quinta-feira, 13 de outubro de 2022

Quem de nós está preocupado/a com o livre arbítrio?


7. O que é o Espírito Santo?

1. O Espírito Santo se interpõe entre as ilusões e a verdade. Uma vez que Ele tem de construir uma ponte sobre a brecha entre a realidade e os sonhos, a percepção leva ao conhecimento por meio da Graça que Deus dá a Ele para ser Sua dádiva a todos que se voltarem para Ele em busca da verdade. Do outro lado da ponte que Ele provê, todos os sonhos são levados à verdade, para serem dissipados diante da luz do conhecimento. Descartam-se aí, para sempre, cenas e sons. E, aonde eles eram percebidos anteriormente, o perdão torna possível o final tranquilo da percepção.

2. É apenas este fim dos sonhos que a meta do ensinamento do Espírito Santo estabelece. Pois, diferente de testemunhas do medo, cenas e sons têm de ser transformados em testemunhas do amor. E, quando isso se realizar inteiramente, o aprendizado atinge a única meta que tem na verdade. Pois o aprendizado se torna o meio para ir além de si mesmo a fim de ser substituído pela verdade eterna, à medida que o Espírito Santo o guia na direção do resultado que Ele vê para o aprendizado.

3. Se ao menos soubesses o quanto teu Pai anseia que reconheças tua inocência, não permitirias que a Voz d'Ele apelasse em vão, nem rejeitarias Seu substituto para as imagens e sonhos assustadores que fizeste. O Espírito Santo compreende os meios que fizeste, pelos quais queres alcançar o que é inalcançável para sempre. E, se os ofereceres a Ele, Ele utilizará os meios que fizeste em defesa do exílio para devolver tua mente ao lugar em que ela verdadeiramente se sente em casa. 

4. O Espírito Santo, desde o conhecimento onde Ele foi colocado por Deus, te chama para que deixes o perdão descansar sobre teus sonhos, para seres devolvido à sanidade e à paz de espírito. Sem o perdão, teus sonhos continuarão a te aterrorizar. E a lembrança de todo Amor de teu Pai não voltará para assinalar que o fim dos sonhos chegou.

5. Aceita a dádiva de teu Pai. Ela é um Chamado do Amor para o Amor, a fim de que o Amor seja apenas Ele Mesmo. A dádiva d'Ele é o Espírito Santo, por meio do qual a paz do Céu é devolvida ao Filho amado de Deus. Tu te recusarias a aceitar a função de completar Deus, se tudo o que Ele deseja é que tu sejas completo?

*

LIÇÃO 286

O silêncio do Céu preenche meu coração hoje.

1. Pai, quão sereno é este dia! Com que tranquilidade todas as coisas encontram seu lugar. Este é o dia escolhido como o momento em que venho a compreender a lição de que não há necessidade de que eu faça nada. Todas as escolhas já estão feitas em Ti. Todos os conflitos já estão resolvidos em Ti. Em Ti, tudo o que espero achar já me foi dado. Tua paz é minha. Meu coração está em paz e minha mente descansa. Teu Amor é o Céu e Teu Amor é meu.

2. A serenidade deste dia vai nos dar a confiança de que achamos o caminho e de que já fomos longe nele em direção a uma meta inteiramente certa. Hoje não duvidaremos do final que o Próprio Deus nos assegura. Confiamos n'Ele e em nosso Ser, Que ainda é um com Ele.


*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 286

Hoje, dentre todas as ideias que o Curso oferece para estes exercícios de treinamento mental, vamos praticar mais uma vez com uma ideia que ensina de que forma podemos permitir que o silêncio do Céu preencha nosso coração. Para aprendermos que - se fizermos a única escolha que nos cabe fazer, a única que, de fato, queremos e podemos fazer -, podemos viver o Céu, que é o Amor de Deus e saber que o Amor d'Ele é nosso. Sempre foi e sempre será. Do mesmo modo que a Vontade d'Ele é a nossa. Ontem, hoje e por toda a eternidade. 


Esta é "A" escolha! A única que nos garante, sim, o livre arbítrio, pois ela é a escolha que estabelece Deus como a única meta que temos, a única que queremos. Ou alguém acha que depois de se escolher Deus haverá ainda mais alguma escolha a se fazer?

Talvez, enquanto parecer que podemos ter por base o sistema de pensamento do ego, ainda possamos nos perguntar: se "todas as escolhas já estão feitas" em Deus, o que é de fato o livre arbítrio? Se, até certa medida, tivermos sido estudantes aplicados/as, durante este ano de práticas [e em todos os anos anteriores para os/as que já estão por aqui há algum tempo], havemos de nos lembrar de algumas lições lá do início que tratam de nossa função neste mundo e da relação dela com o plano de Deus para a salvação. E, lembrando disto, vamos nos lembrar também daquela lição que diz: Só o plano de Deus para a salvação funcionará.

Ora, tudo o que pensamos a respeito do mundo, a respeito do que somos, a respeito do que Deus é, e acerca de nosso relacionamento com o mundo, com nós mesmos/as e com Deus, é apenas uma interpretação que toma por base a percepção dos sentidos. Esta percepção varia tanto quanto muda a direção para que voltamos nosso olhar, ou quanto mudam os objetos aos quais dirigimos nossa atenção, ou quanto varia a tábua de marés ou a direção e a força dos ventos, para repetir em parte o que eu disse a este respeito outras vezes no passado. 


Quem está, então, de verdade, preocupado com o livre arbítrio? Quem se sente ameaçado com a informação de que "todas as escolhas já estão feitas"? É o Ser que somos na unidade com Deus? Ou será o ego, o falso eu, que treme de medo ante a possibilidade de que compreendamos a fragilidade de sua posição, ao descobrirmos que não temos necessidade dele? Ao descobrirmos que ele é só uma ideia equivocada?

Conforme já apontei aqui anteriormente, Jung disse que "livre arbítrio é a capacidade de fazer com alegria aquilo que eu devo fazer". Isto é o mesmo que dizer, de acordo com o ensinamento do Curso, que nós só podemos escolher na ilusão de que somos capazes fazer escolhas. Não somos! Nem precisamos fazê-las. Aliás, a se ouvir o que o Curso diz, não precisamos fazer nada. 


