sexta-feira, 13 de julho de 2012

Aplicar a ideia: "dar e receber são a mesma coisa"



LIÇÃO 195

O amor é o caminho que sigo com gratidão.

1. Gratidão é uma lição difícil de aprender para aqueles que olham para o mundo de maneira imprópria. O máximo que eles podem fazer é verem a si mesmos como melhores do que outros. E tentam ficar satisfeitos porque outro parece sofrer mais do que eles. Quão mesquinhos e censuráveis são tais pensamentos! Pois quem tem motivos para agradecer enquanto outros têm menos motivos? E quem pode sofrer menos porque vê outro sofrer mais? Tua gratidão se deve só Àquele Que fez desaparecer do mundo inteiro toda razão para o sofrimento.

2. É insano dar graças pelo sofrimento. Mas é igualmente insano faltar com a gratidão Àquele Que te oferece o meio seguro pelo qual toda dor é curada e o sofrimento substituído pelo riso e pela felicidade. E nem os que ainda são parcialmente sãos poderiam se recusar a dar os passos que Ele indica e a seguir pelo caminho que Ele coloca diante deles para fugirem da prisão que eles pensavam não ter nenhuma porta para a liberdade que agora percebem.

3. Teu irmão é teu "inimigo" porque vês nele o rival para tua paz; um saqueador que tira sua alegria de ti e não te deixa nada a não ser um desespero negro, tão amargo e inexorável que não sobra nenhuma esperança. Agora a vingança é tudo o que existe para se desejar. Agora, só tentas derrubá-lo para que repouse na morte contigo, tão inútil quanto tu mesmo; com tão pouco deixado em seus dedos ávidos quanto nos teus.

4. Tu não ofereces gratidão a Deus porque teu irmão é mais escravo do que tu, nem poderias, em sã consciência, ficar com raiva se ele parecer ser mais livre. O amor não faz comparações. E a gratidão só pode ser sincera se estiver unida ao amor. Damos graças a Deus, nosso Pai, porque todas as coisas encontrarão sua liberdade em nós. Nunca acontecerá de alguns serem libertados enquanto outros ainda estiverem presos. Pois quem pode barganhar em nome do amor?

5. Por isto, dá graças, mas com sinceridade. E deixa tua gratidão dar espaço a todos que se libertarão contigo; o doente, o fraco, o necessitado e medroso, e aqueles que choram uma perda aparente ou sentem o que parece ser dor, que sofrem frio ou fome ou que andam pelo caminho do ódio e pela senda da morte. Todos estes vão contigo. Não nos comparemos a eles, pois desta forma nós os separamos de nossa consciência da unidade que compartilhamos com eles, do mesmo modo que eles têm de compartilhar conosco.

6. Agradecemos a nosso Pai por uma única coisa: por não estarmos separados de nenhuma coisa viva e, por isto, sermos um com Ele. E nos regozijamos porque não se pode fazer nunca nenhuma exceção que reduziria nossa totalidade, nem prejudicar ou mudar nossa função de completar Aquele Que é Ele Mesmo completude. Damos graças por toda coisa viva, pois do contrário não damos graças por nada e deixamos de reconhecer as dádivas de Deus para nós.

7. Deixemos, então, nossos irmãos apoiarem suas cabeças cansadas em nossos ombros enquanto descansam por um instante. Nós damos graças por eles. Pois se pudermos lhes indicar a paz que queremos encontrar, o caminho se abre, enfim, para nós. Uma porta antiga balança mais uma vez livremente; uma Palavra esquecida há muito tempo ressoa de novo em nossa lembrança e ganha clareza quando estamos dispostos mais uma vez a ouvir. 

8. Segue, então, pelo caminho do amor com gratidão. Pois, quando abandonamos as compararações, esquece-se o ódio. O que mais fica como obstáculo à paz? O medo de Deus se desfaz, por fim, e nós perdoamos sem comparar. Deste modo, não podemos escolher deixar de ver algumas coisas e, ao mesmo tempo, manter outras trancadas como "pecados". Quando teu perdão for completo, terás total gratidão, porque verás que todas as coisas, por serem amorosas, se tornam merecedoras do direito ao amor, tanto quanto teu Ser.

9. Hoje aprendemos a pensar na gratidão em lugar de raiva, malícia e vingança. Tudo nos foi dado. Se nos recusarmos a reconhecê-lo, não teremos, por consequência, direito a nossa amargura e a uma percepção de nós mesmo que nos vê em um lugar de perseguição implacável, no qual somos rotulados de forma constante e empurrados de um lado para outro sem um pensamento ou cuidado por nós ou por nosso futuro? A gratidão é o pensamento singular com que substituímos estas percepções insanas. Deus Se importa conosco e nos chama de Filho. Pode existir mais do que isto?

10. Nossa gratidão preparará o caminho para Ele e encurtará nosso tempo de aprendizado mais do que poderias sonhar alguma vez. A gratidão anda de mãos dadas com o amor e onde um está o outro tem de ser encontrado. Pois a gratidão é apenas um aspecto do Amor que é a Fonte de toda a criação. Deus dá graças a ti, Seu Filho, por seres quem és; Sua Própria completude e a Fonte do amor juntamente com Ele. Tua gratidão a Ele é una com a d'Ele para ti. Pois o amor não pode andar por nenhuma estrada que não a da gratidão e, deste modo, nós, que andamos no caminho para Deus, seguimos.

*

COMENTÁRIO:

Vamos voltar nossa atenção por um instante para uma das frase do texto que apresenta a ideia para as práticas desta sexta-feira, dia 13 de julho. Diz ela:

"Damos graças a Deus, nosso Pai, porque todas as coisas encontrarão sua liberdade em nós."

Será? Encontrarão? Algum dia, talvez... Quando? No momento, estamos por demais ocupados em aprisionar o(s) outro(s) em uma imagem que fazemos dele(s), sem perceber, a maior parte do tempo, que é só a nós mesmos que aprisionamos.

Já comentei antes, mais de uma vez até, se não me engano, que somos, em geral mal-agradecidos. Porque, normalmente, podemos nos sentir dispostos a dar, mas raramente temos a mesma disposição para receber. Receber é quase sempre um problema, pois faz que nos sintamos diminuídos [influência do sistema de pensamento do falso eu - o ego do Curso, que busca reforçar a crença numa separação que só existe em seu modo de pensar equivocado] diante daquele(a) que nos oferece alguma coisa, seja ela material, seja imaterial.

Ou já não nos percebemos todos em algum momento constrangidos de uma forma inexplicável ao receber um elogio, como se não fôssemos merecedores, dizendo muitas vezes, "ora, não foi nada"? Esquecemo-nos de que "dar e receber são a mesma coisa", conforme ensina o Curso.

