segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Não precisas acreditar em nada, as práticas bastam


LIÇÃO 13

Um mundo sem significado* gera medo.

1. A ideia de hoje é, na verdade, outra forma da anterior, exceto que ela é mais específica em relação à emoção despertada. De fato, um mundo sem significado é impossível. Não existe nada sem significado. No entanto, disso não decorre que não pensarás que percebes algo que não tem nenhum significado. Ao contrário, estarás particularmente inclinado a acreditar que, de fato, o percebes.

2. O reconhecimento da falta de significado desperta profunda ansiedade em todos os separados. Ele representa uma situação em que Deus e o ego "desafiam" um ao outro para decidir de quem é o significado a ser escrito no espaço vazio que a falta de significado oferece. O ego se lança de modo frenético para estabelecer suas próprias ideias aí, com medo de que, caso não o faça, o vazio seja utilizado para demonstrar sua própria impotência e irrealidade. E somente nisto ele está correto.

3. Por isso, é essencial que aprendas a reconhecer o sem significado e a aceitá-lo sem medo. Se tiveres medo, é certo que dotarás o mundo de características que ele não possui e o atulharás de imagens que não existem. Para o ego, ilusões são dispositivos de segurança, do mesmo modo que elas também têm de ser para ti, que te equiparas ao ego.

4. Os exercícios para hoje, que devem ser feitos cerca de três ou quatro vezes por não mais do que mais ou menos um minuto no máximo, de cada vez, devem ser praticados de um modo um pouco diferente dos anteriores. De olhos fechados, repete a ideia de hoje para ti mesmo. Em seguida, abre os olhos e olha a tua volta lentamente dizendo:

Estou olhando para um mundo sem significado.

Repete esta declaração para ti mesmo enquanto olhas ao teu redor. Então, fecha os olhos e conclui com:

Um mundo sem significado gera medo porque eu penso
que estou em competição com Deus.

5. Podes achar difícil evitar algum tipo de resistência a esta declaração final. Seja qual for a forma que tal resistência possa tomar, lembra-te de que estás, de fato, com medo de tal pensamento por causa da "vingança" do "inimigo". A esta altura, não se espera que acredites na declaração e, provavelmente, a rejeitarás como absurda. Observa com muito cuidado, porém, quaisquer sinais de medo, evidentes ou dissimulados, que ela possa despertar.

6. Esta é nossa primeira tentativa de declarar uma relação explícita de causa e efeito de um tipo que estás muito inexperiente para reconhecer. Não te demores na declaração final e tenta nem mesmo pensar nela, exceto durante os períodos de prática. Neste momento isso será suficiente.

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*NOTA DE TRADUÇÃO: Valem as observação feitas para as lições 11 e 12.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 13

"Um mundo sem significado gera medo."

Basta que voltemos a atenção por um momento para a ideia que dá título ao exercício com que vamos trabalhar hoje, para percebermos, sem sombra de dúvida, a verdade que a lição contém, não é mesmo?

O que nos assusta e amedronta e nos põe muitas vezes em estado de depressão e tristeza é pensar que o mundo não faz sentido. Não há sentido para a vida que vivemos, para as coisas que fazemos. Nada no mundo parece nos trazer qualquer satisfação, qualquer alegria, paz. É só por pensarmos isso, e de forma equivocada, que podemos dizer que 

Um mundo sem significado gera medo.

A lição, porém, nos tranquiliza de saída ao dizer que, na verdade, ou de verdade:

De fato, um mundo sem significado é impossível. 
Não existe nada sem significado.

Mas isso não significa que não sejamos capazes de pensar que percebemos coisas que não têm significado, que não fazem nenhum sentido. E, tal como o Curso diz,

Ao contrário, estarás particularmente inclinado a acreditar que, de fato, o percebes.

E é aí que mora o perigo [que também só pode existir na ilusão]. Ou já não nos perguntamos inúmeras vezes: "Se Deus é um Deus de poder infinito, de bondade e de amor infinitos e só quer a alegria e a paz perfeitas para todos, como é que Ele permite que tanta coisa ruim aconteça no mundo"? Isso não faz nenhum sentido, não?

Um mundo sem significado gera medo.