É sempre o ego que quer nos levar a pensar que temos de escolher, que podemos escolher, e que podemos confiar em sua orientação. E, se pensarmos bem, sendo o mais honestos possível para com nós mesmos/as, vamos reconhecer que quase todas, se não todas, as vezes que escolhemos a partir da orientação do ego, os resultados foram desastrosos. No sentido de que quase nunca nos levaram à alegria ou à paz de espírito. Ao contrário, sempre nos afastaram delas, fazendo-nos mergulhar no medo, na dor, na culpa e no sofrimento.

Treinemos, pois, aceitar que todas as nossas escolhas só podem ser feitas em Deus, com Ele. 


Às práticas?

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

A santidade, com/em Deus, é o nosso estado natural

 

7. O que é o Espírito Santo?

1. O Espírito Santo se interpõe entre as ilusões e a verdade. Uma vez que Ele tem de construir uma ponte sobre a brecha entre a realidade e os sonhos, a percepção leva ao conhecimento por meio da Graça que Deus dá a Ele para ser Sua dádiva a todos que se voltarem para Ele em busca da verdade. Do outro lado da ponte que Ele provê, todos os sonhos são levados à verdade, para serem dissipados diante da luz do conhecimento. Descartam-se aí, para sempre, cenas e sons. E, aonde eles eram percebidos anteriormente, o perdão torna possível o final tranquilo da percepção.

2. É apenas este fim dos sonhos que a meta do ensinamento do Espírito Santo estabelece. Pois, diferente de testemunhas do medo, cenas e sons têm de ser transformados em testemunhas do amor. E, quando isso se realizar inteiramente, o aprendizado atinge a única meta que tem na verdade. Pois o aprendizado se torna o meio para ir além de si mesmo a fim de ser substituído pela verdade eterna, à medida que o Espírito Santo o guia na direção do resultado que Ele vê para o aprendizado.

3. Se ao menos soubesses o quanto teu Pai anseia que reconheças tua inocência, não permitirias que a Voz d'Ele apelasse em vão, nem rejeitarias Seu substituto para as imagens e sonhos assustadores que fizeste. O Espírito Santo compreende os meios que fizeste, pelos quais queres alcançar o que é inalcançável para sempre. E, se os ofereceres a Ele, Ele utilizará os meios que fizeste em defesa do exílio para devolver tua mente ao lugar em que ela verdadeiramente se sente em casa. 

4. O Espírito Santo, desde o conhecimento onde Ele foi colocado por Deus, te chama para que deixes o perdão descansar sobre teus sonhos, para seres devolvido à sanidade e à paz de espírito. Sem o perdão, teus sonhos continuarão a te aterrorizar. E a lembrança de todo Amor de teu Pai não voltará para assinalar que o fim dos sonhos chegou.

5. Aceita a dádiva de teu Pai. Ela é um Chamado do Amor para o Amor, a fim de que o Amor seja apenas Ele Mesmo. A dádiva d'Ele é o Espírito Santo, por meio do qual a paz do Céu é devolvida ao Filho amado de Deus. Tu te recusarias a aceitar a função de completar Deus, se tudo o que Ele deseja é que tu sejas completo?

*

LIÇÃO 285

Hoje minha santidade brilha luminosa e pura.

1. Desperto com alegria hoje, esperando que apenas as coisas benditas de Deus venham a mim. Peço que só elas venham, e percebo claramente que meu convite será aceito pelos pensamentos ao quais ele foi enviado por mim. E pedirei somente coisas alegres no momento em que aceitar minha santidade. Pois qual seria a utilidade da dor para mim, a que propósito serviria meu sofrimento e de que forma a tristeza e a perda me beneficiariam, se hoje a insanidade se afastar de mim e eu aceitar minha santidade em lugar dela?

2. Pai, minha santidade é Tua. Que eu me alegre nela e seja devolvido à sanidade por seu intermédio. Teu Filho ainda é tal como Tu o criaste. Minha santidade é parte de mim e parte de Ti também. E o que pode mudar a Própria Santidade?


*

COMENTÁRIO:



Explorando a LIÇÃO 285

Hoje minha santidade brilha luminosa e pura. Esta a ideia para as práticas de hoje. Uma ideia que nos leva mais uma vez ao contato direto com a verdade acerca do que somos no mundo real, na realidade, e que não tem nada a ver com o que aparentemente vemos neste mundo. O que somos, na verdade, é o Ser cuja santidade brilha luminosa e pura. E não apenas hoje, e não apenas para quem já despertou do sonho. Ou mesmo para aqueles e aquelas que já perceberam que este mundo, um aparente pesadelo em que vivemos, é apenas o sonho ruim que o falso eu tenta nos convencer ser real. Há, no entanto, entre nós, aqueles e aquelas que já escolheram o "sonho feliz". Graças a Deus!

As práticas de hoje, são, de novo, a oportunidade de aprendermos com uma ideia que pode nos fazer redescobrir ou relembrar, na santidade, nosso estado natural. Isto é, a descobrir, ou redescobrir, ou lembrar, que, conforme o Curso afirma, a condição natural do Filho de Deus é a alegria perfeita, a completa inocência e a pureza absoluta. 

Não importa o que nos pensemos capazes de fazer para macular, manchar ou perder, qualquer uma destas características, é só na ilusão que pensamos poder fazê-lo. E, mesmo que o façamos no sonho-pesadelo que pensamos ser a vida que vivemos, nada do que fizermos vai alterar ou modificar o Ser em nós, que Deus criou eterno, a Sua imagem e semelhança.

Valendo-me novamente, pela enésima vez, quem sabe, do livro Normose, de Pierre Weil, Jean-Yves Leloup e Roberto Crema, apresento-lhes, como já fiz antes algumas vezes, uma definição de santidade, uma definição do que é ser santo, bem diferente daquela à qual fomos - e ainda somos muitas vezes - levados/as a aceitar. 

O que aprendemos como característica da santidade nos ensina a pensar no santo como um ser eleito por Deus, um entre poucos, um ser divinamente perfeito com auréola e, quem sabe?, asas ocultas que lhe permitam até flutuar acima dos "mortais" comuns como nós. E, se não asas, uma capacidade particular para levitar, para desafiar a lei natural da gravidade, entre outras.

