terça-feira, 13 de agosto de 2024

"O tempo não é teu lugar." Somente a eternidade é.

 

1. O que é o perdão?

1. O perdão reconhece que o que pensaste que teu irmão fez a ti não aconteceu. Ele não perdoa os pecados e os torna reais. Ele vê que não houve pecado. E, em vista disso, todos os teus pecados são perdoados. O que é o pecado exceto uma ideia falsa acerca do Filho de Deus? O perdão simplesmente vê sua falsidade e, em razão disso, a abandona. Agora, então, o que fica livre para ocupar seu lugar é a Vontade de Deus.

2. Um pensamento que não perdoa é um pensamento que faz um juízo ao qual não porá em dúvida, embora não seja verdadeiro. A mente está fechada e não será liberada. O pensamento oculta a projeção, apertando suas correntes a fim de que as distorções fiquem mais veladas e mais disfarçadas; menos facilmente sujeitas à dúvida e mantidas mais distante do bom senso. O que pode se interpor entre uma projeção rígida e o objetivo que ela escolhe como a meta que quer?

3. Um pensamento que não perdoa faz muitas coisas. Busca seu objetivo numa ação frenética, torcendo e destruindo aquilo que vê como intromissões ao caminho que escolheu. Seu objetivo, e também o meio pelo qual quer alcançá-lo, é a distorção. Ele inicia suas tentativas furiosas de esmagar a realidade sem preocupação com qualquer coisa que pareça apresentar uma contradição a seu ponto de vista.

4. O perdão, por outro lado, é tranquilo e, de modo sereno, não faz nada. Ele não transgride nenhum aspecto da realidade, nem busca alterá-la para formas que lhe agradem. Ele olha simplesmente e espera, e não julga. Aquele que não quer perdoar tem de julgar, pois precisa justificar seu fracasso em perdoar. Mas aquele que quer perdoar tem de aprender a receber a verdade exatamente como ela é.

5. Não faças nada, então, e permite que o perdão te mostre o que fazer, por intermédio d'Aquele Que é teu Guia, teu Salvador e Protetor, forte em esperança e certo de teu êxito final. Ele já te perdoou, porque esta é Sua função, que Lhe foi dada por Deus. Agora tu tens de compartilhar a função d'Ele e perdoar aquele que Ele salvou, cuja inocência Ele vê e a quem Ele reconhece como o Filho de Deus.

*

LIÇÃO 226

Meu lar me espera. Eu me apresso na direção dele.

1. Posso desistir inteiramente deste mundo, se assim eu escolher. Não é a morte que torna isto possível, mas a mudança do modo de pensar acerca da finalidade do mundo. Se eu acreditar que ele tem algum valor da forma com que o vejo agora, ele permanecerá assim para mim. Mas se eu não vir nenhum valor no mundo assim como o vejo, nada que eu queria manter como meu ou buscar como uma meta, ele se afastará de mim. Pois não busco ilusões para substituir a verdade.

2. Pai, meu lar espera minha volta alegre. Teus Braços estão abertos e eu ouço Tua Voz. Que necessidade tenho de me demorar em um lugar de desejos vãos e de sonhos despedaçados, se o Céu pode ser meu de modo tão fácil?

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 226

Caras, caros,

Peço-lhes de novo:

Atenção! Muita atenção! Pois é só isto que precisamos dedicar à ideia que o Curso nos oferece para as práticas de hoje. Toda, mas toda mesmo, a atenção de que somos capazes. Assim como é de atenção que precisamos em relação a todas as práticas, uma vez que são elas que vão apressar nossa jornada na direção de casa.

E a ideia de hoje pode nos dar a certeza e a confiança - se é que elas ainda nos faltam - de que precisamos para continuar nossa jornada em direção da alegria e da paz completas e perfeitas, que são a Vontade de Deus para nós.

Lembremo-nos também de que, como diz uma lição anterior, Deus vai conosco aonde formos. Isto significa dizer também que tudo o que fazemos é n'Ele que fazemos e é n'Ele também que nos movemos conforme outra das lições que já praticamos. Mas não basta que saibamos disso intelectualmente apenas. É preciso que tenhamos e vivamos isto como uma experiência pessoal. 

Na verdade, não podemos - nem devemos - pensar em Deus como um ser, à nossa imagem e/ou semelhança, como se Ele fosse uma pessoa. Precisamos pensar em Deus como uma Presença, uma Presença que está conosco o tempo inteiro, uma Presença com a qual estamos em contato o tempo todo. Precisamos aprender a carregar conosco esta Presença aonde formos, pois Ela não nos deixa, não Se separa nem Se afasta de nós, a não ser quando nós, quer consciente, quer inconscientemente, acreditamos nos afastar d'Ela.

O Pai/a Mãe [Deus, a Presença] nos espera sempre no lar, na direção do qual nos apressamos. Tudo aquilo por que ansiamos, tudo aquilo que mais queremos está o tempo todo a nossa espera, porque, apesar de nos pensarmos e percebermos separados e separadas de Deus, na verdade, nunca nos separamos d'Ele e Ele está sempre conosco. 

Há um ponto do texto - que já citei antes - em que lemos: "Deus, em Sua sabedoria, não está esperando [por nós], mas Seu Reino fica incompleto enquanto [nós] esperamos. Todos os Filhos de Deus esperam [nossa] volta, exatamente da mesma forma que [nós esperamos] pela deles. O atraso não tem importância na eternidade, mas é trágico no tempo".

Esta é uma das razões pelas quais precisamos nos apressar a tomar a decisão de voltar a casa do Pai. Quanto mais nos demoramos para tomar nossa decisão, tanto mais somos guiados e guiadas pela impressão, equivocada, de que estamos separados e separadas d'Ele/Ela e de que vivemos vidas separadas uns e umas dos outros e das outras.