As práticas de hoje devem servir para nos ensinar um pouco de gratidão, tanto por aquilo que podemos e nos sentimos dispostos a dar, quanto por aquilo tudo que recebemos como dádiva de Deus, nosso Pai, por meio das pessoas com quem dividimos este mundo, sejam elas quem forem. Oxalá aprendamos! 


OBSERVAÇÃO: Este comentário, com alterações mínimas, praticamente repete aquele que fiz no ano passado para esta lição. Espero que continue pertinente e de ajuda para ampliar a reflexão a que nos convida a ideia para as práticas de hoje.



quinta-feira, 12 de julho de 2012

O ego não consegue se comunicar com o divino



LIÇÃO 194

Entrego o futuro nas Mãos de Deus.

1. A ideia de hoje é outro passo na direção à salvação rápida e é um passo gigantesco, de fato! Tão grande é a distância que ele cobre que te coloca bem perto do Céu, com a meta à frente e os obstáculos atrás. Teus pés alcançaram os gramados que te recebem com alegria no portão do Céu; o lugar sereno da paz, onde aguardas com certeza o passo final de Deus. Quão longe da terra avançamos agora. Quão perto chegamos de nossa meta! Quão curta a jornada a percorrer ainda.

2. Aceita a ideia de hoje e ultrapassas toda a ansiedade, todos os abismos do inferno, todo o negror da depressão, dos pensamentos de pecado e da desolação trazida pela culpa. Aceita a ideia de hoje e liberas o mundo de toda prisão por soltares as correntes pesadas que trancavam a porta da liberdade para ele. Tu estás salvo e tua salvação, deste modo, se torna a dádiva que dás ao mundo porque aceitas.

3. Não se sente depressão, não se experimenta dor ou se percebe perda em nenhum momento. Em nenhum momento se pode colocar a tristeza em um trono e adorá-la de modo sincero. Em nenhum momento alguém pode sequer morrer. E, por isto, cada momento dado a Deus ao passar, com o seguinte já dado a Ele, é um tempo de tua liberação da tristeza, da dor e até mesmo da própria morte.

4. Deus mantém teu futuro da mesma forma que Ele mantém teu passado e teu presente. Para Ele, eles são um só e, por esta razão, eles devem ser um para ti. Porém, neste mundo, o curso do tempo ainda parece real. E, por isto, não se pede a ti que entendas a falta de sequência que realmente se encontra no tempo. Pede-se apenas que soltes o futuro e que o coloques nas Mãos de Deus. E verás por tua experiência que depositaste também nas Mãos d'Ele o passado e o presente, porque o passado não te punirá mais e o medo do futuro não terá sentido agora.

5. Libera o futuro. Pois o passado se foi, e o que é presente, livre de seu legado de pesar e tristeza, de perda e de dor, se torna o momento em que tempo foge da escravidão das ilusões, onde segue seu curso impiedoso, inevitável. Então, cada instante que era escravo do tempo se transforma em um instante santo, quando a luz que se mantinha escondida no Filho de Deus é libertada para abençoar o mundo. Agora ele está livre e toda sua glória brilha sobre um mundo libertado com ele para compartilhar sua santidade.

6. Se puderes ver a lição de hoje como a libertação que ela realmente é, não hesitarás em dedicar um esforço tão sólido quanto possível para torná-la parte de ti. À medida que ele se tornar um pensamento que rege tua mente, um hábito em teu repertórios para a solução de problemas, uma forma de reação rápida à tentação, estenderás teu aprendizado ao mundo. E quando aprenderes a ver a salvação em todas as coisas, o mundo também perceberá que está salvo.

7. Que preocupação pode assaltar aquele que entrega seu futuro às Mãos amorosas de Deus? O que ele pode sofrer? O que pode lhe causar dor, ou lhe trazer experiência de perda? O que ele pode temer? E a que ele pode dar atenção exceto com amor? Pois aquele que escapou de todo o medo da dor futura encontrou seu caminho para a paz presente e a certeza de cuidado que o mundo não pode ameaçar jamais. Ele tem certeza de que sua percepção pode ser imperfeita, todavia nunca lhe faltará correção. Ele está liver para escolher novamente quando se enganar; para mudar sua forma de pensar quando cometer erros.

8. Coloca, então, teu futuro nas Mãos de Deus. Pois, assim, pedes que a lembrança d'Ele venha de novo, para substituir pela verdade do amor todos teus pensamentos de pecado e de mal. Pensas que deste modo o mundo poderia deixar de ganhar e que toda criatura viva não reagiria com a percepção curada? Aquele que se entrega a Deus também confia o mundo às Mãos a que ele mesmo recorre em busca de conforto e segurança. Ele abandona as ilusões doentia do mundo juntamente com as suas e oferece paz a ambas.

9. Agora estamos salvos de verdade. Pois descansamos tranquilos nas Mãos de Deus, certos de que só o bem pode vir a nós. Se esquecermos, seremos tranquilizados de modo benigno. Se aceitarmos um pensamento que não perdoa, ele logo será substituído pelo reflexo do amor. E se formos tentados a atacar, recorreremos Àquele Que protege nosso descanso para que faça por nós a escolha que deixa a tentação bem para trás. O mundo não é mais nosso inimigo, porque escolhemos ser amigos dele.

*

COMENTÁRIO:

Um de nossos maiores problemas em aceitar todas as coisas como lições que Deus quer que aprendamos está diretamente relacionado às expectativas que temos, quando nos debruçamos sobre algum assunto que precisamos resolver, quando dedicamos nossa atenção a algum problema que nos preocupa ou quando fazemos planos para algum momento que queremos viver no futuro.

Também é um problema o fato de pensarmos não ter tempo para fazer tudo aquilo que queremos. Pois isso nos impede exatamente de viver o único tempo que existe: o presente. Pois, como diz o Curso, passamos do passado diretamente ao futuro. Como aprender, então, a entregar o futuro nas Mãos de Deus, como ensina a ideia da lição que vamos praticar nesta quinta-feira, dia 12 de julho?

Nossas expectativas muitas vezes - na maioria delas - nos impedem de acolher e aceitar a situação que se apresenta a cada momento. Elas nos impedem de reconhecer e praticar como verdadeiras aquelas quatro leis da espiritualidade que se ensina na Índia, que vimos em comentário de uma lição recente. Estamos, em geral, sendo movidos pela pergunta: "E se"?

