sábado, 23 de fevereiro de 2013

É possível ver a manifestação do divino em tudo


LIÇÃO 54

Estas são as ideias para a revisão de hoje:

1. (16) Eu não tenho nenhum pensamento neutro.

Pensamentos neutros são impossíveis porque todos os pensamentos têm poder. Eles tanto criarão um mundo falso quanto me conduzirão para o mundo verdadeiro. Mas os pensamentos não podem deixar de ter efeitos. Da mesma forma que o mundo que vejo surge dos erros de meu modo de pensar, o mundo verdadeiro também despontará diante de meus olhos quando eu permitir que meus erros sejam corrigidos. Meus pensamentos não podem ser verdadeiros e falsos ao mesmo tempo. Eles têm de ser uma coisa ou outra. O que vejo me mostra qual das duas coisas eles são.

2. (17) Eu não vejo nenhuma coisa neutra.

O que vejo testemunha o que penso. Se eu não pensasse, não existiria, porque vida é pensamento. Que eu olhe para o mundo que vejo como a representação de meu próprio estado de espírito. Sei que meu estado de espírito pode mudar. E, por isso, sei também que o mundo que vejo pode mudar do mesmo modo.

3. (18) Não estou sozinho ao experimentar os efeitos de meu modo de ver.

Se não tenho nenhum pensamento privado, não posso ver um mundo privado. Até mesmo a ideia louca de separação teve de ser compartilhada antes de poder dar forma à base do mundo que vejo. Contudo, esse compartilhar foi um compartilhar do nada. Eu também posso apelar a meus pensamentos verdadeiros, que compartilham tudo com todos. Uma vez que meus pensamentos de separação convocam os pensamentos de separação dos outros, meus pensamentos verdadeiros também despertam os pensamentos verdadeiros neles. E o mundo que meus pensamentos verdadeiros me mostram despontará tanto na sua vista quanto na minha.

4. (18) Não estou sozinho ao experimentar os efeitos de meus pensamentos.

Não estou sozinho em nada. Tudo o que penso, ou digo, ou faço ensina a todo o universo. Um Filho de Deus não pode pensar ou falar ou agir à toa. Ele não pode estar sozinho em coisa alguma. Por isso, está ao meu alcance mudar todas as mentes junto com a minha, porque o poder de Deus me pertence.

5. (20) Eu estou decidido a ver.

Reconhecendo a natureza fracionada de meus pensamentos, estou decidido a ver. Quero olhar para as testemunhas que me mostram que o modo de pensar do mundo mudou. Quero ver a prova de que aquilo que foi realizado por meu intermédio capacitou o amor a substituir o medo, o riso a substituir as lágrimas e a abundância a substituir a perda. Quero olhar para o mundo verdadeiro e deixar que ele me ensine que minha vontade e a Vontade de Deus são uma só.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 54

Já passamos por aqui antes. E, mesmo assim, as ideias que vamos explorar hoje devem ser vistas e praticadas com se fora a primeira vez. E, de fato, é a primeira vez, se nos aproximamos da lição depois de termos deixado o passado para trás.


"Eu não tenho nenhum pensamento neutro."

Esta é a primeira das oportunidades que a lição de hoje nos traz para um novo começo, para uma nova decisão, uma nova escolha. 

É já sabido que, apesar de não significarem coisa alguma, são nossos pensamentos que criam as experiências que vamos viver. É por isso que ele não podem ser neutros. É por isso que precisamos vigiá-los. Para sermos capazes de utilizá-los para ver de modo diferente. Para que a visão nos mostre apenas o mundo verdadeiro, que está adiante de todas as ilusões que pensamos viver a partir dos sentidos e dos pensamentos equivocados.


"Eu não vejo nenhuma coisa neutra."

Não há escapatória, pois não? Se meus pensamentos não são neutros e inventam ora o mundo da ilusão e, mais, raramente me põem em contato com o real em mim - mais quando consigo calá-los do que quando lhes dou ouvidos, não posso ver nenhuma coisa que seja neutra. Pois ao olhar para as coisas com os olhos do corpo, a partir de pensamentos equivocados, já as estou julgado. Meu olhar e meus sentidos, de modo geral, aprisionam todas as pessoas e todas as coisas em conceitos, negando-lhes e, por consequência, negando a mim mesmo, a liberdade de que preciso para ver todas as coisas de modo diferente e para permitir que todas as pessoas e coisas sejam exatamente como são. É isso que me impede de ver a realidade.

A prática com esta segunda ideia que revisitamos hoje dá-nos nova oportunidade de escolher mudar nosso modo de ver.


"Não estou sozinho ao experimentar os efeitos de meu modo de ver."

Isto lhe parece chover no molhado? Não é! Para olhos e ouvidos atentos e para mentes e corações abertos, nunca é demais repetir que a responsabilidade pelo mundo que cada um de nós vê é de cada um de nós mesmos individualmente. E que quando escolhemos olhar para isto ou aquilo desta ou daquela forma, fazemos que todos os que povoam nosso mundo, recebam os efeitos do modo que escolhemos para ver.

Um exemplo até banal é pensar que eu conheço uma pessoa a quem vejo como maravilhosa, boa, inteligente, caridosa, generosa, modelo de pessoa bela, do bem. É claro que vou me referir a ela destacando as qualidades e características que vejo. As pessoas outras a quem eu falar dela vão ter presente em sua mente aquilo que eu disse e, ao conhecê-la, podem vê-la e achar nela as mesmas coisas de que falei.

É em função disso que existe a necessidade de pensarmos bem antes de dizer qualquer coisa de alguém. Até porque sempre falamos apenas de nós mesmos.


"Não estou sozinho ao experimentar os efeitos de meus pensamentos."

O desafio que esta quarta ideia a ser revista nos oferece é bem claro e simples: aprende que posso e devo buscar ter consciência daquilo que penso, sob pena de multiplicar as ilusões do julgamento que meus pensamentos trazem para meu olhar para o mundo e para tudo o que há nele. É bem fácil perceber que tudo aquilo que penso - e meus pensamentos não são neutros - materializa o mundo que quero ver. Mas muitas vezes, em função de meus equívocas materializa também coisas que não quero ver.

