quarta-feira, 9 de junho de 2010

Prática para ficar à vontade em Deus

LIÇÃO 160

Estou em casa. O medo é o estranho aqui.

1. O medo é um estranho para os caminhos do amor. Identifica-te com o medo e serás um estranho para ti mesmo. E, desta forma, te tornas desconhecido para ti. Aquilo que é teu Ser continua a ser um estranho para a parte de ti que pensa ser real, mas diferente de ti mesmo. Quem poderia ser são em tal circunstância? Quem a não ser um louco poderia acreditar que é aquilo que não é se decidir contra si mesmo.

2. Há um estranho no meio de nós, que veio de uma ideia tão estranha à verdade que fala uma língua diferente, olha pra um mundo que a verdade não conhece e compreende aquilo que a verdade considerá sem sentido. Mais estranho ainda, ele não reconhece aquele a quem vem e ainda afirma que o lar dele lhe pertence, enquanto que aquele que está em casa é agora o estranho. E, não obstante, quão fácil seria dizer: "Este é meu lar. Meu lugar é aqui e não sairei porque um louco diz que devo".

3. Que razão existe para não se dizer isto? Qual poderia ser a razão exceto que convidaste este estranho a entrar para tomar teu lugar e permitir que fosses um estranho para ti mesmo? Ninguém se permitiria ser despejado de forma tão desnecessária, a menos que pensasse haver outro lar mais adequado a seus gostos.

4. Quem é o estranho? É o medo ou és tu que és inadequado ao lar que Deus proporcionou a Seu Filho? O medo é d'Ele Mesmo, criado a Sua semelhança? É ao medo que o amor completa e por que é completado? Não existe nenhum lar que possa abrigar o amor e o medo. Eles não podem coexistir. Se tu és real, então o medo tem de ser ilusão. E, se o medo é real, então tu não existes em absoluto.

5. Com que simplicidade, então, a questão se resolve. Quem tem medo apenas nega a si mesmo e diz: "Eu sou o estranho aqui. E, por esta razão, deixo meu lar para alguém mais parecido comigo do que eu mesmo e dou a ele tudo o que eu pensava me pertencer". Agora, porque é inevitável, ele está exilado, sem saber quem é, inseguro acerca de todas as coisas menos desta: que ele não é ele mesmo e que seu lar lhe foi negado.

6. O que ele busca agora? O que pode achar? Um estranho para si mesmo não pode achar nenhum lar seja qual for o lugar em que possa procurar, porque tornou impossível a volta. Seu caminho está perdido, a não ser que um milagre o descubra e lhe mostre imediatamente que ele não é nenhum estranho. O milagre virá. Pois o Ser dele permanece em seu lar. Ele não solicitou nenhum estranho e não aceitou nenhum pensamento estranho para ser Ele Mesmo. E chamará o que Lhe é Próprio para Si Mesmo em reconhecimento daquilo que Lhe pertence.

7. Quem é o estranho? Ele não é aquele por quem teu Ser não chama? Agora tu és incapaz de reconhecer este estranho teu meio, pois tu lhe deste teu lugar legítimo. No entanto, teu Ser é tão seguro do que Lhe pertence quanto Deus de Seu Filho. Ele não pode ficar confuso acerca da criação. Ele tem certeza do que Lhe pertence. Nenhum estranho pode se interpor entre o conhecimento d'Ele e a realidade de Seu Filho. Ele não conhece estranhos. Ele está seguro acerca de Seu Filho.

8. A certeza de Deus basta. O lugar d'Aquele Que Ele conhece como Seu Filho é aquele no qual Ele estabelece Seu Filho para sempre. Ele responde a ti, que perguntas: "Quem é o estranho"? Ouve Sua Voz te assegurar, segura e serenamente, que não és um estranho para teu Pai e que teu Criador também não se tornou estranho para ti. Aquele a quem Deus se une continua a ser um só para sempre à vontade n'Ele, sem ser estranho para Si Mesmo.

9. Hoje damos graças por Cristo vir procurar no mundo aquilo que Lhe pertence. A visão d'Ele não vê nenhum estranho, mas vê os Seus e se une a eles alegremente. Eles O veem como um estranho, pois não se reconhecem. Porém, quando Lhe dão as boas vindas, eles se lembram. E Ele, mais uma vez, os conduz bondosamente a casa, onde é o lugar deles.

10. Cristo não esquece nenhum. Ele não deixa de te dar nenhum para te lembrares, a fim de que teu lar possa ficar completo e perfeito tal como foi criado. Ele não te esquece. Mas tu não te lembrarás d'Ele até olhares para todos do modo que Ele olha. Aquele que nega seu irmão O nega e, desta forma, se recusa a aceitar a dádiva da visão pela qual seu Ser é reconhecido claramente, seu lar é lembrado e a salvação chega.

*

COMENTÁRIO:

Nesta quarta-feira, dia 9 de junho, vamos aprender a ficar à vontade na casa de Deus, que é o nosso lar. A ideia que vamos praticar nos permite afastar todo o medo que ronda nossa casa, que ameaça nosso lar. Mas isto apenas na ilusão.

Tanto é que a ideia, em seu original diz: I am at home. O que pode ser traduzido, como de fato o foi, por: Eu estou em casa. Mas que poderia perfeitamente ser traduzido por: Eu estou à vontade. E, quando nos sentimos à vontade, não nos passa nenhum temor pela cabeça, não é mesmo?

