sábado, 12 de novembro de 2022

Para quem crê não há razão para angústia em nada

 

10. O que é o Juízo Final?

1. A Segunda Vinda de Cristo oferece esta dádiva ao Filho de Deus: ouvir a Voz por Deus revelar que aquilo que é falso é falso e que aquilo que é verdadeiro não muda nunca. E este é o julgamento no qual a percepção acaba. No começo tu vês um mundo que aceita isto como verdadeiro, projetado a partir de uma mente agora correta. E, com essa visão santa, a percepção dá uma bênção silenciosa e, então, desaparece, alcançada sua meta e cumprida sua missão.

2. O juízo final sobre o mundo não contém nenhuma condenação. Pois ele vê o mundo como totalmente perdoado, inocente e totalmente sem propósito. Sem uma causa e, agora, sem uma função na visão de Cristo, ele simplesmente desaparece no nada. Aí ele nasceu e também aí acaba. E todas as imagens no sonho em que o mundo começou se vão com ele. Agora, os corpos são inúteis e, por isso, se desvanecerão, porque o Filho de Deus não tem limites.

3. Tu, que acreditaste que o Juízo Final de Deus condenaria o mundo ao inferno junto contigo, aceita esta verdade santa: o Julgamento de Deus é a dádiva da Correção que Ele concedeu a todos os teus erros, libertando-te deles e de todos os efeitos que eles já pareceram ter. Ter medo da graça redentora de Deus é apenas ter medo da liberação total do sofrimento, da volta à paz, à segurança e à felicidade, e da união com tua própria Identidade.

4. O Juízo Final de Deus é tão misericordioso quanto cada passo no plano designado por Ele para abençoar Seu Filho e lhe pedir que volte à paz eterna que Deus compartilha com o filho. Não tenhas medo do amor. Pois só ele pode curar toda a tristeza, enxugar todas as lágrimas e despertar suavemente, de seu sonho de dor, o Filho a quem Deus reconhece como Seu. Não tenhas medo disso. A salvação pede que tu lhe dês acolhida. E o mundo espera tua alegre aceitação, que o libertará.

5. Este é o Juízo Final de Deus: "Tu ainda és Meu Filho santo, eternamente inocente, eternamente amoroso e eternamente amado, tão sem limites quanto teu Criador e inteiramente imutável e puro para sempre. Desperta, portanto, e volta para Mim. Eu sou Teu Pai e tu és Meu Filho".

*

LIÇÃO 316

Todas as dádivas que dou a meus irmãos são minhas.

1. Da mesma forma que todas as dádivas que meus irmãos dão são minhas, cada dádiva que dou também me pertence. Cada uma permite que um erro passado se vá e não deixe nenhuma sombra sobre a mente santa que meu Pai ama. Sua graça me é dada em cada dádiva que um irmão recebe ao longo de todo o tempo e além de todo o tempo também. Meus depósitos estão cheios e anjos guardam suas portas abertas para que não se perca nenhuma dádiva e para que apenas se acrescente mais. Deixa-me ir ao lugar onde estão meus tesouros e entrar no lugar em que sou verdadeiramente bem-vindo me sinto em casa, entre as dádivas que Deus me dá.

2. Pai, quero aceitar Tuas dádivas hoje. Eu não as reconheço. Mas confio que Tu Que as deste vais prover os meios pelos quais eu possa vê-las,  perceber seu valor e apreciar apenas elas como aquilo que quero.


*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 316

Como todos e todas vocês bem podem ver a ideia que o Curso oferece, mais uma vez, para as práticas de hoje é como que um contraponto àquela que praticamos ontem. Isto é, da mesma forma que reconhecemos que tudo o que nossos irmãos dão a quem quer que seja nos pertence também, é preciso reconhecermos que tudo aquilo que damos a nossos irmãos também é nosso, não deixa de ser nosso. Isto é, mesmo dado, continua a nos pertencer. Pois, como o Curso diz em outro ponto, e como é parte também da sabedoria popular, "ninguém pode dar aquilo que não tem". Ou "só pode te faltar aquilo que não dás". Ou ainda, a partir do que nos diz a Oração de São Francisco "é dando que se recebe".

O fato de reconhecermos que aquilo que os irmãos dão nos pertence permite que reconheçamos de forma mais fácil e aceitemos também a ideia de que não há nada fora de nós. Isto é a mesma coisa que dizer que não há mundo fora de nós. Ou, dizendo de outro modo, isto implica reconhecer, mesmo antes de sermos capazes de aceitá-lo, que o mundo que vemos aparentemente fora de nós, não é nada mais do que uma projeção, uma exteriorização, a materialização daquilo tudo que trazemos interiormente, repetindo algo que já dissemos muitas vezes.

Uma reflexão deste tipo é o que pode nos dar um vislumbre da compreensão do significado da unidade. Porque, como todos e todas já sabemos, "compreender é aceitar". Dizendo melhor, nós só não compreendemos aquilo que não aceitamos, ou que nos recusamos a aceitar. Portanto, se, de fato, quisermos reconhecer nossos equívocos em relação a tudo e a todas as pessoas e coisas do mundo, é fácil. Basta olharmos para aquilo que acreditamos não compreender e busquemos, com olhos amorosos, identificar aí o que não queremos aceitar. Feito isto, damos início, ou seguimento, ao processo do aprendizado de nós mesmos/as.

Repisando em algo que já é parte do repertório de respostas que têm os/as que se aproximam deste Curso, de mente e corações abertos, a ideia das práticas de hoje também se refere a, pelo menos dois, dos ensinamentos centrais do Curso, que são: "os pensamentos não deixam sua Fonte", e "dar e receber são a mesma coisa".

Na prática, a ideia para os exercícios de hoje oferece a certeza de que tudo o que damos continua a ser nosso. Ou, melhor dizendo, de acordo com o ensinamento, "só temos verdadeiramente aquilo que damos". Ou ainda, "só te falta aquilo que não estás dando", conforme citei um pouco acima.

Portanto, podemos ficar tranquilos e tranquilas em relação a nossos maiores medos que se referem à perda, à escassez e à carência. Pois todas as dádivas que damos a qualquer de nossos irmãos nos pertencem. Vão continuar a nos pertencer para sempre. Por isso, não se justificam nosso medos, nossas angústias, a menos que não sejamos capazes de crer que ainda somos como Deus nos criou e que somos Seu Filho. 

