser sempre amável?
E o mestre lhe respondeu:
-  não sei se posso falar sobre o meu segredo, mas eu sei qual é o seu...
E o discípulo curioso, perguntou:
- e qual é o meu segredo?
Compenetrado, o mestre disse: você vai morrer em uma semana.
Assustado com as palavras do mestre, o discípulo procurou, na semana seguinte, tratar os amigos e os familiares com muita afeição e, no sétimo dia, deitou-se em sua cama e pediu que chamassem o seu mestre.
Quando este chegou, o discípulo lhe disse: “abençoe-me, sábio mestre, pois estou morrendo”.
Após abençoar o discípulo, o mestre lhe perguntou: “e como você passou a semana? Brigou com a família, com os amigos?”
E o discípulo lhe respondeu: “obviamente que não. Eu os amei intensamente.”
Após ouvir isso, o mestre lhe falou: você acabou de descobrir o meu segredo. Eu sei que posso morrer a qualquer momento, por isso, procuro ser sempre amável com todas as pessoas de minhas relações.”
Como você vai passar seu dia? Sua semana? Sua vida? 

*

Continuando:
Por quanto tempo vamos adiar nossa decisão?
Acima de tudo eu quero ver.

Vamos refletir a respeito do que nos diz a lição:

A ideia de hoje exprime algo mais forte do que simples determinação. Ela dá prioridade à visão entre teus desejos. Podes te sentir hesitante quanto a usar a ideia, com base em que não tens certeza de que é isto que queres realmente. Isto não importa. O objetivo dos exercícios de hoje é fazer chegar mais perto o momento em que a ideia será inteiramente verdadeira.

O que talvez ainda não tenhamos nos dado conta - e que está lá na introdução ao livro de exercícios e deve funcionar - e funciona - como o primeiro passo para o exercício de abandonar o julgamento - é a instrução para que apliquemos as ideias que as lições nos oferecem independente da forma com que as percebemos, independentemente do modo como nos sentimos em relação a elas.

Isto é muito importante!

Não acreditamos que somos muitas vezes em nossas vidas "aparentemente" forçados, por assim dizer, a fazer coisas de que não gostamos? Quer porque o patrão manda, quer porque nossos pais nos mandaram, quer porque a sociedade nos pede que ajamos desta ou daquela maneira? E, na maioria das vezes, porque o mundo, ou via meios de comunicação, ou a partir dos grupos sociais de que fazemos parte, ou pela educação que recebemos, nos treina para seguir apenas determinados caminhos, esperando que nos portemos de modo obediente e sirvamos a um sistema que só faz reforçar a crença na separação e trata a todos como gado a ser levado ao matadouro para o abate, e para aumentar o lucro dos que detêm o poder que dá o dinheiro, ou um cargo público, ou uma profissão pública. 

O mundo do ego, o mundo do falso eu, não quer nos dar a chance de escolher de verdade aquilo que nos faz felizes. Uns poucos, ao longo da história, pelo que sabemos, que se rebelaram foram torturados, mortos nas fogueiras, ou crucificados, ou simplesmente desapareceram. Suas histórias foram, por assim dizer, deletadas para que não nos contagiassem com a ideia de que é possível ser livre acima das vontades que não sejam apenas a nossa - a de cada um.

Acima de tudo eu quero ver.

Como explica a lição:

Pode haver uma grande tentação em acreditares que se pede a ti algum tipo de sacrifício, quando dizes que queres ver acima de tudo...

É mais ou menos como nos casos que destaquei acima. Podemos pensar que fazer determinadas coisas, em função do que nos pede o mundo, é um ataque a nosso livre arbítrio, um ataque a nossa vontade, um ataque a nossa liberdade de decidirmos por nós mesmos o que queremos.

Grande equívoco! Jung dizia que livre arbítrio é aprender a fazer com alegria aquilo que temos de fazer. Ou, pensando no que o Curso diz, "a percepção é uma escolha e não um fato". Isto é, pensemos o que quer que pensemos, as experiências que escolhemos viver vão se apresentar, apesar de acharmos que o que queríamos não era, ou não foi, aquilo que se apresentou.

É isso!

Acima de tudo eu quero ver.

Vejamos, pois:

Pode haver uma grande tentação em acreditares que se pede a ti algum tipo de sacrifício, quando dizes que queres ver acima de tudo. Se ficares inquieto em relação à falta de reservas pressuposta, acrescenta:

A visão não custa nada a ninguém.

Se o medo da perda ainda persistir, acrescenta ainda:

Ela só pode abençoar.

Reforcemos: A visão não custa nada a ninguém. Ela só pode abençoar. Sempre que tomamos a decisão de fazer alguma coisa, qualquer coisa, para resolver uma questão que nos perturbe, essa decisão, essa atitude, abre caminho para uma mudança na energia de que nos valemos em relação àquela questão. O universo inteiro se movimenta para nos auxiliar a resolver aquilo que nos impede de viver a alegria.

Acima de tudo eu quero ver.

Não precisamos ficar preocupados, receosos, ou temer pelos resultados de nossa decisão de ver. Acima de tudo.

A visão não custa nada a ninguém.
Ela só pode abençoar.

Quando paramos para olhar de perto qualquer questão que nos aflige, abrindo-nos à razão, àquilo que sabemos existir em nós, que é capaz de resolver qualquer coisa que nos incomode, dizemos muitas vezes: "agora eu entreguei a Deus. Cansei. Não sei mais o que fazer. Só um milagre pode me ajudar". Não é assim com vocês?

