sábado, 19 de dezembro de 2020

O estado natural de todo Filho de Deus é a graça

 

14. O que sou?

1. Eu sou o Filho de Deus, perfeito e curado e inteiro, que brilha no reflexo de Seu Amor. Em mim, a criação d'Ele é santificada e tem a vida eterna assegurada. Em mim, o amor se completa, o medo é impossível e a alegria se estabelece sem oposição. Eu sou o lar sagrado do Próprio Deus. Eu sou o Céu onde o Amor d'Ele habita. Eu sou Sua Própria Inocência sagrada, pois em minha pureza habita a Própria Pureza de Deus.

2. Agora nossa necessidade de palavras está quase no fim. Porém, nos últimos dias deste ano, que oferecemos a Deus juntos, tu e eu, encontramos um propósito singular que compartilhamos. E, assim, tu te uniste a mim de modo que o que sou tu também és. As palavras não podem descrever a verdade do que somos. No entanto, podemos perceber claramente nossa função aqui e as palavras podem falar dela e, também, ensiná-la, se exemplificarmos as palavras em nós.

3. Nós somos os portadores da salvação. Aceitamos nosso papel de salvadores do mundo, que é redimido pelo nosso perdão conjunto. E, por isso, este perdão, nossa dádiva, nós é dado. Olhamos para todos como irmãos e percebemos todas as coisas como benignas e boas. Não buscamos uma função que esteja além do portão do Céu. O conhecimento voltará quando tivermos cumprido nosso papel. Nosso único interesse é dar boas vindas à verdade.

4. São nossos os olhos pelos quais a visão de Cristo vê um mundo redimido de todo pensamento de pecado. São nossos os ouvidos que ouvem a Voz por Deus declarar a inocência do mundo. São nossas as mentes que se unem quando abençoamos o mundo. E, da unidade que alcançamos, chamamos todos os nossos irmãos, pedindo-lhes que compartilhem nossa paz e tornem nossa alegria perfeita.

5. Nós somos os mensageiros santos de Deus que falam por Ele e que, ao levar Sua Palavra a todos aqueles que Ele nos envia, aprendem que ela está inscrita em nossos corações. E, deste modo, mudamos nossa forma de pensar a respeito do objetivo para o qual viemos e ao qual buscamos atender. Trazemos boas novas ao Filho de Deus, que pensava sofrer. Agora ele está livre. E, quando vir o portão do Céu aberto diante de si, ele entrará e desaparecerá no Coração de Deus.

*

LIÇÃO 354

Cristo e eu estamos juntos na paz
E na clareza de objetivo. E n'Ele
Está Seu Criador, assim como Ele está em mim.

1. Minha unidade com o Cristo me estabelece como Teu Filho, além do alcance do tempo e inteiramente livre de qualquer lei que não a Tua. Não tenho nenhuma identidade a não ser Cristo em mim. Não tenho nenhum objetivo a não ser o d'Ele Mesmo. E Ele é igual a Seu Pai. Deste modo eu também tenho de ser um Contigo assim como Ele. Pois quem é Cristo senão Teu Filho tal qual Tu O criaste? E o que sou a não ser o Cristo em mim?

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 354

Estar em Cristo, com Cristo, é experimentar a graça. Ou como diz o Curso, no sétimo capítulo, a respeito do estado de graça: "A graça é o estado natural de todo Filho de Deus. Quando ele não está em estado de graça, está fora de seu ambiente natural e não funciona bem. (...) Um Filho de Deus só é feliz quando sabe que está com Deus".

É isso que vamos buscar aprender a vivenciar mais uma vez com a ideia para as práticas de hoje, em que dizemos, para começar:

Cristo e eu estamos juntos na paz
E na clareza de objetivo. E n'Ele
Está Seu Criador, assim como Ele está em mim.

Ou não podemos nos considerar seres da graça, que vivem pela e para a graça, a partir da consciência de que somos todos um e mesmo Filho, na Unidade com a Essência do Amor, que é o que somos?

Só a partir dessa consciência, ou da certeza de que podemos encontrá-la em nós mesmos, é que podemos dizer, como pede que digamos a lição:

Minha unidade com o Cristo me estabelece como Teu Filho, além do alcance do tempo e inteiramente livre de qualquer lei que não a Tua. Não tenho nenhuma identidade a não ser Cristo em mim. Não tenho nenhum objetivo a não ser o d'Ele Mesmo. E Ele é igual a Seu Pai. Deste modo eu também tenho de ser um Contigo assim como Ele. Pois quem é Cristo senão Teu Filho tal qual Tu O criaste? E o que sou a não ser o Cristo em mim?

Sempre que fazemos calar o ego e nos deixamos envolver pelo silêncio, permitindo que a mente se esvazie de pensamentos de separação, vivemos a experiência da unidade. E podemos ter a experiência do Eu Sou, que é o que somos em Deus, na experiência da consciência do Cristo.

É a consciência desta unidade que vai permitir que vivamos o Eu Sou e que vai nos deixar dizer, como o evangelista: "já não sou eu quem vive, mas o Cristo que vive em mim". Ou que vai nos levar ao estado em que vamos ser capazes de, como aconselha, Joel Goldsmith em seus livros, deixar que Deus viva a nossa vida por nós. 

Por e para isso praticamos. 

Às práticas?

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Não somos separados uns dos outros, nem de Deus

 

14. O que sou?

1. Eu sou o Filho de Deus, perfeito e curado e inteiro, que brilha no reflexo de Seu Amor. Em mim, a criação d'Ele é santificada e tem a vida eterna assegurada. Em mim, o amor se completa, o medo é impossível e a alegria se estabelece sem oposição. Eu sou o lar sagrado do Próprio Deus. Eu sou o Céu onde o Amor d'Ele habita. Eu sou Sua Própria Inocência sagrada, pois em minha pureza habita a Própria Pureza de Deus.

