quinta-feira, 6 de outubro de 2022

É preciso manter o estado da "mente que não sabe"

 

6. O que é o Cristo?

1. Cristo é o Filho de Deus tal qual Ele O criou. Ele é o Ser que compartilhamos, que nos une uns aos outros e também a Deus. Ele é o Pensamento que ainda mora no interior da Mente que é Sua Fonte. Ele não abandona Seu lar santo, nem perde a inocência na qual Ele foi criado. Ele habita na Mente de Deus.

2. Cristo é o elo que te mantém um com Deus e garante que a separação não é mais do que uma ilusão do desespero, pois a esperança habitará n'Ele para sempre. Tua mente é parte da d'Ele e a d'Ele é parte da tua. Ele é a parte aonde a Resposta de Deus está, aonde todas as decisões já foram tomadas e na qual os sonhos acabaram. Ele permanece intocado por qualquer coisa que os olhos do corpo percebem. Pois embora Seu Pai tenha depositado n'Ele o meio para tua salvação, ainda assim Ele continua sendo o Ser Que, tal qual Seu Pai, não conhece nenhum pecado.

3. Lar do Espírito Santo e à vontade em Deus apenas, Cristo, de fato, continua em paz no interior de tua mente santa. Na verdade, esta é a única parte de ti que é real. O resto são sonhos. Esses sonhos, porém, também serão entregues a Cristo, para se desvanecerem diante de Sua glória e te revelarem, por fim teu Ser santo, o Cristo.

4. O Espírito Santo, a partir do Cristo em ti, alcança todos os teus sonhos e lhes ordena que venham a Ele, para serem traduzidos em verdade. Ele os trocará pelo sonho final que Deus designou como o fim dos sonhos. Além do mais, quando o perdão descansar sobre o mundo e a paz chegar a todo Filho de Deus, o que poderia haver para manter as coisas separadas, pois o que resta ver exceto a face de Cristo?

5. E por quanto tempo essa face será vista, se ela é apenas o símbolo de que nesse momento acabou o tempo para o aprendizado de que alcançou-se, enfim, a meta da Expiação? Busquemos, por isto, então, achar a face de Cristo e não olhar para mais nada. Quando virmos Sua glória saberemos que não temos nenhuma necessidade de aprendizado ou de percepção ou de tempo, nem de nada a não ser do Ser santo, o Cristo a Quem Deus criou como Seu Filho.

*

LIÇÃO 279

A liberdade da criação garante minha própria liberdade.

1. O fim dos sonhos está garantido para mim, porque o Filho de Deus não fica abandonado pelo Amor d'Ele. Somente nos sonhos existe um momento em que ele parece estar na prisão e esperar por uma liberdade futura, se ela existir de alguma forma. Na realidade, porém, seus sonhos acabaram com a verdade estabelecida no lugar deles. E agora a liberdade já é dele. Devo esperar a liberação preso a correntes que já foram cortadas, se Deus me oferece a liberdade agora?

2. Aceitarei tuas promessas hoje e depositarei minha fé nelas. Meu Pai ama o Filho Que Ele criou como Seu Próprio Filho. Tu me negarias as dádivas que me deste?


*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 279

"Busca em primeiro lugar o Reino de Deus e todas as coisas te serão acrescentadas". [Lucas 12:31]

É só a decisão de pôr em primeiro lugar o Reino, como eu já disse inúmeras vezes e como dizem todos os mestres com quem temos contato em todas as tradições de sabedoria, que pode garantir que tenhamos, de fato, o direito de viver a liberdade de que somos herdeiros pela condição de filhos de Deus.

E por quê?

Porque nada no mundo pode satisfazer nosso anseio pela liberdade. Nada no mundo, ou do mundo, pode nos oferecer a alegria e a paz que encontramos ao viver para o Reino. Precisamos compreender - no sentido de aceitar - que só existe um único poder e que é a ele que temos de nos render. Enquanto não nos decidirmos pela rendição completa e absoluta a este único poder, que é o poder divino, mas que é também nosso, viveremos na impressão constante de altos e baixos.

Da mesma forma, precisamos renunciar a toda e qualquer ideia que tenhamos a respeito de nós mesmos/as, do mundo e de tudo o que há para se fazer no mundo. É esta renúncia que pode nos dar a liberdade de que fala a ideia que praticamos hoje. A liberdade que nos é garantida pela liberdade da criação. 


De acordo com Stephen Mitchell, "a única liberdade fundamental é a liberdade de nossas próprias ideias". Isto é, precisamos ser capazes de nos permitirmos duvidar de tudo - absolutamente tudo, sem exceção - aquilo que o sistema de pensamento do ego quer que pensemos a nosso próprio respeito e a respeito do mundo todo. Ou, como os budistas ensinam, é vital que sejamos capazes de aprender a nos mantermos no estado da "mente que não sabe". Porque "a mente que pensa que sabe" está morta para o real, para o novo.

É também de Mitchell a ideia segundo a qual "...pode-se dizer que só vive verdadeiramente em harmonia com o divino aquele que está pronto para tudo, que não exclui nenhuma experiência, nem mesmo a mais incompreensível". Quer dizer, aquele que sabe que não sabe.

Aproximamo-nos hoje do final de mais um período de prática, cuja unidade se deu pela pergunta: O que é o Cristo? Uma pergunta cuja resposta está diretamente relacionada à ideia que se oferece para nosso treino. Pois o que pode ser o Cristo que não nossa Identidade verdadeira, que permite compreender que ainda somos livres como Deus nos criou.