Vivekananda respondia o seguinte a seus devotos quando lhe perguntavam de que forma podiam se libertar das energias inferiores, as energias da crença na separação:

"Na primavera, observem as flores nas árvores frutíferas. Elas desaparecem por si mesmas quando o fruto se desenvolve. Assim, também, o eu inferior desaparecerá quando o divino crescer dentro de vocês."

É para permitir o crescimento do divino em nós que praticamos. É para tanto que o Curso nos oferece lição após lição. Para que tomemos a decisão de abandonar a crença que diz que estamos separados, ou separadas, da Presença de Deus. 

Oxalá seja este o dia em que vamos nos sentir prontos, prontas, para tomar a decisão. Por que esperar amanhã? Como o Curso diz, ainda no mesmo ponto do texto citado acima: "tu escolheste viver no tempo em lugar de viver na eternidade, e por isso acreditas que vives no tempo. Tua escolha, porém é tão livre quanto mutável [ou passível de ser alterada]. O tempo não é o teu lugar. Teu lugar é somente na eternidade, onde o Próprio Deus te colocou para sempre".

Por que não escolher viver a eternidade hoje?

Às práticas?

segunda-feira, 12 de agosto de 2024

"As coisas só acontecem quando algo se move."

 

1. O que é o perdão?

1. O perdão reconhece que o que pensaste que teu irmão fez a ti não aconteceu. Ele não perdoa os pecados e os torna reais. Ele vê que não houve pecado. E, em vista disso, todos os teus pecados são perdoados. O que é o pecado exceto uma ideia falsa acerca do Filho de Deus? O perdão simplesmente vê sua falsidade e, em razão disso, a abandona. Agora, então, o que fica livre para ocupar seu lugar é a Vontade de Deus.

2. Um pensamento que não perdoa é um pensamento que faz um juízo ao qual não porá em dúvida, embora não seja verdadeiro. A mente está fechada e não será liberada. O pensamento oculta a projeção, apertando suas correntes a fim de que as distorções fiquem mais veladas e mais disfarçadas; menos facilmente sujeitas à dúvida e mantidas mais distante do bom senso. O que pode se interpor entre uma projeção rígida e o objetivo que ela escolhe como a meta que quer?

3. Um pensamento que não perdoa faz muitas coisas. Busca seu objetivo numa ação frenética, torcendo e destruindo aquilo que vê como intromissões ao caminho que escolheu. Seu objetivo, e também o meio pelo qual quer alcançá-lo, é a distorção. Ele inicia suas tentativas furiosas de esmagar a realidade sem preocupação com qualquer coisa que pareça apresentar uma contradição a seu ponto de vista.

4. O perdão, por outro lado, é tranquilo e, de modo sereno, não faz nada. Ele não transgride nenhum aspecto da realidade, nem busca alterá-la para formas que lhe agradem. Ele olha simplesmente e espera, e não julga. Aquele que não quer perdoar tem de julgar, pois precisa justificar seu fracasso em perdoar. Mas aquele que quer perdoar tem de aprender a receber a verdade exatamente como ela é.

5. Não faças nada, então, e permite que o perdão te mostre o que fazer, por intermédio d'Aquele Que é teu Guia, teu Salvador e Protetor, forte em esperança e certo de teu êxito final. Ele já te perdoou, porque esta é Sua função, que Lhe foi dada por Deus. Agora tu tens de compartilhar a função d'Ele e perdoar aquele que Ele salvou, cuja inocência Ele vê e a quem Ele reconhece como o Filho de Deus.

*

LIÇÃO 225

Deus é meu Pai e Seu Filho O ama.

1. Pai, eu tenho de retribuir Teu Amor por mim, pois dar e receber são a mesma coisa. Tu me dás todo o Teu Amor. Eu tenho de retribuí-lo, pois o quero meu em plena consciência, proclamando-o em minha mente e mantendo-o ao alcance de sua luz benigna, inviolado, amado, com o medo deixado para trás e apenas a paz pela frente. Quão sereno é o modo pelo qual Teu Filho amado é conduzido a Ti!

2. Irmão, nós encontramos esta serenidade agora. O caminho está aberto. Agora nós o seguimos juntos, em paz. Tu estendeste tua mão para mim e nunca te abandonarei. Somos um só e é só esta verdade que buscamos enquanto damos estes passos finais que concluem uma jornada que não começou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 225

Caras, caros,

Repetindo Einstein e o comentário a esta lição feito em anos anteriores. 

Ele disse: "As coisas só acontecem quando algo se move".

Que lhes parece que isso significa ou pode significar à luz do ensinamento que o Curso oferece e que buscamos compartilhar?

Wayne Dyer, em um de seus livros, se refere ao trabalho de uma cientista de nome Valerie Hunt, que concluiu, a partir de suas pesquisas que, à maneira de Einstein, não podemos considerar o corpo formado por sistemas ou tecidos orgânicos, porque o corpo "é um campo de energia eletrodinâmica fluente e interativo".

Isto quer dizer, como conclui a própria pesquisadora, que "o movimento é mais natural do que o não-movimento - as coisas que se mantêm em circulação são inerentemente boas". E que "qualquer coisa que interfira no fluxo produzirá efeitos prejudiciais".

Ora, o Curso ensina que somos "espírito", e não corpos. Corpos são ilusões. Espírito é energia. De que modo podemos, então, viver na prática o ensinamento do Curso? Isto é, de que maneira podemos transformar as experiências da vida, em que vivemos um aparente pesadelo, em um sonho feliz?