Lembram de que no ano passado lhes falei que minha mãe dizia que o "e se?" é pior que lepra? Pois, repetindo o que disse, então, se pensarmos bem, o que podemos, de fato, fazer para provocar qualquer mudança verdadeira no mundo que vemos, a não ser mudar nosso modo de olhar para ele e fazê-lo já, neste instante presente? Que mudança esperamos ver ou provocar no mundo, deixando para fazer o movimento amanhã, ou num futuro que nunca chega? 

Vamos buscar aprender mais uma vez, com as práticas da ideia de hoje, a lembrar de aceitar com humildade, de aceitar serena e tranquilamente que não sabemos nada mesmo a respeito de nada. Nem sequer sabemos como escolher o caminho que pode nos levar à felicidade, pois não sabemos também o que é a felicidade ou o que nos faz felizes. Aceitar isto, de coração e mente abertos, nos liberta por completo do jugo da pretensa onipotência do ego.

Reprisando ainda o que diz Alan Watts a respeito do saber: "da mesma forma que a visão surge de algo invisível, também quando sabemos que não sabemos, sabemos realmente. Sabemos, porque perceber claramente que não sabemos é um estado de espírito no qual temos de abandonar nossos esforços para compreender a vida a partir do intelecto".

O ego é absolutamente dependente do intelecto e precisa de explicação racional e lógica para tudo o que vê. É por isso que ele não consegue se comunicar com o divino. O ego precisa do controle e do conflito. O divino não precisa de nada. Ele se basta. E é em razão de sermos manifestações do divino que, na verdade, só podemos experimentar a paz e a alegria quando entregamos tudo nas mãos de Deus.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Experimentando de novo o olhar da inocência



LIÇÃO 193

Todas as coisas são lições que Deus quer que eu aprenda.

1. Deus não conhece aprendizado. Mas Sua Vontade se estende àquilo que Ele não compreende, no sentido de que Ele deseja que a felicidade que Seu Filho herdou d'Ele seja serena, eterna e ganhe alcance para sempre, que se expanda eternamente na alegria da criação completa e perenemente aberta e inteiramente ilimitada n'Ele. Esta é a Vontade d'Ele. E, desta forma, a Vontade d'Ele oferece os meios para que isto se realize.

2. Deus não vê nenhuma contradição. Mas Seu Filho pensa vê-las. Assim, ele tem uma necessidade de Alguém Que possa corrigir sua visão desviada e lhe dar a visão que o conduzirá de volta ao lugar em que a percepção acaba. Deus não percebe absolutamente. Mas é Ele Quem dá o meio pelo qual a percepção se torna verdadeira e bela o suficiente para permitir que a luz do Céu brilhe sobre si. É Ele Quem responde àquilo que Seu Filho quer contestar e mantém sua inocência a salvo para sempre.

3. Estas são as liçoes que Deus quer que aprendas. A Vontade d'Ele reflete todas elas e elas refletem Sua bondade amorosa para com o Filho que Ele ama. Cada lição tem um pensamento central, o mesmo em todas elas. Só a forma muda, com circunstâncias e acontecimentos diferentes; com personagens e temas diferentes, aparentes mas não reais. Todas são iguais em seu conteúdo básico. É este:

Perdoa e verás isto de modo diferente.

4. É certo que nem toda a aflição parece ser apenas falta de perdão. Mas é este o conteúdo sob a forma. É esta igualdade que torna certo o aprendizado, porque a lição é tão simples que, no fim, não pode ser rejeitada. Ninguém pode se esconder para sempre de uma verdade tão verdadeiramente óbvia que aparece sob formas incontávies e, ainda assim, é tão facilmente reconhecida em todas elas, se se quiser ver apenas a simples lição aí.

5. Perdoa e verás isto de modo diferente.

Estas são as palavras que o Espírito Santo diz em todas as tuas tribulações, toda tua dor, todo sofrimento, independente de sua forma. Estas são as palavras com as quais a tentação termina, e a culpa, abandonada, não é mais reverenciada. Estas são as palavras que põem fim ao sonho do pecado e livram a mente do medo. Estas são as palavras pelas quais a salvação chega para o mundo inteiro.

6. Não aprenderemos a dizer estas palavras quando formos tentados a acreditar que a dor é real e que a morte é nossa escolha em lugar da vida? Não aprenderemos a dizer estas palavras quanto tivermos entendido seu poder para liberar todas as mentes da escravidão? Estas são as palavras que te dão poder sobre todos os acontecimentos que parecem ter recebido poder sobre ti. Tu os vês de modo correto quando manténs estas palavras em plena consciência e não te esqueces de que elas se aplicam a tudo o que vês ou a qualquer coisa que algum irmão vê de maneira imprópria.

7. Como podes saber quando vês de forma errada ou quando alguém deixa de perceber a lição que deveria aprender? A dor parece real à percepção? Se parecer, fica certo de que a lição não foi aprendida. E de que uma falta de perdão continua escondida na mente que vê a dor pelos olhos que a mente controla.

8. Deus não quer que sofras deste modo. Ele quer te ajudar a te perdoares. Seu Fiho não se lembra de quem é. E Deus quer que Ele não se esqueça de Seu Amor e de todas as dádivas que Seu Amor traz consigo. Queres renunciar a tua própria salvação agora? Queres deixar de aprender as simples lições que o Professor do Céu põe diante de ti a fim de que toda dor possa desaparecer e Deus possa ser lembrado por Seu Filho?

9. Todas as coisas são lições que Deus quer que aprendas. Ele não quer deixar um único pensamente de falta de perdão sem correção, nem sequer um espinho ou prego para ferir Seu Filho de qualquer modo. Ele quer garantir que seu descanso sagrado permaneça tranquilo e sereno, sem nenhuma preocupação, em um lar eterno que cuide dele. E Ele quer que todas as lágrimas sejam enxugadas, que não fique nenhuma por derramar e que nenhuma fique apenas esperando o tempo estabelecido para cair. Pois Deus quer que o riso substitua cada uma delas e que Seu Filho seja livre novamente.

10. Hoje tentaremos superar milhares de aparentes obstáculos à paz em só dia apenas. Deixa que a misericórdia venha a ti mais rapidamente. Não tentes evitá-la por mais um dia, mais um minuto ou mais um instante. Para isto se fez o tempo. Usa-o hoje para aquilo que é a finalidade dele. Dedica, pela manhã e à noite, o tempo que puderes para atender ao objetivo que lhe é próprio e não deixes que seja menor do que aquele que pode atender a tua necessidade mais profunda.