Ou, citando Paramahansa Yogananda: 

Enquanto acreditamos no íntimo de nossos corações que nossa capacidade é limitada, e nos sentimos angustiados e infelizes, está nos faltando fé. Aquele que crê verdadeiramente em Deus não tem nenhum direito de se sentir angustiado em relação a nada.

É preciso dizer mais?

Às práticas?

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Quando vais deixar tua própria luz brilhar no mundo?

 

10. O que é o Juízo Final?

1. A Segunda Vinda de Cristo oferece esta dádiva ao Filho de Deus: ouvir a Voz por Deus revelar que aquilo que é falso é falso e que aquilo que é verdadeiro não muda nunca. E este é o julgamento no qual a percepção acaba. No começo tu vês um mundo que aceita isto como verdadeiro, projetado a partir de uma mente agora correta. E, com essa visão santa, a percepção dá uma bênção silenciosa e, então, desaparece, alcançada sua meta e cumprida sua missão.

2. O juízo final sobre o mundo não contém nenhuma condenação. Pois ele vê o mundo como totalmente perdoado, inocente e totalmente sem propósito. Sem uma causa e, agora, sem uma função na visão de Cristo, ele simplesmente desaparece no nada. Aí ele nasceu e também aí acaba. E todas as imagens no sonho em que o mundo começou se vão com ele. Agora, os corpos são inúteis e, por isso, se desvanecerão, porque o Filho de Deus não tem limites.

3. Tu, que acreditaste que o Juízo Final de Deus condenaria o mundo ao inferno junto contigo, aceita esta verdade santa: o Julgamento de Deus é a dádiva da Correção que Ele concedeu a todos os teus erros, libertando-te deles e de todos os efeitos que eles já pareceram ter. Ter medo da graça redentora de Deus é apenas ter medo da liberação total do sofrimento, da volta à paz, à segurança e à felicidade, e da união com tua própria Identidade.

4. O Juízo Final de Deus é tão misericordioso quanto cada passo no plano designado por Ele para abençoar Seu Filho e lhe pedir que volte à paz eterna que Deus compartilha com o filho. Não tenhas medo do amor. Pois só ele pode curar toda a tristeza, enxugar todas as lágrimas e despertar suavemente, de seu sonho de dor, o Filho a quem Deus reconhece como Seu. Não tenhas medo disso. A salvação pede que tu lhe dês acolhida. E o mundo espera tua alegre aceitação, que o libertará.

5. Este é o Juízo Final de Deus: "Tu ainda és Meu Filho santo, eternamente inocente, eternamente amoroso e eternamente amado, tão sem limites quanto teu Criador e inteiramente imutável e puro para sempre. Desperta, portanto, e volta para Mim. Eu sou Teu Pai e tu és Meu Filho".

*

LIÇÃO 315

Todas as dádivas que meus irmão dão me pertencem.

1. Mil tesouros vêm a mim a cada dia, a cada momento que passa. Sou abençoado durante todo o dia com dádivas cujo valor está muito além das coisas que posso imaginar. Um irmão sorri para outro e meu coração se alegra. Alguém pronuncia uma palavra de gratidão ou misericórdia e minha mente recebe esta dádiva e a aceita como sua. E cada um que acha o caminho para Deus se torna meu salvador, indicando o caminho para mim e me dando sua certeza de que aquilo que ele aprendeu é, de fato, meu também.

2. Eu te agradeço, Pai, pelas muitas dádivas de cada Filho de Deus que vêm a mim hoje e todos os dias. As dádivas de meus irmãos para mim não têm limite. Possa eu agora lhes oferecer minha gratidão, para que a gratidão a eles possa me levar adiante em direção ao meu Criador e à lembrança d'Ele.


*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 315

A ideia que o Curso nos oferece para as práticas de hoje revela mais uma vez que, na verdade, não há nada fora de cada um ou de cada uma de nós mesmos/as. É da descoberta disso, e de seu reconhecimento e aceitação, que trata o ensinamento com que nos envolvemos neste Curso. Nesta busca, que nos pode, se assim o decidirmos, levar em direção ao autoconhecimento, e, por consequência, ao conhecimento de Deus em nós, dê-se a Ele o nome que parecer mais adequado.

Lembrando de algo que eu já disse outras vezes, a certa altura do texto o Curso diz que:

Este curso levará ao conhecimento, mas o conhecimento em si mesmo ainda está além do alcance de nosso currículo. E também não existe qualquer necessidade de tentarmos falar daquilo que tem de estar além das palavras para sempre. Precisamos nos lembrar apenas de que quem quer que alcance o mundo real, além do qual o aprendizado não pode ir, irá além dele, mas de forma diferente. Onde o aprendizado termina, aí começa Deus, pois o aprendizado termina diante d'Aquele Que é completo onde Ele começa e onde não há fim. Não nos cabe insistir naquilo que não pode ser obtido. Há muito a aprender. A prontidão para o conhecimento ainda tem de ser alcançada [T-18.IX.11].

Nunca é demais lembrar aqui, uma vez mais ainda, algo de que falamos várias vezes ao longo do tempo nos encontros dos grupo de estudos de que participei por um bom tempo, e também neste espaço. É a isto que se refere Marianne Williamson quando, em seu livro Um Retorno ao Amor, do qual vocês já ouviram falar muitas outras vezes, diz que:

"... nosso medo mais profundo não é o de sermos medíocres. Nosso medo mais profundo é o de que sejamos poderosos além de quaisquer medidas. É nossa luz, não nossa escuridão, que nos amedronta mais. Nós nos perguntamos: 'Quem sou eu para ser brilhante, maravilhoso[a], talentoso[a], fabuloso[a]?' Na verdade, quem és para não sê-lo? Tu és uma criança de Deus. Diminuir a ti mesmo[a] não vai servir de nada ao mundo. Não há nada de instrutivo em te diminuíres a fim de que outras pessoas não se sintam inseguras a tua volta. Todos nós fomos feitos para brilhar, do mesmo modo que as crianças brilham. Nascemos para ser a manifestação da glória de Deus [seja lá qual for o nome que damos a Ele]. Ela está dentro de nós. Ela não está em alguns de nós apenas; está em todos nós. E quando permitimos que nossa própria luz brilhe, inconscientemente, damos permissão a outras pessoas para fazerem o mesmo. Quando nos libertamos de nossos próprios medos, nossa presença automaticamente libera os outros."