2. Agora nossa necessidade de palavras está quase no fim. Porém, nos últimos dias deste ano, que oferecemos a Deus juntos, tu e eu, encontramos um propósito singular que compartilhamos. E, assim, tu te uniste a mim de modo que o que sou tu também és. As palavras não podem descrever a verdade do que somos. No entanto, podemos perceber claramente nossa função aqui e as palavras podem falar dela e, também, ensiná-la, se exemplificarmos as palavras em nós.

3. Nós somos os portadores da salvação. Aceitamos nosso papel de salvadores do mundo, que é redimido pelo nosso perdão conjunto. E, por isso, este perdão, nossa dádiva, nós é dado. Olhamos para todos como irmãos e percebemos todas as coisas como benignas e boas. Não buscamos uma função que esteja além do portão do Céu. O conhecimento voltará quando tivermos cumprido nosso papel. Nosso único interesse é dar boas vindas à verdade.

4. São nossos os olhos pelos quais a visão de Cristo vê um mundo redimido de todo pensamento de pecado. São nossos os ouvidos que ouvem a Voz por Deus declarar a inocência do mundo. São nossas as mentes que se unem quando abençoamos o mundo. E, da unidade que alcançamos, chamamos todos os nossos irmãos, pedindo-lhes que compartilhem nossa paz e tornem nossa alegria perfeita.

5. Nós somos os mensageiros santos de Deus que falam por Ele e que, ao levar Sua Palavra a todos aqueles que Ele nos envia, aprendem que ela está inscrita em nossos corações. E, deste modo, mudamos nossa forma de pensar a respeito do objetivo para o qual viemos e ao qual buscamos atender. Trazemos boas novas ao Filho de Deus, que pensava sofrer. Agora ele está livre. E, quando vir o portão do Céu aberto diante de si, ele entrará e desaparecerá no Coração de Deus.

*

LIÇÃO 353

Meus olhos, minha língua, minhas mãos, meus pés têm
Uma única finalidade hoje: serem oferecidos a Cristo
Para serem usados para abençoar o mundo com milagres.

1. Pai, hoje dou tudo o que é meu a Cristo, para ser usado de qualquer maneira que sirva melhor ao objetivo que compartilho com Ele. Nada é só meu, pois Ele e eu temos um objetivo comum. Assim, o aprendizado quase chega ao fim estabelecido para ele. Trabalho com Ele mais um instante para atender a Seu objetivo. Em seguida me abandono em minha Identidade e reconheço que Cristo não é senão o meu Ser.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 353

A ideia para as práticas de hoje está relacionada àquilo a que chamamos de amor, sem nem ao menos saber bem do que falamos, quando pensamos nisso. E também está relacionada àquilo a que o ensinamento chama de entrega, que é o que se pode considerar a única forma verdadeira de amor. Isto é, o entregar-se à vida, ao si-mesmo, ao outro, que é extensão e complemento do si-mesmo, ao Ser, ao Espírito Santo, a Deus, é que é viver, de fato, na prática, o que sabemos e falamos do amor na teoria. É só a partir dessa consciência que podemos dizer, entregando-nos por inteiro:

Meu olhos, minha língua, minhas mãos, meus pés têm
Uma única finalidade hoje: serem oferecidos a Cristo
Para serem usados para abençoar o mundo com milagres.

Já pensaram quão diferente seria nossa vida se todos os dias, ao acordar para as práticas, pudéssemos dizer com todas as letras e realizar de todo o coração o propósito a que a ideia de hoje nos convida? 

Na verdade, como só nos movemos em Deus, mesmo não tendo consciência disso, nós nos movemos o tempo inteiro no amor, que é também o que somos em Deus, com Ele. Por isso é que tudo o que fazemos, e que fazemos a partir da sintonia com o Ser em nós, mesmo que não estejamos consciente de que o fazemos com o Ser, é no amor que fazemos. E precisamos ser gratos por isso o tempo inteiro. 

Neste tempo de celebração de que nos aproximamos, e que nos prepara para o renascer do Cristo em nós, no Natal simbólico da criança divina, nada melhor do que nos prepararmos, cheios da mais pura gratidão de que somos capazes, para dar tudo o que temos a Cristo, dizendo com a lição:

Pai, hoje dou tudo o que é meu a Cristo, para ser usado de qualquer maneira que sirva melhor ao objetivo que compartilho com Ele. Nada é só meu, pois Ele e eu temos um objetivo comum. Assim, o aprendizado quase chega ao fim estabelecido para ele. Trabalho com Ele mais um instante para atender a Seu objetivo. Em seguida me abandono em minha Identidade e reconheço que Cristo não é senão o meu Ser.

Muitas vezes não sabemos manifestar nossa gratidão. Achamos que um muito obrigado é pouco e, na falta de palavras melhores, mais grandiosas e eloquentes, acabamos por não dizer nada. Porém, quando agradecemos estamos emprestando nossa bênção ao mundo, à pessoa ou pessoas a quem agradecemos. Estamos, ao mesmo tempo, reconhecendo nossa ligação com o divino, aceitando esta ligação e contribuindo para que o mundo todo apague a crença na separação. 

E, quando pensamos em agradecer de forma sincera, reconhecendo que o outro apenas nos faz ver aspectos de nós mesmos que não conhecíamos antes, ou de que não tínhamos ciência, isto já é agradecimento. O gesto, quando feito de coração, é importante, mas não menos importante do que a intenção do gesto, pois, se, por alguma razão, qualquer que seja ela, o gesto não se concretiza, o universo registra a intenção e o que recebemos vem como resultado daquilo que demos, pois dar e receber são a mesma coisa, conforme já aprendemos. 

