sábado, 8 de julho de 2023

A alegria e a paz estabelecem nossa ligação Deus

 

LIÇÃO 189

Sinto o Amor de Deus em mim agora.

1. Há uma luz em ti que o mundo não pode perceber. E com os olhos dele tu não verás esta luz, pois estás cego pelo mundo. No entanto, tens olhos para vê-la. Ela existe para que a vejas. Ela não foi posta em ti para ser mantida oculta de tua vista. Esta luz é um reflexo do pensamento que praticamos agora. Sentir o Amor de Deus em ti é ver o mundo de maneira nova, brilhando em inocência, vivo em esperança e abençoado com perfeita pureza e amor.

2. Quem poderia sentir medo em um mundo tal como este? Ele te acolhe, alegra-se porque vieste e canta teus louvores enquanto te mantêm a salvo de toda forma de perigo e de dor. Ele te oferece um lar aconchegante e benigno onde passar algum tempo. Ele te abençoa ao longo de todo o dia e vigia durante a noite qual guardião silencioso de teu sono sagrado. Ele vê a salvação em ti e protege a luz em ti, na qual vê sua própria luz. Ele te oferece suas flores e sua neve, em agradecimento por tua benevolência.

3. Este é o mundo que o Amor de Deus revela. Ele é tão diferente do mundo que vês pelos olhos sombrios de malícia e de medo que um prova que o outro é falso. Só um pode ser absolutamente verdadeiro. O outro é totalmente sem significado. Um mundo no qual o perdão brilha sobre todos as coisas e a paz oferece sua luz bondosa a todos é inconcebível para aqueles que veem um mundo de ódio que surge do ataque, pronto para vingar, assassinar e destruir.

4. Porém, o mundo de ódio é igualmente invisível e inconcebível para aqueles que sentem o Amor de Deus em si. O mundo deles reflete a tranquilidade e a paz que brilha neles; a bondade e a inocência que os envolve; a alegria com que olham para fora a partir dos infinitos mananciais de alegria interior. Eles olham para o que sentem interiormente e veem seu reflexo seguro em todos os lugares.

5. O que queres ver? A escolha te é dada. Mas aprende e não deixes tua mente se esquecer desta lei da visão: tu verás aquilo que sentes em teu interior. Se o ódio encontrar um lugar em teu coração, vais perceber um mundo amedrontador  preso de modo cruel entre os dedos ossudos e afiados da morte. Se sentires o Amor de Deus dentro de ti, olharás para um mundo de misericórdia e amor.

6. Hoje, ultrapassamos as ilusões, enquanto buscamos achar aquilo que é verdadeiro em nós e sentir sua ternura todo-envolvente, seu Amor que nos sabe tão perfeitos quanto ele próprio, sua visão que é a dádiva que seu Amor nos concede. Aprendemos o caminho hoje. Ele é tão certo quanto o próprio Amor, para o qual ele nos transporta. Pois sua simplicidade evita as ciladas que só servem para esconder as tolas complexidades do aparente raciocínio lógico do mundo.

7. Faze simplesmente isto: fica quieto e põe de lado todos os pensamentos acerca do que és e do que Deus é; todos os conceitos que aprendeste a respeito do mundo; todas as imagens que tens de ti mesmo. Esvazia tua mente de tudo o que ela pensa que é falso ou verdadeiro, ou bom ou mau, de todo pensamento que ela julga digno e de todas as ideias das quais ela se envergonha. Não te prendas a nada. Não tragas contigo um único pensamento que o passado tenha ensinado, nem uma só crença que tenhas aprendido alguma vez antes a respeito de qualquer coisas. Esquece este mundo, esquece este curso e vem com mãos totalmente vazias para teu Deus.

8. Não é Ele Quem conhece o caminho para ti? Tu não precisas saber o caminho para Ele. Tua parte é simplesmente permitir que todos os obstáculos que interpuseste entre o Filho e Deus Pai sejam calmamente retirados para sempre. Deus fará Sua parte em uma resposta alegre e imediata. Pede e receberás. Mas não faças exigências, nem indiques para Deus a estrada pela qual Ele deveria aparecer para ti. A maneira de alcançá-Lo é apenas deixar que Ele seja. Pois deste modo tua realidade também se manifesta.

9. E assim, hoje, não escolhemos o caminho pelo qual vamos a Ele. Mas escolhemos, sim, deixar que Ele venha. E descansamos com esta escolha. E, em nossos corações tranquilos e mentes abertas, Seu Amor marcará o caminho para si mesmo. Aquilo que não foi negado certamente existe, se for verdadeiro, e pode ser alcançado com certeza. Deus conhece Seu Filho e conhece o caminho para ele. Ele não precisa que Seu Filho Lhe mostre como achar Seu caminho. Seu Amor brilha e se reflete a partir de seu lar interior através de toda porta aberta e ilumina o mundo em inocência.

10. Pai, não conhecemos o caminho para Ti. Mas chamamos e Tu nos respondes. Nós não atrapalharemos  Os caminhos para a salvação não são os nossos, pois Te pertencem. E é em Ti que os procuramos. Nossas mãos estão abertas para receber Tuas dádivas. Não temos nenhum pensamento separado de Ti e não damos valor a nenhuma crença acerca do que somos ou de Quem nos criou. Teu é o caminho que queremos encontrar e seguir. E pedimos apenas que Tua Vontade, que também é a nossa, seja feita em nós e no mundo, para ele se torne uma parte do Céu agora. Amém.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 189

Caras, caros,

Enquanto aceitarmos as limitações que nos impõe o sistema de pensamento do ego, não perceberemos de forma clara que é possível estabelecer uma ligação com o divino em nós. Quer dizer, esta ligação nunca deixa de existir, nós é que não a percebemos porque ocupadas, ocupados, com tudo o que o ego nos diz que temos de fazer para encontrar a alegria e a paz neste mundo.

O ego nos indica inúmeros caminhos sem nos avisar que seu objetivo é sempre nos afastar da alegria e da paz, oferecendo-nos migalhas de satisfação e prometendo que chegaremos à felicidade quando atendermos todas as suas exigências absurdas.