É com isto que precisamos trabalhar. Pois a lição ensina que a ansiedade que sentimos surge, por parte dos separados, do "reconhecimento da falta de significado". É isto que nos coloca "em competição com Deus". E, se vocês estiverem lembrados, em algum ponto, logo no início do texto, se não me engano, o Curso diz que o maior desejo do ego é usurpar o lugar de Deus.

É exatamente isso que ele - o ego - trata de fazer tão logo nos convence de que não há sentido no mundo, em nossa vida, nem em nada do que percebemos.

É então que:

O ego se lança de modo frenético para estabelecer suas próprias ideias aí, com medo de que, caso não o faça, o vazio seja utilizado para demonstrar sua própria impotência e irrealidade. E somente nisto ele está correto.

Por isso, é essencial que aprendas a reconhecer o sem significado e a aceitá-lo sem medo. Se tiveres medo, é certo que dotarás o mundo de características que ele não possui e o atulharás de imagens que não existem. Para o ego, ilusões são dispositivos de segurança, do mesmo modo que elas também têm de ser para ti, que te equiparas ao ego.

O desafio, portanto, que a lição de hoje nos propõe é que sejamos capazes de olhar para o mundo - e para as coisas do mundo - por, pelo menos, três vezes, e por cerca de um minuto, declará-lo sem significado, e reconhecer que:

Um mundo sem significado gera medo porque eu penso
que estou em competição com Deus.

Lembremo-nos ainda de que não precisamos acreditar em nada. As práticas se bastam. Mas fiquemos atentos à resistência que pode surgir e, a conselho do Curso, não nos detenhamos por muito tempo na afirmação de que pensamos estar competindo com Deus e de que nem pensemos nela, a não ser durante os períodos das práticas, pois o medo do ego é da "vingança" que o "inimigo" pode querer.

Reconhecer e aceitar que não pode existir nada sem significado, como a lição ensina logo no início, percebendo claramente que é apenas o ego que nos leva a pensar na possibilidade de um mundo sem sentido, ou sem significado, pode nos trazer um alegria e uma paz além do imaginável, além da compreensão de nossas mentes em seu estado normal.

Às práticas?

domingo, 12 de janeiro de 2020

Já percebeste que nada do vês é o que parece ser?


LIÇÃO 12

Estou transtornado porque vejo um mundo sem significado*.

1. A importância desta ideia está no fato de que ela contém uma correção para uma distorção básica de percepção. Tu pensas que aquilo que te transtorna é um mundo assustador, ou um mundo triste, ou um mundo violento, ou um mundo doente. Todas estas características são dadas a ele por ti. O mundo em si mesmo não tem significado.

2. Estes exercícios são feitos com os olhos abertos. Olha ao teu redor, desta vez bem devagar. Tenta regular teu ritmo de forma que a passagem lenta de teu olhar de uma coisa para outra envolva um intervalo de tempo razoavelmente constante. Não permitas que o tempo da passagem se torne marcadamente mais longo ou mais curto, mas tenta, em lugar disso, manter um andamento sereno e uniforme do início ao fim. O que vês não importa. É isso que ensinas a ti mesmo quando dás a qualquer coisa sobre a qual teu olhar pouse atenção e tempo iguais. Este é um passo inicial no aprendizado de dar valor igual a todas elas.

3. Enquanto olhas ao teu redor, dize a ti mesmo:

Penso ver um mundo amedrontador, um mundo
perigoso, um mundo hostil, um mundo triste,
um mundo perverso, um mundo louco,

e assim por diante, usando quaisquer termos descritivos que te ocorrerem. Se te ocorrerem termos que parecem mais positivos do que negativos, inclui-os. Por exemplo, podes pensar em "um mundo bom", ou em "um mundo satisfatório". Se tais termos te ocorrerem usa-os juntamente com os outros. Podes não entender ainda por que estes adjetivos "amáveis" são adequados a estes exercícios, mas lembra-te de que um "mundo bom" pressupõe um "mau" e um "mundo satisfatório" pressupõe um "insatisfatório". Todos os termos que passarem por tua mente são sujeitos adequados para os exercícios de hoje. Sua qualidade aparente não importa.

4. Certifica-te de não alterares os intervalos de tempo entre as aplicações da ideia de hoje àquilo que pensas ser agradável e àquilo que pensas ser desagradável. Para os propósitos destes exercícios, não há nenhuma diferença entre eles. No final do período de prática, acrescenta:

Mas estou transtornado porque vejo um mundo sem significado.