O que acontece a seguir, em geral, é que tudo se resolve de forma aparentemente inexplicável. 

O que aconteceu?

Aconteceu que deixamos de lutar pelo controle, entendemos e aceitamos que não temos resposta para tudo - porque nem tudo tem resposta -, e que não sabemos mesmo o que é melhor para nós em praticamente nenhuma ocasião. Isto também é o que nos ensinou uma lição recente: Eu não percebo meus maiores interesses. Por que então insistir em lutar contra o que quer que seja? Por que resistir a abrir mão das respostas do falso eu, do "grande impostor"?

Acima de tudo eu quero ver.

Sempre que tomamos uma decisão em nossas vidas, estabelecendo um objetivo que desejamos atingir, buscamos saber de antemão que movimentos serão necessários para se "chegar lá". E é claro que nos preparamos da melhor forma possível para não sofrer com nada daquilo que precisamos fazer para a consecução do objetivo. Sabemos que se advier qualquer sofrimento - a ideia de sacrifício - seremos tentados a desistir.

De quantas coisas já desistimos? E por quê?

Acima de tudo eu quero ver.

Tudo está relacionado à alegria. A alegria é a condição natural do filho de Deus, de cada um de nós, de todos nós. A tomada de decisão, sabemos, visa a, a partir do objetivo que traçamos, nos levar a uma condição que, diferente daquela que vivemos agora, nos vai oferecer mais alegria. 

Dizendo de outro modo, quando desejamos mudar alguma coisa em nossas vidas, sempre o fazemos porque algo ou alguém [invariavelmente nós mesmos e nosso modo de pensar equivocado], a nosso modo de ver, nos está impedindo de viver aquela alegria de que nos sabemos - ainda que na maioria das vezes de forma inconsciente - merecedores.

E onde está esse algo? Esse alguém? Fora de nós? No mundo? É outra pessoa? Está na situação que vivemos? Nas circunstâncias que nos cercam? Em casa? No lugar onde vivemos? Podemos nos perguntar a respeito de inúmeras outras razões a que atribuímos nossas insatisfações, sejam quais forem elas.

Acima de tudo eu quero ver.

É claro que sabemos da necessidade de repetir para nós mesmos o quanto estamos certos ao tomar qualquer decisão. E, com a decisão de ver "acima de tudo", como a lição ensina, não é diferente.

Vejamos:

A questão verdadeira é quantas vezes tu te lembrarás? Quanto queres que a ideia de hoje seja verdadeira? Responde a uma destas perguntas e terás respondido à outra. É provável que percas várias aplicações e, talvez um número bastante grande delas. Não te incomodes com isto, mas tenta prosseguir em teu horário daí por diante. Se ao menos uma vez durante o dia sentires que foste totalmente sincero enquanto repetias a ideia de hoje, podes ter certeza de que poupaste muitos anos de esforço a ti mesmo.

A mudança de nosso modo de pensar, a escolha de abrir mão do controle, a aceitação de que os pensamentos que temos não significam coisa alguma, a compreensão e o reconhecimento de que não somos capazes de perceber nossos maiores interesses e de que não sabemos para que serve coisa alguma e todas as outras ideias que praticamos até aqui, aplicadas, só podem nos pôr em contato com a alegria e abençoar todas as coisas no mundo.

Mas precisamos de fato responder, para nós mesmos apenas, honestamente e com determinação às questões postas no início do quarto parágrafo da lição:

A questão verdadeira é quantas vezes tu te lembrarás? 
Quanto queres que a ideia de hoje seja verdadeira? 

Cabe tão somente a nós mesmos escolher viver só a alegria, repetindo o que eu já disse tantas vezes. Uma vez feita esta escolha é possível entender a frase de uma antiga canção de Vinicius de Moraes que, em sintonia com o que o Curso ensina a respeito do tempo diz: "a coisa mais divina que há no mundo é viver cada segundo como nunca mais". 

Às práticas?

sábado, 26 de janeiro de 2019

"Só o amor perfeito existe." Todo o resto é só ilusão.


LIÇÃO 26

Meus pensamentos de ataque ferem minha invulnerabilidade.

1. É certamente óbvio que, se podes ser atacado, não és invulnerável. Tu vês o ataque como uma ameaça real. Isto acontece em razão de acreditares que podes, de fato, atacar. E aquilo que teria efeitos por teu intermédio também tem de ter efeitos sobre ti. É esta lei que, em última instância, te salvará, mas tu a estás utilizando de modo equivocado agora. Por isto, tu tens de aprender de que modo ela pode ser usada em favor de teus maiores interesses mais do que contra eles.

2. Uma vez que teus pensamentos de ataque serão projetados, terás medo do ataque. E, se temes o ataque, tens de acreditar que não és invulnerável. Por esta razão, os pensamentos de ataque te tornam vulnerável em tua própria mente, que é o lugar aonde estão os pensamentos de ataque. Pensamentos de ataque e invulnerabilidade não podem ser aceitos simultaneamente. Eles se contradizem.

3. A ideia para hoje apresenta o pensamento segundo o qual tu sempre atacas a ti mesmo primeiro. Se os pensamentos de ataque impõem a crença de que és vulnerável, seu efeito é o de enfraquecer tua percepção de ti mesmo. Deste modo eles atacam tua percepção de ti mesmo. E, por acreditares neles, não podes mais acreditar em ti mesmo. Uma imagem falsa de ti mesmo vem tomar o lugar daquilo que tu és.