Isto também tem a ver, como já sabemos, com o fato de o Curso afirmar que quando um de nós, seja ele quem for, alcançar o mundo real, todos o alcançarão. Algo que ainda me parece ser de muito difícil compreensão para muitos e muitas, pois significa que quando uma pessoa apenas se ilumina, todas as pessoas chegam à iluminação naquele instante mesmo. Independentemente do estágio de desenvolvimento da consciência em que cada uma delas aparentemente esteja. Pois, na verdade, não há separação. Na unidade somos todos um só e o mesmo. Para Deus há só um Filho, que é Um com Ele.

Na prática, no entanto, neste mundo da ilusão dos sentidos e das formas, isso é fácil de se perceber também. Basta pensarmos em algo muito simples e comum que faça parte de nosso dia a dia. A lâmpada, por exemplo, para se continuar falando de luz. Quando um de nós - Thomas Edison - "inventou" a lâmpada, ela passou a fazer parte da experiência de praticamente todos e todas no mundo. Hoje em dia já não há muitas pessoas entre nós que nunca tenham tido contato com uma lâmpada. E a maioria não consegue imaginar um mundo onde ela não existia. Ou um mundo no qual ela não exista.

Um exemplo mais moderno, ao qual também já me referi, é a telefonia celular, que traz a possibilidade de contato permanente com qualquer pessoa no mundo inteiro e, nalguns casos - com modelos de aparelhos mais sofisticados e recentes -, abre até mesmo as portas para todas as informações e dados disponíveis na rede deste mundo globalizado.

Querem mais razões para que nos dediquemos com afinco "às práticas" de hoje?


quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Quanto tempo dura um instante? Alguém sabe dizer?

 

10. O que é o Juízo Final?

1. A Segunda Vinda de Cristo oferece esta dádiva ao Filho de Deus: ouvir a Voz por Deus revelar que aquilo que é falso é falso e que aquilo que é verdadeiro não muda nunca. E este é o julgamento no qual a percepção acaba. No começo tu vês um mundo que aceita isto como verdadeiro, projetado a partir de uma mente agora correta. E, com essa visão santa, a percepção dá uma bênção silenciosa e, então, desaparece, alcançada sua meta e cumprida sua missão.

2. O juízo final sobre o mundo não contém nenhuma condenação. Pois ele vê o mundo como totalmente perdoado, inocente e totalmente sem propósito. Sem uma causa e, agora, sem uma função na visão de Cristo, ele simplesmente desaparece no nada. Aí ele nasceu e também aí acaba. E todas as imagens no sonho em que o mundo começou se vão com ele. Agora, os corpos são inúteis e, por isso, se desvanecerão, porque o Filho de Deus não tem limites.

3. Tu, que acreditaste que o Juízo Final de Deus condenaria o mundo ao inferno junto contigo, aceita esta verdade santa: o Julgamento de Deus é a dádiva da Correção que Ele concedeu a todos os teus erros, libertando-te deles e de todos os efeitos que eles já pareceram ter. Ter medo da graça redentora de Deus é apenas ter medo da liberação total do sofrimento, da volta à paz, à segurança e à felicidade, e da união com tua própria Identidade.

4. O Juízo Final de Deus é tão misericordioso quanto cada passo no plano designado por Ele para abençoar Seu Filho e lhe pedir que volte à paz eterna que Deus compartilha com o filho. Não tenhas medo do amor. Pois só ele pode curar toda a tristeza, enxugar todas as lágrimas e despertar suavemente, de seu sonho de dor, o Filho a quem Deus reconhece como Seu. Não tenhas medo disso. A salvação pede que tu lhe dês acolhida. E o mundo espera tua alegre aceitação, que o libertará.

5. Este é o Juízo Final de Deus: "Tu ainda és Meu Filho santo, eternamente inocente, eternamente amoroso e eternamente amado, tão sem limites quanto teu Criador e inteiramente imutável e puro para sempre. Desperta, portanto, e volta para Mim. Eu sou Teu Pai e tu és Meu Filho".

*

LIÇÃO 314

Busco um futuro diferente do passado.

1. Da nova percepção do mundo vem um futuro muito diferente do passado. Agora o futuro é reconhecido como extensão do presente apenas. Os erros do passado não podem lançar sombras sobre ele, uma vez que o medo perde seus ídolos e imagens e, por não ter forma, não tem nenhum efeito. Agora, a morte não reivindicará o futuro, pois no presente sua meta é a vida e se provê com alegria todos os meios necessários. Quem pode se lamentar ou sofrer se o presente está livre e estende sua segurança e sua paz a um futuro sereno e repleto de alegria?

2. Pai, estávamos equivocados no passado e escolhemos o presente para ficar livres. Agora deixamos de fato o futuro em Tuas Mãos, deixando para trás nossos erros passados e certos de que Tu cumprirás Tuas promessas presentes e guiarás o futuro na luz sagrada delas.


*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 314

Repetindo uma das frases de um dos livros de Wayne Dyer que li há já algum tempo, mas ao qual sempre vale a pena voltar de vez em quando:

Muda o modo de olhares para as coisas e as coisas para as quais olhas mudam.

Esta mesma ideia, dita de outro modo, é a ideia que o Curso oferece para as práticas de hoje. Que também tem a ver com as práticas de ontem. E que é, ao mesmo tempo, uma ideia a respeito da qual todos, todas, ou quase todos e todas nós, já pensamos à exaustão, conforme já comentei aqui. Cheguei até a perguntar se estaria enganado ao dizer isso. Será que só eu pensei a respeito do tempo? Será que só eu penso a respeito desta questão?

É claro que sei que não. Pois desde que temos notícia de quaisquer seres pensantes, ouvimos dizer que a questão do tempo sempre ocupou espaço de destaque nos pensamentos dos vários pensadores e de várias pensadoras que viveram antes de nós neste mundo. Aliás, o tempo é ainda uma das questões de que se ocupam muitos dos pensadores e muitas pensadoras deste mesmo tempo em que vivemos.

E o pior - ou melhor ? - de tudo: ninguém ainda, no mundo, nos deu uma resposta satisfatória. Uma resposta que deixe claro de uma vez por todas que o tempo não existe, pelo menos não na forma que pensamos nele, não na forma de que nos valemos dele, ou nos deixamos aprisionar por ele. Se a deu, preferimos não ouvi-la, e apegar-nos às nossas crenças que dizem que o tempo passa, que o tempo cura, que o tempo é o melhor remédio.