Na verdade, não estamos, não somos separados. Nunca estivemos nem fomos, nem nunca estaremos ou ficaremos. Nem uns dos outros e nem de Deus. As distâncias que "aparentemente" nos separam devem-se apenas a escolhas que fizemos - ou fazemos - e que são só ilusórias, uma vez que, como o Curso ensina, a comunicação se dá sempre entre as mentes, e não entre corpos. 

Às práticas? 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

É só dentro de nós que toda "cura" tem de acontecer

 

14. O que sou?

1. Eu sou o Filho de Deus, perfeito e curado e inteiro, que brilha no reflexo de Seu Amor. Em mim, a criação d'Ele é santificada e tem a vida eterna assegurada. Em mim, o amor se completa, o medo é impossível e a alegria se estabelece sem oposição. Eu sou o lar sagrado do Próprio Deus. Eu sou o Céu onde o Amor d'Ele habita. Eu sou Sua Própria Inocência sagrada, pois em minha pureza habita a Própria Pureza de Deus.

2. Agora nossa necessidade de palavras está quase no fim. Porém, nos últimos dias deste ano, que oferecemos a Deus juntos, tu e eu, encontramos um propósito singular que compartilhamos. E, assim, tu te uniste a mim de modo que o que sou tu também és. As palavras não podem descrever a verdade do que somos. No entanto, podemos perceber claramente nossa função aqui e as palavras podem falar dela e, também, ensiná-la, se exemplificarmos as palavras em nós.

3. Nós somos os portadores da salvação. Aceitamos nosso papel de salvadores do mundo, que é redimido pelo nosso perdão conjunto. E, por isso, este perdão, nossa dádiva, nós é dado. Olhamos para todos como irmãos e percebemos todas as coisas como benignas e boas. Não buscamos uma função que esteja além do portão do Céu. O conhecimento voltará quando tivermos cumprido nosso papel. Nosso único interesse é dar boas vindas à verdade.

4. São nossos os olhos pelos quais a visão de Cristo vê um mundo redimido de todo pensamento de pecado. São nossos os ouvidos que ouvem a Voz por Deus declarar a inocência do mundo. São nossas as mentes que se unem quando abençoamos o mundo. E, da unidade que alcançamos, chamamos todos os nossos irmãos, pedindo-lhes que compartilhem nossa paz e tornem nossa alegria perfeita.

5. Nós somos os mensageiros santos de Deus que falam por Ele e que, ao levar Sua Palavra a todos aqueles que Ele nos envia, aprendem que ela está inscrita em nossos corações. E, deste modo, mudamos nossa forma de pensar a respeito do objetivo para o qual viemos e ao qual buscamos atender. Trazemos boas novas ao Filho de Deus, que pensava sofrer. Agora ele está livre. E, quando vir o portão do Céu aberto diante de si, ele entrará e desaparecerá no Coração de Deus.

*

LIÇÃO 352

Julgamento e amor são opostos. Todas
As tristezas do mundo vêm de um deles. Do outro,
Porém, vem a paz do Próprio Deus.

1. O perdão olha apenas para a inocência e não julga. Eu venho a Ti a partir disso. O julgamento vai colar meus olhos e me deixar cego. Mas o amor, refletido aqui no perdão, me lembrará que Tu me deste um caminho para encontrar Tua paz mais uma vez. Quando sigo por esse caminho, sou livre. Tu não me deixas sem consolo. Tenho em mim tanto a lembrança de Ti, quanto Aquele Que me leva a ela. Pai, hoje quero ouvir Tua Voz e achar Tua paz. Pois quero amar minha própria Identidade e achá-La na lembrança de Ti.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 352

Hoje, a ideia que vamos praticar mais uma vez mostra claramente a diferença que há em se olhar para uma pessoa, para uma situação, para uma experiência, com o olhar amoroso do Espírito Santo e se olhar para tudo isto - ou mesmo para o mundo inteiro, ou ainda para qualquer aspecto dele, grande ou pequeno - com os olhos julgadores do falso eu - o ego. Um destes olhares nos leva à alegria e à paz. O outro nos afasta delas. E da felicidade. 

Por quê?

Porque, como diz a lição:

Julgamento e amor são opostos. Todas
As tristezas do mundo vêm de um deles. Do outro,
Porém, vem a paz do Próprio Deus. 

Repetindo, então, a pergunta que abriu os comentários a esta lição em anos anteriores: 

"Se a felicidade é uma escolha, então, por que alguém escolheria outra coisa que não a felicidade?" (Jill Bolte Taylor, no livro A Cientista que Curou seu Próprio Cérebro).

A resposta a esta pergunta [voltem também, por favor, à lição 339 a este respeito] nos dá a dimensão do quanto estamos alienados de nós mesmos nas situações comuns, em nossas experiência diárias, nos encontros com os outros ao longo de nossas vidas. Pois são raros aqueles de nós que acreditam de fato que a felicidade é uma escolha. A grande maioria de nós ainda acha que existe algo, alguém ou alguma coisa no mundo que pode nos dar a felicidade, ou que existe algo ou alguém fora, ou diferente de nós mesmos, que, às vezes - na maioria delas - escolhe por nós. 

Estou enganado? 

E, quando vivemos experiências que deixam qualquer sombra de alegria e de felicidade para trás, nós julgamos, a nós mesmos, a tudo e a todos e o julgamento cola nossos olhos e nos deixa cegos. 

