sábado, 9 de janeiro de 2016

Mentes não treinadas necessitam das práticas


LIÇÃO 9

Eu não vejo nada tal como é agora.

1. Esta ideia, obviamente, resulta das duas anteriores. Mas, embora possas ser capaz de aceitá-la intelectualmente, é improvável que ela signifique alguma coisa para ti por enquanto. Contudo, neste ponto a compreensão não é necessária. De fato, o reconhecimento de que não compreendes é um pré-requisito para desfazer tuas ideias falsas. Estes exercícios se ocupam da prática, não da compreensão. Tu não precisas praticar aquilo que já compreendes. Na verdade, visar à compreensão e pressupor que já a tens seria andar em círculos.

2. É difícil para a mente não treinada acreditar que aquilo que ela parece retratar não existe. Esta ideia pode ser bastante assustadora e pode encontrar resistência ativa sob inúmeras formas. No entanto, isso não impede sua aplicação. Não se pede nada mais do que isso para estes exercícios ou quaisquer outros. Cada pequeno passo afastará um pouco as trevas e a compreensão finalmente virá para iluminar cada canto da mente que tenha ficado livre dos escombros que o escureciam.

3. Estes exercícios, para os quais três ou quatro períodos de prática são suficientes, envolvem olhar ao redor de ti e aplicar a ideia do dia a qualquer coisa que vejas, lembrando-te da necessidade de aplicação que não faça distinções e da regra essencial de não excluíres nada. Por exemplo:

Eu não vejo esta máquina de escrever tal como ela é agora.
Eu não vejo este telefone tal como ele é agora.
Eu não vejo este braço tal como ele é agora.

4. Começa com as coisas mais próximas de ti e depois estende o alcance para fora:

Eu não vejo aquele cabide de casacos* tal como ele é agora.
Eu não vejo aquela porta tal como ela é agora.
Eu não vejo aquele rosto tal como ele é agora.

5. Salienta-se mais uma vez que, embora não se deva tentar uma inclusão total, tem-se de evitar qualquer exclusão específica. Certifica-te de que és honesto para contigo mesmo ao fazer esta distinção. Podes ser tentado a escondê-la.

*Nota de Tradução: Vide nota à tradução da lição conforme publicação em 9 de janeiro de 2010. 

*

COMENTÁRIO:

Eis-nos aqui mais uma vez, hoje, prontos para as práticas de mais uma lição. A nona. E quem já está conosco há algum tempo, sabe que nos últimos anos praticamos a partir dos comentários feitos por Tara Singh, em um de seus livros, para as dez primeiras lições.

E é claro que precisamos rever o que ele diz, lembrando que, ao final de seu comentário ele chama a nossa atenção para o fato de que precisamos ser honestos para com nós mesmos, uma responsabilidade que a lição se encarrega de nos dar. Aprenderás a ser honesto para contigo mesmo hoje? Aprenderemos? 

Comecemos por abrir nossos olhos, nossas mentes e corações para a ideia na forma como ela se apresenta:


"Eu não vejo nada tal como é agora."

E a partir daí, Tara Singh nos diz:

Olhamos para todas as coisas por meio de imagens do pensamento, que mantêm o passado vivo. Essas imagens não são reais porque o que é real é real agora mesmo. Preocupadas com pensamentos do passado, nossas mentes alimentam ilusões sem fim. Não estamos no presente. Se estivéssemos no presente - neste momento - não seríamos capazes de dar nome a qualquer coisa. Quando isolamos e damos nome a uma flor, por exemplo, não a vemos. Quando se "vê" alguma coisa no presente, ela nos liga à eternidade.

Uma flor não poderia existir se, por milhões de anos não tivesse chovido, se não houvesse o ar e a luz do sol. Quantas folhas prepararam o solo à volta dela. Uma flor pode nos ligar à própria criação deste planeta. Ele é uma alegre expressão do eterno, da força criativa. Não está limitada pelo tempo.

Mas nós não podemos experimentar a totalidade no presente porque estamos presos no passado. O que poderia ser pior?

Por quantos séculos lutamos para saber disso! Afinal, percebemos que o tempo é uma ilusão. Não o tempo cronológico, mas o tempo psicológico - a ilusão de que amanhã eu vou "conseguir".

Então, como mudamos todos os nossos conceitos? É útil sermos apenas honestos acerca de nossas ilusões. A verdadeira gratidão é realmente a chave. Não precisamos fazer nada.