5. Aquilo que não tem significado não é bom nem mau. Por que, então, um mundo sem significado deveria te transtornar? Se pudesses aceitar o mundo como sem significado e permitir que a verdade fosse escrita sobre ele para ti, isso te faria indescritivelmente feliz. Mas, em razão de ele ser sem significado, és impelido a escrever nele aquilo que queres que ele seja. É isto o que vês nele. É isto que não tem significado na verdade. Por baixo de tuas palavras está escrita a Palavra de Deus. A verdade te transtorna agora, mas quando tuas palavras forem apagadas, verás as d'Ele. Este é o propósito fundamental destes exercícios.

6. Três ou quatro vezes são suficientes para a prática da ideia para hoje. Os períodos de prática também não devem exceder um minuto. Podes achar até mesmo isso longo demais. Interrompe os exercícios sempre que experimentares uma sensação de inquietude.

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*NOTA DE TRADUÇÃO: Continua valendo a observação feita ontem a respeito da expressão sem significado como equivalente a sem sentido para traduzir a palavra original: meaningless.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 12

A ideia que vamos praticar hoje favorece, mais uma vez - exatamente como cada uma das lições -, a escolha e nos dá a possibilidade de uma mudança radical em nosso modo de ver o mundo. É necessário que o aceitemos [o mundo] como algo sem significado se quisermos, de fato, viver a alegria e a paz completas, conforme e a Vontade de Deus para nós. Se quisermos, de fato viver aquilo que o Curso chama de "o sonho feliz".  Vamos explorar a ideia de hoje um pouco mais juntos?

"Eu estou transtornado porque vejo um mundo sem significado."

Se voltarmos a uma das lições recentes anteriores - a quinta -, vamos nos lembrar de que praticamos esta mesma ideia dita de modo um pouco diferente: Eu nunca estou transtornado pela razão que imagino.

E vejam que logo no primeiro parágrafo da lição de hoje está o que se pode chamar de "a essência" da verdade que ela nos oferece.

Vejamos:

A importância desta ideia está no fato de que ela contém 
uma correção para uma distorção básica de percepção.

Já vimos algumas vezes antes que aquilo que vemos e percebemos a partir dos sentidos, da visão do corpo, não tem significado algum, porque a visão a partir da percepção nos engana quase que invariavelmente. Nada do que vemos é o que parece ser, por mais estranha que esta afirmação nos possa parecer. Tu consegues perceber isto? Nada do que pensamos significa nada. Bulhufas. Nadinha mesmo. Nerusquinha de biribitanhas. E por quê? Porque os pensamentos que temos não são nossos pensamentos verdadeiros, que são apenas aqueles que pensamos com Deus. São os pensamentos que não estão atrelados à percepção e nem dependem dela.

Então, o que há para se fazer - que é o que o Curso nos propõe - a cada lição é praticar a mudança de percepção. É para isso que o Curso nos oferece o livro de exercícios. Para começarmos, de fato, a buscar um modo diferente de ver.

A continuação do primeiro parágrafo diz:

Tu pensas que aquilo que te transtorna é um mundo assustador, 
ou um mundo triste, ou um mundo violento, ou um mundo doente.

Não é assim mesmo que pensamos? Ora o mundo nos assusta, ora as pessoas nos assustam. Ora os acontecimentos nos assustam, ora as coisas do mundo parecem nos ameaçar de tal modo que nos sentimos prisioneiros. Ora o que vemos nos enche de tristeza, ora de pavor. Não conseguimos compreender a loucura ou a doença do mundo. Será que algum dia, nalgum momento, conseguiremos perceber, de fato, que o que vemos no mundo é apenas a projeção de nossos pensamentos sem significado? E que a única coisa que há que ser mudada são exatamente esses pensamentos?

E mais:

Todas estas características são dadas a ele por ti. 
O mundo em si mesmo não tem significado.

Isso mesmo! Para corrigir este equívoco de nossa percepção, é mesmo necessário que reconheçamos que o que nos assusta, amedronta ou entristece é aquilo que fazemos com o mundo, do mundo. Pois só nós podemos lhe dar os atributos que vemos nele.

O que acontece então? Quando reconhecemos e aceitamos o fato de que as qualidades e defeitos do mundo, das pessoas, das coisas e dos acontecimentos não estão neles, mas em nós mesmos tão somente?