Por isso precisamos praticar como nos orienta a lição:

O perdão olha apenas para a inocência e não julga. Eu venho a Ti a partir disso. O julgamento vai colar meus olhos e me deixar cego. Mas o amor, refletido aqui no perdão, me lembrará que Tu me deste um caminho para encontrar Tua paz mais uma vez. Quando sigo por esse caminho, sou livre. Tu não me deixas sem consolo. Tenho em mim tanto a lembrança de Ti, quanto Aquele Que me leva a ela. Pai, hoje quero ouvir Tua Voz e achar Tua paz. Pois quero amar minha própria Identidade e achá-La na lembrança de Ti.

Se vocês estiverem bem lembrados - os que acompanham estas postagens há já algum tempo, compartilhei aqui, em anos anteriores, a resposta que dei a uma moça, cuja mensagem me perguntava que diferença o Curso havia feito em minha vida, de que forma ele tinha me encaminhado na direção da alegria ou da felicidade e da paz.

E vocês hão de lembrar, também, é claro, que o que eu disse a ela foi que, na verdade, o Curso veio apenas confirmar aquilo que eu sempre soube "dentro de mim". Isto é, o Curso veio confirmar a informação intuída de dentro de que não há nada fora de mim que possa me fazer nem mais, nem menos, feliz ou infeliz.

Tudo é escolha! E é sempre um "eu" quem escolhe. Agora, precisamos estar atentos para reconhecer a quem se alinha o "eu" que escolhe por nós, em nós, conosco. Se ele se alinha ao "Eu Sou", que é o que verdadeiramente somos, está alinhado à Fonte da alegria e pode ter a alegria como ponto de partida para toda e qualquer experiência que vai se apresentar a ele neste mundo.

Por outro lado se o "eu" que escolhe por nós, em nós, conosco, está alinhado ao "ego" - o falso eu, a imagem de nós mesmos que construímos a partir da crença em uma separação de Deus que não existe -, as escolhas vão nos levar sempre na direção de mais ilusão, do reforço da crença na separação.

As práticas são instrumentos que servem para nos ajudar a identificar quem escolhe conosco, ou com quem escolhemos, quer dizer, quem nos auxilia em nossas escolhas. Se nosso ponto de partida for a alegria, então, podemos ter certeza de que escolhemos nos afastar do julgamento e, como a lição ensina, reconhecemos que o julgamento é que é o responsável por todas as tristezas do mundo. E precisamos aprender a evitá-lo de todas as maneiras possíveis. 

E, pensando em uma amiga muito querida, que, na ilusão da separação, parece ter escolhido viver durante algum tempo uma experiência de dor, de medo e de conflito, posso dizer que ainda é o falso eu que nos convida a acreditar que alguma coisa ruim, algum "encosto", alguma energia maléfica pode vir de algum lugar fora de nós mesmos para nos atormentar.

Esta possibilidade não existe, a não ser no auto-engano a que quer nos levar o ego - o falso eu, a falsa identidade que escolhemos para viver as experiências neste mundo e que acreditamos, equivocadamente, ser o que somos. Todas as escolhas são pessoais, individuais e intransferíveis. O que podemos fazer em todos os casos e situações que se apresentam a nossa experiência é voltar-nos para o interior de nós mesmos, em busca de contato com o divino, que é a única realidade, que tem todas as respostas de que precisamos. 

A nós, que vemos amigos e amigas, irmãos e irmãs, pais e parentes, e as outras pessoas todas do mundo inteiro, próximas de nós ou distantes, passando por dificuldades, resta apenas "curar" dentro de nós mesmos - de cada um de nós - a percepção equivocada que nos leva a acreditar que existe qualquer coisa que possa macular a inocência e a pureza do Filho de Deus em nós, que é o que somos verdadeiramente. 

Não podemos embarcar na "viagem" do outro de modo algum, quando o outro está sabidamente sendo orientado pela ilusão dos sentidos, porque, se assim o fizermos, estaremos dando realidade a uma ilusão. Também não podemos julgar a escolha do outro, a "viagem" do outro. Só ele, o divino nele, sabe que jornada ele tem de fazer para chegar a si mesmo e, por consequência, a Deus em si mesmo, ao Eu Sou, que é o que ele é e que é o que somos todos na Unidade.

Às práticas?

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

A ilusão dos sentidos esconde nossa real identidade

 

14. O que sou?

1. Eu sou o Filho de Deus, perfeito e curado e inteiro, que brilha no reflexo de Seu Amor. Em mim, a criação d'Ele é santificada e tem a vida eterna assegurada. Em mim, o amor se completa, o medo é impossível e a alegria se estabelece sem oposição. Eu sou o lar sagrado do Próprio Deus. Eu sou o Céu onde o Amor d'Ele habita. Eu sou Sua Própria Inocência sagrada, pois em minha pureza habita a Própria Pureza de Deus.

2. Agora nossa necessidade de palavras está quase no fim. Porém, nos últimos dias deste ano, que oferecemos a Deus juntos, tu e eu, encontramos um propósito singular que compartilhamos. E, assim, tu te uniste a mim de modo que o que sou tu também és. As palavras não podem descrever a verdade do que somos. No entanto, podemos perceber claramente nossa função aqui e as palavras podem falar dela e, também, ensiná-la, se exemplificarmos as palavras em nós.

3. Nós somos os portadores da salvação. Aceitamos nosso papel de salvadores do mundo, que é redimido pelo nosso perdão conjunto. E, por isso, este perdão, nossa dádiva, nós é dado. Olhamos para todos como irmãos e percebemos todas as coisas como benignas e boas. Não buscamos uma função que esteja além do portão do Céu. O conhecimento voltará quando tivermos cumprido nosso papel. Nosso único interesse é dar boas vindas à verdade.