11. Dá tudo o que puderes e um pouco mais. Pois agora queremos nos levantar com urgência e ir para a 
casa de nosso Pai. Estivemos fora tempo demais e não queremos nos demorar mais aqui. E, ao praticarmos, pensemos em todas as coisas que deixamos para resolver por nós mesmos e que nos mantiveram separados da cura. Vamos dá-las todas Àquele Que conhece o modo de olhar para elas a fim de que desapareçam. Sua mensagem é a verdade; Seu ensinamento é a verdade. São Suas as lições que Deus quer que aprendamos.

12. Hoje, e nos próximos dias, a cada hora, passa algum tempo praticando a lição do perdão na forma estabelecida para o dia. E tenta aplicá-la aos acontecimentos da hora, para que a seguinte fique livre da anterior. Deste modo as amarras do tempo se afrouxam facilmente. Não deixes que nenhuma hora lance suas sombras sobre a seguinte e, quando esta passar, deixa que tudo o que aconteceu nela se vá com ela. Assim, permanecerás livre, em paz eterna no mundo do tempo.

13. Esta é a lição que Deus quer que aprendas: há um modo de olhar para cada coisa que permite que ela seja outro passo em direção a Ele e à salvação do mundo. A tudo o que fala de terror, responde assim:

Perdoarei e isto desaparecerá.

Para cada receio, cada preocupção e cada forma de sofrimento, repete estas mesmas palavras. E assim seguras a chave que abre os portões do Céu e traz o Amor de Deus Pai, enfim, para a terra, para elevá-la ao Céu. Deus Mesmo dará este passo final. Não negues os pequenos passos que Ele te pede para dar em direção a Ele.

*

COMENTÁRIO:

A lição que praticamos nesta quarta-feira, dia 11 de julho, está entre as minhas lições favoritas, como já disse antes. Ela traz consigo a ideia que põe em nossas mãos a ferramenta perfeita para desfazer o mundo que fizemos até agora, para refazê-lo novo, deixando simplesmente que ele seja o que é em todos os seus aspectos.

Ela é a ideia que nos dá o instrumento perfeito para abandonar todo e qualquer julgamento sobre tudo e sobre todos. Pois não há nada que não passemos a ver à luz da inocência, quando perdoamos tudo e todos que vemos.

De certo modo, esta lição e a ideia que vamos praticar com ela nos devolve o olhar da inocência, o olhar da pureza do Filho de Deus ao nos assegurar que todas as coisas são lições que Deus quer que aprendamos. E mais: que todas as coisas e todas as lições não contêm nada mais do que uma única lição, independente da forma com que se apresentem.

Como eu disse em comentários anteriores, esta é única lição por detrás de todas as aparentes lições, por trás de todas as coisas e acontecimentos aparentemente diferentes, que pode nos pôr em contato com a ideia que torna mais rápido o aprendizado de nossa função de salvadores do mundo. Ela também torna possível a realização de nossa função mais rápida e seguramente.

Isto porque nada daquilo que vemos a partir da percepção, a partir dos sentidos, pode permanecer do mesmo modo quando nos valemos da ideia que resume e unifica todas as lições, que é a seguinte: perdoa e verás tudo aquilo para que olhas, pensas ou imaginas de modo diferente.

Por fim, repetindo mais uma vez o finalzinho do comentário anterior, é possível dizer que quem quer que já tenha experimentado utilizar o poder destas palavras na prática já percebeu e viveu a verdade que elas carregam. E quem ainda não as experimentou precisa experimentá-las, se, de fato, quiser aceitar o papel que lhe cabe no plano de Deus para a salvação do mundo. E para sua própria salvação.

Se aprendermos apenas isto, teremos aprendido tudo aquilo de que precisamos para cumprir a Vontade de Deus para nós. Afinal, esta é uma lição que resume todo o ensinamento. 


OBSERVAÇÃO: Este comentário reprisa, com pequeninas alterações os comentários feitos em anos passados a esta lição.


terça-feira, 10 de julho de 2012

Tudo o que precisamos fazer é parar de atrapalhar



LIÇÃO 192

Tenho uma função que Deus quer que eu cumpra.

1. É a Vontade santa de teu Pai que tu O completes e que teu Ser seja o Filho sagrado d'Ele, puro como Ele para sempre, criado do amor, protegido no amor, estendendo amor, criando em seu nome, um com Deus e com teu Ser eternamente. Porém, o que tal função pode significar em um mundo de inveja, ódio e ataque?

2. Por isto tens uma função no mundo em seus próprios termos. Pois quem pode compreender uma linguagem muito fora de seu simples entendimento? O perdão descreve tua função aqui. Ele não é criação de Deus, pois é o meio pelo qual a falsidade pode ser desfeita. E quem perdoaria o Céu? No entanto, na terra, tu precisas do meio para abandonar as ilusões. A criação espera tua volta apenas para ser reconhecida, não para se completada.

3. A criação não pode nem mesmo ser concebida no mundo. Ela não tem sentido aqui. O perdão é o mais próximo da terra que ela pode vir. Pois, sendo natural do Céu, ela não tem absolutamente nenhuma forma. No entanto, Deus criou Alguém Que tem o poder de traduzir em forma aquilo que é completamente sem forma. O que Ele cria são sonhos, mas de um tipo tão parecido com o despertar que a luz do dia já brilha sobre eles e os olhos que já estão se abrindo têm as visões alegres que suas oferendas contêm.

4. O perdão olha de modo benigno para todas as coisas desconhecidas no Céu, vê-as desaparecerem e deixa o mundo um lousa limpa e sem marcas sobre a qual a Palavra de Deus pode agora substituir os símbolos sem sentido escritos aí anteriormente. O perdão é o meio pelo qual o medo da morte é vencido porque agora ele não exerce nenhuma atração violenta e a culpa desapareceu. O perdão permite que se perceba o corpo como ele é: um simples recurso de ensino, a ser deixado de lado quando o aprendizado estiver completo, mas que dificilmente muda de algum modo aqule que aprende.

5. A mente sem o corpo não pode cometer erros. Ela não pode pensar que morrerá, nem ser presa do ataque impiedoso. A raiva fica impossível e, então, onde está o terror? Que medos ainda poderiam assaltar aqueles que perderam a fonte de todo ataque, o centro da angústia e a morada do medo? Só o perdão pode aliviar a mente do pensamento de que o corpo é seu lar. Só o perdão pode devolver a paz que Deus pretendeu para seu Filho Santo. Só o perdão pode convencer o Filho a olhar novamente para sua santidade.

