segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Abandonar o sentimento de culpa pelo ataque


LIÇÃO 216

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (196) Só posso crucificar a mim mesmo.

Tudo o que faço, faço a mim mesmo. Se ataco, eu sofro. Mas, se eu perdoar, a salvação me será dada.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 216

A ideia que vamos revisar mais uma vez hoje, como já disse antes, contém uma verdade que não aprendemos com o mundo. Tudo o que o mundo nos ensina a fazer é julgar, condenar, atacar e crucificar todos que se apresentam em nossos caminhos como culpados pelo estado de coisas que vivemos.

Ora são nossos pais, ora é nossa família toda. Ora são os professores, ora é a escola em que estudamos. Ora é o bairro ou o lugar em que vivemos, ora é o país em que nascemos. Em alguns momentos é o supervisor em nosso emprego, nosso superior direto, noutros é a empresa, que não nos dá a chance que pensamos precisar. Noutros é a situação econômica, social e política do país, onde "todos" os representantes eleitos são corruptos e só pensam em seu próprio bem. Noutras ainda é a religião em que fomos criados, que quer nos manter sob o jugo de um Deus acusador e vingativo.

Quando é que vamos aprender a deixar de atribuir a outro(s) a responsabilidade que nos cabe pelo estado das coisas que vivemos? Quando é que vamos compreender - e, lembrem-se, compreender é aceitar - que só nós mesmos criamos e construímos esse estado de coisas, seja ele qual for. 

Um estado que, aliás, como já disse também, nunca parece ser de nossa própria responsabilidade. Porque "eu" sei o que faço e o que quero. Os outros? Os outros estão todos errados, a se dar ouvidos ao sistema de pensamento deste falso "eu", uma imagem de nós mesmos apenas, que vamos construindo com o aprendizado do mundo, e que o Curso chama de ego.

O Curso diz várias vezes, em diversos pontos diferentes, que oferece um ensinamento muito simples. Afinal, diz ele a certa altura, o que pode ser mais simples do que ensinar que só a verdade é verdadeira? E que o que é falso é falso?

E é isto que a ideia para as práticas de hoje nos ajuda a aprender e a compreender. Pois ela é apenas extensão e consequência natural de outra lição que diz: Tudo o que dou é dado a mim mesmo (Lição 126). Ora, se só dou a mim mesmo, é lógico que só posso ferir a mim mesmo, não?

Isto não é simples de se aprender? Sim! Sim! É simples, mas não é fácil. E por quê? Por estarmos hipnotizados pelos modos e sugestões do mundo [do ego, o falso eu], grande número de vezes não nos apercebemos de que o que fazemos só atinge mais fundo, de fato, a nós mesmos.

Apesar de todos já termos experimentado em algum momento a dor que resulta de se ferir alguém, o ego nos convida a relevar esta dor e a esquecê-la, sob a justificativa de que o que fizemos era o que aquela pessoa merecia, mas não ensina como abandonar o sentimento de culpa que se origina do ataque.

Na verdade, sabemos que não é assim. Pois sempre que buscamos ferir ou atacar alguém é a nós mesmos que machucamos mais. E pagamos o preço em culpa. E a culpa gera o medo. E não conseguimos mais ficar em paz, nem experimentar a alegria, que é nosso estado natural. É só abandonando a culpa, que vem do ataque e do julgamento do ataque, frutos da crença na separação, que vamos conseguir experimentar a paz.

Afinal, o que queremos de verdade para nossa vida? Paz ou culpa? Ou, lembrando de mais um dos ensinamentos do Curso: queremos ter razão ou ser felizes?

Às práticas?

domingo, 3 de agosto de 2014

Por que se insiste na importância de nossa atenção?


LIÇÃO 215

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (195) O amor é o caminho que sigo com gratidão.

