quinta-feira, 9 de julho de 2020

Para aprender a trazer o Céu à terra é preciso praticar


LIÇÃO 191

Eu sou o Próprio Filho santo de Deus.

1. Eis aqui tua declaração de independência da escravidão do mundo. E aqui o mundo inteiro também é liberado. Tu não percebes o que fizeste ao dares o mundo o papel de carcereiro do Filho de Deus. O que ele poderia ser senão perverso e amedrontado, assustado com sombras, punitivo e violento, destituído de todo bom senso, cego e louco de ódio?

2. O que fazes para que teu mundo seja este? O que fazes para ser isto o que vês? Nega tua própria Identidade e é isto que fica. Olhas para o caos e declaras que ele é tu mesmo. Não há nenhuma visão que deixe de testemunhar isto para ti. Não há nenhum som que não fale da fragilidade dentro e fora de ti; nenhum ar que respires que não pareça te levar para mais perto da morte; nenhuma esperança que tenhas que não se desfaça em lágrimas.

3. Nega tua própria Identidade e não fugirás da loucura que levou a este pensamento estranho, não natural e arrepiante que zomba da criação e ri de Deus. Nega tua própria Identidade e investes violentamente sozinho contra o universo, sem um amigo; uma minúscula partícula de pó contra as legiões de teus inimigos. Nega tua própria Identidade e olhas para o mal, para o pecado e para a morte e observas o desespero arrebatar cada pedacinho de esperança de tuas mãos, não te deixando nada a não ser o desejo de morrer.

4. No entanto, o que é isto exceto uma brincadeira que fazes, na qual a Identidade pode ser negada? Tu és como Deus te criou. Acreditar em tudo o mais que não nesta única coisa é loucura. Todos se libertam neste único pensamento. Nesta única verdade todas as ilusões desaparecem. Neste único fato afirma-se a inocência para que ela seja parte de todas as coisas para sempre, o núcleo central da existência delas e sua garantia de imortalidade.

5. Mas deixa a ideia de hoje encontrar um lugar entre os teus pensamentos e te elevarás muito acima do mundo e de todos os pensamentos mundanos que o mantêm prisioneiro. E a partir deste ponto de segurança e liberdade voltarás e o libertarás. Pois aquele que pode aceitar sua verdadeira Identidade está salvo de verdade. E sua salvação é a dádiva que ele dá a todos, em gratidão Àquele Qeu indicou o caminho para a felicidade que mudou toda sua perspectiva do mundo.

6. Um único pensamento santo como este e estás livre; tu és o Próprio Filho santo de Deus. E com este pensamento santo aprendes também que libertaste o mundo. Tu não tens nenhuma necessidade de usá-lo de maneira cruel e, então, perceber esta necessidade perversa nele. Tu o libertas de sua prisão. Tu não verás uma imagem perturbadora de ti mesmo andando pelo mundo aterrorizada, com o mundo se retorcendo em agonia porque teus medos impuseram a marca da morte sobre seu coração.

7. Alegra-te hoje com a facilidade tamanha com que o inferno se desfaz. Só precisas dizer a ti mesmo:

Eu sou o Próprio Filho santo de Deus. Não posso
sofrer, não posso sentir dor; não posso sofrer perda,
nem deixar de fazer tudo o que a salvação pede.

E, neste pensamento, tudo o que olhas se transforma por completo.

8. Um milagre ilumina todas as cavernas escuras e antigas onde os ritos de morte ecoaram desde o início do tempo. Pois o tempo perde seu controle sobre o mundo. O Filho de Deus vem em glória para redimir os perdidos, para salvar os desamparados e para dar ao mundo a dádiva de seu perdão. Quem poderia ver o mundo como sombrio e pecaminoso, quando, enfim, o Filho de Deus chega novamente para libertá-lo?

9. Tu, que te percebes fraco e frágil, com esperanças inúteis e sonhos perturbadores, nascido para morrer, para chorar e sentir dor, ouve isto: todo o poder te foi dado na terra e no Céu. Não existe nada que não possas fazer. Tu jogas o jogo da morte, de estar desamparado, lamentavelmente preso à degradação em um mundo que não demonstra nenhuma misericórdia por ti. No entanto, quando lhe concederes misericórdia, a misericórdia dele brilhará sobre ti.

10. Deixa, então, o Filho de Deus despertar de seu sono e, ao abrir seus olhos santos, voltar mais uma vez para abençoar o mundo que ele criou. Ele começou no erro, mas terminará no reflexo de sua santidade. E ele não dormirá mais e nem sonhará com a morte. Une-te, então, a mim hoje. Tua glória é a luz que salva o mundo. Não detenhas mais a salvação. Olha para o mundo e vê aí o sofrimento. Teu coração não está disposto a trazer descanso a teus irmãos fatigados?

11. Eles têm de esperar tua própria liberação. Eles ficam presos até que estejas livre. Eles não podem ver a misericórdia do mundo até que a encontres em ti mesmo. Eles sentem dor até que negues o controle dela sobre ti. Eles morrem até aceitares tua própria vida eterna. Tu és o Próprio Filho santo de Deus. Lembra-te disto e todo mundo fica livre. Lembra-te disto é a terra e o Céu se tornam uma coisa só.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 191

"Eu sou o Próprio Filho santo de Deus."

Hoje, como já fizemos várias vezes antes, sempre que praticamos de forma honesta e sincera, colocando toda a nossa atenção na meta que o Curso oferece, vamos aprender a declarar nossa própria independência da escravidão do mundo. Vamos, mais uma vez, estabelecer contato com a verdade acerca daquilo que somos e, deste modo, aprender a reconhecer e  a aceitar nossa verdadeira identidade de Filho de Deus. 

Para tanto, comecemos por refletir acerca do que a lição pede que respondamos a partir do seguinte:

Eis aqui tua declaração de independência da escravidão do mundo. E aqui o mundo inteiro também é liberado. Tu não percebes o que fizeste ao dares o mundo o papel de carcereiro do Filho de Deus. O que ele poderia ser senão perverso e amedrontado, assustado com sombras, punitivo e violento, destituído de todo bom senso, cego e louco de ódio?

O que fazes para que teu mundo seja este? O que fazes para ser isto o que vês? Nega tua própria Identidade e é isto que fica. Olhas para o caos e declaras que ele é tu mesmo. Não há nenhuma visão que deixe de testemunhar isto para ti. Não há nenhum som que não fale da fragilidade dentro e fora de ti; nenhum ar que respires que não pareça te levar para mais perto da morte; nenhuma esperança que tenhas que não se desfaça em lágrimas. 