6. Com a ira anulada, tu, de fato, perceberás que, em troca da visão de Cristo e da dádiva da visão, não se pediu nenhum sacrifício e que apenas se retirou a dor de uma mente doente e torturada. Isto não é bem-vindo? É algo para se temer? Ou é algo a se esperar, para se encontrar com gratidão e para se aceitar com alegria? Nós somos um só e, por isto, não desistimos de nada. Mas, de fato, tudo nos foi dado por Deus.

7. Contudo, precisamos do perdão para perceber que isto é verdade. Sem a luz benigna do perdão, tateamos nas trevas, usando a a razão apenas para justificar nossa raiva e nosso ataque. Nossa compreensão é tão limitada que aquilo que pensamos entender é apenas confusão nascida do erro. Estamos perdidos em névoas de sonhos transitórios e de pensamentos assustadores, com nossos olhos bem fechados contra a luz; nossas mentes envolvidas na adoração daquilo que não existe.

8. Quem pode renascer em Cristo a não ser aquele que perdoa todos que vê, ou pensa, ou imagina? Quem poderia se libertar enquanto aprisionar alguém? Um carcereiro não é livre, pois está preso junto de seu prisioneiro. Tem de ter certeza de que ele não fugirá e, assim, passa seu tempo a vigiá-lo. As barreiras que limitam o prisioneiro passam a ser o mundo no qual seu carcereiro vive junto com ele. E é da liberdade dele que depende o caminho para a libertação de ambos.

9. Por isto, não aprisiones ninguém. Libera em vez de prender, pois assim tu te tornas livre. O caminho é simples. Todas as vezes que sentires uma punhalada de raiva, percebe claramente que seguras uma espada sobre tua cabeça. E ela cairá ou será desviada na medida em que escolheres ser condenado ou livre. Desta forma, cada um que parecer te tentar a ficar com raiva simboliza teu salvador da prisão da morte. E, assim, tu lhe deves gratidão em vez de dor.

10. Sê misericordioso hoje. O Filho de Deus merece tua misericórdia. É ele quem pede que aceites o caminho para a liberdade agora. Não o rejeites. O Amor de seu Pai por ele te pertence. Tua função aqui na terra é só perdoá-lo, para poderes aceitá-lo de volta como tua Identidade. Ele é como Deus o criou. E tu és o que ele é. Perdoa os pecados dele agora e verás que tu és um com ele.

*

COMENTÁRIO:

Todos nós temos uma função que Deus quer que cumpramos. Cada um de nós tem a sua em particular. E qual seria esta função? Qualquer uma que escolhermos. Deus não diz a cada um de nós qual é o lugar que lhe cabe em Seu plano para a salvação.

E o que Ele diz, então? Ele diz que tudo o que precisamos é experimentar a paz e viver a alegria completa e perfeita em todos os momentos. Esta é a Vontade d'Ele para cada um de nós e para todos nós. E o que isso tem a ver com a nossa função?

Ora, já vimos isso anteriormente. Lembram? Voltem, por favor, às lições 65 e 66, que dizem que "minha única função é a que Deus me deu" e que "minha felicidade e minha função são uma coisa só". Pois bem, a ideia que praticamos nesta terça-feira, dia 10 de julho, além de nos lembrar daquelas anteriores, reafirma que, de fato, há uma função para cada um de nós, e que Deus quer que a cumpramos. Mas também que podemos escolher a função que nos cabe, ouvindo, acolhendo e aceitando a Voz por Deus no interior de nós mesmos.

Como fazer isso? Simplesmente escolhendo ser/fazer aquilo que nos coloca em contato constante com a alegria e com a paz perfeitas e completas em todas as situações e em todos os momentos. Só isso é cumprir a Vontade de Deus. Tudo o mais é ilusão e auto-engano.

Portanto, para de atrapalhar! Pois parar de atrapalhar é tudo o que precisamos fazer para cumprir a função que Deus tem para nós. Parar de atrapalhar significa decidir-se a olhar para o mundo, e para tudo e todos que vivem nele, permitindo simplesmente que tudo e todos sejam exatamente como são. É esta simples cortesia que o Espírito Santo nos pede. 


OBSERVAÇÃO: Este comentário, com pequenas modificações e acréscimos, repete de forma praticamente integral o comentário do ano passado para esta mesma lição.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Elevando-nos acima das coisas do mundo


LIÇÃO 191

Eu sou o Próprio Filho santo de Deus.

1. Eis aqui tua declaração de independência da escravidão do mundo. E aqui o mundo inteiro também é liberado. Tu não percebes o que fizeste ao dares o mundo o papel de carcereiro do Filho de Deus. O que ele poderia ser senão perverso e amedrontado, assustado com sombras, punitivo e violento, destituído de todo bom senso, cego e louco de ódio?

2. O que fazes para que teu mundo seja este? O que fazes para ser isto o que vês? Nega tua própria Identidade e é isto que fica. Olhas para o caos e declaras que ele é tu mesmo. Não há nenhuma visão que deixe de testemunhar isto para ti. Não há nenhum som que não fale da fragilidade dentro e fora de ti; nenhum ar que respires que não pareça te levar para mais perdo da morte; nenhuma esperança que tenhas que não se desfaça em lágrimas.

3. Nega tua própria Identidade e não fugirás da loucura que levou a este pensamento estranho, não natural e arrepiante que zomba da criação e ri de Deus. Nega tua própria Identidade e investes violentamente sozinho contra o universo, sem um amigo; uma minúscula partícula de pó contra as legiões de teus inimigos. Nega tua própria Identidade e olhas para o mal, para o pecado e para a morte e observas o desespero arrebatar cada pedacinho de esperança de tuas mãos, não te deixando nada a não ser o desejo de morrer.

4. No entanto, o que é isto exceto uma brincadeira que fazes, na qual a Identidade pode ser negada? Tu és como Deus te criou. Acreditar em tudo o mais que não nesta única coisa é loucura. Todos se libertam neste único pensamento. Nesta única verdade todas as ilusões desaparecem. Neste único fato afirma-se a inocência para que ela seja parte de todas as coisas para sempre, o núcleo central da existência delas e sua garantia de imortalidade.

5. Mas deixa a ideia de hoje encontrar um lugar entre os teus pensamentos e te elevarás muito acima do mundo e de todos os pensamentos mundanos que o mantêm prisioneiro. E a partir deste ponto de segurança e liberdade voltarás e o libertarás. Pois aquele que pode aceitar sua verdadeira Identidade está salvo de verdade. E sua salvação é a dádiva que ele dá a todos, em gratidão Àquele Qeu indicou o caminho para a felicidade que mudou toda sua perspectiva do mundo.