Neste mundo, lutamos para conseguir um diploma e para achar um meio de sobreviver, por isso pensamos que temos de lutar para nos tornarmos espirituais. É possível que nossa educação nos tenha tornado medíocres, que nossos esforços pela sobrevivência pessoal sejam perversos? Ficamos excitados com nossas, assim chamadas, realizações. Mas que valor têm as realizações, se não conhecemos nossa infinitude? Estamos aqui para abençoar o mundo, não nos estabelecemos para a satisfação de "carências".

Todas as coisas que se referem à personalidade e ao tempo trazem a luta consigo. "Ver" de verdade, ou a clareza, não envolve nenhuma luta porque dissipa a personalidade e nos liberta do tempo. Apresenta-nos a nossa própria eternidade.

Cada uma das lições do Curso oferece a visão verdadeira. Uma frase dá início ao processo e, lá pelo fim da lição, podemos chegar à Expiação e à serenidade. Quando isso não acontece, não a lemos.

O processo começa pela diminuição da autoridade do cérebro sobre nós. Quando pensamos na lição no meio de nossas vidas diárias, nós nos libertamos das pressões do tempo. Tornamo-nos verdadeiramente sensíveis e gratos. Então, a única arte que existe é a arte de viver.


Eu não vejo nada tal como é agora.

Esta ideia, obviamente, resulta das duas anteriores.

Eu vejo só o passado.

e

Minha mente se preocupa com pensamentos do passado.

Como apreendemos, de fato, estas lições? Devíamos estar nos desenvolvendo com cada lição em um processo diário de desfazer. O Curso é uma alegre aventura:


Eu não vejo nada tal como é agora.

Embora possas ser capaz de aceitá-la intelectualmente, é improvável que ela signifique alguma coisa para ti por enquanto. Contudo, neste ponto a compreensão não é necessária. De fato, o reconhecimento de que não compreendes é um pré-requisito para desfazer tuas ideias falsas. Estes exercícios se ocupam da prática, não da compreensão.

Se aprendemos a lição apenas intelectualmente, não somos transformados por ela. É exatamente como na escola - aprendemos de livros e repetimos o que aprendemos num exame. A simples memorização nunca vai além do cérebro.

O auto-conhecimento não é intelectual. Nunca saberemos quem somos enquanto defendermos a intelectualidade e a desonestidade. Reconhecer isto pode vir a transformar nossas vidas! Infelizmente, em lugar de chegar à honestidade, nós nos tornamos evasivos. Justificamos nossas ações ou nos tornamos confusos.

Podemos perceber que intelectualizamos nosso comportamento? Por exemplo, se dizemos que vamos ligar para um amigo e não o fazemos, oferecemos justificativas para não termos ligado. Não percebemos o fato de que não nos importamos.

Todo incidente é um espelho no qual podemos ver a nós mesmos. Se não quisermos desvendar nosso isolamento, egoismo e reações, então não somos honestos. E, para desfazê-los, precisamos ver as coisas como elas são. Caso contrário, a correção não acontece. Negamos a dádiva da lição e desperdiçamos as oportunidades para desfazer quando confiamos na intelectualidade.

Podemos desfazer a aparência da intelectualidade? Temos de treinar nossas mentes para perceber a falsidade de nossas pressuposições e conclusões. A mente pode ser treinada para ser tão incorruptível, tão vigilante, que nada do passado possa penetrar.

Curso diz que a compreensão não é necessária neste ponto. Nosso nível atual de compreensão é apenas intelectual, por isso não nos incomodemos com ele. O Curso dá ênfase à prática, em vez disso. Ele diz, com efeito: "A prática é a porta de entrada. Passa pela porta, não pela janela".

O que está implícito, então, na prática da lição?

Tu não precisas praticar aquilo que já compreendes. Na verdade, visar à compreensão e pressupor que já a tens seria andar em círculos.

É difícil para a mente não treinada acreditar que aquilo que ela parece retratar não existe. Esta ideia pode ser bastante assustadora e pode encontrar resistência ativa sob inúmeras formas. No entanto, isso não impede sua aplicação.

A lição diz que, em razão de nossas mentes não serem treinadas, a prática é necessária. Por isso, a prática tem de ter algo a ver com o treinamento da mente. Nossa prática é, no entanto, apenas uma forma de atividade? Até mesmo admitir que ela é seria enganador, se admissão fosse apenas intelectual. Perceber isto, em si mesmo, é a ação. No instante em que questionas a intelectualidade e o perceber, acontece um milagre. Tu não és mais a mesma pessoa. Só precisamos ser honestos para perceber nossos enganos.