4. A prática com a ideia de hoje te ajudará a compreender que a vulnerabilidade, ou a invulnerabilidade, é o resultado de teus próprios pensamento. Nada exceto teus pensamentos pode te atacar. Nada exceto teus pensamentos pode te fazer pensar que és vulnerável. E nada exceto teus pensamentos pode provar para ti mesmo que isto não é verdade.

5. Pede-se seis períodos de prática para a aplicação da ideia de hoje. Deve-se tentar dois minutos inteiros para cada um deles, embora o tempo possa ser reduzido para um minuto se o desconforto for grande demais. Não o reduzas mais do que isso.

6. Deves começar o período de prática repetindo a ideia para hoje, fechando os olhos, em seguida, e revisando as questões não-resolvidas, cujos resultados estão sendo causa de inquietação para ti. A inquietação pode tomar a forma de depressão, angústia, raiva, uma sensação de inconveniência, medo, pressentimento e fixação. Qualquer problema ainda indefinido que tenda a voltar a teus pensamentos durante o dia é um sujeito adequado. Tu não serás capaz de utilizar um número muito grande em qualquer um dos períodos de prática, porque deve-se dedicar a cada um um tempo maior do que o de costume. A ideia de hoje deve ser aplicada da seguinte forma: 

7. Primeiro, cita a situação:

Eu estou preocupado com ____________ .

Em seguida, examina cada resultado possível que ocorra em relação a isso e que te cause preocupação, referindo-te a cada um de modo bem específico, dizendo:

Tenho medo de que ________________ aconteça.

8. Se estiveres fazendo os exercícios de forma adequada, deves encontrar cerca de cinco ou seis possibilidades aflitivas à disposição para cada situação que usares, e é bastante provável achares mais. É muito mais proveitoso examinar por completo algumas poucas situações do que tatear em um número maior. À medida que a lista de resultados previstos para cada situação continuar, é provável que aches alguns deles menos aceitáveis, especialmente aqueles que te ocorrerem perto do final. Na medida do possível para ti, porém, tenta tratar todos do mesmo modo.

9. Depois de citares cada resultado do qual tenhas medo, dize a ti mesmo:

Este pensamento é um ataque contra mim mesmo.

Conclui cada período de prática repetindo a ideia de hoje para ti mesmo mais uma vez.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 26

Imagino que seja sempre possível, a todos e a cada um de nós, escolher ter mais tempo para dedicar às práticas, mesmo que o Curso não peça isso. Imagino que possamos todos, se quisermos de fato, assumir e honrar o compromisso de dedicar um pouco mais de atenção à ideia que vai orientar nossos exercícios de hoje.

Por isso, também, volto a tocar no assunto dos comentários que algumas pessoas fazem às lições, alinhando-os aos objetivos do blogue. É claro que podemos - e devemos - fazer as lições sozinhos, recolhidos, na medida do possível, no silêncio e voltando-nos para o interior de nós mesmos para permitir que as palavras que usamos calem fundo em nosso espírito.

No entanto, penso que é possível advirem dúvidas, advirem questões para as quais não encontramos respostas imediatas. São essas dúvidas, essas questões que eu gostaria de ver compartilhadas. Não para respondê-las, mesmo que possa tentar, mas para que elas revelem, a todos/as os/as que entram em contato com o ensinamento, alguns dos obstáculos que o ego apresenta, e que precisam ser removidos para caminharmos de modo sereno na direção do conhecimento de nós mesmo. 

Falar daquilo que nos incomoda, que nos aborrece, que impede de alcançarmos a paz de espírito necessária para vivermos a alegria é um passo para nos libertarmos. É um passo na direção de nossa própria salvação e na direção da salvação do mundo.

Fico, como já disse antes, imensamente agradecido aos que se dispuserem a contribuir desta forma. E se não lhes for possível fazê-lo postando o comentário no próprio blogue, ou se preferirem o anonimato para suas questões e dúvidas, fiquem, por favor, à vontade para me enviar mensagem no endereço que o blogue mostra. Terei o maior prazer em conversar com quer que esteja disposto a isso. 

Eu também disse isto na mensagem enviada a cada uma das pessoas que já teve contato com o Curso por meu intermédio, assim como a cada uma das pessoas que lê estas postagens. Só estou frisando a disposição de me colocar a serviço de quem quer que ache necessário compartilhar suas dúvidas e questões.

Dito isso, vamos à ideia de hoje, pois não?

"Meus pensamentos de ataque ferem minha invulnerabilidade."

O que entendemos por invulnerabilidade? De acordo com o dicionário, invulnerabilidade é a qualidade daquilo que é invulnerável, isto é, algo que não pode ser ferido, atacado ou ser maculado de nenhum modo por qualquer coisa que seja.

Na realidade, como já vimos antes, somos invulneráveis porque somos - sempre seremos - tal qual Deus nos criou. Isto é, íntegros, completos, perfeitos do jeito que somos, independentemente de como nos vemos, de como pensamos a nosso próprio respeito, a partir das impressões que nos oferecem os sentidos, a percepção. E mesmo de qualquer coisa que os outros - os que convivem conosco - pensem ou digam a nosso respeito. E também independente da forma como somos vistos pelo(s) outro(s). Ou pelo que os outros pensam de nós.

Meus pensamentos de ataque ferem minha invulnerabilidade.

A lição começa:

É certamente óbvio que, se podes ser atacado, não és invulnerável. Tu vês o ataque como uma ameaça real. Isto acontece em razão de acreditares que podes, de fato, atacar. E aquilo que teria efeitos por teu intermédio também tem de ter efeitos sobre ti. É esta lei que, em última instância, te salvará, mas tu a estás utilizando de modo equivocado agora. Por isto, tu tens de aprender de que modo ela pode ser usada em favor de teus maiores interesses mais do que contra eles.