6. Um único pensamento santo como este e estás livre; tu és o Próprio Filho santo de Deus. E com este pensamento santo aprendes também que libertaste o mundo. Tu não tens nenhuma necessidade de usá-lo de maneira cruel e, então, perceber esta necessidade perversa nele. Tu o libertas de sua prisão. Tu não verás uma imagem perturbadora de ti mesmo andando pelo mundo aterrorizada, com o mundo se retorcendo em agonia porque teus medos impuseram a marca da morte sobre seu coração.

7. Alegra-te hoje com a facilidade tamanha com que o inferno se desfaz. Só precisas dizer a ti mesmo:

Eu sou o Próprio Filho santo de Deus. Não posso
sofrer, não posso sentir dor; não posso sofrer perda,
nem deixar de fazer tudo o que a salvação pede.

E, neste pensamento, tudo o que olhas se transforma por completo.

8. Um milagre ilumina todas as cavernas escuras e antigas onde os ritos de morte ecoaram desde o início do tempo. Pois o tempo perde seu controle sobre o mundo. O Filho de Deus vem em glória para redimir os perdidos, para salvar os desamparados e para dar ao mundo a dádiva de seu perdão. Quem poderia ver o mundo como sombrio e pecaminoso, quanto, enfim, o Filho de Deus chega novamente para libertá-lo?

9. Tu, que te percebes fraco e frágil, com esperanças inúteis e sonhos perturbadores, nascido para morrer, para chorar e sentir dor, ouve isto: todo o poder te foi dado na terra e no Céu. Não existe nada que não possas fazer. Tu jogas o jogo da morte, de estar desamparado, lamentavelmente preso à degradação em um mundo que não demonstra nenhuma misericórdia por ti. No entanto, quando lhe concederes misericórdia, a misericórdia dele brilhará sobre ti.

10. Deixa, então, o Filho de Deus despertar de seu sono e, ao abrir seus olhos santos, voltar mais uma vez para abençoar o mundo que ele criou. Ele começou no erro, mas terminará no reflexo de sua santidade. E ele não dormirá mais e nem sonhará com a morte. Une-te, então, a mim hoje. Tua glória é a luz que salva o mundo. Não detenhas mais a salvação. Olha para o mundo e vê aí o sofrimento. Teu coração não está disposto a trazer descanso a teus irmãos fatigados?

11. Eles têm de esperar tua própria liberação. Eles ficam presos até que estejas livre. Eles não podem ver a misericórdia do mundo até que a encontres em ti mesmo. Eles sentem dor até que negues o controle dela sobre ti. Eles morrem até aceitares tua própria vida eterna. Tu és o Próprio Filho santo de Deus. Lembra-te disto e todo mundo fica livre. Lembra-te disto é a terra e o Céu se tornam uma coisa só.

*

COMENTÁRIO:

Nesta segunda-feira, dia 9 de julho, como já fizemos várias vezes antes, sempre que praticamos de forma honesta e sincera, colocando toda a nossa atenção na meta que o Curso nos oferece, vamos aprender a declarar nossa própria independência da escravidão do mundo. Vamos, mais uma vez, estabelecer contato com a verdade acerca daquilo que somos e, deste modo, aprender a reconhecer e  a aceitar nossa verdadeira identidade de Filho de Deus.

Pois ainda somos como Deus nos criou e, por mais que a crença em uma separação que nunca aconteceu venha rondar nossas mentes, esta verdade não muda. Por isto, neste dia, tudo o que temos a fazer é permitir que a ideia que praticamos encontre seu lugar em nossos pensamentos, para podermos nos elevar acima do mundo e das coisas do mundo e do valor que atribuimos equivocamente a ele e a elas, confundindo-os com o que somos.

domingo, 8 de julho de 2012

A consciência é apenas a pontinha do iceberg



LIÇÃO 190

Escolho a alegria de Deus em vez da dor.

1. A dor é uma perspectiva errada. Quando experimentada, sob qualquer forma, é uma prova de auto-engano. Ela não é absolutamente um fato. Não há nenhuma forma que ela tome que não desapareça se vista de forma correta. Pois a dor declara que Deus é cruel. Como isso poderia ser real sob qualquer forma? Ela é testemunha do ódio de Deus Pai por Seu Filho, da pecabilidade que Deus vê nele e do desejo louco de vingança e de morte de Deus.

2. Tais projeções podem ser provadas? Elas podem ser qualquer coisa a não ser totalmente falsas? A dor é apenas uma testemunha dos equívocos do Filho acerca do que ele pensa ser. É um sonho de uma retaliação violenta a um crime que não poderia ser cometido, pois ataca aquilo que é totalmente inatacável. É um pesadelo de abandono por um Amor Eterno, que não poderia deixar o Filho a quem Ele criou no amor.

3. A dor é um sinal de que as ilusões reinam no lugar da verdade. Ela demonstra que Deus é negado, confundido com o medo, percebido como louco e visto como traidor de Si Mesmo. Se Deus é real, a dor não existe. Ser a dor é real, Deus não existe. Pois a vingança não é parte do amor. E o medo, que nega o amor e utiliza a dor para provar que Deus está morto, mostra que a morte é vitoriosa sobre a vida. O corpo é o Filho de Dues, perecível pela morte, tão mortal quanto o Pai que ele assassinou.

4. Paz a tal insensatez! Cegou a hora de rir de tais ideias insanas. Não há nenhuma necessidade de se pensar nelas como crimes hediondos ou como pecados secretos com consequências funestas. Quem a não ser um louco poderia concebê-las como causa para qualquer coisa? Sua testemunha, a dor, é tão louca quanto elas e não deve ser mais temida do que as ilusões insanas que ela protege e tenta demonstrar que também têm de ser verdadeiras.

5. São só teus pensamentos que te causam dor. Nada fora de tua mente pode te ferir ou machucar de qualquer modo. Não há nenhuma causa além de ti mesmo que possa surgir e te trazer depressão. Ninguém, não ser tu mesmo, te afeta. Não existe nada no mundo que tenha o poder de te deixar doente ou triste, ou fraco, ou frágil. Mas és tu quem tem o poder para dominar todas as coisas que vês, reconhecendo simplesmente o que és. Quando perceberes que todas as coisas são inofensivas, elas aceitarão tua vontade santa como sendo a delas. E, agora, aquilo que se via como amedrontador se torna uma fonte de inocência e de santidade.

6. Meu irmão santo, pensa nisto um instante: o mundo que vês não faz nada. Ele não tem absolutamente nenhum efeito. Ele simplesmente representa teus pensamentos. E vai mudar completamente quando optares por mudar teu modo de pensar e escolheres a alegria de Deus como aquilo que realmente queres. Teu Ser fica radiante nesta alegria santa, inalterado, invariável e constante para todo o sempre. E negarias a um cantinho de tua mente sua própria herança e a manterias como um hospital para a dor, um lugar doentio onde as coisas vivas têm de vir para morrer finalmente?