Uma música da banda Legião Urbana, cantada por Renato Russo, diz que "temos todo o tempo do mundo", mas muitos, muitas, de nós não acreditam nisso, não é mesmo? Fala-se cada vez mais hoje em dia a respeito de uma aceleração do tempo. Aceleração que dá a muitos a sensação de que tudo está passando mais depressa. Muito mais depressa. E até já ouvi dizer que as ditas 24 horas que o dia  tem convencionalmente se reduziram a apenas 16. 

Será? Como pode ser isto, se não há como medir o tempo. A quantidade de tempo que cada um e cada uma de nós dispõe, desde que o mundo é mundo é a mesma para todos, para todas. Ou ainda como diz Renato Russo em outra canção: "temos nosso próprio tempo". A medida dele em horas, minutos e segundos, é apenas uma convenção. Uma das invenções humanas, para fingir que há como controlar a ilusão de alguma forma.

Será que alguém que viva sua vida presente, consciente de que tudo o que acontece só acontece agora, neste instante, tem esta mesma percepção do tempo? Será que é possível, fora da ilusão de tempo em que pensamos viver, marcar a quantidade de horas que dura um dia? Quem de nós já não teve dias que pareceram durar anos e anos que passaram tão depressa que parecem ter sido vividos ontem? Ou, como já vimos o Curso perguntar, alguém saberá responder quanto tempo dura um instante? E já não experimentamos também instantes que nos pareceram ter durado uma eternidade?

O Curso ensina que o único tempo que existe é o presente. O agora. Isto é, o tempo em que nos encontramos quando estamos inteiros/as no lugar em que estamos, qualquer que seja ele, qualquer que seja o momento, ocupando-nos do que quer que estejamos fazendo. Seja o que for. É por isto que todas as discussões a respeito do tempo não levam a nada. Pois quanto mais nos ocupamos de definir o tempo, dividindo-o em passado, presente e futuro, tanto mais ele nos escapa. 

E muitas vezes nos lamentamos por não termos feito determinada coisa em uma tal situação. Ou por a termos feito noutra. Buscamos ficar mais atentos para não repetir um mesmo erro no futuro. Planejamos o que vamos fazer quando uma situação semelhante se apresentar. Ou seja, em geral, como o Curso ensina, passamos do passado diretamente para o futuro, sem perceber aonde estamos, sem estar, de fato, no único lugar e tempo em que, de fato, podemos estar.

É por esta razão que as práticas de hoje são importantes. Oxalá elas nos permitam liberar o futuro e esquecer o passado, deixando-o junto de todas as ilusões que trouxe. Perdoado! É só isso que pode nos oferecer a perspectiva de que o futuro não seja mais como o passado, que ele se apresente pleno de potencialidades e possibilidades a serem realizadas no presente. Pois só deste modo poderemos aproveitar o tempo de forma plena. E antes de eu os deixar com o convite para as práticas, ofereço-lhes um poema, de um poeta amigo, ou um amigo poeta, com sua forma de pensar o tempo. O poema se intitula Tango e está num livro de poemas intitulado "Tesoura Cega". Vejam aí, por favor, e reflitam com as práticas. 

Tango 

Carlos Machado 

Bem que eu desconfiava:
o passo do tempo
não é constante
nem fiel ao
milho seco do relógio
- ração ofertada,
de grão em grão, a um
pássaro invisível. 

Serpente elástica,
o tempo se expande
e contrai como
corda de trapézio
circense
e arrasta o espaço
num laço dodecafônico. 

Para Einstein
ao tempo se permite
uma dança,
e o espaço vai
passo a passo com ele. 

Os dois parceiros,
num tango
cósmico, vibram
no desconcerto desse
trapézio-violino,
que os maestros nunca
saberão se está
dentro ou fora do tom.

Às práticas?

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

A única mudança necessário é a do modo de olhar

 

10. O que é o Juízo Final?

1. A Segunda Vinda de Cristo oferece esta dádiva ao Filho de Deus: ouvir a Voz por Deus revelar que aquilo que é falso é falso e que aquilo que é verdadeiro não muda nunca. E este é o julgamento no qual a percepção acaba. No começo tu vês um mundo que aceita isto como verdadeiro, projetado a partir de uma mente agora correta. E, com essa visão santa, a percepção dá uma bênção silenciosa e, então, desaparece, alcançada sua meta e cumprida sua missão.

2. O juízo final sobre o mundo não contém nenhuma condenação. Pois ele vê o mundo como totalmente perdoado, inocente e totalmente sem propósito. Sem uma causa e, agora, sem uma função na visão de Cristo, ele simplesmente desaparece no nada. Aí ele nasceu e também aí acaba. E todas as imagens no sonho em que o mundo começou se vão com ele. Agora, os corpos são inúteis e, por isso, se desvanecerão, porque o Filho de Deus não tem limites.

3. Tu, que acreditaste que o Juízo Final de Deus condenaria o mundo ao inferno junto contigo, aceita esta verdade santa: o Julgamento de Deus é a dádiva da Correção que Ele concedeu a todos os teus erros, libertando-te deles e de todos os efeitos que eles já pareceram ter. Ter medo da graça redentora de Deus é apenas ter medo da liberação total do sofrimento, da volta à paz, à segurança e à felicidade, e da união com tua própria Identidade.

4. O Juízo Final de Deus é tão misericordioso quanto cada passo no plano designado por Ele para abençoar Seu Filho e lhe pedir que volte à paz eterna que Deus compartilha com o filho. Não tenhas medo do amor. Pois só ele pode curar toda a tristeza, enxugar todas as lágrimas e despertar suavemente, de seu sonho de dor, o Filho a quem Deus reconhece como Seu. Não tenhas medo disso. A salvação pede que tu lhe dês acolhida. E o mundo espera tua alegre aceitação, que o libertará.

5. Este é o Juízo Final de Deus: "Tu ainda és Meu Filho santo, eternamente inocente, eternamente amoroso e eternamente amado, tão sem limites quanto teu Criador e inteiramente imutável e puro para sempre. Desperta, portanto, e volta para Mim. Eu sou Teu Pai e tu és Meu Filho".

*

LIÇÃO 313

Deixa uma nova percepção vir a mim agora.