Ainda somos como Deus nos criou e, por mais que a crença em uma separação que nunca aconteceu venha rondar nossas mentes, esta verdade não muda. Por isto, neste dia, tudo o que temos a fazer é permitir que a ideia que praticamos encontre seu lugar em nossos pensamentos e em nossa mente, para podermos nos elevar acima do mundo e das coisas do mundo e do valor que atribuímos equivocadamente a ele, e a elas, confundindo-os com o que somos.

Vejamos de que forma fazer isto, então:

Nega tua própria Identidade e não fugirás da loucura que levou a este pensamento estranho, não natural e arrepiante que zomba da criação e ri de Deus. Nega tua própria Identidade e investes violentamente sozinho contra o universo, sem um amigo; uma minúscula partícula de pó contra as legiões de teus inimigos. Nega tua própria Identidade e olhas para o mal, para o pecado e para a morte e observas o desespero arrebatar cada pedacinho de esperança de tuas mãos, não te deixando nada a não ser o desejo de morrer.

No entanto, o que é isto exceto uma brincadeira que fazes, na qual a Identidade pode ser negada? Tu és como Deus te criou. Acreditar em tudo o mais que não nesta única coisa é loucura. Todos se libertam neste único pensamento. Nesta única verdade todas as ilusões desaparecem. Neste único fato afirma-se a inocência para que ela seja parte de todas as coisas para sempre, o núcleo central da existência delas e sua garantia de imortalidade.

É preciso também que compreendamos que a ideia segundo a qual "Deus criou o homem a Sua imagem e semelhança" não quer dizer absolutamente nada, se pensarmos em nós mesmos apenas como corpos, em uma forma. O que somos, que é o que Deus é, não tem forma. Portanto, precisamos nos libertar do equívoco de pensar em Deus em uma forma. À imagem e semelhança de Deus em que fomos criados quer dizer em espírito de luz. 

Assim:

... deixa a ideia de hoje encontrar um lugar entre os teus pensamentos e te elevarás muito acima do mundo e de todos os pensamentos mundanos que o mantêm prisioneiro. E a partir deste ponto de segurança e liberdade voltarás e o libertarás. Pois aquele que pode aceitar sua verdadeira Identidade está salvo de verdade. E sua salvação é a dádiva que ele dá a todos, em gratidão Àquele Qeu indicou o caminho para a felicidade que mudou toda sua perspectiva do mundo.

Um único pensamento santo como este e estás livre; tu és o Próprio Filho santo de Deus. E com este pensamento santo aprendes também que libertaste o mundo. Tu não tens nenhuma necessidade de usá-lo de maneira cruel e, então, perceber esta necessidade perversa nele. Tu o libertas de sua prisão. Tu não verás uma imagem perturbadora de ti mesmo andando pelo mundo aterrorizada, com o mundo se retorcendo em agonia porque teus medos impuseram a marca da morte sobre seu coração.

Como o Curso ensina: "Deus é uma ideia". E ele diz também que é até relativamente fácil compreendermos e aceitarmos que Deus é uma ideia. A dificuldade começa quando nos toca pensar, refletir, compreender e aceitar que nós, cada um de nós também é apenas uma ideia, à semelhança de Deus. 

Por isso:

Alegra-te hoje com a facilidade tamanha com que o inferno se desfaz. Só precisas dizer a ti mesmo:

Eu sou o Próprio Filho santo de Deus. Não posso
sofrer, não posso sentir dor; não posso sofrer perda,
nem deixar de fazer tudo o que a salvação pede.

E, neste pensamento, tudo o que olhas se transforma por completo.

Um milagre ilumina todas as cavernas escuras e antigas onde os ritos de morte ecoaram desde o início do tempo. Pois o tempo perde seu controle sobre o mundo. O Filho de Deus vem em glória para redimir os perdidos, para salvar os desamparados e para dar ao mundo a dádiva de seu perdão. Quem poderia ver o mundo como sombrio e pecaminoso, quando, enfim, o Filho de Deus chega novamente para libertá-lo?

Então, fica fácil, bem mais fácil, entender que tudo o que o ego fez, ao se perceber "aparentemente" separado de Deus foi criar um deus à imagem e semelhança do corpo, com quem ele - o ego - se identifica. Não existe este Deus, a não ser para quem se acredita apenas um corpo. 

Chegamos ao fim da lição, pois, abrindo-nos para o que ela diz a seguir e dispondo-nos a praticar com ela o dia inteiro, certos da verdade que ela nos mostra a nosso próprio respeito. Assim:

Tu, que te percebes fraco e frágil, com esperanças inúteis e sonhos perturbadores, nascido para morrer, para chorar e sentir dor, ouve isto: todo o poder te foi dado na terra e no Céu. Não existe nada que não possas fazer. Tu jogas o jogo da morte, de estar desamparado, lamentavelmente preso à degradação em um mundo que não demonstra nenhuma misericórdia por ti. No entanto, quando lhe concederes misericórdia, a misericórdia dele brilhará sobre ti.

Deixa, então, o Filho de Deus despertar de seu sono e, ao abrir seus olhos santos, voltar mais uma vez para abençoar o mundo que ele criou. Ele começou no erro, mas terminará no reflexo de sua santidade. E ele não dormirá mais e nem sonhará com a morte. Une-te, então, a mim hoje. Tua glória é a luz que salva o mundo. Não detenhas mais a salvação. Olha para o mundo e vê aí o sofrimento. Teu coração não está disposto a trazer descanso a teus irmãos fatigados?

Eles têm de esperar tua própria liberação. Eles ficam presos até que estejas livre. Eles não podem ver a misericórdia do mundo até que a encontres em ti mesmo. Eles sentem dor até que negues o controle dela sobre ti. Eles morrem até aceitares tua própria vida eterna. Tu és o Próprio Filho santo de Deus. Lembra-te disto e todo mundo fica livre. Lembra-te disto é a terra e o Céu se tornam uma coisa só.

É isso, o aprendizado de como trazer o Céu à terra, que podemos aprender praticando a ideia de hoje. 

A elas?

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Há algo no mundo que a lógica do ego pode explicar?


LIÇÃO 190

Escolho a alegria de Deus em vez da dor.

1. A dor é uma perspectiva errada. Quando experimentada, sob qualquer forma, é uma prova de auto-engano. Ela não é absolutamente um fato. Não há nenhuma forma que ela tome que não desapareça se vista de forma correta. Pois a dor declara que Deus é cruel. Como isso poderia ser real sob qualquer forma? Ela é testemunha do ódio de Deus Pai por Seu Filho, da pecabilidade que Deus vê nele e do desejo louco de vingança e de morte de Deus.