Para Roberto Crema, como vocês verão em seguida, o conceito de santidade está alinhado ao que nos ensina o Curso, que é, em meu modo de ver, a mesma santidade à qual Jesus, conforme relatos que chegaram até nós, se referia quando disse: "Sede santos, assim como vosso Pai no Céu é santo". A santidade é nosso estado natural em Deus, com Ele/Ela. Vejam, então, o que diz Crema:

"... a santidade [sinônimo de plenitude] não é um privilégio de poucos; é uma responsabilidade de todos nós. Ser santo é ser inteiro, é ser simples, é ser transparente. É ser tudo aquilo que realmente somos. É uma conquista do processo de individuação, da travessia das sombras rumo ao ser, processo que jamais termina e que começa com o primeiro passo neste labirinto de nós mesmos."

É por isso que, diferentemente do que costumamos pensar, santidade não tem nada a ver com "carolice" e nem tem de ser motivo de zombaria, como já disse aqui, nem sofrer a pressão da sociedade [do ego] que faz força para o indivíduo [dito "santo" ou "santinho", em tom de pouco caso ou ironia] contrariar a si mesmo e àquilo em que acredita, fazendo alguma coisa da qual ele tem consciência de que os resultados só vão afastá-lo da alegria, tirar-lhe a paz de espírito e separá-lo do amor, mergulhando-o no medo.

Ser santo, em síntese, é apenas aceitar que somos o que somos. E que ainda somos como Deus nos criou, não nos deixando iludir ou enganar por quaisquer características que o falso eu nos queira atribuir para nos convencer de que estamos ou podemos estar separados/as de Deus, de nossa Fonte. Não faz parte da sabedoria comum dizer que é pelos frutos que se conhece a árvore? Ora, se fomos criados à imagem e semelhança de Deus, como acreditar que podemos ser diferentes d'Ele de alguma forma? 


O santo em nós aparece, se manifesta quando nos damos o direito de ser quem somos, naturalmente, sem medos, sem sustos, sem qualquer preocupação com "o que os outros vão pensar?" se eu resolver ser eu, como vimos no texto de Clarice Lispector, no comentário à lição de ontem. E você, o que faria se fosse você, se resolvesse ser você mesmo/a?

Às práticas?

terça-feira, 11 de outubro de 2022

É possível, fácil e natural controlar nossas emoções

 

7. O que é o Espírito Santo?

1. O Espírito Santo se interpõe entre as ilusões e a verdade. Uma vez que Ele tem de construir uma ponte sobre a brecha entre a realidade e os sonhos, a percepção leva ao conhecimento por meio da Graça que Deus dá a Ele para ser Sua dádiva a todos que se voltarem para Ele em busca da verdade. Do outro lado da ponte que Ele provê, todos os sonhos são levados à verdade, para serem dissipados diante da luz do conhecimento. Descartam-se aí, para sempre, cenas e sons. E, aonde eles eram percebidos anteriormente, o perdão torna possível o final tranquilo da percepção.

2. É apenas este fim dos sonhos que a meta do ensinamento do Espírito Santo estabelece. Pois, diferente de testemunhas do medo, cenas e sons têm de ser transformados em testemunhas do amor. E, quando isso se realizar inteiramente, o aprendizado atinge a única meta que tem na verdade. Pois o aprendizado se torna o meio para ir além de si mesmo a fim de ser substituído pela verdade eterna, à medida que o Espírito Santo o guia na direção do resultado que Ele vê para o aprendizado.

3. Se ao menos soubesses o quanto teu Pai anseia que reconheças tua inocência, não permitirias que a Voz d'Ele apelasse em vão, nem rejeitarias Seu substituto para as imagens e sonhos assustadores que fizeste. O Espírito Santo compreende os meios que fizeste, pelos quais queres alcançar o que é inalcançável para sempre. E, se os ofereceres a Ele, Ele utilizará os meios que fizeste em defesa do exílio para devolver tua mente ao lugar em que ela verdadeiramente se sente em casa. 

4. O Espírito Santo, desde o conhecimento onde Ele foi colocado por Deus, te chama para que deixes o perdão descansar sobre teus sonhos, para seres devolvido à sanidade e à paz de espírito. Sem o perdão, teus sonhos continuarão a te aterrorizar. E a lembrança de todo Amor de teu Pai não voltará para assinalar que o fim dos sonhos chegou.

5. Aceita a dádiva de teu Pai. Ela é um Chamado do Amor para o Amor, a fim de que o Amor seja apenas Ele Mesmo. A dádiva d'Ele é o Espírito Santo, por meio do qual a paz do Céu é devolvida ao Filho amado de Deus. Tu te recusarias a aceitar a função de completar Deus, se tudo o que Ele deseja é que tu sejas completo?

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LIÇÃO 284

Posso escolher mudar todos os pensamentos que ferem.

1. A perda não é perda quando percebida de forma correta. A dor é impossível. Não há absolutamente nenhuma aflição que tenha algum motivo. E qualquer tipo de sofrimento não é nada a não ser um sonho. Esta é a verdade, primeiro para ser dita apenas e, em seguida, repetida muitas vezes; e depois para ser aceita apenas como parcialmente verdadeira, com muitas reservas. Para, mais tarde, ser refletida mais e mais seriamente e para ser, finalmente, aceita como a verdade. Eu posso escolher mudar todos os pensamentos que ferem. E quero ir além destas palavras hoje, e além de todas as reservas, para chegar à aceitação plena da verdade nelas.

2. Pai, aquilo que Tu dás não pode ferir, por isso tristeza e dor têm de ser impossíveis. Permite que eu não deixe de confiar em Ti hojeaceitando apenas o que é alegre como Tuas dádivas, aceitando apenas o que é alegre como a verdade.


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COMENTÁRIO: 



Explorando a LIÇÃO 284

Vamos trabalhar, praticar, treinar, hoje, uma vez mais, com uma ideia que oferece a todos nós a oportunidade de aprendermos a primeira lição que aprendi - ou penso ter aprendido -, há anos, a partir de meus primeiros contatos com o Curso, a qual já contei algumas vezes antes aqui. 

Qual é esta lição? 