1. Pai, há uma visão que percebe todas as coisas puras, de forma que o medo desaparece e, no lugar onde ele estava, o amor é convidado a entrar. E o amor virá a qualquer lugar que seja chamado. Esta visão é Tua dádiva. Os olhos de Cristo olham para um mundo perdoado. Todos os pecados estão perdoados na visão d'Ele, pois Ele não vê nenhum pecado em nada daquilo para que Ele olha. Deixa que a percepção verdadeira d'Ele venha a mim agora, para que eu possa despertar do sonho de pecado e olhar para a inocência dentro de mim, que Tu manténs completamente inviolada sobre o altar a Teu Filho santo, o Ser com o qual quero me identificar.

2. Vamos olhar uns para os outros na visão de Cristo hoje. Quão belos somos! Quão santos e amorosos. Vem, irmão, e une-te a mim hoje. Quando nos unimos, nós salvamos o mundo. Pois em nossa visão ele se torna tão santo quanto a luz em nós.


*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 313

As práticas de hoje nos remetem, mais uma vez, a uma das ideias recentes que o Curso nos trouxe, a da lição 309: Não terei medo de olhar para dentro hoje. Pois é exatamente isto, voltar para dentro de nós mesmos/as o nosso olhar, sem medo, que vai nos permitir perceber a eterna inocência que habita em nós, uma vez que, como o Curso ensina, ainda somos como Deus nos criou.

É também este olhar destemido e confiante que vai nos oferecer a possibilidade de uma nova percepção. Pois, se, ao olharmos para dentro, só virmos, de fato, a eterna inocência, será então a partir dela que vamos olhar para o mundo. E o mundo, aí, vai ser apenas uma extensão de nossa inocência. Isto é, vamos ser capazes de olhar para ele e perceber nele, e em tudo o que aparentemente há nele, a neutralidade. 

É como diz a historinha a respeito de Baba Muktananda, um grande santo na Índia, contada por Wayne Dyer em um de seus livros. Ele conta que quando alguém perguntou a Baba Muktananda: "Baba, o que você vê quando olha para mim?" Baba respondeu: "Eu vejo a luz em você." A pessoa disse: "Como pode ser isso, Baba? Eu sou uma pessoa irritada. Sou terrível. Você deve enxergar isso tudo." Baba respondeu: "Não, eu vejo luz."

É óbvio que para se ver a luz no outro é preciso que a vejamos primeiro em nós mesmos/as. Isto é, é preciso que deixemos que uma nova percepção venha a nós, como pede a ideia de hoje. Para tanto, porém, há que se tomar a decisão. Há que se estabelecer a meta em sintonia com o Espírito Santo. Ou alguém aqui ainda acredita que precisa, ou pode, fazer alguma coisa sozinho/a, por si só, separado/a de tudo e de todos? 

Aqui, podemos tentar repetir o teste a que me referi em comentários anteriores, para verificar se há necessidade ou não de mudarmos nossa percepção. Além de servir para ficarmos conscientes do quanto há que mudar, de forma a não nos deixarmos envolver pelo sistema de pensamento do ego, para chegar a uma nova percepção, o teste nos mostra em que ponto nos encontramos no estudo.

É um teste muito simples. Basta nos perguntarmos. Há alguma coisa no mundo que eu acredito que deveria ser mudada? Ou, há alguma coisa que eu queira mudar no mundo? Se, respondendo de forma mais honesta possível, entendermos que sim,  é porque ainda estamos sob a influência do ego e nos vemos separados/as de Deus, uns dos outros e umas das outras. 

Como sabemos, o Curso ensina que não há mundo. Portanto, não há nada a mudar, a não ser a percepção de nós mesmos/as. Isto é, nenhuma mudança, que não a do modo de olhar, é necessária. Pois, dizendo como diz Goldsmith, enquanto ainda tivermos qualquer preocupação em relação às formas, estaremos reforçando a crença na separação.

Às práticas?


terça-feira, 8 de novembro de 2022

Para aprender a se entregar ao espírito por inteiro

 

10. O que é o Juízo Final?

1. A Segunda Vinda de Cristo oferece esta dádiva ao Filho de Deus: ouvir a Voz por Deus revelar que aquilo que é falso é falso e que aquilo que é verdadeiro não muda nunca. E este é o julgamento no qual a percepção acaba. No começo tu vês um mundo que aceita isto como verdadeiro, projetado a partir de uma mente agora correta. E, com essa visão santa, a percepção dá uma bênção silenciosa e, então, desaparece, alcançada sua meta e cumprida sua missão.

2. O juízo final sobre o mundo não contém nenhuma condenação. Pois ele vê o mundo como totalmente perdoado, inocente e totalmente sem propósito. Sem uma causa e, agora, sem uma função na visão de Cristo, ele simplesmente desaparece no nada. Aí ele nasceu e também aí acaba. E todas as imagens no sonho em que o mundo começou se vão com ele. Agora, os corpos são inúteis e, por isso, se desvanecerão, porque o Filho de Deus não tem limites.

3. Tu, que acreditaste que o Juízo Final de Deus condenaria o mundo ao inferno junto contigo, aceita esta verdade santa: o Julgamento de Deus é a dádiva da Correção que Ele concedeu a todos os teus erros, libertando-te deles e de todos os efeitos que eles já pareceram ter. Ter medo da graça redentora de Deus é apenas ter medo da liberação total do sofrimento, da volta à paz, à segurança e à felicidade, e da união com tua própria Identidade.

4. O Juízo Final de Deus é tão misericordioso quanto cada passo no plano designado por Ele para abençoar Seu Filho e lhe pedir que volte à paz eterna que Deus compartilha com o filho. Não tenhas medo do amor. Pois só ele pode curar toda a tristeza, enxugar todas as lágrimas e despertar suavemente, de seu sonho de dor, o Filho a quem Deus reconhece como Seu. Não tenhas medo disso. A salvação pede que tu lhe dês acolhida. E o mundo espera tua alegre aceitação, que o libertará.

5. Este é o Juízo Final de Deus: "Tu ainda és Meu Filho santo, eternamente inocente, eternamente amoroso e eternamente amado, tão sem limites quanto teu Criador e inteiramente imutável e puro para sempre. Desperta, portanto, e volta para Mim. Eu sou Teu Pai e tu és Meu Filho".

*

LIÇÃO 312

Vejo todas as coisas como quero que sejam.