A crença na separação, que deu origem a todo o universo de ilusões em que pensamos viver, conforme diz o Curso, é o único problema que precisamos resolver.

Só podemos nos ver, ou imaginar que nos vemos separados - uns dos outros, e de Deus - e que vivemos vidas "privadas", "pessoais" e "particulares", que não têm nada a ver com as vidas de "outros", se nossa atenção estiver voltada principalmente para a voz do ego, para aquilo que diz a voz do falso eu, a quem o Curso chama à certa altura de "o grande impostor". 

Meus pensamentos de ataque ferem minha invulnerabilidade.

Em razão de darmos ouvidos à voz do "grande impostor", não compreendemos a maior parte das vezes que, como o Curso ensina, "a percepção é uma escolha e não um fato". Não compreendemos que é da escolha da voz que queremos ouvir e daquilo que queremos ver que depende tudo o que acreditamos ser. E, ainda segundo o texto, a percepção só é testemunha daquilo que escolhemos ouvir e ver, nunca da Realidade, pois a Realidade não necessita de nossa cooperação para ser o que é.

É daí que a lição continua:

Uma vez que teus pensamentos de ataque serão projetados, terás medo do ataque. E, se temes o ataque, tens de acreditar que não és invulnerável. Por esta razão, os pensamentos de ataque te tornam vulnerável em tua própria mente, que é o lugar aonde estão os pensamentos de ataque. Pensamentos de ataque e invulnerabilidade não podem ser aceitos simultaneamente. Eles se contradizem.

Quando escutamos o que a voz do ego diz e vemos o que ele nos orienta a ver, com certeza nos vemos "de forma diminuta, vulnerável e cheio[s] de medo". Experimentamos sentimentos de depressão, indignidade, instabilidade e irrealidade. Acreditamo-nos vítimas desamparadas de forças que estão muito além de nosso próprio controle e são muito mais poderosas do que nós. E, é claro, pensamos que o mundo é quem dirige nosso destino. 

Meus pensamentos de ataque ferem minha invulnerabilidade.

É isso exatamente que fazem os pensamentos de ataque. É só o que podem fazer. Mas apenas na ilusão deste mundo. Vejamos o que a lição diz a seguir:

A ideia para hoje apresenta o pensamento segundo o qual tu sempre atacas a ti mesmo primeiro. Se os pensamentos de ataque impõem a crença de que és vulnerável, seu efeito é o de enfraquecer tua percepção de ti mesmo. Deste modo eles atacam tua percepção de ti mesmo. E, por acreditares neles, não podes mais acreditar em ti mesmo. Uma imagem falsa de ti mesmo vem tomar o lugar daquilo que tu és.

Atentemos, pois, para isto: é "uma imagem falsa de ti mesmo", o ego, o falso eu, "o grande impostor", que se apresenta para tomar o lugar do que somos, na verdade, a partir de nossos pensamentos de ataque. Entretanto ele não tem nada a ver com o que somos na realidade. Podemos até acreditar que é ele que faz o mundo que dirige nosso destino, mas não podemos, em função disso, acreditar que o que ele faz tem qualquer coisa a ver com a Realidade.

É por isso que:

A prática com a ideia de hoje te ajudará a compreender que a vulnerabilidade, ou a invulnerabilidade, é o resultado de teus próprios pensamento. Nada exceto teus pensamentos pode te atacar. Nada exceto teus pensamentos pode te fazer pensar que és vulnerável. E nada exceto teus pensamentos pode provar para ti mesmo que isto não é verdade.

Atenção - e vamos voltar a isso mais tarde, adiante:
 
"Nada exceto teus pensamentos pode te atacar".
 
Ora, se compreendemos isto, o que há para temer?

Eu sou o dono e senhor de meus pensamentos. Se só eles podem me atacar, e se meus pensamentos não significam coisa alguma, quem pode resolver esta questão? Somente eu mesmo. Não lhes parece óbvio? De que forma? Reconhecendo que meus pensamentos não significam coisa alguma e que, por isso, não têm nenhum poder para sequer arranhar minha invulnerabilidade. Reconhecendo ainda que só eu posso escolher os pensamentos que vou ter ou os que não quero, abandonando de uma vez por todas as orientações da voz do "grande impostor", que faz tudo o que estiver a seu alcance para reforçar a crença na separação, sem a qual não pode existir.

Assim, seguindo passo a passo as orientações da lição podemos aplicar a ideia de hoje para mudar nosso modo de pensar.

Por exemplo: quando estou preocupado com a possibilidade de ter contraído uma doença grave, tenho medo de que ela me impossibilite de fazer as coisas da mesma forma que faço hoje e que, por fim, ela me leve à morte. Ora, quem não reconhece que estes pensamentos só podem ser um ataque a mim mesmo?

Quando nossos pensamentos nos deixam temerosos em relação a outra pessoa, por algo que ela possa vir a sofrer, é preciso que reconheçamos que os pensamentos que temos, apesar de parecerem um ataque a ela, são sempre, em primeiro lugar, um ataque a nós mesmos. Porque reforçam a crença na separação.

Lembremo-nos de que citando parte do texto em anos passados, aprendemos que:

O amor perfeito exclui o medo.
Se o medo existe,
então não há amor perfeito.
Mas:
Só o amor perfeito existe.
Se há medo,
ele produz um estado que não existe.

"Acredita nisto e serás livre."

Às práticas?

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Não existem "metas pessoais", separadas do todo


LIÇÃO 25

Eu não sei para que serve coisa alguma.