E nada de estranho nos pode ameaçar quando estamos em casa, à vontade com o que somos. É a isto que se destina nossa prática hoje. Como dizia uma lição anterior, não há nada a temer. É preciso que aprendamos, a partir das lições que o UCEM nos oferece, a nos sentir em casa, onde quer que estejamos no mundo. Pois não há nenhuma possibilidade, em nenhum momento, de estarmos em qualquer lugar diferente daquele em que estamos. Também não podemos ser nada, nem sequer uma bilionésima fração qualquer, diferentes daquilo que somos o tempo inteiro, mesmo que não tenhamos consciência disto.

Isto é, por menor que seja a nossa consciência de nós mesmos e daquilo que somos em Deus, e com Ele, seja qual for o nome pelo qual aprendemos a nos referir a Ele, Ele vai conosco aonde formos [mais uma ideia que há praticamos em lição anterior]. Porque nos movemos n'Ele e tudo o que é real só pode verdadeiramente encontrar sua expressão n'Ele. E, por mais forte que seja nossa crença na ideia de que podemos estar separados d'Ele de alguma forma, sempre seremos, na verdade, apenas aquilo que somos com Ele e n'Ele. Não importa o que façamos. Tudo o que fazemos, e muda, muda apenas de forma ilusória. Aquilo que somos, em essência, não muda nunca.

Não há, pois, nisto razão suficiente para se ficar à vontade?

terça-feira, 8 de junho de 2010

Aprendendo a esvaziar a taça

LIÇÃO 159

Eu dou os milagres que recebo.

1. Ninguém pode dar o que não recebeu. Dar alguma coisa exige, em primeiro lugar, que a tenhas em teu próprio poder. Aqui, as leis do Céu e as do mundo estão de acordo. Mas aqui elas também se separam. O mundo acredita que para se possuir uma coisa ele tem de ser conservada. A salvação ensina o contrário. Dar é a maneira de reconhecer que recebeste. É a prova de que o que tens te pertence.

2. Tu compreendes que estás curado, quando ofereces a cura. Tu aceitas o perdão como realizado em ti mesmo, quando perdoas. Tu reconheces teu irmão como tu mesmo e, deste modo, percebes que és íntegro de fato. Não há nenhum milagre que não possas oferecer, pois todos te são dados. Recebe-os agora abrindo o depósito de tua mente aonde eles estão guardados e distribuindo-os.

3. A visão de Cristo é um milagre. Ela vem de muito além de si mesma, pois reflete o amor eterno e o renascimento do amor que nunca morre, mas que se manteve escondido. A visão de Cristo retrata o Céu, pois vê um mundo tão semelhante ao Céu que aquilo que Deus criou perfeito pode se espelhar aí. O espelho escuro que o mundo apresenta só pode mostrar imagens distorcidas em cacos. O mundo real retrata a inocência do Céu.

4. A visão de Cristo é o milagre no qual nascem todos os milagres. Ela é a fonte deles, permanecendo com cada milagre que ofereces e, ainda assim, continuando a ser tua. Ela é o laço pelo qual se unem em extensão doador e receptor aqui na terra, da mesma forma que são um só no Céu. Cristo não vê nenhum pecado em ninguém. E em sua visão os inocentes são como um só. A santidade deles foi dada por Seu Pai e por Ele Mesmo.

5. A visão de Cristo é a ponte entre os mundos. E podes confiar seguramente no poder dela para te levar deste mundo a um mundo que se tornou santo pelo perdão. As coisas que parecem sólidas aqui são apenas sombras lá; transparentes, vistas vagamente, esquecidas às vezes e nunca capazes de esconder a luz que brilha além delas. Devolveu-se a santidade à visão e os cegos podem ver.

6. Está é a dádiva singular do Espírito Santo: a casa do tesouro à qual podes apelar com total segurança em busca de todas as coisas que podem contribuir para tua felicidade. Todas já estão depositadas aqui. Todas podem ser recebidas, basta pedir. A porta nunca está trancada aqui e não se nega a ninguém seu menor pedido ou sua necessidade mais urgente. Não há nenhuma doença que já não esteja curada, nenhuma falta não satisfeita, nenhuma necessidade não atendida dentro desta fonte preciosa de Cristo.

7. Aqui o mundo se lembra, de fato, do que se perdeu quando ele foi criado. Pois aqui ele se conserta, torna-se novo mais uma vez, mas sob uma luz diferente. Aquilo que devia ser o lar do pecado se torna o centro da redenção e o núcleo da misericórdia, onde os sofredores são curados e acolhidos. Ninguém será mandado embora deste novo lar, aonde a salvação espera. Ninguém é estranho para ele. Ninguém pede nada a ele não ser a dádiva de sua aceitação e de sua acolhida.

8. A visão de Cristo é o solo sagrado no qual os lírios do perdão fincam suas raízes. Este é o lar deles. Daqui, eles podem ser levados de volta ao mundo, mas não podem crescer nunca em seu solo desnutrido e raso. Eles precisam da luz e do calor e do cuidado benigno que a caridade de Cristo oferece. Precisam do amor com que Ele olha para eles. E eles se tornam mensageiros d'Ele, que dão do mesmo modo que receberam.

9. Retira do depósito d'Ele, a fim de que seus tesouros possam aumentar. Seus lírios não deixam seu lar quando são levados de volta ao mundo. Suas raízes permanecem. Eles não deixam sua fonte, mas carregam sua benevolência consigo e transformam o mundo em um jardim igual àquele de onde vieram e ao qual vão mais uma com mais perfume. Agora são duplamente abençoados. As mensagens de Cristo, que trouxeram, foram entregues e voltaram para eles. E eles a devolvem a Ele com alegria.