1. A percepção vem depois do julgamento. Depois de julgar, vemos então aquilo que queremos ver. Pois a vista serve simplesmente para nos oferecer o que queremos. É impossível não ver aquilo que queremos ver e deixar de ver aquilo que escolhemos ver. Com quanta certeza, então, o mundo real tem de vir saudar a visão sagrada de qualquer pessoa que adota o propósito do Espírito Santo como sua meta para a visão. Porque ela não pode deixar de olhar para aquilo que Cristo quer que veja e de compartilhar o Amor de Cristo por aquilo que vê.

2. Não tenho nenhum objetivo hoje a não ser o de olhar para um mundo liberado, livre de todos os julgamentos que fiz. Pai, esta é Tua Vontade para mim hoje e, por isso, ela tem de ser também a minha meta.


*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 312

Repetindo em parte os últimos comentários feitos para esta mesma lição em anos anteriores, continuo a acreditar que a esta altura do aprendizado já sabemos fazer algumas ligações entre as ideias que o Curso nos apresenta para as práticas e algumas das razões por que resistimos ao ensinamento, se é que algum ou alguma de nós ainda apresentamos algum tipo de resistência a ele. E me parece claro que, por mais que mergulhemos no estudo e nas práticas do ensinamento, o ego sempre vai resistir de uma ou outra maneira. E alguns e algumas de nós vão preferir ouvir o ego a ouvir o espírito. Sempre foi assim, continua sendo e não sei por que seria diferente. Se todos e todas resolvêssemos viver nossa vida ouvindo apenas as orientações que o espírito em nós nos dá, talvez vivêssemos o Céu na terra.

Acredito também que já aprendemos a identificar algumas das razões para que as experiências que vivemos se deem da forma com que se dão. Não poderia ser diferente com as práticas da ideia de hoje. Ela é naturalmente uma extensão daquela que praticamos ontem. E ambas são essenciais para nos ajudar a pôr em xeque os motivos que nos levam a ver o mundo do modo que vemos. E também as razões para acreditarmos que há algo de real no que vemos.

Se vocês estiverem atentos/as, hão de ver que há uma estreita ligação entre a ideia que praticamos hoje e uma lição das mais importantes - em meu modo de ver -  da primeira parte do livro de exercícios: a de número132, lembram? Libero o mundo de tudo o que eu pensava que fosse. Além disso, é claro, ela está diretamente relacionada à ideia da lição de ontem: Julgo todas as coisas como quero que sejam. 

Poderia ser diferente? 

Não, não mesmo! A não ser que continuássemos no auto-engano de acreditar que existe alguma coisa fora de nós. Ou que existe uma vontade diferente da Vontade Deus. Ou que existe algo fora de Deus, ou de nós n'Ele, ou d'Ele em nós.

É por esta razão: a de que não há nada fora de nós, que precisamos ter sempre muito cuidado com aquilo que pensamos, com aquilo que ouvimos, com aquilo que dizemos e com aquilo que aceitamos para fazer parte de nossa experiência, de nossa vida. O tempo inteiro. Daí, a recomendação milenar: "Orai e vigiai".

Wayne Dyer, em um de seus livros, nos alerta para ficarmos atentos/as a nosso diálogo interior. Pois, diz ele, um dos maiores obstáculos à sintonia com o espírito são os nossos pensamentos e, claro, com ela, nossa conversa com nós mesmos/as, ou a conversa que o ego - o falso eu - tenta travar conosco. E Eckhart Tolle, em seu livro, O Poder do Agora, conforme já citei outras vezes, diz que precisamos nos lembrar de que não somos os nossos pensamentos. Temos pensamentos apenas. 


Diz ele, também, que um dos grandes medos que temos em relação aos pensamentos é o medo de que - acreditamos - se pararmos de pensar, vamos morrer. Isso não é verdade. Se aprendermos a parar os pensamentos, o que vai acontecer é que vamos entrar em contato com aquilo que somos verdadeiramente. Aí é que podemos ter a experiência do que é viver de verdade. Viver no presente. Agora. No único tempo que existe.

Assim a ideia para as práticas de hoje, estendendo a de ontem, chamam nossa atenção para o fato de que aquilo que vivemos - e que aparentemente vem de fora - é apenas o resultado dos pensamentos e decisões que tomamos internamente. É por isso que precisamos parar e pensar, por exemplo, na forma pela qual somos tratados por aquelas pessoas com quem convivemos. 


Tudo o que elas fazem é apenas aplicar a nós aquilo que nós mesmos/as aplicamos. A nós mesmos/as e a outros e outras. Isto é, o modo com que os outros, ou outras, nos tratam tem absolutamente tudo a ver com o modo com que nos tratamos. O modo como cada um e cada uma de nós trata de si mesmo/a. Porque aquilo que pensamos se expande, mesmo quando pensamos a respeito daquilo que nos aborrece, mesmo quando pensamos acerca daquilo que não queremos em nossa vida. Ou daquilo que nos agrada. Assim como daquilo que queremos.

Este comentário, mais uma vez, tem muito a ver com os que fiz para esta mesma lição em anos anteriores, como já disse acima. Tem a ver também com o momento que estamos vivendo, tanto nas práticas, quanto em nossas experiências neste mundo. É por isso que é preciso trazer à mente mais uma vez aquela parte do texto de que já falei algumas vezes, que está no capítulo 26 e que tem por título: VI. O amigo indicado

É essa parte do texto que vai nos mostrar que, ao acreditar em qualquer medida na percepção que nos oferecem os sentidos, só podemos estar todos/as errados/as, pois não se pode acreditar que nada do que vemos neste mundo pode ser alguma coisa diferente de ilusão. Na verdade, não há como acreditar que alguma coisa fora de nós exista. Nada no mundo, nem dinheiro, nem poder, nem prestígio, por exemplo, pode fazer com que o mundo venha a ser de alguma forma um lugar mais fácil de se viver. Tudo o que se pode fazer aqui é melhorar o sonho, torná-lo, talvez, feliz. Mas, mantendo-se a consciência de que o mundo é sonho.

Repito, pois, uma vez mais, a partir daqui o comentário dos anos anteriores. 

Notar, perceber, entender, trazer à consciência, aceitar e reconhecer que "A percepção vem depois do julgamento" (grifo meu) é IMPORTANTÍSSIMO. Aqui, na compreensão disto, está a chave para se entender as razões pelas quais nossas experiências se apresentam a nós desta ou daquela forma. É nosso julgamento que determina a percepção que vamos ter. 