Aprendendo que, como diz Dyer, "qualquer coisa que desaparece quando o espírito é colocado no seu lugar sempre foi uma ilusão. Quando ela pode desaparecer sem deixar vestígios, você sabe que ela nunca foi real".

Assim, o que o Curso nos oferece com as práticas diárias é a oportunidade de abandonarmos quaisquer ilusões. As práticas visam a nos levar ao contato com a percepção verdadeira. Aquela que mostra a cada um e a cada uma de nós o que somos, na verdade. Além da ilusão daquilo que pensamos experimentar e perceber a partir dos sentidos.

Então, como o Curso sugere que façamos em relação às lições, lá na Introdução ao Livro de Exercícios, tudo o que precisamos fazer é aplicar as ideias, independentemente do que pensamos acreditar. Isto é, no dizer de Dyer, precisamos aprender que nossa função primordial não é dizer "Como?". É dizer "Sim"!

Às práticas?

domingo, 11 de agosto de 2024

O que as práticas ensinam é como fazer a entrega

 

1. O que é o perdão?


1. O perdão reconhece que o que pensaste que teu irmão fez a ti não aconteceu. Ele não perdoa os pecados e os torna reais. Ele vê que não houve pecado. E, em vista disso, todos os teus pecados são perdoados. O que é o pecado exceto uma ideia falsa acerca do Filho de Deus? O perdão simplesmente vê sua falsidade e, em razão disso, a abandona. Agora, então, o que fica livre para ocupar seu lugar é a Vontade de Deus.


2. Um pensamento que não perdoa é um pensamento que faz um juízo ao qual não porá em dúvida, embora não seja verdadeiro. A mente está fechada e não será liberada. O pensamento oculta a projeção, apertando suas correntes a fim de que as distorções fiquem mais veladas e mais disfarçadas; menos facilmente sujeitas à dúvida e mantidas mais distante do bom senso. O que pode se interpor entre uma projeção rígida e o objetivo que ela escolhe como a meta que quer?

3. Um pensamento que não perdoa faz muitas coisas. Busca seu objetivo numa ação frenética, torcendo e destruindo aquilo que vê como intromissões ao caminho que escolheu. Seu objetivo, e também o meio pelo qual quer alcançá-lo, é a distorção. Ele inicia suas tentativas furiosas de esmagar a realidade sem preocupação com qualquer coisa que pareça apresentar uma contradição a seu ponto de vista.

4. O perdão, por outro lado, é tranquilo e, de modo sereno, não faz nada. Ele não transgride nenhum aspecto da realidade, nem busca alterá-la para formas que lhe agradem. Ele olha simplesmente e espera, e não julga. Aquele que não quer perdoar tem de julgar, pois precisa justificar seu fracasso em perdoar. Mas aquele que quer perdoar tem de aprender a receber a verdade exatamente como ela é.

5. Não faças nada, então, e permite que o perdão te mostre o que fazer, por intermédio d'Aquele Que é teu Guia, teu Salvador e Protetor, forte em esperança e certo de teu êxito final. Ele já te perdoou, porque esta é Sua função, que Lhe foi dada por Deus. Agora tu tens de compartilhar a função d'Ele e perdoar aquele que Ele salvou, cuja inocência Ele vê a a quem Ele reconhece como o Filho de Deus.

*

LIÇÃO 224

Deus é meu Pai e Ele ama Seu Filho.

1. Minha identidade verdadeira é tão segura, tão sublime, inocente, gloriosa e formidável, tão completamente benéfica e livre de culpa que o Céu olha para Ela para lhe oferecer luz. Ela ilumina o mundo também. Ela é a dádiva que meu Pai me deu; a dádiva que eu também dou ao mundo. Não há nenhuma dádiva, a não ser esta, que possa tanto ser dada quanto recebida. Isto, e apenas isto, é realidade. Isto é o fim da ilusão. É a verdade.

2. Meu Nome, ó Pai, ainda é conhecido por Ti. Eu O esqueci e não sei para onde vou, quem sou ou o que faço. Lembra-me agora, Pai, pois estou cansado do mundo que vejo. Revela o que Tu queres que eu veja em seu lugar.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 224

Caras, caros,

Continuamos hoje nossa jornada com mais um passo em direção à aquisição da, ou ao contato com a, percepção verdadeira, conforme nos oferece e assegura o Curso, que deve vir a ser o resultado das práticas desta segunda parte dos exercícios. Elas, sem dúvida, vão servir para que aprendamos a reconhecer que, até agora, ainda não sabemos quem somos, o que somos, o fazemos, nem o porquê o fazemos, nem para onde vamos. 

Como eu já disse muitas vezes antes, nossas práticas têm de se dar de modo a aprendermos a fazer a entrega, ao Espírito em nós, daquilo tudo que nos afasta da paz e da alegria de Deus. Devem também nos ensinar a alegria que há nessa entrega ao Pai - que é ainda a escolha que fazemos de viver a partir do que somos, na verdade -, esperando que Deus nos revele o que Ele quer que vejamos [que, sem sombra de dúvida, também é o que nós queremos ver] no lugar do mundo da ilusão, que já não nos satisfaz.

É por isso que a ideia para nossas práticas de hoje assegura que somos o Filho de Deus e que o Pai nos ama. Esta verdade é tudo o que podemos querer. Pois com ela somos capazes de perceber que tudo o que o mundo nos ensinou - ensina e continuará a nos ensinar - não passa de fantasia, de sonho. 

Entretanto, nosso compromisso com as práticas é revelador do fato de que ainda estamos à procura de nossa Identidade verdadeira. Pois sabemos, ou intuímos, que só ela pode nos dar a segurança e a certeza de que precisamos para aprender e para ensinar a paz e o amor que recebemos do Pai. 