Uma mente que é treinada para sair do pensamento - mesmo que por uma ínfima fração de segundo - declara a existência da consciência. O pensamento não tem nenhum poder na presença da consciência. Se pusermos todo o nosso coração em nossas práticas, o processo de despertar começa. Mas atenção dividida não vai funcionar. É auto-engano.

A vida é mais forte do que a personalidade. Por que razão dotamos a personalidade de tanto poder? Podemos escapar de nossa escravidão a ela e ser gratos. Então, tornamo-nos criativos - o velho morre e o novo nasce.


Cada pequeno passo afastará um pouco as trevas e a compreensão finalmente virá para iluminar cada canto da mente que tenha ficado livre dos escombros que o escureciam.

A consciência não é intelectual; ela desfaz tudo o que nasce do pensamento e do medo. Só nossa visão põe fim à atividade. Honestidade para com nós mesmos é a luz. Não temos nenhuma outra responsabilidade além da de sermos honestos para com nós mesmos. Então, somos uma bênção sobre a terra. 

Às práticas?

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

As ideias são abstratas, só a ação pode nos mudar


LIÇÃO 8

Minha mente se preocupa com pensamentos do passado.

1. Esta ideia  é claro, é a razão pela qual vês só o passado. Ninguém vê coisa alguma realmente. O que alguém vê é apenas seus pensamentos projetados para fora. A preocupação da mente com o passado é a causa da concepção equivocada do tempo de que sofre tua visão. Tua mente não pode apreender o presente, que é o único tempo que existe. Por isso, ela não pode entender o tempo e não pode, de fato, entender nada.

2. O único pensamento totalmente verdadeiro que alguém pode ter acerca do passado é que ele não está aqui. Pensar a seu respeito de qualquer modo é, portanto, pensar em ilusões. Muito poucos perceberam claramente o que, de fato, retratar o passado ou prevenir-se para o futuro traz como consequência. Na verdade, quando faz isso, a mente está vazia, pois não está de fato pensando a respeito de nada.

3. O objetivo dos exercícios de hoje é começar a treinar tua mente a reconhecer quando ela não está pensando em absoluto. Enquanto ideias irrefletidas preocuparem tua mente a verdade fica bloqueada. Reconhecer que tua mente está simplesmente vazia, ao contrário de acreditar que ela está cheia de ideias verdadeiras, é o primeiro passo para abrir caminho para a visão.

4. Os exercícios para hoje devem ser feitos de olhos fechados. Isso porque, de fato, não podes ver nada e é mais fácil reconhecer que, não importa quão vivamente possas retratar um pensamento, não estás vendo nada. Com o menor envolvimento possível, investiga tua mente por cerca de um minuto, como de costume, observando apenas os pensamentos que encontras aí. Cita cada um deles pela imagem ou tema central que contenha e passa ao seguinte. Começa o período de prática dizendo:

Parece que estou pensando sobre ____________ .

5. Em seguida, cita cada um de teus pensamentos de modo específico, por exemplo:

Parece que estou pensando sobre [ nome de uma
pessoa], sobre [nome de um objeto], sobre [nome
de uma emoção],

e assim por diante, concluindo, no final do período de exame da mente com:

Mas minha mente se preocupa com pensamentos do passado.

6. Isso pode ser feito quatro ou cinco vezes durante o dia, a menos que aches que te irrita. Se achares o exercício difícil, duas ou três vezes são suficientes. Contudo, podes achar útil incluir, no próprio exame da mente, tua irritação, ou qualquer emoção que a ideia de hoje possa causar.

*

COMENTÁRIO:

Não há como não voltar aos comentários feitos a partir do texto de Tara Singh, explorando as dez primeiras lições do Curso, pois como vamos ver, em seguida, repetindo os comentários feitos nos últimos anos, é a ideia que o Curso oferece para as práticas de hoje que nos mostra a razão pela qual só vemos o passado.

Duvidam? Vejamos o que ele nos diz, então, voltando toda a atenção de que somos capazes já a partir da ideia que temos de praticar. Assim, vamos perceber a verdade por trás da ideia que praticamos e perceber também que, como ele diz, as ideias são abstratas, não podem nos mudar, só a ação - as práticas - é que pode nos levar à mudança: 

"Minha mente se preocupa com pensamentos do passado."