4. São nossos os olhos pelos quais a visão de Cristo vê um mundo redimido de todo pensamento de pecado. São nossos os ouvidos que ouvem a Voz por Deus declarar a inocência do mundo. São nossas as mentes que se unem quando abençoamos o mundo. E, da unidade que alcançamos, chamamos todos os nossos irmãos, pedindo-lhes que compartilhem nossa paz e tornem nossa alegria perfeita.

5. Nós somos os mensageiros santos de Deus que falam por Ele e que, ao levar Sua Palavra a todos aqueles que Ele nos envia, aprendem que ela está inscrita em nossos corações. E, deste modo, mudamos nossa forma de pensar a respeito do objetivo para o qual viemos e ao qual buscamos atender. Trazemos boas novas ao Filho de Deus, que pensava sofrer. Agora ele está livre. E, quando vir o portão do Céu aberto diante de si, ele entrará e desaparecerá no Coração de Deus.

*

LIÇÃO 351

Meu irmão inocente é meu guia para a paz.
Meu irmão pecador é meu guia para a dor.
E verei aquele que eu escolher ver.

1. Quem é meu irmão a não ser Teu Filho santo? E, se eu o vir como pecador, eu me declaro um pecador, não um Filho de Deus; só e sem amigos em um mundo assustador. Porém, esta percepção é uma escolha que faço e que posso abandonar. Eu também posso ver meu irmão inocente, como Teu Filho santo. E, com esta escolha, vejo minha inocência, meu Consolador e Amigo eterno a meu lado e meu caminho seguro e desimpedido. Escolhe por mim, então, meu Pai, por meio de Tua Voz. Pois só Ele oferece juízo em Teu Nome.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 351

Repetindo: 

Chegamos hoje, mais uma vez, à última das instruções especiais para as práticas deste ano. A instrução: O que sou?, que vai dar unidade às lições e ideias que vamos aprender e praticar nestes próximos dez dias, antes das lições finais. Instrução cuja postagem vou repetir nos próximos dias como introdução às lições desta série, conforme tenho feito desde o início da segunda parte do livro de exercícios nos últimos anos, para facilitar que voltemos às instruções antes de cada prática. 

Vamos explorá-la um pouco junto com a lição de hoje? 

A instrução que o Curso traz serve para nos lembrar de que, para responder de forma correta e verdadeira à questão: O que sou?, precisamos ter consciência de que Eu Sou é o nome de Deus, a confirmação de que fomos criados à imagem e semelhança d'Ele. Então, precisamos dizer, como a instrução afirma, que: 

Eu sou o Filho de Deus, perfeito e curado e inteiro, que brilha no reflexo de Seu Amor. Em mim, a criação d'Ele é santificada e tem a vida eterna assegurada. Em mim, o amor se completa, o medo é impossível e a alegria se estabelece sem oposição. Eu sou o lar sagrado do Próprio Deus. Eu sou o Céu onde o Amor d'Ele habita. Eu sou Sua Própria Inocência sagrada, pois em minha pureza habita a Própria Pureza de Deus.

Eis aí, pois, nossa identidade mais uma vez revelada. A verdadeira. A real. Aquela que, em geral, não podemos ver porque imersos na ilusão dos sentidos e das formas do mundo. 

E a instrução diz mais acerca do momento a que chegamos no aprendizado com as lições:

Agora nossa necessidade de palavras está quase no fim. Porém, nos últimos dias deste ano, que oferecemos a Deus juntos, tu e eu, encontramos um propósito singular que compartilhamos. E, assim, tu te uniste a mim de modo que o que sou tu também és. As palavras não podem descrever a verdade do que somos. No entanto, podemos perceber claramente nossa função aqui e as palavras podem falar dela e, também, ensiná-la, se exemplificarmos as palavras em nós. 

Então, resta-nos aprender a calar e a fazer silêncio, mergulhar no silêncio, deixando que ele nos envolva por inteiro, para experimentarmos o contato com aquilo que somos, além de quaisquer palavras. Só assim vamos poder ouvir a Voz por Deus em nós dizer que:

Nós somos os portadores da salvação. Aceitamos nosso papel de salvadores do mundo, que é redimido pelo nosso perdão conjunto. E, por isso, este perdão, nossa dádiva, nós é dado. Olhamos para todos como irmãos e percebemos todas as coisas como benignas e boas. Não buscamos uma função que esteja além do portão do Céu. O conhecimento voltará quando tivermos cumprido nosso papel. Nosso único interesse é dar boas vindas à verdade. 

Do mesmo modo que praticamos há dois dias deixar que a nossa visão fosse transformada, transcendida, pela visão de Cristo, que pode ver todas as coisas sem julgá-las, é desta visão que temos de nos valer para permitir que o mundo seja redimido. Como a instrução diz: 

São nossos os olhos pelos quais a visão de Cristo vê um mundo redimido de todo pensamento de pecado. São nossos os ouvidos que ouvem a Voz por Deus declarar a inocência do mundo. São nossas as mentes que se unem quando abençoamos o mundo. E, da unidade que alcançamos, chamamos todos os nossos irmãos, pedindo-lhes que compartilhem nossa paz e tornem nossa alegria perfeita. 

É ainda esta instrução que assegura que aquilo que sou é mais do que apenas um Ser que se manifesta em um corpo. O que sou, na verdade, não pode ser sozinho, apenas pode ser na Unidade que abrange a tudo e a todas as formas de vida em um abraço amoroso que é o abraço do Próprio Deus. 

É por isso que a instrução diz:

Nós somos os mensageiros santos de Deus que falam por Ele e que, ao levar Sua Palavra a todos aqueles que Ele nos envia, aprendem que ela está inscrita em nossos corações. E, deste modo, mudamos nossa forma de pensar a respeito do objetivo para o qual viemos e ao qual buscamos atender. Trazemos boas novas ao Filho de Deus, que pensava sofrer. Agora ele está livre. E, quando vir o portão do Céu aberto diante de si, ele entrará e desaparecerá no Coração de Deus. 