7. O mundo pode parecer te causar dor. E, no entanto, o mundo, como algo sem causa, não tem nenhum poder, para causar. Como um efeito, ele não pode produzir efeitos. Como uma ilusão, ele é o que desejares. Teus desejos vãos representam suas fores. Teus desejos estranhos trazem sonhos maus a ele. Teus pensamentos de medo o envolve no medo, enquanto em teu perdão benigno ele vive.

8. A dor é o pensamento do mal tomando forma e produzindo destruição em tua mente santa. A dor é o resgate que pagas alegremente para não seres livre. Na dor, nega-se a Deus o Filho que Ele ama. Na dor, o medo parece triunfar sobre o amor e o tempo substituir a eternidade e o Céu. E o mundo se torna um lugar cruel e amargo, onde o sofrimento governa e pequenas alegrias recuam diante do ataque violento da dor terrível que espera para pôr fim a toda alegria na amargura.

9. Depõe tuas armas e vem sem defesa para o lugar tranquilo onde, enfim, a paz do Ceú mantém todas as coisas serenas. Renuncia a todos os pensamentos de perigo e de medo. Não permitas que nenhum ataque entre contigo. Depõe a espada cruel do julgamento que sustentas contra tua garganta e põe de lado os ataques destruidores com os quais buscas esconder tua santidade.

10. Aqui compreenderás que a dor não existe. Aqui a alegria de Deus te pertence. Este é o dia em que te é dado perceber claramente a lição que contém todo o poder da salvação. É esta: a dor é ilusão; a alegria, realidade. A dor é apenas sono; a alegria é despertar. A dor é engano; só a alegria é verdade.

11. E, assim mais uma vez fazemos a única escolha que em algum momento se pode fazer: escolhemos entre as ilusões e a verdade, ou entre a dor e a alegria, ou entre o inferno e o Céu. Deixemos que nossa gratidão para com nosso Professor encha nossos corações, à medida que ficamos livres para escolher a alegria em vez da dor, nossa santidade em lugar do pecado, a paz de Deus em vez do conflito e a luz do Ceú no lugar da escuridão do mundo.

*

COMENTÁRIO:

Lembram-se da lição de ontem? Ela diz, em seu quinto parágrafo, "o que queres ver? A chance te é dada. Aprende apenas e não deixes que tua mente esqueça desta lei da visão: tu verás aquilo que sentes dentro de ti".

Como eu disse no comentário de 2011, nunca é demais lembrar as leis espirituais que se ensinam na Índia. Vamos fazê-lo mais uma vez neste deste domingo, dia 8 de julho - véspera de um feriado no Estado de São Paulo.

Vocês lembram?

1ª. A pessoa que vem é a certa.
2ª. Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido.
3ª. Toda vez que você iniciar é o momento certo.
4ª. Quando algo termina, acaba realmente.

E por que lembrar destas leis? Porque penso que elas, de certo modo, facilitam a compreensão das ideias que praticamos nestes últimos dias. E de que forma?

Simplificando o entendimento do fato de que não precisamos fazer nada. Isto é, basta que não atrapalhemos o desenrolar do plano de Deus para a salvação, atulhando-o de empecilhos, de senões e de " e ses?" Simplificando a compreensão de que sempre podemos escolher outra vez, ou olhar de modo diferente para toda e qualquer pessoa, coisa ou situação que se apresente a nossa experiência.

Voltando ainda à lição de ontem, é bom atentarmos também para o que ela diz em seu sétimo parágrafo. Todo ele. Leiam-no mais uma vez, por favor, ainda que apenas como parte da prática de hoje. E reflitam no seguinte:

"Teu papel é simplesmente permitir que se removam suavemente, para sempre, todos os obstáculos que interpões entre o Filho e Deus, o Pai."  

Repetindo parte do que eu já disse algumas vezes antes, que é algo para o qual o sétimo parágrafo de que falei acima busca chamar a atenção, o que acontece, em geral, é que queremos entender as coisas de maneira racional e lógica, a partir do que nos aconselha do sistema de pensamento do mundo. 

Esquecemo-nos, porém, de que este lado racional e lógico, a consciência que temos das escolhas que fazemos, é apenas uma pontinha do iceberg. A maioria das vezes não temos a menor consciência dos processos que se desencadeiam em nosso interior, a partir de uma fala, de um gesto, de uma lembrança. 

Aquilo que aprendemos há muito tempo, e que pensávamos ter esquecido, fica registrado como uma memória e está pronto a se manifestar à primeira oportunidade. Daí a necessidade da prática dos exercícios. Daí a necessidade da Expiação. Daí a necessidade da atenção que devemos dar a qualquer coisa que aparentemente contrarie nossos desejos conscientes. Ela bem pode ser resultado de uma escolha que não sabemos ter feito. De um programa obsoleto que ficou implantado em nossa memória e não foi apagado, como pensávamos que fora.

Mas mais importante que tudo isto é aprendermos a acolher quaisquer pessoas, situações e experiências que se apresentem, entendendo que elas sempre se apresentam para atender a uma escolha nossa, mesmo quando não temos consciência dela, assim como nos ensinam a leis da espiritualidade da Índia.

sábado, 7 de julho de 2012

Manter vigilância sobre a mente e pensamentos



LIÇÃO 189

Sinto o Amor de Deus em mim agora.

1. Há uma luz em ti que o mundo não pode perceber. E com os olhos dele tu não verás esta luz, pois estás cego pelo mundo. No entanto, tens olhos para vê-la. Ela existe para que a vejas. Ela não foi posta em ti para ser mantida oculta de tua vista. Esta luz é um reflexo do pensamento que praticamos agora. Sentir o Amor de Deus em ti é ver o mundo de maneira nova, brilhando em inocência, vivo em esperança e abençoado com perfeita pureza e amor.

2. Quem poderia sentir medo em um mundo tal como este? Ele te acolhe, alegra-se porque vieste e canta teus louvores enquanto te mantêm a salvo de toda forma de perigo e de dor. Ele te oferece um lar aconchegante e benigno onde passar algum tempo. Ele te abençoa ao longo de todo o dia e vigia durante a noite qual guardião silencioso de teu sono sagrado. Ele vê a salvação em ti e protege a luz em ti, na qual vê sua própria luz. Ele te oferece suas flores e sua neve, em agradecimento por tua benevolência.