O título [a ideia] desta lição te faz parar? O que acontece quando o lês? Pensas que ele é verdadeiro? Não verdadeiro? Faz diferença de qualquer modo? Tua concordância ou discordância não é só uma ideia?

Quando concordas [com] ou discordas de uma ideia, percebes que não te acontece nada. Vês quão irrelevantes as ideias são? 

Um milagre acontece se percebes de forma clara que ideias não têm nenhum significado.

Quando permanecemos no nível das ideias, não acontece nenhum milagre. Ou nós nos condenamos, ou ficamos entusiasmados e dizemos: "Vou conseguir isto de verdade!" Nós nos sentimos culpados ou ótimos. Mas ambas [as sensações] são reações. Não seria mais sábio perceber que ideias fundamentalmente não nos mudam? Ideias são abstratas. Se percebes isto, então, por um instante tua mente fica livre do passado.

Nenhum milagre acontece, quando te condenas: "Sim, eu sei que sou terrível." Podes descobrir que vens encontrando defeitos em ti mesmo há anos. Mas Deus te criou. Que direito tens de encontrar uma imperfeição em ti mesmo?

No vilarejo, em Punjab, na Índia, onde nasci, diz-se que apenas um tolo bate no bezerro, quando a vaca não dá leite.Isto significa dizer quão loucas são tuas opiniões a teu próprio respeito. Como todas as ideias, elas são insanas.

Tu continuas a te censurar: "Eu deveria ver minha perfeição." Isso também é um erro. Enquanto gerares ideias, continuarás a cometer erros. Faze algo a respeito das ideias e deixa-te ficar em paz. Quando questionas tuas ideias, tu és como Deus te criou. Estás questionando as interpretações que contaminam a humanidade há séculos. Este questionamento, sem o menor esforço, te liberta da autoridade da percepção equivocada - provavelmente pela vez primeira.

Percebes agora que a questão é o pensamento?

Ideias e pensamentos são a mesma coisa. Nossas mentes ficam preocupadas com eles. Aplicar esta lição quer dizer que sempre que tua mente ficar preocupada, tu não analisas teu pensamento ou nem mesmo tentas fazer alguma coisa a respeito dele. A própria consciência te corrige. Tu sabes que qualquer coisa que te preocupe te cega e desvia tua energia. Ela te põe de volta no sono do esquecimento. Agora, sabendo que a consciência é o meio para a correção, estás preparado para a vida.

Se não fores vigilante, o pensamento se insinua. O Curso admite isto. Tua energia flutua; tu ficas distraído ou cansado. Mas, no instante em que a lição vem à lembrança, e dás a ela tua atenção e energia, um milagre desfaz teu pensamento. Assim, enquanto a ideia está lá, o milagre também está. É fácil alcançar o Doador. A energia do milagre te libera da preocupação. Tu reconheces que aquilo que te absorvia não é mais importante.

Tu reconheces mais, que, enquanto estiveres preocupado, estás no passado, esquecido do presente.


 A preocupação da mente com o passado é a causa da concepção equivocada do tempo de que sofre tua visão. Tua mente não pode apreender o presente, que é o único tempo que existe. Por isso, ela não pode entender o tempo e não pode, de fato, entender nada.

Quando fazes a lição, tua compreensão é apenas uma ideia ou recebes um milagre? Tuas perguntas refletem um interesse em ir mais fundo, além da compreensão? Sem este interesse, tua própria compreensão é uma preocupação. Tu tens de enfrentar a ti mesmo para chegar ao momento decisivo.

No minuto em que pões a lição em segundo lugar, escolhes permanecer no passado. Quando decides "fazê-la mais tarde", tornaste tua rotina algo de primeira importância. Rotinas existem para a sobrevivência de "mim e meu". Em tua rotina não vês nada do presente. Quanto estás centrado em ti mesmo, tu te privas de qualquer outra coisa que não sejam as imagens do teu cérebro.


Minha mente se preocupa com pensamentos do passado.

Uma vez que entendas isto, podes te surpreender no hábito do pensamento. O milagre desfaz teu pensamento no instante em que te tornas consciente. Logo vais amar a consciência que renova tua vida mais do que a preocupação fatigante do pensamento.

A consciência não exige esforço. Ela muda teus valores e te liberta do passado. Transformado, ficas alegre e agradecido para sempre.

O ser humano estende a Vontade de Deus apenas quando está no presente, livre da ilusão do tempo. A descoberta de tua própria má-vontade para chegar a tua Realidade te levará a desafiar a ti mesmo. Ver o fato como fato é o milagre que dá a energia.