É claro que isso não vai acontecer nunca no tempo ilusório que o ego nos dá para viver. Não há tempo, na verdade, para alcançarmos as metas do ego, pois elas nunca acabam. Por isso é que tão logo logramos alcançar um objetivo, o ego nos convida a ir além, e além, e além...

Ora nossa ligação com Deus é permanente e nunca se desfaz, a menos que estejamos convencidas, convencidos, de que o que o ego nos propõe pode levar a algum lugar. Por isso é que precisamos restabelecer nosso vínculo indissolúvel com o divino, experimentando a paz e a alegria, que fazer calar a voz de ego em nós pode nos dar. Para isso praticamos a ideia de hoje.

"Sinto o Amor de Deus em mim agora."

Como eu já disse tantas outras vezes antes, a ideia para as práticas de hoje nos remete diretamente a um ponto específico do livro texto, ao ponto em que ele que trata de "causa e efeito", na página 33. Um ponto que nos diz de forma muito clara que não vigiamos nossos pensamentos com cuidado e atenção suficientes. Aliás, muitos e muitas de nós ainda acreditam que somos os nossos pensamentos e que sem eles não é possível viver, o que é um enorme equívoco. 

De acordo com o texto, estamos permanentemente dispostos/as a reclamar do medo, apesar de persistirmos em amedrontar a nós mesmos/as. O texto chama também nossa atenção para o fato de não estarmos habituados/as ao pensamento da mente disposta ao milagre, a mente que abandona o medo. 

É em razão disto que o Curso nos oferece os exercícios, pela lição de cada dia, pois, como o texto diz, uma mente que não é capaz de exercer vigilância sobre seus pensamentos não pode ajudar na tarefa de salvação do mundo, pois, distraída de si mesma, acredita que alguma coisa fora dela pode amedrontá-la. 

Daí é que surgem todos os conflitos que aparentemente vivemos neste mundo. O Curso ensina, contudo, que tanto os milagres quanto o medo vêm dos pensamentos. Basta, portanto, que nos mantenhamos vigilantes sobre nossos pensamentos para sermos capazes de escolher os milagres que afastam o medo, mesmo que apenas temporariamente.

Vocês conseguem perceber a relação entre o texto e a ideia que vamos praticar hoje? Ele tem também, ao mesmo tempo, relação direta com a ideia que praticamos ontem, que dizia: "aqueles que buscam a luz estão apenas cobrindo seus olhos". Pois "a luz está neles agora", do mesmo modo que está em cada um e cada uma de nós o tempo todo, ainda que a grande maioria de nós não tenha consciência disto a maior parte do tempo.

Na verdade, tudo está relacionado àquilo que queremos acreditar que seja a Vontade de Deus para nós. Se acreditamos que a Vontade de Deus e a nossa própria vontade são a mesma, podemos tranquilamente inferir que, quando estamos fazendo aquilo que nos sentimos inspirados/as a fazer e que nos põe em contato com uma alegria quase indizível e nos deixa inteiramente em paz, estamos, de fato, cumprindo nosso papel no plano de Deus para a salvação. Pois são a alegria e a paz que nos ligam a Deus. 

Quando estamos em sintonia com o divino não há nenhum conflito e podemos verdadeiramente sentir o Amor de Deus dentro de nós. E fora também. Pois tudo o que nos sentimos inclinados/as a fazer é estender o amor que sentimos.

É, pois, para aprender a escolher a Vontade de Deus, mantendo vigilância sobre nossa mente e pensamentos, que praticamos. 

Às práticas?

sexta-feira, 7 de julho de 2023

A Vontade de Deus só pode se realizar aqui e agora

 

LIÇÃO 188

A paz de Deus brilha em mim agora.

1. Por que esperar pelo Céu? Aqueles que buscam a luz estão apenas cobrindo seus olhos. A luz está neles agora. A iluminação é apenas um reconhecimento, não uma mudança em absoluto. A luz não é do mundo, porém tu que podes carregar a luz em ti também és um estranho aqui. A luz veio contigo de teu lar de origem e ficou contigo porque é tua. Ela é a única coisa que trazes contigo d'Aquele Que é tua Fonte. Ela brilha em ti porque ilumina teu lar e te conduz de volta ao lugar de onde ela veio e aonde estás em casa.

2. Esta luz não pode ser perdida. Por que esperar para encontrá-la no futuro ou acreditar que ela já se perdeu ou nunca existiu? Ela pode ser vista tão facilmente que os argumentos que provam que ela não existe são ridículos. Quem pode negar a presença daquilo que vê em si mesmo? Não é difícil olhar para dentro, pois toda a luz começa aí. Não há nenhuma visão, seja de sonhos ou de uma Fonte mais verdadeira, que não seja uma sombra daquilo que se vê a partir da visão interior. Aí a percepção começa e aí ela termina. Ela não tem nenhuma fonte a não ser esta.

3. A paz de Deus brilha em ti agora e se estende ao mundo inteiro desde o teu coração. Ela pára para acariciar toda coisa viva e deixa nelas uma bênção que permanece para todo o sempre. Aquilo que ela dá tem de ser eterno. Ela retira todos os pensamentos do efêmero e do sem valor. Ela traz renovação a todos os corações cansados e ilumina todas as visões à medida que passa. Todas as suas dádivas são dadas a todos e todos se unem para dar graças a ti que dás e a ti que recebes.

4. O brilho em tua mente lembra o mundo daquilo que ele esqueceu e o mundo, do mesmo modo, te devolve a lembrança. A salvação se irradia de ti com dádivas incomensuráveis, dadas e devolvidas. O Próprio Deus agradece a ti, o doador da dádiva. E, em Sua bênção, a luz em ti brilha de modo mais claro, somando-se às dádivas que tens para oferecer ao mundo.