O que fazer neste caso? Mudar meu modo de pensar, meu modo de ver. Pois os efeitos do que penso atingem a todos a quem meu pensamento se dirige. E, exemplificando, se me dirijo ao encontro de alguém achando que vou encontrar um monstro, uma pessoa inflexível, injusta, exigente ao extremo, temendo o que pode acontecer no encontro, é muito provável que o resultado dele seja uma completa decepção. Um experiência que me leva para bem longe da alegria e me tira a paz. Sem dúvida, a pessoa "captou" meus pensamentos e fez com que eles fossem a materialização de minhas expectativas. E todos aqueles a quem encontro vão se atingidos pelos efeitos daquilo que pensei.


"Eu estou decido a ver."

Por fim, esta quinta e última ideia, traz o desafio da tomada de decisão. Uma vez aceito este desafio o milagre que se apresenta é a visão. Não a visão que os olhos do corpo oferece, mas a visão que transcende os sentidos. A visão que nos põe em contato com o divino no interior de nós mesmos. E, por extensão, nos permite ver a manifestação do divino em tudo e em todos.

Às práticas?

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

O Curso é um verdadeiro mestre espiritual


LIÇÃO 53

Hoje revisaremos o seguinte:

1. (11) Meus pensamentos sem significado me mostram um mundo sem significado.

Já que os pensamentos dos quais estou ciente não significam nada, o mundo que os retrata não pode ter nenhum significado. O que produz este mundo é insano e o que ele produz também é. A realidade não é insana e eu tenho tanto pensamentos reais quanto pensamentos insanos. Por isso eu posso ver um mundo real, se confiar em meus pensamentos reais como guia para a visão.

2. (12) Eu estou transtornado porque vejo um mundo sem significado.

Pensamentos loucos são perturbadores. Ele produzem um mundo no qual não há nenhuma ordem em lugar algum. Somente o caos governa um mundo que representa um modo de pensar caótico, e o caos não tem nenhuma lei. Não posso viver em paz em tal mundo. Eu me sinto grato porque este mundo não é verdadeiro e porque não preciso vê-lo a menos que escolha dar valor a ele. E não escolho dar valor àquilo que é totalmente insano e não tem nenhum significado.

3. (13) Um mundo sem significado gera medo.

O totalmente insano gera medo porque é completamente inseguro e não oferece nenhuma base para a confiança. Nada é seguro na loucura. Ela não oferece nenhuma segurança e nenhuma esperança. Mas tal mundo não é verdadeiro. Eu lhe dou a ilusão de realidade e sofro em função da minha crença nele. Agora escolho retirar esta crença e colocar minha confiança na realidade. Ao escolher isto, escaparei dos efeitos do mundo de medo, porque estou reconhecendo que ele não existe.

4. (14) Deus não criou um mundo sem significado.

Como pode existir um mundo sem significado, se Deus não o criou? Ele é a Fonte de todo o significado e tudo o que é verdadeiro está na Mente d'Ele. Está em minha mente também, porque Ele o criou comigo. Por que eu deveria continuar a sofrer os efeitos de meus próprios pensamentos insanos, se meu lar é a perfeição da criação? Que eu me lembre do poder de minha decisão e reconheça o lugar onde, de fato, habito.

5. (15) Meus pensamentos são imagens que faço.

Tudo o que vejo reflete meus pensamentos. São meus pensamentos que me dizem onde estou e o que sou. O fato de eu ver um mundo no qual o sofrimento, a perda e a morte existem me mostram que estou vendo apenas a representação de meus pensamentos insanos e que não estou permitindo que meus pensamentos verdadeiros distribuam sua luz generosa sobre o que vejo. O caminho de Deus é seguro, porém. As imagens que faço não podem predominar sobre Ele, porque não é minha vontade que o façam. Minha vontade é a d'Ele e não colocarei outros deuses diante d'Ele.

*

COMENTÁRIO:

Eis-nos aqui, mais uma vez, diante da oportunidade de aceitar o desafio que a lição de hoje nos oferece e de receber e aceitar o milagre que ela reserva a cada um de nós, de acordo com o comprometimento que emprestamos ao nosso envolvimento com o Curso e com as lições. Na verdade, um compromisso que assumimos para com nós mesmos.

O Curso, a Voz por Deus, a Voz que o trouxe à luz, pode ser considerado um verdadeiro mestre espiritual. E, no dizer de Eckhart Tolle: "Um verdadeiro mestre não tem nada a ensinar, sua única função é nos ajudar a eliminar aquilo que nos separa da verdade do que somos, uma verdade que já conhecemos lá no fundo de nós mesmos".

É por isso e para isso que revisamos a primeira das ideias que diz: Meus pensamentos sem significado me mostram um mundo sem significado. É isso que me deixa transtornado [Estou transtornado porque vejo um mundo sem significado.] na maior parte do tempo, a segunda ideia da revisão. Pois não sei explicar por que sinto o que sinto, ou por que penso o que penso, nem por que vejo o que vejo.

É este mundo sem significado que faz com que eu sinta medo. Terceira ideia: Um mundo sem significado gera medo. Não sei onde estou, o que é este mundo, nem por que estou aqui, tampouco qual é minha função neste mundo, que, por ser sem significado, me parece amedrontador. Mas, como a lição ensina entanto, ... tal mundo não é verdadeiro. Eu lhe dou a ilusão de realidade e sofro em função da minha crença nele.

Posso, pois, escolher retirar esta crença e colocar minha confiança na realidade. Ao escolher isto, escaparei dos efeitos do mundo de medo, porque estou reconhecendo que ele não existe.

E , se ele não existe é porque não foi criado por Deus [Deus não criou um mundo sem significado.]. Esta é mais uma das ideias que a lição de hoje nos dá a oportunidade de praticar: a visão de que posso escolher, em Deus, em sintonia com a mente que compartilho com Ele, reconhecer "o poder de minha decisão" e "o lugar onde, de fato, habito".