2. Tais projeções podem ser provadas? Elas podem ser qualquer coisa a não ser totalmente falsas? A dor é apenas uma testemunha dos equívocos do Filho acerca do que ele pensa ser. É um sonho de uma retaliação violenta a um crime que não poderia ser cometido, pois ataca aquilo que é totalmente inatacável. É um pesadelo de abandono por um Amor Eterno, que não poderia deixar o Filho a quem Ele criou no amor.

3. A dor é um sinal de que as ilusões reinam no lugar da verdade. Ela demonstra que Deus é negado, confundido com o medo, percebido como louco e visto como traidor de Si Mesmo. Se Deus é real, a dor não existe. Se a dor é real, Deus não existe. Pois a vingança não é parte do amor. E o medo, que nega o amor e utiliza a dor para provar que Deus está morto, mostra que a morte é vitoriosa sobre a vida. O corpo é o Filho de Deus, perecível pela morte, tão mortal quanto o Pai que ele assassinou.

4. Paz a tal insensatez! Chegou a hora de rir de tais ideias insanas. Não há nenhuma necessidade de se pensar nelas como crimes hediondos ou como pecados secretos com consequências funestas. Quem a não ser um louco poderia concebê-las como causa para qualquer coisa? Sua testemunha, a dor, é tão louca quanto elas e não deve ser mais temida do que as ilusões insanas que ela protege e tenta demonstrar que também têm de ser verdadeiras.

5. São só teus pensamentos que te causam dor. Nada fora de tua mente pode te ferir ou machucar de qualquer modo. Não há nenhuma causa além de ti mesmo que possa surgir e te trazer depressão. Ninguém, a não ser tu mesmo, te afeta. Não existe nada no mundo que tenha o poder de te deixar doente ou triste, ou fraco, ou frágil. Mas és tu quem tem o poder para dominar todas as coisas que vês, reconhecendo simplesmente o que és. Quando perceberes que todas as coisas são inofensivas, elas aceitarão tua vontade santa como sendo a delas. E, agora, aquilo que se via como amedrontador se torna uma fonte de inocência e de santidade.

6. Meu irmão santo, pensa nisto um instante: o mundo que vês não faz nada. Ele não tem absolutamente nenhum efeito. Ele simplesmente representa teus pensamentos. E vai mudar completamente quando optares por mudar teu modo de pensar e escolheres a alegria de Deus como aquilo que realmente queres. Teu Ser fica radiante nesta alegria santa, inalterado, invariável e constante para todo o sempre. E negarias a um cantinho de tua mente sua própria herança e a manterias como um hospital para a dor, um lugar doentio onde as coisas vivas têm de vir para morrer finalmente?

7. O mundo pode parecer te causar dor. E, no entanto, o mundo, como algo sem causa, não tem nenhum poder, para causar. Como um efeito, ele não pode produzir efeitos. Como uma ilusão, ele é o que desejares. Teus desejos vãos representam suas dores. Teus desejos estranhos trazem sonhos maus a ele. Teus pensamentos de medo o envolve no medo, enquanto em teu perdão benigno ele vive.

8. A dor é o pensamento do mal tomando forma e produzindo destruição em tua mente santa. A dor é o resgate que pagas alegremente para não seres livre. Na dor, nega-se a Deus o Filho que Ele ama. Na dor, o medo parece triunfar sobre o amor e o tempo substituir a eternidade e o Céu. E o mundo se torna um lugar cruel e amargo, onde o sofrimento governa e pequenas alegrias recuam diante do ataque violento da dor terrível que espera para pôr fim a toda alegria na amargura.

9. Depõe tuas armas e vem sem defesa para o lugar tranquilo onde, enfim, a paz do Céu mantém todas as coisas serenas. Renuncia a todos os pensamentos de perigo e de medo. Não permitas que nenhum ataque entre contigo. Depõe a espada cruel do julgamento que sustentas contra tua garganta e põe de lado os ataques destruidores com os quais buscas esconder tua santidade.

10. Aqui compreenderás que a dor não existe. Aqui a alegria de Deus te pertence. Este é o dia em que te é dado perceber claramente a lição que contém todo o poder da salvação. É esta: a dor é ilusão; a alegria, realidade. A dor é apenas sono; a alegria é despertar. A dor é engano; só a alegria é verdade.

11. E, assim mais uma vez fazemos a única escolha que em algum momento se pode fazer: escolhemos entre as ilusões e a verdade, ou entre a dor e a alegria, ou entre o inferno e o Céu. Deixemos que nossa gratidão para com nosso Professor encha nossos corações, à medida que ficamos livres para escolher a alegria em vez da dor, nossa santidade em lugar do pecado, a paz de Deus em vez do conflito e a luz do Céu no lugar da escuridão do mundo.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 190

"Escolho a alegria de Deus em vez da dor."

Lembram-se da lição de ontem? Ela diz, em seu quinto parágrafo, "o que queres ver? A chance te é dada. Aprende apenas e não deixes que tua mente esqueça desta lei da visão: tu verás aquilo que sentes dentro de ti". 

Quer dizer, como já vimos outras vezes, a percepção só nos mostra sempre aquilo que já escolhemos ver antes, e não o contrário. Isto é a mesma coisa que dizer que não há nada fora, não é mesmo? Tudo o que vemos é apenas aquilo que trazemos dentro de nós mesmos.

É por isso que nunca é demais lembrar as leis espirituais que se ensinam na Índia. Vamos fazê-lo mais uma vez hoje.

Lembram?

1. A pessoa que vem é a certa.
2. Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido.
3. Toda vez que você iniciar é o momento certo.
4. Quando algo termina, acaba realmente.

E por que lembrar destas leis? Porque penso que elas, de certo modo, facilitam a compreensão das ideias que praticamos nestes últimos dias. E de que forma?

Simplificando o entendimento do fato de que "tu não precisas fazer nada". Isto é, basta que não atrapalhemos o desenrolar do plano de Deus para a salvação, atulhando-o de empecilhos, de senões e de " e se". Simplificando a compreensão de que sempre podemos escolher outra vez, ou olhar de modo diferente para toda e qualquer pessoa, coisa ou situação que se apresente a nossa experiência.