Como o Curso diz em outro momento: "A percepção é um espelho, não um fato". Vejam bem: "Depois de julgar, vemos então aquilo que queremos ver". Pois a visão dos olhos do corpo, ou a percepção de qualquer de nossos sentidos, só nos oferece aquilo que queremos, aquilo que escolhemos ver, tocar, cheirar, ouvir ou saborear, provar. O mesmo acontece em relação ao que escolhemos sentir a partir da percepção. A experiência se apresenta, nós a interpretamos [em nosso julgamento, damos um significado à neutralidade dela] e decidimos sofrer, sentir dor, raiva, medo, culpa, mágoa, desespero, impotência e assim por diante.

Lembram-se das primeiras lições que nos diziam que nada do que vemos tem qualquer significado? Ou que somos nós quem damos significado a tudo que vemos? Ou que não entendemos nada do que vemos? Ou ainda aquela que nos garante que nunca estamos transtornados/as, aborrecidos/as, magoados/as ou preocupados/as pela razão que imaginamos, pois só nos aborrecemos ou preocupamos com ideias que vêm do passado, um tempo que não existe?

Na verdade, o Curso nos ensina também que não somos capazes de ver as coisas - ou pessoas - para as quais olhamos como elas são no momento em que dirigimos nosso olhar para elas, pois nossos pensamentos não têm qualquer significado e só vemos o passado. Porque julgamos para poder ver o que queremos. Nossos pensamentos são julgamentos que fazemos e transformam muitas vezes o que vemos em "uma forma de vingança".

Bem feito! 


Não é assim que reagimos quando alguém vem nos contar que lhe aconteceu alguma coisa acerca da qual já o(a) havíamos alertado? E quantas vezes "torcemos" para que alguém, que não nos quis ouvir, se dê mal para provar que estávamos certos/as?  Quantas vezes pedimos uma prova concreta para um pensamento que sabemos correto, mas no qual não queremos acreditar porque vai de encontro à crença [isto é, a contraria] que queremos manter, sabendo que "o concreto" é apenas mais uma forma de ilusão que "materializamos" para provar nossos próprios pontos de vista, confirmá-los?

Daí o Curso nos perguntar a certa altura se queremos ser felizes ou ter razão. Não é possível ter os dois. Aliás, é preciso aprendermos a abrir mão de todas as certezas que não venham do Amor. Precisamos aprender a abrir mão do mundo inteiro para ganhar o mundo. Precisamos nos entregar por inteiro ao espírito, se quisermos, de fato, encontrar a paz de espírito por que ansiamos e que só o Amor de Deus, em nós mesmos/as, pode nos dar. 

E acrescento uma historinha que li recentemente, acerca do "abrir mão do mundo". Diz ela:

... Era uma vez um grande rei, bonitão, comilão, que gostava de se divertir, tinha 365 mulheres em seu harém. Um dia, foi a um mosteiro e viu um eremita: "Que grande sacrifício você está fazendo!" disse-lhe, e olhou para ele com misericórdia. "Seu sacrifício é maior, meu rei", respondeu o eremita. "Como assim?" "Porque eu reneguei o mundo efêmero, enquanto você renegou o eterno". 

Às práticas?

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Estaremos prontos/as para reconhecer quem somos?

 

10. O que é o Juízo Final?

1. A Segunda Vinda de Cristo oferece esta dádiva ao Filho de Deus: ouvir a Voz por Deus revelar que aquilo que é falso é falso e que aquilo que é verdadeiro não muda nunca. E este é o julgamento no qual a percepção acaba. No começo tu vês um mundo que aceita isto como verdadeiro, projetado a partir de uma mente agora correta. E, com essa visão santa, a percepção dá uma bênção silenciosa e, então, desaparece, alcançada sua meta e cumprida sua missão.

2. O juízo final sobre o mundo não contém nenhuma condenação. Pois ele vê o mundo como totalmente perdoado, inocente e totalmente sem propósito. Sem uma causa e, agora, sem uma função na visão de Cristo, ele simplesmente desaparece no nada. Aí ele nasceu e também aí acaba. E todas as imagens no sonho em que o mundo começou se vão com ele. Agora, os corpos são inúteis e, por isso, se desvanecerão, porque o Filho de Deus não tem limites.

3. Tu, que acreditaste que o Juízo Final de Deus condenaria o mundo ao inferno junto contigo, aceita esta verdade santa: o Julgamento de Deus é a dádiva da Correção que Ele concedeu a todos os teus erros, libertando-te deles e de todos os efeitos que eles já pareceram ter. Ter medo da graça redentora de Deus é apenas ter medo da liberação total do sofrimento, da volta à paz, à segurança e à felicidade, e da união com tua própria Identidade.

4. O Juízo Final de Deus é tão misericordioso quanto cada passo no plano designado por Ele para abençoar Seu Filho e lhe pedir que volte à paz eterna que Deus compartilha com o filho. Não tenhas medo do amor. Pois só ele pode curar toda a tristeza, enxugar todas as lágrimas e despertar suavemente, de seu sonho de dor, o Filho a quem Deus reconhece como Seu. Não tenhas medo disso. A salvação pede que tu lhe dês acolhida. E o mundo espera tua alegre aceitação, que o libertará.

5. Este é o Juízo Final de Deus: "Tu ainda és Meu Filho santo, eternamente inocente, eternamente amoroso e eternamente amado, tão sem limites quanto teu Criador e inteiramente imutável e puro para sempre. Desperta, portanto, e volta para Mim. Eu sou Teu Pai e tu és Meu Filho".

*

LIÇÃO 311

Julgo todas as coisas como quero que sejam.

1. O julgamento foi feito para ser uma arma contra a verdade. Ele separa aquilo contra o qual está sendo usado e o isola como se fosse uma coisa separada. E, em seguida, faz dela aquilo que queres que seja. Ele julga aquilo que não pode compreender, porque não pode ver a totalidade e, por isso, julga de forma falsa. Não vamos usá-lo hoje, mas fazer dele uma dádiva. Àquele Que tem um uso diferente para ele. Ele nos aliviará da agonia de todos os julgamentos que fazemos de nós mesmos e restabelecerá a paz de espírito, dando-nos o Juízo de Deus acerca de Seu Filho.