É a que me diz que, em qualquer situação, em qualquer circunstância, sou sempre eu, e apenas eu, que comando minhas emoções. Todas elas, absolutamente todas, quer eu queira reconhecer isso, quer não, são frutos de meus pensamentos. E sempre, a qualquer momento, posso escolher mudar meus pensamentos, se assim o decidir. Por isso, é possível, natural e fácil comandar nossas emoções. Basta assumirmos o controle de nossos pensamentos. Escolher o que queremos pensar.

É importante saber também que, se eu escolher mudar meus pensamentos, mudo o mundo inteiro. Quer dizer, mudo minha experiência de mundo, porque mudo minha forma de vê-lo, de interpretá-lo. O mesmo se dá com tudo e todos que vemos a nossa volta.

É por isso que se pode dizer que a busca pelo sentido da vida é uma busca fadada ao fracasso, porque não há sentido a se encontrar. A vida se basta a si mesma e, assim como a verdade, apenas é. Ponto final. 

Não há como falar de um sentido para a vida a partir da percepção do mundo que nos é dada pelos sentidos. Muito embora sejam evidentes os indícios de que a vida não acaba nunca. Não se esgota nesta ou naquela forma. A visão dos olhos do corpo - e os sentidos de modo geral -, não a conseguem apreender. Ela foge ao intelecto, à razão. Não há palavras que lhe possam desvendar e aprisionar o sentido.

Assim é que, no dizer de Joel S. Goldsmith, só é possível se abandonar o "falso sentido" da vida, que julgamos e vemos material - isto é, na matéria -, quando consideramos que a verdadeira existência, que o existir verdadeiro da vida está no espírito. Aliás, é por isso que uma das lições da primeira parte deste livro de exercícios nos leva a praticar com a ideia: Eu sou espírito. Lembram?

Aprendemos, então, a partir daí, que "a vida física, do homem, do animal e da planta, não passa de um sentido enganoso" que se dá à existência, à vida. Aí podemos concluir também que, da mesma forma, é desnecessário que nos ocupemos de suprir "as chamadas necessidades da vida material", com as quais nos preocupamos tanto, a ponto de quase não deixarmos espaço nenhum para o espírito em nós. 

E quando nos afastamos do espírito é quase certo que vamos passar por situações e experiências de dor, de sofrimento e de carência, porque nos afastamos da Fonte de tudo. O "fracasso" acontece quando deixamos de acreditar que somos expressões vivas de Deus, ou da Vida e da Verdade, ou da Inteligência das qualidades divinas, ou do Espírito, ou de qualquer outro nome que queiramos dar Àquilo que sentimos ter relação com o que somos e que ultrapassa todas as nossas tentativas de definição, por limitante. 

Isto nunca é verdade. Deus, ou a Consciência, expressa a Si Mesmo e a Suas qualidades eternamente. A Consciência, a Vida, o Espírito, Deus, não pode falhar nunca. É por isto que podemos escolher mudar os pensamentos, para nos mantermos ligados ao Espírito [em nós] e deixarmos de dar qualquer reforço à crença na separação. 

É por isso que podemos escolher ser nós mesmos/as e abandonar a mentira em que nos acomodamos como nos mostra a crônica, Se eu fosse eu, de Clarice Lispector, publicada no livro A Descoberta do Mundo, que mais uma vez compartilho com vocês abaixo e que diz o seguinte: 

Quando não sei onde guardei um papel importante e a procura se revela inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase "se eu fosse eu", que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar. Diria melhor, sentir. 

E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser levemente locomovida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas, e mudavam inteiramente de vida. Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua porque até minha fisionomia teria mudado. Como? não sei. 

Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho, por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo o que é meu, e confiaria o futuro ao futuro. 

"Se eu fosse eu" parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido. No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeira chamadas loucuras da festa que seria, teríamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos enfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor também, aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais... 

Às práticas?

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Reafirmar o amor como nossa verdadeira identidade

 

7. O que é o Espírito Santo?

1. O Espírito Santo se interpõe entre as ilusões e a verdade. Uma vez que Ele tem de construir uma ponte sobre a brecha entre a realidade e os sonhos, a percepção leva ao conhecimento por meio da Graça que Deus dá a Ele para ser Sua dádiva a todos que se voltarem para Ele em busca da verdade. Do outro lado da ponte que Ele provê, todos os sonhos são levados à verdade, para serem dissipados diante da luz do conhecimento. Descartam-se aí, para sempre, cenas e sons. E, aonde eles eram percebidos anteriormente, o perdão torna possível o final tranquilo da percepção.

2. É apenas este fim dos sonhos que a meta do ensinamento do Espírito Santo estabelece. Pois, diferente de testemunhas do medo, cenas e sons têm de ser transformados em testemunhas do amor. E, quando isso se realizar inteiramente, o aprendizado atinge a única meta que tem na verdade. Pois o aprendizado se torna o meio para ir além de si mesmo a fim de ser substituído pela verdade eterna, à medida que o Espírito Santo o guia na direção do resultado que Ele vê para o aprendizado.

3. Se ao menos soubesses o quanto teu Pai anseia que reconheças tua inocência, não permitirias que a Voz d'Ele apelasse em vão, nem rejeitarias Seu substituto para as imagens e sonhos assustadores que fizeste. O Espírito Santo compreende os meios que fizeste, pelos quais queres alcançar o que é inalcançável para sempre. E, se os ofereceres a Ele, Ele utilizará os meios que fizeste em defesa do exílio para devolver tua mente ao lugar em que ela verdadeiramente se sente em casa. 

4. O Espírito Santo, desde o conhecimento onde Ele foi colocado por Deus, te chama para que deixes o perdão descansar sobre teus sonhos, para seres devolvido à sanidade e à paz de espírito. Sem o perdão, teus sonhos continuarão a te aterrorizar. E a lembrança de todo Amor de teu Pai não voltará para assinalar que o fim dos sonhos chegou.

5. Aceita a dádiva de teu Pai. Ela é um Chamado do Amor para o Amor, a fim de que o Amor seja apenas Ele Mesmo. A dádiva d'Ele é o Espírito Santo, por meio do qual a paz do Céu é devolvida ao Filho amado de Deus. Tu te recusarias a aceitar a função de completar Deus, se tudo o que Ele deseja é que tu sejas completo?

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LIÇÃO 283

Minha Identidade verdadeira permanece em Ti.