10. Olha para o depósito de milagres planejado para dares. Não és digno da dádiva, se Deus escolheu que ela te fosse dada? Não julgues o Filho de Deus, mas segue no caminho que Ele indica. Cristo sonha o sonho de um mundo perdoado. É Sua dádiva, pela qual se pode fazer uma transição agradável da morte para a vida, da desesperança para a esperança. Sonhemos com Ele por um instante. Seu sonho nos desperta para a verdade. Sua visão nos dá o meio para uma volta a nossa santidade em Deus, nunca perdida e eterna.

*

COMENTÁRIO:

Só temos, de fato, aquilo que damos. Esta é uma das ideias mais importantes a se aprender, se se deseja realmente alcançar a meta que o UCEM quer que alcancemos com seu ensinamento. Isto porque ela contraria tudo o que o mundo nos ensina a respeito da posse, a respeito do ter, como se ter fosse algo separado de ser. E porque o que o mundo nos ensina é apenas um equívoco oriundo da crença na separação. Isto é, da ideia de que podemos existir e viver separados da Fonte que é a origem da vida e da existência.

Assim, o UCEM nos ensina que "dar e receber são a mesma coisa". E que só podemos dar aquilo que recebemos. E, na criação, já recebemos tudo. Na verdade, ainda de acordo com seu ensinamento, só temos, de fato, aquilo que somos. Por consequência, quanto mais aprendermos a dar de nós mesmos [sendo o que somos] a tudo e a todos, tanto mais receberemos. Pois, como diz o antigo ensinamento, não se pode encher uma taça que já esteja cheia. É preciso esvaziá-la para que possa receber mais. O mesmo acontece conosco.

E é disto que tratam as práticas da ideia desta terça, dia 8 de junho. Às práticas, pois.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O outro é um reflexo de nós mesmos

LIÇÃO 158

Hoje aprendo a dar como recebo.

1. O que te é dado? O conhecimento de que és uma mente, na Mente e apenas mente, para sempre inocente, totalmente sem medo, porque foste criado a partir do amor. E que também não deixas tua Fonte, permanecendo sempre como foste criado. Isto te foi dado como conhecimento que não podes perder. Este conhecimento também foi dado a todas as coisas vivas, pois é apenas por ele que se vive.

2. Tu recebes tudo isto. Ninguém que ande pelo mundo deixa de recebê-lo. Não é este conhecimento que dás, pois este é o que a criação deu. Não se pode aprender tudo isto. O que, então, tens de aprender a dar hoje? Nossa lição de ontem lembrou de um tema que se encontra bem no início do livro texto. A experiência não pode ser compartilhada de forma direta, do modo que a visão pode. A descoberta de que o Pai e o Filho são um só virá a seu tempo a cada mente. Este tempo, porém, é decidido pela própria mente, não é ensinado.

3. Esse momento já está estabelecido. Ele parece ser bastante arbitrário. Todavia não há nenhum passo ao longo da estrada que alguém dê apenas por acaso. Esse passo já foi dado por ele, embora ele ainda não o tenha iniciado. Pois o tempo apenas parece ir em uma direção. Nós apenas empreendemos uma jornada que já acabou. Porém, ela parece reservar um futuro ainda desconhecido para nós.

4. O tempo é um truque, um passe de mágica, uma imensa ilusão na qual imagens vêm e vão como que por encanto. Mas, por detrás das aparências, há um plano que não muda. O roteiro está escrito. O momento em que a experiência virá para pôr fim a tua dúvida está decidido. Pois nós só vemos a jornada, a partir do ponto em que ela terminou, olhando em retrospectiva para ela, imaginando que a fazemos mais uma vez, revendo mentalmente o que passou.

5. Um professor não oferece experiência, porque ele não a aprendeu. Ela se revelou a ele no momento indicado a ela. Mas a visão é sua dádiva. Esta ele pode dar diretamente, pois o conhecimento de Cristo não está perdido, porque Ele tem uma visão que pode dar a qualquer um que a peça. A Vontade do Pai e a d'Ele estão unidas no conhecimento. Mas há uma visão que o Espirito Santo vê, porque a Mente de Cristo também a vê.

6. Aqui se dá a união do mundo das dúvidas e das sombras com o intangível. Eis aqui um lugar sereno dentro do mundo, tornado santo pelo perdão e pelo amor. Aqui todas as contradições se harmonizam, pois aqui a jornada chega ao fim. A experiência - não aprendida, não ensinada, não vista - existe simplesmente. Isto está além de nossa meta, pois transcende o que precisa ser realizado. Nossa atenção é para com a visão de Cristo. Esta nós podemos obter.

7. A visão de Cristo tem uma só lei. Ela não olha para um corpo e o confunde com o Filho que Deus criou. Ela vê uma luz além do corpo; uma ideia além daquilo que se pode tocar, uma pureza não manchada por erros, por equívocos lamentáveis e pensamentos amedrontadores de culpa, oriundos de sonhos de pecado. Ela não vê nenhuma separação. E olha para todos, em cada circunstância, em todos os acontencimentos e situações, sem o menor enfraquecimento da luz que vê.

8. Isto se pode ensinar; e tem de ser ensinado por todos que querem alcançá-lo. Exige apenas o reconhecimento de que o mundo não pode dar nada que nem de leve possa se comparar a isto em valor, nem estabelecer uma meta que não desapareça simplesmente quando se percebe isto. E tu dás isto hoje: não vejas ninguém como um corpo. Saúda cada um como o Filho de Deus que ele é, reconhecendo que ele é um contigo na santidade.