Voltando ainda à lição de ontem, é bom atentarmos também para o que ela diz em seu sétimo parágrafo. Todo ele. Leiam-no mais uma vez, por favor, ainda que apenas como parte da prática de hoje. E reflitam no seguinte:

"Teu papel é simplesmente permitir que se removam suavemente, para sempre, todos os obstáculos que interpões entre o Filho e Deus, o Pai." Isto é a mesma coisa que o Curso diz em sua introdução, quando afirma que seu objetivo é remover de nossa consciência os obstáculos que nos impedem de ver a presença do amor.

Repetindo: o que acontece, em geral, é que queremos entender as coisas de maneira racional e lógica, a partir do que nos aconselha o sistema de pensamento do mundo. Isto é, é sempre só o ego que quer compreender. O Ser em nós sabe, conhece. E se nos deixarmos guiar e orientar por ele podemos ir de olhos fechados. Sempre. É possível deixar de lado todos os sentidos, toda a lógica. Afinal, se olharmos atentamente para o mundo, sem o julgamento de nossa percepção, há alguma coisa sequer que a lógica de nosso intelecto possa explicar? 

Por que não? 

Porque este lado racional e lógico é do ego e depende da percepção. A consciência que temos das escolhas que fazemos nunca percebe o quadro completo. Ela é apenas uma pontinha do iceberg. A maioria das vezes não temos a menor consciência dos processos que se desencadeiam em nosso interior, a partir de uma fala, de um gesto, de uma lembrança, de um olhar, de um sorriso, de uma canção ouvida em algum lugar, nalgum momento. 

Aquilo que aprendemos há muito tempo, e que pensávamos ter esquecido, fica registrado como uma memória e está pronto a se manifestar à primeira oportunidade. Daí a necessidade da prática dos exercícios. Daí a necessidade da Expiação. Daí a necessidade da atenção que devemos dar a qualquer coisa que aparentemente contrarie nossos desejos conscientes. Ela bem pode ser resultado de uma escolha que não sabemos ter feito. De um programa obsoleto que ficou implantado em nossa memória e não foi apagado, como pensávamos que fora.

Mas mais importante que tudo isto é aprendermos a acolher quaisquer pessoas, situações e experiências que se apresentem, entendendo que elas sempre se apresentam para atender a uma escolha nossa, mesmo quando não temos consciência dela, assim como nos ensinam a leis da espiritualidade da Índia.

Às práticas?

terça-feira, 7 de julho de 2020

O que nos liga a Deus são a alegria e a paz


LIÇÃO 189

Sinto o Amor de Deus em mim agora.

1. Há uma luz em ti que o mundo não pode perceber. E com os olhos dele tu não verás esta luz, pois estás cego pelo mundo. No entanto, tens olhos para vê-la. Ela existe para que a vejas. Ela não foi posta em ti para ser mantida oculta de tua vista. Esta luz é um reflexo do pensamento que praticamos agora. Sentir o Amor de Deus em ti é ver o mundo de maneira nova, brilhando em inocência, vivo em esperança e abençoado com perfeita pureza e amor.

2. Quem poderia sentir medo em um mundo tal como este? Ele te acolhe, alegra-se porque vieste e canta teus louvores enquanto te mantém a salvo de toda forma de perigo e de dor. Ele te oferece um lar aconchegante e benigno onde passar algum tempo. Ele te abençoa ao longo de todo o dia e vigia durante a noite qual guardião silencioso de teu sono sagrado. Ele vê a salvação em ti e protege a luz em ti, na qual vê sua própria luz. Ele te oferece suas flores e sua neve, em agradecimento por tua benevolência.

3. Este é o mundo que o Amor de Deus revela. Ele é tão diferente do mundo que vês pelos olhos sombrios de malícia e de medo que um prova que o outro é falso. Só um pode ser absolutamente verdadeiro. O outro é totalmente sem significado. Um mundo no qual o perdão brilha sobre todos as coisas e a paz oferece sua luz bondosa a todos é inconcebível para aqueles que veem um mundo de ódio que surge do ataque, pronto para vingar, assassinar e destruir.

4. Porém, o mundo de ódio é igualmente invisível e inconcebível para aqueles que sentem o Amor de Deus em si. O mundo deles reflete a tranquilidade e a paz que brilha neles; a bondade e a inocência que os envolve; a alegria com que olham para fora a partir dos infinitos mananciais de alegria interior. Eles olham para o que sentem interiormente e veem seu reflexo seguro em todos os lugares.

5. O que queres ver? A escolha te é dada. Mas aprende e não deixes tua mente se esquecer desta lei da visão: tu verás aquilo que sentes em teu interior. Se o ódio encontrar um lugar em teu coração, vais perceber um mundo amedrontador  preso de modo cruel entre os dedos ossudos e afiados da morte. Se sentires o Amor de Deus dentro de ti, olharás para um mundo de misericórdia e amor.

6. Hoje, ultrapassamos as ilusões, enquanto buscamos achar aquilo que é verdadeiro em nós e sentir sua ternura todo-envolvente, seu Amor que nos sabe tão perfeitos quanto ele próprio, sua visão que é a dádiva que seu Amor nos concede. Aprendemos o caminho hoje. Ele é tão certo quanto o próprio Amor, para o qual ele nos transporta. Pois sua simplicidade evita as ciladas que só servem para esconder as tolas complexidades do aparente raciocínio lógico do mundo.

7. Faze simplesmente isto: fica quieto e põe de lado todos os pensamentos acerca do que és e do que Deus é; todos os conceitos que aprendeste a respeito do mundo; todas as imagens que tens de ti mesmo. Esvazia tua mente de tudo o que ela pensa que é falso ou verdadeiro, ou bom ou mau, de todo pensamento que ela julga digno e de todas as ideias das quais ela se envergonha. Não te prendas a nada. Não tragas contigo um único pensamento que o passado tenha ensinado, nem uma só crença que tenhas aprendido alguma vez antes a respeito de qualquer coisas. Esquece este mundo, esquece este curso e vem com mãos totalmente vazias para teu Deus.

8. Não é Ele Quem conhece o caminho para ti? Tu não precisas saber o caminho para Ele. Tua parte é simplesmente permitir que todos os obstáculos que interpuseste entre o Filho e Deus Pai sejam calmamente retirados para sempre. Deus fará Sua parte em uma resposta alegre e imediata. Pede e receberás. Mas não faças exigências, nem indiques para Deus a estrada pela qual Ele deveria aparecer para ti. A maneira de alcançá-Lo é apenas deixar que Ele seja. Pois deste modo tua realidade também se manifesta.