1. Pai, eu inventei uma imagem de mim mesmo e é a ela que chamo de Filho de Deus. Porém, a criação é como sempre foi, pois Tua criação é imutável. Que eu não adore ídolos. Eu sou aquele a quem meu Pai ama. Minha identidade continua a ser a luz do Céu e o Amor de Deus. Aquilo que Tu amas não está seguro? A luz do Céu não é infinita? Se Tu criaste tudo o que existe, Teu Filho não é minha Identidade verdadeira?

2. Agora somos um só na Identidade compartilhada com Deus, nosso Pai, como nossa única Fonte, e todas as coisas criadas como parte de nós. E, por isso, oferecemos bênçãos a todas as coisas, unindo-nos amorosamente ao mundo, que nosso perdão torna um conosco.


*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 283

Depois nos termos comprometido [comprometemo-nos? alguém se comprometeu?], ontem, a buscar aprender a tornar real nossa capacidade de não temer o amor, fazendo passar pela lente do amor tudo tudo o que vemos no mundo, nada melhor do que falar do amor, da mesma forma que fizemos em anos anteriores, para estender e aprofundar a reflexão acerca da ideia que o Curso nos oferece para as práticas de hoje.

Reforçando o que eu dizia antes, importa, de verdade, reafirmar que o amor é nossa verdadeira identidade, como nos convida a fazer a lição de hoje. É ele o caminho que precisamos escolher se quisermos viver a vida eterna em todos os momentos de nossa vida.

Vou, então, repetir mais uma vez a fala de Carol Gilligan,  no livro O Nascimento do Prazer, que já compartilhei antes com vocês. Diz ela: 

Talvez o amor seja como a chuva. Às vezes suave, às vezes torrencial, que inunda, desgosta, quieta e constante, que enche a terra e se acumula em fontes ocultas. Quando chove, quando amamos, surge mais vida. Logo, dizer, como disse Moisés ao descer do Sinai, que há duas vias, uma que leva à vida e outra, à morte, e portanto escolhamos a vida, isso quer dizer de fato: escolhamos o amor. Mas qual é o caminho?

Ora, como eu já disse acima, e muitas outras vezes, se escolhemos o amor, o próprio amor é o caminho. As dificuldades que podem se apresentar se referem apenas aos momentos em que, com certeza, em função de nos termos esquecido da decisão tomada [e também de ainda não termos tornado real a capacidade de não ter medo do amor, ou de ainda não termos de fato tomado a decisão], vamos, iludidos/as pelo falso eu [o ego], confundir o amor com outras coisas.

A fala de Gilligan, como eu já disse antes, muitas vezes até, me lembra de uma música que fez sucesso algum tempo atrás, e de que gosto muito, intitulada Perhaps Love [Talvez Amor], escrita pelo cantor John Denver e interpretada em uma gravação antológica pelo próprio Denver e pelo tenor Plácido Domingo. A letra, em tradução livre, repetindo, diz mais ou menos o seguinte:

Talvez o amor seja como um lugar para se descansar, um abrigo para a tempestade. Ele existe para te dar conforto, para te manter aquecido. E, nos momentos de turbulências, quando te sentes muito só, a lembrança do amor te trará para casa. 

Talvez o amor seja como uma janela, talvez uma porta aberta, ele te convida a vir para mais perto, quer te mostrar mais. E mesmo que tu te percas e não saibas o que fazer, a lembrança do amor vai ver através de ti.

Oh, para uns, o amor é como uma nuvem, para outros, tão forte quanto o aço, para uns, um modo de viver, para outros, um modo de sentir. E alguns dizem que o amor é segurar-se [no sentido de se conter, de não se entregar, de não se render], e alguns que é abandonar-se [entregar-se, render-se por completo], e uns dizem que o amor é tudo, e outros dizem não saber. 

Talvez o amor seja como o oceano, cheio de conflitos, cheio de dor, como uma lareira, quando faz frio lá fora, trovoada quando chove. Se eu puder viver para sempre e todos os meus sonhos se tornarem realidade, minhas memórias do amor serão de ti.

Acho que vale a pena ouvir a música de novo e ver as imagens no link abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=3YnfCH7LNcM

De novo, isto me lembra também de outra música. Esta, cantada na Igreja em algumas missas aos domingo, que afirmava: "Deus é amor, e quem ama permanece em Deus". Não lhes parece que isso tudo só faz com que nossa Identidade verdadeira seja reafirmada?

OBSERVAÇÃO: O comentário acima, inclusive o título da postagem, com algumas alterações mínimas é praticamente o mesmo feito para esta mesma lição em anos anteriores. Achei que valia a pena republicá-lo, relê-lo e refletir a respeito dele juntamente com o que nos oferece a lição - a ideia - para as práticas de hoje. Não acham? 


Às práticas?

domingo, 9 de outubro de 2022

Já é um bom começo ajustar a lente do amor ao olhar

 

7. O que é o Espírito Santo?

1. O Espírito Santo se interpõe entre as ilusões e a verdade. Uma vez que Ele tem de construir uma ponte sobre a brecha entre a realidade e os sonhos, a percepção leva ao conhecimento por meio da Graça que Deus dá a Ele para ser Sua dádiva a todos que se voltarem para Ele em busca da verdade. Do outro lado da ponte que Ele provê, todos os sonhos são levados à verdade, para serem dissipados diante da luz do conhecimento. Descartam-se aí, para sempre, cenas e sons. E, aonde eles eram percebidos anteriormente, o perdão torna possível o final tranquilo da percepção.

2. É apenas este fim dos sonhos que a meta do ensinamento do Espírito Santo estabelece. Pois, diferente de testemunhas do medo, cenas e sons têm de ser transformados em testemunhas do amor. E, quando isso se realizar inteiramente, o aprendizado atinge a única meta que tem na verdade. Pois o aprendizado se torna o meio para ir além de si mesmo a fim de ser substituído pela verdade eterna, à medida que o Espírito Santo o guia na direção do resultado que Ele vê para o aprendizado.

3. Se ao menos soubesses o quanto teu Pai anseia que reconheças tua inocência, não permitirias que a Voz d'Ele apelasse em vão, nem rejeitarias Seu substituto para as imagens e sonhos assustadores que fizeste. O Espírito Santo compreende os meios que fizeste, pelos quais queres alcançar o que é inalcançável para sempre. E, se os ofereceres a Ele, Ele utilizará os meios que fizeste em defesa do exílio para devolver tua mente ao lugar em que ela verdadeiramente se sente em casa. 