Talvez seja de alguma ajuda repetir o que aconselha o poeta Rumi, em um poema intitulado: 

A Casa de Hóspedes

Este ser humano é uma casa de hóspedes.
Cada manhã uma nova chegada.

Uma alegria, uma depressão, uma maldade,
Uma percepção momentânea chegam
Como um visitante inesperado.

Dê as boas vindas e entretenha a todos!
Mesmo que se trate de um bando de aflições,
Que violentamente varram sua casa
Toda a mobília,
Ainda assim, trate cada hóspede com respeito.
Ele pode estar esvaziando-o
Para que você receba uma nova alegria.

O pensamento sombrio, a vergonha, a malevolência,
Encontre-os na porta, sorrindo,
E convide-os a entrar.
Seja grato a qualquer um que se aproxime,

Porque cada um foi enviado
Como um guia da eternidade.

Às práticas?

sábado, 10 de agosto de 2024

Para cada situação que se apresenta, uma ação certa

 

1. O que é o perdão?

1. O perdão reconhece que o que pensaste que teu irmão fez a ti não aconteceu. Ele não perdoa os pecados e os torna reais. Ele vê que não houve pecado. E, em vista disso, todos os teus pecados são perdoados. O que é o pecado exceto uma ideia falsa acerca do Filho de Deus? O perdão simplesmente vê sua falsidade e, em razão disso, a abandona. Agora, então, o que fica livre para ocupar seu lugar é a Vontade de Deus.

2. Um pensamento que não perdoa é um pensamento que faz um juízo ao qual não porá em dúvida, embora não seja verdadeiro. A mente está fechada e não será liberada. O pensamento oculta a projeção, apertando suas correntes a fim de que as distorções fiquem mais veladas e mais disfarçadas; menos facilmente sujeitas à dúvida e mantidas mais distante do bom senso. O que pode se interpor entre uma projeção rígida e o objetivo que ela escolhe como a meta que quer?

3. Um pensamento que não perdoa faz muitas coisas. Busca seu objetivo numa ação frenética, torcendo e destruindo aquilo que vê como intromissões ao caminho que escolheu. Seu objetivo, e também o meio pelo qual quer alcançá-lo, é a distorção. Ele inicia suas tentativas furiosas de esmagar a realidade sem preocupação com qualquer coisa que pareça apresentar uma contradição a seu ponto de vista.

4. O perdão, por outro lado, é tranquilo e, de modo sereno, não faz nada. Ele não transgride nenhum aspecto da realidade, nem busca alterá-la para formas que lhe agradem. Ele olha simplesmente e espera, e não julga. Aquele que não quer perdoar tem de julgar, pois precisa justificar seu fracasso em perdoar. Mas aquele que quer perdoar tem de aprender a receber a verdade exatamente como ela é.

5. Não faças nada, então, e permite que o perdão te mostre o que fazer, por intermédio d'Aquele Que é teu Guia, teu Salvador e Protetor, forte em esperança e certo de teu êxito final. Ele já te perdoou, porque esta é Sua função, que Lhe foi dada por Deus. Agora tu tens de compartilhar a função d'Ele e perdoar aquele que Ele salvou, cuja inocência Ele vê a a quem Ele reconhece como o Filho de Deus.

*

LIÇÃO 223

Deus é minha vida. Não tenho nenhuma vida a não ser a d'Ele.

1. Eu estava errado quando pensava que vivia separado de Deus, uma existência separada que se movimentava no isolamento, independente, alojada dentro de um corpo. Agora sei que minha vida é a de Deus, não tenho nenhum outro lar e não existo separado d'Ele. Ele não tem nenhum Pensamento que não seja parte de mim e eu não tenho nenhum a não ser aqueles que são d'Ele.

2. Pai nosso, permite que vejamos a face de Cristo em lugar de nossos erros. Pois nós, que somos Teu Filho santo, somos inocentes. Queremos olhar para nossa inocência, pois a culpa afirma que não somos Teu Filho. E nós não queremos esquecer de Ti por mais tempo. Sentimo-nos solitários aqui e ansiamos pelo Céu, onde estamos em casa. Queremos voltar hoje. Nosso Nome é o Teu e reconhecemos que somos Teu Filho.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 223

Caras, caros,

Repito, para a lição de hoje, com alguns acréscimos necessários, porém, comentário feito anteriormente:

Continuemos, pois, com as práticas a que nos orientam as instruções para o primeiro dos temas que abre esta segunda parte do Livro de Exercícios, a parte que nos leva na direção da percepção verdadeira: O que é o perdão? Um tema que temos de nos lembrar de ler a cada lição como ajuda para nossa reflexão a respeito da ideia de cada dia.

Para auxiliar mais uma vez o treino com o exercício, não posso resistir à tentação de lhes oferecer, como fiz em anos passados, a reflexão do jagunço Riobaldo a respeito de sua própria sabedoria interior - uma sabedoria que está igualmente disponível a todos e a todas nós -, e a respeito de existir um plano [para a salvação]. No livro Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa. Diz ele:

Sempre sei, realmente. Só o que eu quis, todo o tempo, o que eu pelejei para achar, era só uma coisa - a inteira - cujo significado e vislumbrado dela eu vejo que sempre tive. A que era: que existe uma receita, a norma dum caminho certo, estreito, de cada uma pessoa viver - e essa pauta cada um tem - mas a gente mesmo, no comum, não sabe encontrar; como é que, sozinho, por si, alguém ia poder encontrar e saber? Mas, esse norteado, tem. Tem que ter. Se não, a vida de todos ficava sendo sempre o confuso dessa doideira que é. E que: para cada dia, e cada hora, só uma ação possível da gente é que consegue ser a certa. Aquilo está no encoberto; mas fora dessa consequência, tudo o que eu fizer, o que o senhor fizer, o que o beltrano fizer, o que todo-o-mundo fizer, ou deixar de fazer, fica sendo falso, e é o errado. Ah, porque aquela outra é a lei, escondido e vivível mas não achável, do verdadeiro viver; que para cada pessoa, sua continuação, já foi projetada, como o que se põe, em teatro, para cada representador - sua parte, que antes já foi inventada, num papel...