Começamos a vislumbrar uma luz. O que nos transtorna é ver um mundo sem significado, em lugar de ver, como desejaríamos, um mundo bom, ou mundo mau, um mundo assim ou um mundo assado. Por quê?

A lição explica:

Aquilo que não tem significado não é bom nem mau. Por que, então, um mundo sem significado deveria te transtornar? Se pudesses aceitar o mundo como sem significado e permitir que a verdade fosse escrita sobre ele para ti, isso te faria indescritivelmente feliz. Mas, em razão de ele ser sem significado, és impelido a escrever nele aquilo que queres que ele seja. É isto o que vês nele. É isto que não tem significado na verdade. Por baixo de tuas palavras está escrita a Palavra de Deus. A verdade te transtorna agora, mas quando tuas palavras forem apagadas, verás as d'Ele. Este é o propósito fundamental destes exercícios. 

Como já vimos apenas nós - cada um de nós a seu modo - somos responsáveis pelo mundo que vemos, não apenas por aquilo que se passa debaixo de nossos olhos, nas imediações e vizinhanças dos lugares aonde nos encontramos, mas por tudo aquilo que nos chega à consciência a respeito do que acontece no mundo inteiro. No universo inteiro.

É para reconhecer e aceitar esta responsabilidade, para nos voltarmos para o interior de nós mesmos e, a partir daí, estendermos a Vontade de Deus, de alegria completa e de paz perfeita para todos nós, que praticamos. 

Às práticas?

sábado, 11 de janeiro de 2020

As igrejas "oficiais" não se interessam pelas pessoas


LIÇÃO 11

Meus pensamentos sem significado* me mostram
um mundo sem significado.

1. Esta é a primeira ideia que temos que está relacionada a uma fase fundamental do processo de correção: a inversão do modo de pensar do mundo. Parece que o mundo determina o que percebes. A ideia de hoje apresenta o conceito de que teus pensamentos determinam o mundo que vês. Alegra-te, de fato, por praticar a ideia em sua forma inicial, pois nesta ideia tua liberação está assegurada. A chave para o perdão está nela.

2. Deve-se empreender os períodos de prática da ideia de hoje de um modo um pouco diferente dos anteriores. Começa com os olhos fechados e repete a ideia para ti mesmo lentamente. Em seguida, abre os olhos e olha ao teu redor, perto e longe, para cima e para baixo - para qualquer lugar. Durante o minuto aproximado a ser passado usando a ideia, repete-a para ti mesmo simplesmente, seguro de fazê-lo sem pressa e sem nenhuma sensação de urgência ou esforço.

3. Para fazer estes exercícios com o máximo benefício, os olhos devem se mover de uma coisa para outra de forma razoavelmente rápida, uma vez que não devem se demorar em nada em particular. As palavras, no entanto, devem ser usadas de uma forma calma, até mesmo vagarosamente. A apresentação a esta ideia, em particular, deve ser praticada do modo mais casual possível. Ela contém a base para a paz, para o relaxamento e para a liberdade que estamos tentando alcançar. Ao concluíres os exercícios, fecha os olhos e repete a ideia para ti mesmo lentamente mais uma vez.

4. Três períodos de prática provavelmente serão suficientes. Todavia, se houver pouca ou nenhuma inquietude e uma inclinação a fazer mais, pode-se empreender até cinco períodos. Não se recomenda mais do que isso.

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*NOTA DE TRADUÇÃO: A expressão sem significado, do original meaningless, também poderia ser traduzida por sem sentido, sem prejuízo do significado/sentido do texto original, em meu modo de entender. Em outros contextos também se pode pensar em traduzir meaningless por inútilinsignificante.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 11:

Bem, do mesmo modo que lhes disse em anos passados - aos que já estavam por aqui conosco -, acabaram-se os comentários, a exploração das lições por Tara Singh, na forma que compartilhei com vocês até ontem. Vamos ter saudade, não? Resta-nos, porém, a partir dos milagres que experimentamos em nossas práticas até aqui, buscar explorar por nós mesmos a lição de hoje, e continuar as explorações das demais dia a dia, na medida em que elas se forem apresentando.

Que lhes parece?

Comecemos, então, mais uma vez, por devotar toda a nossa atenção ao que diz a ideia para as nossas práticas de hoje: 

Meus pensamentos sem significado me mostram um mundo sem significado.