Do mesmo modo a criação toda é livre para se exprimir e é só nela que podemos perceber o reflexo de nossa própria liberdade, como eu já disse outras vezes. Mesmo naqueles momentos em que parece que as coisas se apresentam a nossa experiência sem que aparentemente sejamos capazes de qualquer interferência. Quer dizer, mesmo quando o que acontece parece ter acontecido sem que tenhamos escolhido.

Isto não é verdade! Conforme já vimos em uma lição anterior, que dizia:

É impossível que qualquer coisa não solicitada por mim mesmo venha a mim. Mesmo neste mundo, sou eu que governo meu destino. Aquilo que eu desejo é o que acontece. O que não acontece é aquilo que eu não quero que aconteça.

E, repetindo ainda uma vez o final de comentário feito em anos anteriores, é isto, por incrível que pareça, que diz também o livro A Biologia da Crença, de Bruce H. Lipton, cuja leitura recomendo enfaticamente de novo. Diz ele que:

"... o controle de nossa vida não depende de sorte ou das características [genéticas] estabelecidas no momento da concepção, mas sim de nós mesmos. Somos os senhores de nossa biologia [assim como de tudo o que nos cerca]; administradores do programa de processamento. Temos a capacidade de editar os dados que entram em nosso bio-computador, assim como todas as palavras que são digitadas."

Não será isto a confirmação de que, de fato, somos absolutamente livres, em todo e qualquer sentido, para escolher quaisquer experiências que queiramos viver neste mundo e em qualquer mundo que queiramos inventar para nós?

É a resposta a esta pergunta que as práticas de hoje oferecem. 

Às práticas?

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Não temos um ego, fomos possuídos pela ideia de um

 

6. O que é o Cristo?

1. Cristo é o Filho de Deus tal qual Ele O criou. Ele é o Ser que compartilhamos, que nos une uns aos outros e também a Deus. Ele é o Pensamento que ainda mora no interior da Mente que é Sua Fonte. Ele não abandona Seu lar santo, nem perde a inocência na qual Ele foi criado. Ele habita na Mente de Deus.

2. Cristo é o elo que te mantém um com Deus e garante que a separação não é mais do que uma ilusão do desespero, pois a esperança habitará n'Ele para sempre. Tua mente é parte da d'Ele e a d'Ele é parte da tua. Ele é a parte aonde a Resposta de Deus está, aonde todas as decisões já foram tomadas e na qual os sonhos acabaram. Ele permanece intocado por qualquer coisa que os olhos do corpo percebem. Pois embora Seu Pai tenha depositado n'Ele o meio para tua salvação, ainda assim Ele continua sendo o Ser Que, tal qual Seu Pai, não conhece nenhum pecado.

3. Lar do Espírito Santo e à vontade em Deus apenas, Cristo, de fato, continua em paz no interior de tua mente santa. Na verdade, esta é a única parte de ti que é real. O resto são sonhos. Esses sonhos, porém, também serão entregues a Cristo, para se desvanecerem diante de Sua glória e te revelarem, por fim teu Ser santo, o Cristo.

4. O Espírito Santo, a partir do Cristo em ti, alcança todos os teus sonhos e lhes ordena que venham a Ele, para serem traduzidos em verdade. Ele os trocará pelo sonho final que Deus designou como o fim dos sonhos. Além do mais, quando o perdão descansar sobre o mundo e a paz chegar a todo Filho de Deus, o que poderia haver para manter as coisas separadas, pois o que resta ver exceto a face de Cristo?

5. E por quanto tempo essa face será vista, se ela é apenas o símbolo de que nesse momento acabou o tempo para o aprendizado de que alcançou-se, enfim, a meta da Expiação? Busquemos, por isto, então, achar a face de Cristo e não olhar para mais nada. Quando virmos Sua glória saberemos que não temos nenhuma necessidade de aprendizado ou de percepção ou de tempo, nem de nada a não ser do Ser santo, o Cristo a Quem Deus criou como Seu Filho.

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LIÇÃO 278

Se eu for limitado, meu Pai não é livre.

1. Se eu aceitar que sou prisioneiro em um corpo, em um mundo no qual todas as coisas que aparentam viver parecem morrer, então, meu Pai é prisioneiro comigo. E é nisto que acredito quando afirmo que tenho de obedecer às leis que o mundo obedece; que as fragilidades e os pecados que percebo são reais e não se pode fugir deles. Se eu for limitado de qualquer modo, não conheço meu Pai nem meu Ser. E estou perdido para toda realidade. Pois a verdade é livre, e aquilo que é limitado não é uma parte da verdade.

2. Pai, não peço nada senão a verdade. Tenho muitos pensamentos tolos acerca de mim mesmo e de minha criação, e trago um sonho de medo em minha mente. Hoje não quero sonhar. Escolho o caminho para Ti em lugar da loucura e em vez do medo. Pois a verdade é segura e só o amor é certo.


*

COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 278

Repito o comentário - inclusive o título dado à postagem nos últimos anos - que fiz em anos passados e que ainda é válido para nos aproximarmos da ideia para a práticas de hoje. Posso, e quero, pois, continuar a dizer que vários livros que li ultimamente ou mesmo alguns que leio no momento colocam enorme ênfase no fato de que os limites que pensamos existir em nossa vida sempre são apenas limites auto-impostos - quer dizer, aqueles que nós mesmos criamos por comodismo ou por outra razão qualquer -, ilusórios, uma vez que aquilo que somos em essência é sempre expressão da liberdade mais absoluta. Liberdade esta que não pode ser aprisionada em nenhum lugar, nem em tempo algum. Nem em um corpo, nem em bilhões deles. E que precisamos, por isso, olhar com grande reserva para tudo aquilo que, pensamos, aparentemente nos limita.