3. Este é o mundo que o Amor de Deus revela. Ele é tão diferente do mundo que vês pelos olhos sombrios de malícia e de medo que um prova que o outro é falso. Só um pode ser absolutamente verdadeiro. O outro é totalmente sem significado. Um mundo no qual o perdão brilha sobre todos as coisas e a paz oferece sua luz bondosa a todos é inconcebível para aqueles que veem um mundo de ódio que surge do ataque, pronto para vingar, assassinar e destruir.

4. Porém, o mundo de ódio é igulamente invisível e inconcebível para aqueles que sentem o Amor de Deus em si. O mundo deles reflete a tranquilidade e a paz que brilha neles; a bondade e a inocência que os envolve; a alegria com que olham para fora a partir dos infinitos mananciais de alegria interior. Eles olham para o que sentem interiormente e veem seu reflexo seguro em todos os lugares.

5. O que queres ver? A escolha te é dada. Mas aprende e não deixes tua mente se esquecer desta lei da visão: tu verás aquilo que sentes em teu interior. Se o ódio encontrar um lugar em teu coração, vais perceber um mundo amendrontador, preso de modo cruel entre os dedos ossudos e afiados da morte. Se sentires o Amor de Deus dentro de ti, olharás para um mundo de misericórdia e amor.

6. Hoje, ultrapassamos as ilusões, enquanto buscamos achar aquilo que é verdadeiro em nós e sentir sua ternura todo-envolvente, seu Amor que nos sabe tão perfeitos quanto ele próprio, sua visão que é a dádiva que seu Amor nos concede. Aprendemos o caminho hoje. Ele é tão certo quanto o próprio Amor, para o qual ele nos transporta. Pois sua simplicidade evita as ciladas que só servem para esconder as tolas complexidades do aparente raciocínio lógico do mundo.

7. Faze simplesmente isto: fica quieto e põe de lado todos os pensamentos acerco do que és e do que Deus é; todos os conceitos que aprendeste a respeito do mundo; todas as imagens que tens de ti mesmo. Esvazia tua mente de tudo o que ela pensa que é falso ou verdadeiro, ou bom ou mau, de todo pensamento que ela julga digno e de todas as ideias das quais ela se envergonha. Não te prendas a nada. Não tragas contigo um único pensamento que o passado tenha ensinado, nem uma só crença que tenhas aprendido alguma vez antes a respeito de qualquer coisas. Esquece este mundo, esquece este curso e vem com mãos totalmente vazias para teu Deus.

8. Não é Ele Quem conhece o caminho para ti? Tu não precisas saber o caminho para Ele. Tua parte é simplesmente permitir que todos os obstáculos que interpuseste entre o Filho e Deus Pai sejam calmamente retirados para sempre. Deus fará Sua parte em uma resposta alegre e imediata. Pede e receberás. Mas não faças exigências, nem indiques para Deus a estrada pela qual Ele deveria aparecer para ti. A maneira de alcançá-Lo é apenas deixar que Ele seja. Pois deste modo tua realidade também se manifesta.

9. E assim, hoje, não escolhemos o caminho pelo qual vamos a Ele. Mas escolhemos, sim, deixar que Ele venha. E descansamos com esta escolha. E, em nossos corações tranquilos e mentes abertas, Seu Amor marcará o caminho para si mesmo. Aquilo que não foi negado certamente existe, se for verdadeiro, e pode ser alcançado com certeza. Deus conhece Seu Filho e conhece o caminho para ele. Ele não precisa que Seu Filho Lhe mostre como achar Seu caminho. Seu Amor brilha e ser reflete a partir de seu lar interior através de toda porta aberta e ilumina o mundo em inocência.

10. Pai, não conhecemos o caminho para Ti. Mas chamamos e Tu nos respondes. Nós não atrapalheremos. Os caminhos para a salvação não são os nossos, pois Te pertencem. E é em Ti que os procuramos. Nossas mãos estão abertas para receber Tuas dádivas. Não temos nenhum pensamento separado de Ti e não damos valor a nenhuma crença acerda do que somos ou de Quem nos criou. Teu é o caminho que queremos encontrar e seguir. E pedimos apenas que Tua Vontade, que também é a nossa, seja feita em nós e no mundo, para ele se torne uma parte do Céu agora. Amém.

*

COMENTÁRIO:

A ideia para nossas práticas deste sábado, dia 7 de julho, aponta diretamente para aquilo que lemos na terça, no grupo de estudos. O texto que trata de 'causa e efeito' e que está na página 33 do livro. Um texto que ensina que não vigiamos com cuidado suficiente nossos pensamentos. 


De acordo com o que diz o texto, estamos permanentemente dispostos a reclamar do mendo, apesar de persistirmos em amedrontar a nós mesmos. Diz também que não estamos habituados ao pensamento da mente disposta ao milagre, a mente que abandona o medo. 


É em razão disto que o Curso nos oferece os exercícios, pois, como o texto diz uma mente que não é capaz de exercer vigilância sobre seus pensamentos não pode ajudar na tarefa de salvação do mundo, pois, distraída de si mesma, acredita que alguma coisa fora dela pode amedrontá-la. 


Daí é que surgem todos os conflitos que aparentemente vivemos neste mundo. O Curso ensina, contudo, que tanto os milagres quanto o medo vêm dos pensamentos. Basta, portanto, vigiarmos os pensamentos, escolhendo os milagres para que rejeitemos o medo, mesmo que apenas temporariamente.

Vocês conseguem perceber a relação entre o texto e a ideia que vamos praticar hoje? Ele tem também, ao mesmo tempo, relação direta com a ideia que praticamos ontem, que dizia: "aqueles que buscam a luz estão apenas cobrindo seus olhos". Pois "a luz está neles agora", do mesmo modo que está em cada um de nós.


Na verdade, voltando ao final do comentário do ano passado, tudo está relacionado ao que queremos acreditar que é a Vontade de Deus para nós. Se acreditamos que a Vontade de Deus e a nossa própria vontade são a mesma, podemos tranquilamente inferir que, quando estamos fazendo aquilo que nos sentimos inspirados a fazer e que nos põe em contato com uma alegria quase indizível e nos deixa inteiramente em paz, estamos, de fato, cumprindo nosso papel no plano de Deus para a salvação. Pois são a alegria e a paz que nos ligam a Deus. Quando estamos em sintonia com o divino não há nenhum conflito e podemos verdadeiramente sentir o Amor de Deus dentro de nós. E fora também. Pois tudo o que nos sentimos inclinados a fazer é estender o amor que sentimos.

É, pois, para aprender a escolher a Vontade de Deus, mantendo vigilância sobre nossa mente e pensamentos, que praticamos.