9. E assim, hoje, não escolhemos o caminho pelo qual vamos a Ele. Mas escolhemos, sim, deixar que Ele venha. E descansamos com esta escolha. E, em nossos corações tranquilos e mentes abertas, Seu Amor marcará o caminho para si mesmo. Aquilo que não foi negado certamente existe, se for verdadeiro, e pode ser alcançado com certeza. Deus conhece Seu Filho e conhece o caminho para ele. Ele não precisa que Seu Filho Lhe mostre como achar Seu caminho. Seu Amor brilha e ser reflete a partir de seu lar interior através de toda porta aberta e ilumina o mundo em inocência.

10. Pai, não conhecemos o caminho para Ti. Mas chamamos e Tu nos respondes. Nós não atrapalharemos  Os caminhos para a salvação não são os nossos, pois Te pertencem. E é em Ti que os procuramos. Nossas mãos estão abertas para receber Tuas dádivas. Não temos nenhum pensamento separado de Ti e não damos valor a nenhuma crença acerca do que somos ou de Quem nos criou. Teu é o caminho que queremos encontrar e seguir. E pedimos apenas que Tua Vontade, que também é a nossa, seja feita em nós e no mundo, para ele se torne uma parte do Céu agora. Amém.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 189

"Sinto o Amor de Deus em mim agora."

Como eu já disse outras vezes antes, a ideia para as práticas de hoje nos remete diretamente a um ponto específico do livro texto, ao ponto em que ele que trata de "causa e efeito", na página 33. Um ponto que nos diz de forma muito clara que não vigiamos com cuidado e atenção suficientes nossos pensamentos. 

De acordo com o texto, estamos permanentemente dispostos a reclamar do medo, apesar de persistirmos em amedrontar a nós mesmos. O texto chama também nossa atenção para o fato de não estarmos habituados ao pensamento da mente disposta ao milagre, a mente que abandona o medo. 

É em razão disto que o Curso nos oferece os exercícios, pois, como o texto diz, uma mente que não é capaz de exercer vigilância sobre seus pensamentos não pode ajudar na tarefa de salvação do mundo, pois, distraída de si mesma, acredita que alguma coisa fora dela pode amedrontá-la. 

Daí é que surgem todos os conflitos que aparentemente vivemos neste mundo. O Curso ensina, contudo, que tanto os milagres quanto o medo vêm dos pensamentos. Basta, portanto, que nos mantenhamos vigilantes sobre nossos pensamentos para sermos capazes de escolher os milagres que afastam o medo, mesmo que apenas temporariamente, enquanto não formos suficientemente fortes para manter nossa decisão de viver na inocência em que fomos criados.

Vocês conseguem perceber a relação entre o texto e a ideia que vamos praticar hoje? Ele tem também, ao mesmo tempo, relação direta com a ideia que praticamos ontem, que dizia: "aqueles que buscam a luz estão apenas cobrindo seus olhos". Pois "a luz está neles agora", do mesmo modo que está em cada um de nós o tempo todo, ainda que não tenhamos consciência disto a maior parte do tempo.

Na verdade, tudo está relacionado àquilo que queremos acreditar que seja a Vontade de Deus para nós. Se acreditamos que a Vontade de Deus e a nossa própria vontade são a mesma, podemos tranquilamente inferir que, quando estamos fazendo aquilo que nos sentimos inspirados a fazer e que nos põe em contato com uma alegria quase indizível e nos deixa inteiramente em paz, estamos, de fato, cumprindo nosso papel no plano de Deus para a salvação. Pois são a alegria e a paz que nos ligam a Deus. 

Quando estamos em sintonia com o divino não há nenhum conflito e podemos verdadeiramente sentir o Amor de Deus dentro de nós. E fora também. Pois tudo o que nos sentimos inclinados a fazer é estender o amor que sentimos.

É, pois, para aprender a escolher a Vontade de Deus, mantendo vigilância sobre nossa mente e pensamentos, que praticamos. 

Às práticas?

segunda-feira, 6 de julho de 2020

A tomada de decisão é essencial para se viver o Céu


LIÇÃO 188

A paz de Deus brilha em mim agora.

1. Por que esperar pelo Céu? Aqueles que buscam a luz estão apenas cobrindo seus olhos. A luz está neles agora. A iluminação é apenas um reconhecimento, não uma mudança em absoluto. A luz não é do mundo, porém tu que podes carregar a luz em ti também és um estranho aqui. A luz veio contigo de teu lar de origem e ficou contigo porque é tua. Ela é a única coisa que trazes contigo d'Aquele Que é tua Fonte. Ela brilha em ti porque ilumina teu lar e te conduz de volta ao lugar de onde ela veio e aonde estás em casa.

2. Esta luz não pode ser perdida. Por que esperar para encontrá-la no futuro ou acreditar que ela já se perdeu ou nunca existiu? Ela pode ser vista tão facilmente que os argumentos que provam que ela não existe são ridículos. Quem pode negar a presença daquilo que vê em si mesmo? Não é difícil olhar para dentro, pois toda a luz começa aí. Não há nenhuma visão, seja de sonhos ou de uma Fonte mais verdadeira, que não seja uma sombra daquilo que se vê a partir da visão interior. Aí a percepção começa e aí ela termina. Ela não tem nenhuma fonte a não ser esta.

3. A paz de Deus brilha em ti agora e se estende ao mundo inteiro desde o teu coração. Ela pára para acariciar toda coisa viva e deixa nelas uma bênção que permanece para todo o sempre. Aquilo que ela dá tem de ser eterno. Ela retira todos os pensamentos do efêmero e do sem valor. Ela traz renovação a todos os corações cansados e ilumina todas as visões à medida que passa. Todas as suas dádivas são dadas a todos e todos se unem para dar graças a ti que dás e a ti que recebes.

4. O brilho em tua mente lembra o mundo daquilo que ele esqueceu e o mundo, do mesmo modo, te devolve a lembrança. A salvação se irradia de ti com dádivas incomensuráveis, dadas e devolvidas. O Próprio Deus agradece a ti, o doador da dádiva. E, em Sua bênção, a luz em ti brilha de modo mais claro, somando-se às dádivas que tens para oferecer ao mundo.

5. A paz de Deus nunca pode ser contida. Aquele que a reconhece em si mesmo tem de dá-la. E os meios para dá-la estão em sua compreensão. Ele perdoa porque reconhece a verdade em si. A paz de Deus brilha em ti agora, e em todas as coisas vivas. Na tranquilidade ela é reconhecida universalmente. Pois aquilo para que olha tua visão interior é tua percepção do universo.