Reconhecendo isso, posso perceber também que - a última das ideias que revisitamos -: Meus pensamentos são imagens que faço. Na verdade, como eu disse no ano passado, todo o transtorno que aparentemente é viver neste mundo se deve apenas ao apego às imagens que fazemos, que inventam e constroem este mundo insano e amedrontador.

Porém, como ensina a última das ideias que revisamos:

Tudo o que vejo reflete meus pensamentos. São meus pensamentos que me dizem onde estou e o que sou. O fato de eu ver um mundo no qual o sofrimento, a perda e a morte existem me mostram que estou vendo apenas a representação de meus pensamentos insanos e que não estou permitindo que meus pensamentos verdadeiros distribuam sua luz generosa sobre o que vejo. O caminho de Deus é seguro, porém. As imagens que faço não podem predominar sobre Ele, porque não é minha vontade que o façam. Minha vontade é a d'Ele e não colocarei outros deuses diante d'Ele.

E voltando à ideia do mestre espiritual, podemos dizer, se pensarmos bem, que todas as pessoas com que cruzamos ao longo de nossa vida são nosso mestres espirituais - além é claro de imagens que fazemos - pois é só a partir do contato com elas, de mente e coração abertos, que vamos descobrir aspectos de nós mesmos a que, de outro modo, não temos acesso.

Para aproveitar bem das ideias que revisamos é preciso termos em mente que "as palavras são só indicadores", sinalizadores. Não é possível achar "aquilo que elas mostram no reino do pensamento", mas apenas numa dimensão muito "mais profunda e infinitamente mais vasta do que o pensamento".

"Uma característica dessa dimensão é uma paz vibrante e viva", no dizer de Eckhart Tolle, que tem muito mais a ver com a alegria e com a ação do que com qualquer outro aspecto da experiência de ver o mundo e de viver nele a partir do filtro dos sentidos.

Às práticas, pois. Lembremo-nos das orientações para as práticas neste período na introdução à revisão. 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A importância da tomada de decisão para o Curso


LIÇÃO 52

A revisão de hoje abrange estas ideias:

1. (6) Eu estou transtornado porque vejo o que não existe.


A realidade nunca é assustadora. É impossível que ela possa me transtornar. A realidade só traz a paz perfeita. Quando estou transtornado, é sempre porque substituí a realidade por ilusões que inventei. As ilusões são perturbadoras porque lhes dou realidade e, deste modo, considero a realidade uma ilusão. Nada na criação de Deus, de nenhuma forma, se deixa abalar por esta minha confusão. Eu sempre estou transtornado por nada.

2. (7) Eu só vejo o passado.

Ao olhar a minha volta, condeno o mundo para o qual eu olho. Chamo a isto de ver. Utilizo o passado contra todos e contra tudo, transformando-os em meus inimigos. Quando eu me perdoar e me lembrar de Quem sou, abençoarei a todos e a tudo o que vir. Não haverá passado e, por isso, nenhum inimigo. E olharei com amor para tudo o que deixei de ver antes.

3. (8) Minha mente está preocupada com pensamentos passados.

Eu só vejo meus próprios pensamentos e minha mente está preocupada com o passado. O que, então, posso ver tal como é? Que eu me lembre de que olho para o passado a fim de impedir que o presente desponte em minha mente. Que eu compreenda que estou tentando usar o tempo contra Deus. Que eu aprenda a entregar o passado, percebendo claramente que, ao fazê-lo, não estou desistindo de nada.

4. (9) Eu não vejo nada tal como é agora.

Se eu não vejo nada tal como é agora, pode-se verdadeiramente dizer que não vejo nada. Eu só posso ver o que existe agora. A escolha não está entre ver o passado ou o presente; a escolha está simplesmente entre ver ou não. Aquilo que escolhi ver me custou a visão. Agora quero escolher outra vez a fim de poder ver.

5. (10) Meus pensamentos não significam coisa alguma.

Eu não tenho nenhum pensamento privado. No entanto, é apenas de pensamentos privados de que estou ciente. O que estes pensamentos podem significar? Eles não existem e, por isso, não significam nada. Contudo, minha mente é parte da criação e parte de seu Criador. Será que eu não prefiro me unir ao modo de pensar do universo a esconder tudo o que, de fato, é meu com meus pensamentos "privados" lamentáveis e sem significado?

*

COMENTÁRIO:

E agora?

Como continuar a comentar estas lições, depois da maratona que foi trabalhar com as primeiras cinquenta seguindo o modelo de Tara Singh para as dez primeiras?

O que vocês acham?

Creio que mesmo para quem está fazendo as lições há muito tempo, não há como aproximar-se de cada lição e do espírito do Curso se não o fazemos como se fosse a primeira vez. Porque é sempre a primeira vez, quando deixamos todo o passado para trás.

Se nos aproximamos de uma ideia, mesmo nesta revisão, com o pensamento de que ela não é mais tão importante porque já trabalhamos com ela anteriormente, quer tenha sido neste ano, quer em anos anteriores, quer há muito tempo, perdemos a oportunidade de experimentar a verdade eterna que ela nos oferece. Pois a estamos vendo sob o olhar do julgamento. 

Então, é preciso que mantenhamos em mente a necessidade de nos aproximarmos de cada uma das ideias que praticamos de mente e corações abertos, prontos para receber o que ela quer nos dar. Prontos para aceitar o desafio que ela nos oferece e colher, receber, reconhecer e aceitar o milagre que ela nos traz.

E daí que já tenhamos trilhado este caminho antes?

Agora ele é um caminho inteiramente novo, se abandonamos o passado. Além do mais é sempre tempo de tomarmos a decisão, caso ainda não a tenhamos tomado.

Lembram-se de que falo sempre da importância da decisão, da tomada de decisão? Por que pensam que faço isso? Que insisto nisso?