O único pensamento totalmente verdadeiro que alguém pode ter acerca do passado é que ele não está aqui. Pensar a seu respeito de qualquer modo é, portanto, pensar em ilusões. Muito poucos perceberam claramente o que, de fato, retratar o passado ou prevenir-se para o futuro traz como consequência. Na verdade, quando faz isso, a mente está vazia, pois não está de fato pensando a respeito de nada.

Enquanto ideias irrefletidas preocuparem tua mente a verdade fica bloqueada. Reconhecer que tua mente está simplesmente vazia, ao contrário de acreditar que ela está cheia de ideias verdadeiras, é o primeiro passo para abrir caminho para a visão.

Os problemas todos não são do passado? Trazemos nossos problemas do passado ao presente; por isso nunca conhecemos o presente, que é impessoal, ilimitado e vital. Só conhecemos problemas. J. Krishnamurti disse: "Não há nenhum problema separado da mente".

Se fosses sincero, dirias: "Eu estou sempre no passado. Para acordar desse sono do esquecimento, tenho de ficar atento. Mas não posso ficar atento. Minha mente está em outro lugar. Estou preocupado o dia inteiro. Tem de haver algo significativo a que eu possa dedicar minha atenção. Se eu tivesse um interesse, então, eu estaria no presente."

Esta descoberta te traria grande felicidade.

Interesse e atenção são os primeiros passos essenciais para te levar a uma ação criativa, em que podes estender a Vontade de Deus.

Se teu interesse é algo significativo, despertarás a sabedoria e as capacidades verdadeiras que trouxeste contigo para expressares ao nascer. Estenderás tua natureza Divina sobre a terra. Teu interesse e a energia dela [de tua natureza Divina] te trarão ao presente e à expressão intrínseca do significativo. Tu nasceste com um  objetivo e com uma função. Tu és parte da Consciência Una à qual as mentes estão unidas.

Desperdiçamos nossa energia com bobagens. Todos os dias bilhões de vidas e bilhões de toneladas de recursos da terra são utilizados para produzir coisas sem valor. Como podemos contribuir com este desperdício? O que acontece com a humanidade - com cada um de nós?

Ainda existe alguém que escute? Nossa preocupação com o passado se tornou tão destrutiva que não há ninguém a quem possamos comunicar nossa Unidade. Aonde há "tu e eu" não há comunicação. Mas não tornes isto pessoal ou começarás a criticar o outro ou a a condenar a ti mesmo. A compreensão genuína é o trampolim para algo mais profundo.

Podes perceber o horror e o perigo de estar o dia inteiro preocupado com pensamentos do passado e com coisas que envolvem apenas parte de tua atenção? Tua "compreensão" disto é apenas um conceito. Na condição de uma ideia, ela não tem força vital. Tu não és em nada diferente de antes. Ver isto verdadeiramente, porém, te desperta para a sanidade.

Tudo o que fazemos na ausência da atenção total é uma mentira. Só o que é eterno é Real. O Curso nos oferece as palavras eternas do Conhecimento Verdadeiro, e não podemos ouvi-las. Descobrir isto vai nos dar uma chacoalhada na direção da responsabilidade. Enquanto formos irresponsáveis, não podemos conhecer gratidão ou reconhecimento. Se nos falta interesse, as escrituras não têm importância, professores verdadeiros não têm importância. Nada importa.


Minha mente se preocupa com pensamentos do passado.

Esta lição é uma chama brilhante na escuridão da noite do mundo da separação. Há uma luz e uma paz em apenas ler o título. Percebemos que nunca saímos do ontem. Tampouco estamos vivos para a eternidade de nosso próprio ser - a luz da criação. Somos falsos para com nós mesmos.

O sábio traz as ilusões à verdade e as dissipa. Ele vê o falso como falso. E, então, ele percebe que aquilo de que não gosta fora de si mesmo é o que ele é. Ele lida consigo mesmo, sabendo que sua Realidade não pode ser ameaçada.

Reconhecer a verdade da lição de hoje vai mudar tua vida. 

Às práticas?

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Abandonar o passado é de nossa responsabilidade


LIÇÃO 7

Eu vejo só o passado.