4. O Espírito Santo, desde o conhecimento onde Ele foi colocado por Deus, te chama para que deixes o perdão descansar sobre teus sonhos, para seres devolvido à sanidade e à paz de espírito. Sem o perdão, teus sonhos continuarão a te aterrorizar. E a lembrança de todo Amor de teu Pai não voltará para assinalar que o fim dos sonhos chegou.

5. Aceita a dádiva de teu Pai. Ela é um Chamado do Amor para o Amor, a fim de que o Amor seja apenas Ele Mesmo. A dádiva d'Ele é o Espírito Santo, por meio do qual a paz do Céu é devolvida ao Filho amado de Deus. Tu te recusarias a aceitar a função de completar Deus, se tudo o que Ele deseja é que tu sejas completo?

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LIÇÃO 282

Hoje eu não terei medo do amor.

1. Se eu pudesse hoje perceber apenas isso de forma clara, a salvação para todo o mundo seria alcançada. Esta, a decisão de não ser insano e de me aceitar como o Próprio Deus, meu Pai e minha Fonte, me criou. Esta, a decisão de não ficar adormecido em sonhos de morte, enquanto a verdade permanece viva para sempre na alegria do amor. E esta, a escolha de reconhecer o Ser a Quem Deus criou como o Filho que Ele ama e Que continua a ser minha única Identidade.

2. Pai, Teu Nome é Amor e, por isso, o meu também. Esta é a verdade. E pode-se mudar a verdade dando-lhe outro nome simplesmente? O nome do medo é apenas um equívoco. Que eu não tenha medo da verdade hoje.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 282

Neste dia, novamente, o Curso oferece para as práticas uma ideia que tem tudo a ver com nossa libertação completa do aparente poder do ego, o falso eu, sobre nós. Para tanto, basta que nos entreguemos ao amor, sem qualquer reserva, sem qualquer medo.

O amor, como eu já disse outras vezes, é apenas a verdade a nosso respeito. É o que somos. Hoje e sempre. É, como o Curso ensina, a única coisa real que existe. Pois, ao olhos do Espírito Santo, ou à luz da visão crística que o Curso oferece, tudo o que não é amor é um pedido de amor. Tudo o que não é amor não existe. É parte da ilusão que o ego criou de forma equivocada a partir da percepção, dos sentidos, que não podem deixar de julgar.

Para que pensemos e pratiquemos de forma leve e prazerosa, para que nos entreguemos, como eu disse, sem medo e sem reservas, podemos até ceder nossa atenção por alguns minutos à música e à letra da música Lente do Amor, de Gilberto Gil. Perceberemos nela a diferença que faz depositar sobre tudo e sobre todos um olhar que passa pela lente do amor. Ouçam mais uma vez, por favor, com toda a atenção possível no que a letra diz.

http://youtu.be/Q_BcCT2hCYs

Não será, pois, de ajuda para as nossas práticas e para aprendermos a olhar para o mundo de modo diferente, como o Curso nos orienta a fazer, que comecemos por ajustar a lente do amor a nosso olhar? 

Lembremo-nos ainda de que, ao comentar a lição nos últimos anos, explorando mais fundo os significados das palavras originais e das que usamos para traduzi-las - tanto Lillian quanto eu -, sugeri ser mais útil, para a vida que levamos, para as situações que certamente vão se apresentar ao longo de todo o dias, sermos capazes de tornar real, a partir das práticas, a capacidade de não se ter medo do amor do que apenas compreender que é possível viver sem medo do amor.

Como eu disse, então, parece-me que é esta capacidade que pode, de fato, fazer toda a diferença e nos levar à decisão de não sermos irracionais [insanos/as] e de nos aceitarmos como Deus nos criou, o que, sem dúvida, trará a salvação. Para nós mesmos/as e para o mundo inteiro. É, mais uma vez, o momento certo para a tomada de decisão pelo amor, pelo Céu.

Às práticas?

sábado, 8 de outubro de 2022

A responsabilidade é só tua, pra começo de conversa

 

7. O que é o Espírito Santo?

1. O Espírito Santo se interpõe entre as ilusões e a verdade. Uma vez que Ele tem de construir uma ponte sobre a brecha entre a realidade e os sonhos, a percepção leva ao conhecimento por meio da Graça que Deus dá a Ele para ser Sua dádiva a todos que se voltarem para Ele em busca da verdade. Do outro lado da ponte que Ele provê, todos os sonhos são levados à verdade, para serem dissipados diante da luz do conhecimento. Descartam-se aí, para sempre, cenas e sons. E, aonde eles eram percebidos anteriormente, o perdão torna possível o final tranquilo da percepção.

2. É apenas este fim dos sonhos que a meta do ensinamento do Espírito Santo estabelece. Pois, diferente de testemunhas do medo, cenas e sons têm de ser transformados em testemunhas do amor. E, quando isso se realizar inteiramente, o aprendizado atinge a única meta que tem na verdade. Pois o aprendizado se torna o meio para ir além de si mesmo a fim de ser substituído pela verdade eterna, à medida que o Espírito Santo o guia na direção do resultado que Ele vê para o aprendizado.

3. Se ao menos soubesses o quanto teu Pai anseia que reconheças tua inocência, não permitirias que a Voz d'Ele apelasse em vão, nem rejeitarias Seu substituto para as imagens e sonhos assustadores que fizeste. O Espírito Santo compreende os meios que fizeste, pelos quais queres alcançar o que é inalcançável para sempre. E, se os ofereceres a Ele, Ele utilizará os meios que fizeste em defesa do exílio para devolver tua mente ao lugar em que ela verdadeiramente se sente em casa. 

4. O Espírito Santo, desde o conhecimento onde Ele foi colocado por Deus, te chama para que deixes o perdão descansar sobre teus sonhos, para seres devolvido à sanidade e à paz de espírito. Sem o perdão, teus sonhos continuarão a te aterrorizar. E a lembrança de todo Amor de teu Pai não voltará para assinalar que o fim dos sonhos chegou.