Um desses livros cita um poema de Rumi, que diz o seguinte:

Toda noite, Tu libertas nossos espíritos do corpo
E de seus ardis, fazendo-nos puros como tábulas rasas. 
Toda noite, espíritos são libertados dessa jaula,
E tornados livres, sem comandar nem ser comandados.
De noite, o prisioneiro não tem consciência de sua prisão.
De noite, o rei não tem consciência de sua majestade..
Aí, não se pensa em perdas ou ganhos,
Nem se dá atenção a isso ou àquilo.

Isto, é claro, está em perfeita sintonia com a ideia que o Curso oferece para as práticas de hoje. É a ideia que vem ensinar de que modo podemos entrar em contato com aquilo que somos em Deus. Algo que, à semelhança d'Ele, não tem nenhum limite, a não ser em nossa imaginação habitada pelos enganos em que quer nos manter presos o falso eu, conforme já disse antes.

Wayne Dyer nos alerta para o seguinte:

"... a partir do instante em que deixaste o ventre de tua mãe, ficaste sujeito ao condicionamento cultural planejado para te ajudar a te contentares com viver uma 'vida normal' no nível do estado comum de consciência, que geralmente significa aceitar o que quer que a vida te ofereça. De muitas maneiras, foste programado para acreditar que não possuis a sabedoria ou a capacidade para manifestar a realização de teus anseios e desejos."

Ora, isto não é verdade. Tu sempre podes escolher, aprender, crescer e mudar. É ainda Dyer que diz haver um nível de consciência no qual "podes optar por viver, um nível a partir do qual podes te descobrir realizando todo e qualquer desejo que tenhas, se estiveres disposto a mudar teu conceito de ti mesmo" de um ser limitado para um ser para o qual não há limites.

É neste nível de consciência que podemos ter certeza de que ainda somos como Deus nos criou, como ensina o Curso. Sempre fomos e seremos sempre, independentemente daquilo em que nos decidirmos a acreditar. 

Voltemos mais uma vez a atenção para a introdução do livro. Lá está o resumo de tudo o que buscamos aprender, quer pelo estudo do texto, quer pelas práticas das lições, quer pela leitura do manual dos professores, pelos esclarecimentos dos termos, quer pelos suplementos que o Curso recebeu logo após ser publicado.

E o que nos diz este resumo? Diz simplesmente que:

 
Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisto está a paz de Deus.

Isto é tudo o que precisamos aprender. Isto é tudo o que precisamos tornar parte de nosso repertório mais íntimo e profundo para servir de orientação e de estímulo sempre que nossas escolhas, conscientes ou inconscientes nos apresentarem qualquer situação ou experiência que nos afaste da alegria completa e perfeita; a condição natural do Filho de Deus, que somos todos nós na unidade.

Cientes de que apenas isso é a verdade que deve iluminar nossos caminhos, podemos deixar de dar ouvidos a quaisquer limites ou pensamentos de limites que nos queira sugerir o ego, o falso eu. Na verdade, lembrando aquilo de que já falei outras vezes, de acordo com o Curso, o ego não existe.

Lembram do que Wei Wu Wei, já citado antes, diz a respeito? 


Nós não possuímos um ego. Estamos 
possuídos pela ideia de um. 

Por isso, quando acreditamos que qualquer coisa fora de nós pode nos atingir, fazer sofrer, trazer dor ou alegria, o que acontece é que, naquele momento, não temos consciência das escolhas que fizemos. Ainda precisamos aprender a afinar o instrumento à espera da hora de dançar. Ainda estamos na travessia. E, com certeza, Deus está conosco.

Ou vocês acham que Ele poderia deixar de estar? Que, de alguma forma, somos capazes de limitá-Lo? 

Às práticas?

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Até quando vais tentar impor limites ao Ser em ti?

 

6. O que é o Cristo?

1. Cristo é o Filho de Deus tal qual Ele O criou. Ele é o Ser que compartilhamos, que nos une uns aos outros e também a Deus. Ele é o Pensamento que ainda mora no interior da Mente que é Sua Fonte. Ele não abandona Seu lar santo, nem perde a inocência na qual Ele foi criado. Ele habita na Mente de Deus.

2. Cristo é o elo que te mantém um com Deus e garante que a separação não é mais do que uma ilusão do desespero, pois a esperança habitará n'Ele para sempre. Tua mente é parte da d'Ele e a d'Ele é parte da tua. Ele é a parte aonde a Resposta de Deus está, aonde todas as decisões já foram tomadas e na qual os sonhos acabaram. Ele permanece intocado por qualquer coisa que os olhos do corpo percebem. Pois embora Seu Pai tenha depositado n'Ele o meio para tua salvação, ainda assim Ele continua sendo o Ser Que, tal qual Seu Pai, não conhece nenhum pecado.

3. Lar do Espírito Santo e à vontade em Deus apenas, Cristo, de fato, continua em paz no interior de tua mente santa. Na verdade, esta é a única parte de ti que é real. O resto são sonhos. Esses sonhos, porém, também serão entregues a Cristo, para se desvanecerem diante de Sua glória e te revelarem, por fim teu Ser santo, o Cristo.

4. O Espírito Santo, a partir do Cristo em ti, alcança todos os teus sonhos e lhes ordena que venham a Ele, para serem traduzidos em verdade. Ele os trocará pelo sonho final que Deus designou como o fim dos sonhos. Além do mais, quando o perdão descansar sobre o mundo e a paz chegar a todo Filho de Deus, o que poderia haver para manter as coisas separadas, pois o que resta ver exceto a face de Cristo?