1. Propósito é significado. A ideia de hoje explica por que nada do que vês significa coisa alguma. Tu não sabes para que servem as coisas. Por isto, elas não têm significado para ti. Tudo serve a teus maiores interesses. É para isto que todas as coisas servem; é este o propósito delas; é isto o que todas as coisas significam. É no reconhecimento disto que tuas metas se tornam harmoniosas. É no reconhecimento disto que aquilo que vês se reveste de significado.

2. Tu percebes o mundo, e tudo nele, como significativo em termos das metas do ego. Essas metas não têm nada a ver com teus maiores interesses, porque tu não és o ego. Esta identificação falsa te torna incapaz de compreender para que serve qualquer coisa. Por consequência, estás fadado a fazer mau uso delas. Quando acreditares nisto, tentarás retirar as metas que estabeleceste para o mundo, em vez de tentar reforçá-las.

3. Outra maneira de descrever as metas que percebes agora é dizer que todas elas estão relacionadas a interesses "pessoais". Uma vez que não tens nenhum interesse pessoal, tuas metas, de fato, estão relacionadas ao nada. Por esta razão, quando as valorizas, não tens absolutamente nenhuma meta. E, deste modo, não sabes para que serve coisa alguma.

4. Antes que possas retirar qualquer sentido dos exercícios para hoje, é necessário mais um pensamento. Nos níveis mais superficiais tu, de fato, reconheces o propósito. Mas o propósito não pode ser compreendido nestes níveis. Por exemplo, compreendes, de fato, que um telefone serve ao propósito de falar com alguém que não esteja fisicamente próximo de ti. O que não compreendes é para que queres alcançá-lo. E é isto que torna teu contato com ele significativo ou não.

5. É vital para teu aprendizado que estejas disposto a desistir das metas que estabeleceste para todas as coisas. O reconhecimento de que elas não fazem sentido, e de que não são "boas" ou "más", é o único jeito de realizar isto. A ideia para hoje é um passo nesta direção.

6. Pede-se seis períodos de prática, cada um com dois minutos de duração. Cada período deve começar com uma repetição lenta da ideia para hoje, seguida de um olhar a tua volta deixando que teu olhar se fixe em qualquer coisa que capte teus olhos casualmente, perto ou longe, "importante" ou "sem importância", "humana" ou "não-humana". Com teus olhos fixos em cada sujeito que selecionares deste modo, dize por exemplo:

Eu não sei para que serve esta cadeira.
Eu não sei para que serve este lápis.
Eu não sei para que serve esta mão.

Dize isto bem devagar, sem deslocar teus olhos do sujeito até completares a declaração a respeito dele. Em seguida, passa para o próximo e aplica a ideia de hoje como antes.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 25

A ideia que vamos praticar hoje, mais uma vez, está diretamente relacionada à das práticas de ontem, assim como estão ligadas todas as ideias que praticamos, no sentido de que, como o próprio Curso diz, apenas uma delas, qualquer que seja, compreendida inteiramente e aplicada de forma comprometida e honesta, seria o bastante para a nossa salvação e para a salvação do mundo inteiro.

Voltemo-nos, pois, para a das práticas de hoje:

"Eu não sei para que serve coisa alguma."

Começamos assim:

 Propósito é significado. A ideia de hoje explica por que nada do que vês significa coisa alguma. Tu não sabes para que servem as coisas. Por isto, elas não têm significado para ti. Tudo serve a teus maiores interesses. É para isto que todas as coisas servem; é este o propósito delas; é isto o que todas as coisas significam. É no reconhecimento disto que tuas metas se tornam harmoniosas. É no reconhecimento disto que aquilo que vês se reveste de significado.

É isso! Vejam se não estou certo em dizer que existe uma relação direta entre afirmar que eu não percebo meus maiores interesses e reconhecer que eu não sei para que serve coisa alguma.

É claro também que, em função de pensamentos que não significam coisa alguma, só posso acreditar na verdade da primeira lição com a qual começo a perceber, de fato, que nada do que vejo significa coisa alguma.

Que significado pode ter algo que não sei para que serve? E:

Eu não sei para que serve coisa alguma.

No entanto, como o Curso diz, tudo o que existe existe para atender a nossos maiores interesses. A nossos melhores interesses. Que não sabemos quais são também.

Reconhecendo, todavia, que tudo está aí para atender a nossos interesses, maiores e/ou melhores,  podemos começar a atribuir significado a tudo. Podemos unificar as nossas metas em uma só: o autoconhecimento. O que, em última instância, vai nos levar ao conhecimento de Deus.

Eu não sei para que serve coisa alguma.

A lição continua:

Tu percebes o mundo, e tudo nele, como significativo em termos das metas do ego. Essas metas não têm nada a ver com teus maiores interesses, porque tu não és o ego. Esta identificação falsa te torna incapaz de compreender para que serve qualquer coisa. Por consequência, estás fadado a fazer mau uso delas. Quando acreditares nisto, tentarás retirar as metas que estabeleceste para o mundo, em vez de tentar reforçá-las.

É muito importante estarmos atentos pra isso: "quando acreditares nisto [no fato de que as metas do ego não têm nada a ver com nossos maiores interesses], tentarás retirar as metas que estabeleceste para o mundo, em vez de tentar reforçá-las".

O mundo, em si mesmo, não tem significado algum e não serve a nenhum propósito, conforme já aprendemos. Porém, quando visto à luz do que o Curso ensina, ele pode servir para chegarmos à verdade, à paz de espírito, que, seguramente, estão entre os nossos maiores interesses.