Pensemos por um momento a respeito da verdade que isto pode nos revelar.

Não é óbvio, a partir do que praticamos até aqui que, se os pensamentos que temos não significam coisa alguma - e são eles que criam e constroem nossa experiência neste mundo -, o mundo que vemos, portanto, não pode mesmo ter nenhum significado?

A lição diz:  
Esta é a primeira ideia que temos que está relacionada a uma fase fundamental do
processo de correção: a inversão do modo de pensar do mundo.

Ora, se queremos viver num mundo que tenha algum significado, para podermos ser a manifestação do divino, para sermos capazes de cumprir nosso objetivo e função de estender a Vontade de Deus, por sermos "partes da Consciência Una na qual as mentes estão unidas", vamos precisar, sem sombra de dúvida, praticar. Isto é, aplicar as palavras da verdade eterna que o Curso nos oferece, e aprender a inverter o modo de pensar do mundo.

Parece que o mundo determina o que percebes. A ideia de hoje apresenta 
o conceito de que teus pensamentos determinam o mundo que vês.

O contrário é que é verdadeiro. Isto é, é bem diferente do que costumamos pensar, não é? Pensamos, de modo geral, que aquilo que acontece em nossas vidas tem sua causa fora de nós. Quer dizer, pensamos que Fulano ou Sicrano nos fazem algo de bom ou aprontam alguma coisa ruim para nós, algo que nos magoa e fere. Mas isso não é verdade.Tudo o que experimentamos vem de nós. De nós mesmos. Da escolha que cada um de nós faz individualmente. Na verdade, só nós escolhemos o que queremos experimentar. Em todos os instantes e em todas as circunstâncias de nossas vidas.

E então? Como ficamos? 

Às práticas?

*

Repito aqui também mais uma vez uma última observação relacionada aos comentários das dez lições anteriores. Ao finalizar o capítulo do livro de onde retirei e traduzi os comentários, Tara Singh faz um alerta e um pedido de atenção ao que podemos fazer com o Curso, a partir de nosso contato com ele. Creio que o que ele diz pode nos ajudar a aprofundar a reflexão de hoje e das que virão, bem como nos levar ao que ele chama de "momento decisivo". Entre outras coisas, ele diz que é só a gratidão que pode nos mostrar a beleza [um lado positivo e sadio] do viver. 

Seu texto, reprisando, diz o seguinte:

"Quero que saibas de uma coisa. Somente a bênção de teu contato com Um Curso em Milagres pode transformar completamente teu modo de ver. Não concluas que não podes mudar; tu já mudaste. Jamais serás o(a) mesmo(a). Por que não ficar agradecido(a)?

"Tua gratidão vai te mostrar um lado positivo e sadio da vida. Vai até mesmo acelerar tua subida na espiral. Uma vez que tenhas feito contato com a ação da Vida por detrás das aparências, vais começar a desfazer tudo o que a bloqueia.

"Tu não tens de acreditar em nada. Sê apenas responsável pelo desfazer de tua negatividade. Se tu te auto-sabotares, nunca confiarás. Uma vez que tens o Curso, podes te dar ao luxo de confiar.

"Como eu disse, devemos ter ansiado pela verdade durante milhares de anos. Organizações religiosas tendem a se degenerar em negócios ou em sistemas de crenças. Elas não se importam contigo de verdade. Por isso, Deus teve de agir diretamente para alcançar Seu Filho. Agora o Curso está em tuas mãos. Podes te inspirar com isso?

"No minuto em que fazes contato com o Curso, é impossível que não mudes. Vê o fato como fato e começa a desfazer. Para tanto, tens toda a ajuda que és capaz de aceitar."

*

Boas práticas a todos aqueles e aquelas que quiserem, de fato, mudar! Mas a mudança que se pede, de acordo com o texto "O Natal com fim do sacrifício" [Capítulo 15 do livro texto, subcapítulo XI, página 346 à página 349], é uma mudança que vai nos manter os mesmos. Isto é, devemos mudar para ser os mesmos desde nossa Fonte, pois continuamos a ser como Deus nos criou. 

Às práticas?

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Só no nível da ilusão se mostram todas as diferenças


LIÇÃO 10

Meus pensamentos não significam nada.