Nós, e não eu. Mas um nós que é o EU SOU que sou eu e que é o que somos todos, quando abertos a todas as manifestações da vida em sua diversidade. Pois enquanto este eu-nós não se reconhecer como o Filho de Deus, reconhecendo também o Filho em cada uma das pessoas que povoam o mundo, ele ainda está se acreditando separado. 

Tal qual diz a ideia para as práticas de hoje:

Meu irmão sem pecado é meu guia para a paz.
Meu irmão pecador é meu guia para a dor.
E verei aquele que eu escolher ver.

Não lhes parece que isso deixa absolutamente claro que viver a alegria, a paz, o amor e a felicidade depende apenas de uma escolha que só nós - cada um de nós - pode fazer? Pois como a lição pergunta:

Quem é meu irmão a não ser Teu Filho santo? E, se eu o vir como pecador, eu me declaro um pecador, não um Filho de Deus; só e sem amigos em um mundo assustador. Porém, esta percepção é uma escolha que faço e que posso abandonar. Eu também posso ver meu irmão inocente, como Teu Filho santo. E, com esta escolha, vejo minha inocência, meu Consolador e Amigo eterno a meu lado e meu caminho seguro e desimpedido. Escolhe por mim, então, meu Pai, por meio de Tua Voz. Pois só Ele oferece juízo em Teu Nome.

É disso que as práticas tratam: de chamar nossa atenção para o fato de que cada um de nós escolhe de que forma quer ver o mundo. E, por consequência, tudo o que ele vive e experimenta está diretamente ligado àquilo que ele escolheu, escolhe ou vai ainda escolher. Ao mesmo tempo, as práticas servem para nos lembrar de que podemos mudar nossas escolhas sempre que elas nos afastem da alegria, da condição natural do Ser que somos, na verdade, para nos mergulhar em um mundo de trevas e escuridão assustadores. 

Às práticas?

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Para trazermos de volta a memória do divino em nós

 

13. O que é um milagre?

1. Um milagre é uma correção. Ele não cria e nem muda verdadeiramente em absoluto. Ele apenas olha para a catástrofe e lembra à mente que o que ela vê é falso. Ele desfaz o erro, mas não tenta ir além da percepção, nem suplantar a função do perdão. Deste modo, ele permanece nos limites do tempo. Não obstante, ele abre caminho para a volta da intemporalidade e para o despertar do amor, pois o medo tem de desaparecer sob o efeito da solução benéfica que ele traz.

2. Um milagre contém a dádiva da graça, pois é dado e recebido como único. E, desta forma, põe bem à mostra a lei da verdade a que o mundo não obedece, porque deixa de entender por completo os caminhos dela. Um milagre inverte a percepção que estava de cabeça para baixo anteriormente e, desta maneira, põe termo às estranhas distorções que eram evidentes. Com isto a percepção fica aberta à verdade. Com isto vê-se o perdão como justificado.

3. O perdão é o lar dos milagres. Os olhos de Cristo os entregam a todos que eles olham com misericórdia e amor. A percepção permanece correta na visão d'Ele e aquilo cuja finalidade era amaldiçoar vem para abençoar. Cada lírio de perdão oferece o milagre silencioso do amor ao mundo inteiro. E cada um é depositado diante da Palavra de Deus, sobre o altar universal ao Criador e à criação, na luz da pureza perfeita e da alegria infinita.

4. Aceita-se o milagre primeiro com base na fé, porque pedi-lo indica que a mente está pronta para compreender aquilo que ela não pode ver e não entende. Mas a fé trará suas evidências para demonstrar que aquilo em que se baseava de fato existe. E, assim, o milagre justificará tua fé nele e demonstrará que se baseava em um mundo mais verdadeiro do que aquele que vias antes; um mundo livre daquilo que pensavas existir.

5. Milagres caem do Céu como gotas de chuva reparadora sobre um mundo árido e empoeirado, a que criaturas famintas e sedentas vêm para morrer. Agora elas têm água. Agora o mundo tem vida. E os sinais de vida brotam em todos os lugares, para demonstrar que aquilo que nasce não pode morrer jamais, pois aquilo que tem vida é imortal.

*

LIÇÃO 350

Milagres refletem o Amor eterno de Deus.
Oferecê-los é lembrar d'Ele,
E salvar o mundo a partir de Sua lembrança.

1. Aquilo que perdoamos se torna uma parte de nós, do modo pelo qual nos percebemos. O Filho de Deus combina todas as coisas em si mesmo, tal qual Tu o criaste. A lembrança de Ti depende do perdão dele. Aquilo que ele é é imune a seus pensamentos. Mas aquilo para que ele olha é resultado direto deles. Por isso, meu Pai, quero me voltar para Ti. Só a lembrança de Ti me libertará. E só meu perdão me ensina a deixar que a lembrança de Ti volte para mim e a dá-la ao mundo com gratidão.

2. E, quando reunirmos os milagres d'Ele, ficaremos realmente gratos. Pois, à medida que nos lembramos d'Ele, Seu Filho nos será devolvido na realidade do Amor.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 350

Repetindo mais uma vez a pergunta que já fiz outras vezes ao comentar anteriormente esta lição: o que é preciso fazer para que meu viver seja a manifestação da crença que a lição de hoje oferece? Isto é, o que pode me levar a uma condição tal que todos os meus atos e pensamentos sejam apenas reflexos do divino que é o que sou? 