6. Senta calmamente e fecha os olhos. A luz dentro de ti é suficiente. Só ela tem o poder para te dar a dádiva da visão. Exclui o mundo exterior e deixa que teus pensamentos voem para a paz interior. Eles conhecem o caminho. Pois pensamentos honestos, imaculados pelo sonho de coisas do mundo exterior a ti mesmo, se tornam os mensageiros santos do Próprio Deus.

7. Estes pensamentos tu pensas com Ele. Eles reconhecem seu lar. E apontam para sua Fonte, Onde Deus Pai e Filho são um. A paz de Deus brilha neles, mas eles têm de permanecer contigo também, pois nasceram em tua mente, da mesma forma que a tua nasceu na de Deus. Eles te conduzem de volta à paz, de onde vieram apenas para te lembrar como tens de voltar.

8. Eles atendem à Voz de teu Pai quando te recusas a escutar. E eles te pedem com insistência e de forma paciente que aceites Sua Palavra como aquilo que és, em vez de fantasias e sombras. Eles te lembram de que és o co-criador de todas as coisas que vivem. Pois do mesmo modo que a paz de Deus brilha em ti, ela tem de brilhar sobre elas.

9. Hoje praticamos chegar mais perto da luz em nós. Tomamos nossos pensamentos inconstantes e os levamos delicadamente de volta ao lugar em que eles se alinham com todos os pensamentos que compartilhamos com Deus. Não deixaremos que eles se desviem. Deixamos a luz dentro de nossas mentes orientá-los a virem para casa. Nós os traímos, ordenando que se afastassem de nós. Mas agora pedimos que voltem e os limpamos de desejos estranhos e de anseios confusos. Devolvemos a eles a santidade de sua herança.

10. Deste modo, nossas mentes se recuperam com eles e reconhecemos que a paz de Deus ainda brilha em nós e, a partir de nós, em todas as coisas vivas que compartilham nossa vida. Nós perdoaremos a todas, absolvendo o mundo inteiro daquilo que pensávamos que ele fez a nós. Pois somos nós que fazemos o mundo do modo que o queremos. Agora escolhemos que ele seja inocente, livre de pecado e aberto à salvação. E depositamos sobre ele nossa bênção salvadora, ao dizermos:

A paz de Deus brilha em mim agora.
Que todas as coisas brilhem sobre mim nesta paz,
e que eu as abençoe com a luz em mim.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 188

"A paz de Deus brilha em mim agora."

Hoje, vamos explorar mais uma vez a ideia que quer nos levar à decisão de acabar com a espera pelo Céu. Uma ideia que quer que nos conscientizemos de que não há necessidade de nenhuma espera, se, de fato, queremos viver o Céu na terra. O que causa a aparente demora e adia o momento em que vamos reconhecer que a Vontade de Deus e a nossa são a mesma é nossa falta de convicção, que nos impede a tomada de decisão de uma vez por todas. 

Interessante é notar que, quando falamos a respeito do tempo - pensando que é possível adiar qualquer ação -, estamos apenas reforçando nossa crença em um tempo linear, que não existe a não ser na ilusão. Um tempo a que nos referimos como passado, presente e futuro, que se sobrepõem um ao outro, mas que existem de forma independente e separada, como já vimos antes aqui.

Na verdade, conforme o Curso afirma, o único tempo que existe é o presente, o agora, e o agora é o tempo que mais se assemelha à eternidade. Aliás, a eternidade só pode se comparar ao presente. Assim, podemos perceber que tudo o que acontece só pode acontecer no tempo certo e que tudo está no lugar certo em todos os momentos em que olharmos para o mundo, pois não há como ser de outra forma.

O ensinamento nos autoriza a pensar, salvo engano de interpretação - e me corrijam, por favor, se eu estiver vendo de forma equivocada -, que não há atrasos na vida. Tudo acontece a seu tempo, no tempo certo, o tempo inteiro [lembremo-nos da terceira e da quarta leis espirituais que se ensina na Índia: Quando você começa alguma coisa, é o momento certo; e quando alguma coisa acaba, termina de fato]. 

Assim, se alguma coisa ainda não aconteceu, ela não aconteceu simplesmente porque não era a hora de acontecer. Ou alguém ainda pode ter dúvida disso? E se alguma coisa que algum de nós vive ainda não terminou, é porque ela ainda não está acabada. Quer dizer, se não acabou é porque ainda não aprendemos com ela tudo o que ela queria nos ensinar. Assim, entender que algo pode acontecer fora do tempo certo - isto é, antes ou depois do momento em que acontece - apenas atesta o equívoco de  nossa percepção a respeito do tempo.

Repetindo algo que eu já disse antes, o Curso nos afiança que seu ensinamento não está além do aprendizado imediato, a menos que acreditemos que "a Vontade de Deus leva tempo" para se realizar. E acreditar nisto significa apenas que preferimos adiar o reconhecimento de que tudo o que somos e vivemos, na verdade, é parte da Vontade de Deus. Fora da Vontade d'Ele só podemos experimentar ilusões.

Referindo-se à prática do instante santo, o texto nos afiança que "o instante santo é este instante e todos os instantes". É, em razão disto, aquele que quisermos que seja. Cabe a nós tomar a decisão de quando ele será e não podemos trazê-lo à consciência enquanto não o quisermos de verdade. Assim como não podemos materializar em nossa vida nada que não esteja em nossos pensamentos.

De certa forma, entendo que a lição de hoje começa dizendo a mesma coisa de outro modo. Isto é, que não há necessidade de esperarmos pelo Céu, podemos vivê-lo agora e em qualquer instante em que decidirmos aceitar para nós, como nossa vontade em sintonia com o divino em nós, que tudo o que desejamos é viver o Céu em nossas vidas. Cabe-nos apenas tomar esta decisão. Por que não agora? Por quanto tempo ainda pensamos adiar a tomada de decisão? Quanto ainda acreditamos que há para se aprender com a experiência da ilusão? Há, de fato, alguma coisa que a ilusão nos possa ensinar? 

Os que buscam a luz apenas cobrem os olhos, pois a luz está em nós o tempo todo. Ou seja, não existe uma situação em que estejamos afastados da luz e nem um instante que não seja santo, mesmo que na ilusão de mundo que construímos ou inventamos pensemos haver coisas não santas, devidas à escuridão.

As práticas, como digo constantemente e como o Curso diz, podem - e vão - nos ensinar isto. 