1. Esta ideia se aplica a todos os pensamentos de que estejas ciente, ou dos quais te tornes ciente nos períodos de prática. A razão pela qual a ideia é aplicável a todos eles é que eles não são teus pensamentos verdadeiros. Fizemos esta distinção antes e a faremos novamente. Tu ainda não tens nenhuma base para comparação. Quanto tiveres, não terás nenhuma dúvida de que aquilo que acreditavas serem teus pensamentos não significava nada.

2. Esta é a segunda vez que usamos este tipo de ideia. Apenas a forma é ligeiramente diferente. Desta vez a ideia é apresentada com "Meus pensamentos" em lugar de "Estes pensamentos" e não se faz nenhuma ligação com as coisas ao teu redor de modo evidente. Agora a ênfase está na falta de realidade daquilo que pensas que pensas.

3. Este aspecto do processo de correção começou com a ideia de que os pensamentos de que estás ciente são sem significado, estão fora de ti em vez de estarem dentro e, em seguida, enfatizou-se sua condição de passados em lugar de sua condição de pensamentos presentes. Agora enfatizamos que a presença destes "pensamentos" significa que não estás pensando. Este é simplesmente outro modo de repetir nossa declaração anterior de que tua mente é, de fato, um espaço em branco. Reconhecer isto é reconhecer o nada, quando pensas que o vês. Como tal, este é o pré-requisito para a visão.

4. Fecha os olhos para estes exercícios e começa-os repetindo a ideia de hoje para ti mesmo bem devagar. Acrescenta em seguida:

Esta ideia ajudará a me liberar de tudo aquilo em que acredito agora.

Os exercícios, como antes, consistem em investigar tua mente em busca de todos os pensamentos disponíveis para ti, sem seleção ou julgamento. Tenta evitar qualquer tipo de classificação. De fato, se achares útil fazê-lo, poderias imaginar que estás vendo passar uma procissão estranha e sortida de pensamentos, que tem pouco ou nenhum significado pessoal para ti. À medida que cada um passa por tua mente, dize:

Meu pensamento sobre __________ não significa nada.
Meu pensamento sobre __________ não significa nada.

5. A ideia de hoje pode servir obviamente para qualquer pensamento que te aflija em qualquer momento. Além disso, recomenda-se cinco períodos de prática, cada um envolvendo não mais do que cerca de um minuto de exame mental. Não se recomenda que o tempo do período seja estendido, e ele deve ser reduzido para meio minuto ou menos, se experimentares desconforto. Lembra-te, porém, de repetir a ideia lentamente antes de aplicá-la de forma específica e também de acrescentar:

Esta ideia ajudará a me liberar de tudo aquilo em que acredito agora.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a Lição 10:

Repriso, por pertinente, uma vez mais a postagem da mesma forma que o fiz nos últimos anos: 

Bem... embora o ditado diga que "tudo o que é bom dura pouco", podemos invertê-lo à luz do ensinamento do Curso e dizer: tudo o que é bom dura para sempre. Chegamos hoje, mais uma vez, à última das dez lições para as quais encontramos comentários no livro de Tara Singh. E estes comentários hão de durar para sempre, enquanto existirem pessoas dispostas a fazer os exercícios, a praticar as lições.

Espero, como disse também nos anos anteriores, que todos tenham tirado bastante proveito das reflexões que ele nos convidou a fazer lição por lição. E, mais uma vez, acreditando ser necessário manter por algum tempo esta forma de comentário, vou continuar tentando, a partir de amanhã, algo parecido. 

Espero também, como antes, poder contar com a ajuda de todos vocês para me dizerem como me saio e, claro, deixo a cargo do Espírito Santo a inspiração que vai me ajudar a escolher as palavras para falar das lições que virão.

Vamos, então, ao último dos comentários de Tara? E ele começa, como sempre, chamando nossa atenção para a ideia para as práticas do dia. Assim:

"Meus pensamentos não significam nada."

E continua: O espaço que damos a qualquer coisa que lemos determina seu impacto sobre nós. Se lemos a lição de forma apressada, ela é apenas uma grande quantidade de palavras. Vês, nossas mentes estão sempre preocupadas, [Isto é, pré-ocupadas, o que significa dizer, ocupadas por antecedência, a maioria das vezes sem razão e sem necessidade]. Isto é um fato.