5. A paz de Deus nunca pode ser contida. Aquele que a reconhece em si mesmo tem de dá-la. E os meios para dá-la estão em sua compreensão. Ele perdoa porque reconhece a verdade em si. A paz de Deus brilha em ti agora, e em todas as coisas vivas. Na tranquilidade ela é reconhecida universalmente. Pois aquilo para que olha tua visão interior é tua percepção do universo.

6. Senta calmamente e fecha os olhos. A luz dentro de ti é suficiente. Só ela tem o poder para te dar a dádiva da visão. Exclui o mundo exterior e deixa que teus pensamentos voem para a paz interior. Eles conhecem o caminho. Pois pensamentos honestos, imaculados pelo sonho de coisas do mundo exterior a ti mesmo, se tornam os mensageiros santos do Próprio Deus.

7. Estes pensamentos tu pensas com Ele. Eles reconhecem seu lar. E apontam para sua Fonte, Onde Deus Pai e Filho são um. A paz de Deus brilha neles, mas eles têm de permanecer contigo também, pois nasceram em tua mente, da mesma forma que a tua nasceu na de Deus. Eles te conduzem de volta à paz, de onde vieram apenas para te lembrar como tens de voltar.

8. Eles atendem à Voz de teu Pai quando te recusas a escutar. E eles te pedem com insistência e de forma paciente que aceites Sua Palavra como aquilo que és, em vez de fantasias e sombras. Eles te lembram de que és o co-criador de todas as coisas que vivem. Pois do mesmo modo que a paz de Deus brilha em ti, ela tem de brilhar sobre elas.

9. Hoje praticamos chegar mais perto da luz em nós. Tomamos nossos pensamentos inconstantes e os levamos delicadamente de volta ao lugar em que eles se alinham com todos os pensamentos que compartilhamos com Deus. Não deixaremos que eles se desviem. Deixamos a luz dentro de nossas mentes orientá-los a virem para casa. Nós os traímos, ordenando que se afastassem de nós. Mas agora pedimos que voltem e os limpamos de desejos estranhos e de anseios confusos. Devolvemos a eles a santidade de sua herança.

10. Deste modo, nossas mentes se recuperam com eles e reconhecemos que a paz de Deus ainda brilha em nós e, a partir de nós, em todas as coisas vivas que compartilham nossa vida. Nós perdoaremos a todas, absolvendo o mundo inteiro daquilo que pensávamos que ele fez a nós. Pois somos nós que fazemos o mundo do modo que o queremos. Agora escolhemos que ele seja inocente, livre de pecado e aberto à salvação. E depositamos sobre ele nossa bênção salvadora, ao dizermos:

A paz de Deus brilha em mim agora.
Que todas as coisas brilhem sobre mim nesta paz,
e que eu as abençoe com a luz em mim.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 188

Caras, caros,

Conforme já vimos no ensinamento o único tempo que existe de fato é o presente. Quer dizer, aqui e agora. Todas as questões que temos em relação ao tempo se referem apenas à ilusão de que existiu um tempo antes deste que estamos vivendo: o passado, que, como a palavra diz, já passou, e à de que além deste tempo que vivemos haverá um tempo ainda por vir: o futuro, que só existe como expectativa ilusória de que há algo que precisamos fazer para ir adiante.

O fato de acreditarmos em um tempo linear, que se desloca num espaço que não sabemos definir qual é, complica enormemente as possibilidade que temos de viver plenamente. Por quê? Porque quando não estamos pensando em alguma coisa que "aconteceu" e, por isso, não vivemos o momento de modo pleno, estamos distraídos, distraídas fantasiando o que gostaríamos que viesse a acontecer daqui a pouco, amanhã, depois, num tempo que ainda não existe.

Como o Curso afirma, quando não estamos com a mente no passado, nos a colocamos no futuro. E não vivemos, não saboreamos, não aproveitamos nada, ou praticamente nada, do presente, o único tempo em que de fato podemos viver.

É também a isto que se relacionam as práticas com a ideia que temos para este dia.

"A paz de Deus brilha em mim agora."

Hoje, vamos explorar mais uma vez a ideia que quer nos levar à tomada da decisão de acabar com a espera pelo Céu. Uma ideia que quer que nos conscientizemos de que não há necessidade de nenhuma espera, se, de fato, queremos viver o Céu na terra. O que causa a aparente demora e adia o momento em que vamos reconhecer que a Vontade de Deus e a nossa são a mesma é nossa falta de convicção. E só nossa falta de convicção que nos impede de tomar a decisão de uma vez por todas. 

Interessante é notar que, quando falamos a respeito do tempo - pensando que é possível adiar qualquer ação -, estamos apenas reforçando nossa crença em um tempo linear, que não existe a não ser na ilusão. Um tempo a que nos referimos como passado, presente e futuro, que se sobrepõem um ao outro, mas que aparentemente existem de forma independente e separada, como já vimos antes aqui.

Na verdade, conforme o Curso afirma, o único tempo que existe é o presente, o agora, e o agora, o presente, é o tempo que mais se assemelha à eternidade. Aliás, a eternidade só pode se comparar ao presente. Assim, podemos perceber que tudo o que acontece só pode acontecer no tempo certo, e que tudo está no lugar certo em todos os momentos em que olharmos para o mundo, pois não há como ser de outra forma.

O ensinamento nos autoriza a pensar, salvo engano de interpretação - e me corrijam, por favor, se eu estiver vendo de forma equivocada -, que não há atrasos na vida. Tudo acontece a seu tempo, no tempo certo, o tempo inteiro [lembremo-nos da terceira e da quarta leis espirituais que se ensina na Índia: Quando você começa alguma coisa, é o momento certo; e quando alguma coisa acaba, termina de fato]. 

Por isso, se alguma coisa ainda não aconteceu, ela não aconteceu simplesmente porque não era sua hora de acontecer. Ou alguém ainda pode ter dúvida disso? E se alguma coisa que algum ou alguma de nós vive ainda não terminou, é porque ela ainda não está acabada. Quer dizer, se não acabou é porque ainda não aprendemos com ela tudo o que ela queria nos ensinar. Ou porque ainda não aprendemos com ela tudo o que escolhemos aprender, pois ela só se apresentou porque a pedimos, mesmo que não tenhamos consciência disso o tempo todo. 