A elas?

domingo, 5 de julho de 2020

O que somos em Deus é o Amor que Ele também é


LIÇÃO 187

Abençoo o mundo porque abençoo a mim mesmo.

1. Ninguém pode dar a menos que tenha. De fato, dar é a prova de ter. Já estabelecemos este ponto antes. O que parece tornar difícil de acreditar nele não é isto. Ninguém pode duvidar de que primeiro tens de possuir o que queres dar. É na segunda fase que o mundo e a percepção verdadeira divergem. Depois de teres e dares, o mundo afirma, então, que perdeste o que possuías. A verdade assegura que dar vai aumentar o que tens.

2. Como isto é possível? Pois é certo que, se dás uma coisa finita, os olhos do teu corpo não perceberão como tua. No entanto, aprendemos que as coisas apenas representam os pensamentos que as criaram. E não te falta prova de que quando dás ideias tu as reforças em tua própria mente. Talvez a forma com que o pensamento parece surgir mude ao dar. Porém, ele tem de voltar àquele que dá. E a forma que ele assume também não pode ser menos aceitável. Tem de ser mais.

3. Primeiro as ideias têm de te pertencer antes que as dês. Se tens de salvar o mundo, primeiro aceitas a salvação para ti mesmo. Mas não acreditarás que isto aconteceu até que vejas os milagres que isto traz a todos para quem olhas. Nisto se esclarece a ideia de dar e ela adquire significado. Agora podes perceber que, por tua doação, tua riqueza aumenta.

4. Protege todas as coisas que prezas pelo ato de doá-las e terás certeza de que nunca as perderás. Aquilo que pensavas não ter vai se provar teu deste modo. Não valorizes, porém, sua forma. Pois esta mudará e ficará irreconhecível no tempo, por mais que tentes mantê-la a salvo. Nenhuma forma dura. É a ideia por detrás da forma das coisas que vive, imutável.

5. Dá com alegria. Só podes ganhar deste modo. O pensamento permanece e ganha força quando é reforçado pela doação. Os pensamentos se estendem na medida em que são dados, pois não podem se perder. Não existe nenhum doador ou receptor no sentido que o mundo os concebe. Há um doador que conserva; outro que também dará. E ambos têm de ganhar nesta troca, pois cada um terá o pensamento na forma mais útil para si. O que alguém parece perder é sempre alguma coisa que ele valorizará menos do que aquilo que certamente lhe será devolvido.

6. Não te esqueças nunca de que só dás a ti mesmo. Aquele que entende o que significa dar tem de rir da ideia de sacrifício. E também não pode deixar de reconhecer as muitas formas que o sacrifício pode assumir. Ele também ri da dor e da perda, da doença e do sofrimento, da pobreza, da fome e da morte. Ele reconhece que o sacrifício continua a ser a única ideia por trás de todas estas coisas e em sua risada tranquila elas são curadas.

7. Reconhecida, a ilusão tem de desaparecer. Não aceites o sofrimento e eliminas a ideia de sofrimento. Tua bênção pousa sobre todos os que sofrem, quando escolhes ver todo o sofrimento como ele é. A ideia do sacrifício dá origem da todas as formas que o sofrimento parecer assumir. E o sacrifício é uma ideia tão louca que a sanidade a elimina imediatamente.

8. Nunca acredites que podes sacrificar. Não há nenhum lugar para o sacrifício naquilo que tem algum valor. Se o pensamento acudir, a própria presença dele prova que o erro surgiu e que tem de se fazer a correção. Tua bênção o corrigirá. Dada primeiro a ti, ela agora é tua para dares também. Nenhuma forma de sacrifício e sofrimento pode durar o bastante diante do rosto daquele que se perdoa e se abençoa.

9. Os lírios que teu irmão te oferece estão depositados sobre teu altar, com os que lhe ofereceste ao lado deles. Quem poderia ter medo de olhar para tão bela santidade? A grande ilusão do medo de Deus se reduz a nada diante da pureza que verás aqui. Não tenhas medo de olhar. A ventura que verás afastará toda ideia de forma e deixará em seu lugar a dádiva perfeita sempre presente, destinada a crescer para sempre, tua eternamente, para ser dada incessantemente.

10. Agora somos um em pensamento, pois o medo se foi. E aqui, diante do altar do único Deus, do único Pai, do único Criador e do único Pensamento, estamos juntos como um único Filho de Deus. Não separados d'Aquele Que é nossa Fonte; não distantes de um só irmão que é parte de nosso único Ser, Cuja inocência se uniu a nós todos como um só, permanecemos em bem-aventurança e damos do mesmo modo que recebemos. O Nome de Deus está em nossos lábios. E, ao olharmos para dentro, vemos a pureza do Ceú brilhar em nosso reflexo do Amor de nosso Pai.

11. Agora somos abençoados e agora abençoamos o mundo. Queremos estender aquilo para que olhamos, porque queremos vê-lo em todos os lugares. Queremos vê-lo brilhar com a graça de Deus em todos. Não queremos que ele seja negado a nada do que vemos. E, para garantir que esta visão santa seja nossa, nós a oferecemos a tudo o que vemos. Pois aonde a virmos ela nos será devolvida na forma de lírios que podemos depositar em nosso altar, transformando-o em um lar para a Própria Inocência, Que habita conosco e nos oferece a Santidade d'Ela como sendo nossa.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 187

"Abençoo o mundo porque abençoo a mim mesmo."

Convido-os/as a fazerem comigo um exercício mental, como já fizemos anteriormente. E, de novo, cada um para si mesmo, da forma mais honesta e sincera possível. Vamos nos perguntar e responder o quanto nos amamos. Isto é, podemos formular as perguntas assim, por exemplo: Quanto amor de verdade eu dedico a mim mesmo? Eu [o eu sou que sou] estou no centro de minha vida? A coisa mais importante no mundo para mim é o que sou? Sou capaz de me amar apesar de todas as circunstâncias, em todas as situações? E, sejam elas quais forem e faça eu o que fizer, não importa em que momento de minha vida, estou decidido a continuar me amando e acreditando que mereço vir em primeiro lugar no meu mundo?

O que este exercício vai revelar? Vai revelar a cada um de nós a razão pela qual o mundo que vivemos é assim como é para nós. Se não nos amamos inteira e completamente como somos, não seremos jamais capaz de amar ninguém. Nem Deus. Se o amor que oferecemos a nós mesmos é o maior que podemos oferecer, vamos ser capazes de perceber que só as pessoas amorosas permanecem a nossa volta e aumentam em nós o amor que temos por nós mesmos, assim como aumentam nossa capacidade de amar tudo e todos no mundo. Amar o que somos acima de todas as coisas, situações e circunstâncias, equivale a amar a Deus sobre todas as coisas. 