1. É particularmente difícil acreditar neste ideia a princípio. Porém, ela é a base lógica para todas as anteriores. Ela é a razão pela qual nada do que vês significa coisa alguma. 
Ela é a razão pela qual dás a todas as coisas que vês todo o significado que têm para ti. 
Ela é a razão pela qual não entendes nada do que vês.
Ela é a razão pela qual teus pensamentos não significam nada, e a razão pela qual eles são como as coisas que vês. 
Ela é a razão pela qual tu nunca estás transtornado pelo motivo que imaginas.
Ela é a razão pela qual tu estás transtornado porque vês algo que não existe.

2. É muito difícil mudar ideias antigas a respeito do tempo, porque tudo aquilo em que acreditas está radicado no tempo e depende de não aprenderes estas ideias novas a respeito dele. No entanto, é justamente por isso que precisas de ideias novas acerca do tempo. Esta primeira ideia a respeito do tempo não é, de fato, tão estranha quanto pode parecer de início.

3. Olha para uma xícara, por exemplo. Tu vês uma xícara ou simplesmente revês tuas experiências passadas de pegar um xícara, de estar com sede, de beber de uma xícara, de sentir a borda de uma xícara contra teus lábios, de tomar o café da manhã e assim por diante? Tuas reações estéticas à xícara não são também baseadas em experiências passadas? De que outra forma saberias se esse tipo de xícara se quebraria ou não se a deixasses cair? O que sabes a respeito dessa xícara exceto aquilo que aprendeste no passado? Tu não tens nenhuma ideia do que essa xícara é, a não ser pelo teu aprendizado passado. Então, tu a vês realmente?

4. Olha ao teu redor. Isso é igualmente verdadeiro a respeito de qualquer coisa para a qual olhes. Reconhece isso aplicando a ideia de hoje indistintamente para o que quer que capte teu olhar. Por exemplo:

Eu vejo só o passado neste lápis.
Eu vejo só o passado neste sapato.
Eu vejo só o passado nesta mão.
Eu vejo só o passado naquele corpo.
Eu vejo só o passado naquele rosto.

5. Não te demores em nenhuma coisa em particular, mas lembra-te de não omitir nada de modo específico. Olha rapidamente para cada sujeito e, em seguida, passa para o seguinte. Três ou quatro períodos de prática, que durem aproximadamente um minuto cada, serão suficientes.

*

COMENTÁRIO:

Como nos diz já no começo a lição, é bem difícil acreditar na ideia que o Curso nos oferece para as práticas de hoje. Pois, podemos pensar, como assim "eu vejo só o passado"? Mas se dermos um espaço de silêncio a nossa mente, permitindo que a Voz por Deus assuma o processo de pensar em nós, podemos chegar à razão e compreender por que é verdade a ideia que vamos praticar.

Ela não só é a expressão da verdade a respeito de como fomos ensinados a pensar sem pensar realmente, como também permite que comecemos a questionar tudo o que mundo nos tem ensinado e ensina até hoje. Pois aquilo que pensamos ser o presente que vivemos está, na verdade, contaminado por tudo o que veio antes. 

Todos os preconceitos, todas as mentiras, todos os equívocos pensados pelos homens e pelas mulheres estão arraigados no sistema de pensamento do mundo e visam apenas a perpetuar a ideia de que somos e estamos separados do divino em nós mesmos e que vivemos separados uns dos outros e do Próprio Deus, seja lá qual for o nome que damos a Ele.

Não sabemos quais são os nossos pensamentos verdadeiros, porque o mundo não quer que pensemos. Ou, melhor dizendo, o mundo quer que pensemos que o que vemos é verdadeiro e que as coisas sempre foram, são e serão sempre como o ego quer que sejam. Não existe vida a não ser nos corpos e, quando os corpos se deterioram e morrem, o que somos só pode ser alcançado após a morte.

O mundo de aparências, que vemos. não existe senão como projeção daquilo que trazemos internamente, como já disse tantas vezes antes. Nossos verdadeiros pensamentos são os que temos com Deus. Pensamentos dos quais a maior parte do tempo não temos ciência. 

Vamos, pois, hoje, mais uma vez, voltar nossa atenção para as práticas da ideia para hoje, munidos do que nos dizia Tara Singh ao explorar esta mesma lição em anos passados. Vejamos de que forma ele vem em nosso auxílio para melhor praticarmos. Comecemos com a própria ideia:

"Eu vejo só o passado."

Isto deve verdadeiramente te atingir. Não leias mais. Dá espaço a ti mesmo.

Eu vejo só o passado.

À medida que lhe dás atenção começas a reconhecer a verdade disto. Descobres, por exemplo, que não podes te livrar do que pensas a respeito de uma pessoa, bem ou mal. Então, não podes vê-lo ou vê-la.