(...) Mas minha alma tem de ser de Deus: se não, como é que ela podia ser minha? ... Olhe: tudo o que não é oração é maluqueira...

Atenção: como o jagunço diz "para cada dia, e cada hora, só uma ação possível da gente é que consegue ser a certa". E qual é ela? A que fizermos, é claro, qualquer que ela seja. Porque só podemos pensar em uma de nossas ações como sendo errada se julgarmos nossas ações. É preciso que nos lembremos sempre de que não existe erro, só a experiência.

Assim, continuando, não lhes parece que faz todo o sentido pensar que Deus é minha vida, pois se não fosse, "como é que ela podia ser minha"? E ampliar o pensamento para concluir que não tenho nenhuma vida a não ser a d'Ele/Ela

Quando em se tratando das coisas do espírito, a regra é crer para ver. Em geral, porém, vivemos a partir da orientação dita de São Tomé, queremos ver para crer. Daí que muitos e muitas de nós perguntam, como diz Sai Baba, "Então, por que Ele [Deus] não é visto?" E responde: "Bem, Ele [Deus] é como manteiga no leite. Ela está em cada gota. Se [se] quiser ver a manteiga, certos processos têm de ser realizados: ferver, coalhar, bater, etc. Assim também, mediante certas disciplinas espirituais como a de repetir o Nome (de Deus) na língua, Aquele que mora no coração pode ser vislumbrado; o imanente Deus pode ser experimentado como o Real". 

Quantos e quantas de nós estamos dispostos e dispostas a realizar os tais processos, praticar as tais disciplinas espirituais, fazer as lições que o Curso nos pede todos os dias?

Às práticas?

sexta-feira, 9 de agosto de 2024

Só eu posso dar valor, julgar e/ou condenar o mundo

 

1. O que é o perdão?

1. O perdão reconhece que o que pensaste que teu irmão fez a ti não aconteceu. Ele não perdoa os pecados e os torna reais. Ele vê que não houve pecado. E, em vista disso, todos os teus pecados são perdoados. O que é o pecado exceto uma ideia falsa acerca do Filho de Deus? O perdão simplesmente vê sua falsidade e, em razão disso, a abandona. Agora, então, o que fica livre para ocupar seu lugar é a Vontade de Deus.

2. Um pensamento que não perdoa é um pensamento que faz um juízo ao qual não porá em dúvida, embora não seja verdadeiro. A mente está fechada e não será liberada. O pensamento oculta a projeção, apertando suas correntes a fim de que as distorções fiquem mais veladas e mais disfarçadas; menos facilmente sujeitas à dúvida e mantidas mais distante do bom senso. O que pode se interpor entre uma projeção rígida e o objetivo que ela escolhe como a meta que quer?

3. Um pensamento que não perdoa faz muitas coisas. Busca seu objetivo numa ação frenética, torcendo e destruindo aquilo que vê como intromissões ao caminho que escolheu. Seu objetivo, e também o meio pelo qual quer alcançá-lo, é a distorção. Ele inicia suas tentativas furiosas de esmagar a realidade sem preocupação com qualquer coisa que pareça apresentar uma contradição a seu ponto de vista.

4. O perdão, por outro lado, é tranquilo e, de modo sereno, não faz nada. Ele não transgride nenhum aspecto da realidade, nem busca alterá-la para formas que lhe agradem. Ele olha simplesmente e espera, e não julga. Aquele que não quer perdoar tem de julgar, pois precisa justificar seu fracasso em perdoar. Mas aquele que quer perdoar tem de aprender a receber a verdade exatamente como ela é.

5. Não faças nada, então, e permite que o perdão te mostre o que fazer, por intermédio d'Aquele Que é teu Guia, teu Salvador e Protetor, forte em esperança e certo de teu êxito final. Ele já te perdoou, porque esta é Sua função, que Lhe foi dada por Deus. Agora tu tens de compartilhar a função d'Ele e perdoar aquele que Ele salvou, cuja inocência Ele vê a a quem Ele reconhece como o Filho de Deus.

*

LIÇÃO 222

Deus está comigo. Vivo e me movimento n'Ele.

1. Deus está comigo. Ele é minha Fonte de vida, a vida interior, o ar que respiro, o alimento que me sustenta, a água que reanima e me purifica. Ele é meu lar, onde vivo e me movimento; o Espírito que orienta minhas ações, que me oferece Seus Pensamentos e garante minha segurança contra toda dor. Ele me cumula de bondade e de atenção e conserva no amor o Filho que Ele ilumina, que também O ilumina. Quão tranquilo é aquele que conhece a verdade daquilo que Ele fala hoje!

2. Pai, não temos nenhuma palavra exceto Teu Nome em nossos lábios e em nossas mentes, ao virmos calmamente a Tua Presença agora, e ao pedirmos para descansar em paz Contigo por um momento.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 222

Caras, caros,

Esta é apenas a segunda das lições desta segunda parte do Livro de Exercícios. E ela tem muito a nos ensinar a respeito do perdão, tema que dá unidade às práticas deste primeiro movimento que fazemos na direção da percepção verdadeira, conforme nos ensina o Curso. 