5. E por quanto tempo essa face será vista, se ela é apenas o símbolo de que nesse momento acabou o tempo para o aprendizado de que alcançou-se, enfim, a meta da Expiação? Busquemos, por isto, então, achar a face de Cristo e não olhar para mais nada. Quando virmos Sua glória saberemos que não temos nenhuma necessidade de aprendizado ou de percepção ou de tempo, nem de nada a não ser do Ser santo, o Cristo a Quem Deus criou como Seu Filho.

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LIÇÃO 277

Que eu não limite Teu Filho a leis que inventei.

1. Teu Filho é livre, meu Pai. Que eu não imagine que o prendo às leis que invento para dominar o corpo. Ele não está sujeito a nenhuma das leis que inventei, pelas quais tento tornar o corpo mais seguro. Ele não muda a partir daquilo que é mutável. Ele não é escravo de nenhuma das leis do tempo. Ele é tal como Tu o criaste, porque não conhece nenhuma lei a não ser a do amor.

2. Não vamos adorar ídolos, nem acreditar em qualquer lei que a idolatria quer inventar para esconder a liberdade do Filho de Deus. Ele não está limitado senão por suas crenças. O que ele é, porém, está muito além de sua fé em escravidão ou liberdade. Ele é livre porque é Filho de seu Pai. E não pode ser limitado a menos que a verdade de Deus possa mentir e Deus possa querer enganar a Si Mesmo.



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COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 277

Comecemos, pois, mais uma vez, o comentário e a exploração da lição de hoje repetindo uma frase de Charlie Chaplin, que disse:


Estou sempre alegre. Essa é a maneira de resolver 
os problemas da vida. 

A melhor maneira, eu diria. A única talvez. Lembram do que o Dito ensinava a Miguilim? Acho que vale repetir, não?

"Miguilim, Miguilim, vou ensinar o que agorinha eu sei, demais: é que a gente pode ficar sempre alegre, alegre, mesmo com toda coisa ruim que acontece acontecendo. A gente deve de poder ficar então mais alegre, mais alegre, por dentro!..." 

E não é isso, a alegria completa e perfeita, que o Curso diz ser a Vontade de Deus para todos, todas, cada um e cada uma de nós? Não é essa, no fundo, bem no mais íntimo de nós mesmos/as, nossa própria vontade? Aquilo por que buscamos todos os dias? Viver de modo intenso a alegria, sempre e cada vez mais?

Mais. Voltando a um livro que li em 2011, encontro lá o seguinte: "... a falta de alegria é uma tortura diária, é um vazio que fica no coração, é um vazio que nada preenche porque é uma falta de si mesmo, é saudade dos sonhos que [se] tinha e [de] que se esqueceu, tendo[-se] esquecido também [de] como era sonhar".

"O mundo é sonho." E, em geral, é um sonho ruim, um verdadeiro pesadelo, para a grande maioria de nós, habitantes deste mundo de ilusões. E por quê? Porque esta grande maioria não percebe claramente sua capacidade, seu poder interior, de transformar o pesadelo em um "sonho feliz". Porque esta grande maioria acredita que há algo de real nas experiências que escolhe viver diariamente para perpetuar a ilusão. Porque esta grande maioria acredita que é preciso mudar alguma coisa no mundo, nos outros, em si mesma. Esquece-se de que viver em harmonia com o mundo - a única coisa que pode nos dar a autêntica alegria - significa tão somente deixar que o mundo seja exatamente como é. Abrir mão de toda e qualquer tentativa de controle.

É disto que o Curso quer nos libertar, com o ensinamento, com as práticas das lições, oferecendo-nos, mesmo neste mundo de aparências apenas, a possibilidade de contato com "o mundo real", para que sejamos capazes, de fato, de transformar o pesadelo de viver neste mundo em um "sonho feliz".

A tristeza, a dor, o sofrimento, a culpa, a morte e tudo mais que nos afasta da alegria, ao mesmo tempo em que fazem parte da experiência de viver, são também limites que nós mesmos/as nos impusemos, que continuamos inconscientemente, a mais das vezes, a impor a nós mesmos/as e a todos e todas, ou quase todos e todas, as pessoas que partilham conosco a experiência do mundo da forma. Viciados/as na "esperança" de um mundo melhor, de um futuro melhor, de podermos nos transformar em "um ser melhor", continuamos a trazer o "medo" à cena diária de nossas vidas. Sem perceber que "esperança" e "medo" são apenas dois lados da mesma moeda.

Nada disso se refere ao que somos na verdade. É por isso que as práticas de hoje, como todas aliás, têm de ser feitas com toda a atenção possível, para que nos libertemos de todos os limites que ainda tentamos impor ao Filho de Deus, ao Ser, em nós mesmos/as e nos outros, extensões de nós mesmos/as na unidade de que fazemos parte em Deus, com Ele. 

Uma lição anterior, logo depois da primeira revisão, a de número 76, já nos convidava a praticar de forma um pouco diferente a libertação do Filho de Deus, pedindo que reconhecêssemos que não estamos sujeitos/as a nenhuma lei a não ser a de Deus. 

Da mesma forma a lição de número 132, uma das minhas favoritas, nos pede para liberarmos o mundo de tudo o que pensamos que ele é. Isto é, na prática, parar de tentar impor limites ao Filho de Deus por meio de leis que só podem reger um mundo de sonhos. Um mundo que não tem nada que queiramos. Até quando vais tentar impor limites ao Ser em ti, calá-Lo, deixar de dar ouvidos a Ele? Até q
uando vamos continuar as tentativas de impor limites ao que somos, ao Ser em nós?