Parte da resposta está no texto de Tara Singh que lhes ofereci ontem como comentário e introdução a este período de revisão e parte está em um pequeno texto que descobri outro dia, revelador do que o Curso fala a respeito da necessidade de se tomar a decisão e do que acontece a partir do momento em que o fazemos. É o seguinte:

Enquanto alguém não se compromete existe a hesitação, a oportunidade de voltar atrás, a falta de efetividade. Há [porém], em relação a todos os atos de iniciativa [e criação], uma verdade elementar, cuja ignorância mata incontáveis ideias e planos: no momento em que alguém se compromete definitivamente, a Providência também se movimenta. Toda sorte de coisas acontece para ajudar alguém, o que, de outro modo, jamais teria ocorrido. Uma sequência inteira de eventos resulta da decisão, surgindo a seu favor todo tipo de incidentes não previstos, encontros e apoio material que nenhum homem jamais teria sonhado que pudessem acontecer desse jeito.

Goethe

O Curso também se refere à necessidade da tomada de decisão, em particular no capítulo 21 do texto, sob o título VII. A última questão sem resposta, a partir da pergunta [a última de quatro]: E quero ver aquilo que neguei porque é a verdade?

Esta pergunta diz o Curso, ainda parece amedrontadora e diferente das outras três... A razão te asseguraria que elas são a mesma. E se refere à única e última decisão que tens de tomar. E o próprio texto pergunta: "Por que a questão final é tão importante", se ela é a mesma que as outras três?

A resposta que a razão [a parte de nossa mente que está em contato constante com Deus] é a seguinte: "Ela é a mesma que as outras três, exceto no que diz respeito ao tempo. As outras são decisões que podem ser tomadas e então desfeitas e tomadas outras vez. Mas a verdade é constante e subentende um estado no qual indecisões são impossíveis. Podes desejar um mundo que governes que não te governe, e mudar de ideia. Podes desejar trocar tua impotência pelo poder e perder este mesmo desejo quanto um pequeno lampejo de pecado te atrair. E podes querer ver um mundo inocente e permitir que um "inimigo" te tente a usar os olhos do corpo e mudar o que desejas.

É ainda o Curso que fala:

Em conteúdo, todas as questões são a mesma. Pois cada uma pergunta se estás disposto a trocar o mundo do pecado por aquilo que o Espírito Santo vê, uma vez que é isso o que o mundo do pecado nega. E, por isso, aqueles que olham para o pecado veem a negação do mundo real. A última pergunta, porém, acrescenta o desejo de constância a teu desejo de ver o mundo real, deste modo o desejo [de ver o mundo real] se torna o único desejo que tens. Ao responderes "sim" à última questão, acrescentar sinceridade às decisões que já tomaste acerca de tudo mais. Pois só então renuncias à opção de mudar de ideia de novo. Quanto isto for o que queres, o resto está inteiramente respondido.

Por que pensas que não tens certeza de que as outras foram respondidas? Seria necessários fazê-las com tanta frequência se tivessem sido? Até que a última decisão seja tomada, a resposta é tanto "sim" quanto "não". Pois respondes "sim" sem perceber que "sim" tem de significar "não" [enquanto te reservares o direito de mudar de ideia quanto a tua decisão de assumir o compromisso contigo mesmo].

Em todo o caso, o Curso continua: Ninguém se decide contra sua [própria] felicidade, mas pode fazê-lo se não perceber que o faz. E se vê sua felicidade como algo em mudança constante, ora isto, ora aquilo, e ora uma sombra enganosa sem vínculo com nada, de fato se decide contra ela.

No último parágrafo desta parte do texto vemos a razão pela qual se dá tanta importância à decisão. E só depois de a termos tomado em definitivo é que vamos ser capazes de reconhecer, compreender e aceitar que:

A felicidade enganosa ou a felicidade em forma mutante, que se transforma com tempo e lugar, é uma ilusão que não tem significado algum. A felicidade tem de ser contante, porque a obtemos pela desistência do desejo do inconstante. Não se pode perceber a alegria senão pela visão verdadeira. E a visão verdadeira só pode ser dada àqueles que desejam constância. O poder do desejo do Filho de Deus continua a ser a prova de que ele está equivocado quando se percebe impotente. Deseja o que quiseres e o verás e pensarás que é real. Nenhum pensamento deixa de ter o poder de libertar ou matar. E nenhum pode deixar a mente de quem o pensa ou deixar de influenciá-lo.

Hoje temos mais uma vez a oportunidade de tomar a decisão pelas práticas de cinco ideias poderosíssimas, que podem nos levar mais perto do reconhecimento da necessidade de abandonarmos o sistema de pensamento do ego, de abandonarmos o mundo, de abandonarmos o passado.

É a prática, a aplicação, das ideias a nossa experiência diária que vai fazer que acabem os transtornos por algo que não existe, que vai nos fazer reconhecer que só vemos o passado, porque a mente em nós só sabe se ocupar de pensamentos do passado. É também a aplicação que vai nos auxiliar a viver o "agora", o "presente", por nos mostrar que não vemos nada tal qual é agora, pois nossos pensamentos, contaminados pelo passado, pelo julgamento, não podem significar coisa alguma.

Às práticas?

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

De volta ao começo



O Novo Começo

Começamos este ano - ou recomeçamos, para os que já frequentam este espaço há algum tempo - com os comentários de Tara Singh para as primeiras dez lições. Comentários que acredito, por alguns comentários no próprio blogue ou pelo contato com o que me disseram algumas das pessoas que frequentam o blogue desde o início, tenham sido bastante proveitosos para todos. 

Isso me animou a seguir a linha de Tara Singh para os primeiros 50 exercícios que terminamos ontem. Espero também que os comentários até aqui tenham servido para esclarecer ou revelar alguns aspectos que podem parecer difíceis para quem se aproxima das lições, quer pela primeira vez, quer pela segunda ou mais.

Hoje vamos começar o primeiro período de revisão, que oferece a oportunidade de voltarmos todos os dias a uma ou mais de uma das ideias que praticamos como forma de fixá-la na mente - e no coração, se possível - ou mesmo entender algum aspecto que passou despercebido no primeiro contato com ela. Este período vai durar dez dias, durante os quais vamos revisitar e praticar cinco das primeiras 50 lições por dia.