Se nos concentrarmos e dedicarmos toda, mas toda mesmo, a atenção de que somos capazes à ideia que praticamos hoje, vamos descobrir, melhor seria dizer, experimentar que o mundo já está perdoado e que não há nada a perdoar quando compreendemos - sempre no sentido de aceitar - que só podemos viver na unidade com Deus, que é como, de verdade, vivemos - não há vida fora desta unidade. 

Na verdade não há nada fora de nós mesmos e de nós mesmas, nem Deus. E viver a unidade com Ele é apenas uma forma de dizer que vivemos a partir de nossa identidade verdadeira. É por isso que é possível, a partir das práticas da ideia de hoje, aceitar e vivenciar Deus como nossa única e verdadeira Identidade. Isso tem a ver, por óbvio, com o título que emprestei à postagem de ontem: "para se chegar à consciência de que já somos Ele/Ela". 

Compreender - e aceitar - a verdade da ideia que praticamos é compreender - e aceitar - que não existe qualquer lugar onde Deus não esteja. Não há como nos separarmos d'Ele/Ela, pois vivemos e nos movimentamos n'Ele/Ela, e só n'Ele/Ela podemos viver e nos movimentar.

É preciso, pois, reforçando a orientação do livro, que nos lembremos de ler e refletir todos os dias acerca desta primeira instrução [O que é o perdão?] como forma de facilitar nossos períodos de prática. De acordo com ela, na verdade, "o perdão reconhece que aquilo que pensaste que teu irmão fez a ti não aconteceu". 

Por isto, como eu já disse outras vezes antes, nada do que penso que alguém faz ou fez a mim ou contra mim, de fato, aconteceu. A não ser como resposta a [ou como projeção de] um pedido meu por uma experiência que desejei ou desejo viver. Disto se conclui que ninguém pode fazer nada para mim, nem por mim, seja a favor, seja contra. Nem bem, nem mal. Tudo começa em mim. E, do mesmo modo, tudo termina em mim. E em mim na unidade com Deus. Pois não existe nada fora desta unidade. 

Reforçando ainda uma vez aquilo de que já falamos tantas vezes ao longo de nossa jornada, só eu posso atribuir valor, julgar, condenar ou emitir qualquer opinião a respeito do mundo que invento em pensamentos e que construo a partir da materialização de meus pensamentos. Se o construo com os pensamentos em sintonia com o Ser, que é Deus em mim - o que sou realmente -, o mundo, e tudo o que há nele, tem de ser neutro por completo, e servir apenas para me pôr em contato com as experiências que busco e quero viver. Estas, por sua vez, não podem receber o rótulo de boas ou ruins. São experiências tão somente. E basta.

Assim, como ensina o Dr. Hew Len, no Limite Zero - lembram? -, tudo o que precisamos perdoar é apenas a nós mesmos e a nós mesmas, e em todas as ocasiões e circunstâncias, somente por nossa percepção equivocada. É para aprender a reconhecer isso e aceitar a responsabilidade por nossa salvação, que é também a salvação do mundo, que praticamos com confiança a ideia de hoje. 

Às práticas?

quinta-feira, 8 de agosto de 2024

Para se chegar à consciência de que já somos Ele/Ela

 

PARTE II

Introdução

1. As palavras farão pouco sentido agora. Nós as usamos apenas como guias dos quais já não dependemos. Pois agora buscamos somente a experiência direta da verdade. As lições que restam são simplesmente introduções aos momentos em que deixamos o mundo de dor e avançamos para penetrar na paz. Agora começamos a atingir a meta que este curso estabelece e a encontrar o fim em cuja direção nossa prática sempre esteve orientada.

2. Agora tentamos permitir que o exercício seja simplesmente um começo. Pois esperamos em calma expectativa por nosso Deus e Pai. Deus garante que Ele Mesmo dará o último passo. E temos certeza de que Ele cumpre Suas promessas. Já fomos longe na estrada e agora esperamos por Ele. Continuaremos a passar algum tempo com Ele a cada manhã e à noite, enquanto isto nos fizer felizes. Já não consideramos o tempo uma questão de duração. Usamos tanto quanto necessitarmos para o resultado que desejamos. Tampouco esqueceremos de nossa lembrança a cada hora no intervalo, chamando por Deus quanto tivermos necessidade d'Ele no momento em que formos tentados a esquecer nossa meta.

3. Continuaremos com um pensamento central para todos os dias que virão e usaremos aquele pensamento para começar nossos momentos de descanso e para acalmar nossas mentes quando necessário. Mas não nos satisfaremos simplesmente com a prática nos instantes santos que restam, que concluem o ano que dedicamos a Deus. Dizemos algumas palavras simples de boas vindas e esperamos que o Pai Se revele, conforme Ele prometeu. Nós O chamamos e Ele assegura que Seu Filho não ficará sem resposta quando invocar o Nome d'Ele.

4. Agora vamos a Ele só com Sua Palavra em nossas mentes e corações, e esperamos que Ele dê, em nossa direção, o passo de que Ele falou por Sua Voz, que Ele não deixaria de dar quando nós O convidássemos. Ele não abandona Seu Filho em toda sua loucura, nem trai a confiança que Seu Filho tem n'Ele. A fidelidade de Deus não O torna merecedor do convite que Ele busca para nos fazer felizes? Nós o ofereceremos e ele será aceito. Agora passaremos nossos momentos com Ele deste modo. Dizemos as palavras do convite que Sua Voz sugere e, em seguida, esperamos que Ele venha a nós.