9. Assim perdoa-se seus pecados, pois Cristo tem a visão que tem poder para ignorar todos eles. Em Seu perdão eles desaparecem. Não vistos pelo Uno, eles simplesmente desaparecem, porque uma visão da santidade que há por trás deles vem para tomar seu lugar. Não importa a forma que eles tomem, nem quão atrozes eles pareçam ser, nem quem parece ser ferido por eles. Eles não existem mais. E todos os efeitos que pareciam ter desaparecem com eles, desfeitos para não existirem nunca mais.

10. Desta forma aprendes a dar como recebes. E também desta forma a visão de Cristo olha para ti. Não é difícil aprender esta lição, se te lembrares de que vês apenas a ti mesmo em teu irmão. Se ele estiver perdido no pecado, tu também tens de estar; se vires luz nele, teus pecados foram perdoados por ti mesmo. Cada irmão que encontrares hoje apresenta uma nova chance para deixares que a visão de Cristo brilhe sobre ti e te oferece a paz de Deus.

11. Não importa o momento em que a revelação virá, pois ela não pertence ao tempo. Porém, o tempo ainda tem uma dádiva a oferecer, na qual se reflete o verdadeiro conhecimento de um modo tão preciso que suas imagens compartilham sua santidade invisível; sua semelhança brilha com seu amor imortal. Hoje praticamos ver com os olhos de Cristo. E, a partir das dádivas sagradas que oferecemos, a visão de Cristo também olha para nós.

*

COMENTÁRIO:

A ideia com que vamos começar a semana, nesta segunda-feira, dia 7 de junho, nos remete a duas ideias básicas do ensinamento do Curso, que precisamos ter sempre em mente. Uma delas é a de que ideias não deixam sua fonte. Isto se aplica a nós, que, na condição de pensamentos de Deus, não podemos estar separados d'Ele, como o ego quer nos fazer acreditar.

A outra, a que a lição de ontem também se referiu, é a de que não nos é possível ensinar a experiência de forma direta. Dito de outra maneira, aquilo que decidimos experimentar, e experimentamos, deixa marcas em nós, de uma forma que não pode ser comunicada, nem compartilhada, porque, no fundo, no fundo, não somos capazes de pôr em palavras o que experimentamos. Ou aquilo que acreditamos saber e que não é fruto de um aprendizado do tipo que o mundo oferece, isto é, aquilo que sabemos ser, e somos, também não podemos compartilhar, porque só o sabemos sendo, não falando a respeito disto.

Por isto, a lição nos leva a praticar outra forma de aprendizado. Uma forma que nos permite partilhar a visão, quando a aprendemos. Ou seja, podemos aprender e ensinar a visão de Cristo. Basta que estejamos dispostos a olhar para cada um de nossos irmãos, e para todos eles, e ver nele, ou neles todos, apenas o Filho de Deus. Isto significa abrir mão de todo e qualquer julgamento. Pois como a lição nos lembra, aquilo que vemos no(s) outro(s) é apenas um reflexo de nós mesmos.

domingo, 6 de junho de 2010

Reassumir o compromisso todos os dias

LIÇÃO 157

Quero entrar na Sua Presença agora.

1. Este é um dia de silêncio e de confiança. É um momento especial de compromisso em teu calendário. É um momento que o Céu reservou para iluminar, para lançar uma luz intemporal sobre este dia, em que se ouvem ecos da eternidade. Este dia é santo, pois ele anuncia uma experiência nova, um tipo diferente de sensação e de consciência. Tu passas incontáveis dias e noites na celebração da morte. Hoje aprendes a sentir a alegria da vida.

2. Este é outro momento crucial de decisão no currículo. Acrescentamos, agora, uma nova dimensão, uma experiência nova que derrama uma luz sobre tudo o que já aprendemos e que nos prepara para aquilo que ainda temos de aprender. Ela nos leva até a porta aonde o aprendizado acaba e onde temos um vislumbre daquilo que está além dos pontos mais altos que é possível é atingir com ele. Ela nos deixa aqui por um instante e vamos além dela, certos de nossa direção e de nossa única meta.

3. Hoje te será dado sentir um toque do Céu, embora vás voltar aos caminhos do aprendizado. Porém, já estás longe o suficiente no caminho para alterar o tempo o bastante a fim de te elevares acima de suas leis e caminhar por algum tempo na eternidade. Aprenderás a fazer isto cada vez mais à medida que cada lição, exercitada de modo sincero, te trouxer mais rapidamente a este lugar sagrado e te deixar aí, por um momento, entregue a teu Ser.

4. Ele orientará tua prática hoje, pois aquilo por que pedes agora é o que Ele deseja. E, neste dia, tendo unido tua vontade à d'Ele, aquilo que pedes tem de te ser dado. Não é necessário nada a não ser a ideia de hoje para iluminar tua mente e deixá-la descansar na expectativa calma e na alegria serena, em que deixas o mundo para trás rapidamente.

5. Deste dia em diante, teu ministério adquire uma dedicação genuína e um brilho que passa pela ponta de teus dedos àqueles que tocas e abençoa aqueles para quem olhas. Uma visão atinge a todos que encontras e a todos em quem pensas ou que pensam em ti. Pois hoje tua experiência transformará tanto tua mente que ela vai se tornar o padrão para os Pensamentos santos de Deus.

6. Teu corpo será santificado hoje, sendo agora seu único propóstio levar a visão daquilo que experimentas neste dia para iluminar o mundo. Não podemos dar uma experiência como esta de forma direta. Contudo, ela deixa uma visão nos teus olhos que podes oferecer a todos, para que cada um possa chegar mais rápido à mesma experiência, na qual esquece-se o mundo de modo sereno e se lembra do Céu por algum tempo.