Antes de entrarmos na revisão propriamente dita, para fechar este período em grande estilo e iniciar a nova etapa com a melhor disposição possível para a mudança, quero lhes oferecer a introdução aos comentários de Tara Singh, que é o quarto capítulo de seu livro A Course in Miracles - A Gift for All Mankind [Um Curso em Milagres - Uma Dádiva para Toda a Humanidade]. 

O capítulo, no livro, se intitula The Daily Lesson Offers Miracles [A Lição Diária Oferece Milagres] e tem um subtítulo muito interessante sob a forma de uma pergunta [Will You Decide to Be Transformed?] que é nosso ponto de partida [tudo o que se segue a partir daqui, até o início da revisão, é a tradução do texto de Tara Singh].

Tu Te Decidirás a Ser Transformado?¹

Um Curso em Milagres existe para te despertar do sono do esquecimento. A função dele é pôr fim à separação. Quando o Curso diz: Toda a ajuda que puderes aceitar te será oferecida..., ele se refere àqueles que assumem um compromisso sincero consigo mesmos. Tu podes chegar à convicção para dizer: "Eu sou um estudante do Um Curso em Milagres"? Se puderes, vais ter um relacionamento com o espírito do Curso para o resto da vida.

Esta é uma decisão que tens de tomar. A decisão é: ou apelar para a energia da Mente, ou permanecer com a energia do corpo - o cérebro, o sistema de pensamento do ego. Uma decisão não é nem uma escolha, nem uma preferência. Ela não conhece nenhuma condescendência.

Sem a decisão, nunca descobrirás a energia da Mente - a Mente de Deus da qual és uma parte. Tu precisas da energia da Mente para dizeres: "Não aceitarei a separação. Desfarei a confusão, a tristeza e a ingratidão do cérebro. Apelarei para os milagres". Isto é transformação.

Quando ficas de mau humor ou te achas deprimido e desanimado, a energia da Mente te dirá que isto é ingratidão. A Mente não conhece a carência. O cérebro te dirá que não és capaz de lidar com isso, que tua situação deve ser deste ou daquele jeito. Ele sempre fará nascer um carência e te tornará dependente do exterior. Para a correção interior, no entanto, tu sempre podes apelar para os milagres.

Estamos juntos, Cristo e eu,
na paz e na clareza de objetivo...

Estás seguro de teu objetivo? Sem a decisão alguém pode ter certeza? Toma tua decisão e porás em ação o poder da Mente. Tua decisão vai confirmar que tu não és uma vítima do tempo com suas ilusões. Quando tu, o Filho de Deus, tomas essa decisão, descobres tua própria pureza, tua própria santidade.

Isso faz sentido para nós, mas parece que não podemos chegar à decisão. No melhor dos casos, optamos pelo entusiasmo, que não dura. O ritmo de nosso desenvolvimento depende de nossa decisão de nos atermos a ela. Ater-se a ela significa entrar na intemporalidade na qual não há nenhuma ansiedade, nenhum medo, nenhuma separação.

Não é fácil, nem difícil, mas exige liberdade do apego ao mundo dos sentidos. A questão é soltar. Não há nada mais a se fazer a não ser soltar. Não há nada para se realizar.

Um Curso em Milagres soluciona muitos dos problemas com os quais vivemos ao longo dos séculos. Até mesmo os profetas lutaram para vislumbrar as leis que o Curso compartilha: que não há nada para se realizar, que somos inocentes. A humanidade alguma vez já recebeu tal dádiva?

O Curso deixa muito claro que a compreensão não é necessária; ela não tem importância. Nós sempre pensamos que ela era importante. Toda a nossa vida foi dedicada a compreender. O Curso diz que não precisas compreender a lição, mas tens de praticá-la. De fato, tu podes até mesmo resistir à lição ou achá-la irritante. Está certo. Podes manter tua opinião; tua mente ainda não está treinada.

Tenta viver o dia inteiro com a lição. Podes descobrir por ti mesmo que, quer gostes, quer não, tua opinião não significa nada? Esta descoberta não seria da energia da Mente? Se te aferras a uma opinião acerca da lição, não estás limitado ao nível do cérebro e, deste modo, separado da energia criativa da Mente?

Se vais ler o Curso, tens de praticá-lo. A própria prática apresentará os milagres ao teu cérebro e trará à tona uma nova mente.

Prática e lembrança são sinônimos. De fato, escapar de tua rotina para lembra a lição é mais importante do que aquilo que a lição do dia pode dizer. Se não puderes lembrar de fazer a lição, ela terá algum significado? Sem tua lembrança e prática, não estás sendo fiel ao Curso.

O tempo para se completar as lições é de um ano - 365 dias. No momento em que chegares à LIÇÃO 50 e às lições de revisão que se seguem, o Curso te conduzirá por um processo acelerado. O Cristo interior se torna teu Professor. E em cada lição há vislumbres de que és parte da Mente de Deus. A separação nunca aconteceu.

Agora começas a reconhecer que o Curso é uma espiral. A cada nível da espiral há menos cérebro e mais Mente. À medida que o "tu" começa a diminuir, o Cristo em ti começa a crescer.

A primeira espiral te ajuda a transcender a compreensão e a dominar a prática. Da prática tu te moves na direção da segunda espiral em que te tornas cada vez mais consciente da Mente que compartilhas com Deus. Este movimento acontece de forma involuntária.

Assim, na medida em que a condição mundana diminui, a santidade cresce. Que ação! Cada espiral desperta potenciais que nunca conheceste e nunca usaste. Ele te apresenta a quem tu és como o Altar de Deus na terra, e desperta tua capacidade de receber a luz da Mente. O cérebro se transforma sem resistência.

Na terceira espiral, tu te apaixonas pelo Curso e jamais o abandonarás. Teu apego às coisas do mundo começa a se desintegrar. Tu não te encaixas mais no mundo de ilusões à medida que tua lembrança de Deus, do Conhecimento Verdadeiro, desperta.