O Espírito Santo é meu único Guia. Ele caminha comigo no amor. E eu dou graças a Ele por me mostrar o caminho a seguir.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 215

O que o Curso oferece para nossas práticas de hoje é uma ideia à qual vai ser preciso dar o melhor de nossa capacidade de atenção. E por que digo isto? Porque, em geral, no estado comum de consciência não nos apercebemos da necessidade da gratidão pelo caminho que seguimos, seja ele qual for. Não nos damos conta de que é só quando somos agradecidos, que o universo derrama sobre nós todas as suas bênçãos e maravilhas.

Afinal, já passamos pelas lições que ensinam que somos nós mesmos que criamos as experiências pelas quais queremos - escolhemos e precisamos - passar, não é? E como o fazemos? De onde elas vêm? Do nada? Não! Não! Elas vêm de nossos pensamentos, são resultados de nossas crenças. E se manifestam a partir daquilo que damos para o mundo. 

É por esta razão que nossas práticas hoje visam a nos abrir os olhos para o fato de que o caminho que seguimos é o caminho do amor. Pois, quer queiramos, quer não, quer saibamos, quer não, o caminho em que andamos é aquele que vai nos levar ao amor; o único anseio que queremos ver atendido. Mesmo que não tenhamos isto muito claro em nossa consciência.

Aproveitando, então, o que digo aí acima, vou me valer novamente de um pequeno trecho do texto como forma de chamar a atenção para a necessidade de olharmos o mundo de modo diferente, como preconiza o Curso. O trecho está no capítulo 12 e tem por título VIII. A atração do amor pelo amor.

Diz ele a determinada altura: "Se buscas o amor com o fim de atacá-lo, jamais o acharás. Pois, se o amor é compartilhar, como podes achá-lo a não ser a partir dele mesmo? Oferece-o e ele virá a ti, porque ele [o amor] é atraído para si mesmo". 

É para se pensar, portanto, na diferença que há entre as formas com que buscamos o amor, obedecendo as orientações do sistema de pensamento do ego - carentes, necessitados, certos de uma imperfeição que não tem nada a ver com o que somos na realidade -, buscando uma completude que não pode ser encontrada em nada, nem em ninguém, a não ser em nós mesmos, no contato com o divino interior; e a forma que o Curso busca nos ensinar, a partir da orientação do Espírito Santo.

Para o Espírito Santo, que sabe que somos completos e perfeitos em Deus, o movimento em direção ao amor é o de extensão, de doação. Pois como o Curso ensina, dar e receber são a mesma coisa. Em outras palavras, ainda de acordo com o ensinamento, só nos pode faltar aquilo que não damos. É por isso que precisamos aprender a gratidão. Pois só sendo capazes de agradecer por tudo o que se apresenta a nós pelos caminhos que escolhermos é que vamos perceber que trilhamos o caminho do amor. 

E mais: para nos apercebermos da importância da atenção a tudo o que nos rodeia, repriso aqui um poema do amigo poeta, Donizete Galvão, que se "encantou", no dizer de Guimarães Rosa, no início deste ano. Trata-se da: 

Oração Natural 

Fique atento
ao ritmo,
aos movimentos
do peixe no anzol.
Fique atento
às falas
das pessoas
que só dizem 
o necessário.
Fique atento
aos sulcos
de sal
de sua face.
Fique atento
aos frutos tardios
que pendem
da memória.
Fique atento
às raízes
que se trançam
em seu coração.
A atenção:
forma natural
de oração.

Às práticas?

sábado, 2 de agosto de 2014

Que tudo se ilumine e se encha de amor e de alegria!


LIÇÃO 214

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (194) Entrego o futuro nas Mãos de Deus.

O passado se foi; o futuro ainda não existe. Agora estou livre de ambos. Pois o que Deus dá só pode ser para o bem. E eu aceito apenas o que Ele dá como aquilo que me pertence.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 214

Recomeço a exploração da ideia que vamos praticar com esta lição refazendo as perguntas dos anos passados:

Alguém sabe me dizer aonde está o meu passado? Ou o passado em geral? Alguém, quem quer que seja, sabe dizer aonde está seu próprio passado? Ou todo o passado? Existe? Existiu?