Às práticas?

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Um jeito para superar comentários ferinos e críticas

 

6. O que é o Cristo?

1. Cristo é o Filho de Deus tal qual Ele O criou. Ele é o Ser que compartilhamos, que nos une uns aos outros e também a Deus. Ele é o Pensamento que ainda mora no interior da Mente que é Sua Fonte. Ele não abandona Seu lar santo, nem perde a inocência na qual Ele foi criado. Ele habita na Mente de Deus.

2. Cristo é o elo que te mantém um com Deus e garante que a separação não é mais do que uma ilusão do desespero, pois a esperança habitará n'Ele para sempre. Tua mente é parte da d'Ele e a d'Ele é parte da tua. Ele é a parte aonde a Resposta de Deus está, aonde todas as decisões já foram tomadas e na qual os sonhos acabaram. Ele permanece intocado por qualquer coisa que os olhos do corpo percebem. Pois embora Seu Pai tenha depositado n'Ele o meio para tua salvação, ainda assim Ele continua sendo o Ser Que, tal qual Seu Pai, não conhece nenhum pecado.

3. Lar do Espírito Santo e à vontade em Deus apenas, Cristo, de fato, continua em paz no interior de tua mente santa. Na verdade, esta é a única parte de ti que é real. O resto são sonhos. Esses sonhos, porém, também serão entregues a Cristo, para se desvanecerem diante de Sua glória e te revelarem, por fim teu Ser santo, o Cristo.

4. O Espírito Santo, a partir do Cristo em ti, alcança todos os teus sonhos e lhes ordena que venham a Ele, para serem traduzidos em verdade. Ele os trocará pelo sonho final que Deus designou como o fim dos sonhos. Além do mais, quando o perdão descansar sobre o mundo e a paz chegar a todo Filho de Deus, o que poderia haver para manter as coisas separadas, pois o que resta ver exceto a face de Cristo?

5. E por quanto tempo essa face será vista, se ela é apenas o símbolo de que nesse momento acabou o tempo para o aprendizado de que alcançou-se, enfim, a meta da Expiação? Busquemos, por isto, então, achar a face de Cristo e não olhar para mais nada. Quando virmos Sua glória saberemos que não temos nenhuma necessidade de aprendizado ou de percepção ou de tempo, nem de nada a não ser do Ser santo, o Cristo a Quem Deus criou como Seu Filho.

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LIÇÃO 276

Cabe a mim manifestar a Palavra de Deus.

1. Qual é a Palavra de Deus? "Meu Filho é puro e santo como Eu Mesmo." E deste modo Deus se tornou, de fato, Pai do Filho que Ele ama, pois ele foi criado assim. Esta é a Palavra que Seu Filho não criou com Ele, porque Seu Filho nasceu nela. Vamos aceitar Sua Paternidade e tudo o que nos é dado. Neguemos que fomos criados em Seu Amor e negaremos nosso Ser, para ficarmos inseguros de Quem somos, de Quem é nosso Pai e com que propósito viemos. E, não obstante, precisamos apenas reconhecer Aquele Que nos deu Sua Palavra em nossa criação para nos lembrarmos d'Ele e, então, lembrar de nosso Ser.

2. Pai, Tua Palavra é minha. E é ela que quero manifestar a todos os meus irmãos, que me são dados para estimar como a mim mesmo, de mesmo modo com que sou amado e abençoado e salvo por Ti.


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COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 276

Repito, com algumas alterações desta vez, para as práticas da ideia de hoje, o comentário feito nos últimos anos para esta lição, como uma forma de tentar, mais uma vez, responder talvez a uma pergunta de uma colega - quando ainda participávamos de um grupo de estudos do Curso -, quanto ao "bullying". É claro que a resposta pode servir a outras(os) de nós que têm também o mesmo tipo de questão. E servir também, espero, para aprofundarmos a reflexão a respeito da ideia para as práticas de hoje. Vejamos, pois. 

Hoje, o Curso, mais uma vez, nos oferece para as práticas uma ideia que já praticamos de outra forma. Uma ideia que convida a assumirmos a responsabilidade pela salvação. A nossa própria salvação, a de cada um e de cada uma de nós mesmos/as, e a do mundo inteiro, conforme comentários outros que fiz no passado para esta mesma lição. 

Mas o que é a salvação? Lembram-se da segunda das instruções para as práticas das lições desta segunda parte do Livro de Exercícios? "A salvação é uma promessa, feita por Deus, de que encontrarias finalmente o teu caminho até Ele." Uma promessa que será certamente cumprida, quando aprendermos a viver em harmonia com o mundo que aparentemente nos cerca e com tudo o que há nele. Até porque teremos aprendido que o mundo só existe para nos mostrar aquilo que trazemos dentro de nós.  


E o que se pode entender por viver em harmonia com o mundo? Ora, aquilo que o Curso nos ensinou em lição recente, cuja ideia é: Que todas as coisas sejam exatamente como são. Aliás, essa lição poderia de forma perfeita ser traduzida também como: Deixa as coisas serem exatamente como são. Porque, de modo geral, muitos e muitas de nós achamos ser necessário reformar o  mundo, Isto é, deixá-lo - e as coisas nele - melhor. O que nós leva a pensar que somos capazes de melhorar o que está aí posto? Só a ideia de onipotência do ego, é claro. É só o ego em nós que não consegue viver em harmonia com o mundo, que dá a ele e as coisas nele, as qualidades e defeitos que só o próprio ego pode ter, uma vez que, como sabemos, o mundo, e tudo o que há nele,  é neutro.