A convicção e a integridade emergem. E, por isso, os humores do cérebro, depressão, medo e insegurança têm pouco efeito. Agora tu tens a generosidade para oferecer a teu vizinho, a tua mulher, a teu marido, a teus filhos e filhas. O que é a vida sem a generosidade?

Aonde se compartilha a generosidade, a dependência desaparece. Tu tens a luz criativa da Mente para oferecer. E o que compartilhas é impessoal. Primeiro tu compartilhaste a proximidade física, agora compartilhas generosidade, gratidão, amor e verdade.

Se tornares as práticas das lições conforme prescritas a primeira de tuas prioridades, dentro de um ano podes estar transformado. Tu serás um estudante de Um Curso em Milagres?² Tomarás esta decisão?³

Nota da tradução:

¹, ² e ³: Estas três frases também poderiam ser traduzidas - e pode ser até que soassem melhor em relação ao clima que Tara Singh cria a respeito da necessidade da tomada de decisão e da diferença que ela faz - da seguinte forma:

¹ Queres te decidir a ser transformado?
² Queres ser um estudante de Um Curso em Milagres?
³ Queres tomar esta decisão?

*

REVISÃO I

Introdução
1. A partir de hoje, teremos uma série de períodos de revisão. Cada um deles abrangerá cinco ideias já apresentadas, começando com a primeira e terminando com a quinquagésima. Haverá alguns comentários curtos depois de cada uma das ideias a respeito dos quais deves refletir em tuas revisões. Nos períodos de prática, os exercícios devem ser feitos da forma indicada a seguir:

2. Começa o dia lendo as cinco ideias e os comentários incluídos. Depois disso não é necessário seguir nenhuma ordem particular para refletir sobre elas, embora cada uma deva ser praticada pelo menos uma vez. Dedica dois minutos ou mais a cada período de prática, pensando a respeito da ideia e dos comentários relativos a ela depois de lê-los. Faze isso com a maior frequência possível durante o dia. Se qualquer uma das ideias te atrair mais do que as outras, concentra-te naquela. Ao final do dia, porém, certifica-te de revisar todas elas mais uma vez.

3. Não é necessário abordar nem de forma literal ou minuciosa os comentários que se seguem a cada ideia nos períodos de prática. Tenta, em vez disso, enfatizar o ponto central e pensa nele como parte de tua revisão da ideia à qual ele se relaciona. Depois de leres a ideia e os comentários relacionados a ela, os exercícios devem ser feitos, se possível, de olhos fechados e quando estiveres sozinho em um lugar tranquilo.

4. Enfatiza-se isto para os períodos de prática em teu estado atual de aprendizado. Contudo, será necessário que aprendas a não precisar de nenhum cenário especial no qual aplicar o que aprendes. Vais necessitar de teu aprendizado principalmente em situações que parecem ser perturbadoras, mais do que naquelas que já parecem ser calmas e tranquilas. O objetivo de teu aprendizado é te capacitar a carregares a serenidade contigo e a curar a aflição e o tumulto. Não se faz isto evitando-os e buscando um refúgio de isolamento para ti mesmo.

5. Tu ainda vais aprender que a paz é parte de ti e só pede que estejas presente para envolver qualquer situação em que te encontrares. E, por fim, aprenderás que não há nenhum limite em relação ao lugar onde te encontras, de modo que tua paz está em todos os lugares do mesmo modo que tu.

6. Vais perceber que, para os objetivos da revisão, algumas das ideias não são dadas exatamente em sua forma original. Usa-as como são dadas aqui. Não é necessário voltar às declarações originais nem aplicar as ideias da forma sugerida então. Agora estamos enfatizando as relações entre as primeiras cinquenta ideias que abordamos e a lógica do sistema de pensamento ao qual elas te conduzem.

*

LIÇÃO 51

A revisão para o dia de hoje abrange as seguintes ideias:

1. (1) Nada do que vejo significa coisa alguma.

A razão para isto ser verdade é que eu vejo o nada e o nada não tem nenhum significado. É necessário que eu reconheça isto, para eu poder aprender a ver. O que penso ver agora ocupa o lugar da visão. Eu tenho de abandoná-lo percebendo claramente que isto não tem nenhum significado, a fim de que a visão possa assumir seu lugar.

2. (2) Dou ao que vejo todo o significado que tem para mim.

Julgo todas as coisas que vejo, e é isto, e apenas isto, que vejo. Isto não é visão. É simplesmente uma ilusão de realidade, porque meus julgamentos são feitos de modo bem separado da realidade. Estou disposto a reconhecer a falta de legitimidade em meus julgamentos, porque quero ver. Meus julgamentos me ferem e eu não quero ver em consonância com eles.

3. (3) Eu não compreendo nada do que vejo.

Como eu poderia compreender o que vejo se o julgo errado? O que vejo é a projeção de meus próprios erros de pensamento. Não compreendo o que vejo porque o que vejo não é compreensível. Não há sentido em tentar compreendê-lo. Mas existem inúmeras razões para abandonar isto e criar espaço para o que pode ser visto e compreendido e amado. Posso trocar o que vejo agora por isto simplesmente estando disposto a fazê-lo. Esta não é uma escolha melhor do que a que fiz antes?

4. (4) Estes pensamentos não significam coisa alguma.

Os pensamentos de que estou ciente não significam nada, porque estou tentando pensar sem Deus. Aquilo que chamo de "meus" pensamentos não são meus pensamentos verdadeiros. Meus pensamentos verdadeiros são os pensamentos que penso com Deus. Não estou consciente deles porque crio meus pensamentos para tomar o lugar deles. Estou disposto a reconhecer que meus pensamentos não significam nada e a abandoná-los. Escolho tê-los substituídos por aquilo que eles pretendiam substituir. Meus pensamentos não têm significado, mas toda a criação está nos pensamentos que penso com Deus.

5. (5) Eu nunca estou transtornado pela razão que imagino.