7. À medida que esta experiência se intensifica e que todas as metas, com exceção desta, passam a ter pouco valor, o mundo ao qual voltarás fica um pouco mais próximo do final do tempo, um pouco mais parecido com o Céu em seus caminhos, um pouco mais perto de sua liberação. E tu, que trazes a luz a ele, passarás a ver a luz com mais certeza; a visão mais distinta. Virá o tempo em que não voltarás com a mesma forma com a qual apareces agora, pois não terás necessidade dela. Agora, no entanto, ela tem uma finalidade e se prestará bem a ela.

8. Hoje, iniciamos um curso que não imaginaste. Mas O Santo, o Doador dos sonhos felizes da vida, Tradutor da percepção em verdade, o Guia santo para o Céu dado a ti, sonha para ti esta jornada que fazes e que começa hoje, com a experiência que este dia te oferece para ser tua.

9. Queremos entrar na Presença de Cristo agora, serenamente inconscientes de tudo exceto de Sua face resplandescente e de Seu Amor perfeito. A visão de Sua face ficará contigo, mas haverá um momento que transcende toda visão, mesmo esta, a mais sagrada. Tu nunca ensinarás isto, pois não o obstiveste pelo aprendizado. No entanto, a visão fala de tua lembrança daquilo que conheceste naquele instante e que certamente conhecerás de novo.

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COMENTÁRIO:

Neste domingo, dia 6 de junho, o Curso toma novo rumo. Ele nos permite mais uma vez tomar a decisão pelo Céu, com a ideia que nos apresenta para as práticas. Basta que sejamos inteiramente sinceros ao afirmar nosso desejo de entrar na Presença de Cristo e o Céu vai se apresentar a nossa experiência.

Para tomar a decisão e assumir o compromisso precisamos saber que, conforme afirma Yehuda Berg, "escolher um caminho espiritual é a decisão mais importante da nossa vida". Mais do que uma escolha, ela é de fato um compromisso. E, ainda de acordo com Berg, "um compromisso contínuo", que "precisa ser feito e refeito todos os dias".

E precisamos, mais do que tudo, saber que com certeza "seremos testados. Não na nossa decisão, mas no nosso compromisso".

As práticas para este dia, assim como, é claro, todas elas, todos os dias, são nossa resposta aos testes que a vida neste mundo impõem.

sábado, 5 de junho de 2010

O estranho é não ter consciência de Deus

LIÇÃO 156

Caminho com Deus em perfeita santidade.

1. A ideia de hoje apenas declara a verdade natural que torna o pensamento do pecado impossível. Ela garante que não há nenhuma razão para a culpa, que, por ser infundada, não existe. Isto decorre da ideia básica mencionada tantas vezes no livro texto: ideias não deixam sua fonte. Se isto for verdadeiro, como podes estar separado de Deus? Como poderias andar pelo mundo sozinho e separado de tua Fonte?

2. Não somos incoerentes nos pensamentos que apresentamos em nosso currículo. A verdade tem de ser verdadeira do início ao fim, se ela for verdadeira. Ela não pode se contradizer nem ser duvidosa em algumas partes e confiável em outras. Tu não podes andar pelo mundo separado de Deus, porque não podes existir sem Ele. Ele é o que tua vida é. Aonde estás Ele está. Existe uma única vida. Esta vida tu compartilhas com Ele. Nada pode estar separado d'Ele e viver.

3. Da mesma forma que vida, aonde Ele estiver também tem de haver santidade. Nenhuma das características d'Ele deixa de ser compartilhada por tudo o que vive. Aquilo que vive é sagrado como Ele, porque o que compartilha Sua vida é parte da Santidade e tanto não poderia ser pecaminoso quanto o sol não poderia escolher ser de gelo, o mar escolher ficar separado da água ou a grama nascer com as raízes suspensas no ar.

4. Há em ti uma luz que não pode morrer, cuja presença é tão santa que o mundo é santificado por causa de ti. Todas as coisas que vivem te trazem dádivas e as depositam a teus pés com gratidão e com alegria. O perfume das flores é a dádiva delas a ti. As ondas se inclinam diante de ti e as árvores estendem seus braços para te proteger do calor e depositam suas folhas no chão diante de ti, para que possas caminhar no macio, enquanto o vento se reduz a um sussurro em torno de tua fronte sagrada.

5. A luz em ti é o que o universo almeja ver. Todas as coias vivas ficam calmas diante de ti, pois reconhecem Aquele Que caminha contigo. A luz que carregas é a delas. E, deste modo, elas veem sua própria santidade em ti, e te saúdam como salvador e como Deus. Aceita o respeito delas pois ele se deve à Própria Santidade que caminha contigo, transformando, em Sua luz benigna, todas as coisas a Sua semelhança e a Sua pureza.

6. É deste modo que a salvação funciona. Quando recuas, a luz em ti avança e envolve o mundo. Ela não anuncia o fim do pecado no castigo e na morte. O pecado acaba na claridade e no riso, porque se vê sua estranha incongruência. Ele é uma ideia tola, um sonho bobo, não assustador, ridículo talvez, mas quem, ao aproximar-se do Próprio Deus, desperdiçaria um instante por uma extravagância inútil?