Quando nos aproximamos de algo sagrado, precisamos fazer nossa parte em preparar um espaço, sentando-nos em silêncio por alguns instantes em primeiro lugar.

Curso insiste em que leiamos devagar, isto é, com atenção. A atenção pergunta: O que isto significa? O que me está sendo pedido para ver? O Curso pede que trabalhemos a lição com precisão, de forma objetiva. Sabemos o que isto significa? Alguma vez somos precisos? Se fizéssemos estas exigências a nós mesmos, seríamos responsáveis e sábios. Não mais seríamos vagos, indiferentes ou casuais. Cada lição oferece um desafio do qual nossa má vontade intrínseca quer fugir. Meus pensamentos não significam nada é um desafio e tanto.

Se meus pensamentos não significam nada, então porque tenho tanta certeza deles? Por que me afirmo? Por que defendo minha posição? Se meus pensamentos não significam nada, posso julgar o outro? Pergunta a ti mesmo. Fica com isto.

O primeiro parágrafo contém a essência da lição.

Esta ideia se aplica a todos os pensamentos 
de que estejas ciente...

O que acontece agora? Ou percebes a verdade disto, a ignoras, ou discordas. Qual delas? Tu a ignoras. Como vais descobrir se a estás ignorando? Isto não é, também, um pensamento?

Esta ideia se aplica a todos os pensamentos
de que estejas ciente, ou de que te tornes
ciente no período da prática.

O período de prática pede que participes ativamente, que te tornes cientes dos pensamentos fugazes que cruzam tua mente.

A razão pela qual a ideia é aplicável a todos eles
é que eles não são teus pensamentos verdadeiros.

Não são teus pensamentos verdadeiros? Estás inventando pensamentos que pensas agora que são verdadeiros?

Podes começar a questionar teus pensamentos a teu próprio respeito, a respeito das pessoas que conheces, das coisas que acontecem?

É muito difícil admitir que não conheces - não conheces a ti mesmo ou a quem quer que seja. Só a humildade admitiria isso. A humildade é uma dádiva preciosa que te é dada quando te apercebes de que teus pensamentos não significam nada.

Meus pensamentos não significam nada.

A razão pela qual a ideia é aplicável a todos eles 
é que eles não são teus pensamentos verdadeiros. 
Fizemos esta distinção antes e a faremos novamente. 
Tu ainda não tens nenhuma base para comparação.

Podemos parar e perceber o que significa comparação?

No nível da ilusão, tudo o que percebes são diferenças entre isto e aquilo. E esta dualidade está tanto dentro de ti, quanto fora. Ela é a fonte do conflito doloroso e completamente sem importância em tua vida. A partir da perspectiva da Realidade, não obstante, estas diferenças não são importantes.

O discernimento pode distinguir o pensamento verdadeiro do pensamento sem significado e, deste modo, pôr fim ao conflito. Os pensamentos sem significado estão sempre em conflito. Gostas de alguém num momento e no instante seguinte não gostas. Em função de uma única coisinha minúscula, mudas de ideia a respeito daquela pessoa e, então, teus sentimentos são feridos. O pensamento é a mãe do sentimento. Tu pensas que teus sentimentos são sempre verdadeiros quer o pensamento seja, quer não.

Tu ainda não tens nenhuma base para comparação.
Quanto tiveres, não terás nenhuma dúvida de que aquilo 
que acreditavas serem teus pensamentos não significava nada.

Deixa-me te perguntar: "O que acontece quando te apercebes de que teus pensamentos não significam nada?" Se isto não for tua experiência real, ainda estarás acalentando pensamentos sem significado. Se for tua experiência real, dirás: "Eu me torno ciente." E eu te perguntaria: "Tu te tornas ciente de quê?" Poderias responder: [De que] "Meus pensamentos não significam nada."

Entretanto, se estiveres verdadeiramente ciente, percebes que teus pensamentos se baseiam em medo, insegurança e solidão. Tua consciência te apresenta a teu medo. Então, por um instante, a mesma consciência muda teu estado de ser do medo para o amor.

Esta mudança ocorre de fato somente quando colocas energia nela. Percebes que de uma forma básica teus pensamentos se baseiam no medo. É por isso que eles não significam nada. Mas existem também pensamentos verdadeiros - pensamentos de amor.