2. Pai, esperamos com a mente aberta, hoje, ouvir Teu Juízo acerca do Filho que Tu amas. Não o conhecemos e não podemos julgá-lo. E, assim, deixamos que Teu Amor decida o que ele, a quem Tu criaste como Teu Filho, tem de ser.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 311

Eis-nos, mais uma vez, no momento de praticar a partir de um tema novo. Quer dizer, não exatamente novo para os/as que já estão aqui há algum tempo. Agora, porém, novamente, o tema que o Curso nos oferece para orientar e dar unidade às práticas dos próximos dez dias, das próximas dez lições, inclusive a de hoje, é: O que é o Juízo Final? 

Como já se disse antes, e não poucas vezes, utilizados corretamente, de acordo com as instruções recebidas inicialmente, tanto o texto desta instrução - ao qual devemos voltar diariamente, nestes próximos dez dias -, quanto as ideias das lições que vamos praticar podem nos ajudar a abandonar por completo o julgamento. [E como tenho feito nos últimos anos, para facilitar, vou continuar postando a cada dia o texto da instrução para mais esta série.] 

Abandonar o julgamento significa abandonar tanto aquele julgamento que fazemos de nós mesmos/as quanto o que fazemos de todas as outras pessoas e coisas do mundo. Apesar de já sabermos há muito, intuitiva e inconscientemente, aquilo que o Curso ensina. Isto é, ainda que ao julgarmos alguém ou alguma coisa costumemos nos referir a outro/a, ou outros/as, em qualquer circunstância, todo o julgamento que fazemos é sempre e tão somente o julgamento de nós mesmos/as. Por quê? Porque, como o Curso ensina, não há nada fora. O outro, a outra, os outros, as outras, somos nós mesmos, nós mesmas.

O julgamento é o primeiro obstáculo à paz, conforme o Curso descreve no capítulo dezenove do texto. Quer dizer, quando nos deixamos enganar pelo sistema de pensamento do ego, não somos capazes de experimentar a paz, a não ser por breves momentos, o que revela nosso desejo inconsciente, é claro - no ego -, de ficarmos livres da paz. E por quê? Porque desde nossa mais tenra idade, e quem sabe mesmo quando ainda éramos apenas um embrião no útero de nossas mães, aprendemos, ou o mundo do ego nos quis ensinar, que não é possível experimentar a paz por mais do que uns poucos instantes. 

Isto porque, como diz o texto, é o pequeno resquício de ataque, que queremos preservar e manter, contra o irmão que vem a ser o obstáculo à paz, pois não podemos atacar o irmão sem atacarmos a nós mesmos/as. O ataque, por consequência, nos tira a paz e revela nossa crença na separação, que, por sua vez, nos mantém presos/as à ilusão de que podemos existir separados/as de Deus e uns dos outros, ou umas das outras.

Mais uma vez, precisamos voltar ao que nos diz o texto, quando ele nos alerta para a necessidade de que estejamos dispostos/as a questionar todos os valores que mantemos, se quisermos aprender este Curso. Isto é, nada daquilo que acreditamos pode deixar de ser questionado e trazido à verdade. Nenhuma de nossas crenças e valores pode ser mantida oculta sem colocar em risco o nosso aprendizado. Pois, "nenhuma crença é neutra", Cada uma delas tem o poder de ditar as decisões que tomamos, uma vez que uma decisão é uma conclusão que se baseia em todas as coisas em que acreditamos. 

Daí a necessidade de que pratiquemos a ideia de hoje, à luz de seu tema central, para limpar a crença equivocada que fomos ensinados/as a manter, segundo a qual o Juízo Final seria um momento em que seríamos julgados/as e condenados/as, se ímpios/as, a arder no fogo do inferno por toda a eternidade, separados/as em definitivo das outras pessoas, julgadas boas e puras.

Não é mais agradável e confortador saber, pois, que o Juízo Final não nos trará senão o conhecimento de que Deus ainda nos vê como o Filho santo, inocente e amoroso que Ele sempre amou, ama e amará por toda a eternidade? Um Filho que é puro, ilimitado e imutável tanto quanto seu Pai.

Podemos então nos perguntar novamente, como fizemos antes: quantas vezes nos culpamos por alguma atitude que consideramos equivocada e que acreditamos que pudesse ter ferido alguém ou provocado dor e mágoa? E quantas vezes, para nossa surpresa, a pessoa que julgamos ter prejudicado, ferido ou magoado veio nos agradecer pela palavra ou pelo gesto, que lhe permitiu ver a questão de outra perspectiva? Que lhe permitiu aprender, crescer e mudar?

A humildade de reconhecer que não sabemos nada é essencial para nossa aproximação e para o aprendizado do que o Curso nos ensina. O próprio Curso vai nos aconselhar alguma vez a abandonar tudo o que pensamos, tudo o que aprendemos, tudo o que pensamos saber, e até mesmo a abandonar o próprio ensinamento que ele oferece, para nos aproximarmos da luz, do Ser que somos, na verdade, de mãos, mentes e corações vazios. A luz radiante do espírito, que é o que somos, e que é o que Deus também é, e que é o que Ele reserva para cada um e cada uma de nós no mais íntimo de nós mesmos/as.

O Juízo Final, o Curso afirma em outro ponto, não é o fim do mundo, mas sua transformação em Céu. O que significa dizer, sim, o fim do mundo, mas o fim do mundo como o conhecemos agora, a partir da percepção equivocada e limitada do falso eu - do ego. O Juízo Final, para o Curso, será, talvez, em meu modo de entender, a liberação das culpas e dos medos, do apego e das carências, de todas as limitações que nós mesmos/as nos impomos, ao nos acreditarmos separados/as de Deus. O reconhecimento, enfim, de que temos tudo e tudo podemos em Deus, com Ele, na Unidade com o que somos.

Isto, portanto, esclarece a necessidade e a utilidade das práticas da ideia de hoje. Uma ideia que vai ajudar a trazer à consciência o fato de que tudo o que vemos só pode deixar de ser neutro quando lhe dermos algum valor. Isto é, as coisas que vemos são forçosamente o que queremos que sejam. Sim, as coisas que vemos são apenas aquilo que queremos ver. Não há como ser diferente. A não ser que mudemos nosso modo de pensar a respeito delas. 

Para auxiliar também em nossa reflexão, trazendo, talvez, uma forma diferente de dizer as mesmas coisas que o Curso ensina, dou-lhes um vídeo de Alan Watts, que trata de nos dar a conhecer o verdadeiro "eu" de nós todos. E que é também o objetivo deste Curso. Vejam no link aí abaixo, por favor:

https://youtu.be/WbIc1UdH8rs

Às práticas?