Em geral, só não vivemos em harmonia com o mundo, com as coisas e pessoas nele, porque queremos que elas sejam diferentes do que são. Queremos modificá-las todas para que adequem a nosso modo de pensar e de viver. Quando constatamos que isso não é possível, projetamos sobre o mundo, na forma de julgamento todos os equívocos que trazemos interiormente. Nada mais lógico, assim, que o mundo corresponda para a maioria de nós à imagem perfeita do inferno e do caos.

Paramahansa Yogananda, no livro Onde Existe Luz, entre outras coisas, como já lhes disse anteriormente, fala a respeito das formas pelas quais é possível nos darmos bem - viver em harmonia - com as pessoas com quem convivemos, com as que encontramos ocasionalmente e com todos que nos chegam à consciência de algum modo, nalgum momento, quer presentes fisicamente, quer apenas passeando por nossos pensamentos. 

Um exemplo, para casos em que é necessário superar uma crítica, relevar um comentário ferino ou algo que alguém diz com intenção de nos ferir, e que serve como uma forma de aplicarmos na prática a ideia que o Curso nos oferece hoje, diz o seguinte:

"Quando um ente querido (...) testa nossa paciência além dos limites, devemos nos retirar para um lugar quieto, trancar a porta, praticar alguns exercícios físicos e relaxar da seguinte maneira: sente-se numa cadeira firme, com a coluna vertebral ereta. Lentamente inspire e expire doze vezes. Então afirme, profunda e mentalmente, dez vezes ou mais: 'Pai, Tu és harmonia. Possa eu refletir Tua harmonia. Harmoniza esse meu ente querido atacado pelo erro'." 


Um outro mestre que li em algum lugar aconselha a dormir.

Não lhes parece isso uma forma de nos tornar capazes de "manifestar a Palavra de Deus"?

Às práticas, pois!

domingo, 2 de outubro de 2022

Curar nossa própria percepção cura o mundo todo

 

6. O que é o Cristo?

1. Cristo é o Filho de Deus tal qual Ele O criou. Ele é o Ser que compartilhamos, que nos une uns aos outros e também a Deus. Ele é o Pensamento que ainda mora no interior da Mente que é Sua Fonte. Ele não abandona Seu lar santo, nem perde a inocência na qual Ele foi criado. Ele habita na Mente de Deus.

2. Cristo é o elo que te mantém um com Deus e garante que a separação não é mais do que uma ilusão do desespero, pois a esperança habitará n'Ele para sempre. Tua mente é parte da d'Ele e a d'Ele é parte da tua. Ele é a parte aonde a Resposta de Deus está, aonde todas as decisões já foram tomadas e na qual os sonhos acabaram. Ele permanece intocado por qualquer coisa que os olhos do corpo percebem. Pois embora Seu Pai tenha depositado n'Ele o meio para tua salvação, ainda assim Ele continua sendo o Ser Que, tal qual Seu Pai, não conhece nenhum pecado.

3. Lar do Espírito Santo e à vontade em Deus apenas, Cristo, de fato, continua em paz no interior de tua mente santa. Na verdade, esta é a única parte de ti que é real. O resto são sonhos. Esses sonhos, porém, também serão entregues a Cristo, para se desvanecerem diante de Sua glória e te revelarem, por fim teu Ser santo, o Cristo.

4. O Espírito Santo, a partir do Cristo em ti, alcança todos os teus sonhos e lhes ordena que venham a Ele, para serem traduzidos em verdade. Ele os trocará pelo sonho final que Deus designou como o fim dos sonhos. Além do mais, quando o perdão descansar sobre o mundo e a paz chegar a todo Filho de Deus, o que poderia haver para manter as coisas separadas, pois o que resta ver exceto a face de Cristo?

5. E por quanto tempo essa face será vista, se ela é apenas o símbolo de que nesse momento acabou o tempo para o aprendizado de que alcançou-se, enfim, a meta da Expiação? Busquemos, por isto, então, achar a face de Cristo e não olhar para mais nada. Quando virmos Sua glória saberemos que não temos nenhuma necessidade de aprendizado ou de percepção ou de tempo, nem de nada a não ser do Ser santo, o Cristo a Quem Deus criou como Seu Filho.
 
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LIÇÃO 275

A Voz reparadora de Deus protege todas as coisas hoje.

1. Vamos prestar atenção hoje à Voz por Deus, que traz uma lição antiga, não mais verdadeira hoje do que em outro dia qualquer. Porém, este dia foi escolhido para ser o momento em que buscaremos e ouviremos e aprenderemos e entenderemos. Une-te a mim para ouvir. Pois a Voz por Deus nos fala de coisas que não podemos entender sozinhos, nem aprender separados. É nisto que todas as coisas ficam protegidas. E é nisto que se encontra a cura da Voz por Deus.

2. Tua Voz reparadora protege todas as coisas hoje e, por isto, deixo todas as coisas para Ti. Não preciso ficar ansioso com nada. Pois Tua Voz me dirá o que fazer e onde ir; a quem falar e o que lhe dizer, que pensamentos ter, que palavras oferecer ao mundo. A segurança que trago me é dada. Pai, Tua Voz protege todas as coisas por meu intermédio.


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COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 275

Para aproveitar ao máximo aquilo que o Curso busca ensinar, podemos, de vez em quando, associar nossas práticas ao que lemos lá no livro-texto, conforme já lhes disse em comentários anteriores. É por isso que gostaria de lembrá-los de que a ideia que praticamos hoje está estreitamente ligada ao que ele nos diz logo em seu início, conforme destaco abaixo: 

"Tu podes fazer muito em benefício de tua própria cura e em favor da cura de outros se, em uma situação na qual a ajuda se fizer necessária, pensares nela deste modo:

Eu estou aqui apenas para ser verdadeiramente útil.                            
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho de me preocupar com o que dizer ou o que fazer, 
porque Aquele Que me enviou me orientará.
Eu estou contente de estar em qualquer lugar que Ele deseje, 
sabendo que Ele está aí comigo.
Eu serei curado na medida em que permitir que Ele me ensine a curar."