5. Agora se cumpre o tempo da profecia. Agora todas as antigas promessas são mantidas e cumpridas por inteiro. Não resta nenhuma ação para o tempo separar de sua realização. Pois agora não podemos falhar. Senta em silêncio e espera teu Pai. Ele deseja vir a ti quando reconheceres que é tua vontade que Ele o faça. E tu nunca poderias vir tão longe a menos que visses, ainda que de modo não muito claro, que esta é tua vontade.

6. Eu estou tão perto de ti que não podemos falhar. Pai, nós damos estes momentos santos a Ti, em gratidão Àquele Que nos ensina como deixar o mundo de tristeza em troca de seu substituto, que Tu nos deste. Não olhamos para trás agora. Olhamos para frente e cravamos nossos olhos no final da jornada. Aceita estas nossas pequenas dádivas de gratidão, uma vez que pela visão de Cristo vemos um mundo além daquele que criamos e aceitamos que esse mundo seja o substituto pleno para o nosso.

7. E, agora, esperamos em silêncio, sem medo e certos de Tua vinda. Buscamos encontrar nosso caminho seguindo o Guia que Tu nos enviaste. Não conhecíamos o caminho, mas Tu não nos esqueceste. E sabemos que Tu não nos esquecerás agora. Pedimos apenas que Tuas antigas promessas, que é Tua Vontade cumprir, sejam cumpridas. Ao pedir isto desejamos Contigo. O Pai e o Filho, Cujas Vontades santas criaram tudo o que existe, não podem falhar em nada. Com esta certeza empreendemos estes últimos passos em direção a Ti e descansamos na confiança de Teu Amor, que não faltará ao Filho que chama por Ti.

8. E, assim, iniciamos a parte final deste ano santo, que passamos juntos na busca da verdade e de Deus, que é seu único Criador. Descobrimos o caminho que Ele escolheu para nós e fizemos a escolha de seguí-Lo assim como Ele quer que façamos. Sua Mão nos ampara. Seus Pensamentos iluminam a escuridão de nossas mentes. Seu Amor nos chama incessantemente desde o início do tempo.

9. Tínhamos um desejo de que Deus fracassasse em ter o Filho a quem Ele criou para Si Mesmo. Queríamos que Deus mudasse a Si Mesmo e fosse o que queríamos fazer d'Ele. E acreditávamos que nossos desejos loucos eram a verdade. Agora estamos alegres porque tudo isto está desfeito e nós não pensamos mais que as ilusões são verdadeiras. A lembrança de Deus resplandece pelos vastos horizontes de nossas mentes. Mais um instante e ela surgirá outra vez. Mais um instante e nós, que somos Filhos de Deus, estaremos a salvo em casa, onde Ele quer que estejamos.

10. Agora, a necessidade de prática quase acabou. Pois nesta última parte chegaremos a compreender que só precisamos chamar por Deus e todas as tentações desaparecem. Em lugar de palavras, precisamos apenas sentir Seu Amor. Em vez de preces, só precisamos invocar Seu Nome. Em lugar de julgar, só precisamos ficar calmos e deixar que todas as coisas sejam curadas. Aceitaremos o modo pelo qual o plano de Deus terminará do mesmo modo que recebemos o modo com que ele começou. Agora ele está consumado. Este ano nos trouxe até a eternidade.

11. Conservaremos ainda uma nova utilidade para as palavras. De vez em quando, instruções acerca de um tema de particular importância se intercalarão com nossas lições diárias, com os períodos sem palavras a a profunda experiência que deve vir logo em seguida a eles. Estes pensamentos particulares devem ser revistos todos os dias e cada um deles deve continuar até que o próximo te seja dado. Eles devem ser lidos e deve-se refletir a respeito deles lentamente com atenção por algum tempo antes de um dos instantes santos e abençoados do dia. Damos agora a primeira destas instruções.

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1. O que é o perdão?

1. O perdão reconhece que o que pensaste que teu irmão fez a ti não aconteceu. Ele não perdoa os pecados e os torna reais. Ele vê que não houve pecado. E, em vista disso, todos os teus pecados são perdoados. O que é o pecado exceto uma ideia falsa acerca do Filho de Deus? O perdão simplesmente vê sua falsidade e, em razão disso, a abandona. Agora, então, o que fica livre para ocupar seu lugar é a Vontade de Deus.

2. Um pensamento que não perdoa é um pensamento que faz um juízo ao qual não porá em dúvida, embora não seja verdadeiro. A mente está fechada e não será liberada. O pensamento oculta a projeção, apertando suas correntes a fim de que as distorções fiquem mais veladas e mais disfarçadas; menos facilmente sujeitas à dúvida e mantidas mais distante do bom senso. O que pode se interpor entre uma projeção rígida e o objetivo que ela escolhe como a meta que quer?

3. Um pensamento que não perdoa faz muitas coisas. Busca seu objetivo numa ação frenética, torcendo e destruindo aquilo que vê como intromissões ao caminho que escolheu. Seu objetivo, e também o meio pelo qual quer alcançá-lo, é a distorção. Ele inicia suas tentativas furiosas de esmagar a realidade sem preocupação com qualquer coisa que pareça apresentar uma contradição a seu ponto de vista.

4. O perdão, por outro lado, é tranquilo e, de modo sereno, não faz nada. Ele não transgride nenhum aspecto da realidade, nem busca alterá-la para formas que lhe agradem. Ele olha simplesmente e espera, e não julga. Aquele que não quer perdoar tem de julgar, pois precisa justificar seu fracasso em perdoar. Mas aquele que quer perdoar tem de aprender a receber a verdade exatamente como ela é.

5. Não faças nada, então, e permite que o perdão te mostre o que fazer, por intermédio d'Aquele Que é teu Guia, teu Salvador e Protetor, forte em esperança e certo de teu êxito final. Ele já te perdoou, porque esta é Sua função, que Lhe foi dada por Deus. Agora tu tens de compartilhara a função d'Ele e perdoar aquele que Ele salvou, cuja inocência Ele vê a a quem Ele reconhece como o Filho de Deus.