Por que razão damos tanta importância às coisas do mundo? Porque ainda acreditamos haver alguma coisa de real nele. Alguma coisa que queremos. Algo de que precisamos.

Não há!

Se ainda pensamos que há é porque ainda estamos iludidos pelos equívocos de nossa percepção, que depende do corpo e dos sentidos.

Eu não sei para que serve coisa alguma.

Outra forma de dizer isso é o que vem na continuação da lição:

 Outra maneira de descrever as metas que percebes agora é dizer que todas elas estão relacionadas a interesses "pessoais". Uma vez que não tens nenhum interesse pessoal, tuas metas, de fato, estão relacionadas ao nada. Por esta razão, quando as valorizas, não tens absolutamente nenhuma meta. E, deste modo, não sabes para que serve coisa alguma.

Um dos textos de Joel Goldsmith que li há algum tempo, chama a atenção para a necessidade de tornarmos impessoal nossa relação com as coisas mundanas. Todas elas são apenas imagens que projetamos sobre o mundo. Imagens que não têm absolutamente nada a ver com a realidade.

Assim, acalentar, alimentar, valorizar e nutrir metas "pessoais" também não tem significado algum. Pois não existem metas "pessoais" que nos possam separar do todo. Cada uma das metas de cada um de nós ou está ligada ao todo ou não significa nada. Lembram-se de que não existem pensamentos privados? Da mesma forma, nada do que fazemos ou pensamos tem relação a nada que possamos classificar de "privado" ou "pessoal". Tudo o que existe realmente existe na unidade e se relaciona ao todo.

Como posso saber, então, para que serve qualquer coisa, se a considero separada do todo?

Eu não sei para que serve coisa alguma.

E continuamos, para melhor praticar:

Antes que possas retirar qualquer sentido dos exercícios para hoje, é necessário mais um pensamento. Nos níveis mais superficiais tu, de fato, reconheces o propósito. Mas o propósito não pode ser compreendido nestes níveis. Por exemplo, compreendes, de fato, que um telefone serve ao propósito de falar com alguém que não esteja fisicamente próximo de ti. O que não compreendes é para que queres alcançá-lo. E é isto que torna teu contato com ele significativo ou não.

Em certo ponto, o texto afirma que cada encontro que temos com alguém traz uma nova oportunidade para a salvação do mundo, ensejando nossa própria salvação e a da pessoa com quem nos encontramos, desde que a olhemos a partir do olhar do espírito, o olhar crístico, que só vê nela - e, por consequência, nos faz ver em nós mesmos - o filho de Deus.

Eu não sei para que serve coisa alguma.

Por isso:

É vital para teu aprendizado que estejas disposto a desistir das metas que estabeleceste para todas as coisas. O reconhecimento de que elas não fazem sentido, e de que não são "boas" ou "más", é o único jeito de realizar isto. A ideia para hoje é um passo nesta direção.

Deixar para trás, desistir das metas que estabelecemos para qualquer coisa no mundo é abandonar de uma vez por todas o julgamento. É dispor-se a ver. Decidir-se, de fato, a ver. E ver todas as coisas de modo diferente. É deixar de lado a crença na separação. É entregar ao Espírito Santo todas as coisas, e o mundo inteiro, juntamente com todos os pensamentos que possamos vir a ter. 

Às práticas?

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

E se banhássemos as pessoas do mundo com amor?


LIÇÃO 24

Eu não percebo meus maiores interesses.

1. Não percebes claramente que resultado te faria feliz em nenhuma situação que surja. Por isto, tu não tens nenhum guia para a ação apropriada e nenhum modo de julgar o resultado. O que fazes é determinado por tua percepção da situação e essa percepção está errada. É inevitável, então, que não vás atender a teus maiores interesses. No entanto, eles são tua única meta em qualquer situação percebida de modo correto. De outra forma, não reconhecerás quais são eles.

2. Se te desses conta de que não percebes teus maiores interesses, poder-se-ia ensinar-te quais são eles. Mas, diante de tua convicção de que sabes quais eles são, não podes aprender. A ideia para hoje é um passo na direção da abertura de tua mente a fim de que o aprendizado possa começar.

3. Os exercícios para hoje pedem muito mais honestidade do que estás acostumado a usar. Alguns poucos sujeitos, considerados honesta e cuidadosamente em cada um dos cinco períodos de prática que devem ser empreendidos hoje, serão mais úteis do que um exame mais superficial de um número grande deles. Sugere-se dois minutos para cada um dos períodos de exame mental que os exercícios envolvem.

4. Os períodos de prática devem começar com a repetição da ideia de hoje, de olhos fechados, seguida pelo exame mental em busca de situações não resolvidas acerca das quais estejas preocupado atualmente. A ênfase deve estar em descobrir o resultado que queres. Rápido perceberás com clareza que tens em mente várias metas como parte do resultado desejado e também que essas metas estão em níveis diferentes e que, muitas vezes, são antagônicas.

5. Ao aplicares a ideia para hoje, cita cada situação que te ocorrer e depois lista cuidadosamente o maior número possível de metas que gostarias que fossem alcançadas na sua resolução. A forma de cada aplicação deve ser mais ou menos a seguinte:

Na situação que envolve _________, eu gostaria que ________
acontecesse, e que __________ acontecesse,

e assim por diante. Tenta incluir tantos tipos diferentes de resultado quantos realmente possam te ocorrer, mesmo que alguns deles não pareçam estar diretamente relacionados à situação ou que nem mesmo pertençam a ela de forma alguma.