Assim, entender que algo pode acontecer fora do tempo certo - isto é, antes ou depois do momento em que acontece - apenas atesta o equívoco de  nossa percepção a respeito do tempo. É como se diz comumente - e de forma equivocada - de alguém, [ou de nós mesmos/as, às vezes], que ele (ou ela) estava no lugar errado na hora errada. Ora, isso é impossível. Sempre estamos no lugar certo e na hora certa, aonde quer que estejamos. É só lá que podemos estar. No lugar certo, seja ele o que for. Na hora que for.

Repetindo algo que eu já disse antes, o Curso nos afiança que seu ensinamento não está além do aprendizado imediato, a menos que acreditemos que "a Vontade de Deus leva tempo" para se realizar. E acreditar nisto significa apenas que preferimos adiar o reconhecimento de que tudo o que somos e vivemos, na verdade, é parte da Vontade de Deus. Fora da Vontade d'Ele só podemos experimentar ilusões. Pois a Vontade de Deus sempre se realiza num tempo fora do tempo, que é o presente: o aqui e agora, seja o momento que for.

Referindo-se à prática do instante santo, o texto nos assegura de que "o instante santo é este instante e todos os instantes". É, em razão disto, aquele que quisermos que seja. Cabe a nós tomar a decisão de quando ele será, e não podemos trazê-lo à consciência enquanto não o quisermos de verdade. Assim como não podemos materializar em nossa vida nada que não esteja em nossos pensamentos.

De certa forma, entendo que a lição de hoje começa dizendo a mesma coisa de outro modo. Isto é, que não há necessidade de esperarmos pelo Céu, podemos vivê-lo agora e em qualquer instante em que decidirmos aceitar para nós, como nossa vontade em sintonia com o divino em nós, que tudo o que desejamos é viver o Céu em nossas vidas. Cabe-nos apenas tomar esta decisão. Por que não agora? Por quanto tempo ainda pensamos poder adiar a tomada de decisão? Quanto ainda acreditamos que há para se aprender com a experiência da ilusão? Há, de fato, alguma coisa que a ilusão nos possa ensinar? 

As pessoas que buscam a luz apenas cobrem os olhos, pois a luz está em nós o tempo todo. Ou seja, não existe uma situação em que estejamos afastados, ou afastadas, da luz e nem um instante que não seja santo, mesmo que na ilusão de mundo que construímos ou inventamos pensemos haver coisas não santas, devidas à escuridão.

As práticas, como digo constantemente e como o Curso diz, podem - e vão - nos ensinar isto. 

A elas?

quinta-feira, 6 de julho de 2023

Sabedoria é a habilidade de aprender que não se sabe

 

LIÇÃO 187

Abençoo o mundo porque abençoo a mim mesmo.

1. Ninguém pode dar a menos que tenha. De fato, dar é a prova de ter. Já estabelecemos este ponto antes. O que parece tornar difícil de acreditar nele não é isto. Ninguém pode duvidar de que primeiro tens de possuir o que queres dar. É na segunda fase que o mundo e a percepção verdadeira divergem. Depois de teres e dares, o mundo afirma, então, que perdeste o que possuías. A verdade assegura que dar vai aumentar o que tens.

2. Como isto é possível? Pois é certo que, se dás uma coisa finita, os olhos do teu corpo não a perceberão como tua. No entanto, aprendemos que as coisas apenas representam os pensamentos que as criaram. E não te falta prova de que quando dás ideias tu as reforças em tua própria mente. Talvez a forma com que o pensamento parece surgir mude ao dar. Porém, ele tem de voltar àquele que dá. E a forma que ele assume também não pode ser menos aceitável. Tem de ser mais.

3. Primeiro as ideias têm de te pertencer antes que as dês. Se tens de salvar o mundo, primeiro aceitas a salvação para ti mesmo. Mas não acreditarás que isto aconteceu até que vejas os milagres que isto traz a todos para quem olhas. Nisto se esclarece a ideia de dar e ela adquire significado. Agora podes perceber que, por tua doação, tua riqueza aumenta.

4. Protege todas as coisas que prezas pelo ato de doá-las e terás certeza de que nunca as perderás. Aquilo que pensavas não ter vai se provar teu deste modo. Não valorizes, porém, sua forma. Pois esta mudará e ficará irreconhecível no tempo, por mais que tentes mantê-la a salvo. Nenhuma forma dura. É a ideia por detrás da forma das coisas que vive, imutável.

5. Dá com alegria. Só podes ganhar deste modo. O pensamento permanece e ganha força quando é reforçado pela doação. Os pensamentos se estendem na medida em que são dados, pois não podem se perder. Não existe nenhum doador ou receptor no sentido que o mundo os concebe. Há um doador que conserva; outro que também dará. E ambos têm de ganhar nesta troca, pois cada um terá o pensamento na forma mais útil para si. O que alguém parece perder é sempre alguma coisa que ele valorizará menos do que aquilo que certamente lhe será devolvido.

6. Não te esqueças nunca de que só dás a ti mesmo. Aquele que entende o que significa dar tem de rir da ideia de sacrifício. E também não pode deixar de reconhecer as muitas formas que o sacrifício pode assumir. Ele também ri da dor e da perda, da doença e do sofrimento, da pobreza, da fome e da morte. Ele reconhece que o sacrifício continua a ser a única ideia por trás de todas estas coisas e em sua risada tranquila elas são curadas.

7. Reconhecida, a ilusão tem de desaparecer. Não aceites o sofrimento e eliminas a ideia de sofrimento. Tua bênção pousa sobre todos os que sofrem, quando escolhes ver todo o sofrimento como ele é. A ideia do sacrifício dá origem da todas as formas que o sofrimento parecer assumir. E o sacrifício é uma ideia tão louca que a sanidade a elimina imediatamente.