5. Aceita a dádiva de teu Pai. Ela é um Chamado do Amor para o Amor , a fim de que o Amor seja apenas Ele Mesmo. A dádiva d'Ele é o Espírito Santo, por meio do qual a paz do Céu é devolvida ao Filho amado de Deus. Tu te recusarias a aceitar a função de completar Deus, se tudo o que Ele deseja é que tu sejas completo?

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LIÇÃO 281

Nada pode me ferir, a não ser meus pensamentos.

1. Pai, Teu Filho é perfeito. Quando penso estar ferido de alguma forma, é porque me esqueci de quem sou e de que sou tal como Tu me criaste. Teus Pensamentos só podem me trazer felicidade. Se alguma vez estou triste ou ferido ou doente, esqueci o que Tu pensas e pus minhas ideias insignificantes e inúteis no lugar que pertence a Teus Pensamentos e aonde eles estão. Nada pode me ferir, a não ser meus pensamentos. Os Pensamentos que tenho Contigo são verdadeiros.

2. Não vou ferir a mim mesmo hoje. Pois estou muito além de qualquer dor. Meu Pai me pôs em segurança no Céu e vela por mim. E eu não quero atacar o Filho que Ele ama, porque também me cabe amar o que Ele ama.

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COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 281

Chegamos, neste dia, mais uma vez, à sétima das instruções específicas para as práticas das lições desta segunda parte do Livro de Exercícios. O tema - O que é o Espírito Santo? - traz as instruções que vão orientar nossas práticas durante os próximos dez dias, a contar de hojeComo comecei a fazer nos últimos anos, desde o início desta segunda parte do Livro de Exercícios, vou continuar a postar a cada dia, antes da lição, o texto do tema, a que devemos voltar todos os dias, conforme nos orienta o Curso, antes das práticas com a ideia para o dia.

Assim, como eu já disse outras vezes antes, vamos ter, por dez dias, a oportunidade de ouvir o Espírito Santo, que é, aliás, a única parte de nós que existe verdadeiramente. O Espírito Santo é a parte que nos une uns aos outros, umas às outras, de quem estamos só aparentemente separados/as, e que nos põe em contato com o que somos na verdade: o Filho de Deus.  

Oxalá, possamos, a partir das práticas de hoje e das dos próximos dias, começar a reconhecê-Lo e aceitá-Lo como nosso Guia, para aprendermos a agradecer, por ser Ele, o Espírito Santo, a dádiva de Deus para cada um e cada uma de nós, o meio para termos de volta e para experimentarmos mais uma vez a paz do Céu.

O Espírito Santo é o meio pelo qual podemos abandonar a percepção equivocada do falso eu [o ego do Curso], que só nos oferece alternativas entre ilusão e sonho. É também só Ele que nos pode devolver à consciência o reconhecimento de nossa inocência, para que abandonemos o autoexílio a que nos impusemos como forma de punir e expiar uma culpa que nunca tivemos, não temos e nem teremos jamais.

E é, enfim, o Espírito Santo, na condição de mensageiro do Amor de Deus, que nos permite oferecer e aceitar o perdão a todos os sonhos para voltarmos à sanidade e para que experimentemos a paz de espírito mais uma vez e, desta vez, definitivamente.

Perguntemo-nos, pois, mais uma vez: há modo melhor de se aprender isto do que a prática e o entendimento da ideia que o Curso nos oferece na lição de hoje? Praticá-la da forma devida vai fazer com que compreendamos verdadeiramente [e lembrem-se de que compreender é aceitar] que nada nos pode ferir, exceto nossos próprios pensamentos. Se já aprendemos que somos nós que governamos nossos pensamentos [vide Lição 253], deve ficar extremamente fácil, então, escolher os pensamentos que queremos ter a partir desta lição. Ou não? 


Bem a propósito disto que falo, é uma fala de um personagem de livro de Julian Barnes, que diz a alguém - mudei o tratamento pessoal da tradução para ficar mais enfático:

"Desculpa, não, tu não podes culpar os teus pais mortos, ou o fato de teres irmãos ou irmãs, ou não os teres, ou os teus genes, ou a sociedade, ou seja o que for - não em circunstâncias normais. Começa com a ideia de que a responsabilidade é apenas tua..."

Às práticas?

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

É nossa luz, não a sombra, o que mais nos assusta

 

6. O que é o Cristo?

1. Cristo é o Filho de Deus tal qual Ele O criou. Ele é o Ser que compartilhamos, que nos une uns aos outros e também a Deus. Ele é o Pensamento que ainda mora no interior da Mente que é Sua Fonte. Ele não abandona Seu lar santo, nem perde a inocência na qual Ele foi criado. Ele habita na Mente de Deus.

2. Cristo é o elo que te mantém um com Deus e garante que a separação não é mais do que uma ilusão do desespero, pois a esperança habitará n'Ele para sempre. Tua mente é parte da d'Ele e a d'Ele é parte da tua. Ele é a parte aonde a Resposta de Deus está, aonde todas as decisões já foram tomadas e na qual os sonhos acabaram. Ele permanece intocado por qualquer coisa que os olhos do corpo percebem. Pois embora Seu Pai tenha depositado n'Ele o meio para tua salvação, ainda assim Ele continua sendo o Ser Que, tal qual Seu Pai, não conhece nenhum pecado.

3. Lar do Espírito Santo e à vontade em Deus apenas, Cristo, de fato, continua em paz no interior de tua mente santa. Na verdade, esta é a única parte de ti que é real. O resto são sonhos. Esses sonhos, porém, também serão entregues a Cristo, para se desvanecerem diante de Sua glória e te revelarem, por fim teu Ser santo, o Cristo.

4. O Espírito Santo, a partir do Cristo em ti, alcança todos os teus sonhos e lhes ordena que venham a Ele, para serem traduzidos em verdade. Ele os trocará pelo sonho final que Deus designou como o fim dos sonhos. Além do mais, quando o perdão descansar sobre o mundo e a paz chegar a todo Filho de Deus, o que poderia haver para manter as coisas separadas, pois o que resta ver exceto a face de Cristo?