É isto que podemos aprender com as práticas da ideia de hoje. É ela, a ideia, e as práticas que vão nos permitir limpar e curar a percepção. Nossa própria percepção de nós mesmos/as, que é a única coisa que precisa ser curada. E, claro, a percepção que temos dos/das outros/as, que são apenas extensões/projeções de nós mesmos/as. É por isso, pois, como já vimos muitas vezes antes, que o Curso ensina que tudo está certo exatamente da forma como está, por mais que o ego nos diga que há algo de errado no mundo, com as pessoas e coisas do mundo. Se não vemos assim, isto é, que tudo está absolutamente certo da forma que está, é porque estamos julgando. Como se pudéssemos saber, em qualquer dado momento, o que pode ser melhor nesta ou naquela situação, seja ela qual for.

À medida que trabalharmos em nós mesmos/as, comprometendo-nos a mudar a percepção, para olhar para tudo e para todos de modo diferente, vamos aprender que, uma vez curada nossa percepção, a cura se dá para todos os que aparentemente habitam este mundo conosco. Automaticamente.

Isto também é aprender a salvação.

Às práticas?

sábado, 1 de outubro de 2022

As raízes de nosso sofrimento são esperança e medo

 

6. O que é o Cristo?

1. Cristo é o Filho de Deus tal qual Ele O criou. Ele é o Ser que compartilhamos, que nos une uns aos outros e também a Deus. Ele é o Pensamento que ainda mora no interior da Mente que é Sua Fonte. Ele não abandona Seu lar santo, nem perde a inocência na qual Ele foi criado. Ele habita na Mente de Deus.

2. Cristo é o elo que te mantém um com Deus e garante que a separação não é mais do que uma ilusão do desespero, pois a esperança habitará n'Ele para sempre. Tua mente é parte da d'Ele e a d'Ele é parte da tua. Ele é a parte aonde a Resposta de Deus está, aonde todas as decisões já foram tomadas e na qual os sonhos acabaram. Ele permanece intocado por qualquer coisa que os olhos do corpo percebem. Pois embora Seu Pai tenha depositado n'Ele o meio para tua salvação, ainda assim Ele continua sendo o Ser Que, tal qual Seu Pai, não conhece nenhum pecado.

3. Lar do Espírito Santo e à vontade em Deus apenas, Cristo, de fato, continua em paz no interior de tua mente santa. Na verdade, esta é a única parte de ti que é real. O resto são sonhos. Esses sonhos, porém, também serão entregues a Cristo, para se desvanecerem diante de Sua glória e te revelarem, por fim teu Ser santo, o Cristo.

4. O Espírito Santo, a partir do Cristo em ti, alcança todos os teus sonhos e lhes ordena que venham a Ele, para serem traduzidos em verdade. Ele os trocará pelo sonho final que Deus designou como o fim dos sonhos. Além do mais, quando o perdão descansar sobre o mundo e a paz chegar a todo Filho de Deus, o que poderia haver para manter as coisas separadas, pois o que resta ver exceto a face de Cristo?

5. E por quanto tempo essa face será vista, se ela é apenas o símbolo de que nesse momento acabou o tempo para o aprendizado de que alcançou-se, enfim, a meta da Expiação? Busquemos, por isto, então, achar a face de Cristo e não olhar para mais nada. Quando virmos Sua glória saberemos que não temos nenhuma necessidade de aprendizado ou de percepção ou de tempo, nem de nada a não ser do Ser santo, o Cristo a Quem Deus criou como Seu Filho.

*

LIÇÃO 274

Este dia pertence ao amor. Que eu não tenha medo.

1. Pai, hoje quero deixar que todas as coisas sejam tais como Tu as criaste e oferecer a Teu Filho o respeito devido a sua inocência; o amor do irmão a seu irmão e Amigo. Por meio disso sou redimido. Também por meio disso a verdade penetrará no lugar aonde as ilusões estavam, a luz substituirá toda a escuridão e Teu Filho saberá que é como Tu o criaste.

2. Hoje chega a nós uma bênção especial d'Aquele Que é nosso Pai. Dá este dia a Ele e não haverá nenhum medo hoje, porque o dia é dado ao amor.


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COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 274

A ideia que o Curso oferece para as práticas de hoje nos convida a dedicarmos, mais uma vez, um dia inteiro ao amor. Pois é só o amor que pode - e vai - nos fazer abandonar e esquecer por completo quaisquer medos. É possível existir coisa melhor a se fazer? Mas, pergunto-lhes mais uma vez, será que somos capazes de dedicar um só dia dos nossos que seja inteiramente ao amor? Quem sabe? Como eu disse antes, se nos decidirmos a ficar atentos, é possível. Se nos decidirmos a estar presentes a tudo o que nos acontecer neste dia, é possível.

Quem sabe será possível? Se dedicarmos, de fato, o dia todo ao silêncio, que é a única forma de direcionar nossas vidas para melhorar as possibilidades de chegarmos perto do autoconhecimento, que é algo que se vai construindo à medida que vamos passando pelas experiências que escolhemos e que se nos apresentam. Deixando de lado tudo o que nos oferece o mundo das ilusões, a partir de nossa sintonia com o sistema de pensamento do falso eu, talvez seja possível, sim, dedicarmos um dia todo ao silêncio. 