8. Nunca acredites que podes sacrificar. Não há nenhum lugar para o sacrifício naquilo que tem algum valor. Se o pensamento acudir, a própria presença dele prova que o erro surgiu e que tem de se fazer a correção. Tua bênção o corrigirá. Dada primeiro a ti, ela agora é tua para dares também. Nenhuma forma de sacrifício e sofrimento pode durar o bastante diante do rosto daquele que se perdoa e se abençoa.

9. Os lírios que teu irmão te oferece estão depositados sobre teu altar, com os que lhe ofereceste ao lado deles. Quem poderia ter medo de olhar para tão bela santidade? A grande ilusão do medo de Deus se reduz a nada diante da pureza que verás aqui. Não tenhas medo de olhar. A ventura que verás afastará toda ideia de forma e deixará em seu lugar a dádiva perfeita sempre presente, destinada a crescer para sempre, tua eternamente, para ser dada incessantemente.

10. Agora somos um em pensamento, pois o medo se foi. E aqui, diante do altar do único Deus, do único Pai, do único Criador e do único Pensamento, estamos juntos como um único Filho de Deus. Não separados d'Aquele Que é nossa Fonte; não distantes de um só irmão que é parte de nosso único Ser, Cuja inocência se uniu a nós todos como um só, permanecemos em bem-aventurança e damos do mesmo modo que recebemos. O Nome de Deus está em nossos lábios. E, ao olharmos para dentro, vemos a pureza do Céu brilhar em nosso reflexo do Amor de nosso Pai.

11. Agora somos abençoados e agora abençoamos o mundo. Queremos estender aquilo para que olhamos, porque queremos vê-lo em todos os lugares. Queremos vê-lo brilhar com a graça de Deus em todos. Não queremos que ele seja negado a nada do que vemos. E, para garantir que esta visão santa seja nossa, nós a oferecemos a tudo o que vemos. Pois aonde a virmos ela nos será devolvida na forma de lírios que podemos depositar em nosso altar, transformando-o em um lar para a Própria Inocência, Que habita conosco e nos oferece a Santidade d'Ela como sendo nossa.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 187

Caras, caros,

Uma pergunta para começar: alguma, algum, de vocês tem absoluta certeza de alguma coisa em sua vida?

Não? Por que será?

Não será porque nada é certo e tudo é duvidoso neste mundo de ilusões? Ou será que dentre as ilusões que criamos, inventamos, para tentar encontrar alguma paz de espírito em nossos dias, está a certeza de que sabemos, de fato, alguma coisa?

O Curso nos aconselha, a certa altura, a questionarmos tudo o que pensamos saber. Não precisamos compreender nada. Não precisamos saber nada. Aliás, parece-me, vive melhor esta ilusão a pessoa que não tem pretensões a saber de nada. A que se deixa levar pela vida, como diz a letra de uma música popular de não muito tempo atrás.

É para se valorizar a ideia de que vale a pena duvidar de tudo o que nos informam os sentidos, pela via do sistema de pensamento do ego, que se prestam nossas práticas com as ideias que o ensinamento nos oferece dia a dia. Não é diferente com a ideia que vamos praticar hoje. 

"Abençoo o mundo porque abençoo a mim mesmo."

Convido-os/as, mais uma vez, a fazerem comigo um exercício mental, como já fizemos anteriormente. E, de novo, cada um para si mesmo, ou cada uma para si mesma, da forma mais honesta e sincera possível. Vamos nos perguntar e responder o quanto nos amamos. Isto é, podemos formular as perguntas assim, por exemplo: Quanto amor de verdade eu dedico a mim mesmo/a? Eu [o eu sou que sou] estou no centro de minha vida? A coisa mais importante no mundo para mim é o que sou [o eu sou que sou]? Sou capaz de me amar apesar de todas as circunstâncias, em todas as situações? E, sejam elas quais forem e faça eu o que fizer, não importa em que momento de minha vida, estou decidido/a a continuar me amando e acreditando que mereço vir em primeiro lugar no meu mundo?

O que este exercício vai revelar? Vai revelar a cada um e a cada uma de nós a razão pela qual o mundo que vivemos é assim como é para nós. Se, em primeiro lugar, não nos amamos inteira e completamente como somos, não seremos jamais capazes de amar ninguém. Nem Deus. Se o amor que oferecemos a nós mesmos/as é o maior que podemos oferecer, vamos ser capazes de perceber que só as pessoas amorosas permanecem a nossa volta e aumentam em nós o amor que temos por nós mesmos/as, assim como aumentam nossa capacidade de amar tudo, todas e todos no mundo. Amar o que somos acima de todas as coisas, situações e circunstâncias, equivale a amar a Deus sobre todas as coisas. Pois o Eu Sou o Que Sou é o mesmo o Eu Sou o Que Sou que Deus É. 

Amor, a partir do ensinamento do Curso, é sinônimo de pureza, de inocência, de verdade, de luz, de liberdade, de fé, de convicção e certeza - mesmo na dúvida -, de abundância e de plenitude. Amor é o que Deus é e o que somos n'Ele, com Ele. Assim é que amar a mim mesmo/a é o melhor que posso fazer para abençoar o mundo e, por extensão, abençoar a tudo, a todas e a todos, e receber todas dádivas de Deus em mim. 

Outro dia, há já algum tempo, assisti no facebook, pela postagem de alguém, um vídeo daquele "filósofo" careca (?) de sobrenome Kamal, que adora uma platitude, vocês já viram? Ele falava a respeito de ética, dizendo que só as pessoas éticas têm amigos e mantêm as amizades ao longo de suas vidas. É claro que não é necessário dizer que para se ser ético é preciso que nos amemos. Pois só assim podemos amar nossos amigos e amigas. E, quem sabe?, até nossos inimigos e inimigas.

É por isso que as práticas da ideia que o Curso nos oferece para hoje podem - e vão - nos revelar uma vez mais, se ainda não o sabemos, o quanto recebemos [de nós mesmos/as, pois, uma vez que não há nada fora, é só de nós mesmos/as que podemos receber] e a forma pela qual podemos fazer multiplicar os dons recebidos.