Nunca estou transtornado pela razão que imagino, porque estou constantemente tentando justificar meus pensamentos. Tento constantemente torná-los verdadeiros. Torno todas as coisas minhas inimigas a fim de que minha raiva seja justificada e meus ataques sejam autorizados. Não percebo claramente o quanto uso de modo equivocado todas as coisas que vejo por lhes conferir este papel. Faço isto para defender um sistema de pensamento que me fere e que não quero mais. Estou disposto a abandoná-lo.

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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A vida não depende das formas, dos corpos


LIÇÃO 50

É o Amor de Deus que me anima.

1. Eis aqui a resposta a todos os problemas com os quais te defrontarás hoje e amanhã e ao longo do tempo. Neste mundo, tu acreditas que tudo te dá forças, menos Deus. Colocas tua fé nos símbolos mais insignificantes e loucos; pílulas, dinheiro, roupa "de proteção", influência, prestígio, ser querido, conhecer as pessoas "certas" e uma infinidade de formas do nada às quais dotas de poderes mágicos.

2. Todas estas coisas são teus substitutos para o Amor de Deus. Todas estas coisas são alimentadas para assegurar uma identificação com o corpo. Elas são cantos de louvor ao ego. Não ponhas tua fé naquilo que é inútil. Ele não te dará forças.

3. Só o Amor de Deus te protegerá em todas as circunstâncias. Ele te elevará acima de todas as provações e te erguerá bem alto, acima de tudo o que se considera serem os perigos deste mundo, na direção de um clima de paz e segurança perfeitas. Ele te transportará a um estado de espírito que nada pode ameaçar, nada pode perturbar e no qual nada pode se intrometer na serenidade eterna do Filho de Deus.

4. Não ponhas tua fé em ilusões. Elas te abandonarão. Põe toda a tua fé no Amor de Deus dentro de ti; eterno, imutável e infalível para sempre. Esta é a resposta para qualquer coisa que enfrentares hoje. Por meio do Amor de Deus em ti podes resolver todas as aparentes dificuldades sem esforço e com confiança infalível. Dize isto a ti mesmo com frequência hoje. É uma declaração de libertação de tua crença em ídolos. É teu reconhecimento da verdade a teu próprio respeito.

5. Por dez minutos, duas vezes hoje, pela manhã e à noite, deixa a ideia para hoje mergulhar profundamente em tua consciência. Repete-a, pensa a respeito dela, deixa que ideias afins venham te ajudar a reconhecer sua verdade, e permite que a paz flua sobre ti como um manto de proteção e segurança. Não deixes que nenhum pensamento inútil e tolo entre para perturbar a mente santa do Filho de Deus. Assim é o Reino do Céu. Assim é o local de repouso em que teu Pai te colocou para sempre.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 50


"É o Amor de Deus que me anima."

O que sou?

O ponto de partida para todas as vidas e para tudo na vida está nesta pergunta: O que sou?

Responde a esta pergunta e terás alcançado o sentido para tua vida, para toda vida que percebes, para tudo o que vês.

É na direção da resposta a esta pergunta que todos caminham. Que caminhamos todos.

E é apenas uma coisa que nos anima. O Amor de Deus. Nada mais. Um poema português, falando a respeito da morte de Isabel de Portugal diz: "Nunca mais servirei senhor que possa morrer... Nunca mais amarei quem não possa viver sempre..."

Isto explica por que razão devemos pôr Deus em primeiro lugar? Por que é o Amor de Deus que nos anima?

A lição de hoje pode nos dar as respostas que buscamos. Comecemos, pois, com ela:

Eis aqui a resposta a todos os problemas com os quais te defrontarás hoje e amanhã e ao longo do tempo. Neste mundo, tu acreditas que tudo te dá forças, menos Deus. Colocas tua fé nos símbolos mais insignificantes e loucos; pílulas, dinheiro, roupa "de proteção", influência, prestígio, ser querido, conhecer as pessoas "certas" e uma infinidade de formas do nada às quais dotas de poderes mágicos.

Não é bem verdadeiro que, em geral, neste mundo, nossa atenção está voltada para os "símbolos mais insignificantes e loucos"? Acreditamos precisar do último modelo de telefone celular, do carro mais moderno e potente, da receita do novo creme que vai nos rejuvenescer e nos devolver a aparência de garotos ou garotas de 18, 19 anos. Ou a nova dieta que vai nos colocar em corpos de modelos. Ou... uma infinidade de outras coisas a que vamos nos apegar para esquecer que é preciso que nos voltemos para dentro para aprender o que somos.

Será que é isso que vai e pode responder à questão primordial acerca de nossa identidade? Ou será que é só isso que somos: corpos?

Será que é nisso que podemos confiar: pílulas, dinheiro, influência, prestígio, conhecer as pessoas certas [a pessoa que vem é a certa, lembram?]? Não vimos há pouco que há um Único Poder em que confiar?

E o que são estas coisas a que pensamos dever dar nossa confiança?

É a lição que responde. Assim:

Todas estas coisas são teus substitutos para o Amor de Deus. Todas estas coisas são alimentadas para assegurar uma identificação com o corpo. Elas são cantos de louvor ao ego. Não ponhas tua fé naquilo que é inútil. Ele não te dará forças.

Se pararmos para pensar em todas as coisa que passaram por nossa vida, qual delas ainda está conosco, desde que tivemos um mínimo de consciência de estar aqui, neste mundo, desde que, como se diz, "nos conhecemos por gente"?

Quantas são as pessoas com quem tivemos algum contato e que ainda permanecem em nossa vida? E quantas foram as que nos decepcionaram, prometendo alguma coisa que não cumpriram? E a quantas decepcionamos, fazendo-as saírem de nossa vida? Quantas vezes pensamos, ao conhecer alguém, que aquela era a pessoa certa? Que era ela o amor que preencheria nossa vida vazia e carente?

É o Amor de Deus que me anima.

Em geral, pensamos em nós mesmos como seres incompletos, imperfeito, metades que buscam outra metade de si para poderem viver a completude. Não é assim que se diz: "estou à procura de minha cara-metade", a outra metade da maçã, ou da laranja? Uma letra de música recente diz até: "procuro um amor que ainda não encontrei, diferente de todos que amei".