5. E por quanto tempo essa face será vista, se ela é apenas o símbolo de que nesse momento acabou o tempo para o aprendizado de que alcançou-se, enfim, a meta da Expiação? Busquemos, por isto, então, achar a face de Cristo e não olhar para mais nada. Quando virmos Sua glória saberemos que não temos nenhuma necessidade de aprendizado ou de percepção ou de tempo, nem de nada a não ser do Ser santo, o Cristo a Quem Deus criou como Seu Filho.

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LIÇÃO 280

Que limites posso impor ao Filho de Deus?

1. Aquele Que Deus criou sem limites é livre. Posso inventar uma prisão para ele, mas só em ilusões, não na verdade. Nenhum Pensamento de Deus deixa a Mente de Seu Pai. Nenhum Pensamento de Deus não é nada a não ser puro para sempre. Posso impor limites ao Filho de Deus, cujo Pai quis que ele seja sem limites e igual a Si Mesmo em liberdade e em amor?

2. Deixa-me render homenagem a Teu Filho hoje, pois assim encontro o caminho para Ti. Pai, não imponho nenhum limite ao Filho que Tu amas e que criaste sem limites. O louvor que ofereço a ele é Teu e o que é Teu também pertence a mim.


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COMENTÁRIO:


Explorando a Lição 280

Repito, com algumas pequenas alterações, o comentário, feito para esta lição nos últimos anos. 

A ideia que praticamos hoje encerra a série de dez lições com o tema O que é o Cristo? E, se prestamos toda a atenção de que somos capazes, é forçoso reconhecer mais uma vez que todas as lições nos convidam a aproveitar o fato de que não há limites para o que somos nem para o que podemos fazer, quando aceitamos nossa identidade crística e divina, vivendo a experiência deste mundo, a partir desta Identidade. 

E é mais uma vez esta ideia que vamos praticar com a lição de hoje. Uma ideia que vai facilitar que tomemos em definitivo a decisão em favor da mudança, se aprendermos a aceitar tudo aquilo a que temos direito como filhos e filhas de Deus. 

Como eu disse antes, o Curso afirma que, em geral - uma vez que temos direito a absolutamente tudo -, é muito pouco o que pedimos. Isto porque ainda acreditamos que precisamos pedir, o que significa reforçar a crença na escassez, na carência. Ou, dizendo de outra forma, aquele, ou aquela, de nós que acredita ser necessário pedir alguma coisa a Deus, só pode se ver separado/a d'Ele/Ela. É por isso que na grande maioria das vezes não consegue o que pede. Até porque quase nunca sabemos o que pedir, já que, em geral, nenhum, ou nenhuma, de nós sabe de fato o que precisa, ou o que quer verdadeiramente.

Joel Goldsmith, em seus livros, acentua o fato de que Deus está mais próximo de nós do que a respiração, do que nossas mãos e pés. Diz ele que "a prece não é [não deve ser] um pedido, pois não sabemos como orar ou o que pedir; não sabemos como entrar ou sair [de nossa relação com Deus]. Não sabemos o que pedir porque ignoramos qual possa ser o nosso bem amanhã, que talvez não tenha nenhuma relação com o de hoje". Diz também que a verdadeira prece não tem por objetivo "influenciar, manipular ou usar Deus". É por isso que, de acordo com ele, é preciso que reconheçamos não saber como rezar para aprendermos a deixar que Deus ore em nós.

Aprender isso, vai nos trazer a certeza de que, como eu também já disse várias vezes antes, não há limites para  o que podemos fazer em Deus, com Ele/Ela. Isso nos dará também a certeza de que é n'Ele/Ela que vivemos e nos movemos. No entanto, a maior parte do tempo, parece-nos que somos limitados, frágeis e indefesos seres que habitam um corpo fadado à deterioração e à morte. 

Por que razão acreditamos nisto? Há como mudar esta crença? Queremos mudá-la de fato? Ou já estamos tão acostumados a ela que a simples possibilidade de qualquer mudança já nos dá medo? Estaremos já tão habituados aos limites que aparentemente nos impomos que a ideia de mudança pressupõe um esforço que não estamos dispostos/as a fazer? Aceitamos já por inteiro o transe? Já aceitamos o conforto da acomodação de forma incondicional, ao ponto de nos assustar a ideia de abandoná-lo?

Em um livro intitulado Prisões que Escolhemos para Viver, Doris Lessing, escritora britânica, afirma que "todos nós, em certo grau, sofremos lavagem cerebral, efetuada pela sociedade em que vivemos. E verificamos esse fato [dentre outras maneiras] quando viajamos para outro país e somos capazes de enxergar o nosso com os olhos de um estrangeiro. Não há muito o que fazer a esse respeito, a não ser constatar que é assim que as coisas funcionam. Cada um de nós é parte de grandes e confortadoras ilusões forjadas pela sociedade para manter sua própria autoconfiança".

Lembrando-nos, no entanto, de uma das passagem do texto do Curso, podemos dizer que "isto não precisa ser assim". Basta nos decidirmos a olhar para o mundo de modo diferente.

Todavia, o que acontece, em geral, é que, na verdade, a ideia de liberdade nos assusta mais do que as prisões e os limites a que nos sujeitamos. Aliás, Marianne Williamsom, em seu livro Um Retorno ao Amor, diz isto de forma clara e cristalina ao afirmar, como também já citei várias vezes antes, que "o medo mais profundo que abrigamos no peito não tem nada a ver com o fato de sermos [ou de nos acreditarmos] medíocres [limitados]". 


Diz ela que "nosso medo mais profundo é o de que sejamos poderosos para além de todas as medidas. É nossa luz, não nossa escuridão, o que mais nos assusta. Nós nos perguntamos: 'Quem sou eu para ser brilhante, maravilhoso, talentoso, fabuloso?' Na verdade, quem és para não sê-lo? Tu és um filho de Deus. Fingir-se pequeno [Diminuir-se] não serve de nada ao mundo. Não é uma atitude esclarecida encolher-se [diminuir-se] para que outros não se sintam inseguros a tua volta. Fomos todos feitos para brilhar, como as crianças brilham". 

E mais, finaliza ela: "Nascemos para tornar manifesta a glória de Deus, que está dentro de nós. Não apenas em alguns de nós; em todos nós. E, quando deixamos que nossa luz brilhe, inconscientemente, damos permissão para que os outros façam o mesmo. À medida que nos libertamos de nossos medos [e limites], nossa presença libera os demais automaticamente". 

Às práticas?