De acordo com o que ensina Joel Goldsmith, no livro A Arte de Curar pelo Espírito,  em capítulo intitulado Uma nova concepção de suprimento, de já lhes falei outras vezes, "o suprimento dos bens da vida é uma das coisas mais simples que um principiante no caminho espiritual pode realizar". 

Precisamos, porém, estar atentos/as ao fato de que há uma grande diferença entre "a verdade espiritual que subjaz ao suprimento e a concepção humana desse suprimento". 

É interessante notar a correspondência entre o que Goldsmith ensina e o que o Curso nos diz na lição que praticamos hoje. Diz ele: "Em sentido espiritual, ser suprido dos bens da vida, não quer dizer receber algo, mas sim dar algo". O que é bem o contrário do que se pensa no sentido humano. 

Ele afirma isso porque, em seu modo de ver, "no plano espiritual, não existe nenhum caminho para realizar o plano como tal: tal processo seria impossível, uma vez que todos os bens do céu e da terra já estão dentro de ti, neste momento, razão por que toda e qualquer tentativa de receberes de fora o suprimento desses bens" está fadada ao fracasso. Pois, como ele diz,  "não existe nenhum processo de subsistência fora do teu ser. Se quiseres fruir a plenitude daquilo de que necessitas para tua vivência, tens de abrir um caminho [interior] pelo qual essa plenitude possa fluir e se manifestar".  

Isto também é o que ensina Elio D'Anna, em seu livro, A Escola dos Deuses. Se não soubermos alimentar a abundância, a riqueza, a beleza, a inocência e a pureza do Ser que somos internamente, não há como ver essas coisas todas "fora". O "fora", como já aprendemos, é apenas um reflexo do que trazemos dentro. Assim, quando não nos acreditamos merecedores disto ou daquilo, ou quando alimentamos dúvidas acerca de algo que desejamos, pensando que é possível que não o alcancemos, contribuímos para que se materialize em nossa experiência aquilo que está no fundo, em forma de crença, e não o que vem à superfície em forma de pensamento.

Isto quer dizer, como o Curso ensina, que todas as limitações são sempre auto impostas, como também já vimos anteriormente. Basta que coloquemos nossa atenção em algo, o que quer que seja, para que este algo se materialize. E isto tanto para o nosso bem e para a nossa alegria, quanto para o nosso sofrimento e tristeza. É aquilo em que acreditamos que acontece. [ATENÇÃO, MUITA ATENÇÃO: É aquilo em que acreditamos que acontece.] Em toda e qualquer circunstância. Lembram-se da segunda lei espiritual que se aprende na Índia: Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido

Aproveitemos também novamente para nos lembrarmos do que o rabino Nilton Bonder diz, em seu livro Fronteiras da Inteligência: "a sabedoria não é um saber, mas a habilidade de aprender". Isto é o mesmo que dizer, como já se disse muitas vezes, que a sabedoria começa para alguém quando ele, ou ela, reconhece que não sabe. E, claro, quando se abre para aprender. 

Ele também diz que "a única forma que se tem de chegar à certeza é pela dúvida. E [que] mesmo assim essa certeza [a que vem], ou qualquer certeza que pensemos ter, deve estar eternamente aberta à dúvida. Ou, em outras palavras, ainda pertencer à categoria da dúvida". Para ele, "a espiritualidade não foge a esta regra da 'inteligência'. Ao contrário do que muitos pensam, a fé não é formada de certezas, mas de dúvidas trabalhadas de forma sensível e sofisticada".

Mas estas dúvidas desaparecem quando chegamos ao conhecimento, que, apesar de não ser o objeto de que se ocupa o ensinamento do Curso, nos espera quando nos rendemos por completo a Deus. Isto é, quando nos abandonamos por inteiro na certeza de que nosso único desejo é fazer o que é a Vontade d'Ele. Quando deixamos de lado a crença na separação.

Alan Watts, no livro God [Deus], para dizer a mesma coisa de outro modo, afirma que a "fé é um estado de abertura ou confiança" e que "a entrega é a atitude fundamental da fé". O que não significa que não se pode ter dúvidas. Estas, contudo, quando existirem - e acho que sempre vão existir -, também têm de fazer parte da entrega.

Da mesma forma, o Curso, em um de seus exercícios, convida, a certa altura, a abandonarmos tudo, inclusive o próprio Curso, e buscarmos o encontro com o Ser no mergulho mais profundo em nós mesmos/as, aonde vamos ser capazes de ouvir distintamente a Voz por Deus.

Lembremo-nos ainda mais uma vez da Oração de São Francisco, que afirma que "é dando que se recebe", palavras a que raramente damos atenção, porque distraídos de nós mesmos/as a maior parte do tempo. Quantas vezes já ouvimos estas palavras antes? Alguma vez já percebemos, de fato, a verdade que há nelas? Quantas vezes nos dispusemos a verificar, na prática, a veracidade delas? E quantas vezes, apesar de comprovada sua verdade, nos esquecemos disto, julgando que é negando a doação que poderemos manter e guardar aquilo que prezamos? Temendo perder o que conquistamos "a duras penas". 

Tenho de incluir aqui uma frase que li alguns dias atrás, nalgum aplicativo, que dizia mais ou menos o seguinte: "Por que te esforças tanto para acumular coisas se nada de fato te pertence neste mundo"? Quer dizer, é como aquela outra observação que já conhecemos há tempo. Chegamos a este mundo nus, sem nada nas mãos, e vamos deixá-lo do mesmo modo, sem nada que possamos levar conosco, a não ser aquilo que vivemos e experimentamos no mais íntimo de nós mesmos/as. Tudo nos é dado por empréstimo para fazermos bom uso e para repartirmos.  

É por esta razão que as práticas de hoje vão reforçar em nós a ideia de que somos abençoados/as com todas as dádivas de Deus, na terra e no céu, que podemos abençoar, e que é só dando que podemos receber, pois ela nos diz claramente que só damos a nós mesmos/as. Sempre!