A decisão, pode-se dizer. É a tomada de decisão de viver a partir do que nos ensinam as práticas do Curso, ou a decisão de buscar, por qualquer que seja o caminho, chegar ao autoconhecimento e, por consequência, ao conhecimento de Deus, o Eu Sou, que compartilhamos com Ele. Aí vamos ser capazes de oferecer os

Milagres [que] refletem o Amor eterno de Deus.
[e,] Oferecê-los é lembrar d'Ele,
E salvar o mundo a partir de Sua lembrança.

Oferecer milagres é a mesma coisa que oferecer o perdão a tudo e a todos, ao mundo inteiro. Não um perdão baseado na percepção dos sentidos, ou do ego, mas aquele perdão que vimos ao longo das práticas. Um perdão que é sinônimo de não ver nada que possa nos afastar da paz e da alegria, da Vontade de Deus para nós.

Enquanto não aprendemos a perdoar, a nós mesmos em primeiro lugar - por nossa percepção equivocada - e, em seguida a tudo e a todos, excluímos da criação tudo aquilo que não perdoamos e, por consequência, nós mesmos nos excluímos da criação. O Curso, pela lição de hoje, orienta no sentido de que compreendamos que:

Aquilo que perdoamos se torna uma parte de nós, do modo pelo qual nos percebemos. O Filho de Deus combina todas as coisas em si mesmo, tal qual Tu o criaste. A lembrança de Ti depende do perdão dele. Aquilo que ele é é imune a seus pensamentos. Mas aquilo para que ele olha é resultado direto deles. Por isso, meu Pai, quero me voltar para Ti. Só a lembrança de Ti me libertará. E só meu perdão me ensina a deixar que a lembrança de Ti volte para mim e a dá-la ao mundo com gratidão.

Ora, a lembrança de Deus, quer dizer, trazer de volta a nossa consciência a memória do divino em nós, depende de aprendermos a oferecer o milagre do perdão. E o perdão - o milagre -, como vimos desde o início do Curso, quando ele apresenta os "princípios dos milagres", é a expressão máxima do amor.

Para Leo Buscaglia, no livro intitulado Amor, "viver no amor é o maior desafio da vida". Viver no amor, segundo ele, "exige mais sutileza, flexibilidade, sensibilidade, compreensão, aceitação, tolerância, conhecimento e força do que qualquer outro esforço ou emoção, pois o amor e o mundo de hoje atuam como se fossem duas grandes forças contraditórias", o que, de verdade, são, se levarmos em consideração o fato de que o mundo, da forma como o vemos, é apenas uma projeção de nossos pensamentos - em sua maior parte os pensamentos equivocados do ego, a falsa imagem de nós que construímos para viver a experiência que pensamos viver no mundo dos sentidos -, repetindo também em parte o que eu já disse noutros comentários para esta mesma lição.

A ideia que praticamos hoje diz a mesma coisa de forma muito clara quando afirma que aquilo que somos - na verdade, no amor, em Deus - é imune ao que pensamos, mas que aquilo que vemos ou percebemos com os sentidos é resultado direto de nossos pensamentos. 

É por isso que ela diz também que:

... quando reunirmos os milagres d'Ele, ficaremos realmente gratos. Pois, à medida que nos lembramos d'Ele, Seu Filho nos será devolvido na realidade do Amor.

Isto é, o Filho de Deus em nós nos será devolvido, pois teremos de volta a consciência do que somos. 

Buscaglia diz que "o amor e as práticas do mundo [em que pensamos viver, e o ego que pensamos ser] real parecem estranhos, separados", que parece haver um vão enorme entre o que o amor nos convida a fazer e aquilo que a sociedade e o mundo nos pedem que façamos. 

Por isso, ele diz, "não é surpreendente que tanta gente não tenha coragem de construir uma ponte sobre o vão, pois na prática, o vão parece intransponível. O homem tem, por um lado, a compreensão e o desejo de crescer no amor, mas a sociedade torna esse conhecimento difícil de ser colocado em prática".

É exatamente para este fim, o de aprendermos a construir esta ponte, que nos voltamos para as práticas diárias. Pois só elas vão permitir que façamos o que o amor nos convida a fazer, sem medo de não nos rendermos àquilo que a sociedade nos pede para fazermos. 

Às práticas?

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Para viver o Eu Sou que compartilhamos com Deus

 

13. O que é um milagre?

1. Um milagre é uma correção. Ele não cria e nem muda verdadeiramente em absoluto. Ele apenas olha para a catástrofe e lembra à mente que o que ela vê é falso. Ele desfaz o erro, mas não tenta ir além da percepção, nem suplantar a função do perdão. Deste modo, ele permanece nos limites do tempo. Não obstante, ele abre caminho para a volta da intemporalidade e para o despertar do amor, pois o medo tem de desaparecer sob o efeito da solução benéfica que ele traz.

2. Um milagre contém a dádiva da graça, pois é dado e recebido como único. E, desta forma, põe bem à mostra a lei da verdade a que o mundo não obedece, porque deixa de entender por completo os caminhos dela. Um milagre inverte a percepção que estava de cabeça para baixo anteriormente e, desta maneira, põe termo às estranhas distorções que eram evidentes. Com isto a percepção fica aberta à verdade. Com isto vê-se o perdão como justificado.

3. O perdão é o lar dos milagres. Os olhos de Cristo os entregam a todos que eles olham com misericórdia e amor. A percepção permanece correta na visão d'Ele e aquilo cuja finalidade era amaldiçoar vem para abençoar. Cada lírio de perdão oferece o milagre silencioso do amor ao mundo inteiro. E cada um é depositado diante da Palavra de Deus, sobre o altar universal ao Criador e à criação, na luz da pureza perfeita e da alegria infinita.