E aonde estará meu futuro? Alguém sabe me dizer? Alguém sabe dizer aonde estará seu futuro? Existe? Vai existir, de fato?

Conforme o Curso ensina, e alguns de nós já aprendemos, o único tempo que existe é o presente, o agora. A partir do aprendizado disto, podemos ficar tranquilos em relação a tudo o que aparentemente existe em nossa vida. E principalmente em relação a tudo o que queremos que venha a existir. Pois tudo o que ainda não existe só existe - só pode existir - de verdade apenas em potencial, como possibilidade. E só em nossos pensamentos. Não há como materializar qualquer coisa, se não a tivermos primeiro visualizado em pensamento.

Daí, pode-se deduzir logicamente que tudo quanto pensamos existir, antes de existir, foi um pensamento, não? E o que queremos para a nossa vida? Basta que desejemos em pensamento alguma coisa para que ela passe a existir potencialmente. Quanto mais forte nosso desejo, tanto maior a possibilidade de que tal coisa venha a se materializar em nossas vidas.

Mas... Cuidado! Isto vale também para aquilo de que temos medo, vale para aquilo que NÃO queremos, para aquilo que abominamos, aquilo em que gostaríamos de poder nem pensar a respeito - mas pensamos, por medo, por mágoa, por ressentimento, por raiva ou por qualquer razão que seja, ainda que inevitavelmente ligada ao julgamento que fazemos de outros e, por consequência, de nós mesmos. 

No universo das potencialidades não existe o "não". E tudo aquilo que pensamos, para o bem ou para o mal, pode vir a se materializar a depender da intensidade de nosso desejo, ou de nosso medo. Pois nossos pensamentos são energia e tudo se materializa da energia.

É por isso que a ideia que vamos revisar hoje, como eu já disse antes também, é um passo gigantesco na direção da salvação rápida e eficaz, pois cobre uma distância tão grande na direção daquilo que somos na verdade, que nos "coloca bem perto do Céu". Pois esta ideia nos permite agir no mundo, esquecendo-nos de uma vez por todas daquilo que chamamos passado. E, por nos oferecer a possibilidade de deixar o futuro nas Mãos de Deus, nos devolve ao presente. Ao único tempo que existe de fato.

É esta a ideia que, praticada juntamente com as afirmações que unificam as práticas durante esta revisão [Eu não sou um corpo. Eu sou livre. Pois ainda sou como Deus me criou], vai nos permitir "ultrapassar toda ansiedade, todos os abismos do inferno, todo o negror da depressão, dos pensamentos de pecado e da desolação trazida pela [crença na ideia da] culpa", que se origina da crença na separação.

O que podemos temer depois de aceitarmos esta ideia? Já não há passado e qualquer coisa que possamos esperar do futuro, que ainda não existe, está nas Mãos de Deus, porque nós entregamos o futuro a Ele. Isto não é absolutamente libertador? Salvar-se - salvar o mundo - não será apenas isto: confiar o futuro às Mãos de Deus? Abrir mão de qualquer pretensão de controle sobre qualquer coisa?

Pois de que nos valeram até agora todos os esforços - e o orgulho que os motiva - para controlar nossos próprios caminhos? Alguém, alguma vez, conseguiu, consegue, ou virá a conseguir, de fato, prever ou mudar o papel que lhe cabe no plano de Deus para a salvação do mundo, sem se render por completo a Ele e a Seu plano? Sem compreender que a Vontade de Deus é a mesma que a nossa?

Não é este tipo de esforço que nos desgasta, que nos apavora e que nos enche de terror ao se revelar inútil? Quanto nos debatemos e quanto ainda vamos nos debater antes de aceitar que basta nos rendermos à Vontade de Deus, que é também a nossa, para que tudo se ilumine e encha de alegria, de amor e de paz todos os caminhos que trilhamos? 

Às práticas?

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Só tu decides o que é importante em tua vida


LIÇÃO 213

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (193) Todas as coisas são lições que Deus quer que eu aprenda.