Às práticas, pois!

quarta-feira, 5 de julho de 2023

Só precisa compreender a [o] que acredita na ilusão

 

LIÇÃO 186

A salvação do mundo depende de mim.

1. Eis aqui a afirmação que um dia afastará toda a arrogância de todas as mentes. Eis aqui a ideia da humildade verdadeira, que não defende nenhum papel como o teu próprio papel a não ser aquele que te foi dado. Ela te oferece a aceitação de um papel designado para ti, sem insistir em outro. Ela não julga teu papel adequado. Ela apenas reconhece que a Vontade de Deus se faz tanto na terra quanto no Céu. Ela une todas as vontades na terra no plano do Céu para salvar o mundo, devolvendo-o à paz do Céu.

2. Não lutemos com nosso papel. Nós não o criamos. Ele não é ideia nossa. O meio pelo qual ele será cumprido perfeitamente nos foi dado. Tudo o que se pede que façamos é que aceitemos nossa parte na verdadeira humildade e que não neguemos com arrogância auto-enganadora que somos dignos. Temos a força para fazer o que nos é dado fazer. Nossas mentes são perfeitamente adequadas para assumir o papel que nos foi designado por Aquele Que nos conhece bem.

3. A ideia de hoje pode parecer bastante séria até que percebas seu significado. Tudo o que ela diz é que teu Pai ainda Se lembra de ti, que és Seu Filho. Ela não pede que sejas diferente do que és de nenhuma forma. O que a humildade poderia pedir a não ser isto? E o que a arrogância poderia negar senão isto? Hoje não recuaremos de nossa obrigação sob o motivo ilusório de que a modéstia é ultrajada. É o orgulho que negaria o Chamado do Próprio Deus.

4. Abandonamos toda a falsa humildade hoje para podermos escutar a Voz de Deus nos revelar o que Ele quer que façamos. Não duvidaremos de nossa aptidão para a função que Ele nos oferecerá. Teremos certeza apenas de que Ele conhece nossos poderes, nossa sabedora e nossa santidade. E, se Ele acredita que somos dignos, então somos. É só a arrogância que julga de outro modo.

5. Há um e somente um caminho para se liberar da prisão que teu plano de provar que o falso é verdadeiro te traz. Aceita, no lugar dele, o plano que não fizeste. Não julgues teu valor para ele. Se a Voz de Deus te garante que a salvação necessita de tua parte e que o todo depende de ti, fica certo de que é verdade. O arrogante tem de se agarrar às palavras, com medo de ir além delas para experimentar o que poderia desacreditar sua atitude. Os humildes, no entanto, estão livres para ouvir a Voz que lhes diz o que eles são e o que fazer.

6. A arrogância inventa uma imagem de ti mesmo que não é real. É esta imagem que treme e foge em pânico quando a Voz por Deus te assegura que tens o poder, a sabedoria e a santidade para ultrapassar todas as imagens. Tu não és fraco como a imagem de ti mesmo é. Tu não és ignorante e desamparado. O pecado não pode manchar a verdade em ti e o sofrimento não pode chegar perto do lar santo de Deus.

7. Tudo isto a Voz por Deus te diz. E, quando Ele fala, a imagem treme e busca atacar a ameaça que ela não conhece, sentindo suas bases se desintegrarem. Abandona-a. A salvação do mundo depende de ti e não deste monte de pó inútil. O que ele pode dizer ao Filho de Deus? Por que ele precisa se preocupar com isto de alguma forma?

8. E, assim, achamos nossa paz. Aceitaremos a função que Deus nos deu, pois todas as ilusões se baseiam na estranha crença de que podemos criar outra por nós mesmos. Os papéis que criamos para nós mesmos são inconstantes e parecem mudar do desconsolo à felicidade extasiante do amor e de amar. Podemos rir ou chorar e saudar o dia com boas vindas ou com lágrimas. Nossa verdadeira forma de ser parece mudar à medida que experimentamos milhares de alterações de humor e nossas emoções, de fato, nos elevam às alturas ou nos arremessa violentamente ao chão em desespero.

9. Este é o Filho de Deus? Deus poderia criar tamanha instabilidade e chamá-la de Filho? Ele, Que é imutável, compartilha Suas características com Sua criação. Todas as imagens que Seu Filho parece criar não têm nenhum efeito naquilo que ele é. Elas atravessam sua mente como folhas varridas pelo vento, que formam um padrão por um instante, se separam para se agrupar novamente, e desaparecerem  Ou como miragens, surgindo do pó, sobre um deserto.

10. Estas imagens irreais se irão e deixarão tua mente desanuviada e serena, quando aceitares a função que te foi dada. As imagens que criaste só dão origem a metas contraditórias, temporárias e vagas, incertas e ambíguas. Quem poderia ser constante em seus esforços ou orientar sua forças e energias concentradas em direção a metas como estas? As funções que o mundo preza são tão incertas que mudam dez vezes por hora nos casos mais seguros. Que esperança de benefício pode se basear em metas como estas?

11. Em amoroso contraste, tão certo quanto é a volta do sol a cada manhã para dissipar a noite, a verdadeira função que te foi dada se destaca clara e totalmente não ambígua. Não há nenhuma dúvida acerca de sua validade. Ela vem d'Aquele Que não conhece nenhum erro e Sua Voz tem certeza de Suas mensagens. Elas não mudarão nem entrarão em conflito. Todas apontam para uma só meta e uma meta que podes atingir. Teu plano pode ser impossível, mas o de Deus não pode fracassar nunca porque Ele é a sua Fonte.

12. Faze conforme a Voz de Deus te orienta. E se Ele te pede uma coisa que parece impossível, lembra-te de Quem é que pede e de quem faria a negativa. Considera isto então: quem tem mais probabilidade de estar certo? A Voz que fala pelo Criador de todas as coisas, Que conhece todas as coisas exatamente como são, ou uma imagem distorcida de ti mesmo, confusa, desnorteada, incoerente e insegura de tudo? Não deixes que esta voz te oriente. Ouve, em seu lugar, uma Voz segura, que te fala de uma função que te foi dada por teu Criador, Que Se lembra de ti e pede com insistência que te lembres d'Ele agora.