7. No entanto, tu gastas muitos e muitos anos justamente com esta ideia tola. O passado acabou, com todas as suas fantasias. Elas já não te mantêm preso. A aproximação de Deus está perto. E, no pequeno intervalo de dúvida que ainda persiste, talvez percas de vista teu Companheiro e O confundas com o antigo sonho inútil que agora passou.

8. "Quem caminha comigo?" Deve-se fazer esta pergunta mil vezes por dia, até que a certeza acabe com a dúvida e instaure a paz. Permite que a dúvida acabe hoje. Deus fala por ti, ao responder a tua pergunta com estas palavras:

Caminho com Deus em perfeita santidade. Eu ilumino o mundo,
ilumino minha mente e todas as mentes que Deus criou unas comigo.

*

COMENTÁRIO:

A ideia para as práticas deste sábado, dia 5 de junho, nos pede que reconheçamos que não caminhamos sozinhos pelo mundo. Da mesma forma que uma lição antiga nos dizia que Deus vai conosco aonde quer que formos, a lição de hoje nos convida a refletir a respeito da presença de Deus em todos os nossos passos, reconhecendo também a perfeita santidade que nos envolve neste caminhar.

Talvez nos tenhamos esquecido durante algum tempo de que não podemos viver separados de Deus, porque demos ouvidos a uma voz estranha, que nos oferece uma percepção equivocada, como substituto para o Ser que nos torna semelhantes a Deus.

Recorro mais uma vez a Eckhart Tolle para nos ajudar a pensar acerca da loucura que a percepção equivocada do ego quer nos oferecer para tomar o lugar da percepção correta, que nos oferece o sistema de pensamento do Espírito Santo. Diz-nos Eckhart que "a percepção de Deus é a coisa mais natural que existe. O fato estranho e incompreensível não é que possamos nos tornar conscientes de Deus, mas sim que não somos conscientes de Deus".
Vamos, pois nos valer das práticas deste dia para desfazer este equívoco.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

A prática da não-resistência

LIÇÃO 155

Recuarei e permitirei que Ele mostre o caminho.

1. Há um jeito de viver no mundo que não é daqui, embora pareça ser. Tu não mudas a aparência, embora sorrias com mais frequência. Tua fronte fica serena, teus olhos ficam em paz. E aqueles que andam pelo mundo do mesmo jeito que tu andas te reconhecem como um deles. Todavia, aqueles que ainda não perceberam este jeito também te reconhecerão e acreditarão que és igual a eles, assim como eras antes.

2. O mundo é uma ilusão. Aqueles que escolheram vir a ele estão buscando um lugar no qual possam ser ilusões e evitar sua própria realidade. Porém, quando descobrem que sua própria realidade está até mesmo aqui, eles recuam, então, e a deixam mostrar o caminho. Que outra escolha têm a fazer realmente? Permitir que as ilusões andem na frente da verdade é loucura. Mas permitir que as ilusões desapareçam atrás da verdade e permitir que a verdade se mostre como é é simplesmente sanidade.

3. Esta é a escolha natural que fazemos hoje. A ilusão louca permanecerá em evidência por algum tempo, para ser vista por aqueles que escolheram vir e que ainda não se regozijam ao descobrir que estavam equivocados em sua escolha. Eles não podem aprender diretamente da verdade porque negam que isto seja verdade. E, por isto, eles precisam de um Professor Que percebe sua loucura, mas Que ainda pode olhar, além da ilusão, para a verdade natural neles.

4. Se a verdade exigisse que desistissem do mundo pareceria a eles que ela lhes pediu para sacrificarem alguma coisa real. Muitos escolheram renunciar ao mundo apesar de ainda acreditarem em sua realidade. E experimentaram uma sensação de perda e, em consequência disto, não se libertaram. Outros não escolheram nada senão o mundo e experimentaram uma sensação de perda ainda mais profunda que não entenderam.

5. Entre estes caminhos há outra estrada que conduz para longe de qualquer tipo de perda, pois deixa-se para trás rapidamente tanto o sacrifício quanto a privação. Este é o caminho designado para ti agora. Tu andas por este caminho assim como outros e também não pareces ser diferente deles, embora, de fato, sejas. Deste modo podes lhes ser útil enquanto ajudas a ti mesmo a ajustar os passos deles ao caminho que Deus abre para ti, e para eles por teu intermédio.

6. Parece que a ilusão ainda persiste em ti, a fim de que possas alcançá-los. Mas ela recuou. E não é de ilusão que eles te ouvem falar e também não é ilusão que ofereces para seus olhos verem e para suas mentes compreenderem. A verdade, que anda a tua frente, também não pode lhes falar por meio de ilusões, pois a estrada leva para além das ilusões agora, enquanto os chamas ao longo do caminho para que possam te seguir.

7. No final, todas as estradas conduzem a esta. Pois sacrifício e privação são caminhos que não levam a lugar nenhum, escolhas de derrota e metas que continuarão a ser impossíveis. Tudo isto recua quando a verdade se apresenta em ti para afastares teus irmão dos caminhos da morte e colocá-los no caminho da felicidade. O sofrimento deles é só ilusão. No entanto, eles precisam de um guia para conduzí-los para fora dela pois eles confundem ilusão com verdade.

8. Este é o chamado da salvação e nada mais. Ele te pede que aceites a verdade e que a deixes ir na tua frente, iluminando o caminho do resgate da ilusão. Este não é um resgate com um preço. Não há nenhum custo, mas apenas ganho. A ilusão só pode aparentar manter o filho de Deus aprisionado. É apenas das ilusões que ele se salva. Quando elas recuam, ele se encontra novamente.