4. Aceita-se o milagre primeiro com base na fé, porque pedi-lo indica que a mente está pronta para compreender aquilo que ela não pode ver e não entende. Mas a fé trará suas evidências para demonstrar que aquilo em que se baseava de fato existe. E, assim, o milagre justificará tua fé nele e demonstrará que se baseava em um mundo mais verdadeiro do que aquele que vias antes; um mundo livre daquilo que pensavas existir.

5. Milagres caem do Céu como gotas de chuva reparadora sobre um mundo árido e empoeirado, a que criaturas famintas e sedentas vêm para morrer. Agora elas têm água. Agora o mundo tem vida. E os sinais de vida brotam em todos os lugares, para demonstrar que aquilo que nasce não pode morrer jamais, pois aquilo que tem vida é imortal.

*

LIÇÃO 349

Hoje deixo a visão de Cristo olhar
Todas as coisas por mim e não as julgo, mas dou,
Em vez disso, a cada uma um milagre de amor.

1. Quero, deste modo, liberar todas as coisas que vejo e lhes dar a liberdade que busco. Pois assim obedeço à lei do amor e dou aquilo que quero achar e transformar em meu. Isso me será dado porque o escolho como  a dádiva que quero dar. Pai, Tuas dádivas são minhas. Cada uma que aceito me oferece um milagre para dar. E, ao dar da mesma forma que quero receber, aprendo que Teus milagres que curam me pertencem.

2. Nosso Pai conhece nossas necessidades. Ele nos dá a graça para satisfazer a todas elas. E, por isso, confiamos que Ele nos envie milagres para abençoar o mundo e para curar nossas mentes enquanto voltamos para Ele.


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COMENTÁRIO:


Explorando a LIÇÃO 349

Repetindo o que eu disse lá nos comentários para esta mesma lição em anos anteriores, hoje vamos praticar, mais uma vez, uma ideia que nos põe em contato com os relatos do que se diz que foi o exemplo vivo de Jesus, em sua passagem por este mundo, que, nas mensagens a ele atribuídas que nos foram legadas, deixou claro que existe um outro modo de se olhar para o mundo. Um modo que se refere a uma forma de olhar que apenas cada um de nós pode escolher usar, e que é o que nos convida a fazer a lição de hoje. Assim:

Hoje deixo a visão de Cristo olhar
Todas as coisas por mim e não as julgo, mas dou,
Em vez disso, a cada uma, um milagre de amor. 

Esta escolha em permitir que nosso olhar se revista da visão de Cristo é o que vai fazer a diferença em nossa experiência do mundo. É esta escolha que vai nos pôr em contato com aquilo que, dizem, Jesus ensinou, o que significa dizer, de acordo com o livro O Evangelho Segundo Jesus, de Stephen Mitchell, que, "como todos os grandes mestres espirituais, Jesus ensinou apenas uma coisa: a presença". Tal afirmação reforça aquilo que o Curso ensina quando nos assegura que o único tempo que existe é o presente, o "aqui e agora". 

Quando, pois, nos decidimos a olhar para o mundo da mesma forma que Jesus olhou, escolhemos o olhar crístico, um olhar que sabe reconhecer em tudo a energia do divino e que sabe que todas as coisas cooperam para o bem, independentemente da forma com que se apresentam. Fazendo esta escolha, dizemos como a lição:

Quero, deste modo, liberar todas as coisas que vejo e lhes dar a liberdade que busco. Pois assim obedeço à lei do amor e dou aquilo que quero achar e transformar em meu. Isso me será dado porque o escolho como  a dádiva que quero dar. Pai, Tuas dádivas são minhas. Cada uma que aceito me oferece um milagre para dar. E, ao dar da mesma forma que quero receber, aprendo que Teus milagres que curam me pertencem.

É esta escolha que nos permite entrar em contato com aquilo que Mitchell chama de "a derradeira realidade", que, em última instância, é a verdade a respeito do que somos. É o que, em verdade, nos permite viver a partir da experiência do Eu Sou em Deus, com Ele, a nossa última e única realidade. 

Voltemos, pois, mais uma vez, toda a nossa atenção para o que diz Mitchell: "A derradeira realidade, a luminosa e compassiva inteligência do universo, não está em qualquer outro lugar, em 'céus' a anos-luz de distância. Não se manifestou mais plenamente a Abraão ou a Moisés do que se manifesta a cada um de nós, e nem tampouco estará mais presente para algum Messias no longínquo final dos tempos. Está sempre aqui e agora. É isto que a Bíblia quer dizer quando afirma que o verdadeiro nome de Deus é Eu sou".

É o Eu Sou que sou em Deus, com Ele, que vai me levar a viver apenas a presença, o "aqui e agora", a todo instante e permitir que eu me liberte de todas as coisas, ao mesmo tempo em que liberto todas as coisas, sem aprisioná-las em um nome, conceito ou  em uma imagem que fiz delas no passado. Sei "agora" que não é o tempo que dá significado às coisas, mas apenas eu. E, a partir desta consciência, posso olhar para tudo e para todos com a visão de Cristo, que não julga, mas oferece a cada um de nós, a todos nós e a todas as coisas, um milagre de amor permanente.

É viver o Eu Sou, que compartilho com Deus - e que todos nós compartilhamos com Ele - que vai me permitir viver a partir da crença que me diz que:

Nosso Pai conhece nossas necessidades. Ele nos dá a graça para satisfazer a todas elas. E, por isso, confiamos que Ele nos envie milagres para abençoar o mundo e para curar nossas mentes enquanto voltamos para Ele.

Ora, se o Pai conhece todas as nossas necessidades e nos dá tudo, só posso concluir que todas as minhas necessidades já estão satisfeitas. Basta eu permanecer em sintonia com a Fonte para que tudo se apresente a mim a partir da graça de Deus. 

Às práticas?