Uma lição é um milagre que Deus me oferece em lugar de pensamentos que tive, que me ferem. O que aprendo d'Ele é o modo pelo qual me liberto. E, por isto, escolho aprender as lições d'Ele e esquecer minhas próprias lições.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 213

Vou manter, mais uma vez, para a lição e para a ideia que revisamos hoje o mesmo comentário feito nos últimos anos, com as pequenas alterações necessárias. Acredito que vale a pena refletir a seu respeito novamente. O que vocês acham?

Assim como não existem acasos, conforme sabemos, também não existem coincidências. Caso contrário, a quem atribuir a responsabilidade pela experiência? Se não há nenhum mundo, a não ser o que vejo como expressão manifesta de meu mundo interior - e o de cada um individualmente - o que preciso salvar? A quem preciso salvar a não ser a mim mesmo, se acredito que alguém precisa ser salvo?

É maravilhoso praticar, e compreender bem, a ideia que revisamos neste primeiro dia do mês de agosto, "na contagem milenar". Ela abre diante de nós todas as possibilidades do aprendizado da percepção verdadeira. Pois é a compreensão desta ideia que vai fundamentar e facilitar nossa aceitação da responsabilidade que nos cabe por tudo o que acontece na vida. Em nossa própria vida e na vida em geral.

Precisamos nos lembrar de que compreender é aceitar. Pois, de fato, só não aceitamos aquilo que ainda não compreendemos. E, quando nos recusamos a compreender algo, estamos apenas nos aferrando a uma ideia, a um preconceito [pré-conceito, conceito prévio ou anterior], a um julgamento que fizemos e não queremos mudar.

Assim, na verdade, a ideia das práticas de hoje é um milagre que Deus nos oferece para substituir quaisquer pensamentos que tivemos a respeito de qualquer coisa que se apresente a nós em nossa experiência. Pois permite que retiremos todo o julgamento dos fatos e das circunstâncias. Praticar esta ideia permite que olhemos para eles com um novo olhar, um olhar diferente. Um olhar que busca apreender, compreender e aceitar a lição que se apresenta daquele modo, naquele momento, seja ela qual for, seja qual for o momento.

É importante sabermos que, de acordo com o Curso, uma lição nos vai ser apresentada tantas vezes quantas forem necessárias e de tantas formas diferentes quantas forem preciso até que a aprendamos. Para, então, passarmos a uma nova lição, a um novo aprendizado. 

Enquanto resistirmos às lições, considerando-as acaso, coincidência, má sorte, infortúnio, desgraça, algo que não deveria ter acontecido, ou nos considerando infelizes pelas experiências que vivemos, deixamos de ver o milagre que há por trás de todos os acontecimentos de nossas vidas.

Talvez ajude saber que, de acordo com Neale Walsch, "aquilo que é importante em tua vida é aquilo que tu decides que é importante e esta decisão dá origem àquele que tu és de modo indelével". Daí a importância de tomarmos a decisão de seguir a orientação e praticar as lições conforme o Curso pede. Só a partir desta decisão vamos ser capazes de encarar todas as coisas como lições que Deus quer que aprendamos. 

Às práticas?

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Não é possível uma vontade separada da de Deus


LIÇÃO 212

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (192) Tenho uma função que Deus quer que eu cumpra.

Busco a função que me libertará de todas as vãs ilusões do mundo. Só a função que Deus me dá pode oferecer liberdade. É apenas isto que busco, e só aceitarei isto como meu.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 212

Em certo sentido, somos todos buscadores. E buscamos o quê? Será que perdemos alguma coisa? Será que há algo a ser encontrado? Por que a maioria de nós não está satisfeito com o que tem, com o que vive, com o lugar aonde está, com aquilo que pensa poder fazer e com aquilo que acredita não poder? Por que muitas pessoas dizem que gostariam de ter nascido noutra época, noutro lugar, noutro corpo, muitas vezes, no seio de outras famílias que não as suas?