Amor, a partir do ensinamento do Curso, é sinônimo de pureza, de inocência, de verdade, de luz, de liberdade, de fé, de convicção e certeza, de abundância e de plenitude. Amor é o que Deus é e o que somos n'Ele, com Ele. Assim é que amar a mim mesmo é o melhor que posso fazer para abençoar o mundo e, por extensão, abençoar a tudo e a todos, e receber todas dádivas de Deus em mim. 

Outro dia, assisti no Facebook, pela postagem de alguém, um vídeo daquele filósofo careca (?) de sobrenome Kamal, vocês já viram? Ele falava a respeito de ética, dizendo que só as pessoas éticas têm amigos e mantêm as amizades ao longo de suas vidas. É claro que não é necessário dizer que para se ser ético é preciso que nos amemos. Pois só assim podemos amar nossos amigos.

É por isso, que as práticas da ideia que o Curso nos oferece para hoje podem - e vão - nos revelar uma vez mais, se ainda não o sabemos, o quanto recebemos [de nós mesmos, pois, uma vez que não há nada fora, é só de nós mesmos que podemos receber] e a forma pela qual podemos fazer multiplicar os dons recebidos.

De acordo com o que ensina Joel Goldsmith, no livro A Arte de Curar pelo Espírito,  em capítulo intitulado Uma nova concepção de suprimento, de já lhes falei outras vezes, "o suprimento dos bens da vida é uma das coisas mais simples que um principiante no caminho espiritual pode realizar". 

Precisamos, porém, estar atentos ao fato de que há uma grande diferença entre "a verdade espiritual que subjaz ao suprimento e a concepção humana desse suprimento". 

É interessante notar a correspondência entre o que Goldsmith ensina e o que o Curso nos diz na lição que praticamos hoje. Diz ele: "Em sentido espiritual, ser suprido dos bens da vida, não quer dizer receber algo, mas sim dar algo". O que é bem o contrário do que se pensa no sentido humano. 

Ele afirma isso porque, em seu modo de ver, "no plano espiritual, não existe nenhum caminho para realizar o plano como tal: tal processo seria impossível, uma vez que todos os bens do céu e da terra já estão dentro de ti, neste momento, razão por que toda e qualquer tentativa de receberes de fora o suprimento desses bens" está fadada ao fracasso. Pois, como ele diz,  "não existe nenhum processo de subsistência fora do teu ser. Se quiseres fruir a plenitude daquilo de que necessitas para tua vivência, tens de abrir um caminho [interior] pelo qual essa plenitude possa fluir e se manifestar".  

Isto também é o que ensina Elio D'Anna, em seu livro, A Escola dos Deuses. Se não soubermos alimentar a abundância, a riqueza, a beleza, a inocência e a pureza do Ser que somos internamente, não há como ver essas coisas todas "fora". O "fora", como já aprendemos, é apenas um reflexo do que trazemos dentro. Assim, quando não nos acreditamos merecedores disto ou daquilo, ou quando alimentamos dúvidas acerca de algo que desejamos, pensando que é possível que não o alcancemos, contribuímos para que materialize em nossa experiência aquilo que está no fundo, em forma de crença, e não o que vem à superfície em forma de pensamento.

Isto quer dizer, como o Curso ensina, que todas as limitações são sempre auto-impostas. Basta que coloquemos nossa atenção em algo, o que quer que seja, para que este algo se materialize. E isto tanto para o nosso bem e para a nossa alegria, quanto para o nosso sofrimento e tristeza. É aquilo em que acreditamos que acontece. Em toda e qualquer circunstância. Lembram-se da segunda lei espiritual que se aprende na Índia: Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido

Aproveitemos também novamente para nos lembrarmos do que o rabino Nilton Bonder diz, em seu livro Fronteiras da Inteligência: "a sabedoria não é um saber, mas a habilidade de aprender". Isto é o mesmo que dizer, como já se disse muitas vezes, que a sabedoria começa para alguém quando ele reconhece que não sabe. E, claro, quando se abre para aprender. 

Ele também diz que "a única forma que se tem de chegar à certeza é pela dúvida. E [que] mesmo assim essa certeza [a que vem] deve estar eternamente aberta à dúvida. Ou, em outras palavras, ainda pertencer à categoria da dúvida". Para ele, "a espiritualidade não foge a esta regra da 'inteligência'. Ao contrário do que muitos pensam, a fé não é formada de certezas, mas de dúvidas trabalhadas de forma sensível e sofisticada".

Mas estas dúvidas desaparecem quando chegamos ao conhecimento, que, apesar de não ser o objeto de que se ocupa o ensinamento do Curso, nos espera quando nos rendemos por completo a Deus. Isto é, quando nos abandonamos por inteiro na certeza de que nosso único desejo é fazer o que é a Vontade d'Ele. Quando deixamos de lado a crença na separação.

Alan Watts, no livro God [Deus], para dizer a mesma coisa de outro modo, afirma que a "fé é um estado de abertura ou confiança" e que "a entrega é a atitude fundamental da fé". O que não significa que não se pode ter dúvidas. Estas, contudo, quando existirem - e acho que sempre vão existir -, também têm de fazer parte da entrega.

Da mesma forma, o Curso, em um de seus exercícios, convida, a certa altura, a abandonarmos tudo, inclusive o próprio Curso, e buscarmos o encontro com o Ser no mergulho mais profundo em nós mesmos, aonde vamos ser capazes de ouvir distintamente a Voz por Deus.

Lembremo-nos ainda mais uma vez da Oração de São Francisco, que afirma que "é dando que se recebe", palavras a que raramente damos atenção, porque distraídos de nós mesmos a maior parte do tempo. Quantas vezes já ouvimos estas palavras antes? Alguma vez já percebemos, de fato, a verdade que há nelas? Quantas vezes nos dispusemos a verificar, na prática, a veracidade delas? E quantas vezes, apesar de comprovada sua verdade, nos esquecemos disto, julgando que é negando a doação que poderemos manter e guardar aquilo que prezamos? Temendo perder o que conquistamos "a duras penas".

As práticas de hoje vão reforçar em nós a ideia de que somos abençoados com todas as dádivas de Deus, na terra e no céu, que podemos abençoar, e que é só dando que podemos receber, pois ela nos diz claramente que só damos a nós mesmos. Sempre!

Às práticas, pois!