Não fiques apenas lendo. Descobre se isso é verdade. Perceberás que, se não podes te livrar de tua opinião acerca de alguém, Eu vejo só o passado é um fato.

Vamos agora um pouco mais fundo. Descobrimos que vemos só o passado, não vemos o presente de modo algum. Como podemos nos ligar ao presente se estamos sempre no passado? Nosso saber é do passado, nossas mágoas são do passado, nossa gratidão é do passado. Como podemos saber o que é gratidão, se vivemos no passado? Então há muito a se explorar, não é mesmo? Já fomos desafiados, e mal começamos a ler a lição.

Alguma vez já estiveste no presente? Pergunta a ti mesmo. Podes lembrar um instante de perigo - quando sentiste que te afogarias ou que serias picado por uma cascavel? Naquele instante estiveste no presente, não? Quando quase foste atropelado, tiveste de te mover rapidamente. Foi teu aprendizado da experiência do passado ou alguma outra habilidade que entrou em ação?

Na iminência do perigo tu apelas para uma inteligência que é independente do passado. É uma ação instantânea, mais veloz do que o pensamento, e imprevisível. Tu não sabes o que vais fazer.

Uma noite, depois do escurecer, eu estava caminhando com um amigo em Chandigarh, na Índia. Pisei numa naja. Pulei tão alto que só o capelo da naja bateu em meu calcanhar. Foi assim que fui salvo. Percebes quão rápido são teus reflexos? Tu ages! Não vais te perguntar: "Será que pisei num graveto? Isto é uma corda"?

Há também uma ação de Vida, criativa e involuntária, dentro de ti, que ajusta tua energia. Para entrar em contato com essa ação criativa, tens de trazer teu cérebro ao silêncio total. No silêncio, essa energia pode ser concentrada sempre que a orientares. Podes imaginar que alegria é ser criativo desta forma, estar inteiramente no presente? Tu ficas tão concentrado que o passado não te toca.

Eu vejo só o passado.

Tu e eu podemos descobrir isto diretamente. Á medida que te tornas sério a respeito da lição, gradualmente o questionamento interno começa: "Como posso estar no passado, se estou pensando a respeito de amanhã?" Mas isso é o passado também. Foi o passado que inventou o amanhã. O fato é que, de verdade, só vês o passado. Não podes sair disso; é como areia movediça. Mesmo querendo sair dele é o passado.

Tu tens de chegar a um desejo ardente. Tens de chegar ao momento decisivo.

Eu vejo só o passado.

É particularmente difícil acreditar neste ideia a princípio. Porém, ela é a base lógica para todas as anteriores. Ela é a razão pela qual nada do que vês significa coisa alguma. 
Ela é a razão pela qual dás a todas as coisas que vês todo o significado que têm para ti.
Ela é a razão pela qual não entendes nada do que vês.
Ela é a razão pela qual teus pensamentos não significam nada, e a razão pela qual eles são como as coisas que vês.

Ver só o passado te limita. Condicionado e controlado pelo hábito, não estás vivo para presente. Não há nada de novo naquilo que fazes, hoje ou em qualquer momento de tua vida. Sentes o tormento desta condição?

Toda a ajuda do Céu te envolverá, se estiveres decidido a aplicar a lição de hoje neste dia mesmo. 

Eu só vejo o passado.

Ela é a razão pela qual tu nunca estás transtornado pelo motivo que imaginas.

Ela é a razão pela qual tu estás transtornado porque vês algo que não existe.

Podes imaginar isso? Estás transtornado porque só vês o passado. Alguma vez estás, ou quem quer que seja, no presente? No presente, ninguém jamais faz nada.errado. Como podes castigar outra pessoa? As razões que pensas ter para ficares transtornado são razões do passado.

Seremos iguais aos animais? Os animais, com seus instintos, vivem no passado. Por que razão nós, seres humanos, queremos viver no passado, se podemos viver no presente que não é contaminado pelo passado? Não queremos andar no presente porque estamos presos a nossos gostar e desgostar, porque amamos nossos hábitos. 


É muito difícil mudar ideias antigas a respeito do tempo...

Curso diz "muito difícil". Encontrei, em minha vida, duas extensões de Deus e ambas me disseram a mesma coisa: "As pessoas raramente, se alguma vez, mudam." Por isso, a fim de mudar, temos realmente de colocar todo o nosso coração nisso.


 É muito difícil mudar ideias antigas a respeito do tempo, porque tudo aquilo em que acreditas está radicado no tempo...