Na verdade, quer me parecer, a partir do ensinamento do Curso, que não há nada a buscar. O próprio Curso diz que já somos aquilo que estamos buscando. Diz mais: que não perdemos nada e nem, de fato, há algo que possamos perder ou encontrar. E diz ainda que podemos tudo, pois herdamos do Pai o mesmo poder que Ele tem. Assim, temos pleno poder para fazer o que quisermos, desde que tomemos a decisão de agir no mundo a partir do Ser. Isto é, inspirados por aquilo que somos.

Contudo, parece-nos que a maior parte do tempo não sabemos o que somos, o que fazemos, o que há para fazer e nem onde estamos. Como se sentíssemos falta de alguma coisa que não sabemos dizer de forma clara o que há. Há algo que queremos e que não conseguimos identificar bem.

Este algo é aquilo que podemos chamar de anseio pela eternidade, de saudade de casa, de saudade de um tempo que sabemos ter vivido apenas a alegria de ser e estar no lugar a que pertencemos.

É por esta razão que ideia para a nossa revisão de hoje tem importância vital para a re-descoberta do papel que nos cabe na ordem das coisas, para dar sentido à vida que vivemos neste mundo, de acordo com a Vontade de Deus. Tudo o que precisamos fazer, então, a partir também da ideia que praticamos ontem, é lembrar de nossa condição de Filhos santos do Próprio Deus.

Uma passagem do livro texto, que já citei outras vezes, sugere que reconheçamos e aceitemos a seguinte ideia: "O Próprio Deus é incompleto sem mim".  Ora, esta ideia é fundamental para que recobremos o direito legítimo à herança divina que nos cabe, para que possamos ser a manifestação do Deus Vivo em nosso aparente estar-no-mundo.

E não há como não reconhecê-la se pensarmos que Deus, ou melhor dizendo, a ideia de Deus é uma ideia todo-abrangente. Ele [ou a ideia d'Ele] só existe para mim, para nós, para quem quer que seja, quando tudo e todos começam e terminam n'Ele. Tudo se recobre de sentido no Amor que é capaz de abarcar a tudo e a todos em Si.

Assim, como já disse antes também, da mesma forma que precisamos de Deus [ou da ideia de Deus] para que nossas vidas tenham sentido, Deus [mesmo que apenas como ideia] precisa de todos e de cada um de nós assumindo o compromisso com a função que nos cabe para a realização de Seu plano para a salvação do mundo, para a realização de Sua Vontade de alegria e paz perfeitas e completas para cada um. E para todos nós. Uma vontade que é também a nossa. Porque não podemos ter nenhuma vontade à parte da de Deus, do mesmo modo que não podemos existir separados d'Ele.

Às práticas?

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Separar-se de Deus é separar-se de si mesmo


LIÇÃO 211

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (191) Eu sou o Próprio Filho santo de Deus.

Em silêncio e em verdadeira humildade eu busco a glória de Deus, para vê-la no Filho Que Ele criou como o meu Ser.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 211

Revisamos hoje, uma vez mais, aquela ideia que nos põe em contato com a verdade acerca de nós mesmos, a ideia que nos devolve à condição de Filhos santos do Próprio Deus, ou do Próprio Filho santo de Deus, o que nos devolvendo, assim, àquilo que somos na verdade.

Como já disse algumas vezes no passado,  falando desta lição de forma específica, a repetição continuada das afirmações ou declarações que unificam este período de revisão [Eu não sou um corpo. Eu sou livre. Pois ainda sou como Deus me criou.] visa a re-criar e a reforçar em nós a sensação da unidade com Deus. Uma forma extremamente eficiente de eliminar da mente a crença na separação, que é, de fato, o único problema que precisamos resolver.

Na verdade, se buscarmos refletir bem a respeito do que somos e da experiência que vivemos, não existe nada que possa nos fazer acreditar na possibilidade de uma vida separada de Deus, a não ser na ilusão. Pois, para que tal separação pudesse existir de fato, teríamos de estar separados de nós mesmos. O que não é possível! O que só pode acontecer - e também apenas na ilusão ou no delírio - quando nos dissociamos de nós mesmos. Um processo que é apenas mental. Ou quando vivemos um transe, uma aparente separação da realidade, que também só pode ser mental.