6. Se estes exercícios forem feitos de modo correto, reconhecerás rapidamente que fazes um grande número de exigências da situação, que não têm nada a ver com ela. Também reconhecerás que muitas de tuas metas são contraditórias, que não tens nenhum resultado harmonioso em mente, e que terás de te frustrar em relação a algumas de tuas metas independentemente de como a situação se resolva.

7. Depois de examinares a lista do maior número possível de metas almejadas para cada situação não resolvida que passar por tua mente, dize a ti mesmo:

Eu não percebo meus maiores interesses.

e passa para a seguinte.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 24

Continuemos hoje a refletir e a analisar de forma aberta as possibilidades que nos oferecem dia a dia as lições que o Curso no traz. 

Em perfeita sintonia com o que o Curso ensina e também com a ideia para as nossas práticas de hoje, David Hawkins, em livro que li há algum tempo, com o qual fiquei completamente encantado e de que lhes falei também nos comentários anteriores para esta lição, diz: 

"O problema básico da humanidade é que a mente humana é incapaz de distinguir a verdade da falsidade. Ela não pode diferenciar o 'bem' do 'mal'. Sem nenhum meio para sua auto-proteção, os humanos estão à mercê da falsidade em todos os seus disfarces enganadores, que desfilam como patriotismo, religião, o bem social, diversão inocente, etc."

Não lhes parece que isso é exatamente a mesma coisa que reconhecer, como a lição quer, que:

"Eu não percebo meus maiores interesses."

E muita atenção:

Os exercícios para hoje pedem muito mais honestidade do que estás acostumado a usar. Alguns poucos sujeitos, considerados honesta e cuidadosamente em cada um dos cinco períodos de prática que devem ser empreendidos hoje, serão mais úteis do que um exame mais superficial de um número grande deles. Sugere-se dois minutos para cada um dos períodos de exame mental que os exercícios envolvem.

Desde o início de nossas práticas, neste e nos anos anteriores em que começamos com os primeiros comentários traduzidos daqueles feitos por Tara Singh em um de seus livros, fomos informados da necessidade de sermos inteiramente honestos, principalmente em relação a nós mesmos e a nossa forma de ver o mundo. Pois só a partir da decisão de sermos absolutamente honestos é que podemos, de fato, como diz a lição de hoje, começar o processo de aprendizado. 

Enquanto caminhamos na direção que o Curso aponta com o interesse voltado para a necessidade de nosso próprio ego de justificar e avalizar os julgamentos que fazemos de coisas, de pessoas e de situações que vemos no mundo, buscando salvaguardar nossos próprios interesses, julgando que há alguma coisa de valor no mundo, ou que o mundo contém algo que de fato podemos querer, fingindo estar interessados em ver as coisas de modo diferente, sem acreditar que é possível, sem nos comprometermos de fato com as práticas, ainda não começamos de verdade a aceitar o ensinamento. Ao contrário, nós o estamos negando.

E, para sermos inteiramente honestos, para com nós mesmos e para com o mundo, é preciso que estejamos dispostos a abandonar a negação, como aconselha Hawkins: 

"Se desistirmos da negação, veremos que a falsidade, a manipulação e a distorção da verdade suprem predominantemente as tendências mais vis do homem e permeiam toda a sociedade. Os jogos populares para computador [por exemplo] não são nem inocentes, nem inofensivos; são máquinas mortíferas de treinamento planejadas para enfraquecer a sensibilidade espiritual pelo condicionamento da mente para a mutilação e para a matança inconscientes." 

Aquilo que vemos e lemos na mídia, qualquer forma que tome ela, o que vemos, ouvimos e compartilhamos nas redes sociais tem de passar pelo filtro da honestidade que queremos ter para com nós mesmos. Se nos alegramos com a ideia de provocar alguém de nossas relações apenas porque sabemos que vamos deixá-lo/a enfurecido/a ou para, como se diz, espicaçá-lo/a, compartilhando notícias e postagens carregadas de julgamento, estamos, na verdade, aceitando participar do jogo de mundo de ilusões, reforçando a crença na separação e nos sentidos, ora melhores do que uns, ora piores, mas em qualquer dos casos, separados.

A lição começa por dizer:

Não percebes claramente que resultado te faria feliz em nenhuma situação que surja. Por isto, tu não tens nenhum guia para a ação apropriada e nenhum modo de julgar o resultado. O que fazes é determinado por tua percepção da situação e essa percepção está errada. É inevitável, então, que não vás atender a teus maiores interesses. No entanto, eles são tua única meta em qualquer situação percebida de modo correto. De outra forma, não reconhecerás quais são eles.

É isto que precisamos reconhecer e aceitar como parte da decisão de ver as coisas de modo diferente. Não podemos nos enganar, fingindo que sabemos o que não sabemos. Se vocês estiverem lembrados, nos últimos anos relacionei a ideia para as práticas com nossa tentativa equivocada muitas vezes de acrescentar mais líquido em uma taça cheia.

Isso não é possível! 

Para se colocar líquido novo em uma taça é preciso esvaziá-la antes. É aí que mora a relação entre a ideia de hoje e nosso modo de pensar. Por pensarmos saber o que queremos, não estamos abertos a reconhecer que não temos a menor ideia do que seria melhor para nós em praticamente nenhuma das situações com que nos defrontamos. Ou, dizendo de outro modo, como diz também Hawkins: 

"A evolução [ou desenvolvimento] espiritual acontece como resultado da remoção de obstáculos e não verdadeiramente como aquisição de qualquer coisa nova. A dedicação permite a rendição das ilusões caras e das futilidades preferidas da mente, de modo que ela se torne progressivamente mais livre e mais aberta à luz de Verdade."