Podes pensar que aprendeste a diferença entre pensamento sem significado e pensamento verdadeiro, mas estás simplesmente substituindo um pensamento pelo outro? Podes perceber que tua forma de pensar ainda é sem significado? Tu simplesmente tiveste uma nova ideia. Vês como te enganas em pensar que aprendeste algo novo. Quando lhe dás significado, o pensamento sem significado se apresenta como verdadeiro.

Vês que o pensamento em que acreditas te impede de perceber claramente teu pensamento verdadeiro? Se vês, então, o pensamento verdadeiro, que não conhecias antes, te alivia e te liberta.

Curso diz:

Tu ainda não tens nenhuma base para comparação.
Quanto tiveres, não terás nenhuma dúvida de que aquilo 
que acreditavas serem teus pensamentos não significava nada.

A mudança acontece por confiares em teu pensamento para receber a ajuda que o pensamento verdadeiro oferece.

Teu coração pula de alegria porque alguma coisa que nunca conheceste antes quer te ajudar a chegar à consciência? Esta é a bênção da lição. Ela não é um ensinamento; é uma energia diferente. É a energia do Céu te ajudando. Recebeste esta dádiva? Perseverarias em fazer espaço para recebê-la?

Os exercícios, como antes, consistem em investigar tua mente em busca de todos os pensamentos disponíveis para ti, sem seleção ou julgamento. Tenta evitar qualquer tipo de classificação. De fato, se achares útil fazê-lo, poderias imaginar que estás vendo passar uma procissão estranha e sortida de pensamentos, que tem pouco ou nenhum significado pessoal para ti. À medida que cada um passa por tua mente, dize:

Meu pensamento sobre __________ não significa nada.

Não temos nenhuma rixa com os pássaros, as árvores, ou o rio que corre. Nossa única dificuldade se refere às pessoas.

Há sempre alguém a respeito de quem estás total e fanaticamente convencido de que ele [ou ela] te causou mal. Passam-se os anos e tua lembrança daquela ofensa nunca perde a força. E quando o Curso te pede para pensares em alguém de quem realmente não gostas, um nome te vem à cabeça instantaneamente. Dirias que teus pensamentos acerca daquela pessoa são sem significado?

Esta pode ser a lição que vai curar aquela mágoa? Estarias disposto a dissipar tua aversão? Poderias dar algum espaço à questão, a fim de ficares liberado da dor que ela provoca?

Fecha os olhos. Senta em silêncio e lembra-te da pessoa que pensas ter te enganado ou ferido. Pensa naquela pessoa. Observa que ele, ou ela, não está presente. Descobre que é só tua opinião o fato de que ele, ou ela, é ruim. Vê se és capaz de te permitires receber a ajuda que a lição promete. O que aconteceria então?

Deixa-me dizer de outro modo. Tu estás pedindo ao Espírito Santo para te ajudar a ficar livre de tua mágoa. Agora precisas descobrir se tua prece é verdadeira ou se ela é só uma ideia.

Começa a descobrir o modo com que tua mente funciona. É só uma ideia tua a de que queres ser liberado ou é tua intenção verdadeira? Talvez descubras que não queres ser liberado. O que é, de verdade, isso que não queres? Minha explicação disso toma tempo, mas tua experiência real pode ser imediata. Podes saber se queres ou não liberado realmente.

Qual é a diferença entre aceitares a ajuda e te convenceres de que perdoaste o outro? Se acreditares que perdoaste aquela pessoa sem a ajuda do Céu, estás equivocado. Teu "perdão" é só uma crença sem sentido.

Mas, se aceitaste a ajuda, a diferença é óbvia. Teu amor vai imediatamente até aquela pessoa. Imediatamente. Verás que ela percebe de modo equivocado exatamente como tu percebes de modo equivocado. Já não há mais culpa em tua mente; tampouco vês a outra pessoa como culpada. O passado acaba. Olhas amavelmente para a pessoa. E tua liberação não é uma crença. Recebeste a ajuda, e a ajuda é o amor que dás.

O perdão oferece tudo o que queres [referência à lição 122]. E não há nada que teu perdão não possa fazer. Se perdoaste uma pessoa, podes receber ajuda para perdoar outra. Mas nunca tomarás o crédito para ti mesmo - que tu o fizeste. Serás grato porque o amor de Deus flui através de ti. 

Às práticas?