Mas isso não é verdade. Não é possível não encontrar o amor. O amor, que é o que somos, na verdade, está em nós mesmos, nunca é incompleto e só pode aumentar e se estender ao ser dado.

Aqueles de nós que dizem se encontrar "sem amor", ou que estão "à procura de um amor" que ainda não encontraram estão a procurar fora. Em alguém ou em alguma coisa. Não buscaram encontrá-lo no interior de si mesmos. E é só lá que vão achá-lo. E só vão achá-lo, quando começarem a compartilhá-lo.

É o Amor de Deus que me anima.

Esperar que o amor se apresente, vindo de alguém ou de algum lugar é acreditar nas ilusões românticas com as quais o ego espera que substituamos o Amor de Deus.

No entanto, a lição ensina:

Não ponhas tua fé em ilusões. Elas te abandonarão. Põe toda a tua fé no Amor de Deus dentro de ti; eterno, imutável e infalível para sempre. Esta é a resposta para qualquer coisa que enfrentares hoje. Por meio do Amor de Deus em ti podes resolver todas as aparentes dificuldades sem esforço e com confiança infalível. Dize isto a ti mesmo com frequência hoje. É uma declaração de libertação de tua crença em ídolos. É teu reconhecimento da verdade a teu próprio respeito.

Todas as ilusões estão destinada ao desaparecimento. Nascer, crescer, desabrochar, mostrar-se toda beleza em flor e fenecer é o destino da rosa e de todas as flores. Nascer, crescer, desabrochar, florir e tornar-se fruto é o destino que espera todos os frutos, para, depois de maduros, colhidos, se transformarem em alimento e desaparecerem. Mas uma rosa colhida, ao murchar e morrer, não determina o fim da roseira que, novamente e novamente, vezes sem conta, vai oferecer sua flores ao mundo. Nem a colheita dos frutos ou sua queda pura e simples das árvores marca a morte da árvore de onde o fruto brotou. Tudo se renova e recomeça de forma cíclica. E os ciclos parecem ser eternos. É assim a vida neste mundo.

Nós, nos corpos, experimentamos a ilusão de estar vivos e de sermos corpos dotados de sentido, destinados a fenecer e a desaparecer, mas a vida, que é a dádiva de Deus, não morre jamais. Terminado o tempo que escolhemos viver a experiência do corpo, voltamos à Fonte, a Deus, de onde, aliás, nunca saímos, a não ser na ilusão do ego, que quer nos fazer acredita que somos apenas corpos.

É o Amor de Deus que me anima.

Os corpos, a forma que escolhemos, precisam nascer, crescer, amadurecer, e vão se deteriorar no tempo, como todas as coisas no mundo. Ao longo do tempo em que experimentamos viver o que nos oferecem os sentidos e a percepção, passamos por muitas situações, enfrentamos muitos perigos e adversidades. Muitas vezes pensamos ser necessário à sobrevivência, como se diz comumente, "matar um leão por dia".

Isso tudo se dá, porém, apenas no nível da matéria, da ilusão. Como diz Joel Goldsmith em seu livro A Arte de Curar pelo Espírito, o que chamamos de corpo não é nada exceto "um conceito material do corpo. E este conceito que nos atrapalha e emaranha em todos as espécies de males; mas o corpo em si não tem o poder de causar males. O corpo não tem o poder de causar o bem ou o mal, de produzir saúde ou doença; é a nossa concepção [do corpo] que se revela como corpo sadio ou como corpo doente".

E a lição diz:

Só o Amor de Deus te protegerá em todas as circunstâncias. Ele te elevará acima de todas as provações e te erguerá bem alto, acima de tudo o que se considera serem os perigos deste mundo, na direção de um clima de paz e segurança perfeitas. Ele te transportará a um estado de espírito que nada pode ameaçar, nada pode perturbar e no qual nada pode se intrometer na serenidade eterna do Filho de Deus.

É exatamente disto que trata o Curso nesta lição, de nos devolver ao que somos em Deus, protegendo-nos de todo e qualquer perigo deste mundo, ao nos indicar o caminho que pode nos conduzir a um estado de espírito que nada pode ameaçar, nada pode perturbar e no qual nada pode se intrometer na serenidade eterna do Filho de Deus.

Esse estado pode nos levar a compreender, como diz Goldsmith, não somos um corpo material. Esta compreensão, pouco a pouco, vai dissipar o conceito materialista do corpo, fazendo-nos perceber que não existe "poder algum no mundo visível, que não há poder algum no corpo, nos órgãos e nas funções do corpo, assim como não há poder em bactérias e no alimento". Todo o poder foi dado a nós, ao que somos.

Isso é que vai nos fazer compreender de que fala Goldsmith quando diz: "não tens saúde porque teu coração funciona normalmente - mas ... teu coração tem saúde porque existes harmoniosamente. Tu não andas porque tuas pernas funcionam bem - mas as tuas pernas andam porque tu és harmonioso. Fisicamente, tu tens saúde somente porque o teu corpo é sadio; mas espiritualmente tens saúde e integridade porque a tua integridade governa a atividade do teu corpo". 

É o Amor de Deus que me anima.

Saber disso, compreender isso, praticar e aplicar esta ideia é que vai mostrar que somos nós que dominamos o corpo, pela consciência de nossa verdadeira natureza. Esta consciência reverterá em saúde também para todos que se aproximarem de nós.

Terminemos assim nossa exploração com o que a lição nos orienta a fazer neste dia:

Por dez minutos, duas vezes hoje, pela manhã e à noite, deixa a ideia para hoje mergulhar profundamente em tua consciência. Repete-a, pensa a respeito dela, deixa que ideias afins venham te ajudar a reconhecer sua verdade, e permite que a paz flua sobre ti como um manto de proteção e segurança. Não deixes que nenhum pensamento inútil e tolo entre para perturbar a mente santa do Filho de Deus. Assim é o Reino do Céu. Assim é o local de repouso em que teu Pai te colocou para sempre.

Às práticas?