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LIÇÃO 221

Paz a minha mente. Que todos os meus pensamentos silenciem.

1. Pai, venho a Ti hoje para buscar a paz que só Tu podes dar. Venho em silêncio. Na calma de meu coração, nos recantos mais profundos de minha mente, espero e presto atenção a Tua Voz. Fala comigo hoje, meu Pai. Venho ouvir Tua Voz em silêncio e na certeza e no amor, convencido de que Tu ouvirás meu chamado e me responderás.

2. Agora esperamos em paz. Deus está aqui, porque esperamos juntos. Tenho certeza de que Ele falará contigo e de que ouvirás. Aceita minha confiança, pois ela é tua. Nossas mentes estão unidas. Nós esperamos com uma só intenção; ouvir a resposta de nosso Pai a nosso chamado, para permitir que nossos pensamentos silenciem e encontrem a paz de Deus, para ouvi-Lo falar daquilo que somos e para Se revelar a Seu Filho.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 221

Caras, caros,

Começamos hoje, de novo - tanto aqueles e aquelas que chegam até aqui pela primeira vez, quanto aqueles e aquelas que já estão por aqui há mais tempo e praticam há vários anos - a dar o primeiro dos grandes passos que vão nos levar de forma definitiva à percepção verdadeira, conforme diz o Curso. Pois a partir de hoje todos os nossos passos serão grandes. 

É claro que este primeiro passo é mais uma vez um recomeço para todos e todas nós que temos o hábito diário das práticas há mais de um ano. E para aqueles e aquelas que estão começando a jornada agora também. Nem por isso ele deixa de ser outra vez, mais uma vez, um passo muito importante, porque, se continuamos a praticar é em razão de - uma vez que não chegamos à compreensão e, por extensão, à aceitação das ideias mais importantes do Curso - ainda não nos considerarmos prontos e prontas para viver apenas o que somos, na verdade em Deus. Ainda acreditamos que há algum tipo de separação entre o que somos e o que Deus é. 

Isto não é verdade! Se atentos a nós mesmos, se atentas a nós mesmas, e à vida que manifesta o sagrado e o divino de milhares de formas diferentes; se persistentes em nossas práticas nos tornarmos capazes, como aconselha Sai Baba, de proteger a colheita crescente dos frutos que resultam de semearmos em nós mesmos, em nós mesmas e no mundo todo as sementes dos bons pensamentos, regando-os com as águas e bênçãos do amor, com um pesticida chamado coragem; se formos capazes de nutrir nossa plantação com o fertilizante da concentração mental, seremos capazes de colher a sabedoria que vai nos permitir perceber claramente que cada um e cada uma de nós já é Ele/Ela.

Talvez, por acreditarmos na separação, pensemos ainda que podemos ser diferentes do que Ele/Ela [Deus] é. E, orientados, ou orientadas, pelo sistema de pensamento do mundo, ou não concebemos pensar em nós mesmos e em nós mesmas como apenas a manifestação do divino, ou ainda acreditamos que há alguma coisa de valor neste mundo, nesta experiência da forma e dos sentidos. Por tudo isso, o passo que alguns e algumas de nós damos hoje, mais uma vez, é também um passo muito importante para aquele e aquelas que chegam aqui pela primeira vez, do mesmo modo que é importante para aqueles e aquelas que já o deram antes, uma, duas, três ou mais vezes. Ele pode nos levar ao despertar. Ele, este passo, pode fazer que nos tornemos Ele/Ela - ou cheguemos à consciência de que já somos Ele/Ela, na unidade. Aliás, embora não o saibamos na maior parte do tempo, sempre somos Ele/Ela, porque não há nada fora de nós, assim como não há nada fora d'Ele/Ela.

Vejam, pois, repetida a historinha de Wayne Dyer a respeito de Sai Baba, o grande santo indiano que parecia possuir "os poderes mágicos da manifestação instantânea", cuja presença parecia curar os doentes e que transmitia uma sensação de paz e de bem-aventurança a todas as pessoas com quem entrava em contato. Diz Wayne que em certa ocasião um repórter ocidental perguntou a Sai Baba: "Você é Deus?" Ele respondeu prontamente: "Sim, eu sou!" Logo em seguida, após uma pausa, em função da confusão que sua resposta gerara entre todos os presentes, ele prosseguiu: "E vocês também são. A única diferença entre vocês e eu é que eu tenho certeza disso e vocês duvidam".

É nesta direção, isto é, na direção do reconhecimento de nossa unidade com Deus, que é nossa verdadeira Identidade, que os exercícios desta segunda parte vão nos levar. A percepção verdadeira é a que vai nos fazer ver - experimentar, na prática e não apenas intelectualmente - que não há nada fora de nós, nem de Deus. A partir daí já não precisaremos da percepção. Nem das práticas.

Às práticas?

ADENDO:

Para quem está chegando agora, e também para os que continuam por aqui, continuo com aquela modificação na forma de apresentar diariamente as lições desta segunda parte do livro, para oferecer a todos os leitores e a todas as leitoras a cada dia, a reprise dos pensamentos acerca do tema particular a que se relacionam as lições e as ideias diárias, pois como orienta o Curso, no final da apresentação desta segunda parte do Livro de Exercícios:

"Estes pensamentos particulares devem ser revistos todos os dias e cada um deles deve continuar até que o próximo te seja dado. Eles devem ser lidos e deve-se refletir a respeito deles lentamente com atenção por algum tempo antes de um dos instantes santos e abençoados do dia."