Repetindo pela enésima vez o que diz Krishnamurti a respeito do autoconhecimento: "autoconhecimento não significa acumular conhecimentos sobre si próprio; significa observar a si próprio. Se aprendo acumulando conhecimentos, nada aprendo a respeito de mim mesmo". Aprendendo apenas a respeito do conhecimento do mundo que vejo, continuo a encher minhas reservas de informações velhas em lugar de esvaziar a mente para que o novo possa entrar. Lembremo-nos da necessidade de esvaziar a xícara antes de servir um chá novo.

Ele diz ainda que devemos "recusar, não apenas verbal, intelectual ou teoricamente, mas negar realmente tudo o que o homem" diz e precisamos incluir aí tudo o que cada um e cada uma de nós diz a si mesmo/a - e aos outros - a partir do que a percepção nos leva a pensar. Cabe a cada um e a cada uma de nós descobrir, por si próprio/a, o que é a Verdade. Porque não é possível obtermos a Verdade de outrem. E a Verdade também não está fixada em um ponto particular.

Lembremo-nos novamente do comentário anterior a esta lição. Krishnamurti vai ainda além, dizendo que nos cumpre ser sérios/as para rejeitar toda espécie de propaganda - e toda religião institucionalizada é uma contínua propaganda -, a fim de que possamos descobrir por nós mesmos/as "o que é a Verdade, se tal coisa existe". 

O que importa, ele diz ainda, é que compreendamos por nós mesmos/as e não pelo que dizem a nosso respeito psicólogos, filósofos, analistas, intelectuais, velhos mestres, mesmo os mais antigos e venerados, pois, fazendo isto, estaríamos apenas seguindo o que eles dizem a respeito de nós. 

O próprio Buda, de acordo com livro que li há algum tempo, e conforme já lhes disse aqui há dois ou três anos, ou mais, se recusava, por inútil, repetidamente a discutir a respeito de 14 temas, todos eles buscando uma certeza absoluta, que ninguém pode encontrar no mundo. Vejam aí, por favor, quais são eles e vamos refletir, para mudar, caso algum destes temas seja parte de nossas próprias discussões: 

1) Se o mundo é eterno, ou não, ou ambos, ou nenhuma das duas coisas.
2) Se o mundo é finito (no espaço), ou infinito, ou ambos, ou nenhuma das duas coisas.
3) Se um ser iluminado existe depois da morte, ou não, ou ambos, ou nenhuma das coisas.
4) Se a alma é idêntica ao corpo ou diferente dele. 

Vejam bem, o próprio Buda diz que é inútil se discutir acerca destes temas. Não há reposta possível a nenhuma destas questões. Não é possível haver certeza absoluta nenhuma nunca acerca de nada. Abandonemos, pois, a busca por certezas e busquemos nos contentar com "a sabedoria da insegurança", ou da incerteza, como também nos ensina o Curso.

Daí, pois, ser interessante notar também, como já ressaltei outras vezes antes, que o próprio Curso, em uma de suas lições iniciais, nos convida a abandonarmos tudo, inclusive o próprio Curso, e a irmos, de coração e mente abertos, na direção do mais profundo de nós mesmos/as. Pois é só lá, diz ele, que vamos poder, de fato, encontrar o que buscamos. E que é, na verdade, o que já somos.

Ampliando um pouquinho este comentário antes de finalizá-lo, em função de um livro que lia no momento em que ele foi reescrito, e que também tem a ver com a ideia que praticamos hoje, preciso lhes dizer que, além do medo, no abandonar tudo a que nos orienta o Curso, há que se incluir igualmente o abandono de toda esperança.


Por quê?

Porque esperança e medo são duas faces da mesma moeda. Enquanto mantivermos uma, a outra vai se apresentar, necessariamente. E o que significa abandonar a esperança? Significa aceitarmos que não há base alguma no mundo para qualquer tipo de segurança. Tudo é impermanência e mudança. 

Pema Chödrön, a autora do livro, afirma, por exemplo, que: 

"Sem desistir da esperança - de que há um lugar melhor para [se] estar, de que há alguém melhor para ser - nunca relaxaremos onde estamos ou naquilo que somos". 

Diz ela ainda: 

"A primeira nobre verdade que Buda ensinou diz que, quando sofremos, isso não significa que algo está errado. Que alívio! Finalmente alguém falou a verdade. O sofrimento faz parte da vida e não devemos achar que o estamos sentindo por termos feito, pessoalmente, algo errado. Entretanto, o fato é que, quando sofremos, achamos que algo está errado. Enquanto estivermos viciados em esperança, pensaremos que podemos abrandar nossa experiência, torná-la mais intensa ou, de algum modo, modificá-la - e continuaremos a sofrer muito."

Ambos, esperança e medo, "são a raiz de nosso sofrimento. No mundo da esperança e do medo, sempre teremos que mudar de canal, ajustar a temperatura ou procurar outra música, porque algo está se tornando desconfortável, algo está se tornando inquieto, algo está começando a doer, e nós continuamos a procurar alternativas".

Não é assim que lhes parece? Ora, o Curso ensina que é possível viver sem medo, o que significa certamente que também é bem possível viver sem esperança. Sem expectativas. Deixando que o mundo seja exatamente como é no momento que se apresenta. Ele e todas as coisas nele.

Convido-as(os), então mais uma vez, a se entregarem às práticas, deixando este dia aos cuidados do amor, que é o que somos para descobrir que "não há nada a temer", como nos ensina uma das lições da primeira parte do livro de exercícios. 

Às práticas?