9. Caminha com segurança agora, mas com cuidado porque este caminho é novo para ti. E podes descobrir que ainda ficas tentado a andar na frente da verdade e permitir que as ilusões sejam o teu guia. Teus irmãos santos te foram dados para seguirem as tuas pegadas enquanto caminhas em direção da verdade com clareza de objetivo. Ela vai na tua frente agora para que eles possam ver alguma coisa com a qual possam se identificar, algo que compreendam para mostrar o caminho.

10. Entretanto, no final da jornada não haverá nenhuma brecha, nenhuma distância entre a verdade e ti. E todas as ilusões que andavam pelo caminhho que trilhavas também se afastarão de ti, sem deixar nada para manter a verdade separada da completude de Deus, santa como Ele Mesmo. Recua com fé e deixa a verdade mostrar o caminho. Tu não sabes aonde vais. Mas Aquele Que sabe vai contigo. Deixa que Ele te conduza com os outros.

11. Quando os sonhos acabarem, o tempo fechar a porta sobre todas as coisas que passam e os milagres forem desnecessários, o Filho santo de Deus não fará nenhuma jornada. Não haverá nenhum desejo de ser ilusão como uma alternativa mais apropriada do que a verdade. E nos adiantamos em direção a isso, à medida que avançamos ao longo do caminho que a verdade nos indica. Esta é nossa última jornada, que fazemos por todos. Não devemos perder nosso rumo. Pois do mesmo modo que a verdade segue a nossa frente, ela vai à frente de nossos irmãos que vão nos seguir.

12. Caminhamos para Deus. Para e reflete a respeito disto. Algum outro caminho poderia ser mais santo ou mais digno de teu esforço, de teu amor e de toda a tua determinação? Que caminho poderia te dar mais do que tudo ou oferecer menos e ainda assim satisfazer o Filho santo de Deus? Caminhamos para Deus. A verdade que caminha diante de nós agora é una com Ele e nos conduz ao lugar no qual Ele sempre esteve. Que caminho a não ser este poderia ser um caminho que escolherias em seu lugar?

13. Teus pés estão plantados sobre a estrada que conduz o mundo a Deus. Não olhes para caminhos que parecem te conduzir a outro lugar. Os sonhos não são um guia digno para ti, que és o Filho de Deus. Não te esqueças de que Ele coloca Sua Mão na tua e, em Sua confiança, te oferece teus irmão para que sejas digno da confiança d'Ele em ti. Ele não pode estar enganado. A confiança d'Ele torna seguro teu caminho e tua meta garantida. Tu não desapontarás teus irmãos nem teu Ser.

14. E, agora, Ele pede apenas que penses n'Ele por um momento a cada dia, para que Ele possa falar contigo e te contar de Seu Amor, lembrando-te de quão grande é Sua confiança, quão ilimitado Seu Amor. Em teu Nome e em Seu Próprio Nome, que são o mesmo, praticamos com alegria este pensamento hoje:

Recuarei e permitirei que Ele mostre o caminho,
Pois quero caminhar pela estrada que conduz a Ele.

*

COMENTÁRIO:

Praticamos aprender, neste dia 04 de junho, a não resistir ao que Deus nos pede para fazer de todos os modos com tudo o que se apresenta a nossa consciência. Lembram-se da lição "todas as coisas são ecos da Voz por Deus"?

Marco Aurélio, citado por Eckhart Tolle, no livro O Poder do Agora, dizia há mais de 2.000 anos: "Aceite o que quer que venha para você nas tramas do destino, pois o que se ajustaria mais adequadamente às suas necessidades"?

E o próprio Eckhart diz: "Não oferecer resistência à vida é estar em estado de graça, de descanso e de luz".

Que mais precisamos aprender a partir da ideia de recuar e permitir que Deus nos mostre o caminho?

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Só temos verdadeiramente o que damos.

LIÇÃO 154

Eu estou entre os ministros de Deus.

1. Não sejamos nem arrogantes nem falsamente humildes hoje. Já fomos além de tais tolices. Não podemos nos julgar nem precisamos fazê-lo. Estas são apenas tentativas de evitar a decisão e de adiar o compromisso com nossa função. Não nos caber julgar nosso valor, nem podemos saber qual é o melhor papel para nós; o que podemos fazer em um plano maior que não podemos ver em sua totalidade. Nosso papel é distribuído no Céu, não no inferno. E o que pensamos que é fraqueza pode ser força; o que acreditamos ser nossa força muitas vezes é arrogância.

2. Qualquer que possa ser o papel designado a ti, ele foi escolhido pela Voz por Deus, Cuja função é também a de falar por ti. Vendo tuas forças exatamente como são e igualmente ciente de onde elas podem ser melhor aplicadas, a que, a quem e quando, Ele escolhe e aceita teu papel para ti. Ele não trabalha sem teu próprio consentimento. Mas Ele não Se deixa enganar acerca do que tu és e escuta apenas a Sua Voz em ti.

3. É por meio da capacidade d'Ele de ouvir uma só Voz, que é a d'Ele Mesmo, que tu, enfim, te tornas consciente de que existe uma única Voz em ti. E essa Voz única indica tua função e a confia a ti, dando-te a força necessária para compreendê-la, fazer o que ela pede e ser bem-sucedido em todas as coisas que fazes que se relacionem a ela. Deus Se une a Seu Filho nisto e, deste modo, Seu Filho vem a ser o mensageiro de Sua unidade com Ele.