Se realmente víssemos que nossas crenças estão radicadas no tempo, isso nos perturbaria de forma tão profunda e nos tornaria tão infelizes que arderíamos de desejo para escapar. Como podemos ler esta lição e não chegarmos ao momento decisivo? Com nossas mentes no passado, nunca conheceremos o bem, o amor, Deus, justiça, auto-confiança, ou gratidão; nunca conheceremos o Curso.

Agora a lição nos instrui:

Olha para uma xícara, por exemplo. Tu vês uma xícara ou simplesmente revês tuas experiências passadas...  O que sabes a respeito dessa xícara exceto aquilo que aprendeste no passado? Tu não tens nenhuma ideia do que essa xícara é, a não ser pelo teu aprendizado passado. Então, tu a vês realmente?

Dá um lápis a um aborígene. É provável que ele o jogue fora! Nada no passado dele lhe diz que o lápis tem valor. Ele pode mostrar algum interesse por aquela coisa macia em uma das pontas e pela tira de metal que a prende porque nunca viu coisa parecida.

Por que nunca nos perdemos na maravilha das coisas? Por que não achamos em nós a originalidade para olhar para uma coisa no presente? Podemos permitir que a rosa nos apresente ao todo, à totalidade da criação? A rosa não está separada do sol ou do orvalho. Em um único instante ela pode nos apresentar à força vital do presente.

No presente - em um lapso de tempo infinitamente breve - quantos pássaros voam de um galho a outro? Quantos peixes se lançam daqui para lá? Quantas batidas o coração dá neste espaço de tempo? Quanta energia!

Ficamos felizes na medida da atenção que damos a alguma coisa. Eu atravesso a rua só para ver uma rosa. Vi uma rosa particularmente bela, cor de açafrão, no pé de um arbusto com muitos espinhos. Tinha um perfume delicioso.

Quão extraordinário que a terra possa produzir tal rosa. A beleza da terra se exprime nas flores. Como elas surgem? Quem poderia imaginar em transformar folhas caídas em solo para nutrir coisas vivas? É um ciclo que continua eternamente.

"Eu vejo só o passado neste sapato."
"Eu vejo só o passado naquele corpo."

Eu dou significado ao corpo em termos daquilo que sei que o corpo pode fazer. No entanto, para alguma coisa ter significado real, ela tem de pertencer à Realidade. A Realidade está além do tempo; ela não muda. Por isso todas essas coisas - o lápis, o sapato, o corpo - não têm nenhum significado.

Para estar no presente, temos de abandonar o passado. Abandonar é nossa dificuldade desde o início do tempo.   É o único problema; não há nenhum outro. Estar no presente é bem simples uma vez que reconheçamos que só vemos o passado. Mas nós o tornamos complicado. Dizemos: "Tenho de pensar a respeito"; desta forma, permanecemos no passado.

É nossa responsabilidade perceber que nós continuamos o passado, e que nós temos de pôr fim a ele. Para conhecermos nossa infinitude, precisamos desfazer o passado. Ninguém pode desfazer o passado sem a ajuda do Espírito Santo. Quando descobrimos que precisamos da ajuda d'Ele e a invocamos, a ação do Espírito Santo põe fim ao passado e ao futuro e nos traz ao presente.

Certifica-te de que tens a capacidade de receber e de prestar atenção na ajuda do Espírito Santo; do contrário, não a peças. Perderás a fé e teu pedido se tornará um ritual. Normalmente pedimos ajuda sem a capacidade de receber; nós o fazemos simplesmente como uma obrigação. Mas, sob a obrigação, continua a existir um anseio profundo que, em primeiro lugar, nos trouxe ao Curso.

Quando pedires ajuda ao Espírito Santo, fica em silêncio por um instante e vê realmente se a queres ou se estás apenas tentando te convencer. Certifica-te de que estás atento. Descobre, então, se estavas. Se não estavas, descobre que foste desonesto.

Nalgum lugar em cada um de nós há um anseio por um professor. Se reconheceres o Curso, vais percebê-lo como a resposta a tua prece. Agora, quando pedires ajuda, tens a capacidade de receber. E tu o lês de modo diferente.

Precisamos chegar à paixão para deixar para trás tudo o que está radicado no tempo, pois nada do que pertence ao tempo tem significado. Uma vez que percebas claramente a verdade disso, tu és um santo. E a terra não é a mesma com um santo sobre ela. 

E então? Que me dizem? 

Às praticas?