13. Sua Voz serena está chamando do conhecido para o desconhecido. Ele quer te consolar, embora Ele não conheça nenhuma tristeza. Ele quer fazer uma restituição, embora Ele seja completo; uma dádiva para ti, embora Ele saiba que tu já tens tudo. Ele tem Pensamentos que atendem a toda necessidade que Seu Filho percebe, embora Ele não as veja. Pois o Amor tem de dar e o que é dado em Nome d'Ele assume a forma mais útil em um mundo de formas.

14. Estas são as formas que não podem enganar jamais, porque elas vêm da Própria Ausência de Formas. O perdão é uma forma terrena de amor, que, assim como é no Céu, não tem nenhuma forma. Porém, dá-se aqui o que é necessário aqui do modo que for necessário. Desta forma tu podes cumprir tua função até mesmo aqui, embora ainda seja muito mais o que o amor vai significar para ti, quanto a ausência de formas for restabelecida para ti. A salvação do mundo depende de ti, que podes perdoar. Esta é tua função aqui.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 186

Caras, caros,

Vocês já se deram conta da importância que têm no mundo, mesmo neste mundo de ilusões? E por que a pergunta? Porque em geral todas e todos nós nos consideramos seres insignificantes, cujo poder individual não serve nem para mover uma palha, no plano de Deus para o que deve ser o mundo real.

Na verdade, não é bem assim. Cada uma e cada um de nós é parte complementar fundamental do divino, do todo. E o todo só pode ser todo quando todas as suas partes têm a mesma importância. Assim, mesmo que não nos consideremos capazes de qualquer salvação, nem sequer para nós mesmas, para nós mesmas, o fato é que somos. E a salvação do mundo depende, sim, da salvação de cada uma de nós, de cada um de nós.

É disso que vamos tratar com as práticas da ideia que o ensinamento nos oferece para este dia.

"A salvação do mundo depende de mim."

Quantos, ou quantas, dentre nós já se aperceberam de que a ideia que vamos praticar hoje é, de fato, a mais pura expressão da verdade? Só eu posso salvar o mundo, se acredito na mensagem atribuída historicamente a Jesus por todas as religiões que o adotaram como salvador, e trazida mais uma vez ao mundo pela Voz à qual se atribui a autoria deste Curso. O mesmo vale para quem acredita na mensagem que, segundo a história, ele nos deixou há mais de dois mil anos. Ou não nos lembramos de que, de acordo com os registros - verdadeiros ou não - que chegaram até nós, ele disse que tudo o que ele fez cada um e cada uma de nós pode fazer igual e melhor?

Além do mais há que se considerar que o Curso ensina que "não há nenhum mundo", a não ser aquele que nós mesmos/as construímos com nossos pensamentos e ações, acreditando ser possível uma existência separada de Deus.

Mais! Basta que acreditemos na veracidade da afirmação do Curso de que não existe nada fora de nós, para se criar em nós a certeza interior de que o mundo que existe aparentemente só existe como expressão daquilo que trazemos dentro de cada um de nós mesmos, dentro de cada uma de nós mesmas. E isso é mesmo o que diz Elio D'Anna em seu livro A Escola dos Deuses, para quem se deu ao trabalho de lê-lo, conforme minha recomendação.

É preciso que nos conscientizemos de que isso também é verdade para todos e todas nós, uma vez que tudo o que vemos, ouvimos, cheiramos, tocamos, provamos, pensamos ou sentimos não é nada a não ser extensão ou projeção do que há dentro de cada um, de cada uma, de todos e de todas ao mesmo tempo. Isto é, o mundo que vemos é um mundo diferente para cada um e cada uma de nós, que olhamos para ele. Mais ainda, ele é um mundo diferente a cada instante que olhamos para ele. E ele é para cada um e cada uma de nós fruto das crenças que desenvolvemos ao longo do tempo que aparentemente passamos aqui. É assim que ele se mostra a cada um e a cada uma, a sua maneira, com uma percepção própria, fundada nos equívocos particulares dos sentidos individuais, e na visão própria de cada um, ou de cada uma, que serve apenas para confirmar aquilo em que cada um e cada uma de nós acredita.

Por isso posso repetir sem susto o que já disse nos comentários dos últimos anos: ainda bem que a lição de hoje apresenta uma ideia que nos pede para relevar as formas, todas as formas, sem exceção, uma vez que cada um e cada uma de nós em seu próprio mundo aprende de acordo com a própria capacidade de ouvir e entender - entender, aqui, no sentido de aceitar e seguir a orientação que o Curso oferece - a ideia que pratica. E para cada um, ou cada uma, ela se apresenta da forma que lhe for mais conveniente, da forma lhe seja mais fácil e melhor de reconhecer, compreender e aceitar. 

Lembremo-nos sempre, pois, de que compreender só é, de fato, compreender, quando é sinônimo de aceitar. E também de que não há necessidade de compreender a partir do que sabemos intelectualmente, uma vez que tudo o que sabemos via intelecto, só pode se referir - e, de fato, só se refere mesmo - à ilusão. Quer dizer, só tem necessidade de compreensão aquele, ou aquela, que acredita, ou que quer acreditar, que pode haver qualquer realidade na ilusão.

Fiquemos atentos e atentas, portanto, ao que nos diz a lição de hoje acerca da necessidade de assumirmos o papel que nos cabe na salvação do mundo. Lembremo-nos de que, se Deus nos garante que temos todo o poder, toda a sabedoria e toda a santidade e inocência necessárias para levar a cabo a tarefa, é porque, de fato, temos. 

É importante lembrar ainda que assumir este papel significa também assumir cem por cento a responsabilidade pela cura do mundo que construímos com nossos pensamentos, palavras, atos e omissões, como já lhes disse em vários comentários anteriores. 

Às práticas?