4. É esta união, por meio da Voz por Deus, do Pai e do Filho que separa a salvação do mundo. É esta Voz que fala de leis a que o mundo não obedece, que assegura a salvação de todos os pecados, com a abolição da culpa na mente que Deus criou inocente. Agora esta mente se torna ciente mais uma vez de Quem a criou e de Sua união duradoura consigo mesma. Assim, o Ser dela é a única realidade na qual sua vontade e a de Deus estão unidas.

5. Um mensageiro não é aquele que escreve a mensagem que entrega. Ele também não questiona o direito de quem a escreve, nem pergunta por que razão ele escolhe aqueles que receberão a mensagem que leva. Basta que ele a aceite, que a ofereça àqueles a quem ela se destina e cumpra seu papel na entrega da mensagem. Se ele decide o que as mensagens devem ser, ou qual é a finalidade delas, ou para onde elas devem ser levadas, está deixando de desempenhar o papel que lhe cabe como portador da Palavra.

6. No papel dos mensageiros do Ceú, há uma única diferença que os distingue daqueles que o mundo indica. As mensagens que eles entregam se destinam em primeiro lugar a si mesmos. E é apenas quando eles as podem aceitar para si mesmos que se tornam capazes de levá-las adiante e oferecê-las em todos os lugares a que se destinavam. Do mesmo modo que os mensageiros da terra, eles não escrevem as mensagens que portam, mas se tornam seus primeiros receptores no sentido mais verdadeiro, recebendo a fim de se prepararem para oferecer.

7. Um mensageiro da terra cumpre seu papel entregando todas as suas mensagens. Os mensageiros de Deus desempenham seu papel a partir de sua aceitação das mensagens d'Ele como se fossem para si mesmos e demonstram que compreenderam as mensagens entregando-as. Eles não escolhem nenhum papel que não lhes tenha sido dado pela autoridade d'Ele. E, assim, eles se beneficiam de cada mensagem que entregam.

8. Queres receber as mensagens de Deus? Pois, assim, tu te tornas mensageiro d'Ele, de fato. Tu és nomeado agora. E, não obstante, esperas para oferecer as mensagens que recebes. E, assim, não sabes que elas são tuas e não as reconheces. Ninguém pode receber e compreender que recebeu até dar. Pois sua própria aceitação do que recebeu está no dar.

9. Tu, que és agora o mensageiro de Deus, recebe Suas mensagens. Pois isto é parte do papel que te foi designado. Deus não deixa de oferecer aquilo de que precisas, e aquilo de que precisas também não deixa de ser aceito. Porém, outra parte da tarefa designada a ti ainda está para ser realizada. Aquele Que recebeu as mensagens de Deus para ti quer que elas também sejam recebidas por ti. Pois deste modo tu te identificas, de fato, com Ele e reivindicas tuas próprias mensagens.

10. É esta união que empreendemos reconhecer hoje. Não buscaremos manter nossas mentes separadas d'Aquele Que nos fala, pois é apenas a nossa própria voz que ouvimos quando prestamos atenção a Ele. Só Ele pode nos falar e falar por nós, unindo em uma única Voz o recebimento e a oferta da Palavra de Deus; a oferta e o recebimento da Vontade d'Ele.

11. Praticamos oferecer a Ele o que Ele quer para reconhecer Suas dádivas para nós. Ele necessita de nossa Voz para poder falar por nosso intermédio. Ele necessita de nossas mãos para segurar Suas mensagens e levá-las àqueles a quem Ele indica. Ele necessita de nossos pés para nos levarem aonde Ele quer, a fim de que aqueles que esperam no sofrimento possam, enfim, ser libertados. E Ele necessita de nossa vontade unida à d'Ele para podermos ser os verdadeiros receptores das dádivas que Ele oferece.

12. Aprendamos apenas esta lição hoje: nós não reconheceremos aquilo que recebemos até que o ofereçamos. Tu ouves isto ser dito de centenas de modos, centenas de vezes e, no entanto, ainda te falta a crença. Mas isto é certo: até que se dê crédito a isto, receberás mil milagres e, depois, receberás mais mil, mas não saberás que o Próprio Deus não esconde nenhuma dádiva além das que já tens; e que Ele não nega a menor das bênçãos a Seu Filho. O que isto pode significar para ti, até que te identifiques com Ele e como que Lhe pertence?

13. Nossa lição para hoje se declara desta forma:

Eu estou entre os ministros de Deus e sou grato
por ter os meios pelos quais reconhecer que sou livre.

14. O mundo retrocede à medida que iluminamos nossas mentes e percebemos claramente que estas palavras santas são verdadeiras. Elas são a mensagem que nos foi enviado por nosso Criador hoje. Agora demonstramos o quanto elas mudam nosso modo de pensar a nosso próprio respeito e a respeito de qual é nossa função. Pois quando provarmos não aceitar nenhuma vontade da qual não compartilhamos, muitas dádivas de nosso Criador nos saltarão aos olhos e pularão em nossas mãos e reconheceremos o que recebemos.

*

COMENTÁRIO:

Nesta quinta-feira, dia 3 de junho, vamos reconhecer nossa função de mensageiros de Deus neste mundo, reconhecendo que estamos entre os ministros d'Ele, conforme a ideia que praticamos com a lição de hoje.

Além da ideia central que praticamos hoje, a lição nos convida a aprender uma única coisa. Talvez a mais importante para este dia, bem como para todos os nossos dias no mundo. E o que precisamos aprender é que não somos capazes de reconhecer o que temos enquanto não o oferecemos. Pois, de acordo com o UCEM, conforme já vimos anteriormente, só temos, de fato, aquilo que damos.

Se aprendermos apenas isto hoje, a lição terá sido proveitosa.