É em razão disso que o Curso diz:

Se te desses conta de que não percebes teus maiores interesses, poder-se-ia ensinar-te quais são eles. Mas, diante de tua convicção de que sabes quais são eles, não podes aprender. A ideia para hoje é um passo na direção da abertura de tua mente a fim de que o aprendizado possa começar.

E é também em razão disso que a lição nos pede toda a honestidade de que somos capazes. Ou, pelo menos, muito mais honestidade do que estamos habituados a usar para reconhecer o que estamos vendo, ou o que estamos sentindo.

Em geral, temos vergonha de reconhecer que não sabemos o que fazer em determinadas situações. Ficamos embaraçados e nem queremos falar a respeito de determinadas coisas. Que dirá reconhecer que, em praticamente todas as situações:

Eu não percebo meus maiores interesses.

E que dizer, então,  de reconhecer e aceitar que todas as situações que se apresentam a nossa experiência são sempre a materialização de escolhas que fizemos?

Como costumo dizer, em consonância com o ensinamento do Curso, acredito, quando uma situação qualquer se apresenta a nossa experiência, precisamos em primeiro lugar reconhecer a responsabilidade que nos cabe nela. Isto é, precisamos lidar com ela, sabendo que ela só se apresentou porque a pedimos, ainda que de modo inconsciente. Não podemos resistir a ela. Isso fará com que ela continue a nos afastar da alegria, se se apresentou de um modo que não nos põe em contato direto com a alegria.

O que fazer então, se

Eu não percebo meus maiores interesses.[?]

Reconhecer que a situação é uma escolha equivocada que fizemos é o primeiro passo para mudar. Em seguida, é preciso aceitar, acolher a situação, lidar com ela, considerando-a neutra e, depois, agradecer por ela se ter apresentado da forma como se apresentou. Só então é que podemos fazer uma nova escolha, quando é o caso. Mas, como podemos intuir a partir do que a lição de hoje nos diz, ao fazermos nossa escolha, precisamos ter em mente que, quase nunca, sabemos quais são nosso maiores interesses. Para buscarmos a sintonia com o divino em nós, a razão, a Voz por Deus, entregando-nos e entregando nossa escolha ao Espírito e aceitando o que quer se apresente, entendendo que, seja o que for que aconteça, o que acontecer "é a única coisa que poderia ter acontecido". E temos de ser gratos por isso.

Eu não percebo meus maiores interesses.  

Repetindo, as práticas que o Curso nos oferece são a melhor maneira que temos para aprender a reconhecer que não sabemos nada. São a melhor ajuda que podemos encontrar para abrir nossa mente para a mudança. Uma mudança que vai nos ensinar de que modo abrir mão da necessidade de ter razão e de "bater o pé", acreditando que sabemos o que é melhor para nós. São as práticas que vão nos ensinar quão libertador é abrir mão do controle. Afinal, como o Curso pergunta a certa altura, "queres ter razão ou ser feliz"?

Assim como nos ensinam a reconhecer que não sabemos, de fato, como escolher o melhor para nós em quase nenhuma ocasião, as práticas nos ensinam também a aceitar o resultado que vai se mostrar a nós a partir de nossa decisão de deixar a cargo do Espírito Santo a escolha do que vai nos fazer felizes e nos devolver à alegria, que é a Vontade de Deus para nós.

Reconhecer que não sabemos, como já dissemos várias vezes antes, é o primeiro passo para começar a esvaziar a taça, para permitir que ela volte a se encher, para se esvaziar de novo, se encher mais uma vez e novamente se esvaziar... Na verdade, quanto mais esvaziarmos a taça de nossa mente da pretensa sabedoria, tanto mais seremos capazes de enchê-la com o novo, com a sabedoria indizível, que não precisa de palavras para ser vista, percebida e reconhecida. 

Às práticas?

ADENDO:

Este adendo traz a mesma coisa que lhes disse nos últimos anos. Repito-o, com algumas poucas modificações, por achá-lo ainda pertinente. Então, como lhes disse lá:

Já desde a oitava lição, que ensina que nunca estamos sozinhos - quer dizer que nunca somos só nós - ao experimentar os efeitos de nosso modo de olhar para o mundo, queria adicionar um link para uma música antiga de James Taylor, que me veio à mente ao praticar. Uma música que se chama "Shower the People", e que tem como refrão as frases "Shower the people you love with love, show them the way that you feel, things are gonna be just fine if you only will. 

Livremente traduzido este refrão e a mensagem central da letra da música querem dizer mais ou menos o seguinte:

Faça chover amor sobre as pessoas que você ama,
ou [Banhe as pessoas que você ama com amor] Mostre-lhes como você se sente
Basta você desejar - ou fazer isso - e as coisas vão funcionar perfeitamente.

Na primeira postagem não tinha encontrado um vídeo com a letra traduzida e publiquei o link com a letra no original. Entretanto, nos comentários feitos à lição, minha irmã, Nina, postou o link da música com as legendas em português, que é o que lhes ofereço abaixo. Obrigado, Nina, mais uma vez. 

https://www.youtube.com/watch?v=X2tkUAG0XrE 

E, como eu disse também no ano passado, pensando bem é fácil, às vezes até demais, banhar de amor as pessoas que amamos, aquelas de quem gostamos. O desafio é buscar banhar de amor também aquelas pessoas de quem dizemos não gostar, por esta ou aquela razão. Que são sempre julgamentos que fazemos.

'Bora tentar?