Porém, sendo o mais honestos possível para com nós mesmos, é preciso reconhecer que vivemos em transe a maior parte do tempo. Pois, em geral não nos damos conta de que fomos e estamos hipnotizados, acreditando viver, em um mundo que não existe, uma "realidade" que é apenas uma sugestão hipnótica, uma ilusão criada por um sistema de crenças que, aparentemente, nos afasta de nós mesmos, do que somos e de Deus. 

Mais uma vez: Isto é impossível! E é exatamente para aprendermos de que forma podemos sair do transe que as práticas se fazem necessárias.

São elas que vão permitir que aceitemos a Expiação para nós mesmos, isto é, que sejamos capazes de corrigir os erros, que só existem em nossa mente, quando nos acreditamos separados de Deus e, por consequência, de nós mesmos e um dos outros.

É por isso que o Curso ensina com as práticas que não há problema algum se pulamos um período ou outro, ou se não somos disciplinados o suficiente para seguir as orientações que ele nos dá ao longo do livro de exercícios, ou mesmo no texto. Somos convidados a voltar sempre que esquecemos, sem culpa, sem medo, sem nenhuma condenação. Mais ou menos como nos convida Rumi, poeta sufi do século XIII:

Vem, vem, seja lá quem fores.
Peregrino, devoto,
amante das partidas - não importa.
Nossa caravana não é de desespero.
Vem, mesmo que tenhas violado teus votos
cem vezes, mil vezes.
Vem, vem de novo, vem.

Às práticas?

terça-feira, 29 de julho de 2014

A comunicação perfeita e ininterrupta com Deus


LIÇÃO 210

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

1. (190) Escolho a alegria de Deus em vez da dor.

A dor é uma ideia minha. Não é um Pensamento de Deus, mas um pensamento que tive separado d'Ele e de Sua Vontade. A Vontade d'Ele é alegria e apenas alegria para Seu Filho. E é isto que escolho em lugar do que fiz.

Eu não sou um corpo. Sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 210

A ideia da lição 190: Escolho a alegria de Deus em vez da dor. - é a ideia que revisamos hoje em nossas práticas. 

Esta escolha, como eu já disse antes, continua a ser a decisão que precisamos tomar agora.  Uma decisão que precisamos tomar e reafirmar a todo instante, minuto após minuto, hora após hora, dia após dia, mês após mês, ano após ano, uma vez tomada, de fato. Uma escolha que podemos manter simples e facilmente com as práticas diárias.

Como eu disse antes também, esta é uma escolha que nos oferece uma forma simples e fácil de manter a vigilância sobre os pensamentos, pois sempre que algo em nossa mente - uma ideia, um pensamento, um medo, um arrepio indefinível, por menos que dure, - parece nos afastar da alegria, a vigilância sobre nossos pensamentos vai permitir que sejamos capazes de perceber que nos afastamos daquilo que, segundo o Curso, é a Vontade de Deus para nós - a alegria e a paz, perfeitas e completas -, que é também a nossa vontade. Esta é uma escolha que nos cabe fazer por direito de filhos de Deus.

A dor, o sofrimento, a morte, a miséria, a escassez, a escuridão, a fome, a discórdia e todos os aparentes "males" do mundo são apenas efeitos de nossos pensamentos que "criam" - mais certo seria dizer inventam - e, é claro, materializam, na ilusão, de modo equivocado. São efeitos da crença na ideia de que é possível fazermos qualquer coisa separados de Deus. 

As práticas de hoje, portanto, nos oferecem de novo mais um instrumento para o aprendizado e a prática do "orai e vigiai" a que nos exorta o texto bíblico desde há muito. Se aprendermos - e nos decidirmos - a manter uma vigilância constante e permanente sobre os pensamentos, livrando-os de qualquer sombra de medo,  já não haverá possibilidade de que eles "criem" de forma equivocada, pois a sintonia com o Pai será ininterrupta e seremos capazes da comunicação perfeita com Ele. 

Às práticas?